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Conh. cientifico
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Conh. cientifico

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  • 1. Ficha Informativa – 11º Ano FILOSOFIA TEMA: O ESTATUTO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO Vamos caracterizar melhor este ponto de vista especial sobre o mundo a que chamamos ciência, analisando assuas especificidades e procurando compreender o processo do seu desenvolvimento. Já sabemos que a ciência não é a única forma de conhecimento, nem a primeira e mais imediata forma de nosrelacionarmos com o real. Na verdade, existe uma forma comum de conhecimento, formado no decorrer da vida de cada um pela simplesacumulação de experiências pessoais e que nos serve de orientação para o nosso viver quotidiano com uma certaeficácia. De modo natural e directo, vamos conhecendo os objectos que nos cercam, as pessoas com quem lidamos,a rua ou cidade onde moramos, etc. Fazemos tudo isto, sem ser de uma forma propriamente científica, mas antespela experiência de vida. No nosso dia a dia passamos bem sem a ciência. Porquê? Porque no nosso dia a dia basta-nos o senso comum. É um tipo de conhecimento que assenta exclusivamente na experiência de vida que todos os homens têm; é umsaber popular, básico e elementar transmitido oralmente de geração em geração; é adquirido através do ouvir dizer,do ver fazer e da imitação de comportamentos com os quais nos identificamos. Ele é fruto da aprendizagem eeducação que espontânea e/ou institucioalmente recebemos enquanto membros de uma comunidade. Oconhecimento do senso comum, sendo imprescindível à vida do dia a dia apresenta, no entanto muitas limitações: ésuperficial; está sujeito a erros; é subjectivo; não é um conhecimento crítico.TEXTO 1: « A apreensão imediata e directa dos sentidos pode dar representações inexactas da realidade captada;(...) Recordemos um dos mais notórios – os sentidos dizem enganadoramente ao homem que o Sol gira em tornoda terra e que esta é imóvel. Isto, no entanto, é uma mera aparência que só o aprofundamento do processocognitivo pode resolver, vencendo-se essa aparência imediata e enganadora.» Armando de Castro, A Evolução Económica de Portugal Esta forma de conhecimento, embora importante para nos inserirmos na realidade que nos rodeia, não nos dá aexplicação e a compreensão mais profunda que ansiamos.« Hoje, descobrimos um meio poderoso e elegante para compreender o universo, um método chamado ciência.»Carl Sagan, Cosmos« Se vivêssemos num planeta onde nada mudasse, pouco teríamos que fazer. Não haveria nada a compreender.Não haveria necessidade de ciência. E, se vivêssemos num mundo imprevisível, onde as coisas mudassem aoacaso ou de forma muito complexa, não teríamos possibilidade de esclarecê-las. E, mais uma vez, não haveriaciência. Mas vivemos num universo intermédio, onde as coisas mudam, de facto, mas segundo padrões, regras, ou,como nós lhe chamamos, leis da natureza. Se eu atirar um pau para o ar, ele cai, sempre. Se o Sol se põe aocidente, nasce sempre, na manhã seguinte, a oriente. E por isso, é possível compreender as coisas. Podemosdesenvolver a ciência e, com ela, melhorar as nossas vidas.» Carl Sagan, Cosmos O conhecimento científico, marcado pela sua natureza racional, não é comum a todos os homens, mas é umconhecimento comum a grupos de especialistas visando a objectividade.
  • 2. O conhecimento científico constitui-se como outro modo de o homem apreender o real. Não se funda nasevidências do senso comum. A ciência não é uma atitude espontânea e natural do ser humano: levou muito tempo efoi percorrido um longo caminho para que a ciência configurasse o real de modo novo (científico). A ciência não é uma interpretação espontânea da realidade, mas uma interpretação metódica e racionalmenteconstruída.A ciência através da introdução da medida, do método experimental e da matemática, criou um saber abstracto emuito afastado do nosso dia a dia. O método experimental comporta: observação organizada de um fenómemo ougrupo de fenómenos; a formulação de hipóteses (momento em que se procura arranjar uma explicação plausível paraos fenómenos observados) e a verificação experimental (momento em que se procura comprovar a validade dahipótese). O método, dirigindo a investigação de uma forma organizada, rigorosa e geralmente aceite pelacomunidade científica, permite chegar à descoberta de constâncias, de regularidades, de relações necessárias, queconduzirão posteriormente à enunciação de leis. É pelas leis e teorias que o cientista explica os factos, relacionando-os uns com os outros, de modo a transmitir-nos uma visão estruturada do mundo. A ciência torna-se próxima da filosofia pela sua postura de investigação, pelo seu desejo de saber, pela procuraracional que empreende no sentido de descodificar os enigmas e mistérios do mundo. Mas demarca-se dela, peloregisto solucionador que adopta face aos problemas. A ciência não se contenta com respostas, ela pretende chegara soluções e, através destas, fazer desaparecer os problemas com que se defronta. « O homem, na sua necessidade de lutar contra a natureza e no seu desejo de a dominar, foi levado, naturalmente à observação e ao estudo dos fenómenos, procurando descobrir as suas causas e o seu desencadeamento. Os resultados deste estudo, lentamente adquiridos e acumulados, vão constituindo o que, no decurso dos séculos da vida consciente da humanidade, se pode designar pelo nome de ciência. O conhecimento científico distingue-se, portanto do conhecimento vulgar ou primário, no facto essencial seguinte: este satisfaz-se com o resultado imediato do fenómeno – uma pedra abandonada ao ar cai; uma leve pena de ave, abandonada ao ar, paira, ou sobe; aquele faz a pergunta porquê e procura uma resposta que dê uma explicação aceitável pelo nosso entendimento. O objectivo final da ciência é, portanto a formação de um quadro ordenado e explicativo dos fenómenos naturais, fenómenos do mundo físico e do mundo humano, individual e social. (...) Os homens pedem à ciência que lhes forneça um meio, não só de conhecer mas de prever fenómenos – quanto maior for a possibilidade de previsão maior será o domínio deles sobre a natureza. (...) Entendamo-nos bem. A ciência não tem, nem pode ter, como objectivo descrever a realidade tal como ela é. Aquilo a que ela aspira é construir quadros racionais de interpretação e previsão; a legitimidade de tais quadros dura enquanto durar o seu acordo com os resultados da observação e da experimentação.» Bento de Jesus Caraça, Conceitos Fundamentais da Matemática A ciência pode ser e é vulgarmente entendida como uma organização de conhecimentos e de resultados que sãoaceites universalmente. Esta aceitação universal é devido ao facto de os resultados poderem ser verificados. « O primeiro carácter do conhecimento científico (...), é a objectividade, no sentido de que a ciência intenta afastar do seu domínio todo o elemento afectivo e subjectivo, deseja ser plenamente independente dos gostos e das tendências pessoais do sujeito que elabora. Numa palavra, o conhecimento verdadeiramente científico deve ser um conhecimento válido para todos. A objectividade da ciência, por isso, pode ser também, e talvez melhor, chamada intersubjectividade, até porque a evolução recente da ciência, e especialmente da Física, mostrou a impossibilidade de separar adequadamente o objecto, do sujeito e de eliminar completamente o observador. (...) Todavia, não elimina de modo algum da ciência o propósito radicalmente objectivo. Outro carácter universalmente conhecido é a positividade, no sentido de uma plena adesão aos factos e de uma absoluta submissão à fiscalização da experiência. (...)
  • 3. O terceiro carácter do conhecimento científico reside na sua racionalidade. (...) A ciência moderna é essencialmente racional, isto é, não consta de meros elementos empíricos, mas é essencialmente uma construção do intelecto. (...) A ciência pode ser definida como um esforço de racionalização do real. (...) Além disso, os cientistas modernos verificam unanimemente no conhecimento um carácter muito alheio à mentalidade científica do século passado, o da revisibilidade. Não há posições definitivas e irreformáveis. Toda a verdade científica aparece, em cerrto sentido, como provisória, susceptível de revisão, de aperfeiçoamento, às vezes mesmo de uma completa reposição em causa. Todos os conhecimentos científicos são aproximados. (...) Os conceitos de adequação total e perfeita devem ser substituídos pelos de aproximação e validez limitada.» Selvaggi, F.: Enciclopédia Filosófica « O conhecimento científico é fáctico: (...) Parte dos factos, respeita-os até certo ponto e sempre retorna a eles. A ciência procura descobrir os factos tais como são, independentemente do seu valor emocional (...). Nem sempre é possível, (...) respeitar inteiramente os factos quando se analisam. (...) O físico perturba o átomo que deseja espiar; o biólogo modifica e pode inclusive matar o ser vivo que analisa; o antropólogo, empenhado no seu estudo de campo de uma comunidade, provoca nele modificações. Nenhum deles apreende o objecto tal como é, mas tal como fica modificado pelas suas próprias operações. O conhecimento científico é claro e preciso: os seus problemas são distintos, os seus resultados são claros. (...) O conhecimento científico é comunicável: (...) não é privado, mas público. A linguagem científica comunica informações a quem quer que tenha sido preparado para a entender. (...) O conhecimento científico é verificável: deve passar pelo exame da experiência. Para explicar um conjunto de fenómenos, o cientista inventa conjecturas fundadas de algum modo no saber adquirido. As suas suposições podem ser cautelosas ou ousadas, simples ou complexas; em todo o caso, devem pôr-se à prova. (...) A investigação científica é metódica: (...) A investigação procede de acordo com regras e técnicas que se revelaram eficazes no passado, mas que são aperfeiçoadas continuamente (...). O conhecimento científico é sistemático: uma ciência não é um agregado de informações desconexas, mas um sistema de ideias ligadas logicamente entre si. (...) O ciência é explicativa: tenta explicar os factos em termos de leis e as leis em termos de princípios. Os cientistas não se conformam com descrições pormenorizadas; além de inquirir como são as coisas, procuram responder ao porquê: porque é que ocorrem os factos tal como ocorrem e não de outra maneira. (...)» M. Bunge, La ciencia, su método y su filosofía Tal como podemos constatar através da análise dos textos, a ciência pode ser e é vulgarmente entendida comouma organização de conhecimentos e de resultados que são aceites universalmente. Esta aceitação universal édevido ao facto de os resultados poderem ser verificados e de a construção do conhecimento se submeter a métodos. A ciência visa a observação e o estudo aprofundado dos fenómenos naturais e sociais. - não se limita a descrever a experiência, mas a explicá-la por meio de leis; - é um conhecimento que se submete à verificação experimental; - é um conhecimento organizado, metódico, que se baseia numa investigação planeada; - é um conhecimento sistemático, ou seja, não é constituído por um amontoado de informações, mas por umconjunto de ideias metódica e logicamente organizadas; - o conhecimento científico procura as causas e uma explicação para os fenómenos observados; - à subjectividade do conhecimento do senso comum, o conhecimento científico procura opôr a objectividade: serindependente dos gostos e tendências do sujeito que conhece. É neste sentido que a ciência se constitui como umconhecimento que procura ser universalmente válido, isto é, válido para todos. Este objectivo é assegurado quer pelasubmissão de todas as hipóteses à fiscalização da experiência, quer pela utilização de uma linguagem rigorosa. A ciência ganhou durante a modernidade o estatuto de conhecimento verdadeiro e objectivo, subordinado ao rigormatemático e ao método experimental. Esta concepção despertou um optimismo muito grande no papel da ciência,chegando-se a pensar que em seu nome poder-se-ia dominar o mundo e que o progresso científico conduziria a
  • 4. humanidade em direcção à verdade total sobre a natureza, à organização da justiça entre os homens e à felicidadenesta vida. MAS, a ciência perdeu este estatuto. Hoje, a ciência apresenta-se de forma menos ambiciosa, configurandoapenas uma das interpretações possíveis do mundo, susceptível de ser falsificada, sem um método concludente, semverificações definitivas e com uma objectividade aproximada. A ciência é um processo em contínua revisão, empermanente auto-correcção. O rigor do conhecimento científico é limitado e apenas podemos esperar resultadosaproximados, não absolutamente certos. Mas, apesar do dito, não podemos negar que vivemos numa época profundamente marcada pela ciência enão temos receio de afirmar que muito lhe devemos. É hoje um lugar comum, defender que a vida dos homens edas mulheres se transformou e que muitas dessas transformações são devidas ao progresso científico e técnico. Nãopodemos pois ignorar a ciência: foi ela que nos deu os antibióticos, as viagens à lua, os raios laser, todo o confortomaterial a que hoje estamos habituados e que já não dispensamos. Talvez por isso, ainda domine actualmente umaconcepção de ciência como algo de qualidade, mas uma qualidade que não pode oferecer dúvidas uma vez que foitestada e provada e que inclusivé já deu provas suficientes para ser merecedora de uma confiança total. De facto, aosolhos do grande público, a ciência surge como o protótipo de um conhecimento rigoroso, objectivo, fiável e merecedorde total confiança. MAS, não nos podemos esquecer também do lado negativo da ciência: armamento, guerras, bombas nucleares,atómicas, químicas, cobaias, manipulação genética, clonagem, desastres ecológicos, etc. A ciência tornou-seexplosiva. Mas não podemos passar sem ela e sem o que ela nos permite obter. É afinal, a dramática contradição dohumano modo de viver: perpetuamente em desiquilíbrio, constantemente em progresso. Professora: Rosa Sousa

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