Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008

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Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008
Editorial

Mau tempo nos
canaviais

C

hegamos a nossa vigésima edi
ção falando de um assunto com
plicado para o produtor:...
Indice

EXPEDIENTE

Capa

CONSELHO EDITORIAL:
Antonio Eduardo Tonielo
Augusto César Strini Paixão
Clóvis Aparecido Vanzell...
Entrevista

Cesário Ramalho da Silva
Presidente da SRB (Sociedade Rural Brasileira)

"Falta de sensibilidade do
governo pr...
Entrevista
Revista Canavieiros: O ano co- ente de otimismo. Agora, as defici- este governo começou, o dólar estameçou com ...
Entrevista
mas em termos práticos, nada conseguimos. O que talvez esteja inibindo
essa ação é essa explosão de preços
em C...
Ponto de Vista

Quem é dono do
dinheiro público?
Manoel Carlos de Azevedo Ortolan*

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uma escuta telefônica envolvendo um...
Ponto de Vista

Os desafios do setor
canavieiro
João Sampaio*

A

agricultura canavieira, cada vez
mais, assume papel prep...
Ponto de Vista

Agenda estratégica
do álcool combustível
Marcos Fava Neves

M

uitos sistemas produtivos recebem admiração...
Ponto de Vista
e há fila de espera), observa-se que montadoras ainda resistem, caso de coreanas,
alemãs, japonesas, americ...
Notícias
Copercana

Copercana e Unesp firmam
parceria para o projeto
amendoim da safra 2007/08
Edgard Matrangolo Júnior
En...
Professor Dr. Modesto Barreto

Notícias
Copercana
Depoimentos
Segundo o gerente da UNAME, Augusto César Strini Paixão,
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Notícias
Canaoeste

Canaoeste assessora
Canaoeste assessora
produtores sobre
produtores sobre
questões ambientais
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Notícias
Canaoeste

das, utilização da área de Preservação Permanente e de Reserva
Florestal Legal;
7-) Elaboração, confec...
Notícias
Canaoeste

Consecana
Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo

CIRCULAR ...
Notícias
Cocred

Cooperados satisfeitos,
também, em Cravinhos
Marcelo Massensini

Agência completa sete anos com mais de 4...
Notícias
Cocred
Demonstração do
resultado do exercício
CÓDIGO CADOC: 44.1.6.040-1

Valores

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Revista Canavieiros - Feve...
Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008

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Reportagem de Capa

Safra A
Cristiane Barão

Preços em queda e estiagem trouxeram
cotação da cana na safra 2007/08 f

C

o...
Reportagem de Capa

Amarga

m nuvens carregadas sobre os canaviais;
ficará abaixo do custo de produção
“No ano passado, os...
Reportagem de Capa
A média histórica de chuvas para o
mês de setembro é de 51mm e 130mm para
outubro. O Centro de Cana do ...
Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008

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Destaque

Feicana/Feibio 2008:
Olhos voltados ao setor energético
Marcelo Massensini

Com mais expositores, a organização ...
Fazendinha do Recinto de Exposições
Clibas de Almeida Prado.
A vitrine foi preparada pelo engenheiro agrônomo Edson Raimun...
Informações Setoriais

CHUVAS DE JANEIRO
e Prognósticos Climáticos
e Prognósticos Climáticos
No quadro abaixo, são apresen...
Informações Setoriais
Mapa 2: Água Disponível no Solo ao final de JANEIRO de 2007.

Mapa 3: Água Disponível no Solo, a 50c...
Artigo Técnico

Como planejar a
implantação de um
canavial?

PARTE IV -

D

ando continuidade a Parte III desta série de a...
Artigo Técnico
Para estes veículos, deve-se utilizar de parâmetros de dimensionamento que são função da área de produção d...
Legislação

Queima de palha de
Cana-de-açúcar
mais uma vitória importante no
Tribunal de Justiça de São Paulo

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stimados...
Legislação

do de São Paulo), aproximadamente R$-446,40 por hectare queimado
sem as observâncias legais, além
de poder, ai...
Pragas e Doenças

Os danos do complexo
Broca-podridão
* Sizuo Matsuoka

C

omo qualquer outra, a lavoura
de cana-de-açúcar...
Pragas e Doenças
maior, entretanto, resulta do crescimento do fungo para os internódios além
daquele onde está a broca, ou...
Novas Tecnologias

Preços do amendoim
aquecem mercado de
equipamentos
Cristiane Barão

Fabricantes também apostam em novas...
Repercutiu
“O governo da Índia deveria considerar a
realização de reformas em sua política agrícola, como converter os atu...
Biblioteca

Cultura

Cultivando
a Língua Portuguesa

“GENERAL ÁLVARO
TAVARES CARMO”
"DESENVOLVIMENTO E NATUREZA: ESTUDOS P...
Agende-se
Fevereiro

de 2008

SUGAR AND ETHANOL BRAZIL 2008
Data: 04 a 06 de março de 2008
Local: Hotel Renaissance - Alam...
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  1. 1. Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 1
  2. 2. 2 Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008
  3. 3. Editorial Mau tempo nos canaviais C hegamos a nossa vigésima edi ção falando de um assunto com plicado para o produtor: o preço da cana. Com a queda nas cotações do açúcar e sem avanços significativos no comércio internacional de etanol, o preço da cana deve fechar a safra 2007/ 08 abaixo dos custos de produção. As projeções indicam preços até 30% inferiores, com a tonelada de cana ao redor de R$ 35,00, enquanto que o custo de produção pelos fornecedores situa-se entre R$ 41,00 a R$ 43,00. Nas safras 2006/07 e 2005/06 os preços médios da tonelada ficaram próximos de R$ 58,00 e R$ 46,00, respectivamente. Além do preço baixo, o produtor terá que lidar com outro grande problema: a queda da produtividade dos canaviais. Isso porque nos meses de setembro e outubro a região de Ribeirão Preto registrou um volume muito baixo de chuvas. A previsão é de que nesta região a queda poderá ser de 6,3% em produtividade para o início da safra. Na safra anterior, a redução, prevista em janeiro de 2007, foi de 8,2%. O entrevistado deste mês é o presidente da SRB (Sociedade Rural Brasileira), Cesário Ramalho da Silva. Para ele, é preciso que o governo incentive e apóie o agricultor. Ramalho também classifica o modelo de reforma agrária desenvolvido pelo governo como falido e na contramão do que acontece no mundo. “Nós estamos há quase 30 anos falando sobre a questão da reforma agrária, temos milhões de reais colocados, mais de 1 milhão de famílias assentadas e sem resolver os problemas”, diz. Na editoria “Ponto de Vista”, a Revista traz três artigos: o primeiro, escrito pelo presidente da Canaoeste, Manoel Ortolan, fala sobre corrupção e a “gastança” de dinheiro público. O segundo, intitulado “Os desafios do setor canavieiro”, traz a opinião do secretário da agricultura do Estado de São Paulo, João Sampaio, sobre o futuro do setor sucroalcooleiro. Por fim, o coordenador do Pensa – Ribeirão Preto, Marcos Fava Neves traz a sua “Agenda estratégica do álcool combustível”. Nas páginas da Copercana, temos uma reportagem escrita pelo Encarregado Técnico de Projetos da Uname, Edgard Matrangolo, que fala sobre a parceria com a Unesp – Jaboticabal para o Projeto Amendoim da safra 2007/08. As Notícias Canaoeste trazem uma matéria sobre o Departamento Jurídico da associação e sua área voltada ao direito ambiental. Conheça também a agência Cocred de Cravinhos e a opinião de cooperados da cidade sobre a cooperativa. O destaque deste mês fica para a Feicana/Feibio 2008 (Feira de Negócios do Setor de Energia). A feira – uma das mais importantes do setor de energia – acontece nos dias 26, 27 e 28 de fevereiro na cidade de Araçatuba e terá 300 expositores (10% a mais do que no ano passado) de máquinas, equipamentos e componentes, além de empresas do setor de serviços, sendo 230 no pavilhão interno e 70 na área externa. Estima-se que, neste ano, o evento movimente negócios no valor R$ 1,5 bilhão, meio milhão a mais que em 2007. O pesquisador da Canavialis, Sizuo Matsuoka, publica um artigo sobre uma mistura perigosa que assusta os produtores nessa época do ano: o complexo Broca-Podridão. O consultor da Canaoeste, Cleber Moraes, assina a 4ª parte de seu artigo que ensina como planejar a implantação de um canavial. Como de costume a Revista traz os prognósticos climáticos do Dr. Oswaldo Alonso, os artigos sobre legislação do Dr. Juliano Bortoloti, dicas de português, indicação de livros, agenda de eventos, repercutiu e classificados. Boa Leitura! Conselho Editorial Revista Canavieiros - Fevereiro dede 2008 Revista Canavieiros - Fevereiro 2008 3
  4. 4. Indice EXPEDIENTE Capa CONSELHO EDITORIAL: Antonio Eduardo Tonielo Augusto César Strini Paixão Clóvis Aparecido Vanzella Manoel Carlos de Azevedo Ortolan Manoel Sérgio Sicchieri Oscar Bisson Safra Amarga Preços em queda e estiagem trouxeram nuvens carregadas sobre os canaviais; cotação da cana na safra 2007/08 ficará abaixo do custo de produção Pag. Pag. 20 OUTRAS DESTA DESTA QUES CONSECANA Entrevista Pag. 16 Pag. 26 Cesário Ramalho da Silva Presidente da SRB (Sociedade Rural Brasileira) INFORMAÇÕES SETORIAIS "Falta de sensibilidade do governo preocupa" Pag. Pag. 05 Pag. 28 ARTIGO TÉCNICO Ponto de vista João Sampaio Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo LEGISLAÇÃO Pag. 30 Pag. 3 4 TECNOLOGIAS Os desafios do setor canavieiro Pag. Pag. Notícias 09 09 12 Copercana - Copercana e Unesp firmam parceria para o projeto amendoim da safra 2007/08 NOVAS Pag. REPERCUTIU Pag. 35 14 Canaoeste - Canaoeste assessora produtores sobre questões ambientais - Associados de morro agudo têm mais motivos para sorrir Pag. 36 Pag. 37 Notícias Pag. 38 Notícias 17 Cocred - Cooperados satisfeitos, também, em Cravinhos - Demonstração do resultado do exercício Pag. AGENDE-SE CLASSIFICADOS Pragas e Doenças Sizuo Matsuoka fala sobre os danos do complexo Broca-podridão 4 4 Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 COLABORAÇÃO: Marcelo Massensini PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO: Rafael H. Mermejo FOTOS: Carla Rossini Marcelo Massensini COMERCIAL E PUBLICIDADE: (16) 3946-3311 - Ramal: 2008 revistacanavieiros@copercana.com.br DEPARTAMENTO DE MARKETING E COMUNICAÇÃO: Ana Carolina Paro, Carla Rossini, Daniel Pelanda, Letícia Pignata, Marcelo Massensini, Rafael Mermejo, Roberta Faria da Silva, Talita Carilli. IMPRESSÃO: São Francisco Gráfica e Editora TIRAGEM: 7.500 exemplares CULTURA Pag. EQUIPE DE JORNALISMO: Carla Rossini – MTb 39.788 Cristiane Barão – MTb 31.814 Pag. Pag. 32 ISSN: 1982-1530 A Revista Canavieiros é distribuída gratuitamente aos cooperados, associados e fornecedores do Sistema Copercana, Canaoeste e Cocred. As matérias assinadas são de responsabilidade dos autores. A reprodução parcial desta revista é autorizada, desde que citada a fonte. ENDEREÇO DA REDAÇÃO: Rua Dr. Pio Dufles, 532 Sertãozinho – SP - CEP:- 14.170-680 Fone: (16) 3946 3311 www.revistacanavieiros.com.br revistacanavieiros@copercana.com.br
  5. 5. Entrevista Cesário Ramalho da Silva Presidente da SRB (Sociedade Rural Brasileira) "Falta de sensibilidade do governo preocupa" Cristiane Barão P ara o presidente da SRB, Cesário Ramalho da Silva, o governo precisa ter uma agenda pró-ativa, para o futuro, que incentive e apóie o agricultor. Segundo ele, o país tem cuidado apenas do passado, já que há questões, como a da rastreabilidade, que não foram resolvidas até hoje. Falta, na opinião dele, sensibilidade ao governo. Ramalho também classifica o modelo de reforma agrária desenvolvido pelo governo como falido e na contramão do que acontece no mundo. "Nós estamos há quase 30 anos falando sobre a questão da reforma agrária, temos milhões de reais colocados, mais de 1 milhão de famílias assentadas e sem resolver os problemas", diz. Depois de um ano como presidente interino da SRB, Ramalho tomará posse para um mandato completo, de três anos, no próximo dia 25. Pecuarista e produtor de grãos e cana no Mato Grosso do Sul e Minas, Ramalho foi também presidente da Câmara Setorial Paulista da Carne Bovina. Leia a entrevista completa a seguir. Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 5
  6. 6. Entrevista Revista Canavieiros: O ano co- ente de otimismo. Agora, as defici- este governo começou, o dólar estameçou com expectativa de safra re- ências de transporte, de portos, isso va a R$ 4,00 e hoje está entre R$ 1,70 corde e preços em bons patamares. continua. e R$ 1,75 e nós tivemos de nos adapO que pode prejudicar o setor? tar a isso, numa dificuldade muito Cesário Ramalho: Um fator de Revista Canavieiros: De que for- grande. Um setor como esse, que tão risco é o climático. Tínhamos uma ex- ma a crise norte-americana pode afe- positivamente tem contribuído com pectativa de chuvas difíceis pelo fe- tar o agronegócio brasileiro? o crescimento do país, não merecia nômeno La Niña. Na maioria do terriRamalho: Dependendo da gravi- receber essas coisas, como cobrar tório brasileiro, até o dia primeiro de dade da crise americana_ que já se IOF nas operações de crédito rural. fevereiro, tivemos um regime de chu- apresenta maior do que se imaginava Nossos concorrentes liberam de imvas adequado, com exceção de São e ainda ninguém determinou o fim postos os produtos de exportação. Paulo, onde a chuva atrasou e as la- dela_ haverá recessão, redução de Se nós não tivermos incentivos para vouras estão um pouco mais fracas, consumo e uma inversão de expecta- exportar, vamos fazer o quê? Preocumas nada de dramático. Em outras tiva. Se nós temos preços altos nas pa a gente essa falta de sensibilidaregiões, como o Centro-Oeste, as la- commodities em Chicago (na CBOT, de do governo com coisas como essa. vouras se apresentam bem. Outro ris- bolsa de mercados de futuros), cria co é a questão mercadológica. Há uma expectativa positiva. Agora, se Revista Canavieiros: Qual o preuma volatilidade muito grande. Por existe a expectativa de que os preços juízo e a expectativa do setor em remais que o produtor administre o seu poderão estar menores, aí as pessoas lação ao embargo da União Européia lucro, por meio de vendas à carne bovina brasileira? futuras etc, sempre sobra "O agricultor tem sofrido muito com Ramalho: A Europa é alguma coisa para vender muito importante para a essas questões estruturais, da na boca da safra, quando carne brasileira. Ela paga os preços se deprimem. logística, da falta de seguro, de dívidas 20% mais do que os outros Mas, não vejo riscos maiomercados. Das exportapassadas, do excesso de tributos" res. Os preços estão em ções brasileiras de 2007, a patamares excelentes e Europa foi responsável por isso supera o problema do câmbio em vão comprar menos, vão especular, 22% do volume das exportações de várias commodities, como grãos, vão fazer estoques. Os volumes dos carne e 33% da receita. Além disso, principalmente. Isso criou um ambi- mercados vão se reduzir com essa in- a Europa serve como referencial a segurança. países menores. Acredito que vamos superar. Há erros em todos os canRevista Canaviei- tos da cadeia e vamos corrigir. Varos: Com o pacote tri- mos aguardar a auditoria em cima butário, anunciado no das fazendas já auditadas pelo Miinício de janeiro, os nistério da Agricultura_ e espero que exportadores terão de essa auditoria tenha sido bem feita pagar IOF, enquanto pelo governo brasileiro. Eles (União os importadores, não. Européia) aprovando, vamos retorComo o setor avaliou nar à Europa, claro, mais devagar. esse pacote? Vamos demorar a voltar ao estágio Ramalho: O setor onde já estivemos. Mas o importanavalia mal. Acabou-se te é voltar. de divulgar que o saldo do agronegócio Revista Canavieiros: No ano pascresceu de US$ 40 bi- sado, a SRB divulgou um documento lhões para US$ 50 bi- onde alertava que o câmbio dilapidalhões. Um recorde. É va o setor. Houve alguma alteração um saldo que está sen- no cenário? O governo acenou para do produzido com alguma medida? muita dificuldade. O Ramalho: Absolutamente nada. agricultor tem sofrido Nós fizemos esse documento e conmuito com essas ques- seguimos causar uma boa repercustões estruturais, da lo- são no Congresso Nacional, provogística, da falta de se- camos uma audiência pública na Câguro, de dívidas pas- mara dos Deputados. Foi elaborado sadas, do excesso de um relatório muito bem feito pela Cotributos. E quando missão de Agricultura (da Câmara), “ 6 Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 Janeiro de 2008
  7. 7. Entrevista mas em termos práticos, nada conseguimos. O que talvez esteja inibindo essa ação é essa explosão de preços em Chicago. Nós precisamos voltar a fazer pressão porque de 2000 a 2006, enquanto os preços subiram 103%, a nossa receita cresceu 70%. Esse diferencial “comeu” toda a renda e fez o agricultor ficar endividado. movimentos sociais é quase o dobro da área brasileira plantada com grãos e não se conseguiu levar independência a esses indivíduos, que ainda dependem de ajuda do governo. Acho que o governo tem de ser mais corajoso e enfrentar essas dificuldades, enfrentar os movimentos sociais. Nós estamos há quase 30 anos falando sobre a questão da reforma agrária, temos milhões de reais colocados, mais de 1 milhão de famílias assentadas e sem resolver os problemas. Revista Canavieiros: Os pequenos e médios produtores reclamam que eles estão numa espécie de sanduíche, entre os agricultores familiares e os grandes produtores e que, dessa forma, são esquecidos pelo governo. O senhor concorda com isso? Ramalho: Eu me enquadro como médio produtor e é exatamente isso. O governo precisa ter mais Revista Canavieiros: Qual a atenção porque o médio produtor é avaliação sobre a política do goveraquele que nasceu no campo e perno para o setor? manece lá. Hoje temos grandes emRamalho: Acho que o governo presas entrando no setor, com exprecisa ficar mais perto da pectativa de renda. Se agricultura, tem de ter meamanhã não der certo, "Hoje temos grandes empresas didas mais pró-ativas, uma elas saem do negócio. O entrando no setor, com expectativa de agricultor não faz isso agenda de futuro, que incentive, que apóie o agrirenda. Se amanhã não der certo, elas porque a terra para ele cultor. Nós temos cuidado não é um produto de vensaem do negócio. O agricultor não faz da, mas um instrumento do passado: nessa questão da rastreabilidade, estamos produção. isso porque a terra para ele não é um de agriculturaEle é a base lutando há quase oito anos da brasileira. e isso nos tem atrapalhado produto de venda, mas um instrumento enormemente. A agricultuRevista Canavieiros: O de produção. Ele é a base da ra brasileira é feita sem subsenhor será empossado na sídios, enquanto quase toSociedade Rural Brasileiagricultura brasileira " dos os concorrentes subra no dia 25. Quais serão sidiam. Ela é bastante independente, as metas para esse novo período? eficiente, competitiva, mas nós temos Revista Canavieiros: O ministro Ramalho: Fui presidente interino questões estruturais que precisam do Trabalho propôs estender os be- durante um ano, substituindo o João caminhar mais rápido. nefícios da previdência a invasores. Sampaio, que virou secretário da Como o senhor avalia isso? Agricultura, e agora estamos inicianRevista Canavieiros: Qual a anáRamalho: Pessimamente. Acho do o nosso mandato de três anos. Eu lise sobre o modelo de reforma agrá- que o ministro foi profundamente tenho como foco melhorar a renda do ria adotado pelo governo? infeliz nessa questão. Ele provavel- produtor. Essa é nossa grande preoRamalho: Isso é falido. Refor- mente está querendo agradar algum cupação. Com toda pujança do agroma agrária é algo do século passa- setor político. Ele é candidato a pre- negócio, pouco lucro chega ao prodo. Um movimento inverso no sen- feito no ABC. Quer dizer que va- dutor. Segundo, é a sustentabilidade tido do mundo, em que as popula- mos contar tempo dos presidiários, da Rural, que é uma entidade nacioções se urbanizam, ao invés de se do pessoal que está invadindo e nal, se preparando para fazer 90 anos ruralizar. Temos de trabalhar para derrubando a Amazônia? Espero no ano que vem. E o terceiro foco é esclarecer que essa não é a solu- que isso seja revertido porque se introduzir uma geração nova e pasção. A solução, de repente, é cres- não for, a Rural (Sociedade Rural sar a Rural para uma nova represencer, é girar a economia, gerar rique- Brasileira) vai tomar as providên- tação do setor rural, mais jovem, com zas, empregos. A agricultura dos cia cabíveis. idéias novas. “ Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 7
  8. 8. Ponto de Vista Quem é dono do dinheiro público? Manoel Carlos de Azevedo Ortolan* N uma escuta telefônica envolvendo uma quadrilha que desviava recursos de pelo menos três municípios do Estado do Rio de Janeiro, o empresário André Wertonge diz a um assessor da prefeitura de Magé: “Este dinheiro não é de ninguém, é dinheiro público.” O diálogo, gravado pela polícia como parte das investigações e divulgado pela imprensa, prova muito além do que a existência de mais um grupo organizado para assaltar os cofres dos governos. Revela o desgaste de valores simples, que aprendemos desde crianças, como não se apropriar do que não nos pertence, respeitar o outro e de raciocínio e transformou-se em já que esses são gastos protegidos saber que o que é público é de todos mais um escândalo envolvendo di- por sigilo, sob o argumento de gae, assim, precisa ser respeitado e tra- nheiro público. Esses cartões são rantir a segurança do Presidente da tado até melhor do que se fosse nos- utilizados desde 2001 por mais de República. Só da análise dos 25% dos so. No entanto, não por acaso a ga- 6.000 servidores do Executivo fede- gastos que são publicados na internância é um dos sete pecados capi- ral para saques em dinheiro ou para net, já descobrimos que o dinheiro tais: o desejo pelo dinheiro corrói os compras consideradas urgentes. No público serviu para pagar joalheria, princípios dos mais fracos de cará- ano passado, os gastos somaram R$ choperias e churrascarias, comprar tapioca, aparelhos de giter. E, quando não há mais nástica, patrocinar finais valores morais, a oportuNinguém traz escrito na testa se é de semana em família em nidade faz o ladrão. honesto ou não. Assim, não dá para hotéis luxuosos, compras Ninguém traz escrito adivinhar quem está apto a tratar com em mercadinhos e reforma de mesa de bilhar. na testa se é honesto ou o dinheiro público. não. Assim, não dá para Fico imaginando o que adivinhar quem está apto a tratar com o dinheiro público. A 75,6 milhões, um acréscimo de 129% pode ter sido feito com o dinheiro que punição se faz necessária para de- em relação ao ano anterior, quando foi sacado na boca do caixa, sem qualsestimular a ação dos desonestos. as despesas contabilizaram R$ 33 mi- quer controle. Assim como o empreOnde há impunidade, as quadrilhas lhões. Em 2005, foram gastos R$ 21,7 sário de Magé, todos esses que usase proliferam. Assim, grupos orga- milhões e em 2004, R$ 14,5 milhões. ram indevidamente o cartão corporanizados que desviam recursos pú- O governo alega que o uso é trans- tivo pensam que, por ser dinheiro públicos estão por toda parte, envol- parente apenas porque divulga na in- blico, não tem dono. Pelo contrário, vem servidores, prestadores de ser- ternet uma pequena parte das fatu- todos somos donos porque nós é que pagamos essas faturas. Enquanto viços e até funcionários de alto es- ras desses cartões. houver impunidade para alimentar calão dos governos. No fundo, o No entanto, 75% das despesas do essas distorções, vamos continuar que os move é o afã de se apoderar do que é público, crentes de que ano passado referem-se a saques em ouvindo que o governo não tem redinheiro, o que torna impossível cursos para investir, que será necesnada irá acontecer a eles. qualquer tipo de fiscalização e con- sário criar mais imposto para melhoO uso dos cartões corporativos trole. R$ 58,7 milhões foram usados rar a saúde e que dinheiro público do governo segue essa mesma linha não se sabe onde e por qual motivo, não é de ninguém. “ 8 Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 2007
  9. 9. Ponto de Vista Os desafios do setor canavieiro João Sampaio* A agricultura canavieira, cada vez mais, assume papel preponderante dentro da produção agropecuária brasileira e, particularmente, no Estado de São Paulo. Torna-se centro de referência dentro do desenvolvimento tecnológico, na procura por alternativas de produção e processamento e também na evolução de suas aplicações à vida moderna. Para isto, São Paulo necessita buscar incessantemente a superação de desafios impostos pelos nossos compradores e da sociedade como um todo. Aliado a estes desafios, a cadeia produtiva sucroalcooleira precisa manter o equilíbrio entre os seus elos produtivos. Como podemos observar, o desafio é grande, modernizar-se, sem perder o foco: produzir dentro do espectro do equilíbrio econômico, social e ambiental. As implicações ambientais têm sido amplamente discutidas, mas as suas correspondentes sociais e econômicas nem tanto. Neste artigo, vou me ater ao papel e o desempenho do produtor de cana, este que muitas vezes fica alijado das grandes discussões a que o setor tem passado. Para melhor ilustrar a sua importância e influência, vamos utilizar a performance da cana-de-açúcar na safra que se encerrou. A cana ocupa hoje 4,8 milhões de hectares da área ocupada com atividade agrícola e/ou proteção natural do Estado de São Paulo, que é de cerca de 22 milhões de hectares. Portanto, sua área corresponde a quase 20%. Mas quando observamos os números de sua representação econômica, percebemos a sua importância para o equilíbrio da cadeia. Na safra 2005/ 2006, a cana representava 45% no valor total da produção agropecuária paulista, totalizando R$ 15 bilhões de um total de R$ 33 bilhões produzidos dentro das porteiras de nossas propriedades. Foi o ano da explosão do plantio e do preço da cana. Pois então, em 2007, o revés da cana foi sentido no bolso do produtor e também nos números do Estado. A cana registrou rendi- mento de R$ 11,18 bilhões, 25% inferior a 2006. O preço médio caiu 32,69%. Mesmo com o crescimento na produção de 12,19%, o valor da produção sofreu substancial redução. Este decréscimo diminuiu a participação da cana no valor da produção agropecuária total de 2007 ficando em 36,6%. A nossa renda total do Estado registrou queda e ficou em R$ 30,6 bilhões. O que todos esses números significam? Menos remuneração ao produtor de cana. Recebi inúmeras representações de produtores registrando a venda da tonelada de cana a R$ 55,00 em 2006 e que na safra passada alcançaram somente R$ 24,00. Sem contar histórias de produtores que eram avisados pelo seu comprador de que não compensava recolher a cana cortada. Tudo isto nos mostra que os ciclos agrícolas estão cada vez mais rápidos e que as influências do mercado provocam desequilíbrios de renda dentro das cadeias com uma velocidade ainda maior. O agricultor seja ele de cana ou pêssego precisa estar antenado com as informações de mercado e, mais que isto, fazer a gestão dos seus negócios. E ,talvez, o elo mais desprotegido nestes quesitos seja mesmo o produtor e, isto não é prerrogativa somente dos canavieiros, mas do agricultor em geral. Neste quadro, o seu agrupamento em cooperativas e associações é essencial para a sua proteção. Mas os ciclos e ciclones passam. Para este ano, as perspectivas são bem melhores. Aquela febre do etanol arrefeceu, a rotação cana/grãos voltará a acontecer com a recuperação dos preços das principais commodities, então a cana também tende a se normalizar. A agricultura deve ser assim com amplo equilíbrio, quando um sobe, todos sobem, ou ainda na melhor das hipóteses, todos permanecem igualmente em harmonia. * João Sampaio é produtor rural e Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 Revista Canavieiros - Janeiro 9
  10. 10. Ponto de Vista Agenda estratégica do álcool combustível Marcos Fava Neves M uitos sistemas produtivos recebem admiração minha, mas a cana é especial. Sua história, o beneficio que trás para o Brasil, sua liderança mundial e por ver o desenvolvimento econômico das regiões produtoras. A cana ganhou uma legião de novos defensores, articulistas, nos últimos anos. Faço parte dos velhos entusiastas do setor, escrevendo há mais de 15 anos. Mas confesso estar preocupado com a sustentabilidade, que se divide no tripé economia, pessoas e planeta. Vou focar nos dois primeiros, pois o terceiro vem sendo discutido. O que se observou em 2007 não é sustentável em termos econômicos e de pessoas/distribuição de renda. Diversos investimentos foram feitos em expansão produtiva confiando no mercado interno e externo de álcool. Somado ao fato do preço do açúcar estar baixo, praticamente os produtores de cana e usinas terminam o ano sem lucro nenhum, comprometendo o crescimento. Fora isto, percebe-se que, para exportar o etanol, a cada dia é colocada uma nova dificuldade por nossos compradores potenciais. Muita bobagem é dita, inclusive com a injusta comparação do etanol de milho e outros grãos, com o etanol de cana. Talvez precisemos mudar o nome do produto, passando a se chamar "cane-ethanol ou canethanol", mas ações internacionais é tema para outro artigo. Quanto mais forte (em capacidade de consumir) e flexível (podendo reverter para gasolina ou gás) for o mercado interno, mais sustentabilidade econômica e distribuição de renda teremos. Vejo problemas na próxima safra, mais sérios que os desta. A produção vem firme, e teremos mais quase 5 bilhões de litros. E o consumo? Para isto proponho a "agenda 10 do álcool", composta por pontos a serem trabalhados por Governo, organizações e setor privado. 1 10 Os pontos principais que Governos Federal e Estaduais poderiam atacar, envolvem questões tributárias e de regulamentação. (1) Urge que o álcool tenha a alíquota de ICMS reduzida para 12% em todos os estados e ligeira redução de outros impostos federais. Agora que praticamente todos estados terão produção, esta redução de arrecadação será compensada em parte pela produção, pelos investimentos que foram e estão sendo feitos, pelos salários gerados e outros impostos arrecadados. Fora os benefícios ambientais e de interiorização do desenvolvimento. Pode-se também (2) estudar se a faixa de adição do anidro na gasolina poderia ser ampliada, dos atuais 20 a 25%, para 18 a 28%. Muitas pessoas com carros a gasolina já fazem esta adição maior por conta própria. Assim, em casos de grande produção, o uso de 28% poderia ajudar no consumo, e vice-versa. Muitos países neste momento fazem suas regulamentações com relação aos biocombustíveis, dizendo as proporções de adição, entre outras. Se o Brasil quer ser um país verde em termos de combustíveis, sou favorável a que (3) a partir de 1 de janeiro de 2010 apenas automóveis novos "flex fuel" tenham autorização para emplacamento. Apesar do mercado sinalizar favoravelmente (recentemente uma camionete cabine dupla saiu com motor flex-fuel, Fava é Professor de Planejamento, Estratégia e Marketing da FEA/USP Ribeirão Preto. Coordenador do Pensa e Markestrat. (mfaneves@usp.br) Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008
  11. 11. Ponto de Vista e há fila de espera), observa-se que montadoras ainda resistem, caso de coreanas, alemãs, japonesas, americanas e o consumidor brasileiro não tem acesso a carros maiores bicombustíveis. Estima-se que grande quantidade de veículos baratos entrará no Brasil, vindos da China e Índia, e não se pode correr o risco que venham à gasolina. Até 2010, as montadoras teriam tempo suficiente para fazer esta simples adaptação, e desovar estoques atuais. E poderiam, tal como as francesas, exportar estes carros e motores levando a tecnologia e consumo a outros mercados. Ainda na agenda Governamental, é necessário pensar em alterações na arrecadação dos impostos e (4) permitir vendas diretas de álcool das usinas para os postos de gasolina. Com toda a inegável eficiência das distribuidoras de combustível, ainda, por menores que sejam as distâncias, existe passeio desnecessário do álcool e em alguns casos, intermediação adicional. Esta liberalização contribuiria para um mercado mais competitivo. Vendas diretas. A indústria de motores pequenos e grandes (5), precisa estudar motos movidas a álcool e também a adaptação de motores grandes (diesel) para o álcool com as novas tecnologias (já feito por uma empresa sueca e universidade), visando o mercado dos caminhões dos fornecedores de cana e das Usinas (e tratores) e de ônibus urbanos. Usinas abastecendo sua frota de caminhões com o próprio álcool, em regime de tributação privilegiada, teriam seu custo reduzido, podendo ser repassado aos preços. Mais ambientalmente correta seria esta cadeia produtiva, pois o grande volume de diesel consumido nas suas operações, entra negativamente na conta da sustentabilidade da cana. As Usinas são conservadoras em avançar nos canais de distribuição. Poderiam (6) montar joint-ventures e entrar no mercado de distribuição de álcool, com uma gestão independente, comprando distribuidoras hoje existentes ou montando novas, autorizadas a funcionar pelo Governo. Em formas organizacionais associativas (franquias ou joint-ventures), (7) podem montar postos de combustível nas cidades. Estes não competiriam com as redes existentes (seriam poucos), mas seriam postos "conceito" (o nome da rede poderia ser verde ou "green"), e serviriam para: direcionar os preços varejistas do álcool (dificultando a ação de cartéis), e comunicação da imagem com o consumidor, pois estes postos seriam decorados com a cadeia da cana e com material de comunicação, plantio de árvores, enfim, uma rede "eco". Venderiam gasolina e diesel, mas em 80% das bombas, álcool. O conceito "loja de fábrica". Em convênio com prefeituras e empresas (8), ônibus urbanos poderiam ser testados a álcool (a UNICA vem fazendo isto), em escala muito maior. Na Suécia são 600, com custo apenas 3% superior! Seriam pintados e decorados com a cadeia produtiva, e a população teria conhecimento, informação, seja através de suas paredes, por folders, vídeos, afinal, é um momento onde todos gostariam de ler algo. Mudando rotas, em 4 a 5 meses já teriam "falado" com a população usuária. Além da melhoria nas condições do ar, seria um canal de comunicação permanente do setor com a comunidade. Está claro que a Petrobras (9) terá condições de exportar gasolina pronta para consumo, já adicionada de anidro. Caiu no colo da Petrobras a chance de ser a primeira empresa petrolífera verde do planeta. A Petrobras tem um papel muito importante na imagem do álcool. E o álcool (e biodiesel) tem um papel muito importante na imagem da Petrobras. Finalmente (10), um plano permanente de comunicação integrada de marketing precisa ser trabalhado pela cadeia produtiva da cana, usando idéias criativas para que a sociedade brasileira de valor a este produto, reduzindo as resistências. A cadeia produtiva tem muitos pontos a serem resolvidos, desde a colheita, a queimada, a visada imagem da monocultura e da redução de produção de alimentos, a reforma do Consecana. Foram colocados 10 pontos no que esta sob o nosso controle: o mercado interno. Sendo maior e mais flexível terá condições de absorver excedentes de produção (por exemplo, 2008), mantendo a sustentabilidade econômica e de pessoas desta importante cadeia produtiva, agora, não mais paulista e nordestina, mas brasileira. O artigo é de autoria de Marcos Fava Neves e foi publicado como Opinião do Jornal Valor Econômico em 27 de dezembro de 2007, pagina A10. Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 11
  12. 12. Notícias Copercana Copercana e Unesp firmam parceria para o projeto amendoim da safra 2007/08 Edgard Matrangolo Júnior Encarregado Técnico de Projetos E m agosto de 2007 a Copercana criou na Unidade de Grãos (UNAME), um departamento técnico de grãos, composto de um engenheiro agrônomo e dois técnicos agrícolas, com a finalidade inicial de dar assistência técnica aos produtores do Projeto Amendoim safra 2007/08. Esse departamento, bem como funcionários de outros setores, trabalhou no recebimento do amendoim pela unidade e na elaboração de um Manual de Safra visando orientar os produtores quanto as melhores condições de colheita e entrega do produto. O departamento também realizou experimentos com a cultura do amendoim para orientar os produtores sobre os melhores produtos e técnicas a serem aplicadas em suas lavouras. Atualmente está sendo realizado um experimento de fungicidas em convênio com a Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) – Unesp de Jaboticabal sob a orientação do Professor Modesto Barreto, especialista em doenças de plantas. Realizam-se também outros testes, como tratamento de sementes com estimulantes, micronutrientes via foliar e adubação química via solo com um adubo polimerizado que reduz em aproximadamente 50% o volume recomendado em comparação com os adubos tradicionais. Os resultados obtidos serão informados posteriormente. Foi estabelecida uma consultoria com o professor Modesto Barreto que além de orientar os técnicos sobre as doenças da planta, está visitando as lavouras dos produtores que participam do Projeto Amendoim safra 2007/08. 12 Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 Márcio Rogério Fernandes (Assistente Técnico de Projetos), Edgard Matrangolo Júnior (Encarregado Técnico de Projetos), Antônio Mateus Benelli Júnior (cooperado) e Juliano José Valério (Técnico Agricola) A Copercana em parceria com o professor também colaborou na elaboração do Manual de Identificação e Manejo das Doenças do Amendoim, cujos exemplares foram cedidos gratuitamente aos produtores participantes do Projeto. Com relação à Produção Integrada do Amendoim, a cooperativa está com uma área piloto onde as aplicações de defensivos (inseticidas e fungicidas) são realizadas conforme os critérios definidos pela Produção Integrada. O departamento técnico de amendoim da Copercana é responsável pela condução dos campos de sementes, com o objetivo de fornecer aos pro-
  13. 13. Professor Dr. Modesto Barreto Notícias Copercana Depoimentos Segundo o gerente da UNAME, Augusto César Strini Paixão, “o objetivo nas próximas safras é continuar realizando as orientações aos cooperados, bem como estender a consultoria para as áreas de adubação e manejo de pragas (insetos) visando levar as melhores orientações aos produtores participantes do Projeto Amendoim. Cogita-se também criar um projeto semelhante ao do amendoim para a cultura da soja”. dutores grãos puros e com grau de germinação e vigor adequados a cultura. Atualmente está sendo realizado roguing (retirada de plantas indesejáveis) nos campos. O departamento realiza testes com novas variedades de acordo com o convênio firmado pela Copercana com o IAC (Instituto Agronômico de Campinas). Também está sendo testado atualmente a cultivar IAC – 213 (rasteiro vermelho) e duas alto oleícas: IAC – 503 e IAC – 505. Na opinião do professor Modesto Barreto, da Unesp – Jaboticabal, “o trabalho que a Copercana vem realizando junto aos seus cooperados é muito importante já que eles podem melhorar as condições da lavoura através do manejo adequado das doenças, controle racional e qualidade na aplicação de produtos químicos. Esse trabalho permite a redução dos custos de produção e também os impactos ambientais já que são usados menos produtos químicos no solo. Os produtores só têm a ganhar participando do projeto”. Segundo depoimento do cooperado Antonio Mateus Benelli Júnior, os produtores aprovam o projeto. “Essa iniciativa da Copercana beneficia muito os produtores de amendoim que todos os anos sofrem com as doenças nas lavouras. As orientações permitem uma prevenção das pragas e doenças o que reduz muito o custo de produção. Esse projeto é muito importante e deve ser realizado todos os anos”. Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 13
  14. 14. Notícias Canaoeste Canaoeste assessora Canaoeste assessora produtores sobre produtores sobre questões ambientais questões ambientais Marcelo Massensini Há oito anos, a associação mantém departamento que orienta e defende produtores nas questões de direito ambiental O s associados da Canaoeste sempre tiveram à disposição um departamento de assessoria jurídica que presta serviços em todas as áreas do direito. Mas, em 2000, eles passaram a contar com uma área específica de suma importância para agricultores e todos os produtores rurais: a área ambiental. A esse departamento cabe a tarefa de esclarecer as dúvidas dos associados e defender os seus interesses no que diz respeito às atuais questões agrário-ambientais, como: área de preservação permanente (APP), reserva florestal legal, queima de palha de cana, licenciamento ambiental administrativo, ações judiciais cíveis e criminais, laudos periciais, pareceres jurídicos e técnicos agronômicos, respostas à consultas diversas, projetos de reflorestamento, prestando, inclusive, assessoria e acompanhamento dos associados perante o Poder Judiciário, Promotorias de Justiça e Delegacias de Polícia. O presidente da Canaoeste, Manoel Carlos de Azevedo Ortolan, ressalta que as questões relacionadas à área ambiental “são prioridade para associação e para os associados, que sempre batalharam em busca de uma produção agrícola sustentável, preservando, assim, o que temos de mais importante: o meio ambiente”, diz Ortolan. Além da assessoria exclusiva ao produtor associado, o Departamento Jurídico da Canaoeste atuou e atua ativamente nos mais diversos fóruns de discussão governamental e nãogovernamental, principalmente sobre a queima de palha de cana, onde teve fundamental importância na atual redação da Lei das Queimadas, além de outras normas de interesse do setor. O advogado da Canaoeste, Dr. Juliano Bortoloti, responsável pela área ambiental, complementa: “sempre defendemos que a educação ambiental do produtor, onde se inclui a conscientização e orientação, sempre deve preceder a quaisquer formas de fiscalização opressiva, mote este que impulsiona o nosso trabalho, qual seja, de informar, prevenir, orientar e, quando preciso, defender os interesses dos produtores rurais associados. Somente assim atingiremos o tão almejado desenvolvimento sustentável”. Dentre serviços gratuitos prestados pelo Departamento Jurídico, na área ambiental, destacamos os principais: 1-) Elaboração de projetos de recuperação de áreas degradadas, para apresentação perante os órgãos ambientais, Promotorias de Justiça e processos judiciais; 2-) Elaboração de Pareceres Ambientais; 3-) Elaboração de Laudos de Vistoria; 4-) Assistência técnica através de engenheiro agrônomo, às perícias realizadas pelos peritos indicados pela Promotoria de Justiça, Delegacia de Polícia e Juiz de Direito, em procedimentos, inquéritos e processos ambientais; 5-) Elaboração de processos de licenciamento ambiental visando a regulamentação ambiental de propriedades rurais; 6-) Elaboração de processos de licenciamento ambiental que visem a intervenção em áreas naturais, tal como o corte de árvores isola- 14 Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008
  15. 15. Notícias Canaoeste das, utilização da área de Preservação Permanente e de Reserva Florestal Legal; 7-) Elaboração, confecção e orientação nos processos de licenciamento ambiental, visando a autorização para a queima de palha de canade-açúcar; 8-) Defesas administrativas de autos de infração aplicados pela Polícia Ambiental e de Mananciais; 9-) Defesas administrativas de autos de infração aplicados pela CETESB, em decorrência da exploração agrícola; 10-) Defesas administrativas de autos de infração aplicados pelo IBAMA; 11-) Acompanhamento do associado perante a Promotoria de Justiça em casos ambientais; 12-) Defesa judicial em Ação Civil Pública promovida pelo Ministério Público (Promotores de Justiça); 13-) Defesa judicial em Ação Penal, ajuizada em decorrência de crime ambiental, promovida pela Justiça Pública; 14-) Orientação jurídica em assuntos ambientais em geral. Associados de Morro Agudo Associados de Morro Agudo têm mais motivos para sorrir têm mais motivos para sorrir Marcelo Massensini A ntônio Alves Prado Neto é associado da Canaoeste há cinco anos e durante todo este tempo, ele e sua família utilizam o convênio odontológico da associação. “A Marcilene é a única dentista que confiamos”, diz Neto, que acompanha atento a consulta de sua filha Bruna, de sete anos. Ele se refere à Marcilene Meireles Pereira, cirurgiã-dentista que, desde 2002, atende os associados e seus funcionários na cidade de Morro Agudo. Ela conta que em 2007 atendeu 87 pacientes através do convênio, 66 destes Antônio Alves Prado Neto: “A Marcilene é a única dentista que confiamos” funcionários de fornecedores, 17 fornecedores e familiares e quatro funcionários do sistema Copercana, Canaoeste e Cocred. Totalizando, assim, 492 procedimentos realizados. De acordo com Marcilene, este número poderia ser maior se não fosse a falta de informação. “Alguns ainda não sabem que têm direito, mas quem sabe gosta e sempre volta”, explica. Ela diz ainda que a aceitação é tão grande, que funcionários de fornecedores pedem para que seus companheiros e parentes sejam atendidos. Prado Neto e sua família só utilizam o convênio odontológico da Canaoeste. Segundo ele o “atendimento é bom, rápido, fácil e barato. Compensa muito”. Para os que ainda não sabem, o serviço de atendimento odontológico existe há mais de 40 anos e é voltado, exclusivamente, a seus associados e funcionários. O programa Canaoeste Odon- Dentista Marcilene ao lado de Bruna, filha de Antônio tologia disponibiliza profissionais renomados, com instalações e materiais de qualidade, atendimento diferenciado e todos os recursos possíveis para garantir o bem-estar de seus usuários. “Eu acho que essa abertura é ótima por que é um meio de passar uma educação para os funcionários e fornecedores”, elogia Marcilene. Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 15
  16. 16. Notícias Canaoeste Consecana Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo CIRCULAR Nº 12/07 DATA: 31 de janeiro de 2008 A seguir, informamos o preço médio do kg do ATR para efeito de ajuste parcial da safra 2007/2008. O preço médio acumulado do kg de ATR para o mês de JANEIRO é de R$ 0,2423. Os preços de faturamento do açúcar nos mercados interno e externo e os preços do álcool anidro e hidratado, destinados aos mercados interno e externo, levantados pela ESALQ/CEPEA, nos meses de ABRIL de 2007 a JANEIRO de 2008 e acumulados até JANEIRO, são apresentados a seguir: Os preços do Açúcar de Mercado Interno (ABMI) e os do álcool anidro e hidratado destinados à industria (AAI e AHI), incluem impostos, enquanto que os preços do açúcar de mercado externo (ABME e AVHP) e do álcool anidro e hidratado, carburante e destinados ao mercado externo, são líquidos (PVU/PVD). Os preços líquidos médios do kg do ATR, em R$/kg, por produto, obtidos nos meses de ABRIL de 2007 a JANEIRO de 2008 e acumulados até JANEIRO, calculados com base nas informações contidas na Circular 01/07, são os seguintes: 16 Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008
  17. 17. Notícias Cocred Cooperados satisfeitos, também, em Cravinhos Marcelo Massensini Agência completa sete anos com mais de 460 cooperados satisfeitos O que faz a diferença na hora de escolher uma instituição fi nanceira? “Principalmente o atendimento diferenciado”, diz Oswaldo Feierabend, cooperado da Cocred há quatro anos. “O atendimento aqui é ótimo. O pessoal nos trata com mordomia, só falta pegar a gente no colo e levar até o carro”, brinca Feierabend. “Aqui nós falamos direto com o gerente, direto com a chefia na matriz, as funcionárias são simpáticas, só tenho a agradecer a equipe da Cocred”, parabeniza Oswaldo. Heloisa Soares de Arruda Aníbal, cooperada há cinco anos se diz confortável na cooperativa. “O atendimento é muito bom, não perco tempo em filas, estou muito satisfeita. Sou comerciante e tudo que preciso da Cocred ela me ajuda prontamente”, conta. Além do atendimento, o cooperado aponta que a simplicidade e as poucas taxas são grandes atrativos da cooperativa. “Em bancos convencionais são cobradas muitas taxas, aqui não. Não pago talão de cheques, não pago diversas outras despesas que me cobrariam em outras instituições”, afirma. Opinião essa que é compartilhada por Heloisa: “em empréstimos, ela (Cocred) tem as taxas mais baixas e, em termos de aplicação, temos mais garantias e segurança. Não tem nem comparação”, diz. A agência de Cravinhos funciona há 7 anos. O gerente Mateus Stella Moraes endossa a opinião dos cooperados. Ele observa que o cooperado mais preza é o atendimento. O fato de chegar e poder ser atendido quando quiser é ter uma proximidade maior com os funcionários, mas que as taxas, prazos e serviços não deixam nada a desejar. “A gente trabalha muito para ter um bom atendimento e deixar os cooperados satisfeitos”, explica. Segundo ele, já houve casos em que o associado conseguiu u m a taxa de financiamento menor, mas, ainda assim, preferiu fazer pela Cocred, já que ao final do exercício tem a O gerente Mateus Moraes e o cooperado Oswaldo: “bom atendimento e baixas taxas”. distribuição das sobras, que torna as taxas da Cocred ainda mais atrativas. “Todos são fiéis à cooperativa”. A agência de Cravinhos tem sete anos de funcionamento e, atualmente atende a mais de 460 cooperados. Heloisa e Rosemary: “A Cocred nos dá segurança e tranquilidade”. Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 17
  18. 18. Notícias Cocred Demonstração do resultado do exercício CÓDIGO CADOC: 44.1.6.040-1 Valores 18 Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 em Reais Balanço patrimonial CNPJ: 71.328.769/0001-81 Valores em Reais
  19. 19. Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 19
  20. 20. Reportagem de Capa Safra A Cristiane Barão Preços em queda e estiagem trouxeram cotação da cana na safra 2007/08 f C om a queda nas cotações do açúcar e sem avanços significativos no comércio internacional de etanol, o preço da cana deve fechar a safra 2007/08 abaixo dos custos de produção. Apesar de o ciclo se encerrar oficialmente no último dia de março, as projeções indicam preços até 30% inferiores, com a tonelada de cana ao redor de R$ 35,00, enquanto que o custo de produção pelos fornecedores situa-se entre R$ 41,00 a R$ 43,00. Nas safras 2006/07 e 2005/06 os preços médios da tonelada ficaram próximos de R$ 58,00 e R$ 46,00, respectivamente. “A tendência para a safra que se inicia em abril é que as cotações continuem baixas, mas se espera que os patamares não sejam inferiores aos observados durante a safra 2007/08, quando o preço médio do ATR abriu a safra em R$ 0,32 / kg e foi decrescendo. Já, para a próxima safra, espera-se que a tendência seja inversa, ou seja, as cotações devem começar baixas para, mesmo que lentamente, crescer ao longo da safra”, afirma o presidente da Canaoeste, Manoel Ortolan. No entanto, ele recomenda cautela aos produtores. Além da perspectiva de poucas alterações 20 Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 Manoel Ortolan: “cautela dos produtores” nos preços no mercado externo, a produtividade dos canaviais de toda região de Ribeirão Preto também será menor, como reflexo do baixo volume de chuvas, principalmente, nos meses de setembro e outubro. Considerando-se os dados apurados até a segunda semana de janeiro e os estudos efetuados pelo Centro de Cana - IAC, a previsão é de que nesta região a queda poderá ser de 6,3% em produtividade para o início da safra. Na safra anterior, a redução, prevista em janeiro de 2007, foi de 8,2%.
  21. 21. Reportagem de Capa Amarga m nuvens carregadas sobre os canaviais; ficará abaixo do custo de produção “No ano passado, os meses de maio e julho foram excepcionalmente chuvosos, indicando aumento na produtividade. Mas, depois, com setembro e outubro extremamente quentes e secos, a tendência se inverteu”, explica o assessor técnico Oswaldo Alonso. Segundo ele, dependendo do nível de chuvas e insolação nesses próximos dois meses de verão, poderá haver reflexos positivos sobre os canaviais, mas a recuperação em termos de produtividade será difícil, pois os canaviais ainda se mostram com crescimento atrasado. Como referência, os meses de primavera e verão - setembro a março - são responsáveis pelo crescimento (ou formação) de 75 a 80% dos colmos industrializáveis. Na primeira quinzena de dezembro, em entrevista coletiva, a UNICA estimou que poderá haver perdas de 4,5% em produtividade para a próxima safra no Centro-Sul, mas previu também crescimento na área plantada e produção recorde. As 30 indústrias que entrarão em operação na região, serão responsáveis por 21 milhões de toneladas, pelo menos. “As oscilações nos preços são decorrentes do processo de expansão do setor. Tudo indica que, nesta nova safra, poderá haver queda em produtividade, mas a demanda pela matéria-prima é real e crescente, o que pode trazer um alento ao fornecedor de cana”, disse Ortolan. Diante desse cenário, como devem proceder os produtores de cana? Buscar o máximo de informações junto às associações, não abrir mão de toda tecnologia disponível, planejar os investimentos e manter o otimismo. Esse é o conselho do presidente da Canaoeste. De acordo com ele, apesar das oscilações nos preços, cana ainda será um bom investimento a médio e longo prazos. Meses mais secos e menos ensolarados A estimativa de queda na produtividade para a próxima safra é influenciada, principalmente, pela ausência de chuvas em setembro e pela baixa precipitação em outubro, segundo Alonso. De acordo com dados do Centro de Fonte: Centro de Cana do IAC Cana do IAC, em outubro choveu 43 mm na região ou um terço da média histórica. Já o mês de setembro de 2007 igualou-se ao de 1955, quando também não houve chuvas significativas na região de abrangência da Canaoeste. Fonte: Centro de Cana do IAC Oswaldo Alonso, assessor técnico da Canaoeste Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 21
  22. 22. Reportagem de Capa A média histórica de chuvas para o mês de setembro é de 51mm e 130mm para outubro. O Centro de Cana do IAC registra dados climáticos desde 1937. Segundo Alonso, além de pouca chuva, os dias também foram menos ensolarados. Em ou- tubro, a média de insolação foi de 6,3 horas/dia, para uma média histórica de 7,1. Em novembro, foram quatro horas por dia, quando historicamente a média é de 7,3 horas/dia. Em dezembro, foram 4,7 horas de sol por dia, para uma média de 6,1. “Esse primeiro trimestre do ano será muito importante na formação de massa da cana. Temos que rezar para chover e fazer sol nesse período, senão as implicações poderão ser maiores”, afirmou Alonso. Previsão é de queda na renda A renda projetada para 2008 para a cana é de R$ 19,2 bilhões, queda de 8,5% em relação a 2007, de acordo com o Ministério da Agricultura. “O desempenho da cana reflete os efeitos da queda dos preços do etanol no mercado doméstico, apesar da recuperação das cotações do açúcar no exterior”, observa José Garcia Gasques, coordenador de Planejamento Estratégico do ministério. Mesmo assim, a cana disputará com o milho o segundo lugar entre os produtos de destaque. A soja lidera o ranking. A renda projetada para 2008 é de R$ 127,3 bilhões para 20 produtos agrícolas. A estimativa é 6,8% superior à do ano passado que registrou R$ 119,2 bilhões. Esse valor é o terceiro maior dos últimos 20 anos, perdendo apenas para 2003 e 2004, quando a taxa de câmbio estava bastante favorável às exportações brasileiras. A queda na renda é o resultado da baixa dos preços. De acordo com a análise do CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), ESALQ/USP, a maior oferta mundial de açúcar fez com que o preço médio até dezembro de 2007, fosse 41% menor que o safra da anterior (comparandose mesmos períodos). De abril a dezembro de 2007, nominalmente, a média do Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 25,88/sc de 50 kg, ao passo que no mesmo período de 2006, foi R$ 43,59/sc. E ainda, em termos nominais, a média atual é a menor dos últimos seis anos. 22 Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 O maior valor desta safra (2007/08), de R$ 34,85/ sc, registrado no início de abril, foi inferior ao mínimo observado na temporada passada (R$ 36,22/sc), safra esta (2006/07) em que este Indicador chegou a R$ 51,34/sc (10 de julho/06). Além do cenário de elevada produção mundial, a expectativa é de que a Índia poderia entrar, a qualquer momento, no mercado com maiores volumes de açúcar também pressionou negativamente o mercado por toda safra. No mercado de álcool, em termos de preços aos produtores, a safra 2007/08 foi marcada por um longo período de preços estáveis, com média inferior à da safra 2006/07. A demanda aumentou, mas a oferta foi maior durante o período de moagem, reforçada especialmente por novas usinas e destilarias que entraram no mercado neste ano, sobretudo em áreas de expansão do setor sucroalcooleiro como o Oeste paulista e demais estados da região Centro-Sul. De abril (início da colheita) até dezembro de 2007, a média dos Indicadores mensais CEPEA/ESALQ, em termos nominais e sem impostos para o álcool anidro em São Paulo foi de R$ 0,77052/ litro, 19,2% menor que a média do mes- mo período da safra passada. Para o hidratado, a média deste Indicador foi de R$ 0,66867/litro, queda de 20,1% frente à temporada anterior. Elevações mais fortes nos preços do álcool durante a safra 2007/08 foram verificadas somente a partir de novembro, quando o anidro valorizou 19,3% frente à média de outubro e o hidratado, 22,3%. Os preços mais altos, contudo, foram registrados em abril, com os Indicadores, sem impostos, do anidro chegando a R$ 1,07257/litro e o do hidratado, a R$ 0,94051/litro no mercado paulista.
  23. 23. Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 23
  24. 24. Destaque Feicana/Feibio 2008: Olhos voltados ao setor energético Marcelo Massensini Com mais expositores, a organização do evento espera público 20% maior e aumento de meio milhão no faturamento N os dias 26, 27 e 28 de fevereiro, a cidade de Araçatuba se torna sede da Feicana/Feibio 2008 (Feira de Negócios do Setor de Energia). A feira - uma das mais importantes do setor de energia - terá 300 expositores (10% a mais do que no ano passado) de máquinas, equipamentos e componentes, além de empresas do setor de serviços, sendo 230 no pavilhão interno e 70 na área externa. Estima-se que, neste ano, o evento movimente negócios no valor R$ 1,5 bilhão, meio milhão a mais que em 2007. A Feicana/Feibio já é uma das feiras mais tradicionais do país e ganhou repercussão mundial por contar com expositores nacionais e estrangeiros. A previsão é que nos três dias de feira, 25 mil pessoas visitem o Recinto de Exposições Clibas de Almeida Prado, local onde o evento é realizado. Entre as personalidades que já participaram da Feicana, nos seus cinco anos de história estão: a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef; o ex-ministro daAgricultura, Roberto Rodrigues; o ex-secretáFeicana/ Feibio - edição 2007 24 Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 rio da Agricultura do Estado, Duarte Nogueira; os deputados federais Mendes Thame (PSDB); Arnaldo Jardim (PPS); Ricardo Berzoini e Luciano Zica, ambos do PT; Jorge Faria Maluly (DEM) e o cônsulgeral da República Popular da China, Li Jiaoyun. De acordo com a organização, a Feicana/Feibio visa "conciliar o aspecto comercial à política institucional do setor com exposições de máquinas e serviços para as usinas e debates de temas de interesse do segmento de bioenergia". As exposições da feira são realizadas das 14h às 21h, sendo que no período da manhã são promovidos seminários sobre diversos assuntos relacionados ao setor energético. Alguns dos eventos já confirmados para 2008 é o 3º Workshop Brasil/ China sobre Etanol e o de Trabalho Socioambiental, o Prêmio CanaSauro e o Simpósio Internacional Datagro/ UDOP, que terá representantes dos dois países, além de empresários ligados ao setor. A Feicana/Feibio 2008 conta com patrocínio das empresas Massey Ferguson, Banco do Brasil, Petrobras, Sebrae e Altec Química. Embrapa na Feicana/Feibio A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) preparou uma vitrine de tecnologias para a FEICANA/FEIBIO 2008. Segundo os organizadores “além de uma fonte de conhecimento para produtores e profissionais do agronegócio, é também um espetáculo para os olhos”. Mais de 80 variedades de plantas que produzem biomassa para a indústria de biocombustíveis, entre elas: cana-de-açúcar, soja, mamona, algodão, soja, girassol, pinhão manso, dendê, algodão e outras que servem para o sustento de famílias que sobrevivem da agricultura familiar, como: milho, feijão, nabo, gergelim, entre outras serão cultivadas numa área de meio hectare na antiga
  25. 25. Fazendinha do Recinto de Exposições Clibas de Almeida Prado. A vitrine foi preparada pelo engenheiro agrônomo Edson Raimundo da Silva Alves, coordenador do projeto Vitrine da Embrapa da Unidade de Trans- ferência de Tecnologia, e é inédita no Brasil. “O grande desafio de montar uma vitrine dessa envergadura é conseguir que as plantas, todas cultivadas fora da época, se mantenham bonitas e produzindo durante a FEICANA, realizada em fevereiro”, conta Alves. Para produzir as variedades, o técnico da Embrapa utilizou o que há de mais moderno nas áreas de irrigação, adubação e controle de invasores. Para que o público possa visualizar melhor e admirar a vitrine, os organizadores vão montar um mirante de 5 metros de altura. Cana-de-açúcar A cana-de-açúcar terá vitrine especial na FEICANA/FEIBIO 2008. Ao lado do espaço reservado para o layout da feira, numa área de 3.400 metros quadrados, vão ser cultivadas por pesquisadores da UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos) 181 variedade de cana-de-açúcar, desde as primeiras que chegaram ao Brasil até as mais recentes e melhoradas geneticamente como a RB-925211 e a RB-935744. profissionais que muito contribuíram para o desenvolvimento do setor sucroalcooleiro”, destacou o diretor da FAS Editora Ltda e organizador do Prêmio, Flávio Nasser. O presidente da Canaoeste – Manoel Carlos de Azevedo Ortolan, o presidente da Copercana e Cocred – Antônio Eduardo Tonielo e o Assessor Técnico da Canaoeste – Oswaldo Alonso, são alguns dos 75 homenageados com o Prêmio CanaSauro. Canasauro O Prêmio CanaSauro, será entregue durante jantar de gala que acontecerá no dia 25 de fevereiro de 2008, em Araçatuba, durante a Feicana/FeiBio, para os profissionais com mais de 30 anos de trabalho no setor sucroalcooleiro. Serão homenageadas personalidades que dedicaram mais 30 anos de trabalho no setor (que ainda estão na ativa, ou aposentados). “São Além do CanaSauro, os organizadores ainda elegerão os CanaSauro Rex, profissionais igualmente com 30 anos de experiência e que tenham prestado ações relevantes durante sua trajetória. O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, receberá o título de CanaSauro Rex. Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 25
  26. 26. Informações Setoriais CHUVAS DE JANEIRO e Prognósticos Climáticos e Prognósticos Climáticos No quadro abaixo, são apresentadas as chuvas do mês de JANEIRO de 2008. Engº Agrônomo Oswaldo Alonso Assessor Técnico Canaoeste Com exceção da C. Energética Moreno, C.E. Santa Elisa e São Simão (IAC/Ciiagro), as chuvas ocorridas durante o mês de JANEIRO foram próximas (CFM, Faz Santa Rita e Usina Ibirá) ou (até bem)acima das respectivas médias históricas, se bem que chuvas mais regulares vieram a ocorrer após o dia 18. Mapa 1:- Água Disponível no Solo entre 14 a 16 de JANEIRO de 2008. O Mapa 1, ao lado, mostra claramente que o índice de Água Disponível no Solo a 50cm de profundidade, no período de 14 a 16 de JANEIRO, apresentava-se como médio a crítico na faixa Sudoeste do Estado de São Paulo, de médio a alto na faixa Leste e Norte e próximo do nível médio nas demais regiões canavieiras do Estado. 26 Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008
  27. 27. Informações Setoriais Mapa 2: Água Disponível no Solo ao final de JANEIRO de 2007. Mapa 3: Água Disponível no Solo, a 50cm de profundidade (muito semelhante a 25 cm), ao final de JANEIRO deste ano. Para subsidiar planejamentos de atividades futuras, a CANAOESTE resume o prognóstico climático de consenso entre INMET-Instituto Nacional de Meteorologia e INPE-Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais para os meses de fevereiro a abril. · A temperatura média poderá ficar próxima ou ligeiramente acima da normalidade na Região Centro Sul; · Quanto às chuvas para os meses de fevereiro a abril, prevê-se que estas poderão “ficar” próximas às médias históricas nas Regiões Centro-Oeste, Sudeste e no Estado do Paraná, com exceção das faixas norte dos Estados de Espírito Santo e Minas Gerais, que poderão ficar abaixo das respectivas médias. · Como referência:- as médias históricas das chuvas, pelo Centro AptaIAC, para Ribeirão Preto e municípios vizinhos são de 225mm em fevereiro, 165mm em março e 70mm em abril. A CANAOESTE recomenda continuar os cuidadosos monitoramentos das pragas cigarrinha das raízes e broca, bem como efetuar seus controles, quando necessários. Observa-se pelo Mapa 2 acima, que ao final de JANEIRO de 2007, a Disponibilidade de Água no Solo, em toda região sucroalcooleira do Estado, mostrava-se entre média a alta, com exceção de alguns pontos isolados e no extremo Sudoeste do Estado. Em JANEIRO de 2008 (Mapa 3), somente após o dia 18 é que as chuvas se tornaram mais freqüentes e intensas, fazendo com que a Disponibilidade de Água no Solo, a 25 e também a 50cm de profundidade, alcançasse índice médio a alto, com exceção ainda de significativa área próxima de Presidente Prudente. Entretanto, houve sensível queda da temperatura média no Estado até o final do mês. Sua Associação lembra ainda que, nesta região, dado os históricos climáticos, o melhor e mais seguro período de plantio de cana de ano e meio será entre finalzinho de fevereiro e o primeiro decanato de abril. Acreditar que venham ocorrer providenciais e salvadoras chuvas (muito acima da média) em maio (ou meses subseqüentes) é apostar “alto” contra os altos custos de plantio e de produção, comparativamente aos atuais preços da cana. Persistindo dúvidas, consultem os Técnicos CANAOESTE mais próximos. Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 27
  28. 28. Artigo Técnico Como planejar a implantação de um canavial? PARTE IV - D ando continuidade a Parte III desta série de artigos, vamos tratar neste mês do "Dimensionamento de Estrutura". Nos próximos artigos trataremos do: 6) Elaboração das Estimativas de Custo; 7) Elaboração do Fluxo de Caixa. Abaixo segue a PARTE IV desta série de artigos. Obrigado pela atenção e boa leitura! Cleber Moraes - consultor de planejamento e controle agrícola da Canaoeste 1. Dimensionamento da Estrutura Necessária: Basicamente para o dimensionamento de estrutura devem ser utilizados os seguintes cálculos: Figura 9 - Modelo Resumido da Necessidade de Conjuntos: Gradagem Intermediária no Preparo de Solo RO = At / TD Em que: RO é o Ritmo operacional em ha.h-1; At é a área a ser trabalhada em hectares (ha) TD é o Tempo Disponível NC = RO / CT Em que: NC é a necessidade de conjuntos RO é o Ritmo operacional em ha.h-1 CT é Capacidade de Trabalho A figura 9 ilustra um cálculo de dimensionamento de um conjunto trator-implemento para uma operação de gradagem em um determinado mês. 1.1. Dimensionamento de Máquinas, Implementos e Operadores: Uma vez determinada a marcha de expansão do canavial e o manejo para a lavoura de cana-de-açúcar a ser instalada, isto é, operações agrícolas mecanizadas com aplicação ou não de insumos, operações de mãode-obra e de transporte para as fases de preparo de solo, plantio, tratos culturais de cana-planta e soca e de colheita, é definido o dimensionamento de máquinas, caminhões, implementos agrícolas e rodoviários, mão-de-obra e insumos. Através do agrupamento da necessidade de ho28 Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 ras-máquina das operações a serem realizadas por cada modelo de máquina e com as informações da distribuição mensal de cada operação, do número de turno diário de trabalho, quantidade de horas efetivamente trabalhadas por dia e o número de dias úteis em cada mês, faz-se o dimensionamento de máquinas mensalmente ou na unidade de tempo requerida para o planejamento, e obtida a quantidade de máquinas necessárias. De forma semelhante ao dimensionamento de máquinas, é feito o dimensionamento de implementos e operadores, sendo que neste último caso, é aconselhável utilizar-se funcionários para três turnos de trabalho com um folguista. 1.2. Consumo de Insumos Agrícolas: A partir das estimativas de produção e do Manejo Agrícola, são estimadas as quantidades e fórmulas de adubos a serem empregadas, bem como os herbicidas e suas dosagens. 1.3. Dimensionamento da Estrutura de Apoio: A partir de parâmetros da utilização de veículos de apoio, faz-se o dimensionamento dos mesmos. Entende-se por estrutura de apoio caminhões bombeiros, de corretivos, caminhões pipa, comboio de abastecimento, caminhões oficina, prancha e borracheiro.
  29. 29. Artigo Técnico Para estes veículos, deve-se utilizar de parâmetros de dimensionamento que são função da área de produção de cana, como caminhões bombeiros e pipa, ou da frota a ser atendida para os demais. A princípio, pode-se admitir uma rodagem anual e esta deve ser distribuída entre as diversas fases da produção agrícola, conforme a utilização que cada fase da cultura faça deste fator de produção. Romeu e Julieta. A partir deste ponto o dimensionamento de equipamentos é muito semelhante ao dimensionamento de máquina e implementos. Figura 10 - Cálculo da Capacidade Diária de Transporte de Cana Sistema Romeu e Julieta 1.4. Dimensionamento do Transporte de Cana-de-Açúcar: O transporte de matéria-prima para indústria é a operação mais onerosa e de maior risco para a produção de cana-de-açúcar e é necessário um cuidado todo especial na determinação do local mais adequado para instalação da unidade industrial, pois que isto determina a distância média e o custo de transporte. Igual cuidado deve ser tomado com o traçado da malha viária a fim de se obter a máxima eficiência nesta operação. Para isto é fundamental trabalhar-se com informações cartográficas da região, imagens de satélite e visitas in loco. O dimensionamento do transporte de cana é função dos tempos de ciclo e eficiência de transporte, isto é, os tempos médios de fila na indústria e lavoura, de carga e descarga e de transporte efetivo. Os tempos de transporte são dados pela velocidade da composição vazia e carregada e a distâncias percorridas. Uma vez determinado o tempo de ciclo e a eficiência de transporte, fica identificada a capacidade de transporte de cana diário de cada veículo. Sabendo a necessidade de fornecimento de cana, encontra-se o número de composições necessárias para atender a demanda. Na administração da logística de colheita é fundamental a manutenção do tempo médio de ciclo para que o abastecimento de matéria-prima seja constante e eficiente. De forma muito semelhante é determinada a necessidade de veículos e tanques para o transporte de vinhaça. Na figura 10 é apresentado um exemplo do cálculo da capacidade diária de transporte para um conjunto 1.1. Dimensionamento Transporte de Mudas: do O dimensionamento de transporte de mudas deve considerar a marcha de plantio diária, o tempo de ciclo desta operação e a eficiência de transporte esperada. 1.2. Dimensionamento de Mãode-Obra Rurícola: Com as capacidades de trabalho de cada operação agrícola, o total de área de cada fase da cultura, a distribuição destas operações durante o ano e a disponibilidade de dias úteis para trabalhos, devem ser quantificadas as necessidades de trabalhadores rurais em cada mês do ano-safra. É necessário uma atenção especial para que, a quantidade de trabalhadores necessários para as operações agrícolas, seja o mais constante possível, podendo-se prever um período para férias coletivas conforme a conveniência do projeto. 1.3. Dimensionamento dos Sistemas de Irrigação: Os sistemas de irrigação a serem utilizados dependerão: · De avaliação para certificar-se sua real necessidade;Avaliação da disponibilidade de água na região, obtidos pela análise dos dados levantados no item 1.2, especialmente os itens 1.2.6; · Avaliação dos volumes de aplicação de água, obtidos pela análise dos dados levantados no item 1.3; · Topografia e demais características da região (demais itens de 1). Caso projeto contemple a produção de álcool, deverá ser avaliado qual o sistema de aplicação de vinhaça a ser utilizado. Assim como, na eventualidade de ser necessária irrigação para cobrir o déficit hídrico da região, devem ser discutidos os sistemas a serem utilizados, que gerem menores custos e/ou investimentos para a região onde se propõe o empreendimento. O projeto final deverá contemplar os investimentos e custos operacionais do sistema de irrigação. Caso haja necessidade de maiores detalhes será necessário avançar-se mais sobre a implantação do projeto. No artigo do próximo mês falaremos sobre: 6) Elaboração das Estimativas de Custo; 7) Elaboração do Fluxo de Caixa. Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 29
  30. 30. Legislação Queima de palha de Cana-de-açúcar mais uma vitória importante no Tribunal de Justiça de São Paulo E stimados produtores de canade-açúcar, o Departamento Jurídico da CANAOESTE, defendendo um de seus inúmeros associados, obteve mais uma vez no último dia 20 de dezembro de 2007, importante decisão sobre a prática das queimadas da palha da cana-de-açúcar, proferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, através de sua Câmara Especial do Meio Ambiente, nos autos da Apelação Cível nº 518.397-5/0-00. Trata-se de ação civil pública ambiental ajuizada pelo Ministério Público contra fornecedor de cana-de-açúcar, visando proibir que se utilize do uso do fogo como método despalhador da cana-de-açúcar, mesmo que autorizado pelo órgão ambiental competente, além de indenização que ultrapassa a quantia de R$-1.000.000,00 (um milhão de reais). Entendeu o Tribunal de Justiça de São Paulo, no corpo da referida decisão, que a União e o Estado podem legislar sobre matéria de direito ambiental, razão pela qual a queima de palha de cana-deaçúcar é uma prática legal, desde que autorizada pelo Poder Público, no nosso caso, a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, observada, ainda, os requisitos e condições impostas pela legislação estadual, qual seja, a Lei nº 10.547/2000, alterada pela Lei nº 11.241/ 2002 e regulamentada pelo Decreto nº 47.700/2003, concluindo, também, que a legislação de queima não é inconstitucional, como apregoa alguns membros do Ministério Público Estadual (promotores de justiça). A decisão analisou diversos aspectos da pratica da queima, concluindo que várias ações humanas são poluentes, o que, por si só, não as tornam ilegais, citando o caso, inclusive, dos automóveis, que são altamente poluentes mas a suspensão de sua circulação causaria um colapso no País. Referida decisão, aliás, confirmou outra decisão histórica proferida no dia 24.05.2007, em favor de outros três associados da CANAOESTE, cuja defesa foi patrocinada pelo Departamento Jurídico da entidade, nos auJuliano Bortoloti - Advogado tos da Apelação Departamento Jurídico Canaoeste Cível nº 336.038.5/ 7-00, que tramitou perante a Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo, reconhecendo pela primeira vez a legalidade da legislação autorizadora do uso do fogo como método despalhador da cana-de-açúcar. Portanto, sem sombra de dúvida, estas decisões emanadas de tão importante Corte de Justiça, demonstram mais uma vez que a pratica da queima quando realizada dentro dos parâmetros estipulados pela lei, além de constitucional também reflete o tão consagrado princípio do desenvolvimento sustentável, aclamado na Rio-92 (Conferência Mundial sobre O Meio Ambiente). Queima de palha de canade-açúcar - obrigatoriedade de autorização para a safra 2008/2009 M ais uma vez estamos prestes a iniciar outra safra canavieira, razão pela qual novamente vimos alertar aos nossos associados sobre a obrigatoriedade de obter a autorização do órgão ambiental (Secretaria Estadual do Meio Ambiente) para se efetuar a queima de palha de cana-de-açúcar, procedimento obrigatório àqueles que não queiram responder administrativamente e judicialmente (cível e criminal) por esta omissão, inclusive com pesadíssimas multas, razão pela qual a CA- 30 Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 NAOESTE, novamente este ano, irá proceder a orientação, elaboração, confecção e envio da documentação necessária à obtenção da Autorização de Queima Controlada de Palha de Cana-de-Açúcar para os seus associados, cujo prazo para protocolo no órgão ambiental expirará em 02 de abril. Para tanto, pois sem autorização não se poderá queimar, basta que os associados procurem os Técnicos, Agrônomos ou as Secretárias dos respectivos escritórios regionais da CANA- OESTE/COPERCANA ou da matriz, o quanto antes, para que possam agendar o levantamento topográfico de sua lavoura, sem custo algum, além de proceder ao referido licenciamento. Tudo isto se torna necessário porque, em caso de descumprimento ao que dispõe o Decreto Estadual nº 47.700/2003, regulamentador da Lei Estadual nº 11.241/2002, o produtor de cana-de-açúcar poderá ser autuado pela Polícia Ambiental em 30 (trinta) UFESPs (Unidade Fiscal do Esta-
  31. 31. Legislação do de São Paulo), aproximadamente R$-446,40 por hectare queimado sem as observâncias legais, além de poder, ainda, ser autuado pelos agentes fiscalizadores da CETESB (Companhia de Tecnologia e de Saneamento Ambiental) em valores que variam de 5.001 a 10.000 UFESPs, aproximadamente R$74,414,88 a R$-148.800,00 independentemente do tamanho da área queimada. Alheio a estas penalidades administrativas, o produtor de cana-de-açúcar que não observar o prescrito na legislação poderá responder, ainda, uma ação cível, visando outra indenização e a suspensão da queima em sua propriedade, além de uma ação penal, que visa restringir o seu direito de liberdade (pena de detenção). Fica registrado, então, que para aquele produtor de cana-de-açúcar que não cumprir os requisitos prescritos na legislação de queima ou, mais gravemente, efetuar a queima sem a devida autorização, fica evidente que não lhe restará quase nenhuma possibilidade de defesa, tanto administrativa (auto de infração) como judicial (cível e penal). Logo, se torna evidente a necessidade do fornecedor de cana-de-açúcar em buscar a devida autorização den- tro do prazo legal (até 02 de abril), para poder utilizar-se do fogo como método despalhador da cana-de-açúcar durante a safra 2008/2009, bastando, somente, que procure o mais rapidamente possível a CANAOESTE para a sua devida orientação e, se porventura, persistir dúvidas a respeito do assunto, os Departamentos Jurídico e Técnico estarão à inteira disposição dos associados para esclarecê-las. Importante salientar, segundo informações da Secretaria Estadual do MeioAmbiente, que o prazo para protocolo não será prorrogado, razão pela qual deve o associado procurar a CANAOESTE o mais rápido possível, ressaltando que esta realizará o plano de queima gratuitamente até o dia 26.03.2008. Ressalvamos que aqueles que tiveram expansões em seus canaviais, aquisições de propriedades por compra ou arrendamento, dentre outras situações, nas quais a área total ou soma das áreas contíguas à serem colhidas na Safra 2008/2009 sejam iguais ou superiores a 150 ha cultivadas com cana-de-açúcar, deverão procurar nossos Escritórios até o dia 29 de fevereiro de 2008, para que possam ser agendadas visitas dos topógrafos para efetuarem as medições necessárias das áreas. Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 31
  32. 32. Pragas e Doenças Os danos do complexo Broca-podridão * Sizuo Matsuoka C omo qualquer outra, a lavoura de cana-de-açúcar está sujeita ao ataque de pragas e doenças. Embora os programas de melhoramento genético envidem esforços para criar variedades resistentes às doenças, e elas de fato têm boa resistência, no caso de pragas é mais difícil. É o caso da broca da cana-de-açúcar, causado pelo inseto Lepidóptero Diatraea saccharalis. A larva desse inseto da família das borboletas se desenvolve no interior do colmo e daí resulta o prejuízo, que pode ser de várias for- mas: (1) quando o ataque se dá em plantas jovens o inseto danifica a região do meristema apical e então resulta a morte do perfilho, cujo dano se chama comumente de "coração morto"; (2) na fase jovem, antes de penetrar o colmo e no momento dessa penetração, o inseto pode se alimentar dos tecidos da gema lateral da cana, danificando-a e com isso resultando em menor número de gemas viáveis se esta cana vir a ser utilizada como muda; (3) uma vez no interior do colmo o inseto se desenvolve alimentando-se dos tecidos do mesmo, criando uma galeria que, se a intensidade de ataque é alta, muitas reunidas no mesmo colmo danificam-no totalmente, a ponto de secá-lo, ou quando a galeria é circular no ponto logo acima do nó, quebrá-lo; (4) a partir da lesão no tecido do colmo deixado pela larvinha ao pene- trar no mesmo e, principalmente do orifício deixado para a saída da borboleta na fase adulta, penetram no colmo dois fungos que causam podridão. Esta última forma de dano, causado pelas podridões, é geralmente o maior prejuízo causado pela broca. Essas podridões são causadas por dois fungos. A primeira é a fusariose, podridão causada pelo fungo Fusarium moniliforme; a segunda é causada por Colletotrichum falcatum, a podridão vermelha propriamente dita. Resulta do ataque desses fungos a podridão dos tecidos do colmo, que pode ser percebida facilmente pela coloração avermelhada junto à galeria da broca. O dano * Sizuo Matsuoka é engenheiro-agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiróz” da USP, Piracicaba, SP, com doutorado em fitopatologia pela mesma universidade. Integrante da equipe do IAA/PLANALSUCAR desde 1973 a partir de 1979 teve ativa participação na reestruturação técnica do programa de melhoramento genético daquela instituição, tanto em nível regional como nacional. Nesse período foram liberadas as primeiras variedades RB de cana-de-açúcar em Pernambuco, São Paulo, Alagoas e Rio de Janeiro, uma das quais é hoje a mais importante variedade em nível nacional. Incorporando-se na Universidade Federal de São Carlos em 1991, após a extinção daquele órgão, chefiou o Departamento de Bioteconologia Vegetal por duas gestões e, como coordenador do programa de melhoramento genético da cana-de-açúcar na UFSCar, trabalhou ativamente para manter e tornar mais eficiente o programa em nível regional e nacional. Nesse período liberou 19 variedades RB, muitas das quais, fazendo parte do rol das mais importantes variedades comerciais atuais, participam da ocupação de mais de 50% de toda a área canavieira do Estado de São Paulo, além de expressiva contribuição nas demais regiões brasileiras. Com mais de 30 anos de experiência em melhoramento genético da cana-de-açúcar é responsável pela condução do programa de melhoramento genético da empresa. Entre suas atividades principais está a coordenação do Pólo Regional de Tecnologia Nordeste onde são realizados os cruzamentos, localizado em Maceió - AL, a diagnose e orientações de controle de anomalias e doenças da cana-de-açúcar, controle fitossanitário de viveiros, inovação nos processos de seleção de variedades CV, coordenação dos testes de campo com plantas transformadas geneticamente, contatos internacionais, além da pesquisa constante sobre formas de agregar expressiva contribuição ao setor canavieiro. 32 Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008
  33. 33. Pragas e Doenças maior, entretanto, resulta do crescimento do fungo para os internódios além daquele onde está a broca, ou seja, com a extensão da podridão para vários internódios, pode até resultar a seca e morte de todo o colmo. Os danos citados até este momento se referem à parte agrícola. Mas essa matéria prima danificada obviamente não é da melhor qualidade e quanto maior o ataque pior ela é. Na indústria, a inversão da sacarose causada pelos fungos é o primeiro dano. As canas secas, no todo ou em parte, são outra forma de dano, porque aumentam a fibra e, assim, dificultam a extração do caldo. O terceiro dano vem do avermelhamento dos tecidos, resultado do acúmulo de fenóis, que prejudica a clarificação do açúcar. Os danos são estimados em até 0,50% da produção de açúcar para cada 1% de intensidade de infestação (I.I.). I.I. significa número de internódios com broca em relação ao total de internódios do colmo. No caso da fabricação de álcool o prejuízo pode chegar a até 0,95% para cada 1% de I.I. Percebe-se por esses valores que o prejuízo causado pelo complexo broca-podridões é muito significativo. Entretanto, esses danos foram calculados para I.I. médias, ou seja, de até 10 a 15%. Como a curva de dano é um sigmóide, acima daqueles níveis de I.I. os danos são ainda mais altos. Qual seria, então, a forma de minimizar tais danos? O foco deve ser o controle da broca. No passado, à época do Próalcool, foi desenvolvido o maior e mais eficiente programa de controle biológico de uma praga agrícola a nível mundial: o programa de controle da Diatraea por meio de um inimigo natural, uma vespinha introduzida no país e chamada naquela época Apanteles flavipes, hoje, Cotesia flavipes. O sucesso foi tanto que de I.I. médias em torno de 12 a 15% se caiu para menos de 5% e, em muitos locais, menos do que 2%. Tanto esse bem sucedido decréscimo do I.I. da broca como a crise financeira levou à interrupção dos programas de controle biológico na maioria das empresas. Hoje, com a expansão acelerada dos canaviais, especialmente em fronteiras agrícolas, tem resultado o aumento desmesurado da infestação de broca, não sendo incomum I.I. tão altos quanto 40 a 50% e, em alguns casos, de mais de 60%! Portanto, este problema está merecendo maior e mais urgente atenção de todos os produtores. Controle biológico: a ação da Cotesia flavipes na broca A reestruturação dos programas de controle biológico é uma necessidade ante a nova realidade brasileira, porém este é um tema a merecer outra discussão. A CanaVialis vem trabalhando no melhoramento genético para obter variedades mais resistentes à broca. A pesquisa mais promissora está na área da transgenia. Um projeto em conjunto entre Alellyx, CanaVialis e Monsanto foi iniciado em 2007 e visa obter variedades de cana geneticamente modificadas resistentes à broca. De quebra, estas variedades poderão ser resistentes também a outras pragas da cana-de-açúcar, como a broca gigante e o elasmo. Se este caminho for bem sucedido, o controle da broca estará definitivamente assegurado. Produção de grãos cresce 3,5 por cento Da Redação O quinto levantamento da safra de grãos 2007/08, realizado pela Conab, mostra crescimento de 3,5% na produção brasileira em relação ao ciclo anterior, que pode chegar a 136,3 milhões de toneladas. O estudo foi apresentado na terça-feira (12.02), em Brasília, no Ministério de Agricultura Pecuária e Abastecimento. Em comparação à pesquisa do mês anterior, o número é 0,4% maior (559,9 mil t). A razão é a expectativa de boa produtividade da soja e do milho 1ª safra. A soja é líder de produção entre os grãos (58,5 milhões t), seguida do milho total (53,6 milhões t) e do arroz (12 milhões t). Já o feijão 1ª safra apresenta queda de 5,7% em relação ao mês passado e deve ficar em 1,41 milhão t. As baixas precipitações pluviométricas na época de implantação da cultura e a não regularidade na distribuição das chuvas, nos principais estados produtores, motivaram a redução. Área – A plantação total ocupa uma área de 46,3 milhões de hectares, 0,3% maior que a da safra 2006/07. A soja teve o maior crescimento, com 0,9% a mais (de 20,69 para 20,88 milhões ha). Há também aumento de 2 % no milho 1ª safra (de 9,49 para 9,68 milhões ha) e de 1,1% no algodão (de 1,09 para 1,11 milhão ha). Por outro lado, a área do feijão 1ª safra caiu 14,7% (de 1,56 para 1,33 milhão ha). O levantamento foi realizado entre os dias 21 a 25 de janeiro, junto a representantes de cooperativas, órgãos públicos e privados, agentes financeiros e produtores dos estados pesquisados. Fonte: Conab Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 33
  34. 34. Novas Tecnologias Preços do amendoim aquecem mercado de equipamentos Cristiane Barão Fabricantes também apostam em novas fronteiras para a cultura A boa fase do amendoim se reflete nas vendas de equipamentos . Com uma previsão de colheita de 232,4 mil toneladas - 184 mil só em São Paulo, Estado maior produtor - e com preços do grão em bons patamares, o produtor está investindo mais na mecanização. “Com preços melhores, o produtor conseguiu investir em máquinas. Nesta safra, o produtor estará bem servido de equipamentos”, afirma Luiz Antonio Vizeu, gerente de marketing das Indústrias Reunidas Colombo, com sede em Pindorama e que, por meio de uma de suas plantas, a MIAC, fabrica e comercializa máquinas para colheita de amendoim e feijão. A Santal Equipamentos S/A, de Ribeirão Preto, entrou no mercado de arrancadores de amendoim em 2004. De lá para cá, as vendas cresceram de forma importante. “Já vendemos quase toda a nossa produção de arrancadores AIA2 e o modelo AIA4 só estamos fazendo sob encomenda para a próxima safra”, explica. Para Arnaldo Adams Ribeiro Pinto, diretor-presidente da Santal, a tecnificação da cultura no Brasil é irreversível. Ele avalia que a saída do amendoim da região sucroalcooleira para o cerrado está diretamente ligada à mecanização. Quando usado na reforma de canaviais, a colheita do amendoim coincide com a entressafra, período em que maior disponibilidade de mão-deobra. No cerrado, isso não acontece e 34 Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 Twin Master: aposta da MIAC a redução de custos com pessoal passa a ser fundamental para a competitividade do agricultor. As novas fronteiras para o amendoim também são a aposta da MIAC. Nessas áreas, será mais fácil a inserção de máquinas maiores, para três leiras (pavios), _ como é nos Estados Unidos. Nas regiões tradicionais de Sertãozinho, Dumont e Jaboticabal, devido às características das áreas cultivadas, os equipamentos utilizados são para uma leira. Recentemente, a empresa lançou a Twin Master, recolhedora com dois cilindros de trilha que pode recolher até três leiras. A MIAC iniciou a produção de equipamentos voltados à cultura do amendoim desde a década de 70 e hoje lidera o mercado nacional de recolhedores, grande parte comercializada na região de Ribeirão Preto, maior produtora de amendoim. De acordo com Vizeu, a empresa também está atenta ao mercado externo e já tem equipamentos nas lavouras da Argentina, Austrália, Estados Unidos e África do Sul. A empresa é parceira da Copercana e da Unesp de Jaboticabal em projetos que irão identificar os principais pontos de perdas na colheita. “Em função dos resultados, será possível definir onde está o problema e trabalhar para solucioná-lo”, disse.
  35. 35. Repercutiu “O governo da Índia deveria considerar a realização de reformas em sua política agrícola, como converter os atuais subsídios ao açúcar em suporte ao bioetanol e bioeletricidade”. Foto: Divulgação Unica Foto: banco de imagens epe Do presidente da UNICA (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), Marcos Sawaya Jank, durante a Quarta Conferência do Açúcar, em Dubai, nos Emirados Árabes. Ele condenou os subsídios que os produtores indianos de cana recebem do governo daquele país para exportação de açúcar, o que está prejudicando a competitividade do produto produzido no Brasil. “Hoje, o Brasil planta três vezes mais hectares de milho do que de cana e, ainda assim, temos terra suficiente para expandir a cana-de-açúcar, sem causar problemas ambientais”. O diretor do escritório da Unica nos Estados Unidos, Joel Velasco, apresentou estudos que comprovam o potencial de o Brasil atender às demandas de Europa e Estados Unidos, aumentando a área de cultivo sobre as pastagens degradadas existentes. “O etanol não vai virar uma commodity se houver apenas um país exportador. Para a solidificação do mercado mundial é necessário que haja outros países produzindo e exportando também. Só assim será obtida a confiança por parte dos países que têm pretensões de importar o produto”. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, defende que além da padronização do etanol e sua transformação em commodity (produto negociado em bolsas de mercadorias), se criem condições para que outros países, principalmente da África e da América Central, possam também se transformar em produtores de álcool. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou prognóstico sobre a produção agrícola do Brasil na safra 2008. Sobre a cana-de-açúcar, o IBGE projeta uma produção de 549,606 milhões de toneladas, elevação de 6,7% na comparação com as 515,325 milhões de toneladas produzidas em 2007. A ampliação da cultura da cana revela o interesse, principalmente, no etanol e no álcool, aponta o IBGE. Segundo o IBGE, a área a ser colhida de cana-de-açúcar na safra 2008 está estimada em 7,131 milhões de hectares, crescimento de 86,3% em relação aos 6,706 milhões de hectares colhidos em 2007. O rendimento médio esperado para os canaviais em 2008 é de 77,072 toneladas por hectare, subindo 0,3% na comparação com as 76,845 toneladas de 2007. Revista Canavieiros - Fevereiro dede 2008 Revista Canavieiros - Fevereiro 2008 35
  36. 36. Biblioteca Cultura Cultivando a Língua Portuguesa “GENERAL ÁLVARO TAVARES CARMO” "DESENVOLVIMENTO E NATUREZA: ESTUDOS PARA UMA SOCIEDADE SUSTENTÁVEL" Esta coluna tem a intenção de maneira didática, esclarecer algumas dúvidas a respeito do português Clóvis Cavalcanti (org.) 1) Pedro viajará em “Janeiro” com a família. A viagem será adiada! Pedro precisa de tempo para corrigir o erro da escrita do mês... Renata Carone Sborgia* Dica útil e importante: nomes de meses são escritos com letras minúsculas . Ex.: janeiro, maio, agosto, dezembro. 2) Maria saiu para encontrar as amigas. A chuva estava forte e a “enxorrada” também. O encontro não aconteceu por causa da ENXURRADA(escrita correta). Prezado amigo leitor, cuidado com o BUEIRO também(escrita correta) e não “boeiro”. 3) Ana foi ao supermecado. Levou a lista de compras: “xuxu”, “beringela”, “maizena”, “vajem” e “Champú”. Ana, infelizmente, com a sua lista escrita assim não comprará nada... Prezado amigo leitor: Português correto, com certeza, boas compras... O correto é: chuchu, berinjela, maisena( Maizena com Z é a marca do produto), vagem, xampu( sem acento e com x). PARA VOCÊ PENSAR: “Entre o sono e o sonho/Entre mim e o que em mim/ É o que me suponho/Corre um rio sem fim” Fernando Pessoa “Amor é como mercúrio na mão. Deixe a mão aberta e ele permanecerá; Agarre-o firme e ele escapará.” Dorohty Parker-escritora “ Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz” Madre Teresa de Calcutá * Advogada e Prof.ª de Português e Inglês Mestra—USP/RP, Especialista em Língua Portuguesa, Consultora de Português, MBA em Direito e Gestão Educacional, escreveu a Gramática Português Sem Segredos (Ed. Madras) com Miriam M. Grisolia 36 Revista Canavieiros - Fevereiro de 2008 N o importante relatório de 1987, Nosso fu turo comum, a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, presidida pela primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, lançou a idéia de desenvolvimento sustentável, a qual serviu de suporte para a iniciativa e as decisões concernentes à conferência Rio-92. Nele, enfatiza-se que o meio ambiente - ou melhor, a natureza - não constitui uma dimensão ilimitada para aquilo que o homem ou a mulher desejam fazer sobre o planeta. Tudo aquilo que ultrapassar as fronteiras ambientais, que desrespeitar as regras de regeneração e de conservação próprias da natureza termina gerando situações insustentáveis. Daí a necessidade de se pensar a organização sócio-econômica em termos de seus fundamentos biofísicos, os quais regem os termos da sustentabilidade do desenvolvimento. Desenvolvimento e Natureza: estudos para uma sociedade sustentável não é uma obra panfletária, um manifesto, uma declaração de militantes ambientalistas. Aqueles que a escrevem têm consciência do significado do ambiente natural para o homem e a mulher mas, antes de tudo, querem oferecer resultados de estudos e reflexões acerca da construção de um modelo ecologicamente são de sociedade - de modo que se chegue a algo que represente uma forma verdadeiramente sustentável, duradoura e responsável de progresso Os interessados em conhecer as sugestões de leitura da Revista Canavieiros podem procurar a Biblioteca da Canaoeste, na Rua Augusto Zanini, nº1461 em Sertãozinho, ou pelo telefone (16)3946-3300 - Ramal 2016
  37. 37. Agende-se Fevereiro de 2008 SUGAR AND ETHANOL BRAZIL 2008 Data: 04 a 06 de março de 2008 Local: Hotel Renaissance - Alameda Santos, 2233 – São Paulo – SP Temática: A Conferência Sugar and Ethanol Brazil organizada pela F.O. Licht e IBC Brasil contará com a participação de ilustres palestrantes que abordarão temas de grande relevância àqueles que se interessam em adquirir conhecimento e informação com profissionais e instituições que são referência no setor. Junte-se a nós em São Paulo e aproveite esta oportunidade única de debater as questões que afetam esse mercado e de fazer networking com graduados executivos do mundo todo. Mais Informações: (11) 3017-6888 TENDÊNCIAS DO MERCADO E ESTRATÉGIAS DE COMERCIALIZAÇÃO PARA A SAFRA 2007-2008 Data: 07 de março de 2008 Local: Hotel Deville Curitiba - Rua Comendador Araújo, 99 – Curitiba – PR Temática: Os assuntos abordados serão: As Tendências para o Mercado de Milho , por Paulo R.Molinari, Economista e Analista de SAFRAS & Mercado; As Tendências para o Mercado de Carnes, por Paulo R.Molinari, Economista e Analista de SAFRAS & Mercado; As Tendências para o Mercado de Trigo, por Élcio Bento, Economista e Analista de SAFRAS & Mercado; As Tendências para o Mercado de Bioenergia - Álcool e Biodiesel, por Miguel Biegai Junior, Economista e Analista de SAFRAS & Mercado; e As Tendências para o Mercado de Soja, por Flávio R. de França Junior, Economista e Analista de SAFRAS & Mercado Mais Informações: (51) 3224-7039 5º SILA - SEMINÁRIO INTERNACIONAL EM LOGÍSTICAAGROINDUSTRIAL Data: 19 a 21 de março de 2008 Local: Anfiteatro do Pavilhão de Engenharia, ESALQ – Piracicaba – SP Temática: No 5º Seminário Internacional em Logística Agroindustrial (SILA) que vai acontecer de 19 a 21 de março de 2008 discutindo o tema Transporte Hidroviário (Fluvial e Cabotagem) de Granéis Agrícolas, o Grupo ESALQ-LOG (Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial) trará uma novidade: membros das diversas instituições de ensino (professores, pesquisadores, alunos) de todo o Brasil vão poder expor seus trabalhos.A idéia do periódico é reunir os trabalhos em uma publicação de grande alcance, documentando assim trabalhos de referência para os agentes e estudiosos envolvidos em ambientes de logística agroindustrial. Mais Informações: (19) 3429-4580 2° CONCANA - CONGRESSO INTERNACIONAL DE TECNOLOGIA NA CADEIA PRODUTIVADA CANA Data: 31 de março a 03 de abril de 2008 Local: Centro de Eventos ABCZ – Uberaba – MG Temática: O congresso, que tem como um dos seus objetivos apresentar novas tecnologias e os avanços nos sistemas industriais, reunirá os principais pensadores e empresários do agronegócio do setor. O evento se tornou ponto de referência na tomada de decisões para todos os profissionais da cadeia produtiva da cana. Neste ano, artigos técnico-científicos relacionados ao setor sucroalcooleiro, serão expostos no congresso. Mais Informações: (34) 3318-4100 Revista Canavieiros - Fevereiro 2008 Revista Canavieiros - Fevereiro dede 2008 37

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