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Artistas e Grupos de Belo Horizonte: Comportamentos e Características Empreendedoras segundo o EMPRETEC / SEBRAE
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Artistas e Grupos de Belo Horizonte: Comportamentos e Características Empreendedoras segundo o EMPRETEC / SEBRAE

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Este artigo tem por objetivo principal analisar cinco empreendimentos artístico-culturais protagonizados por quatro grupos e um artista solo em atuação na …

Este artigo tem por objetivo principal analisar cinco empreendimentos artístico-culturais protagonizados por quatro grupos e um artista solo em atuação na
cidade de Belo Horizonte / Minas Gerais e apontar, através de seus depoimentos, o emprego de comportamentos e características empreendedores, de acordo com o
Seminário EMPRETEC, da ONU - Organização das Nações Unidas, gerido e aplicado no Brasil pelo SEBRAE.

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  • 1. CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA PRÓ-REITORIA ACADÊMICA COORDENADORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃOCURSO DE ESPECIALIZAÇÃO MBA GESTÃO DE MARKETING E VENDAS Rafaela Cappai Morais Frederico ARTISTAS E GRUPOS DE BELO HORIZONTE: Comportamentos e Características Empreendedoras segundo o EMPRETEC / SEBRAE Belo Horizonte 2011
  • 2. ARTISTAS E GRUPOS DE BELO HORIZONTE: Comportamentos e Características Empreendedoras segundo o EMPRETEC. Rafaela Cappai Morais Frederico*RESUMO: Este artigo tem por objetivo principal analisar cinco empreendimentosartístico-culturais protagonizados por quatro grupos e um artista solo em atuação nacidade de Belo Horizonte / Minas Gerais e apontar, através de seus depoimentos, oemprego de comportamentos e características empreendedores, de acordo com oSeminário EMPRETEC, da ONU - Organização das Nações Unidas, gerido e aplicadono Brasil pelo SEBRAE.PALAVRAS-CHAVE: características empreendedoras, comportamentoempreendedor, empretec, empreendedorismo artístico, empreendedorismo cultural.                                                                                                                *Rafaela Cappai Morais Frederico é atriz, bailarina, jornalista e empreendedora cultural. É também umaEMPRETECA, pois concluiu o Seminário EMPRETEC em Novembro de 2009. rafaela@espaconave.org   2  
  • 3. 1. Introdução O Brasil foi submetido, por aproximadamente 21 anos – de 1964 a 1985 – auma sangrenta ditadura, que impedia, entre outras coisas, a liberdade de expressão. Issomarcou profunda e negativamente a cultura brasileira. Foi só a partir do fim da ditadura,em 1988, com a votação pelo Congresso Nacional de uma nova Constituição e oestabelecimento de direitos culturais – de expressão, produção e fruição – que a Culturaem nosso País passou a ser abordada também em seus aspectos econômicos, políticos esociais. O movimento Diretas Já teve enorme importância nessa redemocratização doPaís, levando para as ruas “líderes políticos, sindicalistas, intelectuais e artistas daesquerda brasileira, que durante o período ditatorial foram reprimidos ou até mesmoexcluídos da participação social, política, econômica e cultural”. (CUNHA, 2005, p.36) Atualmente vivenciamos o auge desse movimento iniciado há 22 anos:segundo dados de 2003, do Sistema de Informações e Indicadores Culturais do IBGE -Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, existem cerca de 290 mil empresasculturais no Brasil responsáveis por uma massa salarial de R$ 17,8 bilhões, e osempregados da área cultural recebem, em média, 5,1 salários mínimos, enquanto amédia dos demais setores corresponde a três salários. Além disso, as atividades culturaismovimentaram, no mesmo ano, receita líquida de R$ 156 bilhõesi. Em Belo Horizonte, assim como em outras capitais brasileiras, o mercadocultural vêm crescendo e criando melhores e mais variadas possibilidades de atuaçãodos trabalhadores do setor artístico-cultural. A partir dos anos 1990, multiplicaram-se os equipamentos culturais como casas de espetáculos, salas de cinema, estúdios de gravação, e galerias de exposições (…) A expansão também se faz presente no número expressivo de grupos artísticos que firmaram sua carreira na cidade e ganharam projeção nacional ou mesmo internacional nos últimos anos. É o caso de companhias de dança como Corpo, Primeiro Ato e Mimulus, de grupos teatrais como Galpão e Giramundo, e musicais como Uakti, Skank, Pato Fu e Jota Quest, que se tornaram referências de qualidade no mercado brasileiro. Na esteira de seu sucesso,   3  
  • 4. diversos outros grupos têm se profissionalizado, conquistado paulatinamente o público e ganhado espaço na mídia (AVELAR, 2008, p. 30). Juntamente com essa profissionalização, um novo movimento se iniciou:cansados de esperar por oportunidades, os artistas arregaçaram as mangas e passaram aatuar diretamente em atividades como produção, comercialização, distribuição edivulgação de seus trabalhos e não mais apenas com a questão artística em si. Passarama atuar como empreendedores de seus próprios negócios artísticos ou comoempreendedores culturais, articulando duas dimensões distintas do conhecimentohumano. A noção de empreendedorismo cultural estabelece uma relação entre dois conceitos oriundos de distintos campos de ação e conhecimento: o de empreendedor, concebido na economia e na administração; e o de cultura, tema central na antropologia e na sociologia (LIMEIRA, 2008, p. 6). Aptos a articular essas duas dimensões, esses artistas tornaram-se capazesde engendrar seu próprio desenvolvimento social e econômico e, em consequência,suas comunidades e entornos. Essa força empreendedora no setor cultural podesignificar uma nova abordagem na busca de um desenvolvimento sustentável no setorcultural do País. As organizações e empreendimentos artísticos e culturais integram o setor das indústrias criativas e vêm adquirindo crescente importância como recurso para o desenvolvimento social e econômico, especialmente de países emergentes como o Brasil. Dentro desse cenário, pouco se tem refletido sobre a formação de empreendedores culturais, aqueles profissionais capacitados a criar, organizar, gerenciar e desenvolver seus empreendimentos de modo sustentável, em lugar da excessiva dependência do Estado ou de patrocinadores privados (LIMEIRA, 2008, p. 1). Além disso, ao se envolveram em todas as dimensões da cadeia produtiva,esses artistas-empreendedores passaram a ter uma noção mais clara e abrangente detudo aquilo que envolve a obra artística, não ficando restritos às salas de ensaio e aosateliês de criação. Passaram a ser artistas mais completos, com um entendimento maiscomplexo das diversas etapas da produção de uma obra de arte e dos riscos resultantes   4  
  • 5. desse trabalho. O trabalho no âmbito cultural envolve certos riscos, talvez pelo fato de lidar diretamente com as incertezas inerentes ao ato da criação. Some-se a isso o fato de se tratar de um novo campo de trabalho, que exige dos produtores e gestores determinação e capacidade de abrir caminhos. Assim, dentre os vários traços de personalidade (…), faz-se necessário destacar o perfil empreendedor (AVELAR, 2008, p. 58). AVELAR (2008) considera o fato de que desenvolver característicasempreendedoras é fator recomendável para trabalhadores do setor cultural. Empreendedor é, pois, alguém que identifica oportunidades, propõe inovações, atua como agente de mudanças e se abre para o risco. Alguém que não se imobiliza pelo medo do fracasso. O empreendedorismo é, dessa forma, um atributo recomendável para um profissional que pretenda atuar na esfera da produção e da gestão cultural (AVELAR, 2008, p. 59). Apesar de envolvidos com arte e cultura, temas nem sempre associados comlucratividade e rentabilidade, esses empreendedores do setor cultural e artísticoapresentam as mesmas características dos empreendedores comuns, como busca porinovação, capacidade de liderança, competência para estabelecer redes derelacionamento e disponibilidade para correr riscos calculados. Segundo Howkins,“essas pessoas instintivamente pensam por si mesmas, fazem network, mantém váriasbolas no ar ao mesmo tempo. São a tropa de choque, não só para novas ideias sobrecultura, mas para novas ideias de como trabalhar com cultura.”ii (2001, p. 129) Howkins estabelece que, apesar de empreendedores do setor culturalapresentarem características semelhantes a empreendedores de outros campos deatuação, eles possuem a criatividade como fonte geradora de riqueza, em seu sentidomais amplo. Empreendedores da economia criativa operam (...) com uma importante diferença: eles utilizam a criatividade para liberar a riqueza que reside entre eles. Como verdadeiros capitalistas, eles acreditam que essa riqueza criativa, se gerida corretamente, irá gerar mais riquezaiii (HOWKINS, 2001, p. 129).   5  
  • 6. Mas o que diferencia esses empreendimentos na busca de sucesso no setor?Porque alguns grupos e artistas continuam recebendo financiamento, suportegovernamental e corporativo, e outros tantos se frustram nessa tentativa? Porque algunsartistas se apresentam para platéias lotadas, enquanto outros tantos continuam a realizartemporadas não tão bem sucedidas? Conhecer e entender a realidade de artistas-empreendedores pode significar uma possibilidade de abordagem diferenciada domercado cultural brasileiro e belo-horizontino, pela compreensão de como operam seusartistas e realizadores e os empreendimentos culturais de sucesso que produzem.Entender as características e comportamentos adotados pelos mesmos pode significaruma alternativa para outros empreendedores culturais. O tema é de grande importância e precisa de aprofundamento, pois muito sefala na capacitação de artistas para elaboração de projetos, principalmente de Leis deIncentivo, mas pouco se discute diferentes possibilidades de atuação de artistasempreendedores de forma autônoma e sustentável. Muito se fala também da capacidadeempreendedora do brasileiro comum, mas o tema é pouco explorado no que diz respeitoàs especificidades da questão no campo artístico-cultural. Há ainda pouco materialdidático, poucos especialistas no assunto. Cabe, portanto, aos empreendedores buscaruma abordagem do tema não apenas em seu viés econômico e de gestão, mas tambémdo ponto de vista comportamental, para que possam investir em sua capacidade deinovação e também na força do seu trabalho para modificação social de seu meio.   6  
  • 7. 2. O Seminário EMPRETEC e suas Características Empreendedoras: O EMPRETEC, treinamento desenvolvido pela ONU – Organização dasNações Unidas, tem por objetivo estimular e desenvolver, do ponto de vista pessoal,características individuais do empreendedor, e em âmbito global, de acordo cominformações de seu manual Empretec   Programme:   The   Entrepreneur’s   Guide,“melhorar a capacidade produtiva e competição internacional em benefício dodesenvolvimento econômico, erradicação da pobreza e participação igualitária dospaíses em desenvolvimento na economia mundialiv”. O Seminário procura orientar empreendedores promissores em seus camposde atuação a colocar suas ideias em prática e / ou fazer seus negócios já existentesflorescerem. A designação EMPRETEC resulta da associação das palavras espanholasempreendedor e tecnologia e foi utilizado inicialmente na Argentina, em 1988.Atualmente o programa é aplicado em 27 países, já tendo contribuído para o êxito demais de 120 mil empreendedores de diversos setores em todo o mundo. Sua base detrabalho, intitulada ETW - Entrepreneurship Training teve origem em metodologia deDavid McClelland, Professor da Universidade de Harvard (EUA), com foco naabordagem comportamental ao empreendedorismo. McClelland identificou um elemento psicológico em comum emempresários de sucesso, que ele chamou de motivação pela realização ou impulso paramelhorar. A partir dessa identificação, ele desenvolveu um treinamento específico paramelhorar essa característica e torná-la aplicável no ambiente empresarial. Seu principalaprendizado é o de que características empreendedoras podem ser reforçadas a partir daexecução de determinados comportamentos e, portanto, podem ser treinadas emelhoradas.   7  
  • 8. Durante o Seminário, os empreendedores são orientados a analisar seupróprio comportamento de acordo com as 10 Características do ComportamentoEmpreendedor. Essas características, que possuem comportamentos correlatos, foramagrupadas conforme conjuntos específicos. São cinco as características empreendedorasque fazem parte do Conjunto de Realização, cada um delas com 3 comportamentos:1) Busca de Oportunidades e Iniciativa, sendo: a) Faz as coisas antes do solicitado ouantes de forçado pelas circunstâncias; b) Age para expandir o negócio a novas áreas,produtos ou serviços; c) Aproveita oportunidades fora do comum para começar umnegócio, obter financiamento, equipamentos, terrenos, local de trabalho ou assistência.2) Correr Riscos Calculados, sendo: a) Avalia alternativas e calcula riscosdeliberadamente; b) Age para reduzir riscos ou controlar resultados; c) Coloca-se emsituações que implicam desafios ou riscos moderados.3) Exigência de Qualidade e Eficiência, sendo: a) Encontra maneiras de fazer as coisasmelhor, mais rápido ou mais barato; b) Age de maneira a fazer as coisas que satisfaçamou excedam padrões de excelência; c) Desenvolve ou utiliza procedimentos paraassegurar que o trabalho seja terminado a tempo ou que atenda a padrões de qualidadepreviamente combinados.4) Persistência, sendo: a) Age diante de um obstáculo significativo; b) Agerepetidamente ou muda de estratégia a fim de enfrentar um desafio ou superar umobstáculo; c) Faz um sacrifício pessoal ou despende um esforço extraordinário paracompletar uma tarefa.5) Comprometimento, sendo: a) Atribui a si mesmo e a seu comportamento as causas deseus sucessos e fracassos e assume a responsabilidade pessoal pelos resultados obtidos;b) Colabora com os empregados ou coloca-se no lugar deles, se necessário, para   8  
  • 9. terminar uma tarefa; c) Esforça-se para manter os clientes satisfeitos e coloca a boavontade a longo prazo acima do lucro a curto prazo. São três as características empreendedoras que fazem parte do Conjunto dePlanejamento, cada um delas também com 3 comportamentos cada:6) Busca de Informações, sendo: a) Dedica-se pessoalmente a obter informações declientes, fornecedores ou concorrentes; b) Investiga pessoalmente como fabricar umproduto ou proporcionar um serviço; c) Consulta especialistas para obter assessoriatécnica ou comercial.7) Estabelecimento de Metas, sendo: a) Estabelece metas e objetivos que são desafiantese que têm significado pessoal; b) Tem visão de longo prazo, clara e específica; c)Estabelece objetivos de curto prazo, mensuráveis.8) Planejamento e Monitoramento Sistemático, sendo: a) Planeja dividindo tarefas degrande porte em subtarefas com prazos definidos; b) Constantemente, revisa seus planoslevando em conta os resultados obtidos e mudanças circunstanciais; c) Mantém registrosfinanceiros e utiliza-os para tomar decisões. São duas as características empreendedoras que fazem parte do Conjunto dePoder, cada um delas também com 3 comportamentos cada:9) Persuasão e Rede de Contatos, sendo: a) Utiliza estratégias deliberadas parainfluenciar ou persuadir os outros; b) Utiliza pessoas-chave como agentes para atingirseus próprios objetivos; c) Age para desenvolver e manter relações comerciais.10) Independência e Auto-Confiança, sendo: a) Busca autonomia em relação a normas econtroles dos outros; b) Mantém seu ponto de vista, mesmo diante da oposição ou de   9  
  • 10. resultados inicialmente desanimadores; c) Expressa confiança na sua própria capacidadede completar uma tarefa difícil ou de enfrentar um desafio.3. Os métodos por trás das entrevistas: Para esta análise, optamos por detalhar a utilização de cinco das dezCaracterísticas Empreendedoras, apontadas pelo EMPRETEC. São elas: Busca deOportunidades e Iniciativa, Estabelecimento de Metas, Busca de Informações,Planejamento e Monitoramento Sistemáticos, Persuasão e Rede de Contatos. A opçãoteve como objetivo principal não só reduzir a amplitude da análise, tornando-a prática efocada, mas também restringir a análise às características que, a princípio, seriam maisrelevantes para o trabalho do empreendedor no campo artístico-cultural. Para a seleção dos cinco grupos / artistas entrevistados, o critério utilizadofoi a escolha de empreendimentos da cidade de Belo Horizonte / Minas Gerais, quetivessem reconhecimento de público e crítica, tanto em nível local, quanto nacional. Aomesmo tempo, optamos por grupos e artistas emergentes, com atuação recente (nomáximo 10 anos no momento das entrevistas), evitando nomes já conhecidos do grandepúblico. A exceção, no que diz respeito ao local de atuação, foi a escolha do bailarinoVanilton Lakka, nascido na cidade de Uberlândia / Minas Gerais. Apesar de ser naturaldo Triângulo Mineiro, Lakka atua constantemente na cidade de Belo Horizonte,integrando inclusive, o elenco de grupos locais em apresentações na cidade. As entrevistas foram realizadas, presencialmente, com um ou doisintegrantes do grupo que se colocaram à disposição para discutir a temática proposta.Com duração aproximada de 1 hora, tiveram por base um questionário semi-estruturado,alterado, por vezes, em função do desenrolar da conversa. Seu foco principal foi aobtenção de resultado qualitativo e pretendia identificar padrões de comportamentos   10  
  • 11. que posteriormente foram agrupados de acordo com as características ecomportamentos Empreendedores, segundo o Seminário EMPRETEC. Trata-se de umesforço de identificação e categorização, já que os próprios entrevistados, muitas vezes,não tinham, em nível consciente, o entendimento do que eram as CaracterísticasEmpreendedoras do EMPRETEC. Como será possível notar, todos os artistas / grupos entrevistadosconseguem, de maneira relativa, se manter atuantes e relevantes, em busca da realizaçãode seu trabalho, agindo de forma concreta na produção, comercialização, circulação edivulgação de suas criações artísticas. São eles: Cia. Clara, Cia. Luna Lunera,MOVASSE - Coletivo de Criação, Grupo Espanca! e o artista solo Vanilton Lakka. Nosanexos, ao final deste artigo, encontram-se pequenos históricos de cada um dos artistase grupos entrevistados, fornecidos através de material de divulgação dos mesmos, alémde seus endereços de contato na Internet.4. Análise de dados A análise de dados a seguir foi organizada tendo como referência as cincoCaracterísticas Empreendedoras do Seminário EMPRETEC selecionadas para facilitar acompreensão das informações:4.1. Busca de Oportunidades e Iniciativa: Essa é uma característica essencial a qualquer empreendedor, mas em Arte eCultura sua importância é inegável. Em tempos de editais governamentais e deempresas privadas, Leis de Incentivo, concursos, mostras e festivais, bolsas entre outrastantas possibilidades de prospecção, estar atento a elas é tarefa primordial a quem queiraempreender no setor. Fica claro, durante as entrevistas, que vários dos grupos partem dealguma oportunidade ímpar para se formar e iniciar seus empreendimentos culturais,   11  
  • 12. como abrir uma sede ou expandir sua área de apresentação para além do seu próprioEstado ou País. Já no início da trajetória da Cia. Clara, por exemplo, o grupo demonstraempenho em aproveitar a oportunidade e tomar as iniciativas necessárias para darcontinuidade ao trabalho. Segundo Anderson Aníbal, com o sucesso de público doprimeiro trabalho, Todas as Belezas do Mundo, e os dividendos dele, o grupo optou pordar início aos ensaios da segunda peça, Coisas Invisíveis. O que poderia ter acontecidose o grupo tivesse resolvido dividir a pequena quantia de R$ 1.500,00 da bilheteria, emlugar de seguir em frente? A gente tinha assim, platéias cheias, sempre. E a gente nem entendia disso, a gente achava que era normal ter público. E a gente tinha muito público. 70% da casa da Ceschiatti (Sala João Ceschiatti) todos os dias, sábado e domingo enchendo e no final das temporadas tinha sessão extra. (...) A gente ficou praticamente um semestre em cartaz. Fizemos a Campanha de Popularização (do Teatro e da Dança) e com isso gerou um recurso. A gente tinha na época em torno de R$1.500,00. Aí falamos: ‘o que a gente vai fazer? Vai dividir em 8 partes ou vai fazer alguma coisa com ele?’. Aí a gente decidiu fazer outro espetáculo (ANÍBAL, 2008). Com Coisas Invisíveis não foi diferente. O grupo optou por mostrar oespetáculo durante o Festival de Teatro de Curitiba, mesmo diante de circunstânciasadversas, na tentativa de fazê-lo acessível a mais platéias. Mais uma vez fica claro que acaracterísticas Busca de Oportunidades e Iniciativa é um dos pontos fortes do grupo, jáque em função dessa escolha por Curitiba, o grupo conseguiu convites paraapresentações durante aquele ano, por festivais de todo o País: Com Coisas Invisíveis fizemos boa temporada, fizemos Campanha (de Popularização do Teatro e da Dança) e aí tinha um dinheiro sobrando e nós fomos para Curitiba e foi a produção mais precária do mundo. Mas aí, na segunda apresentação, a Beth Néspoli (Repórter especializada em teatro do Caderno 2, do Jornal Estado de S. Paulo) viu e se apaixonou. Ela chorava. Eu nem sabia quem era ela, e ela chorava, ficou toda encantada, veio conversar com a gente. E ela mobilizou a imprensa do festival, porque na época eles faziam uma seleção entre os jornalistas pra escolher o melhor espetáculo. E aí ela falou que se os jornalistas não fossem ver o nosso espetáculo, que eles não teriam visto o melhor espetáculo do festival. Quem me contou isso, muito tempo depois, foi o Miguel Anunciação (Repórter especializado em teatro do Jornal Hoje em Dia, de Minas Gerais). (...) Daí, no último dia, a apresentação era às 9 da noite, ou seja, concorrendo com a (mostra) oficial. E aí a gente falava ‘ninguém vai vir.’ Aí chegou 15 pras 9 e tava todo mundo lá. Tava lotado, o hall cheio de gente. 90 lugares ocupados. Jornalistas e eu não tinha a menor ideia de quem estava lá, mas o povo falava: ‘a Folha tá aí, o Estadão tá aí, não sei quem tá aí’. E estavam   12  
  • 13. mesmo. Estava o Valmir (Santos, na ocasião, repórter especializado em teatro do Caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo), estava o Michel (Fernandes, jornalista do site Aplauso Brasil). Muitos fotógrafos, muita gente de todo lugar, de Pernambuco, da Paraíba, do Ceará. A gente deu entrevista pra todo mundo, saímos em todos os jornais do País e foi muito legal. Aí a gente voltou pra Belo Horizonte e aí o grupo se firmou, já que nesse ano a gente viveu de viajar para festivais (ANÍBAL, 2008). Também para o grupo Espanca!, assim como para a Cia. Clara, a grandeoportunidade surgiu após decisão de apresentar o espetáculo em Curitiba, na mostraparalela do festival. A Mostra Fringe (do Festival de Teatro de Curitiba) terminou já com convites para festivais, todo mundo sabia e começaram a escrever muito da gente no jornal, falaram que a gente justificou o festival que é meio mercadológico. A gente ficou com um nome muito forte, era muito mais do que a gente esperava, a gente achou que conseguiríamos uma crítica boa, e teríamos que voltar para Belo Horizonte e ralar pra conseguir, quem sabe, um lugar em festivais. A Fê (Fernanda Vidigal, da Agentz Produções) conta que a gente chegou em Belo Horizonte e o telefone da produtora não parava de tocar pra convites para o Espanca!. (...) Depois, no outro ano, a gente ganhou o Prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), e o Prêmio Estímulo às Artes, da Fundação Clóvis Salgado. (...) Aí fizemos o Amores Surdos e fomos convidados a ir para Curitiba, estrear, dessa vez, na mostra oficial. (BONES, 2008). Com a Cia. Luna Lunera, a oportunidade também apareceu, através dacompra de um pacote de espetáculos para temporada no SESC, na cidade de São Paulo.Esse tipo de contrato é visto com grande interesse por parte de produtores, uma vez quea Instituição compra uma temporada de espetáculos e o grupo não precisa se preocuparcom bilheteria, principalmente diante dos custos como hospedagem e alimentação emoutra cidade. Cláudio Dias detectou a oportunidade, através de contato via mailing dainstituição. Aqueles Dois foi um espetáculo que teve uma repercussão grande. No caso do SESC, eu detectei no mailing e enviei um email para a pessoa perguntando como poderia encaminhar um projeto. A pessoa me respondeu positivamente, assistiu ao espetáculo, gostou muito e eu mandei o projeto para o SESC Pompéia. Algumas semanas depois o SESC Avenida Paulista me liga. Você sabe que é difícil dimensionar a comunicação entre esses curadores, mas pode ter acontecido... (DIAS, 2008). Já com os integrantes do Movasse, duas oportunidades surgiram ao mesmotempo: um prêmio do Itaú Cultural e a possibilidade de assumir uma sala para aulas   13  
  • 14. regulares. Tudo antes mesmo de terem se firmado como um coletivo. Isso colaborouposteriormente para a criação do grupo. A gente começou em meados de 2006, logo depois que a gente saiu do Primeiro Ato (Grupo de Dança). Acho que ninguém queria trabalhar totalmente sozinho. E aí foi uma oportunidade que surgiu. A gente começou a mandar projetos juntos e aprovamos Itaú Cultural de cara. A gente recebeu a notícia de que foi aprovado, a gente tinha que realizar o projeto. O Arão descobriu uma sala de ensaio através dos contatos dele e fez a proposta, ‘vamos trabalhar em coletivo?’ E as coisas foram acontecendo. Manda projeto, aprova e sabe quando vem uma coisa leva a outra e a gente acabou se estabelecendo como coletivo (...) Mas a questão do espaço foi determinante pro coletivo acontecer e permanecer porque ensaiar na sala de casa é muito complicado (FRANÇA E ANHAIA, 2008).4.2. Planejamento e Monitoramento Sistemáticos: Já a segunda característica empreendedora, planejar e monitorar de formasistemática não parecem ser verbos constantemente empregados por artistas, mas háexceções. De qualquer forma, aqueles que entendem o salto de qualidade que a tarefapode gerar, atentam para sua necessidade. Vejamos por exemplo a Cia. Clara: durantetemporada do espetáculo Coisas Invisíveis, após excelente repercussão no Festival deTeatro de Curitiba, o grupo retorna a Belo Horizonte e na sequência, apesar de ter oproduto certo e solicitado pelos festivais de todo o país, se desconcerta por não saberlidar com a questão da circulação de forma organizada. Não havia planejamento, umavez que tudo aquilo ainda era novidade: Ligavam falando que queriam levar a gente, e a gente ficava sem saber o que estava acontecendo, como lidar com tudo aquilo. A gente perdeu muita viagem por não conseguir planejar, não conseguir se organizar. Fizemos espetáculos ruins em São José do Rio Preto, por exemplo, porque nos colocaram em um lugar que não era propício para o espetáculo. (...) E isso é questão de produção. Achávamos tudo bonito. Falavam: ‘a gente vai montar um palco pra vocês ali, pode?’ E a gente respondia: ‘pode’, pois estávamos achando tudo bonito. Aí sim aconteceu tudo isso e começamos a fazer projeto pras Leis, pra manutenção do grupo que já era pra ter uma sede que a gente não tinha ainda (ANÍBAL, 2008). Anderson aponta que o trabalho artístico da Cia Clara cresceu e amadureceue que o planejamento e gestão dos grupos artísticos precisam acompanhar esseamadurecimento:   14  
  • 15. Agora está sendo tudo reformulado. A gente está passando por um processo de planejamento estratégico, com o Rômulo Avelar. Então está tudo mudando, estamos em uma fase de reestruturação mesmo. (...) Teve esse boom de grupos que passaram e sobreviveram cinco anos fazendo espetáculos. Mas agora todos estão vinculados a grandes instituições, são parceiros de grandes grupos, trabalham com Leis de Incentivo, têm um volume grande de trabalho, e isso precisa ficar organizado, dentro de uma forma de funcionamento. E aí a gente está chegando nessa hora de crise. A gente está em uma fase assim: ou a gente se profissionaliza realmente ou acaba! Ficar fazendo teatro do jeito que a gente fez até hoje, não cabe mais. Então é uma mudança de ciclo (ANÍBAL, 2008). Anderson continua falando dessa evolução e do planejamento necessáriosao grupo: Acho que de alguma forma, amadureceu o trabalho artístico. O trabalho artístico já tem um primeiro volume. Até pra ele evoluir, as relações precisam estar melhores. Até onde a gente chegou é possível fazer com esse nível de estrutura, agora pro que a gente vê como possibilidade, a gente precisa de uma estrutura melhor, mais forte. A gente precisa de um ator que fique à disposição. Ele não pode trabalhar num banco e trabalhar à noite aqui. Então ele precisa ser remunerado. Mas para ele ser remunerado, ele vai receber só quando tiver montando o espetáculo? Então vai começando a criar essa rede de coisas necessárias pra que tudo funcione (ANÍBAL, 2008). Já a Luna Lunera, em determinado momento de evolução sentiu necessidadede planejar melhor e dividir a grande tarefa de administrar um grupo de teatro e suasnecessidades em pequenos papéis, que eles próprios chamaram de Luas, ou sejapequenas esferas da produção, que tinham objetivo de facilitar e organizar o trabalho: “Então o Perdoa-me (Por Me Traíres) continuava em cartaz até 2003, e nesses dois anos - 2001 e 2002 - o grupo sobreviveu da bilheteria, que deu uma sustentabilidade pro grupo conseguir se manter. E já em 2001 nós conseguimos alugar a sede com esse dinheiro de bilheteria. Nesse momento a produção do grupo se dividiu, a gente chamava de Luas, cada Lua cuidava de um setor de produção do grupo. Uma Lua cuidava por exemplo da montagem de cenário, da questão de transporte, da luz. A outra cuidava de captação de recursos que tinha a ver com apoios e patrocínio. (...) Uma outra Lua cuidava de projetos, Lei de Incentivos e uma quarta cuidava da administração do grupo (DIAS, 2008). Um outro esforço da Cia Luna Lunera são as atas de produção, que acabamfuncionando como importantes mecanismos de revisão e avaliação do trabalho, aindaque não regulares. Existem as atas de reunião que em todas as reuniões a produção informa o que esta acontecendo, problemas, soluções e tal. Então existem essas atas, mas que não são   15  
  • 16. regulares. A gente ficou um tempão sem fazer, mas as últimas reuniões a gente tem relatado pra que a gente tenha mesmo esses... até para o planejamento mesmo (DIAS, 2008). No seu planejamento financeiro, o MOVASSE instituiu uma formaespecífica para se manter. Divide as finanças como se o grupo fosse um quintointegrante do grupo, facilitando a análise dos registros financeiros. Agora a gente está vivendo mais por conta do espaço de aulas, também pelos convites que a gente recebe pra dançar: SESC, festivais, projetos como o Itaú Cultural e a gente descobriu maneiras de se manter. Tem uma quinta pessoa que é o Movasse. Nós somos 4 e a quinta é o Movasse. A gente tira uma porcentagem e divide por 5. O Movasse recebe pra gente se estruturar desde computador, impressora, até o piso da sala e isso tudo acontece lá. A gente tem o escritório e uma sala de dança. Esse é a prerrogativa. Se dançou, ganhou cachê, 20% é do Movasse. Porque temos de pagar conta de luz, IPTU, essas coisas, é manutenção mesmo (FRANÇA E ANHAIA, 2008). No que tange à capacidade de artistas realizarem de forma eficienteplanejamento e monitoramento sistemáticos, as bailarinas do MOVASSE exprimemcom clareza o desconforto da maioria dos artistas em lidar com a questão,principalmente no que diz respeito ao planejamento financeiro: Nós temos dificuldades pra lidar com a questão financeira. O aluno mal chegou e já pergunta ‘tem desconto?’ De cara. O que é bem chato e você vai tentando negociar. Se realmente a pessoa quer, 110 reais não é caro. Eu não tenho nenhum aluno que paga 110 reais, entende? É um que paga 100 outro que paga 90. Mas a gente vai aprendendo e já está melhor do que antes. E a coisa de vender espetáculos depende de quem está oferecendo e a gente faz reunião de horas pensando quanto vai cobrar e se for muito caro espanta, se for muito barato também a pessoa acha que não é bom. Olha, é complicado. Pensamos assim: ‘tem um mínimo, porque senão não vale a pena sair de casa (FRANÇA E ANHAIA, 2008). Sobre o planejamento financeiro de longo prazo elas assumem que aindanão conseguem fazer, em função da instabilidade inerente ao trabalho do artista. Planejamos mês a mês. A gente queria prospectar daqui a seis meses o que a gente vai fazer, até mesmo pra reinvestir no que a gente acha necessário, mas infelizmente a gente não consegue fazer isso. Às vezes a gente consegue marcar um espetáculo com 3, 4 meses de antecedência, mas é raro (FRANÇA E ANHAIA, 2008).   16  
  • 17. Sobre o planejamento financeiro do Espanca!, Gustavo Bones tambémassume que ainda é uma tarefa difícil: A gente tenta fazer por ano, sempre um ano à frente, mas é muito instável, é muito difícil. A gente acaba tendo certeza por pouco tempo. A perspectiva é pequena. (...) Em uma época, a gente conseguiu um dinheiro e falou ‘ao invés de ficar dividindo porcentagem, vamos ter um dinheiro mensal, complementando com o trabalho que vier, convênios, festivais’. Então por uma período a gente funcionou mais ou menos assim... Depois, esse dinheiro simplesmente acabou (...). Agora a gente está nessa onda de receber por trabalho, eu sou uma das pessoas que defende o fim desse pensamento no grupo, mas ainda é bem complicado (BONES, 2008). Quando indagado sobre relatórios sistemáticos e com prazos definidos,Gustavo deixa claro a dificuldade de artistas em empregar controles: Não fazemos não... Tem umas coisas que eu acho que são demais, sabe? Pelo menos por enquanto. Essa onda me incomoda um pouco. (...) Eu sinto que às vezes esfria um pouco uma relação que é muito pessoal ainda. Algumas coisas eu falo ‘ah, pra quê?’, mas ao mesmo tempo, eu acho que são importantes. Se a gente começar a delegar, isso passa a ser importante. Mas somos tão poucos ainda, principalmente agora (BONES, 2008). Já Vanilton Lakka lida muito bem com a dimensão financeira do seutrabalho, utilizando inclusive conceitos da Administração, como capital de giro. Uma coisa que eu tenho tentado fazer é justamente ter um capital de giro, ter uma grana guardada. Porque eu sei que a gente faz muita negociação com o Estado, com Prefeituras, entidades como SESC, SESI. Então você acaba tendo que ter fazer um contrato que você tem que responder rápido, ou seja, tendo a grana para pagar hotel, alimentação, estadia. Se você não tem para cobrir isso, e você vai receber sempre depois. (...) Acho que essa é uma questão estratégica (LAKKA, 2010).4.3. Estabelecimento de Metas: Estabelecer metas, na dimensão artística dos trabalhos, não parece ser tarefadifícil para grupos e artistas. Pensar e planejar qual será o próximo espetáculo, portanto,não é uma dificuldade, uma vez que as ideias são constantes e os desejos artísticostambém. Já estabelecer metas de gestão e organização parece ser difícil para os grupos,   17  
  • 18. pois o ciclo de planejamento quase sempre é ditado pelo ciclo de Editais das Leis deIncentivo à Cultura. O planejamento é anual, pois o próprio exercício de fazer projetos para as Leis de Incentivo já dá pra gente um pouco disso. Esse fluxo de realizar e no final estar planejando o que vai ser no outro ano. No meio do ano a gente começa a fazer os projetos pras Leis do outro ano. E é lógico que quanto mais passa o tempo e mais experiência temos, o planejamento vai ficando cada vez mais antecipado. Hoje a gente consegue planejar 2 anos de uma vez. Mas eu já tenho um objetivo da Companhia e da Caixa Clara que é pra daqui a 10, 15 anos. Eu quero chegar nesse objetivo. Todo esse caminho aqui é por causa disso (ANÍBAL, 2008). Mesma constatação tem o Espanca!, que muitas vezes planeja seuspróximos espetáculos de acordo com Editais. É assim: ‘abriu o edital, o que a gente vai escrever?’ Não tem muito jeito, é essa a verdade. Uma época a gente escrevia projeto para ser aprovado, agora, os nossos projetos são realmente aprovados - pelo menos a maioria - então, a gente começou a escrever projetos de acordo com o que a gente queira fazer. Por exemplo, circulação interior de Minas (...) do jeito que o Estado coloca, a gente não faz mais. (...) A gente sempre tem um projeto, uma ideia na gaveta. A gente vai sempre juntando essas ideias, quando vem um Edital, a gente elege o que é. E, ao mesmo tempo, vai fazendo projetos, para a vida. Temos vontade de trazer um diretor argentino pra nos dirigir, então a gente já manda um e-mail, já conhece a pessoa, para quando surgir a oportunidade, estar meio engatado. Os projetos estão meio em volta da gente, quando surge a oportunidade, é só escrever (BONES, 2008). No depoimento de Cláudio Dias, fica claro que as metas do grupo sãobaseadas em uma vontade interior de seus integrantes. São objetivos desafiadores e comsignificado pessoal. A gente pensa no que cada ator deseja fazer naquele momento da vida. Então no caso do Perdoa-me, a gente já queria trabalhar com Nelson Rodrigues, era um desejo dos atores de trabalhar com o Nelson. No caso de Nesta Data Querida a gente foi convidado a fazer um processo colaborativo no Galpão Cine Horto e quem tinha interesse naquele momento de fazer aquele estudo fez parte do espetáculo. No caso do Não Desperdice Sua Única Vida foi um retorno de quase todos pra cena. E a gente tinha algumas questões: fazer uma adaptação de um texto literário, ter um diálogo diferente com o espaço sobre um palco italiano (DIAS Já o planejamento de metas do grupo, segundo Claudio Dias, ainda é feitode maneira informal, para garantir o mínimo de funcionamento. “Geralmente é feitopara manter a estrutura da sede e manter as pessoas que estão trabalhando. Entãogarantir essa estrutura mínima que é produção, espaço, água e luz.” Mas existe tambémplanejamento de longo prazo: “estamos planejando pra 2011 os 10 anos da companhia.   18  
  • 19. Então já existe um planejamento sobre o que vamos fazer, remontar todos osespetáculos, produzir mais um, vai ter um livro do grupo, então já existe umplanejamento pra 2011.” (DIAS, 2008) Gustavo Bones, declara ter dificuldades para pensar no futuro de formaplanejada: É difícil falar do Espanca! pelo que a gente vai ser, eu posso falar do que a gente fez até hoje, de como foi diferente, como foi legal ou não. Pensar no que vai ser é difícil porque a gente não tem muito esse planejamento artístico, a gente tem umas conversas, umas ideias... a gente trabalha assim: arruma um dinheiro e aí, começa a pensar em pessoas que a gente queira que estejam próximas (BONES, 2008). Mas existem, sim, ideias estimulantes e de significado pessoal para osintegrantes do grupo que, segundo ele, surgem informalmente, muitas vezes emconversas de bar: Surge no boteco. A gente vai ver uma peça, começa a conversar, surge uma ideia. Ou surge no quarto do hotel, quando a gente está bebendo cerveja e falando da peça que a gente viu e alguém fala de uma coisa que pensou e isso vai se alimentando. (...) A gente quer fazer um filme do Por Elise nos próximos anos, por exemplo. A gente quer fazer um outro livro, do Amores Surdos, um livro como esse, porque a gente gostou muito do livro do Por Elise. Até agora a gente tem desejos, mas pra fazer, é sempre mais complicado. (...) Mas existe esse desejo de ir quebrando essas barreiras.” (BONES, 2008). Uma das metas do grupo, a longo prazo, é se tornar sustentável. Sustentabilidade é a gente conseguir pensar em daqui a cinco anos porque agora, o Espanca! é um projeto a longo prazo para a gente. Não temos perspectiva de sair do grupo ou de acabar com ele. E tudo o que a gente consegue planejar é sempre pro ano seguinte, o semestre seguinte. A gente não consegue pensar que essa empresa vai crescer e se sustentar nos próximos cinco anos ou nos próximos dois anos. Esse é nosso objetivo agora (BONES, 2008). E essa sustentabilidade significa conseguir fazer trabalhos que interessam aogrupo, sem precisar aceitar quaisquer oportunidades que aparecem. O Espanca! tem essa tarefa agora que é muito difícil, é muito difícil viver sem se planejar. A gente começa a aceitar tudo, com medo de que no futuro nada venha e a gente fique sem   19  
  • 20. perspectiva, então é assim, pintou uma apresentação para uns empresários de Pirapora, a gente está indo porque mês que vem sei lá se vão chamar para outra coisa. (...) Essas possibilidades de planejamento são, acho eu, a única solução para a gente, para coletivos. Não acho legal a gente ficar vivendo de Lei de Incentivo e nem de venda de espetáculos. O ideal era a gente sentar e falar ‘nós topamos viajar esses meses, para esses lugares’. (...) O negócio de ir para qualquer biboca, em troca de qualquer dinheiro, para não ter que trabalhar em banco... Mas a gente quer viver do Espanca! então a gente está cavando para poder chegar nesse lugar (BONES, 2008).4.4. Persuasão e Rede de Contatos: Os grupos entrevistados articulam muito bem suas redes de contato. Nodiscurso de Anderson Aníbal fica evidente que ele tinha uma estratégia para convencercolaboradores a contribuir para um projeto que acabou vencendo o Prêmio Estímulo àsArtes, da Fundação Clóvis Salgado. Eu tinha o objetivo de apresentar o Todas as Belezas do Mundo e ganhar o Prêmio Estímulo às Artes, pois eu descobri que com o prêmio eu poderia mudar muita coisa de uma vez só. Ia pular um degrau enorme. Eu pensava: ‘o que eu preciso?’ Ninguém me conhece, ninguém sabe o que eu faço da vida, eu tenho algumas matérias de jornal elogiando nossa apresentação no Festival Cenas Curtas e tenho amigos, boas relações de gente que eu tive na escola. Daí eu convidei o Raul Belém Machado pra fazer o cenário, chamei a Telma Fernandes pra fazer a luz. Chamei a Agentz Produções, já que a Fê adorava nossa cena curta e falei: ‘produz com a gente?’. Ou seja, juntei quem eu tinha de melhor no meu núcleo de relacionamentos e que tinha um vínculo melhor com a área pra poder trazer para o projeto. E aí o que eu fiz? Juntei essas pessoas, escrevi o projeto, consegui me organizar muito bem no texto, falar o que eu queria fazer (ANÍBAL, 2008). Anderson repetiu a estratégia quando resolveu iniciar a captação depatrocínio para seus projetos: No início, o primeiro caminho que eu descobri para conseguir alguma parceria foi com os meus clientes quando era designer gráfico. Mas eram quase amigos, gente com as quais eu trabalhei durante alguns anos e cheguei dizendo que agora trabalhava com teatro e tinha isso a oferecer. Então essas relações eu sempre cuidei delas (ANÍBAL, 2008). E fica claro também que a Cia já consegue estabelecer métodos e rotinascom o objetivo de manter a fidelização de seus patrocinadores.   20  
  • 21. Mensalmente a gente encaminha relatório. É um padrão até da Usiminas. A gente tinha essa coisa de enviar relatórios e a Usiminas implantou pra todos os patrocinados. Todas as questões artísticas, de público, é um relatório geral. Pelo menos os meus, eu nunca vi outros, mas os meus passam por tudo. Viajamos tal dia e nesse dia fizemos isso e isso e nós falamos disso. Tivemos tantas pessoas presentes, o ônibus chegou na hora, de tudo. De logística, de funcionamento, eu tento abranger todas as questões ((ANÍBAL, 2008). Já a Cia. Luna Lunera utiliza uma estratégia simples e direta para manterrelações comerciais com seu público: a mala direta no aniversário do cliente (público) eem datas especiais, como final de ano. Uma coisa que a gente faz é no aniversário mandar um cartão. Quando ele for cadastrado, recebe um email e se não estiver interessado pode se descadastrar. E no final do ano a gente manda um cartão que tenha a ver com o espetáculo que está sendo apresentado (DIAS, 2008) Já o Espanca! mantém uma rede de contatos, tanto de relaçõesinstitucionais, como de amigos e colaboradores mais próximos. São relações que foramsendo construídas com o tempo, durante viagens e apresentações em todo o país. A gente tem aquela famosa lista, de pessoas importantes, curador, Secretário de Cultura, imprensa, Chefe de Gabinete, todos os grupos de teatro de Belo Horizonte, todas as instituições... A gente tem isso. A gente usa disso também, claro que a gente usa! Mas a gente também tem uma lista de todo mundo que já trabalhou com a gente, todo mundo que trabalha atualmente.(...) A gente conhece todos os curadores pelo nome. Encontramos com eles em todos os festivais que a gente vai. A gente trocou vários e-mails e troca até hoje. (...) Circulando você vai vendo mais ou menos quem é que quem, quem é bacana. (...) Mesmo os críticos, a gente conversa muito com eles, conversas produtivas, tanto sobre o nosso trabalho, quanto sobre os outros. Eu acho isso legal, e principalmente com grupos de teatro também.” (BONES, 2008)4.5. Busca de Informações: Tão importante quanto a busca de oportunidade, está a característica debusca de informações, pois informação pode, se bem articulada, se transformar emoportunidade. Uma iniciativa importante da Cia. Luna Lunera, por exemplo, foi a buscade informações sobre o funcionamento do processo de montagem de um espetáculo,para na sequência, aplicar os conhecimentos em seu próprio trabalho:   21  
  • 22. Desde o início no CEFAR a gente se preocupou com a produção. Então nos primeiros anos de cursos a gente teve uma oficina com o Ivanée Bertola. A gente tinha interesse em, desde o início das montagens, estar por dentro de como funcionaria uma montagem de espetáculo (DIAS, 2008). Na sequência, o grupo procurou obter informações sobre o funcionamentodo Grupo Galpão, referência para o grupo em termos de produção e no próprio fazerteatral, para posteriormente aplicar o modelo na construção de seu próprio grupo: Logo no início da formação do grupo a gente foi fazer também um curso de produção cultural com o Rômulo Avelar e também nesse início a gente teve um contato muito grande com o Grupo Galpão, pra ver como funcionava. Como era o funcionamento de estrutura de produção e administrativo também. Como a gente tava aprendendo, a gente queria entender como funcionava administrativamente. (...) A gente sempre tem o modelo do Galpão como meta. Experiência deles e de tudo que eles já passaram pra gente (DIAS, 2008). Já os integrantes do MOVASSE investigaram como lidar com as diversasinterfaces do trabalho do grupo e relatam ter aprendido, mesmo, na prática. Na hora de ter que fazer a gente aprendeu um monte de coisa. Isso que é complicado, toda vez que acontece alguma coisa com a gente, a gente faz melhor. As vezes uma assessoria de imprensa, quando a gente resolveu fazer, arregaçar as mangas e fazer, apareceu jornalistas até de fora. Vídeo, a gente mesmo capta. Os quatro tem uma coisa bacana realmente a gente quer movimentar, não espera a coisa acontecer (FRANÇA E ANHAIA, 2008). Vanilton Lakka cita sua experiência no primeiro grupo de dança do qual fezparte. Ali, ele começou a aprender a operar outras dimensões, que não apenas a artística. As duas coisas cresceram juntas. Eu acho que na verdade esse é um componente que está na própria formação. Mesmo sem você querer, sem perceber claramente. Porque a minha formação em dança se deu de muito informalmente, já que foi no universo de dança de rua. Os picos de burocracia que eu tinha com meu grupo de dança de rua era na hora de organizar material para mandar pra algum festival, no sentido de organizar crachá, nome, passagem, essas coisas. Mas de qualquer maneira, esse pequeno universo, que eu chamo de universo de produção precário começou me preparar para outras coisa depois (LAKKA, 2010).   22  
  • 23. 6. Conclusão Não existe, no Brasil, uma turma do Seminário EMPRETEC voltadaespecificamente para setor artístico e cultural. Cada uma das turmas reúneempreendedores de diferentes setores e com experiências e vivências diversas. Essamistura pode ser importante para a troca de experiências entre os participantes e para oestabelecimento de uma rede de contatos fora do setor, mas em virtude de diferençasbásicas entre os setores das indústria cultural e criativa e o restante, como indústria ecomércio, seria importante que seus organizadores avaliassem a possibilidade de umaturma formada essencialmente por indivíduos das Artes e da Cultura, que por si só jáseria bastante heterogênea, aplicando a mudança de comportamento às especificidades edificuldades inerentes a esses setores. Um número grande de EMPRETECOS nesses setores pode significar, emnível pessoal, a melhoria individual de cada um deles, e em grande escala, umamudança de patamar na profissionalização do setor, do Estado e do País, uma vez que ocurso é realizado pelo SEBRAE em todo o Brasil. De qualquer forma, o objetivoprincipal do seminário é o de modificar comportamentos e, dessa maneira, cabe aoparticipante, independentemente de quem são seus colegas de classe, se abrir para essamudança e seguir as orientações dos tutores na busca por melhorias significativas. Uma pesquisa direta realizada pelo SEBRAE-MG, com indivíduos quecompletaram o seminário no ano de 2008, concluiu que 85% dos participantesconsideraram ter suas Características Empreendedoras (atitudes e iniciativas)aprimoradas após a experiência. 11% dos entrevistados consideraram que o cursoproporcionou o surgimento de atitudes e iniciativas empreendedoras e apenas 3,5%atestaram não ter reconhecido mudanças após o curso. Quando perguntados pela   23  
  • 24. situação de seus negócios após o seminário, 76,1% informaram que realizaramexpansão nos mesmos após o EMPRETEC, 23% mantiveram seus negócios e apenas0,9% extinguiram os mesmos após o curso. Pesquisas de avaliação similares sãorealizadas após todas as turmas do seminário, em todo o país, com dados e retornossemelhantes. Trata-se de uma iniciativa exemplar que prima por mudançassignificativas nos indivíduos participantes. Empreendedores das Artes e da Cultura quepuderem contar com essa possibilidade, poderão experimentar salto de qualidade e dedesenvolvimento profissional com uma perspectiva de desenvolvimento inegável. A dificuldade em realizar o curso para esses indivíduos poderia estar 1) nocusto do seminário 2) na carga horária. Atualmente, para se dedicar à puxada cargahorária de 60 horas / aula, em apenas 6 dias de atividades, o empreendedor devedesembolsar a quantia aproximada de R$ 1.250,00, que pode variar de Estado paraEstado. O valor do investimento, já subsidiado pelas instituições ONU e SEBRAE, nãoé, de forma alguma, alto se comparado aos benefícios que podem advir da experiência,mas pode, sim, ser demasiado para os bolsos de muitos interessados. Além disso, parase dedicar, exclusivamente, durante uma semana ao curso, é necessário que os futurosEMPRETECOS se ausentem de forma absoluta de seus negócios e atividades, pois alémda carga horária de aulas e atividade em classe, há também diversas atividades extra-classe. Quanto ao possível perfil de artistas desses grupos ou coletivos interessadosem participar do Seminário EMPRETEC, é importante que se escolha alguém em que seidentifiquem qualidades empreendedoras ou, pelo menos, a capacidade de desenvolvê-las. De qualquer forma, há uma concorrida e difícil fase de seleção que se inicia comuma ficha de pré-inscrição. Os candidatos que pontuarem são convidados para umaentrevista que faz parte da metodologia do seminário e serve para identificar o perfil   24  
  • 25. empreendedor do candidato e verificar se o momento é adequado para sua participação.Grupos em dúvida para identificar seu integrante com perfil para se candidatar ao cursopodem realizar a pré-inscrição de mais de uma pessoa e aguardar a avaliação doSEBRAE para identificar a aptidão dos mesmos. Para mim, artista, empreendedora e gestora cultural, o curso proporcionouum significativo e perceptível salto de qualidade pessoal, profissional ecomportamental. Como os comportamentos são condicionados pelos diversos aspectosda dimensão humana (psicológico, racional, emocional, espiritual, temporal, entreoutros) eles não são lineares, nem constantes, nem previsíveis, vem e vão e, portanto,muita disciplina se faz necessária para, dia após dia, aprimorar procedimentos e corrigirrotas e condutas. A lista de Características e Comportamentos Empreendedores doSEBRAE permanece na minha mesa de trabalho, para que eu possa acessá-laconstantemente e revisar minhas atitudes. O EMPRETEC não é uma panacéia, quetransformará, automaticamente, um profissional em um melhor empresário ou em umartista bem sucedido. Seu resultado estará sempre condicionado ao nível de esforçopessoal e dedicação, e ao desejo de cada participante de se tornar melhor a cada dia.                                                                                                                Notas:i Relatório completo disponível em:http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/indic_culturais/2003/default.shtmii Tradução livre realizada pela autora: “These people instinctively think for themselves, instinctivelynetwork, instinctively keep several balls in the air at once. They are the shock troops not only for newideas about our culture but for new ideas about working in it.”iii Tradução livre realizada pela autora: “Entrepreneurs in the creative economy operate (…) with animportant difference. They use creativity to unlock the wealth that lies within themselves. Like truecapitalists, they believe that this creative wealth, if managed right, will engender more wealth.”iv Tradução livre realizada pela autora: “The programme aims to enhance productive capacity andinternational competitiveness for the benefit of economic development, poverty eradication and equalparticipation of developing countries in the world economy.”   25  
  • 26.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    Referências Bibliográficas:AVELAR, Romulo. O Avesso da Cena: Notas sobre Produção e Gestão Cultural. BeloHorizonte: Duo Editorial, 2008.CUNHA, Maria Helena. Gestão Cultural: Profissão em Formação. Belo Horizonte:Duo Editorial, 2007.HOWKINS, John. The Creative Economy: How People Make Money From Ideas.Londres: Penguin Global, 2002.IBGE. Sistema de Informações e Indicadores Culturais 2003. Rio de Janeiro: IBGE,2006.LIMEIRA, Tânia Maria Vdigal. Empreendedor Cultural: Perfil e FormaçãoProfissional. In: IV ENECULT - Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura.P.15, 2008. Salvador - Bahia.SEBRAE-MG. Pesquisa Qualitativa EMPRETEC. Pesquisa Qualitativa, Minas Gerais -Brasil: SEBRAE-MG, 2008.UNCTAD, U. N. Empretec Programme: The Entrepreneur’s Guide. 2010. Suíça.Entrevistas:ANÍBAL, Anderson. Entrevista com a Cia. Clara. Belo Horizonte: Caixa Clara, 2008.Mp3. Entrevista concedida à Rafaela Cappai Morais Frederico.BONES, Gustavo. Entrevista com Grupo Espanca!. São Paulo: Frans Café Pinheiros,2008. Mp3. Entrevista concedida à Rafaela Cappai Morais Frederico.DIAS, Cláudio. Entrevista com Cia. Luna Lunera. Belo Horizonte: sede da Cia. LunaLunera, 2008. Mp3. Entrevista concedida à Rafaela Cappai Morais Frederico.FRANÇA, Ester; ANHAIA, Andrea. Entrevista com MOVASSE - Coletivo de Criação.Belo Horizonte, residência de Ester França, 2008. Mp3. Entrevista concedida à RafaelaCappai Morais Frederico.LAKKA, Vanilton. Entrevista com Vanilton Lakka. Belo Horizonte: Estúdio ElisaParaíso, 2010. Mp3. Entrevista concedida à Rafaela Cappai Morais Frederico.   26  
  • 27.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     ANEXOS   27  
  • 28.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     ANEXO A: Artistas e grupos entrevistados:1) Anderson Aníbal - Diretor da Cia. Clara de Teatrohttp://www.ciaclara.com.br/A Cia Clara de Teatro foi formada em 2000 e desenvolve pesquisa em dramaturgia queresultou em seis espetáculos: Todas as Belezas do Mundo (2002), Coisas Invisíveis(2003), Cinema (2005), Alguns Leões Falam (2007), Vilarejo do Peixe Vermelho (2008)e Nada Aconteceu (2010). A Caixa Clara, sede da Cia Clara de Teatro desde 2006 emBelo Horizonte / Minas Gerais, abriga uma ampla programação aberta ao público, comapresentações teatrais, debates, palestras e oficinas. Oferece à comunidade projetos deestímulo à pesquisa e à produção teatral, contribuindo para a formação eaperfeiçoamento técnico e artístico de novos profissionais das artes cênicas.2) Gustavo Bones - Fundador e ator do Espanca!http://www.espanca.com/O Espanca!, sediado em Belo Horizonte / Minas Gerais, foi fundado em 2004 eatualmente é formado pelos artistas Grace Passô, Gustavo Bones e Marcelo Castro.Desde sua criação, o grupo cria trabalhos ancorados na busca de uma arte que reavalieética e conceitualmente a forma de comunicação de sua linguagem, acreditando quepara isso é necessário reavaliar e revalidar o conceito de “comunicação com o público”.Com a trilogia Por Elise (2005), Amores Surdos (2006) e Congresso Internacional doMedo (2008), o Espanca! desenvolveu um repertório com dramaturgias originais queprimam pela construção de discursos condizentes com o mundo contemporâneo. Em2007, o Espanca! realizou o ACTO 1 – Encontro de Teatro, projeto em parceria com o   28  
  • 29.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    Grupo XIX, de São Paulo (SP) e com a Companhia Brasileira de Teatro, de Curitiba(PR), com o objetivo de criar espaço para o intercâmbio e a reflexão artística.Atualmente produz, em parceria com o Grupo XIX de Teatro, o espetáculo Marchapara Zenturo (2010).3) Cláudio Dias - Ator e diretor de produção da Cia. Luna Lunerahttp://cialunalunera.blogspot.com/A Cia. Luna Lunera é formada por atores oriundos do Curso de Teatro do CEFAR -Centro de Formação Artística do Palácio das Artes, em Belo Horizonte / Minas Gerais.Constitui-se oficialmente em 2001, mas antes disso, em 2000, ainda como alunos doCEFAR, os atores estrearam dois espetáculos de autores brasileiros: Fuleirices emFuleiró (2000) e Perdoa-me por me Traíres (2000). O grupo produziu ainda: NestaData Querida (2003), Não Desperdice Sua Única Vida ou... (2005), Aqueles Dois(2007), Cortiços (2008), e Um Gato Para Gertrudes (2009). Produziu também a Siana2009 - Semana Internacional de Artes Digitais e Alternativas, em Belo Horizonte,evento integrante do calendário oficial do Ano da França no Brasil (França.Br). A Cia.exercita interlocução com outros grupos locais e nacionais, sendo membro doTeatroPEIA, coletivo de discussão e criação teatral com sede no México.4) Ester França e Andrea Anhaia - Fundadoras e bailarinas do MOVASSE - Coletivo deCriação em Dançahttp://www.movasse.comMOVASSE é um coletivo de criação em dança contemporânea que visa proporcionarum lugar de reflexão e porto seguro para a realização de propostas artísticas inusitadas.Sediado em Belo Horizonte / Minas Gerais, mas com os olhos voltados para a cultura   29  
  • 30.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    brasileira, seus idealizadores são dançarinos com diferentes formações, informações einfluências, unidos por uma afinidade artística: o movimento. O coletivo produziu osespetáculos e intervenções Curvas de Um Quadrado (2006), Novo Algo de Sempre(2006), Um Passo a Mais (2006), Imagens Deslocadas (2007), Fábulas do Agora(2008), Não me Fales de Freddy Krueger (2009), De Cujus (2010), e Vago (2010).5) Vanilton Lakka - Bailarino, coreógrafo e diretor - http://www.lakka.com.brLakka é criador-intérprete premiado pela Associação Paulista de Críticos de Artes(2005). Bacharel em Ciências Sociais e com formação artística, é membro da RSD -Rede Sudamericana de Danza compondo o GT criação e intercâmbio. Desde 1991, atuacom produção cultural, criação e pesquisa em dança. Em 1997, foi co-fundador doGrupo Werther. Entre seus principais trabalhos coreográficos estão: Dúbbio (2003),Você, um Imóvel Corpo Acelerado (2003), De…va..gar: últimos capítulos da culturanacional (2004), Interferência inacabada...preste atenção no ruído ao fundo (2007), OCorpo é a Mídia da Dança? (2006) e, sua continuação, Outras Partes, projeto estepremiado pelo programa Rumos Dança Itaú Cultural (2006 / 2007). Comprometidocom a política de formação de platéias, desde 2004 realiza o projeto CIRCULADANÇA,com ações na cidade de Uberlândia / Minas Gerais e nas regiões Sudeste e Centro-Oestedo Brasil. Atualmente, Lakka integra o elenco da Cia. Mário Nascimento (BeloHorizonte) e desenvolve propostas que discutem a técnica corporal, o formato de obrasde dança, a análise e a composição de movimentos em diferentes mídias como a web, ocinema de dedo e o telefone.   30  
  • 31.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     ANEXO B Questionário semi-estruturado aplicado:Solicitar documentos por escrito (release, histórico, currículo, críticas etc).Geral:Favor descrever o histórico do grupo.Como foi formado?Quando foi formado?Quanto tempo de atuação?Quais são as principais áreas de atuação?Estrutura:Como é a estrutura artística do grupo?Como é a estrutura administrativa do grupo?Quem realiza a gestão orçamentária do grupo?Como se dá a divisão de tarefas?Possuem espaço próprio?Pessoas:Como escolhem aqueles que trabalham com vocês?Que tipo de vinculação existe? Formal, informal, CLT, prestação de serviços?Como é feita remuneração?   31  
  • 32.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    Quantos integrantes? Fixos? Flutuantes?Produção/Gestão:Como se dá a formação artística do grupo?Como se dá/deu a formação do gestor?Quais são os conhecimentos que o gestor da instituição possui?Qual a remuneração relativa entre gestor / produtor x artistas?Como se dá a relação / hierarquia entre gestor/ produtor x artistas?Quais limites são impostos na interferência do gestor / produtor no processo artístico?Como se deu a escolha do produtor/gestor?Oferta / Gestão de produtos:Existe diversificação do trabalho?Como criam novos produtos culturais? São apenas espetáculos ou produtos agregados,como livros, CD’s camisetas, outros…Realizam pesquisa (não necessariamente artística) anterior à montagem?De onde surgem as ideias? Como é o processo criativo de escolha?Qual a frequência de novos trabalhos?Há planejamento para lançamento de novos espetáculos e/ou outros produtos culturais?Como é realizado? Qual sua periodicidade?Realizam planejamento de ações?   32  
  • 33.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    Preços:Cobram adequadamente por seus trabalhos?Como definem os preços?Compreendem as dimensões tangíveis e não-tangíveis relacionadas aos produtos?Como lidam com a intangibilidade do que produzem?Têm consciência dos valores ligados aos produtos que desenvolvem?Houve mudança na propensão a pagar com o tempo de evolução do grupo? Se sim,vocês acham que ela se deve a que?Como lidam com o processo de negociação? E com a barganha?Sustentabilidade:Para o grupo o que é ser sustentável?Como se sustentam economicamente?Como se sustentam conceitualmente?Como planejam para a sustentabilidade?Realizam planejamento financeiro?Reconhecem ou possuem alguma vantagem competitiva em relação aos demais gruposda cidade?Demanda:Realizam alguma pesquisa a respeito de comportamento do público?Conhecem o perfil do seu público?Quem são os seus públicos?   33  
  • 34.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    A quem consideram stakeholders envolvidos nos processos?Conhecem o não-público do seu trabalho? Quem são eles?Relacionamento:Existe relacionamento entre o grupo e os stakeholders?Existe parceria? Desde quando? Quais?Como se dá o relacionamento com seus diversos públicos (público, patrocinadores,parceiros compradores etc) e stakeholders?Como se dá o relacionamento com os financiadores e patrocinadores?Como se dá o relacionamento com os compradores de espetáculos?Como se dá o relacionamento com outros grupos?Fazem parte de alguma rede? Se sim, como funciona?Possuem algum programa, processo ou ações isoladas para fidelização de público?Financiamento:Como é realizada a prospecção de patrocínios? Qual o processo adotado?Existe pesquisa anterior?Como escolhem a quem procurar? Pelo conteúdo do projeto ou através derelacionamento?Como se dá o relacionamento entre grupo e patrocinador?Já sofreram algum tipo de intervenção do patrocinador?Como as equipes são montadas?Como são realizadas ações de comunicação?   34  
  • 35.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    Quais canais utilizados normalmente?Como atendem às leis de incentivo?Circulação:Como investem na distribuição de produtos, ou seja, na circulação de espetáculos?Como se dá o relacionamento com equipamentos culturais?Como se dá o relacionamento com festivais e mostras?Como funciona a venda de espetáculos?Como distribuem os produtos culturais?Avaliação:Existem métodos de avaliação de resultados? Quais?Realizam pesquisas?Possuem indicadores de resultados?Realizam algum tipo de monitoramento?Realizam registros? De que tipo? (vídeo, textual, blogs, fotos)São realizadas reuniões de avaliações de ações?Existem relatórios sobre os processos?Conceitos:Entendem e compreendem os conceitos relacionados ao dia-a-dia do setor em queatuam? Economia da Cultura, gestão e produção cultural, sustentabilidade,planejamento, empreendedorismo.   35  

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