Atividade Fisica na Atencao Primaria

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Aula da Preceptora Graziella Antunes Almeida no programa das Residencia em Medicina de Familia e Comunidade do Hospital Regional de Betim, ministrada em 15/01/2010, no Auditorio da Educacao em Saude.

ALMEIDA, Graziella A. Prescricao de atividade fisica na atencao primaria. [aula] Betim: SMS/ DESA/ PRM MFC Betim, 2010. [disponivel online] [www.slideshare.net/rmmfcbetim] [acesso em ##/##/####]

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Atividade Fisica na Atencao Primaria

  1. 1. Prescrição de Atividade Física na Atenção Básica<br />Graziella Antunes Almeida<br />Médica de Família e Comunidade<br /> e Preceptora do PRMMFC - Betim<br />
  2. 2. Atenção Básica – Estratégia da saúde da família <br />Princípios da Atenção Básica:<br />“Conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção, a proteção, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde.”<br />A Estratégia da Saúde da Família foi eleita a principal ação organizadora da atenção básica com vistas a implementação e desenvolvimento do SUS.<br />O papel das práticas corporais tanto na promoção a saúde, na prevenção de doenças, no tratamento não farmacológico e na reabilitação de patologias<br />
  3. 3. Práticas Corporais e Atenção Básica<br />Conceitos:<br />Atividade física – gasto energético<br />Exercício físico – repetição de movimentos<br />Educação física – normativa , disciplinadora ; Como ciência: campo de produção de conhecimento e intervenção profissional que tematiza formas de atividades expressivas corporais.<br />Lazer – cultura vivenciada no tempo disponível; muitas vezes compreendido como recreação, no senso comum, relacionado ao divertimento e ao descanso<br />Recreação – recreio derivado do latim “recreare”, reproduzir, recuperar; como estratégia de controle e de manipulação social, a recreação foi amplamente utilizada com o objetivo de organizar o tempo de lazer das pessoas, especialmente dos trabalhadores, som o sentido de minimizar os perigos do tempo ocioso<br /><ul><li>Alerta:</li></ul>Pressões de consumo - mercado de produtos, a indústria de equipamentos e da estética<br />(Yara M. Carvalho, Mestre em Ed. Física e Doutora em Saúde Coletiva pela Unicamp e Pós-doutoramento em Ciências Humanas e Saúde/UERJ)<br />
  4. 4. Relevância<br />A preservação de estilo de vida saudável constitui a base da prevenção das doenças crônico-degenerativas e seu resgate constitui sempre eixo do tratamento não-farmacológico. <br />Redução de riscos para coronariopatias<br />Redução do nível pressórico de repouso<br />Melhoria do perfil lipídico HDL/LDL<br />Redução da resistência insulínica periférica<br />Manutenção de massa óssea<br />Impacto no VO2 máx, <br />Modificação no peso da massa corporal pelo % de gordura<br />Modificação de neurotransmissores:<br />Redução dos níveis basais de catecolaminas, aumento de endorfinas, serotonina, normalização de nora e dopamina<br />
  5. 5. aconselhamento & Baixa Adesão<br />Apesar de reconhecidos benefícios sobre a saúde, apenas cerca de 20% dos adultos atingem as recomendações preconizadas <br />Apesar de não haver evidência sobre a eficácia do aconselhamento quanto a prática de atividade física, a relevância dos benefícios torna imprescindível a abordagem do assunto às consultas rotineiras.<br />
  6. 6. Importância do trabalho em equipe<br />Combinar: aconselhamento, com prescrição escrita, com estabelecimento de metas e regime de atividades individualizadas, acompanhadas por equipe assistente multiprofissional, com vários momentos de estimulação, favorece o aumento da prática de atividade física<br />Ao iniciar o programa de atividade física, é imprescindível a orientação de um fisioterapeuta ou profissional de educação física para esclarecimento de questões importantes como a perfeita execução dos movimentos, alongamentos, posturas, auto-monitorização, evitando sobrecargas aos sistemas cardiorespiratório e musculoesquelético. <br />
  7. 7. Componentes da Aptidão Física<br />Capacidade respiratória<br />Flexibilidade<br />Força<br />Resistência muscular localizada<br />Composição corporal<br />Agilidade<br />Resistência anaeróbia<br />Velocidade<br />Potência <br />Equilíbrio<br />Ritmo<br />Coordenação<br />Voltada para a Saúde<br />Voltada para Desempenho Atlético<br />
  8. 8. Aspectos na prescrição do exercício<br />Os componentes devem incorporar ações que se ajustem aos diferentes graus de solicitação da prática do exercícios de pessoas não-atletas<br />Diretrizes do AmericanCollegeofSports Medicine (2003) para prescrição do exercício enfoca exercícios capazes de aprimorar a aptidão cardiorespiratória, a composição corporal e a força. <br />Objetivos devem ser ampliados para contemplar as necessidades de todos os indivíduos sedentários<br />
  9. 9. Aspectos na prescrição do exercício<br />A dose de exercício é caracterizada pelo modelo que compreende os seguintes aspectos básicos¹:<br />Outros autores² também incluíram <br />Treinamento de resistência <br />Nível inicial de condicionamento físico<br />Condicionamento físico X atividade física para a saúde (intensidade, volume de treino)<br />Intensidade – expressa em:<br />Volume de Oxigênio Máximo (VO2máx)<br />Porcentagem da FC máxima<br />Classificação de esforço subjetivo (CES)<br />Limiar de lactato<br />METs<br /><ul><li>Intensidade*
  10. 10. Frequência
  11. 11. Duração
  12. 12. Tipo de atividade</li></li></ul><li>Aspectos na prescrição do exercício<br />Conceito de “MET”: <br />A quantidade de caloria que cada pessoa gasta com determinada atividade, além do consumo basal<br />Ex: metabolismo basal:1400cal/dia <br />1400cal / 24h / 60min = 1cal/min em repouso<br />Cálculo da FC máxima:<br />Homens 220-idade<br />Mulheres 210- idade<br />
  13. 13. Classificação da intensidade das atividades em METs<br />Banho<br />Barba<br />Tarefas assentado<br />Dirigir<br />Trab escritório<br />Trab de pé<br />Andar 3km/h<br />Bicicleta sem resistência<br />Esteira ligeira<br />Limpar janelas<br />Juntar folhas no jardim<br />Varrer ou limpar o chão<br />Serrar madeira<br />Marcenaria<br />Andar 5-6 km/h<br />Bicicleta no plano<br />Esteira muito rápida<br />Muito Leves 3METs<br />Leves 3 a 5METs<br />
  14. 14. Classificação da intensidade das atividades em METs<br />Subir escada<br />Carregar objetos<br />Cavar buraco<br />Trabalho com pá/enxada<br />Voley<br />Patinar<br />Cavalgar<br />Montanhismo <br />Carregar objetos na escada<br />Carregar peso &gt;45kg<br />Subir escada rapidamente<br />Lenhador<br />Estivador<br />Futebol<br />Squash<br />Basquete<br />Pesada 7 a 9METs<br />Muito Pesada &gt;9METs<br />
  15. 15. Na Idade Adulta<br />Objetivos da atividade física para condicionamento aeróbico por idade:<br /> FC Máx 60%xFCMáx 75% da FC Máx<br />21-30 190 115 145 <br />31-40 188 110 140<br />41-50 175 105 130<br />51-60 170 100 125<br />61-70 160 95 115<br />
  16. 16. Aspectos na prescrição do exercício<br />Para componente da aptidão respiratória<br />Sessões de exercícios de intensidade moderada 3 a 6 METs<br />Realizar exercício acima do limiar mínimo, 65 a 70% da FC máx<br />Envolver o maior número de grupos musculares por períodos prolongados em atividade de natureza rítmica e aeróbia <br />Ex: caminhada, subir descer degraus, marcha, corrida, trote, ciclismo, ergometria combinada com braços e pernas, dança, pular corda, exercícios aquáticos<br />
  17. 17. Aspectos na prescrição do exercício<br />Para componente da aptidão respiratória<br />Variar exercícios considerando a perícia e o prazer em realizá-los para evitar desistência<br />Realizar exercícios de baixa intensidade e maior duração, enfatizando que as atividades de moderada para vigorosas com maior duração são as mais recomendadas.<br />Colégio Americano de Medicina Esportiva aconselha (ACSM) algo entre 55-65% a 90% da FC máx ou 40-50% a 85% da reserva de captação de O2 (VO2 R) ou da reserva da FC (RFC= FC máx- FC repouso)<br />
  18. 18. Aspectos na prescrição do exercício<br />Para componente da aptidão respiratória<br />Duração da sessão deve interagir com a intensidade<br />ACSM indica 20 a 60 min de atividade aeróbia contínua ou intermitente, com sessões mín de 10 min acumuladas no transcorrer do dia, utilizando 70 a 85% da FCmáx ou 60 a 80% da RFC por 20 a 30 min, excluindo o tempo gasto com aquecimento (5 a 10 min) e retorno à calma (5 a 10 min)<br />Iniciar com a prática de 4 a 6 sessões de 5 min ou com repouso entre estas, principalmente para os que estão com baixa aptidão cardíaca<br />Frequência de realização semanal: iniciante 2x na semana, aumentando gradativamente para se atingir o recomendado de 5 sessões de trabalho/semana para conseguir modificações cardiorespiratórias.<br />
  19. 19. Aspectos na prescrição do exercício<br />Para componente da flexibilidade músculo-esquelética segundo ACSM 2003:<br />Exercitar os principais grupos musculares e tendões, utilizando técnicas estáticas e neuro-propioceptivas (FNP)<br />Frequência de no mínimo 2 a 3 vezes por semana<br />Intensidade de sejam mensuradas por um certo desconforto nas posições<br />Duração que deve ser de 10 a 30 segundos de alongamento assistido para FNP e repetir de 3 a 4 vezes para cada exercício de alongamento.<br />
  20. 20. Exemplos de alongamentos para após o exercício físico <br />Antes do exercício, deve-se fazer um aquecimento com exercícios calistênicos leves, que auxilia a evitar lesões e eleva a FC e a temperatura corporal. O exercício deve ser interrompido lentamente para permitir o resfriamento e a lenta diminuição na FC e na temperatura corporal. Os alongamentos devem ser realizados após o exercício, mantendo-se em cada postura por 20-30 segundos &lt;sem evidência&gt;.<br />
  21. 21.
  22. 22. Aspectos na prescrição do exercício<br />Para componente da força e resistência muscular localizada (RML):<br />Realizar de 08 a 10 exercícios separados que treinem os principais grupos musculares (baços, ombros, tórax, abdome, costas, quadris e pernas);<br />Evitar sessões que durem mais de 60 min, pois isto é um fator que está associado à desistência por parte do participante;<br />Frequência de 2 a 3 vezes por semana<br />Realizando no mínimo de 8 a12 repetições de cada exercício, até o ponto de ocorrer fadiga voluntária; e nas pessoas idosas, ou indivíduos interessados em desenvolver prioritariamente a RML ou mais frágeis, 10 a 15 repetições é mais indicado<br />
  23. 23. Aspectos na prescrição do exercício<br />Para componente da força e resistência muscular localizada:<br />Movimento deve ser realizado em sua amplitude plena<br />Controlar a realização da ação concêntrica e excêntrica do movimento<br />Respirar normalmente, sem apnéia<br />Se possível, ter sempre ajuda de um companheiro para motivação e assistência <br />
  24. 24. Aspectos na prescrição do exercício<br />Programa específico para a composição corporal<br />Testes e medidas dos níveis de % de gordura, peso de gordura armazenada, massa corporal magra, massa corporal teórica, e a partir dos subsídios avaliar os níveis obtidos<br />Utilizar-se de qualquer programa de exercícios descritos para outros componentes, considerando os objetivos que ora tenham sido traçados pelos parâmetros mensurados, com frequência mínima de 3x/semana<br />Como intensidade e duração estão inter-relacionadas, este programa deverá enfatizar o tempo total de trabalho, pois implicará no gasto calórico<br />
  25. 25. Aspectos na prescrição do exercício<br />Programa específico para a composição corporal<br />A duração do exercício de cada sessão pode ser fornecida como o número de min de exercício, o total de cal gastas e o total de kcal por kg de peso corporal; recomendação:<br />150 a 400kcal por dia na atividade ou no exercício<br />Limiar calórico mínimo semanal de 1000kcal por atividade, utilizando a equação baseada em METs:<br />METx3,5x peso corporal(kg)/200= kcal/min<br />Ex: 1000kcal,Peso 70kg, intensidade da atividade 6METs, dispêndio cal global pelo exercício6kcal/min, sendo necessário 167min/semana. Divididos em 5 dias na semana: 33min/dia.<br />
  26. 26. Modelo de Pirâmide das Atividades<br />Movimentar-se todos os dias, quer seja percorrendo distâncias extras, usando escadas ao invés do elevador, passeando com o cachorro, evitando uso constante do transporte<br />Realizar atividades aeróbias da preferência individual, pelo menos 3x semanais (idealmente5x) – caminhar, andar de bicicleta, dançar, sessões de ergometria ou desfrutar de desportos recreativos: tênis, basquete,etc.<br />Atividades de lazer como cuidar do jardim e os exercícios de alongamento e fortalecimento como flexões de cotovelo, agachamentos, levantamento de pesos, atividades executadas em academias, devem ser regulares de 2 a 3 x/semana<br />Para as atividades executadas sentadas, topo da pirâmide, deveria ser o de menor tempo de ocupação<br />
  27. 27.
  28. 28. Observações Para Gestantes<br />Exercícios de intensidade leve a moderada podem ser continuados<br />Exercícios de alta intensidade ou impacto devem ser evitados ou reduzidos<br />Posição supina deverá ser evitada nos segundo e terceiro trimestres<br />Ressaltar cuidados para redução do risco de quedas<br />Assegurar aporte nutricional adequado para a prática de exercícios<br />Retomada de atividades pré-concepcionais deverá ser gradual<br />
  29. 29. Observações Na Adolescência<br />Momento importante de consolidar hábitos saudáveis<br />Recomenda-se a prática de atividade aeróbica por pelo menos 30 minutos por dia, 3 a 5 vezes por semana<br />Atividade deve ser prazerosa, de fácil acesso, oferecida preferencialmente na escola<br />CDC sugere que o adolescente ande ou pedale até a escola<br />É importante a existência de um modelo em família<br />Aconselhamento médico tem efetividade questionável<br />
  30. 30. Observaões Na Infância<br />As crianças devem ser estimuladas à prática de exercícios por pelo menos 30 minutos diários.<br />É muito importante que isto se dê no contexto familiar, pois há evidências que sugerem que a criança que assiste aos pais envolvidos em atividades físicas são mais suscetíveis à manutenção da prática durante a infância e a adolescência.<br />
  31. 31. Observações Na Terceira Idade<br /> Importância do exercício supervisionado<br />Dimensionado para a capacidade do idoso<br />Cuidado com sobrecarga articular<br />Risco de quedas<br />
  32. 32. Observações HAS e DM<br />A prática regular de exercícios físicos é recomendada para todos os hipertensos e DM, inclusive aqueles sob tratamento medicamentoso, porque reduz significativamente a pressão arterial média, o risco de doença arterial coronária, acidentes vasculares cerebrais e a mortalidade geral &lt;A&gt;. Antes de iniciarem programas regulares de exercício físico, os hipertensos e diabéticos devem ser submetidos a avaliação médica pré-exercício prudente e para ajuste da medicação, se for o caso. Pacientes com HAS grave só devem iniciar o exercício após estabilização da PA. <br />
  33. 33. Recomendações publicadas em: V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, 2006 <br />

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