Transacoes imobiliarias economia

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Transacoes imobiliarias economia

  1. 1. Escola Estadual deEducação Profissional - EEEPEnsino Médio Integrado à Educação ProfissionalCurso Técnico em Transações Imobiliárias Economia
  2. 2. Governador Cid Ferreira Gomes Vice Governador Domingos Gomes de Aguiar Filho Secretária da Educação Maria Izolda Cela de Arruda Coelho Secretário Adjunto Maurício Holanda Maia Secretário Executivo Antônio Idilvan de Lima Alencar Assessora Institucional do Gabinete da Seduc Cristiane Carvalho HolandaCoordenadora da Educação Profissional – SEDUC Andréa Araújo Rocha
  3. 3. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissional SumárioINTRODUÇÃO ..................................................................................................................,,,,,... 2CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO À ECONOMIA ...................................................................... 3CAPÍTULO II – EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO ........................................ 6CAPÍTULO III – TEORIA DO CONSUMIDOR ....................................................................... 18CAPÍTULO IV – TEORIA DO FUNCIONAMENTO DO MERCADO .................................... 22CAPÍTULO V – TEORIA DA FIRMA ........................................................................................ 25CAPÍTULO VI – ESTRUTURAS DE MERCADO .................................................................... 29CAPÍTULO VII – ORGANIZAÇÃO INDUSTRIAL .................................................................. 37CAPÍTULO VII – REGULAMENTAÇÃO DOS MERCADOS ................................................. 48CAPÍTULO IX – NOÇÕES DE MACRO ECONOMIA ............................................................... 52REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................................ 59Transações Imobiliárias - Economia 1
  4. 4. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissional INTRODUÇÃOPara estudar Economia, é necessário disposição, vontade de crescer, determinação, muita curiosidade eobservação.A Ciência Econômica interage com diversas outras áreas do conhecimento, como Administração, CiênciasContábeis, Geografia, História, Direito, Estatística, Matemática, Engenharias, Meio Ambiente,Sociologia, Filosofia, Política, Turismo, Finanças Públicas, Educação, Urbanismo, entre outras. Por isso,a importância da associação da Economia com todas as áreas do conhecimento.Como se vê, a Economia precisa trabalhar interdisciplinarmente para poder enfrentar os desafios postos àsanálises econômicas, que requerem diagnósticos precisos.Devido a essa interdisciplinaridade a Economia está nos mais diversos lugares e espaços, sendo umaciência multicultural e que sempre envolve, muitos juízos de valor.O objetivo central desta apostila é o de tratar das principais noções gerais da Ciência Econômicamencionando, de forma simples, conceitos, ideias e teorias que compõem essa ciência. Por meio de umalinguagem acessível, procurando mesclar uma visão teórica simplificada com aplicações que estão no seudia-a-dia. Para você, um bom curso de Economia!Transações Imobiliárias - Economia 2
  5. 5. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalCAPÍTULO I - Introdução à EconomiaConceitos fundamentais da Economia1.Bens e serviçosDe um modo geral, o objetivo de uma indústria é produzir bens e serviços para vendê-los e obter lucros.Mas o que são bens? E serviços? De forma global, bem é tudo aquilo que permite satisfazer asnecessidades humanas.Segundo o caráter, os bens podem ser: • Bens livres: são úteis. Existem em quantidade ilimitada e podem ser obtidos sem nenhum esforço na natureza. Ex: a luz solar, o ar, o mar. Esses bens não possuem preços; • Bens econômicos: são úteis. Possuem preços, são relativamente escassos e supõem a ocorrência de esforço humano para obtê-lo.Esses bens são classificados em dois grupos: • Bens materiais: são de natureza material, podem ser estocados, tangíveis (podem ser tocados), como roupas, alimentos, livros, TV, etc.; • Serviços: não podem ser tocados (intangíveis). Ex: serviço de um médico, consultoria de um economista, serviços de um advogado (apenas para citar alguns), e acabam no mesmo momento de produção. Não podem ser estocados.Os bens materiais classificam-se em: • Bens de consumo: são aqueles diretamente usados para a satisfação das necessidades humanas. Os bens de consumo podem ser: bens de consumo duráveis (como carros, móveis, eletrodomésticos); e bens de consumo não duráveis (tais como gasolina, alimentos, cigarro); • Bens de capital: são bens de produção (ou os bens de produção são os bens de capital), ou seja, bens de capital, que permitem produzir outros bens, por exemplo: equipamentos, computadores, edifícios, instalações, etc.Deve ser dito que tanto os bens de consumo quanto os bens de capital são classificados como: • Bens finais: são bens acabados, pois já passaram por todas as etapas de transformação possíveis; • Bens intermediários: são bens que ainda estão inacabados, que precisam ser transformados para atingir a sua finalidade principal. Ex: o aço, o vidro e a borracha usados na produção de carros.Os bens podem ser classificados, ainda, em:Transações Imobiliárias - Economia 3
  6. 6. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissional • Bens públicos: são bens não exclusivos e não disputáveis. Referem-se ao conjunto de bens fornecidos pelo setor público: transporte, segurança e justiça; • Bens privados: são bens exclusivos e disputáveis. São produzidos e possuídos privadamente: tv, carro, computador, etc.2.Agentes econômicosAgentes econômicos são pessoas de natureza física ou jurídica que, através de suas ações, contribuempara o funcionamento do sistema econômico, tanto capitalista quanto socialista.Os agentes econômicos são os seguintes: • Empresas: são os agentes encarregados de produzir e comercializar bens e serviços. Como é realizada a produção? Através da combinação dos fatores produtivos adquiridos junto às famílias. As decisões da empresa são todas guiadas para o objetivo de conseguir o máximo de lucro e mais investimentos; • Família: inclui todos os indivíduos e unidades familiares da economia e que, no papel de consumidores, adquirem os mais diversos tipos de bens e serviços, objetivando o atendimento de suas necessidades. Por outro lado, são as famílias os proprietários dos recursos produtivos e que fornecem às empresas os diversos fatores de produção, tais como: trabalho, terra, capital e capacidade empresarial. Recebem em troca, como pagamento, salários, aluguéis, juros e lucros, e é com essa renda que compram os bens e serviços produzidos pelas empresas. O que sempre as famílias buscam é a maximização da satisfação de suas necessidades; e • Governo (nas três esferas): inclui todas as organizações que, direta ou indiretamente, estão sob o controle do estado, nas suas esferas federais, estaduais ou municipais. Vez por outra, o governo atua no sistema econômico, produzindo bens e serviços, através, por exemplo, da Petrobras, das empresas de correios, etc.Transações Imobiliárias - Economia 4
  7. 7. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissional EXERCÍCIOS1. Liste os bens e serviços livres e econômicos existentes no seu município. O que você achou dessalista?2. Liste os principais bens de capital e de consumo existentes no seu município.3. Os bens públicos foram considerados como não disputáveis e não exclusivos. Explique cada um dessestermos e mostre de que maneira o bem público é diferente de um bem privado.4. Como você poderia associar a presença de bens de consumo e de capital disponíveis no seu municípiocom o ritmo de desenvolvimento observado nos últimos anos na região? Quais as suas sugestões paramelhorar esse quadro?Transações Imobiliárias - Economia 5
  8. 8. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalCAPÍTULO II – Evolução do pensamento econômicoO pensamento econômico na Antiguidade ClássicaA história da Economia evoluiu pari passu com os períodos que caracterizam a história da humanidade.É desnecessário dizer da importância da história econômica da humanidade, tanto pré-clássica quanto amais atual, para os economistas.Entretanto, é somente entendendo a dinâmica da história econômica das civilizações que você poderácompreender toda a complexidade que domina a ciência econômica e a sociedade atuais.Desde Moisés até os mercantilistas, a sociedade mundial viveu em complexidades. E foi dessacomplexidade que, um século depois, após o fim dos ideais mercantilistas do século XVII, o mundopercebeu a necessidade de ter economistas.Esse período da Antigüidade Clássica, em sua primeira fase, abrange os anos 4000 a 1000 antes da Era deCristo. Os povos predominantes eram os da China, Índia, Assíria, Babilônia, Mesopotâmia, Egito, eoutros da Antigüidade Oriental e Ocidental.Nesse período, não se podia cogitar que a atividade econômica fosse sofisticada. Longe disso.Predominava a economia de subsistência e o autoconsumo. As sociedades, por sua vez, ainda eramdesestruturadas, sem características, inclusive, de sociabilidade. Predominava o nomadismo tribal.Após essa fase inicial, o homem começou a pensar em se fixar em algum lugar. Teve início, assim, afixação dos primeiros agrupamentos humanos na sociedade patriarcal, surgindo o consequente direito depropriedade na economia agrária. O trabalho nessas sociedades era do tipo escravo, sendo raro oureduzido o comércio entre os diferentes agrupamentos, prevalecendo uma economia de subsistência ou deautoconsumo, sem a preocupação da formação de “sobras” ou excedente destinado às trocas ou aoescambo. Tudo o que se produzia tendia a ser consumido. Ninguém pensava em lucro, em riqueza, emcapitalismo ou em se capitalizar. Muitos menos em globalização.Os regimes, nessas civilizações da Antiguidade, eram, em geral, teocráticos*, e obedientes à férreadisciplina e ao controle total do comércio pelos seus dirigentes. Embora existindo um intercâmbioeconômico rudimentar (trocas entre pessoas e pequenos povoados), e a moeda, como facilitadora dastrocas, tivesse já evoluído para as suas características mais sensíveis, com a utilização já de alguns metais,os fatos econômicos ainda não mereciam estudos especiais, o mesmo ocorrendo com a atividadeeconômica.Nesse período, ainda não havia um clima propício para o surgimento de uma Ciência Econômica. Os fatose fenômenos econômicos estavam adstritos às ciências filosóficas, religiosas e jurídicas, à moral e àpolítica, também não totalmente estruturadas.Contribuições da civilização greco-romana para o pensamento econômicoA partir da civilização greco-romana, no ano 1000 a.C., nota-se uma preocupação mais concreta com osfatos econômicos, surgindo estudos embrionários sobre riqueza, valor econômico e moeda.Transações Imobiliárias - Economia 6
  9. 9. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalXenofonte, pensador grego, escreveu a obra Os econômicos, discorrendo sobre a utilidade e as riquezaseconômicas, sobre a agricultura e sua importância econômica, e afirmava que a riqueza estavaintimamente relacionada com as necessidades humanas.Platão e Aristóteles também deram a sua contribuição para a Economia. Platão, aliás, delineou um Estadoa ser governado por filósofos. Também aprovava a escravidão e preconizava a diminuição das populaçõespor uma depuração da raça. Foi um autêntico precursor de Malthus, acentuava a importância da divisãodo trabalho ou da especialização de funções, e ressaltava o papel de destaque a ser emprestado às elitesculturais.Da civilização grega, ficaram muitos ensinamentos. De Platão, ficou o Comunismo Utópico, em suaRepública, e seus escritos sobre a produção, e a riqueza e os seus limites; e de Aristóteles, suas análisessobre a sociedade privada, declarando que a propriedade comunal, preconizada por seu mestre Platão,retiraria o incentivo à produção. Procedeu a profundas análises sobre a Teoria do Dinheiro, as trocas e ovalor, e sobre as funções da moeda.O Império Romano e sua contribuição ao pensamento econômicoGastaldi (1999) assinala que, na história da civilização de Roma, se encontram muitos dos elementos quecaracterizam o moderno capitalismo. Os romanos foram os principais estadistas, juristas e construtores deimpérios. Entretanto, embora a história romana tenha se evidenciado por lutas de conquistas, construindoem seu primeiro estágio uma República e depois um Império mundial, dominando toda a área doMediterrâneo, incluindo a Ásia Menor, o norte da África, a França (Gália), a Espanha, abrangendo partesda Europa Central até o Rio Danúbio e chegando à Inglaterra e à Escócia, suas contribuições culturais nãopodem ser subestimadas, ainda que não possam ser comparadas às da Grécia, que enriqueceu muito maisa civilização.Um dos traços da civilização romana foi a expansão agrícola, que favoreceu a sua economia e,notadamente, a sua agricultura, e que foi um dos determinantes da expansão do poderio político doImpério. De uma outra forma, o declínio de sua agricultura foi a principal causa de sua queda. Agressivafoi a política de expansão comercial de Roma, que proporcionou vultosos lucros, ao mesmo tempo emque despertou a rivalidade com o poder comercial de outros povos, notadamente de Cartago. Isto posto,os acordos comerciais foram substituídos pelos conflitos armados.Com o Império Romano: • consolidava-se a expansão comercial; • consolidavam-se as funções do dinheiro; • criavam-se os impostos mais elevados; • aumentavam as despesas do governo.Também foi no Império Romano que nasceu a agiotagem, e a riqueza passou a se concentrar nas mãos deuma minoria. As economias dos países subdesenvolvidos, tal como o Brasil, apresentam semelhanças coma história do Império Romano. De um lado, há pessoas abastadas e profundamente ricas. De outro, hápessoas pobres, absolutamente pobres. As magníficas obras do Império refletiam, apenas, o consumoostensivo dos grupos mais ricos ou do Estado sempre mais poderoso.Transações Imobiliárias - Economia 7
  10. 10. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalToda essa situação de decadência do Império conduziu o povo a uma elevada crise de escassez, quandoaumentaram, e muito, as necessidades urbanas em alimentos. Podemos apontar as causas econômicas dodeclínio do Império Romano: • grande concentração das riquezas por grupos minoritários; • grandes propriedades rurais improdutivas; • servidão dos pequenos e médios agricultores; • separação sempre maior entre ricos e pobres; e • crescente escassez de alimentos.Portanto, podemos concluir que essas causas econômicas, conjugadas com causas políticas, determinarama queda do Império Romano e a subjugação pelas hordas “bárbaras” vindas de todas as direções, por mare por terra.A Economia Medieval (ou a Economia na Idade Média)Com a queda e o profundo declínio do Império Romano, no ano 476, teve início uma importante fase dahistória da humanidade, conhecida por Idade Média ou Idade Medieval. Esse período, um dos maislongos da história, durou dos anos 500 a 1500 (ano do Descobrimento do Brasil). Os cinco séculosseguintes à queda de Roma, do ano 500 ao ano 1000, foram de grande ebulição, assinalados pormigrações, guerras, absorção de povos conquistados, com fusão de povos e culturas.Com a Idade Média, portanto, abriu-se uma nova era para a humanidade. Uma nova concepção de vida, ocristianismo, nasceu com a queda deRoma. Seus ensinamentos, a partir da sua legalização por um decretodo ano 311, por parte do Imperador Constantino, passaram a ser disseminados por toda a Europa,crescendo em vigor e em influência.Segundo Gastaldi (1999), as igrejas e os mosteiros tornaram-se poderosos nessa época. A Igreja tornou-seo maior agente de perpetuação da cultura, de disseminação do saber e de desenvolvimento daadministração pública. Diferente do pensamento capitalista, o pensamento cristão condenava aacumulação de capital (riqueza) e a exploração do homem pelo homem. A opção da Igreja, então, foi peloretorno à atividade rural, ao contrário de Roma. Na verdade, a Igreja, através de seus conventos emosteiros, tornou-se grande proprietária de grandes áreas de terra.A terra transformou-se na riqueza por excelência. Nascia, assim, o regime feudal, caracterizado porpropriedades nas quais os senhores e os trabalhadores viviam indiretamente do produto da terra ou dosolo.Eram médias ou grandes propriedades rurais, auto-suficientes econômica e politicamente, obedientes àautoridade do senhor ou proprietário, e nas quais os servos exerciam suas atividades agrícolas ouartesanais. O rei, embora dirigisse o Estado, não possuía influência ou poder de decisão nos feudos, ondea autoridade máxima era a do senhor da gleba (os exploradores) e onde labutavam os servos (osexplorados).Transações Imobiliárias - Economia 8
  11. 11. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalMercantilismoCom a descoberta do Mundo Novo (inclusive o Brasil nas Américas),com o crescimento e odesenvolvimento das cidades, a fisionomia social, política e econômica da época, tão profundamentemoldada na Idade Medieval, passou a sofrer profundas transformações. Novos conceitos passaram asurgir em matéria comercial e de produção.E, na mesma proporção em que se enfraquecia o pensamento religioso, operava-se uma fortecentralização política, ocorrendo a criação das nações modernas e das monarquias absolutas, germes docapitalismo moderno.A fase do mercantilismo foi uma decorrência do crescimento do capitalismo comercial, representando,com o capitalismo industrial do início do século XVIII, a Economia Política Pré-Clássica. Omercantilismo foi um regime de nacionalismo econômico. Fazia da riqueza o principal fim do Estado.Assinalou, na história econômica da humanidade, o início da evolução dos Estados modernos e das novasconcepções sobre os fatos econômicos, notadamente sobre a riqueza.A finalidade principal do Estado, no entender dos mercantilistas, deveria ser a de encontrar os meiosnecessários para que o respectivo país adquirisse a maior quantidade possível de ouro e prata. Osmercantilistas pretendiam disciplinar a indústria e o comércio, de tal forma que sempre fossemfavorecidas as exportações em detrimento das importações. Isto feito, procurava-se manter a balançacomercial sempre favorável.O mercantilismo recebeu seu nome da palavra latina mercator (mercador), porquanto considerava ocomércio como a base fundamental para o aumento das riquezas. A prática mercantilista predominou até oinício do século XVII, quando ocorreu uma reação contra os excessos do absolutismo e dasregulamentações. O Brasil-Colônia foi influenciado pelo ideal mercantilista, o qual obrigava o comérciocolonial exclusivamente por intermédio das metrópoles. Somente com a chegada de D. João VI ao Brasilé que foram eliminadas as restrições mercantilistas, permitindo-se a instalação de indústrias nativas e ocomércio direto com as demais nações.FisiocratasPodemos conceituar fisiocratas como um grupo de economistas franceses do século XVIII que combateuas idéias mercantilistas e formulou,pela primeira vez, uma Teoria do Liberalismo Econômico. Ou seja,podemos entender, desde já, que o pensamento fisiocrático é uma resposta direta, ou uma reação, aomercantilismo.Dentre as suas características, destacam-se: • Nada de livre comércio; • O estado era o monopólio (toda atividade econômica era controlada por ele); e • O comércio era a atividade dominante, ou seja, o reino era do comércio. “Fisiocrata” vem de “fisiocracia”, que significa “reino da natureza”. Os fisiocratas não acreditavam queuma nação pudesse se desenvolver mediante, apenas, o acúmulo de metais preciosos e estímulos diretosao comércio. Era necessário o investimento em produção. Não na produção industrial (ou comercial), masna produção agrícola, pois somente nessa eram possíveis a geração e a ampliação de excedentes.Transações Imobiliárias - Economia 9
  12. 12. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalO objeto da investigação dos fisiocratas é o sistema econômico em seu conjunto, sendo este conjuntoregido por uma ordem natural, à semelhança da ordem que rege a natureza física. Nesse pensamento, oconjunto dos homens é uma sociedade, isto é, uma unidade regida por leis através de um processo quesomente a troca pode realizar.A realidade da troca é o ponto de partida da fisiocracia e uma interpretação (por que não dizer?) dainterpretação marxista da história.Podemos perceber que os fisiocratas concedem à ordem da natureza uma economia inteiramente demercado (capitalista), na qual cada um trabalha para os demais, ainda que acredite que trabalhe apenaspara si mesmo. É bom destacar que essa elevada menção que os fisiocratas atribuíam à ordem natural édecorrente da estrutura econômica francesa por volta de meados do século XVIII. Tratava-se de umaeconomia predominantemente agrícola, sendo a terra propriedade de caráter eminentemente senhorial. Ocapitalismo já se desenhava na agricultura, e existia uma bem definida classe de arrendatários (pessoasque arrendavam as terras dos senhores para trabalhar). Também existia muito camponês (pequenosagricultores) em boa parte do país.Pois bem, do confronto entre a agricultura capitalista e a camponesa, obtinha-se a superioridade daagricultura capitalista em termos da capacidade produtiva. Naturalmente, isso levava à crença de queagricultura baseada na produção capitalista (e não mais no fundamento do feudalismo), baseada nacapacidade empresarial dos arrendatários burgueses (não esqueçam disso!), constituía a mais avançada e amais desejável das formas de produção.O único trabalho produtivo para os fisiocratas é o trabalho agrícola. E está na terra o poder de dar origema um produto líquido que se liga, fundamentalmente, à renda fundiária. Talvez, nesse ponto, resida agrande limitação teórica dos fisiocratas, na medida em que consideravam apenas produtivo o trabalhoagrícola.Voltando ao liberalismo, destaque-se que, para os fisiocratas, a sociedade é governada por leis naturaissemelhantes às que existem na natureza. Portanto, o Estado, através dos vários governos, não deveintervir nesta ordem natural. Com isso, conforme dito antes, criticavam o intervencionismo estatal domercantilismo.Pertencem aos fisiocratas as frases que identificam o liberalismo: laissez-faire e laissez-passer.Escola ClássicaA Escola Clássica foi uma linha de pensamento econômico fundada por Adam Smith e David Ricardo.Com esta Escola, a Economia adquiriu caráter científico integral à medida que passou a centralizar aabordagem teórica do valor, cuja única fonte original era identificada no trabalho em geral.Além da Teoria do Valor-Trabalho, a Escola Clássica baseou-se nos preceitos filosóficos do liberalismo edo individualismo, e firmou os princípios da livre-concorrência, que exerceram decisiva influência nopensamento revolucionário burguês.Transações Imobiliárias - Economia 10
  13. 13. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalA Escola Clássica foi uma escola que caracterizou a produção, deixando a procura e o consumo para osegundo plano. Para Smith,considerado o maior dos clássicos e o pai da Ciência Econômica, o objeto daeconomia é estender bens e riqueza a uma nação.Nesse sentido, entende que a riqueza somente pode ser conseguida mediante a posse do valor de troca.Valor de troca, para Smith (1981), é a capacidade de obter riquezas, ou seja, é a faculdade que a posse dedeterminado objeto oferece de comprar com eles outras mercadorias.Smith também refutou as idéias mercantilistas argumentando que a riqueza é constituída pelos valores detroca, e não pela moeda, na medida em que esta é apenas um meio que permite a circulação de bens.Portanto, para Smith (1981), a verdadeira fonte de riqueza de um país somente pode ser alcançada ediante o trabalho, e essa fonte somente pode ser elevada com: • o aumento da produtividade; • a extensão de sua especialização; e • a acumulação do produto sob a forma de capital.A distribuição do produto nacional, no pensamento clássico, continuou sendo tratada de forma tradicional.Os remunerados seguiam esse padrão:trabalho --------------- salário;capital ------------------ lucro; eterra -------------------- renda.Deve ser assinalado que a Teoria Clássica é elaborada em função de um equilíbrio automático, que ignoraas crises e os ciclos econômicos. Desse modo, a oferta deve criar, necessariamente, sua própria procura(Lei de Say), e a soma dos salários e dos ganhos retidos pelos consumidores deve corresponder àquantidade global de bens oferecidos do mercado.Como vimos, o referencial econômico e social da Escola Clássica se dava com base nos princípios doliberalismo e do individualismo. Acreditava-se que um sistema de liberdade econômica, através de ummecanismo impessoal de mercado – “Mão Invisível” – conseguiria harmonizar os interesses individuais.O livro A riqueza das nações, de Smith, é uma das obras clássicas do liberalismo e de vários pressupostosda Economia moderna.De maneira sucinta, vamos ver como Smith concebia a função do Estado nosistema econômico, considerando que a sua obra clássica contém vários pressupostos atuais doneoliberalismo econômico.As idéias de Smith correspondiam aos anseios do poder da burguesia, e, como um liberal, ele defendia: • a mais ampla liberdade individual; • o direito inalienável à propriedade; • a livre iniciativa e a livre concorrência; e • não-intervenção do Estado na economia.Entretanto, para Smith (1981), o Estado deveria ter três funções: proteger a sociedade da violência e dainvasão de outras sociedades independentes; proteger, na medida do possível, todo membro da sociedadeda injustiça e da opressão de qualquer de seus membros ou a função de oferecer uma perfeita ministraçãoda justiça; fazer e conservar certas obras públicas, e criar e manter certas instituições públicas, cujaTransações Imobiliárias - Economia 11
  14. 14. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissionalcriação e manutenção nunca despertariam o interesse de qualquer indivíduo ou de um grupo deindivíduos, porque o lucro nunca cobriria as despesas que teriam esses indivíduos, embora, quase sempre,tais despesas pudessem beneficiar e reembolsar a sociedade como um todo.Na sua análise histórica e sociológica, Smith acreditava que, embora os indivíduos pudessem agir deforma egoísta e estritamente em proveito próprio, existia uma “mão invisível”, decorrente da previdênciadivina, que levava esses conflitos à harmonia.A “mão invisível” era o próprio funcionamento sistemático das leis naturais. O que realmente éfundamental no pensamento smithiano é o fato de haver indicado quase todos os problemas que viriam aser objetos de reflexão científica subseqüente. De Smith, partem todas as linhas de pesquisa que serão tratadas por todos outros economistas, de Marx aKeynes. Adam Smith teve muitos seguidores, dos quais destacamos os seguintes: Thomas Robert Malthus(1766–1834), David Ricardo (1772–1823), John Stuart Mill e Jean Baptiste Say.Na sociedade mundial contemporânea, ficaram conhecidos como neomalthusianos.A obra Ensaio sobre o princípio da população, que o tornou conhecido mundialmente, foi publicada em1798, anonimamente. Das suas idéias, a mais famosa dizia que, enquanto a população tinha tendência acrescer de forma geométrica, os alimentos cresciam de forma aritmética. Embora atraente, é óbvio que,nos dias de hoje, temos certa dificuldade em pensar assim, devido às transformações tecnológicasocorridas na agricultura e ao sucesso dos métodos de controle de natalidade.Tanto Malthus quanto Ricardo tiveram grande influência de Adam Smith. Na realidade, o inglês Ricardoadquiriu fortuna, desde muito jovem, operando na Bolsa de Valores. Divergiu dos estudos sobrepopulação de Malthus, por não acreditar que a demanda efetiva seria incapaz de se realizar no mercado.De Ricardo, herdamos o importante estudo sobre a renda da terra, pois, segundo os seus ensinamentos, aexpansão agrícola, ao se dar em terras menos férteis, levava à valorização da terra mais fértil, e nasrelações econômicas internacionais, à teoria das vantagens comparativas.Ao estudar a produção, Ricardo dedicou-se a tentar entender a formação do valor a partir das horastrabalhadas e sua distribuição. Na concepção ricardiana, a troca das mercadorias estava diretamente ligadaàs quantidades de trabalho relativas que haviam sido utilizadas para sua produção. Era a Teoria do Valor-Trabalho, que começava a ser explicada com certos detalhes e que Adam Smith não conseguira superar. Aimportância da contribuição de Ricardo para o entendimento da formação do valor na Economia só foi serpercebida a partir dos estudos de Karl Marx (1818–1883).Pensamento MarxistaO representante maior desta escola foi Karl Marx. Nascido em Trier, no sul da Alemanha, teve a suaprincipal obra, O capital, publicada pela primeira vez em 1867. Ao mergulhar nos estudos dos clássicos,Marx avançou nas formulações, e realizou uma leitura das mais completas e ampliadas do processocapitalista. Marx trouxe interpretações consistentes sobre a Teoria do Valor-Trabalho e buscoucompreender de forma profunda a realização do capital.No estudo do processo de acumulação capitalista, Marx observou a gênese das crises, ora desuperprodução, ora de estagnação, bem como a distribuição da renda. Para ele, o valor da força deTransações Imobiliárias - Economia 12
  15. 15. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissionaltrabalho despendido para produzir uma mercadoria era determinado pelo tempo de trabalho empregado naprodução da mercadoria. Trata-se, portanto, de compreensão de um valor social.Marx publicou alguns livros em parceria com o amigo de toda vida Friedrich Engels, sendo o primeiro Asagrada família, de 1845. O livro A ideologia alemã, escrito por Marx e Engels por volta de 1845 a 1846,só veio a ser publicado em 1932, e é considerado um dos trabalhos dos mais significativos para acompreensão do materialismo histórico.De acordo com a concepção do materialismo histórico, a transformação social está ligada aodesenvolvimento das forças produtivas. O livro Manifesto do Partido Comunista, de Marx, em co-autoriacom Engels, foi publicado em 1848 e inaugurou a Modernidade.Karl Marx elaborou uma crítica científica do capitalismo. É por isso que sua obra continua tendo granderepercussão, tornando-se um autor obrigatório a ser lido ainda hoje. Segundo Braga (1997), são inúmerasas evidências históricas da contemporaneidade da teoria econômica de Marx. Podemos citar a Lei Geralda Acumulação Capitalista e a Globalização Financeira.Pensamento NeoclássicoPodemos dizer que o desenvolvimento deste pensamento teve o seu florescimento em 1870, ano quemarcou a mundialização das relações econômicas, e estendeu-se até 1929, quando uma grande criseatingiu as economias dos países, colocando em suspense os pressupostos da Ciência Econômica dosclássicos.É interessante saber que essa escola também ficou conhecida como Marginalista, por buscar a integraçãoda Teoria do Valor com a Teoria do Custo de Produção. Uma maior otimização dos recursos devido àescassez passou a ser objetivada.Destacamos como da Escola Neoclássica: Vilfredo Pareto, Léon Walras (1834–1910) e Alfred Marshall(1842 – 1924). Walras e Pareto propuseram, através do uso da Matemática, a construção de um sistemaque levasse ao equilíbrio geral, com independência dos preços, e da micro e da macroeconomia. Segundoa concepção da teoria geral, as unidades econômicas devem agir de forma integrada, e não podem isolaras famílias das empresas.A Teoria do Equilíbrio Parcial na Escola Neoclássica surgiu com Alfred Marshall, a partir da publicaçãoda obra Princípios econômicos, de 1890. Mesmo sendo de tradição neoclássica, não manteve asexposições matemáticas. Com determinação, buscou a todo custo compreender o comportamento humanona organização econômica, embora ciente de que nem todas as variáveis poderiam ser medidas.Com relação à defesa da participação do Estado na Economia, tivemos a presença de Arthur Cecil Pigou,a obra Riqueza e bem-estar, de sua autoria, publicada em 1920, apontava para a interferência do Estado naeconomia em algumas atividades, tendo na mira a geração de bens e serviços.Observe que a economia do bem-estar sempre esteve presente em nossas preocupações, desde osclássicos. Com a crise de 1929, o arcabouço neoclássico se tornou ineficaz para explicar a realidade, e,com o surgimento da análise da economia imperfeita, outras idéias associadas ao estudo do emprego, darenda e da produção foram formuladas.Transações Imobiliárias - Economia 13
  16. 16. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalEra o começo da fase keynesiana, que mudou totalmente a forma de compreender o comportamentoeconômico.Pensamento KeynesianoO ponto de partida do pensamento de Keynes é que o sistema capitalista tem um caráter profundamenteinstável. Ou seja, a operação da “mão invisível”, ao contrário do que afirmavam os economistas clássicos,não produz a harmonia no mercado. Em momentos de crises, argumenta Keynes, a intervenção do Estadopode gerar demanda, mediante os investimentos, com vistas a garantir níveis elevados de emprego.O pensamento de Keynes comandou as bases do capitalismo mundial entre a década de 1940 e final dosanos 70. No Brasil, o pensamento keynesiano vigorou até final dos anos 80, principalmente no que dizrespeito ao Estado interventor. Ou seja, a forte intervenção do Estado na economia brasileira, entre asdécadas de 50 e 80, foi realizada com base teórica fundamentada no pensamento de Keynes.A análise keynesiana veio opor-se aos postulados da Economia Clássica e Neoclássica, que tinha na Leide Say a sua pedra angular.Os pensadores que mais contribuíram para a concepção e divulgação dessa Lei, passada como um dosprincípios inquestionáveis da Economia Política Clássica, foram os economistas Jean Say, David Ricardoe Stuart Mill.Introdutoriamente, a Lei de Say estabelece que toda produção encontra uma demanda, ou seja, que toda arenda (lucros, juros, salários) é inteiramente gasta na compra de mercadorias e serviços, e, portanto, nãopode haver um excesso de produção ou renda em relação à demanda ou às despesas efetivamenterealizadas.Observando a Lei de Say, muitos economistas deduzem que o princípio de Jean Say é válido para umaeconomia de produtores simples, de troca, de escambo, na qual cada família seria proprietária de seusmeios de produção e trocaria apenas o excedente de bens que ela mesma produz, mas não consome. Naformulação da Lei de Say, deve-se destacar qual a atribuição que caberia ao dinheiro. Com efeito, nestaLei, o dinheiro é visto apenas como um meio de troca, sendo gasto imediatamente. Para Say, ninguémteria interesse em conservá-lo (atribuindo-lhe reserva de valor). Para Ricardo, o fato de ninguém quererconservá-lo se deve ao fato de o dinheiro servir apenas para aquisição de bens de consumo ou bens deprodução, para a criação de bens de consumo no futuro.Os produtores ou possuidores de dinheiro não tinham interesse em mantê-lo em suas mãos mais que onecessário, dentro da filosofia de Say. Ainda conforme a Lei, seria a demanda ilimitada. O que significaisso?Significa que sempre existirá uma demanda por um ou outro tipo de produto. Desse argumento, resultaque, ainda que ocorra excesso de produção, isso acontece apenas para certos tipos de mercadoria e emcaráter temporário.Esse argumento de que a demanda é ilimitada é essencial para os clássicos e neoclássicos, pois assegura ainexistência de um excesso de produção em relação à demanda. Ou seja, tudo o que for produzido é,naturalmente, vendido. Todo o poder de compra da sociedade é sempre utilizado. O que é poder decompra? É demanda. É procura.Transações Imobiliárias - Economia 14
  17. 17. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalDiante do que vimos até aqui, fica entendido que toda a renda ganha é sempre gasta no processoprodutivo, sinalizando a inexistência de entesouramento. Ou seja, na Lei de Say, inexiste entesouramentodo dinheiro. Nenhum indivíduo, ao auferir uma renda, deixa de usá-la inteiramente. Uma parte dela éutilizada para o consumo pessoal, enquanto a outra parte é poupada.Cuidado, aqui, poupança, deve ser dito, não significa entesouramento para a Lei de Say. A poupança serásempre utilizada. Ou o indivíduo a emprega para acumular capital ou a empresta para outro, que deveimediatamente fazer uso dela. Em resumo: tudo que é ganho deve ser gasto. E se parte não é, outra pessoao faz, recebendo o dinheiro por empréstimo.Considerando que o volume dos meios de produção e da força de trabalho é regulado pela produção,temos que a economia tende a operar com pleno emprego de recursos (ou plena capacidade de produção).E se ocorresse excesso de capacidade produtiva (seja de força de trabalho, seja de capital), o que fazer?Nesse caso, os recursos empregados se deslocariam para outro ramo da atividade no qual existissedemanda suficiente para absorver uma produção adicional, assegurando, desta forma, uma taxa de lucrocompensatória.Os economistas adeptos da Lei de Say encaravam o desemprego como uma pequena anormalidade dosistema capitalista, que tinha a sua origem na intervenção estatal e na associação dos trabalhadoressindicais. Indicavam que também uma das causas do desemprego eram os altos salários pagos. Então,para corrigir o desemprego, os salários deveriam ser flexíveis.Baseados na Lei de Say, os gastos públicos não exerciam qualquer efeito positivo sobre a economia e, emespecial, sobre o crescimento econômico. Acreditavam, sim, que os gastos do Estado poderiam ser umobstáculo para o crescimento econômico, visto que transferiam fundos de acumulação para utilizá-los ematividades improdutivas.O pensamento de Keynes significa mais que um produto da Inglaterra vitoriana e eduardiana. É a próprianegação do pensamento clássico. Ao contrário de Ricardo e Say, Keynes entendeu que, para asobrevivência do capitalismo, era necessária uma ação efetiva do Estado na regulação das crises docapital. Keynes pode ser considerado como o retrato do indivíduo liberal de seu tempo. Detinha umcaráter profundamente individualista, mas percebia os problemas sociais de sua época. É considerado omais célebre economista do século XX, pioneiro da Macroeconomia.As obras de Keynes mostram que suas preocupações estavam sempre ligadas a questões práticas epolíticas de conjuntura. Não parecia interessado em reconstruir a teoria econômica a partir da análise dovalor, mas em verificar por que as teses marginalistas, nas quais fora educado, conduziam a políticasinconsistentes.Em 1930, escreveu Tratado sobre a moeda e, em 1936, escreveu a sua principal obra, A Teoria Geral doEmprego, do Juro e da Moeda. Foi esta última que mais contestou a Teoria Marginalista, Neoclássica ouClássica.A Teoria Geral abalou profundamente os pressupostos do liberalismo econômico, mostrando ainexistência do princípio do equilíbrio automático na economia capitalista. Até então, nos meiosmarginalistas, a economia de mercado encontrava naturalmente seu equilíbrio, numa situação em quetodos os que desejassem trabalhar por uma remuneração correspondente à sua produtividade poderiamfazê-lo.Transações Imobiliárias - Economia 15
  18. 18. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalA questão da produção e do emprego foi demasiadamente avaliada por Keynes. Ele concluiu que o fatorresponsável pela alteração do volume de emprego é a procura de mão-de-obra, e não a sua oferta, comopensavam os neoclássicos. Logo, o desemprego é o resultado de uma demanda insuficiente de bens eserviços, e somente pode ser resolvido por meio de investimentos. O investimento, para Keynes, é o fatordinâmico na economia, capaz de assegurar o pleno emprego e influenciar a demanda.Ao contrário da tradição clássica e neoclássica, Keynes enfatiza acentuadamente o papel do Estado naeconomia. Destaca que as mudanças no sistema produtivo não poderiam ocorrer sem a ação efetiva dopoder público.O grande eixo da análise de Keynes sobre a intervenção do Estado na economia é a superação da crise, nocurto prazo, durante a própria crise, possibilitando o aumento dos investimentos através de uma políticade aumento da demanda. O aumento das despesas em obras públicas, graças ao multiplicado, provocaria oaquecimento da economia, que se espalharia para os demais setores. Haveria, então, nova perspectiva paraos investimentos privados, visto como eixo central de toda a economia.Mas como ativar os investimentos? Sabe-se que, ativando o investimento, se promove a elevação do nívelde emprego, aumentando a renda e o crescimento econômico. O Estado, nesse sentido, teria aresponsabilidade de ativar o investimento e de assegurar a alocação dos recursos.Keynes estava convencido da importância da ação do Estado na economia, e toda a ação governamentaldeveria estar pautada na busca de reduzir os efeitos da crise de acumulação de capitais, que, de qualquerforma, promoveria a queima de certa quantidade de capital.Há uma procura incessante por novas alternativas ao modelo keynesiano. Os pós-keynesianos seenquadram neste grupo e estão entre os que se preocupam com o princípio da demanda efetiva, odesempenho da moeda e as expectativas do comportamento das economias. É por isso que, nessa escola,os estudos da determinação dos títulos no mercado são realizados com bastante atenção.Transações Imobiliárias - Economia 16
  19. 19. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissional EXERCÍCIOS1. descreva o surgimento a Economia como ciência no cenário mundial?2. Fale sobre o significado das idéias de Adam Smith para o estudo da Economia.3. Por que o Marxismo tem sido tão pouco estudado na atualidade?4. Qual a força da Escola Neoclássica na Economia?5. Fale da crise de 1929.6. Para que servem os ensinamentos de Keynes na atualidade?Transações Imobiliárias - Economia 17
  20. 20. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalCAPÍTULO III – TEORIA DO CONSUMIDORA Teoria do Consumidor é a parte da microeconomia que se preocupa em estudar o comportamento doconsumidor.Objeto básico – O comportamento do consumidor individual.Consumidor – Uma unidade de consumo ou de gasto, portadora de certo orçamento.Hipótese básica – os indivíduos distribuem a totalidade de suas despesas de forma racional.Forma racional – o comportamento que visa a obter o máximo de satisfação dentro das limitações deorçamento:Calculando deliberadamenteEscolhendo conscientementeMaximizando a sua satisfação ou utilidade.A utilidade, em seu sentido mais amplo, é caracterizada como a adequação de um bem para satisfação deuma necessidade sentida por um individuo.A Teoria do consumidor envolve assuntos como a preferência do consumidor e curvas de indiferença.· Comportamento do consumidor· Preferência do consumidor· Escolha do consumidor· Restrições orçamentárias· Demanda de mercadoA teoria do consumidor é sustentada por hipóteses de racionalidade e é dividida em três partes,1 - Preferências 2 - Restrições 3 – EscolhasPreferênciasPremissas básicas:1- integralidade - Todo consumidor tem a capacidade de ordenar suas preferências2- Transitividade - Existe consistência na capacidade de ordenar as preferências3- monotonicidade - Mais de um bem é melhor que menos.Uma curva de indiferença é um gráfico de uma função que mostra combinações de bens, na quantidadeque torna o consumidor indiferente. Assim, ele não tem preferência entre uma combinação contra a outra,já que cada uma provê um mesmo nível de satisfação (utilidade não muda). As curvas de indiferença sãomuito utilizadas para representar as preferências do consumidor. Na curva de indiferença são colocadosdiversos pontos onde, cada um deles, representa a quantidade de um bem frente ao outro. Em todos ospontos ao longo da curva de indiferença o consumidor não tem preferência nem por um produto e nempor outro.Transações Imobiliárias - Economia 18
  21. 21. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalIMPORTANTE: As curvas de indiferença jamais se interceptam e nem podem estar inclinadas para cima.Elas são levemente inclinadas para a direita.ABORDAGENS DA TEORIA DO CONSUMIDOR:Abordagem cardinal – procura analisar o comportamento do consumidor, partindo da hipótese de que osbens tem utilidade mensurável quantitativamente. Por meio da medida quantitativa da utilidade dascoisas, o consumidor escolhe as diferentes alternativas de consumo, visando à satisfação de suasnecessidades.Abordagem ordinal – sua característica fundamental está no fato de rejeitar a hipótese de mensurabilidadequantitativa da utilidade, substituindo-a pela hipótese de comparabilidade. Comparando as utilidades dascoisas, o consumidor escolhe as diferentes alternativas de consumo de bens ou de combinações de benscapazes de atender suas necessidades.A ABORDAGEM CARDINAL:Fundamenta-se na escolha e utilização de alguns elementos ou conceitos básicos, tais como: a noção deutilidade, o problema da medida da utilidade, a noção de utilidade marginal e a lei da utilidade marginaldecrescente.Noção de utilidade:Quando se consome algum produto, obtém-se certa satisfação. Significa a capacidade de satisfação dasnecessidades sentidas, inerente aos bens. É um conceito introspectivo do consumidor: reside na suamente, sendo portanto subjetivo.Medida da utilidade:Supõe-se que a utilidade é uma função da quantidade que se consome de um bem.U = f(q).A utilidade é uma função crescente da quantidade consumida, isto é, à medida que se aumenta o consumode um determinado bem, a utilidade (ou grau de satisfação) aumenta.U3 > U2 > U1Utilidade Marginal de um bem:Variação da sua utilidade total em decorrência da variação do seu consumo.A utilidade marginal é decrescente, assim:U2 – U1 > U3 – U2a) A utilidade total é uma função crescente da quantidade consumida;b) A utilidade total cresce a uma taxa decrescente, o que equivale a admitir que a utilidade marginal é umafunção decrescente da quantidade.Transações Imobiliárias - Economia 19
  22. 22. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissional EXERCÍCIOS 1. de acordo com a teoria do consumidor, o que é : a. Objeto básico. b. Consumidor. c. Hipótese básica. 2. De acordo com as preferências, quais são as premissas básicas? 3. Explique a abordagem cardinal. 4. Explique a abordagem ordinal. 5. Defina : a. Noção de utilidade. b. Medida da utilidade. c. Utilidade Marginal de um bem.Transações Imobiliárias - Economia 20
  23. 23. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalCAPÍTULO IV – TEORIA DO FUNCIONAMENTO DO MERCADOFuncionamento do mercadoDistinção entre Microeconomia e MacroeconomiaMicroeconomiaÉ o ramo da Ciência Econômica voltado ao estudo do comportamento das unidades de consumorepresentadas pelos indivíduos e/ou famílias (estas, desde que caracterizadas por um orçamento único); aoestudo das empresas, suas respectivas produções e custos e ao estudo da produção e preços dos diversosbens, serviços e fatores produtivos.A Microeconomia, ao estabelecer princípios gerais, revela-se muito mais abstrata do que amacroeconomia, a qual se encontra voltada ao exame de questões e medidas peculiares a um dado lugar einstante de tempo. A Microeconomia elabora instrumentais de análise que se aplicam a situações distintas.O mesmo instrumental de oferta e demanda serve para analisar os mercados de carne bovina, soja, milho,peixe, etc. Já o instrumental macroeconômico sofre algumas modificações, dependendo do local e dotempo.A Microeconomia apresenta uma visão microscópica dos fenômenos econômicos, e a Macroeconomiauma ótica telescópica. Tomando como exemplo o estudo de uma floresta, a Microeconomia estudaria asespécies vegetais que a compõem, até chegar ao todo; enquanto a macroeconomia partiria da florestacomo um todo não se preocupando em distinguir seus elementos. Por isso, a Microeconomia se preocupacom o preço e a quantidade ofertada e demandada de arroz, feijão, soja, milho, etc.; enquanto aMacroeconomia se preocupa com o nível do produto nacional e do índice geral de preços. Se do agregado(conjunto de famílias ou de firmas, ou total do consumo, ou da renda, ...) pudesse ser extraído, ao acaso,um elemento como representativo do padrão de comportamento dos demais, ter-se-ia a área de atuação daMicroeconomia; caso contrário, se não houvesse a possibilidade de isolar um elemento do grupo de modotal que refletisse o padrão de comportamento dos demais, adentrar-se-ia ao campo da Macroeconomia.MacroeconomiaÉ o ramo da Ciência Econômica que estuda os agregados econômicos (como a produção, o consumo, oinvestimento, a renda da população como um todo), seus comportamentos e as relações que guardamentre si.A Macroeconomia, no máximo, aborda os níveis absolutos dos preços, enquanto a Microeconomia temgrande preocupação com os preços relativos (ou seja, como os preços de alguns bens variam em relaçãoaos demais). Efetivamente, a Microeconomia é igualmente conhecida como por teoria dos preços, poisprocura evidenciar a formação dos preços dos bens e serviços, assim como dos recursos produtivos.Teoria da demandaProcura ou demanda individualÉ a quantidade de um determinado bem ou serviço que o consumidor deseja adquirir num determinadoperíodo de tempo a cada nível de preço.Transações Imobiliárias - Economia 21
  24. 24. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalNeste conceito devemos destacar dois elementos: • A demanda é um desejo de adquirir, é uma aspiração, um plano e não sua realização. A demanda não deve ser confundida com a compra. A demanda é um desejo de aquisição, enquanto a compra é um ato concretizado de aquisição. • A demanda é um fluxo por unidade de tempo.Temos que a demanda individual de um bem X (Dx) depende: • do seu preço (Px); • dos preços dos bens substitutos (Pi); • dos preços dos bens complementares (Pj); • da renda do consumidor (R); • de suas preferências ou gostos (G).Matematicamente :Dx = f ( Px , Pi , Pj , R, G) EXERCÍCIOS 1. Defina : a. Microeconomia b. Macroeconomia c. Procura ou demanda individual 2. Como podemos diferenciar a Microeconomia da Macroeconomia? 3. Como podemos definir demanda? 4. Explique a fórmula matemática da demanda, Dx = f ( Px , Pi , Pj , R, G).Transações Imobiliárias - Economia 22
  25. 25. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalCAPÍTULO V – TEORIA DA FIRMATEORIA DA FIRMAA Teoria da Firma é a parte da microeconomia que se preocupa em estudar o comportamento da firma. ATeoria da Firma abrange a Teoria da Produção, a Teoria dos Custos e a Análise dos Rendimentos daFirma.Teoria da ProduçãoA importância do estudo da Teoria da Produção reside no fato de que: • Seus princípios gerais proporcionam as bases para a análise dos custos e da oferta dos bens produzidos; e • Seus princípios, também, se constituem peças fundamentais para a análise dos preços e do emprego dos fatores de produção, bem como da alocação desses fatores entre os diversos usos alternativos na economia.Conceitos básicos da Teoria da Produçãoa) Empresa ou Firma - é uma unidade técnica que produz bens e/ou serviços de forma racional,procurando maximizar seus resultados relativos a produção e o lucro. Esse conceito abrange umempreendimento de modo geral, que inclui as atividades industriais e agrícolas, as atividadesprofissionais, técnicas e de serviços.b) Fator de Produção - são bens ou serviços transformáveis em produção, e se dividem em: • fatores de produção primários - são os fatores naturais, que existem independentemente da ocorrência de um processo produtivo anterior. Exemplo de fator de produção primário é a terra; e • fatores de produção secundários - são aqueles que necessitam de um processo produtivo anterior para criá-los. Exemplo de um fator de produção secundário são as máquinas;c) Produção: é a transformação dos fatores adquiridos pela empresa em produtos.d) Função de Produção: é a relação que mostra qual a quantidade máxima obtida do produto a partir daquantidade utilizada dos fatores de produção.e) Processo de Produção: é a técnica por meio da qual um ou mais produtos vão ser obtidos a partir dautilização de determinadas quantidades de fatores de produção.Transações Imobiliárias - Economia 23
  26. 26. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalA função de produçãoA função de produção pode ser representada por: q = f(x1, x2, ..., xn)Onde:q = quantidade máxima produzida do bem, sendo q > 0 ex1 , x2, ..., xn são as quantidades utilizadas dos diversos fatores de produção, sendo xi > 0 (i = 1, 2, ..., n).A função f pode assumir várias formas. Considerando um exemplo linear de uma função de produçãotemos: q = co + c1 x1 + c2 x2 + ... + cn xnMuitas vezes os fatores de produção são agrupados em capital (K) e trabalho (L). Assim, a função deprodução fica sendo: q = f(K, L)A análise da teoria da produção no curto e no longo prazoEm qualquer expressão de função de produção podemos considerar duas situações: • Curto prazo: situação onde temos um ou mais fatores de produção variáveis, mas pelo menos um fator é fixo. • Longo prazo: situação onde todos os fatores de produção são variáveis.Lei dos Rendimentos DecrescentesEssa Lei, também conhecida como Lei das Proporções Variáveis ou Lei da Produtividade MarginalDecrescente descreve o comportamento da taxa de variação da produção quando é possível variar apenasum dos fatores, permanecendo constante os demais:"se aumentarmos a quantidade de um fator variável, permanecendo a quantidade dos demais fatores fixa,a produção, inicialmente, aumentará a taxas crescentes. Depois de certa quantidade utilizada do fatorvariável, a produção passaria a aumentar a taxas decrescentes. Depois de certo limite de uso do fatorvariável, continuando o incremento da utilização desse fator, a produção decrescerá".Três pontos devem ser ressaltados na Lei dos Rendimentos Decrescentes:a) só ocorre quando temos apenas um fator variável e todos os demais fixos;b) ocorre devido a uma alteração nas proporções da combinação entre os fatores ec) foi considerada por Ricardo como válida para a agricultura e generalizada pelos Neoclássicos para todaa economia.Transações Imobiliárias - Economia 24
  27. 27. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalRendimentos de escalaTrata-se de um conceito que se define apenas na análise de longo prazo, quando se supõe que todos osfatores de produção sejam variáveis.Dado um nível de tecnologia, denomina-se de rendimentos de escala à variação do produto final devido àvariação da utilização dos fatores de produção.Temos três tipos de rendimentos de escala: 1. Rendimentos crescentes de escala ou economias de escala: ocorrem quando a variação na quantidade do produto total é mais que proporcional à variação utilizada dos fatores de produção. Por exemplo, aumentando-se a utilização dos fatores em 20%, o produto cresce 30%. Entre as causas geradoras dos rendimentos crescentes de escala temos a influência das relações dimensionais e a indivisibilidade dos fatores de produção. 2. Rendimentos constantes de escala: ocorrem quando a variação do produto total é proporcional à variação da quantidade utilizada dos fatores de produção. Por exemplo, aumentando em 20% a utilização dos fatores, o produto também cresce de 20%. 3. Rendimentos decrescentes de escala ou deseconomias de escala: ocorrem quando a variação do produto é menos do que proporcional à variação na utilização dos fatores. Por exemplo, aumentando a utilização dos fatores em 20%, o produto cresce 10%.Transações Imobiliárias - Economia 25
  28. 28. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissional EXERCÍCIOS 1. O que abrange a Teoria da Firma ? 2. Qual a importância do estudo da Teoria da Produção? 3. Cite os Conceitos básicos da Teoria da Produção. 4. Explique cada um deles. 5. Como a função de produção pode ser representada? Explique todas as formas. 6. O que é Lei dos Rendimentos Decrescentes? 7. O que são Rendimentos de escala? 8. Quais os tipos de rendimentos de escala temos em economia? 9. Explique cada um deles.Transações Imobiliárias - Economia 26
  29. 29. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalCAPÍTULO VI – ESTRUTURAS DE MERCADOEstruturas básicas do mercadoDefinição de mercadoMercado é um conjunto de pontos de contados voluntários entre vendedores e potenciais compradores deum bem ou serviço, que mediante condições contratuais de compra e venda concretizam os negócios.Aspectos implícitos no conceito de mercado: • O contexto comporta qualquer tipo de intercâmbio: trocas diretas (negociações diretas entre os vendedores em qualquer lugar) e trocas indiretas (negociações através de bolsas de mercadorias, bolsas de cereais ou em instituições congêneres). Assim, a definição de mercado é caracterizada pela idéia de espaço econômico, ou seja, não está circunscrita a uma região determinada. • Negociações são voluntárias e o sistema de preços funciona como denominador comum nas trocas. • Desnecessidade da presença explícita das partes envolvidas no processo. Essa possibilidade é possível pelo desenvolvimento de redes internacionais de telecomunicação em tempo real e padronização de produtos (commodities). Assim, os mercados se desenvolvem em termos locais, regionais, nacionais e internacionais. • Diferentes estágios no processo de transação: atacado e varejo.Determinantes das estruturas de mercadosSão dois os elementos que determinam as estruturas mercadológicas nas quais acontece a atuação dafirmas: a quantidade de agentes e a natureza do produto final ou serviço ou do fator de produção. 1. A quantidade de agentes:pela forma de atuação e não pela quantidade dos agentes. O comportamento dos agentes diz respeito à existência ou não de reações entre eles quando as decisões particulares entrarem em cena. Podem surgir duas possibilidades: • Mercados atomizados, presença de grande quantidade de agentes em que as decisões individuais dos agentes não influenciam a decisões dos demais agentes concorrentes. Os indivíduos atuam como tomadores de preços e, isoladamente, jamais pressionarão o preço que vier a ser ditado pelo mercado. Essa situação ocorre nos mercados concorrenciais. • Mercado não atomizado, onde existem poucos agentes (mercados não concorrenciais) e a decisão de qualquer um deles terá influência sobre as decisões dos demais. Neste mercado aos agentes conseguem, em certas circunstâncias, ditar preços.Transações Imobiliárias - Economia 27
  30. 30. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissional 2. A natureza do produto final ou serviço ou do fator de produção: neste caso os mercados também podem ser classificados em duas categorias: • Mercados puros, quando os produtos são homogêneos, portanto, substitutos perfeitos. Exemplos: água mineral sem gás, flores, cimento e commodities. • Mercados imperfeitos, quando os produtos não são homogêneos quanto à origem, condições de comercialização e qualidade, e não são bons substitutos (perfeitos ou homogêneos).A diferenciação do produto final, serviços ou fator de produção ocorre quando existir manifestapreferência do agente por um deles em detrimento dos demais, embora todos possam, em princípio,atender a mesma finalidade. E, pode se identificada pelos atributos técnicos, físicos e/ou intrínsecos;imagem transmitida e características dos agentes: • atributos técnicos, físicos e/ou intrínsecos: resultam, entre outras especificidades, da forma (configuração), estilos, durabilidade, cor, qualidade, tipo de embalagem, condições de uso, denominações não similares, disponibilidade e tecnologia incorporada; • imagem transmitida: masculinidade, feminilidade, marca (etiqueta), prestígio, posição social (status) exemplificam essa situação; • características dos agentes: compreendem, entre diversas possibilidades, localização geográfica, políticas de transação (preço e crédito), condições de higiene/limpeza do local da negociação, comportamento e/ou modo de atuação de prepostos (até de empregados) como boas maneiras no relacionamento, prestação de assistência técnica pós-vendas e disponibilidade para a realização/execução de serviços.Estruturas clássicas básicas de mercadoAs estruturas básicas de mercados são divididas em: concorrência perfeita, monopólio, concorrênciamonopolista, oligopólio, monopsônio e monopólio bilateral.Concorrência perfeitaComo todas as formulações microeconômicas, a estrutura de mercado caracterizada por concorrênciaperfeita é uma formulação irreal (ou seja, uma concepção ideal), porque os mercados altamenteconcorrenciais não existem, na realidade são apenas aproximações desse modelo. Não obstante, é útilcomo aproximação para descrever o funcionamento econômico de muitas realidades complexas.Hipóteses do modelo de concorrência perfeitaDizemos que um mercado apresenta uma estrutura em concorrência perfeita quando:1) Existe um grande número de produtores (também chamados de vendedores).2) Cada um dos produtores é pequeno em relação à dimensão do mercado.3) Os produtos elaborados são homogêneos, sendo substitutos perfeitos entre si.4) Existe um grande número de compradores, sendo que cada um deles é pequeno em relação à dimensãodo mercado.Transações Imobiliárias - Economia 28
  31. 31. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissional5) Existe completa informação e conhecimento sobre o preço do produto por parte dos produtores e dosconsumidores.6) Não existe habilidade das firmas para influenciar a procura de mercado através de mecanismos extra-preços, como propaganda, melhoria de qualidade, mecanismos de comercialização, etc.7) A entrada e a saída de firmas no mercado são livres.Exemplos de mercados com estruturas próximas da concorrência perfeita são os produtores de hortaliças eos vendedores de picolé numa área de lazer.A empresa em regime de concorrência perfeita só fixa a quantidade a ser vendida, pois o preço está fixadopelo mercado (é uma variável exógena). Assim, se o preço fixado pelo mercado for de p reais por unidadedo produto, a firma sempre receberá sempre p reais por unidade adicional que vender. Então, a receitamarginal (RMa) será de p reais, o mesmo acontecendo com a receita média (RMe).Se a firma ofertar o produto a um preço abaixo do preço dos concorrentes, a firma venderá toda a suaprodução e não afetará o preço de equilíbrio de mercado. E se ofertar o seu produto acima do preço demercado, nada venderá.MonopólioUma estrutura de mercado é caracterizada como sendo de monopólio quando temos as seguintescondições:1) o setor (ou mercado) produtor é constituído por uma única firma;2) a firma em questão elabora um produto para o qual não existe substituto próximo;3) existe concorrência entre os consumidores; e4) a firma procura estabelecer mecanismos que garantam o monopólio do mercado.Exemplos de monopólios são os serviços de telefonia, águas e esgotos e energia elétrica em uma cidade.Esse tipo de monopólio é estabelecido por concessão do setor público.Observe que em uma estrutura de mercado em concorrência perfeita temos um grande número de firmaselaborando um bem homogêneo. No monopólio temos apenas uma firma. A firma em concorrênciaperfeita controla apenas a quantidade produzida, enquanto a firma em monopólio controla a produção ouo preço.O equilíbrio da firma monopolista no curto-prazoConsideramos que a firma monopolista não exerce qualquer influência nos preços dos fatores deprodução, ou seja, a firma monopolista obtém os fatores de produção no mercado de concorrência perfeitae vende o seu produto num mercado com estrutura de monopólio.Na estrutura de mercado monopolista, a firma e única de maneira que a entrada de novas firmas alteraria aestrutura do mercado. Em consequência, o monopólio somente se mantém se a firma conseguir impedir aentrada de outras firmas no mercado. Diversos fatores podem concorrer para a manutenção do monopólio,representando barreiras ao acesso de novas firmas, dentre as quais destacamos:a) a dimensão reduzida do mercado;b) a existência de patentes, o que impede a produção de um dado produto por firmas concorrentes;Transações Imobiliárias - Economia 29
  32. 32. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissionalc) a proteção oferecida por leis governamentais; ed) o controle das fontes de suprimento de matérias-primas para a produção de seu produto.Em razão dessas vantagens, o monopólio pode apresentar lucro maior que outros setores. Nesse sentido, éinteressante distinguir lucro normal e lucro extraordinário: • lucro normal: inclui a remuneração do empresário e o seu custo de oportunidade; • lucro extraordinário: situação do monopólio que permite ao monopolista auferir um lucro acima do lucro normal.Contudo, é pouco provável que um monopólio se perpetue no longo prazo: as patentes tornam-seobsoletas; novos produtos, e mais refinados, são desenvolvidos por outras firmas; matérias-primassubstitutas tornam-se disponíveis, entre outros fatores. A manutenção do monopólio somente e maisfactível quando o mercado é garantido por meio de leis governamentais.Se o mercado de uma firma for reduzido, é provável que ele permaneça no regime de monopólio, mesmoauferindo lucros vantajosos. Se outra firma entrar no mercado, o preço do produto poderá tornar-se tãobaixo que as duas sofrerão prejuízo. Adicionalmente, no longo prazo, o desenvolvimento tecnológico daorigem à produção de novos métodos e técnicas que determinam o surgimento de novos produtos, demelhor qualidade e substitutos daqueles bens anteriormente monopolizados. Existem, entretanto, algunsinstrumentos que podem exercer certo controle sobre o poder do monopólio, por exemplo, aregulamentação do preço do produto e a imposição fiscal.Tipos de monopólioExistem monopólios com única planta industrial e monopólios com unidades fabris distintas (plantasmúltiplas), bem como monopólios com preço único ou sem discriminação de preço (aplicável aosmonopólios naturais) e monopólios com preços diversos em um mesmo instante de tempo, como porexemplo: • Preços de ingressos em estádios e casas de espetáculos; • Tarifas de energia diferenciada por tipo de destino (residencial, comercial e industrial); e • Tarifa telefônica diferenciada por horário.A discriminação de preços em monopólio acarreta a presença de situações distintas classificadas em trêsgraus:_ discriminação de preços de 1º grau (perfeita): quando o número de usuários é pequeno e o monopolistaestabelece preço diferenciado para cada um deles, como no caso de cirurgias altamente especializadas elances de leilão;_ discriminação de preços de 2º grau: quando os preços variam de acordo com o volume de utilização dobem. Por exemplo, tarifa de serviços gráficos com os valores unitários por cópia decrescentes conformelotes; e_ discriminação de preços de 3º grau: o mercado é segmentado adotando-se como parâmetro ascaracterísticas da elasticidade-preço da procura para os diversos grupos de usuários e/ou patentes do bem.Os preços mais elevados são estabelecidos para os grupos em que essa elasticidade seja menor e vice-versa. Ex.:preços de ingressos em estádios e teatros e viagens internacionais.Transações Imobiliárias - Economia 30
  33. 33. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalVantagens e desvantagens do monopólioVantagem - tem-se que a produção em larga escala reduz custos, que se repassados aos consumidoresbeneficiará a coletividade;Desvantagens - pelo menos três colocações desabonariam a figura do monopólio: • Possibilidade de ineficiência da firma monopolista e até falta de estímulo para melhoria dos métodos produtivos; • Limitação imposta aos consumidores quanto às oportunidades de compra e escolha; • Preços abusivos eventualmente fixados ao consumidor que, em consequência, traduziriam-se como lucros elevados ao monopolista.Concorrência monopolísticaUm mercado (ou setor ou indústria) possui uma estrutura caracterizada por concorrência monopolísticadesde que:1) Existe um número elevado de firmas.2) Cada uma das firmas é pequena em relação ao tamanho do mercado.3) As firmas produzem bens diferenciados, mas que são substitutos próximos entre si.4) Existe um grande número de compradores, que são pequenos, individualmente, em relação ao tamanhodo mercado.5) As firmas elaboram esquemas para garantir preferência dos consumidores.6) Existe livre entrada e saída de firmas do mercado.Exemplos de mercado em concorrência imperfeita são os vendedores de diferentes marcas de cigarros, desabonete, de refrigerantes, de roupas e as mercearias em uma cidade.Nessa estrutura, cada firma tem determinado poder sobre a fixação de preços, ou seja, a curva de demandacom a qual se defronta é negativamente inclinada, apesar de ser pouco inclinada (bastante elástica), pois aexistência de substitutos próximos permite aos consumidores alternativas para fugirem de aumentos depreços.A diferenciação de produtos pode ocorrer por características físicas (composição química, potência, etc.),pela embalagem, ou pelo esquema de promoção das vendas (propaganda, atendimento, fornecimento debrindes, manutenção, entre outros).Como não existem barreiras à entrada de firmas, no longo prazo há uma tendência para a existência delucros normais (RT = CT), sem lucros extraordinários.OligopólioCaracteriza-se por:1) Existência de um número pequeno de produtores (também chamados de vendedores) fabricando quesão substitutos próximos entre si, com elevada elasticidade cruzada.2) Alguns produtores detêm parcela elevada da produção; que em alguns casos lhes permite exercer umaliderança na fixação de preço no mercado.3) As decisões das empresas quanto à produção e preço são interligadas. Se uma empresa rebaixar o preçoTransações Imobiliárias - Economia 31
  34. 34. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissionalde seu produto para aumentar sua fatia do mercado, será acompanhada pelas demais empresas. Se umaempresa produzir acima de sua fatia de mercado, terá que carregar estoques.4) As empresas procuram manter o seu oligopólio através de diferenciação de produtos, acordos comrevendedores, propaganda, etc.5) Não existe livre entrada e saída do mercado. As barreiras à entrada podem ser tecnológicas, ou o altovalor do capital necessário à produção, entre outras razões.São exemplos de oligopólios a indústria de automóveis, a indústria de tratores, a indústria demedicamentos veterinários, serviços de transporte aéreo e rodoviário, setores químicos e siderúrgico eoutros.Existem muitos modelos de oligopólios. Os primeiros modelos consideravam que a firma desejavamaximizar a massa de lucros (modelos clássicos de oligopólios); e, a partir da década de 30, foramdesenvolvidos modelos onde o preço é fixado por um mark-up sobre o custo variável médio. A firma fixaesse mark-up de modo a obter a maior taxa de lucro possível.Monopsônio e OligopsônioNo mercado monopsônio existe um único comprador e muitos vendedores. A empresa compradora impõeum preço de compra do produto ou serviço. Esse preço pode ser ficado de acordo com os interesses dafirma. Se desejar aumentar a oferta do produto ou serviço a empresa compradora eleva o preço de compra.Exemplos de mercado caracterizado por monopsônio é a presença de uma grande usina siderúrgica numacidade, sendo ela a única empregadora de mão-de-obra; ou a Petrobrás na compra de álcool anidro ehidratado dos produtores; ou uma grande indústria esmagadora de laranja em uma região onde existemmuitos pequenos produtores de laranja não organizados em associações ou cooperativas.No mercado oligopsônio existem poucos compradores (sendo que alguns detêm parcela elevada domercado) e muitos vendedores. Os compradores conseguem impor um preço de compra dos produtos aosprodutores. Tal preço de compra não deve desestimular os produtores, mas não é de magnitude quecompense os compradores a executarem ele próprios a produção.Exemplo: caso da relação entre a Sadia, Chapecó e Perdigão com os produtores de frango em SantaCatarina.Monopólio bilateralExiste apenas um produtor (um monopolista) e um consumidor (um monopsonista). O preço e aquantidade transacionada são feitos por acordo, pois o monopolista deseja vender dada quantidade deproduto por um preço, e o monopsonista deseja obter a mesma quantidade por um preço diferente daquelepretendido pelo monopolista. Inicialmente acordam a quantidade a ser transacionada, com o monopolistafixando o preço mínimo a aceitar P1 e o monopsonista o preço máximo a pagar P2. O preço éestabelecido por acordo, respeitando o limite mínimo de P1 e o limite máximo de P2.Transações Imobiliárias - Economia 32
  35. 35. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissional EXERCÍCIOS1. O que são estruturas de mercados?2. Como estão divididas as estruturas básicas de mercados?3. Como o monopolista determina o ponto de lucro máximo?4. Que fatores propiciam a existências de monopólios?5. Quais as hipóteses da concorrência perfeita?6. Que outras estruturas clássicas você conhece? Descreva as resumidamente.7. Que modelos de oligopólios são mais conhecidos?8. Cite exemplos de estruturas de mercado observadas na economia brasileira semelhantes as observadasno texto.Transações Imobiliárias - Economia 33
  36. 36. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalCAPÍTULO VII – ORGANIZAÇÃO INDUSTRIALIntroduçãoUma compreensão lógica e útil a respeito do modo de operação das firmas e indústrias no mundo em quevivemos é o objetivo precípuo da Economia Industrial ou Organização Industrial (OI). Trata-se de matériaque ganha corpo não apenas pela curiosidade e interesse teóricos que suscita, mas primordialmente emfunção da necessidade prática de obtenção de subsídios analíticos à formulação e avaliação das políticaspúblicas de fiscalização, regulação e ordenação dos fenômenos de mercado. Se não existissem estasdemandas práticas específicas, com efeito, seria difícil imaginar que a Economia Industrial teria sedesenvolvido aos contornos e feições atuais.O interesse científico sobre o comportamento e o desempenho das firmas e indústrias tornou-se maisefetivo a partir de meados do século XVIII, com os avanços tecnológicos e as repercussões sociais quemarcaram a primeira Revolução Industrial. As invenções setecentistas das máquinas a vapor e dos tearesautomáticos antecipam um século XIX repleto de inovações tecnológicas, entre as quais merecemdestaque a energia elétrica, os pneus de borracha, o concreto, o telégrafo, a dinamite, o telefone e dosmotores a diesel.Ocorrendo numa sequencia alucinante para os padrões técnicos da época, tais inventos propiciaram eestimularam um forte movimento de urbanização e concentração das atividades econômicas, exigindo odesenvolvimento de métodos de organização dos recursos compatíveis que, em larga medida, aindadeixam traços sobre as firmas e indústrias hoje observadas.A própria Economia ganhará status científico a partir do século XVIII, e na magnífica discussão sobre aNatureza e Causas da Riqueza das Nações (1776), por Adam Smith, encontra-se tanto uma sólidaargumentação sobre a operação dos mercados quanto as sementes da moderna Teoria da OrganizaçãoIndustrial.Se a experiência revelou certa ingenuidade na crença do pai da Economia a respeito da suficiência da“mão invisível” dos mercados na coordenação e organização das atividades econômicas, os referenciaisencontrados na Riqueza das Nações permanecem fundamentais na análise teórica e prática dos mercadose comportamento de seus participantes .Alfred Marshall, tentando evitar argumentos de natureza político-filosófica recorrentes nos trabalhos deSmith, reservou em seus Princípios de Economia (1920) dilatado espaço à análise da OrganizaçãoIndustrial. Com sua peculiar objetividade e pragmatismo, Marshall tratou com maior detalhe as questõesda eficiência produtiva, das tecnologias, da localização fabril e dos investimentos produtivos, antecipandoimportantes aspectos da base temática com a qual posteriormente se ocuparia a moderna Teoria da Firmae, em especial, a Organização Industrial.O Objetos da OIReferiu-se até o momento às firmas, indústrias e mercados sem maior detalhamento sobre estes conceitosessenciais à OI. A terminologia empregada na OI não difere daquela encontrada na Microeconomia ouTeoria dos Preços, e, de forma geral, na teoria econômica moderna. Existem, entretanto, discrepânciassignificativas entre o vocabulário econômico e aquele usado na vida cotidiana, no linguajar comum.Transações Imobiliárias - Economia 34
  37. 37. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalOs mercados são o ambiente em que atuam as firmas, quer como demandantes quer como ofertantes.Ainda que nas aplicações práticas haja a necessidade de delimitar rigorosamente estes mercados emrelação aos produtos ou serviços envolvidos, à sua dimensão geográfica e à dimensão temporal, para umprimeiro contato será conveniente empregar uma conceituação mais geral. Assim, os mercados podem serentendidos como as interações entre agentes econômicos ofertantes e demandantes que visam realizar, deforma voluntária, trocas mutuamente benéficas.Esta definição é suficientemente ampla para englobar tanto o mercado de sorvetes na região metropolitanado Rio de Janeiro, quanto o mercado mundial de petróleo ou o exótico mercado de pulgas em Londres.Os mercados específicos surgem, existem e desaparecem de acordo com as necessidades e possibilidadespercebidas pelos indivíduos em sociedade no decorrer do tempo. São, na verdade, criações ou invençõeshumanas voltadas ao atendimento de determinadas finalidades e, neste sentido, tecnologias desenvolvidaspelos homens em sociedade. Efetivamente, basta a existência de dois indivíduos para se ter um mercado.Quando dois ou mais indivíduos identificam a possibilidade de realizar trocas que interessem a ambos econseguem operacionalizá-las, criam um mercado. Parece claro que tais possibilidades de realização detrocas mutuamente benéficas se ampliam substancialmente quando o número de indivíduos e tipos debens e serviços disponíveis aumentam.Os limites e conformações de um mercado encontram-se em parte na engenhosidade humana na produçãodestas mercadorias e operacionalização das trocas, em parte nas limitações que a natureza e as instituiçõessociais colocam aos agentes nelas envolvidos.Uma parcela importante da Organização Industrial se ocupará da tentativa de sistematizar regularidadesrelativas às diferentes estruturas de mercado observadas no mundo real. Nestes esforços pragmáticos, nãoobstante, referências teóricas ideais e bastante estilizadas permanecerão úteis.Efetivamente, os estudos em OI não perdem os referenciais das estruturas de concorrência perfeita emonopólio, bastante exploradas pela Microeconomia, mas costumam deslocar o foco prioritário de análisepara as estruturas de concorrência monopolística e, em especial, dos oligopólios.Assim, os argumentos aplicam-se, em tese, a todo e qualquer esforço humano organizado formal ouinformalmente para a produção de manufaturas, produtos agrícolas, insumos ou serviços dos maisdiversos tipos.Firmas e mercados não são entidades vivas, capazes de realizar escolhas ou ações. Firma e mercado sãoconceitos melhor entendidos como tecnologias, formas de organização de recursos e de interação social,respectivamente, que pouco significam quando dissociadas dos indivíduos que as criaram e utilizamcotidianamente.As firmas e os agentes que as fazem operar atuam tanto como ofertantes quanto como demandantes nosmercados. Para se comercializar refrigerantes carbonatados (as “colas”), por exemplo, uma ampla gamade atividades está envolvida, englobando a coleta e tratamento da água, a produção de insumos básicos doxarope da bebida, a manufatura e embalagem, também necessárias atividades de distribuição, propagandae marketing. Em tese, todas estas atividades poderiam ser realizadas por uma única firma que, se nãotivesse rivais ou auxiliares, representaria sozinha a indústria de refrigerantes carbonatados. Este tipo deintegração completa da produção, entretanto, é raro.Transações Imobiliárias - Economia 35
  38. 38. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação ProfissionalUm tópico fundamental na OI consiste da compreensão dos limites e tamanho das firmas individuais, oque implica entender os motivos pelos quais a integração completa e os monopólios são pouco usuais.Normalmente, existem várias firmas diferentes envolvidas no processo de produção de cada bem ouserviço, quer enquanto fornecedores ou distribuidores, quer como concorrentes. Ao conjunto de firmasenvolvidas proximamente na produção de um bem ou serviço denomina-se “indústria”.Note-se que esta acepção técnica do termo “indústria” não guarda relação com a noção vulgar de“empresa que produz manufaturas ou bens processados industrialmente”. Na OI estudam-se as indústriasmanufatureiras, agropecuárias, extrativistas e de serviços. Desta forma, qualquer bem ou serviço,independente de sua qualidade ou forma, é produzido por um conjunto de firmas proximamenterelacionadas (concorrentes, fornecedores, distribuidores) que se denomina tecnicamente “indústria”,sendo excepcional a situação em que existe apenas uma firma na indústria.A Metodologia PredominanteA Economia desponta entre as ciências sociais pelo poder que tem mostrado na elaboração de explicaçõesteóricas objetivas e úteis aos fenômenos que estuda. Trata-se de teorias que procuram analisar osfenômenos econômicos segundo rígidos critérios metodológicos, especialmente importante o cuidado namanutenção de um estrito rigor lógico na argumentação, assim como o permanente contraste das idéiasteóricas à realidade empírica na construção e aperfeiçoamento dos argumentos desenvolvidos.Nos padrões da abordagem predominante, a Economia pode ser definida como a ciência que estuda amaneira pela qual os indivíduos em uma sociedade particular resolvem seus problemas de alocação demeios escassos a fins alternativos ou, em outros termos, solucionam seus problemas econômicos.A escassez de meios corresponde à limitação de recursos que se coloca aos indivíduos que coexistem emsociedade. De forma genérica, entende-se por “recurso” todo e qualquer fator de produção conhecido, ouseja, a totalidade das fontes capazes de produzir ou auxiliar na produção de bens e serviços destinados àsatisfação de necessidades humanas. Exemplos de recursos produtivos humanos são a força “bruta” detrabalho e as habilidades cognitiva e intelectual das pessoas. Recursos não humanos seriam, também emilustração, as máquinas e equipamentos, os insumos produtivos materiais, o estoque de conhecimentodisponível nos livros e as tecnologias. Para que exista um problema econômico é essencial que algum oudiversos destes fatores de produção apareçam finitos ou limitados, no sentido de estarem disponíveis emquantidades menores do que as suficientes à satisfação simultânea de todos os desejos humanosmanifestados na convivência social.A multiplicidade de desejos ou finalidades a serem supridos a partir dos estoques limitados de recursos éoutra característica fundamental de um problema econômico. Não basta a escassez para que exista umproblema que interesse à Economia, é necessário também que se estabeleça uma situação em que sejapreciso escolher entre mais de uma finalidade a ser satisfeita com os recursos limitados. Os problemaseconômicos consistem de escolhas de alocação de meios escassos a fins alternativos.Parece evidente que parcela substancial das escolhas humanas pode ser analisada através das lentes daEconomia. Embora tipicamente econômicas, as escolhas que envolvem trocas de recursos em mercadosou aquelas associadas às transações monetárias representam apenas uma pequena fração dos problemaseconômicos que se colocam aos indivíduos. Na verdade, talvez o recurso mais escasso a um ser humanonão seja financeiro ou passível de ser adquirido em mercados: o tempo de vida. O tempo humano, esterecurso sempre finito, precisa ser dividido entre diversos usos, entre eles, trabalhar, descansar, consumir,ir à igreja ou ir à escola.A Economia dos modelos de escolha racional (MER) acredita que, ao estudar este manual, por exemplo, oTransações Imobiliárias - Economia 36
  39. 39. Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP] Ensino Médio Integrado à Educação Profissionalleitor (indivíduo, a gente econômico) esteja deixando de alocar seu tempo a outras finalidades possíveis,realizando uma escolha que tem alguma razão de ser.Diante da vastidão de problemas potencialmente abertos à exploração da ciência econômica, não épossível menosprezar a importância dos rígidos critérios metodológicos, consolidados no bojo domainstream acadêmico, para a construção do edifício teórico da Economia. Para que sejam amplamenteaceitos e disseminados entre os economistas da corrente predominante, os modelos e teoriasdesenvolvidos precisam se mostrar logicamente robustos e preferencialmente sujeitos à avaliaçãoempírica das conclusões que ensejam. A satisfação de ambos os referidos quesitos, a seu turno, costumaser bastante facilitada pela formulação de raciocínios baseados na metodologia dos modelos de escolharacional.Identifica-se um modelo de escolha racional (MER) através do respeito a dois axiomas fundamentais, asaber, o Axioma do Individualismo Metodológico (AIM) e o Axioma da Maximização da Utilidade(AMU). Lembrando que o termo “axioma” é usado para representar “verdades” que não se desejaquestionar ou por em dúvida, o AIM e o AMU representam os pilares metodológicos sobre os quais seestruturam argumentos de escolha racional.A tentativa de fragilizar um argumento de escolha racional pelo ataque a seus axiomas básicos é inócua erepresenta mero desperdício de tempo e esforço. Isto porque não existe a preocupação ou a possibilidadede comprovar a veracidade de axiomas, eles são proposições lógicas cuja avaliação de conveniência (nãode validade) apenas ocorre a posteriori, quando argumentos lógicos completos que neles se estruturam sãoconstruídos e submetidos ao teste empírico e à comparação com explicações alternativas. Para se ter umaidéia mais concreta a respeito do assunto, recorde-se dos famosos axiomas euclidianos que garantem(indiscutivelmente) a existência do ponto e da reta. Ambos os axiomas a partir dos quais Euclidesdesenvolveu sua geometria analítica não podem ter sua validade checada no plano empírico. Com efeito oponto ou a reta não são observáveis na realidade física, existem apenas enquanto idéias, neste casosimples e geniais, que podem ter sua conveniência avaliada pela direta observação dos desenvolvimentospráticos e científicos que propiciaram.Com o AIM, estabelece-se uma restrição de método fundamental ao desenvolvimento de raciocínioseconômicos. Na argumentação dos MER, apenas os indivíduos têm a capacidade de escolher ou agir. OAIM fixa o indivíduo, ser humano observável na realidade, como unidade básica de análise em Economia.Há aqui nítida separação entre as abordagens individualista e coletivista aos fenômenos econômicos. Comefeito, se apenas os indivíduos têm a faculdade de escolher, não faria sentido propor em um MER queuma “classe” capitalista ou trabalhadora, assim como um “Estado”, pudesse ter capacidade de arbítrio eação. Ao excluir a possibilidade de que entes não humanos (metafísicos) escolham ou ajam, ametodologia dos MER viabiliza o teste empírico dos raciocínios que desenvolve, ao mesmo tempo emque dificulta bastante seu uso apenas ideológico, com finalidades não científicas.Depois de assimilado o AIM em sua importância e nas restrições que impõe à argumentação científica,não há maiores problemas em fazer pequenas concessões linguísticas, por exemplo, permitindo-se dizerque a “firma” escolhe quanto produzir, ou em que local será instalada. É óbvio que, em um texto queassume explicitamente a adesão ao AIM, a metáfora da “escolha da firma” ou do “Estado” serve apenascomo uma forma sintética de expressar a idéia de que os indivíduos responsáveis pela decisão no âmbitoda firma ou do Estado realizam determinadas escolhas.Pelo AMU se quer garantir, também sem quaisquer questionamentos, a existência de alguma lógica paraas escolhas individuais. Este segundo axioma indica um ato de fé, uma “crença científica” napossibilidade de se analisar os fenômenos econômicos através de argumentos lógicos. É um erro comumTransações Imobiliárias - Economia 37

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