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    118 118 Document Transcript

    • III Simpósio Brasileiro de Gestão e Economia da Construção III SIBRAGEC UFSCar, São Carlos, SP - 16 a 19 de setembro de 2003A IMPORTÂNCIA DA ELABORAÇÃO DO PCMAT: CONCEITOS, EVOLUÇÃO E RECOMENDAÇÕES MARTINS, Miriam Silvério (1); SERRA, Sheyla Mara Baptista (2)(1) Engenheira de Segurança do Trabalho, miriam@sercomtel.com.brMestranda do Programa de Pós-Graduação em Construção Civil (PPG-CIV)(2) Profa. Doutora em Eng. Civil, sheylabs@power.ufscar.brNúcleo de Pesquisa em Racionalização e Desempenho de Edificações (NUPRE), Departamento deEngenharia Civil da Universidade Federal de São CarlosRESUMOA elaboração do PCMAT deve ser associada ao processo de produção do empreendimento, pois é duranteo planejamento tático que se define as condições de trabalho, sistemas, equipamentos e tecnologia aserem empregados na construção da edificação. Um bom planejamento na fase de concepção doempreendimento inclui um PCMAT entrosado com os projetos executivos. Com esse intuito, oengenheiro de segurança deve atuar conjuntamente com o gerente de produção a fim de identificar,durante as fases de produção, as áreas e atividades de risco e projetar sistemas de proteção coletiva quenão interfiram na execução dos serviços. O PCMAT deve propiciar segurança em todas as fases doempreendimento e, como todo planejamento é um processo dinâmico, que deve ser reformulado conformea necessidade da produção, não esquecendo as responsabilidades de manutenção da edificação.Este artigo está baseado na pesquisa de mestrado em desenvolvimento no PPG-CIV e apresenta conceitos,evolução e importância da engenharia de segurança. Além disso, contempla os aspectos que devem serabordados na elaboração do PCMAT e analisa as dificuldades de implantação do programa devido àscaracterísticas da indústria da construção civil no subsetor edificações.ABSTRACTThe elaboration of the Program of Conditions and Environment of Work in Construction Industry shouldbe associated to the building production process, so it is during the tactic planning that the workconditions, systems, equipment and technologies to be used in the building construction are defined. Agood planning in the building conception includes a program linked to executive projects. In order toachieve this goal, the safety engineer should work with the production manager to identify, during theproduction phases, the risk areas and activities and to project collective safety systems that don’tinterfere with the service execution. The program should provide safety for all the phases of building and,as every planning is a dynamic process, it should be reformulated according to the production necessity,without ignoring the entrepreneur’s responsibility for the building maintenance.This paper is based on a Master’s Program research and presents safety engineering concepts, evolutionand importance. Moreover, it accomplishes the aspects to be approached in the elaboration of theConditions and Environment of Work in Construction Industry Program and analyses the difficulties forimplementing the program due to characteristics of civil construction industry in the building subsector.Palavras-chave: PCMAT, Saúde e Segurança do Trabalho, NR-18, planejamento, canteiro de obras.Key-words: Conditions and Environment of Work in Construction Industry Program, OccupationalHealth and Safety, The Norm 18, planning, construction site.
    • 1 INTRODUÇÃOA Norma Regulamentadora nº 18 (NR-18) que especifica as Condições e MeioAmbiente de Trabalho na Indústria da Construção Civil define as condições mínimaspara instalação das áreas de vivência no canteiro de obras, as medidas de prevenção deacidentes e exige a implantação do Programa de Condições e Meio Ambiente naIndústria da Construção (PCMAT) para canteiros com vinte trabalhadores ou mais.Ainda hoje muitas empresas não conseguiram se adequar às exigências da legislação,tornando o setor da construção civil responsável por grande parte dos acidentes detrabalho - 47% dos óbitos registrados nos meses de janeiro a julho de 2002, de acordocom o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE, 2002).Rocha (1999) mostra em seus estudos “que a NR 18 ainda é muito pouco cumprida noscanteiros de obras, apresentando um índice médio de cumprimento de 51%”.Segundo Vitória (2001), na cidade de Cascavel- Pr, encontraram-se baixos índices deconformidade referente à implantação da norma, variando de 9,18% a 48,35% de acordocom as tipologias dos empreendimentos analisados.Este cenário deve-se em parte as características do setor da construção civil no Brasil,onde se destacam o uso intensivo de mão-de-obra com pouca qualificação e falta deestabilidade, sem treinamento e com promoções escassas; da indefinição das estratégiasde administração e planejamento do empreendimento; além da falta de conhecimento demuitas das exigências da Norma, somadas ao fator custo e questão cultural.Outro aspecto relacionado com a segurança é a mudança dos riscos ocupacionaisconforme se mudam as fases de produção da obra. Constata-se que a previsãoantecipada dos riscos e a elaboração de projetos que contemplem aspectos de segurançasão algumas das principais estratégias de prevenção. Os diversos projetistas doempreendimento devem estar conscientes das práticas de segurança que minimizem osriscos de acidentes do trabalho.Com o propósito de melhoria das condições de trabalho, este artigo apresenta aconceituação, a evolução e importância da engenharia de segurança e da implantação doPCMAT nos canteiros de obra.2 HISTÓRICO E EVOLUÇÃO DA SEGURANÇA NO TRABALHOSegundo Rocha (1999), as primeiras referências à segurança e higiene do trabalho nomundo surgiram com alguns filósofos do período pré-cristão. Entre este período e a eracristã, encontram-se relatos sobre doenças relacionadas ao chumbo e ao estanho entretrabalhadores e recomendações para o uso de máscaras. A partir do século XV váriosestudos sobre doenças e higiene do trabalho foram relatados.Com a Revolução Industrial, 1760 a 1830, surgem as primeiras leis trabalhistas, comenfoque na dignidade humana, com redução da carga horária e exigências relativas àscondições de trabalho, sendo que a primeira Constituição a incluir legislações sobresegurança em indústrias foi a mexicana no começo do século XX.No Brasil, a preocupação com a segurança no trabalho e a redação de decretos sobre otema começaram lentamente no início do século XX. A primeira lei sobre acidentes foieditada em 1919, que coincide com a data do ingresso da Organização Internacional doTrabalho no Brasil, OIT.No governo de Getúlio Vargas foi criado o Ministério do Trabalho, Indústria eComércio, estabelecendo jornadas de trabalho, leis sobre higiene, que culminaram em
    • 1943 na elaboração da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que no capítulo V doTítulo II versava sobre a segurança do trabalho. Em 1967, houve a primeira grandereforma na CLT, destacando-se a criação e implantação pelas empresas do ServiçoEspecializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) e em1972 foram criadas normas específicas para a construção civil.As Normas Regulamentadoras presentes no capítulo V do título II da CLT surgiram em1978, sendo a NR-18 a que trata do setor de construção civil. Desde a sua criação a NR-18 vem sofrendo alterações, sendo que a inclusão do PCMAT só ocorreu em 1995.3 CONCEITUAÇÃOO objetivo da engenharia de segurança é apresentar padrões adequados das condiçõesdo ambiente de trabalho e de produtividade com qualidade de serviços.O projeto de sistemas de segurança deve garantir a execução segura dos serviços deprodução e manutenção após entrega da edificação, lembrando-se da responsabilidadeda empresa durante os cinco anos subseqüentes à entrega da edificação, segundo oCódigo de Defesa do Consumidor e durante toda a vida útil do empreendimento.Para melhor compreensão do assunto apresentam-se a seguir definições sobre o tema.3.1. Segurança no trabalhoComo definição, a segurança do trabalho pode ser compreendida como o conjunto demedidas adotadas com o intuito de redução dos acidentes de trabalho, doençasocupacionais, bem como proteger a integridade e a capacidade de trabalho do operário.Existem diversos autores que ampliam esta definição referindo-se a engenharia desegurança como um “componente do processo de produção” que deve estar inseridodentro do planejamento da empresa somando-se aos esforços de redução dedesperdícios de material e mão-de-obra, preservando o patrimônio humano e material.A saúde ocupacional depende da segurança, higiene e medicina do trabalho paraprevenir os acidentes. A higiene do trabalho preocupa-se com lesões classificadas comodoenças profissionais e a medicina do trabalho deve focar os lados preventivo e curativodas lesões. A medicina curativa é a mais utilizada pelas empresas, sendo a preventiva amais eficiente, pois impede o aparecimento da doença profissional através dodiagnóstico antecipado.3.2. Acidente de trabalhoClassifica-se como acidente de trabalho aquele que ocorre no exercício do trabalho, aserviço da empresa, provocando lesão corporal, perturbação funcional, morte, perda ouredução da capacidade de trabalho. Apesar de ter uma visão simplista, essa é aconceituação mais aplicada.A NB-18 (ABNT, 1975) define acidente como “a ocorrência imprevista e indesejável,instantânea ou não, relacionada com o exercício do trabalho, que provoca lesão pessoalou de que decorre risco próximo ou remoto dessa lesão”.A norma britânica BS-8800, define acidente como um “evento não planejado queacarrete morte, problema de saúde, ferimento dano ou outros prejuízos” (MTE, 2003).Por outro lado, deve-se focar a prevenção e tratar este evento como um fato queinterfere na programação de atividades produtivas, com danos materiais ou retrabalhos.
    • O acidente geralmente acontece pela negligência da segurança no ambiente produtivo,pois aparentemente alguns empreendedores ainda consideram investir em segurançacomo gasto, pois desconhecem os custos reais envolvidos com acidentes e doenças detrabalho.Também são considerados acidentes de trabalho aqueles que ocorrem em viagens atrabalho ou fora do local de trabalho a serviço da empresa; os acidentes de trajeto; asdoenças profissionais e as doenças do trabalho.3.2.1. Acidente de trajetoO acidente de trajeto é aquele que ocorre no percurso da residência para o local detrabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o meio de locomoção.3.2.2. Doença Ocupacional“Doença ocupacional é a doença que se julga ter sido causada ou agravada pelaatividade de trabalho de uma pessoa ou pelo ambiente de trabalho” (De Cicco apudRocha, 1999).3.2.3. Doenças ProfissionaisSão as doenças provocadas pelo tipo de trabalho, ou seja, aquelas produzidas oudesencadeadas pelo exercício de trabalho peculiar a determinadas atividades. Comoexemplo podemos citar a atividade de marcação de alvenaria desenvolvida pelospedreiros, ocasionando dores nos joelhos e na coluna, por vezes levando a licenças eaposentadoria precoce (Fig. 1).3.2.4. Doenças do trabalhoSão consideradas doenças do trabalho aquelas causadas por condições do trabalho. Cita-se o trabalho de limpeza que se depara com poeiras podendo levar a problemaspulmonares e doenças respiratórias (Fig. 2).Para identificação das causas dos acidentes de trabalho, classificam-se as causas em: atoinseguro e condição insegura.3.2.5. Ato inseguroO ato inseguro é aquele praticado pelo homem, contra as normas de segurança,dependendo do comportamento do funcionário em relação à exposição ao perigo. Porexemplo: o trabalho em altura sem uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI)(Fig. 3); ligar equipamentos elétricos com as mãos molhadas; dirigir a alta velocidade.Segundo Zocchio apud Rocha (1999), os atos inseguros podem ser classificados em trêstipos:• consciente: quando se tem o conhecimento da exposição ao perigo;• inconsciente: quando as pessoas não têm conhecimento da situação de perigo;• circunstanciais: sabendo ou não da situação de perigo, as pessoas realizam ações inseguras. Como exemplo, cita-se o salvamento de uma pessoa em situação de perigo, ou a tentativa de evitar prejuízo para a empresa, por iniciativa própria ou por ordens superiores.
    • 3.2.6. Condição inseguraDefini-se como condição insegura, a condição do ambiente de trabalho que oferecerisco e ou perigo ou trabalhador. Como exemplos têm-se: instalações elétricas com fiosdesencapados; andaimes e proteções feitos com materiais inadequados ou defeituosos(Fig. 4); falta de proteção em máquinas e equipamentos; máquinas, equipamentos eferramentas em estado precário de manutenção; falta de EPI. Existem causas deacidente em que ocorre ao mesmo tempo ato inseguro e condição insegura, comoilustram as Fig. 5 e 6. 20 Fig. 1 – Atividade: marcação alvenaria. Fig. 2 – Limpeza da obra Fig. 3 – Ato inseguro – Trabalho em altura Fig. 4 – Condição insegura – Balancim com sem utilização de EPI adequado estrutura e proteções inadequadas Fig. 5 – Ato inseguro e condição insegura Fig. 6 – Exposição a intempéries sem vestimenta, falta de EPC e EPI3.3. PCMATO PCMAT enquadra-se como um plano de segurança que “busca planejar e ordenartodas as ações que visam garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores nos canteirosde obras. Ele deve ser elaborado antes do início da obra e com a contribuição de todosos envolvidos na atividade, a fim de contemplar as necessidades globais doempreendimento” (Rocha, 1999).
    • A implantação do PCMAT corresponde a uma melhoria da segurança nos canteiros, dascondições humanas (quando trata das áreas de vivência) e na diminuição dos riscos.Entretanto, segundo Vitória (2001), o percentual de canteiros de obras em edificaçõesverticais na cidade de Cascavel-Pr com implantação do PCMAT fica entre 40% a 50%,conforme a tipologia.Uma das causas para esta realidade talvez seja o fato da NR-18 não dizer como oPCMAT deve ser elaborado nem dar um modelo de execução. Apenas apresenta, noitem 18.3.4, os documentos que devem estar presentes no programa, fazendo referênciaa eles de forma estagnada, como no caso da exigência do layout inicial do canteiro deobras, esquecendo-se que o planejamento do canteiro é um processo dinâmico, queexiste várias fases para as quais o canteiro deve ser dimensionado, dependendo dasatividades operacionais, da quantidade de recursos materiais e humanos envolvidos emcada fase da execução do empreendimento.Apresentam-se, a seguir, os documentos exigidos pela NR-18 no item 18.3.4 (BRASIL,1999):“ a) memorial sobre condições e meio ambiente de trabalho nas atividades eoperações, levando-se em consideração riscos de acidentes e de doenças do trabalho esuas respectivas medidas preventivas;b) projeto de execução das proteções coletivas em conformidade com as etapas daexecução da obra;c)especificação técnica das proteções coletivas e individuais a serem utilizadas;d) cronograma de implantação das medidas preventivas definidas no PCMAT;e) layout inicial do canteiro da obra, contemplando, inclusive, previsão dodimensionamento das áreas de vivência;f) programa educativo contemplando a temática de prevenção de acidentes e doençasdo trabalho, com sua carga horária”.O Sinduscon/ Pr (1996) tem disponível um roteiro para a implantação do PCMAT comdetalhes e esquemas de dimensionamento do layout inicial do canteiro e dosEquipamentos de Proteção Coletiva (EPC); relação de EPI necessários por função;check-list das instalações que devem ser verificadas periodicamente; lista das proteçõesdas máquinas e equipamentos; relação dos locais a serem fixadas as sinalizações commedidas de segurança; relação com os riscos mais freqüentes relacionados por fase eatividades de execução e as medidas de emergência no caso de acidentes. Algumassituações estão ilustradas na Fig.7.O PCMAT representa um avanço na segurança nos canteiros de obras. Percebe-se queem ambientes produtivos com implantação de layout organizado, dimensionado, comvias de circulação descongestionadas, que investem em treinamento, em condiçõessociais adequadas, existe uma maior motivação entre os funcionários por estaremtrabalhando em um local seguro, além de promover a imagem da empresa perante osclientes externos.
    • Caibros entroncados 20cm 20 20cm(a) Proteção de aberturas em lajes (b) Proteção das escadas 1,20 m(c) Fechamento do poço do elevador (d) Guarda-corpo para proteção em lajesdefinitivo em execução 1,20m(e) Plataforma de proteção para quedas (f) Fechamento do acesso ao elevador dede pessoas e materiais obra Fig. 7. Medidas de proteção coletiva. (SINDUSCON/PR, 1996)4. RECOMENDAÇÕESA segurança no trabalho, além de imposição legal, deve ser tratada como um conjuntode técnicas empregadas para prevenir acidentes de trabalho. Essas técnicas devem fazerparte do planejamento estratégico do empreendimento desde a concepção e devem serincorporadas ao processo de produção das empresas.No Brasil, diferentemente dos países desenvolvidos que tem uma política de segurançavoltada para a valorização dos recursos humanos, adotam-se instalações físicas mínimasde segurança nos canteiros e não se estabelecem metas de redução dos acidentes comonos moldes dos padrões adotados no processo produtivo. A alteração nesse quadrodepende do comprometimento, conscientização e convencimento da direção em relaçãoà valorização dos recursos humanos como peças primordiais no processo deimplantação do PCMAT.Segundo Saurin et al. (2000), “os altos custos indiretos da falta de segurança deveriamalertar os empresários para o volume de recursos que é desperdiçado cada vez queocorre um acidente, sendo este um forte argumento para estimular investimentos naárea”.
    • De acordo com Bocchile (2002), em dezembro de 2001 em Genebra, Suíça, em umareunião da Organização Internacional do Trabalho (OIT) verificou–se que um acidentede trabalho custa quatro vezes mais que a hora parada do funcionário. Bocchile (2002)revela também que “cerca de 4% do PIB mundial é gasto com os afastamentos causadospor acidentes em todos os ramos de atividade”. Esse argumento devia ser suficiente paraconvencer o empreendedor a investir em treinamento e técnicas de prevenção deacidentes de seus operários.O órgão fiscalizador também tem influência direta na melhoria do processo deimplantação dos programas de segurança previstos em norma. Conforme relatos deSaurin et al. (2000) e Vitória (2001), verifica-se um aumento no índice de utilização dasnormas de segurança conforme a intensidade de fiscalização, causando um menornúmero de acidentes no trabalho, reduzindo as despesas previdenciárias, perdas social efamiliar.4.1. Aspectos a serem abordados na implantação do PCMATPara implantar um plano de segurança, o engenheiro de segurança deve participar dasreuniões de planejamento do empreendimento e conhecer o sistema construtivoempregado na edificação. Pode discutir com o engenheiro responsável pela obra ocronograma físico das atividades da produção em canteiro e a disponibilidade derecursos humanos. Com isso, torna-se mais fácil a avaliação da mudança dos riscosocupacionais de acordo com as diversas fases da obra e o projeto dos sistemas desegurança mais adequados, sem interferir nas diferentes atividades do processo deexecução, lembrando-se que é necessário a elaboração de um programa de segurançaespecífico para cada empreendimento. Com a elaboração dos mapas de riscos por etapaprodutiva é possível projetar as proteções coletivas e especificar EPIs adequados,detalhando o tipo e dimensões de materiais e equipamentos que se deseja adquirir.O treinamento da mão-de-obra deve constar no manual de segurança e devem serdescritas nas ordens de serviço que tipo de equipamento, proteção e treinamento faz-senecessário para cada atividade, contemplando critérios para combate ao tabagismo ealcoolismo. Para que estes programas tornem-se viáveis devem ser tratados da mesmaforma que os demais setores da empresa. Devem ser integrados ao sistema de produçãoa fim de não atrapalhar, parar ou gerar retrabalhos durante a execução.Para gerenciamento dos riscos presentes nas atividades laborais deve-se adaptar eimplantar a documentação de qualidade já conhecida no setor da construção civil para asegurança, baseando-se em programas como o guia para Sistemas de Gestão de Saúde eSegurança Ocupacionais – Norma Britânica BS-8800 elaborado pelo British StandardInstitute (BSI) que compartilha princípios comuns do Sistema de Gestão com as normasda série ISO-9000 (Gestão da Qualidade) e ISO-14000 (Gestão Ambiental).A BS-8800 apresenta métodos de avaliação do desempenho desejado para o sistema degestão de segurança através de inspeções sistemáticas dos locais de trabalho usandocheck-lists; rondas de segurança, inspeções de máquinas e instalações específicas etc.Avalia também o comportamento dos trabalhadores para identificar práticas insegurasde trabalhos que possam requerer correções no projeto de trabalho ou treinamento.Sabe-se que o sistema de gestão da segurança do trabalho evolui por pressão dalegislação e é motivado pelas aplicações de multas, ao contrário dos sistemas daqualidade, os quais tendem a evoluir por pressão dos clientes externos. O interesse namelhoria das condições de segurança no trabalho vem de encontro aos altos índices deacidentes registrados e em conseqüência dos valores cobrados pelas seguradoras nospaíses nos quais o setor produtivo oferece seguro contra acidentes.
    • 4.2. Dificuldades de implantação do PCMATA NR-18 tem gerado dúvidas quanto à interpretação e registrado preocupação por partedos empreendedores em relação ao gasto na implantação de alguns sistemaspreventivos. Falta orientação e informação quanto aos riscos e importância daprevenção de acidentes e doenças profissionais. Observa-se muitas vezes que o PCMATé realizado simplesmente para cumprir a lei e evitar multas, não fazendo parte integrantee eficaz do processo de produção. Acrescenta-se também a falta de formaçãoprofissional, tanto por parte dos gerentes de produção, quanto dos gerentes de projetoque não projetam detalhes que facilitem a execução do empreendimento e de medidasde proteção.Segundo Saurin et al. (2000), entre as dificuldades encontradas percebe-se oconhecimento parcial da norma, sendo que as dificuldades mais citadas pelosempreendedores para a implantação da NR-18 foram: elevador de passageiros (custoelevado), treinamento (custo e rotatividade da mão-de-obra), proteções periféricas(dificuldades de execução), cancelas (custo, dificuldade de manutenção, vandalismo efalta de conscientização dos operários em mantê-la fechada, além de dificuldade deencontrá-la no mercado), plataformas de proteção (temo necessário para sua colocação edificuldade de amarração), tela de proteção (dificuldade de execução e trocas comfreqüência, elevando o custo); EPI (necessidade de constante controle do uso pelosoperários e pelos subempreiteiros); andaimes suspensos (pela dificuldade de execução).Apresenta-se a necessidade de programas de formação para profissionais de produção,de segurança, de projeto do produto e do órgão fiscalizador. Este último para atuarcomo agente educador dos programas e modificações realizadas nas Normas.5. CONCLUSÃOConstatou-se como uma das causas da falta de planejamento do layout e da segurançado canteiro, é a falta de coleta de dados que demonstrem a realidade do setor, poispoucas pesquisas foram feitas no sentido de relatar os dados reais de implantação daNR-18, em específico do PCMAT.Percebe-se também que o engenheiro de obra, muitas vezes, encontra-se sobrecarregadode funções e como a atividade de coleta de dados, planejamentos do canteiro e dasegurança não agregam valor ao produto final, são comumente desprezados.Conhecendo-se as exigências mínimas das NR e a seqüência de execução dos serviços,deve-se planejar o sistema de segurança da edificação conjuntamente com os setores deprodução, interagindo segurança com produtividade e qualidade, buscando semprenovas soluções para prevenção e redução de acidentes.O profissional de segurança deve participar também na elaboração de planos, manuais eordens de serviço, seja na execução de edificações com técnicas construtivastradicionais ou na implantação de novas técnicas não contempladas pela NR-18. Deve-se buscar a melhoria das condições de saúde e trabalho dos operários, como forma dedar-lhes cidadania e dignidade. Com isso, espera-se que o setor da construção civilevolua em sua administração e não seja mais considerado como o principal causador deacidentes de trabalho.
    • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR-6023: Informação edocumentação - Referências - Elaboração. Rio de Janeiro, 2002.ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NB-18: Cadastro deacidentes. Rio de Janeiro, 1975.ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR-7678: Segurança naexecução de obras e serviços de construção. Rio de Janeiro, 1983.BRASIL. Segurança e Medicina do Trabalho. Manuais de Legislação Atlas, 16. 42 ed. SãoPaulo: Atlas, 1999.BOCCHILE, C. Segurança do trabalho: capital contra o risco. Construção Mercado, n.9, pp.29a 34, abril de 2002.MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO (MTE). Análise de acidentes do trabalho:dados 2002. Disponível em: <http://www.mte.gov.br/Temas/SegSau/analise/dados2002/Conteudo/415.pdf>. Acesso em: 20 de dezembro de 2002.MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO (MTE). Sistema de Gestão de Saúde eSegurança Industrial – British Standard 8800: 1996. Disponível em:<http://www.mtb.gov.br/Temas/SegSau/Publicacoes/Download/guia.pdf >. Acesso em: 25 defevereiro de 2003.ROCHA, C.A.G.C. Diagnóstico do cumprimento da NR 18 no subsetor edificações daconstrução civil e sugestões para melhorias . 1999. 158f. (Dissertação de Mestrado),Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.SAURIN, T.A.; LANTELME,E.M.V; FORMOSO, C.T. Contribuições para revisão da NR-18: condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção (relatório de pesquisa).Porto Alegre: Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Programa de Pós-Graduaçãoem Engenharia de Produção, UFRGS, 2000. 140p.SINDICATO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL DO PARANÁ(SINDUSCON/PR). Modelo de PCMAT. Curitiba, 1996: 55p.VITÓRIA; M.C.; OLIVEIRA, A.M.S.S.; BAÚ, D.M. Avaliação do grau de utilização denormas de segurança nos canteiros de obra na cidade de Cascavel. In: Simpósio Brasileiro deGestão da Qualidade e Organização do Trabalho no Ambiente Construído (II SIBRAGEQ), 2º,Fortaleza, CE, 2001. Anais eletrônicos... 15p.AGRADECIMENTOSÀ CAPES pelo apoio recebido durante parte da pesquisa.