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Enegep1998 art297[1]
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  • 1. REFERENCIAL PARA A OBTENÇÃO DA QUALIDADE NO PROCESSO EM ALVENARIA Cristina Eliza Pozzobon Engenheira Civil - Especialista em Gestão da Qualidade Mestranda do CPGEC/Universidade Federal de Santa Catarina e-mail: ecv3cep@ecv.ufsc.br Eduardo Rizzatti Engenheiro Civil – M. Sc. Professor Dep. Estruturas e Construção Civil Universidade Federal de Santa Maria RESUMO This work present a sistematic revision of bibliography about construction process, masonry and quality. Shows the differences between structural masonry and conventional masonry, too. This theoretical reference can be read fastly and used to improve the construction management. ÁREA: Gerência da Produção KEY WORDS: Masonry, quality, management 1. INTRODUÇÃO A preocupação com qualidade e produtividade, que tomou conta do cotidiano brasileiro há alguns anos, chamou a atenção dos empresários construtores não só para as questões relativas à competitividade, visando diminuir custos e prazos, mas também, para questões relacionadas com as técnicas e processos utilizados, buscando aumentar a eficiência da mão-de-obra e melhorar a qualidade final do seu produto. A alvenaria destaca-se nesse contexto pela introdução de ferramentas, equipamentos e pela sua postura gerencial em uma indústria que ainda é muito carente de avanços tecnológicos. Este trabalho foi realizado com o intuito de apresentar uma revisão sistematizada da bibliografia pertinente ao processo construtivo, a alvenaria convencional e a alvenaria estrutural. Como a proposta é baseada na gestão do processo, inseriu-se o assunto qualidade, dando ênfase aos principais conceitos que podem ser aplicados na indústria da construção civil. Embora seja um apanhado teórico, buscou-se fazê-lo de maneira clara e objetiva a fim de permitir rápida consulta, uma vez que existe ampla bibliografia (incluindo muitas obras clássicas) que tangem o assunto. 2. O PROCESSO PRODUTIVO NA CONSTRUÇÃO CIVIL “Um processo pode ser visto como um conjunto de atividades que recebe entradas, agrega valor a estas entradas e fornece um resultado final cujo valor é superior ao das entradas. Esta visão de processo é normalmente conhecida como o modelo IPO (Input- Process-Output). A definição de processo permite englobar tanto um pequeno conjunto de atividades quanto um complexo sistema de operações” (Viera, 1995).
  • 2. A cadeia produtiva que forma o setor da construção civil conta com uma grande variedade de fatores e agentes intervenientes, além dos produtos parciais gerados ao longo do processo de produção. Estes produtos incorporam diferentes níveis de qualidade que irão afetar a qualidade do produto final. A busca da qualidade neste setor significa envolver todos intervenientes pelo comprometimento com a qualidade de seus processos e produtos parciais e com a qualidade do produto final. O processo produtivo na construção de edificações inicia com a atividade do planejamento, a partir da identificação da necessidade do usuário, cuja responsabilidade é de um construtor ou incorporador, seguindo-se as atividades de elaboração dos projetos que ficam a cargo do projetista, do proprietário e do construtor. A partir destas definições inicia-se o processo construtivo com as atividades de escolha e aquisição dos recursos necessários para o empreendimento: materiais e equipamentos, recursos humanos e recursos financeiros. A gestão consiste em desenvolver, implantar e controlar todo o processo produtivo com o objetivo de prevenir os defeitos onde quer que eles ocorram, podendo acontecer na área de projeto, material recebido, processo de produção ou de produto. Gerenciar significa coordenar todos serviços que interferem no processo, sem esquecer nem privilegiar nenhum deles, visando atingir o objetivo final, com a qualidade esperada do produto, dentro do prazo definido e dos custos orçados. A qualidade dos processos deve ser gerada com o objetivo de melhorar o desempenho da organização. Para a obtenção do êxito na busca pela qualidade são utilizadas algumas ferramentas, visto que o uso de ferramentas adequadas evita uma série de falhas muito comuns nas decisões do cotidiano (Souza et al, 1995). Neste contexto, a necessidade de definir precisamente os procedimentos de execução tem assumido uma importância crescente, frente a rapidez da evolução tecnológica e o aumento da diversidade de materiais e componentes de construção. “O objetivo do desenvolvimento e da implantação de um sistema de padronização é reduzir a variabilidade dos processos, fazendo com que os insumos sejam processados sempre da mesma maneira e o valor agregado seja sempre o mesmo, gerando assim a satisfação permanente do próximo processo e do cliente externo. O produto final receberá os impactos benéficos da padronização na forma de redução de custos devido a utilização racional de materiais, equipamentos e mão-de-obra, sem desperdício nem retrabalho” (Souza et al, 1995). Maia (1994) enfatiza que a padronização permite a obtenção e a manutenção do domínio tecnológico e que uma das suas vantagens consiste no incremento da produtividade, obtido via melhoramento do método. Uma forma simples de padronizar os serviços de execução de edifícios é, em primeiro lugar, determinar os padrões da construtora, ou seja, definir a tecnologia a ser utilizada em todas suas obras. Outra opção é elaborar o procedimento operacional para toda a fase executiva da obra, incluindo todas as tecnologias e escolher aquelas que fazem parte da obra a ser executada, semelhante ao que ocorre na escolha das composições de custos existentes para elaboração de orçamentos (Maia, 1994). Cabe relatar que a falta de padronização pode conduzir à variação na produtividade por operador, na qualidade do produto e sobretudo no custo. Entretanto, a determinação de padrões sem critérios bem definidos pode causar o fracasso da padronização ou, o sucesso desta, caso os padrões sejam satisfatórios. Após a elaboração dos padrões, sua implantação deve ser feita de acordo com o ciclo PDCA. Trata-se de um instrumento valioso de controle e melhoria do processo. Para gerenciar a rotina utiliza-se o executar e o verificar. A parte do melhorar é usada quando a normalidade começa a se prolongar. Segundo Campos (1992), a redação dos procedimentos-padrão operacionais no PDCA é um processo de educação e treinamento, visto que é realizada com a participação
  • 3. de todos grupos interessados no assunto. A partir do treinamento decorre a delegação, a formação de grupos para o autodesenvolvimento (chamado CCQ - Círculo de controle da Qualidade) e a rotação de cargos. Os círculos de controle da qualidade tem sido uma ferramenta utilizada pela maioria das empresas que implementam o TQC, visando sobretudo estabelecer a participação organizada e sistemática. 3. A ALVENARIA “Conjunto coeso e rígido, conformado em obra, de tijolos ou blocos (unidades de alvenaria) unidos entre si por uma argamassa” (Sabbatini apud Araújo, 1995). Ou, ainda, “conjunto de blocos artificiais ou componentes naturais, ordenadamente dispostos, unidos por uma argamassa ou não, formando um maciço que deve apresentar resistência, durabilidade e impenetrabilidade” (Araújo, 1995). Em termos de iniciativas de melhorias e de inovações tecnológicas, as empresas destinam especial atenção ao processo alvenaria, uma vez que a alvenaria é um serviço que já foi estudado exaustivamente e possuí índices diversos para consumo de materiais e mão- de-obra. Trata-se, também, de uma atividade com muita importância na lista de precedências, trazendo muitas atividades dependentes (tais como: instalações, revestimentos, marcos e forros). Por outro lado, é uma atividade de programação fácil e que reage bem as iniciativas de racionalização, refletindo suas melhorias nos serviços posteriores. Scardoelli, Silva & Formoso (1994) afirmam que as inovações mais freqüentes observadas na produção de alvenaria referem-se a: Desenvolvimento e integração de documentos de projeto; organização do canteiro; aquisição, desenvolvimento e adaptação de equipamentos e ferramentas e ; desenvolvimento de materiais e componentes para facilitar a racionalização da execução. Heineck & Andrade (1994) através da observação em canteiros de obras de 20 empresas construtoras do país sugerem uma lista de melhorias diretamente relacionadas com a alvenaria relativas ao projeto, à geometria da obra, à movimentação de materiais, à organização do posto de trabalho, à organização do trabalho e a gerência, ao treinamento e desenvolvimento cognitivo dos operários. 4. A ALVENARIA ESTRUTURAL Na alvenaria estrutural, as paredes são os elementos estruturais, devendo resistir às cargas como fariam os pilares e vigas utilizados em obras de concreto armado, aço ou madeira. O projeto ideal considera a distribuição das paredes de forma que cada uma atue como elemento estabilizador da outra. O processo construtivo em alvenaria estrutural é empregado na construção de edifícios que se caracterizam por uma estrutura suporte de sistema tridimensional de elementos planos constituídos por paredes de alvenaria e lajes que são dimensionadas segundo métodos racionais e de confiabilidade determinável (Sabbatini apud Araújo, 1995). Para Sabbatini (apud Araújo, 1995), os principais parâmetros a serem observados na execução das alvenarias são: Exatidão na locação das paredes; precisão no alinhamento, nivelamento e prumo; regularidade no assentamento das unidades; preenchimento e regularidade das juntas de argamassa; coordenação na amarração dos blocos. A gestão do processo em alvenaria estrutural deve levar em consideração as seguintes ações: 4.1 Racionalização Ação praticada com o objetivo de tornar racional a atividade construtiva, sendo “um processo composto pelo conjunto de todas as ações que tenham por objetivo otimizar o uso
  • 4. de recursos materiais, humanos, organizacionais, energéticos, tecnológicos, temporais e financeiros disponíveis na construção em todas as suas fases” (Sabbatini, 1989). O primeiro degrau da racionalização da alvenaria estrutural é a padronização dimensional do componente básico (bloco ou tijolo). Escolhido um componente padronizado parte-se para a modulação das paredes, em planta e em elevação. Uma das maneiras de racionalizar a construção é através da coordenação de projetos. Esta coordenação eleva a qualidade do projeto global e, como conseqüência, melhora a qualidade da construção. Para Picchi (1993), a coordenação de projetos é fundamental para garantir a qualidade final do edifício e, especialmente, para assegurar uma melhor execução, evitando o retrabalho e o desperdício de materiais. 4.2 Projeto Executivo Tendo em vista que a execução deve se basear nas informações contidas nos projetos e nas suas especificações, constata-se a necessidade do desenvolvimento de projetos executivos apresentando detalhamentos que os tornem claros e precisos (Araújo, 1995). Da mesma forma, a definição das paredes estruturais de vedação deve ser acompanhada da especificação correta dos blocos para cada fim, fator imprescindível para a modulação do projeto. O projeto é elemento chave da gestão do processo na alvenaria estrutural dada sua importância como vínculo de ligação, uma vez que, necessariamente, a prática deve seguir a teoria e todas as soluções estão bem definidas no papel. Neste caso, nenhuma decisão fica a critério da obra. Outro conceito que se apresenta importante é o da construtibilidade, sendo definido como a facilidade em construir. Para Griffith (apud Araújo, 1995) construtibilidade trata-se de um conjunto de ações praticadas na concepção do edifício que simplificam e facilitam as atividades de execução, sujeitando-se a todos os requisitos do edifício, quando executado. Araújo (1995) afirma que este conceito se baseia no conhecimento e na experiência construtiva das fases de concepção, planejamento, projeto e execução da obra a fim de obter a simplificação das operações construtivas. Geralmente a boa construtibilidade é dada na ausência de curvas, juntas e detalhes excessivos; em locais iluminados, sem sombras e com acessibilidade e espaços adequados para o trabalho. Também é dada pela padronização e pela simplificação do projeto. 4.3 Gerência do canteiro Consiste na infra-estrutura necessária para a garantir o bom andamento da obra. Fazem parte desta gerência, o planejamento do layout, o treinamento da mão-de-obra, o planejamento da execução e, os equipamentos e ferramentas desenvolvidas e/ou adaptadas no intuito de aprimorar e agilizar o processo construtivo nas suas várias atividades. 4.4 Controle no canteiro Acompanhamento contínuo da execução e a contínua comparação do executado com o previsto. O sistema de controle do processo deve ser economicamente compatível com o objeto visando a retroalimentação do processo. São importantes os controles: do prumo, nível e alinhamento; da mão-de-obra e; no uso dos equipamentos. Na implantação da alvenaria estrutural existe a necessidade do treinamento da mão- de-obra, uma vez que os sistemas e os projetos não são convencionais. Neste caso, a qualidade da mão-de-obra e do detalhamento de projetos são fatores determinantes da qualidade global da obra. Na metodologia do treinamento da mão-de-obra podem ser aproveitadas as novidades para a motivação do operário.
  • 5. 5. DISCUSSÃO ALVENARIA CONVENCIONAL X ALVENARIA ESTRUTURAL A alvenaria estrutural diferencia-se dos demais processos construtivos por diversos fatores, dentre estes, por possuir características intrínsecas que exigem um nível mínimo de qualidade para garantir a estabilidade e o bom desempenho do edifício (Araújo, 1995). As vantagens da utilização da alvenaria estrutural centralizam discussões, embora todos especialistas (Symanski, 1997) concordam que processo é mais econômico que o usual, gera redução no uso de concreto, ferragem e mão-de-obra, simplifica as instalações evitando rasgos nas paredes; diminui a espessura dos revestimentos, apresenta facilidade de treinar a mão-de-obra; gera maior rapidez e facilidade de construção e melhor desempenho termoacústico. Medeiros & Sabbatini (apud Araújo, 1995) afirmam que a principal vantagem da alvenaria estrutural é sua capacidade de racionalização em todas etapas da construção, utilizando-se para isso de recursos humanos e materiais. Outras vantagens visíveis da alvenaria estrutural que podem ser citadas: Dispensa o uso de formas de madeira, metálica ou outras; reduz o uso de ferragem; dispensa o uso de pilares e vigas; permite a redução da mão-de-obra; racionaliza o canteiro e sua industrialização; reduz o tempo de construção; reduz o custo da obra; reduz o lixo e o entulho; permite que sejam instaladas as redes elétricas, hidráulicas e de telefones sem a abertura de canaletas; garante o alto padrão de qualidade da construção em função da homogeneidade da produção das peças; permite a paletização, imprimindo maior ritmo à logística da obra; não necessita de grande aquisição de equipamentos e ferramentas; não exige grandes investimentos; simples e facilmente absorvível pelo meio técnico. A alvenaria estrutural não armada de blocos de concreto apresenta limitações no seu emprego, como qualquer outro sistema construtivo. Estas limitações não impedem a sua utilização, contudo, necessitam ser avaliadas no estudo de viabilidade do empreendimento. A execução das paredes estruturais exige materiais adequados para tal finalidade e cuidados com o projeto, com a qualidade da mão-de-obra, além do maior controle de qualidade possível, embora trate-se de um processo relativamente simples. “Sempre que possível deve-se evitar utilizar a alvenaria armada apoiada diretamente sobre pilotis devido ao alto custo provocado pelas grandes dimensões da estrutura de transição em concreto armado. Para se obter a maior racionalização do método construtivo é importante descarregá-la diretamente no terreno” (Campos apud Araújo, 1995). Uma das desvantagens da alvenaria estrutural diz respeito as ampliações, uma vez que a parede compõe a estrutura e não pode ser retirada para aumentar a área do quarto ou sala na edificação. Deve-se ainda, comentar que a alvenaria estrutural apresenta limitações com relação a impossibilidade da remoção das paredes, ao número de pavimentos possíveis de serem alcançados, a distribuição das paredes e a necessidade de amarração entre os elementos. 6. O DESPERDÍCIO NO PROCESSO Picchi (1993) menciona que o entulho gerado nas obras brasileiras com sistema de construção convencional e estrutura independente varia em função do elemento de alvenaria utilizado e do grau de organização e controle da obra. Afirma, ainda, que é freqüente na construção de edifícios a utilização de espessuras de argamassa bastante acima do projetado para correção de imperfeições de prumo, alinhamento e nivelamento da estrutura e alvenarias, sendo a alvenaria, juntamente com o entulho, um dos maiores fatores de desperdício de materiais, estimado em 5% sobre o custo de uma obra com valores arbitrados. Algumas perdas de materiais (cimento, areia e argamassa) identificadas em processos construtivos convencionais acontecem devido ao controle de recebimento deficiente,
  • 6. problemas de transporte e armazenagem (contenção lateral, contaminação de materiais, altura das pilhas dos sacos de cimento, duplo manuseio e as vias de transporte e equipamentos inadequados), falta de controle de traços de argamassa e enchimento de rasgos. Também pode ser identificada uma forte correlação entre as perdas e a espessura dos revestimentos, especialmente em função da geometria da estrutura e das dimensões dos componentes. No caso dos blocos cerâmicos e dos tijolos, os principais problemas que contribuem para a incidência de perdas estão na falta de controle de recebimento dos materiais, na falta de segurança dos estoques, no uso de meio de transportes inadequados, na estocagem inadequada, na falta de coordenação dimensional, falta de meios tijolos, modificações de projeto e no encunhamento (Santos et al, 1996). Por outro lado, no estudo de desperdício dos materiais em alvenarias convencionais realizado por De Cesare & Formoso (1994), o primeiro ponto detectado refere-se à falta de padronização dimensional de tijolos nos diferentes canteiros. Estes autores salientam que se pode reduzir os desperdícios verificados no fornecimento das peças de tijolo e aumentar o controle sobre o material adquirido se as unidades forem recebidas devidamente empacotadas. Franco (apud Araújo, 1995) relata que “a simples organização das tarefas tradicionalmente executadas, através de um planejamento e uma programação mais eficientes pode levar a diminuição dos desperdícios, ao aumento da produtividade, do desempenho e da qualidade dos produtos acabados”. O trabalho de Guedert (1994) identificou a descontinuidade da operação de assentamento dos tijolos como o maior problema, visto que a cada fiada os pedreiros abandonavam a colher e buscavam o prumo para garantir a verticalidade dos tijolos externos, além das verificações feitas posteriormente. O uso de escantilhões, neste caso, foi a solução encontrada para o problema. 7. A MELHORIA DO PROCESSO O caminho da melhoria da qualidade nos canteiros passa pela adoção de estratégias de produção à nível de processo produtivo, em sua programação e no seu acompanhamento. Embora os caminhos, através de atitudes gerenciais e de técnicas de análise e medição do trabalho sejam conhecidos existe a necessidade de que estas opções sejam feitas tendo em vista os objetivos e a realidade da empresa. O gerenciamento de processos é uma metodologia aplicada em diversas indústrias dentro dos fundamentos da Qualidade Total e do just in time. Esta metodologia, estruturada para a resolução de problemas, é empregada para definir, analisar e gerenciar as melhorias no desempenho dos processos críticos da empresa, com a finalidade de satisfazer o cliente, tanto interno como externo. Para o sucesso, o gerenciamento de processos depende do apoio da alta administração e de sua capacidade de se organizar, além da participação dos trabalhadores e membros da administração. Harrington (apud Viera, 1995) formulou a metodologia para a melhoria dos processos empresariais, composta de cinco fases e vários passos, a seguir: [i] Fase I: Organizar para melhorar; [ii] Fase II: Entender o processo; [iii] Fase III: Aperfeiçoar; [iv] Fase IV: Medir e controlar; [v] Fase V: Buscar a melhoria contínua. 8. CONTROLE DE COMPRA E DO RECEBIMENTO DOS MATERIAIS Para Souza et al (1995), a qualidade na aquisição tem caráter multifuncional, uma vez que envolve diversos setores da empresa, como projeto, compras e outros e deve garantir o trabalho integrado desses setores, de forma a garantir a satisfação dos clientes em relação à qualidade dos materiais adquiridos. Ainda para Souza et al (1995), através de especificações claras, com requisitos definidos e documentados pode ser realizada a livre
  • 7. comunicação entre os fornecedores e os compradores, reduzindo eventuais desentendimentos e permitindo uma comparação objetiva entre os preços e os prazos dos fornecedores de materiais similares. 9. CONSIDERAÇÕES E SUGESTÕES “Na indústria da construção civil, a separação entre as etapas de concepção e execução não é completa, uma vez que o trabalhador, por sua experiência e pelo seu trabalho artesanal atua diretamente sobre as atividades que fazem parte das suas tarefas” (Dalcul, 1995). Assim, é através de investimentos, tais como em inovações e melhorias que pode-se buscar a gestão eficaz do processo e o aumento da produtividade da mão-de-obra. Estes investimentos, geralmente de baixo custo, possibilitam a qualidade na execução e a motivação para os operários, uma vez que foram criados para facilitar os serviços. No caso da alvenaria estrutural, as melhorias e inovações, na sua maioria, já vem implícitas no processo, sendo necessárias para a realização deste. O mesmo não acontece com a alvenaria convencional. Por outro lado, vale salientar que um dos maiores problemas da alvenaria está no emprego de mão-de-obra primitiva, semi ou não-alfabetizada e pouco qualificada nas olarias. Estas empresas são de base familiar e utilizam-se de equipamentos rudimentares, na sua maioria. A qualidade do produto destas empresas afeta diretamente a qualidade da alvenaria, visto que o bloco é o principal insumo do processo em estudo. Assim torna-se importante registrar a necessidade de avaliação da qualidade dos materiais e componentes entregues pelo mercado de materiais de construção. A nível de gestão, cabe frizar que quanto menos tipos de blocos forem utilizados na obra, melhor será, principalmente para evitar enganos quanto a resistência dos mesmos. Ao longo da pesquisa realçou-se a importância da qualidade que toma parte do cotidiano de qualquer setor da economia. Destacou-se, também, as características e vantagens da alvenaria estrutural e convencional. Neste sentido, registramos alguns aspectos a serem considerados: ♦ Para o estudo de viabilidade de uma obra na construção civil, deve-se considerar as alternativas existentes, para dentre elas, escolher aquela que se apresenta mais vantajosa sob o ponto de vista construtivo, técnico e econômico; ♦ A experiência técnica e gerencial da empresa e a prática da mão-de-obra devem ganhar atenção especial no momento desta escolha; ♦ Como já foi mencionado, a alvenaria executada no processo convencional é um item importante na lista de precedências de serviços e no processo em alvenaria estrutural é o item fundamental, mostrando assim, que a qualidade é uma exigência necessária; ♦ A gestão do processo deve englobar as atividades do projeto à manutenção da edificação; ♦ Para a busca na qualidade no processo da alvenaria (convencional ou estrutural), outro ponto a registrar é a necessidade do envolvimento da alta direção da empresa. Nesse sentido, vários autores (Campos, 1992; Juran, 1993; Souza et al, 1995) afirmam que o sucesso da implantação da qualidade depende diretamente do envolvimento da alta gerência da organização; ♦ O gerenciamento deve buscar a qualidade sem considerar menos importante os custos e prazos pré-estabelecidos. Na prática, podem ser recomendadas algumas ações como: Introdução de novos equipamentos (tais como: masseira, carrinho para transportar blocos, andaimes apropriados, tubofone e os demais listados na bibliografia); planejamento do layout, buscando a configuração mais adequada ao bom andamento do processo; planejamento do sequenciamento da produção; redimensionamento das equipes buscando diminuir tempos
  • 8. improdutivos (estudos relatam o trabalho de 2oficiais:1servente); utilização da gravidade para movimentação dos materiais de construção; canal direto de comunicação entre a obra e os fornecedores; contrato de lealdade com os fornecedores; estudo ergonômico do trabalho; mudança no horário de fornecimento do café da manhã a fim de evitar que os operários parem o trabalho e tenham deslocamentos desnecessários. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO, H. N. Intervenção em obra para implantação do processo construtivo em alvenaria estrutural: Um estudo de caso. Florianópolis, UFSC, Dez/1995. 117p. Dissertação (Mestrado em Engenharia) - Universidade Federal de Santa Catarina, 1995. CAMPOS, V. F. Controle da Qualidade Total (no Estilo Japonês). Belo Horizonte: Fundação Cristiano Otoni/Escola de Engenharia da UFMG, 1992. 219p. DALCUL, A. L. P. C. As novas tecnologias e as relações de trabalho: Um desafio para a qualidade na construção civil. Porto Alegre: UFRGS, Jun/1995. 110p. Dissertação (Mestrado em Engenharia) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1995. DE CESARE, C. M. & FORMOSO, C. T. Movimentação e desperdício de materiais nas alvenarias convencionais. 5th International Seminar on Structural Masonry for Developing Countries. Florianópolis, Brasil. Agosto, 1994, p. 481-490. GUEDERT, L. O. Programa de melhoria de qualidade das alvenarias - O caso do convênio Frechal/UFSC. Publicação datilografada. Universidade Federal de Santa Catarina. 1994. HEINECK, L. F. M. & ANDRADE, V. A. A racionalização da execução de alvenarias do tipo convencional e estrutural através de inovações tecnológicas simples. 5th International Seminar on Structural Masonry for Developing Countries. Florianópolis, Brasil. Agosto, 1994, p. 584-593. JURAN, J. M., GRYNA, F. M. Controle da Qualidade. São Paulo: Makron Books, Vol 1, 1993. MAIA, M. A. M. Metodologia de intervenção para padronização na execução de edifícios com participação dos operários. Florianópolis, UFSC, 1994. 101p. Dissertação (Mestrado em Engenharia) - Universidade Federal de Santa Catarina, 1994. PICCHI, F. A. Sistemas da qualidade: Uso em empresas de construção de edifícios. São Paulo, USP, 1993, 462p. Tese (Doutorado em Engenharia), Vol 1 e 2. Universidade de São Paulo, 1993. SABBATINI, F. H. Desenvolvimento de métodos, processos e sistemas construtivos: Formulação e aplicação de uma metodologia. São Paulo, USP, 1989. Tese (Doutorado em Engenharia). Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, 1989. SANTOS, A. et al. Método de intervenção para redução de perdas na construção civil. Edição SEBRAE/RS, Porto Alegre: 1996. SCARDOELLI, L. S., SILVA, M. F., FORMOSO, C. T. Inventário de Iniciativas de Melhorias voltadas à Produtividade e Qualidade desenvolvidas por empresas de construção de edificações. 5th International Seminar on Structural Masonry for Developing Countries. Florianópolis, Brasil. Agosto, 1994, p. 539-548. SOUZA, R. et al. Sistema de gestão da qualidade para empresas construtoras. São Paulo: PINI, 1995. 247p. SYMANSKI, R. Sistema construtivo - economia à prova. In: Revista construção - Região Sul. Maio/1997, São Paulo: Ed. PINI. 1997. 104p. p. 22-23. VIERA, C. G. G. Uma metodologia para a melhoria de processos. Florianópolis, UFSC, Nov/1995. Dissertação (Mestrado em Engenharia). Universidade Federal de Santa Catarina. 1995.