Resenha filosofia da religião e filosofia da ciência
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×
 

Resenha filosofia da religião e filosofia da ciência

on

  • 8,626 views

Resenha sobre a concórdia e o conflito entre a religião e ciência.

Resenha sobre a concórdia e o conflito entre a religião e ciência.

Statistics

Views

Total Views
8,626
Views on SlideShare
8,563
Embed Views
63

Actions

Likes
3
Downloads
62
Comments
0

4 Embeds 63

https://www.xn--cursosonlinedaeducao-7yb1g.com.br 27
https://cursosrapidosonline.com.br 20
https://www.cursosonlinecursos.com.br 8
https://cesbonline.com.br 8

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Adobe PDF

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

    Resenha filosofia da religião e filosofia da ciência Resenha filosofia da religião e filosofia da ciência Document Transcript

    • UNIVERSIDADE SAN CARLOS PAULO ROBERTO BARBOSA PEREIRACIÊNCIA E RELIGIÃO: CONCÓRDIA E CONFLITO RECIFE, PE 2012
    • PAULO ROBERTO BARBOSA PEREIRACIÊNCIA E RELIGIÃO: CONCÓRDIA E CONFLITO Resenha crítica como pré-requisito da disciplina epistemologia para complemento da avaliação. ORIENTADATOR: PROF. DR. VILMAR CAPELARI ROSA RECIFE, PE 2012
    • SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO..........................................................................................................32 DADOS BIBLIOGRÁFICOS.....................................................................................43 DADOS SOBRE O AUTOR......................................................................................44 RESUMO...................................................................................................................55 CONCLUSÃO..........................................................................................................10REFERÊNCIAS...........................................................................................................11
    • 31 INTRODUÇÃO A ciência empírica certamente contribuiu para o desenvolvimentointelectual desde o séc. XVI , porém a religião também tem uma grande parcela nacontribuição do desenvolviento intelectual, marcando presença há muito maistempo. Segundo a tese do secularismo, ciência e religião estão inversamenterelacionadas. A religião tenta explicar os fenômenos recorrendo a causassobrenaturais e ciência tenta explicar os fenômenos recorrendo a princípiosracionais por meio das leis naturais. A relação entre estas duas grandes forçasculturais tem sido tumultuosa, multifacetada e confusa. Essas relações, entre ciência e religião, mudam ao longo da história eenvolvem uma gama muito grande e complexa de aspectos, como: políticos, sociais,econômicos, relações de autoridade e poder, visões epistemológicas das épocas,forma das práticas científicas em cada época, relação ciência e sociedade, e,choques entre culturas distintas. Há uma grande variedade de concepçõesepistemológicas da ciência e da religião, ou seja, de como os conhecimentosreligiosos e científicos são adquiridos; assim como, das relações entre a ciência e areligião, historicamente e na atualidade, variando do antagonismo e separação até acolaboração próxima. Essa resenha tem como objeto de estudo central a relação entre religião eciência, e se o conflto e a concórdia caracterizam essa relação, mensionado porAlvin Plantinga em seu artigo Ciência e Religião.
    • 42 DADOS BIBLIOGRÁFICOSPLANTINGA, Alvin. Conflict and Concord. In: ______. Religion and Science.Stanford Encyclopedia of Philosophy California, USA, 2010. Disponível em:<http://plato.stanford.edu/archives/sum2010/entries/religion-science/>. Acesso em 10mar. 2012.3 DADOS SOBRE O AUTOR Alvin Carl Plantinga, nascido em 15 de novembro de 1932, é um filósofonorte-americano conhecido por seu trabalho em epistemologia, metafísica e filosofiada religião. Em 1980, Plantinga foi citado como o "principal filósofo protestanteortodoxo dos EUA" pela revista Time. Plantinga é professor de Filosofia naUniversidade de Notre Dame a vinte e cinco anos. Plantinga também ensinou naCalvin College por dezenove anos. Suas principais publicações são: God and OtherMinds (1967), The Nature of Necessity (1974), God, Freedom and Evil (1974), DoesGod Have a Nature? (1980), Warrant: The Current Debate (1993), Warrant andProper Function (1993), and Warranted Christian Belief (2000). Seus principaisartigos em português são: Argumento Evolucionista Contra o Naturalismo, Conselhoaos Filósofos Cristãos, Dawkins, Uma Confusão, Sofisticação Intelectual e CrençaBásica em Deus, Teísmo, Ateísmo e Racionalidade.
    • 54 RESUMO Essa resenha é sobre o conflito e a concórdia entre a religião e a ciência,retirada do artigo "Religion and Science" por Alvin Plantinga, publicada pela revistaeletrônica The Stanford Encyclopedia of Philosophy da Universidade Stanford,California, USA, em maio de 2010. A resenha tem como objetivo mostrar a relaçãoentre ciência e religião. Para Plantinga há muitos problemas e questões importantesnesta área, porém a questão que mais chama atenção do autor é se a relação entrereligião e ciência se caracteriza pelo conflito ou pela concórdia. Em sua opinião épossível que exista simultaneamente conflito e concórdia entra a religião e a ciência. Do ponto de vista da concórdia, a religião e a ciência combinam bementre si. Isso ocorre porque a crença teísta tem como doutrina a criação, onde Deuscriou o mundo e o homem à sua imagem, dando o homem a capacidade para formarcrenças e adquirir conhecimento. A ciência tem como objetivo adquirir conhecimentode nós e do nosso mundo, objetivo esse, que é subscrito pela doutrina imago dei,onde o homem foi feito Ícone de Deus. Para Plantinga, “a ciência é um exemploclaro do desenvolvimento e aprofundamento da imagem de Deus nos sereshumanos, tanto individualmente como coletivamente”. Outro aspecto da doutrina é que a criação divina é contingente. Segundoo pensamento teísta, Deus é um ser necessário, existindo em todos os mundospossíveis, mas isso não acontece, contudo, com a sua propriedade da criação. Emoutros termos, para Deus é essencial existir. Donde, Deus é um ser necessário.As criaturas são contingentes, isto é, suas existências não decorrem de suasessências. Para Ratzch (2009), é esta doutrina da contingência da criação divina quesubjaz ao caráter empírico da ciência ocidental moderna. Pois o domínio donecessário é o domino do conhecimento a priori; é onde temos a matemática e alógica e grande parte da filosofia. O que é contingente, por outro lado, é o territórioou domínio do conhecimento a postriori, o gênero de conhecimento produzido pelapercepção, memória e os métodos empíricos da ciência. Assim escreveu RogerCotes, no prefácio ao Principia Mathematica, de Newton: “Sem dúvida alguma, este
    • 6mundo, tão diversificado com essa pluralidade de formas e movimentos que neleencontramos, de nada poderia provir senão da vontade perfeita de Deus, dirigindo-oe presidindo-o”. A crença teísta sustenta a ciência moderna ao permitir ou sancionar todoo projeto da investigação empírica; afirma-se também que a ciência sustenta acrença teísta, argumento proposto por Michael Behe (1996), segundo o qual afirmaque algumas estruturas ao nível molecular exibem uma “complexidade irredutível.”Behe defende que tais estruturas e fenômenos irredutivelmente complexos nãopoderiam ter surgindo por evolução darwinista sem a intervenção de Deus. Beheconcluiu que muitos sistemas bioquímicos foram concebidos. Outro argumento a favor do teísmo, defendido por astrofísicos, é oajustamento delicado de vários parâmetros físicos que precisam se situar dentro delimites muito estreitos para que a vida inteligente se desenvolva. B. J. Carr e M. J.Rees, B. Carter, J. Polkinghorne, Robin Collins e R. Swinburne concordam quemuitos aspectos do nosso universo dependem muito delicadamente de“coincidências”, “precisões”, “extraordinários ajustes” entre as constantes físicas,para que o universo permita a vida, reforçando a tese teísta de que o universo foicriado por um Deus pessoal que tem a intenção de que haja vida e vida inteligente.Consideram que a probabilidade epistêmica destes fenômenos de ajuste delicado émuito maior sob a hipótese teísta do que a sua probabilidade epistêmica sob ahipótese ateísta do acaso. A objeção mais comum, que o universo foi concebido por um serinteligente, é que esse fenômeno não é falsificável. Porém há aqueles querespondem que a falsificabilidade não é comumente uma propriedade deproposições individuais, mas de teorias completas, que podem ser falsificáveis. Muitos autores, como John William Draper e Andrew Dickson White, osmais importantes expoentes da Tese de Conflito entre religião e ciência, afirmamexistir uma guerra entre a religião e ciência. Para Draper (1875), “The history ofScience is not a mere record of isolated discoveries; it is a narrative of the conflict of
    • 7two contending powers, the expansive force of the human intellect on one side, andthe compression arising from traditional faith and human interests on the other”1. A tese de conflito propõe um conflito intrínseco intelectual entre religião eciência com base em evidências históricas imprecisas de perpétua oposição entrereligião e ciência. Também conhecida como a Tese de Draper-White, a Tese deGuerra e o Modelo de Guerra, interpreta a relação entre religião e ciência comoinevitavelmente levando à hostilidade pública, citando evidências históricas, como ofalso mito da Terra plana, bem como reais incidentes como o caso Galileu (1614-1615). A partir do final do século 19 até desacreditado no final do século 20, a tesedo conflito foi uma popular abordagem historiográfica da ciência. Mais recentemente, a teoria da evolução tem sido o ponto central doconflito. Os fundamentalistas cristãos aceitam literalmente a criação descrita nosdois primeiros capítulos de Genesis, negando as explicações darwinistascontemporâneas das nossas origens. Muitos fundamentalistas darwinistas, comoStephen J. Gould, defendem que há conflito entre a evolução darwinista e a crençacristã ou teísta clássica. Tudo começa pela crença cristã que os seres humanos e asoutras criaturas foram concebidos – concebidos por Deus. Richard Dawkins e DanielDennett, defensores do conflito, alegam que os seres humanos não foramconcebidos, mas, sim, produtos do processo cego sem direção da seleção natural,operando sobre uma fonte de variação genética como a mutação genética. Para Plantinga, a evolução, tal como é atualmente formulada e entendida,é perfeitamente compatível com um Deus que orquestre e supervisione todo oprocesso, que Deus cause as mutações genéticas que são peneiradas pela seleçãonatural. Para Van Inwagen (2003), “a afirmação de que a evolução demonstra queos seres humanos e as outras criaturas vivas não foram concebidos, contra todas asaparências, não faz parte nem é uma consequência da teoria científica, mas antesum acrescento metafísico ou teológico”.1 “A história da ciência não é um mero registro de descobertas isoladas, é uma narrativa do conflito de duaspotências rivais, de um lado a força expansiva do intelecto humano, e a compressão oriunda da fé tradicional einteresses humanos do outro”.
    • 8 Outro ponto de conflito com a ciência tem a ver com ação divina nomundo, onde Deus o criou, assim como, o sustenta, preserva e mantém emexistência, segundo a religião teísta clássica. Além disso, há também os milagresrelatados nos tempos bíblicos e ações divinas especiais que ocorrem ainda hoje,segundo o modo cristão de pensar. Essas ações divinas, onde Deus opera noscorações e espíritos dos seus filhos, de modo a produzir a fé, chamado de “oincitamento interno do Espírito Santo” por Tomás de Aquino e “o testemunho internodo Espírito Santo” por João Calvino, é o ponto central da discórdia com a ciênciamoderna, segundo vários filósofos e teólogos. Entre esses autores, encontra-seLangdon Gilkey: [...] A teologia contemporânea não espera, nem fala, de acontecimentos divinos assombrosos à superfície da vida natural e histórica. [...] feitos divinos e acontecimentos registrados na escritura já não são encarados como se tivessem efetivamente acontecidos. [...] Seja o que for que os Hebreus acreditavam, nós acreditamos que as pessoas bíblicas viviam no mesmo contínuo casual do espaço e do tempo em que nós vivemos, e, portanto um contínuo em que não ocorrem quaisquer prodígios divinos nem se ouve quaisquer vozes divinas (GILKEY, 1983, p. 31 apud PLANTINGA, 2010). O problema está na ação especial de Deus no mundo; não há qualquerproblema em relação à criação e preservação, mas a ação divina para, além disso, élargamente considerada incompatível com a ciência moderna; com as leis danatureza. Gilkey, como outros autores, pensa aparentemente em termos de umamundividência newtoniana, segundo a qual o universo é como uma grande máquinaque funciona segundo as leis da ciência. Mas isso não é suficiente para que ateologia deixe de intervir. O próprio Newton propôs que Deus ajustavaperiodicamente as órbitas planetárias. As leis de Newton aplicam-se a sistemas isolados ou fechados, porémnão faz parte da mecânica newtoniana, nem da ciência clássica, em geral, adeclaração de que o universo é realmente um sistema fechado. Consequentemente,não há nada na ciência clássica que seja incompatível com Deus mudar avelocidade ou a direção de uma partícula, ou de todo um sistema de partículas.Logo, segundo Plantinga, “não há conflito entre a física clássica e a ação divinaespecial no mundo”
    • 9 Com o advento da mecânica quântica no século XX, há menos razão paraver a ação divina especial no mundo como incompatível com a ciência, apesar dealguns autores creem que uma explicação satisfatória da ação de Deus no mundoteria de ser não intervencionista. Porém não é fácil dizer o que seria umaintervenção na imagem da mecânica quântica, e, nem de ver como a intervençãopoderia ser diferente da ação divina para além da criação e preservação. Logo, senão há qualquer diferença entre elas, a ação divina especial seria apenasintervenção, complicando, assim, o projeto de desenvolver uma concepção divinaespecial que não envolva intervenção divina. Mesmo assim, um terceiro ponto do conflito entre a crença religiosa e aciência tem a ver com as diferentes atitudes epistêmicas associadas a cada umadelas. Segundo John Worral (2004, p. 60 apud PLANTINGA, 2010): A ciência, ou antes, a atitude científica, é incompatível com a crença religiosa. A ciência e a religião estão num conflito irreconciliável [...] Não há maneira de ter uma mentalidade apropriadamente científica e ser um verdadeiro crente religioso. Na ciência, a atitude epistêmica dominante, segundo esta tese, é ainvestigação empírica crítica, propondo teorias que são sustentadas hipoteticamentee temporariamente; há sempre alguém disposto a abandonar uma teoria a favor deuma sucessora mais satisfatória. Na crença religiosa, como a cristã, a atitudeepistêmica da fé desempenha um papel importante, uma atitude que difere na fonteda crença e na disponibilidade para abandonar uma teoria. Plantinga afirma que outros autores fazem notar que não há aqui umconflito entre essas atitudes, apesar de serem deferentes e talvez não possam serassumidas simultaneamente com respeito à mesma proposição. No seu ponto devista, os próprios cientistas não parecem assumir a atitude epistêmica científica comrespeito a tudo o que acreditam, ou mesmo com respeito a tudo que acreditam comocientistas. Assim, é comum que os cientistas acreditem que houve passado, mesmoque eles não sustentam esta crença em resultado da investigação empírica; nemcomumente a sustentam desse modo hipotético, crítico, procurando sempre umaalternativa melhor. Logo, para o autor é difícil encontrar conflito entre a crençareligiosa teísta e a ciência contemporânea.
    • 105 CONCLUSÃO Historicamente, a ciência tem tido uma relação complexa com a religião;discursos científico e teológico frequentemente chocaram-se. Porém doutrinasreligiosas por vezes influenciaram o desenvolvimento científico, mesmo havendoautores na história que tentaram negar fenômenos religiosos. Através do artigo de Plantinga, podemos observar que o pensamentoreligioso e o pensamento científico perseguem objetivos diferentes, mas nãoopostos. A ciência procura saber como o universo existe e funciona desta maneira.A religião procura saber por que o universo existe e funciona desta maneira. Os conflitos entre a ciência e a religião aparecem, especialmente, quandoa ciência tenta responder às questões atribuídas a religião. O autor, em seu artigo,mostrou vários exemplos, onde a ciência tenta provar por observações, hipóteses eteorias científicas, que os fenômenos divinos não faziam sentidos. Porém semprehouveram autores que conseguiram mostrar que esses fenômenos divinos eram asúnicas explicações plausíveis para tantas perfeições ocorridas no mundo e nouniverso para que a vida fosse possível. Vários argumentos dogmáticos embasaramas investigações científicas, fortalecendo, assim, a concórdia entre a religião e aciência. Logo, podemos concluir que a religião e a ciência são dois modos deexplicar o mundo, ou seja, pela fé e pela razão.
    • 11 REFERÊNCIASPLANTINGA, Alvin. Conflict and Concord. In: ______. Religion and Science.Stanford Encyclopedia of Philosophy California, USA, 2010. Disponível em:<http://plato.stanford.edu/archives/sum2010/entries/religion-science/>. Acesso em 10mar. 2012.The Secular Web. Brief Biography of Alvin Plantinga. Disponível em <http://www.infidels.org /library/modern/alvin_ plantinga/bio.html>. Acesso em 24 mar. 2012.Wikipédia, a enciclopédia livre. Alvin Plantinga. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Alvin_Plantinga>. Acesso em 24 mar. 2012.______. Conflict thesis. Disponível em http://en.wikipedia.org/wiki/Conflict_thesis.Acesso em 31 mar. 2012.