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    • 1 Revista Canavieiros - Maio 2011
    • 2 Revista Canavieiros - Maio de 2011
    • 3 Revista Canavieiros - Maio 2011
    • Editorial 4 Expediente: Conselho Editorial: Antonio Eduardo Tonielo Augusto César Strini Paixão Clóvis Aparecido Vanzella Manoel Carlos de Azevedo Ortolan Manoel Sérgio Sicchieri Oscar Bisson Editora: Carla Rossini - MTb 39.788 Projeto gráfico e Diagramação: Rafael H. Mermejo Equipe de redação e fotos: Carla Rodrigues - MTb 55.115 Murilo Sicchieri Rafael H. Mermejo Comercial e Publicidade: Marília F. Palaveri (16) 3946-3311 - Ramal: 2008 comercial@revistacanavieiros.com.br atendimento@revistacanavieiros.com.br Impressão: São Francisco Gráfica e Editora Ltda Tiragem: 11.000 exemplares ISSN: 1982-1530 A Revista Canavieiros é distribuída gratuitamente aos cooperados, associados e fornecedores do Sistema Copercana, Canaoeste e SicoobCocred. As matérias assinadas são de responsabilidade dos autores. A reprodução parcial desta revista é autorizada, desde que citada a fonte. Endereço da Redação: A/C Revista Canavieiros Rua Dr. Pio Dufles, 532 Sertãozinho – SP - CEP:- 14.170-680 Fone: (16) 3946 3311 - (ramal 2190) www.revistacanavieiros.com.br A realização da Agrishow e a retomada de negócios na agricultura N egócios que contabilizaram R$ 1.755 bilhão, assim foi a Agrishow 2011 (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação) que foi realizada de 2 a 6 de maio, em Ribeirão Preto e atingiu recorde em todos os seus segmentos. As informações completas e novidades sobre a maior feira de tecnologia agrícola em ação, o leitor encontrará na “Reportagem de Capa” deste mês. O entrevistado desta edição é com o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, em exercício, Antônio Junqueira. Ele conversou com a equipe de redação da Revista Canavieiros durante a Agrishow. Na entrevista, ele comenta sobre a importância do setor agrícola na economia brasileira, perspectivas futuras e seguro rural. Cleber Moraes, da M. Moraes Consultoria Agronômica Ltda e Almir Torcato, do departamento de Planejamento da Canaoeste, assinam o “Ponto de Vista” do mês de maio. Economia, crises e produção de açúcar e etanol são os temas abordados. Em “Assuntos Legais”, o advogado da Canaoeste, Juliano Bortoloti, fala sobre os argumentos que devem ser ouvidos em Brasília para realização da votação do novo Código Florestal. O advogado defende que só a votação pode impedir que milhares de produtores rurais fiquem na irregularidade. Nas “Notícias Copercana” está uma nova alternativa de negócios que foi apresentada aos produtores rurais de Orindiúva e região. Para isso, a cooperativa realizou uma reunião, no mês de RC www.twitter.com/canavieiros redacao@revistacanavieiros.com.br de 2011 Revista Canavieiros - Maio abril, que contou com a participação da Oricana (Associação dos Fornecedores de Cana da Região de Orindiúva), do Grupo Bunge (Usina Moema) e da empresa Dupont. Em “Notícias Canaoeste” o leitor pode conferir o evento que aconteceu no auditório da associação em Sertãozinho, realizado em parceira com a Stab (Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil) e Unesp (Universidade Estadual Paulista). Na ocasião foram apresentados os resultados de estudos para o desenvolvimento tecnológico do setor e levantamentos de dados qualitativos nas últimas safras. Ainda em “Notícias Canaoeste”, é possível conferir a viagem de fornecedores da associação à Brasília. Na ocasião, os produtores rurais puderam acompanhar as discussões sobre a votação do Código Florestal. Em “Destaque”, está à visita do presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Marcos Jank, ao Centro Empresarial Zanini, em Sertãozinho, para proferir uma aula especial aos alunos da Uniceise (Universidade Corporativa do Setor Sucroenergético). Em “Novas Tecnologias”, o leitor poderá se informar sobre o novo herbicida lançado pela DuPont. Este produto apresenta vantagens para produtores e usinas por ser específico para a época seca da cana-de-açúcar. Além disso, não deixe de conferir as “Informações Setoriais” com o consultor agronômico da Canaoeste, Oswaldo Alonso; dicas de leitura e gramática, classificados e a agenda de eventos. Boa leitura! Conselho Editorial
    • 5 Ano V - Edição 59 - Maio de 2011 Índice: Capa - 22 Agrishow 2011: negócios movimentaram R$ 1,755 bilhão Em edição recorde, feira atraiu público de 45 países e lideranças do setor E mais: Ponto de Vista I 06 - Entrevista Antônio Junqueira Sec. de Agricultura e Abastecimento do Estado de SP Hora do produtor aproveitar o bom momento 08 - Ponto de Vista Cleber Moraes Consultor Agronômico Bom momento para o setor, mas há sinais da nova crise 14 - Notícias Copercana - Copercana realiza reunião com produtores de Orindiuva - Dupont lança produto para cana-de-açúcar 15 - Notícias Canaoeste - Em busca da votação do Código Florestal - Impurezas e Qualidade de Cana-de-açúcar 18 - Notícias Sicoob Cocred .................página 08 Ponto de Vista II .................página 12 Circular Consecana .................página 16 Informações Setoriais .................página 26 Opinião .................página 30 Destaque .................página 32 - Balancete Mensal 28 - Assuntos Legais Classificados Alteração do Código Florestal - mobilização para que isso ocorra “Como todos vem acompanhando pela imprensa, está se travando uma árdua batalha no Congresso Nacional para alteração do arcaico Código Florestal. Digo arcaico porque uma lei que coloca 90% de um segmento da sociedade, no caso os agricultores, na ilegalidade, não pode ser considerado de outra forma, como apregoam alguns...” .................página 33 Cultura .................página 34 Revista Canavieiros - Maio 2011
    • 6 Entrevista com: Antônio Junqueira Carla Rodrigues É assim que pensa o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, em exercício, Antônio Junqueira, que numa entrevista exclusiva a Canavieiros durante a Agrishow 2011, falou sobre a importância do setor agrícola na economia brasileira, perspectivas futuras e seguro rural. Confira! “Hora do produtor aproveitar o bom momento” Revista Canavieiros: Fale um pouco sobre a importância da realização de uma feira como a Agrishow. Antonio Junqueira: A Agrishow é a maior feira agrícola do Brasil e hoje é considerada a segunda do mundo. Estamos na região mais rica do país, e só pela alta tecnologia que a feira apresenta, já mostra sua importância. Sua localização é estratégica, num lugar onde temos mais de 45 países visitantes e estradas boas. Devido a esses e outros fatores, conseguimos receber além dos grandes produtores, os médios e os pequenos produtores também. É fácil para todo mundo chegar. Não podemos deixar de citar a capacidade da difusão de tecnologia, para isso temos aqui uma área de quase 830 hectares, que nos proporciona uma facilidade muito grande para as realizações das demonstrações de campo. Revista Canavieiros: A secretaria assinou durante a abertura da feira, uma concessão que tem como objetivo a permanência da Agrishow em Ribeirão Preto por mais 30 anos. Quais as mudanças que isso traz para a feira? Junqueira: Isso era um pedido do setor já há algum tempo. Dentro do “A Agrishow é a maior feira agrícola do Brasil e hoje é considerada a segunda do mundo. Estamos na região mais rica do país, e só pela alta tecnologia que a feira apresenta, já mostra sua importância.” estado podemos fazer convênios de até cinco anos de duração. Os patrocinadores da feira queriam fazer investimentos de vulto, para que isso aconteça, eles precisavam de uma garantia de que a feira iria permanecer aqui na cidade. O intuito dessa lei é exatamente dar segurança para que esses patrocinadores possam fazer novos investimentos, como construções fixas, melhores e maiores, por exemplo: asfaltar as ruas, melhorar sanitários, construir centros de convenções. Penso que essa lei garante a segurança necessária para que eles (organizadores) possam melhorar e apresentar mais tecnologias. Revista Canavieiros: A Secretaria de Agricultura está realizando algumas ações, entre elas o Seguro Sani- Revista Canavieiros - Maio de 2011 tário Contra Doenças Avícolas, Seguro da Viticultura e Seguro Sanitário de Citros . Fale um pouco sobre isso. Junqueira: Esse seguro sanitário abrange mais de cinco mil estabelecimentos, o que significa mais de 248 milhões de aves. É um setor importante para nós, pois movimenta na economia aproximadamente R$ 3,8 bilhões. Terá direito a esse instrumento, todos os produtores do Estado de São Paulo. É um seguro educativo e de convencimento, que atende toda cadeia produtiva. O objetivo é indenizar os produtores segurados das seguintes doenças: influenza aviária (H5N1 e subtipos), newcastle, micoplasmose e salmonelose aviária. Quanto ao setor da viticultura, hoje temos dentro do Estado de São Paulo, aproximadamente quatro mil produtores com áreas médias de 2,5 hectares. Isso também era uma reivindicação do setor e veio através da câmara setorial o pedido de um sanitário agrícola para este setor. A uva, depois da laranja é a fruta mais consumida no estado, além disso, já estão fazendo sucos de uva e vinho aqui em São Paulo, cujo mercado consome 60% do vinho produzido no Brasil. Esse seguro contemplará doenças que dão na uva e cobrirá perdas
    • 7 “...Trator foi feito para trabalhar e não para passear, pensando assim, criamos o Pró-implemento, que é diferentemente do programa Pró-trator.” por excesso de chuvas. Estamos ainda elaborando este documento e acreditamos que até meados deste ano o seguro da uva e também o da avicultura, serão lançados na praça. O Seguro Citrícula já foi um sucesso no ano passado, quando beneficiávamos produtores com até 20 mil árvores; hoje estamos dobrando sua abrangência, indo até 40 mil árvores, ou seja, 95% do parque citrícula do Estado de São Paulo, garantindo renda para o produtor e crescimento do agronegócio no estado. Revista Canavieiros: O Programa Pró-trator está em vigor desde janeiro de 2009, com subsídio total dos juros, pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, através do FEAP – Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista. Como está este programa hoje? Junqueira: Podem fazer parte do programa Pró-trator, todos os produtores com renda bruta anual até R$ 400 mil. Deveremos financiar nessa segunda etapa por volta de 4 mil máquinas, entre essas, tratores de 50 cavalos até 120. O pagamento pode ser feito em até 5 anos, com carência de 3 anos. O produtor vai escolher a máquina que quiser. Ele vai até a Casa da Agricultura, preenche o questionário, entrega seu imposto de renda e compra um trator com juros médios de 20% sobre a tabela. Esses juros quem está bancando é o Estado de São Paulo. Revista Canavieiros: Durante a abertura da Agrishow 2011, o governador Geraldo Alckmin lançou o programa Pró-implemento. Qual serão as vantagens deste programa? Junqueira: Este programa foi criado para complementar o programa Pró-trator e funcionará com as mesmas condições de crédito. Trator foi feito para trabalhar e não para passear, pensando assim, criamos o Próimplemento, que é diferentemente do programa Pró-trator. Temos uma quantidade enorme de implementos, cada um com uma cultura diferente, por isso, demoramos um pouco mais para soltar esse programa e chegamos a conclusão de que é o agricultor quem tem que escolher o implemento que precisa. Vamos disponibilizar na ordem de R$ 20 mil por produtor para que ele possa realizar junto com o Pró-trator, a compra do implemento também, adquirindo assim, um trator completo para já começar a trabalhar. Revista Canavieiros: Qual é o cenário que o senhor prevê para a agricultura brasileira neste ano? Junqueira: Neste ano temos uma conjuntura muito positiva. O setor da cana vai muito bem, o setor da laranja, da borracha vai muito bem e o setor de soja e milho melhorou bastante. Só tenho ouvido reclamações do setor arrozeiro, que tem um preço mínimo de R$ 24 e está vendendo a saca por R$ 19. São Paulo no passado foi um grande exportador e hoje é importador, na quantia de 95%, isso nos preocupa. Já a arroba (carne) deverá recompensar o produtor. Numa ótica geral, este ano é atípico, temos um ano como este a cada dez anos. Por esse motivo, acho que o produtor tem que aproveitar este momento para acertar seus débitos, colocar a vida em ordem, tentar colocar um dinheiro no banco e pensar com calma no que vai fazer. Aqui estamos cheios de oportunidades. Sei que há uma grande vontade em adquirir novas máquinas, implementos, produtos, mas é necessário agir com cautela. E acreditamos que iremos fechar este ano com chave de ouro com a aprovação do Código Florestal. Se o produtor tem segurança jurídica para se organizar e produzir, tenho certeza que iremos caminhar fortemente para o sucesso. O Brasil daqui a 15 anos estará produzindo 50% da comida do mundo. Os estrangeiros vêm para cá e ficam impressionados com a nossa tecnologia, agora só depende de nós sermos um país para frente ou ficarmos no atraso. RC O secretário Antônio Junqueira participou da reunião do Grupo Técnico da Orplana durante a Agrishow 2011 Revista Canavieiros - Maio 2011
    • 8 Ponto de Vista I Cleber Moraes * Bom momento para o setor, mas há sinais da nova crise A o que tudo indica, o setor sucroenergético viverá um bom momento até 2.015, mas a próxima crise do setor com preços baixos já se desenha. Esta crise está sendo montada por todos nós, consumidores, industriais, fornecedores de cana, insumos e equipamentos, funcionários do setor, gerentes, diretores, etc e tem data marcada para ocorrer, 2015. Esta montagem segue um ciclo que se repete pelo menos desde 1975, mas que pode ter raízes mais profundas no setor. O ciclo inicia-se após um pico de preço do açúcar no mercado internacional como o ocorrido em 03 de fevereiro de 2.006. Este pico de preço é resultado de uma sequência de anos em que as produções mundiais de açúcar são inferiores ao consumo, o que leva os players deste mercado a realizar investimentos no setor e que, no instante seguinte, geram a próxima crise. Na figura 1 é apresentado um gráfico da Evolução dos Preços Mundiais de Açúcar entre os anos de 1970 e 1982, onde podem ser observados dois momentos de forte elevação nos preços seguidos de forte queda. Figura 1 – Evolução dos Preços Mundiais de Açúcar: 1970 - 1982 Neste gráfico é possível identificarmos os instantes em que o setor passou por crises e assim analisar os fatores desencadeantes destas crises. Na figura 3 apresentamos o mesmo gráfico, pontuando os momentos de crise, os períodos mais agudos das mesmas e a duração dos ciclos. Fonte: A Desregulamentação do Setor Sucroalcooleiro do Brasil - Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes, 2000. É importante relembrar que, nos momentos em que os preços de açúcar se recuperam, tanto no período pré-crise ou no início da recuperação do setor, sempre há reflexos nos preços de etanol. Em geral, nestes instantes, há uma oferta menor de cana-de-açúcar do que a necessária para Figura 2 - Evolução dos Preços de Açúcar do contrato No. 11 da NYBOT e as Variações dos Estoques Mundiais de Açúcar: a produção de açúcar e etanol. Como os preços de açúcar refletem mais rapidamente a informação de uma oferta menor de cana-de-açúcar, há a manutenção ou um pequeno crescimento da produção de açúcar, limitado pela capacidade instalada das indústrias que tem flexibilidade entre açúcar e álcool limitada, entretanto, como a oferta de matéria-prima é menor, os efeitos repercutem na produção e, por fim, nos preços do etanol. Em função da crise, assistimos no mercado e no campo uma série de atitudes que levam à criação de uma nova crise. Vejamos a figura 4 onde são apresentados os preços do Kg de ATR no período das safras de 1998/1999 até a safra 2006/2007. Fonte: Czarnikow Sugar Revista Canavieiros - Maio de 2011 Logo abaixo dos preços de cada safra, indicamos quais foram as atitudes das usinas, destilarias e dos produtores de cana em cada safra. Estas atitudes foram consequência das condições de preço do setor, que afetou a disponibilidade de recursos no caixa das empresas. ►
    • 9 Revista Canavieiros - Maio 2011
    • 10 No período de 1.998 a 2.000, em função dos preços baixos de álcool, que refletiam um mercado de açúcar em baixa também, houve uma grande expansão do consumo com a introdução dos carros flex. É importante destacar que, em todos os outros instantes de crise do setor, sempre houve fatos que propiciassem Ponto de Vista I uma expansão do consumo de álcool como a crise do petróleo e as duas fases do Proálcool, a abertura às exportações de açúcar e álcool, a criação e produção/ venda dos carros flex. Não se pode descartar que no futuro tenhamos outras crises do petróleo ou o desenvolvimento de tecnologias que demandem álcool como Figura 3 - Evolução dos Preços de Açúcar do contrato No. 11 da NYBOT, as Variações dos Estoques Mundiais de Açúcar e os Momentos de Crise Fonte: Czarnikow Sugar e M. Moraes Figura 4 – Evolução dos Preços do Kg de ATR entre as safras de 1998/1999 a 2006/2007: matéria-prima como a alcoolquímica e a utilização do etanol como fonte de hidrogênio para os carros elétricos. O fato é que o mercado consumidor, aproveitando-se da crise do setor, gera um crescimento da demanda de álcool, o que apóia a elevação de preços no momento seguinte. O governo federal, buscando controle da inflação, não age no cerne do problema, ou seja, não atua como regulador dos estoques, mas sim pressionando o setor a ofertar mais etanol, menos açúcar e ambos a preços mais baixos. Para isto utiliza mecanismos como alterações na mistura de etanol à gasolina ou ameaçando taxar as exportações, o que mais funciona como uma mola propulsora para a próxima crise. Pelo lado dos fornecedores de equipamentos, insumos e serviços, após o período de recuperação do setor, cresce a demanda para estes setores, na maioria das vezes este crescimento é acima da capacidade de seu atendimento, o que resulta em elevação dos preços e aumento dos custos de produção, resultando em pressão para elevação dos preços nos produtos finais, ou seja, açúcar e etanol. Pelo lado industrial, nas usinas e destilarias, a atitude é muito semelhante à ocorrida no campo, nos 3 anos da fase aguda da crise, as manutenções industriais são reduzidas drasticamente e investimentos maciços só passam a ocorrer 1 a 2 safras após este período, ou seja, 4 a 5 anos após o pico de preços que inicia a crise. Fonte: CONSECANA-SP e M. Moraes Figura 5 – Evolução dos Preços do Kg de ATR entre as safras de 2006/2007 a 2010/2011 e previsão para as safras a partir da safra 2011/2012: Fonte: CONSECANA-SP e M. Moraes Revista Canavieiros - Maio de 2011 Com isto tem-se o cenário montado para uma próxima crise. O último pico de preços que marcou o início da crise de 2006, ocorreu em 03 de fevereiro de 2006. As safras 2007/2008, 2008/2009 e 2009/2010 representaram a fase aguda da crise, sendo que, nas safras 2007/2008 e 2008/2009, houve uma grande reposição dos estoques mundiais de açúcar. A partir da safra 2010/2011, inicia-se o período de recuperação do setor com produções inferiores ao consumo mundial de açúcar e, portanto, com elevação dos preços.
    • 11 caracterizam o ciclo e acabam por reforçar o início da crise seguinte. Em todos os ciclos anteriores, entre o início e o final do ciclo, além dos 3 anos da fase aguda da crise, há mais um ano em que a produção supera o consumo. Isto ocorre devido à entrada de produção excedente de cana-de-açúcar e de açúcar de países asiáticos com ciclo curto, no máximo 1 ou 2 safras, aproveitando os bons preços do mercado. Como sua entrada, imediatamente afeta os preços de açúcar, rapidamente estes excedentes não são renovados e estes produtores só retornam ao mercado no pico final de preços que Assim e com as informações que já dispomos das últimas 4 safras, 2007/2008 a 2010/2011, após o início do ciclo em 2006 é possível traçar um cenário para as próximas safras, obviamente que os valores absolutos do Kg de ATR expressos na figura 5 pouco importam, pois irão modificar-se com as variações do câmbio, preços de insumos e equipamento do setor, oferta e demanda dos demais países consumidores e produtores de açúcar e etanol, etc. O fato relevante é que sinalizam para uma crescente nos preço de açúcar e etanol, direcionando-se para um pico e assim o setor caminha para uma nova crise, com ingredientes que levam a crer que esta ocorra entre 2014 e 2016, com data mais provável em 2015. A questão primordial para a cadeia sucroenergética é uma reflexão de como podemos agir para, se não for possível impedir, minimizar os efeitos de uma próxima crise e isto passa por uma oferta mais constante e equilibrada de crédito para o setor sem as oscilações observadas entre o período de euforia e crise e por estoques reguladores da oferta de etanol, gerando preços mais equilibrados durante os ciclos do setor. Outro objetivo deste artigo é alertar usinas, destilarias e fornecedores de cana quanto à renovação e expansão dos seus canaviais, pois, se as atitudes forem as mesmas descritas no rodapé da figura 5, fatalmente sofrerão gravemente nos períodos de crise, pois seus canaviais estarão com a máxima produção nos momentos de menores preços. É necessário um planejamento que leve em consideração estas variações do mercado e que propiciem melhores resultados a toda a cadeia sucroenergética e equilíbrio nos preços aos consumidores. RC cleber@mmoraes.agr.br M. Moraes Consultoria Agronômica Ltda Revista Canavieiros - Maio 2011
    • 12 Almir Torcato Ponto de Vista II * O nosso etanol D entre as fontes de energia disponíveis no mundo, o Brasil possui hoje, em sua matriz energética, uma fonte renovável, alternativa e limpa. Para melhor entendimento, é uma fonte naturalmente disponível, considerada inesgotável na escala temporal, cujo tempo de formação é inferior ao seu gasto, sendo possível repor. Por sua vez, a cana de açúcar se insere na matriz energética brasileira, pois se dispõe hoje, de um “combustível verde”, renovável, despertando as atenções, face às incertezas do petróleo, quanto aos impactos ambientais e sua disponibilidade. A história teve início no PROÁLCOOL, em meados da década de 70, quando se buscava diminuir a dependência do petróleo do mercado externo, em função da elevação de seus preços, que até hoje nos causa uma certa dependência. Mesmo com a exploração do petróleo, parte do que é extraído em nosso território, não é o tipo mais adequado às nossas refinarias, por não permitir o maior percentual de destilados leves, não sendo pois, melhor indicado para a produção de combustível, desta forma é preferível comprar fora o que mais nos convém e vender o nosso petróleo para refino em outros países. as outras matérias primas. Fala-se muito sobre o etanol tornarse uma commodity energética, mas até onde isso é possível? Para que o leitor possa entender e de uma maneira mais prática, o termo commodity refere-se a um produto produzido em muitos países e consumido em muitos outros. Embora pareça fácil, a maioria das nações enfrenta sérias dificuldades em atingir a autosuficiência em sua matriz energética e dificuldades, ainda maiores, em gerar excedentes de produção exportáveis. Nos dias atuais, o Brasil conta com um baixo excedente de produção de A auto-suficiência, prevista com a exploração do Pré Sal, será considerada quando os ganhos de exportação de petróleo forem maiores que os gastos para importação, e não por que não importaremos mais petróleo. Mesmo assim, embora o PROALCOOL não tenha obtido todo efeito esperado, angariou-se desenvolvimento tecnológico somado a um forte crescimento na indústria sucroalcooleira em âmbito nacional, dispomos atualmente de um etanol de qualidade, com baixos custos de produção, comparados aos outros países, com rendimento de produtividade mais altos comparados Revista Canavieiros - Maio de 2011 etanol, some-se a isto a perda crescente de sua competitividade comercial em determinados períodos do ano, quando comparado a gasolina automotiva. O gráfico abaixo mostra a evolução dos preços de etanol fruto da oferta e demanda deste produto. Chama a atenção as variações de até 90% entre o maior preço médio mensal sobre o menor preço médio praticado durante a safra. Gráfico 1 – Preços de Etanol (Postos de Combustíveis) Fonte: ESALQ. Gráfico 2 –Proporção de Automóveis comerciais leves, 2003 à 2010. Fonte: Anfavea
    • 13 Como outro fator gerador desse “apagão” do biocombustível etanol, pode-se enfatizar o estímulo do governo ao consumo (demanda), como isenções de IPI mediante os incentivos à aquisição de veículos flex novos, conforme gráfico 2. Quando lemos ou ouvimos as posições públicas do governo federal, nota-se que atribuem a maior parcela de culpa ao setor, afirmando que preferem produzir açúcar, face aos preços mais compensadores. Ocorre que, mesmo que o governo adote alguma outra medida ou até mais drásticas como a sobretaxação do açúcar exportado, com a finalidade Mix de produção safras 2009/2010 e 2010/2011. Fonte: Circular Consecana de fomentar a produção do etanol, o direcionamento da produção de uma Unidade Produtora, embora com preços favoráveis ao açúcar nesta safra, tem limitações de flexibilidade de produção, de ordem de 6 a 7%. É por essas e outras que: Com o aumento de projetos de novas unidades produtoras, haverá significativo aumento na produção, que permitiria até a busca de novos mercados de etanol, porém a produção está atualmente muito ajustada à demanda. A medida econômica mais plausível para minimizar essa variação de preços é a adoção de estoques reguladores por parte do governo e o setor sucroenergético. Uma vez que já existem estoques reguladores de vários outros produtos, inclusive do petróleo. O Brasil, em termos de produção, pode estar preparado para aumentar sua participação no mercado externo e interno de etanol, porém esforços privados e públicos deverão ser voltados para facilitar esse escoamento e garantir uma estabilidade econômica ao setor. Embora a adoção de estoques reguladores pareça ser a opção mais coerente, os custos operacionais e financeiros para implantação, são altos, considerando que os estoques ficam estagnados e sem rendimentos. Foram questões desta natureza que fizeram com que o Brasil importasse álcool de outros países a título de injeção na demanda interna para acalmar o mercado. As condições como: fatores climáticos, áreas disponíveis com ambientes de produção favoráveis e preços mais competitivos, investimentos em tecnologia e desenvolvimento de variedades mais produtivas, beneficiam o setor, porém ainda é preciso mais, como estoques reguladores, pois vale destacar que o mercado sucroenergético não tem nenhum subsídio do governo. RC Almir Torcato Dep. de Planejamento da Canaoeste Revista Canavieiros - Maio 2011
    • 14 Notícias Copercana Copercana realiza reunião com produtores de Orindiúva Carla Rossini U Os produtos e serviços comercializados pela cooperativa foram colocados à disposição dos agricultores presentes na reunião ma nova alternativa de negócios foi apresentada pela Copercana aos produtores rurais de Orindiúva e região. Para isso, a cooperativa realizou uma reunião, no mês de abril, que contou com a participação da Oricana (Associação dos Fornecedores de Cana da Região de Orindiúva), do Grupo Bunge (Usina Moema) e da empresa Dupont. Cerca de 60 produtores rurais participaram do encontro. O diretor da Copercana, Pedro Esrael Bighetti, apresentou os serviços oferecidos pela cooperativa e o gerente comercial, Frederico José Dalmaso complementou a apresentação e orientou os produtores esclarecendo dúvidas. Segundo Bighetti, a Copercana está em fase de implantação de um escritório Rodolfo Savegnago, Frederico Dalmaso, Pedro Esrael Bighetti, Roberto Cestari na cidade que vai atender as necessidades dos produtores. Para isso, a cooperativa já contratou um agrônomo, Leonardo Tuan. “Esse agrônomo será o nosso representante técnico e comercial na cidade de Orindiúva. Através dele a cooperativa coloca todos os seus produtos e serviços à disposição dos agricultores”, disse o diretor. Durante a reunião, a empresa Dupont apresentou a sua linha de produtos, destacando o seu novo herbicida para canade-açúcar, o Front. RC Dupont lança produto para cana-de-açúcar Da redação N Novo herbicida garante resultados com apenas uma aplicação o dia 12 de maio, a DuPont realizou em Ribeirão Preto, o lançamento de um herbicida específico para a época seca da cana-de-açúcar. Trata-se do Front, um novo produto que pode beneficiar usinas e produtores por reduzir as aplicações e consequentemente, diminuir os custos. De acordo com o diretor de marketing da DuPont, o engenheiro agrônomo Marcelo Okamura, desde 2004 este produto vem sendo pesquisado, desde suas moléculas, influências, até seus reatores. “Os testes foram feitos em várias usinas e o resultado foi excelente, identificou-se que existe um controle de várias ervas daninhas como corda-de-viola, capim colonião, capim braquiária, essas que represen- tam 90% das ameaças em um canavial e este produto controla todas elas. Todo o trabalho de aplicação de herbicida que é feito somente na época de chuva, com o Front ganha-se em tempo e máquinas, já que o produto é aplicado durante a seca após a colheita”, explicou Okamura. Ainda de acordo com o diretor de marketing, Marcelo Okamura - diretor de Marketing da Dupont espera-se um crescimento de 15% no faturamento em um ano, já destinado ao Front movimentou US$ 1,4 para essa safra no Brasil, e um crescimen- bilhões, desse valor US$ 200 milhões foto de 50% em cinco anos. O investimento ram designados as pesquisas. RC Revista Canavieiros - Maio de 2011
    • 15 Notícias Canaoeste Em busca da votação do Código Florestal Carla Rossini D Canaoeste levou fornecedores a Brasília; depois de muita discussão em torno do assunto, a votação foi adiada epois de levar à Brasília produtores rurais de Sertãozinho e região, no mês de abril, para participarem de uma manifestação reivindicando agilidade na votação das mudanças do Código Florestal, a Canaoeste voltou a estar presente em apoio à votação em maio. Dessa vez, foram à Brasília cerca de 20 fornecedores de cana da associação que se juntaram a agricultores de outras instituições para assistirem a votação, que foi adiada, depois de um bate-boca entre os deputados, na quartafeira (11) à noite. Nesta mesma data, parlamentares tinham anunciado um acordo depois de um longo dia de negociações: “Nós fechamos um acordo com a base. O deputado Aldo Rebelo está ultimando o relatório. Nós vamos ter condição de votar hoje”, afirmou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo. Produtores de Cana da Canaoeste e outras instituições em Brasília Depois que o relator do projeto, Aldo Rebelo, apresentou o texto, o líder do governo voltou atrás e surpreendeu o plenário: “Nós não vamos na votação no escuro. O governo encaminha sim para retirada de pauta e transferir a discussão para outra data”, disse. O anúncio de que a votação seria adiada, revoltou alguns deputados. A oposição protestou. Disse que o governo estava descumprindo o acordo para votar o projeto. “A pergunta que faço é se os acordos nessa casa devem ou não ter validade? Se os acordos são para valer ou não são para valer, porque o discurso do líder do governo, deputado Cândido Vacarezza, faz com que eu, a partir de hoje, passe a duvidar da sua palavra”, declarou o deputado ACM Neto (DEM-BA), líder do partido. Pedro Esrael Bighetti (diretor da Copercana), Gustavo Nogueira (Gerente do Dep. Técnico da Canaoeste), Juliano Bortoloti (Advogado da Canaoeste), Milton Melloni (Administrador do Sind. Rural de Sertãozinho) e Rubens Sicchieri (associado da Canaoeste) Previsão de votação Líderes de base governistas e da oposição, reunidos na tarde do dia 18, acertaram a votação para o dia 24 de maio. Pelo acordo firmado, o texto do relator, lido no plenário na semana no dia 10, poderá receber uma emenda sobre a obrigatoriedade de recomposição de reserva legal e sobre atividades agrícolas em Áreas de Preservação Permanente (APP). RC Fonte: O Globo Deputado Federal Aldo Rebelo, relator do texto do Código Florestal O PSDB também se manifestou. “Uma coisa que é importante para o país e hoje o governo não quer deixar votar depois de todo o discurso que fez que queria votar”, protestou o deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP), líder do partido. Revista Canavieiros - Maio 2011
    • 16 Notícias Canaoeste Impurezas e Qualidade de Cana-de-açúcar Carla Rodrigues N Evento reuniu fornecedores e profissionais do setor no auditório da Canaoeste o dia 12 de maio, o auditório da Canaoeste, em Sertãozinho, sediou o evento “Impurezas e Qualidade de Cana-de-Açúcar”, uma realização da Canaoeste, Stab (Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil) e Unesp (Universidade Estadual Paulista), com o apoio institucional da Orplana (Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil) e Udop (União dos Produtores de Bioenergia). Antes de iniciar as apresentações, o presidente da Canaoeste, Manoel Ortolan, agradeceu a presença de todos e destacou a importância da parceria entre a Stab e a Canaoeste. “Fico feliz por saber que mais uma vez temos essa entidade como companheira da nossa associação”, disse Ortolan. Manoel Ortolan conversou com os participantes, entre eles, fornecedores de cana-de-açúcar, estudantes e técnicos do setor, sobre as divergências que impedem a votação do novo Código Manoel Ortolan, presidente da Canaoeste e Miguel Mutton, coordenador do evento Oswaldo Alonso, consultor agronômico da Canaoeste, falou sobre a caracterização das impurezas Florestal e também sobre a reação dos preços dos combustíveis com o início da safra canavieira. dados temas relacionados à utilização de maturadores com o objetivo de melhorar a qualidade da cana, qualidade e impurezas da cana colhida mecanicamente, inovações tecnológicas das colhedoras visando a redução de impurezas e melhoria da qualidade da matéria-prima, levantamento dos níveis de impurezas nas últimas safras, quantificação das impurezas vegetais e minerais presentes na matéria-prima e metodologia para determinação das impurezas vegetais. RC Durante o evento, foram apresentados os resultados de estudos para o desenvolvimento tecnológico do setor e levantamentos de dados qualitativos nas últimas safras. O assessor agronômico da Canaoeste, Oswaldo Alonso, foi o responsável pela apresentação sobre a caracterização das impurezas. Além disso, foram abor- CIRCULAR Nº 02/11 DATA: 29 de abril de 2011 Consecana A Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo seguir, informamos o preço médio do kg do ATR para efeito de emissão da Nota de Entrada de cana entregue durante o mês de ABRIL de 2011. O preço médio do kg de ATR para o mês de ABRIL, referente à Safra 2011/2012, é de R$ 0,5736. O preço de faturamento do açúcar no mercado interno e externo e os preços do etanol anidro e hidratado, destinados aos mercados interno e externo, levantados pela ESALQ/CEPEA, no mês de ABRIL, são apresentados a seguir: Os preços do Açúcar de Mercado Interno (ABMI) incluem impostos, enquanto que os preços do açúcar de mercado externo (ABME e AVHP) e do etanol anidro e hidratado, carburante (EAC e EHC), destinados à industria (EAI e EHI) e ao mercado externo (EAE e EHE), são líquidos (PVU/PVD). Os preços líquidos médios do kg do ATR, em R$/kg, por produto, obtidos no mês de ABRIL, calculados com base nas informações contidas na Circular 01/11, são os seguintes: Média do mês de abril = R$ 0,5736/kg de ATR Revista Canavieiros - Maio de 2011
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    • 18 Notícias Sicoob Cocred Balancete Mensal COOP.CRÉDITO PRODUTORES RURAIS E EMPRESÁRIOS DO INTERIOR PAULISTA - BALANCETE - Abril/2011 Valores em Reais Revista Canavieiros - Maio de 2011
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    • Agrishow 2011: negócios movimentaram R$ 1,755 bilhão 22 Carla Rodrigues Em edição recorde, feira atraiu público de 45 países e lideranças do setor A Agrishow 2011 (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação) que foi realizada de 2 a 6 de maio, em Ribeirão Preto, atingiu recorde em todos os seus segmentos. Com 765 expositores nacionais e internacionais, representantes de 45 países e um público de aproximadamente 146 mil pessoas, a feira consolidou-se como o centro do agronegócio brasileiro. As três instituições financeiras que operaram durante a Agrishow – Bancos Bradesco, do Brasil e Santander – contabilizaram negócios de R$ 1.755 bilhão, volume 52,6% maior em relação a feira de 2010. Segundo os organizadores, os valores são ainda maiores se forem considerados os negócios das montadoras de máqui- nas, equipamentos e veículos que por questões estratégicas não divulgam os seus negócios. De acordo com o presidente da Agrishow 2011, Cesário Ramalho, os resultados obtidos foram acima das expectativas dos organizadores, o que indica que a população está acolhendo a agricultura brasileira. “Os agricultores são os grandes astros de todo esse evento e sentimos orgulho disso, pois a agricultura é a 2ª maior economia do país e precisa ser valorizada”, disse o presidente. Área de Exposição e Visitantes Nesta edição, a área destinada à exposição estática da feira foi de 180 mil m2, 15% maior em relação ao ano passado, já a área bruta foi de 360 mil m2. Durante os 5 dias de feira, foram apresentadas 800 demonstrações de campo com máquinas e equipamentos de cultivo e colheita num espaço de 100 hectares. A feira recebeu a visita de inúmeras autoridades, entre eles, deputados, senadores, dirigentes de instituições do agronegócio e entidades de classe, prefeitos e vereadores de todo o Brasil. Mais de 600 profissionais da mídia brasileira e internacional cobriram jornalisticamente o evento, o que demonstra a importância que a feira vem ganhando na área política do país. Na abertura, estava presente o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, o secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, em exercício, Antônio Junqueira Júnior, o secretario estadual do meio ambiente, Bruno Covaso e a senadora Kátia Abreu. Tanto o ministro da agricultura, Wagner Rossi, quanto a senadora, Kátia Abreu destacaram a importância e a necessidade da renovação do Código Florestal. “Nós, produtores rurais, somos os que mais cuidamos do meio ambiente e ninguém deverá nos ensinar isso. Queremos garantir a defesa do meio ambiente com o aumento da produção, pois somos capazes de produzir com sustentabilidade”, garantiu Revista Canavieiros - Maio de 2011
    • Reportagem de Capa Ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Bandeira Florence visitou vários estandes de montadoras que participam do Programa Mais Alimentos o ministro. Já a senadora também lembrou que o agricultor precisa de segurança jurídica para produzir. “De nada adianta toda esta tecnologia que vemos aqui, se não for realizada a votação do Código e o produtor continuar na instabilidade”, disse Kátia. Também visitaram a feira o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Bandeira Florence e o ministro da Integração, Fernando Bezerra. Na ocasião, o ministro do MDA, lançou duas novas categorias de produtos do Programa Mais Alimentos: três colheitadeiras de café e uma colheitadeira de cana-de-açúcar. Ele também aproveitou para fazer a entrega de uma das colheitadeiras e de um caminhão adquiridos pelos pequenos produtores que fazem parte desta linha de crédito, destinada a modernizar as unidades produtivas da agricultura familiar. Já o ministro Fernando Bezerra, aproveitou a passagem pela feira para anunciar a criação da Secretaria Nacional de Irrigação, que tem como objetivos principais colocar no setor público uma área total de 200 mil hectares em produção e agilizar medidas 23 Entrega do primeiro caminhão adquirido através do Programa Mais Alimentos para uma maior adesão do setor privado, ampliando em 10% as áreas irrigadas, com maior produtividade e melhores manejos. Além deles, os ministros da Agricultura dos países do Cone Sul (Chile, Uruguai, Bolívia, Argentina e Paraguai) também estiveram presentes durante a Agrishow 2011. Em coletiva, juntamente com o ministro Wagner Rossi, eles se mostraram impressionados com a magnitude da feira e o conhecimento tecnológico que o país possui. “Esse encontro tem que ser valorizado, pois assim podemos nos conhecer melhor e nos ajudar. O mercado de máquinas brasileiro completa o mercado da Argentina”, disse o ministro Julián Domínguez. Wagner Rossi destacou a importância da realização de trabalhos em grupo e a capacidade de produção dos países. “Somos mais fortes trabalhando juntos. Nós temos a capacidade de produzir os alimentos que faltam”, falou o ministro. Agrishow como a maior feira do mundo, que a prefeita de Ribeirão Preto, Darcy Vera, realizou a campanha “Fica Agrishow” no ano passado. Devido ao sucesso da campanha e ao empenho da cidade, o governador Geraldo Alckmin assinou durante a abertura da feira deste ano, a mensagem do projeto de lei que prevê a cessão de uma área que pertence à Fazenda do Estado para a marca Agrishow, por 30 anos. Até então, a renovação da concessão era feita a cada cinco anos. Durante a coletiva sobre o balanço geral da feira, Cesário Ramalho, atual presidente da Agrishow, aproveitou a ocasião para apresentar o novo presidente da Agrishow 2012, Maurílio Biagi Filho, que esteve também presente no evento. “É a primeira vez que sou presidente de uma feira e quero aproveitar este momento para melhorar tudo aquilo que RC Novo presidente Foi com o objetivo de promover o agronegócio brasileiro e fortalecer a Ministros da Agricultura dos países do Cone Sul (Chile, Uruguai, Bolívia, Argentina e Paraguai) também estiveram presentes durante a Agrishow 2011 Cesário Ramalho, presidente da Agrishow 2011, aproveitou a ocasião para apresentar o novo presidente da Agrishow 2012, Maurílio Biagi Filho Revista Canavieiros - Maio 2011
    • 24 Trator da série MF7100 e a enfardadora de palha de cana-de-açúcar apresentados pela Massey durante a feira ainda pode ser mudado, mas claro, sem deixar nosso principal foco de lado, que é aproximar o ambientalista do produtor rural”, explicou o novo presidente. Voltada para agricultores, pecuaristas, agroindustriais, empresários, industriais, entidades de classe e estudantes, a Agrishow 2011 foi organizada e promovida pela Reed Exhibitions Alcantara Machado, com iniciativa da ABAG (Associação Brasileira de Agribusiness), ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), ANDA (Associação Nacional para Difusão de Adubos) e SRB (Sociedade Rural Brasileira), com apoio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios e Vale Fertilizantes. Lançamentos Com a retomada dos investimentos no setor, os grandes fabricantes de máquinas e equipamentos, como a Case IH e a Massey Ferguson, marcaram presença na Agrishow 2011 para demonstrarem o que há de novo disponível para os agricultores. Roberto Biasotto (especialista de marketing de produto da empresa) em frente a A4000, colhedora desenvolvida para áreas plantadas com espaçamento reduzido talmente correta e que veio para facilitar a vida do produtor. “Com o passar do tempo, o volume de palha deixado no campo vai aumentando e o solo não consegue decompor todo o material”, explica Barione. A Massey Ferguson lançou a enfardadora de palha de cana-de-açúcar, que colhe a palha deixada na lavoura e a transporta até a usina para ser transformada em energia para alimentar as caldeiras. Os tratores da série MF 7100 ganharam a versão para a cultura de canade-açúcar. O novo trator tem eixo com bitola de 3 metros, evitando o pisoteio das soqueiras e diminuindo os danos a lavoura. O modelo apresentado na feira, MF 7180 possui transmissão sincronizada com 12 velocidades à frente e 5 à ré e um escalonamento de marchas na faixa de trabalho projetado para obter o maior rendimento. De acordo com Carlos Eduardo Barione Martinat, do setor de marketing da empresa, esta é uma máquina ambien- Em comemoração aos 50 anos da Massey, a empresa trouxe para a feira o maior número de novidades. Além da enfarda- Carlos Eduardo Barione Martinat, setor de marketing da Massey Ferguson Revista Canavieiros - Maio de 2011 Colhedora Case IH da série A8000
    • 25 dora e dos tratores da série MF7100, também foram lançados o Criper, um redutor de velocidade para os tratores da linha 200. Seu trabalho é realizado através de colhedoras de cana, acopladas ao trator. Também foram lançados o trator 4290, com o motor de quatro cilindros turbo de 95cavalos e mais uma rodagem para o trator de 130 cavalos, que é o 4299. acelerando seu processo de aprendizado. “Nossa intenção é incluir o simulador em nossos treinamentos de operador, de multiplicador da usina e também para os nossos técnicos de concessionárias”, disse Roberto. Projeto Bioen e IAC desenvolvem tecnologia de precisão A Case IH apresentou durante a Agrishow suas principais colhedoras disponíveis no mercado, a A4000 e série A8000, que reúnem inovações tecnológicas, proporcionando redução de custo operacional e maior produtividade. Segundo o especialista de marketing de produto da empresa, Roberto Biasotto, a A4000 foi desenvolvida para colheitas em áreas plantadas com espaçamento reduzido. Já a A8000 é uma colhedora tradicional, fundamental para o setor canavieiro. “Elas atuam na colheita de cana reduzindo o custo, ou seja, nessa transição de colheita manual para mecanizada, o principal fator é a redução de custos”, explicou Biosatto. Com essa transição, as colheitadeiras apresentam vantagens ambientais e também agronômicas, como maior produtividade, conservação do solo e redução de custos. A série A8000, devido a sua maior capacidade, geralmente é adquirida por usinas. Ela colhe, em média, 150 a 200 mil toneladas de cana numa safra, o equivalente a 40 toneladas por hora. Já a A4000 colhe em torno de 30 a 40 mil toneladas durante uma safra, o equivalente a 20 toneladas por hora. “Apesar da Case ter iniciado seu trabalho com grandes produtores, hoje ela personaliza todas as suas máquinas e equipamentos para os pequenos e médios produtores também, tanto que, a A4000 foi lançada na inclusão do Programa Mais Alimentos”, disse Biasotto. A grande novidade lançada na feira foi o simulador de colheita de cana, que está sendo desenvolvido para auxiliar no treinamento de operadores. Este equipamento faz com que o operador passe por todas as etapas de uma colhedora normal, tornando-o melhor capacitado e Marcos Martins (Santal), Marcos Landell (IAC) e Marco Antônio Gobesso (Santal) apresentam o Caminhão Instrumentado. Durante a Agrishow 2011, a Santal lançou um caminhão instrumentado para fazer colheita mecanizada de experimentos de cana-de-açúcar. O equipamento é na realidade um sobre-cesto acoplado ao caminhão e estruturado sobre quatro células de carga que obtêm a pesagem da cana com precisão. Sua capacidade de carga é de aproximadamente sete toneladas. Balanças, com apoio do Programa FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).RC “O comboio tem sensores com células de carga que viabilizam a pesagem da cana imediatamente após o corte e armazenam os dados em dispositivo acoplado à cabine do caminhão”, explica o pesquisador e diretor do IAC, - Instituto Agronômico, Marcos Landell. Esta pesquisa surgiu com o intuito de repetir nos ensaios a colheita mecânica crua, tentando se aproximar o mais perto possível da realidade ambiental e também ampliar a rede experimental de desenvolvimento de variedades e os estudos nas áreas de fitotecnias. A pesquisa foi desenvolvida em parceria com as empresas Santal e Técnica Interior do Caminhão Instrumentado em foco painel conectado aos sensores localizados no sobre-cesto. Nele o motorista pode verificar o peso da carga com precisão Revista Canavieiros - Maio 2011
    • 26 Informações Setoriais CHUV AS DE ABRIL e Prognósticos Climáticos As chuvas do mês de ABRIL de 2011 são mostradas no quadro a seguir. Engº Agrônomo Oswaldo Alonso Consultor Agronômico da Canaoeste A média das chuvas anotadas em ABRIL (99mm) “ficaram” (quase uma vez e meia)acima da média das médias históricas (76mm). Chamou a atenção os volumes de chuvas registradas (≈130mm) no eixo Luiz Antonio - Sertãozinho - Bebedouro. Enquanto que, na faixa imaginária Morro Agudo-Barretos as chuvas (≈40mm) foram bem inferiores às respectivas normais climáticas. A média das chuvas anotadas em ABRIL (99mm) “ficaram” (quase uma vez e meia) acima da média das médias históricas (76mm). Chamou a atenção os volumes de chuvas registradas (≈130mm) no eixo Luiz Antonio - Sertãozinho - Bebedouro. En- quanto que, na faixa imaginária Morro Agudo-Barretos as chuvas (≈40mm) foram bem inferiores às respectivas normais climáticas. O Mapa 1 abaixo, mostra que até meados de ABRIL (14 a 17), a disponibili- Mapa 1:- Água Disponível no Solo entre 14 a 17 de ABRIL de 2011. Revista Canavieiros - Maio de 2011 dade d’água do solo encontrava-se muito favorável no quadrante Nordeste e Sudoeste do Estado, em nível médio na faixa Central e extremo Oeste, mas já crítica na faixa Centro-Noroeste de São Paulo, deixando evidente a irregularidade das chuvas no Estado. Mapa 2:- Água Disponível no S
    • 27 Nota-se a restritiva condição de umidade dos solos em quase toda área canavieira do Estado, já no início da safra passada (Mapa 2 - ABRIL 2010). Ao final de ABRIL deste ano observa-se a persistência da crítica condição da disponibilidade de água no solo em toda faixa (parte do)Centro e Oeste do Estado de São Paulo. Mapa 4:- Prognóstico de consenso entre INMET e INPE para a Região Centro Sul durante o trimestre maio a julho de 2011. Adaptado pela CANAOESTE Para subsidiar planejamentos de atividades futuras, a CANAOESTE resume abaixo o prognóstico climático, consensuado entre INMET-Instituto Nacional de Meteorologia e INPE-Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, para os meses de maio a julho de 2011: • As temperaturas médias poderão “ficar” próximas das normais climáticas em toda área Sucroenergética do Centro Sul do Brasil; • Por sua vez, as chuvas (como mostra o Mapa 4) poderão “ficar” ao redor das normais climáticas em quase toda área Sucroenergética do Centro Sul do Brasil, com gradativa redução no decorrer do trimestre maio a julho; • Para referências, as médias históricas para Ribeirão Preto e municípios vizinhos, pelo CentroCana e Apta-IAC, são de 55mm em maio, próximo de 30mm em junho e de 20mm em julho. Por sua vez, a SOMAR Meteorologia assinala que, para a região de abrangência CANAOESTE e após novas e revisões das “rodadas” de previsões climáticas, as chuvas previstas para ocorrer entre maio a agosto poderão ser próximas ou ligeiramente aquém das respectivas médias históricas. Idem, no mesmo período, quanto às temperaturas médias, após as mesmas revisões. Já com vistas para a safra 2012/13, recomenda-se aos Produtores em início de suas colheitas, que procedam aos esmerados tratos culturais mecânicos e/ou químicos. Já nas áreas que Solo ao final de ABRIL de 2010. estejam comprometidas por danos com pragas, doenças, falhas ou elevada infestação de ervas daninhas e com vistas às safras futuras (2013/14 e seguintes), merecem e justificam-se renovações. Persistindo dúvidas, consultem os técnicos próximos ou através do Fale Conosco CANAOESTE. RC Mapa 3:- Água Disponível no Solo ao final de ABRIL de 2011 RC Revista Canavieiros - Maio 2011
    • 28 Assuntos Legais Alteração do Código Florestal - mobilização para que isso ocorra C omo todos vem acompanhando pela imprensa, está se travando uma árdua batalha no Congresso Nacional para alteração do arcaico Código Florestal. Digo arcaico porque uma lei que coloca 90% de um segmento da sociedade, no caso os agricultores, na ilegalidade, não pode ser considerado de outra forma, como apregoam alguns, que insistem em defender a idéia de se tratar da legislação mais avançada do planeta. Só esqueceram de dizer que as áreas de preservação permanente existem apenas em alguns países e não ultrapassam a faixa de 5 metros, assim como não existe, em nenhum outro país do mundo a chamada reserva florestal legal, sendo uma criação exclusiva do Brasil. Juliano Bortoloti Advogado da Canaoeste Não estamos aqui repelindo a importância da conservação e preservação da vegetação nativa, mas repelimos sim a sua recomposição em áreas de exploração consolidada antes da existência e criação de institutos ambientais que restringem o direito de propriedade, às custas do particular e sem a participação mínima da sociedade. E, isso, em um País que mais que preserva mais de 60% da área de seus biomas, realidade muito diferente de todos os países europeus, onde estão sediadas a maioria das ONG’s (Organizações Não Governamentais) dita ambientais, que, certamente, usam a bandeira ambiental para defender outros interesses, com raríssimas exceções. Se isso ocorrer, certamente vai significar o fim dos pequenos e médios agricultores que não possuem vegetação nativa suficiente para averbar e, tampouco, dinheiro para tanto, haja vista que o custo para isso fica em aproximadamente R$ 10 mil por hectare, sem contar a perda de receita em decorrência da diminuição da área produtiva. Muitos, aliás, tem usado as catástrofes em cidades como o Rio de Janeiro, para tentar impedir a mudança do Código Florestal, porém, omitem ao dizer que no campo, não há construção em áreas de risco. Aliás, há inúmeros outros argumentos para defender a alteração do Código Florestal. Vou pedir permissão aqui para colar um panfleto elaborado pela Confederação Nacional da Agricultura, que muito bem trata a questão. Revista Canavieiros - Maio de 2011
    • 29 Mobilização de agricultores em Brasília, abril de 2011 Diante destes argumentos, devemos mobilizar nossos deputados e senadores exigindo que votem pela alteração do Código Florestal, pois não dá mais para aceitar que os agricultores que produzem alimentos e combustíveis renováveis com os menores preços do mundo, exportando excedentes e gerando riquezas para o Brasil, continuem a serem chamados de criminosos ambientais por pessoas que desconhecem a realidade rural, amparados em uma legislação feita através de Medida Provisória, que via de consequência, não foi discutida pelos representantes do povo (Congresso Nacional), como corretamente quer se fazer agora. RC Revista Canavieiros - Maio 2011
    • 30 Opinião Veículos “flex” . . . 8 anos Oswaldo Alonso Consultor Agronômico CANAOESTE E m março de 2003, a indústria automobilística lançou no mercado brasileiro os veículos bicombustíveis-“flex”- abreviação comercial e popular atribuído aos veículos leves bicombustíveis, movidos a gasolina e a etanol hidratado carburante, em proporções preferenciais e/ou econômicas pelos proprietários. Entretanto e efetivamente, foi ao final do 1º semestre de 2003 que os veículos flex “receberam” sua aceitação pelos consumidores e crescimento de produção. À título de lembrança, em março de 2008, os 26 primeiros flex foram fabricados pela Volksvagen e, ao final do 1º semestre de 2003, somando com os da General Motors, já eram quase 4 mil destes veículos vendidos. Acontecimento tecnológico este, que resultou de um sistema mecânico-energético que permitiu o novo ciclo de utilização do etanol hidratado combustível, trazendo consigo as indiscutíveis vantagens am- bientais, sociais (saúde, principalmente) e econômicas. Ganhos estes muito bem defendidos e intensamente divulgados em torno do planeta pelo governo e setor sucroenergético. É claro que sua utilização está contingenciada à sua paridade técnica-custo frente à gasolina “C”, ou seja, será vantajoso quando o preço (na bomba) do etanol hidratado combustível for igual ou menor a 70% do preço da gasolina. Enfatizando que, ambiental e socialmente, a paridade é bem maior que aquela paridade econômica. Detalhes podem ser consultados nas recentes publicações “A História do Carro Flex no Brasil” e “Do álcool ao etanol: trajetória única” que podem ser consultados na Biblioteca da Canaoeste. No Gráfico 1, é mostrada a linha de tendência entre paridade preços (na bomba) etanol/gasolina o provável percentual de utilização de etanol hidratado combustível pelos automóveis e veículos leves flex. Gráfico 1:- curva de tendência entre relação % de preços do etanol e gasolina na bomba e o % de utilização do etanol hidratado combustível. Fonte: Tarcilo Rodrigues - Bioagência. A curva (linha) de tendência ilustrada no Gráfico 1 é resultante do % de utilização do etanol hidratado combustível em função da relação % de preços na bomba entre etanol e gasolina. Dados estes de muitos anos e apresentado pela Bioagência. Exemplificando, a 60% de paridade entre preços de etanol e gasolina, esta linha de tendência mostra que há quase 100% de probabilidade de que a utilização de etanol hidratado pelos veículos flex estará bem próximo de 70%. Revista Canavieiros - Maio de 2011 Segundo a ANFAVEA - Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, de março de 2003 até o mais recente informe-abril de 2011 - foram vendidos/licenciados quase 13 milhões e 370 mil veículos flex, que significam 71,6% dos 18 milhões e 666 mil automóveis e veículos leves. Entretanto, estima-se que, após sucateamento (pela idade, sinistros é a maior causa), a atual frota de veículos flex venha ser pouco mais de 12 milhões e 400 mil (Tarcilo Rodrigues – Bioagência). Isto significa que sua participação na frota, no mesmo período e mesmos percentuais de sucateamentos de veículos à gasolina, etanol e diesel, possa ser ligeiramente maior que os 71,6% acima. Entretanto, os Gráficos 2 a 4 mostram que já acendeu a “luz amarela” da participação dos veículos flex nos totais de licenciamentos dos automóveis e veículos leves. Embora o atual governo, a mídia e, também, significativa parcela de consumidores tenham criticado energicamente o setor sucroenergético, parecem terem se esquecido de percalços e contratempos recentes (cronologicamente, menos de três anos para cá), tais como, os citados por Carvalho, L.C.C-Caio em recente evento Canaplan: a) crise de crédito desde o final de 2008; b) muitas das empresas e grupos do setor com elevados endividamentos; c) consequentemente, houve estagnação de investimentos agrícolas (em tratos culturais de canaviais remanescentes, renovações e expansões), resultando em envelhecimento e perda de produtividade da cultura; d) de investimentos industriais (manutenções/ adequações e novos projetos); e) pela curva de aprendizado em ambientes de produção menos favoráveis em muitos dos greenfields e em expansões das unidades tradicionais. Além destas, as relatadas por todas as atividades agrícolas e, notadamente, pelo setor sucroenergético, como: 1) as adversas condições climáticas no decorrer da safra 2009/2010, com excesso de chuvas a partir de julho/ agosto, impactando em forte redução da
    • 31 qualidade da cana e operacionalidade de colheita; 2) longa estiagem já a partir de maio da safra 2010/2011, resultando em sensíveis decréscimos da produção de cana e sérias sequelas para a presente safra e a futura. Gráfico 2:- Vendas/licenciamentos anuais de veículos flex, percentualmente aos totais de automóveis e veículos leves No Gráfico 2, são mostrados os percentuais anuais dos veículos flex vendidos/licenciados desde março de 2003 até abril de 2011; no Gráfico 3, detalhando o Gráfico anterior, os percentuais quadrimestrais desde 2008. Dividiu-se em quadrimestres, para incluir o de janeiro a abril de 2011. Por sua vez, o Gráfico 4 apresenta os censos quadrimestrais, compilados dos dados da ANFAVEA, de todos os automóveis e veículos leves vendidos/licenciados e os dos flex. O Gráfico 2 mostra o crescente percentual de flex no total automóveis e veículos leves até 2009 que, após este ano, começou reduzir sua participação na frota. Redução esta, melhor apresentada no Grafico 3. Gráfico 3:- Vendas/licenciamentos quadrimestrais de veículos flex entre 2008 e os primeiros quatro meses de 2011, percentualmente aos totais de automóveis e veículos leves O Gráfico 3 apresenta em detalhes os períodos, divididos em quadrimestres, a partir de 2008 e o primeiro de 2011, para se comparar aos 4 meses iniciais de 2011 e, principalmente, enfatizando a “luz amarela”, face à gradativa redução percentual de licenciamentos de veículos flex, frente aos totais de automóveis e veículos leves vendidos/licenciados. Nota-se no Gráfico 4, em quadrimestres a partir de 2008, que os flex e totais de automóveis e veículos leves licenciados tem experimentado acréscimos ano a ano. Nota-se, ainda, que via de regra, os primeiros quatro meses de cada ano mostram vendas/licenciamentos inferiores aos demais quadrimestres. Entretanto e também como apresentado no Gráfico 3, torna muito evidente, e já propaladas, que serão necessárias ações conjuntas entre políticas públicas, da indústria do etanol e automobilística, objetivando obter expressivos recursos financeiros para as ultra-necessárias e urgentes novas unidades produtoras (anexas ou não)de etanol;, equilíbrio e condizente remuneração para toda cadeia produtiva de cana e etanol-distributivavendas; menor volatilidade dos preços ao longo dos anos-safras e que sejam atrativos aos consumidores. RC Gráfico 4:- Números de veículos, em quadrimestres, compilados das Cartas ANFAVEA de todos os automóveis/veículos leves vendidos/licenciados e dos flex. Fontes consultadas: ANFAVEA, Bioagência, Canaplan, ÚNICA e as publicações citadas. Revista Canavieiros - Maio 2011
    • 32 Destaque Unica pede medidas do governo Carla Rodrigues Em aula especial aos alunos da Uniceise, o presidente da Unica, Marcos Jank, falou sobre preços, mercado e a importância da qualificação profissional do país F oi realizada no dia 12 de maio, no auditório do Centro Empresarial Zanini, em Sertãozinho, uma aula especial para os alunos da Uniceise (Universidade Corporativa do Setor Sucroenergético), proferida pelo presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Marcos Jank. Estiveram presentes também, o presidente e o vice- presidente do Ceise Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroeneregético e Biocombustíveis), Adézio José Marques e Antonio Eduardo Tonielo Filho, o presidente da Orplana (Organização de Plantadores de Cana da Região Centro Sul), Ismael Perina Junior, o presidente da Copercana e Sicoob Cocred, Antônio Eduardo Tonielo e o secretário da Indústria e Comércio de Sertãozinho, Marcelo Pelegrini, na ocasião representando o prefeito municipal, Nério Costa. Antes de iniciar sua apresentação, Marcos reuniu os jornalistas em uma coletiva de imprensa e cobrou medidas do governo para garantir a oferta do etanol até 2020, já que “o setor enfrentou uma crise muito grande e os investimentos, que seriam usados em novos projetos, foram transferidos para as empresas que já estavam no mercado”, explicou Jank. Antonio Eduardo Tonielo (conselheiro da Unica), Marcos Jank (presidente da Unica) e Adézio Marques (presidente do Ceise Br) durante coletiva de imprensa Para a Unica, o grande desafio é como fazer o setor crescer nos próximos 10 anos e, além disso, vender o etanol a 70% do preço da gasolina. O executivo também lembrou que é necessário garantir o período da entressafra e para isso diz que o governo precisa tomar algumas providências urgentes, como por exemplo, ampliar o mecanismo de contratação e estocagem de etanol e trabalhar para reduzir a volatilidade do álcool anidro, encontrando preços que mantenha Pedro Esrael Bighetti, diretor da Copercana e Giovanni Rossanez , gerente financeiro da Copercana também estiveram presentes no evento Revista Canavieiros - Maio de 2011 uma média ao longo do ano. Uniceise Ao lado das outras lideranças do setor, o presidente da Unica falou sobre a importância da criação da Uniceise, que qualifica profissionais para trabalhar no setor. “O setor sucroenergético se torna cada vez mais competitivo, e para acompanhar esse crescimento, precisamos ter mão-deobra qualificada, e é isso que esta universidade oferece”, disse Jank. RC
    • 33 VENDE-SE Trator Valtra/Valmet; Modelo: 1380 4X4; Ano/Mod.: 1997/1997 R$ 35.000,00; Tratar com Luis (16) 9145-3100. VENDE-SE - Caminhão VW 12-170bt, ano 99 toco, em ótimo estado geral de conservação, equipado com tanque de água 10.000L e acessórios, tudo novo sem uso, 0 km, utilizado em controle de queimadas bombeiro ou como pipa no setor de terra planagem. Pronto para trabalhar. Tratar pelos telefones: (16) 3945-1250 / 9766-9243 / 7813-3866 id 96*81149. VENDE-SE - Fábrica de sabão com capacidade 1.000 kg/h. Sistema de Atomização 1.000 Kg/h: caldeira a lenha e óleo, cap. 1.500 Kg, extrusora G. Mazone, cap. 1.000 kg/h, atomizador, cortador, pulmão, filtro, trocador de calor, condensador, unidade de refrigeração, caixa d’água, bombas de vácuo, torre de resfriamento, conexões, tubos, válvulas. Equipamentos para Preparação de Massa 1.000 Kg/h: tacho de cozimento, mezaninos, caixa d’ água, bombas de vácuo, tanques deposito de matéria prima, tubos, válvulas, termômetros, isolamento térmico, etc. Valor: R$ 265.000,00 (condições de pagamento a combinar). Entrega imediata. Tratar com Rivaldo pelos telefones: (81)3724-7895/9983-8416 ou pelo e-mail: contato@bolsamaquinasnordeste.com VENDEM-SE - 01 invertedor de amendoim (arrancador); - 01 serra Fita Schiffer vol. 1- 10 mts; - 01 serra Fita Horizontal (Mendes); - 01 desdobro; - 01 grade aradora 12x32 com controle remoto; - 03 destopadeiras pneumáticas; - 02 circulares; - 01 trator TL 75 - ano 2002 - 4x2; - 01 uniport Selv Spray 2002; - 01 adubador 16 linhas - ano 2005 Super Novo; - 01 ranger 4x4 -07 - XLS Cabine Dupla Tratar com Lair Ribeiro pelo telefone: (16) 3667-3322. COMPRA-SE - Tubos de irrigação de todos os diâmetros, motobombas, rolão autopropelido, pivot, etc. Pagamento á vista. Tratar com Carlos pelo telefone: (19) 9166-1710 ou pelo e-mail: cyutakam@ hotmail.com. VENDEM-SE - 01 galego reboque canavieiro, reboque / truck / galego BR; - 01 stara sfil, adubadeira, reb 10.000 série 02/0496, peso 8.200 ,com 01 eixo, 2002; - 02 dmb cobridor de cana com 02 bombas, 2002; - 03 munari cultivador de 09 linhas; - 04 stara distribuidor de corretivos, bruttus 6.000 c/ 02 pneus, 2005; - 05 piscin niveladora de 60 disco, 22 polegadas com pistão; - 06 tatu plantadeira, 9/8 plantio direto, 2003; - Compro lascas e mourões de aroeira. Tratar com Marco Aurélio pelos telefones: (017) 3325-2608 / (017) 96193333 / (017) 8121-3347. VENDEM-SE - 01 caixa d’água modelo australiana para 50.000 lts; - 01 caixa d’água modelo australiana para 5.000 lts; - 01 transformador de 15 KVA; - 01 transformador de 45 KVA; - 01 transformador de 75 KVA; - mourões de aroeira; - coxos de cimento; - porteiras; - 01 repetidora com 10 rádio-amadores e 3 HT; - 01 cultivador de cana DRIA 2006 semi-novo. Tratar com Wilson pelo telefone: (17) 9739-2000 – Viradouro SP. VENDE-SE - Excelente sítio em Sertãozinho à 5 km da Usina Santo Antônio, com 5,81 hectares, todo formado em cana-deaçúcar, não perde nada.Tratar com Fernando pelo telefone: (16) 9205-1151. VENDE-SE - Scania R 112 83, impecável. Tratar com Plauto pelo telefone :(41) 30351938 ou pelo email: planetatruck@hotmail.com. VENDE-SE - 02 Caminhões traçados para plantio de cana. 01 MB 2213 / 82 c/ gaiola p/ plantio = R$ 58.000,00. 01 MB 2213 / 88 c/ gaiola p/ plantio = R$ 68.000,00. Tratar com Luiz Geraldo pelo telefone: (34) 9974-0730 ou pelo email: grupocastro@terra.com.br. VENDE-SE - Fábrica de aguardente - capacidade de 1000 lts hora; venda completa ou parcial. Tratar com Marcio Viana pelo telefone: (31) 9965-4709 ou pelo email: aguardenteurucania@bol.com.br. VENDE-SE - Mercedes Benz axor 3340 s - ano/ modelo: 2006/2006 - comb: diesel - cor predominante: branca, localização do lote: serra/ES. Tratar com Cíntia Liberatti pelo telefone: (11) 2184-0949 ou pelo email: cl@sold.com.br. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO - Precisa-se de caminhões para plantio com urgência. Ótimos ganhos. Tratar com Ronildo pelo telefone: (67) 8105-5950 ou pelo e-mail: ronildomicrolins@hotmail.com Revista Canavieiros - Maio 2011
    • 34 34 “General Álvaro Tavares Carmo” A geração termoelétrica com a queima do bagaço de Cana-de-Açúcar no Brasil Análise do Desempenho da Safra 2009 2010 (Publicado em Março 2011 - Conab) Cultivando a Língua Portuguesa Esta coluna tem a intenção de maneira didática, esclarecer algumas dúvidas a respeito do português. “O outro não o preenche. Preenchimento é interno” Osho 1) Pedro atrasou o relatório do trabalho. Entregou-o “ante-ontem”. ...e Pedro está atrasado com o estudo da Nova Regra Ortográfica (VOLP-5 edição). A expressão correta, segundo o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) é: anteontem. Regra nova: quando o primeiro elemento termina por vogal diferente daquela que inicia o segundo elemento, a palavra é escrita sem hífen. No exemplo: ante: primeiro elemento - termina com a vogal e Ontem: segundo elemento - incia com a vogal o Duas vogais diferentes - a expressão é escrita sem o hífen “Este estudo representa um esforço da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em trazer um pouco de luz para uma questão estratégica para qualquer país: a geração e a distribuição de energia elétrica. O foco do trabalho está concentrado no uso de um combustível que já faz parte das fontes em uso atualmente, porem com pequena participação no total nacional e com pouco prestígio entre os profissionais do assunto: o bagaço da cana-de-açúcar. Nesta linha de preocupações, o presente estudo, a partir dos dados coletados pelos técnicos da Companhia em todas as unidades de produção brasileiras, faz uma análise técnica de uma matéria muito importante para o país: a cogeração de energia elétrica a partir de um combustível não convencional, mas que somente nos anos recentes tem conhecido algum desenvolvimento.” 2) Maria decidiu retomar o namoro. Saiu com o “ex namorado”. Para retomar algum “ex” só com hífen, prezado amigo leitor! Dica fácil: quando o primeiro elemento é o prefixo ex, usa-se o hífen (aqui cito a regra do prefixo ex) Retome, corretamente, com o Novo Acordo Ortográfico (5 edição): ex-namorado (com hífen). 3) Pedro escreveu no documento a “sequência” das novas regras do departamento. Correto, Pedro! Para as novas regras funcionarem, segundo o VOLP (5 edição) sem trema. O trema não existirá mais (regra geral), segundo o Novo Acordo Ortográfico. PARA VOCÊ PENSAR: “Qualquer um pode zangar-se isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa não é fácil” Aristóteles - Ética a Nicômaco BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A geração termoelétrica com a queima do bagaço de cana-de-açúcar no Brasil: análise do Desempenho da Safra 2009-2010. Brasília: Conab, 2011. Disponível em: www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/11_05_05_15_45_40_geracao_termo_baixa_res..pdf Os interessados em conhecer as sugestões de leitura da Revista Canavieiros podem procurar a Biblioteca da Canaoeste, na Rua Augusto Zanini, nº1461 em Sertãozinho, ou pelo telefone : (16)3946-3300 - Ramal 2016 Revista Canavieiros - Maio de 2011 Dicas e sugestões, entre em contato: renatacs@convex.com.br * Advogada, Prof. de Português, Consultora e Revisora, Mestra USP/RP, Especialista em Língua Portuguesa, Pós-Graduada pela FGV/RJ, com MBA em Direito e Gestão Educacional, autora de vários livros como a Gramática Português Sem Segredos (Ed. Madras), em co-autoria.
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