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IGREJA METODISTAIgreja Episcopal                               Efésios 4.1-4, 15-16                                       ...
num ímpeto colossal do Espírito de Deus, em pleno   PASTORAL SOBRE A DOUTRINA DO ESPÍRITO                  século XVIII, o...
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episcopais a respeito destas questões, após estudo eoração,   no   espírito   de   humilde   serviço   pastoral,colocamos ...
1. O MOVIMENTO CARISMÁTICO                             Uma das ênfases centrais do movimento carismático                  ...
pentecostal tradicional, se tornam mais freqüentes nos     variados grupos cristãos, são expressões significativasambiente...
legitimidade do movimento a tendência ao divisionismo,          ecumênico, especialmente nas comunidades de base,ao isolam...
2. CONSIDERAÇÕES        GERAIS     SOBRE A        irmãos e irmãs que formam o povo chamado metodista      DOUTRINA DO ESPÍ...
Antigo Testamento como no Novo Testamento, se                Após a Ressurreição e a Ascensão de Jesus Cristo,identifica s...
Deus, e seu ministério se dá na vida das pessoas, da       passar pela experiência de regeneração, e sem o seuIgreja e do ...
“A Missão de Deus no mundo é                                      Jesus iniciou a sua Missão no Mundoestabelecer o seu rei...
Deus aos homens e mulheres: por isso oramos: “Venha          Reino (Rm 8.23). O Senhor ressuscitado derrama o seuo teu Rei...
temos que reconhecer que não somos Reino e sua             de Jesus. Viver no Espírito é antes de mais nada sergarantia. T...
Espírito Santo usam uma terminologia variável. Assim            submeter    aos     interesses     do   Reino        de   ...
Apóstolo Paulo, que dedica atenção considerável à ação      todos ali presentes tivessem recebido o batismo dedo Espírito ...
dom do Espírito até que os apóstolos chegassem à            de tal evidencia o Apostolo e, por extensão, a Igreja deSamari...
algo distinto, que se constitua obrigatoriamente em si                          época desde os tempos apostólicos. Masmesm...
uma vida inequivocamente vida segundo os valores mais     suficiente e egocêntrica, existir para Deus e o próximo,altos do...
Viver no Espírito é exatamente o reverso de viver na     louvando a Deus, “tremeu o lugar em quecarne: é uma existência on...
não é necessário decidir. É oportuno,            Espírito, os quais, não os tendo alguém,entretanto,    observar   que,   ...
florescência permanente foi garantia a       do Espírito, pois são tempo e habitação do Espírito de              todas as ...
isto é, dons espirituais, ministérios e obras. Com isto      – Senhor, e como “Theos” – Deus, o Deus Trino queentendemos a...
todas as funções necessárias na vida da Igreja sejam      para   o     testemunho     do     Evangelho    ao    mundo,igua...
portanto, uma preocupação por se uniformizar oucristalizar os dons na vida da comunidade cristã.             Os dons são e...
para distinguirmos a presença do Espírito de Deus na         testemunha sobre a comunidade primitiva, o Corpo devida do cr...
orgulho, vaidade ou auto-suficiência, negações que são       exatamente na medida em que servem para o bem deda vida no Es...
Afirmamos, ainda, que os dons nos vêm pela fé em        pelo qual a mensagem divina é enunciada sob aCristo (Gl 3.14) e es...
autentica manifestação (2Tm 3.16 cf. 2 Pe 1.16-21).            aceitarmos a possibilidade da cura divina, não fazemosLembr...
Rejeitamos toda forma de exploração, que sob a           critério do Espírito distribuir os dons como e a quem lheaparênci...
realmente assim o é, então o vosso teste        Seguindo o conselho apostólico, e o de nosso Painão é o adequado para dete...
Bíblia e nenhuma de suas partes deixa de estar sujeita à       g) O Espírito Santo e o Uso da Bíblia na Igreja          Pa...
Quais são as evidencias, os sinais e os critérios para        - Aceitação alegre e submissa do Senhorioa verificação da ev...
contradiz a lei que o próprio Deus imprimiu emQuais seriam as evidencias e os critérios externos?          nossas mente. O...
declaram a respeito do ser e dos atributos         nós chegamos a conhecer os elementosde   Deus?     Da    sua    eternid...
enquanto      que    as    emoções      são   apenas          subjetivas e pessoais. Sem deixar de lado o          valor d...
3. NORMAS DE ORIENTAÇÃO PASTORAL                                              Pentecostes tem sido considerado como o     ...
Sabemos que existe possibilidade de abuso quanto a          2. Inclua efetivamente todas as discussões,uma experiência mís...
renunciar à razão é renunciar à religião, que a            essencial, unidade; no não essencial, liberdade: ereligião e a ...
especialmente        os     que      estão      sob     sua         8. Examine sempre a sua experiência à luz daresponsabi...
discuti-las, à luz da Verdade, sob a ação do               Depois disso então julgue, como um cristão,   Espírito Santo. A...
experiências que encontram apoio nas Escrituras.           e na missão de sua Igreja demanda um chamadoPor isso mesmo, os ...
piedade vital” (João Wesley). Lute por integrar           a   um    crescimento    espiritual.   A   experiênciasuas exper...
9. Conserve     sua   experiência       carismática        trabalho na Igreja e em sua participação na   sempre em observa...
Metodista. Oramos ao Senhor para que entre nós secumpra a vontade do Senhor: “Não rogo somente porestes, mas também por aq...
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  1. 1. IGREJA METODISTAIgreja Episcopal Efésios 4.1-4, 15-16 Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro do Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda humildade e mansidão, com longanimidade, PASTORAL SOBRE A suportando-vos uns aos outros em amor. DOUTRINA DO ESPÍRITO esforçando-vos diligentemente por preservar a SANTO E O MOVIMENTO unidade do Espírito no vinculo da paz. CARISMÁTICO Há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo, de quem todo o corpo,Série “Documentos” – 2 bem ajustado e consolidado, pelo auxilio de toda junta,Departamento Editorial da Imprensa Metodista segundo a justa cooperação de cada parte, afetua o seuAv. Senador Vergueiro, 1301 próprio aumento para a edificação de si mesmo emSão Bernardo do Campo – SP amor.
  2. 2. num ímpeto colossal do Espírito de Deus, em pleno PASTORAL SOBRE A DOUTRINA DO ESPÍRITO século XVIII, o metodismo chegou até nós, em nossos SANTO E O MOVIMENTO CARISMÁTICO dias, pelo testemunho de mulheres e homens fiéis à vocação de “espalhar a santidade de Deus por toda a Nós, os Bispos da Igreja Metodista, chamados por terra” e à convicção de que “o mundo é a nossaDeus e pela Igreja, para apascentarmos o seu rebanho, paróquia”.preocupados com a preservação da unidade do espíritono vínculo da paz, às igrejas do povo chamado metodista Com João Wesley, reconhecemos que o “metodista éapresentamos esta pastoral sobre a doutrina do Espírito alguém que, pelo Espírito Santo, tem o amor de Deus emSanto e as questões levantadas pela irrupção do seu coração, com toda a sua alma, com todo o seumovimento carismático nas comunidades evangélicas entendimento e força” (Marcas de um metodista).tradicionais, inclusive as nossas. Com Bispos eleitos pela Igreja, reafirmamos nossa Graças a todos os irmãos e irmãs, membros leigos e comunhão com os membros do XII Concílio Geral daclérigos, e paz da parte do Senhor Jesus e de Deus Igreja Metodista, reunidos em Piracicaba, um dos berçosnosso Pai, a quem, na unidade do Espírito Santo, seja a do metodismo brasileiro, e proclamamos que “a Igreja sóhonra, e a glória, e o louvor, pelos séculos sem fim. é Igreja quando revestida e orientada e, poderosamenteAmém! fortalecida no Espírito Santo. Na presença, orientação, capacitação e poder do Espírito Santo a Igreja cumpre a Damos graças a Deus pela ação de Deus na vida do missão... A Igreja Metodista no Brasil reconhece quemovimento metodista. Nascido no coração dos Wesley, tudo na fé cristã depende da presença e ação do Espírito
  3. 3. Santo...; daí a urgente necessidade de o povo de Deus Salvador. Mediante a concessão dos dons do Espírito,estar sensível à ação do Espírito Santo, e tudo fazer para Deus em Cristo edifica a sua Igreja, capacitando-a para anão se tornar, consciente ou inconscientemente, uma evangelização do mundo. É importante relembrarmospedra de tropeço ao Espírito Santo”. (Plano Quadrienal. aqui um dos fundamentos de nossa herança protestanteBases Teológicas n.º 17). e evangélica – o sacerdócio universal de todos os crentes. O ministério de Cristo, compartilhado por sua Reafirmamos, ainda, nossa comunhão com os irmãos Igreja, é comunitário e não individual, pois todos osbispos que no passado instruíram o povo metodista cristãos são chamados a participar sem quaisquersobre a pessoa e a ação do Espírito Santo através de discriminações na ação salvífica de Deus em Jesusedificantes pastorais. O documento que ora oferecemos Cristo (1Pe 2.1-10; cf. Ex 19.6; Nm 11.29; Cl 3.9-11).à consideração de nossa Igreja aprofunda o ensinoanterior e o considera à luz de uma problemática Reafirmamos, também, que ao expormos à Igrejaespecífica: as questões levantadas pelo chamado nossa orientações sobre a Doutrina do Espírito Santo e omovimento carismático. movimento carismático, buscamos seguir os critérios wesleyanos para o exame de doutrinas e costumes que Entendemos que a expressão é carismática é pobre careçam de orientação adequada dentro da nossaquando se refere a uma determinada experiência de comunidade:alguns cristãos, pois, segundo o ensino bíblico, todocristão é carismático, na medida em que os dons de - o testemunho da Palavra de Deus escrita;Deus são extensivos aos cristãos indistintamente e onde - o testemunho da tradição viva da Igreja, em outrosquer que Jesus Cristo seja confessado como Senhor e tempos, lugares e confissões;
  4. 4. - a experiência pessoal dos cristãos; pastores e leigos, estejam em perfeita, completa e total - e o uso da razão, meio pelo qual também comunhão e unidade com a Igreja: conosco, os bispos dacompreendemos a revelação divina. Igreja, com todos os pastores e pastoras, e com todo o povo metodista. Temos a certeza de que com tal espírito Como herdeiros do Pentecostes do século XVIII, o e determinação, o ardor e entusiasmo providos pelamovimento conduzido por Deus através dos irmãos experiência chamada carismática servirão para aWesley, fiéis à nossa herança ecumênica que nos leva a edificação de todo o corpo a fim de que melhorestender a mão de comunhão a todo aquele que se realizemos a tarefa missionária que o Senhor colocou emsentir em paz com Deus, acolhendo com amor fraterno nossas mãos, pois “UNIDOS PELO ESPÍRITOaos irmãos e irmãs que em sua vivencia de cristãos METODISTAS EVANGELIZAM”. Assim, pretendemostenham tido experiências denominadas de carismáticas. dentro de uma clara compreensão de nossa herançaNossa Igreja se abre a todos aqueles que se metodista, providenciar aos metodistas brasileirosreconhecem como metodista, dentro dos princípios de fé orientação que nos ajude a compreender a interpretar oaceitos pelo Metodismo Universal, e aceitam nossas papel do Espírito Santo na vida da Igreja e do mundo dedoutrinas, costumes e organização eclesial. Esperamos, tal sorte que as experiências de nossos dias sirvam decomo bispos da Igreja, que aqueles metodistas que se forma eficaz para evangelização do povo brasileiro.consideram carismáticos concordem em se comprometermais e mais com nossa herança comum, enraizados no Obedientes à voz de Deus, que tem chegado até nósque Deus tem feito através do povo chamado metodista, através dos reclamos de irmãos e irmãs nossos,aqui e em outras partes do mundo. A exemplo de todos instando-nos para que orientemos doutrinária eos metodistas, desejamos que estes irmãos e irmãs, pastoralmente à Igreja de Deus sob nossos cuidados
  5. 5. episcopais a respeito destas questões, após estudo eoração, no espírito de humilde serviço pastoral,colocamos perante o povo metodista esta pastoral. “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, comodo conhecimento de Deus! Quão insondáveis são osseus juízos e quão inescrutáveis são os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quemfoi o seu conselheiro? Ou quem primeiro lhe deu a ele para que lhe venha aser restituído? Porque dele e por meio dele e para elesão todas as cousas. A ele, pois a glória eternamente.Amém.” (Rm 11.33-36)
  6. 6. 1. O MOVIMENTO CARISMÁTICO Uma das ênfases centrais do movimento carismático tem sido o interesse na ação e ministério do Espírito O chamado “Movimento Carismático” ou o “Neo- Santo, na Igreja e no mundo, tanto na dimensãoPentecostalismo”, ou ainda, a “Renovação Carismática”, pessoal, como na dimensão comunitária. De uma certaé o despertar no seio de Igrejas Tradicionais de uma forma, o movimento carismático, como já ocorrera com onova experiência, conhecida no ambiente do aparecimento dos grupos pentecostais, reavivou naPentecostalismo Clássico, de vivencia do batismo do Igreja a necessidade de se examinar de maneira maisEspírito Santo e dos Dons do Espírito. Embora não se conseqüente a ação e o ministério do Espírito Santo.possa precisar o seu surgimento, as fontes conhecidasdo seu despertar apontam para os primeiros anos da A ênfase que o movimento carismático dá ao poderdécada 60, em algumas Igrejas nos Estados Unidos e na do Espírito Santo e à importância dos dons espirituaisEuropa. Na Igreja Católica o movimento é melhor para o exercício da Missão, tem servido para noscaracterizado, tendo seu inicio na primavera de 1967 despertar quanto à necessidade de uma autenticanas Universidades de Duquesne, Pittsburg, e de Notre renovação em toda a Igreja sob a direção do EspíritoDame, South Bend, nos Estados Unidos. O movimento Santo.se espalhou por todo o mundo e tem causado impactono seio de Igrejas Tradicionais, especialmente as Outra ênfase central no movimento carismático é aprotestantes, dada a sua aproximação com o sua convicção de que a vida sob o poder do Espíritopentecostalismo clássico, e tem gerado controvérsias. Santo é acompanhada de manifestações extraordinárias, os dons espirituais, conforme as descrições do Novo Testamento. Estas experiências, comuns no contexto
  7. 7. pentecostal tradicional, se tornam mais freqüentes nos variados grupos cristãos, são expressões significativasambientes das denominações chamadas “históricas”, da diversidade da ação do Espírito Santo na Igreja decomo entre nós, os metodistas. Os dons, inúmeras Cristo.vezes, se manifestam com alegria e emoção,procurando, contudo, em muitos grupos, evitar-se cair no Apesar de pouco generalizada, alguns gruposemocionalismo. A ênfase que se tem dado, de um modo carismáticos procuram dar ênfase à unidade que devegeral, através da literatura carismática, tem sido na existir entre evangelização e luta pela justiça social.apropriação dos dons pela fé e não pelos sentidos, na Estes grupos procuram realçar a necessidade tanto debusca de emoções. Estas poderão acompanhar uma uma renovação pessoal, como a necessidade de umaexperiência, mas não são estritamente necessárias. A fé renovação das estruturas sociais, baseados naé mais importante que as emoções, embora estas façam convicção de que o reino de Deus encontra uma dasparte de nossa estrutura psíquica. Os dons devem ser suas expressões mais importantes na realização dabuscados como instrumentos para “a edificação do justiça social.Corpo de Cristo” e não como algo de mera satisfaçãoindividual. São para serviço da comunidade da fé e do Se, por um lado, há elementos altamente positivos namundo, e não para vanglória pessoal. irrupção do movimento carismático nos seios das igrejas históricas, tais como o valor da oração e do estudo das O movimento carismático também dá ênfase ao fato Escrituras, a dinamização do ministério leigo nade que não se pode estabelecer um padrão de comunidade cristã, a atenção à obra de testemunharexperiência a ser seguido por todos os cristãos. Cristo onde quer que se esteja, por outro lado, háReconhece que as mais variadas experiências nos mais também perigos que podem vir a comprometer a
  8. 8. legitimidade do movimento a tendência ao divisionismo, ecumênico, especialmente nas comunidades de base,ao isolamento e ao sectarismo, a presença de um onde o compromisso de fé com a justiça une cristãos defundamentalismo literalista quanto aos textos bíblicos, diferentes confissões, e também o ímpeto evangelísticoespecialmente do Antigo Testamento, a exacerbação que percorre quase todas as Igrejas cristãs. Estes sinaisdas emoções e dos sentimentos, a falta de consciência testificam a presença do Espírito entre nós, em nossosdo caráter provisório da experiência e do conhecimento tempos.cristão (cf. 1 Co 13.9-12), e a indefinição confessionalque leva muitos irmãos e irmãs carismáticos a se A manifestação do Espírito de Deus é variada, etornarem vulneráveis à exploração de líderes de devemos estar atentos para todos os sinais quereputação até mesmo duvidosa. evidenciem o dinamismo espiritual da vida da comunidade dos crentes em Jesus. Não pretendemos esgotar aqui a descrição domovimento carismático. Existe hoje uma abundanteliteratura ao nosso alcance sobre esta experiência dediversos cristãos em muitos países do mundo.Lembramos, contudo, que esta não é a únicaexperiência renovadora das igrejas em nossos dias. Háoutros movimentos que merecem toda a atenção doPovo de Deus, tais como redespertar do compromissocristão com a luta dos pobres e oprimidos por um mundomais justo e fraterno, o crescimento do movimento
  9. 9. 2. CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A irmãos e irmãs que formam o povo chamado metodista DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO sobre esta oportunidade oferecida pelo Senhor, convidamos a Igreja a ser abrir ao sopro vitalizador do Queremos refletir com o povo metodista acerca de Espírito (Ex 37.1-14). Para participarmos da construçãoalguns pontos que consideramos importantes para a do Reino de Deus de maneira efetiva é necessária acorreta compreensão da ação do Espírito Santo na vida renovação de todo o Povo de Deus. Por isso, numado crente, da Igreja e do mundo. A reflexão que ora atitude de oração humilde, rogamos ao Senhor:fazemos é parte de nosso ofício episcopal. Somosdesafiados pelas exigências da Palavra viva de Deus, “Vem dos quatro ventos, ó Espírito, e assopra sobreque chega a nós tanto pelo testemunho bíblico do Antigo estes mortos, para que vivam”. (Ez 37.9)e Novo Testamento, como através dos clamores denosso povo. Vivemos momento de profunda crise em a) O Espírito Santo, O Espírito de Deusnossa sociedade em todas as suas dimensões ereconhecemos que a origem desta crise está num O Espírito é Santo porque ele é de Deus. Há um fatosistema de vida e de valores que conflitam abertamente evidente em todo o testemunho histórico da palavra decom a mensagem do Reino de Deus e de sua justiça, Deus: Javé (ou Jeová) é o Deus que se revela naproclamada e vivida por Jesus Cristo. Esta crise nos história como Criador (Gn 1 e 2), como Senhor (Ex 20.2desafia a um testemunho do evangelho e do seu poder e 3), como Salvador (Is 43.1-3; 45.21; 60.16; Os 13.4; Lclibertador, tanto das pessoas como das estruturas sócio- 1.47), e como Fortalecedor (Sl 10.13-18; Is 41.8-10; Efpolítico-econômicas, que só com a assistência do 6.10). Este Javé é Espírito (Jo 4.24; 2 Co 3.17). AEspírito de Deus poderemos dar. Ao refletirmos com os expressão espírito, quando se refere a Deus, tanto no
  10. 10. Antigo Testamento como no Novo Testamento, se Após a Ressurreição e a Ascensão de Jesus Cristo,identifica sempre como o próprio Javé e com sua ação o Espírito de Deus passa a agir no mundo de maneirade Senhor. É Javé quem dá vida e alento ao mundo e às nova e esta ação tem como um dos seus focos acriaturas; quem chama Abraão do meio de sua parentela comunidades dos discípulos de Jesus. A experiência dapara constituir o Povo de Deus, vocacionando-o a ser nascente Igreja no dia de Pentecostes, quando Javébênção para todas as famílias da terra; quem liberta o cumpre as promessas do passado (Jl 2.28-29; Ez 36.25-seu povo da opressão egípcia; quem o preserva no 27) e as do próprio Jesus (Jo 14 e 16; At 1.8), mostradeserto e lhe dá a terra da liberdade prometida aos como a comunidade primitiva começa a perceber a açãopatriarcas; quem dá sabedoria aos juízes; quem dá a do Espírito que nos dá a consciência da graça salvíficapalavra aos profetas. É Javé que, na plenitude dos em Cristo (Jo 14.26; 15.26; 16.8-13; 17.8-11), pela qualtempos, se faz homem em Jesus de Nazaré e sobre ele somos conduzidos à comunhão com o Pai (1 Jo 1.3), ederrama o seu Espírito; nele se manifesta de maneira este mesmo Espírito é quem nos conduz no caminho daplena, em sua vida, morte e ressurreição. É Javé que no santificação (2 Ts 2.13; Rm 8.9-11; Gl 5.22-24) e nosdia de Pentecostes, mediante a ação do seu Espírito, capacita para o exercício do ministério cristão até osvocaciona e constitui a sua Igreja. Dando-lhe graça e confins da terra (Ef 4.1-16, cf. At 1.8). O Senhor Jesuspoder, capacitando-a para cumprir o testemunho de antes de ser glorificado, prometeu a sua companhiaJesus Cristo, na continuação da sua ação histórica e contínua junto aos seus discípulos; esta companhiasalvífica. O testemunho das Escrituras Sagradas nos contínua se efetiva mediante a ação do Espírito doconvence do fato de que a ação do Espírito sempre nos Senhor e alcança a todos os que nele crêem e semanifesta a presença do Deus Trino. sujeitam ao seu Senhorio. Esta presença do Espírito é que dá à Igreja poder para o cumprimento da Missão de
  11. 11. Deus, e seu ministério se dá na vida das pessoas, da passar pela experiência de regeneração, e sem o seuIgreja e do mundo. testemunho não podemos alcançar a santificação (ver os sermões de Wesley, n.ºs IX, X, XI, XII e XIII). O testemunho bíblico também nos afirma e preservaconstantemente a unidade da ação divina. Deus é um só Cremos na Santíssima Trindade – Pai, Filho ee age sempre em unidade, apesar de agir de diferentes Espírito Santo (Artigo de Religião n.º 1). Esta confissãomaneiras em diferentes momentos da história humana fazemos na companhia de todos os crentes, em todos os(Sl 33.6; Hb 1.1-2; 2 Co 5.17). É, portanto, perigoso se tempo, e em todos os lugares em que a fé apostólica foitentar isolar o trabalho do Espírito da ação do Pai e do proclamada e vivida, de maneira correta e verdadeira.Filho. Deus em si é indivisível e inseparável em sua Estamos convictos, como Bispos da Igreja, que aação, pois Deus de maneira nenhuma pode negar-se a vontade de Deus Trino é conduzir a Igreja dos nossossi mesmo (2 Tm 2.13). É perigoso, também, dar-se dias à vivencia e à dimensão plena da vidaênfase desmedida à obra do Espírito em detrimento à experimentada pelos nossos irmãos e irmãs da Igrejapessoa de Jesus, esquecendo-se que sua ação é revelar Primitiva, a fim de que como eles possamos respondere glorificar a Jesus, levando homens e mulheres à às exigências da Missão, aqui e agora.aceitação do seu Senhorio, já que só mediante o Espíritoé que podemos confessá-lo como Senhor, confissão b) O Reino de Deus, o dom do Espírito, e aimprescindível para a nossa salvação (1 Co 12.3; Rm Igreja10.9-13). É perigoso, entretanto, subestimar-se o podere a obra do Espírito na vida da Igreja, pois cremos que Relembremos o que no disse o último Concílio Geralsomente através de sua atuação pode o ser humano de nossa Igreja:
  12. 12. “A Missão de Deus no mundo é Jesus iniciou a sua Missão no Mundoestabelecer o seu reino. Participar da com a pregação: “O tempo está cumpridoimplantação do seu Reino em nosso e o reino de Deus está próximo,mundo, pelo Espírito Santo, constitui-se arrependei-vos e crede no Evangelho”,na tarefa evangelizante da Igreja. conforme Marcos 1.15. O reino de Deus é alvo do Deus trino e Conseqüentemente, o Propósito designifica o surgimento, do novo mundo, da Deus é liberar o ser humano de todas asnova vida, do perfeito amor, da justiça coisas que o escravizam, concedendo-lheplena, da autentica liberdade e da uma nova vida à imagem de Jesus Cristo,completa paz. Tudo isto está introduzido através da ação e poder do Espíritoem nós e no mundo como semente que o Santo, a fim de que, como Igreja,Espírito está fazendo brotar, como lemos constitua neste mundo e neste momentoem Romanos 8.25: “nós temos as histórico, sinais concretos do reino deprimícias do Espírito, aguardando a Deus”.adoção de filhos”, ou ainda em 2 Coríntios (Plano Quadrienal, pg. 10, itens de 1 a 4)1.21-22: “Mas aquele que nos confirmaconvosco em cristo e nos ungiu, é Deus, O Reino de Deus, centro da mensagem de Jesus,que também nos selou e nos deu o transcende a qualquer instituição, e não se restringe àspenhor do Espírito em nossos corações”. fronteiras da Igreja. O Reino de Deus é graça, dom de
  13. 13. Deus aos homens e mulheres: por isso oramos: “Venha Reino (Rm 8.23). O Senhor ressuscitado derrama o seuo teu Reino”. Através da vitória de Jesus sobre os Espírito sobre toda a carne para que a comunidade dospobres da morte e do pecado, em sua poderosa seus discípulos seja o seu corpo visível neste mundo,Ressurreição, Deus nos promete um novo céu e uma testemunha e sinal do Reino (At 2.42-47; 4.32-35; 1 Conova terra, cidade de Deus entre nós (Ap 21.1-7). A 12). O Espírito Santo, contudo, como garantia do Reino,realização deste Reino estabelecerá para sempre o não limita sua ação ao grupo dos discípulos de Jesusprimado do direito e da justiça, da paz plena, do amor (Mc 9.38-41), mas é livre e soberano para agir onde,imorredouro, e da alegria perene, conforme o quando e como bem lhe apraz (Jo 3.8), pois o objetivotestemunho dos profetas e dos apóstolos. Ele ainda não de sua ação é fazer amadurecer as condições para anos é tangível e nem podemos perceber toda a sua vinda do Reino. Esta presença do Espírito de Deus é,plenitude entre nós. Nossa atitude é de ardente por um lado, a garantia de que o Reino prometido, aindaexpectativa: nós o esperamos, Sua presença, contudo, não presente em sua plenitude, virá; e, por outro lado, osjá se faz sentir entre nós. Como a pequena semente que sinais que já podemos discernir da construção, dopouco a pouco cresce, assim o Reino de Deus já crescimento do Reino, somente são possíveis porque omanifesta os seus sinais na história da humanidade (Mt primeiro sinal da irrupção do Reino já se faz sentir13.31-32). O tempo que vivemos, do já e do ainda não poderosamente entre nós – o derramamento do Espíritodo Reino, é o tempo do Espírito (2 Co 5.1-5; 16-21; 6.1- no dia de Pentecostes.2). O dom do Espírito é a força e o poder de Deus quefaz brotar, aqui e agora, entre nós, os primeiro sinais do É na tensão do já e do ainda não do Reino, no temporeino de Deus e da sua justiça, da nova criação, o novo do Espírito, que se localiza a Igreja. Somos sinal dohomem, a nova mulher – é o tempo das primícias do Reino, mas não nos confundimos com ele. E ainda mais:
  14. 14. temos que reconhecer que não somos Reino e sua de Jesus. Viver no Espírito é antes de mais nada sergarantia. Temos que lutar contra toda tentação de capaz de amar como Jesus amou, ao ponto de dar a suasermos proprietários do Espírito, como se isso fosse vida pelos seus amigos (Jo 13.1; 15.12-17; Fp 2.1-9).possível (At 5.1-10; 8.18-24). Antes, a Igreja só é Por isso, afirmamos que o primeiro e fundamental domrealmente Igreja quando se submete incondicionalmente do Espírito é a submissão ao Senhorio de Jesus Cristo –à ação e ao poder do Espírito Santo, que é concedido onde homens mulheres aceitam a Jesus como Senhor eaos crentes não como um privilégio ou um monopólio Salvador, ali o Espírito Santo realiza sua principal tarefa:seu, mas para capacitar-nos a participar consciente e levar-nos todos a Jesus Cristo, como doador da novaresponsavelmente na obra da construção do Reino. vida. Os valores do Reino, além disso, nos chamam Confrontados pelo Espírito com esta vida de amorconstantemente à atitude de humildade e contrição, pois pleno e total, somos constrangidos a reconhecer nossasuas exigências impõem sobre nós a necessidade de pequenez e nossa fragilidade humana, de tal sorte quenos arrependermos e convertermo-nos de nossos não há lugar para atitudes de presunção, vaidade oupecados, tomando assim o caminho da santificação (Rm orgulho. Além disto, somo constrangidos a renunciar a12.1-2; Ef 4.17-5, 2). toda e qualquer atitude de triunfalismo denominacional ou de grupo (1 Co 13.9a, 10-12; 2 Co 4.7; cf. Lc 10.17- É importante que realcemos o fato de que o caminho 20).da vida segundo o Espírito tem a ver diretamente com onosso relacionamento com o nosso próximo, no mesmo Reconhecemos, ainda, que os escritores do Novoespírito de amor e serviço que caracterizou o ministério Testamento quando se referem à experiência com o
  15. 15. Espírito Santo usam uma terminologia variável. Assim submeter aos interesses do Reino de Deus.temos várias designações: “a promessa do Pai” (Lc Proclamamos a convicção de que a revelação de Deus24.49; At 1.4; 2.33); “o batismo com o Espírito” (Jo 1.33; conforme o encontramos na bíblia nos testifica sobre oAt 1.5; 11.16); “o dom do Espírito” (At 2.38); “receber o interesse de Deus em salvar a totalidade da vidaEspírito” (At 8.17; 19.2); e “ser cheio do Espírito” (At 2.4; humana (Mt 9.6 cf. Is 2.1-5, 9.1-7, 11.1-10).9.17). A ação do Espírito Santo é descrita ainda com as Reconhecemos que a libertação do individuo e dapalavras: “vir sobre” (At 19.6); “revestimento” (Lc 24.49); sociedade são igualmente objetos da vontade de Deus“cair sobre” (At 10.44; 11.15); e “derramar” (At 2.33, em salvar a todos, sendo aspectos inseparáveis da sua10.45). obra redentora. Cristo veio salvar o mundo – indivíduos e sociedade – redimindo-os do pecado pessoal e social Não há duvidas que é uma experiência definida e (Rm 8.19-23 cf. Is 1.10-20, 58.1-12, 59.1-21). Todos,testificada pelo próprio Espírito com o nosso Espírito, homens e mulheres, que sob a ação do Espírito Santocomo o foi na vida dos primeiros discípulos, na de confessam Jesus Cristo como Senhor são chamados aWesley e seus companheiros e tantos outros que lutar para o estabelecimento do Reino de Deus – Reinoreceberam a promessa pela fé e foram poderosamente de amor, de paz, de justiça, de liberdade e de alegria.usados por Deus. Reafirmamos, nós, bispos da Igreja, à vista desta c) A recepção do Dom do Espíritocompreensão bíblica e teológica sobre o relacionamentoReino-Espírito-Igreja, que tudo na Igreja deve estar O Novo Testamento, especialmente o livro dos Atossubordinado aos propósitos divinos em estabelecer o dos Apóstolos, não nos dá um paradigma único sobre aseu Reino. Todas as dimensões da vida têm de maneira como o crente recebe o dom do Espírito. O
  16. 16. Apóstolo Paulo, que dedica atenção considerável à ação todos ali presentes tivessem recebido o batismo dedo Espírito do Senhor na comunidade da fé, não chega a João, e que, conforme Atos 19.4, também não tinhanos dizer de forma casuística algo determinante a validade qualquer para a conversão cristã. Os 120 dorespeito da recepção do Espírito Santo. O certo é que o cenáculo não necessitaram passar por duasNovo Testamento fala desta experiência decisiva para o experiências distintas – o batismo no nome de Jesuscrente de maneira variada e diversa. É de ressaltar aqui (sinal de arrependimento, conversão e confissão de féo fato de que até mesmo as narrativas bíblicas sobre a em Jesus) e a recepção do Espírito; neles o batismorecepção do Espírito pelos discípulos de Jesus não são com o Espírito abrange também a dimensão real eharmoniosas entre si, pois enquanto João nos diz que simbólica do batismo com água.Jesus concedeu-lhes o Espírito antes da sua Ascensão(Jo 20.21-23), Atos nos afirma que isto ocorreu no dia de Em Atos 2.38, ao responder aos primeiros ouvintesPentecostes, portanto após a sua Ascensão. Entretanto, da pregação apostólica, Pedro praticamente identifica denão é isto que importa; o que realmente conta é que a maneira global a experiência do arrependimento, dorecepção do Espírito é uma realidade na vida da Igreja batismo com água e da recepção do Espírito, sem queNascente. haja qualquer alusão as experiências cronologicamente distintas e separadas entre si. Em Atos 2.1-4, lemos que os 120 discípulos de Jesusque estavam orando no Cenáculo receberam o Espírito Em Atos 8.14-17, lemos que os convertidos dano dia de Pentecostes. É curioso notar que esta Samaria foram batizados por Filipe (o diácono e nãoexperiência se dá sem qualquer alusão ao batismo com apóstolo!) em nome de Jesus, após aceitarem pela fé aágua em nome de Jesus, já que possivelmente nem mensagem do Evangelho. Contudo, não receberam o
  17. 17. dom do Espírito até que os apóstolos chegassem à de tal evidencia o Apostolo e, por extensão, a Igreja deSamaria e lhes impusessem as mãos, numa separação Jerusalém, não podiam continuar insensíveis a ação deentre o aceitar Jesus como Senhor e Salvador e o Deus entre os gentios (At 11.17-19).receber o Espírito. Em Atos 19.1-7, Paulo quando chega a Éfeso Em tos 9.17, Ananias vai à casa de Judas ao descobre que as pessoas evangelizadas por Apolo nemencontro de Saulo de Tarso e ali lhe proclama a mesmo sabiam algo sobre a existência do Espíritomensagem do Cristo que lhe aparecera no caminho de Santo. Só tinham recebido o batismo de João. Paulo,Damasco, prometendo-lhe que o Senhor o encheria do primeiro esclarece-lhes sobre a diferença entre oseu Espírito, e logo o batiza. Paulo não fala em qualquer batismo de João e o de Jesus, depois os batiza emuma de suas epístolas, ao relatar sua experiência de nome de Jesus, a seguir, lhes impondo as mãos pararecepção cristã, de uma outra experiência de recepção que recebam o Espírito, experiências, ao que tudodo Espírito distinta e separa daquilo que lhe ocorreu na indica, quase que concomitantes.casa de Judas. A análise destes textos de Atos, ao lado das Em Atos 10.44-48, Lucas relata que ao ouvirem a narrativas sobre a conversão de Lídia (At 16.11-15) e apregação de Pedro, os que estavam na casa de Cornélio do carcereiro de Filipos (At 16.27-34), mostra que nãoreceberam o dom do Espírito Santo, antes mesmo de podemos extrair da experiência dos cristãos primitivosconfessarem seu arrependimento e sua fé em Jesus, e uma regra que padronize a recepção do Espírito peloentão receberem o batismo com água. O batismo com o crente, quer vinculando-a unicamente ao momento deEspírito é seguido pelo batismo com água, já que diante conversão ou do batismo, quer identificando-a como
  18. 18. algo distinto, que se constitua obrigatoriamente em si época desde os tempos apostólicos. Masmesmo como que numa segunda bênção. Tanto uma Ele opera em outros de maneira muitoposição como outra são dogmatizantes e procuram diferente: Ele exerce a sua influencia desistematizar o que em si mesmo não é sistematizável, maneira delicada, refrescante como opois é da liberdade do Espírito agir como bem lhe apraz. orvalho silencioso. Foi do seu agradoO que podemos afirmar, sem duvida alguma, é que a operar em vós deste modo desde oqualquer pessoa que se abre humilde e sinceramente ao começo, e é provável que continue, comoEvangelho, aceitando cristo como seu Senhor e começou, a operar de modo delicado eSalvador, é prometido o Espírito Santo, e Deus é fiel e quase insensível. Que Ele faça comojusto em suas promessas. quiser; Ele é mais do que vós; Ele fará todas as coisas bem. Não argumenteis “Há uma variabilidade irreconciliável contra Ele, mas que a oração do vosso nas operações do Espírito Santo nas coração seja: molda a tua argila como almas dos homens, especialmente quanto queres.” ao modo da justificação. Muitos o (Cartas de Wesley “A Maria Cooke” – VII, 298) encontram derramando-se sobre eles como uma torrente enquanto d) O Fruto do Espírito experimentam o poder dominador da graça salvadora. Esta tem sido a A confissão do Senhorio de Jesus, que só pode ser experiência de muitos, talvez mais nesta feita mediante a ação do Espírito (1 Co 12.3b), só última visitação do que em qualquer outra alcança sua legitimidade quando se faz acompanhar de
  19. 19. uma vida inequivocamente vida segundo os valores mais suficiente e egocêntrica, existir para Deus e o próximo,altos do Evangelho do Reino (Mt 5, 6 e 7). A confissão dar-se aos outros em serviço solidário e fraterno, viverdeste Senhorio (uma das condições para a salvação – responsavelmente. Viver no Espírito é estar liberto doRm 10.9-13, cf. Fp 2.9-11), não pode ser reduzida à pecado para servir a Deus e ao próximo.mera proclamação verbal, mas tem que ser manifestaatravés de uma prática de vida que esteja de acordo Viver na carne é, antes de mais nada, uma existênciacom o ensino de Jesus, pois pelos frutos se conhece a egocêntrica, onde Deus, a natureza e o próximo sãoárvore (Mt 7.15-23). Tal prática de vida evangélica é objetos dos interesses egoístas (idolatria, feitiçarias,descrita pelo Apóstolo Paulo como “andar no Espírito” e bebedices, glutonarias, inimizades, porfias, ciúmes,se expressa de forma concreta através do “fruto do discórdias, prostituição, etc.). A abordagem do ApóstoloEspírito”, opondo-se à vida não evangélica, quando o não se fundamenta numa visão moralista da vida: talhomem ou mulher vive “segundo a carne”, realizando as existência carnal (tanto do ponto de vista pessoal como“obras da carne”. É o processo de santificação do comunitário) somente é possível por causa de umacrente. quebra de relação com Deus e com o próximo, motivada por algo decisivo – o propósito humano auto-idólatra em Viver segundo a carne é vida em posição aos querer dominar o outro (Deus ou o próximo; ou os dois)propósitos de Deus, numa relação auto-suficiente e para satisfazer os interesses egoístas (Rm 1.18-32, Ategocêntrica, onde Deus e o próximo não contam, os 5.1-10, cf. Gn 3.1-24; 4.1-16). Portanto, a analise paulinainteresses agoístas prevalecem; em última analise, uma é feita a partir de uma visão teocêntrica da vida.vida irresponsável. Viver segundo o Espírito é assumiros propósitos de Deus, renunciar à existência auto-
  20. 20. Viver no Espírito é exatamente o reverso de viver na louvando a Deus, “tremeu o lugar em quecarne: é uma existência onde o centro da existência não se achavam congregados, e todos ficaramé mais o eu (pessoal ou social), mas sim os outros cheios do Espírito Santo”. Não(Deus, o próximo e a comunidade) (At 2.42-47, 4.32-37). encontramos aqui nenhuma aparênciaA vida segundo o Espírito é a vida que se expressa em visível, tal como havia acontecido naatos de amor desinteressado e altruísta: paz, paciência, passagem anterior, nem temosternura, bondade, fidelidade, humildade, domínio informação de que os donspróprio. Aqueles que tomam a decisão de renunciar a extraordinários do Espírito Santo tivessemvida segundo a carne e assumir a nova vida em Cristo, a sido então comunicados a todos ou avida segundo o Espírito (Ef 4.25-5,21), aceitam sobre si alguns dentre eles, como os dons deo Senhorio de Jesus (Mt 7.21). O critério da confissão do “curar, de operar” outros “milagres, deSenhorio de cristo sobre a vida é a manifestação do fruto profecia, de discernimento de espíritos, dedo Espírito, pois o Espírito de Jesus é quem capacita o falar diversas línguas e de as interpretar”homem e a mulher a viverem a vida segundo os valores (1 Co 12.9-10).do Reino de Deus (Gl 5.25). Que esses dons do espírito Santo fossem destinados a permanecer na Em seu Sermão “O Cristianismo Bíblico”, assim se Igreja através de todas as idades o queexpressa João Wesley: eles sejam ou não restabelecidos à “Neste capítulo [At 4] lemos que, medida que se aproximar a “restauração estando os apóstolos e irmãos orando e de todas as coisas”, são questões que
  21. 21. não é necessário decidir. É oportuno, Espírito, os quais, não os tendo alguém,entretanto, observar que, ainda na esse tal não lhe pertence; teve em vistainfância da Igreja, Deus repartiu esses enchê-los de “caridade, gozo, paz,dons da maneira mais parcimoniosa. longanimidade, benignidade, bondade”Eram todos profetas? Eram todos (Gl 5.22-24); dotá-los de fé (talvez estaoperadores de milagres? Todos tinham o idéia melhor se expresse pelo termodom de curar? Falavam todos em fidelidade), com humildade e temperança;línguas? De modo nenhum. Talvez nem habilitá-los a crucificar a carne, com suasum em mil. Provavelmente nenhum, a não afeições e cobiças, suas paixões eser o mentor de cada igreja e, dentre desejos; e, em conseqüência da mudançaesses mestres, talvez mesmo só alguns interior, assim assegurada, preencherdeles (1 Co 12.28-30). Foi, portanto, para toda justiça exterior, “andar como Cristoum fim mais elevado do que a simples também andou”, na “obra da fé, naposse desses dons, que “eles ficaram paciência da esperança, no trabalho decheios do Espírito Santo”. amor” (1 Ts 1.3). A manifestação do Espírito Santo teve Sem que nos envolvamos em curioso,em mira conceder-lhes (o que ninguém desnecessários inquéritos, no tocante aospode negar seja essencial a todos os dons extraordinários do Espírito,cristãos, em todos os tempos), a mente consideraremos de mais perto os frutosque havia em Cristo; os santos frutos do ordinários do mesmo Espírito, cuja
  22. 22. florescência permanente foi garantia a do Espírito, pois são tempo e habitação do Espírito de todas as idades: consideremos a grande Deus (Rm 8.9-17; 1 Co 6.19). Este é o caminho da obra divina realizada entre os filhos dos santificação. homens, obra que costumamos designar por uma única palavra: Cristianismo, não c) Os Dons Espirituais no sentido de ser uma série de opiniões, um sistema de doutrinas – mas no sentido “A propósito dos dons espirituais, irmãos, não quero de corporizar algo que se refere ao que estejais na ignorância” (1 Co 12.1). coração e à vida dos homens”. (João Wesley, Sermão “O Cristianismo Bíblico” n.º Vários textos do Novo Testamento nos apresentam IV, 1.º. volume de Sermões de Wesley, Imprensa listas de dons da Graça Divina (Rm 12.5-8; 1 Co 12.8- Metodista, 1953). 10; 28-31; 14.26; Ef 4.11; 1 Pe 4.8-11). Isto deixa bem claro que não existe um numero definido de dons, mas Nós, os bispos da Igreja Metodista, afirmamos que os uma grande multiplicidade que indica de forma bemdiscípulos de Jesus são conhecidos pelos frutos do definida que a ação de Jesus abrange toda a amplitudeEspírito, o amor a Deus e ao próximo (Mt 22.34-40). O da experiência humana.fruto do Espírito é o critério básico, estabelecido pelopróprio Jesus, que distingue no crente a recepção do A importância dos dons não está no dom em si, masbatismo de Jesus – batismo com água e com o Espírito no seu uso para a edificação do Corpo. Por isso(Mt 3.11; Jo 3.5-8; At 2.38-39). Aqueles que têm o devemos entender os dons espirituais sob o trípliceEspírito de Jesus, andam no Espírito e produzem o fruto aspecto: são “charismata”, “diakoníai”, e “energuémata”,
  23. 23. isto é, dons espirituais, ministérios e obras. Com isto – Senhor, e como “Theos” – Deus, o Deus Trino queentendemos a sua origem, o modo como atuam na realiza “tudo em todos” (1 Co 15.28). Em contraste comIgreja e a sua finalidade. Quanto à origem os dons são esta forte ênfase na unidade – o mesmo Espírito, o“charismata”, manifestação concreta da “charis” (graça) mesmo Senhor, o mesmo Deus – está a não menosdivina. A “charis” divina é a origem de todo carisma. Isto forte ênfase na diversidade: há diversidade de dons,nos faz ver que a origem de um carisma nunca está no diversidade de ministérios, diversidade de obra.homem, mas na graça de Deus que o envolve por todosao lado. É fundamental advertir sobre esta origem Reconhecemos, portanto, três elementos básicos nosempre que o dom é considerado ou exercido. Quanto propósito divino quanto à distribuição dos dons à Igreja:ao seu modo de atuar, os dons espirituais são“diakoníai”, ministérios ou serviços. São dados para nos - sua diversidade: os dons são diversos porquecolocar em ação a serviço do Reino. Quanto à sua diversas são as necessidades da Igreja, tantofinalidade, são “energuémata”, obras exteriores. Quando comunitária, como pessoalmente. Tais necessidadesum cristão exerce seu carisma, age como membro do são tanto de ordem interna (para atendimento daCorpo de Cristo, isto é, o próprio Jesus faz alguma coisa edificação dos crentes – crescimento na fé e nopor meio de uma pessoa. Quando Jesus age sempre conhecimento da vontade de Deus), como de ordemaparece um resultado concreto. Portanto, a finalidade de externa (para atendimento da evangelização do mundo).todos os dons é a realização de alguma coisa concreta, Na medida em que estas duas dimensões da vidauma ajuda a alguém, a edificação da comunidade. Por eclesial apresentam diversas necessidade especificas etrás de toda essa atividade, está o Deus Trino, o Deus concretas (At 6.1-7; 13.1-5; 14.23), Deus distribui osque vem a nós como “Pneuma” – Espírito, como “Kyrios” diversos dons necessários, diferentes entre si para que
  24. 24. todas as funções necessárias na vida da Igreja sejam para o testemunho do Evangelho ao mundo,igualmente assistidas (Rm 12.4,6.8; 1 Co 12.14-20; 28- complementam-se um ao outro no atendimento das30; Ef 4.7). necessidades de toda a Igreja, servindo de igual modo para o crescimento de todos os crentes (1 Co 12.14-26; - sua unidade: a diversidade implica Rm 12.9-21), na busca da maturidade à medida danecessariamente em unidade porque os diversos dons estatura da plenitude de Cristo (Ef 4.13-16).visam a edificação da Igreja, do Corpo indivisível deCristo (1 Co 1.12,27; Ef 4.1-4). Os dons mantêm a sua Este tríplice aspecto da distribuição dos dons nosunidade porque a fonte de onde emanam é uma só: o evidencia claramente que o Espírito Santo não tem umaEspírito Santo – na unidade do Pai e do Filho (1 Co lista limitada de alguns dons, como querem fazer12.13). Mas ainda – Só temos um Senhor; recebemos acreditar certos grupos ao procurarem enumerá-losuma só fé; proclamamos um único batismo; e servimos a (sete? Nove? Doze?), mas quede acordo com aum só Deus e Pai de todos (Ef 4.5,6). Ora, se Deus é um dinâmica que ele imprime à missão supre à Igreja comsó e se a sua Igreja é uma só, os dons que Dele provêm os dons que lhe apraz. Daí concluirmos que nem mesmoe que visam atender a Igreja em suas necessidades – o Novo Testamento pretende nos desenhar umatanto internas como externas – são em si mesmos estrutura rígida de ministérios, mas nos apresenta umaindivisíveis, apesar de diferentes entre si em suas hierarquia provisória, pois de acordo com asfunções. necessidades da Missão em determinados momentos, certos dons são concedidos enquanto outros podem até - sua mutualidade: os diversos dons, que em sua mesmo desaparecer (1 Co 13.8-10), não havendo,unidade visam a edificação da Igreja e sua capacitação
  25. 25. portanto, uma preocupação por se uniformizar oucristalizar os dons na vida da comunidade cristã. Os dons são equipamentos necessários ao povo de Deus em marcha, mas os discípulos de Jesus são Relembramos aqui a pastoral sobre o movimento conhecidos não pelos dons espirituais, mas pelo amor.carismático de 1975: Por isso, nossa preocupação maior deve ser com o “Fruto do Espírito”, o amor. Qual o porquê destas “Nem sempre aqueles que se afirmações? Recorramos à passagem de Mt 7.15-23. interessam pelo Espírito Santo fazem Notemos que os rejeitados reivindicam sua entrada no distinção entre “o Dom do Espírito” e os Reino baseados nas obras extraordinárias da profecia, dons do Espírito. Os segundos sem o dos exorcismos de demônios e da realização de primeiro só podem prejudicar aqueles que milagres, todas feitas em nome de Jesus, o Senhor. Sua alegam possuí-los e perturbar a ordem e condenação, contudo, se dá face à qualidade devida a paz de outros crentes fieis e dedicados. incompatível com a vontade do Pai, pois praticaram a O dom por excelência é o Dom do Espírito iniqüidade. Aí está a resposta à questão: as Santo. Todos os demais são secundários manifestações extraordinárias de curas, milagres, e complementários. Ninguém deve se línguas, etc., não são em si mesmas manifestações do gloriar de possuir dons mais excelentes Espírito de Deus. Estes fenômenos constantemente que os demais crentes, pois o Corpo de podem ocorrer em outros ambientes religiosos que nada Cristo, que é a Igreja, necessita de todos têm a ver com os fundamentos da fé bíblica. Este é o os dons para que ela cumpra a sua caso que Paulo tem de enfrentar na Igreja de Corinto (1 Missão no Mundo”. Co 12.2 e 3a, cf. 8.1-13 e 10.14-11. 1). O critério básico
  26. 26. para distinguirmos a presença do Espírito de Deus na testemunha sobre a comunidade primitiva, o Corpo devida do crente é a manifestação do fruto do Espírito, pois Cristo constituído em Igreja pela ação poderosa doquem ama conhece a Deus; o amor procede só de Espírito, por ele dirigida e capacitada. Todos osDeus; e só Deus é amor (1 Jo 4.7,8,16). Todos os dons ministérios existentes na Igreja vêm a ser por obra doe até mesmo as virtudes do Espírito virão a desaparecer, Espírito. A concessão dos dons não se faz mecânica oumenos as virtudes do Espírito virão a desaparecer, ocasionalmente, mas se dá na medida em que a Igrejamenos o amor (1 Co 13.8-13), pois este jamais acaba; cresce em seu testemunho no mundo (At 6.1-7, 14.23).só há amor onde o Espírito de Deus está presente, e Na medida em que a Igreja está viva, atualmente eonde o Espírito de Deus está presente, e onde o Espírito consciente da Missão, Deus, em Cristo, pelo seude Deus está presente ali se produz o fruto do amor. Por Espírito, distribui os dons para a edificação do seu povoisso, Paulo adverte ao coríntios: “Passo a mostrar-vos o e para a evangelização do mundo (Ef 4.10-13, At 2.14-caminho que é o melhor de todos” (1 Co 12.31b) e 41). A recepção do dom do Espírito, legitimada pelaproclama a excelência do amor (1 co 13). presença do fruto do Espírito, se manifesta em serviço através dos dons à Igreja (1 Co 12.7-11, 27-31; Rm Com o critério do fruto do amor, norteando nossa 12.5-8; Ef 4.11). O lugar apropriado para a recepção doscompreensão sobre a ação de Deus entre nós, na graça dons é a Igreja e o seu exercício se faz no interior dado Senhor e no poder do seu Espírito, afirmamos que os comunidade cristã e no mundo, onde o Senhor nos temdons do Espírito são elementos fundamentais na colocado para cumprir o nosso ministério comum (Mtrealização da Missão de Deus. Sem eles a Igreja não 5.13-16). Como a fonte dos dons é a graça de Deus epode participar no propósito de Deus de salvar o mundo sua recepção se dá pela fé em Jesus Cristo, a sua(Jo 3.16; 2 Co 5.18-20). O Novo Testamento nos recepção não pode provocar qualquer sentimento de
  27. 27. orgulho, vaidade ou auto-suficiência, negações que são exatamente na medida em que servem para o bem deda vida no Espírito. A doação dos dons não tem como todos: crentes e não crentes.sua finalidade última o bem-estar do crente, apesar denos fazer sentir alegres em os receber, mas visa o bem- Como bispos da Igreja advertimos que o uso dosestar da comunidade da fé (1 Co 12.7; 12.27; 14.12, cf. dons mais espetaculares pode nos levar facilmente aoEf 4.12). Nunca devemos buscar os dons em si mesmos, orgulho espiritual. Por esta razão, o uso de dons como omas com o desejo de usá-los em amor no serviço da de sabedoria, discernimento e ciência, se torna maisIgreja e na salvação do mundo. Das referências neo- importante, porque são diretivos no uso de todos ostestamentárias sobre os dons espirituais, sem cair na dons. Entendemos que todos os dons, maiores outentação do reducionismo, isto é, de reduzi-lo a esta ou menores, quando “manifestações do Espírito”, sãoaquela lista, podemos dizer que abrangem, entre outras, importantes para a “edificação do Corpo de Cristo”. Masas áreas do culto divino, do ensino doutrinário e julgamos sempre oportuna a admoestação do apostoloteológico, do cuidado e da assistência espiritual à quando nos diz: “entretanto, procurai, com zelo, oscomunidade cristã, da disciplina da Igreja, da prática da melhores dons” (1Co 13.31). O uso incorreto dos donsoração intercessora, da evangelização do mundo, do espirituais pode ser corrigido usando as normas bíblicasgoverno da Igreja, do socorro aos pobres, do dadas pelo apostolo na Primeira Epistola aos Coríntios.discernimento da vida espiritual. Mediante o exercício Lembramos sempre que é dádiva de Deus o espírito deresponsável dos dons nestas e em outras áreas de amor e moderação (2 Tm 1.7). O descontrole do uso deatividade da Igreja, verifica-se a eficácia do Espírito no determinados dons pode gerar confusão e desordem. Acrescimento da fé nos crentes e na conversão do nossa firmeza deve ter uma forte base bíblica.mundo. Tais dons têm supremacia sobre outros dons
  28. 28. Afirmamos, ainda, que os dons nos vêm pela fé em pelo qual a mensagem divina é enunciada sob aCristo (Gl 3.14) e estão à disposição de todos os inspiração do Espírito de Deus. Sua enunciação semprecrentes. São dádiva de Deus a nós, que nos é dada vem a nós de maneira inteligível, de tal forma que tantojuntamente com o Espírito Santo (1 Ts 4.8). Todos quem a pronuncia como quem a ouve, o faz de formacarecem do Espírito. Sua recepção é dádiva de Deus – o compreensiva à sua mente (1 Co 14.15, 19). Seudoador se dando aos seus. Em nossa vivência de objetivo é exortar, consolar e edificar o Povo de Deus (1cristãos, devemos buscar, pois, o doador. O primeiro Co 14.3). Sua proclamação serve para o crescimento nadom que o Pai nos oferece é o próprio Espírito Santo. O fé, no conhecimento da vontade de Deus, no amor aosimportante é a presença do Espírito em nossas vidas; os irmãos e irmãs. Toda mensagem enunciada em nome dedons nos serão dados mediante os propósitos de Deus e Deus deve ser devidamente confirmada por deus pelopara atender as necessidades da Missão. Com esta julgamento da Igreja, pois sendo o Espírito Santo domconsciência, reconhecemos que os dons não visão a de Deus à comunidade da fé, ele confirmaránossa glória, pois a nossa glória está na cruz de Cristo comunitariamente a Palavra inspirada, conforme o(Gl 6.4). Além disso, o exercício dos dons subordina-se próprio critério bíblico (1Co 14.29; At 17.11).ao fruto do amor, sem o que os dons nada são (1 Co13.1-3). Reconhecemos que a correta interpretação das Escrituras Sagradas e a sua proclamação na e) Profecia, Curas e Línguas Estranhas comunidade da fé, Palavra viva de Deus semeada na experiência humana, aponta à Igreja o propósito de Nós, bispos da Igreja, consideramos, de acordo com Deus para a sua vivência. Afirmamos, pois, que aos ensinos bíblicos, o dom de profecias como o meio proclamação da Palavra é profecia na sua mais
  29. 29. autentica manifestação (2Tm 3.16 cf. 2 Pe 1.16-21). aceitarmos a possibilidade da cura divina, não fazemosLembramos, contudo, que a autentica palavra profética desta graça divina a preocupação e o objetivo maiorestem que ter o seu apoio e fundamento nas Sagradas de nossa missão como Igreja Metodista. Afirmamos queEscrituras de forma clara e inequívoca, pois Deus não é um dos dons dados à Igreja Metodista quanto à saúde éDeus de confusão (1 Co 14.33a). É isto o que nos a sua mensagem e ação preventivas, combatendo tudoensina Wesley no Artigo de Religião nº 5. o que prejudica a mente e o corpo, levando o povo a praticar a “medicina preventiva”. Declaramos, ainda mais, que a Igreja Metodista nãoaceita que se confunda com o exercício da profecia, Devemos fugir da tentação de querer reduzir o podercoisas tais como, prognósticos, adivinhações e restaurador de Deus a uma fórmula mágica. De acordoperscrutar o passado, o presente e o futuro de quaisquer com os relatos neo-testamentários as curas revelam apessoas, reconhecendo que estas práticas são natureza misteriosa da atuação soberana de Deus. Nãoabominações aos olhos do Senhor (Dt 18.9-14), e, encontramos ali uma fórmula mágica para a cura, nemportanto, não devem ser toleradas em nosso meio. uma técnica fantástica para a restauração da saúde. Vemos somente o poder de Deus manifestado de várias Declaramos que a Igreja Metodista reconhece que o maneiras através de Jesus Cristo e seus apóstolos.Deus criador é o mesmo que em Cristo, no poder do Devemos lançar mão de todos os recursos, tanto os daEspírito, sustenta, salva, restaura e renova todas as ciência humana como os da graça divina, para cuidar dacoisas. Reconhecemos e afirmamos o poder de Deus saúde.para curar enfermidades, através de meios e recursosordinários e extraordinários. Declaramos que ao
  30. 30. Rejeitamos toda forma de exploração, que sob a critério do Espírito distribuir os dons como e a quem lheaparência de cura divina, aproveita-se da boa-fé e da apraz (1Co 12.11). A respeito do dom de línguas assimcredulidade do povo, especialmente das camadas mais se expressou Wesley:pobres e humildes de nossa população. “O dom de línguas, vós o afirmais, Afirmamos, finalmente, ao contrário dos grupos pode ser considerado a prova ou critériopentecostais tradicionais, que o dom de línguas não é o apropriado para se determinar assinal distintivo da recepção do Espírito Santo, pelas pretensões miraculosas de todas asrazões já anteriormente expostas. O sinal distintivo da Igreja. Se entre os dons extraordinários asrecepção do Espírito é o fruto do amor. O que a Bíblia Igreja não podem apresentar tal dom, elasnos diz é que o dom de línguas é um entre os demais não têm como demonstrar que sãodons do Espírito. Paulo, apesar de o possuir, o reduz a genuínas [em sua eclesialidade].uma experiência de caráter pessoal e de valorcomunitário secundário, condicionando que está à Eu penso realmente que as coisas nãopresença de intérpretes para que haja edificação da são assim. Eu creio que tem sidocomunidade. Portanto, como não é isso o que acontece estabelecida para o caso uma regra: umgeralmente, não recomenda o seu exercício em público, só e mesmo Espírito realiza todas estaspois pode gerar confusão, descrença e escândalo (1Co coisas distribuindo-as, como lhe apraz, a14..1-25). Seu exercício pode vir a ser útil à edificação cada um, individualmente; e como a cadapessoal daquele que o recebe do Senhor. Nós não o individuo, assim também a cada Igreja, aconsideramos obrigatório a todos os crentes, pois é do cada corpo coletivo de homens. Se
  31. 31. realmente assim o é, então o vosso teste Seguindo o conselho apostólico, e o de nosso Painão é o adequado para determinar as espiritual, consideramos que o seu uso durante os cultospretensões de todas as Igreja; vendo e reuniões públicas é desaconselhável pois por siaquele que opera como quer, pode, com a mesmo não edifica a Igreja como um todo. O seuvossa licença, conceder o dom de línguas exercício deve ser enquadrado dentro dos critérios queonde ele concede outros dons; e pode ver os nossos irmãos bispos estabeleceram em sua pastoralabundantes razões para assim fazer, quer de 15 de julho de 1975:as vejamos ou não. Pois talvez não temos “A Igreja Metodista aceita o nãoconhecido sempre a mente do Senhor e proibais de São Paulo aos Coríntios (1 Conem o número dos seus conselheiros. 14.39), mas seguindo ainda o apostolo,Entretanto, ele pode ter visto boas razões sugere critérios para o exercício dos donspara conceder muitos outros dons onde espirituais:não é de sua vontade conferir este [domde línguas]. Particularmente onde não 1.º - a inteligibilidade (1Co 14.1-9);seja de qualquer utilidade, como no caso 2.º - o poder do convencimentode uma Igreja onde todos têm uma só (1Co 14.20-25 cf. Is 28.11,12);mente e onde todos falam a mesma 3.º - o controle (1Co 14.26-33);língua”. 4.º - a decência e a ordem (1Co (Obras de João Wesley, Vol. X, pg. 56). 14.34-40).”
  32. 32. Bíblia e nenhuma de suas partes deixa de estar sujeita à g) O Espírito Santo e o Uso da Bíblia na Igreja Palavra de deus feita carne (Jo 1.14). A Igreja Metodista declara que o fundamento de suas Alertamos a toda a Igreja para os perigos graves quedoutrinas são as Sagradas Escrituras do Antigo e Novo corremos quando se constrói conjuntos de doutrinas,Testamento (Art. 4.º da Constituição). Wesley queria ser práticas e costumes a partir de versículos isolados,o homem de um livro só – a Bíblia. Em seu diário retirados do seu contexto (como se fosse um horóscopoproclama: “meu fundamento é a Bíblia. Sim, sou do crente ou um livro da sorte), particularizando-se aintransigentemente a favor da Bíblia. Sigo-a em todas as visão total de toda a revelação bíblica.coisas, grandes e pequenas”. Afirmamos com João Wesley e em comunhão com A leitura da Bíblia, entretanto, em nossas Igrejas tem todo o metodismo histórico, que no exercício da fé cristãsido feita muitas vezes de maneira literalista, aquilo que não se pode basear no testemunho bíblicoesquecendo-se do princípio bíblico de que “a letra mata, não deve ser crido como artigo de fé e de forma algumamas o Espírito vivifica” (2Co 3.6). Ao assim fazermos, pode ser considerado como imprescindível à salvaçãoaferramo-nos à letra do texto, esquecendo-nos do (Art. De Religião n.º 5).sentido amplo daquilo que a Bíblia nos comunica – arevelação do Deus vivo. Cremos na Bíblia como o h) Evidências Internas e Externas da Presença dotestemunho escrito da revelação divina, dado por Espíritohomens movidos pelo Espírito Santo. Afirmamos queCristo é o critério principal para a interpretação de toda a
  33. 33. Quais são as evidencias, os sinais e os critérios para - Aceitação alegre e submissa do Senhorioa verificação da evidencia do Espírito em nós? de Cristo sobre a vida em todos os seus aspectos; Na experiência cristã em nossa vivencia de fé temos - Contínua transformação pelo Espírito emaspectos objetivos e subjetivos. Os aspectos objetivos nossa vida, santificando-nos e enchendo-nosrevelam aquilo que Deus é, o que Ele realiza, o que foi do seu amor, submetendo-nosrevelado pelo Espírito, testificado e confirmado pela incondicionalmente à vontade de Deus;Palavra Divina. Os aspectos subjetivos são o modo - Testemunho do Espírito com o nossocomo percebemos nossa experiência com a graça de espírito de que somo filhos de Deus,Deus, daquilo que Ele nos revela e concede. A nossa fé produzindo em nós consciência de perdão ese fundamenta em Deus e não em nós mesmos, para paz, alegria, reconciliação com Deus, conoscoque a nossa fé não venha a se apoiar no homem, mas e com o próximo, espírito de humildade, amorsim na Graça Divina (1Co 2.4-5). Podemos cair na e serviço (Rm 8.16);tentação de fundamentar a nossa fé em nós mesmos, - Contínuo anseio pela presença, cada veznossas convicções pessoais, nossas experiências, ao maior, de Deus na vida e desejo profundo doinvés de nos fundamentarmos em Cristo e somente nEle conhecimento de Sua Palavra;(1Co 3.11-23; cf. At 4.10-12). - Vida de comunhão com os irmãos e irmãs na comunidade da fé; Quais seriam as evidências internas da presença do - Testemunho vivo da fé em Cristo, tanto noEspírito? Muitas poderiam ser citadas, todavia podemos plano das relações pessoais como no planoresumir no seguinte: das relações sociais.
  34. 34. contradiz a lei que o próprio Deus imprimiu emQuais seriam as evidencias e os critérios externos? nossas mente. O apelo apostólico nos afirma - Toda a experiência e vivência da vida do que devemos crescer na “graça e no Espírito deve ser norteada e comprovada pela conhecimento” de Cristo. Nossa mente é um Palavra de Deus. A Bíblia é o critério normativo dos canais da revelação divina, sendo e comprobatório de nossas experiências. iluminada pela fé no seu efetivar em nós. Temos que submeter nossa compreensão e Lembremo-nos o que nos diz João Wesley em vivência no Espírito à visão total da Bíblia; seu Sermão sobre “o caso da razão - A comunidade da fé é importante para o imparcialmente considerado”: discernimento e comprovação de nossas experiências. Apesar da fé cristã ser uma “Faça a razão tudo que ela pode; usai- experiência pessoal, ela não é individualista, a até onde ela possa ir. Mas reconhecei mas sim autenticada, comprovada, vitalizada e ao mesmo tempo que ela é totalmente enriquecida na convivência dos cristãos, na incapaz de dar fé, esperança ou amor, e, comunidade da fé, que é a Igreja; conseqüentemente, de produzir quer a - Deus concedeu ao homem, como parte de verdadeira virtude quer a felicidade sua Imagem e Semelhança, a razão. A mente substancial. Esperai estas coisas da fonte é um canal de revelação e ação divinas. mais alta, do Pai dos espíritos de toda Nossas experiências devem passar pelo carne... Mas não é a razão que, assistida caminho da mente humana, iluminada e pelo Espírito Santo, nos capacita a nutrida pela fé. A revelação divina não entender que as Sagradas Escrituras
  35. 35. declaram a respeito do ser e dos atributos nós chegamos a conhecer os elementosde Deus? Da sua eternidade e implícitos na santidade interior e o queimensidade, do seu poder, sabedoria e significa ser santo exteriormente – santosantidade? É pela razão que Deus nos em toda conversão; em outras palavras:capacita, até certo ponto, a qual é a mente que houve em Cristo e ocompreendermos o seu método de tratar que é andar como Cristo andou”.com os filhos dos homens, a natureza de (Conforme Coletânea da Teologia de Joãosuas várias dispensações – da velha e da Wesley, Burter e Chiles, Imprensa Metodista,nova, da lei e do evangelho. É por esta 1960, pgs. 27 e 28).que nós entendemos (o seu Espíritoabrindo e iluminado os olhos do nosso - Autoridade da fé acima da emoção. Nãoentendimento) que não nos devemos podemos negar a importância da emoção naarrepender de nos termos arrependido, vida das pessoas. A vida cristã é umaque é pela fé que somos salvos, quais são experiência emocional, pois a emoção é partea natureza e a condição da justificação e vital do ser humano. Todavia, a vida cristãquais são os seus frutos imediatos e está totalmente fundamentada na fé. Pela fésubseqüentes. Pela razão aprendemos o nos relacionamentos com Deus, somosque é o novo nascimento sem o qual não salvos, vivemos a vida no Espírito epodemos entrar no Reino do Céu e a desenvolvemos a totalidade de nossa vidasantidade sem o qual nenhum homem cristã. A fé possui o seu aspecto subjetivo (Rmverá o Senhor. Pelo uso devido da razão 4.16-25) e o seu aspecto objetivo (Ef 2.8,29),
  36. 36. enquanto que as emoções são apenas subjetivas e pessoais. Sem deixar de lado o valor das emoções, devemos fundamentar a nossa vivencia cristã na fé. O justo vive e anda pela fé (Hc 2.4). Wesley afirma que o ministério do Espírito Santoobjetiva levar o crente a ter a mente de Cristo, andarcomo Ele andou e expressar em si e na vida o “mesmosentimento” que houve em Cristo Jesus. Numa alusãoclara à evidência externa mais precisa da presença doEspírito em nós – o fruto do amor (Fp 2.5; 4.8-9). Convém lembrar que as nossas experiênciaspessoais com Cristo e no Espírito, são dinâmicas,continuas e crescentes. Elas nunca devem ser finais. Oclímax delas deve ser o início de um contínuo processode maturação da fé, a fim de que você possa cumprir oseu ministério no mundo de maneira eficaz.
  37. 37. 3. NORMAS DE ORIENTAÇÃO PASTORAL Pentecostes tem sido considerado como o dia de Nascimento da Igreja Cristã. Sob a Nossos Bispos em sua Pastoral de 1975 sobre o presença e poder do espírito Santo houveMovimento Carismático assim se expressão: manifestações miraculosas. Mas além destas manifestações miraculosas, estava “Neste momento em que a Igreja o revestimento permanente do Espírito Metodista está sendo despertada para nas almas dos crentes, como um poder tomar consciência de sua missão no iluminador e santificador, que os unia em mundo e buscar o poder para cumpri-la, um só corpo”. reconhecemos a necessidade urgente do Dom do Espírito para o cumprimento da Cremos que a Igreja precisa orar por uma efetiva missão. Os plano e programas de consciência de ação do Espírito Santo, para responder Evangelização, Ação Social, Missões, às suas manifestações no mundo de hoje. Não podemos Educação e outros, só se tornam parte da deixar de considerar o fato de que problemas de Missão na medida em que são batizados discernimento entre o verdadeiro e ilusório podem surgir, com promessa de Jesus (At 1.8): “Mas mas tais problemas não devem afetar a nossa crença na recebereis poder, ao descer sobre vós o ação do Espírito Santo. Por outro lado, não devemos espírito Santo, e sereis Minhas permitir que o temor ao que seja desconhecido ou testemunhas tanto em Jerusalém, como mesmo incomum, possa fechar as nossas mentes para a em toda em toda a Judéia e Samaria e ta realidade de uma experiência real. aos confins da terra”. O Dia de
  38. 38. Sabemos que existe possibilidade de abuso quanto a 2. Inclua efetivamente todas as discussões,uma experiência mística, mas isto não nos pode levar a concílios e reuniões e pessoas em suas oraçõesrejeitar ou a não aceitar os relacionamentos autênticos e diárias;adequados com o Espírito Santo. 3. Seja aberto à novas formas em que Deus, pelo Seu Espírito, possa estar falando à Sua Colocando-nos frente a frente com as premissas Igreja;levantadas pelas experiências carismáticas, insistimos 4. Busque os Dons do Espírito quepor um mútuo espírito de abertura e amor. Se não enriquecem sua vida e o seu ministério;estivermos dispostos a compreender de forma objetiva e 5. Reconheça que mesmo sendo verdade oamorosa a experiência religiosa de outros, mesmo fato de que existem exageros no que concerne aodiferente da nossa, dificilmente poderemos manter nossa uso dos dons espirituais, isto não significa queUnidade no Espírito e a condição para testemunho de eles sejam proibidos;nossa fé cristã dentro da tradição metodista. Em face 6. Lembre-se de que a história da Igreja, osdisto recomendamos: reavivamentos têm tido muitas formas diferentes e ocorridos em diferentes épocas. O reavivamento a) Diretrizes para todos carismático pode trazer uma contribuição válida para uma Igreja ecumênica 1. Seja aberto e pronto a admitir aqueles cuja 7. Não se constranja em usar o critério da experiência religiosa seja diferente da sua; razão para examinar as suas experiências religiosas. Lembre-se de que Wesley afirmava: “Nós temos o princípio fundamental de que o
  39. 39. renunciar à razão é renunciar à religião, que a essencial, unidade; no não essencial, liberdade: ereligião e a razão caminham de mãos dadas e que em todas as coisas, caridade”.toda a religião sem razão é falsa” (Cartas deWesley ao Sr. Rutherforth); b) Para os pastores e pastoras carismáticos 8. Use sempre o critério bíblico de provar osespíritos para ver se os dons procedem de Deus 1. Combine sua experiência carismática com(1 Jo 4.1-8). Este discernimento é importante, pois um profundo conhecimento e um real ajuste àhá muito do eu e do homem presentes nas política e à tradição do Metodismo. Lembre-se demanifestações tidas como do Espírito; que você poderá servir melhor à Igreja, através do 9. Como pastor ou pastora, procure crescer uso amoroso e disciplinado dos dons e através deem sua experiência e prática, como exegeta da sua conduta como pastor de toda a suaBíblia, um teólogo sistemático, e um pregador em congregação, à medida em que você atue comotoda a plenitude do Evangelho. Seus Sermões e um pastor ou pastora responsável e participante;estudos devem sempre manifestar uma firme base 2. Procure um relacionamento profundo combíblica e teológica, com vitalidade espiritual, a fim seus colegas de ministério, quer sejam ou não dosde que sua congregação cresça no conhecimento que se incluam na experiência carismática;e no amor de Cristo, no seu propósito de salvar o 3. Lembre-se dos seus votos de ordenação,mundo; particularmente o de esforçar-se, o quanto 10. Finalmente, lembrando-nos que a Igreja depender de você, para manter a paz, aMetodista é teologicamente pluralista, podemos tranqüilidade e o amor entre todos os cristãos,endossar o clássico e ecumênico lema: “No
  40. 40. especialmente os que estão sob sua 8. Examine sempre a sua experiência à luz daresponsabilidade pastoral; Bíblia e da tradição viva da Igreja. Lembre-se que 4. Evite a tentação de impor e forçar seus o espírito de autocrítica é necessário parapontos de vista pessoais e suas experiências, mantermos o nosso equilíbrio;sobre os outros. Procure compreender aqueles 9. Na expressão de uma nova experiência nãocujas experiências espirituais diferem da sua. Sua é necessário adotar costumes e gestos de gruposexperiência não é final. Ela deve ser parte de um pentecostais tradicionais adquiridos emprocesso de crescimento e maturação; circunstâncias e contextos diferentes do nosso. 5. Ore a Deus pelos dons do Espírito, Lembre-se que a cópia de certas expressõesessenciais ao seu ministério. Examine físicas e verbais pode se tornar uma barreira paracontinuamente sua vida, no que diz respeito ao o seu testemunho. O que deve caracterizar suafruto do Espírito; nova experiência não são suas novas expressões, 6. Procure encontrar uma significativa mas a mudança que se operou em toda a suaexpressão de sua experiência pessoal, através vida;dos ministérios do testemunho comunitário, para o 10. Devemos ter cuidado em acolher pessoasenriquecimento mútuo de todos os crentes. A ou grupos que se preocupam em discutir doutrinasexperiência é pessoal, mas não é individualista. e costumes em prejuízo do essencial daEla requer o discernimento e o julgamento da mensagem cristã;Igreja, como comunidade da fé; 11. Ao participar de reuniões 7. Não forme grupos à parte. Todas as interdenominacionais não minimize as diferençasreuniões devem ser abertas a todos; existentes entre os vários grupos e esteja pronto a
  41. 41. discuti-las, à luz da Verdade, sob a ação do Depois disso então julgue, como um cristão, Espírito Santo. A consciência de quem somos nos como um Ministro Metodista e como um pastor ou ajuda a crescer no Corpo de Cristo. pastora consciente e compreensivo; 4. Quando ocorrer o fato de falarem línguasc) Para os pastores e pastoras não carismáticos estranhas, procure ver o que isto significa para aquele que está falando, em sua vida particular e 1. Examine continuamente sua interpretação devocional. Observemos que o Artigo XV dos sobre a doutrina e a experiência do Espírito “Artigos de Religião” diz só respeito ao uso do Santo. Você poderá assim expressar-se com vernáculo nos serviços regulares de culto. clareza; Devemos considerar que o falar em línguas 2. Relembre as lições da história da Igreja, estranhas é considerado o menor dos dons do quando o povo de Deus atualiza verdades Espírito Santo, mesmo por muitos dos que têm perenes, que o processo é muitas vezes experiência carismática; inquietante, e chega até mesmo a envolver 5. Procure conhecer a significação dos outros distúrbios, mudanças, amarguras e “dons do Espírito” na experiência carismática, tais desentendimentos; como a excelência da sabedoria, o conhecimento, 3. Procure antes de tudo saber o significado o dom da fé, a cura, os milagres ou o dom de do reavivamento carismático para aqueles que o profecia; experimentam. Guarde seu julgamento até que 6. Os pastores e pastoras Metodistas devem esse conhecimento preliminar seja obtido. ter boa-vontade para com os benefícios a serem Consulte e analise a literatura sobre o movimento. obtidos através da mútua e variada troca de
  42. 42. experiências que encontram apoio nas Escrituras. e na missão de sua Igreja demanda um chamadoPor isso mesmo, os pastores e pastoras devem para diversos dons (1 Co 12.13 e 14).franquear todas as reuniões, quer sejam deorações ou de cultos ou confraternização, a todos d) Para os leigos que tenham tido experiênciasos membros interessados da Congregação; carismáticas 7. A experiência do Espírito Santo não tornaum crente maduro de um dia para o outro. Por 1. Lembre-se de combinar com seuisso, não espere que alguém que afirme ter entusiasmo, um profundo conhecimento dopassado por essa experiência revele Metodismo e um ajustamento à sua forma deimediatamente todos os traços da maturidade governo. O movimento Carismático tem uma dascristã. Lembre-se da experiência de Corinto (1 Co suas origens no movimento de santificação, que3.1-2); faz parte de nossa tradição metodista. Converse 8. Muito cuidado com a tendência de se com o seu pastor ou pastora sobre o significadoseparar daqueles que têm uma experiência desta experiência para você;diferente da sua. A formação de grupos, tanto de 2. Ore para que o Espírito o ajude a entenderum lado como de outro, constituem-se numa os fatos e fazer com que mantenha um sentimentoarma poderosa para destruir a obra do Reino de de compreensão para com seus irmãos e irmãsDeus; Metodistas; 9. Não fique perturbado se sua experiência é 3. Lute por um conhecimento em profundidadediferente da dos outros. Isto não significa que do conteúdo das Escrituras, condizente com suavocê seja um Cristão inferior. Sua tarefa na obra experiência espiritual. “Busque unir a ciência e a
  43. 43. piedade vital” (João Wesley). Lute por integrar a um crescimento espiritual. A experiênciasuas experiências nas tradições teológicas de carismática é apenas uma delas;nossa Igreja; 7. Aceite as oportunidades de se tornar 4. Evite o entusiasmo não disciplinado e não pessoalmente envolvido no trabalho e na missãosóbrio em sua ansiedade por repartir sua de sua própria Igreja. Permita então que osexperiência com outros. Resista à tentação de se resultados de sua experiência sejam vistos nacolocar como uma autoridade superior sobre aprimorada qualidade de sua atuação comoexperiências espirituais dos outros. As falhas membro da Igreja. Seja um dos sustentáculosnesse comportamento levam outros Metodistas a entusiastas de sua Igreja, colaborando com o seuconsiderá-lo um orgulhoso espiritual; Pastor ou Pastora, com os leigos, com o seu 5. Mantenha suas reuniões de oração e outros Distrito, com a sua Região, com a Igreja geral e atipos de reuniões abertas a todos os membros de missão de cada um desses organismos. Este serásua congregação; nunca realize reuniões o mais efetivo testemunho que você poderá dar nofechadas ou separadas. Quando pessoas não- sentido de mostrar a validade e a vitalidade de suacarismáticas estiverem presentes, coloque-as a experiência. Esforce-se por integrar suapar do propósito da reunião, com uma experiência com as tradições teológicas de suainterpretação do significado daquilo que ali se Igreja.realiza; 8. Não é necessário adotar as expressões 6. Lembre-se de que existem muitos tipos de físicas e verbais utilizadas pelo Pentecostalismo.experiências cristas que podem levar as pessoas Essas expressões específicas tornam-se, às vezes, uma barreira para o seu testemunho;
  44. 44. 9. Conserve sua experiência carismática trabalho na Igreja e em sua participação na sempre em observação. Lembre-se de que isto missão de sua Igreja. Examine os ensinos das não significa que você seja melhor do que os Escrituras sobre a pessoa e a obra do Espírito outros cristãos. Cuidado com o orgulho religioso. Santo. Ore a Deus para que lhe ajude. Converse com o seu Pastor ou Pastora;e) Para os leigos não carismáticos 4. Não fique perturbado, se sua experiência é diferente da dos outros. Isto não significa que você 1. Em nossa tradição cristã, cremos que Deus seja um Cristão inferior. Sua tarefa na obra e na está constantemente procurando renovar a sua missão de sua Igreja demanda um chamado para Igreja, incluindo a Igreja Metodista. Ore a Deus diversos dons (1 o 12, 13 e 14); para que Ele revele a você o seu lugar certo no 5. No caso de o seu Pastor ou Pastora ser processo de renovação; carismático, ajude-o a ficar bem ciente das 2. Alguns membros da congregação, colegas necessidades espirituais de toda a Igreja; ajude-o seus, têm uma experiência carismática. Aceite-os a ser um mestre e pastor de todos e a apresentar efetivamente como Cristãos Metodistas. Evite a em sua pregação todos os aspectos e a plenitude tentação de “minimizar” toda e qualquer do Evangelho. experiência; 3. Muito cuidado com a tendência de você se CONCLUSÃO separar daqueles que tenham tido experiências diferentes das suas. Observe pessoalmente os Ao entregarmos esta pastoral nos anima o amor que carismáticos nas reuniões de oração, em seu sentimos por todo o rebanho que constitui a Igreja
  45. 45. Metodista. Oramos ao Senhor para que entre nós secumpra a vontade do Senhor: “Não rogo somente porestes, mas também por aqueles que vierem a crer emmim, por intermédio da sua palavra, a fim de que todossejam um; e como é tu, ó Pai, em mim e eu em ti,também sejam eles em nós; para que o mundo creia quetu me enviaste” (Jo 17.20-21). Se, entretanto, o perigo da dissensão rondar nossascomunidades, todas as partes envolvidas são exortadasa examinar a situação no espírito de amor, unidade ecompreensão, de aceitação mútua e fraterna, em atitudede humilde oração, procurando sujeitar-se em amor aestas nossas orientações pastorais e doutrinarias. Muitasvezes a tensão e o conflito podem conduzir a Igreja auma vivencia em Cristo mais autentica e verdadeira;portanto, todos são chamados a agir com prudência,sabedoria e moderação.
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