Your SlideShare is downloading. ×
08 o enade_e_a_formacao_de_professores
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Thanks for flagging this SlideShare!

Oops! An error has occurred.

×
Saving this for later? Get the SlideShare app to save on your phone or tablet. Read anywhere, anytime – even offline.
Text the download link to your phone
Standard text messaging rates apply

08 o enade_e_a_formacao_de_professores

145

Published on

0 Comments
1 Like
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total Views
145
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
1
Actions
Shares
0
Downloads
3
Comments
0
Likes
1
Embeds 0
No embeds

Report content
Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
No notes for slide

Transcript

  • 1.   Pedagogia – Education – Pedagogia  |                             |  Revista UniABC – v.2, n.1, 2011 ‐ ISSN: 2177‐5818  8. O ENADE e a formação de professores em  contextos sociais em mudança.  Prática reflexiva e participação crítica.  Profª. Ms. Monica Lopes de Oliveira  1   ________________________________________________________________________________    Resumo  Este  artigo  aborda  o  Exame  Nacional  de  Desempenho  dos  Estudantes  (ENADE),  atual  modelo  de  avaliação  do  Ensino  Superior  e  Formação  de  Professores,  em  contextos  sociais  em  mudança,  tema  que  faz  parte  das  investigações  do  Grupo  de  Estudos  e  Pesquisas  Histórico‐ linguístico‐sociais  da  Universidade  do  Grande  ABC  ‐  UniABC,  cuja  Linha  de  Pesquisa  se  dá  em  Língua e Literatura e as múltiplas linguagens: do saber acadêmico à prática de ensino.    Palavras‐chaves:  Exame nacional; qualidade de ensino; formação de professores.    Abstract    This  paper  deals  with  the  Test  of  Students’  Performance  (ENADE),  current  assessment  model of College and Professors’ Formation for social contexts in change, a subject that is part of  the investigations of the Group of Studies and Research‐historic social‐linguistic of UniABC, whose  Line  of  Research  was  built  on  Language,  Literature  and  multiple  languages:  from  academic  knowledge to Education practice. The objective of this issue consists of studying, analyzing this  way and trying to identify if the ENADE results can produce references that allow the definition of  actions capable of improving the quality of graduation courses, by professors and the Institution’s  administrators.    Keywords:  National Test; Quality of Education; Professor’s Formation.    Resumen  Este artículo aborda el Examen Nacional de Desempeño de los Estudiantes (ENADE),  actual  modelo de evaluación de la Enseñanza Superior y Formación de Profesores, en contextos sociales  1  Mestre em Linguística Aplicada aos Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica‐ PUC de São Paulo  (2007). Pesquisadora e Professora da UNIABC. Professora de Pós‐graduação da FACCAMP. Supervisora de Ensino –  SEE‐SP. Experiência na área de Educação e Linguística. monicalopes10@terra.com.br 
  • 2.               Pedagogia – Education – Pedagogia  |                             |  Revista UniABC – v.2, n.1, 2011 ‐ ISSN: 2177‐5818  110   Profª. Ms. Monica Lopes de Oliveira en  transformación,  tema  que  forma  parte  de  las  investigaciones  del    Grupo  de  Estudios  e  Investigaciones Histórico‐lingüístico‐sociales de la Universidad del  Gran  ABC ‐ UniABC, cuya Línea  de Investigación se da en Lengua y Literatura y los múltiples lenguajes: desde el saber académico  hasta la práctica de la enseñanza.  Palabras‐llaves:  Examen nacional; calidad de enseñanza; formación de profesores.      1. Introdução    O artigo aborda o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE), que faz parte do  atual modelo de avaliação do Ensino Superior e a Formação de Professores em contextos sociais em  mudança.  Este tema foi escolhido tendo em vista as próprias experiências docentes da pesquisadora, que  necessita  compreender  como  ocorre  a  interação  do  processo  de  Formação  de  Professores  e  o  desempenho acadêmico dos estudantes atrelado às exigências do ENADE.  O objetivo deste artigo consiste em identificar se os resultados do ENADE podem produzir  referenciais que permitam a definição de ações voltadas para a melhoria da qualidade dos cursos de  graduação, por parte de professores e dirigentes da Instituição.  Os objetivos específicos são:  • Analisar as representações de um grupo de professores da Universidade em relação a esta  avaliação;  • Refletir  sobre  a  importância  da  formação  docente  continuada  rumo  às  exigências  do  ENADE.  Como  pressuposto  teórico  utiliza‐se  Perrenoud,  que  discorre,  dentre  outros  temas,  sobre  Formação de Professores. Faz‐se uso, também, dos documentos do ENADE, que abordam a legislação  que fundamenta os estudos do trabalho.  A metodologia utilizada neste estudo é de abordagem qualitativa, de caráter exploratório. Os  procedimentos de coleta se realizam por meio de levantamento de dados e fontes de informação  colhidas em pesquisa de campo.  Este estudo se dá na Universidade do Grande ABC‐ UniABC, localizada em Santo André ‐ SP.   Os  participantes  são  cinco  professores;  e  o  método  de  coleta  se  faz  com  a  utilização  de  questionários. Os dados são analisados de forma a identificar o perfil e como eles veem o ENADE e a  sua prática docente. 
  • 3.               Pedagogia – Education – Pedagogia  |                             |  Revista UniABC – v.2, n.1, 2011 ‐ ISSN: 2177‐5818    O ENADE e a formação de professores em contextos sociais em mudança. Prática reflexiva e participação crítica. 111 Espera‐se  que  este  estudo  possa  contribuir  para  produzir  referenciais  que  permitam  a  definição  de  ações  voltadas  para  a  melhoria  da  qualidade  dos  cursos  de  graduação,  por  parte  de  professores e dirigentes da instituição em um contexto social em mudança e em uma prática reflexiva  e de participação crítica..      2. O ofício de professor está se transformando      Trabalho  em  equipe  e  por  meio  de  projetos,  autonomia  e  responsabilidades  crescentes,  pedagogias  diferenciadas,  situações  de  aprendizagem  são  práticas  inovadoras,  nas  quais  as  competências  emergentes  são  aquelas  que  deveriam  orientar  as  formações  iniciais  e  contínuas,  aquelas que contribuem para busca de qualidade de ensino e desenvolvem a cidadania, aquelas que  recorrem à pesquisa e enfatizam a prática reflexiva.  Segundo  Perrenoud  (2001),  a  função  de  professor  ainda  não  pode  ser  considerada  uma  profissão plena. O autor enfatiza as características das profissões e dos ofícios:    a.  “o  exercício  de  uma  profissão  implica  uma  atividade  intelectual  que  compromete  a  responsabilidade individual de quem a exerce;   b.  é uma atividade erudita, e não de natureza rotineira, mecânica ou repetitiva;   c.  no entanto, ela é prática, pois é definida como o exercício de uma arte, em vez de algo  puramente teórico e especulativo;   d.  sua técnica é aprendida após uma longa formação;   e.  o grupo que exerce essa atividade é regido por uma forte organização e uma grande coesão  interna;   f.  trata‐se  de  uma  atividade  de  natureza  altruísta,  que  presta  um  serviço  precioso  à  sociedade” (Perrenoud 2001, p. 18).      Assim,  “o  ofício  não  é  imutável”,  segundo  Perrenoud  (2001,  p.  14),  suas  transformações  passam pela emergência de novas competências.  No livro Dez Novas Competências para Ensinar, o autor escolhe um referencial que acentua as  competências julgadas prioritárias por serem coerentes com o novo papel dos professores, com a  evolução da formação contínua, com as reformas da formação inicial e com as ambições das políticas  educativas.  Este  referencial  apreende  o  movimento  da  profissão  nas  10  grandes  famílias  de  competências resumidas no Quadro 1, a seguir:  
  • 4.               Pedagogia – Education – Pedagogia  |                             |  Revista UniABC – v.2, n.1, 2011 ‐ ISSN: 2177‐5818  112   Profª. Ms. Monica Lopes de Oliveira   Quadro 1 ‐ Dez Novas Competências para Ensinar    1. Organizar e dirigir situações de aprendizagem Conhecer, para determinada disciplina, os conteúdos a serem ensinados e sua tradução em objetivos de aprendizagem Trabalhar a partir das representações dos alunos Trabalhar a partir dos erros e dos obstáculos à aprendizagem Construir e planejar dispositivos e seqüências didáticas Envolver os alunos em atividades de pesquisa, em projetos de conhecimento 2. Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação Administrar a heterogeneidade no âmbito de uma turma Abrir, ampliar a gestão de classe para um espaço mais vasto Fornecer apoio integrado, trabalhar com alunos portadores de grandes dificuldades Desenvolver a cooperação entre os alunos e certas formas simples de ensino mútuo Uma dupla construção 3. Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação Administrar a heterogeneidade no âmbito de uma turma Abrir, ampliar a gestão de classe para um espaço mais vasto Fornecer apoio integrado, trabalhar com alunos portadores de grandes dificuldades Desenvolver a cooperação entre os alunos e certas formas simples de ensino mútuo Uma dupla construção 4. Envolver os alunos em sua aprendizagem e em seu trabalho Suscitar o desejo de aprender, explicitar a relação com o saber, o sentido do trabalho escolar e desenvolver na criança a capacidade de auto-avaliação Instituir um conselho de alunos e negociar com eles diversos tipos de regras e de contratos Oferecer atividades opcionais de formação Favorecer a definição de um projeto pessoal do aluno 5. Trabalhar em equipe Elaborar um projeto em equipe, representações comuns Dirigir um grupo de trabalho, conduzir reuniões Formar e renovar uma equipe pedagógica Enfrentar e analisar em conjunto situações complexas, práticas e problemas profissionais Administrar crises ou conflitos interpessoais 6. Participar da Administração da Escola Elaborar, negociar um projeto da instituição Administrar os recursos da escola Coordenar, dirigir uma escola com todos os seus parceiros Organizar e fazer evoluir, no âmbito da escola, a participação dos alunos Competências para trabalhar em ciclos de aprendizagem 7. Informar e Envolver os pais Dirigir reuniões de informação e de debate Fazer entrevistas Envolver os pais na construção dos saberes 8. Utilizar Novas Tecnologias A informática na escola: uma disciplina como qualquer outra, um savoir-faire ou um simples meio de ensino ? Utilizar editores de texto Explorar as potencialidades didáticas dos programas em relação aos objetivos do ensino Comunicar-se à distância por meio da telemática Utilizar as ferramentas multimídia no ensino Competências fundamentadas em uma cultura tecnológica 9. Enfrentar os Deveres e os dilemas da Profissão Prevenir a violência na escola e fora dela
  • 5.               Pedagogia – Education – Pedagogia  |                             |  Revista UniABC – v.2, n.1, 2011 ‐ ISSN: 2177‐5818    O ENADE e a formação de professores em contextos sociais em mudança. Prática reflexiva e participação crítica. 113 Lutar contra os preconceitos e as discriminações sexuais, étnicas e sociais Participar da criação de regras de vida comum referentes à disciplina na escola, às sanções e à apreciação da conduta Analisar a relação pedagógica, a autoridade e a comunicação em aula Desenvolver o senso de responsabilidade, a solidariedade e o sentimento de justiça Dilemas e competências 10. Administrar sua própria formação contínua Saber explicitar as próprias práticas Estabelecer seu próprio balanço de competências e seu programa pessoal de formação continua Negociar um projeto de formação comum com os colegas (equipe, escola, rede) Envolver-se em tarefas em escala de uma ordem de ensino ou do sistema educativo Acolher a formação dos colegas e participar dela Ser agente do sistema de formação continua  Fonte: Perrenoud (2001).    Assim, Perrenoud (2001) sugere que professores  inseridos em um contexto em mudança, no  qual  as  transformações  da  sociedade  clamam  automaticamente  por  evoluções  na  escola  e  na  formação de profissionais, preocupem‐se com sua formação, numa perspectiva de prática reflexiva e  participação crítica como orientações prioritárias de sua formação.       3. O ENADE e suas competências    O  Exame  Nacional  de  Desempenho  dos  Estudantes  (ENADE)  faz  parte  do  atual  modelo  de  avaliação do Ensino Superior ‐ Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) instituído  em abril de 2004, e veio substituir o Exame Nacional de Cursos (Provão). O ENADE é operacionalizado  pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), e tem por objetivo  acompanhar o processo de aprendizagem e o desempenho acadêmico dos estudantes em relação aos  conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares do respectivo curso de graduação, suas  habilidades  para  ajustamento  às  exigências  decorrentes  da  evolução  do  conhecimento  e  suas  competências  para  compreender  temas  exteriores  ao  âmbito  específico  de  sua  profissão,  ligado  à  realidade brasileira e mundial, e a outras áreas do conhecimento, considerando a evolução dos alunos  concluintes em relação aos ingressantes no ensino superior.   Isso exige conhecimentos sobre conteúdos programáticos e habilidades específicas esperadas  em cada curso avaliado, ou seja, o ENADE avalia o valor agregado do egresso em relação ao iniciante. E  seus  resultados  podem  produzir  referenciais  que  permitam  a  definição  de  ações  voltadas  para  a  melhoria  da  qualidade  dos  cursos  de  graduação,  por  parte  de  professores,  técnicos,  dirigentes  e  autoridades educacionais. 
  • 6.               Pedagogia – Education – Pedagogia  |                             |  Revista UniABC – v.2, n.1, 2011 ‐ ISSN: 2177‐5818  114   Profª. Ms. Monica Lopes de Oliveira De acordo com a Lei nº 10.861, de 14/04/2004, o ENADE é componente curricular obrigatório  a  todos  os  alunos  dos  cursos  de  graduação  que  serão  avaliados.  Com  base  no  desempenho  dos  estudantes, os cursos receberão conceitos de 1 a 5.  Ao  se  analisar  a  legislação  nas  Portarias  Inep  dos  cursos  avaliados  em  2009,  em  relação  à  Formação Geral, veremos o Artigo 1º, 2º e 3º, no Quadro 2:     Quadro 2 ‐ Portarias Inep, 2009.  Art. 1º O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), parte integrante do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), tem como objetivo geral avaliar o desempenho dos estudantes em relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares, às habilidades e competências para a atualização permanente e aos conhecimentos sobre a realidade brasileira, mundial e sobre outras áreas do conhecimento. Art. 2º A prova do Enade 2009, com duração total de 4 (quatro) horas, terá a avaliação do componente de formação geral comum aos cursos de todas as áreas e um componente específico do Curso. Art. 3º No componente de Formação Geral será considerada a formação de um profissional ético, competente e comprometido com a sociedade em que vive. Além do domínio de conhecimentos e de níveis diversificados de habilidades e competências para perfis profissionais específicos, espera-se que os graduandos das Instituições de Ensino Superior (IES) evidenciem a compreensão de temas que possam transcender ao seu ambiente próprio de formação e sejam importantes para a realidade contemporânea. Essa compreensão vincula-se a perspectivas críticas, integradoras e à construção de sínteses contextualizadas. § 1º As questões do componente de Formação Geral versarão sobre alguns dentre os seguintes temas: I - ecologia; II - biodiversidade; III - arte, cultura e filosofia; IV – mapas geopolíticos e socioeconômicos; V - globalização; VI - políticas públicas: educação, habitação, saneamento, saúde, segurança, defesa, desenvolvimento sustentável; VII - redes sociais e responsabilidade: setor público, privado, terceiro setor; VIII - relações interpessoais: respeitar, cuidar, considerar, conviver; IX – sociodiversidade: multiculturalismo, tolerância, inclusão; X - exclusão e minorias; XI – relações de gênero; XII - vida urbana e rural; XIII - democracia e cidadania; XIV - violência; XV - terrorismo; XVI - avanços tecnológicos; XVII - inclusão/exclusão digital; XVIII - relações de trabalho; XIX - tecnociência; XX - propriedade intelectual; XXI - diferentes mídias e tratamento da informação. § 2º No componente de Formação Geral, serão verificadas as capacidades de: I - ler e interpretar textos; II - analisar e criticar informações;
  • 7.               Pedagogia – Education – Pedagogia  |                             |  Revista UniABC – v.2, n.1, 2011 ‐ ISSN: 2177‐5818    O ENADE e a formação de professores em contextos sociais em mudança. Prática reflexiva e participação crítica. 115 III - extrair conclusões por indução e/ou dedução; IV - estabelecer relações, comparações e contrastes em diferentes situações; V - detectar contradições; VI - fazer escolhas valorativas avaliando conseqüências; VII - questionar a realidade; VIII - argumentar coerentemente. § 3º No componente de Formação Geral, os estudantes deverão mostrar competência para: I - propor ações de intervenção; II - propor soluções para situações-problema; III - elaborar perspectivas integradoras; IV - elaborar sínteses; V - administrar conflitos. § 4º O componente de Formação Geral do Enade 2009 terá 10 (dez) questões, sendo 2 (duas) discursivas e 8 (oito) de múltipla escolha, que abordarão situações-problema, estudos de caso, simulações e interpretação de textos, imagens, gráficos e tabelas. § 5º As questões discursivas avaliarão aspectos como clareza, coerência, coesão, estratégias argumentativas, utilização de vocabulário adequado e correção gramatical do texto. Fonte: http://www.inep.gov.br/superior/enade/default.asp, 2010.    Podemos notar que a respeito da Formação Geral do aluno exigida no ENADE, os professores  precisam trabalhar temas não específicos de sua disciplina, ou seja, temas da atualidade, além de  trabalhar  habilidades  de  leitura,  interpretação  de  texto,  análise  crítica,  comparações,  questionamentos, argumentações, e também trabalhar para que o aluno apresente competências de  intervenções, soluções, integrações, sínteses.  Neste  contexto  de  Formação  Geral  é  considerada  a  formação  de  um  profissional  ético,  competente  e  comprometido  com  a  sociedade  em  que  vive.  É  necessário  que  os  professores  trabalhem  situações‐problema,  estudos  de  caso,  simulações  e  interpretação  de  textos,  imagens,  gráficos e tabelas, além de exercitar, nas questões discursivas, clareza, coerência, coesão, estratégias  argumentativas, utilização de vocabulário adequado e correção gramatical do texto.   O  professor  precisa  se  preparar  para  trabalhar,  nesse  contexto  em  mudanças,  numa  perspectiva de prática reflexiva e participação crítica.  Será observado no decorrer desse artigo como acontece à articulação entre as exigências do  ENADE e o perfil do professor.  A seguir, esclarecemos os procedimentos metodológicos na análise de dados.       4.  A metodologia de aplicação do estudo    A  metodologia  utilizada  neste  estudo,  segundo  a  natureza  dos  dados,  é  de  abordagem  qualitativa. 
  • 8.               Pedagogia – Education – Pedagogia  |                             |  Revista UniABC – v.2, n.1, 2011 ‐ ISSN: 2177‐5818  116   Profª. Ms. Monica Lopes de Oliveira Entende‐se por pesquisa qualitativa que “o pesquisador estuda em seu ambiente natural com o  objetivo de entender e interpretar fenômenos em termos dos significados que as pessoas atribuem a  eles”  (Denzin  &  Lincoln,  1998).  Outras  características  de  pesquisa  apontadas  por  eles:  pesquisa  contextual, que significa pesquisa no contexto no qual os sujeitos normalmente moram e trabalham, e  interpretativa, em relação à análise de dados.   Este estudo se dá nesta Universidade. A UniABC apresenta sua filosofia voltada para a missão  de contribuir para o desenvolvimento e progresso do país, formando bons profissionais, com boa base  de conhecimento técnico e científico, para contribuir para a solução de problemas sociais da região na  medida  em  que  produz,  aplica  e  dissemina  o  trabalho  que  é  fruto  do  processo  de  ensino  e  aprendizagem dos alunos e professores. Ressalta sua visão para o futuro tendo como objetivo tornar‐ se centro de referência consolidado na região do Grande ABC, irradiador e aglutinador de questões  educativo‐culturais,  firmando‐se  como  instituição  capaz  de  contribuir  para  a  solução  de  seus  problemas, bem como para o desenvolvimento da cidadania.   Participa  desta  pesquisa  um  grupo  de  cinco  professores  desta  Universidade.  Eles  foram  convidados de forma a compor um quadro formado por profissionais da área docente. Esclareça‐se  que no Quadro 3, abaixo, os nomes dos participantes são substituídos por Participante A, B, C, D e E.    Quadro 3 – Especificações de perfil dos participantes  Participante Faixa Etária Área Acadêmica Curso/disciplina Carga Horária Tempo na Educação/ Tempo na Universidade A 40 - 45 -Engenharia Elétrica Industrial -Gestão de Corporações -Engenharia de Fabricação -Processos Integrados de Usinagem 27 h 20/8 anos B 45 - 50 -Educação Matemática -Cálculo I e II 30 h 20/2 anos C 35 - 40 -Analise de sistema -Redes de computadores -Engenharia de software -Empreendedorismo 32 h 14/7 anos D 50 - 55 -Administração de Empresas -Administração de Sistemas de Informação - Formação de Empreendedores em Informática 30 h 12/6 anos E 35 - 40 -Letras -Pedagogia -Comunicação Empresarial 15 h 20/5 anos    
  • 9.               Pedagogia – Education – Pedagogia  |                             |  Revista UniABC – v.2, n.1, 2011 ‐ ISSN: 2177‐5818    O ENADE e a formação de professores em contextos sociais em mudança. Prática reflexiva e participação crítica. 117 5. Análise e discussão dos dados    Uma  vez  coletadas  as  informações,  o  processo  de  análise  dos  dados  se  propôs  a  manter  diálogo com os objetivos do artigo e também com a base teórica deste estudo.   As representações que os participantes apresentam em relação à avaliação externa (questão 7)  são identificadas como importantes para avaliar alunos, avaliar o comprometimento das instituições  de ensino superior atrelados aos programas definidos pelo MEC.  Os  participantes  relacionam  a  importância  dos  resultados  do  ENADE  para  a  Universidade  (questão 8) acreditando que se trata de uma forma de aplicar um critério com uma visão externa da  organização e que pode influenciar nas futuras decisões da mesma (Participante A); que os resultados  do ENADE podem orientar os professores quanto à sua prática, a fim de saberem se estão conduzindo  e orientando de forma correta os alunos que se encontram sob sua ação, (Participante B); fazendo  com que a universidade tenha o compromisso, (Participante C); ressalta‐se que os resultados podem  ser  “maquiados”,  conforme  conveniência (Participante  D);  que estes  resultados  podem  servir para  atrair mais alunos, tendo em vista que há uma concorrência grande de Universidades na região do ABC  (Participante E).  Sobre  a  importância  da  formação  docente  continuada  rumo  às  exigências  do  ENADE,  em  primeira análise (questão 6), revela‐se que os participantes não realizam cursos de formação docente  continuada, somente em seus cursos de graduação e, principalmente de pós graduação, apesar disso  afirmam  que  o  que  aprenderam  foi  útil  para  entender  melhor  a  complexidade  do  ensino  e  suas  características. Nenhum Participante abordou as reuniões de Planejamento do início e as do fim do  semestre como formação docente continuada.  Foi questionado (questão 10) se eles veem alguma relação da sua prática docente refletida nos  resultados do ENADE na Universidade, os Participantes A e C dizem que ainda não tem como avaliar,  eles justificam que a Universidade está no começo do processo de mudança; o Participante B acredita  que  a  maneira  de  orientar  o  raciocínio  dos  alunos  no  sentido  de  interpretar  o  enunciado  de  problemas, e o raciocínio no sentido de resolvê‐los tem reflexo direto nos resultados do exame; o  Participante D não soube se posicionar adequadamente e o Participante E diz que se trata de uma  cultura a ser implantada e implementada pela Universidade, e acredita que os resultados positivos  acontecem sequencialmente.   A maioria dos Participantes acredita que a Universidade tem trabalhado rumo às exigências do  ENADE (questão 9), dizem que está em processo de mudança, ressaltam a importância da Avaliação de  Conhecimentos Gerais – ACG, como uma forma de articulação com o ENADE, mas ressalto aqui, o  Participante B que revela não acreditar que a Universidade possa trabalhar neste rumo, pelo fato dos  alunos, principalmente os que são egressos de escolas públicas, serem quase “analfabetos”, sendo que  os professores da graduação se veem obrigados a abordar conteúdos que os alunos não viram, ou  seja, os pré‐requisitos para o curso escolhido. 
  • 10.               Pedagogia – Education – Pedagogia  |                             |  Revista UniABC – v.2, n.1, 2011 ‐ ISSN: 2177‐5818  118   Profª. Ms. Monica Lopes de Oliveira Na  questão  sobre  o  ENADE  ser  considerado  um  instrumento  de  avaliação  e/ou  ação  pedagógica de melhoria de qualidade de ensino (questão 11), todos os Participantes dizem que além  de  instrumento  de  avaliação  pode  ser  tratado  também  como  forma  a  orientar  os  procedimentos  metodológicos  de  aula,  e  consequentemente,  a  melhoria  da  qualidade  de  ensino,  utilizando‐se  os  parâmetros do MEC.  A última questão discorre sobre o objetivo geral deste artigo que consiste em identificar se os  resultados do ENADE podem produzir referenciais que possam permitir a definição de ações voltadas  para  a  melhoria  da  qualidade  dos  cursos  de  graduação,  por  parte  de  professores  e  dirigentes  da  Instituição. Os Participantes A, C e E acreditam que sim, por meio dos dados coletados pelo ENADE, as  autoridades  responsáveis  pelo  ensino  superior  no  Brasil  podem  refletir  e  interferir  na  busca  de  possíveis ações para busca de soluções. Os Participantes B e D não acreditam muito que por meio dos  resultados do ENADE se possa melhorar a qualidade do ensino superior e justificam que, como vem  sendo aplicado, somente em determinados cursos, deixa a desejar e de ter sua devida importância,  pois  seleciona  apenas  uma  parte  dos  alunos  e,  muitas  vezes,  justamente  aqueles  alunos  que  não  apresentam  comprometimento  algum  com  o  curso  e  desta  forma,  na  opinião  deles  (B  e  D),  não  apresenta parâmetro para a qualidade de ensino      6. Análise e discussão dos dados    Este artigo abordou o ENADE e a Formação de Professores em contextos sociais em mudança,  partiu do Grupo de Pesquisa GEPHILIS ‐ Grupo de Estudos e Pesquisas Histórico‐linguístico‐sociais da  Universidade  do  Grande  ABC‐UNIABC,  e  a  Linha  de  Pesquisa  se  deu  em  Língua  e  Literatura  e  as  múltiplas linguagens: do saber acadêmico à prática de ensino.   Este trabalho realizado com a participação de um pequeno grupo de professores procurou  refletir sobre o tema e se propôs ainda em estudar, analisar e identificar se os resultados do ENADE  podem produzir referenciais que possam permitir a definição de ações voltadas para a melhoria da  qualidade dos cursos de graduação, por parte de professores e dirigentes da Instituição.  Após análise das representações dos professores participantes em relação à avaliação externa,  um dos objetivos específicos deste artigo, compreendemos que eles pensam tratar‐se de uma política  pública  um  pouco  distante  do  cotidiano  acadêmico,  não  se  apropriando  como  integrante  deste  processo, embora ressaltem a importância dos resultados do ENADE para a Universidade.  Sobre a importância da formação docente continuada rumo às exigências do ENADE, outro  objetivo  específico  do  artigo,  percebi,  por  meio  da  análise  das  respostas,  que  eles  parecem  não  perceber a articulação, por exemplo, das reuniões de Planejamento do início e do fim do semestre, a  necessidade de se elaborar o Plano de Ensino e de Aula baseado em competências e habilidades, 
  • 11.               Pedagogia – Education – Pedagogia  |                             |  Revista UniABC – v.2, n.1, 2011 ‐ ISSN: 2177‐5818    O ENADE e a formação de professores em contextos sociais em mudança. Prática reflexiva e participação crítica. 119 como formação docente continuada. Isto significa que veem pouca relação da sua prática docente  refletida nos resultados do ENADE, apesar de reconhecerem que a Universidade está num processo de  mudança numa busca de uma cultura a ser implantada e implementada, principalmente na alteração  do sistema de avaliação (citado em algumas respostas), a importância da Avaliação de Conhecimentos  Gerais – ACG, como uma forma de articulação com o ENADE. Nas questões de Formação Geral os  alunos  precisam  evidenciar  a  compreensão  de  temas  que  possam  transcender  ao  seu  ambiente  próprio de formação e sejam importantes para a realidade contemporânea, numa perspectiva crítica,  integradora  e  com  construção  de  sínteses  contextualizadas,  para  tanto  os  alunos  devem  mostrar  competência para propor ações de intervenção; propor soluções para situações‐problema; elaborar  perspectivas integradoras; elaborar sínteses; administrar conflitos.  Assim,  pode‐se  constatar  que  o  ofício  de  professor  está  se  transformando,  conforme  Perrenoud (2001), e as transformações passam pela emergência de novas competências coerentes  com o novo papel dos professores e com a evolução da formação contínua.  Portanto,  conclui‐se  que  os  resultados  do  ENADE  podem  produzir  referenciais  que  possam  permitir a definição de ações voltadas para a melhoria da qualidade dos cursos de graduação, embora  não se apresente de modo claro e objetivo, mas as ações dos professores representadas aqui revelam  que além de instrumento de avaliação, o ENADE pode ser tratado também como forma a orientar os  procedimentos metodológicos de aula.  Dentre  as  diversas  pesquisas  que  lidam  com  o  tema  ENADE  e  Formação  de  Professores,  nenhuma delas enfocou as visões dos professores em relação ao tema, conforme proposto aqui.   Os resultados nos indicaram que os participantes estão convencidos da importância do ENADE,  embora se refiram a ele como instrumento de avaliação e não como ação pedagógica de melhoria de  qualidade de ensino.   A pesquisa pretende ter contribuído para os estudos da avaliação ao mostrar os resultados.  Assim, apresenta uma colaboração original para poder produzir referenciais que possam permitir a  definição  de  ações  voltadas  para  a  melhoria  da  qualidade  dos  cursos  de  graduação,  por  parte  de  professores e dirigentes da Instituição.  Espera‐se ainda, que este trabalho incentive e ajude em pesquisas futuras não só da área da  Linguística Aplicada, mas como da Educação.  Esta pesquisa procura compreender como ocorre a interação do processo de Formação de  Professores  e  o  desempenho  acadêmico  dos  estudantes  atrelados  às  exigências  do  ENADE.  Nesse  sentido, pode trazer benefícios e auxiliar outros profissionais da Educação.       
  • 12.               Pedagogia – Education – Pedagogia  |                             |  Revista UniABC – v.2, n.1, 2011 ‐ ISSN: 2177‐5818  120   Profª. Ms. Monica Lopes de Oliveira Referências bibliográficas    BRASIL. Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004. Institui o Sistema Nacional de Avaliação da Educação  Superior ‐ SINAES e dá outras Providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, n. 72, 15 abr.  2004. Seção 1, p. 3‐4.    DENZIN, N. K.; LINCOLN, Y. S. (Eds.). Strategies of qualitative inquiry. (S.l) Sage Publications, 1998.    McDONOUGH,  J.;  McDONOUGH,  S.  Research  methods  for  english  language  teachers.  [S.l.]:  Arnoul, 1997.    Perrenoud,  P.  Avaliação:  da  excelência  à  regulação  das  aprendizagens.  Porto  Alegre:  Artmed  Editora, 1999.    ______. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.    ______. A prática reflexiva no ofício de professor: profissionalização e razão pedagógicas. Porto  Alegre: Artmed Editora, 2000.    http://www.inep.gov.br/superior/enade/default.asp, Acesso em: 01 maio 2010.    http://www.inep.gov.br/superior/sinaes/, Acesso em: 01 maio 2010.             

×