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01 an edição extra

  1. 1. AGRISSÊNIOR NOTÍCIAS Pasquim informativo virtual. Opiniões, humor e mensagens.EDITORES:EDITORES: Luiz Ferreira da Silva luizferreira1937@gmail.com)(luizferreira1937@gmail.com) e (jefcdias@gmail.com jefcdias@gmail.com)Jefferson Dias (jefcdias@gmail.com)Edição EXTRA Nº 01 – 06 de abril de 20122011 JO SÉ H A R O LD O CA STR O V IE IR A ( Z é H aroldo com sua equipe de dirigentes e técnicos, em um a reunião de avaliação anual, nas dependências da E M A RC - U ruçuca)
  2. 2. O Agrissênior Notícias lança essa Edição a publicação de um livro, nominação deExtra para homenagear Zé Haroldo, como logradouros públicos e a construção de umassim era conhecido, nesse dia 06 de abril, memorial, dentre outros eventos. Muitos dedata em que ele completaria 85 anos (06 de seus colegas, colaboradores, estão prestandoabril de 1927). Ele foi por 17 anos Secretário- depoimentos sobre a insigne figura, exaltandoGeral da Instituição, responsável maior pela o quanto ele representou para o cacau, para oimplantação da mais completa organização sul da Bahia e para a CEPLAC, exemplo emagrícola nesse país, conjuminando a todos os sentidos: profissionalismo,pesquisa, a extensão, o ensino e o apoio ao dedicação, ética e liderança. Então, tomamosdesenvolvimento rural, a CEPLAC. a liberdade de divulgar aos demais leitores doEm razão da data, Lício Fontes, que trabalhou Agrissênior Notícias, através dessa ediçãobem junto a ele, por muitos anos, teve a feliz extra, muitos deles desacreditados daideia de lhe prestar uma homenagem ao natureza humana, para que se fortaleçamarticular-se com outros colegas e, em poucos com o exemplo de vida desse Grandedias, fez uma revolução, conseguindo a Homem, a quem reverenciamos e somosadesão de tanta gente amiga do Zé, criando gratos eternamente. Os Editores.uma corrente, cujos resultados apontam para ZÉ HAROLDO, O CHEFE QUE NUNCA FOI. Luiz Ferreira da Silva Conheci Zé Haroldo em janeiro de assisti o Zé Haroldo perder a calma, enervar-1962, ao me apresentar na CEPLAC, recém- se, agredir, ser mal educado ou humilharcontratado. Um pequeno birô denominado de quaisquer de seus subordinados. Pelo“caixa pequeno”, onde ele dispunha de contrário, sempre tinha uma palavra denumerários para prover as despesas de incentivo.pronto pagamento. Suas observações, determinações e Pela sua compleição física, projetava- cobranças eram facilmente absorvidas,se em contraste com aquela escrivaninha. No transformando-se não em ordens, mas ementanto, transmitia humildade e bem-estar tarefas magnânimas. Simplesmente porque(áurea energética) para todos que se lhe ele era menos um Chefe e mais um Líder,acorriam. impondo-se pelo consentimento. Tempos depois, 1979, avistei-me em Como nunca foi de se vangloriar,Brasília, quando fui discutir o meu plano de muitos de seus feitos passaram como simplestrabalho referente à administração do CEPEC, obrigação funcional, poucos captando a suaconvidado que fora para exercer tão nobre extraordinária capacidade gerencial, eivadamissão técnica-gerencial. da sua entrega ao trabalho, visando sempre Sentado à sua frente, numa luxuosa bem servir ao cacau, ao produtor e ao seusala, com belo gabinete, de paletó e gravata, chão sulbaiano.lembrei-me do “caixa pequeno” e constatei Assim, foram os milhares de hectaresque se tratava da mesma pessoa. Nada de cacau implantados na Amazônia, nomudara – o mesmo homem simples, educado retorno às suas origens, bem como ose humilde. Eu me sentia tão à vontade como subprodutos de igual valor: a formação dese o Secretário-Geral, José Haroldo de Castro extensionistas e pesquisadores; a baseVieira, fosse o mesmo provedor, Zé Haroldo, genética do cacau; um moderno Centro dede tempos idos naquele birô de três (3) Pesquisas e a infraestrutura operacional degavetas. campo. Colegas foram agentes importantes Daí em diante, por força do cargo, desta epopéia, mas nada teria acontecidomantive contatos de trabalho e participei de sem o seu “dedo”.várias reuniões e eventos administrativos, No Sul da Bahia, a excelência técnicatanto como Diretor do CEPEC, quanto como do CEPEC; a proficiência da Extensão Rural;Diretor da CEPLAC-Amazônia. Em nenhum a formação de mão-de-obra com enfoque nasmomento, mesmo no auge das discussões, EMARCs, o apoio efetivo à implantação da
  3. 3. Universidade (UESC), não seriam efetivadas, bem como o respeito à causa pública e a éticamesmo com o papel fundamental dos grandes profissional, pelo seu exemplo e pelo seugestores e auxiliares competentes, se não incentivo.fosse a sua convicção. Zé Haroldo jamais E, pelo outro lado, também se deduzmedia esforços pelo engrandecimento da que ele foi um dos maiores empreendedoresRegião Cacaueira. do nosso País, nos últimos 50 anos que, Seguindo o seu antecessor, Carlos mesmo sem ser diplomado em CiênciasBrandão, colega do Banco do Brasil, amigo e Agrárias e, tampouco empresário rural oufiel escudeiro, consolidou o chamado espírito lavrador, mas filho de cacauicultor, prestoude corpo, cujo mote era a CEPLAC acima de relevantes serviços à agricultura brasileira,tudo, a Casa e a Escola de todos os seus contribuindo decisivamente para oservidores. desenvolvimento rural (Sul da Bahia e Pólos E, para complementar, Zé Haroldo foi cacaueiros da Amazônia), a uma lavourade uma probidade sem escala. Por 17 anos, (cacau) e a uma Instituição Agrícolacomo Secretário-Geral, deve ter administrado (CEPLAC). Em seu sistema circulatório corriamais de 2 bilhões de reais, com zelo pela boa um sangue impregnado do mel do fruto-ouroaplicação e honestidade de propósitos. Tanto (Theobroma cacao), eivado de nutrientes dosé que, ao falecer, deixou um modesto solos férteis da Região cacaueira Baiana eapartamento de fundos no Campo Grande, das terras roxas amazônicas, distribuindoSalvador, e uma pensão para a viúva em bônus por onde passasse.torno de R$ 5.000,00, oriunda dos seus Acima de tudo, como já explicitado, umtempos no Banco do Brasil. Líder com ideias consentidas. Jamais fora um Por tudo isso, é fácil concluir que todos Chefe!nós devemos ao Zé Haroldo, seja a nossaevolução nos diversos campos do trabalho, ZÉ HAROLDO: UMA VIDA DEDICADA A CEPLAC E AO CACAU, Emo Ruy de MirandaÉ importante e oportuna a homenagem deu-se inicio a sua participação com ospóstuma que os funcionários (ativos e problemas da economia cacaueira. A partirinativos) da Ceplac prestam ao grande, de 1958, como funcionário do Banco doincansável e líder Zé Haroldo, pelo trabalho Brasil, foi colocado à disposição da Ceplac –realizado na instituição Ceplac e para as Comissão Excecutiva do Plano deregiões que direta ou indiretamente tinham Recuperação Econômico Rural da Lavouraalguma vinculação com esta importante Cacaueira e passou a exercer diversosorganização. cargos na Superintendência Regional, emFilho e neto de cacauicultores, Zé Haroldo, Itabuna. É importante destacar a atuação decomo era conhecido nos meios da Zé Haroldo como Coordenador Administrativocacauicultura brasileira, iniciou a sua vida Geral à frente do Escritório Central deprofissional muito cedo, aos 15 anos de idade, Coordenação, responsabilizando-se pelaatuando mais tarde, no período de 1945 a instalação dos serviços da Ceplac nas regiões1954, como sócio das Empresa J. Vieira & cacaueiras da Bahia e Espírito Santo. NoIrmão, Souza Vieira & Cia e Quixadá período de 1958 a 1969, quando a Ceplac eraExportação Comércio e Industria Ltda., em dirigida por Carlos Brandão, como SecretárioIlhéus e Itabuna. Geral, Zé Haroldo teve a oportunidade deQuis o destino que ele se vinculasse a demonstrar a sua capacidade administrativa,economia cacaueira, quando foi aprovado em visão de futuro e espírito inovador, que,concurso público para o Banco do Brasil, indo certamente, contribuiu para que, porexercer as suas funções na agência de Ilhéus sugestão do então Secretário Geral, fosse ona Carteira de Comércio Exterior – Cacex, no Zé Haroldo indicado para substituí-lo.esquema de intervenção na exportação do Evidentemente, que não foi muito fácil que ascacau. Quem sabe, a partir daquele momento, forças políticas da época aprovassem o seu
  4. 4. nome para dirigir a Ceplac, pois, outros permitiu que o principal dirigente da Ceplacnomes foram colocados à disposição do pensasse mais alto. Neste aspecto é que Zégoverno central para ocupar este cargo que, Haroldo, com a sua visão progressista e jána época, não era de importância conhecedor das negociações a nível nacional,transcendental para a economia cacaueira consegue que os objetivos da Ceplac sejambrasileira. Delfim Neto, Ministro da Fazenda, ampliados e ela passa a ser consideradaà época, ministério no qual a Ceplac estava como um órgão de desenvolvimento regionalvinculada, confidenciou que as principais integrado, com a responsabilidade de, alémpressões contra a indicação do nome de Zé, de gerar e transferir tecnologias para oeram exercidas pelo então Governador da produtor, realizar ações nos campos doBahia, Luiz Viana Filho. Comentou-se, desenvolvimento regional (construção deinclusive, que após vencer todas as barreiras, escolas, estradas, eletrificação rural,finalmente o Zé Haroldo foi nomeado para abastecimento de água, postos de saúde,ocupar o cargo de Secretário Geral da fortalecimento do sindicalismo rural,Ceplac. Muito tímido ainda, sem muita cooperativismo, etc) .experiência a nível nacional, Zé Haroldo Zé Haroldo, com o seu poder decomunicou, oficialmente, a sua nomeação, em convencimento e conseguindo a aprovaçãocaráter de interinidade, ao Governador da do Conselho Deliberativo da Ceplac (Codel),Bahia e recebeu deste um documento, cujo do qual faziam parte os Ministérios dateor dizia o seguinte: “Em resposta a sua Agricultura, da Fazenda, das Relaçõesinformação, desejo feliz interinidade neste Exteriores, da Industria e do Comércio, ocargo”. Esta interinidade foi realmente feliz Governo da Bahia, através do ICB e dosporque durou mais de 16 anos, graças a Produtores de Cacau (CCPC), conseguiu,competência, desprendimento e dedicação aprovação no seu orçamento para realizarintegral do Zé Haroldo aos problemas da ações nos campos do desenvolvimentoCeplac e do cacau. regional, cuja verba não poderia ultrapassarA Ceplac, quando Zé Haroldo foi nomeado, já 10% do orçamento da Ceplac. E Zé sempredesempenhava um papel importante para a nos confidenciava que esses recursoseconomia cacaueira da Bahia e Espirito financeiros eram altamente importantes paraSanto, porém tinha a sua área de atuação atender as necessidades regionais erestrita ao campo técnico-agronômico, com a contribuiriam para gerar emprego e renda nasresponsabilidade de gerar, adaptar e transferir regiões cacaueiras da Bahia e Espírito Santo.tecnologia para o produtor de cacau. E asseverava, “in-off”, que se esses recursosA partir de 1961, houve a equalização da não fossem direcionados para fortalecer ascota de contribuição cambial de cacau em citadas regiões, provavelmente, seriam10%, permitindo que a Ceplac dispusesse de subtraídos do orçamento da Ceplac pararecursos financeiros oriundos desta cota para atender outras necessidades que não aquelasserem empregados nos seus programas. Os verificadas nas regiões sul da Bahia e norterecursos financeiros da Ceplac se vinculavam do Espírito Santo.ao orçamento monetário da União e por se Outro aspecto que o Zé Haroldo nostratar de cota de contribição, tais recursos confidenciava era que conseguindo apoderiam ser direcionados para uma aprovação do Codel para destinar recursosatividade específica, no caso, o cacau. Ou financeiros para os programas de apoio aseja, os recursos gerados a partir da infra estrutura regional e assinar Convêniosexportação do cacau eram creditados pelo com diferentes Secretarias de Estado, deBanco Central nos cofres da Ceplac, sem ser certa forma, estava envolvendo taisnecessário passar pelos canais de Secretarias em Programas de interessedificuldades do Ministério da Agricultura. regional e com recursos financeiros tambémEstando, pois, a Ceplac ligada ao Ministério dos Estados da Bahia e Espírito Santo. Ouda Fazenda e dispondo, com regularidade, da seja, inteligentemente, nas negociações, Zéliberação dos recursos financeiros, gerados Haroldo, como principal dirigente da Ceplac,em função das exportações de cacau, conseguia multiplicar os recursos do cacau,
  5. 5. porque, via de regra, os estados colocavam sido observado nenhum desvio de conduta aofortes recursos financeiros à disposição dos longo da sua gestão e dos seusconvênios. Como dizia ele: ”os recursos colaboradores. Em todas os pareceres dasoriundos da taxa de contribuição cambial contas analisadas pelo Tribunal de Contas dacontribuíam para gerar empregos e rendas União - TCU não foi observado nenhumnas zonas cacaueiras da Bahia e Espírito relatório que detectasse desvios deSanto” . finalidades dos recursos financeirosInúmeras escolas primárias, centro de aplicados.abastecimento de água, postos de saúde, O importante é que, diuturnamente, em todosestradas vicinais, eletrificação rural, faculdade os momentos, o Zé Haroldo fazia questão dede ilhéus e Itabuna, hoje denominada de ressaltar que devíamos falar a verdade paraUESC, escolas médias de agricultura, foram os produtores, quaisquer que fossem asrealizadas através dos mencionados consequências. Tinha por hábito contatar,convênios. com muita frequência, com o Presidente doEm diferentes reuniões que participamos, o CNPC anteriormente CCPC, para discutirZé Haroldo demonstrava a paciência de ouvir propostas de interesse para a cacauicultura ee a capacidade de argumentar com dados e através de contatos telefônicos ou nasfatos capazes de conduzir os debatedores a reuniões do Codel, ou mesmo no CNPC, asaceitarem as argumentações por ele discussões apesar de serem acaloradas, eleapresentadas. Sempre demonstrou a não perdia a calma e na maioria das vezescapacidade de defender com firmeza as suas conseguia convencer os seus interlocutores.argumentações e, por acreditar nelas, nunca Quando não conseguia convencer com asdesistia facilmente de conseguir alcançar os suas argumentações, os seus interlocutores,objetivos que pretendia. Assim foi quando passava a defender a ideia surgida dasdefendeu, junto ao Governo brasileiro e aos discussões, porém, este fato era raro, porqueprodutores, a aprovação do Procacau, a quando o Zé Haroldo iniciava uma discussãocriação do Ceplus, a aprovação do sobre um assunto que ele defendia,financiamento de veículos para servidores da normalmente ele varava dias estudando aCeplac, a participação da Ceplac na criação proposta e analisando efeitos positivos eda Itaisa, a criação do fundo de aval – Fusec, negativos dela. Em muitos casos, ele, aofundo de materiais – Fumar, a criação da pensar uma ideia, convocava os seusCeplac como Superintendência do cacau, auxiliares mais próximos e a submetia aoeste ultimo infelizmente não obtendo êxito. crivo deles. A partir de tais discussões que,Em todas as empreitadas citadas, o Zé muitas vezes, duravam dias, ele incorporavaHaroldo lutava arduamente, discutindo com no seu texto as contribuições que consideravadiferentes autoridades, inclusive o Presidente importantes e, então, partia para defendê-lada República, com objetivo principal de em quaisquer instâncias. Tinha grandefortalecer a Ceplac e a economia cacaueira. facilidade para redigir e com muitaClaro que os embates eram, muitas vezes, propriedade colocava no papel aquilo quedesproporcionais ao tamanho da organização pensava, fosse documento para serque ele dirigia, porém, sempre contando com apresentado internamente à Ceplac, para oso apoio dos Governos dos Estados da Bahia, produtores ou mesmo para autoridades,do Espírito Santo, dos Produtores de cacau e, inclusive para o Presidente da República.principalmente, dos seus colegas, Em palestras proferidas, principalmente, parafuncionários da Ceplac, não parava de pensar o pessoal da Ceplac, fazia questão de dedicare defender as suas ideias. algum tempo para conversar sobre oPara se ter uma ideia, Zé Haroldo era Decálogo da Ceplac e o apresentava comresponsável pela administração de um muita maestria e firmeza:orçamento que, em média, representou 70 1.- Cultivo ao idealismomilhões de dólares anuais e com o seu 2.- Conservação da unidade internaexemplo de honestidade e lisura, conseguiu 3.- Estímulo ao estudo e ao aperfeiçoamentocontar com o apoio dos seus colegas sem ter
  6. 6. 4.- Manutenção do moral elevado do grupo historias, porém, 90% dos nossos diálogos5.- Ausência de injunções políticas eram direcionados para a Ceplac e para o6.- Continuidade administrativa cacau.7.- Administração descentralizada e delegada Sabia fazer e cultivar amizades, enfim Zé8.- Combate à dúvida e ao pessimismo Haroldo vivia a Ceplac e o cacau 24 horas por dia, mesmo após se desvincular dela, já9.- Integração com outros órgãos aposentado. Na condição de servidor inativo,10.- A verdade para o agricultor. não deixou de se preocupar com a situaçãoEm nenhum momento, ao longo dos 07 anos da Ceplac e do cacau, pois, continuouque estive ocupando o cargo de Secretário participando, discutindo e elaborandoAdjunto da Ceplac, observei ou mesmo notei documentos com este mister. Por tudo o queque o Zé Haroldo defendesse algum esta grande figura realizou pela Ceplac, pelaprograma com interesse pessoal. Sempre ele cacauicultura e pelas regiões produtoras depensava na Ceplac e nas regiões cacaueiras cacau, a homenagem que o seus colegasdo Brasil. Quando não estava viajando, após prestam é mais do que justa e oportuna.o expediente sempre conversávamos e nasconversas o Zé, claro contava piadas, ZÉ HAROLDO, O “CARVALHO” QUE PRODUZIU MUITOS FRUTOS. Derval Evangelista de MagalhãesQuando intitulei “o Carvalho que produziu do resultado da sua avaliação haveria amuitos frutos” eu fiz uma apologia ao Livro de possibilidade da minha contratação.Exupery, Terra dos Homens, no qual ele diz: Foi marcado o horário em que o assessor“SERIA INÚTIL PLANTAR UM CARVALHO jurídico da Secretaria Geral promoveria esseTENDO EM BREVE A SOMBRA DE SUAS encontro na sede do DEPEA e, testado queFOLHAS” fui, resultou da sua avaliação a minhaConheci Zé Haroldo por volta de 1977 aprovação. No mesmo dia adentramos aojustamente no seu apartamento no Edifício gabinete de Frederico onde lá estavaDois de Julho, já citado por Luiz Ferreira, conversando com Hírcio, ocasião em que foiatravés do seu filho Sérgio Lima Vieira, que dito a ambos pelo Assessor que por ele euingressara na Coelba como Administrador de estava aprovado..Empresa, onde nos conhecemos. Lauro Zack comunicou a Zé Haroldo na suaSérgio deixou a Coelba e foi para a CEPLAC volta a Brasília e os entendimentosna Amazônia. Numa das minhas férias fui decorreram com certa lentidão, o que não mevisita-lo em Belém e, por coincidência, cabe aventar, o certo é que em 07 de agostoencontrei com Zé e ele me falou que o de 1978 ocorreu a minha contratação.Frederico Afonso andava lhe cobrando a Uma questão relevante para mim é que, nestenecessidade da presença de um advogado. mesmo dia, Edson Medeiros chefe da DivisãoQuestionou-me se houvesse essa Administrativa junto com Renato Navarro,possibilidade se eu me mudaria para Belém. Chefe de Pessoal, me entregaram umaEu respondi afirmativamente. Ele então me reclamação trabalhista cuja audiência estavadisse que iria conversar com Frederico Afonso designada para o dia 08 de setembro e oe Hírcio Ismar, respectivamente à época, DEPEA não dispunha de nenhum materialdiretor e vice do DEPARTAMENTO técnico-jurídico para eu me fundamentar eESPECIAL DA AMAZÔNIA - DEPEA e com o nem os meus livros de direito ainda estavamAdvogado de Brasília Dr. Lauro Newton Zack em Salvador.que estava indo para Belém para resolver Preparei um Ofício, assinado pelo Dr.alguma questão de natureza jurídica, Zé Frederico, para comunicar Seção da Ordemconversou com ele para que fizesse uma dos Advogados que eu iria representar aentrevista comigo para avaliar meu Reclamada naquela audiência até obter oconhecimento no âmbito jurídico e que, diante registro suplementar.
  7. 7. No dia da audiência apresentei a defesa por Pará, Amazonas, Maranhão, Mato Grossoescrito e foi sustentada a tese de que a (ainda unificado), Goiás (especificamenteCEPLAC não poderia ser julgada pela Justiça Tocantinópolis) Rondônia e Acre.do Trabalho, embora também Federal, porque Em verdade, no meu curriculum escolar nãoera um Órgão Autônomo da Administração constava a matéria de Direito Agrário e o queDireta e, por conseguinte, havia a mais fiz foi queimar a pestana para enfrentarincompetência legal para julgar a reclamação. este novo desafio.Não houve proposta de acordo e aguardei a Diante de algumas dificuldades que pareciamsentença. Tomei 1x0. Comecei perdendo o impossíveis promoverem a defesa daque assustou a Direção e ficou a preocupação CEPLAC ou de seu interesse ele dizia: “Nãode se a CEPLAC perdesse como ficaria a sei por que advogado gosta de complicar”.minha reputação e do próprio Órgão. Várias vezes fui a Brasília, o seu convite, paraNum ambiente de constrangimento o fato foi lhe apresentar dados que eram de carátercomunicado a Zé Haroldo. informal, sendo que não caberia formalizar eDentro do prazo legal ingressei com um tentar conduzir de maneira mais política,Recurso de Apelação para o Tribunal. A porque ninguém como ele tinha essaansiedade era maior do que o próprio capacidade.processo. Eu precisava mostrar que eu não Destaquei aqui quatro difíceis tarefas deera tão incompetente. No primeiro round eu capital importância para a CEPLAC, as quaisnão iria à lona. eram parte dos seus sonhos vê-lasO Pleno do Tribunal acolheu a minha tese da realizadas. Para atingir essas metas ele meINCOMPETENCIA DAQUELA JUSTIÇA e orientou, politicamente, como conduzir nomandou remeter os Autos para a Justiça meio das autoridades competentes.Federal. Meio tempo ganho. Agora viria a 1) produzir junto com o governo do Maranhãosegunda etapa. um documento que suprisse a garantia daDirigi-me à Justiça Federal e conheci o Dr. posse das áreas ocupadas por pequenosAnselmo Santiago (Juiz Federal) que me cacauicultores quando do processorecebeu e disse que já havia despachado o discriminatório daquelas terras, a fim de servirprocesso oferecendo o prazo de 30 dias para como uma garantia do Governo de que osa manifestação do Reclamante, sob a pena títulos de posse lhes seriam asseguradasde arquivamento do processo. para fins de obtenção do financiamento doContava os dias como se debulhasse uma FUSEC.espiga de milho. Grão por grão até que a Esse documento foi intitulado como: Aespiga virou capucho. CARTA DE ANUÊNCIA DO MARANHÃO EVoltei à Justiça Federal e lá requeri uma SUA VALIDADE JURÍDICA, escrita a váriascertidão de que o Reclamante não havia mãos e, combinada a data de sua assinatura,usado o seu prazo para promover sua defesa. o Zé esteve presente e me convidou para aO processo fora arquivado. O meu primeiro sua assinatura no Gabinete do Governador.gol depois de tanta angústia, ansiedade e 2) a aquisição da sede no interior deseguidos de alegria dos meus superiores. Rondônia (se não me falha a memória foi a deDias depois Zé me manda uma procuração, Jaru) através de doação de um cacauicultor,na condição de representante legal da cujo registro do seu nome não consta agoraCEPLAC, com validade de um ano, renovada no meu arquivo cerebral.a cada período de 12 meses para representa- Eu falava com o Nilton Camargo em Portolo junto aos poderes públicos. Eu já havia Velho através do rádio e este pelo telefoneregularizado minha situação na OAB/Pará, repassava para Brasília as negociações ecom a inscrição suplementar. retornavam para mim através do rádio.Logo após poucos meses ele expediu uma Finalmente, saiu a doação, mas o doador nãoPortaria me designando Assessor para detinha o título de posse. Resolvemos voltar aassuntos jurídicos da Amazônia Legal que Porto Velho e no Cartório elaboramos umcompreendia a jurisdição dos Estados do Termo próprio e a Sede saiu.
  8. 8. 3) Alta Floresta / MT – Uma aventura do cabia nele esta pejorativa designação, mas secolonizador Ariosto da Riva, amigo de Collor aproximava mais da figura de um “deus” ede Melo, conseguiu aprovação de seu projeto quando ele falava quer no auditório do CEPEC oude colonização privada, e Zé Haroldo com no refeitório duvido que não tenha alguém queuma visão ímpar, conseguiu o contato político tivesse escondido lágrimas.e expôs porque seria viável a implantação da Depois de ter sido requisitado para trabalharcacauicultura junto com outras culturas, a na Procuradoria Geral da União, atendendoexemplo de guaraná. ao pedido do Dr. Aristides Junqueira, entãoMais uma vez ele venceu e o cacau lá está. titular daquela Chefia feito ao Senhor Ministro4) A sede do DEPEA. da Agricultura fui procurar Zé Haroldo, noCinco anos depois de ter ingressado na Campo Grande, para lhe agradecer pelaCEPLAC já havia sido contratado outro oportunidade que me havia concedido eadvogado e eu acometido seriamente com um acreditado na minha possibilidade de crescerproblema de saúde me dirigi a Zé Haroldo, e profissional e pessoalmente. Às vezes hápedi que se fosse possível me transferisse quem possua potencial, mas lhe faltapara a Bahia. Ele me respondeu que assim oportunidade embora outros tenhamque houvesse uma oportunidade ele o faria. oportunidade, mas lhe falta a capacidade. Não me considero um excelente nem superiorNa Assessoria Jurídica da Sede Regional, em a outrem, mas ele acreditava no meu esforço.Itabuna, o advogado Sílvio José Tude Freire Zé, com sua marcante humildade epediu exoneração e Zé, cumprindo sua simplicidade, me abraçou e eu sem palavraspromessa, me transferiu para a Bahia. para agradecê-lo ele me disse que o méritoJamais me esqueci das vezes em que ele chegava teria sido meu.tanto no DEPEA quanto na SEDE REGIONAL,principalmente nesta, a alegria e a concentração de Ele nunca se vangloriava. Dizia que semprefuncionários para cumprimentá-lo. tinha muito mais para realizar e ressaltava:E lembrando a colocação de Luiz Ferreira na “Eu não faço nada sozinho. Vocês me ajudamsua homenagem, não havia distinção entre a realizar o que me vem à imaginação paraaqueles que o saudavam. Do Chefe do elevar a CEPLAC como um grandeDepartamento, Lício que confirme, ao monumento vivo da história”.operário de campo ele falava, cumprimentava Lamentavelmente ele se foi precocemente,e abraçava a todos. mas nunca será cedo ou tarde para homenageá-lo.Por ocasião do Natal quando Zé chegava à SedeRegional parecia não um político, porque não PENSANDO NO JOSÉ HAROLDO Jorge Raymundo VieiraNesta manifestação de saudades, de apressada poderia criar um climareconhecimentos e talvez até de insatisfatório à realização do novo projetoagradecimentos da turma de ceplaqueanos regional.para o nosso Zé Haroldo pensei e apresento Revi sua primeira decisão profissional:alguns momentos de sua vida profissional. abandonar a tentativa de ser empresário,Por muitos anos vivi ao seu lado, na luta deixando “J.Vieira e Irmão” para aventurar nadifícil, mas idealista e sonhadora por um profissão de bancário no Banco do Brasil.futuro regional. Era exigido constantemente Único aprovado no concurso do Banco foiespírito tranquilo para convencer os designado para atender a carência dedescrentes ou uma dose dupla de animação funcionários da agencia de Ilhéus.para a conquista de adeptos à grande ideia Logo, logo antes de desenvolver a carreira noinovadora para o sul da Bahia - a CEPLAC. Banco decidiu atender o convite da CEPLACFixei minhas lembranças nos seus momentos para completar a equipe que administravamais difíceis. Uma decisão errônea ou este importante projeto governamental, cujo
  9. 9. objetivo principal era solucionar os problemas integração entre produtores, exportadores ee desenvolver a economia cacaueira baiana. industriais chocolateiros.Aí marcou sua presença e difundiu seu O apoio à organização dos produtores deentusiasmo, idealismo e o desejo de ver toda cacau, através do CCPC - Conselhoa região desenvolvida econômica e Consultivo dos Produtores de Cacau trouxesocialmente. A crença do Secretário Geral alegrias, compreensão e aceite às ideiasCarlos Brandão nesta ideia levou a solicitar do novas. Todavia, existiram preocupaçõesfuncionalismo, até então coordenado por uma sérias nas tentativas de evitar discórdias eúnica Superintendência Regional em Itabuna, competições indesejáveis entre eles.um Projeto de reestruturação e ampliação dos Algumas de suas decisões foram sofridas eserviços a serem prestados aos produtores de difíceis de serem tomadas. O coração nãocacau. podia sobrepor ao interesse regional, daí aApós algum tempo veio a cobrança do análise de dados e fatos, o diálogo constanteSecretário Geral julgando que nada havia sido com as lideranças, a compreensão e visãofeito. O José Haroldo com seu jeito maneiroso futura levavam a decisões que melhordisse existir um Plano de Expansão por ele atendessem o futuro regional.elaborado e que estava com a Assim foi a localização da sede da Ceplac eSuperintendência. Foi um momento difícil do Centro de Pesquisas do Cacau. Asexigindo o respeito e a consideração aos seus desavenças culturais entre Ilhéus e Itabunasuperiores ao tornar público e aberto suas não poderiam afetar tal procedimentoideias neste novo projeto. decisório. Foram importantes suasO Plano de Expansão veio à discussão e daí considerações ponderando vários aspectossurgiu, a criação de outras Superintendências na decisão do então Secretário Geral.- Ipiaú, Canavieiras, Ubaitaba, coordenando Em outra oportunidade, teve sobre suaEscritórios Locais, uma estrutura mais responsabilidade a localização da atualeficiente no atendimento aos produtores em UESC. Esta foi uma importante e difícilfinanciamentos e numa efetiva assistência decisão. Era preciso que a CEPLAC, maiortécnica agronômica. entusiasta e de elevado apoio financeiro daAssim, deu-se inicio a ampliação da Ceplac Universidade, não ficasse desgastada nonas suas atividades técnicas prestando ambiente político, ou junto à classe produtoramelhor serviço àqueles que legalmente e às sociedades ilheense e itabunense. Comcontribuíam financeiramente para sua coragem e visão futura decidiu localizar nomanutenção - os produtores de cacau. município de Ilhéus em terreno ofertado porTornou-se Coordenador Administrativo um produtor rural também idealista.Regional do recém-criado Escritório Central Mas, as críticas existiram. O ciúmede Coordenação ao lado do cientista Dr. prevaleceu naqueles ainda arraigados com asPaulo Alvim, como Coordenador Técnico tradicionais disputas entre as duas cidades.Geral, supervisionando e orientando todo o Todavia o José Haroldo sabia que estas duasprograma da CEPLAC. A nova estrutura importantes cidades representariam no futuropassou a constituir-se do Centro de um grande centro metropolitano do sul doPesquisas do Cacau, do Departamento de estado; sabia que as lideranças inteligentes eExtensão, do Departamento Administrativo e progressistas dos dois municípios iriamdas quatro Superintendências Regionais. conduzir ações dentro desta ideia deMuitas outras decisões e influências pessoais desenvolvimento regional.existiram na administração e crescimento da E aí está. Não existem fronteiras entre os doisCeplac: com funcionários, com autoridades, municípios. Para eles convergem o comercio,com políticos regionais sempre visualizando o os acontecimentos culturais, econômicos efuturo da economia cacaueira, a sociais; misturam-se os jovens, hoje com umadiversificação, a expansão para a Amazônia, nova concepção de vida e de relacionamentoa preservação do meio ambiente e a humano. Nas salas de aula não existe separação nem identificação de origem ou de
  10. 10. residência. Somente a UESC tem mais de planos e projetos. Visitou governantes, mais7.000 alunos que não sentem esta disputa puros e idealistas, tentou explicar a todos oretrograda e antiga, que desapareceu no verdadeiro papel de uma organização técnicamundo em que vivem. e necessária ao desenvolvimento da região.Este era o sentimento de JH. Infelizmente os Deixou a direção da Ceplac triste quando“políticos regionais”, sem visão futura, ainda anteviu o futuro da instituição e seu reflexo naperseguem ações e decisões região e na economia do cacau, agora com ogovernamentais, estimulando uma nova rixa e predomínio da ingerência política partidáriaseparação entre empresários, estudantes, regional.professores e toda sociedade, com o único Seu último Projeto de reorganização dapropósito eleitoreiro. Ceplac (ou salvação), escrito e impresso porO relacionamento com os líderes políticos ele, entregue a todos os dirigentes,regionais nunca foi fácil; desde os que autoridades, políticos e lideres da economiaapoiavam permanentemente a Ceplac e sua nacional do cacau não teve acolhida. Aações oferecendo um apoio desinteressado; maioria nem leu a documentação. Nenhumoutros, impertinentes, sem se importar com a político desejava ser o responsável pelo fimeconomia do cacau e o “bem estar” da da instituição ou de sua remodelaçãopopulação, a querer (e conseguiram), dominar apagando todo o seu passado.a instituição, injetando apenas procedimentos O melhor de José Haroldo foi ter tido umapolítico partidários. Começou no governo vida profissional elogiável, ter contribuídoSarney. A Ceplac foi entregue ao decisivamente para o progresso e melhoriacorreligionário político regional para as suas dos produtores de cacau da Bahia e dapromessas sem o devido atendimento, mas Amazônia, da evolução profissional doscom boas colheitas de votos. Acabou-se o técnicos e em especial de ter contribuídoidealismo, o amor à instituição, contagiando o marcadamente para a construção da UESC -funcionalismo com ofertas especiais para os Universidade Estadual de Santa Cruz.adeptos à política partidária dirigente.José Haroldo sentiu isto. Tentou por diversasvezes salvar a instituição. Escreveu artigos, DEPOIMENTO DE PAULO SERGIO B. MENEZES SOBRE JOSÉ HAROLDOO destino me proporcionou a felicidade de comprometer sua posição de dirigente maior eencontrar Zé Haroldo na minha trajetória sem assumir postura paternalista, pois nuncaprofissional. Por afinidades e oportunidades lhe faltava a compreensão de justiça eme dediquei a estudar e trabalhar na aérea de resultados.recursos humanos da CEPLAC e foi nessa Sua visão de futuro era demonstrada em cadaexperiência que pude conhecer, mais de decisão relacionada com os recursosperto, quem era essa pessoa, então humanos. Os funcionários menos qualificadosSecretário Geral da CEPLAC, que tinha sob tinham uma especial atenção do Seu Zé.sua responsabilidade o enorme desafio de Lembro-me quando a CEPLAC contava emdecidir, também, sobre a vida de inúmeras seu quadro de pessoal com um grupo depessoas que trabalhavam na CEPLAC e, por Trabalhadores Rurais que representava 30%consequência, de seus respectivos do seu contingente, aproximadamente. Essesdependentes. Zé Haroldo tinha em sua alma trabalhadores tinham legislação própria e nãouma enorme sensibilidade para compreender se vinculavam à Previdência Social, portanto,o ser humano. Tinha uma capacidade não tinham os mesmos direitos e benefíciosextraordinária para projetar, assimilar, dos demais funcionários. Isso o incomodavaestimular e concordar com as propostas de sobremaneira. Então ele recomendou-memelhorias das políticas de recursos humanos examinar junto com a área jurídica e junto àda CEPLAC, sempre demonstrando que tudo Previdência a possibilidade de alteração deisto era absolutamente possível, sem vínculo desse grupo, o que veio acontecer,
  11. 11. após várias considerações, projeções e visitas Mestrado e Doutorado, o que muitoà Superintendência do então Instituto notabilizou a Instituição. Para fixar e estimularNacional de Previdência Social-INPS, tão qualificado patrimônio humano apoiou eculminando com a unificação do regime, implantou várias melhorias nos sistemas deinternamente na CEPLAC, o que se remuneração, sempre disposto a dialogar comconsolidou, inclusive, com o novo Plano de as autoridades que, a nivel do ConselhoCargos e Salários implantado em 1974, Nacional de Política Salarial-CNPS,também outro marco importante na história da aprovavam tais mudanças.CEPLAC durante a sua gestão. Essas rápidas palavras são, apenas, umNo plano social Zé Haroldo foi um grande testemunho do que pude observar e nuncalíder. Promoveu a criação do Instituto esquecer, durante meu trabalho na área deCEPLAC de Seguridade Social-CEPLUS que, recursos humanos, junto a uma pessoase teve vida curta por motivos outros, a todos iluminada que marcou várias gerações, pelafuncionários vinculados muito beneficiou, liderança que exerceu em prol das regiõesinclusive com o recebimento do fundo de produtoras de cacau no Brasil.reserva. Liderou a construção de conjuntos Enfim, Zé Haroldo era um homem com umahabitacionais para servidores. Aprovou o visão que extrapolava a sua época e colocouPlano de Assistência Médica, ginásio isto na sua maneira de administrar, sempreesportivo, apoiou a criação de Associações com lisura e competência, e se relacionar comrepresentativas dos funcionários, entre várias as pessoas. Com ele tive o privilégio deoutras ações. conviver e muito aprender.No tocante a carreira dos funcionários da Que Deus sempre o proteja, onde quer queCEPLAC é sabido e notório o seu empenho esteja.em manter quadros qualificados com a Brasília, março de 2012aprovação de programas de treinamento emtodos os níveis, especialmente a nível de ZÉ HAROLDO – UM EXEMPLO DE LIDERANÇA Antônio Manuel Freire de CarvalhoConheci Zé Haroldo ao ingressar na CEPLAC foi inaugurar aquele escritório e ele mesmoem janeiro de 1964 quando participava de um lembra em um de seu livros o comentário detreinamento pré-serviço em Itabuna. Em uma seu motorista, amigo e colaborador direto,das aulas, fomos apresentados ao então Diomedes, que seu discurso não foi dosCoordenador Sr. José Haroldo Castro Vieira e melhores mas que ele iria se acostumar eali se evidenciava sua grande luta, de motivar melhorar. Realmente a prática o levou a sera todos para um sonho que virou comum aos um dos melhores e eficientes oradores, cujaCEPLAQUIANOS – o de fazer a maior e mensagem, sempre sensata e construtiva,melhor instituição agrícola, no início, e de nos levava a acreditar nos seus objetivos edesenvolvimento regional, de forma abraçar a luta..consolidada, no futuro. O idealismo e a Com seu estilo afável e com a humildade quecompetência técnica era nossa força e Zé sempre caracterizou sua personalidade ZéHaroldo era um dos esteios que contávamos. Haroldo passava a ser uma referência comoO CEPEC já existia e suas unidades eram Dr. Alvim, Jorge Vieira, Pedro Pinto e olocalizadas nas sedes das fazendas então Secretário Geral, Carlos Brandão que,adquiridas para o Centro de Pesquisas. cada um com seu estilo, nos doutrinavam eAlgumas bem rústicas e sem qualquer eram exemplos a ser seguidos.conforto, mas o desejo de produzir superava As dificuldades eram grandes, a regiãotudo. O antigo DEPEX, criado em 1963, cacaueira com uma estrutura débil apesar dainiciava sua trajetória com a inauguração do riqueza gerada pelo cacau dificultava oescritório local de Coarací, o primeiro de uma acesso aos Municípios e em especial àssérie de 20 inaugurados em 1964. Zé Haroldo fazendas de cacau. Os jipes pretos, as
  12. 12. canoas e barcos rústicos, os burros eram PROAPE, do Diagnostico Socioeconômico donossos meios de deslocamento. O olho Sul da Bahia – um marco técnico para ogrande e ambicioso pelo crescimento da planejamento regional – Diretor do DEPEX eCEPLAC já era visível. As lutas vitoriosas posteriormente para Coordenador Regionalcontra os inimigos invejosos e políticos que Adjunto. Enfim, minha vida profissionalqueriam o comando ou a extinção do órgão, cresceu sob a liderança, seu exemplo e suaeram vencidas pelo trabalho, dedicação e confiança pessoal.posicionamento de nossos líderes e entre Sou muito agradecido a Zé Haroldo pelaeles, Zé Haroldo era o homem da linha de minha formação pessoal e profissional. E, aofrente. deixar a Direção do DEPEX, em 1983, recebiA CEPLAC começava a se firmar com a de Zé Haroldo a sua melhor lição de vidaaceitação e aprovação das comunidades. quando disse ¨a gestão de Tonhel foi o melhorVeio a incorporação das Estações período de relacionamento com a lavoura¨Experimentais de Una e Jussari, a Estação Juntos recebemos títulos de cidadãos dede Uruçuca, com todo acervo técnico e vários Municípios do sul da Bahia peloprofissionais de renome como os Drs. trabalho realizado.Carlleto, Pedrito Silva, Lélis e tantos outros Já amadurecido profissionalmente, encareique vieram dar exemplo e maturidade aos todos os cargos e encargos que assumi cominiciantes. confiança e certo que daria conta do recado.Veio a EMARC e com isso a consolidação da Zé Haroldo me transmitia força e orientavainstituição. O tripé – Pesquisa, Extensão e mesmo quando já aposentado da CEPLACEnsino – formava um modelo que passou a assumia a CEASA, a FAEB e o SENAR eser a marco do desenvolvimento regional. hoje, mesmo ausente, pode ter certeza que.Por iniciativa da própria CEPLAC foi criado o em todas aquelas instituições foi deixado umentão CNPC congregando os Sindicatos pouco do seu idealismo e forma depatronais rurais da região e, com isso, os administrar.produtores passaram a dispor de assento Em vida Zé Haroldo estaria com 85 anos deefetivo no Conselho de Administração da idade. Pena que tenha ido tãoCEPLAC. Zé Haroldo foi o grande articulador prematuramente, pois sua presença, suasdessa organização e como reconhecimento ideias e posicionamentos seriampelos relevantes trabalhos chegou a receber a fundamentais para superarem as dificuldadesmaior comenda concedida a beneméritos da crise que tanto assolou a região cacaueiraCom minhas promoções a Agrônomo da Bahia.Regional e Assessoria do DEPEX nosso Mais de que justas as homenagens que seusrelacionamento profissional e pessoal passou colegas, admiradores e liderados farão ema ser mais frequente e, a cada dia, mais sua homenagem. Por mais que façamos éaprendia suas lições e admirava seus ainda muito pouco para evidenciar o quantoposicionamentos e exemplos. devemos ao Zé – sua capacidade de trabalho,Ao ser indicado para o curso de pós- sua liderança, sua dignidade, suas ideiasgraduação na Colômbia contei com o apoio brilhantes e seu exemplo pessoal eincondicional do Secretário José Haroldo, profissional – continuarão marcando enesta época sediado no Rio de Janeiro e após orientando nossos caminhos.o curso, nomeou-me Coordenador do DEPOIMENTO DE ROBERTO MIDLEJSinceramente, não sei como começar a seja através dos seus escritos, seja por forçaatender ao seu chamamento, para das lembranças dos 50 anos do convívioregistrarmos, juntos, a passagem dos 85 anos quase diário.do nosso sempre lembrado Zé Haroldo. Por isso, voltando a um passado bemEu, particularmente, estou sempre distante, remeto-me ao ano de 1958, quandohomenageando a memória do grande amigo,
  13. 13. ingressei na CEPLAC, e, por coincidência, definhava por falta de recursos adicionais dome fez retornar a Itabuna, terra natal. Estado.Nessa época, o quadro da CEPLAC era só Outras figuras como o Silvio Midlej, Cíceroformado por pessoal do Banco do Brasil, Milmo, Osmundo Teixeira, José Mariatalvez uns quarenta, vindos de várias cidades Vasconcelos, José Amorim e tantos outrosda região cacaueira, senão de outros continuávamos sediados em Itabuna, aindaEstados. acompanhando casos remanescentes deLembro-me bem do Urbano Brandão, Antônio composição de dívidas.Juvenal Guerra e Carlos Meireles, que, de Por força do cargo, lembro-me bem que ocerta a forma, comandavam o ressurgimento nosso Zé Haroldo tinha que realizarda região cacaueira, através de frequentes viagens ao Rio de Janeiro, entãorefinanciamento de dívidas. Acima dessas sede institucional da CEPLAC. Só que viajavapessoas despontava a figura do jovem Carlos sempre de carro (diga-se Rural Willys), poisBrandão, homem de confiança de Tosta Filho, tinha pavor de avião. Ao superar esse medo,então Diretor da CACEX, e indicado pelo ninguém o segurou mais, forçado, que era, dePresidente Juscelino para reerguer a fazer viagens de Teco - Teco, dentro daeconomia da tão sofrida região. Região, e até voos internacionais. A essaFeito esse extenso preâmbulo, aí é que entra altura, sob a batuta do Paulo Alvim, o quadroa figura do Zé Haroldo, na época encarregado de agrônomos já alcançava quase umada parte contábil das operações financeiras. centena, espalhados por toda uma região, deO nosso contato foi fácil, pois eu já servira, Jequié até o extremo sul.anos atrás, ao Tiro de Guerra em Ilhéus, Como os nossos recursos eram oriundos dequando ouvi falar em figuras tradicionais e uma taxa de retenção (10%) de toda de todaquatrocentonas da bela cidade praiana, entre a produção, fomos estendendo atividades,as quais despontava o clã dos Melo Vieira. levando dezenas de agrônomos a fazeremZé, antes de entrar para o Banco, teve uma pós- graduação no Brasil e no exterior, atépassagem rápida como comerciante, quando formarmos um exemplar Centro de Pesquisa.eu o conheci, como espectador, jogando tênis Nessa época, já usufruíamos de nova sedeno Clube Social de Ilhéus. regional com projeto do renomado arquitetoFigura discreta, de bom papo, e já com muitas Sérgio Bernardes e, com isso, recebíamosideias na cabeça, foi, de mansinho, se figuras importantes, não só do Brasil como dodestacando no grupo, graças a uma grande exterior.vocação de liderança. É importante que se registre o fato de queCom a criação do SETAG (Setor Técnico tínhamos autonomia de recursos financeiros,Agrícola), a CEPLAC começou a estender sua já que as receitas da taxa entravammissão, que era, principalmente, a de diretamente em conta do Banco do Brasil. Istorecuperar a lavoura cacaueira, após o permitia ficarmos fora do orçamento da União,saneamento das dívidas dos produtores. com disponibilidade de recursos de 1ºdePoucos anos se passaram, até que, por ato janeiro a 31 de dezembro de cada ano.do Governo Federal, foi decretada a Carlos Brandão, a essa altura, deixava adesapropriação de uma área nobre de mais CEPLAC e ingressava no Banco Central,de 700 hectares, no eixo da Rodovia como Diretor Financeiro, salvo engano. Aí éIlhéus/Itabuna, km. 22. que entra a figura do Zé Haroldo, mais umaCarlos Brandão, com a acuidade tão própria vez.Graças ao seu excelente trabalho à frentedos mineiros, escolheu Zé Haroldo para ser da direção regional, é convidado por BrandãoSuperintendente regional do Órgão. A essa para, com muita justiça, substituí-lo naaltura o quadro de agrônomos da CEPLAC CEPLAC como Secretário Geral.era enriquecido com a colaboração de Ao assinar a posse, lembro-me bem que Zérespeitáveis figuras oriundas da Estação Haroldo recebeu do então Governador doExperimental de Uruçuca, então pertencente Estado, telegrama parabenizando-o pelaao Instituto de Cacau da Bahia, cuja missão “interinidade”. Esse mesmo Governador que,
  14. 14. meses, messes antes, ao assinar dezenas de solo para prosperar. Passados tais registrosconvênios com a CEPLAC dissera que, afinal, “históricos”, cabe-nos falar da parte maisestava recebendo de volta um pouco dos alegre e agradável, que é a da tentativa derecursos que pertenciam, de fato, ao Estado. ressaltar as muitas qualidades do Zé. E aí nãoNão dava para entender tal colocação, senão sei se falo mais da amizade ou da obstinação,mera “dor de cotovelo” por ver a CEPLAC, da sua lealdade ou da força de criatividade.então, pontificando em uma centena de Mas o que sei, com certeza, é que suamunicípios da região, onde o Estado, certamente dedicação à CEPLAC era constante, compor falta de recursos, não pudera atuar. Não é plantão de 24 horas ao dia. Não possopreciso lembrar que o nosso Zé “tirou de letra” a esquecer, também, da sua eterna paciência,ironia do governador, pois que a “interinidade” de estar sempre disposto a ouvir pedidos dosdurou por cerca de três décadas. mais absurdos, e, ao dizer um “não”, o faziaVale lembrar que, entre os anos de 1977 a 1982, com tal habilidade que o interlocutor aindaa CEPLAC contava com orçamentos altamente saía satisfeito.significativos, chegando a dispor de quase 120 Poucas vezes o vi irritado, mas me lembro demilhões de dólares para o orçamento de 1978, um episódio que, a propósito, vale registrar:graças à conjunção de boa produção (mais de íamos à noite a um evento em Ubaitaba,4oo mil toneladas) e preços internacionais (pique quando o nosso prezado motorista, ode mais de 3.000 dólares). Diomedes, famoso “munheca de pau”, parouCom esses recursos o nosso prezado a rural que acusou um problema no motor. OSecretário Geral adquiriu nova sede em motorista, que entendia ainda menos deBrasília, Construiu a sede regional em Belém, mecânica que de direção, suspendeu o capô,construiu a sede do Conselho Consultivo dos como se fosse resolver o grande enigma. Zé,Produtores de Cacau-CCPC, agora que era rigoroso com horário deagregando quase cem Sindicatos Rurais, e compromissos (chegava sempre, pelo menospôde, principalmente, adquirir, a “fórceps”, a uma hora antes), já estaca estourando aárea sonhada, entre Ilhéus e Itabuna para a paciência, quando apareceu uma almaconstrução física da Universidade. salvadora, na pessoa de outro motorista daA essa época Dr. Érito Machado, então comitiva. E, assim a agenda foi cumprida, eDiretor da Universidade de Santa Cruz - comprida...FUSC me “azucrinava” na região, para liberar Não posso me esquecer, também, quando,mais recursos para apressar a construção as depois de uma jornada exaustiva que ia dassede, enquanto Soane Nazaré, dirigindo a oito da manhã às oito da noite, tínhamos queFederação das Escolas Superiores de Ilhéus comparecer a uma reunião extraordinária doe Itabuna-FESPI, atuava junto a Zé Haroldo CCPC, que, por vezes, varava a madrugada.para consolidar o trabalho de formação de E o Zé, sempre paciente, a tudo ouvia, semnovos cursos, com o que não contava com levantar a voz, mesmo diante de tantosdificuldade, já que a Universidade era a “destemperos”“menina dos olhos” do Zé Haroldo. Tentei, por algum tempo, rever documentos eCom essa fase de ouro do cacau, é claro que anotações, para não confiar só na memória,todo Estado da federação queria plantar que, por vezes, é falha. Na verdade, acacau. Além da expansão tradicional no norte documentação de que disponho, é mais dedo País, apareciam pedidos até de Tocantins papéis oficiais e de origem burocrática, que(o Governador foi à sede regional de avião nada acrescentam. Mesmo assim, fiz questãoparticular, para obter sementes), enquanto o de realizar essa tarefa sumamente agradável,jornalista Rezende Peres defendia o plantio passando a melhor compreender osna região fluminense. E Zé Haroldo, com a argumentos do colega Cícero.habilidade que Deus lhe deu, e o Ministro Cabe-nos, talvez, por último, missão dePaulinelli ajudou, ia driblando tais pretensões, relatar, no meu parco entendimento,, ressaltareis que, na maioria dos casos não havia a os fatos e momentos mais marcantes na vidamenor vocação para essa lavoura, que ceplaqueana do nosso Haroldo.sempre exigia condições especiais de clima e
  15. 15. Fora a tarefa diária de tomar decisões Não posso deixar de registrar, também, aimportantes, destaco o seu empenho em importância que o nosso homenageado“perseguir” a criação da Universidade, que, reservava para o programa de estradashoje nos dá tanto orgulho, ao acolher cerca de vicinais (milhares de quilômetros) e de pontesdez mil alunos, voltados para os cursos das para assegurar o melhor escoamento damais diversas áreas. produção cacaueira. Ao lado disso, foramNo centro das discussões sobre o futuro da construídas dezenas de sedes de sindicatosUniversidade havia a questão de sua rurais, equipados com gabinetes dentários eestadualização, a que a CEPLAC teve que se pequenos centros médicos.render, eis que, a essa altura o nosso Ao redigir este texto, sinto falta (e que falta),orçamento estava atrelado ao da União, e os da habilidade do Sílvio e do estilo preciso erecursos começavam a declinar. lapidar do Cícero Milmo. Mas me sinto, aoOutro projeto que o Zé Haroldo deu o maior mesmo tempo, feliz por saber que o escreviapoio, em parceria com o Onaldo Xavier foi a com a memória e o coração, o que era bemcriação do PACCE, destinado a revelar do agrado do nosso Zé.talentos regionais, nos mais diversos setores Nessa hora de muitas lembranças, váriosda arte. Para coordenar tal projeto foi fatos e episódios me veem à mente, mas oconvidado o escritor e poeta Telmo Padilha. foco deve estar voltado para o homenageado,Uma outra tarefa importante que mereceu a razão pela qual peço minhas escusas poratenção do Zé Haroldo foi a de ampliar as certas omissões que, em outros momentosatividades da EMARC, criando, com a seriam imperdoáveis.colaboração do então Governador Roberto Agora é só a hora do Zé Haroldo, amigo,Santos, mais escolas, destinadas a formar colega, e mais que tudo, o irmão de todostécnicos agrícolas, que desenvolviam suas nós, que, com ele, tanto aprendemos a viver etarefas, coadjuvando os trabalhos dos amar a CEPLACextensionistas e toda a região cacaueira DISCURSO PROFERIDO POR LICIO DE A. FONTES EM FEV/2005.Recebi a honrosa incumbência de falar a muitas confidências compartilhando de muitasrespeito do querido e saudoso amigo José vitorias, tristezas, ansiedades e sobretudoHaroldo Castro Vieira nesta merecida testemunhando os seus grandes ideais.homenagem que a academia de letras de Por mais que a grande amizade e admiraçãoIlheus vem lhe prestar. que sempre nutri pelo Zé Haroldo possamFalar sobre Zé Haroldo seria uma tarefa fácil influenciar estas minhas palavras, comse ele ainda se encontrasse entre nós, pelas certeza não representarão um falsoinúmeras virtudes de que era possuidor, pelo testemunho, vez que, elas jamais seriamcidadão exemplar, pelo homem público sem desmentidas até mesmo por qualquermácula, pelo filho apaixonado pela sua terra e desafeto de Zé Haroldo, se por venturapela sua região, enfim, por tudo o que existisse.representava como homem íntegro, Admirava-me ver como Zé Haroldo amava apersonalidade cativante e amigo leal. sua região e particularmente a cidade em queEntretanto, inconformado pela sua ausência nasceu, assim como respeitava e consideravaesta tarefa me será também dolorosa por aqueles homens que plantaram a grandeainda não ter me acostumado com a ideia da riqueza do cacau, à custa de suor e sangue .sua partida de nosso meio. Contagiava-me a sua indignação pelosConviví com é Zé Haroldo durante cerca de maltratos e injustiças sofridos pelos40 anos. Muito desse convívio foi diuturno, de produtores de cacau. Não conheci até hojegrande intimidade e fraternal amizade. Sinto- alguém que respeitasse ou se preocupasseme portanto apto a prestar um depoimento mais com o produtor de cacau, que Zésobre uma pessoa com quem tive uma Haroldorelação muito próxima e com a qual troquei
  16. 16. Afirmo sem medo de ser contestado que as Não fez fortuna. Morreu sem ter acumuladograndes conquistas da região cacaueira bens materiais, mas amealhou um invejávelnestes últimos 50 anos foram consequência patrimônio moral. Foi algumas vezesda ação benéfica, do trabalho abnegado e da incompreensivelmente combatido, masvisão empreendedora de Zé Haroldo. ninguém nunca ouviu de sua parte umaPermito-me lembrar: a Universidade de Santa reação raivosa ou uma atitude revanchista. ACruz, o Centro de Pesquisas do Cacau, os sua capacidade de resignação e tolerânciahospitais em grande parte da região, as era traduzida em outro ensinamento que eletelecomunicações, a eletrificação rural, as nos passava sempre ao dizer: “o melhorestradas vicinais, as pontes, as escolas lutador não é o que mais bate nem o que maistécnicas de agricultura, as cooperativas, os agride e sim o que mais sabe absorver osparques de exposição agropecuários, os golpes.” A sua capacidade de convencimento,portos, aeroportos, o polo de informática e um de gerenciamento de conflitos, de pacificaçãoimenso numero de outras realizações que de espíritos era admirável.engrandeceram a região, tudo feito dentro de Considero-me um privilegiado por terum critério de inatacável lisura e honestidade. convivido e trabalhado com Zé Haroldo queA personalidade de Zé Haroldo era inspirou o melhor da minha formação comofascinante. Todas as pessoas que profissional e como ser humano.trabalharam ou conviveram com ele foram A região cacaueira e a Bahia ainda não secativadas pela sua maneira de ser. deram conta plenamente da importância queDurante todo o nosso longo convívio nunca Zé Haroldo representou para todos. E a faltatomei conhecimento de qualquer atitude de que ele nos faz.intolerância ou impaciência de sua parte Após a sua morte, os seus familiarescontra quem quer que fosse. encontraram entre alguns dos seus escritosOs seus colegas e subordinados da CEPLAC inéditos mais um sábio conselho em forma deem todos os níveis, eram tratados por ele com oração e que traduz bem o caráter e aum carinho e uma atenção incomuns. Dele grandeza desse homem que viveu e morreuouvi várias vezes a lição de grandeza e em paz consigo mesmo, com o próximo etolerância ao dizer que devemos ter sempre com a vida:paciência com os mais humildes pois a vida “-persigam os seus sonhos e ideais, mas nãopara essas pessoas é mais difícil e mais se esqueçam que se a vida é a procura dasofrida já que eles não tiveram a sorte de felicidade, esta não se encontra no dinheiro,nascer em berço de ouro. Que aqueles que nem no poder ou nas posições ocupadas eocupavam cargos de comando nunca deveriam nem mesmo num estado de plena saúde. Elanegar atenção a um funcionário de escalão mais está tão perto de cada um! A felicidade é abaixo, mesmo que não pudéssemos resolver o paz interior, a consciência do dever cumprido,seu problema, pois ao nos procurar ele acha que especialmente em relação ao seunós representamos a ultima esperança para a semelhante. Cultivem o bem-querer, semsolução do seu problema. excessos ou pieguices, mas com sinceroDurante 29 anos Zé Haroldo ocupou os sentimento, pois aí está a essência de umacargos mais importantes da CEPLAC e tinha vida feliz.”a responsabilidade de gerir um dos maiores José Haroldo nasceu em 6 de abril de 1927 eorçamentos de empresas públicas do Brasil. E morreu em 6 de fevereiro de 2004. Assimo fez com tal correção, honestidade e zelo como fez com a sua vida, Zé Haroldoque a CEPLAC era considerada ofereceu esta oração também a todas asnacionalmente como um paradigma de pessoas que o conheceramoperosidade, eficiência e retidão. oOo Acessar: www.r2cpress.com.br

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