VIVA-RIO         PROJETO RECOMEÇAR               NOVA FRIBURGO    CURSO DE AMBIENTAÇÃO PARABRIGADISTAS DA ORDEM URBANA – N...
APRESENTAÇÃO      Este curso é um dispositivo de preparação de brigadistas da OrdemUrbana de Nova Friburgo.      O módulo ...
CRONOGRAMADIA 06/07          OBJETIVOS                                                                  ATIVIDADES        ...
Texto 1                    Saúde e Doença: dois fenômenos da vidaBRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trab...
Texto 2 Família, o mais novo cliente    JEZUINO, A. L. Familia o mais novo cliente. In: Escola de Formação Técnica em    S...
O PSF enquanto estratégia desloca o foco da assistência centrada no hospital,no individuo, na livre demanda, na cura e no ...
desenvolver ações educativas e promover ações intersetoriais para o enfrentamentodos problemas identificados. Cada equipe ...
A família6 vem desenvolvendo-se como instituição social tendo umaestrutura determinada e funções que suprem as necessidade...
nuclear, quando composta do casal mais os filhos; de extensa, casal, filhos, avós, enetos; e ampliada, mista ou tradiciona...
Texto 3 Territorialização em Saúde  GONDIM, G. M. M, MONKEN, M. Territorialização em Saúde.  Disponível em: www.epsjv.fioc...
reguladas e possui princípios mínimos de organização. Essa organização só seviabiliza quando existe um poder habilitado a ...
territorialidades. Por isso, a perda ou a constituição dos territórios nasce no interior daprópria territorialização e do ...
desenhando novas configurações loco-regional, baseando-se no reconhecimento eesquadrinhamento do território segundo a lógi...
unidades fundamentais de referência, onde devem se estruturar as funçõesrelacionadas ao conjunto da atenção à saúde. Envol...
realidade social e histórica. Contempla a formulação de políticas, o pensar e agirestratégicos e a programação dentro de u...
Texto 4: Visita domiciliar   Baseado em:   ALBUQUERQUE, A. B. B, BOSI, M. L. M. Visita domiciliar no âmbito da Estratégia ...
O conceito de autonomia das pessoas deve balizar as visitas domiciliares,entretanto muito pode ser feito nesse momento pel...
Toda visita deve ser realizada tendo como base o planejamento da equipe,pautado na identificação das necessidades de cada ...
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Curso brigadistas nova_friburgo

  1. 1. VIVA-RIO PROJETO RECOMEÇAR NOVA FRIBURGO CURSO DE AMBIENTAÇÃO PARABRIGADISTAS DA ORDEM URBANA – NOVA FRIBURGO Cristina Veneu – Assessora de Educação Permanente Viva Comunidade Tatiane Aparecida Moreira da Silva – Professora responsável convidada Nova Friburgo Julho 2011
  2. 2. APRESENTAÇÃO Este curso é um dispositivo de preparação de brigadistas da OrdemUrbana de Nova Friburgo. O módulo atual está estruturado no formato de dois dias. O 1º diapossui carga horária de 8 horas, composto por temáticas relacionadas aconceituações importantes para que o brigadista possa atuar com seu objetode trabalho, a familia. O segundo dia está estruturado em 7 horas, comenfoque na abordagem de temáticas que fortaleçam o trabalho em equipe e aspráticas educativas em saúde. Partindo-se desta proposta, espera-se que os brigadistas desenvolvamas seguintes competências ao término do curso: Refletir sobre a abordagem familiar, coletiva e de grupos; Construir conceitos e praticas de intersetorialidade e integralidade; Assumir responsabilidade social e sanitária; Atuar com postura ética, humanista e democrática; Alisar os determinantes biopsicossociais do processo saúde-doença; Construir o perfil sócio-demográfico da população; Mapear e realizar territorialização da região; Desenvolver e realizar visitas domiciliares; Desenvolver práticas orientadas pela educação em saúde. Um importante trabalho nos espera e contamos com cada um de vocês,brigadistas, para desenvolvermos um trabalho que possibilite à população deNova Friburgo uma saúde de qualidade, além da perspectiva de ausência dedoença, com ética, respeito à autonomia dos sujeitos e suas necessidades,possibilitando acesso à saúde pelas famílias que estarão sob nossaresponsabilidade. Cristina Veneu e Tatiane Moreira
  3. 3. CRONOGRAMADIA 06/07 OBJETIVOS ATIVIDADES TEMPO Apresentação Dinâmica de grupo 08:00 as 08:30 Conceituação: -Divisão em dois grupos. Um grupo representa problematização sobre saúde e o outro grupo sobre doença. 08:30 às 10:00 - Saúde/doença Intervalo 10:00 às 10:15MANHÃ Conceituação: 10:15 às 11:00 - Risco, normalidade, Leitura e discussão do texto 1: Saúde e doença: dois fenômenos da vida. vulnerabilidade; Determinantes sociais; Conceituação: - Dramatização sobre família. 11:00 às 12:30 - Família. - Leitura do texto 2: Família, o mais novo cliente. - Apresentação final sobre os diversos tipos de família. Almoço 12:30 às 13:30 Territorialização Dividir em duas equipes e cada uma escreverá os principais problemas e potencialidades de saúde onde 13:30 às 15:00 moram. Identificação de riscos e vulnerabilidades. TARDE Leitura do texto 3: Territorialização em Saúde. Intervalo 15:00 às 15:15 Mapeamento Resgatar e apresentar a vivência de reconhecimento do território (visita ao bairro três irmãos) e mapeá-lo. 15:15 às 17:00DIA07/07 Visita Domiciliária Dramatização de uma visita domiciliária de um brigadista da saúde. 08:00 às 10:00 Leitura do texto 4: Visita DomiciliáriaMANHA Intervalo 10:00 às 10:15 Trabalho em equipe Dinâmica de trabalho em equipe. 10:15 às 12:00 Discussão sobre grupo e equipe Almoço 12:00 às 13:00 Educação em Saúde Construção de práticas educativas em saúde pautadas na realidade local. 13:00 às 14:30 TARDE Discussão da prática educativa planejada. Construção de Mapa social Construção em dois grupos do mapa social com base na territorialização. 14:30 às 16:00
  4. 4. Texto 1 Saúde e Doença: dois fenômenos da vidaBRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Curso de formação de facilitadores de educação permanente em saúde: unidades deaprendizagem - análise do contexto da gestão e das práticas de saúde. / Brasil. Ministério da Saúde. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2005.
  5. 5. Texto 2 Família, o mais novo cliente JEZUINO, A. L. Familia o mais novo cliente. In: Escola de Formação Técnica em Saúde Enfª Izabel dos Santos. (Org.). Curso Técnico em Enfermagem: Promovendo a Saúde. 1ª ed. Rio de Janeiro: EFTS, 2000, v. 01, p. 61-64. Desde a origem do homem até os dias atuais, a família passa por processos demudanças contínuos, apresentando estruturas e funções que atendam as necessidadespessoais e sociais de cada um de seus membros. Há pouco tempo no Brasil, as políticas públicas eram voltadas para populaçõesde risco, com ressalva para o menino de rua e da rua, a gravidez na adolescência, oportador de necessidades especiais 1e o idoso, deslocando do contexto da família, semconsiderar as relações que perpassam no meio intra e extra familiar. Contudo, a famíliarepresenta em qualquer parte do planeta Terra a célula da sociedade. Atualmente a família é de grande relevância para implementação de políticaspúblicas. Isto pode ser percebido nas políticas públicas de saúde e de assistênciasocial, que introduzem serviços voltados especificamente a esse número. A LeiOrgânica de Assistência Social (LOAS2) considera como objetivo a proteção a família ea determina como foco principal de atenção na Política Nacional de Assistência Social(PNAS3). Na saúde, temos o Programa de Saúde da Família (PSF) voltado parafamílias no seu contexto social com delimitação por determinada área ou micro-área. A implantação do PSF, no ano de 1994, reforça a necessidade de entender estegrupo singular como multiplicador das idéias do cuidado, ou seja, ela passa objeto deassistência/cuidado para sujeito promotor de saúde.1 O termo "portador de necessidades educativas especiais" diferentemente de outras nomenclaturas utilizadasanteriormente, pretende destacar a importância da inclusão das pessoas que, por algum motivo (deficiência visual,auditiva, física, retardo mental, dentre outros), necessitam de cuidados especiais. 2 LOAS nº 8742 de Dezembro de1993.3 PNAS, resolução 145 de 15 de outubro de 2004.
  6. 6. O PSF enquanto estratégia desloca o foco da assistência centrada no hospital,no individuo, na livre demanda, na cura e no uso de insumos de alta tecnologia, paraassistência que vê o individuo dentro de um contexto social, voltando o olhar dosprofissionais de saúde para família e comunidade. Esta nova forma de olhar o individuoem sua totalidade, requer organização dos serviços nos três níveis de assistência,promove a integração entre os profissionais de saúde e usuários através da criação dovínculo, e da co-responsabilidade, buscando a excelência e qualidade de vida, que éexpressa na transformação do quadro epidemiológico. Desta forma, o Ministério da Saúde propõe, para implementação deste novomodelo, a transformação das Unidades Básicas de Saúde existentes em Unidades deFamília, de modo que estas resolvam aproximadamente 85% dos problemas de saúdenas áreas adscritas4 já existentes de forma mais abrangente. A novidade é que o setorsaúde passe a buscar novos parceiros para resolução dos problemas locais, como porexemplo: educação, saneamento, meio ambiente, ação social, esporte e lazer, etc.,desvinculando a concepção da simples ausência de patologia. Pretende-se com essa estratégia diminuir o fluxo dos usuários para os níveismais especializados, "desafogando" os hospitais, melhorando a utilização dos recursosexistentes, garantindo o acesso de todos aos procedimentos mais complexos. Para reverter a forma atual de prestação de assistência a saúde, foi estabelecidopelo Ministério da Saúde que cada Unidade do PSF fosse composta por uma equipebásica de um médico da família, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e cinco ouseis agentes comunitários de saúde. É uma equipe interdisciplinar5, na qual todos ossaberes são respeitados, e onde o saber popular alia-se ao saber cientifico, resultandono planejamento participativo buscando atender às necessidades locais. Esta equipe deverá conhecer a realidade das famílias (característicassocioeconômicas, demográficas e epidemiológicas), identificar problemas de saúdee/ou situações de risco, elaborar planejamento local, prestar assistência integral,4 População adscrita - famílias cadastradas, que juntas formam uma população que será vinculada à unidade básicade saúde.5 Equipe interdisciplinar - equipe composta por profissionais com diferentes formações que completam seussaberes visando um objetivo de trabalho em comum.
  7. 7. desenvolver ações educativas e promover ações intersetoriais para o enfrentamentodos problemas identificados. Cada equipe responsabiliza pelo acompanhamento de1000 famílias (2.400 a 4.500 pessoas) de uma determinada área. Tendo como enfoque principal o processo de municipalização desencadeado em1998 com a implantação legal do Sistema Único de Saúde, o Ministério da Saúde(1999), vem estimulando financeiramente a implementação, por acreditar que aestratégia do PSF reverte dos seguintes ganhos o município: • Melhoria dos indicadores das populações atendidas; • Impacto na organização dos serviços locais reduzindo o número elevado de internações e alto índice de abandono do tratamento ambulatorial; • Estabelecimento de vínculo de responsabilidade entre as famílias e os profissionais de saúde, favorecendo o tratamento/cura das doenças identificadas; • Melhor organização dos sistemas locais de informações em saúde; • Diminuição dos números de exames complementares de encaminhamento de urgência/emergência e especialidades, de internações hospitalares por causas clínicas. Entendemos que para materializar esta estratégia faz-se necessário que osgestores e equipes reflitam sobre algumas concepções de família desenhadas ao longodo seu desenvolvimento histórico social. Neste sentido, vale citar a concepção dePATRÍCIO (1994: 97) que baseando-se na concepção de "outros autores", como elepróprio nos diz, conceitua a família como: "um sistema interpessoal formado porpessoas que integram por vários motivos, tais como afetividade e reprodução, dentro deum processo histórico de vida, mesmo sem habitar o mesmo espaço físico." O Sistema de Informação de Atenção Básica (SIAB), sistema alimentado pelasequipes de saúde da família, considera família como: conjunto de pessoa ligada porlaços de parentesco, dependência doméstica ou normas de convivência que residam namesma unidade domiciliar. Inclui empregado doméstico que reside no domicilio,pensionista e agregados "(Ministério da Saúde, 1998). 32
  8. 8. A família6 vem desenvolvendo-se como instituição social tendo umaestrutura determinada e funções que suprem as necessidades pessoais e sociais decada um de seus membros. Ao longo dos anos esta vem se modificando na medida emque a sociedade também o faz, contudo suas funções básicas sempre têm sido entreoutras coisas a satisfação das necessidades afetivas dos seus membros e a educaçãodos seus filhos. A família7 de hoje, que teve um passado, mas que desponta para amanhã,foi analisada por MEDINA (1997) e classificada em dois modelos: o tradicional e o emtransição. O primeiro "tem raízes no passado distante e ainda é presente". Ainstituição casamento reapresenta a união de duas famílias, não sendo uma decisãoapenas do casal, passando por etapas que vão do namoro a lua-de-mel, tendo funçõesbem definidas para o homem e para a mulher. Os homens são responsáveis pelosustento da família, devendo ser experiente sexualmente a fim de garantir a reprodução ecom isto a hereditariedade. A mulher neste contexto exerce a função primordial de esposa para omarido e mãe para os filhos. Acreditamos que neste modelo tradicional a segregaçãodo gênero cria dois mundos, o masculino com todos os direitos e o feminino com asubmissão. No segundo modelo, a família em transcrição, ocorre à alteração da posição damulher8 e consequentemente, impõe mudanças na condição do homem dentro daestrutura familiar. Essa transição vem ocorrendo, e a luta pela manutenção da posiçãoantiga, em que o homem era o senhor absoluto, estabelece áreas de conflitos. Ramos (1998) diz que conforme a apresentação da estrutura familiar defini-se aassistência a ser oferecida. Entendemos que para o autor a estrutura familiar pode serclassificada de acordo com as pessoas que compõem, pois este classifica, a família de6 Que diferença você identifica nestas duas definições de família.7 Procure pesquisar o conceito de família em outras culturas, como as de origem oriental e mesmo a cultura denossos povos indígenas.8 Segundo o IBGE, em 1991, 18 em cada se lares brasileiros eram chefiados por mulheres. No Censo de 2000, aproporção chegou a 1 em cada 4 domicílios. O Rio de Janeiro é o segundo Estado em mulheres chefes, com 31,2%de suas 4.492.000 residências. (Jornal O GLOBO, 15/12/02).
  9. 9. nuclear, quando composta do casal mais os filhos; de extensa, casal, filhos, avós, enetos; e ampliada, mista ou tradicional se além dos membros da família extensa estiveracrescida de cunhados, primos, conhecidos, etc. Enfim, um conceito sobre família9 que tenha um caráter universal é difícil de serelaborado, alerta HUERTA (1998), uma vez que esta adota formas e dimensões tãodiferentes em cada sociedade que dificulta discernir com clareza os elementos quepossam ser comuns a todas.
  10. 10. Texto 3 Territorialização em Saúde GONDIM, G. M. M, MONKEN, M. Territorialização em Saúde. Disponível em: www.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/tersau.html Acesso em: 09/02/2011 Localizar significa mostrar o lugar. Quer dizer, além disto, reparar no lugar.Ambas as coisas, mostrar o lugar e reparar no lugar, são os passos preparatórios deuma localização. Mas é muita ousadia que nos conformemos com os passospreparatórios. A localização termina, como corresponde a todo método intelectual, nainterrogação que pergunta pela situação do lugar. (Heidegger,1998) Ao se buscar definir a territorialização em saúde, precede explicitar ahistoricidade dos conceitos de território e territorialidade, suas significações e as formasde apropriação no campo da saúde pública e da saúde coletiva. Pretende-se com isso,situar os diferentes usos do termo territorialização (teórico, prático e metodológico) pelosetor saúde, destacando sua importância no cenário atual da reorganização daatenção, da rede de serviços e das práticas sanitárias locais. O termo território origina-se do latim territorium, que deriva de terra e que nostratados de agrimensura aparece com o significado de pedaço de terra apropriada. Emuma acepção mais antiga pode significar uma porção delimitada da superfície terrestre.Nasce com dupla conotação, material e simbólica, dado que etimologicamente aparecemuito próximo de terra-territorium quanto de terreo-territor (terror, aterrorizar). Temrelação com dominação (jurídico-política) da terra e com a inspiração do medo, doterror - em especial para aqueles que, subjugados à dominação, tornam-se alijados daterra ou são impedidos de entrar no territorium. Por extensão, pode-se também dizerque, para aqueles que têm o privilégio de usufruí-lo, o território inspira a identificação(positiva) e a efetiva apropriação (Haesbaert, 1997, 2005; Souza & Pedon, 2007). A concepção de território que mais atende às necessidades de análise das ciênciassociais e humanas é a sóciopolítica. Só é possível falar em demarcação ou delimitaçãoem contextos nos quais exista uma pluralidade de agentes (Nunes, 2006). Portanto, anoção de território é decorrência da vida em sociedade, ou ainda, "os territórios [...] sãono fundo, antes ralações sociais projetadas no espaço, que espaços concretos" (Souza,1995, p.87). Em uma sociedade política os indivíduos se articulam por meio de relações
  11. 11. reguladas e possui princípios mínimos de organização. Essa organização só seviabiliza quando existe um poder habilitado a coordenar todos aqueles que seencontram em um determinado espaço. Por isso, quando se analisam os coletivoshumanos ao longo da história, só se destaca a noção de território a partir das primeirassociedades políticas. Com isso, corrobora-se a hipótese de que um elementoindissociável da noção de poder é o território, dado que não há organização sem poder(Nunes, 2006). Raffestin (1993) entende o território como todo e qualquer espaço caracterizadopela presença de um poder, ou ainda, "um espaço definido e delimitado por e a partir derelações de poder" (p. 54). E ainda, o poder "surge por ocasião da relação", e "todarelação é ponto de surgimento do poder" (p.54). Quando coexistem em um mesmoespaço várias relações de poder dá-se o nome de territorialidades, de modo que umaárea que abriga várias territorialidades pode ser considerada vários territórios. A territorialidade para Robert Sack (1986) é uma estratégia dos indivíduos ou gruposocial para influenciar ou controlar pessoas, recursos, fenômenos e relações,delimitando e efetivando o controle sobre uma área. A territorialidade resulta dasrelações políticas, econômicas e culturais, e assume diferentes configurações, criandoheterogeneidades espacial, paisagística e cultural - é uma expressão geográfica doexercício do poder em uma determinada área e esta área é o território. O território configura-se no espaço, a partir de uma ação conduzida por um atorsintagmático - aquele que realiza um programa, em qualquer nível da realidade. Ao seapropriar de um espaço, de forma concreta ou abstrata, "[...] o ator territorializa oespaço" (Raffestin, 1993, p.143). Significa que o território materializa as articulaçõesestruturais e conjunturais a que os indivíduos ou os grupos sociais estão submetidosnum determinado tempo histórico, tornando-se intimamente correlacionado ao contextoe ao modo de produção vigentes. esse aspecto processual de formação do territórioconstitui a territorialização (Gil, 2004). O processo de territorialização pode ser entendido como um movimentohistoricamente determinado pela expansão do modo de produção capitalista e seusaspectos culturais. Dessa forma, caracteriza-se como um dos produtos socioespaciaisdas contradições sociais sob a tríade economia, política e cultura (EPC), que determinaas diferentes territorialidades no tempo e no espaço - as desterritorialidades e as re
  12. 12. territorialidades. Por isso, a perda ou a constituição dos territórios nasce no interior daprópria territorialização e do próprio território. Ou seja, os territórios encontram-se empermanente movimento de construção, desconstrução e re construção (Saquet, 2003). A constituição dos territórios na contemporaneidade se expressa segundo Santos(1996), com base em dois movimentos: das horizontalidades e das verticalidades. Ashorizontalidades serão os domínios de contigüidades, constituídos por umacontinuidade territorial, enquanto as verticalidades seriam formadas por pontosdistantes uns dos outros, resultado de uma interdependência hierárquica dos territórios,conseqüente do processo de globalização econômica. As intensas mudançaseconômicas e políticas, decorrentes das verticalidades - mundialização do capital e omodelo neoliberal de organização do Estado - trouxeram impactos negativos semprecedentes na organização dos territórios, nas estruturas produtivas e sociais dospaíses em desenvolvimento, desenhando um cenário de profundas desigualdadessociais, com a exclusão de parcela significativa da população ao direito à vida e àcidade (Tavares & Fiori, 1993; Antunes & Alves, 2004). No setor saúde os territórios estruturam-se por meio de horizontalidades que seconstituem em uma rede de serviços que deve ser ofertada pelo Estado a todo equalquer cidadão como direito de cidadania. Sua organização e operacionalização noespaço geográfico nacional pautam-se pelo pacto federativo e por instrumentosnormativos, que asseguram os princípios e as diretrizes do Sistema de Saúde, definidospela Constituição Federal de 1988. Não obstante os avanços na saúde nos últimos 20anos, alicerçados em bases teóricas sólidas da Reforma Sanitária, o setor padece deproblemas organizacionais, gerenciais e operacionais, demandando uma novareorganização de seu processo de trabalho e de suas estruturas gerenciais nas trêsesferas de gestão do sistema, de modo a enfrentar as desigualdades e iniqüidadessociais em saúde, delineadas pela tríade econômico -política globalização,mundialização e neoliberalismo. No cenário da crise de legitimidade do Estado, o ponto de partida para a re-organização do sistema local de saúde brasileiro foi redesenhar suas bases territoriaispara assegurar a universalidade do acesso, a integralidade do cuidado e a eqüidade daatenção. Nesse contexto, a territorialização em saúde se coloca como uma metodologiacapaz de operar mudanças no modelo assistencial e nas práticas sanitárias vigentes,
  13. 13. desenhando novas configurações loco-regional, baseando-se no reconhecimento eesquadrinhamento do território segundo a lógica das relações entre ambiente,condições de vida, situação de saúde e acesso às ações e serviços de saúde (Teixeiraet al., 1998). Para alguns autores, a territorialização nada mais é do que um processo de "habitarum território" (Kastrup, 2001, p. 215). O ato de habitar traz como resultado acorporificação de sabres e práticas. Para habitar um território é necessário explorá-lo,torná-lo seu, ser sensível às suas questões, ser capaz de movimentar-se por ele comalegria e descoberta, detectando as alterações de paisagem e colocando em relaçãofluxos diversos - não só cognitivos, não só técnicos, não só racionais - mas políticos,comunicativos, afetivos e interativos no sentido concreto, detectável na realidade.(Ceccim, 2005b). Essa abordagem remete, fundamentalmente, à importância daterritorialização para os processos formativos em saúde com foco na aprendizagemsignificativa e nos contextos de vida do cotidiano. Entende-se, portanto, que o território da saúde não é só físico ou geográfico: é otrabalho ou a localidade. "O território é de inscrição de sentidos no trabalho, por meiodo trabalho, para o trabalho" (Ceccim, 2005a, p.983). Os territórios estruturam habitus, enão são simples e nem dependem de um simples ato de vontade sua transformaçãoque inclui a luta pelo amplo direito à saúde. A tarefa de confrontar a força de capturadas racionalidades médico-hegemônica e gerencial hegemônica requer impor anecessidade de singularização da atenção e do cuidado e a convocaçãopermanentemente dos limites dos territórios (Rovere, 2005). Encontra-se em jogo um processo de territorialização: construção da integralidade;da humanização e da qualidade na atenção e na gestão em saúde; um sistema eserviços capazes de acolher o outro; responsabilidade para com os impactos daspráticas adotadas; efetividade dos projetos terapêuticos e afirmação da vida pelodesenvolvimento da autodeterminação dos sujeitos (usuários, população e profissionaisde saúde) para levar a vida com saúde. Essa territorialização não se limita à dimensãotécnico-científica do diagnóstico e da terapêutica ou do trabalho em saúde, mas seamplia à re orientação de saberes e práticas no campo da saúde, que envolvedesterritorializar os atuais saberes hegemônicos e práticas vigentes (Ceccim, 2005a). A territorialização pode expressar também pactuação no que tange à delimitação de
  14. 14. unidades fundamentais de referência, onde devem se estruturar as funçõesrelacionadas ao conjunto da atenção à saúde. Envolve a organização e gestão dosistema, a alocação de recursos e a articulação das bases de oferta de serviços pormeio de fluxos de referência intermunicipais. Como processo de delineamento dearranjos espaciais, da interação de atores, organizações e recursos, resulta de ummovimento que estabelece as linhas e os vínculos de estruturação do campo relacionalsubjacente à dinâmica da realidade sanitária do SUS no nível local. Essas diferentesconfigurações espaciais podem dar origem a diferentes padrões de interdependênciaentre lugares, atores, instituições, processos e fluxos, preconizados no Pacto de Gestãodo SUS (Fleury & Ouverney, 2007). A saúde pública recorre a territorialização de informações, há alguns anos, comoferramenta para localização de eventos de saúde-doença, de unidades de saúde edemarcação de áreas de atuação. Essa forma restrita de territorialização é vista comalgumas restrições, principalmente entre os geógrafos. Alegam ser um equívoco falarem territorialização da saúde, pois seria uma tautologia já que o território usado é algoque se impõe a tudo e a todos, e que todas as coisas estão necessariamenteterritorializadas. Essa crítica é bem- vinda, enriquece o debate teórico e revela os usoslimitados da metodologia, constituindo-se apenas como análise de informações geradaspelo setor saúde e simples espacialização e distribuição de doenças, doentes eserviços circunscritos à atuação do Estado (Souza, 2004). Uma proposta transformadora de saberes e práticas locais concebe aterritorialização de forma ampla - um processo de habitar e vivenciar um território; umatécnica e um método de obtenção e análise de informações sobre as condições de vida esaúde de populações; um instrumento para se entender os contextos de uso doterritório em todos os níveis das atividades humanas (econômicos, sociais, culturais,políticos etc.), viabilizando o "território como uma categoria de análise social" (Souza,2004, p. 70); um caminho metodológico de aproximação e análise sucessivas darealidade para a produção social da saúde. Nessa perspectiva, a territorialização se articula fortemente com o planejamentoestratégico situacional (PES), e juntos, se constituem como suporte teórico e prático davigilância em saúde. O PES, proposto por Matus (1993), coloca-se no campo da saúdecomo possibilidade de subsidiar uma prática concreta em qualquer dimensão da
  15. 15. realidade social e histórica. Contempla a formulação de políticas, o pensar e agirestratégicos e a programação dentro de um esquema teórico-metodológico deplanificação situacional para o desenvolvimento dos Sistemas Locais de Saúde. Tempor base a teoria da produção social, na qual a realidade é indivisível, e tudo o queexiste em sociedade é produzido pelo homem. A análise social do território devecontribuir para construir identidades; revelar subjetividades; coletar informações;identificar problemas, necessidades e positividades dos lugares; tomar decisão e definirestratégias de ação nas múltiplas dimensões do processo de saúde-doença-cuidado.Os diagnósticos de condições de vida e situação de saúde devem relacionar-setecnicamente ao trinômio estratégico informação-decisão-ação (Teixeira et al., 1998). A proposta da territorialização, com toda crítica que ainda perdura nos campos dasaúde coletiva e da geografia por sua apropriação tecnicista e prática objetivante,coloca-se como estratégia central para consolidação do SUS, seja para areorganização do processo de trabalho em saúde, seja para a reconfiguração doModelo de Atenção. Como método e expressão geográfica de intencionalidadeshumanas, permite a gestores, instituições, profissionais e usuários do SUScompreender a dinâmica espacial dos lugares e de populações; os múltiplos fluxos queanimam os territórios e; as diversas paisagens que emolduram o espaço da vidacotidiana. Sobretudo, pode revelar como os sujeitos (individual e coletivo) produzem ereproduzem socialmente suas condições de existência - o trabalho, a moradia, aalimentação, o lazer, as relações sociais, a saúde e a qualidade de vida, desvelando asdesigualdades sociais e as iniqüidades em saúde.
  16. 16. Texto 4: Visita domiciliar Baseado em: ALBUQUERQUE, A. B. B, BOSI, M. L. M. Visita domiciliar no âmbito da Estratégia Saúde da Família: percepções de usuários no Município de Fortaleza, Ceará, Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 25(5):1103-1112, mai, 2009 A Estratégia de Saúde da Família utiliza a visita domiciliar como tecnologia deinteração no cuidado à saúde, sendo um instrumento de intervenção utilizado pelasequipes de saúde como meio de inserção e de conhecimento da realidade de vida dapopulação, favorece o estabelecimento de vínculos com a mesma e a compreensão deaspectos importantes da dinâmica das relações familiares. A atenção às famílias e àcomunidade é o objetivo central da visita domiciliar, sendo entendidas, família ecomunidade, como entidades influenciadoras no processo de adoecer dos indivíduos,os quais são regidos pelas relações que estabelecem nos contextos em que estãoinseridos. Compreender o contexto de vida dos usuários dos serviços de saúde e suasrelações familiares deve visar ao impacto nas formas de atuação dos profissionais,permitindo novas demarcações conceituais e, conseqüentemente, o planejamento dasações considerando o modo de vida e os recursos de que as famílias dispõem. Todavia, os problemas decorrentes de seu emprego, como uma técnica que,mobilizam questões que envolvem, por um lado, aspectos culturais dosusuários/famílias e de outro a formação dos trabalhadores e seu preparo para adentrarno domicílio das famílias convergem para uma dualidade criada no domicílio, tornando-se este, ao mesmo tempo um espaço privado e público respectivamente, situação estaque, tanto nos primórdios da saúde pública, tanto quanto, nos projetos de medicinacomunitária dos anos setenta, do século passado, foram foco de preocupação. Estapreocupação permanece nos dias de hoje, já que continuamos adentrando osdomicílios em nossas visitas domiciliares. Devemos ter o cuidado de não invadir a vidadas pessoas a ponto de colonizar os hábitos de vida à partir de nosso olhar. 39
  17. 17. O conceito de autonomia das pessoas deve balizar as visitas domiciliares,entretanto muito pode ser feito nesse momento pela equipe. Podemos utilizar as visitasdomiciliares como instrumento de vigilância a saúde, onde a observação é uma grandealiada. Por meio da visita domiciliar, é possível: • Identificar os moradores, por faixa etária, sexo e raça, ressaltando situaçõescomo gravidez, desnutrição, pessoas com deficiência etc.; • Conhecer as condições de moradia e de seu entorno, de trabalho, os hábitos,as crenças e os costumes; • Conhecer os principais problemas de saúde dos moradores da comunidade; • Perceber quais as orientações que as pessoas mais precisam ter para cuidarmelhor da sua saúde e melhorar sua qualidade de vida; • Ajudar as pessoas a refletir sobre os hábitos prejudiciais à saúde; • Identificar as famílias que necessitam de acompanhamento mais frequente ouespecial; • Divulgar e explicar o funcionamento do serviço de saúde e quais as atividadesdisponíveis; • Desenvolver ações que busquem a integração entre a equipe de saúde e apopulação do território de abrangência da unidade de saúde; • Ensinar medidas de prevenção de doenças e promoção à saúde, como oscuidados de higiene com o corpo, no preparo dos alimentos, com a água de beber ecom a casa, incluindo o seu entorno; • Orientar a população quanto ao uso correto dos medicamentos e a verificaçãoda validade deles; • Alertar quanto aos cuidados especiais com puérperas, recém-nascidos, idosos,acamados e pessoas portadoras de deficiências; • Registrar adequadamente as atividades realizadas, assim como outros dadosrelevantes, para os sistemas nacionais de informação disponíveis para o âmbito daAtenção Primária à Saúde; • Realizar consultas clínicas e procedimentos. 40
  18. 18. Toda visita deve ser realizada tendo como base o planejamento da equipe,pautado na identificação das necessidades de cada família. Pode ser que sejaidentificada uma situação de risco e isso demandará a realização de outras visitas commaior frequência. Após a realização da visita, você deve verificar se o objetivo dela foialcançado e se foram dadas e colhidas as informações necessárias. Vale ressaltar quetodos os profissionais da equipe realizam visitas domiciliares, sempre com a presençado agente comunitário de saúde, que pode ajudar a mediar situações, caminhar noterritório com maior mobilidade, ser uma outra fonte de escuta da situação. Realizarvisitas domiciliares é um passo importante para concretização da integralidade e nãodeve ser uma atividade relegada a segundo plano.

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