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A Publicação sobre Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa na Indústria de Petróleo, Gás e Biocombustíveis tem o objetivo de reunir exemplos bem sucedidos de iniciativas das empresas que …

A Publicação sobre Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa na Indústria de Petróleo, Gás e Biocombustíveis tem o objetivo de reunir exemplos bem sucedidos de iniciativas das empresas que fizeram ou fazem parte da Comissão de Responsabilidade Social do IBP, criada em outubro de 2002.
Os cases que vocês encontrarão nesta obra, podem e devem servir de exemplo para todas as empresas que almejam incorporar na sua gestão de negócio os conceitos e práticas da Responsabilidade Social como caminho para Sustentabilidade.
Na Publicação o RIOVOLUNTÁRIO apresenta um case sobre Voluntariado Empresarial e Desenvolvimento Sustentável, assinado por Wanda Engel e Heloisa Coelho.

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  • 1. BP BIOCOMBUSTÍVEIS • CHEVRON BRASIL PETRÓ- LEO • SISTEMA FIRJAN • FMC TECHNOLOGIES DO BRASIL • G-COMEX • IPI- RANGA PRODUTOS DE PE- TRÓLEO • COMUNICARTE • PQS • QUEIROZ GALVÃOBOAS EXPLORAÇÃO E PRODU- ÇÃO • REPSOL SINOPEC • RIOVOLUNTÁRIO • SHELL BRASIL • SUPERGASBRAS • TECHNIP • UFF/L ATECPRÁTICASDE RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA NAINDÚSTRIA DO PETRÓLEO, GÁS E BIOCOMBUSTÍVEIS
  • 2. 219
  • 3. BOASPRÁTICASDE RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA NAINDÚSTRIA DO PETRÓLEO, GÁS E BIOCOMBUSTÍVEIS
  • 4. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Copyright© 2012 IBP – Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou usada de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive fotocópias, gravações ou sistema de armazenamento em banco de dados, sem premissão por escrito, exceto nos casos de trechos curtos citados em resenhas críticas ou artigos de revistas. Edição: Benício Biz Editores Associados Capa: Benício Biz Arte e produção gráfica: Laércio Lourenço Distribuição: Benício Biz Editores Associados e IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) Impressão: Walprint Gráfica e Editora Organizador: Luiz Fernando Rodrigues Ficha catalográfica CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ B634 Boas práticas de responsabilidade social corporativa na indústria do petróleo, gás e biocombustíveis / organizador: Luiz Fernando Rodrigues. - Rio de Janeiro : Benicio Biz, 2012. 220p. : 26 cm ISBN 978-85-64971-01-1 1. Responsabilidade social da empresa. 2. Indústria petrolífera - Aspectos ambientais. 3. Administração de empresas - Aspectos sociais. 4. Desenvolvimento sustentável. I. Rodrigues, Luiz Fernando. 12-6292. CDD: 658.408 CDU: 65.012.28 31.08.12 06.09.12 038559 2
  • 5. BOASPRÁTICASDE RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA NAINDÚSTRIA DO PETRÓLEO, GÁS E BIOCOMBUSTÍVEIS Rio de Janeiro, setembro de 2012 3
  • 6. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Comissão de Responsabilidade Social do IBP Aecom do Brasil; Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural de Biocombustíveis (ANP); Benicio Biz Editores Associados; BG Brasil; BP Energy do Brasil; Chevron Brasil Petróleo; Comunicarte; Firjan; FMC; G-Comex Óleo e Gás; HRT Participações; Latec/UFF – Fundação Euclides Cunha; Luiz Fernando Rodigues; Maersk Oil Brasil; Npgrr; Odebrecht Óleo e Gás; Ogx; Queiroz Galvão Exploração e Produção; Repsol Sinopec Brasil; Riovoluntário; Shell Brasil; Siga; Statoil; Supergasbras; Technip Brasil; Wilson, Sons Agência Marítima; Luiz Fernando Rodrigues (Técnico Colaborador) Os artigos publicados são da inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões neles emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de visto do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis. 4
  • 7. SumárioAgradecimentos........................................................................... 11Apresentação.............................................................................. 13BP BIOCOMBUSTÍVEIS.................................................................... 14Programa Jornada Pela Vida............................................................ 15Estruturação do Caso............................................................................................. 15 Apresentação da empresa e de sua política de responsabilidade social..............15 Valores.............................................................................................................................15 Diretrizes, estratégias e programas de responsabilidade social...........................16 Apresentação do Caso e Contexto das Ações........................................................... 17Processo de implementação do case......................................................................17 Objetivos.......................................................................................................................... 17 Metodologia/Implantação.............................................................................................. 17 Ações realizadas............................................................................................................ 17 Relação com diferentes públicos (Steakeholders)....................................................20 Avaliação dos resultados e impactos alcançados....................................................20 Lições aprendidas e Próximos passos.......................................................................21Conclusões e Recomendações............................................................................... 21CHEVRON BRASIL PETRÓLEO........................................................22Mulheres de energia: o investimento social da Chevron do Brasil........23 A Chevron no Brasil...................................................................................................... 24 Estruturação de Plano de Investimento Social........................................................ 24Razões para investir no desenvolvimento de mulheres.........................................25 O Plano de Investimento Social: ações e resultados ............................................. 27 Projeto Elas em Movimento......................................................................................... 27 Projeto de Inclusão Comunitária................................................................................ 27 Terezas em Ação........................................................................................................... 28 Projeto Gerando Oportunidades................................................................................. 28 Projeto Enter Jovem Plus............................................................................................ 28 Projeto Com.Domínio Digital....................................................................................... 28 Centro de Aprendizagem............................................................................................. 29 Up to English.................................................................................................................. 29 Programa de Voluntariado Energia Solidária........................................................... 29 5 Próximos passos........................................................................................................... 30
  • 8. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis sistema firjan.............................................................................32 O Sistema Firjan e o Setor P&G...................................................... 33 Simuladores............................................................................................................35 Caso de sucesso........................................................................................................... 35 Conclusão............................................................................................................... 37 FMC TECHNOLOGIES DO BRASIL................................................... 38 Fazendo a diferença na comunidade................................................ 39 Nossa missão................................................................................................................. 39 Uma questão de atitude............................................................................................... 39 Fazendo a diferença na Comunidade......................................................................... 39 Assistência social continuada.....................................................................................40 Informação.....................................................................................................................40 Geração de renda...........................................................................................................41 Educação.........................................................................................................................41 Saúde..............................................................................................................................42 Cultura.............................................................................................................................42 Donativos........................................................................................................................ 43 Outras atividades de projetos sociais........................................................................ 43 Reconhecimentos.......................................................................................................... 43 G-COMEX ÓLEO & GÁS...................................................................44 Responsabilidade social na G-Comex Óleo & Gás.................................................................. 45 Princípios fundamentais do Grupo G-Comex Óleo & Gás.....................................45 Missão............................................................................................................................. 45 Visão................................................................................................................................ 45 Valores............................................................................................................................ 45 Melhoria contínua de processos................................................................................. 45 Programa G-Comex Ecoeficiente............................................................................... 46 Segurança: Ideia Fixa G-Comex.................................................................................. 46 Comprometimento com o pacto global das Nações Unidas................................... 46 Diagnóstico socioambiental do bairro Caju, no Rio de Janeiro................................................................................................ 47 O bairro do Caju, passado e presente........................................................................ 47 Levantamento das necessidades do bairro...............................................................50 Metodologia para integração com a comunidade do Caju.......................................51 Avaliação dos resultados e impactos alcançados para a sociedade e para a empresa............................................................................ 52 Iniciativas desenvolvidas pela G-Comex para apoio à comunidade do Caju............................................................................... 52 6 Lições aprendidas......................................................................................................... 53 Próximos passos........................................................................................................... 53
  • 9. Ipiranga......................................................................................... 54Apaixonados por inovação............................................................... 55 A rede de postos........................................................................................................... 56 Potencial para repensar .............................................................................................. 56 Objetivos do projeto...................................................................................................... 57 Desenvolvimento do projeto........................................................................................ 57 Projeto padrão de arquitetura e complementares................................................... 58 Um novo conceito de posto......................................................................................... 59 Elaboração do Caderno de Diretrizes para canteiro de obra................................. 59 Construção do Posto Piloto.........................................................................................60O Posto Ecoeficiente Ipiranga................................................................................ 61 Itens de Ecoeficiência...................................................................................................61 Sinalização..................................................................................................................... 63 Multiplicação do conceito e dos itens de ecoeficiência.......................................... 64 Originalidade do projeto Ipiranga............................................................................... 67Resultados do projeto............................................................................................. 67 Retorno do investimento ............................................................................................. 67Próximos passos – evolução permanente ............................................................ 68 Prêmio Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia.............................. 68 Divulgação para o público externo............................................................................. 68 Posto Ecoeficiente II..................................................................................................... 69Conclusões..............................................................................................................71comunicarte................................................................................. 72Uma história de pioneirismo e inovação: a contribuiçãoda Comunicarte na concepção do Petrobras Social...............................73 O contexto do programa................................................................................................74 O conceito do programa............................................................................................... 76 Eixo estruturador e público-alvo................................................................................ 78 Objetivos estratégicos..................................................................................................80 A construção de sinergias...........................................................................................80 Diretrizes gerais de ação............................................................................................. 82 A otimização dos investimentos sociais................................................................... 83 As etapas de implantação............................................................................................ 84 A avaliação dos programas e projetos sociais anteriores..................................... 86 Recomendações gerais para a Ação Social da Petrobras...................................... 88 Resultados Alcançados pelo Petrobras Social ........................................................ 89pqs.................................................................................................. 92Programa de responsabilidade social corporativodo complexo industrial químico-têxtil.............................................. 93 Diretrizes estratégicas do programa......................................................................... 94 7 Diagnóstico..................................................................................................................... 95
  • 10. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Implementação do case................................................................................................ 97 Seleção de Projetos...................................................................................................... 99 Conclusão............................................................................................................. 105 queiroz galvão exploração e petróleo........................... 106 O diálogo como guia relacionamento institucional comunitário........................................................................ 107 A empresa............................................................................................................ 107 Missão, visão e valores.............................................................................................. 108 Diretrizes ...................................................................................................................... 110 Política do Sistema de Gestão Integrado.................................................................. 111 Código de Conduta Ética.............................................................................................. 111 O Relacionamento com as comunidades no entorno das atividades....................112 Estudo de Caso – o Bloco BM-J-2............................................................................ 112 Municípios da Área de Influência ............................................................................. 113 Construindo relações de confiança........................................................................... 115 Ações que integram ............................................................................................. 117 Investimento social privado........................................................................................ 117 Viva Vôlei: a educação por meio do esporte............................................................ 118 Portinari Para Todos: cultura e educação no mesmo baú..................................... 119 A mensagem de Portinari na Rio+20....................................................................... 122 Conclusões........................................................................................................... 122 Repsol Sinopec.......................................................................... 122 Responsabilidade social item permanente na agenda da Repsol Sinopec........................................................ 123 Plataforma da Cidadania............................................................................................ 125 riovoluntÁrio............................................................................ 134 Voluntariado empresarial e desenvolvimento sustentável ............ 135 Os primórdios....................................................................................................... 135 Centro de Voluntariado do Rio de Janeiro...............................................................136 A Década do Voluntariado 2001-2011.......................................................................136 O que a sociedade ganha com o Voluntariado Empresarial..................................138 O que a empresa ganha com o Voluntariado Empresarial....................................139 O que os colaboradores ganham com o Voluntariado Empresarial.................... 140 Como aumentar a efetividade do Voluntariado Empresarial: principais desafios...........................................................................141 O desafio da escolha do caminho: modalidades de Voluntariado Empresarial........ 141 O desafio da mobilização........................................................................................... 142 O desafio da organização e do apoio....................................................................... 142 8 O desafio do reconhecimento....................................................................................143 O desafio do monitoramento e da avaliação............................................................143
  • 11. O desafio da integração e de ações conjuntas....................................................... 144 O papel do voluntariado empresarial no desenvolvimento sustentável.............................................................................. 146shell BRASIL PETRÓLEO............................................................ 148Capacitando jovens empreendedores............................................. 149 Valores e princípios.....................................................................................................149 Responsabilidade social............................................................................................. 150 Programas de Responsabilidade Social................................................................... 151Apresentação do ‘case’ e contexto das ações..................................................... 154 Por que empreendedorismo?.....................................................................................154 O Shell LiveWIRE ........................................................................................................155 Processo de implementação do case Shell Iniciativa Jovem..................................................................................................155 O Shell Iniciativa Jovem.............................................................................................156 Abrangência e Metodologia........................................................................................156 Resultados alcançados................................................................................................158 Alguns exemplos de sucesso ....................................................................................159 Colaboradores...............................................................................................................159 Parceiros...................................................................................................................... 160 Canais de comunicação............................................................................................... 161 Reconhecimentos.........................................................................................................162Lições aprendidas................................................................................................. 163Conclusões e Recomendações............................................................................. 164supergasbras........................................................................... 166Responsabilidade Socioambiental ..................................................167 O Gás LP........................................................................................................................167Preparando o futuro............................................................................................. 168 O Gás LP e o projeto Preparando o Futuro..............................................................168 O projeto Preparando o Futuro .................................................................................168 Como funciona?............................................................................................................169 Resultados.....................................................................................................................170Programa Nacional de Voluntariado .................................................................... 170 Como funciona?............................................................................................................170Mais Energia..........................................................................................................172 O Gás LP e o projeto Mais Energia...........................................................................172 Como funciona?............................................................................................................172 Escopo...........................................................................................................................173 Metodologia...................................................................................................................173 Público-alvo..................................................................................................................173 Objetivos........................................................................................................................173 9 Maiores conquistas......................................................................................................173
  • 12. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis technip..........................................................................................174 PROENFA: Programa de Envolvimento Familiar.............................175 Autogestão financeira.................................................................................................178 Aproveitamento integral dos alimentos....................................................................179 Geração de renda.........................................................................................................179 Mostra social................................................................................................................ 180 Quais foram os resultados obtidos com a implementação do Proenfa?............ 180 O programa em números............................................................................................ 181 Construindo o futuro................................................................................................... 181 comunicarte............................................................................... 182 Programa de comunicação, convivência e corresponsabilidade das comunidades vizinhas à malha dutoviária da Transpetro .................................................. 183 Introdução......................................................................................................................183 Contextualização..........................................................................................................184 Conceitos norteadores................................................................................................185 Educar para transformar.............................................................................................186 Principais objetivos do trabalho................................................................................186 Abordagem metodológica...........................................................................................187 Identidade visual, capacitação de atores-chaves e Desenvolvimento de materiais...............................................................................188 Capacitação de atores-chave.....................................................................................189 Desenvolvimento de materiais...................................................................................190 O Sistema de sinalização pedagógica...................................................................... 191 Etapas de Implantação do programa......................................................................... 191 Resultados obtidos com o programa.........................................................................192 UFF/LATEC – Artigos..................................................................194 A educação corporativa para a responsabilidade social – estudo de caso em empresas de petróleo e gás no Brasil por Rita Andrade Quadros Penalva e Osvaldo Luíz Gonçalves Quelhas.............194 Análise crítica dos casos do Exxon-Valdez (1989) – Exxon e do rio Barigui-Iguaçu (2000) – Petrobras. O que alterou em termos de governança corporativa e sustentabilidade organizacional das empresas? por Cláudio Paula de Carvalho e Robson Spinelli Gomes....................................205 10
  • 13. AgradecimentosO sonho de lançar esta publicação um dos integrantes da Comissão de Respon-somente foi possível de ser realizado graças sabilidade Social que contribuíram para que oà coesão que se formou na Comissão de sonho virasse realidade.Responsabilidade Social do IBP, entre seus No entanto, dois integrantes da Comis-integrantes, ao longo de dez anos de traba- são de Responsabilidade Social merecemlho, fazendo desta Comissão hoje, um dos um agradecimento especial, pois desempe-Fóruns mais representativos e respeitados, nharam funções de destaque neste projeto:dentro do movimento de desenvolvimento Márcio Schiavo, Coordenador atual dasustentável empresarial. Comissão, que já no seu primeiro mês de A referida Comissão possui hoje no gestão trouxe para o grupo esta iniciativaseu quadro cerca de 40 profissionais, que e persistiu até que o primeiro texto fosserepresentando empresas de petróleo e apresentado, e Luiz Fernando Rodrigues,fornecedores de bens e serviços, organiza- que também já foi Coordenador da Comissãoções governamentais e não governamentais, e agora como Técnico Colaborador aceitouinstituições e academias, conferem a este o desafio de orientar os autores, revisar osgrupo a peculiaridade de ser um Fórum cases e organizar a publicação.Multistakeholder. Por fim agradecemos também ao Característica sine qua non para qual- Dr. João Carlos de Luca, Presidente doquer iniciativa na área de responsabilidade IBP, ao Dr. Álvaro Teixeira, Secretário Executi-social é identificar suas partes interessadas vo do IBP, a Ana Guedes, Gerente de Eventos(stakeholders) e esse privilégio a indústria do IBP e ao Evandro Pires, Gerente de Supor-de petróleo, gás e biocombustíveis já possui te e Serviços do IBP, que sempre apoiaram asdentro do próprio IBP. iniciativas da Comissão de Responsabilidade Foram justamente os representantes des- Social, criando condições estruturais para queses stakeholders que acreditaram no projeto chegássemos a esta publicação.e colaboraram com a identificação e redaçãodos cases de responsabilidade social que Gerência de Responsabilidade Socialfazem agora parte desta publicação. Por isso, do IBP – Instituto Brasileiro de Petróleo, 11registramos aqui os agradecimentos a cada Gás e Biocombustíveis
  • 14. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis 12
  • 15. ApresentaçãoCaro(a) Leitor(a), rência em Sustenta- bilidade no segmentoEsta Publicação sobre Boas Práticas de Petróleo, Gás ede Responsabilidade Social Corporativa na Biocombustíveis.Indústria de Petróleo, Gás e Biocombustí- O livro tambémveis tem o objetivo de reunir exemplos bem celebra os 10 anossucedidos de iniciativas das empresas que da Arena de Respon-fizeram ou fazem parte da Comissão de sabilidade Social,Responsabilidade Social do IBP, criada em iniciativa pioneiraoutubro de 2002. lançada na programação do Congresso Esse conjunto de iniciativas bem su- Mundial de Petróleo (World Petroleumcedidas reflete os dez anos de trabalho da Congress – WPC), realizado em 2002 noreferida Comissão, que tem cumprido de Rio e que até hoje permanece nas ediçõesforma exemplar e eficiente a missão que lhe subsequentes do WPC, nos diferentesfoi confiada de divulgar conceitos, práticas países onde é realizado, sob a denomina-e ferramentas de gestão para fomentar a ção de “Global Village”.adesão de empresas do setor ao movimentode Responsabilidade Social. Boa leitura! Os cases que vocês encontrarão nestaobra, podem e devem servir de exemplo Álvaro Teixeirapara todas as empresas que almejam incor- Secretário Executivoporar na sua gestão de negócio os conceitos IBP – Instituto Brasileiro de Petróleo,e práticas da Responsabilidade Social como Gás e Biocombustíveiscaminho para Sustentabilidade. Por tudo isso o IBP agradece aosprofissionais que, representando suasorganizações, participam, de forma volun-tária, das reuniões mensais da Comissão, 13contribuindo para que o Instituto seja refe-
  • 16. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação BP Biocombustíveis BP Biocombustíveis www.bp.com Divulgação BP Biocombustíveis Atividade: Produção de Açúcar e Álcool Fundação: 2007 Colaboradores: 4505 Principal projeto em sustentabilidade: Jornada pela Vida 14
  • 17. BP BiocombustíveisPrograma Jornada Pela VidaEstruturação do CasoApresentação da empresa mundial, uma empresa responsável e umae de sua política de excelente entidade empregadora.responsabilidade social Sempre defendemos a abordagemA BP é uma das maiores companhias de sustentável com relação aos biocombustí-energia do mundo, oferecendo a seus veis, incentivando padrões internacionaisclientes combustíveis para transporte, de sustentabilidade para as emissões deenergia elétrica e para aquecimento, ser- gases do efeito estufa e de outros impactosviços de vendas e produtos petroquímicos ambientais e sociais dos biocombustíveis.para itens de uso no dia-a-dia. Distribuímos energia por todo o mundo. A divisão de Energias Alternativas foca Localizamos, desenvolvemos e produzimosnas fontes de energia nas quais poderemos fontes de energia essenciais. Transfor-crescer de forma competitiva. Isto nos levou mamos essas fontes em produtos que asa investir em biocombustíveis. pessoas em todo o mundo precisam. No Brasil operamos três usinas locali-zadas nos estados de Goiás e Minas Gerais. ValoresAtualmente as usinas têm capacidade de Preocupamo-nosmoagem de 2,5 milhões de toneladas cada Nossos valores profundamentee possuem mais de 4500 colaboradores são Seguran- com o modo comodistribuídos entre as unidades. ça, Respeito, distribuímos a nossa O mundo precisa de energia e esta Excelência, energia por todo onecessidade está em crescimento. Esta mundo. Acima de Coragem,energia encontra-se em diversas formas. tudo, estão a segu- Uma Equipe.É, e será sempre, essencial para as pessoas rança e excelênciae para o progresso em qualquer parte das pessoas e de nossas operações. Isto édo mundo. Esperamos atingir elevados fundamental para o nosso sucesso. A nossapadrões de desempenho no que fazemos. abordagem baseia-se no respeito em ser-Esforçamo-nos por ser líderes em seguran- mos consistentes e termos a coragem para 15ça na nossa indústria, um operador de nível fazermos aquilo que é correto. Acreditamos
  • 18. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação BP Biocombustíveis Funcionários da BP e parceiros abordando caminhoneiro na cidade de Ituiutaba-MG que o sucesso é fruto da energia dos nos- ajuda a proteger as sos colaboradores. Estamos determinados O objetivo da pessoas na linha da em aprender e em sermos os melhores na- BP é criar frente, os lugares quilo que fazemos. Dependemos do desen- valor para os em que operamos e volvimento e da implementação da melhor o valor que cria- acionistas, tecnologia, bem como do estabelecimento mos. Entendemos de relações duradouras com os stakeholders contribuindo que a operação em das localidades em que estamos inseridos. para satisfazer regiões politicamente Assumimos o compromisso de fazer a as necessidades complexas e geogra- diferença ao distribuir a energia de que o fias tecnicamente mundiais de mundo precisa hoje, e no mundo em mudan- exigentes, tais como ça de amanhã. Trabalhamos em equipe. energia crescen- águas profundas e tes com segu- areias petrolíferas, Diretrizes, estratégias e rança e respon- requer especial programas de responsabilidade sensibilidade. Nossos sabilidade. social sistemas, proces- Queremos ser um líder de nossa indústria sos e normas estão sempre sob melhoria em práticas de segurança, um operador contínua, incluindo a forma como gerimos de classe mundial, um cidadão corporativo os contratados. responsável e um bom empregador. Nós só podemos operar adequada- 16 Manter o foco em segurança é uma prio- mente se mantivermos a confiança das ridade para nós. Uma boa gestão de riscos pessoas dentro e fora da empresa. Pre-
  • 19. BP Biocombustíveiscisamos ganhar a confiança das pessoas quentemente, a segurança dos condutorespor ser justos e responsáveis em tudo e das comunidades nas quais a empresaque fazemos. Nós monitoramos de perto o está inserida e o aumento da exposição denosso desempenho e pretendemos relatar crianças e adolescentes à exploração sexualde forma transparente. infanto-juvenil, muito comum nas estradas e Acreditamos que uma boa comunicação e cidades da região das Unidades.diálogo aberto é vital se quisermos satisfazer Diagnóstico, cenário e contexto das açõesas expectativas dos nossos colaboradores, – Ciente do impacto negativo na malhaclientes, acionistas e as comunidades locais viária que a empresa poderia causar eem que operamos. Estamos trabalhando para da exposição a riscos das crianças danos tornar um negócio mais simples, com um região, tomou-se a decisão de apresentarfoco claro sobre o que fazemos melhor. à comunidade um programa de conscien- tização sobre segurança nas estradasApresentação do Caso e e direitos da criança e adolescente, oContexto das Ações programa “Jornada Pela Vida”, estrutura-A questão – Durante o Community As- do pela BP Biocombustíveis em 2011, quesessment (Avaliação da Comunidade) atua diretamente em dois eixos:das Unidades localizadas nas cidades de • Direção Segura – compartilha as boasItumbiara-GO, Edéia-GO e Ituiutaba-MG foi práticas da empresa neste tema com todaidentificado que os principais impactos, de- a sociedade;correntes da ampliação do negócio, seriam • Proteção Social de Crianças e Adolescenteso aumento do fluxo de veículos e, conse- – apoia iniciativas ligadas a esta questão.Processo de Implementação do CaseObjetivos • Prevenção – mantém-se continuamente O JPV tem o objetivo de promover a o trabalho de conscientização dos temasconscientização sobre as questões relati- abordados no JPV.vas ao transporte rodoviário como direção A cada novo tema abordado, assegura, uso de drogas e exploração sexual e etapas acima são rigorosamente segui-desta forma reduzir os impactos negativos das e desenvolvidas em um processo dedo transito urbano e nas estradas. melhoria contínua.Metodologia/Implantação Ações realizadas O programa foi desenvolvido em três Até o momento, o programa já realizouetapas descritas abaixo: quatro ações nas três unidades, conscienti-• Articulação – identificou-se os potenciais zando e capacitando funcionários e parcei- parceiros que atuam diretamente com os ros como multiplicadores dessa ideia. eixos do programa; As ações desenvolvidas foram:• Educação – desenvolveu-se material • Ação pré-carnaval 2012, na qual foram de campanha e multiplicadores do tema realizadas intervenções educativas em 17 abordado; diversos postos de combustíveis localiza-
  • 20. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação BP Biocombustíveis Mobilização de escolas municipais em passeata pela cidade de Itumbiara-GO contra o abuso sexual de crianças e adolescentes Divulgação BP Biocombustíveis fornecedores que apoiam a instituição Childhood Foundation, abordando temas como a importância do profissional (caminhoneiro) como agente de prote- ção social de crianças e adolescentes, e como o multiplicador pode passar essa informação. • Campanha de conscientização no Dia Nacional do Combate à Exploração Sexual Infanto-juvenil (18 de maio), com Faixa de divulgação da campanha contra o abuso sexual de distribuição de materiais educativos e crianças e adolescentes em uma das unidades do Grupo abordagens de conscientização para a po- dos nas estradas federais e estaduais dos pulação durante a passeata realizada por municípios onde as usinas estão insta- escolas municipais de Itumbiara-GO com ladas e nas cidades vizinhas. O material o apoio da BP Biocombustíveis. A campa- desenvolvido para esta campanha pode nha também se estendeu para o público ser visto no Anexo I (Carnaval – Álcool interno da empresa, com a distribuição nas Estradas). de materiais educativos para os colabora- dores. O material desenvolvido para esta • Formação de multiplicadores, na qual campanha pode ser visto no Anexo II (18 foram realizados treinamentos para de Maio – Dia Nacional de Combate ao 18 funcionários de diversos setores das Abuso e à Exploração Sexual de Crianças unidades da BP Biocombustíveis e e Adolescentes).
  • 21. BP Biocombustíveis Divulgação BP BiocombustíveisAtendimento de saúde oferecida aos caminhoneiros• No dia do Caminhoneiro (30 de junho), foi realizada uma campanha interna de valorização dos profissionais motoristas que trabalham como funcionários da BP Divulgação BP Biocombustíveis Biocombustíveis e das empresas que prestam serviços para as unidades. Todos os funcionários receberam materiais educativos com informações de seguran- ça e reconhecimento para os profissio- nais. O material desenvolvido para esta campanha pode ser visto no Anexo III (30 Folhetos das campanhas do programa Jornada Pela Vida de Junho, Dia do Caminhoneiro. Dicas de segurança para uma boa viagem).• No dia dos Motociclistas (27 de julho) foi realizada uma campanha interna para conscientizar os funcionários da empresa Divulgação BP Biocombustíveis sobre a importância da direção segura de motocicletas. Durante a campanha, que teve início em 25 de julho, foram realiza- dos Diálogos Diários de Segurança (DDS) nas áreas agrícolas, industrial e admi- nistrativa das três unidades do Grupo. Materiais educativos foram distribuídos a todos os colaboradores e brindes 19 Diálogo diário de segurança com os funcionários de foram entregues aos funcionários que Ituiutaba sobre o Dia do Motociclista
  • 22. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação BP Biocombustíveis Funcionário da BP Biocumbustíveis atuando na campanha do dia 18 de maio em Itumbiara são exemplos em segurança. O material SEDESE, Corpo de Bombeiros, Polícia desenvolvido para esta campanha pode Rodoviária Estadual. ser visto no Anexo IV (27 de Julho – Dia Foram entregues materiais de campa- do Motociclista). nha, cerca de 25 mil folhetos educativos e em torno de 5 mil folders e 1 mil adesivos Relação com diferentes dos demais projetos dos parceiros. públicos (Steakeholders) Uma grande quantidade de preservativos O público-alvo do programa são os e material informativo relativos à AIDS foi 4500 funcionários da BP Biocombustíveis, distribuída. Foram aplicadas vacinas de comunidades do entorno das usinas – cerca Duplo Adulto (Tétano e Difteria), Tríplice de 200 mil habitantes nas três unidades Viral (Caxumba, Sarampo e Rubéola), Febre – e motoristas em geral que circulam nas Amarela e Hepatite B, totalizando 224 doses regiões. O JPV conta com diversos parcei- durante as campanhas voltadas para os ros, sendo os principais o Programa Na Mão caminhoneiros. Certa, da Childhood Foundation, instituições Neste ano, foram investidos no programa públicas municipais e estaduais e outras Jornada Pela Vida cerca de R$ 200.000,00 empresas privadas. (duzentos mil reais) disponibilizados para aquisição de recursos materiais e estrutu- Avaliação dos resultados e ra para as campanhas. Além disso, foram impactos alcançados investidos recursos humanos de diversas Foram mobilizados mais de 15 par- áreas da empresa, entre elas segurança ceiros situados nos três municípios de do trabalho, sustentabilidade, administração alocação das unidades, sendo os prin- industrial e administração agrícola, com a 20 cipais o CRAS, Conselho Tutelar, FUN- mobilização de aproximadamente SOL, CREAS, PETI, NABS, SESI/SENAT, 75 colaboradores.
  • 23. BP BiocombustíveisLições aprendidas • Os pontos a serem melhorados são:e Próximos passos • Ainda sem atuação direta nos índices de Pontos fortes do Programa JPV: segurança da empresa e das comunidades;• Interação com a comunidade, parceria • Melhorar meios de mensuração; com o Programa Na Mão Certa; • Atua também em Educação Continuada.• Metodologia compartilhada e testada em As lições aprendidas são que juntar forças várias outras empresas; com os diferentes atores envolvidos com o• Valorização das iniciativas de Segurança tema faz toda a diferença, já que existem di- da empresa. versas ações isoladas com o mesmo objetivo.Conclusões e RecomendaçõesP ara atingir seus objetivos com efici- caminhoneiros e no combate a exploração ência a BP Biocombustíveis formou sexual infanto-juvenil. As empresas atuaram parcerias com instituições públicas nos pontos de parada de caminhoneiros(Ex.: Centro de Referência Especializado de como postos de combustíveis e realizaramAssistência Social – CREAS, Polícia Rodo- blitz educativas com o auxílio da Polícia Ro-viária Estadual), privadas (Ex.: Caramuru doviária, distribuindo materiais educativos eAlimentos S.A.) e organizações não-gover- informar através diálogos com os motoristas.namentais (Ex.: Fundação de Solidariedade Durante as campanhas foram aborda-de Itumbiara – FUNSOL). dos os temas de segurança nas estradas A BP Biocombustíveis e seus parceiros e a mobilização e incentivo da populaçãointeragiram com a sociedade em diversas para combater a exploração sexual decampanhas com foco na conscientização de crianças e adolescentes. 21
  • 24. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Chevron chevron brasil www.chevron.com.br Divulgação Chevron Atividade: Exploração e produção de petróleo e gás, fabricação e distribuição de lubrificantes e de aditivos. Fundação: Presente no Brasil desde 1915, através da Texaco Colaboradores: 750 Principais projetos em sustentabilidade: Elas em Movimento, Inclusão Comunitária e Programa de Descarte Social de Resíduos 22
  • 25. Chevron BrasilMULHERES DE ENERGIA:O INVESTIMENTO SOCIALDA CHEVRON NO BRASIL“As mulheres como geradoras de vida ocupam em todas as sociedadesum papel especial, e a preocupação com a consolidação da presençadas mulheres na política e na economia deve nortear as iniciativas liga-das a cada um dos pilares do desenvolvimento social. Para alcançarmosa cidadania plena das mulheres ainda temos que enfrentar lutas antigas,em essencial o igual acesso a oportunidades de trabalho, remuneração eproteção social e, muitas vezes, na defesa física contra a violência”. Presidenta Dilma Roussef“Não podemos mais permitir que metade da população mundial [as mu-lheres] continue marginalizada, que não participe da economia e das deci-sões políticas. A iguadade não é mais uma opção, é uma necessidade”. Michele Bachelet, Diretora Executiva da ONU MulheresA partir de pesquisa, análise 11 mil pessoas foram beneficiadas, direta ou de projetos e diálogo com indiretamente, em projetos voltados para a stakeholders, a Chevron no capacitação e colocação no mercado de tra- Brasil iniciou em 2010 sua balho de jovens e mulheres e no desenvol- política de Investimento vimento de pequenos negócios sustentáveis. Social tendo como foco a Neste período, vários desafios foramgeração de oportunidades econômicas para vencidos e o processo contínuo de análisemulheres, nos estados do Rio de Janei- de resultados e de ouvidoria demonstrouro e Espírito Santo. Em dois anos, foram que o caminho percorrido tem sido o cor- 23investidos cerca de U$4 milhões e mais de reto. As parcerias formadas com governo,
  • 26. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis representantes de organizações sociais no desenvolvimento social e econômico. e com a própria comunidade levaram ao As atividades de responsabilidade social desenvolvimento eficiente, eficaz e efetivo da Chevron no Brasil promovem a igualdade de todas as ações já implementadas. Não dos gêneros e a capacitação das mulheres há transformação social e desenvolvimento para beneficiar suas famílias e influenciar sustentável sem alianças estratégicas que positivamente as gerações futuras por meio integrem todos os atores sociais. do Projeto Energia das Mulheres. A empresa também incentiva o espírito de voluntariado A Chevron no Brasil entre seus empregados por meio do Progra- A Chevron no Brasil ma de Voluntariado Energia Solidária. Assim Nossas ati- faz parte de um con- como, organiza iniciativas para angariar vidades são junto de Unidades de fundos e doação de materiais para diversas realizadas com Negócio na América instituições sociais. segurança, de Latina, presente Cada programa social desenvolvido pela maneira ética em países como Chevron no Brasil possui um monitoramen- Argentina, Colômbia to contínuo e um sistema de avaliação em e socialmente e Venezuela. São conjunto com os parceiros. Essas informa- responsável aproximadamente ções são usadas para medir e descrever os 3.900 empregados e contratados nos países resultados e impactos dos investimentos onde a empresa mantém operações, sendo sociais da empresa nos programas e proje- 750 atuando no Brasil. tos. Os dados são coletados a cada trimes- No mundo, a Chevron é uma das empre- tre e comparados com as metas anuais e de sas líderes em energia. Com sede em San duração dos projetos. Ramon, na Califórnia (EUA), a empresa tem operações de exploração e produção de pe- Estruturaçao de Plano de tróleo e gás natural em mais de 100 países e Investimento Social conta com mais de 60 mil empregados nos Presente no Brasil desde 1915, através cinco continentes. da Texaco, a Chevron tem desenvolvido pro- No Brasil, os negócios da Chevron vão jetos sociais e contribuído para o desenvol- desde a exploração e produção de petróleo vimento social do país. Em 2010, a empresa e gás em águas profundas, por meio da decidiu analisar sua atuação e apresentar Chevron Brasil Petróleo; até a fabricação e um programa de Investimento Social que distribuição de lubrificantes, com a Chevron atendesse aos seguintes parâmetros: Brasil Lubrificantes; e de aditivos, com a • Harmonizar e concentrar os investimen- Chevron Oronite. tos de upstream e de downstream em uma Nossas atividades são realizadas com estratégia integrada; segurança, de maneira ética e socialmente • Ser sensível às necessidades da comuni- responsável. Respeitamos as leis, apoiamos dade nas áreas de operação; os direitos humanos universais e prote- • Programas focados, integrados e susten- gemos o meio ambiente. Também é nosso táveis, com resultados mensuráveis; compromisso beneficiar as comunidades • Formar parcerias estratégicas; 24 onde atuamos, realizando parcerias cons- • Identificar e criar oportunidades para o trutivas, colaborativas e confiáveis com foco envolvimento dos empregados.
  • 27. Chevron Brasil O desenvolvimento da Política de Inves- stakeholders (lideranças comunitárias, gover-timento Social foi seguido por três fases. no e público interno) identificaram as expec-Na primeira, foram definidos o objetivo e tativas e demandas. A análise das informa-o foco, por meio de pesquisa e entrevistas ções definiu como foco temático meninas ecom os stakeholders internos e externos. Na mulheres, na faixa de 15 a 40 anos de idade)segunda, foram identificadas as áreas de em situação de vulnerabilidade social, in-atuação, os critérios e diretrizes de seleção cluindo pessoas com necessidades especiais.de projetos. O desenvolvimento de proces- O foco geográfico definido foi a cidade e osos de gerenciamento, de monitoramento e estado do Rio de Janeiro, onde está sediadade alternativas preferenciais foram defini- a Chevron Brasil, e as comunidades costei-dos na última fase. ras do estado do Espírito Santo contíguo as As pesquisas e entrevistas com os operações de offshore da Chevron.Razões para Investir no Desenvolvimento de Mulheres“A participação significativa das mulheres nos negócios – desde a suainclusão como proprietárias de empresas na cadeia produtiva até a suarepresentação plena nos conselhos de empresas – também se traduzem um melhor desempenho” Ban Ki-moon, Secretário-Geral da ONU A questão de igual- no combate à pobreza, ao racismo e às A criação da dade de gênero e desigualdades. ONU Mulheres empoderamento de O tema tem crescido em importância é resultado de mulheres tem sido e ações objetivas foram efetivadas, com a discutida globalmen- estruturação e implantação de organismos anos de nego- te. Pesquisas mos- internacionais e políticas públicas. Como ciações entre tram que são as mu- exemplo, pode ser citada a criação, em uma Estados-mem- lheres, as crianças e decisão histórica da Assembleia Geral da bros da ONU os adolescentes, em ONU, de uma nova entidade para acelerar e o movimento especial os indíge- o progresso e o atendimento das demandas de defesa nas e os negros, os das mulheres e meninas em todo o mundo. mais vulneráveis à A criação da ONU Mulheres é resultado de das mulheres exclusão social e anos de negociações entre Estados-mem- no mundo à violação de seus bros da ONU e o movimento de defesa dasdireitos a uma renda digna, à educação, à mulheres no mundo.saúde e a condições de vida adequadas. No Brasil, a Presidenta da República Essa realidade somente será revertida Dilma Rousseff, primeira mulher a assumircom um esforço que reúna os governos de o cargo maior do país, nomeou nove mu-diversos países e em diferentes níveis, a lheres ministras e deu prioridade a medi-sociedade civil e as empresas em torno da das que promovessem o empoderamento 25elaboração de políticas públicas efetivas econômico das mulheres e o enfrentamento
  • 28. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis à violência baseada no gênero. O Congres- em geral sem um companheiro, têm 70% so Nacional analisa propostas de reforma mais chances de estar localizados em as- política que garantam mais mulheres nos sentamentos subnormais que os chefiados corpos legislativos estaduais e federais. por homens, que, em sua maioria, tem uma Em 2002, foi criada, no âmbito do Executi- companheira. vo, a Secretaria de Estado dos Direitos da Apesar de a maioria dos arranjos fami- Mulher, atualmente Secretaria de Políticas liares – casal com filhos – se caracterizar para as Mulheres (SPM), e, em 2006, foi pela predominância de chefes homens, nos aprovada a Lei 11.340, conhecida como Lei últimos anos, houve um aumento expressivo Maria da Penha, um marco no cumprimento da chefia feminina de 0,8% em 1992, para de garantias internacionais e constitucionais 9,4% em 2009. sobre o direito das mulheres a uma vida 35% do total de residências do país são livre de violência. chefiados por mulheres sem a presença do O documento Progresso das Mulheres cônjuge. no Brasil 2003-2010, editado pela ONU Atualmente, os rendimentos das mulhe- Mulheres e Cepia, apresenta um quadro de res constituem cerca de 41% do rendimento avanço positivo nos índices de desigualda- total das famílias. de. Com uma população de 193 milhões de Estudos demonstram que a educação habitantes, o Brasil tem um grande estoque possui efeitos importantes sobre a inserção de talento nas mulheres, cujos níveis edu- feminina no mercado de trabalho, ampliando cacionais ultrapassam os dos homens até significativamente o salário, a participação nas faixas de renda inferiores. Entretanto, a e horas trabalhadas, contribuindo para uma falta de uma educação pública universal de maior autonomia das mulheres. qualidade e a infraestrutura inadequada que Os recentes estudos demonstram que caracterizam o país constituem os maiores as mulheres cresceram consideravelmente empecilhos ao seu desenvolvimento. Apesar a sua participação no mercado de trabalho, desses avanços importantes, ainda não foi devido a causas demográficas, culturais e possível dar um salto para a melhoria da si- educacionais. No entanto, os índices ainda tuação da maioria das mulheres brasileiras: apontam para um quadro de desigualdade. • São mais de 67 milhões de mulheres no As ações sociais necessárias para a Brasil, segundo estimativas de 2009, na mudança desse quadro são questões de faixa de 15 a 64 anos. natureza pública que interessam a toda a No Brasil, 48,8%s mulheres adultas têm sociedade. O caminho da solução deve ser alcançado pelo menos o nível de educação traçado através da cooperação e integração secundária, contra 46,3% dos homens. de esforços conjuntos entre os diversos A participação no mercado de trabalho é segmentos sociais (órgãos governamentais, de 60,1% para as mulheres e de 81,9% para setor privado e as próprias comunidades os homens. beneficiadas), por meio do estabelecimento Dos mais de 50 milhões de brasileiros de parcerias e alianças sociais estratégicas. que vivem na pobreza, quase 30 milhões Ao focar a capacitação e o empoderamen- são crianças e adolescentes, ou seja, 47,6% to de mulheres, a Chevron participa desse 26 da população de meninos e meninas. desafio de grande importância para o desen- Os domicílios chefiados por mulheres, volvimento econômico e social do Brasil.
  • 29. Chevron BrasilO Plano de Investimento Divulgação ChevronSocial: ações e resultados Iniciado em 2009, o As instituições Projeto Mulheres de apoiadas tam- Energia está baseado no desenvolvimen- bém devem to econômico das ser capazes de mulheres de baixa gerar resulta- renda, moradoras de “Depois de abrir este negócio, eu dos tangíveis e comunidades loca- me sinto outra mulher, mais forte lizadas nos estados e muito mais conhecedora do mensuráveis do Rio de Janeiro e meu papel como transformadoraEspírito Santo. O Projeto promove oportu- da minha realidade e da vida denidades por meio da criação e desenvolvi- todos os que estão ao meu redor”mento de pequenos negócios sustentáveis e Jaqueline Tiago, 24 anos, uma das empreen-da qualificação profissional de jovens para o dedoras no restaurante Saborearte, sobre omercado de trabalho. projeto Elas em Movimento Para que o Projeto Mulheres de Energiaseja de fato viabilizado, buscamos nos que promove festas e um bar temático. Oassociar a instituições locais cujos traba- projeto é desenvolvido em parceria com olhos seguem em linha com a nossa filosofia. Fundo ELAS de Investimento Social.Portanto, é importante que essas organiza-ções locais tenham reconhecimento público Projeto de Inclusãoem suas atividades, experiência na gerência Comunitáriade recursos e na captação de novas fontes Este projeto busca promover a formaçãode financiamento. As instituições apoiadas pessoal e social de mulheres moradoras dotambém devem ser capazes de gerar resul- município de Itapemirim, no Espírito Santo,tados tangíveis e mensuráveis e de moni- por meio da qualificação profissional detorar e avaliar o andamento e os resultados acordo com as oportunidades de trabalhodos projetos. da localidade. Fazem parte dos empreendi- mentos apoiados pela Chevron, em parceriaProjeto Elas em Movimento com o Instituto Aliança, cooperativas de O programa desenvolve o empreendedo- alimentos, confecção de roupas e brindes,rismo em mulheres moradoras de comu- capas de chuva e aventais para pescadores,nidades do Rio de Janeiro – Jardim Batan, abrangendo cerca de 60 mulheres.Cidade de Deus, Borel e Morro da Providên-cia. As participantes recebem treinamento “O projeto ajudou a divulgar oe recursos financeiros para implantar seus nosso trabalho, dando a oportu-próprios negócios. Cerca de 90 mulheres nidade de ser alguém na vida, terparticiparam das atividades que resultaram lucro e independência”na criação de quatro empreendimentos: um Heloisa Rufino, do Grupo de Bordado dorestaurante, uma fábrica de sabões a partir Bom Será, sobre o projeto de Inclusão 27do óleo de cozinha reciclado, uma empresa Comunitária.
  • 30. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Chevron Divulgação Chevron “A educação pode mudar a nossa “Boa parte dos jovens enfrenta história. Passei em sétimo lugar muitos desafios para participar no vestibular para uma universi- do Com.Domínio Digital. Um dade pública e, hoje, sei que pre- grupo considerável, sai do núcleo ciso ir ainda mais longe. O Enter e vai direto para o colégio, outros Jovem Plus teve a oportunidade ficam de manhã no colégio e não de lapidar joias raras e brutas e podem passar em casa antes de tenho certeza de que aqui surgi- vir para o projeto. Eu os chamo rão grandes profissionais” de guerreiros porque poucos Andréia dos Santos, aluna do Colégio são tão persistentes nesta faixa Estadual Maria Inocência, em Itaboraí, etária. As turmas crescem a cada sobre o projeto Enter Jovem Plus oficina, crescem na confiança e no respeito. Os jovens se entregam Terezas em Ação totalmente nas dinâmicas e em Promover a cultura empreendedora nas cada atividade proposta, os olhos comunidades de Santa Teresa por meio da brilham e a atenção é total!” formação técnica de mulheres de baixa ren- Cristina Simões, educadora de DPS, sobre o da para a geração de renda pela criação e projeto Com.Domínio Digital implementação de novos projetos baseados na identidade e potencial do local. tes das escolas da rede pública de ensino Projeto Gerando Oportunidades do estado do Rio de Janeiro. Cerca de mil O objetivo deste projeto é desenvolver jovens já participaram da iniciativa em apro- ações educativas e de geração de renda, ximadamente 30 escolas desde 2010. Para criando oportunidades de ocupação produ- a realização deste projeto, a Chevron conta tiva para mulheres e jovens residentes de com a parceria da Agência dos Estados áreas de risco situadas em Jardim Prima- Unidos para o Desenvolvimento Internacio- vera, em Duque de Caxias (RJ), onde a Che- nal (USAID) e também das secretarias de vron possui uma fábrica de lubrificantes. O Educação e do Trabalho e Renda do estado projeto é desenvolvido em parceria com a do Rio de Janeiro. ONG Visão Mundial. Projeto Com.Domínio Digital Projeto Enter Jovem Plus Este projeto tem por objetivo implantar 28 O programa promove a qualificação pro- um modelo diferenciado de educação profis- fissional de jovens de 14 a 29 anos, estudan- sional, com ênfase no desenvolvimento de
  • 31. Chevron BrasilDivulgação ChevronUm clima bem descontraído no Parque Lage, no Rio de Janeiro, para falar sobre questões ligadas ao meio ambientemarcou a segunda atividade promovida pelo Programa de Voluntariado Energia Solidária.competências comportamentais e habili- Up to Englishdades ligadas à tecnologia da informação, Aulas de inglês para 100 jovens estu-capacitando mulheres de 14 a 29 anos e dantes de escolas públicas do estado do Rioinserindo-as no mercado de trabalho. Desde de Janeiro. A iniciativa é desenvolvida em2010, 250 mulheres já foram capacitadas no parceria com o Consulado Americano e oRio de Janeiro. O projeto é desenvolvido em curso de inglês IBEU.parceria com o Instituto Aliança e USAID. Programa de VoluntariadoCentro de Aprendizagem Energia Solidária O programa utiliza vídeos em salas de O objetivo do Programa é estimular oaula como uma eficaz ferramenta pedagógi- engajamento dos empregados da Chevronca em cinco escolas públicas do município em trabalhos voluntários nas parceiras. Ado Rio de Janeiro. As escolas recebem a iniciativa engloba quatro linhas de atuação:premiada programação de vídeos educati- campanhas de voluntariado em datas come-vos da Discovery Channel Global Education morativas, bate-papo e encontros periódi-Partnership, parceira no projeto, aparelhos cos, apoio continuado aos projetos sociaisde televisão e de DVD; além de extenso trei- desenvolvidos pela empresa e apoio pontual,namento e monitoramento para os professo- que funciona como suporte a eventos so-res. Cerca de 6 mil alunos e 148 professores ciais e campanhas promovidos pela Chevronjá foram beneficiados. A iniciativa também em prol dos projetos.conta com a parceria da Secretaria de Edu- Da estruturação à sua implantação, o 29cação do Município do Rio de Janeiro. programa contou com a participação dos
  • 32. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Chevron empregados. Em um primeiro momento, dos e análise de oportunidades. a empresa promoveu uma pesquisa interna O resultado final indicou que o foco na para identificar possíveis empregados capacitação e emponderamento de mulheres engajados ou interessados em atividades continuará nos próximos dois anos. O qua- de voluntariado. Depois foram definidas as dro de investimento social no Brasil deverá linhas de atuação e o nome do programa. estabelecer como metas e objetivos: Iniciado no final de 2011, o Programa • Incorporação de duas novas áreas de realizou duas ações, mobilizando mais de 40 atuação para 2013-2015; pessoas, entre empregados e seus familiares, • Investimento sustentável nas áreas de e 74 jovens do projeto Com.Domínio Digital. prioridade para apoiar políticas públicas e contribuir para o objetivo social de Próximos passos melhorar o desenvolvimento socioeconô- O Plano de Investimento Social da Che- mico no Brasil; vron prevê uma análise e proposta de me- • Investimento social em linha com as lhorias a cada dois anos. Neste ano de 2012, Metas de Desenvolvimento do Milênio da a revisão passou pelas etapas de entrevista ONU: promover a igualdade e o empode- com stakeholders (internos e externos), ava- ramento de Mulheres e parceria global liação dos resultados dos projetos implanta- para o desenvolvimento. 30
  • 33. Referências:IBGE. Síntese de Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira.Rio de Janeiro: IBGE, 2010 (Estudos & Pesquisas, 27).IBGE. Síntese de Indicadores Sociais. Rio de Janeiro: IBGE, 2004 (Estudos & Pesquisas, 12).IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1992. Rio de Janeiro, NERI, Marcelo. Desigualdadede renda na Década (texto principal). Rio de Janeiro: FGV/CPS, 2011. Disponível em www.fgv.br/cps/ncm. Acesso em 30 março de 2011.NERI, Marcelo. A nova classe média: o lado brilhante dos pobres (texto principal). Rio de Janeiro: FGV/CPS, 2010. Disponível em www.fgv.br/cps/ncm. Acesso em 30 março de 2011.CAMARANO, Ana Amélia. PNAD 2009 – Primeiras Análises : tendências demográficas.Comunicados doIpea n. 64. Disponível em http://www.Ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/comunicado/101013_comunicadoipea64.pdf, 2010. Acesso em 30 março 2011.Cepia – Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e AçãoO Progresso das Mulheres no Brasil 2003–2010 / Organização: Leila Linhares Barsted,Jacqueline Pitanguy – Rio de Janeiro: CEPIA ; Brasília: ONU Mulheres, 2011.http://www.unifem.org.br/http://www.onu.org.br/rio20/tema/mulheres/Agência Brasil Luana Lourenço 02/11/2011 - 8h28 31
  • 34. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Sistema Firjan sistema firjan www.firjan.org.br Atividade: Educação, Serviços Tecnológicos, Lazer, Saúde, Cultura Fundação: 1904 Colaboradores: Aproximadamente 7000 Receita líquida: R$ 400 mi Principais projetos em sustentabilidade: Pro- jeto Cultivar, SESI-Cidadania, Ação Global Divulgação Sistema Firjan 32
  • 35. Sistema Firjan O sistema firjan e o setor p&gA quebra do monopólio, para a participação das novas operadoras estabelecida através da Lei entrantes, além de mapear os benefícios nº 9.478, de 1997, motivou advindos da maior participação da indústria uma nova era na Indústria local, com geração de empregos de alto de Petróleo e Gás no Brasil. nível, criação de novas indústrias, efeito A abertura comercial, im- multiplicador para a economia, entre outros.pulsionada por este fato, trouxe importantes Como fruto desta ampla análise, o movi-consequências para a economia brasileira mento empresarial Compete Brasil, em con-e, fundamentalmente, a essa indústria que junto com a Agência Nacional de Petróleopassou a ser composta por novos atores. - ANP e a Pontifícia Universidade Católica O principal motivo da mudança institu- do Rio de Janeiro – PUC-RJ, identificou acional no setor de petróleo e gás natural não necessidade da criação de uma instituiçãofoi tão somente a necessidade de consolidar que desempenhasse uma função estratégicaa política industrial, antes conduzida pela e auxiliasse o Brasil no processo de consoli-Petrobras, mas principalmente a oportuni- dação da indústria nacional e sua posiçãodade de ampliar o volume de investimentos em um mercado cada vez mais globalizado.para atender ao consumidor final redu- Assim deu-se origem à ONIP, Organi-zindo os volumes de importação, com o zação Nacional da Indústria do Petróleo, emconsequente aumento de conteúdo local, Julho de 1999, cuja premissa é atuar comovalorizando os potenciais recursos do País, agente mobilizador promovendo a articulaçãogerando mais renda e emprego no Brasil. entre todos os componentes da cadeia de Pe- A cadeia de valor da indústria petrolífera tróleo e Gás, incluindo também organismosinclui além das operadoras, os EPCistas, as governamentais e agências de fomento.empresas de engenharia, os fornecedores O Sistema FIRJAN contribuiu forte-de materiais e equipamentos, bem como os mente neste período, oferecendo áreaserviços associados. As mudanças geraram para a instalação da ONIP, e a sinergiadesafios e oportunidades para toda a cadeia. entre as instituições é mantida até os dias Para que a indústria nacional se inseris- de hoje, através de diversas ações reali-se de forma estruturada nesse novo ciclo, zadas de forma conjunta e pela presençaera necessário identificar além das oportu- da Federação no Conselho Deliberativo 33nidades, as ameaças e estabelecer regras daquela Organização.
  • 36. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Ainda neste contexto uma política industrial que fortalecesse a O Sistema histórico, percebe- indústria nacional com a quebra do mono- FIRJAN é -se que a crescente pólio, já citado anteriormente, o conceito parceiro na atividade de explo- de Conteúdo Local foi elaborado como defesa de ração do petróleo e ferramenta principal da Política Industrial interesses da do gás natural seria nacional, consistindo na exigência de uma indústria, bem fator predominante empresa direcionar determinada parcela de como na oferta para o crescimento suas compras de insumos e bens de servi- de soluções do país nas próximas ços ao mercado local. customizadas décadas, e que esta O principal objetivo dessa determinação é oportunidade deveria aumentar a capacidade produtiva da indústria que atendam às ser amplamente brasileira, aumentando sua participação no necessidades do aproveitada, promo- mercado, seja internamente, seja no exterior. mercado vendo o crescimento O alcance de maiores índices de conte- sustentável de toda a indústria nacional. údo local transformou-se em um dos princi- Para a superação deste desafio, o pais pilares de sustentação do PROMINP. A PROMINP - Programa de Mobilização da necessidade de fatores mínimos de conte- Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natu- údo local nos contratos de concessão levou ral, coordenado pelo Ministério de Minas e ao lançamento da Cartilha do PROMINP em Energia - MME, foi instituído pelo Governo 2004, com a participação ativa do Sistema Federal através do Decreto nº 4.925, do dia FIRJAN e que hoje está incorporada ao 19 de dezembro de 2003. Sua premissa é a regulamento da ANP. O cumprimento das maximização da participação da indústria porcentagens hoje é obrigatório e, caso não nacional de bens e serviços, em bases com- seja atingido, implica na aplicação de multas petitivas e sustentáveis. e sanções para os concessionários. O PROMINP vem realizando diversas A política de Conteúdo Local foi insti- ações, em parceria com a Indústria, institui- tuída e aplicada pela ANP desde a primeira ções de classe, organismos reguladores e rodada de licitações, sendo adaptada e de mobilização, buscando o fortalecimento revista a cada nova rodada, guiando o mer- da indústria nacional de bens e serviços, cado a incorporar o conceito, fomentando a focando na área de petróleo e gás natural. capacitação, desenvolvimento tecnológico e O Sistema FIRJAN, entendendo a geração de emprego e renda, áreas em que importância do PROMINP na identificação e o Sistema FIRJAN é parceiro na defesa de monitoramento dessas oportunidades, tem interesses da indústria, bem como na oferta apoiado suas iniciativas desde o início e de soluções customizadas que atendam às vem se estruturando para melhor apoiar a necessidades do mercado. indústria fluminense em toda sua amplitude, Uma vez identificadas as demandas do colaborando para que os objetivos originais mercado, o Sistema FIRJAN, através da atu- do Programa sejam traduzidos em resulta- ação do SENAI-RJ, dá um importante passo dos melhor distribuídos e aproveitados por para o desenvolvimento das atividades da todos os brasileiros. Indústria de Petróleo e Gás e nacionaliza- 34 Corroborando com as iniciativas propos- ção de tecnologias de ponta, conforme será tas e trabalhadas, desde 1997, no âmbito de abordado no case a seguir.
  • 37. Sistema FirjanSimuladoresCaso de sucesso bras, através da implantação de programas Atualmente, percebe- específicos de capacitação, qualificação e O SENAI vem, -se um novo contexto certificação de profissionais que atuam em desde 2006, com mais de 70 ope- regime offshore, em técnicas de simulação atuando como radoras em atividade e controle de lastro em emergências, com principal exe- no País e uma previ- segurança total para os treinandos e para a cutor do Plano são de investimen- equipe instrutora, durante todas as etapas Nacional de tos, para o período dos treinamentos. Qualificação de 2012-2014, que O levantamento de informações e dados Profissional – já ultrapassa os US$ foi feito com base no cenário existente, PNQP 270 bilhões. considerando-se as instalações offshore A nova fronteira do pré-sal já é uma existentes em 2005 e a carteira de inves-realidade e traz consigo uma nova modalida- timentos em E&P prevista no Plano dede de contratação e operação dos seus cam- Negócios da Petrobras 2006 – 2010.pos, acrescentando novas demandas por O Simulador de Lastro e Emergências -materiais, equipamentos, tecnologias e pro- Multi Purpose Maritime Simulator - MPMSfissionais, e o pós-sal que ainda representa (Simulador Marítimo de Múltiplas Funções),uma demanda regular e significativa, trazem o mais moderno do mundo em sua cate-consigo novos e estimulantes desafios. goria, foi construído a partir de um acor- Por sua abrangência nacional e por sua do entre o Sistema FIRJAN com a ASETreconhecida qualidade de ensino, o SENAI (Aberdeen Skills and Entreprise Trainingvem, desde 2006, atuando como principal Limited), empresa que detém o pioneirismoexecutor do Plano Nacional de Qualificação em treinamentos nas áreas offshore, e comProfissional – PNQP, plano estruturado para a Pisys, companhia escocesa responsávelampliar e custear o acesso das pessoas a pela criação do software de simulação.cursos especializados nas demandas da O principal cliente e incentivador da im-cadeia produtiva de modo a minimizar os plantação do novo simulador foi a Petrobras,efeitos do apagão de mão de obra sentidos que direcionou pelo menos 924 funcioná-notadamente nesse setor. rios para treinamento pelo período de sete Como desdobramento dessa iniciativa, anos. Para a empresa, esse acordo significao SENAI-RJ foi pioneiro na implantação de uma enorme economia de gastos, pois atésimuladores como ferramenta educacional então todos os operadores de plataformaspara a certificação de profissionais na área da empresa eram treinados diretamente emde exploração e produção. Hoje, já são mais Aberdeen, na Escócia. Para o Sistema FIR-de cinco simuladores implantados e mais de JAN, a iniciativa representa mais um passo4.000 pessoas treinadas. na direção de transformar o SENAI-RJ num O Projeto em questão foi incorporado centro de soluções em serviços tecnológi-ao PROMINP, cujo objetivo é fortalecer as cos para as empresas.competências na área de Exploração e Pro- A Petrobras não é a única a treinar fun-dução, de acordo com as diretrizes do PEO cionários no novo equipamento. O SENAI-RJ 35- Plano de Excelência Operacional da Petro- vem atendendo aos operadores de platafor-
  • 38. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Sistema Firjan mas de todas as empresas de petróleo. Para no Centro de Tecnologia Automação e isso, foi assinado um protocolo com a ASET, Simulação, em Benfica, zona norte do Rio em que a empresa escocesa garante exclu- de Janeiro. O equipamento reproduz, com sividade para o Sistema FIRJAN pelo uso exatidão, a cabine de comando de uma dessa tecnologia em toda a América Latina. plataforma de petróleo. O índice de nacionalização do simula- Pesando 12 toneladas, ele é apoiado dor é de 60%, de acordo com o objetivo do sobre um macaco elétrico acionado por PROMINP. A construção e montagem do dois motores, e imita os movimentos e ru- equipamento ficaram a cargo da PhDsoft, re- ídos sentidos e ouvidos em situação real. presentante brasileira da Pisys, que também Nesse simulador, conforme demonstrado é responsável pela manutenção, assistência nas figuras a seguir, estão sendo minis- técnica e pelo treinamento dos instrutores. trados cursos de estabilidade nos dife- O Simulador de Lastro está instalado rentes tipos de plataformas usadas pela no Núcleo de Treinamento Offshore (NTO) Petrobras, de gerenciamento de emergên- Engenheiro Nelson Stavale Malheiro, cia e de grandes emergências. 36
  • 39. Sistema FirjanCONCLUSÃO A entrada em operação do Simulador de Assim, considera-se que o projeto foiLastro e Emergência vem proporcionando realizado com sucesso, em que pese osnão só o treinamento no Brasil de espe- enormes desafios enfrentados na conduçãocialistas e técnicos até então enviados ao do mesmo por todos os envolvidos.exterior, como também garantido a transfe- Com a instalação de outros doisrência de tecnologia e conhecimentos para simuladores (Atmosferas Explosivas eo Brasil. Processamento Primário de Óleo e Facili- A remessa de divisas também está sen- dades), ambos também objeto de contratodo evitada, com redução dos valores pagos específico com a Petrobras e instaladosaté então nos deslocamentos dos profissio- em Benfica, consolida-se a vocação donais para o exterior. Sistema FIRJAN, através do SENAI-RJ, Pela dimensão do projeto, a repercussão de se tornar um centro de referência deda disponibilidade do Simulador de Lastro alta performance em treinamentos parae Emergência mais moderno do mundo no profissionais que atuam no Setor Petróleo,Brasil, vem ultrapassando as fronteiras do fazendo uso da mais moderna tecnologiaPaís e atraindo empresas multinacionais em simulação disponível no país, equi-para conhecerem as instalações e perfor- parando-se ao CENPES (Petrobras) e àmance do simulador. COPPE (UFRJ). 37
  • 40. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação FMC Technologies FMC Technologies do Brasil www.fmctechnologies.com Divulgação FMC Technologies Atividade: Fabricação de equipamentos submarinos para a indústria de óleo e gás Fundação: 1956 Colaboradores: Aproximadamente 1.700 (Rio e Macaé) Faturamento 2011 (Mundial): US$ 5,1 bi Principais projetos em sustentabilidade: Projetos com foco na Educação, Saúde, Meio Ambiente, Geração de Renda, Informação e Cultura 38
  • 41. FMC Technologies do Brasil Um mundo melhor é possível A Responsabilidade Social na FMC Technologies do BrasilJ á vai longe o tempo em que Nossa missão atuar com Responsabilida- Atuar nas comunidades adjacentes às de Social er a desenvolver unidades da FMC Technologies, promovendo o ações pontuais com começo, desenvolvimento pessoal e vocacional dos mora- meio e fim em comunidades e dores locais, através de programas da educação, instituições. Adotar a Gestão capacitação profissional e cuidados com a saúde.Socialmente Responsável é um processocontínuo que, “abrange o respeito a princí- Uma questão de atitudepios e valores compartilhados nas relações Na FMC Technologies, o espírito de soli-da empresa com seus diversos públicos de dariedade começa no primeiro dia de trabalho.interesse (colaboradores, clientes, consumi- Durante o Programa de Ambientação para osdores, fornecedores, acionistas, parceiros, novos colaboradores, Nádia Pinto apresentagoverno, comunidade e meio ambiente, en- os Projetos Sociais da empresa em palestratre outros), visando à sua sustentabilidade a que visa a despertar em cada um a vontadelongo prazo”. de participar. “Ser voluntário é ter atitude de Em 2007, a FMC Technologies iniciou construir um mundo melhor a cada dia. Muitasuma nova área específica para planejar a vezes, só o que as pessoas precisam é umatuação da empresa em Projetos Sociais. pouco de atenção e carinho”, observa a gerente,“A Responsabilidade Social e Ambiental é que desenvolve, atualmente, vários projetos naum dos valores que sempre esteve presente área, com foco em educação e cidadania, em quena FMC Technologies, desde a sua fundação. conta com a participação de vários colaborado-Ao criar a área de Responsabilidade Social res voluntários da empresa, seja nos projetosna empresa, o objetivo foi estabelecer uma de educação, saúde, cultura, informação comoforma de ação sistematizada, despertando também nos projetos de donativos. Conheçao interesse dos colaboradores e seus melhor cada um deles.familiares para Projetos Sociais, emotivando-os para a prática do trabalho Fazendo a diferença navoluntário, conforme seus conhecimen- Comunidadetos, experiências e habilidades”, explica a No Rio de Janeiro, temos 6000 residen- 39Gerente da área, Nádia Pinto. tes em nossa comunidade local chamada
  • 42. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação FMC Technologies Projeto Aprender para Viver Melhor Divulgação FMC Technologies Phídias Távora, e as maiores necessidades identificadas são a educação e capacitação profissional. Em consonância com os Valo- res da FMC Technologies, em 2009, abrimos nosso Centro de Integração Social nesta co- munidade, a cinco minutos da nossa fábrica. Alugamos este espaço para podermos dar um melhor apoio às nossas ações sociais, mencionadas abaixo. Assistência Social Continuada Rio de Janeiro – Creche Municipal Vis- conde de Sabugosa e Hospital Infantil Ismé- lia da Silveira Macaé – Recanto dos Idosos, Casa do Idoso, Creche Lagomar, Colégio Parque Aeroporto e Elza Ibrahim. Nestas Instituições temos parcerias con- tínuas da FMC Technologies, em ações de Responsabilidade Social, como tratamento Informação dentário, aplicação de flúor, obras de melho- Projeto Aprender para viver melhor – Pa- rias nas instalações, construção de área de lestras nas áreas de Saúde, Meio Ambiente lazer e uma brinquedoteca, eventos sociais, e Serviço Social levam informações que doações de alimentos, produtos de higiene melhoram a qualidade de vida dos mora- 40 e limpeza, fraldas, remédios, brinquedos, dores das comunidades vizinhas da FMC entre outras,nas seguintes Instituições: Technologies, do Rio e Macaé.
  • 43. FMC Technologies do BrasilDivulgação FMC TechnologiesGeração de Renda dores das comunidades vizinhas da FMC Artesanato – Proporciona formação pro- Technologies, do Rio e Macaé.fissional que gera renda aos moradores dasComunidades vizinhas da FMC Technolo- Projeto Aprender para Crescer – volun-gies, do Rio e Macaé. Na confecção dos pro- tários da FMC Technologies ministramdutos, a ênfase é no uso de matéria prima aulas de reforço escolar para as criançasreciclável, como PET, papel e retalho. e adolescentes da comunidade Phídias Távora (Ensino Fundamental e Médio).Educação Estas crianças participam do ConcursoCursos de Alfabetização e Ensino Funda- Jovem Aprendiz da FMC Technologies,mental para jovens e adultos – o programa, em parceria com o Senai. Ocupar o tempoem parceria com o SESI, ensina moradores livre com atividades educativas diminui ada comunidade Phídias Távora, localizada no possibilidade de que os jovens se envolvamentorno da matriz, a ler e escrever, contribuin- em situações de risco social.do para o exercício da cidadania e a inserçãono mercado de trabalho. Biblioteca – aulas para promover o incentivo à leitura em toda a comunidade, principal-Curso Preparatório para o Exame Nacional mente entre as crianças. Os livros foramde Ensino Médio – ENEM para jovens e doados pelos voluntários da FMC Tech-adultos, em parceria com o SESI. nologies.Projeto Aprender para viver melhor – Pa- Curso Pequenos Empreendedores – pensan-lestras nas áreas de Saúde, Meio Ambiente do nos Jogos Olímpicos de 2016 e na escolhae Serviço Social levam informações que do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 41melhoram a qualidade de vida dos mora- 2014, fizemos uma parceria com o SESI para
  • 44. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação FMC Technologies Visita dos altos executivos da FMC ao Centro de Integração Social da FMC,na Comunidade Phídias Távora – Pavuna ministrar cursos para pequenos empreen- dedores que visam promover treinamentos profissionais, para fazer com que os nossos Divulgação FMC Technologies alunos atendam mais rapidamente às deman- das por mão de obra no mercado. Já ministramos cursos de atendimento ao cliente, recepcionista, inglês básico e intermediário, porteiro, camareira, culinária (bolos e confeitagem), linguagem de sinais (LIBRAS) e Oficinas de Artesanato. Cultura Saúde Projeto Violões Encantados – aulas de vio- Projeto Vida Saudável – Palestras e consul- lão para despertar o interesse pela música tas com uma nutricionista. A consulta busca e desenvolver habilidades para tocar um fornecer um plano alimentar que atenda instrumento. às necessidades de energia (calorias), proteínas, vitaminas e minerais, adequado à Projeto Canto do Colibri – formação de um realidade e idade dos moradores. coral com as crianças da Comunidade. Oferecemos também para esses alunos, Projeto Gestando Vidas – Encontros de que estão cursando o Ensino Fundamental e orientação para mães grávidas. Workshops Médio, aulas de reforço escolar, ministração 42 com psicólogos, nutricionistas, pediatras, de palestras e passeios culturas. Já fizemos dentistas, clínicos gerais, etc. diversas apresentações na FMC Technologies
  • 45. FMC Technologies do Brasile uma na Rio Oil & Gas 2010. Devido ao êxitoda anterior, estamos planejando repetir esta “Um colaborador que se envolve eação agora na Rio Oil & Gas 2012. melhora a vida de outras pessoas,Donativos movido somente pela vontade deProjeto Colibri – “Estamos apenas fazen- fazer o bem, é capaz de realizardo nossa parte” – recebemos doações denossos voluntários para distribuir em insti- ainda mais no seu trabalho”.tuições carentes no Rio e Macaé. A ideia é Nádia Pinto, gerente de Responsabilidade Socialmostrar na prática que quando cada um faza sua parte, por menor que pareça, os re-sultados são enormes. A FMC Technologies • Programa de Ambientação – apresenta-incentiva dobrando as doações. ções sobre nossas atividades dos projetos sociais e a oportunidade para os novosOutras Atividades de colaboradores da FMC TechnologiesProjetos Sociais visitarem o Centro de Integração Social da(Rio /Macaé) FMC Technologies na Comunidade Phídias• Campanha para apoiar vítimas de desas- Távora, em Pavuna. tres climáticos.• Campanha de doação de brinquedos e Reconhecimentos roupas no Natal e no Dia das Crianças, Reconhecimento pelo Departamento atendendo um total de 1500 crianças de Educação, Município de Caxias e por ano. Macaé, da participação da FMC Technolo-• Eventos: Dia Internacional da Mulher, Dia gies Technologies em atividades educa- das Mães, Dia dos Pais patrocinados pela cionais nas unidades de ensino, principal- FMC Technologies, a todos os colaborado- mente aos programas de inclusão social res, prestadores de serviços e moradores para crianças em risco, com trabalhos das comunidades vizinhas. de responsabilidade social e consciência• Evento Cozinha Brasil – mostrando de cidadania. alternativas de alimentos saudáveis, em Se hoje a FMC Technologies realiza parceira com a FIRJAN. tantos projetos de Responsabilidade Social,• Campanha “Mc Dia Feliz” com doações que fazem a diferença na vida de milhares para apoiar o Instituto Ronald McDonald’s de pessoas, isso só é possível devido ao que cuida de crianças com câncer. envolvimento de cada colaborador. 43
  • 46. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação G-COMEX g-comex www.gcomex.com.br Atividade: Desenvolvimento de soluções logísticas e recursos humanos para o mercado de energia Fundação: Dezembro de 2003 Colaboradores: 1182 Receita líquida: R$ 45,8 milhões Principais projetos em sustentabilidade: Atividades desenvolvidas no Bairro do Caju a partir da instalação da G-COMEX BASE OFFSHORE Divulgação G-COMEX 44
  • 47. G-COMEX RESPONSABILIDADE SOCIAL NA G-COMEX ÓLEO & GÁSC riado em 2003, o Grupo processo operacional, capaz de fazer a real G-COMEX Óleo & Gás é genuina- diferença no resultado de um projeto. mente brasileiro, especializado Em 2006 é criada a HR Oil com foco em no desenvolvimento de soluções recrutamento, seleção e terceirização de logísticas e recursos humanos mão de obra técnica. para o mercado de energia. Em 2010 é lançada nova empresa do O grupo vem contribuindo em diversos GRUPO ao mercado de óleo & gás.projetos de E&P e EPC, na busca por soluções G-COMEX Base Offshore. Com estruturaque permitam aos seus clientes manterem-se própria, operando na região portuária do Riofocados em seus negócios. Para a G-COMEX de Janeiro em área de 20.000 m2, forneceLogística não é um conceito amplo, sem total apoio portuário e cumpre alto padrão dedefinição, mas uma parcela importante do QSMS exigido pela indústria de O&G.PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO GRUPO G-COMEX ÓLEO & GÁSMissão radores em nossas operações;• Desenvolver serviços críveis e seguros para • Mitigar impactos ambientais através o mercado global de energia, que mantenham da escolha de nossos fornecedores e nossos clientes focados em seus negócios. parceiros comerciais, serviços e ope-• Garantir práticas sustentáveis em nossas rela- rações; ções pessoais, institucionais e operacionais. • Transparência nas relações comerciais e institucionais;Visão • Incentivar desenvolvimento dos nos-• Ser referência no mercado de óleo & gás sos colaboradores, pessoal e profis- brasileiro pelas soluções sustentáveis e sionalmente. diferenciadas, para clientes, acionistas, sociedade e meio ambiente. Melhoria contínua de processos • O grupo está inserido em um mercadoValores absolutamente exigente em seus pa- 45• Segurança e a saúde de todos os colabo- drões de qualidade.
  • 48. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação G-COMEX Instalações G-COMEX BASE OFFSHORE, localizada na área portuária do Rio de Janeiro Em 2009, a G-COMEX obteve a certifi- mento da campanha “Segurança: Ideia Fixa cação do seu sistema de gestão integrado G-COMEX”, que tem como objetivo reduzir baseado nas NBR ISO 9001: 2008; ISO ao máximo os indicadores: TFSA (Taxa de 14001:2004 e OHSAS 18001:2007 através da Frequência de Acidentes SEM Afastamento), entidade certificadora Bureau Veritas. Em TFCA (Taxa de Frequência de Acidentes 2012 os certificados foram reconhecidos COM Afastamento) e TOR (Taxa de Ocor- internacionalmente. rências Registráveis); através do compro- metimento de toda a força de trabalho com Programa G-COMEX os objetivos de SMS estabelecidos pela Ecoeficiente G-COMEX e seus clientes. Esta campanha O Programa contempla o uso consciente de se estende além da Base no RJ: recursos naturais, Há um cronograma intenso de treinamen- redução das emis- tos aplicados pela Equipe de SMS a todos sões de carbono e os projetos nos diversos Estados onde há cuidados pessoais atuação do GRUPO G-COMEX ÓLEO & GÁS. e interpessoais nas relações de trabalho e além delas, para colaboradores e stakeholders. Comprometimento com o pacto Pequenas ações contribuem de forma sig- global das Nações Unidas nificante para as futuras gerações, pois mudam Conscientes do papel na sociedade onde hábitos e geram uma consciência sustentável. atua e em relação ao meio ambiente, em 2008, o Grupo G-COMEX aderiu ao Pacto Segurança: Ideia Fixa Global das Nações Unidas: acordo volun- G-COMEX tário pelo qual empresas de todo o mundo A retroárea privada na região portuária do se comprometem com os dez princípios Rio de Janeiro - relativos a direitos humanos, condições de G-COMEX Base trabalho, meio ambiente e ética. 46 Offshore motivou É parte da filosofia de trabalho da G-CO- o desenvolvi- MEX influir em toda a cadeia produtiva que
  • 49. G-COMEXintegra, para que seus clientes e parceiros José Gouveia Freire, sendo adquirida pelaadotem e pratiquem os Princípios do Pacto Família Real para os banhos medicinais deGlobal em suas atividades. D. João VI, prescritos para o tratamento de feridas ocasionadas por carrapatos. ADiagnóstico socioambiental do Quinta onde o Rei tomava banho encontra-bairro Caju, no Rio de Janeiro -se preservada, sendo hoje chamada “Casa A partir do projeto de construção de insta- de Banhos de D. João VI”; abriga atualmen-lação da retroárea primária na região portuária te o Museu da Comlurb – Companhia Muni-do Rio de Janeiro, G-COMEX Base Offshore, cipal de Limpeza Urbana, constituindo‐secomeça a desenvolver seus princípios de rela- um dos singulares espaços históricos dacionamento com o público externo, no caso em cidade do Rio de Janeiro. A região tornou‐referência, a comunidade do Caju. se o primeiro local de banhos de mar do Em junho de 2010 foi concluído relatório Rio de Janeiro, sendo frequentado por todafinal em atendimento ao contrato entre a a Família Real, até D. Pedro II.G-COMEX Óleo & Gás Ltda e o Instituto Baía A região do atual bairro do Caju prolonga-de Guanabara com o objetivo de realizar um va‐se desde o Mangue de São Diogo (área doDiagnóstico Sócio Ambiental do entorno das atual Gasômetro ‐ sede da CEG – Companhiainstalações da G-COMEX Base Offshore no Estadual de Gás), passando pela antiga PraiaBairro do Caju, no Rio de Janeiro. de São Cristóvão (atual Rua São Cristóvão, No diagnóstico foram relatados as Praça Pe. Seve, Rua da Igrejinha, Rua Monse-pesquisas bibliográficas e os trabalhos de nhor Manuel Gomes), até a Praia do Caju (quecampo executados através de parceria com passava por toda a extensão da Rua Monse-a empresa Katu Gente e Ambiente. nhor Manuel Gomes ‐ “Rua dos Cemitérios”). Após identificação e contatos com as Segundo o cronista C. J. Dunlop: “Era umaprincipais lideranças comunitárias e represen- região belíssima, de praias com areias bran-tantes de instituições de atuação local foram quinhas e água cristalina, onde não era rara arealizados encontros com objetivo de discutir visão do fundo da Baía, tendo como habitantesos problemas e necessidades do bairro. comuns os camarões, cavalos‐marinhos, Este Diagnóstico propiciou permanente sardinhas, e até mesmo baleias.”canal de comunicação entre a comunidade Atualmente, o “Bairro do Caju” é ume a empresa e gerou o Programa G-COMEX complexo formado por nove comunidades:Ecoeficiente, tendo em vista as metas de Parque Alegria, Parque Vitória, Parqueações sociais desenvolvidas junto à comuni- Boa Esperança, Clemente Ferreira, Ladeiradade do Caju. dos Funcionários, Parque São Sebastião, O foco das ações realizadas pela Parque Conquista, Nossa Senhora da PenhaG-COMEX é a melhoria da qualidade de vida e Quinta do Caju.local através do dialogo, empoderamento da A população do complexo, segundo mo-comunidade e investimento no Caju. radores, está atualmente em torno de 35 mil habitantes. Os dados do último censo, queO bairro do Caju, passado e somam 25.000 habitantes, estão defasadospresente. em quase 10 anos. Esta localidade foi primeiramente A Firjan ‐ Federação das Indústrias 47habitada pelo rico comerciante português do Estado do Rio de Janeiro, através do Pro-
  • 50. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis grama de Interação Empresa Comunidade maior que demais comunidades do Caju. No para o Desenvolvimento Local, realizou em extremo oposto está a comunidade Parque 2002 uma pesquisa socioeconômica das co- Boa Esperança, com 45% de sua população munidades de baixa renda do Caju. Segundo na linha de pobreza (bem acima da média das a Firjan “o Caju foi escolhido, dentre outros comunidades de baixa renda do RJ ‐ 38,5%), bairros, principalmente pelo baixo IDH”. e as comunidades Parque Conquista e Par- Nessa pesquisa, constata‐se que o que Nossa Senhora da Penha, que apresen- bairro do Caju situa‐se em uma posição tam os maiores índices de indigência (renda intermediária, quando comparado com os domiciliar per capita abaixo dos custos de indicadores sociais do município do Rio de uma cesta básica alimentar que contem- Janeiro como um todo e com os das demais ple as necessidades de consumo calórico comunidades de baixa renda do município. mínimo de um indivíduo). A linha de pobreza Ou seja, ainda que não apresente indica- é convencionada como sendo o dobro desse dores sociais equivalentes aos bairros de patamar. Ainda assim, a desigualdade social classe média, encontra‐se significativa- no bairro do Caju é consideravelmente menor mente acima da média, se comparado com em relação às demais comunidades de baixa as áreas reconhecidas como favelas. Essa renda do Rio de Janeiro. O Coeficiente de questão pode ser observada fisicamente. Gini, medida adotada internacionalmente na A pesquisa da Firjan nos informa que mais aferição da distribuição de renda, varia de 0 de 88% dos imóveis no Caju estão constru- a 1, sendo maior a desigualdade quanto mais ídos em áreas planas ou aterros, e apenas próximo de 1. No Caju, este índice é 0,39%, 10% em encostas, o que já afasta o bairro enquanto a média das comunidades de baixa da típica geografia do “morro favelizado”. renda no RJ é 0,45%. Praticamente todos os domicílios têm for- A pesquisa da Firjan coletou infor- necimento de energia elétrica e água, com o mações sobre a opinião e a avaliação dos esgoto sendo direcionado para a rede geral moradores quanto aos principais proble- em mais de 96% dos casos. mas existentes na comunidade no que se Mais de 70% das moradias situam‐se refere aos serviços públicos, infraestrutura em vias consideradas bem iluminadas e segurança. Algumas dessas informações e pavimentadas, e o acesso por carro é seguem adiante: possível em torno de 60% delas. Os indica- Percepção quanto às condições de vida dores referentes à escolaridade, população – Qual o problema principal da sua comu- economicamente ativa e renda reiteram essa nidade? Essa pergunta, feita aos chefes de tendência. É uma ocupação consolidada: família ou cônjuges, chegou aos seguintes mais de 45% das pessoas vivem no bairro resultados: há mais de dez anos, mais de 75% há mais 1. Delinqüência/Violência (31,0%) de três anos, e, mais de 96% das residências 2. Esgoto entupido (16,0%) são construídas com alvenaria/tijolo. Dentre 3. Infra‐estrutura (12,7%) – Diretamente as nove comunidades do bairro do Caju, a relacionada à anterior. Quinta destaca‐se visivelmente, em especial 4. Más companhias dos filhos (3,27%) – na taxa de desemprego - que é menor que Diretamente relacionada à primeira. 48 a média da Região Metropolitana do Rio de Curiosamente, 22,0% manifestam não ve- Janeiro - e na renda, consideravelmente rem problema algum nas comunidades do Caju.
  • 51. G-COMEXPrincipais Associações comunitárias exis- dores, aqui apontadas como relativamentetentes e suas reivindicações – A pesquisa desconhecidas,mas importantes vetores derealizada pela Firjan, ao investigar aspectos melhorias comunitárias.de associativismo, constatou que apenas 2,0% Durante os trabalhos de campo realiza-dos moradores são sindicalizados, 10,6% dos, verificou‐se que dentre as Associaçõesdeclaram‐se filiados às associações de bairro de Moradores destaca‐se, amplamente, a(formalmente, há uma delas em cada comu- Associação de Mulheres do bairro Caju.nidade) e 8,9% colaboram com a igreja e/ou Sua presidenta, Iraydes Pinheiro Henriques,movimentos religiosos. Somente os mesmos 68 anos, há vinte anos atua na Associação10,6% declaram conhecer as atividades de de Instituto Baía de Guanabara – IBG Katusua respectiva Associação de Moradores. A Gente. Mulheres do Caju, é representante daatuação dessas instituições, porém, foi consi- Unicef e participante da Pastoral da Criança.derada boa ou muito boa por 47,7% dos mo- A Associação desenvolve um projeto naradores, enquanto 29,7% as avaliaram como área de DST/AIDS e outro em parceria comregular, restando 21,5% com avaliação ruim a Pastoral da Criança.ou muito ruim. As avaliações das associações Outra instituição de destaque é a Crechedas comunidades da Ladeira dos Funcioná- da Quinta, que tem como diretora a srª Anarios, Parque São Sebastião e Vila Clemente Maria Gomes da C. Pereira. A Creche surgiuFerreira destacam‐se negativamente, com com a implantação do Programa Favelaapenas 41,2% Boa e 33,4% Ruim, enquanto Bairro, em 1999 (como condicionante doa associação da Quinta do Caju é a melhor Banco Mundial). Atualmente a creche contaavaliada, com 62,9% Boa e 15,1% Ruim. com 92 crianças. Desenvolve um projeto As condições de vida, nos últimos anos, denominado Dente Escola, juntamente commelhoraram para 54,6% dos moradores profissionais de um posto de saúde próximo.entrevistados, enquanto 36,3% não perce- Destacam‐se, ainda, a Associação deberam mudanças, e apenas 8,7% apontam Moradores da Quinta do Caju e a Casapiora. Ainda que a pesquisa tenha sido de Banho de D. João VI, atual Museu darealizada em 2002, há poucas evidências de Comlurb. Dentre as escolas destacam‐seque esses resultados sejam hoje, significa- duas de 1º ao 5º ano (Escola Municipaltivamente distintos. O interessante nesse Esperidião Rosa ‐ Diretora Cristina e Escolaaspecto é quando os entrevistados são Municipal Laura Sylvia ‐ Diretora Rita) econsultados quanto ao motivo dessas me- outra de 6º ao 9º ano (E.M. Mascarenhaslhorias: 72,2% as relacionam a investimen- de Moraes). Há, também, o CIEP 01.01.501,tos governamentais e 24,8% ao empenho cujo nome homenageia o cartunista Henfil.dos moradores e das associações (vale A E.M.Mascarenhas de Moraes faz partefrisar que ambos os motivos causam, entre do projeto Escola do Amanhã, adotado pelasi, interferências mútuas). Índices ínfimos prefeitura para escolas em zona de conflito.são relacionados aos apoios de entidades Destaque‐se, ainda, a existência do Clubereligiosas (0,7%), empresas privadas e Social e da Cooperativa dos Pescadores (noONGs, ambos com percentuais de 0,1%, o momento, inativa).que aponta para um amplo espaço a ser Dentre as principais reivindicações dasocupado por essas instituições, inclusive no associações de moradores, estão: o apoio a 49apoio à atuação das Associações de Mora- vários projetos de desenvolvimento comu-
  • 52. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Complexo do Caju • em situação de risco social em torno do Em vermelho – presença ostensiva do tráfico de drogas esporte e ações de cidadania). Em verde – sem presença do tráfico • Projeto DST/AIDS Associação de Mulhe- res do Caju. Parque Alegria Parque Conquista • Projeto em parceria com a Pastoral da Criança (Associação de Mulheres do Caju). • Projeto Dente Escola (Creche da Quin- Parque Esperança Avenida Brasil ta, em parceria com um posto de saúde próximo). Com a mudança do governo Rua Carlos Seidl municipal, o projeto está atualmente Parque Sebastião Parque Clemente fragilizado. • Instituto Baía de Guanabara – IBG Katu Gente e Ambiente Diagnóstico sócio Am- biental Sucinto do Bairro do Caju Ladeira dos Funcionários • O Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro, que no passado desenvolveu cursos pro- Quinta Parque N. Sra do Caju da Penha fissionalizantes direcionados aos jovens da região, mostrou‐se muito interessado em recuperar projeto nesse sentido, a nitário, o suporte direto às suas próprias partir de uma parceria com a G‐COMEX. condições operacionais e o suporte político‐ institucional, principalmente nas relações Levantamento das necessidades com o poder público. do bairro Informações fornecidas pelos moradores Foi desenvolvida uma sistemática de possibilitaram a confecção do mapa abaixo, diálogo com a comunidade em parceria com onde são situados as principais áreas do trá- o Instituto Baía de Guanabara (I.B.G.) e a fico de drogas na região (ver gráfico acima). Katu Gente & Ambiente, com o objetivo de Principais programas governamentais, e abrir um canal regular entre a empresa e os outras iniciativas de apoio à comunidade, já representantes comunitários. existentes: A mobilização para os encontros se faz • Projeto ESCOLA DO AMANHÃ, executado a partir de visitas às lideranças mapeadas: pela Prefeitura do Rio de Janeiro em es- • Associação de Mulheres do bairro Caju. colas localizadas em zona de conflito. No • Creche da Quinta bairro, é realizado na E.M. Mascarenhas • Associação de Moradores da Quinta do Caju de Moraes (6º ao 9º ano). • Casa de Banho de D. João VI, atual Museu • Centro de Promoção da Saúde – CE- da Comlurb. DAPS – Rio de Janeiro. O CEDAPS é uma • Projeto ESCOLA DO AMANHÃ OSCIP (Organização da Sociedade Civil • Escola Municipal Esperidião Rosa de Interesse Público) que criou a Rede de • Escola Municipal Laura Sylvia Comunidades Saudáveis do RJ. • CIEP • Fundação Gol de Letra (fundada por Raí • Cooperativa dos Pescadores 50 e Leonardo, jogadores de futebol, motiva • Centro de Promoção da Saúde – CEDAPS as crianças • Fundação Gol de Letra
  • 53. G-COMEX• Associação de Mulheres do Caju). As ideias que aparecem com maiores• Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro destaques são: Foi desenvolvido um plano de comuni- • Geração de oportunidades de emprego,cação com foco em divulgação do encontro associada ou não a cursos de qualifica-promovido pela G-COMEX BASE OFFSHO- ção profissional, com aproveitamento noRE em locais estratégicos do bairro para quadro funcional da empresa.formação dos grupos. • O lazer da comunidade aparece, com a sugestão de promoção de eventos naMetodologia para integração praça, ou a adoção de espaço voltado acom a comunidade do Caju este fim. Foi lembrada a necessidade de A metodologia consiste em apontar 6 projetos voltados à faixa etária a partirações com possibilidade de realização por de 6 anos, e a contribuição no apoiouma empresa ao se estabelecer no bairro do pedagógico (aulas de reforço, cursosCaju para favorecimento do desenvolvimen- pré-vestibular, e, mais uma vez, cursosto comunitário. profissionalizantes). Os coordenadores conduzem o trabalho Seguem demais ideias apontadas:para estimularem propostas relacionadas a • Reconhecimento e o apoio às açõesesfera pública e privada. A partir da dinâ- educacionais/sociais já atuantes no bairromica de formação de duplas de trabalho é (sugestão de representantes da Fundaçãogerado brainstorming. Na etapa seguinte, as Gol de Letra);ideias são trabalhadas em grupos e é reali- • Investimento na formação de um Comitêzada análise criteriosa para cada sugestão Empresarial para a promoção de investi-integrante da lista geral consolidada. São mentos públicos no bairro do Caju.selecionadas 6 ideias finalistas. • Desenvolver programas voltados ao As seis ideias são organizadas no esporte, lazer e à articulação comunitária,formato de dois triângulos invertidos, que aproximem diferentes faixas etáriasonde o vértice superior seria ocupado e os moradores das diferentes comuni-pela ideia mais destacada, na segunda dades. Há “fronteiras invisíveis” entre aslinha seriam listadas duas outras, com comunidades, que podem e devem sera mesma ordem de importância entre si, superadas por ações positivas, tambémformando o triângulo superior, composto em parceria com instituições locais e opor cartelas verdes. O triângulo inferior, poder público.com cartelas amarelas, foi formado ini- • Estruturação de um Comitê Empresarialcialmente pela terceira linha, com outras para o desenvolvimento local. Esta inicia-duas ideias, com relevância abaixo das tiva encontra ressonância no projeto desituadas acima, mas também com o mes- revitalização da zona portuária, desen-mo valor entre si. Por último, no vértice volvido pela Prefeitura do Rio de Janeiro,inferior, está a ideia considerada menos no qual a G-COMEX se insere desde orelevante entre as seis. planejamento de sua instalação no bairro A análise dos triângulos revelam muito do Caju. Este comitê visa agregar solidezsobre as expectativas dos líderes comuni- à associações de moradores do bairro.tários com relação à vinda de uma empresa • Manutenção e ampliação do diálogo per- 51com o porte e perfil da G‐COMEX. manente com a rede de atores locais, com
  • 54. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis sugestões de procedimentos voltados à Iniciativas desenvolvidas pela organização e ao fortalecimento das asso- G-COMEX para apoio à ciações locais assim como de melhorias comunidade do Caju para os moradores. Nesse sentido, a Fun- Integração com a Escola Marechal dação Gol de Letra se apresenta como óti- Espiridião Rosas, localizada no Arse- mo parceiro potencial, com forte inserção nal de Guerra do RJ: participação em local, princípios e metodologias coerentes atividades educacionais e recreativas e boa estrutura física local. Uma iniciativa (concepção da “Exposição Fundo do que merece ser apoiada. Outro parceiro Mar”, doação de premiação na colônia de potencial é a Casa de Banho (Museu da férias, realização de palestras de educa- Comlurb), que mostra-se interessado no ção ambiental); desenvolvimento de projetos comuns com Estruturação de um programa de qua- a G-COMEX. lificação profissionalizante direcionado à Nos triângulos inferiores surgiram, formação de um contingente de mão de obra ainda, ideias relativas à atuação do poder local apto a assumir funções nos quadros da público (asfaltamento, iluminação, saúde, empresa, ou em outros empreendimentos esporte e lazer, trânsito etc), buscando comerciais/industriais. 25% da força de tra- apoio das iniciativas já existentes. balho existente na Base de Apoio G-COMEX A receptividade demonstrada por estes são de Comunidades do entorno. atores à proposta de diálogo por parte da Os princípios sustentáveis, já adotados G-COMEX demonstra a viabilidade da ideia. pela G-COMEX para profissionais e clientes Além disso, as potencialidades, a história, - intra-muros - suscitou um Programa de Vi- as peculiaridades e os problemas do bairro sitação Dirigida, voltado à formação de multi- do Caju mostram-se instigantes a uma plicadores. Para tanto, foi elaborado um vídeo iniciativa deste tipo. de segurança institucional da G-COMEX para veiculação na entrada da Base. O vídeo visa Avaliação dos resultados e transmitir conceito aos os colaboradores e impactos alcançados para a visitantes sobre a prevenção de acidentes sociedade e para a empresa como responsabilidade de todos. • Contratação de mão de obra local: 9 Incentivo aos funcionários para que cui- pessoas da comunidade do Caju (postos dem dos espaços de trabalho. Essa sugestão de trabalho); converge para o Programa G-COMEX Eco- • Atividades educacionais e recreacionais – eficiente estimulando medidas sustentáveis 285 crianças do ensino básico e funda- para o uso consciente da água e energia, mental atendidas; precauções quanto a emissão de carbono e • Resíduos Sólidos – ao longo de 3 anos, atitudes sustentáveis. cerca de 9,6 T de resíduos foram enca- G-COMEX tem uma parceria com a Coo- minhadas para reciclagem e, além da perativa ONG Guardiões do Mar, através do G-COMEX, 26 empresas aderiram a esse Projeto CataSonhos, que tem como principal Programa. 147 famílias foram atendidas objetivo o fortalecimento da atividade de co- através da geração de renda dos cata- leta e comercialização (em rede) de material 52 dores da Cooperativa Guardiões do Mar, reciclável e de óleo vegetal usado, promoven- Projeto CataSonhos. do a melhoria de qualidade de vida para 160
  • 55. catadores(as) e ainda melhoria de qualidadeambiental e estética da região atendida. AG-COMEX compartilha a ideia que lixo e ma-terial reciclável são coisas diferentes. A correta separação e doação para umcatador ou cooperativa faz diferença entregerar emprego e renda ou poluir o ambiente.Lições aprendidas É vital a manutenção do diálogo per-manente com a rede de atores locais nos Divulgação G-COMEXempreendimentos do GRUPO G-COMEX. O Estudo para Diagnóstico SócioAmbiental do entorno das instalações daG-COMEX BASE OFFSHORE, tem sidopreponderante para o direcionamento doInvestimento Social no Bairro do Caju. Atividade Educacional realizada na Escola Marechal Espiridião Rosas Demais bases de operações coordena- está articulando um Projeto para Valorizaçãodas pelo GRUPO demandarão estudos de da Matemática que visa: fortalecer o ensinoacordo com distintas localizações geográfi- da matemática; motivar crianças e adoles-cas e temas a serem priorizados. centes para a importância da matéria, de for- Hoje temos maior entendimento sobre a ma a contribuir para formação de geraçõesimportância em integrar um sistema coopera- futuras; formar futuros profissionais eficien-tivo entre empresas e atores locais da região tes, de forma a qualificar o setor de P&G.onde atuamos, como forma de aumentar a O “não gostar” e o insucesso com ma-abrangência de ações junto às comunidades. temática nos primeiros anos da escola são fatores inibidores da escolha de carreiras naPróximos passos área de ciências. O fascínio da matemática Por estarmos inseridos no mercado de como linguagem universal, após vencidasfornecimento de mão de obra, através da as resistências, pode aflorar e impulsionar aHR OIL, a G-COMEX entende a importância vocação de crianças e adolescentes.de investir e incentivar ações voltadas ao Desta forma, a G-COMEX está buscandodesenvolvimento de pessoas. articulação com a rede de atores locais no Atualmente, há uma excessiva valorização Caju, para estruturação de um programa pilotoda área de humanas frente às ciências exatas. de apoio pedagógico ao ensino fundamental,São formados engenheiros muito aquém das que consistem em aulas de reforço escolar enecessidades do país, acarretando em gargalo iniciativas para a qualificação dos professores.de capacitação de mão de obra para toda a GRUPO G-COMEX ÓLEO & GÁS buscacadeia produtiva do setor de petróleo e gás, projetos sócio ambientais que mobilizem seusrepresentando um desafio para a sociedade. elementos estratégicos: recursos, produtos e Considerando que a faixa dos 10 aos 17 as operações. Considera que educação, mate-anos é crucial para a inserção dos jovens no mática, engenharia, petróleo, gerações futuras 53mercado de trabalho, a G-COMEX Óleo & Gás fazem parte da mesma equação.
  • 56. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Ipiranga Ipiranga Produtos de Petróleo www.ipiranga.com.br Atividade: Distribuição de combustíveis Fundação: 1937 Colaboradores: 2.200 Receita líquida: R$ 42,2 bi Principal projeto em sustentabilidade: Posto Ecoeficiente Ipiranga 54 Ipiranga
  • 57. Ipiranga Produtos de Petróleo apaixonados por inovaçãoH á mais de 70 anos no mercado. A década de 60 marcou o cres- segmento de distribuição de cimento e a consolidação da empresa e da combustíveis, a Ipiranga tem marca Ipiranga. uma história de pioneirismo Em outubro de 1973, sem aviso prévio, que começou em 1937, com a Organização dos Países Exportadores de uma pequena refinaria de Petróleo (OPEP) elevou em mais de 300% opetróleo, e hoje se confunde com a história preço do barril de petróleo, causando temo-do desenvolvimento do país. res generalizados quanto ao abastecimento A empresa já enfrentou uma Guerra de combustíveis e fragilizando as economiasMundial, mudanças na política econômica, brasileira e mundial. Antecipando-se àsfalta de matéria-prima e acirradas dispu- imposições do cenário macroeconômico, atas com multinacionais. Na década de 40, Ipiranga vinha aos poucos redimensionan-em função da 2ª Grande Guerra, chegou do suas áreas de atuação e abrindo novasa paralisar suas atividades, realizando frentes de mercado: hotéis, couro, agrope-apenas serviços de manutenção. Com as cuária, pescados e transportes eram algunsmedidas restritivas impostas pela guerra, dos novos negócios do grupo, que chegarama sobrevivência da Ipiranga dependia de a concentrar mais de 30 empresas, emboraprovidências rápidas e inovadoras: para o grande investimento continuasse a ser nadriblar a proibição da importação de sol- indústria petroquímica.ventes, tornou-se sua própria fornecedora, A década de 90 trouxe novos desafios.criando a primeira unidade para fabricação O avanço da globalização aguçou a con-do produto no país. corrência e aprofundou as exigências de Nos pós-guerra o Brasil ainda era um competitividade na economia mundial.país pouco urbanizado, a indústria engati- A Ipiranga repensou sua estratégia denhava e o mercado de derivados de petróleo diversificação, preparando-se para acelerarera modesto. A Ipiranga continuou acre- seu crescimento. Em outubro de 1993,ditando no futuro e investindo em inova- surpreendendo mais uma vez, compra ação: ainda na década de 40, foi a primeira Atlantic. Depois da aquisição da Gulf, nosempresa a produzir asfalto no Brasil. anos 50, esta foi mais uma iniciativa arro- Na década de 50 a Ipiranga comprou jada de uma empresa que sempre soube se 55a Gulf Oil Corporation, surpreendendo o transformar e evoluir com os tempos.
  • 58. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis No ano de 2007, a Ipiranga passou a formas de se preservar os recursos naturais integrar a Ultrapar, um dos maiores con- do planeta, a empresa inova mais uma vez glomerados privados do Brasil. A marca com o Posto Ecoeficiente Ipiranga. Ipiranga, sinônimo de inovação e qualidade, tornou-se ainda mais forte. Em 2008 o A rede de postos Grupo Ultra realizou novas aquisições. Com Para manter a a compra da Texaco, a Ipiranga expandiu sua Como manter identidade de rede em 2.000 postos de combustíveis, tota- o padrão de toda essa rede de lizando, desde então, mais de 6.000 postos. uma rede de postos e franquias É presença em todo o território nacional. postos a Ipiranga conta Atualmente, a Ipiranga é a maior empresa com uma equipe de privada do segmento de distribuição de com- engenharia, arquitetura e design de mais de bustíveis no Brasil e a segunda entre todas as 80 profissionais. Uma parte dessa equipe distribuidoras. Seus postos buscam atender desenvolve projetos padrões que servem de às necessidades diárias do público consumi- referência para a implantação e manutenção dor, oferecendo de combustíveis e lubrifican- da rede. Outra parte maior atua diretamente tes a produtos de conveniência. São mais de nas obras, com uma média de 200 obras por 1.000 lojas AM/PM e mais de 700 unidades ano, entre reformas e obras novas. Jet Oil, de serviços automotivos especiali- O foco dos projetos de referência era, zados, instalados em postos Ipiranga. Com até então, manter um padrão arquitetônico vocação para o varejo, a marca se diferencia no que se refere a dimensionamento dos pela diversificação de produtos e serviços. espaços, fluxo de carros na pista de abaste- Em 2011, a Ipiranga registrou volume de cimento e de pessoas dentro das franquias, vendas de 21,7 milhões de metros cúbicos de assim como garantir um padrão de qualida- combustível, 8% acima do volume vendido em de das obras e a correta aplicação da ima- 2010. A receita líquida da empresa foi de R$ gem Ipiranga e sua relação com o público. 42,2 bilhões, o que representa um aumento de 16% em relação ao ano anterior. O quadro Potencial para repensar de colaboradores completo da Ipiranga conta Diante dessa estrutu- com mais de 2.200 profissionais. Quais eram as ra, em 2007, criou-se A história da Ipiranga traz inúmeros preocupações uma equipe multidis- exemplos de pioneirismo e de compromisso do projeto pa- ciplinar formada por com o futuro, porque a inovação faz parte drão e o que se profissionais da Co- do DNA da empresa e permeia sua cultura ordenadoria de Enge- ganhou com o corporativa. A marca compartilha com o nharia e Arquitetura novo projeto Grupo Ultra o propósito de se desenvol- e Coordenadoria de ver com sustentabilidade, apoiando suas Segurança e Meio Ambiente da Ipiranga, que práticas de responsabilidade social corpora- percebeu um grande potencial de melhoria tiva nos pilares Segurança, Meio Ambiente, nesses projetos. Qualquer pequena ação Pessoas, Produtos e Serviços e Cadeia de que fosse tomada teria um grande poder de Valor, tendo por base a Governança. multiplicação. 56 No momento em que o mundo discute Nesse momento, o foco foi ampliado: o desenvolvimento sustentável e novas deixou de ser apenas uma questão de fun-
  • 59. Ipiranga Produtos de Petróleocionalidade do espaço e passou a ser tam- gia, água, materiais, resíduos e preservaçãobém uma questão de desempenho. O “como do solo. Havia ainda uma premissa: viabi-é construído” e “como é operado” passou lidade técnica e econômica de cada ação,a ser levado em conta no desenvolvimento considerando a replicação em toda rede dedos projetos de referência. postos Ipiranga. Com o crescente surgimento de so- O objetivo era eleger soluções e implan-luções e tecnologias da construção civil, tá-las gradualmente em toda a rede de pos-voltadas para a preservação do meio am- tos e não desenhar e investir em apenas umbiente, por que não incluí-las aos projetos único e eventual “posto especial”. A equipedos postos? de desenvolvimento tinha a consciência de A equipe parou para REPENSAR a rotina que se tratava de um trabalho de desenvol-de projetos e obras e visualizou muitas vimento contínuo, onde novas e melhoressoluções que tornariam os postos mais soluções não deixariam de surgir.eficientes em consumo de energia, água,materiais, geração de resíduos e preserva- Desenvolvimento do projetoção do solo. O projeto foi desen- Além de melhorar o desempenho das O investimento volvido na sua maiorinstalações, os custos operacionais seriam e a aposta da parte por uma equi-reduzidos, tornando o negócio mais atraente. equipe Ipiran- pe técnica interna, A ideia era desafiadora: estabelecer ga no projeto. que investiu muitoo primeiro modelo de Posto de Abas- tempo em pesquisatecimento Ecoeficiente no país, capaz de soluções disponíveis no mercado quede expressar o compromisso da marca melhorassem o desempenho ambiental daIpiranga com o pioneirismo, a inovação e edificação, tanto na sua construção, comoo futuro do planeta. Pretendia-se criar e operação e depuração.implementar uma nova maneira de cons-truir e operar os postos de abastecimento, Cronologia de desenvolvimento do Projetoincorporando ao processo as tecnologias Posto Ecoeficiente Ipiranga:capazes de reduzir os impactos ambien- 2007 – Estudo de viabilidade; Projeto detais e colocando em prática os “quatro arquitetura e complementares; MemorialRs” da sustentabilidade: repensar, reduzir, descritivoreutilizar e reciclar. 2008 – Manual de Qualidade; Caderno de Diretrizes; Construção do posto pilotoObjetivos do projeto Caminho Verde Os objetivos do pro- 2009 – Inauguração posto piloto Caminho Preservação jeto foram estabele- Verde; Prêmio Nacional de Conservação e de recursos cidos e respeitados Uso Racional de Energia – PROCEL naturais, desde o início: tornar 2010 – Treinamento da equipe de engenha- viabilidade os postos de serviço ria e arquitetura; Campanha de eficiência mais eficientes no energética da iluminação junto aos Postos econômica e consumo de recursos Ipiranga multiplicação naturais, com foco 2011 – Workshops de conscientização e 57 na rede. nas gestões de ener- divulgação do Projeto Posto Ecoeficien-
  • 60. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis te Ipiranga a todos os revendedores e item foi preenchida uma ficha chamada “Es- operadores de Postos Ipiranga do Brasil; tudo de viabilidade”, apresentada a seguir. Segunda etapa da campanha de eficiência Esta padronização será útil também para a energética da iluminação junto aos Postos evolução do projeto ao longo dos anos, pois Ipiranga; Revisão do Manual de Operação, novas tecnologias estarão sempre surgindo. Manutenção e Emergências para inclusão Modelo da ficha de viabilidade: de informações sobre os Itens de Ecoefici- Item avaliado: Nome e descrição técnica ência; Campanha interna de multiplicação do item de ecoeficiência em questão, de Postos Ecoeficientes identificação do profissional responsável 2012 – Início do Projeto Posto Ecoeficiente II; pela avaliação, além da data de elaboração Treinamento para reciclagem da equipe do laudo. de engenharia e comercial; Campanha Onde poderá ser instalado: Descrição interna de multiplicação de Postos Ecoe- de como e em que parte da edificação ficientes ou pista de abastecimento o item seria Na etapa inicial, duas consultorias exter- instalado. nas foram contratadas para análise de de- Observações sobre os quesitos: sempenho térmico e luminoso da edificação • Financeiro: investimento inicial e desenvolvimento do Manual de Qualidade e custo operacional. e Meio Ambiente e do Caderno de Diretrizes • Ambiental: para canteiro de obra. Benefícios: como o item atua na preser- Foram dois anos de pesquisa e desen- vação de recursos naturais. volvimento. O primeiro passo foi listar todas Riscos: o item oferece algum risco ao as soluções conhecidas e buscar outras meio ambiente? Reutilização/reciclagem novidades no mercado, entre sistemas, no caso de depuração do posto. materiais e equipamentos, que pudessem Operacional: instalação, uso e manuten- tornar um posto mais eficiente em termos ção: descrição técnica e objetiva do fun- de consumo de energia, água, materiais, cionamento do sistema ou equipamento. geração de resíduos e preservação do solo. Replicabilidade de aplicação: Facilidade Daí nasceu uma lista de itens de ecoefi- de obtenção do material em todo o territó- ciência que, quando implantados, reduzem o rio nacional. impacto ambiental das instalações do posto Capacidade de adaptação na rede de de abastecimento, atuando diretamente na postos existentes. preservação dos recursos naturais. Conclusão: o recurso é viável ou inviável? O desenvolvimento seguiu as etapas: Referências: fontes de consulta utilizadas • Estudo de viabilidade dos itens de ecoefi- para a avaliação. ciência; O resultado da etapa do estudo de viabi- • Projeto padrão de arquitetura; lidade foi uma listagem definitiva de Itens de • Elaboração do Caderno de Diretrizes para Ecoeficiência. canteiro de obra; Com isso, as fichas preenchidas docu- • Construção do posto piloto. mentaram uma etapa importante do proces- No início do desenvolvimento do projeto so, e seu modelo continua sendo utilizado 58 a equipe definiu um método de avaliação para avaliação de novos itens que surgem dos itens que seriam adotados. Para cada ao longo do tempo.
  • 61. Ipiranga Produtos de PetróleoProjeto padrão de Incluir o res- valor agregado, quearquitetura e complementares dará um importante Diante da listagem dos Itens de Ecoefi- peito pelo meio passo rumo à ex-ciência que deveriam ser incorporados aos ambiente nos celência na preser-postos Ipiranga, o então projeto padrão foi objetivos das vação dos recursostotalmente revisado, avaliando-se com mais atividades de naturais.detalhes as interferências causadas por cada um pode Um projeto que, decada um deles. início, parecia trazer Terminada essa etapa, a Companhia fi- ser muito mais apenas investimentoscou com dois tipos de projeto de referência: uma questão que encareceriam oo posto convencional e o Posto Ecoeficiente. de postura do negócio, ao longo doNaturalmente, não fazia sentido manter um que de inves- tempo se mostrou ali-projeto de referência ultrapassado. timento finan- nhado com o merca- Dessa forma, o próprio posto convencio- do da construção civil ceiro.nal foi revisado, incorporando muitos desses e trouxe benefíciositens. Os demais itens foram classificados aos revendedores Ipiranga, com redução decomo pré-requisitos para a obtenção do custo operacional, como conta de energia,Selo de Posto Ecoeficiente Ipiranga. água e manutenção. O que se espera é que essa metodologiade estudo de viabilidade, testes e análi- Elaboração do Caderno deses passem a ocorrer dentro da rotina de Diretrizes para canteiro deprojetos e obras da Companhia, gerando obraum processo de melhoria continua para o Além dos Itens de Ecoeficiência aplica-negócio e para o meio ambiente.  dos em projeto, outras ações foram incor- poradas à rotina da obra com a finalidade deUm novo conceito de posto reduzir a utilização de materiais, garantir a Assim nasceu o Posto Ecoeficiente Ipiran- correta destinação de resíduos, segurançaga, um novo conceito de posto de serviço. Um para o trabalho e para o meio ambiente.posto projetado, construído e operado com Para a definição de um novo modelo defoco na preservação dos recursos naturais, de gestão de obra, foi contratada uma consul-forma economicamente viável. Ou seja, sua toria externa que estruturou procedimen-filosofia é otimizar o consumo de recursos tos, indicadores e documentos capazes denaturais mantendo e até incrementando a qua- assegurar a eficácia do acompanhamento dalidade dos serviços do posto, e ainda propor- implantação do Posto Ecoeficiente Ipiranga.cionando ganhos no resultado do negócio. O material foi revisto pela Ipiranga Dentre as tecnologias que foram estu- e adaptado às práticas das obras. Comodadas e aprovadas para implantação, estão produto desta etapa, obteve-se os seguintesdesde detalhes de projeto até ações que de- documentos:vem ser tomadas durante a obra e mantidas Manual de Qualidade e Meio Ambiente dosdurante a operação do posto. Postos Ecoeficientes – Contém o relatório O resultado da implantação desses be- final da consultoria. Este manual apresentanefícios não é apenas uma construção civil, e descreve os demais documentos e detalha 59mas um novo produto. Um produto de maior a sua aplicação.
  • 62. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Memorial Descritivo dos Postos Ecoefi- é ser referência máxima na construção dos cientes – Um documento desenvolvido pela Postos Ecoeficientes. Ipiranga, com revisão da consultoria, que se Para que a construtora atenda aos itens tornou parte integrante do projeto de arqui- de preservação do meio ambiente, é impor- tetura, servindo de base para a elaboração tante que todos os quesitos de segurança do dos projetos complementares. trabalho também sejam cumpridos, pois não faria sentido respeitar o meio ambiente sem Caderno de Diretrizes para Canteiros de respeitar o ser humano. Obra – Desenvolvido para ser entregue às Dessa forma, o conteúdo do Caderno de construtoras contratadas para a construção Diretrizes foi dividido em dois grandes grupos: ou reforma dos postos, orientando-as a • Segurança do trabalho e meio ambiente; aplicar um modelo de gestão de obra, padro- • Gestão de água, energia, materiais e nizando novos procedimentos de ecoeficiên- resíduos. cia e registros a serem seguidos. Quando o material foi concluído, o grupo de trabalho avaliou internamente Lista de Verificação de Atendimento ao Me- os elementos e práticas que poderiam ser morial Descritivo e Lista de Verificação para implantados de imediato. Foi decidido que Canteiro de Obra – As duas listas de verifi- o melhor seria começar pelas providências cação servem como base para as auditorias mais básicas. A intenção era transformar efetuadas durante a construção de um Posto a rotina de obras gradativamente. Efetu- Ecoeficiente Ipiranga. A sugestão é que ao ar tantas mudanças no processo construti- menos quatro auditorias sejam realizadas vo de forma abrupta poderia provocar efei- durante a obra, sendo que a última delas deve tos negativos e gerar conflitos entre as acontecer na ocasião da entrega do posto. assessorias de obras da Ipiranga e as empresas construtoras. Era crucial que Construção do Posto Piloto as construtoras percebessem o quanto se Todo o conhecimento acumulado nos beneficiariam com a redução de desperdí- estudos, pesquisas e testes materializaram- cios e de acidentes, em vez de encarar as -se no posto piloto Caminho Verde. Mais que orientações do Caderno de Diretrizes como uma obra civil de edificação e de instala- restritivas e encarecedoras.  ções, surgia ali um novo conceito de posto. Para a obra do posto piloto, um técnico Atendimento da obra ao Caderno de Dire- de segurança do trabalho foi contrata- trizes – O objetivo do Caderno de Diretrizes do para verificar se as orientações contidas é claro: minimizar os impactos ambientais no Caderno de Diretrizes eram seguidas à causados na construção dos postos de risca. Durante o período de obra foram re- abastecimento por meio de um sistema de alizadas três visitas semanais, com quatro gestão que permita o monitoramento da im- horas de duração. plantação e seu aperfeiçoamento contínuo. Para que o conteúdo do Caderno de Di- Além da definição de procedimentos para a retrizes seja cumprido, é fundamental que: obra, o Caderno de Diretrizes é um instru- • Todo o material relacionado à obra eco- mento de preservação de recursos mate- eficiente seja entregue às construtoras já 60 riais e humanos. Por essa razão o caderno durante a concorrência para que possam foi elaborado de forma rigorosa: sua função considerar as novas ações em seus custos e
  • 63. Ipiranga Produtos de Petróleose organizar para atender às solicitações; • O auditor que acompanha a obra e se res-• A construtora contratada tenha elevado ponsabiliza pelas listas de verificação devepadrão de qualidade e seja rigorosa com a ser isento – não pode ser funcionário dasegurança do trabalho; construtora contratada, nem o engenheiro• A Ipiranga treine a equipe de arquitetura da Ipiranga responsável pela obra;e engenharia para cumprir o conteúdo do • Toda a equipe envolvida – arquitetura,Caderno de Diretrizes, estruturando-se engenharia e construtora – precisa estarinternamente para que as auditorias sejam engajada na ideia inovadora de trabalharefetuadas de forma imparcial; numa construção ecoeficiente.O POSTO ECOEFICIENTE IPIRANGA Depois de estudar não chove, ou instalar aquecimento solar Como obter a viabilidade das em um posto que quase não utiliza água diversas alternativas quente. o selo – levantadas, as solu- Depois de obter o selo, é obrigação do regulamento ções de melhor relação revendedor manter sua postura de preser- interno do custo-benefício foram vação, garantindo o correto funcionamento incorporadas ao pro- dos itens ao longo do tempo. programa jeto padrão – ITEMPADRÃO DE ECOEFICIÊNCIA – dos postos Itens de EcoeficiênciaIpiranga de maneira a promover melhoria Como fruto da análise de viabilidadecontínua e imediata multiplicação nas refor- dos itens levantados, segue a listagem dosmas seguintes ou novas obras. Itens de Ecoeficiência considerados viáveis Os demais itens foram classificados e incluídos nos projetos arquitetônicos ecomo PRÉ-REQUISITO ou EXTRA e assim complementares:se definiu o regulamento: o posto queimplantar todos os itens padrões e os pré- EFICIÊNCIA ENERGÉTICA:-requisitos recebe o SELO de Posto Ecoe- Eficiência energética da iluminação artifi-ficiente Ipiranga. Dessa forma, garante-se cial – lâmpadas e luminárias que empregamque um Posto Ecoeficiente tenha itens menos energia.atuantes em todas as gestões: energia, Integração da iluminação natural à artificialágua, materiais, resíduos e solo. – utilização de domus para captação de luz Cabe ao revendedor, com a consulto- natural nas áreas de vendas e sistema deria da equipe Ipiranga, optar o quanto e integração dessa luz natural com a artificial,como investir na postura ecoeficiente de utilizando a artificial somente para comple-seu negócio. Mesmo havendo uma lista- mentar a natural.gem de itens e um regulamento, é neces- Sensor de presença para acionamento dasário avaliar as necessidades regionais e iluminação – para ambientes de circulaçãoespecíficas de cada um: não faz sentido mais eventual; acende somente quando háinstalar um equipamento de tratamento trânsito de pessoas. Recurso para evitar o 61de água da chuva em uma região que desperdício de energia.
  • 64. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis SOMBREAMENTO: o volume de dejetos a serem eliminados Brise-soleil na vitrine da loja – amenizam é menor. a incidência de raios solares no vidro, Torneiras com fechamento automático – reduzindo o consumo de ar condicionado e torneiras cujo botão de acionamento fecha proporcionando o conforto visual. automaticamente após determinado volume Brise-soleil no escritório (idem acima). de água. Vidro verde na vitrine – filtra a radiação Chuveiros com fechamento automático – chu- solar. Em casos de reformas onde a subs- veiros cujo botão de acionamento fecha automa- tituição dos vidros não é possível, pode-se ticamente após determinado volume de água. usar também película protetora homologada pela Companhia. ÁGUAS PLUVIAIS: Para cada caso deve ser feito um estudo Coleta de águas pluviais para descargas de insolação que dirá se a aplicação de sanitárias, torneiras para rega de jardim ou brise-soleil, tanto na vitrine quanto no escri- lavagem de veículos. tório, e o uso de vidro especial ou película é efetivo ou não. REUSO DA ÁGUA DA LAVAGEM: Reaproveitamento da água da lavagem de SISTEMA DE EXAUSTÃO: veículos na própria atividade, reduzindo o Shafts de exaustão com cobertura ventilada consumo de água.   – Retirada do calor das geladeiras e free- zers da AM/PM para aliviar a carga térmica USO DE TINTA À BASE DE ÁGUA: do ar condicionado. Tinta que usa água como solvente, reduzin- Isolamento térmico sobre o forro – para com- do impactos ambientais em relação às que plementar o sistema de tratamento térmico usam aguarrás. dos ambientes, utiliza-se material de isola- mento térmico acima do forro, que impede que SISTEMAS CONSTRUTIVOS: o calor de fora penetre no ambiente, ao mes- Soluções que proporcionam uma obra mais mo tempo em que mantém dentro do ambiente rápida, limpa e segura, tais como: o ar refrescado pelo ar condicionado. Construção seca na edificação – não em- prega tijolo/cimento. AQUECIMENTO DA ÁGUA POR ENERGIA Revestimento modular – é apenas apara- SOLAR: fusado, dispensando o uso de chapisco, Sistema que emprega a energia solar para massa, cerâmica e rejunte na fachada. aquecer a água necessária para a operação Cobertura da pista em single deck – do apoio da AM/PM e para os vestiários dos estrutura pré-fabricada e aparafusada funcionários, minimizando o uso de energia na obra, não requerendo soldas. Otimiza elétrica para este fim. o uso de materiais, reunindo em uma só peça as funções de telha e forro da CONTROLE DE CONSUMO DE ÁGUA: cobertura da pista. Dispositivos que evitam o mau uso, tais como: OBRA ECOEFICIENTE: 62 Descargas com fluxo de água controlado Obra que segue os mesmos conceitos – propiciam economia nos casos em que de gestão de energia, água, materiais e
  • 65. Ipiranga Produtos de PetróleoDivulgação IpirangaSinalização no tapume da obra do Posto Ecoeficienteresíduos, bem como observa boas prá- É fundamental que as atitudes ecoefi-ticas para a gestão da segurança e meio cientes adotadas sejam de conhecimentoambiente, buscando o uso mais otimizado público. Além de comunicar o compromissopossível dos recursos naturais. do posto com o meio ambiente e divulgar atitudes responsáveis, a sinalização aindaKIT DE PROTEÇÃO AMBIENTAL: convida o consumidor a atentar para asConjunto de materiais específicos para con- suas próprias ações de preservação doter pequenos vazamentos de combustível meio ambiente.líquido na pista. Durante a obra, há um conjunto de sina-COLETA SELETIVA: lização voltada aos diversos públicos: uma Sistema para separação dos materiais faixa no tapume da obra já divulga à comuni-recicláveis (papéis, vidros, plásticos e dade do entorno imediato que ali está sendometais) do restante do lixo orgânico (restos construindo um Posto Ecoeficiente Ipiranga.de alimentos) e também dos perigosos (con- Dentro da obra, há placas com orientaçõestaminados com combustível), promovendo de preservação de energia, água, armazena-destinação adequada para cada tipo. mento de materiais e descarte de resíduos, além de alertas de segurança.Sinalização Na inauguração do posto, há um kit O logotipo do de sinalização dos Itens de Ecoeficiência, É necessário Posto Ecoeficiente apresentando ao público os diferenciais informar e Ipiranga materializa daquele posto. divulgar asvisualmente esses Além da sinalização temporária na inau- ações implan- focos de gestão: um guração, existe uma sinalização específica tadas para cata-vento colori- permanente que informa e explica a atuação do, simbolizando a poder educar e do item no posto: o que foi feito e por quê. diversidade e o di- Essa divulgação é feita para todos os usu- inspirar. namismo. Um objeto ários do posto, desde o funcionário, até oque está sempre em movimento, incorpo- consumidor final. Desta forma tanto clientesrando novos ares. As pás do cata-vento como funcionários descobrem o que foirepresentam a energia, água, materiais, feito ali para preservar o meio ambiente e 63resíduos e preservação do solo. economizar os recursos naturais. O objetivo
  • 66. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Ipiranga Exemplo de sinalização utilizada na inauguração do Posto Ecoeficiente de itens, consagrando-o como ecoeficiente completo. Além disso, passa a exibir o totem cata-vento, sinalizando seu compromisso com o meio ambiente ao consumidor final e valorizando-o ainda mais. Quando se trata de preservação de recur- sos, sejam naturais ou financeiros, a soma de várias ações traz os melhores resultados. Multiplicação do conceito e dos itens de ecoeficiência Dando continuidade O alcance ao desenvolvimen- social inicial to do projeto, os que o projeto anos de 2010 e 2011 Exemplo de sinalização utilizada durante a obra obteve com aforam dedicados à dessas peças é propagar o conceito da divulgação interna e propagação de ecoeficiência, expandindo olhares e fazendo entre os revendedo- com que mais pessoas repliquem as ações. conceitos e as res (operadores de Além disso, na entrada da AM/PM, é portas que se postos) Ipiranga – colocada uma placa com a relação dos itens abriram com principais clientes do implantados naquele posto. Cada item vem potencial para projeto. acompanhado com a indicação da gestão onde Para a divulgação ações futuras. atua: energia, água, materiais ou resíduos. interna do projeto, 64 Quando o posto completa os itens palestras e apresentações foram feitas em obrigatórios, recebe o cata-vento na placa diversas áreas da Companhia, apresentando
  • 67. Ipiranga Produtos de PetróleoExemplo de sinalização permanente dos Itens de Ecoeficiênciao objetivo do projeto e suas vantagens para Como premissa do Caderno de Dire-o meio ambiente, Ipiranga e revendedor. trizes, durante todas as obras dos Postos Além disso, foram desenvolvidos cursos Ecoeficientes, treinamentos específicostécnicos para formação e equalização de in- sobre segurança e meio ambiente sãoformações da equipe de engenharia e arqui- feitos com os trabalhadores da obra, divul-tetura, responsável pela implantação direta gando ainda mais os conceitos de preser-do projeto. Também foram feitas apresenta- vação dos recursos naturais e destacandoções à equipe comercial que faz a interface a importância da atuação consciente delesentre o revendedor e a equipe técnica. na construção civil. Foram promovidos workshops no Brasil Os manuais de operação dos postos játodo, exclusivamente aos revendedores contemplam informações de como man-Ipiranga, expondo as características do novo ter o correto funcionamento dos Itens deprojeto e seus benefícios. Ecoeficiência. Em paralelo à divulgação interna, Como continuidade do processo, víde-fornecedores de materiais e tecnolo- os e treinamentos estão sendo desenvolvi-gias que colaboram para a eficiência das dos e aplicados aos frentistas dos postosedificações, envolvidos ou não no projeto, Ipiranga, conhecidos por VIPs, Vendedorespassaram a alimentar a equipe de pesquisa Ipiranga de Pista.e desenvolvimento, garantindo a continui- A divulgação dos conceitos de pre- 65dade do projeto. servação do meio ambiente e das novas
  • 68. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Placa de Itens de Ecoeficiência antes e depois de ganhar o Selo de Posto Ecoeficiente Divulgação Ipiranga ações que a Ipiranga estava começando a revistas técnicas. O próximo passo será a executar nos postos foi cativante, des- divulgação direta ao consumidor final. pertando o interesse e inspirando outras Em paralelo a esse processo de divulga- áreas a também repensarem suas ativida- ção e como consequência dela, os Itens de des com o mesmo foco. Ecoeficiência estão de fato sendo implantados O projeto já foi apresentado em alguns nas obras, seja em reformas ou obras novas. 66 congressos e seminários especializados Hoje, outros projetos de ecoeficiência no assunto e foi assunto de matérias de já estão em desenvolvimento, para bases
  • 69. Ipiranga Produtos de Petróleode distribuição, postos de rodovia, clientes fornecedores que co- Originalidadeconsumidores e para a fábrica de lubrifican- meçam a visualizar as entre outrastes. E esse é só o começo. distribuidoras como redes distri- clientes em potencial.Originalidade do projeto buidoras e sua Essa dissemi-Ipiranga influência posi- nação promove o O Posto Ecoeficiente Ipiranga é uma ação tiva enquanto desenvolvimento dospioneira nas redes de distribuição de combus- fornecedores e seus exemplo aostíveis e está servindo de inspiração, não só produtos, trazendoatravés dos revendedores, mas também dos demais. benefícios a todos. <>RESULTADOS DO PROJETO O Posto Ecoeficiente mais de 5.000 itens Grau de com- Ipiranga faz parte Na prática, implantados, fora os prometimento das iniciativas de o que mais Postos Ecoeficien- da empresa sustentabilidade do importa é a tes completos e os com o projeto Grupo Ultra, estando multiplicação que receberam efi- presente em seu ciência energética. dos Itens de através do relatório de sus- Em relação aos Ecoeficiência Postos Ecoeficien- relatório de tentabilidade 2010.  Além disso, a mul- nos postos tes completos, hoje sustentabili- existentes, tiplicação dos Itens a rede conta com dade do Ultra de Ecoeficiência na além dos pos- 131 inaugurados e e objetivos rede de postos já é tos completos mais de 300 com individuais dos objetivo individual obra já em anda- que recebem de funcionários de mento ou prestes a funcionários. diversos departa- o selo. Mul- começar.mentos, firmando ainda mais o comprome- tiplicar itenstimento da empresa. significa mul- Retorno do Somente o item eficiência energéti- tiplicar econo- investimentoca da iluminação artificial, durante uma mia de recur- A diferença entre oação de 10 meses realizada em 2010, foi sos naturais e investimento de umimplantado em 1.600 postos. Nesta ação, antigo padrão decerca de 125.500 componentes, entre financeiros. Posto Ipiranga para olâmpadas, reatores e luminárias foram Posto Ecoeficiente completo ficou em tornotrocados, proporcionando uma redução de R$ 100.000,00.do consumo de energia de 1GWh/mês. O retorno estimado desta aplicação éHoje já são mais de 3.000 postos com de 32 meses. Aplicando o fator de correçãoeficiência energética. de 12%aa sobre o investimento inicial x Além disso, até 2011, 716 postos rece- economia mensal, temos o retorno estimado 67beram Itens de Ecoeficiência, num total de em 39 meses.
  • 70. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis PRÓXIMOS PASSOS – EVOLUÇÃO PERMANENTE A poiado nos pilares ambiental e eco- uma premiação que distingue ações nômico, o projeto do Posto Ecoefi- notáveis de conservação e uso racional ciente Ipiranga começou a ganhar de energia. corpo, mobilizando todos os departamentos De lá para cá, a Ipiranga vem amplian- da Ipiranga e envolvendo cada vez mais do sua rede de postos ecoeficientes pelo profissionais. Brasil. Hoje já são 264 deles, em funcio- A Ipiranga possui uma equipe comercial namento ou em processo de implantação. e técnica dedicada a atender às neces- A projeção é fechar o ano de 2012 com sidades dos postos de toda a rede. Com mais de 500 unidades em todo o país. os Postos Ecoeficientes não é diferente: O projeto Posto Ecoeficiente perma- o plano de manutenção de imagem que a Ipi- nece em contínuo aprimoramento. Em ranga oferece aos donos dos postos – com consequência, a composição da lista dos dicas sobre os cuidados com a aparência Itens Ecoeficientes adotados também é dos estabelecimentos e instruções sobre o constantemente revisada e refinada em seu alinhamento à linguagem visual da rede função de fatores como disponibilidade – hoje inclui procedimentos específicos do equipamento, facilidade de obtenção, para os Itens de Ecoeficiência. O Manual de viabilidade financeira da compra e uso do Operação dos Postos Ipiranga também traz material, avaliação do desempenho ao lon- alertas e procedimentos de manutenção dos go do tempo e existência ou não de custos itens específicos do Posto Ecoeficiente. de manutenção, por exemplo. A criação de um novo modelo de posto quebrou paradigmas, gerou mudanças no dia a dia e transformou a cultura corporati- va. A viabilização do primeiro Posto Ecoefi- ciente do Brasil engajou os funcionários da Ipiranga ao fazer convergir os projetos da empresa com projetos pessoais de uma vida mais sustentável. Prêmio Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia Divulgação Ipiranga No mesmo ano, este primeiro Posto Ecoeficiente Ipiranga recebeu o Prêmio Nacional de Conservação e Divulgação para o público Uso Racional de externo Energia – 2009 na O Portal Ipiranga traz algumas informa- 68 categoria Edifica- ções sobre os Postos Ecoeficientes dirigi- ção Profissional, das ao público externo. O conteúdo sobre
  • 71. Ipiranga Produtos de Petróleoo programa está sendo atualizado com o outra de forro, independentes. Boa parteintuito de oferecer novas e relevantes infor- dessas estruturas é fabricada no local damações para o consumidor final. A Ipiranga obra, envolvendo soldas, cortes e risco paratambém está criando um banco de dados estrutura.interno para o monitoramento da evolução Nas coberturas “single deck” faz-se umada implantação dos Itens de Ecoeficiência só estrutura exercendo a função de cobertu-nos postos. ra e forro. Além disso, toda a estrutura é pré-fabricada e aparafusada, sem solda.Posto Ecoeficiente II Objetivo principais: O ano de 2012 marca o início do • Desenvolver um projeto nacional de co-programa Posto Ecoeficiente II. Um bertura Single Deck focado nos padrõesprojeto que conta com o apoio da FINEP, Ipiranga.órgão do governo, cuja missão é promo-ver a inovação e a pesquisa científica e Iluminação artificial eficiente, em LED –tecnológica. Esta é uma associação que Avaliar o sistema de iluminação artificialfavorece o diálogo da empresa com a atual sob o ponto de vista da eficiênciaacademia, e certamente resultará no de- energética.senvolvimento de soluções sustentáveis Objetivos principais:ainda mais inovadoras. • Buscar novas tecnologias ainda mais O investimento inclui, entre outros eficientes, como a LED.assuntos, pesquisas sobre as maneirasmais efetivas de treinamento e dissemi- Iluminação natural – O Posto Ecoeficien-nação de conceitos de sustentabilidade te já conta com uma solução que traz luze de ecoeficiência, porque o sucesso de natural para dentro da edificação, mas queum programa amplo como este depende utiliza equipamentos importados, limitandodo engajamento e da mobilização de um sua aplicação apenas na área de vendas dagrande número de pessoas. Cada uma loja de conveniência. A continuidade será adelas tem sua parcela de responsabili- busca pela nacionalização parcial ou integraldade, portanto os esforços contínuos de de uma solução que se aplique também emconscientização, divulgação e treinamento outros ambientes.são fundamentais para a continuidade do Objetivos principais:projeto e para que o consumidor final seja • reduzir o consumo de energia;impactado e inspirado por suas ações. • reduzir geração de calor na edificação; A Ipiranga planeja a construção de novos • integrar a solução de iluminação naturalpostos pilotos, que colocarão em prática com a iluminação artificial.as mais novas tecnologias construtivas deeficiência energética e preservação do meio Sistemas de construção seca – Desen-ambiente. O Projeto Posto Ecoeficiente II terá volver uma solução de construção a secoduração de 30 meses, durante os quais serão inovadora, de caráter modular e otimizadopesquisados os seguintes subprojetos: para uma instalação ágil da loja de conveni-Cobertura Single Deck – Tradicionalmente, ência, lubrificação e demais dependências,no Brasil são utilizadas coberturas “double incluindo eventuais parceiros para os postos 69deck” onde se tem uma camada de telha e de serviços.
  • 72. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Objetivos principais: horários de ponta de consumo de energia • Reduzir o desperdício e a geração de elétrica da rede. resíduos na obra; • Reduzir o consumo de energia e água; Sistema de coleta e reuso de água – Evoluir • Obter maior agilidade no processo de nas soluções integradas de coleta e reuso montagem. de águas pluviais e servidas. Tipos de aplicação de coleta de águas Ar condicionado e refrigeração – Atual- Pluviais: mente a franquia AMP/PM possui inúmeros • telhado da edificação, equipamentos de refrigeração, que necessi- • cobertura de abastecimento tam de manutenção, acarretam grande gera- Reuso da água: ção de calor, consumo elevado de energia e • lavagem de veículos diminuição do rendimento do sistema de ar • sanitários, jardins, etc. condicionado. Objetivos principais: Objetivos principais: • Reduzir o consumo de água tratada da con- • Otimização da utilização das máquinas cessionária, através da coleta de águas plu- refrigeradoras da edificação: ar condicio- viais e do reuso da água utilizada no Posto. nado, refrigeradores, freezers, câmaras frigoríficas, etc.; Treinamento operacional – Desenvolver de • Redução da quantidade de equipamentos um sistema eficaz e sustentável de capacita- e seu consumo energético; ção de todos os colaboradores diretos envol- • Desenvolvimento de central única de vidos na operação dos Postos Ecoeficientes, refrigeração. utilizando técnicas de educação à distância adaptadas para os perfis dos participantes e Energia renovável – Viabilizar a captação e adequadas às condições regionais. a utilização de fontes renováveis de energia, Objetivos principais: considerando a grande área de captação • Assegurar o comprometimento do reven- disponível nos postos de serviço (cobertura dedor/operador; de abastecimento e da edificação). • Assegurar o desempenho dos frentistas; Pesquisa a otimização da eficiência • Emitir certificação para o revendedor e energética utilizando energia de fontes para os frentistas; renováveis integrada com a rede elétrica e/ • Oferecer capacitação sistemática dos ou com outras fontes de geração de energia interessados (operadores, gerentes, fren- como GLP ou gás natural. tistas, lubrificadores, etc.); Objetivos principais: • Aproveitar parte do material de treina- • Utilizar energia renovável (solar, eólica) mento para conscientização nas comuni- na geração de energia elétrica para a dades e escolas da região. iluminação e funcionamento dos equipa- mentos do posto completo; Avaliação dos pilotos – Além da pesquisa • Integração com outras aplicações que e do desenvolvimento de cada subprojeto, demandam energia, como os sistemas de será definida uma metodologia de avaliação 70 refrigeração e ar condicionado; capaz de mensurar os resultados obtidos, • Reduzir o impacto do consumo nos como suporte na validação dos mesmos.
  • 73. Ipiranga Produtos de PetróleoCONCLUSÕESO Posto Ecoeficiente Ipiranga é um vos. O investimento em ações ecoeficientes novo conceito de posto de abaste- é uma decisão do revendedor, baseada nas cimento que, além de oferecer uma suas próprias necessidades.gama de produtos e serviços ao consu- A postura do projeto e a maneira comomidor, adota uma postura de preservação ele está sendo divulgado dentro e forados recursos naturais e financeiros. É um da empresa surtiu um efeito cascata emprojeto inovador e pioneiro que a Ipiranga outras áreas que também estão alian-Produtos de Petróleo disponibiliza aos seus do a preservação dos recursos naturaisrevendedores e a clientes consumidores, aos seus objetivos. Pode-se associar aocomo as garagens de ônibus, por exemplo, trabalho de uma “formiguinha” que, aoscomo uma espécie de consultoria técnica, poucos, vai conquistando os que estão àfocando o sucesso do seu negócio através sua volta, abrindo portas a projetos cadade uma nova postura de empreendedorismo. vez maiores. Mais que oferecer soluções técnicas aos Opções de projetos sociais envolvendoempresários-revendedores, o projeto Posto postos revendedores começam a surgir, jáEcoeficiente apresenta uma nova maneira com o respaldo do comprometimento adqui-de investir no negócio, aliando a preserva- rido dos empresários, abrindo novas portasção dos recursos naturais aos seus objeti- a caminho da sustentabilidade. 71
  • 74. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Agência Petrobras de Notícias comunicarte www.comunicarte.com.br Atividade: Consultoria em comunicação e gestão socioambiental voltada à criação, plane- jamento, implementação, supervisão e avaliação de projetos desenvolvidos por organizações privadas, governamentais, da sociedade civil ou de cooperação internacional Fundação: 24 de fevereiro de 1992 Colaboradores: 35 Divulgação Agência Petrobras de Notícias 72
  • 75. Comunicarte Uma história de pioneirismo e inovação a contribuição da Comunicarte na concepção do Petrobras SocialU m dos trabalhos mais im- Os esforços da Petrobras na área social, portantes já realizados pela inclusive, precedem o movimento em prol Comunicarte em todo o Bra- da cidadania empresarial que hoje está sil foi a construção gradativa em franca expansão no país. Desde sua de um programa de desen- criação, nos anos 50, a Companhia já vinha volvimento comunitário e desenvolvendo ações em favor do desenvol-social em colaboração com a maior empresa vimento humano. Neste cenário, o Petrobrasestatal do país, a Petrobras. Pioneiro nos Social foi elaborado com base no pioneiris-seus fundamentos, o programa – denomina- mo da Companhia, e também como progra-do Petrobras Social – consolidou critérios ma capaz de imprimir às ações sociais daobjetivos de análise e seleção de projetos empresa o mesmo padrão de excelênciasociais, que serviram como fonte de inspira- observável no seu campo negocial. Visto emção para outras empresas estatais e também seu conjunto, o programa tornou-se casopara grandes empresas privadas atuantes exemplar de comunicação por atitude, aoem território nacional. Não poderia ser dife- mesmo tempo em que integrou num sistemarente, já que a maior empresa petrolífera do coerente todo o conjunto de investimentospaís sempre serviu como modelo de atuação sociais da Petrobras.para outras importantes corporações, tanto O conceito de “comunicação por atitu-as públicas quanto as privadas. de” considera que na sociedade contempo- 1 O programa foi elaborado através de rânea, as marcas se tornaram os principaisdocumentos posteriormente aprovados pela ativos das empresas, estabelecendo umadireção da Petrobras, caracterizando a em- nova relação entre o consumidor/cliente epresa como organização moderna e arrojada, a empresa. Essa relação é pautada por as-que busca de modo contínuo dar respostas pectos simbólicos, intangíveis, atrelados aoseficazes às principais demandas da socieda- produtos e aos serviços. Tais característi-de brasileira – em especial aquelas vincula- cas favorecem as formas de comunicaçãodas à ética empresarial, à responsabilidade mais envolventes, capazes de emocionar osocial corporativa e ao desenvolvimento público e assim agregar à marca atributoscomunitário e social de forma sustentável. autênticos e marcantes. Se, no passado, aConceito criado por Yacoff Sarkovas, encontrado no site com: atitude, no link http://comatitude.com.br/2003/05/01/1 73comatitude-2003-abertura-o-que-e-comunicacao-por-atitude/. Acesso em 18 de julho de 2012.
  • 76. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis marketing, cause-related marketing, below the line, no media, eventmarketing, lyfestyle marketing… A síntese de todos estes conceitos, é a comunicação por atitude, a estratégia de associar empresas, produtos e serviços a ações de interesse público que sejam adequadas à identidade de suas marcas e que atendam a seus objetivos corporativos e mercadológicos. Este encontro entre a marca patrocinadora, a ação patrocinada e Divulgação Agência Petrobras de Notícias seu público deve ser apoiado por um plano de comunicação integrada. Trata-se de uma ferramenta que gera muita credibilidade, pois permite à empresa fazer o casamento entre o que pretende comunicar à sociedade e a natureza de suas ações sociais. O Contexto do Programa Coube à Comunicarte desenvolver a par- tir de estratégia elaborada pelos profissionais comunicação das empresas era monopoli- da empresa, o conceito de comunicação por zada pela publicidade, nas últimas décadas, atitude, através de novos conceitos e novas esta ferramenta perdeu eficácia em função posturas no campo das ações sociais da em- da saturação e da queda de credibilidade de presa. Na época da criação do Programa, no suas mensagens, obrigando as empresas a ano de 2001, constatava-se que o Brasil, ape- adotar outras estratégias para concretizar sar de ser uma das economias mais desen- as promessas de suas marcas. A questão da volvidas do mundo, não integrava a parcela credibilidade também se tornou fundamen- mais pobre da população às conquistas do tal, face à crescente exigência da sociedade progresso. Os 20% mais pobres tinham uma por uma maior participação e integração das renda média de apenas U$ 828, semelhante empresas na comunidade, fenômeno que à de nações africanas pouco desenvolvidas, acarretou a valorização de uma comuni- como o Congo e Guiné Bissau. cação ética, de efeito residual positivo nos A concentração de renda, devia-se, em consumidores/cidadãos. grande parte, à falta de acesso à educação Os patrocínios e investimentos sociais de qualidade em nosso país. Apenas a elite adquiriram relevância na vida empresarial conseguia transferir o acesso a boas escolas e receberam diversas denominações, tais e boas universidades às gerações seguin- como: marketing cultural, marketing social, tes, perpetuando seu poder de apropriação marketing ambiental, marketing esportivo, da renda per capita e mantendo a exclusão marketing de entretenimento, patrocínio social da maioria da população. Em consequ- 74 cultural, patrocínio esportivo, filantropia ência, milhões de pessoas não tinham acesso estratégica, mecenato estratégico, green- a condições mínimas de nutrição, saúde, edu-
  • 77. Comunicartecação, emprego e outros direitos humanos aquelas realmente capazes de transformar afundamentais, configurando uma trágica e realidade social e diminuir a injustiça. Esteimensa dívida social brasileira. gênero de ações contribui para ampliar o A Comunicarte conceitua dívida social capital social das pessoas ou grupos porcomo a diferença entre aquilo a que todo elas beneficiados. O capital social, por suacidadão tem direito e o que ele recebe, efeti- vez, é formado pela malha de habilidades evamente, da sociedade, no que diz respeito às laços interpessoais (familiares e grupais)condições reais de exercício dos seus direitos que contribuem para o desenvolvimentofundamentais. Na época do programa, o Brasil de um indivíduo ou grupo, permitindo-lhesocupava o 74.º lugar no ranking de qualidade transformar a informação (capital humano)de vida das nações, com um Índice de Desen- em conhecimento (capital intelectual). Destavolvimento Humano (IDH) de 0,747, próximo maneira, é possível ao indivíduo (ou a umaos da Arábia Saudita e das Filipinas (0,740), grupo) “adotar novos comportamentos, ati-porém abaixo dos índices da Argentina (0,826) tudes e práticas” (Dr. Márcio Ruiz Schiavoe do Chile (0,833), países com poderio econô- - Rio de Janeiro: Comunicarte, 1999).mico bem inferior ao do Brasil. A esta altura, é importante distinguir as Em países que apresentam cenários ações alternativas das alterativas, com apre-socioeconômicos semelhantes, é comum que sentações de casos concretos. Um exemplo:empresas recorram a programas compensa- no Brasil existem muitos projetos dirigidostórios, de natureza filantrópica, para ameni- a crianças e adolescentes e situação de rua,zar a injustiça social. Porém, como a Comu- que têm por objetivo prover abrigo, alimen-nicarte sempre fez questão de demonstrar tação e cuidados de saúde a esses gruposem seus trabalhos de assessoria no campo socialmente vulneráveis. Embora tenham oda responsabilidade social corporativa, as mérito de darem apoio assistencial, essesações filantrópicas ou benemerentes não são projetos não mudam as condições de vidacapazes de contribuir para o resgate da dívida dessas pessoas, nem mudam as condiçõessocial. Pelo contrário, ações desse gênero sociais que originaram o seu abandono nascontribuem para manter as desigualdades ruas das cidades brasileiras. Na prática, es-sociais, uma vez que propiciam a satisfação ses abrigos rompem os laços familiares dasdas necessidades básicas imediatas, por crianças e dos jovens, que são essenciaisum breve período de tempo. São ações que à formação de capital social. A possível so-podem ser chamadas de alternativas, porque lução do problema seria, por exemplo, umaseu objetivo é substituir o Estado nas áreas ação social integrada que visasse o retornoem que ele se fez ausente ou mostrou-se das crianças e jovens para seus lares, queineficaz. É evidente que as ações filantrópi- favorecessem a superação dos conflitos quecas ou benemerentes têm a sua dimensão os levaram a viver na rua, que fortaleces-positiva, mas elas só se justificam, real- sem o capital social de cada família e quemente, em casos emergenciais. Não podem gerasse as condições socioeconômicasconstituir paradigmas da ação social de uma necessárias para que os membros des-grande empresa como a Petrobras. ses núcleos familiares possam conquistar As ações recomendadas para uma autonomia pessoal e social. Uma ação desseempresa do porte da Petrobras são aquelas porte é mais complexa – e requer esforços 75que podem ser denominadas alterativas, integrados nos campos da Saúde, Educa-
  • 78. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis ção, Habitação, Por serem públicas, as ações alterativas Para gerar Profissionalização, são realizadas pelo conjunto da sociedade capital social, Trabalho, Cultura, (organizações sociais, órgãos governamen- é preciso criar Esportes e Lazer, tais, setor privado e as próprias comuni- além de outros ser- dades beneficiadas), através do estabe- instrumentos e viços relacionados lecimento de parcerias e alianças sociais condições que à plena conquista estratégicas. Com tais características, essas favoreçam as da Cidadania. ações se tornam eficazes para resgatar, relações inter- A expressão consolidar e sustentar o capital social for- pessoais, nos “ação alterativa” mado pelos resultados por elas alcançados. foi criada pelo Outro ponto essencial para destacar: âmbitos familiar educador Antonio as ações alterativas se distinguem das e comunitário Carlos Gomes da filantrópicas e benemerentes por terem fins Costa, para designar projetos e atividades lucrativos. Para a Comunicarte, é preciso su- que mudam o meio social e que criam as perar o conceito de doação a fundo perdido. condições necessárias para a promoção Na área social, investe-se no ser humano de alterações tangíveis e duradouras, em – o que sempre proporciona altíssimo e contraposição àquelas ações alternativas, duradouro retorno para toda a sociedade, que visam apenas à satisfação das neces- pois são diminuídas a violência, a criminali- sidades básicas e imediatas dos grupos ou dade, a mortalidade e a miséria, assim como indivíduos em situação de exclusão social são aumentadas a empregabilidade, o nível (Cf.: COSTA, A.C.G. da. exigência dos novos educacional, a renda familiar e a autonomia tempos. Rio de Janeiro: revista Conjuntura de grupos socialmente mais vulneráveis. Social, novembro de 1999, os. 53-54). Em síntese: para gerar capital social, é Nesse horizonte, é importante tomar preciso criar instrumentos e condições que consciência de que as ações alterativas não favoreçam as relações interpessoais, nos podem ser responsabilidade de uma única âmbitos familiar e comunitário. Substituir ou organização, nem depender exclusivamente romper os laços pré-existentes é inefi- do Poder Público, já que as empresas podem caz. O primeiro passo deve ser, sempre, o colaborar enormemente nesse processo. As fortalecimento do capital social do grupo ações sociais configuram-se como questões beneficiado pela ação social, com foco nas de natureza pública, que interessam a toda a soluções e não nos problemas. sociedade – e assim cada indivíduo, grupo, empresa ou órgão público pode fazer a sua O conceito do Programa parte. A dívida social brasileira só poderá ser Desde o seu início, o programa Petro- paga através da ação coordenada e integrada bras Social procurou ajudar a sociedade de todos os segmentos sociais, tendo à fren- brasileira a superar o círculo vicioso da te do trabalho os atores-chaves do processo. exclusão social, procurando contribuir para E isso num contexto de descentralização o desenvolvimento sustentável. O objetivo e integração, de participação democrática, era fazer a diferença no cenário nacional, exercício da imaginação criadora, prevalência valorizando mais a relevância e o impacto 76 da ética e havendo incentivo às iniciativas social das ações realizadas, e menos o pessoais, institucionais e comunitárias. mérito de cada uma delas. Para esclarecer:
  • 79. ComunicarteDivulgação Agência Petrobras de Notíciasrelevância é a importância social das ações planejado para que sua execução aconte-que se pretende realizar; o impacto refere- cesse mediante parcerias e alianças com-se aos resultados do projeto social a médio importantes organizações do Terceiro Setor,e longo prazo, com ênfase na sustentabili- que estivem alinhadas com os princípios edade das transformações obtidas. O mérito, objetivos da Companhia. Assim a Petrobraspor sua vez, refere-se à intenção do que se passou a expressar sua atitude social, nospretende realizar. Quase todos os projetos moldes da comunicação por atitude descritaou ações sociais têm algum mérito. Nem to- no início deste artigo, em sintonia com osdos, porém, apresentam relevância. E raros conceitos de ação alterativa e formação desão os que exercem, de fato, algum impacto capital social propostos pela Comunicarte.social duradouro. Os princípios fundamentais do Programa Com esta nova postura, a Petrobras Petrobras Social foram assim resumidos:deixou de ser mera patrocinadora de pro- • Escolher e não ser escolhida – a Pe-jetos para tornar-se uma agente do desen- trobras adotou uma postura pró-ativa,volvimento humano sustentável. Deixou de identificando projetos que respondessemser uma força coadjuvante para se tornar aos seus objetivos no Terceiro Setor ecoprotagonista das ações sociais. E assim criando as condições que propiciarama Companhia estendeu para a área social a uma extensiva implementação desseliderança que já exercia na esfera negocial. gênero de projetos; O programa trouxe uma nova maneira de • Investir em ações sociais, ao invéspensar e agir: a área social passou a ser vista de simplesmente apoiá-las – o apoiocomo um setor da economia que demanda financeiro de uma empresa a um projetoinvestimentos. Uma área capaz de propiciar social traz em si a ideia de doação aelevados retornos, econômicos e sociais. fundo perdido. Como vimos anterior-A lógica do patrocínio de projetos passou a mente, o verdadeiro investimento socialpertencer ao passado. Em seu lugar, emergiu requer compromissos de todas as partes 77uma nova estratégia de ação: o Programa foi envolvidas. Uma empresa que apenas
  • 80. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis patrocina espera o retorno institucional das para outras comunidades, adaptando que valoriza sua marca. A empresa que abordagens, estratégias e metodologias de fato investe no Terceiro Setor cobra que comprovaram ser eficazes a novas “lucros sociais”, em benefício de toda a realidades socioculturais; sociedade; • Manter uma atuação de ponta – a ação • Atuar de forma planejada e não apenas do Petrobras Social foi planejada para de modo emergencial – na área social, é ser eficaz e também inovadora, incor- preciso pensar e agir de maneira estra- porando os mais eficientes métodos e tégica. A prevenção sempre será menos estratégias de atuação e incluindo mode- custosa que a terapêutica. Além disso, los de efetividade, reaplicáveis, de modo numa ação planejada é possível usar a garantir resultados e impactos sociais métodos inovadores, na certeza de que, significativos. a médio prazo, os resultados e o impacto das ações sociais serão maiores e mais Eixo estruturador e consistentes; Público-Alvo • Planejar as exceções – deverão ser Adotando um parâmetro difundido previstos recursos financeiros para mundialmente pela UNESCO, o Programa atender eventuais emergência e também Petrobras Social elegeu a Cultura da Paz os chamados “projetos de oportunidade”, como seu eixo estruturador. A escolha que podem apresentar algum interesse baseou-se na consideração de que a paz e social ou retorno de imagem institucional o desenvolvimento sustentável formam um para a Companhia; binômio integrado e interdependente. Não • Privilegiar ações transformadoras – para pode haver desenvolvimento sustentável gerar as condições que levam as pessoas sem paz social e vice-versa. Além disso, a a superar situações de exclusão social, construção do desenvolvimento sustentável impôs-se uma prioridade absoluta, que requer que a democracia participativa, a foi a de privilegiar ações e projetos educação ao longo de toda a existência hu- transformadores da realidade socioeco- mana, a distribuição equitativa dos recursos, nômica das comunidades beneficiadas; a eliminação das desigualdades sociais e o • Atuar preenchendo lacunas – foram pleno exercício dos direitos humanos por enfatizadas as ações nas áreas sociais todos os indivíduos, sem distinção de cor, consideradas mais relevantes, de modo credo ou classe social. a preencher lacunas e, ao mesmo tempo, A UNESCO preconiza: a Cultura da Paz é evitando competir com organizações que a paz em ação, é o pleno respeito aos direitos atuem com qualidade em áreas similares; humanos no dia-a-dia das pessoas e comu- • Atuar gerando sinergias – sempre que nidades. Trata-se de um ethos, palavra grega possível, o Programa agregou outras ati- que Leonardo Boff definiu como o “conjunto vidades, realizadas por diferentes atores de princípios que regem, transculturalmente, sociais, com os objetivos de ampliar o o comportamento humano para que seja real- leque das ações e de aumentar o impacto mente humano no sentido de ser consciente, dos projetos; livre e responsável” (Boff, Leonardo. Saber 78 • Fomentar a reaplicação das ações: as cuidar, ética do humano – compaixão pela ter- ações bem-sucedidas deveriam ser leva- ra. Petrópolis: Editora Vozes, 1999). A Cultura
  • 81. Comunicarteda Paz trata, portanto, de “criar as condiçõespara que os indivíduos sejam capazes deviver juntos, de criar um novo sentido decompartilhar, ouvir e zelar uns pelos outros”(A paz está em nossas mãos. ONU/UNESCO,1999, mimeo, 24 p.). Na prática, uma cultura baseada na pazimplica em assumir responsabilidades pelaconstrução de uma sociedade mais demo- Divulgação Agência Petrobras de Notíciascrática e mais inclusiva, que luta incansa-velmente contra a pobreza, a discriminaçãoe a exclusão social, ao mesmo tempo emque garante a igualdade política, a equidadesocial e de gênero, assim como a diversida-de cultural. A paz nunca surge espontaneamente.Deve ser criada, promovida e preservada.Mas é preciso desenvolver a consciênciae a responsabilidade quanto aos valores,atitudes e condutas que consolidem essa o Programa tornou-se expressão da ética ecultura. Um esforço coletivo pela não-vio- da responsabilidade social da Companhia.lência, o diálogo, tolerância e solidariedade, Por outro lado, o Petrobras Social surgiu dacom vistas ao desenvolvimento sustentável. necessidade de otimizar os investimentosNessa perspectiva, a Cultura da Paz é a da empresa no campo do desenvolvimentoideia-força que passou a integrar o Pro- humano, com vistas a fazer mais no Terceirograma Petrobras Social em todas as suas Setor, com melhores resultados e maior im-vertentes de atuação. pacto. As empresas, principalmente aquelas Os adolescentes e jovens residentes nos de grande porte, são agentes estratégicosgrandes centros urbanos ou nas comuni- do desenvolvimento sustentável. Cabe a elasdades periféricas, que se encontram em empreender as ações que gerem e preser-situação de risco social, foram eleitos os vem transformações positivas na vida dasbeneficiários diretos do Programa Petrobras pessoas, das famílias e nas comunidades.Social. Todos os projetos que se candidata- Este foi o papel designado ao Petrobrasram a receber os investimentos do Pro- Social, com base em projetos e ações quegrama precisaram demonstrar que tinham contribuam para que gerações de brasileirosesse público-alvo específico como foco de possam superar o círculo vicioso da exclu-trabalho na área social. são social. A Petrobras tornou-se protago- O Programa foi implantado na Petrobras nista desse processo, pois suas atividadesnum momento da história da Companhia em impactam, direta e cotidianamente, a vida deque o princípio da responsabilidade social todos os brasileiros, assumindo um carátercorporativa já se consolidara como instru- de exemplaridade para outras empresas,mento de gestão e como base do seu plane- independente de serem estatais ou corpora- 79jamento estratégico. Ao ser implementado, ções da iniciativa privada.
  • 82. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Objetivos estratégicos – como parâmetros para avaliação de No âmbito interno da Companhia, o Pro- impacto de projetos sociais; grama foi dimensionado para atingir quatro 4. Estimular a adoção de estratégias e meto- objetivos: dologias inovadoras, que exerçam impacto a) Integrar os projetos sociais aos objetivos social a longo prazo; estratégicos da Companhia; 5. Promover o desenvolvimento humano b) Estabelecer critérios para seleção e ava- sustentável das comunidades impactadas liação de projetos; pelas ações da Companhia: c) Disciplinar as solicitações de patrocínio; 6. Fomentar as iniciativas de empreendedo- d) Otimizar os investimentos sociais. rismo e voluntariado social, entendidas O Programa também contribuiu para que como dimensões da cidadania. a Companhia realize sua missão, que em Nessa perspectiva, o Programa Petro- documento oficial da Petrobras na oportuni- bras Social pôde contribuir, de maneira dade era expressa da seguinte forma: qualificada e diferenciada para a constru- “Atuar de forma rentável nas atividades ção de uma sociedade melhor para todos da indústria de óleo e gás, e nos negócios os brasileiros. Uma sociedade que mais relacionados, nos mercados nacional aperfeiçoada nos campos da democracia, e internacional, fornecendo produtos e inclusão e igualdade social, ética e solida- serviços de qualidade, respeitando o meio riedade, na qual todos os indivíduos possam ambiente, considerando os interesses ter a oportunidade de desenvolver seu pleno de seus acionistas e contribuindo para o potencial, como pessoa e como cidadão. desenvolvimento do País”. Esta se tornou amissão da Petrobras no Ter- No campo da comunicação corporativa, ceiro Setor. E toda a força empreendedora e o Programa tornou-se um instrumento que fomentadora da Companhia passou a incluir, colabora para a construção da imagem de entre suas atividades prioritárias, a prospec- empresa comprometida com o desenvolvi- ção, a produção, o refino e a distribuição das mento econômico e social das regiões onde energias que constroem o desenvolvimento atua. A consecução desse objetivo não im- humano sustentável. plicava em ações meramente promocionais ou de marketing, mas sim no investimento A construção de sinergias em projetos que explicitassem os valores, O Petrobras Social foi inserido num atributos e comportamentos associados à processo mais amplo, de reformulação da Petrobras. Nesse horizonte, foram estabe- política de patrocínios da Companhia em lecidos seis objetivos estratégicos para o todas as áreas (cultural, esportiva, ambien- Programa Petrobras Social: tal e social), tendo como base o Plano de 1. Contribuir de maneira qualitativamente Comunicação por Atitude que fora recém- diferenciada para o desenvolvimento -implantado na empresa e ao qual o conjun- humano sustentável; to de ações planejado para a área social foi 2. Investir em projetos e ações inovadores, alinhado. de natureza socialmente transformadora e O Programa foi operacionalizado de facilmente reaplicáveis; três formas distintas e todas elas deveriam 80 3. Difundir os conceitos e indicadores do contemplar: IDH – Índice de Desenvolvimento Humano a) A Cultura da Paz, como eixo estruturador;
  • 83. ComunicarteDivulgação Agência Petrobras de Notíciasb) Adolescentes e jovens urbanos, em situ- projetos de difusão de atitudes, comporta- ação de risco social, como público-alvo mentos e práticas que preservem a saúde, beneficiário do Programa; entendida como estado de bem-estar físico,c) O esporte, a cultura e a educação como mental e social (e não somente à ausência eixos temáticos das Ações Diretas do de doenças). Programa e também como fatores de mo- No campo da educação, relacionamos bilização e integração dos beneficiários; aqui os projetos que visam a elevar osd) Um ou mais indicadores componentes do índices de ingresso, regresso, permanência IDH – Índice de Desenvolvimento Humano e sucesso no regime escolar. Também foram (renda familiar, expectativa de vida ou apoiados os projetos que inserissem, nos nível de instrução) como parâmetro(s) currículos escolares, temas transversais para avaliação de projetos. relacionados com a Cultura da Paz. Damos aqui alguns exemplos de projetos A operacionalização do Programa foique podem impactar o fator renda familiar: executada através de dois subprogramas.aqueles voltados para a formação, capa- Um deles, externo e intitulado Juventude ecitação, reconversão ou especialização Paz, possibilitou o investimento em projetosprofissional. Ou seja, projetos voltados para de complementação escolar que estimulaminiciar ou inserir jovens no mercado de tra- adolescentes a usar seu tempo livre debalho, incentivando seu empreendedorismo forma construtiva. Neste caso, os projetoseconômico. foram selecionados através de concursos Como exemplos de projetos voltados públicos regulares e de convites a orga-para impactar a saúde da população benefi- nizações sociais que reconhecidamenteciada, com reflexos positivos na expectativa gerenciassem projetos exemplares. Taisde vida, podem ser mencionados: aqueles convites ficaram a cargo do Conselho Deli-voltados para a promoção do cuidado e do berativo do Petrobras Social. Os contratosautocuidado, reduzindo a mortalidade entre de parceria ou de aliança estratégica comjovens e adolescentes por causas externas. as organizações sociais passaram a ter 12 81Também podem ser incluídos nesse rol os meses de duração, renováveis, no máximo,
  • 84. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis duas vezes por igual período de tempo, a social corporativa representou um passo critério do mesmo Conselho e observando- à frente na história da gestão social da -se os indicadores de avaliação dos projetos Petrobras. O Programa tornou-se estraté- (quantitativos e qualitativos). gico para a empresa, fundamentando-se O segundo subprograma, de âmbito inter- naquele momento presente, porém visando no, previu o apoio a atividades de promoção à construção de um futuro melhor para o direta do desenvolvimento humano susten- nosso País. E assim o Programa revestiu-se tável nas comunidades impactadas pelas de pioneirismo e inovação, contemplando operações da Companhia. Este subprograma ações transformadoras, capazes de impactar também incluiu ações de informação (para positivamente a vida das pessoas e das divulgar o subprograma), pedagogia social comunidades, prevenindo a exclusão social, (ações dirigidas aos gestores de Unidades criando condições concretas para a inclusão da Petrobras e líderes comunitários locais, das pessoas alijadas do progresso nacional, visando a capacitá-los para executar as ati- com foco na Cultura da Paz. vidades do subprograma) e advocacia social Em sua concepção básica o Petrobras (ações dirigidas aos líderes políticos e insti- Social evoluiu para outros programas, anu- tucionais, objetivando conquistar seu apoio almente melhorados, com novas denomina- para as atividades previstas, adotando as ções e enfoques. Esse processo de melhoria medidas legais e operacionais necessárias). contínua aperfeiçoou a proposta original O Programa também contemplou um constituindo-se hoje em um dos mais im- segundo módulo, além do módulo Ações portantes programas corporativos voltados Diretas, intitulado Informação e Difusão. para o desenvolvimento social, econômico Através de seleção pública ou carta-convite, e ambiental, ou seja, promovendo os pilares no âmbito deste módulo o Programa investiu da sustentabilidade. em produtos de comunicação capazes de disseminar os valores e os conceitos vincu- Diretrizes gerais de ação lados à Cultura da Paz. Também foram con- O Programa Petrobras Social não foi templados projetos de estudos sobre o uso estruturado como política compensatória das do tempo livre pelos adolescentes e jovens, desigualdades brasileiras, mas como expres- com foco nos eixos temáticos do Petrobras são dos valores da Companhia. Representou Social: esporte, cultura e educação. Nesse um esforço pioneiro no campo da cidadania âmbito, poderiam candidatar-se a receber empresarial, agenciado como fator intrín- o apoio financeiro da Companhia projetos seco aos negócios e capaz de agregar valor do seguinte tipo: edição de livros, revistas aos produtos e serviços da empresa. Sendo e periódicos especializados; estudos e a Petrobras uma empresa que serve de relatos de projetos bem-sucedidos; teses, exemplo a outras grandes corporações, fez monografias e outros trabalhos acadêmicos; com que a Companhia se tornasse protago- congressos, seminários e outros eventos; nista de ações em prol do desenvolvimento novas mídias (sites, CD-ROMs, DVDs etc.). humano brasileiro, proporcional ao papel que Analisando o Programa com os olhos ela desempenha como empresa petrolífera no de hoje, passada mais de uma década de campo do desenvolvimento econômico. 82 sua criação, pode-se afirmar que a in- Tendo como eixo estruturador a Cultura serção do princípio da responsabilidade da Paz, e como eixos temáticos o esporte, a
  • 85. Comunicartecultura e a educação, o Programa beneficiou Divulgação Agência Petrobras de Notíciasprojetos que melhorassem as áreas compo-nentes do IDH – Índice de DesenvolvimentoHumano (renda familiar, níveis de instruçãoe expectativa de vida) e tendo como bene-ficiários adolescentes e jovens urbanos emsituação de risco social. Outras diretrizes estabelecidas para oPrograma foram as seguintes:• Os projetos apoiados deverão apresentar excelência na gestão e relações positivas de custo/eficiência e custo/benefício – o que estimulou uma maior profissionalização dos dirigentes e das equipes das organizações não-governamentais atuantes no Brasil;• Foi enfatizada a conquista de resultados quantitativos e qualitativos, capazes de demonstrar o impacto social dos projetos – um estímulo forte ao aperfeiçoamento no campo da gestão de projetos, pela necessidade de estabelecer indicadores de desempenho, periodicamente monitorados; de potencialidades, permitindo a união de• O Programa foi desenvolvido no âmbito ONGs diversas com agentes governamen- de parcerias e alianças estratégicas com tais, de fomento ou de cooperação; organizações sociais, de maneira a criar • Os projetos apoiados precisaram adotar sinergia com bons projetos já existentes e metodologias participativas de ação, de maximizar seus resultados. Esclarecemos modo a estimular o protagonismo dos aqui que a Comunicarte define parceria jovens beneficiados pelo Petrobras Social. como a ação conjunta de dois ou mais Neste contexto, procurou-se trabalhar atores sociais, de modo que a ação de com os jovens e adolescentes – e não no um complemente a do outro, visando a lugar deles, nem para eles. alcançar um objetivo comum. Por sua vez, a aliança estratégica pode acontecer entre A otimização dos atores que trabalham de forma isolada ou investimentos sociais concorrente. Porém, como compartilham Os processos de concepção e imple- de princípios éticos-políticos similares e mentação dos projetos a serem apoiados tendo em vista a magnitude do desafio a pelo Programa também ganharam atenção enfrentar, decidem atuar em conjunto para especial, pois a Companhia passou a obser- ampliar e otimizar as ações, maximizando var os seguintes critérios: assim os resultados e o impacto social de a) Qualidade das ações – os projetos apoia- seus esforços. A parceria envolve uma dos deviam estar em consonância com as convergência de necessidades; a aliança demandas das comunidades beneficiadas, 83 estratégica expressa uma convergência respeitando as especificidades locais.
  • 86. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Também deveriam ter metodologias e representando um importante retorno, inovadoras, além de parâmetros precisos para a empresa, de seus investimentos na para identificar os níveis de satisfação área social; dos beneficiários em relação às ativida- f) Retorno de mídia – antes do Petrobras des implementadas; Social, os projetos que se candidatavam b) Dinâmica processual – os projetos a receber o apoio financeiro da Compa- deviam, obrigatoriamente, incluir a nhia não precisavam se preocupar com o monitoria de indicadores de desempe- impacto de suas ações na mídia nacional. nho e mecanismos para a aferição de Com a criação do Programa, os projetos sua eficácia (consecução de objetivos e passaram a ter de incluir, no seu bojo, metas), eficiência (fazer mais com menos estratégias de promoção e divulgação de recursos) e efetividade (sustentabilidade seus êxitos juntos aos diversos segmen- das transformações sociais obtidas), além tos sociais, além de mecanismos para de levar em conta as relações custo/efici- aferição quantitativa e qualitativa do ência e custo/benefício; retorno de média gerado por suas ações. c) Foco das ações – passou a ser uma regra a consonância entre o projeto, a As etapas de implantação missão, os valores e objetivos sociais Na linha do tempo, o Petrobras Social da Petrobras. As ações planejadas para foi implantado através de quatro produtos os projetos tiveram que voltar-se para principais. O primeiro deles foi a oficina De- o preenchimento de lacunas, de modo a senvolvimento humano sustentável: princípios atender demandas ainda não satisfeitas; de marketing social, dirigidas aos profis- d) Impacto das ações – os projetos apoia- sionais das Assessorias de Comunicação dos deviam demonstrar sua capacidade (ASCOM) de todas as unidades de negócios de impactar os componentes do IDH, da Companhia, atuantes em diversos esta- incluindo os mecanismos de aferição dos brasileiros. A oficina foi realizada no desses resultados. Além disso, as trans- dia 10 de novembro de 2000 e possibilitou a formações sociais geradas pelos projetos atualização e o alinhamento conceitual dos deviam estar claramente identificadas, profissionais da área de comunicação da mostrando-se de que maneira o projeto Petrobras para uma nova era de trabalho da faria diferença no contexto sociocomuni- empresa no âmbito do Terceiro Setor. tário em que seria realizado; O segundo produto foi o documento inti- e) Visão da marca – os projetos passaram tulado Avaliando a atuação na área social: da a incluir mecanismos de associação de seleção de projetos ao impacto dos resultados, seus bons resultados à marca Petrobras, que estabeleceu os parâmetros de constru- de modo a proporcionar um adequado ção de parcerias ou alianças estratégicas, as- posicionamento da Companhia junto aos sim como desenhou o processo de monitoria diversos setores da sociedade, incluindo e avaliação dos projetos e programas sociais os formadores de opinião. Os agentes do que vieram a ser apoiados pela empresa. Terceiro Setor aprenderam que preci- O terceiro produto foi o documento savam dar à Companhia a valorização Constituição do Programa Petrobras Social, 84 de sua imagem institucional, coroando que articulou todos os elementos compo- o processo de comunicação por atitude nentes do Programa: contexto, conceito, eixo
  • 87. ComunicarteDivulgação Agência Petrobras de Notíciasestruturador, eixos temáticos, público-alvo, pontuação para os projetos concorrentesjustificativa, objetivos estratégicos, subpro- ao apoio da Companhia, baseado na análisegramas e as diretrizes gerais de ação. dos índices de mérito, relevância e impacto O quarto produto resultante da consul- social de cada projeto, no âmbito de um dostoria prestada pela Comunicarte foi uma fatores componentes do IDH – Índice deavaliação dos resultados e do impacto social Desenvolvimento Humano (renda, nível dede programas e projetos que receberam os instrução ou expectativa de vida)investimento sociais da Petrobras. Também foi estruturado um Regimento Para a boa operacionalização do Progra- para o Conselho Deliberativo do Programa,ma, foi elaborado um Regimento da Comissão que definiu com clareza as funções dos seusde Seleção de Projetos. Essa Comissão foi respectivos membros e o processo de análiseformada por cinco profissionais especialistas de projetos pré-selecionados, com vistas ana área social, indicados pelo Conselho Deli- eleger aqueles que foram de fato habilitadosberativo do Programa, sendo dois executivos a receber o apoio do Petrobras Social. Odo Petrobras/UCCM (Unidade Corporativa de Conselho também atuou com base em umComunicação e Marcas), um indicado pela sistema objetivo de pontuação, que levou emdireção da Companhia e dois consultores. A conta, além do mérito, relevância e impactoComissão assumiu a tarefa de selecionar os social de cada projeto, fatores como inovação,projetos inscritos no subprograma Juventude reaplicabilidade, exemplaridade e garantia dee Paz, duas vezes por ano. visibilidade para a marca Petrobras. Graças ao Regimento, o processo de Ampliando a objetividade do processo,análise de projetos passou a ser mais obje- foi criado um Formulário de Inscrição detivo e menos sujeito a decisões de caráter Projetos, que serviu para que os proponen- 85subjetivo, pois foi criado um sistema de tes modelassem suas propostas de acordo
  • 88. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis A sociedade brasileira também teve amplo acesso ao Regulamento do Programa, em versões impressa e eletrônica, que apre- sentavam o conceito do Petrobras Social, o tipo de projetos elegíveis, os procedimentos de inscrição das organizações sociais, a explicação sobre os dois tipos de contratos possíveis (parceria ou aliança estratégica), a Divulgação Agência Petrobras de Notícias previsão de ações de comunicação que valo- rizassem a marca Petrobras, encerrando-se com a forma de divulgação dos resultados do processo seletivo, dando transparência em todas as fases do processo. A avaliação dos programas e projetos sociais anteriores A elaboração de um Programa cuja estru- tura representasse uma necessária refor- com os valores e objetivos do Programa mulação do processo de seleção e acompa- Petrobras Social. Neste sentido, o Formulá- nhamento dos resultados dos investimentos rio funcionou como um verdadeiro processo sociais da Petrobras passou por uma etapa de treinamento e capacitação de dirigentes crucial, que foi a da avaliação, feita pela Co- de organizações sociais, que passaram a municarte, dos programas e projetos sociais pensar em metas, indicadores quantitativos apoiados pela Companhia antes do ano 2000. e qualitativos, avaliação processual, validade Era preciso analisar os níveis de eficácia e da metodologia empregada e avaliação de eficiência dessas ações, para identificar as resultados. Diversas outras empresas se modificações necessárias ao aperfeiçoamen- inspiraram na estrutura desse Formulário, to da política da empresa no Terceiro Setor. pois ele passou a ser publicamente reco- A avaliação permitiu mensurar os nhecido como exemplo de estruturação de progressos alcançados no que tange aos ob- propostas de qualidade na área social. jetivos dos programas e projetos, ao mesmo Também foi elaborado um folheto tempo em que possibilitou aferir o impacto promocional (versões impressa e digital) do social das ações sociais, ou seja: se as Programa, que explicou ao público em geral transformações sociais esperadas aconte- em que consistia o Programa, o porquê do ceram de fato e em que medida. O processo seu vínculo com a Cultura da Paz, os focos de avaliação também levantou informações de atuação, os objetivos estratégicos, as confiáveis sobre a contribuição das ações ações estratégicas (o módulo de Ações sociais para o fortalecimento da imagem Diretas e o módulo Informação & Difusão), corporativa da Petrobras, junto aos líderes além de informar como acontecia o proces- do Terceiro Setor, formadores de opinião e so de seleção de projetos e qual era o papel moradores das comunidades beneficiadas. 86 dos membros do Conselho Deliberativo e da A avaliação realizada não consistiu num Comissão de Seleção. trabalho meramente descritivo e analítico.
  • 89. ComunicarteEla foi constituída de forma propositiva e nos programas e projetos, assim comobalizadora, corretora dos rumos trilhados sua capacidade gerencial para viabilizar apela Companhia. Assim a avaliação dos consecução dos objetivos.programas e projetos sociais apoiados • Verificar a efetividade e o impacto dospela Petrobras se tornou um verdadeiro investimentos sociais para a melhoria dainstrumento de planejamento e gestão dos qualidade de vida das comunidades-alvosinvestimentos sociais da Companhia. dos programas e projetos. O resultado contribuiu para a criação do • Avaliar, juntos aos públicos-alvos, líderesPetrobras Social, já que a avaliação efetu- e formadores de opinião, o nível de iden-ada configurou-se como um conjunto de tificação dos programas e projetos com apropostas e recomendações articuladas entre marca Petrobras.si, no sentido de favorecer o replanejamento É interessante constatar aqui, a despeitoe a reorientação dos programas e projetos da importância da avaliação como instru-avaliados. O objetivo foi tornar esses progra- mento de gestão, no Brasil daquela épocamas e projetos mais eficazes, mais eficientes eram raros os programas e projetos sociaise mais efetivos, além de melhor adequá-los que a empregam de forma consistente.à missão, aos valores, comportamentos e Normalmente os motivos alegados eram aobjetivos corporativos da Petrobras. falta de recursos financeiros ou a falta de A avaliação não se destinou a julgar tempo para fazer a avaliação – e por isso,programas e projetos, mas sim a identificar ela costumava ser confiada a empresasmétodos, técnicas e procedimentos que externas, que se tornavam as responsáveispoderiam torná-los mais capazes de atender pela verificação do rumo correto ou incorre-ás demandas e expectativas do público-alvo to dos programas e projetos sociaisbeneficiado por eles. A avaliação forneceu as respostas bus- O objetivo geral da avaliação foi o cadas para quatro questões-chaves:seguinte: a) Mérito: o programa ou projeto apresenta Contribuir para elevar a eficácia, eficiên- intenções louváveis? cia e efetividade dos programas e projetos b) Relevância: o programa ou projeto desen- avaliados, além de subsidiar o aprimora- volve atividades e estratégias apropria- mento do processo de tomada de decisões das para as necessidades que pretende quanto aos investimentos na área social, atender? Em que medida os objetivos consoante a missão, valores e comporta- do programa ou projeto foram definidos mento corporativos [da Petrobras]. em relação às reais necessidades da Os objetivos específicos, por sua vez, comunidade-alvo?giraram em torno de quatro propostas: c) Impacto social: em que medida as ações• Qualificar as ações dos programas e do programa ou projeto criaram condições projetos avaliados em relação ao atendi- para que ocorressem transformações posi- mento das demandas das comunidades tivas na vida dos seus beneficiários? envolvidas e quanto à identificação com a d) Retorno de imagem: de que forma o pro- missão, valores e objetivos da Petrobras grama ou projeto contribuiu para melho- no campo social. ria da imagem corporativa com reflexos• Identificar os níveis de eficácia e eficiên- positivos na Reputação, ou facilitaram a 87 cia na utilização dos recursos disponíveis inserção da Companhia nas comunidades?
  • 90. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Diversas técnicas e instrumentos foram vigentes por um determinado tempo) ou usados no processo de avaliação. As téc- resultados de longo prazo ou de impacto (mu- nicas identificam os meios utilizados para danças duradouras). obtenção de informações. Entre elas, podem Entrevistas com os Gerentes das diver- ser mencionadas a pesquisa bibliográfica, sas Unidades da Petrobras mostraram que a observação participante, entrevistas de eles estavam alinhados com o anseio de interceptação, grupos focais, estudos de abandonar a postura compensatória ou as- caso, pesquisas de follow up e entrevistas sistencialista na área social, apontando para em profundidade. Já os instrumentos são a necessidade de reformular a ação social os recursos usados para obter dados, tais da Companhia. Todos os gerentes propuse- como livros, revistas e outros impressos, ram mudanças de base nas ações sociais questionários, roteiros de entrevista, grava- corporativas, o que facilitou posteriormente ções e estatísticas. a implantação do Petrobras Social, com A avaliação partiu dos dados constan- suas novas diretrizes estratégicas. tes no relatório intitulado Projetos sociais O processo de avaliação justificou ple- e ambientais da Petrobras – 2000. De namente a reformulação dos investimentos acordo com essa publicação, no ano de sociais da Companhia. As soluções possí- 1999 a Companhia desenvolveu ou apoiou veis apontadas, que foram incorporadas ao cerca de 230 projetos sociais, ambientais, arcabouço do Petrobras Social, foram estas: de segurança industrial e de qualidade, implantação de uma política social insti- totalizando um investimento anual de R$ tucional, que defina o foco e os objetivos 208 milhões. Do total de projetos, 113 eram da ação social, a definição de princípios, de natureza sociocomunitária, com focos normas e procedimentos para execução temáticos diversos, tais como: educação, de projetos, sociais, com ênfase em ações saúde, profissionalização, atividades espor- de desenvolvimento reais e não apenas tivas, atividades artísticas e culturais, saúde assistenciais, incorporação do conceito de comunitária e higiene. sinergia ao planejamento estratégico da Os indicadores de avaliação foram divi- ação social da Companhia e criação de um didos em quatro categorias: novo programa social. Insumos – referem-se ao conjunto de re- cursos disponíveis no programa ou projeto, Recomendações gerais para a incluindo os recursos humanos, materiais, Ação Social da Petrobras financeiros e de infraestrutura física. O Relatório de Avaliação listou uma Processo – refere-se às atividades desenvol- série de considerações importantes para vidas para atingir os resultados esperados. nortear a reformulação dos investimentos Produto – é o resultado obtido por meio das sociais da Companhia. A primeira delas atividades realizadas. foi mostrar que os programas e projetos Resultados – referem-se às mudanças sociais eram extremamente pulverizados, observadas no público-alvo a partir das sem foco temático e sem um público-alvo intervenções realizadas pelo programa ou beneficiário claramente identificado. projeto. Podem ser divididos em resultados A sensibilização e capacitação dos 88 intermediários, resultados de efeito(mudanças recursos humanos internos passaram a de comportamento, atitudes e práticas ser vistos como elementos fundamentais
  • 91. ComunicarteDivulgação Agência Petrobras de Notíciaspara o fortalecimento da política social da ria a inclusão de indicadores e metas, foramPetrobras. Foi verificada a necessidade dados vários passos à frente nessa direção.de se ter uma linguagem homogênea ao Por fim, com base na análise de dadosfalar de responsabilidade social, de modo a obtidos, o Relatório de Avaliação concluiu,incorporar a cultura da cidadania corporati- ainda, pela necessidade de atualizar o perfilva às atividades da empresa. A capacitação metodológico dos programas e projetosdos profissionais-chaves no planejamento sociais, para melhor adequá-los ao cenárioe execução da política social da Petrobras econômico do início do ano 2.000.tornou-se, nesse contexto, uma prioridade. No campo do gerenciamento de projetos Resultados Alcançados pelosociais, houve consenso de que era preciso Petrobras Socialsensibilizar e capacitar os gestores dos progra- Do desenvolvimento das diretrizes damas e projetos sociais para que incorporassem Petrobras Social nasceu outro importanteo conceito de boas práticas gerenciais ao programa alinhado à macro política socialdesenvolvimento das ações sociais. Em última do governo, o Petrobras FOME ZERO, queanálise, isso significou imprimir ao Petrobras foi lançado pessoalmente pelo presidenteSocial os mesmos princípios de administração Luiz Inácio Lula da Silva no Salão Nobre domoderna empregados na gestão empresarial, o Palácio do Planalto, no início de setembroque ocasionou uma elevação do desempenho de 2003. Participaram da solenidade os mi-profissional dos gestores das organizações nistros da Integração Nacional, Ciro Gomes;sociais apoiadas pela Companhia. de Segurança Alimentar e Combate à Fome, A avaliação indicou também a necessi- José Graziano; da Educação, Cristovamdade de monitorar e avaliar os programas e Buarque; da Secretaria Especial de Direitosprojetos sociais. Com a criação de um novo Humanos, Nilmário Miranda; e de Minas e 89formulário de inscrição, que tornou obrigató- Energia, Dilma Rousseff.
  • 92. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis mica e organizacional, de forma a garantir a continuidade dos benefícios gerados após o encerramento do contrato de patrocínio com a companhia. Mais recentemente, todos os investi- mentos sociais e em projetos de patrocínios ou convênios ambientais desenvolvidos pelas unidades organizacionais da Petro- bras no Brasil passaram a ser alinhados às diretrizes e os procedimentos estabelecidos no Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania e no Programa Petrobras Ambien- tal (PPA). Os procedimentos necessários para análise, seleção, aprovação, acompa- nhamento e avaliação desses projetos estão Divulgação Agência Petrobras de Notícias descritos em sistemáticas específicas para investimentos sociais e para patrocínios e convênios ambientais. O Petrobras Social foi a matriz estruturante de todos eles. Na Petrobras, há um claro entendimento de que o investimento social gera impactos positivos para o negócio da Companhia, possibilitando interações permanentes, dinâmicas e qualificadas entre a empresa, a sociedade e as comunidades beneficiadas, O programa, de caráter compensatório capazes de criar vínculos que produzem e emergencial, contribuiu sensivelmente valor compartilhado em uma perspectiva de para a diminuição do problema da fome em longo prazo. nosso país. A atuação da Petrobras na área social, O Petrobras Social, hoje, só pode ser que se tornou sistêmica e normatizada com descrito como um caso de sucesso na área a criação do Petrobras Social, consolida uma da responsabilidade social corporativa, que proposta que vai além da simples transfe- colaborou para que os programas de patro- rência de recursos financeiros, pois procura cínios sociais, ambientais e esportivos e de estimular e fortalecer o protagonismo social apoio à cultura da Companhia resultassem, das comunidades apoiadas. A Companhia de forma mais efetiva, em contribuição genu- também oferece, a seus colaboradores e aos ína para o desenvolvimento sustentável. dirigentes e técnicos das instituições sociais O processo de seleção pública ga- apoiadas oficinas de treinamentos voltados rante maior igualdade de acesso e maior para as melhores práticas de gerenciamento abrangência dos projetos selecionados. de projetos. Só em 2010, por exemplo, foram Ao mesmo tempo, o Programa incentivou capacitados 318 instituições sociais e 221 90 fortemente os projetos patrocinados a terem trabalhadores da companhia nesses aspectos metas para alcançar suaa viabilidade econô- pela Universidade Petrobras.
  • 93. ComunicarteDivulgação Agência Petrobras de Notícias Destaca-se também, em 2003, o Por meio do programa, a Petrobras finan-Prêmio Marketing Best de Sustentabili- ciou, ao longo do ano de 2010, 788 iniciati-dade, conquistado pelo Petrobras Social vas em todos os estados brasileiros, o que11ª edição. corresponde a investimentos da ordem de Emergindo de um programa social bem R$ 194,5 milhões.estruturado, o Programa Petrobras Desen- O Petrobras Social é uma história quevolvimento & Cidadania propõe um conjunto fez histórias. Histórias de superação, dede indicadores e metas de desempenho que participação e de transformações sociaispermitem acompanhar, de forma integrada que melhoram a vida de milhares de pesso-em todo o território nacional, os resultados as, inaugurando uma nova forma de sentir,obtidos pelos projetos nos quais investimos. pensar e agir na área social.EquipePetrobras: Lia Blower e Janice DiasComunicarte: Marcio Schiavo 91
  • 94. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Eudes Santana PQS www.pqspe.com.br Eudes Santana Atividade: Química e têxtil Fundação: 2006 Colaboradores: 994 Receita líquida: R$ 29 Mi (base julho/2012) Principais projetos em sustentabilidade: Marco Pernambucano da Moda; Recicla Pernambuco; Na Emenda; Centro de Inclusão Digital e Profissional e Centro de Referência e Formação Profissional em Segurança do Trabalho 92
  • 95. PQS Programa de Responsabilidade Social Corporativo da PQSO Complexo Industrial Químico- A partir desta Politica foi estruturado -Têxtil – PQS, composto pela o Programa de Responsabilidade Social Companhia Petroquímica de Corporativa da companhia, onde foram Pernambuco, Petroquímica- elencados três Eixos Estratégicos: Educação Suape, e a Companhia Inte- Profissionalizante e Ações Complementa- grada Têxtil de Pernambuco, res à Escola, Geração de Trabalho e RendaCitepe, foi criado em abril de 2006, reunindo e Educação Ambiental, com ênfase emtrês unidades de produção, formando este reciclagem .complexo da indústria têxtil no Brasil que Além de atender plenamente a todosfornece matéria-prima para a cadeia nacional os requisitos demandados pelo BNDES, ode poliéster, com a fabricação de ácido Programa buscou levar em conta o cenáriotereftálico (PTA), de polímeros têxteis e para socioeconômico da região e o potencialembalagens PET e filamentos de poliéster. transformador das condições de vida e O projeto contou com um investimen- de trabalho no Território Estratégico deto de R$ 6,013 bilhões (base: 2011), dos Suape, em sintonia com as possibilidadesquais R$ 2,5 bilhões foram provenientes específicas criadas com a implantação dodo BNDES. Como contrapartida, o BNDES Polo Petroquímico. Assim, o Programa deoferece uma linha de crédito, dentro da mo- Responsabilidade Social Corporativo visoudalidade de subcrédito social às empresas reconfigurar as ações transformadorasque captam recursos. Com isso, dando con- da cadeia produtiva do polo petroquímico,dições de implementar um programa sólido inaugurando uma nova Cadeia Social Produ-e desdobrar em projetos socioambientais tiva, paralela e intrinsecamente associada àsob a ótica do desenvolvimento sustentável. indústria local.Foi nesta perspectiva que a PQS convidou a Os objetivos e focos do Programa foramComunicarte – Agência de Responsabilidade construídos totalmente alinhados à políticaSocial para atuar como consultoria para a da Petrobras para o setor, (hoje o acionistaelaboração da Política de Responsabilidade da PQS), que é alicerçada na promoçãoSocial Corporativa da PQS, com o obje- dos direitos humanos e da cidadania, bemtivo de orientar sobre os procedimentos como do desenvolvimento sustentável dasindispensáveis para atender essa demanda populações beneficiadas. Neste horizon- 93específica da empresa. te, o Programa, além de contribuir para o
  • 96. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Características da Características do Programa Petroquímica Suape de Responsabilidade Social Tecnologia Estratégias inovadoras de última geração em responsabilidade social Transformação de matéria-prima Transformação social Cadeia Produtiva Têxtil Cadeia Social Produtiva crescimento econômico do território em Por outro lado, iniciar uma empresa com que foi implantado, permitiu mitigar os sua política de investimento social desen- impactos ambientais dos empreendimentos volvida e definida, com um programa bem industriais além de reduzir as desigualdades estruturado, com um sistema de monitora- sociais, ampliando o acesso dos diversos mento e avaliação definidos, sem dúvidas, é públicos por meio da implementação de um grande avanço e um exemplo concreto projetos sociais voltados à formação de uma de alinhamento com o desenvolvimento cadeia social produtiva. humano sustentável. Para orientar as ações proposta, foram considerados também os oito Objetivos do Alinhamento com a “Visão” – Se, por Milênio e os dez princípios do Pacto Global um lado, no momento da elaboração do da ONU – Organização das Nações Unidas. Programa, a Visão do Complexo PQS ainda Por fim, para os projetos apoiados foi in- não estava elaborada, por outro foi pos- dicado que fossem monitorados e avaliados sível trabalhar com as suas expectativas, sistematicamente, medindo-se os resultados perfazendo associações entre as principais e os impactos das ações implementadas. características do empreendimento e suas possibilidades no campo socioambiental. Diretrizes Estratégicas do O quadro acima mostra essa correlação. Programa O Programa de Responsabilidade Social Alinhamento com a “Missão” – Uma das Corporativa do Complexo PQS foi concebido missões do Complexo PQS é fortalecer à antes mesmo que a empresa venha a entrar indústria têxtil brasileira. Outra missão é em operação, prevista para o último trimes- fornecer fibras sintéticas a um custo que tre de 2012. Assim, o respectivo Programa permita à indústria têxtil nacional fazer começou a ser implementado, por meio do frente aos competidores asiáticos, substi- desenvolvimento dos seus 10 projetos em tuindo as importações. carteira, a partir de outubro de 2010. Levou- Se a companhia visa fortalecer a indús- -se em conta as características previstas tria têxtil brasileira, então coube ao Progra- para a PQS em sua fase de operação e a ma de Responsabilidade Social Corporativo importância econômica, social e ambiental propiciar o fortalecimento na sua área – e para a região pernambucana na qual está nada melhor do que promover a elevação do 94 inserida, estando assim em plena sintonia IDH – Índice de Desenvolvimento Huma- com o DNA da empresa. no nas comunidades beneficiadas pelas
  • 97. PQSações socioambientais. Nesse horizonte, Programa de PetroquímicaSuape Responsabilidade Socialo trabalho de inclusão social foi proposto = Indústria Têxtil/PET Inclusão Social/IDHcom as mesmas qualidades e competênciasprevistas para a companhia, expressos daseguinte forma:• Pensamento estratégico – a formação de Pensamento Estratégico capital social é a melhor estratégia para Competência Técnica promoção do desenvolvimento humano, so- cial e econômico do país e de Pernambuco. Excelência Gerencial• Competência técnica – a execução do Inovação Tecnológica Programa deve ser realizada com eleva- Foco em Resultados dos padrões de profissionalismo, a come- çar pelo rigor na escolha dos parceiros, Fonte: Complexo PQS visando à sustentabilidade dos projetos ções, trata-se de um processo que conduz desenvolvidos. naturalmente aos conceitos de independên-• Inovação Tecnológica – deve ser acompa- cia, autonomia e desenvolvimento nacional/ nhada pelas inovações no campo social, local de competências. Assim, o Programa como o conceito inédito do país, de Cadeia do Complexo PQS tem por missão atender Social Produtiva. às demandas socioeconômicas que foram• Foco em resultados – a filantropia, as ações diretamente detectadas no Território Estra- benemerentes ou emergenciais deverão ser tégico de Suape e nas áreas de interesse substituídas pelas ações alterativas previs- envolvendo o foco temático e que são carac- tas pela filosofia de atuação do Programa, terizadas por fatores como baixa escola- de modo a gerar resultados e benefícios ridade da população, falta de qualificação concretos para as comunidades atendidas, profissional, baixos níveis de renda e pouca dentro dos três eixos e direcionadores que empregabilidade e alta vulnerabilidade de suportam a atuação do Programa. risco social e baixo acesso aos direitos• Excelência gerencial – o Programa humanos e sociais da população. do Complexo PQS conta um sistema avançado de gerenciamento em rede, Diagnóstico que permite monitorar e avaliar o de- O Território Estratégico de Suape fica sempenho das organizações executoras no estado de Pernambuco e compreende, dos projetos sociais, de forma intera- hoje, oito municípios na área de influência tiva e promotora de elevação do nível direta e indireta do empreendimento petro- de desempenho dos agentes sociais químico: Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, envolvidos. Jaboatão dos Guararapes, Moreno, Escada, Em síntese: da mesma forma que o Com- Rio Formoso, Ribeirão e Sirinhaém.plexo PQS irá instituir uma cadeia nacional O Complexo Industrial Portuário dedo poliéster, a partir das matérias-primas Suape está situado na Nucleação Sul daque produzirá e entregará ao mercado, o Pro- Região Metropolitana do Recife, distantegrama de Responsabilidade Social Corporati- aproximadamente 40 quilômetros de Recife,vo instituirá uma “Cadeia Social Produtiva”. localizado entre os municípios do Cabo de 95 Quanto à missão de substituir importa- Santo Agostinho e de Ipojuca, com acesso a
  • 98. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis • Déficit habitacional – 40.000 (2006) Fonte: Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco Pernambuco possui uma população estimada em 7.918.344 habitantes1 (IBGE, dados de 2000), com média estadual do IDH na faixa de 0,705, valor que não reflete a realidade social da maioria dos municí- pios pernambucanos. Dos 184 municípios existentes, observa-se que 154 são de pe- queno porte e que neles existem elevados índices de pobreza e desigualdade intrar- regional. Cerca de 42,7% da população pernambucana está concentrada na Região Metropolitana do Recife. Dados de diagnóstico recente demons- tram que os problemas mais graves da região de Suape estão relacionados com a juventude. Um deles é a falta de opor- tunidades de emprego, por causa da má Acervo PQS qualificação da mão-de-obra local, que não se profissionalizou para a chegada das grandes indústrias. A ausência de espaços Abrangência do Território Estratégico de Suape partir da BR-101 e da PE-60. (em amarelo no mapa) de lazer também agrava a busca pelo con- Algumas importantes informações ge- sumo de bebidas e drogas e, consequente- rais do Território encontram-se resumidos mente, gera violência. no quadro abaixo: Projetos sociais que valorizem a mulher, • Área – 1.774.07 km2 (1,8% de Pernambuco) que elevem o índice de escolaridade do En- • População Total 2007 – 1.011.276 habitan- sino Fundamental e do Ensino Médio e que tes (12,8% de Pernambuco) formem profissionais para os novos empre- • Taxa de urbanização 2007 – 94,3%  endimentos são os mais recomendados. A • Densidade demográfica 2007– 570 habi- preocupação da PQS com o impacto de seu tantes por km2 (PE – 86 hab/km2 ) negócio está relacionada diretamente com • PIB (Produto Interno Bruto) – R$ 9.833,1 a inclusão social e o aumento da emprega- milhões, o que representa 23,3% do PIB bilidade, tendo como resultado a geração de de Pernambuco e 36,7% da Região Metro- trabalho e renda. politana. (2003)  Essa GERAÇÃO, que até o momento • PIB per capita 2005 – R$ 10.791 pouco ganhou com o crescimento econômi- (PE: R$ 5.931) co da região, será a mais beneficiada com • Atividades Econômicas – agropecuária, a implantação dos empreendimentos. Por 96 turismo e indústria da transformação. isso, é importante avaliar os benefícios e os 1 Dados da Secretaria Estadual de Assistência Social de Pernambuco.
  • 99. PQSinvestimentos previstos, sobretudo no que inclusive parceiras Foram pre-diz respeito à formação técnica e profissio- previstas em um dos vistas açõesnal desses jovens, à sua educação ambiental projetos em desen- de Educaçãoe à geração efetiva de trabalho e renda para volvimento, o Reciclaessa faixa etária. Pernambuco. Além Ambiental para A proposta deste Programa foi justa- disso, foram previstas conscientizar amente estruturar um conjunto de projetos ações de Educação população locale iniciativas, que tivessem o compromisso Ambiental para cons- da necessidadecom o desenvolvimento territorial sus- cientizar a população permanentetentável da área de abrangência direta do local da necessidade de proteção daComplexo PQS . A necessidade de atender permanente de pro- natureza e seusàs demandas socioeconômicas presentes teção da natureza eno Território Estratégico de Suape, carac- seus ecossistemas. ecossistemasterizadas pela baixa escolaridade, falta dequalificação profissional, baixo nível de Implementação do Caserenda e pouca empregabilidade, apontou Objetivo Geral – Definir e priorizar opara a implementação de ações inovadoras, investimento social privado do Complexotão significativas quanto os investimentos Industrial Químico-Têxtil, PQS, compostofinanceiros e tecnológicos alocados na pelas empresas Companhia Petroquímica deregião. Portanto, o Programa de Responsa- Pernambuco, a PetroquímicaSuape, e pelabilidade Social Corporativo previu ações no Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco,Território Estratégico de Suape (foco geo- a Citepe, em projetos e iniciativas que pro-gráfico) e na cadeia produtiva do poliéster movam o desenvolvimento sustentável local(foco temático). com foco nas seguintes áreas: educação Os estudos socioeconômicos realiza- para o trabalho, geração de trabalho e renda,dos na região trouxeram à luz importantes reciclagem e educação ambiental.questões sociais que precisam ser atendidas No Programa de Responsabilidadecom auxílio de outros parceiros, o que justifica Social Corporativo da PQS foram pre-plenamente o Programa de Responsabilidade vistas ações diretas, executadas pelaSocial Corporativo proposto. própria empresa, que assim desenvolve os Houve também uma preocupação com a projetos sociais que implanta na região,mitigação do impacto ambiental de resíduos e ações catalisadoras, que são as ativi-provenientes da própria atividade industrial dades de influência sobre outros atores,do PET, através do reaproveitamento inteli- como o poder público (em suas instânciasgente destes resíduos, a partir de estudos que estadual e municipal), órgãos de fomento,envolvam inovação nos procedimentos de re- organizações sociais,comunidade, empre-ciclagem e educação ambiental, e que também sas parceiras, universidades e instituiçõespode ser introduzido o conceito de logística de ensino tecnológico, de modo a efetivarreversa, com ênfase na geração de trabalho e resultados gerados a partir de articula-renda. Este conceito de logística reversa não ções, convênios ou contratos.será introduzido no processo industrial daPQS, por diversos fatores intrínsecos e espe- Objetivos Específicos – Os seguintes obje- 97cificidades, mas para empresas de reciclagem, tivos específicos orientam o Programa de
  • 100. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Responsabilidade Social Corporativo: consonância com a visão de uma cadeia • Promover a articulação intersetorial local social produtiva. (poder público, empresas e organizações • Recomendar e priorizar ações de inves- sociais, universidades e instituições técni- timento social privado que minimizem cas de ensino, principalmente), com foco impactos negativos decorrentes da ope- nos eixos estratégicos. ração de implantação da nova unidade • Contribuir para elevar o IDH – Índice de industrial. Desenvolvimento Humano do Território • Alinhar o Programa de Responsabilidade Estratégico de Suape. Social Corporativo da PQS às práticas • Reforçar as políticas públicas para gera- socioambientais do Sistema Petrobras. ção de trabalho e renda. • Articular parcerias entre o governo local, • Contribuir para a inserção dos jovens no a sociedade civil e os demais públicos mercado de trabalho. de relacionamento e de interesse assim • Promover educação e ações ambientais. como os outros empreendimentos estru- • Desenvolver um Sistema de Informa- turadores da região para potencializar os ção Gerencial para selecionar projetos, objetivos do Programa. monitorar e avaliar seus processos, Para aumentar o poder de geração de resultados e impactos, em processo de resultados palpáveis do Programa, foram desenvolvimento. eleitos três focos principais de atuação e de seleção de projetos ou ações a serem imple- Estratégias da Ação mentadas: Focos Geográficos, Focos Temáti- • Realizar ações que demonstrem o com- cos, e Focos em Públicos-Alvos Prioritários. promisso do Complexo PQS com o desen- volvimento sustentável da região. Focos Geográficos • Desenvolver projetos que atendam às • Os focos geográficos do Programa são: demandas da comunidade dos municí- • O Território Estratégico de Suape pios de abrangência direta e de interes- • O Polo Têxtil do Agreste se temático do Programa, com ênfase • Região Metropolitana do Recife em educação (qualificação profissional) • Área geográfica de abrangência no âmbito e de geração de renda, envolvendo tam- da reciclagem bém a área de atuação direta, o municí- pio de Ipojuca. Focos temáticos • Apoiar e/ou equipar centros de desenvol- Considerando as necessidades e deman- vimento de atividades de capacitação pro- das locais, a partir da análise de atuação fissional, educativas, sociais e culturais do negócio da companhia (produção de complementares ao ensino formal, para matéria-prima para a indústria têxtil), foram jovens e adolescentes. eleitos três eixos estratégicos para o Pro- • Apoiar a capacitação e organização de grama de Responsabilidade Social Corpora- integrantes das comunidades locais, em tivo: Educação para o Trabalho (Formação parceria com outras instituições, para Técnica Profissional e Ações Complementa- desenvolverem sistemas de produção res à Escola), Geração de Trabalho e Renda 98 sustentáveis, especialmente aqueles re- (Economia Solidária) e Educação Ambiental, lacionados com os negócios da PQS, em com ênfase na reciclagem. Recomendou-se
  • 101. PQS Pilares da Princípios do Sustentabilidade Programa de RSC Gestão independente Associativismo e cooperativismo Econômico Empreendedorismo Sustentabilidade econômica Inclusão social Desenvolvimento Humano Social Responsabilidade Social Corporativa Reaplicabilidade Diversidade Atuação da PetroquímicaSuape e da Citepe Ambiental Responsabilidade para com as gerações futurasque os princípios do Programa estivessem • Público-Alvo Prioritário de Projetos dealinhados aos seguintes pilares da Sus- Reciclagem: Homens adultos de baixatentabilidade, conforme demonstra tabela escolaridade (com ênfase na formaçãoacima. de cooperativas de catadores e empre-Públicos-Alvos Prioritários endimentos voltados para o reaprovei- Para cada um dos Focos Temáticos tamento de resíduos industriais ou dedo programa, foi eleito um público-alvo logística reversa);prioritário e um público-alvo secundário, da • Público-Alvo Secundário desses Pro-seguinte forma: jetos: ONGs com atividades ambientais.1. Educação para o trabalho à Formação técnica e ações complementares – Au- • Público-Alvo Prioritário das Ações de mento da empregabilidade: Educação Ambiental: Professores e • Público-Alvo Prioritário: Jovens de 18 estudantes da rede pública de ensino a 29 anos (Geração Suape); (Fundamental e Médio) • Público-Alvo Secundário: Homens • Público-Alvo Secundário dessas adultos de baixa escolaridade. Ações: Associações de Moradores2. Geração de trabalho e renda à Empreen- dedorismo, Associativismo, Cooperativis- Seleção de Projetos mo – inserção na Cadeia Social Produtiva: O processo de seleção dos projetos que • Público-Alvo Prioritário: Mulheres integram o Programa de Responsabilidade associadas ou cooperativadas; Social Corporativo da PetroquímicaSuape e • Público-Alvo Secundário: Homens as- da Citepe, que compõem o Complexo PQS, sociados ou cooperativados / Micro e está baseado em um Sistema de Informa- pequenos empreendedores nascentes. ção Gerencial desenhado especificamente3. Ações Ambientais à Educação Ambiental para essa finalidade. O sistema procura e Reciclagem – Conscientização, Traba- diminuir a presença de fatores subjetivos na 99 lho e Renda: análise dos projetos, alicerçando a política
  • 102. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Acervo PQS Terraplanagem do terreno da Escola Técnica Senai – Ipojuca – Centro de Formação Profissional Horário Lugon (PE) de atuação da companhia na promoção do Social Corporativo. A seguir, são apresen- desenvolvimento local sustentável em suas tados os indicadores escolhidos para e os três dimensões principais: social, econômi- critérios de seleção dos projetos apoiados ca e ambiental. pela companhia. Inicialmente, foram definidos dois focos para o Programa de Responsabilidade Social Aplicação dos Eixos Estratégicos no Pro- Corporartivo: o geográfico e o temático. O cesso de Seleção Território Estratégico de Suape, o Polo Têx- Os projetos a serem apoiados pela PQS til do Agreste e sua área de abrangência no serão analisados em função dos três eixos âmbito da reciclagem e a Região Metropoli- que direcionam o investimento social da tana do Recife constituem os fundamentos companhia. São eles: do primeiro foco, que leva à escolha de • Formação e Qualificação Profissional – pro- projetos com base no critério geográfico. jetos que contemplam a formação de pes- O segundo foco, por sua vez, tem como base soal para o exercício de atividades econô- um tema central, que é a formação de uma micas remuneradas, direta ou indiretamente “Cadeia Social Produtiva”, a ser estruturada provocadas pelas indústrias presentes no a partir das relações do negócio principal Território Estratégico de Suape, em especial do Complexo PQS com as necessidades e pela Petroquímica e a Citepe. os desejos da população que demanda os • Geração de Trabalho e Renda – projetos produtos e serviços feitos a partir dessas que possibilitam a inclusão da população matérias-primas que a companhia dispo- local na Cadeia Social Produtiva, ofere- nibiliza para o mercado. Desta forma, é o cendo produtos e serviços. próprio DNA da companhia que está direcio- • Educação Ambiental e Reciclagem – nando as ações do Programa de Responsa- projetos comprometidos com o bem-estar bilidade Social Corporativo. coletivo e a melhoria da qualidade de vida Com base nessas premissas, foi ela- na região, beneficiando em especial crian- 100 borado o Sistema de Informações Sociais ças, adolescentes e jovens. São incenti- vinculado ao Programa de Responsabilidade vados os projetos baseados em ações de
  • 103. PQS reciclagem, reutilização de embalagens, 10 (dez) Princípios Orientadores, já mencio- ações de reforço da educação ambiental nados anteriormente e aqui relembrados para junto aos públicos de relacionamento, so- indicar como devem subsidiar o processo ciedade local, estudantes da rede pública, de seleção de projetos. Para o processo dentre outros. seletivo, cada um desses princípios têm três Cada projeto é classificado segundo a opções: totalmente alinhado; parcialmente ali-relação mais próxima que mantiver com os nhado e não alinhado. O peso deste conjuntoEixos Estratégicos do Programa de Respon- de princípios é 1 (um). Os princípios são:sabilidade Social Corporativo e a pontuação • Atuação da PetroquímicaSuape efinal terá peso 3 (três). da Citepe: Os mesmos conceitos que orientam os negócios da companhiaAplicação dos Focos Geográficos no Pro- devem orientar seu Programa de Respon-cesso de Seleção sabilidade Social Corporativo. Assim, são São 03 (três) os indicadores associados considerados os seguintes aspectos nosao fator geográfico de cada projeto: projetos a serem apoiados: pensamento• Execução no próprio Território Estratégico estratégico, competência técnica, excelên- de Suape, compreendendo os municípios cia gerencial, inovação tecnológica e foco de Ipojuca, Cabo de Santo Agostinho, nos resultados. Escada, Moreno, Jaboatão dos Guarara- • Gestão Independente: A capacidade geren- pes, Ribeirão, Rio Formoso e Sirinhaém. A cial da instituição ou entidade que executa maior pontuação é para os empreendimen- o projeto deve ser considerada, levando tos sociais realizados no Território Estraté- em conta suas principais atividades, corpo gico de Suape, devido à proximidade com a técnico e estrutura física e operacional. PQS. Os demais municípios são pontuados • Inclusão Social: São priorizados os projetos de forma decrescente, em função do IDH. que assegurem ou facilitem a inclusão dos Dessa forma, os municípios com menor grupos vizinhos ao empreendimento, das IDH recebem maior pontuação. pessoas que vivem no Polo Têxtil do Agres-• Projetos realizados no Polo Têxtil do te e as áreas de interesse temático ou na Agreste de Pernambuco e a área de Região Metropolitana do Recife. As popula- abrangência de educação ambiental e de ções em desvantagem social ou vulneráveis reciclagem, abrangendo recebem maior devem receber prioridade, especialmente pontuação. Os demais recebem pontuação grupos de mulheres, crianças, adolescentes decrescente a partir do IDH. e jovens até 29 anos (“Geração Suape”).• Para os projetos cuja execução acon- • Associativismo e Cooperativismo: tece na Região Metropolitana do Recife Projetos que contemplem a participação a pontuação é 1 (um) ponto. Para este de pessoas reunidas em associações ou conjunto de indicadores geográficos o em cooperativas, ou que possam vir a peso é 2 (dois). formá-las, devem ser melhor pontuados,Uso dos Princípios Orientadores no Pro- devido à abrangência dos resultados quecesso de Seleção podem alcançar, em comparação a ações De acordo com o estabelecido em sua individuais. A capacidade de participar dapolítica, o Programa de Responsabilidade “Cadeia Social Produtiva” da Petroquími- 101Social Corporativo do Complexo PQS segue caSuape e da Citepe ou do seu território
  • 104. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Eudes Santana Eudes Santana Sede do Marco Pernambucano da Moda – Recife (PE) Centro Social Urbano – Ilha de Deus – Imbiribeira, Recife (PE) é uma das dimensões mais importantes a pela companhia. A capacidade de impactar serem consideradas em um projeto. positivamente um ou mais desses indica- • Empreendedorismo: A promoção de ar- dores influi na pontuação do projeto. ranjos produtivos locais (APLs), com foco • Diversidade: A promoção da equidade de na geração de renda, é uma das priori- gênero, étnica (racial), cultural e a inclusão dades do Programa de Responsabilidade de pessoas com necessidades especiais, são Social Corporativo da companhia. características que qualificam um projeto a • Sustentabilidade (Social, Econômica e receber apoio financeiro do Programa. Ambiental): A capacidade de devolver à • Responsabilidade: Projetos que estejam sociedade um valor igual ou superior aos alinhados com os Objetivos do Milênio das custos, tanto socioeconômicos quanto Nações Unidas, com o Pacto Global e com ambientais, é uma qualidade que creden- o desenvolvimento sustentável (pensando cia um projeto a ser apoiado. globalmente e agindo localmente), devem • Promoção do Desenvolvimento Humano: ser melhor pontuados e priorizados na A capacidade de melhorar os indicado- alocação de recursos. res relativos à educação, saúde e renda • Reaplicabilidade: São mais valorizados os (componentes básicos do IDH – Índice de projetos que possam ser multiplicados em 102 Desenvolvimento Humano) é atributo in- escala, atingindo assim uma boa relação dispensável dos projetos a serem apoiados custo/benefício. Os aspectos meto-
  • 105. PQSAcervo SENAI-PEProjeto arquitetônico da Escola Técnica Senai – Ipojuca – Centro de Formação Profissional Horácio Lugon dológicos, de monitoria e avaliação de desempenho devem ser cuidadosamente considerados.Pontuação Final dos Projetos A pontuação final de cada projeto de-corre do número de pontos obtidos em cada Eudes Santanaconjunto de indicadores, multiplicado peloseu peso correspondente. A pontuação podevariar de 20 a 100 pontos, de acordo com Colcha de retalhos – projeto Na Emenda – Ipojuca (PE)o percentual de atendimento aos critériosdefinidos nas 16 (dezesseis) variáveis que – Recomenda-se fortemente o apoioformam os três conjuntos. financeiro ao projeto. Em função da pontuação recebida, Foram submetidos e analisados 24 (vintetemos as seguintes recomendações: e quatro) projetos. Aplicando-se a metodo-A. De 20% a 39% dos critérios atendidos – logia descrita anteriormente, a carteira de Recomendação para não apoiar o projeto projetos sociais ficou assim selecionada porB. De 40% a 69% dos critérios atendidos eixo de atuação: – Recomendação para adaptar e/ou aper- 1. Educação para o Trabalho e Ações Com- feiçoar o projeto, voltando a submetê-lo a plementares nova análise • Escola Técnica Senai – Ipojuca – Centro 103C. De 70% a 100% dos critérios atendidos de Formação Profissional Horácio Lugon
  • 106. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Eudes Santana Cooperativa Na Emenda, no distrito de Camela, em Ipojuca • Centro de Inclusão Digital e Profissional caSuape e da Citepe (Complexo PQS) estão • Centro de Referência e Formação Pro- organizados em três grupos: indicadores fissional em Segurança do Trabalho de gestão, indicadores de retorno para os • Marco Pernambucano da Moda públicos impactados e indicadores de re- • Diálogos para o Desenvolvimento de torno para o empreendedor. Estes critérios Suape (Diálogos de Pernambuco) atendem às necessidades de avaliação do 2. Geração de Trabalho e Renda Programa, mas recomenda-se a adoção de • Centro Social Urbano – Ilha de Deus um Sistema de Informações Gerenciais, em • Cooperativa Na Emenda processo de desenvolvimento, que permita • Polo de Confecções de Bom Jardim monitorar e avaliar on time as ações sociais • Restaurante-Escola – Engenho Massangana da PQS. Desse modo, ao longo do tempo, 3. Educação Ambiental e Reciclagem esse sistema de informação contribui muito • Recicla Pernambuco para aperfeiçoar os sistemas, os métodos Monitoramento e avaliação dos projetos e o processo de gestão de projetos que 104 Os indicadores de monitoramento e compõem o Programa. avaliação das ações sociais da Petroquími- A partir dos objetivos estratégicos de
  • 107. cada projeto e das definições das metas, são estão sendo atingidos e sinaliza caso sejarealizadas três avaliações dos resultados necessária alguma mudança de execução.alcançados pelos projetos. São elas: Com isso, temos o resultado da eficácia• Avaliação Processual: verifica se as do projeto avaliado; atividades programadas estão sendo • Avaliação de Impacto Social: mede as realizadas com êxito, o que permite medir transformações sociais, de forma direta ou a eficiência do projeto; indireta, ocorridas na comunidade benefi-• Avaliação de Resultados: mostra se os ciada. Assim, apresenta como resultado a resultados estabelecidos previamente visão crítica da efetividade do projeto.ConclusãoN a fase de execução dos projetos Estratégico de Suape; compra de equipamen- prospectados e selecionados, há tos nacionais e importados; colaborações de necessidade de diversas atividades funcionários de secretarias de Estado; apoioque dependem essencialmente de terceiros, de instituições de fomento; e programas detais como: cessão de espaços ou imóveis capacitação dos gestores dos projetos empor órgãos públicos ou privados; restauro questão, para mencionar apenas algumas dase construção de imóveis; parcerias com atividades desenvolvidas em parceria. Seminstituições de ensino superior e de cunho tais atividades, não podem ser alcançadas astécnico e instituições não-governamentais, metas previstas na Política e no Programasociedade civil, comunidade, fundações, além de Responsabilidade Social Corporativa dode outras empresas localizadas no Território Complexo Industrial Químico-Têxtil – PQS.Ficha TécnicaComunicartePresidente: Marcio SchiavoGerente Geral: Fabienne SchiavoCoordenador do Projeto: Flávia Ribeiro / Mario MarguttiAnalista de Comunicação: Isabela EstevesDesigner: Luciana ChoeriComplexo Industrial Químico-Têxtil – PQS (PETROQUÍMICASUAPE E CITEPE)Diretor-Superintendente: Richard WardGerente de Comunicação e Relações Externas:1ª Etapa – Elaboração do Programa de Responsabilidade SocialCorporativo: Augusto Franklin Ferreira Dantas Caldas2ª Etapa: - Elaboração, Desenvolvimento e Implementação do Programade Responsabilidade Social Corporativo e dos projetos sociais: Cláudio Paula de CarvalhoAcompanhamento e coordenação das atividades dos projetos sociais: 105Analista de Comunicação Social - Manuela Bitu
  • 108. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Acervo QGEP | Ari Versiani - Agência Ponto Queiroz Galvão Exploração e Produção www.qgep.com.br Atividade: Exploração e produção de petróleo Fundação: 28 de junho de 2010 Colaboradores: 75 Receita líquida: R$ 289 mi (2011) Principais projetos em sustentabilidade: Projeto Portinari e Projeto Viva Volei Acervo QGEP | Ari Versiani - Agência Ponto 106
  • 109. Queiroz Galvão Exploração e Produção O diálogo como guia Relacionamento institucional comunitárioA empresaA Queiroz Galvão Exploração Revista Exame, a QGEP está em 79ª posição e Produção integra o Grupo no ranking das 100 maiores empresas Queiroz Galvão, tradicional de capital aberto por valor de mercado. conglomerado brasileiro Também figura em 159ª lugar na lista das fundado há quase 60 anos 200 maiores empresas de capital aberto da e que há três décadas América Latina.opera na área de petróleo e gás no Brasil. Possui direitos de concessão em blocosFoi constituída em meados de 2010 para localizados nas bacias de Camamu-Almadaconcentrar as atividades de exploração e e do Jequitinhonha, na região Nordeste, eprodução (E&P), antes a cargo da Queiroz na bacia de Santos, no Sudeste.² Em doisGalvão Óleo e Gás, que permaneceu com o deles, atua como Operador: BS-4, na Baciasegmento relacionado a serviços de perfu- de Santos, e BM-J-2, na Bacia do Jequiti-ração, como afretamento de plataformas e nhonha, do qual detém 100% de participa-FPSOs. Em fevereiro de 2011, realizou uma ção. Integra, também, de forma majoritária,oferta pública inicial de ações, tornando-se o consórcio responsável pelo campo dea primeira empresa do Grupo a ter capital Manati, considerado um dos maiores produ-aberto na BM&FBovespa. tores de gás não associado do país, com um É considerada uma das maiores em- volume de reservas estimado empresas de controle privado brasileiro na 74,4 milhões de boe3.área de exploração e produção de petróleo, O portfólio da QGEP começou a ser for-com base na produção diária anualizada em mado logo no início da abertura do mercadobarris de óleo equivalente (boe), de acordo nacional. Nas Rodadas Zero, 1 e 2, entrecom dados da Agência Nacional de Petróleo, 1998 e 2000, adquiriu participação nos Blo-Gás e Biocombustíveis (ANP).¹ De acordo cos: BCAM-40, na Bacia de Camamu-Alma-com dados da edição especial 2012 do guia da, onde foram descobertos os Campos deMelhores & Maiores – As 1000 maiores gás de Manati e de Camarão Norte; BC-7, emempresas do Brasil, publicado em julho pela que atuou pela primeira vez como Operador;1, 2 Dados atualizados até julho de 2012 1073 Certificado pelo relatório GCA de 31/12/2010.
  • 110. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis " Somos uma companhia jovem, que tem o objetivo de crescer cada vez mais e se tornar líder, mas seguramente estamos com- prometidos a fazer isso com res- peito ao meio ambiente e a todos os princípios de sustentabilidade." Lincoln Rumenos Guardado, diretor-presi- dente da QGEP à importantes descobertas tais como os campos de Lula, Sernambi, Libra e Franco, potencialmente as maiores da região. Acervo QGEP Missão, visão e valores Visão – Crescer consistentemente para até 2020 estar entre as três maiores compa- Mapa de atividades da QGEP nhias brasileiras produtoras de óleo e gás, e BS-3, onde participou do desenvolvimen- sendo reconhecida pela sociedade por sua to do Campo de Coral, já desativado, e da gestão transparente e responsável. descoberta do Campo de Cavalo Marinho, posteriormente vendido. Missão – Atuar com segurança, de forma Como resultado dos Rounds 3, 4 e 6, ética e sustentável na exploração e produção realizados entre os anos 2001 e 2004, a em- de petróleo e gás,gerando resultados e con- presa detém participação nas concessões tribuindo para o desenvolvimento das áreas dos Blocos exploratórios BM-S-12 (Bacia onde operamos, respeitando as necessidades de Santos), BM-J-2 (Bacia do Jequitinho- de todos nossos públicos de interesse. nha), CAL -M-312 e CAL -M-372, que juntos formam o BM-CAL-12, e BM-CAL-5 (Bacia Valores do Grupo Queiroz Galvão de Camamu-Almada). Em 2011, realizou os • Confiabilidade primeiros processos de farm-in, adquirindo • Qualidade dois Blocos em localização estratégica na • Trabalho Bacia de Santos: BM-S-8, em período explo- • Lealdade ratório, que possui, hoje, três descobertas Recém-criada como empresa independen- em fase de avaliação – Bem-te-vi, Biguá e te, a QGEP pauta sua estratégia de crescimen- Carcará - e mais dois prospectos identifi- to para os próximos anos pela atuação res- cados; e BS-4, que conta com dois campos ponsável, que se fundamenta em uma gestão em desenvolvimento - Atlanta e Oliva -, com ética, no relacionamento aberto e transparente volume total superior a 2 bilhões de barris com os diversos públicos de interesse e no de óleo in situ, e um prospecto identificado estabelecimento de metas compatíveis com o 108 no pré-sal. Os dois blocos estão em área de desenvolvimento sustentável, tal como expres- alta prospectividade do pré-sal, próximos so em sua Missão e Visão.
  • 111. Queiroz Galvão Exploração e ProduçãoAcervo QGEP | Ari Versiani - Agência PontoInterpretação de dados - Escritório QGEP Na QGEP, a Responsabilidade Social é todos os seus stakeholders, buscando com-parte integrante da estratégia corporativa. preender e incorporar ao negócio as expec-Os projetos são planejados considerando tativas e necessidades que expressam. Paranão só os aspectos econômicos, mas tam- a QGEP, investir em ética, transparência ebém a dimensão socioambiental. diálogo é investir em sua própria perenidade A incorporação do tripé econômico-so- como empresa. Ao adotar essa atitude, criacial-ambiental possibilita gerenciar mais um ambiente de parceria e respeito, favorá-efetivamente aspectos legais, ambientais vel ao alcance dos objetivos do negócio.e sociais que poderiam afetar a orga- Essa disposição para manter perma-nização; reduzir os riscos e potenciais nentemente canais abertos de comunicaçãoimpactos negativos dos projetos; otimizar envolve todos os públicos com os quais serecursos e maximizar o retorno econômi- relaciona, sejam eles externos ou internos.co para os acionistas. Ao mesmo tempo, Internamente, recomenda que diretorestorna possível gerar benefícios mais efeti- e gerentes trabalhem com suas salas aber-vos para as comunidades onde a empresa tas de forma a estarem sempre acessíveisatua e fortalece sua imagem ao associá-la aos demais colaboradores, numa política dea ações positivas. portas literalmente abertas. Com um quadro No relacionamento com os diferentes funcional diversificado, que reúne homens epúblicos de interesse, as palavras-chave são mulheres de diversas faixas etárias, buscadiálogo e transparência. Por meio de uma fomentar a troca de ideias, o compartilha-postura de escuta permanente e de comu- mento de experiências entre as gerações e 109nicação aberta, incentiva o engajamento de o envolvimento nas ações empreendidas.
  • 112. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Contribuir para Para a constru- site, o Estatuto Social, no qual estão deta- ção do Código de lhados o funcionamento e as normas para a melhoria da Conduta Ética, por eleição, destituição e o tempo de mandato da qualidade de exemplo, decidiu por Diretoria e do Conselho de Administração. vida, promoven- um modelo partici- do a ética e o pativo, que envolveu Diretrizes desenvolvimento os colaboradores du- Demonstrando a determinação em das comuni- rante seis meses em materializar na prática o compromisso oficinas e palestras. com a sustentabilidade, a QGEP, logo no dades onde Todos foram estimu- primeiro ano de existência, buscou esta- atuamos. lados a relatar sua belecer documentos e aderir a iniciativas visão sobre como a empresa trata ques- que orientassem suas ações e decisões de tões como justiça, igualdade, espaço para forma a alcançar os objetivos estabelecidos o desenvolvimento e relacionamento com na Missão e Visão. os públicos externos (clientes, governo, O primeiro passo foi a construção de comunidades, investidores, fornecedores). um Sistema de Gestão Integrado (SGI), que Um canal de ouvidoria independente e anô- passou a nortear as ações com relação nimo foi criado exclusivamente para que os a Segurança, Meio Ambiente e Saúde. O participantes pudessem expressar-se mais documento foi inspirado nos princípios das livremente. As palavras que compõem o normas ISO (International Standards Orga- Código foram ditas pelos próprios funcio- nization) e em padrões como o Regulamento nários durante o processo. Como resulta- Técnico do Sistema de Gerenciamento de do, obteve um texto que retrata, de forma Segurança Operacional (SGSO ), da ANP. genuína, sua cultura organizacional e os Seguiu-se a isso a construção do Código valores que defende. de Conduta Ética, que tornou-se referên- Transparência também é marca de sua cia institucional de conduta, reforçando o governança. Como empresa listada no seg- comprometimento com o diálogo, a transpa- mento do Novo Mercado da BM&F Bovespa, rência e o respeito ao meio ambiente e aos se compromete com práticas além das que públicos de relacionamento. estão previstas na legislação quanto à pres- No fim de 2011, tornou-se signatária tação de contas e equilíbrio entre os direitos do Pacto Global, da ONU, unindo-se a mais dos acionistas majoritários e minoritários. de 10 mil organizações empresariais e não Dentre as normas adotadas, estão a empresariais em 140 países, que se com- participação de membros independen- prometem a implementar os dez princípios tes no Conselho de Administração e a do Pacto em ações efetivas em prol de uma proibição de que o presidente do Conselho sociedade mais justa. acumule o cargo de diretor-presidente Também faz parte do Pacto Nacional ou de principal executivo da companhia. pela Erradicação do Trabalho Escravo, Além disso, realiza, pelo menos uma vez lançado em 19 de maio de 2005 pela por ano, reunião pública com analistas e Organização Internacional do Trabalho interessados para divulgar informações (OIT), pelo Instituto Ethos de Empresas 110 financeiras, projetos e perspectivas. e Responsabilidade Social e pela ONG A empresa disponibiliza, ainda, em seu Repórter Brasil. Como signatária, a QGEP
  • 113. Queiroz Galvão Exploração e Produçãose compromete a consultar, antes de dade, que teve como base as diretrizes daqualquer contratação, o cadastro públi- Global Reporting Initiative (GRI), reconhe-co do Ministério do Trabalho e Emprego cidas internacionalmente como padrão de(MTE) com a lista de empresas e pessoas relato transparente.autuadas por submeterem trabalhadores a Para que essas iniciativas possam avan-condições análogas a de escravo. çar ainda mais, os indicadores da GRI foram incorporados ao sistema de gestão BussinessPolítica do Sistema de Gestão Inteligence (BI) e passarão a ser monitoradosIntegrado constantemente com vistas à mensuração dos A Queiroz Galvão Exploração e Produ- resultados alcançados e à definição de metasção S.A., em suas atividades de exploração para os próximos períodos.e produção de óleo e gás natural, tem comocompromisso trabalhar, de forma transpa- Código de Conduta Éticarente, responsável e segura, em projetos A QGEP incentiva que estes valores eque gerem benefícios para a sociedade, princípios abranjam todos os parceiros eminimizando os impactos ambientais e con- públicos de relacionamento.siderando as seguintes diretrizes:• Agir para a prevenção, mitigação e con- 1. Nosso Time é Profissional e Dedicado. trole dos impactos adversos de nossas Formamos um time de trabalho produti- atividades ao meio ambiente, à saúde e à vo, respeitoso, profissional e descontra- segurança; ído, que integra gerações e experiência.• Assegurar os recursos necessários para Somos motivados, valorizados, temos alcançar a melhoria contínua do Sistema oportunidade de desenvolvimento e pro- de Gestão Integrado; movemos um bom ambiente de trabalho.• Atender aos requisitos legais e outros 2. Nossa Gestão é Participativa. requisitos aplicáveis; Incentivamos uma gestão participativa• Buscar permanentemente, um alto nível baseada no diálogo, na cooperação, no de desempenho de nossas atividades, mérito, na liberdade de expressão e na mantendo um canal de comunicação aber- boa integração entre as pessoas, as áreas to com as partes interessadas; e os nossos públicos de relacionamento.• Contribuir para a melhoria da qualidade Nos apoiamos mutuamente nos desafios de vida, promovendo a ética e o desenvol- do dia a dia e buscamos soluções basea- vimento das comunidades onde atuamos; das em decisões tomadas da forma mais• Promover a conscientização dos colabora- participativa possível. dores para as questões de segurança, meio 3. Somos uma Organização Ética ambiente, saúde e responsabilidade social; e Transparente.• Respeitar a diversidade cultural e am- Nosso trabalho é baseado na honestidade, na biental, fomentando o desenvolvimento credibilidade, na transparência das informa- sustentável. ções e no respeito aos interesses e direitos Todas as ações empreendidas visan- do público de relacionamento. Atuamos comdo princípios da sustentabilidade em 2011 integridade e em observância à legislação, osforam tornadas públicas por meio do seu aspectos regulatórios e às melhores práticas 111primeiro Relatório Anual de Sustentabili- de governança corporativa.
  • 114. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Acervo QGEP | Ari Versiani - Agência Ponto Coleta de dados pesqueiros – sul da Bahia 4. Buscamos Resultados e Superação o meio ambiente e a qualidade de vida. de Desafios. 6. Somos Comprometidos com a Sustenta- Nosso ramo de atividades é complexo, bilidade. dinâmico, desafiador e envolve a utilização Nossas atitudes incorporam o respeito à de alta tecnologia. Estamos atentos às sociedade e ao meio ambiente. Promove- oportunidades que nos tragam ampla pers- mos a consciência ambiental, a responsa- pectiva de crescimento e rentabilidade. bilidade social e ações coerentes com o 5. Trabalhamos para o Bem-Estar de Todos. desenvolvimento sustentável. Somos comprometidos com a saúde e a segurança em todas as etapas das nossas atividades. Consideramos “Temos orgulho de ser uma o coletivo, a diversidade, a equidade, empresa 100% brasileira”. o respeito humano, o trabalho justo, O Relacionamento com as comunidades no entorno das atividades Estudo de Caso – o Bloco dágua (profundidade do mar) variando entre BM-J-2 20 e 200 metros. O Bloco e suas características – Adquirido A locação estabelecida para a perfura- na quarta rodada de licitações da Agência ção do primeiro poço exploratório no Bloco Nacional de Petróleo e Biocombustíveis está a cerca de 22 km da costa, em lâmina (ANP), o BM-J-2 está situado na Bacia do dágua de 44 metros. 112 Jequitinhonha, litoral Sul da Bahia. Possui O Bloco BM-J-2 está próximo a diversas uma área marítima de 371 km², com lâmina Unidades de Conservação (UC), em especial
  • 115. Queiroz Galvão Exploração e ProduçãoAcervo QGEP | Ari Versiani - Agência PontoLançamento de tarrafa – sul da Bahiaa Reserva Extrativista (Resex) Marinha de ras dos municípios de Ilhéus, Una, Canaviei-Canavieiras, que faz fronteira com os limites ras e Belmonte.do Bloco. Por ser essa uma região de altasensibilidade ambiental, devido à biodiversi- Municípios da Área dedade e à proximidade com as UCs, o licen- Influênciaciamento foi classificado pelo Ibama como de A área de influência possui grandenível extremo de exigência. Além disso, o fato diversidade ecológica, com a presença deda atividade ser desenvolvida em uma pro- grandes extensões de manguezais, restin-fundidade considerada de águas rasas e estar gas, praias, dunas, costões rochosos e ilhaspróxima à costa também contribuiu para que oceânicas. Integrando a chamada "Costa doesse processo fosse ainda mais rigoroso. Cacau". A riqueza dos estoques pesquei- Como parte do licenciamento, supervisio- ros na região faz com que a pesca seja denado pela Coordenação Geral de Petróleo e Gás grande importância. Somente nos quatro– CGPEG/IBAMA foi elaborado um Estudo de municípios da AID estima-se que existamImpacto Ambiental (EIA), que inclui o diagnós- aproximadamente 13.100 pescadores4, quasetico das características socioambientais das todos seguindo a tradição da pesca artesa-áreas que seriam direta e indiretamente afeta- nal, desenvolvida em embarcações reduzi-das pela atividade. Os dados constantes no EIA das e com pouca autonomia. Há pescadoressubsidiaram as ações da empresa na região. que atuam na pesca em escala industrial, voltada para a captura de camarão, sendoA região – Fazem parte da Área de Influência vinculados a empresas da região. Entretan-Direta (AID) do Bloco as localidades costei- to, predominam os pescadores que atuam 1134 Dados referentes a 2006, retirados do Relatório de Impacto Ambiental (Rima)
  • 116. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Densidade População Área de unidade Município demográfica (2010) territorial (Km2) (hab/Km2) Ilhéus 184.236 1.706,004 104,68 Una 24.110 1.777,473 20,48 Canavieiras 32.336 1.326,954 24,37 Belmonte 21.798 1.961,193 11,11 Fonte: IBGE (dados preliminares do Censo de 2010) nos rios e mangues, além dos catadores de A Reserva Extrativista de Canavieiras – mariscos e caranguejos. Consideradas Unidades de Conservação de Na Reserva Extrativista de Canavieiras, os Uso Sustentável, as reservas extrativistas moradores atuam ativamente na conservação (Resex) são áreas em que é permitido o uso e fiscalização da área, sendo participativos sustentável dos recursos naturais pelas e articulados. A comunidade de Campinhos, comunidades tradicionais que residem em localizada entre Canavieiras e Belmonte, é seu interior. São atividades basicamente de o local mais isolado, acessível somente por extrativismo, trabalhadas dentro de pre- barco (a viagem dura em torno de 1h). ceitos sustentáveis, envolvendo a gestão A dificuldade de acesso rodoviário à participativa das populações locais. maior parte desse litoral favoreceu a pre- A Reserva Extrativista Marinha de servação dos ambientes naturais da região Canavieiras foi criada em 5 de junho de entre Ilhéus e Belmonte. Entretanto, com a 2006 e está sob a gestão do Instituto Chico implantação da rodovia BA-001 a ocupação Mendes de Conservação da Biodiversida- humana tem se intensificado, aumentando a de (ICM-Bio). Com uma área de 100 mil pressão por espaços e provocando altera- hectares, ela abrange os municípios de Una, ções no padrão de ocupação das localidades Canavieiras e Belmonte e faz fronteira com costeiras, como no caso de algumas vilas os limites do Bloco BM-J-2. Abriga um tradicionais de pescadores, onde a atividade rico ecossistema, composto por áreas de pesqueira já convive com o turismo. mangue e restingas. A principal atividade Em atendimento às exigências da desenvolvida pelos moradores da área da Licença de Operação, foram implantados Resex é o extrativismo pesqueiro de peixes, cerca de dez projetos socioambientais na camarão e moluscos. região. São eles: Projeto de Comunicação Foram adotados todos os procedimentos Social (PCS), Plano de Compensação da necessários e alternativas tecnológicas e Atividade Pesqueira (PCAP), Projeto de operacionais para reduzir os possíveis im- Educação Ambiental dos Trabalhadores pactos do empreendimento. O foco especial (PEAT), Projeto de Monitoramento de foi o ambiente de fundo e os animais que Praia/Encalhes, Projeto de Monitoramento habitam o leito marinho, fundamentais para de Desembarque Pesqueiro (PMDP), Plano a atividade pesqueira. 114 de Emergência Individual (PEI) e Projeto de As ações foram executadas não apenas Controle de Poluição (PCP). para cumprir requisitos legais, mas com o
  • 117. Queiroz Galvão Exploração e Produçãocritério e os cuidados necessários advindos "A QGEP é uma empresa deda consciência dos potenciais riscos da petróleo e nós somos pescadoresatividade para a região e o modo de vida das artesanais, sabemos dos danospopulações locais. (Fonte: ICM-Bio) que podem acontecer ao nosso meio, mas estamos tendo umConstruindo relações de relacionamento diferente. É umaconfiança relação transparente e temos tido A QGEP desenvolveu um conjunto de a chance de um diálogo muitoações estratégicas voltadas para o bom bom. Parceria se entende quan-relacionamento com as comunidades e do ambos respeitam os pontosinstituições no entorno do Bloco BM-J- de vista de cada um e tem sido2, especialmente os núcleos tradicionais assim."pesqueiros e colônias de pesca. A base Carlos Alberto dos Santos, coordenador dadessas ações foi uma postura baseada em Associação Mãe dos Extrativistas da Resexdiálogo permanente, transparência, repasse de Canavieiras (Amex)contínuo de informações e na realização deações em parceria com instituições locais discutir suas atividades com o público derepresentativas. interesse da região. Como resultado, conseguiu criar um Ao término do primeiro período ex-clima de confiança que favoreceu o bom ploratório, colocando mais uma vez emandamento das atividades na região. Des- prática os princípios da transparência ede o início do processo do licenciamento, da responsabilidade, a QGEP comunicouem 2005, até hoje, não foi registrado durante audiências públicas para a criaçãoqualquer protesto contra a sua presença da Resex de que devolveria 50% do Blocoou sua atuação. Pelo contrário, o com- à ANP (a devolução é uma obrigatorieda-portamento da QGEP é elogiado pelos de legal nessa fase). Como a fração a sermoradores e sua atitude de parceria é devolvida fazia limite com a reserva, oreconhecida por eles. conselho pleiteou aos órgãos responsáveis Durante todo esse período de relaciona- a incorporação desse trecho, ampliando,mento, a empresa sempre esteve presente assim, a área da Resex.na região, buscando construir um forte elo No início da operação, como parte docom a comunidade, visitando os núcleos Projeto de Comunicação Social (PCS),e colônias de pesca, ouvindo os questio- outras quatro reuniões informativas foramnamentos, respondendo-os prontamente realizadas, uma em cada município da áreae prestando todos os esclarecimentos de influência, com o objetivo de esclarecernecessários sobre o que é a atividade, seus dúvidas e comunicar que as atividades ha-impactos e medidas adotadas para sua viam começado. Esses encontros contaram,prevenção ou redução. no total, com a presença de 383 pessoas. Além das duas audiências públicas Também no âmbito do PCS, para garantirrealizadas por conta do processo de licen- que as comunidades estivessem permanen-ciamento, das quais participaram, inclusive, temente informadas, foram contratados doiso diretor-presidente da companhia, a QGEP agentes locais de comunicação, recrutados 115organizou sete reuniões públicas para nas próprias comunidades de pesca. Eles
  • 118. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Acervo QGEP | Ari Versiani - Agência Ponto Diálogo com comunidade pesqueira - sul da Bahia tinham como tarefas abrir um canal de dades foi sempre incentivado, buscando ouvir comunicação face a face com os morado- os seus anseios, compreender suas expec- res, esclarecer eventuais questionamentos tativas e reais necessidades, respeitando as e passar informações atualizadas sobre especificidades e características de cada uma. as ações da empresa na região. Também No caso do Plano de Compensação da monitoravam o cenário local, acompanhando Atividade Pesqueira (PCAP), por exemplo, a repercussão das atividades dos demais para a construção de uma ação compensa- projetos ambientais e reportando as infor- tória mais próxima das realidades locais, mações à coordenação do PCS. foram adotadas abordagens metodológicas Cada uma das etapas da atividade (chega- específicas para o município de Ilhéus e da da sonda; início e interrupção) foi devida- para os pertencentes à área de abrangência mente comunicada. Para isso, foi utilizado da Resex de Canavieiras, uma vez que os um processo de comunicação integrada, que níveis de organização e autonomia da classe envolveu visitas, reuniões, veiculação de spots pesqueira eram distintos. em rádios locais, envio de mala direta, distri- Em Ilhéus, as etapas do PCAP incluíram buição de boletins informativos, afixação de Mobilização Social, Diálogos de Esclareci- cartazes e criação de um serviço de ouvidoria mentos com a Identificação de Represen- gratuito. Foram realizadas, no total, 400 inser- tantes Locais e Oficina de Elaboração e ções em rádio e distribuídos 6.500 exemplares Análise das Estratégias de Compensação. de material gráfico como folhetos, convites, Na Resex, por outro lado, o nível organiza- 116 cartazes e boletins informativos. tivo dos extrativistas permitiu a adoção de A participação e engajamento das comuni- uma metodologia mais autônoma e o plano
  • 119. Queiroz Galvão Exploração e Produçãode compensação foi elaborado pelo próprio direcionar para a região todos os postos degrupo de referência do PCAP, que incluiu 43 trabalho possíveis, contratando localmente,representantes de pescadores, marisqueiras, por exemplo, agentes de comunicação socialpresidentes das Colônias e de associações e monitores de praia.locais e conselheiros da Resex, tendo sido, No âmbito do Plano de Emergência In-inclusive, aprovado pelo CGPEG/IBAMA. dividual (PEI), as tripulações de cerca de 50 Além disso, quando a atividade teve embarcações pesqueiras locais foram treinadasinício, a QGEP promoveu discussão sobre para atuar como barcos de proteção à costa emquestões relacionadas à compatibilização eventuais vazamentos de óleo para o mar. To-da atividade com a reserva extrativista. dos os tripulantes receberam diárias para esseOrientou a tripulação das embarcações treinamento. Também foram contratados outrosde apoio sobre a existência da unidade e quatro barcos locais que ficaram exclusiva-a necessidade de planejamento da rota mente voltados para apoiar a operação.de navegação a fim de reduzir ao mínimo Mesmo com a atividade estando tem-indispensável a travessia na área. Quando porariamente suspensa, a QGEP decidiuconvidada, sempre participou das reuniões voluntariamente manter alguns dos projetosdo Conselho Gestor da Resex, formado pelo que fazem parte das condicionantes deInstituto Chico Mendes de Conservação licenciamento, sem que houvesse qualquerda Biodiversidade (ICM-Bio), por extrati- obrigatoriedade por parte do órgão licencia-vistas, além de outros representantes de dor quanto a essa manutenção. Com o intui-diferentes segmentos da sociedade, como to de gerar dados históricos relevantes paraprefeitura local, secretaria de Turismo e pesquisa e contribuir para que a comunida-carcinicultores. de possa conhecer melhor o seu território, Em atividades deste tipo, as sondas já continuam a ser desenvolvidas as ações dovêm equipadas e tripuladas com pessoal Projeto de Monitoramento de Desembarqueespecializado. Mesmo assim, a QGEP assu- Pesqueiro (PMDP) e do Projeto de Monitora-miu com a comunidade o compromisso de mento de Praias (PMP).Ações que integramInvestimento social privado ção da cultura brasileira em suas diversas Investimentos sociais também são feitos manifestações. Para a empresa, o investi-nas comunidades sob influência dos empre- mento sistemático em projetos educativos eendimentos, como uma forma de incentivar o culturais é a base para a formação de umabem-estar e a melhoria da qualidade de vida sociedade mais justa.local e aprofundar elos de relacionamento. Em suas ações, a QGEP busca articularEssas iniciativas fazem parte da estratégia da educação e cultura de forma a produzir umempresa, sendo consideradas essenciais para o impacto positivo efetivo nas comunidadesalcance dos objetivos corporativos e o cumpri- onde atua, apoiando projetos em que essesmento de seu papel ético perante a sociedade. conceitos estão intimamente ligados à As atividades têm como principal pilar promoção da cidadania, da sustentabilidade 117a disseminação da educação e a valoriza- e do patrimônio cultural.
  • 120. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Acervo QGEP | Ari Versiani - Agência Ponto Projeto Viva Vôlei - Campinhos, Bahia (foto maior) e o professor Boinha Nesse sentido, a QGEP desenvolveu na Iniciado há 13 anos pela CBF, o Viva região do BM-J-2, os projetos Viva Vôlei e Vôlei está presente em diversas partes do Portinari Para Todos. país e já atendeu 200 mil crianças. Tem como diretriz a socialização de meninos Viva Vôlei: a educação por e meninas entre 7 e 14 anos através da meio do esporte prática do voleibol, fomentando a cidadania, Para a QGEP, o a inclusão social e uma cultura de paz e de processo educati- boa convivência. vo, para além dos As turmas têm duração de um ano e a equi- espaços formais pe dos núcleos é constituída por um professor, de ensino, deve ser compreendido como a uma assistente social e monitores. Relatórios formação integral e crítica do ser humano. mensais são elaborados por eles para acompa- Nesse contexto, a prática esportiva pode nhar o desenvolvimento dos participantes. desempenhar importante papel, ao estimular As inscrições são gratuitas e há um valores como respeito, responsabilidade, questionário direcionado aos pais para tolerância, solidariedade e cooperação. conhecer melhor a realidade da criança fora Ciente desse potencial educativo do da escola, com perguntas sobre aspectos esporte, a QGEP decidiu levar o Projeto como repetência, rendimento escolar e uso Viva Vôlei, desenvolvido pela Confederação de álcool na família. Brasileira de Voleibol (CBF), a comunida- Desde o início de sua implantação, em des no entorno do BM-J-2, por meio de um 2011, foram beneficiadas 295 crianças de es- 118 projeto beneficiado pela Lei de Incentivo ao colas públicas de Ilhéus e Canavieiras. Dentre Esporte (Lei 11.438/06). elas também estão moradores da ilha de Cam-
  • 121. Queiroz Galvão Exploração e Produçãopinhos, uma comunidade com cerca de 200 famílias e torná-las também mais coope-famílias que faz parte da Reserva Extrativista rativas. "Unir as crianças acabou por unirMarinha (Resex) de Canavieiras. A iniciativa também os pais. Hoje, eles estão maisfoi inédita tanto para os moradores de Cam- atuantes e participam com maior frequênciapinhos - que nunca haviam tido contato com das reuniões comunitárias", diz. esse tipo de esporte -, como para os organiza- Além do reconhecimento por parte dosdores do Projeto, que, pela primeira vez em 13 comunitários, o projeto patrocinado pelaanos, levaram as aulas para um local com as QGEP em Canavieiras e Campinhos ganhoucaracterísticas da ilha: uma vila de pescadores repercussão nacional. Em outubro de 2011,em meio a um manguezal, acessível somen- o programa Esporte Espetacular, da Redete por barco e sem praticamente qualquer Globo, exibiu uma matéria com o ex-jogadorconhecimento sobre voleibol. de vôlei e apresentador Tande. A receptividade do projeto no local foi Ele visitou os núcleos e conheceu perso-positiva e todos os sábados pela ma- nagens importantes do projeto, como Joãonhã as crianças já estão na beira do rio Gonçalves, uma das principais lideranças deaguardando a chegada da equipe. Elas Campinhos e que ajudou a implantar o proje-ajudam a montar as redes, descarregar os to na ilha. "Nós ficamos muito orgulhosos emequipamentos. A importância da iniciativa ter o vôlei aqui", afirmou o pescador.foi percebida pela Associação Mãe dos Outra figura marcante encontradaExtrativistas (Amex), que apoiou as ações pelo ex-jogador foi Katilane Bezerra, de 5desde o começo e solicitou a sua continui- anos. Embora não consiga andar normal-dade. "O Viva Vôlei certamente contribuiu mente devido a uma deficiência nos péspara uma melhora na qualidade de vida que impedem a sustentação do seu corpo,dos moradores. Vejo crianças mais felizes Katilane participa das aulas de vôlei e estáe isso, por si só, já vale todo o esforço”, fascinada com o esporte. A alegria e dispo-conta o professor do núcleo de Campinhos, sição da menina em superar as dificulda-Boaventura Freire. des e a sua alegria emocionaram a todos. Outros resultados já podem ser vistos Para Tande, apesar da sua experiência comnas quadras e também fora delas. Os pais e o vôlei, a visita a Campinhos foi marcante.responsáveis relatam, em sua maioria, que "É uma lição de vida que a gente leva. Éas crianças tornaram-se mais disciplinadas, uma grande história".obedientes e sociáveis e que o rendimentoescolar tem aumentado. Além de ocupar o Portinari Para Todos: culturatempo ocioso das crianças, na percepção e educação no mesmo baúdos pais, o Viva Volêi ainda ajuda a afastá--las das drogas e criminalidade. A presençada assistente social também os ajudou alidar com os problemas das famílias e amelhorar a comunicação com os jovens. Candido Portinari, um dos mais célebres A integração entre os jovens também artistas plásticos brasileiros, acreditava norepercutiu no comportamento dos adultos. papel social da arte e fez de suas obras umPara o coordenador da Amex, Carlos Alberto apelo em prol da paz, da liberdade e da justiça 119dos Santos, o projeto ajudou a agregar as social. Em suas próprias palavras, com seu
  • 122. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis artista, é, desde 2010, mantenedora de todas Acervo QGEP as atividades do Projeto Portinari, instituição responsável por manter viva a memória do pintor. "Para nós é um grande orgulho ter a Queiroz Galvão Exploração e Produção do nosso lado, sinto na empresa sinceridade, amizade e parceria. Queremos que este apoio seja um casamento de longo prazo", afirma João Candido Portinari, filho do artista, funda- dor e Diretor-Geral do Projeto Portinari. O Projeto Portinari – Candido Portinari "O pintor social crê ser o intérpre- morreu precocemente em 1962, aos 58 anos, te do povo, mensageiro de seus intoxicado pelas mesmas tintas que o ajuda- sentimentos. ram a pintar o Brasil e sua gente. Quase duas É aquele que deseja a paz, a justi- décadas depois de sua morte, a genialidade ça, a liberdade. do seu legado estava se perdendo. Não havia retrospectivas sobre suas obras, catalogação É aquele que crê que os homens completa de suas pinturas e nem ao menos possam participar dos prazeres do era conhecido o paradeiro dos originais de universo. seus trabalhos. Coube a João Candido, filho Ouvir o canto dos pássaros. do pintor, a tarefa de resgatar a herança Ver as águas dos rios que correm deixada a todos os brasileiros pelo menino de fecundando a terra. Brodósqui. Nascia, assim, o Projeto Portinari. Ver o céu estrelado e respirar o ar Ao longo de três décadas, o Projeto das manhãs sem nuvens. Portinari conseguiu levantar e catalogar Sem nenhum outro pensamento quase 5.000 obras e aproximadamente senão o de fraternidade e paz. 30.000 documentos relacionados a elas, Homens vivendo em clima de desde correspondências a catálogos de justiça. exposições, filmes e depoimentos, que Onde não haja meninos famintos. retratam a vida e a época de Portinari e Onde não haja homens sem direitos. contribuem para a melhor compreensão Onde não haja mães chorando e do processo histórico-cultural brasileiro. velhos morrendo ao desabrigo." Esse acervo já representa um dos mais (Palavras com que Portinari encerrou sua con- importantes arquivos multimídia existentes ferência “O Sentido Social da Arte”, a convite do Centro de Estudantes de Belas Artes, em sobre a história e a cultura brasileiras nas Buenos Aires,em 26 de julho de 1947). décadas de 20 a 60. Desde 2011, o Projeto Portinari vem trabalho buscava "suscitar em cada homem ou desenvolvendo, com o patrocínio da empre- mulher os sentimentos da dignidade humana, sa, a exposição itinerante Portinari - Arte da fraternidade e do espírito comunitário”. e Meio Ambiente, que utiliza as obras de 120 A QGEP, considerando a simetria entre Candinho para sensibilizar as comunidades sua postura e as mensagens deixadas pelo sobre a arte como meio de transformação
  • 123. Queiroz Galvão Exploração e Produçãodo indivíduo e de sua relação com a nature-za. Essa iniciativa foi pautada nos 13 anosde experiências bem sucedidas na área dearte-educação e tem como objetivos:• compreender modelos de relacionamen- tos contemporâneos voltados para ações harmônicas com a natureza;• despertar para a adoção de posturas de Acervo QGEP integração e participação, em que cada indivíduo possa ser capaz de exercitar plenamente sua cidadania;• enfatizar os sentimentos de justiça, fra- temas para a criação das histórias. ternidade, dignidade humana, respeito à vida, paz e espírito comunitário; Contação de Histórias – a vida e a obra• fortalecer o sentimento de autoestima, de Portinari expressam temas plurais e como pessoa humana e como brasileiro; configuram-se como um vasto repertório• despertar a curiosidade pela Arte e sua para sessões de “contação de histórias”, função social, como testemunho de uma que despertam os ouvintes para as re- época e de uma sociedade, como inter- flexões e responsabilidades para com o pretação da alma do povo. nosso planeta. A mostra é composta por 22 réplicas di-gitais das obras de Candido Portinari. Essas Argila – ao mesmo tempo em que valori-réplicas, em altíssima resolução, apresen- za a matéria-prima natural, essa oficinatam alta fidelidade - cromática e geométri- mostra a tradição de artistas populares doca- ao original e são emolduradas seguindo Nordeste.o padrão utilizado pelo pintor. Também Todo o material é levado em umfazem parte da metodologia oficinas de arte caminhão-baú, que permanece por 15 diasvoltadas para a compreensão da necessi- em cada localidade. O estímulo à reflexãodade de cuidar do meio ambiente. Entre as não se limita aos dias de exposição. Ooficinas realizadas estão: Projeto Portinari também deixa com asReciclarte – garrafas pet, rolhas, papelão, escolas da rede pública baús com materialembalagens de plástico transformam-se em didático (que incluem 22 minirréplicas dasmatéria prima dessa oficina. Por meio do pinturas constantes na exposição, um livroaproveitamento e da transformação da su- do professor e um livro do aluno) paracata em brinquedo e em arte, são abordadas que os professores possam multiplicar oquestões ambientais, que fazem paralelos conhecimento adquirido. Em parceria comcom a transformação natural e a intervenção as secretarias de Cultura de cada loca-humana no meio ambiente. lidade, eles recebem capacitação sobre como tratar de temas como a preserva-História em quadrinhos – corte de árvores, ção da fauna e da flora, o uso controladopoluição de rios e lagos da região, cativeiros dos recursos naturais e o respeito pelade animais silvestres. Fatos que despertam dignidade humana por meio da análise das 121a atenção da comunidade são usados como obras de Candido Portinari.
  • 124. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis escolas participantes e 212 baús de material didático distribuídos. A mensagem de Portinari na Rio+20 A Exposição Porti- nari - Arte e Meio Ambiente também foi levada para a Acervo QGEP Conferência das Nações Unidas sobre Desen- volvimento Sustentável, a Rio+20, realizada em junho de 2012 no Rio de Janeiro. Montada Os primeiros locais a serem visitados no espaço Armazém da Popularização, no Cais foram os municípios no entorno do Bloco do Porto, a mostra contou com as participa- BM-J-2. Longe dos circuitos culturais e das ções da ministra do Planejamento, Orçamento grandes exposições, a população desses e Gestão, Miriam Belchior, e do ministro da lugares têm poucas alternativas à indústria Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio cultural e à grande mídia e muitas vezes Raupp. O saldo da exposição foi positivo: fo- acabam reproduzindo os estereótipos ram distribuídos 7.500 cadernos de atividades urbanos de violência e marginalidade no seu para crianças entre 4 e 10 anos, 3 mil jogos da cotidiano. Graças ao projeto, as crianças memória para crianças e adolescentes,além e os jovens desses municípios puderam de 300 cadernos pedagógicos para professo- conhecer, pela primeira vez, os trabalhos res de escolas públicas. do pintor, possibilitando a ampliação do seu Somando os quatro municípios atendidos repertório cultural e o contato com um olhar na Bahia e o público visitante da exposição diferente sobre o meio em que vivemos. na Rio+20, o projeto chega à marca de 80 mil Nos quatro municípios, foram ao todo 6.045 crianças atendidas. Em 2012, a meta é continu- visitantes, 164 professores capacitados, 72 ar a itinerância do projeto no Rio de Janeiro. Conclusões A Queiroz Galvão Exploração e mento com os moradores locais. Não houve Produção orgulha-se de, ao longo qualquer protesto ou reclamação contra a desses seis anos de relacionamento presença da empresa e as comunidades com as comunidades no entorno do Bloco mostraram-se receptivas, participativas e BM-J-2, ter criado elos de parceria. Para a dispostas a colaborar. empresa a manutenção de canais abertos Para se chegar a esse ambiente fa- com a comunidade e de uma postura trans- vorável, manter a transparência em todas parente contribuiu para reduzir os riscos as ações e informações foi primordial. do projeto, propiciando que as atividades Em nenhum momento, foi escondido da 122 de perfuração transcorressem em clima de comunidade os potenciais impactos am- total normalidade no tocante ao relaciona- bientais da operação e sempre buscou-se
  • 125. Queiroz Galvão Exploração e Produção Acervo QGEP | Ari Versiani - Agência PontoPlataforma de Manati – Bahiaesclarecer o real impacto econômico de do contexto local e das reais necessidadessua presença na região naquele momento, das localidades atendidas. Isso possibilitouespecialmente quanto à perspectiva de a construção de projetos mais adequadosgeração de empregos. às realidades específicas desses lugares e, A participação de integrantes da Dire- portanto, mais efetivos em seus resultados.toria nas audiências públicas, a presença O direcionamento dos esforços deconstante de outros representantes da em- investimento social privado para áreas daspresa na região e o cuidado com que todos suas atividades - particularmente em locaisos projetos foram desenvolvidos também de extrema necessidade, como Campinhoscontribuíram para que as comunidades per- -, apesar de ter ocasionado dificuldadescebessem que a QGEP não estava apenas logísticas em alguns casos, também gerouseguindo tramitações burocráticas ou legais um ganho inestimável para as comunidadese que possuía uma atuação diferenciada. beneficiadas, para a imagem da QGEP eCom isso, seu nome na região, é sinônimo para a autoestima de seus colaboradores,de parceria e sua imagem é positiva. que passaram a orgulhar-se de trabalhar em A postura receptiva por parte da QGEP uma empresa ética, transparente e que induztambém favoreceu a melhor compreensão mudanças positivas nos locais onde atua. 123
  • 126. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Olavo Pastore repsol sinopec www.repsolsinopec.com.br Atividade: Exploração e produção de petróleo e gás Fundação: 14 de novembro de 1997 Colaboradores: 400 Principais projetos em sustentabilidade e responsabilidade social: Plataforma Educativa Repsol Sinopec, Florestas do Futuro e Costa Atlântica em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, Cátedra Unesco Memorial da América Latina, Sarau Repsol Sinopec e produção editorial Marco Terranova 124
  • 127. Repsol Sinopec Responsabilidade Social item permanente na agenda da Repsol SinopecA tuando no Brasil desde A companhia orgulha-se de ser uma 1997, a companhia sempre empresa transparente e responsável em acreditou no potencial e na suas ações e investe constantemente em energia do país. Em 2010, soluções para proteção do meio ambiente e a Repsol Brasil (subsidiária desenvolvimento das comunidades. da Repsol S.A – Espanha) O Plano de Resposta à Emergência, criadorealizou um processo de ampliação de para atividades de exploração e produçãocapital, subscrito em sua totalidade pela offshore, foi desenvolvido a partir de rigorosasSinopec — China Petroleum & Chemical práticas corporativas difundidas na indústriaCorporation — a maior companhia petro- do petróleo e está alinhado com os procedi-leira e petroquímica da China, criando a mentos operacionais de todas as empresasRepsol Sinopec Brasil, uma das maiores contratadas pela companhia, incluindo plata-companhias energéticas da América Latina, formas, barcos, helicópteros e bases de apoio.com valor de mercado de US$ 18 bilhões. Além disso, o plano visa instituir um canal de A união entre as potências Repsol e comunicação claro e direto, assegurando umaSinopec mostra o grande interesse das resposta rápida e eficiente às emergências.companhias em investir no país. A Repsol A política de Responsabilidade SocialSinopec sempre apostou no desenvolvi- Corporativa da Repsol Sinopec está basea-mento sustentável e no compromisso com a da nas premiadas diretrizes de sua holding,comunidade para realizar suas atividades de a Repsol. Pelas atividades que desenvolveexploração e produção, sobretudo nas áreas em mais de 30 países, a Repsol foi consi-de maior potencial do pré-sal. derada a melhor empresa petrolífera em As principais atividades que desenvolve no matéria de Responsabilidade Social Cor-país estão concentradas na área de exploração porativa (The Good Ranking 2007), a maise produção de petróleo e gás, e são realizadas transparente e a empresa com a melhorem parceria com os mais importantes players estratégia frente ao aquecimento globaldo setor. A Repsol Sinopec Brasil conta com pelo sexto ano consecutivo (Índices Dowum diversificado portfólio de projetos e é uma Jones de Sustentabilidade 2011).das companhias energéticas privadas líderes Os projetos de responsabilidade socialno país em direitos de exploração nas Bacias em que a Repsol Sinopec Brasil investe 125de Santos, Campos e Espírito Santo. visam à melhoria da qualidade de vida de
  • 128. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Felipe Varanda Ação de plantio da floresta Repsol Sinopec (RJ) Paulo Rodrigues comunidades das áreas de influência e pro- porcionam benefícios para toda a sociedade. Parcerias com renomadas instituições e ONGs resultam em importantes conquistas. Na área de meio ambiente, a Repsol Sinopec Brasil, em parceria com a SOS Mata Atlântica, apoia e patrocina os progra- mas Florestas do Futuro e Costa Atlântica. O primeiro tem por objetivo a restauração florestal com foco na recuperação de matas ciliares em cinco bacias hidrográficas, Livro Vinicius de Moraes “Um poeta dentro da vida” importantes para a produção de água e con- UNICAMP). A Repsol Sinopec Brasil também servação da biodiversidade. Por meio dele, edita bienalmente, com a 19 Design e Editora, a Repsol Sinopec já plantou duas florestas: publicações que valorizam o patrimônio nacio- uma nas margens do rio Paraíba do Sul (RJ) nal e grandes nomes da cultura brasileira como e outra na bacia do rio Tietê (SP). Já com Roberto Burle Max, Oscar Niemeyer e Vinicius o programa Costa Atlântica, que objetiva a de Moraes. Essas publicações são doadas a bi- conservação do patrimônio natural e cultural bliotecas e instituições públicas de todo o País. das zonas costeiras e marinhas do país, a Ainda na área cultural, a companhia companhia investe na proteção ambiental da promove o Sarau Repsol Sinopec. Criado em costa brasileira, beneficiando ONGs que con- 2007 com o intuito de incentivar e preservar tribuem para o desenvolvimento sustentável a música brasileira, o Sarau Repsol Sino- e a manutenção do equilíbrio ambiental. pec leva ao palco artistas que fazem história Por meio do programa acadêmico Cátedra como Nana Caymmi, Ivan Lins, João Bosco, Unesco Memorial da América Latina, a com- MPB4, Boca Livre e Sá & Guarabyra. São panhia investe na pesquisa sobre questões realizadas apresentações mensais para um 126 latino-americanas, em parceria com renoma- público seleto, composto jornalistas, líderes das universidades brasileiras (USP, UNESP e empresariais e referências do meio cultural.
  • 129. Repsol SinopecOlavo PastoreCarreta Plataforma Educativa Repsol Sinopec Com foco no desenvolvimento comuni- com uma particularidade importante:tário e na cidadania, a companhia investe na a de manter o pescador em sua comunidade.Plataforma Educativa Repsol Sinopec, um A Unidade Móvel permite que se coloqueprograma itinerante que leva conhecimento, a sala de aula na própria colônia, evitandoqualificação e aperfeiçoamento profissional que os pescadores percam tempo em longosàs comunidades costeiras. deslocamentos. Isso permite que eles frequentem os cursos com mínima interfe-Plataforma Educativa rência em suas atividades cotidianas, semImplantada em 2009, a Plataforma Educativa necessidade de se deslocar até um hotelRepsol Sinopec, um dos mais relevantes ou um centro de convenções. Resultado: oprogramas de responsabilidade social da índice de evasão é praticamente inexistente.companhia, é coordenado em parceria com Nos três primeiros anos de atividade,o Instituto Atlantis, uma Organização Não a Plataforma Educativa Repsol SinopecGovernamental voltada para a proteção e percorreu nada menos que 31.780 km parapreservação ambiental. estar presente nos municípios litorâneos A unidade móvel da Plataforma Educati- dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro eva Repsol Sinopec surpreende os visitantes. Espírito Santo, beneficiando 8.787 pessoas.Quando estacionada, transforma-se em uma “São três anos de estrada e histórias.verdadeira sala de aula com 12 metros de Os números falam por si: a Plataformacomprimento, equipada com computadores, Educativa é um sucesso absoluto”, constatakit multimídia, rádio e refrigeração, alimen- Alejandro M. Roig, diretor de Comunicaçãotados também por energia solar. A capaci- e Relações Externas da Repsol Sinopec.dade de atendimento é de até 25 alunos por “Sempre apostamos em parcerias duradou-turma, todos sentados confortavelmente em ras e este trabalho com as comunidadescadeiras estofadas. pesqueiras está entre os mais importantes A Plataforma Educativa foi concebida que a Repsol Sinopec desenvolve no Brasil.para atender às necessidades de aperfeiço- É muito gratificante ter a empresa comoamento e capacitação dos pescadores arte- participante ativa em um projeto que pro- 127sanais. E essas necessidades são atendidas porciona capacitação, cidadania e melhoria
  • 130. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Olavo Pastore Olavo Pastore tivados não apenas pelo desejo de se aper- feiçoar profissionalmente, mas também pela oportunidade de agregar conhecimentos, já que em algumas cidades é raro haver oferta de qualquer espécie de curso gratuito. O curso POP (Pescador Profissional) é o Turma do curso de gerenciamento de resíduos (foto mais procurado. Ele é ministrado pela Marinha, maior) e aluna do curso de gerenciamento de resíduos (foto menor) que utiliza o espaço e estrutura cedidos pela da qualidade de vida para tantas pessoas”. Plataforma Educativa. Em alguns casos, duas Os principais cursos oferecidos pelo turmas chegam a ser formadas para atender programa são: a demanda. Alguns pescadores saem de ilhas • Pescador Profissional – ministrado pela vizinhas para fazer os cursos e dormem em Marinha do Brasil, fornece aos participan- seus barcos ou se hospedam na casa de ami- tes a carteira POP, documento oficial para gos. Para eles, portar a carteira de pescador os pescadores artesanais exercerem seu profissional significa exercer o trabalho de ofício; maneira regularizada e ser reconhecido como • Mecânica de Motores – ministrado por cidadão, já que a carteira dá acesso ao INSS profissionais das montadoras e fábricas e aposentadoria. Muitos participantes exerce- de motores utilizados para embarcações ram o ofício durante toda a vida e são mestres de pequeno porte; na pesca artesanal, mas fazem o curso para • Gerenciamento de Resíduos em Em- obter o documento, que é emitido pela própria barcações – ministrado pelo Instituto Marinha. Além de certificar a atuação dos Atlantis; pescadores, o curso os ensina a pescar de ma- • Processamento de Pescados – ministrado neira mais segura e responsável. O curso POP pela Fiperj (Fundação Instituto de Pesca também conta com o reforço da área de MASQ do Estado do Rio de Janeiro). (Meio Ambiente, Segurança e Qualidade) da Os participantes podem optar pelo curso Repsol Sinopec, que ministra palestras sobre 128 de sua preferência, mas muitos acabam segurança no entorno das plataformas, dada a fazendo todos eles – em alguns casos, mo- frequência com que pescadores se aproximam
  • 131. Repsol Sinopecdelas, já que nesta região é comum a presen-ça de maior quantidade de peixes. A palestra Plataforma detem o objetivo de orientá-los sobre o risco deacidentes e de evitar infrações. solidariedade A rede de parceiros permite que a Plata- Em várias ocasiões, a Unidade Móvel acabaforma Educativa tenha, ainda, cursos de Rá- tendo a função de prestar auxílio à população, pordio Amador e Marinheiro Auxiliar de Convés meio de atividades paralelas, como campanhas(MAC), além de palestras sobre legalização de vacinação, exames de hipertensão e diabetes,de embarcações e provas de habilitação de doação de alimentos e agasalhos, palestras earrais amador e mestre amador. esclarecimentos diversos. Em abril de 2010, pouco O curso de Mecânica de Motores é antes da realização do curso em Niterói, ela serviuministrado pela Yanmar, fabricante japonesa como ponto de coleta de donativos às vítimas dosde motores instalada no Brasil desde 1957. desmoronamentos no Morro do Bumba, causadosA empresa detém cerca de 70% do mercado por fortes chuvas. A tragédia resultou na mortede propulsores de até 30 cv, ideais para de 267 pessoas e a Unidade Móvel tornou-se umembarcações como barcos pesqueiros, lan- importante ponto de apoio aos sobreviventes.chas e pequenos iates. “Os nossos motoressão os mais utilizados entre os pescadores alguns dos conhecimentos adquiridos. “Umaartesanais e foi essa a razão de a Repsol vez, meu barco teve problemas e, com o queSinopec ter nos procurado para sermos aprendi no curso de manutenção de moto-parceiros da Plataforma Educativa”, conta res, consegui fazer um reparo de emergên-Sérgio Luiz Scarton, supervisor de Pós- cia e chegar até o mecânico. Se não fossem-Vendas da Yanmar. “Quando vimos o pro- as noções que tive no curso, eu teria ficadojeto, percebemos imediatamente o potencial à deriva no mar por um bom tempo”, relata.que ele teria para nossa empresa. Trata-se O curso de Processamento de Pesca-de uma oportunidade inigualável de ter con- dos, feito em parceria com a Fiperj (Fun-tato direto com uma parcela importante do dação Instituto de Pesca do Estado do Riopúblico consumidor de nossos motores.” de Janeiro), tem a particularidade de ser Este curso visa, principalmente, a manu- o mais frequentado pelo público feminino.tenção preventiva, ensinando o pescador a Nele, os alunos aprendem a desenvolverconservar seu equipamento da melhor maneira produtos artesanais de qualidade com so-possível, evitando danos que o obriguem a re- bras de pescado, para consumo da própriacorrer a um mecânico para fazer reparos mais família e como opção de geração de renda.caros. Segundo a Yanmar, um motor pode ter “Antes, era comum aproveitar somente ovida útil de 20 a 30 anos, se receber ao longo filé do peixe e descartar todo o resto. Comdesse tempo a manutenção adequada. o curso, as pessoas aprendem a aproveitar Mesmo sendo voltado para a manu- toda a musculatura do peixe”, destaca Mariatenção e não para a reparação, o curso de Dalva Silva Ribas Pinto, médica veterináriaMecânica de Motores fornece conhecimen- e assistente técnica da Fiperj. Ela é umatos suficientes para ajudar os participantes das instrutoras do curso e, junto com suaa lidar com situações adversas. Um exemplo equipe, criou e desenvolveu técnicas e re-aconteceu com o marinheiro particular Jo- ceitas de produtos como quibe, almôndega, 129nas Ribeiro Roseno, que utilizou na prática empanado, linguiça e hambúrguer de peixe.
  • 132. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis de preservação ambiental. Outro módulo é dirigido diretamente aos pescadores e trata do lixo gerado nas embarcações. Este curso, elaborado conforme as normas do anexo V da Marpol (Convenção Internacional para a Prevenção de Poluição por Navios) orienta a destinar corretamente resíduos Paulo Rodrigues como óleos, estopas e outros resultantes da atividade pesqueira. O terceiro módulo, ministrado especificamente em comunida- des nas quais existem mercados de peixes, ensina a descartar corretamente os restos de peixes (espinha e cabeça, por exemplo). Esta medida é duplamente importante: além de evitar a contaminação do pescado novo, o descarte correto das sobras dificulta o surgimento de vetores de doenças como moscas, ratos e mosquitos. Além dos cursos, são realizadas ações de educação ambiental para crianças do ensino Paulo Rodrigues fundamental nas escolas públicas das comunida- des visitas. Atividades recreativas que abordam o meio ambiente e a importância da preservação Aula prática do curso de processamento de pescado. são oferecidas em sala de aula e concluídas Com três dias de duração, o curso de com um multirão para limpeza das praias. Processamento de Pescados inclui técnicas O planejamento anual da Plataforma de conservação e manipulação de alimentos Educativa é elaborado conjuntamente pela e higiene pessoal e do local de trabalho. Se- Repsol Sinopec e pelo Instituto Atlantis, gundo Dalva, a característica artesanal é um que definem as cidades a serem visitadas diferencial que as mulheres devem valorizar e elaboram o programa dos cursos com os na hora de vender seus produtos. “Muitas parceiros (empresas e entidades). Na fase mulheres vendem bolinhos de peixe para suas seguinte, são realizados os levantamentos comunidades”, conta. As receitas com os pro- necessários para a efetivação do programa, dutos processados são uma atração à parte, com visitas prévias às cidades e suas secre- já que cada região tem tipos determinados de tarias, reuniões com as autoridades locais peixes, com sabores e texturas variados. e comunidades pesqueiras. É somente com No curso de Gestão de Resíduos, mi- este aval que a Plataforma Educativa pode nistrado pela equipe do Instituto Atlantis, exercer suas atividades. A partir da adesão existem três módulos. O primeiro é voltado da comunidade ao programa, a Plataforma para toda a população local e tem como ob- Educativa chega à cidade em um prazo má- jetivo informar sobre as melhores maneiras ximo de 15 dias. Essa rapidez é importante 130 de lidar com o lixo produzido no dia a dia para que os pescadores ganhem confiança e incentivar a coleta seletiva como forma no projeto e em sua aplicação prática.
  • 133. Repsol Sinopec A divulgação da presença da Platafor- hortas, assistência Os pescadoresma Educativa é feita de maneira institu- social das prefeituras,cional, sendo eventualmente noticiada nas saúde bucal, saúde são o públicomídias locais. Mas a comunicação “boca a da mulher, posse res- majoritário be-boca” feita pelos próprios pescadores tem ponsável de animaisum papel importante – uma clara demons- e legislação marítima neficiado pelatração da alta receptividade do público ao despertam grande Plataformaprojeto. Geralmente, a Unidade Móvel fica interesse entre os21 dias em cada cidade, estendendo sua participantes Educativapermanência em cerca de uma semana se Isso torna perfeitamente compreensívelfor necessário complementar um curso ou que os cursos da Plataforma Educativaatender outras demandas. sejam procurados não apenas por pescado- Os pescadores são o público majoritá- res, mas também por pessoas que buscamrio beneficiado pela Plataforma Educativa. aumentar suas qualificações profissionais.Praticamente todos aprenderam seu ofício Foi o caso do vigilante Romualdo Simõesna prática, sem terem recebido qualquer Santos: ele se inscreveu no programa pen-ensinamento além do transmitido pelas sando em mudar para uma área de trabalhogerações anteriores. Na maior parte das que lhe permitiria ganhar mais. Tambémcolônias, a média de escolaridade en- inscreveu seus filhos, um rapaz de 19 anostre os pescadores é o antigo primário, e uma garota de 17. “Sempre falo para elesembora existam casos extremos que vão que é importante se destacar, estudar edo analfabetismo ao nível universitário. se sobressair naquilo que fazem”, afir-Muitos desenvolvem suas atividades sem ma. Outro participante do curso, Danielterem pleno conhecimento das exigên- Fontes, deixou Campinas, onde trabalhavacias legais para exercerem a profissão. como gerente de uma loja de autopeças,De julho de 2009 a dezembro de 2011, a e foi para Ilhabela em busca de novasPlataforma Educativa esteve presente em realizações pessoais. Para ampliar seus21 municípios, seis deles atendidos mais conhecimentos, inclusive sobre a reali-de uma vez (veja tabela). Sempre que ela dade local, Daniel buscou informaçõesretorna a alguma cidade, os monitores são na Plataforma Educativa Repsol Sinopecprocurados por participantes de cursos e nos órgãos municipais. Decidiu fazer oanteriores. Muitos deles desejam comple- curso de manutenção de motores e buscarmentar seus conhecimentos em um curso novas oportunidades de trabalho na cida-diferente daquele que foi frequentado na de. Uma professora, Jussara Fernandes,primeira visita. ilustra com perfeição o poder multiplica- Também é bastante comum os órgãos dor do projeto. Ela frequentou o curso depúblicos municipais aproveitarem a presença Processamento de Pescados para ampliarda Plataforma Educativa para promoverem conhecimentos. “Dou aula para jovens epalestras e campanhas de esclarecimento. adultos e gosto de me atualizar. QueroNa estreia do projeto, realizada em julho de transmitir aos meus alunos o que aprendi2009 em Ubatuba (SP), a Secretaria Munici- no curso”, dizia a professora, uma das quepal da Saúde alertou sobre DST e prevenção frequentaram a Plataforma Educativa no 131de câncer de pele. Temas como manuseio de primeiro ano de existência.
  • 134. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Repsol Sinopec Ao longo dos três primeiros anos da Pla- vezes resulta em benefícios concretos para taforma Educativa, as autoridades de cada a comunidade. Um exemplo disso pôde ser cidade visitada deram testemunhos variados visto no mercado de peixe de Caraguatatuba sobre a importância do programa. “Lutamos (SP). A cidade, segunda a receber a Plata- muito para manter as tradições, valorizar os forma Educativa em sua história, em agosto pescadores e resgatar a cidadania dessa po- de 2009, foi novamente visitada no primeiro pulação”, argumentava Harry Finger, então semestre de 2011. Em menos de dois anos, as secretário de Meio Ambiente de Ilhabela, du- ações de esclarecimento e orientação técnica rante a permanência da Plataforma Educati- para os pescadores, feitas em parceria va em sua cidade, no primeiro semestre de com as autoridades sanitárias, resultaram 2011. “Muitos jovens, filhos de pescadores, em mudanças significativas na qualidade e estão abandonando a profissão, que antes higiene da oferta de pescados. Em Cabo Frio era passada de geração em geração, para (RJ), também visitada duas vezes (2010 e trabalhar como marinheiros ou vendedores 2011), o curso de Processamento de Pescado no comércio. Com os cursos oferecidos pela incentivou o empreendedorismo: os pes- Plataforma Educativa Repsol Sinopec, os cadores locais formaram uma cooperativa pescadores se sentem valorizados.” para comercializar os pescados na forma de Após a realização de cada edição da Pla- produtos processados como almôndegas, taforma Educativa, faz-se uma avaliação dos linguiças, hambúrgueres e nuggets – todos trabalhos com a aplicação de uma pesquisa obtidos a partir de peixes sem valor comer- junto aos participantes e elabora-se um rela- cial, como o xerelete. tório com dados completos sobre a atuação Os resultados apresentados e a recepti- em cada cidade. Dessa maneira, é possível vidade do público-alvo não deixam dúvidas: conferir de perto outra consequência direta a Plataforma Educativa Repsol Sinopec 132 da Plataforma Educativa Repsol Sinopec: a estabeleceu um modelo de relacionamento conscientização da população, que muitas entre as empresas e as comunidades.
  • 135. Repsol Sinopec Atuação da UF Local Pessoas Plataforma Ubatuba beneficiadas 346 Educativa Caraguatatuba 453 Repsol SP 2009 São Sebastião 684 Sinopec Ilhabela 638 Em 2012, o programa RJ Paraty 144 estabelecido para a Pla- taforma Educativa Repsol Niterói 233 Sinopec prevê a visita a Cabo Frio 709 nove cidades. Até julho, RJ a Unidade Móvel esteve Macaé 435 nos municípios fluminen- 2010 Campos 581 ses de Niterói, Cabo Frio, Macaé, Farol de São Tomé Guarapari 842 e Araruama. De agosto a dezembro, estão agenda- ES Vila Velha 268 das visitas a quatro cida- Vitória 256 des paulistas: Ubatuba, Caraguatatuba, Ilhabela e Santos 227 Santos. A projeção é que Ilhabela 192 o ano de 2012 termine SP com cerca de 3.000 Ubatuba 963 pessoas sendo atendidas. Caraguatatuba 283 Com isso, a Plataforma 2011 Educativa Repsol Sinopec Cabo Frio 796 deve encerrar seu quarto Búzios 68 ano de atividades, soman- do desde 2009, cerca de RJ Maricá 267 12 mil pessoas atendidas. Macaé 288 Veja o resumo dos três Campos (Farol de São Tomé) 114 primeiros anos:Ela já se tornou conhecida nas comunidades Para a Repsol Sinopec, o mais impor-pesqueiras de São Paulo, Rio de Janeiro tante é que este projeto, assim como todose Espírito Santo, e é esperada e solicita- os outros realizados pela companhia, temda para atuar em outras regiões do País. continuidade. Não se trata de uma iniciativaA necessidade de capacitação da classe pontual. Cada novo ciclo complementa opesqueira é enorme e a educação é o único anterior e potencializa o processo de capa- 133meio de mudar a vida das pessoas. citação das comunidades visitadas.
  • 136. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação RIOVOLUNTÁRIO riovoluntário www.riovoluntario.org.br Atividade: Voluntariado Fundação: 17 de junho de 1997 Colaboradores: 10 Receita líquida: R$ 57.542,41 Principais projetos em sustentabilidade: Mãos à Obra, Parceria Social, Brasileirinho, O Planeta é Voluntário, O Planeta em Boas Mãos Divulgação RIOVOLUNTÁRIO 134
  • 137. Riovoluntário VOLUNTARIADO EMPRESARIAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVELOs primórdiosA história do voluntariado no a criação de comitês voluntários nas prin- Brasil se confunde com a cipais empresas estatais, iniciando-se um própria evolução histórica movimento de voluntariado empresarial. do país. Desde o período Também por iniciativa federal, colonial, voluntários vêm através do Comunidade Solidária, atuando principalmente organização a cargo da primeira damaem entidades religiosas, como as Santas Ruth Cardoso, e com o apoio do BancoCasas, movidas por motivações confessio- Interamericano de Desenvolvimen-nais ou assistenciais. to, ocorreu a importante iniciativa da Já no século XX, especialmente nas criação de Centros de Voluntariado,décadas de 50 e 60, parte dos volun- com a missão de fomentar a culturatários se confundia com militantes de do voluntariado e aumentar o impactoquestões partidárias, corporativas ou das ações voluntarias. Estes centrossindicais. Os anos 70 representaram propunham-se a incentivar, organizar euma intensa atuação de ONGs interna- qualificar o trabalho voluntário, além decionais, com um grande fluxo de volun- identificar e capacitar organizações quetários estrangeiros, ao lado de movi- demandassem este tipo de trabalho e dementos populares que arregimentavam estabelecer uma ponte entre a oferta egrupos de voluntários, atuando como a demanda. Dos centros então criados,militantes das propostas de transforma- permanecem com importante atuaçãoção social. os do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio As décadas de 80 e 90 representaram Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina,um verdadeiro boom de organizações da fundadores da Rede Brasil Voluntário.sociedade civil, com uma intensa mobi- Também é deste período a aprovação dalização de trabalho voluntário. No final Lei do Voluntariado que criou condiçõesdos anos 90, o Movimento contra a Fome jurídicas favoráveis a este tipo de atua-e a Miséria, capitaneado pelo sociólogo ção, afastando o perigo de as entidadesHerbert de Souza, o conhecido Betinho, e responderem a questões trabalhistas em 135apoiado pelo Governo Federal, promoveu função da atuação de voluntários.
  • 138. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Centro de Voluntariado do riado Empresarial da América Latina, Rio de Janeiro que deu origem, em 2008, à fundação No dia 17 de junho de 1997 foi fundado do Conselho Brasileiro de Voluntariado o RIOVOLUNTÁRIO, organização não Empresarial – CBVE. governamental, sem fins lucrativos, com perfil de uma central de voluntariado na A Década do Voluntariado qual o voluntário teria a oportunidade de 2001-2011 oferecer seu tempo, seu talento e suas O ano de 2001, por decisão da Orga- habilidades para instituições cadastra- nização das Nações Unidas, foi declarado das em uma base de dados. De um lado, o Ano Internacional do Voluntário, com havia o voluntário motivado a contribuir grande repercussão no Brasil, expan- com suas disponibilidades, de outro, as dindo esta prática secular por todo o instituições que têm um papel funda- país. Em 2011, também por deliberação mental na garantia dos direitos sociais. da ONU, celebrou-se o AIV+10, isto é, o O RIOVOLUNTÁRIO surgiu como a ponte décimo aniversário do Ano Internacional entre essas duas partes, possibilitando o do Voluntário. trânsito do voluntariado nesta via de mão Possivelmente, o fenômeno mais dupla da solidariedade. relevante desta década tenha sido a Em 2002, o RIOVOLUNTÁRIO foi consolidação e ampliação do voluntariado convidado a integrar a Comissão Técnica empresarial. Se a criação de centros de Permanente de Responsabilidade Social voluntariado foi, na década anterior, um Corporativa do IBP – Instituto Brasileiro de importante passo no sentido de aumentar Petróleo, Gás e Biocombustíveis, respon- o impacto social do trabalho voluntário sável por um conjunto de ações integradas, exercido por indivíduos, organizando e desenvolvidas com objetivo principal de qualificando, tanto a oferta (voluntários), fomentar a adoção dos conceitos e práticas quanto a demanda (entidades beneficia- socialmente responsáveis no sistema de das por este tipo de trabalho), o grande gestão de negócio das empresas do setor. passo no sentido de aumentar o poder O RIOVOLUNTÁRIO é pioneiro na transformador da ação voluntária foi o prestação de assessoria a empresas, fato de as empresas, como parte de suas oferecendo suporte na identificação de estratégias de responsabilidade social, potenciais áreas de atuação, oficinas de terem promovido o trabalho voluntário capacitação para voluntários e institui- junto aos seus colaboradores. ções, palestras de sensibilização, formu- Conceitos como responsabilidade lação de um programa de voluntariado social e investimento social começaram, empresarial customizado que atenda às nesta década, a entrar consistentemente necessidades da comunidade ou causa na agenda das empresas, principalmente que pretende apoiar. A experiência e a nas de maior porte. A responsabilidade legitimidade adquiridas permitem um social, referida à ética responsável nas atendimento especializado que responde decisões do negócio, e o investimento com eficiência aos anseios da empresa. social, correspondendo a contribuições 136 No ano de 2006, o RIOVOLUNTÁRIO para a transformação da própria socie- criou o primeiro Conselho de Volunta- dade. O voluntariado empresarial surge
  • 139. Riovoluntáriocomo um espaço de interseção entre os Localização geográfica da empresadois conceitos, uma vez que o maior ativodo negócio – seu colaborador – passa acontribuir com seu tempo, dinheiro ou ta-lento, como forma de investimento socialcorporativo. As pesquisas Perfil do VoluntariadoEmpresarial no Brasil I e II, lançadasrespectivamente em 03 de maio de2007 pelo RIOVOLUNTÁRIO, durante oII Seminário de Práticas Inovadoras deVoluntariado Empresarial, no auditório Setor de atuação das empresasda FIRJAN, e em 26 de agosto de 2010pelo Conselho Brasileiro de Volunta-riado Empresarial – CBVE, durante a IVMostra FIESP/CIESP de ResponsabilidadeSocioambiental, em São Paulo, apresen-tam importantes dados sobre a evoluçãodeste fenômeno. Quanto à localização das empresas quedesenvolvem ações de voluntariado empre-sarial, ampliou-se, neste período, a con-centração no Sudeste que passou de 61%em 2007 para 84% em 2010. Destacam-se,nesta região, os estados de São Paulo, Se o voluntariado individual carregaRio de Janeiro e Minas Gerais. Detectou- em si o valor do mérito, o voluntariado-se também uma transformação no ramo empresarial pode ser capaz de ultra-empresarial predominante, com um incre- passar este valor e alcançar a relevantemento do setor de serviços, que passou de característica de uma ação efetivamente59% em 2007 para 73,4% em 2010. Não se transformadora. Consideramos meritóriaalterou, porém, a predominância absoluta a ação que tem valor em si. Um trabalhode empresas de grande porte (73%), o que voluntário dedicado a divertir criançasdenota a necessidade do maior envolvi- num hospital, a ler para idosos abriga-mento das de médio e pequeno porte. dos ou a cuidar de uma praça representa Esta forma de responsabilidade/inves- ações indubitavelmente de grande mérito.timento social, que vem se consolidando Apesar disto, possivelmente terão umanesta década, e que promove, organiza, possibilidade reduzida de contribuir paradireciona, acompanha e avalia o trabalho vo- a transformação da situação da infân-luntário dos colaboradores de uma empresa, cia em risco, da velhice abandonada oupassa a representar uma enorme possibili- do tratamento reservado aos espaçosdade de efetiva contribuição para a transfor- públicos.mação da realidade brasileira, no sentido de Na medida em que o desejo individual 137seu desenvolvimento sustentável. de contribuir com trabalho voluntário para
  • 140. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Porte das empresas ções, principalmente os educacionais, garantindo um aumento do capital hu- 73% das empresas que mano do país e contribuindo para nosso promovem o voluntariado desenvolvimento sustentável. são de grande porte. Além disto, contribui para disseminar a cultura da responsabilidade social com a garantia dos direitos, principalmente dos mais pobres. Os valores inerentes ao vo- luntariado - respeito, confiança e solida- riedade – são justamente os componentes do chamado capital social. Isto nos aponta para a enorme contribuição do voluntaria- Localização das do no aumento do capital social de nossa empresas por estado sociedade. Neste sentido, é necessário ressaltar que uma sociedade, com alto grau de desigualdade como a nossa, corre o risco de aprofundar um processo de fragmen- tação social. Isto ocorre quando aumenta o capital social no interior dos grupos, mas, como efeito da grande desigualdade, desenvolvem-se relações de desconfian- ça, desrespeito e violência entre grupos com posições socioeconômicas muito alguma causa passa a ser incentivado, or- diferenciadas. Este processo de fragmen- ganizado, mais focalizado, acompanhado e tação pode atingir o perigoso patamar avaliado, cresce seu poder de transformar da polarização social caracterizada pelo a situação atual desta causa, tornando-se, antagonismo entre “ricos e pobres”. assim, uma ação mais relevante. Um dos grandes benefícios do trabalho voluntário em geral, e do empresarial em O que a sociedade ganha com particular, é colocar pessoas de diferentes o Voluntariado Empresarial estratos econômicos e sociais trabalhando Parece óbvio que o maior beneficiário juntos e, numa interação pessoal, romper do voluntariado empresarial é a própria preconceitos e promover a coesão social. sociedade. O trabalho voluntário, promo- Apesar das ações de voluntariado em- vido e organizado pela empresa, aumenta presarial estarem articuladas com o inves- seu poder de impacto nas causas onde timento social (82,8%) das empresas, estas atua. Focalizado em sua maior parte na ainda não contabilizam e/ou declaram em educação e em crianças e adolescentes1, seus relatórios o valor das horas cedidas este tipo de colaboração pode qualificar ou os custos das ações como investimento os serviços oferecidos às novas gera- social privado (53,1%). 138 1 Pesquisa Perfil do Voluntariado Empresarial no Brasil 2007/2010.
  • 141. Riovoluntário Área de AtuaçãoAs horas voluntárias são contabilizadas como Investimento Social Privado?O que a empresa ganha com oVoluntariado Empresarial Além dos ganhos sociais, parecenão restar dúvidas do quanto a própriaempresa se beneficia com a promoção dovoluntariado empresarial. Cada vez mais,as diferentes formas de responsabilidadee investimento social representam um Programas de voluntariado empresarialdiferencial para os consumidores. Frente acabam contribuindo para aumentar oa produtos que pouco se diferenciam pe- valor da marca.las qualidades técnicas, os consumidores Reflexos também são sentidos em in-estão cada vez mais propensos a optar dicadores como o incremento do orgulhopor marcas associadas a valores éticos e dos colaboradores que se refletem ema praticas responsáveis. Esta nova lógica ranqueamentos do tipo BPW. A pesquisase reflete nos certificados e prêmios, Perfil do Voluntariado Empresarial no 139cada vez mais desejados pelas empresas. Brasil II detectou que 18% das empresas
  • 142. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis analisadas acreditavam que o voluntaria- tos, de lidar com a diversidade, de trabalhar do empresarial poderia estar contribuin- em equipe e de ser flexível com normas e do para a melhoria de sua imagem. hierarquias. Diante da carência de profissionais com O que os colaboradores este novo perfil, as empresas têm inves- ganham com o Voluntariado tido recursos substantivos em processos Empresarial de desenvolvimento de seu pessoal. Estas Um ganho que começa a ser percebido empresas parecem ainda não ter se dado é o da contribuição do voluntariado empre- conta de que são justamente estas as sarial para o desenvolvimento dos recursos habilidades e competências desenvolvidas humanos das empresas. Neste sentido, é em determinadas modalidades de trabalho importante ressaltar que nossa atual etapa voluntariado. Um colaborador que atua, de desenvolvimento, conhecida como socie- por exemplo, como apoiador da gestão de dade do conhecimento, e caracterizada pela uma creche, em uma comunidade de baixa complexidade, competitividade, globalização renda, está tendo uma experiência em que e enorme avanço tecnológico, vem trazendo é fundamental: ter uma visão sistêmica das novas demandas para o mercado. Estima- questões que envolvem aquela creche e -se, por exemplo, que nos próximos cinco sua comunidade; ser criativo; articular ra- anos, três de cada cinco empresas terão sua pidamente diferentes informações sobre a atividade principal alterada. problemática enfrentada pela creche e sua Esta realidade está a exigir um novo comunidade; combinar ideias desafiado- perfil de colaborador, um verdadeiro empre- ras, mas exequíveis, com a capacidade de endedor corporativo, capaz de ter uma visão executá-las; agir na urgência e decidir na sistêmica das questões, de ser criativo e incerteza, principalmente em se tratando autônomo, de articular diferentes informa- de uma comunidade afetada pela violência; ções, de combinar ideias com capacidade compartilhar conhecimentos com todos os 140 de execução, de agir na urgência e decidir atores envolvidos; lidar com a diversida- na incerteza, de compartilhar conhecimen- de econômica, cultural, racial e religiosa;
  • 143. Riovoluntáriotrabalhar em equipe e de ser flexível com um empreendedor corporativo. Isto comnormas e hierarquias. Ou seja, desenvol- baixo custo e alto benefício social. Umver competências e habilidades típicas de verdadeiro jogo de ganha ganha.Como aumentar a efetividade do VoluntariadoEmpresarial: principais desafiosO desafio da escolha do para instituições sociais públicas e/oucaminho: modalidades de privadas sem fins lucrativos;Voluntariado Empresarial • Ações em situação de emergência: Por modalidade de voluntariado em- ocorrem em momentos de acidentes oupresarial estamos nos referindo aos tipos situações de catástrofes, envolvendo umde ações ou iniciativas que podem ser re- determinado grupo ou população;alizadas pelos colaboradores na sua ação • Atividades diversas: modalidade tradi-voluntária. Se o voluntariado empresarial cional na qual o voluntário desempenhatem como finalidade estimular, organi- diversos serviços em benefício de insti-zar e apoiar a ação voluntária de seus tuições sociais ou grupos vulneráveis;colaboradores é central identificar como • Projetos estruturados de ação voluntária:este voluntariado se expressa na prática participação de voluntários em ações,e quais as modalidades mais efetivas e previamente formatadas, em grande parteadequadas a cada empresa. configuradas como projetos; Podem ser identificadas como as • Aconselhamento ou mentoria: carac-mais usuais, as seguintes modalidades de teriza-se pelo estabelecimento de umavoluntariado empresarial: relação entre o voluntário e alguns• Doações de bens materiais e financeiros: poucos indivíduos, na qual o voluntário consistem na captação e destinação de exerce funções de orientação e acompanha- 141 recursos financeiros ou bens materiais mento personalizado do(s) mentorado(s);
  • 144. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Percentual de participação decrescendo o percentual de empresas que X conseguem mobilizar mais de 20% de seus participação dos diretores colaboradores (passou de 26% em 2007 para 15,6% em 2010). Práticas de estímulo, identificadas neste estudo, passam por divulgação e reconhe- cimento do trabalho voluntário dos colabo- radores, oferta de atuação em programas de investimento social da própria empresa, apoio financeiro às ações propostas, forma- ção de grupos de voluntários e divulgação de oportunidades de trabalho voluntário. A participação de diretores, que ex- Maciça, a maior parte participa pressa o valor dado pela empresa a este Não há participação dos diretores tipo de atuação, também parece represen- • Serviços baseados em habilidades tar um fator de estímulo à mobilização. específicas: a ação voluntária se es- Dentre as principais estratégias que vêm trutura a partir da combinação entre as sendo utilizadas pelas empresas, para en- demandas e as necessidades dos bene- frentar o desafio da mobilização, destacam- ficiários com as habilidades específicas -se campanhas, maratonas, gincanas, con- do voluntário em determinada área de cursos, seleção de projetos para patrocínio e conhecimento ou atuação; Dia, Semana ou Mês de Serviço Voluntario. • Engajamento em projetos junto a grupos ou entidades sociais: os projetos têm O desafio da organização e do origem nas necessidades específicas de apoio cada grupo e visa atendê-las estrategica- Uma importante estratégia de organi- mente, com consistência e eficácia. zação de um programa de voluntariado é a Existe grande controvérsia na identifi- criação de Comitês e Núcleos, bem como a cação de doação como forma de volun- identificação de Líderes Voluntários. Todos tariado. Algumas empresas só incluem os envolvidos devem conhecer os propó- nesta categoria doação de sangue. Sem sitos, bem como compreender o fenômeno querer entrar no mérito das discussões, que se quer transformar, a transformação optou-se por incluí-la por ser citada que se pretende gerar e a relevância desta como forma de voluntariado pela maioria transformação. Da mesma maneira, deve-se das empresas que responderam a pesqui- conhecer as características do ambiente em sa Perfil do Voluntariado Empresarial II. que serão realizadas as ações. Outro ponto necessário é a especificação clara dos pa- O desafio da mobilização péis e responsabilidades de cada um. Um dos grandes desafios de um Como forma de alinhamento entre a oferta programa de voluntariado empresarial é e a demanda por trabalho voluntário, as em- a mobilização de voluntários e sua manu- presas têm criado bancos de oportunidades e 142 tenção. Pelos dados da pesquisa Perfil do portais, utilizando as tecnologias de informação Voluntariado Empresarial no Brasil II, vem como importante instrumento para este fim.
  • 145. Riovoluntário Práticas do estímulo voluntário Programas de capacitação de volun- Horário em que os colaboradorestários e de instituições sociais, bem como são incentivados a realizar açõesmateriais de apoio para os voluntários, têm voluntáriasse mostrado de importância fundamental. Como forma de apoio ao trabalho volun-tário, as empresas vêm destinando horas detrabalho para o seu planejamento e até mes-mo para a sua realização. Todavia, a questãodo horário em que são realizadas as açõesvoluntárias pela empresa ainda são fontes dedúvidas e debates. Na maioria das empresas,o planejamento é realizado em horário de utilização deste critério nas decisões sobretrabalho e as ações fora deste horário. méritos ou promoções. O registro, sistematização e divulgaçãoO desafio do reconhecimento interna e externa do trabalho voluntário Um dos pontos cruciais de um pro- também constitui importante estratégia degrama de voluntariado empresarial é a reconhecimento.existência de um sistema de incentivo ereconhecimento, que tem demonstrado um O desafio do monitoramento epotencial extraordinário na mobilização e da avaliaçãofidelização dos voluntários. Este sistema A definição de estratégias de monitora-de incentivos pode incluir desde eventos de mento e avaliação dos avanços na direçãoreconhecimento até vantagens na própria da produção dos benefícios esperados, tantocarreira. Já é bem comum que as empre- para a sociedade quanto para a empresa,sas utilizem a participação em programas pode ser fundamental para que as infor-de voluntariado como um dos critérios mações geradas orientem a tomada de(principalmente de desempate) nos proces- decisões relevantes. Porém, para melhor 143sos seletivos, mas ainda é pouco comum a acompanhar, deve-se estruturar um sistema
  • 146. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis de gerenciamento de informações que cen- tização da prática, com pouca ou nenhuma tralize o registro e os dados necessários ao reflexão teórica. Em termos de estudos monitoramento e à avaliação. e pesquisas, estamos numa fase ainda Para que um sistema de informação exploratória, não se conhecendo sequer funcione e seja útil, ele precisa ter como o tamanho do universo de empresas que referência os usuários, ou seja, o voluntário praticam voluntariado empresarial. Não se e os beneficiários. Além disso, é necessário dispõe, portanto, de dados quantitativos que o sistema esteja integrado ao proces- consistentes, e muito menos de dados qua- so, em tempo real, e produza somente os litativos. Pouco se sabe sobre suas caracte- dados necessários para tomada de decisão. rísticas, modalidades, resultados, impactos Às vezes, excesso de informações é mais ou tendências. prejudicial que a carência delas. O Conselho Brasileiro de Voluntariado Quanto à avaliação, o voluntariado em- Empresarial (CBVE), que reúne empresas, presarial parece ainda estar em seus está- institutos e fundações empresariais, surge gios iniciais. Quando aplicam instrumentos justamente da necessidade de se cons- formais de avaliação, as empresas focali- truir coletivamente um conhecimento mais zam, sobretudo, os resultados quantitativos robusto sobre o tema, capaz de melhorar o alcançados. Avaliar o impacto ainda não e trabalho que vem sendo realizado por cada uma preocupação das empresas. um de seus membros. Para a consecução dos seus objetivos instituíram-se Grupos de Trabalho – GTs -formados pelos representantes das empre- sas que, além de participarem ativamente das assembleias gerais, reúnem-se virtual e presencialmente, a fim de agilizar e dar continuidade às deliberações do coletivo em questões que lhes são pertinentes, poten- cializando assim o desempenho do CBVE frente à sociedade brasileira. São quatro os GTs do CBVE, a saber: O desafio da integração e de GT1 – Técnico de Voluntariado Empresarial; ações conjuntas GT2 – Estudos e Pesquisas; GT3 – Ações O Voluntariado Empresarial (VE) é um Conjuntas e Emergenciais e GT4 – Comu- fenômeno muito recente no Brasil. Diferen- nicação e Novas Mídias. Cada GT escolhe te do voluntariado em geral, que perpassa dentre seus membros um Diretor que terá praticamente toda nossa história, o VE dá dentre suas competências coordenar e seus passos iniciais na década de 90 e se mobilizar os integrantes do grupo para uma expande, de maneira significativa, somente participação efetiva e comprometida em prol a partir desta década. dos objetivos de seu GT, traçados no Plane- Esta prematuridade faz com que ainda jamento Estratégico do CBVE (2011-2013). não se tenha construído um conjunto O Conselho elege também dentre seus 144 consistente de conhecimentos sobre tema. membros o (a) Presidente e Vice-Presi- O pouco saber existente é fruto da sistema- dente, que orientam as diretrizes políticas
  • 147. RiovoluntárioDivulgação RIOVOLUNTÁRIOe técnicas em complementação àquelas • 18 de novembro de 2009 - II Seminário detraçadas nas assembleias gerais. À Secre- Voluntariado Empresarial: O Voluntariadotaria Executiva, exercida pelo RIOVOLUN- Empresarial como Prática de Empreen-TÁRIO, compete oferecer suporte logístico dedorismo Social, realizado no Centroe operacional para o pleno desenvolvimento Cultural Light;das atividades do CBVE. • 26 de agosto de 2010 – Lançamento da A partir de 24 de março de 2008, data pesquisa Perfil do Voluntariado Empre-da fundação do Conselho Brasileiro de sarial no Brasil II, realizado durante a IVVoluntariado Empresarial – CBVE, na sede Mostra FIESP/CIESP de Responsabilidadeda Federação das Indústrias do Estado do Socioambiental – Pensar e Agir para oRio de Janeiro (FIRJAN), por empresas bra- Mundo que Queremos, dentro do painelsileiras2, foram realizadas inúmeras ações Apresentação de Cases: Universidades,conjuntas, dentre as quais destacamos: Responsabilidade Social Empresarial e• Julho de 2008 – Concurso Fotográfico: A Voluntariado, em São Paulo. Cara do Voluntariado no Brasil, premiação • 02 de dezembro de 2010 – Workshop durante o CONARH/SP; Indicadores de Avaliação em Voluntariado• 27 de agosto de 2008 – I Seminário Empresarial, com participação de Syreeta CBVE: Como o Voluntariado Empresarial N. Skelton, diretora de Avaliação do Points Pode Contribuir para o Desenvolvimento of Light Institute, realizado no Instituto Sustentável?, realizado em comemoração Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombus- ao Ano Internacional do Planeta Terra, no tíveis – IBP. Centro Cultural Light; • 02 de dezembro de 2010 - Seminário2 2008-2012: Accenture, AES Brasil, Banco Bradesco, Banco Votorantim, Carioca Christiani - Nielsen Engenharia, CerasJohnson, Chevron Brasil, Coca-Cola Brasil, Copel, Correios, Embratel, Fundação Arcelor Mittal Brasil, Fundação ItaúSocial, Fundação Ponto Frio, Fundação Ruben Berta, Fundação Telefônica, Gerdau, Grupo Carrefour, Haztec, HSBC,Instituto C&A, Instituto Camargo Corrêa, Instituto Pão de Açúcar, Instituto Unibanco, Instituto Vivo, Intelig Telecom,Itaipu Binacional, Kraft Foods, Light, Merck, MetrôRio, Petrobras, Promon, PwC, Queiroz Galvão Óleo e Gás, Riopol, 145Santander, Serasa, Shell, Souza Cruz, TV Globo, Unimed-Rio, Vale, Wartsila, White Martins e Wilson, Sons.
  • 148. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Internacional 2001-2011: A Década do das pelas empresas do CBVE. Seu poder Voluntariado, realizado às vésperas do Dia transformador e seu significado para o Internacional do Voluntário (comemorado desenvolvimento de nosso país podem ser no dia 05 de dezembro) na Associação comprovados no quadro abaixo: Comercial do Rio de Janeiro - ACRJ. • 02 de dezembro de 2010 – Coquetel de Performance CBVE 2011 lançamento oficial das comemorações do décimo aniversário do Ano Internacional Voluntários Envolvidos 107.510 dos Voluntários (AIV+10), com divulga- ção da campanha O Planeta é Voluntário, Municipios Beneficiados 776 criada voluntariamente pelo publicitário Percival Caropreso e equipe, da Agência Beneficiados Diretos 371.527 Setor 2 e ½, realizado no hall da ACRJ. • 15 de dezembro de 2011 – Conferência Valor Investido (R$) R$ 11.304.220,5 Internacional de Voluntariado 2001 + 10 = 2011 - A Década do Voluntariado, em São Paulo, marcando a celebração do O papel do voluntariado 10° aniversário do Ano Internacional do empresarial no Voluntário (AIV+10). O CBVE apresentou desenvolvimento sustentável a plenária Panorama do Voluntariado Surgida na década de 90, a ideia do Empresarial no Brasil: Avanços e Desa- desenvolvimento sustentável prestou um fios, assim como os painéis Voluntariado grande serviço ao entendimento do pro- Empresarial: Os Desafios da Legitimidade cesso de desenvolvimento, ao superar o e Voluntariado Empresarial: Os Desafios conceito de desenvolvimento visto apenas do Impacto. sob o ponto de vista econômico. Assim, São exemplos concretos do com- passou-se a considerar a necessidade de se prometimento dos representantes das ver o fenômeno do desenvolvimento basea- empresas membro do CBVE as pesquisas do na famosa Triple Botton Line, incluindo os I, II e III sobre o Perfil do Voluntariado campos econômico, social e ambiental. Empresarial no Brasil, o Estudo sobre Um desenvolvimento, capaz de garantir Modalidades de Voluntariado Empresarial condições favoráveis para as próximas ge- e as estratégias para sua implementação, rações, teria de promover um tipo de cresci- as ações sobre o tema “lixo”, na Semana mento econômico que garantisse a utilização Nacional do Voluntariado (de 25 a 31 de responsável dos recursos naturais e a existên- agosto), as parcerias em ações emergen- cia de uma sociedade mais justa e coesa. ciais, dentre outras. Outra contribuição importantíssima para As iniciativas citadas neste artigo o tema foi a de Amartya Sem, colocando o representam de forma incontestável o ser humano na centralidade do processo de aporte do CBVE na luta pela construção desenvolvimento. de uma sociedade mais justa e ambien- Desenvolvimento sustentável seria talmente responsável. Planejamento, foco aquele que garantisse, a diferentes gerações, 146 e sinergia são palavras-chave das ações as condições para o desenvolvimento pleno de Voluntariado Empresarial desenvolvi- das capacidades, de forma a usufruir das
  • 149. Riovoluntáriooportunidades econômicas. O objetivo do junto a entidades assistenciais, o voluntaria-desenvolvimento deveria ser o de garantir do vem contribuindo para a melhoria destasa todos a liberdade de escolher seu próprio instituições e dos serviços sociais por elasdestino. Com isto, a educação passa a ser o oferecidos, para o aumento da transparênciatema central do desenvolvimento sustentável. e para a promoção da cultura da eficiência, O processo ideal partiria de um de- eficácia e efetividade.senvolvimento econômico ambientalmente No âmbito da preservação ambiental vêmresponsável, que garantiria, não apenas as sendo desenvolvidas ações de incrementobases ambientais necessárias à conservação da consciência ecológica e dos princípios dodos recursos naturais, como as condições consumo consciente, programas de coletamínimas para que todos pudessem se desen- seletiva e de limpeza de praias e rios, bemvolver. Dadas as condições básicas, pelas como importantes projetos de mitigação daspolíticas de proteção social, seria de res- consequências de desastres ambientais.ponsabilidade das ações de desenvolvimento Na área de desenvolvimento humano,humano e social o incremento de capacida- o voluntariado empresarial tem atuado emdes que possibilitariam o aproveitamento das escolas, para o aumento do desempenhooportunidades econômicas. Estas incremen- e a diminuição de evasão (reforço escolar,tariam o desenvolvimento de capacidades, mentoria, qualificação da infraestrutura),que aumentariam as oportunidades, criando bem como em hospitais e em campanhasum círculo virtuoso de desenvolvimento. sobre hábitos saudáveis. Infelizmente, no mundo real, um proces- Contribuindo para um desenvolvimentoso de crescimento econômico irresponsável econômico mais responsável e equitativo,vem promovendo crises econômicas glo- surgem ações de assistência técnica parabais, desastres ambientais, crises de capital desenvolvimento local, programas de educa-humano e de valores sociais, além de afetar ção financeira e de fortalecimento da mulhera possibilidade de se garantir aos mais como fator de desenvolvimento.vulneráveis uma rede de proteção social. Talvez a contribuição mais importanteCria-se um verdadeiro círculo vicioso. do voluntariado empresarial seja no enfren- Quebrar este círculo demanda ações tamento às crises sociais, que têm sua ori-integradas de diferentes atores sociais, gem na questão dos valores. Neste sentido,tornando mais efetivas as estratégias de a própria ação voluntária atesta e promoveproteção social, de desenvolvimento (huma- um conjunto de valores diretamente ligadono, social e econômico) e de preservação ao capital social - respeito, confiança eambiental. Em todos estes campos, o volun- solidariedade, além das ideias de justiça,tariado empresarial vem prestando serviços equidade, pertencimento e reciprocidade.de valor inestimável. Em resumo, o voluntariado empresarial O campo tradicional de atuação do vo- parece ser peça fundamental no processo deluntariado é o da proteção social. Ao atuar promoção do desenvolvimento sustentável. Wanda Engel – Presidente do CBVE Heloisa Coelho – Diretora-Executiva do RIOVOLUNTÁRIO 147
  • 150. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Stock.XCHNG/Sanja Gjenero Shell Brasil Petróleo www.shell.com.br Atividade: Exploração e produção de petróleo e gás Fundação: 1907 (1913, no Brasil) Colaboradores: 101 mil (850, no Brasil) Receita líquida: US$ 470 bilhões Principal projeto em sustentabilidade: Shell Iniciativa Jovem Divulgação Shell 148
  • 151. Shell Brasil Petróleo Capacitando Jovens EmpreendedoresA Shell é uma empresa global bloco BC-10 está entre os negócios estraté- de energia, com 105 anos gicos globais. de operações em mais A Raízen é uma empresa brasileira que de 80 países, nos quais tem valor de mercado estimado em U$ 12 emprega cerca de 90 mil bilhões. Já se encontra entre as cinco maio- pessoas. Seu objetivo é res do Brasil em faturamento. Com cerca deajudar a suprir as demandas energéticas da 40 mil funcionários, comercializa uma mé-sociedade, em caminhos que sejam econo- dia de 20 bilhões de litros de combustíveis emicamente, ambientalmente e socialmente tem 4,5 mil postos de serviços em sua rede.responsáveis. Tanto seus postos de serviço quanto o seg- No Brasil desde 1913, a Shell tem hoje mento de Aviação usam a marca Shell comoum quadro de 840 funcionários. Suas ativi- bandeira, por ser sinônimo de inovação edades englobam negócios tanto no segmen- tecnologia. Com seus investimentos na ge-to de Upstream, nas áreas de Exploração ração de energia sustentável, a Raízen teme Produção, distribuição de Gás Natural potencial global para acelerar a produçãoe Naval, quanto no de Downstream. Neste comercial de biocombustíveis avançados.último segmento, somada à sua presença no Em 2011, a Shell foi eleita a maior em-mercado de Lubrificantes, a Shell faz parte presa do mundo em ranking da revista For-da joint venture Raízen, que gerencia seus tune, que analisa as 500 maiores empresasnegócios de Varejo, Aviação, Comercial, globais. A companhia teve aumento de 28%Suprimentos e Distribuição no país. em sua receita, no ano passado, que atingiu Nas atividades de Upstream, a Shell US$ 484 bilhões. O ranking da Fortune,já investiu mais de US$ 3 bilhões no país, publicado anualmente, usa como parâmetrodesde 1998. Em 2011, produziu 29 milhões a receita líquida das companhias.de barris de petróleo, superando em 7% suameta para o ano. Com base em uma política Valores e princípiosde meta zero, que visa evitar qualquer dano A Shell estabelece padrões globais deàs pessoas ou à biodiversidade, a Shell ope- desempenho e de comportamento ético. Osra na perfuração e na produção de petróleo Princípios Empresariais Gerais da Shell, seue gás no Brasil há mais de 10 anos sem Código de Conduta e seu Código de Ética 149impacto significativo no meio ambiente. O são ferramentas que ajudam todos a agirem
  • 152. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis as transações, grandes ou pequenas, e norteiam o comportamento esperado de cada empregado em cada companhia Shell, na condução de suas atividades em todas as ocasiões. Os parceiros comerciais também são incentivados a viver segundo os mesmo princípios ou equivalentes. Como parte dos Princípios Empresariais, a Shell assume o compromisso de contribuir para o desenvolvimento sustentável. Isso requer o equilíbrio de interesses de curto e longo prazo, que devem integrar considera- ções econômicas, ambientais e sociais ao processo decisório da empresa. A Shell também tem um código de conduta, importante para saber como agir diante de situações específicas no mo- mento de negociações ou do recebimento de informações confidenciais. O código de conduta fornece diretrizes e recomendações práticas sobre como atuar em conformidade com legislações e regulações, como lidar com terceiros e como solucionar dúvidas na conduta dos negócios. Divulgação Shell Os Princípios Empresariais Gerais da Shell, seu Código de Conduta e seu Código de Ética estão disponíveis para consulta no site da companhia (www.shell.com.br). de acordo com os valores essenciais de honestidade, integridade e respeito pelas Responsabilidade social pessoas, além de atuar sempre em confor- Para a Shell, agir com responsabilida- midade com legislações e regulamentações de social vai além de somente dar suporte vigentes. financeiro a projetos. Seus investimentos A Shell também acredita firmemente na são pautados pelo benefício que proporcio- importância da confiança, da transparência, nam à sociedade, palpavelmente, e pela sua do trabalho em equipe e do profissionalismo, sustentabilidade. Em 2011, a Shell investiu bem como do orgulho por seus feitos. aproximadamente U$ 125 milhões em proje- Em 1976, a Shell foi uma das primei- tos sociais ao redor do mundo. ras empresas a publicar seus Princípios A Shell investe em programas voltados Empresariais Gerais, com os quais norteia para a comunidade que tenham um impacto a condução dos negócios de cada uma positivo e durável. Os projetos sociais da 150 das companhias ao redor do mundo. Os companhia no mundo são relacionados à Princípios Empresariais se aplicam a todas segurança nas estradas, ao desenvolvimento
  • 153. Shell Brasil Petróleode empreendedores locais e à garantia de Programas deacesso confiável e seguro à energia nas Responsabilidade Socialcomunidades vizinhas das suas operações. Além do Shell Iniciativa Jovem, que será A companhia trabalha com comunidades, apresentado em detalhes neste capítulo, aagências de desenvolvimento, governos e Shell destina recursos a diversos programasorganizações não-governamentais, para de incentivo a geração de renda, capaci-criar projetos sociais que transcendam tação profissional e empreendedorismo eo suporte financeiro. A Shell busca um projetos de educação ambiental no Brasil,diálogo aberto e, para tanto, as comunidades tais como:são ouvidas sobre onde investir recursos. Junior Achievement – A Junior AchievementAssim, ajuda nas escolhas e reparte a é a maior e mais antiga organização de for-responsabilidade de desenvolver e pôr os mação empreendedora para jovens em idadeprogramas em prática. E sensibiliza seus escolar. A seção Rio de Janeiro, patrocinadafuncionários a também se engajarem por pela Shell desde 2000, já beneficiou maismeio de voluntariado. de 130 mil jovens em projetos de educação Nessa perspectiva, a Shell mantém um para o empreendedorismo. Funcionários dainteresse construtivo por questões socio- Shell atuam como voluntários nos programasambientais relacionadas direta ou indireta- desenvolvidos pela instituição.mente às suas atividades e destina recursosa programas de incentivo à geração de Projeto de Monitoramento de Baleias porrenda, capacitação profissional e empreen- Satélite (PMBS) – Patrocinado pela Shelldedorismo e projetos de educação am- desde 2001, o PMBS foi criado pelo Institutobiental. Programas como o Shell Iniciativa Aqualie e é realizado em parceria com insti-Jovem, que promovem o empreendedorismo tuições de pesquisa do Brasil, da Dinamarcade forma sustentável, por meio da formação e dos Estados Unidos. O projeto tem porde jovens empreendedores bem-sucedidos finalidade investigar as rotas migratórias dae empreendimentos socialmente responsá- espécie Jubarte pelo Oceano Atlântico. Naveis, ambientalmente corretos e financei- impossibilidade de capturar o animal, a estra-ramente estáveis, colaboram para geração tégia foi implantar transmissores por satélitede trabalho e renda e incentivam a cultura de alta tecnologia no dorso das baleias e de-empreendedora. terminar remotamente o caminho percorrido Somam-se a essas iniciativas a par- por elas. Todas essas questões são essen-ticipação da Shell em diversos grupos de ciais para ampliar o conhecimento e melhorartrabalho e câmaras técnicas setoriais com o a conservação da espécie no Brasil.objetivo de buscar soluções para problemascomuns da indústria, discutir a elaboração Global Road Safety Partnership (GRSP) –de modelos de relacionamento com a comu- O programa de Parceria Mundial de Segu-nidade e despertar a consciência do público rança Viária (GRSP) é patrocinado global-para a sustentabilidade. Além disso, a Shell mente pela Shell. O objetivo dessa iniciativaé signatária do Pacto de Ação em Defesa do — capitaneada pelo Banco Mundial, pelaClima, do Pacto Empresarial pela Integrida- Cruz Vermelha e por um departamento dede e contra a Corrupção e do Pacto Nacional desenvolvimento do Reino Unido — é reunir 151da Erradicação do Trabalho Escravo. esforços, em âmbito mundial, para imple-
  • 154. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Shell e realiza campanhas de arrecadação. Projeto Grael – A missão do Projeto Grael é promover a cultura marítima, bem como a ribeirinha, e ampliar o acesso aos esportes náuticos como instrumentos de educação, de estímulo à profissionalização, de cons- trução da cidadania e de inclusão social. Realizado em Niterói, no Rio de Janeiro, o projeto tem três pilares: Desenvolvimento Esportivo, Iniciação Profissionalizante e Educação Complementar. Ação Comunitária do Brasil (ACB) – Há quase 30 anos, a Shell apoia os projetos da Ação Comunitária do Brasil. A institui- ção tem a missão de promover os direitos de cidadania de brasileiros que vivem à margem do desenvolvimento social, econômico e cultural do país. Pioneira na área de responsabilidade social no Brasil, a organização tem núcleos de cidadania localizados em duas comunidades com baixos índices de desenvolvimento huma- no, o Complexo de Favelas da Maré e o Conjunto Habitacional de Cidade Alta, na Zona Norte do Rio de Janeiro. mentar programas e políticas urbanas volta- dos para a redução do número de acidentes Passageiro do Futuro – Realizado em parce- viários. O Brasil é um dos países-alvo na ria com a Secretaria Estadual e Municipal de América Latina, com cerca de 20 cidades Educação do Rio de Janeiro, o projeto tem atendidas. Destas, seis foram indicadas pela por objetivo a formação de futuros técnicos Shell: Macaé (RJ), Jundiaí (SP), São José do das artes cênicas. São oferecidas oficinas Rio Preto (SP), Betim (MG), Porto Alegre e de capacitação em interpretação, prepara- Canoas (RS). ção vocal e corporal, cenários e figurinos, sonorização e maquiagem, que visam à Saber Dividir – Programa de voluntariado profissionalização e à inserção dos benefi- da Shell no Brasil, o Saber Dividir reúne ciados no mercado das artes. e estrutura as ações de voluntariado dos Curta na Praça – O projeto de exibição de seus funcionários. A Shell acredita que curtas-metragens brasileiros em praças ser uma empresa socialmente responsável públicas visitou em 2012 oito municípios do implica sensibilizar os funcionários para Rio de Janeiro e do Espírito Santo e já pro- 152 que também o sejam. Portanto, incentiva a porcionou cultura e entretenimento a mais participação direta deles em projetos sociais de 21 mil espectadores.
  • 155. Shell Brasil Petróleo Divulgação ShellDivulgação Shell anos, total que deve ser ampliado para 60 jovens este ano. Projeto Preservarte – A Preservarte atua desde 1999 com projetos sociais e culturais e utiliza a educação cultural e a profissionalização pela música. O projeto se concretiza em ações como aulas de violão, ukulele, violino, capoeira, coralMeninos do Morumbi – A Associação Me- e oficinas de luteria (arte-ofício de construirninos do Morumbi é integrada por mais de instrumentos musicais) para todas as idades.4.000 crianças e adolescentes da cidade de Atende anualmente mais de 700 beneficiáriosSão Paulo. O grupo tem na prática musical nos municípios de João Neiva, São Mateus,uma forma de criar alternativas às drogas e Anchieta e Ibiraçu, todos no Espírito Santo.à delinquência juvenil. A Associação Meni-nos do Morumbi inclui várias atividades que Prêmio Shell de Teatro – Uma das premia-complementam o trabalho artístico. ções mais antigas do país, há 24 anos o Prêmio Shell de Teatro reconhece o talentoInstituto Superar – O projeto Nadando con- dos maiores destaques do cenário teatral bra-tra a Corrente investe na formação de atle- sileiro, com prêmios em diversas categorias.tas paraolímpicos. Nesse projeto, crianças O Prêmio é considerado a mais importantecom deficiência são treinadas na natação. premiação do teatro nacional, pela mídia e pelaTem por objetivo a inclusão social e o de- classe artística, o que reafirma a percepção desenvolvimento físico, por meio de acompa- que a Shell continua a apoiar e reconhecer anhamento por profissionais especializados, importância da cultura brasileira.treinos, musculação, alimentação, transportee participação em competições. Em 2011, o Valores de Minas – O projeto oferece ofici- 153programa atendeu 40 jovens, entre 12 e 18 nas de artes para jovens de escolas públicas
  • 156. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis estaduais. Desde junho de 2009, faz parte primeiro trimestre de 2010, o VitaVida já do Plug Minas, centro de experimentação produziu e distribuiu gratuitamente cerca digital localizado no bairro Horto, em Belo de 12 milhões de refeições no Estado de Horizonte (MG), onde ocupa um prédio de Minas Gerais. 1.200 metros quadrados. No Valores de Mi- nas, são realizadas oficinas de teatro, circo, Orquestra Sinfônica Brasileira – A Shell música, dança e artes plásticas. O objetivo apoia os projetos culturais da Fundação não é formar artistas, mas sim dar aos estu- OSB, como os Concertos da Juventude, dantes uma formação cidadã. concertos didáticos e curso de capacitação de aperfeiçoamento técnico. Essas iniciati- VitaVida – O programa distribui comple- vas têm o objetivo de fomentar o desenvol- mento alimentar desidratado, produzido vimento de jovens talentos e a formação de com excedentes de legumes, cereais e profissionais da música, com o intuito de frutas doados por produtores agrícolas e ampliar o ensino qualificado dessa arte em comerciantes. Desde a sua criação até o escolas da rede municipal de ensino. Apresentação do ‘case’ e contexto das ações Por que empreendedorismo? radas ao vocabulário de ações da compa- No fim dos anos 1990, o trabalho e a nhia. Empreendedorismo, desenvolvimento perspectiva de geração de renda se con- sustentável e inserção social ganharam figuravam como graves problemas para o tradução em mecanismos de atuação nos Brasil. Faltavam oportunidades para os que quais a palavra-chave é transparência e o chegavam ao mercado e para aqueles que, objetivo final, o futuro. Ao rever os inves- por algum motivo, tinham perdido o empre- timentos de seu portfólio, a preocupação go. Em um cenário de escassez de vagas, os corporativa concentrou-se na comunidade, jovens não tinham oportunidade de ingres- no meio ambiente e na cultura. sar no mercado de trabalho formal. Como o Grupo Shell já tinha um progra- Em 1998, a Shell realizou pesquisas no ma de empreendedorismo para jovens desde Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília 1982, o Shell LiveWIRE, revelou-se então com a finalidade de receber uma avaliação uma ótima oportunidade de trazê-lo para o da sociedade sobre a sua política de Investi- Brasil, por estar totalmente alinhado com a mentos Sociais naquele momento. Além de nova política e com as áreas prioritárias de ouvir as opiniões sobre o portfólio de proje- investimento citadas na pesquisa (Educação, tos já existentes, nas pesquisas se buscou Geração de Renda e Profissionalização). identificar quais seriam as áreas prioritárias O Shell Iniciativa Jovem foi criado, por- de investimento no país. Os problemas mais tanto, em um cenário no qual incentivar o prementes apontados foram: educação; de- empreendedorismo era fundamental, e seus semprego; violência; e desigualdade social. principais objetivos consistiam em atuar na: A partir da avaliação desses resultados, 1. inserção social do jovem, ao formar 154 palavras pouco usuais no dia a dia do brasi- empreendedores, dar apoio a empre- leiro no fim da década de 90 foram incorpo- endimentos sustentáveis, e se envolver
  • 157. Shell Brasil Petróleo nas discussões e no desenvolvimento de de 65% das empresas continuaram ope- políticas públicas de juventude; rando após os três anos iniciais. Somente2. dinamização do desenvolvimento local, ao em 2011, 770 mil jovens foram atingidos no articular redes de empreendimentos, con- mundo, por programas de treinamentos, tribuir para a redução de desigualdades, eventos de negócios ou websites. tomar parte na discussão e no desenvol- O LiveWIRE tem sua qualidade avaliada vimento de políticas públicas locais e; globalmente. Essa avaliação é feita pela3. irradiação da cultura empreendedora, ONG Project North East, sediada no Reino ao sensibilizar os jovens para o empre- Unido. Em cada país, a Shell desenvolve o endedorismo, mobilizar parceiros e dar programa juntamente com parceiros locais. suporte à cultura empreendedora. Mais informações sobre o programa Shell LiveWIRE estão disponíveis em www.O Shell LiveWIRE shell-livewire.com. Em 2012, o Shell LiveWIRE completa30 anos de sua criação. O lema do progra- Processo de implementação doma “Inspirando empreendedores em volta ‘case’ Shell Iniciativa Jovemdo mundo” traduz seu objetivo. O projeto A principal missão do Shell Iniciativafunciona como uma rede, que reúne progra- Jovem é contribuir para o desenvolvimentomas da Shell de incentivo a jovens talentos sustentável e a inserção social do jovem,empreendedores, de 18 a 34 anos. A partir da por meio da formação de empreendedores epremissa de que é preciso mais do que uma empreendimentos sustentáveis e inovadores,ideia brilhante para que se comece um novo o que permite conectá-los e articular umanegócio próprio, o Shell LiveWIRE quer dar Rede de Empreendimentos Sustentáveis.aos jovens uma vitalidade inicial para conver- Baseado nos princípios de qualidade,ter suas ideias em empresas de sucesso. transparência, inovação, protagonismo e co- Somente 10% dos pequenos negócios operação, o programa visa ser a referênciaduram mais do que três anos, de acordo nacional em empreendedorismo sustentávelcom o Banco Mundial. O aconselhamento de jovens, por meio da promoção da culturade planos de negócios e o treinamento empreendedora e da replicação de suagerencial oferecidos pelo Shell LiveWIRE tecnologia social.podem ajudar esses negócios a sobrevi- Para a adaptação do programa originalverem por mais tempo e se consolidarem (o LiveWIRE) à realidade brasileira, foipara o futuro. O programa atualmente necessário que uma nova linguagem fosseencontra-se em 17 países nos quais a Shell adotada, pois se pretendia atingir jovenstem operações. com perfil empreendedor, independente- Ao completar 30 anos, o programa é mente de sua escolaridade. No momentoagora mais velho do que a maioria dos inicial, em parceria com a Dialog, todoaspirantes a empreendedor que ele apoia. o material didático do programa originalMais de 9 milhões de pessoas no mundo já foi transformado em jogos de negóciospassaram por seus workshops e aprenderam (tabuleiro e RPG). Um dos idealizadoresmais sobre empregabilidade e oportunida- do programa do Reino Unido acompanhoudes de negócios. Entre 10%-15% consegui- toda a adaptação e prestou consultoria 155ram iniciar seus próprios negócios. E cerca durante esse processo.
  • 158. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Shell O programa, lançado em 2001, foi desen- forma socialmente responsável, ambiental- volvido de forma totalmente inovadora, com mente correta e financeiramente estável. Co- a preocupação de criar um modelo capaz de labora, portanto, para a geração de trabalho e gerar real valor e resultados para os empre- renda e incentiva a cultura empreendedora. endedores e os seus negócios. O programa é contínuo e cada turma tem a duração de cerca de 12 meses, desde o O Shell Iniciativa Jovem processo de seleção até a legalização dos O Shell Iniciativa Jovem tem por empreendimentos. objetivo a sensibilização do jovem para o Atualmente no Brasil, o programa é empreendedorismo como opção de carrei- operado pelo Centro Integrado de Estudos ra. Para alcançar essa meta, o programa e Programas de Desenvolvimento Susten- utiliza capacitação, orientação (mentoria e tável Brasil em dois polos na cidade do Rio consultoria) e palestras, nas quais os jovens de Janeiro: Zona Oeste e Centro. Os jovens empreendedores – inclusive alguns dos que de ambos os polos participam de atividades já passaram pelo programa – compartilham conjuntas, como palestras e workshops, suas experiências, contam suas histórias e que visam aproximá-los e, assim, propicia o descrevem como foi a jornada até se torna- trabalho em Rede. rem empresários bem sucedidos. No programa, o empreendedorismo é vis- Abrangência e Metodologia 156 to pelo prisma da sustentabilidade: os jovens Atualmente, o público-alvo do programa são incentivados a gerir seus negócios de Shell Iniciativa Jovem são jovens empreen-
  • 159. Shell Brasil Petróleodedores ou com potencial empreendedor, as expectativas pessoais dos empreende-de 20 a 34 anos, que tenham ensino médio dores correspondam às ações necessáriascompleto e endereço fixo no Rio de Janeiro. para a inserção do empreendimento noTambém é preciso dedicação de determina- mercado.do número de horas ao programa. Quanto à metodologia aplicada, o pro- 3. Oficina de Proje-grama estabelece um processo de formação tos – Com duraçãodo empreendedor e do empreendimento. de aproximadamente 16 semanas, quandoIsso consiste em avaliação do perfil em- são feitos dois encontros semanais, de trêspreendedor; capacitação do empreendedor; horas cada, a oficina é a etapa central dodesenvolvimento do plano de negócio; projeto, pois nela os jovens vão desenvolvercertificação; divulgação para o mercado; e todas as etapas de seu plano de negócios eformação da rede local de empreendedores elaborar um anteprojeto. Por meio dos mó-e empreendimentos. dulos de conhecimento – Marketing, Vendas O Shell Iniciativa Jovem está estrutura- e Estudos de Mercado, Gestão Estratégica edo em cinco etapas: de Pessoas, Sustentabilidade e Ética entre 1. Laboratório de outros – os jovens desenvolvem as compe- Ideias – Depois de tências necessárias para a gestão de seus um processo de empreendimentos. inscrição, pelo site Acoplados a essa etapa, existem os Jogos do programa, e de uma seleção inicial em de Negócios, pensados para demons- entrevistas que têm o objetivo de identifi- trar, por meio de atividades vivenciais, car perfis empreendedores, cerca de 180 apresentação de cases e dinâmicas, a jovens são recrutados para participar do aplicação prática dos conhecimentos te- Laboratório de Ideias. Essa primeira etapa óricos adquiridos na Oficina de Projetos. consiste em dois encontros, nos quais Esse momento serve como ferramenta são realizadas dinâmicas e simulações para a construção e o desenvolvimento de empresariais. Seu objetivo é identificar competências essenciais para os jovens e selecionar os participantes com maior empreendedores. potencial empreendedor e que apresen- tem maturidade para construir um plano 4. Prática de de negócios e colocá-lo em prática. Plano de Negócios – A quarta etapa 2. Oficina de funciona como um complemento à tercei- Desenvolvimento ra. Consiste em orientação voltada para Individual – Na a finalização dos Planos de Negócios, segunda etapa, 60 fundamentada na assessoria de mentores jovens, selecionados no Laboratório de e consultores. O mentor é um profissional Ideias, têm a oportunidade de traçar planos do mercado que acompanha voluntaria- de desenvolvimento e planejamento pes- mente um projeto e apoia seu desenvolvi- soal e profissional, por meio de dinâmicas mento com experiência e conhecimento, e de construção de um PDI (Plano de De- além de abrir portas em sua rede de 157 senvolvimento Individual). O objetivo é que relacionamento. No fim dessa etapa, os
  • 160. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Shell Iniciativa Jovem em números Cadastros 8.123 Turmas realizadas 11 Beneficiados no 1.278 Laboratório de Ideias Beneficiados na Oficina 670 de Projetos Planos de Negócio 387 desenvolvidos Divulgação Shell Empreendimentos premiados 34 Mais de Total distribuído em prêmios R$ 200.000,00Representantes das empresas certificadas com o selo em 2011 Planos de Negócios desenvolvidos são e do funcionamento. Os negócios passam submetidos a uma banca oficial, integra- então a receber a chancela do Selo Shell da por empreendedores do mercado e Iniciativa Jovem de Empreendimento Sus- parceiros do Shell Iniciativa Jovem, tais tentável, reconhecimento do sucesso dos como Sebrae-RJ, Firjan/IEL e membros jovens e passe de entrada para o RESIJ. da Rede de Empreendedores Sustentáveis O Selo Shell Iniciativa Jovem de do Shell Iniciativa Jovem (RESIJ). Essa Empreendimento Sustentável certifica os banca avalia a viabilidade dos planos novos negócios que, uma vez concluídas apresentados e o domínio dos participan- todas as etapas do programa, tiveram suas tes sobre a ideia de seus negócios. Os empresas formalizadas e adotaram práticas 30 melhores são aprovados pela banca, de gestão sustentável. permanecem no programa e recebem o suporte necessário para a implementação Resultados alcançados de suas ideias. Em 2011, o Shell Iniciativa Jovem completou dez anos de implementação no 5. Fábrica de Ne- Brasil. A Rede de Empreendedores do Shell gócios – A quinta Iniciativa Jovem, integrada por negócios e última etapa do que tiveram início no programa, conta hoje Shell Iniciativa com 34 empreendimentos ativos, que têm Jovem consiste faturamento anual médio de R$ 625 mil. Em na transformação pesquisa, 80,2% dos participantes se mos- dos planos em realidade. Nesse momento, traram satisfeitos com o programa. os negócios ainda não implementados Em 2002, o Shell Iniciativa Jovem rece- devem começar a existir, e os jovens beu a chancela da Organização das Nações contam com o suporte de orientadores Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura e mentores. No fim da etapa da Fábrica, (Unesco). A entidade considera que o projeto 158 uma auditoria avalia o negócio, do ponto contribui para o aumento da participação ativa de vista da sustentabilidade, da legalidade de jovens na sociedade ao promover maior
  • 161. Shell Brasil Petróleoinserção social e protagonismo juvenil. Em 2006, foi criada a Rede de Empre-endimentos Sustentáveis do Shell IniciativaJovem (RESIJ) – formada com as empresascertificadas pelo programa –, que exerce afunção de orientadora e estimula as relaçõesinstitucionais e comerciais entre os empre- Leandro Martinsendimentos e também com o mercado. Atualmente o programa é executado emdois núcleos: Centro do Rio de Janeiro e emRealengo. A sede do Shell Iniciativa Jovem, Fábio Lewin, diretor da Coco Legalque se situa no Centro, funciona comoespaço aberto aos empreendedores para a de faturamento, em 2012. “Se não fosse orealização de reuniões com seus públicos direcionamento dado pelo Shell Iniciativade relacionamento. Jovem eu hoje não existiria como empresá- No Shell Iniciativa Jovem, os partici- rio”, avalia Mendes.pantes não pagam pelos benefícios que (www.intargetconsultoria.com.br)recebem durante todo o processo do progra-ma – um trabalho realizado, boa parte por A Feira – Grife de joias e acessórios para ovoluntários (pessoas físicas e jurídicas), dia a dia, voltada para a mulher, que produzselecionados pelo comprometimento e joias com estilo mas a preços acessíveis.pela competência específica, cuja atuação A criação é baseada em estudo, pesquisaestá totalmente integrada à metodologia do e técnica, além de a marca contar tambémprograma. O banco de voluntários tem 167 com a contribuição do cliente para o proces-cadastrados. so criativo, que pode sugerir novas ideias, solicitar alterações e fazer ajustes em umAlguns exemplos de sucesso processo de personalização. A designerCoco Legal – Produz, envasa e comercializa Danielle Gandarillas conta de onde surgiu aágua de coco 100% natural a partir de seu vontade de empreender: “Decidi criar a em-próprio coqueiral, com uso de alta tecno- presa pois, além de ter grande experiêncialogia. Em seis anos, desde que ingressou na área – trabalhei em duas joalherias – jádo programa, a produção da Coco Legal tinha tido um feedback positivo do mercadocresceu cerca de 1.880%. “Eu descobri que a respeito das minhas criações e sentia oera empreendedor e que a minha empresa Ímpeto de empreender.”era sustentável no Shell Iniciativa Jovem”, (http://www.afeira.com)afirma o diretor Fabio Lewin.(www.cocolegal.com.br). Colaboradores Uma parcela importante do trabalho doINTARGET Consultoria – Pioneira no ramo Shell Iniciativa Jovem é feita por voluntá-de consultoria especializada em gestão rios, que podem se inscrever para fazerestratégica para academias de ginásticas parte do banco de colaboradores. Além dee clubes. Segundo o diretor Alessandro contar com funcionários da própria Shell 159Mendes, a previsão é chegar a R$ 1 milhão como voluntários, já dedicaram seu tempo e
  • 162. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis sua competência gratuitamente ao programa Programas de Desenvolvimento Sustentável colaboradores do Sebrae, IEL entre outros. é o parceiro executor do Programa no Brasil Os voluntários, também chamados de desde 2009. O CIEDS foi fundado em 1998 e Voluntários Especialistas, são profissionais é uma Instituição Social sem Fins Lucrati- do mercado (ou de instituições), selecio- vos, filantrópica, cuja missão é promover nados por seus conhecimentos e suas uma sociedade sustentável com base em habilidades para apoiar o jovem nas etapas conhecimento, cooperação e empoderamen- de elaboração do Plano de Negócio. O aten- to das pessoas. Ao longo de sua existência, dimento dos voluntários pode ser presencial o CIEDS formou uma equipe multidiscipli- ou virtual. No atendimento virtual – que abre nar altamente qualificada que realiza todas a possibilidade para profissionais de outras as etapas de implementação de projetos regiões – o voluntário poderá ser um e- sociais: do planejamento à execução, da -voluntário, por meio de fóruns ou comuni- execução à avaliação dos resultados. cações diretas via Internet. Também existe a categoria de Mentor, Sebrae – A parceria do Serviço Brasileiro para assessoria e acompanhamento de de Apoio às Micro e Pequenas Empresas jovens. O jovem e o mentor fazem uma com o Shell Iniciativa Jovem tem gerado proposta de trabalho, na qual se formaliza bons frutos desde 2005. Além da troca de a dinâmica e o objetivo da “mentoria” em conhecimento metodológico entre as duas questão. Um jovem pode ter mais de um instituições, o Sebrae apoia o programa e mentor, que pode ser captado pelo progra- fornece material de apoio e consultores que ma, com os parceiros institucionais ou no fazem parte do nosso quadro de voluntários. próprio mercado, ou trazido pelo jovem. O Shell Iniciativa Jovem também dispõe Firjan/IEL – A Federação das Indústrias de consultores, que são profissionais espe- do Estado do Rio de Janeiro desenvolve e cializados em algum setor ou área de negó- coordena estudos, pesquisas e projetos para cios, para duas reuniões presenciais com orientar as ações de promoção industrial grupos de jovens, organizados de acordo e novos investimentos no estado. Seus com suas particularidades ou demandas. conselhos empresariais e fóruns empresa- riais setoriais discutem tendências e lançam Parceiros diretrizes para ações de apoio e assessoria O sucesso do Shell Iniciativa Jovem não às empresas. seria possível sem a rede de parceiros que colabora na execução do programa. Essa é a Faculdades São José – instituição que maneira de construir formas de organização funciona desde 1980, mantém nove cursos social inovadoras, baseadas em princípios de graduação, em plena expansão de suas democráticos, inclusivos, emancipadores e atividades. A capacidade de investimento, que busquem a sustentabilidade. Pessoas a seriedade e o interesse da instituição e grupos de todas as partes, do local ao podem ser verificados nos resultados das global, podem somar talentos, vocações e avaliações de seus cursos, bem como nas recursos em torno de objetivos comuns e ações concretas para o desenvolvimento 160 fortalecer a ação de todos. regional sustentável. Em meados de 2010 Cieds – O Centro Integrado de Estudos e o Shell Iniciativa Jovem iniciou parcerias
  • 163. Shell Brasil Petróleopontuais com a São José, até ser firmada aparceria de cessão de uso de espaço paraa realização das etapas do projeto na ZonaOeste do Rio de Janeiro. Localizada em umadas vias principais do bairro de Realengo ea poucos metros da estação de trem, tornoufácil o acesso. Leandro MartinsUniversidade Gama Filho – A UGF é umadas mais importantes instituições de ensinosuperior do Rio de Janeiro e tem o Campus Coco LegalGonzaga da Gama Filho, além dos campiCentro-Candelária e Barra-Downtown. O Editora da FGV – Desde 1945, a Editora FGVColégio Gama Filho, em Piedade, também tem por missão divulgar obras das diversasfaz parte da Instituição. Em 2012, o Shell áreas do conhecimento, sempre com a pre-Iniciativa Jovem iniciou parceria de cessão ocupação de contribuir para a melhoria dode uso de espaço para a realização das ensino e da educação no país, o que projetaetapas do programa - Laboratório de Ideias, a imagem da Fundação Getulio Vargas nosOficina de Desenvolvimento Individual e âmbitos nacional e internacional. A marcaOficina de Projetos. Localizada em uma das Editora FGV está impressa em mais de 300vias principais do centro do Rio de Janei- títulos, adotados por instituições de ensinoro, o campus Centro-Candelária facilitou o de todo o país, e atende também aos setoresacesso dos jovens empreendedores. empresarial e governamental, que atestam sua preocupação com a qualidade.Argilando – A Argilando é uma organizaçãosem fins lucrativos, criada com a missão de Canais de Comunicaçãosensibilizar, conscientizar e mobilizar a socie- O Shell Iniciativa Jovem implementoudade para exercer ações voltadas ao bem-estar diversos canais de comunicação com seussocial por meio do trabalho voluntário organi- públicos. Seu website (www.Shell Iniciativazado. A parceria do programa com a Argilando Jovem.org.br), primeira ferramenta on linevisa potencializar e qualificar o Programa de de relacionamento mais abrangente, tem emVoluntariado do Shell Iniciativa Jovem. média 4,5 mil acessos/mês e existe desde 2006. A página no Facebook (http://www.Luz – Criada em 2005, a Luz é fruto da facebook.com/pages/Programa-Shell-Shellexperiência de seus sócios dentro da EJ Iniciativa Jovem/170149379671093) temPUC-Rio, órgão de uma das mais renoma- 669 amigos e a página de perfil tem 201das incubadoras de empresas do país - a seguidores. No Twitter, são 241 seguidoresGênesis da PUC-Rio. Acompanhando o nas- (@programaIJ).cimento e o desenvolvimento de empresastecnológicas e culturais, a Luz foi criada Coco Legal no Inside Energy – O aplicativopara atender micro e pequenas empresas de para iPads Inside Energy foi criado pelamaneira acessível e eficaz e se comprome- Shell para explorar o papel que iniciativas 161ter com o sucesso de seus clientes. inovadoras têm na produção da energia que
  • 164. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Shell Premiação 2011 mantém nossas vidas. Ele mostra novas for- micos e soluciona o problema ambiental e mas de descobrir energia, dá a oportunidade financeiro do resíduo da casca do coco. de aprender sobre avanços em tecnologia Em um processo de altíssima tecnologia e conhecer as pessoas responsáveis por desenvolvido pela própria Coco Legal, após a essas descobertas. limpeza e a esterilização, os cocos são aber- A história da Coco Legal, empresa vence- tos e a água é resfriada a 2º C em apenas 4 dora na categoria Empreendedor Sustentável segundos após a perfuração do fruto - esse do Iniciativa Jovem de 2008, passou a integrar processo garante que todas as propriedades o Inside Energy, por sua história de inovação: nutricionais e de sabor sejam 100% pre- fundada em janeiro de 2002, a Coco Legal servadas. A água de coco é envasada sem é uma agroindústria que envasa, comercia- qualquer uso de conservantes, garantindo o liza e distribui água de coco 100% natural. slogan ”naturalmente mais doce”. Com coqueiral próprio e avançados recursos tecnológicos na produção e no beneficiamento Reconhecimentos da água de coco, a empresa é certificada pelo Premiações – O programa Shell LiveWIRE Ministério da Agricultura e recebe também oferece uma premiação na maioria dos orientação da Embrapa e do Emater. países onde está presente, com o intuito Social e ambientalmente responsável, de reconhecer e premiar os jovens que são a Coco Legal contrata e desenvolve mão bem sucedidos na elaboração dos seus de obra local. Desse modo, gera trabalho planos de negócio. Os prêmios podem e renda para a comunidade no entorno da ajudar os jovens a alavancar seus negó- fábrica, além de contribuir com a diminuição cios e proporcionam visibilidade por meio da evasão social do homem do campo pela de divulgação na imprensa e em mídias geração de trabalho e pelo fortalecimento da sociais. Essa experiência tem se mostrado economia local. A empresa também trans- uma oportunidade muito valiosa para os forma as cascas dos cocos em fibras que jovens que fazem um bom aproveitamen- serão utilizadas como adubo nas plantações to do prêmio. Os critérios de julgamento 162 dos coqueiros anões. Com isso diminui a são baseados no conhecimento pessoal necessidade de utilização de adubos quí- do jovem empreendedor, na viabilidade
  • 165. Shell Brasil Petróleofinanceira e na sustentabilidade dos planos Intarget Consultoria, empresa de marketingde negócio. sustentável na área de esportes; Fábio Lewin, Todos os jovens que concluírem a da Coco Legal, de envase de água de coco;Oficina de Projetos e tiverem seus planos Julianna Antunes, da Agência de Sustenta-de negócio aprovados pela Banca poderão bilidade, focada em projetos de responsabili-concorrer ao prêmio. Os três primeiros dade social; João Batista, do Angela Jardins,colocados por turma são contemplados. empresa de implantação, reforma e restaura- ção de jardins; e Ronier Perdizio, da InquietosGo&Trade – Com o objetivo de ampliar Entretenimento, escritório de gerenciamentoainda mais as oportunidades para os de projetos da Economia Criativa.empreendimentos desenvolvidos durante o Para Julianna, o ensinamento adquiridoIniciativa Jovem, o Shell LiveWire oferece durante o Iniciativa Jovem funcionou comoo Go&Trade, programa também global que um MBA em gestão empresarial, de formavisa oferecer viagens internacionais que muito mais intensa e prática. E a premiaçãoincrementem a capacitação profissional ou a do Go&Trade reforçou ainda mais a vontadeampliação dos negócios já iniciados. de desenvolver a cada dia o empreendi- O prêmio é de até 2.500 libras e busca mento. “A viagem é útil não só por ampliarpotencializar os empreendimentos que sur- meu conhecimento mas também porque vaigiram ou foram consolidados pelo programa me proporcionar vantagem competitiva noShell LiveWire nos últimos cinco anos. Cada Brasil, principalmente no quesito esporte, epaís faz o seu processo seletivo e pode me ajudará a desenvolver novos negóciosindicar determinado número de jovens em- através de uma rede de parceiros interna-preendedores, desde que o empreendimento cionais”, concluiu Julianna.tenha participado do programa nos últimoscinco anos e esteja funcionando. O concor- Hall da Fama – O Hall da Fama é uma plata-rente faz um relatório de suas atividades forma de apresentação no site internacionale explica como a viagem poderá contribuir do programa, com os cases de sucesso dospara o seu negócio. beneficiários do LiveWIRE ao redor do mun- O Brasil já enviou cinco indicações à do. Nesse ambiente, os jovens empresárioscoordenação geral do programa e conse- que participaram do programa e conquis-guiu que todos fossem contemplados. Os taram mais destaque e inovação em seuspremiados foram Alessandro Mendes, da negócios são apresentados em um showcase.Lições aprendidasA pesar de termos, em 2012, um cenário mo com a perspectiva de crescimento da econômico e social muito diferente economia formal e da geração de empregos do de 2001, com 1,5 milhão de jovens nos próximos anos, o Shell Iniciativa Jovembatendo à porta do mercado todos os anos, o demonstra relevância ao apresentar aosBrasil teria que crescer ao menos 6% ao ano jovens a atividade empreendedora como umasomente para acomodar esse contingente. oportunidade de gerar emprego e renda, sem 163E talvez não fosse suficiente. Assim, mes- depender do mercado de trabalho formal.
  • 166. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Leandro Martins Jovens premiados no programa Shell Iniciativa Jovem A criação do Shell Iniciativa Jovem do programa, sobretudo em decorrência do contribui para a formação dos jovens, pioneirismo da sua proposta, que apresenta principalmente, pelo alinhamento dos novos soluções inovadoras e eficazes em geração conceitos de empreendedorismo e susten- de renda para o jovem brasileiro. tabilidade. O caráter inovador da iniciativa Entre as lições que ficaram dos 11 anos também se refletiu na criação do modelo, de Shell Iniciativa Jovem, também tornou- pois, entre os vários desafios apresenta- -se clara a percepção de que o jovem, como dos, o maior foi estabelecer o público-alvo ator social, busca a realização pessoal e o (jovens, preferencialmente em desvantagem alcance de seus sonhos ao investir no em- social). Métodos, processos e ferramentas preendedorismo, e que não se trata somente tiveram que ser desenvolvidos de modo que de uma alternativa para geração de renda. fossem atrativos, acessíveis e funcionais. Ao longo do tempo, aumentou a abrangên- Os resultados e também as mudanças que cia regional do programa e também o perfil ocorreram ao longo desta década demons- desses jovens, no início ainda muito ligados traram a consolidação e o amadurecimento à questão da desvantagem social. Conclusões e Recomendações C omo conclusões, podemos enume- Quanto ao empreendedor, é funda- rar os seguintes aspectos, ao se mental a busca da formação de empre- 164 criar e implementar um programa endedores sustentáveis – bem suce- de empreendedorismo. didos, ambientalmente e socialmente
  • 167. Shell Brasil Petróleoresponsáveis, comprometidos com a sua voluntários consultores e mentores doscomunidade. jovens empreendedores, que possam ala- A missão do projeto inclui a geração de vancar suas carreiras e trocar mutuamenteempreendimentos de sucesso, inovadores e experiências.sustentáveis. Enfim, nesse tipo de iniciativa se deve atu- É necessário desenvolver a economia ar junto às políticas públicas relativas a jovenslocal e gerar trabalho e renda para a comuni- e a trabalho e renda e, assim, haja de fato umadade, além de contribuir para o desenvolvi- contribuição efetiva para a sociedade.mento social da região, de modo que sejamestabelecidas relações éticas e colaborativas.Por fim, é importante contribuir para a reva-lorização urbana e do meio ambiente local.Também é preciso estar atento às peculiari- Para saber maisdades de cada região, pois o Brasil é um país Shell Brasil: www.shell.com.brmulticultural e com realidades sociais, eco-nômicas e geográficas muito diversificadas. Shell LiveWIRE www.shell-livewire.com Portanto, o Shell Iniciativa Jovem ea criação de um método para fomentar o Shell Iniciativa Jovem www.iniciativajovem.org.brempreendedorismo devem ser por essênciauma tecnologia social que gere processos Operador do programa no Brasile instrumentos acessíveis à qualquer rea- CIEDS Brasillidade e localidade e possa se multiplicar. Rua Conselheiro Saraiva, 28 - 8º andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, CEP 20091-030É fundamental montar redes de parceiros e Telefone: +55 (21) 3094-4555de empreendimentos – capazes de difundir Email: faleconosco@iniciativajovem.org.brcultura, metodologia e recursos – e de 165
  • 168. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Supergasbras Energia Supergasbras www.supergasbras.com.br Atividade: distribuição de Gás LP Fundação: 1946 Colaboradores: 4.200 Receita líquida: R$ 2,6 bilhões (2011) Principais projetos em sustentabilidade: Assoalho Ecológico, Energia Positiva, Projeto Água, Redução de Emissões de COV, Descarte Consciente, Mais Energia, Projeto Educa Divulgação Dez Assessoria 166
  • 169. Supergasbras Responsabilidade SocioambientalA SHV Energy, empresa Divulgação Supergasbras Energia da SHV Holdings, atua na distribuição de Gás LP e é líder mundial de merca- do, com presença marcan- te no Brasil e em outros26 países da Ásia e Europa. A Supergasbras é uma das principaisempresas do grupo com 28% do volumetotal da SHV Energy. A empresa atua nos segmentos envasa-do e granel e opera em quase todo territórionacional, com 19 unidades de negócio.O Gás LP• O Gás LP (Gás Liquefeito de Petróleo) se destaca no mercado como uma solução energética não poluente. Reconhecido mundialmente por não afetar a camada de ozônio, ele contribui para o desenvolvi- mento de um modelo sustentável de ener- gia e para o equilíbrio do ecossistema.• Pode ser usado em centenas de aplica- ções comerciais, industriais, domésticas e de agronegócio. É mais popularmente conhecido como “gás de cozinha” pois sua maior aplicação (80%) é na cocção de 167 alimentos.
  • 170. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis PREPARANDO O FUTURO Divulgação Supergasbras Energia O Gás LP O projeto, que existe há 10 anos, prima e o projeto pela qualidade em seus cursos pré-ves- Preparando tibular e preparatório para ensino médio, o Futuro proporcionando aos jovens da comunida- • O Gás LP é de uma verdadeira transformação através acessível a todos da educação e permitindo-lhes aumentar os brasileiros em suas distintas classes as chances de uma melhor colocação no sociais, por suas características como: mercado de trabalho. custo reduzido, portabilidade e facilidade de armazenamento; O projeto Preparando o • A Supergasbras acredita na acessibili- Futuro dade da educação para uma sociedade • O Preparando o Futuro é um projeto madura, estável, moderna e mais justa e transformador, que dá oportunidade para 168 por isso desenvolveu o projeto Preparan- que gerações mais jovens de morado- do o Futuro na comunidade da Maré. res do Complexo da Maré tenham uma
  • 171. Supergasbras melhor qualificação educacional, tanto no “... É gratificante para nós, fazer parte de nível médio quanto no superior. O projeto oferece uma cultura educacional que um projeto que transforma vidas, através da em condições normais esses jovens não educação. É com essa visão de investimento teriam. Com o ingresso nas escolas téc- no futuro e responsabilidade socioambien- nicas e universidades, os jovens da Maré não apenas melhoram suas condições de tal, que a Supergasbras realiza o projeto vida, como sinalizam para outros jovens Preparando o Futuro para os jovens da da comunidade que o investimento em Maré. Preparar esses jovens para competi- educação é a melhor forma deles trans- formarem suas vidas. rem com igualdade no mercado de trabalho,• Preparando o Futuro localiza-se no maior dando-lhes uma base educacional de qua- conjunto de favelas do Rio de Janeiro, lidade é acreditar no futuro do Brasil, com ou seja, a Maré. Esse espaço popular, todos os seus desafios, e ter a certeza de formado por 16 comunidades, conta com uma população aproximada de 140 mil estar contribuindo, de forma concreta, para pessoas e é marcado por baixos índices torná-lo um país sustentável..” de escolaridade, baixa qualificação profis- Rubem Mesquita, Diretor de Marketing da Supergasbras. sional e salarial, altos índices de violência, precária infraestrutura e ausência de investimentos públicos e privados.• O projeto teve início em 2002 e é coordena- do na comunidade pela ONG Redes da Maré. Através do projeto, o nível de evasão Divulgação Supergasbras Energia escolar diminuiu e a educação passou a ser prioridade para muitas famílias da comunidade.Como funciona?• Funciona no Complexo da Maré, em 2 comu- nidades: Vila do João e Nova Holanda, sendo a maioria das turmas na Nova Holanda;• Atua com preparatório para o ensino médio e para o vestibular;• Horário: 18h30min às 22h45min (segunda Divulgação Supergasbras Energia a sexta). Os estudantes têm, em alguns fins de semana, simulados e aulas de campo;• Conta atualmente com 260 alunos cursando o projeto. 2 turmas do preparatório para ensino médio na Nova Holanda, com 30 alunos cada 169 e 4 turmas de pré vestibular com 50
  • 172. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis alunos cada, sendo apenas uma turma públicas e particulares e quase 500, para na Vila do João; escolas de referência no ensino médio. • Recebe o reforço da PUC, que concede bolsas de estudos para os alunos do “...uma das coisas que aprendi é que se deve projeto que passarem no vestibular e da viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Fiocruz, que oferece bolsas para o Pro- Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve grama de Iniciação Científica (RAIC) aos morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio jovens do ensino médio. apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insa- Resultados tisfeita foi a criadora de minha própria vida.” • 2.900 estudantes beneficiados até agora, Clarice Lispector, Uma aprendizagem ou o livro sendo 980 aprovados para universidades dos prazeres. PROGRAMA NACIONAL DE VOLUNTARIADO • A Supergasbras Divulgação Supergasbras Energia iniciou em abril de 2010 seu Pro- grama Nacional de Voluntariado (PNV), atuan- do  de forma pró-ativa na melhoria da qualidade de vida de pessoas carentes. Colaboradores dividem boas práticas e doam tempo, conhecimento, carinho, trabalho e experiências, emprestando seu talento e participando de campanhas e projetos realizados pela distribuidora em prol de comunidades carentes e instituições, contribuindo para uma melhor qualidade e perspectiva de vida. O PNV começou no Rio de Janeiro e já se expandiu para Minas Gerais, Belém e Rio Grande do Sul. A meta é atender a todas as regiões do Brasil onde a distribuidora atua. Como funciona? Para o time da Supergasbras, fazer volunta- • O Comitê do RJ se reúne e traça as ações/ riado é uma tarefa solidária que amplia ho- campanhas que serão desenvolvidas. rizontes, aumenta a auto-estima e faz bem à • Colaboradores, familiares e parceiros são saúde. Além disso, pequenos gestos podem convidados a participarem das ações/ 170 fazer grandes transformações e gerar uma campanhas da Supergasbras através de melhor qualidade de vida. comunicação interna e externa.
  • 173. SupergasbrasDivulgação Dez Assessoria “...Recebemos carinho das crianças e com- provamos, pessoalmente, que o Voluntariado é uma atividade que nos faz sentir ainda mais orgulho em trabalhar na Supergasbras. Divulgação Supergasbras Energia Ver o contentamento das pessoas, os sorri- sos e os agradecimentos que recebemos na comunidade. É muito gratificante!...” (participação na ação de reforma da escola). Carlos Silva, Coordenador do Comitê de Voluntariado Belém e Analista de RH.• As instituições beneficiadas são sugeri- atendidas (Complexo do Alemão, Rocinha, S. das pelos próprios voluntários; Gonçalo e Duque de Caxias); Exemplos de ações voluntárias: Natal Solidário – 360 crianças e adolescentesCampanha SOS Região Serrana – 6.200 Kg dos abrigos municipais do RJ e 250 famíliasde donativos doados para Região Serrana; do Polo de Reciclagem de Jardim Gramacho beneficiadas em festa natalina com distribui- 171Rio Contra à Dengue – 04 comunidades ção de presentes, Papai Noel e ceia de Natal.
  • 174. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Dez Assessoria MAIS ENERGIA O Mais Energia é um projeto trans- formador, com bem como na obtenção de um melhor uso foco na educação do Gás LP, proporcionando maior qualidade socioambiental, de vida e levando a população os benefícios que trabalha a desta energia limpa e moderna. saúde através da mudança de hábitos, a economia na redução Como funciona? do uso dos recursos naturais como água e • O Mais Energia é um projeto de seguran- energia, o consumo consciente e o desper- ça alimentar e reciclagem, que transmite dício, sendo ferramenta importante para o de forma clara e simples, o conhecimento orçamento familiar e geração de renda e teórico e prático sobre o aproveitamen- instrumento para construção da sustentabi- to integral dos alimentos e o consumo lidade do Planeta, através do conhecimento consciente. e da transformação. • Sua maior atuação é nas comunidades carentes do Rio de Janeiro e Belém O Gás LP e o projeto Mais do Pará, ensinando aos participantes Energia como identificar e aproveitar o valor O projeto Mais Energia foi desenvolvido nutritivo das frutas, verduras e legu- pela Supergasbras como uma contribuição mes, principalmente nas partes que são 172 da distribuidora na propagação da seguran- geralmente descartadas, como talos, ça doméstica e da utilização de seu produto, folhas, cascas e sementes.
  • 175. Supergasbras• O principal objetivo do projeto é contribuir para a redução do desperdício e minimi- zar a fome. Conseqüentemente, promover uma melhor qualidade de vida.• O projeto foca a importância da alimen- tação saudável e da mudança comporta- mental da sociedade (não ao preconceito) Divulgação Supergasbras Energia para o futuro do Planeta.Escopo• O projeto iniciou em 2004, na periferia do Rio de Janeiro, com 8.300 atendimentos. Hoje, este número ultrapassa 100.000 atendimentos, nos estados de Rio de Janeiro e Pará. • Alimentação saudável (rica em frutas,Metodologia verduras e legumes).• Palestras em comunidades e instituições. • Mudança de hábitos.• Aulas e oficinas para crianças e adultos. • Higiene.• Cursos fechados com certificação. • Redução do desperdício.• Demonstração em feiras e congressos. • Consumo consciente.Público-Alvo Maiores Conquistas• Apesar de ter como público-alvo as • Introdução de vegetais e frutas nas refei- classes C e D, o projeto é destinado a toda ções diárias, principalmente no cardápio a sociedade, pela importância de seu con- de crianças e adolescentes comer bem e teúdo e informação, multiplicando agentes com prazer). transformadores para a sustentabilidade • Adoção de bons hábitos alimentares, da vida no Planeta. reduzindo a ingestão de refrigerantes e junk food.Objetivos • Novo conceito nutricional e mudança• Segurança. cultural na sociedade.• Qualidade de vida. • Ações educacionais, sociais e ambientais.• Orçamento familiar e geração de renda. • Sustentabilidade. 173
  • 176. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Technip Technip www.technip.com Divulgação Technip Atividade: Gerência de projetos, engenharia e construção para a indústria de energia Fundação: 1958 Colaboradores: 30 mil (mundo) Receita líquida: R$ 1.772.5 bi Principais projetos em sustentabilidade: PROENFA: Programa de Envolvimento Familiar, Technip de Portas Abertas, Projeto Brilhante, Programa Crescendo Juntos, Movimento Technip Cidadão, Programa de Gestante, Programa de Inclusão da Pessoa com Deficiência e Agenda Social 174
  • 177. Technip PROENFA Programa de Envolvimento Familiar Envolvendo a família na busca de alternativas para as questões de orçamento domésticoA Technip está presente em Divulgação Technip 48 países, com cerca de 30.000 colaboradores. A área de atuação da compa- nhia abrange muitos setores da indústria de energia,particularmente o setor de óleo e gás, ondeatua em três segmentos de negócios: sub-sea, offshore e onshore. É detentora de uma frota de 28 embar- Divulgação Technipcações em operação e quatro em constru-ção, além de ativos industriais nos cincocontinentes. Suas práticas são sustentadas por valo-res corporativos adotados desde 2010, e quetêm como base o slogan do Grupo – Take it confiança e verdade, sabendo que isto nosFurther (Sempre mais longe). São eles: levará mais longe.• Fazendo a Coisa Certa Encorajar um retorno justo para todos,• Acreditando nas Equipes com investimento em projetos lucrativos• Incentivando um Retorno Justo para baseados na sustentabilidade das parcerias, Todos onde exista o empenho em compartilhar os• Construindo o Futuro benefícios de cada conquista com todos os nossos públicos de interesse (colaborado- Uma ação fala mais do que palavras. res, parceiros, clientes, acionistas, comuni-Por isso, ao fazer o que é certo, garantimos dades, entre outros).a transparência, o uso de práticas sustentá- Construir o futuro, apostando nos maisveis, o comprometimento das equipes ambiciosos projetos de infraestrutura dee a segurança das pessoas, do meio am- energia, gerando desafios e investindo nobiente e de nossas instalações. desenvolvimento – social, ambiental e eco- Acreditar nas equipes, na força da di- nômico – a partir das inovações criadas por 175versidade, na contribuição de cada um, com nossas equipes.
  • 178. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Poder público Clientes Fornecedores Colaboradores TECHNIP Acionistas Comunidades Meio ambiente de conveniência Além de disseminar seus valores, a iniciativas do Grupo no mundo). Atualmente Technip também participa dos principais concorrendo ao Prêmio PSQT 2012 (Prêmio engajamentos em Responsabilidade Social, SESI de qualidade no trabalho), categoria fazendo parte do Pacto Global, apresen- desenvolvimento sócio ambiental; tando seus relatórios de sustentabilidade com base nos indicadores do GRI (Global Technip de Portas Abertas – Visita das Reporting Initiative), divulgando seus índices famílias dos colaboradores à Fábrica; nas bolsas da Europa e da Dow Jones (DJSI – Dow Jones Sustainability Indexes). Projeto Brilhante – Programa de Capaci- Trabalhar os valores de Responsabilida- tação e Emprego voltado para jovens da de Social e Sustentabilidade é bem instigan- comunidade. Após participarem do curso de te e desafiador. formação técnica, tornam-se aptos a con- O Programa de Responsabilidade Social correr a vagas de emprego na Technip; Technip tem como premissa satisfazer as necessidades de suas partes interessadas e Programa Crescendo Juntos – Programa de com base neste direcionamento, associado Aumento de Escolaridade para a Comuni- aos valores, trabalha suas relações de forma dade; ética e transparente. Cada filial, cada negócio, cada comuni- Programa de Gestante – Acompanhamento dade do entorno, cada grupo de colabora- através de serviço especializado e orienta- dores tem sua especificidade, o que implica ção às gestantes; em ações corporativas, porém, adaptadas às necessidades de cada região, com isto, a Programa de Inclusão da Pessoa com Technip desenvolve ações que dão suporte Deficiência – capacitação, sensibilização, ao Programa de Responsabilidade Social, recrutamento, acessibilidade, acompanha- entre elas: mento do desenvolvimento profissional do Movimento Technip Cidadão – Equivalen- colaborador com deficiência; te a um “Ação Global”, com a parceria da sociedade civil, do governo e de voluntários. Agenda Social – Programa de Voluntariado 176 Ganhador do Prêmio Jacques Franquelin interno que realiza diversas campanhas, em 2012 (premiação interna às melhores beneficiando instituições onde nossos
  • 179. Technipcolaboradores já atuam como voluntários de Com isto, foi confirmado que a origem deforma continuada. tantos problemas era de base simples, ou seja, E, por último, o Programa que será o endividamento direto com gastos mal adminis-case a ser apresentado: trados e não oriundos de grandes aquisiçõesPROENFA: Programa de Envolvimento Familiar ou de imprevistos de grande porte. No ano de 2009, diante do contexto O próximo passo foi identificar comodo crescimento dos negócios, surgiu a fazer o próprio colaborador reconhecer enecessidade de contratações frequentes e aceitar este problema, e colocar-se disponí-com isto o aumento do número de colabora- vel para minimizá-lo.dores na fábrica de tubos flexíveis do Grupo Nascia, assim, o PROENFA...Technip no Brasil, a Flexibrás Qual seria a melhor maneira de con- Com este aumento, alguns problemas seguirmos envolver este colaborador? Porde ordem social passaram a ficar mais meio da FAMÍLIA.evidentes e de difícil administração, tais O quadro de colaboradores contava comcomo: 75% de pessoas do sexo masculino, o que1. Crescente número de colaboradores que nos levou a direcionar o Programa inicial- recorriam ao recurso de Empréstimo mente para as mulheres, mais precisamente, Consignado; as esposas.2. Reincidência na procura por empréstimos Mas, que imagem teria este Programa? pessoais; O que o tornaria atrativo?3. Histórias similares sobre as dificuldades Para ser atrativo, ele precisaria contem- financeiras; plar o problema em diversos pontos.4. Absenteísmos causados por problemas E estes pontos são: clínicos correlacionados a situações de • Educação Financeira estresse • Reaproveitamento • Ensino de uma atividade lucrativa A área de Gestão Social da fábrica teve • Comprovar que a atividade pode realmen-como uma das metas no ano, encontrar uma te ser lucrativaalternativa para minimizar algumas necessi-dades que se apresentavam. A ideia inicial foi tomando forma e com Iniciou-se uma busca pela identificação isto foram definidas as etapas e a duraçãoda origem do problema. do Programa. Com este objetivo, a Equipe de Gestão O PROENFA é um programa compos-Social, que sempre realizou o acompanha- to por quatro fases, que são realizadasmento social das solicitações de emprésti- semestralmente, totalizando dois anos.. Sãomo, começou a quantificar e a mensurar as elas: Aproveitamento Integral dos Alimentos;naturezas de solicitações de empréstimos, Autogestão Financeira; Geração de Renda echegando aos seguintes resultados mais Mostra Socialexpressivos: Mas faltava, ainda, mais um detalhe1. Inadimplência no Cheque Especial; para atingir o objetivo principal, que era2. Inadimplência nos Cartões de Créditos; envolver a família: como fazer com que3. Comprometimento da renda mensal para este convite chegasse às mãos das espo- 177 necessidades básicas sas e mulheres da família?
  • 180. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Technip Esse convite não poderia ser verbal, Autogestão financeira precisava explicar seu objetivo, ser atrativo A primeira etapa consistia na educação e eficaz. financeira. Identificar os gastos e educar-se Para isto, foi utilizada uma forma de a gastar com adequação dentro do orçamen- comunicação simples, porém direta. to doméstico, além de oferecer acompanha- Mensalmente, os colaboradores recebem mento financeiro àqueles que aderissem ao cestas de alimentação, com produtos de Programa. necessidades básicas. Esta fase foi composta por uma palestra Foi elaborado um Folder-Convite que foi com um Consultor Financeiro e com a anexado às cestas e que chegaria ao seu disponibilização de dois colaboradoras da destino, sem escalas. área financeira da empresa, formadas em Com base neste convite as esposas dos Economia, como Consultoras Financeiras colaboradores entravam em contato com a Voluntárias. Gestão Social da empresa e procediam com Caso houvesse o interesse de continui- sua inscrição no primeiro evento. dade do trabalho por parte do colaborador, Por que uma forma de comunicação tão era feito um agendamento para início deste simples deu certo? trabalho com as consultoras voluntárias. Porque foi identificado no público-alvo o Com base nas informações dos atendi- orgulho de fazer parte da empresa. mentos e acompanhamentos realizados pela Receber um convite na residência foi a Gestão Social, foram identificadas que as comunicação direta de que a empresa que- verdadeiras responsáveis pela administra- ria que a família do colaborador se tornasse ção do orçamento doméstico eram as espo- próxima e parte deste trabalho. sas. As esposas foram convidadas a assistir 178 Como foram montadas as etapas do a palestra ao lado dos maridos. Dessa PROENFA? forma, devolvemos à família a responsabili-
  • 181. Technipdade pela administração de seus proventose despesas.Aproveitamento integral dosalimentos A segunda etapa do Programa consistiaem associar três objetivos a uma mesma Divulgação Technipação. Economia Doméstica, AlimentaçãoSaudável e Meio Ambiente. Tomando por base o Programa CozinhaBrasil, desenvolvido pelo SESI, foi promo-vido um segundo encontro destas esposas Divulgação Technipna empresa, onde foram ensinadas técnicassobre como reaproveitar os alimentos, fa-zendo pratos e sucos nutritivos e saborosose evitando o desperdício, contribuindo paraa proteção do meio ambiente. Este curso é habitualmente ministradopor instrutores e nutricionistas, com umacarga horária média de 10 horas, onde é en-sinado o reaproveitamento de caules, folhas,cascas, entre outros. Neste curso ainda são distribuídos oslivros com receitas de produtos que sãopreparados no próprio local. A importância possuem habilidades e que podem lapidardeste curso no PROENFA é que consegui- estas habilidades e torná-las rentáveis.mos trabalhar pontos centrais das esposas Esta é a principal proposta da etapa deque ficam em casa, cuidam do lar e cozi- geração de renda.nham para a família. Nesta etapa, a empresa convida as espo- Essa experiência mais uma vez com- sas a aprenderem uma atividade e a seremprovou que, através de uma mudança de orientadas para que façam desta atividadehábitos, podemos ser saudáveis, cuidar do uma alternativa de geração de renda.meio ambiente e ainda economizar. Nas edições anteriores do PROENFA Além dos livros de receitas, também foram oferecidos os cursos de:distribuímos um brinde de utilidade para a • Flor de Feltroaula e em casa. • Chinelos Decorados • Customização de CamisetasGeração de renda • Bordado em Toalhas com Fitas Já falamos sobre educação financeira, Com base em um tema são criadoseconomia doméstica e alimentação saudá- produtos variados que podem ser comercia-vel. Agora, chegou a vez de contribuir com o lizados.aumento do orçamento familiar. Durante o curso, que leva cerca de seis 179 Muitas pessoas não se dão conta de que horas e conta com profissionais específicos
  • 182. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Technip para cada técnica, é reforçada a importância pelas participantes do PROENFA a partir do cuidado ao fazer o trabalho artístico, mas das técnicas aprendidas no curso e também também é sinalizado que, para tornar-se um disponibilizar seus trabalhos para que sejam empreendedor, é necessário ter visão de comercializados estimulando assim que o negócio. Não adianta ficar apenas na esfera retorno financeiro é viável. do planejamento, é preciso atitude, “fazer A Mostra é realizada no espaço interno acontecer”, e aprender a administrar de da fábrica e conta com uma organização forma a tornar o negócio próspero. digna de exposições, onde as participantes Neste momento surgem algumas per- realizam o cadastro, há a disponibilização guntas ou afirmações negativas de tendas e bancadas pela empresa, além da • “Não levo jeito” identificação do produto exposto. • “Não vou conseguir” A duração da Mostra é de dois dias, • “Não ficou bem feito” e conforme relato das participantes, elas • “Quem compraria este item?” sentem-se mais seguras para dar os próxi- mos passos. O trabalho paralelo à formação técnica é incentivá-los a acreditar que, a partir destes Quais foram os resultados trabalhos manuais, é possível contribuir obtidos com a implementação para a melhoria financeira da família e que do Proenfa? um universo de oportunidades e realizações Como a empresa continua em plena poderá surgir após o primeiro passo. expansão, não temos como mensurar em Com isto, caminhamos para o fechamen- percentuais a eficácia quanto a redução to deste ciclo... da procura de empréstimos pelo total de colaboradores. Mostra social A mensuração do resultado ocorre no 180 A etapa da Mostra Social tem por aumento do número de colaboradores que objetivo apresentar os trabalhos realizados passa a perguntar pelo programa e que gos-
  • 183. Technip 2009 2010 2011 Pessoas atendidas 150 150 150 (número máximo de (1ª. e 2ª. fases) (3ª. e 4ª. fases) (1ª. e 2ª. fases) inscrições): Investimento Financeiro (O Programa conta R$ 1.000,00 R$ 5.150,00 R$ 8.280,00 com parcerias para acontecer) HSBC e NAU - LM Parcerias (Governo e Neffa Comercial SESI SENAC e SESI Iniciativa Privada) e Importadora (catering) Voluntários no Programa 15 15 15tariam de ver suas esposas ou as mulheres O programa em númerosda família participando. As etapas de 2012 ainda não foram con- Outro dado importante é que os co- cluídas, por isto serão computadas apenaslaboradores que tiveram seus familiares as informações dos anos anteriores (veja naparticipando do PROENFA não reincidiram tabela acima).na busca de empréstimos pessoais. Nem todas as participantes deram con- Construindo o futuro...tinuidade à geração de renda, mas as que O PROENFA foi elaborado e realizadoderam tornaram-se multiplicadoras. inicialmente na unidade Vitória, que com- Fazer este Programa voltado para a porta a Fábrica da empresa, porém, em 2011,família contribuiu ainda para que o colabo- já ampliou sua atuação para as unidades lo-rador se sentisse valorizado e se tornasse calizadas no Estado do Rio de Janeiro – es-mais produtivo critórios na cidade do Rio de Janeiro e em Além dos colaboradores do sexo mascu- Angra dos Reis, onde operamos o Porto dalino, as colaboradoras da empresa também cidade. Em ambas as unidades, o programasolicitaram fazer parte e em 2011 o PROEN- precisou ser readaptado às necessidadesFA foi ampliado para elas e para as mulhe- locais e teve um número menor de etapas.res da comunidade. O número de inscrições Em 2012 haverá a consolidação docontinuou o mesmo, porque o Programa Programa nas demais unidades e, em 2013,perderia em qualidade se este número fosse será implementado na nova unidade fabrilaumentado. do Grupo, que será localizada em Barra de A Flexibrás está localizada dentro da São João – Açu.Ilha do Príncipe, em Vitória, uma região que Os valores das Technip estão impressosnão é simplesmente um bairro, mas sim em todas as suas ações e, com base nestesuma comunidade que cresceu em paralelo valores, contribuímos para a construção de 181ao crescimento da fábrica. um mundo justo e sustentável.
  • 184. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Agência Petrobras de Notícias comunicarte www.comunicarte.com.br Atividade: Consultoria em comunicação e gestão socioambiental voltada à criação, plane- jamento, implementação, supervisão e avaliação de projetos desenvolvidos por organizações privadas, governamentais, da sociedade civil ou de cooperação internacional Fundação: 24 de fevereiro de 1992 Colaboradores: 35 Divulgação Comunicarte 182
  • 185. Comunicarte PROGRAMA DE COMUNICAÇÃO, CONVIVÊNCIA E CORRESPONSABILIDADE DAS COMUNIDADES VIZINHAS À MALHA DUTOVIÁRIA DA TranspetroA Comunicarte foi pioneira na integração nacional, e suas operações estão construção e implementação em plena sintonia com a macroestratégia de de programas de relacio- negócios da Petrobras. Além disso, a empresa namento comunitário com mostra-se consciente do seu papel na socie- foco no conceito de “boa dade e mantém um firme compromisso com o vizinhança”. Introduziu nas desenvolvimento sustentável.empresas para as quais trabalhou o conceitode “comunidades vizinhas”, contrapondo-se Introduçãoao conceito de “comunidades do entorno”, Desde fins da década de 80, nota-se noaté então prevalentes, que contradiz a teoria Brasil e no mundo uma crescente consciên-de boa vizinhança dos empreendimentos e cia socioambiental por parte da sociedade.as comunidades. Criou e implementou em Cada vez mais, as comunidades conquistammeados de 2000 o Programa de Convivência o poder de expressão sobre o seu ambiente ee Co-Responsabilidade das faixas de dutos da contexto social, participando ativamente dasTranspetro, abrangendo toda a área dutoviá- coligações de forças sociais que buscam criarria. Neste artigo sintetizamos este Programa, e manter espaços social e ambientalmenteque foi o primeiro com este conceito imple- sustentáveis. Atualmente, nos mais diversosmentado no Brasil. recantos do País, encontram-se comunida- A Transpetro é uma subsidiária integral des e grupos organizados/ativistas que seda Petrobras e está presente na maioria dos mobilizam, muitas vezes, para tentar bloquearestados do País, com mais de 14 mil km de grandes empreendimentos industriais e/ouoleodutos e gasodutos, 48 terminais e 57 para negociar modificações, mitigações ou, aténavios-petroleiros. Foi criada em 12 de junho mesmo, medidas compensatórias (individuaisde 1998, de acordo com a legislação que rees- ou coletivas). Muitas empresas, inclusive, játruturou o setor de petróleo no Brasil. A Com- vêm utilizando as relações sociais e ambien-panhia ocupa a posição de maior armadora  tais como vantagem competitiva, adaptando-da América Latina e de principal empresa de -se às exigências do mercado globalizadologística e transportes do País. Suas ativida- e que, crescentemente, cobra qualidade dedes, portanto, são decisivas para impulsionar produtos, serviços, relacionamento, ativida-o desenvolvimento econômico e social do Bra- de ética e ações de responsabilidade social. 183sil. Consolidou-se como importante agente de Assim, ouvir e compreender as comunidades,
  • 186. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis É preciso conhecer suas preo- mo, inviabilizar a concessão da licença. negociar com cupações e interesses É clara, portanto, a necessidade de se as comunida- e, sobretudo, buscar o manter a comunidade e seus líderes per- des – a base apoio da população e manentemente bem informados a respeito da pirâmide –, dos seus líderes são do empreendimento. Só assim será possível demonstrando estratégias cruciais demonstrar não apenas a viabilidade econô- e fazendo-a para a gestão social e mica, social e ambiental do empreendimen- compreender ambiental responsável to, como também os benefícios diretos e e aceitar que dos novos empre- indiretos que a comunidade deverá usufruir os benefícios a endimentos econô- quando o projeto estiver em plena operação, médio e lon- mico-industriais, em e a sua contribuição ao processo de desen- go prazos do consonância com os volvimento (local e global). Todo e qualquer novo negócio princípios e diretrizes grande empreendimento industrial causará, superam os do desenvolvimento a curto e médio prazos, algum impacto seus impactos humano sustentável. ao meio ambiente. Também implicará em negativos. O processo transtornos diversos para as comunidades de empoderamento das comunidades é, em que se inserem, tais como o desloca- pois, um fator-chave. Deve, por isso, estar mento de famílias de suas casas, aumento adequadamente contemplado em todas repentino do tráfego e do contingente popu- as atividades relacionadas à prospecção, lacional, transporte de materiais pesados e/ planejamento e implantação de novos ou potencialmente perigosos, entre outros. empreendimentos. Isso se torna ainda Como muitas dessas questões são inevitá- mais relevante no que tange a projetos de veis, é preciso negociar com as comunida- exploração de recursos naturais – potencial- des – a base da pirâmide –, demonstrando mente capazes de impactar negativamente e fazendo-a compreender e aceitar que os o meio ambiente. O Brasil possui, reco- benefícios a médio e longo prazos do novo nhecidamente, uma das mais avançadas e negócio superam os seus impactos negati- rigorosas legislações ambientais do mundo. vos e transtornos momentâneos. Todo este rigor tem, é claro, o objetivo precípuo de proteger e preservar o meio Contextualização ambiente, reduzindo ao mínimo possível os Antes de contratar a Comunicarte, a impactos ambientais dos empreendimentos Transpetro identificou um grave problema econômico-industriais, de acordo com os a ser resolvido: o alto índice de acidentes princípios do desenvolvimento sustentável. nas faixas de domínio dos seus oleodu- Não se discute a procedência desses cui- tos e gasodutos. A análise das ocorrên- dados, mas para as empresas eles têm um cias indesejadas mostrou que a ação de alto custo. Mas não atyendê-los, pode ter terceiros apresentava um peso bastante um custo ainda maior. Atualmente, podem- significativo na violação da integridade dos -se levar meses ou até anos para se obter a dutos da Companhia. Dentre as hipóteses necessária licença ambiental para implantar das possíveis causas, foi verificado que o um novo empreendimento. As restrições relacionamento fraco entre a Companhia e 184 porventura levantadas por uma comunidade os moradores vizinhos às suas instalações podem adiar por longo tempo ou, até mes- contribuía com a geração de problemas
  • 187. Comunicarterelacionados à segurança e à saúde da da extensão e da relevância do problema quepopulação direta e indiretamente envolvi- foi enfrentado e adequadamente resolvido.das nas suas atividades, além de impactarnegativamente o meio ambiente. Conceitos norteadores Entre os problemas constatados, esta- Ao ser contratada para criar um Plano devam as manobras de veículos e construção Comunicação e Relacionamento voltado parade moradias nos locais proibidos, que pessoas que moram nas áreas de influên-colocavam em risco a sua integridade, o cia dos dutos, a Comunicarte inovou, pois oacúmulo de lixo que podia gerar combustão programa de relacionamento comunitário queespontânea por causa da decomposição dos estruturou baseou-se no conceito até entãodetritos em resíduos gasosos, e a própria inédito de boa vizinhança e co-responsabilida-queima direta do lixo, ação perigosa porque de. Para levar este conceito aos públicos-alvoaproxima o fogo de produtos inflamáveis do programa, a primeira etapa foi diagnos-transportados nos dutos. ticar como os dutos eram percebidos por A Companhia também constatou que o estas comunidades. A conclusão foi que naestabelecimento de normas rígidas de segu- maioria das vezes os dutos eram vistos comorança para seus empregados e terceirizados simples “canos” que interferiam no dia-a-e o uso de tecnologias de ponta para moni- -dia das comunidades. O primeiro conceitotorar as faixas de dutos, não eram fatores a ser trabalhado foi demonstrar como ossuficientes para garantir o comportamento dutos estavam presente no cotidiano, ou seja,adequado das pessoas que moravam nas eram fundamentais para tarefas simples doproximidades dos dutos. Ficou evidente a ne- dia-a-dia, tais como cozinhar e tomar banho.cessidade de trabalhar com as comunidades Foi a primeira vez que grandes empreendi-vizinhas, para conscientizá-las de que têm mentos foram apresentados como parte dasimportante papel a cumprir, devendo, princi- vidas das pessoas e não como atividadespalmente, incorporar as normas de ocupação das empresas. Nesse momento oleodutos oue de uso dos solos que ficam dentro da faixa gasodutos deixavam de significar operaçõesde segurança dos dutos. Desde o início, os da Transpetro e passavam a ser o banho ou odirigentes da Companhia estavam conscien- gás de cozinha da população. Desta conscien-tes de que a Transpetro deveria zelar pela tização foi introduzido o conceito de “comu-segurança das comunidades radicadas nos nidade duto dependente”, ou seja, aquele queterritórios em que a empresa atua, assim transporta desenvolvimento por onde passa.como mantê-las informadas sobre os impac- Demosntrou-se que não há desenvolvimentotos e os riscos eventualmente decorrentes de sem dutos, que o conforto e a modernidade,suas atividades logísticas. chegam às comunidades por meio de dutos. Quando se leva em conta que a Com- Para melhor compreensão foi feita uma ana-panhia transportava diariamente, na época, logia ao sistema sanguíneo, o que permitiu acerca de 300 milhões de metros cúbicos de tangibilização do significado dos dutos parapetróleo e derivados, por meio de milhares de a sociedade e a importância de todo cidadãoquilômetros de dutos que atravessam diversos de zelar por sua integridade. Ao transmitirambientes, como áreas rurais, urbanas, indus- aos moradores este novo conceito, a etapatriais, de preservação ambiental e também co- seguinte foi torná-los consciente do papal 185munidades tradicionais, pode-se ter uma ideia de cada um como co-responsável pela
  • 188. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis manutenção das dutovias. Daí o conceito de dutovias, incorporar medidas de proteção, boa vizinhança se concretizou. evitar a degradação do sistema de dutos, Hoje, dez anos depois, a Transpetro é além de adquirir consciência dos direitos e também apresentada como um empresa deveres das comunidades no que diz respei- de logística líder em seu segmento, que to ao uso e ocupação do solo nas faixas de simboliza as artérias do Sistema Petrobras, domínio dos oleodutos e gasodutos. e cujo desempenho tem sido decisivo para A reflexão sobre a realidade geralmen- desenvolver o País e melhorar a vida de te leva os moradores a se posicionarem milhares de brasileiros.1 como grupos e a agir com mais objetividade Em suma, a introdução do conceito de em função de seus interesses comuns. O comunidades vizinhas, substituindo o con- processo baseado no binômio reflexão/ ceito até então vigente de comunidades do ação torna-se a força motriz da construção entorno dos empreendimentos, que colocava de uma cultura comunitária voltada para a a empresa no centro e as comunidades em convivência saudável com a malha de dutos seu entorno dando margem a um distancia- e que incorpora, efetivamente, os valores de mento entre a empresa e os moradores pro- preservação do sistema e do meio ambien- porcionou práticas colaborativas, focadas te, acatando as normas de segurança com nos conceitos de boa vizinhança, respeito verdadeira atitude de corresponsabilidade. mútuo e relação harmônica. E assim foi O processo de reflexão/ação só se torna possível introduzir outro conceito: empresas viável quando são bem definidas as estraté- e comunidades são corresponsáveis pela gias de diálogo com a população local, para segurança dos dutos, o que contribuiu com que ela perceba, visualize e aprenda como o aumento no entendimento das normas de acontece a interrelação das comunidades vi- SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde), zinhas com as faixas de dutos. Para garantir e a adoção de novas práticas. a efetividade do processo educativo, é ne- cessário construir uma relação de confianças Educar para transformar com as comunidades envolvidas, disponibili- No âmbito do enfoque adotado, o zando canais permanentes de comunicação trabalho realizado pela Comunicarte para e transmitindo informações transparentes a Transpetro ultrapassou os limites das sobre as atividades da empresa e o nível de ações meramente informativas. Buscou-se a impacto das operações no meio ambiente. transformação dos valores, comportamento e práticas de cada comunidade envolvida, Principais objetivos do por meio de um trabalho fortemente educa- trabalho tivo e dialógico, dinamizado por momentos A percepção negativa da população sobre de reflexão e momentos de ação. os dutos - “canos que atrapalhavam a rotina Neste processo, a reflexão coletiva é das comunidades, por possuírem muitas nor- o principal instrumento que pode levar os mas de segurança para seguir, além de cons- moradores das vizinhanças dos dutos a tituírem uma ameaça”, precisava ser modifica- serem capazes de conhecer, compreender da, para que fossem atingidos os objetivos de e debater questões ligadas à segurança nas transformação dos valores das comunidades 186 1 MACHADO, SERGIO. Relatório anual de 2010 da Transpetro. Disponível em: http://www.Transpetro.com.br/portugues/ relatorio_anual/2010/pt-en/pages/relanual_Transpetro2010_pt-en.pdf. Acesso em: 19 de jul. 2012.
  • 189. Comunicartevizinhas. Nesse horizonte, os principais objeti- benefícios diretos e indiretos do sistemavos do programa de relacionamento comunitá- de dutos para as populações locais;rio passaram a ser os seguintes: • Fortalecer os canais de comunicação Reduzir o número de acidentes nas direta entre a empresa e as comunidadesfaixas de dutos com base na melhoria das vizinhas das malhas de dutos.relações da Companhia com as comunida- Nesse cenário, o grande desafio do Planodes vizinhas à malha nacional dutoviária da de Comunicação foi o de compartilhar com asTranspetro; comunidades vizinhas as responsabilidades• Reposicionar, nas comunidades, o concei- ligadas à segurança dos dutos, de modo que to de duto, para que deixasse de ser visto cada morador pudesse se transformar em pro- como “canos que atrapalham a rotina das tagonistas na manutenção da malha dutoviária. comunidades”, e passasse a ser consi- derado condutor do desenvolvimento, da Abordagem metodológica modernidade, do conforto e do bem-estar O Programa de Comunicação, Convivên- para todo o país. cia e Corresponsabilidade das Comunidades• Mostrar que a sociedade atual tem forte Vizinhas à Malha Dutoviária desenvolvida dependência do abastecimento de petró- pela Comunicarte para a Transpetro come- leo e gás e, nessa perspectiva, a convi- çou a ser implementado no ano de 2001 e vência harmônica entre as comunidades finalizou-se no ano de 2008. Não foi um vizinhas e as malhas de dutos geram programa ininterrupto, já que houve mo- retornos positivos para todos. mentos de intervalo entre as ações realiza-• No que tange ao Plano de Comunicação das nas diferentes regiões brasileiras. propriamente dito, o objetivo geral foi fo- Três diretrizes operacionais nortearam mentar a participação ativa das comunida- as ações comunicativas: criar conhecimen- des vizinhas aos dutos na construção de tos, desenvolver atitudes e gerar novas um compromisso coletivo de preservação práticas. Tais diretrizes foram aplicadas não da integridade das faixas, de modo que os apenas aos moradores das comunidades moradores assumam a corresponsabilida- vizinhas, mas também aos inspetores das de relativa aos cuidados que devem tomar faixas de dutos e aos agentes de relaciona- com a malha. mento que foram especialmente treinados Por sua vez, os objetivos específicos foram: para educar os moradores. Nessa pers-• Integrar ações entre gestores das faixas de pectiva, todas as ações realizadas foram dutos, autoridades do Poder Público Muni- profundamente enraizadas no processo de cipal e moradores das comunidades, com transformação através da educação e da vistas a produzir novos comportamentos; informação qualificada.• Ampliar o nível de conhecimento da po- A metodologia da Comunicarte, neste pulação sobre as operações de transporte caso de atendimento à Transpetro, também dutoviário, enfocando os aspectos de vul- procurou privilegiar, ao longo do processo, nerabilidade, normas de uso e ocupação atividades participativas, dialógicas, lúdicas, de solo, cuidados preventivos de seguran- cotidianas e criativas. Sem a real participa- ça, formas de participação da comunidade ção dos moradores das comunidades, e sem na preservação da integridade dos equi- um diálogo verdadeiro com as lideranças, o 187 pamentos da Transpetro, assim como os programa não se legitimaria. Os aspectos
  • 190. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis lúdicos foram incorporados ao Programa de Dutos (antes chamadas de “Andari- com o objetivo de tornar as atividades lhos”) que, a partir da implementação do pedagógicas mais agradáveis e mais fáceis Programa, tiveram suas funções dentro da de serem realizadas. Todos os aspectos empresa substancialmente transformadas, cotidianos da convivência com o sistemas pois passaram a interagir mais intensa- de dutos foram levados em conta, já que é mente com as comunidades; exatamente nessa dimensão que os aciden- • Os agentes de relacionamento selecio- tes podem ocorrer. Por fim, cabe ressaltar nados para participar do Programa e que que a Comunicarte acredita no potencial da conduziram os processos de treinamento, inovação que, baseada nos problemas con- as atividades pedagógicas e as palestras cretos que demandam soluções, convocam informativas. os recursos da criatividade humana para encontrar os caminhos tão inéditos quanto Identidade Visual, Capacitação eficazes para solucioná-los. de Atores-Chaves e As mensagens transmitidas às comu- Desenvolvimento de materiais nidades foram divididas em dois tipos: as Identidade Visual do Programa de Comu- pedagógicas e as informativas. A maioria das nicação, Convivência e Corresponsabilidade mensagens pedagógicas teve como propósito das Comunidades Vizinhas à Malha Dutoviá- criar oportunidade educativa junto as comuni- ria da Transpetro dades vizinhas sobre os detalhes do funcio- A elaboração da identidade visual, antece- namento do sistema de dutos e conscientizar deu a capacitação e a elaboração dos mate- os moradores sobre a importância de tomar riais. Para construí-la, a Comunicarte realizou todos os cuidados necessários à preservação previamente uma pesquisa sobre sensações da segurança dutoviária. Já as mensagens in- provocadas por cores, a partir de um painel formativas incluíam a sinalização obrigatória, com mais de 1500 combinações cromáticas. a difusão das normas de segurança dos dutos A partir dos anos 50, pesquisas realiza- e de elementos como a existência de um nú- das nos Estados Unidos no campo da Publici- mero de telefone 0800 colocado à disposição dade, levantaram os conhecimentos pioneiros das comunidades para dirimir as dúvidas mais sobre a psicologia das cores. Não vamos frequentes. Todas as mensagens elaboradas, reproduzir aqui esses conhecimentos histó- fossem elas pedagógicas ou informativas, ricos convencionais a respeito das reações basearam-se no mesmo princípio: construir humanas às cores, porque a Comunicarte fez uma relação de confiança entre a empresa e a sua própria pesquisa junto às comunidades as comunidades dos dutos. que constituíam o público-alvo do programa. Foram considerados como atores-cha- Após tabular os dados da investigação, foram ves do Programa: eleitas 3 cores para compor a codificação • oradores das comunidades interferentes M cromática do Programa. São elas: com os dutos (rurais, urbanas, indus- a) Roxo escuro: porque passa a sensação triais, tradicionais, residenciais, além de de completude, estabilidade e harmonia, organizações voltadas para a preservação e por isso poderia ajudar a reverter a ambiental); percepção dos dutos como uma ameaça 188 • Os interlocutores da Transpetro: os téc- às comunidades. nicos de dutos e os Inspetores das Faixas b) Verde-azulado brilhante: porque transmite
  • 191. Divulgação Comunicarte Comunicarte as ideias de renovação, conforto, entu- sinalizavam o propósito de educar para siasmo e saúde. Além disso, é uma cor transformar: associada à natureza (o verde das matas e A imagem facilitava ao público-alvo as das águas). Essa cor, que é estimuladora seguintes associações de tomada de atitudes, veio a calhar num positivas: programa que pretendia obter a mudança a) Crescimento de comportamento dos moradores das b) Desenvolvimento vizinhanças dos dutos. Para completar: o c) Profundidade verde-azulado brilhante também transmite A dinâmica dos círculos, por sua vez, por uma sensação de bem-estar, o que a tor- não ser estática, transmitia a idéia de estímulo nava adequada para construir a percepção a uma ação contínua no tempo e no espaço. do sistema dutoviário como uma artéria A própria forma do símbolo, uma vista do bem-estar nacional. do interior de um duto, funcionava como um c) Laranja: selecionada porque remete às convite para conhecer o funcionamento do ideias de conforto e aconchego. É uma sistema brasileiro de transporte de petróleo cor convidativa, amigável, naturalmente e gás através de malhas dutoviárias. associada ao pôr-do-sol. Por gerar uma sensação de bem-estar, tornou-se uma Capacitação de atores-chave facilitadora das ações pedagógicas. Durante a fase de diagnóstico foram Quando utilizadas juntas, as três cores identificados atores-chave para a comu- selecionadas para compor a identidade nicação das mensagens essenciais. Uma visual do Programa transmitiam os sete das principais descobertas foram os então conceitos fundamentais para o êxito do pro- chamados, andarilhos. Estes profissio- jeto: amizade, reflexão, absorção, energia, nais da Transpetro são responsáveis por seriedade, responsabilidade, concentração. inspecionarem as faixas de dutos. Como O quadro abaixo oferece uma síntese da lidam diariamente com as comunidades, Codificação Cromática do Programa: conhecem em detalhes a realidade local O símbolo do Programa também foi de suas unidades de operação No entanto, 189 elaborado a partir dessas três cores que neste momento o potencial de relaciona-
  • 192. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis mochilas e tubos para acondicionamento de cartazes também foram especialmente desenvolvidos para os inspetores. A capacitação propriamente dita dos ins- petores girou em torno dos seguintes temas: fundamentos do diálogo com comunidades, entendimento do conceito do Programa e a Divulgação Comunicarte plena conscientização do seu papel como agentes de transformação social. Desta forma, os inspetores tornaram-se, junto com os agentes de relacionamento, os principais interlocutores das comunidades vizinhas aos sistemas de dutos. mento destes agentes ainda não havia sido percebido e a eles não era atribuído ne- Desenvolvimento de materiais nhum tipo de relevância. O primeiro passo Com vistas à consolidação de um bom foi conferir importância aos andarilhos, relacionamento com as comunidades, foram capacitando-os em relacionamento com desenvolvidos materiais informativos e comunidades e alterando suas funções educativos como suporte de diálogo dos ins- dentro da Companhia: passaram a ser petores e agentes de relacionamento. chamados formalmente de inspetores das As mensagem dos materiais informa- faixas de dutos. tivos tinham enfoque preventivo com a Durante as atividades de capacitação, divulgação do 0800 para aviso de situ- ficou evidente que os inspetores precisa- ações que poderiam trazer perigo aos vam melhorar sua autoestima e, em função moradores. Vazamento e cheiro de gás, dessa constatação, diversas providências por exemplo, deveriam ser anunciados relevantes foram tomadas. A primeira delas imediatamente. Os inspetores das faixas foi mudar o uniforme dos inspetores, para eram os principais responsáveis por que eles começassem a ser vistos como distribuir materiais com estas mensagens. autoridades pelas comunidades vizinhas. Ímãs de geladeira, calendários, relógios Os novos uniformes foram desenhados e outros materiais utilizados no dia-a-dia após a realização de encontros com grupos foram amplamente distribuídos. focais com eles. Além de novos uniformes, As mensagens dos materiais educati- os inspetores ganharam também novos mo- vos eram transmitidas em encontros com delos de crachás e distintivos. O processo as comunidades, que na maioria das vezes de elevação da autoestima dos inspetores eram realizados pelos agentes de relacio- aumentou a autoconfiança desses agentes, namento. Como suporte às atividades foi o que potencializou sua capacidade de dia- elaborado o Kit Comunidade, composto de logar com as comunidades. vídeo educativo, mapa pedagógico como base Os novos uniformes ganharam bolsos às explicações sobre as operações e folheto para transportar o material educativo que a ser distribuídos aos participantes com as 190 foi distribuído aos moradores das comuni- principais informações sobre segurança dos dades vizinhas aos dutos. Acessórios como dutos e o mapa pedagógico, propiciando que
  • 193. Comunicarte Divulgação ComunicarteA sinalização obrigatória foi também repaginada, somando-se a ela um novo sistema de sinalização pedagógica.as explicações fossem multiplicadas. Assim combustão espontânea do próprio lixo),como os inspetores de faixas, os agentes ou sobre a inadequação de transitar sobrede relacionamento também entregavam os faixas de domínio de dutos.materiais informativos. A aceitação, pelas equipes da Transpetro As principais mensagens trabalhadas e pelos moradores vizinhos, do conceito ino-pelos agentes foram: “Ajudando a cuidar dos vador de Sinalização Pedagógica gerou novasdutos, cuidamos de nós mesmos” e “Preserve demandas, que também foram atendidasas faixas de dutos. Deixe o progresso passar”. dentro do novo processo comunicativo. Dois anos depois, em função do êxito alcançado,O Sistema de Sinalização novas placas foram desenvolvidas e instala-Pedagógica das ao longo das faixas de dutos. Uma das grandes inovações deste Pro- As proibições, comuns aos Sistemasgrama de Comunicação da Transpetro foi o de Sinalização, deram lugar a explicaçãodesenvolvimento de uma nova linguagem para do que podia ser feito e como fazer. Asas placas de aviso instaladas ao longo das atividades proibidas nas feixas de dutofaixas de dutos, que passaram a orientar os são permitidas nos locais apropriados. Amoradores das vizinhanças da maneira mais ideia de simplesmente proibir passou a sersimples e objetiva possível. Antes da implan- substituída pela orientação de como realizartação deste Programa pela Comunicarte, as atividades comuns e necessárias, comofaixas de domínio dos dutos eram indicadas plantar, descartar lixo ou cultivar a terra.pela presença de pequenos marcos amarelos,que não apresentavam quaisquer mensagens Etapas de Implantação doeducativas ou informativas. A nova linguagem Programainstituída se configurou como uma Sinalização Uma vez encerrada as etapas de con-Pedagógica, que tornou todas as mensagens cepção e de implementação do Programa deendereçadas aos moradores das vizinhanças Comunicação e Convivência das Comunida-dos dutos mais amistosas, mais visíveis e des Vizinhas aos Dutos em todo o territórioacima de tudo mais compreensíveis. brasileiro, foram desenvolvidos programas As novas placas passaram a advertir, adicionais de relacionamento com as comu-por exemplo, sobre os riscos de deposi- nidades, que também foram concretizadostar lixo na faixa ou de construir casas em pela Comunicarte.determinadas áreas. Outras alertavam sobre Na continuação do Programa, a Comuni- 191o perigo dos incêndios (queima de lixo ou carte fez um diagnóstico socioambiental nos
  • 194. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Divulgação Comunicarte 314 municípios brasileiros interferentes com mais segurança para os dutos, através da os dutos, terminarias e refinarias da Trans- comunicação eficiente e do relacionamento petro. A implementação de todas as ações comunitário bem planejado e executado de de relacionamento comunitário, com foco maneira harmônica junto aos moradores. no conceito de boa vizinhança, facilitou a A identidade visual do PROGRAMA realização desse diagnóstico. Em seguida ao Transpetro COMUNIDADES, como se pode diagnóstico, foi possível materializar diversos ver no quadro a seguir, contribuiu para projetos sociais, educativos e ambientais em difundir os conceitos de trabalho integrado todo o País. Por fim, a Comunicarte avaliou (empresa e comunidades), formando uma os resultados obtidos com o Programa de rede de cidadãos capazes de cuidar de Comunicação, que mostraram-se positivos e maneira consciente das redes de dutos que atingiram os objetivos esperados. transportam produtos essenciais ao desen- Estas ações ganharam o nome de volvimento do país. PROGRAMA Transpetro COMUNIDADES e envolveram 7 módulos de atuação: Resultados obtidos com o a) Transpetro com Você; Programa b) Agente Jovem Transpetro; Entre as conquistas positivas mais c) Diálogo e Segurança: relevantes do Programa de Comunicação, Transpetro com Você; podem ser realçadas as seguintes: d) Transpetro Conhecer; 1. Êxito no uso de conceitos inovadores no e) Integração Transpetro; relacionamento empresa-comunidade: f) Faixa Livre Transpetro; os conceitos de boa vizinhança, convi- g) Transpetro Transformar. vência com os dutos e corresponsabi- Desta maneira, todo um programa de lidade no cumprimento das normas de responsabilidade social corporativa foi segurança foram essenciais para tornar integrado ao Programa de Comunicação, as comunidades mais receptivas aos Convivência e Corresponsabilidade das objetivos do Programa. Comunidades Vizinhas à Malha Dutoviária 2. O Programa colocou em patamar mais da Transpetro. elevado o papel dos técnicos e inspetores O Programa revelou-se muito eficaz de faixa, que passaram a ser vistos como enquanto aglutinador de forças de trans- autoridades pelos moradores vizinhos às 192 formação da realidade das áreas vizinhas malhas dutoviárias, mudança que possi- às instalações da Transpetro, conquistando bilitou um trabalho mais dinâmico e mais
  • 195. Comunicarte Criticidade Socioambiental Criticidade Socioambiental inicial (%) inicial (%) Alta Média Baixa Alta Média Baixa Malha Centro-Oeste 19 44 37 9 31 59 Malha Nordeste Nacional 35 28 37 26 25 49 Malha Nordeste Setentrional 28 34 38 8 34 59 Malha Norte 29 29 43 10 38 52 Malha SP 36 34 31 22 41 38 Malha Sudeste 28 37 35 21 24 55 Malha Sul 29 37 34 19 38 43 eficiente desses funcionários junto às ma de Comunicação. Os números obtidos populações radicadas nas proximidades demonstraram o pleno êxito do Programa, dos empreendimentos da Transpetro. no que diz respeito à melhoria dos níveis de3. O inovador Sistema de Sinalização segurança da faixa de dutos, conforme pode Pedagógica possibilitou uma verdadeira ser observado na tabela acima. incorporação, pelas comunidades vizi- A partir deste Programa, outras em- nhas das atividades da Transpetro, das presas e a própria Transpetro adotaram a mensagens educativas e das normas de filosofia da “boa vizinhança” e da “corres- segurança para o sistema dutoviário. O ponsabilidade” em suas atividades. Como re- Sistema comprovou que o uso inteli- sultado, houve um decréscimo no número de gente da Comunicação pode, de fato, acidentes nas faixas de dutos causados por operar transformações profundas nas perfurações, construções, fogueiras e tráfego realidades locais, em benefício tanto de automóveis. Em reconhecimento à sua da empresa como das comunidades qualidade, o Programa da Comunicarte para envolvidas; a Transpetro conquistou o Prêmio ABERJE4. A implementação de projetos sociais, Leste / Centro-Oeste (2002 e 2003) e tam- educativos e ambientais de maneira bém o Prêmio ABERJE Nacional (2003). totalmente integrada aos esforços de A Comunicarte elaborou e implementou diminuição dos índices de acidentes nas o Programa de Comunicação, Convivência faixas de dutos, apresentou resultados e Corresponsabilidade das Comunidades comprovadamente positivos. Vizinhas À Malha Dutoviária Da Transpetro de O Programa implementado na malha 2001 até o inicio de 2005. Entre 2006 e 2008,dutoviária da Transpetro, presente em implementou programas ao longo de 30.000diferentes regiões brasileiras, foi avaliado quilômetros de dutos, abrangendo mais deantes e depois da execução do Progra- 300 municípios, em todo o território nacional.Equipe ComunicartePrimeira fase do programa: Marcio Schiavo, Fabienne Schiavo, Rita Passos, Cristiana Candal,Mônica Trindade e Renata Derzi.Segunda fase do programa: Marcio Schiavo, Fabienne Schiavo, Lia Blower, Thaís Ferreira, 193Cristiano Amara e Flávia Blander.
  • 196. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Artigo A EDUCAÇÃO CORPORATIVA PARA A RESPONSABILIDADE SOCIAL ESTUDO DE CASO EM EMPRESAS DE PETRÓLEO E GÁS NO BRASIL por Rita Andrade Quadros Penalva e Osvaldo Luíz Gonçalves Quelhas Instituição Vinculada: Universidade Federal Fluminense; Latec – Laboratório de Tecnologia, Gestão de Negócios e Meio Ambiente (Mestrado Profissional em Sistemas de Gestão) E ste trabalho é proveniente de princípio de que as empresas têm atualmente pesquisas realizadas no LATEC um papel preponderante no enfrentamento - Laboratório de Tecnologia, das questões sociais, devido a sua capaci- Gestão de Negócios e Meio dade de inovação constante no contexto da Ambiente, a partir do programa concorrência empresarial, e em função da de Mestrado Profissional em posição que ocupam no mundo globalizado. Sistemas de Gestão, Universidade Federal O processo de globalização apresenta Fluminense. O constante desenvolvimento suas falhas e limitações, como aponta Ianni da indústria de Petróleo e Gás, aliado ao (2000, p. 35): fortalecimento do tema Responsabilidade a partir da Segunda Guerra Mundial, desen- Social Empresarial, influenciou o desen- volveu-se um amplo processo de mundiali- volvimento deste trabalho, que é reflexo de zação de relações, processos e estruturas de pesquisas orientadas para uma conjuntura dominação e apropriação, antagonismos e contemporânea onde os fatores econômicos, integração. Aos poucos, todas as esferas da ambientais e sociais são indissociáveis. vida social, coletiva e individual, são alcança- Neste capítulo, objetiva-se apresentar das pelos problemas e dilemas da globalização. algumas das principais práticas sociais em cinco grandes empresas da indústria Percebe-se a necessidade de um novo de petróleo e gás - Petrobras, Royal Dutch padrão de desenvolvimento, em que se Shell, Chevron, Exxon e Total - a partir de articule padrão igualmente novo de relações seus balanços sociais de 2006, utilizando internacionais de modo a enfrentar-se o como referências as categorias da atual agravamento dos problemas sociais. proposta da ISO 26000 (2007). Trata-se de De acordo com Ianni (2000), o ambiente um recorte de um estudo de caso, de teor global é diferente do que foi no século XX. documental, analisando indústrias de energia Cresce no ser humano um sentimento de 194 e suas estratégias empresariais baseadas na urgência diante de um quadro avassalador responsabilidade socioambiental. Parte-se do de fenômenos que atingem a sociedade, em
  • 197. UFF/Latecescala mundial, relacionados a mudanças tabilidade: a) Quais são as questões-chave?climáticas, saúde pública, energia, pande- b) Como as priorizamos (e se deveríamosmias, produção de alimentos, distribuição de priorizá-las)? e c) Qual o papel dos negó-renda, discriminação e desigualdade racial, cios? Chama atenção em seu artigo para trêsprecariedade dos sistemas de infraestrutura, leis da liderança globalmente responsável:corrupção e falta de ética, violência e tráfico, A lei do ambiente – o mundo natural não édesemprego, qualidade da educação básica, um dos interessados (stackholders) em nos-escassez e poluição da água, entre outros. sos negócios, mas a fundamentação última Para Joseph Stiglitz (2000, p.47, 49), das regras.Prêmio Nobel de Economia: A lei da interconexão – tudo, em todos os a globalização pode ser reformulada e, quan- lugares, está vinculado a um só sistema, e do isso acontecer, quando ela for gerenciada todas as ações devem ser consideradas no de maneira adequada e imparcial, com todos contexto de seus efeitos sobre a totalidade os países, tendo o direito de opinar sobre as desse sistema. políticas que os afetam, é possível que ajude A lei do engajamento – os líderes globalmente a criar uma nova economia global, na qual o responsáveis devem estar engajados na promo- crescimento não seja apenas mais sustentável ção das consequências das duas primeiras leis. e menos volátil, mas os frutos desse crescimen- to sejam compartilhados com mais igualdade. A abordagem que predomina na maioria das principais empresas da atualidade é a Para Phillipe de Woot (2007) “um cresci- da mudança reativa, ou seja, a que englobamento econômico independente, que não leve responsabilidade social corporativa, incluindoem consideração problemas éticos, políticos o pacto global, o índice Dow Jones de Sus-e sociais importantes, traz em si o risco de tentabilidade. Apresenta-se a necessidade deevoluir em uma direção que esconde efeitos liderança pró-ativa, com visão clara do futuro.negativos inaceitáveis”. E acrescenta: “é Para tanto, a liderança deve, a partir do enten-preciso enfrentar a verdadeira questão ética dimento da situação, identificar as alavancasde nosso tempo: que tipo de mundo quere- de mudança e aplicar recursos e energia paramos construir juntos, a partir das enormes acionar essas alavancas. (DREWELL, 2007)reservas que dispomos: ciência e tecnologia, A empresa, no cenário de uma novaadministração, finanças etc.” Sua conclu- economia global, sobressai como criadorasão pondera que “se os atores corporativos de soluções inovadoras, dada sua capaci-não mudarem sua mentalidade, a filantropia dade de inovar constantemente no âmbitonão vai dar conta”. Woot (2007) não propõe da concorrência empresarial. Torna-se,“mudança radical nos mecanismos do atual portanto, de fundamental importância, omodelo (mercado, concorrência, produtivida- aprofundamento da discussão da respon-de etc.), arriscando perder sua extraordinária sabilidade social corporativa em funçãocriatividade”. Ao contrário, sugere “ampliar do papel de destaque das organizaçõesseus propósitos para melhor definir seus empresariais na sociedade moderna evalores e convencer os líderes a participarem globalizada.de uma transformação orgânica e ajustada”. A questão da responsabilidade social se Mark Drewell (2007) propõe três pergun- apresenta como uma prática importante para 195tas sobre os dilemas e desafios da susten- o desempenho das organizações. Segundo
  • 198. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Ashley (2002), ser socialmente responsável mações sobre sua atividade. implica, para a empresa, valorizar seus em- O presente capítulo apresenta práticas pregados, respeitar os direitos dos acionistas, de responsabilidade social internas, im- manter relações de boa conduta com seus plementadas nas empresas de energia por clientes e fornecedores, manter ou apoiar pro- meio da educação corporativa, bem como gramas de preservação ambiental, atender à o resultado das ações realizadas nestas legislação pertinente a sua atividade, recolher organizações e propostas de desenvolvi- impostos, apoiar ou manter ações que visem mento futuro do tema, tendo como base a a diminuir ou eliminar problemas sociais nas revisão da literatura e informações públi- áreas de saúde e educação e fornecer infor- cas das empresas pesquisadas. REFERENCIAL TEÓRICO Esta prática busca não somente a me- Responsabilidade Social lhoria dos níveis de qualidade no trabalho e Corporativa relacionamento entre o público interno, mas Para o Instituto Ethos de Empresas e também a melhoria da imagem da organiza- Responsabilidade Social (2003), a prática ção junto à comunidade (KHALIL, 2005). da responsabilidade social é uma forma Entretanto, a prática de ações de res- de conduzir os negócios da empresa de tal ponsabilidade social pode ser considerada maneira que a torne parceira e corresponsá- mais uma estratégia organizacional que vel pelo desenvolvimento social. A empresa possibilita uma maior fidelização dos consu- socialmente responsável é aquela que possui midores e, por conseguinte, o aumento dos a capacidade de ouvir os interesses das dife- lucros (KHALIL, 2005). rentes partes (acionistas, funcionários, pres- De acordo com Ashley (2002 p. 03): tadores de serviço, fornecedores, consumi- O mundo empresarial vê, na responsabilida- dores, concorrentes, comunidade, governo e de social, uma nova estratégia para aumentar meio ambiente) e consegue incorporá-los no seu lucro e potencializar seu desenvolvimento. planejamento de suas atividades, buscando Essa tendência decorre da maior conscienti- atender às demandas de todos e não apenas zação do consumidor e consequente procura dos acionistas ou proprietários. por produtos e práticas que gerem melhoria É possível afirmar que responsabilidade para o meio ambiente ou comunidade, valo- social empresarial é o compromisso de uma rizando aspectos éticos ligados à cidadania. empresa com a preservação do meio ambiente, com a sociedade em que se insere, com o de- Educação Corporativa senvolvimento da comunidade em que atua, com É possível verificar que as organi- a qualidade de vida dos clientes que consomem zações interessadas em manterem-se seus produtos, com o bem-estar de seus empre- competitivas criam mecanismos para ala- gados, com o retorno aos acionistas. vancar as competências de seus recursos A prática de ações de responsabilidade so- humanos, objetivando fornecer condições cial, por parte das empresas, pode ser conside- para que os mesmos potencializem co- 196 rada uma decisão organizacional que caminha nhecimentos, habilidades e competências na direção de uma sociedade mais justa. (OLIVEIRA, 2007).
  • 199. UFF/Latec Essa necessidade de ações que visem aos objetivos de médio e longo prazo daa um maior resultado para as organiza- organização, de acordo com sua cultura,ções faz com que a Educação Corporativa tecnologia e desenvolvimento, e ao interes-desponte como um grande investimento se individual do colaborador, conforme sua(com retorno financeiro praticamente proposta pessoal de crescimento.garantido). As organizações começam averificar que a falta desse investimento Conteúdo de Ensinoem educação acaba por gerar deficiên- Partindo-se do princípio de que a em-cias relacionadas à competitividade e à presa precisa se apropriar dos conceitosprodutividade, através da desatualização sobre responsabilidade social, de modoe desmotivação dos colaboradores, assim a embasar seus programas sociais, duascomo pela desvalorização do conheci- questões sobressaem: Existem fórmulasmento agregado atualmente exigido pelo técnicas para determinar os conteúdos demercado de trabalho (OLIVEIRA, 2007). ensino? Quando um conteúdo é "valioso" Na Educação Corporativa (EC), os e "apropriado"? Estas questões, que nor-ambientes de aprendizagem tornam-se teiam a definição dos conteúdos progra-pró-ativos, centralizados, determinados e máticos, são fundamentadas no texto deestratégicos, e o resultado esperado é que J. Gimeno Sacristán (1998), na tentativao empregado possa desenvolver a capaci- de se estabelecer alguns paralelos comdade de aprender e dar continuidade a esse o esforço de construção dos conteúdosprocesso na volta ao trabalho. programáticos para a capacitação em res- Segundo Meister (1999), as empresas ponsabilidade social corporativa:começam a perceber a necessidade de Para Sacristán, um conteúdo passatransferir o foco dos esforços de treinamen- a ser valioso e legítimo quando goza doto para a EC (OLIVEIRA, 2007). aval social dos que têm poder para deter- A EC tem ainda como proposta ofere- minar sua validade; por isso, a fonte docer soluções de aprendizagem para cada currículo é a cultura que emana de uma“família” de cargos. Por tratar o ambiente sociedade. Sua seleção deve ser feita emcorporativo como um todo, permite que o função de critérios psicopedagógicos,aprendizado organizacional seja direcionado mas é preciso considerar antes de maispara o resultado global e não para a melho- nada a que ideia de indivíduo e de socie-ria individual, agregando valor ao resultado dade servem.corporativo (MEISTER, 1999). Como aponta Sacristán, diversas O treinamento é focado e orientado para razões explicam a evolução e ampliaçãoquestões relacionadas a desempenho em do termo conteúdos; que também servemcurto prazo, é orientado à tarefa, e a EC é de referência para os cursos oferecidosorientada à ampliação das habilidades dos no âmbito empresarial. São as seguintes,colaboradores com vistas ao aumento do dentre outras: a) A explosão do conheci-capital intelectual da organização, ofere- mento, o fluxo de informação em nossacendo ao colaborador uma visão macro da cultura e as possibilidades técnicas de terempresa (MARRAS, 2001). acesso a conhecimentos fora das aulas Oliveira (2007) sugere que, um progra- originam a revisão do que se entende por 197ma de EC seja traçado de forma alinhada conteúdos relevantes com possibilidades
  • 200. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis A responsabili- de permanência A Educação Corporativa como temporal nas Prática de Responsabilidade dade social cor- diferentes áreas Social Interna porativa remete do saber e da Com o surgimento da prática de ações cultura; b) A de responsabilidade social, os empregados à ideia de saber própria dispersão e seus dependentes tornaram-se agentes que função pode do saber, como sociais cujo comportamento tem grande ser cumprida consequência do impacto na empresa, na comunidade e na crescimento da sociedade (KHALIL, 2005). em relação aos informação e de Segundo Melo Neto e Froes (1999), são indivíduos, à so- sua diferenciação as seguintes as principais ações de respon- ciedade na qual especializada, sabilidade social interna praticadas pelas obriga a busca empresas: se está e àquela de elementos que investimentos no bem-estar dos empre- que se aspira sirvam para rela- gados e seus dependentes (programas de cionar campos se- remuneração e participação nos resultados, conseguir. parados e, assim, assistência médica, social, odontológica, poder transmitir visões globais do mundo alimentar e de transporte); que nos rodeia. O conteúdo globalizador exi- investimentos na qualificação dos ge atender a capacidades, nexos e conexões empregados (programas internos de entre campos especializados tanto ou mais treinamento e capacitação e programas de ao que é específico de cada um deles. financiamento de cursos externos, regulares A responsabilidade social corporativa ou não, realizados por seus empregados em remete à ideia de saber que função pode busca de maior qualificação profissional ou ser cumprida em relação aos indivíduos, à obtenção de escolaridade mínima.). sociedade na qual se está e àquela que se O processo de gestão dos investimen- aspira conseguir. A capacitação, através de tos no público interno gera significativo cursos, é um instrumento de reflexão que aumento da produtividade, pois os empre- possibilita a apreensão dessa realidade. gados tornam-se parceiros da empresa na Essa preocupação sempre esteve presente questão social, mostrando-se mais toleran- na elaboração dos conteúdos dos cursos da tes, cooperativos, altruístas, participativos, área de responsabilidade social. motivados e seguros. O que se pretende com a capacitação Tornam-se, também, porta-vozes da da dimensão da responsabilidade social das empresa na sociedade e na comunidade. organizações, novos atores da responsabi- Além do aumento da produtividade, Ash- lidade social, marketing social, ação social, ley (2002) ainda observa outras caracterís- cultural e sociedade, estado e sociedade e ticas, sendo: uma liderança globalmente responsável. A • retenção dos talentos; ideia que persiste é a de construção social • melhoria da qualidade de vida no trabalho; desse saber, dentro de uma concepção am- • maior integração social do empregado e pla, que tem como objetivo alcançar todos sua família e de ambos na comunidade; 198 os níveis da Companhia e seus diversos • redução dos custos com tratamento públicos de interesse. médico-hospitalar;
  • 201. UFF/Latec• redução do índice de abstenção; A educação corporativa para a rs• aumento da autoestima dos empregados; nas empresas de petróleo e gás• melhoria do clima organizacional; e Utilizando-se da pesquisa documental,• maior criatividade e inovação no trabalho. para analisar indústrias de petróleo e gás e sua estratégia empresarial baseada na Melo Neto e Fróes (apud GUEDES, 2000, responsabilidade socioambiental, fez-se ump.42) assim conceituam responsabilidade so- recorte das principais ações educacionaiscial interna: “A responsabilidade social interna na área de responsabilidade social em cincofocaliza o público-interno da empresa, seus grandes empresas da indústria de petróleoempregados e seus dependentes, ou seja, os e gás no Brasil, a partir de seus balançosbeneficiários internos da empresa sem os sociais de 2006. São elas: Petrobras, Royalquais a organização não pode sobreviver”. Por Dutch Shell, Chevron, Exxon e Total.outro lado, a responsabilidade social empre- Na análise do conteúdo das transcrições,sarial externa procura atuar na sociedade na procurou-se identificar os temas comunsqual a empresa está inserida, junto a todos os comparados com o objetivo de identificarseus públicos ou beneficiários externos (for- similaridades e diferenças nas práticas denecedores, clientes atuais, potenciais clientes, educação corporativa como forma de res-opinião pública, governo, sociedade etc.) e, ponsabilidade social interna.consequentemente, a empresa obtém maiorvisibilidade e admiração frente a públicos Petrobras – A Petrobras, através de suarelevantes para sua atuação. Universidade Corporativa e outras ações A prática de ações de responsabilidade junto às Universidades nacionais e interna-social por parte das empresas pode ser vista cionais, promovecomo uma importante mudança nos modelos a formação e o de- A prática dede gestão, sendo imperativo afirmar que as senvolvimento de ações de respon-mudanças sociais aparecem na medida em seus empregados. sabilidade socialque as pessoas resolvem problemas e en- A capacitaçãofrentam desafios, descobrem novos proces- na área de respon- por parte dassos de ver, pensar e ser (KHALIL, 2005). sabilidade social empresas pode O desenvolvimento do público-interno na Petrobras teve ser vista comopassa a ser prioridade nas corporações. início em 2003, uma impor-Detendo-nos no aspecto específico da priorizando-se tante mudançacidadania corporativa, esta leva em conta como público-alvo nos modelos dea transmissão da imagem de conduta ética os profissionais gestãoe de responsabilidade social da empresa que atuavam(TARAPANOFF, 2005). como gestores sociais no desenvolvimento A construção da identidade cultural de projetos junto aos diversos públicos depermite: preservação e compartilhamento interesse da companhia, principalmente dade valores (morais); adoção de uma postura área de Comunicação Social, Recursos Hu-ética e de responsabilidade social, que manos e de SMS (Segurança, Meio Ambientereflete na ação de todos os empregados da e Segurança).empresa e, naturalmente, é percebida pela A Petrobras realiza anualmente in- 199sociedade (TARAPANOFF, 2005). vestimentos em segurança operacional e
  • 202. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Dentre as práticas ambiental, em incluiu a participação do Conselho de Admi- projetos oriundos nistração, a Diretoria Executiva e o Comitê de da Petrobras, obser- de comunidades Gestão de Responsabilidade Social e Ambiental. va-se a promoção onde exerce suas Dentre as práticas da Petrobras, observa- de treinamentos e atividades e em -se a promoção de treinamentos e seminários seminários para seu inúmeras iniciati- para seu público-interno, com o objetivo de público-interno, com vas que revertem promover a conscientização e o respeito à o objetivo de pro- em benefício da diversidade. Em setembro 2006, sua Ouvi- mover a conscienti- sociedade em doria Geral realizou o seminário “Ambientes geral. Corporativos e Equidade de Gênero: Novas zação e o respeito à Paralelamente Formas de Gestão e Relacionamento para o diversidade. à busca de pa- Século XXI”, com o objetivo de disseminar, no tamares cada vez mais elevados de com- âmbito empresarial, conteúdos relacionados à petitividade e rentabilidade, a organização promoção da equidade de gênero e suas impli- estudada adota princípios da responsabilida- cações positivas no ambiente de trabalho. de social, traduzidos em sua missão e visão empresarial. SHELL – O Grupo Shell atua em 140 países e Identifica-se que a organização em ques- possui 109 mil funcionários. Com a mudança tão assume convênios com Universidades de governança do grupo, formou-se nova e centros de pesquisa nacionais e interna- empresa, a Royal Dutch Shell PLC, a partir da cionais. Dois programas sobressaíram: o de unificação das Companhias Shell Transporte Responsabilidade Social e Terceiro Setor, pro- and Trading e Royal Ducht Shell. Em função movido pela Universidade Federal do Rio de disso e para atender à expectativa da socie- Janeiro, e o curso Gestão Social e Desenvol- dade em relação às áreas social, corporativa vimento, promovido pela Universidade Federal e ambiental, os princípios empresariais do da Bahia, ambos no nível de especialização. Grupo Shell foram aprimorados. Alguns A Petrobras oferece cursos para sen- pontos ganharam ênfase, entre eles: sibilização sobre o tema RS. Em 2006, a • A companhia reafirma seus valores cen- Universidade Petrobras (UP) contou com trais de honestidade, integridade e respei- 2.843 empregados em treinamento na área to pelas pessoas e seu compromisso com de responsabilidade social e ambiental. o desenvolvimento sustentável. Para a formação e disseminação de uma • A Shell já cumpre e continuará cumprindo cultura social e ambientalmente responsável em todas as leis e requerimentos regulatórios seu público-interno, a Petrobras deu início, em dos países em que atua. 2006, ao Projeto de Capacitação Gerencial em • Foram somados conceitos referentes à Responsabilidade Social Empresarial. O objetivo responsabilidade com os funcionários e à da iniciativa é incorporar, em seu quadro de diversidade. gerentes, valores e práticas da responsabilidade • Reafirmou-se a necessidade de os parcei- social e ambiental alinhados à gestão empresa- ros de negócio seguirem princípios iguais rial, apresentar os principais fundamentos da ou equivalentes aos da Shell. RSA, seus impactos no setor de energia e suas • Mais clareza a respeito de pagamentos 200 implicações no desempenho da companhia em para fins de facilitação. Quaisquer práti- relação a riscos e oportunidades. A capacitação cas dessa natureza serão consideradas
  • 203. UFF/Latec propina ou corrupção. a necessidade As questões de• Comportamento da companhia com de os emprega- desenvolvimento relação às comunidades do entorno das dos impedirem regiões onde opera. qualquer comporta- sustentável foram Para socializar os novos empregados mento inseguro no integradas aos cur-nos valores empresariais, eles são convida- momento em que sos, que são minis-dos a participar de uma série de sessões de o identifiquem. No trados em conjuntotreinamento e workshops, que inclui cursos ano seguinte, foramsobre os princípios empresariais. acrescentadas as com importantes Em 2006, cerca de 10.000 empregados três Regras de faculdades de ne-participaram dos cursos de desenvolvimento Ouro de HSE para gócios da Ásia,de liderança, que abrangeram a totalidade da esclarecer as ex- Europa e EUA.companhia. As questões de desenvolvimento pectativas e fazersustentável foram integradas aos cursos, que com que as pessoas se sintam mais responsá-são ministrados em conjunto com importan- veis pelo comportamento seguro, tanto por suates faculdades de negócios da Ásia, Europa e parte quanto pelo de seus colegas. As RegrasEUA. O Projeto Academy, por exemplo, lançado de Ouro são: "Você e eu devemos: cumprir a lei,em 2005, é um programa de aprendizagem as normas e os procedimentos; intervir em si-especializado, que inclui avaliação e suporte tuações inseguras ou atos de não conformida-contínuos a gerentes de projeto, para ajudá-los de; e respeitar os nossos vizinhos". O programaa formar habilidades, aprender com a Shell e tem meios de verificar se os mais de 20.000com peritos externos, e aplicar os padrões e empregados responsáveis por tarefas queenfoques da empresa. Em 2006, foi lançada a envolvem risco significativo de HSE, incluídosCommercial Academy (Academia Comercial), altos gerentes, têm o treinamento necessário.destinada ao pessoal da área comercial. A conscientização do pessoal e o apri- A Shell possui Código de Conduta que moramento de suas habilidades relativas adefine regras e padrões de conduta. O código direitos humanos continuam sendo priorida-proporciona orientação em mais de 20 áreas, des para a Shell. Por esse motivo, foi feitada lei antitruste ao abuso de tóxicos. A men- uma revisão dos esforços de treinamentosagem do código é "Se você está em dúvida, em direitos humanos na Nigéria. Forampergunte". Está em andamento um programa treinados mais 500 operadores de campo nacompulsório de conscientização e treinamen- gestão de situações difíceis, como respostato online, para garantir a plena e abrangente a conflito em comunidades locais.compreensão do código. Desde meados dos anos 90, a empresa CHEVRON – Uma das maiores empresasmantém extensivo programa de treinamento de energia do mundo, localizada em Sandestinado a ajudar os empregados no que se Ramon, Califórnia, é composta de aproxi-refere ao cumprimento das leis da concor- madamente 56.000 empregados e atua emrência, parte essencial do novo Código de mais de 180 países. Sua produção diáriaConduta da Shell. em 2006 foi de 2,67 milhões de barris, com O programa Hearts and Minds (em por- 70% dessa produção fora dos Estados Uni-tuguês Corações e Mentes), introduzido na dos. No tocante à Responsabilidade Social 201totalidade da companhia em 2004, destaca Corporativa, o programa é gerenciado por
  • 204. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis sistema próprio e revisado periodicamente Meio Leste e 1% na Europa, totalizando US$ para destacar novos assuntos e priorizar os 90,8 milhões, exclusivamente voltados para mais urgentes. Destacam-se no programa: educação e reestruturação das comunidades, • Integração continuada de responsabilida- sejam na prática ou no fornecimento de ma- de corporativa nos seus negócios. teriais que possibilitem essas práticas. • Desenvolvimento da estratégia global da força de trabalho. EXXON – ExxonMobil é uma empresa que • Engajamento dos stakeholders. possui áreas de exploração e produção em • Saúde e segurança, incluindo Aids. 36 países e operações de produção em • Engajamento da comunidade. 24 países ao redor do mundo. A empresa • Direitos Humanos. fornece gás natural em quase todos os • Mudanças climáticas, energia renovada. principais mercados de energia. No final de • Gerenciamento ambiental. 2007, a ExxonMobil mundial era composta Observa-se que a empresa destaca como por quase 81.000 empregados. metas a integração dos conhecimentos das Os dados disponíveis em seu balanço áreas social, ambiental e econômica em suas permitem identificar que, em seus 125 anos práticas e decisões, e o engajamento da de história, a Exxon está comprometida com comunidade em suas operações. A Chevron a criação positiva e duradoura de desenvol- oferece programas continuados de treina- vimento social baseado sempre em respeito mento para seus funcionários, mediante e confiança, visando a aumentar o padrão de parcerias com as melhores universidades, vida e a estabilidade das comunidades em bem como em suas próprias instalações. que atua. Uma de suas principais atuações Em sua relação com a comunidade na nesse sentido é o suporte ao crescimento qual opera, a Chevron demonstra dar pre- econômico e a melhoria da qualidade de ferência em contratar fornecedores locais, vida através do projeto “Conteúdo Nacional”, principalmente minorias e mulheres. Nesse que investe em educação e transparência de sentido, encontram-se os dados abaixo: conhecimento profissionalizando e con- A empresa oferece programas profis- tratando direta e indiretamente, através de sionalizantes junto com as escolas nos mais fornecedores, mão de obra local. variados assuntos, tais como: administração, A Exxon tem ainda o Programa de melhores práticas, avaliação de projetos Suporte à Educação, visando a projetos etc. Em 2006, a Chevron lançou o programa em educação e ao ensino da matemática, Energy for Learning (Energia para Aprender), por entender que são fundamentais para o iniciativa de três anos, com investimento de crescimento de uma nação, direcionando, US$ 18 milhões, para dar suporte educacio- em 2006, US$ 54 milhões para educação nal público a 23 distritos de Louisiana e Mis- global, oferecendo apoio técnico, prático, de sissipi, áreas afetadas pelo furacão Katrina, material, pessoal e alianças na promoção de oferecendo material acadêmico, equipamento treinamento e capacitação local do ensino de laboratório e computadores. médio ao terceiro grau. Seus investimentos globais em Educação, em 2006, foram divididos em 47% na Améri- TOTAL – A total é uma empresa multinacio- 202 ca do Norte, 23% na África, 11% na Eurásia, nal de energia que busca a inovação frente 10% na Ásia, 4% na América Latina, 4% no às questões sustentáveis. A companhia
  • 205. UFF/Latecopera em mais de 130 países, com mais de to em quatro das maiores escolas na região ao95.000 empregados. norte de Paris. Essa iniciativa engloba práticas A empresa oferece, para seus colabo- como tutoramento de estudantes do ensinoradores, treinamentos e capacitações si- médio, com aulas oferecidas pelos gerentesmilares em todas as suas unidades, o que da Total; treinamento de professores, cursoslhes permite enriquecer e melhorar seus técnicos e programas profissionalizantes.desempenhos profissionais. Em 2006, a A Total adota um modelo de atuação in-média foi de 46 dias de treinamento por ternacional no qual busca padronizar todasempregado. as suas práticas sociais de acordo com as A empresa reafirmou seu comprome- necessidades mais prementes das comuni-timento com a promoção de igualdade de dades em que atua.oportunidades em 2006, apresentando A empresa tem práticas de programascomo evidência disto um programa de ações de conscientização e encorajamento daarticuladas com a France´s Business Charter responsabilidade social para todos os seuspor igualdade de oportunidades em Educa- funcionários, estendidos à comunidadeção. Patrocinada pelo governo Francês, essa em que opera. Esses programas deveminiciativa objetiva encorajar o Ministério estar vinculados a associações e agir noda Educação e as indústrias a trabalharem âmbito pessoal capacitando profissionais ejuntos em prol dos estudantes em desvanta- educando-os em seus horários livres. Emgens sociais no mundo competitivo. 2006, foram relacionados 55 projetos, quase A empresa participou de um programa pilo- 50% deles localizados na África.CONCLUSÕESS egundo Ashley (2002), “socialmente preocupação na melhoria contínua de suas responsável, na visão dos empregados, ações visando à preservação, proteção e a empresa ganha respeito e reconhe- conservação do meio ambiente.cimento por parte de todos que com ela se Numa abordagem evolutiva, percebe-serelacionam”. Sabe-se, entretanto, que diante uma participação das empresas de formada complexidade do mundo contemporâneo, o progressiva e atualizada, considerando-se anovo ambiente de negócios por si só requer complexidade do contexto na qual ela estáuma ampliação conceitual sobre responsabi- inserida.lidade social e uma consequente correlação Na vertente de Educação para a Res-com sua prática cotidiana. Percebe-se uma ponsabilidade Social, percebe-se que todascrescente exigência da sociedade para que as empresas desenvolvem um esforçoas empresas operem com compromissos educacional, intra e extramuros, voltadoséticos e socialmente responsáveis para a incorporação dos conceitos da Embora sejam empresas do setor de sustentabilidade e mais especificamente dapetróleo e gás, cujas atividades são de alto Responsabilidade ao desenvolvimento deimpacto ao meio ambiente, percebe-se que seus negócios.todas as empresas aqui estudadas aten- Mesmo reconhecendo-se a complexida- 203dem à legislação ambiental e mostram uma de da tarefa, os instrumentos globais, como
  • 206. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis o Pacto Global, a ISO 26000 e outros, têm os direitos humanos, promovam a melhoria contribuído de forma relevante para dar foco das condições de trabalho, protejam o meio ao debate internacional. Destarte, permitem ambiente e combatam a corrupção, garan- que as empresas estruturem seus compro- tindo, dessa forma, a sustentabilidade de missos, a fim de que apoiem e defendam seus negócios. Referências: ASHLEY, Patrícia A. (org.). Ética e Responsabilidade Social nos Negócios. São Paulo: Saraiva, 2002. CHEVRON. Corporate Responsability Report. Chevron, tradução de Alyssandra de Sales Negri, 2006. DREWELL, Mark. The Dilemmas and Challenges of Sustentability. In: FÓRUM LIDERANÇA GLOBALMEN- TE RESPONSÁVEL, Rio de Janeiro, 2007. Anais... Rio de Janeiro, 2007. EXXON. Corporate Social Responsability Report. tradução de Alyssandra de Sales Negri, 2006. GUEDES. 2000, p.42. IANNI, Octavio. A sociedade global. 3. ed. Rio de Janeiro: Record, 2000. INSTITUTO ETHOS E RESPONSABILIDADE SOCIAL. Disponível em:<http://www.ethos.org.br>. Acesso em: 22 dez. 2003 e 20 dez. 2004. INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO. ISO 26000: Diretrizes sobre Respon- sabilidade Social, 2007. KHALIL, R. O. Responsabilidade Social nas microempresas: Estudo de Caso nas microempresas da baixada litorânea e região dos lagos do estado do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção), Universiadade Federal Fluminense, Niterói, 2005. MARRAS, J. P. Administração de recursos humanos: do operacional ao estratégico. São Paulo: Futura, 2001. MEISTER, J. Educação Corporativa. São Paulo: Pearson Makron Books, 1999. MELO NETO, Francisco Paulo de, FROES, César. Responsabilidade social & cidadania empresarial. Rio de Janeiro: Qualitymark., 1999. OLIVEIRA, A. C. Impacto da Educação Corporativa no desempenho dos colaboradores da empresa Perdigão S/A – Unidade Carambeí. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção), UTFPR, Ponta Grossa, 2007. Petrobras. Relatório Anual da Petrobras. 1981/ 2000. Rio de Janeiro. ______. Balanço Social e Ambiental, 2006. Rio de Janeiro. PETROS. Relatório Anual, 2006. ROYAL DUTCH SHELL. Relatório de Sustentabilidade da Shell, 2006. SACRISTÁN, J. Gimeno. (1998) STIGLITZ, Joseph E. A globalização e seus malefícios – a promessa não cumprida de benefícios globais. São Paulo: Futura, 2000. TARAPANOFF, Kira. Responsabilidade social das empresas e a educação corporativa. In: AGUIAR, Afrânio (Coord.). O futuro da indústria: educação corporativa: coletânea de artigos. Brasília: MDIC/STI; IEL, 2005. 192 p. (Série Política industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior, n. 10) TOTAL. Corporate Social Responsability Report. Tradução de Alyssandra de Sales Negri, 2006. 204 WATT, Phillipe de. 2007
  • 207. UFF/Latec ArtigoSustentabilidade nas Organizações:Análise crítica dos casos do Exxon-Valdez (1989) – Exxon e do Rio Barigui-Iguaçu (2000) – Petrobras. O que alterou em termos de governança corporativa esustentabilidade organizacional das empresas?por Cláudio Paula de Carvalhoe Robson Spinelli GomesInstituição Vinculada:Latec – Laboratório de Tecnologia, Gestão de Negócios e Meio Ambiente;(Mestrado Profissional em Sistemas & Gestão)E ste trabalho é proveniente de corporativas têm-se tornado lugar comum. pesquisas realizadas no LATEC - Este capítulo trata do processo de análise Laboratório de Tecnologia, Gestão crítica quanto ao processo de crise ocorrido de Negócios e Meio Ambiente, a em duas grandes corporações, a Exxon e a partir do programa de Mestrado Petrobras, apresentando parâmetros refe- Profissional em Sistemas de Ges- renciados à época, e o que estes acidentestão, Universidade Federal Fluminense. O cons- ocasionaram e/ou afetaram questões relativastante desenvolvimento da indústria de Petróleo à reputação e à imagem institucional.e Gás, aliado ao fortalecimento do tema Res- O estudo objetiva abordar o que foi afetadoponsabilidade Social Empresarial, influenciou o ou não em termos de atuação no desenvolvi-desenvolvimento deste trabalho, que é reflexo mento dos negócios, relacionamento junto àsde pesquisas orientadas para uma conjuntura partes interessadas, assim como o desempe-contemporânea onde os fatores econômicos, nho no mercado de ações, considerando o pe-ambientais e sociais são indissociáveis. ríodo antes, durante e após a crise instaurada. A atividade de petróleo e gás, assim Além disso, pretende-se apontar o que serviucomo tantas outras atividades extrativistas e de aprendizado no que diz respeito a melhoresprodutivas, inevitavelmente está relacionada práticas no desenvolvimento ou implementaçãoàs condições de risco no negócio desenvolvi- e consolidação de um sistema de comunicaçãodo. Segundo Ogrizek (1999), o risco é inerente de crise, ajustado e voltado ao desenvolvimentoa qualquer atividade de negócio e as crises sustentável dos negócios.Análise crítica do caso exxon-valdez (1989)C onforme a avaliação de Ogrizek (1999), dubitavelmente, possuem condições de risco, as crises corporativas têm-se tornado sendo inerente ao negócio, pois o risco e os lugar comum. E da mesma forma, as fatores envolvidos são relevantes e envol- 205atividades exploratórias, de forma geral, in- vem, naturalmente, condições atípicas e que
  • 208. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Informações gerais Observações Período e local 24-03-1989 Local: Valdez, Alasca – EUA Tipo de Produto Óleo Transporte em petroleiro Choque com o iceberg Bligh Reef, de 10km Ocorrência Vazamento de óleo de comprimento. Perfuração do casco do petroleiro da Exxon. 7 km de Área Atingida Área de refúgio natural para fauna local comprimento Quantidade 37,850 milhões 260 mil barris; de Produto de litros de óleo 10 milhões de galões de óleo Tipo de Acidente ou Acidente Ocorrência Incidente US$ 5 bilhões Multas, indenizações e outros termos de de dólares ajuste de conduta (TAC) Indicadores comparativos no caso Exxon-Valdez (1989) Fonte: Neves (2002) não possuem um controle total, pois alguns uma grande crise, principalmente em relação fatores naturais são elementos que geram à opinião pública de forma geral. o fator surpresa no desenvolvimento destas Conforme Capra (2005, p.101), à atividades industriais e produtivas. medida que a comunidade cresce e sua Assim, quanto ao caso Exxon-Valdez, se- complexidade aumenta, assim como a das gundo Neves (2002), algumas razões contri- relações de poder, o aumento em rela- buíram para que ele se tornasse um dos casos ção às exigências, ou seja, as forças de mais conhecidos, estudados e discutidos, em pressão crescem consideravelmente. O todo o mundo, como sendo um dos piores da autor ainda amplia a análise, notando que história em termos de acidentes industriais e quanto ao aumento de complexidade nas de reflexos corporativos, com relação ao meio relações de poder entre os grupos sociais, ambiente e às partes interessadas. estes tendem a buscar um processo de Abaixo estão alguns dados importantes autodefesa para que os seus valores para efeito de análise do caso, conforme sejam mantidos e, consequentemente, Neves (2002) (tabela acima). menos transgredidos. Ainda mais quando Cabe destacar que o caso do Exxon-Val- se trata de relações de poder existentes dez, em um ranking, segundo Neves (2002), no âmbito do poder econômico. está entre os 30 maiores acidentes mundiais Assim, ainda levando em consideração de vazamento de óleo. E, apesar de estar na as análises de Neves (2002), aqui estão 30ª posição na referida classificação, possui alguns fatores que contribuíram para que inúmeras condições para que esta situação te- esse caso se tornasse uma referência em nha sido desdobrada de forma tão significativa termos de análise e discussão crítica: (i) e atuante contra a empresa Exxon, durante um em termos de comunicação: lentidão no determinado período. Ainda segundo o autor, a processo de comunicação junto às partes principal questão em relação ao caso foi uma interessadas; não se assumiu a respon- 206 mistura de falta de atuação ou de diretrizes e sabilidade perante a ocorrência, embora de condições e circunstâncias que levaram a dados acerca da situação de crise tenham
  • 209. UFF/Latecsido veiculados; apesar de haver um depar- condições de resolver o problema de formatamento de relações públicas compatível independente, sem auxílio externo. Tambémcom o tamanho da empresa, o desejo de houve uma postura de arrogância dianteminimizar o problema comprometeu o do processo, não sendo utilizada a forçadesenvolvimento dos trabalhos por causa voluntária como meio de auxiliar no pro-das ações desse departamento; houve falta cesso de limpeza, assim como no processode cooperação com a imprensa, o que in- de parceria necessário junto às partestensificou um posicionamento agressivo da interessadas; gestão junto aos ambientalis-mídia neste sentido; (ii) em termos de per- tas: lentidão no processo de envolvimentocepção do risco: informação acerca do pro- e engajamento junto às entidades ligadasblema, minimizando os possíveis impactos, ao meio ambiente, com isso perdendo acaracterizando que a situação encontrava- oportunidade de minimizar os impactos em-se sob controle e os danos ambientais relação às partes interessadas envolvidas.reduzidos; transmitir amplamente a inten- No que tange ao processo de liderança:ção de não assumir a culpa da ocorrência erro de avaliação, pois somente seis diaspublicamente. Por outro lado, relativizar a após a ocorrência é que o líder se manifes-culpa, considerando que o transporte e a tou friamente acerca da situação, dando alogística foram feitos por sua subsidiária, nítida impressão, para o público em geral,a Exxon Shipping Company, pois ainda que de distanciamento ante a situação.tenha sido desta forma, o grupo principal Conforme exposto por Humberg (2002,e a marca da holding é que ficam expostos p. 97), a postura apresentada contrastapublicamente, sob qualquer aspecto; (iii) com a visão de empresa moderna, aoimputar a culpa como sendo erro humano, serem desconsiderados os processos desem a devida investigação ou coleta de sistematização de comunicação, ou seja,informações, como forma de eximir-se onde se empregam valores de ética, trans-da culpa perante a crise, não se justifica- parência e abertura para apresentar o queria, ainda que tenha de fato havido falha acontece ao público de relacionamentohumana no processo. Outra característica e de interesse, enfim, para que haja umaprejudicial para a empresa é que, mesmo contextualização dos conflitos existentes.que o petroleiro não fosse próprio, mas Mas, ainda segundo o autor, para que istofretado, a carga é da empresa. Esse detalhe aconteça, a cultura organizacional devecontratual não a eximiria da responsabili- dar sustento a estes preceitos e demons-dade legal; (iv) sistematização do processo trar isso por meio de postura e atitudede crise: nitidamente não havia uma prepa- refletidas em seu comportamento. A partirração para o processo de crise ou mesmo daí, isso surtirá um efeito em cascata porquanto ao desdobramento do risco maior todos os segmentos de público, instituindoapós a ocorrência; faltaram porta-vozes assim um caráter de identidade coletivabem informados; (v) em termos de pos- e, consequentemente, de pertencimen-tura, atitude e comportamento: a questão to àquela organização ou àquele grupoda arrogância empresarial mais uma vez social. Estas ações, incondicionalmente,minimizando os impactos, reduzindo as se refletirão em momentos de crise e,condições e os desdobramentos do proble- principalmente, no processo mais acurado 207ma, dando a entender que a empresa teria do monitoramento do risco.
  • 210. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Estas condições apresentadas no estu- fora do foco externo e se possam gerir mais do de caso, segundo Neves (2002), fazem adequadamente as resoluções e estratégias com que a repercussão, junto às partes de ação (ROSA, 2003, p.328). interessadas, seja catastrófica, porque Assim, em consonância com o exposto ante- evidenciam a falta de posicionamento e riormente, Rodriguez (2002, p.171) afirma que: de preparo da organização neste sentido. Quando se fala de cultura organizacional, é E esta situação é real, pois mesmo que a possível que a mesma seja alterada ao lon- empresa tenha uma condição de preparo e go do tempo, mas, como a cultura é algo já capacitação neste sentido, a questão com- internalizado nas pessoas, esta mudança é portamental da organização irá influenciar lenta. No entanto, se forem trazidas pesso- no processo de formação de opinião junto as de fora da organização, pode-se acele- aos seus públicos de interesse. rar este processo de mudança da cultura. A postura da liderança é fundamental no processo de entendimento e esclarecimento. Desse modo, o processo de mudança na Cabe, aqui, comparar o caso da postura de cultura organizacional passa pelas modifi- liderança, neste caso em estudo, em oposi- cações de seus valores, suas percepções, ção a dois casos a seguir, ou seja, em que o seu conhecimento. Com isso, gera mudanças então presidente da Petrobras se posicionou de uma forma geral, influenciando conside- como sendo o principal porta-voz e interlo- ravelmente seus grupos sociais internos e, cutor no processo de crise instaurada. também, os grupos externos, fazendo com Por exemplo, no caso da Baía de Gua- que esta troca se torne possível. Porém, é nabara, de grande impacto ambiental, seja relevante que a forma de relacionamento seja pelo volume, seja pelas condições vulnerá- transparente, clara e objetiva no processo de veis da própria baía (em janeiro de 2000), construção das relações (OGRIZEK, 1999). assim como no afundamento da P-36 (março Segundo uma análise conjuntural, base- de 2001), onde 11 trabalhadores morreram ada em parâmetros de mercado de capitais, durante a ação da brigada de incêndio. O em informações de instituições financeiras, problema existiu, a empresa teve um impacto na movimentação do mercado financeiro vigoroso de todos os segmentos das partes e dos investidores de forma geral, se pode interessadas, mas a postura de liderança destacar que a Exxon possui um posicio- naquele momento, arcando com as respon- namento muito forte no segmento em que sabilidades, estando à frente do processo atua. Ao longo dos anos, vem mantendo as de crise, gerou, ante a opinião pública, uma primeiras posições de valor de mercado. percepção de que algo estava sendo feito Essa afirmação decorre do fato de que, para reduzir os impactos causados, buscan- mesmo depois de mais de 10 anos, após a do soluções para resolver o problema. Por ocorrência no Alasca, a empresa ainda é outro lado, essa ação da liderança também uma das empresas de capital aberto mais fornece um maior tempo para que os reflexos negociadas no mercado de ações (NYSE, decorrentes da efetivação ou desdobramento EUA). E, dentre as empresas do segmento das ações do sistema de comunicação de de óleo e gás, é a que possui o maior valor crise possam atuar mais fortemente junto à de mercado, algo em torno de US$ 500 bi- 208 situação. Possibilita, ainda, ao mesmo tempo, lhões, (fonte: Bloomberg, 2008), conforme o que o processo de contingência interna fique gráfico a seguir, e que reforça este conceito
  • 211. UFF/Latec 14 Evolução dos preços das ações 13,5 da Exxon Mobil 13 12,5 12US$/XOM 11,5 11 10,5 Tendência de queda foi mais pronunciada, mas a duração não foi muito 10 diferente do caso Petrobras. A queda pronunciada pode favorecer a tese de que a crise, no primeiro momento, foi mal administrada. 9,5 9 4/10/1988 4/02/1990 4/03/1990 4/08/1990 4/09/1990 4/12/1990 4/11/1988 4/12/1988 4/02/1989 4/03/1989 4/04/1989 4/06/1989 4/07/1989 4/11/1989 4/10/1990 4/01/1989 4/08/1989 4/09/1989 4/12/1989 4/01/1990 4/04/1990 4/05/1990 4/06/1990 4/11/1990 4/05/1989 4/10/1989 4/07/1990 Fonte: Bloomberg e caracteriza uma marca uma marca forte volvimento sustentável. É certo que vários e de grande liquidez no mercado de ações, elementos estão diretamente relacionados principalmente no exterior. ao movimento de crescimento apontado no Essas considerações confirmam que gráfico acima. Não se pode dizer que apenas o segmento de investidores é muito forte. a reputação ou mesmo a liquidez da empresa, E é muito forte no sentido de nortear seus no mercado de ações, gera a majoração do investimentos em empresas rentáveis, onde preço da ação no mercado, mas elementos a volatilidade do negócio está condicionada à econômicos, geopolíticos e sociais, certamen- rentabilidade que a empresa possa caracteri- te, são os elementos que contribuem para este zar como ganho real. A própria atuação dela, processo, junto ao movimento no mercado no contexto de crescimento das atividades, do de ações e, consequentemente, atuando na desenvolvimento de seu negócio, reflete isto elevação ou não das ações no mercado. no mercado. Assim, o que se pode identificar O gráfico acima retrata a evolução é que mesmo havendo um grande movimento acionária, ao longo do período anterior e de pressão da sociedade organizada, isto se posterior à ocorrência do Exxon-Valdez. A traduz, de forma considerável, na cultura de indicação do gráfico aponta que a tendência atuação das organizações. Mas ainda assim de queda foi pronunciada, mas diante do esta posição de mercado da Exxon reflete estudo de caso apresentado, e analisando- também que ainda há muito que se conside- -se a evolução das ações dois anos depois, rar em termos de desenvolvimento social, se percebe-se que a respectiva queda se deve 209 desdobrando dentro das premissas de desen- muito mais pela forma como a crise foi
  • 212. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis tratada e conduzida do que efetivamente de preço das ações nas bolsas. Hoje, quase pela desvalorização das ações ou mesmo 15 anos depois, a Exxon possui o maior da empresa. E, da mesma forma, condições valor de mercado de todas as empresas no inerentes à questão política e econômica segmento de petróleo e gás que têm capital no mundo contribuem para essa formação aberto em bolsas de valores. ANÁLISE CRÍTICA DO CASO DO RIO BARIGUI-IGUAÇU (2000) N o Brasil, o gerenciamento de crise é Três grandes acidentes aconteceram em relativamente recente. As empresas um intervalo de um ano: Baía de Guanaba- vêm aumentando investimentos neste ra, no Rio de Janeiro, em janeiro de 2000; sentido, e as mudanças globais ocasionaram o rio Barigui-Iguaçu, no Paraná, em julho esta mudança nos valores organizacionais de 2000; e, por fim, a P-36, na Bacia de das empresas. E, certamente, o caso da Baía Campos (RJ), em março de 2001. Caracte- de Guanabara, em janeiro de 2000, e este no rísticas à parte, com referência a cada uma rio Barigui-Iguaçu, no Paraná, contribuíram das ocorrências, todas levaram a empresa sistematicamente para que uma lição fosse a refletir, intensificar seus investimentos, repassada à gestão da Petrobras, mas também aumentar o sentido da segurança, da tecno- de outras grandes empresas, reformulando logia, da capacitação e no desenvolvimento e alterando as condições de gestão até estes de parcerias. Enfim, atuar na forma cultural eventos terem acontecido e em espaços perante condições e situações de crise e físicos tão curtos. E o impacto neste sentido também no que diz respeito aos processos é muito pelo próprio porte e a representati- de gerenciamento da crise e de capacitação vidade que a Petrobras possui no país. Mas, contínua de sua força de trabalho. antes de tudo, para a empresa, uma grande No caso específico da ocorrência nos lição para si própria, como sendo uma forma rios Barigui e Iguaçu, com a recém-termi- de aprendizado. Um ponto positivo, que será nada ocorrência na Baía de Guanabara, mal refletido no decorrer do tempo, como forma de houve tempo para respirar e se estrutu- melhoria contínua dos processos e sistemati- rar, pois começaria tudo de novo. Quatro zação do processo de comunicação de crise, milhões de litros de óleo no total vazaram na principalmente no sentido de capacitação e área bombeamento da refinaria, que recebia desenvolvimento da habilidade de gerencia- óleo do oleoduto que transfere do terminal mento da gestão de crises. de São Francisco do Sul (SC) para a refi- De acordo com o Guia de Comunicação naria de Araucária (PR). O oleoduto possui de Crise (2001, p.14), a Petrobras define 183 km de extensão. Deste total vazado, 1,3 crise como sendo: milhões de litros extravasaram das canale- [...] qualquer evento ou percepção negati- tas de contenção e atingiram o rio Barigui. O va que possa trazer danos à imagem da Pe- restante, equivalente a 2,7 milhões de litros, trobras ou prejudicar seu relacionamento ficou contido na área de recebimento deste com a sociedade, clientes, acionistas, inves- óleo na refinaria. A partir daí, o histórico 210 tidores, parceiros, órgãos reguladores e po- trata do processo de coleta e recuperação deres públicos, comunidade, dentre outros. de óleo contaminado nos rios e demais
  • 213. UFF/Latec Informações gerais Observações Período e local 16-07-2000 Local: Araucária (PR) – Brasil Transporte por oleoduto de 183km de exten- Tipo de Produto Óleo são (oleoduto de São Francisco do Sul – SC a Araucária – PR Área de bombeamento na chegada do óleo do Ocorrência Vazamento de óleo Terminal de São Francisco do Sul (scraper da refinaria) *sendo: 129.450 m2 (área atingida pelo derrama- mento); 58.000 m2 (área com contaminação alta); Área Atingida 258.900 m2* 70.050 m2 (área com média contaminação); 1.400 m2 (baixa contaminação) 23,1 mil barris; 1,3 milhões de litros de óleo derra- Quantidade de 4 milhões mado no rio; 2,7 milhões de litros de óleo contido Produto de litros de óleo na área de bombeamento (scraper) da refinaria Tipo de Ocorrência Acidente ou Incidente Acidente Multas, indenizações e outros termos de ajuste de conduta (TAC): R$ 40 milhões (multa ambiental); R$ 39 milhões (desembolso para recuperação de áreas); R$ 19 milhões (desembol- Valor desembolsado R$ 193 milhões so para investimento e aplicação no Rio Iguaçu (pós-ocorrência) – parceria com o governo estadual do Paraná); R$ 1,6 milhões (investimento em pesquisas e tecnologia; 16 equipes científicas contratadas para estudos 7 milhões de litros de volume de lixo contamina- do por óleo retirado dos Rios Barigui e Iguaçu; 65 km de rios e margens limpas; 9 dias (tempo de remoção de óleo livre nos rios); 3 meses (tempo total de limpeza das margens dos rios); 2 anos (tempo total estimado para recuperação das áreas internas atingidas); 3.700 metros de Ações sistemas de drenagem instalados; 14 poços de desenvolvidas amostragem instalados para monitoramento ao longo dos rios Barigui e Iguaçu; 95 poços de amostragem instalados nas áreas de estudo; 3.100 diques instalados em áreas de recupera- ção; 1.600 canais de desvio construídos; mais de 2.700 pessoas trabalhando no pico da limpeza; 2 postos médicos nos pontos de traba- lho; 1 hospital veterinário de campanhaIndicadores comparativos no caso dos rios Barigui-Iguaçu Fonte: Relatórios Petrobras (2001)localidades próximas, e está registrado no massiva crítica local, desdobraram-se na regio-quadro indicativo. nal e chegaram à pauta nacional. Alguns pontos traçados, no primeiro estudo Entretanto, com relação ao estudo dede caso, são bem parecidos, seja no aspecto da caso, alguns pontos são relevantes para finscomunicação, seja no aspecto da pró-atividade de entendimento. A Petrobras no estado doorganizada, a forma de lidar com a imprensa Paraná, principalmente na região de Curiti- 211local. Enfim, diversos fatores que refletiram a ba, não possui um indicador forte de imagem
  • 214. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis corporativa positiva1. E isto vem melhoran- mobilização. Estes elementos somados vêm do, mas ainda assim é uma imagem, em corroborar a falta de estratégia da empresa comparação com as demais localidades em atuar mais fortemente neste sentido, es- em que atua, não tão representativa. Logo, pecificamente na região, visando a aumentar há, também, um aspecto de maior reflexão a percepção da sociedade como um todo, e e ponderação ante aos resultados, como também dando um sentido maior de perten- base de insumo. E, independentemente das cimento da empresa nessa região. É bem condições inerentes à atividade de proces- comum que haja um grau de ressentimento samento da refinaria, outra condição soma- de que a empresa não é paranaense ou -se a isso, reforçando o que foi destacado no mesmo que não tenha uma atuação, na visão processo de desenvolvimento desta pesqui- local, com a mesma grandeza que deveria sa, quanto à importância de manutenção e ter. Afinal, a refinaria, se não fosse uma uni- criação de laços com as partes interessa- dade da Petrobras, mas sim uma empresa das, formando o conceito e as premissas independente, seria a maior empresa, pois de credibilidade, reputação e a percepção já o é em termos de arrecadação de impos- de pertencimento, por meio da identidade tos em todo o estado do Paraná, refletindo criada. Ressalte-se que outras empresas pri- na própria Região Sul, com algo em torno vadas possuem muito mais apelo de imagem de 20% no total de arrecadação de impostos positiva e percepção de pertencimento, por estadual (fonte: Petrobras/Repar, 2009). exemplo, empresas como a Gerdau e a Volvo, Com estes pontos de contrapartida entre outras. apontados, a ocorrência no rio faz com Essa condição mencionada se refere que estas diferenças de percepção se- à forte cultura de formação étnica mista jam aumentadas, porém, negativamente. (alemães, poloneses, ucranianos, russos, Santos (1989) afirma que os estudos e a italianos, japoneses e, por fim, portu- compreensão da cultura devem passar pelo gueses), predominantemente de origem entendimento e pela capacidade de entendi- europeia, que fortalece a existência de um mento mais do que pelo fortalecimento das grau de conscientização mais forte, se com- relações que podem modificar e gerar uma parada a outras praças principais do país. nova cultura. Ou seja, o poder efetivo que Por outro lado, um forte processo também um grupo social tem de aceitar as mudanças de formação educacional, até decorrente e da mesma forma a organização, dentro de dessa característica predominante, cujos um processo natural de intercâmbio. valores de crescimento são preponderantes, Durante muito tempo, até por uma falta mas com um olhar de crescimento pondera- de gestão neste sentido, havia uma política do, organizado (DUARTE; GUINSKI, 2002). de se trabalhar apenas o entorno da refinaria, Assim, considerando estes fatores, isto ao contrário do que acontecia em muitas áre- leva também a outro processo maior, que é as da empresa em outros estados. Este é um o elevado nível de exigência da sociedade, indicador que frequentemente aparece, mas onde o papel da sociedade é mais atuan- o sentido estratégico de atuar diretamente te nas formas de cobrança ou mesmo de ainda é pequeno na avaliação feita, decorren- 1 Esta medição de imagem corporativa é realizada por meio do Sistema de Medição de Imagem Corporativa – SISMICO, 212 desenvolvido pela Petrobras junto a institutos de pesquisa nas diversas cidades de atuação da Petrobras, com medições qualitativas e quantitativas sob vários cenários.
  • 215. UFF/Latecte da premência de atuação neste sentido. ders) deixaram de ser atendidos ou con-Anteriormente à ocorrência de 2000, o pro- templados na formação de relacionamentograma de estreitamento de relações com o que agora se desdobra em agravamento oupúblico de interesse era pequeno, sendo mais acirramento das relações? (iv) qual a reper-focado com o púbico interno e parcialmente cussão negativa junto à opinião pública?com a comunidade do entorno. Era um papel O quadro indicativo, contendo as infor-tímido de abrir as portas e manter um rela- mações relevantes, demonstra o que foi fei-cionamento mais espontâneo, mais direto, to visando a atender às demandas decorren-mais claro, de forma a apresentar a empresa tes do que foi gerado, ou seja, respondendopara as partes interessadas, de modo que parcialmente às questões mencionadashouvesse um fortalecimento no relaciona- pelo autor de referência. Além das açõesmento com a sociedade geral. Assim, toda desenvolvidas, também foi realizado ema força crítica existente neste contexto foi acordo com órgãos ambientais, como formaaumentada a partir do momento que ocorreu de reforçar o que foi efetivamente desenvol-o acidente em julho de 2000. vido dentro de um período de um ano. Vale destacar o que Capra (2005) fala E, exatamente um ano depois, em julhoa respeito da cultura, e que neste sentido de 2001, o 2º. Seminário do Rio Iguaçu foipode ser redirecionado para o sentido da realizado com esta finalidade. Esse eventocultura organizacional também: foi sediado na própria refinaria, e trazia à É sistema integrado de valores, crenças e regras luz todos os projetos e programas desen- de conduta, que é adquirido mediante o conví- volvidos no processo de recuperação das vio social, e que determina e delimita também áreas atingidas, em relação à fauna e à quais são os comportamentos aceitos por uma flora, assim como as correções de solo e respectiva sociedade, onde a cultura possui uma programas socioambientais que visavam ao dinâmica complexa e a qual não possui uma se- restabelecimento e equilíbrio geral da região quência de linearidade, sendo criada por uma do rio, seja no aspecto ambiental, social, ou rede social que se realimenta, pelo reforço do de manutenção de relacionamento, além de hábito, valores, crenças e regras de conduta. demonstrar as práticas desenvolvidas em programas e projetos desenvolvidos junto à Assim, além de se administrar o proble- comunidade local e do entorno, assim comoma imediato da crise instaurada, a opinião em áreas de influência e de interesse. Essepública criou uma condição especial neste seminário realizado é a consolidação de to-sentido, pois a forma de manifestar o des- das as demandas existentes, pois dentro doscontentamento local também foi aproveitada grupos de cientistas apontados no quadroneste momento de crise, e, para piorar ainda indicativo, várias ações de monitoramentomais a situação, por ter relação direta com pós-crise foram implementadas. E estasum ícone do estado: que é o Rio Iguaçu. ações visaram exatamente a minimizar e aComo menciona Neves (2002), quatro fato- corrigir o impacto ou mesmo a reduzir osres são relevantes, para fins de avaliação e riscos de contaminação, entre outras açõesanálise em crises empresariais: (i) o que foi e causas possíveis. Paralelamente a isto, odeixado de fazer pela organização? (ii) que rio Iguaçu e o rio Barigui também tiveraminteresses comuns foram afetados? (iii) que uma limpeza generalizada, contemplando 213públicos das partes interessadas (stakehol- questões que, teoricamente, suplantariam o
  • 216. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis papel da organização, principalmente no que valor de comercialização, ela tem uma ligação tange ao lixo urbano ou produzido pelas co- direta com o processo de conscientização munidades próximas ao rio, além de outros de proteção junto ao meio ambiente versus a dejetos despejados aos rios. negociação de ações nas bolsas. Porém, par- E por que Neves (2002) foi respon- cialmente esta assertiva poderia ser verdadei- dido parcialmente, mediante a realização ra. Mas diversos elementos e fatores externos dos eventos mencionados anteriormente? suportam este movimento de crescimento Porque, na verdade, as perguntas deveriam das ações no mercado de ações. Questões ter respostas aplicadas no cotidiano e no econômicas e políticas, vigentes naquele âmbito das atividades desenvolvidas e de período, dão este tipo de embasamento. Por interesse junto às partes relacionadas. No outro lado, no ano de 2000, os trabalhadores caso do ocorrido, a imprensa não teve um puderam adquirir ações da empresa por meio atendimento adequado em tempo aceitável do FGTS etc., o que corrobora estes elemen- para facilitar seu trabalho, aumentando tos externos. E, em 2002, após a aplicação a carga de cobrança sobre a empresa. O do SISMICO na região, ainda assim com todos mesmo ocorreu em relação às demais par- os elementos, circunstâncias e condições, a tes interessadas, gerando, assim, um grau imagem corporativa teve um aumento positivo de animosidade maior. Ao passo que traba- de 4% em relação ao período antes do aciden- lhando com as premissas de vertentes de te. Esse fato caracteriza um aceno positivo, sustentabilidade, relacionadas à questão de por parte da população inserida na pesquisa, governança, divulgação rápida etc., estas como ações positivas da empresa nas ações seriam condições criadas para o fomento desenvolvidas após o acidente. da parceria e da compreensão mútua, entre De qualquer modo, o que se percebe é que outros atributos relevantes, que não fariam o processo de valorização das ações da Petro- com que o problema fosse inexistente, bras é crescente e considerável, mesmo com mas, certamente, faria com que as diversas a questão das ocorrências em julho de 2000, partes envolvidas buscassem um resultado no rio Barigui-Iguaçu, em março de 2001 (p. e um entendimento em conjunto. 36), e anteriormente em janeiro de 2000, na Assim, dentro da análise crítica do referi- Baía de Guanabara, conforme apontado pelo do estudo de caso, o gráfico a seguir apresen- gráfico. Ou seja, indica uma queda acentuada ta a evolução acionária das ações preferen- no momento das ocorrências, mas diante das ciais da Petrobras, desde antes do período da condições político-econômicas, gerou este ocorrência, até dois anos depois. O gráfico restabelecimento de forma crescente. a seguir mostra a relação das empresas no Assim, a leitura interpretativa, que pode segmento de óleo e gás, mas com referência ser feita, é que existe uma percepção da ao mês de junho de 2008 (Bloomberg e valor sociedade como um todo, principalmente de de mercado em torno de US$ 278 bilhões), o investidores, no sentido de que a empre- que expressa uma diferença significativa, se sa vem evoluindo e evoluiu no aspecto do comparada à Exxon, mas um valor significa- desenvolvimento mais sustentável, aliado tivo no contexto mundial e, principalmente, à rentabilidade. E, em relação às demais dentro do seu segmento de negócio. partes interessadas, isto pode ser atestado 214 Esta análise acima não caracteriza o fato de acordo com as aplicações das pesqui- de as ações não terem reduzido tanto o seu sas de monitoramento de imagem, que são
  • 217. UFF/Latec 9 Evolução dos preços das ações preferenciais da Petrobras 8 7 6R$/PETR$ 5 Ganho de volatilidade, mas tendência de queda foi de curto prazo. Em outros 4 momentos da série histórica, padrão semelhante. 3 2 1 0 18/1/1999 18/1/2000 18/5/1999 1 8 / 5 / 20 0 0 18/3/2001 1 8 / 7/ 2 0 0 1 18/3/1999 1 8 / 7/ 1 9 9 9 1 8 / 3 / 20 0 0 1 8 / 7/ 20 0 0 18/1/2002 1 8 / 9/ 1 9 9 9 1 8 / 9/ 20 0 0 18/11/2001 18/5/2001 1 8 / 9/ 2 0 0 1 18/11/2000 18/1/2001 18/11/2001 Fonte: Bloombergrealizadas a cada dois anos pela Petrobras percepção no nível do desenvolvimento mais(SISMICO) nas principais cidades do país, sustentável, isto pode beneficiar a nego-e aparece em pesquisas de monitoramento ciação das ações no mercado das bolsas.de imagem, mesmo na região de Curitiba, Um fator bastante relevante, neste sentido,embora menor do que em outras praças. diz respeito à movimentação das ações da Mas, por outro lado, caso este indicador Petrobras na BM&F Bovespa. É a empre-de percepção positiva não fosse um fator de sa mais negociada nesta bolsa há algunsrelevância, pode-se caracterizar um indício anos, o que pode representar que ambas asde que a empresa é uma empresa rentá- condições mencionadas, ou seja, condicio-vel e que passa esta percepção de lucro e nantes de desenvolvimento sustentável eganho de capital aos investidores de forma rentabilidade, estão presentes, assim comoconsistente. Com o aumento também da a reputação (VIANNA, 2006).CONSIDERAÇÕES FINAISC omo se pode ver, junto à análise foram apontados igualmente entre um e crítica realizada em cada um dos outro. Por outro lado, o fato de a Petrobras casos estudados, é que mesmo após ser uma empresa pública requer uma maiorquase 20 anos entre um acidente e outro, exigência não só por parte de sua ges- 215sinaliza-se que alguns problemas de gestão tão, mas também em relação a um maior
  • 218. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis discernimento na questão da responsabili- Assim, o não cumprimento destas regu- dade social junto às partes interessadas de lamentações, das regras claras de gover- modo geral. nança corporativa e de gestão compromete O estudo apresenta o processo de o desenvolvimento dos negócios e, conse- transformação por meio de mudanças quentemente, também o relacionamento jun- de paradigmas e também os conceituais, to aos investidores, a imprensa e as demais que abrangem não só a sociedade, mas partes interessadas. Além disso, ainda se também as organizações e sua forma de está sujeito às condições legais perante os gestão empresarial, por meio das práticas órgãos reguladores, a questão da ética e de governança corporativa. O processo de da transparência, afetando sobremaneira globalização e a necessidade de ajustes também a reputação, assim como a valo- nas organizações permearam o processo ração da marca, das condições inerentes à de mudança necessário para o efeito de reputação e à credibilidade junto às partes sustentabilidade, mudando, inclusive, a interessadas. forma de lidar com o processo produtivo Deste modo, a análise suscita pontos institucionalizado e os conceitos de de- de identificação que: ignorar as mudan- senvolvimento de produção, de forma mais ças conjunturais, principalmente com a sustentável. E da mesma forma, os precei- implementação do processo de globaliza- tos relativos à cultura organizacional e de ção, permite um número maior de erros no governança corporativa, mediante maior processo de gestão, assim como no que compromisso e entendimento da socieda- concerne também ao monitoramento da de, maior rigor da legislação. Desse modo, percepção de risco e, consequentemente, induzindo e proporcionando um maior no que tange à implantação de um sistema processo de cobrança, cada vez maior o de comunicação de crise. Assim, não tendo nível de pressão, caracterizando, ainda, o condições de avaliar a percepção de risco sentido de que as mudanças se tornaram envolvida, logo, não se terá condições de necessárias. avaliar e de mensurar os possíveis riscos De uma forma geral, o estabelecimen- que podem afetar significativamente o de- to de regras e de legislações específicas senvolvimento dos negócios, suas inter-re- de estrutura de governança corporativa, lações e interdependências com as partes principalmente na virada deste século, faz interessadas de forma geral, acarretando com que as organizações se ajustem à nova um agravamento no processo de desenvol- realidade. Da mesma forma, as organi- vimento sustentável e da própria sustenta- zações são condicionadas à necessidade bilidade organizacional. de regulamentação, de transparência, de Além disso, permite enfatizar o quanto é comunicação direta. Estas diretrizes fizeram possível manter uma relação de comunica- e vêm fazendo com que as empresas se ção ética, transparente, sempre reforçando a ajustem às novas necessidades, principal- imagem corporativa e, com isso, aumentan- mente, a partir do momento em que a lei do a percepção de reputação e credibilidade, Sarbanes-Oxley (SOx) e as novas regras favorecendo a sustentabilidade do negócio das bolsas de valores ampliaram o processo e o nível de negociação também junto ao 216 de transparência e de divulgação de infor- mercado de ações, mediante práticas de mações e resultados da empresas. governança corporativa.
  • 219. UFF/Latec Vale ressaltar que, durante toda a de ser apenas uma percepção de risco eanálise crítica, tanto para o caso da Exxon, passe a ser uma ocorrência, a qual venhaquanto para o da Petrobras, o termo aci- a impactar o meio ambiente e o meio so-dente aparece definido, não sendo usado o cial envolvido, ou mesmo gerando danos.termo incidente, pelo fato de que os sen- A análise crítica, baseada nos doistidos são diferentes. E, na grande maioria gráficos, apresenta uma evolução dedas vezes, de acordo com a forma como se precificação das ações da Exxon e daquer passar o efeito do ocorrido o uso des- Petrobras, respectivamente, antes etes termos, se acidente ou incidente, acaba depois do período do estudo de caso. E,gerando um maior ou menor impacto sobre pragmaticamente, poderia se concluir quea ocorrência. A banalização do termo, pelas o fator de rentabilidade e desenvolvimentoorganizações, acaba desqualificando o sen- sustentável pode ser complementado outido do que se quer passar ante ao evento não. Ou seja, pode ser uma condicionante,ocorrido. Ainda mais quando o impacto mas não efetivamente um indicador fun-da imagem é negativo. E, é negativo, pois damental, em termos globais, para fazerpossibilita a construção ou a percepção com que grupos de investidores não sereal da falta de credibilidade, seja do que mantenham como investidores das empre-se quer informar, seja do porquê de não se sas, mas sim, que se considere que sãoinformar ou atuar de forma interativa, fato carteiras rentáveis de investimento, tantoeste que, a partir de uma análise crítica, para investidores institucionais (pessoatraduz falta de transparência entre as par- jurídica) quanto para investidores indivi-tes interessadas. duais (pessoa física), mesmo consideran- No caso específico do uso dos termos do que ambas as empresas relacionadasincidente e acidente, o incidente é um vêm desenvolvendo cada vez mais açõesindicador de que alguma anomalia esteja e contribuições, para monitoramento deocorrendo, com alto ou baixo grau de risco riscos em suas atividades industriais,iminente. Esta situação de anomalia de- como exemplificado no caso da Petrobras,corre de um desvio dentro das condições especificamente, até pelas exigências deoperacionais, as quais devem ser monito- ser uma empresa brasileira de economiaradas continuamente. Assim, evitando que mista, mas uma empresa pública, onde ose torne uma ocorrência maior, deixando nível de cobrança e de exigência é maior. 217
  • 220. Boas Práticas de Responsabilidade Social Corporativa n a Indústria do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Referências: CAPRA, Fritjof. As conexões ocultas – Ciência para uma vida sustentável. Tradução: Marcelo Brandão Cipolla. 1ª. Ed. 5ª. Reimpressão. São Paulo: Ed. Cultrix, 2005. MAHONEY, William F., Manual do RI – Princípios e Melhores Práticas de Relações com Investidores. 1ª. Ed. Rio de Janeiro: IMF Editora Ltda., 2007. MACMILLAN, K.; MONEY, K.; DOWNING, S.; HILLEBRAND, C. Reputation in Relationships: Measuring Experiences, Emotions and Behaviors. Corporate Reputation Review, v. 8, n. 3, 2005, p. 214-232. NEVES, Roberto de Castro. Imagem empresarial. Rio de Janeiro: Mauad Editora, 1998. _______. Comunicação Empresarial Integrada: como gerenciar imagem, questões públicas, comunicação simbólica, crises empresariais. Rio de Janeiro: Mauad Editora, 2000. _______. Crises Empresariais com a Opinião Pública. Rio de Janeiro: Mauá Editora, 2002. OGRIZEK, Michel; GUILLERY, Jean-Michel. Communicating in Crisis – A Theorical and Practical Guide to Crisis Management. Tradução: Helen Kimball-Brooke and Robert Z. Brooke. New York: Aldine de Gruyter, 1999. Petrobras. Guia de Comunicação de Crise. 1ª. Ed. Rio de Janeiro: Unidade Corporativa de Comunicação Institucional da Petrobras, 2002. SANTOS, José Luiz dos. O que é Cultura. Coleção Primeiros Passos. 8ª. Ed. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1989. SEMINÁRIO DO RIO IGUAÇU, 2., 2001. Araucária. Anais... Araucária: Petrobras/Repar, 2001. 173p. VIANA, Francisco. Reputação: a imagem para além da imagem. Coleção Cadernos ABERJE. São Paulo, v. 1, outubro 2006. 218
  • 221. 219
  • 222. Boas Práticas de ResponsabilidadeSocial Corporativa na Indústria do Petróleo,Gás e Biocombustíveis – IBPEste é o primeiro livro sobre a temática da responsabilidade social publicado pelo IBP –Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis.Nele, a Comissão de Responsabilidade Social buscou apresentar de forma abrangente erepresentativa uma coletânea de iniciativas de sucesso realizadas pelas empresas de diversosportes e pela academia no contexto setorial.Os cases apresentados relatam práticas, conceitos e estratégias que demonstram o quantoo posicionamento, a gestão e os esforços para realizar cada vez mais ações socialmenteresponsáveis eficientes, têm evoluído nos últimos anos.Aplicação – Livro indicado para empresários, executivos, professores e estudantesinteressados em conhecer boas práticas de gestão da responsabilidade social e dasustentabilidade corporativa. Conheça o site do livro no endereço www.ibp.org.br