América Informativa

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Revista temática sobre o populismo na América Latina

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América Informativa

  1. 1. América Editora AI edição 01 - ano 43 julho de 2010 Informativa www.americainformativa.blogspot.comExemplar exclusivo do assinante Chile Esquerda x Direita P Malvinas ou Falklands? O governo de Evo Morales opular ou Uruguai da guerra ao Poder opulista? Incentivo de Programas Federais Hugo Chávez e a Venezuela A economia brasileira em destaque Um relacionamento de amor e ódio
  2. 2. América Informativa JULHO DE 2010 ANO I Nº 01 Reprodução/AE6| EditorialPRINCIPAL9| Popular ouPopulista?OPINIÃO11| Lula no comando EXPEDIENTEda ONU? 27| A grande imprensa 47| Evo Morales e seu EDITOR CHEFEAMÉRICA SABORES e o mito do estilo de governar Renato Duarte14 | Descubra os neopopulismo nasabores da América América HISTÓRIA REPÓRTERESdo Sul 49| Um pouco mais de Andréa Garbim 29| Da Esquerda para Evo... Camila OhanaECONOMIA a Direita Carina Basso17| Incentivo de 32| O Cenário 52| Da guerra para o Neila FlorêncioProgramas Federais Poder Renato Duarte 32| Canção: “Vencer- Rômulo Mendes18| Economia emos” 56| Paraguai na visão Thamyris BarbosaPopulista 34| Hugo Chávez e a populista Willian Rafael Venezuela: Um rela-21| Bolsa Família cionamento de amor e 58| Liderança REDAÇÃOpara quem? ódio Carismática Andréa GarbimPOLÍTICA RESENHA 62| Paternalismo PROJETO GRÁFICO22| O Nacionalismo 38| “ A revolução não Thamyris Barbosade Kirchner será televisionada “ 66|América Retratos COLABORADORA PROJETO GRÁFICO26| Malvinas ou 42|Integração no cir- Andréa GarbimFalklands? culo equatoriano 04 América Informativa | Julho de 2010
  3. 3. Editorial Caminhos Políticos da América do Sul S eguindo o pensamento de que a proximidade é um dos elementos básicos para a notícia, aproveitando uma das “brechas” no mercado jornalístico, planejamos trazer surpresas nesse primeiro projeto. Com uma cobertura diferenciada e de qualidade sobre a América do Sul, objetivamos levar credibili- dade e a satisfação de um dos desejos naturais do ser humano: o de saber o que está acontecendo ao seu redor! Assim, qualquer hipótese que vise outra trajetória - que não seja a democrática, não chega perto da nossa linha editorial e consequentemente é criticada e investigada. Quando falamos na cobertura política da América do Sul, nos referimos à América Informativa - “A notícia como você nunca viu”. Sejam bem vindos à primeira edição! Andréa Garbim 06 América Informativa | Julho de 2010
  4. 4. SÉRGIO DUTTI08 América Informativa | Julho de 2010
  5. 5. PolíticaPopular ou MARCELO FERREIRAD.A PRESS Populista? Dois termos direcionados ao governo de Lula, porém especialistas afirmam: “é um tanto perigoso confundir seus significados”Por Andréa GarbimE ntre as mais fortes personali- dades da política, atualmenterotuladas como populistas, destaca- do que o termo sugere”, afirmou. O governo brasileiro, por sua vez, toma medidas e tem seu foco nas do povo numa comunicação direta, sempre mantendo o respeito pelas instituições - mesmo com seus es-se o presidente Luiz Inácio Lula da classes mais baixas, que seriam corregões -, ele sempre foi ligadoSilva, que optou por um caminho con- as mais prejudicadas em caso de aos partidos políticos”, enfatizou.servador, vindo de iniciativas toma- crise. Programas sociais típicos dodas de cima para baixo, abraçando a governo Lula como “Minha Casa, Martins ainda explica que o que estápolítica neoliberal macroeconômica Minha Vida” e o “Bolsa Família”, por trás dos discursos de todo políti-de FHC. O líder tomou providên- têm o objetivo de evitar que as co é a vontade de se manter no pod-cias que promoveram a ascensão classes menos favorecidas ou os er. Independente do líder, boa partesocial da camada dos mais pobres excluídos sofram as consequências das políticas públicas, são realiza-- não no caminho revolucionário da tensão, permitindo a geração de das com o intuito de maximizar osda ruptura por baixo, mas pela via empregos e o crescimento do país. votos; o mesmo acontece com Lula.sancionada do acesso ao mercado, Para o doutor em Ciência Política Outra observação apontada porbase suprema do modelo capitalista. da USP, José Paulo Martins, a idéia Martins é a forma de condução doO professor de Ciências Políticas da de populismo surge quando o presi- governo, que fez da imagem de LulaUniBrasil, Emerson Cervi, segue a dente da república manobra a mas- se associar diretamente à massa.definição dos cientistas sociais e não sa popular em busca de objetivos No caso do Brasil, a estabilidadeconsidera Lula um populista. “Trata- por fora das instituições, usando a econômica que foi mantida (mes-se de um líder político popular e não massa para pressionar o congresso. mo durante a crise mundial), aspopulista. Ele respeita as instituições “Eu não entendo que o Lula seja ex- conquistas do aumento de salárioe não promove políticas economica- atamente um populista. Ele é muito mínimo, o Bolsa Família – que es-mente irresponsáveis, ao contrário mais popular; busca falar a língua tão atreladas ao cenário econômico, 09 América Informativa | Julho de 2010
  6. 6. fizeram com que a maioria das pes- soas tivesse mais dinheiro no bolso, do que no passado. “O principal termômetro da avaliação de gov- erno é a condução econômica. Se a economia vai bem, o governo vai bem. Se a economia vai mal, o gov- erno vai mal”, acrescenta Martins. Seguindo o raciocínio do especial- ista, podemos entender que Lula sempre se baseou em elementos populares, porque ele é do povo, metalúrgico e um trabalhador que ao longo do tempo se vinculou aos sindicatos, fazendo carreira política. Em 1994, tinha um discurso radical de esquerda sem sucesso. Porém, como a maioria do eleitorado brasil- eiro é conservador – não aceita as transformações de baixo para cima, Lula foi transformando seu discurso em conservador, com o objetivo de manter a estabilidade, os contratos, sempre utilizando um linguajar pop- ular, para se aproximar da massa. O cientista político da UFRJ, Hen- rique Castro também acredita que Lula se vale pela sua popularidade, firmando seu espaço político de- pois de quatro candidaturas, ele de- senvolveu no campo político uma trajetória de persistência e quando conseguiu finalmente chegar à presidência, ele soube durante esses oito anos, transformar sua imagem numa popularidade frente às ações mais ligadas às questões sociais que ele implementou no governo. Castro enfatiza que um governoNORMANDO SORACLES populista seria uma espécie de “aparelho” do Estado, que impõe uma censura para que ninguém o critique, deixando apenas que a boa imagem do líder seja divulgada, através dos meios de comunicação. “Sou contrário a dizer que o governo Lula, ou o próprio seja populista. Eu diria que ele é um popular, no sen 10 América Informativa | Julho de 2010
  7. 7. OpiniãoLula no comandoda ONU?Por Andréa GarbimD e fato não existe uma regra estabelecida que impeça opresidente Lula de ser secretário- cisaria eleger um representante para ocupar novos assentos permanentes, que hoje são cinco - EUA, China,geral da ONU (Organização das Rússia, Reino Unido e França. ANações Unidas), mas há indícios diferença de opiniões com os EUAde que as chances disso acontecer sobre temas chave, como no caso dosão próximas de zero, pois o presi- Irã é outro fator que coloca em riscodente tem uma série de obstáculos a nomeação de Lula. Ele precisariaa superar. Exemplo, a reforma do do aval do Conselho de Segurança,Conselho de Segurança, uma das onde os EUA têm direito a veto.precondições para entrar na dis-puta, ainda não está no horizonte. Por sua vez, o Conselho de Segu- rança prefere figuras mais discretas,A ideologia do líder brasileiro, e Lula tem muita bagagem política,sobre vários temas polêmicos, é no sentido de que todos sabem suasoutro entrave, porque isso não cos- preferências, então os que discordamtuma combinar com o perfil de dele vão garantir que seja derrotado.um secretário-geral. Por fim, um Na hipótese da reforma na ONUrodízio informal entre os continen- acontecer e o Brasil conquistar ates significa que a vez de um lati- vaga permanente, o cenário nãono-americano assumir o comando melhora: há um "acordo de caval-da ONU virá somente em 2027. heiros" que impede os permanentes BRENO FORTED.A PRESS de concorrer à secretaria-geral. Se-Contudo, no momento não ria muito poder para uma só pessoa.há sinais de que a reforma [do Conselho de Segurança] vá De 2017 a 2026, a vaga deve ser oacontecer em breve. Há rivali- cupada por um país do Leste Eu-dade demais entre as regiões do ropeu. A América Latina podemundo para concordarem so- considerar ter a liderança a partirbre qual país as representaria. de 2027, quando Lula terá 81Para que a reforma que o Brasil son- anos. Será que ele consegue???ha seja concretizada, cada região pre- 11 América Informativa | Julho de 2010
  8. 8. tido desse termo conseguir traduzir MANOEL MARQUESexatamente a reação da massa - queo aprova, o admira, seja pelo car-isma ou pelas políticas aplicadas”.Em relação às políticas públicas, oespecialista explica que na maioriadas vezes elas ganham uma espéciede “roupagem” especial – que se-ria um meio do marketing do gov-erno passar mais simplicidade àsações de Lula. Então quando elecria uma nomenclatura como o PACe o Bolsa Família, é uma forma detornar mais acessível, à população,o conhecimento do tipo de políticaque está sendo implementada. Nãoesquecendo que há um interesseem utilizar essa boa imagem, prin-cipalmente pela dinâmica da políti-ca regional – quando os políticosque apóiam o governo procuram“ Devemos debatero assunto, criando a “ Hpossibilidade deconstruir, de baixo para istoricamente, o termo pop- abusa da propaganda pessoal, afir-cima, um país mais ulismo acabou por ser mais ma não ser igual aos outros políti- identificado com fenômenos políti- cos, toma medidas autoritárias, nãojusto e democrático cos típicos da América Latina, prin- respeita os partidos políticos e insti- cipalmente a partir de 1930, estando tuições democráticas, diz que é ca- associado à industrialização, à ur- paz de resolver todos os problemas banização e à dissolução das es- e possui um comportamento bem “colar” sua imagem a esses progra- truturas políticas oligárquicas, que carismático. É muito comum en-mas – que são considerados positi- concentravam firmemente o poder contrarmos governos populistas emvos pela massa - que na maioria das político na mão de aristocracias países com grandes diferenças soci-vezes sente a necessidade de ver rurais. Daí a gênese do populismo, ais e presença de pobreza e miséria.resultados práticos na sua realidade. no Brasil, estar ligada à Revolução de 1930, que derrubou a RepúblicaE o Lula conseguiu tornar tudo Velha oligárquica, colocando no do Dicionário...isso muito real e presente, através poder Getulio Vargas, que viria a serda divulgação dessas ações. a figura central da política brasileira Populismo: “ação política que tomaPor fim, afirmarmos que se trata de até seu suicídio em 1954. O termo como referência e fonte de legit-um erro grave dizer que um líder que populismo é uma forma de gover- imidade o cidadão comum, cujostem sido capaz de construir, com nar em que o governante se utiliza interesses, pretende representar”,políticas públicas, um novo ambiente de vários recursos para obter apoio ou “política fundada no aliciamentoeconômico e social para o desen- popular. O populista utiliza uma das classes sociais de menor podervolvimento de milhões de pessoas, linguagem simples e popular, usa e aquisitivo”.seja entendido como um populista. 12 América Informativa | Julho de 2010
  9. 9. América SaboresDescubra os saboresPor Andréa GarbimA América do Sul é um con- tinente com uma valiosa oferta gastronômica. Omelhor país para apreciar um bomprato, seria o Peru, onde localiza-mos os restaurantes mais requinta-dos. Região dona das mais variadase deliciosas culinárias do mun-do, baseada na fusão de gostos epreferências indígenas e européias.Porém, cada restaurante tem a suaprópria visão da gastronomia, aculinária na zona das Caraíbas,as frutas tropicais e os pratos depeixe fresco, por exemplo, são ex-celentes. Se for para o interior, acarne de vaca é uma iguaria re-quintada, em países como a Argen-tina, o assado é uma especialidade.Portanto, a América do Sul tem umadiversificada gastronomia compostapor carne fresca, peixe fresco, frutastropicais, vinhos e café da Colôm-bia. Além disso, na maioria daszonas turísticas, você poderá en-contrar restaurantes especializados Ensalada Cruda, da Bolíviaem outras cozinhas, como a coz-inha italiana, asiática ou Africana. Modo de preparo: 1e 1/2 xícara (chá) de açúcar Em uma tigela bonita, pique 3 ramos de canelaEnsalada Cruda , da os tomates, rale as cenou- 4 cravos da índiaBolívia ras e a beterraba. Pique em 1 litro de leite quadrados o pimentão, emIngredientes: rodelas bem finas a cebola e Modo de preparo:Tomates sem pelo misture tudo com a maionese Cozinhe as bananas sem cas-Cenoura crua e azeite. Coloque sal a gosto. ca em água por 10 minutos.Beterraba crua Corte em pedaços pequenos ePimentão cru Chucula, do Equador bata no liquidificador com umCebolas cruas pouco do leite por 2 minutos.Maionese Ingredientes: Em uma panela coloque o res-Azeite e Sal 3 bananas maduras tante do leite para ferver com 14 América Informativa | Julho de 2010
  10. 10. da América do Sul...o cravo e a canela, incorpore Baixe o fogo e junte os Coctel de Cuqui, doa banana batida e vá colo- ovos, deixando que se coz- Uruguaicando o açúcar aos poucos, inhem por mais 5 minutos.mexendo sempre com uma Ingredientes:colher de pau por 10 minutos. Retire do fogo adicione o li- 1 lata de pessegos em caldaEspere esfriar e leve à geladeira. cor e a baunilha. Deixe es- 1 lata de abacaxí em calda friar e se leve à geladeira. 1 litro de suco de pessegoHuevos Chimbos, da 1 litro de champagne secoVenezuela Costeleta ancha a la 300 ml de gin parrilha, da ArgentinaIngredientes: Modo de preparo:Ovos Ingredientes: Reserve um pouco dos12 gemas 8 costeletas de vaca cortadas pêssegos e do abacaxi em calda.margarina para untar as formin- não menos que 3 cm c/uhas 3 pimentas amarelas em Bater o restante dos pêssegosCalda: vinagre em calda, do abacaxi em calda,3 xícaras (chá) de água 2 pimentões vermelhos o suco de pêssego, o cham-2 xícaras (chá) de açúcar Alho e salsinha para provenzal panhe e o gim no liquidificador.1/4 de colher (sobremesa) de Molho Chimichurribaunilha Coloque em taças as fru-3 colheres (sopa) de rum, Modo de preparo: tas reservadas cortadas embrandy ou conhaque Acender o fogo pelo menos pequenos pedaços, junte uma hora antes da refeição. gelo e a mistura batida.Modo de preparo: Calcula-se que teremos bra-Com uma batedeira elétrica sas entre 20-25 minutos depois.se batem as gemas até ob-ter um creme que faça bi- O tempo de cocção varia de acor-cos. Unte umas forminhas do com o gosto dos comensais.de empada e se enchem até Recomenda-se fogo alto (muitasa metade com o ovo batido. brasas) e virar as costeletas não mais que 8 -10 minutos cada lado.Coloque os moldes em ban-ho maria durante 10 minu- Isto dará uma carne tosta-tos (ao introduzir um palito da por fora e muito suculen-de madeira, deve sair seco). ta por dentro. Salgar a carne antes de colocar na grelha.Desinforme e reserve. Numa Quando der a última volta na car-panela ferver a água e o açú- ne, agregue o vegetal que vocêcar, mexendo durante 15 mais gosta pimentão, pimenta,minutos em fogo alto, até alho e salsinha. Da grelha aoobter uma calda grossa. prato, deve-se comer quente. 15 América Informativa | Julho de 2010
  11. 11. EconomiaIncentivo deProgramas FederaisA economia brasileira em destaque na América do SulPor Carina BassoN os últimos anos, uma das economias que tem sedestacado como a mais próspera ual presidente Luiz Ignácio Lula da Silva, encontrou uma situação sócio- econômica onde podemos numerar podemos destacar o alto índice de desemprego, os altos níveis de in- flação, que por mais que se encon-da América Latina e do mun- diversos fatores que prejudicavam a travam menores do que em outrasdo é a economia brasileira. solidificação econômica de um país. épocas, ainda eram altos, se com-Ao assumir o comando do país, o at- Dentre os fatores desfavoráveis, parados aos de atualmente e prin- cipalmente a dívida pública em to- dos seus aspectos, que ao longo dos anos foi sanada pelo atual governo. No atual governo, foi possível re- alizar o pagamento completo da dívida pública e tal fator fez com que o Brasil passasse de devedor, para credor mundial, o que conse- quentemente gerou diversos recur- sos para o investimento em progra- mas internos. Ainda tratando-se do viés econômico, podemos destacar a crise econômica mundial de 2008, momento em que o país manteve-se forte e encarou a crise com medi- das que impulsionaram a economia. Os programas governamentais têm sido a base do atual governo, como os projetos “Fome Zero”, “Bolsa Família”, entre outros de inclusão social, como os de internet banda larga nas escolas publicas e para a população. Com todos esses itens, pode-se dizer que atualmente o país passa não só por um bom momento econômico, como tam- bém por um bom momento social. Os programas complementares articulados em nível federal es- tão descritos no quadro a seguir: 17 América Informativa | Julho de 2010
  12. 12. Economia Populi$ta Causas e consequências de uma economia voltada para projetos sociaisPor Carina BassoA atual economia do Brasil encontra-se forte e sólida: um grande produtor e exportador de mer-cadorias de diversos tipos, principalmente commodi-ties minerais, agrícolas e manufaturados. As áreasde agricultura, indústria e serviços encontram-se,atualmente, em bom momento de expansão.O Brasil possui uma economia se financeira internacional. O maioraberta e inserida no processo de intervalo de baixo desempenho,globalização. A análise feita pelo classificado de recessivo, por se es-Comitê de Datação de Ciclos tender por meses seguidos, ocorreuEconômicos, coordenado pelo ex- entre junho de 1989 e dezembro depresidente do Banco Central Affon- 1991, prolongando-se até janeiro deso Celso Pastore, e teve participação 1992, num total de 30 meses. Essade mais seis economistas. Segundo fase crítica começou em meio à cam-o estudo, que considerou dados panha pela primeira eleição diretaa partir de 1980, o bom desem- para a Presidência da República de-penho da economia começou seis pois do regime militar (1964-1985).meses após a posse do presidente Destacamos como uma economiaLula e se prolongou por 61 meses. instável a da Argentina, que mes- mo mantendo o papel de segundaO segundo melhor período foi entre maior economia do Mercosul,fevereiro de 1987 e outubro de 1988, na teve sua moeda, o peso, desvalo-gestão do ex-presidente José Sarney. rizada ao longo dos anos. Apesar os programas de privatização e lib-O menor período recessivo, de acor- de ser famosa pelo turismo, a base eralizou o setor público. Lançoudo com o levantamento, foi também econômica do País é na produção um plano econômico de choqueno governo atual e durou seis me- agrícola e pecuária. Mantém-se para sanear o sistema financeiro doses: de junho de 2008 a janeiro de como um dos principais expor- país e estabeleceu a paridade mon-2009, quando o país conviveu com a tadores de trigo do mundo, além etária do peso em relação ao dólar.recessão. Mesmo sendo menos afe- das exportações de têxtil, metais etado do que outros países, o Brasil produtos químicos. Porém, Carlos A maior parte da população sofreusofreu nesse período reflexos da cri- Ménem, em seu governo, acelerou com a política econômica de Mé- 18 América Informativa | Julho de 2010
  13. 13. RICHARD DREWAP Silvia Manfredini, economista da zou que desde sua campanha eleito-nem, mas estas medidas reduz- ral Kirchner já vem incentivando os PUC de São Paulo explica que airam a inflação e a dívida externa. argentinos com programas sociais: entrada de Cristina Kirchner paraNo entanto, após uma década de “Argentina teve um crescimento mé- a presidência, alavancou a econo-crescimento inteira, a ameaça do dio de 8% nos últimos cinco anos, mia da Argentina e que através decaos econômico reapareceu em o desemprego e a indigência estão sua postura política de socializar a2001 com uma grave crise ligada abaixo dos 10% e a pobreza caiu de população e os transformar em con-ao reembolso da dívida externa, 60% para 26%. Pela primeira vez sumidores, sua moeda obtêm forteacompanhada de motins na capital. na história, o país teve um superávit crescimento perante o dólar. Enfati- 19 América Informativa | Julho de 2010
  14. 14. fiscal primário de US$ 10 bilhões, as Participação dos Principais Parceiros Comerciaisexportações estão na casa dos US$ nas Exportações Brasileiras50 bilhões. O salário mínimo subiue empregos foram gerados, tudo isso Folha de S.Paulopermitiu a transformação de mil-hões de pessoas em consumidores”Com a chegada das crises socio-econômicas, causadas pelas ex-periências neoliberais dos gover-nos de direita, a América do Sulvirou-se a uma nova realidade, apolítica para o povo. Visando en-contrar soluções e medidas que mu-dasse o quadro geral sul americano.No final dos anos 90, começou asucessão de candidatos populis-tas sendo eleitos para comandar ospaíses que até então, enfrentavamgovernos elitistas, imperialistas e de mudança. Fazendo com que na burocracia das aquisições da casacom visões voltadas ao Governo. cada cidadão sonhasse com uma própria e de automóveis; Ampliar-Os presidentes populistas adotaram vida melhor, com um emprego es- am de uma forma geral o poder denovas perspectivas para seus países. tável e o tão esperado incentivo do compra das classes média e baixa deAna Maria Afonso, cientista social Governo as classes desfavorecidas. seus países, viabilizando o cresci-e economista da USP explica que mento do consumo dos mesmos.os planos governamentais foram Foram criadas medidas socio- Fazendo a economia girar e crescer.voltados para as populações de econômicas, como planos de as- Antes o foco, dos governantes Sulbaixa renda. Defendendo os dire- sistência a famílias de baixa renda; Americanos, estava nas priva-itos humanos, as centrais sindicais, incentivo para as crianças frequenta- tizações das empresas, nas ex-as organizações não governamen- rem as aulas; planos para facilitar o portações e na macroeconomiatais e os partidos de esquerda. E crédito de pessoas que não possuem do País. Hoje o governo tambémque, em sua maioria, os candidatos renda ou possui uma renda limitada criou diversos trabalhos para man-elegeram-se por passarem a ideia às necessidades familiares; redução ter e alavancar a macroeconomia. Percentual do produto da América do Sul no PIB mundial-1980/2005 20 América Informativa | Julho de 2010
  15. 15. Porém com a preocupação em faz- nos com governantes populistas, em econômico dos mesmos vem preocu-er a economia girar, possibilitou o sua maioria, constituídos como país- pando as atuais potências mundiais,surgimento de novos empregos, es de terceiro mundo, como potên- por terem conseguido criar e manternovas empresas e novos consumi- cias mundiais. Pois o crescimento um padrão socioeconômico sólido.dores. Com o novo foco econômico, ROGÉRIO ALBUQUERQUEos países tiveram aumento no con-sumo, e declínio das taxas de juros.A inflação, em geral vem decaindoe possibilitando com isso que osprodutos tenham forte queda em seuspreços. Podemos considerar que oquadro econômico atual é muito fa-vorável a todos os países, porém nãopodemos esquecer que a facilidadede crédito na praça também acar-reta diversos problemas, tais como:o crescimento de inadimplentes.Segundo Julien Schwab, econo- Bolsa família para quem?mista da Universidade de São Pau-lo, os governos populistas apenasseguiram o que já vinha sendo feitonos governos anteriores. Que osplanos econômicos hoje estabeleci- O programa Bolsa Família, criado chega a realmente a quem precisa?dos foram criados há muitos anos, pelo governo federal em outubro deporém não se popularizavam, por 2003, chega ao seu sétimo ano com Vale ressaltar que devido a um ca-terem como foco a macroeconomia. novas perspectivas, atender mora- dastro atualizado periodicamenteE os atuais governantes, através dores de ruas, remanescentes das co- (o qual o governo não estipuloude suas políticas populares con- munidades quilombolas, indígenas o período) mais de 2 milhões deseguiram transformar a economia e pessoas acampadas dos movimen- famílias já deixaram o programaelitizada em uma economia com tos direcionados à reforma agrária, devido ao aumento da renda oubase na população de baixa renda. como os sem-terra, por exemplo. auditorias realizadas. Contudo, éEste foi um dos motivos pelo qual paradoxal o mesmo governo nãoo mundo entrou em crise em 2009, É certo e não se pode negar que o saber estimar quantas famíliasonde diversos bancos e institu- programa beneficiou milhões de entre os acampados da reformaições financeiras quebraram pela famílias e, segundo apontam estu- agrária recebem o mesmo benefício.grande inadimplência de seus cli- dos, foi responsável por 20% da que-entes. Porém os países sul america- da da desigualdade de renda e pela Não estamos levantando uma bandei-nos não sofreram tanto o impacto, redução de 8% na taxa de pobreza ra contra as pessoas que lutam pelapois caminham ao longo dos anos, adotada pelo programa. Somente até tão sonhada reforma agrária, porémcom o fortalecimento da econo- o ano 2009, cerca de 11,1 milhões de diversos benefícios são direcionadosmia, com base na política de con- famílias receberam o benefício e esse a essas pessoas, como descontos emsumo, com uma base sustentável. número aumentará em 2010 devido universidades, cotas específicas etc. ao acréscimo de outras classes. sem que haja um controle, o que nosPois nestes países onde a economia faz pensar: de que lado eles estão etem o foco no público de menor Entretanto, até que ponto essa verba, de que lado o governo está... Dospoder aquisitivo, o número de in- que alcançou no ano de 2009 o pata- brasileiros que realmente precisam,adimplentes é muito baixo, com- mar de R$ 12,5 bilhões em benefícios, é que aparentemente ninguém está!parando-se com os demais países.Consideramos os países sul america- 21 América Informativa | Julho de 2010
  16. 16. PolíticaO NACIONALISMO DEKIRCHNERMalvinas e Banco Central são temas de algumas políticasde Cristina Kirchner, acusada de “neopopulista” pela fracaapuração da grande imprensaPor Renato Duarte “J uan Domingues é um cidadão argentino peronista. Nomomento do auge dos Kirchners poder do governo”, afirma Ariel Palácios, renomado correspon- dente internacional desde 1955.ele era franco defensor do casal Palácios considera que a dis-no poder da República Argentina. cussão das Malvinas e a crise diplomática entre governo e Ban-Ele sempre votou no partido co Central são os embates políti-justicialista, porém, diante os cos mais populistas de Cristina.problemas atuais que está viven- Já o professor Oliveiros da Sil-do pretende mudar o seu voto. va Ferreira, líder do NERIPUCDomingues acha que Cristina (Núcleo de Estudos em Rela-não soube continuar o governo ções Internacionais da PUC), Cristina quer usar 2,1 bilhõesde seu marido. Domingues vê os observa que o populismo nada dos 48 bilhões das reservas cam-indicies apontarem diminuição de tem a ver com estas questões. biais argentinas, conquistadospobreza, mas não percebe a mu- graças ao peso desvalorizado.dança no seu dia a dia. Há 40 anos “Numa está em jogo o problema “Ela elaborou o chamado ‘Fun-ele vota no partido justicialista. da soberania, noutra, a questão do Bicentenário’ ordenandoEnquanto isso a grande im- de saber a quem cabe a inter- Martín Redrado, presidenteprensa mundial intitu- pretação da lei e se o Executivo do Banco Central, a deposi-la Cristina como populista. pode valer-se das reservas do tar o valor total das reservas. BC numa emergência, questãoAs acusações partem do baixo que, não resolvida, poderá co- Redrado resistiu alegando quesucesso que ela vem tendo no país, locar o governo argentino em uma futura fuga de capitaisonde a presidenta aplica políticas má posição diante da comuni- traria alto risco de inflação eque visam o resgate de sua pop- dade financeira internacional”. que o procedimento pode atra-ularidade às próximas eleições Cristina pretende usar as reser- palhar o desenvolvimento em– segundo a grande imprensa. vas cambiais do BC, reservando longo prazo”, afirma Palácios.“Cristina é acusada de ser popu- parte do orçamento para gastos Segundo Ramon Casas Vilari-lista, vaidosa, autoritária, com- à população mais carente. Em no, historiador e pesquisador dopradora de dólares e de fraca, por um ano em que a Argentina esta NEILS (Núcleo de Estudos So-deixar que seu marido seja o real fechada para o mercado externo, bre Ideologias e Lutas Sociais da 22 América Informativa | Julho de 2010
  17. 17. RODRIGO BUENDIA Cristina Kirchner no seu discurso de posse, quando contava com o apoio da maioria da população argentina gentina e as Ilhas Malvinas. O objetivo de Cristina é dificultar o abastecimento das ilhas uma vez que a ilha de plataforma britânica Ocean Guardian está retomando a prospecção de reservas que podem chegar a 60 bilhões de dólares, es- timados - comparável ao pré-sal brasileiro e mais de vinte vezes maiores do que a região pertencen- te aos argentinos no arquipélago.PUC / SP), devemos tomar cui- para esperar um crescimento da “Durante a chamada Guerra dasdado quando falamos da aferição economia para investir”. A Ar- Malvinas o governo ditatorial dedo desenvolvimento econômico. gentina possui apenas cinco por Leopoldo Galtieri usou as ilhas como“Se um governo aumenta o sa- cento de população analfabeta forma de desviar a atenção dos outroslário mínimo, isto no ponto de e uma grande crise econômica. problemas sociais que a Argentinavista empresarial pode ser conce- vivia. Não por acaso a questão é ret-bido como uma medida populista Malvinas omada no momento em que o gover-que atrapalha em longo prazo. Outra problemática de repercussão no da presidenta Cristina é bastante mundial do governo argentino é a questionado”, diagnostica Vilarino.Já quando perguntamos para discussão sobre a soberania políti-os sindicatos representantes ca das Malvinas em detrimento A grande imprensa veicula que ados trabalhadores vão dizer do controle inglês. Segundo Ariel política de Cristina diante as Malvi-que isso não é populismo e que Palácios, Cristina força um nacio- nas é populista, pois não ambiciona,está é uma ação justa e devida”. nalismo em busca de apoio popu- de fato, o conflito bélico, como pre-Ou seja, temos que fazer uma lar. Até mesmo a oposição se vê ga. “Esta é uma boa estratégia popu-análise qualitativa antes de afir- obrigada a ceder apoio para que lista de resgate de imagem”, observamar se a ação é populista ou não. não fique mal vista diante a popu- Ariel Palácios.Vilarino exemplifica: “se existem lação, sociedade civil e imprensa. Na realidade, “o governo argentinodeterminadas escolas e o gabi- A Argentina assinou um decreto apenas está buscando uma soluçãonete escolar não chega, não dá restritivo à navegação entre a Ar- para o delicado problema de fixar 23 América Informativa | Julho de 2010
  18. 18. definitivamente qual é o Estado que de guerra dada à situação política e erno de Cristina segundo pesquisa tem soberania sobre as ilhas. A In- econômica em que a Argentina se en- divulgada em fevereiro pela em- glaterra invoca o uti possidetis em contra e dada também à conjuntura presa privada Consulta Mitofsky? seu favor, pois desde o século XIX internacional, que seria desfavorável “Ainda que esforços ideológicos tem a posse das ilhas; “A Argentina a qualquer ato de guerra. Ademais, tendam a mascarar a realidade, a recorre ao argumento de que os in- é preciso ter presente que a sobera- crise econômica faz com que os gleses conquistaram as ilhas pela nia não se exerce sobre o petróleo, trabalhadores argentinos percebam força e ao de que elas foram, desde mas sim sobre a ilha”. que a realidade não é aquela que muito tempo antes da operação mil- Por outro lado dentre as medidas está sendo proferida nos discursos”, itar, um território argentino”, anal- consideradas “populistas” na atual observa Ramon Casas Vilarino. A isa o professor Oliveiros da Silva Argentina, Vilarino destaca o cer- pobreza caiu de 54% (2003) para Ferreira. ceamento da imprensa aplicado por 13% (2009) de acordo com dados Cristina. Para o professor a imp- do governo, ou 30% a 40% (2009) Ao contrário dos dias sombrios do rensa ainda é o principal veículo de segundo economistas independent- falecido general Leopoldo Galtieri, acesso do líder populista até a pop- es e a igreja católica (2009) - porém, Ramon Casas Vilarino acredita que ulação. “Se você tem um órgão da em 2006 a pobreza era de 23,4%. Cristina não está sendo tão descuida- imprensa que se coloca contrário a da quanto o governo militar que em este líder, de alguma forma ele deve O aumento de 2006 para cá é uma 1982 provocou o conflito bélico com ser cerceado e calado no ponto de demonstração do desapego da pop- a Inglaterra. “Cristina já declarou de vista do líder populista”, explica ulação para com a presidenta. É in- antemão que jamais provocaria mais Vilarino. Cristina comprou briga teressante notar que diante a inter- uma guerra na região, ela pretende com órgãos da grande imprensa. venção de Cristina a diversos meios brigar dentro dos organismos inter- de comunicação fica difícil confiar nacionais, principalmente ONU”. Diante as políticas populares de nos dados do atual governo. Neste Ferreira também não acredita no Cristina na atualidade, como expli- âmbito, “o governo da senhora conflito bélico. “Não existe perigo car os 18% de aprovação do gov- Kirchner não tem se caracterizado por medidas populistas, a não ser com relação aos ‘piqueteiros’, um grupo de ação cujos membros, em troca de apoio ostensivo ao gov- erno e atacando manifestações dos que são contrários às políticas que este adota, gozam de posição rela- tivamente boa no quadro social do Cristina Kirchner é mais uma representante de estado nacionalista da América LatinaDIEGO GILDICE 24 América Informativa | Julho de 2010
  19. 19. país”, afirma o professor Oliveiros de Cristina. “Ainda que esforçosda Silva Ferreira. No dia em que ideológicos tendam a mascarar a re-Cristina venceu as eleições a BBC alidade, a crise econômica faz comde Londres enfocou no seu site uma que os trabalhadores argentinos per-notícia comparativa entre ela e Evi- cebam que a realidade não é aquelata Perón, colocando Cristina em um que esta sendo proferida nos discur-patamar superior em diversos aspec- sos”, afirma Vilarino.Porém, diantetos, desde carismáticos até políticos. a tentativa de reservar dinheiro doVilarino não concorda com este en- orçamento para a população maisfoque. Ele lembra que Evita vincula carente qualquer medida contráriaum drama pessoal como se estivesse ao discurso neoliberal acaba sendoentregando seu corpo e sua alma à intitulado como populista. “Acusarpátria, enquanto que Cristina vive um líder latino americano de popu-em outro contexto diante uma imen- lista é a coisa mais fácil, como se desa crise economia. Contudo as duas fato fosse uma coisa ruim. É como dizer que isso DAVID GRAY esta fora do jogo, sem credibilidade. De repente joga todo mundo no mesmo saco e ninguém con- segue iden- tificar mais nada”, con- clui Vilarino. O neopopu- lismo que a grande imp-Kirchner trouxe o show da Madona para os rensa insisteArgentinos. Esta é mais uma política popular em enfocar é concebidoacabam tendo o peronismo na alma, aqui como governos populares nacio-uma por vinculo familiar e ideológi- nalistas, não só na Argentina como naco e a outra pelo partido Justicialista. maioria dos países sul-americanos.O professor Ferreira também nãoconcorda com a comparação. “Eva A grande imprensa aproveita o na-Perón teve seu papel numa con- cionalismo do populismo do pas-juntura política totalmente diversa, sado e começa a intitular os gover-além de uma personalidade diferente nos latinos americanos - como o dadaquela que a Sra. Kirchner possui. Argentina - de acordo com seus in-Imaginar que seria possível reedi- teresses econômicos. Cristina é umatar-se o fenômeno Evita será não só das poucas líderes sul-americanasdesconhecer a história da Argentina que está com baixíssima populari-e a do peronismo, como descon- dade em sua gestão. A estagnaçãohecer o processo histórico”. A crise financeira dos anos 90 fez com queeconômica que assombra a Argenti- a Argentina não estivesse preparadana é o principal inimigo do sucesso perante a crise mundial do momento. 25 América Informativa | Julho de 2010
  20. 20. Malvinas ou Falklands? A disputa nas Malvinas está aquém do termo populismo. O populismo já foi e o colonialismo permanece, em pleno século vinte e um ingleses foram enviados para ocupar o arquipélagoPor Renato DuarteA Guerra das Malvinas ocor- reu em 1982 entre a Argen-tina e a Inglaterra pela soberania do É interessante notar que o debate atual é bem diferente. Naquele mo- mento o país era governado pelo gen- lar. O custo para operar uma plata- forma num ambiente como esse pode chegar a US$ 1 milhão por dia”.arquipélago que havia sido domina- eral Leopoldo Fortunado Galdieri, A argentina conta com apoio de 32do a força em 1833 pelos ingleses, um governo militar e opressor que países da América Latina, incluindoquando colonos ingleses foram en- visava ganhar popularidade tentan- Brasil, mais o caribe. É tenebrosoviados para ocupar o arquipélago. do desviar a atenção dos problemas conceber a idéia de existir um ter-Em 1965 os dois países ten- políticos internos que a Argentina ritório colonial em pleno séc. XXI.taram chegar a um denomina- vivia com esta manobra populista.dor comum através da Assem- A discussão sobre as Malvinas gan- É nesse ponto em que Cristina batebléia Geral das Nações Unidas. hou força quando a Inglaterra anun- e ganha apoio político do continen- ciou prospecção petrolífera na pla- te. A evidência mostra que um novoFoi discutida a resolução 1514, no ca continental das ilhas. A grande conflito bélico esta descartado. Nãoqual é dado status colonial para as imprensa enfoca o fato como mais existindo a ameaça de guerra, oMalvinas, com isso a Argentina res- uma política populista de Cris- que os ingleses vão fazer para nãogatou o território perdido diante a tina. Sendo essa uma discussão estabelecer o diálogo com os ar-política colonialista da Inglaterra, que esta aquém do mero termo. gentinos? A discussão é fervorosa.resolução 2065. Porém, em instantes, Todos os coirmãos do continentea Inglaterra voltou atrás da decisão. O jornalista e colunista do jornal estão unidos diante do abuso inglês.Em 1973 a Assembléia promove britânico The Guardian, Simon Tis- Aparentemente este é um embatea Resolução 3160 para diminuir o dall, afirma que “os trabalhos de neocolonialista, não neopopulista.fervor das discussões entre os dois exploração preliminares até agorapaíses. Porém, em 1982, a Argen- foram decepcionantes. E além dastina ataca a região inglesa e começa tensões políticas, está o estresse físi-a guerra das Malvinas, resultando co de trabalhar numa região aonde oem mais de 655 soldados mortos mar em algumas áreas poder chegar- 255 britânicos e três malvinos. a uma profundidade de três mil met- ros. As chuvas são constantes e as temperaturas no inverno, de conge- 26 América Informativa | Julho de 2010
  21. 21. A grande imprensa e o mito do Neopopulismo na AméricaEnquanto a mídia nativa se concentra no discurso populista de Cristina a argen-tina possui noventa e cinco por cento da população alfabetizadaPor Renato DuarteÉ impressionante o discurso elitizado que a grande imp- Naturalmente competir com o PIB dosrensa brasileira possui. As afirmações, ou acusações da grandes países do capitalismo sempre foi difí-grande imprensa não trazem dados concretos para pro- cil para os Estado Nacionais do continente.var a sua informação. Por uma coisa muito simples. Se Nestor Kirchner teve que retomar a economiaos próprios historiados possuem dificuldade para con- de alguma forma – como de fato foi feito - comceber o termo populismo para a atualidade, como po- oratória, renegociando contratos de dívida externa.dem os grandes jor- A grande imprensa senalistas brasileiros preocupa com a retra-acusar os governos ção macroeconômica dosul-americanos? PIB dos argentinos, seÉ o que acontece esquecendo dos outrosnormalmente na setores como educação.mídia nativa. Os Afinal, a Argentina possuijornalistas ao os somente cinco por centojulgadores; através da população analfabetos,da união de di- segundo último levanta-versos meios de mento da Cepal (Comis-comunicação bur- são Econômica para agueses em uma América Latina e o Car-só ideologia, for- ibe) que tem base em es-mulam a opinião timativas da população deesquecendo-se da 15 anos ou mais em áreasregra básica do urbanas da América Lati-jornalismo - apura- na e do Caribe.A impren-ção qualitativa. São muitos os meios de comunicação sa deveria trazer uma análise mais qualitativa antes debrasileiros que acusam algum líder de populista sem ao começar com a arte taxionômica de pré-conceituar.menos procurar alguma fonte do campo das ciências Deveria buscar duas opiniões divergentes para que osociais para confirmação do que está sendo veiculado. receptor seja respeitado no que tange a qualidade deEm u texto de 23 de fevereiro, a Folha de S. Paulo fez informação e a apuração jornalística. Porém, quandouma reportagem condizendo que o PIB tinha começado os meios de comunicação elitizados se unem é difí-a cair desde a ascensão de Cristina. Porém, os mesmos cil se livrar do contexto. O preconceito é enraizado eignoram que em 2006, um ano antes de Cristina assumir vira um fato social geral diante a sociedade dada. Éa presidência, o PIB já caia com rumores de mais queda necessário ter cuidado com o mito do neopopulismopara os próximos anos. Não obstante não mencionam que estimulado pela grande imprensa da América Latina.a taxa de pobreza diminui com o casal Kirchner no poder. 27 América Informativa | Julho de 2010
  22. 22. Política Da Esquerda para a Direita Depois de uma longa trajetória de presidentes esquerdistas, o Chile vive uma nova fase chileno?Durante os últimos 4 anos o Chile foi governado por Michele Bachelet, mulher considerada um exemplo até pelos próprios ci- dadãos. Filha de um general da for- ça aérea que foi perseguido, preso POR RENATO DUARTE PLANTIER e morto durante a ditadura, Michele J se formou em medicina pela Uni- versidade do Chile, foi também uma perseguida política e no ano de 2000 “ Bachelet era uma militante política, o Piñera é um homem cuja vida nem sempre foi “ ligada à políticaDIVULGAÇÃO foi eleita ao primeiro cargo político de sua trajetória: Ministra de Saúde. Nota-se então de cara as principais diferenças entre Bachelet e Piñera: “A Bachelet era uma militante políti- ca, o Piñera é um homem cuja vida Por Thamyris Barbosa não foi sempre ligada à política. (...) A primeira ocupação do Piñera foi a U m presidente deposto, uma Foram mais 17 anos de comando questão empresarial”, comenta ditadura instalada, 20 anos esquerdista no país, até que nas ul- de repressão. timas eleições um candidato de 61 Com o fim da era Pinochet o Chile anos, empresário com participação voltou a caminhar a passos largos em várias corporações, milionário em direção à democracia. Elegeu e de centro-direita põe fim a este por votos diretos o presidente Patri- ciclo.A vitória de Sebastian Piñera DIVULGAÇÃO cio Aylwin, em seguida Eduardo sobre Eduardo Frei foi o marco de Frei Ruiz-Tagle, Ricardo Lagos e uma mudança drástica num país finalmente Michele Bachelet. O que tradicionalmente esquerdista. Mas todos esses presidentes têm em co- a que se deve tamanha mudança mum? Todos são socialistas. no comportamento do cidadão 29 América Informativa | Julho de 2010
  23. 23. BEGSTEIGER o Doutor em Ciências Políticas Antônio Carlos Peixoto. Piñera é economista e membro do OSCAR CABRAL partido de centro-direita Reno- vación Nacional . Assumiu o cargo em 11 de março de 2010, após o de- sastroso terremoto de 27 de feve- reiro, que deixou pelo menos 802 mortos e 500 feridos. Ele foi eleito com a promessa de reconstruir do ção à marinha,que não teria dado o e Cultura. Embora não tenham sido país. alerta de tsunami. De modo geral, solucionados problemas mais pro- Como o terremoto ocorreu ainda a Bachelet sai com a imagem um fundos e nem problemas de justiça na gestão de Bachelet, houve rec- pouco arranhada, segundo a avalia- ainda pendentes da ditadura (de fato lamações principalmente em rela- ção de Antonio Carlos Peixoto. Augusto Pinochet morreu sem ser Apesar deste arranhão do terremo- julgado e condenado), a liderança “ to, o mandato da ex-presidente foi de Bachelet foi avaliada como de Michele teve uma muito bem avaliado pelos chilenos. boa qualidade. Esta é a visão de Di- “ gestão focada nos aspec- tos sociais e aumentou acesso dos chilenos à Mas ainda não serviu para eleger seu sucessor de esquerda, Eduardo Frei. ego Weissel, um jovem nascido na Alemanha, mas que mudou-se para o Chile com sua família em 1999. O governo de Michele teve uma Mas esta não é apenas uma visão internet gestão focada nos aspectos sociais, singular, a ex-presidente chilena melhorou muito o aceso do chileno encerrou seu mandato com 86% de de classe media e baixa à Internet aceitação popular. 30 América Informativa | Julho de 2010
  24. 24. A primeira é que, segundo Antonio bastian Piñera.A boa aceitação de seu governo Peixoto, Bachelet não se empenhoudeve-se basicamente a dois fatores, por Eduardo Frei. “Ela cruzou os O novo governosegundo análise do cientista político. braços, não foi pra esquina da rua,Primeiro a personalidade dela. Ela é trepar num caixote e pedir voto pro O cidadão chileno Diego Weisseluma mulher que inspira respeito an- candidato dela que voltaria portanto entende que o Chile esta confiantetes de mais nada -até pela trajetória à democracia cristã como o Lula no governo de Sebastian Piñera.política. Ela não é uma aventureira, está fazendo para a Dilma Roussef. “Deve deixar uma boa impresão nono ponto de vista político". Em se- Ela não se movimentou”, explica. começo, pois alem de ser um novogundo lugar, a gestão dela à frente pressidente é uma nova etapa nado Estado chileno foi uma gestão Uma segunda hipótese levantada política chilena onde a direita reto-marcada pela sinceridade. "Ela nun- pela Secretária Internacional do ma o poder após quase 20 anos nasca enganou ninguém. Era uma mul- Partido Comunista do Chile no Bra- mãos da “Concertación”. É um mo-her que tinha franqueza. Se ele dizia sil, Marilena Santos, é que uma vez mento chave onde a opinião publicaisso, é isso. O governo dela foi um que o candidato derrotado Eduardo avalia fortemente o governo e ondegoverno marcado pela honestidade. Frei já tenha sido eleito à presidên- qualquer indicio de descaso podeCorrupção existe em qualquer lugar cia em 1994, o povo chileno decidiu significar uma importante perda dado mundo. Uma coisa é corrupção apostar em algo novo, já que con- incipiente confiança.consentida, outra coisa é corrupção hecia o estilo de governar do ex- A partir de uma avaliação a respeitopor baixo do pano. Se existiu ou não presidente. do novo governo chileno, o Doutorexistiu no Chile, é difícil dizer. Mas em ciências políticas destaca quecertamente ela foi uma mulher que A terceira possibilidade levantada um ponto importante do Piñera é aimpôs um padrão de honestidade ao pelo jornalista chileno, Diego Weis- questão da educação, “Ele vai ten-modo político de operar o governo sel, é que houve um desencanto com tar aumentar o grau de ensino nochileno. Então a população chilena a performance dos governos de cen- Chile”.gostou dela”. tro-esquerda, que não conseguiram solucionar problemas ainda gravesA eleição de Piñera torna-se assimintrigante, afinal, o candidato que de diferencias sociais e culturais muito agudas. Nem dar uma ver- Você sabia?disputava as eleições com ele (Edu- dadeira opção de reconciliação dosardo Frei Ruiz) foi escolhido pela dois principais pólos ainda muito Os japonesesConsertacion (uma coalizão eleito- separados e intolerantes da esquerda investiram emral de partidos políticos chilenos de e direita tradicionais. Apareceu, nocentro-esquerda onde confluem so- entanto uma nova direita, popular bancos de pesca nocial-democratas e democratas-cris- se voltando por questões, fazendo Chile, e hoje o salmãotãos. É formada por quatro partidos uso de muito marketing para atrair que se consome nopolíticos principais: Partido Demó- os indecisos.crata Cristiano (PDC); Partido por la Foi crescendo uma idéia de que Brasil é exportado deDemocracia (PPD); Partido Radical devia ser dada uma oportunidade a lá. Os enlatados,Social Demócrata (PRSD) e Partido essa nova direita (embora herdeira resultantes daSocialista (PS)) para substituir a en- da direita enriquecida e defen-tão governante Michele Bachelet. dida pela ditadura militar, e talvez pesca são uma fonteMesmo com tanta popularidade, chamada de "nova" como um sim- de rendaela não conseguiu transferir seus ples recurso publicitário). Isto agiu extremamente lucra-votos para derrotar um rival histori- em consonância com uma tendênciacamente em desvantagem (por ser “direitizante” da política mundial e tiva, porque o litoralde direita) e pouco conhecido na um desencanto pelas classes políti- chileno é muitopolítica chilena. cas de centro-esquerda também aco- abundante. modadas, o que acabou por deixar oHá quatro hipóteses para a questão. poder em mãos do empresário Se- 31 América Informativa | Julho de 2010
  25. 25. O CenáriOISAAC BREKKEN No dia 11 de setembro, o atual presidente foi deposto através do golpe militar e as forças armadas chilenas bombardearam o La Moneda DIVULGAÇÃO Por Thamyris Barbosa O comandante que liderou o golpe nasceu em Val- paraíso, ingressou na carreira retaliação aos líderes militares. Uma figura importante da história chilena, no que diz respeito à di- tadura é o cantor, compositor, militar aos 17 anos e chegou ao ator e revolucionário Victor Jara. cargo após a renúncia de Carlos Ele foi detido junto com outros Prats, que se recusava a partici- par de qualquer golpe de estado. alunos e professores,no golpe de estado, e conduzido ao Estádio Canção O novo comandante-em-chefe as- do Chile (usado como campo de sume a presidência em 17 de Jun- concentração).Jara foi mantido Venceremos ho de 1974. Instala-se a ditadura. lá durante vários dias, foi tor- (composição: Victor Jara) Augusto Pinochet era seu nome. turado e teve suas mãos cortadas Foi autor do período considera- como parte do "castigo" dos mili- No que diz respeito a nossa do mais autoritário e violento tares a seu trabalho de conscien- bandeira mulheres se jun- do Chile. No poder do Chile dis- tização social aos setores mais taram ao clamor solveu o Congresso, proscreveu desfavorecidos do povo chileno. os partidos políticos, restringiu O próprio Pinochet continuou no O vencedor da Unidade Pop- os direitos civis e declarou ilegal comando do Exército até 1998, ular opressor ianque é grave a Unidade Popular, frente que quando passou a exercer a função apoiava Allende, prendendo seus de senador vitalício no Congresso, Refrão: Venceremos, vencere- principais líderes. Foi responsável mos com Allende, em setembro à qual renunciou em virtude dos pela morte de cerca de 3 mil oposi- a ganhar problemas de saúde e das diver- tores do regime e tortura de quase sas acusações de violações aos Venceremos, venceremos 30 mil. Centenas de milhares de direitos humanos. Em julho de Unidade Popular no poder. chilenos foram obrigados a exilar- 2001, apresentou um atestado se. Paralelamente, o general pro- de debilidade mental que o sal- Com a força que vem do povo moveu reformas econômicas, cujo vou de uma possível condenação. um país melhor para fazer, sucesso inicial levou a se falar num Pouco antes de morrer, assumiu batendo juntos e unidos "milagre econômico chileno". a responsabilidade pessoal por poder, poder, poder Em 18 de fevereiro de 1988, tudo o que ocorreu no Chile du- porém, Pinochet foi derrotado no Se a justa vitória de Allende rante seu governo, declarando a direita quiser ignorar plebiscito que podia referendar o assim ter agido por patriotismo. todas as pessoas, determi- prolongamento da sua presidên- No dia 3 de dezembro de 2006, nadas e corajosas com um cia. No ano seguinte foram real- aos 91 anos, o general sofreu homem se levantará. izadas eleições e o general entre- um ataque cardíaco e foi in- gou a presidência ao democrata ternado às pressas no hospital cristão Patricio Aylwin, em 11 de militar de Santiago. Faleceu no março de 1990. Mas a transição dia 10, ironicamente o dia inter- ao regime democrático foi cer- nacional dos direitos humanos, cada de cuidados para não haver e foi velado na Escola Militar. 32 América Informativa | Julho de 2010
  26. 26. PolíticaHugo Chávez e aUm relacionamento deUm balanço dos dozeanos de Hugo Chávezno poderPor Rômulo MendesH ugo Chávez é sem dúvida o principal responsável porcolocar a Venezuela aos olhos domundo, no entanto as terras ven-ezuelanas lhe concederam o espaçopara a implantação de sua política,gerando um relacionamento de12 anos. Relação, esta que divideopiniões em torno do assunto. Den-tro desta conjuntura nasceram oschavistas e anti-chavistas que dire-cionam o caminho do país. Entendamelhor sobre o relacionamento en-tre Chávez e a Venezuela.Histórico PopularChávez disputou a presidênciaem 1998, contra o empresárioHenrique Salas Römer e acabousendo eleito por 56% da aprova-ção eleitoral, sucedendo RafaelCaldera DO COPEI. Chávez emer-giu ao poder como uma renovação,segundo o especialista em ciên- Política Electoral Independendiente. estatais em prol da populaçãocia política e doutor pela IFLCH Para o especialista em ciência mais humilde e sua diferenciaçãoda USP, Rui Maluf, sua imagem política e professor doutor da uni- aos outros políticos antecedent-se fortaleceu devido o descrédito versidade Mackenzie, Agnaldo es é o forte centralismo político.contra as forças políticas tradi- dos Santos, Chávez é um divisor Já eleito como presidente da Ven-cionais AD, Ação Democrática E de águas na política de seu país, ezuela, suas primeiras implementa-COPEI, Comitê de Organizacion devido à reorientação das ações ções na política foram à mudança do 34 América Informativa | Julho de 2010
  27. 27. VenezuelaAMOR E ÓDIO FERNANDO CAVALCANTI Responsável por um terço do PIB do país, a exportação do petró- leo foi um dos pontos negativos do seu governo. Para Rui Maluf a perseguição de Chávez as ativi- dades econômicas privadas domes- ticas e internacionais caminhou na contramão e conseqüentemente criaram-se menores oportunidades para oferecer a população. O seu descontentamento com a política “ Chávez é um divisor de águas da política de seu país, devido a “ reorientação das ações estatais em prol da população mais humilde neoliberal dos Estados Unidos foram um dos primeiros indícios para um governo autoritário. Alvo de críticas por parte da imprensa Venezuelana ao longo de seu man- dato, esta rincha ganhou noto- riedade após a tentativa de golpe sofrida pelo governo Chávez, em 2002. Segundo Maluf, a briga do governo e a imprensa é o fruto denome do país para “Republica Boli- Chávez as classes de menores ren- uma concepção autoritária do poder,variana da Venezuela”, seguindo na das experimentaram uma melho- que o faz não aceitar ser contestado.construção de um novo modelo, a ria em suas condições financeiras, Paralelo a isso, Agnaldo Santos, de-Assembleia Nacional, que aumen- entretanto ao longo de seu man- clara ser contrário a esta posição,tou o poder ao legislativo, causando dato, sua posição foi extrema- dizendo que é preciso saber comoo prolongamento do seu mandato. mente radical, principalmente ao é o comportamento da imprensa,Com a política exercida de Hugo tratar-se de políticas externas. se ela cumpre mais o papel de in 35 América Informativa | Julho de 2010
  28. 28. formar do que o partido político.Ainda, relata um acontecimentoem 1964, quando a mesma im-prensa venezuelana apoiou umgolpe contra o presidente da época.Chavistas e anti-chavistasO estilo de política de Hugo Chávezdeu início aos chavistas e anti-chavistas: são eles quem o aprovaou não. Divisão explícita que jáchegou às ruas, por meio de con-frontos. Exemplo que se pode ser EDDIE KEOGHREUvisto no filme “A revolução NãoSerá Transmitida”, dos irlandesesKim Bartley e Donnacha Obrian.“A polarização foi latente durantemuitos anos devido às característi-cas de sua sociedade e economia, E mantêm apoiando o mandatário, nutenção de seu perfil, o presidenteporém, reascendendo ao poder, o enquanto o restante dos 59% man- contratou uma equipe especial-mandatário atual o explorou como tém pouca ou nenhuma confiança. mente para lidar com esses proble-um amigo-inimigo, não tem nada de Para o jornalista Rafael Brasil, do mas, perguntado a Agnaldo, sobrepositivo pensando a médio e longo Grupo Bandeirantes de Comuni- as possíveis contradições que con-prazo da vida do país”, afirmou Rui. cação, a queda da popularidade de tornam a nova empreitada do man- Chávez é a prova de que a política datário Chávez, ele responde que oQueda de popularidade acesso à internet está alcançando a autoritária dele ruma para a di-Ao longo de seus mandatos, a todos, por meio da política de in- tadura, contudo, isto é um fortepolítica exercida por Hugo Chávez clusão digital, mesmo o setor pri- índice de uma futura mudança.centralizou as classes de baixa vado com a criação das lan houses. Concordando com a mesmarenda da Venezuela, por este mo- opinião de Rafael, Rui acrescen-tivo que o rótulo de populista O enfraquecimento do governo ta que a queda de popularidade ésurgiu na mídia se popularizan- Chávez gera muitas perguntas uma constatação das lacunas quedo diante das classes humildes. e a principal delas é a existên- os serviços públicos deixaramPorém, atualmente sua popularidade cia da possibilidade de renova- devido a evidência do enfraqueci-vem atingindo quedas, segundo a ção no poder da Venezuela? mento que a política externa sofre.pesquisa divulgada pela empresa Entretanto, Chávez não poupa esfor-venezuelana Interlaces, somente35% da classe D e 43% da classe ços para (re)-fortalecer sua imagem O futuro de Hugo Chávez e eleger sua posição nas próximas“ eleições legislativas em setembro, Há algum tempo, mesmo que seja A queda de prova disso é a criação de um per- de uma forma tímida, os ares de fil no “twitter”, uma rede social. renovação pairam no ar de Miropopularidade do “presidente venezuelano éa prova de que a políticaautoritária dele rume para De acordo com sua última declara- ção fornecida na sua vinda ao Bra- sil em abril deste ano, ele possui Flores. Passando por problemas internos, com forte ruptura na sua base aliada, o governo começa a sentir uma pequena ameaça.a ditadura média de 20 mil novos seguidores. Segundo Rui, vários sinais já vem Tendo o número extenso de segui- sendo dados divulgados, como, dores e não dando conta da ma- por exemplo, o resultado das últi- 36 América Informativa | Julho de 2010

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