Ed34abril09

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Ed34abril09

  1. 1. Revista Canavieiros - Abril de 2009 1
  2. 2. 2 Revista Canavieiros - Abril de 2009
  3. 3. Editorial A vida continua, apesar das crises H á os que dizem que o pior da crise já passou e os que acham que o pior ainda está por vir. Enquanto essa discussão corre entre autoridades do setor, a vida do produtor rural não para e é preciso produzir para viver. Mas em que condições hoje o produtor está trabalhando? Para tranquilizar um pouco esses trabalhadores, a Revista Canavieiros traz em entrevista neste mês de abril o vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, Luís Carlos Guedes Pinto, que contou sobre o novo modelo para o crédito rural que está em estudo e que deve trazer mudanças profundas. A seção Notícias Canaoeste apresenta o programa CNA em Campo, lançado pela presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e do Conselho Deliberativo do SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), senadora Kátia Abreu, durante encontro em Ribeirão Preto, com produtores e lideranças da região, no dia 27 de março. Já a Copercana realizou sua AGO (Assembléia Geral Ordinária) no auditório da Canaoeste. Durante o encontro, que contou com a participação de diretores e cooperados, foi apresentada a prestação de contas da administração do exercício de 2008. Ainda em Notícias Copercana, a Canavieiros mostra como foi a visita de funcionários da Mars Snackfood, uma empresa multinacional da área de alimentos, à Uname (Unidade de Grãos da Copercana). Essa visita fez parte do treinamento que a empresa realizou pela primeira vez no Brasil. A Copercana, a Canaoeste e Cocred em Ação promoveram no início deste mês um show com o cantor Daniel em prol do Hospital do Câncer de Barretos. Este evento é realizado há três anos e reúne, além do sistema, empresários e produtores de Sertãozinho. O destaque deste mês foi o “Grito pela Produção e Emprego”, um movimento organizado pelo Ceise BR e Sindicato dos Metalúrgicos e contou com o apoio da Canaoeste, Sindicato do Comércio, Sindicato de Massas, Sindicato dos Motoristas, ACIS (Associação Comercial e Industrial de Sertãozinho), CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) e Prefeitura Municipal de Sertãozinho. Também tivemos o encontro realizado em Igarapava, em que Faesp e OAB firmaram parceria para defender os direitos dos agricultores. O evento foi presidido por Fábio Meirelles, presidente do Sistema Faesp-Senar, e também contou com a presença de Luiz Flávio Borges D’urso, presidente da OAB de São Paulo. A Reportagem de Capa deste mês destaca a 16ª edição da Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, que será aberta no dia 27 de abril e se estende até o dia 2 de maio. O presidente da Agrishow, Cesário Ramalho da Silva, que também assina um artigo sobre o evento, fala sobre a importância do produtor rural ir até a feira, principalmente neste momento de crise para se informar e conhecer as novidades do setor. Os organizadores mantém o otimismo, apesar de o evento acontecer sob um cenário de crise. Em Assuntos Legais, o advogado da Canaoeste, Juliano Bortoloti, alerta todos os proprietários ou possuidores rurais sobre os prazos, reflexos e conseqüências do georreferenciamento de imóveis rurais, que nada mais é do que uma descrição do imóvel rural utilizando informações geradas por satélite. Para finalizar, em artigo técnico, os pesquisadores Luiz Carlos de Almeida, Erich Stingel e Enrico De Beni Arrigoni apresentam o monitoramento e controle do Sphenophorus Levis, mais conhecido como bicudo da cana, principal praga da canade-açúcar. Além disso, você também poderá ler outras notícias do setor em “informações setoriais” com o Engenheiro Agrônomo Oswaldo Alonso, assessor técnico da Canaoeste. Boa leitura! Conselho Editorial Revista Canavieiros - Abril de 2009 Revista Canavieiros - Abril de 2009 3
  4. 4. Indice EXPEDIENTE Capa CONSELHO EDITORIAL: Antonio Eduardo Tonielo Augusto César Strini Paixão Clóvis Aparecido Vanzella Manoel Carlos de Azevedo Ortolan Manoel Sérgio Sicchieri Oscar Bisson Mesmo sob crise, a Agrishow espera superar 2008 Maior feira de tecnologia agrícola da América Latina acontece de 27 de abril a 2 de maio e estima gerar R$ 870 milhões em negócios Pag. Pag. 20 EDITORA: Cristiane Barão – MTb 31.814 JORNALISTA RESPONSÁVEL: Carla Rossini – MTb 39.788 DESTA DESTAQUES OUTRAS Entrevista CONSECANA DIAGRAMAÇÃO: Rafael H. Mermejo DESTAQUE FOTOS: Carla Rossini Rafael H. Mermejo ASSUNTOS LEGAIS COMERCIAL E PUBLICIDADE: (16) 3946-3311 - Ramal: 2008 comercial@revistacanavieiros.com.br INFORMAÇÕES SETORIAIS DEPARTAMENTO DE MARKETING E COMUNICAÇÃO: Ana Carolina Paro, Carla Rodrigues, Carla Rossini, Daniel Pelanda, Janaina Bisson, Letícia Pignata, Rafael H. Mermejo, Roberta Faria da Silva. Luís Carlos Guedes Pinto Vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil Crédito rural: reformulações à vista 05 P a g . P a g . P a g . P a g . Agrishow é tecnologia 22 24 P a g . 26 P a g . 32 P a g . 33 10 Copercana - Unidade de Grãos da Copercana recebe visita de funcionários de empresa multinacional - Copercana realiza AGO de 2008 - Cocred em Ação, Copercana e Canaoeste promovem show em prol do Hospital do Câncer de Barretos Notícias Notícias Cocred - Balancete Mensal P a g . ISSN: 1982-1530 34 35 AGENDE-SE P a g . P a g . P a g . TIRAGEM: 12.000 exemplares BIBLIOTECA P a g . IMPRESSÃO: São Francisco Gráfica e Editora CULTURA P a g . 15 Canaoeste - CNA ouve lideranças rurais em Rib. Preto ROTAÇÃO DE CULTURAS OPINIÃO P a g . P a g . Notícias 16 P a g . Ponto de vista Cesário Ramalho da Silva presidente da Agrishow e da SRB 14 36 CLASSIFICADOS P a g . 37 ENDEREÇO DA REDAÇÃO: Rua Dr. Pio Dufles, 532 Sertãozinho – SP - CEP:- 14.170-680 Fone: (16) 3946 3311 18 Pragas e Doenças Monitoramento e controle do bicudo da cana-deaçúcar, Sphenophorus levis 4 4 Revista Canavieiros - Abril de 2009 Março de 2009 A Revista Canavieiros é distribuída gratuitamente aos cooperados, associados e fornecedores do Sistema Copercana, Canaoeste e Cocred. As matérias assinadas são de responsabilidade dos autores. A reprodução parcial desta revista é autorizada, desde que citada a fonte. Pag. 28 w w w.r evistacanavieiros.com.br redacao@revistacanavieiros.com.br
  5. 5. Entrevista Luís Carlos Guedes Pinto Vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil Crédito rural: reformulações à vista Cristiane Barão U m novo modelo para o crédito rural está no forno e de sua elaboração participa um grupo formado por integrantes do governo, do setor produtivo e bancário. Mesmo sem data marcada para sua entrega, a proposta deve trazer mudanças profundas, na opinião do vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, Luís Carlos Guedes Pinto. Segundo Guedes, que já foi ministro da Agricultura, a questão central a ser tratada na proposta “é a mitigação dos riscos, para garantir agentes interessados em financiar o agronegócio e proporcionar proteção aos produtores contra grandes oscila- ções de renda, garantir a eles uma remuneração que cubra minimamente seus custos de produções e lhes ofereça margem de ganho. Também deve ser contemplada a simplificação do processo de crédito”. Leia, a seguir, a entrevista que ele concedeu à Canavieiros por e-mail. Revista Canavieiros - Abril de 2009 5
  6. 6. Entrevista Canavieiros: O setor produtivo ções envolvidas, que esperam atuar ginar que transações em bolsa são alega que o modelo atual de crédi- em uma nova dinâmica o mais rapi- complicadas. Mais que isso, pode to rural está esgotado: há falta de damente possível. concluir, em função da crise finandinheiro, custo elevado das operaceira mundial, que operações com deções e ineficiência na aplicação dos Canavieiros: Na opinião do senhor, rivativos são de altíssimo risco, recursos. É possível fazer algum o que a proposta poderá trazer? quando não é bem assim. A pessoa ajuste ou só mesmo elaborando um Guedes: Entendo que a questão tem a possibilidade de apenas protenovo modelo? central a ser tratada é a mitigação ger o preço ou de especular com Luís Carlos Guedes Pinto: Os re- dos riscos, para garantir agentes in- eventuais melhorias dos valores. Na presentantes do setor produtivo têm teressados em financiar o agrone- especulação o risco existe e pode ser razão quanto à defasagem do forma- gócio e proporcionar proteção aos elevado. Em resumo, ao utilizar meto de crédito rural brasileiro. As ba- produtores contra grandes oscila- canismos para proteger a produção ses do atual modelo foram estabele- ções de renda, garantir a eles uma e o preço, é possível proporcionar cidas em meados da déganho mínimo para o procada de 60 quando a re"As bases do atual modelo (de crédito dutor. Outra consequênalidade era completacia positiva é a melhoria mente diferente. Há uma rural) foram estabelecidas em meados da da qualidade do crédito. convergência muito Os agentes financeiros década de 60 quando a realidade era grande de posições dos passam a ter mais segucompletamente diferente" agentes do setor quanrança de retorno do capito à necessidade de se tal emprestado e, assim, pensar em novas regras para reger remuneração que cubra minimamen- podem emprestar mais. as relações financeiras no agronegó- te seus custos de produções e lhes cio. Há mudanças profundas a serem ofereça margem de ganho. Também Canavieiros: O que o Brasil pode feitas, mas a real dimensão dos ajus- deve ser contemplada a simplifica- aprender com os demais players do tes depende das conclusões dos es- ção do processo de crédito. mercado internacional nessa questudos que estão sendo feitos. tão do crédito rural? Canavieiros: A certeza de uma Guedes: É importante saber o que Canavieiros: O governo, por renda mínima é um sonho para o acontece no restante do mundo, pois meio do Ministério da Agricultura, agricultor. Mas como isso é possí- o agronegócio está inserido na ecojá iniciou um trabalho para a rees- vel se existem elementos sobre as nomia globalizada. No processo de truturação do crédito rural. Há prequais ele não tem controle, como produção agropecuária o Brasil é exvisão de quando a proposta será clima e preços internacionais de tremamente competitivo e possui poapresentada? produtos agrícolas? Que recursos o sição de destaque no cenário mundiGuedes: Existe, de fato, um gru- mercado financeiro tem a oferecer? al. No mercado internacional, podepo encarregado de analisar profunGuedes: O segredo está justa- mos aproveitar bons exemplos de podamente a questão e apresentar pro- mente em neutralizar essa volatilida- líticas de fortalecimento ao setor, postas, sob coordenação do Minisde sobre a qual você fala. O produ- como o da Austrália, que nos períotério da Agricultura, Pecuária e tor não controla o clima, é óbvio, mas dos de boas receitas constitui funAbastecimento. Foi constituído no pode contratar um seguro para sua dos de recursos destinados a enfrenfinal de 2008 e dele participam tam- lavoura. Há boas perspectivas e mui- tar eventuais ciclos de dificuldades, bém representantes do Ministério tas ações possíveis para expandir o oriundos de problemas climáticos ou da Fazenda, da Federação Brasileira mercado segurador. O produtor tam- de mercado. Podemos também citar de Bancos, da Confederação Nacio- bém não é capaz de interferir nas leis o modelo americano, que massificou nal da Agricultura de oferta e procura a utilização dos instrumentos de pro"A solução para e do Banco do de produtos agrí- teção de renda, com a proteção de Brasil. Não foi esdebelar a cultura de colas, no compor- quase a totalidade da safra sendo retabelecida uma tamento do câmbio alizada na bolsa. data limite para a renegociação de dívidas ou no preço de inconclusão dos Canavieiros: O setor rural está está relacionada ao sumos, mas pode trabalhos, porque fechar uma opera- sempre dependendo de renegociação aprimoramento do ção em bolsa para de suas dívidas. A última foi no ano se pretende elaborar uma proposta definir o preço do passado. Por que isso acontece? crédito rural" bastante consisproduto que colheGuedes: A renegociação de dívitente e que conrá no futuro. São das rurais é um problema crônico no temple o máximo de variáveis possí- possibilidades que precisam ser tra- Brasil e seus efeitos são nocivos vel. De qualquer forma, há um senti- balhadas, inclusive no aspecto cul- para o meio rural. A prática decorre mento de urgência entre as institui- tural, pois o agricultor costuma ima- de crises no setor agrícola, em que “ 6 “ Revista Canavieiros - Abril de 2009
  7. 7. Entrevista o governo se viu diante de situações limites, quando tinha pouca ou nenhuma margem de manobra para socorrer a classe produtora. Só para situar no tempo, a primeira renegociação ocorreu após o Plano Cruzado, quando houve congelamento de preços, aumento de importações e, por consequência, diminuição da capacidade de pagamento dos produtores rurais. Na sequência, a inflação se acentuou e foram editados outros planos econômicos. Todas essas circunstâncias foram usadas como justificativa para pedir mais fôlego financeiro para o setor. O objetivo dessas renegociações sempre foi dar conforto financeiro ao devedor, com encargos baixos nas operações. O problema é que os recursos que poderiam financiar de forma mais ampla o setor produtivo, acabam comprometidos com as operações de endividamento, já que os bancos brasileiros cumprem as recomendações do Acordo de Basiléia para assegurar a saúde financeira do sistema bancário. Isso significa fazer provisões para créditos de liquidação duvidosa numa proporção que cresce com o agravamento do risco do cliente. O reescalonamento de dívidas amplia o risco da operação e também dificulta o acesso a novos créditos para financiamento enquanto persistir a renegociação. Canavieiros: Há uma solução definitiva para as dívidas antigas do setor agrícola? Guedes: A solução para debelar a cultura de renegociação de dívidas está relacionada ao aprimoramento do crédito rural, sobre o qual acabamos de comentar. Estamos falando de separar o risco bancário, próprio da operação financeira, do risco da atividade agropecuária. Há muitas variáveis envolvidas e, por isso, o novo modelo precisa ser construído com ampla participação das entidades representativas do setor, da cadeia dos diferentes produtos, dos ministérios responsáveis pela definição das políticas para o setor, dos membros das comissões de agricultura do Senado e da Câmara e de movimentos sociais, entre outros. Revista Canavieiros - Abril de 2009 7
  8. 8. Opinião Pequenas melhoras Pequenas Manoel Carlos de Azevedo Ortolan* A pesar dos levantamentos indi carem ligeira reação no desem penho do agronegócio no mês de março, o cenário para o setor deve ser analisado pensando mais à frente. É cedo ainda para arriscar se os resultados do último mês são o início de uma reação - e torcermos para que seja, mas o quadro ainda inspira cuidados e demanda planejamento de políticas públicas que possam reduzir a duração da crise e garantir a produção futura. Entre as boas notícias de março estão as exportações do setor, que totalizaram US$ 4,79 bilhões, um crescimento de 0,3% sobre o mesmo período do ano passado. A receita foi maior porque o volume exportado cresceu, enquanto os preços permaneceram em patamares mais baixos. No entanto, o bom resultado de março não impediu que o trimestre fechasse no vermelho: as exportações foram de US$ 12,595 bilhões, com queda que 9,4% em relação ao mesmo período de 2008. Alguns setores exportaram mais no período, evitando que a queda fosse mais acentuada, como os complexos soja e o sucroalcooleiro. Outro indicador positivo em março refere-se ao nível de emprego na indústria paulista, que voltou a crescer depois de cinco meses de queda. O crescimento em março foi de 0,31%, puxado principalmente pela criação de cerca de 27 mil vagas nas indústrias de açúcar e álcool, por conta do início da safra, enquanto os demais setores demitiram 20 mil. No trimestre, o saldo foi negativo: perda de 66,5 mil vagas na indústria paulista. Em relação à renda agrícola, obtida pela multiplicação da quantidade produzida pelo preço recebido pelos agricultores, a estimativa para este ano, segundo o Ministério da Agricultura, com dados apurados em março, é de R$ 153,84 bilhões, 4,45% abaixo da obtida em 2008, que atingiu R$ 161 bilhões. Antes de março, o ministério estimava perdas maiores. Em janeiro, os dados indicavam queda de 8,8%, em valores reais (já descontada a inflação) e, em fevereiro, perda de 6,2%. Apesar desses números positivos no geral no mês passado, as dificuldades persistem na maioria das cadeias produtivas e as conseqüências poderão ser sentidas por várias safras. A própria CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) está orientando os produtores a colocar o pé no freio neste plantio. Para a entidade, além do endividamento do produtor, há um outro agravante: a crise, além de ter gerado falta de crédito, poderá reduzir o consumo mundial e se houver produção recorde, pode não haver comprador. Assim, o momento é de muita cautela e estratégia. Não podemos esmorecer apenas porque os indicadores apresentaram uma pequena melhora. Continuam necessárias medidas de estímulo ao agronegócio como um todo, como a melhoria da infraestrutura, a redução da carga tributária, o tratamento igualitário para os setores, já que alguns já obtiveram respaldo do governo, acesso ao crédito e juros mais amenos. Não podem ser esquecidas as dificuldades dos pequenos e médios produtores, que estão presentes em todas as cadeias, apesar de, para eles, os entraves serem maiores. Foi com esse intuito - de mostrar que apesar de o setor sucroenergético apresentar, no geral, bom desempenho, também há dificuldades na cadeia - que Sertãozinho realizou na quinta-feira o Grito pelo Emprego e pela Produção. Foi um movimento pacífico de empresários, trabalhadores e produtores para reivindicar atenção e medidas por parte do governo federal. Apesar de alguns indicadores terem melhorado, a crise continua instalada e o que for feito agora - ou deixar de ser feito - terá reflexos por um bom tempo. *presidente da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo) 8 Revista Canavieiros - Abril de 2009
  9. 9. Revista Canavieiros - Abril de 2009 9
  10. 10. Notícias Copercana Unidade de Grãos da Unidade de Grãos da Copercana recebe visita Copercana recebe visita de funcionários de empresa de funcionários de empresa multinacional multinacional N o dia 23 de março a Uname (Unidade de grãos da Copercana) recebeu a visita de funcionários da Mars Snackfood, multinacional da área de alimentos. A visita fez parte do treinamento que a empresa realizou pela primeira vez no Brasil, voltado aos funcionários de suas diversas unidades do mundo, entre eles chineses, russos, americanos e africanos. O treinamento foi dividido em três etapas. Na etapa de campo os representantes do Departamento Técnico do Amendoim da Copercana acompanharam a comitiva até uma área de plantio de um cooperado na região de Sertãozinho, onde a comitiva conheceu os três processos de plantio, arranquio e colheita. Ainda no campo, o especialista em amendoim John Takash, da Mars Snackfood, ministrou um treinamento para os participantes sobre a importância fundamental desta etapa na qualidade da produção do grão. Na segunda parte, os participantes visitaram na Unidade de Grãos da Copercana e foram recebidos pelo gerente da unidade, Augusto Cesar Strini Paixão, que acompanhou e explicou os processos de descarregamento, prélimpeza, secagem, armazenamento e o controle de qualidade realizado pelo laboratório. Também foi detalhado o processo de rastreabilidade do amendoim desde o campo. Na terceira etapa, os participantes foram à empresa CAP Agropecuária e Industrial Ltda - Dumont, onde conheceram o processo de beneficiamento do amendoim (retirada dos grãos das vagens) e blancheamento (retirada da película dos grãos), além de todo o controle de qualidade aplicado durante a produção. O treinamento foi finalizado com um jantar de confraternização oferecido pela Mars aos visitantes. 10 Revista Canavieiros - Abril de 2009 A comitiva visitou uma área de plantio de um cooperado na região de Sertãozinho Especialista fala a produtores do projeto amendoim No dia 20, John Takashi, especialista em amendoim da multinacional MARS SnackFood , falou aos produtores brasileiros durante treinamento realizado pela Uname denominado “A Importância da Rastreabilidade, Qualidade e Sustentabilidade na Comercialização do Amendoim para Exportação”. John apresentou diversas experiências da cultura de amendoim nos EUA, também mostrou ao produtor brasileiro as necessidades de qualidade exigidas para o amendoim pela multinacional, apresentou as especificações do amendoim para exportação e apontou como o produtor pode melhorar a qualidade do amendoim entregue na cooperativa e aumentar seus lucros . Os produtores também puderam trocar experiências com o especialista americano. O gerente da Unidade de Grãos, Augusto César Strini Paixão, também participou do treinamento esclarecendo dúvidas e informando ao produtor quais as exigências para exportação de amendoim. As especificações são bastante rígidas: por exemplo, nenhum material estranho (pedra, pau, vidro e metal) é tolerado no lote de amendoim, pois o mesmo é enviado diretamente para linhas de produção final. John Takashi também comentou sobre o elevado potencial do Brasil como produtor de amendoim devido à grande quantidade de áreas principalmente na renovação de canaviais. As equipes técnicas de campo e de qualidade da Copercana tem trabalhado com vários tipos de treinamento com a finalidade de orientar o produtor para a produção de amendoim de alta qualidade.
  11. 11. Copercana realiza AGO de 2008 Notícias Copercana Carla Rodrigues E m 2008, a Copercana completou 45 anos de atuação no mercado por meio de muito trabalho e dedicação. Prova disso, é a realização da AGO (Assembleia Geral Ordinária), que acontece todos os anos para expor aos cooperados às demonstrações do que vem sendo realizado pela diretoria da cooperativa. A AGO foi realizada no dia 23 de março no auditório da Canaoeste e contou com a participação de seus diretores e cooperados. À mesa estavam presentes Marcos Molezin (Controladoria), Clóvis Vanzella (Jurídico), Pedro Esrael Bighetti (diretor Copercana), Manoel Ortolan (presidente da Canaoeste e diretor da Copercana) e Antônio Eduardo Tonielo (presidente da Copercana). Durante a assembléia foi apresentada a prestação de contas da admi- nistração do exercício de 2008. O faturamento do exercício de 2008 foi de R$ 481.782.810,01 (quatrocentos e oitenta e um milhões, setecentos e oitenta e dois mil, oitocentos e dez reais e um centavo). Revista Canavieiros - Abril de 2009 11
  12. 12. Notícias Copercana Cocred em Ação, Copercana e Cocred em Ação, Copercana e Canaoeste promovem show em prol Canaoeste promovem show em prol do Hospital do Câncer de Barretos do Hospital do Câncer de Barretos Carla Rossini Show de Daniel lotou o Clube de Campo Vale do Sol e arrecadou R$ 250 mil A Cocred em Ação, Copercana e Canaoeste promoveram no último dia 9 de abril, no Clube de Campo Vale do Sol, um show com o cantor Daniel. Toda renda -R$ 250 mil foi destinada ao Hospital do Câncer de Barretos. A iniciativa é realizada há três anos e reúne, além do sistema, empresários e produtores de Sertãozinho. O hospital atende diariamente 2.500 pacientes de todas as regiões do país e depende do apoio financeiro de pessoas e empresas conscientes de suas responsabilidades sociais para continuar a missão de salvar vidas. Para o presidente da Copercana,Antonio Eduardo Tonielo, é uma obrigação ajudar a fundação. “Temos condições melhores e saúde para realizarmos eventos como esse. É uma obrigação ajudar essa causa tão nobre”, afirmou Tonielo. Já o presidente do Hospital do Câncer de Barretos, Henrique Prata, lembrou que “existem outros shows em prol do hospital, mas nenhum nos moldes do organizado pelo sistema. Este show é campeão em arrecadação”, disse Prata. Daniel, Antônio Tonielo, Henrique Prata e Sr. Camilo agradecem a presença de todos O cantor, que entusiasmou o público com simpatia e talento, também agradeceu a presença de todos. “Quem está fazendo o show aqui são vocês que se sensibilizaram e estão ajudando quem mais precisa”, afirmou. Números do Hospital do Câncer de Barretos · 99% dos atendimentos são do SUS · Pacientes de 1.214 municípios · São realizados 2.500 atendimentos por dia · São servidas 6.000 refeições por dia · São lavados 2.000 kg de roupas por dia · O hospital possui 2 alojamentos especiais para crianças · 27 Estados atendidos (todo o país em 2007) · R$ 2,5 milhões (déficit operacional ao mês) · 407.231 atendimentos em 2007 para 46.276 pacientes · 10 alojamentos para adultos com capacidade para 600 pessoas Pedro Esrael Bighetti, Daniel, Manoel Ortolan, Antônio Tonielo e Henrique Prata Mais de mil pessoas prestigiaram o show
  13. 13. Notícias Canaoeste Consecana CIRCULAR Nº 16/08 DATA: 31 de março de 2009 Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo A qualidade média da matéria-prima entregue pelos Fornecedores de Cana do Estado de São Paulo, na Safra 2008/2009 foi a seguinte: Cana processada: 109.125.765 toneladas; Pol da Cana = 14,49; Pureza do Caldo = 86,39; Fibra da Cana =12,66; ARC = 0,57; ATR = 143,25 e Fator K = 0,9944. A seguir, informamos a curva de comercialização praticada na safra 2008/2009 do Açúcar de Mercado Interno (ABMI), Açúcar de Mercado Externo Branco (ABME), Açúcar VHP de Mercado Externo (AVHP), Etanol Anidro Carburante (EAC), Etanol Hidratado Carburante (EHC), Etanol Anidro destinado à Industria (EAI), Etanol Hidratado destinado à Industria (EHI), Etanol Anidro Exportado (EAE) e Etanol Hidratado Exportado (AHE). A alíquota de IPI apurada pelo CEPEA foi de 3,6626% ajustando o fator para cálculo do preço líquido do Açúcar de Mercado interno (ABMI) de 0,82111 para 0,82376. A seguir informamos o mix de produção e comercialização, os preços de faturamento do açúcar nos mercados interno e externo, do etanol anidro e hidratado, carburante, destinados à indústria e exportado e os respectivos preços líquidos médios do Kg de ATR, em R$/kg, por produto, para efeito do ajuste final da safra 2008/2009. O preço médio final do kg de ATR do Estado de São Paulo é de R$ 0,2782. Para a cana entregue no mês de março, referente à safra 2009/2010, sugere-se adotar o preço médio do referido mês, que ficou em R$ 0,3211 por kg de ATR, para efeito de pagamento. Os preços dos produtos praticados no mês de março foram: 14 Revista Canavieiros - Abril de 2009
  14. 14. Notícias Canaoeste CNA ouve lideranças rurais em Ribeirão Preto Da redação Presidente Kátia Abreu lança programa e reitera compromissos com o setor rural mudanças: a reestruturação da política do crédito rural no País; a reformulação do código florestal brasileiro e a reestruturação e o planejamento de defesa da agropecuária”, revelou. A presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e do Conselho Deliberativo do SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), senadora Kátia Abreu, lançou na sexta-feira (27/3), em Ribeirão Preto, o programa CNA em Campo, durante encontro com produtores e lideranças da região. A iniciativa tem o objetivo de aproximar as entidades do Sistema CNA/ SENAR da sociedade brasileira, por meio das suas lideranças nos Estados, para mostrar as ações que realizam em favor da agropecuária brasileira. Ribeirão Preto é a terceira cidade contemplada pelo programa, que já foi lançado em Itumbiara (GO) e Teresina (PI). Segundo a senadora, uma das maiores solicitações dos produtores é a maior presença da Confederação no interior do País. “Queremos levar a CNA para o interior do Brasil, já estivemos em cidades do Piauí, Goiás, e agora em Ribeirão Preto. Nestes encontros, mostramos as possibilidades e as dificuldades que estamos passando na agricultura”, disse a senadora. No encontro com produtores, a presidente da CNA mencionou algumas de suas prioridades à frente da entidade. “Estamos trabalhando por Os produtores assistiram, ainda, a uma palestra do Secretário-Executivo do SENAR, Omar Hennemann, que falou sobre as circunstâncias que levam uma pessoa ao sucesso: Trabalho, Oportunidade e Eficiência. Na sua avaliação, todos reconhecem a eficiência do produtor rural brasileiro, mas ele não possui uma muito boa, pois é visto como caloteiro. Segundo Hennemann, a intenção é mudar essa imagem do produtor rural. “O SENAR é a saída para esta mudança. Estamos saindo na defensiva dos produtores e queremos interagir com a sociedade e somar forças para dar mais oportunidades ao setor. Vamos buscar parceiros para ampliar ações em regiões sem assistência”, afirmou. Outro compromisso da senadora foi um encontro com 30 presidentes de sindicatos rurais e associações de municípios próximos a Ribeirão Preto para pedir apoio para as ações da CNA. O presidente da Canaoeste, Manoel Ortolan participou da reunião. “Nós estamos saindo da capital e indo para o interior para ficarmos mais próximos dos produtores rurais, mas precisamos da ajuda dos sindicatos para conseguirmos colocarmos em prática nossas propostas”, frisou Kátia Abreu. A agenda da senadora também incluiu uma visita à Usina Santo Antônio, em Sertãozinho, onde conheceu o projeto Cana Verde, desenvolvido pela própria usina, voltado para a fabricação de produtos orgânicos. Revista Canavieiros - Abril de 2009 15
  15. 15. Destaque Sertãozinho reúne lide pelo emprego Carla Rossini O “Grito pela Produção e Emprego”, que reuniu trabalhadores, empresários e produtores, interditou por 40 minutos o tráfego na Rodovia Attílio Balbo (que liga Ribeirão Preto a Sertãozinho), no último dia 16. De lá, os participantes seguiram em passeata até o centro de Sertãozinho. O movimento interditou por 40 minutos o tráfego na Rodovia Attilio Balbo O movimento foi organizado pelo Ceise BR e Sindicato dos Metalúrgicos e contou com o apoio da Canaoeste, Sindicato do Comércio, Sindicato de Massas, Sindicato dos Motoristas, ACIS (Associação Comercial e Industrial de Sertãozinho), CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) e Prefeitura Municipal de Sertãozinho. O “Grito pela Produção e Emprego” resultou na Carta de Sertãozinho, que será entregue ao governo federal (leia texto nesta página). Segundo Élio Cândido, que preside o Sindicato dos Metalúrgicos de Ribeirão Preto, Sertãozinho e Região e é diretor da Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo, o “objetivo é demonstrar o quanto os municípios estão sofrendo com o aumento das demissões e falta de perspectivas para a produção”, esclareceu. O prefeito de Sertãozinho, Nério Costa, e os vereadores Ricardo Almussa e Elizeu Costa estiveram presentes no movimento para demonstrar o apoio do poder público à mobilização. “Não podemos ficar de braços cruzados esperando a crise passar. Temos que arregaçar as mangas e demonstrar nossa insatisfação com essa situação”, afirmou o prefeito. Entre as medidas reivindicadas pelos trabalhadores e empresários está a mudança na tributação do ICMS do álcool anidro, repassando o imposto para os municípios produtores de cana, a exemplo do que já ocorre com o hidratado. Pelas regras atuais, o ICMS é revertido 16 Revista Canavieiros - Abril de 2009 aos municípios onde estão as bases da Petrobras e fazem a mistura de combustíveis e os distribuem. Segundo o prefeito Nério Costa, “municípios como Paulínia, por exemplo, ficam com o bônus do álcool anidro, em detrimento dos mais de 300 municípios paulistas que produzem a cana-de-açúcar e que arcam com o ônus”. CARTA DE SERTÃOZINHO É sabido que a crise econômica iniciada em 2008 é mundial e tem impactado negativamente a grande maioria dos países. No Brasil, os efeitos foram igualmente sentidos. Indicadores econômicos e de emprego sinalizam que quase todos os setores têm sentido os efeitos desta crise. Alguns setores em especial, como o setor sucroalcooleiro, sentiram mais significativamente os efeitos da crise justamente por estarem em pleno crescimento. Os impactos da queda no setor chegaram a toda a cadeia produtiva: fornecedores e produtores de cana-de-açúcar, indústria de bens de capital, unidades produtores de açúcar, etanol e energia, engenharias, fundições, empresas de automação industrial, e um sem-fim de pequenas indústrias fornecedoras. Sertãozinho e região, sabidamente o maior pólo sucroalcooleiro do país e do mundo, sentiram igualmente a queda do setor. Isto impactou diretamente a arrecadação municipal, o comércio local e principalmente questões sociais ocasionadas pelo desemprego. Por sua vez, o aumento do índice de desemprego impacta negativamente renda per capta e todas as variáveis anteriormente citadas, gerando um ciclo negativo da economia local. Neste cenário de crise, muitas variáveis não podem ser controladas, tampouco modificadas. Entretanto, governos federal, estadual e municipal devem atuar diretamente com objetivo de minimizar tais impactos provocados pela crise. Entende-se que há elevado interesse dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário em tomar decisões e desenvolver ações que possam proporcionar uma melho-
  16. 16. Destaque eranças em movimento o e produção ra nas condições de empresas e comunidade, mas se percebe que muitas das ações são lentas e pouco eficazes. Não se pretende buscar culpados, nem se coloca aqui toda a responsabilidade no poder público. Não se pode confundir as reivindicações da região com julgamentos pejorativos, como “choradeira de empresário”. Este é um movimento sério e propositivo. Seriedade também se espera do poder público. Pretendemos contribuir e fazer nossas proposições serem ouvidas. Propõe-se: · Estabilidade para todos os trabalhadores da cadeia produtiva sucroenergética pelos próximos seis meses. Condicionar esta estabilidade à liberação de financiamentos oficiais para as indústrias do setor. Ou seja, nenhuma indústria terá acesso ao crédito oficial se não respeitar esta estabilidade. · Determinação para que as distribuidoras de combustíveis só retirem o etanol das usinas ao preço que cubra, pelo menos o seu valor de custo. A BR Distribuidora, cujos lucros são astronômicos, deve começar este processo, evitando a continuidade desta brutal transferência de renda do setor produtivo para as distribuidoras que se vê nos dois últimos anos e que está desestabilizando toda a cadeia produtiva do setor de biocombustíveis. · Obrigar as distribuidoras a baixar, na mesma medida, os preços aos postos e estes, aos seus clientes. Quando o etanol aumenta na usina, o mesmo aumento é repassado imediatamente aos consumidores nos postos. Já quando o preço baixa nas usinas, ele não é repassado aos consumidores. · Imediato anúncio do zoneamento agrícola da cana-de-açúcar por parte do governo federal ao Estado do Rio Grande do Sul, onde há projetos de novas usinas dependendo deste anúncio oficial. Se há problemas com o zoneamento nos Estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, outros Estados, como o do Rio Grande do Sul não tem nada a ver com esta situação. · Imediata redução da carga tributária federal e estadual sobre as indústrias de bens de capital, o que viabilizaria os projetos de novas usinas. Cerca de 15 dos 30 projetos de novas unidades industriais estão suspensos. O Brasil é o único país do mundo que tributa a sua indústria de bens de capital. Esta desoneração, além de criar e manter de imediato empregos nas indústrias que fornecem máquinas, equipamentos, insumos, serviços e tecnologia às usinas, criaria também empregos nas novas unidades industriais com a viabilização destes projetos novos. · Flexibilização de critérios para tomada de recursos – Recursos disponibilizados pelo BNDES não chegam às empresas devido ao excesso de burocracia e existência de critérios extremamente rigorosos para captação dos recursos. Se há verdadeiro interesse em auxiliar as empresas, que se flexibilizem tais critérios. · Liberação de crédito com taxas de juros “praticáveis” às empresas – Há poucos recursos disponíveis para capital de giro, e quando estes são liberados possuem taxas elevadas. · Redução de impostos – A elevada carga tributária que inviabiliza investimentos e contratações. Redução de excessos no gasto do poder público daria possibilidade de redução de impostos, o que pode acarretar a uma queda muito pequena na arrecadação e, em alguns casos, até no aumento desta. · Investimento em infraestrutura – Obras do PAC ocorrem muito lentamente, sendo a maioria delas continuidade de projetos já existentes. O “custo Brasil” continua elevado. A região pouco tem sido beneficiada por obras do governo em infraestrutura. · Defesa da indústria nacional – Inúmeros países, notadamente os EUA, têm optado por proteger o mercado interno. O que acontece no Brasil e na região é que as indústrias estão perdendo competitividade contra empresas estrangeiras, com casos até de isenções fiscais a produtos estrangeiros. A queda na demanda mundial faz com que as empresas dediquem mais ao mercado interno, e caímos no cúmulo de, em alguns casos, pagar mais imposto que produtos importados. · Agilização de mecanismos de estocagem e do sistema de armazenamento de etanol. · Alongar dívidas tributáveis. · Flexibilização das linhas de crédito definidas pelo governo federal e BNDES, tais como: PRODECOOP, PEC, PROGEREN, REVITALIZA entre outros. · Extensão da redução de IPI além de automobilístico e construção civil, para máquinas industriais, entre outros. · Mudança na distribuição do retorno do ICMS do álcool anidro, transferindo-o para os municípios produtores de cana, a exemplo do que já ocorre com o álcool hidratado. Hoje este ICMS só contempla os municípios que mistura e distribuem o álcool anidro, ou seja, estes poucos municípios ficam com o bônus do álcool anidro enquanto que os mais de 300 municípios canavieiros do Estado de São Paulo arcam com o ônus da sua produção. Assim fazendo, temos certeza de que o governo será instado a criar ferramentas eficientes e práticas para a retomada do crédito e outras medidas, que permitirão movimentar seguramente as engrenagens da atividade econômica. Revista Canavieiros - Abril de 2009 17
  17. 17. Notícias Cocred Balancete Mensal Cooperativa de Crédito dos Plantadores de Cana de Sertãozinho BALANCETE - FEVEREIRO/2009 Valores em Reais 18 Revista Canavieiros - Abril de 2009
  18. 18. Revista Canavieiros - Abril de 2009 19
  19. 19. Reportagem de Capa Mesmo sob crise, a Agrishow e Da redação Maior feira de tecnologia agrícola da América Latina acontece de 27 de abril a 2 de maio e estima gerar R$ 870 milhões em negócios A 16ª edição da Agrishow- Ribeirão Preto, que acontece de 27 de abril a 2 de maio, espera superar os resultados do ano anterior e movimentar R$ 870 milhões, embora o evento aconteça sob influência da crise financeira mundial, que provocou escassez e encarecimento do crédito. Agrishow 2008 Cerca de 140 mil visitantes devem passar pela feira, segundo os organizadores. Na edição anterior, foram 745 expositores e para este ano devem participar 770. A área de exposição foi projetada para ser maior e terá 145 mil metros quadrados. O presidente da Agrishow, Cesário Ramalho da Silva, destaca que um dos seus objetivos à frente do evento é trazer novos setores ligados ao agronegócio, que ainda não participam do evento. "O Brasil precisa de um evento como a Agrishow, que tenha a capacidade de mostrar a grandeza e a força do país no segmento", afirma. Esta edição não trará as montadoras de tratores e colheitadeiras ligadas à ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), como a Agco, Agrale, CNH, John Deere. As empresas alegam o alto custo da participação na feira. Esse vácuo, no entanto, poderá ser a oportunidade para as pequenas montadoras. A Tramontini, por exemplo, fabricante nacional de máquinas agrícolas voltadas, principalmente, para a agricultura familiar, deverá lançar dois novos tratores, de 32 cv e 50 cv, além de expor sua linha de microtratores. A Starmag, instalada em Sertãozinho, irá apresentar sua colhedora de cana e transbordo direcionados para produtores de cana, alambiques, destilarias e usinas. 20 Revista Canavieiros - Abril de 2009 A Agrishow é uma iniciativa da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) em conjunto com a Abag (Asso- ciação Brasileira do Agribusiness), Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos) e SRB (Sociedade Rural Brasileira). Secretário transferirá gabinete para a feira Durante a semana da Agrishow, o gabinete do secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, João Sampaio, será transferido para a feira. Além disso, a secretaria realiza uma agenda de eventos com apresentação de novas variedades, programas e ações desenvolvidas pelos seus institutos de pesquisa, órgãos de assistência técnica e defesa agropecuária. (Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista), apresenta suas linhas de financiamento com juros de 3% ao ano e prazos de pagamento de até cinco anos aos produtores rurais paulistas. O grande destaque é o Pró-Trator, crédito a juro zero para a compra de tratores novos, um programa inédito e que está em andamento em todo o Estado de São Paulo. No estande, o visitante poderá ver as mais recentes variedades de grãos, cana e fibras feitas pelas áreas de pesquisa da secretaria. Haverá exposição de ações na área de sustentabilidade ambiental dentro do programa de microbacias. Na área de acesso ao crédito, a secretaria, por meio do FEAP Na Defesa Agropecuária, a secretaria lança a 1ª etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa no dia 1º de maio na própria Agrishow. Este ano, a grande novidade é que o pecuarista terá a obrigatoriedade de vacinar somente os animais com até 24 meses e não mais o rebanho todo.
  20. 20. Reportagem de Capa espera superar 2008 Próximas edições em discussão A permanência da Agrishow em Ribeirão Preto ainda não foi confirmada pelos organizadores, liderados pela Abimaq. Desde setembro do ano passado, quando a Prefeitura de São Carlos e a diretoria da Abimaq apresentaram ao presidente Lula projeto para a construção de uma Cidade da Bioenergia em área de Embrapa, discute-se a transferência da Agrishow para aquela cidade. O convênio que prevê o repasse de R$ 53 milhões do governo federal para São Carlos foi assinado em dezembro e, pelo projeto apresentado, esta seria a última edição da Agrishow em Ribeirão Preto. Desde março, no entanto, as conversas tomaram um outro rumo. A Abimaq negocia com o governo do Estado a permanência da Agrishow até 2014. O anúncio é aguardado para a abertura da feira, no dia 27. Enquanto isso, a Secretaria Estadual de Agricultura prepara a minuta para a renovação do convênio que prevê a cessão da área para a realização do evento por mais cinco anos. AAgrishow é realizada na área que pertence ao Estado, conhecida como Fazenda Experimental, desde a primeira edição. Em 2005, o então secretário da Agricultura, Duarte Nogueira, assinou convênio com a Abimaq assegurando a realização da feira no local por, no mínimo, cinco anos, prazo máximo permitido pela Constituição do Estado para cessão de área pública. O término do prazo neste ano motivou a polêmica sobre a transferência da feira para outra cidade. A exemplo de 2008 a Revista Canavieiros estará com estande na Agrishow 2009 Serviço Local: Polo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronégócios do Centro-Leste / Centro de Cana - Rodovia Antonio Duarte Nogueira Km 321 Data: 27 de abril a 2 de maio de 2009 Horário: Das 8 às 18 horas Preço por visitante: R$ 20, 00 Preço estudante: R$ 10,00 Estacionamentos: o valor cobrado pelo estacionamento não está incluso no valor do ingresso. Há dois estacionamentos; um no sentido Sertãozinho/ Ribeirão Preto que dá acesso direto ao evento e outro no sentido Ribeirão Preto/Sertãozinho, de onde os visitantes são transportados de trenzinho até as bilheterias. Revista Canavieiros - Abril de 2009 21
  21. 21. Ponto de Vista Agrishow é tecnologia Agrishow é tecnologia Cesário Ramalho da Silva* É Agora também, é hora das empresas investirem na divulgação de seus produtos e serviços, na interação com os clientes, a fim de criar um ambiente favorável a novos negócios. Com os pés no chão, claro, de acordo com a realidade atual, mas sempre com otimismo. A Agrishow não é mercado, é tecnologia. Se vendermos um pouco menos nesta edição, é natural, pois significa o amadurecimento e o conhecimento de gestão do produtor. Conjuntura do agro - O fato é que a crise não atingiu, com a mesma intensidade, o setor rural como um todo. Grãos e pecuária foram atingidos, mas em escala menor que o segmento sucroalcooleiro, por exemplo. O agronegócio da cana-de-açúcar (usinas, produtores) sofre mais com a falta de crédito, já que estava em um processo de grandes investimentos antes do agravamento da crise. A maioria das usinas estava em proces- 22 Revista Canavieiros - Abril de 2009 foto: J.Reis neste momento de crise que o produtor tem mais necessidade de comparecer à feira, para tomar conhecimento das novidades tecnológicas, que farão a diferença na sua atividade. Isso porque a terra é apenas um dos insumos da produção rural. Sem adição de tecnologia, um pedaço de terra não basta para uma agricultura e pecuária competitivas e sustentáveis. so de ampliação, em razão das boas expectativas de venda e exportação de álcool e açúcar. A coisa mudou. Nesta safra de cana, poderemos ter algumas dificuldades de pagamento aos produtores pela matéria-prima entregue à indústria. Usinas estão sem capital de giro e não têm garantias para dar aos bancos para captar novos recursos. Futuro - A ONU prevê que o mundo terá que aumentar em 50% a produção de alimentos até 2030 e dobrar até 2050. O Brasil é o país que reúne as melhores condições para fornecer alimentos e energia limpa e renovável, que o planeta tanto precisa. Disponibilidade de terras, clima favorável, variedade de solos, estoque de água doce são importantes vantagens que temos. Isso sem contar o perfil empreendedor e a competência dos produtores rurais. Temos muitos desafios, mas, caros amigos, tenho certeza que nosso amanhã é positivo. * presidente da Agrishow e da SRB (Sociedade Rural Brasileira)
  22. 22. Revista Canavieiros - Abril de 2009 23
  23. 23. Assuntos Legais Georreferenciamento de imóveis rurais - prazos, reflexos e consequências C omo é de conhecimento público, com a publicação da Lei nº 10.267/2001 (Lei do Georreferenciamento) e seus regulamentos, representados pelos Decretos nº 5.570/2005 e nº 4.449/2002, criou-se o CNIR (Cadastro Nacional de Imóveis Rurais), sendo gerenciado conjuntamente pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e pela Secretaria da Receita Federal, proporcionando um intercâmbio de informações com os Cartórios de Registro de Imóveis, além de fornecer dados para as mais diversas instituições públicas (federais, estaduais, municipais) e entidades ligadas ao meio ambiente rural nacional, a partir da descrição e identificação das propriedades rurais que devem ser feitas de acordo com a mais avançada técnica cartográfica. Em decorrência da legislação acima citada, é dever de todos os proprietários ou possuidores rurais promoverem a devida identificação de seus imóveis, por meio do competente memorial descritivo com os vértices limítrofes do imóvel rural devidamente georreferenciados de acordo com o Sistema Geodésico Brasileiro, observando-se os critérios técnicos fixados pelo INCRA, para, após, procederem a devida declaração de cadastro do imóvel rural. Salienta-se, porém, que referido georreferenciamento deve ser feito exclusivamente por profissional cadastrado no INCRA. O prazo para que os proprietários rurais procedam a retificação de seus imóveis, através do processo de georreferenciamento, expira em 2011. Referido processo nada 24 Revista Canavieiros - Abril de 2009 Revista Canavieiros - Abril de 2009 mais é do que uma descrição do imóvel rural utilizando informações geradas por satélite. Dessa forma, haverá uma medição precisa de todas as propriedades do país, identificando e localizando por satélite, precisamente, todas as delimitações da área. Cumpre informar que o prazo fixado na legislação já expirou para algumas propriedades, conforme tabela abaixo: - 21.01.04 – imóveis com área de cinco mil hectares ou superior; - 21.11.04 – imóveis com área de mil a menos de cinco mil hectares; - 21.11.08 – imóveis com área de quinhentos a menos de mil hectares; - 21.11.11 – imóveis com área inferior a quinhentos hectares Após esse prazo, ficam os proprietários que não fizerem essa descrição do imóvel e suas características, por satélite, impedidos de vender, subdividir, unificar, retificar o imóvel em questão ou ser esse imóvel objeto de qualquer ato judicial. Então, para aquele proprietário rural que ainda não realizou o Juliano Bortoloti - Advogado georreferenciaDepartamento Jurídico Canaoeste mento de seu imóvel rural, sugere-se que o regularize o quanto antes, com a medição devida, com os mapas e memoriais devidamente certificados pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), para, após, encaminhá-los ao Cartório de Registro de Imóveis. O problema desta exigência legal é que os prazos não serão suficientes para que todas as propriedades sejam adequadas, por diversas razões, entre as quais destacamos: o alto preço do georreferenciamento, a demora do INCRA em certificar os levantamentos topográficos feitos, a falta de profissionais capacitados para a realização do georreferenciamento, dentre outros. Inobstante isso, cumpre esclarecer que o principal objetivo dessa lei é formatar um novo mapa das propriedades rurais do Brasil, assim como o cadastro e a localização do imóvel rural para melhorar o planejamento das ações da administração pública, com ênfase na melhoria da produção, além de adequar a área tributável e, também, evitar casos de sobreposição de propriedades rurais entre os particulares e também de áreas públicas.
  24. 24. Revista Canavieiros - Abril de 2009 25
  25. 25. Informações Setoriais CHUVAS DE MARÇO e Prognósticos Climáticos e Prognósticos Climáticos No quadro abaixo, são apresentadas as chuvas do mês de MARÇO de 2009. Engº Agrônomo Oswaldo Alonso Assessor Técnico Canaoeste Na médias das observações (última linha), as chuvas de M ARÇO deste ano ficaram iguais a da média histórica. Abaixo (significativamente) das respectivas normais climáticas, foram as chuvas anotadas na Andrade Ac e Álcool, CFM, CentroCana IAC-Ribeirão Preto, Usina da Pedra. Mapa 1: Água Disponível no Solo entre 13 a 16 de MARÇO de 2009. O Mapa 1, ao lado, mostra claramente que o índice de Água Disponível no Solo, a 50cm de profundidade, no período de 13 a 16 de MARÇO, apresentava-se como médio a crítico na faixa Bauru - Sorocaba e no extremo Sudoeste do Estado de São Paulo; enquanto que, nas faixas Leste e Norte do Estado a Disponibilidade Hídrica do Solo mostravam-se favoráveis. 26 26 Revista Canavieiros - Abril de 2009 Revista Canavieiros - Abril de 2009 ÁGUA, usar s ÁGUA, usar s Protejam e preservem as n Protejam e preservem as n
  26. 26. Informações Setoriais Mapa 2: Água Disponível no Solo ao final de MARÇO de 2008. · Na Região Centro Sul, a temperatura média deverá ficar em torno da normalidade climática; · Quanto às chuvas para os meses de abril a junho, prevê-se que estas poderão “ficar” próximas às médias históricas nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste e no Estado do Paraná; · Como referência de chuvas na região:as médias históricas, pelo Centro Apta-IAC - Ribeirão Preto, são de 70mm em abril, 55mm em maio e 25mm em junho. Mapa 4:- Prognósticos de chuvas para a Região Centro Sul, pelo Consórcio INMET e INPE, no trimestre abril a junho (idêntico ao trimestres fevereiro-abril e março-maio), onde azul corresponde a normalidade climática e ligeiramente abaixo da média em amarelo. Elaboração CANAOESTE. Mapa 3: Água Disponível no Solo, a 50cm de profundidade, ao final de MARÇO de 2009. O Mapa 2 - MARÇO de 2008 - mostra que a Disponibilidade Hídrica do Solo encontrava-se crítica na faixa Meio Oeste. Ao final de MARÇO de 2009, vide Mapa 3, a baixa e crítica Disponibilidade Hídrica do Solo ocorreu na faixa Meio Sul do Estado. Para subsidiar planejamentos de atividades futuras, a CANAOESTE resume o prognóstico climático consensuado entre INMET-Instituto Nacional de Meteorologia e INPE-Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais para os meses de abril a junho. O fenômeno La Niña (contrário ao El Nino) mostra sinais de enfraquecimento entre abril a maio e deverá prevalecer a neutralidade até meados da primavera. sem abusar ! sem abusar ! nascentes e cursos d’água. nascentes e cursos d’água. A SOMAR Meteorologia, com a qual a CANAOESTE mantém convênio, elaborou prognóstico climático assinalando que, pela neutralidade dos fenômenos La Nina e El Nino entre abril/maio a meados da primavera, a probabilidade é a de que as chuvas, (pelo menos)nesta região de abrangência da CANAOESTE, poderão ser inferiores às respectivas médias históricas no decorrer dos meses abril e maio. Serão próximas das normais climáticas durante os meses de junho e julho, mas concentradas em poucos dias de chuvas. Ainda, durante o mês de julho, prevê-se temperatura média bem inferior às normais climáticas. Neste início de safra, evitem dúvidas quanto aos tratos mecânicos e químicos de soqueiras, consultem os Técnicos CANAOESTE. Revista Canavieiros - Abril de 2009 Revista Canavieiros - Abril de 2009 27 27
  27. 27. Pragas e Doenças Monitoramento e controle do Monitoramento e controle do bicudo da cana-de-açúcar, bicudo da cana-de-açúcar, Sphenophorus levis Sphenophorus levis Luiz Carlos de Almeida Erich Stingel Enrico De Beni Arrigoni I ntrodução - Sphenophorus levis, conhecido como bicudo da cana, é uma das mais importantes pragas da cana-de-açúcar. Semelhante ao bicudo do algodão, tem o dobro do tamanho, medindo cerca de 15 mm. Assemelha-se também a Metamasius hemipterus, praga de pouca importância. Ao contrário de M.hemipterus, S.levis não apresenta manchas nos élitros, apresenta pouca agilidade e tende a ficar imóvel quando manipulado. As principais diferenças entre as pragas estão resumidas no Quadro 1. seminada em 30 municípios próximos à região de Piracicaba, além de 23 municípios mais distantes, existindo a perspectiva de aumento de sua dispersão de ano a ano (Quadro 2). A disseminação da praga por meio do trânsito de mudas é a hipótese mais provável para explicar a rápida expansão da área infestada, visto que o inseto praticamente não voa e seu caminhamento é lento, com uma reduzida taxa de dispersão. Bioecologia - Este inseto é um besouro da família Curculionidae (Figura 1), que causa danos aos perfilhos e às bases dos colmos em desenvolvimento, afetando o “stand” da cultura e a produtividade das áreas infestadas. As fêmeas perfuram a Quadro 1 – Principais diferenças entre Sphenophorus e Metamasius. O Sphenophorus coloca seus ovos na base dos colmos e as larvas destroem a parte subterrânea da touceira (rizoma), matando os perfilhos ou a touceira inteira, causando preju- ízos de, em média, 20 a 23 toneladas de cana por hectare por ano nas áreas infestadas, além de significativa redução da longevidade do canavial. Atualmente a praga encontra-se dis- Figura 1: Adultos de Sphenophorus Levis base de colmos e de perfilhos e efetuam a deposição de ovos que darão origem às larvas (Figura 2) responsáveis pelos danos. O período de incubação dos ovos é de 7 a 12 dias. As larvas nascidas são brancas, ápodas, de hábitos subterrâneos e apresentam elevada sensibilidade ao calor e à desidratação. Figura 2: Larva de S. Levis Quadro 2 – Mapa de ocorrência de Sphenophorus Levis. 28 Revista Canavieiros - Abril de 2009 continua na página 30
  28. 28. Revista Canavieiros - Abril de 2009 29
  29. 29. Pragas e Doenças As larvas, ao se alimentarem, escavam galerias e danificam os tecidos no interior e na base das canas, podendo provocar a morte das plantas (Figura 3), falhas nas brotações das soqueiras e redução na longevidade dos canaviais, que muitas vezes não passam do segundo corte. O período larval é de 30 a 60 dias, quando se transformam em pupas. Estas formas desenvolvem em 7 a 15 dias, quando formam os adultos, que apresentam longevidade de 200 a 220 dias. As fases imaturas deste inseto duram 70 dias, podendo ocorrer até 5 gerações anuais. Prejuízos econômicos Figura 3 – Danos causados pelo ataque de Sphenophorus Levis. Os prejuízos provocados por Sphenophorus levis foram determinados em experimentos conduzidos em telados, em parcelas experimentais, submetidas a quatro níveis populacionais de Sphenophorus levis, determinando-se perdas de 0,55% a 2,08% na produção agrícola, de 0,08% a 0,33% na TPH e de 1,63% a 13,34% na margem de contribuição no sistema agroindustrial a cada 1% de colmos infestados por S. levis. Métodos de controle e manejo integrado O método mais recomendado para o controle da praga é o cultural, que consiste na destruição antecipada das soqueiras nas áreas infestadas, destinadas à reforma, preferencialmente no período de maio a setembro. O equipamento denominado Eliminador Mecânico de Soqueira (EMS) tem se mostrado eficiente no preparo de solo, visando ao controle de Sphenophorus (Figura 4). A eliminação mecânica da soqueira tem como finalidade destruir ou expor a população de larvas e pupas, portanto deve ser realizada quando a maior parte da população se encontra nestas fases. A seguir a área deverá ser mantida livre de plantas hospedeiras da praga e o próximo plantio deverá ser realizado o mais tarde possível, em março-abril, em ciclo de cana de ano e meio, reduzindo, desta forma, a probabilidade de infestação a partir dos adultos que normalmente estão presentes em maiores quantidades no período de janeiro a março. As mudas a serem utilizadas no plantio deverão estar isentas da praga, sendo originárias de áreas não infestadas ou tendo sido colhidas em sistema de corte basal alto com até 20cm acima do nível do solo (Figura 5). Figura 4 – Eliminador mecânico em operação em área atacada. Os métodos de controle que incluem a aplicação de inseticidas ou a distribuição de iscas tóxicas apresentam as desvantagens de necessitarem o dispêndio elevado com mão-de-obra e a necessidade de reaplicações constantes. Em relação às áreas destinadas ao plantio de cana incluindo os viveiros, recomenda-se o preparo antecipado e a inspeção das mudas provenientes do viveiro anterior, que deverão estar totalmente isentas de qualquer forma biológica da praga, sendo adotado o corte basal alto em situações de necessidade de uso de determinada muda com a presença da praga. Comentários dos gerentes regionais do CTC, Mauro Benedini e Armene Conde sobre a preocupação com a disseminação da praga: Figura 5 – Corte basal alto em área infestada para diminuir riscos de transporte formas biológicas de S.levis. 30 Revista Canavieiros - Abril de 2009 “O produtor rural deve ficar atento e evitar o plantio de mudas oriundas de áreas infestadas com Sphenophorus, pois apesar da praga se locomover pouco; pode também “caminhar” a oitenta quilômetros por hora na carroceria de um caminhão de mudas, como é alertado constantemente pelos pesquisadores do CTC como sendo sua principal forma de disseminação. Após a introdução da praga, o seu controle é difícil e caro; portanto todo o cuidado é pouco para se evitar a disseminação para áreas isentas da praga”.
  30. 30. Revista Canavieiros - Abril de 2009 31
  31. 31. Rotação de Cultura Safra de grãos cresce mais uma vez O clima e a boa distribuição das chuvas nas regiões produtoras do país nos últimos meses são os principais responsáveis pelo crescimento da safra atual de grãos, projetada pela Conab em 137,57 milhões de toneladas, crescimento de 1,7% ante a estimativa do mês de março de 135,32 milhões t. Os números foram divulgados no início de abril pelo secretárioexecutivo do Ministério da Agricultura, Silas Brasileiro, e pelo presidente da Conab, Wagner Rossi. O ciclo agrícola 2008/09 continua como o segundo melhor resultado da história do país, perdendo apenas para a colheita do período passado, de 144,13 milhões t. Uma das culturas com maior incremento desta edição é o milho, que saiu de 50,37 milhões t em fevereiro para 51,91 milhões t em março 32 Revista Canavieiros - Abril de 2009 (+3,06%). A soja e o arroz também tiveram a produção reajustada para cima: a oleaginosa de 57,63 para 58,14milhões t, e o cereal de 12,52 mil para 12,67 milhões t. Percentualmente, é o feijão que segue como a lavoura de maior destaque. Enquanto outras culturas registram retração em relação ao ciclo passado, a leguminosa apresenta aumento de 8,2%. As três safras (das águas, da seca e de inverno) neste ano devem chegar a 3,81 milhões de toneladas, a maior já alcançada no país. Mais de 65% dos grãos da safra de verão no Centro-Sul já foram colhidos, como milho, feijão, arroz e soja. O plantio da segunda safra nestas regiões está concluído. A exceção é o Nordeste, onde segue até maio. Trigo– A pesquisa trouxe, também, os primeiros números do trigo para o período2009/10. Se confirmado, o Brasil vai colher 13,1% menos que o de 2008/09, saindo de 6,02 para 5,23 milhões t. Na região Sul, principal pólo produtor, responsável por mais de 90% do cultivo, a colheita deve encolher 14,4%. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, o cereal crescerá, respectivamente, 4,4% e 1,1%. Para realizar a pesquisa, cerca de 70 técnicos da Conab estiveram em campo entre os dias 16 e 20 de março. Foram entrevistados produtores rurais, agrônomos e técnicos de cooperativas, secretarias de agricultura, órgãos de assistência técnica e extensão rural e agentes financeiros dos principais municípios produtores do país. Fonte: Conab
  32. 32. Aconteceu Faesp e OAB firmam OAB Faesp e OAB firmam OAB parceria em encontro parceria em encontro em Igarapava em Igarapava Carla Rodrigues N o dia 27 de março o Sindicato Rural de Sertãozinho esteve presente no encontro que reuniu autoridades do setor agrícola em Igarapava. O evento foi presidido por Fábio Meirelles, presidente do Sistema FaespSenar, e também contou com a presença de Luiz Flávio Borges D’urso, presidente da OAB de São Paulo, José Milton Soares Dallari, diretor do SebraeSP, e Francisco Sérgio Ferreira Jardim, superintendente Federal do Ministério da Agricultura. crise financeira mundial, medidas a serem tomadas pelo governo, a importância da agricultura para a economia do país, além de aproximar o produtor das lideranças do setor. Fábio Meirelles lembrou que “é preciso produzir para abastecer”. A finalidade do encontro foi avaliar o momento vivido pelo setor devido à Durante o evento, foi formalizado um protocolo de intenções entre o Sis- tema Faesp e OAB/SP para defender os direitos dos agricultores. O acordo já havia sido antes assinado pela Polícia Militar e Ambiental. O Sebrae/SP também esteve presente e destacou os próximos passos a serem dados por eles, como por exemplo, a busca por políticas governamentais para apoio a micro e pequena empresa. Revista Canavieiros - Abril de 2009 33
  33. 33. Cultura Cultivando a Língua Portuguesa Esta coluna tem a intenção de maneira didática, esclarecer algumas dúvidas a respeito do português Prezado Leitor: O Novo Acordo Ortográfico restringe-se à língua escrita, não afetando nenhum aspecto da língua falada. Elaborei algumas dúvidas, como na coluna passada, objetivando esclarecer as novas regras junto com as dúvidas do dia a dia do Português. Deixo claro, prezado amigo leitor, a necessidade de explicar a regra da dúvida, pois a intenção não é Renata Carone “decorar” a palavra, mas sim ter autonomia e segurança na escrita. Sborgia* Espero atingir a finalidade: esclarecimento! Com carinho - Renata “Só existem dois dias no ano em que você não pode fazer nada pela sua vida: Ontem e Amanhã”. (Dalai Lama) 1) Já foi anunciado a “nota de falecimento do trema”. Não se usa mais o trema, sinal colocado sobre a letra u nos grupos gue,gui,que,qui. Ex.: Antes do Acordo: bilíngüe, cinqüenta. Depois do Acordo: bilíngue, cinquenta. Porém, muita atenção: o trema permanece apenas nas palavras estrangeiras e em suas derivadas. Ex.: Müller- mülleriano Gisele Bündchen (modelo famosa e com trema!) Agora, prezado amigo leitor, posso ficar tranquila com o esclarecimento?! 2) A feiúra daquela garota dificulta paquerar Pedro. Depois do Novo Acordo, acredito que a garota não terá dificuldades na paquera! Regra Nova: palavras paroxítonas (penúltima sílaba forte), não se usa mais o acento no i e u tônicos (“fortes”) quando vierem depois de um ditongo (é a junção de vogal + semivogal ou semivogal + vogal na mesma sílaba). Ex.: Antes do Acordo: feiúra Depois do Acordo: feiura P.S.: feiura= i é semivogal u é vogal fe-iu-ra ( iu = mesma sílaba) MAS ATENÇÃO: se a palavra for oxítona (última sílaba tônica, forte) e o i ou u estiverem em posição final ou seguido de s, o acento permanece. Ex.: Piauí, tuiuiús... 3) “Discreto”, Pedro completa 50 anos sem avisar seus amigos, parentes... Vamos à explicação para depois comemorarmos! Adjetivo é uma palavra que modifica o substantivo, indicando qualidade (homem feliz), caráter (homem mortal), modo de ser (homem discreto) ou estado (homem doente). Advérbio é uma palavra invariável que modifica um adjetivo (muito feliz), um verbo (agir discretamente) ou outro advérbio (muito pouco), exprimindo circunstância de tempo, lugar, modo, dúvida, afirmação, negação, intensidade... A frase acima apresenta a palavra discreto, cujo significado é reservado em suas palavras e atos, prudente, recatado, modesto... (um adjetivo). Aqui, por questões semânticas, deveria, sim, conter um advérbio, pois não é Pedro quem é discreto, e sim o modo como ele comemorou seu aniversário: discretamente. A palavra usada teria de ser um advérbio, que modificaria o verbo comemorar, como poderia ser discretamente ou reservadamente. Ex.: Discretamente, Pedro completa 50 anos. Reservadamente, Pedro completa 50 anos. Há alguns casos - raros - em que se pode usar um adjetivo no lugar de um advérbio, sem que esse perca a sua qualidade de advérbio e a palavra em questão fica invariável. Ex.: Na propaganda de uma cerveja bastante conhecida, em que se diz a seguinte frase: “A cerveja que desce redondo”. Não é a cerveja que é redonda, e sim o modo como ela desce, por isso não há a concordância entre cerveja e redondo, ou seja, por isso redondo não está no feminino; é um advérbio; não um adjetivo. (advérbio porque é o modo como a cerveja desce: redondo) Outro exemplo: As aves voavam baixo naquele campo Explicando: Não são as aves baixas, mas sim o modo como voavam. É advérbio; não adjetivo. Prezado amigo leitor, segundo um ditado popular: quem quer viver muito precisa ter uma relação amistosa com os números! * Advogada e Prof.ª de Português e Inglês Mestra—USP/RP, Especialista em Língua Portuguesa, Consultora de Português, MBA em Direito e Gestão Educacional, escreveu a Gramática Português Sem Segredos (Ed. Madras) com Miriam M. Grisolia 34 Revista Canavieiros - Abril de 2009
  34. 34. Biblioteca “G ENERAL ÁLVARO TAVARES CARMO” A crise de 2008 e a economia da depressão Paul Krugman V encedor do Prêmio Nobel de Economia 2008, o autor Paul Krugman em “A crise de 2008 e a economia da depressão” relata acontecimentos sobre a economia globaliza, a maneira como encarar a crise e seus caminhos percorridos até os dias de hoje. E também alerta sobre como a falta de planejamento financeiro nos Estados Unidos pôde trazer prejuízos e graves conseqüências para o mundo. Anuário da Cana 2008 - Brazilian Sugar and Ethanol Guide Procana C om prazo de lançamento de um ano, o Anuário da Cana 2008 já está disponível na Biblioteca da Canaoeste, e mostra todas as inovações em tecnologia referente ao ano passado. Também apresenta a produção de cana, açúcar e álcool por unidade produtora e grupo econômico, além de matérias e artigos feitos por especialistas em várias áreas do setor agrícola. Os interessados em conhecer as sugestões de leitura da Revista Canavieiros podem procurar a Biblioteca da Canaoeste, na Rua Augusto Zanini, nº1461 em Sertãozinho, ou pelo telefone (16)3946-3300 - Ramal 2016 Revista Canavieiros - Abril de 2009 35
  35. 35. Agende-se Maio de 2009 75ª EXPOZEBU Empresa Promotora: ABCZ - Associação Brasileira dos Criadores de Zebu Tipo de Evento: Exposição / Feira Início do Evento: 28/04/2009 Fim do Evento: 10/05/2009 Estado: MG Cidade: Uberaba Localização do Evento: Parque Fernando Costa Informações com: ABCZ Site: www.expozebu.org.br/2009 Telefone: (34) 3319-3900 E-mail: marketing@abcz.org.br ENTEC$$ 2009 Encontro Nacional de Tecnologia para Segunda Safra Empresa Promotora: Fundação Rio Verde Tipo de Evento: Encontro / Simpósio Início do Evento: 07/05/2009 Fim do Evento: 09/05/2009 Estado: MT Cidade: Lucas do Rio Verde Localização do Evento: Centro Tecnológico Fundação Rio Verde - Rod. MT 449, Km 08 Informações com: Rodrigo Pasqualli Site: www.fundacaorioverde.com.br Telefone: (65) 3549-1161 E-mail: fundario@terra.com.br 36 36 Revista Canavieiros - Abril de 2009 Revista Canavieiros - Abril de 2009 V CBSoja Congresso Brasileiro de Soja e Mercosoja 2009 Empresa Promotora: Embrapa Soja Tipo de Evento: Congresso Início do Evento: 19/05/2009 Fim do Evento: 22/05/2009 Estado: GO Cidade: Goiânia Localização do Evento: Goiânia Informações com: F&B Eventos Site: www.cbsoja.com.br Telefone: (43) 3025-5223 E-mail: cbsoja@fbeventos.com SuperAgro Minas 2009 Empresa Promotora: Governo de Minas, Secretaria de Agricultura, Faemg e Sebrae-MG Tipo de Evento: Exposição / Feira Início do Evento: 27/05/2009 Fim do Evento: 07/06/2009 Estado: MG Cidade: Belo Horizonte Localização do Evento: Complexo Parque de Exposições da Gameleira /Expominas Informações com: Secretaria executiva Site: www.superagro.ima.mg.gov.br Telefone: (31) 3334.5783 E-mail: superagro@ima.mg.gov.br
  36. 36. VENDE-SE TRATOR MF 275 Hdivansi Ano: 2004= 2500 horas Tratar com: José Armando de Martins pelos telefones: (17) 3392-2624 ou (17) 9705-4284 - Viradouro - SP 85, 4x4 com gab santalano, 2003. - 01 trator Valtra - 1180, ano 99 com kits de ar, chupetão para cana e boca carregadeira stara. Tratar com Marco Aurélio pelos telefones: (17) 3325-2608 ou (17) 9619-3333 VENDE-SE VENDE-SE 01 caminhão MB 2216, traçado, ano/ Pick-up strada 03, cabine estendida , mod. 86 - 2º dono. Com excelente gaiola adventure ,cor prata, top de linha. pronta para plantio. Tratar com Leonardo pelo telefone Tratar com João pelo telefone (16) 9177-6227. 3942-6462. VENDEM-SE VENDEM-SE - 1000 ha na região do Triangulo Minei- 04 reboques canavieiros 02 eixos - ro-MG, formada em pastagens, 50 divisões modelo truck/galego, ano 2004. de pasto, curralama completa, a 20 km de 3 - 02 tratores Valtra BH 160, ano 2001 e usinas, casa com piscina e 6 suítes, R$ 2006, com kits de ar e chupetão para cana. 7.800.000,00 - Aceita imóveis como parte - 01 carregadeira de cana Valtra BM de pagamento (CRECI 84540-F). - Temos diversas áreas ótimas para loteamentos residenciais e industriais (Rodovia Anhanguera) no interior de SP (Araras, Piracicaba, Leme, Americana, etc.). Consulte-nos para maiores informações (CRECI 84540-F). Tratar com José Paulo Prado (19) 3541 5318 ou (19) 9154 8674 VENDE-SE Sitio de 4 alqueires com 2,5 alqueires formados em cana própria e mais 1,5 (1/2) alqueires formados em seringueira com idade de 18 anos total de mais ou menos 1200 pés de rim 600. Apropriedade fica a 7 km da Usina Continental, município de Colômbia. Aceito um trator no negócio (traçado linha média). Tratar com Lilian - Estância Shalon (ou Sitio Boa Esperança) - (17) 3326-5331 (17) 9169-1195 - (17)8126-8344 Revista Canavieiros - Abril de 2009 37
  37. 37. 38 Revista Canavieiros - Abril de 2009
  38. 38. Revista Canavieiros - Abril de 2009 39
  39. 39. 40 Revista Canavieiros - Abril de 2009

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