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Mestrado 2006

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Actividade Física, Índice de Massa ...

Actividade Física, Índice de Massa
Corporal e Frequência Alimentar
Estudo realizado em Jovens Portugueses dos 12 aos 19 Anos de Idade

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  • 1. Ricardo Miguel Teixeira da SilvaActividade Física, Índice de Massa Corporal e Frequência Alimentar Actividade Física, Índice de Massa Corporal e Frequência Alimentar Estudo realizado em Jovens Portugueses dos 12 aos 19 Anos de Idade Ricardo Miguel Teixeira da Silva Outubro de 2006
  • 2. Faculdade de Desporto da Universidade do PortoActiiviidade Fíísiica,, ÍÍndiice de Massa Corporall e Frequênciia AlliimentarAct v dade F s ca nd ce de Massa Corpora e Frequênc a A mentar Estudo realizado em Jovens Portugueses dos 12 aos 19 Anos de Idade Dissertação apresentada com vista à obtenção do grau de Mestre (Decreto-Lei nº216/92, de 13 de Outubro) em Ciências do Desporto área de especialização de Desporto de Recreação e Lazer, sob a orientação do Professor Doutor Jorge Mota Trabalho Orientado por: Professor Doutor Jorge Mota Ricardo Miguel Teixeira da Silva - Porto, Outubro de 2006 -
  • 3. Silva, R. (2006). Actividade Física, Índice de Massa Corporal e FrequênciaAlimentar – Estudo realizado em Jovens Portugueses dos 12 aos 18 anos deidade. Dissertação de Mestrado em Ciências do Desporto especialização emDesporto de Recreação e Lazer. Faculdade de Desporto – Universidade doPorto.PALAVRAS-CHAVE: ÍNDICE DE MASSA CORPORAL;ACTIVIDADE FÍSICA; FREQUÊNCIA ALIMENTAR;ADOLESCENTES.
  • 4. AgradecimentosNum trabalho deste tipo, conta-se, inevitavelmente, com o apoio e incentivode diversas pessoas e entidades. Neste sentido, gostaria de expressar umsincero agradecimento a todos aqueles que tornaram possível a suarealização:Ao Prof. Doutor Jorge Mota, pela forma como orientou o presente estudo,pela atenção, disponibilidade, pelos ensinamentos e pertinência das suascríticas e sugestões.À Manuela, um agradecimento muito especial, pela companhia, pelosconselhos, por tudo o que me tem dado ao longo destes anos e pelo começode uma nova etapa de vida…À minha família sempre presente ao longo de toda a minha vida académicae, em especial, aos meus Pais, pelo apoio e incentivo constante. Obrigadopor tudo...Ao Bruno, Cláudia, Filipe, Luísa e Carla pela ajuda na recolha de dados, omeu profundo obrigado.A todos os alunos que aceitaram participar neste estudo… V
  • 5. Índice GeralAgradecimentos VÍndice Geral VII Índice de Figuras IX Índice de Quadros XI Índice de Abreviaturas XIIIResumo XVAbstract XVIIRésumé XIX1. Introdução.......................................................................................... 232. Revisão da Literatura........................................................................... 31 2.1 A c t i v i d a d e F í s i c a . ........................................................................................................ 31 2.1.1.Os Benefícios da Actividade Física…............................................................... 33 2.1.2. Relações entre Actividade Física / Aptidão Física e Saúde……..................... 36 2.2. Alimentação………………………...................................................................................... 39 2.2.1. Padrão Alimentar Saudável…............................................................................. 39 2.2.2. Hábitos Alimentares e Necessidade Energéticas de Adolescentes…................ 43 2.3. Obesidade……………....................................................................................................... 453 . M a t e r i a l e M é t o d o s . . . . ........................................................................................................ 55 3.1. Caracterização da Amostra.............................................................................................. 55 3.2. Índice de Massa Corporal……………………................................................................... 56 3.3. Actividade Física………………………………………………………………………………... 56 3.4. Frequência Alimentar…………………………………………………………………………… 57 3.5. Procedimento na recolha de dados................................................................................. 57 3.6. Procedimentos Estatísticos.............................................................................................. 574 . A p r e s e n t a ç ã o d o s R e s u l t a d o s . . . . ................................................................................... 61 4.1. Índice de Massa Corporal………………............................................................................ 61 4.2. Actividade Física…………………………........................................................................... 62 4.3. Frequência Alimentar…………………………………………………………………………… 665. Discussão dos Resultados……………………………………………………………………………. 73 5.1. Índice de Massa Corporal e Actividade Física….…………………………………………… 73 5.2. Frequência Alimentar…………………………………………………………………………… 756. Conclusões................................................................................................................................. 797. Referências Bibliográficas........................................................................................................ 83 VII
  • 6. Índice de FigurasFigura 1: Distribuição dos sujeitos por anos de escolaridade………………………………………... 55 IX
  • 7. Índice de Quadros Pág.Quadro 1: Principais diferenças e semelhanças entre actividade física e exercício............................... 33Quadro 2: Distribuição dos sujeitos por idade........................................................................................... 55Quadro 3: Características da amostra…………………………………………………..... . . . . . . . . . . . . . 61Quadro 4: Associação do IMC (2 pontos de corte) por género…............................................................ 61Quadro 5: Coeficiente de correlação de Spearman entre o IMC e o género………….......................... 62Quadro 6: Índice AF…………………………………………………………………………………... 62Quadro 7: Associação do índice de AF pelo IMC e género – Pouco activos........................................... 63Quadro 8: Associação do índice de AF pelo IMC no mesmo género – Pouco activos............................. 63Quadro 9: Associação do índice de AF pelo IMC e género – Moderadamente activos......................... 64Quadro 10: Associação do índice de AF pelo IMC no mesmo género – Moderadamente activos….... 64Quadro 11: Associação do índice de AF pelo IMC e género – Muito activos……………..................... 65Quadro 12: Associação do índice de AF pelo IMC no mesmo género – Muito activos…………....... 65Quadro 13: Coeficiente de correlação de Spearman entre a AF e o género………………................ 66Quadro 14: Coeficiente de correlação de Spearman entre o IMC e o índice de AF................................ 66Quadro 15: Número de refeições total....................................................................................................... 66Quadro 16 – Refeições discriminadas.......................................................................................................... 67Quadro 17: Associação do nº refeições por ponto de corte IMC............................................................. 68Quadro 18: Análise do IMC por nº refeições.............................................................................................. 68Quadro 19: Análise do nº refeições por grupo de índice de AF............................................................... 69Quadro 20: Coeficiente de correlação de Spearman entre o número de refeições total com o índicede AF e o IMC………………………………………………………………………………………………..... 69 XI
  • 8. Índice de AbreviaturasACSM American College of Sports MedicineAF Actividade FísicaAHA American Heart AssociationAPA American Psychiatric AssociationDP Desvio PadrãoEUA Estados Unidos da AméricaFIMS Fédération Internationale de Médicine SportiveICSSPE International Council of Sport Sciences and Physical EducationIMC Índice de Massa CorporalKcal QuilocaloriasKg Quilogramam Metronº NúmeroOMS Organização Mundial de SaúdeSPEO Sociedade Portuguesa para o Estudo da ObesidadeSPSS Statistical Package for the Social SciencesUSDHHS United States Department of Health and Human ServicesWHO World Health OrganizationX2 Qui-Quadrado XIII
  • 9. Resumo Com o presente estudo pretendeu-se, partindo dos dados recolhidos,conhecer os valores do índice de massa corporal dos alunos estudados, osseus níveis de actividade física e verificar a existência de relações entre osobrepeso/obesidade, a actividade física e o número de refeições. A amostra do estudo é constituída por 886 alunos de cinco concelhosdiferentes: Boticas (155), Braga (89), Marco de Canaveses (178), Mirandela(376) e Trofa (88). Os níveis de escolaridade dos indivíduos estãocompreendidos entre o 6º e o 10º anos de escolaridade e as idades dosinquiridos variam entre os 12 e os 19 anos. À nossa amostra foram aplicados os pontos de corte da definição deexcesso de peso e obesidade de Cole et al. (2000), para as diferentes idades epara cada género. Para a avaliação da actividade física foi utilizado umquestionário desenvolvido por Telama et al. (1997) que já foi aplicado àpopulação portuguesa por Ledent et al. (1997). A frequência alimentar diária foianalisada adicionando uma pergunta ao questionário utilizado para a avaliaçãoda actividade física. A análise estatística foi efectuada em SPSS 14.0, tendo sido calculada apercentagem de indivíduos, de ambos os géneros, com excesso de peso e compeso normal em diferentes grupos etários e as percentagens dos níveis deactividade física e do número de refeições, nos diferentes grupos de IMC, paraos dois géneros. Para determinar as diferenças, entre as proporções deindivíduos nos diferentes grupos, utilizou-se o teste do Qui-Quadrado (X2). Acorrelação entre o índice de massa corporal, o índice de actividade física, ogénero e o número de refeições foi calculada a partir do coeficiente de XV
  • 10. correlação de Spearman. Os resultados obtidos mostraram que a percentagem de indivíduos comexcesso de peso é superior nos rapazes relativamente às raparigas. Por outrolado, os rapazes apresentam índices superiores de actividade física em relaçãoàs raparigas. No que diz respeito ao índice de massa corporal, este parece serinfluenciado pelo número de refeições. Relativamente ao número de refeições, os resultados do nosso estudosugerem que quanto mais elevado o índice de actividade física dos indivíduos,maior o número de refeições realizadas por eles. Em síntese, os dados do nosso estudo parecem evidenciar uma relaçãoentre o índice de massa corporal, a actividade física e o número de refeições.Palavras chave: ÍNDICE DE MASSA CORPORAL; ACTIVIDADEFÍSICA; FREQUÊNCIA ALIMENTAR; ADOLESCENTES. XVI
  • 11. Abstract With the present study it was intended, going from the collected data, toknow the values of the body mass index of the studied students, their levels ofphysical activity and to verify the existence of relationships between theoverweight/obesity, the physical activity and the number of meals. The sample of the study is constituted by 886 students of five differentcouncils: Boticas (155), Braga (89), Marco de Canaveses (178), Mirandela(376) and Trofa (88). The levels of education are between the 6th and the 10thgrade and the ages of those inquired fluctuate between the 12 and the 19years. It was applied to our sample, the points of cut of the definition ofoverweight and obesity of Cole et al. (2000), for the different ages and for eachgender. For the evaluation of the physical activity a questionnaire was useddeveloped by Telama et al. (1997) that was already applied to the Portuguesepopulation by Ledent et al. (1997). The daily alimentary frequency was analyzedadding a question to the questionnaire used for the evaluation of the physicalactivity. The statistical analysis was computed in SPSS 14.0, having beencalculated the individuals’ percentage, of both genders, with overweight andwith normal weight in different age groups, and the percentages of the physicalactivity levels and of the number of meals, in the different groups of IMC, for thetwo genders. To determine the differences, among the individuals proportionsin the different groups, the test of the Qui-square was used (X2). The correlation XVII
  • 12. among the body mass index, the physical activity index, the gender and thenumber of meals was calculated using the Spearman’s coefficient of correlation. The obtained results showed that the individuals percentage withoverweight is superior in the boys relatively to the girls. On the other hand, theboys present superior physical activity indexes in relation to the girls. In what concerns the body mass index, this seems to be influenced bythe number of meals. Relatively to the number of meals, the results of our study suggest thatthe higher the index of physical activity of the individuals, the higher the numberof meals accomplished by them. In synthesis, the data of our study seem to evidence a relationshipamong the body mass index, the physical activity and the number of meals.KEYWORDS: BODY MASS INDEX; PHYSICAL ACTIVITY; DIETARYFREQUENCY; ADOLESCENTS. XVIII
  • 13. Résumé Avec présente étude il sest prétendu, en partant des donnéesrassemblées, connaître les valeurs de lindice de masse corporelle des élèvesétudiés, leurs niveaux dactivité physique et vérifier lexistence de relations entrele poids excessif/obésité, lactivité physique et le nombre de repas. Léchantillon de létude est constitué par 886 élèves de cinq communesdifférentes : Boticas (155), Braga (89), Marco de Canaveses (178), Mirandela(376) et Trofa (88). Les niveaux de scolarité des personnes sont compris entrela 6º et la 10º années de scolarité et les âges enquêtés varient entre les 12 et19 années. À notre échantillon ont été appliqués les points de coupe de la définitiondexcès de poids et lobésité de Cole et al. (2000), pour les différents âges etpour chaque type. Pour lévaluation de lactivité physique a été utilisé unquestionnaire développé par Telama et al. (1997) que déjà a été appliqué à lapopulation portugaise par Ledent et al. (1997). La fréquence alimentairequotidienne a été analysée en ajoutant une question au questionnaire utilisépour lévaluation de lactivité physique. Lanalyse statistique a été effectuée dans SPSS 14.0, en ayant étécalculé le pourcentage de personnes, des tous les deux les types, avec delexcès de poids et avec je pèse normal dans de différents groupes étaires etles pourcentages des niveaux dactivité physique et du nombre de repas, nousdifférents groupes dIMC, pour les deux types. Pour déterminer les différences,entre les proportions de personnes nous différents groupes, lessai a utilisé duQui-Quadrado (X2). La corrélation entre lindice de masse corporelle, lindice XIX
  • 14. dactivité physique, le type et le nombre de repas a été calculé à partir ducoefficient de corrélation de Spearman. Les résultats obtenus ont montré que le pourcentage de personnes avecexcès de poids est supérieur nous jeunes à légard des jeunes filles. Dautrepart, les jeunes présentent des indices supérieurs dactivité physiqueconcernant les jeunes filles. En ce qui concerne à lindice de masse corporelle, celui-ci semble êtreinfluencé par le nombre de repas. À légard du nombre de repas, les résultats de notre étude suggèrentque plus élevé lindice dactivité physique des personnes le plus grand lenombre de repas réalisés par eux. Dans synthèse, les données de notre étude semblent prouver unerelation entre lindice de masse corporelle, lactivité physique et le nombre derepas.MOTS-CLEF: INDICE DE MASSE CORPORELLE; ACTIVITEPHYSIQUE; FREQUENCE ALIMENTAIRE; ADOLESCENTS. XX
  • 15. 1 - INTRODUÇÃO
  • 16. Introdução1. Introdução Ao longo dos tempos, o desporto tem sofrido uma evolução significativa,a ponto de se constituir num dos grandes temas da nossa época. A actividadefísica é inerente ao homem, sendo um legado inequívoco de milhares de anos. A par das evidências de que o homem contemporâneo utiliza cada vezmenos as suas potencialidades corporais e de que o baixo nível de actividadefísica é factor decisivo no desenvolvimento de doenças degenerativas,sustenta-se a hipótese da necessidade de se promoverem mudanças no seuestilo de vida, levando-o a incorporar a prática de actividades físicas no seuquotidiano, bem como da melhoria dos seus hábitos alimentares (Assumpçãoet al., 2000; Manore et al., 2000). Alguns autores (Paffenbarger et al., 1993; Almeida, 2001) atribuemconsistência à hipótese de que a actividade física, quando inserida num estilode vida saudável, permite aumentar a esperança de vida, provavelmentedevido ao efeito redutor do exercício sobre as causas de mortalidade. É pois indispensável que o indivíduo adquira hábitos de um estilo de vidaactivo, de modo a ter uma vida mais saudável, produtiva, lúdica e de fruiçãodos tempos de lazer. Segundo Costa (1997), nunca a saúde foi tão referenciada e interligadaà actividade física, podendo constatar-se que as pessoas cada vez mais avêem como um meio de melhoria dos níveis de saúde, de bem-estar físico,mental e social e de obtenção de hábitos de vida saudável. Embora não existam evidências definitivas acerca das causas e efeitosda relação entre um aumento da actividade física habitual e os benefíciosesperados para a saúde, há pelo menos um conjunto de informaçõesRicardo Silva 23
  • 17. Introduçãosuficientemente importantes para admitir que estilos de vida activos, emconjugação com outras componentes positivas, podem ser benéficos para asaúde (Blair, 1993; Montoye et al., 1996; Powell e Pratt, 1996; Sardinha et al.,1999 e Bonafonte, 2001). Umas destas componentes positivas que se pode mostrar decisiva ebenéfica para o indivíduo é a nutrição (Martínez, 1998). A nutrição pode ser definida como o conjunto dos processos de ingestãoe conversão das substâncias alimentares em nutrientes que possam serusados para manter as funções corporais. Os nutrientes podem ser usadoscomo fonte de energia (hidratos de carbono, lípidos e proteínas), para sintetizare reparar tecidos (proteínas, lípidos e minerais), para sintetizar e manter osistema esquelético (cálcio, fósforo e proteínas) e para regular a fisiologiacorporal (vitaminas, minerais, lípidos, proteínas e água). Não existe dúvida alguma de que aquilo que o indivíduo ingere podeafectar a sua saúde, o seu peso e composição corporal e a disponibilidade desubstratos durante a actividade física (Clark, 1994; Manore et al., 2000). Actualmente a relação saúde-nutrição é cada vez mais estreita, tendo ainvestigação permitido a descoberta de novas substâncias nos alimentos ounutrientes já conhecidos como aminoácidos, vitaminas e minerais que, emdeterminadas doses, previnem e tratam várias doenças (Garambone, 2000). A nutrição não é essencial só para o bom funcionamento do organismohumano, ela é essencial no tratamento de vários doenças como a diabetes,problemas gastrointestinais, assim como em distúrbios psiquiátricos docomportamento, na dependência de drogas e em alguns tipos de doenças denatureza mental.Ricardo Silva 24
  • 18. Introdução Os indivíduos devem assegurar uma dieta saudável, variada e realizaruma correcta hidratação em termos de quantidade e qualidade, antes, durantee após a actividade física, exigindo-se adequadas quantidades de glícidos,proteínas, lípidos, vitaminas, sais minerais e água (Foods, Nutrition and SportsPerformance, 1992; Kirkendall, 1993; Manore et al., 2000). Se o aporte dietético não for de encontro às necessidades nutricionaisoriginadas pela actividade física, a prática desportiva poderá influenciarnegativamente o desenvolvimento e a maturação biológica dos indivíduos,impedindo o normal desenvolvimento muscular, afectando o desempenhocognitivo (Beals, 2001). Uma adequada nutrição tem sido associada com vários factoresbenéficos à saúde, tais como, uma diminuição dos factores de riscocardiovasculares, diabetes não insulino-dependente e baixo índice de massacorporal (USDHHS, 2001; WHO, 1998). A actividade física tem sido associada a estes benefícios para a saúde eé também associada a um aumento da força muscular e resistência aeróbia,estrutura óssea mais forte, níveis de ansiedade e stress mais baixos e melhoriada autoconfiança (USDHHS, 2002). Os hábitos nutricionais e de actividade física são estabelecidos durantea infância e continuam até à idade adulta (Crespo et al., 2001). Deste modo,alimentação saudável e actividade física durante a infância e a adolescênciatêm o potencial de diminuir o risco de inúmeras doenças crónicas na idadeadulta (Kelder et al., 1994). Contudo, muitos adolescentes não sãosuficientemente activos para alcançar benefícios para a sua saúde, e muitosnão são sequer activos. A juventude está a passar mais tempo a ver televisão,Ricardo Silva 25
  • 19. Introduçãojogar videojogos e a usar o computador, e estes comportamentos sedentáriosestão positivamente associados ao excesso de peso (Crespo, et al. 2001). Talfacto é, certamente, devido à substituição da actividade física e do dispêndioenergético por actividades sedentárias e intakes energéticos aumentados. A prevalência do excesso de peso em adolescentes está a aumentar(Miech et al., 2006) a um ritmo muito superior ao dos adolescentes comsubpeso. A média nacional norte-americana de adolescentes com sobrepeso(15,5%) é aproximadamente o triplo da verificada no final dos anos 70 (Ogdenet al., 2002). Existem diferentes comportamentos e consequências para a saúdederivadas quer do sobrepeso ou subpeso quando comparados comadolescentes de peso normal (APA, 1994). Os argumentos apresentados parecem-nos justificar a realização dopresente trabalho, tal estudo poderá permitir coligir um conjunto de informaçõescuja consciencialização, pode valorizar a intervenção futura de professores,técnicos e demais pessoas ligados à área da Actividade Física.Objectivos do estudo: 1. Conhecer os valores do índice de massa corporal dos alunos estudados e verificar a existência de sobrepeso e/ou obesidade por género; 2. Conhecer os seus níveis de actividade física habitual; 3. Verificar a existência de relações entre o sobrepeso/obesidade, a actividade física e o número de refeições.Ricardo Silva 26
  • 20. Introdução No intuito de responder aos objectivos propostos, a estrutura do trabalhointegra os seguintes sete capítulos: • Capítulo 1 – procura situar o tema e enuncia os objectivos do trabalho; • Capítulo 2 – apresenta a revisão da literatura, dividida por subcapítulos; • Capítulo 3 – inclui a metodologia utilizada, caracteriza a amostra e os procedimentos utilizados na recolha e tratamento dos dados; • Capítulo 4 – apresenta a análise dos resultados; • Capítulo 5 – apresenta a discussão dos resultados; • Capítulo 6 – enuncia as principais conclusões deste estudo; • Capítulo 7 – apresenta a bibliografia consultada ao longo deste estudo.Ricardo Silva 27
  • 21. 2- REVISÃO DA LITERATURA
  • 22. 2. Revisão da Literatura 2.1 Actividade Física A actividade física é inerente ao homem, sendo um legado inequívocode milhões de anos. Contudo, desde a necessidade de sobrevivência aosaspectos lúdicos e de fruição estética, vai um largo percurso pleno deaquisições tecnológicas e culturais. A sociedade moderna, pós-revolução industrial, cheia de novastecnologias, veio alterar o estilo de vida dos cidadãos e, por conseguinte, amagnitude, expressão e sentido das actividades corporais (que são cada vezmais reduzidas), implicando uma redução substancial no esforço físico. A conquista de mais tempo livre parece ter seduzido as sociedadesindustrializadas a desenvolver o sedentarismo, aumentando assim o risco deaquisição de sérios problemas de saúde. A par das evidências de que o homem contemporâneo utiliza cada vezmenos as suas potencialidades corporais e de que o baixo nível de actividadefísica é factor decisivo no desenvolvimento de doenças degenerativas,sustenta-se a hipótese da necessidade de se promoverem mudanças no seuestilo de vida, levando-o a incorporar a prática de actividades físicas no seuquotidiano. Nessa perspectiva, o interesse em conceitos como “ActividadeFísica”, “Estilo de Vida” e “Qualidade de Vida” tem vindo a adquirir relevância,levando à produção de vários trabalhos científicos. Desta forma, constitui-seum movimento no sentido de valorizar acções voltadas para a determinação eoperacionalização de variáveis que possam contribuir para a melhoria do bem-estar do indivíduo por meio do incremento do nível de actividade física habitualda população (Assumpção et al., 2000).Ricardo M. T. Silva 31
  • 23. Revisão da Literatura O estudo da actividade física tem sido percorrido por diferentes vias,nomeadamente a sociocultural, a psicológica e a biológica. A explosão depesquisas centradas no paradigma epidemiológico surge a partir da informaçãocada vez mais sólida de que a inactividade e o sedentarismo aumentam amortalidade e reduzem a longevidade (Bouchard e Shephard, 1994). A longevidade permite avaliar o estado de saúde de um indivíduo. Daíser um facto que pessoas fisicamente activas vivam mais tempo do queaquelas que levam uma vida sedentária (inactividade). Isto significa que osbenefícios da actividade física diminuem os riscos de morte (Blair, 1993;Montoye et al., 1996; Powell e Pratt, 1996; Sardinha et al., 1999 e Bonafonte,2001). Apesar do reconhecimento universal do efeito positivo do exercício físicona qualidade de vida, a investigação científica sugere que a prática regular esistemática de exercício físico, quando inserida num estilo de vida saudável,permite aumentar a esperança de vida ao diminuir as taxas de mortalidade emorbilidade (Paffenbarger et al., 1993; Bonafonte, 2001). É pois indispensável que o indivíduo adquira hábitos de um estilo de vidaactivo, de modo a ter uma vida mais saudável, produtiva, lúdica e de fruiçãodos tempos de lazer. Em investigações de carácter epidemiológico tem sido usual mencionarde forma sinónima actividade física e exercício físico. Contudo, também comoreferem Casperson et al., (1985), há que clarificar os dois conceitos para evitarconfusões desnecessárias. Como tal, podemos observar no quadro n.º 1 asprincipais semelhanças e diferenças existentes entre os conceitos deactividade física e de exercício físico.Ricardo M. T. Silva 32
  • 24. Revisão da Literatura Quadro n.° 1 - Principais diferenças e semelhanças entre actividade física e exercício (adaptado de Casperson et aI., (1985). Actividade Física Exercício Físico Qualquer movimento corporal realizado - Movimento corporal, realizado pelos músculos esqueléticos, pelos músculos esqueléticos; planeado, estruturado e repetitivo; Resulta em dispêndio energético; Resulta em dispêndio energético; A energia despendida (Kcal) varia, de A energia despendida (Kcal) varia, de uma forma uma forma contínua, de níveis baixos até contínua, de níveis baixos até níveis mais elevados; níveis mais elevados; Positivamente relacionada com a aptidão física; Positivamente relacionada com a aptidão O objectivo é manter ou aumentar os valores das física componentes da aptidão física. 2.1.1. Os Benefícios da Actividade Física Falar dos benefícios da actividade física torna-se ao mesmo tempo fácil e difícil. Fácil porque é reconhecido por todos o papel que ela pode desempenhar na vida da criança, do jovem ou do adulto; difícil porque existem alguns aspectos sobre a sua prática que não são consensuais. Almeida (2001) refere que apesar dos benefícios documentados na literatura sobre a actividade física na saúde na idade adulta, a grande dificuldade tem sido influenciar o comportamento das crianças e jovens para manterem um comportamento activo e dinâmico ao longo das suas vidas. Ou seja, não estão ainda completamente resolvidas questões como: que género de actividade física se deve fornecer às crianças e jovens para que esta se mantenha pela vida fora e que quantidade e qualidade de actividades físicas são necessárias para que se produzam benefícios na saúde. Embora não existam evidências definitivas acerca das causas e efeitos da relação entre um aumento da actividade física habitual e os benefícios esperados para a saúde, há pelo menos um conjunto deRicardo M. T. Silva 33
  • 25. Revisão da Literatura informações suficientemente importantes para admitir que estilos de vida activos, em conjugação com outras componentes positivas, podem ser benéficas para a saúde (Blair, 1993; Montoye et al., 1996; Powell e Pratt, 1996; Sardinha et al., 1999 e Bonafonte, 2001). Sallis (1993) observou que, entre os 6 e os 16 anos de idade, ocorre uma redução de actividade de cerca de 2,7% e 7,4%, por ano, para rapazes e raparigas, respectivamente, tendendo as raparigas a ser 15% a 25% menos activas que os rapazes. Este facto aponta as raparigas como uma população em risco de diminuir os níveis de actividade física, o que poderá marcar os seus hábitos de actividade física na vida adulta. O objectivo principal do aumento da actividade física durante a infância não é produzir benefícios na saúde, mas iniciar um padrão de comportamento que será seguido também na vida adulta, idade em que os hábitos comportamentais têm demonstrado produzir efeitos sobre a saúde (Malina e Bouchard, 1991; Lopes et al., 2003). Enquanto que para alguns deverá preferir-se actividades que se aproximam mais das actividades dos adultos, como por exemplo o “jogging”, a natação e o ciclismo, para outros estas actividades, que se ajustam ao tempo e às condições, isto é, às oportunidades do adulto, são aborrecidas para os mais jovens que preferem os jogos e os desportos de equipa (Haywood, 1991). Matsudo et al. (2002) afirmam que os principais benefícios para a saúdeque advêm da prática de actividade física referem-se aos aspectosantropométricos, neuromusculares, metabólicos e psicológicos. Os efeitosmetabólicos apontados pelos autores são o aumento do volume sistólico, oRicardo M. T. Silva 34
  • 26. Revisão da Literaturaaumento da potência aeróbia, o aumento da ventilação pulmonar, a melhoriado perfil lipídico, a diminuição da pressão arterial, a melhoria da sensibilidade àinsulina e a diminuição da frequência cardíaca em repouso e no trabalhosubmáximo. Em relação aos efeitos antropométricos e neuromuscularesocorre, segundo os autores, a diminuição da gordura corporal, o incremento daforça e da massa muscular, da densidade óssea e da flexibilidade. De acordo com Cruz (1996), a prática de exercício físico e de actividadefísica também acarretam benefícios psicológicos evidentes, influenciandopositivamente a auto-estima e a imagem corporal, o funcionamento cognitivo, oaumento das percepções de controlo e a auto-eficácia pessoal bem como, amelhoria da auto-confiança. Para Sallis e Mckenzie (1991), a Educação Física deve concentrar-se napromoção do desenvolvimento de padrões de actividade física habitual fora dasaulas, que tenham o potencial de continuidade na idade adulta. A EducaçãoFísica Escolar, que é concebida com o objectivo de promover uma vida activa,deve igualmente realçar capacidades de movimento, úteis para os desportosde equipa na infância e para outras actividades mais comuns na idade adulta. O American College of Sport Medicine (1993) defende que, se estamosinteressados em estabelecer padrões de actividade física habitual quepromovam a saúde, em vez de promover a boa aptidão física, há indícios quesuportam a hipótese de que as actividades de intensidade moderada são umalvo de intervenção particularmente desejada. As recomendações para a prática de actividades moderadas nãopretendem desencorajar as crianças a envolverem-se em exercícios vigorosos,mas sim ampliar o leque de actividades a serem consideradas promotoras daRicardo M. T. Silva 35
  • 27. Revisão da Literaturasaúde, de modo a que estas tenham mais opções no desenvolvimento de umpadrão de actividade física habitual, que satisfaça as suas necessidades. Desta forma, segundo Almeida (2001), a preocupação fundamentaltraduzir-se-á numa actuação que permitirá à criança ou jovem adquirirconhecimentos e atitudes que o possam ajudar a manter hábitos de actividadefísica regular com repercussões na sua vida. 2.1.2. Relações entre Actividade Física/ Aptidão Física e Saúde Recentemente, a relação entre actividade física e saúde vem sendogradualmente substituída pelo enfoque da qualidade de vida, o qual tem sidoincorporado no discurso da Educação Física e das Ciências do Desporto. Temtido na relação positiva estabelecida entre actividade física e melhores padrõesde qualidade de vida, a sua maior expressão (Assumpção et al., 2000). Fora dos círculos académicos, os meios de comunicaçãoconstantemente veiculam informações a respeito da necessidade do homemcontemporâneo melhorar a sua qualidade de vida por meio da adopção dehábitos mais saudáveis no seu quotidiano. Um dos principais objectivos das políticas de saúde pública é o deincrementar a prática de actividades físicas, enquanto promotoras da aptidãofísica com vista à melhoria da saúde, sendo a Educação Física um veículofundamental para a realização desse objectivo, sobretudo no que diz respeitoàs crianças (Almeida, 2001). Segundo Blair (1993), relativamente à actividade física e à aptidão físicarelacionada com a saúde, podemos ainda realçar os seguintes aspectos:Ricardo M. T. Silva 36
  • 28. Revisão da Literatura • Constatação da inactividade como um factor de risco para a saúde; • Importância de uma consciencialização individual e pública dos benefícios da actividade física na construção de um estilo de vida saudável, • Importância da intervenção dos vários níveis e organismos sociais na divulgação/promoção e implementação de programas de actividade física; • Necessidade de aumentar o número de indivíduos a praticar actividades físicas; • Necessidade de procurar determinar qual a intensidade mínima de actividade física que leve à obtenção de benefícios para a saúde. Entidades ligadas à Educação Física e às Ciências do Desporto, como aOrganização Mundial de Saúde (OMS), o Conselho Internacional de Ciênciasdo Desporto e Educação Física (ICSSPE), o Centro de Controlo e Prevençãode Doença - USA (CDC), o Colégio Americano de Medicina Desportiva(ACSM), a Federação Internacional de Medicina Desportiva (FIMS) e aAssociação Americana de Cardiologia (AHA), preconizam que sessões de trintaminutos de actividades físicas por dia, na maior parte dos dias da semana,desenvolvidas continuamente ou mesmo em períodos cumulativos de 10 a 15minutos, em intensidade moderada, já são suficientes para a promoção dasaúde (Matsudo et al., 2002). O relatório do Surgeon General (U.S. Department of Health and HumanServices, 1996), sugere que as pessoas de todas as idades, homens emulheres, beneficiam de actividade física regular. Alguns benefícios de saúdeRicardo M. T. Silva 37
  • 29. Revisão da Literaturasignificativos podem ser obtidos por uma quantidade moderada de actividadefísica (por exemplo, 30 minutos de andar vivo ou apanhar folhas do jardim, 15minutos de corrida, ou 45 minutos a jogar voleibol) na maioria, se não em todosos dias da semana. Benefícios de saúde adicionais podem ser obtidos commaiores quantidades de actividade física. Pessoas que possam manter umregime regular de actividade de duração mais longa ou de intensidade maisvigorosa poderão retirar maiores benefícios. Ainda o mesmo relatório do Surgeon General (1996), torna claro que osbenefícios na saúde da actividade física não são limitados aos adultos. Aparticipação regular em actividade física durante a infância e adolescência: - Ajuda a formar e a manter os ossos, músculos e articulações saudáveis; - Ajuda a controlar o peso, a formar massa magra (músculo), e reduz a gordura; - Previne ou retarda o desenvolvimento de pressões sanguíneas altas e ajuda a reduzir a pressão sanguínea em alguns adolescentes com hipertensão; - Reduz sentimentos de depressão e ansiedade. Assim, um dos maiores benefícios da actividade física, relacionada coma saúde, é o facto das crianças e jovens fisicamente activos apresentaremtendências para serem adultos activos. Benefícios adicionais para a saúde,podem ser obtidos com o aumento da actividade física, e é hoje reconhecidoque os maiores ganhos para a saúde se adquirem quando se passa de umasituação de inactividade física para moderadamente activo (Pate et al., 1999).Ricardo M. T. Silva 38
  • 30. Revisão da Literatura 2.2 Alimentação 2.2.1. Padrão Alimentar Saudável Para Peres (2003), os alimentos necessários para um dia devemrepartir-se por várias refeições para que os intervalos entre elas não sejamlongos. Não tomar o primeiro almoço e intervalar muito as refeições acarretavários problemas: hipoglicemia; os sintomas podem ser variados e inclusivesimular crises de tensão arterial ou acompanharem-se mesmo de abaixamentoda tensão arterial, cansaço, esvaimento, visão turva, transpiração excessiva,perda de força muscular, cisão de movimentos e de linguagem, enjoos evómitos. Este mesmo autor, aponta para que a hipoglicemia possa induzir quebrade atenção na escola com prejuízo para o aproveitamento; e de eficácia nasegurança de movimentos. Não tomar o primeiro almoço e passar horas e horas sem comer obrigao organismo a dois balanços metabólicos desfavoráveis: o primeiro consiste emusar as suas proteínas estruturais para, a partir delas, produzir alguma glicoseque minore a hipoglicemia; o segundo, consequente ao elevado valorenergético das refeições que se fazem para compensar a hipoglicemia, traduz-se em armazenamento no tecido adiposo, depois de transformadas emgordura, das calorias ingeridas que excedem as necessidades (Peres, 2003). As consequências finais são, portanto, desnutrição protéica (perda dotecido muscular, da matriz protéica dos ossos, envelhecimento cutâneo, etc.) eaumento da gordura corporal armazenada.Ricardo M. T. Silva 39
  • 31. Revisão da Literatura Estudos anteriores demonstraram uma relação inversa entre afrequência do número de refeições e a prevalência de sobrepeso e obesidadenos indivíduos (Toschke et al., 2005). Estes mesmos autores revelaram um efeito protector de uma frequênciaalimentar aumentada, relativamente ao número de refeições, o qual aparentaser independente de outros factores de risco da obesidade pediátrica. Ascausas para tal facto poderão ser três: 1. uma termogénese diária aumentada devido a um maior número de refeições; 2. diferentes níveis de actividade física entre nibblers (comem pouco de cada vez e muitas vezes ao dia) e gorgers (comem muito de uma vez e poucas vezes ao dia); 3. metabolismo da insulina (baixos níveis de concentração desta hormona após o regime nibbler). Esta associação entre um número elevado de refeições e a diminuiçãoda obesidade e sobrepeso pediátricos sublinha a importância dos padrões deingestão alimentar durante a infância. O negligenciar refeições poderá não sero melhor método para reduzir o risco de obesidade nas crianças (Toschke etal., 2005). Existem algumas normas práticas que, se seguidas, poderão contribuirpara o chamado padrão alimentar saudável (Peres, 2003): - Logo após acordar, ou pouco depois, tomar sempre um verdadeiro primeiro almoço completo, variado, equilibrado e ajustado caloricamente às necessidades;Ricardo M. T. Silva 40
  • 32. Revisão da Literatura - Comer a intervalos médios de 3 horas e meia. Se a manhã for longa merendar a meio. Merendar à tarde e, eventualmente, cear, de modo a não passar mais de 10 horas nocturnas sem comer; - Mastigar e ensalivar bem tudo o que se come; - Utilizar leite ou seus substitutos nas quantidades ajustadas às necessidades de cada período de vida; - Abusar de hortaliças, legumes e frutas em natureza (43% do peso dos alimentos a ingerir diariamente devem ser destes grupos alimentares); - Afastar bebidas alcoólicas de crianças, adolescentes, grávidas e aleitantes; - Restringir francamente a utilização de óleos, gorduras, alimentos gordos e produtos industrializados ricos em gordura; - Eliminar ou reduzir drasticamente o gasto de sal na cozinha e conservação de alimentos e rejeitar refeições prontas e produtos industrializados salgados; - Preferir pão e produtos cerealíferos mais grosseiros; - Reduzir deliberadamente o uso de açúcar; - Adoptar uma alimentação completa, equilibrada e variada de acordo com a Roda dos Alimentos; - Consumir a quantidade necessária de comida tendo em atenção ajustar o fornecimento calórico às necessidades do organismo; - Beber água potável em quantidades liberais para que a diurese se mantenha abundante.Ricardo M. T. Silva 41
  • 33. Revisão da Literatura A alimentação saudável não depende apenas de conhecer e satisfazeras necessidades nutricionais do organismo. Depende também da boa utilizaçãoe do equilíbrio entre os alimentos que satisfazem aquelas necessidades. Porisso, não existe apenas um padrão alimentar saudável, são possíveis vários,tão diferentes como japoneses rurais ou europeus mediterrânicos, desde quecumpram algumas condições (Peres, 2003): 1. Ajuste perfeito do valor energético da alimentação às características biológicas de cada um, diferentes necessidades das fases sucessivas do ciclo da vida, estatura, actividade física e clima; 2. Distribuição repartida da comida necessária por várias refeições a intervalos de 3 a 4 horas, com o cuidado de um primeiro almoço suficiente, completo e equilibrado, e atendendo a que o jejum nocturno não deve ultrapassar 10 horas; 3. Equilíbrio perfeito entre fontes alimentares de energia de acordo com o referido padrão nutricional adequado; 4. Equilíbrio entre grupos de alimentos nas proporções sugeridas pela Roda dos Alimentos; 5. Utilização de alimentos de boa qualidade higiénica; 6. Adopção de preparações culinárias simples e gastronómicas que combinem alimentos e temperos de forma agradável e fácil de digerir, sem destruição de nutrimentos, com pouco ou nenhum sal e sem adulterar as gorduras usadas para cozinharRicardo M. T. Silva 42
  • 34. Revisão da Literatura 2.2.2. Hábitos Alimentares e Necessidades Energéticas deAdolescentes As necessidades energéticas são elevadas durante a adolescência eincluem três componentes principais: o custo energético da taxa demetabolismo basal, o custo do crescimento diário e o custo da actividade física,que varia em intensidade e duração. A actividade física é composta poractividade básica na escola (mais ou menos comparável para cada grupoidade/género) e por uma actividade física e/ou desportiva altamente variávelpara cada indivíduo (Cavadini et al., 2000). Dois importantes comportamentos ligados aos estilos de vida estãoobviamente aliados ao balanço energético: o nível de actividades físicas edesportivas (Pate et al., 1996; Deheeger et al, 1997) e os hábitos nutricionais –intake energético deve estar de acordo com o gasto energético. Considerando a prevalência do sobrepeso e obesidade em diferentespaíses e o potencial risco do desenvolvimento a longo prazo de doençascardiovasculares, é de supor que o gasto e o intake energético não estão emequilíbrio para uma crescente parte da população (Seidell, 1995). As três principais refeições são consumidas pela maioria dosadolescentes suiços (95%) e 90% realiza um lanche a meio da tarde até aos 15anos. Os lanches a meio da manhã são praticados por 60 a 80% dosadolescentes, enquanto que durante a tarde chega aos 80-90% e à noite (ceia)decresce para os 45-65%. Relativamente à actividade física, 69% dos rapazese 48% das raparigas a frequentar o 8º ano realizavam uma actividadedesportiva 2 a 3 vezes por semana, valor que diminui respectivamente paraRicardo M. T. Silva 43
  • 35. Revisão da Literatura56% e 38% para os adolescentes do 10º e 11º ano (15 anos ou mais de idade)(Cavadini et al., 2000). Comparativamente aos países nórdicos (Dinamarca, Noruega, Islândia,Finlândia e Suécia), o estudo de Samuelson (2000) mostrou que o primeiroalmoço é regularmente “saltado” pelos adolescentes (13-18 anos de idade). Amaioria (50%) na Finlândia e Suécia não consome o almoço gratuitamentefornecido nas escolas preferindo as sanduíches, leite com cereais ou iogurtes.Na Dinamarca, os adolescentes trazem uma refeição à base de pão para aescola, todos os dias. Na Noruega também trazem sanduíches mas, na escolao leite é gratuito, assim como a fruta e os vegetais. Os lanches e snacks,durante os dias da semana e até mesmo no fim-de-semana, são comuns emtodos os Países Nórdicos com uma tendência crescente entre os 13 e os 18anos. O jantar é consumido regularmente por 80% dos adolescentes Nórdicosentre os 13 e 18 anos de idade. No que diz respeito à actividade física, o tempodespendido, por exemplo, a praticar desporto ocupa 0,5 – 1h por dia, enquantoque o tempo em inactividade soma 9-10h por dia. No estudo que mais nos interessará (Amorim Cruz, 2000), verificou-seque os adolescentes dos países do Sul da Europa (Espanha, Itália, Portugal eGrécia) consomem 3 a 4 refeições principais e que não “saltam” o primeiroalmoço tanto como em outros países industrializados. Os “snacks” sãoconsumidos menos regularmente e a frequência de comer fora em restaurantesé menor do que nos EUA e nos países Nórdicos. No entanto, verifica-se umpadrão alimentar rico em gorduras, principalmente de ácidos gordosmonoinsaturados devido ao alto consumo de azeite. Contudo, vão-se perdendoduas das características mais importantes da chamada dieta mediterrânicaRicardo M. T. Silva 44
  • 36. Revisão da Literatura(baixo consumo de ácidos gordos saturados e alto consumo de hidratos decarbono complexos) devido ao aumento do consumo de carne, produtoslácteos, confeitaria, óleos e gorduras e devido à diminuição do consumo de pãoescuro a favor do chamado pão branco. No geral, os adolescentes do Sul daEuropa apresentam uma elevada prevalência de sobrepeso e obesidade comuma percentagem à volta dos 15-25%, que se apresenta superior à encontradanos países Nórdicos, mas inferior à dos EUA. Um adolescente obeso tem fortes probabilidades de ser um adulto obeso(Dietz, 1998 e Amorim Cruz, 2000), como tal os países do Sul da Europadeveriam ter em atenção esta mudança de hábitos dos seus adolescentes, quepoderá resultar num aumento da taxa de morbilidade e mortalidade devido adoenças cardiovasculares e outras doenças crónicas em paralelo com adeterioração do estilo de vida das suas populações. O estilo de vida sedentário está extremamente envolvido na prevalênciada obesidade (Bar-Or et al., 1998), assim como, a modernização nostransportes, os aparelhos que permitem ao homem trabalhar menos e oaumento do tempo a assistir televisão (OMS/WHO, 1998; Salmon et al. 2005). A solução deverá passar pela implementação de estratégias preventivasque envolvam educação nutricional e programas de actividade física (Martínez,2000). 2.3 Obesidade Actualmente a ciência encara a obesidade como um estado patológicoque se caracteriza pelo desenvolvimento exagerado do tecido adiposo. Estaacumulação de gordura pode atingir proporções capazes de afectar a saúde,Ricardo M. T. Silva 45
  • 37. Revisão da Literaturatanto mais que, uma vez instalada, tende a autoperpetuar-se constituindo-secomo uma verdadeira doença crónica. Assim, o excesso de massa gordapropicia, por si só, maior risco de morbilidade e mortalidade (Bray, 1998;SPEO, 2001; Fisberg et al., 2004). Sabe-se hoje que há uma relação estreita entre obesidade e a diabetestipo 2, as dislipidemias, a insulinoresistência, as disfunções respiratórias(incluindo a apneia do sono) e as doenças da vesícula biliar. A OrganizaçãoMundial de Saúde (OMS) considera estas relações de risco muito elevado. Porseu lado, a doença coronária, a hipertensão arterial, a osteoartite, ahiperuricemia e a gota são consideradas relações de risco moderadamenteelevado. As associações com determinados tipos de cancro, anomaliashormonais com repercussão na reprodução, doença do ovário poliquístico,alterações da fertilidade, dor lombar, risco anestésico e defeitos fetais estãodescritas como risco ligeiramente elevado (WHO, 1998). Em termos rigorosos a classificação da obesidade deverá ter em contao valor de massa gorda, devendo esta representar 10 a 15% do peso nohomem, e 20 a 25% na mulher (WHO, 1998). Os métodos usados sãodispendiosos e mais ou menos complexos: densidade corporal,tomodensitometria, ressonância magnética nuclear e medida de potássiocorporal total, entre outros. No entanto, o Índice de Massa Corporal (IMC)(peso.altura-2) é um método que recorre a medidas simples e fornece umaavaliação satisfatória da obesidade para as necessidades clínicas eepidemiológicas (Bouchard e Blair, 1999; SPEO, 2001; Fisberg et al., 2004). Deste modo, através de um organismo apropriado, a OMSestandardizou e interpretou valores de IMC no sentido de classificar sujeitosRicardo M. T. Silva 46
  • 38. Revisão da Literaturacom sobrepeso (25-30 kg.m-2) ou obesidade (> 30 kg.m-2). Essas definiçõesestatísticas de referência fundamentam-se, também, na noção de riscoaumentado de morbilidade e de mortalidade ligados ao excesso de peso(OMS/WHO, 1998). Sabe-se hoje que a gravidade da obesidade esta ligada não só ao graucomo ao tipo morfológico da sua distribuição. Assim, relativamente à morfologiaconsideram-se dois subgrupos (WHO, 1998; SPEO, 2001): Obesidade ginóide ou periférica – a acumulação de gordura predomina na parte inferior do corpo – cinta, coxa e glúteos, manifesta-se, sobretudo, nas mulheres; Obesidade andróide ou central – a acumulação de gordura predomina no abdómen, tronco, cintura escapular e pescoço, ocorre principalmente nos homens. As investigações têm vindo a revelar que a deposição de gordura a nívelabdominal parece estar particularmente associada a um maior risco dedoenças metabólicas e cardiovasculares do que a obesidade geral. De facto,nos últimos anos tem-se demonstrado que algumas das complicações(hiperinsulinismo, hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemias, doençacardiovascular, doença vascular cerebral) estão associadas a obesidadeandróide (Goran, 1998; Flegal, 1999; Lemieux, 2001). Alguns autores referem mesmo que a gordura abdominal excessiva é,por si só, um factor preditivo independente de doença, pois esta podeacompanhar complicações metabólicas, mesmo que a sobrecarga ponderalnão seja muito elevada (Lemieux, 2001; Medina et al., 2002). Dados de praticamente todos os países industrializados, e até doRicardo M. T. Silva 47
  • 39. Revisão da Literaturaterceiro mundo, demonstram que uma grande proporção da população temexcesso de peso ou é obesa. Estima-se que exista um total de 250 milhões deadultos obesos em todo o mundo, o que representa cerca de 7% da populaçãomundial adulta. Contudo, na maior parte dos países a prevalência desobrepeso corporal (IMC entre 25 e 30 kg.m-2) é cerca de duas a três vezessuperior à da obesidade, o que significa que quase um bilião de pessoas sãoobesas ou possuem sobrepeso corporal (Seidell, 2000). Cerca de 50% dos adultos nos Estado Unidos, Canadá e mais algunspaíses da Europa Ocidental possuem IMC de 25 kg.m-2 ou superior. Nosúltimos anos a prevalência da obesidade severa duplicou nos Estados Unidos(Bouchard, 2000; Villareal et al., 2005). Actualmente, de acordo com o estudo da Sociedade Portuguesa para oEstudo da Obesidade (SPEO), também no nosso país, entre 50 e 55% dapopulação sofre de excesso de peso ponderal tendo 13 a 15% uma obesidadefranca (SPEO, 2001). O aumento dos níveis de obesidade na população adulta repercute-seagora, na infantil e juvenil (Cole et al., 2000; Raustorp et al., 2004). Resultados da literatura revelam que, de facto, durante as ultimas trêsdécadas, a incidência de crianças e adolescentes com obesidade aumentoudrasticamente em todo o mundo, incluindo países subdesenvolvidos e regiõesonde a cultura ocidental se está a propagar (Goran, 1998; Flegal, 1999; Silva etal., 2005). A obesidade, definida pela OMS como uma doença crónica, é hojeconsiderada a doença nutricional mais prevalente a nível mundial e a epidemiado século XXI. A prevalência da obesidade infantil tem aumentado muito nosRicardo M. T. Silva 48
  • 40. Revisão da Literaturaúltimos anos na maioria dos países, não existindo de momento, pela ausênciade um estudo transversal nacional representativo, a possibilidade decaracterizar com rigor a situação em Portugal (Rego et al., 2004). Correntemente, cerca de 22 milhões de crianças com menos de 5 anossão obesos (Goran, 1998; Deckelbaum e Williams, 2001). Para além desta elevada prevalência, também está descrito o facto dacriança e o adolescente com adiposidade mais acentuada apresentarem fortespropensões a tornarem-se adultos obesos (Bar-Or et al., 1998; Dietz, 1998;Goran, 1998; Amorim Cruz, 2000; Walters et al., 2000; Rego et al., 2004; Motaet al. 2006). De acordo com alguns estudos, cerca de 50% dos adolescentes obesostornam-se adultos com este estado patológico e cerca de 1/3 dos adultosobesos já o eram em crianças (Dietz, 1998). Outros investigadores referemvalores mais elevados ao afirmar que 40% das crianças obesas e 70% deadolescentes obesos tornar-se-ão adultos obesos (Bar-Or et al., 1998). Comotal, uma criança sob estas condições é motivo de preocupação para osprofissionais de saúde (Walters et al., 2000). A centralização em torno deste problema é ainda reforçada pelo facto daobesidade infantil e juvenil representar um nítido incremento de risco para adiabetes tipo 2, intolerância à glicose, maturação precoce, hipertensão eproblemas ortopédicos (Brooks et al., 1996). Em crianças, a relação entre a distribuição de gordura e factor de riscode doença ainda não está tão clarificada como está na população adulta(Maffeis et al., 2001). No entanto, estudos epidemiológicos suportam a hipótesede que, também nas crianças e adolescentes, a distribuição de gordura a nívelRicardo M. T. Silva 49
  • 41. Revisão da Literaturaabdominal poderá identificar sujeitos com maior risco para certas doenças,nomeadamente dislipidemias, concentrações adversas de insulina ehipertensão arterial (Higgings et al., 2001; Maffeis et al., 2001). Para Rego et al. (2004) é bem patente a dificuldade em abordar otratamento da obesidade pediátrica, registando-se menos adesão e maior taxade insucesso nos adolescentes. Assim sendo, este Grupo de Estudo da Obesidade Pediátrica registou asprincipais conclusões do 1º Simpósio Português sobre Obesidade Pediátricaque podem ser utilizadas como linhas gerais na prevenção e tratamento destapatologia: As organizações não governamentais deverão ter um papel activo no controle da publicidade associada à junk-food; Os programas de actividade física estruturados representam uma estratégia eficaz na promoção e incremento dos índices de actividade física diária e de prevenção do excesso de peso. O sucesso da adesão e permanência em programas de actividade física regular é influenciado e facilitado quando existe um envolvimento activo dos pais; Para se obterem benefícios para a saúde e numa situação de obesidade, provavelmente serão necessários 90 minutos de actividade diária de moderada a elevada intensidade. Sendo decisiva a actividade física no metabolismo da glicose, bem como da relação entre actividade física e agregação de factores de risco cardiovascular. Estes mesmos autores defendem que a obesidade infanto-juvenil devecomeçar a ser encarada no nosso país, à semelhança do que já acontece emRicardo M. T. Silva 50
  • 42. Revisão da Literaturaoutros países, como aquilo que realmente ela é: uma doença crónica, com umaforte estabilidade da idade pediátrica para a idade adulta, e associada aelevada comorbilidade registada já em idade pediátrica.Ricardo M. T. Silva 51
  • 43. 3- MATERIAL E MÉTODOS
  • 44. Material e Métodos3. Material e Métodos 3.1. Caracterização da Amostra A amostra do presente estudo foi constituída por 886 alunos de cincolocais diferentes do Norte de Portugal: Boticas (155), Braga (89), Marco deCanaveses (178), Mirandela (376) e Trofa (88). Os níveis de escolaridade dos indivíduos estão compreendidos entre o6º e o 10º anos de escolaridade. As idades dos inquiridos variam entre os 12 e os 19 anos. O quadro 2 apresenta o número e a idade dos alunos por sexo e natotalidade da amostra. Quadro nº2 Distribuição dos sujeitos por idade Idade dos Alunos Sexo Média DP Mínimo Máximo A.V.Masculino 14,50 1,470 12 19 12-19Feminino 14,46 1,550 12 19 12-19 Total 14,48 1,511 12 19 12-19 No gráfico seguinte, apresentamos as características da amostra no quediz respeito à sua distribuição pelos diferentes anos de escolaridade. Figura nº1 Distribuição dos sujeitos por anos de escolaridade 40 30 Percentagem 20 10 0 6ºano 7ºano 8ºano 9ºano 10ºanoRicardo M. T. Silva 55
  • 45. Material e Métodos 3.2. Índice de Massa Corporal À nossa amostra foram aplicados os pontos de corte da definição deexcesso de peso e obesidade de Cole et al. (2000), para as diferentes idades epara cada género. Devido ao facto de se encontrar uma baixa percentagem de obesos,optámos por adoptar a utilização de apenas dois grupos, num incluímos osinquiridos da nossa amostra com sobrepeso e obesidade a que demos o nomede “Excesso de peso”, os restantes foram incluídos no grupo denominado de“Peso normal”. 3.3. Actividade Física Para a avaliação da actividade física foi utilizado um questionáriodesenvolvido por Telama et al. (1997) que já foi aplicado à populaçãoportuguesa por Ledent et al. (1997). Este questionário pretende identificar as práticas físicas e desportivasextracurriculares dos inquiridos, bem como a sua frequência e intensidade. Com a pontuação obtida nas respostas a estas questões foi definido umíndice de actividade física, para nos permitir determinar o nível geral departicipação em actividades físicas dos inquiridos, apresentando uma avaliaçãode 0 a 22 que resultam do somatório dos pontos obtidos nas cinco questõesexistentes no questionário. O índice obtido foi validado por Raitakari et al.(1994). Com os resultados obtidos construíram-se quatro grupos distintos deactividade física (Ledent et al., 1997). Assim, os inquiridos que apresentavamum índice de actividade física inferior ou igual a cinco, foram classificadosRicardo M. T. Silva 56
  • 46. Material e Métodoscomo “Sedentários”; aqueles que se situaram de seis a dez, como “Poucoactivos”; os que se encontravam com valores de onze a quinze correspondemao nível “Moderadamente activos”; e os que se situam acima do índice quinzecorrespondem ao nível “Muito activos”. De acordo com a nossa amostra, a maioria dos inquiridos incluíam-seno grupo dos “Moderadamente activos”. O grupo dos “Pouco activos” e “MuitoActivos” apresentavam aproximadamente a mesma percentagem (26,7% e26,1%), pelo que decidimos agrupar o grupo “Sedentários” (3,2%) e “Poucoactivos” num só, seguindo esta última terminologia. 3.4. Frequência Alimentar Para analisar a frequência alimentar diária e quais as refeiçõesefectuadas, foi adicionada uma pergunta ao questionário utilizado para aavaliação da actividade física. No questionário poderiam ser seleccionadas seis refeições (pequeno-almoço, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia), não sendolevados em consideração eventuais “snacks” entre estas mesmas refeições. 3.5 Procedimento na recolha de dados Os dados foram recolhidos através de um questionário de auto-preenchimento aplicado aos alunos na aula de Educação Física, entreFevereiro e Março de 2006. Antes de entregar o questionário, foi explicada arazão do nosso estudo e garantido o anonimato no preenchimento e tratamentodo mesmo. 3.6. Procedimentos estatísticos Na análise estatística dos dados foi utilizado o programa SPSSRicardo M. T. Silva 57
  • 47. Material e Métodos(Statistical Package for the Social Sciences) versão 14.0, para o Windows, comos procedimentos estatísticos que a seguir se descrevem. As frequências e as percentagens das variáveis sócio-demográficascomo o género, a idade, nível de escolaridade e escola a que pertencem foramcalculadas através da estatística descritiva. Utilizamos na estatística descritiva o crosstabs para calcularmos apercentagem de indivíduos, de ambos os géneros, com excesso de peso e compeso normal em diferentes grupos etários. As percentagens dos níveis deactividade física e do número de refeições nos diferentes grupos de IMC, paraos dois géneros, foi calculada da mesma forma. Para determinar as diferenças entre as proporções de indivíduos nosdiferentes grupos utilizou-se o teste do Qui-Quadrado (X2). A correlação entre o IMC, o índice de AF, o género e o número derefeições foi calculada a partir do coeficiente de correlação de Spearman. O valor de significância estatística foi colocado em ρ≤0,05.Ricardo M. T. Silva 58
  • 48. 4- APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
  • 49. Apresentação dos Resultados 4. Apresentação dos Resultados No quadro seguinte apresentam-se as medidas descritivas da amostra estudada, referentes à idade, ao índice de massa corporal, ao índice de actividade física e ao número de refeições. Quadro nº3 Características da amostra Idade Peso altura IMC AF Número de (anos) (Kg) (metros) (Kg.m-2) refeiçõesMédia 14,48 54,67 1,67 20,92 1,96 4,55Moda 13,00 55,00 1,55 20,20 2,00 5,00Desvio Padrão 1,51 12,10 1,75 3,57 0,75 0,98Mínimo 12,00 19,00 1,30 0,02 1,00 1,00Máximo 19,00 125,4 53,50 41,52 3,00 6,00 4.1. Índice de Massa Corporal (IMC) No quadro 4 podemos verificar os resultados do IMC (com dois pontos de corte) em ambos os géneros. Quadro nº4 Associação do IMC (2 pontos de corte) por género IMC (2 pontos de corte) Total Peso normal Excesso de peso Feminino 53,90% 44,40% 52% % IMC Masculino 46,10% 55,60% 48% Masculino Nº 323 100 423 % 76,40% 23,60% 100% Feminino Nº 378 80 458 % 82,50% 17,50% 100% Total amostra Nº 701 180 881 % 79,57% 20,43% 100% X2= 5,155 ρ=0,023 Ricardo M. T. Silva 61
  • 50. Apresentação dos Resultados Verificamos que, na totalidade da amostra, temos 701 indivíduos compeso normal (79,57%) e 180 com excesso de peso (20,43%). Dentro dosgrupos “género” verificamos que 23,60% de indivíduos com excesso de pesosão rapazes e 17,50% raparigas. No que diz respeito ao IMC da amostra total,constatamos que dentro do grupo “peso normal” a percentagem de raparigas ésuperior à de rapazes (53,90% vs. 46,10%), e no grupo “excesso de peso”valores de 44,40% vs. 55,60%. O quadro 5 apresenta a análise correlacional do IMC com o género.Quadro nº5 Coeficiente de correlação de Spearman entre o IMC e o género. IMC (2 pontos corte) R 0,076 Género ρ 0,012 Como se pode verificar, existe uma correlação positiva fraca, masestatisticamente significativa, com o género. 4.2. Actividade Física No quadro 6 podemos verificar os resultados do índice de AF para aamostra total.Quadro nº6 Índice AF Percentagem Pouco activos 30,00 Moderadamente activos 44,10 Muito activos 25,80Total amostra 100,00Ricardo M. T. Silva 62
  • 51. Apresentação dos Resultados Observamos que, aproximadamente, 45% (44,10%) da amostra total é “moderadamente activa”, 30% é “pouco activa” e cerca de 26% (25,80%) é “muito activa”. O quadro 7 apresenta a associação do índice de AF pelo IMC e género para o grupo dos “pouco activos”. Quadro nº7 Associação do índice de AF pelo IMC e género – Pouco activos Índice AF IMC (2pontos de corte) Total Peso normal Excesso de peso Feminino 79,30% 60,00% 75,30% % IMCPouco activos Masculino 20,70% 40,00% 24,70% X2=8,732 ρ=0,003 No que diz respeito aos grupos de pontos de corte do IMC, constatamos que dentro do grupo “peso normal” a percentagem de raparigas é superior à de rapazes (79,30% vs. 20,70%), sendo encontrados valores no grupo “excesso de peso” de 60% vs. 40%. O quadro 8 apresenta a associação do índice de AF pelo IMC para o mesmo género no grupo dos “pouco activos”. Quadro nº8 Associação do índice de AF pelo IMC no mesmo género – Pouco activos Índice AF IMC (2pontos de corte) Total Feminino Peso normal Excesso de peso N 165 33 198 % 83,30% 16,70% 100%Pouco activos Masculino N 43 22 65 % 66,20% 33,80% 100% Total 208 55 263 X2=8,732 ρ=0,003 Verificamos que, dentro dos grupos “género” a percentagem de indivíduos com excesso de peso é superior nos rapazes relativamente às Ricardo M. T. Silva 63
  • 52. Apresentação dos Resultados raparigas (33,80% vs. 16,70%). Ou seja, quase 34% dos rapazes pouco activos têm excesso de peso, enquanto que perto de 17% das raparigas apresenta excesso de peso. O quadro 9 apresenta a associação do índice de AF pelo IMC e género para o grupo dos “moderadamente activos”. Quadro nº9 Associação do índice de AF pelo IMC e género – Moderadamente activos Índice AF IMC (2pontos de corte) Total Peso normal Excesso de peso Feminino 54,2% 43,9% 52,1%Moderadamente activos %IMC Masculino 45,8% 56,1% 47,9% X2=2,763 ρ=0,096 No que diz respeito aos grupos de pontos de corte do IMC, verificamos que dentro do grupo “peso normal” a percentagem de raparigas é superior à de rapazes (54,20% vs. 45,80%), sendo encontrados valores no grupo “excesso de peso” de 43,90% vs. 56,1%. O quadro 10 apresenta a associação do índice de AF pelo IMC para o mesmo género no grupo dos “moderadamente activos”. Quadro nº10 Associação do índice de AF pelo IMC no mesmo género – Moderadamente activos Índice AF IMC (2pontos de corte) Total Peso normal Excesso de peso Feminino N 167 36 203 % 82,30% 17,70% 100%Moderadamente activos Género Masculino N 141 46 187 % 79,00% 21,00% 100% Total 308 82 390 X2=2,763 ρ=0,096 Observamos que, dentro dos grupos “género” a percentagem de indivíduos com excesso de peso é mais uma vez superior nos rapazes relativamente às raparigas (21% vs. 17,70%). Ricardo M. T. Silva 64
  • 53. Apresentação dos Resultados No quadro 11 podemos verificar a associação do índice de AF pelo IMC e género para o grupo dos “muito activos”. Quadro nº11 Associação do índice de AF pelo IMC e género – Muito activos Índice AF IMC (2pontos de corte) Total Peso normal Excesso de peso Feminino 24,90% 25,60% 25,00%Muito activos %IMC Masculino 75,10% 74,40% 75,00% X2=0,010 ρ=0,922 No que diz respeito aos grupos de pontos de corte do IMC, constatamos que dentro do grupo “peso normal” a percentagem de rapazes é superior à de raparigas (75,10% vs. 24,90%), sendo encontrados valores no grupo “excesso de peso” de 74,40% vs. 25,60%. Estes valores para o grupo de pontos de corte de IMC estão dependentes do número de rapazes no grupo dos “muito activos” ser três vezes superior ao de raparigas (171 vs. 57). O quadro 12 apresenta a associação do índice de AF pelo IMC para o mesmo género no grupo dos “muito activos”. Quadro nº12 Associação do índice de AF pelo IMC no mesmo género – Muito activos Índice AF IMC (2pontos de corte) Total Peso normal Excesso de peso Feminino N 46 11 57 % 80,70% 19,30% 100%Muito activos Género Masculino N 139 32 171 % 81,30% 18,70% 100% Total 185 43 228 X2=0,010 ρ=0,922 Verificamos que, dentro dos grupos “género” a percentagem de indivíduos com excesso de peso é ligeiramente superior, pela primeira vez, nas raparigas relativamente aos rapazes (19,30% vs. 18,70%). Ricardo M. T. Silva 65
  • 54. Apresentação dos Resultados O quadro 13 apresenta a análise correlacional do índice de AF com ogénero.Quadro nº13 Coeficiente de correlação de Spearman entre a AF e o género. Índice AF Coeficiente correlação Rho de Spearman 0,377 Género ρ 0,000 Como se pode verificar, existe uma correlação positiva eestatisticamente significativa, com o género. No quadro seguinte podemos observar a análise correlacional do índicede AF com o IMC.Quadro nº14 Coeficiente de correlação de Spearman entre o IMC e o índice de AF. Índice AF Coeficiente correlação -0,018 IMC Rho de Spearman (2pontos corte) ρ 0,296 Existe uma correlação negativa entre o índice de AF e o IMC contudo,não é estatisticamente significativa. 4.3. Frequência Alimentar No quadro 15 podemos verificar os resultados do número de refeiçõestotal para toda a amostra.Quadro nº15 Número de refeições total Frequência Percentagem ≤3 118 13,40 4 277 31,30 5 352 39,80 >5 138 15,60Total 885 100,001: X2=2,000 ρ=0,368; 2: X2=6,294 ρ=0,043; 3: X2=0,708 ρ=0,702; 4: X2=0,148 ρ=0,929; 5: X2=2,568 ρ=0,277; 6: X2=4,089ρ=0,129.Ricardo M. T. Silva 66
  • 55. Apresentação dos Resultados Aproximadamente 40% (39,80%) da amostra total realiza cinco (5)refeições diárias, 31% (31,30%) quatro (4) refeições diárias, enquanto que nosextremos temos seis indivíduos (0,70%) que realizam apenas uma refeiçãodiária e quase 16% (15,60%) que realizam seis refeições diárias. No quadro 16 observamos a quantidade de indivíduos que realiza cadarefeição.Quadro nº16 Refeições discriminadas Frequência PercentagemPequeno-almoçon=885 não 78 8,80 sim 807 91,20Lanche da manhãn=886 não 40,50 359 sim 527 59,50Almoçon=886 não 1,90 17 sim 869 98,10Lanche da tarden=886 não 16,90 150 sim 736 83,10Jantarn=886 não 1,70 15 sim 871 98,30Ceian=886 não 666 75,20 sim 220 24,80 Verificamos que mais de 90% dos indivíduos tomam o “pequeno-almoço”, o “almoço” e o “jantar” (respectivamente 91,20%; 98,10% e 98,30%).Ricardo M. T. Silva 67
  • 56. Apresentação dos ResultadosAs refeições realizadas pela menor percentagem de indivíduos são a “ceia” e o“lanche da manhã” (respectivamente 24,80% e 59,50%). O quadro 17 apresenta a associação do número de refeições realizadaspor ponto de corte do IMC (peso normal ou excesso de peso).Quadro nº17 Associação do nº refeições por ponto de corte IMC IMC (2pontos de corte) Total Peso normal Excesso de peso ≤3 11,4% 21,2% 13,5% Número de 4 % IMC 30,6% 33,9% 31,3% refeições total ≥5 58% 45% 55,4% Total 79,5% 20,5% 100,0% X2=22,935 ρ=0,000 Verificamos que o grupo dos sujeitos que realizam 5 ou mais refeições éo único em que a percentagem de indivíduos com “excesso de peso” é inferiorà dos que apresentam “peso normal” (45% vs. 58%). O quadro seguinte apresenta a análise do IMC (peso normal ou excessode peso) detalhada por número de refeições.Quadro nº18 Análise do IMC por nº refeições IMC (2pontos de corte) Peso normal Excesso de peso 1 50,0% 50,0% 2 46,2% 53,8% 3 71,7% 28,3% Número de refeições % 4 77,8% 22,2% total 5 81,7% 18,3% 6 87,7% 12,3% Total 79,5% 20,5% 100,0%X2=22,935 ρ=0,000Ricardo M. T. Silva 68
  • 57. Apresentação dos Resultados Como se pode observar no quadro 18, a percentagem de indivíduos comexcesso de peso diminui à medida que aumenta o número de refeições. No quadro 19 observamos a análise do número de refeições por grupode índice de AF.Quadro nº19 Análise do nº refeições por grupo de índice de AF índice AF Total Pouco activos Moderadamente Muito activos activos 1 0,4% 1,0% 0,4% 0,7% 2 2,3% 1,5% 0,4% 1,5%Número de 3 12,4% 11,0% 10,1% 11,2%refeições % AF 4 32,0% 32,0% 29,4% 31,3%total 5 43,2% 39,1% 36,8% 39,8% 6 9,8% 15,3% 22,8% 15,6% % Total 30,1% 44,2% 25,8% 100,0%X2=19,723 ρ=0,032 Observamos que à medida que aumenta o número de refeições, vaiaumentando também a percentagem de indivíduos “moderadamente activos”(1,0% até 39,1%) e “muito activos” (0,4% até 36,8%). A excepção acontecepara o grupo que realiza seis (6) refeições. No entanto, o grupo que realiza seis(6) refeições, é o único onde a percentagem de indivíduos “muito activos” ésuperior à dos “pouco activos” e “moderadamente activos”. No quadro seguinte, podemos observar a análise correlacional donúmero de refeições total com o índice de AF e o IMC.Quadro nº20 Coeficiente de correlação de Spearman entre o número de refeições total com o índice de AF e o IMC. IMC (2pontos índice AF de corte) Coeficiente correlação -0,134 0,093Rho de Spearman Nº refeições total ρ 0,000 0,003Ricardo M. T. Silva 69
  • 58. Apresentação dos Resultados Verifica-se que existe uma correlação negativa entre o número derefeições total e o IMC, enquanto que entre o número de refeições total e oíndice de AF encontramos uma correlação positiva, sendo ambasestatisticamente significativas. Estes dados sugerem que quanto maior for onúmero de refeições menor será o IMC, e que quanto mais activos forem osindivíduos maior será o número de refeições diárias efectuadas.Ricardo M. T. Silva 70
  • 59. 5- DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
  • 60. Discussão dos Resultados5. Discussão dos Resultados 5.1. Índice de Massa Corporal (IMC) e Actividade Física Na nossa amostra encontramos cerca de 20% (20,43%) de indivíduoscom excesso de peso, dados estes inferiores aos divulgados pela SociedadePortuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO, 2001), que apresenta valoresna ordem dos 50% para o sobrepeso e a obesidade, na população Portuguesa,em maiores de 18 anos. Contudo, os valores são semelhantes aos de adolescentes Espanhóisque apresentam aos 13-14 anos, uma prevalência de excesso de peso de 13 a21% em rapazes e 16 a 21% em raparigas (Moreno et al., 2004), e aos dadosde Lobstein e Frelut (2003), que referem que os países do Sul da Europaapresentam índices de excesso de peso na ordem dos 20 a 40% e também aosde Amorim Cruz (2000) que refere valores de excesso de peso entre os 15-25% em adolescentes. No nosso estudo a percentagem de indivíduos com excesso de peso ésuperior nos rapazes relativamente às raparigas. Segundo alguns autores(Rebelo et al., 2002), tal facto poderá dever-se à maior preocupação com opeso e imagem corporal do sexo feminino, utilizando para tal, diversasestratégias, destacando-se a restrição alimentar e o aumento da quantidade deexercício físico. Quando analisamos os resultados em função da AF a mais evidentecorrelação encontrada é o género. No nosso estudo 45% (44,10%) da amostra total é “moderadamenteactiva”, 30% é “pouco activa” e cerca de 26% (25,80%) é “muito activa”. NoRicardo M. T. Silva 73
  • 61. Discussão dos Resultadosgrupo dos “pouco activos” 75% dos indivíduos são raparigas, enquanto que nogrupo dos “muito activos” 75% dos indivíduos são rapazes. Este facto é comumà literatura consultada, verificando-se que os rapazes são mais activos que asraparigas (Sallis, 1995; Kohl e Hobbs, 1998; Pratt et al., 1999; Caspersen et al.,2000; Mota e Esculcas, 2002; Trost et al., 2002; Lopes et al., 2003; Humpel etal., 2004). Em jovens adolescentes, Caspersen et al. (2000), referem que emcomparação com as raparigas, os rapazes apresentam taxas mais altas deactividade física regular. Em Portugal, Mota e Esculcas (2002), concluem queos rapazes são mais activos do que as raparigas. Quando analisamos os valores de AF, em função do IMC, verificamosque a percentagem de raparigas com excesso de peso não varia muito daspouco activas para as moderadamente activas e muito activas (17% vs.17,70% vs. 19,30%), enquanto que nos rapazes temos uma variação de 34%vs. 21,00% vs. 18,70%. Os nossos resultados para os rapazes mostram queos indivíduos quanto mais activos forem menor será o seu IMC. De acordo comestes resultados, Dowda et al. (2001), sugerem que os jovens que participamem desportos e programas de exercício têm menos propensão a ter sobrepeso.O aumento quase insignificativo na percentagem encontrada nas raparigaspoderá ser explicada pela maior massa muscular (aumento do peso corporal)que os indivíduos activos possuem. De acordo com vários autores consultados (DiPietro, 1999; Dowda et al.,2001) a AF pode influir no IMC, contudo na nossa amostra não encontramosvalores estatisticamente significativos que nos permitam afirmar que os níveisde AF influenciam o excesso de peso corporal dos adolescentes.Ricardo M. T. Silva 74
  • 62. Discussão dos Resultados 5.2. Frequência Alimentar Segundo Peres (2003), passar horas e horas sem comer obriga oorganismo a dois balanços metabólicos desfavoráveis: o primeiro consiste emusar as suas proteínas estruturais para, a partir delas, produzir alguma glicoseque minore a hipoglicemia; o segundo, consequente ao elevado valorenergético das refeições que se fazem para compensar a hipoglicemia, traduz-se em armazenamento no tecido adiposo, depois de transformadas emgordura, das calorias ingeridas que excedem as necessidades. Analisando a frequência alimentar da nossa amostra encontramos 56%dos indivíduos que realizam cinco (5) ou mais refeições por dia o que estáde acordo com Rego e Sinde (2003) que recomendam a realização de três (3)refeições e duas/três (2-3) merendas diárias. Esta prática é reforçada porMcardle et al. (1994) e Peres (2003), referindo estes autores que é importanterealizar uma distribuição alimentar e nutricional ao longo do dia. Outros autores(Miech et al., 2006), referem que o “não realizar” refeições, na literatura anglo-americana designado por skipping meals, facilita o aparecimento de um quadrode sobrepeso ou obesidade, especialmente se se tratar do primeiro almoço. As três (3) principais refeições do dia (primeiro almoço, almoço e jantar)são realizadas por 90% dos indivíduos da nossa amostra, sendo a ceia e olanche da manhã as refeições com menor percentagem de indivíduos a realizá-las. Estes valores estão de acordo com os de Cavadini et al. (2000) paraadolescentes suíços (95% para as três principais refeições) e Matos et al.(2003) (80,5%, 86,2% e 91,8%, respectivamente, para o primeiro almoço,almoço e jantar) para adolescentes portugueses.Ricardo M. T. Silva 75
  • 63. Discussão dos Resultados A não realização do lanche da manhã poderá induzir quebra de atençãoe de eficácia na segurança de movimentos. E, o facto de não cear levará aestar mais de 10 horas nocturnas sem comer, o que não é recomendado(Peres, 2003). Quando analisamos o número de refeições realizadas por ponto de cortedo IMC, verificamos que a percentagem de indivíduos com excesso de pesodiminui à medida que aumenta o número de refeições. Verificamos assim oefeito benéfico de uma frequência alimentar aumentada relativamente àdiminuição da prevalência de sobrepeso e obesidade nos indivíduos, o queestá de acordo com Toschke et al. (2005). Concluímos deste modo, que o IMC poderá ser influenciado pelo númerode refeições. Os nossos dados sugerem que quanto maior for o número derefeições menor será o IMC. Analisando o número de refeições realizadas por grupo de índice de AF,observamos que à medida que aumenta o número de refeições, vaiaumentando também indistintamente a percentagem de indivíduos nos trêsgrupos, não havendo uma predominância dos que realizam um maior númerode refeições. A excepção acontece no grupo que realiza seis (6) refeiçõesdiárias, onde a percentagem dos “muito activos” é superior aos outros doisgrupos de AF. De acordo com os nossos dados, existe uma correlação positivafraca, mas estatisticamente significativa, entre o índice de AF e o número derefeições realizadas. Enquanto que, no estudo de Cavadini et al. (2000), nãoforam encontradas diferenças entre a frequência de refeições de adolescentesatletas e não atletas, no entanto, são percepcionados hábitos nutricionais maissaudáveis em atletas do que em não atletas.Ricardo M. T. Silva 76
  • 64. 6- CONCLUSÕES
  • 65. Conclusões6. Conclusões O propósito central deste estudo consistiu em recolher dados sobre osvalores do IMC dos alunos estudados e verificar a existência de sobrepesoe/ou obesidade por género, assim como, os seus níveis de AF habitual e aexistência de associações entre o sobrepeso/obesidade, a actividade física e onúmero de refeições. Os resultados obtidos no nosso estudo, atendendo aos objectivosinicialmente traçados permitem-nos chegar às seguintes conclusões: • A percentagem de indivíduos com excesso de peso é superior nos rapazes relativamente às raparigas; • Os rapazes apresentam índices superiores de AF em relação às raparigas; • O IMC parece ser influenciado pelo número de refeições. Existe assim, um efeito benéfico de uma frequência alimentar aumentada relativamente à diminuição da prevalência de sobrepeso e obesidade nos indivíduos; • Os resultados do nosso estudo sugerem que quanto mais elevado o índice de AF dos indivíduos maior o número de refeições diárias realizadas por eles.Ricardo M. T. Silva 79
  • 66. 7- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
  • 67. Referências Bibliográficas7. Referências BibliográficasA Almeida, C. (2001): Aptidão Física, Estatuto Sócio-Económico e Medidas Antropométricas da População Escolar do Concelho de Lamego - Estudo em crianças e jovens de ambos os sexos dos 10 aos 16 anos de idade. Edição Câmara Municipal de Lamego. ACSM - American College of Sports Medicine (1993): ACSMs resource manual for guidelines for exercise testing and prescription. ed. J. Larry Durstine et al. - 2nd ed. - Philadelphia : Williams & Wilkins. APA - American Psychiatric Association (1994): Diagnostic and statistical manual of mental disorders (4th Ed). Washington D.C. Amorim Cruz, J. (2000): Dietary habits and nutritional status in adolescents over Europe-Southern Europe. European Journal of Clinical Nutrition. 54 (Suppl. 1): S29-S35. Assumpção, F. ; Kuczynski, E. e Soprovieri, M. (2000): Escala de Avaliação de Qualidade de Vida. Arquivo Neuropsiquiatria Local. 58(1).B Bar-Or, O. e Foreyt, J.P.; Bouchard, C. (1998): Etiology and management of childhood obesity. Med Sci Sports Exerc., 30 (1), pp. 2-10. Beals, K. (2001): Nutritional Concerns of Adolescent Athletes In: I.Wolinsky, J. Driskell (eds.), Nutritional Applications in Exercise and Sport, pp. 59-73. CRC Press, Florida.Ricardo M. T. Silva 83
  • 68. Referências Bibliográficas Blair, S. (1993): 1993 C.H. McCloy Research Lecture: Physical Activity, Physical Fitness and Health. Res Q Exerc Sport.. Vol. 64 (4): 365-376. Bonafonte, L. (2001): Guía Del Manejo de la Actividad Física y el Ejercicio Físico. Guias Para La Práctica Clínica. ED. Grup SAGESSA. Bouchard, C. (2000): Introduction - Physical activity and obesity. Human Kinetics, Champaign, Illinois, pp 3-20. Bouchard, C. e Blair, S. (1999): Introductory comments for the consensus on physical activity and obesity. Med Sci Sports Exerc., 31 (11): S498-S501. Bouchard, C. e Shephard, R. (1994): Physical Activity, Fitness and Health: The Model and Key Concepts. In C. Bouchard, R. Shephard e T. Stevens (Eds.). Physical Activity Fitness and Health, pp. 77-88. Consensus Statement, Human Kinetics Books. Champaign, Illinois. Bray G. (1998): Obesity in Harrisons Principles of Internal Medicine. Edits. McGraw Hill, 14ª Edição. Brooks, G.; Fahey, T. e White, T. (1996): Exercise Physiology – Human Bioenergetics and Its Applications. Mayfield Publishing Company. Mountain View-California.C Caspersen, C.; Pereira, M. e Curran, K. (2000): Changes in physical activity patterns in the United States, by sex and cross-sectional age. Med Sci Sports Exerc. 32(9):1601-9.Ricardo M. T. Silva 84
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