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Pib ed13
 
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    Pib ed13 Pib ed13 Document Transcript

    • tu o al pin de ¤ 5,00 ano iv número 13 ta iq no uim si mar/abr 2011 e gn m st un á do em R$ 12,00 totumnas redes do saber a ciência brasileira se torna cada vez mais internacionalCarreira entrevista Fino aromaParis? Nova York? O novo papel do Paulistanas levamO lugar para crescer Brasil, segundo o cafés especiaisagora é Xangai embaixador dos EUA aos americanos
    • www.petrobras.com.brA inovação está em mais lugares do que você imagina. Inclusive em cada pedacinho da Petrobras.Inovar e crescer. Sempre. Esse é um dos desafios da Petrobras.Por isso, ela investe tanto em tecnologia. Por isso, ela é umadas maiores empresas de energia do mundo.
    • Sumário MaRcello casal JR/aBRa 20 Nely caixeta PETAR MILOšEVIć 78 28 10 22 TV PINGUIM 28 CARREIRA Com a economia em alta, China é destino de jovens brasileiros que querem acelerar a carreira 10 ANTENA Peixonauta deve ser a primeira animação NELY CAIXETA, XANGAI  36 brasileira a entrar na programação das televisões ARTIGO americanas A importância do Brasil como fonte de novos investimentos em economias desenvolvidas 20 OBSERVATÓRIO DE WASHINGTON Na primeira visita ao Brasil, Obama busca uma  FEDERICA MIAZZI 38 retomada nas relações entre EUA e América EXPORTAÇÃO Latina Paulistanas abrem nicho no mercado Flávia Carbonari, Washington americano para cafés especiais do Brasil   TANIA MENAI, NOVA YORK 22 DESIGN O traço brasileiro ganha o mundo em produtos inventivos, funcionais e com um toque de 44   ENTREVISTA O embaixador Thomas Shannon diz que os EUA brasilidade reconhecem a crescente importância do Brasil ADRIANA SETTI, BARCELONA NELY CAIXETA, BRASÍLIA4 PIB
    • 48 Capa A ciência brasileira, assim como as multinacionais tupiniquins, também se torna cada vez mais global ANTONIO CARLOS SANTOMAURO ESO60 MODA LE MAURICE/ROUGEMONT Apostando no colorido de suas bijuterias, a Sobral saiu das praias cariocas para ganhar o mundo SUZANA CAMARGO, ZURIQUE64 URBANISMO Na reta final para as Olimpíadas de 2012, Londres mostra que tem muito a ensinar ao Brasil NARA VIDAL, LONDRES 76 VIAGEM EXECUTIVA Empresa lança uma ferramenta para ajudar o futuro hóspede a conhecer o hotel antes de66   pagar por ele INTERNACIONALIZAÇÃO MARCO REZENDE Levar os negócios ao exterior exige de multinacionais preparo para administrar rituais jurídicos ANTONIO CARLOS SANTOMAURO TURISMO EXPRESSO72   O pianista Pablo Rossi guia o visitante pela NEGÓCIOS eclética Moscou, pulverizada com resquícios Em apenas quatro anos, a paulistana Loktal comunistas alcança 32 países investindo em bisturis cirúrgicos PABLO ROSSI, MOSCOU PEDRO MARCONDES DE MOURA     EM TRÂNSITO74 FAROL Fundador do sistema de parques nacionais da Costa Rica, Alvaro Ugalde quer exportar seu modelo verde Ao dirigir uma empresa na Arábia Saudita, executivo brasileiro descobre como a religião rege a vida ANDRESSA ROVANI PAULO STRIKER, Jedá   PIB 5
    • Carta ao Leitor totum exCelênCia editorial Nely Caixeta piB Saber sem barreira presença internaCional do Brasil Revista bimestRal de economia e negócios inteRnacionais da totum excelência editoRial Direção Editorial O conhecimento faz fronteira com quais países? Nely Caixeta • nely@revistapib.com.br Editor Contribuinte: Na geografia da ciência, o saber tem passe livre, mas Marco Rezende é preciso que um projeto nacional tome as rédeas de Colaboraram nesta edição Andressa Rovani; Adriana Setti, Barcelona; sua expansão. E é isso que vemos hoje no Brasil. As- Armando Mendes; Flávia Carbonari, Washington; sim como a economia brasileira está cada vez mais Suzana Camargo, Zurique; Federica Miazzi, Londres; Tânia Menai, Nova York; Nara Vidal, globalizada, também o conhecimento salta barreiras Londres; Pedro Marcondes de Moura, Antonio Carlos Santomauro; Pablo Rossi, Moscou; Paulo Striker, Jedá e passa a ser criado em escala mundial – seja ao incor- Edição e pesquisa de fotografia porar um laboratório em outro país, como fazem as Max Nogueira multinacionais brasileiras, seja ao estabelecer centros Desenho gráfico: Renato Dantas de pesquisa virtuais, como mostra a Embrapa. Com a Capa Marcelo Calenda nova política industrial e a Lei de Inovação, ambas de 2004, criou-se Preparação de textos e Revisão um clima favorável para a Pesquisa & Desenvolvimento, graças à maior Mary Ferrarini interação entre universidades e empresas, simplificação de trâmites bu- Tradução e edição em inglês Christine Puleo e Kevin Wall rocráticos, criação de incentivos fiscais e oferta de capital de risco. PUBLICIDADE A reportagem de capa desta edição mostra alguns resultados dessas SÃO PAULO E OUTRAS LOCALIDADES (55-11) 3097.0849 decisões, que permitiram à ciência brasileira avançar a passos largos para publicidade@revistapib.com.br a geração de conhecimento, inclusive no exterior. Na recente passagem Av. Brigadeiro Faria Lima, 1903, cj. 33 Jardim Paulistano - 01452-911 - São Paulo – SP do presidente americano Barack Obama pelo Brasil foram assinados dois Letra Mídia Rua Teodoro Sampaio, 1020 - Conj. 1302 acordos que devem aprofundar o processo de internacionalização pelo CEP 05406-050 - Pinheiros - São Paulo –SP qual passa a ciência brasileira. O primeiro permitirá que agências de for- F: 55 11 3062 5405 | 55 11 3853 0606 mação científica de ambos os países identifiquem pesquisas em áreas Venda de exemplares de edições passadas: DIRETAMENTE COM A EDITORA prioritárias para ambos. O outro intensifica o intercâmbio acadêmico, Impressão essencial para que o ciclo seja mantido. Editora Parma Em entrevista a PIB, o embaixador americano no Brasil Thomas Shan- Distribuição no Brasil circulação em bancas: DPA Cons.Editoriais Ltda. non reitera que o momento é de estabelecer uma parceria global entre os (55-11) 3935-5524 – dpacon@uol.com.br dois países, com uma visão mais estratégica sobre o que esperar para as Distribuição nacional: Fernando Chinaglia Distribuição dirigida: TecnoCourier – São Paulo próximas décadas. “A visita de Obama é um momento de grande impor- tância para a história do Brasil e dos EUA, para o futuro”, diz ele. Consultor Administrativo Mas não é só com os EUA que o intercâmbio de saber acontece. A Luiz Fernando Canoa de Oliveira adm@totumex.com.br China se tornou alvo preferencial de jovens brasileiros em busca de um Cartas para a redação saber prático, o do trabalho. Em Xangai, a reportagem da PIB identificou Av. Brigadeiro Faria Lima, 1903, cj. 33 CEP 01452-911 - São Paulo - SP vários desses profissionais, que, mesmo com pouco tempo em território redacao@revistapib.com.br chinês, destacam-se no mercado internacional. É gente que trocou a Eu- Artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião dos editores. PiB reserva-se o direito ropa cansada da crise pela pujança evidente do Oriente. de editar e resumir as cartas encaminhadas à redação. A presença de brasileiros no mundo – sejam empresas ou pessoas – é Jornalista responsável Nely Caixeta (MTb 11 409) também uma forma de intercâmbio de conhecimento entre os países. PiB - Presença internacional do Brasil é uma Outro exemplo deles é Pablo Rossi, músico que estuda em Moscou e publicação da Totum Excelência Editorial Av. Brigadeiro Faria Lima, 1903, cj. 33 atrai a atenção dos especialistas mundiais quando se senta ao piano. É ele CEP 01452-911 - São Paulo - SP (55-11) 3097.0849 - contato@totumex.com.br quem leva o leitor da PIB para um passeio pela eclética arquitetura russa, Tiragem desta edição com paradas estratégicas para uma boa vodca para compreender lições Em português - 16.000 exemplares Em inglês - 4.000 exemplares de história moscovita. São as fronteiras do conhecimento se dissolvendo. Tiragem auditada pela Nely Caixeta6 PIB
    • Cartas PO TÓ RC O QU M EL HO RD ¤ 5,00 Ano IV Número 12 Nov/Dez 2010 HI IO EK E O AO , KI totum R$ 12,00 COMO IR LONGE MAISAJUDA DA Senhores editores COM A “Gosto de ler a Pib porque ela traz a experiência, os dilemas e os desafios enfrentados pelas empresas brasileiras em seu processo de internacionalização. Sabemos que esse é um r ano , mais de 90 0 eventos po da agência empresas no mundo No cardápio Brasil e suas caminho longo, recheado de oportunidades e para promo TA ver o INOVAÇÃO r Suzano que CIÊNCIA Os brasileiros que estão na desafios. Nesse contexto, o compartilhamento ENTREVIS ptista, A um gigante Luiz Olavo Ba ser corrida para mos o advogado o que a em energissa revelar o cos vai defender C de bioma de conhecimento e experiências é fundamental Brasil na OM 09/12/10 21:31 para o desenvolvimento das global players PIB12 - Capa-R EV.indd 1 brasileiras. A Pib é uma ferramenta de consulta para meus alunos e para os “Somente agora tive acesso à revista Pib. interessados no tema internacionalização.” Tento sempre atualizar os alunos quanto às riCardo pimenta perspectivas do Brasil, tanto lá fora como proFessor assoCiado da Fundação dom CaBral internamente, bem como mostrar tendências. Coordenador téCniCo da rede de Com linguagem didática, completa e fluida, a desenvolvimento integrado reportagem de capa da última edição permitiu Belo Horizonte – mg aos meus alunos compreenderem o alcance da atuação da Apex-Brasil e perceber como “A Revista Pib é um excelente veículo para o nosso país é palco de oportunidades.” informar e subsidiar os profissionais que atuam liBia lender maCedo na área internacional. Ela veio preencher e Coordenadora de mBa gestão e atender um segmento que estava carente de marketing de entidades esportivas informações atuais e com profundidade da universidade anHemBi morumBi/laureate real inserção do Brasil na arena internacional. international universities Para os estudantes de relações internacionais são paulo - sp focados na área de marketing e negócios internacionais tem sido uma referência “Tive a oportunidade de ler a Pib, pela obrigatória, além do fato de ser publicada em primeira vez, no mês passado, e gostei inglês, o que possibilita o enriquecimento do muitíssimo da revista. Gostaria de adquirir as repertório focado em negócios internacionais.” edições anteriores e também as próximas.” proFessor sérgio pio Bernardes piotr kulka diretor dos Cursos de graduação em gerente para a europa oriental marketing e negóCios da esCola superior Business support Center - apex-Brasil de propaganda e marketing (espm) Bruxelas – BélgiCa são paulo - sp “Maravilhosa a revista Pib, que acompanha as “Já faz 21 anos que eu e meu marido empresas brasileiras pelo mundo afora, como residimos nos Estados Unidos. Esta foi a a minha empresa, a Carioca Love, confecção primeira vez que encontramos uma revista criada na França, em 2008. A revista é uma de alta qualidade direcionada às companhias ótima vitrine para mostrar as competências brasileiras. Recebemos a Pib em nosso das empresas brasileiras, inclusive nas áreas escritório de advocacia (Somera & Silva) e de moda e design. Adorei. Está aprovada!” gostaríamos de saber se há uma maneira magnolia oliveira de comprá-la por aqui ou pela internet.” marselHa – França Celia aiosa oCean Boulevard Para adquirir edições passadas da PIB, encaminhe BoCa raton, Florida - eua o pedido pelo e-mail adm@totumex.com.br. cartas e e-mails para a redação nos seguintes endereços: avenida Faria lima, 1903, conj. 33 – são Paulo (sP) – 01452-911 – contato@revistapib.com.br8 PIB
    • Planos de expandir seus negócios na Europa?Estabeleça sua base em Flandres (Bélgica):• É estratégica: localização central na área mais rica e populosa da Europa• É conectada: excelente acesso aos diferentes mercados devido a sua eficiente infraestrutura• É recompensadora: regras aduaneiras flexíveis e generosos incentivos fiscais• É fácil: graças à Flanders Investment & Trade: - Consultoria especializada gratuita - Informações sobre preços de aluguéis, custos trabalhistas e questões tributárias - Extenso banco de dados com informações econômicas www.investinflanders.com Representação Econômica de Flandres | c/o Consulado Geral da Bélgica Al. Santos 705 - Ed. Iporanga cj. 27-28 | 01419-001 São Paulo (SP) Brasil Tel.: +55 11 31 41 11 97 | Fax: +55 11 31 41 09 93 | saopaulo@fitagency.com
    • Antena AndressA rOvAni exportação animada Ele é um peixinho vestido com roupa de astronauta que trabalha como agente secreto em defesa da sustentabilidade. Considerada a primeira série de desenho animado produzida no Brasil, o Peixonauta, do estúdio paulistano TV PinGuim, já tem suas histórias exibidas em 65 países. O peixinho promete, agora, um grande feito para o TV PINGUIM setor. Neste ano, ele deve entrar na programação 1 da norte-americana Discovery Family e se tornar a primeira animação brasileira a fazer parte da grade de programação de uma emissora dos Estados Unidos. Mas o agente secreto não está só. Meu AmigãoZão, coproduzido pela brasileira 2DLab e a canadense Breakthrough, é transmitido no Brasil e na América Latina pelo Discovery Kids. Princesas do Mar, da Flamma com produtoras da Austrália e da Espanha, já foi vendido para mais de 120 países. Juntamente com o peixinho, a série Meu AmigãoZão também fechou contrato com os Estados Unidos e deve, em breve, tornar-se conhecida das crianças americanas. Para Eliana Russi, gerente executiva do projeto internacional da Associação Brasileira de Produtores Independentes de TV (ABPI-TV), este é só o começo. “O Brasil é visto por produtores internacionais como potencial parceiro, e esta visibilidade tem aumentado as oportunidades de negócios”, diz ela. O boom de desenhos brasileiros fazendo sucesso no exterior é fruto, segundo Eliana, do projeto de exportação Brazilian TV Producers, criado pela ABPI-TV em 2004, em parceria com a Apex-Brasil, a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e a EBC/TV Brasil. Eliana participou, recentemente, da KidScreen, evento anual que reúne, em Nova York, as duas pontas da cadeia internacional de animação infantil. O Brasil contou com 35 produtoras independentes por lá. Durante o encontro, foi anunciada mais um coprodução internacional, desta vez entre a Sumatra, de São Paulo, e a americana Toonzone. Elas farão, em conjunto, a TV PINGUIM série animada Tiny Warriors. O projeto é da Toonzone, a animação será feita no Brasil, numa simbiose binacional. 110 PIB
    • 1 O desenho 2 Vinho nacional Peixonauta ganha ação e a equipe promocional de criação nos EUA Vinho, churrasco e Fórmula indy A corrida do vinho brasileiro para ganhar o mercado americano começa a mostrar resultados. Os americanos já estão comprando mais vinhos produzidos no Brasil. Uma ação de marketing fez com que 22 rótulos da bebida entrassem de vez no cardápio de churrascarias instaladas nos Estados Unidos. No ano passado, os restaurantes brasileiros Fogo de Chão e Plataforma, instalados por lá, participaram de uma ação promocional que distribuiu ingressos para corridas da Fórmula Indy a quem pedia vinho brasileiro. Foi a porta de entrada para que o cliente – que já está experimentando produtos brasileiros – provasse e gostasse da bebida produzida nas vinícolas tupiniquins. Com a demanda, a Casa Valduga passou de uma venda de modestos US$ 643 em 2009 para US$ 98,4 mil no ano passado. Já a Perini quase dobrou a sua exportação para os Estados Unidos, saltando de US$ 15,7 mil em 2009 para US$ 29,2 mil em 2010. 2APEX BRASIL/ DIVULGAÇÃO PIB 11
    • Antena 3 Letícia, Fernanda 1 Eurofarma: 2 Maria Del Pilar: e Ederaldo, presença forte na meta é cobrir em Moscou América Latina 90% do mercado Para moscovita ver Os sucessos do cinema nacional levaram, pelo terceiro ano seguido, uma legião de russos à Embaixada do Brasil em Moscou. O projeto, que integra esforços da iniciativa privada e do poder público, tem como objetivo disseminar a cultura brasileira na Rússia, apresentando a produção cinematográfica contemporânea a uma das mais importantes economias emergentes do mundo. “A mostra, promovida no fim do ano passado, já faz parte do calendário cultural da capital russa”, diz Ederaldo Kosa, curador do evento, junto com Fernanda Bulhões. Entre as atrações, estão a comédia Deus é Brasileiro e o drama O Maior Amor do Mundo, ambos de Cacá Diegues, e o aclamado É Proibido Fumar, de Anna Muylaert. Somando as três edições, são 40 filmes apresentados para o público moscovita. O evento é fruto da parceria entre a agência Linhas Comunicação, o Ministério das Relações Exteriores e a embaixada brasileira na cidade. DIVULGAÇÃO 1 Remédios para os vizinhos Em 2009, a Eurofarma, fundada em 1972, fez sua primeira aquisição internacional: Quesada Farmacêutica, empresa com 60 anos de atuação no mercado argentino. No ano passado, duas outras empresas latino- americanas foram incluídas no grupo: o Laboratório Gautier, com 93 anos no mercado farmacêutico uruguaio e com presença no Paraguai e Bolívia, e o Laboratório Volta/ Farmindustria, no Chile há 60 anos. A sequência de aquisições internacionais expõe a importância que a farmacêutica, com sede em São Paulo, está dedicando à expansão internacional. “A Eurofarma já conta com presença em seis países, que representam 52% da América Latina”, afirma a diretora de Sustentabilidade e Novos Negócios da empresa, Maria Del MARCELO SOUBHIA Pilar Muñoz. “Considerando a meta de cobrir 90% do mercado regional, ainda temos um bom desafio pela frente.” 2 3 ÃO DIVULGAÇ12 PIB
    • Antena o doce embalo dos orgânicos A participação em feiras no exterior foi Promoção do Desenvolvimento produtoras no Brasil que fazem o segredo para alavancar a exportação (IPD), e beneficia 72 empresas, parte do projeto, Native e Jalles de produtos orgânicos brasileiros. que fabricam de chá mate a Machado, representam cerca de Em 2010, foram US$ 108,2 milhões cosméticos. Do total de produtos 70% de todo o açúcar orgânico em produtos enviados ao exterior orgânicos enviados ao mercado consumido no mercado mundial. pelo projeto Organics Brasil – alta de internacional no ano passado, o setor Além do açúcar, as empresas 130% em relação ao ano anterior. de alimentos representou 96%. brasileiras estão exportando polpas O programa é uma parceria entre O grande destaque é o açúcar de frutas, mel, castanhas e produtos a Apex-Brasil e o Instituto de orgânico brasileiro. As duas maiores industrializados, como grãos e café. 1 DIVULGAÇÃO/ORGANICS BRASIL DIVULGAÇÃO/JALLES MACHADO exporta-se saúde animal utilizados para matar parasitas em animais. O Master LP tem ação prolongada e libera o produto de forma A empresa paulista Ourofino Agronegócio, programada. Já o Impacto é muito procurado para fabricante de produtos veterinários, está de olho combater carrapatos e pulgas, por ter baixa toxicidade. nos países vizinhos para aumentar as vendas Atualmente, o mercado externo, formado por 29 para o exterior. No ano passado, a América Latina países que compram seus produtos, representa 7,5% foi a região com maior peso no crescimento das do faturamento da Ourofino. O vendas, que teve um salto de 19% em comparação resultado é tão significativo para o com 2009, quando faturou R$ 221 milhões. segmento que a empresa recebeu o Na sede da empresa, em Cravinhos (SP), são prêmio Exporta São Paulo, organizado produzidos tanto remédios para bois e cavalos pela Federação das Associações como para pequenos animais de estimação. A saúde Comerciais do Estado de São animal é o foco principal da empresa, que também Paulo (Facesp), em parceria com a investe em sementes e defensivos agrícolas. Secretaria de Desenvolvimento e a Os carros-chefes da Ourofino são dois produtos Associação Comercial de São Paulo.14 PIB
    • 1 Vegetais e 2 Exótica, 3 Remédios açúcar da fruta plantada veterinários: Jalles no país ganha foco na Machado mercado América Latina atemoia, uai! Pouco conhecida no Brasil, a exótica 2 atemoia anda fazendo sucesso no exterior pelas mãos da Fazenda Viveiro Bona, que conta com plantações em Paraisópolis, Minas Gerais. Com produção de 400 toneladas por ano, cerca de 10% desses frutos são enviados para o exterior, sobretudo para Canadá e Portugal. Mas essa parcela deve crescer. A safra deste ano surpreendeu, com frutos com qualidade e tamanho superiores aos do ano passado. “Vamos poder exportar entre 5% e 10% a mais porque a safra será melhor”, diz François Bonaventure, responsável pela exportação da Viveiro Bona. Para seguir para o mercado internacional, a atemoia precisa ter entre 350 e 550 gramas. A empresa exporta, hoje, 45 mil caixas por ano. As remessas são feitas por avião, duas vezes por semana, às quartas e aos domingos, via aeroporto de Guarulhos, para garantir que as frutas cheguem fresquinhas ao consumidor final. As frutas possuem o certificado da agricultura orgânica Ecocert e aguardam a certificação BIA PARREIRAS da Globalgap para cumprir todas as exigências internacionais para exportação. 3CORTESIA OUROFINO AGRONEGOCIO PIB 15
    • Antena 1 EMBRAER embraer voa alto com jatinhos executivos No mundo todo, um em cada cinco jatos ao investimento em inovação. Nos últimos executivos entregues no ano passado leva seis anos, de acordo com a empresa, foram a marcar Embraer. Os dados fazem parte lançados seis novos modelos de jatos. O de um balanço divulgado em fevereiro mais vendido pela Embraer é o Phenom pela Gama (Associação dos Fabricantes de 100, que representou 100 das 145 unidades Aviação Geral, em sua sigla em inglês). de jatos comercializados no ano. Em A empresa brasileira entregou 145 jatos seguida, entre outros, vêm o Phenom 300, executivos em 2010, um aumento de 23 em operação há apenas um ano e com 26 aeronaves em relação a 2009, o maior vendas, e o Legacy 650, com 11 entregas. incremento em termos absolutos entre todos “Continuaremos empenhados para os fabricantes. Com este novo patamar, a aprimorar ainda mais nossos resultados, participação da Embraer atingiu 19% neste conquistando novos clientes e servindo segmento. Em 2008, esse percentual era de melhor aos atuais”, diz em nota Luís Carlos apenas 3%. Affonso, vice-presidente da Embraer Em parte, o sucesso das vendas está ligado para o mercado de aviação executiva.16 PIB
    • 1 Jato executivo 2 O modelo Phenom 100: Duplo Dinâmico é a vez da é criação da Embraer GerbarPirata contra piratariaCriado há 48 anos, o Duplo Dinâmico é, ainda Há dois anos, ela passou a fabricar dois de seushoje, o carro-chefe de vendas da fábrica paulistana principais modelos de ventiladores na China,Gerbar Ventiladores. Com dois motores e design com investimento de apenas US$ 12 mil.marcante, o ventilador de teto foi desenhado Com a estratégia, a situação se inverteu. O novopor Geraldo Barros, fundador da empresa, produto feito na China pela Gerban concorree até hoje é produzido artesanalmente. diretamente com os piratas também feitos por lá eEle é o modelo mais vendido no exterior e exportados, sobretudo, para os Estados Unidos, oresponsável por disseminar a qualidade da principal mercado da empresa. Vendidos sob outrafábrica brasileira lá fora, conhecida como uma marca, os produtos chegam a custar a metade dodas melhores do mundo. Hoje, o mercado similar feito no Brasil. Já os custos de produçãoexterno representa 30% do faturamento da representam um quarto do investimento feitoempresa, que embarca produtos para seis países. aqui. É como se a empresa tivesse apostando em“Exportamos há mais de 20 anos, e os números uma versão pirata do próprio produto para seduplicavam a cada ano”, conta Cláudia Spina, manter no mercado. “De certa forma, concorreproprietária e neta do fundador. A queda do com o produto que fabricamos aqui e exportamos”,dólar, diz ela, há cerca de quatro anos, fez com diz Cláudia. “Foi a saída que encontramosque caíssem as vendas internacionais, que antes para oferecer uma opção para quem gosta dorepresentavam 72% das vendas da empresa. design, mas não pode pagar (pelo original).”Além do dólar, o sucesso do modelo fez com Em ambos os mercados, porém, ela vendeque modelos similares começassem a aparecer também a versão “original”, fabricada nona China e nos Estados Unidos, com Brasil, que, diz ela, tem rígidos padrões dequalidade inferior, concorrendo com qualidade e material de primeira linha.o original feito por aqui. Depois de A versão chinesa de seus produtosacionar as fábricas, a proprietária responde hoje pelo equivalente a 10%Cláudia Spina conta que tratou de do que a empresa fatura. “Os produtosenxergar na disputa uma oportunidade. feitos no Brasil ainda vendem mais lá fora.” ÃO G AÇ V UL DI 2 PIB 17
    • Antena kris: Flandres quer atrair empresas brasileiras 3 perguntas para... Kris Peeters, ministro-presidente da região de Flandres, na Bélgica DIVULGAÇÃO 1 apesar de ser um importante centro logístico europeu, a região parece ser relativamente pouco do mundo pelo quarto ano consecutivo. Isso significa que quase todos os países e culturas estão representados em nosso país, o que conhecida no Brasil. por quê? traz inúmeras vantagens para as empresas Não acredito nisso. As empresas brasileiras internacionais em termos de negócios. Entre que operam com logística internacional estão nossos pontos fortes, posso destacar as leis cientes da importância do porto de Antuérpia trabalhistas, a qualidade da mão de obra e das (região norte), o segundo maior porto da Europa instituições de pesquisa, localização e medidas e segundo maior polo petroquímico do mundo, fiscais muito interessantes. Flandres tem, só superado por Houston (no Texas). O Brasil ainda, um dos menores prazos para a criação é o principal cliente do porto de Gent (região de uma empresa e o mínimo de burocracia. oeste), que movimenta uma grande variedade de importações brasileiras, como minérios e suco de frutas. Este é o maior porto de suco de frutas cítricas da Europa e o segundo maior do 3 a região de Flandres tem interesse em abrigar empresas brasileiras de biodiesel interessadas em fornecer mundo. Já o porto de Zeebrugge (extremo oeste) produtos ao mercado europeu? é o maior centro mundial para o transporte de Flandres criou o “Vale de Bioenergia”, com sede carros novos. Flandres é o melhor lugar para fazer em Gent. Para promover o desenvolvimento negócios na Europa. econômico em torno dele, vamos estimular a inovação tecnológica, a integração industrial 2 vários centros europeus com características semelhantes às de Flandres estão empenhados em atrair investidores e a formação de polos, além de ações de sensibilização com o objetivo de ganhar mercado para os biocombustíveis. Recentemente, a estrangeiros. que vantagens especiais Companhia Brasileira de Logística (CBL), uma Flandres oferece a uma empresa brasileira? das maiores empresas de logística do Brasil, Flandres está no centro da Europa, e as anunciou investimentos de 70 milhões de euros principais decisões em relação à região estão em um terminal de armazenamento de líquidos sendo tomadas em Bruxelas (capital da Bélgica (biodiesel, gasolina, etanol e óleos vegetais) e sede da União Europeia). Além disso, fomos no porto de Gent, que já recebe 1,3 milhão de classificados como o país mais globalizado toneladas de biocombustíveis.18 PIB
    • Observatório de Washington notícias dos estados Unidos com um olhar brasileiro FláviA CArbOnAri A administração Obama trou- perspectivas de uma nova era de xe, em 2009, a esperança de uma estabilidade econômica e cres- retomada nas relações entre EUA cimento na região, que em 2010 e América Latina, deixadas de lado expandiu 6%, o chamado para um durante a era Bush. Dois anos se reengajamento voltou a ecoar forte passaram e pouco foi feito para nos círculos de análise política de fortalecer as relações hemisféricas. Washington. Uma reaproximação Apesar de a região ainda ser a maior com o Brasil, cujas relações bilate- parceira comercial dos EUA, estes rais com os EUA ficaram abaladas continuam perdendo parte de seu após as discussões nucleares com mercado para a China. Entre 2002 o Irã, em 2010, e a crise em Hondu- Hora de e 2008, o market share dos EUA nas ras, em 2009, vem em boa hora. O oito principais economias do con- país tem um novo governo; os EUA, tinente caiu de 49% para 38%, en- um novo Congresso, e a administra- discutir quanto o da China aumentou de 4% ção Obama corre atrás do prejuízo para 10%. Nos últimos dois anos, no último ano antes das próximas o gigante asiático chegou a atingir eleições presidenciais. Na primeira a relação a posição de primeiro parceiro co- visita de Obama ao Brasil, alguns MARCELLO CASAL JR/ABR mercial do Brasil, Chile, e, em breve, temas não escaparam das discus- conquistará este posto no Peru. sões: energia, mudanças climáticas Mas, diante de uma América e potenciais novas parcerias para a Latina vibrante e otimista, com Copa e as Olimpíadas. 1 2 Uma visita a qualquer café de Capital da Washington, do mais tradicional ao mais alternativo, em um dia de feria- leitura... do ensolarado, pode surpreender o visitante: é alta a concorrência para se conseguir uma mesa em meio a tantos laptops, livros e jornais. Não é à toa que, com 600 mil habitantes, a cidade foi considerada, em 2010, a “capital da leitura” dos Estados Unidos. Elaborado desde 2005 pela Central Connecticut State Universi- ty, o índice As Cidades Mais Letradas dos EUA (America’s Most Literate Ci- ties) é baseado em seis indicadores: circulação de jornais, publicação de revistas e periódicos especializados, acesso a jornais ou compras de livro via internet, número de livrarias, recursos de biblioteca e nível educa- cional. Washington liderou o ranking dos três primeiros, terminando, FLAVIA CARBONARI pela primeira vez, no topo da lista e seguido por Seattle, líder do ranking nos anos anteriores.20 PIB
    • 1 Dilma 2 Cafeteria em recebe Washington: Obama no ambiente Alvorada para leitura A China e o sonho americano A China é a segunda maior eco- nomia do mundo, e a projeção é de que01 dez anos possa ultrapassar em os EUA e se tornar a primeira. Uma pesquisa do Pew Research Center, de Washington, mostrou que quase metade da população americana (47%) acredita que a China é o maior poder econômico do planeta, contra 31% que citam os EUA nesta posi- ção, resultado inédito na pesquisa. Outra surpresa foi a colocação da Ásia como a mais importante região para os EUA, para 47% dos ameri- canos, contra 37% que priorizam a Europa. O estudo mostrou, ainda,...Indústria Revolução na era que um em cada cinco americanos considera a China a maior ameaçadas ideias da mídia digital ao país, antes da Coreia do Norte (18%) e do Irã (12%). A cidade – que possui quase Desde as eleições de 2009 no400 institutos de pesquisa (os Irã, quando cidadãos denunciaram a Força de Cada umfamosos think tanks) e vinte uni- a repressão via sites como YouTube, a China é vista como uma potênciaversidades – tem como motor Twitter e Facebook, cresce o número econômica; os eua como potência militareconômico o “mercado das ideias”. de analistas tentando entender oDesde que o Georgetown deixou de impacto da mídia social na geopolí- Divisão 6% União europeiafuncionar como porto, no século 18, tica global. Em janeiro, o Departa- do poder 7% outros econômicoos principais produtos de exporta- mento de Estado ofereceu US$ 30 9%ção tornaram-se livros, relatórios, milhões para projetos de liberdade Japão 47%análises políticas e afins. Assim de internet que incluam programas china 31%como as multinacionais começaram para derrubar firewalls impostos por eUaa fazer há décadas, os think tanks governos opressivos. “Todo movi-americanos também estão expan- mento dissidente terá a tecnologia 3%dindo seus mercados, com é o caso como um componente-chave”, de- União europeia 5%Carnegie Endowment for Interna- clarou Alec Ross, assessor de Hillary Divisão 9% Rússia do poder 16% outrostional Peace, que já sentou o pé em Clinton. Mas, em artigo na Foreign militar chinaPequim, Beirute, Bruxelas e Mos- Affairs, o professor americano Claycou. A China declara ter hoje mais Shirky diz que o poder da mídia so-de 400, o que a coloca no posto de cial está em fortalecer a sociedade 67% eUasegundo país com maior número de civil, o que só produzirá mudanças Fonte: Pewthink tanks no mundo. em décadas. Research Center. PIB 21
    • Design Brasil O traço do Da joia à informática, o desenho brasileiro ganha o mundo em produtos inventivos e funcionais adri ana set ti, BarCelona e m dezembro de 2010, das São Paulo), o artista fluminense Lú- de que o Brasil ganhou nos últimos 11 exposições em cartaz cio Carvalho e o arquiteto capixaba anos (entre outras coisas, por ter no prestigiado Triennale Paulo Mendes da Rocha (Prêmio sido escolhido como país-sede para Design Museum, em Mi- Pritzker de 2006). Tamanho inte- a Copa de 2014 e as Olimpíadas de lão, duas tinham temática resse por traços e formas brasilei- 2016) rendem frutos em um amplo brasileira. Brasília, Uma Utopia Re- ras nessas catedrais mundiais do leque de atividades. Com o design alizada fazia um apanhado da histó- desenho e das artes tem razão de não é diferente. “Nossa ala de fren- ria do Planalto Central pelas formas ser: seguindo o caminho aberto por te é o Brasil como um todo, e coube idealizadas pelo arquiteto carioca Niemeyer e seu conterrâneo Sergio a nós ter a competência para ocupar Oscar Niemeyer. Simultaneamente, Rodrigues − o criador da desejada esse espaço que veio no embalo”, em Anticorpi Antibo- Poltrona Mole, talvez explica Joice Joppert Leal, diretora dies, peças ilustravam o primeiro produto executiva da Associação Objeto Bra- a trajetória dos de- Materiais de design brasileiro sil, com sede em São Paulo. Fundada signers paulistas Fer- inovadores moderno a ganhar o para promover o design brasileiro, nando e Humberto Campana. Na mesma e formas mundo − e, mais re- centemente, pelos a Objeto Brasil organiza, entre ou- tros eventos, o Idea Brasil, a versão cidade italiana, me- “atrevidas” irmãos Campana, o nacional do prêmio mais importante ses antes, o badalado fazem a   Brasil tem cada vez do design norte-americano, Interna- circuito Fuori Salone, que acontece parale- diferença mais nomes de peso ditando tendências tional Design Excellence Awards. “O Brasil sempre teve uma forte empa- lamente à feira de no exterior. Os es- tia no exterior. Somos simpáticos, móveis mais celebrada do mundo – o trangeiros descobriram, enfim, que alegres e joviais aos olhos estrangei- Salone Internazionale del Mobile –, o estilo made in Brazil pode ser im- ros e, nos últimos anos, por causa da foi movimentado pela mostra Brazil presso em algo mais que sandálias de globalização e da abertura do nosso S/A Lounge Brasileiro de Decoração e borracha e trajes de banho. mercado, passamos a ser conhecidos Design, que contou com nomes como A miscelânea cultural brasileira, de forma mais intensa”, diz ela. os onipresentes irmãos Campana, o jogo de cintura e a criatividade Do ponto de vista do estilo, Nie- André Bastos e Guilherme Leite do brasileiro somados ao momento meyer, os irmãos Campana e os no- Ribeiro (estúdio Nada Se Leva, de econômico favorável e à visibilida- vos talentos brasileiros em alta têm22 PIB
    • Cadeira de Rodrigo Almeida, de Sorocaba (SP): miscigenação estéticaFOTO: RODRIGO ALMEIDA PIB 23
    • Design algo em comum? Não necessaria- que caracterizam os móveis e outros borda e o joalheiro Antonio Bernar- mente. Ainda que as cores vivas e, objetos produzidos na Suécia, na Di- do, ambos cariocas, e o empresário em alguns casos, as referências ao namarca e na Noruega. gaúcho Oskar Metsavaht, da mar- folclore brasileiro possam estar pre- Ainda que não haja elementos ca de roupas Osklen, entre muitos sentes no trabalho de alguns profis- estéticos explícitos que definam o outros. A revista, diga-se, também sionais, a frase “isso é a cara do Bra- “Brazilian Design”, a constatação premiou uma casa assinada pelo sil” não pode ser aplicada a todos os de que algo muito efervescente está arquiteto paulistano Marcio Kogan aspectos do design nacional. “A ino- acontecendo em nosso território em seus Design Awards de 2010. vação, a utilização diferenciada de é unanimidade. Durante algumas Outra referência internacional, o materiais, a preocupação com a sus- semanas do ano passado, a revista jornal britânico The Guardian, pu- tentabilidade e o atrevimento que, referência britânica Wallpaper esta- blicou uma reportagem especial em em geral, aplicamos fazem com que beleceu um QG temporário naquele que afirmava que “o design brasilei- nossos produtos possam ser aceitos que definiu em seu editorial como ro, da moda à arquitetura, antes re- em qualquer lugar do mundo”, defi- “o país mais excitante do mundo”, conhecido simplesmente por seu ca- ne Joice. “O bom design não precisa para tentar traçar um retrato desse ráter flamboyant, vem sendo aceito ser necessariamente reconhecido momento de ascendência e de como por sua inventividade, originalidade como típico de determinado lugar ele se reflete na produção cultural e e diversidade, fruto de um inusual e, por outro lado, não temos uma industrial tupiniquim. O resultado é mix de influências”. E cita fatores linha tão emblemática como, por o dossiê Born in Brazil, de reporta- tão diversos quanto a desordem ur- exemplo, o design escandinavo”, gens e entrevistas com personagens bana, a Amazônia, os boias-frias das explica referindo-se às formas ergo- como o arquiteto Paulo Mendes da plantações de cana e o movimento nômicas, funcionais e minimalistas Rocha, o designer gráfico Felipe Ta- gótico como a salada de fatores de PREMIADOS Alguns dos 23 produtos brasileiros vencedores do iF Design Awards 2011, na Alemanha 2 124 PIB
    • 1 Quiosque de 2 Moringa autoatendimento de cerâmica da Itautec da The LED (SP) Project (SP) onde os artistas brasileiros tiram as (e vendido por até 20 mil euros) em 3 Saleiros 4 KitBio para referências para produzir objetos, capitais mundiais do desenho, como João de a Justiça roupas, móveis, edifícios e joias ao Milão, Paris, Nova York e Londres. Barro, da Eleitoral, de mesmo tempo originais e compatí- Célebre por criar objetos a partir de Reboh Akiyama e veis com o mercado contemporâneo. elementos e combinações imprová- Design (RS) Dangelo DI (PR) Entre os nomes destacados estão o veis (como, por exemplo, montar estilista paulistano Alexandre Her- uma luminária a partir de um tênis), chcovitch e os grafiteiros Gustavo e Rodrigo ainda assina uma coluna Otávio Pandolfo, “Os Gêmeos”, tam- na revista especializada italiana de Rodrigo, a cadeira Oxum, tem bém de São Paulo. Made. Ainda assim, só agora lan- apliques em cores vivas e é coberta Se por um lado nomes já conheci- çou sua primeira coleção por uma por contas de madeira que remetem dos por aqui ganham empresa brasileira, ao candomblé. “Temos de ser o que cada vez mais proje- ção no exterior, outra Para a revista a Dpot. “As pessoas aqui sempre querem somos, e não agir com um olhar estrangeiro sobre nós mesmos”, leva de designers bra- britânica repetir o que já deu diz o designer. sileiros que vêm ocu- Wallpaper, o certo fora, parece Outro nome cada vez mais co- pando espaço mundo afora tem algo em Brasil é o país que tudo tem de vir mastigado”, diz Ro- nhecido nos editoriais mundo afora é o paulistano Fernando Akasaka. comum com músicos mais excitante drigo, cujo sucesso Sua marca F.Akasaka, fundada em brasileiros contem- do mundo no exterior se atribui 2006, é dedicada à criação de mó- porâneos, como Seu justamente à sua ori- veis, luminárias e objetos de deco- Jorge, Bebel Gilberto ginalidade e foco na ração. Já a Le Blob, criada por Fer- e tantos outros: o sucesso no exte- cultura brasileira, para gerar aquilo nando, em 2009, é focada em joias rior veio antes do reconhecimento que ele chama de “miscigenação es- ultracriativas. A primeira marca em território nacional. “Cerca de tética”. Na prática, isso significa pe- internacionalizou-se pela mídia, 90% do que produzo vai para o ex- ças como a cadeira Salvador. Numa com aparições em revistas como terior”, conta o paulista de Sorocaba alusão à capital baiana, ela tem o a Blackbook americana, a francesa Rodrigo Almeida, que em 2010 fez encosto revestido de um tecido com Ideat e a britânica Wallpaper. Uma exposições na FAT Galerie, de Paris, uma textura semelhante à de uma vez conhecido, para vender seus e na Contrasts, de Xangai, na Chi- rede e cordas que parecem tranças produtos sob a etiqueta Le Blob, na, e tem seu trabalho reconhecido de estilo rastafári. Outra criação Fernando procurou, com sucesso,FOTOS: DIVULGAÇÃO 3 4 PIB 25
    • Design DIVULGAÇÃO 1 1 DIVULGAÇÃO lojas badaladas no exterior, como as tanto, competitivos. A importância Design Awards, o Brasil foi o oitavo concept store Eva, em Nova York;  a que o design adquiriu nos últimos país mais premiado, com 23 produ- The Shop at Bluebird, de Londres; anos também fez com que cursos tos, da informática a uma moringa de e a butique Looq, em Zurique, en- especializados surgissem em todo porcelana que reinterpreta as humil- tre outros endereços em Sydney, o Brasil. Em 1980, o país tinha seis des moringas de barro usadas para Copenhague e capitais da Europa e escolas de desenho industrial. Hoje, resfriar a água de beber nas casas do mundo. “Não sigo padrões nem são 300 de nível de graduação e mais do Brasil antigo. Para o processo de características especificamente bra- 100 cursos técnicos. triagem que antecede à participação sileiras,  procuro criar peças com um “As empresas estão cada vez no iF Design Awards, o programa design contemporâneo”, diz. “Mi- mais conscientes de que a eficiência Design Excellence recebeu mais de nhas empresas atuam nos ramos no processo produtivo e o controle 500 candidatos, sendo sessenta por de luxo da decoração e da moda, e de qualidade não bastam”, diz Ana cento pequenas e médias empresas. nesses mercados os Brum, coordenadora clientes buscam ba- de projetos do Cen- 4 sicamente o design Brasileiros tro de Design Para- inovador, a qualida- de dos produtos e a ganharam ná, uma organização civil, sem fins lucra- exclusividade.” 23 prêmios tivos, responsável Além de lançar no concurso pelo programa De- talentos individuais que se beneficia- europeu sign Excellence, que, entre outras funções, ram da abertura dos iF Design conta com o apoio da nossos mercados, o Agência Brasileira de Brasil, do ponto de Promoção de Expor- vista empresarial, também tomou tações e Investimentos (ApexBrasil) consciência de que o visual de seus para selecionar e inscrever produtos produtos é fundamental para a com- nacionais no iF Design Awards, o petitividade da indústria nacional. prêmio mais importante do design Um exemplo é a criação, em 1995, europeu, com sede em Hannover, do Programa Brasileiro do Design, na Alemanha. “Os prêmios inter- pelo Ministério do Desenvolvimen- nacionais, hoje em dia, funcionam to, Indústria e Comércio Exterior, como um certificado de qualidade para difundir no país uma cultura e facilitam a absorção dos produtos de produção e exportação de pro- premiados pelo mercado”, conta dutos mais bonitos, eficientes e, por- Ana Brum. Na última edição do iF26 PIB
    • 1 Joia e 2 Cartaz luminária de de Felipe Fernando Taborda (RJ): Akasaka (SP): arte gráfica qualidade e brasileira exclusividade 3 Lúcio 4 Casa em Carvalho Paraty de (RJ): móveis Marcio em Milão Kogan (SP): premiada pela WallpaperDIVULGAÇÃO 2 3“Quando o design é parte da estra- dade no país. Os vencedores do Ideatégia da empresa, o retorno sempre Brasil tornam-se automaticamenteé positivo, algo que não acontece finalistas no Idea Awards que acon- DIVULGAÇÃOquando é tratado apenas superficial- tece nos Estados Unidos. Em 2010,mente”, afirma Ana Brum. entre os vencedores brasileiros es- A criação de uma Bienal do tava o carro esportivo Fiat FCC (aDesign em 2006 (a edição de 2010 Fiat mantém um Centro de Estiloteve repercussão positiva na im- em Betim, MG, que está entre osprensa internacional) e do prêmio mais modernos do país), os aviõesIdea Brasil, cuja primeira edição executivos Legacy 500 e Legacyaconteceu em 2008, são a prova da 450, da Embraer, e o Self Check Outdimensão da mudança de mentali- da Itautec (uma máquina na qual o cliente pode pagar as próprias com- pras), provando que o potencial na- cional abrange também a indústria de alta tecnologia e equipamentos eletrônicos.  “O prêmio ajudou a conseguirmos o reconhecimento que faltava e abriu espaço para o de- sign brasileiro nos Estados Unidos”, conta Joice Joppert Leal. Entre 7 e 12 de dezembro passado, obras de mais de 40 finalistas dos três anos do Idea/Brasil (que conta com a parceria do Sebrae, ABDI e CNPq) foram expostas em Seul, eleita a capital mundial do design em 2010. “Somos criativos? Sim, mas nossa postura não é mais meramente ins- tintiva, também temos o know-how e o know why, ou seja, como fazemos e por que fazemos, e estamos com nossa autoestima em alta”, conclui NELSON KON Joice. Nossa estética Carmen Mi- randa é coisa do passado. PIB 27
    • Carreira Atalho chinês O mercado que mais cresce no planeta atrai jovens brasileiros em busca de oportunidades para acelerar a carreira   n e ly C a i x e ta , x a n g a i28 PIB
    • Giovanna, Kevin, Taís e Stephanie, com o distrito de Pudong ao fundo: acontecendo em Xangai tuária no delta do rio Huangpu, no litoral leste do país, para a megaló- um país em pole símbolo do estonteante cresci- mento da economia chinesa. É nessa grandes números 5 700 cidade de 18 milhões de habitantes que um grupo crescente de brasilei- brasileiros ros está se instalando em busca de vivem hoje na China oportunidades de trabalho e de um tipo de experiência cada vez mais valorizada nos escritórios de caça- talentos do Brasil ou de qualquer 41 642 vistos foram concedidos a brasileiros no outro lugar do mundo. “É preciso ano passado estar aqui para realmente compre- ender a velocidade com que as coi- sas acontecem na China”, diz Rafael 54% a mais do que em 2009 Nuñez Sá Freire, publicitário pau- lista de 27 anos, há três em Xangai. “É um privilégio acompanhar essas 73% foi quanto cresceu o número de vistos mudanças e tentar entender, de fato, de visitas e negócios juntamente com o resto do mundo, o em 2010 que passa pela cabeça dos chineses.”   Antes da China, ele viveu quase sete anos em Londres, onde se for- fissões mais concorridas do mundo”, mou em Design Gráfico e em Pu- diz Rafael. Na agência, ele redige em blicidade. O ritmo que sua carreira inglês para as campanhas regionais estava levando ali não lhe agradava. da montadora Ford, muitas vezes em “Em Londres, logo percebi que leva- parceria com uma redatora chinesa. ria anos até conseguir colocar a mão “O meu trabalho é internacional”, diz. na massa e participar da criação de “Tento sempre me adequar àquilo campanhas interessantes”, afirma que estou fazendo, justamente por Rafael. “Foi quando visitei Xangai ter experimentado e conhecido tan- a passeio e percebi que existiam ali tas culturas diferentes.”    ótimas oportunidades para jovens Vivem hoje na China cerca de NELY CAIXETA como eu.”   5 700 brasileiros, segundo a mais De fato, seu trabalho como pu- recente estimativa feita pelo Mi- blicitário sênior da multinacional da nistério das Relações Exteriores.q publicidade J.W. Thompson tem lhe Há três anos, eram 3 500. Esse nú- ue Londres, Paris e Nova dado alegrias e reconhecimento in- mero é pequeno se comparado aos York, que nada! O dina- ternacional. No ano passado, ganhou 280 mil compatriotas que vivem mismo das cidades chi- dois leões no festival de publicidade no Japão ou ao contingente de 1,28 nesas tem atraído um de Cannes, a principal premiação milhão com residência nos Estados número cada vez maior do setor. Além disso, está entre os Unidos, duas das maiores comuni-de jovens profissionais interessados três melhores redatores do mundo, dades brasileiras no exterior. Aoem acelerar suas carreiras no outro segundo o relatório inglês The Big contrário do que prevalece no fluxolado do mundo. Com suas amplas Won Report, que elege todos os anos migratório para países desenvolvi-avenidas, jardins recém-construí- os melhores em cada segmento da dos, porém, quem parte para a Chi-dos e arranha-céus de linhas futuris- publicidade. No ranking da China é na não vai com a intenção de fazertas que abrigam empresas vindas do o redator número 1. “Acho que isso seu pé-de-meia com trabalho braçalmundo inteiro, Xangai passou, em é prova suficiente de que o país me ou na labuta de serviços modestospoucos anos, de uma cidade por- colocou no fast track de uma das pro- normalmente reservados aos imi- PIB 29
    • Carreira grantes nos países ricos. Na China, A crise financeira global inicia- consultoria especializada em assis- não faltam braços para trabalhos de da em 2008, e que ainda hoje afeta tir empresários interessados em ex- baixa qualificação. Na equação de a economia nos Estados Unidos e pandir seus negócios para a China. muita gente e baixa especialização, Europa, acabou ajudando a abrir Ponce desembarcou em Xangai em o resultado é um mundo de opor- as portas do destino chinês para os 2008, após terminar o mestrado em tunidades “tanto para jovens inte- brasileiros. Uma delas recebeu Fa- Gerenciamento Internacional, em ressados em lustrar currículo como biano Ponce, 32, diretor executivo Grenoble, na França, onde traba- para empreendedores que farejam da Pangea International, empresa lhava na área de compras da Hew- bons negócios. brasileira de comércio exterior e lett-Packard. “Com a velha Europa30 PIB
    • Freire, da J.W. Thompson em Xangai: prêmios em Cannes pessoais e profissionais”, diz. Se ele está de olho na China, o Brasil está de olho nele. Há pouco tempo, Ponce conta ter recebido a ligação de uma headhunter brasi- leira interessada em sua experiên- cia internacional – e, sobretudo, na capacidade de gerir negócios, tanto das coleções da marca americana no Oriente como em qualquer lugar Bijoux Terner, com sede em Miami do mundo. Ela oferecia a ele um pos- e 700 lojas espalhadas pelo mundo. to gerencial em uma multinacional O carro-chefe da empresa são com sede no Brasil. “Recusei edu- os relógios, seguidos por bolsas, cadamente”, conta ele, acrescentan- carteiras e cintos. “Viajo pela Chi- do que não é hora de deixar Xangai. na inteira atrás de fornecedores e “Estou em uma empresa com exce- tenho a incrível oportunidade de lentes perspectivas.” participar desde a criação dos pro- As perspectivas parecem mesmo dutos, passando pela produção e promissoras. Um estudo feito pela inspeção, até a sua exportação”, diz consultoria McKinsey aponta que, Stephanie, que estudou moda em para crescer no ritmo que deseja, a Paris e trabalhou na M. Officer em economia chinesa precisará de cerca São Paulo e no ateliê de Lino Villa- de 75 mil profissionais capacitados ventura antes de se render à China. até o fim do ano. Há quatro anos, a “Nunca imaginei que um dia viria China contava com algo entre 3 000 morar aqui”, diz ela. e 5 000 executivos. Só no último ano, Justamente o oposto de Giovan- o país recrutou 480 mil profissionais na Barbieri, uma paulista de 25 anos, no exterior, de acordo com a Admi- que sempre teve a China em sua nistração Estatal de Especialistas mira. Para convencer os pais de que Estrangeiros. valia a pena rumar Para jovens ta- lentos, estar na Chi- a experiência para o Oriente, ela se inscreveu em uma na hoje é uma vitrine. chinesa bolsa de estudos do Artistas, estilistas e coloca os governo chinês para caçadores de tendên- cias elegeram Xangai profissionais fazer um MBA. Hoje, ela é o que em inglês como o destino da na mira de se chama cool hun- vez. Embora o país headhunters ter, uma caçadora de ainda carregue a pe- tendências de moda e DIVULGAÇÃO cha de copiar muito e comportamento nas criar pouco, é crescente o número vitrines e ruas das cidades chinesas. de estrangeiros que chegam ali jus- Presta serviços para empresas como sem grandes atrativos, decidi par- tamente para acompanhar as ten- a Tavex – uma das maiores indús- tir”, diz ele. Conseguiu uma bolsa dências de moda que brotam de suas trias de denim do mundo, do grupo de estudos e desembarcou em Xan- ruas e lojas. A brasileira Stephanie Camargo Corrêa − e para a rede de gai para fazer o curso Como Fazer Dubus é um desses olheiros em ter- lojas de moda feminina Le Lis Blanc. Negócios na China, no Shanghai reno chinês. Aos 25 anos, nascida no “Vim para a China na contra-Institute of Foreign Trade, além, Ceará de mãe brasileira e pai fran- mão das capitais da moda”, explica é claro, de aprender o mandarim. cês, Stephanie está há quase dois Giovanna na apresentação do blog“Fui atrás de experiências que pu- anos na cidade, onde é responsável “Tofu na China”, que ela abastece dessem me agregar novos valores, pelo desenvolvimento e produção com experiências no país. Não se PIB 31
    • Carreira arrependeu da deci- o número didos 41,6 mil vistos afirma. “Aqui se é reconhecido e são tomada, apesar para viagem, negó- admirado pelo que se faz, inde- de o nível dos cursos de vistos cios ou trabalho, se- pendentemente de onde vem ou do ser, na sua opinião, in- concedidos gundo o conselheiro quanto tem. O que importa aqui é o ferior ao dos cursos a brasileiros Lin Xiaoyu, da em- que você pode oferecer.” Depois de do Brasil e de os pro- baixada em Brasília. passar um longo período em Paris, fessores não estarem dobrou em Em todo o ano de Tais diz que estava cansada da falta preparados para dar quatro anos 2006, esse número de dinamismo da cidade francesa. uma aula em inglês. ficou em 20 mil. Ou “Então, ouvi de um amigo que Xan- “A China nos leva a seja, o número de gai era o laboratório da China”, diz. ser mais globalizados”, diz ela. “A brasileiros que tomaram o caminho “O que tivesse de acontecer, seria competição é muito grande e, se da China – de passagem ou de vez aqui, enquanto em Londres ou em não houver esforço para sermos – dobrou em quatro anos. Uma par- Nova York tudo praticamente já os melhores, outros nos subs- cela desse crescimento deve-se a havia sido feito.” Ao chegar, traba- tituirão em uma questão de profissionais que, sem conexão lhou em dois escritórios de arquite- segundos.” com empresas brasileiras, de- tura, até abrir sua própria empresa, O número de vistos con- cidiram arriscar o futuro pro- seis meses depois – a Tais Cabral cedidos pela Embaixada da fissional no maior dos BRICs.   Interiors. Hoje, ela trabalha como FOTOS: ARQUIVO PESSOAL China no Brasil pode dar uma Foi o que aconteceu com designer de interiores para a cres- ideia do crescente interesse a arquiteta paulista Tais cente classe média chinesa, além ÃO LGAÇ que o país vem despertando Cabral, 33, quatro anos de se dedicar a projetos de clientes DIVU entre os brasileiros. Só no em Xangai. “As chances estrangeiros que passam por lá, in- ano passado, foram expe- na China são enormes”, clusive brasileiros. 1 232 PIB
    • 1 Giovanna: 2 Stephanie: caçando viagens em tendências busca de para a indústria fornecedores Re c e n t e m e n t e, Ágil, desafio para poucos. 3 Taís, no 4 Kevin: raízes showroom multiculturaisajudou a montar umshowroom para um a economia A sorte é que, apesar de Xangai ou Pequim que projetou: facilitamcasal de empresários chinesa é capaz ainda estarem longe hábitos orientais negóciosgaúchos que divulga de alavancar de ser tão interna-marcas brasileirasem Xangai (veja qua- carreiras em cionalizadas quanto as vizinhas Hongdro na pág. 34). “Aqui poucos meses Kong, Cingapura outudo é para ontem”, Bangcoc, é possívelafirma. “Projetos sobreviver falando anos, lança mão de suas raízes mul-que normalmente demorariam seis só o inglês. A própria legião cres- ticulturais para fazer a ponte entremeses no Brasil e dez em Paris são cente de estrangeiros nas grandes o Brasil e a China. Nascido em Novafeitos em dois meses na China”, diz. cidades chinesas faz com que o in- York, criado no Rio de Janeiro, filhoNesses anos todos, ela diz já ter in- glês sirva como uma espécie de rede de pai chinês e mãe alemã, Kevin écorporado parte dos hábitos orien- de proteção para quem só arranha formado em Economia e Relaçõestais. “Tomo chá o dia inteiro, mesmo o idioma local. Mas a tendência é Internacionais pela universidadecom calor escaldante, faço massa- que a situação se inverta: “É cres- americana de Cornell e comanda hágem frequentemente e fiquei vicia- cente o número de estrangeiros que três anos a empresa Transnationalda em comida chinesa”, diz. “Mas falam mandarim fluente nas ruas”, Resources, que se dedica a venderpeguei o péssimo hábito de gritar diz Tais, que conversa o suficiente produtos chineses ao Brasil.para falar.” para dar instruções a motoristas de Ele passa quatro meses do ano Dominar o mandarim, a princi- táxi ou fazer compras. na China − principalmente em Xan-pal língua falada no país, é ainda um O empresário Kevin Tang, 29 gai − e o resto do tempo entre Rio 3 4 PIB 33
    • Carreira 1 Antônio 2 Ponce: após e Tânia: à mestrado na conquista do França, sem mercado chinês crise na China No Brazilian Gate, podem ser encontrados produtos dirigidos a esse consumidor exigente, que quer qualidade incontestável e busca peças com personalidade. “Nossos produtos têm um ‘quê’ de Brasil – é isso que faz vender”, afirma Antônio. Entre as empresas exportadoras que já ocupam o espaço da Brazi- lian Trands estão a Mormaii, Pelu, Dado Bier e Solarium. Enquanto os produtos ficam expostos no salão principal da loja, a Shanghai Trends, DIVULGAÇÃO consultoria responsável pelo espa- ço, que também pertence ao casal, 1 vai em busca de parceiros para as uma porta para o Brasil empresas ali representadas, sejam distribuidores, lojistas, licencia- Criada Há poucos meses, a mais charmosos da cidade, em um dos, franqueados ou investidores empresa Brazilian Gate nasceu em complexo de entretenimento cha- financeiros. Xangai com o objetivo de facilitar a mado 1933. “Viemos de mala e cuia para cá entrada de produtos brasileiros no A exemplo do renascimento ur- para podermos entender o mercado mercado chinês. A ideia é permitir banístico ocorrido no Meat Packing e ajudar as empresas brasileiras que empresas brasileiras testem a District, em Nova York, os galpões e a vir também”, resume Antônio. aceitação de seus produtos pelos as fábricas do antigo bairro indus- Segundo ele, a China está deixando consumidores chineses antes de trial de Xangai estão sendo adapta- de ser a fábrica do mundo para ser se lançar a investimentos maiores dos para abrigar lojas sofisticadas, o principal mercado consumidor do no país. A empresa, comandada estúdios de publicidade, galerias de mundo. Ou seja, tem de passar a ser pelo casal de gaúchos Antônio João arte e restaurantes. vista como comprador, e não como Freire e Tânia Caleffi, funciona como “O nosso foco nesse espaço é a concorrente. “Está todo mundo um showroom. O espaço, projetado classe A chinesa: são 150 milhões de aqui, menos o Brasil”, queixa-se. pela arquiteta Tais Cabral, foi inau- novos-ricos, quase o Brasil inteiro”, “Infelizmente, o empresário brasi- gurado em agosto passado. diz Antônio. “Desse total, 13 milhões leiro continua muito voltado para si A localização foi escolhida a têm renda superior a US$ 1 milhão. É mesmo e ainda tem dificuldade para dedo: em Hong Kou, um dos bairros para eles que estamos trabalhando”. enxergar mais longe.” 2 e São Paulo. Vende máquinas, aço, cio bilateral este ano”, diz ele. De material de construção, vestuário fato, as perspectivas de negócios e acessórios. A seu ver, a China entre os dois países são mais do que tornou-se um parceiro entre “im- promissoras. Para esse grupo de portante e vital” para empresas e brasileiros que tomou a decisão de profissionais brasileiros com vi- cruzar meio mundo para participar são internacional. “Não se pode de perto da extraordinária trans- ARQUIVO PESSOAL prescindir de estar com o maior formação vivida hoje pela China, a parceiro comercial do Brasil, com ousadia da escolha promete boas mais de US$ 50 bilhões de comér- recompensas.34 PIB
    • Artigo Próximo destino, União Europeia? A Europa só fica atrás da América Latina como receptora de investimentos “greenfield” das multinacionais brasileiras F e d e r iC a m i a z z i * p aíses de todo o mundo bus- O sítio on-line fDiMarkets.com, sidade de Bolonha, na Itália, pude cam atrair novos investi- que monitora investimentos trans- rastrear, nos países da UE, 124 mentos diretos estrangei- nacionais, registrou 455 projetos subsidiárias criadas por meio de ros (também chamados de brasileiros “greenfield” no exterior, investimentos “greenfield” de 74 “greenfield”). Trata-se de entre 2003 e 2010. Esse tipo de in- empresas de capital brasileiro. É uma importante fonte de empregos vestimento quase dobrou entre muito difícil seguir esse tipo de in- e riqueza, o que leva governos nacio- 2007 e 2008. A União Europeia foi vestimento direto, uma vez que não nais e regionais a criar organizações a segunda macrorregião de desti- existem estatísticas abertas ao pú- específicas — as agências de atração no para eles, com 69 projetos, em blico que discriminem os projetos de investimentos externos — com a seguida aos vizinhos latino-ameri- por empresa. Por isso, é possível que missão de anunciar oportunidades canos, que receberam 198 projetos o número seja ainda maior. de negócios e promover a criação de (investimento “greenfield” é aque- A seguir, apresento algumas das empresas de capital estrangeiro em le que cria negócios ou plantas de constatações de minha pesquisa: seus territórios. O Brasil tem desper- produção novos; o conceito não tado o interesse ativo dessas organi- abrange a aquisição de empresas que tipo de empresa brasileira se zações. No momento em que as eco- preexistentes). estabelece na união europeia? nomias emergentes desempenham Já nos anos 1970, empresas bra- Em sua maioria, são grandes um papel crescente na recuperação sileiras começaram a estabelecer empresas de estados do Sul e Su- da crise global, surge a questão: qual presença em mercados externos, em deste (SP, RJ, SC, RS e PR), embo- a importância do Brasil como fonte particular na Europa (um exemplo ra o número de médias e peque- de novos investimentos externos em é o Banco do Brasil). Numa pesqui- nas empresas esteja crescendo. A economias desenvolvidas, como as sa que realizei em 2009/2010, no maioria também está presente em da União Europeia? quadro de um mestrado na Univer- outras macrorregiões — 38% delas36 PIB
    • Natura em Paris: hora dos cosméticos brasileiros chave da expansão internacional das companhias brasileiras, po- demos listar, segundo a Fundação Dom Cabral (2009), a necessidade de acesso a mercados, o potencial de aumento das vendas nos mercados externos e a saturação do mercado doméstico. A essas motivações, o relatório BCG New Global Challen- gers Report, 2008, do Boston Con- sulting Group, acrescenta o desejo de adquirir expertise em pesquisa & desenvolvimento, de criar marcas globais e de desenvolver novos mo- delos de negócios. por que escolheram a união europeia? De acordo com minha pesquisa, os investidores brasileiros apon- tam como fatores-chave os laços históricos com os países da região e a proximidade cultural com os BIA PARREIRAS consumidores do grande mercado comum formado pela UE.na América Latina, 24% na Amé- mais recentemente à UE também e, finalmente, o que falta pararica do Norte, 16% na Ásia, 8% no têm atraído cada vez mais empresas ampliar essa presença?Oriente Médio e 6% na África. Os brasileiras para estabelecer plantas Enquanto a competição por in-setores predominantes são os ser- de manufatura. vestimentos na arena global é cadaviços financeiros, tecnologias de in- vez mais forte, a expansão para oformação e comunicação e serviços por que as empresas brasileiras exterior das empresas brasileiras écomerciais, seguidos pelo automo- saíram para o mundo? um fenômeno recente que precisator, químico, elétrico e de alimentos A abertura gradual da economia ser incentivado. De uma perspecti-& bebidas. Nesta fase da interna- do Brasil, a partir dos anos 1990, e va brasileira, as pequenas e médiascionalização brasileira, despontam o boom de exportações iniciado em empresas inovadoras, em particu-com potencial para dar o salto além 2002 estimularam o crescimento de lar, precisam de acesso mais fácildas fronteiras os negócios ligados firmas brasileiras e lhes proporcio- aos meios de financiar sua expan-à moda, cosméticos, medicina e os naram recursos para investir no ex- são global. Mas, olhando pelo ou-serviços de comunicação. terior. Ao mesmo tempo, o desafio tro lado, a União Europeia também das multinacionais que entraram precisa aprofundar suas relaçõesonde se estabelecem? no mercado interno empurrou as bilaterais com o Brasil e o Merco- Os países da UE que hospedam empresas brasileiras para o exterior, sul, de forma a coordenar melhor ao maior número de subsidiárias de na tentativa de se manterem compe- promoção de oportunidades de ne-empresas brasileiras são também os titivas em casa. Entre os motivos- gócios na região.maiores parceiros comerciais euro-peus do Brasil: Portugal, Espanha,França, Reino Unido, Itália, Alema- * Federica Miazzi é italiana e trabalha na Think London, a agência de atração denha, Holanda e Bélgica. Os países investimentos externos de Londres, onde ajuda empresas brasileiras a se estabelecerem nada Europa Oriental que se juntaram capital britânica. PIB 37
    • Exportação 1 Uma xícara contra o frio Paulistanas abrem nicho no mercado americano para cafés especiais do Brasil ta n i a m e n a i , n o va yo r k38 PIB
    • 1 Maria 2 Fachada Fernanda da cafeteria: no balcão um refúgio do Gimme no inverno Coffee, em NY Maria Fernanda Mazzuco, espe- Na mala, levou os contatos que havia cialista no ramo que vive em Nova feito com torrefadores americanos York há cinco anos. “Eles aprendem que visitavam o Brasil. “Até o ano a diferenciar um café bom do ruim 2000, os brasileiros não falavam em e topam pagar pelo café de qualida- café especial; repetia-se que ‘o que de”, diz ela. é bom vai para o exterior, o que é Maria Fernanda sabe do que ruim fica no país’ ”, lembra ela, que fala: por meio de sua empresa, Joy também fundou a Associação Brasi- Brazil, ela fornece café made in leira de Café e Barista. “No entanto, Brazil para o Gimme Coffee e para a marca italiana Illy entrou no Brasil, diversas lojas e marcas de café da trazendo a história do café italiano e costa leste americana. Com um de- do café expresso; e os restaurantes talhe: todas elas são preocupadas começaram a cobrar pelo café. Até com o meio ambiente e a responsa- então, cafezinho não era cobrado.” bilidade social. Desta forma, alcan- Maria Fernanda conta que 70% çam um nicho específico e crescen- do café da Illy era brasileiro – ele te do público. A Joy Brazil nasceu saía do país, era torrado na Itália e em janeiro de 2008, fruto de uma voltava para o Brasil. Ao assistir ao parceria entre Maria processo da Illy de Fernanda e a também camarote, os produ- paulistana Eliane os melhores tores brasileiros se Sobral, que está em grãos chegam deram conta de que Nova York há 25 anos. O sucesso da mar- às cafeterias também poderiam criar suas marcas no ca equipara-se a um gourmet da Brasil, e passaram a perfeito cappuccino: costa leste oferecer cafés certi- 2 a junção das experti- ses de negócios e do dos eUa ficados como “espe- ciais”, ou seja, pro- a café que cada uma duzidos de maneira noite cai às 16h30 em trouxe para o negócio. Eliane passou social e ambientalmente respon- Manhattan. Estamos anos trabalhando no mundo corpo- sável. A dupla da Joy Brazil mira na charmosa Mott rativo americano. Foi compradora esse nicho de público gourmet, que Street, em NoLIta (a de vestuário para grandes cadeias, também valoriza o fato de saborear ponta norte de Little como Levi’s, Victoria’s Secret e Ann um café produzido sem exploração Italy, ao lado do SoHo). O termô- Taylor. Viajava pelo mundo – Tur- dos trabalhadores e sem agressões metro despenca para alguns graus quia, Índia, Vietnã, China –, mas ao meio ambiente. Elas trabalham abaixo de zero, e a situação pede, nunca chegou a comprar de forne- diretamente com produtores brasi- urgentemente, um bom café. Sor- cedores brasileiros; eles costuma- leiros em São Paulo, Rio de Janeiro te. Aqui está o Gimme Coffee, loja vam falhar nos prazos de entrega. Já e Minas Gerais. Um deles, na região aconchegante que, além de torrar Maria Fernanda trabalhava em São serrana do Rio, é a Fazenda São João, sua própria marca, é adepta do café Paulo como diretora de marketing de propriedade de Sérgio Sobral. NoFOTOS: ALCIR N. DA SILVA plantado de uma forma sustentá- da Astro Café, uma das primeiras estado de São Paulo ficam a Fazen- vel. Melhor ainda: importa café do marcas certificadas pela Associa- da Paineiras, da família Baggio, em Brasil. “Os americanos estão cada ção Brasileira de Cafés Especiais. Mogiana Paulista, cuja plantação é vez mais se educando e sabendo Em 2005, ela casou com um ameri- supervisionada por Liana Baggio apreciar o café”, diz a paulistana cano e mudou-se para o Brooklyn. Ometto, e a Fazenda Santa Terezi- PIB 39
    • Exportação 1 nha, do proprietário Cesar Ometto. sustentabilidade, leva-se em conta Em Minas, a Joy Brazil trabalha o que as fazendas fazem pelos fun- com a fazenda Pindaíba, em Cerra- cionários, desde manter escolas e do, também da família Baggio. creches para seus filhos até oferecer As fazendas foram escolhidas a projetos para que as mulheres pos- dedo, visitadas por Maria Fernan- sam ter outras atividades – como da e Eliane, e seguem os padrões bordar, tecer ou pintar – quando necessários para a rigorosa certifi- não estiverem na colheita. Há ini- cação das organizações RainForest ciativas como biblioteca para as Alliance e UTZ Cer- crianças, uniforme tified (leia boxe ao para os colhedores lado). As sacas são en- cafés especiais e a garantia de uma viadas de navio para têm de provar cesta básica; tudo um porto no estado da Virgínia, onde são que são isso cria uma comu- nidade socialmente estocadas num arma- produzidos responsável. No que- zém especializado. de maneira sito ambiental, o pro- Lá, a Joy Brazil man- tém um funcionário sustentável dutor deve replantar árvores nativas e que atende aos pedi- originais – de acor- dos dos pequenos torradores ame- do com a lei do Brasil, 20% de uma ricanos em Nova York, Massachu- fazenda tem de ser coberta por flo- setts, Michigan, Carolina do Norte, resta natural. É proibido desmatar Minnesota, Texas e até Toronto, totalmente um território para desti- no Canadá. Alguns clientes da Joy ná-lo à lavoura. “Ao plantar árvores Brazil torram o café para vendê-lo em volta de uma plantação de café, FOTOS: DIVULGAÇÃO em marcas alheias, e outros, como necessita-se de menos agrotóxico”, o Gimme Coffee, usam-no em suas ensina Maria Fernanda. “As árvores próprias marcas. servem como proteção natural – os Para um café receber o selo da pássaros que migram para a região 140 PIB
    • 1 Café no pé e casa da Fazenda São João: grãos especiais passam a ser os próprios defensores da planta, porque comem os insetos que danificam a plantação.” Mas o um selo valioso processo não para por aí: o café é o bê-á-bá para certificar lavado depois de colhido. A água a produção sustentável é limpa, de nascente. E, após a la- vagem dos grãos, a água é filtrada Para uma fazenda de café obter para irrigar uma segunda plantação, a aprovação da UTZ Certified − uma como um laranjal, por exemplo. Em organização sediada na Holanda certos casos, levam-se três anos que certifica as boas práticas de para tornar uma fazenda ambien- produtores de café, chá e cacau − talmente correta: o investimento é ela precisa cumprir os seguintes alto, e isso, obviamente, é repassado para o preço do café, o que se re- flete num custo adicional de cerca • requerimentos: Cuidados gerais: As fazendas utilizam água e energia com o mínimo impacto de 30%. Mas quem aprecia essas ao meio ambiente. Os fazendei- iniciativas não economiza na hora ros protegem as fontes de água do expresso. e usam energia sustentável “A população americana que compra café em mercados conhe- ce mais o café colombiano, por sua • onde possível. Utilizam-se agroquímicos responsavelmente. O uso de campanha massiva de marketing”, fertilizantes e pesticidas é mí- afirma a consultora Sherri Johns, nimo, e eles são estocados em dona da WholeCup Coffee Consul- lugares seguros. Os trabalha- ting, em Oregon, que já prestou ser- dores vestem uniformes que os viços para empresas como o Starbu- protegem dos efeitos nocivos cks e é autora do livro de receitas Coffee Café. “Ao mesmo tempo, os • destes produtos. Os fazendeiros utilizam árvoresXXXX consumidores de café estão se tor- nativas para fazer sombra ao nando cada vez mais sofisticados, cafezal e procuram reduzir e aprendendo o que lhes agrada e o que não agrada, e conhecendo uma boa variedade de sabores”, diz ela. • prevenir a erosão do solo. Os trabalhadores devem ser treinados para conhecer os pro- “A maior parte deles conhece o Bra- cedimentos de saúde e segu- sil como produtor, mas não necessa- rança em caso de emergência e riamente como o melhor deles.” Sherri conta que os torrefadores americanos conhecem o Brasil pelo • para o uso de pesticidas. Os produtores monitoram por escrito o uso de pesticidas e café “blend”, aquele usado numa químicos, que é checado anual- mistura com outra variedade, que dará o sabor final à bebida. Nos úl- • mente. O café é torrado em máquinas timos dez anos, houve promoções de café brasileiro nos EUA. “Mas um bom café não nasce na árvore”, • que o expõem a extremo calor. O transporte por carga deve se- parar o café verde das demais brinca ela. “Precisa-se de todo um sacas de café torrado. Ele deve processo rigoroso, que começa na ser identificado em sua emba- fazenda e termina com a educação lagem como café verde, para do barista sobre o produto servido”, que receba cuidados especiais nota a consultora. “Uma das melho- durante longas jornadas. res iniciativas brasileiras é o Cup PIB 41
    • Exportação 1 1 of Excellence, um concurso entre Starbucks, franquia de sucesso nos cado, enquanto os EUA são o maior produtores de café promovido pela Estados Unidos. “A cultura nova- comprador de café em grão cru do Alliance for Coffee Excellence (ACE) iorquina é do café em caneca, hábito Brasil em todo o mundo”, informa − e organizado no Brasil pela Associa- herdado dos holandeses”, conta ela. Nathan Herszkowicz, diretor exe- ção Brasileira de Cafés Especiais −, “Há cinco anos, quando me mudei cutivo da Associação Brasileira da no qual 25 jurados experimentam os para Nova York, era difícil achar Indústria de Café (Abic), sediada no produtos. O Brasil foi pioneiro e hoje um expresso de qualidade.” Agora, Rio de Janeiro. A safra brasileira de nove países já promo- já há vários lugares 2010 foi de 48 milhões de sacas, en- vem esse concurso.” “pipocando”, princi- quanto o Vietnã, que é o segundo Maria Fernanda a meta das palmente nos bairros maior produtor, fez 18 milhões, e a e Eliana importam, empresárias é de gente jovem, como Colômbia, 8,7 milhões de sacas. hoje, para os Esta- exportar 10 Williamsburg e Park A produção segue crescendo no dos Unidos, mil sa- Slope, no Brooklyn, Brasil, e esta safra de 2010 foi re- cas de 60 quilos por mil sacas de e East Village, West corde, a maior da história, segundo ano, mas o objetivo é café por ano Village, NoLIta e Herszkowicz. Ele diz que os ameri- chegar a 10 mil sacas. para os eUa SoHo, em Manhat- canos são os maiores compradores Um quilo e meio de tan. “A nova geração de café em grão cru do Brasil. “Em café certificado custa já é mais educada so- 2010, os Estados Unidos devem ter 2,95 dólares, e a intenção das bra- bre café e, portanto, mais exigente”, adquirido cerca de 5,5 milhões de sileiras foi, desde o início, cobrir a nota a empresária. sacas brasileiras, que correspon- costa leste do território americano. Como produtor e mercado dem a 25% de todo o café consumi- A costa oeste, do Pacífico – Seattle, consumidor, o Brasil e os Estados do pelos americanos anualmente”, FOTOS: DIVULGAÇÃO Los Angeles, San Francisco – já está Unidos parecem feitos um para o prevê o executivo. O número in- suprida de café de qualidade, alerta outro. “O Brasil é o maior produtor clui, também, o café instantâneo e Maria Fernanda, lembrando que foi mundial de café em grão verde e um o café torrado e moído, este último em Seattle que nasceu a cafeteria grande exportador de café certifi- em quantidades ainda muito peque-42 PIB
    • 1 Trabalhadora no cafezal da São João: sustentabilidade social e ambientalnas. Os Estados Unidos são o maior ao contrário, está mais presente em trás. “Conheça o seu tostador, o seuconsumidor mundial de café torra- marcas alheias. Herszkowicz explica produtor e a fazenda de onde vemdo, com 20 milhões de sacas por ano: que isso acontece porque os brasilei- o seu café. E comece a apreciá-lo a57% da população americana acima ros começaram a exportar café in- partir daí”, ela aconselha.de 18 anos consome café diariamente. dustrializado há pouco tempo. “MasNum cenário mais amplo, o café tor- a matéria-prima de todas as grandesrado brasileiro não orgânico come- marcas americanas é 25% do Brasil”,ça a chegar às prate- ressalta ele. “Estamos Cuidados no Campoleiras dos mercados dentro do pacote.” numa fazenda sustentável... Produtoresamericanos, como asredes Walmart, HEB querem firmar Para Herzkowicz, o café do Brasil con- • Todas as crianças têm acessoe Publix. A maior par-te do café exportado,segundo o executivo, a marca do café brasileiro, tinuará expandindo sua fatia no consumo global. “Hoje, par- • à educação. Os trabalhadores e suas famílias têm acesso a moradiaé do grão cru tipo ará- como fez ticipamos com 32% decente, água potável e servi-bica, inclusive os spe-cialty coffees, que sãoos mais raros, exclusi- a colômbia de toda a exportação mundial anual, mas vamos crescer até • ços médicos. Os trabalhadores e as coope- rativas são protegidos pelavos e de alta qualidade. O Brasil, no 35% nos próximos cinco anos”, con- lei trabalhista nacional, deentanto, ainda carece de marca mais clui. Mas, para chegar lá, não basta acordo com as Convençõesforte nesse mercado. O exemplo mais o café ser sustentável, alerta a con- Internacionais de Leis docitado é sempre o colombiano, cujo sultora Sherri Johns, que conhece o Trabalho, incluindo limites degoverno sustentou a criação da mar- trabalho de divulgação do café bra- idade e horas de jornada, con-ca “Juan Valdez – Café de Colombia”, sileiro feito pela Joy Brazil nos Esta- dições de trabalho, segurançae conseguiu impor-se como o país do dos Unidos; se o sabor não agradar, e ajustes salariais.café perante os americanos. O Brasil, o consumidor se sente passado para PIB 43
    • 44PIB Embaixador Entrevista Thomas Shannon ANTôNIO SERRALVO NETO/DIVULGAÇÃO EMBAIXADA AMERICANA
    • Parceria para o mundo Embaixador diz que os EUA reconhecem o crescente papel global do Brasil e procuram abrir espaços para a atuação do país no mundo     n e ly C a i x e tap ara o embaixador dos Es- agitados preparativos para a recen- portante não só para os dois países, tados Unidos no Brasil, te visita do presidente dos Estados e sim capaz de ter valor além das Thomas Shannon, está Unidos, Barack Obama, ao Brasil — relações bilaterais. Shannon é peça mais do que na hora de se a primeira desde que foi eleito, em importante nesse quebra-cabeça estabelecer um novo pa- 2008. O embaixador acredita que diplomático. Há um ano no posto eradigma de cooperação política en- Brasil e Estados Unidos têm a opor- falando português fluente — já ser-tre o Brasil e os EUA. Na visão dele, tunidade de criar uma parceria im- viu no Brasil ao longo de sua carrei-a conjuntura internacional permite ra —, o ex-subsecretário de Estadoque os dois países deixem de lado, eUa e Brasil para o Hemisfério Ocidental temneste momento, uma visão de curto se esforçado para que o governoprazo,  meramente “transacional”, e deram os norte-americano reconheça a novaconstruam uma relação estratégica primeiros passos posição do Brasil no mundo e o tratede longo prazo. “Temos de ver que para uma parceria de igual para igual. Ele falou à PIBtipo de relação queremos em dez, 20 sobre os desafios de ambos os paí-ou 30 anos”, afirma Shannon, numa interessante. ses para transformar o discurso ementrevista concedida em meio aos temos que dar outros realidade. PIB 45
    • Entrevista • embaixador Thomas shannon estamos vivendo momentos de ma- A visita do presidente Obama é uma objetivo é incorporar uma nova área nifestações no oriente médio, que viagem de parceria para o século 21, de produção de alimentos nas sava- já chegam à arábia saudita, grande uma oportunidade para o Brasil e nas, semelhante ao que ocorreu no parceiro dos eua. o que pode resul- para os EUA articularem uma vi- Cerrado brasileiro. o que mais está tar disso? são de parceria não somente nas na mesa? O que o mundo está experimen- relações bilaterais, mas na maneira Temos projetos interessantes nas tando no Oriente Médio é um mo- como as duas maiores democracias áreas de biocombustíveis, de saúde mento de expressão popular em das Américas tendem a se lançar pública, de governança democráti- regimes em que, por muito tempo, no mundo. Discutimos o papel que ca, na área agrícola e de segurança o povo tinha pouca voz e pouco es- os dois países podem desempenhar alimentar. Alguns estão mais desen- paço. Não vou prever nada sobre no mundo para o benefício de nos- volvidos que outros.A convergência países específicos. Mas a secretá- sos cidadãos, americanos e brasilei- de nossas experiências e capaci- ria Hillary Clinton, em um discur- ros, como também a ideia de que dades tem um valor especial para so no Cairo, falou recentemente so- temos algo para oferecer em dife- alguns países em desenvolvimento. bre a necessidade de uma abertura rentes áreas. Na luta contra o crime transnacio- política para se criar espaço para o nal, o Brasil, hoje, reforça sua ca- povo. Obviamente esta é uma linha pacidade para combater o tráfico que os países daquela região têm de drogas e de armas provenientes de seguir. o desafio de vizinhos da América do Sul. O modelo de cooperação nessa luta a linha da abertura? que os dois está mudando. O Brasil, sobretudo Sim. No Egito, são muitos anos de países encontram com a Polícia Federal, pode ser um regime fechado e de um intento da sociedade de se expressar em agora é transformar parceiro importante, trabalhando para aprimorar a capacidade técni- diferentes momentos e diferentes boa vontade ca em países que precisam de ajuda canais ou mídias. em realidade para combater esse tipo de crimi- nalidade. em 1979, a queda do xá do irã des- pertou entusiasmo logo transfor- no Brasil há o etanol de cana. os mado em apreensão com o regime nessa nova relação do século 21, em eua têm o etanol de milho. em vez fundamentalista do aiatolá khomei- que áreas os eua e o Brasil podem de a indústria de um se opor à do ou- ni. o senhor não receia os descami- fazer diferença? tro, não seria o caso de mostrarem nhos que podem ocorrer no oriente São muitas as áreas. Os grandes de- ao mundo a opção comum por uma médio? safios deste século, como seguran- energia limpa? Sempre existe essa possibilidade, ça alimentar, segurança de energia, É o que estamos fazendo. O enten- mas não devemos ter medo do novo. luta contra os crimes transnacio- dimento sobre combustíveis tem Cada sociedade vai encontrar a sua nais, tráfico de drogas, destruição essa visão de trabalhar em con- maneira de estruturar ou canalizar em massa e luta contra a pobreza junto para construir um mercado esse novo “ator” da política nacio- e desigualdade, são lutas que pre- global de biocombustíveis. E tam- nal. Acho que democracias como a cisam de combinação e coordena- bém para construir as regras, trocar dos EUA e a do Brasil têm que res- ção entre países. Os EUA e o Brasil experiências e ajudar outros países peitar outros países e atuar com já deram os primeiros passos para a estabelecerem sua própria indús- cautela. Só que também temos de construir uma parceria interes- tria. Isso mostra o compromisso articular nossos valores de demo- sante. Temos que dar outros para dos EUA e do Brasil com a ener- cracia e de direitos humanos. aprofundá-la. gia renovável. Mas no futuro essa briga entre cana e milho será vista que perspectivas o senhor vê para os eua, o Japão e o Brasil (com a apenas como uma etapa no desen- as relações entre Brasil e estados embrapa) são parceiros no projeto volvimento de um biocombustível unidos no quadro mundial pós-crise de desenvolvimento agrícola do cor- de terceira geração. Para ser real- financeira? redor de nacala, em moçambique. o mente um produto mundial, não46 PIB
    • pode ser só de cana ou só de milho. A ambição do Brasil é legítima, e bito internacional, construindo asSão necessários recursos primários nós a respeitamos. Temos os mes- Nações Unidas, lutando conjunta-mais diversificados, e brasileiros e mos valores políticos de democra- mente na Segunda Guerra Mundial.americanos trabalham para identi- cia, de direitos humanos, de socie- Recentemente, foram os EUA queficar outras matérias-primas. Esse dade aberta, de ações de maneira abriram as portas para o Brasil noé o futuro. pacífica. É preciso avançar em um G-20, para que tivesse um papel de debate dentro da ONU para identi- liderança, e que atuaram dentrooutras tecnologias mais avançadas ficar a maneira de promover essas do Fundo Monetário Internacio-não poderão ser antecipadas? renovações do Conselho de Segu- nal para expandir seu papel ali. ÉO futuro da energia limpa renová- rança. Obviamente o Conselho pre- possível indicar vários momentosvel vai precisar de diferentes matri- cisa refletir as mudanças que ocor- em que os EUA reconheceram o pa-zes, sejam hidrelétrica, eólica, solar rem no mundo. Neste momento, ele pel crescente do Brasil no mundoou de biocombustíveis. é uma foto “Polaroid” do mundo e atuaram para abrir espaço para antigo. Talvez precisemos de uma o Brasil. A mudança climática se-o Congresso americano parece não foto digital. ria um bom exemplo – a maneirater a mesma visão... que colaboramos em Copenhagen,O Executivo e o Congresso estão a maneira que colaboramos emtrabalhando de maneira respon- Cancún e o nosso próprio enten-sável para construír um consenso dimento sobre mudança climática,sobre o futuro da energia, de modo a visita de tudo isso mostra um claro reconhe-que podemos identificar uma polí- obama é um cimento dos Estados Unidos sobretica energética inteligente e dura-doura. momento de o Importante papel do Brasil. grande importância mesmo com eventuais diferenças deComo o senhor avalia o governo da para a história, visão?presidenta dilma rousseff em rela- Há, é claro, diferenças entre osção ao anterior? para o futuro EUA e o Brasil, mas isso é naturalComeçamos bem, desde as conver- entre nações. Nosso presidente esas entre o presidente Obama e a nossa secretária de Estado têm umpresidente eleita, em Washington, bom entendimento das transforma-até a visita da secretária Hillary quando o Brasil adota uma posição ções que ocorrem aqui e no mundoClinton para a posse e, ainda, a divergente da americana na políti- e da importância de abrirmos umvinda agora do presidente. Há uma ca externa, isso ainda incomoda os espaço para o Brasil. Há diferentesagenda muito ativa, com muitas eua. por exemplo, ficou a impres- maneiras de ver a nossa relação.oportunidades. Mas é importante são de que o Brasil, quando diver- Algumas pessoas querem vê-la so-lembrar que esse processo de trans- giu da posição dos eua no caso do mente em termos transacionais. Emformação teve inicio nos oito anos irã, teve um tratamento diferente algumas circunstâncias isso tem va-do presidente Lula. Nossa ideia é daquele que a alemanha e outros lor, mas somos países de relaçõesconsolidar o que logramos com essa países europeus tiveram ao tomar amigáveis, sem grandes choquesrelação, avançar e aprofundá-la no posição contra a intervenção dos es- ou conflitos, com uma conjuntura,novo governo. Detectamos uma boa tados unidos no iraque. isso ocorre agora, que nos permite ser menosvontade e interesse brasileiros. O de fato ou seria um certo “complexo transacionais, menos táticos, e maisdesafio dos dois países neste mo- de inferioridade”? estratégicos. Temos de ver que tipomento é transformar boa vontade Acho que esse “complexo de in- de relação queremos em dez, 20 ouem realidade de fato. ferioridade” está simplesmente 30 anos. Devemos desenhar nossa equivocado. Há fatos históricos, diplomacia e nossa relação para lo-o que esperar do governo obama em ou seja, desde o começo da Repú- grar esse objetivo. Por isso, a visitarelação à pretensão brasileira em ter blica brasileira os EUA e o Brasil de Obama é um momento de gran-um assento no Conselho de seguran- têm momentos importantes tra- de importância para a história doça da onu? balhando conjuntamente no âm- Brasil e dos EUA, para o futuro. PIB 47
    • Capa Chineses no Inpe: cinco satélites na parceria Nas redes do conhecimento Assim como as empresas, a ciência brasileira também se torna cada vez mais global a n t o n i o C a r l o s s a n t o m a u r o, s ã o pa u l o n o fim dos anos 1980, cimento científico e nas atividades aumentando espetacularmente não quando os atuais de pesquisa e desenvolvimento tec- apenas seu investimento bruto, mas emergentes do século nológico. também sua participação relativa na 21 ocupavam posição Mais do que isso, a parceria si- produção global de ciência e pesqui- ainda periférica no no-brasileira é um exemplo de que, sa, enquanto a parcela de responsa- mundo, Brasil e China começaram a assim como a economia está cada bilidade dos países ricos declina. No conversar sobre o desenvolvimento vez mais globalizada, também o co- período entre 2002 e 2007, a China conjunto de satélites de observação nhecimento salta fronteiras e passa aumentou de 5% para 8,9% sua fatia terrestre. Passadas a ser criado por meio no investimento global em pesqui- pouco mais de duas de empreendimentos sa e desenvolvimento, medida pelo décadas, a discreta Países em escala mundial. A percentual de seu gasto interno parceria já lançou três emergentes nova importância da bruto em P&D em relação ao total satélites, e até 2015 ganham espaço ciência feita pelos mundial.    colocará outros dois países emergentes Para a Unesco, os países emer- no espaço. Nesse pe- na produção evidenciou-se em gentes “estão criando um ambiente ríodo, os dois países científica estudo divulgado no global mais competitivo, desen- também ampliaram global fim do ano passado volvendo suas potencialidades nas significativamente pela Unesco, a orga- esferas da indústria, da ciência e sua importância na nização das Nações da tecnologia”. A medida usada no economia global. O crescimento é Unidas para a educação, a ciência e trabalho da Unesco (conhecida pela acompanhado por outra mudança a cultura. O trabalho mapeou a evo- sigla inglesa Gerd) considera todos relevante: também aumentam seus lução da ciência no mundo e consta- os gastos estatais e privados em investimentos na geração de conhe- tou que um país como a China vem P&D feitos num país. O Brasil teve48 PIB
    • INPE/DIVULGAÇÃOum avanço bem mais modesto nesseconceito — a fatia do Gerd brasileiro presença no mundocresceu de 1,6% para 1,8% do totalglobal no mesmo período —, mas ogasto bruto aumentou quase 50% • Em 1990, mais de 95% da pesquisa e desenvolvimento • A quantidade de pesquisadores do Brasil por milhão de habi-entre 2004 e 2008 (veja tabela ao mundiais eram feitos nos países tantes subiu de 401, em 2000,lado). E parcerias como aquela im- desenvolvidos. Em 2007, esse para 657, em 2007.plementada com a China no setor índice caiu para 76%.espacial permitem dizer que ele setornou menos provinciano, dandoao Brasil a chance de não apenasreforçar a presença entre os países • Entre 1997 e 2007, o número de artigos brasileiros em publica- evolução do gastoque fazem ciência e criam tecnolo- ções científicas internacionais interno Bruto emgia, mas, ao mesmo tempo, aprofun- mais que dobrou, chegando p&d no Brasildar a inserção nas redes internacio- a 19 mil por ano − mais que (US$ bilhões) 22,4 23nais de pesquisa e desenvolvimento. Holanda e Suíça. 19,4Entre outras iniciativas recentes, 17,4 15,5brasileiros começam a trabalhar emparceria com os principais centroseuropeus de pesquisa física e astro- • A participação brasileira nas publicações científicas inter- 2004 2005 2006 2007 2008nômica, do infinitamente grande ao nacionais subiu de 1,7%, em Fonte: Relatório Unescoinfinitamente pequeno.    2002, para 2,7%, em 2008. sobre Ciência 2010, Resumo Executivo. O Brasil tornou-se, no fim de PIB 49
    • Capa 2010, a primeira nação não euro- peia a pedir a adesão à Organização Europeia de Pesquisa Astronômica no Hemisfério Austral (ESO), atual- mente formada por 14 países euro- peus, que mantêm um conjunto de sofisticados telescópios nos Andes chilenos, nos quais são feitas obser- vações astronômicas de ponta (o ar poluído e as luzes fortes das cidades atrapalham o desempenho dos te- lescópios ópticos, daí a localização remota do observatório europeu). O país também candidatou-se a uma vaga no Cern (Organização Euro- peia de Pesquisa Nuclear), sediado em Genebra, na Suíça − hoje o prin- cipal centro mundial da física de partículas atômicas. Já trabalham no Cern dezenas de cientistas e en- genheiros brasileiros, a título indi- vidual ou em projetos conjuntos de universidades e centros de pequisas nacionais.   Ainda à espera de ratificação pelo Congresso, a adesão à ESO re- Custos e BeneFíCios conta Luiz Agostinho Ferreira, ingresso brasileiro na instituição. pesquisador do IFSC-USP que Para ele, os benefícios para o Brasil no instituto de Física de São trabalha no estudo das ondas (e vão muito além dos laboratórios Carlos da Universidade de São Pau- frequenta universidades britânicas).        de pesquisa. “O Cern trabalha em lo, no interior paulista, cientistas O investimento do Brasil nessas parceria com indústrias, faz concor- brasileiros colaboram com colegas parcerias científicas trará resul- rências, encomenda protótipos”, diz da Inglaterra, Japão, Espanha e tados? “Não conheço nenhum ele. “Se o Brasil se tornar associado, Estados Unidos no estudo de ondas país que ficou mais pobre porque empresas brasileiras de tecnologia eletromagnéticas que se propagam investiu em pesquisa, mas conheço avançada poderão participar dessas sem dissipar energia. Outros grupos alguns que ficaram mais pobres concorrências.” nas áreas de óptica, semicondu- porque diminuíram esse investi- Outros cientistas têm visão tores e biofísica também mantêm mento”, argumenta Ronald Cintra cética. Augusto Damineli, professor parcerias internacionais, o que já Shellard, vice-diretor do Centro titular de Astronomia do Instituto chama a atenção de estrangeiros Brasileiro de Pesquisas Físicas. de Astronomia, Geofísica e Ciências interessados em trabalhar no Brasil. Shellard coordenou o time brasi- Atmosféricas da Universidade de “Recebemos consultas de um estu- leiro que discutiu com o Cern – a São Paulo (IAG/USP), é crítico da dante de pós-doutorado da Ingla- Organização Europeia de Pesquisa adesão do Brasil à Organização Eu- terra e de doutorado do Paquistão”, Nuclear – as condições para o ropeia de Pesquisa Astronômica no50 PIB
    • 1 Telescópio 2 ...e acelerador europeu nos de partículas na Andes... Suíça: adesão brasileira quer investimentos de R$ 700 mi- lhões em dez anos; para participar do Cern, o país despenderá R$ 25 milhões anuais (veja quadro abaixo). interessada em parcerias em áreas A cooperação de pesquisadores bra- como bioenergia e agricultura, en- sileiros com seus colegas europeus tre outras”, diz Brito Cruz. Não por nas duas organizações contribuirá coincidência, essas são duas das para elevar os índices do país no áreas em que a pesquisa brasileira ranking de colaboração científica tem se destacado mundialmente, a internacional. Hoje, menos de um partir do momento em que foi capaz terço – mais exatamente, 30% − dos de alavancar as vantagens naturais artigos publicados por brasileiros que o país sempre teve − terra, sol, tem a colaboração de pesquisadores água e biodiversidade abundantes de outros países. No Reino Unido, − com um esforço educacional e in- esse índice chega a 41%, compa- telectual sustentado e bem dirigido.   ra Carlos Henrique de Brito Cruz, Exemplo do aumento do interes- diretor científico da Fundação de se internacional pelo Brasil como Amparo à Pesquisa do Estado de parceiro de pesquisas é a criação, São Paulo (Fapesp) e coordenador no início do ano passado, de um es- do capítulo brasileiro do estudo da critório local do Centre National de Unesco citado acima. La Recherche Scientifique (CNRS) O momento, no entanto, é bom da França, principal instituição es- IZTOK BONCINA/ESO para subir degraus: “A ciência no tatal francesa de fomento à pesquisa, Brasil já atingiu um patamar que com orçamento anual de 3,4 bilhões facilita as parcerias internacionais, de euros. É um esforço de mão du- e há muita gente de outros países pla, avalia Jean Pierre Briot, diretor 1 CERNHemisfério Austral (ESO). “Da par-te do Brasil, não houve nenhumaanálise técnica relativa aos bene-fícios desse investimento”, afirmaDamineli. Ele acha que o país teriamelhor relação custo-benefício se,mesmo gastando apenas 10% do xx xx xx x x xxcusto de adesão, investisse mais xx xxx xxxxem seus atuais projetos de uso detelescópios de diversos observa- xxx xxx xx xxxtórios (inclusive alguns do próprio xx xxx xxxESO). Albert Bruch, diretor do La- xxx xx xxxboratório Nacional de Astrofísica,discorda. “Para seguir evoluindo, a x xx xxx xxastronomia brasileira precisa deacesso aos telescópios gigantes denova geração”, rebate ele. “O ESOtem isso.” 2 PIB 51
    • Capa RICARDO CORRêA 1 2 do escritório sediado no Rio de Ja- infelizmente ainda pouco comum, informações relevantes para o país, neiro. Além de identificar oportu- de parceria entre duas nações emer- como dados relativos ao desmata- nidades de conjugação de esforços, gentes. O que levou o Brasil e a Chi- mento na Amazônia. E do lado da ele também exibirá mais claramente na a buscarem essa parceria lá atrás? absorção de tecnologia, parece já a realidade brasileira para os fran- Para Thelma Krug, chefe da asses- conferir ao Brasil capacidade para ceses: “Mostrará que aqui também soria de relações internacionais do desenvolver um satélite próprio: de- há pesquisadores, instituições e Instituto Nacional de Pesquisas Es- nominado Amazônia 1, ele deve ser estruturas de pesquisa de primeira pacial (Inpe), de São José dos Cam- lançado em 2013 ou 2014. Permitiu, linha”, diz o cientista pos (SP), instituição também, aos brasileiros estabelecer francês. Entre os pro- coordenadora da uma parceria com a Argentina para jetos desenvolvidos Parceria participação brasi- a construção conjunta de um saté- conjuntamente pelo tecnológica leira no programa, lite de monitoramento de oceanos, Brasil e pela Fran- entre Brasil e a parceria decorreu previsto para ser lançado em 2016. ça com participação de uma confluência “Além disso, a indústria aeroespa- do CNRS, Briot cita china lançará de fatores. A China cial privada desenvolveu-se muito laboratórios conjun- cinco satélites tem necessidades no Brasil a partir do acordo com a tos para o estudo de até 2015 similares às brasi- China, e suas empresas já são pro- magnetismo, imuno- leiras − ambos são curadas para projetos em outros pa- logia e matemática. países com territó- íses”, afirma Thelma, do Inpe. Os dois países também estruturam rios enormes, nos quais os satélites Exemplo de capacitação é a Or- o Centro Franco-Brasileiro de Es- podem ser relevantes ferramentas bital, também de São José dos Cam- tudos da Biodiversidade Amazônica de observação. Além disso, já man- pos (SP), empresa de engenharia (o território da Guiana Francesa, na tinha um programa espacial bem aeroespacial que produz os painéis fronteira norte do Brasil, abriga um estruturado e dispôs-se a transferir solares para a geração de energia pedaço da floresta amazônica).  Se a tecnologia e a compartilhar custos.    do terceiro satélite sino-brasileiro parceria com a França se encaixa no Denominado CBERS − sigla em (CBERS 3), e hoje também presta modelo habitual das associações ge- inglês para Satélite Sino-Brasileiro serviços no Canadá. Tantas ramifi- ralmente capitaneadas por nações de Recursos Terrestres −, o pro- cações lembram que, na economia mais desenvolvidas, o consórcio es- grama conjunto construiu satéli- do conhecimento, uma semente pacial com a China é um exemplo, tes responsáveis pela captação de bem regada costuma multiplicar52 PIB
    • 1 Pesquisadora 2 Centro de 3 CTBE chinesa: pesquisa da Campinas: Embraco em Braskem: na corrida Pequim plástico pelo etanol verde celulósico revela Luciano Nass, coordenador de intercâmbio de conhecimento da Embrapa. No Labex EUA, por exem- plo, o portfólio de pesquisas recen- tes inclui estudos que deram um atestado de sanidade ao rebanho su- íno brasileiro, ao descartar que ele pudesse ser fonte de transmissão do vírus H1N1, o agente da gripe suína. Também estão sendo feitos estudos de apoio às ações de agricultura deBRASKEN/DIVULGAÇÃO baixo carbono, utilizadas no manejo PABLO LEVINSKY sustentável dos solos agrícolas.    Ao escolher onde instalar um laboratório virtual, a Embrapa 3 prioriza os países que dominam conhecimentos de importância es- seus frutos. Se existiam empresas medicina tropical, biotecnologia e tratégica, segundo Nass: isso inclui como a Orbital em São José dos agropecuária. Nesta última, a esta- temas como a biologia avançada, Campos, isso se deve ao fato de ter tal Empresa Brasileira de Pesquisa as mudanças climáticas, a sanida- nascido e crescido lá, no interior Agropecuária (Embrapa) é reconhe- de animal e a segurança alimentar, paulista, um polo tecnológico e in- cida no mundo todo pela excelên- entre outros. Mas, mesmo numa es- dustrial nucleado por instituições cia de sua pesquisa na agropecuária pecialidade na qual o país mantém como o Instituto Tecnológico de tropical.   posição hegemônica, como a dos Aeronáutica (ITA) e o próprio Inpe. A Embrapa, já há algum tempo, biocombustíveis, os pesquisadores No ITA, estudaram os engenheiros mantém parcerias brasileiros sentem a que vieram depois a criar boa parte internacionais de necessidade de es- das empresas que formam a cadeia pesquisa, mas fin- a embrapa tabelecer parcerias da indústria aerospacial brasileira, cou pé mais decidi- mantém internacionais. Tal na qual se destaca a Embraer, hoje damente nas redes “laboratórios preocupação se ex- uma das maiores fabricantes de avi- internacionais de plica: enquanto os ões comerciais do mundo.        conhecimento por virtuais” nos estudos de ponta em Uma das razões para a expansão meio de “laborató- eUa, coreia diversos países privi- da atividade científica no país − des- rios virtuais”, assim e europa legiam hoje o desen- tacada em edições recentes de re- chamados por per- volvimento do etanol vistas internacionais, como a inglesa mitirem que cientis- de segunda geração The Economist e a norte-americana tas brasileiros trabalhem nas insta- − ou celulósico −, capaz de aprovei- Science − é o aumento dos investi- lações de instituições semelhantes tar também o bagaço e a palha da mentos em pesquisa. Nos últimos em países estrangeiros. Nos Labo- cana-de-açúcar (ou de outras plan- dez anos, o orçamento do Ministé- ratórios Virtuais da Embrapa no Ex- tas) para produzir o biocombutível, rio da Ciência e da Tecnologia subiu terior − os Labex, como são chama- o Brasil ainda trabalha basicamente seis vezes: passou de R$ 1,1 bilhão, dos − os pesquisadores da empresa com o etanol de primeira geração, no ano 2000, para R$ 6,6 bilhões no compartilham hoje experiência e obtido apenas do beneficiamento ano passado (esse valor não inclui recursos com colegas dos Estados do caldo da cana.   as despesas com pessoal). O Brasil Unidos, da Europa e da Coreia do O CTBE − Laboratório Nacional é hoje referência internacional em Sul . “E já há demanda para a cria- de Ciência e Tecnologia do Bioeta- áreas como energias renováveis, ção de Labex no Japão e na China”, nol, em funcionamento há menos de PIB 53
    • Capa Brasileiras naturalizadas ser inaugurado no Rio de Janeiro, no ano que vem, resultado de investi- grandes multinaCionais sonho” de pesquisadores brasileiros mentos de US$ 100 milhões. O cen- encaram hoje o Brasil não só como que serviam à empresa em outros tro carioca da GE empregará apro- um mercado gigante a ser ganho, países, mas desejavam retornar ximadamente 200 pesquisadores e mas também como fonte de inteli- ao Brasil. O próprio Borger, após engenheiros dedicados a desenvol- gência e criação de tecnologia: é o trabalhar por 12 anos na IBM norte- ver tecnologias para as indústrias caso da IBM, a gigante de compu- americana, voltou para trabalhar de óleo e gás, energias renováveis, tadores e serviços de Tecnologia na estruturação do centro, que tem mineração, transporte ferroviário e da Informação que, em meados do entre seus alvos criar tecnologias aviação. Será construído numa ilha ano passado, começou a montar de apoio à exploração de recursos no fundo da Baía de Guanabara, que aqui seu nono centro de pesquisas naturais e ao mercado de serviços. já abriga o campus da Universidade no mundo. Nele já atuam cerca de Já a GE (General Electric), um dos Federal do Rio de Janeiro e o Cenpes, 15 pesquisadores, parte em São maiores conglomerados industriais o centro de pesquisas da Petrobras. Paulo e parte no Rio de Janeiro, e o do mundo, pretende instalar dois A partir das descobertas do número poderá aumentar se o mer- centros de pesquisa no Brasil. Um pré-sal, a ilha do Fundão, vizinha ao cado demandar (em todo o mundo, deles, voltado para a criação de Aeroporto Internacional Tom Jobim, a empresa mantém cerca de 3 mil combustíveis alternativos para transforma-se rapidamente em um pesquisadores). Segundo Sérgio locomotivas, por enquanto é ainda polo mundial da investigação cien- Borger, estrategista de tecnologia um protocolo de intenções assinado tífica relacionada a petróleo e com- e executivo de operações da IBM, o com o governo de Minas Gerais. O bustíveis em geral. Estão sendo ali centro constitui a “realização de um outro projeto corre na frente: deve montados, ou foram recentemente 1 DiVUlgação54 PIB
    • 1 Futuro centro 2 Butamax da GE no Rio: em Paulínia: vizinho da alternativa Petrobras ao etanol inaugurados, centros de pesquisa suas maiores refinarias no país. A um ano na cidade de Campinas, em da empresa norte-americana FMC e Butamax é uma joint venture entre São Paulo − pesquisa o etanol ce- da franco-americana Schlumberger a multinacional norte-americana lulósico em parceria com centros− respectivamente, líderes globais DuPont e a petroleira britânica BP, similares dos Estados Unidos, do nos mercados de equipamentos que pretendem promover o biobuta- Reino Unido, do Chile e da Suécia. para produção de petróleo e de nol − um biocombutível de segunda Marco Aurélio Pinheiro Lima, di- prestação de serviços para essa geração − como alternativa energé- retor do CTBE, lembra que o Brasil indústria. Também já está na ilha a tica mais eficiente ao já conhecido tem condições de assegurar posição Baker Hughes, enquanto a Halli- etanol. “O novo laboratório no Brasil privilegiada em termos de eficiên- burton (ambas norte-americanas) visa acelerar o processo de produção cia energética também nessa nova projeta montar lá seu próprio centro em escala comercial do biobutanol geração de biocombustíveis: a cana de pesquisas. a partir da cana-de-açúcar, que é a brasileira gera cerca de 10 toneladas Ainda no campo da energia, matéria-prima mais eficiente para a de palha para cada hectare plantado, combustíveis de fontes renováveis geração de biocombustíveis”, afirma enquanto no caso do milho, origem são um ímã que atrai empresas do Tim Potter, executivo-chefe da do etanol norte-americano, esse mundo todo para o Brasil. No fim do empresa. O laboratório brasileiro vai índice cai para 4 toneladas. “Te- ano passado, a Butamax Advanced se juntar às pesquisas desenvolvidas mos aqui um professor-visitante Biofuels anunciou a inauguração pela Butamax na Índia, no Reino dos Estados Unidos”, conta Lima. de um laboratório de pesquisa de Unido, na Alemanha e nos Estados “Queremos ser, nessa área, centro biobutanol em Paulínia, no interior Unidos, com a meta de iniciar a de referência para pesquisadores de São Paulo − coincidentemen- produção comercial do biobutanol a do mundo todo.” A equipe do CTBE, te, onde a Petrobras tem uma de partir de 2013. mantido pelo governo federal, reú- ne hoje cerca de 50 pesquisadores 2 e técnicos, e deve chegar a 90 até o fim deste ano.   inovar é preciso Mas não basta se tornar mais internacional: para render os efei- tos econômicos e sociais esperados das economias do conhecimento, a pesquisa e a ciência brasileiras pre- cisam enfrentar ainda o desafio de integrar-se mais decididamente à atividade econômica privada, crian- do raízes nas empresas de forma a gerar inovação em produtos e ser- viços oferecidos no mercado. Nes- sa área, parece haver ainda longo caminho a ser percorrido. Afinal, lembra Brito Cruz, da Fapesp, em 2009 foram concedidas, nos Esta- GLADSTONE CAMPOS/REALPHOTOS dos Unidos, exatas 103 patentes a in- ventores brasileiros − apenas cinco a mais do que em 2000 (inventores indianos, por comparação, registra- ram 679 patentes em 2009, ante 131 em 2000). PIB 55
    • Capa De acordo com o estudo da as de outros países: ele se deve, prin- sáveis pelo impulso recente à ciência Unesco, em 2008 o setor público cipalmente, a questões macroeconô- no Brasil − lembra outro fator: a pes- ainda respondia por 55% do in- micas, como a carga tributária e o quisa desenvolvida de maneira es- vestimento bruto em custo do capital mui- truturada é atividade ainda nova no pesquisa no Brasil, to elevados. “Tam- Brasil. “E a inovação é ainda muito cabendo às empresas empresas bém é preciso mais mais nova”, ressalta. Rezende − ele os 45% restantes − na brasileiras estímulo à exporta- mesmo um físico com produção aca- União Europeia, o ín- ainda ção, pois o mercado dêmica constante, mesmo durante dice correspondente internacional exige seus anos de ministro − acredita ao setor privado atin- registram competitividade, o que a inovação empresarial deve se ge 65% do total. Na poucas que demanda mais desenvolver no Brasil, pois as em- opinião de Brito Cruz, patentes pesquisa”, ele acres- presas do país estão atentas a essa o menor desenvolvi- centa. necessidade e ela é hoje estimulada mento da pesquisa Sérgio Rezende, por mecanismos institucionais. “Em empresarial não decorre de falta de ministro da Ciência e da Tecnolo- todos os países, os governos ajudam recursos ou estímulos, pois há aqui gia, de 2005 a 2010 — e nome sempre a promover inovação”, ele enfatiza.        ações de fomento competitivas com colocado entre os principais respon- Diversas multinacionais bra- aCademia gloBal Falar em globalização do e pesquisadores estrangeiros. “Po- de qualquer curso podem conta- conhecimento é falar também na demos pensar também em progra- bilizar os créditos de um semestre internacionalização das “fábricas” mas de bolsas para quem vem de de estudos no exterior (no curso de nas quais ele é produzido: as uni- outro país e disciplinas ensinadas Medicina, dois terços dos alunos versidades. A academia sempre foi em inglês”, acrescenta Mesquita (o optam por essa possibilidade). cosmopolita: desde seu começo, na inglês assumiu o papel que era do “Quando escolhe uma universidade, Europa da Idade Média, as universi- latim na Idade Média, de idioma um candidato já pensa na possibili- dades atraem mestres e estudantes internacional do conhecimento). dade de intercâmbio internacional”, de múltiplas nacionalidades. Mas Cerca de 2% dos 15 mil alunos pondera Luciane Stallivieri, asses- a globalização acelerada deu novo de pós-graduação da Unicamp já sora de relações internacionais da impulso a essa tendência; antes de vêm de fora, e a meta é elevar esse UCS. “Profissionais com experiência se tornar a rede global de comuni- índice para 10% em três anos. O internacional não são mais um luxo, cações que é hoje, a internet, por Brasil, para Mesquita, tem vanta- e sim uma necessidade.” exemplo, consolidou-se como ferra- gens na atração de alunos estran- Já a Universidade de São Paulo menta de intercâmbio internacional geiros de pós-graduação, como (USP) concedeu, no ano passado, entre pesquisadores. a reconhecida competência em mais de 500 diplomas, na área Para as universidades brasi- áreas como agricultura e energias de engenharia, válidos em países leiras, aprofundar a internaciona- renováveis. “Temos tido muita como França, Alemanha e Itália − a lização é crucial, afirma Euclides procura para parcerias e convênios dupla diplomação exige que o aluno de Mesquita Neto, pró-reitor de de países como os Estados Unidos, faça cursos de aproximadamente pós-graduação da Universidade a França e a Alemanha”, ele conta. um ano em um desses países. “O Estadual de Campinas (Unicamp), Outras universidades brasileiras diploma duplo comprova, além de em São Paulo. A Unicamp desen- também abrem aos estudantes a domínio de outro idioma, a vivência volve versões de seu site em outros entrada em redes internacionais de de outra cultura”, destaca Adnei idiomas e projeta a criação de uma ensino. Na Universidade de Caxias Melges de Andrade, vice-reitor de estrutura dedicada a receber alunos do Sul, no Rio Grande do Sul, alunos relações internacionais da USP. Na56 PIB
    • Universidade de Coimbra: quase 200 brasileirossileiras já se deram conta de que como Holanda, Alemanha e Canadáinovar e criar tecnologia é funda- − além das brasileiras, é claro. Seu rolmental e apostam na cooperação de parceiros na geração de conheci- empresa brasileira é hoje referênciainternacional. “Atu- mento inclui, ainda, internacional em temas como o plás-almente, precisamos a produtora norue- tico verde (produzido com base nobuscar competên- o etanol e o guesa de enzimas etanol), diz Aires. “Temos a maiorcias onde quer que pré-sal podem Novozymes − com a planta de produção desse plástico doelas estejam”, resu- fazer do Brasil qual estuda plásti- mundo, e estamos sendo procuradosme Edmundo Aires, cos ecologicamente para construir plantas similares emvice-presidente de um polo de sustentáveis − e a an- outros locais”, ele conta.inovação e tecnolo- tecnologias glo-americana Ineos, Outra “internacionalista” expe-gia da petroquímica energéticas também do ramo pe- riente é a fabricante de compres-Braskem. Dona de troquímico, parceira sores Embraco, de Santa Catarina,dois centros de P&D focada nas tecnolo- que mantém parcerias de pesquisano Brasil e outro nos Estados Unidos, gias de produção de polietileno. Mas com universidades da Alemanha,a Braskem também trabalha em par- a própria Braskem também é fonte da China, da Suíça e da Romêniaceria com universidades de países de conhecimento para o mundo. A (além, obviamente, do Brasil). Émão inversa, estudam atualmente na USPmais de 1,8 mil alunos estrangeiros, tantona graduação quanto na pós-graduação. São exemplos na direção certa. Masas universidades brasileiras precisamaprofundar a cultura da internacionali-zação, ressalva Carlos Alexandre Netto,reitor da Universidade Federal do RioGrande do Sul (UFRGS). “Já há essacultura em áreas como engenharia, masalguns cursos apenas começam a desen-volvê-la”, diz ele. A UFRGS integra umgrupo de universidades brasileiras quemantém quase 200 alunos na históricaUniversidade de Coimbra, em Portugal.No ano passado, representantes de maisde mil instituições de ensino superioribero-americanas definiram que, até2015, pelo menos 2,5 % de seus alunosde graduação devem realizar algum atode mobilidade internacional (na UFRGS,esse índice está em 1,7%). “A internacio- UNIVERSITY OF COIMBRAnalização é hoje o quarto pilar da atuaçãode uma universidade, juntamente como ensino, a pesquisa e as atividades deextensão”, diz Netto. PIB 57
    • Capa também integrante de consórcios ção de uma empresa inglesa de pes- internacionais de pesquisas co- quisas, a FuturaGene, especializada ordenados por universidades dos em  biotecnologia de biocombustí- Estados Unidos e da Escócia, dos veis e culturas florestais. Avaliada quais participam multinacionais em US$ 82 milhões, essa transação como Carrier, Honeywell, PepsiCo tornou a companhia brasileira − que e General Electric. Com fábricas já detinha 8% da inglesa − proprie- em países europeus, asiáticos e tária de um vasto banco de dados de americanos, a Embraco estuda, informações genéticas vegetais e de nessas parcerias, não só aplicações um aparato de pesquisa composto de para os compressores que fabrica, laboratórios nos EUA, em Israel e na mas também problemas de acústi- China. Tal ativo permite à Suzano ca − como fazê-los mais silenciosos. tanto aprofundar as pesquisas para “Temos hoje mais de 200 pesquisa- a melhoria genética dos cultivos de dores de universidades − 15% deles matérias-primas para a fabricação em outros países − envolvidos em de papel e celulose, quanto colocar- projetos da Embraco”, conta Fabio se também como provedora de so- Klein, gestor de desenvolvimento luções de biotecnologia para tercei- tecnológico da empresa.   ros. Abre-lhe ainda a possibilidade Em meados do ano passado, ou- de trabalhar no desenvolvimento tra firma brasileira detentora de de novos produtos, como o etanol tecnologia de ponta em sua espe- celulósico.   cialidade − a produtora de papel e Todos esses são exemplos de celulose Suzano − concluiu a aquisi- como a inserção em redes interna- mão dupla buscamos ampliar essa presença André Carvalho, da Coordenação de em temas como nanotecnologia, Cooperação Internacional da Finep, a união Europeia farejou, há biotecnologia e agricultura”, de- “as parcerias internacionais em pes- algum tempo, o potencial da ciência talha Paulo Egler, coordenador do quisa e inovação são interessantes brasileira; desde 2005, divulga BB.Bice − o Bureau Brasileiro para para compartilhar não só know- no Brasil seu próprio programa de Ampliação da Cooperação Interna- how, mas também riscos, e pesqui- financiamento à pesquisa, que abre cional com a União Europeia, criado sa é uma atividade de risco”. a possibilidade de colaboração com para divulgar o programa europeu. A agência paulista Fapesp outros países. O programa apoia, Instituições brasileiras tam- estabeleceu, nos últimos cinco anos, por exemplo, cientistas brasileiros bém vêm investindo em parcerias parcerias na França, no Reino Unido empenhados em pesquisar o rela- internacionais. Nos últimos dois e em Portugal, entre outros países. cionamento entre nanopartículas e anos, a Financiadora de Estudos e O Reino Unido, por exemplo, apoia doenças degenerativas ou a mitiga- Projetos (Finep), do governo federal, estudos sobre a influência de genes ção de impactos ecológicos sobre a firmou acordos com instituições da no desenvolvimento de doenças do fauna marinha. Em 2008, o Brasil Espanha e da França. Hoje em sua sangue e formas de identificação e fazia parte de 59 projetos apoiados segunda edição, a parceria francesa caracterização de células-tronco. pela UE; no ano passado, já eram aprovou quatro projetos, nos quais Também a Microsoft Research − 153. “As áreas de pesquisa nas oito empresas − quatro de cada unidade de pesquisas da gigante de quais os brasileiros mais participam país − desenvolverão pesquisas nas tecnologia − mantém uma parceria são biocombustíveis e tecnologias áreas de nanotecnologia, saúde, com a Fapesp que financia, entre da informação e comunicação, mas aeronáutica e meio ambiente. Para outros projetos, o desenvolvimento58 PIB
    • 1 Pesquisas 2 Sensores na da Suzano: no Amazônia: Brasil, EUA, parceria China e Israel Microsoft-Fapesp cionais de pesquisa vai se tornando rotina para as empresas brasileiras dispostas a competir em escala glo- bal. Em números, entretanto, é difícil qual alocou R$ 900 milhões −, do bater a Petrobras no quesito de par- Cenpes, o maior centro de P&D do cerias internacionais para pesquisas. hemisfério sul. O Cenpes é o eixo Apenas em 2009 − último ano para de um conglomerado de labora- o qual já tem dados consolidados −, tórios de diversas multinacionais a petroleira estatal brasileira esta- do mercado de petróleo e energia beleceu 102 dessas ligações: 60 com (veja quadro na página 54). “Pre- empresas e 42 com instituições de vê-se o Brasil, no futuro, como o pesquisas. “Conhecimento é hoje o maior polo de desenvolvimento de maior ativo da humanidade, e está tecnologia nas áreas de petróleo e disperso pelo mundo”, afirma Car- energia deste século”, diz Fraga. As los Tadeu Fraga, gerente executivo parcerias internacionais, lembra do Cenpes (o centro de pesquisas Thelma, do Inpe, além de novos co- da Petrobras). “Quem tem acesso a nhecimentos, geram também efei- ele, onde ele estiver, tem vantagens tos favoráveis na confiança de ou- competitivas.” tros interessados. “Afinal, havendo Nos últimos cinco anos, a Pe- um parceiro internacional, o setor trobras dedicou a P&D, em mé- privado sente mais segurança para RICARDO TELLES dia, algo entre US$ 800 e 900 mi- colocar recursos, uma vez que fica lhões anuais. No fim do ano pas- mais difícil para um governo adiar sado, inaugurou a ampliação − na programas”, pondera. 1 2 e a aplicação de redes de geos- sensores para monitoramento ambiental na floresta amazônica.“Essa parceria tem gerado intenso tráfego de pesquisadores de lá que vem para cá, e daqui que vão para os Estados Unidos”, conta Carlos Henrique de Brito Cruz, o diretor científico da Fapesp. O quadro é promissor, mas Egler, o coordenador do BB.Bice, ressalva: o Brasil precisa oferecer ao mundo mais informações sobre seu potencial como parceiro. O programa europeu mantém uma base de dados bilíngue sobre a ciência brasileira, denominada FAPESP/DIVULGAÇÃO Mapa da Competência. “Mas é muito difícil conseguir informações, não temos a cultura de nos tornar visíveis”, observa Egler. PIB 59
    • Moda Do hippie ao hype A Sobral nasceu nas praias cariocas nos anos 1970, mas cresceu ao levar para Paris e Nova York o colorido e a ousadia de suas bijuterias s u z a n a C a m a r g o, z u r i q u e a lgumas décadas sepa- ramo das bijuterias – mais leves que ram dois homens de outros itens do repertório hippie e negócios muito distin- com investimento inicial pequeno. tos. Nos anos 1970, o Nessa trajetória, ele conheceu a carioca Carlos Alberto matéria-prima que mudaria a cara Rezende Sobral era um daqueles ar- de seus produtos e a história de sua tesãos hippies que defendiam a vida vida. Era 1976 e, durante uma feira alternativa e tiravam o ganha-pão da no litoral, encontrou artesãos argen- venda de brincos de metal corroído tinos que vendiam peças feitas com e bolsas e sandálias de couro na orla resina de poliéster. Encantado com e nas praças do Rio de Janeiro. Hoje, o material, Sobral passou a adotá-lo aos 60 anos, ele é um empresário para criar suas peças. com lojas nos Estados Unidos e na Coloridas e assimétricas, as bi- Europa e faturamento de cerca de juterias de Sobral começaram a se US$ 8,4 milhões por ano. As peças destacar no mundo da moda. Fei- criadas pelo estilista brasileiro já fo- tas exclusivamente em resina, elas ram exibidas nas passarelas de Paris, eram vendidas para distribuidores. em editoriais de moda, como o da Durante muito tempo, Sobral tra- revista da apresentadora americana balhou como ghost designer, como Oprah Winfrey, além de fazer parte ele mesmo define. “Eu criava peças do figurino das estrelas da música para outras marcas de moda assina- pop Beyoncé e Alicia Keys. rem”, conta. A produção, feita arte- Foi quase por acaso que o primei- sanalmente com poucos ajudantes, ro homem de negócios deu lugar ao acabou sendo transferida, pouco segundo. Na época, a movimentada tempo depois, para Nova Iguaçu, no mercado europeu. Sobral partiu, década de 1970, Sobral viajava sem- na Baixada Fluminense. Assim, no de mala e cuia, rumo à França. Ele pre para Cabo Frio e outras praias início dos anos 1980, nasceu a Gê- queria fazer sucesso no exterior da região dos lagos no Rio de Janei- nesis, empresa que mais tarde daria e tinha por intuição que a Fran- ro para vender seus produtos duran- origem à Sobral. ça seria esse lugar. Munido de um te o verão. Para facilitar o transporte, A empresa ainda engatinhava mostruário, falando pouquíssimo resolveu concentrar o negócio no no Brasil quando decidiu apostar francês, o brasileiro chegou a Paris60 PIB
    • Peças criadas para Karl Lagerfeld: visibilidade Apesar do fracasso da viagem, o empresário iniciante voltou a Paris um ano mais tarde. Dessa vez, esta- beleceu uma rede de contatos e le- vou na bagagem 120 quilos de pro- dutos para venda imediata. “Paguei uma fortuna na aduana, mas valeu o investimento”, diz. Para Sobral, apresentar o mostruário não basta- va. Os compradores queriam ver as peças finalizadas e fazer testes de vendas nas prateleiras das lojas. “O comprador não quer correr risco”, diz Sobral. “Isso eu aprendi com os chineses: é preciso oferecer o pro- duto pronto.” A segunda viagem mostrou-se mais frutífera, e os novos pedidos impulsionaram o negócio nos anos seguintes. A Sobral começou ven- dendo, via distribuidores, bijute- rias para grandes redes de lojas e butiques francesas. A marca caiu no gosto dos clientes e abriu caminho para um fluxo regular de exportação. Em 1988, a empresa faturou US$ 1 milhão. “Então, vieram os chineses. Os produtos deles tinham preços avassaladores, e não existia a mí- nima condição de concorrência”, conta Sobral. Para enfrentar esses preços im- batíveis, o empresário procurou se diferenciar. No começo da déca- da de 1990, a Gênesis deu lugar à Sobral, que passou a vender suas peças diretamente a lojistas, sem a intermediação do distribuidor. Mas era preciso ter a assinatura de um designer para justificar o custo DIVULGAÇÃO mais alto da bijuteria. E assim foi feito. Ele mesmo passou a assinar suas criações. Continuou traba-exatamente no dia 14 de julho, fe- que abriram as portas ao brasileiro lhando com resina, mas o designriado nacional. “Para piorar, era ve- não confiavam no que viam; muitos ficou mais elaborado. O desafio erarão europeu, quando praticamente achavam que as peças eram feitas convencer o comprador europeutudo fecha. Péssima época para fa- com pedras semipreciosas, produ- a desembolsar um pouco mais porzer negócios”, lembra, rindo, numa to brasileiro que estava no auge da suas peças coloridas, e com um cla-entrevista à PIB por telefone, de Pa- exportação, e se decepcionavam ao ro componente de brasilidade. “Fuiris. O início, de fato, não foi fácil. Os descobrir a resina. aprendendo à medida que desen- PIB 61
    • Moda volvia coleções, mas muito ainda é a marca conta com uma loja que é IBGM. “Entre elas, permite ao em- intuitivo”, afirma. praticamente uma franquia. Perten- presário interagir constantemente O passo seguinte foi criar suas ce a uma alemã que morou muitos com as diversas peculiaridades dos próprias lojas, no Brasil e, depois, anos no Brasil e pediu a Sobral para mercados e dar pronta resposta aos no exterior. Na virada do século, o abrir uma unidade na cidade. Muito desejos e mudanças nos hábitos de empresário percebeu a importân- em breve, ela deve abrir outro ponto consumo.” cia de estar mais próximo do con- de venda em Munique. Na Europa, o Sobral aprendeu muito com a sumidor para aumentar as vendas tíquete médio das vendas é de 60 eu- experiência internacional. Ele lem- e solidificar a marca. A primeira ros. Uma pulseira que custava, por bra que, ainda no começo das ex- loja própria foi criada no aeroporto exemplo, 20 euros para o atacadista, portações, resolveu levar a Paris as internacional do Galeão, no Rio de passou a ser vendida na loja própria sobras da coleção que tinha acabado Janeiro, uma vitrine por 50 euros. de vender no Brasil. Perdeu dinhei- natural para quem apesar do Em 2009, foi a vez ro. O que estava em alta no verão parte para o exterior. de os Estados Unidos brasileiro já tinha sido moda havia Em seguida, vieram sucesso, as conhecerem o traba- muito tempo na Europa. A Sobral as lojas de Ipanema, peças ainda lho do designer bra- é uma das pioneiras do setor nesse Búzios e Paraty. A são feitas sileiro. A primeira aprendizado internacional. A maio- entrada no merca- loja abriu as portas ria das empresas de bijuterias nacio- do paulistano se deu artesanalmente no SoHo, bairro da nais não conseguiu ainda alçar voos mais tarde, primeiro em Nova iguaçu vanguarda, da moda mais altos. Nos últimos dois anos, as no aeroporto interna- e das artes de Nova exportações de bijuterias se manti- cional de Guarulhos e York. As vendas vão veram constantes no Brasil, em US$ depois na rua Normandia, no bairro indo bem, mas dentro de uma pro- 17 milhões, patamar 20% menor que de Moema. jeção conservadora. O jornal The o de 2008, quando o país vendeu Paralelamente, as lojas no ex- New York Observer deu destaque à US$ 21 milhões ao exterior. terior também foram inauguradas. inauguração da loja brasileira, as- O fantasma chinês ainda assom- Em Paris, são duas, montadas a par- sim como os sites de moda Trade e bra o setor, que continua a buscar tir de 2000. Uma para atacadistas na Style&Flair. “A proximidade com o espaço no exterior. Para Henriques, Rue du Temple, e outra para o varejo, consumidor final traz muitas van- do IBGM, a diferenciação é o úni- na charmosa e elegante ilha de Saint tagens”, diz Hécliton Henriques, co caminho para conquistar mer- Louis. Em Heidelberg, centro uni- presidente do Instituto Brasileiro cado. “A bijuteria e a joia do Brasil versitário e turístico da Alemanha, de Gemas e Metais Preciosos, o têm buscado no rico acervo cultural 1 2 262 PIB
    • 1 Peças da coleção 2 Monumentos 3 Oprah se rende 4 Vitrine da loja no Cantagalo do Rio ganham às bijuterias SoHo, badalação homenageiam a favela formas em resina de Sobral em Nova York brasileiro e na sua diversidade fon- do Paris Fashion Week. No passado, as exportações represen- tes de inspiração próprias, criando Vanity Fair, Elle e Ornamenta são taram 50% do faturamento da marca, um estilo ousado, alegre e criativo apenas algumas das revistas interna- que agora se prepara para abrir um para cativar o mercado externo”, cionais que já estamparam as bijute- sistema de franquias. O designer cria diz. É difícil definir o que compõe rias da Sobral nos editoriais de moda. cerca de oito coleções por ano, qua- exatamente esse quê de brasilidade, Apesar do sucesso, as peças ainda são tro para o verão e quatro para o inver- mas, quando o olho bate em uma produzidas artesanalmente, uma a no. “No exterior, costumo ouvir que a peça da Sobral exposta em alguma uma, por cerca de cem funcionários, minha bijuteria passa uma sensação vitrine no exterior, não há dúvida de em Nova Iguaçu. Algumas são feitas de alegria. Acho mesmo que tem a que ela é brasileira. É uma verdadei- pessoalmente pelo próprio Sobral. cara do Brasil”, diz Sobral. ra explosão de cores numa mesma peça. Sobral bebe de todas as fontes 4 de inspiração. Na coleção mais re- cente, elegeu como tema o Pão de Açúcar e as curvas do calçadão de Copacabana. Mas a marca já lançou coleções em homenagem ao pintor de origem russa Wassily Kandinsky e ao movimento da Pop Art. Por ser um grande conhecedor do mercado francês, o empresário brasileiro já teve o talento e a cria- tividade premiados cinco vezes pela Etòile de Mode do salão Bijorhca – Eclat de Mode, competição interna- cional com expositores do mundo todo realizada anualmente em Pa- ris. Em 2007, a marca foi convidadaFOTOS: DIVULGAÇÃO para criar os acessórios da coleção de verão do estilista Karl Lagerfeld. Em 2008, lá estavam as bijuterias do designer desfilando pelas passarelas 3 PIB 63
    • Urbanismo 1 Vista aérea do velódromo: instalações prontas 2 Croqui da parte interna do complexo esportivo 3 Heather, da Deloitte: estrutura como herança Herança olímpica Na reta final para o maior espetáculo esportivo do mundo e seus milhares de visitantes, Londres mostra que tem muito a ensinar ao Brasil LONDON 2012 n a r a v i da l , l o n d r e s 1 u m monumento inaugu- do mundo, em 2016, deveria ficar montada, e a outra parte está sendo rado no início de março atento. Não apenas ao cronograma projetada para abrigar apenas a po- em Trafalgar Square, seguido com folga pelos pontuais pulação local, que fará uso do espa- um dos cartões-pos- britânicos. É conveniente prestar ço, como os ginásios de natação. tais de Londres, pôs atenção na revolução que o evento Um dos principais objetivos de o deadline para funcionar: falta mundial está provocando em uma Londres é fazer dos Jogos um tram- pouco mais de um ano para que a das maiores cidades da Europa. polim para acelerar o desenvolvi- cidade receba os Jogos Olímpicos e Londres, que investiu 2,8 bilhões mento da região leste da capital, Paraolímpicos de 2012. “O relógio de libras nas obras, destaca-se entre criando uma nova âncora econômica nos lembra que ainda temos muito as outras cidades que já sediaram o para a expansão contínua da cidade, trabalho pela frente”, disse o prefei- evento por ter uma preocupação afirma Heather Hancock, sócia da to de Londres, Boris Johnson, tal- clara com o legado que será deixado consultoria Deloitte do Reino Uni- vez num excesso de cautela, uma aos moradores depois de encerrados do, que trabalha na organização dos vez que parte importante das obras os Jogos. Da escolha dos materiais à Jogos. Um estudo sob sua coordena- está bastante adiantada. área selecionada para receber a Vila ção concluiu que sediar um evento Se a capital britânica aperta o Olímpica, tudo parece pensado para global está se tornando uma peça passo, o Brasil, como o próximo o futuro. Parte dos prédios em cons- fundamental na agenda de gover- anfitrião do maior evento esportivo trução em Londres poderá ser des- nos ao redor do mundo. Isso porque64 PIB
    • LONDON 2012 2 JOHN R WARD 3permite às cidades tomar decisões e mas no legado”, afirma Dan Epstein, o Brasil não é um destino turísticoexecutar projetos que normalmente chefe de sustentabilidade da Autori- totalmente moderno”, acrescenta.estariam atolados em longos debates dade Olímpica de Londres, numa en- Finalmente, Heather faz umae exigências burocráticas. trevista a BBC Brasil. Isso indica que recomendação que os políticos, em Essa herança estrutural é o que apenas um quarto do total investido geral, não costumam seguir à risca.deve estar na mira das cidades em será canalizado para os Jogos em si. Para que as Olimpíadas transcorramdesenvolvimento que desejam se- “Não se trata apenas das Olimpíadas, sem problemas, é necessário coor-diar os Jogos, afirma Heather em que são apenas um evento de três denar e integrar todas as divisõesentrevista à PIB. “O mais importan- semanas, mas de desenvolver uma políticas do país − partidos políticoste é oferecer uma infraestrutura de nova parte da cidade pelos próximos e administrações em todas as esferas,transporte que seja eficiente, con- cem anos”, afirma Epstein. federal, estadual e municipal. “Emfiável e acessível”, aconselha. Na Para Heather, os Jogos no Rio se- Londres, tudo isso foi posto de ladocapital britânica, um dos principais rão uma grande oportunidade para o em benefício dos desafios e do pla-benefícios do evento será o investi- Brasil mostrar uma gama mais ampla nejamento dos Jogos” diz Heather.mento feito para a melhoria da infra- de seus cenários, aliando a riqueza “Com a governança certa e organi-estrutura urbana, sobretudo da rede cultural à sua excelente herança des- zações políticas comprometidas, ode trens e metrôs. “A maioria dos portiva. “Será a oportunidade de pôr ‘Rio 2016’ será realizado no melhorgastos − 75% − não é nas Olimpíadas, por terra qualquer percepção de que lugar possível.” PIB 65
    • Internacionalização As advogadas Paula Lippi (à esq.) e Thais Castelli Direito às claras O salto para a internacionalização e a gestão de unidades no exterior exigem das empresas brasileiras preparo para trabalhar com leis e rituais jurídicos diferentes e variados antonio C arlos santomauro e m meados de 2009, quan- Assim como essa, outras em- da inclusão de novas demandas que do enfrentava problemas presas brasileiras com presença as empresas devem atender. que, na sequência, desem- internacional podem enfrentar, em Um exemplo de incorporação bocariam em uma con- terras estrangeiras, demandas jurí- de novas vertentes do Direito é a cordata, a General Mo- dicas de natureza variada. Há desde legislação ambiental, cada vez mais tors (GM) postergava, nos Estados questões mais corriqueiras − como relevante em praticamente todo o Unidos, pagamentos devidos à Sabó, abertura de um escritório − até com- mundo. “Ela é hoje tão importante fabricante de autopeças de origem plexos contratos referentes à com- quanto as legislações fiscal e traba- brasileira hoje presente em dez pa- pra de grandes unidades produtivas, lhista”, compara Alencar Lehmkuhl, íses (e lá, dona de uma fábrica na passando por demandas e litígios gerente jurídico da Tigre, fabrican- Carolina do Norte). Para assegurar fiscais, trabalhistas e comerciais, te de tubos e conexões sediada em seus direitos, a Sabó entre outras verten- Santa Catarina, com fábricas em contratou um advoga- tes do Direito. Para mais nove países. Quando projeta a do norte-americano, Multinacionais diminuir o risco de compra de uma operação em outro e com seus serviços precisam percalços, as multi- país, a Tigre investiga não apenas conseguiu ser ressar- cida pela Nova GM ser flexíveis para nacionais brasileiras precisam ter a flexi- possíveis pendências jurídicas na área ambiental, mas também faz (como foi designada a se adequarem bilidade e o conhe- testes de qualidade do solo e avalia operação surgida das às leis de cimento necessários a deposição dos resíduos da empre- cinzas da anterior). Melhor: manteve-se cada país para se adequarem à legislação e aos sa, de forma a se precaver contra o surgimento de demandas futuras. como fornecedora da rituais processuais montadora. “Nos Estados Unidos, vigentes em cada país, aos quais modelos distintos definidas as questões jurídicas, os devem, obrigatoriamente, subme- Quando adquiriu uma planta negócios prosseguem normalmen- ter-se. Sistemas judiciais distintos industrial no Chile, em 2008, a fa- MAX NOGUEIRA te”, observa Braulio de Carvalho, podem ter características muito bricante de adesivos industriais e diretor administrativo e financeiro particulares e, além disso, estão laminados especiais Artecola, de da Sabó. sempre mudando, em geral a partir origem gaúcha, enfrentou proble-66 PIB
    • PIB 67
    • Internacionalização DIVULGAÇÃO/SABÓ 2 mas decorrentes das exigências da legislação ambiental local. A unida- de adquirida já estava em operação, e a compradora subestimou a pos- sibilidade de que ela tivesse algum desacordo com os regulamentos de defesa do meio ambiente. Na verda- de, havia pendências cuja solução exigiu esforços e investimentos que não tinham sido previstos. “Tenta- mos mapear todas as variáveis, mas DIVULGAÇÃO a realidade sempre reserva alguma surpresa”, lembra Eduardo Kunst, 1 direitos no mundo empresa criada do zero ou a contra- tação de um representante ou agen- tões”, diz Luisa. Kunst, da Artecola, destaca a a intrinCada teia global de leis te. Para encontrar os especialistas possibilidade de seguir sugestões e estruturas jurídicas distintas não capazes de ajudá-las a entender dos escritórios com os quais a em- impede o crescente interesse de melhor as especificidades jurídicas presa já atua no Brasil, muitos dos expansão das empresas para outros de um novo mercado, as empresas quais têm parceiros internacionais. mercados. “Elas precisam montar costumam recorrer a diversas fon- “Também conversamos com empre- uma estrutura jurídica própria para tes. A Wizard, por exemplo, busca sas brasileiras que já estão naquele suportar o modelo adotado em ou- sugestões em uma entidade setorial mercado. Sempre selecionamos três tro país e cuidar da manutenção de brasileira, a Associação Brasileira opções de escritórios: aí, um diretor sua presença naquele mercado”, re- de Franchising (ABF), quando preci- vai até lá, conversa com eles, e to- comenda a advogada Thais Castelli, sa contratar advogados nos países mamos a decisão”, detalha. De acor- do escritório Castelli & Castelli. onde ingressa. “Quando a ABF não do com Kunst, de todos os países Isso vale para qualquer modelo conhece ninguém em determinado onde está hoje presente a Artecola, de negócio adotado − seja a nova país, pode nos indicar a entidade a Argentina talvez seja aquele com operação uma joint venture, uma similar de lá, onde buscamos suges- ambiente jurídico mais complexo e68 PIB
    • 1 Braulio 2 Unidade da de Carvalho, empresa na da Sabó: Alemanha: processo contra ativo a GM nos EUA resguardado xílio jurídico a uma empresa que planeja entrar num mercado ainda desconhecido, as grandes redes internacionais ou os escritórios alguém que fale a mesma língua do locais? Nem sempre a resposta é empresário brasileiro”, ele susten- conclusiva. À primeira vista, advo- ta − ponto ressaltado também por gados locais têm como diferencial Paulo Frank Coelho da Rocha, sócio favorável o foco específico nos pa- e diretor do escritório Demarest e íses onde atuam e a maior vivência Almeida. Além de integrante de re- em sua cultura. Já as redes inter- des de escritórios independentes, o nacionais geralmente reproduzem Felsberg mantém unidades próprias em todos os países um padrão uni- nos Estados Unidos, na Alemanha e forme de atuação, sublinha Thais na China. Castelli, advogada que hoje é sócia do escritório paulistano Castelli & guatemala versus eua Castelli, onde atua com Paula Lip- A aquisição de ativos em outrospresidente executivo do grupo Ar- pi. Trabalhando anteriormente nas países é possível fonte de pendênciastecola. Dona de fábricas também em áreas corporativas da fabricante de jurídicas posteriores, travadas commercados como Argentina e México, cosméticos Natura e da indústria de antigos sócios da empresa adquiri-a Artecola delega as questões jurí- alimentos Sadia, Thais acumulou da, consumidores, poderes públicos,dicas a advogados dos países onde experiência na seleção de escritó- fornecedores ou clientes. Por isso,atua. “Nem sempre a opção por re- rios em dezenas de países. a assinatura de um contrato dessedes (de serviços jurídicos) com pre- Mas a presença internacional di- gênero é geralmente precedida dosença em vários mercados funciona reta em vários países também pode processo denominado due diligence,bem, pois, às vezes, minha operação ser interessante, afirma Neil Mon- no qual o candidato a compradornão é tão significativa para o escri- tgomery, sócio da área internacional avalia possíveis passivos da empre-tório dessa rede”, justifica Kunst. do escritório Felsberg e Associados, sa nas diversas áreas do Direito (o Essa é uma discussão recorren- de São Paulo. “Essa presença signi- processo inclui também a análisete: quem pode prestar o melhor au- fica a existência, nesses países, de das informações contábeis por fir-moroso. Montgomery, do Felsberg conta Luiz Sette, sócio do escritó- empresa tiver capacidade de inves-e Associados, lembra também que rio Azevedo Sette Advogados. Já timento e potencial de negócios emo sistema jurídico argentino pode, na França, ele especifica, qualquer outros mercados, e se seus dirigen-muitas vezes, ser influenciado por contrato deve considerar a vigência tes desejarem expandir sua atuaçãoquestões políticas, que lá têm peso de uma legislação trabalhista capaz para o exterior” − diz ele − “questõesmuito grande. “Um país latino- de inviabilizar − ou ao menos tornar jurídicas dificilmente constituirãoamericano hoje tido como modelo extremamente onerosa −, a demis- problemas para sua internacionali-em seu aparato jurídico-empresarial são de funcionários com certo tempo zação”. Além da preparação espe-é o Chile”, afirma. de empresa. E o sistema judiciário do cífica, isso quer dizer que ela deve Na China e na Índia, os siste- México, prossegue, mesmo quando atuar dentro do mais estrito respeitomas jurídicos são muito complexos confrontado com o brasileiro, pode às leis. “No mercado internacional,e burocráticos; nesse último país, ser considerado extremamente mo- competimos com grandes corpo-determinados aspectos da legis- roso. Contudo, na opinião de Sette, rações globais, e isso não permitelação − na área fiscal, por exemplo nada disso impede os voos das novas nenhum deslize”, arremata Braulio− podem variar conforme a região, multinacionais tupiniquins. “Se uma de Carvalho, da Sabó. PIB 69
    • Internacionalização mas de auditoria). A Tigre, quando negocia a compra de uma unidade no exterior, envolve no processo um grupo formado por sua área jurídica corporativa, um escritório do país onde a negociação ocorre e um es- critório brasileiro com experiência internacional, capaz, inclusive, de ajudá-la na busca pelo escritório lo- cal. “Esse grupo é fundamental para uma atuação preventiva, que mini- mize a possibilidade de problemas posteriores”, destaca Lehmkuhl, gerente jurídico da empresa. Mas mesmo empresas com forte presença internacional e que con- tam com o máximo de cuidado em suas transações podem, em deter- minado momento, precisar recor- rer a soluções emergenciais para resolver uma questão jurídica no exterior. Um exemplo é a Gerdau, grupo siderúrgico controlador de 1 instalações industriais em 14 pa- íses: em uma de suas aquisições as questões sindicais são bastante transnacionais, ela encontrou difi- complexas”, complementa. culdades para pôr no papel o negó- E podem existir diferenças cio − embora qualificado para a due acentuadas no grau de sofisticação diligence, o escritório local envolvi- e complexidade dos sistemas jurí- do na operação carecia da expertise dicos. Na Guatemala, por exemplo, necessária para a re- não há ainda uma lei dação de contratos relativa a franquias; mais complexos. “O ao competir por isso, quando se assunto foi resolvi- com grandes instalou nesse país, do por nossa equipe jurídica corporativa”, corporações a rede de escola de idiomas Wizard de- lembra Expedito Luz, globais, não senvolveu contratos vice-presidente exe- há espaço detalhados para su- cutivo jurídico e de compliance da Ger- para deslize prir a falta da legis- lação nacional. De dau. E uma vez pula- outro lado,   países das todas as fogueiras da operação desenvolvidos com história de 2 inicial de compra, com a nova subsi- descentralização política e admi- diária já sob controle da sede brasi- nistrativa tendem a ser complexos sente hoje também em países como leira, é a hora de enfrentar as pecu- pela variedade de leis locais. “Nos Irlanda, Japão, Inglaterra e Méxi- liaridades de cada cultura jurídica Estados Unidos, alguns aspectos da co, a Wizard adota como primeira FOTOS: DIVULGAÇÃO e empresarial. Na América Latina, legislação sobre franquias podem medida jurídica, sempre que chega conta Luz, o direito trabalhista gera variar de um estado para outro”, a um novo mercado, a proteção de volume considerável de demandas. compara Luisa Siqueira, gerente da sua marca. A preocupação com esse “Nos Estados Unidos e na Espanha, área internacional da Wizard. Pre- ativo tornou-se mais aguda quando70 PIB
    • 1 Luisa Siqueira e unidade da Wizard na China: marca protegida 2 Kunst, da Artecola: pendências inesperadas 3 Montgomery, do Felsberg: a importância de falar a mesma língua mercado para a indústria de auto- peças”, justifica Carvalho. Em mais uma demonstração de que não existe fórmula única para se tornar multinacional, o parceiro local que a Sabó preferiu descartar pode, em outros casos e na mesma China, constituir-se em ferramenta capaz de abrir portas e agilizar o 1 processo de instalação de empresas. tensos nos trechos dedicados a essa “Em alguns setores, esse parceiro é proteção”, diz Luisa. até uma exigência”, destaca Coelho da Rocha, do Demarest e Almeida. “Conhecer a fundo” Mas caso haja alguma desconfiança A proteção dos direitos intelec- em relação ao sistema jurídico do tuais no mercado chinês exigiu es- país onde a candidata a multinacio- forço extra também da fabricante nal brasileira pretende se instalar, de autopeças Sabó. Para melhor os contratos estabelecidos com par- resguardar esse ativo, além de ela- ceiros locais podem eleger uma ter- borar contratos mais detalhados ceira nação ou entidades que se de- nos itens relacionados ao tema, a dicam à arbitragem multinacional Sabó preferiu instalar-se na China − caso da International Chamber sem o apoio de um sócio local, com of Commerce − como fórum para a o qual precisaria compartilhar se- solução de pendências (desde que a gredos industriais. E a experiência legislação local não bloqueie a mu- multinacional acumulada da Sabó dança de jurisdição). De uma forma também revelou-se útil para aplai- ou de outra, qualquer que seja o con- nar o caminho. A fábrica chinesa texto empresarial e o ambiente jurí- 3 foi estruturada como uma subsidi- dico, uma regra sempre vale para o de seu recente ingresso na China, ária da operação alemã da empresa, diretor do Demarest: o empresário mercado temido por muitos em- uma forma de mobilizar em favor que parte para fazer negócios no presários brasileiros pela ausência da novata brasileira as ligações eco- mundo deve tentar conhecer a fun- de controles mais rígidos nas ques- nômicas profundas entre a Alema- do qualquer empresa estrangeira na tões relacionadas a direitos sobre nha e a China: “Os alemães têm um qual tenha interesse: “Toda empre- marcas e propriedades intelectuais. relacionamento muito mais estreito sa tem um passado, uma história e“Na China, temos contratos mais ex- com os chineses, eles abriram esse possíveis passivos”. PIB 71
    • Negócios Expansão cirúrgica Em quatro anos, fábrica brasileira de produtos médicos fincou bandeira em 32 países, de onde vêm 30% do faturamento pedro marCondes de mour a m issão empresarial los sócios Uriel Binembaum e Paulo ano, da Fime, feira internacional do nos Emirados Ára- José de Almeida, o equipamento deu setor, em Miami. Foi o pontapé ini- bes Unidos, reunião origem à empresa e é usado para pe- cial para a exportação. “O produto com distribuidores quenas e médias cirurgias que exi- foi imediatamente bem recebido e da Coreia do Sul, gem precisão máxima. Como pode fizemos contato com distribuidores encontro na República Dominica- ser compartilhado por diversas es- latino-americanos”, lembra Grillo. na. Três países em 15 dias. Essa tem pecialidades médicas, o bisturi tem Num mercado disputado por sido a rotina do administrador Lu- amplo mercado e é hoje a galinha muitos, a relação entre custo e be- ciano Grillo desde que foi contrata- dos ovos de ouro da nefício do aparelho do, há quatro anos, para dar início Loktal. Nos últimos foi o que fez com que às exportações da Loktal Medical quatro anos, a em- a participação Angelo Rostirolla, Electronics. Fundada em São Paulo presa conquistou em uma feira diretor da Clinicalar, há 20 anos, a fábrica especializada em equipamentos cirúrgicos ele- uma fatia do mercado mundial e hoje dispu- em Miami se tornasse o distri- buidor exclusivo da trônicos vende hoje para 32 países, ta clientes com ame- foi o pontapé Loktal na Venezuela. entre América Latina, Europa, Ásia ricanos e chineses. inicial para “O bisturi conquista e África. A agenda de Grillo, encar- regado de acompanhar esse movi- Até 2007, porém, a perspectiva inter- exportar o mercado pela tec- nologia similar à da mento, é a prova de que a estratégia nacional da Loktal americana Ellman surtiu efeito. era bastante modesta. Com o apoio International (principal produtora A empresa fabrica seis produtos, da Agência Brasileira de Promoção de bisturis de alta frequência do mas a receita da Loktal se concentra de Exportações e Investimentos mundo), que tem o dobro do preço”, na comercialização de um deles: o (Apex-Brasil) e da Associação Brasi- diz Rostirolla, destacando que o FOTOS: DIVULGAÇÃO bisturi eletrônico de alta frequência leira da Indústria de Artigos e Equi- produto concorrente chega a custar batizado de Wavetronic 5000 Digi- pamentos Médicos, Odontológicos, US$ 11 mil (cerca de R$ 18.500). O tal, que representa, segundo Grillo, Hospitalares e de Laboratórios (Abi- da Loktal tem preços variando en- 99% dos negócios. Desenvolvido pe- mo), a empresa participou, naquele tre US$ 5 mil e US$ 6 mil. “Os chine-72 PIB
    • 1 Loktal 2 Wavetronic, apresenta o bisturi bisturi em de alta feira no frequência exterior 1 2 ses são mais baratos, mas têm baixa duto brasileiro, foram os mercados de inteligência comercial da Abimo. qualidade e diversos problemas téc- emergentes que impulsionaram as “Não é o caso da Loktal, cujo diferen- nicos”, explica. Um terço das expor- vendas da empresa – hoje ela foca cial é a vontade de desbravar novos tações do bisturi tem como destino sua expansão em missões comerciais mercados”, completa ele. Por contaVenezuela e México. para países como Irã e Egito, onde do posicionamento ativo, a Loktal A Loktal também apostou em atua praticamente sozinha. “Não levou, em 2010, o prêmio da Apexfeiras para apresentar seu produto existe lugar ruim para fazer negó- para pequenas e médias empresas ao mercado europeu. Sua presença cios. Se a saúde do país for precária, na categoria Abertura de Mercado. na Medica, maior evento mundial as probabilidades de Com meta de do segmento, realizada em Düssel- se fechar contratos crescer 15% este ano, dorf, em 2008, fez com que o con- são maiores”, analisa com meta de a fábrica tem um tinente entrasse na mira da fábrica Luciano Grillo. No crescer 15%, desafio ainda mais paulistana. Apesar de não contar, na Peru, por exemplo, a época, com a certificação europeia fábrica deve assinar, fábrica parte ambicioso: enfrentar os principais con-– obrigatória para exportar para em breve, um acordo para enfrentar correntes, chineses e países do bloco –, todos os bisturis com o governo para concorrentes americanos em seuslevados ao evento foram vendidos. instalar um bisturi em Quem comprou gostou, e os novos cada unidade de saú- americanos próprios territórios. Um contrato de venda pedidos evidenciaram a necessidade de pública. Em Ango- de 300 equipamentos do certificado. A licença foi conse- la, o produto deverá ser utilizado no por ano ao país asiático já foi assina- guida após seis meses de burocracia, Programa de Saúde da Mulher. do. Nos Estados Unidos, ela busca as a um custo de US$ 60 mil. Na edição A estratégia fez com que a Loktal licenças necessárias para comercia- seguinte da feira alemã, foram fe- alcançasse a marca de 30% de seu lizar o bisturi. “Já estamos à procura chados contratos com distribuido- faturamento vindo do exterior. de um distribuidor de peso para a res espanhóis e portugueses. “Muitas empresas desse segmento operação”, diz Luciano Grillo. A es- Apesar de compradores tradicio- ainda temem a internacionalização”, trutura de 50 funcionários deve ficar nais também se renderem ao pro- diz Tarso Evangelista, coordenador pequena em breve. PIB 73
    • Farol Ações e inovações locais num mundo global 1 Ugalde em ação: o ambientalista do século, segundo a revista Time 2 Mudas para a mata nativa: educação, empréstimos e juros “ecológicos” O protetor das f lorestas Depois de comandar uma revolução que 1 transformou a Costa Rica num santuário ecológico, o ambientalista Alvaro Ugalde quer exportar seu modelo verde para o mundo a n d r e s s a r o va n i 1 C om 4 milhões de habi- to, onde o ambiente é claro. O incremen- tantes, a Costa Rica, na paga a conta pelo to das divisas com América Central, é pou- crescimento acelera- ele conseguiu turismo representa co conhecida no Bra- do, na Costa Rica as cristalizar a 7,1% do PIB do país sil. Pior para nós. Nas florestas tornaram- últimas décadas, a Costa Rica tem se grandes aliadas da ideia de que (de US$ 3,4 bilhões) e cresce a um ritmo avançado em ritmo surpreendente. economia. Atualmen- árvores valem de 12% ao ano. O país, que no fim da década de 1940 te, um quarto de todo mais em pé do Essa transforma- se notabilizou por eliminar o Exér- o território está sob cito, conta com 95% da população proteção ambiental. que derrubadas ção, iniciada há 40 anos, tem nome: Al- FOTOS: NECTANDRA INSTITUTE alfabetizada, abriga um importante Com o aumento pau- varo Ugalde. Se hoje centro produtor de chips de compu- latino da área verde, o turismo eco- a economia costa-riquenha tem mo- tador e é hoje um dos principais des- lógico ganhou força – o país se con- tor verde, o mérito é desse biólogo tinos mundiais para o ecoturismo. sidera hoje o “berço do ecoturismo” de 64 anos, que ao longo de quatro Ao contrário do que prevale- – e atraiu 2 milhões de visitantes em décadas comandou uma revolução ce nos países em desenvolvimen- 2010. Nas contas públicas, o reflexo em seu país. Ele trabalhou por 1774 PIB
    • 2anos como funcionário do sistema fundou o Instituto Nectandra, que o biólogo. “Após seis empréstimos,nacional de parques, onde pressio- empresta dinheiro sem juro para não temos dúvidas do interesse enou o governo para que protegesse qualificar comunidades rurais que da utilidade.”suas florestas e cristalizou na men- administram seus próprios sistemas Em vez de juro financeiro, o insti-talidade dos costa-riquenhos, entre de água. “Era necessário acelerar os tuto cobra das comunidades um juroos quais os campesinos, a ideia de programas para salvar o que resta e “verde”. Cada grupo reembolsa o em-que as árvores valem mais em pé do restaurar, tanto quanto possível, as préstimo e paga “juros ecológicos”,que derrubadas. A Costa Rica tem florestas tropicais”, diz Ugalde em mediante ações como reflorestamen-hoje 32 parques nacionais e, estima- entrevista à PIB. to da mata nativa nas propriedadesse, representa 5% da biodiversidade Sem fins lucrativos, o Nectan- ou dando continuidade à educaçãomundial. Graças a esses resultados, dra atua em atividades de interesse ambiental. “Acreditamos que o mo-ele recebeu, em 1999, o título de Lí- ecológico. O trabalho começou no delo possa ser exportado para outrasder Ambiental do Século, da revista rio da Balsa, norte do país. “Quando bacias hidrográficas da Costa Rica eamericana Time, entre outros. fizemos a primeira ação, não tínha- até mesmo para outros países”, afir- Desde 1999, o biólogo se esforça mos ideia de que o restante das co- ma Ugalde. O Brasil deveria ser o pri-para proteger os mananciais. Ele munidades iria se interessar”, diz meiro a lhe dar as boas-vindas. PIB 75
    • Globe-Trotter • Viagem Executiva MArCO rezende teCnologia Vem aí o “google Room View” quer saBer Como é exata- mente aquele quarto que você quer reservar no Copacabana Palace? Daqui a pouco será possível. A empresa Room 77 está lançando um site para as pessoas verem o seu quarto como é realmente antes de reservar. Assim como faz o site TripAdvisor, Room 77 também usará a ferramenta do crowd- sourcing, fotos e descrições enviadas pelos hóspedes. O sistema não oferece 100% de credibilidade, mas, pelo menos, sua principal arma são as fotos. Os interessados poderão também ver a posição do quarto no andar, ótimo para quem se preocupa com o ALESSANDRO BATISTESSA barulho que vem de fora. Por enquanto, estão disponíveis alguns hotéis nos Estados Unidos e em Londres. http:// www.room77.com/index.html 1 gastronomia o pior restaurante do mundo a.a. gill, o festejado e ferino crítico gastronômico da revista Vanity Fair, é bem-humorado e mantém a elegância mesmo quando é cruel. Na última edição da revista, Gill detonou um velho ícone de Paris, adorado por americanos cosmopolitas (Bill Clinton, Woody Allen...), esnobes ingleses e brasileiros com contas pagas por pessoa jurídica: L´Ami Louis, venerando restaurante sem estrelas, mas muita fama, FOODSNOBBLOG.WORDPRESS.COM aberto em 1924, na Rue du Vertbois, perto do Marais. “Dada sua decoração colonoscópica, serviço grosseiro, comida inacreditável e conta pesada, o restaurante é um triunfo gálico”, escreveu Gill, sarcástico. Ele encerra a crítica com a frase que dá título a esta nota. O texto completo pode ser lido (em inglês) no endereço http://www. vanityfair.com/culture/features/2011/04/lami-louis-201104 276 PIB
    • 1 Copacabana Palace: em breve, é clicar e ver para crer 2 L´Ami Louis, em Paris: clientes finos, resenhaLE MAURICE/ROUGEMON indigesta 3 Estelle Touzet: melhor 3 sommelier da vinHo França, aos 29 Uma senhora sommelier 4 Hotel Carl Gustav, em sommelier do Hotel Meurice, Estelle Touzet foi eleita, pelo Guia Pudlowski, a melhor som- St. Barth: melier da França, em 2011. Nada mal para uma garota de pouco mais de 29 anos, nascida e criada uma opção no Vale do Rio Loire, região de brancos deliciosos, como Muscadet, Sancerre e Pouilly-Fumé. entre 140 Estelle diz que se interessou por vinho nas aulas de História – e foi fazer o dever de casa. Estudou na escola de hotelaria Albert de Mun e trabalhou em restaurantes de chefs estrelados, como Guy Savoy (Château de Cordeillan-Bages) e Tom Aikens (Londres). Agora comanda outros cinco som- meliers assistentes e uma adega com 30 mil garrafas no mais aristocrático hotel de Paris. aeroporto Viva Viracopos! Congonhas e o de Guarulhos é de três ros voos internacionais em Viracopos horas. Parece demais, mas os 30 quilô- desde que Guarulhos foi inaugurado, toda vez que a sigla GRU apare- metros do percurso estão sujeitos a en- em 1985. Parece longe, mas o simpáti- ce num bilhete aéreo, o passageiro garrafamentos traumáticos, todo dia, co aeroporto, cujo saguão repaginado sabe que tem garantido um estresse em especial quando chove e na hora oferece serenidade compatível com o a mais – a absoluta incerteza quanto do rush. O Aeroporto de Viracopos, em ar campestre ao redor, é servido por à duração do trajeto até o Aeroporto Campinas, a 90 quilômetros de São duas ótimas autoestradas, Anhangue- Internacional de Guarulhos (GRU, na Paulo, oferece agora uma ótima opção ra e Bandeirantes. A uruguaia Pluna peculiar denominação da Iata). No para quem viaja para a Europa. A TAP seguiu o exemplo e introduziu voos site da TAM, a companhia informa que lançou três voos semanais para Lisboa diários (exceto aos domingos) para o trajeto entre o aeroporto central de e conexões, reintroduzindo os primei- Montevidéu. Que venham outros! Hotéis Um bom custo-benefício o que tem em comum o histórico Solar do Rosá- rio, em Ouro Preto; o Hotel Carl Gustav, refúgio de cartões platinum na ilha caribenha de St. Barth; e o Heritage Awali Golf & Spa Resort, nas Ilhas Maurício, em pleno Índico? Todos fazem parte da associação Hotels & Preference, que reúne 140 estabelecimen- tos pelo mundo, numa rara combinação de luxo e PATRICK MURAILLON preços moderados. A rede tem, agora, representação no Brasil. www.hotelspreference.com ou, para reservar de modo mais humano, ligue para Melina Amaro da Luz, no telefone (+55-41) 33361546. 4 PIB 77
    • Globe-Trotter - Turismo Expresso moscou, por Pablo Rossi aos 21 anos, o pianista catari- nense Pablo Rossi é considerado um dos principais destaques da música clássica brasileira. Em Moscou, na Rússia, há quase cinco anos, Pablo estuda no renomado conservatório Tchaikovsky, onde também estudou, entre outros, o músico Arthur Moreira Lima. Com 11 milhões de habitantes, a cidade conhecida pelo frio implacável possui monumentos arquitetônicos e culturais que fazem parte da história da humanidade. Para quem chega, ela não poupa nas cores e no ecletismo de sua arquitetura, que pedem um passeio mesmo que de poucas horas. “É uma cidade que pode surpreender em muitos sentidos, mas ainda não consegue esconder de seus turistas resquícios de seus velhos tempos comunistas”, pondera Pablo. É ele quem guia o leitor na capital russa por monumentos, avenidas e restaurantes cheios de história e charme. se tiver algumas horas... inaCeitável seria aterrissar em solo russo, mesmo que por algumas poucas horas, e não explorar o coração da capital: a praça vermelha. Apesar do intenso trânsito desta agitada cidade, vale a pena enfrentar algumas horas para chegar até a praça, onde grande parte dos principais monumentos da cidade pode ser visitada. Palco de grandes acontecimentos na era soviética, ela tem arquitetura ecléti- ca, cercada, de um lado, pelas muralhas do Kremlin (sede do governo russo) e, de outro, pelo belíssimo prédio do gum (um dos shoppings mais luxuosos da cidade) e pelas impressionantes cúpulas da catedral de “São Basílio”. Do lado oposto à basílica encontra-se o Museu de História Russa. Depois do passeio, recomendo o Café Bosco, onde é possível saborear um “blini” (típica panqueca russa) acompanhado de “kvas” (bebida à base de trigo) ou até de uma vodca. Próximo à Praça Vermelha, é impossível conter a surpresa diante da im- ponência do Balé Bolshoi. Para quem gosta, minha dica é ver se ainda há ingressos para a mesma noite para o mais renomado balé do mun- do. Depois do espetáculo, o jantar pode ser no restaurante “Bolshoi”, DAMIR YUSUPOV opção imperdível para os que querem investir na refeição. Já para quem procura algo mais moderno e badalado, vale conferir o restaurante “Do Do”, a poucos minutos do teatro.78 PIB
    • 1 Catedral de São Basílio e o Kremlin na imperdível Praça Vermelha 2 Bailarinos do Bolshoi em ação 3 Ovos Fabergé: ícones do Kremlin SXC 1 ALEXANDER MAKAROV-DREAMSTIME.COM2 3 PIB 79
    • Globe-Trotter - Turismo Expresso se tiver o dia inteiro... a religião ortodoxa sofreu por décadas com a repressão do Estado comunis- ta, tendo muitas de suas belíssimas igrejas depredadas e aniquiladas. A Basílica do Cristo salvador possui uma história impressionante e vale a visita. Construída pelo czar Nicolai I, na primeira metade do século 19, este gigante monumento foi demolido por ordem de Stalin. Somente décadas depois, em tempos capitalistas, a Basílica foi reconstruída com base em fotos e documentos da época czarista. Vale lembrar aos turistas as tradições ortodoxas: homens devem ter a cabeça desta- pada (sem chapéus ou bonés) e as mulheres devem envolvê-la com véus. Após a visita à basílica, faça uma parada no restaurante Baba marta, de comida típica caucasiana. Depois do almoço, aproveite para caminhar pelo bulevar Gogolevski. Subindo em direção à Tverskaya (principal avenida moscovita), visite o museu-casa de Gogol, considerado o maior escritor russo da primeira metade do século 19 e precursor de todos os grandes escritores que o seguiram. Mais à frente, pelo mesmo bulevar, chega-se à rua “Velha Arbat”. Construída no século 18, era considerada coração da Moscou artística na chamada “época de ouro” moscovita. Grandes nomes da cultura russa circulavam ou moravam pela região, como o escritor Alexander Pushkin e os compositores Tchaikovsky e Scria- bin. Vá à casa de Pushkin. Para quem se interessa por música, a casa do pianista e compositor Scriabin é um passeio imperdível. Para encerrar o dia, jantar no tradicional Cafe pushkin, um dos clássicos da culi- nária russa e europeia. Já se os planos forem continuar no clima da época de ouro, o restaurante turandot, do mesmo dono do Cafe Pushkin, proporciona ao cliente uma viagem aos séculos 17 e 18, com seus ambientes rebuscados no estilo rococó. O restaurante é local de frequentes peregrinações de turistas, que vêm apreciar essa verdadeira obra de arte, que custou US$ 75 milhões. Como entrada, recomen- do saborear o “camarão wasabi”, um prato da cozinha chinesa presente no menu. VLADIMIROVICH ROCKET 3 480 PIB
    • 1 Café Pushkin: para provar a culinária russa 2 No cardápio, o salmão é uma especialidade 3 Museu dos Cosmonautas: foguetes históricos 4 Fonte em meio ao gigantesco parque VDNKh CORTESIA CAFE PUSHKIN 1 2se tiver o fim de semana inteiro...o kremlin, sede oFiCial do governo russo, com o curioso museu dos Cosmonautas. Nele, nãorequer um dia inteiro, já que o turista vai se de- se esqueça de tirar uma foto ao lado da cachor-parar com um dos museus mais ricos da Rússia, o ra Strelka, heroína soviética enviada ao espaçoMuseu das Relíquias da Coroa, além de uma boa pelos comunistas em 1960 e agora empalhada nocaminhada pelo vasto território do Kremlin, com museu. O único mico é o fato de o centro culturalsuas antiquíssimas igrejas. No museu podem-se ser todo em russo, mas vale conferir os protótiposapreciar desde vestimentas usadas pelas várias de satélites e espaçonaves. Continuando no ritmogerações de czares até os famosos ovos Fabergé. espacial, o restaurante Strelka, às margens do rioApós um mergulho na história russa, corra para Moscou, tem ambiente para um drinque.um dos concertos na “Sala Bolshoi”, no conser- Se a intenção for fazer um passeio diferente, ovatório tchaikovsky. Saindo de lá, vá a um dos cemitério Novodevichy é o destino. Nele estãorestaurantes da rede Café Mania, que fica junto sepultadas grandes personalidades russas,ao conservatório, oportunidade para conhecer além de ser vizinho do convento novodevichy,melhor os moradores da cidade. patrimônio da humanidade. Caminhando pelosSe sobrar um tempinho em Moscou, seria im- corredores, pode-se descobrir um pouco maisperdoável não visitar a galeria tretyakova para sobre a história da igreja Ortodoxa. Para comer,conhecer melhor os pintores russos. Da galeria, o restaurante mari vana, um de meus preferidos,siga para o gigantesco parque vdnkh, que ocupa fica no coração do bairro dos Patriarcas.uma área maior que o principado de Mônaco. Prove a típica sopa russa, o “borsch”, feita deCom 400 prédios em seu território, é o principal beterraba, e relaxe. É um dos ambientes maiscentro de exposições da Rússia, além de contar acolhedores da cidade. PIB 81
    • Globe-Trotter • Em trânsito Paulo e amigas, PAUlO sTriker* em frente à mesquita de Jedá sob as leis do corão Respeitar os costumes alheios é essencial para dirigir uma empresa na Arábia Saudita, onde a religião rege a vida QUIVO PESSOAL PAULO STRIKER/AR a pós dois anos na aráBia Sau- Eles o comem, habitualmente, com a mão, retirando a comida dita liderando a operação da Sadia de um prato gigante. Nesses dois anos, fui comer poucas vezes (hoje BRF Brasil Foods), percebi como em casa de sauditas, mas deu para perceber que a fartura é nós, brasileiros, damos relativamente pouca impressionante. Convites, em geral, só para eventos de negócios atenção à refeição e aos alimentos. No Brasil, com outros homens. Dificilmente você vai sair para encontrar um sempre verde, as pessoas, em geral, nem se saudita, em algum lugar, com as esposas. Isso não tem. dão conta da abundância e da variedade de Como o frango é a proteína preferida, a Sadia é uma marca produtos que saem do campo para abastecer muito forte por aqui. Tanto que a palavra “Sadia” foi incorporada as cidades. Aqui, em um país quase todo to- ao vocabulário do país e se tornou sinônimo de frango. O inte- mado pelo deserto, os alimentos e as refeições ressante é que a palavra se confunde com Saudi, nome do país, têm uma importância radicalmente oposta. criando uma química entre a empresa e a Arábia Saudita. O alimento é um bem em si, um produto com Mas não é só a comida que torna a vida aqui especial. O fato grande valor. Para os sauditas, o ato de comer, de o país ser uma monarquia religiosa faz dele um local muito trivial para nós, constitui um momento de diferente daquilo a que nós, ocidentais, estamos acostumados. grande importância, tanto no aspecto familiar Tudo gravita em torno da religião. A lógica dos negócios e dos re- como no social. lacionamentos está calcada nela também. Por exemplo, quando Como se sabe, predomina na Arábia se vai fazer qualquer tipo de negociação, como uma contratação Saudita um ramo fortemente conservador da de serviços, a legislação é toda baseada no Corão. religião islâmica, que vê com muitas restrições É preciso flexibilidade. Ao me mudar para a Arábia Saudita, as formas ocidentais de entretenimento, como tive de ceder a muitos costumes diferentes. E não só eu. Vivemos o cinema e o teatro. A alimentação toma o em um condomínio para expatriados. Dentro dele, há as liberda- lugar delas. As famílias são muito grandes, des que conhecemos no mundo ocidental. Mas, ao sair de casa, incorporando primos, sobrinhos, tios e avós. minha mulher precisa vestir a abaya – não é uma burca, é uma As mulheres, em geral, não trabalham fora e cobertura preta. Ela não pode dirigir. Não há bebida alcoólica. passam muitas horas na cozinha. Às sextas- Estar exposto a uma cultura completamente diferente nos faz feiras, dia de descanso para os muçulmanos, rever alguns conceitos e dá uma visão do mundo mais abran- quando a temperatura está agradável – como gente, além do crescimento profissional almejado. Eu me sinto agora, em que o inverno ameniza um pouco o realizado por poder liderar um processo tão complicado. Quanto calor –, qualquer lugar com um pouco de área a morar em um país tão distinto, tem vantagens e desvantagens. verde, como as praças e os canteiros centrais Eu chamo de diferenças. de avenidas, fica lotado de famílias fazendo piquenique. O país é um grande consumidor de frango – o prato típico é mesmo o arroz com frango. *Paulo Striker, 56, é diretor da operação da BRF na Arábia Saudita.82 PIB
    • Você vive criando novidades para sua empresa. A gente também. O seu Gerenciador Financeiro agora no iPhone e iPod Touch. E tem um banco diferente ligando tudo isso.Central de Atendimento BB 4004 0001 ou 0800 729 0001 – SAC 0800 729 0722 – Ouvidoria BB 0800 729 5678Deficiente Auditivo ou de Fala 0800 729 0088 – Suporte Técnico 3003 0500 (regiões metropolitanas e capitais) e 0800 729 0500 (demais regiões) bb.com.br/mpe