ISSN: 1809-2950    FISIOTERAPIA e         PESQUISA    REVISTA DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA FACULDADE     DE MEDICINA DA UNI...
Fisioterapia e Pesquisa   em continuação a Revista de Fisioterapia da Universidade de São Paulo.   Publicação quadrimestra...
S UMÁRIO                                                                                                                  ...
4   FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
E DITORIAL                                                                   E DITORIALPersiste o debate sobre a regulamen...
Confiabilidade da medição da circunferência de membros inferiores                        utilizando fita métrica e Leg-O-M...
Carvalho et al.                                                                                                     Mediçã...
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Carvalho et al.                                                                       Medição da circunferência de MMII   ...
Avaliação de questionário sobre sintomas e estado funcional                           de pacientes com síndrome do túnel d...
Lovo et al.                                                                              Questionário para síndrome do tún...
Tabela 1 Freqüência e estatística descritiva                      Tabela 3 Cruzamentos entre escalas do BTCQ e variáveis s...
Lovo et al.                                                                                Questionário para síndrome do t...
REFERÊNCIAS 1    Stevens J C. AAEE minimonograph #26: the                  11 Levine DW, Simmons BP, Koris MJ, Daltroy LH,...
Lovo et al.                                                                         Questionário para síndrome do túnel do...
Respostas eletromiográficas, funcionais e posturais a um tratamento                        fisioterapêutico da síndrome fe...
Sacco et al.                                                                                Fisioterapia para a síndrome f...
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  1. 1. ISSN: 1809-2950 FISIOTERAPIA e PESQUISA REVISTA DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULOVolume 13 – número 1 Janeiro – Abril 2006
  2. 2. Fisioterapia e Pesquisa em continuação a Revista de Fisioterapia da Universidade de São Paulo. Publicação quadrimestral do Curso de Fisioterapia da Faculdade de Medicina da USP Fisioterapia e Pesquisa visa disseminar conhecimento científico rigoroso de modo a subsidiar tanto a docência e pesquisa na área quanto a fisioterapia clínica. Publica, além de artigos de pesquisa originais, revisões de literatura, relatos de caso/s, bem como cartas ao Editor. INDEXADA EM: LILACS – Latin American and Caribbean Health Sciences; LATINDEX – Sistema Regional de Información en Línea para Revistas Cientifícas de Américas; e CINAHL – Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature. Tiragem: 1.000 exemplaresEDITORA CHEFE CORPO EDITORIAL Profa. Dra. Amélia Pasqual Marques Alberto Carlos Amadio EEFE/ USP Antonio Fernando Brunetto DFisio/ UELEDITORAS ASSOCIADAS Armèle Dornelas de Andrade DFisio/ UFPe Profa. Dra. Isabel de Camargo Neves Sacco Augusto Cesinando de Carvalho DFisio/ UNESP Profa. Dra. Sílvia Maria Amado João Pres.Prudente Carmen Silvia Benevides Fellippa CCS/ UFSMCONSELHO CONSULTIVO (FOFITO/FM/USP) Cláudia R. Furquim de Andrade FM/ USP Prof. Dr. Carlos Roberto R. de Carvalho Débora Bevilaqua Grossi FM Ribeirão Preto/ USP Profa. Ms. Carolina Fu Dirceu Costa FACIS/ UNIMEP Profa. Dra. Celisa Tiemi N. Sera Gil Lúcio Almeida DFisio/ UNAERP Prof. Dr. Celso Ricardo F. de Carvalho Helenice Jane Cote Gil Coury DFisio / UFSCar Profa. Dra. Clarice Tanaka João Carlos Ferrari Corrêa DCS/ UNINOVE Profa. Dra. Fátima Aparecida Caromano José Rubens Rebelatto DFisio/ UFScar Profa. Dra. Raquel Aparecida Casarotto Marcos Duarte EEFE/ USP Profa. Dra. Maria Elisa Pimentel Piemonte Maria Ignêz Zanetti Feltrim INCOR /FMUSPSECRETARIA Neide Maria Lucena DFisio/ UFPB Patrícia Jundi Penha Oswaldo Crivello Junior FO/ USPNORMALIZAÇÃO BIBLIOGÁFICA Patricia Castelucci ICB/ USP Serviço de Biblioteca e Documentação da FMUSP Fátima Correa Oliver TO/ FMUSP e-mail: sbd@biblioteca.fm.usp.br Rinaldo Roberto de J. Guirro FACIS/ UNIMEP Rosângela Corrêa Dias EEFFTO/ UFMGEDIÇÃO DE TEXTO, PROJETO GRÁFICO Sérgio L. Domingues Cravo DFisiolog/ UNIFESPE DIAGRAMAÇÃO Sérgio Teixeira da Fonseca EEFFTO/ UFMG Pixeletra ME Simone Dal Corso DCS/ UNINOVEIMPRESSÃO Tânia de Fátima Salvini DFisio/ UFSCar Gráfica UNINOVE Vera Maria Rocha CCS/ UFRN Curso de Fisioterapia Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional – FOFITO/FM/USP R. Cipotânea 51 Cidade Universitária 05360-160 São Paulo SP e-mail: revfisio@edu.usp.br http://medicina.fm.usp.br/fofito/fisio/revista.php APOIO INSTITUIÇÕES COLABORADORASFACULDADE DE MEDICINA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE RIBEIRÃO PRETO / USP DE SÃO PAULO
  3. 3. S UMÁRIO C ONTENTS Editorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 EditorialPESQUISA ORIGINALORIGINAL RESEARCH Confiabilidade da medição da circunferência de membros inferiores utilizando fita métrica e Leg-O-Meter II . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 Reproducibility of lower limb circumference measurement by using metric tape and Leg-O-Meter II João Paulo F. de Carvalho, André Maurício B. de Carvalho, Danielle A. Gomes Pereira, Luciana Campanha Carvalho, Inácio Teixeira da Cunha Filho Avaliação de questionário sobre sintomas e estado funcional de pacientes com síndrome do túnel do carpo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 Evaluation of a questionnaire on symptom severity and functional status of patients with carpal tunnel syndrome Thais M. Albani Lovo, Guilherme Borges, Yvens Barbosa Fernandes, Ricardo Ramina, Edmur Franco Carelli, Anamarli Nucci Respostas eletromiográficas, funcionais e posturais a um tratamento fisioterapêutico da síndrome femoropatelar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 EMG, functional and postural responses to a physical therapy treatment for patellofemoral syndrome Isabel C. Neves Sacco, Gil Kiyoshi Konno, Guilherme Benetti Rojas, Cristina M. Nunes Cabral, Anice de Campos Pássaro, Antonio Carlos Arnone, Amélia Pasqual Marques Impacto, sobre a quantidade de urina perdida, de uma intervenção fisioterapêutica em idosas com incontinência urinária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 Impact of a physical therapy intervention on the quantity of urine loss among elderly women with urinary incontinence Elza L. L. Souza Baracho, Rosângela Corrêa Dias, Cristina Said Saleme, Márcia Salvador Geo, Cláudia L.Soares Laranjeira, Rachel S. B. Corrêa LimaRELATO DE CASOSCASE REPORT Evolução clínica da marcha em um indivíduo com lesão medular incompleta: relato de caso . . . . . . 30 Clinical evolution of gait in a subject with incomplete spinal cord injury: case report Wagner Monteiro, Fernanda Fregni da Silva, Ismael Fernando C. FatarelliREVISÃOREVIEW Fundamentos da Fisioterapia dermato-funcional: revisão de literatura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 Grounds for esthetic physical therapy: a review Giovana Barbosa Milani, Silvia M. Amado João, Estela Adriana Farah Reabilitação pulmonar: treinamento de membros superiores em pacientes com DPOC . . . . . . . 44 Pulmonary rehabilitation: upper-limb exercise training in patients with COPD; a review Vanessa Girard Severo, Viviane Viegas Rech Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho em fisioterapeutas: revisão da literatura . . . . . 53 Work-related musculoskeletal disorders among physical therapists: a literature review Rodrigo Luiz Carregaro, Celita Salmaso Trelha, Helen Zulian MastelariInstruções para autores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60Ficha de assinatura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
  4. 4. 4 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
  5. 5. E DITORIAL E DITORIALPersiste o debate sobre a regulamentação das profissões na área da saúde. OMinistério da Saúde (MS) criou em 2004 a Câmara de Regulação do Trabalho emSaúde (CRTS), para propor a regulação de profissões e ocupações da área, sugerindoalterações de leis e estimulando iniciativas para regulamentar o exercício de novasatividades. Recente portaria do MS motivou reação da classe médica no Estado deSão Paulo. O Conselho Regional de Fisioterapia desse estado (Crefito3) consideraoportuno manifestar sua posição a respeito.O trabalho humano digno e livre é o grande motor da sociedade contemporânea.Nossa Constituição cita como um dos valores fundamentais do Estado brasileiro a“valorização do trabalho e da livre iniciativa” (art.1º, inciso IV). Na mesma linha,estabelece em seu art.5º, inciso XIII, que “é livre o exercício de qualquer trabalho,ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”.Trata-se do direito fundamental ao “livre exercício de profissão”, consagrado pelolegislador constituinte.Nenhum direito fundamental, porém, é absoluto, encontrando seus limites nosdemais direitos consagrados na própria Constituição. Neste sentido, é inegável arelevância valorativa que se deve atribuir à questão da saúde. No choque entre odireito fundamental ao livre exercício profissional e o direito fundamental à saúde,a ser garantido pelo Estado – para evitar que um cidadão lesione a integridadefísica de outrem – entendemos ser de grande relevância que, não obstante a garantiaà liberdade do exercício profissional, tratando-se de profissões da área da saúdenão há que se falar em seu exercício sem a competente regulamentação.Em nome da preponderância do direito fundamental à vida e à saúde, torna-seimprescindível a tutela estatal de toda e qualquer atividade profissional que, dealguma forma, envolva a conservação ou restauração das funções orgânicas, físicasou mentais do ser humano. É portanto necessária a regulamentação e a fiscalizaçãode toda atividade ligada à área da saúde, restringindo seu exercício a pessoasdevidamente habilitadas para tal, segundo normas editadas pelo Estado. Mister sefaz ainda o reforço da legislação criminal no sentido de punir com veemênciacondutas tendentes a lesar a incolumidade da população, por meio do exercícioilegal de profissão regulamentada da área da saúde. Só assim estar-se-á garantindoo livre exercício profissional, sem desguarnecer o direito humano fundamental àsaúde, à integridade física e à própria vida. Roberto Angotti Júnior Procurador-Chefe do Contencioso Fiscal do Crefito3 – Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Estado de São Paulo Prof. Dr. Gil Lúcio Almeida Presidente do Crefito3 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 5
  6. 6. Confiabilidade da medição da circunferência de membros inferiores utilizando fita métrica e Leg-O-Meter II Reproducibility of lower limb circumference measurement by using metric tape and Leg-O-Meter II João Paulo Ferreira de Carvalho1, André Maurício Borges de Carvalho2, Danielle Aparecida Gomes Pereira3, Luciana Campanha Carvalho3, Inácio Teixeira da Cunha Filho4 1 Graduando em Fisioterapia no RESUMO: A fita métrica (FM) e o Leg-O-Meter II (LGM) são instrumentos utilizados Centro Universitário de Belo para medir circunferência dos membros inferiores (MMII) e estimar dimensão Horizonte (UNI-BH) de edema. A confiabilidade desses métodos ainda não foi testada em avaliadores 2 Médico; Prof. Dr. do UNI-BH sem experiência clínica. Este estudo visou contrastar a confiabilidade da medição de circunferência de MMII intra e inter-avaliadores usando FM e 3 Fisioterapeutas; Profas. do LGM. Vinte indivíduos saudáveis participaram do estudo. Dois avaliadores UNI-BH mediram a circunferência de ambos os membros inferiores utilizando os dois 4 Fisioterapeuta; Prof. Dr. do métodos em duas ocasiões consecutivas (teste e reteste). As circunferências UNI-BH avaliadas em decúbito dorsal com a FM foram medidas 20 cm acima da base da patela e 15 cm abaixo do pólo inferior da patela. Com o LGM as circunferências foram medidas a 20 e a 30 cm acima da plataforma do aparelho,ENDEREÇO PARA na posição ortostática. Não foi encontrada diferença estatisticamenteCORRESPONDÊNCIA significante entre a média das circunferências medidas com cada instrumento Inácio Teixeira da Cunha Filho tanto intra quanto inter-avaliadores. O coeficiente de correlação de Pearson Depto. de Fisioterapia UNI-BH inter-avaliadores variou de 0,86 a 0,99 (p<0,0005) para ambos os instrumentos. Av. Prof. Mário Werneck 1685 30455-610 Belo Horizonte, MG Conclui-se que a reprodutibilidade das medições das circunferências de MMII e-mail: inacutex@terra.com.br obtidas com ambos os instrumentos é excelente, mesmo entre avaliadores sem experiência clínica, não sendo percebida superioridade de um método em relação ao outro. DESCRITORES: Extremidade inferior; Reprodutibilidade de resultados; Equipamentos de medição A BSTRACT : In view of the established relationships between neonatal malnutrition and the immuno system, peritoneal macrophages of male Wistar rats were exposed to diatermic pulsate short waves (DPSW) and to alternated magnetic field on extreme low frequency, in order to verify in vitro adhesion index and phagocytic activity. The rats were submitted to malnutrition during the nursing period and to a recovery diet after weaning. The extracted peritoneal macrophages were exposed to DPSW modulated at 30 Hz, 50 Hz and 430 Hz by using the Schliephake and conventional techniques in parallel, and to a magnetic filed of 60 Hz. Results show increased adhesion index only with the 30 Hz and 50 Hz experimental groups using Schliephake technique and CM 60 Hz; phagocytic activity was reduced with 30 Hz and 50 Hz using Schliephake technique and CM 60 Hz, as compared to the control group (p<0,05). Since macrophages of malnourished and recovered animals responded to such irradiations, and since these are largely used in physical therapy, present results could be used to choose correct DPSW modulation in therapeutic process, particularly in cases who have previouslyACEITO PARA PUBLICAÇÃO suffered malnutrition. set. 2005 KEY WORDS: Inferior extremity; Reproducibility of results; Measurement equipment6 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 13(1): 6-9 12(3)
  7. 7. Carvalho et al. Medição da circunferência de MMII INTRODUÇÃO Belo Horizonte (UNI-BH). Foram in- cluídos apenas aqueles que concor- dida inferencial de edema pré-tibial, o local normalmente utilizado para A avaliação do edema de membros daram voluntariamente em participar avaliação é mais próximo ao tornozelo.inferiores (MMII) é usualmente inferi- do estudo, e que não apresentavamda na prática clínica pela medida da qualquer patologia vascular previamen- Análise de dadoscircunferência desses membros. A fita te conhecida ou edema de membrosmétrica (FM) é um instrumento utili- inferiores. Os dados foram apresentados comozado com freqüência para esse fim, média ± desvio padrão. O teste T-já que possibilita uma mensuração Material Student Pareado foi utilizado pararápida, econômica e de fácil mani- avaliar as diferenças. A confiabilidadepulação1-5. Um aparelho recentemente Foram utilizados para o experimento (teste-reteste do mesmo avaliador) edesenvolvido denominado Leg-O- uma fita métrica (marca 3M) com grau de concordância entre avaliadoresMeter II (LGM), também utilizado subdivisões em milímetros, com um (inter-avaliador) foi estimada pelopara avaliar a circunferência dos comprimento total de 100 cm, e um coeficiente de correlação de Pearson. UmMMII, produz resultados comparáveis LGM. O LGM II consiste em uma valor mais conservador de alfa ≤ 0,01aos da FM, embora pressupostamente plataforma com uma haste graduada foi utilizado para considerar os resultadosmais precisos devido a suas caracte- em centímetros, onde a fita é fixada estatisticamente significativos, emrísticas de manufatura1,3,4,6-8. A con- por uma pinça na altura em que se função das múltiplas análises.fiabilidade das medidas obtidas tanto deseja avaliar.com a FM quanto com o LGM temsido relatada na literatura quando a Procedimentos RESULTADOSanálise é feita intra ou inter-observador Vinte indivíduos (13 mulheres e 7com experiência clínica 1,9 . Não As medidas foram coletadas por homens) participaram voluntariamenteobstante, estudantes dos últimos dois estudantes veteranos que do estudo. Sua idade média foi deperíodos do curso de Fisioterapia e avaliaram a circunferência dos MMII 23,8+3,0 anos, a altura média demesmo fisioterapeutas recém-forma- dos voluntários, tendo sido conduzidas 145,05+56,11 cm, e o peso médio dedos, em suas práticas clínicas, necessi- no mesmo dia de modo consecutivo, 62,19+10,18 Kg.tam avaliar edema de MMII, dada a com intervalo aproximado de uma hora entre uma medição e outra. A Tabela 1 apresenta os valoresalta prevalência dessa condição entre médios das circunferências obtidasos pacientes que procuram trata- As medidas obtidas com a FM pelo avaliador 1 com a FM e o LGMmento. Portanto, o objetivo deste tra- foram realizadas com os voluntários no teste e no reteste. Não houve di-balho foi verificar a confiabilidade das em decúbito dorsal. As alturas das ferença estatisticamente significativamedidas obtidas com FM e o LGM medidas foram a 15 cm abaixo do pólo entre as medidas realizadas nos locaisentre os estudantes do curso de inferior da patela e a 20 cm acima da definidos com qualquer dos instru-Fisioterapia que iniciam o aprendi- base da patela. Já as medidas colhidas mentos, em ambos os membros. Ozado clínico. Foram testadas a reprodu- com LGM foram realizadas a 20 e a coeficiente de correlação do teste-tibilidade intra e inter-avaliadores de 30 cm a partir da plataforma do reteste para a FM no membro inferiormedidas consecutivas das circunfe- aparelho, com os voluntários em ortos- direito (MID) foi de 0,98 para ambasrências obtidas com cada instrumento. tatismo. Foram avaliados ambos os as medidas realizadas (a 20 cm acima MMII de todos os voluntários. Conside- da base da patela e a 15 cm abaixo METODOLOGIA rando-se que este é um estudo de do pólo inferior da patela). Para o confiabilidade envolvendo pessoas membro inferior esquerdo (MIE), o Sujeitos saudáveis, os locais de avaliação foram selecionados de forma a coincidir com coeficiente de correlação foi de 0,97 para a medida acima da patela e 0,83 Os participantes deste estudo foram a região de maior variabilidade de cir- abaixo do pólo patelar. O coeficienterecrutados entre os alunos do curso de cunferência, ou seja, área de maior de correlação intra-avaliador (teste-Fisioterapia do Centro Universitário de massa muscular. Entretanto, na me- reteste) obtido com o LGM no MIDTabela 1 Média das circunferências dos membros inferiores obtidas pelo avaliador 1 e coeficiente de correlação entre medidas (teste-reteste) Instrumento MID MIE local de medição Teste Reteste Pearson Teste Reteste Pearson 20 cm 53,40±3,98 52,95±3,93 0,98 53,05±3,68 52,55±3,85 0,97 FM 15 cm 34,90±2,95 34,55±3,16 0,98 34,88±3,12 34,05±3,19 0,83 20 cm 26,45±1,64 26,25±1,85 0,95 26,35±1,85 26,23±1,67 0,95 LGM 30 cm 33,85±2,24 33,67±2,37 0,95 33,90±2,22 33,92±2,31 0,99MID: membro inferior direito; MIE: membro inferior esquerdo; FM: fita métrica; LGM: Leg-O-Meter II FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 7
  8. 8. foi de 0,95 para ambas as alturas primeiro e o segundo testes variou de decúbito dorsal, já que esta é umamedidas (20 e 30 cm acima da pla- 0,86 a 0,99, com nível de significância recomendação dessa técnica. O pres-taforma). No MIE esse coeficiente foi estatística menor que 0,01 (Tabela 3). suposto é que, em decúbito, pudessede 0,95 e 0,99 a 20 cm e a 30 cm ser abolida uma possível variabilidadeacima da plataforma, respectivamente. DISCUSSÃO na circunferência do membro, devido a contração muscular. Já com o LGM De forma semelhante, a Tabela 2 As medidas de confiabilidade da FM as medidas são realizadas em ortos-apresenta os valores médios dascircunferências obtidas pelo avaliador e do LGM têm sido relatadas na tatismo devido às características do2 com a FM e o LGM no teste e no literatura sem ser precisado o nível de instrumento. Entretanto, não se podereteste. Não houve diferença esta- experiência dos avaliadores1,6,9. As inferir a partir deste estudo que a po-tisticamente significativa entre as me- medidas obtidas com o LGM pres- sição do indivíduo durante a mediçãodidas realizadas nos locais definidos supõem maior confiabilidade conside- tivesse influenciado os resultados.com qualquer dos instrumentos, em rando que uma das fontes de variação Portanto, este estudo não demonstraambos os membros inferiores. O durante a medição, i.e., determinação que o LGM possa reduzir de maneiracoeficiente de correlação do teste- exata do local a ser medido no mem- significativa a variabilidade na medi-reteste para a FM no MID foi de 0,94 bro a ser avaliado, seria reduzida, uma da da circunferência dos MMII quandoe 0,98 para as medidas a 20 cm acima vez que o local pode ser previamente comparado à FM. A simplicidade noda base da patela e a 15 cm abaixo fixado no próprio aparelho1,6. Isso, uso tanto da FM quanto do LGMdo pólo patelar, respectivamente. Para teoricamente, reduziria a variabilidade permite que mesmo avaliadores semo MIE, o coeficiente de correlação foi inerente à determinação exata do pólo grande experiência clínica e com umde 0,98 para ambos os locais de patelar e às medidas derivadas a partir mínimo de treino sejam capazes demedição. O coeficiente de correlação desse ponto. Entretanto, os resultados gerar avaliações com alto nível deintra-avaliador (teste-reteste) obtido obtidos com este estudo não indicam correlação entre si.com LGM no MID foi de 0,93 e 0,96 que haja superioridade de um métodopara os locais situados a 20 e a 30 cm em relação ao outro.acima da plataforma, respectiva- Apesar de os avaliadores serem CONCLUSÃOmente. No MIE esse coeficiente foi de acadêmicos do curso de Fisioterapia O grau de concordância entre os0,89 e 0,90, a 20 cm e a 30 cm acima prestes a iniciar o estágio clínico – avaliadores em cada método deda plataforma, respectivamente. portanto sem experiência profissional medição testado foi alto. Isso sugere Tampouco houve diferença estatis- –, não houve diferenças significativas que a técnica de medição da circun-ticamente significante entre os valores entre os resultados obtidos com a FM ferência é simples e não requer treina-médios das medidas obtidas pelos dois ou com o LGM. Além disso, foi encon- mento exaustivo, independente doavaliadores com qualquer dos ins- trado excelente índice de correlação aparelho a ser utilizado. A reproduti-trumentos utilizados. A análise do grau entre as medidas intra-avaliador e bilidade das medidas de circunferênciade concordância entre as medidas inter-avaliador. obtidas dos MMII por ambos osobtidas pelos avaliadores 1 e 2 utili- As avaliações feitas com a FM instrumentos foi excelente, tanto intrazando ambos os métodos durante o foram realizadas com o paciente em quanto inter-avaliador.Tabela 2 Média das circunferências dos membros inferiores obtidas pelo avaliador 2 e coeficiente de correlação entre medidas (teste-reteste) Instrumento MID MIE local de medição Teste Reteste Pearson Teste Reteste Pearson 20 cm 53,78±3,73 53,30±3,70 0,94 53,45±3,43 53,13±3,68 0,98 FM 15 cm 34,63±3,05 34,63±2,87 0,98 34,85±2,97 34,78±3,03 0,98 20 cm 26,53±1,70 26,53±1,50 0,93 26,50±1,69 26,48±1,74 0,89 LGM 30 cm 33,98±2,04 33,98±2,26 0,96 33,70±2,21 34,08±2,36 0,90MID: membro inferior direito; MIE: membro inferior esquerdo; FM: fita métrica; LGM: Leg-O-Meter II Tabela 3 Coeficiente de correlação inter-avaliadores Instrumento Teste Reteste local de medição MID MIE MID MIE 20 cm 0,95 0,93 0,96 0,95 FM 15 cm 0,99 0,97 0,98 0,86 20 cm 0,95 0,90 0,96 0,93 LGM 30 cm 0,96 0,97 0,98 0,95 MID: membro inferior direito; MIE: membro inferior esquerdo; FM: fita métrica; LGM: Leg-O-Meter II8 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
  9. 9. Carvalho et al. Medição da circunferência de MMII REFERÊNCIAS1 Bérard A, Kurz X, Zuccarelli F, Ducros JJ, 5 Consensus Document of the International Society Abenhaim L. Reliability study of the Leg-O-Meter, of Limphology. The diagnosis and treatment of an improved tape measure device, in patients with peripheral limphedema. Limphology. 2003;31:84- chronic venous insufficiency of the leg. Angiology. 91. 1998;49:169-73. 6 Bérard A, Kurz X, Zuccarelli F, Abenhaim L.2 Mawdsley R, Hoy D, Erwin P. Criterion-related Validity of the Leg-O-Meter, an instrument to validity of the figure-of-eight method of measuring measure leg circumference. Angiology. ankle edema. J Orthop Sports Phys Ther. 2000;149-53. 2002;53:21-8.3 Petersen E, Irish S, Lyons C, Miklaski S, Bryan J, 7 Perrin M, Guex JJ. Edema and leg volume: methods Henderson N, et al. Reliability of water vollumetry of assessment. Angiology. 2000;51:9-12. and the figure-of-eigth method on subjects with ankle joint swelling. J Orthop Sports Phys Ther. 8 Janted G. Relief study: first consolidated european 1999;609-15. data. Angiology. 2000;51:31-7.4 Brijker F, Heijdra YF, Van den Elshout FJJ, Bosh FH, 9 Bérard A, Zuccarelli F. Test-retest reliability study Folgering HTM. Volumetric measurements of of a new improved Leg-O-Meter, the Leg-O-Meter peripheral oedema in clinical conditions. Clin II, in patients suffering from venous insufficiency of Physiol. 2000;20:56-61. the lower limbs. Angiology. 2000;51:711-7. FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 9
  10. 10. Avaliação de questionário sobre sintomas e estado funcional de pacientes com síndrome do túnel do carpo Evaluation of a questionnaire on symptom severity and functional status of patients with carpal tunnel syndrome Thais Maria Albani Lovo1, Guilherme Borges2, Yvens Barbosa Fernandes3, Ricardo Ramina3, Edmur Franco Carelli3 , Anamarli Nucci4 1 Fisioterapeuta; Pós-Graduanda RESUMO: Este estudo consistiu na avaliação do questionário de Levine et al. em Neurocirurgia na (1993) Boston Carpal Tunnel Questionnaire, de avaliação da gravidade dos Faculdade de Ciências sintomas e do estado funcional de pacientes com síndrome do túnel do carpo Médicas (FCM) da Unicamp (Universidade Estadual de (STC). O questionário consta de uma escala de gravidade dos sintomas – em Campinas) domínios críticos na STC, como dor, parestesias, adormecimento, fraqueza, sintomas noturnos – e uma escala de estado funcional. Foi aplicado a 30 2 Neurocirurgião; Prof.Livre- pacientes diagnosticados com a síndrome, que foram orientados a responder Docente de Neurocirurgia na FCM/Unicamp somente sobre a mão mais afetada pela patologia. Na análise dos resultados, não foram encontradas correlações entre a idade dos sujeitos e maior 3 Neurocirurgiões; Profs. Drs. de acometimento dos sintomas, nem com a prevalência de mão afetada. O Neurocirurgia na FCM/ questionário revelou-se consistente, pela estreita correlação entre as duas Unicamp escalas: onde há maior gravidade dos sintomas, também há maior acometimento 4 Neurologista; Profa. Dra. de funcional. Com a ressalva de que o questionário não prevê o caso de a mão Neurologia Clínica na FCM/ mais afetada não ser a dominante, é um instrumento de fácil compreensão, Unicamp adequado para padronizar a avaliação de pacientes com STC, sugerindo-se sua aplicação separadamente para cada mão. ENDEREÇO PARA DESCRITORES: Síndrome do túnel carpal; Questionário de Boston/utilização CORRESPONDÊNCIA Thais Maria Albani Lovo A BSTRACT : This study aimed at assessing the Boston Carpal Tunnel R. Isabel Negrão Bertotti 100 Questionnaire by Levine et al. (1993), a self-administered instrument for apto. 51 A evaluating severity of symptoms and functional status in patients with carpal 13087-671 Campinas SP tunnel syndrome (CTS). It is made up of two scales: one on the severity of e-mail: thaislovo@bol.com.br symptoms – pain, paresthesias, numbness, weakness, nocturnal symptoms 2 guiborges@fcm.unicamp.br; – and the other on function impairment. It was answered by 30 patients 3 yvens@uol.com.br; with CTS, who were guided to answer only about the most affected hand. ramina@bsi.com.br; The analysis of results shows no correlation between age and severity of ecarelli@uol.com.br; symptoms, nor between these and the most affected hand (right or left). The 4 anucci@hc.unicamp.br questionnaire proved consistent, since a highly positive correlation was found between the two scales: the more severe the symptoms, the worse Estudo realizado no Ambulatório the functional status. With the objection that it doen’st seem to have foreseen de Nervos Periféricos do Hospital cases in which the dominant hand is not the most affected one, it is an das Clínicas da Unicamp instrument of easy application and understanding, hence suitable to standardize the assessment of CTS symptoms; it is here suggested that it be ACEITO PARA PUBLICAÇÃO applied separately for each hand. set. 2005 KEY WORDS: Carpal tunnel syndrome; Boston questionnaire/utilization10 12(3) FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 13(1): 10-5
  11. 11. Lovo et al. Questionário para síndrome do túnel do carpo INTRODUÇÃO algumas publicações a síndrome do túnel do carpo seja utilizada como entre outros sintomas, foi traduzido e validado no Brasil12, estando apto a ser Os sinais e sintomas causados pela sinônimo de compressão do nervo aplicado diretamente a nossa popu-compressão do nervo mediano, no ca- mediano no carpo, outras afecções lação. Esse questionário tem sido uti-nal do carpo, são denominados síndro- como radiculopatias, plexopatias, lizado em vários países13,14 como Itáliame do túnel do carpo (STC)1. Esta é a lesões osteoarticulares, e mesmo com- e Turquia15,16, tendo sido denominadoneuropatia compressiva mais comum pressão do nervo mediano em outros Boston Carpal Tunnel Questionnairee melhor definida no ser humano2. Tem locais são citadas como possíveis (BCTQ) em sua versão italiana15. Foisido chamada a doença do século, causas dos mesmos sintomas1,10. aplicado em estudos pré e pós-ope-pois sua incidência vem aumentando ratórios de síndrome do túnel do carpo, A parestesia e sintomas noturnos,e compreende hoje 40,8% das doenças tendo também sido utilizado para que são considerados sintomas pri-por esforços repetitivos3. A prevalência constatação de mudanças clínicas mários da síndrome do túnel do carpode STC varia de 51 a 125:100.0002,4, após reabilitação com exercícios de e normalmente são atribuídos à com-ocorrendo mais freqüentemente no deslizamento de tendões e nervo, no pressão neural, foram encontradossexo feminino – 3,4% mulheres e 0,6% tratamento conservador da síndrome expressivamente em pacientes comhomens – e a idade predominante do túnel do carpo13. Em contato prévio exames eletrofisiológicos normais, nãovaria de 30 a 60 anos2,4,5, portanto é com os autores do questionário, mostrando correlação significativaem média 45 anos. recebemos autorização para sua utili- com compressão do nervo mediano no zação neste estudo. O túnel do carpo é constituído por carpo. Já o sintoma dor, consideradoum arco côncavo formado pelos ossos secundário da síndrome, foi encontrado Instrumento de fácil compreensãodo carpo dorsal e lateral e, na região predominantemente em pacientes e aplicação simples e com tempoventral, pelo espesso ligamento trans- sintomáticos com exames normais9. apropriado de administração, constaverso do carpo. Dentro dele passam o Daí a importância de avaliação sis- de duas partes: escala de gravidadenervo mediano e mais nove tendões temática, padronizada, com quantifi- dos sintomas e escala do estadoflexores, portanto esse espaço fica cação dos sintomas. funcional (ver Anexo). O questionáriosusceptível a reações inflamatórias dos aborda seis domínios críticos na Vários estudos têm sido feitos emtendões, surgindo edema e aumento síndrome do túnel do carpo: dor, torno do comprometimento neuromus-da pressão no túnel. A compressão do parestesias, adormecimento, fraque- cular e outros achados físicos, porém anervo mediano no túnel do carpo za, sintomas noturnos e estados grande preocupação dos pacientes sedecorre na maioria dos casos de funcionais globais. A escala de gravi- volta para os sintomas e diminuição detenossinovite crônica flexora não- dade (Escala G) dos principais função em mão e punho acometidos11.específica6, sendo esta considerada sintomas é composta de 11 questõesetiologia idiopática, mas podendo ser Diante de tão significativos sinto- de múltipla escolha pontuadas de 1 atambém intrínseca, como em pacien- mas da síndrome do túnel do carpo e 5, onde 1 ponto representa sintomates com hipotireoidismo, em estado de das desabilidades funcionais encontra- leve, passando gradativamente a 5retenção de líquidos (gravidez) e das e relatadas pelos pacientes, o pontos, representando sintomas maispacientes crônicos de hemodiálise, ou objetivo deste estudo é a aplicação graves. A pontuação da escala éainda extrínseca, em casos de de questionário sobre a gravidade dos calculada pela média dos escores paramudança da dimensão do canal do sintomas e sobre o estado funcional, os 11 itens individuais. A escala docarpo sem aumento das estruturas utilizado e desenvolvido como instru- estado funcional ou escala funcionalinternas, como em fraturas ou sublu- mento 11 , traduzido e validado no (Escala F) aborda 8 atividades usuais,xação dos ossos do carpo e artrite de Brasil12, tendo em vista a avaliação que contemplam desde as atividadespunho7. A síndrome do túnel do carpo padronizada desses pacientes. de jovens trabalhadores que têm suatem sido relacionada ao aumento de ocupação relacionada à STC atépeso corporal e índice de massa cor- indivíduos com mais idade. As respos-pórea, onde um aumento de peso METODOLOGIA tas vão também de 1 a 5 pontos, onderepresenta risco adicional para início Foi utilizado o questionário formu- 1 ponto representa nenhuma dificul-dos sintomas, devido ao aumento do lado por Levine et al.11 chamado Self dade e 5 pontos, que o indivíduo nãotecido de gordura dentro do canal do administered questionnaire for the consegue realizar o quesito citadocarpo e conseqüente aumento da assessment of severity of symptoms and devido aos sintomas. A pontuaçãopressão hidrostática8. functional status in carpal tunnel total é dada pela média dos escores syndrome, desenvolvido no Brigham dos 8 itens11. O diagnóstico diferencial da síndro-me do túnel do carpo deve ser baseado and Women’s Hospital em Boston. Esse O questionário foi aplicado pessoal-em sinais e sintomas clínicos e no exa- instrumento de quantificação da mente pelo mesmo examinador, emme eletrofisiológico9 pois, embora em parestesia e dor nas mãos e punhos, 30 pacientes portadores de síndrome FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 11
  12. 12. Tabela 1 Freqüência e estatística descritiva Tabela 3 Cruzamentos entre escalas do BTCQ e variáveis sociodemográficas das variáveis sociodemográficas Idade Idade (categórica) Freqüência Escore na Escala G Escore na Escala F N % Cumulativa Idade N Média DP Máx. Mediana Mín. Idade N Média DP Máx. Mediana Mín. <45 14 46,67 14 <45 14 3,16 0,61 4,36 3,09 1,55 <45 14 3,13 0,77 4,25 3,31 1,75 ≥45 16 53,33 30 ≥45 16 2,95 0,55 4,09 2,95 2,09 ≥45 16 3,08 0,61 4,13 3,19 1,88 p-valor = 0,2598 p-valor: 0,7543 Idade (contínua) N Média DP Máx. Mediana Mín. Coeficiente de correlação de Spearman Coeficiente de correlação de Spearman 30 43,63 8,9 62 45 26 r = 0,0075 ; p = 0,9686 r = 0,13406 ; p = 0,4800 Mão afetada Sexo Freqüência Escore na Escala G Escore na Escala F N % Cumulativa Mão N Média DP Máx. Mediana Mín. Mão N Média DP Máx. Mediana Mín. F 27 90,00 27 Direita 14 2,90 0,54 3,45 3,05 1,55 Direita 14 3,15 0,76 4,13 3,44 1,75 M 3 10,00 30 Esquerda 16 3,18 0,60 4,36 3,09 2,09 Esquerda 16 3,06 0,62 4,25 3,06 2,13 p-valor: 0,2511 p-valor: 0,4279 Mão (mais) afetada Freqüência Coeficiente de correlação de Spearman entre os escores G e F: r = 0,65235; p = 0,0001 N % Cumulativa A análise estatística foi utilizada intra-individual. Como regra geral, a D 14 46,67 14 para descrever o perfil da amostra acurácia não deve ser menor que 0,80 E 16 53,33 30 segundo as variáveis categóricas se a escala for amplamente utilizada, (sexo, profissão) e estatísticas des- porém valores acima de 0,60 já Profissão Freqüência critivas das variáveis contínuas (ida- indicam consistência. O nível de Cumulativa de, escores das escalas). Quanto à significância adotado para os testes N % (%) idade, os pacientes foram agrupados estatísticos foi de 5%, ou seja, p<0,05. doméstica 4 13,33 13,3 em menores de 45 anos e os que serviços gerais 4 13,33 26,7 tinham 45 anos ou mais, tendo em faxineira 3 10,00 36,7 vista a idade média apontada pela RESULTADOS auxiliar de cozinha 2 6,67 43,4 literatura. Para comparação dos O questionário de Boston (BCTQ), auxiliar de limpeza 1 3,33 46,7 escores entre as classes de variáveis para avaliação da gravidade dos com duas categorias foi utilizado o copeira 1 3,33 50,0 sintomas e estado funcional, foi teste de Mann-Whitney. Para verificar operário 5 16,67 66,7 aplicado em 30 pacientes com STC a existência de correlação (associação cortador de cana 2 6,67 73,4 que se encontravam em acompanha- linear) entre os escores das escalas foi operador de caixa 1 3,33 76,7 mento médico. Destes, 27 eram do utilizado o coeficiente de correlação sexo feminino. A idade dos pacientes auxiliar de de Spearman. Esse coeficiente assume enfermagem 4 13,33 90,0 variou de 26 a 57 anos (Tabela 1). valores de –1 a +1: quanto mais pró- costureira 3 10,00 100,0 ximo de zero, menos correlacionadas Os pacientes foram orientados a são as variáveis, e quanto mais responder o questionário apenas sobre do túnel do carpo, no Ambulatório de próximo de 1 ou -1, mais correlaciona- a mão mais afetada pela síndrome do Nervos Periféricos do Hospital das das são as variáveis. Para verificação túnel do carpo. Neste estudo, 16 Clínicas da Universidade Estadual de da consistência do instrumento foi cal- pacientes (53%) têm a mão esquerda Campinas, em uma sala reservada, culado o coeficiente alfa de Cronbach mais afetada e 14 (47%), a mão sem interferência externa, onde os para consistência interna. Esse coefi- direita; 20 pacientes apresentavam pacientes foram orientados a responder ciente é utilizado para verificar a ho- sintomas em ambas as mãos, porém somente em relação à mão mais mogeneidade ou acurácia dos itens do responderam sobre a mais acometida sintomática. instrumento, ou seja, a concordância (Tabela 1). Todos os pacientes são destros, isto é, têm a mão direita Tabela 2 Consistência interna do BTCQ utilizando o coeficiente alfa de Cronbach dominante. Nenhum dos pacientes Escore na Escala G (11 itens) Escore na Escala F (8 itens) tinha sido submetido a procedimento Coeficiente alpha de Cronbach Coeficiente alpha de Cronbach r* cirúrgico na mão sobre a qual estava Escala completa 0,691632 Escala completa 0,745333 respondendo o questionário. sem F1 0,793515 0,012 As atividades profissionais dos * r = correlação do item com o total sujeitos caracterizam-se como ocupa-12 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
  13. 13. Lovo et al. Questionário para síndrome do túnel do carpoções manuais, assim distribuídas: 50% adequado para ser completado e fácil realizaria a tarefa pedida com essaserviços que requerem mão-de-obra compreensão, levando em consi- mão. Uma sugestão é o instrumentonão-qualificada (domésticos, de cozi- deração o baixo nível de escolaridade ser aplicado separadamente para cadanha, de limpeza, serviços gerais), 27% da população da amostra. mão do indivíduo.operários (cortadores de cana, ope- Em relação ao sexo, 90% dos A profissão que o indivíduo exercerador de caixa, operários industriais), pacientes avaliados pertenciam ao muitas vezes está diretamente re-13% auxiliares de enfermagem e 10% sexo feminino, em concordância com lacionada à instalação dos sintomascostureiras (Tabela 1). Metade do total a literatura2,4,5,17; quanto à idade, não da síndrome do túnel do carpo. Em(15 pessoas) estavam afastadas do houve predominância de mais jovens nossa amostra, todos os pacientesserviço devido à falta de condições ou mais velhos (não houve relação realizam atividades manuais em suapara exercer a função. significativa entre pessoas com mais, atividade profissional, muitas vezes O resultado da análise da consis- ou com menos de 45 anos), mas a com movimentos repetitivos e de força;tência interna do instrumento é apre- faixa de idade dos sujeitos estudados 50% deles indivíduos estão afastadossentado na Tabela 2. Tendo em vista (26-57) é bastante semelhante à de seu serviço devido aos sintomas dauma dúvida de cerca de metade dos indicada na literatura2,4,5. doença. A experiência de trabalhopacientes sobre a primeira questão da nessa área sugere que pacientes que As pessoas foram orientadas aescala funcional (uso da mão para recebem benefícios em seu afasta- responder sobre a mão mais afetada,escrever), discutida adiante, foi cal- mento apresentam piores resultados de e esta não era necessariamente a mãoculado o coeficiente de consistência tratamentos feitos, baixa satisfação e dominante. Há estudos referindo que,interna do instrumento retirando-se mais queixas de sintomas. Tem sido geralmente, a mão dominante é aesse primeiro item, pelo quê o coefi- relatado que pacientes com benefícios mais freqüentemente envolvida, masciente seria aumentado (Tabela 2). devido a doenças musculoesqueléticas a não-dominante também pode ser têm marcadamente piores resultados, No cruzamento entre escalas e afetada sozinha17. Em nossa amostra possivelmente devido a fatores comovariáveis sociodemográficas não houve 53% de mãos não-dominantes posições ergonômicas, ganhos secun-houve correlação significativa entre as afetadas (47% mãos dominantes). A dários, insatisfação no trabalho, fatoresidades, divididas em indivíduos com primeira questão da escala funcional psicológicos e sociais18. Este não émenos de 45 anos (47%) e com 45 anos trouxe dúvidas aos pacientes no mo- interesse direto em nosso estudo, re-ou mais (53%), o mesmo ocorrendo mento da aplicação do questionário, querendo maior aprofundamento nasem relação à mão afetada dos sujeitos, no caso de a mão mais afetada, sobre questões de saúde do trabalho; apenasonde não houve correlação significa- a qual deveria responder, ser a mão vale ser ressaltado como influência nostiva (Tabela 3). O coeficiente de corre- não-dominante (com a qual ele não resultados e em estudos posteriores.lação de Spearman entre os escores escreve, mas deveria responderia àobtidos nas escalas de gravidade e pergunta sobre dificuldade emfuncional indica forte correlação entre escrever). Isso levou a certa am- bigüidade que foi demonstrada na CONCLUSÃOas escalas: quanto maior a gravidadedos sintomas, maior o acometimento análise estatística ao se avaliar a O questionário Boston Carpal Tunnelda funcionalidade. consistência interna do instrumento Questionnaire, já validado no Brasil, pois, se retirada essa questão, o apresenta boas condições para coeficiente de consistência interna do detectar mudanças clínicas e padro- DISCUSSÃO instrumento melhora substancialmen- te. Sugerimos que esta questão seja nizar avaliações de sintomas e funções de pacientes com síndrome do túnel A aplicação do questionário repensada na utilização do ques- do carpo. Sugerimos no entanto a apli-(BCTQ), formulado por Levine et al.11, tionário pois, se a atividade funcional cação do instrumento separadamentefoi realizada em 30 pacientes, diagnos- “escrever”, na grande maioria das para cada mão do paciente, para queticados como portadores de síndrome vezes, é realizada somente pela mão fique clara a sintomatologia em cadado túnel do carpo, sem qualquer inter- dominante (em raríssimos casos o uma, principalmente com relação àscorrência cirúrgica realizada previa- indivíduo realiza a escrita bilateral- atividades realizadas somente pelamente a esta avaliação. A escolha do mente), e se o sujeito deve responder mão dominante, pela possívelquestionário deve-se a ser este um somente sobre a mão mais afetada e presença de sintomas bilateralmente,instrumento de fácil aplicação, tempo esta for não dominante, ele não embora com diferentes intensidades. FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 13
  14. 14. REFERÊNCIAS 1 Stevens J C. AAEE minimonograph #26: the 11 Levine DW, Simmons BP, Koris MJ, Daltroy LH, Hohl electrodiagnosis of carpal tunnel syndrome. Muscle GG, Fossel AH, et al. A self administered Nerve. 1997;20:1477-86 . questionnaire for the assessment of severity of symptons and functional status in carpal tunnel 2 Kouyoumdjian J. Sindrome do túnel do carpo: syndrome. J Bone Joint Surg. 1993;75A:1585-92. aspectos clínicos-epidemiológicos. Arq Neuropsiquiatr. 1999;57(2-A):202-7. 12 Campos CC, Manzano GM, Andrade LB, Castelo Fo A, Nóbrega JAM. Tradução e validação do 3 Seradge H, Parker W, Baer C, Mayfield K, Schall L. questionário de avaliação de gravidade dos sintomas Conservative treatment of carpal tunnel syndrome. J e do estado funcional na síndrome do túnel do carpo Okla State Med Assoc. 2002;95(1):7-14. Arq Neuropsiquiatr. 2003;61(1):51-5. 4 Provinciali L, Giattini A, Splendiani G, Logullo F. 13 Akalin E, Peker Ö, Senocak Ö, Tamci S, Gülbahar S, Usefulness of hand rehabilitation Muscle Nerve. Cakmur R, et al. Treatment of carpal tunnel syndrome 2000;2:211-6. with nerve and tendon gliding exercises Am J Phys 5 Quality Standards Subcommittee of the American Med Rehabil. 2002;81(2):108-13. Academy of Neurology. Practice parameter for carpal 14 Gianini F, Cioni R, Mondelli M, Padua R, Gregori B, tunnel syndrome. Neurology. 1993;43:2406-9. D’Amico P, et al. A new clinical scale of carpal 6 Kouyoumdjian J. Aspectos atuais da síndrome do túnel tunnel syndrome: validation of the measurement and do carpo. Arq Neuropsiquiatr .1999;57(2-B):504-12. clinical-neurophysiological assessment. Clin Neurophysiol. 2002;113:71-7. 7 Strickland JW. A clinical monograph series. [on-line] [cited 2002, Nov 12] Available from: http:// 15 Padua L, Padua R, Aprile I, Tonali P Italian Multicenter www.neurometrix.com. study of carpal tunnel syndrome differences in the clinical and neurophysiological feature between male 8 Kouyoumdjian JA. Evaluation of age, body mass and female patients J Hand Surg. 1999;24B:579-82. index and wrist index as risk factors for carpal tunnel syndrome severity. Muscle Nerve. 2002;25:93-7. 16 Heybeli N, Kutluhan S, Demirci S, Kerman M, Mumcu EF. Assessment of outcome of carpal tunnel 9 Campos CC, Manzano GM, Castelo Fo A, Nóbrega syndrome: a comparison of electrophysiological JAM. Parestesia e/ou dor nas mãos e /ou punhos findings and a self administered Boston como motivo de encaminhamento para estudo questionnaire. J Hand Surg. 2002;27B:259-64. eletroneuromiográfico. Arq Neuropsiquiatr. 2003;61(1):56-60. 17 Youmans JR. Neurological surgery: a comprehensive reference guide to the diagnosis and management of 10 American Association of Electrodiagnostic Medicine, neurological problems. 4th ed. Philadelphia: American Academy of Neurology, American Saunders; 1996. Academy of Physical Medicine Rehabilitation. Literature review of the usefulness of nerve 18 Bessete L, Keller R, Lew R, Simmons B, Fossel A, conduction studies and electromyography for Mooney N, et al. Prognostic value of a hand evaluation of patients with carpal tunnel syndrome. symptom diagram in surgery for carpal tunnel Muscle Nerve. 1993;16:1392-1414. syndrome. J Rheumatol. 1997; 24(4):726-34.14 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)
  15. 15. Lovo et al. Questionário para síndrome do túnel do carpo Anexo: Questionário utilizado Escala G: Escala de gravidade dos sintomas As questões seguintes se referem aos seus sintomas durante um típico período de 24 horas, nas duas últimas semanas. Circule uma resposta para cada questão. • Qual é a gravidade da dor em punho • Quanto tempo dura, em média, um • Qual é a gravidade do adormeci- ou mão que você tem à noite? episódio de dor durante o dia? mento e formigamento durante a 1 Não tenho dor em punho ou 1 Nunca tenho dor durante o dia noite? mão à noite 2 Menos que 10 minutos 1 Não tenho adormecimento ou 2 Dor leve 3 10 a 60 minutos formigamento durante a noite 3 Dor moderada 4 Mais que 60 minutos 2 Leve 4 Dor forte 5 A dor é constante ao longo do 3 Moderado 5 Dor muito forte dia 4 Grave • Com que freqüência você é • Você tem adormecimento em sua 5 Muito grave (gravíssimo) acordado pela dor em punho ou mão? (perda de sensação) • Com que freqüência você é mão, durante uma noite típica, nas 1 Não acordado pelo adormecimento ou duas últimas semanas? 2 Adormecimento leve formigamento em punho ou mão, 1 Nunca 3 Adormecimento moderado durante uma noite normal, 2 1 vez 4 Adormecimento grave ( forte) durante as duas últimas semanas? 3 2 ou 3 vezes 5 Adormecimento muito grave ( 1 Nunca 4 4 ou 5 vezes muito forte) 2 1 vez 5 Mais que 5 vezes • Você sente fraqueza na mão ou 3 2 ou 3 vezes • Você normalmente tem dor em punho? 4 4 ou 5 vezes punho ou mão durante o dia? 1 Não 5 Mais que 5 vezes Nunca tenho dor durante o dia 2 Fraqueza leve • Você tem dificuldade ao pegar e Dor leve 3 Fraqueza moderada usar pequenos objetos, como Dor moderada 4 Fraqueza grave chaves ou canetas? Dor forte 5 Fraqueza muito grave 1 Não tenho dificuldade Dor muito forte • Você tem sensação de formiga- 2 Dificuldade leve • Com que freqüência você tem dor mento em sua mão? 3 Dificuldade moderada no punho ou mão durante o dia ? 1 Não 4 Dificuldade grave 1 Nunca 2 Formigamento leve 5 Dificuldade muito grave 2 1 a 2 vezes ao dia 3 Formigamento moderado 3 3 a 5 vezes ao dia 4 Formigamento grave ( forte) 4 Mais que 5 vezes ao dia 5 Formigamento muito grave 5 A dor é constante (muito forte) Escala F: Escala funcional Em um dia normal, durante as duas últimas semanas, os sintomas no punho e mão têm causado alguma dificuldade para realizar estas atividades? Circule o número que melhor descreve sua habilidade para realizar a atividade. (Para todos os quesitos abaixo, o paciente era convidado a marcar uma das opções a seguir:) Escrever; Abotoar roupas; Segurar um livro enquanto lê; Segurar o telefone enquanto fala; Abrir garrafas; Serviços domésticos; Carregar sacolas do supermercado; Tomar banho e vestir-se. 1 Não tenho dificuldade 2 Dificuldade leve 3 Dificuldade moderada 4 Dificuldade grave 5 Não consigo fazer devido aos sintomas em punho ou mão. FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 15
  16. 16. Respostas eletromiográficas, funcionais e posturais a um tratamento fisioterapêutico da síndrome femoropatelar EMG, functional and postural responses to a physical therapy treatment for patellofemoral syndrome Isabel C. Neves Sacco1, Gil Kiyoshi Konno2, Guilherme Benetti Rojas2, Cristina Maria Nunes Cabral2,3, Anice de Campos Pássaro2,4, Antonio Carlos Arnone5, Amélia Pasqual Marques6 1 Profa. Dra.do Curso de RESUMO: A síndrome femoropatelar (SFP), patologia de difícil tratamento, decorre Fisioterapia, Depto. FOFITO de um desequilíbrio das forças que incidem sobre a patela durante seu movimento da FMUSP (Faculdade de normal; freqüentemente não se obtém alívio total da dor. Este estudo visou avaliar Medicina da Universidade de São Paulo) o efeito de tratamento fisioterapêutico em seis sujeitos com SFP, tendo entre 18 e 35 anos, diagnosticados clinicamente pelo Ambulatório de Ortopedia do Hospital 2 Fisioterapeutas; integrantes do Universitário (grupo GFP); cinco sujeitos saudáveis, de mesma idade e nível de Grupo de Estudos em atividade física do GFP formaram o grupo controle. Nos dois grupos realizaram- BIomecânica da Fisioterapia da FMUSP se, antes e após o tratamento, avaliação funcional – usando escalas de Lysholm e visual analógica de dor, da articulação segundo Karlsson, do alinhamento 3 Profa. Ms do Curso de postural de membros inferiores e teste de compressão patelar – e avaliação Fisioterapia do UniFIEO biomecânica por eletromiografia dos músculos vasto medial e vasto lateral O (Centro Universitário F.I.E. de GFP submeteu-se durante cinco semanas a exercícios de alongamento e Osasco, SP) fortalecimento muscular, tendo resultado em redução de 50% no sinal positivo 4 Profa. Ms. do Curso de da compressão patelar, melhora nos escores das escalas funcionais e diminuição Fisioterapia do UniCapital (SP) dos arcos longitudinais rebaixados e tornozelos valgos; não houve, porém, melhora 5 Ortopedista do Ambulatório de da dor. Os dados eletromiográficos mostraram maior eficiência do vasto medial Ortopedia do Hospital na realização de exercícios excêntricos e aumento da ativação do vasto lateral Universitário da FMUSP durante a marcha e na fase de subida do agachamento. O tratamento permitiu 6 pois melhora na funcionalidade, no alinhamento dos joelhos e pés e na ativação Fisioterapeuta; Profa. Livre- Docente do Curso de dos músculos avaliados. Fisioterapia da FMUSP DESCRITORES: Articulação do joelho; Biomecânica; Eletromiografia; Fisioterapia; Terapia por exercício ENDEREÇO PARA ABSTRACT: Patellofemoral Syndrome (PFS), a challenging pathology to treat – wherein full pain relief is rarely obtained – results from force imbalance CORRESPONDÊNCIA Profa. Dra. Isabel de C. N. Sacco exerted on the patella during its normal movement. This study assessed the Curso de Fisioterapia, FOFI effect of a physical therapy treatment on six 18-to-35 year-old subjects with TO/ FMUSP PFS, diagnosed by the University Hospital Orthopedic Outpatient Clinic; R. Cipotânea 51 Cidade five healthy subjects having the same age and level of physical activity as Universitária the patients made up the control group. Both groups were submitted to 05360-000 São Paulo SP assessment before and after PFS group treatment: of pain through the visual e-mail: icnsacco@usp.br analogical scale; of the patellofemoral joint according to Karlsson; Lysholm scale) lower limb postural alignment; patellar compression test; and electromyography of the vastus medialis and vastus lateralis muscles. PFS group treatment consisted in muscle stretching and strengthening exercises during 5 weeks, after which we observed a 50% reduction in positive signs of patellar compression, better Lysholm and Karlsson scores, lower plantar arches and reduction of valgus ankle; however, no pain relief was reported. Electromyographic data showed higher efficiency of the vastus medialis muscle in carrying out eccentric exercises and increased activity of the vastus lateralis while walking and during upward movement after squatting. ACEITO PARA PUBLICAÇÃO KEY WORDS: Biomechanics; Electromyography; Exercise therapy; Knee joint; Physical nov. 2005 therapy16 12(3) FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 13(1): 16-22
  17. 17. Sacco et al. Fisioterapia para a síndrome femoropatelar INTRODUÇÃO O paciente com síndrome femo- ropatelar (SFP) é usualmente jovem e logias, chegando-se a resultados dis- tintos. Monteiro-Pedro et al.12 ava- A articulação do joelho é a maior ativo e sofre de dores retro e peri- liaram a propriocepção dinâmicae uma das mais complexas articula- patelares causadas por longos períodos (senso de posição articular), enquantoções do corpo, sendo uma dobradiça sentados. A dor está relacionada com Kramer et al. 13 avaliaram a pro-bicondiliana sinovial entre os côndilos a atividade realizada e fica particular- priocepção de joelho por meio dado fêmur e da tíbia, com a patela em mente evidente durante a descida de eletrogoniometria em quatro angu-posição anterior. Por se localizar entre escadas e o agachamento. O derrame lações específicas em cadeia cinéticadois grandes braços de alavanca, o intra-articular é raro, mas a presença aberta (CCA); nenhum deles encontroufêmur e a tíbia, é uma articulação de edema próximo ao ápice da patela diferenças no senso de posiçãoconstantemente submetida a esforços é freqüente. Crepitação durante a articular entre indivíduos saudáveis ecíclicos, o que explica sua grande sus- flexo-extensão do joelho é outro com SFP. No entanto, Baker et al.14cetibilidade às lesões. Além disso, o achado comum em alguns indivíduos. encontraram déficit proprioceptivo emjoelho não é protegido por músculos A SFP é caracterizada por inúmeros sujeitos portadores de SFP quando sinais e sintomas – patelalgia, dor comparados a sujeitos saudáveis,ou tecido adiposo, como ocorre em anterior de joelho, artralgia retropa- utilizando marcadores visuais eoutras articulações1. telar, dentre outros – o que torna seu análise videográfica. É possível perceber a grande impor- diagnóstico clínico difícil. Apesar da Estudos envolvendo a análise dotância da patela para a existência de diversidade de fatores associados à agachamento também têm sido feitos,uma biomecânica ideal do joelho, já SFP, há um consenso de que o desa- como os que avaliam a atividade EMGque a articulação femoropatelar de- linhamento do aparelho extensor de dos músculos VM e VL durante exer-pende do posicionamento ideal desse joelho seria a principal causa da dor cícios de flexão de joelho em cadeiasosso durante o arco de movimento do femoropatelar5,6. cinéticas aberta e fechada (agacha-joelho2. Entre suas funções, encon- Esses fatores, que associados levam mento)15,16. Não foi encontrada dife-tram-se a proteção do joelho contra ao aumento da compressão femoro- rença na atividade dos músculos entretraumas diretos e, principalmente, a patelar e à crepitação, podem ser sujeitos com e sem SFP durante ode proporcionar vantagem mecânica representados pelo aumento do ângulo agachamento. Escamilla et al. 17ao músculo quadríceps da coxa, Q, presença de patelas altas, mediali- observaram maior atividade muscularaumentando em 50% a força de zadas ou lateralizadas e pronação durante o agachamento em cadeiaextensão do joelho3. Com o aumento subtalar excessiva7. Ainda conside- cinética fechada (CCF) e do músculoda flexão do joelho, há um contato rando os fatores relacionados ao apa- reto da coxa no exercício em CCA.cada vez maior entre a patela e o relho locomotor, o músculo quadrícepsfêmur, sendo que entre 30-70 graus de O objetivo deste estudo foi avaliar vem sendo amplamente estudado emflexão a patela é isoladamente res- a eficácia de tratamento fisiote- indivíduos normais e com SFP pela rapêutico na melhora da dor, funciona-ponsável por transmitir a força do qua- eletromiografia (EMG), especialmente lidade e respostas eletromiográficasdríceps da coxa ao fêmur em cadeia as porções do vasto medial (VM) e dos músculos vasto medial (porçãocinética aberta. Nesse momento, a vasto lateral(VL) 8, já que a função oblíqua) e vasto lateral durante aarticulação femoropatelar suporta uma desses músculos se encontra alterada marcha e o agachamento em sujeitoscarga equivalente a seis vezes o peso em pacientes com SFP. com síndrome femoropatelar, com-do corpo do indivíduo4. Souza et al.9 não encontraram dife- parados a sujeitos saudáveis. A análise de algumas atividades rença entre indivíduos saudáveis emostra os valores médios da com- com SFP na razão VMO/VL (entre ospressão entre patela e fêmur: de meia níveis de ativação do vasto medial METODOLOGIAvez o peso corporal durante a marcha, oblíquo e vasto lateral) a 60º de flexão de joelho; resultados semelhantesde 2,5 vezes o peso corporal durante foram obtidos por Boucher et al.10 nos Sujeitosa subida de escadas, de 3,5 vezes opeso corporal durante a descida de ângulos de 15º, 30º e 90º de flexão de Foram selecionados 11 sujeitos (8escadas e 7 vezes o peso corporal joelho. Já Fonseca et al.11 verificaram do sexo masculino e 3 do feminino),durante o agachamento. É aceito o aumento da relação VMO/VL com com idades entre 18 e 35 anos, dividi-fato de que a contínua compressão é joelho em 30º de flexão em sujeitos dos em dois grupos: grupo experi-necessária para uma adequada nutri- saudáveis. mental (GFP), 6 sujeitos com diagnós-ção da cartilagem hialina da patela. Alguns estudos procuraram avaliar tico de SFP em pelo menos um dosEntretanto, os problemas surgem quan- possíveis deficits proprioceptivos no membros; e grupo controle (GC), 5do, por inúmeros motivos, essa com- joelho do paciente com SFP; entretan- sujeitos sem nenhum histórico de pato-pressão se torna excessiva4. to, são utilizadas diferentes metodo- logia prévia nos joelhos. Os parti- FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3) 17
  18. 18. cipantes foram informados dos proce- dimentos experimentais e assinaram músculos vizinhos), além de possibi- Intervenção fisioterapêutica litar maior confiabilidade na reprodu- o termo de consentimento livre e tibilidade do estudo pré e pós-inter- Após avaliação, o GFP passou por esclarecido; o estudo foi aprovado venção fisioterapêutica20-22. 25 sessões de fisioterapia em cinco pela Comissão de Ética do Hospital semanas de duração. Destas, cinco Universitário da USP. A medição da variação angular da foram realizadas com supervisão do articulação do joelho durante as tare- fisioterapeuta, sendo uma por semana, fas locomotoras foi feita por meio de Protocolo Experimental – um eletrogoniômetro planar constituído e tiveram como objetivo orientar os participantes para que realizassem as métodos e equipamentos por um potenciômetro de rotação fixo demais 20 sessões no domicílio. O com duas hastes de madeira que Os dois grupos realizaram avalia- protocolo foi composto de seis exer- ficavam aderidas aos segmentos da ção funcional e biomecânica com- cícios: alongamento dos músculos da articulação por bandagens elásticas. posta de três etapas: 1) avaliação do cadeia posterior com o paciente Para a utilização na articulação do alinhamento postural, segundo proce- sentado e em decúbito dorsal; alonga- joelho, uma das hastes ficou presa à dimento de Kendall et al.18; 2) testes mento do músculo quadríceps da coxa clínicos e avaliação de parâmetros clí- coxa e a outra, à perna. Foram utili- em decúbito lateral; alongamento da nicos e funcionais pela escala de zados como referência o epicôndilo banda iliotibial com o paciente sen- Lysholm, avaliação da articulação lateral, o trocânter maior do fêmur e a tado e em bipedestação; e fortale- femoropatelar baseada em Karlsson et cabeça e o maléolo fibulares. De cimento isométrico do músculo qua- al.19 e escala visual analógica de dor; acordo com a mudança de posição dos dríceps da coxa durante um mini- também foi realizada avaliação física segmentos em questão, o potenciôme- agachamento com adução de quadril. do joelho comprometido por meio do tro alterava as tensões elétricas. Este Foram realizadas três repetições e teste de compressão patelar realizado podia ser calibrado em função de duração de 30 segundos cada. Todos sempre pelo mesmo avaliador1; e 3) posições previamente conhecidas; os pacientes avaliados aderiram ao avaliação da atividade eletromiográ- nesse caso, o sistema de referência programa de intervenção fisiote- fica dos músculos VM e VL, sincroni- adotado considerou que, na extensão rapêutica, sendo controlados os dias zada com um eletrogoniômetro completa de joelho, o ângulo medido de prática semanais e a qualidade de colocado no joelho com maior queixa pelo eletrogoniômetro seria de zero execução desses exercícios. Após a clínica no GFP, e no lado dominante grau, como sugerido por Winter23, intervenção o GFP foi reavaliado, no GC. Foram feitas três coletas com aumentando em função da flexão da duração de seis segundos, com fre- comparando-se os valores então articulação. Com base nos dados obtidos aos parâmetros iniciais. qüência de amostragem de 1000 Hz, eletromiográficos, a linha de base ou durante a execução de dois diferentes referência zero foi ajustada dos sinais movimentos de locomoção em brutos quando estes se apresentaram Tratamento estatístico cadência auto-selecionada: marcha no com off-set (linha de base fora do valor A análise comparativa das variáveis plano e agachamento a partir da posição de bipedestação com pés zero). A partir daí, os dados foram eletromiográficas, antropométricas e paralelos, realizando a tríplice flexão retificados em onda completa e as demográficas entre os grupos GC e GFP até 60º de flexão de joelho. Marcha e fases de cada movimento analisado foi realizada utilizando-se o teste t, agachamento foram selecionados por foram determinadas pelos dados do quando as variáveis apresentavam-se serem atividades funcionais utilizadas eletrogoniômetro. Após a retificação normais, e teste de Mann-Whitney no cotidiano dos participantes. do sinal e considerando cada fase de quando não normais. Já para a com- cada movimento analisado, os valores paração entre os grupos pré e pós- Para a avaliação eletromiográfica de RMS (root mean square, raiz intervenção, utilizou-se o teste t para dos músculos selecionados, foi utili- quadrada da média dos quadrados dos amostras pareadas quando as variáveis zado um eletromiógrafo da EMG valores do sinal EMG) foram calcula- eram normais, e teste de Wilcoxon System do Brasil com eletrodos diferenciais superficiais ativos pré- dos dentro desses intervalos de fases, quando não-normais. Quanto às amplificados com fator 20 no próprio como forma de representar a intensi- demais variáveis do estudo, foram eletrodo e fator 50 no amplificador, dade do sinal eletromiográfico. Essas representadas em termos de dis- colocados no ponto motor dos fases foram estabelecidas conhe- tribuição de porcentagens para os gru- músculos. Optou-se por colocar o cendo-se a biomecânica dos movi- pos e comparadas pelo teste Qui- eletrodo no ponto motor pois estudos mentos analisados de interesse para o quadrado ou teste exato de Fischer. comprovam que essa técnica permite estudo e comparando-as à variação Foram consideradas diferenças signifi- redução na possibilidade de ocorrer angular dada pela curva do eletro- cativas aquelas cujo nível de signi- cross-talk (aquisição do sinal EMG de goniômetro. ficância fosse inferior a 0,05.18 FISIOTERAPIA E PESQUISA 2006; 12(3)

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