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O USO DA ÁGUA DE CHUVA EM POSTOS DE SERVIÇOS AUTOMOTIVOS NO ESPAÇO URBANO DE PONTA GROSSA, PR

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Os riscos de escassez de água, com qualidade e em quantidades suficientes para …

Os riscos de escassez de água, com qualidade e em quantidades suficientes para
atender às necessidades da população, estão sendo amplamente divulgados. Ponta
Grossa apresenta crescente demanda de água. A deficiência de saneamento diminui
a disponibilidade de água com qualidade. O sítio urbano localiza-se no alto de
espigões radiais que dificultam o aproveitamento da água de rios. Por outro lado, a
cidade situa-se numa região chuvosa o ano todo. Buscando alternativas de uso
racional da água, as coberturas dos postos podem funcionar como coletores para
capturar água das chuvas. Esta pode ser armazenada e destinada para fins não
potáveis, sobretudo, na lavagem de veículos. O estudo teve como objetivo analisar a
possibilidade técnica e a viabilidade econômica de aproveitamento de água de
chuva para usos não potáveis em postos de serviços automotivos da área urbana de
Ponta Grossa. Por meio de investigações exploratórias foram visitados e
georreferenciados 42 postos, nas principais vias da cidade, nos quais, se identificou
a oferta de lavagem e as fontes de águas que abastecem os postos para uma
melhor compreensão de como ocorrem as práticas de uso da água nestes
empreendimentos. Em seguida, foram selecionados os postos que aproveitam a
água de chuva para verificação do funcionamento dos sistemas instalados,
estimativa das demandas por águas não potáveis e análise da viabilidade
econômica do sistema. Pode-se concluir que o aproveitamento de água de chuva é
tecnicamente e economicamente viável nos postos da cidade.

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  • 1. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA SETOR DE CIÊNCIAS EXATAS E NATURAIS DEPARTAMENTO DE GEOCIÊNCIAS RICARDO LETENSKIO USO DA ÁGUA DE CHUVA EM POSTOS DE SERVIÇOS AUTOMOTIVOS NO ESPAÇO URBANO DE PONTA GROSSA, PR PONTA GROSSA 2009
  • 2. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA SETOR DE CIÊNCIAS EXATAS E NATURAIS DEPARTAMENTO DE GEOCIÊNCIAS RICARDO LETENSKIO USO DA ÁGUA DE CHUVA EM POSTOS DE SERVIÇOS AUTOMOTIVOS NO ESPAÇO URBANO DE PONTA GROSSA, PR Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do título de graduado na Universidade Estadual de Ponta Grossa, Área de Geografia. Orientador: Prof. Dr. Mário Sérgio de Melo PONTA GROSSA 2009
  • 3. RICARDO LETENSKI O USO DA ÁGUA DE CHUVA EM POSTOS DE SERVIÇOS AUTOMOTIVOS NO ESPAÇO URBANO DE PONTA GROSSA, PRTrabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do título de graduadona Universidade Estadual de Ponta Grossa, Área de Geografia. Ponta Grossa,______de_____________________________de 2009. Prof. Dr. Mário Sérgio de Melo Pós-Doutor em Sedimentologia Universidade Estadual de Ponta Grossa Profa. Dra. Maria Lígia Cassol Pinto Doutora em Geografia Universidade Estadual de Ponta Grossa Prof. Dr. Alceu Gomes de Andrade Filho Doutor em Engenharia Hidráulica e Saneamento Universidade Estadual de Ponta Grossa Prof. Luís André Sartori Universidade Estadual de Ponta Grossa
  • 4. Dedico aos autores dos meus diasTeodósio e Edecléia (in memorian), queme ensinaram a perseguir meus ideais.
  • 5. AGRADECIMENTOS A minha Mãe Divina Espiritual e ao Pai Celeste. Ao Professor Orientador Dr. Mário Sérgio de Melo pela contribuição com seuspreciosos conhecimentos e sugestões na orientação deste trabalho. Aos funcionários dos Postos de Serviços Automotivos pela recepção,fornecimento de informações e pela possibilidade acesso aos empreendimentos. Aos funcionários da Companhia de Saneamento do Paraná (SANEPAR) peladisponibilização de dados, na pessoa de Fabiano Icker Oroski, CoordenadorIndustrial da Unidade Regional Ponta Grossa. Ao Núcleo de Estudos em Meio Ambiente (NUCLEAM) pela atenção edisponibilização de materiais, nas pessoas da Professora Maria Aparecida Hinschinge do Professor Fernando Pilatti. Aos colegas de graduação pelo apoio e incentivo para realização destetrabalho. A Tatiana Constantino pelo companheirismo, pela compreensão e dedicação. A família e aos amigos pelo amor e generosidade. A todos que de alguma maneira contribuíram com a conclusão dessapesquisa.
  • 6. Às vezes, uma gota de chuva morre de medo ao cair nooceano. O mar é gigantesco e ela sabe que ele ira engoli-la.Todavia, segundos após cair sobre o mar a gota de chuvapercebe que deixou de ser uma gota e passou a ser o própriooceano... (Adriano Hungaro)
  • 7. RESUMOOs riscos de escassez de água, com qualidade e em quantidades suficientes paraatender às necessidades da população, estão sendo amplamente divulgados. PontaGrossa apresenta crescente demanda de água. A deficiência de saneamento diminuia disponibilidade de água com qualidade. O sítio urbano localiza-se no alto deespigões radiais que dificultam o aproveitamento da água de rios. Por outro lado, acidade situa-se numa região chuvosa o ano todo. Buscando alternativas de usoracional da água, as coberturas dos postos podem funcionar como coletores paracapturar água das chuvas. Esta pode ser armazenada e destinada para fins nãopotáveis, sobretudo, na lavagem de veículos. O estudo teve como objetivo analisar apossibilidade técnica e a viabilidade econômica de aproveitamento de água dechuva para usos não potáveis em postos de serviços automotivos da área urbana dePonta Grossa. Por meio de investigações exploratórias foram visitados egeorreferenciados 42 postos, nas principais vias da cidade, nos quais, se identificoua oferta de lavagem e as fontes de águas que abastecem os postos para umamelhor compreensão de como ocorrem as práticas de uso da água nestesempreendimentos. Em seguida, foram selecionados os postos que aproveitam aágua de chuva para verificação do funcionamento dos sistemas instalados,estimativa das demandas por águas não potáveis e análise da viabilidadeeconômica do sistema. Pode-se concluir que o aproveitamento de água de chuva étecnicamente e economicamente viável nos postos da cidade.Palavras-chave: Uso da água, Água de chuva, Postos de serviços automotivos.
  • 8. LISTA DE ILUSTRAÇÕESFIGURA 1 – Quadro com os principais problemas decorrentes da urbanização que afetam a quantidade e a qualidade das águas............................................................................................. 12FIGURA 2 – Ciclo hidrológico............................................................................ 18FIGURA 3 – Chuvas convectivas...................................................................... 19FIGURA 4 – Chuvas frontais............................................................................. 20FIGURA 5 – Chuvas orográficas....................................................................... 21FIGURA 6 – Gráfico do volume total de água no mundo e volume total de 24 água doce no mundo....................................................................FIGURA 7 – Quadro com as principais vantagens e desvantagens do aproveitamento de água de chuva............................................... 34FIGURA 8 – Vestígios de cisternas escavadas na rocha no deserto do Negev........................................................................................... 36FIGURA 9 – Fortaleza Massada e cisterna escavada na rocha, Deserto de Judá............................................................................................... 37FIGURA 10 – Visão panorâmica da Fortaleza de Ratones................................. 39FIGURA 11 – Ryogoku Kokugikan, ginásio de sumô, Sumida no Japão............................................................................................. 40FIGURA 12 – Vasos para armazenar água de chuva na Tailândia..................... 42FIGURA 13 – Modelo de captação de chuva no Programa 1-2-1....................... 43FIGURA 14 – Cisterna de placas........................................................................ 46FIGURA 15 – Construção de uma cisterna de tela com arame.......................... 47FIGURA 16 – Construção de uma cisterna com tela-cimento............................. 47FIGURA 17 – Cisternas superiores e lavagem de veículo em máquina abastecida com água de chuva.................................................... 49FIGURA 18 – Projeção da área de coleta do telhado......................................... 51FIGURA 19 – Quadro dos coeficientes de runoff das superfícies coletoras....................................................................................... 52FIGURA 20 – Modelo de calha com tela para contenção de sujeiras................ 53FIGURA 21 – Modelo esquemático de funcionamento de um tanque de sedimentação................................................................................ 55FIGURA 22 – Dispositivo de descarte das primeiras chuvas proposto pelo senhor Tokunaga no Japão.......................................................... 56FIGURA 23 – Representação esquemática dos componentes do “kit chuva”............................................................................................ 57FIGURA 24 – Quadro com vantagens e desvantagens entre tanques e cisternas....................................................................................... 59FIGURA 25 – Localização e abrangência da área de estudos............................ 64FIGURA 26 – Quadro síntese do abastecimento de água em Ponta Grossa, dados históricos e previsões, 2003-2024...................................... 67FIGURA 27 – Gráfico do volume necessário para suprir a demanda da cidade a capacidade real de abastecimento de água em Ponta Grossa, 2003-2024..................................................................................... 68FIGURA 28 – Localização dos 42 postos de serviços automotivos visitados em Ponta Grossa.......................................................................... 69
  • 9. LISTA DE ILUSTRAÇÕESFIGURA 29 – Localização dos postos de serviços automotivos visitados em Ponta Grossa que oferecem serviço de lavagem de veículos........................................................................................ 70FIGURA 30 – Quadro síntese do uso de água nos postos de serviços de serviços automotivos pesquisados.............................................. 70FIGURA 31 – Gráfico do uso da água nos postos de serviços automotivos do espaço urbano de Ponta Grossa que oferecem serviço de lavagem (33 postos).................................................................... 72FIGURA 32 – Localização dos postos de serviços automotivos do espaço urbano de Ponta Grossa que aproveitam água pluvial........................................................................................... 73FIGURA 33 – Posto Tio Mucufa......................................................................... 76FIGURA 34 – Posto Real................................................................................... 78FIGURA 35 – Athenas Auto Posto..................................................................... 81FIGURA 36 – Posto Cinco Primos..................................................................... 83FIGURA 37 – Posto Gamper.............................................................................. 85FIGURA 38 – Posto Pinheiro.............................................................................. 88FIGURA 39 – Posto São Sebastião................................................................... 90FIGURA 40 – Posto Flex.................................................................................... 92FIGURA 41 – Posto Pianowski.......................................................................... 95FIGURA 42 – Quadro dos volumes médios mensais de água de chuva aproveitável por metro quadrado na região de Ponta Grossa......................................................................................... 96FIGURA 43 – Quadro de volumes potenciais médios aproveitáveis de água de chuva para AC= 527 m2...................................................... 97FIGURA 44 – Quadro síntese dos dados de área de captação e consumo de água nos postos de serviços automotivos que utilizam água de chuva no espaço urbano de Ponta Grossa......................................................................................... 97FIGURA 45 – Gráfico de relação entre a demanda por águas não potáveis e o volume médio de água de chuva aproveitável no espaço urbano de Ponta Grossa.............................................................. 98
  • 10. LISTA DE SIGLASABNT Associação Brasileira de Normas TécnicasANA Agência Nacional de ÁguasANP Agência Nacional do PetróleoASA Articulação no Semi-Árido BrasileiroEMATER Empresa de Assistência Técnica e Extensão RuralETA Estação de Tratamento de ÁguaGPS Sistema de Posicionamento GlobalIAPAR Instituto Agronômico do ParanáINCRA Instituto Nacional de Colonização e Reforma AgráriaIPHAN Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico NacionalMDS Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à FomeNBR Norma BrasileiraONG Organização Não GovernamentalONU Organização das Nações UnidasP1+2 Programa Uma Terra e Duas ÁguasP1MC Programa 1 Milhão de CisternasPECMAC Programa Estadual de Captação e Manejo da Água de ChuvaPNRH Plano Nacional de Recursos HídricosPNUMA Programa das Nações Unidas para o Meio AmbientePROSAB Programa de Pesquisas em Saneamento BásicoPVC Cloreto de PolivinilaSAB Semi-Árido BrasileiroSABESP Companhia de Saneamento Básico do Estado de São PauloSANEPAR Companhia de Saneamento do ParanáUNEP United Nations Environment ProgrammeUNESCO Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a CulturaVPL Valor Presente LíquidoWWF Fundação Mundial para Conservação da Vida Silvestre
  • 11. SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO................................................................................... 112. OBJETIVOS....................................................................................... 163. A ÁGUA............................................................................................. 173.1 DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO MUNDO E NO BRASIL................... 243.1.1 Gerenciamento racional e sustentável dos recursos hídricos........... 263.1.2 Legislação e Recursos Hídricos........................................................ 293.2 O APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA: HISTÓRICO E PRÁTICAS RECENTES..................................................................... 323.2.1 Composição do Sistema de Aproveitamento de Água de Chuva...... 494. DESCRIÇÃO DO ESTUDO............................................................... 624.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDOS................................. 634.2 O ABASTECIMENTO DE ÁGUA EM PONTA GROSSA................... 654.3 OS POSTOS DE SERVIÇOS AUTOMOTIVOS................................. 684.3.1 Aproveitamento de água de chuva nos postos de serviços automotivos........................................................................................ 724.3.1.1 Considerações sobre o uso de água de chuva nos postos de serviços automotivos......................................................................... 955. VIABILIDADE ECONÔMICA DO SISTEMA DE APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA.................................... 996. CONSIDERAÇÃOES FINAIS E RECOMENDAÇÕES...................... 103REFERÊNCIAS.................................................................................................. 105APÊNDICES....................................................................................................... 115ANEXOS............................................................................................................ 131
  • 12. 1. INTRODUÇÃO De acordo com o relatório da Organização das Nações Unidas (2009)intitulado “Revisão das Projeções da População Mundial”, a população do planeta,atualmente com cerca de 6,5 bilhões de seres humanos, deverá ultrapassar 9bilhões até meados do século XXI. Para Alves (2007) durante o século XX, o impacto do crescimentopopulacional e econômico sobre o ambiente natural foi enorme, provocandoalterações significativas no clima e nas condições de vida do planeta. A humanidadetem um desafio muito grande pela frente, pois, por um lado, precisa crescerracionalmente para reduzir a pobreza e a desigualdade e, por outro, precisaconservar e preservar o meio ambiente, e as condições naturais que fornecem osubstrato da vida na Terra. Entre os elementos que propiciam a vida na Terra, a água desempenha umpapel fundamental, sua simples ausência exterminaria qualquer uma das formas devida que conhecemos até hoje. Considerando que este recurso possui limitesbastante definidos e que uma parcela extremamente pequena está disponível àsnecessidades humanas, à medida em que a população aumenta a quantidade deágua disponível por pessoa diminui e não pode ser substituída por nenhumasubstância alternativa. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e aCultura (2007), no mesmo ano, 3,3 bilhões de pessoas, mais de metade dapopulação mundial, viviam em cidades. Este total pode alcançar os 60% por volta de2030. Dessa maneira as cidades podem ser consideradas uma expressão do séculoXXI. A concentração progressiva da população nas cidades acelera a expansãourbana, impulsionando uma cadeia de problemas ambientais e urbanos. Nas áreas urbanizadas, as construções, as grossas camadas de concreto dascalçadas e o asfalto das longas pavimentações são erguidos sobre a devastação davegetação. Com isso, a quantidade de água que normalmente deveria infiltrarlentamente no subsolo é reduzida, significativamente, aumentando o volume e aintensidade do escoamento superficial, que acelera os processos erosivos,responsáveis por perdas de solo, agravando a situação de áreas de risco,assoreando rios, e tornando mais constantes e sérias as enchentes urbanas. Os
  • 13. principais problemas decorrentes da urbanização que afetam a quantidade e aqualidade das águas podem ser observados na figura 1. URBANIZAÇÃO Aumento da densidade de Aumento da densidade populacional construções e da cobertura asfáltica Aumenta o Aumenta a Aumenta a Alterações no volume de demanda de área sistema de água residual água impermeabiliza drenagem da Deterioram-se Reduz a Alterações Os rios a quantidade de do clima jusante da água disponível área urbana e (escassez urbano deteriora-se a potencial) água de Aumenta o Aumenta a escoamento escoament velocidade superficial o de superficial escoament Diminui a recarga de água direto o subterrânea Deteriora-se a qualidade da água dos rios e represas Aumenta as urbanos, receptores de enchentes e os águas residuais picos de cheias na área urbana Aumentam os problemas de controle da poluição e das enchentesFIGURA 1 – Quadro com os principais problemas decorrentes da urbanização que afetam aquantidade e a qualidade das águasFonte: TUCCI apud TUNDISI, J.G. (2005).
  • 14. Com o aumento da população será necessário produzir maior quantidade dealimentos e gerar mais energia, aumentando o consumo doméstico e industrial deágua. Sendo assim, a contaminação dos mananciais também deverá ser acentuada,devido a maior produção de efluentes. Atualmente, mais de 1 bilhão de pessoas não tem acessoà água limpa em quantidade suficiente para garantir a saúde e o desenvolvimentosocial e econômico; e 2,4 bilhões não têm acesso a saneamento básico (TUNDISI,2005). Com tantos agravantes será difícil assegurar o abastecimento de água àspopulações, tanto em quantidade como em qualidade. Nessas circunstâncias,mesmo regiões, atualmente, com relativa abundância de água não estão isentas deenfrentar algum problema com recursos hídricos e nas regiões que já convivem coma escassez o caso pode tornar-se ainda mais grave. Adicionalmente, as mudanças climáticas podem agravar significativamente asituação pela maior frequência e intensidade de eventos extremos como chuvasmais intensas em determinadas regiões e secas mais prolongadas em áreas jácastigadas pela escassez hídrica. A ocorrência de chuvas mais intensas tem comoconsequência a elevação do nível dos rios e o alagamento das várzeas,potencializando as situações de inundação bem como de deslizamentos deencostas. Estiagens mais prolongadas poderão provocar situações de risco decolapso no abastecimento de água em várias regiões urbanas adensadas, inclusivenas principais metrópoles (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DOS DIREITOS DA INFÂNCIA,2009). Diante de tudo isso, uma competição mais acirrada em regiões comquantidades limitadas de recursos hídricos pode resultar em situações geradoras deconflitos, fazendo crescer o risco de guerras pela água. No entanto, esse futuro sombrio pode ser evitado. De Acordo com Llamas(1991) problemas de escassez são praticamente inexistentes na maioria dos paísesdo mundo, sendo, em contrapartida, quase universais e graves os problemas de seumau uso e má gestão. Existem diversas formas de melhorar o uso da água, como por exemplo,aumentar o volume pela captação de mais água; gastar menos água diminuindo ademanda; também é possível usar a mesma quantidade de água com mais
  • 15. eficiência (CLARKE; KING, 2005). Além disso, podemos tornar o uso da água maisracional compatibilizando a qualidade da água com o seu uso, pois desperdiçamosdiariamente água potável para regar plantas, lavar calçadas, roupas, carros e paradar descarga em banheiros. Entre as várias alternativas tecnológicas para melhorar o uso da água, oaproveitamento de água de chuva é uma técnica bastante simples, eficiente,relativamente barata e ambientalmente correta. É muito utilizada por populaçõesque dispõem de poucas alternativas para conseguir água, como as que convivemcom os regimes de secas das regiões áridas e semi-áridas. Nas áreas urbanas a suautilização, principalmente, para fins não potáveis vem ganhando força como umafonte complementar ao sistema público de abastecimento, pois possibilita reduzir ademanda de água potável destinando-a para finalidades mais nobres como oconsumo humano e a ampliação de seu acesso para a população. Oferecendotambém economia significativa de recursos financeiros e energéticos com tratamentoe uso de água, protegendo ainda as águas subterrâneas. Além disso, utilizar águada chuva significa contribuir para reverter os impactos negativos da urbanizaçãominimizando o desencadeamento de erosões, o agravamento e/ou o surgimento denovas de áreas de risco e o assoreamento de corpos d‟água, evitando que águasaproveitáveis se percam na poluição dos rios e provoquem enchentes urbanas. Na área urbana diversas construções possibilitam o aproveitamento da águada chuva como: edificações residenciais, comerciais, industriais e instituiçõespúblicas e privadas. A coleta de água de chuva pode ser efetuada em diferentes níveis conforme aárea dos coletores, a precipitação e a demanda do local a que será destinada. Oscoletores já estão prontos, estes, são os telhados das edificações, bastando ainstalação de calhas condutoras e um reservatório para onde a água deverá serescoada e armazenada para utilização em diversos fins, nos quais a água nãoprecisa ser potável, como para lavagem de automóveis, calçadas e para dardescarga em banheiros. A demanda por águas não potáveis pode variar bastante de acordo com afunção que o estabelecimento exerce no espaço urbano. Os postos de serviçosautomotivos, que oferecem serviços de lavagem de automóveis, consomem umvolume elevado de água para fins não potáveis, além de oferecer a possibilidade deinstalação, com custo relativamente baixo, devido às suas grandes coberturas e à
  • 16. economia que podem promover. No entanto, geralmente, servem-se de águastratadas ou de águas subterrâneas, que deveriam ser conservadas para finspotáveis. Ponta Grossa apresenta progressivo aumento da população, principalmenteurbana, que tem elevado a demanda de água. O sítio urbano localizado no alto deespigões radiais dificulta o aproveitamento da água de rios, devido, entre outrosfatores, à topografia acidentada. A deficiência de saneamento e o descaso com apreservação de arroios e rios no município diminuem a quantidade de águadisponível com qualidade. Se essa tendência se mantiver e a situação não forsolucionada, em breve, o município poderá ter que enfrentar problemas deabastecimento de água. Que apresentará como sintoma, principal: aumento do custoda água, devido à maior dificuldade em conseguí-la ou como medida visandodiminuir o consumo. Por outro lado, a cidade está situada numa região chuvosa quepossibilita o aproveitamento da água de chuva durante todos os meses do ano.Embora o aproveitamento de água de chuva represente uma alternativainteressante, principalmente do ponto de vista ambiental, a instalação de um sistemade captação e aproveitamento de água pluvial depende de diversos fatores, dentreeles a possibilidade técnica, a viabilidade econômica e a aceitação social. Oassunto abordado neste trabalho será a possibilidade técnica e a viabilidadeeconômica do aproveitamento de água de chuva nos postos de serviços automotivosda área urbana de Ponta Grossa, PR.
  • 17. 2. OBJETIVOS Objetivo Geral: Analisar a possibilidade técnica e a viabilidade econômica de aproveitamentode água de chuva para usos não potáveis em postos de serviços automotivos daárea urbana de Ponta Grossa. Objetivos específicos: Investigar como ocorrem as práticas de uso da água nos postos de serviços automotivos da área urbana de Ponta Grossa; Inferir sobre a utilização de água de chuva nesses empreendimentos. Espera-se que o estudo permita concluir sobre a de viabilidade técnica eeconômica de aproveitamento da água de chuva como uma alternativa saudável ebenéfica. Os resultados deverão apoiar a sua utilização para consumo não potável,contribuindo para melhorar a relação humana com os recursos hídricos e paraenfrentar a tendência de crise no abastecimento de água.
  • 18. 3. A ÁGUA A água como fonte de vida é mencionada em quase todas as teoriasfilosófico-religiosas, considerada pelos gregos da antiguidade um dos quatroelementos que sustentam a natureza, entre os quais ela seria o princípio de todas ascoisas. Para a ciência contemporânea a água surgiu no planeta há cerca de 4,3bilhões de anos, devido ao resfriamento da atmosfera, originando um oceanoprimitivo, onde surgiram às primeiras formas simples de vida (bactérias), háaproximadamente 3,8 bilhões de anos (SUGUIO; SUZUKI, 2003). A água pura (H2O)n é um líquido formado por moléculas de hidrogênio eoxigênio. Na natureza, ela é misturada ainda com gases como, dióxido de carbono enitrogênio; com sais, como nitratos, cloretos e carbonatos; e elementos sólidos comopoeira e areia que podem ser carregados em suspensão (AGUASTORE, 2008). Á água é insubstituível, não se conhecendo outra substância com suaspropriedades, das quais se pode destacar: a ausência de cor, cheiro e sabor,características que possibilitam sua presença como o principal componente damaioria dos alimentos e bebidas; a transparência que a deixa ser atravessada pelaluz torna possível a vida de seres dependentes da luminosidade embaixo d‟água; acapacidade térmica que permite a utilização da água nos três estados físicos: sólido,líquido e gasoso; e por último a sua notável capacidade de dissolução lhe atribui afigura de solvente universal. Considerando que a quantidade total de água em nosso planeta varia muitopouco, pode-se dizer que a dinâmica da água compõe um sistema fechado,denominado de ciclo hidrológico (Figura 2), caracterizado pelo contínuo movimentoentre os estados sólido, líquido e gasoso, devido à maior ou menor quantidade deenergia que irradia do Sol até a Terra. De forma simplificada, podemos dizer que aágua dos lagos, rios, oceanos, vegetação, animais e solo evapora-se. O vapor deágua se move na atmosfera, podendo vir a se concentrar na forma de nuvem e seprecipitar retornando aos oceanos, rios, e ao solo ou permanecer na atmosfera(MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2005). Tal ciclo possibilita a recarga das águassubterrâneas e superficiais, a absorção pelas plantas e animais, sendo um dosresponsáveis pela manutenção da vida.
  • 19. FIGURA 2 – Ciclo hidrológicoFonte: (PREFEITURA MUNICIPAL DE FLORIANÓPOLIS, 2009) Dessa maneira a água é um bem renovável, ou seja, possui a capacidade dese reciclar através do ciclo hidrológico, porém na atualidade se reconhece avulnerabilidade desse recurso com capacidade limitada de autodepuração, sensívelàs alterações no ambiente. Para os seres humanos a água é um elemento fundamental, representandocerca de 70% de sua constituição, o acesso à água potável é uma questãoimportante relacionada diretamente à qualidade da saúde pública. A água é tambémum insumo indispensável à produção e um recurso estratégico para odesenvolvimento econômico. Todas as atividades humanas dependem da água, anavegação, a indústria, o turismo, a agricultura e a geração de energia elétrica sãoalguns exemplos de seu uso econômico (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2005). Entre as fases que compõem o ciclo hidrológico, a precipitação tem umaimportância fundamental. Sendo uma forma indispensável de ocorrência de água nanatureza é responsável pela recarga de rios, aquiferos, pela manutenção edesenvolvimento da vida, e por regular parte do equilíbrio da radiação terrestre.
  • 20. A precipitação pode ocorrer sob a forma de orvalho, chuvisco, chuva, granizo,saraiva ou neve, a partir da liberação do vapor d‟água presente na atmosfera sobrea superfície da terra (VILLIERS apud MAY, 2004). Segundo Ayoade (2004), somente a chuva e a neve contribuemsignificativamente para os totais de precipitação, porém como nas regiões tropicais aneve praticamente inexiste o termo precipitação pluvial, ou seja, chuva é sinônimode precipitação. Convencionalmente existem três tipos principais de chuvas que sediferenciam pela maneira como o ar se eleva originando-a. Conforme a RedeCiência Tecnologia e Sociedade (2009), os tipos são: Chuvas convectivas ou de convecção - chuva que resulta do aquecimento da superfície terrestre, originando a ascensão de massas de ar quente, carregadas de vapor d‟ água. A elevação do ar provoca seu resfriamento, condensando o vapor d‟água e, consequentemente, ocasionando a precipitação. Esta chuva manifesta-se de forma intensa e é de curta duração. São típicas da região intertropical, e de Verão no interior dos continentes, devido às altas temperaturas. A figura 3 representa o comportamento das chuvas convectivas. Letenski, 2009FIGURA 3 – Chuvas convectivas
  • 21. Chuvas ciclônicas ou frontais - chuva que resulta do encontro de duas massas de ar com características diferentes de temperatura e umidade. Desse encontro, a massa de ar quente sobe, o ar resfria, aproximando-se do ponto de saturação, dando origem à formação de nuvens e, consequentemente, ocasionando a precipitação. São do tipo chuvisco à passagem de uma frente quente ou do tipo aguaceiro, à passagem da frente fria. São chuvas características das zonas de convergência, isto é, das zonas de baixas pressões e, por isso, é este tipo de chuvas que predominam nas regiões temperadas, principalmente no inverno. A figura 4 representa o comportamento das chuvas frontais.FIGURA 4 – Chuvas frontaisFonte: (REDE CIÊNCIA TECNOLOGIA E SOCIEDADE, 2009). Chuvas orográficas ou de relevo - chuva que resulta de uma subida forçada do ar quando, no seu trajeto, apresenta-se uma barreira natural. O ar ao subir resfria e condensa-se formando nuvens saturadas que dão origem à precipitação. São chuvas localizadas, intermitentes e possuem intensidade bastante elevada. Ocorrem nas áreas de relevo acidentado ao longo das vertentes na encosta de onde sopram ventos úmidos. A figura 5 representa o comportamento das chuvas orográficas.
  • 22. FIGURA 5 – Chuvas orográficasFonte: (REDE CIÊNCIA TECNOLOGIA E SOCIEDADE, 2009). A chuva é uma ótima fonte alternativa de água que pode ser conseguida,facilmente quando a quantidade de precipitação é suficiente. A qualidade da água de chuva depende de sua localização e das condiçõesatmosféricas, variando conforme os gases e materiais em suspensão no ar durante aprecipitação. De acordo com o GROUP RAINDROPS (2002), a água da chuva quecai no início da tempestade se chama “chuva inicial”, e é bastante suja. Então, se a“chuva inicial” for eliminada e o restante da chuva for coletado pelo processo desedimentação1, sua qualidade aproxima-se da água encanada. Quando águaprecipitada é armazenada em grandes quantidades e destinada para fins nãopotáveis, a “chuva inicial” é diluída, e as substâncias nocivas coletadas do ar tornam-se insignificantes partículas em relação ao volume total de água. No entanto, procedimentos comuns para descartar a água dos primeirosminutos de chuva, de modo a lavar a superfície coletora e limpar a atmosferacarregada de poeira, sempre são adotados como medida de precaução (INSTITUTODE ESTUDIOS DEL HAMBRE, 2009).1 “Decantação ou sedimentação: É o processo no qual a força da gravidade é utilizada para separaras partículas de densidade maior que a da água, depositando-as em uma superfície ou zona dearmazenamento (BIBLIOTECA DIDÁTICA DE TECNOLOGIAS AMBIENTAIS, 2009)”.
  • 23. Conforme Andrade apud Giacchini (2003) os requisitos de qualidade esegurança sanitária da água de chuva estão diretamente relacionados ao fim para oqual se pretende destiná-las. Sendo assim, devem atender aos padrões depotabilidade se o seu uso for doméstico e para fins não potáveis precisam sercompatíveis com o seu uso. De acordo com Agência Nacional de Águas e a Federação das Indústrias doEstado de São Paulo (2005) as exigências mínimas para o uso da água não potávelem função das diferentes atividades a serem realizadas nas edificações, são asseguintes: Água para irrigação, rega de jardim, lavagem de pisos: não deve apresentar mau-cheiro; não deve conter componentes que agridam as plantas ou que estimulem o crescimento de pragas; não deve ser abrasiva; não deve manchar superfícies; não deve propiciar infecções ou a contaminação por vírus ou bactérias prejudiciais à saúde humana. Água para descarga em bacias sanitárias: não deve apresentar mau-cheiro; não deve ser abrasiva; não deve manchar superfícies; não deve deteriorar os metais sanitários; não deve propiciar infecções ou a contaminação por vírus ou bactérias prejudiciais à saúde humana. Água para refrigeração e sistema de ar condicionado: não deve apresentar mau-cheiro; não deve ser abrasiva; não deve manchar superfícies; não deve deteriorar máquinas;
  • 24. não deve formar incrustações. Água para lavagem de veículos: não deve apresentar mau-cheiro; não deve ser abrasiva; não deve manchar superfícies; não deve conter sais ou substâncias remanescentes após secagem; não deve propiciar infecções ou a contaminação por vírus ou bactérias prejudiciais à saúde humana. Água para lavagem de roupa: deve ser incolor; não deve ser turva; não deve apresentar mau-cheiro; deve ser livre de algas; deve ser livre de partículas sólidas; deve ser livre de metais; não deve deteriorar os metais sanitários e equipamentos; não deve propiciar infecções ou a contaminação por vírus ou bactérias prejudiciais à saúde humana. Água para uso ornamental: deve ser incolor; não deve ser turva; não deve apresentar mau-cheiro; não deve deteriorar os metais sanitários e equipamentos; não deve propiciar infecções ou a contaminação por vírus ou bactérias prejudiciais à saúde humana. Água para uso em construção civil: na preparação de argamassas,concreto, controle de poeira e compactação de solo: não deve apresentar mau-cheiro; não deve alterar as características de resistência dos materiais;
  • 25. não deve favorecer o aparecimento de eflorescências de sais; não deve propiciar infecções ou a contaminação por vírus ou bactérias prejudiciais à saúde humana.3.1 DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NO MUNDO E NO BRASIL Sabe-se que cerca de 70% superfície terrestre é composta de água,perfazendo um total de cerca de 1.386 milhões de km³. Essa quantidade não sealtera significativamente, embora possa mudar de estado físico, variando entresólido, líquido e gasoso. A água do planeta se encontra espalhada em mares, rios,lagos, geleiras, aquíferos, no ar atmosférico, incorporada nos seres vivos e nosobjetos (CLARKE; KING, 2005). A maior parte dessa água, aproximadamente, 97,5% é salgada. Menos de2,5% é doce e está distribuída entre as calotas polares (68,9%), os aqüíferos(29,9%), rios e lagos (0,3%), e outros reservatórios (0,9%). Desta forma, apenas 1%da água doce é um recurso aproveitável pela humanidade, o que representa 0,007% de toda a água do planeta (HIRATA, 2008). A figura 6 mostra os volumes deágua no mundo.FIGURA 6 – Gráfico do volume total de água no mundo e volume total de água doce no mundoFonte: (HIRATA, 2008). Essa parcela de água doce acessível à humanidade no estágio tecnológicoatual e a custos compatíveis com seus diversos usos é o que se denomina “recursos
  • 26. hídricos” (PEREIRA JÚNIOR, 2004). Conforme define a Organização das NaçõesUnidas para a Educação Ciência e a Cultura (2008), são os recursos disponíveis oupotencialmente disponíveis para satisfazer, em quantidade e em qualidade, umadada procura num local e período de tempo determinados. O Brasil é um país privilegiado, dispondo da maior quantidade de recursoshídricos do planeta Terra. Estima-se que a vazão dos recursos hídricos de superfíciebrasileiros corresponda a cerca de 12% do total mundial (PEREIRA JÚNIOR, 2004).Embora essa representação em nível planetário seja muito animadora, ela encobreas enormes disparidades regionais que ocorrem internamente no país. Cerca de 89% da potencialidade das águas superficiais do Brasil estáconcentrada nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde vivem apenas 14,5% dosbrasileiros. Restando apenas 11% da potencialidade hídrica para as demais regiões(Nordeste, Sul e Sudeste), onde estão localizados 85,5% da população e 90,8% dademanda de água do Brasil (GEOBRASIL, 2002). Embora o Brasil concentre o maior potencial hídrico mundial, algumas regiõesem seu território têm enfrentado escassez de água potável. Seja devido à sualocalização, ao seu regime hidrológico, às elevadas demandas ou à extremapoluição. Nas regiões Sul e Sudeste o elevado grau de urbanização, a densidadepopulacional e os múltiplos usos da água estão levando à escassez em algunspontos, porque a conseqüente poluição compromete a disponibilidade de água eencarece os custos do seu tratamento (CLARKE; KING, 2005). Na região Nordeste, devido às longas secas, há escassez de águassuperficiais, o que é agravado por problemas como falta de saneamento básico econtaminação por transmissores de doenças tropicais, tornando a situação da regiãoalarmante e bloqueando seu desenvolvimento (CLARKE; KING, 2005). A situação dos recursos hídricos no Brasil abrange muitas outras questõesalém dos problemas da má distribuição. A vasta extensão territorial do país dificultao gerenciamento das águas, que estão sofrendo constante pressão antrópica devidoà exploração excessiva, uso diverso indiscriminado, desmatamento, despejo deesgotos e substâncias tóxicas reduzindo a quantidade de água com qualidade ecomprometendo o acesso de água à população.
  • 27. 3.1.1 Gerenciamento racional e sustentável dos recursos hídricos Os impactos ambientais causados pela crescente industrialização iniciadaainda no século XVIII, e que considerava os recursos naturais como inesgotáveis,teve repercussão, em 1972, na cidade sueca de Estocolmo, quando a Organizaçãodas Nações Unidas (ONU) chamou pela primeira vez a atenção das nações,alertando para a degradação que as ações humanas estavam causando ao meioambiente, comprometendo gravemente o bem estar e a própria sobrevivência dahumanidade. Para tal realizou-se a I Conferência das Nações Unidas sobre o MeioAmbiente, onde os líderes das nações debateram questões sobre o meio ambiente eo desenvolvimento. Daí resultou a Declaração sobre o Meio Ambiente Humano(1972), um documento sobre princípios de comportamento e responsabilidade quedeveriam direcionar as decisões relacionadas as questões ambientais, bem como nacooperação dos países membros da ONU para a busca de soluções dos problemasambientais. A necessidade de avaliação de como as nações haviam promovido aconservação da natureza, levou à realização da II Conferência das Nações UnidasSobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, sediada na cidade do Rio de Janeiro,em 1992. Vislumbrando a necessidade de mudança no comportamento em direçãoao desenvolvimento global sustentável, que teve seus princípios básicosestabelecidos na Agenda 21, principal produto do encontro. Esta consiste numaagenda que prevê ações concretas a serem realizadas pelos governos e asociedade civil para se alcançar o desenvolvimento sustentável. “O desenvolvimento sustentável pode ser definido como o desenvolvimentocapaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidadede atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que nãoesgota os recursos para o futuro” (WWF. BRASIL, 2008). Os princípios essenciais do desenvolvimento sustentável têm sido muitodifundidos pelo mundo: crescimento econômico, equidade social e integridadeecológica que de forma integrada permitiriam a distribuição socialmente equitativados custos e benefícios das intervenções humanas no meio ambiente (MAGALHÃESJUNIOR, 2007).
  • 28. O capítulo 18 da Agenda 21 discute a proteção da qualidade e abastecimentodos recursos hídricos, cujo objetivo geral é: Assegurar que se mantenha uma oferta adequada de água de boa qualidade para toda a população do planeta, ao mesmo tempo em que se preserve as funções hidrológicas, biológicas e químicas dos ecossistemas, adaptando as atividades humanas aos limites da capacidade da natureza e combatendo vetores de moléstias relacionadas com a água. Tecnologias inovadoras, inclusive o aperfeiçoamento de tecnologias nativas, são necessárias para aproveitar plenamente os recursos hídricos limitados e protegê-los da poluição. O aproveitamento inteligente dos recursos naturais, como a água, é umapreocupação que deve atingir todas as esferas da sociedade para se obterresultados verdadeiramente consistentes, assegurando à atual e às gerações futurasdisponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos seus usos. Noâmbito federal, cabe ao Ministério do Meio Ambiente (Secretária Nacional deRecursos Hídricos) ordenar as ações em relação aos recursos hídricos. Nessesentido foi vital a criação de um Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), em2002. Este é essencialmente um instrumento de planejamento estratégico, visandobasicamente definir ações a serem desenvolvidas pelas entidades competentes, nãocabendo ao mesmo definir os procedimentos de sua execução. Baseado numagestão descentralizada, respeitando o espaço de decisão, amparada por Lei, aosEstados e as próprias comunidades usuárias da água. Diante dessa concepção aLei de Águas 9.993/97 prevê a cobrança pelo uso da água, levando a iniciativaprivada e o poder público a adotar medidas de racionalização e reuso da água. Um critério importante que deve apoiar o uso racional dos recursos hídricos éa categorização simples da água, pois ela permite compatibilizar a qualidade daágua com o seu uso. De acordo com o GROUP RAINDROPS (2002) a água éclassificada geralmente em três categorias: água potável, água não potável e águapoluída. As Águas nobres, ou seja, as águas potáveis destinadas ao consumohumano devem cumprir padrões estabelecidos pelos órgãos sanitários. Asatividades que não estão relacionadas ao consumo humano, podem utilizar águas
  • 29. não potáveis. As águas poluídas e/ou contaminadas até o momento não podem serutilizadas, mas devem passar por um processo de redução de resíduos pordecantação, uma vez que despejadas sem cuidados antecipados na natureza,contaminam uma grande quantidade de água limpa. Diante disso, existem diversas maneiras de tornar o uso da água maiseficiente. Uma delas é gastar menos água, outra é reciclar a água que já foi utilizadaem alguma atividade. O reuso da água diminui significativamente a quantidade deefluentes que seriam despejados contaminando águas superfícies e subterrâneas,além de diminuir a quantidade água retirada dos mananciais. As técnicas de reusotêm encontrado uma resposta muito positiva na indústria, embora necessite deequipamentos especiais para o tratamento antes da reutilização, requerendo algunsinvestimentos. Porém as medidas governamentais que prevêem a cobrança tantopelo uso da água, como pelo lançamento de efluentes na natureza (princípio dopoluidor-pagador) têm estimulado o reuso da água. Outra forma de melhorar o uso da água é aumentar sua captação buscandofontes alternativas de água. Uma boa maneira nesse sentido consiste em coletar,armazenar e utilizar a água da chuva. Em regiões de seca o uso da água da chuvafaz parte da tradição local. Na atualidade, com a necessidade de harmonizaçãoentre a chuva e o ambiente urbano, o aproveitamento da água da chuva seevidencia como uma alternativa promissora para mitigar os impactos daurbanização. Uma outra alternativa que tem aumentado bastante no Brasil é a exploraçãoda água subterrânea, uma vez que geralmente possibilita destiná-la para fins nobrescom qualidade elevada, por vezes superior a da água tratada e à baixos custos.Porém conforme o Ministério do Meio Ambiente (2005) os recursos hídricossubterrâneos brasileiros estão sujeitos a uma série de riscos, dos quais é importantecitar: exploração excessiva, que pode provocar o esgotamento dos aquíferos; a contaminação das águas subterrâneas por efluentes sanitários e industriais, agrotóxicos, fertilizantes, substâncias tóxicas provenientes de vazamentos. A gravidade da contaminação está diretamente
  • 30. relacionada à toxicidade, persistência, quantidade e concentração das substâncias que alcançam os mananciais subterrâneos. Para garantir a sustentabilidade na utilização das águas subterrâneas deve-seter por base a sua capacidade de recarga, a disponibilidade do aquífero e a criaçãode critérios e instrumentos legais para restringir a sua utilização de forma racionaladequada à realidade local.3.1.2 Legislação e Recursos Hídricos As legislações que tratam dos recursos hídricos no Brasil surgem no contextoda grande crise nas primeiras décadas do século XX, com o Decreto Presidencial24.643, em 10/7/34 que aprovou o Código de Águas. Focando a água como um doselementos básicos do desenvolvimento nacional, buscou-se a valorização dopotencial hidráulico brasileiro na irrigação da agricultura e, principalmente, nageração de energia elétrica para atender o ramo urbano-industrial surgente no país.Esse dispositivo reconheceu o valor econômico das águas e definiu a suapropriedade como pública. O marco na proteção das águas brasileiras foi a aprovação da Lei Federal n°9.433/97, a chamada “Lei das Águas”, que de acordo com Almeida (2002)reconheceu a necessidade de se proteger as águas dentro da estrutura globalambiental, a partir da gestão integrada dos recursos hídricos e do meio ambiente,visando o desenvolvimento sustentável e à manutenção do meio ambienteecologicamente equilibrado, conforme recomenda a atual constituição. A referendada lei instituiu a Política Nacional dos Recursos Hídricosestabelecendo em seu artigo 1° os seguintes fundamentos básicos: a adoção da Bacia Hidrográfica como uma unidade de planejamento; os múltiplos usos que podem ser atribuídos a água; reconhecimento da água como um bem finito e vulnerável; reconhecimento do valor econômico da água; a gestão integrada participativa.
  • 31. Em seu artigo 2°, a “Lei das Águas” estabelece os seguintes objetivos daPolítica Nacional dos Recursos Hídricos: assegurar à atual e às gerações futuras a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos; a utilização racional e integrada dos recursos hídricos, com vistas ao desenvolvimento sustentável; a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem natural ou decorrentes do uso inadequados dos recursos naturais. Em 2000 criou-se a Agência Nacional de Águas (ANA), que tem como missãobásica implementar os instrumentos de gestão previstos na Lei 9.433/97 e fiscalizaro uso dos recursos hídricos. Dessa maneira a água passa a ser um bem dotado devalor econômico controlado por meio da utilização de instrumentos regulatórios eeconômicos, como a concessão de outorgas, instrumento pelo qual o Poder Públicoautoriza o usuário a utilizar as águas de seu domínio, por tempo determinado e comcondições preestabelecidas e a cobrança pelo seu uso. Visando, principalmente,induzir a redução do desperdício pelo uso racional da água e promover a justiçaambiental realizando a cobrança para aqueles que usam e poluem as águas. A Lei n° 12.726 /99 em seu artigo 1° institui a Política Estadual de RecursosHídricos e cria o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos, comoparte integrante dos Recursos Naturais do Estado do Paraná, nos termos daConstituição Estadual (1989) e na forma da legislação federal aplicável. Os seusfundamentos básicos e objetivos são comuns aos da “Lei de Águas”. De acordo comAlmeida, 2002: Os maiores problemas que afligem a proteção ambiental dos nossos recursos naturais são: a grande pressão demográfica; a falta de planejamento adequado do uso do solo e dos recursos naturais; a carência de serviços públicos básicos; e a urbanização descontrolada. Possuímos um dos mais avançados sistema de proteção jurídica do meio ambiente, porém inoperante.
  • 32. Temos boas leis que destacam a importância de se preservar os recursoshídricos, fazendo uso racional da água na busca de garantir a sua sustentabilidade.Legislar é um passo imprescindível para estabelecer a ordem das coisas, porémprecisamos fazer valer tal normatização, a partir de esforços individuais e conjuntospara a melhoria de gestão dos recursos hídricos. Individualmente podemos cuidarda água com atitudes cotidianas simples como: fechar as torneiras enquanto nãoestiver utilizando, diminuir o tempo do banho, e reutilizar águas já utilizadas emalguma atividade, para lavar calçadas, por exemplo. Segundo Menezes (2006) a utilização de equipamentos economizadores deágua2, reduz significativamente o consumo e as contas de água possibilitandotambém aos usuários dessas tecnologias uma participação mais efetiva napreservação ambiental. Entre estes produtos estão o arejador de torneira e o registroregulador, que tem como função limitar a vazão de água nos pontos de consumoindependente da pressão na rede ou do nível de abertura; a bacia sanitária comvolume de descarga reduzido; as torneiras com fechamento automático; e mediçãoindividual em edifícios residenciais multifamiliares com o objetivo de estabelecer orateio da contas de água geral. Coletivamente recomenda-se à comunidadeacadêmica a se engajar nessa luta em defesa da água investigando a situação realdos recursos hídricos, levando esclarecimento e educação à população sobre ocombate ao desperdício em conjunto com associações públicas e privadas, escolase empresas de saneamento buscando facilitar o trabalho dos órgãos públicosresponsáveis e também realizar as devidas cobranças de cumprimento dalegislação, acionando as autoridades competentes em caso de irregularidade. Com relação a água de chuva, embora algumas regiões brasileiras,tradicionalmente, utilizem essa fonte alternativa de água a anos, até o momento nãoexiste na legislação nacional nenhuma lei que regulamente seu uso. May (2004) aponta que um dos motivos de não haver uma normatização paraimplantação adequada do sistema de aproveitamento de água da chuva é a falta dedados tais como: qualidade da água e coeficiente de runoff3.2 No site da Sabesp (www.sabesp.com.br) encontra-se disponível uma listagem deprodutos e fornecedores com está finalidade.3 O coeficiente de runoff é a razão entre o volume de precipitação e o volume de escoamentosuperficial que pode ser melhor compreendido no item 3.2.1, sobre a composição do sistema deaproveitamento de água de chuva.
  • 33. Buscando diminuir as potencialidades de enchentes urbanas e diante doiminente risco de escassez de água, diversas cidades têm aprovado leis municipaisque obrigam o uso da água da chuva nas grandes cidades como Rio de Janeiro,São Paulo e Curitiba. A cidade do Rio de Janeiro aprovou o Decreto-Lei em 2004,que obriga todos os edifícios com mais 500 m² de área impermeabilizada, prédiosresidenciais com mais de 50 apartamentos e novas construções a implantarem umsistema para captação da água das chuvas. Na capital do Paraná foi instituída, aLei n° 10.785 em setembro de 2003, que cria Programa de Conservação e UsoRacional da Água nas Edificações. Tendo como objetivo estabelecer medidas queestimulem a conservação, o uso racional e a utilização de fontes alternativas paracaptação de água nas novas edificações. Diversas outras cidades do país vêmaderindo a essa tendência, porém essas leis não têm sido estruturadas de umaforma sistemática ampla e não apresentam nem um respaldo técnico sobre autilização dessas técnicas alternativas. A Lei Nº 7070 de 12 de dezembro de 2002, que altera a seção 11ª referenteas "Águas Pluviais", do Código de Obras do Município de Ponta Grossa, Lei nº6.327, de 02 de dezembro 1999 diz o seguinte: Art. 523 - As instalações de águas pluviais devem ser projetadas eexecutadas observando as normas do órgão municipal competente. Art. 525 - Será admitido outro tipo de ligação desde que tecnicamentejustificado, a critério do órgão municipal competente. Atualmente a norma brasileira NBR 15527/2007 da Associação Brasileira deNormas Técnicas (ABNT) sobre aproveitamento de água da chuva para fins nãopotáveis estabelece os requisitos para um sistema completo de aproveitamento deágua de chuva em coberturas nas áreas urbanas para fins não potáveis.3.2 O APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA: HISTÓRICO E PRÁTICASRECENTES O aproveitamento de água de chuva é uma técnica relativamente simples eeconômica que consiste em coletar a precipitação por meio de superfícies
  • 34. impermeáveis e conduzi-la para um reservatório onde será armazenada para osmais diversos usos, tanto em áreas urbanas quanto rurais. Existe uma grande variedade de técnicas para aproveitar a água de chuva ea tecnologia envolvida pode ser extremamente simples ou complexa dependendo deespecificidades locais, das particularidades da construção e do uso pretendido. De uma maneira geral podemos inferir que em áreas extremamenteurbanizadas e industrializadas as técnicas se complicam devido à grandequantidade de poluentes presentes no ar atmosférico, nos telhados e pisosnormalmente utilizados para coletar a chuva, requerendo um cuidado maior emrelação à qualidade da água e ao seu uso que deve ser destinado para fins nãopotáveis, do que em regiões rurais, afastadas de áreas urbanas e industriais, onde aemissão de poluentes atmosféricos é significativamente menor e a água podeinclusive ser utilizada para beber após uma desinfecção simples. Conforme Worm e Hattum (2006), a tecnologia utilizada é flexível e adaptávela uma ampla diversidade de circunstâncias. Sendo utilizada desde as sociedadesmais desenvolvidas até as mais carentes, assim como entre as regiões mais úmidasou mais secas do planeta. Embora o correto armazenamento de água de chuva represente um valiososuprimento de água produzindo inúmeros benefícios sociais, econômicos eambientais, ele também oferece algumas desvantagens. É importante avaliar essasquestões para poder traçar um comparativo referente às possibilidades de instalaçãode outras opções disponíveis. A figura 7 apresenta algumas vantagens edesvantagens referentes ao aproveitamento de água de chuva de uma maneirageral. A coleta de água de chuva para aproveitamento em múltiplos usos nãopotáveis pode ser realizada em uma infinidade de estabelecimentos: residenciais,comerciais, industriais e rurais. Segundo Machado & Cordeiro (2004) a águaproveniente das chuvas se destinará: Para usos residenciais em: descarga do vaso sanitário lavagem de pisos e de veículos automotores irrigação de jardins
  • 35. lavagem de roupas Para usos comerciais e industriais em: resfriar equipamentos e máquinas para serviços de limpeza descargas nos sanitários reservatório contra incêndios irrigação das áreas verdes áreas de contenção diminuindo/evitando alagamentos lavagem roupas - hotel e lavanderias lavagem veículos e outros Para usos rurais: Além dos usos residenciais, também se utiliza água de chuva para a irrigação de agricultura. (continua) Aspecto Vantagens Desvantagens Redução do gasto mensal com Dependendo da tecnologia água e esgoto. empregada, pode ter alto custo inicial. Garantia da qualidade de vida pela Pode aumentar o gasto com certeza da não falta de água e energia elétrica seus inconvenientes. Aumento da renda mensal, após Econômico retorno do investimento inicial. Flexibilidade e adaptabilidade dos sistemas para satisfazer as circunstâncias e orçamentos locais, o que inclui o aumento da disponibilidade de tanques de baixo custo (por exemplo, feitos de ferro-cimento, plástico ou de pedra/ tijolos). Melhora da imagem perante a Pode haver dificuldade de sociedade, órgãos ambientais, etc. aceitação social por falta de Social esclarecimentos básicos sobre o sistema.FIGURA 7 – Quadro com as principais vantagens e desvantagens do aproveitamento de água dechuva
  • 36. (continuação) Aspecto Vantagens Desvantagens Preservação dos recursos hídricos, O abastecimento é sensível à principalmente dos mananciais seca. A ocorrência de estações superficiais e subterrâneos. secas prolongadas e de secas pode causar problemas quanto Ambiental ao abastecimento de água. Contribui na contenção de enxurradas que provocam alagamentos e enchentes Manutenção: a operação e Manutenção: uma operação manutenção do sistema são correta e uma manutenção controladas pelo proprietário do regular são um fator muito tanque. Desse modo, constitui uma importante que, muitas vezes, boa alternativa à debilidade de é negligenciado. Inspeção e manutenção e monitoramento de limpeza regulares e reparações um sistema centralizado de água ocasionais são essenciais para canalizada. o sucesso do sistema. Outros Água de qualidade relativamente A qualidade da água é boa: a água da chuva é melhor que vulnerável: a qualidade da outras fontes tradicionais água da chuva pode ser disponíveis (a água subterrânea afetada pela poluição do ar, talvez não possa ser usada devido excrementos de animais e de ao flúor, salinidade ou arsênico). pássaros, insetos, sujeira ou matéria orgânica.FIGURA 7 – Quadro com as principais vantagens e desvantagens do aproveitamento de água dechuva (Adaptado de KOBIYAMA; MOTA; CORCEUIL, 2008 e WORM; HATTUM, 2006). O aproveitamento da água de chuva não é algo que foi idealizadorecentemente, essa técnica já vem sendo utilizada a milhares de anos. Registroshistóricos revelam que diversos povos da antiguidade conseguiram desenvolvergrandes civilizações em regiões semi-áridas, tendo com único recurso para todas assuas atividades, quantidades irregulares de água proveniente dos poucos meses dechuva. No deserto de Negev, localizado no Oriente Médio, por exemplo, existemvestígios desse sistema com reservatórios escavados na rocha, de idade próxima de4000 anos4 (Figura 8).4 Ver UNESCO World Heritage Site, disponível em:http://www.parks.org.il/BuildaGate5/general2/company_search_tree.php?Cat=383~Card12~~~~&ru=&SiteName=parks&Clt=&Bur=162179697
  • 37. FIGURA 8 – Vestígios de cisternas escavadas na rocha no deserto do Negev, Oriente Médio. A-Acesso subterrâneo à cisterna; B- Orifício para entrada de água na cisterna.Fonte: (BIBLETOURIST, 2009). Thomaz apud May (2004) menciona a Pedra Moabita, uma inscrição do reiMesha de Moabe, encontrada no Oriente Médio. Nela o rei sugeria, por volta de 850a.C, a construção de uma cisterna para aproveitamento da água de chuva em cadacasa. O trecho a seguir é uma transcrição das palavras do rei Mesha do hebraicopara o português da Pedra Moabita. [...] “fiz os seus reservatórios para água, dentro da cidade. E não haviacisterna dentro da cidade de Qarhoh, por isso disse ao povo: Que cada um de vósfaça uma cisterna para si mesmo, na sua casa” [...] (SÁLVIO, 2008). Durante o Império Romano, foi construído um complexo sistema de uso daágua que incluía a utilização de aquedutos e cisternas. Na época de Cristo, na Fortaleza Massada, localizada a leste do deserto deJudá, em Israel. O rei Herodes construiu um complexo sistema com 12 imensascisternas (Figura 9), com capacidade de cerca de 40.000 m³ cada, escavadas eligadas por túneis capazes de abastecer diversos cantos da cidadela, inclusive aspiscinas das casas de banho. Mesmo sendo uma região muito seca esse sistema deabastecimento conseguia captar a água dos temporais de inverno bastando apenasalgumas horas para encher as cisternas. (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDASPARA A EDUCAÇÃO A CIÊNCIA E A CULTURA, 2001; ARAÚJO & SILVA NETO,2009).
  • 38. FIGURA 9 – Fortaleza Massada e cisterna escavada na rocha, Deserto de JudáFonte: (UNITED NATIONS EDUCATIONAL, SCIENTIFIC AND CULTURAL ORGANIZATION, 2009). De acordo com HowStuffWorks (2007) o uso de poços e de cisternas querecolhiam a água da chuva que escorria do telhado eram fundamentais para asobrevivência dos castelos na idade média. Alguns castelos tinham umencanamento rudimentar que canalizava a água das cisternas para as pias. Ruskin (2001a) refere-se a um trabalho publicado, em 1863, pelo J. FranklinInstitute na Practical Mechanica5, onde de acordo com o autor a cidade de Venezacoletou a precipitação das chuvas e a armazenou em cisternas por um períodosuperior a 1.300 anos. A água coletada em 177 cisternas públicas e 1.900 cisternasprivadas era a principal fonte de água fresca para Veneza até aproximadamente oséculo XVI. No continente sulamericano os Incas construíram canais que transportavamágua para que fosse armazenada em cisternas, ou mesmo em diferentes níveis deterraços, nos terrenos íngremes da região, que permitiram um melhoraproveitamento da terra para a agricultura sem desperdícios. No Brasil relatos sobre o armazenamento de água de chuva em cisternasremontam à época do descobrimento do país, ainda que em alguns casos como umaalternativa momentânea para atender às necessidades de viajantes.5 J. Franklin Institute, “The water cisterns in Venice,” Practical Mechanica J., 3rd ser. 70 (1860): 372-73, 1863.
  • 39. Por volta de 1555, o Almirante francês Villegaignon, buscando asilo nas terrasde além-mar para os huguenotes que eram perseguidos religiosos na Europa,estabeleceram-se temporariamente, na ilha de Sergipe, que hoje leva o nome doAlmirante, na baia de Guanabara. A ilha tinha um posicionamento estratégico tantopara ataque quanto para defesa de tropas inimigas, mas um dos grandesinconvenientes era a falta de água potável. Para amenizar essa situação abriu-seuma cisterna que podia armazenar água por 6 meses (FERREIRA, 2000). Diversos fortes criados pela coroa portuguesa na orla marítima, para garantira defesa de posse das terras recém descobertas, utilizavam cisternas como parteimportante do suprimento de água. Entre eles destacam-se: O Forte dos Reis Magos, construído em 1598, numa união da coroa portuguesa e espanhola para expulsar o francês da região do Rio Grande do Norte. A construção do forte que representa um dos mais expressivos marcos históricos do Brasil deu início à cidade de Natal. Na fortificação encontram-se a Casa de Comando, os Quartéis e os Depósitos, além da Capela, a Casa de Pólvora e uma cisterna para armazenar a água da chuva (TEIXEIRA, 2006; GUIA DA SEMANA, 2006) e; A Fortaleza de Ratones (Figura 10), que foi construída em 1744, em Santa Catarina. O aqueduto, que une a casa do comandante aos aquartelamentos, fazia parte do sistema de captação das águas pluviais, provenientes dos telhados dos edifícios principais, e que complementava o suprimento proveniente da fonte de água para ser consumida pelas tropas do Império Português (TEIXEIRA, 2008). Atualmente os fortes pertencem ao Instituto do Patrimônio Histórico e ArtísticoNacional (IPHAN) e funcionam como atrativo de visitação turística, a Fortaleza deRatones utiliza a energia de painéis solares instalados próximos à fortaleza(TEIXEIRA, 2008).
  • 40. FIGURA 10 – Visão panorâmica da Fortaleza de Ratones, SC. 1- Fonte d‟ água; 2 e 3- painéissolares.Fonte: (TEIXEIRA, 2008). Nos engenhos de açúcar do Brasil colonial não faltavam cacimbas, cisternasou grandes potes para guardar água (GUILLEN & COUCEIRO, 2001). Nos quilombos o uso de cisternas também era frequente e ficava localizadono centro das vilas juntamente com outras instalações públicas como o conselho, omercado e a forja (MAESTRI, 1997). Como observado, as técnicas de utilização de água de chuva tem sidodesenvolvidas há milhares de anos por diversos povos. Com o passar do tempo em diversas sociedades a utilização de água dechuva foi gradativamente reduzida e abandonada ao esquecimento, principalmentedevido aos avanços tecnológicos que facilitaram o acesso a água. Na atualidade o aumento constante da demanda de água, a concentração dapopulação nos grandes centros urbanos e a poluição dos mananciais tem geradograndes problemas de abastecimento de água e outros relacionados como doençasde vinculação hídrica e enchentes urbanas. O enfrentamento desses problemas tem levado diversos países a retomar oaproveitamento de água de chuva como uma fonte alternativa de água. Para o Japão coletar, armazenar, utilizar a água da chuva e infiltrar seuexcedente no solo é uma sabedoria adquirida recentemente para mitigar escassezde água, controlar as inundações, e garantir água para emergências que Tóquio
  • 41. aprendeu depois de uma dura lição ao rejeitar completamente a chuva e esvaziartoda essa água em esgotos (GROUP RAINDROPS, 2002). Em 1994, Tóquio realizou a 1° Conferência Internacional sobreaproveitamento de água da chuva, abordando o seguinte tema: “O aproveitamentoda água da chuva salva a terra e cria uma amizade entre os pingos de chuva e ascidades”, iniciando uma rede global de troca de informações sobre o aproveitamentode água de chuva. De acordo com GROUP RAINDROPS (2002), em 1985, na cidade de Sumida,no Japão, juntamente com a construção do ginásio de sumô Ryogoku Kokugikan(Figura 11) foi instalado um sistema de aproveitamento de água de chuva. Buscandoaproveitar seu grande telhado com 8400 m² de área. O ginásio foi equipado com umreservatório de 1000 m³ instalado no subsolo para abastecer os vasos sanitários, osistema de refrigeração, é utilizado para regar plantas, lavar pátios e comosuprimento de água emergencial local. No país a coleta e utilização de água de chuva são promovidas e continuamflorescentes, tanto a nível público e privado.FIGURA 11 – Ryogoku Kokugikan, ginásio de sumo, Sumida, no JapãoFonte: (UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME, 2002).
  • 42. Em Singapura, 86% da população vive em arranha-céus. Por ser um paíspequeno conta com limitados recursos naturais e uma crescente demanda de água.A busca por fontes alternativas e métodos inovadores para obtenção de água, temlevado seus moradores a coletar a água de chuva através de coberturas leves nosedifícios. A água coletada é armazenada em reservatórios distintos para usos nãopotáveis, estudos já constataram uma economia efetiva de 4% de água consumida,que não precisa ser bombeada para o alto dos edifícios a partir do piso térreo. Noaeroporto do país a água de chuva coletada nas suas vias e nas áreas verdes éarmazenada em reservatórios dimensionados para trabalhar com excesso de águapara reserva. A água coletada é usada para fins não potáveis, como combate aincêndios e descargas de banheiros, permitindo ao aeroporto reduzir em cerca de30% o consumo de água tratada obtendo um retorno financeiro considerável, vistoque o custo da água é alto no país (UNITED NATIONS ENVIRONMENTPROGRAMME, 2002). Na Tailândia o método utilizado é um dos mais simples, barato, apropriado eobtém água potável de alta qualidade. A água dos telhados escorre para grandesvasos, com capacidade de 100 a 3000 litros que são, simplesmente, equipados comtorneiras, tampas e ralos que garantem a proteção da água contra a contaminação apartir de lixo e infestação de mosquitos. O modelo mais popular de 2000 litrosconsegue suprir as necessidades de uma família com 6 pessoas durante a estaçãoseca que tem duração de 6 meses. Além disso, devido ao grande êxito obtido comesse sistema o governo tailandês promoveu uma campanha nacional para utilizaçãoda água da chuva, gerando empregos na construção dos vasos e apoiando aquelesque não podem comprá-lo (UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME,2002). A figura 12 mostra os grandes vasos usados como reservatórios de água naTailândia.
  • 43. FIGURA 12 – Vasos para armazenar água de chuva na TailândiaFonte: (UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME, 2002). Nas Ilhas Virgens dos Estados Unidos, as cisternas têm sido utilizadas desdeque estas ilhas foram colonizadas. Atualmente, as cisternas ainda suprem asdemandas de água de muitos residentes das ilhas do Pacífico e Caribe, semmencionar as regiões costeiras, tropicais e outras da América Latina. Na realidade,as cisternas das Ilhas Virgens podem ser encontradas abastecendo não apenas asnecessidades de água de residências particulares, como também de escolas,restaurantes, projetos públicos de moradias, hotéis e casas de hóspedes (RUSKIN,2001a). Na China, um dos países mais populosos do mundo, onde 70% da populaçãovive na zona rural, a milenar prática de aproveitamento de água de chuva vemsendo reincentivada nos últimos 20 anos, principalmente para agricultura. Nas áreasdo semi-árido chinês o Programa “Providenciando água para uso humano e paraanimais, desenvolvendo a economia, agricultura e melhorando o meio ambienteatravés do uso de água de chuva”, denominado “Programa 1-2-1”: a propostaconsiste na construção de uma (1) área de captação de 100 m2, duas (2) cisternassubterrâneas de concreto para armazenamento de água, uma cisterna para água debeber e outra para irrigação (entre 20 e 50 m3), e uma (1) área de pelo menos 700m2 com irrigação suplementar, destinada à produção de culturas comercializáveis
  • 44. (Figura 13). As famílias contribuíram com a mão-de-obra e até o final de 2004,2.500.000 tanques de água foram construídos somente no estado de Gansu(GNADLINGER, 2004).FIGURA 13 – Modelo de captação de chuva no Programa 1-2-1Fonte: (GNADLINGER, 2004). Na Tasmânia, onde o ar é tido como o mais limpo do mundo, devido àcirculação de nuvens da Antártida em direção ao país, a chuva resultante é limpatambém. Dúvidas sobre a qualidade da água foram esclarecidas através da melhoriatecnológica e de gestão, hoje metade da população e cerca de 77% das criançasbebem água de chuva que é comercializada em caixinhas de 1 litro (GROUPRAINDROPS, 2002; UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME, 2004;GNADLINGER, 2007; TASMANIAN RAIN, 2009). Sob iniciativa da United Nations Environment Programme (UNEP), ou na suaversão portuguesa, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA),em outubro de 2004, na cidade de Haia, nos Países Baixos, foi criada a “RainwaterPartnership” ou “Parceria da Água de Chuva” para promover e integrar oaproveitamento de água de chuva em escalas locais, nacionais e globais,principalmente no continente africano dado que cerca de 300 milhões de pessoas, ocorrespondente a um terço da população do continente, são pessoas que vivem em
  • 45. circunstâncias de "escassez de água", uma ação urgente é necessária para reduzir afalta de água que aflige o continente. A iniciativa reconhece a importante contribuição da utilização de água dechuva na consecução dos objetivos da Agenda 21, do Plano de Implementação deJohanesburgo e dos objetivos de Desenvolvimento do Milênio que têm como metareduzir pela metade a proporção de pessoas sem acesso a água potável esaneamento e os que vivem em situação de pobreza no mundo até 2015. Em muitos outros países o aproveitamento de água de chuva vem sendodesenvolvido com sucesso como: na Alemanha, a Daimler Chrysler como parte deum complexo conceito interdisciplinar ecológico; nas zonas rurais do Quênia, paradar um novo papel social e econômico para as mulheres que transformaram umaregião seca e poeirenta em um ambiente verde e produtivo; na Zâmbia, a fim deaumentar os rendimentos das culturas utilizando a conservação da agricultura; naÍndia, como resultado das iniciativas da sociedade civil e de defesa, os governosfederal e estaduais têm trazido, para a realização de mudanças na política do país, àcoleta da chuva como um componente essencial de todos os programas da água nomeio urbano e rural (UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME, 2004). No Brasil a água da chuva tem ganhado destaque, principalmente, como umaalternativa para enfrentar a escassez no semi-árido nordestino e como uma potencialfonte de água suplementar nas mega-cidades, visando reduzir o consumo de águaspotáveis e minimizar a ocorrência de enchentes urbanas. No Rio Grande do Sul, em 2005, foi iniciado o Programa Estadual deCaptação e Manejo da Água de Chuva (PECMAC) para combater a estiagem nazona rural que prevê a construção de cisternas com capacidade de 30 m³, devendoenvolver a mão-de-obra local; e microbarragens que devem ser dimensionadas portécnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER). Épossível aos proprietários rurais requerêrem financiamento para a execução dessasobras. A água armazenada poderá servir para a irrigação de hortas, pequenospomares, lavagem de estábulos e pocilgas e outras atividades que não necessitemde água potável. O projeto inclui ainda a infiltração de água de chuva naspropriedades, cuja orientação do sistema é: “as águas das chuvas deverão sermantidas onde elas caem”, buscando redirecionar as águas de chuva queprejudicam a conservação das estradas. O programa também contempla aconstrução de cisternas para fins não potáveis nas áreas urbanas.
  • 46. Em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, foram construídas 738 cisternas, cadauma com capacidade para armazenar 20 m³ de água de chuva. A medida foiadotada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) parasolucionar a dificuldade de abastecimento de água enfrentada nos assentamentosda região (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO, 2008). No Semi-Árido Brasileiro (SAB) a adoção de métodos para armazenamento emanejo de água de chuva significa muito mais do que uma maneira de se conseguirágua; é antes de tudo uma questão de criar mecanismos de adaptação paraconviver dignamente com o clima e a seca. De acordo com Schistek (2009) uma das características mais marcantes doSemi-Árido Brasileiro é a quase total falta de cursos de água permanentes. Aprecipitação é irregular em demasia, tanto temporalmente quanto espacialmente, detal maneira que dificilmente se encontram dois anos com distribuição de chuvasemelhante. Além disso, a evaporação é muito alta, enquanto a precipitação média éde 500 mm por ano, potencialmente poderiam evaporar 3.000 mm por ano. Não ésomente a precipitação e a evaporação que condicionam a disponibilidade ou a faltade água. A maior parte do Semi-Árido Brasileiro, aproximadamente 80 %, possuirochas do embasamento cristalino que dificultam muito a existência de águassubterrâneas em quantidade e qualidade. Mesmo assim a existência de umadeficiência hídrica pode ser considerada relativa. Com conhecimentos básicos sobremeio ambiente, sobre algumas tecnologias simples e os recursos materiaisnecessários disponíveis, a água precipitada nos meses de fartura pode serarmazenada para os meses de seca. No Semi-árido Brasileiro, existem muitos exemplos bem sucedidos nacaptação e manejo de água de chuva para uso humano, para criação de animais eprodução de alimentos, que na sua maioria foram desenvolvidas por agricultoresfamiliares (GNADLINGER, 2005). A partir da iniciativa da ASA (Articulação no Semi-Árido Brasileiro) entidadeque reúne mais de 700 ONGs atuantes no Semi-Árido Brasileiro. Foi iniciado, em2003 o Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC), que deve construir o equivalente a1 milhão de cisternas nos próximos anos com recursos financeiros do Ministério doDesenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e da iniciativa privada. O P1MCdeve beneficiar cerca de 5 milhões de pessoas em toda região semi-árida do país,com água potável para beber e cozinhar coletada dos telhados das casas e
  • 47. armazenadas em cisternas. Das 259.500 cisternas construídas até junho de 2009no âmbito do programa, grande parte é cisterna de placas de cimento. Cada cisternatem capacidade de armazenar 16 m³ de chuva, que se for utilizada de formaadequada é capaz de suprir a necessidade de uma família de cinco pessoas por umperíodo de seca de 8 meses, tempo suficiente para suportar uma seca bastanteprolongada fornecendo 14 litros de água potável por pessoa por dia (REDE DETECNOLOGIA SOCIAL, 2007; MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL ECOMBATE A FOME, 2009; ARTICULAÇÃO NO SEMI-ÁRIDO BRASILEIRO, 2009). A tecnologia empregada para utilização de água de chuva, na região, consisteem: uma área de coleta que é o telhado das casas, um sistema de distribuiçãoformado por calhas e canos e um reservatório, entre os quais, de acordo comGnadlinger (2005), se destacam: As cisternas de placas que são reservatórios cilíndricos de água de chuva, construídos com placas pré-moldadas de cimento, ficam enterradas no chão até mais ou menos dois terços da sua altura, mantendo a água sempre fresca. A figura 14 apresenta a cisterna de placas construída no SAB;FIGURA 14 – Cisterna de placasFonte: (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE A FOME, 2009). As Cisternas de concreto com tela de arame (que utiliza uma forma durante a primeira fase de construção), que raramente apresenta vazamento, e, se isso acontecer, poderá ser facilmente consertada, apresentada na figura 15;
  • 48. FIGURA 15 – Construção de uma cisterna de tela com arameFonte: (CAVALCANTE, 2007). E a cisterna de tela-cimento, aperfeiçoada, em 2005, com a utilização de tela de material galvanizado, que fica em pé e dispensa a forma, apresentada na figura 16.FIGURA 16 – Construção de uma cisterna com tela-cimentoFonte: (SCHISTEK, 2005). Diversos autores concordam que para resolver o problema de abastecimentode água para o uso familiar em regiões semi-áridas, é necessário dispor detecnologias que reúnam baixo custo, alta resistência e simplicidade na construção. As técnicas de ferro-cimento, o formato cilíndrico e a argamassa de cimentotêm garantido a alta resistência das cisternas e segurança contra vazamento,representando uma alternativa tecnológica adaptada à região e à realidade dos
  • 49. pequenos agricultores, pois sua tecnologia é acessível aos pedreiros do meio rural eo custo é baixo. Ao longo dos anos, essa técnica é constantemente aperfeiçoada,tendo como principais agentes do processo os próprios agricultores-pedreiros quetrabalham com a tecnologia (MATIAS, 2001; SCHISTEK, 2005; SANTOS et al,2007). Complementando o P1MC com vistas ao desenvolvimento sustentável daregião, está sendo proposto o P1+2 (Programa Uma Terra e Duas Águas) cujopressuposto básico é o de dotar cada família do SAB de uma parcela de terra: (1)com tamanho suficiente para produzir alimentos e viver de maneira sustentável; (2)duas águas significam uma para o consumo humano, já considerada no P1MC, eoutra para produção de alimentos e/ou criação de animais. O P1+2 fornecesubsídios para uma reforma agrária apropriada, e o aumento da eficiência do uso daágua. Na área urbana um exemplo bem sucedido é a lavanderia industrial“Lavanderia da Paz” em São Paulo, que há 30 anos capta, filtra e então utiliza aágua de chuva nos seus processos de lavagem (SICKERMANN, 2003). Outro caso de destaque em São Paulo, é o do Shopping Aricanduva, que comuma cobertura de 62 mil m² de telhado, chega a captar 7 mil m³ de água, numa únicachuva forte (SINDICONET, 2009). No bairro Santa Mônica, região Leste de Uberlândia, motivado pela filosofiade que: “quanto mais se economizar água potável, melhores serão as condições devida na Terra para as gerações futuras”, um posto de combustível reformadorecentemente instalou uma cisterna com capacidade para 10 m³ de água (CORREIODE UBERLÂNDIA, 2009). O sistema é simples. As calhas ao redor do telhado dospostos coletam a água e um condutor que antes descartava para a rede pluvial foiaumentado alguns metros conectando aos reservatórios. O armazenamento érealizado em uma caixa instalada sobre uma pequena torre, e cerca de duas horasde chuva são suficientes para transbordar água. Em Curitiba, o condomínio Quintas do Cabral, com 400 moradores instalou,em 2002, um sistema que armazena a água de chuva em um cisterna com 9 m³. Aágua é utilizada para lavar a garagem, a calçada e molhar as áreas verdes. Emborao condomínio garanta uma economia de R$ 100,00 por mês, o que motivou suainstalação foi a economia de água tratada encarada com um bem precioso pelosidealizadores do projeto (REDE PARANAENSE DE COMUNICAÇÃO, 2009).
  • 50. Em Ponta Grossa, no Paraná, o aproveitamento da água de chuva nasedificações urbanas vem despertando o interesse de indústrias e empresas queutilizam um volume elevado de água. Em 2003, a Viação Campos Gerais S. A(empresa responsável pelo transporte coletivo da cidade), implantou um sistemapara coletar a água de chuva que cai num telhado, com 5000 m² da edificaçãousada como garagem dos veículos de transporte coletivo. Por meio de calhas a águacaptada é conduzida para uma cisterna, com capacidade de 180 m³, onde éarmazenada para a sedimentação das partículas e a retenção de folhas eexcrementos existentes na água. Em seguida a água da cisterna é bombeada paradois reservatórios superiores, com capacidade de 25 m³ cada um, que abastecem olavador de veículos (Figura 17). Com esse sistema são lavados em média 130veículos por dia, aproximadamente 3.900 por mês (GIACCHINI, 2003).FIGURA 17 – Cisternas superiores e lavagem de veículo em máquina abastecida com água de chuvaFonte: (GIACCHINI, 2003). Também, em Ponta Grossa, segundo um estudo realizado na IndústriaFundição Hubner, que constatou a existência da viabilidade de utilização da água dechuva para fins não potáveis no empreendimento. A adoção do sistema, comosuprimento complementar de água, poderá reduzir em cerca de 50% o consumo deágua potável na empresa (GIACCHINI, 2003).3.2.1 Composição do Sistema de Aproveitamento de Água de Chuva Os sistemas de aproveitamento de água de chuva para fins não potáveis emedificações urbanas são bastante acessíveis do ponto de vista técnico, uma vez que
  • 51. utilizam os mesmos equipamentos destinados a drenagem da água das chuvas paraas galerias pluviais. Com a diferença que ao invés de descartá-las, rapidamente,como um incomodo, são armazenadas e valorizadas, recebendo uma importantefunção de suprimento complementar de água. Aproveitar água de chuva em edificações é uma operação relativamentesimples e pode ser sintetizada nas seguintes etapas: coleta da água de chuva pormeio de uma superfície impermeável; condução para um reservatório, através de umsistema de distribuição; tratamento da água coletada; armazenamento em umreservatório; e utilização. Embora os sistemas de aproveitamento de água de chuva apresentemalgumas técnicas básicas, que serão detalhadas, a seguir, um modelo ótimo dessesistema, adequado à realidade, é projetado de acordo com os objetivos do usuário eadaptado as peculiaridades das construções. Não existe nenhum modelo genéricoque sirva em todas as situações, cada caso deve ser considerado único. Para coletar a água que cai nas chuvas são utilizadas superfíciesimpermeáveis como telhados, marquises, toldos, pisos e calçadas. Algumas áreasde coleta possam ser bastante criativas como coberturas retráteis improvisadas paraesta finalidade e abertas somente durante a chuva, ou como paredesimpermeabilizadas em edifícios com um toldo no andar térreo que permite acaptação da água que escorre pela parede. Normalmente, a coleta da água de chuva é realizada nos telhados onde sesupõe haver menor contaminação da água coletada. Outra vantagem em coletar aágua dos telhados é a cota mais elevada que permite que o reservatório dearmazenamento fique mais alto que os locais de consumo, resultando em reduçãono custo de instalação, de equipamentos necessários e de operação (ASSOCIAÇÃOBRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2000). Além disso, não será necessáriodispender nenhum recurso financeiro com uma área de coleta. A área de coleta ou de captação de água de chuva é a área projetada doplano horizontal da superfície impermeável, em metros quadrados, conforme a figura18, a seguir:
  • 52. FIGURA 18 – Projeção da área de coleta do telhadoFonte: (WORM; HATTUM, 2006). Nas residências unifamiliares a área de coleta é mais que suficiente emrelação ao número de habitantes para suprir as diversas atividades que nãonecessitam de água potável, por outro lado seu custo pode ser relativamenteelevado se comparado ao custo inicial do imóvel, principalmente, se for instaladoapós a construção da edificação. De acordo com Sickermann (2002) é importantelevar em conta o benefício-custo do sistema, pois ele será determinante no volumede água estocado em residências unifamiliares. Nos condomínios verticais a área de coleta pode ser pequena em relação aonúmero de moradores, não sendo suficiente para suprir a demanda por águas nãopotáveis. Seu custo é baixo, porém a economia de água é relativamente menor. Deacordo com GROUP RAINDROPS (2002), o uso da água de chuva nesse tipo deedificação também é limitado, principalmente se o prédio não estava projetado paraesta finalidade antes da sua construção, pois é complicado realizar reformas paraadaptar cada apartamento ao sistema de aproveitamento de água de chuva. Nessecaso, deve se destinar a água de chuva para propósitos comuns como: regar jardins,lavar carros e para limpeza dos locais comunitários. Nas edificações urbanas maiores, como indústrias, shoppings, escolas,mercados, postos de combustível e similares, a área de coleta é bastante grande. Ocusto de implantação de um sistema de aproveitamento de água de chuva nessasedificações é baixo se comparado ao custo total da obra, principalmente quando jápossuem alguma forma de retenção de água pluvial, necessitando somente ser
  • 53. adaptado para utilização. Se houver demanda suficiente a economia de água podeser muito expressiva, pois o volume de captação é grande. Nos postos decombustível, que oferecem serviço de lavagem de automóveis, o consumo de águapara fins não potáveis é elevado e o retorno é bastante aceitável. Não é somente o tamanho da área de coleta que determina o volume deágua da chuva que chega ao reservatório. O tipo de material utilizado nas coberturaspode provocar maior ou menor evaporação, assim como maior ou menor retençãoda água precipitada. Desta forma, o volume de água captado pelo sistema não é omesmo que o volume de água precipitado (WERNECK, 2006). A razão entre o volume de escoamento superficial e o volume de precipitaçãoque cai na superfície de captação é denominada coeficiente de escoamentosuperficial ou coeficiente de runoff, que varia entre 0 a 1 (ASSOCIAÇÃOBRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2000; WORM & HATTUM, 2006). Em outras palavras um coeficiente de runoff igual a 0.8 indica que 80% daprecipitação que cai num telhado é coletada (Figura 19). Ou seja, quanto maior for ocoeficiente de runoff, maior será a quantidade de água de chuva coletada. Superfície de Coleta de Águas Coeficiente de Escoamento Superficial Pluviais C Telhas cerâmicas 0,80 a 0,90 Telhas, lajotas e ladrilhos vitrificados 0,90 a 0,95 Telhas de cimento-amianto 0,70 a 0,85 Telhas metálicas corrugadas 0,80 a 0,95 Lajotas e blocos de concreto 0,70 a 0,80 Lajotas e blocos de granito 0,90 a 0,95 Pavimentos de concreto 0,80 a 0,95 Pavimentos asfálticos 0,70 a 0,90FIGURA 19 – Quadro dos coeficientes de runoff das superfícies coletorasFonte: (FENDRICH, 2002). O sistema de distribuição da água de chuva é formado por captadores e,condutores verticais e horizontais que são respectivamente calhas e tubos deencanamento convencionais com a função de canalizar a água de chuva que escoanos telhados para um reservatório de armazenamento.
  • 54. Existem calhas e condutores de diversas formas, tamanhos e materiais. Paraescolha do material Ruskin (2001b) propõe as seguintes características: resistênciaà corrosão; longa durabilidade; não deve ser afetado por mudanças de temperatura;deve ser liso; leve; e rígido. O sistema de distribuição de água de chuva deve ser projetado edimensionado de acordo com as recomendações da norma ABNT – NBR 10844sobre instalações prediais de águas pluviais. De acordo com Ruskin (2001b), os materiais mais utilizados nas calhas econdutores são: chapas de aço galvanizado e outras ligas metálicas; plásticos ecloreto de polivinila (plástico tipo PVC). Para evitar que detritos como folhas, galhos e outras sujeiras cheguem até ascisternas é recomendando a utilização de barreiras que impeçam sua passagematravés da calhas e condutores. Um método utilizado para solucionar esse problema é a colocação de telas aolongo das calhas (Figura 20). Porém, deve-se atentar para realização periódica delimpeza das telas para evitar o bloqueio da entrada de água devido à acumulação dedetritos (MACOMBER, 2001).FIGURA 20 – Modelo de calha com tela para contenção de sujeirasFonte: (MACOMBER, 2001).
  • 55. Segundo Ruskin (2002) para evitar que folhas cheguem até as cisternas podese cobrir as calhas com uma tela num ângulo de inclinação semelhante ao dotelhado, fazendo com que sejam levadas para o chão. É aconselhável cobrir comtela todas as outras áreas de acesso à cisterna evitando a entrada de pequenosanimais e insetos. Além disso, recomenda-se a poda de árvores próximas da áreade captação. Regularmente deve-se inspecionar as calhas, para assegurar-se deque estão em boas condições e, se necessário, lavar qualquer poeira, sujeira oupedaços de folha acumulados que passaram pela tela. May (2004) alerta que para evitar o uso indevido de água de chuva suatubulação deverá ser de outra cor, diferente daquela potável, e próximo à torneiradeverá existir uma placa de aviso “Água não potável”. Além disso, as redes de águade chuva e de água potável deverão possuir sistema de distribuição independentes. O tratamento da água de chuva coletada é uma etapa importante em umsistema de aproveitamento de água de chuva e não deve ser negligenciada sequeremos garantir o seu bom funcionamento. Para fins não potáveis, um tratamento físico simples para remoção da sujeiraatravés da sedimentação já é suficiente. Um tratamento muito complicado somenteresultaria em maiores custos e manutenção incômoda (GROUP RAINDROPS,2002). Um tanque de sedimentação é normalmente utilizado para remoção departículas sólidas da água como terra e areia que se depositam ao fundo, então aágua flui para outro tanque onde são depositadas as partículas restantes emsuspensão na água pela ação da gravidade, finalmente a água livre de impurezassólidas visíveis é armazenada. O fundo dos tanques deve ser inclinado oudescansado de modo a acumular os sedimentos com facilidade (Figura 21). Devehaver acesso para verificação interna e remoção de sedimentos. A instalação deuma válvula de dreno é conveniente para escoar os sedimentos, proporcionandoagilidade na limpeza dos tanques. A bomba deve ficar suspensa para evitar oespalhamento dos sedimentos decantados no fundo do tanque de armazenamento(GROUP RAINDROPS, 2002). As técnicas de descarte das primeiras chuvas podem ser denominadas comosistemas de lavagem do telhado, pois conforme Macomber (2001) consistem numdispositivo que desvia as primeiras águas de chuva do reservatório dearmazenamento, lavando dos telhados grande quantidade de poluentes. Uma vez
  • 56. que testes demonstraram serem os primeiros fluxos de água os maioresresponsáveis pela contaminação da água de chuva armazenada, a utilização desistemas de lavagem do telhado é imprescindível para aumentar a qualidade daágua de chuva coletada e armazenadaFIGURA 21 – Modelo esquemático de funcionamento de um tanque de sedimentação (modificado deGROUP RAINDROPS, 2002). Para promover a limpeza do telhado e descartar a água contaminada May(2004) refere-se a um reservatório de auto-limpeza com torneira bóia. Seufuncionamento é bastante simples. A água de chuva coleta pelo telhado éconduzida até um reservatório de auto-limpeza instalado sobre o reservatório dearmazenamento da água de chuva. Na entrada de água no reservatório de auto-limpeza existe uma bóia de nível. À medida que este reservatório se enche de águaa bóia sobe, até atingir uma posição limite quando a entrada de água é impedidaautomaticamente, então a água começa a escoar para o reservatório de água dechuva. Cessada a chuva deve-se esvaziar o reservatório de auto-limpeza abrindouma torneira de limpeza para que o sistema volte a operar normalmente. Odimensionamento do reservatório de auto-limpeza é calculado através da área do
  • 57. telhado e a quantidade de água por metro quadrado para efetuar a limpeza.Segundo (Techne, 2008), conforme pesquisas realizadas pelo Programa dePesquisas em Saneamento Básico (PROSAB) 6, o volume de descarte correspondeao escoamento do primeiro milímetro de precipitação, ou seja, 1 litro para cadametro quadrado de cobertura. Um dispositivo de descarte bastante prático semelhante ao anterior foiproposto pelo senhor Nobuo Tokunaga, no Japão (Figura 22). É feita a instalação deum pequeno tanque entre a área de coleta e o tanque de armazenamento parareceber a primeira chuva, quando este fica cheio uma bola flutuante interrompe aentrada de água no tanque, fazendo a água de chuva mais limpa fluir para o tanqueprincipal, ver a figura 18. Também é necessário esvaziar este tanque de limpezaantes da próxima chuva, que pode ser infiltrado no solo (GROUP RAINDROPS,2002).FIGURA 22 – Dispositivo de descarte das primeiras chuvas proposto pelo senhor Tokunaga no Japão(modificado de GROUP RAINDROPS, 2002).6 Para saber mais detalhes sobre o Programa de Pesquisas em Saneamento Básico, disponível em:http://www.finep.gov.br/prosab/index.html
  • 58. Com a aprovação de leis municipais que obrigam o uso da água de chuva emdiversas cidades brasileiras, tem surgido no mercado empresas que comercializamaparelhos para aproveitamento da água de chuva, denominados “kit chuva”. Esteskits visam melhorar a qualidade da água captada das chuvas (Figura 23). Sãocompostos por um filtro que substitui a tela da calha cuja função é a de eliminargalhos folhas, entre outros detritos que poderiam adentrar à cisterna; umamortecedor ou freio d‟ água para evitar a entrada de água com pressão no interiorda cisterna, o que poderia revolver os sedimentos depositados no fundo da mesma,causando turbidez na água armazenada; um sifão-ladrão para limpar o espelhod‟água e evitar a entrada de pequenos animais e odores vindos de fora; e umconjunto de sucção flutuante formado por uma mangueira flexível com conexão parabomba e uma bóia adaptada para retirar a água próximo da superfície que é,geralmente, a mais limpa (SICKERMANN, 2002).FIGURA 23 – Representação esquemática dos componentes do “kit chuva”. 1- filtro; 2- amortecedor(freio d‟água); 3- sifão-ladrão; 4- conjunto de sucção flutuante. (Adaptado de ACQUA SAVE, 2009). O armazenamento de água de chuva consiste em reservar a água pluvial paraa sua posterior utilização. A armazenagem de água representa a etapa maisimportante em um sistema de aproveitamento de água de chuva, no qual o coletor éo telhado, pois o reservatório, normalmente, é o seu componente mais dispendioso.
  • 59. Por isso, a escolha e o dimensionamento do reservatório devem ser cuidadosos,buscando minimizar os custos, para não inviabilizar o sistema. Os reservatórios podem ser construídos com uma infinidade de matérias,mais comumente tijolos com argamassa impermeabilizada, concreto, pré-fabricadosem PVC, fibra de vidro, entre outros materiais capazes de resistir às condições deuso (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2000). O formato do reservatório não possui nenhuma geometria especial, a maioriadeles é circular ou retangular, porém sua forma pode ser a mais diversa, inclusivecom algum apelo temático para torná-lo esteticamente mais agradável. Caberessaltar que diversos autores (MATIAS, 2001; SCHISTEK, 2005; SANTOS et.al,2007; WORM & HATTUM, 2006) consideram os reservatórios com formatocilíndrico, em geral, mais fortes se comparados aos com formato quadrilátero quecostumam apresentar problemas de vazamento nos vértices. Além disso, a formaredonda requer menos material em relação à capacidade de armazenamento dosreservatórios com quatro lados. De uma maneira genérica os reservatórios de água de chuva recebem adenominação de cisternas, que de acordo com a definição do Dicionário Aurélio(2009) „„ são reservatórios para receber e conservar as águas pluviais‟‟. Por outro lado, Worm & Hattum (2006) dividem os reservatórios em duascategorias conforme a sua posição: tanques para aqueles posicionados nasuperfície ou acima dela; e cisternas para aqueles posicionados em subsuperfície.Ainda, conforme os mesmos autores as vantagens e desvantagens dessascategorias podem ser observadas na figura 24. O tamanho do reservatório depende do índice pluviométrico local, da área decoleta e da demanda. O índice pluviométrico local deve ser conseguido por meio da instituiçãoresponsável, no caso de Ponta Grossa o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) foiquem realizou os melhores estudos no âmbito municipal.
  • 60. Tanque (superfície) Cisterna (subsuperfície) Facilita a inspeção de Geralmente é mais barato rachaduras e vazamentos A existência de solo ao redor das Variedade de modelos paredes permite que elas sejam disponíveis mais finas Vantagens É encontrado na maioria das Necessita de menos ou nenhum lojas desse segmento espaço acima do solo Pode ser construído com uma Não bloqueia o caminho/ mais grande variedade de materiais agradável visualmente É facilmente construído com materiais tradicionais Pode usar a força da gravidade para retirar a água Pode ser elevado para aumentar a pressão da água A retirada de água e a Necessita de espaço manutenção são mais problemáticas Em geral é mais caro É mais difícil de ser inspecionada Desvantagens Danifica-se com mais Pode ter problemas com a subida facilidade do nível freático Sujeito às intempéries do Pode ser danificada por raízes clima Um mau funcionamento pode Pode representar um perigo para levar a situações de perigo crianças e pequenos animais Pode ser deformada pela pressão Pode causar poluição visual externa quando vazia A trepidação ocasionada por veículos pode danificá-laFIGURA 24 – Quadro com vantagens e desvantagens entre tanques e cisternasFonte: (WORM; HATTUM, 2006). A área de coleta, já esclarecida anteriormente, corresponde à área decaptação de água. A demanda é calculada de acordo com os usos pré-determinados a partir deestudos realizados num local específico ou tomando-se por base os valoressugeridos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (2000), intitulada“Captação e uso local de águas pluviais”. Embora existam vários métodos de dimensionamento do reservatório, seráadotado neste trabalho o método mais comum que corresponde à seguinte equação: V= Ac. P. C
  • 61. Onde, V representa o volume do reservatório (m³), Ac a área de coleta deágua de chuva (m²), P a precipitação média (mm) e C o coeficiente de runoff. O projeto do reservatório deve considerar a existência de cobertura;extravasores, caso a precipitação ultrapasse a capacidade de armazenagem doreservatório; medidores de nível; dispositivos de esgotamento, inspeção e ventilaçãodotados de elementos que impeçam a entrada de animais em seu interior(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007). Para escolher que tipo de reservatório se vai utilizar é importante levar emconsideração a sua finalidade. Além disso, o material utilizado deve proteger a águaarmazenada contra a insolação, não deve conter nenhuma substância que possacontaminá-la e deve ser de fácil aquisição. O espaço disponível e as característicasdo local onde será instalado também precisam ser considerados. Depois de devidamente projetado, o sistema de aproveitamento de água dechuva deve receber o acompanhamento de pelo menos um profissional capacitadopara orientar a execução da obra, de preferência alguém da comunidade, buscando,assim, incentivar a sustentabilidade e a disseminação do sistema a nível local. A operação de um sistema de aproveitamento de água de chuva é simples,porém requer alguns cuidados básicos para manter um funcionamento efetivo. Deacordo com Téchne (2009) após a instalação completa dos equipamentos, éimportante efetuar uma limpeza geral da tubulação e dos reservatórios de água.Além disso, nos primeiros meses de funcionamento o sistema deverá recebervistorias diárias e semanais, até que o sistema esteja em pleno funcionamento. A manutenção é uma etapa importante para garantir a continuidade defuncionamento do sistema, não devendo ser negligenciada. O Group Raindrops(2002) sugere que as pessoas envolvidas elaborem um planejamento anual deresponsabilidades para a manutenção. Worm & Hattum (2006) fornecem um parâmetro para a elaboração de umcalendário das tarefas de operação e manutenção, dividindo-as em: Tarefas regulares Manter as superfícies dos telhados e as calhas limpas de excrementos de pássaros. Deve-se limpar, regularmente, as folhas e outras sujeiras dos filtros de entrada da água.
  • 62. Durante a estação das chuvas deve-se controlar regularmente as redes no tubo de descarga do excedente do reservatório e as mesmas devem ser renovadas, caso necessário. A menos que se conte com meios automáticos de desviar do tanque a primeira chuva, deve-se desligar do tanque o tubo de entrada da água, durante os períodos secos, para realizar a limpeza do sistema. Então, o tubo pode ser ligado de novo, de modo que a água possa correr para o tanque. Uma vez por semana deve-se medir o nível da água no tanque utilizando uma estaca graduada. Durante os períodos secos, o abaixamento do nível de água deve corresponder ao consumo de água. Se este não for o caso, pode haver alguma fuga. Tarefas esporádicas ou anuais No final da estação seca, quando o tanque está vazio, deve-se reparar quaisquer fugas que tenham sido detectadas. É necessário controlar e reparar, eventualmente, a superfície do telhado, as calhas, os ganchos de suporte/apoio e os tubos de entrada de água. Caso se incorpore um filtro de areia, o filtro deve ser lavado com água limpa ou substituído. Os outros tipos de filtros devem ser controlados. É necessário remover periodicamente os depósitos do fundo do tanque, tarefa que deve ser feita de preferência uma vez por ano. Depois de realizados os reparos no interior do tanque e de se proceder à limpeza dos reservatórios, seu interior deve passar por uma desinfecção com cloro. Além disso, regularmente deve-se prestar atenção à qualidade da água.Testes simples podem ser realizados pelo próprio operador do sistema, utilizandokits de teste da qualidade da água.
  • 63. 4. DESCRIÇÃO DO ESTUDO Tendo como objetivo geral deste estudo analisar a possibilidade técnica e aviabilidade econômica de aproveitamento de água de chuva para usos não potáveisem postos de serviços automotivos da área urbana de Ponta Grossa, e demonstrar aexistência de viabilidade técnica e econômica de aproveitamento da água de chuvacomo uma alternativa viável para o município, a metodologia adotada pararealização do trabalho envolveu 4 etapas, descritas, a seguir: Levantamento bibliográfico e leituras referentes ao tema: após olevantamento bibliográfico referente aos temas: “Água”, “Recursos Hídricos” e“Aproveitamento de Água de Chuva” foi realizada a leitura dos principais trabalhosrelacionados aos temas. As leituras seguiram até a fase final de conclusão dotrabalho. Investigação exploratória: essa etapa do trabalho buscou localizar ospostos de serviços automotivos existentes na área urbana, através de levantamentode informações dos postos cadastrados junto a ANP (Agência Nacional do Petróleo)e investigação de campo, percorrendo as principais vias de circulação, incluindo asrodovias na margem da área urbana que conectam o município ao restante doEstado. Durante as investigações de campo buscou–se reconhecer as fontes deágua utilizadas nos postos de serviços automotivos e a presença ou não de ofertade serviço de lavagem automotiva, com determinação de seu posicionamentoauxiliada de um receptor GPS GARMIN, modelo GPS II PLUS. Ver a ficha deinvestigação exploratória no Apêndice A. Espacialização dos postos de abastecimento de combustível: para essaetapa está utilizou-se a base de dados georreferenciada da Prefeitura Municipal dePonta Grossa e o programa Arcview 3.2 para tratamento das informações e criaçãode um banco de dados. Aprofundamento investigativo nos postos que aproveitam água pluvial:esta etapa buscou identificar as quantidades médias de água utilizadasmensalmente, identificar as atividades e a demanda por águas não potáveis, bemcomo analisar a possibilidade técnica, a viabilidade econômica e inferir sobre a
  • 64. utilização de água de chuva em postos de serviços automotivos da área urbana dePonta Grossa. Ver roteiro de entrevista no Apêndice B.4.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDOS A área delimitada para a pesquisa (Figura 25) corresponde ao perímetrourbano do município de Ponta Grossa, o qual está inserido no Segundo PlanaltoParanaense, na região natural dos Campos Gerais (Maack, 1981), MesorregiãoCentro-Oriental do Estado do Paraná (INSTITUTO PARANAENSE DEDESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL, 2004). Com seu centro geográficoestabelecido pelas coordenadas geográficas médias de 25º 09‟ latitude Sul e 50º 16‟longitude Oeste Greenwich, com altitude média de 975 metros acima do nível do mar(PMPG, 2009b). Limita-se ao Norte com o município de Castro e Carambeí, ao Sulcom os municípios de Palmeira e Teixeira Soares, à Leste com o município deCampo Largo e a Oeste com os municípios de Tibagi e Ipiranga (PREFEITURAMUNICIPAL DE PONTA GROSSA, 2009a). De acordo com o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico eSocial (2009) estima-se que Ponta Grossa possua uma população deaproximadamente 314.681 habitantes, dos quais cerca de 306.719 habitantes(97,47% da população) vivem no perímetro urbano, numa área de 917,2 Km², querepresenta menos da metade do município (47,4% de sua área total). O restante dapopulação do município cerca de 7.962 habitantes (menos de 3% da população)está distribuída no perímetro rural, numa área de 1.195,4 km² (52,6% do município).Ao todo o município de Ponta Grossa ocupa uma superfície de 2.112,6 km²(PREFEITURA MUNICIPAL DE PONTA GROSSA, 20009b). O município apresenta uma ampla rede hidrográfica, formada por arroiostributários dos rios Tibagi, Verde e Pitangui que conferem ao seu sítio urbano umatopografia peculiar, formada por espigões radiais. Os principais arroios urbanos são:Cara-Cará, Olarias, do Padre, da Ronda e Gertrudes que drenam as águas daporção sudoeste, sul e sudeste da área urbana para o Rio Tibagi; o Lajeado Grande,Pilão de Pedra e Arroio Grande que drenam as águas da porção noroeste, norte enordeste da área urbana para os rios Verde e Pitangui (MEDEIROS & MELO, 2001).
  • 65. FIGURA 25 – Localização e abrangência da área de estudos (adaptado do INSTITUTO BRASILEIRODE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2006 e da PREFEITURA MUNICIPAL DE PONTA GROSSA,2009c). Devido sua localização geográfica e características físicas, o município fazparte de uma zona de clima quente-temperado subtropical (MAACK, 1981). Aproximidade da Escarpa Devoniana funciona como um bloqueio orográfico aosventos marítimos úmidos de SE, NE, E que se precipitam ao vencerem o degrauformado pela escarpa (CRUZ, 2006). Dessa maneira, Ponta Grossa registra osmaiores valores médios de precipitação da região dos Campos Gerais. SegundoCaramori (2002) a média dos índices pluviométricos mensais em Ponta Grossa,entre 1954 e 2001, é de 1554 mm, bem distribuídos durante todos os meses,indicando precipitação média máxima de 186 mm para o mês de janeiro e médiamínima de 79 mm para o mês de agosto. Quando adaptadas para o SistemaInternacional de Classificação de Climas de Köppen, as características de PontaGrossa indicam o clima de tipo Cfb, isto é, clima subtropical úmido mesotérmico. O
  • 66. mês mais quente não apresenta temperatura média superior a 22° C, e atemperatura média do mês mais frio é inferior a 18° C, com mais de 5 geadas porano. A temperatura média anual de Ponta grossa varia de 17 a 18°C, com chuvasbem distribuídas e verões quentes (INSTITUTO AGRONÔMICO DO PARANÁ,2007).4.2 O ABASTECIMENTO DE ÁGUA EM PONTA GROSSA No Estado do Paraná, a concessão de uso dos recursos hídricos pertence àCompanhia de Saneamento do Paraná (SANEPAR), responsável peloabastecimento urbano. Em Ponta Grossa, a água que abastece a cidade é captada nos mananciaisda Represa Alagados e do Rio Pitangui. A Represa Alagados é uma barragem inundada, principalmente, pelos riosPitangui e Jotuba. Construída, inicialmente, para permitir o aproveitamento deenergia elétrica, é também responsável por cerca de 40 % do abastecimento d‟águada cidade. De acordo com Pilatti (2002) e o Núcleo de Estudos em Meio Ambiente(2008), está represa vem sendo degradada por inúmeras atividades incompatíveiscom áreas de manancial, realizadas na represa e no seu entorno, tais como:utilização de suas águas para atividades de lazer e recreação; intensas atividadesagrícolas e pecuárias; presença de florestamento com espécies exóticas; presençade áreas com exploração minerária; e presença de residências de finais de semana.Estas geram diversos problemas ambientais no manancial, entre eles, contaminaçãodas águas e proliferação de cianobactérias (algas azuis) pela eutrofização daságuas7, devastação da vegetação ripária e contaminação biológica da vegetaçãooriginal, geração de processos erosivos acentuados resultando em assoreamentodos rios e da represa. Todos estes problemas tornam os sistemas de tratamento de7 A eutrofização é um processo natural de aumento dos nutrientes em um corpo d‟água, quando esseprocesso é acelerado por atividades humanas resulta na retirada de oxigênio da água matandopeixes e outras formas de vida (VERGES & MILLEO, 2004).
  • 67. água cada vez mais onerosos e com menor qualidade, sobretudo por exigiremmaiores quantidades de produtos químicos para realizar o tratamento d‟água. O manancial do Rio Pitangui é responsável por cerca de 60 % doabastecimento d‟água da cidade. Instalado no Rio Pitangui, um importante afluenteda margem direita do Rio Tibagi, devido a sua localização, a jusante da RepresaAlagados o manancial também sofre com seus problemas que afetam ao sistema detratamento de água da cidade como um todo (NÚCLEO DE ESTUDOSAMBIENTAIS, 2008). Recentemente a SANEPAR realizou um grande investimento (mais de R$ 9milhões) na Estação de Tratamento de Água (ETA) do manancial do Rio Pitanguipara melhorar as condições de tratamento de água durante os períodos de floraçãode algas. Para isto está sendo utilizada uma tecnologia capaz de baixar a vazãopara 700 litros por segundo, o suficiente para manter os padrões de potabilidade.Além disso, com a readequação, a produção de água tratada aumentará de 800litros por segundo para 1.150 litros por segundo nos períodos sem floração de algas(AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DO ESTADO DO PARANÁ, 2009). O sistema de abastecimento público de água é constituído pelas seguintesfases: captação de água bruta no manancial; pré-sedimentação para reduzir aturbidez (presença de partículas sólidas em suspensão na água) e melhorar aqualidade da água bruta; adução (transporte da água do manancial para estação detratamento); pré-cloração para reduzir a presença de bactérias; coagulação (adiçãode produtos químicos para separar as impurezas); floculação para agrupar aspartículas em suspensão; decantação das partículas floculadas; flotação (adição dear dissolvido para que as partículas fiquem mais leves e subam dentro dos tanquesde tratamento), filtração para eliminar as impurezas; desinfecção para eliminação debactérias, normalmente utilizando cloro; fluoretação (adição de flúor) para prevençãode cáries dentárias; reservação (armazenamento) e distribuição para a cidade(COMPANHIA DE SANEAMENTO DO PARANÁ, 2008). A ampla rede hidrográfica da cidade oferece uma falsa sensação de confortoem relação à detenção de recursos hídricos superficiais. A topografia da cidadecondicionada por espigões radiais, interfere no seu desenvolvimento urbano e nasua infra-estrutura, principalmente com relação ao saneamento básico querepresenta um grande problema nas áreas de ocupações irregulares, geralmente,localizadas nos fundos de vale, áreas de preservação permanente, que deveriam
  • 68. funcionar como unidades de conservação. Estas áreas não recebem infra-estrutura,pois não deveriam ser ocupadas e seus ocupantes devem ser realocados. Atopografia acidentada da área urbana também inviabiliza o aproveitamento de águados rios urbanos, em boa parte bastante degradados. Estes, embora sejamrelativamente extensos, percorrendo cerca de 170 km distribuídos pela área urbana,ficam em áreas muito baixas da cidade, com desníveis de até mais de 200 m,encarecendo muito o sistema de distribuição de água que não poderia utilizar aenergia da gravidade para levar a água até as residências. Além disso, com base em dados cedidos pela SANEPAR (Figura 26), oprogressivo crescimento da população e sua concentração no perímetro urbano têmelevado o consumo de água. Nos últimos 6 anos o aumento da população urbanaultrapassou 22 mil pessoas, o que resultou num acréscimo de mais 5.200 m³ deágua consumidos diariamente. Se essa tendência de crescimento da populaçãourbana e acréscimo na demanda de água se mantiverem, em menos de 15 anos aprodução necessária para abastecer a cidade deve ultrapassar a capacidade real deprodução, ou seja, os mananciais atualmente disponíveis serão incapazes de suprira demanda necessária para abastecer a cidade de Ponta Grossa por volta de 2024(Figura 27). Histórico Previsões Ano 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2024 População 284.412 282.888 285.780 291.470 294.699 300.593 306.604 420.264 urbana Demanda média 48.875 53.310 54.075 53.666 54.097 53.727 54.112 * (m³/dia) Produção necessária 52.045 67.534 62.973 56.761 67.749 57.646 58.317 101.699 (m³/dia) Capacidade real de 73.440 73.440 73.440 73.440 73.440 73.440 99.360 99.360 produção (m³/dia)FIGURA 26 – Quadro síntese do abastecimento de água em Ponta Grossa, dados históricos eprevisões, 2003-2024 (modificado de dados cedidos pela SANEPAR em setembro de 2008).* dados não disponíveis.
  • 69. 120 100 80 Produção necessária (m³/dia) 60 40 Capacidade real de produção (m³/dia) 20 0 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2024FIGURA 27 – Gráfico do volume necessário para suprir a demanda da cidade e a capacidade real deabastecimento de água em Ponta Grossa, 2003 – 2024 (modificado de dados cedidos pelaSANEPAR em setembro de 2008).4.3 OS POSTOS DE SERVIÇOS AUTOMOTIVOS Os popularmente denominados “postos de gasolina” são oficialmenteclassificados pela a Agência Nacional do Petróleo (ANP) como “PostosRevendedores Varejistas de Combustíveis Automotivos”, pois têm como objetivoexercer a atividade de revenda varejista de combustíveis líquidos derivados depetróleo, álcool combustível e outros combustíveis automotivos, dispondo deequipamentos e sistemas para armazenamento de combustíveis automotivos eequipamentos medidores (INSTITUTO AMBIENTAL DO PARANÁ, 2004). Porém,entendendo que na atualidade os postos de combustíveis, além de desenvolveremas atividades de seu objetivo, vêm agregando outras funções como: serviços demanutenção dos veículos que incluem lubrificação, troca de óleo, lavagem e reparosmecânicos, entre outros; loja de conveniência e até mesmo local de encontro paraos usuários de automóvel, o qual tem sido o centro de inúmeras discussões,principalmente, com relação à venda de bebidas alcoólicas. Preferiu-se adotar, nesteestudo, para tais estabelecimentos a denominação de “Postos de ServiçosAutomotivos”, julgando-a mais adequada com base na exposição anterior. Dos 63 postos de serviços automotivos cadastrados na ANP em PontaGrossa (Anexo A), foram reconhecidos durante as investigações de campo,percorrendo-se as principais vias de circulação da cidade (Avenida Monteiro Lobato,
  • 70. Ernesto Vilela, Dom Pedro II, Vicente Machado, Balduíno Taques, Carlos Cavalcanti,Visconde de Mauá, Souza Naves, Presidente Kennedy, Senador Flávio CarvalhoGuimarães, parte da Dom Geraldo Pellanda e a Rua Comendador Ayrton Playsant,devido ao conhecimento da existência de aproveitamento de água de chuva noPosto Flex) 42 postos, dos quais 2 estão fora dos limites da área de estudos ( PostoContorno II e Posto Contorno V), porém serão considerados na análise dos dados,por terem sido visitados (Figura 28).FIGURA 28 – Localização dos 42 postos de serviços automotivos visitados em Ponta Grossa. 1-postos automotivos; 2- principais vias de circulação da área urbana de Ponta Grossa; 3- limite dosbairros e da área urbana; 4- arruamento.Base: (PREFEITURA MUNICIPAL DE PONTA GROSSA, 2001). Dos 42 postos visitados 33 (cerca de 79%) oferecem serviço de lavagem deveículos (Figura 29, Apêndice C e D). Desses, 20 utilizam água tratada associada aoutras fontes, provavelmente reservando-as para os usos mais nobres, como parabeber. Porém, 7 postos utilizam somente água tratada em todas as tarefas, tendo
  • 71. que fazer cobrança para oferecer a lavagem, pois devem pagar pelo tratamento edistribuição de toda água que consomem (Figura 30).FIGURA 29 – Localização dos postos de serviços automotivos visitados em Ponta Grossa queoferecem serviço de lavagem de veículos. 1- postos automotivos; 2- principais vias de circulação daárea urbana de Ponta Grossa; 3- limite dos bairros e da área urbana; 4- arruamento; 5- postosautomotivos que oferecem serviço de lavagem.Base: (PREFEITURA MUNICIPAL DE PONTA GROSSA, 2001). Fontes de água N° de postos % (1) % (2) Pluvial, tratada e subterrânea 7 17 21 Pluvial e tratada 1 2 3 Pluvial e subterrânea 1 24 3 Tratada e subterrânea 10 5 31 Tratada e arroio 2 17 6 Tratada 7 21 21 Tratada (não possuem lavagem) 9 12 --- Subterrânea 5 12 15 TOTAL 42 100 100Figura 30 – Quadro síntese do uso da água nos postos de serviços automotivos pesquisadosNotas: % (1) = porcentagem entre todos os 42 postos estudados. % (2) = porcentagem os 33 postos que oferecem serviço de lavagem.
  • 72. Referente às águas subterrâneas8, 18 postos utilizam esse recurso, associadocom outras fontes. Pode-se especular que quando esta fonte é utilizada emassociação com a fonte d‟água tratada, isto indique que ela não é adequada aoconsumo humano, pois se a sua qualidade atingisse os padrões de potabilidade,provavelmente, não se optaria por utilizar água tratada já que essa tem um custo deconsumo. Em 5 postos a água subterrânea é a única fonte d‟água utilizada em todasas atividades do posto, fato que reforça as considerações anteriores. Nesses locaisa lavagem pode ser oferecida como cortesia aos fregueses. Quanto ao uso da águapluvial observou-se que apenas 9 postos possuem esse sistema. Em 3 locaisvisitados o serviço de lavagem tem um espaço cedido pelo posto e administradocomo um empreendimento independente por pessoas que têm nessa atividade seusustento (Posto Paraná, Posto Contorno II e Posto Cinco Primos). Nos PostosParaná e Posto Contorno II constatou-se a utilização de águas bombeadas de arroiopara lavar veículos. Entre as fontes de abastecimento de água utilizadas nos postos de serviçosautomotivos estudados, no universo dos postos que não oferecem serviço delavagem, 100% utilizam água tratada. Já no universo dos postos que oferecemserviço de lavagem (Figura 31) a maior parte (31%) utiliza fontes mistas servindo-sede água tratada e subterrânea; seguidos de 21% que utilizam somente água tratada;21% que utilizam fontes mistas servindo-se de água tratada, subterrânea e pluvial;15% que utilizam somente água subterrânea; 6% que utilizam fontes mistasservindo-se de água tratada e de arroio; 3% que utilizam fontes mistas servindo-sede água pluvial e tratada e 3% que utilizam fontes mistas servindo-se de água pluviale subterrânea. Os postos estudados correspondem a cerca de 66,5 % dos postoscadastrados no município pela ANP. Os restantes 33,5% correspondem,predominantemente, a postos situados nas várias rodovias que cortam o município,muitas vezes localizados longe do espaço urbano. Sendo assim, confirmou-se comojá esperado, que a topografia da cidade influencia, em grande parte, na distribuiçãoespacial dos postos de serviços automotivos na área urbana. Pode-se perceber umaforte tendência de localização dos postos ao longo dos espigões, visto que “A cidade8 Considerou-se com água subterrânea tanto a água proveniente de poços profundos que exploramaquíferos quanto a proveniente de cacimbas, que exploram o lençol freático superficial.
  • 73. expandiu-se inicialmente pelos divisores das bacias dos arroios, com os eixosurbanos compondo geometria radial” (Medeiros & Melo, 2001, p. 114). É nesseseixos urbanos que os postos de serviços automotivos vão se instalar, pois é nelesque circulam os veículos, público-alvo desses empreendimentos. Pluvial, tratada e subterrânea 21% Subterrânea 15% Pluvial e tratada Tratada 3% 21% Pluvial e subterrânea 3% Tratada e Tratada e arroio subterrânea 6% 31%FIGURA 31 – Gráfico do uso da água nos postos de serviços automotivos do espaço urbano dePonta Grossa que oferecem serviço de lavagem (33 postos)4.3.1 Aproveitamento de água de chuva nos postos de serviços automotivos Conforme já exposto anteriormente, dos 33 postos que oferecem serviço delavagem de veículos estudados, somente 9 (apenas 27%) coletam e aproveitam aágua de chuva, são eles: Posto Tio Mucufa, Posto Real, Athenas Auto Posto, PostoCinco Primos, Posto Gamper, Posto Pinheiro, Posto São Sebastião, Posto Flex,Posto Pianowski. Nestes postos foram realizadas entrevistas como objetivo de sereconhecer a real situação do uso da água.
  • 74. FIGURA 32 – Localização dos postos de serviços automotivos do espaço urbano de Ponta Grossaque aproveitam água pluvial. 1- postos automotivos que aproveitam água pluvial; 2- principais vias decirculação da área urbana de Ponta Grossa; 3- limite dos bairros e da área urbana; 4- arruamento; A-Posto Tio Mucufa; B- Posto Real; C- Athenas Auto Posto; D- Posto Cinco Primos; E- Posto Gamper;F- Posto Pinheiro; G- Posto São Sebastião; H- Posto Flex; I – Posto Pianowski.Base: (PREFEITURA MUNICIPAL DE PONTA GROSSA, 2001).
  • 75. 1. Posto Tio Mucufa: O Posto Tio Mucufa (M. PILATTI & CIA LTDA., Figura 33 A), foi fundado porvolta do final da década de 50, localizado na Avenida Monteiro Lobato, 1535, JardimCarvalho. O posto possui três áreas cobertas que podem ser utilizadas para coletade água pluvial: a cobertura principal sobre as bombas de abastecimento decombustível com 322 m², um escritório com 110 m² e um pequeno depósito com 63m² que totalizam 495 m² de área coberta. As fontes de água que abastecem posto são: a rede de abastecimento públicoda SANEPAR (água tratada), um poço cacimba (água subterrânea) e oaproveitamento de água pluvial. Estima-se que são gastos, ao todo, 120 m³ de águatodo mês9. Destes em média 27 m³ são de água tratada que é destinada para usosdomésticos (para beber, higiene pessoal, descarga nos vasos e lavagem do pátio) epara limpar pára-brisas. As águas provenientes do poço e das chuvas, usadas deforma conjunta, são destinadas especificamente para lavagem de veículos, o quedemanda em média cerca 93 m³ de água, mensalmente. O poço cacimba comcapacidade aproximada de 140 m³ foi escavado na época de construção do posto,sendo tão antigo quanto este. Possui cerca de 20 m de profundidade e 3 m dediâmetro. A água de chuva começou a ser utilizada há cerca de pouco mais de umano para reabastecer o poço que secou. Atualmente o aproveitamento de água dechuva é esporádico e precário, utilizado de maneira improvisada. A coberturaprincipal do posto, com 322 m² possui calhas que dividem em duas partes adrenagem de águas pluviais do telhado para a galeria de águas pluviais. Durante aschuvas quando se pretende coletar a água pluvial para reabastecer o poço, um dostubos que corresponde à metade do escoamento da cobertura (Figura 33 B) édesconectado da galeria pluvial e conectado a uma mangueira de bombeiro (Figura33 D) pela qual a água chega até o poço localizado no subsolo do depósito. A oferta do serviço de lavagem no posto ocorre há mais de 40 anos.Atualmente a lavagem, oferecida como cortesia aos clientes, é realizada por umlavador que atende em média 10 carros e 4 ônibus por dia, o equivalente a cerca de9 Para estimar a quantidade de água usada na lavagem tomou-se por base o n° de veículos lavadospor mês. Adotou-se, conforme a ABNT (2000), 150 l de água para lavagem de carros e 400 l para alavagem de ônibus com máquina de jato de água pressurizada.
  • 76. 420 veículos por mês. O processo de lavagem é do tipo lava-jato10 (manual, commáquina de jato de água pressurizada). A água bombeada do poço vai para umacisterna com capacidade para 25,6 m³, em seguida vai para três galões (Figura 33C) para que a máquina de jato de água pressurizada (Figura 33 E) possa realizar asucção da água para lavagem. A cisterna é esvaziada e limpa uma vez por ano. Sãousados na lavagem: água, detergente Intercap (mistura de ácidos destinada àlimpeza, desengraxe e higienização mecânica de partes externas de veículos taiscomo motor, chassis e carrocerias11) ou Sulopan (Figura 33 F) (detergentedesengraxante alcalino usado para limpeza de chassis, sujidade de motores,limpeza pesada de pisos, pátios de manobras, etc.12), e cremes de limpeza. A águaservida, resultante da lavagem vai para uma caixa de separação com trêscompartimentos e depois que as partículas sólidas são decantadas a água éliberada na galeria de águas pluviais. Durante a entrevista o posto estava passando por reformas. A pessoaentrevistada foi o gerente do posto que demonstrou interesse em aproveitar a águade chuva de uma maneira mais adequada apontando como principal vantagem aeconomia de água. Embora não tenha apontado nenhuma desvantagem no usodesse sistema, apontou como mais vantajosa a fonte d‟água subterrânea e como aque mais traz desvantagens a fonte de água tratada, ambas por razões econômicas.10 Tipos de lavagem: Túnel – o veículo segue pelo interior de um de túnel equipado para realizar lavagem,enxágue, enceramento e secagem. Rollover – o veículo fica parado enquanto a máquina de lavagem passa porele realizando a limpeza com escovas cilíndricas. Lava-jato: manual, com máquina de jato de água pressurizada(MORELLI, 2005).11 Fonte: http://www.deiondetergentes.com.br/linha_automotiva.htm12 Fonte: http://www.deiondetergentes.com.br/linha_automotiva.htm
  • 77. FIGURA 33 – Posto Tio Mucufa. A- Visão geral do posto; B- tubo usado para conduzir a água pluvial;C- galões de água usados na máquina de lavagem; D- conector e mangueira condutora de águapluvial; E- máquina de lavagem; F- detergente automotivo Intercap. 2. Posto Real: O Posto Real (BARROS, DIAS & CIA LTDA., Figura 34 A), foi fundado emfevereiro de 1952, localizado na Avenida Monteiro Lobato, 44, Jardim Carvalho. Oposto possui duas áreas cobertas que podem ser utilizadas para coleta de águapluvial: a cobertura principal sobre as bombas de abastecimento de combustível com339 m² e a loja de conveniência/escritório com 229 m² que totalizam 568 m² de área. As fontes de água que abastecem posto são: a rede de abastecimento públicoda SANEPAR (água tratada), um poço cacimba (água subterrânea) e oaproveitamento de água pluvial. Estima-se que são gastos, ao todo, 155 m³ de águatodo mês. Destes em média 20 m³ são de água tratada que é destinada para usos
  • 78. domésticos (para beber, higiene pessoal, dar descarga nos vasos e lavagem depátio) e para limpar pára-brisas. Ocasionalmente é utilizada para lavagem deveículos em períodos de estiagem. As águas provenientes do poço e das chuvassão destinadas especificamente para lavagem de veículos, que demandam emmédia cerca 135 m³ de água, mensalmente. Estas são usadas de forma alternada,de modo que a água de chuva é utilizada primeiramente, quando esta acaba entãose utiliza a água do poço. O poço cacimba, com capacidade aproximada de 56,5 m³,foi escavado na época de construção do posto, sendo tão antigo quanto este, possuicerca de 8 m de profundidade e 3 m de diâmetro. A água de chuva começou a serutilizada em 2001, durante a reforma que reconstruiu o posto. A área de coleta deágua pluvial utilizada possui 339 m² correspondentes à área da cobertura principalsobre as bombas de combustível que foram construídas em “V” para que a águaproveniente das chuvas pudesse ser escoada por três tubos de PVC revestidos commetal (Figura 34 B), responsáveis pela sustentação da cobertura e condução daágua até tubos de PVC subterrâneos de 100 m que levam a água até um tanquecom capacidade de 28 m³ (Figura 34 C e E). A lavagem (figura 34 D) é cortesia para clientes, aos não clientes sãocobrados R$ 10,00 para lavar carros e R$ 20,00 caminhonetes e similares. O serviçoé realizado pelos frentistas que se revezam no atendimento às bombas e nalavagem de veículos. São lavados em média 30 veículos por dia, o equivalente acerca de 900 veículos por mês. O processo de lavagem é do tipo lava-jato (manual,com máquina de jato de água pressurizada), A água bombeada do tanque de águade chuva ou do poço vai para um reservatório auxiliar (Figura 34 E) para que amáquina de jato de água pressurizada possa realizar a sucção da água paralavagem. São usados na lavagem água e detergente automotivo. A água residual,dispensada da lavagem vai para uma caixa de separação com três compartimentose depois que as partículas sólidas são decantadas a água é liberada na galeria deáguas pluviais. A pessoa entrevistada foi um dos sócios do posto que aponta como fonte deágua mais vantajosa a água de chuva, pois seu custo de implantação foi muitobarato visto que já existia a cisterna, além disso considera esta fonte d‟água umaforma ecológica de utilizar água que seria despejada na rua. O entrevistado apontaágua tratada como a menos vantajosa para ser utilizada na lavagem, devido ao seucusto e aos danos ao meio ambiente, como desperdício de água tratada.
  • 79. FIGURA 34 – Posto Real. A- Visão geral do posto; B- tubos usados para conduzir a água pluvial; C-desenho esquemático da coleta de água pluvial; D- lava-car; E- à esquerda cisterna de água dechuva, à direita poço cacimba e ao fundo reservatório auxiliar para lavagem.Fonte: A- acervo do Posto Real.
  • 80. 3. Athenas Auto Posto: O Athenas Auto Posto (Diogo Almeida Telegnani, Figura 35 A), foi fundadoem 1996, localizado na Avenida General Carlos Cavalcanti, 1225, Uvaranas. O postopossui três áreas cobertas que podem ser utilizadas para coleta de água pluvial: acobertura principal sobre as bombas de abastecimento de combustível com 320 m²,a loja de conveniência/escritório com 139 m² e o “Auto Center”, um espaçoreservado para serviços mecânicos, com borracharia; alinhamento; balanceamento;manutenção de freios, suspensão e baterias, com 368 m² que totalizam 827 m² deárea. As fontes de água que abastecem posto são: a rede de abastecimento públicoda SANEPAR, um poço tubular e o aproveitamento de água pluvial. Estima-se quesão gastos, ao todo, 53,83 m³ de água todo mês13. O consumo mensal de águatratada, não ultrapassa o mínimo do comércio (até 10 m³), que é destinada parausos domésticos (para beber, higiene pessoal, descarga nos vasos sanitários). O“Auto Center” possui 368 m² de coberturas onde é coletada a água de chuva que éutilizada em conjunto com a água de poço, sendo atualmente destinada para alavagem de pátios (“Auto Center” – 368 m² + 320 m² – bombas de combustível) epara uso no tanque da borracharia (50 l/d). Recentemente os administradores doposto decidiram não ofertar mais serviços de lavagem para seus clientes,considerando este com um incômodo desnecessário, explicam que comumente osproprietários dos veículos contemplados com a cortesia da lavagem requisitavammais cuidados que a simples lavagem de aparência, como limpeza com produtosque dão brilho aos pneus e outros detalhes do veículo. Sendo assim, o consumo deágua do posto, antes responsável também pela lavagem de cerca de 300 veículospor mês que demandava, juntamente com os outros usos, pelo menos 98.83 m³ deágua mensalmente está reduzida a uma demanda de 53,83 m³. De acordo como o entrevistado o poço tubular, que seca durante a época deestiagem, possui 25 m de profundidade e não serve para consumo humano. Foiperfurado durante a construção do posto sendo utilizado para encher os tanquesquando não se tem água da chuva. A água pluvial coletada do telhado do “Auto13 Para estimar a demanda mensal de água se considerou além dos 10 m³ de água tratada, 2 l/m² depisos lavados diariamente (2 x 30 x 705,5 = 42,33 m³) e 1 tanque de 50 l usado diariamente naborracharia (50 x 30=1,5 m³).
  • 81. Center” é conduzida por um tubo de PVC (Figura 35 B) para uma calha no piso deonde vai para 4 tanques das antigas bombas de combustível (cisternas) comcapacidade de 15 m³ cada (Figura 35 C). Desses tanques uma motobomba (Figura35 G) leva a água para pequenos tanques auxiliares (Figura 35 E), onde funcionavaa lavagem, para ser usada por uma máquina de jato de água pressurizada etambém até duas caixas de água de 1000l cada usadas na borracharia (Figura 35 De F). A pessoa entrevistada foi o gerente do posto que apontou como a principalvantagem em utilizar a água pluvial a economia de água e de recursos financeiros,sendo esta a fonte que traz mais benefícios ao postos, criando, segundo oentrevistado, uma independência em relação aos recursos hídricos. Não foiapontada nenhuma desvantagem em relação ao uso de água de chuva, mas podese verificar que devido à falta de um cuidado mais criterioso com a água quesimplesmente é despejada em calhas de cimento responsáveis por conduzí-las paraos tanques, está contém partículas sólidas visíveis. A fonte d‟água consideradamenos vantajosa foi a de água tratada, devido à dependência que gera com osistema de abastecimento público e o custo. A única manutenção realizada nosistema de aproveitamento de água de chuva e de água de poço são reparos deavarias na bomba.
  • 82. FIGURA 35 – Athenas Auto Posto. A- Visão geral do posto; B- tubo usado para conduzir a água; C-calha que escoa a água pluvial e cisternas; D- caixas de água do “Auto Center”; E- tanques auxiliares;F- água de chuva utilizada no tanque da borracharia; G- motor-bomba que conduz a água da cisternaaos reservatórios. 4. Posto Cinco Primos : O Posto Cinco Primos (AUTO POSTO CINCO PRIMOS LTDA., Figura 36 A),foi fundado em março do ano 2000, localizado na Avenida Anita Garibaldi, S/N,Órfãs. Utiliza como fontes de abastecimento de água: um poço tubular profundo e oaproveitamento de água pluvial. O posto possui duas áreas cobertas que podem serutilizadas para coleta de água pluvial: a cobertura principal sobre as bombas de
  • 83. abastecimento de combustível com 288 m² e a loja de conveniência/escritório com185 m² que totalizam 473 m² de área. As fontes de água que abastecem posto são: a rede de abastecimento públicoda SANEPAR, um poço tubular profundo e o aproveitamento de água pluvial.Estima-se que são gastos, ao todo, pelo menos 167,5 m³ de água todo mês. A águaproveniente do poço é utilizada na maior parte das atividades como usos domésticos(inclusive para beber), para limpar pára-brisas14 e lavagem de automóveis quedemandam cerca de 157, 5 m³ mensalmente. O sistema de aproveitamento de águapluvial instalado no posto, desde sua construção, é pouco utilizado para regar umpequeno jardim com cerca de 10 m² e para lavar os pátios. Sendo a água do poçoutilizada em grande parte das suas atividades, inclusive para as citadasanteriormente. O poço tubular profundo possui mais de 100 m de profundidade epode ser utilizado para consumo humano. A água do poço é bombeada para umatorre d‟água (tanque) com capacidade aproximada de 10 m³ que abastece o posto(Figura 36 B). A água de chuva é coletada de toda a área de cobertura (473,18 m²) econduzida das calhas por tubos subterrâneos até uma cisterna feita com um tanquede combustível utilizado especificamente para está função com cerca de 10 m³ decapacidade. A cisterna possui uma bomba e um tubo de fuga do excesso de águapara a galeria pluvial (Figura 36 C). A oferta do serviço de lavagem no posto coincide com a idade defuncionamento do posto. Atualmente a lavagem emprega 4 funcionáriosterceirizados que cobram R$ 5,00 pela lavagem de aparência e R$ 10,00 pelalavagem completa que inclui a limpeza do interior do veículo e produtos que dãobrilho aos pneus. São lavados em média 35 veículos por dia, o equivalente a cercade 1050 veículos por mês. O processo de lavagem é do tipo lava-jato, que utilizaágua e detergente automotivo (Figura 36 D). A água servida, resultante da lavagemvai para uma caixa de separação com 5 compartimentos e depois que as partículassólidas são decantadas a água é liberada na galeria de águas pluviais (Figura 36 E). A pessoa entrevistada foi o responsável pelo lava-car que apontou como afonte d‟água que mais traz desvantagens a água tratada, pois tem um custo, e suamá utilização, como para lavagem de veículos e pátios, por exemplo, acarreta em14 Tomando-se por base os demais postos considerou-se a demanda de 10 m³ mensais para essasatividades.
  • 84. prejuízos para toda a sociedade que perde água de qualidade. Porém, aponta comomais vantajosa a água de poço, pois tem uma qualidade melhor que a água tratada.E, no entanto, é usada para lavar veículos. A água proveniente da captação dechuva foi apontada com uma fonte que pode trazer economia de recursos hídricos ede recursos financeiros.FIGURA 36 – Posto Cinco Primos. A- Visão geral do posto; B- torre d‟água; C- entrada da cisterna deágua de chuva; D- lava-car; E- caixas separadoras da água residual da lavagem.
  • 85. 5. Posto Gamper: O Posto Gamper (ADEMAR C. S. BARBOSA, Figura 37 A), foi fundado emagosto de 1993, localizado na Avenida Ernesto Vilela, 1114, Nova Rússia. O postopossui duas áreas cobertas que podem ser utilizadas para coleta de água pluvial: acobertura principal sobre as bombas de abastecimento de combustível com 352 m² ea loja de conveniência/escritório com 234 m² que totalizam 586 m² de área. As fontes de água que abastecem posto são: a rede de abastecimento públicoda SANEPAR e o aproveitamento de água pluvial. Estima-se que são gastos, aotodo, pelo menos 141,12 m³ de água todo mês. Destes em média 45 m³ são de águatratada que é destinada para usos domésticos (para beber, higiene pessoal,descarga nos vasos sanitários) e ocasionalmente para lavar o pátio. A águaproveniente das chuvas é destinada para a lavagem de veículos e do pátio ondeestão instaladas as bombas, que demandam em média cerca 96,12 m³ de água15,mensalmente. O sistema de aproveitamento de água pluvial que é utilizado desde ainauguração do posto, funciona de uma maneira simples, eficiente e oferece águacom boa qualidade visual. A água coletada da cobertura principal com 352 m²,sobre as bombas de combustível, é conduzida por calhas para um tubo vertical dePVC de 200 mm. E a água coleta na cobertura da loja de conveniência/escritório,com 234 m² é conduzida por calhas para 2 tubos verticais de PVC de 100 mm cada(Figura 37 C). Estes três tubos se encontram levando a água para uma caixaseparadora (Figura 37 B), onde as impurezas sólidas são decantadas, em seguida aágua é armazenada em uma cisterna com capacidade de 80 m³. Esta é bombeadada cisterna por uma motobomba (Figura 37 E) para ser utilizada (Figura 37 D). Alavagem oferecida como cortesia aos clientes é realizada por um funcionário(lavador) que atende cerca de 500 veículos por mês. O processo de lavagem é dotipo lava-jato. É utilizada na lavagem água e detergente automotivo biodegradável. Aágua servida, resultante da lavagem vai para uma caixa de separação com 5compartimentos e depois que as partículas sólidas são decantadas a água éliberada na galeria de águas pluviais. A cada 10 anos um caminhão limpa-fossaretira os sedimentos acumulados no fundo da cisterna que é lavada.15 Para estimar a demanda mensal de água de chuva, foi calculada 2 l/m² de pisos lavadosdiariamente (2 x 30 x 372 = 21,12 m³) e 500 veículos por mês (500 x 150 = 75 m³).
  • 86. A pessoa entrevistada foi o proprietário do posto que recomenda a utilizaçãode água de chuva já que seu custo de implantação é baixo e toda esta água seriaperdida, além disso, não aponta nenhuma desvantagem em utilizá-la. Apontou comoa fonte d‟água que traz mais desvantagens a de água tratada, pois essa tem umcusto. O entrevistado diz que a cisterna nunca secou e atende razoavelmente asnecessidades hídricas do posto.FIGURA 37 – Posto Gamper. A- Visão geral do posto; B- entrada de água de chuva nas caixasseparadoras; C- sistema de distribuição de água de chuva; D- veículo sendo lavado com água dechuva; E- motobomba do jato de água pressurizada.
  • 87. 6. Posto Pinheiro: O Posto Pinheiro (SOCIEDADE INDUSTRIAL DE BEBIDAS LTDA, Figura 38A), localizado na Avenida Ernesto Vilela, 1115, Nova Rússia. O posto possui duasáreas cobertas que podem ser utilizadas para coleta de água pluvial: a coberturaprincipal sobre as bombas de abastecimento de combustível e a loja deconveniência/escritório que se comunicam formando uma grande cobertura com971,5 m² de área. As fontes de água que abastecem posto são: a rede de abastecimento públicoda SANEPAR (água tratada), um poço cacimba (água subterrânea) e oaproveitamento de água pluvial. Estima-se que são gastos, ao todo, pelo menos 176m³ de água todo mês. Destes em média 41 m³ são de água tratada que é destinadapara usos domésticos (para beber, higiene pessoal, descarga nos vasos e lavagemo pátio) e para limpar pára-brisas. A água proveniente do poço é destinadaespecificamente para lavagem de veículos, que demanda em média cerca 135 m³ deágua, mensalmente. A água proveniente das chuvas abastece um reservatório deemergência para combate a incêndio e também é utilizada, secundariamente, paralavagem de veículos de forma alternada com água do poço, de modo que a água dechuva é utilizada primeiramente, quando está acaba então se utiliza a água do poço.O poço cacimba (Figura 38 B) com capacidade aproximada de 141 m³ foi escavadona época de construção do posto, sendo tão antigo quanto este, possui cerca de 20m de profundidade e 3 m de diâmetro, a água é bombeada do poço até a cisterna delavagem quando necessário. O sistema de aproveitamento de água pluvial ésimples e utiliza toda a cobertura do posto (971,5 m²), a água coleta das chuvas éconduzida por calhas até 8 tubos verticais de PVC com 100 mm que despejam aágua num tanque com 44 m³ de capacidade (Figura 38 C) que é reservado paracasos de incêndio quando uma motobomba (Figura 38 D) é acionada. Somente,depois que este sistema de incêndio é abastecido a água excedente abastece acisterna de lavagem (Figura 38 F) com capacidade de 36 m³. A água armazenada ébombeada da cisterna por uma motobomba (Figura 38 E) para ser utilizada. A águacoletada da chuva tem uma boa qualidade visual, conforme a figura 28 G. A oferta do serviço de lavagem ocorre no posto, provavelmente, desde suainauguração. Atualmente a lavagem, oferecida como cortesia aos clientes, érealizada pelos frentistas que se revezam no atendimento as bombas e na lavagem
  • 88. de veículos. São lavados em média 30 veículos por dia, o equivalente a cerca de900 veículos por mês. O processo de lavagem é do tipo lava-jato (manual, commáquina de jato de água pressurizada), a água é bobeada da cisterna abastecidacom água de chuva ou de poço pela motobomba diretamente para as mangueiras dolava-car. É utilizada na lavagem água e detergente automotivo. A água servida,resultante da lavagem vai para uma caixa de separação com cinco compartimentose depois que as partículas sólidas são decantadas a água é liberada na galeriapluvial. A pessoa entrevistada foi o gerente do posto que apontou a água de chuvacomo a fonte d‟ água mais vantajosa, principalmente, devido a economia de águaque proporciona e por servir como reserva para o caso de incêndio. Para ele adesvantagem deste tipo de água, está no fato, de que às vezes a cisterna seca. Aágua do poço também é considerada uma fonte de água vantajosa, pois é utilizadana falta água de chuva. A água tratada é considerada com a fonte de água que maistraz desvantagens ao posto devido ao custo. A única manutenção realizada nosistema de aproveitamento de água de chuva são reparos na motobomba, quandoesta apresenta algum problema.
  • 89. FIGURA 38 – Posto Pinheiro. A- Visão geral do posto; B- poço cacimba e bomba; C- sistema dedistribuição de água de chuva e cisterna de incêndio; D- motobomba de emergência para incêndio; E-motobomba elétrica da cisterna de lavagem; F- tubo de entrada de água de chuva na cisterna delavagem e mangueira de água do poço; G- torneira com água de chuva.
  • 90. 7. Posto São Sebastião: O Posto São Sebastião (AUTO POSTO EQUIPE FENIX LTDA, Figura 39 A,por volta da década de 60, localizado na Avenida Ernesto Vilela, 361, Centro. Oposto possui duas áreas cobertas que podem ser utilizadas para coleta de águapluvial: a cobertura principal sobre as bombas de abastecimento de combustível com193 m² e a um pequeno depósito com 72 m² que totalizam 265 m² de área coberta. As fontes de água que abastecem posto são: a rede de abastecimento públicoda SANEPAR, um poço cacimba e o aproveitamento de água pluvial. Estima-se quesão gastos, ao todo, pelo menos 84 m³ de água todo mês. Destes em média 24 m³são de água tratada que é destinada para usos domésticos (para beber, higienepessoal, descarga nos vasos e lavagem do pátio) e para limpar pára-brisas. Aságuas provenientes do poço e das chuvas são destinadas especificamente paralavagem de veículos, que demandam em média cerca 60 m³ de água, mensalmente.Estas são usadas de forma alternada, de modo que a água pluvial é utilizadaprimeiramente, quando está acaba então se utiliza a água de poço. O poço cacimba(Figura 39 B) com capacidade aproximada de 98 m³ foi escavado na época deconstrução do posto, sendo tão antigo quanto este, possui cerca de 20 m deprofundidade e 2,5 m de diâmetro, a água é bombeada do poço até a cisterna delavagem quando necessário. O sistema de aproveitamento de água pluvial ésimples e utiliza a cobertura do pequeno depósito (72 m²) bastante corroído pelaação do tempo, a água coleta das chuvas é conduzida por calhas até 1 condutorvertical de metal que despeja a água na cisterna de lavagem com capacidade de 80m³ (Figura 39 C). Parte da água armazenada é bombeada da cisterna por umabomba elétrica (Figura 39 C) para um tanque auxiliar (caixa d‟água de fibra de vidro)com 2 m³ de capacidade (Figura 39 D), para que a máquina de jato de águapressurizada utilizada na lavagem consiga trabalhar, outra parte é bombeadadiretamente da cisterna por um motobomba (Figura 39 C) para ser utilizada por ummangueira ou pela máquina de lavagem automática tipo rollover (Figura 39 F). A oferta do serviço de lavagem ocorre no posto, provavelmente, desde suainauguração. Atualmente existem dois tipos de lavagem no posto: lavagemautomática do tipo rollover que custa R$ 3,00 e a lavagem manual de aparência aocusto de R$ 5,00 e 10,00 a lavagem completa, o serviço é realizado por um lavador.São lavados em média 10 veículos por dia, dos quais 8 são carros e 2 são
  • 91. caminhões de porte médio e similares que totalizam o equivalente a cerca de 900veículos por mês. São usados na lavagem água e detergente automotivo. A águaresidual, dispensada da lavagem vai diretamente para a galeria de águas pluviaissem tratamentos. O entrevistado foi o gerente do posto que aponta como mais vantajosas paraa lavagem de veículos a água de chuva, seguida da água proveniente de poço, poisambas não tem custos, enquanto a água tratada tem um custo. Porém, a águatratada é melhor para os usos domésticos, pois as outras fontes não apresentampotabilidade.FIGURA 39 – Posto São Sebastião. A- Visão geral do posto; B- poço cacimba; C- bomba d‟água àesquerda, motobomba à direita e cisterna; D- lava-car de veículos grandes e tanque auxiliar ao fundo;E- máquina de jato de água pressurizada; F- poço, área de captação do pequeno depósito, máquinarollover à frente e lava-car com máquina de jato de água pressurizada ao fundo.
  • 92. 8. Posto Flex: O Posto Flex (AUTO POSTO FLEX LTDA, Figura 40 A) foi fundado a cerca de50 anos, localizado na Rua Comendador Ayrton Playsant, 183, Centro. Os Telhadosdas bombas de abastecimento, do escritório, da loja de conveniências e da troca deóleo se comunicam formando uma cobertura com 400 m² de área. As fontes de água que abastecem posto são: a rede de abastecimentopúblico da SANEPAR, um poço profundo e o aproveitamento de água pluvial.Estima-se que são gastos, ao todo, 122,5 m³ de água todo mês. O consumo mensalde água tratada não ultrapassa o mínimo do comércio (até 10 m³) que é destinadapara usos domésticos (para beber, higiene pessoal, descarga nos vasos e lavagemdo pátio) e para limpar pára-brisas. As águas provenientes do poço e das chuvas,usadas de forma conjunta, são destinadas especificamente para lavagem deveículos, que demanda 112,5 m³ de água mensalmente. O poço cacimba que foiescavado na época de construção do posto, e que costuma secar nas épocas deestiagem, possui capacidade aproximada de 78,5 m³, possui cerca de 25 m deprofundidade e 2 m de diâmetro. A água pluvial já é utilizada há 10 anos compostapor um sistema bastante simples que mistura água pluvial e água de poço (Figura 40B). A água coletada das coberturas (400 m²) é desviada por tubos para um tanquecom capacidade de 8 m³ (Figura 40 C e E), quando esse tanque é completado aágua excedente vai para o poço, se o tanque estiver seco, então a água do poçoabastece o tanque. Quando as fontes destinadas a lavagem secam essa éinterrompida. A oferta do serviço de lavagem no posto é antiga, provavelmente,coincidindo com a idade de funcionamento do posto ou poucos anos mais recente.Atualmente a lavagem, oferecida como cortesia aos clientes, é realizada por umrodízio entre 4 funcionários que se revezam no atendimento as bombas deabastecimento de combustível e na lavagem de veículos. São lavados em média 25carros por dia, o equivalente a cerca de 750 veículos por mês. O processo delavagem é do tipo lava-jato, a água é bombeada do tanque por uma bomba a umapequena cisterna próxima a máquina de lavagem (de jato de água pressurizada)para que essa possa realizar a sucção da água (Figura 40 D). É utilizada na lavagemágua e detergente automotivo neutro. A água servida, resultante da lavagem vai
  • 93. para uma caixa de separação com quatro compartimentos e depois que as partículassólidas são decantadas a água é liberada na galeria de água pluvial. A pessoa entrevistada foi o gerente do posto, na época, que não acha queexista desvantagem em nenhuma fonte utilizada, talvez pela existência de uma certaprecaução quanto ao uso de água tratada que dificilmente serve para a lavagem deveículos, o posto não gasta mais que R$ 60,00 mensais com água. O entrevistadoaponta que o aproveitamento de água de chuva é benéfico, pois gera uma boaeconomia na conta de água.FIGURA 40 – Posto Flex. A- Visão geral do posto; B- poço cacimba com tubo para receber águapluvial; C- sistema de tubos condutores de água pluvial até o tanque reservatório; D- área de lavagemcom pequena cisterna e máquina usada na lavagem; E- tanque reservatório com 8m³.
  • 94. 9. Posto Pianowski: O Posto Pianowski (PIANOWSKI & CARVALHO LTDA., Figura 41 A) foifundado por volta de 1975, localizado Avenida Visconde de Mauá, 493, Oficinas. Oposto possui três áreas cobertas que podem ser utilizadas para coleta de águapluvial: a cobertura principal sobre as bombas de abastecimento de combustível com266 m², a loja de conveniência/escritório com 85 m² e as garagens do lava-car deveículos grandes (caminhões de porte médio, vans e similares, Figura 41 B) com162 m² que totalizam 513 m² de área coberta. O posto apresenta dois espaços quesão utilizados como lava-car: um espaço com três garagens utilizadas para lavagemde veículos grandes e a máquina de lavagem tipo rollover (Figura 41 C). As fontes de água que abastecem o posto são: a rede de abastecimentopúblico da SANEPAR, um poço tubular profundo e o aproveitamento de água pluvial.Estima-se que são gastos, ao todo, pelo menos 92,5 m³ de água todo mês. Destesem média 10 m³ são de água tratada que é destinada para usos domésticos (parabeber, higiene pessoal, descarga nos vasos e lavagem pisos). As águasprovenientes do poço e das chuvas, usadas de forma conjunta, são destinadasespecificamente para lavagem de veículos, que demandam em média cerca 82,5 m³de água, mensalmente16. O poço tubular profundo possui mais de 100 m deprofundidade e a água prospectada não é boa para consumo humano. A água dopoço é bombeada para uma cisterna com capacidade aproximada de cerca 30 m³que é mistura a água de chuva. A utilização de água de chuva é antiga, dado ovisível desgaste ocasionado pelo tempo em suas instalações. O sistema deaproveitamento de água de chuva é bastante precário. A cobertura das garagens dolava-car de veículos grandes possui calhas que dividem em duas partes a drenagemde águas pluviais do telhado, metade da área total dessa cobertura (81 m²) éconduzida por dois condutores verticais de metal, pelos quais a água chega até acisterna localizada no subsolo de um pequeno depósito. A outra metade de águaque escoa sobre estes telhados é despejada na rua. Devido a falta de manutençãonas calhas de cimento e nos telhados que se encontram muito sujos (Figura 41 D),16 Para estimar a quantidade de água usada na lavagem tomou-se por base o n° de veículos lavadospor mês. Adotou-se, conforme a ABNT (2000), 150 l de água para lavagem de carros e 400 l para alavagem de ônibus com máquina de jato de água pressurizada.
  • 95. além do piso sobre a cisterna que também possui muita sujeira como fuligem, terra eóleo, a qualidade visual da água é baixa (Figura 41 F). A oferta do serviço de lavagem ocorre no posto, provavelmente, desde suainauguração. Atualmente a lavagem, oferecida como cortesia aos clientes, érealizada pelos frentistas que se revezam no atendimento as bombas e na lavagemde veículos e pelos próprios clientes que podem lavar os veículos grandes noespaço reservado para isso. São lavados em média 15 veículos por dia, dos quaiscerca de 13 são carros e 2 são veículos maiores como caminhões de médio porte esimilares o equivalente a cerca de 450 veículos por mês. O processo de lavagem édo tipo rollover para os carros e do tipo lava-jato, para os veículos maiores, a água ébombeada da cisterna abastecida com água de chuva e/ou de poço por uma bombapara a máquina de lavagem tipo rollover e por uma motobomba (Figura 41 E) paraas mangueiras do lava-car de veículos grandes. São usados na lavagem água edetergente automotivo. A água servida, resultante da lavagem vai para uma caixa deseparação com 3 compartimentos e depois que as partículas sólidas são decantadasa água é liberada na galeria pluvial. A pessoa entrevistada foi o gerente do posto que se mostrou indiferente asvantagens e desvantagens percebidas entre as diferentes fontes d‟água.Apontando, apenas que aproveitar água de chuva, no caso do posto, não custanada, pois a água simplesmente escorre dos telhados para o reservatório, enquantoa água tratada tem um custo.
  • 96. FIGURA 41 – Posto Pianowski. A- Visão geral do posto; B- lava-car de veículos grandes e a esquerdadepósito com cisterna no subsolo; C- máquina de lavagem tipo rollover; D- condições precárias dacalha; E- à direita bomba para cisterna do poço e à esquerda motobomba que leva a água paralavagem; F- água com baixa qualidade visual armazenada na cisterna.4.3.1.1 Considerações sobre o uso de água de chuva nos postos de serviçosautomotivos Para uma melhor compreensão do potencial de aproveitamento de água dechuva nos postos de serviços automotivos no espaço urbano de Ponta Grossa parafins não potáveis, verificou-se o volume mensal médio de água de chuvaaproveitável por metro quadrado (Figura 42), conforme estudo realizado por(GIACCHINI, 2003). A fórmula utilizada para o cálculo foi a de dimensionamento do
  • 97. reservatório já esclarecida no item 3.2.5.4 sobre armazenamento de água de chuva17 . Adotou-se C= 0.80, conforme sugerido pela ABNT (2000) e Ac= 1 m². Precipitação média Volume médio mensal de água de chuva Mês P(mm) aproveitável (m³/m²) Janeiro 186 0,149 Fevereiro 161 0,129 Março 138 0,110 Abril 101 0,080 Maio 116 0,093 Junho 118 0,094 Julho 96 0,077 Agosto 79 0,063 Setembro 136 0,109 Outubro 153 0,122 Novembro 119 0,095 Dezembro 151 0,121 Total anual 1554 1,243FIGURA 42 – Quadro dos volumes médios mensais de água de chuva aproveitável por metroquadrado na região de Ponta GrossaFonte: (GIACCHINI, 2003).Nota: Precipitação média, conforme Anexo B. Com base no quadro anterior e de posse do tamanho da área de captação épossível, ainda, determinar o volume potencial médio aproveitável de água de chuvanos postos visitados (FIGURA 43). Para tal utilizou-se o tamanho médio dascoberturas dos postos que utilizam água de chuva, Ac= 527 m² (Figura 44).17 “Embora existam vários métodos de dimensionamento do reservatório, será adotado nestetrabalho o método mais comum que corresponde à seguinte equação: V= Ac. P. C. Onde, Vrepresenta o volume do reservatório (m³), Ac a área de coleta de água de chuva (m²), P aprecipitação média (mm) e C o coeficiente de runoff“.
  • 98. Volume médio mensal de água de chuva Volume médio mensal de água Mês aproveitável de chuva aproveitável (m³/m²) Vap (m³) Janeiro 0,149 78,52 Fevereiro 0,129 67,98 Março 0,110 57,97 Abril 0,081 42,69 Maio 0,093 49,01 Junho 0,094 49,54 Julho 0,077 40,58 Agosto 0,063 33,20 Setembro 0,109 57,44 Outubro 0,122 64,29 Novembro 0,095 50,07 Dezembro 0,121 63,77 Total anual 1,243 655,06FIGURA 43 – Quadro de volumes potenciais médios aproveitáveis de água de chuva para AC= 527m² Área das Consumo Consumo mensal de Consumo Posto coberturas mensal de água água não potável mensal total (m²) potável estimado (m³) (m³) estimado (m³) Tio Mucufa 495 27 93 120 Real 568 20 135 155 Athenas 827 10 43,83 53,83 Cinco Primos 473 10 157,5 167,5 Gamper 586 45 96,12 141,12 Pinheiro 971,5 41 135 176 São Sebastião 265 24 60 84 Flex 400 10 112,5 122,5 Pianowski 513 10 82,5 92,5 Vn 556,5 Vn 101,72 Valor médio18 Vn 21,88 Vn 123,60 Vr 527 Vr 99,71FIGURA 44 – Quadro síntese dos dados de área de captação e consumo de água nos postos deserviços automotivos que utilizam água de chuva no espaço urbano de Ponta GrossaNotas: Vn= Valor médio normal Vm= Valor médio refinado Considerado a demanda média mensal de água não potável nos postos deserviços automotivos que utilizam água de chuva, a Figura 45 busca analisar arelação entre a demanda de água não potável e o potencial médio de captação deágua de chuva nestes empreendimentos.18 Para realização dos cálculos dos valores médios foram retirados os valores muito acima e osvalores muita abaixo da média geral dos postos. Para área das coberturas foram excluídos os valoresdos postos Pinheiro e Tio Mucufa; Athenas e Flex. Para o consumo mensal de água não potávelestimado foram retirados os valores dos postos Cinco Primos e São Sebastião.
  • 99. 120 100 80 60 Vap (m³) 40 Demanda (m³) 20 0FIGURA 45 – Gráfico de relação entre a demanda por águas não potáveis e o volume médio de águade chuva aproveitável no espaço urbano de Ponta Grossa Com base no gráfico e nos dados aqui apresentados, no mês de menorprecipitação, ou seja, agosto estima-se que o aproveitamento de água de chuvapossa atender 33,3% da demanda de água não potável e no mês de maiorprecipitação, ou seja, janeiro possa atender 78,52%. Em média, nas condiçõesdescritas acima, o aproveitamento de água de chuva pode suprir 54,75% dademanda anual de águas não potáveis, ou seja, 655,06 m³ anualmente em cadaposto. Dessa maneira, se os 7 postos que utilizam somente água tratada em todasas atividades, inclusive para lavar automóveis, utilizassem água de chuva, nessaatividade, a economia estimada de recursos hídricos provenientes da companhia deabastecimento seria de 382,13 m³ mensais, o equivalente a cerca de 4.585,56 m³por ano. Considerando os demais postos que oferecem serviço de lavagem eutilizam outras fontes d‟água, descontando os 9 postos que aproveitam água dechuva esse número chegaria a 1.310,16 m³ por mês, o equivalente a cerca de15.721,92 m³ por ano de economia de água de diversas fontes.
  • 100. 5. VIABILIDADE ECONÔMICA DO SISTEMA DE APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA Acreditando-se que já foram esclarecidas, nos capítulos anteriores, questõesrelativas à capacidade técnica de aplicação do sistema de aproveitamento de águade chuva e a sua relevância do ponto de vista ambiental. Pode-se dizer que oaproveitamento de água de chuva tem sua importância mais facilmente reconhecidaem regiões, nas quais, o sistema de abastecimento público de água apresentadeficiências para suprir as necessidades da população do que em regiões comsistema de abastecimento relativamente suficiente, mesmo havendo neste uma fortetendência de crise, num futuro não muito distante, como no caso da cidade de PontaGrossa. No entanto, nessas regiões pode-se conseguir uma melhor aceitação dessaalternativa com estudos que demonstrem sua viabilidade econômica, dada anecessidade de averiguação da relação de benefício/custo para que se possaconceber a instalação desse sistema. Considerando-se os elevados índices pluviométricos da região, as grandescoberturas dos postos de serviços automotivos e a alta demanda por águas nãopotáveis nesses empreendimentos. O objetivo principal deste trabalho, juntamentecom a investigação sobre a capacidade técnica de aproveitamento de água dechuva, foi analisar a viabilidade econômica de implantação de um sistema deaproveitamento de água de chuva para fins não potáveis, sobretudo, para utilizaçãonos serviços de lavagem de veículos, ofertados, em postos de serviços automotivosdo espaço urbano de Ponta Grossa. Na realização dessa análise tomou-se por baseos dados verificados no capítulo antecedente, onde, admite-se, para fins de estudo,a área média de coleta com 527 m² e a demanda média mensal de água não potávelestimada em 99,71 m³. Para o dimensionamento da cisterna assumiu-se, conforme oquadro 8, o máximo volume médio mensal de água de chuva aproveitável, ou seja,78,29 m³. Sendo assim, é perceptível a necessidade de se construir uma cisternacom dimensão suficiente para comportar esse volume, que foi arredondado para 80m³. O método utilizado no presente estudo é o cálculo do valor presente líquido(VPL), que permite comparar diferentes alternativas de projetos transformando todosos benefícios e custos envolvidos em valores presentes. De acordo com Athayde
  • 101. Junior; Dias & Gadelha (2008) a alternativa que apresentar o maior VPL será a maisatrativa. A equação utilizada para a determinação do VPL é: VPL= Benefícios – Investimentos – Custos A avaliação econômica do VPL é obtida por: VPL > 0, o projeto é atrativo;VPL = 0 o projeto é indiferente; e VPL < 0, o projeto não é atrativo. Foram consideradas duas simulações diferentes de construção de cisternasem comparação com as tarifas de água cobradas pela Sanepar. Na primeira simulação considerou-se uma cisterna fabricada em ferro-cimento, com base nos valores do projeto “cisternas ecopedagógicas” da Itaipu emparceria com o município de Missal, no Paraná, e na outra considerou-se o valor demercado da região para cisternas pré-fabricada em fibra de vidro. Para identificação dos custos e benefícios é necessário estabelecer o períodode vida útil do projeto que de acordo com Guilherme apud Fernandes; MedeirosNeto & Mattos (2007) é de cerca de 20 anos para o sistema de aproveitamento deágua de chuva. Dessa maneira, os benefícios desse sistema podem ser obtidosatravés do valor das tarifas de água cobradas durante um período de 20 anos. Sabendo que a instalação de um sistema de aproveitamento de água dechuva poderá atender cerca de 54,75% da demanda média por águas não potáveisem postos de serviços automotivos anualmente, ou seja, o equivalente a cerca de54,59 m³ por mês e que as tarifas de distribuição de água cobradas pela SANEPAR,em novembro de 2009, são de R$ 29,40 para o consumo da cota básica de 10 m³em estabelecimentos comerciais e mais R$ 3,31 para cada metro cúbico excedente.Com base nestes dados pode-se determinar que o valor cobrado pela SANEPARpela distribuição de 54,59 m³ mensais seria o equivalente a R$ 176,99 por mês, ouseja, R$ 2.123,88 anualmente. No primeiro projeto que visa simular a construção de uma cisterna em ferro-cimento com capacidade de reservação de 80 m³, o custo de investimento foiestimado a partir de um sistema de aproveitamento de água de chuva instalado, emmarço de 2009, numa escola municipal no município de Missal, no Paraná, queconstruiu uma cisterna com capacidade para 75.660 litros de água investindo umtotal de R$ 26.064,45 (PREFEITURA MUNICIPAL DE MISSAL, 2009). Considerando
  • 102. que os postos já possuem sistema de calhas e condutores, através, dos quais, achuva que cai nos telhados é drenada para galeria de águas pluviais e que o projetoimplantando nas escolas inclui bomba, tubos e conexões suficientes para realizar aligação do sistema de captação dos postos com a cisterna. Para o dimensionamentodo reservatório de retenção das primeiras chuvas, utilizou-se o método proposto pelaPROSAB (Techne, 2008) de descarte do primeiro milímetro de chuva que cai sobreo telhado, ou seja, 527 l para uma cobertura com 527 m², para reter as primeiraschuvas será usada um caixa d‟ água de fibra de vidro com capacidade de 1000 l. Ocusto total estimado do sistema de aproveitamento de água de chuva é de R$27.797,72. Os custos referem-se às despesas de operação do sistema, como: areposição de peças de instalação, reparos de possíveis avarias e gastos comenergia que de acordo Guilherme apud Fernandes; Medeiros Neto & Mattos (2007),para efeitos de cálculos, requerem um custo anual de cerca de R$ 100,00. Aplicando, neste primeiro, caso a fórmula de VPL, onde, os benefícioscalculados assumem um valor de R$ 42.477,60; os investimentos de R$ 27.797,72;e os custos de R$ 2000,00 obtêm-se um VPL= R$ 12.679,88 o qual indica queaproveitar água de chuva para fins não potáveis em postos de serviços automotivosda cidade de Ponta Grossa é economicamente mais vantajoso do que adquirir águapor meio do sistema público de abastecimento. O período de retorno, ou seja, o período de tempo que os benefícios levampara cobrir os investimentos iniciais foi calculado sem levar em conta as taxas dejuros ou de inflação durante o período de avaliação do projeto. O período de retornopara o projeto avaliado é de 13,09 anos, indicando que o projeto é economicamenteatrativo. Se o tempo de retorno dos investimentos iniciais fosse maior que a vida útildo sistema de aproveitamento de água de chuva, ou seja, maiores que 20 anos,então, o projeto não seria vantajoso do ponto de vista econômico. No segundo projeto que visa simular a utilização de cisternas pré-fabricadasem fibra de vidro considerou: três cisternas com capacidade de 25 m³, uma cisternacom capacidade de 10 m³19, uma caixa d‟ água com capacidade de 1000 l para reteras primeiras chuvas, tubos (50 m) e conexões de PVC. Considerando que os postosjá possuem sistema de calhas e condutores, através, dos quais, a chuva que cai nos19 Ver orçamentos no Apêndice E.
  • 103. telhados é drenada para galeria de águas pluviais e que já possuem lavagem emfuncionamento não foram consideradas bombas e máquinas de lavagem. O custototal estimado de investimento no sistema de aproveitamento de água de chuva é deR$ 19.751,08, incluindo 5% para mão-de-obra e instalação. Aplicando, neste segundo, caso a fórmula de VPL, onde, os benefícioscalculados assumem um valor de R$ 42.477,60; os investimentos de R$ 19.751,08;e os custos de R$ 2000,00 obtêm-se um VPL= R$ 20.726,51 o qual indica queaproveitar água de chuva para fins não potáveis em postos de serviços automotivosda cidade de Ponta Grossa é economicamente mais vantajoso do que adquirir águapor meio do sistema público de abastecimento.O período de retorno para o projeto avaliado é de 9,30 anos, indicando que o projetoé economicamente atrativo.
  • 104. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Pensar o uso das águas para torná-lo mais eficiente e humano, já deixou deser uma questão de bom senso, sendo atualmente uma necessidade. Oaproveitamento de água d e chuva é um passo importante para otimizar o uso daságuas de forma a ter uma aplicação mais racional desse recurso. Embora o abastecimento público de água em Ponta Grossa seja,relativamente, suficiente, somente nos últimos 6 anos o aumento da populaçãourbana foi de cerca de 22 mil habitantes (7,17% da população urbana), o queresultou num aumento de 5.200 m³ de água consumidos diariamente. Se essatendência permanecer em menos de 15 anos a capacidade de abastecimentopúblico de água será insuficiente para suprir as necessidades da população. A cidade de Ponta Grossa localiza-se próxima à Escarpa Devoniana, a qualfunciona como uma barreira orográfica para os ventos vindos do mar que seprecipitam ao vencerem esse degrau topográfico. Isto faz com que a cidade registreos maiores valores de precipitação média dos Campos Gerais e possibilita autilização de água de chuva em volumes consideráveis durante todos os meses doano. Este estudo procurou demonstrar a existência de viabilidade técnica eeconômica de aproveitamento de água de chuva em postos de serviços automotivosdo espaço urbano de Ponta Grossa, passando pela investigação de como ocorre ouso da água nestes empreendimentos. Verificou-se que a maioria dos postos automotivos estudados oferece serviçode lavagem de veículos, que somada à lavagem de pátios consome em média,mensalmente, 99,71 m³ de águas que poderiam ser não potáveis. Pode-se dizer quemesmo diante dos grandes índices pluviométricos da região, associados às grandescoberturas construídas nestes empreendimentos, com tamanho médio de 527 m²,capaz de atender, anualmente, cerca de 54,75% desta demanda, este potencial épouco utilizado (somente 27% dos postos aproveitam parcialmente a águaproveniente das chuvas), resultando num grande desperdício de água potáveldevido à incompatibilidade de seu uso. A intensificação da utilização de água dechuva nos postos de serviços automotivos na cidade de Ponta Grossa permitiria,além de compatibilizar a qualidade da água com seu uso reservando a água tratadapara as finalidades mais nobres, como consumo humano, por exemplo, e proteger
  • 105. as reservas de água subterrânea. Possibilita, ainda, economizar cerca de 1.300.000l de água por mês, o equivalente a mais de 15.700.000 l por ano de economia deágua de outras fontes. Aproveitar a água de chuva que cai na cobertura dos postos, pode, também,resultar em benefícios financeiros para os adeptos desta técnica. Nos dois casosanalisados neste trabalho, comprovou-se que, para fins não potáveis, é maisrentável investir em um sistema de aproveitamento de água de chuva do quecontinuar adquirindo água fornecida pelo sistema público de abastecimento público.Com base taxas atuais de fornecimento de água, os saldos positivos deste sistemavariam entre R$ 12.679,88 e R$ 20.726,51, com período de retorno variando de 9,30a 13,09 anos. Tendo em vista que as tarifas de água tendem a aumentar no futuro,por fatores vinculados a uma possível escassez desse recurso, o período de retornodos investimentos iniciais dispendidos com a instalação do sistema tendem adiminuir e os saldos positivos aumentar. Tornando a implantação do sistema deaproveitamento de água de chuva, ainda, mais atraente do ponto de vistaeconômico. Embora o sistema de aproveitamento de água de chuva seja tecnicamenteviável nos postos de serviços automotivos de Ponta Grossa, devido ao seu uso parafins não potáveis, um modelo ótimo deste sistema, adequado à realidade, deve serprojetado de acordo com os objetivos do usuário e adaptado as peculiaridades dasconstruções. Não existe nenhum modelo genérico que sirva em todas as situações,cada caso deve ser considerado único. Geograficamente o uso da água nos postos automotivos representa muitomais do que a mera localização espacial destas atividades. Representa uma formade utilização do espaço e de recursos hídricos que direta ou indiretamente afetam asociedade regional. O reconhecimento, a espacialização, a investigação do uso daágua nos postos de serviços automotivos e o estudo de técnicas alternativas paraum melhor gerenciamento da água podem contribuir com o ordenamento doterritório, sobretudo, na gestão dos recursos hídricos. Auxiliando as tomadas dedecisão relacionadas com a água nestes empreendimentos.
  • 106. REFERÊNCIASACQUA SAVE. Kit Residêncial. Disponível em:http://www.acquasave.com.br/index_acqua.php3?pg=acqua_residencial#galAcesso em: 11/08/2009.AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DOS DIREITOS DA INFÂNCIA (ANDI). Secas,inundações e água de beber. Disponível em:http://www.mudancasclimaticas.andi.org.br/node/151 Acesso em: 16/09/2009.AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DO ESTADO DO PARANÁ. Requião inaugura estação detratamento de água em Ponta Grossa. Disponível em:http://www.aenoticias.pr.gov.br/modules/news/article.php?storyid=45404 Acesso em:16/09/2009.AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS; FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADODE SÃO PAULO. Conservação e Reúso da água em Edificações. São Paulo:Prol, 2005. 152 p.ALMEIDA, C.C. Evolução histórica da proteção jurídica das águas no Brasil.2002. Disponível em: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=3421 Acesso em13/10/2008.ALVES, J. E. D. . Considerações sobre projeções populacionais e econômicaspara 2050 e seus impactos sobre a pobreza e o meio ambiente. 2007. Disponívelem: http://www.ie.ufrj.br/aparte/pdfs/popdesenvsustentavell_01mai07.pdf Acesso em:15/06/2009.AQUASTORE. Água. Disponível em: http://www.aquastore.com.br/default.aspx?code=58 Acesso em: 25/10/2008.ARAÚJO, E.P.; NUNES,R.; RODRIGUES, R.P. O gerenciamento da demanda deágua é o caminho para propiciar a sua preservação: água de chuva emedificações. 2006. Disponível em:http://www.interfacehs.sp.senac.br/br/secao_interfacehs.asp?ed=3&cod_artigo=55Acesso em: 14/10/2008.ARAÚJO, M.C.; SILVA NETO, A. Palestina: A fortaleza de Massada. Disponívelem: http://www.metodista.br/arqueologia/artigos/a-fortaleza-de-massada Acesso em:16/06/2009.ARTICULAÇÃO DO SEMI-ÁRIDO BRASILEIRO. Resultados. Disponível em:http://www.asabrasil.org.br/ Acesso em: 25/06/2009.
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  • 116. APÊNDICES
  • 117. APÊNDICE A – FICHA DEINVESTIGAÇÃO EXPLORATÓRIA
  • 118. APÊNDICE A FICHA DE INVESTIGAÇÃO EXPLORATÓRIAEixo20:_____________________________________________________________N°__________Nome do Posto: ________________________________________________________________________________________________________________________Razão Social:__________________________________________________________________________________________________________________________Endereço:_____________________________________________________________________________________________________________________________Coordenadas (UTM- J-22 S):E:________________ N: ______________________ Altitude:______________Fontes d’água:( ) Água tratada ( ) Poço profundo ( ) Água pluvial( ) Outros:_________________________________________________________Lavagem:( ) Sim ( ) NãoTipo de lavagem:( ) Manual ( ) AutomáticaAnotações:_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________20 Nome da avenida percorrida
  • 119. APÊNDICE B – ROTEIRO DE ENTREVISTAS
  • 120. APÊNDICE B ROTEIRO DE ENTREVISTASINFORMAÇÕES GERAIS – CARACTERIZAÇÃONome do Posto: _________________________________________________________________________________________________________________________Razão Social:________________________________________________________Bandeira:___________________________________________________________Endereço:___________________________________________________________Telefone:______________ E-mail:_______________________________________1- Quando o Posto foi fundado?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________2- Quais são as fontes de água utilizadas pelo Posto?( ) Água tratada ( ) Poço profundo ( ) Água pluvial( ) Outros:___________________________________________________________4- Qual é a área total do Posto?______________________________________________________________________________________________________________________________________5- Qual é a área construída?______________________________________________________________________________________________________________________________________6- Qual é o tamanho das coberturas?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________LAVAGEM DE VEÍCULOS8- O Posto oferece serviços de lavagem de veículos?( )Sim ( ) Não9- Quando foi implementada?______________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 121. ______________________________________________________________________________________________________________________________________10- Como é a lavagem?( ) Manual ( ) Automática11- Como é a cobrança?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________12- Que tipo de veículos são lavados?( ) Carro e caminhonetes ( ) Motos ( ) Caminhões ( ) Ônibuse micro-ônibus13- Quantos veículos são lavados por mês?______________________________________________________________________________________________________________________________________14- Quantos litros de água são gastos numa lavagem?______________________________________________________________________________________________________________________________________15- Existem fontes de água destinadas especificamente a lavagem? Quais?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________16- Que produtos são usados na lavagem?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________17- Quem é responsável pela lavagem?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________18- Quantos funcionários trabalham na lavagem?______________________________________________________________________________________________________________________________________19- Como eles são pagos?______________________________________________________________________________________________________________________________________20- Qual é o destino das águas utilizadas na lavagem?
  • 122. ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ÁGUAS21- Qual é o volume total de água utilizada mensalmente pelo posto?______________________________________________________________________________________________________________________________________22- Por que o uso de várias águas?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________23- As fontes de água consumida são separadas reservando cada fonte paradeterminados usos? Quais?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ÁGUA TRATADA24- Em que atividades o posto utiliza água tratada?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________25- Qual é o volume de água tratada consumida mensalmente pelo posto?______________________________________________________________________________________________________________________________________ÁGUA SUBTERRÂNEA26- Quando a empresa perfurou o poço?______________________________________________________________________________________________________________________________________27- Qual empresa perfurou o poço?______________________________________________________________________________________________________________________________________28- Em que atividades o posto utiliza água subterrânea?______________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 123. 29- Qual é o volume de água subterrânea consumida mensalmente pelo posto?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________30- Qual é o tamanho do reservatório?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ÁGUA PLUVIAL31- Quando foi instalado o sistema de aproveitamento de água da chuva?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________32- Quanto foi investido na instalação do sistema de aproveitamento da água dachuva?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________33- Qual é o tamanho das coberturas utilizadas para captar água da chuva?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________34- Qual é tamanho do reservatório?______________________________________________________________________________________________________________________________________35- Quem instalou o sistema de aproveitamento de água da chuva?______________________________________________________________________________________________________________________________________36- O sistema está incluído na planta hidráulica do posto?______________________________________________________________________________________________________________________________________37- Como funciona o sistema de captação da água da chuva?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 124. 38- São utilizados bombas, filtros ou outros equipamentos no processo de captaçãoda água da chuva?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________39- Como é feita a manutenção do sistema?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________40- Com que freqüência a manutenção é feita?______________________________________________________________________________________________________________________________________41- Qual é o seu custo estimado?______________________________________________________________________________________________________________________________________42- Em que atividades o posto utiliza a água da chuva?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________43- Quais as vantagens encontradas em utilizar a água da chuva?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________44- Quais as desvantagens encontradas em utilizar a água da chuva?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________45- O reservatório já secou alguma vez? Quantas vezes e quando?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________46- Qual das fontes você acha que traz mais vantagens ao posto?( ) Água tratada ( ) Poço profundo ( ) Água pluvial ( )Outros:______________________________________________________________Justifique:____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 125. 47- Qual das fonte traz mais desvantagens ao posto?( ) Água tratada ( ) Poço profundo ( ) Água pluvial ( )Outros:_____________________________________________________________Justifique:____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 126. APÊNDICE C – POSTOSAUTOMOTIVOS 42 VISITADOS EM PONTA GROSSA: DADOS DAINVESTIGAÇÃO EXPLORATÓRIA
  • 127. APÊNDICE C POSTOS AUTOMOTIVOS 42 VISITADOS EM PONTA GROSSA: DADOS DA INVESTIGAÇÃO EXPLORATÓRIA (continua) TIPO DE TIPO DE COORD. COORD. POSTO FONTE DE ALTITUDE LAVAGEM UTM (E) UTM (N) ÁGUA Pluvial, Posto Tio subterrânea e Manual 971m 585324 7226371 Mucufa tratada Pluvial, Posto Real subterrânea e Manual 948m 584771 7225500 tratada Pluvial, Posto São subterrânea e Automática 965m 583833 7225006 Sebastião tratada Pluvial, Auto Posto subterrânea e Manual 947m 586787 7224727 Athenas tratada Pluvial,Posto Pinheiro subterrânea e Manual 960m 583182 7225388 tratada Posto Pluvial, Pianowski subterrânea e Automática 896m 585070 7222364 (Oficinas) tratada Pluvial, Posto Flex subterrânea e Manual 980m 584179 7224596 tratadaPosto Gamper Pluvial, tratada Manual 960m 583190 7225404 Pluvial e Posto Degraf Manual 962m 584043 7225978 subterrânea Posto Subterrânea e Pianowski Manual 956m 585171 7224402 tratada (Centro)Posto Boa Vista Subterrânea e Manual 930m 581901 7005761 (Uvaranas) tratada Posto Santa Subterrânea e Manual 916m 588991 7224623 Rita tratada Subterrânea e Posto BP Automática 948m 584448 7224140 tratada Posto Guri subterrânea e Manual 910m 585230 7220334 (Verde) Tratada Subterrânea e Posto MZ Manual 954m 584704 7223091 tratadaPosto Tigrão do Subterrânea e Manual 950m 580680 7225995 Sabará tratada Auto Posto Subterrânea e Manual 888m 585206 7221613 Hilgemberg Tratada Subterrânea e Posto Trevo Manual 879m 586365 7218226 tratada
  • 128. (continuação) Subterrânea e Manual 950m 579516 7227005 Posto Café tratada Posto 955m 582527 7225493 Independência Subterrânea Manual Posto Manual 951m Pianowski (Uvaranas) Subterrânea Posto Grenal Subterrânea Manual 955m 580514 7225918 Posto Cavalleri Subterrânea Manual 930m Posto Contorno Subterrânea Manual 871m 580892 7223644 Posto Paraná Tratada e arroio Manual 955m 580112 7226311 Posto Contorno 988m 573375 7230409 II Tratada e arroio Manual Posto Monteiro 978m 585165 7226091 Lobato Tratada Manual Posto Triângulo Tratada * 966m 584042 7224958 Posto Rodeio Tratada Manual 970m 581936 7226014 Posto Boa vista Tratada Manual 930m 581901 7225761 Posto Rio 943m 585612 7224782 Branco Tratada * Posto Lobatinho Tratada Manual 989m 584259 7224949 Posto Balduíno Tratada * 990m 584324 7224955 Posto Pitangui Tratada 954m 584408 7224367 II * Posto Jardim Tratada Manual 939m 584499 7223409 América Posto Lagoa Tratada Manual 923m 584736 7222798 Posto Visconde Tratada Manual 909m 585172 7221020 Posto Guri 914m 585379 7219803 (Vermelho) Tratada * Posto Estrela 952m 576535 7230341 da Amizade I Tratada * Posto Contorno 951m 576162 7230526 IV Tratada * Posto Tigrão da 927m 578266 7228479 Chapada Tratada * Posto Florense Tratada * 964m 582431 7226966* Não possuem serviço de lavagem de veículos.
  • 129. APÊNDICE D – LOCALIZAÇÃO DOS 42 POSTOS DE SERVIÇOS AUTOMOTIVOSESTUDADOS NO ESPAÇO URBANO DE PONTA GROSSA
  • 130. APÊNDICE E – ORÇAMENTOS
  • 131. APÊNDICE E - ORÇAMENTOS Orçamento Cisternas BALAROTI - Fone(s): 3027.9000 03/11/2009 Orçamento: 731196 Pg: 01 ORCAMENTO DE VENDA Cliente: CONSUMIDOR FONE: 413372.9692 CGC./CPF.: 000.000.018.30 COD: 034645668 LOJA: 03 -------------------------------------------------------------------------------- Quantidade Cod. Descricao Marca Preco Total -------------------------------------------------------------------------------- 1,000 64376 CAIXA D"AGUA FIBRA 10000L C/TAMPA 01030 FORTLEV 2.335,20 1,000 64379 CAIXA D"AGUA FIBRA 25000L C/TAMPA 01030 FORTLEV 5.712,00 -------------------------------------------------------------------------------- 4890 LARISSA Total de Produtos 8.047,20 Total de Frete 15,00 -------------------------------------------------------------------------------- Total do Orcamento 8.062,20 Valor Entrada: 0,00 + 01 X 8.062,20 Endereco de entrega: CLIENTE RETIRA MERCADORIA NA LOJA Bairro: UBERABA Cidade: CURITIBA Proximidade: cascia OBSERVACOES: PRECOS VALIDOS PARA 03/11/2009, SUJEITO A ALTERACAO APOS ESTA DATA. Orçamento: tubos, conexões e caixa d’água Preço Valor final Descrição do Insumo Unidade Mediano Quantidade (R$) (R$) LUVA SIMPLES PVC P/ ESG UN 3,04 10 30,40 PREDIAL DN 100MM CAIXA DAGUA FIBRA DE 238,17 UN 1 238,17 VIDRO 1000L JOELHO PVC SOLD 90G PB P/ UN 3,75 10 37,50 ESG PREDIAL DN 100MM TUBO PVC EB-644 P/ REDE M 9,09 50 454,50 COLET ESG JE DN 100MM TOTAL --- 254,05 --- 760,57Fonte: SISTEMA NACIONAL DE PESQUISA DE CUSTOS E INDICES DA CONSTRUÇAO CIVIL.Preço de Insumos. Disponível em:http://www1.caixa.gov.br/gov/gov_social/municipal/assistencia_tecnica/sinapi_index.asp Acesso em:27/10/2009.
  • 132. ANEXOS
  • 133. ANEXO A – QUADRO DE POSTOSREVENDEDORES VAREJISTAS NO MUNÍCIPIO DE PONTA GROSSA
  • 134. ANEXO B – QUADRO DEPRECIPITAÇÃO MÉDIA MENSALCONSIDERADA PARA PONTAGROSSA, ENTRE OS ANOS DE 1954E 2001, COM BASE NA ESTAÇÃOMETEOROLÓGICA DE VILA VELHA
  • 135. ANEXO B QUADRO DE PRECIPITAÇÃO MÉDIA MENSAL CONSIDERADA PARA PONTA GROSSA, ENTRE OS ANOS DE 1954 E 2001, COM BASE NA ESTAÇÃO METEOROLÓGICA DE VILA VELHA PRECIPITAÇÃO MÉDIA MENSAL MÊS (mm) Janeiro 186 Fevereiro 161 Março 138 Abril 101 Maio 116 Junho 118 Julho 96 Agosto 79 Setembro 136 Outubro 153 Novembro 119 Dezembro 151Fonte: CARAMORI, 2002.

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