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Estudo dirigido Estudo dirigido Document Transcript

  • Estudo Dirigido - Patologia1- O que são acúmulos intracelulares?Acúmulo intracelular é o armazenamento de quantidades anormais de substâncias no citoplasma(freqüentemente dentro dos lisossomos) ou no núcleo da célula. Estas substâncias podem ser umconstituinte celular normal em excesso (água, lipídeos, proteínas e carboidratos), uma substância exógenaanormal (minerais ou um produto de metabolismo anormal), um pigmento ou produtos de processosinfecciosos. O acúmulo pode ser temporário ou permanente, inofensivo ou tóxico, no citoplasma ou nonúcleo, por uma produção de substância anormal ou por estoque de produtos de processos patológicosproduzidos em outras partes do corpo.2- Cite as substâncias que podem se acumular nas células, correlacionando-as com osaspectos morfológicos (macro e microscópicos) dos órgãos e com as possíveis causas paraesses acúmulos.O acúmulo pode ser justificado de várias formas, como: produção de uma substância endógena normalcom um metabolismo inadequado para removê-la, de acordo com a sua velocidade de produção; defeitoenzimático genético impedindo metabolismo de uma substância endógena seja ela normal ou anormal; eausência de maquinaria adequada de enzimas para degradar uma substância exógena normal.As substâncias que podem ser acumuladas nas células são:- Lipídios: todas as principais classes de lipídios podem se acumular: triglicerídios, colesterol/ésteres decolesterol e fosfolipídios. Os principais órgãos afetados são os rins, os músculos, o coração eprincipalmente o fígado. Macroscopicamente, observa-se um aumento do volume e do peso do órgão,associado a uma menor consistência e a uma coloração bastante característica: brilhosa e amarelada, comaspecto tigrado no coração. Microscopicamente, observam-se vacúolos claros e bem delimitados nocitoplasma, acarretando deslocamento do núcleo para a periferia;- Proteínas: seus excessos suficientes para causar acúmulos morfologicamente visíveis são menos comuns.Macroscopicamente, as alterações são quase imperceptíveis, tornando-se difícil defini-las.Microscopicamente, os vacúolos se apresentam, no citoplasma, arredondados de gotículas acidófilas,homogêneas e vítreas. Além disso, também se observa o desenvolvimento de corpúsculos de Russel ou deMallory;- Glicogênio: são observados em pacientes com uma anomalia ou de metabolismo da glicose ou doglicogênio. Macroscopicamente, a observação é bastante difícil. Microscopicamente, observa-se a presençade vacúolos claros (massas de glicogênio) dentro do citoplasma. Usam-se corantes para a obtenção deuma melhor visualização. O glicogênio é mais bem preservado em fixadores não aquosos;- Pigmentos: Podem ser normais das células ou anormais; ou ainda exógenos (de fora do corpo) ouendógenos (produzidos pelo corpo). Macroscopicamente, a relação é feita de acordo com a cor dopigmento (ex. melanina – cor: marrom-enegrecido). Microscopicamente, observa-se também a coloraçãodo pigmento. Neste último há uma grande vantagem, a coloração do órgão não estará influenciando acoloração observada, facilitando a visualização.- Água: macroscopicamente, observa-se aumento do volume e do peso associado a uma perda decoloração. Microscopicamente, o citoplasma se apresenta com aspecto granuloso, além de seremobservadas tumefações celulares. As vilosidades, quando presentes, podem estar reduzidas, a cromatinacondensada, as membranas com bolhas e o retículo endoplasmático dilatado, mas estas características sópodem ser observadas no microscópio eletrônico;3- Explique a fisiopatologia de cada um desses acúmulos.- Gordura: o citoplasma das células não está preparado para acumular gorduras em seu interior. Os doisórgãos onde há maior depósito são: o fígado e o coração. No primeiro, ocorre uma entrada excessiva deácidos graxos livres, diminuição da conversão de triglicerídios em lipídios, produção excessiva de ácidosgraxos com sua esterificação em triglicerídios. Já no segundo, os ácidos graxos não conseguem entrar na
  • mitocôndria para serem metabolizados (inibição da carnitina). A ocorrência destas alterações apresentadiversas causas, entre elas hipóxia, desnutrição, ingestão de álcool, corticoesteróides e tetracloreto decarbono;- Proteína: acumula-se principalmente nos túbulos proximais renais, nos plasmócitos, coração e nascélulas hepáticas. No primeiro, observam-se gotículas de reabsorção, características de doenças renaisassociadas à perda de proteínas na urina. Estas proteínas perdidas são reabsorvidas pelas células epiteliaisdo túbulo contornado proximal, causando um acúmulo protéico. No segundo caso, o retículoendoplasmático dos plasmócitos participantes na síntese ativa de imunoglobulinas pode ficar muitodistendido, gerando corpúsculos de Russel. No terceiro, as bactérias liberam endotoxinas que degenerama hialina das fibras musculares causando desintegração dos microfilamentos, resultando em acúmulo deproteína. Já no último, existe problema de transporte e desdobramento protéico ocasionados pelaausência de AAT, gerando acúmulo protéico no citoplasma. Suas causa mais comuns são: doençaautossômica dominante, consumo de álcool, doença renal, acúmulo de acidófilos;- Glicose/glicogênio: seu acúmulo ocorre em virtude de alterações no metabolismo de um dos doisnutrientes ou ainda pelas glicogenoses. As enzimas participantes deste processo se encontram deficientes.As principais causas estão associadas ao Diabetes mellitus, as doenças genéticas deficitárias de enzimasatuantes no metabolismo do glicogênio, deficiência de a -1,4 –glicosidase.- Pigmentos: no caso dos pigmentos exógenos, como carvão e tatuagem, eles são fagocitados pelosmacrófagos no local de absorção. Os pigmentos endógenos, sintetizados pelo próprio organismo, são alipofucsina, a melanina, a hemossiderina e a bilirrubina. A lipofucsina é derivada da peroxidação lipídica oude lesões por radicais livres. A melanina é derivada da oxidação da tirosina a diidroxifenilalanina pelatirosinase dos melanócitos. A hemossiderina constitui-se de agregado de ferritina, forma de estocagem doferro, quando há excesso de ferro na circulação.A lipofucsina ocorre em células em alteração regressiva lenta, como nos casos de subnutrição e caquexiado câncer. O aumento de melanina pode ser estimulado pelos raios solares. A hemossiderina pode serresultante da transformação da hemoglobina fagocitada por macrófagos durante uma hemorragia. Elatambém pode ser depositada em órgãos e tecidos por aumento da absorção de ferro dietético, distúrbiono uso de ferro, anemia hemolítica e transfusão. A bilirrubina é derivada da hemoglobina, mas nãocontém ferro. Ela costuma se acumular no fígado e nos rins. No fígado, encontra-se nos sinusóidesbiliares, células de Kupfer e hepatócitos. Nos rins, aloja-se nas células dos túbulos renais. O acúmulo debilirrubina pode ocorrer nos casos em que sua formação e excreção estão anormais.- Água: as lesões reversíveis formadas pelo acúmulo de água são freqüentes. Para que elas sejamformadas é necessário que haja um desequilíbrio hidroeletrolítico (bombas ATPases funcionandoinadequadamente), alterando o equilíbrio celular. Como a água passa pela membrana celular seguindo umgradiente de concentração, a sua entrada em excesso causa um inchaço celular, mas não altera amembrana, até que ocorra plasmoptise. Este processo de entrada excessiva de água é causado pordiversos fatores: hipóxia, inibidores de cadeia respiratória, radicais livres, toxinas atuantes comofosfolipases, ou seja, causadores de mau funcionamento da bomba da membrana (ela precisa de energiapara funcionar). O resultado é a retenção de sódio e a eliminação de potássio, com acúmulo de água;4- O que é lesão celular irreversível? O que é necrose?Lesões celulares irreversíveis são aquelas em que as situações desfavoráveis não permitem a adaptaçãodas células na busca do funcionamento normal. Os estímulos negativos costumam ser tão intensos ou tãolongos que geram a perda do equilíbrio e terminam em morte celular. A lesão irreversível está associada àincapacidade de reverter a disfunção mitocondrial na reperfusão ou reoxigenação, levando a umadepleção de ATP (ocorre grave vacuolização das mitocôndrias e desenvolvimento de densidades amorfas,grandes e floculadas na matriz mitocondrial), dano às membranas celulares (perda da regulação dovolume, o aumento da permeabilidade das moléculas extracelulares, defeitos na ultra-estruturas dasmembranas) e tumefação dos lisossomos. No caso de uma isquemia reperfundida no miocárdio ocorreinfluxo de cálcio para as células. Há perda de metabólitos necessários à reconstituição do ATP.Necrose é a morte de uma célula ou de parte de um tecido em um organismo vivo. Pode ser entendidacomo a manifestação final de uma célula que sofreu lesões irreversíveis. Refere-se a um espectro demodificações morfológicas que se seguem à morte celular em um tecido vivo, decorrente, principalmente,da ação degradativa progressiva de enzimas sobre a célula letalmente lesada. É marcada pela digestãoenzimática celular (houve liberação de enzimas lisossomais para o citoplasma) e pela desnaturação de
  • proteínas. A catálise progressiva das estruturas celulares leva à necrose liquefativa e a desnaturação dasproteínas leva à necrose coagulativa.5- Cite e diferencie os principais tipos de necrose, dando os seus aspectos morfológicos(macro e microscópicos) e as suas possíveis causas.Os principais tipos de necrose são:- Por coagulação ou isquêmica: causada por isquemia grave repentina, que leva à acidose intracelular,desnaturação protéica e bloqueio da proteólise celular. Ocorre nos rins e no coração. É freqüentementeobservada nos infartos isquêmicos. A macroscopia revela cor pálida, brilho e halo avermelhado, formatotriangular com ápice voltado para o vaso obstruído. A microscopia mostra preservação do "arcabouço"(mantém o contorno celular, mas os elementos nucleares perdem a nitidez devido à permanência deproteínas coaguladas no citoplasma) da célula, que se apresenta homogênea e mais acidofílica.- De liquefação: comum em casos de isquemia cerebral e lesões bacterianas. Caracteriza-se por uma açãode enzimas hidroeletrolíticas, quando autólise e heterólise prevalecem sobre situações que favorecem adesnaturação de proteínas. Macroscopicamente, observa-se uma área amolecida e uma região centralliquefeita com o tempo. O tecido necrótico fica limitado à região, geralmente cavitária. A microscopiarevela grande quantidade de neutrófilos e outras células inflamatórias. É comum em infecçõesbacterianas. Pode ser observada nos abcessos e no sistema nervoso central, bem como em algumasneoplasias malignas.- Gordurosa: ocorre nas pancreatites agudas e, menos freqüentemente, nos traumatismos de mama.Caracteriza-se por uma lesão dos ácinos pancreáticos ou obstrução de seus ductos. Isso leva à necrose dotecido adiposo intra ou peri-pancreático da cavidade abdominal. A macroscopia revela pontos branco-amarelados e firmes no tecido adiposo peri-pancreático e mesentérico. Na microscopia, observam-se áreasde contornos imprecisos das células gordurosas, que se tornam uma massa amorfa, levemente basofílica,circundada por uma reação inflamatória.- Caseosa: é uma variante da necrose de coagulação com certo grau de necrose de liquefação. Deve-se àscaracterísticas próprias de microorganismos. A macroscopia mostra um material branco acinzentado bemdelimitado, granuloso, mole e friável, parecido com queijo cremoso. Na microscopia, observa-se ummaterial volumoso e avermelhado com uma parte liquefeita, composto predominantemente por proteínas.É comum na tuberculose, em neoplasias malignas e em alguns tipos de infarto.- Necrose Hemorrágica: há predomínio de grande quantidade de sangue. È uma denominação maismacroscópica que microscópica. Exemplo clássico ocorre no pulmão, quando ramo da artéria pulmonar éocluída. A área necrótica preserva os contornos estruturais, mas é invadida por sangue. A artériabrônquica mantém o parênquima pulmonar vivo. Nesse caso pode haver hemorragia do tecido pulmonar,mas não necrose. Em pacientes com insuficiência cardíaca direita, o sangue pode ficar represado nasáreas centrolobulares, com isto há hipóxia e necrose dos hepatócitos. Este fato mostra um aparenteparadoxo: presença de sangue junto com necrose isquêmica. O sangue está estagnado, sem portar ooxigênio necessário à sobrevivência das células. No cérebro, a ruptura de um vaso intraparenquimatosoforma um hematoma que determina necrose das células envolvidas na hemorragia. É uma necroseisquêmica e hemorrágica ao mesmo tempo. Necroses hemorrágicas também ocorrem quando a drenagemvenosa é obstruída.- Necrose Gomosa: É um tipo de necrose por coagulação. È encontrada na sífilis. A macroscopia revelaárea compacta, uniforme e elástica, como uma goma, uma borracha ou, mais raramente, viscosa, comouma goma-arábica. Quando o tecido necrosa, ele acaba mantendo as estruturas conjuntivas e vasculares.- Necrose Fibrinóide: ocorre nas paredes dos vasos nos casos de hipertensão arterial maligna, napoliarterite nodosa e no lúpus eritematoso. É representada por uma alteração granular, eosinofílica daparede vascular. A microscopia, nos casos de hipertensão, vê-se fibrina nas paredes e, nos casos de lúpuse poliarterite, a presença de imunocomplexos. Pode ocorrer no tecido conjuntivo intersticial numapatogenia imunoalérgica (lúpus eritematoso, artrite reumatóide, febre reumática). Nesses casos, hádepósito de complexos Ag-Ac ou produtos de reações locais Ag-Ac associados ao complemento. A injúriacelular leva a um processo inflamatório e a um aporte de substâncias plasmáticas que são depositadas,conferindo aos focos aparência de depósitos de fibrina, daí o nome fibrinóide.
  • - Necrose Gangrenosa: é a evolução de uma necrose de coagulação. Gangrena é uma necrose que ocorreàs custas dos fenômenos de isquemia e liquefação por bactérias e leucócitos. A microscopia revela umanecrose de coagulação de todas as estruturas, presenças de bactérias e inflamação supurativa nas bordasvivas marginais à área necrótica.Também são denominadas gangrenas as necroses de extremidades apenas com fenômenos isquêmicos.Na verdade são necroses de coagulação isquêmica, porém o nome já é consagrado. Gangrena úmidaapresenta-se infectada, e gangrena seca não é infectada. Há também a gangrena gasosa, quando omicroorganismo infectante produz gás, como o Clostridium. Pulmão, vesícula biliar, apêndice cecal sãopropícios à infecção após necrose isquêmica, pois são órgãos úmidos.Na macroscopia da gangrena seca, o tecido necrosado em contato com o ar se desidrata, tornando-sesecos e duros, assemelhando-se a tecidos de múmias, por isso o processo é conhecido como mumificação.A parte gangrenada também se torna negra por alteração da hemoglobina e bem delimitada dos tecidosviáveis.6- Conceitue apoptose, diferenciando-a da necrose quanto à morfologia e o mecanismo dedesenvolvimento.Apoptose é a morte programada de uma população celular. Ocorre fragmentação celular (corposapoptóticos) que são endocitados pelas células vizinhas, caracterizando desse modo, um processo ativo, jáque envolve a ativação de endonucleases e proteases.A morfologia da apoptose se caracteriza pela retração celular (citoplasma mais denso), condensação dacromatina e formação dos corpos apoptóticos (fragmentos celulares delimitados por membrana) que sãorapidamente fagocitados. A morfologia da necrose revela, no núcleo, cariólise (redução da basofilia dacromatina), picnose (retração nuclear), cariorrexe (fragmentação nuclear), além de citoplasma vacuolado,com aspecto de corroído. A apoptose só acontece em células individuais ou pequenos grupos, e envolve acondensação de núcleo e citoplasma, diminuição de volume celular, fagocitose total ou parcial por célulasadjacentes ou macrófagos que alteram a membrana celular e degradação nuclear seguida dedesintegração celular. Diferencia-se da necrose por não ser seguida de autólise e assim, não induzresposta inflamatória e também pelo fato de ser independente das condições do meio (processointrínseco).O mecanismo da apoptose pode ser desencadeado por remoção de fatores tróficos, por radiaçãoionizante, drogas toxinas ou estímulos positivos, todos culminam na transcrição gênica de enzimas enovas propriedades de superfície da célula. As enzimas transcritas são: as endonucleases, quefragmentam o DNA e condensam a cromatina; as proteases, que rompem o citoesqueleto e retraem acélula; e transglutaminases, que fazem ligação cruzada de proteínas citoplasmáticas. Enfim, as enzimascontribuem para a formação dos corpos apoptóticos, ou seja, um rompimento ativo das membranas, emvez de passivo, como ocorre na necrose.Na necrose, alteração morfológica da morte celular, ocorre o rompimento da membrana lisossômica e adigestão enzimática da célula, com a desnaturação das proteínas, ao contrário da apoptose, na qual asmembranas lisossômicas são degradas nos fagolisossomos dos macrófagos. Outra diferença importante éa apoptose, que ocorre antes da necrose celular, quase sempre é fisiológica; enquanto a necrose épatológica. Ambos os processos são lesões irreversíveis que levam a morte celular.7- Em que circunstâncias podemos observar apoptose?A importância da apoptose relaciona-se primeiramente ao controle da densidade populacional de célulasnormais; pode servir também como instrumento de deleção de células danificadas por toxinas, radiação ououtros estímulos. Fisiologicamente, ocorre no desenvolvimento embrionário, na organogênese,narenovação de células epiteliais e hematopoiéticas, na involução cíclica dos órgãos reprodutivos damulher, na atrofia induzida pela remoção de fatores de crescimento ou hormônios, na involução de algunsórgãos e ainda na regressão de tumores. Portanto consiste em um tipo de morte programada, desejável enecessária que participa na formação dos órgãos e que persiste em alguns sistemas adultos como a pele eo sistema imunológico.8- Descreva os eventos vasculares (em ordem cronológica) da inflamação aguda,correlacionando-os com os tipos celulares encontrados.
  • Os primeiros eventos vasculares a ocorrerem numa inflamação aguda são as alterações de fluxo e calibrevasculares. A isquemia aparece transitoriamente devidoàconstrição arteriolar oriunda de um reflexo axo-axônico local provocado pelo estímulo agressor. Nesta, há parada do fluxo sangüíneo e,conseqüentemente, o local fica esbranquiçado. Pouco tempo depois, o fluxo sanguíneo é restabelecido.Há, então, vasodilatação das arteríolas e leitos capilares, o que leva aos sintomas de calor e rubor. Alentificação da circulação resulta em estase e em aumento da permeabilidade vascular. A permeabilidadeelevada permite a formação de exsudato (escape de líquido rico em proteínas para os tecidosextravasculares) e edema. O edema se deve ao aumento da pressão osmótica do líquido intersticial e àredução desta no plasma, associados à redução da velocidade sangüínea. A estase (concentração dehemácias e aumento da viscosidade do plasma) orienta os leucócitos, principalmente neutrófilos, ao longodo endotélio vascular (marginação leucocitária). Os leucócitos aderem ao endotélio e realizam diapedese(migram pela parede vascular para o tecido endotelial).O aumento da permeabilidade vascular é marca registrada da inflamação aguda e se deve a 5mecanismos conhecidos:- Contração da célula endotelial alongando as junções celulares. É desencadeado pela histamina,bradicinina, leucotrienos. É reversível.- Retração endotelial levando à perda de continuidade endotelial. É tardia e dura mais tempo.- Agressão endotelial direta por estímulo agressivo, resultando em necrose e descolamento das célulasendoteliais.- Agressão endotelial mediada por leucócitos, porque se ativam durante a diapedese e liberam espéciestóxicas e enzimas proteolíticas que podem levar à agressão ou descolamento do endotélio.- Extravasamento a partir de capilares em regeneração. Os brotamentos capilares durante a reparaçãopermanecem permeáveis até as células endoteliais diferenciarem.9- Correlacione 6 efeitos sistêmicos da inflamação (reação de fase aguda) com suas funções.Dor: sinaliza o processo inflamatório mediado pelas prostaglandinas, bradicininas, leucotrienos.Vasodilatação (rubor): permite a chegada de mais componentes celulares até o sítio da infecção. Éprovocada pelos leucotrienos, bradicininas.Aumento da permeabilidade vascular (edema): permite a diapedese dos leucócitos para o local onde seencontram os microorganismos patogênicos.Quimiotaxia: permite a orientação das células de defesa até o local da inflamação. É mediada pelascitocinas.Lesão tecidual: inicia o processo da inflamação, liberando mediadores químicos.Febre: impede o crescimento de microorganismos, aumenta a atividade do sistema complemento.10- Descreva os padrões morfológicos da inflamação aguda.A inflamação aguda apresenta cinco padrões morfológicos importantes: inflamação serosa, inflamaçãofibrinosa, inflamação pseudomembranosa, inflamação supurativa e inflamação hemorrágica.- Inflamação Serosa: ocorre o predomínio de líquido amarelo-citrino, com composição semelhante à dosoro do sangue. Exemplos: pleurite, rinite serosa e bolha devido à queimadura. Normalmente a curaocorre de forma espontânea.- Inflamação fibrinosa: placas esbranquiçadas sobre as mucosas e as serosas, com o predomínio deexsudato fibrinoso, aliado à presença de tecido necrótico. A inflamação fibrinosa é também chamada de"inflamação pseudomembranosa", quando presente nas mucosas, pois apresenta essa camada superficial
  • esbranquiçada sobre a área inflamada, como se fosse uma membrana. Exemplos: pericardite fibrinosa,inflamação diftérica etc.- Inflamação pseudomembranosa: caracteriza-se por necrose epitelial com alta quantidade de fibrina e deexsudação soro-granulocítica. Também pode ser caracterizada por uma inflamação fibrinosa nas mucosas.- Inflamação supurativa: é composta pelo pus; líquido de densidade, cor e cheiro variáveis, constituído porsoro, exsudato e células mortas (principalmente neutrófilos e macrófagos). Apresenta-se sob várias formascomo: pústula (circunscrita na epiderme), furúnculo (circunscrita no derma, sendo de origemestafilocócica), abscesso e fleimão (ou celulite).- Inflamação hemorrágica: predomínio de componente hemorrágico no tecido inflamado. Exemplo:glomerulonefrite aguda hemorrágica.11- Diferencie morfologicamente a inflamação aguda da inflamação crônica (quanto aos tiposcelulares predominantes, eventos exsudativos, eventos proliferativos, destruição tecidual,etc).A inflamação aguda é a resposta imediata, inespecífica e inicial a um agente agressor. Os tipos celularesprincipais são os neutrófilos e anticorpos. A inflamação aguda compreende os seguintes eventos:vasodilatação; aumento do fluxo sangüíneo; aumento da permeabilidade vascular, permitindo oextravasamento de proteínas plasmáticas e leucócitos em direção ao tecido; e acúmulo de leucócitos nosfocos de agressão. Seus aspectos estão relacionados ao calor, rubor, dor e tumor. Possui duraçãorelativamente curta. Caracteriza-se por fenômenos exsudativosA inflamação crônica se caracteriza por uma reação tecidual em que estão presentes outros tipos deelementos e por perdurar por um longo período de tempo. A inflamação crônica caracteriza-se pelainfiltração de macrófagos, linfócitos e plasmócitos, o que reflete reação persistente à agressão; peladestruição tecidual induzida pela inflamação das células; pela tentativa de reparação por substituição dotecido conjuntivo; por angiogênese e fibrose. Além dos fenômenos exsudativos, ocorrem no localfenômenos produtivos. Ou seja, fenômenos alterativos e reparativos (principalmente a formação de tecidode granulação) se alternam. Se processam, simultaneamente, inflamação ativa, destruição tecidual etentativas de cura.12- O que é uma inflamação crônica dita granulomatosa? Dê 6 exemplos.Trata-se de um tipo de infecção crônica com predomínio de macrófagos que circunscrevem o agenteagressor, tentando destruí-lo e digeri-lo, tendo como uma das características a pouca vascularização.Observam-se granulomas (arranjos concêntricos de macrófagos e seus derivados circundados por halos delinfócitos e plasmócitos, por vezes delimitados por proliferação fibroblástica) bastante característicos,capazes de propiciar um diagnóstico da doença sem haver a necessidade de visualização do agentecausal. Macroscopicamente e clinicamente se caracteriza pelos seus pequenos grânulos. Isso é importantedevido ao número limitado de possíveis afecções ligadas a esse tipo resposta.Os granulomas podem ser classificados em epitelióides ou de corpo estranho. Os granulomas epitelióidessão, em geral, induzidos por agentes infecciosos ou tóxicos, com participação do sistema imunológico(coroa de linfócitos e monócitos), sendo freqüentemente associados com necrose caracterizandogranuloma complexo.O granuloma de corpo estranho é induzido por materiais inertes, não-antigênicos, difíceis de digerir.Os granulomas estão presentes somente em patologias imunologicamente crônicas e infecciosas, seapresentando difundida. Alguns exemplos são tuberculose, lepra, sífilis, esquistossomose, actinomicose,paracoccidiodomicose, criptococose entre outras.Diferencie granuloma de tecido de granulação.Tecido de granulação é um tecido especializado característico da cicatrização, produzido em toda tentativade reparo. Trata-se de uma massa granular avermelhada altamente vascularizada. Possui aspecto róseo,mole e granular na superfície das feridas. Já seus aspectos histológicos consistem em proliferação de
  • pequenos vasos sangüíneosneoformados e de fibroblastos. Estes vasos neoformados apresentam junçõesendoteliais frouxas, o que permite o trânsito de hemácias e proteínas para o espaço extravascular. Assim,este tecido de granulação recente é freqüentemente edemaciado.Já granuloma é uma área focal de inflamação granulomatosa. Caracteriza-se pela agregação microscópicade macrófagos que se modificam em células semelhantes a células epiteliais, cercadas por um colar deleucócitos mononucleares, principalmente de linfócitos e ocasionais plasmócitos. São característicos dasinflamações crônicas (com duração de mais de três meses) e que não foram totalmente resolvidas. Osgranulomas mais antigos desenvolvem uma bainha capsular de fibroblastos e de tecido conjuntivo.Existem dois tipos de granuloma, de corpo estranho ou imunológico. O primeiro é incitado por corposestranhos relativamente inertes; e o segundo tem dois fatores determinantes: partículas indigeríveis deorganismos presentes ou imunidade contra o agente desencadeante mediado por células T.Explique, cronologicamente, os eventos da cicatrização e diferencie cicatrização por primeira intenção dacicatrização por segunda intenção.A cronologia da cicatrização pode ser explicada da seguinte forma: a incisão gera a morte de um númerolimitado de células epiteliais e do tecido conjuntivo, além de interromper a continuidade da membranabasal epitelial. Sangue coagulado preenche a pequena fenda formada, que contém hemácias e fibrinas. Adesidratação do coágulo forma as crostas da periferia. Em 24 horas, os neutrófilos se deslocam para asmargens da ferida em direção ao coágulo de fibrina. As células basais aumentam as suas atividadesmitóticas, gerando o espessamento da epiderme seccionada. Surgem nas margens projeções de célulasepiteliais que migram e crescem ao longo das margens cortadas da derme e depositam componentes damembrana basal à medida que se deslocam. Estas células epiteliais se fundem na linha média, abaixo dacrosta, produzindo uma camada epitelial contínua e fina. Até o 3o dia, a proliferação de células epiteliaisespessa a camada epidérmica. Observa-se também uma invasão progressiva de tecido de granulação,surgimento de colágeno nas margens da incisão e substituição dos neutrófilos pelos macrófagos. Até o5o dia, o espaço da incisão é preenchido por tecido de granulação, a angiogênese está no auge, as fibrascolágenas ligam as duas bordas da ferida (Pontes), com isso a epiderme já assume sua espessura normalcom queratinazação superficial. Na 2ª semana, ainda se vê acúmulo de colágeno e proliferação defibroblastos. A maior parte do edema, do infiltrado leucocitário e do aumento da permeabilidade vascularjá desapareceram. Ocorre, então, o empalidecimento da cicatriz pela involução dos canais vasculares epelo aumento do acúmulo de colágeno na cicatriz incisional. Após um mês, a epiderme se encontraíntegra, sem infiltrado inflamatório no tecido conjuntivo, mesmo que ainda não tenha recuperado suaforça completa.Cicatrização por primeira intenção (ou união primária) consiste na cura de uma ferida incisa, limpa, nãoinfectada, na qual existe pouca destruição de tecido e onde os bordos da ferida são colocados emaposição, formando um mínimo de granulação e cicatriz.Já a cicatrização por segunda intenção (ou união secundária) é decorrente de lesões com grande perdatecidual ou presença de infecção, retardando o processo de cura e resultando uma cicatriz maior. Nestecaso, a regeneração de células parenquimatosas é incapaz de recompor integralmente a arquiteturaoriginal. O reparo deve ser complementado por tecido de granulação que cresce a partir da margem.Observa-se uma reação inflamatória mais intensa, acarretando maior remoção de fibrina, restos necróticose exsudados. Também se observa maior quantidade de tecido de granulação, e o fenômeno da contraçãoda ferida (principalmente pela presença de miofibroblastos).Qual o outro tipo de reparo que pode ocorrer num tecido lesado, explicando o que determina o seuaparecimento.Outro tipo reparo é a regeneração, em que ocorre substituição do tecido destruído por células próprias dotecido (células parenquimatosas) devido à proliferação das células adjacentes. No caso da regeneração, aocontrário da cicatrização, há restituição da estrutura e função do tecido. Esse processo dependeprincipalmente do tipo de tecido destruído, ou seja, só ocorrem em órgãos e tecidos com células lábeis eestáveis, nos quais há preservação da arquitetura estroma ("arcabouço" de sustentação das célulasparenquimatosas). Assim, tecidos como o conjuntivo regeneram facilmente, enquanto células do sistemanervoso central não têm capacidade de regenerar.Cite as causas das deficiências no processo de cicatrização e as formas aberrantes da cicatrização.
  • Os tipos aberrantes de cicatrização são:- Quelóide: cicatriz tumoriforme elevada por acúmulo excessivo de colágeno. Parece ser umapredisposição individual, comum em negros. Ainda não se sabe o mecanismo.- Granulação exuberante ou carne esponjosa: protusão acima do nível da pele circundante com bloqueioda reepitelização. Deve-se à formação excessiva do tecido de granulação. As granulações excessivaspodem ser cauterizadas ou removidas cirurgicamente.- Desmóides ou fibromatoses agressivas: proliferação exuberante de fibroblastos após cicatriz incisional oulesão traumática. Situa-se entre a proliferação benigna e os tumores malignos.Diferencie:A) Isquemia e infarto:Isquemia é a perda de suprimento sangüíneo num determinado ponto do organismo geralmente produzidapor embolia ou trombose. Infarto é a área de necrose isquêmica em tecido ou órgão localizado devido àoclusão da irrigação arterial ou da drenagem venosa. O infarto pode ser de dois tipos:hemorrágico/vermelho ou anêmico/branco.O primeiro apresenta áreas de necrose com hemorragiaassociada, normalmente como conseqüência de oclusão venosa e de preferência em órgãos queapresentam dupla circulação, podendo ser citado como exemplo os pulmões e intestinos.O segundo tipode infarto citado anteriormente resulta da oclusão de artérias e ocorre em órgãos compactos como rim,coração e baços. Este infarto é caracteristicamente isquêmico, uma vez que os vasos que o percorrem nãocontêm sangue.Na periferia do infarto branco os vasos apresentam-se congestos (halo hiperêmico-hemorrágico).B) Hipertrofia e hiperplasia:Hipertrofia é o aumento do tamanho das células com conseqüente aumento do tamanho dos órgãosdevido à intensa síntese dos componentes estruturais e não devido à entrada de líquido (tumefaçãocelular). A hipertrofia pode ser fisiológica como ocorre com o miométrio na gravidez ou patológica como aque ocorre na musculatura do ventrículo esquerdo por esforço e pelo aumento de trabalho necessáriopara vencer um obstáculo criado por uma lesão de válvula aórtica.Hiperplasia é o aumento do número de células em um órgão ou tecido que pode, então, ter um aumentode volume. Isso ocorre pelo aumento do ritmo de divisão celular com manutenção de seu padrãomorfofuncional. Para que ela ocorra é necessário um fluxo sanguíneo adequado e a integridade dainervação e da estrutura morfofuncional das células. A Hiperplasia pode ser de três tipos: Hiperplasia fisiológica = mama e útero durante a puberdade e gravidez (Hiperplasia hormonal), crescimento do endométrio após o período menstrual (Hiperplasia reparativa). Hiperplasia compensatória ou vicariante = fígado após hepatectomia parcial. Hiperplasia patológica = estimulação hormonal excessiva ou efeito do fator de crescimento sobre as células alvo.C) Atrofia e aplasia:Atrofia é a redução do tamanho e função da célula ou órgão resultante de resposta adaptativa da célulaao estresse persistente, levando a redução de funções com diminuição das necessidades energéticas. Ascélulas possuem um funcionamento reduzido, mas não estão mortas. Ocorre uma redução doscomponentes estruturais da célula. A célula apresenta menos mitocôndrias, miofilamentos, retículoendoplasmático. A atrofia pode estar acompanha de um aumento no número de vacúolos autofágicos,onde os componentes celulares são digeridos. As causas de atrofia podem ser diminuição do trabalho,perda de inervação, diminuição do suprimento sangüíneo, nutrição inadequada, perda de estimulaçãoendócrina e envelhecimento. Quando a normalidade é restaurada, as células atróficas podem reassumirsuas funções normais e retornar ao volume inicial.Aplasia é a falta de desenvolvimento de órgãos que não chegam a se formar, mas seu primórdio pode seridentificado
  • D) Metaplasia e Displasia:Metaplasia é a transformação de um tipo de tecido totalmente adulto e diferenciado para um outro tipo detecido também adulto e diferenciado, na maioria dos casos indesejada. É um processo patológico queocorre em uma grande variedade de tecidos. Seu exemplo adaptativo mais comum é a mudança decolunar para escamoso, comum nas vias respiratórias em resposta a irritação crônica. Neste processogeralmente ocorre uma substituição adaptativa de células mais sensíveis ao estresse, por outras maisresistentes que estão mais bem adequadas ao meio adverso. Dentre as causas irritativas que podem levara metaplasia podem ser citadas a agressão mecânica de longa duração, a ação repetida de calor associadaa substâncias químicas e a ação irritativa inflamatória prolongada. É um processo reversível, se o estimuloé removido o epitélio metaplásico pode retornar ao normal. Mas se as influências que predispõem àmetaplasia forem persistentes, podem induzir uma transformação cancerosa no epitélio metaplásico.A Displasia é organização anormal ou uma diferenciação desordenada de células ou tecido presente emum órgão. Ela representa uma reação do epitélio a uma injúria, fazendo com que um epitélio normal sobdeterminado estímulo sofra algumas alterações morfológicas, apresentando atipias celulares.