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Partidarismo na revista Carta Capital
 

Partidarismo na revista Carta Capital

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Semiótica. Analise semiótica greimasiana aplicada aos editoriais da Revista Carta Capital. Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo

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    Partidarismo na revista Carta Capital Partidarismo na revista Carta Capital Document Transcript

    • RENATO DUARTE PLANTIER REVISTA CARTA CAPITAL: UM ESTUDO SEMIÓTICOSOBRE O PARTIDARISMO NA REVISTA CARTA CAPITAL UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO SÃO PAULO – 2010
    • 2 RENATO DUARTE PLANTIER REVISTA CARTA CAPITAL: UM ESTUDO SEMIÓTICOSOBRE O PARTIDARISMO NA REVISTA CARTA CAPITAL Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Nove de Julho (Uninove) como requisito parcial à obtenção do título de bacharel em Comunicação Social com habilitação em jornalismo Orientadora: Mestra Carla de Oliveira Tozo UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO SÃO PAULO – 2010
    • 3 Resumo A semiótica é um estudo extremamente importante para comunicação. Ela seencaixa em qualquer formato de análise de sentido. Jürgen J. Greimas foi umsemiótico que idealizou uma teoria representada por modelo teórico capaz deestudar todas as manifestações do pensamento. Esta teoria será aplicada em umaanálise sobre os editoriais da Revista Carta Capital escrito por Mino Carta, à fim dedemonstrar através do Percurso Gerativo de Sentindo de Greimas, que a revista épartidária do governo Lula, bem como, qual foi o trajeto do autor para elaborar ossentidos do texto. Neste fôlego, este trabalho ambiciona uma análise qualitativa no que tangeao percurso gerativo de sentido dos elementos textuais do jornalismo político, sob aperspectiva da semiótica greimasiana. Greimas acredita que tudo no mundo é texto,considerável passível de análise. Este trabalho é mais um desafio para a teoriademonstrar o seu nível de precisão analítica da produção de sentido.Palavras Chave: Semiótica – Jornalismo Político – Partidarismo - Carta Capital
    • 4 SumárioIntrodução..........................................................................................................061. Jornalismo Especializado..............................................................................081.1. Jornalismo político......................................................................................091.2. Jornalismo internacional.............................................................................171.3. Jornalismo econômico................................................................................202. Conceitos de apoio........................................................................................272.1. Imparcialidade.............................................................................................272.2. Ética Jornalística.........................................................................................292.3. Gêneros opinativos.....................................................................................343. Semiótica.......................................................................................................373.1. Ícone, índice e símbolo - Charles S. Pierce ...............................................413.2. As idades de Pierce................................................................................... 443.3. Greimas e o percurso gerativo de sentindo ...............................................473.4. Os três níveis de Greimas......................................................................... 504. Análise semiótica dos editoriais da Revista Carta Capital............................ 564.1. Estrutura semiótica para este trabalho.......................................................561ª ANALISE (EXEMPLO).................................................................................. 574.2. Análises dos editoriais.............................................................................. 622ª ANÁLISE.......................................................................................................623ª ANÁLISE.......................................................................................................644ª ANÁLISE ......................................................................................................665ª ANÁLISE.......................................................................................................696ª ANÁLISE.......................................................................................................717ª ANÁLISE.......................................................................................................738ª ANÁLISE.......................................................................................................759ª ANÁLISE.......................................................................................................7710ª ANÁLISE.....................................................................................................7911ª ANÁLISE.....................................................................................................8112ª ANÁLISE.....................................................................................................8313ª ANÁLISE.....................................................................................................8514ª ANÁLISE.....................................................................................................8715ª ANÁLISE.....................................................................................................89
    • 516ª ANÁLISE.....................................................................................................91Conclusão..........................................................................................................93Referências Bibliográficas.................................................................................95
    • 6 Introdução Nos últimos 100 anos o jornalismo político mudou em diversos aspectos,porém o seu objetivo continua o mesmo, informar à população o que estáacontecendo no mundo político, tanto em território nacional quanto em âmbitomundial. Devida concorrência que se precipitou depois da segunda grande RevoluçãoIndustrial entre as redações de jornalismo político, os jornalistas buscam, até os diasde hoje, novas fórmulas de agregar consumidor, principalmente diante materialimpresso, que a cada dia que passa perde o seu espaço para a Internet. Antes os jornalistas políticos assumiam em que lado estavam. Hoje elesassumem através de uma argumentação muito melhor organizada postas maisimplicitamente do que explicitamente. O leitor vai lendo, se convencendo ou não, aspalavras proferidas. Em todo trajeto do texto o leitor vai sentindo sensaçõescausadas por emissor. E, de fato, no meu ponto de vista, a semiótica de Greimas –O Percurso Gerativo de Sentido – é a melhor teoria para se estudar estes efeitos desentidos que o narrador impõe em seu discurso. O alvo desta análise semiótica são os editoriais da revista Carta Capital. MinoCarta é o autor e um dos donos da revista, escreve como chefe de redação para amesma. O editorial é consumido muito pouco pelo leitor. Justamente por isso queMino Carta elabora um editorial bem segmentado por temas e diagramado commuita qualidade, para favorecer uma leitura rápida, dinâmica e perspicaz. Porém,justamente por este dinamismo de seus textos e por muitos leitores não possuíremfiltros jornalísticos, ou políticos, eles acabam por não perceber, seja pela velocidadede leitura ou falta de conhecimento especializado, que a opinião de Mino Carta ésomente mais uma dentre as diversas vozes, e não a legítima. É interessante notar que os textos de Mino Carta são qualitativos em diversossentidos textuais: Ele percorre o tempo, em um texto ele pode começar falando doImpério Bizantino e terminar criticando FHC, fazendo uma analogia entre os doisperíodos. Mino possui uma grande experiência no jornalismo políticos, seu pai, GinoCarta, fora também um consagrado jornalista político. Mino trabalhava na revistaVeja na época da ditadura militar durante o governo de Ernesto Geisel; acabou
    • 7tendo que pedir demissão da revista devida pressão que a censura impôs à famíliaCivita, donos da Veja na época. Por isso, existe uma alta perspectiva no que tange a qualidade textual doautor, que diante sua vasta experiência percorrerá diversos tipos de sentidos paraconvencer o leitor da legitimidade de suas palavras. Este estudo semiótico está dividido em quatro capítulos. O primeiro e osegundo trazendo características que irão auxiliar para um melhor entendimentosobre o papel da comunicação entre jornalistas e políticos para com a sociedade.Eles são justificáveis, pois a semiótica de Greimas estuda não só os elementostextuais, como também as relações sociais entre os agentes de um discurso.Naturalmente é necessário entender a relação entre estes dois tipos de poderespara compreender melhor os efeitos percorridos pelo discurso elaborado por MinoCarta para defender sua argumentação frente ao receptor. O terceiro capítulo é uma breve explicação sobre o conceito de Semiótica. Eleabrange os conceitos iniciais de Charles Sanders Pierce, com explicações préviassobre Índice, Ícone e Símbolo. Afinal, Peirce é tido como um dos precursores doestruturalismo e da semiótica moderna. Na época existiam também os trabalhosparalelos de Ferdinand de Saussure, porém o modelo de Pierce era muito maisqualitativo. Vamos perceber a diferença entre estes lingüísticas. Este terceiro capítulo também abrange o Percurso Gerativo de Sentido,idealizado pelo linguista lituano Algirdas Julius Greimas. Ele foi um dos linguistasestruturalistas que mais contribuíram com a teoria Semiótica e com a narratividade.Sua teoria será aplicada neste trabalho que visa à análise semiótica dos editoriais deMino Carta, chefe de redação da revista Carta Capital. Através dos estímulos desentidos de Mino, vamos poder analisar se a revista é de fato partidária do governoLula. O quarto capítulo vai trazer a própria teoria do percurso Gerativo de Sentidoaplicado sobre os textos selecionados de acordo com o valor notícia da coberturapresidencial dos editoriais da Carta Capital. Quando analisamos estes textos através da semiótica de Greimasentendemos tanto o percurso de sentido que o emissor percorreu para convencer oreceptor, como os estímulos sentimentais e intelectuais que estimularam o autor apercorrer tal sequência de sentido, bem como os legítimos objetivos e relações quese implicam no texto.
    • 8 1. Jornalismo Especializado Este trabalho visa uma análise semiótica do editorial A Semana da revistaCarta Capital. Minha hipótese: a cobertura da revista é partidária do governo Lula.Se vamos estudar textos referentes ao presidente, naturalmente o editorial de MinoCarta é de política e economia - muitas vezes, misturados no mesmo texto.Entendemos que a revista é partidária do governo, e que estes editoriais políticoselaborados por Mino Carta demonstram, com mais facilidade, a opinião que a revistapossui. Para iniciar o trabalho pretendo explicar estes tipos de jornalismosespecializados presentes tanto no editorial quanto no conteúdo bruto da revista.Vamos utilizar a análise semiótica proposta pelo lingüista lituano Algirdas JulienGreimas chamada: “Percurso Gerativo de Sentindo”, baseado nos estudos deAlgirdas Julien Greimas (cuja explicação estará no terceiro capitulo), para investigarde uma forma lingüística - jornalística, o Percurso Gerativo de Sentido dos editoriais,ou seja, os passos de Mino Carta dentro dos elementos textuais para convencer oleitor de que suas palavras são as mais próximas da legitimidade diante os fatoscobertos. Mino Carta é considerado um jornalista especializado em política e emeconômica. E, o fato de Mino Carta ser um dos donos da revista não o credibilizapara escrever estes textos apresentativos sobre o conteúdo e a opinião da revistadiante fatos, mas sim, por possuir uma grande experiência de campo nestes tipos dejornalismos especializados. Vamos entender um pouco sobre o jornalismo político eo jornalismo econômico.
    • 9 1.1. Jornalismo político Lula é o presidente do Brasil, simplesmente o cargo mais alto poder políticono Brasil. Naturalmente o gênero para a cobertura de um presidente nacional é opolítico. Não obstante, Mino Carta possui ligações explícitas com a política: MinoCarta já fora censurado pelo governo Geisel enquanto comandava a revista Veja, foiobrigado a pedir demissão para não ser demitido pela família Civita, dona da revista.Por outro lado, hoje em dia na democracia, o presidente Lula vai a festaspromovidas pela própria revista de Mino, o que simboliza, de certa ótica, umarelação explícita entre Mino e Lula. A editoria de política provoca controvérsia diante suas coberturas.Diariamente a mídia divulga notícias que afetam direta ou indiretamente asociedade. Por isso, é tida com a categoria clássica da história do jornalismo. Porvezes o jornalista político passa dias sem observar nenhuma novidade, porém, ascoisas podem mudar rapidamente. O jornalista político deve estar preparado paraentender os reais interesses discursivos dos políticos, afinal, estes possuemestereótipos de “não confiáveis”. Os jornalistas devem ter o domínio das regras doCongresso, conhecer a história política recente do Brasil e as leis vigentes no país.Ou seja, uma conversão de matérias que antes eram concebidas separadamente,entrando em fusão com a evolução do jornalismo político. A principal mudança do jornalismo político de tempos oriundos para cá é oobjetivo da informação. Agora a cobertura é para informar o leitor e não convencê-loa adotar idéias. Na campanha de 1950 os jornais como o Estado de S. Paulo, oCorreio da Manhã e o Diário de Noticias faziam questão de não se preocupar com aisenção da cobertura das eleições presidenciais de Getúlio Vargas contra oBrigadeiro Eduardo Gomes. Já em 2002, com a eleição de Lula, a imprensa cobriu acampanha ao invés de “entrar em campanha”, como há 60 anos. “Até algumas décadas atrás, os jornais, em sua maioria, tinham um caráter quase partidário. E dirigiam também a um leitor razoavelmente partidarizado. Hoje em dia, ao contrário, a grande imprensa, de modo geral, tem a preocupação de separar nitidamente a informação da opinião na cobertura política.” (MARTINS, 2005:17) De fato, hoje em dia a cobertura política está mais estudada e estruturada.Quando o gênero é informativo temos menção de que ele visa somente à arte deinformar, normalmente intitulados como matérias e reportagens. Quando o gênero é
    • 10opinativo temos a ideia de uma visão ideológica explícita sobre um fato social, que éo caso dos editoriais e colunas, por exemplo. Por isso são textos com maior poder de coerção. Hoje em dia poucaspessoas lêem os editoriais dos jornais. Justamente por isso as revistas trazeminúmeros formatos de editoriais visando aderência dos leitores. São inúmeras astécnicas de formas de adesão ideológicas não explícitas. Justamente para analisarestas técnicas que a essência do trabalho é a aplicação do Percurso Gerativo deSentido, elaborado pelo lingüista Algirdas Julien Greimas, no editorial da revistaCarta Capital. Fica pressuposto que o leitor comprava um jornal e esperava encontrar umaafinação com o seu viés político. Duas das principais mudanças significativas nojornalismo político são: estrutura dos impressos e perfil do leitor. Os noticiáriospolíticos passaram por processos de modernização, profissionalização econcentração. A mudança do perfil do público afetou diretamente mudança nosjornais, um leitor mais plural. A cobertura isenta se torna mais cara. Sujeita a novas, e caras, fórmulas de energia. Conseqüentemente, houve uma concentração muito forte. Resultado - hoje tem um número muito mais inferior de produtos impressos do que em 1950. Um jornal para sobreviver atualmente deve vender mais de 150 mil exemplares para amortizar os custos de produção e atrair a receita publicitária necessária para sair do vermelho e gerar lucro. (MARTINS, 2005:18) Como os antigos impressos tinham tiragem amplamente mais expressiva elesnão eram tão dependentes da publicidade como hoje em dia. De fato só os grandesjornais conseguiam a tiragem superior de 150 mil exemplares, porém o número deleitores consumidores de impressos era superior. Atualmente é fato que jornais erevistas dia a dia vão perdendo tiragem e público para os outros meios decomunicação, principalmente para a internet que agrega conteúdo textual deapuração mais dinâmica, possuindo um caráter multimídia. Naturalmente apublicidade acaba sendo um equilíbrio representando o papel fundamental para oorçamento das redações. De 18 grandes jornais do Rio de Janeiro da década de 50do século passado, 12 fecharam. (MARTINS, 2005) A modernização das redações é evidente. Os custos para manterequipamentos de altíssima qualidade para uma melhor apuração ficam caros a cadadia que passa. As pequenas e médias coberturas políticas normalmente seguem a
    • 11cobertura da grande imprensa que concentra grande parte da informação política esão pautados por ela, dando um novo enfoque para a notícia. Isso porque normalmente é o jornalista da grande imprensa que temcondições de fazer uma apuração mais qualitativa e quantitativa no local. Amodernização vem desde os equipamentos até a estética das publicações, comfotos e caricaturas com uma resolução muito superior do que 60 anos atrás. Aisenção passou a ser mais “acoplada às grandes empresas que possuem maiscapital financeiro para investir em maquinário ou qualificação e quantização de forçade trabalho”. Claro que a isenção também está presente nas médias e pequenasempresas jornalísticas, muitas vezes até mais. Porém, a argumentação é de quempode fazer uma cobertura mais quantitativa e qualitativa no aspecto tecnológico efísico, e não de quem pode ser mais imparcial. (MARTINS, 2005:29) Por outro lado, uma visão menos romântica do jornalismo político é a visão deMedina. “A informação tornou-se mais um produto da indústria cultural, de interessedos complexos econômicos, políticos, sociais e o elo principal da identificação com osistema”. A vitória dos recursos tecnológicos que veiculam a informação se deu porconta das necessidades da industrialização e automaticamente normaliza ou reforçaa informação jornalística como parte da manutenção do sistema econômico.(MEDINA, 1988:30) “A mensagem-consumo exige um título de apelo forte, bem nutrido de emoções, surpresas lúdicas, jogos visuais, artifícios lingüísticos. O título ganha vida de consumo como qualquer anúncio publicitário e a edição trabalha com cuidados especiais: criam-se os “títuleiros” hábeis, verdadeiros mitos de sala de redação. Na ampliação interpretativa das informações, essa habilidade exige mais.” (MEDINA, 1988:119). Diante a disputa dos jornais que cobrem política o mercado fica cada vezmais acirrado. Os veículos desenvolveram um componente verbal para chamar aatenção do leitor para o produto “matéria”, utilizando até mesmo o apelo visual paraconquistar o leitor. Tanto os “gêneros informativos” quanto os “opinativos” da revistaCarta Capital possuem estes aspectos. Diversos artifícios linguísticos são utilizadospara deixar a leitura mais prazerosa. O público também mudou o seu perfil, consequentemente mudando ascaracterísticas dos jornais. Antes os leitores eram mais partidarizados. Quandoanalisamos a época de Getúlio Vargas percebemos que independente dos
    • 12diferentes partidos, ou a pessoa era getulista ou não. Ou seja, ou compravampublicações do jornal A Última Hora de Samuel Wainer que explicitamente era oproduto impresso mais partidário getulista do país, ou consumiam os textos deCarlos Lacerda ou o udenismo, pelo conservadorismo ou pela reivindicaçãointelectual. Era uma pátria com estados e cidades modernas em um período de fortereivindicação, por isso o partidarismo era alto. O público jovem tinha um papelextremamente importante neste processo, era mais participativo politicamentefalando. Hoje em dia o público jovem não é mais tão engajado na política porque opartidarismo cultural aos poucos vai acabando no Brasil pós-moderno. “Diante destamanifestação, a estratégia passou a ser atrair um público plural com as maisvariadas visões políticas e as mais diferentes visões do mundo”. Apesar dasadesões continuarem sendo propostas pelos veículos de comunicação, esta é feitacom uma cara mais imparcial. Porém, a motivação de gerar um sentido complacentea visão editorial do veículo continua, explicitamente ou implicitamente. (MARTINS,2005:22) Hoje em dia ele está muito mais plural, exigente. Além da alta concorrênciapolítica, o leitor consegue muitas informações em diversos meios de comunicação. Porém, este “bombardeio” de informações elaboradas muitas vezes sem oolhar crítico se utiliza deste mecanismo para usufruir vantagens e estimular odomínio. O excesso de conteúdo faz com que o receptor não perceba o discurso queestá intrínseco na mensagem. A mensagem pode carregar o discurso, mas mesmoassim, não utilizá-lo. Não promover o efeito desejado e ser divergente em cadaprocesso. Não me parece suficiente dizer que a ideologia está em toda parte, o que de certa maneira é correto. Ocorre que estar presente não significa atuar de forma idêntica em todos esses processos. A atuação, no meu modo de ver, mais plena e eficaz se dá no plano do produto mesmo e de sua penetração na consciência do receptor. Idéias são insistentemente “semeadas” no público; encontrando um solo fértil onde podem germinar, elas crescem, regadas cuidadosamente e diariamente pelos meios de comunicação massificantes. (MARCONDES FILHO, 1985:94) Martins também cita algo a respeito:
    • 13 Todo jornal, revista e departamento de jornalismo de rádio ou de TV tem sua opinião pública interna. Ela é invisível, mas está sempre presente nas redações. Trata-se da primeira e da maior crítica do nosso trabalho. Ela não se confunde com a hierarquia formal da empresa, embora muitos formadores de opinião possam ocupar posições de chefia. (MARTINS, 2005:27) Naturalmente é pressuposto que todo o meio de comunicação político possuiuma ideologia. Hoje, diante a tentativa implícita de imposição ideológica sãonecessárias novas fórmulas de retórica frente ao receptor. E para entender estasnovas fórmulas de argumentação trabalhos que analisam discursos pela semióticasão de total importância e relevância. “A notícia é a comunicação de um fato. Pode significar muito ou quase nada.Quando a notícia é do presidente Lula, todos entendem, já quando é do deputadoEnristes Costa, para quem não esta no meio político, muitas vezes não significanada“. O importante não é apenas discorrer sobre o fato, mas sim, explicar ao leitoro que acontece por dentro da mensagem. Neste aspecto cabe um jornalismo maisinterpretativo que de certo é diferente do opinativo. O primeiro relaciona os fatos e osegundo opina sobre eles. Transforma um grande conteúdo em um simples texto.Essa é uma sensibilidade que o jornalista político deve ter em mente, lembrar que“nem sempre todos os leitores pré-dispostos a consumir o produto são especialistasem política”. (MARTINS, 2005:21) A relação entre o jornalista e o político também é interessante. Ao contrário doesportivo, por exemplo, quando nos lembramos do caso de Ronaldo na Copa de1998 e não temos até hoje uma versão aceitável, percebemos que o jornalismopolítico acaba superando as outras especialidades. O número de fontes disponíveistanto em Brasília quanto no campo acadêmico é amplamente maior tornando adisponibilidade de informação mais ampla. Sem contar que em política sempre háuma oposição que vai estar sempre disposta a falar. E quando um meio decomunicação passa a não enfocar a oposição com tanta disposição quanto aospassos do presidente acaba sendo taxado de pró-governista, caso das acusaçõesde grande parte do campo jornalístico acadêmico perante a revista Carta Capital. “São 513 deputados, 82 senadores, mais 30 ministros, 11 integrantes doSupremo Tribunal Federal, além de uma legião de milhares de assessores,secretárias, técnicos, funcionários, amigos, lobistas, curiosos – um mar de gentecom informação”. Martins diz que diante o grande número de disponibilidade de
    • 14fontes o jornalista deve conversar com muitas pessoas, independente de cargo.(MARTINS, 2005:47) A proliferação da cobertura vai trazendo mais verdades factuais. Porém, orepórter não deve se contentar com o factual, precisa entender ao mesmo tempo ocontexto em que o fato está sendo dado. No jargão dos jornalistas, quem tem maisbackground information (informação de fundo) tem mais sensibilidade em captarpossíveis desdobramentos de casos políticos. Ele deve ficar sempre atento averiguando se o boato é verossímil. “O que ébom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”, resumiu Rubens Ricupero,ministro da Fazenda do governo Itamar Franco em 1993. O comentário foi divulgadograças a problemas técnico de uma antena parabólica, derrubando-o do cargo.Afinal, em política certas idéias não podem ser ditas explicitamente. “Não há fórmula mágica que nos torne imunes à contra-informação”. O melhorantídoto continua sendo reunir muita informação. Nada costuma acontecersimilarmente como te contaram e ninguém lhe conta exatamente o que aconteceu.“Assim, por melhor que tenha sido a apuração, em geral, há outro ponto que ficouobscuro, fatos importantes que não vieram à tona ou episódios que não puderam serlevantados a tempo”. (MARTINS 2005:71) Umas das coisas que mais irritam os políticos são quando suas declaraçõesganharem repercussões não imaginadas, normalmente encaradas comnegatividade. A Carta Capital é campeã no gênero. Costuma pegar opiniõesdissidentes e interpretá-las de acordo com sua opinião e ideologia. Vamos percebereste aspecto claramente com o andar do projeto. A combinação de poder de polícia com a força da imprensa tem um lado bom e um lado ruim. O positivo é que gera uma ação com tal profundidade, contundências e rapidez que rompe barreiras aparentemente inexpugnáveis e dissolve cumplicidades tidas como destrutíveis. O lado negativo é a conversão da CPI em um espetáculo. Alguns deputados e senadores deixam de lado o trabalho sério de investigação e recorrem a todo tipo de truques, piruetas e efeitos especiais para conseguir um bom lugar diante as câmeras. (SEABRA & SOUZA, 2006:75) Vamos perceber que Mino Carta na elaboração de seus editoriais sempreparte para uma visão mais espetacular para agregar humor. Muitas hipérboles eparábolas estão presentes em seus textos. Mino Carta parte de dois pressupostos,
    • 15se vende como um paladino anticorrupção aplicando o clássico “espetáculo” nosseus textos, em busca de um humor sarcástico. Os jornalistas político disputam a exclusividade da informação. Seus chefesnas redações ficam pressionando com os passos dos concorrentes.Consequentemente diante a fobia de todos, “suposição vira informação, indíciosconvertem-se em prova, suspeito passa a ser bandido, e a dica, que em condiçõesnormais seria ponto de partida de matéria, pode acabar com manchete de jornal”.Assim, na fobia da publicação o jornalista começa a divulgar os seus passos dianteo fato investigado. (SEABRA & SOUZA, 2006: 76) Faz parte também do cotidiano do jornalista político investigar denúnciassobre irregularidades na administração pública, desvios de recursos, armações emconcorrência e negócios escusos com o dinheiro do Estado. Por menor que sejamos delitos, o jornalista político tem o papel social de divulgar o que se passa para apopulação. Outro período interessante de coberturas política são as eleições. Éinteressante notar que a eleição é a época onde os eleitores mais ficaminteressados em política. Alguns telefonam, mandam cartas, enviam e-mails, semprecriticando a cobertura. Uns são educados, outros nem tanto. O período de pleitopopular é um dos mais tensos na carreira do jornalista político com relação aocontato e interação com o receptor. Este é o momento do jornalista manter a calmae continuar com sua função social de cobertura diante as eleições, que é umimportante símbolo de democracia para qualquer nação. As CPIS só são cobertas quando tem apelo junto à opinião pública, passandopara cobertura excepcional. As mais famosas são: PC Faria, levando Collor aoimpeachment, a de Nicolau Dos Santos Neto (Lalau) e do Senador Luis Estevão.Quem não se lembra das coberturas jornalísticas informando a entrega de pizzasdelivery para o juiz Lalau na prisão. O fato do jornalismo cobrindo a CPI faz com queela tenha maior apelo social. (SEABRA & SOUZA, 2006) As coberturas de CPIS têm um lado positivo e outro negativo. O primeiroporque rompe o paradigma de algo indestrutível. Já o lado ruim é que a CPI acabapor tornar-se um espetáculo. Muitos deputados esquecem o itinerário político paraconseguir um espaço diante as câmeras. Os jornalistas ávidos por furos dereportagem acabam por divulgar grande parte de informações recolhidas em OFF
    • 16sem a checagem necessária. “E assim, aos poucos, passa-se de caça ao furo paracaça às bruxas”. (SEABRA & SOUZA, 2006:35)
    • 17 1.2. Jornalismo internacional Aqui concebido como político também. Normalmente o gênero acaba sendouma cobertura de política internacional. Quando alocamos o gênero de jornalismointernacional ao trabalho pretendemos analisar as visitas do presidente Lula a outrospaíses, ou a visita de ilustres internacionais ao planalto central. Como a análise semiótica vai partir também para campos da sociologia,semântica e pragmática, todos os elementos suscetíveis de gerar coerção sãoimportantes, principalmente pelo julgamento de valor e de realidade na qual a visãointernacional do país é encarada pelo leitor, tanto perante países periféricos comoaos países do centro do capitalismo. Afinal, esta pode ser considerada uma formainternacional de prática de adesão do poder argumentativo retórico do emissor. A existência do jornalismo internacional já é amplamente debatida. Enquantoalguns pesquisadores classificam sua existência no Sec.XIX com o advento damáquina de impressão cilíndrica e o surgimento da primeira agência de notícias,criada na frança por Charles Havas, atual AFP. (NATALI, 2004) Outros, como o jornalista João Batista Natali diz que esta visão é umequívoco, pois o jornalismo já nasceu internacional e o mercantilismo já precisavadele, como o banqueiro Jacob Fugger, criador da primeira newsletter, ainda no finaldo século XIII. De uma forma ou de outra, este método de coleta e difusão denotícias de terras distantes sempre teve um objetivo com viés econômico. ParaNatali este foi o primeiro tipo de jornalismo a sofrer censura. Aconteceu em Paris,1631, quando o jornal Nouvelles Ordinaires de Divers Endroits (Notícia comum devários lugares) foi proibido de circular. Em seu lugar foi produzido o La Gazette, quetinha como responsável Théophraste Renaudot, uma espécie de testa de ferro dopoderoso cardeal Richelieu. (NATALI, 2005) O precursor do jornalismo internacional, ou político, no Brasil foi Hipólito daCosta. No século XVII, a família real desembarcou no Brasil em fuga da ascensãonapoleônica na Europa. Junto com a comissão real estava Hipólito da Costa. Elecarregava de dentro de um dos navios uma prensa trazida de Portugal. Aquielaborou o primeiro jornal brasileiro chamado o Correio Brasiliense, que eraimpresso em Londres e fazia oposição ao governo de Don João. Devido á censurana América Portuguesa, Hipólito da Costa teve que fugir para Inglaterra. (NATALI,2005)
    • 18 Na época da ditadura militar (1964-1985) o jornalismo internacional viveu oseu boom. Havia equipes de correspondentes que recebiam salário em dólar, com opaís vivendo o conhecido “milagre econômico dos anos 70”. Nos cadernos haviamcríticas de ditaduras vividas na África, e que indiretamente fazia analogia do própriosistema vivido no Brasil. Natali diz que com a redemocratização da nação, a editoriade Internacional deixou de ser a única válvula que o jornal tinha de criticar o sistema,mesmo que indiretamente. Com o fim da Guerra Fria acontece o fim da polarização nas coberturasinternacionais. Os noticiários passam a lidar com uma única potência - os EstadosUnidos – diante três enfoques históricos diferentes. O primeiro é a eleição deGeorge Bush, o pai. Ele iniciou a Guerra do Golfo, uma guerra que para muitospesquisadores foi de motivo imaginado. A invasão do Kuwait foi a partir de “fotos” deataques a navios americanos. (NATALI, 2005) O segundo momento é a eleição de Bill Clinton, que conseguiu abafar aimagem negativa de Bush, o pai, e ao mesmo tempo, isolar a Rússia. O terceiromomento é a eleição de George W. Bush, o filho. O jornalismo internacional aindaestava encantado com a época de Clinton e não soube investigar o caso 11 desetembro que culminou com a invasão no Iraque e a captura de Sadah Hussein,antigo desafeto da família petroleira da família Bush. (NATALI, 2005) Com o advento da internet o jornalismo internacional obteve uma grandemudança nas redações. Natali acredita que agora o redator possui mais função nasredações. Trabalha muito mais pelo mesmo salário. Com a diversidade da internet, oredator deve apurar cada vez mais as informações. Deve saber fazer umainterpretação qualitativa diante o acúmulo de informações enviadas pelas agênciasde notícias para as redações. Selecionar de acordo com o valor-notícia redigindomelhor na medida da “superinformação”. Cobertura presidencial: Muitos jornalistas encaram o convite de umaentrevista junto ao presidente como uma grande oportunidade de acompanhá-lo emsua trajetória internacional. Martins não encara desta forma, para ele é muito maisdesgastante para o jornalista que vai cobrir esta trajetória do que para o presidente.Enquanto o primeiro pode ocorrer diversos imprevistos que vão desde a falta deinternet como revistas não programadas em diversos aeroportos, já o segundo (opresidente) sempre vai estar descansado e com a maioria dos recursos adisposição.
    • 19 Os jornalistas políticos também são contaminados pelo imperialismo da economia. Somos obrigados a lidar com os sábios da equipe econômica por que no Brasil, ao contrário dos países do G-7, onde são meros assessores dos governantes, os economistas decidem com grande independência e distanciamento das instâncias políticas (NATALI, 2002:28) No próximo tópico vamos analisar o jornalismo econômico que contempla nãosó com os temas trabalhados nos editorias como para uma concepção maior do queé o jornalismo político no país. Esse que muitas vezes se confunde com a coberturaeconômica. Um jornalista que quem cobre política tem que estar preparado paracobrir economia, e vice versa, fruto do enorme envolvimento que os políticospossuem no desenvolvimento econômico do país.
    • 20 1.3. Jornalismo econômico Uma vez que os gêneros opinativos colhidos para analisar a revista CartaCapital são também econômicos vamos entender um pouco desta cobertura. Acobertura brasileira divide-se em duas partes essenciais: prestação de serviços eplanos de ajustes econômicos. A carta Capital se baseia em planos de ajusteseconômico. Um de seus colunistas, Delfim Neto, já foi ministro da economia do país.Não obstante, Mino Carta e Delfim Neto frequentemente citam elementos quesimbolizam um jornalismo macroeconômico. Depois do famoso “crack de 29”, o estado começou a participar mais daeconomia para dar maior fluidez ao desempenho do sistema capitalista que, vira emexe, tem suas crises. As crises cíclicas. Então, o governo acaba muitas vezes,para poder auxiliar o sistema, gastando mais que arrecada. Aqui entra também apossibilidade de chamada malversação do patrimônio público, ou seja, desvios deverba, desperdícios, favorecimentos, etc.¹ (AMARAL, 2007) Contudo o jornalismo econômico brasileiro nasceu na mesma época daditadura militar de 1964-1985. Este regime político mantinha uma ideologia dedesenvolvimento. Outro boato explícito da época era o da democracia. O mundodizia que era impossível uma nação almejar a democracia sem uma economiaconsistente. Consequentemente foi necessária uma alta cobertura sobre ajusteseconômicos dos países democráticos. Em economia, é necessário saber o que se passa com o vizinho. Isso criouuma demanda concreta para o jornalismo econômico. Naturalmente é papel daprofissão de jornalista divulgar qualquer informação que seja útil para a sociedade,independente do gênero, motivo este do jornalismo especializado em economiagerar um boom em terras brasileiras. Desde os tempos do Delfim, nos anos 70, criou-se uma supervalorização da análise macroeconômica. Não é mistificação recente, porque já tem história. Mas se trata de uma tendência recorrente na vida do País. Durante o período era a confusão de jornalista como vidente econômico. Nestes momentos as pessoas paravam os jornalistas para perguntar perguntas técnicas, do tipo qual papel esta subindo, como ficará o dólar cambial. Em um momento de Milagre Econômico o jornalista era tido como uma das principais fontes pela população, independente se a 1. Antes do “Crack de 1929” o mundo vivia o conceito de Adrian Smith, que acreditava que o mercadose estabelecia sozinho, chamado liberalismo. Após o Crack, as leituras de Keynes foram tidas em práticas pelogoverno Roosevelt, que colocou o Estado de metendo na economia para tirar os EUA da crise mundial, gerandomais empregos e rendas - o que se convencionou como o chamado intervencionismo do Estado na economia.
    • 21 análise era quantitativa ou não. Bastava o jornalista dominar um pouco do economês. Porque bastava dominar duas ou três expressões do economês para se tornar poderoso. E foi essa mistificação que pautou toda a década de 90. (NASSIF, 2001:98) Foi nesta época que foi concebido também o estereótipo das teoriasinternacionais. “Olha, eu estudei lá fora, conheço teoria econômica. Por isso, tenho asolução, resolvo tudo”. O que é um grande mito, pois é muito difícil continuaratualizado sobre os passos dos grandes centros sem estar dentro deles. Porém,este estereótipo dura até hoje, tanto para os economistas quanto aos jornalistas. Quem estudou fora do país é tido como gênio. O que acaba sendo nãoavaliativo, uma vez que depois de alguns anos fora do país o cidadão fica totalmentedesatualizado do que está de fato acontecendo. Dificilmente ele vai ter tempo paraler publicações locais e se atualizar. “Esse papel mistificador do economista - papelpolítico, no mau sentido - existia no início do século, na proclamação da República.Depois, o jornalismo econômico foi revitalizado a partir do Plano Cruzado, quando sepromoveu a mesma privatização do Estado, a mesma desorganização”. (NASSIF:2001:99) Outro papel mitológico esclarecido acima por Luís Nassif também se entendepelo uso do economês como uma forma de ultrapassar a censura da época dianteas publicações. Com função específica durante o regime militar – que tinha umgoverno populista que se baseava no avanço e modernidade – os jornalistaseconômicos usavam o economês como uma fórmula de escapar da censura. Ogoverno não tinha capacidade para filtrar este tipo de notícias. Ela era rica delinguagem técnica, números, siglas e estrangeirismo afastavam a censura. Hoje emdia, desmistificar o economês é um dos maiores desafios do jornalismo econômico,porém, na época ditatorial o uso era viável diante a censura. Neste ponto, osgêneros opinativos são ótimos para uma interpretação mais clara sobre o fato.(NASSIF, 2001) Ao mesmo tempo, a censura que se exercia no regime militar era muito mais branda no jornalismo econômico, até porque a maioria das notícias era positiva. Só depois de certo tempo surgiu o debate sobre a questão da distribuição de renda, que começou a piorar, apesar do desenvolvimento acelerado. Mesmo assim, foi essa base econômica que permitiu ao regime militar ter o apoio da sociedade. (SARDEMBERG, 2001: S/p)
    • 22 Aspectos do início da cobertura macroeconômica: tendência oficialistaporque havia um ambiente positivo e a censura lhe era mais branda. Apesar disso,vários jornais tiveram a capacidade de levar essa área com qualidade, não rarousando linguagem meio cifrada, ajudando a dar origem ao economês. O economês tem dois sentidos, ambos negativos, significando escrever mal,errado, ou então com tanto requinte técnico que poucos entendem. Se alguémescrevesse que o regime ditatorial brasileiro estava baseado em políticas quevisavam o arrocho salarial, provavelmente ficaria censurado. Porém, se afirmasseque estava baseado na contenção do fator trabalho, acabava passando pelo filtro dacensura, devido o economês de difícil compreensão para os militares da época. Umdos principais fatores para evolução do jornalismo econômico foi à ação do governoCastelo Branco que diminuiu a inflação de 100% para a casa dos 40%.(SARDEMBERG, 2001) Ao mesmo tempo em que Sardemberg enxerga elementos que demonstramuma evolução do jornalismo econômico em plena época ditatorial, João Natali,correspondente internacional da Folha de S. Paulo, também os vê. Neste caso oautor entende que noticiar positivamente um fato em um governo em que qualquerforma de oposição ao sistema aplicado é motivo de censura, o jornalismo econômicoencontrou poucos cortes em seu noticiário. Fica a dúvida, será que o jornalismoeconômico fazia isso para que não fosse censurado? Será que este tipo dejornalismo era aliado ao governo ditatorial? De uma forma ou de outra, notícias pró-governos acabaram atrapalhando um preparo da indústria, ou até mesmo dapopulação, diante a crise que se agravou na década de 80, seguinte da intituladadécada do “milagre econômico”. O Brasil mergulhou numa crise prolongada a partir da década de oitenta – chamada década perdida. E o que aconteceu com o jornalismo econômico? Continuou sendo notícia, embora de um modo inverso. Paramos de falar de crescimento para falar de estagnação, recessão e de um personagem novo, a inflação. Aquela conhecida, desde 1964, era brincadeira, ridícula, de 100% ao ano. Nesse novo período, este chegou a ser quase o índice mensal – 80% no último mês do governo Sarney. Depois, 45% ao mês era o normal. (SARDEMBERG, 2001, S/p) A posição de jornalista macroeconômico começava a florescer. Os problemasfinanceiros geraram mais demanda ao jornalismo macroeconômico nos anos de1980. De uma forma ou de outra “a crise econômica dos anos 80 do século
    • 23passado, foi caracterizada por uma inflação ascendente. Elevando a credibilidade dojornalismo econômico brasileiro diante o mundo inteiro, aumentando a análise detítulos públicos, investimentos públicos, jornal de serviços, coberturas anti-inflacionárias, bancos, taxa de juros e commodytes. Com a crise dos anos 80 o jornalismo econômico teve que mudar o foco.Naturalmente ele soube se adequar a esta nova temática diante coberturasqualitativas de notícias macroeconomias. A primeira grande cobertura diante a crisedos anos 80 foi à divulgação de diversos pacotes diante a mudança para o PlanoCruzado na clara tentativa de conter a inflação. O interessante é que havia dois grupos de acadêmicos, com linhas de pensamento distintas, que se uniram para fazer o Cruzado. A corrente que desenvolveu a base teórica da nova moeda era ligada à PUC do Rio de Janeiro. O outro grupo veio da Unicamp. Ambos assumiram uma função política das mais relevantes. Passaram a garantir a eleição de partidos políticos. O grupo da PUC se aliou ao PSDB; o da Unicamp, ao PMDB, até a hora em que o PMDB naufraga, com a imprensa dando a retaguarda (NASSIF, 2001:100) Estes são grupos que chegaram a um poder político muito forte. Passaram aser as fontes principais da época. Esta característica perdura até hoje em dia,porém, com menos ênfase quanto na época do plano cruzado. E mesmo quandoexistia um erro, a opinião era mantida por outros especialistas mais jovens. “Aquelaprimeira geração criativa é substituída por uma segunda geração xiita, presa adogmas, que perde a capacidade de pensar criativamente”. (NASSIF, 2001:102) A baixa especialização da imprensa especializada gerou uma repetição defontes das duas academias. A opinião deles é sobreposta sobre as outras. Osjornalistas passam a acreditar tanto naquela teoria, que descura a própria realidade,criando outra teoria para argumentar o erro da escolha. “Então, eu diria que a crisedo jornalismo econômico é, antes de tudo, uma crise da análise macroeconômica”.(NASSIF, 2001:102) A crise econômica, sem dúvida, e de gigantescas proporções, sem que se possa ver com segurança a sua superação. A crise econômica é, também, uma crise do jornalismo econômico? (indagação crise Jô econômico) Acho que a resposta também é afirmativa. Não considero ter sido bem informado do estado real da economia ao longo dos últimos anos pelos colegas especializados (ALVES, 2001:90)
    • 24 Um dos destaques dos anos de 1980 eram as coberturas anti-flacionárias.Para dar uma idéia de como funcionava, nem dentro do próprio governo seentendiam as coisas. Pior, ninguém sabia as respostas que deveriam ser passadasao público, pois existiam informações contraditórias Era tamanha a mudança que se fazia que ninguém estava compreendendo direito o que era. Imagine–se a situação dos repórteres – a maioria foi tomada de surpresa, mas os bons profissionais sabiam que alguma coisa estava em andamento. Como era o primeiro dos planos econômicos, a imprensa ainda não estava treinada para identificar indícios de que haveria um pacote. Hoje, está. Na época, era possível ao governo elaborar em segredo um plano daquelas proporções. Os bons repórteres desconfiavam, porque, entre outras coisas, havia algo parecido em Israel e no México. E quem acompanhava a literatura acadêmica, além de alguns artigos que apareciam nos jornais brasileiros, podia adivinhar que alguma coisa estava no ar. (SARDEMBERG, 2001) Com os boatos de que Tancredo Neves estava a um passo dá eleiçãocomeçou um movimento de economistas esquerdistas a fim da reflexão sobre o quefazer diante o novo governo. Neste momento, só os jornalistas experientesentendiam que uma mudança estava por vir. Aos poucos a imprensa foi adquirindohabilidade de antecipação diante sinais de crises. Hoje em diante a concorrência amelhor imprensa é aquela que antevê os passos, e, a pior, é a que só falha nacobertura. (SARDEMBERG, 2001) As décadas de inflação obrigaram os jornalistas econômicos a sefamiliarizarem com o jargão americano dos economistas. Dificilmente um jornalistaeuropeu não especializado saiba o que é overnight, hedge e outras esquisitices, quesão matérias primas repórteres, expressões que são ditas com a maior naturalidadena TV, como se estivessem falando o inglês que o povo entende. Contudo, nos anos90 a competição dos meios de comunicação perante a cobertura econômica começaa ficar acirrada, por vezes desleal: Com todo perdão pela palavra forte, para mim os anos 90 foram os anos do acanalhamento da mídia. O jornalista saía da escola com a seguinte visão: “eu vou atropelar quem atravessar meu caminho, vou manipular e inventar informação. O que vale é a manchete”. Foram os anos do “vale tudo”, em que a imprensa adquiriu o maior poder da História, antes de estar suficientemente madura. (NASSIF, 2001:103) O furo jornalístico era ambicionado de uma forma ou de outra. Se a notíciativesse impacto já era o bastante. E tivemos alguns modelos jornalísticos que seconsolidaram nesse período. “Foram, a meu ver, o supra-sumo da leviandade, dairresponsabilidade, da falta de compromisso com a qualidade. Se não houver notícia
    • 25quente, inventa-se uma”. A questão de buscar os diversos ângulos foi deterioradanos anos de 1990. A imprensa se tornou unanimidade. Em qualquer escândalo,normalmente a cobertura segue numa única direção. No jornalismo econômico,existe até hoje a ditadura dos analistas ligados ao mercado financeiro donde asopiniões dos mesmos persistem na imprensa. (NASSIF, 2001:104). Porém, o discurso uniforme da imprensa especializada, ou melhor, teoriasNeoliberais postas em prática nos EUA pelo presidente Reagan, e inglesas porMargareth Thatcher acabaram caindo com as vitórias de Bill Clinton e do trabalhistaTony Blair. Começou maior diversificação de opinião. É interessante notar que deuma forma ou outra o jornalista que almeja cobrir macroeconomia deve ter domínioda língua inglesa e dedicar um imenso tempo para acompanhar ao menos: o WallStreet, o Economist, o Financial Times, para não falar dos boletins de análiseconjuntural, publicados pelos principais bancos de investimentos, ou de publicaçõesmais sérias, como o Journal of Economic Literature, o Journal of Monetary Economy. Porém, os “jornalistas econômicos brasileiros são os que, no mundo, têmmaior intimidade com os termos e os conceitos da economia. É o fruto de décadasde crise e de inflação descontrolada. A mídia brasileira também é a que maiorespaço dedica às notícias econômicas”. Naturalmente a cobertura foi ganhandoexperiência diante as problemáticas econômicas (ALVES, 2001:91) Hoje em dia imprensa econômica brasileira está num ponto intermediárioentre um tipo de cobertura oficialista e um tipo mais aberto, democrático. A primeiraalmeja somente a cobertura do que foi divulgada pelo governo à titulo de informaçãoque dispensa qualquer tipo de consideração contrária, característica semelhante aodo jornalismo econômico na época ditatorial. A versão oficial é a que prevalece. Já asegunda consiste em opiniões de economistas contrários ao conteúdo. Apesar deser mais democrática, ela ainda possui suas limitações diante uma cobertura comdiversas opiniões e pouca interpretação por parte do emissor do conteúdo Em grande parte, isso é falta de preparo. Se ele tiver competência para compreender as medidas, poderá dizer que elas irão provocar tais e tais resultados positivos e negativos, como fazem os colunistas. Muitas vezes, os jornalistas poderiam agir dessa forma, em vez de bater nas portas dos economistas. Tanto para captar o que a fonte está dizendo – sem entrar na informação parcial ou distorcida – quanto para ir atrás da notícia correta e bancá-la. (SARDEMBERG, 2001: S/p)
    • 26 Aí entram os aspectos da cobertura economia. A crise de hoje é de naturezacriativa. Há uma reformulação de todo o processo de pensar, e de atuar no âmbitoeconômico. É a descentralização. Surgem novos modelos de cobertura no mundo.Agora estamos entrando na era da maturidade, onde o próprio leitor passa a exigirqualidade de informação. Empresas começam a trabalhar de uma forma conjunta. “E o novo modelo que vem pela frente, que exigirá mudanças principalmente no âmbito das empresas – o foco mais dinâmico da sociedade -, deve gerar análises sistêmicas, de conjunto. Acaba a história de investigar o problema A, o B ou C, isoladamente. É preciso superar a mera análise dos números” (NASSIF, 2001:92) O jornalismo continua preso a cobertura de câmbio e de open marketing doBanco Central. São necessários novos modelos, mais populares com maiorintegração com o meio ambiente perante um desenvolvimento sustentável. Maisdiversidade de publicações. Pois, nenhuma economia hoje em dia pode seranalisada isoladamente. A relação do jornalista econômico com os economistas é crucial para osucesso da profissão. Entrar nestes nichos é muito difícil, o que estimula aconcentração de informações em OFF retidas para poucos. Hoje em dia o jornalistaé tido como importante neste tipo de cobertura por se tratar de um órgãosupostamente imparcial, independente do governo ou de interesses econômicossecundários. Porém, são atreladas, não possuem quantidades necessárias. A mesma pesquisa utilizada em um grande jornal é a mesma que oconcorrente vai usar, não obstante, mesma matéria prima das empresas jornalísticasde médio e pequeno porte que trabalham com a cobertura macroeconômica. Ojornalismo econômico competente, numa economia estável, é um jornalismodedicado a empresas, empreendimentos e negócios. Já o jornalismo competentediante uma economia fraca acaba sendo investigativo diante o motivo desta queda.(NASSIF, 2001)
    • 27 2. Conceitos de apoio Neste capítulo estão alguns conceitos de apoio que servem para umentendimento melhor sobre o papel da comunicação entre os próprios políticos esobre algumas nuances do papel do jornalista diante da sociedade. São tópicosinteressantes que vão ajudar para um melhor entendimento de como os políticos ejornalistas atuam, otimizando a compreensão da análise semiótica sobre estetrabalho. Tanto a visão negativa quanto a positiva diante o papel de jornalistas epolíticos na sociedade estarão nas palavras deste capítulo. Quanto melhorentendemos como funcionam estes papéis, mais vamos estar por cima da óticatradicional que estes se demonstram para a sociedade. 2.1. Imparcialidade A finalidade do jornalismo permanece a mesma desde seu surgimento -fornecer aos cidadãos as informações que precisam para ser livres, viver em umademocracia. Por isso que existe a liberdade de imprensa, pois um imprensa livresimboliza um pátria livre e democrática. “Essa noção de liberdade de imprensa foicriada no contexto da independência americana, pois somente uma imprensa livrepode contar a verdade”. (ALMOND E POWELL JR, 1972:110) Porém, com a chegada da tecnologia no jornalismo, muitas empresasjornalísticas se tornaram conglomerados de negócios, e são necessariamentedependentes da liberdade de imprensa para manter seus negócios. “Osconglomerados de empresas jornalísticas interferem na sobrevivência da imprensaindependente ao mesmo tempo em que se volta para os negócios”. (KOVACH EROSENSTIEL, 2004:53). “Com a chegada da tecnologia, as empresas jornalísticas passaram asubmeter o jornalismo a interesses econômicos, portanto a ameaça ao objetivo daprofissão nos dias de hoje não vem da censura dos poderes governamentais, e simno fato de que a independência do jornalismo pode ser dissolvida no meio daautopromoção ou informação comercial.” (KOVACH e ROSENSTIEL, 2004:32). Cada pessoa possui uma verdade, um argumento individual. O jornalismoprocura utilizar a prática da verdade, não no sentido filosófico, mas deve se basearem uma verdade que funcione para a sociedade. O compromisso com verdade é
    • 28fundamental para “independência jornalística”. “Os jornalistas não somente vendemconteúdo informativo ao público, como também constroem uma relação com baseem seus próprios valores, profissionalismo, compromisso, julgamento e autoridade”,criando-se assim um vínculo mais resistente entre o público e as empresasjornalísticas, que por sua vez utilizam desse “crédito” para conquistar anunciantes.(KOVACH e ROSENSTIEL, 2004:83) É interessante notar que Desde os primeiros estudos de Edgar Morin, teóricosda comunicação afirmam que há uma espécie de contaminação nos mass-mediaque ajuda a confundir os conteúdos informativos e o sistema ficcional. Esse efeitofaz com que a realidade pareça ser encenada, para que seja recebida pelosconsumidores. Como dizia Aristóteles, a representação não é regida pela fidelidadeà realidade, não se destina a reproduzir o que é real. O critério é a própriarepresentação em si, “a capacidade de envolver o espectador a partir de suaspróprias experiências, ou seja, o simulacro não representa o real, mas deve parecerque o faz”. (FAUSTO NETTO, BRAGA e PORTO, 1995:81) A função dos jornalistas não é só informar, mas também ser um vigilanteindependente do poder, porém, esse princípio é mal interpretado pelos jornalistas. “Afunção de guardião pode ser ameaçada por excesso de uso, falha na condução davigilância ou ainda pelo aumento de conglomerados corporativos, que podemdestruir o papel do profissional de imprensa”. (KOVACH e ROSENSTIEL, 2004: 169-171) Atualmente os jornalistas acreditam que a imprensa impede que líderespolíticos burlem a lei ou a ética, essa finalidade distingue sua profissão das demais.“Ser guardião significa mais do que monitorar ações governamentais, na verdade seestende a todas as instituições poderosas”. (KOVACH e ROSENSTIEL, 2004:172)
    • 29 2.2. Ética Jornalística Uma das coisas que um jornalista político deve ter em mente é que qualquergrupo ou partido governante sempre representa interesses particulares contráriosaos divulgados pelos políticos: “Tomar uma posição fundamentalmente crítica nãosignifica rejeitar o próprio estado, menos ainda aplicar um negativismo geral”. Épapel do jornalista sempre contestar para dignificar sua posição de formador deopinião bem como para reforçar o próprio conceito de democracia. Afinal, quantomais crítica, mais vozes apontando problemáticas. (KUNCZIK, 2002:340) Quanto mais ampla a participação da pessoa na tomada coletiva das decisões e maior a sua integração na estrutura das comunicações, maior é o seu compromisso para com a associação (afeto positivo, lealdade e empenho em realizar as metas de grupo) e menor o seu desligamento (distância pessoal e sentimentos da incapacidade para influenciar as ações e políticas coletivas). (KNOKE, 1986:341) Com esta citação percebemos qual é a responsabilidade do jornalista político.Ele nunca deve perder o sentimento democrático e sempre se lembrar do seucompromisso para com o leitor. Quanto mais engajado na política, maior aresponsabilidade ética do formador de opinião. O jornalista ajuda “a prevenir o esclarecimento de uma liderança oligárquica,já que o governo de poucos é fundamentalmente prejudicial ao avanço dademocracia”. Analisando este contexto percebemos que o jornalista também tem afunção de esclarecedor dos processos de construção da vontade política. Logo, elepauta os políticos que procuram resolução de problemáticas conforme a demandade notícias. Aqui, o jornalista ético e concebido como o jornalista dedesenvolvimento. (KUNCZIK, 2002:340) A vida humana já não pode se subordinar completamente aos objetivos econômicos. Existem outros objetivos que transcendem a edificação de uma sociedade consumidora tipo ocidental com seus produtos parcial ou totalmente supérfluos e sua destruição do meio ambiente. Promover um orgulho sadio com respeito ao patrimônio e as conquistas da própria cultura, dentro do contexto de uma concepção de desenvolvimento não baseados em medidas monetárias, mas tenha a qualidade de vida como cerne, é a principal função do jornalista de desenvolvimento. (KUNCZIK, 2002:345)
    • 30 O jornalista de desenvolvimento pode ser atuante em qualquer editoria dojornalismo. Em qualquer estado social, não é porque é jornalismo dedesenvolvimento que ele enfoca países em desenvolvimento. Esta ação esta alémdas classes sociais, por se tratar de uma noção ética. Os valores de um jornalistaético abrangem todas as categorias. Por isso o jornalista de desenvolvimento nãodeve medir o país unicamente pelas taxas do PIB. O importante para a análise ésaber como esta auto-realização da população. Noticiar sempre visando os valoreshumanos em primeiro lugar. E neste contexto o jornalista deve ser o mediador, porta voz das diversasopiniões democráticas diante uma problemática. “Assim encarado o jornalista temuma função mais ou menos pública, pois proporciona a cidadania, a informaçãomais concisa possível dos fatos, para capacitá-la a formular juízos e optar por açõesapropriadas”. (KUNCZIK, 2002:346) Atribuindo-se assim a tarefa do jornalista em estimular discussões, promoverencontros e, quando o debate está a ponto de parar, intervir, contribuindo com suaspróprias idéias. Ele não pode ser passível diante sua cobertura. Os receptores estãoávidos por informações legitimas, e cabe ao jornalista de desenvolvimento fornecereste material. O jornalista ético tem a função de crítico. Para um jornalista ser um crítico,deve ser capaz de “analisar os prováveis efeitos sociais, culturais e econômicos quetem um projeto pode ter sobre o povo, sabendo-se que mesmo os projetos públicossurtem efeitos distributivos no sentido de que muito raramente eles atuarão contraos privilegiados”. (KUNCZIK, 2002:348) Mesmo sendo elitizado, Mino Carta costuma fazer este papel de crítico a favordo povo que vive na camada da sociedade. Ele possui muita experiência no campojornalístico, por isso é credibilizado pela academia jornalística a ser um crítico. Estacredibilidade não é algo tangível como um título ou um troféu, ela é abstrata, está noar, donde o histórico do crítico é o balanceamento do julgamento de valor que seráembutido nele. “O jornalista de desenvolvimento deve aceitar o fato de que osubdesenvolvimento é também um estado mental”. Não é por ser um jornalistabrasileiro, um país considerado de terceiro mundo, que ele deve redigir comoterceiro mundo, ou ter qualidade de terceiro mundo. Na verdade ele deve sempreambicionar a alta tecnologia, se familiarizando e otimizando os custos diante um
    • 31trabalho qualitativo. “Tentar remover sentimentos de alienação, como impotência,auto-alienação, isoladamente, insensatez e até mesmo fé nas normas, constitui umatarefa essencial de jornalista de desenvolvimento”. Naturalmente ele estimulaefeitos positivos. Porém este otimismo não deve ser levado ao extremo, pois existesituação onde é impossível ser positivo, como a cobertura de uma guerra, porexemplo. (KUNCZIK, 2002:352-353) O problema do Terceiro Mundo não começou nem com o capitalismo monopolista, nem com o colonialismo. Os elementos do problema já estavam presentes no Terceiro Mundo, especialmente na Ásia e na África, nas formas da posse de terras, nas configurações da produção agrícola, nas relações sociais, nos modos de organização política, etc. que caracterizaram essas sociedades antes do advento da “expansão européia”. (JAYAWEERA, 1986:20) Neste contexto é natural que um jornalista de desenvolvimento estejaatenuado com a leitura das ciências sociais. Através desta leitura o jornalista ficalivre de falsos julgamentos e estereótipos. Naturalmente, este jornalista deve serautodidata. Através da busca do conhecimento ele beneficia o leitor. O jornalista de desenvolvimento deve compreender a interação entre osproblemas pessoais e os problemas sociais existentes para pode dar sentido aomundo. O critério decisivo que distingue o jornalismo ocidental do jornalismo de desenvolvimento reside na aceitação do principio da atualidade. A regra segundo a qual uma boa cobertura informativa é sinônima de uma cobertura informativa de atualidade não pode ser aplicada ao jornalismo de desenvolvimento. O empenho em produzir constantemente notícias com rapidez impossibilita uma recopilação de notícias baseadas na investigação cuidadosa e na explicação de contextos. (KUNCZIK, 2002:364) De certa forma, este aspecto de agilidade do jornalismo ocidental acabamuitas vezes por não ser ético. A falta de análise, acusação em massa de fontes emuma só direção, vista com sensacionalismo, muitas vezes ultrapassa somente oobjetivo de informar. Este é um grande diferencial entre jornais e revistas, impressos. Enquanto oprimeiro é mais dinâmico, na mesma proporção, é o que tem mais chances porburlar a ética diante o aspecto quantitativo. Não por isso que a revista também nãovai fugir a regra. Somente os ataques entre os editoriais de Mino Carta e Diogo
    • 32Mainardi, editor chefe da revista Veja, já explicitam de cara que as duas revistasultrapassam o limite da ética jornalística. Não obstante, diante a sociedade da informação acontece o famosobombardeio de notícias instantâneas onde ninguém entende nada. Causam maisefeitos do que informam principalmente os telejornais das grandes emissorasocidentais. “É duvidoso que os meios de comunicação de propriedade privada, quecompetem entre si, sejam mais idôneos para realizar um jornalismo dedesenvolvimento”. (KUNCZIK, 2002:364) Este tipo de jornalismo é mais reflexivo, mais trabalhado, interpretativo. Elenão cai na fobia do rápido, onde grande parte do conteúdo é elaborada de últimahora, sem muita averiguação. Depender da agilidade é depender do publico, e nãorespeitá-lo. “Isso envolveria na prática o risco de priorizar conteúdos despolitizados,culturalmente empobrecidos, sensacionalista e de entretenimento”, naturais dogrande jornalismo moderno ocidental. (ARBEX, 2001:75) Ele é um franco defensor da democracia, consequentemente da liberdade deimprensa. “Os governos autocratas da América Latina e de muitos estados asiáticoscombatem os meios de comunicação independentes, e em particular os jornais; sóum jornalismo livre e responsável poderá contribuir de maneira duradoura para odesenvolvimento planificado”. (KUNCZIK, 2002:372) Na Ásia quando falamos em divulgação parcial ficamos em dúvidas peranteos governos, em particular da China, em censurar a imprensa. Já na América Latina,vemos Hugo Chaves censurar a Television, ao passo que Cristina Kirchner jáintervencionou o INDEC, que é o indicie que mede os movimentos econômicos daArgentina. No Brasil, tivemos a intervenção de Gilmar Mendes ao jornal Estado de S.Paulo. O jornalista ético de desenvolvimento não pode deixar germinar na sociedadeum tipo de consenso que faculte uma minoria que vive nas costas de uma maioriaque realmente trabalha e obedecem as leis estipuladas, ao fim de manter a ordem eserviço a nação. “Ele motiva a crítica na sociedade, motiva o povo a lutar por um ideal quejulga necessário para a maioria participante”. O jornalismo de desenvolvimento seencontra arraigado num conceito geral de administração e planejamento e por issopossui um “caráter instrumental e sócio-tecnológico”. “O jornalista deve estararraigado numa dada cultura local, esforçar-se para obter a cooperação dos
    • 33membros mais importantes da comunidade e usar linguagem apropriada para ashabilidades lingüísticas do público”. (KUNCZIK, 2002:370) Uma das características mais importantes do jornalismo é a confiabilidade deum meio de comunicação. “O meio de comunicação pode ser visto como instrumentode propaganda do governo. Uma vez que a maioria das pessoas considera comopouco confiável um sistema de comunicação, mesmo os melhores conteúdos dejornalismo de desenvolvimento deixarão de ter efeito”. (KUNCIZIK, 2002:371) O jornalismo ético deve usar a sua capacidade de retórica nos detentores dopoder, um jornalismo livre serve de interesse a todos os integrantes do sistema.Diante o neopopulismo na América Latina, muitas vezes estas liberdades são postasem risco. “Os governos autocratas da America Latina e de muitos estados asiáticoscombatem os meios de comunicação independentes e em particular os jornais”. Deacordo com a organização Freedom House, somente em 1986 foram presos 178jornalistas e 19 assassinados. “Só um jornalista livre e responsável poderácontribuir de maneira duradoura para o desenvolvimento planificado”. (KUNCIZIK,2002:372) O jornalista ético deve promover a pluralidade social. Sempre objetivando oprincipio de subsidiaridade. Diante a proximidade do receptor e emissor, o primeiropode se tornar o informante e o professor das regras da democracia em termos“locais” e “regionais” no mesmo instante. Como principal veículo de informação entre o político e a população ojornalista acaba dando suporte às leis. Ao mesmo tempo em que o jornalismo pautaas problemáticas para o político. Como transmissor de exigências, podemos incluiras denúncias e os problemas sociais. Através da retroalimentação o jornalista éticovai sempre interpretar a notícia, relembrando de fatos, demonstrando hipótesescabíveis para problemáticas. Quando o governo lança uma lei, é ele quem vaidivulgar a mesma, retroalimentar as novas leis estipuladas. É ele quem vai estudar opassado, entender o presente e ajudar a solucionar o futuro. Assim em suma, o jornalista ético de desenvolvimento é baseado empropósitos racionais e responsabilidade ética. Ele visa a qualidade de vida de seusleitores. “A orientação de valores é claramente democrática e emancipadora”.(KUNCIZIK, 2002:372)
    • 34 2.3. Gêneros opinativos Por mais que a instituição jornalística tenha uma orientação definida (posição ideológica ou linha política), em torno da qual pretende que as suas mensagens sejam estruturadas, subsiste sempre uma diferenciação opinativa (no sentido de atribuição de valor aos acontecimentos). Isso é uma decorrência do processo de produção industrial, pois a realidade captada e relatada condiciona-se à perspectiva de observação dos diferentes núcleos emissores (empresa, jornalista, colaborador e leitor). (MELO, 1994:34) No instante em que a imprensa se profissionalizou deixando de ser umempreendimento individual, como no tempo de Chateaubriand, tornando-se umaorganização complexa contando com uma grande força de trabalho assalariado deacordo com os Sindicatos, “a expressão da opinião fragmentou-se seguindotendências diversas e até mesmo conflitantes”. (MELO, 2006:12) Um jornalismo opinativo qualitativo visa: A informação, o interesse, adenúncia perante desigualdades, a investigação, apuração de fatos, o contextualizaro individuo na sociedade, propiciar a democratização, demonstrar a realidade, serpolêmico e aguçar o senso crítico. Normalmente os jornalistas opinativos possuembastante experiência de campo. Ele deve ser um hiper especialista sobre suaespecialidade. Normalmente possuem diversas fontes importantes. (BELTRÃO,1986) No Brasil, os editoriais acabam tendo muito mais impacto político do que nosEstados Unidos – maior representante do modelo ocidental de jornalismo. NosEstados Unidos, o Estado tem muito mais autonomia do que a mídia. Lá, seexistirem 1000 tablóides contra a guerra no Iraque, o estado não vai tomar a atitudepor estas, mais sim por seus ministros que protegem sua posição democrática. Já noBrasil, Collor Caiu via imprensa. Este trabalho de análise de discurso visa oconteúdo opinativo do editorial da Carta Capital. Os principais gêneros opinativos dojornalismo são: “Comentário, Artigo, Resenha, Coluna e Editorial”. (MELO, 2003:26). Apesar de ser um pouco raro, o comentário também existe. Este é um gêneroque foi introduzido no país recentemente, utilizado para ser um paradigmaalternativo do editorial, porém mais focado nos assuntos tocados em torno dos fatosque estão acontecendo. Ele vem junto com a própria notícia. Já o artigo pode ter duas definições. Pelo senso comum é qualquer elementojornalístico impresso, não importando o objetivo. Já as instituições jornalísticasdefinem o artigo como “um gênero específico, uma forma verbal”. Todavia, trata-se
    • 35de uma matéria jornalística onde o emissor desenvolve uma idéia apresentando umaopinião. O artigo é um “escrito, de conteúdo amplo e variado, de forma diversa, naqual se interpreta, julga ou explica um fato ou uma idéia atual, de especialtranscendência, segundo a conveniência do articulista“. (MELO, 2003: S/p) A resenha pode ser concebida como uma análise sobre obras-de-arte ou dosprodutos culturais. Seu objetivo é a orientação dos receptores. No nosso país otermo ainda não se desenvolveu também - muitas vezes estes gêneros sãointitulados como “crítica”. Trata-se de uma atividade eminentemente utilitária. “Coluna é a seção especializada de jornal ou revista publicada com regularidade, geralmente assinada, e redigida em estilo mais livre e pessoal do que o noticiário comum. Compõe-se de notas, sueltos, crônicas, artigos ou textos-legendas, podendo adotar, lado a lado, várias dessas formas. As colunas mantêm um título ou cabeçalho constante, e são diagramadas geralmente numa posição fixa e sempre na mesma página o que facilita a sua localização imediata pelos leitores“. Elas são opiniões e informações curtas que visam agilidade e abrangência. “Procura trazer fatos, idéias e julgamentos em primeira mão. Do ponto de vista estrutural, ela é um complexo de mini-informações”. (MARQUES DE MELO, 2003:42) Toda empresa de comunicação possui uma ideologia. A imparcialidade é tidacom um mito. E é no texto do editorial que esta visão é demonstrada, implícita ouexplicitamente. Os textos informativos objetivam a informação, independente sesejam tendenciosos ou não - no caso da tendência demonstrada de uma formainformativa, com citação de fontes, ou até mesmo apurações em OFF. Segundo José Marques de Melo, a opinião contida no editorial não se trata deuma atitude voltada para perceber as reivindicações da coletividade e expressá-las aquem de direito. Significa muito mais um trabalho de “coação“ ao Estado para adefesa de interesses dos segmentos empresariais e financeiros que representam. Para José Marques de Mello o escritor do editorial deve conciliar os diferentesinteresses do cotidiano e refletir o consenso dos diferentes núcleos proprietários dainstituição. Nisso, o princípio de orientar a opinião pública está associado àorientação das ações do estado. Muitas vezes o editorial esta objetivando umamotivação político – econômica em favor ou detrimentos, a este ou aquele políticoque dependente ou independentemente favorece a empresa jornalísticaeconomicamente. É necessário que este jornalista seja experiente. Ele precisa ter uma vocaçãode pegar determinados assuntos e direcioná-los. Porém, a voz dos veículos tem de
    • 36ser acordada, pois a visão pessoal do jornal não é a do seu dono, em sua maioria.Isso porque existem outros aspectos que também precisam se acertar entre si, paraque saia um editorial que atenda a todos estes interesses (acionistas, agênciasfinanciadoras, donos, estados). Por sinal, todo o conteúdo ideológico se um jornal é afetado com as mesmasdecisões. Leva-se a discussão para direção do jornal, e esta, sempre aponta aatitude que o estado vai tomar. Toda esta dinâmica entre o que os jornalistasdefendem e a ideologia da empresa de comunicação é negociada. No caso da revista Carta Capital o editorial é semanal visto que a revista ésemanal. Cada edição de uma revista jornalística, normalmente, sempre vem comum editorial, independente do seu gênero, ou público alvo. Na carta capital oeditorial elaborado por Mino Carta trás o conteúdo da semana. Ele analisa eseleciona as principais notícias de acordo com os seus valores pessoais e osvalores notícias. No caso de Carta, ele é um dos donos da revista. Porém,normalmente quem escreve o editorial é o chefe de redação, normalmentegabaritado perante os objetivos ideológicos e comerciais do periódico. De acordo com Luiz Beltrão, os atributos específicos do editorial são: a)impessoalidade (não se trata de matéria assinada, utilizando portanto a terceirapessoa do singular ou a primeira do plural) ; b) topicalidade (tema bem delimitado,tratando de questões específicas); c) condensalidade (poucas idéias, breve e claro) ;d) plasticidade (flexibilidade, ritmo dos fatos com seus desdobramentos). “Os editoriais são lidos por menos de 10% dos leitores“ - segundo o escritorAlan Viggiano - a maioria dos leitores brasileiros recusa o editorial porque ele émuito massudo; destina-se a uma determinada classe de leitores; não é valorizado(problema gráfico); e, geralmente, o tema abordado não diz respeito ao universoespecífico do público (massa). Independente do sucesso do editorial junto ao leitor é nele que o chefe deredação vai utilizar muitas formas de argumentação e estimular vários sentidos parademonstrar que a visão da revista é a mais legítima. Justamente por isso que oestudo semiótico foi escolhido para analisar estes textos opinativos. Maisprecisamente a semiótica inspirada por Greimas, pois ela estuda todas asperformances de efeitos de sentido de uma mensagem.
    • 37 3. Semiótica O Código verbal da linguagem é dependente de três conceitos inicias:Emissor, Mensagem e Receptor. Receptores têm códigos de vidas diferentes. Amensagem pode ser mostrada de uma forma direta (jornal, fala) ou indireta(pressuposições). No início do século XX duas ciências da linguagem cresceramrapidamente, uma delas é a linguística, ciência da linguagem verbal, a outra é aSemiótica, ciência de toda e qualquer linguagem. Nela existe uma forma decomunicação que escapa da tríade comunicacional “ver-ouvir-ler”, e ao mesmotempo, é estimulado por ela de uma forma direta. Um clássico exemplo é a sentença: “Onde existe fumaça ha fogo”. Muitafumaça pode significar diversas coisas, como incêndio, chaminé, queimada. Atéolhar ou cheirar a fonte do problema a dúvida permanecerá no ar. Diante o mundoem que vivemos cada um forma uma codificação particular. Se um urbanista estiverno campo e enxergar fumaça, pode pensar que se trata de uma queimada quandona verdade pode ser apenas a chaminé de um forno a lenha. Quando falamos da linguagem é perceptível que ela veicula conceitos que sedesenvolvem no ouvido onde tal som recebe uma tradução visual (linguagemescrita). Quando crianças, aprendemos a falar por esta fórmula de assimilação.Existe uma figura e esta recebe um nome para o seu significado. Primeiroaprendemos o símbolo, depois o que ele significa. Justamente por isso que existemexcessos de figuras nos livros didáticos infantis. Simultaneamente existe um grande conteúdo de outros tipos de linguagensque também se constituem em sistemas sociais de representação mundana. Tantodiante a situação social de dado país quanto na codificação da sua população -como a linguagem de libra, automobilismo, culinária, etc. Quanto maior a capacidade de interpretação do ser, maior o entendimentodos códigos de linguagem. Não obstante falamos do jornalismo especializado e elese encaixa muito bem nesta categoria de informação. O jornalista político deveconhecer também os jargões da política, os econômicos dos economistas, e assimpor diante – só desta forma vão conseguir o sucesso na comunicação diante asfontes especializadas. Este jornalista acaba adequando sua linguagem para poder
    • 38acompanhar as especialidades. Mais ou menos como um dos aspectos donaturalismo – o meio (lugar) modificando o homem. “De dois séculos para cá (pós-revolução industrial), as invenções de máquinas capazes de produzir, armazenar e difundir linguagens (a fotografia, o cinema, os meios de impressão gráfica, o rádio, a TV, as fitas magnéticas etc.) povoou nosso cotidiano com mensagens e informações que nos espreitam e nos esperam. Para termos uma idéia das transmutações que estão se operando no mundo da linguagem, basta lembrar que, ao simples apertar de botões, imagens, sons, palavras (a novela das oito, um jogo de futebol, um debate político...) invadem nossa casa e a elas chegam mais ou menos do mesmo modo que chegam à água, o gás ou a luz”. (SANTAELLA, 2003:12) Dominar a linguagem é ter poder. Um bom exemplo é a Inglaterra. Ela que jáfora uma grande potência do mundo, agora, só demonstra sua potêncialinguisticamente através da língua universal, o inglês. Outro bom exemplo é a moda. No Brasil onde a temperatura média é de trintagraus, a população segue tendências de países frios que estão na elite da moda, acalça jeans é o maior exemplo disto. O terno e gravata também são muito usados,principal traje das grandes instituições. A discussão paira sobre a qualidade damarca, sendo que na verdade nenhum terno é adequado a um calor de quarentagraus. Isso acontece porque o julgamento de valor que fazemos sobre isso éextremamente forte; se uma pessoa não está vestida adequadamente passa a serjulgada negativamente perante a ética mundial misturada com da sociedade vivente. Neste sentido os grandes países do capitalismo comandam a comunicaçãomundial. A imprensa é tida como principal canal de comunicação, forma apersonalidade das pessoas através de signos organizados em mensagens, ofuncionamento da mensagem ocorre como forma de transmitir: emissor, tipologia edissertação. No sistema social em que vivemos recebemos um “bombardeio demensagens que servem à inculpação de valores que se prestam aos interesses dosproprietários dos meios de produção de linguagem e não aos receptores”. Assim, setodo fenômeno cultural só funciona culturalmente porque é também um fenômeno decomunicação, e considerando que tais fenômenos “só se comunicam porque seestruturam como linguagem”, é notável que todo e qualquer fato cultural e qualqueratividade ou prática social “constituem-se como práticas significantes, isto é, práticasde produção de linguagem e de sentido. Iremos, contudo, mais além; de todas as
    • 39aparências sensíveis, o homem — na sua inquieta indagação para a compreensãodos fenômenos — desvela significações”. (SANTAELLA, 2003:15-16) A leitura é poder de linguagem, pode ser objetiva e subjetiva. Um bom escritorpensa no tema e em argumentos textuais, para quem e como escrever. A função dalinguagem é de mexer com o emocional de receptor, rompendo a estrutura socialcom argumentos no papel social. Tudo possui uma linguagem. E toda linguagemtrabalhada acaba virando especializada. Desde linguagem computacional, humana,até florestal. A catalepsia projetiva estuda o estudo do sono. Existem, até mesmo,estudos sobre a linguagem do silencio. Visto assim, “a semiótica é a ciência que tem por objeto de investigação todasas linguagens possíveis, ou seja, que tem por objetivo o exame dos modos deconstituição de todo e qualquer fenômeno como fenômeno de produção designificação e de sentido”. O que nos favorece, pois se já sabemos que os grandespolíticos possuem a arte da retórica o grande jornalista político ambiciona a mesmaarte pragmática. Explosão de geração de sentido elaborado por ambas as partes,intencionalmente. (SANTAELLA, 2003:18) A semiótica é um grande indefinido. Ela ambiciona os fenômenosantecedentes até a construção da linguagem. Consequentemente, um bomsemiótico deve ter boa base das ciências sociais, devido à alta oferta deentendimento cultural pertencente a cada sociedade. É mais uma matéria queestimula a convergência de diversas faculdades. Um bom semiótico está além doolhar, de um simples julgamento de valor. Ele entende os estereótipos formados narealidade em que vive. Portanto, a semiótica procura analisar o “ser” na linguagem, ou seja, a açãode signo. Para quem não sabe, signo é a estética do observado, significante é o queele pensa sobre a significação do observado. Por exemplo, quando vemos um lápis(imagem – signo) logo pensamos na palavra LÁPIS (significante – palavra, nestecaso), e vice e versa. Um dos maiores lingüistas da história, Charles S. Pierce, elaborou um estudodos signos que é base para entendermos a semiótica moderna. Diante a confusãodos estudos da lingüística na sua época, ele tentou colocar as relações lingüísticassociais através de um modelo consistente Pierce era estudante de química e de tanto estudar tal matéria e outrosfenômenos acabou percebendo que a maioria das coisas da natureza é semelhante,
    • 40o pensador possui trabalhos em diversos campos de estudo. Nisto, no campo dafilosofia, acabou inventando a fenomenologia (estudos dos fenômenos naturais). Opensador inventou o termo “pragmático”, porém, por brigas de autoria do mesmo,acabou por definir a palavra “pragmatismo”, que se refere ao mesmo conteúdo deestudo. Num artigo intitulado “Sobre uma nova lista de categorias”, Pierce em 14 demaio de 1867 descreveu suas três categorias universais para toda experiência epensamento. Para Pierce, tudo o que surge na consciência se mobiliza numagradação de três propriedades que correspondem aos três elementos formais detoda e qualquer experiência. Essas categorias foram denominadas: qualidade;relação e representação. Para representar toda manifestação do pensamentohumano atravé de um único modelo Pierce se baseia em uma terminologia divididaem: Primeiridade, Segundidade e Terceiridade – traduzindo-as como ícone, índice esímbolo. (PEIRCE, 1999, S/p)
    • 41 3.1. Ícone, índice e símbolo - Charles S. Pierce O ícone é considerado um signo que possui alguma semelhança com o objetorepresentado. “Exemplos de signo icônico: a escultura de uma mulher, umafotografia de um carro, e mais genericamente, um diagrama, um esquema”. Ele é umsigno que ganhou tanta consideração que acaba virando um grande símbolo dosoutros símbolos de sua especialidade. (COELHO, NETTO 2007:57) Afinal, John Lennon já se considerou mais famoso do que Jesus Cristo.Mesmo que o Pelé fique jogando basquete para o resto de sua vida, ele semprerepresentará o futebol, e não meramente só lembrará o esporte. O Pelé é um bomexemplo de ícone. Quando falamos do Ronaldinho Gaúcho, do Romário ou doRonaldo Fenômeno, são considerados meros símbolos no que tange ao Pelé nofutebol. É um fato social unânime entre os diversos segmentos de especialistas einteressados em futebol. Tão natural quanto o sol de manhã, ou a Lua de noite. É interessante notar que dificilmente um signo se torna ícone. Pois para umsigno virar ícone ele deve ser unanimidade no que tange a representação de outrossignos do mesmo segmento. Ele será um índice que nunca perderá o seu valorcomo objeto. É interessante lembrar que cada um possui as suas codificações. Seeu encontro no centro da cidade o padeiro que está ha trinta anos na esquina daminha casa, ele será um ícone de padaria para mim. Já, diante a aglomeração elese torna apenas mais uma pessoa diante ao número de pessoas que percorrem olocal. Já “o índice dentro da semiótica é um signo indicador”. O fato de o índice sermobilizado pelo objeto o torna um signo. Eles se fixam diante a repetição dos fatossociais vividos. Quando somos crianças aprendemos diveros indicadores destaespécie como: não abra a porta para estranhos, não tome remédios por contaprópria, não ingerir líquidos que contenham “caveira” nos rótulos. (COELHO NETTO,1990:59) Já se tiramos o valor do objeto do índice ele perde seu significante. Se virmosum veículo na rua sem a maçaneta, estando apenas um buraco no local, logopensamos que ali ocorrerá uma tentativa de assalto, observação esta estimulada porexperiências anteriores diante a televisão, fotografias, ou experiências pessoais.Porém, depois de uma análise qualitativa da região, percebemos que o veículo estáperto de uma oficina mecânica donde esta saindo um mecânico com uma nova
    • 42maçaneta na mão. Logo entendemos que estávamos errados diante o objetoestereotipado. Exemplos de índices: Onde há fumaça há fogo, um campo molhado é índicede que choveu, uma seta colocada num cruzamento é índice do caminho a seguir;um pronome demonstrativo, uma impressão digital, um número ordinal. O índice éalgo que vai representar o seguimento de alguma coisa, quando consumimos osprodutos e pensamos neles com um índice percentual ao seu salário, verá que ovalor do objeto aumentará no pensamento. Como diria Emile Durkheim, quando nascemos estamos diante umasociedade dada independente das manifestações individuais. Conforme crescemos,percebemos a simbologia das coisas. Os símbolos são todos dados. No nossocotidiano infantil aprendemos discriminadamente que o branco simboliza paz e onegro terror. Símbolo é um signo que se refere ao objeto denotado em virtude de uma associação de idéias produzida por uma convenção. O signo é marcado pela arbitrariedade. Pierce observa que o símbolo é de natureza. Ex.: qualquer das palavras de uma língua, a cor verde como símbolo de esperança etc. (COELHO NETTO, 1990:59) Se uma placa de trânsito possui uma seta simbolizando para os veículosvirarem à esquerda, e no respectivo lado não existindo uma curva, o índice passa aperder o seu valor, pois não representa o objeto. Neste fôlego, o símbolo da placa,ou mesmo a placa simboliza (índice), perde o seu valor representativo. Naturalmenteexiste uma grande relação entre símbolo e índice. Logo quando um símbolo fazsucesso vira ícone. Estabelecendo o signo como gênero do qual ícone, índice e símbolo sãoespécies, o modelo de Pierce apresenta-se como mais satisfatório e coerente doque as outras propostas de sua época, principalmente a concepção de signolingüístico de Ferdinand de Saussure, incompletas quando comparadas com a dePierce no que tange o sentido dos termos. Saussure concebe o signo lingüístico como um signo arbitrário, não funcionalno que tange o designamento do signo lingüístico. Ele dava exemplos como àbalança, a seta, condizendo que eles nunca poderiam ser substituídos. Saussurenão acreditava que índice, símbolo e ícone pudessem se misturar (ícone e símbolo,
    • 43simultaneamente, ou símbolo e índice), já Pierce acreditava como vimos nosexemplos se índices e símbolos acima, por exemplo, que os níveis de convergem. Pierce se baseou até mesmo no aspecto religioso comparando as idades coma tríplice trindade. Na idéia, seguem-se caminhos regentes que vai do abstrato aoconcreto, neste mundo que é um poço de abstrações. Para ele a natureza semanifesta em três sentidos sobre três sensações de possibilidade: Olhar, ação econcretização.
    • 44 3.2. As idades de Pierce Primeridade / Ícone / Olhar: Idéia surgida. Em todas as mentes existe estelago sem fundo. Trata-se de uma consciência imediata, momentânea. Quantasvezes as pessoas tem boas idéias enquanto discutem, porém, elas não saem dobom papo. Tudo que está imediatamente presente à consciência de alguém é tudoaquilo que está em sua mente no instante presente, já diria o linguista Luis Tatit. Nossa vida inteira está no presente, porém, em instantes o presente já se foi,e o que permanece dele já está transformado. Primeridade é uma qualidade tomada como signo. Ex.: sensação de "vermelho". Sendo uma qualidade, só pode significar um objeto tendo com este alguma semelhança; portanto, é um ícone. E considerando que uma qualidade é uma mera possibilidade lógica, só pode ser interpretada enquanto rema. Portanto, esta é a classe do qualissigno icônico remático. É uma coisa ou evento da experiência cujas qualidades fazem com que signifique um objeto. Ex.: o diagrama de uma árvore. Tendo semelhança com o objeto, é um Ícone (envolve, pois, um qualissigmo) e, como no primeiro caso, é interpretado através de um rema: (COELHO NETTO, 1990:62) O sentimento é base da consciência imediata, sendo também paradoxalmentejusto aquilo que se oculta no pensamento porque para pensar precisamos nosmobilizar no tempo. Consciência em primeridade é qualidade de sentimento e, por isso mesmo, écompreendido como a primeira apreensão das coisas. “Sentimento é, pois, umquase-signo do mundo, primeira forma, vaga e indeterminada de predicação dascoisas. É ainda a possibilidade de ser, deslancha irremediavelmente para o que já é,e no seu ir sendo, já foi”. (FIORIN, 2007:16) Segundidade / Índice / Ação: Transição. Como transformar em material aidéia sugerida na idade à cima. Há um mundo real independente do pensamento,porém pensável, o que simboliza a segundidade. “Esta é a categoria que a asperezae o revirar da vida tornam mais familiarmente proeminente; Esbarramos em fatosque nos são externos, tropeçando em obstáculos que não cedem ao mero sabor denossas fantasias”. (COELHO NETTO, 1990:64) Só o fato de existência humana significa a todo o momento ação deconsciência em relação ao mundo. Estar numa relação, tomar um lugar no universo,
    • 45resistir e reagir, ocupar um tempo e espaço junto com outros corpos – todos, fatosde segundidade. Alguns se desenvolvem até a terceridade; já a maioria, acaba porperder-se no pensamento. Neste sentido, a idéia surgida na primeridade passa a ser desenvolvida, e é asegundidade que vai desenvolvê-la. A segundidade é justamente os caminhostraçados para a evolução de idéias, as campanhas percorridas para chegar adeterminada sanção. Neste momento o dono da idéia vai perceber se seupensamento vai dar certo ou não. “Certamente, onde quer que haja um fenômeno háuma qualidade (um pensamento inicial qualitativo), isto é, sua primeridade. Mas aqualidade é apenas uma parte do fenômeno, visto que, para existir, a qualidade temde estar convertida numa matéria. A factualidade do existir (secundidade) estánessa corporificarão material do pensamento”. (SANTAELLA, 2000:32) Qualquer sensação já é o estimulo do pensamento, aquilo que move opensar. Falar em pensamento é falar em processo longo de codificação, mediaçãointerpretativa entre nós e os fenômenos. É sair, portanto, do segundo como aquiloque nos impulsiona para o universo do terceiro. “Agir, reagir, interagir e fazer são modos marcantes, concretos e materiais dedizer ao mundo, interação dialógica, ao nível da ação, do homem com suahistoricidade”. Assim sendo, secundidade é quando o sujeito lê com compreensão eprofundidade de seu conteúdo. “Como exemplo: ‘O homem comeu banana’, e nacabeça do sujeito, ele compreende que o homem comeu a banana e possivelmentevisualiza os dois elementos e a ação da frase”. (SANTAELLA, 2000:30) Terceridade – Símbolo - Concretização: A conclusão da idéia passa a serdireta - explícita. Um prédio cujo projeto fora discutido por engenheiros desde aépoca da faculdade (primeridade), quando se reuniram depois de dez anos depois eo assunto voltou à tona, começou o projeto (segundidade), e assim foi construído umprédio de negócios (terceridade). "Nenhuma linha firme de demarcação pode ser desenhada entre diferentes estados integrais da mente, isto é, entre estados tais como sentimento, vontade e conhecimento. É claro que estamos ativamente conhecendo em todos os nossos minutos de vigília e realmente sentindo também. Se não estamos sempre querendo, estamos pelo menos, a todo o momento, com a consciência reagindo em relação ao mundo externo". (PEIRCE, 1999:11)
    • 46 Nessa medida tudo é signo, qualquer coisa que se produz na consciência temo caráter de signo. O sentimento ou qualidade de impressão é um pré-signo porquejá funciona como um primeiro significante das coisas que se apresentam. A ação ouexperiência também pode funcionar como signo porque se apresenta como respostaou marca que deixamos no mundo. Justamente neste ponto esta enraizada as bases para a semiótica, pois “éjusto na terceira categoria fenomenológica que encontramos a noção de signogenuíno ou triádico, assim como é nas segunda e primeira categorias que emergemas formas de signos não genuínos, isto é, as formas quase sígnicas da consciênciaou linguagem”. Depois que uma idéia passa pelos três níveis, ele chega à semiose,ou sansão. (SANTAELLA, 2003:12) Voltando ao exemplo de “onde existe fumaça há fogo”, percebemos queexistem certas condições antes de qualquer precipitação na interpretação. Pode-sedizer que os dois primeiros níveis são os mais difíceis, porque beiram a abstração,caso contrário da terceridade, que já é o objeto em si existente, ou a confirmação do(símbolo) da desconfiança (índice) que foi gerada (ícone) no pensamento.
    • 47 3.3. Greimas e o percurso gerativo de sentindo Para clarificar os modos de organização dos textos, bem como os mecanismos de produção e recepção, a semiótica parte da construção dinâmica de um enunciado através do percurso gerativo de sentido. De fato, conforme o terceiro postulado de Floch, para semiótica uma manifestação lingüística é construída por “[...] uma sucessão de patamares, cada um dos quais suscetíveis de receber uma descrição adequada, que mostra como se produz e se interpreta o sentido, num processo que vai do mais simples ao mais complexo [...]” do mais abstrato ao mais figurativo do plano de conteúdo. (GREIMAS apud FIORIN, 1997, p.17) Depois da revolução pierciana diante o estudo da semiótica que antes dachagada de Pierce estudava apenas elementos linguistícos - se esquecendo doaspecto social na análise da mensagem - ocorreu um boom de teorias semióticas. Porém, em meados da década de 60 do século passado, maisparticularmente no território francês, havia um descontentamento diante osparadigmas da época que tinham como carater a análise de sentido. Este momentoé considerado como o auge do estruturalismo na europa, cuja preocupação era coma contrução dos sentidos dos textos e com a interpretação. Para os franceses as teorias vigentes eram qualitativas, mas pecavam emalgumas aspectos análiticos de sentido. Diante a problemátiva, “uma das teorias queadotava a produção de sentidos como interesse fundamental era a semióticadesenvolvida pelo chamado Grupo de Paris, constituído em torno dos pensamentosde A. J. Greimas”. (GRAGEIRO E GREGOLIN, 2005:05) “As dificuldades práticas para estabelecer essas universais semânticas e paradefinir as regras de compatibilidade entre estas unidades são de tal ordem que aanálise sêmica só produz resultados satisfatórios em campos léxicos bemdelimitados”. (GREIMAS & FONTANILLE, 1993:09-14) Greimas concebeu uma Teoria Geral dos Signos, onde o mesmo dizia que umsigno não é algo em si vivo, mas, representativo. Concebeu a semiótica, sendoclassificada como estruturalista. Inventou um modelo teórico, uma teoria cientifica.Greimas considera “tudo” como um texto suscetível de análise de sentindo. Todasas organizações sociais têm seus textos, sua configuração discursiva no percursogerativo da mensagem. Elaborou um modelo fechado mantido por modelo teórico deanálise de sentido.
    • 48 O simulacro metodológico proposto pela semiótica francesa ou greimasiana parte de grandes linhas gerais: Todo enunciado tem como pressuposto necessário um sujeito da enunciação (um “alguém que diz”). Esse sujeito da enunciação se desdobra em um enunciador (quem fala) e um enunciatário (para quem se fala). Isso implica dizer que todo enunciado tem como pressuposto uma interlocução entre ambos. (GREIMAS & COURTÉS, 1979:14) A história faz parte da construção lingüística. O mundo é significado namensagem e no poder codificado. Se quisermos salvar o ambiente, temos quedemonstrar uma mensagem pragmática ao mundo sobre a necessidade daproblemática. Se quisermos escapar do julgamento de valor, ou de realidade,perante nosso vestuário, é importantíssimo entender a linguagem da moda atual. Considerando a semântica como elemento da “lingüística, descritiva, que tempor objeto o estudo da relação dos signos com aquilo que eles significam, numalíngua dada, e o estudo das palavras no que tange seus significados”, considera-sea semântica como: gerativa, sintagma e geral. (GREIMAS & FONTANILLE, 1993:16) A “gerativa” é aquela que detecta os “níveis de invariância crescente desentido de forma a perceber os diversos elementos do nível da superfície ou do nívelmais profundo do discurso”. Já a “sintagma” é a combinação de duas formas oupalavras, sendo que uma funciona como determinante da outra, criando um elo desubordinação. È a sintagma não lexical, sem necessidade léxica; que não busca amera análise no conjunto de vocábulos de um idioma, mas sim a produção einterpretação do discurso. (BARROS, 2000) A “geral” é a unidade de sentido que pode ser manifestado por diferentesplanos de expressão. É algo já enraizado, como um percurso de herói – a satisfaçãoda conquista. O fato do sentido de “herói” ser enfatizado todo tempo pelos maisdiferentes tipos de canais ajuda à ligar um termo no outro. O percurso do sentido possui um fim específico, a manipulação. Este é oobjetivo final do emissor na mensagem: Mostrar que sua opinião, ou doutrina, é acerta diante o assunto tratado. “Independente das intenções do orador”.Naturalmente para que isso aconteça, é necessário entender a linguagem do outropara entender as perspectivas de linguagem, sentimento, raciocínios, etc.(BARROS, 2000) A semântica estrutural de Greimas é postulada no paralelismo do plano deexpressão e plano de conteúdo. Para o estudo dos elementos dessa semântica
    • 49gerativa, sintagmática e geral, existe o modelo de produção do sentido que constituium percurso gerativo de sentido, geração de movimentos em níveis invariáveis. Existem dois planos na estruturalização de uma mensagem. O “plano deconteúdo” é o que pretendemos dizer, o de “expressão” é a forma de se comunicar.A linguagem é trabalho dos dois. Quando negamos um fato, por exemplo, temosdiversas formas de negá-lo – o conteúdo é mantido e a expressão variada. Um bomorador consegue adequar um ao outro. Descobrir a melhor forma de mostrar o fatoocorrido. Um bom roteirista é aquele que percebe as nuanças da expressão. “Opercurso da mensagem não é elástico, ele deve gerar um sentido. Umaintencionalidade, um percurso, o sentido, sendo em última estância a manipulação”.(BARROS, 2000:18) De acordo com a Semiótica greimasiana, todo texto possui uma narratividadecom base num percurso gerativo de sentido composto de três níveis semânticos:semântica fundamental, semântica narrativa e semântica discursiva. Esta é a teoria que será aplicada na análise semiótica deste trabalho. Atravésdas três semânticas vamos demonstrar o nível de parcialidade da revista CartaCapital em seu editorial. Vamos dar ênfase na representação da dimensão retóricaque Mino Carta almeja passar utilizando a análise do significado para entendermosse de acordo com a semiótica greimasiana a revista é partidária.
    • 50 3.4. Os três níveis de Greimas a) Semântica fundamental “Nível em que se estabelece o eixo semântico sobre o qual o texto se constrói e em que, através do quadrado semiótico, representa-se graficamente a sintaxe sumária das transformações que ocorrem entre os termos de uma categoria semântica. Tal sintaxe funda-se em relações de contrariedade, contradição e implicação, que são as responsáveis pelas articulações mínimas de uma narrativa”. (GREIMAS e COURTÉS, 1979:22) É o contexto da mensagem, tanto no seu conteúdo linguístico quanto deefeito. Quando o autor usa o termo “sintaxe sumária”, quer dizer sobre o significadoo conteúdo dos tipos textuais. Tudo está embutido de acordo com a intenção doemissor, se o que ele pensa pode causar a aderência do receptor imaginado. Neste modelo entenderemos quem está escrevendo, para quem, se amensagem é positiva diante a ética vigente e se ela tem poder de coerção, ou seja,de causar a aderência do receptor. É o núcleo principal, do que se quer falar.Quanto mais pragmática a mensagem neste sentido, mais ela tem a chance deaderência devido ao fácil entendimento. O nível fundamental é a divisão principal da categoria semântica. É oresponsável principal para elaboração de um texto. Ou pelo conjunto da obra, porexemplo, tanto uma reportagem sobre o tratamento do governo americano diante osprisioneiros de Guantánamo, como uma matéria sobre a precariedade do urbanismopara os cegos na cidade, estou me referindo, em ambas, sobre a categoria“Liberdade VS. Opressão” (nível fundamental da mensagem). ”Ou seja, esses sãoos pólos em torno dos quais os elementos do texto vão se organizar; enfim, oimportante é percebermos que nesse simulacro metodológico há uma interligaçãoentre os níveis que garante a coerência textual”. (BARROS, 2000:73-75) Ele busca revelar o mais abstrato de uma mensagem, diagnosticando eresumindo o objetivo do enunciatário da oração. Ele organiza as idéias do texto deacordo com o que é mais elementar. “Sua operacionalização ocorre através daoposição semântica de dois semas articulados pelas categorias tímicas de euforia(positivo) e disforia (negativo) e das operações sintáticas de negação e asserção”. Onível profundo se estabelece através da percepção das diferenças de quem capita.“Ao menos dois termos-objetos, como simultaneamente presentes e relaciona-os de
    • 51um ou de outro modo apontando como conseqüência a certeza de que um termo-objeto só não comporta significações” (BARROS, 2005:73-75) “As relações pressupõem uma ligação de oposição ou diferença entre doistermos como morte e vida, por exemplo, que podem ser qualificados como eufóricoe disfórico respectivamente”. (BARBALHO, 2006:10-14) A contradição é a chave do nível profundo. Neste nível é pressuposto que amensagem possui uma forma de contradição, independente do nível da relação. b) Semântica narrativa: A sintaxe narrativa deve ser pensada como um“espetáculo” que simula o fazer do homem que transforma o mundo. Para entendera organização narrativa é preciso descrever o “espetáculo”. Ele analisa como oenunciador executa as operações do nível fundamental. Ele considera que “uma narrativa ocorre quando se tem um estado inicial quese articula em percursos narrativos e que compõem o esquema narrativo”. Ele éconstituído de enunciados do estado e do fazer. O primeiro estabelece uma relaçãode posse ou de privação entre um sujeito e um objeto, ou seja, uma disjunção ouconjunção. O segundo é enfatizado pela transformação de um estado para o outro.“Assim os enunciados de fazer regem os de estado que, transformados, geramnarrativas mínimas hierarquizadas no texto”. (FIORIN, 2007, p. 21). A semântica narrativa tem sua perspectiva baseada na “mobilização do fazer”.O objetivo e as relações para com o sujeito são mudáveis. A “modalização do ser”também está presente nesta constituição narrativa. Para os dois casos a semióticamoderna define quatro modalidades - o querer, o dever, o poder o saber. Asemântica narrativa se baseia na mobilização do “Ser / Fazer” e do “Ser / Parecer”. O primeiro é quando o emissor de fato irá fazer o que esta enunciando, já nosegundo, o receptor apenas diz que vai fazer, porém, de fato não o faz – como ascampanhas políticas de alguns políticos brasileiros. A própria modalizaçãoveridictória articula como categoria moral – “ser” ou “parecer”. Da investigação dos pressupostos do fazer, depreende a modalização da sintaxe narrativa, ou seja, tanto o ser quanto o fazer do sujeito podem estar sobredeterminados. De imediato, revelou-se a capacidade de expansão do modelo para a descrição das etapas que antecediam e sucediam a ação do sujeito propriamente dita e que, até então, não tinham uma explicação adequada. (BARROS, 2000:47)
    • 52 As pesquisas de Greimas sobre a modalização do “ser” e do “saber”acabaram por conduzi-lo diretamente ao universo passional. Ele considera aspaixões como “arranjos de configurações modais passíveis de análise científica”. Ouseja, o sujeito utiliza várias formas para informar o que sente, ou o que finge sentirdiante outro sentimento. “Seriam os sentimentos os estimuladores das ações modaisdiante o discurso”. (GREIMAS e FONTANILLE, 1993:54) Quanto mais o individuo “querer”, maior será à vontade e a persistência embusca da “sanção”. De imediato entende-se que o sujeito acaba sendo mobilizadopelo “querer”, não pelo “poder”. A universitária busca sua meta, sendo o diploma,através do “dever”, porém, este “dever” é movido muito mais pelo “querer” do quepelo “dever”. Neste âmbito, Greimas concebeu que o “fazer” do sujeito exige competênciasmodais que transformam o “querer”, o “dever”, o “poder” e o “saber” em fazerdefinindo-lhe semioticamente suas existências de três modos diferentes: o virtual(pelo querer ou dever - fazer), o atual (poder e saber fazer) e o realizado (pelo fazere pela transformação). Com o trabalho “Semiótica das Paixões (Greimas e Fontanille), é nítido queuma série de questões pendentes foram sanadas diante os inúmeros modelosestruturalistas de análise de sentido que pecavam em diversos paradigmas. A teoriafoi mais discutida e melhorada nos estudos sobre a tensividade, propostos porJacques Fontanille e Claude Zilberg, em 2001. Eles “deram prosseguimento àsdiscussões levantadas em Semiótica das Paixões, praticando um refinamento doinstrumental teórico relacionado ao nível das precondições de formação do sentido”. Estes aspectos discutidos justificam o uso da semiótica francesa paraqualquer análise de discurso que almeja uma forma qualitativa do percurso dosentido. O uso é justificado para análise de textos midiáticos: Um bom exemplo concreto da aplicação de alguns dos conceitos desenvolvidos pelos estudos tensivos em textos midiáticos é a análise de estratégias enunciativas de manipulação do enunciatário de algumas propagandas veiculadas na mídia. A partir desses conceitos tensivos, podemos, por exemplo, mostrar que alguns textos publicitários manipulam o enunciatário pelo esperado, pelo conhecido. (FONTANILLE e ZILBERG, 2001:03)
    • 53 Quando analisamos os editoriais da Carta Capital percebemos que grandespartes dos textos contem a manipulação através da surpresa – “estranhamentocausado pelo desconhecido ou pelo imprevisto”. Com esta matriz teórica é possível elaborar uma abordagem estratégica naqual o dono da enunciação se põe em jogo para manipular o receptor. “A semióticafrancesa aumenta a chance de precisão de análise objetivando a compreensão e aexplicitação dos mecanismos de formação de sentido dos textos que dia a diaimpõem novos desafios à teoria”. (FONTANILLE e ZILBERG, 2001:07) Convencemos ou persuadimos por meio de um gesto ou canal através depalavras, gestos e ambiente. Usamos nossa lábia para o poder de coerção.Naturalmente cada interlocução constrói especificidades diferentes para cada textouma vez que o enunciador se projeta no enunciado deixando suas marcas noenunciado. “Vale sempre a ressalva de que quando falamos de sujeito da enunciação nasemiótica – seja pela perspectiva do enunciador seja pela do enunciatário – estamosnos referindo a uma voz que emana do texto e não a pessoas reais”. (GREIMAS eCOURTÉS, 1979:22) Existem dois tipos de enunciados para uma síntese narrativa: Os “Enunciadosde Estado” que formalizam a relação de função (disjunção, negativo / conjuração,positivo) entre sujeito e objeto. E os “Enunciados de Fazer”, demonstradores dastransformações que correspondem à mobilização entre um estado e outro. “Umanarrativa complexa estrutura-se numa seqüência canônica que compreende a quatrofases: A manipulação, competência, performance e sanção”. (BARROS, 2000:25) “A competência não é sempre positiva, podendo ser insuficiente ou mesmo negativa, assim como a performance, que pode ser bem sucedida ou conduzir a um fracasso” De qualquer forma, na narrativa em que existem dois sujeitos a competência e a performance são sempre positiva para um e negativa para outro”; “Uma vez postos em seqüência de pressuposição lógica, os programas narrativos compõem o percurso narrativo que, por sua vez é composto pelo percurso do sujeito, do destinador-manipulador e do destinador-julgador”. (GREIMAS, 1979:24) É necessário ter competência para elaborar diversas performaces á fim de sechegar a uma sanção diante a manipulação. Um clássico exemplo é o da mãealimentando o filho. A mulher usa diversas formas para fazer o bebê comer acomida. Apelos sentimentais, castigos, comparações, enfim, utiliza-se de diversaspermorfances para conseguir a sanção. Manipula a criança utilizando uma das
    • 54quatro fórmulas de manipulação, ou todas: Tentação, intimidação, provocação,sedução. Em geral usado em todo argumento como forma mais corriqueira ecotidiana. Exemplos: Tentação: “Se comer te darei um doce” Intimidação: “Se não comer vai apanhar” Sedução: “Como um mocinho tão grande, forte e esperto não vai comer?” Provocação: “O seu irmão já comeu, ele sim é lindo” Na “tentação” o locutor oferece um objeto positivo ao interlocutor, aguçandosua ambição para conseguir a sanção. Com a “intimidação”, divergente da tentação,possui um objeto com valor negativo para o interlocutor. Abusa-se do medo paraconseguir alcançar o objetivo. Com a “sedução” o emissor mexe com o ego doreceptor, atribuindo-lhe um juízo de valor positivo – elevando a moral. Já a“provocação” ocorre no contraponto da “sedução”, sendo atribuído um juízo negativodo interlocutor, uma comparação. (BARROS, 2000) “Tentação” e “sedução” estão convencendo; “intimidação” e “provocação”estão persuadindo. Assim, “o percurso do sujeito se estabelece pela aquisição dacompetência necessária para realizar a ação, bem como pela performance de suaexistência”. (GREIMAS 1979:30) c) Semântica discursiva: Local onde estão às estratégias projetivas doenunciador, espaço e tempo. Neste mesmo nível, devem ser enquadradas asrelações entre temas e figuras (semântica discursiva) determinadas pela mesmaenunciação. Pode ser concebido como o texto em si. A enunciação definida como o “atopelo qual o sujeito faz ser o sentido, produz o enunciado cujo sentido faz ser osujeito exigindo do enunciador competências para que o enunciatário aceite comoverdade ou mentira, realidade ou ficção, aquilo que está em jogo”. (LANDOWSKI,1992:167) O enunciatário divulga um novo saber como o lado certo. Revela a mentiraatravés de segredos revelados no andamento do discurso. Simula a situação. Cabeao receptor aceitar a nova verdade de acordo com suas relações com o texto e como contexto sócio-histórico. A semântica discursiva é operada pela tematização e pela figurativização. Atematização demonstra os elementos abstratos buscando uma explicação e uma
    • 55realidade para representar o mundo através de algum corpo textual. “Temas são,portanto, palavras ou expressões que representam algo não existente no mundonatural, como a felicidade, a humanidade, por exemplo,”. (BARROS, 2000:55) A figurativização representa o concreto, uma vez que se manifesta pelomundo: como o sol, a lua etc. Já, em certos casos, algumas figuras apresentam-seatravés de mundos fictícios, oriundos da imaginação humana, como umextraterrestre, por exemplo. De modo a gerar sentido, figuras e temas precisamseguir uma ordem lógica para gerar o sentido proposto. Os percursos figurativosutilizam recursos para produzir efeitos de sentido. Também os percursos temáticos se utilizam da coerência, do confronto ou dasobreposição como estratégia para produzir determinado efeito. “A escolha de temase figuras pode ocorre também através de determinados léxicos que produzemefeitos bastante específicos, como é o caso da gíria, do arcaísmo, do neologismo,do regionalismo ou estrangeirismo e do jargão”. (BARROS, 2000:69)
    • 56 4. Análise semiótica dos editoriais da Revista Carta Capital 4.1. Estrutura semiótica para este trabalho Este é o protótipo explicativo de como vai funcionar o trabalho. Édemonstrado algum editorial que se refira à Lula, depois, analisado pela Semióticade Greimas – Percurso Gerativo de Sentido – no modelo organizado por DianaBarros. Foram escolhidos 16 textos entre o período de 04 de julho de 2007 a 06 demarço de 2006. Os critérios para a escolha deles foram dois: o tema e o valornotícia. Como os temas por vezes se repetem (como Mino Carta atacando o FHC)foi selecionado o melhor texto no que tange a análise para cada tema. O valornotícia é concebido como os temas que mais traz impacto diante o receptor, o temaque é mais consumível. Protótipo da Análise semiótica COMPONENTE SINTÁTICO COMPONENTE SEMÂNTICO* Estrutura do senso narrativo 1. Semântica fundamentalNível profundo / Sintaxe superficial* Nível superfície / Sintaxe narrativa 2. Semântica narrativaSemântica Narrativa - Modalizações do“Ser” e do “Fazer”* Estrutura discursiva 3. Semântica Discursiva- Sintaxe discursiva Tematização- Discursivização Figuralização- Actorização e especialização- Temporalização FONTE: DIANA BARROS, 1997OBS – A análise vai ser em texto corrido respeitando o conteúdo da tabeladiante os três níveis
    • 571ª ANALISE (EXEMPLO)Edição: n° 596 p: 14Editorial: Rosa dos Ventos, DiasTítulo: A guerra de sempre Nestas horas, o partido da mídia brasileira torna-seexército contra Dilma, como foi contra LulaSubtítulo: “Cada programa deste governo tem a minha Participação”, DilmaRousselfFoto: Dilma RousselfÍndice: A vez dela. Toda a “isenção” para favorecer o candidato Serra A semântica fundamental é concebida como a estrutura mínima da análise.É a sintaxe superficial, ou seja, o que a relação das palavras no texto quer dizer. Notexto existe um conflito ou convergência entre opiniões que geram o fato divulgado.No nível das estruturas fundamentais determina-se o mínimo de sentido a partir decomo o discurso se constrói. Relação entre contrários Relação entre contraditórios Relação entre complementares FONTE: DIANA BARROS, 1997 No exemplo das Rosas dos Ventos, percebemos três níveis fundamentaisorganizados hierarquicamente em uma relação de contrários, contraditórios ecomplementares.Contrário: - Candidato do PT X Grande Mídia BrasileiraContraditório: - Autoritarismo XX LiberdadeComplementar: - Mídia Americana E Mídia Brasileira OBS: X – Significa Contrário XX – Significa Contraditório E – Significa Complementar
    • 58 A semântica narrativa é o nível da superfície da sintaxe narrativa, ou seja,demonstra o que o autor pretende através de duas modalizações: Ser e Fazer. Esteé momento em que o emissor se relaciona com os receptores no texto. É a parte doconvencimento. O desejo, o querer e a possibilidade são elementos presentes naanálise. No exemplo citado, Dias possui o desejo de defender os ataques que agrande imprensa faz ao PT. Para isso, ele quer mais pluralidade de imprensa eaponta para a possibilidade de copiar a diversidade de informação da imprensanorte-americana. “Tanto para a modalização do ser quanto para a do fazer, asemiótica prevê essencialmente quatro modalidades: o querer, o dever, o poder eo saber”. (BARROS, 1997:82) O autor, ao ver a campanha contra o PT da grande imprensa, explicita odever fazer alguma coisa – é “dever” do “jornalismo qualitativo ter pluralidade deimprensa”. Crítica o dever posto como lei (dever) pelo deputado – este é o principalargumento do autor no texto. Quando aponta o paradigma americano de diversidadede informação o autor utiliza o elemento do “poder”. Pelo saber, ele aponta dadossobre a atualidade jornalística dos dois países. Tudo com base no “querer”, no caso,defender o PT e a candidatura de Dilma Rousseff. A modalização do fazer ambiciona os valores modais. Possui um carátermobilizador. O dever-fazer e o querer-fazer são modalidades virtualizantes,enquanto o saber-fazer e o poder-fazer são modalidades atualizantes. No exemplodado, o autor percorre mais as modalidades virtuantes, já que não aponta dadosconcretos de como atingir o seu desejo. Só dizer que se deve seguir outro exemplode jornalismo superficialmente não possui tanta coerção, pois o mesmo só aponta àproblemática dizendo que lá tem mais pluralismo que aqui. A modalização do ser também vai estar presente na análise do trabalho.Parte do pressuposto da realidade da análise. Um emissor pode elaborar um textomentindo, ou falando a verdade. Ele pode estar se mostrando ser de um jeito,quando na verdade é de outro. O quadro abaixo esclarece as relações modais doelemento “Ser”. O trabalho vai trazer a análise em texto corrido com base no quadro acimaquando existir a necessidade de análise do elemento “ser” no texto. No exemploanalisado, Dias parece ser verdadeiramente defensor do PT. Na semântica narrativaestão presentes as competências que o autor elabora para suas performances á fim
    • 59de se chegar a uma sanção diante a manipulação utilizada na argumentação diantea defesa ideológica. As manipulações são dadas como: Tentação, sedução,intimidação e provocação. Dias utilizou a provocação estimulada pela sua inteligência naargumentação, utilizando dados concretos para defender sua opinião. Somente ofato de ser jornalista já o credibiliza diante argumentações provocativas elaboradascom inteligência, principalmente diante uma coluna própria, o que simboliza aexperiência do autor. Ele diz que nos EUA existe diversidade de informação.Mistura o senso comum com o elitizado no mesmo texto: “A senhora Dunn chora debarriga cheia, pois lá tem mais diversidade que aqui”, “a mídia elitizada no atualmomento mais importante nos rituais da democracia brasileira” – citaçõesprovocativas diante o contexto da coluna. A semântica discursiva simboliza a relação do discurso do texto. Servetambém como explicação do contexto do objeto analisado. Suas características: adiscursivização, temporalização, tematização ou figuratização, e, actorização ouespecialidade. Discursivização: É a coerência textual analisada. A idéia de recorrência, a“linha sintagmática do discurso e sua coerência semântica”. A análise dos percursosfaz-se pelo exame dos traços semânticos, abstratos e figurativos, examinando abusca dos sentidos do texto, “as relações vigentes entre as várias argumentaçõesque ilustram o texto”. (BARROS, 1997:71) Discursivização aplicada no exemplo: Dias começa seu texto dizendo quea grande imprensa fez campanha contraditória ao PT durante as últimas cincoeleições: “Este é o fato que tem desequilibrado o jornalismo brasileiro nomomento mais importante das democracias política”, no caso as eleições. Depois ele faz uma crítica ao deputado Cândido Cavvarezza, líder do governona câmara. O conselho de auto-regulamentação de imprensa posto pelo deputado évisto como uma fórmula de autoritarismo. Este conselho tem como caráter coibir apartidarização ou a cobertura dirigida, principalmente em época de eleições.“Aqueles que simpatizam com a imparcialidade chegam à beira de umcompreensível desespero e a um passo de injustificáveis ações autoritárias. Aproposta de monitoramento da imprensa é uma delas”. Dias acha que esta lei
    • 60estimulará mais a imposição de informação da grande imprensa, prejudicando adiversidade de informação. Para fundamentar sua idéia, Dias cita Annita Dunn, diretora de Comunicaçõesda Casa Branca, como exemplo de grande mídia partidária diante uma acusaçãosobre a Fox News: “Ela opera praticamente (...) como o setor de comunicações doPartido Republicano”. O objetivo do autor perante esta lembrança americana se dápela comparação entre o nível de pluralidade da mídia americana e mídia brasileira:“Dunn Chora de barriga cheia. Lá, bem ou mal existe diversidade”, uma críticadireta implícita à proposta de Cavvarezza. Termina o texto demonstrando a Luta de Lula contra a grande imprensa emsua época da campanha, alertando a tendência anti-petista da mídia contra acandidatura de Dilma. Temporalização: Quando o discurso é elaborado por temas, temporais,atemporais, ou os dois juntos, normalmente os paradoxos se reptem. No caso doexemplo de Dias, ele vai até da época de Fernando Collor de Mello até Lula.Também passa pela atualidade Casa Branca no mesmo texto, exemplificando aspalavras da ministra de telecomunicações dos EUA quanto à precariedade da FOX.“Não chore, pelo menos ai existe diversidade de informação”, “A campanha estáde volta”. Outro bom exemplo é a ida até a época de Collor: “A imprensa relembra aépoca dos marajás volta...” Tematização e figurativização: O percurso da mensagem é figurativizada.As transformações narrativas tornam-se ações de (de acordo com o texto de Dias):Não haver surpresa, Impedir a partidarização; Lamentar a inexistência dopluralismo da informação; Lá (EUA) bem ou mal existe diversidade; Injustificáveisreações autoritárias (referente à proposta do deputado); Resistência em admitir aanálise da mídia; Lula e o enfrentamento com coragem e clareza; Adotar umhíbrido entre dois modelos de pluralismo; Autoqualificação e Adaptação domodelo americano; Diferença no tratamento conferido aos candidatos; Tornar-seexército contra Dilma - referente à grande imprensa brasileira. A actorização e a especialização estão presentes neste nível semântico.São como os personagens do texto são nomeados: A Imprensa; o deputadoCândido Caccarezza; a diretora de telecomunicações da Casa Branca Annita Dunn;o cientista político Marcus Figueiredo; Lula, Dilma e Serra - são os atores do texto de
    • 61Dias - enquanto Fernando Collor de Mello é taxado de “caçador de marajás” Lula échamado de presidente.
    • 62 4.2. ANÁLISES Depois da explicação exemplificada à cima, este tópico vai trazer a análisesemiótica propriamente dita dos editoriais de Mino Carta. 2ª ANÁLISE EDIÇÃO: n° 451, p16, 04 de Julho de 2007 EDITORIAL: A Semana, de Mino Carta TÍTULO: A ética e a lei em xeque SUBTÍTULO: Lula fala de governabilidade. Mas a questão é outra FOTO: Uma zebra metade branca, metade listrada com preto e branco ÍNDICE: MONSTRO? Nem cavalo nem zebra. Algo assim com a política decravo e ferradura OBS: Palavras destacadas em vermelho seguem o modelo da revista, ouseja, as palavras destacadas por Mino Carta ao elaborar o editorial SEMÂNTICA FUNDAMENTAL CONTRADITÓRIO: Ética XX Cobertura da grande imprensa CONTRADITÓRIO: Ética XX Sensacionalismo Em uma relação contraditória, pois a imprensa crítica não é contrária a ética,mas sim a favor de distorcê-la, transformando-a em consumo. SEMÂNTICA NARRATIVA: Mino Carta quer defender Lula diante a coberturada grande imprensa que objetiva precipitar uma crise. Ele enxerga na crise da éticabrasileira uma grande oportunidade para atacar a grande imprensa que a ele faztudo para vender notícias. Carta é a favor de Lula e se mostra como defensor daética. Pela modalização do “Ser” no texto encontramos citações como: “O tempo éhoje bem diferente”; “Que a mídia continue em buscar crise não é surpresa” Utiliza a provocação: “A comparação não convence, o tempo é outro”, comsua inteligência relembra períodos utilizando a modalidade para dever-fazer crerque a cobertura da grande mídia é sensacionalista e não factual. “Que a mídiacontinue em busca de crises não é surpresa”, outro exemplo de provocação aodever-fazer não crer na cobertura da grande imprensa. “Pura teoria? Rompanteretórico? Sim, no Brasil a ética é que foi para o brejo há muito tempo”, utiliza
    • 63perguntas eruditas com respostas no senso comum. Utiliza o sarcasmo seduzindoJoaquim Roriz, “humilde o bastante para falar de questões pessoais”. SEMÂNTICA DISCURSIVA: Mino Carta diz que a ética do país já foi emborahá muito tempo. Nesta época de Renan Calheiros, Carta diz que Lula pediu maiorapoio do governo para não ocorrer uma crise de governabilidade, “como a queocorrereu em 2005, quando o mandato do presidente Lula foi colocado em cheque”. O objetivo de Mino Carta é desmistificar a cobertura da mídia que compara osdois momentos de Lula com o intuito de provocar outra crise no governo: “Que amídia continue em buscar crises não é surpresa, bem como o fato de produzirburacos n’ água”. Neste ponto que Mino salienta que a ética acabou, vale tudo poruma notícia. Mino Carta diz que as épocas são distantes. Enquanto que em 2005, Lulateve que afastar alguns membros - em 2007 diante Calheiros - Lula está muito maistranqüilo. Na ocasião, o ex-governador do DF explicou trechos da escuta quesurpreendeu a divisão de dinheiro corrupto: “Situações e figuras como estas emlugar de ameaçar a governabilidade liquidam as esperanças da nação e atropelas asesperanças da nação pela enésima vez”. Mino Carta compara o governo Lula entre os anos de 2005 e 2007,comparando os dois momentos diante a força política de Lula. “A comparação nãoconvence (referência a mídia), o tempo é outro, bem diferente”. Mino tematizou afigurativização com as seguintes citações: “O presidente lembrou; O envolvimentode Lula nunca foi provado; A mídia continua em busca de crise política;atropelam pela enésima vez ética e lei”. Os atores do texto são: Renan Calheiros,Lula, a mídia, José Dirceu, Delúbio Soares, o ex-governador do DF Joaquim Roriz eo ex-presidente do BRB Tarcísio Franklin de Moura.
    • 64 3ª ANÁLISE EDIÇÃO: n°452, p18, 11 de Julho de 2007 EDITORIAL: A Semana, de Mino Carta TÍTULO: Mal- estar diplomático SUBTÍTULO: O presidente da Venezuela dá ultimato ao congresso brasileiro.Lula reage FOTO: Lula e Cháves conversando ÍNDICE: RETÓRICA. Hugo Chaves volta a cutucar SEMÂNTICA FUNDAMENTAL CONTRADITÓRIOS: MERCOSUL XX Hugo Cháves CONTRADITÓRISO: DIPLOMACIA XX Bolivarianos SEMÂNTICA NARRATIVA: Mino Carta deseja mostrar a força diplomática deLula, para isso argumenta na possibilidade de Chaves não ter saída quanto umfuturo ingresso ao MERCOSUL. Carta é sabedor da dependência econômica entreVenezuela e Brasil, e defende Lula diante o embate diplomático. Carta utiliza a modalização do ser e do fazer: “Hugo Chávez é dado aarroubos retóricos”; “declarações dele para criar um clima de crise políticas” - pelasmodalizações Mino quer demonstrar o que a mídia faz nestes casos de discursossensacionalistas. “Os congressos do Brasil e do Paraguai são notoriamenteconservadores” e “O fato é que Brasil e Venezuela têm interesses comerciaisrecíprocos”, se eles têm, no caso, eles são dependentes comercialmente, de certaforma. O autor coloca uma citação direta de Lula como uma forma de intimidação:“Para entrar, tem de ter a aceitação dos quatros membros do MERCOSUL. Agora,para sair não tem regra”, Lula passa uma mensagem de “dever-fazer” à Chaves,devido à necessidade de parceiros econômicos no continente. “O isolacionismo nãointeressa a sociedade Venezuelana”, argumenta Mino Carta diante a pressão quepensa que o governo venezuelano estava sentindo na época. SEMÂNTICA DISCURSIVA: Mino Carta almeja demonstrar a força políticaque o presidente Lula tem no continente. Ele começa o texto dando uma alfinetadana cobertura da grande imprensa diante os discursos de Hugo Cháves “que grandeparte supervaloriza as declarações dele, para criar um clima de crise política,também é sobejamente conhecido”. Mais uma vez a imprensa tida como
    • 65sensacionalista para vendas é colocada no papel. Para reforçar o discurso diretointimidador do presidente Lula, Carta argumenta com Rousseff: “Um dia antes, aministra da Casa Civil, Dilma Rousseff haver dito que o país não aceitaria ultimatos”.Dever-fazer a imagem positiva de Dilma. No aspecto temporal Carta fica em dois dias, um dia antes com a citação daministra Dilma, e o dia anterior, quando Cháves encontrou com a Cúpulapresidencial do MERCOSUL. Carta usou o tempo para argumentar. Carta usafigurativização com: “Cháves é dado a arroubos retóricos; A mídia supervalorizaas declarações deles; A ameaça da Venezuela de desistir; Para entrar tem de ter aaceitação; Brasil e Venezuela têm interesses recíprocos.” Os atores presentes no texto são: Hugo Cháves, Lula e Dilma Rousseff.
    • 66 4ª ANÁLISE EDIÇÃO: n° 453 p18, 18 de Julho de 2007 EDITORIAL: A Semana, de Mino Carta TÍTULO: Como sempre, falta coragem SUBTÍTULO: A tradição ganha. Na hora azada, a minoria leva vantagem como apoio ou a omissão, do poder. No caso, levam vantagem a Globo e as múltis FOTO: Lula e Renan Calheiros sorrindo ÍNDICE: ENQUANTO ISSO, Lula recomenda a Renan: não vai ao Senado,assim não te pegam SEMÂNTICA FUNDAMENTAL CONTRÁRIOS: Lula X Cobertura da imprensa COMPLEMENTARES: Lula E Fábio, o Contemporizador CONTRADITÓRIOS: Medo XX Sociedade Civil SEMÂNTICA NARRATIVA: Mino Carta é a favor da sociedade civil e percorrea modalização do ser para dizer que Lula é forte diplomaticamente comparando-ocom um personagem da história, sendo que a mídia quer crise política a qualquercusto: “É natural que ele (Lula) tenha transferido essa qualidade para o terreno daatuação política”. “Fábio, o Contemporizador, é fonte inesgotável de inspiração”. “Asituação é grave. Que polícia seria está a serviço da mídia?” Através da Modalização do fazer Mino Carta utiliza o dever-fazer umacobertura isenta: “A Carta capital foi critica do governo em vários momentos; apoiouabertamente sua candidatura”, se a revista foi então ela fez. “Saiu a respeito, naúltima edição de Carta Capital o laudo do doutor Molina”. “A Assessoria deComunicação da PF de São Paulo, procurada por Carta Capital, informou não terprestado qualquer informação oficial à Folha”. Com isso diz que a Carta Capital fez aapuração e agora denuncia (dever) mais uma notícia inventada da grande imprensa. Como técnica da manipulação começa com a sedução classificando Lulapelo modalizador querer-fazer Lula forte: “O presidente Lula, o MediadorRecomendável, evoca remotas aulas de história, pois a tática assemelha-se à doContemporizador”; “Lula já exibia seu talento diplomático”; “Fábio, oContemporizador é fonte inesgotável de inspiração”; “Em 2003, Olavo Setubaldizia-se encantado com a atuação do ex-metalúrgico”. Também percorre a intimidação através do dever-fazer criticando o governo ecobertura da mídia: “O recuo ou omissão governista, beneficia os interesses daminoria”, colocando valores negativos no governo esta é a primeira frase que crítica
    • 67de fato o governo Lula que o trabalho mostra diante a recomendação à RenanCalheiros. “A mídia tripudia no apoio estratégico com a aparente colaboração dedelegados da própria PF” e “que polícia seria esta a serviço da mídia”, são outrosexemplo de provocação intimidadora. Frisa a provocação à Folha de S. Paulo pelodever-fazer jornalístico: “Saiu a respeito, na última edição de Carta Capital, o laudodo doutor Molina constatando o óbvio: ali não há envelope (como a folha dizia ter). SEMÂNTICA DISCURSIVA: Mino Carta quer mostrar a força mediadora deLula e enxerga na possibilidade da Folha de S. Paulo ter sido beneficiada pela PF oexemplo de falta de sociedade civil no Brasil. Carta objetiva dizer que apesar dasproblemáticas de Renan Calheiros, Lula consegue mediar seu governo, o querepresentaria um grande Líder – este é o efeito: “Lula sempre soube ser negociadorexcelente”. Interessante notar que Carta assume a sua preferência por Lula no meiodo texto: “Em virtude da capacidade de Lula conciliar posições opostas, CartaCapital apoiou abertamente a sua eleição e reeleição, por enxergar nele o mediadornecessário entre minoria e maioria”. Carta critica mais uma vez a grande imprensa: “O segundo mandato,conquistado contra uma feroz campanha midiática; A mídia tripudia, no apoioestratégico, com a aparente colaboração de delegados da própria PF”, referindo-seao furo de reportagem da Folha de S Paulo daquela semana dizendo que “A PFsabe da presença da grana na bolsa da funcionária de Gautama”. Neste ponto Cartadá a sentença: “Relembro os anos de ditadura, sonhávamos com o nascimento dasociedade civil. Parto adiado. Falta coragem”. Por ter vivenciado a ditadura e tersofrido perdas por causa dela, como a chefia de redação da Revista Veja,frequentemente Carta relembra o período para comparar a atualidade diante asexpectativas de revanchismo que tem sobre regime militar. De certo que a Folha de S. Paulo não diz quem da PF afirmou isso para ojornal. “A Assessoria de Comunicação da PF de São Paulo, procurada pela CartaCapital informou não ter prestado qualquer informação oficial à Folha”. Pelo aspecto temporal, Mino percorre a época da ascensão do impérioromano, “Os Romanos destruíram Cartago e jogaram sal sobre as ruínas”, parachegar á época em que Lula era Metalúrgico: “Desde seus tempos de sindicalista,Lula, sempre soube ser negociados excelente”. Depois da lembrança metalúrgica,Mino Carta vai para 2002, época da eleição de Lula: “A carta aos Brasileiros que
    • 68funcionou como plataforma ideológica de Lula às vésperas de 2002, já exibia seutalento diplomático”, relembrando o seu objetivo, que é demonstrar a forçadiplomática de Lula. Segue para 2003: “Em abril de 2003, o doutor Olavo Setubaldizia-se encantado com a atuação do ex-metalúrgico”. Depois vem para 2007 diantea problemática da Gautama: “Um envelope pardo que uma funcionária do Gautamateria entregue, com seu conteúdo de 100 mil reais”. Para voltar ao dia 20 de maio:“Em 20 de Maio, o doutor Molina constata o obvio: ali não há envelope pardo”, comisso Mino quer dizer que a Folha, de fato, inventou esta apuração, com o objetivo depressupor crise política no governo Lula. Figurações do texto: “Aníbal chegou, atacou, arrasou, derrotou; dizimou-lhe o exército e pôs em fuga; Jogou sal; Lula sempre soube ser; A Carta aosBrasileiros funcionou; Carta Capital apoiou; A omissão governista beneficiou; Odoutor Molina constatou; Carta Capital procurou a PF; correu risco, anotou e MinoCarta empardeceu.” Personagens do Texto: Mino Carta e receptores (“impávidos, assistíamos aoespetáculo”), Lula como “Mediador Recomendável” e “o Metalúrgico”, RenanCalheiros, Fábio “O Contemporizador”, Aníbal “O Cartaginês”, Cipião “O Africano” eOlavo Setubal.
    • 69 5ª ANÁLISE EDIÇÃO: n° 455 p18, 01 de agosto de 2007 EDITORIAL: A Semana, de Mino Carta TÍTULO: Presidente do povo, Por que não? SUBTÍTULO: Lula continua acuado diante da mídia, derrotada no anopassado. E a maioria continua com ele, à espera de uma reação FOTO1: Lula FOTO2: O ex-jurista Raymundo Faoro ÍNDICE1: INCERTEZAS. O presidente ainda tem espaço para recuperar otempo perdido ÍNDICE2: CERTEZAS. Faoro fala de uma elite que pretende a democraciasem povo SEMÂNTICA FUNDAMENTAL CONTRÁRIOS: Líder do Povo X Líder Burguês COMPLEMENTARES: Líder do Povo E Lula SEMÂNTICA NARRATIVA: Mino Carta quer mais postura de Lula e enxergana postura marxista de Raymundo Faoro uma oportunidade para clamar por maisatitude política de Lula. Um discurso mais de incentivo do que crítica ao presidente. Modalização do “Ser” e “Fazer”– “Waldir Pires é cidadão honrado e políticocoerente”, referente à revolta de Mino Carta diante a saída do ex-ministro da defesa;Percebemos traços de sedução no discurso através do querer-fazer a imagempositiva do Pires. Por outro lado, “o currículo de Nelson Jobim não prima pelacoerência”, provocando Jobim através do não dever-fazer Jobim como ministro.“Ninguém deseja mais do que nós as reformas úteis” – pela sedução, nós,brasileiros, merecemos. Mino quer-fazer o leitor entender que o PAC é necessário. Carta intimida o presidente Lula para dever-fazer, de fato, o legítimo papeldos presidentes dos pobres: “Isso teria que levar Lula a usar uma firmeza há tempodeixada de lado. Apressar a aplicação do PAC, tomar decisões em relações aquestões pendentes; Recorrer a panos quentes, tais como agradar o mercado, ouomitir-se, ou recuar diante dá Globo que não quer a classificação indicativa, nãomuda o preconceito atávico”. Provocação: “E falta nitidez quanto às idéias e aos sentimentos do presidenteLula”.
    • 70 SEMÂNTICA DISCURSIVA: Mino Carta pretende mostrar ao leitor aidentificação entre o presidente e o povo: ”Carta Capital tem a convicção que aidentificação entre o ex-metalúrgico é um dado da situação destinado apermanecer”. Possui uma visão otimista quando aplica pensamento marxista deRaymundo Faoro ao governo Lula: “Estas reformas devem ser feitas pelo povo”, nocaso um representante do povo. “Os índices de popularidade do presidente sãoestáveis entre os brasileiros distantes do privilégio”. Mino percorre o tempo:Começa no dia 20 daquele mês, quando o presidente Lula fez uma declaração comrelação à crise dos aeroportos. Depois vai para 1811, escrevendo o que Faoroobservou sobre Hipólito da Costa, ao sair o primeiro jornal brasileiro, CorreioBrasiliense: “Ninguém merece mais do que nós que estas reformas sejam feitaspelo povo, para depois terminar o texto com o mesmo dia 20. Ele circula o tempo. Na tematização temos: “Um crítico observou; Carta Capital entendeu;Nelson Jobim não primou; Os quepes acostumaram; A Carta Capita declarou; Amídia não chegou ao povo; Foi lançado a reedição do livro de Raymundo Faoro;Ninguém desejou mais reforma; O entendimento continuou na minoria; Lula usouo PAC; Lula se omitiu diante a Globo”. Os personagens do texto são: A Mídia; Mino Carta; os litores; Lula comoacuado, Raymundo Faoro; Waldir Peres como honrado e coerente; Nelson Jobimcomo sem coerência e força; e Hipólito da Costa.
    • 71 6ª ANÁLISE EDIÇÃO: n° 456 p18, 08 de agosto de 2007 EDITORIAL: A Semana, de Mino Carta TÍTULO: Brasil real e Brasil da fantasia SUBTÍTULO: Temos dois países, aquele do povo, talvez a caminho dodespertar, e aquele dos privilegiados doutrinados pela mídia. FOTO: Lula tocando cavaquinho ÍNDICE: O NOSSO LUÍS XIV. Reconhece que até agora fez muito mais pelosricos do que pelos pobres SEMÂNTICA FUNDAMENTAL CONTRÁRIOS: Brasil Real X Brasil da fantasia COMPLEMENTARS: Grande Imprensa E Elite COMPLEMENTARES: Getúlio Vargas E Lula COMPLEMENTARES: Geisel E Lula SEMÂNTICA NARRATIVA: Mino quer mostrar a diferença social do Brasil eenxerga na possibilidade de comparar o governo de Lula com o de Vargas e Geisel,todos beneficentes dos ricos, segundo autor. Mino Carta percorre a modalização do “Ser”: “Esta é precisamente uma dasrazões das críticas de Carta Capital ao ex-metalúrgico presidente”, referente aosricos estarem crescendo muito mais do que os pobres em 2007; “Inevitável é queexibisse mirabolâncias, fantasmagorias”, se referindo as declarações de Mantegaquanto ao Brasil ser um paraíso econômico; “No país da Fantasia, por exemplo, Lulaé culpado pelo desastre de Congonhas”, referente às críticas da grande mídia dianteo governo. “Pois neste nosso infeliz País, as pessoas de nível de escolaridade maisalto são as responsáveis seculares pelo estado de horror que assola o país”, aquiCarta apenas parece ser crítico a isso, pois ele faz parte da mesma elite que crítica. “Na opinião de Carta Capital, a nomeação de Nelson Jobim em lugar deWaldir Pires é erro político”, assumindo, depois de muitas pressupões nas ediçõesanalisadas passadas, a sua opinião explicitamente sobre a escolha do ministro dadefesa. Mino provoca a elite capitalista e a grande imprensa: “Nossa burguesia e seusaspirantes, com temperos de fantasia de sabor novelesco, graças à contribuição da
    • 72mídia nativa; a pobreza que toma conta da maioria da população não aproveita aninguém, à luz de um raciocínio capitalista e contemporâneo do mundo”. SEMÂNTICA DISCURSIVA: Mino Carta objetiva mostrar que as coisaserradas que a mídia divulga em nome de Lula na verdade encontra sua culpa naprópria elite defendida pela grande imprensa. Começa o texto condizendo que Luladisse que os ricos ganharão muito mais do que os pobres. E mostra o fato pordados, colocando o Brasil em terceiro pior país com má distribuição, ficando atrás deSerra Leoa e Nigéria. Crítica o governo Lula com isso dizendo que “o progresso produz inclusão”.Depois começa a explicar a diferença dos dois Brasis: “O afastamento entre os doisBrasis acentua-se inexoravelmente, separados pelo abismo em que fermentam amiséria, a ignorância, a criminalidade”; Criticando a mídia: “Difícil, se não impossível,para quem dá atenção aos órgãos midiáticos é perceber o Brasil real; No país dafantasia Lula é culpado pelo desastre de Congonhas”. Termina o texto dizendo que a culpa é da elite: “Pois, neste nosso infeliz País,as pessoas e nível de escolaridade são responsáveis pelo horror que assola o paísa sanha predatória da sua elite”, No tempo percorre começando com uma comparação da época de Vargascom Lula, dizendo uma parte da carta de suicido de Vargas: “Os nossos burguesesnão entendem que sou a salvação dele”. Segue mais uma vez para a ditadura diantea época de Geisel comparando novamente com a época de Lula – “Ernesto Geiseldefinia o país como uma ilha de prosperidade. Tematização: Vargas disse; Lula foi mais específico; Lula devia refletir; Oafastamento dos dois Brasis; Geisel definiu; Mantega pronunciou; Lula éculpado; Waldir Pires foi; Nelson Jobim é; Dora Kramer lida; Rodrigues avaliou;As pessoas de níveis mais altos são; Personagens: Getúlio Vargas; Lula; Carta Capital (apurando); Paulo Seccheso diretor-presidente da TNS InterScience, Ernesto Geisel como “diretor de plantão”;Guido Mantega; Waldir Pires; Nelson Jobim; Luís XIV, o cientista político LeôncioMartins Rodrigues e Luís XIV.
    • 73 7ª ANÁLISE EDIÇÃO: n°460, p19, 05 de setembro de 2007 EDITORIAL: A Semana, de Mino Carta TÍTULO: As palavras no devido lugar SUBTÍTULO: Livros sobre mortos e desaparecidos políticos irrita militares.Lula promete manter investigações FOTO: Lula no dia de lançamento do livro ÍNDICE: LANÇAMENTO. Direito à memória e à verdade SEMÂNTICA FUNDAMENTAL CONTRÁRIOS: Democracia X Ditadura Militar CONTRÁRIOS: Livro DITADURA X Militares CONTRÁRIOS: Liberdade X Opressão SEMÂNTICA NARRATIVA: Lula objetiva a lembrança da ditadura militar eenxerga na possibilidade de inauguração de um livro a respeito à oportunidade devoltar a criticar o período. Utiliza a modalização do “Ser” para estabelecer suaopinião no início e no final do texto: “É esse direito que queremos resgatar semrancor, sem revanchismo de qualquer ordem; “Por ora, a imagem que resiste é a deElzita Santa Cruz, que discursou em nome dos familiares”. No caso, ele é realmentecontra a ditadura militar e guarda certo tipo de rancor da época, principalmente naépoca do governo Geisel, que obrigou a Editora Abril tirar o nome dele da chefia deredação da Veja que vivenciava sua época de ouro. Os militares começam intimidando no texto de Mino: “Convidados para acerimônia, os comandantes das Forças Armadas não compareceram”. E Jobimtermina no texto com um discurso direto intimidador: “Não haverá um indivíduo quepossa reagir, se houver, vai ser retrucado”. Modalizador dever-fazer pelademocracia. SEMÂNTICA DISCURSIVA: No início mostra a firmeza política de Lula diantea abertura dos processos da ditadura que pouco a pouco vão sendo divulgados:“Lula afirmou que as investigações do governo sobre os crimes da ditadura vãocontinuar”. Depois, destaca que a falta dos militares no evento: “Os comandantesdas Forças Armadas não compareceram”. E, mesmo sendo contra a ascensão deJobim no Ministério da Defesa, Mino destaca uma citação positiva de Jobim: “Não
    • 74haverá um individuo que possa a isso reagir e, se houver, terá resposta”. Vale tudopara criticar aquele período. Mino não ultrapassa o limite do texto neste editorial, fica preso só ao encontroe na ditadura - levemente. Tematiza como: Lula veio e afirmou; os comandantesnão vieram e não pronunciaram; Jarbas Passarinho queixou-se; Delfim Netto(mesmo participando do governo ditatorial) não vê razão para não publicação dolivro; Nelson Jobim classificou e não tolerou; Elzita Santa Cruz discursou. Personagens: Lula; Os militares; O ministro dos governos militares JarbasPassarinho; Delfim Netto; Nelson Jobim; e, a Secretaria Especial dos DireitosHumanos, e, a autora do livro.
    • 75 8ª ANÁLISE EDIÇÃO: n°482 p16, 13 de fevereiro de 2008 EDITORIAL: A Semana, de Mino Carta TÍTULO: A mídia tucano-udenista SUBTÍTULO: O caso do cartão não é edificante, mas o objetivo é sempre omesmo FOTO: Lula apontando o dedo indicador para o alto ÍNDICE: SURPRESA? O alvo é Lula, à sombra da hipocrisia tradicional SEMÂNTICA FUNDAMENTAL CONTRADITÓRIO: Lula XX Cartão Corporativo CONTRÁRIO: Lula X Grande Imprensa CONTRADITÓRIO: POVO XX SENADORES CONTRÁRIO: MISÉRIA X RIQUEZA SEMÂNTICA NARRATIVA: Mino Carta quer a defesa de Lula perante oscartões corporativos e enxerga uma possibilidade de colocar a culpa em FHC. Pelamodalização do “ser” e “fazer”: “O cartão não é edificante, más o objetivo é sempreo mesmo”, referente aos freqüentes ataques da mídia à Lula. “As mazelas do poderfazem parte da tradição e, em inúmeras oportunidades, contaram com o silêncio damídia” – mais uma critica a elite e à mídia. “O cartão foi criado no governo deFernando Henrique Cardoso”, condizendo que a culpa da problemática é de FHC enão de Lula. Mino utiliza a provocação comparativa com dados reais pela modalização“dever-fazer” algo diante a injustiça: “enredos clássicos do País, onde apenas 5%da população ganha mais de 800 reais, e os senadores autorizados a gastar 15 milpor mês”. Outro exemplo de provocação com o “dever-fazer” negativamente aimagem desta cultura brasileira: “Estamos a viver, depois do carnaval, conformemanda o nosso irresponsável figurino”. Utiliza a tentação perante os inimigos do artigo: “O governo já agiuconvocando a CPI, com o objetivo diferente daquele desejado pelo clube tucano-udenista”. SEMÂNTICA DISCURSIVA: Mino objetiva defender os ataques a Lula devidoà problemática dos cartões corporativos, dizendo que a mídia nunca esteve tãoatenta como na era Lula: “Até o começo da era Lula, quando nenhuma ocasião
    • 76passou a ser perdida na tentativa de pôr o governo em dificuldade. E nem sempre asmazelas alegadas foram provadas”. Depois se pergunta sarcasticamente: “fuzuê?Escândalo? Crise do cartão corporativo. Logo após defende o governo: “agora ogoverno age como velocista antecipasse a convocação da CPI e ele mesmo aconvoca, acabando com as perspectivas do clube tucano-udenista”. Para encerrar otexto Mino alerta o leitor diante as futuras coberturas midiáticas: “Não sesurpreendam, mesmo que aconteçam, não deixem cair o queixo”. No tempo Mino relembra que é período de pós-carnaval para condizer que agrande mídia já começa a trabalhar: “depois do carnaval, conforme manda o nossoirresponsável figurino, o ano de 2008 vem”. E vai até a época de FHC: “O cartão foicriado no governo FHC”. Mino tematiza seu texto: A mídia mergulha na história; os senadores estãoautorizados; As mazelas do poder fazem; tentativa em por o governo emdificuldade; A mídia achou seu tema; o governo age como velocista; o cartão foicriado por FHC. Os personagens do texto são: A mídia como sentinela da “democracia”, Lula eFernando Henrique Cardoso.
    • 77 9ª ANÁLISE EDIÇÃO: n° 492, p16, 22 de abril de 2008 EDITORIAL: A Semana, de Mino Carta TÍTULO: A adesão incondicional SUBTÍTULO: A mídia inventa para complicar o governo e não percebe que aidentificação do povo com Lula é natural e automática FOTO: Capa da Veja criticando o governo Lula ÍNDICE: FATO E VERSÃO. Veja ladra e a caravana passa. As críticascabíveis são bem outras SEMÂNTICA FUNDAMENTAL CONTRÁRIOS: Lula X Mídia COMPLEMENTARES: Lula E Homem do povo SEMÂNTICA NARRATIVA: Mino deseja defender Lula quanto à publicaçãoda capa da Veja que diz: “2026, Lula outra vez”, e enxerga na possibilidade dapublicação da Veja uma oportunidade de dizer que Lula é um representante dopovo, pois é partidário à Lula. Modalização do “Ser” e “Fazer”: “A mídia inventa para complicar o governo enão percebe que a identificação do povo com Lula é natural e automática (fazer); Aidentificação com a maioria dos brasileiros deu-se como a manga nasce namangabeira (fazer)”. “O homem é bom, muito bom de comunicação, e está longe decarecer de carisma” (ser); “E isto é de conhecimento até do mundo oriental”,referente à desigualdade social no Brasil (ser). Provocativo: “Diminuiu o fervor midiático em torno do famoso dossiê e logonão falta quem informe qual fosse à verdade factual, que Lula está a ser tentadopela idéia do terceiro mandato; Trata-se de insinuações atiradas ao vento napretensão de abalar o prestígio político do ex-metalúrgico que virou presidenteda República”, referente à constante atividade da mídia em inventar crises políticas,faz questão de dizer “ex-metalúrgico” com efeito de provocar o público elitizado.Promove o “dever-fazer” jornalismo de verdade, e não o mentiroso, no caso darevista Veja. Sedutor: “O homem é bom, muito bom de comunicação, e está longe decarecer de carisma”, referente à citação de Leonel Brizola referente ao sucesso deLula promovido por Mino. Utiliza o “querer–fazer” a imagem positiva de Lula.
    • 78 Intimidador: “A minoria privilegiada repete as frases feitas que os jornalistase seus patrões lhe põem na boca, enquanto a maioria dos brasileiros forma acaravana e passa ao largo, indiferente”. Usa o “dever-fazer” outro enfoque para amídia, pois o atual não abala a popularidade de Lula. SEMÂNTICA DISCURSIVA: Mino fica em um só tempo – presente -criticando a revista Veja por querer inventar uma nova crise depois que os cartõescorporativos não atingiram o governo. “Diminui o fervor midiático em torno do famosodossiê e logo não falta quem informe (no caso a Veja), qual fosse à verdade factual,que Lula está tentado pela idéia do terceiro mandato”. Pela tematização percorre: Os índices de aprovação fermentam; Diminui ofervor midiático - e logo não falta que informe; Algo mudou a crença popular; Aminoria privilegiada repete; A caravana percorre; a atuação governista merece; opróprio Lula não pratica; A mídia não conseguiu; Lula representa o povo. Atores da reportagem: A revista Veja; Lula; Ibrahim Sued; Leonel Brizola eFrancis Drake.
    • 79 10ª ANÁLISE EDIÇÃO: n° 519, p18, 28 de outubro de 2008 EDITORIAL: A Semana, de Mino Carta TÍTULO: Lula e Barack Obama SUBTÍTULO: Discurso otimista na festa de Carta Capital e referência aocandidato negro cuja vitória seria por si só, sinal de mudança FOTO: Barack Obama levantando a mão ÍNDICE: MEMÓRIA. O governo de Roosevelt resultou da crise de 1929.Obama poderia ser um Roosevelt negro? SEMÂNTICA FUNDAMENTAL COMPLEMENTARES: Roosevelt E Barack Obama COMPLEMENTARES: Lula E Barack Obama CONTRÁRIO: Intervencionismo X Neoliberalismo COMPLEMENTARES: CLINTON E FHC SEMÂNTICA NARRATIVA: Mino Carta quer mostrar a força de Lula eenxerga nas eleições uma possibilidade de mostrar a esta força, pois é favorável aLula. Modalização do “Ser” e “Fazer”: “Conheço bem a infância, a angustia e ohumor do presidente”, fazendo imagem de proximidade com Lula. “Se tornou opresidente mais popular do Brasil”, fazendo crer que Lula é o melhor presidente doBrasil de todos os tempos; “O presidente também faz referências ao império” –utilizando o “querer-fazer” a imagem diplomática de Lula também no EUA. “Ser”: “A importância da provável eleição do primeiro presidente negro”,utilizando uma citação direta, colocando-o a favor de Obama. Ele também termina otexto fazendo uma pergunta com o verbo ser no futuro imperfeito: E se Obama fosseum Roosevelt negro? Utiliza a sedução pelo “querer-fazer” uma imagem positiva diante aconstituição política de Lula. “Discurso otimista, como se espera de quem amargoutrês derrotas eleitorais sem sofrer maiores abalos interiores; Bush Jr. o procuravapara uma conversa telefônica”. Mino percorre também a sedução quando esperaque Obama tenha um caráter de partido democrata: “Em termos de desenvolvimentoeconômico e social, os EUA viveram a sombra do Partido Democrata um períodomuito favorável, com Roosevelt“.
    • 80 Provoca o neoliberalismo rotulando Obama e Lula: “capacitados a forçardefinitivamente o funeral do neoliberalismo que em pouco mais de três décadasconseguiu exasperar a desigualdade” - querendo fazer o túmulo dos neoliberais. SEMÂNTICA DISCURSIVA: Carta começa o texto no momento atual doBrasil: “O presidente diz que na vida do brasileiro a crise é constante”. Depois, voltaem duas épocas em uma só sentença: “Conheço bem a infância de Lula, evocadana primeira entrevista que ele me deu, faz 31 anos” - para trazer Lula na festa daCarta Capital - “Na noite de segunda-feira passada fez um belo e honesto discursoao encerrar a festa de Carta Capital”. Na sequência, volta á época de Lulacomparando ele com outros períodos: “Lula se tornou o presidente mais popular doBrasil desde Deodoro, sem exclusão de Getúlio e Juscelino”. Para ir mais adentro eganhar valor agregado Carta internacionaliza a informação: “e eu soube dele, emconversa lateral, que Bush Jr. o procurava para uma conversa telefônica. Obama,obviamente, surgiu à cena”. Mino taxionômica Obama: “E se Obama fosse umRoosevelt negro”. Na figuratização: “Lula diz; Lula é abandonado pelo pai; primeira entrevistaque ele me deu; fez um belo discurso ao encerrar a festa de Carta Capital; tornouo presidente mais popular do Brasil; enxergou na crise uma oportunidade; BushJr. o procurou para uma conversa telefônica; Obama surgiu em cena; o presidenteme disse; E se Obama fosse um Roosevelt negro?; Obama vai intervir naeconômica como Lula esta intervindo em detrimento de 8 anos de liberalismoda era Bush e é comparado por este aspecto em nível profundo. . Personagens: Lula com sua família; Carta Capital; Deodoro da Fonseca;Getúlio Vargas; Juscelino Kubichech; Bush Jr.; Barack Obama e Roosevelt
    • 81 11ª ANÁLISE EDIÇÃO: n° 523, p16, 26 de novembro de 2008 EDITORIAL: A Semana, de Mino Carta TÍTULO: E Lula assinou SUBTÍTULO: O decreto presidencial permite a união das empresas datelefonia. Mas as aplicações vão além da mera questão econômica FOTO: Lula fazendo bico ÍNDICE: S/em índice SEMÂNTICA FUNDAMENTAL CONTRADITÓRIOS: Protógenes Queiroz XX PF COMPLEMENTARES: Protógenes Queiroz E Investigações CONTRÁRIOS: Lei X Ordem CONTRÁRIOS: Lula X Crise política SEMÂNTICA NARRATIVA: Mino quer defender Lula de uma crise no governoe enxerga no afastamento do delegado Protógenes Queiroz a possibilidade dedefender seu ideal. Pela modalização utiliza o “querer-fazer” o receptor entender oimpacto sobre a problemática de Protógenes: “Ao ponto de provocar uma guerrainterna na Polícia Federal; De qualquer forma, o doutor Queiroz produziu durantequatro anos farto material, suficiente para explicar parte essencial das relações depoder no Brasil. Utiliza a intimidação para “dever-fazer” temor diante a todos aqueles quetemem a revelação da investigação de Protógenes: “Já o delegado Queiroz continuasentado sobre uma espécie de caixa de Pandora. As conseqüências sãoimprevisíveis, se o conteúdo desta caixa vier à tona”. SEMÂNTICA DISCURSIVA: Começa próximo: “Nesta quinta-feira 20”. Depoisrelembra a Operação Satiagraha: “Sob o comando do delegado Protógenes Queiroz,a Operação Satiagraha”. E termina o texto na mitologia: “Sentado sobre umaespécie de caixa de pandora”. Temporalização: “O decreto presidencial permitiu; as implicações foramalem; Sinal verde para a OI; Protógenes Queiroz provocou; O delegado está
    • 82sendo; Queiroz produziu; Lula assinou; e Queiroz continuou sentado sobre umaespécie de caixa de pandora”. Actorização: Lula; Protógenes Queiroz; Ricardo Saadi como substituto deQueiroz e Pandora.
    • 83 12ª ANÁLISE EDIÇÃO: n°563, p21, 16 de setembro de 2009 EDITORIAL: A Semana, de Mino Carta TÍTULO: Lula e Sarkozy afinados SUBTÍTULO: DEFESA, O Brasil pode ficar também com caças franceses FOTO: Lula e Sarkozy com poses informais, brincando ÍNDICE: ELOS. No Brasil, Sarkozy assinou venda de submarino nuclear SEMÂNTICA FUNDAMENTAL COMPLEMENTARES: Lula E Sarkozy CONTRADITÓRIOS: Lula X Boeing SEMÂNTICA NARRATIVA: Mino quer demonstrar a afinidade entre Lula eSarkozy e enxerga na possibilidade da compra de aviões militares por parte doBrasil uma forma para demonstrar o seu desejo, explicitando a força de Lula. Utiliza a modalização do “fazer” para demonstrar o que o acordo entre ospresidentes provoca: “Ao mostrar preferência pelo caça francês, Lula colocou asforça armadas em uma saia justa”, pois as mesmas esperavam que o acordo fossemais discutido em favor da empresa americana Boeing. Mino utiliza uma citação direta de Marco Aurélio Garcia para explicar asrazões de fechar o acordo com os franceses, fazendo o receptor ficar ainda maisdescrente diante os aviões americanos: “E os antecedentes americanos não sãobons”. Provocação: Utiliza um argumento provocativo utilizando uma citação diretade Garcia para “dever-fazer” o receptor crer que Lula está agindo corretamentenesta compra. “Em tom irônico, Garcia afirmou que gosta de levar em conta osantecedentes das partes envolvidas, E os antecedentes americanos, no caso dosSuper Tucanos da Embraer, não são bons”. SEMÂNTICA DISCURSIVA: Carta percorre o tempo com os três dias deencontro dos presidentes: “O encontro do dia; Nos dias seguintes o governo mudouo tom. Na quarta-feira 9”. Tematização: Sarkozy assinou; Lula mostrou-se; oconvênio previu; Lula deu sinal; os termos mencionam; Lula aproveitou; ogoverno brasileiro mudou; Garcia afirmou.
    • 84 Personagens do texto: Lula; Nicolas Sarkozy; Forças Armadas Brasileira;Rafale – empresa de aviões franceses; Embraer; Boeing, empresa americana deaviões; Marco Aurélio Garcia, assessor para assuntos internacionais de Lula.
    • 85 13ª ANÁLISE EDIÇÃO: n°568, p21, 21 de outubro de 2009 EDITORIAL: A Semana, de Mino Carta TÍTULO: Lula, Agnelli e o papel da Vale SUBTÍTULO: DISPUTA. A mineradora não é apenas uma empresa privada,ambos sabem FOTO: Lula e Eike Batista, os dois sorrindo ÍNDICE: Arranjo. O importante é preservar os avanços SEMÂNTICA FUNDAMENTAL CONTRADITÓRIOS: Lula XX Grande imprensa COMPLEMENTARES: Lula E Agnelli CONTRÁRIOS: Intervencionismo X Liberalismo SEMÂNTICA NARRATIVA: Mino Carta que criticar a grande imprensa eenxerga na possibilidade do intervencionismo do governo na mesma umaoportunidade para mostrar que colunistas e editorialistas estão equivocados. Mobilização do “Ser”: “Não é fato suficiente, porém para justificar a maisrecente mobilização das tropas salvadoras do capitalismo”, finge elogiar a grandeimprensa de uma forma sarcástica dizendo que ela se considera a salvadora domundo ocidental em criticar o intervencionismo de uma empresa considerada maisparticular do que pública. “Portanto, a mineradora é uma companhia pública decapital misto”, diz isso condizendo que grande parte do capital da Vale pertence aoBNDES, portanto ao Estado. Com isso, para Mino, não existe motivo para críticas aogoverno na intervenção da Vale. Termina o texto dizendo que o que a mídiaesperava não ocorreu: “Talvez esperassem de Agnelli um duela verbal com opresidente, mas isso não é do feitio do presidente. Modalização do “Fazer”: Utiliza a modalização para justificar para o receptoro intervencionismo de Lula: “Roger Agnelli tornou a Vale uma das maioresempresas do mundo no setor; a mineradora exagerou quando anunciou cortespreventivos na produção e nos empregos”. Provocação: “A mineradora não é apenas uma empresa privada, ambossabem”, provoca aos críticos do intervencionismo de Lula. Justificando o dever-fazerde Lula ao leitor. Sedução: “A entrada em cena do acumulador de dinheiro Eike Batista e a suamirabolante proposta”, começa o texto com a frase sedutora para dizer que os
    • 86rumores sobre o mal estar entre governo e Vale esta errada; “Não é fato parajustificar a mais recente mobilização entre tropas salvadoras do capitalismo, sempreem prontidão nas redações, contra o que seria outro espasmo do Palácio doPlanalto”, sedução a grande imprensa com o objetivo de diminuí-la; “Talvezesperassem de Agnelli um duela verbal com o presidente, mas isso não é do feitiodo presidente”, pressupõe que nem Agnelli e nem Lula são sensacionalista como agrande imprensa. SEMÂNTICA DISCURSIVA: Carta percorre o tempo: Com o LIDE tradicionalMino começa o texto explicando um pouco sobre o Papel da mineradora Vale.Depois relembra quando a Vale foi privatizada: “Convém lembrar que o acordo deacionistas após a privatização de 1997”. Pula para a virada entre o ano 2008 e 2009:“Na virada do ano anunciou cortes preventivos na produção e nos empregos”.Termina o texto pinicando a grande imprensa provocativamente: “Entrincheiradosatrás de mesas e computadores, colunistas e editorialistas continuam a produzirtextos tão definitivos quanto sofisticados”. Figuratização: Eike Batista propõe; Seria um espasmo estatista; A Uniãoreclamou; Roger Agnelli alcançou; a mineradora exagerou e anunciou cortes;Agnelli explicou isso a Lula, o que irritou certos colunistas; Colunistas eeditorialistas continuam. Os personagens da reportagem são: Lula, o empresário Eike Batista, como oacumulador de dinheiro; Vale; Bradesco; BNDES; Roger Agnelli, diretor da Vale;Colunistas e editorialistas como defensores da tirania.
    • 87 14ª ANÁLISE EDIÇÃO: n° 583, p12, 17 de fevereiro de 2010 EDITORIAL: A Semana, de Mino Carta TÍTULO: Pecado Capital SUBTÍTULO: FHC cai na armadilha de Lula e na prática, fortalece a ideia deeleição plebiscitária FOTO: FHC fazendo careta. ÍNDICE: Vanitas vanitatum. Dilma Rousseff esfrega as mãos decontentamento e José Serra fica incomodado SEMÂNTICA FUNDAMENTAL CONTRÁRIO: FHC X LULA CONTRÁRIO: VAIDADE X POPULAR CONTRÁRIO: INVÉJA X POPULARIDADE CONTRÁRIO: GRANDE IMPRENSA X LULA SEMÂNTICA NARRATIVA: Mino Carta quer mostrar que Lula soube seadaptar as acusações de terceiro mandato e enxerga no enfoque da grandeimprensa em destacar a idéia de plebiscito estimulada por FHC uma boaoportunidade para atacar e imprensa e defender Lula. Modalização do “Ser”: “É de conhecimento até do mundo mineral que FHC évaidoso; FHC é pecador contumaz; A Folha de S. Paulo tem sido bom intérprete dopensamento serrista; O certo é que FHC fortalece a ideia de plebiscito; Através defrases provocativas estimula o dever-fazer a imagem negativa de FHC. Modalização do “Fazer”: “Mesmo os amigos mais chegados de FHC lheapontam o pecado”; “Este aspecto de personalidade do ex-presidente não passamdespercebido aos olhos do Pão de Açúcar e da Pedra do Baú”. Argumentando atémesmo diante a juventude de FHC, Mino Carta intitula FHC, comparando com Lula -“Se a vaidade de FHC se estabelece, Lula vence, pois é exatamente a vitória queprocura“, Mino utiliza a intimidação pelo “dever-fazer” imagem negativa de FHC aoleitor, pois a imagem que o ex-presidente gostaria de ter que era a de sucessopresidencial, não é dada por Mino. “FHC quebrou o Brasil três vezes, terminandosua obra prima com engodo presidencial” Provocação: “A taxa de pobreza caiu de forma aguda comente sob Lula”; “afolha foi generosa com o ex-presidente, aquele que o mundo nos invejou, não é
    • 88mesmo? Aliás, Lula atingiu uma popularidade mundial com que FHC nunca sonhou”.Utiliza a provocação para o “dever-fazer” Lula como incomparável a FHC. SEMÂNTICA DISCURSIVA: Temporalização: “Iam às calçadas paulistanasna noite da corrida de São Silvestre para torcer pelo tcheco Emil Zatopek”, referenteà juventude de FHC e seus amigos. Depois vai para o Rio de Janeiro: “aos olhos doPão de Açúcar e da Pedra do Baú”. Para chegar ao primeiro domingo e terça defevereiro: “Interessante as repercussões na mídia nativa. O Estadão, por exemplo,com patética insistência, orgulha-se por ter publicado no domingo 7; “Já a Folha naterça”. Para voltar no tempo na sequência textual: “No caso da pobreza, elapermaneceu estável de 1996 a 2002”. Partindo para o Estados Unidos dos anos 90– “Protegido de Clinton”. Chegando até a “chacina dos Carajás” onde “dezenovemorreram diante do descaso de FHC” - terminando o texto em uma figura frequentenas críticas da revista, se indagando o porque do esquecimento da imprensaperante Dantas: “E por que não evocar a figura onipresente de Daniel Dantas”? Figuratização: “Fernando Henrique é vaidoso; Lula, um expert em FHC; FHCé pecador; Lula vence; Lula adaptou-se; repercussões da mídia nativa; O Estadãoorgulha-se, Já a Folha de S. Paulo levanta-se; Exemplo do pensamento serrista;A pobreza permaneceu; A Folha foi generosa; Lula atingiu; FHC quebrou o Brasiltrês vezes”. Personagens do texto: Lula como “expert de FHC”; FHC como “vaidoso”’,“pecador”, “protegido de Clinton”, a “bomba atômica”; Dilma Rousseff; Emil Zatopekcomo a “Locomotiva Humana”; O Estadão; Folha de S. Paulo; Bill Clinton; MST eDaniel Dantas.
    • 89 15ª ANÁLISE EDIÇÃO: n°584, p13, 24 de fevereiro de 2010 EDITORIAL: A Semana, de Mino Carta TÍTULO: O PT, Dilma e o pós-Lula SUBTÍTULO: FUTURO. Aos 30 anos, um partido diante de uma nove era FOTO: Um trabalhador dormindo embaixo das estrelas do PT ÍNDICE: TOM. Mais difícil do que divergir dos tucanos é um duo com o PMDB SEMÂNTICA FUNDAMENTAL COMPLEMENTARES: PT E Lula COMPLEMENTARES: Dilma E Lula SEMÂNTICA NARRATIVA: Mino quer divulgar a candidatura de Dilma eenxerga no congresso do PT uma oportunidade para divulgar as dificuldades queDilma terá caso chegue à presidência da República. Modalização do “Ser”: Mino explica os dois lados do 4°Congresso Nacionaldo PT: “O primeiro é simbólico, festivo, pois ele comemora os 30 anos de partido. Osegundo pode ser perturbador: pela primeira vez, Lula não será indicado candidatoa qualquer cargo”. Ressalta como mais importante a falta de Lula nestas eleições doPT. Modalização do “Fazer”. Mino diz que o PT não é mais o mesmo: “Em 30anos, muita coisa aconteceu. E o PT mudou a se afastou dos objetivos iniciais. Sedução: “Querer-fazer” uma introdução sedutora ao leitor “O 4° Congressotem contornos especiais” Provocação: “Dever-fazer” provocação ao PT. “Defendia então asbandeiras claramente socialistas”; “O PT se afastou dos objetos iniciais” Intimidação: “Dever-Fazer” intimidação à Russef, “O programa que ela seproporá a cumprir tem de ser amplo para satisfazer sem traumas os integrantes dogrande leque de alianças que dará sustentação à sua candidatura. Tarefa nadafácil”. SEMÂNTICA DISCURSIVA: Carta percorre o tempo: “O 4° CongressoNacional do Partido dos Trabalhadores, aberto na quinta-feira 18; Fundadooficialmente em 1980, já em 1982 apresentava o então metalúrgico; Depois, foicandidato à Presidência da República em 1989, 1994, 1998, 2002 e 2006”. Figuratização: Fundado oficialmente em 1980; Defendeu as bandeirassocialistas; Os anos se passaram; Lula foi candidato; Lula foi o grande condutor
    • 90do partido; Em 30 anos, o PT se afastou dos objetivos iniciais, Lula lançou DilmaRousseff como eventual sucessora. Actorização: PT, Lula como o grande condutor do partido; Dilma Rousseff;PSDB; DEM; PMDB.
    • 91 16ª ANÁLISE EDIÇÃO: n° 587, p19, 17 de março de 2010 EDITORIAL: A Semana, de Mino Carta TÍTULO: Equívocos sentimentais SUBTÍTULO: DIREITOS HUMANOS. Lula erra ao defender Cuba e criticardissidentes em greve de fome FOTO: Lula abraçando Raul Castro ÍNDICE: Relações. Há outras maneiras de apoiar Raul Castro SEMÂNTICA FUNDAMENTAL CONTRÁRIOS: Opressão X Liberdade CONTRADITÓRIOS: LULA XX Mino Carta CONTRADITÓRIOS: LULA XX Greve de fome SEMÂNTICA NARRATIVA: Mino Carta que defender os dissidentes cubanosrefugiados no Brasil e enxerga na ação de Lula uma oportunidade para criticar ogoverno Modalização do “Ser” e “Fazer”: Através de uma comparação usa as duasmodalizações na sequência para argumentar sua opinião: “Quando metalúrgico, Lulavaleu-se da greve de fome para denunciar os arbítrios da ditadura, se Lula mudoude ideia é uma questão pessoal e não pode servir para condenar quem aindaacredita neste instrumento de protesto secularmente adotado de leste a oeste doplaneta” Intimidação. “Dever-fazer”: “O presidente Lula equivoca-se no caso dosdissidentes cubanos em greve de fome”. Provocação: “Dever-fazer”. “A dita esquerda brasileira (e Lula, que diz nãoser de esquerda, parece ter embarcado nesta) tem usado de certa leviandade nocaso”. “Parte de esquerda, se assim podemos chamar, comporta-se como espelhoda mídia tradicional que tanto critica, é engraçado ver, por exemplo, os textos do ex-ministro José Dirceu em seu blog”, referente à opinião de Dirceu que condiz que oscubanos são culpados e Batistti não. SEMÂNTICA DISCURSIVA - Temporalização: Lula começa com o Lide: “Opresidente Lula equivoca-se no caso dos dissidentes cubanos em greve de fome”.Depois volta na vida política de Lula: “Quando metalúrgico Lula valeu-se da greve defome para denunciar os arbítrios da ditadura. Depois vai para uma comparação
    • 92geográfica; Até os cactos do Semiárido estão secos de saber” E termina noambiente virtual: “Os textos do ex-ministro José Dirceu em seu blog”. Figuratização: “O presidente equivoca-se; Lula já valeu-se da greve de fome;Lula mudou de ideia; A dita esquerda foi leviana; Parte da esquerda comporta-secomo espelho da mídia tradicional; Os meios de comunicação são hipócrita; JoséDirceu acha que os cubanos são criminosos e que Cesare Battisti não é”. Personagens: Lula como leviano; Tamayo e Fariñas, os dissidentes cubanos;José Dirceu; Cesare Batistti
    • 93 CONCLUSÃO O jornalismo político desempenha um importante papel na democraciabrasileira. Através dele a população fica informada sobre os passos de nossosrepresentantes políticos. A concorrência do jornalismo político impresso a cada diafica mais acirrada. Isto faz com que eles elaborem novas formas de enfoque paraatrair mais leitores. Porém uma coisa não mudou em sua essência, o editorial. Elecontinua representando a opinião das redações diante os fatos cobertos pela revista. Quem escreve o editorial da revista Carta Capital é Mino Carta. Ele possuimuita experiência no campo do jornalismo político. Os textos analisados sãocarregados de simbolismos e representações. Se levarmos em conta que o editorialé a visão da redação com relação aos fatos cobertos, entendemos que a revistaCarta Capital é partidária ao governo Lula. Dos dezesseis editoriais analisadosatravés do Percurso Gerativo de Sentido, apenas um criticava, de fato, as ações dogoverno Lula, que foi o último texto analisado que falava sobre os dissidentescubanos refugiados no Brasil após o encerramento dos últimos jogos pan-americanos. Nos outros 15 textos Mino Carta defendeu Lula. Com o nível fundamentalprocurou mais comparar os personagens de seu texto com uma forma contraditória.Taxando o outro lado, na maioria dos exemplos, com uma forma provocativa. Aprovocação está presente, em sua plenitude, em 13 dos 16 textos analisados. É perceptível que Mino Carta tem muita experiência tanto no campo dojornalismo político, com relações particulares com o poder, como no campo daliteratura, pois para provocar sentido no seu texto costuma a passar as barreiras dolimite do tempo. Os locais mais preferidos são: Roma antiga e a ditadura militarbrasileira (1965-1989), vista sua vivência na época. Mino Carta costuma a criticar o enfoque dado pela grande imprensa diante ospassos de Lula. Para ele, a grande imprensa nunca aceitou o ex-metalúrgico nopoder. De 16 textos analisados apenas cinco não citam a imprensa, sendo que todavez que é mencionada é tida como contraditória ou contrária, nunca complementar.As empresas jornalísticas mais citadas são: A revista Veja, A Folha de S. Paulo e arede Globo. Os assuntos referentes vão desde questões éticas de coberturas até
    • 94questões de nível legislativo, como a classificação de faixa etária para programastelevisivos diante as novas leis. É perceptível que existe um clima de revanchismo nos editoriais analisados.Por isso Mino relembra frequentemente alguns enfoques equivocados, no seuentender, dados pela grande imprensa. Aparentemente ele se sente ressentido peloepisódio na revista Veja, durante o governo ditatorial de Geisel, culminando com suasaída da chefia da revista, forçada pela censura. Os seus sentimentos estãoexplícitos nos textos, Mino encontro na figura de Lula uma grande oportunidade defidelizar um público que combina com seu viés partidário, e ao mesmo tempo, bancauma revista que explicita, mais do que um jornalismo de novo enfoque, sua própriaopinião diante os fatos. Uma forma de fazer um jornalismo com cara de reivindicativo Este trabalho também demonstrou que a imparcialidade é um mito, onde asemoções do editorialistas estão acima da isenção e igualdade de enfoque entregoverno e oposição. A teoria mostrou-se mais uma vez muito perspicaz diante seuobjetivo, demonstrar o trajeto de sentido que o autor almeja gerar diante o receptor.Este trabalho é apenas mais um exemplo que comprova a genialidade de Greimasno diante o Percurso Gerativo de Sentido, que revolucionou e impactou os estudossemióticos no que tange a elementos textuais até os dias de hoje. Concluindo, noque tange o Percurso Gerativo de Sentido, o editorial da revista Carta Capital épartidário de Lula e do PT.
    • 95 Referências Bibliográficas ABREU, Alzira Alves de; LATTMAN-WELTMAN, Fernando; KORNIS, MônicaAlmeida. Mídia e Política no Brasil: Jornalismo e Ficção. 1ª ed. São Paulo.Editora FGV. 2003 ALMOND, Gabriel A; POWELL JR, G. Bingham. Uma Teoria de PolíticaComparada. 1ª ed. Rio de Janeiro. Zahar Editores. 1972 EID,Marco Antônio de Carvalho. Entre o poder e a mídia. 1ª ed. São Paulo. M Books.2003 ALVES. Márcio Moreira. Desenvolvimento do Jornalismo econômico.Palestra do Banco do Brasil. São Paulo. 2001 AMARAL, Luis. Aulas ministradas no curso de jornalismo econômico daUniversidade Nove de Julho (Uninove). São Paulo. 2007 ARBEX, José Jr. “Showrnalismo – A notícia como espetáculo”. EditoraCasa Amarela. São Paulo. 2001 BARROS, Diana Luiz Pessoa de. Teoria semiótica do texto. São Paulo,2000 BELTRÃO, Luiz; QUIRINO, Newton de Oliveira. Subsídios para uma teoriada comunicação de massa. São Paulo: Summus. 1986 COELHO NETTO, José Teixeira. Semiótica, Informação e Comunicação.São Paulo. Editora Perspectiva. 1990 FAUSTO NETTO, Antônio; BRAGA, José Luiz; PORTO, Sérgio Damrell (org.).A encenação dos Sentidos: Mídia, Cultura e Política. Compós. Rio de Janeiro.Diadorim. 1995 FIORIN, José Luis. Paixões, Afetos, Emoções e sentimentos. Cadernos deSemiótica Aplicada. USP. Vol. 5.n.2, dezembro de 2007 FONTANILLE, Jacques e ZILBERG, Claude. Tensão e significação, trad. IvãCarlos Lopes. Luis Tatit e Waldir Beividas, São Paulo. Discurso / Humanitárias. 2001 GRANGEIRO, Cláudia Rejanne Pinheiro e GREGOLI, Maria do Rosário deFátima Valencise. A via-sacra dos sentidos na literatura popular. UniversidadeEstadual Paulista/Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara - UNESP/FCLAR.Doutorado. 2002
    • 96 GREIMAS, A. J. e FONTANILLE, J. Semiótica das paixões. Dos estados decoisas aos estados de alma. 1° Ed. São Paulo: Ática, 1993 GREIMAS E COURTÉS. Dicionário da Semiótica. 1° Ed. Cultrix. 1979 JAYAWEERA, N. “The Communication Challenge in Ásia”. In: Media Ásia.13. 1986 KOVACH, Bill; ROSENSTIEL, Tom. Os Elementos do Jornalismo – O Queos Jornalistas Devem Saber e o Público Exigir. 1ª ed. São Paulo. Geração. 2004 KUNCZIK, Michael. Conceitos de Jornalismo. 2° São Paulo. Editora ed.USP. 2002 MARCONDES FILHO, Ciro. Política e Imaginário: nos meios decomunicação para massas no Brasil. São Paulo. Summus.1985 MARTINS, Franklin. Jornalismo Político. 1ªed. Ed Contexto. 2002 MEDINA, Cremilda. Notícia, um produto à venda: jornalismo na sociedadeurbana e industrial. 2ª ed. São Paulo. Summus. 1988 MARQUES DE MELO, José. A opinião no jornalismo brasileiro. Petrópolis:Vozes, 1994 MARQUES DE MELO, José. Teoria do jornalismo: Identidades Brasileiras.Ed. Paulus, 2006 MARQUES DE MELO, José. Jornalismo Opinativo. Campos do Jordão.Editora Mantiqueira. 2003 NASSIF. Luís. Crise econômica ou crise no jornalismo econômico?Palestra do Banco do Brasil. São Paulo. 2001 PEIRCE, Charles S. Semiótica. 3ª edição. São Paulo: Perspectiva, 1999 SARDEMBERG, Carlos. A transição do Jornalismo Científico. Palestra doBanco do Brasil. São Paulo. 2001 SEABRA, Roberto & SOUZA, Vivaldo. Jornalismo político – teoria, históriae técnicas. 1° ed. Rio de Janeiro. Record. 2006 TORQUATO, Gaudêncio. Cultura, poder, comunicação e imagem. 3ª ed.São Paulo. Pioneira. 2002 SANTAELLA, Lúcia. O que é semiótica. 2ª edição. Editora brasilense. 2003 SANTAELLA, Lúcia. Imagem: cognição, semiótica, mídia. São Paulo:Iluminuras, 1999 SANTAELLA, Lúcia. A Teoria Geral dos Signos. São Paulo: Pioneira, 2010