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Catalogo ASAS 2009
 
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Catálogo de atividades do projeto ASAS em 2008/2009

Catálogo de atividades do projeto ASAS em 2008/2009

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    Catalogo ASAS 2009 Catalogo ASAS 2009 Presentation Transcript

    • Natacha Rena | Juliana Pontes (orgs.)ARTESANATO SOLIDÁRIO NOAGLOMERADO DA SERRAARTESANATO SOLIDÁRIO NOAGLOMERADO DA SERRAARTESANATO SOLIDÁRIO NOAGLOMERADO DA SERRA
    • Natacha Rena | Juliana Pontes (orgs.)ASAS . Artesanato Solidário no Aglomerado da Serra
    • FACULDADE DE ENGENHARIA E ARTESANATO SOLIDÁRIO NO AGRADECIMENTOS ARQUITETURA - FEA AGLOMERADO DA SERRA - ASAS Anderson Matos . Cleonice BrázReitor Diretor Geral Professora Coordenadora da Silva . Débora Gonçalves deProf. Antonio Tomé Loures Prof. Luiz de Lacerda Júnior Natacha Silva de Araújo Rena Oliveira . Igor Rios . Jaqueline Dias Juliana Myhra Karina Leite . PatríciaVice-reitora Diretor de Ensino Professora Participante Aun . Pedro Moraes . Tânia PortoProf.ª Maria da Conceição Rocha Prof. Lúcio Flávio Nunes Moreira Juliana Pontes Ribeiro Thiago Bones . Vinícius Glico Patricia de Aguiar Paes . MeninasPró-reitor de Ensino, Pesquisa e Extensão Diretor Administrativo-Financeiro Técnicos da cozinha: Eliane Magalhães (Lili),Prof. Eduardo Martins de Lima Prof. Fernando Antônio Lopes Reis Dimas Pereira Guimarães Iva e Marta. Parceria: Cassius Silva Éder Jorge de Almeida Pereira (Raiz da Terra)Pró-reitora de Planejamento e Administração Coordenadora Geral do Curso de Design Éder PeixotoProf.ª Valéria Cunha Figueiredo Profª Ângela Souza Lima Maria Crisóstomo RamosCoordenador Geral de Pesquisa Coordenadores por Habilitação Psicóloga VoluntáriaProf.ª Rúbia Carneiro Neves D. Gráfico | Prof. Guilherme Guazzi Rodrigues Érica Silva do Espírito Santo D. Interiores | Profª. Maria Fernanda LoureiroCoordenador Geral de Extensão D. Produto | Prof. Eliseu de Rezende Santos Estudantes BolsistasProf. Osvaldo Manoel Corrêa D. Moda | Profª Gabriela Maria Torres Ana Luisa Ferreira . Bruno Elias Gomes de Oliveira . Cristiane Pereira Araújo SilvaCoordenadora do setor de relações Daniel Patrick Cordeiro Pimentel . Eduardointernacionais | Prof.ª Astréia Soares Batista Goulart de Macedo . Felipe Sales Melo Franco Joanna Sanglard Bernardes . Pedro Duarte SenaAssessoria de Ensino de Graduação de Oliveira . Pedro Ivo . Rafael Miranda BarbosaProf. Luiz Antônio Melgaço Nunes Branco Rodrigo FrancoMattar Estudantes Colaboradores PROJETO CATÁLOGO ASAS Disciplina Artesanato e Design 2007/2008 André Machado . Carolina Furtado . Cinira Morais . Daniela Coelho . Daniele Tondato Coordenação Débora Maffia . Fernanda Pereira . GuilhermeDiretoria de Desenvolvimento Sustentável Prof.ª Juliana Pontes Ribeiro Deriz . Guilherme Santos . Ivana de AlmeidaMaria Luiza Pinto e Paiva Lara Pinheiro . Leliane Peixoto . Letícia Grissi Direção de arte Lucas Diniz . Luiza Mascarenhas . MatheusSuperintendência de Ação Social Prof.ª Juliana Pontes e Natacha Rena Rocha . Pablo Codeglia . Rafaela ValadãoLaura Oltramare Tiara Brito Design / Projeto GráficoCoordenação da área de projetos sociais Cris Araújo Estudantes VoluntáriosAndréa Regina Alisson dos Prazeres . Andressa Furtado Calixto Fotografias Diego Silva . Fernando Vasconcelos . GuilhermeCoordenação do Concurso Banco Real Cris Araújo Bonsato Deriz . Ingrid Sander . Karina de OliveiraUniversidade Solidária Eduardo Goulart Leite . Leonardo Monte Alto Pacheco . PriscilaEloisa Martins Juliana Pontes Soares da Silva . Rachel Grandinetti . Reinaldo Joanna Sanglard Rocha . Tatiana Lemos Natacha Rena Sérgio Amzalak . Tatarana Imagem Artesãos Capacitados Cleuza Maria Pires Dias . Ellen Cristina Pires Dias Revisão de textos Elzy Nunes de Oliveira Ferreira . Etelvina Xavier Rachel MurtaGerência de Projetos de Almeida . Gabriella Estefane Santos de SouzaDaniela Lemos Gonçalo Nascimento Santos . Joana Rodrigues de Souza . Loslane Pasos de Oliveira . Maria doConsultores voluntários e sócios-fundadores Carmo da Rocha . Peterson Linker S. RodriguesProf. Dr. Waldenor Barros Moraes Filho Shirley Maria Araújo . Suzana Marília dos AnjosProf. Dr. Luiz Fernando Coelho de Souza Oliveira . Yasmin T. Gonçalves
    • . índice 008 instituições parceiras Fumec 02 UniSol . Banco Real - Grupo Santander Escola Municipal Padre Guilherme Peters design social 018 Projeto ASAS: autonomia e empodera- mento por meio do artesanato solidário Identidade: processo construtivoA798 A estamparia como capacitaçãoAsas: Artesanato Solidário no Aglomerado da Serra profissional 03Organizadoras Juliana Pontes Ribeiro e Natacha Rena. Psicologia e a estruturação de grupoBelo Horizonte: Editora Faculdade de Engenharia eArquitetura FEA - Universidade FUMEC, 2009. Depoimentos: alunos bolsistas136 p.: il. (possui fotografias).Vários autores. paralelasISBN 978-85-61258-05-4. 070 Eco-Bags1. Design. 2. Artesanato. 3. Economia solidária. 4. Almofadas.5. Estampas. I. Ribeiro, Juliana Pontes II. Rena, Natacha. III. Título. Parceria Raiz da Terra Concurso AlmofadasCDD: 745.098151 Muros EstampadosCDU: 745(815.1) Oficina PinholeInformação bibliográfica conforme a NBR 6023:2002 da 04 Exposição AglomeradasAssociação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT): Oficina de TextoRIBEIRO, Juliana Pontes; RENA, Natacha (Org.). Asas: ArtesanatoSolidário no Aglomerado da Serra. Belo Horizonte: EditoraFaculdade de Engenharia e Arquitetura FEA-UniversidadeFUMEC, 2009. 136 p. ISBN 978-85-61258-05-4. registro das criações 102 05120 portfolio asas
    • 01 instituições parceiras 12 13
    • fumec construindo o conhecimento14 15
    • Prof. Antônio Tomé Loures Prof. Osvaldo Manoel Corrêa Reitor da Universidade Fumec Coordenador do setor de extensão “No processo de aprendizagem, só aprende verdadeiramente aquele que se apropria do apren- “Conceituar é preciso, viver e tecer a trama da existência é preciso e registrar é mais que preciso”. dido, transformando-o em apreendido, com o que pode, por isso mesmo, reinventá-lo; aquele que é capaz de aplicar o aprendido-apreendido a situações existenciais concretas” - Paulo Freire A troca de saberes constitui a base de projetos como Foi assim que tudo teve o seu início, com uma Tática em Assis Brasil. Em Jequitaí uma nova coleção de o ASAS – Artesanato Solidário no Aglomerado da de Sobrevivência envolvendo os moradores da Vila almofadas revelou em sua estamparia a história da Serra, consistindo em princípio fundador da ação Ponta Porá, comunidade pertencente à região cen- cidade em seu rio, no garimpo, na pesca, no trabalho comprometida com o aprendizado e a necessária tral de Belo Horizonte – MG, onde como resultados das lavadeiras, na religiosidade e outros temas. mudança social. Fundamentalmente integradora, “as pesquisadoras realizaram um vasto levantamento A criação do grupo de pesquisa com o tema a proposta realiza a missão social da Universidade de inventos - objetos e produtos do cotidiano - que Diferenças: Arte, Design, Arquitetura e Artesanto, no FUMEC, incentivando a produção e a efetiva socia- revelaram um enorme potencial do cidadão comum CNPq, e a exposição no INHOTIM de uma coleção de lização do conhecimento. (moradores expostos a situação de precariedade produtos com características iconográficas reco- econômica)”. Aprendemos, com a atividade artesanal, a sabedoria lhidas no próprio museu pareciam ser o fim dessa da partilha construída em torno da experiência co- Sempre Savassi Design e Cultura é como o fio de jornada. Mas enquanto essas atividades estavam municada; a arte da escuta, do silêncio e da narrativa Ariadne que permitiu a saída da pesquisa para dar à em andamento, um novo edital em nível nacional comprometida com a vida que perdura. Essa é a luz na extensão. Envolvendo parcerias com o CDL- estava aberto, e o acumular de anos de experiências postura de quem acredita na invenção de um futuro BH e o SEBRAE, esse projeto desenvolveu diversas se transformou no projeto Artesanato Solidário no em que o conhecimento se constrói, pacientemente, comunidades de artesãos, resultou na produção de Aglomerado da Serra. na ação criadora; em forma de valores que conferem um texto e um catálogo; o primeiro, finalista em con- Os primeiros passos dessa nova caminhada estão sentido ao mundo compartilhado. curso, e o segundo produziu frutos como exposição no Catálogo ASAS, que deve ser apreciado com o e menção honrosa. Formar profissionais comprometidos com a justiça olhar de admiração nos permitindo ver mais além e a ética é desafio permanente da Universidade No catálogo da Coleção 9+1, uma coleção temática dos muitos focos de violência, tráfico de drogas e FUMEC. O projeto ASAS exerce essa missão de forma de nove almofadas quadradas e uma redonda desemprego instaurados nessa comunidade. É ver particular, convertendo-a em processo renovador, revelando temas ligados à história de vida de cada com pasmo a capacidade de empoderamento que em que a criação coletiva potencializa saberes e artesã, registra-se a ação de extensão Artesanato a metodologia de criação a partir do conceito de valoriza o artesanato como fonte de aprendizado Solidário no Barreiro. Nesse projeto, novas parcerias Artesanato Solidário teve no período de doze meses permanente. foram possíveis com a Associação da Terceira Idade e para capacitar um grupo de multiplicadores que tem Idosos do Barreiro (ASTIB) e a UNITEC – Nova Zelân- por missão, em 2009, passar para novas gerações de Assim, apresentar este catálogo à sociedade é mo- dia com o seu suporte metodológico para ações de jovens e adolescentes o seu aprendizado, fazendo tivo de grande satisfação para todos nós. Com a con- responsabilidade social. funcionar a oficina de serigrafia. clusão da proposta, comemoramos esta importante conquista junto às comunidades da Universidade Esse constante aprender permitiu que as experiên- Por fim, o agradecimento da Universidade FUMEC à FUMEC e do Aglomerado da Serra. cias adquiridas fossem aplicadas em Assis Brasil (AC) UNISOL (Banco Real), pela parceria que tornou pos- e Jequitaí (MG) em incursões do Projeto Rondon. A sível este projeto, e pela sua renovação para o biênio capacitação em artesanato e design de produtos e 2009/2010. mobiliários de bambu foram oficinas desenvolvidas16 17
    • Em uma comunidade, as atividades de cada indi- víduo estão sempre interligadas de alguma maneira. Quando um se beneficia, é muito provável que o próximo seja atingido. Assim, os projetos sociais que se baseiam em parceria de benefícios mútuos podem conseguir multiplicadores e ser auto-susten- táveis. unisol Acreditando nisso, o UniSol e o Banco Real - Grupo banco real . grupo santander Santander Brasil - apóiam, desde 2007, o projeto ASAS - Artesanato Solidário no Aglomerado da Serra - vencedor do 11º Concurso Banco Real Universidade Solidária. Executado pela FUMEC/MG é um exemplo de iniciativas que estimulam a participação ativa da comunidade, e o envolvimento de professores, estudantes, escola, prefeituras e ONGs na construção de alternativas para problemas de ordem social, econômica e ambiental da região. Criado em 1996, o concurso Banco Real e Uni- versidade Solidária estimula o engajamento de estudantes e professores universitários na implemen- tação de ações que promovam o desenvolvimento social de comunidades de todo o País. Essa parceria proporciona a implementação de proje- tos sociais com a participação de Instituições de Ensi- no Superior (IES) brasileiras, por meio de seu corpo docente e discente em comunidades, trabalhando na construção de soluções locais de desenvolvimen- to sustentável e comunitário, e disseminado valores de cidadania e de responsabilidade social aos jovens universitários - futuros profissionais do país. Em treze anos de atuação, o concurso já mobilizou 94 IES, 1.340 estudantes, 178 professores e benefi- ciou direta e indiretamente mais de 4 mil pessoas em todo Brasil, a partir da interação entre o conheci- mento acadêmico e o popular.18 19
    • Márcia Libânio Diretora Desde agosto de 2007 os alunos, funcionários e pessoas da comunidade do Aglomerado da Serra tem freqüentado as oficinas de capacitação que escola municipal padre acontecem na Universidade FUMEC. O grupo ASAS (Artesanato Solidário no Aglomerado guilherme peters da Serra) formado a partir da parceria entre a Univer- sidade FUMEC, o Unisol/Banco Real e a Prefeitura de Belo Horizonte tem realizado bons benefícios para esta comunidade. Duas vezes por semana o grupo se reuniu ao longo do ano nas dependências da Universidade FUMEC. Esses encontros, que propiciaram o contato com alunos e professores universitários, fornecem ao grupo o desenvolvimento das relações de trabalho em espaços que eles poderiam ter dificuldades em freqüentar. Os alunos do grupo ASAS têm tido acesso a espaços culturais da cidade, apresentando suas criações e conhecendo artistas locais e de contexto nacional. A montagem da cooperativa no espaço escolar beneficiará tanto a comunidade quanto os alunos da escola . Essa cooperativa será um exemplo a ser seguido por eles. Aqueles alunos da escola que tiverem interesse em fazer parte da cooperativa poderão desenvolver as técnicas a partir do grupo ASAS (futuros multiplicadores). A Escola Municipal Padre Guilherme Peters se sente honrada em fazer parte dessa parceria que trará mais dignidade à comunidade. Hoje a cooperativa já não é só um sonho distante. Ela já se tornou realidade! Ao avaliarmos a parceria firmada nesse curto prazo de tempo, só podemos ressaltar a importância do compromisso social, principalmente em comu- nidades carentes como a em que a escola está inserida.20 21
    • 02 design social 22 23
    • projeto asas:autonomia eempoderamentopor meio doartesanatosolidárionatacha renaArquiteta, designer, professora dos cursosde Arquitetura e Design de Interioresna Universidade FUMEC; mestre emArquitetura pela UFMG, doutora emComunicação e Semiótica pela PUC SãoPaulo e coordenadora do projeto ASAS-UNISOL/Banco Real - Grupo Santander.juliana pontesDesigner, Mestre em ComunicaçãoSocial, professora do curso de graduaçãoem Design Gráfico e pós-graduação naUniversidade FUMEC e orientadora, juntocom a profa. Natacha Rena, do projeto ASAS-UNISOL/Banco Real - Grupo Santander.
    • apresentação O Projeto ASAS (Artesanato longo do trabalho. Com ênfase nos processos maioria estão muito distantes da oportunidade do primeiro emprego ou Solidário do Aglomerado da criativos que aconteçam de forma colaborativa de exercer uma atividade econômica lucrativa e promissora por falta de Serra) teve a intenção de capacitar e na criação de uma metodologia específica capacitação específica. O Aglomerado está localizado na chamada região um grupo de moradores do - que garanta sustentabilidade das ações sul da cidade, setor residencial de alto poder aquisitivo (onde se encontra a Aglomerado da Serra para o implementadas -, este projeto também objetivou Universidade FUMEC). desenvolvimento de uma coleção a criação de um mix de produtos com alto valor agregado (acompanhados de catálogo Atualmente a prefeitura de Belo Horizonte está executando uma grande de produtos com características e exposição) que possa ser comercializado obra de urbanização do Aglomerado (considerado um dos maiores singulares. O objetivo central em locais onde o público consumidor valorize projetos de urbanização de favelas do País no momento), que inclui a foi estabelecer um processo produtos realizados com responsabilidade construção de uma via asfaltada de mão dupla que atravessará o conjunto sustentável de geração de renda socioambiental. Outro objetivo já realizado de vilas, ligando diretamente duas regiões da cidade. Há um investimento no Aglomerado da Serra (conjunto foi a montagem de uma oficina de criação e real na melhoria das condições de vida da população local e na sua de vilas e favelas da cidade de Belo produção em serigrafia na Escola Pe. Guilherme inserção definitiva no contexto urbano, o que implica a educação e a Horizonte) a partir do conceito de Peters. capacitação dessas pessoas para uma nova condição de trabalho e relação autonomia criativa e produtiva social. O que acontece no caso específico da Escola Municipal Padre com foco no empoderamento A comunidade específica escolhida para o Guilherme Peters é que a sua localização não é próxima das margens da da comunidade. Dentro de um desenvolvimento do projeto aqui proposto é a grande via a ser construída, o que resultou em um menor investimento conceito amplo de artesanato Escola Municipal Padre Guilherme Peters situada dos projetos citados acima nesta escola. Essa situação poderá produzir solidário, desenvolveu-se uma dentro do conjunto de vilas e favelas de Belo um futuro desnível de oportunidades dentro do próprio Aglomerado, metodologia específica de criação Horizonte denominado Aglomerado da Serra. acentuando ainda mais as questões ligadas ao desemprego à violência e à em artesanato e design com o Essa escola pertencente à Vila Novo São Lucas exclusão social. intuito de capacitar grupos de tem procurado parcerias para que seus alunos artesãos para o desenvolvimento possam se apropriar de novos conhecimentos O Aglomerado da Serra possui uma grande dimensão populacional, com de objetos inventivos e com e novas tecnologias que os ajudem a enfrentar muitos focos de violência e disputa de grupos ligados ao tráfico de drogas, características singulares. novos ambientes educacionais e novos o que dificulta ações eficazes em todo o seu território. O foco nas escolas ambientes de trabalho. A escola vai da Educação municipais, começando com um projeto piloto em uma escola específica, A idéia central dos projetos de Infantil até a oitava série do Ensino Fundamental, limita a ação a um campo fértil, que é o dos jovens em formação, pois extensão que realizamos na e tem também no turno noturno a Educação de estes são as maiores vítimas do aliciamento para a atividade do tráfico e Universidade FUMEC é capacitar Jovens e Adultos. Novas parcerias têm aberto da violência gerada por esta economia ilegal. A falta de infra-estrutura, grupos como multiplicadores do conhecimento adquirido ao novos horizontes para esses jovens, que em sua  Possuía em 1999 uma população total por volta de 37.641 habitantes segundo dados da URBEL, mas ¹ Rua Coronel Jorge Dário S/número . Bairro Novo São Lucas. Belo segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social, 45.920 pessoas e, segundo a imprensa Estado de Minas, Horizonte . CEP 30.240-560 160.000 habitantes.26 27
    • recursos materiais e capital humano nas escolas municipais é ainda um grande empecilho para que essas unidades sustentem projetos de inserção econômica e capacitação profissional adequadas à nossa realidade social e às demandas do mercado de consumo e serviços hoje. As escolas também podem ser pontos de apoio permanentes para que iniciativas como essas se desenvolvam com acompanhamento adequado e previsão de continuidade, pois sem esse tipo de suporte muitas boas idéias, ações e projetos se perdem por falta de investimentos em longo prazo, gerenciamento das atividades de formação, estruturas de equipe para captar novos recursos e orientar novas investidas educacionais. Nesses espaços a parceria entre o ensino tradicional e o grupo de artesãos, por um lado, complementa o ensino tradicional e, por outro, amplia os horizontes de atuação dos seus alunos e professores.28 29
    • O Aglomerado da Serra possui uma população com poder aquisitivo baixíssimo, mas inserida em uma das regiões com índice socioeconômico mais alto da cidade. Ao mesmo tempo a Universidade FUMEC tem optado estrategicamente por desenvolver projetos de natureza social nessa região, já que é vizinha da Universidade e delimita um campo de atuação solidária. Na última pesquisa para a Prova Brasil o índice socioeconômico no Aglomerado foi de 1.1 numa escala de 1 a 5. E aqui também há uma justificativa concreta para a escolha da Escola Municipal Padre Guilherme Peters que, entre as cinco escolas municipais existentes no Aglomerado, conforme comprovado pelo Prova Brasil, é uma das duas escolas de mais baixo índice socioeconômico da cidade e com uma necessidade imensa de melhorar a sua infra- estrutura e estabelecer parcerias externas que complementem o processo educativo e respondam a demandas a que a escola não pode atender sozinha.30 31
    • alteração da situação enfrentada e expectativas do projeto objetivo geral objetivos específicos A oportunidade da parceria funciona aos sábados e domingos e oferece O principal objetivo deste projeto foi Todo o trabalho proposto neste projeto objetiva com a Universidade FUMEC oficinas de artesanato, de percussão, de fomentar o artesanato como setor econômico uma ampliação efetiva do repertório cultural tem proporcionado a um capoeira, informática e possivelmente a de sustentável que valoriza a subjetividade dos participantes do grupo através de aulas grupo de alunos dessa escola estamparia também poderá funcionar aos finais coletiva promovendo a melhoria da qualidade teóricas sobre arte, cultura, design, arquitetura, pertencente ao Aglomerado o de semana. de vida e a geração de renda. A intenção foi antropologia, ecologia e sustentabilidade. Passeios conhecimento de um ambiente propiciar a criação de produtos manufaturados culturais e visitas a exposições de arte também se Outro fator essencial ao projeto é que a com possibilidade de comercialização em enquadram nessas ações, além da participação de estudo completo, de nível prefeitura de Belo Horizonte ofereceu como mercados consumidores proeminentes como do grupo em oficinas que possam envolver superior, além do aprendizado contrapartida a construção de um espaço feiras nacionais e eventos, além dos locais com outros grupos culturais já organizados na própria de técnicas inovadoras no design onde será instalada a oficina de estamparia, possibilidades de venda de produtos com alto comunidade. Esse tipo de artesanato abarca de estamparia. Isso aconteceu cujos equipamentos e materiais de uso foram valor agregado. O projeto tem proporcionado produtos que atingem altos preços no mercado em uma primeira etapa, com financiados pelo Prêmio UNISOL/BANCO REAL. um cruzamento de ações de capacitação, tais nacional e também costumam ser os prediletos no oficinas e aulas realizadas na A primeira turma formada poderá montar uma como orientação com metodologia específica mercado de exportação. própria Universidade, utilizando associação que se auto-sustentará e que formará para trabalhar um reposicionamento subjetivo e suas salas de aula, equipamentos novos trabalhadores ao capacitar os jovens, criativo do artesão de baixíssima renda perante Pretendeu-se neste projeto desenvolver a técnica didáticos e o ateliê de estamparia. dando-lhes também a oportunidade do primeiro um novo mercado consumidor mais exigente de estamparia para aplicação em produtos Além disso, pode-se criar para a emprego e uma atitude empreendedora. A através: da formação de repertório estético geral variados. Percebemos que essa técnica, além comunidade, a partir da primeira escola funciona em horário integral e esses e histórico, além de incentivar a atualização de valorizar o produto, também dá agilidade à turma a freqüentar esse programa futuros artesãos podem começar a aprender cultural (incluindo tendências na moda, no produção por conseguir uma reprodução em série de capacitação, a figura dos tecnologias que em curto prazo poderão servir design e na decoração). Após o lançamento mesmo que por processos artesanais. Neste projeto multiplicadores, que serão pessoas para melhores condições de trabalho e de dos produtos, a idéia é que através de parcerias essa técnica engendrou uma enorme eficácia, já que participarão do projeto e vida. A idéia é que esta comunidade, com a estes sejam comercializados em pontos de que faz parte do universo estético contemporâneo irão repassar o conhecimento implementação de projetos como este, possa venda onde sejam valorizados como resultado e a idéia de aplicação de imagens colhidas pelos dando continuidade ao trabalho, iniciar a criação de uma rede de sustentabilidade processo de projetos de artesanato e design que artesãos como forma de revelar as relações entre a formando novos empreendedores e economia solidária, melhorando sua condição promovam inclusão social e geração de renda identidade pessoal e o lugar. e até uma cooperativa para econômica, sua inserção social, diminuindo os em comunidades carentes. trabalhar com confecções da Também são objetivos do projeto: ampliar as índices de violência local e aumentado a sua cidade e/ou do estado. Esses oportunidades de trabalho e renda da população auto-estima. multiplicadores poderão iniciar envolvida em situação de risco pessoal e social outras pessoas da comunidade num projeto de inclusão social; promover o acesso inclusive na Escola Aberta, que a tecnologias adequadas para o desenvolvimento32 33
    • artesanal produtivo; utilizar a inovação e a identidade cultural como um dos fatores de diferenciação do produto; educar o olhar do grupo para perceber soluções inventivas e sensíveis às demandas objetivas e subjetivas do homem urbano no seu próprio cotidiano; promover a cultura da cooperação estimulando a criação e o fortalecimento de associações e cooperativas; resgatar a cultura urbana e jovem como fator de agregação de valor ao artesanato; disponibilizar informações sobre a utilização racional dos recursos naturais, segundo os postulados da legislação ambiental; socializar o acesso às informações e ao conhecimento no âmbito do setor artesanal; articular parcerias para aumentar a participação do artesanato na produção nacional e para o conseqüente fortalecimento do setor; melhorar a auto-estima e a qualidade de vida da população; desenvolver a capacidade de criação e produção coletiva.34 35
    • metodologia de projeto Uma metodologia eficaz global, como diz Octavio Ianni , “muitas informações tornou-se referência iconográfica para o desenvolvimento do protótipo - mistura de para o desenvolvimento de coisas desenraizam-se, parecendo flutuar e conceitual para a criação dos produtos numa muitas técnicas) através de procedimentos técnicos capacitação em artesanato que pelos espaços e tempos do presente”, ou seja, etapa posterior. híbridos. Portanto, esse trabalho de capacitação tenha sustentabilidade surge mais do que tradições buscamos um diálogo em design e artesanato inclui uma série de ações do entendimento de que só é com a contemporaneidade. Desenvolvemos segundo momento fundamentais para a construção do ambiente possível induzir grupos a criar procedimentos de pesquisa, de criação e de criativo necessário. Num segundo momento uma ação importante o novo quando se constrói um produção que advenham da identidade a partir para a capacitação foi a apresentação de terceiro momento vasto repertório (informações, da relação entre a cultura urbana e a cultura da aulas teóricas (fundamentos de arte e design) conceitos e instrumentalização), favela, para que seja possível construir um forte acompanhadas de exercícios práticos que Numa etapa final do plano de capacitação, que através do qual os participantes laço identitário entre os artesãos e os produtos reforçaram o conhecimento adquirido de forma teve início em agosto de 2008, iniciamos as possam compreender a situação criados. Ministramos um grande leque de empírica. Também foram ministradas aulas sobre: oficinas de criação, nas quais foram efetivamente atual da arte, do design e da oficinas e aulas teóricas que possam dialogar elementos visuais e composição gráfica; o olhar trabalhados os produtos específicos para a coleção cultura contemporânea e que diretamente com o cotidiano deles. como forma diferenciada de percepção; história final. sejam capazes de, a partir daí, primeiro momento da arte - do cubismo à arte contemporânea; desenvolver futuras coleções de Acredita-se que somente com a consolidação do teoria da cor; tendências no design; design do produtos sem a dependência da conhecimento ao longo de oficinas, seminários, A primeira atividade da capacitação foi a cotidiano e vernacular; arte popular e artesanato, instrução de designers e artistas. visitas de estudo e com a produção de peças realização de um diagnóstico das qualidades street art, etc. Essas aulas teóricas foram sempre espaciais e estéticas do território cotidiano do ilustradas com apresentações de imagens com qualidade estética, cultural e eficácia Nitidamente com um caráter grupo a partir da experiência subjetiva de cada dos conteúdos dados para gerar essa nova mercadológica é que um processo sustentável de inclusão social, este projeto um. A idéia foi fazer com que os participantes bagagem de cultura visual, tão necessária para pode ser iniciado nessa escola pública, já que apresenta uma metodologia descobrissem características cotidianas nunca a compreensão da estética e dos processos iremos construir e efetivar uma oficina de específica para desenvolver observadas, agora com um olhar estético que criativos contemporâneos. Também foram estamparia para que futuramente não somente coleções de produtos artesanais revelasse o valor cultural das favelas e em exibidos vídeos e filmes, entre documentários alunos, mas também egressos possam continuar que se relacionem culturalmente especial do território específico a que eles e longa-metragens, que abordam questões da gerando renda e se incluindo socialmente com de forma direta com o universo pertencem. Esse diagnóstico foi elaborado arte e da cultura do século XX, peças de design dignidade. Todo trabalho aconteceu com um do Aglomerado da Serra. Ao a partir de mapas subjetivos (produção de e artesanato contemporâneos. Além de aulas acompanhamento intensivo de todo o processo mesmo tempo que reforçamos imagens fotográficas e inúmeros desenhos, expositivas, mas em momentos intercalados a criativo e da finalização dos produtos. A principal o contexto local do projeto nos mapas, colagens e anotações) construídos elas, produzimos oficinas práticas para oferecer idéia dessa metodologia é dotar os alunos de uma temas escolhidos para as estampas, coletivamente pelo grupo. A coleta dessas novos instrumentais (tanto para criação - nítida capacidade para gerar novos produtos a a concepção da linha de produtos desenhos, pinturas, maquetes, colagens - quanto partir de um processo criativo baseado na pesquisa está ligada a um pensamento IANNI, Octavio. A Sociedade Global. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1997.36 37
    • e na inovação. Mais do que gerar produtos finais com forte interferência do designer, esse processo de capacitação deverá estimular metodologias de criação e desenvolvimento de produto. A metodologia incluiu também workshops para o desenvolvimento de trabalhos em grupo e identificação de lideranças. Também fizeram parte dessa etapa final: montagem da oficina de criação e produção artesanal; registro de todo o processo através de fotografias e filmagens; planejamento do catálogo, que inclui a reunião de todas as informações desde o processo até o resultado final da coleção e da oficina em funcionamento; planejamento da exposição; avaliação de todo o processo e do resultado final; estabelecimento de planos de continuidade do projeto na escola específica e já início do plano de ação para a próxima escola do Aglomerado.38 39
    • desdobramentos Além de o projeto ser qualidade que foi comercializado pelas artesãs caixas de luz na cor preta, iluminadas por leds resultado da Premiação Nacional individualmente. eletrônicos na parte interna. A exposição foi no Concurso Unisol/Banco Real, ao muito bem-sucedida e, além da repercussão na Como desdobramento das atividades mídia, fez as caixinhas de luz se tornarem mais longo do trabalho conseguimos acadêmicas envolvendo o projeto tivemos a um produto comercializável para o grupo. uma parceria com a empresa Raiz pintura dos muros da escola Padre Guilherme da Terra, que desenvolve e produz Peters pelo alunos da disciplina Núcleo de Enfim, projetos como este ressaltam a camisetas ecológicas. A parceria Projeto 2, do curso de Design Gráfico. As importância da participação da Universidade consistiu no desenvolvimento de imagens estampadas nas paredes da escola FUMEC em projetos de responsabilidade estampas exclusivas pelas artesãs foram resultado de oficinas realizadas com as social com uma atuação que abarque também com o tema fauna e flora do crianças e os adolescentes do Aglomerado, a pesquisa que tem o papel de consolidar Aglomerado da Serra. A empresa, focando em experiências de vida positivas as questões acadêmicas, metodológicas além de produzir os modelos de cada um. A pintura foi encerrada com um e conceituais para que os projetos de de estampas criados por elas, evento na própria escola, no qual a aluna extensão produzidos na própria universidade apresentou a coleção em Paris, em de Design de Moda Karina Leite apresentou relacionados ao tema (no caso o artesanato um evento de moda ética. Esse sua coleção de final de curso, toda feita com urbano) tenham embasamento teórico e trabalho serviu para abrir portas estampas criadas pelas artesãs especialmente projeção científica. Criam também um ambiente comerciais para o grupo, além de para as suas peças. O desfile envolveu alunos coeso entre pesquisa e extensão em torno consolidar e divulgar a marca do e familiares da comunidade, pois as modelos da idéia de um Artesanato Solidário para que ASAS. também foram escolhidas no próprio possamos atuar ativamente junto aos órgãos As parcerias oficiais aconteceram Aglomerado. nacionais (e internacionais) de discussões ao mesmo tempo que as fundamentais para o desenvolvimento Outras atividades paralelas à criação da coleção econômico sustentável no País. próprias artesãs começaram a também foram desenvolvidas como um comercializar as suas ecobags, estímulo criativo e oportunidade de integração que foram o primeiro produto do grupo. Um exemplo foi a exposição desenvolvido pelo grupo como Aglomeradas, resultante de uma oficina de exercício. A atividade, de início, foi pinhole realizada na FUMEC pelo Prof. Alexandre encarada como uma prática para Lopes. Cada artesã fotografou com uma caixa o exercício da técnica e acabou de fósforo o seu cotidiano e essas imagens formando mais um produto de foram ampliadas em acetato e montadas em40 41
    • 42 43
    • identidade: processo construtivo cris araújo Técnica em Comunicação Visual pelo Instituto de Arte e Projeto - INAP, cursando 7º período em design gráfico pela Universidade FUMEC.44
    • A identidade visual ASAS foi desenvolvida a partir da observação de fotografias do Aglomerado da Serra. Primeiramente foi realizado um estudo das estruturas dos barracões para, assim, podermos retirar características para compor as letras da identidade. Após esses estudos iniciou-se um processo de geração de alternativas para adequação de letra/desenho. Através das pesquisas locais pôde-se perceber as seguintes características passíveis de serem transformadas em elementos visuais: estruturas sobrepostas, arranjos, diversidade de materiais, becos e vielas, cores opacas, o laranja constante dos tijolos e o céu azul compondo a paisagem. A partir desses elementos iniciamos a construção da identidade. A identidade teve como característica blocos não alinhados, espaços entre letras fazendo alusão aos becos e vielas e a estrutura grotesta que remete à improvisação e à desuniformização das casas aglomeradas.46 47
    • becos e vielasbase estrutural: tijolos ARTESANATO SOLIDÁRIO NO AGLOMERADO DA SERRA letras “blocos” desuniformes remetendo à estrutura dos barracões cores: LARANJA | cor da comunicação, simbolizando o projeto como agente ARTESANATO SOLIDÁRIO NO comunicacional na comunidade e também por ser a cor mais predominate no Aglomerado, presente nos tijolos dos barracões. AGLOMERADO DA SERRA AZUL ACINZENTADO | cor que remete a segurança e estabilidade, fazendo alusão à estruturação sólida do projeto proposto na comunidade e também por ser a junção do azul do céu ao cinza do asfalto bem visíveis no Aglomerado. 49
    • psicologiae a estruturaçãodo grupoérica do espírito santoPsicóloga, graduada pela UniversidadeFederal de Minas Gerais, em agosto de2005.
    • Meu nome é Érica Silva do jovens, pois as mulheres mais velhas eram quem O desenvolvimento do grupo parece ter sido modificado. Logo que cheguei, nos primeiros encontros, na fase Espírito Santo, sou psicóloga, estava “tocando” o grupo e o projeto era focado de observação, percebi que o grupo estava ainda imaturo, esperando respostas dos professores e dos bolsistas, graduada pela Universidade Federal para os jovens. Então este foi o primeiro ponto a como alunos que recebem o conhecimento que foram ali, na universidade, buscar. Agora estamos em agosto de Minas Gerais em agosto de ser trabalhado com o grupo: definir quem era o e já percebo que foi assumido um papel pelo grupo, um pouco mais de iniciativa, de organização, ou seja, 2005. Desde que me formei venho grupo e qual seria seu papel. um pouco mais de autonomia. As oito mulheres que são o que chamo de “coração” do grupo já fizeram suas procurando formas de aprimorar primeiras reuniões entre si, independentemente das professoras e dos bolsistas e parecem já participar mais Por parte da equipe da FUMEC foi feita a ativamente desse trabalho que no futuro será o trabalho delas. meus conhecimentos técnicos e demanda para o trabalho com o grupo no teóricos dentro de alguns campos sentido de ajudá-lo a se fortalecer, para que ao O que percebo claramente é que houve uma mudança de um estado de dependência absoluta do grupo da vasta área de abrangência final do projeto tivesse autonomia para se manter em relação ao corpo de professores e alunos da FUMEC para um estado de dependência relativa, fazendo um da Psicologia. Uma área em sozinho, já que o objetivo é que elas sejam paralelo com as fases de desenvolvimento do indivíduo. E o objetivo deste trabalho é que este grupo continue que comecei a trabalhar foi na responsáveis por uma oficina de estamparia que caminhando no sentido de chegar a uma independência, para que possa caminhar pelas próprias pernas. psicanálise, tanto individual quanto será montada dentro do Aglomerado. com grupos. Acho importante destacar também a importância que percebo deste projeto para a auto-estima dessas Ficou estabelecido que meu horário de trabalho mulheres, moradoras do aglomerado, que não tiveram oportunidade de cursar uma faculdade e, cada dia Fui convidada a participar do com o grupo seria todas as terças-feiras, às 14h, mais, se sentem capazes de, além de buscar novas possibilidades para suas vidas, passar o conhecimento que projeto ASAS para atender a horário combinado com o grupo para que não acumularam ao longo de suas vidas. Todas trazem uma bagagem que vão compartilhando aos poucos, vão se uma demanda de trabalho com houvesse atrasos. No início muitas se atrasavam. sentindo importantes dentro do que é valorizado no projeto, vão percebendo que elas são o valor deste projeto adolescentes. A princípio foi o que Aos poucos fomos criando um espaço de e se sentindo mais convictas para seguir adiante. me chamou atenção para o projeto, trabalho em que foram aparecendo as questões pelo fato de eu já ter experiência a serem trabalhadas e os incômodos. Fizemos Há dificuldades de horário, de tempo, de dinheiro para ir e vir, de aceitar as diferenças, de estabelecer regras – em trabalhos anteriores com oficinas de agrupabilidade, com a intenção de situações normais que acontecem com qualquer grupo que se proponha a trabalhar junto. adolescentes do Aglomerado da unir mais o grupo que ali se encontrava partindo Serra. Meu primeiro encontro com Esse grupo tem traços fortes de união e de identidade entre si, por se tratar de mulheres maduras, em sua da idéia de que o grupo eram aquelas pessoas o grupo foi no dia 22 de março de maioria, habitantes da mesma região, que procuram no trabalho uma saída para o futuro. que estavam ali, mesmo que isto contrariasse 2009, e logo foi esclarecido que o a proposta inicial do projeto. Acredito que à Cada grupo tem uma estrutura e uma dinâmica. A estrutura é a forma de organização do grupo a partir da projeto havia sido pensado para medida que os participantes foram percebendo identificação de seus membros. Dinâmicas são as forças de coesão e dispersão do grupo, e que fazem com que jovens, mas que tinha mudado de que eles eram o grupo, foram se apropriando se transforme, o que inclui: formação de normas, comunicação, cooperação, divisão de tarefas e distribuição foco. Acho importante tocar nesse dele, foram assumindo papéis sem tanto receio de poder e liderança. Pretendemos fortalecer ainda mais os laços já estabelecidos dentro do grupo até o ponto, pois percebi logo que era de que esse lugar fosse tomado mais tarde pelos final do projeto. E, para o segundo semestre, foram programadas atividades que facilitassem a divisão de um incômodo do grupo que estava jovens. papéis, que já está sendo esboçada pelas participantes em suas reuniões; atividades que esclareçam as regras lá, sete mulheres adultas e quatro52 53
    • e normas estabelecidas pelo arcabouço teórico a fim de procurar respostas grupo; atividades de facilitação para as perguntas que surgem a cada dia, para da comunicação tanto dentro do expandir meu repertório de atividades e oficinas, grupo quanto de dentro para fora busca de novos livros, textos. Gostaria de enfatizar do grupo, ou seja, a comunicação também a importância da liberdade para trabalhar do grupo com o mundo; atividades desde o início, o grande acolhimento do grupo de clarifiquem as lideranças ainda da FUMEC, a compreensão quanto ao trabalho mais e que promovam uma divisão que muitas vezes não deixa claro seus objetivos, e, destas e do poder, a fim de que principalmente, a troca de conhecimento. Pois o não haja impressão de injustiça campo da psicologia é aberto para tudo que vem ou privilégio. O intuito é fazer com de enriquecimento em relação ao ser humano que cada integrante participe de e acho que essa experiência proporciona esse cada etapa e se sinta responsável crescimento para todos os envolvidos. pelas escolhas que forem feitas. É muito importante pra mim ver que esse grupo já cresceu nesse período e ainda crescerá muito mais. Obviamente, tudo não se deve ao trabalho psicológico que vem sendo feito, mas ao trabalho de toda a equipe e do próprio grupo. Para mim é importante participar desse projeto pelo desafio, por se tratar de um trabalho com pessoas de outras áreas, com as expectativas, com meus limites. Ao longo do trabalho venho procurando enriquecer meu54 55
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    • a estamparia como capacitação profissional éder jorge de almeida Serígrafo e técnico da estamparia da Universidade FUMEC.58
    • Meu nome é Éder Jorge importância e grande aliadas na seleção natural ainda não foi conseguida, mas todos os exemplos de superação dados até o momento mostram que, com de Almeida, sou serígrafo e dos que realmente têm compromisso com o o devido acompanhamento, em breve será conseguida. Vale lembrar que esse grupo, conseguiu absorver o desenvolvo trabalhos para trabalho em equipe. conhecimento transmitido pelos colaboradores do “ASAS” com o devido suporte, conseguiu desenvolver seus estamparia têxtil, com técnicas produtos e está pronto para enfrentar uma banca. Foi uma grande e decepcionante surpresa ver que vão desde a pintura artesanal, que os mais jovens desistiram do projeto por Para aqueles que resistiram até agora, só tenho a agradecer pela tolerância e pelo carinho que sempre passando pela serigrafia plana não poder “esperar”, mas sei que a culpa não é demonstraram mesmo nos piores e mais difíceis dias de nossa parceria que só está começando. Para os que manual, até os processos deles. O projeto conjuga ações de educação e desistiram, espero que se encontrem e reconheçam a importância de somar as forças em prol da melhoria da automatizados como carrosséis, profissionalização objetivando um conseqüente qualidade de vida e do desenvolvimento. planas e cilindros, além de crescimento econômico e distribuição de comunicação visual e gravuras. renda, porém em longo prazo, e os mais jovens Como educador, atuo em projetos infelizmente não podem esperar, uma vez que de inclusão social (Sol da Serra), a realidade social é cruel e os obriga a traçar capacitação profissional (Talentos os próprios caminhos e, com certeza, só irão do Brasil), qualificação profissional perceber o quanto perderam quando for muito (Mulheres Criativas) e figurino tarde. (Corpo Cidadão). No decorrer das atividades tive medo Quando comecei a desenvolver também de que o grupo ficasse eternamente o processo de estamparia dentro dependente dos colaboradores e não do projeto Artesanato Solidário conseguisse a autonomia suficiente para entrar no Aglomerado da Serra “ASAS”, no mercado e enfrentar a concorrência em pé de encontrei um grupo numeroso igualdade, mas esse medo passou depois de ver que em princípio me assustou, que os remanescentes conseguiram superar os pois era um número muito acima conflitos internos e compreenderam que juntos da capacidade do ateliê onde a terão chances reais de se tornarem autônomos. técnica seria desenvolvida, mas as aulas teóricas que antecederam o A autonomia do grupo (Etelvina, Elzy, Maria processo foram de fundamental do Carmo, Schirley, Susana, Joana e Gabriela)60 61
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    • depoimentos: alunos bolsistas da universidade fumec Ana Luíza Ferreira . Bruno Oliveira . Cris Araújo Daniel Patrick . Eduardo Goulart . Felipe Franco Joana Sanglard . Rafael Barbosa . Rodrigo Mattar64
    • ana luiza ferreira . design de moda cris araújo . design gráfico O Projeto ASAS coordenado pelas Participar do ASAS me proporcionou um grande constantes em nossos encontros; professoras Natacha Rena e Juliana crescimento pessoal e acadêmico, possibilitando questões essas que se aperfeiçoaram Pontes foi uma oportunidade maravi- um pensamento crítico em relação a minha a cada dia estimulando-nos a con- lhosa em minha vida, tanto profis- opção profissional e a inserção social. Confron- tinuar na medida em que observáva- sional quando pessoal. Aprendi muito tar minha formação acadêmica com a prática mos a absorção do conteúdo, tudo com todo o grupo e especialmente através do choque de realidades tão distintas isso fez-me acreditar ainda mais no com as artesãs. Acredito que como trouxe um aprendizado único, levando-me a de- design aliado ao artesanato como profissional me tornei uma pessoa senvolver metodologias específicas de trabalho forma de transformação do sujeito, melhor e mais humana e amiga. e a compreender a articulação entre o ensino, fazendo-o um agente cultural ativo, Como já existia em mim a vontade de pesquisa e extensão. Descobertas de um novo transformador e confiante de suas ajudar pessoas, acabei descobrindo olhar, questionamentos do que é belo, do que possibilidades criativas. como me ajudar. E só tem agradecer é horrendo o que é conceitual, o que é grupo a todo o grupo. e como se trabalha com ele, foram questões bruno oliveira . ciência da computação daniel patrick . design gráfico A oportunidade de participar do desenvolvimento de habilidades e conceitos O projeto Asas me proporcionou uma visão mais experiências têm acrescentado muito ASAS surgiu em um momento de cada vez mais inovadores. Quando percebi, o crítica e ampla sobre projetos sociais sua eficá- na minha formação e vejo como questionamento de diversos aspectos projeto, que havia se tornado um real desafio, cia, seus objetivos, metodologias e até mesmo a aprendizagem para toda a vida. Esse do design, suas metodologias, con- colocando em xeque diversos posicionamentos recepção desse tipo de ação nas comunidades projeto abriu ainda mais a minha textos e objetivos. Assim que entrei políticos, sociais, culturais, estéticos, havia tam- em que se desenvolvem. Além de aduzir alguns visão profissional para possibilidades para o projeto fui apresentado a um bém influenciado atitudes tanto na minha vida conceitos a serem desenvolvidos na minha área de atuação no mercado de trabalho universo de referências que não es- pessoal quanto na acadêmica. Novos materiais, de formação: O Design Gráfico. O empenho do além de ratificar a minha vontade de perava: Hardt e Antonio Negri, Paola possibilidades, experimentações e conhecimen- grupo foi tão grande, que discussões teóricas seguir carreira acadêmica, levando- Berestein Jacques, Michel Foucault, tos foram descobertos com o desenvolvimento sobre o modo mais efetivo de capacitação, me a pensar conceitos para colaborar Gilles Deleuze, Felix Guattar, entre do projeto, e estes novos contextos foram (e conceitos, condução do projeto, processos com a área do Design/Artesanato, e outros. Mais do que um aglomerado serão) definitivos para as minhas (futuras) de- criativos e principalmente prática de ensino se também de aprofundar as discussões de técnicas e materiais, o artesanato- cisões profissionais: escolhas mais diferenciadas, tornaram cada vez mais presentes em corre- sobre metodologia de criação, ensino design se mostrou ser uma área de sustentáveis e conscientes. dores da universidade e essa troca de vivências e e identidade cultural.66 67
    • eduardo goulart . design gráfico como potencializadores de meu currículo, • evoluções no campo das inter- enquanto aluno de Design Gráfico nesta aca- relações humanas, neste quesito que, A alguns períodos acadêmicos atrás, meu papel, em simultâneo tempo ao que, por efeito cascata, me dá repertório demia de ensino - são todos estes fatores que em meados de 2007 quando, então, pelas mesmas vias, aprimorei e desenvolvi de ação, quando perante novos marcaram minha experiência neste projeto fui apresentado às coordenadoras parâmetros de composição pessoais, como desafios e rumos profissionais, dentro social, político, cultural e conceitual. do projeto ASAS - as professoras da criador imagético, lapidando e atravessando de meu caminho pessoal e de forma- Universidade FUMEC Natacha Rena, níveis de evolução em meu trabalho, em De forma pragmática (coisa que o ASAS me ção acadêmica e intelectual. primeiramente, e posteriormente minha função de Fotógrafo, que venho a ajudou substancialmente a desenvolver), Juliana Pontes - eu, sim, deliberada- algum tempo desempenhando e desenvol- posso solidamente aqui testemunhar, quando Eu honestamente agradeço a todos mente sabia e imaginava que esta vendo, na Vida. atesto que minhas habilidades foram noto- os envolvidos neste projeto - sem seria uma ótima oportunidade, tanto riamente melhoradas, tanto tecnicamente, excessões: desde meus colegas de de desenvolvimento acadêmico, Tendo a Universidade FUMEC e o projeto ASAS trabalho e também alunos da Univer- quanto qualitativamente, como a pouco quanto profissional. como plataformas de ações e articulações, sidade FUMEC, passando pelas co- pontuei: minha trajetória acadêmica e profissional ficou ordenadoras Natacha Rena e Juliana Porém, não concebia a tamanha positivamente marcada entre antes e depois • uma maior desenvoltura na capacidade de Pontes, parceiros e profissionais de distância que estava prestes a percor- deste intenso ano, onde muitas dificuldades realizar registros fotojornalísticos foi alcançada diversas áreas envolvidas voluntários, rer, em caminhos e experiências, construtivas marcaram minha presença no por mim, como resultado desta experiência patrocinadores e responsáveis afins, intrincados, dentro deste projeto de grupo de trabalho, que envolveu e envolve com o projeto, com o aprimoramento de até, finalmente, à razão de tudo que extensão. alunos bolsistas, coordenadores, professores, habilidades composicionais e técnicas, assim aqui é apresentado : este grupo de voluntários e, especialmente, um grupo pe- como as do cunho “relação corpo a corpo”, alunos e alunas que muito trouxe- Cansativos e recompensadores - culiar de alunas e alunos, todos provenientes com os objetos fotografados, uma vez que, ram para nós todos, não somente em vistas de um aprimoramento do Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, intensamente, semana a semana por mais levando para si um valioso empode- pessoal, no âmbito sócio-cultural, MG, que representaram o início de novos de um ano - a fio - e in-loco, estive clicando e ramento de vida e profissional, mas aliado ao meu já citado almejado horizontes, no campo que diz respeito ao editando imagens de todo o processo desen- deixando, em contrapartida, extenso avanço profissional, em novas bases entendimento sociológico que tanto gosto de volvido pelo grupo; terreno de atuação e experiências de aplicações teóricas e articulações explorar, e aplico no que desenvolvo, profis- práticas e vivenciais, enriquecedores práticas, nunca antes por mim prova- sionalmente, dentro do que venho criando e • um desenvolvimento de relações e contatos para qualquer um de nós, emer- das, até então. Como Fotojornalista intuindo em minhas visões do que costumo de trabalho mais sólidos, mais articulados, e gentes profissionais, em vias de deste longo e multidisciplinar projeto chamar ‘fotojornalismo poético’. conseqüente enriquecimento de meu cur- solidificação conceitual, cultural e de extensão da Universidade FUMEC, rículo, como profissional da Imagética e de humana, em nossas áreas de atuação em parceria com o Banco Real e a Conversas, amizades formadas. Experiências Design Gráfico ; individuais. Certamente assim o foi, e ONG UNISOL, pude desempenhar trocadas e co-vividas. Momentos solidificados continua a ser, para mim.68 69
    • oficinas, biblioteca, cantina, etc, fazendo felipe sales melo franco . design de produto nossos olhos e aos moradores da analogias com os percursos da favela; os dois comunidade, de exaltar o que há de No período de um ano só aprendi. contextos (favela e universidade) possuem bom na favela, trazendo novas pos- Não foi fácil como pensei, o que é seus atalhos, caminhos peculiares, traçados e sibilidades de renda e trabalho. muito bom! Aprendi a respeitar o percursos, becos e trajetos sem saída. próximo, a ver realidades e mundos Outro ponto fundamental é a distintos no mesmo lugar. Aprendi a E como será viver na favela onde todo mundo multidisciplinaridade que existe no pintar, fazer contas, criar, sorrir, dizer é igual e “alguns não existem”, segundo relato projeto, proporcionando um apren- não. Aprendi que, por mais tarde que de uma moradora sobre os constantes “gatos dizado mútuo pela união de diversos seja, conseguimos mudar, aprender, de luz” feitos: “sabe como eu descobri que o lugar conceitos e preceitos, e também a ter esperança. Aprendi a planejar, em que eu moro não existe no mapa? A CEMIG eficácia da ação, contribuindo para executar, trabalhar em equipe. cortou a luz, fizemos gato, daí levaram embora, e uma melhoria efetiva da comuni- Aprendi a ajudar, ser ouvido e ouvir. fizemos gato de novo, falaram que o Beco Gomes dade do Aglomerado. não existe no mapa, será que eu não existo?”. Portanto são muitas as lucubrações sobre as inconstâncias da favela, é terra de ninguém, logo, de todos. joanna sanglard . design de produto Do individual ao coletivo, metodologias Fazer parte do projeto ASAS é para utilizar minha profissão, todos esses anos de fac- começam a ser propostas por eles mesmos, inserir foto mim uma experiência a que nada uldade para ajudar pessoas menos favorecidas, um sinal de que enxergam que o ponto gera- é comparável. Primeiramente a pois ajudando os outros eu ajudo a mim mesma, dor (e inspirador) de todo esse processo é nada estranheza e ao mesmo tempo a uma vez que estamos todos interconectados. mais que seu contexto e suas possibilidades. É curiosidade de poder transformar interessante ver como mergulham no mundo uma realidade que é tão diferente Nas primeiras visitas ao Aglomerado me intriga- em que sempre viveram, mas de uma forma da minha, e através deste processo va pensar em como aquele império é construído diferente agora. de transformação vir a me conhecer dia a dia, retalho a retalho, com seus constantes cada dia melhor. Acredito que a puxados e achados das ruas. Outra experiên- A cada dia dessa vivência surgem novos vivência dessa alteridade entre mun- cia significativa foi o vice-e-versa, quando as questionamentos, caminhos e possibilidades, dos tão diversos possibilitou definir pessoas do Aglomerado vieram a primeira vez dando a oportunidade a nós, estudantes, de minha linha de atuação no mercado à universidade conhecer o meu então “mundo atuarmos na realidade que está debaixo dos como designer. É muito bom poder formal”. Percorremos laboratórios, salas de aula,70 71
    • rafael barbosa . design gráfico Comecei a participar oficialmente do mais consolidada e o papel de cada integrante projeto de extensão ASAS no dia 4 de está sendo bem determinado pelas moradoras março de 2008, participei do projeto do Aglomerado da Serra. Tenho o objetivo de até o fim do mês de junho e retornei ao contribuir não só na área de design gráfico, da grupo em outubro. Analisando minha qual fui encarregado, mas também nas relações experiência, percebo que o projeto entre os alunos da universidade e os moradores tem ótimas perspectivas. O grupo de do Aglomerado da Serra, pois percebo que o trabalho constituído pelos alunos da trabalho em grupo e o convívio entre pessoas FUMEC é bem dividido e as tarefas são de realidades sociais tão diferentes é um desafio delegadas de acordo com o perfil e a diário. Tenho ótimas perspectivas para esse habilidade de cada voluntário. Posso trabalho e acredito que, se o empenho de cada relatar que durante os quatro meses envolvido for desenvolvido em conjunto com o em que fiquei fora o grupo evoluiu grupo, realizaremos as metas do projeto ASAS muito, a associação “Aglomeradas” está com excelência. rodrigo franco mattar . design de produto Vejo esse projeto social como uma pesquisar materias, tendências e funcionalidade excelente oportunidade de colocar para os produtos desenvolvidos. Paralelamente em prática muitos conhecimentos ao objetivo de fazer com que as aglomeradas, adquiridos no meio acadêmico, após o projeto, possam continuar desenvol- podendo ser usados de uma forma vendo um trabalho inovador e de uma forte profissional, já que o ASAS funciona identidade de pessoas que vivem o dia-a-dia de como uma pequena empresa, com uma periferia, acredito que o sucesso futuro será projetos, produtos, prazos, público- de todos os envolvidos, pois o convívio e a troca alvo e profissionais com cargos e fun- de experiências não só colaboram para a estru- ções distintas. O desafio de preparar turação de uma comunidade como também as aglomeradas para um mercado enriquecem o conhecimento dos estudantes e consumidor que é cada vez mais mestres, que colherão os frutos dessa vivência, exigente faz com que os bolsistas se adquirindo uma visão muito mais ampla e um dediquem ao máximo, tendo que repertório mais consistente.72 73
    • 03 paralelas atividades complementares 74 75
    • eco-bagsjoana sanglard | Graduada em design de produto pela Universidade FUMECO primeiro produto desenvolvido pela equipe pelo caminho peças, retalhos e superfícies quedo grupo ASAS foi uma coleção de eco-bags, possam ocasionar uma proteção quando unidas,acompanhando uma tendência ecológica e política as eco-bags são fruto da hibridização de diversasmundial contra o uso das sacolas plásticas para técnicas, conceitos, histórias e memórias.compras de supermercados. A produção dessasbolsas fez parte da disciplina optativa dos cursos de Entre vielas e becos, arranjos e acasos, a vida dedesign Artesanato e Design. Alunos da disciplina quem mora na favela está entregue ao acaso,construíram workshops semanais numa seqüência não importa o fim, vive-se da incompletude.lógica que auxiliasse na criação e confecção das Essa fragmentação e o senso de incompletudebolsas. estão fortemente presentes nos produtos desenvolvidos. Desenhos inacabados, costurasA elaboração conceitual presente na construção enviesadas, borrões, sobreposições de bordados,dessas bolsas se assemelha à forma de surgimento e colagens e estêncil.desenvolvimento das favelas através da “bricolagem”,explicada por Paola Berenstein no livro “Estética da A partir de cada uma das oficinas trabalhadasGinga”; coletivamente (pontos, linhas, rabiscos, cores, texturas, colagens, observação, modelagem,“O acaso é parte integrante da idéia de bricolagem; é o apliques, estampas e bordados) as bolsas criadasincidente, ou seja, o pequeno acontecimento imprevisto, por cada uma das aglomeradas tomaram formaso “micro-evento”, que está na origem do movimento. únicas, apresentando tanto uma expressividadeBricolar é, então, ricochetear, enviesar, zigue-zaguear, singular, quanto um produto contaminadocontornar.” (JACQUES, apud BERENSTEIN, 2003, p.24) pelas trocas resultantes das orientações dos professores, dos alunos da disciplina, dos colegasAssim como os barracos nas favelas são construídos da favela e dos alunos bolsistas do projeto ASAS.aos poucos e à medida que as pessoas encontram 76 77
    • parceria raiz da terra Coleção Natureza na Favelacassius silva | Gestor de Comércio, Comunicação e MKT da marca Raiz da Terra Brazilian Nature WearA marca Raiz da Terra Brazilian Nature Wear temcomo proposta o desenvolvimento de produtos demoda de forma ética, apostando, desenvolvendo eapoiando projetos sociais e ambientais.No início de 2008 tivemos a oportunidade deconhecer o Projeto ASAS, e a partir daí iniciamos essaparceria que já começa a render frutos. Traçamoscomo objetivo o desenvolvimento de uma coleçãode camisetas cujo tema escolhido foi “a natureza nafavela”, que foi lançada no Paris Ethical Fashion Show2008 no mês de outubro.As expectativas foram superadas pelo podercriativo mostrado pelos integrantes do projeto nodesenvolvimento das estampas, pelo resultadoatingido nas peças piloto e no retorno já iminentepor parte do mercado. A marca já planeja novostrabalhos em parceria com o Projeto ASAS,apostando cada vez mais nesse imenso potencialcriativo, no desenvolvimento de um mix deprodutos com alto valor agregado que possam sercomercializados pela Raiz da Terra BNW em suascoleções. 78 79
    • concurso almofadasbruno oliveira | Cursando 8º período de Ciência da Computação na Universidade FUMEC e 1º período de Artes Plásticas na Guignard na casa de uma das alunas para bordar (e só então aprendi a técnica!). As aglomeradas abraçaram o projeto de tal forma que me surpreendeu. Na segunda-feira nos encontramos novamente na Universidade FUMEC, fotografamos as almofadas (fruto da noite em claro de algumas delas) e enviamos o material para o concurso.O projeto das almofadas surgiu com a proposta dos tratores que estavam passando por cima Apesar de as almofadas não terem sido selecionadas para o concurso (acreditamos que o conceito dasdo 1º Prêmio do Objeto Brasileiro. As alunas do das estruturas do “morro”. Após mais pesquisas mesmas estava demasiadamente polêmico para tal), o processo foi essencial para a compreensão das relaçõesprojeto já haviam criado uma série de eco-bags (envolvendo inclusive frotagens das rodas dos dentro do grupo e das próprias práticas e metodologias do artesanato-design.(com bordados, apliques e pinturas com êstencil), tratores da obra), desenvolvemos o conceitomas estávamos pensando em enviar um projeto das almofadas, cartelas de cores, materiais ecriado e desenvolvido pelas alunas com as acabamentos... Só havia um problema: já eratécnicas de estamparia que estavam aprendendo. sexta-feira e a data limite para o envio dosComeçamos a discutir os conceitos relacionados documentos para o concurso era na segunda-ao Aglomerado e às obras que a prefeitura estava feira. Não tínhamos telas gravadas, nem mesmofazendo na região. Esse projeto, o “Vila Viva”, envolvia esticadas, o tecido não estava cortado, enfim,a modificação da malha viária e a construção de não tínhamos nada pronto. Após uma conversaconjuntos habitacionais e iria movimentar, segundo sincera com as alunas do projeto, que estavamdados da URBEL (Companhia Urbanizadora de Belo bastante animadas com a idéia de começar aHorizonte), cerca de 50 mil pessoas. As opiniões fazer produtos, estabelecemos um cronogramaacerca de tal projeto eram as mais diversas no intenso para estamparia e bordado, que segrupo: havia aquelas que acreditavam que o fim estenderia por sexta-feira, sábado e domingodos becos iria trazer mais segurança, além de inteiros. Foi então que pude perceber que,tornar melhor o sistema de moradia e a oferta de apesar de todos os problemas de processoslazer e cultura, e havia aquelas que acreditavam em grupo, as alunas do ASAS iriam dar contaque a mudança para “favelas verticais” seria uma do recado. Após uma intensa sexta-feira deforma de controle da população e que iria apenas gravação de telas e preparação de tintas epiorar a situação. Após duas semanas de discussão modelagens, passamos o sábado estampando ase pesquisas sobre o assuntos, durante uma aula almofadas e iniciando a costura. Já no domingo,de desenho, surgiu a idéia desenvolver a imagem com a Universidade fechada, nos encontramos 80 81
    • muros estampadosjuliana pontes | Professora da disciplina Núcleo de Projeto II da Universidade FUMEC A ação teve ampla repercussão na mídia impressa local, o que estimulou e valorizou muito a comunidade em questão e os próprios estudantes da Universidade. AA atividade de pintura e colagem de imagens nos muros da Escola Municipal Padre Guilherme Peters foi mais realização do projeto contou com o desfile da coleçãoum desdobramento acadêmico do projeto ASAS UNISOL-BANCO REAL. A proposta surgiu na disciplina Núcleo “Arte Favela” da aluna de moda da Universidade criadade Projeto II, do curso de Design Gráfico, que tinha o foco no design de superfícies e editorial. A princípio, com estampas produzidas pelas artesãs do projetoo tema seria a escola municipal e o Aglomerado. Porém, durante a nossa primeira visita de campo, tivemos ASAS e apresentada por jovens modelos do próprioa idéia de realizar uma oficina com as crianças e os adolescentes da escola municipal para coletar material Aglomerado. Essa atividade serviu como encerramentoiconográfico e textual para servir de fonte de criação para os projetos acadêmicos. As oficinas aconteceram no do dia de pintura dos muros, e teve a presença dosAglomerado, onde dividimos os jovens por grupos de idades e afinidades temáticas. Os assuntos trabalhados pais dos alunos da Escola Padre Guilherme Peters,giravam em torno do próprio cotidiano dessas crianças e desses adolescentes, como, por exemplo, o tema reforçando o vínculo entre a comunidade e a escola.“aconteceu comigo e foi legal”, ligado a memórias lúdicas e familiares. Outros temas surgiram, porém ligados Enfim, a parceria foi um marco como resultado e comoà atividade de estamparia e ao design, como pictogramas, estampas modulares, colagem e grafite. As oficinas experiência acadêmica e atividade extensionista. Aforam extremamente produtivas, gerando oportunidade de aprendizado de novos conteúdos para os jovens amplitude da ação na Universidade teve repercussãoda comunidade e uma vivência inédita para os estudantes da Universidade. também no Diretório Acadêmico (D.A.), que financiou aO envolvimento dos alunos da escola municipal no processo criativo das imagens teve a finalidade de compra dos materiais necessários e os seus integrantesdespertar o respeito pela estrutura física da escola, pois esta é sempre alvo de depredações, sujeiras e furtos. participaram ativamente da produção no Aglomerado.A intenção principal era expor nas paredes internas e nos muros do ambiente escolar a própria narrativa Os muros deixaram de separar para tornarem-se espaçosdessas crianças, fazendo com que elas tenham orgulho das imagens por representarem sua história de vida. de proximidade e interação.Essas imagens também reforçam a auto-estima do grupo, apresentando de forma gráfica, atual e viva assuas memórias e fantasias. Outro fator responsável por gerar maior respeito pelo resultado do trabalho foi aparticipação ativa das crianças e dos adolescentes do Aglomerado na pintura dos muros e fixação dos lambe-lambes. O envolvimento dos jovens na montagem do projeto tornou-os conscientes do trabalho necessáriopara se realizar tal atividade e do valor desse tipo de intervenção. 82 83
    • | depoimento | alisson dos prazeres Estar no Aglomerado durante os dias de realização do projeto e, anteriormente, nas visitas guiadas foi uma experiência bastante enriquecedora. Até então era nebuloso para mim a maneira como o design poderia trazer mudanças significativas para a vida das pessoas, a ponto de tomar uma dimensão social. Conviver com os alunos da escola Padre Peters e a comunidade, além de enriquecer minha metodologia de projeto, deixou evidente o tamanho da nossa responsabilidade, como designers, na construção e no desenvolvimento da sociedade à nossa volta. A troca foi mútua. Enquanto nós, estudantes de Design Gráfico da Universidade FUMEC, ensinávamos noções básicas de design para os alunos, como composição e teoria das cores, aprendíamos de maneira mais eficaz com o nosso público, pois estávamos inseridos naquele meio. Mas, acima de tudo, trocávamos vivências e novos conceitos. Levamos nossa formação acadêmica como uma referência positiva. No futuro, podemos ter designers derivados do Aglomerado, pelo fato de termos atraído a atenção das pequenas mentes para essa atividade. Também nesse período de inserção, por receber mais informações sobre todo o contexto de vida do Aglomerado, pudemos quebrar idéias clichês e nos livrar de qualquer preconceito que estivesse relacionado com elas. Poder sentir a emoção das crianças durante o processo do projeto, do qual as mesmas participaram ativamente, é algo muito gratificante. Mais gratificante ainda é aumentar nosso repertório cultural com essa comunidade detentora de tanta riqueza que para nós era, até então, oculta por trás do morro.84 85
    • | depoimento | fernando vasconcelos A oportunidade que tive ao desenvolver esse projeto para a escola, um ambiente tão importante na criação de uma, e de muitas pessoas, foi muito empolgante, despertou em mim uma vontade de misturar a capacidade de impacto das intervenções urbanas, do grafite e da estética e as mensagens lúdicas de desenhos coloridos e “alegres”. A abordagem, os materiais, a idéia e a localização foram tarefas relativamente tranqüilas, mas quando fui realmente grafitar e colar as imagens nos muros, foi uma novidade enorme para mim, que nunca tinha realmente feito um grafite com apoio de tantas pessoas, com empolgação e descontração, e uma determinação de saber estar fazendo algo que vai comunicar tanta coisa. Quando recebi elogios e a aprovação das pessoas que vivenciam a escola, de pessoas que trabalharam comigo nos muros, e dos alunos que tanto se empolgaram, foi uma recompensa enorme, eu nao queria parar mais. Queria ficar ali o dia todo pintando muros, colocando em tinta uma mensagem positiva para quem quisesse e pudesse enxergar, colocando o conceito em forma e cor, dando vida ao projeto desenvolvido na faculdade. Foi uma experiencia que me abriu um horizonte novo, de novas idéias e caminhos a seguir. Faria tudo de novo se pudesse, e passaria adiante toda a experiencia a quem interessar. Agradeço principalmente à professora Juliana por acreditar em mim e me motivar quando achava que não conseguiria.86 87
    • | depoimento | reinaldo rocha A vista era maravilhosa! O projeto de núcleo com a Juliana nos levou para o topo do mundo, essa era a impressão que dava lá de cima. Os sorrisos das crianças foram as maiores recompensas, e logo depois os lanches e a satisfação de um trabalho tão bonito. Foi muito marcante pra mim porque ver o trabalho sair da faculdade e atingir de maneira tão carinhosa as crianças do colégio Peters do Aglomerado ensina que é difícil ter oportunidade de aprender, que nossas atitudes podem realmente influenciar outras pessoas. E, quando eu falo de atingir as pessoas com nossas ações, não falo só das crianças, mas do exemplo que me foi dado pelo pessoal do projeto. O desenho no muro é só uma marca de uma atenção muito especial que o projeto do Sol mostrou. Por isso aplaudo de pé todos que participaram e agradeço pela oportunidade com saudades de lá de cima.88 89
    • | depoimento | karina leite DESFILE COLEÇÃO ARTE FAVELA NA ESCOLA PADRE GUILHERME PETERS A coleção Arte Favela foi desenvolvida como projeto de Trabalho Final de Graduação para a conclusão do curso de Design de Moda da Universidade FUMEC. Para a coleção foram criados 15 looks inspirados no street wear com aplicações de serigrafias a partir de estampas desenhadas pelos alunos do Projeto ASAS que mostravam a identidade de cada participante. Depois da coleção pronta, foi feito um desfile na Escola Padre Guilherme Peters. Para o desfile convidamos como modelos as meninas moradoras do Aglomerado da Serra, que ficaram super animadas com o convite. Durante o dia da apresentação, na preparação do desfile senti que as meninas ficaram super interessadas pelo assunto, por toda a organização de um desfile, pois muitas delas nunca nem tinham presenciado algum. Nos ensaios tentavam da melhor forma possível aprender a desfilar da maneira correta para que na hora da apresentação para todos fizessem certo. Achei muito legal o interesse que as meninas mostraram e a forma como se comportaram. Com essa oportunidade que demos para as meninas vimos até alguns talentos na favela, algumas meninas lindas que com a oportunidade certa poderiam revelar um grande talento. Agradeço muito a Juliana e Natacha pela oportunidade de mostrar meu trabalho para todos aqueles que participaram do meu projeto e a forma como repercutiu esse desfile em jornais de grande circulação. Agradeço muito também pelo aprendizado maior que tive com todos do Projeto ASAS, que com certeza vou levar sempre comigo. Muito obrigada!90 91
    • | depoimentos | D.A. Foi um encontro gratificante, de realidades distintas. é impressionante a alegria que uma coisa tão simples, como a pintura de um muro, pôde proporcionar àquelas crianças. Para nós foram algumas horas do dia; para eles uma inspiração para uma vida melhor, mais colorida, um sopro de confiança e esperança. Esperança real, tão tátil quanto as mãos sujas de tinta e os pincéis que deram vida ao dito muro, que os acompanha diariamente; esperamos, assim, que todas as coisas boas que “colocamos” nele possam também acompanhar as crianças no dia-a-dia. | Ingrid Sander e Diego Silva |Consta que o significado do verbo aglomerar é amontoar, acumular,empilhar, reunir, apinhar. Acredito que esse projeto resultou numaglomerado: muitas crianças, muitas mãozinhas inexperientes, muitascores e emoções variadas sobre a aventura de pintar um muro, ummuro que todos vão ver! Um muro-referência para essas mesmascrianças, que provavelmente nunca tiveram muita experiência no que serefere à expressão de arte. Fui levada a esse projeto, como membro doDiretório Acadêmico dos estudantes de Design, da FUMEC, mas minhaparticipação não ficou restrita ao registro fotográfico ou à colaboração natarefa da pintura. Aprendi a apreciar os traços trêmulos, os escorridos e asfalhas como parte integrante e importante de um trabalho que se propôsa ser coerente: foi um trabalho para as crianças e das crianças e, por isso,ele merece ser respeitado.| Rachel Grandinetti |92 93
    • oficina pinhole | Outras maneiras de ver as coisas |alexandre lopes | Fotógrafo, com especialização em Pesquisa e Ensino no Campo das Artes Plásticas pela Escola Guignard, professor uma caixinha de fósforo e, em contrapartida, do lado laboratório de fotografia, onde os papéisdos cursos de Graduação em Design de Moda e Design Gráfico e do curso de Pós-Graduação em Design de Moda da Universidade externo desses ambientes ter muita luminosidade. Com fotográficos que ora estavam nas pequenasFUMEC. Professor Colaborador do projeto ASAS-UNISOL/Banco Real. outros pequenos detalhes conseguimos exemplificar embalagens de filmes, já fotografados, estão o ato físico da formação da imagem, gerando assim, prontos para o processamento fotoquímico.Um exercício do olhar: é assim que determino essa oficina cuja função principal, além de esclarecer a sem dúvida, um mínimo de sensibilidade e emoção aos E é nessa hora que a mágica acontece. Tantoformação da imagem produzida pela condução da luz através de um pequeno orifício transformando participantes. para os que estão experimentando pelaem imagem visível, é também exercitar o olhar. Aprender a ver o mundo por outros pontos de vista primeira vez, como para quem já a conhece deque não sejam tão gratuitos e passivos só porque estamos de olhos bem abertos. Pela função técnica o Uma vez esclarecidos tais princípios, os alunos desejam tempos esse caminho e como para as pessoasesclarecimento remonta a antigos meios de produção/comunicação. Só esses já dão muito que discutir em praticar, e dentro da proposta está a construção da presentes: a novidade e o reconhecimento e asala de aula, mas nosso objetivo também é produzir imagens, imagens com objetos muito variados e de fácil câmera, seguindo os princípios da técnica de fotografia aprendizagem de um processo de construçãoreconhecimento. Nesse caso escolhemos uma pequena caixa de fósforos e outra pequena embalagem: a do de Pinhole, conhecida mundialmente como uma de imagem à moda antiga (fotoquímico).próprio filme fotográfico. espécie de fotografia artesanal, rústica, que necessita de pouquíssimos recursos para obtenção da imagem. Mais uma vez remeto ao olhar este pequenoNesses dois objetos de uso cotidiano transformamos em pequenas caixas escuras com um orifício feito Nesse momento nota-se um envolvimento fantástico resumo, pois é nele que encontramospor agulha e dentro desses colocamos materiais sensíveis: filmes e papel fotográfico. Com uma pequena por conta dos mais empolgados e daqueles que mais uma vez a tradução da emoção pelopassagem com metodologia audiovisual os alunos podem perceber que o domínio dessa técnica é desejam obter uma foto com tais recursos. Mesmo assim reconhecimento de algo que está bem pertomilenar, porém o uso dos materiais sensíveis remonta de algumas décadas a partir dos meados do sec. XIX. as dúvidas não cessam por completo e a enxurrada de de nós e que a maioria desconhece. É nesseConcluímos então que essa experiência não é tão nova assim, mas para quase a totalidade esse exercício perguntas é inevitável. Em meio à descontração pela redescobrimento que fazemos com que outrosaconteceu pela primeira vez e diante dos próprios olhos com a execução dessa oficina. construção de tal objeto, a imaginação aflora e questões possam ter acesso. E é com este prazer que sigo corriqueiras se tornam grandes mistérios desvendados. fotografando e agora multiplicando tais idéias eO que de novo então vemos nisso? Novamente me remeto ao olhar. O olhar curioso, duvidoso, fantasioso, Estão todos prontos para fotografar. conhecimentos. Agradeço pela oportunidade.angustiado, satisfeito ou talvez apenas emocionado das pessoas que participam do projeto e que agregamqualquer informação bem-vinda. É, sem dúvida, uma experiência única. Parece que é tão complicado se Passam-se uns quinze minutos e a turma retorna àproduzir imagem, seja ela fotográfica, cinematográfica, videografica, analógica ou digital. As mídias podem sala de aula com as devidas embalagens de filmes,variar, mas a base para se fazer imagem é a mesma desde o princípio dos tempos. Basta ter as condições transformadas em câmeras pinhole, fotografadasideais. São elas: ter de um lado um ambiente com pouca luminosidade, seja ele uma grande sala de aula ou e prontas para mais uma incursão, dessa vez no 94 95
    • passo-a-passoconfecção de pinhole emcaixa de fóforos 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 96 97
    • aglomeradas | Imagens fotográficas em objetos de luz |juliana pontes | Autora do artigo abaixo publicado no “Letras”, informativo do Café com Letras Em relação à intenção, a exposição Aglomeradas foi A descoberta do produto de design ‘artesanal’A exposição Aglomeradas traz as vilas do Aglomerado da Serra como território de referências. Esse repertório pensada com um propósito muito claro: revelar às despertou esses alunos para a possibilidadecomum aparece representado por instantâneos da vida cotidiana, registrados pela técnica de pinhole próprias artesãs, autoras das imagens, como o seu do exclusivo. Eles apostaram no diferencial dasem caixas de fósforo. As imagens, para um olhar desatento, não passam de cenas fugazes da vida diária, universo particular pode se tornar uma experiência luzes aplicadas uma a uma, de acordo com onada que mereça ser observado mais tempo do que pede a sua aparente banalidade. No entanto, para estética compartilhada de forma coletiva. Quando que a interação com a imagem proporcionava;um observador atento essas trivialidades compõem perfis humanos e sociais, expõem questões de ordem se trabalha a formação de um grupo lida-se com nos tamanhos variáveis; no exercício dosindividual, mas também condições coletivas. Um grupo, questões compartilhadas, processos coletivos, conhecimento, mas também com subjetividades, acabamentos perfeitos, mesmo feitos porsão esses os grandes motivadores dessas caixinhas de luz que formam a exposição. O grupo, nesse caso, com a dimensão humana latente. Não se pode mãos humanas; e na pesquisa como chavepertence ao projeto ASAS - Artesanato Solidário no Aglomerado da Serra – que está em processo de multiplicar o conhecimento sem tocar a experiência. para soluções inventivas. Aqui o processocapacitação em design e artesanato pela parceria da Universidade FUMEC e Universidade Solidária (UNISOL), A experiência nos diz algo da natureza sensível do de capacitação em design e artesanato noscom patrocínio do Banco Real. aprendiz, inclui o ato de incorporar pensamentos apresentou o seu caminho inverso: a observação na ação. Por outro lado, toda ação traz uma carga do artesanato reaproximou o design daAo trabalhar com projetos sociais utilizando o design e o artesanato, percebo cada vez mais o quanto afetiva ligada à intenção. Nesse emaranhado experência única de se produzir fora do padrão.essas duas áreas podem percorrer caminhos muito próximos. Estou me referindo agora não só ao artesão surgem, de forma inesperada, imagens fantásticas Padrão nesse caso se refere a linguagem edespreendendo–se das suas regras e de modelos para explorar mais a inventividade e a autonomia criativa. da serra, descobertas justamente pela intenção do fomas, mas também à repetição produtiva.A minha reflexão se volta também para o aprendiz do design, que ainda não está totalmente contaminado olhar, ou melhor, pela invenção do olhar. A intervenção do designer no ato produtivo,pelas crenças tradicionais da área profissional, mantendo-se livre e aberto para as diversas formas em que nesse caso, foi determinante para o diferencialo pensamento do design pode se manifestar. Aqui se encontra o verdadeiro entendimento da palavra A antecipação do processo criativo e produtivo, estético e funcional dos produtos, assimdesign: intenção, projeto e desenho. Em outras palvras, fazer design envolve o entendimento a priori do característica específica da atividade de projetação como foi fundamental para elevar o seu valorque se pretende; a antecipação da ação e a execução técnica. Atender a essa lógica aparentemente simples do design, surgiu nesse projeto pelo envolvimento simbólico. Uma carga de significados foi geradasingnifica produzir design, mesmo que essa definição a princípio pareça muito ampla. dos estudantes de design da Universidade pela condição de objeto único, que carrega FUMEC, bolsistas do ASAS, com um ‘fazer à mão’. uma imagem criada através de um processo 98 99
    • extremamente particular e funciona como uma do resultado inspirou a beleza da montagem: caixasluminária, ou melhor, como um objeto de luz. O pretas, simulacros do mecanismo fotográfico, ondeutilitário carrega vestígios, signos e se veste de uma superfície se torna sensível pela luz. Pontos deinterpretações, modificando diretamente a relação luz remodelando a imagem da realidade. Leds, fios,entre usuário e objeto. transparências, formas iluminadas e somente uma luz azul. Um ponto único de luz azul, como um jogo,Quanto à execução técnica, as imagens iluminadas mas do acaso. Essas preciosidades nos convidama que me refiro são fotografias realizadas com à reflexão, provocada também pela disposiçãoa técnica pinhole. Em outros termos, são fotos desses objetos de luz em meio ao burburinho dofeitas em caixinhas de fósforo perfuradas e com Café, saltando na penumbra da cada ambiente,um negativo no seu interior. Cada ‘aglomerada’ redesenhando a noite no morro, a noite na cidade.montou sua caixinha e apontou para a suaprópria realidade. A precariedade da tecnologiaatende à necessidade de despojamento do olhare à condição de aprendiz. Os resultados sãogaiolas que surgem como cenários, gatos quesão personagens, vultos como paisagem, flores,telhados, cores, manchas, pedaços de ruas, céu,chão, fragmentos de casas, sombras. Cada parteisolada é ao mesmo tempo pessoal e universal.Os temas se aglomeram não por sentido oucontinuidade, mas por uma mesma origem, oterritório em comum. Metáfora do morro, surgemmisturas de pessoas amontoadas, seus objetos,suas marcas, seus barracos empilhados. A surpresa 100 101
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    • oficina de texto | Palavras do Cotidiano |tailze melo | Mestre em Literaturas de Língua Portuguesa pela PUC Minas. Coordenadora, em parceria com Renata Alencar, do curso Na oficina Costuras do cotidiano: palavra é vida, buscamos refletir a palavra em todo o seu potencial semânticode pós-graduação lato sensu “Processos Criativos em Palavra e Imagem” no instituto de Educação Continuada da PUC Minas. Professora e estético. Na primeira etapa da oficina, sem utilizar uma terminologia lingüística/semiótica, conversamos comda Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte. as artesãs sobre a noção de signo verbal, metáforas, polissemias e redes semânticas. Utilizamos exemplos do cotidiano e ficou evidente a importância da palavra no mundo simbólico que tangencia a nossa existência. Na“Vim pelo caminho difícil, revela a dinâmica própria do nosso modo de segunda etapa da oficina, propusemos uma atividade orientada cujo objetivo foi organizar uma rede semânticaa linha que nunca termina produção, ou seja, a desigualdade social inerente com palavras relacionadas aos conceitos de cada produto criativo. A intenção foi apontar possibilidadesa linha bate na pedra, ao capitalismo. criativas com palavras e identificar em quais projetos era coerente se valer dessa matéria expressiva. No últimoa palavra quebra uma esquina, momento do encontro, fizemos uma roda para a apresentação dos textos confeccionados durante a oficina. Do ponto de vista artístico, a favela sempremínima linha vazia, Foram apresentadas diferentes construções textuais: “palavras biográficas” que revelaram um léxico próprio, inspirou produções nas mais diferentesa linha, uma vida inteira, o olhar único de cada artesã para sua história. Cartografias subjetivas, mas todas elas costuradas pelo mesmo linguagens expressivas e foi representada depalavra, palavra minha”. (Paulo Leminski) signo: favela. maneira diferente ao longo de sua história: nostálgica como nos versos de Noel Rosa,A idéia de cotidiano foi central em todas as etapas do cheia de dignidade como no Favelário Nacionalprocesso criativo desenvolvido no projeto ASAS UNISOL. de Drummond e violenta como na prosa dePor isso, as artesãs envolvidas, todas elas moradoras de Paulo Lins. A favela é multifacetada, por isso ofavelas, organizaram suas criações a partir de situações, importante é pensá-la para além dos clichês dasimagens e memórias situadas nas especificidades desses páginas policiais. Nada mais oportuno, então, doespaços. que representações produzidas por gente queNesse sentido, trata-se de um projeto que propõe vive seu cotidiano entre becos e tetos de zinco.um olhar para a favela no que ela tem de singular,indicando, assim, uma abordagem que se opõe à idéia Nessa lógica, as artesãs participantes dode pensá-la em suas ausências. No entanto, explorar UNISOL tiveram a oportunidade de traduzir, deas idiossincrasias desses territórios não implica pensar modo criativo, cenas da favela. Nos produtos,na lógica equivocada e ingênua do modelo de “cidade destacaram-se, muitas vezes, a dimensão poéticapartida”. Sabemos que a cidade é uma tessitura, uma e o potencial inventivo.malha urbana. A favela é “o avesso do cartão-postal” e 104 105
    • 04 registro das criações 106 107
    • ELZY 109
    • ETELVINA XAVIER DEALMEIDASou a 8ª filha de 14 filhos. Morei na roçaaté os 13 anos de idade. Fiz da 1ª à 4ªsérie do primário, trabalhei com meuspais, ajudando a plantar feijão, milho,arroz, quiabo e jiló, adorava nadar ebrincar no rio, era uma criança muitoespoleta. Aos 23 anos me aventurei comum rapaz e tive uma gravidez inesperada,mas depois de nove meses nasceu umalinda menina, Daniela, que cuidei commuito amor e carinho. Hoje ela tem 27anos e me presenteou com dois lindosnetos, um de 12 e outro de cinco anos.Sou uma pessoa que não espera paraas coisas acontecerem. Gosto de ajudarsem medir esforços e tenho disposiçãopara fazer qualquer coisa. Sou honesta edecidida. Sou cuidadora de idosos, façofaxinas e estou muito feliz com meusprodutos desenvolvidos no ASAS.SOBRE O PROJETODurante esse curso eu fiquei muito feliz de participardo curso de serigrafia, não tinha noção de comoera. Foi importante para mim participar. Aprendi aconviver com outras pessoas. O mais interessantefoi saber que o nosso produto iria para uma feira naFrança. E falamos do local onde moramos, que é oAglomerado da Serra. Momento triste foi quandohouve uma votação para escolher um representantepara ir a São Paulo. Fui a escolhida, mas quandochegou perto da viagem as professoras mudaramde idéia. Tem componente que quando está naFUMEC é uma pessoa, e fora é outra. Agradeço porter participado do curso. Foi muito gratificante paramim. 110 111
    • GABRIELA ESTEFANESou Gabriela Estefane e tenho 16 anos.Já fiz artesanato, moro no Bairro Serra,na Primeira Água. Eu estudo, estou na8ª série e sou vereadora mirim da EscolaMunicipal Padre Guilherme Peters. Jáfiz vários cursos. Agora que eu entreino curso da FUMEC eu já sei fazervárias coisas, já sei pintar, desenhar, efazer várias coisas, coisas que antes eunão sabia fazer. Já fiz dois cursos deartesanato, um junto com a Schirley, debiscuit, e com a Suzaninha, de bijuteria.Estou me empenhando muito paraacabar essa reta do curso para sair daquisabendo todas as informações. Agoraestou aprendendo a fazer lenços. Lençosde cabeça, de braço etc.SOBRE O PROJETOEsse projeto foi ótimo na minha vida,igual eu já falei, esse curso me ensinouvárias coisas, eu nunca imaginei que euia ter uma oportunidade dessas, masagora eu sei como é bom esse curso. Nósjá fizemos várias coisas, fizemos bolsas,fronhas e agora estamos fazendo umacoleção, não é ótimo? Esse curso caiudo céu. O nosso projeto tem um nome:ASAS. Nós do projeto, conversamos,fazemos reuniões, tentamos nosentender. Quando o curso acabar vamosabrir oficinas na escola, vamos ensinaraos alunos tudo que nós aprendemos. Eunão aprendi muita coisa, mas vou fazero possível para passar pra eles o que 112aprendi. 113
    • JOANA RODRIGUESSOUZAMeu nome é Joana Rodrigues Sousa,tenho 51 anos, duas filhas e uma neta.Moro no Bairro Mantiqueira em VendaNova. Adoro ensinar. Gosto de darcursos de pintura, bordado, tricô, crochêe vagonite. Trabalho com costura emgeral e adoro o que faço. Queria ter aoportunidade de ter um emprego comcarteira assinada e ensinar a pessoas oque sei.SOBRE O PROJETOO curso para mim foi tudo de bom queeu pude encontrar na minha vida. Graçasao meu bom Deus, quando pensei queestava só no mundo encontrei umafamília que me acolheu com bastanteamor e paciência. Agora não me sintomais sozinha. Vou ser grata o resto daminha vida de ter encontrado alguémque pudesse me ajudar tanto assim. Vouguardar tudo que aprendi no fundo domeu coração. Nunca vou esquecer cadadesenho rabiscado que eu aprendi a fazerdurante o curso, principalmente aquelesque eu achava feios e as professorasfalavam que estava bonito, isso só ia meincentivando cada vez mais a fazer maisdesenhos. Para sempre obrigada, commuito amor de verdade. 114 115
    • MARIA DO CARMOROCHAEu sou Maria do Carmo, 58 anos, casadae mãe de dois filhos e avó de doisnetos. Sou artesã, dou aulas de pinturaem tecido e tapete de retalhos, façoenfeites para pet shop: gravatas, lacinhose laçarotes para cachorros. Bordo, façocrochê, gosto muito de desenhar. Já fuioficineira da Escola Aberta na EscolaMunicipal Maria das Neves e também naobra social do Bairro São Lucas.SOBRE O PROJETODurante o curso tive momentos felizes etristes. O triste foi a perda do meu tapete,mas fiquei feliz com o reconhecimentodas professoras e estou muito satisfeitacom a máquina de costura, e fuirecompensada também com a notícia doCássio de que ia levar nossos produtospara a França junto com os seus. O quemais me marcou foram as caixinhaspinhole com a exposição. No começoachei que não ia dar em nada, por sersimples a caixinha de fósforos. Ao revelaras fotos saíram aquelas imagens borradase que no final deu um resultado de umtamanho que todos ficamos surpresos.Mas, se não fosse o esforço e ajuda doBruno, com certeza tudo isso não teriaacontecido. Estou muito feliz porqueaborrecimento foi um, felicidades foramnovecentas e noventa e nove. 116 117
    • SCHIRLEY MARIAARAÚJOSou Schirley Maria Araújo, tenho 41anos, solteira, natural de Aimorés/MG,atualmente moradora do Aglomerado daSerra. Sou artesã, artista plástica e atuo noProjeto Escola Aberta como educadorafazendo trabalhos artesanais comobiscuit, decoupage e reaproveitamento demateriais. Sou umas das coordenadorasdo Coletivo Criarte, na área de produçãoe cenário. Faço parte do Projeto[RedeMuim] de Arte e cultura, 3ª ediçãocom apoio da lei de incentivo à cultura,como auxiliar de produção e cenografia;voluntária no Projeto Voe, (educaçãoOral). Participo do Projeto Arena daCultura na iniciação de artes plásticas.Projetos em andamento: voluntáriano centro de Saúde Nossa Senhora daConceição com atividades de tapeçariapara terceira idade e a comunidade;projeto na Igreja Nossa Senhora daConceição com artesanato.SOBRE O PROJETOO curso me trouxe um novo olhar dentro da perspectiva do design artesanal, ou seja, o artesanato quefaço hoje tem outro conceito. Tornei-me uma pessoa mais ponderada e confiante. O mais interessantefoi mesclar minhas atividades do Coletivo Criarte com o ASAS. Assim meus trabalhos foram tendo umaforma mais prática e objetiva. As diversidades da FUMEC e da Favela ajudaram muito no relacionamentodo projeto ASAS. Quebrou um pouco essa questão de sanguessugas. Eles também perceberam quetemos coragem e opinião, que poucos sabem o que querem e como querem. Esses desafios me fizeramperder o medo de mostrar quem sou eu. E surgiu a vontade de voltar a estudar. A moda é aprendertrocar experiências, formar e fortalecer redes. Tenho muito que aprender, o que aprendi vou multiplicarcom muito zelo. Somos um jogo de panelas: panela de pressão que fica cozinhando a ponto de explodir,frigideira que só fica fritando as informações, caçarolas que fazem cada revirado, caldeirão que ficafervendo caldos. Temos até uma chaleira, na sua calmaria, fervendo seu chá. Bom, sei que temos que ser omais118 natural possível, assim seremos originais. 119
    • SUZANA MARÍLIA DOSANJOS OLIVEIRAEu, Suzana, saí da minha casa com 14 anosde idade em busca de uma vida melhor,passei muitas dificuldades e barreiras,mas graças a Deus hoje eu olho paratrás e vejo que meus obstáculos, lutas edificuldades todas ficaram para trás. Mashoje estou no ponto certo e agradeçoa Deus por ter conseguido os meusobjetivos. Sou formada em magistério,manicure e também sei um pouco deartesanato, bijuteria e costura. Gosto detrabalhar no meu serviço porque estoufazendo o que sonhei fazer um dia, deser uma professora. E fico na sala demimeografia onde passo o dia. Mais umavez agradeço a Deus por me dar essaoportunidade de estar participando destecurso porque aprendi novas idéias e tivegrande experiência porque Deus está nocontrole e me dá força para ir até o fim.SOBRE O PROJETONo decorrer do curso posso dizer queaprendi muitas coisas, como relacionarcom outras pessoas que possuem outrasvisões de mundo. Quando comecei adesenvolver muita criatividade, como foigostoso eu entender que de um simplesrisco sairia muitas coisas bonitas, masforam com as várias pesquisas que eucheguei nesse objetivo. 120 121
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    • 05 portfolio asas 124 125
    • . gatos de luz . Todos os lugares precisam de luz e essa pode vir autora | elzy nunes de oliveira lima de um imenso céu durante o dia ou até da mais produto: luminária simples luminária durante a noite. Este produto material: tricoline técnicas: costura e serigrafia representa a importância da luz na vida de cada um. No Aglomerado quem não possui luz faz o possível e o impossível para consegui-la. Muitas vezes não sabemos ao certo de onde vem a energia da nossa luz, só sabemos que precisamos dela, mais do que qualquer outra coisa. 126 127
    • . ganso no asfalto . A temática explorada para meu produto foi o ganso autora | etelvina xavier no asfalto, procurei trabalhar com algo que não tinha produtos: jogo americano e porta-copos no mercado. Onde moro encontro gansos que ficam materiais: brim técnicas: costura e serigrafia na rua, o que me chama a atenção é o fato de esses animais viverem em um lugar onde não tem água para nadar. Em minhas pesquisas descobri que na Roma Antiga um exército foi salvo graças ao grasnar de dezenas dessas aves, revelando-os como verda- deiros seguranças. 128 129
    • . coco babão . O título do meu trabalho foi o coco babão, que é um autora | joana rodrigues de souza coco comestível. A fruta amadurece quando o coco produtos: avental, luvas e pegador está seco. A castanha é mais gostosa do que o caldo material: brim técnicas: costura e serigrafia do coco maduro. Escolhi falar sobre o coco babão, pois é uma fruta pouco conhecida e muito presente no Aglomerado. Outro motivo é o modo com que as pessoas o retiram do pé, é interessante perceber quando todo mundo se reúne com um pedaço grande de madeira e começa a cutucar os coquinhos no pé, todos unidos pelo mesmo objetivo. 130 131
    • . natureza na favela . Este produto representa os lares de quem vive, autora | maria do carmo da rocha mora e sobrevive na favela. As casas se misturam às produtos: almofadas árvores, as árvores se misturam às janelas e essas por materiais: brim técnicas: costura e serigrafia sua vez se misturam às folhas. A realidade é que no morro tudo se mistura e se transforma em Aglo- merado. 132 133
    • . toy-beco . Este produto representa o dia-a-dia dos becos e autora | suzana marília dos anjos oliveira vielas do Aglomerado da Serra e a convivência do produtos: almofadas beco onde moro. Através da toy-art, representei a materiais: feltro técnicas: costura e serigrafia realidade e a fragilidade de cada personalidade. As letras surgiram da pesquisa feita no livro “Tipografia e elemento do Cotidiano da Favela”. Nessa procura encontrei conceitos como: casas, escadas, gatos de luz, praças, espaços abertos e ruas de terra e asfalto. Toy-art é uma forma de representar os tipos de violência entre os becos e as vielas do Aglomerado da Serra. Não há necessidade de expressar com palavras, basta observar o toy com a mesma sutileza de sua criação. 134 135
    • . muros e cercas . Este tema representa um pouco da minha vida. autora | shirley maria araújo Fui cercada de muito zelo pelos meus pais. Por ter produto: cadernos, bloquinhos, envelopes uma aparência frágil, mantive esses muros e cercas material: papel calandrado, artesanal e reci- clato, fio encerado em minha vida durante muito tempo. Hoje em um técnicas: encadernação e serigrafia mundo diferente, misto e rico de diversidade, uso esses muros e cercas para expressar a minha arte. Muros e cercas são mantidos para organizar uma sociedade, mas muitas vezes parecem desorga- nizar o espaço público. Um aglomerado de lixo se transforma em cerca e muros, expressão artística que quebra todas as fronteiras e diz para o mundo: “Vista sua alma todos os dias”. 136 137
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    • Este catálogo foi composto em Myriad Pro.O miolo é impresso em Reciclato 90g.A capa em papel kraft 300g com aplicaçãode relevo seco. Impressão e acabamentopor Artes Gráficas Formato. Belo Horizonte,Minas Gerais, em junho de 2009