Fundamentos da medicina ayurvedica

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  • Você poderia me enviar? sharlenebrito@hotmail.com Desde já agradeço.
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  • Boa tarde. Estou estudando a medicina ayurvedica. Por gentileza pode enviar o material por e-mail para tattyanacarvalho@gmail.com. Grata
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  • Por gentileza, me envie também este pdf. Sou um apaixonado estudante de Medicina Ayurvédica. Um grande abraço, e muito obrigado, Alexandre. Ah! meu e-mail é alexandremadredeus@hotmail.com
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  • Olá, Poderia por gentileza me enviar esse livro. Tenho muito interesse na medicina ayurveda.
    ledamorena8@gmail.com
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  • Por gentileza, poderia me enviar esse livro? Sou nutricionista e tenho grande interesse! Obrigada! isabellygiffony@hotmail.com
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  • 1. ÍNDICEÍNDICE................................................................................................................. 1 PREFÁCIO ........................................................................................................ 9 NOTA PARA A EDIÇÃO INDIANA ............................................................... 10 PREFÁCIO PARA A EDIÇÃO REVISADA ..................................................... 13 PREFÁCIO PARA A PRIMEIRA EDIÇÃO ...................................................... 15 ABREVIAÇÕES .............................................................................................. 25 EQUIVALENTES ROMANOS DO DEVANAGARI ........................................ 26CAPÍTULO I ...................................................................................................... 27INTRODUÇÃO .................................................................................................. 27 DEFINIÇÃO DE AYURVEDA ................................................................................ 29 ÁREA DE ATUAÇÃO DO AYURVEDA ................................................................... 29 OS OITO RAMOS DO AYURVEDA ........................................................................ 30 CARACTERÍSTICAS SINGULARES DO AYURVEDA ................................................. 31CAPÍTULO II .................................................................................................... 34REVISÃO HISTÓRICA .................................................................................... 34 MITOLOGIA SOBRE A ORIGEM DO AYURVEDA .................................................... 34 AYURVEDA NA ERA PRÉ-VÉDICA ...................................................................... 35 AYURVEDA NA ERA VÉDICA.............................................................................. 36 AYURVEDA NO PERÍODO PÓS-VÉDICO ............................................................... 37 CRÔNICAS SOBRE A VIDA DE JIVAKA ................................................................. 38 A ESTÓRIA DE BHOJA ........................................................................................ 40 INTERRUPÇÃO DO PROGRESSO NO PERÍODO MEDIEVAL ...................................... 40 RESTAURAÇÃO DO AYURVEDA .......................................................................... 41CAPÍTULO III ................................................................................................... 43PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS ...................................................................... 43 CRIAÇÃO DO UNIVERSO .................................................................................... 43 TEORIA PAÑCA MAHABHUTA ............................................................................... 46 DETERMINAÇÃO DA COMPOSIÇÃO MAHABHÁUTICA DE UMA DROGA A PARTIR DE SUAS PROPRIEDADES ..................................................................... 48 O CONCEITO DE TRIDOSHA ................................................................................. 48 1
  • 2. CONDIÇÕES DOS DOSHAS NAS DIFERENTES ESTAÇÕES DO ANO ........................... 52 FATORES RESPONSÁVEIS PELA ALTERAÇÃO DOS DOSHAS ................................... 52 SINAIS E SINTOMAS DO AGRAVAMENTO DOS DOSHAS ......................................... 53 TRATAMENTO DE DOENÇAS CAUSADAS POR PERTURBAÇÕES DOS DOSHAS .......... 53 TERAPIA DE ELIMINAÇÃO PARA CORREÇÃO DOS DOSHAS ALTERADOS ................ 54 DOENÇAS CAUSADAS PELOS DOSHAS ................................................................. 54 CONCEITO DE SAPTA DHATU ............................................................................. 59 CONCEITO DE MALA .......................................................................................... 62 SROTAS OU CANAIS DE CIRCULAÇÃO .................................................................... 63 CAUSAS DAS ALTERAÇÕES DOS SROTAS ................................................................ 65 SÍTIOS DE ORIGEM DOS SROTAS E SINTOMAS CAUSADOS POR SUAS ALTERAÇÕES ..... 66 LINHA DE TRATAMENTO ...................................................................................... 68 DIGESTÃO E METABOLISMO ................................................................................ 69 PRAKRTI OU CONSTITUINTE FÍSICO ..................................................................... 74 FATORES RESPONSÁVEIS PELA DETERMINAÇÃO DE PRAKRTI .................................. 77 CARACTERÍSTICAS DOS INDIVÍDUOS QUE POSSUEM KAPHA PRAKRTI ...................... 78 CARACTERÍSTICAS DE UM INDIVÍDUO QUE POSSUI PITTA PRAKRTI ......................... 79 CARACTERÍSTICAS DE UM INDIVÍDUO QUE POSSUI VATA PRAKRTI ......................... 80 CARACTERÍSTICAS E CONTROLE DE UMA PESSOA QUE POSSUI VATA PRAKRTI........... 81 CARACTERÍSTICAS E CONTROLE DE UMA PESSOA QUE POSSUI PITTA PRAKRTI ........ 82 CARACTERÍSTICAS E CONTROLE DE UMA PESSOA QUE POSSUI KAPHA PRAKRTI ...... 83 CONCEITO DE MENTE ......................................................................................... 84 SINÔNIMOS E SUAS IMPLICAÇÕES ......................................................................... 85 MENTE E MANAS ............................................................................................... 85 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO ...................................................................... 85 TRÊS PONTOS DE VISTA DIFERENTES ................................................................... 86 SERES SENCIENTES E NÃO SENCIENTES................................................................. 87 ANTAHKARANA OU OS MEIOS INTERNOS DE PERCEPÇÃO ...................................... 88 LOCALIZAÇÃO .................................................................................................... 89 DIMENSÕES E NÚMEROS ..................................................................................... 90 FUNÇÕES .......................................................................................................... 90 DIFERENTES NÍVEIS DE MENTE............................................................................ 90 CLASSIFICAÇÃO DAS FACULDADES MENTAIS ......................................................... 91 COMPOSIÇÃO DAS DROGAS ................................................................................. 94 CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS .............................................................................. 95 RASA OU SABOR ................................................................................................ 96 SABORES E DOSHAS ........................................................................................... 97 GUNAS E QUALIDADES........................................................................................ 97 VIRYA OU POTÊNCIA ......................................................................................... 98 VIPAKA OU SABOR PÓS-DIGESTIVO ..................................................................... 99 PRABHAVA OU AÇÃO ESPECÍFICA ....................................................................... 99CAPÍTULO 4 ................................................................................................... 101MEDICINA PREVENTIVA ............................................................................ 101 DINACARYA (CONDUTA NO PERÍODO DIURNO).............................................. 1012
  • 3. LIMPEZA DA FACE ............................................................................................ 101PROTEÇÃO DA VISÃO ........................................................................................ 101BEBER UM COPO DE ÁGUA................................................................................ 102EVACUAÇÃO .................................................................................................... 102HIGIENE DOS DENTES ....................................................................................... 103RASPAGEM DA LÍNGUA...................................................................................... 104USO DE GOTAS NASAIS ..................................................................................... 104MASTIGAÇÃO ................................................................................................... 104GARGAREJOS ................................................................................................... 105APLICAÇÃO DE ÓLEO NA CABEÇA ...................................................................... 105GOTAS DE ÓLEO NOS OUVIDOS ......................................................................... 105MASSAGEM COM ÓLEO ..................................................................................... 106EXERCÍCIOS ..................................................................................................... 107  Efeitos Benéficos dos Exercícios .......................................................... 107  Efeitos Prejudiciais do Exercício Excessivo ......................................... 107  Características do Exercício Correto................................................... 107  Contra-Indicações para os Exercícios ................................................. 107BANHO ............................................................................................................ 108VESTIMENTAS ................................................................................................... 108USO DE PERFUMES .......................................................................................... 108USO DE ORNAMENTOS ...................................................................................... 108CUIDADOS COM CABELOS E UNHAS ................................................................... 108CALÇADOS ....................................................................................................... 108ALIMENTOS ...................................................................................................... 109USO DE COLÍRIO .............................................................................................. 110FUMO ............................................................................................................. 110  Características do Uso Correto do Fumo ............................................ 111  Características do Uso Insuficiente do Fumo ....................................... 111  Características do Uso Excessivo de Fumo .......................................... 111CÓDIGO DE ÉTICA GERAL ................................................................................. 111ESTUDO .......................................................................................................... 113CONDUTA GERAL ............................................................................................. 113AMIGOS CONVENIENTES ................................................................................... 114PESSOAS INCONVENIENTES PARA A AMIZADE ....................................................... 115RATRICARYA (CONDUTA NO PERÍODO NOTURNO) ......................................... 115SONO .............................................................................................................. 115  Tipos Diferentes de Sono ..................................................................... 116  Contra-indicações ao Sono Diurno...................................................... 116  Indicações do Sono Diurno ................................................................. 117  Causas da Insônia ............................................................................... 118  Medidas que Favorecem um Sono Benéfico ......................................... 118CONDUTA DURANTE A REFEIÇÃO NOTURNA ....................................................... 118USO DE IOGURTE À NOITE................................................................................. 118LEITURA DURANTE A NOITE .............................................................................. 119RELAÇÕES SEXUAIS .......................................................................................... 119RTUCARYA (CONDUTA DURANTE AS ESTAÇÕES DO ANO) ................................ 120 3
  • 4. OS DOIS SOLSTÍCIOS ........................................................................................ 120 EFEITOS DE ADANA KALA NO CORPO ............................................................... 124 EFEITOS DO VISARGA KALA SOBRE O CORPO .................................................... 124 DIETA E CONDUTA PARA O INVERNO .................................................................. 124 DIETA E CONDUTA PARA A PRIMAVERA ............................................................... 126 DIETA E CONDUTA PARA O VERÃO ..................................................................... 126 DIETA E CONDUTA PARA A ESTAÇÃO CHUVOSA ................................................... 127 DIETA E CONDUTA PARA O OUTONO .................................................................. 128 NECESSIDADES BÁSICAS .................................................................................... 129 NECESSIDADES QUE DEVEM SER SUPRIMIDAS ..................................................... 131 TERAPIA REJUVENESCEDORA............................................................................. 131  Objetivo do Rasayana ......................................................................... 132  Duração da Vida................................................................................. 132  Época de Administração...................................................................... 135  Pessoas Convenientes para o Rasayana............................................... 135  Método de Administração.................................................................... 136  Drogas Rasayanas............................................................................... 136 CYAVANAPRASA ............................................................................................. 137  Dose ................................................................................................... 137  Dieta................................................................................................... 138 OUTRAS CONDUTAS .......................................................................................... 138 PROCESSO DE MORTE ....................................................................................... 138CAPÍTULO 5 ................................................................................................... 139A PRÁTICA DA MEDICINA .......................................................................... 139 O EXAME DO PACIENTE .................................................................................... 139 EXAME DA IDADE DO PACIENTE......................................................................... 143 EXAME DO VIGOR DO PACIENTE ........................................................................ 144 O QUE É ESTE VIGOR? ...................................................................................... 144 O QUE É TEJAS? .............................................................................................. 144 O QUE É OJAS?................................................................................................ 145 ASPECTOS CARACTERÍSTICOS DO CORPO COMPACTO .......................................... 146 DISTÚRBIOS DO VIGOR ..................................................................................... 147 ANÁLISE DO SATTVA ........................................................................................ 147 AVALIAÇÃO DA SAÚDE ...................................................................................... 148 EXAME DA DOENÇA .......................................................................................... 150  Nidana ou Fatores Causais ................................................................. 151  Purvarupa ou Primeiros Sintomas ....................................................... 152  Rupa ou Sinais e Sintomas Manifestados ............................................. 153  Upasaya ou Terapia Exploratória ....................................................... 153  Samprapti ou Patogênese .................................................................... 155  Kriya kala ou Estágios de Manifestação de uma Doença ..................... 157  Diferentes Tipos de Samprapti............................................................. 157 CAUSAS DAS DOENÇAS ...................................................................................... 157  Negligência Intelectual (prajna paradha).............................................. 1584
  • 5.  Conjunção Patológica dos Órgãos Sensoriais e seus Objetos ............... 158  Variações no Tempo e no Período ....................................................... 159 TRÊS TIPOS DE DOENÇAS .................................................................................. 160 DOENÇAS DO SISTEMA PERIFÉRICO ................................................................... 160 DOENÇAS DO CAMINHO INTERMEDIÁRIO ............................................................ 160 DOENÇAS DO SISTEMA CENTRAL ........................................................................ 161 SÍTIOS DE ORIGEM DAS DOENÇAS ...................................................................... 161 MODO DE DISSEMINAÇÃO DA DOENÇA ............................................................... 162 SÍTIO DE MANIFESTAÇÃO DA DOENÇA ................................................................ 163 DOENÇAS E SUAS VARIEDADES........................................................................... 163 TERAPÊUTICA .................................................................................................. 168 CATEGORIAS DE DOENÇAS ................................................................................ 170 DIFERENTES TIPOS DE TERAPIAS ....................................................................... 172  Langhana ou Terapia de Alívio ........................................................... 173  Brmhana ou Terapia de Nutrição ........................................................ 174  Ruksana ou Terapia Secativa............................................................... 174  Snehana ou Terapia de Oleação .......................................................... 175  Svedana ou Terapia de Fomentação .................................................... 176CAPÍTULO 6 ................................................................................................... 177DIETA .............................................................................................................. 177 CLASSIFICAÇÃO DOS GÊNEROS ALIMENTÍCIOS E DAS BEBIDAS .............................. 178  Sukadhanya (cereais com cerdas) ........................................................ 179  Samidhanya (grãos comestíveis) .......................................................... 179  Mamsavarga (carnes) .......................................................................... 179  Saka varga (vegetais) .......................................................................... 185  Phalavarga (frutas) .............................................................................. 185  Harita varga (vegetais utilizados crus) ................................................. 187  Madya varga (bebidas alcoólicas) ....................................................... 187  Jala varga (vários tipos de água) ......................................................... 187  Gorasa varga (derivados do leite) ........................................................ 188  Iksu varga (produto da cana de açúcar)............................................... 188  Krtanna varga (preparações de alimentos cozidos)............................... 188  Aharayogi varga (acessórios das preparações) .................................... 188CAPÍTULO 7 ................................................................................................... 189DROGAS .......................................................................................................... 189 AÇÕES DO SABOR DOCE .................................................................................. 189 AÇÕES DO SABOR AZEDO ................................................................................ 189 AÇÕES DO SABOR SALGADO ............................................................................ 190 AÇÕES DO SABOR PUNGENTE .......................................................................... 191 AÇÕES DO SABOR AMARGO ............................................................................. 192 AÇÕES DO SABOR ADSTRINGENTE ................................................................... 192 5
  • 6. CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS AYURVÉDICAS................................................... 193 PREPARAÇÕES COMPOSTAS ............................................................................. 194 NOMES DAS FORMULAÇÕES DE DROGAS .......................................................... 195 PROCESSOS FARMACÊUTICOS .......................................................................... 196 SODHANA OU PURIFICAÇÃO ............................................................................. 196 MELHORES DROGAS, DIETAS E CONDUTAS ...................................................... 197 MELHORES DROGAS PARA CERTAS DOENÇAS .................................................. 202CAPÍTULO 8 ................................................................................................... 206MÉTODOS DE PREPARAÇÃO DAS DROGAS AYURVÉDICAS............... 206  Suco.................................................................................................... 206  Pó (Curna) .......................................................................................... 207  Decocção (Kvatha) ............................................................................. 207  Pasta (Kalka) ...................................................................................... 208  Infusão (Phanta) .................................................................................. 208  Infusão fria (Situ kasaya) .................................................................... 208  Preparação com leite (Ksira paka) ...................................................... 208  Emplastro ou geléia (Avaleha, lehya, paka ou khanda) ........................ 208  Ghee e óleo medicinal (taila e ghrta).................................................... 209  Preparações alcoólicas (Asava e arista) .............................................. 210  pílulas (Gutika, vati e modaka)............................................................ 211  Preparações em crosta (Parpati).......................................................... 212  Medicamentos preparados por sublimação (Kupipakva rasayana)........ 212  Pisti .................................................................................................... 213  Colírio (Anjana).................................................................................. 213  Metais, minerais, pedras preciosas e outros calcinados em pó (Bhasma) 213CAPÍTULO 9 ................................................................................................... 215A CANNABIS E OS ANTIGOS TEXTOS MÉDICOS ................................... 215 REVISÃO DA LITERATURA .................................................................................. 216 SINÔNIMOS ...................................................................................................... 218 MITOLOGIA SOBRE A ORIGEM DA CANNABIS ........................................................ 219 DESCRIÇÃO MORFOLÓGICA EM TEXTOS ANTIGOS ................................................ 219 SEXO DA PLANTA .............................................................................................. 220 USUÁRIOS AUTORIZADOS .................................................................................. 220 PROCESSOS FARMACÊUTICOS ............................................................................ 221 FORMULAÇÃO .................................................................................................. 222 INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS .............................................................................. 223 TOXICIDADE .................................................................................................... 224 CONTROLE DOS E FEITOS TÓXICOS ..................................................................... 225 VIJAYA KALPA OU PREPARAÇÃO ESPECIAL PARA O REJUVENESCIMENTO ............. 225 CULTIVO ......................................................................................................... 2266
  • 7. PROCESSAMENTO ............................................................................................. 227 ADMINISTRAÇÃO DA TERAPIA ............................................................................ 227 DISCUSSÃO ...................................................................................................... 228CAPÍTULO 10 ................................................................................................. 232A DROGA TERMINALIA CHEBULA NA LITERATURA MÉDICAAYURVÉDICA E TIBETANA ........................................................................ 232 ESTÓRIAS MITOLÓGICAS ................................................................................... 233 SINÔNIMOS ...................................................................................................... 234 VARIEDADES .................................................................................................... 235 IDENTIFICAÇÃO DOS VÁRIOS TIPOS .................................................................... 237 HABITAT .......................................................................................................... 237 CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS ........................................................................... 238 ANÁLOGOS ...................................................................................................... 238 RASA, VIRYA, VIPAKA E GUNA........................................................................ 239 PROPRIEDADES TERAPÊUTICAS ......................................................................... 240  Notas .................................................................................................. 241CAPÍTULO 11 ................................................................................................. 246O ALHO NOS ANTIGOS TEXTOS MÉDICOS INDIANOS ......................... 246 MITOLOGIA SOBRE A ORIGEM DE LASUNA ......................................................... 247 VARIEDADES .................................................................................................... 249 SINÔNIMOS ...................................................................................................... 250 RASA OU SABOR DA DROGA .............................................................................. 251 PROPRIEDADES E AÇÕES FARMACOLÓGICAS ....................................................... 252 USOS TERAPÊUTICOS ........................................................................................ 254 ADJUVANTES PARA DIFERENTES DOENÇAS ......................................................... 256 RASONA KALPA .............................................................................................. 257  Pessoas Adequadas para a Administração de Rasona Kalpa ................ 258  Pessoas Inadequadas para Rasona Kalpa............................................ 258  Estação Adequada .............................................................................. 259  Coleta do Allium sativum..................................................................... 259  Processamento .................................................................................... 259  Dosagem............................................................................................. 261  Preparação do Paciente ...................................................................... 261  Método de Administração.................................................................... 262  Complicações e seu Controle............................................................... 262  Anupana ............................................................................................. 262  Cuidados Pós-Terapia......................................................................... 263  Duração da Terapia ............................................................................ 263  Pathya ou Dieta Adequada .................................................................. 263  Alimentos e Condutas Insalubres ......................................................... 264  Complicações Decorrentes de Condutas Inadequadas ......................... 264 7
  • 8.  Tratamento das Complicações............................................................. 265  Cuidados Pós-Terapia......................................................................... 265 FORMULAÇÕES COMBINADAS ............................................................................ 265  Notas e Referências............................................................................. 267CAPÍTULO 12 ................................................................................................. 269ESTUDO E PRÁTICA ..................................................................................... 269 SELEÇÃO DE TEXTOS MÉDICOS .......................................................................... 269 SELEÇÃO DE UM PROFESSOR DE MEDICINA ........................................................ 270 SELEÇÃO DO ESTUDANTE DE MEDICINA ............................................................. 271 INICIAÇÃO AO ESTUDO...................................................................................... 272 OS MÉDICOS E SUAS CARACTERÍSTICAS .............................................................. 273 CARACTERÍSTICAS DE UM BOM MÉDICO ............................................................. 273 CARACTERÍSTICAS DOS MÉDICOS FINGIDOS E PSEUDOMÉDICOS ........................... 276CAPÍTULO 13 ................................................................................................. 278OUTROS SISTEMAS TRADICIONAIS DE MEDICINA.............................. 278 UNANI TIBB ..................................................................................................... 278  Princípios Fundamentais do Sistema Unani de Medicina ..................... 280 SISTEMA SIDDHA DE MEDICINA ......................................................................... 281  Mitologia sobre a Origem do Sistema Siddha ...................................... 281  Propositores do Sistema Siddha de Medicina ....................................... 282  Princípios Fundamentais..................................................................... 282  Classificação das Drogas .................................................................... 283  Diagnóstico das Doenças .................................................................... 284  Kalpa Cikitsa ...................................................................................... 284 EMCHI OU SISTEMA TIBETANO DE MEDICINA ...................................................... 285  Classificação do Conhecimento ........................................................... 286  Relações Indo-Tibetanas ..................................................................... 286 PRAKRTIKA CIKITISA (NATUROPATIA) ................................................................. 288  História .............................................................................................. 288  Princípios Fundamentais..................................................................... 289  Prática da Naturopatia ....................................................................... 290 YOGA .............................................................................................................. 290  Princípios Fundamentais..................................................................... 291 TANTRA ........................................................................................................... 2998
  • 9. PREFÁCIO Entre a linha de frente dos eruditos em Ayurveda da novageração, o Dr. Bhagwan Dash é uma daquelas poucas pessoasnas quais deposito minhas esperanças pela manutenção daimagem pura do Ayurveda tanto na Índia quanto no exterior. Seu novo livro é benvindo pois, considerando que o autorestá intimamente familiarizado com os conceitos do Ayurveda, suaexposição permanece livre das distorções laboriosas quecaracterizam o trabalho das vítimas de vários tipos de complexosde inferioridade cuja principal preocupação parece ser, de algumaforma, ajustar os conceitos Ayurvédicos ao leito procustiano daalopatia. Nesta obra, sua última compilação, o Dr. Dash trabalhoucom os fundamentos do Ayurveda de uma maneira lúcida e comestilo facilmente compreensível. O livro é lançado em uma épocaem que o Ayurveda atrai a atenção dos cientistas médicos depaíses desenvolvidos como os EUA e o Japão, e no momento emque esta grande Ciência Indiana da Vida começa a sedesenvolver nas instituições médicas ocidentais. Deste modo,esta publicação oportuna é destinada a disseminar efetivamente oconhecimento do Ayurveda entre os estudantes da ciência médicatanto no Oriente como no Ocidente.Shiv SharmaPresidente do Conselho Central de Medicina IndianaNova Delhi 9
  • 10. NOTA PARA A EDIÇÃO INDIANA Revelações mais recentes sobre os efeitos colaterais dasdrogas alopáticas — quimioterápicos e antibióticos — têmaterrorizado muitas pessoas em todo o mundo e existem esforçoscombinados para encontrar uma alternativa para as mesmas. OAyurveda, a medicina tradicional da Índia, consiste de uma práticaininterrupta desde eras pré-históricas e talvez sua posição seja amais viável na área. Infelizmente, devido às dificuldades da línguana qual foram compostos os clássicos originais, o conhecimentode seus princípios e práticas fundamentais tem permanecidoinacessível aos cientistas e pesquisadores do Ocidente e mesmopara alguns indianos não familiarizados com o sânscrito. Parasatisfazer esta imensa necessidade estamos publicando estetrabalho do Dr. Bhagwan Dash. O Dr. Dash não é um autor novo para os leitores. Há maisde três décadas está ativamente conectado com a profissãoAyurvédica – em sua pesquisa e prática. Ao lado das muitascontribuições aos jornais estrangeiros e indianos, tem participadode diversas conferências internacionais sobre Ayurveda, Yoga,Medicina Tibetana e outras ciências orientais, tendo viajado paravárias regiões da Índia e países estrangeiros com esta finalidade. São suas estas importantes publicações:1. Caraka Samhita, com tradução e notas críticas em inglês,baseado no Ayurveda Dipika de Cakrapani, volumes I, II, III e IV;2. Concept of Agni in Ayurveda;3. Ayurvedic Treatment for Common Diseases;4. Embryology and Maternity in Ayurveda;5. Tibetan Medicine with Special Reference to Yoga Sátaka10
  • 11. 6. Ayurveda for Healthy Living. No capítulo introdutório deste livro, são ressaltadas asvantagens únicas do Ayurveda, seu progresso e os altos e baixosatravés dos diferentes períodos da história. Descrevem-se emdetalhes os princípios fundamentais como a teoria do PañcaMahabhuta, as teorias do Tridosha e do Sapta Dhatu que sãoessenciais para a compreensão adequada do Ayurveda. Estaciência atribui grande ênfase à preservação de uma saúdeverdadeira e à prevenção das doenças. Estão delineados osvários métodos descritos no Ayurveda e praticados na Índiaantiga. A dieta representa um importante papel na práticaAyurvédica. Conseqüentemente, detalhes sobre os váriosingredientes das dietas e as bebidas encontram lugar neste livro.Para ilustrar o conceito da composição e da ação de uma droganos diferentes clássicos ayurvédicos e Nighantus, estão descritasem detalhes três drogas: Cannabis, Haritaki e Allium. Todas estasdrogas são extensivamente utilizadas no Ayurveda,principalmente para propósitos de rejuvenescimento. O métodoempregado na Índia antiga para a seleção de estudantes, osensinamentos e a iniciação dos médicos também estão incluídos.Há muitos outros sistemas tradicionais de medicina na Índia;alguns são contemporâneos ao Ayurveda e outros vieram paraeste país posteriormente. Eventualmente, ocorre um intercâmbiode idéias entre o Ayurveda e tais sistemas. Portanto, é fornecidoum resumo dos princípios fundamentais das medicinas Unani,Siddha, Emchi ou Tibetana, o Prakrtika Cikitsa ou Naturopatia,juntamente com a Yoga e os Tantras, no último capítulo destelivro. Se este trabalho puder auxiliar a mitigar um pouco osofrimento da humanidade e a promover o avanço da ciênciamédica, sentiremos nossos esforços amplamente recompensados. 11
  • 12. R. S. Bansal12
  • 13. PREFÁCIO PARA A EDIÇÃO REVISADA Mesmo que as drogas de origem vegetal predominem nasprescrições Ayurvédicas, no período pós-Budista, surgiu um ramoespecial desta ciência vital denominado Rasasastra ouIatroquímica. Neste ramo, descrevem-se propriedades e métodosde processamento de metais, minerais, pedras preciosas erochas. É utilizado tanto para promoção como para a prevençãoda saúde verdadeira e a cura das doenças. O uso de metais, etc.era por certo encontrado nos clássicos Ayurvédicos antes dodesenvolvimento deste ramo, mas sua utilização freqüente estavarestrita e era utilizada em forma bruta ou semi-processada. Osmonges budistas, os siddhas e os santos da escola Nathadescobriram que os produtos herbáceos isolados sãoinadequados para enfrentar as alterações causadas por doençasdevastadoras e pela debilidade física. Com base em seusexperimentos, experiências e, sobretudo, poder espiritual, elesprocessavam metais para torná-los não tóxicos, terapeuticamentemais potentes, especialmente para o rejuvenescimento do corpo,com o qual poderiam prosseguir em suas práticas espirituais semobstáculos, livre de doenças e da morte prematura. O objetivoprimário era atingir o estado de jivan-mukta ou da salvação daalma, enquanto ainda vivos e enquanto ainda estivessem servindoà sociedade. Metais, assim como produtos vegetais, são compostos decinco elementos básicos denominados mahabhutas e todos osconceitos da composição e da ação das drogas são aplicáveis aosmesmos como um todo. A única diferença encontra-se em quesejam utilizados em doses muito pequenas, através das quais são 13
  • 14. capazes de curar muitas doenças crônicas e, portanto, incuráveis,incluindo aquelas para as quais esteja indicado o procedimentocirúrgico. Na medicina moderna, algumas preparações metálicas, emuso no passado, foram abandonadas como conseqüência de seusefeitos tóxicos. Os cientistas e médicos modernos estão, portanto,temerosos em utilizar as fórmulas Ayurvédicas para si e para seuspacientes. Isto se deve principalmente à sua ignorância quanto àrealização dos procedimentos seguidos pelos médicosAyurvédicos na preparação destes metais, tornando-os livres dequaisquer efeitos adversos ao organismo, antes de utilizá-loscomo medicamentos. O uso criterioso destas preparações metálicas podeprevenir a necessidade de cirurgia em muitas doenças e, portanto,tornar os pacientes livres dos fatores de risco. As diversasdoenças para as quais a medicina moderna não possuimedicamentos disponíveis, no momento, podem ser curadassatisfatoriamente por estas preparações. Para eliminar aignorância e para atingir a iluminação, foi adicionado à esta ediçãoum novo capítulo sobre os ―Métodos de Preparação dosMedicamentos Ayurvédicos‖, somado a muitas outras alterações esuplementos.Dr. Bhagwan Dash14
  • 15. PREFÁCIO PARA A PRIMEIRA EDIÇÃO A utilização dos sistemas tradicionais de medicina para osserviços de promoção da saúde, prevenção e cura das doençastem sido seriamente considerada em várias partes do mundo. AOrganização Mundial de Saúde, em uma de suas Resoluções,enfatiza a utilização destes sistemas médicos pelos paísessubdesenvolvidos e em desenvolvimento. Juntamente com acrescente apreciação dos méritos destes sistemas tradicionais demedicina, há um aumento na demanda de livros expondo osprincípios fundamentais em que se baseiam. Algumas destas práticas tradicionais estão apenas nofolclore e outras estavam compostas originalmente em idiomascomo o sânscrito, chinês, tibetano, mongól, árabe, persa, tamil esimhali. Nas últimas poucas décadas houve uma exploração dasdrogas destes sistemas tradicionais sem uma observaçãocuidadosa aos seus princípios fundamentais. O uso destas drogasnão é meramente empírico, como considerado por algumaspessoas, mas para alguns destes sistemas tradicionais existemfundamentos racionais e científicos para explicar a ação e acomposição das drogas, as causas das doenças, sua prevenção,assim como a cura e a manutenção de uma estado de saúdeverdadeiro. É necessário, portanto, que cientistas e pesquisadorestrabalhem para se familiarizarem com estes princípiosfundamentais antes de se envolverem na exploração de novasdrogas e terapias poderosas. 15
  • 16. Os princípios fundamentais destes sistemas tradicionaisestão freqüentemente combinados com filosofia, religião easpectos aplicados. Aprender a linguagem original e examinar taisprincípios apresenta-se como um problema difícil mesmo para umpesquisador bem intencionado. Na época em que estes textosforam compostos, a facilidade de impressão também não existiaou não estava bem desenvolvida. Portanto, havia um esforçointencional da parte dos autores em produzir trabalhos sucintos ecríticos. A maioria dos trabalhos originais sobre o Ayurveda estãoescritos em versos, freqüentemente concisos e de difícilcompreensão. Como conseqüência das vicissitudes da época,muitos destes textos foram perdidos e subseqüentementerestaurados com o auxílio de diferentes fontes materiais entãoexistentes. Eram freqüentes as alterações não autorizadas e oserros de interpretação durante tais processos de recuperação ecaligrafia. Deste modo, o preparo de um livro sobre os princípiosfundamentais do Ayurveda, com uma linguagem simples,selecionando cuidadosamente materiais autênticos a partir destestextos, deve-se à grande necessidade de auxiliar ospesquisadores e estudantes neste campo da ciência. Com relação às ciências modernas básicas, como a físicae a química, alguns destes princípios dos sistemas tradicionais demedicina podem ser aparentemente irracionais e não-científicos.Uma pessoa com atitude científica não deve precipitar-se em tirarconclusões sobre eles à primeira vista. As limitações das ciênciasmodernas, principalmente quando relacionadas com um assuntocomo a medicina, são bem conhecidas. O indivíduo não é apenasum aglomerado de pele, músculos e ossos, mas possui umamente, um intelecto, o ego e uma alma. Neste campo pouco temsido feito pela ciência moderna. Os cientistas de todo mundoestão imensamente preocupados com as pesquisas neste campo,mas levará um tempo considerável até que surjam16
  • 17. empreendimentos suficientes nesta direção. Portanto, antes dequaisquer conclusões sobre os princípios fundamentais doAyurveda devem ser feitas considerações adequadas parapreencher esta lacuna no conhecimento atual. Em toda cultura, a tradição ocupa uma importante funçãoe, com freqüência, impõe-se uma crença irracional pelosindivíduos da região sem a verificação da veracidade destaspráticas tradicionais. Por outro lado, em nome da civilização e damodernização, estas práticas tradicionais são detestáveis paraalguns. Consideram tudo que é tradicional como supersticioso edogmático e, portanto, defendem sua total rejeição. A verdaderepousa talvez em alguma área entre estas duas linhas deabordagem. Embora não seja nem desejável nem científicoaceitar tudo o que for tradicional como verdadeiro, sem verificaçãoadequada, é igualmente não científico rejeitá-los completamenteapenas por serem tradições ou antigos. Muitos aspectos considerados mitos tornam-se agora fatoscientíficos. A circulação sangüínea descrita no Susruta Samhita(antes de 700 A.C.) era mito até Harvey. A secreção ou sucogástrico e sua função no processo digestivo como descrito noCaraka Samhita (antes de 700 A.C.) era um mito até Pavlov. Aprática tradicional de inoculação contra varíola (masurika) era ummito até Edward Jenner. Mesmo atualmente, pessoas capazes deopinar recusam-se a acreditar que pudesse ser utilizada na Índiatal prática preventiva para uma doença tão temerosa, antes desua exploração científica. Esta antiga prática é predominantemesmo nos dias de hoje (quando a varíola já está erradicada emnosso país) pelos Malis, nas vilas de Bihar. A descrição da cirurgiaplástica como feita no Susruta Samhita teria permanecido ummito, não fosse sua vasta propagação e aceitação no presentepelos cirurgiões ocidentais. O transplante de cabeça descrito nosVedas, para o qual há uma referência neste livro, e o 17
  • 18. rejuvenescimento do corpo descrito na literatura védica e nosclássicos Ayurvédicos, como o Caraka Samhita e o SusrutaSamhita, continuam sendo considerados mitos até que sejamdemonstrados na prática. O poeta Kalidasa, na introdução de suamemorável peça Malavikagnimitra afirma: “Todas as coisas antigas não devem ser necessariamente verdadeiras; todas as coisas novas não devem ser necessariamente isentas de falhas. Para o homem sábio, ambas devem ser aceitas apenas se permanecerem após o teste. O insensato, entretanto, é controlado pela corrente de opiniões alheias”. O Ayurveda, assim como outros sistemas de medicinatradicional possui características únicas. Enfatiza a promoção dasaúde verdadeira e a prevenção das doenças. A existência deorganismos e seu papel na causa de muitas doenças infecciosastêm sido reconhecida e trabalhada. Mas para promover a cura e aprevenção destas doenças, as drogas e as terapias prescritas nosclássicos Ayurvédicos e administradas por médicos assimformados não objetivam a destruição destes organismos. Algunsdestes medicamentos podem possuir efeitos bacteriostáticos oubactericidas, mas a maioria deles não age desta maneira. NoAyurveda, dá-se mais ênfase ao ―campo‖ do que à ―semente‖. Seo campo está árido, a semente, por mais potente que seja, nãopoderá germinar. Da mesma maneira, por mais agressivos que abactéria ou o microorganismo possam ser, não serão capazes deproduzir uma doença no corpo humano, a menos que os tecidosdeste corpo estejam férteis o suficiente para aceitá-los e ajudá-losem seu crescimento e multiplicação. A destruição destesorganismos por medicamentos não resolve o problemapermanentemente. Pode oferecer um alívio momentâneo e,18
  • 19. talvez, a resistência do indivíduo durante este período possa sersuficientemente desenvolvida, como uma reação à infecção porestes microorganismos, para prevenir seus ataques futuros. Ohomem não vive em uma atmosfera totalmente livre de germes,mesmo que possa minimizá-los. O que se poderia fazerseguramente seria conservar os tecidos orgânicos infertéis e nãoreceptivos a estas bactérias. Se o corpo adoecer, os tecidosdevem estar tão condicionados pelas drogas, pela dieta e poroutros métodos que estes microorganismos, quaisquer que sejamas denominações pelas quais venham a ser conhecidos,encontrarão uma atmosfera hostil à sua sobrevivência,multiplicação e desenvolvimento. Portanto, todos osmedicamentos e terapias, incluindo as técnicas preventivas,prescritos no Ayurveda objetivam o condicionamento dos tecidose não a destruição dos organismos invasores. As drogasempregadas como bactericidas devem exercer um efeitosemelhante nos tecidos corporais. Quando administradas emdose suficiente para destruir os organismos patogênicos,destroem simultaneamente os organismos da flora normal eprejudicam o funcionamento adequado dos tecidos. Deste modo,produzem efeitos colaterais tóxicos enquanto curam a doença. Osmedicamentos Ayurvédicos, por outro lado, enquanto condicionamos tecidos corporais contra os organismos patogênicos,promovem nutrição e rejuvenescimento. Quando a doença estivercurada, o indivíduo adquire muitos benefícios colaterais. Por estarazão, os medicamentos Ayurvédicos são tônicos. Exceto poralgumas drogas modernas, por exemplo, minerais e vitaminas,todas as outras são exclusivamente indicadas para pacientes. Asdrogas Ayurvédicas, por outro lado, podem ser administradastanto para pacientes como para indivíduos saudáveissimultaneamente – em pacientes curam as doenças e nos 19
  • 20. indivíduos saudáveis previnem as doenças e promovem a saúdeverdadeira. Para ilustrar este ponto: Vasa (Adhatoda vasica, Nees.) éprescrita freqüentemente pelos médicos Ayurvédicos parapacientes portadores de bronquite, laringite, faringite e mesmotuberculose. Talvez alguns elementos desta droga tenhampropriedades para destruir alguns dos organismos que causamestas doenças. Mas esta não é a principal razão que motiva omédico a prescrevê-la. Estes organismos desenvolvem-se emultiplicam-se para produzir a doença no trato respiratório apenasquando os elementos teciduais locais estão alterados com umexcesso de kapha dosa. A Adhatoda vasica Nees., ou Vāsa,contra-ataca este distúrbio de kapha dosa e auxilia namanutenção deste estado de equilíbrio corporal, tornando osorganismos incapazes de produzir aquelas patologias. No Ayurveda o tratamento prescrito não visa a correção daregião afetada isoladamente. No processo de manifestação dadoença, vários órgãos estão envolvidos. A doença tem origem emum local particular, move-se através de um canal particular emanifesta-se em um órgão particular. Entretanto, o tratamentosempre objetiva a correção do sítio de origem e os canais decirculação ao longo do local de manifestação da doença, todosjuntos. Citarei como exemplo o tratamento da bronquite asmática,que na linguagem Ayurvédica é conhecida como tamaka svasa. Adificuldade respiratória nesta doença é causada pelo espasmo daárvore brônquica e, acreditando nisto, drogas broncodilatadorassão geralmente prescritas na medicina moderna. Mas o objetivodo tratamento Ayurvédico para esta patologia é diferente. Talvezalgumas drogas utilizadas contra estas doenças tenham efeitobroncodilatador, e isto pode ser demonstrado em experimentoscom animais, mas a maioria das drogas empregadas nestestratamentos não produzirá qualquer efeito semelhante e um20
  • 21. farmacologista ficará perplexo e as rejeitará definindo-as comoinúteis para o tratamento da bronquite asmática. Um clínico, poroutro lado, apreciará tais efeitos em seus pacientes, apesar denão ser capaz de explicá-los em termos de fisiologia e conceitospatológicos modernos. Esta doença tem sua origem no estômagoe no intestino delgado. O objetivo principal do médico Ayurvédicoé corrigir estes dois órgãos através de uma terapia com eméticosou administrando medicamentos que conservem os intestinoslimpos. O Haritaki (Terminalia chebula, Retz.), juntamente comoutros medicamentos, é eficaz no tratamento destes dois órgãose, portanto, as preparações indicadas para o tratamento dabronquite asmática contém, invariavelmente, haritaki e outrasdrogas de efeitos semelhantes. Todos estes detalhes fornecidos acima chamam a atençãodos cientistas e pesquisadores que não estão familiarizados como Ayurveda justamente pela essencialidade do conhecimento dosfundamentos deste sistema na compreensão e apreciaçãocientífica da ação das drogas e das terapias existentes. Este é oobjetivo principal da realização deste livro. O que está sendofornecido aqui serve apenas para despertar seu interesse paraestudos posteriores. Em um pequeno livro como este não podemser dados todos os detalhes. De fato, outros livros devem serescritos sobre cada um destes tópicos para explicá-losinteiramente aos leitores. Desejo incluir aqui uma nota de precaução. Você não devese deixar dominar pela idéia de que o que está escrito neste livroseja tudo o que existe disponível sobre o Ayurveda. Não éverdadeiro. Está sendo fornecido aqui apenas um resumo destesprincípios extraídos principalmente do Caraka Samhita. Eviteiintencionalmente os detalhes e as diferentes interpretações epontos de vista para não tornar o leitor confuso com muitosdetalhes ao iniciar seu estudo. Este livro é, à princípio, destinado 21
  • 22. a um iniciante, um cientista ou um médico que não estejafamiliarizado com o Ayurveda e para quem o estudo dos clássicosoriginais em sânscrito não seja possível. No capítulo I, quando da definição do Ayurveda e daelaboração de seu campo de ação, as diferentes especialidadesestão enumeradas. Devido às vicissitudes da época e à falta depatrocínio, muitos dos ramos do Ayurveda não estão mais emprática. Existem evidências registradas sobre a prática de grandescirurgias, procedimentos como craniotomia e cirurgia plástica nosclássicos Ayurvédicos e nos trabalhos afins. Infelizmente,tornaram-se matéria da história da medicina. Neste capítulo, estãodescritas as características próprias do Ayurveda de formaresumida. No Capítulo II, apresenta-se uma breve revisãohistórica do Ayurveda. No Capítulo III estão descritos vários princípiosfundamentais. Como já citado anteriormente, o Ayurveda enfatizamuito a promoção da saúde verdadeira e a prevenção dasdoenças. Com este propósito, no Capítulo IV descrevem-sediferentes dietas e comportamentos para os horários diurno (dina-carya) e noturno (ratri-carya) e para as diferentes estações do ano(rtu-carya). São fornecidos de maneira sucinta diferentes tipos deterapias rejuvenescedoras e métodos de administração queauxiliam na promoção da saúde absoluta. Para a análise do paciente e da doença que o acomete,alguns métodos de diagnóstico exclusivos do Ayurveda sãodescritos e delineados no Capítulo V. O Ayurveda possui suaprópria maneira de descrever a causa das doenças e declassificar os diferentes métodos para o tratamento. Isto tambémestá relacionado neste capítulo. O Capítulo VI refere-se à dietaAyurvédica. Os ingredientes que compõem as dietas e as bebidasestão classificadas de maneira diversa em diferentes textos22
  • 23. Ayurvédicos. Foi seguido aqui o método descrito no CarakaSamhita. O Capítulo VII lida com as drogas e os princípios seguidosem sua classificação. Ilustra também o modo de ação dasmesmas. Para ilustrar o que está exposto neste capítulo, trêsdrogas estão detalhadas. São elas: Cannabis, Haritaki (Terminaliachebula, Retz.) e Allium. Todas são muito utilizadas popularmentena medicina Ayurvédica. O Haritaki é empregado em quase todasas preparações Ayurvédicas importantes. Allium é mais utilizadocomo condimento caseiro. Cannabis é mal empregada comoagente psicotrópico. Devido às suas utilidades, diferentes estóriasmitológicas são descritas nos clássicos Ayurvédicos para enfatizarsua importância. Todos os textos Ayurvédicos descrevem estastrês drogas como produtos da amrta (ambrosia). A descriçãodestas substâncias está nos Capítulos VIII, IX e X, juntamentecom as estórias mitológicas, o uso progressivo em épocasdiferentes, seus sinônimos, propriedades e ações. Na descriçãodo Haritaki (Terminalia chebula Retz.), foi fornecido o materialdisponível sobre esta droga na literatura médica tibetana com aintenção de demonstrar as semelhanças e diferenças existentesnos dois tipos de práticas tradicionais. O estudo, a iniciação e a prática do Ayurveda eram bemcontrolados no passado e diferentes regras eram sistematizadaspara os testes de seleção dos estudantes para o ensino médico. Afunção de um médico genuíno era bem estabelecida e as pessoaseram cuidadosas para não levarem em consideração médicosfalsos e charlatães. Suas características estão descritas noCapítulo XI. No Capítulo XII, é fornecido o resumo dos princípiosfundamentais de outros sistemas de medicina denominados UnaniTibb, Siddha, Emchi e Prakrtika Cikitsa, juntamente com Yoga e 23
  • 24. Tantra, com a intenção de demonstrar suas semelhanças com osprincípios do Ayurveda. Todos os sistemas de medicina, tradicionais, folclóricos oumodernos, têm seu campo de ação significativo e próprio nosserviços de promoção da saúde, prevenção e cura nos paísesdesenvolvidos, em desenvolvimento e subdesenvolvidos. Não éintenção do autor minimizar ou negar a importância de qualquersistema de medicina ou exagerar em outros. Se abrirmos oscapítulos da história, tornar-se-á evidente que nenhuma cultura oucivilização desenvolveu-se isoladamente. Bons ensinamentos deoutros e aspectos úteis de alguns de nossa própria tradiçãosempre foram respeitados e utilizados sem reservas para oprogresso. Portanto, o Ayurveda não é a expressão exclusiva detudo que é verdadeiro e útil. Esta noção é contrária aos própriosprincípios fundamentais do Ayurveda e sistemas afins da culturaindiana. De acordo com o Caraka: (Caraka: Vimãna 8:14) “O sábio considera o universo inteiro como seu preceptor. Apenas o insensato encontra inimigos nele. Você deve, portanto, aceitar sem hesitação o conselho apropriado que pode vir de qualquer parte, mesmo de um inimigo, e segui-lo.” Conservando na mente este conselho do Caraka, todos ossistemas de medicina, tradicionais ou modernos, devem agir comocomplementares e suplementares para cada um, de forma amitigar as misérias, dando alívio aos sofrimentos da humanidade. Dr. Bhagwan Dash24
  • 25. ABREVIAÇÕESAH - Astanga HrdayaAHAUN - ―All About Allopathy, Homoeopathy, Unani and Nature Cure‖, Dr. O. P. JaggiAS - Astanga SangrahaBBR - Bharata Bhaisajya RatnakaraBP - Bhava PrakasaBNR - Brhannighantu RatnakaraBR - Bhaisajya RatnavaliBYR - Brhadyoga RatnakaraCD - CakradattaCS - Caraka SamhitaDN - Dhanvantari NighantuGN - GadanigrahaHS - Harita SamhitaKN - Kayadeva NighantuKS - Kasyapa SamhitaMV - MadanavinodaNA - NavanitakaNR - Nighantu RatnakaraNS - Nighantu SiromaniRN - Raja NighantuRVN - Rajavallabha NighantuSA - Sarangadhara SamhitaSGN - Saligrama NighantuSS - Susruta SamhitaSSM - ―Introduction to the Siddha System of Medicine‖, Dr. V. NarayanaswamiVM - VrndamadhavaVS - VangasemaYR - Yoga Ratnakara 25
  • 26. EQUIVALENTES ROMANOS DO DEVANAGARI26
  • 27. CAPÍTULO I INTRODUÇÃO O homem esforçou-se eternamente para se conservar livredos três tipos de misérias denominadas físicas, mentais eespirituais. Neste sentido, a história da medicina é tão velhaquanto a história da humanidade. De acordo com a tradiçãoindiana, os quatro principais objetivos da vida humana são: oDharma ou a realização das Leis da vida, Artha ou a aquisição dariqueza, Kama ou a satisfação dos desejos mundanos e Moksa oua salvação. A boa saúde era considerada imprescindível para aaquisição destes objetivos. Os sistemas tradicionais de medicina desenvolveram-senas várias partes do mundo durante épocas diferenciadas. Umaforma sistemática foi-lhes dada em diferentes centros antigos decivilização e cultura. De acordo com o Caraka, o Ayurveda ou ―aciência da vida‖ sempre existiu, assim como sempre existirampessoas que a compreendiam à sua maneira. Alguns destessistemas estão baseados em princípios fundamentais sólidos eracionais e outros possuem apenas uma base empírica. Algunsnão sobreviveram e tornaram-se assunto da história da medicina,como as medicinas grega e egípcia. E ainda outros, como ossistemas tradicionais da Índia e da China, não apenas 27
  • 28. sobreviveram, mas evoluem de forma completa sob o patrocíniodo Estado. Ayurveda, Unani, Siddha, Emchi (tibetano) e PrakrtikaCikitsa (naturopatia) são os vários sistemas tradicionais demedicina ainda prevalentes na Índia. Yoga e Tantra, a princípiodestinados a aquisições espirituais, possuem também certasindicações para a prevenção e cura de doenças psíquicas, físicase psicossomáticas. Além disso, muitos tipos de medicinaspopulares são prevalentes em diferentes áreas tribais da Índia.Elas possuem uma rica tradição no uso das plantas, produtosminerais e animais que apresentam utilidade terapêutica. Dentre os sistemas tradicionais de medicina da Índia, aprática do Ayurveda predomina em quase todas as regiões dopaís e em países vizinhos como o Nepal, Sri Lanka, Bangladesh eo Paquistão. Unani Tibb, que significa literalmente ―medicinagrega‖, é popular em certas regiões do país, dominadas pelapopulação muçulmana. O sistema Siddha de medicina identifica-se com a cultura Dravidiana predominante no Estado de TamilNadu e certas áreas adjacentes aos Estados vizinhos do sul daÍndia, que possuem população de idioma Tâmil. Emchi, maisconhecido como sistema tibetano de medicina, é popular emcertas regiões fronteiriças do norte da Índia como Laddakh, Lahul,Spiti, Darjeeling e Sikkim. Estas áreas possuem fronteira comumcom o Tibete e a China. Os locais para a prática de Yoga, Tantrae Prakrtika Cikitsa são centros localizados em diferentes partes dopaís. Diferentes tipos de medicina popular prevalecem entre osAdivasis ou povos tribais, em sua maioria habitantes das áreasflorestais dos Estados de Orissa, Bihar, Madhya Pradesh, AndhraPradesh e Rajasthan. Há muitos aspectos em comum entre estes sistemastradicionais de medicina na Índia, tanto na prática como na teoria.Cada um deles tem dado e tomado um do outro. Os28
  • 29. medicamentos de um sistema são, desse modo, livrementeutilizados pelos médicos de outro sistema, não constituindocompartimentos estanques. Entretanto, o Ayurveda, que é o maispopular entre a população da Índia, possui uma posiçãoprivilegiada entre eles. Definição de Ayurveda A palavra Ayurveda é composta de dois termos emsânscrito, viz., ayus significa ―vida‖ e veda significa o―conhecimento‖; juntos significam ―ciência da vida‖. Deste modo,definindo o sentido, é costume considerá-la sempre como ―ciênciada medicina‖. O Caraka define Ayurveda como a ―ciência com aajuda da qual alguém pode obter conhecimento sobre os modosde vida úteis e prejudiciais (hita e ahita ayus), felizes e miseráveis,coisas que são úteis e prejudiciais para tais modos de vida, sobrea duração da vida e a sua verdadeira natureza‖. Vê-se atravésdesta definição que o Ayurveda enfatiza não apenas odirecionamento a uma vida repleta de felicidade, a qual implica emuma atitude individualista, mas também direciona à uma vida queseja útil à sociedade como um todo. O homem é um ser social.Ele não pode retirar-se da sociedade. A menos que a sociedadese torne feliz, não será possível para o indivíduo obter e mantersua própria felicidade. É com isso em mente que o indivíduo devefazer sempre um esforço para contribuir com a felicidade dasociedade, e os textos Ayurvédicos estão repletos de referênciasquanto às formas pelas quais a sociedade pode ser mantida feliz.A medicina social, que é tratada como um novo conceito nosistema de medicina Ocidental, não é nada além do quereminiscências daquilo que tem sido preconizado e proposto noAyurveda há mais de 2500 anos. Área de Atuação do Ayurveda 29
  • 30. O Ayurveda não lida exclusivamente com o tratamento deseres humanos. Dedica-se também ao tratamento das doençasem animais e mesmo em plantas. Conseqüentemente, na Índiaantiga, santos como Nakula, Salihotra e Parasara compuseramtratados sobre Asvayurveda, Gajayurveda, Gavayurveda eVrksayurveda, para o tratamento de doenças em cavalos,elefantes, gado e em árvores, respectivamente. O Ayurveda oferece meios racionais para o tratamento dasmuitas doenças internas, consideradas crônicas ou incuráveispara outros sistemas de medicina em uso atualmente. Ao mesmotempo, dá grande ênfase à manutenção de uma saúde verdadeirapara uma pessoa normal ou sadia. Desse modo, objetiva tanto aprevenção como a cura das doenças. Para o propósito daprevenção das doenças, os regimes devem ser adotados levando-se em consideração o horário diurno, noturno e as diferentesestações do ano, os quais estão descritos em detalhes. O homemexpõe-se às doenças devido aos muitos fatores externos. Mas háalguns distúrbios aos quais o homem está exposto mesmo nocurso normal de sua vida, e. g., fome, sede, velhice etc. OAyurveda fornece métodos para a prevenção e o controle destasmoléstias naturais. Os Oito Ramos do Ayurveda São os seguintes os oito importantes ramos do Ayurveda:1. Kayacikitisa ou Medicina Interna2. Salya Tantra ou Cirurgia3. Salakya Tantra ou Tratamento das Doenças da Cabeça ePescoço4. Agada Tantra ou Toxicologia5. Bhuta Vidya ou Controle de Ataques por Espíritos Malignos eOutras Doenças Mentais6. Bala Tantra ou Pediatria30
  • 31. 7. Rasayana Tantra ou Geriatria, incluindo a TerapiaRejuvenescedora8. Vajikarana Tantra ou Ciência dos Afrodisíacos Alguns estudiosos sustentam que o Pañcakarma Cikitisa(As Cinco Terapias de Eliminação) é um ramo adicional doAyurveda. Muitos clássicos foram escritos sobre cada um destesramos e todos eles estavam em prática. Durante o advento doBudismo, a prática de ahimsa tornou-se muito popular.Procedimentos cirúrgicos (que eram invariavelmente dolorosos)eram infelizmente considerados como uma forma de himsa (lesãoou dano) e, conseqüentemente, a prática da cirurgia (salya tantra)foi desencorajada. Isto também causou um efeito adverso sobreos outros ramos afins da medicina. Assim, no momento, apenastrês ramos, Kaya Cikitisa (Medicina Interna), Rasayana Tantra(Geriatria e Terapia Rejuvenescedora) e Vajikarana Tantra(Ciência dos Afrodisíacos) estão em prática, sendo que os outrosramos do Ayurveda tornaram-se apenas assunto da história damedicina. Características Singulares do Ayurveda A seguir estão as características singulares do sistemaAyurvédico de medicina:1.Tratamento do Indivíduo como um todo: Na medicinamoderna, presta-se mais atenção à correção da parte atingida docorpo. Mas no Ayurveda, enquanto uma doença é tratada, oindivíduo como um todo é levado em consideração, não apenas acondição de outras partes do seu corpo como também ascondições de sua mente e sua alma, enquanto se realiza otratamento do paciente.2.Baixo Custo do Medicamento: Em sua maioria, osmedicamentos Ayurvédicos são preparados a partir de drogas 31
  • 32. disponíveis nas florestas do país. Portanto, sua preparação tembaixo custo.3.Não Envolve Câmbio Exterior: Quase todas as drogasAyurvédicas preparadas com vegetais, metais, minerais eprodutos animais são disponíveis na Índia. O câmbio exterior nãoé utilizado para importá-los de fora. Mesmo para seuprocessamento não há necessidade de especialistas estrangeirose de importação de equipamentos sofisticados.4.Proveitoso para um Padrão Socialista: No passado, osmédicos costumavam preparar seus próprios medicamentos parao tratamento de seus pacientes. Atualmente, encontram poucotempo para manufaturar estes remédios e, portanto, muitasfarmácias têm se estabelecido nos setores públicos e privados.Para o estabelecimento destas farmácias, entretanto, não énecessário um grande capital e a maioria de seus lucros édestinada aos trabalhadores que coletam as drogas brutas e paraa mão-de-obra empregada na manufatura dos medicamentos.Torna-se, portanto, proveitoso para sociedades com padrãosocialista.5.Ausência de Efeitos Tóxicos: Os medicamentos Ayurvédicospossuem atrás de si séculos de experiências tradicionais,apresentando, portanto, poucos efeitos tóxicos no organismohumano. Mesmo certos materiais tóxicos utilizados na preparaçãodos medicamentos são sempre submetidos à desintoxicação, oque os torna mais aceitáveis pelo organismo, antes de seremadministrados na forma de medicamento.6.Cada Medicamento é um Tônico: As drogas da medicinamoderna, exceto as vitaminas e os minerais, são destinadasapenas ao paciente. Todo medicamento Ayurvédico pode serutilizado simultaneamente por pacientes e pessoas saudáveis.Nos pacientes, curam as doenças e nos indivíduos saudáveis,produzem imunidade contra as mesmas.32
  • 33. 7.Condizente aos Costumes da População: Com freqüência,juntamente com os medicamentos, certas dietas e condutas sãoprescritas aos pacientes. Tais procedimentos estão alinhados comos costumes e a tradição do povo. Portanto, não sãoconsiderados estranhos. Por outro lado, um médico Ayurvédico érespeitado e as pessoas depositam muita confiança nele.8.Conceito de Doença Psicossomática: As doenças não sãoconsideradas exclusivamente psíquicas ou somáticas. Fatorespsíquicos são geralmente descritos como causas de doençassomáticas e vice-versa. Isto deu origem ao conceitopsicossomático de todas as doenças no Ayurveda.9.Ênfase à Medicina Preventiva: O Ayurveda enfatiza muito aprevenção das doenças. Prescreve-se, com freqüência, "o quefazer‖ e "o que não fazer‖ para indivíduos saudáveis. Condutaspara diferentes horários do dia e da noite, para as estações doano e para pessoas dos diversos grupos etários e posiçõessociais são descritas em detalhes. 33
  • 34. CAPÍTULO II REVISÃO HISTÓRICA Mitologia Sobre a Origem do Ayurveda De acordo com a mitologia indiana, o Ayurveda foipercebido (não composto) primeiramente por Brahma, queensinou esta ciência à Daksa Prajapati, que a ensinou aos Asvini-kumaras e que a ensinaram à Indra. Sobre a hierarquia posteriordos transmissores do Ayurveda, os textos Ayurvédicos variamconsideravelmente. De acordo com o Susruta Samhita, o deus Dhanvantarirecebeu-o de Indra, que o ensinou a Dividasa, que por sua vez otransmitiu para Susruta, Aupadhenava, Aurabhra, Pauskalavata,Gopuraraksita e Bhoja. Segundo o Caraka Samhita, Bharadvajaaprendeu-o de Indra e ensinou-o para Atreya Punarvasu. Esteúltimo, por sua vez, ensinou-o a Agnivesa, Bheda, Jatukarna,Parasara, Harita, Ksarapani etc. De acordo com o KashyapaSamhita, Indra ensinou-o a Kashyapa, Vasistha, Atreya e Bhrgu.Muitos trabalhos médicos diferentes foram compostos por estessábios do passado. Contudo, todos eles estão agrupados sob duas escolas:  A escola Atreya que trata principalmente da medicina e  A escola Dhanvantari que lida primariamente com a cirurgia.34
  • 35. Muitos destes textos não se encontram mais disponíveisnos tempos atuais. Ayurveda na Era Pré-Védica A Índia representou um papel de destaque na história datecnologia e da ciência. Esta, segundo evidências arqueológicasatuais, começa com a Civilização do Vale do Indo,freqüentemente referida como Cultura Harappan-Harappa,juntamente com Mohenjo-daro, que são os importantes sítiosarqueológicos do Vale do Indo. Este período é geralmentedenominado Pré-Védico. Harappa estabeleceu laços culturais ecomerciais com os países vizinhos nas regiões da Ásia Central eOcidental. Esta civilização prosperou na Índia Ocidental eSetentrional entre 2500 A.C. e 1500 A.C. Evidências obtidas dasanálises dos crânios descobertos em Mohenjo-daro e Harappamostram que os habitantes daquela época eram aborígenes dotipo proto-australóide. Há muitas representações sobre os selosde Mohenjo-daro e Harappa com relação a um deus masculino,provido de chifres e com três faces, sentado com a postura deiogue, suas pernas duplamente dobradas, calcanhar comcalcanhar e circundado por animais. Este talvez seja o protótipode Shiva, considerado deus da Yoga e da Medicina. Estas escavações em Harappa e Mohenjo-daro são amplatestemunha da competência alcançada pelo povo da civilizaçãodo Vale do Indo em termos de saneamento e habitação. Pareceque ambas as cidades de Mohenjo-daro e Harappa foramconstruídas após cuidadoso planejamento. As casas eramprovidas com confortos modernos como banheiros, lavatórios,esgotos, tanques de água fresca, pátios e quartos de dormir. Osesgotos principais poderiam ser tratados com o auxílio de poçosde inspeção cobertos, especialmente construídos, feitos de tijolos.Todo o conceito de planejamento mostra uma extraordinária 35
  • 36. preocupação com o saneamento e a vida pública, talvez semparalelo nos dias de hoje. As escavações destes sítios têm revelado substânciasterapêuticas como Silajatu, para o tratamento do diabetis,doenças reumáticas, etc., folhas de Azadirachta indica (A. Juss.) echifres do veado vermelho. Crânios nos quais foram realizadascirurgias cranianas também foram escavados nestes sítios. Todosestes aspectos apontam para a alta qualidade da ciência médicaque predominava na Índia daquela época. Ayurveda na Era Védica Dhanurveda (a ciência do manejamento do arco e flecha),Gandharvaveda (a ciência das artes refinadas), Sthapatyaveda (aciência da arquitetura) e Ayurveda (a ciência da medicina) sãoconsiderados os quatro Upavedas ou matérias complementaresdo Rk, Yajur, Saman e Atharva Vedas, respectivamente. OSusruta estabelece claramente o Ayurveda como um Upaveda doAtharva Veda. De acordo com Caranavyuha, o Ayurveda é oUpaveda do Rk Veda. Segundo um outro ponto de vista, oAyurveda é o quinto Veda, independente dos outros quatro. Uma análise do material védico revela que todos os quatroVedas estão repletos de referências aos vários aspectos damedicina. Deuses como Rudra, Agni, Varum, Indra e Maruti foramdesignados médicos celestiais. Os mais famosos médicos daépoca foram os Asvins. Muitas realizações milagrosas na área damedicina e da cirurgia foram-lhes atribuídas nos Vedas.Considera-se conquista dos Asvins a cura de doenças gravescomo Yaksma (tuberculose), a revitalização de indivíduos ehomens santos, a correção da esterilidade e a aquisição delongevidade. Muitos procedimentos cirúrgicos como o transplanteda cabeça de um cavalo para um tronco humano e suasubseqüente substituição por uma cabeça humana, a implantação36
  • 37. de membros artificiais, a implantação da cabeça de Yajña ao seutronco etc., estão descritos em vários textos. Nos Vedas estão disponíveis os princípios fundamentais daciência médica, inclusive os conceitos de tridosha e de saptadhatu, as descrições anatômicas e das muitas doenças, osconceitos de digestão e metabolismo. Há detalhes sobre adescrição de diferentes tipos de bactérias responsáveis pelamanifestação das doenças. Algumas destas bactérias estãodescritas como invisíveis à olho nu. Procedimentos como o parto,a cauterização, intoxicações, tratamento dos ataques por energiasprejudiciais, terapias rejuvenescedoras e afrodisíacos sãodescritos em muitos textos. As plantas medicinais também sãodescritas quanto às suas diferentes partes e efeitos terapêuticos.Descrevem-se cerca de 28 doenças juntamente com seusmedicamentos. Os métodos de preparação destes medicamentosestão disponíveis apenas de forma sucinta. No Rk Veda, há umadescrição de 67 plantas medicinais e no Yajur Veda 81 tiposforam descritos. Apenas no Atharva Veda, existe a descrição de290 plantas medicinais. Além disso, na literatura Brahmana estãodisponíveis cerca de 130 descrições destas plantas. Estádeclarado no Rk Veda que Vispala, esposa do rei Khela, teveseus membros inferiores amputados durante uma guerra. Elesforam substituídos por um par de pernas artificiais, adaptadas aoseu corpo através de cirurgia protética. A sondagem da uretra foi o procedimento mais delicado jádescrito, prescrito para o alívio de uma paciente com retençãourinária. A aplicação de sanguessugas para úlceras também estádescrita. Ayurveda no Período Pós-Védico No período pós-védico, o Ayurveda ocupou uma posiçãorespeitável através da reunião racional de conceitos metódicos epráticas terapêuticas sistemáticas. Mesmo que os célebres textos 37
  • 38. clássicos do Ayurveda, o Caraka e o Susruta Samhita,transmitidos até nós, tenham adquirido suas formas atuais apósedições provavelmente do século 7 A.C., os pensamentos e aspráticas neles ilustrados estavam indubitavelmente em voga muitoantes deste período. Em sua abordagem teórica, esta ciência davida deve muito às filosofias do Sankhya Yoga e de Vaisesika,adotando os princípios da última no que diz respeito ao Dravya-guna-vijnana (matéria médica) e às teorias do Tridosha e doSapta dhatu, e à primeira, relacionada à Pañcabhautika(composição do corpo) e sua evolução a partir do Purusa Prakrti. Crônicas Sobre a Vida de Jivaka Durante a vida de Buda, havia um médico famoso com onome de Jivaka. Devido à sua competência na arte de curar, foipor três vezes coroado rei dos médicos e dos cirurgiões. Ele eraum especialista em pediatria, excelente neurocirurgião e realizavacom sucesso grandes cirurgias abdominais. Foi um discípulo deAtreya, o renomado professor de Taxila, um pioneiro do sistemaindiano de medicina. Atreya estava muito impressionado pela inteligência,perspicácia e pelo aguçado poder de observação de Jivaka,segundo as escrituras tibetanas. Costumava pedir a Jivaka, seudiscípulo, para acompanhá-lo à residência de seus pacientes eajudá-lo no tratamento. Um dia, Atreya prescreveu ummedicamento o qual, segundo Jivaka, não estava correto. Dirigiu-se ao seu preceptor e retornou novamente à residência dopaciente, alterando a prescrição. Com a substituição domedicamento, o homem curou-se e isto impressionou muito oprofessor, quando veio a tomar conhecimento do ocorrido. A admiração e a afeição de Atreya por Jivaka não eramapreciadas pelos colegas de classe do último, que costumavamcolocar em dúvida a imparcialidade do professor Atreya. Um dia,este pediu a todos os seus alunos que fizessem uma avaliação38
  • 39. para testar sua sabedoria, solicitando a todos, inclusive Jivaka,que fossem ao mercado e perguntassem sobre os preços decertos produtos medicinais. Todos retornaram e Atreyaquestionou-os sobre os preços de outros produtos medicinais,além daqueles mencionados. Não havia nenhum sobre o qualJivaka não pudesse responder satisfatoriamente, demonstrando opoder de imaginação e percepção do mesmo, que eraconsiderado possuidor de todos os atributos de um bom médico. A terceira estória é semelhante. Um dia, Atreya pediu atodos os estudantes que fossem até a colina próxima etrouxessem os itens que não possuíssem valor medicinal. Todosos estudantes com excessão de Jivaka, retornaram com muitassubstâncias as quais, de acordo com eles, não possuíam valormedicinal. Jivaka voltou de mãos vazias e explicou ao seuprofessor que não havia nada que não possuísse um valormedicinal. Isto demonstrava a meticulosidade do estudo deJivaka. A quarta estória é sobre um elefante. Uma vez, Jivaka eseus colegas estavam retornando de um rio após banharem-se.Seus amigos estavam comentando divertidamente sobre aspegadas de um elefante. Quando perguntaram a Jivaka sobre astais pegadas, ele respondeu que pertenciam a uma aliá, cega doolho direito, que iria dar à luz um filhote naquele mesmo dia e queo filhote era macho. Jivaka continuou dizendo que sobre o dorsodo elefante estava montada uma moça, cega do olho direito e queiria dar à luz a um menino naquele mesmo dia. Isto foi narrado,em meio a risadas, ao professor Atreya, como um exemplo daloucura de Jivaka. Depois disso, os fatos foram verificados edescobriram serem todos verdadeiros. Pediram à Jivaka queexplicasse como poderia ter conhecimento de tudo aquilo. Eledisse que as pegadas do elefante eram arredondadas enquantoas da aliá eram ligeiramente alongadas. Como ela havia comido 39
  • 40. apenas do capim que crescia do lado esquerdo da trilha, inferiuque era cega do olho direito. Como as impressões de suas patasposteriores estavam mais profundas, isto o levou a inferir queestava prenha. Das duas, a impressão da pata direita era maisprofunda e, portanto, concluiu que iria dar à luz um filhote macho.Da urina que eliminou, concluiu que o parto era iminente. Damesma maneira, explicou suas afirmações com relação à moçaque montava o elefante. Há muitas estórias interessantes nas escrituras tibetanas,além das descritas acima, sobre as realizações de Jivaka comomédico e como cirurgião. A Estória de Bhoja O Bhoja prabandha fornece uma narrativa de cirurgiacraniana realizada por dois médicos no Rei Bhoja, que reinou de1010 a 1056 D.C. Ele sofria de um tipo grave de cefaléia e osmédicos realizaram uma craniotomia, corrigindo a doença. Aimportância da descrição desta cirurgia foi a utilização de umanestésico em pó denominado Moha curna, que tornou o reiinconsciente. Após o término da operação, foi administrado outropó, denominado Sanjivani, com o qual ele recuperou aconsciência. Infelizmente, os detalhes sobre estes dois tipos dedrogas não estão disponíveis na atualidade. Estas curiosidades foram narradas aqui com a intenção demostrar que durante o período pós-védico, especialmente entre500 A.C. e 1000 D.C. o Ayurveda atingiu o apogeu de seudesenvolvimento. Interrupção do Progresso no Período Medieval A ciência, por natureza, é progressiva, ainda mais no casoda ciência médica. Qualquer interrupção no seu progresso leva adogmas, perdas e acúmulos de idéias supersticiosas. Durante operíodo medieval, a Índia foi exposta a freqüentes invasões40
  • 41. estrangeiras e a paz interna foi completamente perturbada. Haviapouco tempo para que as pessoas pensassem na ciência, poisestavam engajadas na luta pela segurança do país. Pensamentosoriginais foram completamente interrompidos. Os livros sobre oAyurveda escritos durante este período são, em sua maioria,compilações de outras fontes diversas. Durante as invasõesestrangeiras e lutas internas, muitas obras originais foramdestruídas. O que permaneceu tinha que ser preservado eexplicado às pessoas através de comentários. Indivíduos compouca erudição começaram a comentar e isto resultou eminterpretações errôneas, modificações não autorizadas e redaçõesincorretas. Restauração do Ayurveda É no final do século 19 e início do século 20 que apopulação da Índia começa a refletir novamente acerca dodesenvolvimento do Ayurveda. O movimento nacional para alibertação do país deu o impulso a esta revolução. Os governosEstaduais e Central organizaram muitos comitês periciais parainvestigar os problemas da ciência e sugerir medidas paradesenvolvê-las. Abaixo estão alguns detalhes destes comitês: Nome do Estado Ano da Constituição do Comitê Pericial1. Madras (atual Tamilnadu) 1921-222. Bengal (atualmente dividido) 1921-253. Províncias Unidas 1925-264. Províncias Centrais e Berar 1937-395. Punjab 19386. Bombaim 19477. Orissa 1946-478. Assam 19479. Mysore (atual Karnataka) 1942 41
  • 42. O governo Central também organizou muitos ComitêsPericiais para sugerir medidas para o desenvolvimento destesistema e a utilização dos médicos Ayurvédicos nos programas dedesenvolvimento da saúde do país. São eles: Presidente do Comitê Pericial Ano 1. Sir Joseph Bhore 1943 2. Sir R. N. Chopra 1946 3. Dr. C. G. Pandit 1949 4. Mr. D. T. Dave 1955 5. Dr. K. N. Vdupa 1958 6. Mr. M. P. Vyas 196342
  • 43. CAPÍTULO III PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS Criação do Universo Diferentes pensamentos filosóficos da Índia são cultuados nosDarsanas. Estes Darsanas estão divididos em dois grupos. Aquelesque acreditam na autoridade dos Vedas são conhecidos como AstikaDarsanas e aqueles que não crêem nos Vedas são chamadosMastika Darsanas. As escolas filosóficas Bauddha e Jaina e afilosofia dos Carvakas pertencem à última categoria. As seguintes escolas filosóficas pertencem à primeiracategoria:1. Nyaya darsana de Gautama2. Vaisesika darsana de Kanada3. Sankhya darsana de Kapila4. Yoga darsana de Patanjali5. Purva mimansa de Jaimini6. Uttara mimansa ou Vedanta darsana O nome coletivo para todas estas escolas é Sad darsana.Todas as antigas ciências da Índia como a medicina, a astrologia, aastronomia, a poesia e a arquitetura são baseadas nestes Darsanas.Os Nyaya e Vaisesika Darsanas são empregados para auxiliar oAyurveda a explicar as atividades físicas e químicas. Para descrevercertos fenômenos, tem sido utilizado o auxílio do Bauddha Darsana. 43
  • 44. Mas para explicar o processo de origem do universo e do homem, oAyurveda conta com o auxílio do Sankhya Darsana, principalmente.Evidentemente, isto não tem sido aceito por completo mas comcertas modificações. De acordo com o Ayurveda, o universo teve origem doAvyakta, que significa literalmente ―Não Manifestado‖. Este conceitode Avyakta inclui tanto o Purusa (elemento consciente) como o Prakrti(matéria primordial) do Sankhya Darsana. A partir deste Avyakta, ouniverso inteiro teve sua origem como detalhado no seguinteesquema:44
  • 45. Avyakta Mahan (Intelecto) Ahankara (Ego) Sattvika Rajasika Tamasika Cinco Órgãos Cinco Órgãos Manas ou Sensoriais Motores Mente Sabda Sparsa Rupa Rasa Gandha tanmatra tanmatra tanmatra tanmatra tanmatra Akasa Vayu Tejo Jala Prthvimahabhuta mahabhuta mahabhuta mahabhuta mahabhuta De Avyakta surge, consecutivamente, o Mahan (Intelecto) e oAhankara (Ego). O Ego possui três aspectos diferentes, sattvika,rajasika e tamasika. Sattvi é o aspecto puro, rajas representa odinamismo e tamas é a energia potencial. Os tipos sattvika e rajasikade Ahankara combinam-se para juntos produzirem os onze indriyas.Os tipos tamasika e rajasika de Ahankara combinam-se para produzir 45
  • 46. cinco tanmatras. Destes tanmatras, originam-se os cincomahabhutas. A partir dos cinco mahabhutas tudo o que é matéria noplaneta – tanto animado como inanimado – é criado. O mundoinanimado consiste destes mahabhutas isolados e os seres vivos(incluindo plantas e animais) são constituídos de sua combinação,assim como os indriyas, que são onze, as faculdades sensoriais, osórgãos motores e a mente. Teoria Pañca Mahabhuta O homem possui cinco sentidos e através destes percebe omundo externo de cinco maneiras diferentes. Os órgãos dos sentidossão os ouvidos, a pele, os olhos, a língua e o nariz. Através deles, osobjetos externos são não apenas percebidos mas tambémabsorvidos pelo corpo humano na forma de energia. Este grupo decinco sentidos é a base com a qual podemos dividir, agrupar ouclassificar o mundo inteiro nas cinco diferentes categorias,conhecidas como mahabhutas. São denominados akasa (espaço?),vayu (ar?), agni (fogo?), jala (água?) e prthvi (terra?). Os equivalentesem língua portuguesa aqui fornecidos entre parênteses não possuema conotação correta e o todo das implicações dos termos originais emsânscrito. Por exemplo, a água comum não contém apenas jalamahabhuta, mas é composta de todos os cinco mahabhutas. Damesma forma, o ar não é apenas vayu mahabhuta, mas contém oselementos que pertencem aos outros mahabhutas também. Outroexemplo, o oxigênio está mais próximo de agni mahabhuta e ohidrogênio, mais próximo de jala mahabhuta. Os físicos e químicos modernos dividiram a matéria douniverso em alguns elementos básicos. Estes elementos diferem umdos outros em certos aspectos, sendo que todos eles podem serclassificados em cinco categorias de mahabhutas. Por outro lado,cada átomo possui os aspectos característicos de todos os cincomahabhutas. Os elétrons, prótons, nêutrons etc. presentes dentro doátomo representam prthvi mahabhuta. A força ou coesão que46
  • 47. mantém atraídos seus componentes é característica atribuída à jalamahabhuta. A energia produzida dentro do átomo quando este épartido e a energia que permanece latente em sua forma íntegrarepresentam atributos de agni mahabhuta. A força do movimento doselétrons representa o aspecto característico do vayu mahabhuta e oespaço no qual se movem é o atributo principal do akasa mahabhuta. De acordo com o Ayurveda, o corpo do indivíduo é compostode cinco mahabhutas. De forma semelhante, outras coisas do planetasão também compostas de cinco mahabhutas. No corpo humano,estes cinco mahabhutas são explicados em termos de dosha, dhatu emala e nas drogas eles representam rasa (sabor), guna (qualidade),virya (potência) e vipaka (o sabor que surge após a digestão e ometabolismo de uma substância). No corpo normal de um ser vivo, estas substânciaspermanecem em uma proporção particular. Entretanto, devido à açãoenzimática no interior do corpo humano esta proporção entre os cincomahabhutas ou seu equilíbrio torna-se alterado. O organismo,portanto, possui uma tendência natural para permanecer equilibrado.Ele elimina alguns dos mahabhutas que estão em excesso e acumulaalguns que estejam deficientes. Esta deficiência de mahabhutas éreabastecida através de ingredientes que compõem a dieta, asbebidas, o ar, o calor, a luz do sol etc. Os pañca mahabhutasexógenos são convertidos em pañca mahabhutas endógenos atravésdo processo da digestão e do metabolismo. Mesmo durante o processo da morte, estes cinco bhutasapresentam uma função muito importante. Eles possuem duasformas denominadas grosseira e sutil. As cinco categorias sutis debhutas no interior do corpo impregnam os cinco sentidos e depois sãoseparados dos mesmos ocorrendo então a morte. O corpo mortoperde estes cinco sentidos, ficando em seguida composto apenasdos cinco mahabhutas. 47
  • 48. Determinação da Composição Mahabháutica de uma Droga a Partir de suas Propriedades Substâncias pesadas, duras, resistentes, estáveis, densas,grosseiras, não pegajosas e com abundantes qualidadesrelacionadas ao olfato são compostas principalmente por prthvi;proporcionam rotundidade, solidez, peso e estabilidade. Substâncias líquidas, viscosas, frias, oleosas, moles, frágeis ecom abundantes qualidades relacionadas ao sabor são compostasprincipalmente por jala; promovem adesividade, oleosidade, solidez,umidade, leveza e felicidade. Substâncias quentes, brilhantes, sutis, leves, oleosas, não-viscosas e com abundantes qualidades relacionadas à visão sãoconstituídas principalmente por tejas; promovem combustão,metabolismo, brilho, radiância e cor. Substâncias leves, frias, não-oleosas, ásperas, não-viscosas,sutis e com abundantes qualidades relacionadas ao tato sãodominados por vayu; promovem aspereza, aversão, movimento, não-viscosidade e leveza. Substâncias leves, suaves, sutis, homogêneas e comqualidades principais relacionadas com a audição são dominadas porakasa; promovem suavidade, porosidade e leveza. O Conceito de Tridosha O corpo humano, de acordo com o Ayurveda, é composto detrês elementos fundamentais denominados doshas, dhatus e malas.Os doshas controlam as atividades psico-químicas e fisiológicas docorpo, enquanto os dhatus entram na formação da estrutura celularbásica, de tal modo que realizam algumas funções específicas. Osmalas são substâncias utilizadas parcialmente no organismo eexcretadas também parcialmente, de forma modificada, apósrealizarem suas funções fisiológicas. Estes três elementos sãodefinidos como estando em equilíbrio dinâmico uns com os outros48
  • 49. para a manutenção da saúde. Qualquer desequilíbrio em suaspredominâncias no corpo resulta em doença e decomposição. Como foi estabelecido anteriormente, no interior do corpoexistem três doshas que comandam as atividades psico-químicas efisiológicas. São eles vayu, pitta e kapha. Estes doshas sãocompostos de mahabhutas. Todos os doshas possuem todos oscinco mahabhutas em sua composição. No entanto, o dosha vayuapresenta predominância de akasa mahabhuta e vayu mahabhuta.Em pitta predomina agni mahabhuta. Kapha é principalmenteconstituído por jala e prthvi mahabhutas. A doutrina dos doshas representa uma parte importante noAyurveda, tanto quanto constitui a base para a manutenção da saúdeabsoluta, para o diagnóstico e o tratamento das doenças. Umaanálise correta deste conhecimento é, portanto, essencial para acompreensão e apreciação adequada da teoria e prática doAyurveda. Quando estão em seu estado normal, sustentam o corpo equalquer alteração em seu equilíbrio resulta em doença edegeneração. Estes três doshas infiltram todo o corpo. Há, entretanto,alguns elementos ou órgãos nos quais estão, à princípio, localizados.Por exemplo, a bexiga urinária, os intestinos, a região pélvica, ascoxas, as pernas e os ossos são sítios de vayu, principalmente. Ossítios de pitta são o suor, a linfa, o sangue e o estômago. Da mesmamaneira, os sítios de kapha são o tórax, a cabeça, o pescoço, asarticulações, a porção superior do estômago e o tecido adiposo docorpo. Cada um destes três doshas são novamente divididos emcinco tipos. Estas cinco divisões representam apenas cinco diferentesaspectos do mesmo dosha e não cinco entidades diferentes nocorpo. As localizações e as funções destas divisões de vayu, pitta ekapha são fornecidos na Tabela 1. 49
  • 50. Tabela 1 Localização Função Normal Doenças Causadas pela AlteraçãoA.VAYU1. Prana Coração Respiração e deglutição do Soluços, bronquite, asma, frio, alimento rouquidão2. Udana Garganta Fala e voz Várias doenças dos olhos, ouvidos, nariz e garganta.3. Samana Estômago e intestino delgado Auxilia na ação enzimática, na Indigestão, diarréia e distúrbios de assimilação dos produtos finais da assimilação digestão e em sua separação nos vários elementos teciduais4. Apana Cólon e órgãos pélvicos Eliminação de fezes, urina, Doenças da bexiga, do ânus, ejaculação e menstruação testículos, obstrução urinária e diabetis.5. Vyana Coração Auxilia na circulação dos canais, Distúrbios circulatórios e doenças incluindo vasos sangüíneos como febre e diarréia50
  • 51. Localização Função Normal Doenças Causadas pela sua AlteraçãoB. PITTA1. Pacaka Estômago e intestino Digestão Indigestão delgado2. Rañjaka Fígado, baço e estômago Formação do sangue Anemia, icterícia etc3. Sadhaka Coração Memória e outras funções mentais Distúrbios psíquicos4. Alocaka Olhos Visão Distúrbios visuais5. Bhrajaka Pele Coloração e brilho da pele Leucodermia e outras patologias da peleC. KAPHA1. Kledaka Estômago Umedece os alimentos auxiliando na digestão Distúrbios da digestão2. Avalambaka Coração Energia nos membros Preguiça3. Bodhaka Língua Percepção do paladar Distúrbios do paladar4.Tarpaka Coração Nutrição dos órgãos sensoriais Perda da memória e distúrbio das funções dos órgãos sensoriais5. Slesaka Articulação Lubrificação das articulações Dores articulares e distúrbios articulares 51
  • 52. Condições dos Doshas nas Diferentes Estações do Ano Durante as diferentes estações do ano, estes doshasapresentam certas modificações. Por exemplo, vayu torna-se alteradodurante os meses de junho e agosto, ou seja, no final do verão. Pittasofre alteração entre outubro e dezembro, ou seja, durante o outono,e kapha altera-se entre fevereiro e abril, ou seja, durante a primavera.Se detarminadas medidas preventivas não forem tomadas duranteestas estações, o indivíduo estará exposto a certas doençascausadas por estes doshas. As precauções a serem tomadas nestasestações serão descritas posteriormente. Nos textos Ayurvédicosclássicos, sugere-se que para promover a saúde verdadeira eprevenir a ocorrência das doenças, a pessoa deve submeter-se a umenema terapêutico no final do verão, a um purgativo durante o outonoe a um emético durante a primavera. Fatores Responsáveis pela Alteração dos Doshas Vata torna-se alterado pela supressão das necessidadesnaturais que se manifestam, pela ingestão de alimentos antes determinada a digestão da refeição anterior, por permanecer acordadodurante a noite, falar com tom de voz aumentado, realizar exercíciosfísicos além da capacidade do indivíduo, pela exposição a solavancosdurante longas viagens em um veículo, ingestão de substâncias comsabores picante, amargo e adstringente, ingestão de frutas secas,aborrecimentos em excesso, relações sexuais, medo, jejum, frio edesgosto. Este dosha torna-se anormalmente alterado durante oinício da estação chuvosa. Pitta torna-se alterado pela ingestão excessiva de alimentospicantes, salgados e azedos, preparações alcoólicas, substânciasquentes, moles e vidahi (alimentos que causam sensação dequeimação). Outros fatores responsáveis pelo distúrbio de pitta sãoraiva, exposição excessiva ao sol e ao fogo, medo, fadiga, ingestão52
  • 53. de vegetais secos e substâncias alcalinas. A indigestão e asirregularidades na ingestão de alimentos também agravam pitta.Alterações deste dosha ocorrem geralmente durante o outono. Kapha torna-se alterado pela ingestão de alimentos doces,frios, pesados, azedos e viscosos, peixes, carne, preparaçõescontendo gergelim, cana-de-açúcar, leite, substâncias oleosas,alimentos e bebidas contendo água e sal em excesso, ingestão dealimentos após a refeição e durante a primavera. Sinais e Sintomas do Agravamento dos Doshas Distúrbios de vayu causam rouquidão, dores em pontada, emcontração e em cólicas, descoloração da pele, indisposição,movimentos anormais dos membros, fraturas, frieza, ressecamento,entorpecimento e emagrecimento. Alterações de pitta causam fadiga, sudorese, sensação dequeimação, coloração da pele, odor fétido, viscosidade, supuração,raiva, fala desconexa, fraqueza e vertigem. É especialmenteresponsável pela coloração amarela da pele. Palidez, frieza, peso, prurido, falta de oleosidade, upadeha(retenção das excreções através dos orifícios corporais), stimitatva(sensação subjetiva, como se estivesse coberto com um panomolhado), lepa (sensação subjetiva, como se houvesse um corpoestranho aderido ao corpo), distensão, exsudação excessiva ecirakriya (retardo na ação ou na resposta) são as manifestações dasperturbações de kapha.Tratamento de Doenças Causadas por Perturbações dos Doshas Bebidas, dieta, conduta e medicamentos que sejam oleosos,quentes, estáveis, afrodisíacos, que promovam vigor, que sejamsalgados, doces, azedos, o uso de óleos, a exposição ao sol, osbanhos, as massagens, enemas, terapia inalatória, dormir, repousar,as aplicações de ungüentos quentes, etc. aliviam vata. 53
  • 54. As bebidas, dietas, condutas e medicamentos que sejamamargos, doces e adstringentes, o vento frio, a sombra, a noite, aágua, o luar, residências subterrâneas, fontes, o lótus, abraçar ocorpo das mulheres, ghee, leite, aspersão de água, purgativos,sangrias, aplicações de ungüentos, etc. aliviam pitta. Bebidas, dietas, condutas e medicamentos que sejamásperos, alcalinos, adstringentes, amargos e picantes, exercícios,terapia do escarro, relações sexuais, caminhadas, lutas, permaneceracordado, jogos aquáticos, padaghata (aplicar pressão sobrediferentes partes do corpo utilizando os pés), fumar, expor-se ao calorou aos raios do sol, terapia esternutatória (espirros), terapia emética,fomentação, upanaha (aplicação de ungüentos quentes), etc. aliviamas agravações de kapha. Terapia de Eliminação para Correção dos Doshas Alterados Devem ser administradas terapias eméticas e de inalaçãopara correção das perturbações de kapha; terapias purgativas nasdoenças causadas por pitta, enemas medicinais nas doençascausadas por vata e terapias mistas nas doenças causadas pelacombinação dos doshas. Através da ingestão de alimentos sólidos e líquidosconstituídos por substâncias azedas, oleosas, salgadas e doces,pode-se aliviar vayu. Da mesma forma, pitta é aliviado porsubstâncias doces, amargas, adstringentes e frias. Para kapha, assubstâncias indicadas para o alívio são amargas, picantes, ásperas,adstringentes e penetrantes. Através da administração destesalimentos, as doenças causadas por estes doshas são curadas. Doenças Causadas pelos DoshasA. Doenças causadas por Vayu:1. Nakhabheda (unhas quebradiças)2. Vipadika (pele dos pés quebradiça)3. Padasula (dor nos pés)54
  • 55. 4. Padabhramsa (protuberância nos pés)5. Padasuptata (dormência do pé)6. Vatakhuddata (pé torto)7. Gulphagraha (rigidez do tornozelo)8. Pindikodvestana (cãimbra nas panturrilhas)9. Grdhrasi (dor ciática)10. Janubheda (genu varum)11. Januvislesa (genu valgum)12. Urustambha (rigidez na coxa)13. Urusada (dores nas coxas)14. Pangulya (paraplegia)15. Gudabhramsa (prolapso retal)16. Gudarti (tenesmo)17. Vrsanaksepa (dor escrotal)18. Sephastambha (rigidez no pênis)19. Vanksananaha (tensão da virilha)20. Sronibheda (dor em torno da região pélvica)21. Vidbheda (diarréia)22. Udavarta (distúrbios peristálticos)23. Khanjatva (coxeadura)24. Kubjatva (cifose)25. Vamanatva (nanismo)26. Trikagraha (artrite da articulação sacroilíaca)27. Prsthagraha (rigidez no dorso)28. Parsvavamarda (dor no peito)29. Udaravesta (dores em cólicas abdominais)30. Hrnmoha (bradicardia)31. Hrddrava (taquicardia)32. Vaksa uddharsa (dor em fricção no peito)33. Vaksa uparodha (bloqueio da movimentação torácica)34. Vaksastoda (dor em facada no peito)35. Bahusosa (atrofia do braço) 55
  • 56. 36. Grivastambha (rigidez do pescoço)37. Manyastambha (torcicolo)38. Kanthoddhavamsa (rouquidão)39. Hanubheda (dor no queixo)40. Osthabheda (dor nos lábios)41. Aksibheda (dor nos olhos)42. Dantabheda (dor de dentes)43. Dantasaithilya (perda de dentes)44. Mukatva (afasia)45. Vaksanga (alívio da voz)46. Kasayasyata (sabor adstringente na boca)47. Mukhasosa (secura na boca)48. Arasajnata (ageusia)49. Ghramanasa (anosmia)50. Karnasula (otalgia)51. Asabdasravana (zumbido nos ouvidos)52. Uccaihsruti (dificuldade na audição)53. Badhirya (surdez)54. Vartmastambha (ptose palpebral)55. Vartmasankoca (entrópio)56. Timira (catarata)57. Áksisula (dor nos olhos em aperto)58. Aksivyudasa (ptose do globo ocular)59. Sankhabheda (dor na região temporal)60. Bhruvyudasa (ptose da sobrancelha)61. Lalatabheda (dor na região frontal)62. Siroruk (cefaléia)63. Kesabhumisphutana (caspa)64. Ardita (paralisia facial)65. Ekangaroga (monoplegia)66. Sarvangaroga (paraplegia)67. Paksavadha (hemiplegia)56
  • 57. 68. Aksepaka (convulsões clônicas)69. Dandaka (convulsões tônicas)70. Tama (lipotímia)71. Bhrama (desmaio)72. Vepathu (tremores)73. Jrmbha (bocejo)74. Hikka (soluços)75. Visada (astenia)76. Atipralapa (delírio)77. Rauka parusya (sequidão e rigidez)78. Syavarunavabhasata (aparência vermelha e sombreada)79. Asvapna (insônia)80. Anavasthitacittatva (mentalidade instável)B. Doenças causadas por Pitta: As seguintes doenças são causadas primariamente por pitta:1. Osa (aquecimento)2. Plosa (ardor)3. Daha (queimação)4. Davathu (fervura)5. Dhumaka (defumação)6. Amlaka (eructação azeda)7. Vidaha (sensação de queimação no peito)8. Antardaha (sensação de queimação no interior do corpo)9. Amsadaha (sensação de queimação nos ombros)10. Usmadhikhya (hipertermia)11. Atisveda (sudorese excessiva)12. Angagandha (odor fétido do corpo)13. Angavadarana (dor insuportável no corpo)14. Sonitakleda (necrose do sangue)15. Mamsakleda (necrose do músculo)16. Tvagdaha (sensação de queimação da pele) 57
  • 58. 17. Tvagavadarana (fissura da pele)18. Carmadalana (prurido da pele)19. Raktakostha (urticária)20. Raktavisphota (vesículas vermelhas)21. Raktapitta (tendência ao sangramento)22. Raktamandala (pústulas vermelhas)23. Haritatva (coloração esverdeada)24. Haridratva (amarelecimento)25. Nilika (molas de coloração azul)26. Kaksa (herpes)27. Kamala (icterícia)28. Tiktasyata (sabor amargo na boca)29. Lohitagandhasyata (hálito de sangue)30. Putimukhata (odor fétido na boca)31. Trsnadhikya (sede excessiva)32. Atrpti (insatisfação)33. Asyavipaka (estomatite)34. Galapaka (faringite)35. Aksipaka (conjuntivite)36. Gudapaka (proctite)37. Medhrapaka (inflamação do pênis)38. Jivadana (hemorragia)39. Tamahpravesa (lipotímias)40. Haritaharidra netra mutra varcastva (olhos, urina e fezes decoloração esverdeada e amarelada)C. Doenças causadas por Kapha As seguintes doenças são causadas por kapha:1. Trpti (anorexia nervosa)2. Tandra (sonolência)3. Nidradhikya (sono excessivo)4. Staimitya (timidez)58
  • 59. 5. Gurugatrata (sensação de peso no corpo)6. Alasya (preguiça)7. Mukhamadhurya (sabor doce na boca)8. Mukhasrava (salivação)9. Slemodgirana (expectoração)10. Maladhikya (eliminação excessiva de resíduos)11. Balasada (perda do vigor)12. Apakti (indigestão)13. Hrdayopalepa (aderência de muco em torno do coração)14. Kanthpalepa (adesão de muco à garganta)15. Dhamani praticaya (endurecimento dos vasos)16. Galaganda (bócio)17. Atishaulya (obesidade)18. Sita gnitva (supressão do vigor digestivo)19. Udarda (urticária)20. Svetavabhasata e sveta mutra netra varcastva (palidez e urina,fezes e olhos brancos) Conceito de Sapta Dhatu Os elementos teciduais básicos do corpo são conhecidoscomo dhatus no Ayurveda. O termo dhatu significa,etimologicamente, ―aquele que assiste ao corpo ou faz parte daformação da estrutura básica do corpo como um todo‖. Estes dhatussão sete e consistem em:1. Rasa ou quilo e linfa2. Raksa ou a fração hemoglobínica do sangue3. Mamsa ou tecido muscular4. Medas ou tecido adiposo5. Asthi ou tecido ósseo6. Majja ou medula óssea7. Sukra ou o esperma no homem e o óvulo na mulher Estes sete dhatus são compostos dos cinco mahabhutas:- Jala mahabhuta predomina no quilo e na linfa 59
  • 60. - Prithvi mahabhuta predomina nos tecidos musculares e adiposos- Tejas mahabhuta predomina na fração hemoglobínica do sangue- Vayu mahabhuta predomina no tecido ósseo- Akasa mahabhuta existe nos poros no interior dos ossos Deve ficar claro, novamente, que todos os sete dhatus sãocompostos por todos os cinco mahabhutas e apenas aquelespredominantes foram descritos acima. Estes dhatus permanecem nointerior do corpo humano em uma proporção própria no indivíduo equalquer alteração no seu equilíbrio leva à doença e à degeneração. As doenças causadas pela alteração destes dhatus sãorelacionadas abaixo:Dhatu DoençasRasa asraddha (anorexia), aruci (aversão), asyavarasya (mau hálito), arasajnata (calafrio), hllasa (náuseas), gaurava (sensação de peso), tandra (sonolência), angamarda (dores no corpo), jvara (febre), tamas (lipotímia), pandutva (palidez), srotorodha (obstrução dos canais), khaibya (impotência), sada (astenia), krsangata (debilidade do organismo), agninasa (perda da capacidade digestiva), ayathakavali (aparecimento de rugas prematuras), ayathakalapalitya (branqueamento prematuro dos cabelos)Rakta kustha (doenças da pele), visarpa (erisipela), pidaka (acne), raktapitta (hemorragia dos diferentes canais do corpo), asrgdara (menorragia), medhrapaka (timidez), asyapaka (estomatite), pliha (aumento do baço), gulma (tumor fantasma), vidradhi (abscesso), nilika (mola cor azul), kamala (icterícia), vyanga (sardas), piplu (manchas cor de vinho do porto), tilakalaka (mola de coloração negra), dadru (tinha), carmadala (um tipo de doença de pele), svitra (leucodermia), pama (escabiose), kotha (erupções), asramandala (manchas circulares vermelhas).60
  • 61. Mamsa adhimamsa (granuloma), arbuda (tumor), kila (verrugas), galasaluka (uma patologia da orofaringe), galasundika (tonsilite), putimamsa (gangrena), alaji (um tipo de doença da pele), ganda (bócio), gandamala (adenites cervicais), upajihvika (uvulite)Medas kesa jatiltbhava (emaranhamento dos cabelos), asyamadhurya (sabor doce na boca), karapadadaha (sensação de queimação nas mãos e nos pés), mukhasosa (secura na boca), talusosa (secura do palato), kanthasosa (secura da garganta), pipasa (sede), alasya (preguiça), kaymala (aumento das excreções do corpo), kayachidra- upadeha (aumento das eliminações pelos orifícios do corpo), angdaha (sensação de queimação no corpo), angasuptata (entorpecimento do corpo)Asthi adhyasthi (hipertrofia óssea), adhidanta (hipertrofia dos dentes), dantabheda (dor de dente), dantasula (dor intensa dos dentes), asthibheda (dor nos óssos), asthisula (dor óssea intensa), vivarnata (palidez), kesaloma e smasrudosa (condições patológicas de diferentes tipos nos cabelos), nakhadosa (condições patológicas das unhas)Majja parvaruk (dor nas articulações dos dedos), bhrama (vertigem), murccha (desmaios), tamas (lipotímia), sthulamula parvaja arumsika (abscesso localizado profundamente nas articulações dos dedos)Sukra klaibya (esterilidade), aharsana (impotência), rogi prajanana (geração de descendente doente), kliba prajanana (geração de descendente impotente), alpayu prajana (geração de descendente com pouca longevidade), virupa prajanana (geração de descendente com malformação) 61
  • 62. Conceito de Mala Os três importantes malas são as fezes, a urina e o suor. Sãoos produtos excretados pelo corpo e sua eliminação apropriada éessencial para a manutenção da saúde do indivíduo. As fezes nãosão compostas apenas de alimento ingerido rejeitado pelo organismo,mas contém também substâncias eliminadas pelas células teciduaisdo corpo. A evacuação adequada é, portanto, essencial para amanutenção de um excelente estado de saúde nas células teciduais.Se houver eliminação inadequada, as doenças não ocorrerão apenasno trato gastrointestinal, mas também em outras regiões doorganismo. Em patologias como lombalgia, reumatismo, ciatalgia,paralisias, bronquites e asma é essencial que o médico tome asprecauções necessárias para assegurar a eliminação adequada dasfezes antes de dar início a qualquer tratamento Ayurvédico. Aevacuação inadequada favorece o surgimento de uma atmosferacompatível com o desenvolvimento de diferentes tipos de parasitasintestinais, interferindo eventualmente com a flora normal do cólon, asquais auxiliam na síntese de substâncias úteis ao organismo. A urina é outro produto excretado através do qual muitosmateriais orgânicos são rejeitados. Ainda que a eliminação excessivade urina seja considerada patológica no Ayurveda, é sempreaconselhável que o indivíduo beba a quantidade adequada de água,tanto no verão como no inverno, de modo que haja pelo menos seismicções durante o período diurno. O suor é essencial para a manutenção da saúde da pele.Exercícios adequados, terapias como a fomentação e certas drogasajudam o indivíduo a suar e com isto, uma grande quantidade deprodutos residuais é eliminada do organismo. Os dhatus são elementos teciduais e também produzemmalas (produtos residuais) durante o processo metabólico.Normalmente, as fezes, a urina e o suor possuem odor fétido. Mas62
  • 63. quando o odor torna-se insuportável, o indivíduo precisa ingerir certosmedicamentos para corrigir os odores mais desagradáveis. Srotas ou Canais de Circulação O organismo é composto de muitos tipos de canais decirculação através dos quais os elementos teciduais básicos, osdoshas e alguns dos produtos residuais circulam ou se movimentamde um local para outro constante e continuamente. Para que ocorraum funcionamento adequado do organismo, é necessário que estescanais de circulação permaneçam desobstruídos e que o processocirculatório continue ininterruptamente. Uma das importantes funções destes canais é transportar oproduto da digestão do alimento através do trato gastrointestinal etorná-lo disponível aos elementos teciduais básicos, auxiliando assimem sua nutrição. Em resumo, incluem todos os grandes canais docorpo como as artérias, as veias, os vasos linfáticos, o tratogastrointestinal e o trato geniturinário, que são macroscópicos e osdelicados capilares, que são microscópicos. Todos estes canais sãoclassificados em treze categorias e estão descritos abaixo:1. Canais transportadores do ar vital (prana vayu) do meio externo aofluxo sangüíneo2. Canais transportadores de água (udaka), incluindo soro e linfa3. Canais transportadores de alimentos sólidos e líquidos (anna)4. Canais transportadores de plasma (rasa)5. Canais transportadores da fração hemoglobínica do sangue (rakta)6. Canais transportadores de nutrientes para os tecidos musculares(mamsa)7. Canais transportadores de nutrientes para os tecidos adiposos(medas)8. Canais transportadores de nutrientes para os tecidos ósseos (asthi)9. Canais transportadores de nutrientes para a medula óssea (majja) 63
  • 64. 10. Canais transportadores de nutrientes para o esperma e o óvulo(sukra e rajas). O esperma e o óvulo em si também são transportadospor esta categoria de canais11. Canais transportadores de urina (mutra)12. Canais transportadores de fezes (purisa)13. Canais transportadores de suor (sveda) Estes canais de circulação representam um papel importantena origem das doenças. Se a circulação ou o movimento forinterrompido ou danificado devido a fatores externos ou internos,resultará em acúmulo de substâncias naquele canal em particular ealteração no metabolismo do tecido, originando ama (produtosimaturos ou não-preparados). Estes produtos são não apenasacumulados nos tecidos, mas também circulam através de todo ocorpo com o auxílio dos outros canais que estão em funcionamento.Eles danificam as atividades dos outros canais, dando origem àsdoenças. Para conservar estes canais em movimento efuncionamento contínuo, muitas prescrições e restrições são feitasnos textos Ayurvédicos. O importante é a ingestão de alimentosoportunamente, a eliminação das excreções, o atendimento àsnecessidades básicas do corpo e exercícios físicos. Srotas (canais), sira (veias), dhamani (artérias), rasayani(canais linfáticos), rasavadhini (capilares), nadi (canais), pantha(passagens), marga (vias), sariracchidra (espaços no interior docorpo), samvrtasamvrta (canais com fundo cego), sthana (residência),asaya (compartimento) e niketa (sítio) – estas são as denominaçõesatribuídas aos vários canais visíveis e invisíveis no interior doselementos teciduais do corpo. A alteração destes canais leva àperturbação dos elementos teciduais que aí se localizam ou osatravessam. Os canais danificados e os dhatus (elementos teciduais),por seu lado, alteram outros canais e dhatus, respectivamente. Comoconseqüência da alteração de sua natureza, os doshas – vata, pitta e64
  • 65. kapha – são responsáveis pela perturbação de todos eles (canais eelementos teciduais) Causas das Alterações dos Srotas Pranavaha srotas (os canais que transportam a respiraçãovital) tornam-se perturbados pelo enfraquecimento, pela supressãodas necessidades básicas, tolerância com substâncias não-oleosas,realização de exercícios quando faminto e também outras condutasprejudiciais. Udakavaha srotas (canais que transportam água) tornam-sealterados com a exposição ao calor, com a indigestão, com aingestão de alimentos secos e bebidas alcoólicas e pela sedeexcessiva. Annavaha srotas (canais transportadores de alimentos)alteram-se pela ingestão excessiva de grandes quantidades dealimentos insalubres e perda da força digestiva. Rasavaha srotas (canais transportadores de plasma ou rasa)alteram-se devido à ingestão excessiva de alimentos muitogordurosos, frios e pesados, além de aborrecimentos em demasia. Raktavaha srotas (canais que transportam sangue,especialmente sua fração hemoglobínica) tornam-se alterados pelaingestão de alimentos e bebidas ásperos, untuosos, quentes elíquidos e pela exposição ao sol e ao fogo. Mamsavaha srotas (canais transportadores de componentesde tecido muscular) alteram-se pela ingestão de alimentosliquidificados, grosseiros e pesados e por dormir após as refeições. Medovaha srotas (canais transportadores de tecido adiposo)tornam-se perturbados devido à falta de exercícios, dormir durante odia e pela ingestão excessiva de alimentos gordurosos e vinho. Asthivaha srotas (canais transportadores de tecido ósseo)alteram-se por exercícios que envolvem irritação excessiva e fricçãodos ossos e pela ingestão de alimentos que perturbem vata. 65
  • 66. Majjavaha srotas (canais transportadores de componentes damedula óssea) tornam-se alterados pela opressão, liquefação, lesãoe compressão da medula óssea e pela ingestão de alimentos comqualidades opostas entre si. Sukravaha srotas (canais transportadores de esperma eóvulo) alteram-se por relações sexuais em períodos inadequados(ausência de excitação suficiente), em local inadequado, nasupressão ou no excesso de necessidade sexual e também comoresultado de cirurgia, aplicação de álcalis e cauterização. Mutravaha srotas (canais transportadores de urina) tornam-sealterados pela ingestão de alimentos e bebidas ou no ato sexualrealizado quando há necessidade de urinar e na supressão damicção especialmente por indivíduos portadores de doençasdebilitantes e consumptivas. Purisavaha srotas (canais transportadores das fezes) tornam-se alterados devido à supressão da necessidade de evacuar,ingestão de alimentos em grandes quantidades e antes que arefeição anterior tenha sido digerida, especialmente em indivíduosdebilitados e com enfraquecimento da capacidade digestiva. Svedavaha srotas (canais transportadores de suor) alteram-sepelo excesso de exercícios, pela exposição ao calor excessivo, raiva,desgosto, medo e pela indulgência com coisas quentes e frias semobedecer às recomendações prescritas. Sítios de Origem dos Srotas e Sintomas Causados por suas Alterações O coração e os mahasrotas (cavidade central ou tratoalimentar) são os sítios de origem (órgãos controladores) dos canaistransportadores de prana vayu (respiração vital). As manifestaçõescaracterísticas do desequilíbrio destes canais refletem-se emrespirações muito longas ou muito restritivas, difíceis, superficiais oufreqüentes, associadas com ruídos e dor.66
  • 67. Talu (palato) e kloman (pâncreas) são os sítios de origem doselementos aquosos. As manifestações características da alteraçãodestes canais são o ressecamento do palato, da língua, dos lábios,da garganta e do kloman e sede excessiva. O estômago e vamaparsva (região lateral esquerda) são ossítios de origem dos canais transportadores de alimentos e seusprodutos. As manifestações características do desequilíbrio destescanais são a aversão aos alimentos, anorexia, indigestão e vômitos. Os sítios de origem dos canais transportadores dos dhatus, ouseja, de rasa, rakta, mamsa etc. estão descritos a seguir: Dhatus (Elementos Teciduais) Sítios de Origem dos Canais1.Rasa (plasma) Coração e seus dez vasos2.Rakta (fração hemoglobínica do Fígado e baçosangue)3.Mamsa (tecido muscular) Tendões e pele4.Medas (tecido adiposo) Rins e omento5.Asthi (tecido ósseo) Tecido adiposo e glúteo6.Majja (medula) Ossos e articulações7.Sukra (sêmen, em especial Testículos e genitáliaespermatozóides) As doenças manifestadas pelo desequilíbrio destes dhatusforam descritas neste capítulo. Alguns distúrbios são manifestadospelo desequilíbrio de seus canais de circulação. Os sítios de origem dos canais de circulação da urina são abexiga e vankasana (rins). As manifestações características dodesequilíbrio destes canais são a eliminação excessiva de urinaou a completa supressão da mesma, alteração em suacomposição e eliminação freqüente ou ocasional de uma urinaespessa associada com dor. 67
  • 68. Os sítios de origem dos canais transportadores de fezessão o cólon e o reto. As manifestações características de seudesequilíbrio são a eliminação de pequenas quantidades de fezescom dificuldade, eliminação de fezes em grandes quantidades emuito aquosas e eliminação de fezes em cíbalos, associadas comruídos e dor. Os sítios de origem dos canais transportadores de suor sãoo tecido adiposo e os folículos capilares. As manifestaçõescaracterísticas de seu desequilíbrio são a ausência ou o excessode perspiração, aspereza ou maciez excessiva do corpo,sensação de queimação generalizada e calafrios. Linha de Tratamento Para o tratamento do desequilíbrio de prana, udaka e annavaha srotas (canais transportadores de respiração vital, água ealimentos), deve-se adotar a conduta para doenças respiratóriascomo asma brônquica, sede patológica e ama dosha (doençascausadas por produtos alimentares não-digeridos e pelometabolismo inadequado), respectivamente. Para a correção de doenças de rasavaha srotas (canaistransportadores de plasma, etc.) deve-se recorrer aos diferentestipos de jejum. Para o tratamento de distúrbios de raktavaha srotas(canais transportadores dos glóbulos vermelhos do sangue),devem ser adotadas terapias como a sangria. Doenças causadas pelo desequilíbrio dos mamsavahasrotas (canais transportadores de tecido muscular) podem sertratadas por cirurgia, álcalis e cauterização. Para o tratamento das doenças causadas por medovahasrotas (canais transportadores de tecido adiposo) devem seradotadas terapias emagrecedoras. Doenças causadas pelo desequilíbrio de asthivaha srotas(canais transportadores de tecido ósseo) podem ser tratadas por68
  • 69. pañcakarma (cinco terapias de eliminação). Para este propósito,são úteis os enemas de leite e ghee, fervidos com drogasamargas. Doenças causadas pelo desequilíbrio de majjavaha srotas(canais transportadores de medula óssea) e sukravaha srotas(canais transportadores de esperma e óvulo) podem ser tratadascom dietas de sabores doce e amargo, relações sexuais,exercícios e eliminação oportuna de doshas em quantidadeadequada. Devem ser adotadas para o tratamento de doençascausadas pelo desequilíbrio de mutra, purisa e svedahava srotas(canais transportadores de urina, fezes e suor, respectivamente),terapias prescritas para o tratamento de mutrakrcchra (condiçõescaracterizadas pela dificuldade de eliminar a urina), diarréia efebre Digestão e Metabolismo Os alimentos que vêm do meio externo devem serquebrados, absorvidos e assimilados. Uma substânciaheterogênea deve ser transformada em homogênea. Os fatoresresponsáveis por estas atividades no organismo são conhecidospor agnis. Eles representam os vários tipos de enzimas do tratogastrointestinal, do fígado e dos tecidos celulares. Quando os doshas do corpo estão em estado de equilíbrio,estes agnis, ou enzimas funcionam normalmente. Quando háqualquer distúrbio no seu equilíbrio, a função destes agnis torna-se prejudicada. Os quatro estados destes agnis estão resumidosaqui: 69
  • 70. Estado do Sintomas Comentários AgniVisamagni Às vezes digere Um estado anormal de agni lentamente, às vezes surge como resultado da normalmente e outras influência de vata na condição vezes produz adhamana descrita como visamagni. Este (distenção abdominal), sula estado, algumas vezes auxilia (cólicas), udavarta, atisara no processo da completa (diarréia), jathara (ascite), digestão e outras vezes produz gaurava (sensação de distensão do abdome, cólicas, peso), antrakujana (ruídos constipação intestinal, disenteria, de água no intestino) e ascite, sensação de peso nos pravahana (disenteria). membros e perda dos movimentos.Tiksnagni Digere grandes quantidades A ação de jatharagni neste de todos os alimentos mais estado é influenciada freqüentes; após a digestão, predominantemente por pitta. O produz galasosa e daha agni nesta condição é (ressecamento da gar- estimulado em excesso sendo, ganta), osthasosa e daha portanto, conhecido como (ressecamento dos lábios), tiksnagni. Este digere facilmente talusosa e daha (secura do até um alimento muito pesado palato) e santapa em um curto espaço de tempo. (sensação de calor e Causa uma fome voraz - uma queimação) condição conhecida como atyagni (ou bhasmaka por certas autoridades). Isto possibilita que um glutão faça a digestão de todas as suas freqüentes refeições. É caracterizado por produzir secura na garganta, no palato, nos lábios, calor e outros desconfortos.70
  • 71. Mandagni Não é capaz de digerir Este é um estado no qual a ação adequadamente mesmo de jathragni é conside- uma dieta normal causando ravelmente inibida pela udara gaurava (peso no influência dominante de kapha. abdome), sirogaurava (peso Portanto, este estado de agni é na cabeça), kasa (tosse), conhecido como mandagni. svasa (dispnéia), praseka Neste estado, o agni é incapaz (salivação), chardi (vômitos) de digerir e metabolizar mesmo e gatrasadama (fraqueza no uma pequena quantidade de corpo) qualquer alimento, mesmo que seja de fácil digestão.Samagni Digere adequadamente a No bem equilibrado estado de dieta normal. funcionamento dos tridoshas, o jatharagni é também formulado para funcionar normalmente. Este estado foi descrito como samagni. Em outras palavras, jatharagni assegura a completa digestão dos alimentos ingeridos nos horários adequados, sem quaisquer irregularidades, quando os tridoshas estão em um estado equilibrado de funcionamento. O conceito de agni no Ayurveda é imediatamentecompreendido quando se refere às múltiplas funções atribuídas apitta. Não inclui apenas os agentes químicos responsáveis peloaharacapacana no kostha correspondente à digestão gastro-intestinalque controla a separação de sara bhaga (fração nutriente), do ahara(alimento) e do kitta bhaga (resíduo não-digerido ou indigerível doalimento), mas também processos metabólicos – síntese de energiae manutenção do metabolismo. Além disso, compreende osprocessos de foto e quimiossíntese. O pacaka pitta, conhecidotambém como suas variedades jatharagni, kosthagni, antaragni, 71
  • 72. pacakagni e dehagni, quando está localizado em seu próprio sítio emuma área entre amasaya e pakvasaya, participa diretamente nadigestão do alimento e ao mesmo tempo, presta-se ao suporte e aoaumento do funcionamento dos pittas remanescentes e presentes emoutros locais do corpo. A observação feita aqui refere-se obviamenteaos outros pittas: ranjaka, sadhaka, alocaka e bhrajaka. Considera-seque o pacaka pitta contribua em parte com os sete dhatvagnis,sustentando e elevando a função do anterior. Pode ser compreendido a partir do precedente que o conceitoAyurvédico de agni inclui não apenas os cinco tipos de pittas, mastambém os dhatvagnis e bhutagnis. Há treze grupos de agnis:Jatharagni (um), Bhutagni (cinco) e Dhatvagni (sete). Eles sãodescritos abaixo:Jatharagni Os ingredientes alimentares possuem seis saboresdenominados: doce, azedo, salgado, picante, amargo e adstringente.Eles são submetidos a diferentes tipos de alterações através dadigestão gastrointestinal. Os ingredientes alimentares, quebrados emsuas menores partículas possíveis, tornam-se deste modoabsorvíveis pelas vilosidades da mucosa gástrica e intestinal.Mahabhutagni São cinco e auxiliam na transformação dos mahabhutasheterogêneos externos e internos.Dhatvagni Estes dhatvagnis ou enzimas estão localizados nos elementosteciduais do corpo. Auxiliam na assimilação e transformação domaterial nutriente recebido depois do bhutagnipaka em substânciashomólogas aos elementos teciduais. Durante o processo de72
  • 73. assimilação, com o auxílio destes agnis, muitos produtos residuaissão produzidos. Estes produtos residuais ão os seguintes: Elementos Teciduais Produtos Residuais após a Ação de Agni ou EnzimaRasa (plasma e linfa) FleumaRakta (glóbulos vermelhos) BileMamsa (tecido muscular) Secreção dos ouvidos, olhos, nariz, boca e raiz do cabeloMedas (tecido adiposo) SuorAsthi (tecido ósseo) Cabelos e unhasMajja (medula óssea) Substâncias gordurosas presentes nos olhos, fezes e peleSukra (esperma e óvulo) Nenhum produto residual O Ayurveda dedica grande ênfase a todos os agnis que, poresta razão, são tratados como sinônimos de corpo físico. Antes domédico iniciar o tratamento de qualquer doença, em primeiro lugar,devem ser localizados os defeitos nestes agnis e devem ser feitastentativas para corrigi-los. A maioria dos medicamentos utilizados noAyurveda contém substâncias que estimulam o funcionamento destasenzimas em diferentes níveis. Algumas das terapias eliminativastambém são prescritas no Ayurveda com a intenção de limpar oscanais de circulação e remover os produtos residuais acumulados.Isto auxilia no funcionamento apropriado do agni. Na juventude, o estágio de agni é suave e com o passar daidade sua força se eleva resultando em melhora da digestão e dometabolismo. Isto auxilia no crescimento do corpo. Após os 40 anos,o vigor do agni permanece estável até que o indivíduo atinja os 60anos. Durante este período, não há crescimento apreciável do corpoe este se mantém status quo ante. Depois dos 60 anos, a força desteagni declina. Os tecidos corporais não adquirem nutrição adequada.Eles são reduzidos em número, tamanho e qualidade originando o 73
  • 74. processo de envelhecimento. O indivíduo considera-se mentalmentevelho. O corpo torna-se mais frágil e há abundante produção dematerial residual. Quando o ar vital sai do corpo, isto é, quando o indivíduofalece, o funcionamento destas enzimas cessa. Através da terapia derejuvenescimento, direciona-se o esforço para recuperar e revitalizarestas enzimas de tal modo que elas possam manter ou aumentarsuas atividades. Isto auxilia na prevenção do envelhecimento e dasdoenças associadas com o mesmo. O alimento que ingerimos converte-se em diferenteselementos teciduais e para todos há um tempo limitado para estaconversão. Este tempo de conversão dos alimentos e de produção deum tipo particular de tecido pode ser alterado através demedicamentos. Por exemplo, afrodisíacos ou estimulantes sexuaisaumentam a produção de esperma e óvulo a partir dos ingredientesalimentares, apenas se os agnis ou as enzimas estiveremestimulados por certos agentes. Uma doença é causada pela obstrução dos canais decirculação. A obstrução surge devido ao acúmulo de produtosresiduais. Estes materiais não preparados podem ser convertidos oueliminados se o agni ou enzimas daquele local forem estimuladas.Esta é a função da maioria dos medicamentos e é assim que asdoenças são curadas. Portanto, o conceito de agni ou do processo dedigestão e metabolismo é muito importante no Ayurveda. Prakrti ou Constituinte Físico Os doshas, denominados vayu, pitta e kapha infiltram todo ocorpo. Eles controlam as funções de cada um e de todos os tecidoscelulares e estão presentes em cada um e em todos eles. Quando oesperma e o óvulo se unem no útero da mãe para formar um zigoto,os doshas presentes naqueles e no próprio útero, produzem certosaspectos característicos denominados prakrti, na linguagemAyurvédica. Se todos os doshas estiverem em um estado de74
  • 75. equilíbrio, darão origem a um feto saudável e a criança nascida teráuma vida saudável. Se os doshas estiverem em um estado muitodesequilibrado, impedem a concepção ou não permitem que o zigotose desenvolva ou resultam em malformações. Se um ou dois doshasestiverem moderadamente em excesso, geram um tipo peculiar deconstituinte físico e temperamento psíquico no indivíduo que nascerá.Estes aspectos característicos do corpo e da mente permanecemcom o indivíduo durante toda sua vida. Não se alteram e qualquermudança nos mesmos é indicativa de morte. Basicamente, prakrti possui sete tipos: (1) vata prakrti; (2) pittaprakrti; (3) kapha prakrti; (4)vata/pitta prakrti; (5) pitta/kapha prakrti; (6)vata/slesma prakrti e (7) sama prakrti. A seguir estão os aspectos característicos de uma pessoa dotipo vata prakrti:1. Ressecamento e aspereza da pele e do corpo;2. Corpo esguio;3. Estatura baixa;4. Proeminência dos tendões e veias, aspereza dos cabelos, dasunhas, dentes, sola dos pés e palmas das mãos;5. Aparecimento de fissuras nos membros;6. Perda de cabelos e barba;7. Cabelos com pontas quebradiças e coloração cinzenta e8. Ressecamento e entorpecimento dos olhos. Os aspectos característicos de uma pessoa do tipo pittaprakrti estão a seguir:1. Coloração branca da pele;2. Ressecamento e sensibilidade do corpo;3. Aparecimento de molas de coloração negra em excesso;4. Sensação de calor excessivo na face e nos membros;5. Aparecimento precoce de cabelos grisalhos e rugas;6. Calvície;7. Perda de cabelos com coloração marrom-avermelhado; 75
  • 76. 8. Preguiça muscular;9. Frouxidão das articulações;10. Hálito desagradável;11. Unhas, olhos, língua e palato com coloração cúprica;12. Entusiamo;13. Olhos pequenos e avermelhados;14. Cílios escassos. Os aspectos característicos de uma pessoa do tipo kaphaprakti são os seguintes:1. Pele macia, suave e gordurosa;2. Corpo musculoso e compacto;3. Corpo branco e sensível;4. Corpulento;5. Articulações compactas;6. Esclera dos olhos brancas e avermelhadas nos cantos externos;7. Cabelos negros e ondulados;8. Fronte, peito e braços proeminentes;9. Olhos grandes e bonitos;10. Vastas pestanas. Os prakrti mistos, denominados vata/pitta prakrti, pitta/kaphaprakrti e vata/kapha prakrti, possuem os aspectos característicos deseus respectivos doshas de forma combinada. No sama prakrti, que éo melhor, todos estão em estado de equilíbrio. Para o tratamento Ayurvédico, o conhecimento do Prakrti émuito importante. Por exemplo, uma pessoa com vata prakrti é muitopropensa a adquirir distúrbios tipo vatika. Nestes indivíduos osdesequilíbrios de outros tipos não são muito graves e podem serfacilmente curáveis. Para prevenir a ocorrência de patologias naqueleque é vata prakrti, deve-se evitar sempre aqueles fatores queagravam vata e recorrer aos alimentos, bebidas e condutas quealiviem este dosha. Alimentos untuosos e picantes sãoprovavelmente mais adequados a eles do que para os indivíduos que76
  • 77. possuem pitta prakrti, para os quais os alimentos frios são maisapropriados. Da mesma maneira, na administração demedicamentos, um paciente pitta prakrti deve receber drogasrefrigerantes e um paciente kapha prakrti deve receber drogaspicantes, secas, ásperas, etc. O quinino, por exemplo, pode seradministrado com segurança para um indivíduo do tipo kapha prakrti.Não é muito adequado para uma pessoa que seja vata prakrti e éprejudicial se prescrito para um paciente pitta prakrti. Fatores Responsáveis pela Determinação de Prakrti O prakrti, ou constituição física do indivíduo determinada nomomento da concepção, depende dos seguintes fatores:1. As condições do esperma e do óvulo;2. A natureza da estação do ano e as condições predominantes dentro do útero;3. Qualidades do alimento e as condutas adotadas pela mãe durante o período de gravidez; e4. Natureza dos mahabhutas que compõem o feto. O feto torna-se perturbado por um ou mais doshas,associados com os fatores mencionados acima. A constituição físicade um indivíduo é determinada com base nestes doshas no momentoda formação do feto. Este prakti é também determinado com base na disposiçãonatural da pessoa relacionada, como segue:1. Posição social: Por exemplo, brahmanas, em sua maioria,recorrem à conduta pura e os ksatriyas possuem bravura. Logo, suascrianças herdam estas disposições naturais de seus pais.2. Característica familiar: A pureza ou outro caráter e conduta de umafamília sempre se reflete na constituição física e temperamentopsíquico do descendente.3. Localidade: Pessoas de certas regiões possuem atitudespeculiares durante a vida devido ao meio ambiente. Aqueles queresidem no litoral são expostos muito freqüentemente à invasão 77
  • 78. estrangeira. Assim, seus descendentes desenvolvem tendênciasheróicas.4. Época: Nos diferentes períodos do ano, a atitude mental e físicados pais mostra certas peculiaridades que se refletem na constituiçãofísica e na disposição natural do descendente.5. Idade: A idade dos pais determina, em grande parte, suaconstituição física e temperamento psíquico. A concepção durante asdiferentes idades dos pais determina a natureza do filho.6. Aspectos característicos do indivíduo: Os fatores mencionadosacima são comuns, e certos indivíduos possuem pureza da menteenquanto em outros esta característica não é encontrada. Istotambém determina o prakrti dos filhos. Os aspectos característicos dos diferentes tipos de pessoasmanifestam-se como conseqüência das atribuições específicas dosdoshas envolvidos. Elas estão descritas abaixo: Características dos Indivíduos que Possuem Kapha Prakrti Kapha é untuoso, macio, suave, doce, firme, denso, lento,estável, pesado, frio, viscoso e claro. As várias manifestações docorpo humano que possui o tipo constitucional kapha são fornecidasa seguir: Atributos Manifestações específicas de kapha prakrti de kaphaUntuoso Untuosidade dos órgãosMaciez Maciez dos órgãosSuave Aparência agradável, sensibilidade e compleição claraDoce Aumento na quantidade de sêmen, do desejo no ato sexual e no número de filhosFirme Corpo firme, compacto e estávelDenso Órgãos arredondados e roliçosLento Lentidão da ação, da ingestão de alimentos e dos movimentos78
  • 79. Estável Lentidão para iniciar as ações, manifestações mórbidas e irritaçãoPesado Andar estável e não vacilante com toda a sola do pé pressionando contra o soloFrio Perda da intensidade da fome, da sede, do calor e da perspiraçãoViscoso Firmeza e solidez articularClaro Felicidade da aparência e da face, felicidade e suavidade na compleição e na voz Em virtude das qualidades mencionadas acima, um homemcom o tipo constitucional kapha é dotado da excelência do vigor,riqueza, conhecimento, energia, paz e longevidade. Características de um Indivíduo que Possui Pitta Prakrti Pitta é quente, aguçado, líquido, de odor carnoso, azedo epenetrante. As várias manifestações conseqüentes a estes atributosno corpo humano que possui o tipo constitucional pitta estão natabela a seguir:Atributos de pitta Manifestações específicas de pitta prakrti1. Quente Intolerância às coisas quentes, possui face quente, o corpo claro e sensível, marcas cor de vinho do porto, sardas, molas de coloração negra, fome e sede excessivas, rugas precoces, cabelos grisalhos e calvície, presença de alguns cabelos marrons e tênues na face, na cabeça e em outras partes do corpo.2. Aguçado Penetrante, demonstra vigor físico, poder digestivo acentuado, ingere grandes quantidades de alimento e bebidas, incapacidade face às situações difíceis e hábitos de glutão. 79
  • 80. 3. Líquido Frouxidão e maciez das articulações e músculos, eliminação de suor e fezes em grande quantidade.4. Odor Odor excessivamente pútrido das axilas, boca, cabeça e corpo.5. Sabores Insuficiência de sêmen, desejo sexual e procriação.pungente e azedo Em virtude das qualidades acima mencionadas, um homemcom o tipo constitucional pitta é dotado com vigor moderado, tempode vida médio, conhecimento espiritual e materialista médios eriqueza e acessórios da vida moderados. Características de um Indivíduo que Possui Vata Prakrti Vata é não-gorduroso, leve, móvel, abundante em quantidade,rápido, frio, áspero e não-viscoso. As várias manifestaçõesconseqüentes a estes atributos de vata no corpo humano que possuio tipo constitucional vatala estão expostas na tabela seguinte: Atributos de Manifestações específicas de vata prakrti Vata1. Não-gorduroso Não-untuosidade, corpo esguio e pequeno, voz seca, prolongada, irregular, bloqueada e rouca; sempre fica acordado.2. Leve Marcha, ações, alimentação e movimentos suaves e inconsistentes.3. Móvel Articulações, olhos, sobrancelhas, queixo, lábios, língua, cabeça, mãos, ombros e pernas instáveis.4. Abundância Loquacidade, abundância de tendões e veias.5. Rápido Rapidez para iniciar ações, para tornar-se irritado e para iniciar manifestações da doença; rapidez para tornar-se aflito, com medo; rapidez para apreciar e deixar de apreciar; rapidez em compreender e esquecer as coisas.80
  • 81. 6. Frio Intolerância para as substâncias frias, torna-se freqüentemente perturbado pelo frio; calafrios e rigidez7. Áspero Aspereza dos cabelos, pêlos da face e das outras partes do corpo, unhas, dentes, face, mãos e pés8. Não-viscoso Fissura dos membros e dos órgãos, produção de estalidos ao mover as articulações Baseado nas qualidades mencionadas acima, os indivíduosque possuem o tipo constitucional vata são geralmente dotados depequena quantidade de vigor, pouco tempo de vida, poucos filhos,poucos acessórios da vida e pouca riqueza. Os indivíduos que possuem constituição na qual predomina aassociação de dois doshas são caracterizados pela combinação dasmanifestações dos respectivos doshas. Um indivíduo do tipo sama prakrti, que possui todos osdoshas em estado de equilíbrio, é dotado das boas qualidades detodos os tipos individuais descritos acima. As pessoas que possuem vata prakrti, pitta prakrti e kaphaprakrti são mais susceptíveis às doenças causadas por vata, pitta ekapha, respectivamente. Estas pessoas de diferentes tiposconstitucionais estão expostas a algumas doenças específicasnecessitando, portanto, de algumas terapias específicas. Características e Controle de uma Pessoa que Possui Vata Prakrti Se um indivíduo tipo vatala faz uso de substânciasagravadoras de vata, o mesmo torna-se imediatamente alterado emseu organismo. Isto não ocorre no caso dos demais doshas. O vataalterado perturba o indivíduo através das manifestações das doençasresultando em perda do vigor, da compleição, da felicidade e dalongevidade. As seguintes terapias aliviam este dosha:1.Administração adequada de fomentação e óleos; 81
  • 82. 2.Purgativo suave preparado com gordura, substâncias quentes eque tenham sabores doce, azedo e salgado;3.Alimentos compostos de ingredientes com as propriedadesmencionadas acima;4.Massagem, cataplasma, enfaixamento, aspersão, banho,samvahana (pressão e massagem com a mão), pressão, susto,condutas que produzam surpresa e perda da memória;5.Uso de vinho e asavas (bebidas fermentadas);6.Gorduras de diferentes fontes preparadas com drogas quepossuem propriedades digestivas, estimulantes, antiflatulentos,mitigadores de vata e purgativos – eles devem ser fervidos centenasde milhares de vezes e utilizados sob diferentes formas deadministração, ou seja, uso interno, massagem, etc.7.Vários tipos de enemas medicinais. Características e Controle de uma Pessoa que Possui Pitta Prakrti Se um indivíduo do tipo constitucional pitta faz uso desubstâncias que desequilibram pitta, este dosha torna-seimediatamente alterado em seu corpo. Isto não ocorre com os doisoutros doshas. A alteração de pitta perturba o indivíduo com asmanifestações patológicas resultando em perda do vigor, dacompleição, da felicidade e da longevidade. As seguintes aliviam estedosha:1.ingestão de ghee;2.aplicação de ghee;3.purgação;4.uso de drogas e dieta com sabores doce, amargo e adstringente epropriedades refrigerantes;5.uso de fragrâncias suaves, doces, aromáticas, frescas eestimulantes;6.uso de pérolas, pedras preciosas e ornamentos que permaneceramconservadas em água fria;82
  • 83. 7.aspersão freqüente de água fria e ar frio com agryacandana(Santalum album, Linn.), priyangu (Callicarpa macrophylla, Vahl.),kaliya (candana, variedade amarela) e mrnala (haste de lótus)combinados com utpala (Nymphaea alba, Linn.), kumuda (umavariedade de utpala) e padma (Nelumbo nucifera, Gaertn.);8.ouvir sons e músicas agradáveis, suaves, doces e convenientesaos ouvidos;9.receber informações sobre prosperidade;10.conservar-se na companhia de amigos;11.acompanhar-se de mulheres agradáveis, vestir roupas eornamentos frescos;12.residir em construção que seja resfriada pela luz da lua e expostaa brisas por todos os lados;13.residir em locais frescos, nas montanhas e beira de rio, usarvestimentas frescas e expôr-se aos ventos frios de ventiladores;14.visitar belos jardins com ventos aromáticos, agradáveis e frescos;15.uso de flores de padma (Nelumbo nucifera, Gaertn.) e utpala(Nymphaea alba, Linn.) e pundarika (Nymphaea lotus, Linn.);16.adotar outras condutas que tenham natureza suavizante. Características e Controle de uma Pessoa que Possui Kapha Prakrti Se uma pessoa do tipo slesmala faz uso de substânciasagravadoras de kapha, este dosha desequilibra-se imediatamente.Isto não ocorre com os demais doshas. A perturbação de kapha afetao indivíduo através de manifestações patológicas que resultam emperda do vigor, da compleição, da felicidade e da longevidade. Asseguintes terapias aliviam kapha:1.administração apropriada de terapias de eliminação fortes equentes;2.ingestão de dieta que não seja gordurosa, composta deingredientes de sabores picante, amargo e adstringente; 83
  • 84. 3.correr, pular, nadar, mover-se em círculos, caminhar durante anoite, envolver-se em relações sexuais, exercícios, untar-se, banhar-se e massagear-se com óleo;4.ingestão de vinhos fortes, conservados por longo tempo;5.todas as terapias aliviadoras associadas com fumaça;6.uso de vestimentas mornas;7.renunciar aos confortos da vida tendo em vista basicamente afelicidade. Conceito de Mente O conceito de mente é muito importante e significativa tantopara o Ayurveda como para o Yoga. No Ayurveda, as doenças sãoclassificadas em duas categorias, ou seja, físicas e mentais. Noprimeiro, o corpo é considerado o sítio da doença e no último, amente. Em ambas as categorias, a mente representa um importantepapel na causa das doenças. Os fatores psíquicos exercem controlesobre as funções fisiológicas do corpo e vice-versa. Portanto, mesmono tratamento de algumas doenças físicas, certas medidas psíquicassão prescritas no Ayurveda. O objetivo principal do Yoga é impedir as várias modificaçõesda mente. Este ponto é enfatizado na introdução do Yoga Sutra dePatañjali. Diferentes tipos de Yoga prescrevem diferentes métodospara os seguidores de suas respectivas escolas. Mas o objetivocomum é o controle da mente e suas várias modificações, e apenasatingindo-o pode-se realizar a verdade básica e alcançar a salvação.A recitação de um mantra, a manutenção da postura física (asana),os exercícios respiratórios (pranayama), a observação de uma dietaprogramada e de jejuns e outros rituais semelhantes estãorelacionados principalmente com a correção das aflições mentais,assim como as aberrações, de forma que um iogue possa prosseguirsuavemente em seu desenvolvimento espiritual.84
  • 85. Sinônimos e suas Implicações No Ayurveda, no Yoga e nas literaturas afins, o termo manasé geralmente utilizado para indicar mente, para a qual existem cincosinônimos em sânscrito, ou seja, citta, caita, hrdaya, svanta e hrt. Otermo manas é derivado da raiz man que significa ―pensar‖. Portanto,significa o instrumento ou agente primariamente responsável pelofenômeno do pensamento. Todos os termos sânscritos utilizados aquicomo sinônimos também possuem conotações diferentes de acordocom seu contexto. Por exemplo, hrdaya e hrt significam ―centro‖ ou ―ocoração‖ que é o sítio da mente. Citta é um dos quatro significadosinternos de percepção (antah karana) e, junto com a mente, o ego e ointelecto, é responsável pelo fenômeno da percepção. Assim, estessinônimos descrevem os diferentes aspectos e atributos da mente. Mente e Manas O termo ―mente‖ é geralmente utilizado como o equivalenteportuguês do termo sânscrito manas. Mas existem certas diferençasnas implicações destes dois termos. Manas tem sido utilizado naÍndia desde a época dos Vedas e o conceito se desenvolveu emvários estágios, sendo explicado diferentemente nas várias escolasfilosóficas. Estes detalhes serão fornecidos posteriormente. Por outrolado, a psicologia é um dos ramos mais recentes da ciência. Seudesenvolvimento mais significativo ocorreu apenas durante as últimaspoucas décadas no plano da filosofia Ocidental. A extensão doconceito de manas que se desenvolveu no plano da filosofia antigada Índia é, entretanto, ligeiramente diferente do conceito moderno demente. Desenvolvimento do Conceito A descrição da natureza e das funções da mente estádisponível no Rk veda e no Yajur veda. Nos Upanishads o conceitoapresenta uma definição concreta e a descrição dos pensamentosfilosóficos assume uma importante posição. Uma descrição precisa 85
  • 86. da mente surgiu nos últimos trabalhos como Nyaya de Gautama,Vaisesika de Kanada, Sankhya de Kapila, Yoga, Purva Mimansa eUttara Mimansa de Patañjali e nas escolas filosóficas de Bauddha eJaina. Mesmo que a psicologia não seja tratada como uma matériaseparada na literatura antiga da Índia, as várias escolas de filosofiadedicam espaço considerável à descrição da mente e suas funções. Três Pontos de Vista Diferentes As teorias psicológicas da Índia antiga apresentam três visõesdistintas sobre a mente. Os seguidores de Nyaya, Vaisesika eMimansa Darsanas apresentam uma visão mecanicista. De acordocom eles, a mente possui proporções atômicas, sendo apenas aconexão, a ligação entre a alma e os órgãos sensoriais que auxiliamna produção do conhecimento. É insensível e não possui atributosespeciais como calor, tato, etc., ou como o conhecimento, o prazer, ador, etc. O prazer, a dor e o conhecimento, de acordo com eles, sãoproduzidos apenas quando a mente entra em conjunção com a alma.Cada alma possui uma mente como sua eterna associada. Os seguidores do Sankhya, de Patañjali e dos VedantaDarsanas apresentam uma visão psíquica da mente. De acordo comeles, manas é plástica e transparente, sendo capaz de modificar-sena forma do objeto que a percebe. Expande-se e contrai-se deacordo com o tamanho do objeto e toma a forma daquele no qualestá interessado. A mente é insensível, mas aparentemente possuium agente consciente devido ao seu contato com a alma, que éabundante em consciência. De acordo com esta escola, a mente pos-sui diferentes atributos, denominados sattva, rajas e tamas,responsáveis pela compreensão, atividade e inércia adequadas,respectivamente. A terceira escola, que inclui alguns dos Agamas, apresentauma visão espiritualista. Uma vez que a alma é consciente, a mentenaturalmente também o é, mas sua consciência tem limitações.86
  • 87. A maioria das filosofias indianas admitem a existência da almasomada à mente. De acordo com algumas escolas, entretanto, aalma não existe. O Carvaka e o Bauddha Darsanas são exemplos. OCarvaka não reconhece a existência de qualquer coisa além damente, à qual atribui todas as qualidades da alma. Seres Sencientes e Não Sencientes O universo inteiro está dividido em duas categoriasdenominadas sencientes e não sencientes. Ambas as categorias desubstâncias, incluindo os seres humanos, os animais, os pássaros,as árvores, os metais, os minerais e outros, são compostos de cincoelementos básicos não sencientes. O que os diferencia? Existe umadiferença entre um corpo morto e um vivo. Metais e minerais nãoreagem aos estímulos da mesma maneira que as plantas e osanimais. As diferentes escolas filosóficas da Índia atribuem funçõesdiferenciadas para a alma universal, assim como para a individual, nacriação da matéria universal e individual. Entretanto, a maioriaconcorda que as coisas são criadas apenas quando a matériaprimordial em questão entra em contato com o elemento Conscienteo qual é designado diferentemente como alma individual e almaexperimental universal. Se assim for, qual seria a diferença entre umobjeto animado e um inanimado? O estado da mente e os sentidos éque produzem todas estas diferenças. Através de muitosexperimentos estabeleceu-se que as plantas são conscientes ereagem diferentemente aos vários tipos de estímulos ainda que taisreações não sejam obviamente como aquelas manifestadas emanimais ou seres humanos. De forma semelhante, os metais e osminerais, que são considerados insensíveis, não são absolutamentelivres de consciência. Os elétrons e os prótons, que se movem emtorno dos átomos que constituem estes objetos, observam uma certaproporção de disciplina que representa uma forma sutil deconsciência. É com base neste conceito que são oferecidas orações 87
  • 88. aos ídolos ou imagens de divindades pelos indianos. Mesmo que aconsciência não seja inteiramente manifestada nestas imagens ouídolos, a mente do indivíduo é desenvolvida em tal proporção peloencantamento de certos mantras e pela realização de certos rituais,que se torna capaz de transferir consciência a estes ídolos eimagens. Em troca, o indivíduo é capaz de exercer um controle sobresi mesmo através destas mesmas imagens para as quais o mantra éoferecido. Nós não precisamos prosseguir com este tópicodetalhadamente neste livro; este adendo serve apenas para enfatizarque todas as coisas neste universo possuem consciência, algumasem forma latente ou sublatente e outras, inteiramente manifestada. O que provoca estas diferenças entre as diversas categoriasde matéria? São os estados da mente e dos órgãos sensoriais osresponsáveis? Um pedaço de metal, mesmo que composto domesmo material consciente, não reage à estimulação da mesmaforma que o ser humano, por que no primeiro a mente e os órgãossensoriais estão latentes. Nas plantas há alguma reação, mas não daforma como ocorre nos animais e nos seres humanos, a mente e osórgãos sensoriais estão semi-manifestados ou em estado sub-latente.Nos animais, a mente e os sentidos estão inteiramente manifestados,mas não na mesma extensão que nos seres humanos. Antahkarana ou os Meios Internos de Percepção Como foi mencionado antes, a diferença no estado da mentee dos sentidos é responsável pelas variações na manifestação daconsciência nas várias categorias de substâncias. Estes sentidos,que são cinco em número, são os meios externos de percepção. Elesentram em contato com os diferentes aspectos dos objetos e, atravésda visão, do tato, do olfato, da audição e do paladar, transmitemestas sensações para os meios internos de percepção que sãoprimariamente quatro. São eles: manas, citta, buddhi e ahankara. Os órgãos sensoriais externos não percebem os objetos emsua totalidade. Eles reconhecem apenas a existência de alguma88
  • 89. coisa dentro dos limites de sua percepção. Por exemplo, um animalestá de pé em frente a alguém e, através de seu órgão visual, écapaz de ver algo ali, mas não sabe o que é. O manas ou a mentedetermina a natureza exata do objeto. Então percebe aquilo comouma mesa ou um animal e não um ser humano defronte dele. Atravésdo citta, esta sensação é transmitida ao ahankara ou o ego, que éresponsável pela disseminação da percepção. Ele realiza se o animalpercebido pelos sentidos e determinado pela mente é bom ou maupara si mesmo. Esta reação é transmitida ao buddhi ou o intelecto,que por último determina se o animal move-se para frente ou paratrás. Os primeiros dois meios internos de percepção denominadosmanas e citta estão freqüentemente juntos e, portanto, apenas trêsantahkaranas ou meios internos são geralmente reconhecidos. Localização O coração e o cérebro são considerados como os sítios damente. Eles estão inter-relacionados e suas funções sãointerdependentes. Os textos Ayurvédicos dão maior importância aocoração como sítio da mente e os textos iogues enfatizam tanto ocoração como o cérebro nesta conexão. Pingala (canal simpáticodireito?), Ila (canal simpático esquerdo?) e Susumna na medulaespinhal são encarregados de transportar as correntes deconsciência, segundo o Yoga. O Kundalini Sakti ou a energia latenteem um ser humano permanece dormente na região do cóccix naforma de uma serpente adormecida. Ela é despertada por muitosmétodos do Yoga. Quando despertada, diz-se que gera um tremendoimpacto na mente da pessoa e as faculdades mentais quenormalmente permanecem dormentes tornam-se subitamente ativas.Portanto, no Yoga, o coração, o cérebro e a medula espinhal,incluindo os canais simpáticos, são todos considerados como sítiosda mente. 89
  • 90. Dimensões e Números Diferentes escolas filosóficas da Índia apresentam diferentespontos de vista sobre as dimensões da mente e se existiria mais queuma. Todas as escolas Ayurvédicas asseguram que exista apenasuma única mente, material e do tamanho de um átomo. De acordocom as escolas Nyaya e Vaisesika, a mente, assim como a alma, otempo, o espaço e os cinco elementos básicos (mahabhutas), é umdos nove constituintes materais deste universo. As escolas Sankhyae Yoga afirmam que a mente, juntamente com os outros órgãossensoriais e motores são criações do aspecto sattvika do ego(ahankara). Funções A função primária da mente é perceber o estímulo transmitidopelos sentidos e comunicá-lo ao ego, ao intelecto etc. A reação àpercepção é então transmitida através da mente para os órgãosmotores e resulta em reflexo. Esta ação reflexa aplica-se aopensamento, à consideração, à formação de hipóteses, atenção edeterminação. Diferentes Níveis de Mente A mente possui três atributos, ou seja, sattva, rajas e tamas. Apredominância de um ou outro causa diferentes disposiçõespsíquicas, de forma que pessoas diferentes reagem diversamente acerta coisa. Dependendo dos atributos, nossos níveis mentais sãoclassificados, de modo geral, nas cinco seguintes categorias:1.Ksipa, no qual a mente está muito atraída pelos objetos dossentidos;2.Mudha, no qual há uma tendência aos vícios, à ignorância, ao sonoexcessivo e atitudes semelhantes;3.Viksipa, mente distraída, que produz por virtude, conhecimento etc.;4.Ekagra ou concentrada, onde a mente é limpa de impurezas e háconcentração prolongada;90
  • 91. 5.Niruddha, onde todas as funções mentais cessam e a mente édeixada em seu estado original não-modificado de calma etranqüilidade. Classificação das Faculdades Mentais São de três tipos: sattvika, rajasika e tamasika. O tipo sattvikade faculdades mentais está livre de defeitos e é dotado com aus-piciosidade, consciência e pureza; o tipo rajasika promove disposiçãocolérica e o tipo tamasika sofre de ignorância. Através da permutaçãoe da combinação, há uma incontável variedade de atitudes mentais.Algumas vezes, as qualidades físicas de um indivíduo sãocontroladas pela sua faculdade mental e vice-versa. De modo geral,há sete categorias de sattvika, seis de rajasika e três de tamasika.São feitas analogias com deuses, outros seres celestiais, animais eplantas para descrevê-los. Seus aspectos característicos sãofornecidos na seguinte tabela:Tipos de Faculdades Aspectos Característicos do Indivíduo MentaisA- Tipo Sattvika1. Brahma -Pureza, amor pela verdade, auto-controle;(compartilha das -Poder de discriminação material e conhecimentocaracterísticas de espiritual;Brahma) -Poder de exposição, resposta e memória; -Livre de paixão, raiva, avareza ignorância, inveja, depressão, intolerância e egoísmo.2. Arsa (compartilha -Devoção aos rituais sagrados, ao estudo, aosdas qualidades de votos sagrados, às oferendas e celibato;rsis) -Disposição hospitaleira; -Livre do orgulho, do egoísmo, dos apegos, do ódio, da ignorância, da avareza e da raiva; -Superioridade intelectual e eloqüência; -Poder de compreensão e retenção. 91
  • 92. 3. Aindra (compartilha -Modo de falar dominador e autoritário;das qualidades de -Realiza rituais sagrados;Indra) -Bravura, vigor e esplendor; -Livre de atitudes medíocres; -Perspicaz; -Devoção à várias atitudes, à aquisição de riqueza e satisfação adequada de seus desejos.4. Yamya (compartilha -Observação das atitudes adequadas;das qualidades de -Início das ações no momento adequado;Yama) -Inviolabilidade; -Prontidão para iniciar a ação; -Memória e domínio; -Livre de apegos, inveja, ódio e ignorância.5. Varuna (compartilha -Bravura, paciência, pureza e aversão à impureza;das qualidades de -Prática de rituais religiosos;Varum) -Inclinação para esportes aquáticos; -Aversão à atitudes medíocres; -Exibição de raiva e prazer nos locais adequados.6. Kaubera -Posição social, honra, luxúrias e assistentes;(compartilha das -Preferência por atos virtuosos, riqueza e satisfaçãoqualidades de Kubera) dos desejos; -Pureza; -Preferência pelos prazeres da recreação.7. Gandharva -Inclinação pela dança, música, canto e exaltações;(compartilha das -Especialista em poesia, estórias, narraçõesqualidades de históricas e épicas;Gandharva) -Inclinação por perfumes, ornamentos, ungüentos, roupas, relacionamento com mulheres e paixões.B- Tipo Rajasika1. Asura (compartilha -Bravura, crueldade, inveja, domínio, movimento nadas qualidades de dissimulação, aparência terrível e falta deAsura) compaixão; -Prazer no auto-elogio.92
  • 93. 2. Raksasa -Intolerância, raiva constante, violência, crueldade,(compartilha hábitos de gula e preferência por alimentos não-qualidades de um vegetarianos;Raksasa) -Sono excessivo e indolência; -Disposição invejosa.3. Paisaca -Gula;(compartilha das -Apego às mulheres;qualidades de um -Aprecia permanecer com mulheres em lugaresPaisaca) solitários; -Hábitos sujos, não aprecia a limpeza; -Covardia e disposição aterrorizante; -Faz uso de dieta e condutas anormais.4. Sarpa (compartilha -Bravura quando com disposição colérica edas qualidades de um covardia quando não-colérico;Sarpa ou cobra) -Reação suave; -Indolência excessiva; -Disposição medrosa ao caminhar, alimentar-se e em outras condutas.5. Praita (compartilha -Excessivo desejo por comida;das qualidades dos -Excessiva disposição dolorosa no caráter e nosPretas) passatempos; -Inveja; -Atitudes sem discriminação, avareza e inatividade excessivas.6. Sakuna -Apego excessivo à paixão, alimentação e atitudes,(compartilha das instabilidade, falta de compaixão e ausência dequalidades de um ganância.pássaro)C- Tipo Tamasika1. Pasava -Disposição ameaçadora;(compartilha das -Falta de inteligência;qualidades de um -Conduta e dieta repulsiva;animal) -Relações sexuais e sono excessivos. 93
  • 94. 2. Matsya (compartilha -Covardia, falta de inteligência, gula, instabilidade,das qualidades de um paixão constante e disposição raivosa;peixe) -Inclinação por movimentos constantes e desejo por água.3. Vanaspatya -Indolência, tolerância por comida e deficiência em(compartilha das todas as faculdades intelectuais.qualidades da vidavegetal) Composição das Drogas Assim como todas as coisas do universo, uma droga écomposta dos cinco mahabhutas, denominados akasa, vayu, tejas,jala e prthvi. É difícil definir a composição bháuthika de uma drogaconsiderando apenas a aparência física. É preciso diferenciá-la dasdemais, baseando-se no sabor destas drogas. Por exemplo, se umasubstância possuir sabor doce, pode ser inferido que nela predominaprthvi e jala mahabhutas. De forma semelhante, se possuir saborazedo, nela predominam jala e agni mahabhutas; no sabor salgado,predominam prthvi e agni mahabhutas; no sabor picante,predominam agni e vayu mahabhutas; na droga que possui saboramargo predominam vayu e akasa mahabhutas e se possuir saboradstringente predominam prthvi e vayu mahabhutas. Como foi descrito anteriormente, os doshas no corpo tambémsão compostos destes cinco mahabhutas, ou seja, em kaphapredominam prthvi e jala mahabhutas; em pitta predominam agnimahabhuta e em vayu predominam vayu e akasa mahabhutas. Quando uma doença é causada por um distúrbio de kaphadosha, devem ser administradas ao paciente bebidas e drogas quepossuam menos prthvi e jala mahabhutas. Este necessita mais deagni, vayu e akasa mahabhutas. As drogas com sabores picante,amargo e adstringente (o último é apenas parcial) contémpredominantemente estes três mahabhutas. Portanto, os94
  • 95. medicamentos que possuem estes sabores denominados picante,amargo e adstringente são administrados ao paciente portador deuma doença na qual predomine kapha dosha. A mesma regra dirigiráa seleção das drogas para doenças causadas pelos outros doshas. O que foi apresentado acima é apenas uma breve explicaçãosobre a ação das drogas Ayurvédicas. Há muitos outros fatoresconsiderados durante a seleção de uma droga, como os atributos(gunas), as potências (viryas), os sabores que surgem após a diges-tão do alimento ou substância ingerida (vipakas) e a ação específica(prabhava). Todos estes fatores internos da droga são em suamaioria inter-relacionados e interdependentes, pois representamdiferentes aspectos dos mahabhutas que compõem a droga. Classificação das Drogas Dependendo de sua fonte original, as drogas são classificadasem três grupos denominados:1. audbhida ou drogas de origem vegetal;2. jangama ou produtos animais e3. parthiva ou metais, incluindo minerais. As drogas de origem vegetal são novamente divididas emquatro grupos denominados:-vanaspati – vegetais que possuem frutos, mas não flores;-vanaspatya – aqueles que têm tanto frutos como flores;-virut – trepadeiras;-osadhi – plantas anuais que morrem após dar frutos. Da mesma forma, as drogas de origem animal foramclassificadas em quatro grupos:-jarayuja – mamíferos;-andaja – ovíparos;-svedaja – que nascem da umidade; e-udbhijja – que hibernam na terra e saem quando há ambienteapropriado. 95
  • 96. Dependendo de seus efeitos, as drogas são classificadas emtrês categorias denominadas:1. Samana – aquelas que aliviam os doshas;2. Kopana – aquelas que desequilibram os doshas e os dhatus; e3. Svasthahita – aquelas que auxiliam na manutenção da saúde verdadeira. As drogas também podem ser classificadas em cinco gruposdependendo da predominância de um ou de outro dentre os cincomahabhutas. Rasa ou Sabor O sabor ou rasa é definido pela língua e pelos efeitos dadroga ou da dieta sobre o corpo do indivíduo. Há seis rasas ousabores. Dois mahabhutas combinam-se para produzir cada umdeles. São os seguintes:Sabor Mahabhutas predominantes1. Doce Prthvi e Jala2. Azedo Jala e Tejas3. Salgado Prthvi e Tejas4. Picante Vayu e Tejas5. Amargo Vayu e Akasa6. Adstringente Vayu e Prthvi A fisiologia moderna não aceita como isolados os saboresadstringente e picante, pois são considerados como efeitos sobre apele e membranas mucosas de certos ingredientes presentes nasdrogas. Mas no Ayurveda eles são tratados como saboresespecíficos. Os efeitos provocados pelos diferentes sabores sobre ocorpo serão descritos posteriormente.96
  • 97. Sabores e Doshas Os sabores doce e salgado elevam kapha e reduzem vata. Aocontrário, os sabores amargo e adstringente elevam vata e reduzemkapha. Os sabores picante, azedo e salgado elevam pitta e ossabores doce, amargo e adstringente reduzem pitta. O sabor docepromove atividades anabólicas e nutre todos os elementos teciduais.O sabor azedo estimula as enzimas do corpo e auxilia no processometabólico dos elementos teciduais. O sabor azedo estimula asenzimas do corpo e auxilia no processo metabólico dos elementosteciduais, mas apresenta efeitos adversos sobre sukra ou sêmen.Portanto, não é recomendado como um elixir. Os quatro saboresremanescentes, denominados salgado, picante, amargo eadstringente apresentam um efeito depletivo sobre os elementosteciduais. Destes, o sabor salgado produz morosidade dos tecidos eos outros três sabores reduzem sua qualidade. Gunas e qualidades Nas drogas existem dez pares de qualidades ou atributos quese opõem. No total são vinte, como descritos a seguir: 1.Guru ou pesado -Laghu ou leve 2.Manda ou embotado -Tiksna ou aguçado 3.Sita ou frio -Usna ou quente 4.Snigdha ou gorduroso -Ruksa ou não-gorduroso 5.Slaksna ou macio -Khara ou áspero 6.Sandra ou denso -Drava ou líquido 7.Mrdu ou mole -Kathina ou duro 8.Sthira ou estável -Sara ou fluido 9.Suksma ou sutil -Sthula ou grosseiro 10.Visada ou não-viscoso -Picchila ou viscoso 97
  • 98. Estas características referem-se tanto à natureza física comofarmacológica. Mas no contexto do medicamento é sua açãofarmacológica que determina os atributos de uma substância. Osefeitos dos gunas ou qualidades são substituídas pelos efeitos dossabores nas drogas. Virya ou Potência Existem muitas qualidades ou atributos em uma droga, mas édenominado virya o principal atributo ativo, aquele que auxilia na curae prevenção das doenças. As drogas são divididas em duascategorias dependendo de seu virya ser aquecedor ou refrescante.Este aspecto da droga é sempre avaliado pelo médico Ayurvédico aoprescrever um medicamento. As substâncias que possuem potênciaaquecedora produzem aumento da temperatura corporal. Por outrolado, a substância que possui potência fria produz uma redução datemperatura corporal. Além destas duas potências (denominadasquente e fria), de acordo com o Ayurveda, há outros seis atributospredominantes que determinam o efeito terapêutico de uma droga.Todas estas oito potências estão enumeradas abaixo: 1. Laghu ou leve 2. Guru ou pesada 3. Sita ou fria 4. Usna ou quente 5. Snigdha ou gordurosa 6. Ruksa ou não-gordurosa 7. Manda ou embotada 8. Tiksna ou aguçada A composição dos mahabhutas presentes nestes viryas oupotências é fornecida aqui:98
  • 99. Nome do Virya Mahabhutas Sita (fria) Prthvi e Jala Usna (quente) Tejas Snigdha (gordurosa) Jala Ruksa (não gordurosa) Vayu Guru (pesada) Prthvi e Jala Laghu (leve) Tejas, Vayu e Akasa Manda (embotada) Jala Tiksna (penetrante) Tejas Vipaka ou Sabor Pós-Digestivo Durante o processo digestivo, os ingredientes que compõemos alimentos e as drogas passam por três diferentes estágios detransformação em virtude da ação enzimática no tratogastrointestinal. Assim, o produto do primeiro estágio possui sabordoce, o segundo apresenta um sabor azedo e o terceiro estágio,picante. Estes estágios são denominados avasthapakas. Os produtosdestes avasthapakas passam por futuras transformações sob a açãoenzimática nas células teciduais e este processo pode produzir ossabores doce, azedo e picante. Estes sabores, que emergem depoisque o produto da digestão é exposto à reação enzimática, sãoconhecidos como vipaka. Uma substância que possui vipaka docealtera kapha, aquela que possui vipaka azedo altera pitta e o vipakapicante desequilibra vayu. Pitta e vayu são aliviados por um vipakadoce, kapha e vayu são aliviados pelo vipaka azedo e kapha éaliviado pelo vipaka picante. Prabhava ou Ação Específica Algumas drogas fundamentam sua ação em seus sabores,outras com base em seus atributos, há aquelas que agemdependendo de sua potência e outras ainda que baseiam sua ação 99
  • 100. em seu vipaka. As ações de algumas drogas não pertencem anenhuma destas categorias. Elas possuem ações específicas paracurar doenças que não podem ser explicadas com base em rasa,guna, virya ou vipaka. Esta ação específica é conhecida comoprabhava. Duas drogas podem ser similares em sabor, atributo,potência e vipaka, mas a ação de uma pode ser diferente da outra.Isto se deve ao prabhava ou ação específica da droga.100
  • 101. CAPÍTULO 4 MEDICINA PREVENTIVA DINACARYA (Conduta no Período Diurno) O indivíduo deve levantar-se da cama no início da manhãantes do nascer do sol. Este é considerado um horário auspicioso,quando há menos barulho na atmosfera e todo o meio ambienteestá impregnado de calma e paz. Levantar-se da cama e oferecerorações ao deus (de sua crença ou religião) cria tal impacto noindivíduo que ele desfruta de felicidade durante todo o dia. Antesde se levantar da cama, deve-se traçar seu programa de trabalhopara o dia. Limpeza da Face Na estação chuvosa, no verão ou no inverno, o indivíduodeve lavar a face com água, imediatamente após levantar-se dacama. Isto auxilia na limpeza das secreções acumuladas nosolhos, nas narinas e na boca durante a noite, além de produzirfrescor. No inverno deve ser utilizada água morna para estepropósito. Proteção da Visão 101
  • 102. Enquanto lavar a face, deve-se pegar um bocado de água,fechar a boca e conservar os olhos tão abertos quanto possível.Com a mão cheia da água de uma torneira e com uma mínimaforça deve-se aspergi-la sobre os olhos. Isto é considerado muitoútil para preservar e promover a visão. Deve-se tomar cuidadopara não aplicar força quando aspergir a água. Depois aspálpebras devem ser friccionadas levemente de forma amassagear gentilmente os globos oculares. Beber um Copo de Água Após lavar a face e a boca, deve-se beber um copo deágua. Isto está prescrito para todas as estações, todos os dias,pois auxilia na eliminação apropriada de fezes e urina. Algumaspessoas têm o hábito de tomar chá para este propósito. A açãoreflexa produzida pelo chá da manhã é diferente daquelaproduzida pela água fria. A última produz apenas pressão,estimulando os intestinos a iniciar os movimentos para aevacuação. O chá, sendo quente, age tão intensamente sobre osintestinos que seu efeito estimulante é perdido após alguns dias eo indivíduo desenvolve constipação. A cafeína contida no chá oucafé produz alguns efeitos adversos sobre as glândulas do tratogastro-intestinal que a água fria não produz. No entanto, ela estácontra-indicada para os indivíduos acometidos por resfriado, tosseou qualquer lesão na garganta. Evacuação Deve-se adquirir o hábito de ir ao banheiro após levantar-se pela manhã. Às vezes, o indivíduo não sente a necessidade deevacuar, por certas razões. Ou a refeição da noite anterior não foidigerida adequadamente ou o indivíduo não dormiu de formaapropriada. O hábito de beber um copo de água fria pela manhãelimina estas dificuldades causadas pela indigestão e sonoinadequado, fazendo com que o indivíduo consiga os movimentos102
  • 103. para a evacuação. Pessoas expostas à preocupação demasiadaou aquelas com temperamento irritadiço, sensível ou colérico,produzem vayu em excesso no estômago, que se acumula nointestino durante a noite. Tal vayu é formado também pelaingestão excessiva de alimentos fritos e legumes (dala). Aformação de vayu ocorre da mesma forma em pessoas queingerem vegetais folhosos e frutas em quantidade adequada.Qualquer que seja a causa, quando formado, vayu cria certaobstrução no movimento intestinal. O indivíduo pode sentir, àsvezes, que a evacuação foi completa, mas após algum tempo,volta a sentir a necessidade novamente e há pessoas queevacuam três ou quatro vezes pela manhã, antes de satifazeremtal necessidade. Isto causa muitas inconveniências e, em muitoscasos, a evacuação permanece incompleta resultando em perdado apetite, indigestão, cefaléia, sensação de incômodo, fadiga emesmo sonolência. O vento, quando formado em excesso, exercepressão sobre o coração e pode causar palpitações. Portanto, énecessário que o indivíduo tome certas precauções com suaalimentação, com as bebidas e o sono, de modo a conseguirmovimentos de eliminação pela manhã. Entretanto, caso sintanecessidade pela segunda vez, não deve bloqueá-laforçadamente. Não é bom para a saúde. Higiene dos Dentes Deve-se utilizar o graveto dental cuja extremidade tenhasido esmagada e que possua os sabores adstringente, picante ouamargo. Isto deve ser feito para que as gengivas não sejamlesadas. Removem-se assim o odor desagradável da boca, asujeira da língua, dos dentes e da boca causados pelos alimentos.Além disso, os dentes são mantidos limpos e saudáveis. Karanja (Pongamia pinnata, Merr.), karavira (Neriumindicum, Mill.), arka (Calotropis gigantea, R. Br. E Ait.), malati(Aganosma dichotoma, K. Schum.). kakubha (Terminalia arjuna, 103
  • 104. W. e A.) e asana (Terminalia tomentosa, W. e A.) – os ramosdestas e de outras árvores com propriedades (sabores) idênticassão recomendados para utilização como varetas dentais. Raspagem da Língua Raspadores de língua devem ser feitos de ouro, prata,cobre, estanho ou bronze. Suas extremidades não devem serpontiagudas, mas sim curvadas para facilitar a raspagem. Asujeira depositada na raiz da língua dá origem a um odordesagradável. Portanto, a língua deve ser esfregadaregularmente. Uso de Gotas Nasais Deve-se inalar Anu taila todos os anos durante as trêsestações: no outono, na primavera, quando o céu está semnuvens e na estação chuvosa. Aquele que recorre à terapia nasal, na época correta, deacordo com o método prescrito, não será acometido por qualquerprocesso mórbido nos olhos, no nariz e nos ouvidos. Seus cabelose barba não se tornarão brancos ou grisalhos; não haverá quedade cabelos, que crescerão abundantemente. Doenças comotorcicolo, cefaléia, paralisia facial, trismo, rinite, enxaqueca etremores da cabeça são curadas pela terapia inalatória. As veias,articulações, ligamentos e tendões da cabeça e do pescoço sãonutridos pela inalação e adquirem mais vigor. A face torna-sejovial e roliça e a voz torna-se clara e estável. Todos os órgãossensoriais tornam-se límpidos e ganham considerável vigor. Asdoenças relacionadas com a cabeça e o pescoço não acometemo indivíduo repentinamente. Mesmo que esteja envelhecendo, aidade não afeta sua cabeça, na forma de cabelos grisalhos etc. Mastigação104
  • 105. Quem deseja paladar e hálito límpidos e agradáveis deveconservar na boca (mastigando) as folhas de jati (Myristicafragrans, Houtt.), de katuka (Hibiscus abelmochus, Linn.), de puga(Areca catechu, Linn.), kakkola (Piper cubeba, Linn.), suksmaila(Elettaria cardamomum, Maton.), a haste da flor da lavanga(Syzygium aromaticum, Merr. E L.M.), a folha fresca da tambula(Piper betle, Linn.) e o extrato de karpura (Cinnamomumcamphora, Nees. e Eberm.) Gargarejos O gargarejo com óleo de gergelim é benéfico pararevigorar mandíbulas e maxilares, a profundidade da voz, aflacidez da face e para melhorar a sensação gustativa e o bompaladar pelos alimentos. A pessoa habituada a tais gargarejosnunca sente sequidão na garganta e os lábios não se tornamquebradiços. Os dentes não apresentam cáries e desenvolvemraízes profundas. O indivíduo não apresentará dor de dentes enão sentirá o incômodo pela ingestão de substâncias azedas. Osdentes podem mastigar até mesmo os produtos comestíveis maisduros. Aplicação de Óleo na Cabeça Aquele que aplica regularmente óleo de gergelim sobre acabeça não é acometido por cefaléia, calvície, cabelos brancos,nem queda de cabelos. O vigor de sua cabeça e fronte éespecialmente intensificado. Os cabelos tornam-se negros, longose com raízes profundas. Os órgãos sensoriais funcionamadequadamente. A pele da face torna-se mais brilhante. Aaplicação de óleo de gergelim sobre a cabeça produz sonoagradável e felicidade. Gotas de Óleo nos Ouvidos 105
  • 106. As doenças do ouvido resultantes do desequilíbrio de vata,os torcicolos, o trismo, as dificuldades na audição e surdez sãoevitados se realizada a instilação de gotas de óleo, regularmente,dentro do canal auditivo externo. Massagem com Óleo Assim como uma engrenagem, uma pele seca ou o eixo deuma carreta tornam-se mais fortes e resistentes através daaplicação de óleo, da mesma maneira, através da massagem comóleo, o corpo humano torna-se forte e com a pele macia. O corpotorna-se menos susceptível às doenças causadas por vata e maisresistente ao esforço e ao cansaço. Vayu predomina no órgão sensorial do tato e este órgãoestá localizado na pele. A massagem é extraordinariamentebenéfica para a pele. Deve-se portanto realizar massagem comóleo regularmente. Mesmo que seja submetido a lesões e ao trabalhoextenuante, se a pessoa realiza a massagem com óleoregularmente, o corpo não se torna muito prejudicado. Seu estadopsicológico torna-se suave, brando, forte e encantador. Através damassagem com óleo feita regularmente, a investida violenta daidade é interrompida. Quando feita na sola dos pés, pode-se curar a aspereza, aimobilidade, o ressecamento, a fadiga e o entorpecimento.Promove vigor e estabilidade aos pés. A visão torna-se clara e osdistúrbios de vata são aliviados. Através da massagem com óleo feita com regularidade nospés, assegura-se a prevenção da ciatalgia, das fissuras nos pés,da constricção dos vasos e ligamentos dos pés. A unção do corpo elimina o mau cheiro, controla asensação de peso, a sonolência e o prurido, remove a sujeiraindesejável e os desconfortos da sudorese.106
  • 107. Exercícios É conhecido como exercício físico a ação física agradávele capaz de proporcionar estabilidade e vigor ao corpo. Deve serpraticado com moderação. Efeitos Benéficos dos Exercícios Os exercícios físicos proporcionam leveza, habilidade notrabalho, estabilidade, resistência aos desequilíbrios e alívio dosdoshas, especialmente kapha. Estimula o poder digestivo. Efeitos Prejudiciais do Exercício Excessivo Exercícios físicos em excesso causam esgotamento,exaustão, consumpção, sede, rakta pitta (sangramento emdiferentes partes do corpo), pratamaka (uma forma aguda dedispnéia, tosse, febre e vômitos). Características do Exercício Correto Sudorese, aumento do ritmo respiratório, uma sensação deleveza do corpo, funcionamento adequado dos órgãos sãoindicativos do exercício realizado corretamente. Não se deve fazer exercícios rindo e falando, não se devefazer viagens a pé, caminhadas noturnas ou manter relaçõessexuais em excesso, mesmo se já estiver habituado às mesmas. Contra-Indicações para os Exercícios São contra-indicados para pessoas que emagreceram porcausa de atividade sexual excessiva, que engordaram por viajar apé e para aqueles que estão sob o domínio da raiva, do medo, dodesgosto e do esgotamento. Não estão indicados para crianças,idosos e pessoas com constituição vatika e cuja profissão exige o 107
  • 108. uso demasiado da fala. Não se deve fazer exercícios físicosquando com fome ou sede. Banho O banho é purificador, estimulante sexual e revitalizante.Elimina a fadiga, o suor e a sujeira. Proporciona vigor ao corpo e éum auxiliar por excelência para o aumento da vitalidade corporal. Vestimentas Vestir roupas limpas promove charme físico, reputação elongevidade. Previne a ausência de auspiciosidade, proporcionaprazer, graça, competência para participar de conferências e boasorte. Uso de Perfumes O uso de perfumes e ornamentos estimula a libido, produzaroma agradável no corpo e aumenta o charme e a longevidade.Fornece corpulência e vigor, é agradável à mente e previne aausência de auspiciosidade. Uso de Ornamentos O uso de pedras preciosas e ornamentos leva àprosperidade, auspiciosidade, longevidade e graciosidade. Éagradável e charmoso. Direciona para a longevidade do corpo. Cuidados com Cabelos e Unhas O adorno e o corte dos cabelos, da barba (incluindo obigode) e das unhas aumenta a corpulência, a libido, alongevidade, o asseio e a beleza. Calçados O uso de calçados é proveitoso para a pele dos pés e paraa visão que se tem deles. Protege-os do ataque de répteis, micro-108
  • 109. organismos, etc. Fornece vigor, facilita a demonstração de forçafísica e é um estimulante da libido. Alimentos Deve-se ingerir alimentos em quantidade adequada.Repetindo, a quantidade de alimentos a ser ingerida depende daforça digestiva, incluindo o metabolismo individual. Para que nãoperturbe o equilíbrio dos dhatus e doshas do corpo, para que sejadigerida e metabolizada no período de tempo adequado, aquantidade de alimentos deve ser levada em consideração. Gêneros alimentícios como sali (Oryza sativa, Linn.),sastika (uma variedade de Oryza sativa), mudga (Phaseolosmungo, Linn.), a codorna comum, perdiz cinza, antílope, coelho,wapiti (espécie de veado norte-americano), sambar indiano, etc. -mesmo que sejam leves para a digestão, por natureza, devem seringeridos de acordo com as medidas prescritas. De formasemelhante, preparações à base de farinha de trigo, cana-de-açúcar e leite, tila (Sesamum indicum, Linn.), masa (Phaseolosradiatus, Linn.) e carne de animais aquáticos e de pântanos,mesmo pesados para a digestão, por natureza, precisam seringeridos em quantidade adequada. Não se deve concluir a partir daí que a descrição dealimentos pesados e leves não tem qualquer importância. Osgêneros alimentícios leves possuem qualidades de vayu e agnimahabhutas, predominantemente. Nos alimentos pesadospredominam as qualidades de prthvi e ap mahabhutas. De acordocom suas qualidades, os alimentos leves são estimulantes doapetite e, por natureza, considerados menos prejudiciais mesmose ingeridos além da quantidade prescrita. Por outro lado, ali-mentos pesados são supressores do apetite e quando ingeridosem excesso são muito prejudiciais, a menos que haja grande forçadigestiva e metabolismo adquiridos pelo exercício físico. Se os 109
  • 110. alimentos são pesados, apenas ¾ ou metade da capacidadegástrica deve ser preenchida. Mesmo no caso de alimentos leves,sua ingestão excessiva não é benéfica para a manutenção daforça digestiva e do metabolismo. Os alimentos certamente auxiliam o indivíduo, fornecendovigor, compleição, felicidade e longevidade, sem perturbar oequilíbrio dos dhatus e doshas do corpo, quando ingeridos emquantidade adequada. Uso de Colírio Deve-se aplicar regularmente um colírio preparado comantimônio, pois é útil para os olhos. Rasanjana (uma preparaçãode Berberis aristata, D.C.) é aplicado uma vez ao dia durantecinco ou oito noites para lacrimejamento dos olhos, que sãosusceptíveis aos desequilíbrios de kapha. Portanto, os colírios quealiviam kapha são benéficos para conservar a visão límpida. Um colírio mais potente não deve ser aplicado nos olhosdurante o dia, pois estes, enfraquecidos pela drenagem, serãoadversamente afetados pela visão do sol. Portanto, o colírioindicado para a drenagem deve ser, via de regra, aplicado apenasdurante a noite. Fumo No Ayurveda, diferentes tipos de cigarros são indicadospara serem fumados. São preparados a partir de drogas vegetaise não contém tabaco ou narcóticos, como a Cannabis. Fumar alivia a sensação de peso na cabeça, as cefaléias,a rinite, a enxaqueca, dor de ouvido, dor nos olhos, tosse, soluço,dispnéia, bloqueio na garganta, debilidade dos dentes, secreçãopatológica dos ouvidos, do nariz e dos olhos, o odor purulentoexalado pelo nariz e pela boca, dores de dentes, anorexia, trismo,torcicolo, prurido, processos infecciosos, palidez da face,salivação excessiva, bloqueio da voz, tonsilite, uvulite, alopécia,110
  • 111. perda da consciência, acinzentamento do cabelo, espirros,sonolência excessiva e hipersomnia. Fortalece também oscabelos, os ossos do crânio, os órgãos sensoriais e a voz. Asdoenças relacionadas com a cabeça e o pescoço resultantes devata e kapha não acometem as pessoas que utilizam a inalaçãode fumaça via oral. São prescritos oito horários específicos, pois nestesperíodos vata, pitta e kapha tornam-se alterados. Deve-se fumarapós o banho, após as refeições, após a raspagem da língua,espirros, escovação dos dentes, após a inalação de substânciasmedicinais, aplicação de colírios e após dormir. Esta inalaçãonestes oito períodos previne doenças da cabeça e do pescoçocausadas por vata e kapha. A inalação deve ser feita três vezes –três baforadas de cada vez. Características do Uso Correto do Fumo Sinais como leveza do peito, da garganta, da cabeça eliquefação de kapha são aspectos característicos de que oindivíduo fuma corretamente. Características do Uso Insuficiente do Fumo Bloqueio da voz, presença de kapha (muco) na garganta esensação de peso na cabeça são característicos da inalaçãoinsuficiente de fumaça medicinal. Características do Uso Excessivo de Fumo Quando o indivíduo fuma em excesso, seu palato, cabeçae garganta tornam-se ressecados e quentes. O indivíduo sentesede e torna-se inconsciente. Há sangramento excessivo eocorrência de vertigens e lipotímias. Os órgãos sensoriais tornam-se quentes. Código de Ética Geral 111
  • 112. Não se deve dizer mentiras, tirar o que é de propriedade deoutros, nem desejar ardentemente a esposa ou a propridade deoutrem. Não se deve possuir quaisquer vícios. Não se deverevelar os defeitos ou segredos dos outros. A pessoa deve evitar acompanhia de pessoas não-virtuosas, traidoras, lunáticas,medíocres, decadentes, desonestas e aborteiras. Não se devefavorecer as atividades rancorosas e pecaminosas. Não se deve dirigir veículos perigosos, dormir em umacama sem cobertas, sem travesseiro, pequena ou irregular. Nãose deve caminhar nas vertentes acidentadas das montanhas,subir em árvores e banhar-se em rio de fluxo turbulento. Não sedeve pisar na sombra de familiares ou daqueles nascidos defamílias nobres. A pessoa não deve movimentar-se em torno dofogo, rir ruidosamente e eliminar flatos com ruídos. Não bocejar,espirrar ou gargalhar sem cobrir a boca, coçar as narinas, rilhar osdentes, fazer sons com as unhas, bater os ossos ou cavoucarterra, cortar palha, trabalhar com barro e manter diferentes partesdo corpo em posição inadequada. Não se deve olhar fixamentepara os planetas ou para objetos indesejáveis, impuros oucondenáveis. Não se deve violar a sombra de uma árvoresagrada, de um professor, de uma pessoa respeitável ouindesejável. Durante a noite não se deve entrar no terreno de umtemplo, de uma árvore sagrada, pátios públicos, cruzamentos,jardins, cemitérios e abatedouros. Da mesma forma, não se deveentrar em uma casa solitária ou floresta sozinho. Não se devemanter relações sexuais com mulheres, amigos ou empregadosde má conduta. Não se deve manter inimizade com homens bonse nem amizade com homens maus. Não se deve dar alternativaspara favorecer atitudes desonestas. Não se deve favorecer atosdesprezíveis ou assustadores, nem se deve recorrer à valentia,sono, vigília, banhos, bebidas ou alimentos em excesso. Não sedeve sentar por longo tempo com os joelhos para cima. A pessoa112
  • 113. não deve se aproximar de cobras ou de animais com dentesperigosos e chifres. Deve-se evitar os ventos do leste, o sol, asnevascas e as tempestades. Não se deve provocar brigas. Não sedeve aproximar do fogo estando abaixo do mesmo. Não se devetomar banho logo após exercitar-se, após ter feito um gargarejo ese não estiver nú. Não se deve deixar a cabeça em contato com aroupa usada durante o banho ou bater nas extremidades doscabelos. Após o banho não se deve vestir a mesma roupa usadaanteriormente. Não se deve sair sem estar em contato com pedraspreciosas, sem ghee, sem tocar os pés de pessoas respeitáveis,sem tocar objetos auspiciosos ou flores. Não se deve passar porpessoas respeitosas ou objetos auspiciosos conservando-se àesquerda, nem conservando outros do lado direito. Estudo Não de deve estudar se não houver iluminação suficiente,quando os alojamentos parecem estar queimando, durante umaerupção de fogo, terremotos, festivais importantes, queda demeteoros, eclipses solar ou lunar, em dia de lua nova, ao ama-nhecer e ao anoitecer. Não se deve estudar sem ser iniciado porum professor. Enquanto estudar, não se deve recitar o som daspalavras incompletamente, em voz alta, rouca, sem a acentuaçãoapropriada, sem a simetria morfológica adequada,demasiadamente rápido, vagarosamente, com preguiça excessivae com grau de intensidade muito alto ou muito baixo. Conduta Geral Não se deve desviar dos princípios gerais aprovados. Nãose deve quebrar qualquer código de conduta. Não se devecaminhar durante a noite nem em local impróprio. A pessoa nãodeve se satisfazer com a ingestão de alimentos, estudos, relaçõessexuais ou sono durante o amanhecer ou anoitecer. Não se devefazer amizade com crianças, com os idosos, os gananciosos, os 113
  • 114. tolos, pessoas em estados aflitivos e com os eunucos. Não sedeve ter qualquer inclinação ao vinho, jogos de azar ouprostitutas. Não se deve ser convencido, hostil, inábil, nemindulgente na calúnia. Não se deve insultar os Brahmanas, nemmarcar as vacas. Não se deve utilizar palavras ásperas com aspessoas idosas, professores, agrupamentos ou reis. Não se devefalar muito, nem expulsar pessoas da família, pessoasrelacionadas, que tenham ajudado durante a época dedificuldades e aqueles que conhecem segredos particulares oufamiliares. Não se deve ser excessivamente impaciente ou confiante.Não se deve ser negligente na manutenção dos empregados.Deve-se confiar nos homens de sua própria família. A pessoa nãodeve se divertir sozinha. Não se deve possuir caráter, conduta,maneiras e doenças incômodas. Não se deve acreditar em todosnem suspeitar de todos. Não se deve ser meticuloso demais emtodas as ocasiões. Não se deve ter o hábito de adiar nem favorecer quaisqueratividades sem a análise adequada. Não se deve ser um escravodos sentidos nem deixar à solta sua mente volúvel. Não se deveinfligir demasiada responsabilidade ao intelecto e aos sentidos.Deve-se evitar práticas dilatórias em excesso. Não se deve rea-lizar atividades sob um acesso de raiva ou de exaltação. Não sedeve permanecer sob contínuo desgosto. A pessoa não deve setornar envaidecida pelas realizações nem desesperada pelasperdas. Deve-se lembrar sempre de sua própria natureza. Deve-se ter fé na correlação de causa e efeito, ou seja, nas boas e másações e seus resultados correspondentes e sempre agir baseadonisto. Não se deve ser complacente com suas próprias ações.Não se deve perder o ânimo nem lembrar-se de suas injúrias. Amigos Convenientes114
  • 115. Deve-se fazer amizades com pessoas que tenhamadquirido maturidade em virtude de sabedoria, aprendizado,idade, conduta, paciência, memória e meditação. Aqueles que sãomaduros e instruídos, que se mantém na companhia de pessoasmaduras, aqueles familiarizados com a natureza humana, aqueleslivres de todas as ansiedades, aqueles que se comportam bemcom todos, que são pacíficos, que seguem um curso de açãodireto, aqueles que defendem a boa conduta e aqueles cujoverdadeiro nome e cuja visão sejam auspiciosos são pessoasconvenientes para a amizade. Pessoas Inconvenientes para a Amizade Deve-se evitar a companhia de pessoas de conduta, fala emente pecaminosas, caluniadoras, com inclinação natural parabrigas, que sejam condescendentes com comentários sarcásticossobre os outros, os gananciosos, aqueles que invejam apropriedade dos outros, os cruéis, que são condescendentes coma difamação de pessoas, aqueles de mente volúvel, que servemao inimigo, os destituídos de compaixão e aqueles que nãoseguem um curso de vida virtuoso. RATRICARYA (Conduta no Período Noturno) Sono Quando a mente se torna exausta ou inativa e os órgãosmotores e sensoriais estão fatigados, o indivíduo sente sono. Osono é nada mais que a disposição da mente em um localdesconectado com os órgãos motores e sensoriais. Quandoocorre a exaustão da mente, o indivíduo também fica exausto,pois suas ações são dependentes do funcionamento da mesma.Portanto, quando esta se dissocia de seus objetos, o indivíduo 115
  • 116. também se dissocia dos objetos da percepção. Como resultado,os órgãos motores e sensoriais tornam-se inativos, levando aosono. O sono adequado favorece o indivíduo com felicidade,nutrição, vigor, virilidade, conhecimento e longevidade. Por outrolado, o sono inadequado leva à miséria, ao emagrecimento,fraqueza, esterilidade, ignorância e até à morte prematura.Quando em excesso ou em horário impróprio, ou mesmo a vigíliaprolongada, retiram tanto a felicidade como a longevidade. Tipos Diferentes de Sono Dependendo dos fatores causais, o sono pode pertencer asete tipos diferentes:1.causado por excesso de tamas na mente;2.causado pelo desequilíbrio de kapha;3.causado por esforço mental;4.causado por exaustão física;5.agantuka ou um tipo exótico de sono indicativo de mauprognótico e que leva à morte iminente;6.causado por uma complicação de outras doenças comosannipata jvaral; e7.causado pela própria natureza da noite que leva ao sonofisiológico. Contra-indicações ao Sono Diurno Dormir durante o dia em outras estações do ano que nãoseja o verão é desaconselhável, pois causa desequilíbrio dekapha e pitta. Pessoas obesas, apegadas à ingestão de alimentosgordurosos, com constituição slaismika, portadoras de doençascausadas pelo desequilíbrio de kapha e aquelas pessoasacometidas de dusivisa (intoxicação artificial) nunca devem dormirdurante o dia. Ao transgredir esta prescrição com relação ao sonodiurno, o indivíduo estará susceptível a halimaka (um tipo grave116
  • 117. de icterícia), cefaléia, timidez, sensação de peso no corpo,indisposição, perda da força digestiva, hrdayopalepa (umasensação de muco aderido ao coração), edema, anorexia,náuseas, rinite, enxaqueca, urticária, erupções, abscessos,prurido, entorpecimento, tosse, doenças da garganta, bloqueio damemória e da inteligência, obstrução dos canais circulatórios docorpo, febre, debilidade dos órgãos sensoriais e motores eaumento dos efeitos tóxicos dos venenos artificiais. Destamaneira, a pessoa deve manter em mente as vantagens edesvantagens do sono durante as várias estações do ano demodo que isto possa proporcionar felicidade. Indicações do Sono Diurno Dormir durante o dia, em todas as estações, está indicadopara aquelas pessoas que estão exaustas com a realização deatividades como cantar, estudar, pela ação de bebidas alcoólicas,relações sexuais, que estejam exaustas pelo efeito da terapia deeliminação, por transportar peso excessivo, por caminhar longasdistâncias; o sono diurno está indicado para aqueles portadoresde diarréia, sede, tuberculose, cólicas, dispnéia, soluços,insanidade, aqueles que estão em jejum, que são muito idosos oumuito jovens, fracos e debilitados, para aqueles que sofreram umaqueda ou agressão, que estão exaustos por viagem em veículo,pela vigília, raiva, desgosto e medo e para aqueles que estãohabituados ao sono diurno. O equilíbrio dos dhatus e o vigor émantido e kapha nutre os órgãos e assegura a longevidade. No verão, as noites tornam-se mais curtas e vata está emdesequilíbrio devido à absorção de fluidos (adana). Portanto,durante esta estação, o sono durante o dia está indicado paratodos. 117
  • 118.  Causas da Insônia Pode ser causada por eliminação de doshas do organismoe da cabeça através de purgação e de vômitos, pelo medo,ansiedade, raiva, fumo, pelos exercícios físicos, sangria, jejum,por dormir em cama incômoda, pela predominância de sattva epela supressão de tamas que levam à dominação do sonoexcessivo. Os fatores mencionados acima, somados à sobrecarga detrabalho, à idade, às doenças, especialmente aquelas causadaspelo desequilíbrio de vata, como as cólicas, etc., são conhecidospor causar perda de sono, mesmo em indivíduos normais. Algunspossuem insônia pela sua própria natureza. Medidas que Favorecem um Sono Benéfico Se por um motivo ou outro o indivíduo é acometido porinsônia, pode ser curado através de massagem, unção, banho,ingestão de sopa preparada com animais aquáticos, animais dopântano ou domésticos; é benéfico ingerir arroz sali com iogurte,leite, substâncias oleosas e álcool, adquirir prazer psíquico, sentirodores perfumados, ouvir sons de sua própria apreciação, aaplicação de samvahana (massagem do corpo com as mãos),aplicação de ungüentos calmantes para os olhos, cabeça e face,dormir em uma cama e uma casa confortáveis e no horárioadequado. Conduta Durante a Refeição Noturna O alimento deve ser ingerido o mais cedo possível durantea noite. Deve haver um intervalo suficiente entre a ingestão darefeição e o horário de dormir. Isto auxilia na digestão adequadado alimento e resulta em um bom sono também. Esta refeiçãodeve ser leve e facilmente digerível, tanto quanto possível. Uso de Iogurte à Noite118
  • 119. A ingestão de iogurte durante a noite está estritamenteproibida. Ingerido de outra maneira ele é benéfico à saúde, masapresenta um efeito prejudicial aos canais de circulação,obstruindo-os. Isto resulta em bloqueio do sono e distúrbio dometabolismo. É especialmente prejudicial para pacientesportadores de asma, bronquite e reumatismo. Leitura Durante a Noite Com iluminação adequada, pode-se ler livros durantealgum tempo. Mas deve ser deixado claro que a luz artificial danoite não é completamente harmoniosa com as necessidades dosolhos. Basicamente, tal iluminação prejudica seriamente a visão.Portanto, a leitura durante a noite deve ser evitada tanto quantopossível, ou a mesma deve ser leve. Escrever durante a noiteafeta seriamente a visão. Relações Sexuais Não se deve manter relações sexuais com mulheres emperíodo menstrual ou com aquelas que estão doentes, ou seja,impuras ou que tenham qualquer processo infeccioso ou mesmocom uma mulher feia na aparência, que tenha má conduta ou queseja destituída de habilidade. Não se deve manter relações se-xuais com uma mulher que não seja amiga ou pela qual não seesteja apaixonado ou com desejo ardente, ou que estejaapaixonada por outra pessoa, ou casada com outro ou quepertença a outro nível social. A atividade sexual em qualquer outroórgão que não seja o genital deve ser evitado. As relaçõessexuais também estão proibidas debaixo de árvores religiosas, empátios públicos, sobre um cruzamento, em jardins, no cemitério,em abatedouro, na água, em clínicas médicas ou na residência deBrahmanas ou professores ou em templos. Tais atividades devemser evitadas durante o amanhecer e o anoitecer e nos diasauspiciosos (dias de lua cheia, pratipat etc.) Não se deve manter 119
  • 120. relações sexuais quando impuro, sem haver ingerido afrodisíacosou sem desejo intenso, sem ereção, sem haver ingerido qualqueralimento ou após sua ingestão excessiva, em locais impróprios,quando há necessidade de urinar, após exercício ou esforçofísico, durante jejuns, estando exausto e em locais semprivacidade. Deve-se adquirir o hábito de ingerir um copo de leitecom açúcar antes e depois do ato sexual. RTUCARYA (Conduta Durante as Estações do Ano) Os Dois Solstícios O ano está dividido em seis estações. O movimento do solpara o norte e sua ação de desidratação ocasiona três estações acomeçar de sisira (final do inverno) até o verão. O movimento dosol para o sul e sua ação de hidratação gera as outras três esta-ções começando pela estação chuvosa até hemanta (começo doinverno). A tabela a seguir fornece detalhes destas estações. [Atabela sobre as estações fornecida na página seguinte cita osmeses conforme o calendário no hemisfério norte. Pode-se fazer acorrespondência com as estações no hemisfério sul da mesmaforma. Sendo assim, sisira (fim do inverno) corresponde aosmeses Julho-Agosto e Agosto-Setembro, e assim por diante.] No período de visarga ou de emissão (hidratação), osventos não são muito secos como no período de adana oudesidratação. O período de emissão compartilhapredominantemente das qualidades da Lua. Durante este período,a Lua com suas propriedades refrescantes naturais, encantacontinuamente o mundo com seus raios suavizantes. O períodode desidratação, por outro lado, é dominado pelas qualidades deagni (―fogo‖). Deste modo, estes três – o Sol, o vento e a Lua –sendo governados pelo tempo, pela natureza e pela órbita120
  • 121. planetária, constituem as causas do tempo, da estação, do sabordas drogas e da dieta, do desequilíbrio dos doshas e do vigorcorporal 121
  • 122. Ayana Estações Meses segundo o Meses do calendário calendário indiano ocidentalUttarayana 1.Sisira (fim do inverno) I-Magha janeiro-fevereiroAdana kala ou o II-Phalguna fevereiro-marçoperíodo de 2.Vasanta (primavera) I-Caitra março-abrildesidratação II-Vaisakha abril-maio 3.Grisma (verão) I-Jyestha maio-junho II-Asadha junho-julhoDaksinayana 1.Varsa (monções) I-Sravana julho-agostoVisarga kala ou o II-Bhadrava agosto-setembroperíodo de 2.Sarat (outono) I-Asvina setembro-outubrohidratação II-Kartika outubro-novembro 3.Hemanta (início do inverno) I-Margasirsa novembro-dezembro II-Pausa dezembro-janeiro 123
  • 123. Efeitos de Adana Kala no Corpo Durante o período de desidratação, não apenas o Sol comseus raios, mas também os ventos com velocidade eressecamento acentuados, absorvem a umidade da terra. Osventos influenciam progressivamente o final do inverno, aprimavera e o verão, ressaltando os sabores amargo, adstringentee picante, respectivamente – todos apresentam efeitos secativose, conseqüentemente, os seres humanos tornam-se debilitados. Efeitos do Visarga Kala sobre o Corpo Durante a estação chuvosa, o outono e o inverno, o Solmovimenta-se para o sul e seu poder de aquecimento é diminuídopor vários fatores, ou seja, o tempo, a direção, as tempestades e achuva. A Lua, entretanto, não está afetada. A terra é aliviada deseu calor pela água da chuva. As drogas que possuem saboresazedo, salgado e doce fazem com que a gordura corporalaumente durante a estação chuvosa, o outono e o inverno,respectivamente. Como resultado, os seres humanos tambémaumentam progressivamente seu vigor durante o período devisarga ou de emissão. Durante o início e no final do período de desidratação, adebilidade prevalece nos seres humanos. No períodointermediário, o vigor torna-se moderado. Entretanto, no final doperíodo de emissão e no início do período de desidratação, osseres humanos adquirem considerável acúmulo de vigor. Dieta e Conduta para o Inverno Durante o frio do inverno, a força digestiva dos sereshumanos portadores de boa saúde e vigor é aumentada por causada retenção proporcionada pelo vento frio, tanto que é capaz dedigerir qualquer tipo de alimento, independente de seu peso ou124
  • 124. quantidade. Quando não consegue combustível apropriado, ofogo digestivo afeta os fluidos nutritivos, resultando em de-sequilíbrio de vata, que possui qualidade fria. Portanto, durante oinverno, deve-se ingerir caldos de carne de animais aquáticos oudo pântano, que são mais gordos, cujos sabores sejamgordurosos, azedos e salgados. Deve-se ingerir também carne deanimais que habitam em tocas, e bhrta (preparação de carnepicada) preparada com animais do tipo prasaha (animais quecomem aos bocados). Além disso, deve-se beber madira e sidhu,tipos de vinho e açúcar. Seu tempo de vida nunca diminuirá se, durante o inverno,adquirir o hábito de ingerir uma preparação de leite de vaca, sucode cana-de-açúcar, gordura, óleo, arroz recentemente colhido eágua quente. No inverno, a pessoa deve recorrer à massagem,unção, aplicação de óleo na cabeça e fomentação pelo processojentaka. Deve-se permanecer em residência subterrânea ou nointerior de um apartamento aquecido. Deve-se observar que os veículos, roupas de cama eassentos estejam bem cobertos, especialmente por cobertorespesados, couro, tecidos macios, cordas e cobertas de lã. Apessoa deve vestir roupas pesadas e quentes e esfregar seucorpo com aguru (Aquilaria agallocha, Roxb.) Deve-se abraçaruma mulher saudável com mamas bem desenvolvidas e roliças,que tenha o corpo esfregado com aguru também. Ele deve entãodeitar-se na cama intoxicado de forte paixão. Deve-se favorecer orelacionamento sexual durante o inverno. Devem ser evitados osalimentos e bebidas leves, pois eles desequilibram vata. Não sedeve ficar exposto à frente fria. Deve-se evitar a subalimentação ea ingestão de papas. As estações hemanta (início do inverno) e sisira (final doinverno) são de natureza quase similar, sendo que a únicadiferença está no fato de que, no último, o ressecamento causado 125
  • 125. por adana (absorção) e o frio causado pelas nuvens, pelo vento epela chuva prevalecem. Desta forma, o que está prescrito parahemanta (início do inverno) deve ser seguido também durantesisira (final do inverno). Deve-se permanecer em uma residênciaque não possua correntes de vento e que seja aquecida –principalmente durante sisira. Dietas e bebidas que possuamsabores amargo, penetrante e adstringente devem ser evitadas,pois são leves e, portanto, desequilibram vata. Durante sisira,deve-se evitar a ingestão de alimentos e bebidas frias. Dieta e Conduta para a Primavera Durante a primavera, o kapha acumulado está em estadolíquido por causa do calor do sol, alterando, dessa forma, o poderdigestivo e causando muitas doenças. Assim, deve-se utilizarterapias na forma de eméticos e outras, e evitar alimentospesados, gordurosos, azedos e doces. Evite dormir durante o dia.Com a chegada da primavera, deve-se recorrer freqüentementeaos exercícios, aos banhos de óleo, ao fumo e à aplicação decolírio. Os orifícios excretores devem ser lavados regularmentecom água morna. Deve-se lambuzar o corpo com candana(Santalum album, Linn.) e aguru (Aquilaria agallocha, Roxb.) eingerir alimentos constituídos de trigo, carne de sarabha (wapiti),sasa (coelho), ena (antílope), lava (codorniz comum) e kapiñjala(perdiz cinza). Deve-se apreciar o florescer das mulheres e dosjardins. Dieta e Conduta para o Verão Durante o verão, o sol evapora a umidade da terra comseus raios. Nesta estação, a ingestão de dietas e bebidas doces,frias, líquidas e não-gordurosas está prescrita. Deve-se ingerirmantha frio (um tipo de cereal), juntamente com açúcar, assimcomo carne de animais ou pássaros de região árida, ghee e leitecom arroz sali (Oryza sativa, Linn.) evitando-se assim qualquer126
  • 126. doença. Bebidas alcoólicas devem ser evitadas ou podem seringeridas em pequena quantidade, adicionando-se bastante água.Deve-se evitar a ingestão de alimentos salgados, azedos, picantesou pungentes. Devem ser feitos exercícios físicos também nestaestação. Durante a noite, após lambuzar o corpo com pasta desândalo, deve-se dormir sobre o telhado da casa, ao ar livre, emlocal que esteja frio pelos raios da Lua. A pessoa adornada compérolas deve sentar-se confortavelmente com as delícias doabanar dos leques e o toque de mãos macias – ambos resfriadoscom água de sândalo. É preferível que o indivíduo mantenha-seindiferente quanto às relações sexuais e que aprecie os jardins, aágua fria e as flores durante esta estação. Dieta e Conduta para a Estação Chuvosa O corpo enfraquecido durante o período de desidrataçãotem a força digestiva também diminuída. Durante as chuvasocorre um enfraquecimento pelo desequilíbrio de vata e dosoutros doshas. O poder digestivo também está afetado por causado gás que sai da terra, precipita e aumenta a acidez da água.Conseqüentemente, ocorre um desequilíbrio de vata e dos outrosdoshas. É aconselhável que o indivíduo seja moderado comrelação à dieta e à conduta durante esta estação. Deve-se evitar aingestão de mantha (cereal) diluído em excesso e de congelados,dormir durante o dia, banhar-se com água de rios, exercitar-se emexceso, movimentar-se no sol e dedicar-se às relações sexuais. Ouso de mel está livre no preparo de bebidas e alimentos. Se os dias estiverem mais frios por causa das chuvaspesadas acompanhadas de tempestades, deve-se ingerir umadieta e bebidas que sejam eminentemente salgadas, azedas egordurosas. Isto funciona como um antídoto efetivo para odesequilíbrio de vata durante a estação chuvosa. Para normalizar o poder digestivo, deve-se ingerir cevadaenvelhecida, trigo ou arroz sali (Oryza sativa, Linn.) juntamente 127
  • 127. com carne de animais de solo árido e sopa de vegetais. Alémdisso, deve-se beber os tipos madhvika e arista de licores, águada chuva pura ou água de fonte ou lago pequeno, fervida eresfriada, misturada com um pouco de mel. É aconselhável fric-cionar o corpo, aplicar unção, tomar banho e usar adornosperfumados durante a estação. Deve-se usar roupas leves elimpas e residir em uma casa livre de umidade. Dieta e Conduta para o Outono As partes do corpo, adaptadas às chuvas e ao frio, sãosubitamente expostas ao calor do sol no início do outono. Destaforma, o pitta acumulado durante as chuvas torna-se geralmentealterado. Nesta estação, devem ser ingeridas, em quantidadeadequada e quando haja bom apetite, alimentos e bebidas quesejam doces, leves, frios e amargos, potencialidades estascapazes de aliviar pitta. Além disso, as carnes de lava (codornacomum), kapinjala (perdiz cinza), ena (antílope), urabhra(carneiro), sarabha (tipo de veado norte-americano) e sasa(coelho), arroz, cevada e trigo estão indicados durante o outono. Aingestão de ghee, preparado com medicamentos amargos, apurgação e a sangria também estão prescritos para esta estação.Deve-se tomar banho de sol, ingerir carne, óleo e gordura deanimais aquáticos e de pântano, preparações salgadas e alcalinase iogurte associado ao alimento. Não se deve dormir durante odia, nem se expôr ao gelo e aos ventos do leste. A água é expostaao calor do Sol durante o dia e aos raios resfriantes da Lua du-rante a noite. É purificada e desintoxicada pela estrela Canopus(agastya). Isto é conhecido como ―hamsodaka‖, ou seja, a águaque é imaculadamente limpa e benéfica como néctar, parabanhar-se, beber e nadar. O uso de adornos feitos de flores dooutono e vestimentas limpas, assim como os raios da Lua duranteas noites são benéficos por excelência, nesta estação.128
  • 128. Necessidades Básicas O corpo vivo tem algumas necessidades naturais. Sãoelas: 1) micção; 2) defecação; 3) relações sexuais; 4) eliminaçãode flatos; 5) vômitos; 6) espirros; 7) eructação; 8) bocejo; 9) fome;10) sede; 11) lágrimas; 12) sono; e 13) respiração alterada peloesforço. Elas não podem ser suprimidas. A inibição destasnecessidades básicas origina muitas complicações que precisamser devidamente corrigidas.1) Necessidade miccional: A supressão da necessidade de urinarcausa dores na bexiga e pênis, disúria, cefaléia, arqueamento docorpo e distensão do abdome inferior. Para superar estascomplicações, deve-se fazer banho de imersão, massagem, gotasnasais de ghee e todos os três tipos de enemas (basti).2) Necessidade de defecar: Se a pessoa bloqueia a vontade deevacuar, ocorrem cólicas, cefaléia, constipação e flatulência,cãibras nos músculos das panturrilhas e distensão do abdome.Nestes casos estão indicados fomentação, massagem, banho deimersão, supositórios e enema. Deve-se ingerir alimentos e be-bidas laxantes por natureza.3) Necessidade da relação sexual: Dor no pênis e testículos,indisposição, dor cardíaca e retenção urinária são causadas pelasupressão do desejo de ejacular. Neste caso, estão indicadosmassagem, banho de imersão, ingestão de madira (tipo de vinho),galinha, arroz sali (Oryza sativa, Linn.), leite, aplicação de enemanão-gorduroso e relações sexuais.4) Necessidade de eliminar flatos: Suprimir a necessidade deeliminar flatos causa retenção de fezes, urina e flatos, distensãoabdominal, dor, exaustão e outras doenças abdominaisconseqüentes ao desequilíbrio de vata. Neste caso, estãoindicados oleação, fomentação, supositórios, ingestão dealimentos e bebidas com ação antiflatulenta e enema. 129
  • 129. 5) Necessidade de vomitar: Doenças como prurido, urticária,anorexia, pigmentação negra da face, edema, anemia, náuseas,doenças da pele e erisipela são causadas pela supressão danecessidade de vomitar. Nestes casos, estão indicados a induçãode vômitos, o fumo, a sangria, a ingestão de alimentos e bebidasnão-gordurosas, exercícios físicos e purgativos.6) Necessidade de espirrar: Com a supressão da necessidade deespirrar, surgem doenças como torcicolo, cefaléias, paralisiafacial, enxaqueca e debilidade dos órgãos sensoriais. Para tal,deve-se aplicar massagem e fomentação na região da cabeça edo pescoço e o uso de fumo com gotas nasais. Deve-se tambémingerir alimentos que são recomendados para aliviar vata, assimcomo ghee após as refeições.7) Necessidade de eructar: A supressão da eructação causasoluços, dispnéia, anorexia, tremor e bloqueio ao funcionamentoadequado do coração e pulmões. O tratamento para este distúrbioé o mesmo daquele utilizado para soluços.8) Necessidade de bocejar: Sua supressão causa convulsões,contrações, entorpecimento, tremor, agitação (pravepana) earqueamento do corpo. Para o tratamento devem ser utilizadasdrogas que aliviam vata.9) Fome: Com a supressão da fome o indivíduo estará sujeito aoemagrecimento, à fraqueza, alterações na compleição corporal,indisposição, anorexia e vertigens. Neste caso, deve-se ingeriralimentos gordurosos, quentes e leves.10) Sede: A supressão causa ressecamento da boca e garganta,surdez, exaustão, fraqueza e dor cardíaca. Devem ser tratadoscom bebidas frias e calmantes.11) Lágrimas: Sua retenção causa rinite, doenças dos olhos, docoração, anorexia e vertigens. Dormir, beber vinho e conversasagradáveis são condutas benéficas para superar estes distúrbios.130
  • 130. 12) Necessidade de dormir: A supressão da necessidade dedormir causa bocejo, indisposição, sonolência, cefaléias esensação de peso nos olhos. Para eliminá-los, a pessoa devedescansar e recorrer à condutas que aliviam vata. Estas são as doenças causadas pela supressão de váriasdas necessidades básicas. Uma pessoa que deseja prevenir estesdistúrbios não deve suprimi-las. Necessidades que Devem ser Suprimidas Aquele que deseja bem-estar durante sua vida e depoisdela, deve suprimir necessidades relacionadas com imprudência eações prejudiciais – verbais, mentais e físicas. Da mesma forma,uma pessoa inteligente deve reprimir a satisfação de neces-sidades relacionadas com ganância, tristeza, medo, raiva,vaidade, mentira, inveja, apego demasiado e maldade. Deve-sereprimir a necessidade de falar palavras extremamente ásperas,caluniar, mentir e usar palavras impróprias. A violência contraquem quer que seja e as necessidades relacionadas com taisações físicas, incluindo o adultério, o roubo e a perseguição,devem ser contidas. Uma pessoa virtuosa que seja livre de todosos vícios da mente, da fala e das ações físicas é de fato feliz esomente ela deleita-se com os frutos da virtude (dharma), dariqueza (artha) e do desejo (kama). Terapia Rejuvenescedora Todos neste planeta, cientistas e médicos estãoempenhados na descoberta de medicamentos e métodos deprevenção e cura das doenças dos seres humanos. Por estarazão, e também por causa do aperfeiçoamento das condiçõesnutricionais, o tempo de vida dos indivíduos tem aumentadoproporcionalmente. Nos países desenvolvidos do Ocidente, asrealizações conseguidas nesta área são louváveis. 131
  • 131. A longevidade individual origina muitos problemas sociais epsicológicos. O mais importante é o geriátrico, ou o controle doidoso, que tem se tornado numeroso na sociedade. Os idosos nãosão capazes de adaptação às mudanças nas condições sociais eambientais. Com as desvantagens psicológicas à parte, devido aoprocesso de envelhecimento que continua ininterruptamente, háum bloqueio no funcionamento dos órgãos sensoriais e motores.Portanto, surge o enfado em suas vidas e eles se tornam umencargo para a sociedade. Objetivo do Rasayana Rasayana ou as terapias rejuvenescedoras, prescritas noAyurveda, são destinadas a remover estas dificuldades da vida doidoso. O Caraka, quando definiu o campo de ação da terapiarasayana, estabeleceu que, com sua aplicação, o indivíduo torna-se dotado de longevidade, memória, intelecto, saúde verdadeira,juventude, compleição, excelência na cor da pele e na voz, vigordos órgãos sensoriais e brilho. Em resumo, o objetivo da terapia émanter a juventude do indivíduo juntamente com a duração dasua vida. Ao invés de uma sociedade de pessoas idosas einválidas, a terapia objetiva a criação de uma sociedade depessoas com o vigor da juventude – tanto físico como mental. Duração da Vida A duração da vida está dividida em quatro partes. Até os20 anos, o indivíduo cresce, as células teciduais se multiplicam eas enzimas nelas presentes auxiliam na síntese de mais tecidosfornecendo nutrição adequada e outras condições apropriadas.Dos 20 aos 40 anos de vida as células teciduais continuam aaumentar em número e qualidade. Mas sua multiplicação e cres-cimento não é tão rápido como na primeira fase. O homem cresceem experiência. Seu campo de atividades aumenta e, portanto,ele se expõe a maior tensão e stress. Ele não pode estar132
  • 132. despreocupado como até os 20 anos de sua vida. O período deestudos está terminando e ele está inteiramente maduro paracasar-se e assumir um trabalho. A faculdade criativa de sua mentetorna-o ansioso para criar coisas novas e o ego em seusubconsciente quer que ele supere seus colegas e associados. Ocasamento proporciona-lhe a responsabilidade adicional de umavida compartilhada e as crianças geradas devem ser muito bemcuidadas. Ele satisfaz sua necessidade sexual biológica. O sê-men, considerado o elemento mais vital do corpo humano, éperdido. No Ayurveda, dá-se muita ênfase à preservação dosêmen. O celibato ou a limitação sexual é considerada condiçãoimprescindível para a manutenção da boa saúde do indivíduo. Pormais ideal que a situação ou conceito possam ser, o homem estásempre exposto às fantasias sexuais. A perda é quase quesatisfatoriamente reabastecida pela nutrição conseguida pelaalimentação. Mas este reabastecimento é sempre limitado. Apreocupação e a ansiedade ao qual o homem está expostodurante este período da vida começa a afetar o funcionamentodas enzimas responsáveis pela síntese de células teciduais. Entãoele sofre. O crescimento físico é limitado e não está emconsonância com suas atividades mentais. Dos 40 aos 60 anos há uma fase de estagnação. Se oindivíduo está provido de nutrição adequada e está livre depreocupações e ansiedades excessivas ele é capaz de mantersua saúde. As atividades mentais, sem dúvida, expandem emdimensão, o poder de julgamento aumenta e o senso dediscriminação torna-se nítido e aguçado. Durante este período, oindivíduo deve conter o excesso de atividades sexuais e se não ofizer, o processo de degeneração física já começa desde então. Oprocesso de envelhecimento se manifesta. Os cabelos tornam-segrisalhos e eventualmente surge a calvície. As rugas aparecem naface e em outras partes do corpo. A capacidade sexual torna-se 133
  • 133. limitada e o apetite diminui. Quaisquer caprichos da natureza,como calor excessivo, frio ou exposição à chuva torna-o doente.As atividades mentais fazem com que perca noites de sono. Seele obedece à conduta indicada e faz uso de uma dieta adequada,pode levar uma vida saudável até os 60 anos. Mas não hápossibilidade de crescimento posterior das células teciduais. Ostecidos gordurosos acumulam-se mais e mais, mas isso não ésinal de um melhor metabolismo. Indica, na verdade, menor poderdas enzimas corporais para metabolizar os tecidos na produçãode energia e, portanto, eles se acumulam no abdome, nádegas,pescoço e face. Dos 60 anos em diante, chega o período do declínio.Quaisquer atitudes que a pessoa possa tomar não poderáprevenir o processo do envelhecimento. Seu metabolismo tecidualdiminui. Encontram-se mais produtos residuais e mesmo com asmelhores dietas, condutas e bebidas, o corpo torna-se mais emais enfraquecido. Os ossos experimentam mudanças. Hácalcificação excessiva. As articulações tornam-se ressecadas e olíquido da membrana sinovial no espaço entre duas extremidadesósseas torna-se seco. Os órgãos vitais como o coração, os rins eo fígado diminuem suas atividades. O sistema nervoso torna-sefrágil e as artérias perdem sua elasticidade. Portanto, o homemfica exposto a doenças como a elevação da pressão sangüínea,insônia, aumento da próstata, reumatismo, cirrose hepática,osteoartrites e outras. Qualquer fratura dos ossos não se curarapidamente. Se o pâncreas diminui sua atividade, surge odiabetis. A lente dos olhos torna-se opaca e o indivíduo sofre decatarata. As gengivas perdem seu vigor e seus dentes caem. Osistema nervoso interrompe seu funcionamento adequado e apessoa torna-se incapaz de ouvir os sons. Sua vida torna-semiserável e ele se torna um peso para os membros de sua família,assim como para a sociedade.134
  • 134. O rasayana, ou a terapia para o rejuvenescimento, objetivaconservar as enzimas das células teciduais dentro de suacondição funcional normal. Estas células devem ser revitalizadase sua composição precisa ser alterada. A tranquilidade da mentedeve ser promovida e os nervos, assim como os ossos, precisamser conservados flexíveis e calmos. Isto previne o processo doenvelhecimento e torna o indivíduo livre de qualquer doençamesmo durante a idade avançada. Ele é capaz de enxergar tãoclaramente quanto antes e a agudeza da audição continua. Obrilho em sua face e a coloração da pele permanece comoanteriormente. É com estes aspectos em mente que a pessoadeve recorrer à terapia rejuvenescedora. Época de Administração Quanto mais cedo a terapia for administrada melhor serápara o indivíduo. Em idade mais avançada esta terapia isoladanão funciona satisfatoriamente. Seus efeitos tornam-se limitados.Antes de iniciar a terapia dois pontos devem ser observados:1. O corpo do indivíduo deve estar limpo da sujeira ou dosprodutos metabólicos através de terapias especializadas, comopurgativos e eméticos.2. O indivíduo deve estar instruído para pensar, falar e trabalharde tal maneira que seja proveitoso para o desenvolvimentosaudável da sociedade. De fato, o Ayurveda dá grandeimportância a estas condutas, que são consideradas por teremefeitos rejuvenescedores sobre o corpo humano. Pessoas Convenientes para o Rasayana Aqueles que falam a verdade, que estão livres da raiva,que não ingerem álcool, que não se envolvem em atividadesexual, que não lesam ninguém, que evitam o esforço excessivo,cujo coração seja tranquilo, aquele que é cortês, dedicado àrepetição de cantos sagrados e ao asseio, aqueles dotados com o 135
  • 135. poder da compreensão, que doam esmolas, assíduos em esforçoespiritual, que se deleitam em venerar deuses, vacas, brahmanas,professores, pessoas mais graduadas e mais velhas, aquelesdedicados à não-violência, à compaixão, moderação e equilíbrioentre a vigília e o sono, habituados à ingestão de leite e ghee,familiarizados com a ciência do clima, das estações, dodoseamento, versados em bom comportamento, desprovidos deegoísmo, de conduta irrepreensível, que fazem uso dealimentação saudável, que são de temperamento espiritual eligados aos mais velhos e às pessoas que acreditam nos deuses,auto-controlados e devotados aos textos escriturais sãoconvenientes para receberem a terapia rejuvenescedora. Método de Administração Esta terapia é administrada de duas maneiras diferentes.Uma delas é conhecida como método Kutipravesika e o outro édenominado método Vatatapika. Para o primeiro tipo, deve-seelaborar preparativos para a construção de um tipo especial dechalé onde o indivíduo será confinado. Este método éinconveniente para a pessoa que precisa continuar seu trabalho.Para esta, o segundo método para a terapia rejuvenescedora émais indicado. Pode-se recorrer a esta terapia enquanto se dedicaà sua profissão. Drogas Rasayanas Muitas drogas estão descritas nos clássicos Ayurvédicosdestinadas ao rejuvenescimento e são prescritas pelos médicosAyurvédicos. As mais importantes são: amalaki (Emblicaofficinalis, Gaertn.), bibhitaka (Terminalia belerica, Roxb.), haritaki(Terminalia chebula, Linn.), guduci (Tinospora cordifolia, Miers.),brahmi (Herpestis monniera, H.B.K.), punarnava (Boerhaaviadiffusa, Linn.), mandukaparni (Hydrocotyle asiatica, Linn.),yastimadhu (Glycyrrhiza glabra, Linn.), sankhapuspi (Evolvulus136
  • 136. alsinoides, Linn.) e vidanga (Embelia ribes, Burm. F.) Há algumasplantas venenosas como bhallataka (Semicarpus anacardium,Linn.) e vatsanabha (Aconitum heterophyllum, Wall.) que tambémsão bem conhecidas por seus efeitos rejuvenescedores. Muitas drogas de origem mineral como o mercúrio, oenxofre, o ouro e silajatu (resina mineral ou betume) também sãoextensivamente utilizadas para o propósito do rejuvenescimento. Estas drogas são transformadas em suas formas nãotóxicas e assimiladas antes de serem empregadas para opropósito do rejuvenescimento. O modo de administrar, o métodode preparação, a dosagem, a dieta e as precauções a seremtomadas durante a administração destas terapias variam de drogapara droga. Normalmente requerem a supervisão de especialistas. Cyavanaprasa Há muitos processos farmacêuticos para tornar estasdrogas assimiláveis e agradáveis. O mais comumente utilizadopelos médicos Ayurvédicos é o Cyavanaprasa. Os médicos oconsideram mais um alimento do que um medicamento. Dose Para obter o efeito rasayana através do processoCyavanaprasa, as drogas devem ser ingeridas em doses de duascolheres de sopa, duas vezes ao dia (um total de quatro colheresde sopa diariamente), de preferência em jejum, com um copo deleite a cada dose. Para conseguir o efeito desejável, deve ser utili-zado durante um tempo consideravelmente longo. A duraçãodesta terapia depende da idade e de outras condições físicas epsicológicas do indivíduo. A dose deste medicamento deve sergradualmente aumentada. Ele é absolutamente não-tóxico, maseventualmente pode suprimir a força digestiva se a dose forexcessiva e rapidamente aumentada. 137
  • 137.  Dieta O leite e seus derivados (que não sejam azedos) sãoconsiderados benéficos se ingeridos juntamente com estemedicamento. Se não houver obesidade, podem ser fornecidosalimentos gordurosos e com amido em quantidadeproporcionando ao indivíduo uma boa capacidade digestiva. Oghee de vaca produz efeito sinérgico se ingerido junto com omedicamento. Enquanto tomá-lo, devem ser evitadas substânciasazedas e o sal em excesso. A pessoa pode obter resultados emcerto período de tempo se o sal-gema for utilizado no lugar do salmarinho comum. Outras Condutas O indivíduo deve estar livre de aborrecimentos eansiedades tanto quanto possível e evitar o excesso de relaçõessexuais. A observação do brahmacarya ou celibato é condiçãoimprescindível para a obtenção do efeito rasayana de qualquerdroga ou medicamento. Processo de Morte Uma pessoa está viva enquanto o prana ou a ―força vital‖está ativa. Quando esta força vital cessa, a pessoa está morta. O que acontece durante o processo de morte? Umadescrição gráfica deste processo é fornecido no Susruta samhita:Sarira sthana 9:11. A força da vida ou prana percorre todo o corpoatravés das dhamanis ou artérias, que são compostas dos cincomahabhutas (elementos básicos). Estas dhamanis estabelecemum íntimo contato entre as cinco faculdades sensoriais e os cincoórgãos dos sentidos por cinco vezes. Subseqüentemente, estascinco faculdades sensoriais estabelecem contato com os cincomahabhutas (elementos básicos) no momento da morte oupancatva (desintegração dos cinco mahabhutas) do indivíduo.138
  • 138. CAPÍTULO 5 A PRÁTICA DA MEDICINA O Exame do Paciente Para determinar a exata natureza da doença, o médicoAyurvédico, na grande maioria das vezes, conta com oito tipos deexames do paciente antes de prescrever qualquer medicamento.São eles: 1) pulso; 2) urina; 3) fezes; 4) língua; 5) voz; 6) toque(pele); 7) olhos e 8) aspecto físico geral (akti). Estes exames sãoconduzidos considerando-se os princípios fundamentais doAyurveda. Portanto, são inteiramente diferentes do exame dopulso e outros realizados por médicos da medicina ocidental.1) Exame do pulso: É realizado no início da manhã quando opaciente está em jejum. Não pode ser executado após o banho,alimentação ou massagem com óleo, pois o pulso torna-sealterado e não indica a condição correta do paciente. Da mesmaforma, o paciente que está com sede ou fome não é convenientepara o propósito do exame do pulso. Este exame é realizado utilizando-se a artéria radial,percebida no local cerca de meia polegada abaixo do polegar. Noshomens é examinado o pulso da mão direita e nas mulheres, o damão esquerda. Para este propósito, o braço deve ser estendidoadequadamente e a mão deve ser conservada em posição ligei-ramente flexionada. Simultaneamente, os dedos, incluindo opolegar, devem estar em posição estendida. O médico deveexaminar o pulso com o auxílio de sua mão direita. Os três dedos, 139
  • 139. indicador, anelar e médio, utilizados no exame, são conservadossobre o punho, sendo que o indicador permanece próximo aopolegar do paciente. Uma pressão suave e uniforme é aplicadaatravés das extremidades destes dedos sobre o pulso e apulsação da artéria é sentida. O médico precisa aplicar a pressãoe fazer isso repetidamente para determinar corretamente o dedoexato no qual a pulsação é mais sentida. Se a pulsação é maissentida no indicador, vayu é dominante. Quando sentida no dedomédio, predomina pitta e no dedo anelar, indica agravação dekapha no corpo do paciente. Além disso, o médico deve determinar também omovimento do pulso. Se for sentido como o movimento de umacobra ou sanguessuga, isto indica uma predominância de vayu.Se houver pitta em abundância, o pulso se move como um corvo,uma rã ou um pardal. No caso de kapha, o movimento do pulso écomo o de um cisne, um pavão e um galo. Se o pulso movimenta-se às vezes como uma cobra e outras vezes como uma rã, istoindica uma predominância de vayu e pitta. Nos pacientes queapresentam predominância de vayu e kapha, o pulso move-secomo uma cobra ou um cisne. Movimentos no pulso semelhantesao de um macaco e um cisne indicam predominância de pitta ekapha. Quando todos os três doshas estão alterados, o pulsomove-se como um pica-pau. Se a pulsação é regular em trinta batimentos então estáclaro que o paciente sobreviverá. Se surgirem interrupções, istoindica morte iminente. Além do que foi estabelecido acima, nostextos Ayurvédicos há uma descrição minuciosa com relação ànatureza do pulso nas diferentes doenças e é muitofreqüentemente utilizada pelos médicos como método decomprovar as doenças.2) Exame de urina: Para o exame da urina, uma amostra deve sercoletada durante o último quarto da noite e deve ser guardada em140
  • 140. um recipiente de vidro. O exame, entretanto, deve começar depoisdo nascer do sol. A urina que é eliminada primeiro deve serdesprezada e a remanescente deve ser coletada para exame. Se houver predominância de vayu, a urina torna-seamarelo-pálida. Quando há predominância de kapha, a coloraçãotorna-se branca e há muita espuma na amostra. Uma urinaamarela ou vermelha é indicativa da dominância de pitta. A urina deve ser conservada em um recipiente limpo elargo e sobre a superfície devem ser pingadas algumas gotas deóleo com conta-gotas. Se o óleo espalhar-se imediatamente entãoa doença do paciente é curável e se as gotas se espalharemlentamente é certo que o paciente falecerá. Se um paciente sofrede indigestão, sua urina assemelha-se ao suco de lima fresca ou àpasta de sândalo. Em um distúrbio causado pela indigestão, suaurina assemelha-se à água de arroz e quando o indivíduoapresenta uma febre aguda, a urina é volumosa e suatransparência é reduzida. Se as gotas de óleo se espalham na direção leste, opaciente será provavelmente curado de sua doença muitobrevemente. Quando as gotas se espalham para o sul, isto indicaque o paciente portador de uma febre será curado lentamente.Quando se espalham para o norte ou oeste, o paciente estáindubitavelmente livre de qualquer doença. Quando se espalhapara o sudeste e surgem falhas no óleo, o paciente morrerá. Nostextos Ayurvédicos há uma descrição minuciosa sobre o valordiagnóstico e prognóstico da análise da urina.3) Exame de fezes: Quando há predominância de vayu, as fezestornam-se duras e secas. A coloração amarela indica agravaçãode pitta e a coloração branca, uma predominância de kapha.Quando todos os três doshas estão perturbados, as fezesapresentam três cores diferentes. O desequilíbrio de vayu está 141
  • 141. indicado nas fezes que são eliminadas aos pedaços e sãoásperas, esfumaçadas e cobertas com espuma. Se uma pequena porção de fezes cai na água e afunda,isto indica a presença de ama, ou seja, produtos não-digeridos enão-metabolizados estão presentes. Se flutuar na água, indicaque as fezes estão livres de qualquer defeito. Os textosAyurvédicos estão repletos com referências às diferentescolorações, consistências, odores, etc. das fezes em diferentescondições patológicas.4) Língua: Quando vayu está desequilibrado, a língua apresenta-se fria e áspera ao toque e surgem fissuras em sua superfície. Napredominância de pitta a língua apresenta uma coloraçãovermelha ou azul. Se kapha for predominante, a língua é branca eexcessivamente viscosa. Quando todos os três doshas estãodesequilibrados a língua apresenta coloração preta e há erupçõesespinhosas sobre ela.5) Voz: Se houver predominância de kapha, a voz torna-se grave.Voz clara e nítida indica a dominância de pitta e uma voz seca eáspera indica predominância de vayu.6) Toque (pele): A pele apresenta-se quente se o paciente éportador de uma doença causada por pitta. Quando o distúrbio écausado por vayu, a pele é fria. Na dominância de kapha, éúmida.7) Olhos: Os olhos de uma pessoa portadora de doençascausadas por vayu são secos e embaçados. O paciente referesempre uma sensação de queimação dentro dos olhos. Quando odistúrbio é causado por pitta, há aversão à luz e sensação dequeimação nos olhos. Untuosidade e embotamento dos olhosindica predominância de kapha. Os olhos de tal paciente sãogeralmente úmidos e há lacrimejamento profuso. As condiçõesdos olhos são muito significativas na determinação do prognósticode uma doença.142
  • 142. 8) Características físicas: Pacientes dominados por vayuapresentam geralmente pele e cabelos secos e quebradiços. Nãoapreciam coisas frias e não possuem paciência, memória,intelecto, esforço e amizade em si mesmos. Pacientes portadoresde doenças causadas por pitta possuem excessiva sede e fome.Sua pele torna-se amarela e quente. A palma das mãos, a solados pés e a face apresentam coloração de cobre. São geralmenteagressivas e egoístas, possuem poucos cabelos, levementeavermelhados. O paciente que apresenta doenças causadas porkapha tem articulações, ossos e músculos compactos. Eles nãosofrem de sede, fome, tristeza e dor. Exame da Idade do Paciente Em resumo, a idade está dividida em três categorias,denominadas bala (jovem), madhya (idade adulta) e vrddha(velhice). Antes dos 16 anos de idade uma pessoa é chamadabala (jovem) e dos 16 aos 70 anos, é chamada madhya (adulta).Depois desta idade é denominada vrddha (velho). A idade adultaé novamente dividida em três estágios denominados vrddhi(crescimento), yauvana (juventude) e sarva sampurnata (términodo crescimento). O estágio vrddhi (crescimento) vai até os 12anos de idade, o período yauvana (juventude) vai até os 30 anose até os 40 anos todos os elementos teciduais e órgãos teciduaisestão cheios de vigor e potência. Uma vida feliz possui dez aspectos denominados: 1) balya(tenra idade), 2) vrddhi (idade de crescimento), 3) chavi (essênciada individualidade), 4) medha (intelecto), 5) tvak (maciez da pele),6) drsti (visão), 7) sukra (sêmen), 8) vikrama (espírito venturoso),9) buddhi (sabedoria), 10) karmendrya (excelência dos órgãosmotores). Em jovens e idosos, o médico não deve administrar asterapias agni kriya (terapia de cauterização), ksara kryia (terapiacom álcalis) e vireka (eméticos e purgativos). Quando estas 143
  • 143. pessoas são acometidas de doenças que podem ser curadasapenas com a administração destas terapias, devem ser utilizadasde forma suave e gradual. Exame do Vigor do Paciente Está declarado no Susruta: Sutrasthana 35:35 – ―O vigor éo fator mais importante do corpo, pois uma pessoa dotada domesmo realiza todas as atividades‖. Existem algumas pessoas magras e franzinas quepossuem grande vigor dotado com vida. Há muitas pessoasgordas que possuem menos vigor. Portanto, um médico deveanalisar de maneira crítica o aspecto saudável e o vigor de umpaciente através de sua habilidade na execução de exercícios deesforço físico. O que é este Vigor? A essência ótima dos dhatus (elementos teciduais),começando de rasa (plasma) e terminando em sukra (sêmen) édenominado ojas. Este é conhecido também como bala (vigor) nocontexto da ciência médica. Por causa do vigor há estabilidade enutrição dos tecidos musculares e a pessoa permanece semrestrições para realizar qualquer esforço. Torna-se dotado com aexcelência da voz e da compleição. Os órgãos sensoriais externose internos são capazes de realizar suas atividades com aplenitude de suas capacidades. O que é Tejas? Tejas origina-se do agni mahabhuta. Durante o processogradual de metabolismo dos elementos teciduais, uma substânciadenominada vasa é excretada da gordura acumulada no abdome.Na mulher é produzida em excesso. Esta substância édenominada Tejas. Como conseqüência, há nas mulheres maciez,144
  • 144. ternura, menos pêlos no corpo, alegria, visão, estabilidade, poderde digestão e de metabolismo, beleza e graça. O que é Ojas? Ojas possui a natureza de soma ou jala mahabhuta. Égorduroso, branco, frio, estável, fluido, vivikta (que permaneceseparado dos outros) e macio. Está localizado no coração e é umdos excelentes sustentadores da vida. Nos seres vivos, o corpojuntamente com seus membros é infiltrado por este ojas. De acordo com o Caraka samhita, da mesma forma comoas abelhas produzem mel coletando material das flores, ojas écoletado da essência dos elementos teciduais por agnis(enzimas), como pacaka, etc. Aquele que se aloja no coração, épredominantemente branco e ainda ligeiramente avermelhado eamarelado é conhecido como ojas. Se ojas for destruído, o serhumano é levado à morte. Ojas possui seis sabores e pode ser de dois tipos: umdeles é de coloração amarela e o outro é branco. O universo possui duas qualidades conhecidas e que sedenominam qualidade de aquecimento (agni guna) e qualidade deresfriamento (soma guna). Portanto, ojas pode ser de dois tipos –branco e vermelho-amarelado. Se houver redução na quantidadeda variedade branca de ojas, isto leva a condições extremamentegraves e dolorosas. Se o ojas em sua variedade vermelho-amarelada estiver reduzido em quantidade, o corpo torna-serepleto de água, ou seja, o paciente sucumbe à morteinstantânea. De acordo com Krsnatreya, a morte nestas condiçõesé certa. A variedade vermelho-amarelada de ojas é um tiposuperior e o corpo possui uma quantidade aproximada de oitogotas do mesmo. De acordo com o Caraka: Sutrasthana 17:117, o kapha emseu estado natural promove vigor corporal na forma de ojas. 145
  • 145. Quando em condições mórbidas, tranforma-se em excreções ecausa sofrimentos. O vigor possui três variedades denominadas uttama(superior), adhama (inferior) e madhyama (moderado). É tambémclassificado de outra forma:1.Sahaja bala (vigor hereditário): o vigor produzido como resultadoda natureza do rasa (plasma, etc.) no corpo é conhecido comosahaja bala.2.Kalakrta bala (vigor obtido durante diferentes estágios da vida):a condição do corpo durante as diferentes fases da vida determinaeste tipo de vigor.3.Yuktikrta bala: este tipo de vigor é produto resultante decondutas, dietas e drogas apropriadas. Apenas a primeira variedade de vigor, sahaja bala,produzido como resultado da natureza específica de rasa (plasmaetc.) está dividida em três categorias, ou seja, o tipo superior devigor, o tipo inferior e o tipo moderado. Uma pessoa livre de doenças, com lento processo deenvelhecimento, habilidosa em sua profissão, competente noconhecimento espiritual e científico, que seja limpa e que tenhaum corpo compacto é denominada sadia (svastha). Aspectos Característicos do Corpo Compacto Uma pessoa que possua ossos adequadamentedistribuídos, cujas articulações sejam bem consolidadas eresistentes, cujos músculos sejam bem distribuídos e que possuaum corpo forte é considerada compacta (susamhata). Dentre ostipos físicos, o compacto é o melhor. Aqueles não muitocompactos são de natureza moderada e os completamente nãocompactos são os piores. A terceira categoria física possui o tipoinferior de vigor. Se o indivíduo desmaia, morre ou adoece quandoacometido de um tipo de sangramento grave ou enfrenta umasituação séria de desgosto ou medo, deve ser considerada uma146
  • 146. pessoa muito fraca – tanto mental como fisicamente, mesmo sepossuidora de um físico avantajado. Na pessoa fraca que apresenta excessivo desequilíbrio dosdoshas, o médico deve recuperar o vigor e eliminar os doshasgradualmente. Distúrbios do Vigor Existem três tipos de distúrbios no vigor ou ojasdenominados vyapat, visramsana e ksaya. O primeiro tipo dedistúrbio de bala é caracterizado por sensação de peso eentorpecimento do corpo, glani (uma sensação de estar cobertocom um pano molhado), descoloração, sonolência, dormirexcessivamente e edema corporal causados por vayu. O segundo tipo, visramsana, é caracterizado por frouxidãoe prostração do corpo, desequilíbrio dos doshas, esforço einabilidade para realizar muito trabalho. O terceiro ou ksaya é caracterizado por desmaio, fraquezamuscular, estupor, delírio, inconsciência, manifestações de sinaise sintomas já descritos com relação aos tipos vyapat e visramsanae mesmo à morte. Dependendo da variedade, do quanto os doshas estãodesequilibrados e do vigor do paciente, devem ser prescritasterapias para o tratamento destas condições. O paciente deveevitar a tristeza, a inveja, a raiva, a timidez, os exercícios, asatividades sexuais, incluindo a visão de mulheres e a exibição dovigor de sua capacidade. Deve-se recorrer a terapias rejuve-nescedoras e afrodisíacas. Para este tratamento deve-se utilizar alinha de conduta sugerida para a tuberculose (ksaya) e febrecrônica (jirna jvara). Diferentes tipos de óleos medicinaisempregados para alívio de vayu são benéficos nesta condição. Análise do Sattva 147
  • 147. Sattva pode ser de dois tipos denominados bhirutva(covarde) e sahisnutva (possuidor do poder de tolerância). Apessoa que possui o último tipo de sattva pode ser submetida aterapias violentas (fortes). O paciente que pertence à primeiracategoria deve receber apenas terapias suaves, após serconsolado. Estes pacientes, de acordo com a doutrina médica,necessitam de mais esforços. Avaliação da Saúde A salubridade (satmya) apresenta quatro tiposdenominados:1)deha satmya (saudável para o corpo): as coisas que quandoingeridas habitualmente são benéficas para o corpo sãoconhecidas como deha satmya. Por exemplo, para algumaspessoas, o iogurte, o leite, o álcool e a carne são salutares e parao corpo de outras são benéficos alimentos como peya (uma sopade aveia rala), sopa de vegetais, sopa de carne, cereais, trigo etc.;2)desa satmya (saudável para a região): por exemplo, iogurte,leite, karira e coisas doces são benéficas em algumas regiões;3)rtya satmya (saudável para a estação): substâncias gordurosase quentes são benéficas no início do inverno, substânciaspungentes, amargas e não-gordurosas são saudáveis no final doinverno e substâncias agradáveis, refrescantes e doces sãobenéficas no verão;4)roga satmya (saudáveis para a doença): por exemplo, na febre,a administração de peya (sopa rala de cereais) e a purgação sãobenéficas; para o paciente acometido por vômitos, a terapia defomentação é benéfica e no resfriamento crônico, a terapia deinalação e o fumo são salubres. Quando administrar uma droga, deve-se conservar emmente a dosagem, a natureza da prescrição, os efeitosterapêuticos, a natureza da região e do clima, o estágio dadoença, etc. Porém os bons ou maus efeitos de uma substância148
  • 148. não podem ser verificados sem utilização habitual durante umperíodo suficiente de tempo. Se o álcool for ingerido emquantidade limitada, cura doenças causadas pelo alcoolismo.Ingestão de veneno na quantidade de uma tila (do tamanho deuma semente de gergelim) funciona como um néctar. Quando mele ghee são ingeridos juntos em quantidades iguais, agem comovenenos no organismo. A combinação de álcalis e substânciasazedas produz adoçamento instantâneo. A adição de puga (nozde areca) à tambula (folha de bétele) auxilia na manifestação deodor, cor e sabor agradáveis. Kodrava cura rakta pitta (umadoença caracterizada por sangramento em diferentes partes docorpo). Mas quando kodrava é misturado com outras substânciasque possuem propriedade vidahi (que produz sensação dequeimação) passa a ser fator causal de rakta pitta. O açúcarmascavado indiano causa agnimandya (supressão do poderdigestivo). Mas quando oferecido junto com abhaya, pippali, etc.cura agnimandhya. Diferentes tipos de saktu (farinha de milhotorrada) são agravadores de vayu e são não-gordurosos. Masquando ingeridos na forma de uma bebida, adicionando-se água,produzem um efeito nutritivo. Sunthi (gengibre seco) é preparadoa partir de ardraka (gengibre verde). Mas o primeiro é mais leveque o último por causa do processamento. Sali (arroz davariedade vermelha) é leve para a digestão. Mas a massapreparada com ele é pesada mesmo em comparação comgodhuma (trigo). Mudga é constipante e leve por natureza. Maskulmasa (a preparação de mudga através da adição de outrosgrãos) é purgativo e pesado. As substâncias salutares produzem vigor instantaneamentee não elevam de forma patológica os doshas. O leite de vaca quefunciona geralmente como um laxativo, pode causar constipaçãoem algumas pessoas. 149
  • 149. O leite possui sabor doce e refrescante. Mas o iogurtepreparado do leite apresenta qualidades opostas. O gheepreparado a partir do leite possui, no entanto, propriedadessimilares ao último. A manteiga do leite, adstringente e azeda,funciona como constipante. Mas quando torna-se excessivamenteazeda funciona como laxativo. Kakamaci colhido recentementecausa rejuvenescimento, mas quando envelhecido age como umveneno. O rabanete tenro alivia todos os doshas, mas quandomuito maduro, agrava todos eles assim como os outros rizomas. Para curar os vômitos, doenças cardíacas e tumoresfantasmas está prescrita a terapia emética. Enemas sãonormalmente contra-indicados para hemorróidas e kustha(doenças de pele crônicas, incluindo a hanseníase). Mas emdeterminadas condições, os enemas podem ser úteis para estasdoenças. Semelhanças na natureza da estação e no dosha torna afebre facilmente curável. Da mesma forma, semelhanças nosdusya (elementos teciduais) tornam prameha (doenças urináriascrônicas, incluindo o diabetis) facilmente curáveis. Rakta gulmatorna-se facilmente curável apenas quando atinge o estágiocrônico. Os alimentos saudáveis tornam-se prejudiciais se ingeridosà noite, no caso de um indivíduo doente. Saktu (farinha de milhotorrada) é geralmente prejudicial se ingerida em forma seca, masé benéfica para um paciente acometido de prameha (doençasurinárias crônicas, que inclui o diabetes). Um médico sábio deve conservar sempre em mente osapontamentos acima e depois examinar os diferentes aspectos dopaciente e das terapias. Exame da Doença Para o tratamento de uma doença é essencial determinar anatureza exata da mesma com referência especial aos doshas,150
  • 150. dhatus, malas, srotas e agnis envolvidos em sua manifestação.Algumas destas doenças recebem nomes e outras não possuemdenominação disponível. De fato, os clássicos Ayurvédicosenfatizam que os médicos não sejam muito específicos sobre onome da doença. De acordo com estes clássicos, os nomes sãoatribuídos para algumas patologias apenas como exemplo parafacilitar na compreensão da vasta gama de doençasremanescentes para as quais os nomes não são fornecidos.Como este número é muito vasto, não é possível denominar todoseles. Com relação a cada doença, com ou sem nome, osseguintes pontos precisam ser cuidadosamente examinados:1. Nidana ou a causa da doença;2. Purvarupa ou primeiros sinais e sintomas;3. Rupa ou sinais e sintomas reais da doença;4. Upasaya ou terapia exploratória;5. Samprapti ou patogênese. Nidana ou Fatores Causais Os fatores causais das doenças serão descritosposteriormente. Estes fatores causais são divididos nas seguintesquatro categorias:1. Sannikrsta ou aqueles que produzem doenças muitoprecocemente2. Viprakrsta ou aqueles que causam efeitos retardadores naprodução da doença3. Vyabhicari ou aqueles que não são fortes o suficiente paracausar uma doença4. Pradhanika ou aqueles que possuem efeitos instantâneos naprodução da doença, como os venenos poderosos. Alguns destes fatores causais desequilibram os doshas,outros causam a doença diretamente e o terceiro grupo de fatoresacarreta ambos. Por exemplo, certos tipos de alimentos,dependendo de seus sabores, desequilibram certos doshas e 151
  • 151. estes causam as doenças. Nestes casos, a produção dosdistúrbios não está diretamente conectada com os fatores causais,mas sim com o desequilíbrio dos doshas. A ingestão de barro éconsiderada a responsável pela produção de uma patologiadenominada pandu, resultante do sammurchana (aglomeradomórbido) dos doshas, dhatus, agnis e srotas. O desequilíbrio dosdoshas não é a causa primária da patogênese. Há certos fatorescausais responsáveis tanto pelo desequilíbrio dos doshas comopela produção da doença. Por exemplo, se uma pessoa ingerealimentos enquanto viaja sobre um animal ou um veículo seráprovavelmente acometido pela gota. Os doshas responsáveis pelagota estão desequilibrados e esta doença encontra assim o ambi-ente apropriado para sua produção. Estas classificações emfatores causais são muito importantes para o tratamentoAyurvédico visto que, para a primeira categoria de doenças, umasimples terapia é suficiente para promover a cura e para asegunda categoria de doenças são necessárias terapiaselaboradas para corrigir o sammurchana ou aglomerado mórbido. Estes fatores causais podem ser divididos posteriormenteem dois grupos denominados exógenos e endógenos. Vários tiposde dieta, comportamento e efeitos das estações do ano sãofatores exógenos. O desequilíbrio dos doshas e dhatus sãofatores endógenos causadores das doenças. Purvarupa ou Primeiros Sintomas Antes que a doença se manifeste realmente, após oaglomerado mórbido dos doshas, dhatus, agnis e srotas, aocorrência precisa passar por diversos estágios. No primeiroestágio surgem alguns sintomas, mas eles não são bem definidos.O conhecimento do estágio é muito importante pois auxilia omédico no diagnóstico antes da completa manifestação dadoença. Auxilia também no diagnóstico diferencial e nadeterminação do prognóstico. Certos conselhos e proibições152
  • 152. devem ser seguidos neste estágio para prevenir suamanifestação. Se os primeiros sintomas surgem em quantidade, oprognóstico é ruim e tais pacientes são de difícil tratamento. Apartir destes primeiros sinais e sintomas pode-se diferenciar entrerakta pitta (condição caracterizada por sangramento nasdiferentes partes do corpo) e prameha (doenças urináriascrônicas, incluindo o diabetis mellitus). Há dois tipos de primeiros sintomas: gerais e específicos.Alguns destes sintomas iniciais indicam apenas a natureza geraldo distúrbio. Outros indicam a exata natureza da doença que iráse manifestar e são específicos. Rupa ou Sinais e Sintomas Manifestados Quando a doença está inteiramente manifestada aparecemcertos sinais e sintomas. Nos textos Ayurvédicos os sinais esintomas de cada uma destas doenças são descritos em detalhes.São indicativos dos estágios patológicos e dos doshas, dhatus,agnis e srotas envolvidos na manifestação da doença. Indicamtambém o prognóstico da doença, as terapias, a dieta e a condutaque serão prescritas para o paciente. Upasaya ou Terapia Exploratória Algumas vezes, os fatores causais, os sintomas iniciais eos sintomas reais não indicam inteiramente a natureza da doença.Um médico frente a estas condições recorre a algumas terapiasexploratórias para averiguar corretamente a natureza do distúrbio.São dezoito tipos de terapias exploratórias a seguir:1.Medicamentos que são contrários aos fatores causais, porexemplo, administração de drogas aquecedoras, como o gengibreseco, para o tratamento de febre causada por kapha;2.Dietas contrárias aos fatores causais, por exemplo, administrarsopa de carne e arroz para o tratamento de febre causada porvayu; 153
  • 153. 3.Condutas contrárias aos fatores causais, por exemplo,conservar-se acordado durante a noite para corrigir kapha, o qualé desequilibrado pelo sono diurno;4.Medicamentos contrários à doença, por exemplo, aadministração de indrayana (sementes de Holarrhenaantidysenterica, Wall.) para o tratamento da diarréia;5.Dieta contrária à doença, por exemplo, masura para otratamento de diarréia;6.Conduta contrária à doença, por exemplo, provocar tenesmopara corrigir udavarta (uma condição caracterizada pelosmovimentos ascendentes do vento abdominal);7.Medicamentos contrários a ambos, os fatores causais e adoença, por exemplo, administração de dasamula (denominaçãodada a um grupo de dez drogas cujas raízes são utilizadas nomedicamento) para curar edemas causados por vayu;8.Dieta contrária aos fatores causais e à doença, por exemplo,utilização de manteiga por um paciente portador de grahani ouespru causado por vayu e kapha;9.Condutas contrárias aos fatores causais e à doença, porexemplo, permanecer acordado à noite, comportamento este quepossui efeito secativo para corrigir a oleosidade;10.Medicamentos que parecem ser semelhantes aos fatorescausais, mas funcionam adversamente, por exemplo, aplicação deungüento morno para o tratamento de inflamação causada porpitta;11.Dieta que parece ser semelhante aos fatores causais, mas queage contrariamente, por exemplo, o uso de vidahi (dieta que causasensação de queimação) para corrigir uma condição inflamatória;12.Condutas que parecem ser semelhantes ao fator causal, masque agem contrariamente, por exemplo, assustar um paciente quesofre de insanidade causada por vayu;154
  • 154. 13.Medicamentos que parecem ser semelhantes à doença, masque agem contrariamente, por exemplo, administração de madana(Randia dumetorum, Lam.) no tratamento de vômitos;14.Dieta que parece ser semelhante à doença, mas que agecontrariamente, por exemplo, uso de leite para o tratamento dediarréia;15.Condutas que parecem ser semelhantes à doença, mas queagem contrariamente, por exemplo, fazer uso de tenesmo paraemese no tratamento de pacientes que sofrem de vômitos;16.Medicamentos que parecem ser semelhantes a ambas, acausa e a doença em si, mas que agem adversamente, porexemplo, aplicação de ungüento de aguru (Aquilaria agallocha,Roxb.), quente em sua potência, para o tratamento dequeimaduras;17.Dieta que parece ser semelhante à causa e à doença em si,mas que age adversamente, por exemplo, ingerir álcool paracorrigir o alcoolismo;18.Condutas que parecem ser semelhantes às causas e àdoença, mas que agem adversamente, por exemplo, recorrer aexercícios como natação para o tratamento de urustambhacausada por vayu. Samprapti ou Patogênese O processo através do qual uma doença se manifesta édenominado samprapti ou patogênese. As doenças são de doistipos, exógenas e endógenas. Se a vitalidade do corpo não écapaz de sobrepujar os efeitos dos fatores causais, as doenças dotipo endógeno ocorrem. Estes fatores causais podem tambémdesequilibrar os doshas ou suprimir as atividades dos agnis ouenzimas resultando na formação de ama. Com freqüência ambosocorrem simultaneamente. Este ama obstrui os canais decirculação e desta forma a nutrição para as células teciduais sofre 155
  • 155. redução resultando no bloqueio das funções dos tecidos relaci-onados. Como foi estabelecido anteriormente, há sete grupos detecidos ou dhatus. Um ou mais dhatus ou elementos teciduaispodem ser afetados simultaneamente. Como o processometabólico de todos estes dhatus estão interligados, odesequilíbrio de um leva freqüentemente ao distúrbio do outro.Portanto, nas doenças crônicas como alguns tipos de febres,kustha (doenças de pele crônicas, incluindo a hanseníase),visarpa (erisipela) e masurika (varíola) quase todos os dhatus sãogradualmente atingidos. Seus sinais e sintomas característicosestão descritos nos textos Ayurvédicos. Além deste bloqueio ao fluxo de nutrientes, a obstrução docanal de circulação por ama pode gerar um transbordamento dosnutrientes teciduais na direção oposta, resultando, eventualmente,na formação de alterações orgânicas semelhantes a nódulos(granthi). A diversificação do fluxo para uma direção inteiramentediferente é também uma das possibilidades. A formação de ama deve-se ao bloqueio das funções deagni (enzimas) e ao desequilíbrio dos doshas, estando estas duascondições interrelacionadas. O agravamento dos doshas em umlocal em particular pode bloquear as funções do canal, compossível obstrução do mesmo, resultando na supressão dasatividades enzimáticas, assim como na formação de ama. Damesma forma, a obstrução do canal por ama resulta noagravamento dos doshas. Assim, tanto como causa ou como umefeito, ambos, o ama e os doshas agravados, estão presentes,juntamente com os srotas (canais alterados) e os dhatus(elementos teciduais), em todos os tipos de doenças endógenas.Sua mera existência não é suficiente para a manifestação de umadoença. Realmente essencial para este propósito é o aglomeradomórbido de todos estes quatro fatores, o que na linguagem156
  • 156. Ayurvédica denomina-se sammurchana. Nas doenças exógenaseste aglomerado ocorre depois que a doença já está manifestada,enquanto que nas doenças endógenas, sammurchana precede amanifestação da doença. Kriya kala ou Estágios de Manifestação de uma Doença Para a manifestação de uma doença, no primeiro estágio,os doshas patológicos acumulam-se em um local particular. Esteestágio é chamado sancaya. É o local de origem da doença. No segundo estágio, denominado prakopa, os doshasestão agravados. No terceiro estágio, prasava, estes doshasalterados infiltram-se para outras partes diferentes do corpo. Noquarto estágio, chamado sthana samsraya, os doshas alterados edifundidos acumulam-se em um local em especial, que é o sítio demanifestação ou adhisthana da doença. O sexto estágio édenominado vyakti, no qual os sintomas da doença sãomanifestados. Conseqüentemente, características especiais dadoença se manifestam, e este estágio é denominado bheda ou dediferenciação. Diferentes Tipos de Samprapti Samprapti ou patogênese é de dois tipos: samanya ougeral e visesa ou específico. Quando o nutriente ou posakadhatus está alterado para causar a doença, denomina-sesamanya saniprapti e quando os posya dhatus ou elementosteciduais básicos estão alterados, chama-se samanya samprapti.Mas a doença resultante continua até que visista samprapti sejacorrigido. Causas das Doenças As causas de todas as doenças foram classificadas noAyurveda dentro das três categorias seguintes: 157
  • 157. 1.Negligência intelectual (prajnaparadha)2.Conjunção doentia dos órgãos sensoriais com seus objetos (Asatmyendriyartha samyoga)3. Excentricidades do tempo e das estações do ano (kala-parinama) Negligência Intelectual (prajna paradha) Uma pessoa cujo intelecto, paciência e memória estejambloqueados submete-se a si mesmo à negligência ao intelecto emvirtude de suas más ações. Esta blasfêmia intelectual desequilibratodos os doshas. A estimulação forçada das necessidades básicas, asupressão da manifestação das mesmas, exibição de vigorexagerado, excessos na atividade sexual, negligência com relaçãoao tempo de tratamento, início da ação em momento inadequado(ou seja, utilização excessiva, incorreta ou a não utilização dasterapias), perda da modéstia e da boa conduta, desrespeito àspessoas respeitáveis, divertimentos que envolvem atividades eobjetos prejudiciais, recorrer a fatores causadores de insanidade,movimentos sem qualquer relação com o bom comportamento dolocal e da época, amizades com pessoas de má conduta, a nãorealização de atividades salutares, a malícia, as futilidades, omedo, a raiva, a ganância, a ignorância, a intoxicação e confusõesou más-ações que resultam em rajas ou tamas, todos estesconstituem blasfêmia intelectual originando várias doenças. Conjunção Patológica dos Órgãos Sensoriais e seusObjetos Inclui a utilização excessiva, errônea e a não-utilização dosobjetos, das ações sensoriais e do tempo. Por exemplo, olhar fixae excessivamente para substâncias muito luminosas constituiutilização excessiva dos objetos visuais. Não olhar absolutamentepara nada equivale à não utilização. Da mesma forma, seu uso158
  • 158. incorreto seria olhar para as coisas muito próximas dos olhos oumuito longe, ou coisas muito horríveis, assustadoras,surpreendentes, insolentes, medonhas, deformadas e alarmantes. A utilização excessiva dos objetos auditivos seria ouvir umbarulho confuso emitido por tambor e tímpano, choro muito alto,etc. A não-utilização seria não escutar absolutamente nada.Escutar palavras grosseiras, notícias sobre a morte de amigos,sons insultantes, agressivos e assustadores constituem suautilização errônea. Os odores excessivamente pungentes, intensos eintoxicantes constituem uma utilização excessiva do órgãosensorial do olfato. Não sentir nenhum cheiro é sua não-utilização.O uso inadequado é sentir odores excessivamente pútridos,desagradáveis, sujos, de decomposição cadavérica e gasesvenenosos. A ingestão de várias substâncias com diversos saboresequivale à utilização excessiva da faculdade gustatória. Não fazeruso algum seria a não-utilização. Ingerir alimentos sem observaras regras prescritas constitui uso inadequado. O excesso de banhos frios e quentes, massagens, unçõesetc. equivale à utilização excessiva das faculdades táteis. Nãofazer uso do tato é uma condição patogênica. O uso de banhos,massagens e unções e de outras substâncias quentes e frias semobservar as indicações, tocar locais ásperos, objetos sujos,infectados e prejudiciais constitui utilização inadequada. Variações no Tempo e no Período Um ano é uma unidade de tempo, dividida posteriormenteem inverno (hemanta), verão (grisma) e monções (varsa),caracterizados por frio, calor e chuvas respectivamente. Se umaestação do ano em particular manifesta-se excessivamente, istopode ser considerado uma utilização excessiva do período.Quando a estação se manifesta em menor proporção, seria sua 159
  • 159. não-utilização. Por outro lado, se suas características sãocontrárias às normais, equivaleria à utilização errônea (porexemplo, chuva no inverno, frio nas monções, etc.) Uma pessoaexposta a estas excentricidades das estações torna-se vítima demuitas doenças. Três Tipos de Doenças Os três cursos da doença são: sakha (sistema periférico),marmasthisandhi (órgãos vitais e articulações) e kostha (sistemacentral). O sistema periférico inclui os elementos teciduais comosangue, pele etc. – este é o caminho externo da doença. Osórgãos vitais são basti (bexiga urinária), coração, cabeça etc. Osossos são unidos por ligamentos e tendões – este é o caminhointermediário da doença. Kostha (sistema central) é conhecidocomo mahasrotas (o grande canal), sarira-madhya (porção centraldo corpo), mahanimna (a parte mais profunda do corpo),amapakvasaya (estômago e intestinos) – este é o caminho internoda doença. Doenças do Sistema Periférico Distúrbios como ganda (bócio), pidaka (erupções), alaji(agitação), apaci (escrófula), carmakila (verruga), adhimamsa(granuloma), masaka (mola), kustha (doenças crônicas da pele,incluindo a hanseníase), vyanga (sardas), a variedade externa devisarpa (doença de pele caracterizada por disseminação aguda),svayathu (edema), gulma (tumor abdominal), arsas (hemorróidas)e vidradhi (abscessos) pertencem ao sistema periférico. Doenças do Caminho Intermediário Os distúrbios que ocorrem no caminho intermediário são:paksavadha (hemiplegia), paksagraha (convulsão tônica),apatanaka (convulsão clônica), ardita (paralisia facial), sosa(doenças consumptivas), rajayaksma (tuberculose),160
  • 160. asthisandhisula (dor articular), gudabhramsa (prolapso retal) e asdoenças da cabeça, coração e bexiga. Doenças do Sistema Central Distúrbios como jvara (febre), atisara (diarréia), chardi(vômitos), alasaka (inércia intestinal), visucika (diarréia por cólera),kasa (tosse), svasa (dispnéia), hikka (soluços), anaha(constipação), udara (doenças abdominais), pliha (doençasesplênicas), a variedade interna de visarpa (doença de pelecaracterizada por uma disseminação aguda), svayathu (edema),gulma (tumor abdominal), arsas (hemorróidas) e vidradhi(abscesso interno) pertencem ao sistema central. Sítios de Origem das Doenças Todas as doenças, de acordo com seus udbhavasthana ousítios de origem, estão divididas em dois grupos. O primeiro grupocaracteriza-se por originar-se da formação de ama, sendo esteresultante da digestão inadequada do alimento no trato gastro-intestinal como resultado da diminuição de agni (agnimandhya).Este ama assim formado é absorvido e circula através doorganismo levando ao srotodusti, seguido por srotorodha. Asdoenças resultantes destas alterações patogênicas sãodenominadas amasayodbhava. Amasaya é a parte superior dotrato gastro-intestinal, incluindo o estômago e o intestino delgado,onde estes distúrbios têm origem. Todo ingrediente alimentar écomposto dos cinco mahabhutas em uma proporção definida. Oconteúdo mahabháutico dos alimentos determina sua afinidaderelativa para influenciar o processo nutricional das célulasteciduais, compostas de dhatus que possuem uma espéciesemelhante de razão mahabháutica em sua composição.Portanto, mesmo o ama formado como resultado da digestãoinadequada de tal alimento produzirá distúrbios apenas nostecidos para os quais possui afinidade preferencial. 161
  • 161. O segundo grupo compreende as doençaspakvasayodbhava, ou seja, aquelas que têm origem a partir depakvasaya. Este consiste da parte inferior do trato gastro-intestinal, através da qual é excretada a maioria dos produtosresiduais do corpo ou malas. Se por alguma razão, por exemplo,por causa de hábitos irregulares, ocorrer o bloqueio de um ououtro canal ou srotamsi pelos quais as excreções sãotransportadas dentro do trato gastro-intestinal, haveria umacúmulo destes produtos excretados levando ao srotorodha,seguido por srotodusti. Dentre os três doshas mencionados acima, kapha e pittaoriginam-se de amasaya ou da parte superior do trato gastro-intestinal, enquanto vata surge de pakvasaya ou da porção inferiordo trato-digestivo. É extremamente importante compreender apatogênese essencial de uma doença, especialmente quanto aoseu local de origem, uma vez que o tratamento no Ayurvedaobjetiva a remoção do dosha do mulasthana (raiz) da doença,assim como a quebra do círculo vicioso, ou seja, samanyasamprapti e por meio disto, visa erradicar por inteiro o processo dadoença. Modo de Disseminação da Doença O ama pode seguir diferentes rotas para transportar-se dolocal de origem para a região do corpo onde revela sua existência.Baseando-se em sua trajetória de disseminação, todas asdoenças são classificadas em três categorias principais.Primeiramente, há doenças que se disseminam através do tratoalimentar-respiratório, conhecidas como kosthanusari. Outras po-dem infiltrar-se através dos fluidos circulantes como rasa e rakta,sendo denominadas sakhanusari, enquanto o terceiro grupo éconhecido como marmasthi-sadhyanusari, ou seja, admite-se quese dissemine através dos órgãos vitais, ossos e articulações. Esteconceito adquire um significado importante sobre o tratamento.162
  • 162. Portanto, as doenças sakhanusari podem ser tratadassatisfatoriamente com medidas pancakarma muito elaboradascomo snehana e svedana, enquanto os distúrbios kosthanusari,como svasa roga (asma brônquica), podem ser tratados comsucesso mesmo sem medidas tão elaboradas. Sítio de Manifestação da Doença O adhisthana ou o sítio de manifestação da doençarepresenta papel vital em sua patogênese. O Ayurveda descreve osítio de manifestação da doença em termos de dhatus (elementosteciduais) e srotamsi ou canais. O corpo como um todo écomposto de sete dhatus. Os canais ou srotamsi abrangem osvasos sangüíneos e linfáticos e os espaços intercelulares semi-permeáveis de suas paredes. Eles suprem os dhatus com nutriçãoa partir dos produtos finais da digestão e da respiração. Cada umdos sete dhatus divide-se posteriormente em dois tipos,dependendo das funções fisiológicas que representam no corpo.Assim, há o posaka dhatu que nutre o posya dhatu que obtémnutrição do anterior, mantendo por meio disso suas funçõesespecíficas. Os srotamsi são conseqüentemente denominados deacordo com o posaka dhatu que transportam. Além destesdhatuvaha srotamsi, há outros canais para o transporte deelementos, como oxigênio (ambarapiyusa), água, etc.,denominados pranavaha e udakavaha srotamsi, respectivamente. Doenças e suas Variedades Nos diversos textos Ayurvédicos, as doenças sãoenumeradas de maneiras diferentes. Aquela descrita no CarakaSamhita e suas variedades são fornecidas a seguir:1) Udara (doenças abdominais crônicas) possui oito tipos: vatika, paittika, slaismika, sannipatika, plihodara (conseqüente a distúrbio esplênico), baddhodara (conseqüente à obstrução 163
  • 163. intestinal), chidrodara (conseqüente à perfuração intestinal) e dakodara (ascites).2) Mutraghata (patologia urinária) possui oito tipos: vatika, paittika, slaismika, sannipatika, asmarija (por cálculos no trato urinário), ukraja (pelo sêmen) e sonitaja (causada pelo sangue).3) Ksira dosha (distúrbios do leite) possui oito tipos: descoloração, odor fétido, sabor desagradável, viscosidade, espumosidade, não-oleosidade, peso e excesso de gordura.4) Retodosha (distúrbios do sêmen) possui oito tipos: escassez, ressecamento, espumosidade, ausência de coloração branca, odor pútrido, excesso de viscosidade, combinação com outros dhatus (elementos teciduais) e elevada gravidade específica.5) Kustha (doenças crônicas da pele, incluindo hanseníase) possui sete tipos: kapala, udumbara, mandala, rsyajihva, pundarika, sidhma e kakana.6) Pidaka (abscesso ou carbúnculo) possui sete tipos: saravika, kacchapika, jalini, sarsapi, alaji, vinata e vidradhi.7) Visarpa (doenças de pele caracterizadas por uma disseminação aguda) possui sete tipos: vatika, paittika, slaismika, agnivisarpa, kardamaka, granthi visarpa e sannipatika visarpa.8) A diarréia possui seis tipos: vatika, paittika, slaismika, sannipatika, bhayaja (causada pelo medo) e sokaja (causada pela mágoa).9) Udavarta (doenças abdominais caracterizadas pela retenção das fezes) possui seis tipos: vataja (causada pelos flatos), mutraja (pela urina), purisaja (pelas fezes), sukraja (pelo sêmen), chardija (pelo vômito) e ksavathuja (por espirros).10) Gulma (tumor abdominal) possui cinco tipos: vatika, paittika, slaismika, sannipatika e raktaja (pelo sangue).11) Doenças esplênicas são de cinco tipos: como acima.164
  • 164. 12) Kasa (tosse) possui cinco tipos: vatika, paittika, slaismika, ksataja (causadas pela ulceração) e ksayaja (pelo enfraquecimento).13) Svasa (dispnéia) possui cinco tipos: mahasvasa, urdhvasvasa, chinnasvasa, tamakasvasa e ksudra svasa.14) Hikka (soluços) possui cinco tipos: mahahikka, gambhira hikka, vyapeta hikka (intermitente), ksudra hikka e annaja hikka (pelo alimento).15) Trsna (sede) possui cinco tipos: vatika, paittika amaja (pela digestão inadequada), ksayaja (devido à consumpção) e upasargatmika (como uma manifestação secundária).16) Chardi (vômitos) possui cinco tipos: dvistartha samyogaja (por entrar em contato com artigos detestáveis), vatika, paittika, slaismika e sannipatika.17) Anorexia possui cinco tipos: vatika, paittika, slaismika, sannipatika e dvesaja (devido à repugnância).18) Doenças da cabeça possuem cinco tipos: vatika, paittika, slaismika, sannipatika e krmija (causadas por infecção).19) Doenças do coração possuem cinco tipos: ver acima.20) Pandu (anemia) possui cinco tipos: vatika, paittika, slaismika, sannipatika e mrdbhaksanaja (pela ingestão de terra).21) Unmada (insanidade) possui cinco tipos: vatika, paittika, slaismika, sannipatika e agantuja (por causas exógenas).22) Apasmara (epilepsia) possui quatro tipos: vatika, paittika, slaismika e sannipatika.23) Doenças dos olhos possuem quatro tipos: vatika, paittika, slaismika e sannipatika.24) Doenças dos ouvidos possuem quatro tipos: vatika, paittika, slaismika e sannipatika.25) Pratisyaya (coriza) possui quatro tipos: vatika, paittika, slaismika e sannipatika. 165
  • 165. 26) Doenças da boca possuem quatro tipos: vatika, paittika, slaismika e sannipatika.27) Grahani possui quatro tipos: vatika, paittika, slaismika e sannipatika.28) Mada (intoxicação) possui quatro tipos: vatika, paittika, slaismika e sannipatika.29) Murccha (lipotímia) possui quatro tipos: vatika, paittika, slaismika e sannipatika.30) Sosa (consumpção) possui quatro tipos: tensão excessiva, supressão das necessidades básicas, debilidade e dieta irregular.31) Esterilidade possui quatro tipos: bijopaghataja (causada por alterações no esperma), dhvajabhangaja (pela atonia dos órgãos genitais), jaraja (pela idade) e sukra ksayaja (pela diminuição do sêmen).32) Sotha (edema) possui três tipos: vatika, paitika e slaismika.33) Kilasa (doença crônica da pele) possui três tipos: leucoderma de coloração vermelha, cobre e branca.34) Rakta pitta (doença caracterizada por sangramento de várias partes do corpo) possui três tipos: urdhavabhaga (distúrbio dos canais superiores), adhobhaga (distúrbio dos canais inferiores) e ubhayabhaga (distúrbio dos canais inferiores e superiores).35) Jvara (febre) possui dois tipos: aquela que surge do frio (o paciente deseja substâncias quentes) e aquela que surge do calor (o paciente deseja substâncias frias).36) Vrana (úlcera) possui dois tipos: endógena e exógena.37) Ayama (curvatura do corpo) possui dois tipos: opistótono e emprostótono.38) Grdhrasi (ciatalgia) possui dois tipos: vatika e vataslaismika.39) Kamala (icterícia) possui dois tipos: kosthasraya (hepática e pré-hepática) e sakhasraya (obstrutiva).166
  • 166. 40) Ama (distúrbio resultante de metabolismo e digestão inadequada) possui dois tipos: alasaka (inércia intestinal) e visucika (diarréia colérica).41) Vatarakta (gota) possui dois tipos: gambhira (profunda) e uttana (superficial).42) Arsas (hemorróidas) possui dois tipos: suska (sem sangramento) e ardra (com sangramento).43) Urustambha (uma condição caracterizada por rigidez da coxa) possui um tipo: amatridosaja.44) Samnyasa (coma) possui um tipo: sannipatika.45) Mahagada (perversão psíquica) possui um tipo: resultante de perversão moral e mental.46) Krimi (bactérias incluindo parasitas) possui vinte tipos: yuka e pipilika (que parasitam a pele e o cabelo); kesada, lomada, lomadvipa, saurasa, audumbara e jantumatr (que residem no sangue); antrada, udaravesta, hrdayada, curu, darbhapuspa, saugandhika e mahaguda (causados por kapha); kakaruka, makeruka, leliha, sasulaka e sausurada (que habitam as fezes).47) Prameha (um tipo de patologia urinária) possui vinte tipos: udakameha, iksubalikarasameha, sandrameha, sandraprasadameha, suklameha, sukrameha, sitameha, sanairmeha, sikatameha, lalameha (que são resultantes de slesman); ksarameha, kalameha, nilameha, lohitameha, manjisthameha e haridrameha (por pitta); vasameha, ma- jjameha, hastimeha e madhumeha (por distúrbios de vata).48) Yoniroga (doenças do trato genital feminino) possui vinte tipos: vatika, paittika, slaismika, sannipatika, raktayoni (menorragia), arajaska (amenorréia), acarana (colpite por micose), aticarana (vaginite crônica), prakcarana (vaginite deflorativa), upapluta (dismenorréia secundária), paripluta (vaginite aguda), udavartini (dismenorréia primária), karnini (endocervicite), 167
  • 167. putraghni (tendência ao aborto), antarmukhi (inversão do útero), sucimukhi (pequenos pontos pretos), suska (coloerosis), vamini (profluvium seminis), sandhayoni (órgãos sexuais femininos não desenvolvidos) e mahayoni (prolapso uterino). Terapêutica Na ocorrência de desequilíbrio dos doshas corporais sãoutilizados geralmente três tipos de terapias. São elas: limpezainterna, limpeza externa e cirurgia. Nas doenças causadas porações de energias prejudiciais e outros utiliza-se a psicoterapia. Doenças causadas por dieta inadequada, por exemplo, sãoeliminadas por medicamentos indicados para limpeza interna. Aterapia de purificação externa é aquela cujo efeito terapêuticoocorre pelo contato externo com o corpo, tal como a massagem, afomentação, unção, infusão e amassamento. A terapia cirúrgicacompreende as incisões, excisões, acupuntura, ruptura,erradicação, fricção de substâncias com superfície áspera, assuturas, a aplicação de álcalis e sanguessugas, raspagem esondagem. A psicoterapia é administrada através de homa (o atode fazer uma oferenda derramando-se ghee no fogo), do jejum, deprayascitta (rituais propiciadores), oferecimento de orações àsdivindades e brahmanas, recitação de mantras, bali (sacrifícios) esvastyayana (recitações auspiciosas). Na prescrição de uma terapia, o médico Ayurvédicoexamina cuidadosamente tanto o paciente como a doença. Aseleção de medicamentos e terapias, entretanto, depende deconsiderações sobre as seguintes variantes:1)Variações relacionadas aos doshas: a quantidade de doshas pode estar diminuída ou alterada ou pode permanecer em um estado de equilíbrio. Os doshas podem variar de acordo com seus movimentos ascendentes, descendentes ou laterais ou de acordo com suas localizações nos caminhos central, periférico168
  • 168. ou intermediário. Os doshas também podem variar conforme alterações em seu local de origem (svadesa) ou em qualquer outro local (paradesa) ou se sua alteração é primária (svatantra) ou secundária (paratantra). O distúrbio de um dosha pode variar em termos de seus aspectos particulares. Por exemplo, o desequilíbrio de vata poderia estar relacionado, al- gumas vezes, à alteração de alguns de seus atributos apenas, por exemplo, frialdade, leveza, etc. Os doshas podem também variar na forma como alteram diferentes dhatus. Da mesma maneira, estes doshas podem variar de acordo com a estação do ano, com a constituição do paciente e conforme os dhatus afetados.2)Variações relacionadas à droga: as drogas podem variar em seus efeitos conforme sejam novas, velhas, verdes, secas, combinadas com outras drogas e seus diferentes métodos de preparação. Elas também variam conforme sua ação efetiva sobre os doshas do corpo em virtude de seu rasa (sabor), virya (potência), vipaka ou prbhava (ação específica).3)Variações relacionadas com a localização: os locais variam conforme sejam pantanosos, áridos, comuns ou muito agradáveis.4)Variações relacionadas ao tempo: o tempo pode variar de acordo com as mudanças sazonais ou com as mudanças do dia, da noite, tarde, manhã etc., ou de acordo com a periodicidade das doenças, como uma febre que dura oito dias, etc.5)Variações relacionadas ao vigor: este pode variar conforme seja inerente, adquirido ou resultante do tempo (estação, idade, etc.) Pode variar também conforme seja superior, medíocre ou inferior. 169
  • 169. 6)Variações relacionadas ao corpo: este pode ser gorduroso, magro, compacto ou poroso. Pode variar conforme a natureza, os métodos de preparação, combinação, quantidade, etc.8)Variações relacionadas com a salubridade: esta pode variar dependendo da localidade, tempo (idade e estação), doença, constituição, natureza e moradia.9)Variações relacionadas com a mente: pode variar conforme esteja associado com mágoa, tristeza, felicidade, medo, etc.10)Variações na constituição corporal conforme seja originada por vata, etc.11)Variações relacionadas com agni: ocorrem variações de acordo com a idade, ou seja, infância, juventude, velhice e seus diferentes estágios. Categorias de Doenças As doenças são divididas em três categorias,denominadas: 1) Adhyatmika (tem origem no próprio indivíduo), 2)Adhibhautika (originada de objetos externos) e 3) Adhidaivika(originada de causas oportunas).1)Doenças Adhyatmika Tal tipo de doença pode ser de três variedades:a)Adibalaja ou hereditária: Estas doenças ocorrem como resultadoda alteração do esperma e do óvulo dos pais. Kustha (doençascrônicas da pele, incluindo a hanseníase), arsas (hemorróidas) edoenças semelhantes pertencem a esta categoria. Este tipo dedoença, adibalaja, é subdividida entre duas categorias: aquelasoriginadas do pai e aquelas originadas da mãe.b)Janmabalaja ou congênita: Este tipo de doença é resultante dedieta e conduta inadequadas da mãe durante o período degestação. Jatyandha (cegueira congênita), pangu (imobilidade dosmembros), mudez, impotência, fala sossegada ou gagueira,nanismo etc. pertencem a esta categoria e são também170
  • 170. subdivididos em dois tipos: rasaja ou causada pelo distúrbio doquilo ou do plasma da mãe e dauhrda apacaraja ou causada pelocontrole inadequado da mãe durante o estágio bi-cardíaco dagestação.c)Dosabalaja: Estas doenças ocorrem como resultado dainadequação da dieta e da conduta do indivíduo. São subdivididastambém em dois tipos: amasayottha ou doenças que se originamno estômago e na porção superior do intestino delgado epakvasayotta ou doenças originárias do intestino grosso.2.Doenças Adhibhautika São as sanghata balaja ou doenças causadas pelaalteração por objetos externos. Nos seres humanos estaspatologias são denominadas agantu (corpos estranhos). Sãosubdivididas também em dois tipos: vyalaja causadas por animaisselvagens e sastraja, causadas por armas, etc.3.Doenças Adhidaivika Estas doenças estão caracterizadas nas três categoriasseguintes:a)Kalabalaja ou sazonal – Resultantes da chuva, do frio ou docalor nas diferentes estações. Tais doenças subdividem-se nosseguintes dois tipos: vataja (aquelas que surgem do vento) eatapaja (aquelas que surgem dos raios de sol). As doençassazonais ou kalabalaja podem ser novamente subdivididas emoutras duas categorias: vyapanna rtuja, que se originam dasexcentricidades da estação e avyapanna rtuja, que se originam daestação em sua normalidade. Quando as doenças são causadaspela anormalidade das estações, o médico deve tratar taispacientes com drogas coletadas precocemente. Podem sertratadas também através de tapas (penitências), ausadhi (drogasou talismãs) e devatarcana (oferecimento de orações aos deuses). 171
  • 171. As doenças que ocorrem durante as estações normais devem sertratadas de acordo com a natureza das mesmas.b)Daivabala sambhuta ou doenças causadas pelodescontentamento dos deuses. Tais doenças são causadas pelaira dos deuses e suas maldições. São de duas variedades:upasargaja ou contagiosa e atharvana krta ou doenças causadaspor rituais tântricos prejudiciais. Estas doenças podem sersubdivididas também em outros dois tipos: aquelas causadas porraios e fogo e aquelas causadas por pisaca (espíritos prejudiciais)etc. Novamente, estas doenças podem ser divididas em duascategorias: samsargaja (doenças epidêmicas ou contagiosas) eakasmika (acidentais), manifestadas como resultado de açõesprejudiciais do passado.c)Svabhavabalaja ou doenças naturais: fome, sede, velhice, sono,egoísmo, paixão etc. São conhecidas como doenças naturais. Diferentes Tipos de Terapias As terapias Ayurvédicas são classificadas em seiscategorias ou seja: 1) Langhana ou terapia de alívio, 2) Brmhanaou terapia de nutrição, 3) Ruksana ou terapia secativa, 4)Snehana ou terapia de unção, 5) Svedana ou terapia defomentação e 6) Stambhana ou terapia adstringente. As drogasutilizadas para tais terapias possuem certas característicasdescritas aqui: Terapia Características da drogas1.Langhana ou terapia de Leve, quente, pungente, não-viscosa,alívio áspera, sutil, seca, fluida e dura.2.Brmhana ou terapia de Pesada, fria, macia, gordurosa, grossa,nutrição volumosa, lenta, viscosa, estável e lisa.3.Ruksana ou terapia secativa Áspera, leve, seca, pungente, quente, estável, não-viscosa e dura.172
  • 172. 4.Snehana ou terapia de Líquida, sutil, fluida, gordurosa, viscosa,unção pesada, fria, lenta e macia5.Svedana ou terapia de Quente, pungente, fluida, gordurosa oufomentação áspera, sutil, líquida, estável e pesada.6.Stambhana ou terapia Fria, lenta, macia, lisa, grosseira, sutil,adstringente líquida, estável e leve. Langhana ou Terapia de Alívio A terapia langhana pode ser administrada da seguintemaneira:1)Administração de quatro tipos de terapias de eliminação, como aemética, a purgativa, o enema tipo niruha e inalação;2)Controle da sede;3)Exposição ao vento e ao sol;4)Ingestão de drogas que estimulam a digestão;5)Jejum; e6)Exercício físico. Com o objetivo de reduzir peso, a terapia de eliminaçãodeve ser administrada para aquelas pessoas que possuem corpoforte e obeso, acometidas de doenças resultantes do excesso dekapha, pitta, sangue e excreções combinadas com o desequilíbriode vata. Doenças como vômitos, diarréia, inércia intestinal, febre,constipação, sensação de peso no corpo, eructação, náuseas,anorexia e distúrbios cardíacos causados pelo desequilíbrio dekapha e pitta, que possuam natureza moderada devem sertratadas, no início, por drogas que promovam a digestão. Se as mesmas doenças possuem natureza moderada,devem ser tratadas através do controle da sede e da fome (jejum). Quando os indivíduos fortes são acometidos de doençasde natureza moderada, podem ser curados através de exercíciosfísicos e da exposição ao sol e ao vento. Fica compreendido que 173
  • 173. quando estes indivíduos são acometidos por doenças de naturezasuave, podem ser curados através da mesma conduta. A terapia de emagrecimento deve ser administrada duranteo inverno (hemanta e sisira – maio a agosto) para os pacientesportadores de doenças de pele e patologias urinárias crônicas,para aqueles que possuem corpo volumoso associado àobesidade e fluidez e mesmo para aqueles que sofrem dedoenças resultantes do desequilíbrio de vata. Brmhana ou Terapia de Nutrição A carne fresca de animais, peixes e pássaros que vivemem seu habitat natural e abatidos por artifícios não-tóxicos, comoflechas e outros, é nutritiva. As pessoas acometidas habitualmentepor debilidade, velhice, fraqueza, tuberculose pulmonar, peloemagrecimento, esforço decorrente de longas viagens, porexcessos sexuais e de vinho requerem esta terapia durante todo overão. Para pacientes que emagreceram por causa de doençasconsumptivas, hemorróidas e espru deve ser administrada sopade aves e animais carnívoros (ou melhor, sopa da carne destesanimais, que é leve por natureza) submetida a métodos especiaisque a tornem mais leve para a digestão. Isto auxilia, promovendonutrição. Banho, unção, sono, enema juntamente com drogasuntuosas e doces, açúcar, leite e ghee constituem métodos denutrição universais. Ruksana ou Terapia Secativa Constituem terapias secativas a ingestão de substânciasadstringentes, pungentes e amargas, pasta de óleo de mostarda egergelim, mel, etc. e relações sexuais. Pacientes que sofrem de doenças caracterizadas pelaobstrução dos canais corporais, pela predominância de um dosha174
  • 174. em excesso, que se manifesta nos órgãos vitais, como a―espasticidade das coxas‖ (urustambha), gota e doenças urináriascrônicas devem ser tratados através da terapia secativa. Snehana ou Terapia de Oleação Para a terapia de oleação são administrados ghee, óleo,tecido adiposo próprio do músculo (vasa) e medula óssea (majja).Entre estes, o melhor é o ghee devido ao poder para assimilarefetivamente as propriedades das drogas nele fervidas. Gheealivia pitta e vata, é eficaz para rasadhatu e sukradhatu (sêmen).Possui um efeito refrescante e suavizante sobre o corpo. Fornececlaridade à voz e à compleição. O óleo alivia vata. No entanto, não desequilibra kapha.Proporciona vigor corporal, é benéfico para a pele. É quente,estabilizador e controla a incidência de enfermidades nos órgãosgenitais femininos. A gordura presente no músculo é prescrita para otratamento de lesões, fraturas, traumas, prolapso uterino, otalgia ecefaléia. Intensifica a virilidade individual, auxilia na oleosidade e éútil para aqueles que praticam exercícios físicos. A medula óssea eleva o vigor, sukra (sêmen), rasadhatu,kapha, medodhatu (gordura) e majja (medula espinhal). Alémdisso, intensifica o vigor físico, especialmente dos ossos, e é útilpara a oleosidade. O ghee deve ser ingerido no outono (sarat); a gordurapresente no músculo e a medula óssea devem ser ingeridas nomês de vaisakha (equivalente ao período de outubro-novembro) eo óleo, durante as monções (pravrt). Substâncias excessivamentegordurosas não devem ser ingeridas quando está extremamentefrio ou quente. 175
  • 175.  Svedana ou Terapia de Fomentação No Ayurveda foram descritos trinta tipos de terapia defomentação juntamente com seus modos de administração,indicações e contra-indicações. A fomentação é útil parapratisyaya (coriza), tosse, soluço, dispnéia, sensação de peso nocorpo, cefaléia, dor de ouvido, aspereza na voz, obstruçãoespasmódica da garganta, paralisia facial, de um único membroou hemiplegia, inflexões do corpo (vainamaka), distensãoabdominal, constipação, supressão da urina, vijrmbhaka, rigidezno dorso, cintura, abdome e nas laterais do corpo, ciatalgia,disúria, aumento do escroto, indisposição, dor e rigidez dos pés,joelhos, panturrilhas, edemas, khalli (neuralgia das extremidadessuperior e inferior), doenças resultantes da diminuição do proces-so digestivo e metabólico, nos calafrios e arrepios, nos distúrbiosda articulação do quadril por vata (vata kantaka), nas dores emcólica, em contração e por distensão, rigidez, excesso de peso,entorpecimento e nos distúrbios que atingem todo o corpo.176
  • 176. CAPÍTULO 6 DIETA Na ciência moderna os gêneros alimentícios sãoclassificados, à princípio, dependendo de sua composiçãoquímica, recebendo denominações como carboidratos, proteínas,lipídios, vitaminas, minerais, etc. No Ayurveda, tal classificaçãobaseia-se na ação biológica dos gêneros alimentícios e em seurasa (sabor). Por exemplo, baseando-se em seu conteúdo decarboidratos, todas as variedades de arroz devem ser conside-radas como um único grupo. Mas o Ayurveda considera que oarroz colhido recentemente é pesado para a digestão, e estacaracterística altera kapha. Se utilizado continuamente, produzmuitas complicações. Mas o arroz estocado por mais de seismeses é considerado leve e mais benéfico para o indivíduonormal. O arroz recentemente colhido produz mais gorduracorporal do que o arroz envelhecido. Portanto, para um indivíduoque possui um bom poder digestivo, o arroz novo é nutritivo,enquanto que para o indivíduo obeso, mesmo sem bom poderdigestivo, o arroz envelhecido é nutritivo. Há três tipos de arroz denominados sali, sastika e vrihi.Com relação à botânica, todos pertencem à mesma família eespécie. O nome latino é Oryza sativa (Linn.) Mas de acordo como Ayurveda, há uma grande diferença em seu valor nutritivo. 177
  • 177. Enquanto os tipos sali e sastika aliviam os doshas e mantém seuequilíbrio, o terceiro tipo de arroz desequilibra-os. Existem muitos outros ingredientes alimentíciosconstituídos quimicamente de amido considerados produtores deum efeito depletivo sobre o corpo humano. Por exemplo, o tipo demilho koradusa (Paspalum scrobiculatum, Linn.) produz um efeitodepletivo e reduz rapidamente a gordura do corpo. Grãos comestíveis contém geralmente proteínas, mas deacordo com o Ayurveda alguns deles, como masa (Phaseolusmungo, Linn.), são considerados leves para a digestão, reduzindoa gordura corporal. O kulattha (Dolichos biflorus, Linn.), por outrolado, é excessivamente nutritivo para estes tipos de pacientes. O Ayurveda enfatiza a dieta adequada para o tratamentodos pacientes. Para todas e para cada uma das doenças sãodescritos os gêneros alimentícios saudáveis e insalubres. Classificação dos Gêneros Alimentícios e das Bebidas No Ayurveda, os ingredientes utilizados nas dietas sãoclassificados em 12 grupos, a seguir:1. Sukadhanya (cereais com cerdas)2. Samidhanya (grãos comestíveis)3. Mamsa (carnes)4. Saka (vegetais)5. Phala (frutas)6. Harita (saladas)7. Madya (vinhos)8. Ambu (água)9. Gorasa (leite ou laticínios)10.Iksuvikara (produtos do açúcar de cana)11.Krtanna (preparações alimentares)12.Aharayogin (gêneros alimentícios acessórios)178
  • 178.  Sukadhanya (cereais com cerdas) O primeiro grupo, cereais com cerdas, é subdividido nasseguintes categorias: Sali, sastika, vrihi - três tipos diferentes de arroz Syamaka (Setaria italica, Beauv.) Yava (cevada) Godhuma (trigo) Samidhanya (grãos comestíveis) As propriedades dos seguintes grãos são descritas commuita freqüência: Masa (Phaseolus radiatus, Linn.) Rajamasa (Vigna cylindrica, Skeels.) Kulattha (Dolichos biflorus, Linn.) Makustha (Phaseolus aconitifolius, Jacq.) Canaka (Cicer arietinum, Linn.) Tila (Sesamum indicum, Linn.) Simbi (Dolichos lablab, Linn.) Adhaki (Cajanus cajan, Millsp.) Avalguja (Psoralea coryfolia, Linn.) Nispava (Um tipo de simbi) Kakandoma (um tipo de simbi) Atmagupta (Mucuna prurita, Hook.) Uma (Linum usitatissimum, Linn.) Mamsavarga (carnes) Dependendo de suas qualidades, as carnes dos animaisutilizados como alimento são classificadas em oito grupos:1. Prasaha (animais e aves que comem aos bocados) Go (Bos taurus) Khara (Asinus equidae) Asvatara (mula) 179
  • 179. Ustra (Camelus dromedarius) Asva (Equus cabalus) Dvipi (Felis pardus) Simha (Felis leo) Rksa (Melusus labiatus) Vanara (Semnopithecus) Vrka (Canis lupus) Vyaghra (Felis tigris) Taraksu (Hyaena striata) Babhru (Herpestes mungo) Marjara (Felis domesticus) Musaka (Mus musculus) Lopaka (Vulpus bengalensis) Jambuka (Canis aureus) Syena (Accipiter gentilis) Vantada (Canis familiaris) Casa (Cyanocitta cristata) Vayasa (Corvus splendens) Sasaghni (Aquilar chrysaetos) Madhuha (Pernis apivorus) Bhasa (Gypatus barbatus) Grdhra (Vulture monachus) Uluka (Bubo bengalensis) Kulingaka (Ploceus bengalensis) Dhumika (Athene brama) Kurara (Pandion heliactus)2. Bhumisaya (animais que vivem em tocas) Sveta Kakulimrga (Python molurus) Syama Kakulimrga (Python molurus) Citraprstha Kakulimrga (Python reticulus) Kalaka Kakulimrga (Python molurus) Kurcika (Erinaceus europaeus)180
  • 180. Cillata (Neomys fodiens) Bheka (Rana) Godha (Iguanidae) Sallaka (Acanthion leucura) Gandaka (Geckonida) Kadali (Marmota) Nakula (Herpestes mungo) Svavit (Manis pentadactyl)3. Anupa (animais que habitam áreas pantanosas) Srmara (Sus cristatus) Camara (Poephagus grumnicus) Khadga (Rhinocerus unicornis) Mahisa (Bos bubalus) Gavaya (Bos frontalis) Gaja (Elaphus indicus) Nyanku (Cervus porcinus) Varaha (Sus scrofa) Ruru (Rucervus durancelli)4. Varisaya (animais aquáticos) Kurma (Chelonia) Karkataka (Brachyura) Matsya (Pisces) Sisumara (Dolphinus gangetica) Timingila (Cetacea) Sukti (Margaritifera) Sankha (Gastropode) Udra (Peixe-gato) Kumbhira (Crocodylus porosus) Culuki (Neomeris phocaenoides) Makara (um grande crocodilo indiano)5. Varicara (aves que se movimentam na água) Hamsa (Cynus olor) 181
  • 181. Krauñca (Anthropoides virgo) Balaka (Ardea nivea) Baka (Ardea goliath) Karandava (Anser albifrons) Plava (Pelicanus onocrotalus) Sarari (Rhynchops) Puskarahva (Ardea sibirica) Kesari (Oedienemus crepitans) Manitundaka (Haematopus ostrolegus) Mrnalakantha (Plotus anginga) Kadamba (Anser anser) Kakatunda (Sterna hirandu) Utkrosa (Anas platyrhynchos) Pundarikaksa (Nyroca ferina) Megharava (Cygnus buccinator) Ambukukkuti (Gallinula chloropus) Ara (Recurvirostra avocetta) Nandimukmkhi (Phoenicopterus roseus) Vati (Podiceos ruficellis) Sumukha (Oceanitidae) Sahacari (petrel) Rohini (Anas crecia) Kamakali (Phaethon rubricauda) Sarasa (Megalornis grus) Raktasirsaka (Ardea purpurea) Cakravaka (Anas cascara)6. Jangala (animais que habitam florestas de terra seca) Prsata (Cervus axis) Sarabha (Cervus canadensis?) Rama (Cervus elaphus) Svadamstra (Tregulus meminna) Mrgamatrka (Cervus elaphus)182
  • 182. Sasa (Leporidae) Urana (Ovis vignei) Kuranga (Antilope cervicapra) Gokarna (Antilope picta) Kottakaraka (Cervus muntjae) Caruska (Gazelle bennetti) Harina (Antilope cervicapra) Ena (Cervus rusa) Sambara (Cervus unicolor) Kalapucchaka (Odocoilus?) Krsna (Moschus moschiferus) Varapota (Antilope cervicapra)7. Viskira (aves galináceas)Grupo I Vartiraka (Coturnix coromandelia) Kapiñjala (Francolinus vulgaris) Vartika (Coturnix silvatica) Cakora (Perdix rufa) Upacakra (Perdix rufa) Kukkubha (Coccyzus) Raktavartma (Gallus ferruginous) Lava (Turnix suscitates)Grupo II Vartaka (Turnix indica) Vartika (Coturnix silvatica) Barhin (Pavo cristatus) Tittira (Arborophila torquala) Kukkuta (Galloperdix spadicea) Kanka (Ardeidae) Sarapada (Ciconia boycinia) Indrabha (Leucocerea aureola) Gonarda (Ardea sibirica) 183
  • 183. Girivartaka (Coturnix coturnix) Krakara (Ardea virago) Avakara (Pavo cristatus) Varada (Platela leucorodia)8. Pratuda (aves que bicam) Satapatra (Picus martius) Brngaraja (Lanalidae) Koyasti (Centropus chlorhynchus) Jivañjivaka (Chalcurus) Kairata (Pheanicophaes pyrrhocephalus) Kokila (Endynamis honorata) Atyuha (Molpastes haemorrhous) Gopaputra (Molotthrus) Priyatmaja (Argya caudata) Latta (Musciapidae atricapilla) Lattasaki (Musciapidae techitrea) Babhru (Pega de Bengala) Vataha (Dendrocitta rufa) Dindimanaka (Ramphistos piscivorous) Jati (Upapa indica) Dundubhi (Lophoceros birostris) Pakkara (Thereiceryx zeylonicus) Lohaprstha (Alcedo ispida) Kulingaka (Ploceus bengalensis) Kapota (Chalesphaps indica) Suka (Psittacula spengeli) Saranga (Palaeonis torquatus) Cirati (Timelidae) Kanku (Torquatus rosa) Yastika (Nectarinidae) Sarika (Tordus salica) Kalavinka (Passer domesticus)184
  • 184. Cataka (Passer montanus) Angaracudaka (Microscelsis psaroidies) Paravata (Columba treron) Pandavika (Columba palumbas) Saka varga (vegetais) As propriedades dos seguintes vegetais estão relacionadascom freqüência no Ayurveda: Patha (Cissampelos pareira, Linn.), susa (Cassia occidentalis, Linn.), sati (Hedychium spicatum, Ham. e Smith.), vastuka (Chenopodium album, Linn.), susisannaka (Marsilea minuta, variedade indica), kakamaci (Solanum nigrum, Linn.), rajaksavaka (Euphorbia microphylla, Heyne), kalasaka (Corchorus capsularis, Linn.), kalaya (Lathyrus sativus, Linn.), cangeri (Rumex dentatus, Linn.), upodika (Basella rubra, Linn.), tanduliyaka (Amaranthus tricolor, Linn.), mandukaparni (Centelha asiática, Urban.), brotos tenros de vetra (Salix caprea, Linn.), kucela (uma variedade de Cissampelos pareira, Linn.), vanatikta (Cyclea peltata), karkotaka (Momordica dioica, Roxb.), avalguja (Psoralea corylifolia, Linn.), patola (Trichosanthes cucumerina, Linn.), sakuladani (Picrorhiza kurroa, Royle e Benth.), flores de vrsa (Adhatoda vasica, Nees.), variedade arredondada de kalaya (Lathyrus aphaca, Linn.), kembuka kathillaka (Boerhaavia diffusa, Linn.), gojihva (Onosma bracteatum, Wall.), vartaka (Solanum melongena, Linn.), tilaparni (Gynandropsis gynandra, Briquet), karavellaka (Momordica charantia, Linn.), nimba (Azadirachta indica, A. Juss.), parpataka (Fumaria parviflora, Lam.) Phalavarga (frutas) As seguintes frutas são geralmente descritas no Ayurveda: Kharjura (Phoenix sylvestris, Roxb.), phalgu (Ficua hispida, Linn. f.), amrataka (Spondias pinnata, Kurz.), bhavya (Dillenia indica, 185
  • 185. Linn.), parusaka (Grewia asiatica, Linn.), draksa (Vitis vinifera, Linn.), badara (Zizyphus jujuba, Lam.), aruka (Prunus persica, Batsch.), karkandhu (Zizyphus nunmularia, W. e A.), nikuca (Artocarpus lakoocha, Roxb.), paravata (Psidium guajava, Linn.), kasmarya (Gmelina arborea, Linn.), tanka (Pirus communis, Linn.), kapittha (Feronia limonia, Swingle), bilva (Aegle marmelos, Corr.), amra (Mangifera indica, Linn.), jambu (Sysygium cumini, Skeels), badara (Zizyphus jujuba, Lam.), gangeruki (Grewia populifolia, Vahl.),harira (Capparis decidua, Edgew.),bimbi (Coccinia indica, W. e A.), todana (uma variedade de Grewia populifolia, Vahl.), dhanvana (Grewia tiliaefolia, Vahl.), panasa (Artocarpus heterophyllus, Lam.), moca (Musa paradisiaca, Linn.), rajadana (Mimusops hexandra, Roxb.), lavali (Cicca acida, Merrill), nipa (Anthocephalus indicus, A. Rich.), satahvaka (Asparagus racemosus, Willd.), pilu (Salvadora persica, Linn.), tirnasunya (Pandanus tectorius, Soland.), vikankata (Gymnosporia spinosa, Fiori), pracinamalaka (Flacourtia jangomas, Raeusch.), ingudi (Belantites aegypatiaca, Delile), tinduka (Dispyros peregrina, Gurke), bibhitaka (Terminalia belerica, Roxb.), viksamla (Tamarindus indica, Linn.), amlavetasa (Rheum emodi, Wall.). karcura (Hedychium spicatum, Ham. e Smith), nagaranga (Citrus reticulata, Blanco), vatama (Prunus amygdalus, Batsch.), aksota (Juglans regia, Linn.), mukula (Pistacia vera, Linn.), nikuca (Artocarpus lakoocha, Roxb.), urumana (Prunus armeniaca, Linn.), slesmataka (Cordia dichotama, Forst. F.), ankota (Alangium salviifolium, Wang.), sami (Prosopis spicigera, Linn.), karañja (Pongamia pinnata, Merr.), amrataka (Spondias pinnata, Kurz.), dantasatha (Citrus medica, Linn.), karamarda (Carissa carandas, Linn.), asvattha (Ficus religiosa, Linn.), udumbara (Ficus racemosa, Linn.), plaksa (Ficus lacor, Buch. e Ham.), nyagrodha186
  • 186. (Ficus bengalensis, Linn.) e bhallataka (Semecarpus anacardium, Linn. F.) Harita varga (vegetais utilizados crus) Jambira (Citrus medica, Linn.), surasa (Ocimum sanctum, Linn.), yavani (Trachyspermum amni, Sprague), arjaka (Ocimum gratissimum, Linn.), sigru (Moringa oleifera, Lam.), saleya (Trigonella foenumgraecum, Linn.), mrstaka (Brassica nigra, Koch.), gandira (Euphorbia antiquorum, Linn.), jala pippali (Commelina salicifolia, Roxb.), tumburu (Xanthoxylum alatum, Roxb.), bhustrna (Cymbopogon citratus, Staph.), kharahva (Trachyspermum roxburghianum, Sprague), dhanyaka (Coriandrum sativum, Linn.), ajagandha (Gynandrapsis gynandra, Briquet.), palandu (Allium cepa, Linn.) e lasuna (Allium sativum, Linn.) Madya varga (bebidas alcoólicas) As bebidas alcoólicas relacionadas a seguir sãofreqüentemente descritas no Ayurveda: Sura, mad ra, jagala, arista, sarkara, pakvarasa, sitarasika, gauda, aksiki, surasava, madhvasava, maireya, dhatakyasava, asava, sauviraka e tusodaka. Jala varga (vários tipos de água) No Ayurveda, as propriedades dos diferentes tipos de águasão descritas em detalhes. Os textos fornecem características daágua da chuva coletada durante as diferentes estações e da águados rios que passam através de diferentes tipos de terra, de váriasregiões da Índia. As águas de represa, poço, lago, fonte, tanque,cascata e do oceano são descritas com referência especial aosseus efeitos benéficos ou prejudiciais. 187
  • 187.  Gorasa varga (derivados do leite) As propriedades do leite proveniente de diferentes tipos deanimais como a vaca, a égua, a cabra, as fêmeas do camelo, doasno, do elefante, do búfalo e o leite da mulher são descritos emdetalhes. As qualidades benéficas e prejudiciais do iogurte, danata, manteiga e do ghee são também descritas. Iksu varga (produto da cana de açúcar) As propriedades do suco de diferentes tipos de cana-de-açúcar são descritas em detalhes. Vários produtos derivados dacana-de-açúcar, assim como o próprio açúcar e o melaço tambémestão descritos com relação aos seus efeitos benéficos eprejudiciais. As propriedades do mel produzido por diferentesespécies de abelhas também estão relatadas dentro deste grupo. Krtanna varga (preparações de alimentos cozidos) As propriedades das diferentes preparações de arroz, trigo,cevada, frutas, sucos, sopas, vegetais, grãos e leite estãodescritas. Aharayogi varga (acessórios das preparações) São descritas as propriedades dos óleos utilizados nacocção dos alimentos, por exemplo, óleos de gergelim, demostarda, de rícino, o óleo extraído da priyala (Buchananialanzan, Spreng,) e kusumbha (Carthamus tinctorius, Linn.), alémdos efeitos benéficos e prejudicias dos condimentos, especiarias,sais e álcalis.188
  • 188. CAPÍTULO 7 DROGAS As descrições das propriedades das dietas e drogasAyurvédicas baseiam-se em seus sabores. São as seguintes: Ações do Sabor Doce As drogas e dietas com sabor doce são saudáveis para ocorpo e como tal potencializam o desenvolvimento de rasa (fluidocorporal), do sangue, dos músculos, gordura, medula óssea, dosêmen e da longevidade. Proporcionam suavidade aos seisórgãos sensoriais, promovem vigor e compleição, aliviam pitta,vata e os efeitos dos venenos. Eliminam a sede e a sensação dequeimação, proporcionam vigor e uma pele, cabelos e vozsaudáveis. Suavizam, revigoram e nutrem. Fornecem estabilidadee curam a consumpção e o enfraquecimento. São calmantes parao nariz, boca, garganta, lábios e língua e aliviam o espasmo. Taissubstâncias são gordurosas, frias e pesadas. Ações do Sabor Azedo Tais drogas tornam os alimentos mais saborosos,estimulam o apetite, a nutrição e a energia corporal, clareiam amente, aumentam o vigor dos órgãos sensoriais, promovem vigor,aliviam vata, nutrem o coração, causam salivação e agem comoauxiliares na deglutição, na umectação e na digestão do alimento.São refrescantes, leves, quentes e gordurosas. 189
  • 189. Apesar destas boas qualidades descritas acima, se taisgêneros alimentícios forem utilizados em excesso, causam sede,sensação desagradável nos dentes, fechamento dos olhos,horripilação, liquefação de kapha, distúrbio de pitta, desequilíbriode rakta, decomposição muscular, amarelecimento do corpo,edema em pacientes que passam por processo de debilidade,emagrecimento, caquexia e consumpção. Devido à sua qualidade quente, causam supuração delesões resultantes de ulceração, traumas, mordidas contagiosas,contato com animais venenosos, queimaduras, fraturas, edemas,luxação, contusões, excisões, incisões, deslocamentos,perfurações, esmagamentos e do contato com veneno de urina .Causam sensação de queimação na garganta, no peito e naregião cardíaca. Ações do Sabor Salgado As drogas que possuem sabor salgado auxiliam naprodução de viscosidade, na digestão, na incisão, na extirpação enas flatulências. São penetrantes, móveis, vikasa (purificadoras ouantiespasmódicas), laxativas e avakasakara (desobstrutoras).Aliviam vata, curam a rigidez, a obstrução e os acúmulos, anulamo efeito de outros sabores, causam salivação, liquefazem kapha,clareiam os canais de circulação, restituem a sensibilidade detodos os órgãos corporais e dão mais sabor aos alimentos. Sãoingredientes essenciais do alimento. Não são nem muito pesadose gordurosos nem quentes. Apesar de todas estas qualidades benéficas mencionadas,se utilizadas em excesso causam distúrbios de pitta, desequilíbriode rakta, sede, desmaios, sensação de calor, erosão, depleção detecido muscular, crostas nas partes do corpo afetadas pordoenças crônicas de pele, incluindo a hanseníase, piora dossintomas de envenenamento, supuração das partes inflamadas,deslocamento dos dentes, redução da virilidade, bloqueio da190
  • 190. função sensorial e produção de rugas, calvície e cabelos grisalhosprecocemente. Causam também doenças como rakta pitta (condiçãocaracterizada por sangramento através de diferentes partes docorpo), amla pitta (dispepsia ácida), visarpa (doença de peleaguda disseminada), vatarakta (gota), vicarcika (um tipo deerupção de pele) e alopécia. Ações do Sabor Pungente As drogas e as dietas que possuem sabor pungenteconservam a boca limpa, promovem a digestão, auxiliam naabsorção do alimento, provocam secreção nasal, lacrimejamento,favorecem a adequada atividade dos órgãos sensoriais, curamdoenças como inércia intestinal, obesidade, urticária, conjuntivitecrônica, auxiliam na eliminação dos produtos residuais que sãoviscosos por natureza e produzem efeitos como fomentação eoleação, dão mais sabor aos alimentos, curam o prurido,diminuem o desenvolvimento excessivo das úlceras, sãobactericidas, consomem os tecidos musculares, dissolvem oscoágulos de sangue e outras obstruções, purificam as passagense aliviam kapha. São leves, quentes e gordurosas. Apesar de todos estes aspectos benéficos, se utilizadasem excesso, reduzem a virilidade como conseqüência de seuvipaka, afetam a potência devido ao seu sabor e causam tambéminconsciência, fadiga, asma, emagrecimento, desmaios, choque,vertigem, sensação de queimação na garganta, produzem calorexcessivo e sede, além de reduzirem o vigor em virtude de suaação específica. Causam também tremor, sensação de queimação,vertigem, dores em pontada e em facada nas pernas, mãos edorso etc. como conseqüência da predominância de vayu e agnimahabhutas. 191
  • 191. Ações do Sabor Amargo As drogas e as dietas que possuem sabor amargo não sãosaborosas por si mesmas, mas quando adicionadas a outrassubstâncias promovem sabor aos alimentos. São antitóxicas egermicidas. Curam a sensação de queimação, o prurido, doençascrônicas de pele, incluindo hanseníase, sede, desmaios e febre.Promovem firmeza à pele e músculos. Possuem ação carminativae digestiva, purificam o leite, causam ressecamento e auxiliam naredução da umidade, da gordura muscular, do suor, da urina, dasfezes, de pitta e kapha. São untuosas, frias e leves. Apesar de todas as qualidades benéficas mencionadasacima, se utilizadas em excesso, como conseqüência de suaaspereza, não-oleosidade e não-viscosidade, estas substânciascausam depleção do plasma, do sangue, da gordura muscular, damedula óssea e do sêmen. Elas produzem aspereza nos canaiscirculatórios, reduzem o vigor, causam emagrecimento, fadiga,inconsciência, vertigens, ressecamento da boca e produzemoutras patologias resultantes do desequilíbrio de vata. Ações do Sabor Adstringente As drogas e os alimentos que possuem sabor adstringentesão sedativas e constipantes. Produzem pressão sobre a áreaafetada e causam granulação, absorção e rigidez. Aliviam kapha erakta pitta (uma doença causada por sangramento de váriaspartes do corpo). Absorvem o fluido corporal e são secas, frias epesadas. Apesar de todas estas qualidades benéficas, se taissubstâncias forem utilizadas em excesso, causam ressecamentoda boca, sensação de angústia no coração, distensão abdominal,obstrução da fala, constricção dos canais circulatórios, compleiçãonegra e depleção da virilidade. Sua digestão é lenta e podemobstruir a passagem dos flatos, da urina, das fezes e do sêmen;192
  • 192. causam emagrecimento, fadiga, sede e rigidez. Comoconseqüência de características como aspereza, ação secativa enão-viscosidade produzem doenças como hemiplegia, espasmos,convulsões, paralisia facial etc. resultantes do desequilíbrio devata. Classificação das Drogas Ayurvédicas Em geral, as drogas Ayurvédicas consistem de produtosvegetais, minerais e animais e podem ser classificadas em cincocategorias:1.Drogas científicamente estudadas: Algumas drogas ecompostos, por exemplo, sarpagandha (Rauwolfia serpentina,Benth e Kurz) e yogaraja guggulu foram estudadas cientificamentee as considerações terapêuticas feitas a seu respeito foramverificadas. Sarpagandha é indicada na hipertensão e yogarajaguggulu para o reumatismo. A resina de uma planta chamadaguggulu (Commiphora mukul, Engl.) é um ingrediente importantena preparação do medicamento yogaraja guggulu.2.Drogas populares não-tóxicas: Alguns medicamentosAyurvédicos são populares por sua utilidade terapêutica eabsolutamente não-tóxicas. Uma destas drogas chama-seCyavanaprasa. Amalaki (Emblica officinalis, Gaertn.) é oingrediente mais importante deste medicamento, útil no tratamentode doenças pulmonares crônicas como a bronquite e atuberculose.3.Drogas eficazes mas tóxicas: Há algumas drogas (porexemplo, Bhallatakavaleha) que possuem valor terapêuticoconhecido mas que produzem toxicidade severa se usadas semcritérios. A Ballataka (Semecarpus anacardium, Linn.) é oingrediente mais importante deste medicamento o qual éempregado no tratamento de doenças crônicas de pele,resistentes ao tratamento. 193
  • 193. 4.Drogas de uso raro: Por exemplo, Srivisnutaila apesar demencionada nos clássicos Ayurvédicos não é extensivamenteutilizada. Apenas médicos de certas regiões da Índia fazem usodas mesmas e afirmam sua eficácia.5.Drogas hereditárias e patenteadas: Alguns médicosespecializaram-se na cura de certas patologias. A formulação e osmétodos de preparação das drogas por eles administradas sãoconhecidos apenas pelos mesmos ou por membros de confiançade sua família. Algumas destas drogas não são eficazes comoafirmam, mas outras são muito benéficas. Na maioria dos casosos médicos não concordam em revelar a fórmula e, mesmoquando concordam em fazê-lo requerem uma elevadacompensação. Preparações Compostas Geralmente, são utilizadas nas drogas Ayurvédicas aspreparações combinadas. Com freqüência, é o efeito completo detodos os ingredientes da formulação que representa um papel vitalna terapêutica, melhor do que a ação das drogas isoladas.Considera-se que as combinações de drogas sirvam para osseguintes propósitos:1.Ação sinérgica: Trnapañcamula kvatha representa um caso deação sinérgica. Apesar de todos os ingredientes deste gruposerem individualmente conhecidos como diuréticos, quandoadministrados juntos produzem acentuada diurese, um efeito nãoobservado em drogas individuais.2.Ação combinada: O caso de Rasnasaptaka kvatha, utilizadonas patologias reumáticas, ilustra a ação combinada de ummedicamento Ayurvédico. Para a cura do reumatismo, conhecidono Ayurveda como amavata, o medicamento deve possuir açãosedativa, digestiva, laxante e antiinflamatória. Dentre todos osingredientes desta droga, rasna é antiinflamatório e sedativo; ogengibre promove a digestão e a raiz de eranda é um laxante.194
  • 194. 3.Neutralização da toxicidade: Um exemplo é o caso da drogaAgnitundivati. O componente kupilu (Strychnos nux-vomica, Linn.)é um irritante dos nervos. Não pode ser ingerido isoladamente naelevada dosagem necessária para torná-la terapeuticamenteeficaz. Entretanto, é tolerada quando ingerida em combinaçãocom outras drogas especialmente após ser submetida ao sodhanaou purificação (desintoxicação).4.Ação específica: Um exemplo é o caso de Cyavanaprasa. Oingrediente pippali (Piper longum, Linn.) adicionado a estapreparação apresenta um efeito aquecedor combinado a umapropriedade antituberculosa. O efeito aquecedor da preparação éneutralizada através da adição de outras drogas frias comoamalaki (Emblica officinalis, Gaertn.) Portanto, deixa-se omedicamento com um acentuado efeito antituberculoso.Conservando na mente estes itens, várias fórmulas são descritaspara preparações medicinais nos clássicos Ayurvédicos. Nomes das Formulações de Drogas Os nomes das formulações baseiam-se geralmente nosseis fatores a seguir:1.Importância do ingrediente: Algumas preparações sãodenominadas depois do ingrediente mais importante, por exemplo,Amalaki rasayana.2.Autoria: O nome do sábio ou rsi que descobriu ou padronizouprimeiramente a fórmula é utilizado na denominação da droga, porexemplo, Agastya haritaki.3.Propriedade terapêutica: Doenças para as quais as fórmulasestão indicadas são, eventualmente, utilizadas para denominar apreparação, por exemplo, Kusthaghna lepa.4.O primeiro ingrediente da fórmula: A droga que encabeça alista na fórmula é eventualmente utilizada na denominação dapreparação, por exemplo, Pippalyasava. 195
  • 195. 5.Quantidade de determinada droga: Eventualmente, apreparação é denominada após a quantidade da droga utilizada,por exemplo, Satpala ghrta.6.Parte da planta: A droga é denominada, às vezes, após o nomeda parte da planta empregada, por exemplo, Dasamula kasaya. Processos Farmacêuticos No Ayurveda, diferentes processos farmacêuticos sãoutilizados na preparação das drogas. Além de auxiliar noisolamento da fração terapeuticamente eficaz das mesmas, estesprocessos ajudam a tornar os medicamentos facilmenteadministráveis, mais saborosos, digestíveis e assimiláveis,terapeuticamente mais eficazes, menos tóxicos, mais toleráveis epodem ser conservados por mais tempo. Sodhana ou Purificação Algumas drogas brutas necessitam de sodhana antes deserem utilizadas. O significado literal da palavra sodhana é―purificação‖, mas é freqüentemente mal interpretada paradeterminar que a substância apresentada é física e quimicamentepura. Sodhana, sem dúvida, apresenta pureza física e química emalguma extensão. Mas, às vezes, mais impurezas são adicionadasà substância durante certos estágios do processamento. Atravésdestas adições, a droga torna-se menos tóxica e terapeuticamentemais eficaz. O acônito puro, por exemplo, não pode seradministrado tão livremente quanto o acônito sodhita. Esta droga,que é um depressor da atividade cardíaca, torna-se um esti-mulante cardíaco após o sodhana com urina de vaca. Portanto, oprocesso real de sodhana necessita de um estudo detalhado e,além disso, a precisão em submeter as preparaçõesmedicamentosas a estes procedimentos deve ser avaliada peloefeito terapêutico dos produtos finais.196
  • 196. Algumas resinas vegetais, como o guggulu e certas drogasque contém óleos voláteis, como o kustha também necessitamsubmeter-se ao sodhana através da fervura com leite, urina devaca etc. Entretanto, a fervura reduz o conteúdo de óleos voláteisda droga, os quais admite-se serem terapeuticamente muitoativos. Melhores Drogas, Dietas e Condutas No Ayurveda, as seguintes drogas, dietas e com-portamentos são considerados os melhores em certas condições:1. Anna ou alimento é o melhor remédio para a sustentação davida.2. Água é a melhor terapia para a produção de um efeitosuavizante.3. Vinho é o melhor tratamento para dissipar a fadiga e éhilariante.4. Leite é o melhor revigorante.5. Carne é o melhor alimento para a nutrição.6. Sopa de carne é o mais refrescante.7. Sal é o melhor para tornar a comida saborosa.8. Coisas azedas são as melhores para um bom paladar.9. Carne de galo é a melhor para promover vigor.10. Mel é o melhor para aliviar kapha e pitta.11. Ghee é o melhor alimento para aliviar vata e pitta.12. Óleo de gergelim é o melhor para eliminar vata e kapha.13. Eméticos são os melhores tratamentos para eliminar kapha.14. Purgação é a melhor terapia para eliminar pitta.15. Enema (tanto anuvasana quanto asthapana) é o melhortratamento para eliminar vata.16. Fomentação é a melhor para proporcionar suavidade aocorpo.17. Exercício é o melhor para proporcionar firmeza.18. Álcalis são os melhores para causar impotência. 197
  • 197. 19. Tinduka (Diospyros peregrina, Gurke) é o melhor para tornaros gêneros alimentícios não dietéticos mais saborosos.20. Ghee de leite de ovelha gera um efeito prejudicial no coração.21. Leite de cabra é o melhor para gerar salubridade e efeitosgalactogogos, curar a consumpção e rakta pitta (doençacaracterizada por sangramentos em diversas partes do corpo).22. Leite de cabra desequilibra kapha e pitta.23. Leite de fêmea de búfalo é o melhor para induzir o sono.24. Comida preparada com gavedhuka (Triticum aestivum, Linn.) éa melhor para o emagrecimento.25. Cana-de-açúcar é a melhor para produzir efeitos diuréticos.26. Cevada é o melhor alimento para aumentar a quantidade defezes.27.Jambu (Syzygium cumini, Skeels.) altera vata.28. Kulattha (Dolichos biflorus, Linn.) causa amla pitta (dispepsiaácida)29. Masa (Phaseolus radiatus, Linn.) desequilibra kapha e pitta.30. Fruto da madana (Randia dumentorum, Lam.) é o melhor parainduzir vômitos e para os tipos de enemas asthapana eanuvasana.31. Trivrt (Operculina turpethum, Silva Manso) é o melhor parainduzir purgação leve.32. Aragvadha (Cassia fistula, Linn.) é o melhor para produzirpurgação moderada.33. Leite de snuhi (Euphorbia nerifolia, Linn.) é o melhor paraproduzir purgação forte.34. Apamarga (Achyranthes aspera, Linn.) é o melhor paraeliminar doshas localizados na cabeça.35. Vidanga (Embelia ribes, Burm. F.) é o melhor para eliminarparasitas.36. Sirisa (Albizzia lebbeck, Benth.) é o melhor para produzirefeitos antitóxicos.198
  • 198. 37. Khadira (Acacia catechu, Willd.) é o melhor para curardoenças crônicas de pele, resistentes ao tratamento, incluindo ahanseníase.38. Rasna (Pluchea lanceolata, Oliver e Hiern) é o melhor paraaliviar vata (doenças resultantes do desequilíbrio de vata).39. Amalaka (Emblica officinalis, Gaertn.) é o melhor para produzirrejuvenescimento.40. Haritaki (Terminalia chebula, Linn.) é o melhor para produzirefeitos saudáveis.41. Raiz de eranda (Ricinus communis, Linn.) é a melhor paraaumentar a virilidade e aliviar vata.42. Raiz de pippali (Piper longum, Linn.) é a melhor para promoverdigestão, alívio da constipação e como antiflatulenta.43. Raiz de citraka (Plumbago zeylanica, Linn.) é a melhor parapromover digestão, para curar hemorróidas, dores em cólicas eage como antiflatulenta.44. Puskaramula (Inula racemosa, Hook. F.) é o melhormedicamento para curar soluços, dispnéia, tosse e dor no peito.45. Musta (Cyperus rotundus, Linn.) é o melhor para causar efeitoadstringente, promover a digestão e como antiflatulento.46. Udicya (Pavonia odorota, Willd.) é o melhor para produzir umefeito refrescante, promover a digestão, curar vômitos e diarréia eé antiflatulento.47. Syonaka (Oroxylum indicum, Vent.) é o melhor para produzirum efeito adstringente, promover a digestão e a antiflatulência.48. Ananta (Hemidescus indicum, R.B.) é o melhor para produzirum efeito adstringente e curar rakta pitta (doença caracterizadapor sangramento através de diferentes partes do corpo)49. Guduci (Tinospora cordifolia, Miers.) é o melhor para produzirum efeito adstringente, promover a digestão e aliviar vata, kapha,constipação e rakta pitta (idem 48). 199
  • 199. 50. Bilva (Aegle marmelos, Corr.) é o melhor para produzir efeitoadstringente, promover a digestão e aliviar vata e kapha.51. Ativisa (Aconitum heterophyllum, Wall.) é o melhor paraproduzir um efeito adstringente, promover digestão, antiflatulênciae alívio de todos os doshas.52. Pólen de utpala (Nymphaea alba, Linn.), kumuka (umavariedade de utpala) e padma (Nelumbo nucifera, Gaertn.) são osmelhores para produzir um efeito adstringente e aliviar rakta pitta.53. Duralabha (Fagonia cretica, Linn.) é o melhor para aliviarkapha e pitta.54. Priyangu (Callicarpa macrophylla, Vahl.) é o melhor paracombater os ataques agudos de rakta pitta.55. Casca de kutaja (Holarrhena antidysenterica, Wall.) é a melhorpara proporcionar um efeito adstringente e aliviar kapha, pitta erakta.56. Fruta de kasmarya (Gmelina arborea, Linn.) causa hemostasiae cura rakta pitta.57. Prsniparni (Uraria picta, Desv.) é o melhor para causar umefeito adstringente, aliviar vata e proporcionar digestão evirilidade.58. Salaparni (Desmodium gangeticum, D.C.) é o melhor paraproduzir um efeito afrodisíaco e aliviar todos os doshas.59. Bala (Sida cordifolia, Linn.) é o melhor para produzir um efeitoadstringente, promover vigor e aliviar vata.60. Goksura (Tribulus terrestris, Linn.) é o melhor para curar adisúria e distúrbios de vata.61. Extrato de hingu (Ferula foetida, Regel) é o melhor paracausar excisão, promover a força da digestão, os movimentosdescendentes do vento e aliviar kapha e vata.62. Amlavetasa (Rheum emodi, Wall.) é o melhor para ocasionarpurgação, promover a força digestiva, os movimentosdescendentes do vento e aliviar vata e kapha.200
  • 200. 63. Cinzas de cevada é o melhor para proporcionar um efeitolaxativo, causar antiflatulência e curar hemorróidas.64. Uso habitual de manteiga de leite é o melhor para curargrahani (espru), edema, hemorróidas e complicações decorrentesda administração inadequada de ghee (terapia de oleação).65. Uso habitual de sopa de carne de animais carnívoros é omelhor para curar grahani (espru), consumpção e hemorróidas.66. Uso habitual de leite e ghee é o melhor para causarrejuvenescimento.67. Uso habitual de ghee e farinha de milho torrada na mesmaproporção é o melhor para proporcionar virilidade e curardistúrbios peristálticos.68. Gargarejo habitual com óleo de gergelim é o melhor paratornar a comida saborosa e dar vigor aos dentes.69. Aplicação de pasta de sândalo é a melhor para remover o maucheiro e a sensação de queimação do corpo.70. Aplicação de rasna (Pluchia lanceolata, Oliver e Hiern.) eaguru (Aquilaria agalocha, Roxb.) na forma de ungüento são osmelhores para remover a frialdade.71. Lamajjaka (Cymbopogon jwarancusa, Schult.) e usira(Vetiveria zizanoides, Nash.) são os melhores para curar asensação de queimação, doenças da pele e sudorese.72. Massagem e cataplasma de kustha (Saussurea lappa, G.B.Clarke) são os melhores para aliviar vata.73. Madhuka (Glycyrrhiza glabra, Linn.) é o melhor paraproporcionar boa visão, virilidade, cabelos saudáveis, boa voz,pigmentação e saúde.74. Ar fresco é o melhor para dar vida e consciência.75. Calor é o melhor para curar indigestão, rigidez, frio, dores emcólica e calafrios.76. Ingestão de quantidade excessiva de alimentos causa tiposgraves de indigestão. 201
  • 201. 77. Ingestão de alimentos de acordo com o poder digestivo é omelhor para promover a digestão.78. Ingestão de alimentos no horário correto é a melhor dentre aspráticas saudáveis.79. Supressão das necessidades básicas é a mais prejudicialdentre as práticas.80. Ingestão de alimentos antes que a refeição anterior tenha sidodigerida causa desequilíbrio do grahani (intestino delgado,incluindo duodeno.)81. Ingestão de refeições irregulares gera distúrbios no poderdigestivo.82. Tranqüilidade é o hábito mais saudável.83. Esforço é o hábito mais prejudicial.84. Ato sexual com uma mulher em seu período menstrual é ohábito mais desfavorável.85. Celibato gera longevidade.86. Adultério reduz a longevidade.87. Infelicidade gera perda da virilidade.88. Esforços extremos que excedam os limites de sua própriacapacidade reduzem o tempo de vida.89. Tristeza causa agravamento das doenças.90. Banho remove a fadiga.91. Bom humor causa prazer.92. Preocupação causa emagrecimento. Melhores Drogas para Certas Doenças Além das drogas, dietas e condutas descritas acima,muitos medicamentos – simples ou compostos – estão descritosnas obras Ayurvédicas. Existem, entretanto, algumas drogas demaior preferência para determinadas condições patológicas. Isto éinvariavelmente levado em consideração pelos médicos202
  • 202. Ayurvédicos quando prescrevem medicamentos aos seuspacientes. São as seguintes:1.Musta (Cyperus rotundus,Linn.) e parpataka (Fumaria parviflora,Lam.) são os melhores medicamentos para o tratamento dediferentes tipos de febre.2.Água na qual se tenha feito a imersão de um torrão de terraqueimado é o melhor para sede patológica.3.Laja (arroz com casca frito) é o melhor para tratamento devômitos.4.Silajatu (resina mineral ou um exsudato de rochas) é o melhorpara o tratamento de distúrbios urinários.5.Amalaki (Emblica officinalis, Gaertn.) e nisa (Curcuma longa,Linn.) são extremamente úteis no tratamento de meha (patologiasurinárias resistentes ao tratamento, incluindo diabetis mellitus).6.Diferentes preparações de ferro (na forma de bhasma) são osmelhores para o tratamento de anemia e perda de sangue.7.Haritaki (Terminalia chebula, Retz.) é o melhor para corrigirdistúrbios de vata e kapha.8.Pippali (Piper longum, Linn.) é o melhor para doenças do fígadoe do baço.9.Goma-laca é o melhor medicamento para curar fraturas ósseas.10.Sirisa (Albizzia lebbeck, Benth.) é a melhor droga para otratamento de todos os tipos de envenenamento.11 Guggulu (Commiphora mukul, Engl.) é a melhor droga para otratamento das doenças causadas pelo excesso de gordura evata. É também uma das importantes drogas utilizadas notratamento das ulcerações e ferimentos.12.Vasa (Adhatoda vasica, Nees.) é a melhor droga para otratamento de rakta pitta (doença caracterizada por sangramentospor várias partes do corpo), ksaya (tuberculose) e kustha(doenças de pele crônicas, incluindo hanseníase). 203
  • 203. 13.Kutaja (Holarrhena antidysenterica, Wall.) é a melhor drogapara o tratamento de diarréia e disenteria.14.Bhallataka (Semecarpus anacardium, Linn. F.) é a melhordroga para o tratamento de hemorróidas, kustha (doenças de pelecrônicas, incluindo a hanseníase) e tumores malignos.15.Ouro (em forma de bhasma) é o melhor tratamento paraenvenenamentos e doenças cardíacas.16.Maksika (calcopirita) é o melhor tratamento para obesidade.17.Vidanga (Embelia ribes, Burm. F.) é a melhor droga para otratamento de doenças causadas por krmi (bactérias, vírus,bacilos e parasitas intestinais).18.Vinho e leite, assim como carne de cabrito são extremamentebenéficos para o tratamento de sosa (emagrecimento causadopela tuberculose).19.Haritaki (Terminalia chebula, Retz.), bibhitaki (Terminaliabelerica, Roxb.) e amalaki (Emblica officinalis, Gaertn.) sãoextremamente benéficas para o tratamento de erro de refração ecura de ferimentos.20.Guduci (Tinospora cordifolia, Miers) é a melhor droga para otratamento de gota.21.Manteiga de leite é o melhor tratamento para a síndrome doespru.22.Ghee envelhecido (ghee de vaca) é o melhor para o tratamentoda insanidade.23.Brahmi (Bacopa monnieri, Pennell) é a melhor droga parapromover a memória.24.Leite de búfalo é o melhor para induzir o sono.25.Lasuna (Allium sativum, Linn.) é o melhor para o tratamentodos distúrbios nervosos.26.Manteiga misturada com açúcar mascavo é o melhor para otratamento da paralisia facial.204
  • 204. 27.Urina e leite da fêmea do camelo são extremamente benéficospara o tratamento de udara (doenças abdominais resistentesincluindo as ascites).28.Nasya (terapia inalatória) é o melhor para o tratamento dedoenças da cabeça e do pescoço.29.Gengibre é o melhor para o tratamento da indigestão.30.Goksura (Tribulus terrestris,Linn.) é o melhor para o tratamentode mutrakrcchra (disúria).31.Kantakari (Solanum xanthocarpum, Schrad. e Wendl.) é omelhor para o tratamento de asma e bronquite. 205
  • 205. CAPÍTULO 8MÉTODOS DE PREPARAÇÃO DAS DROGAS AYURVÉDICAS Tendo em vista a obtenção de benefícios terapêuticosmáximos e em tornar a receita médica agradável ao paladar, sãodescritos no Ayurveda diferentes processos farmacêuticos. Aseguir estão alguns dos mais importantes: Suco Geralmente obtido de folhas, flores, frutas e talos macios.Tais partes são primeiramente bem lavadas e pressionadas a friopara a retirada de seu suco. Algumas vezes são transformadasem uma pasta através da adição de água. Depois o suco éextraído, passando-se a pasta através de um tecido. Alguns casosnecessitam da utilização de métodos especiais.-Kumari (Aloe barbadensis) é uma droga muito benéfica parajovens do sexo feminino. É comumente utilizada nos distúrbiosmenstruais e desequilíbrio hormonal assim como nos distúrbioshepáticos de ambos os sexos. Devido à sua natureza polpuda, aextração do suco é um pouco trabalhosa. Para este propósito, aplanta deve ser primeiramente fervida no vapor ou assada sobre ofogo para que depois o suco possa ser extraído passando-se aplanta através de um tecido. Este suco possui um sabor amargo.206
  • 206. -Bilva (Aegle marmelos) é utilizada na cura de diabetis e distúrbiosgástricos. Para a extração do seu suco, as folhas desta planta sãocobertas com lama e transformadas em uma massa redonda. Estaé aquecida no fogo e o suco é espremido após partir-se a massa. Pó (Curna) Geralmente, as folhas, os talos, as cascas e as raízes sãoutilizadas para o preparo de pós. Para tal, as partes da planta sãopostas a secar na sombra e então transformadas em pó. Certasplantas devem também ser expostas ao sol enquanto secam. Atransformação em pó é feita apenas após a completa secagem, deoutro modo, o produto fica sujeito ao desenvolvimento de fungos.Este pó deve ser estocado em recipientes de vidro secos eherméticos e desta forma permanece terapeuticamente eficazdurante um ano. Em geral, os pós de diferentes drogas sãomisturados para torná-los mais eficazes. Plantas mais fibrosas elenhosas podem ser trituradas apenas com o auxílio de algunstipos de equipamentos. A madhuyasti (Glycyrrhiza glabra) é umexemplo. A bhrnga raja (Eclipta alba) é uma planta comumenteutilizada em óleos capilares, administrada internamente para cor-rigir as funções hepáticas. Para isso, o pó de katuki (Picrorhizakurroa) mais o sal-gema em pó são adicionados à droga. O pó demadhuyasti (Glycyrrhiza glabra) é um bom laxante e é tambémutilizado para o tratamento de reumatismo e como medicamentorejuvenescedor. Decocção (Kvatha) Preparada através da fervura das drogas em água.Dependendo de sua dureza, adiciona-se quatro, oito ou dezesseispartes de água até que um quarto permaneça. Esta decocção éfiltrada e utilizada como medicamento. Podem ser adicionadas aoutras substâncias como manteiga, mel, açúcar, açúcar masca-vado indiano ou óleos. 207
  • 207.  Pasta (Kalka) A folha, a flor, a casca, o talo ou a raiz é trituradaadicionando-se água para preparar a pasta. Infusão (Phanta) São em geral infusões quentes de ervas em água, porexemplo, os clássicos chás de ervas, de hortelã, jasmim, rosa, etc.As ervas são colocadas em infusão por poucos minutos e depoiscoadas. Durante a preparação, a solução deve permanecercoberta. Infusão fria (Situ kasaya) A droga em pó é macerada em água e conservada emrepouso durante a noite. Na manhã seguinte, é passada atravésde um pano e ingerida com a adição de mel, açúcar, etc. Emgeral, para este propósito, é utilizada uma colher de chá para umcopo de água. Triphala (um nome coletivo para as três plantas:amalaki, haritaki e bibhitaka, respectivamente, Emblica officinalis,Terminalia chebula e Terminalia belerica) é comumente utilizadocomo sita kasaya. O sabor é adstringente. Adiciona-se mel paraser administrado internamente. Para uso externo é prescrita nalavagem dos olhos. Proporciona boa visão e poder de resistência. Preparação com leite (Ksira paka) Preparado através de fervura da droga com oito partes deleite e trinta e duas partes de água. Ao ser reduzido a um quarto,procede-se à filtragem sendo que o produto filtrado deve seringerido com a adição de açúcar, etc. Emplastro ou geléia (Avaleha, lehya, paka ou khanda) Esta é uma preparação tipicamente Ayurvédica.Geralmente junta-se a droga principal em pó ou em pasta (umaparte) com açúcar refinado ou cristal (quatro partes), mais açúcar208
  • 208. mascavado indiano (duas partes), um líquido que pode ser o sucoou a decocção da droga (quatro partes) e ferve-se ao fogo.Quando a mistura adquire uma consistência semi sólida, as refe-ridas drogas em pó, como praksepa, por exemplo, devem seradicionadas e devem ser bem misturadas. Depois a preparaçãodeve ser retirada do fogo, resfriada e à ela adiciona-se mel. Esteungüento deve ser armazenado em pote de barro ou porcelanauntado com ghee. Quando são mencionados na receita ghee, óleoou pasta de drogas como amala (abóbora branca), deve-seprimeiramente aquecer o ghee ou o óleo ou então deve-se fritar apasta para que depois sejam adicionados o líquido, o açúcarmascavado indiano etc. e fervidos conforme o procedimento.Talvez Cyavana prasa seja a melhor preparação na forma deungüento. É um excelente tônico, rico em amalaki (Emblica offici-nalis). É benéfico na cura de doenças pulmonares crônicas comoa bronquite crônica, tuberculose, tosse e asma. Ghee e óleo medicinal (taila e ghrta) Preparados a partir da cocção do ghee ou do óleo com osuco, a decocção ou a pasta de drogas. Geralmente sãoadicionados os seguintes componentes:-Drava ou líquido: inclui as decocções, sucos, leite, manteiga,caldo de carne, etc. Pode ser um ou mais.-Kalka ou pasta: uma pasta fina da droga.-Sneha dravya ou gordura: inclui taila (óleo) e ghrta (ghee). A menos que especificados de outra maneira, para taispreparações a pasta deve ter um quarto de parte de ghee ou óleoe o líquido deve ter quatro partes de ghee ou óleo. Se nenhumlíquido estiver especificado na fórmula, então deve-se utilizarágua. Quando houver quatro ou menos líquidos, cada um delesdeve ter quatro partes de óleo ou ghee. Quando houver mais dequatro líquidos, então cada um deve conter igual quantidade deóleo de ghee. 209
  • 209. Para a preparação de ghee ou óleo medicinais, a pasta, olíquido e o óleo ou o ghee são combinados e cozidos. Apreparação deve ser constantemente agitada para evitar que apasta no fundo se queime. Quando a fórmula mencionar mais queum líquido, devem ser adicionados um após o outro. O segundo lí-quido deve ser adicionado apenas quando o primeiro se evaporar.Após a mistura de líquidos se evaporar, a mistura da pastatambém iniciará seu processo de evaporação. É o momento noqual a preparação deve ser mais freqüentemente agitada paraevitar que a pasta se queime no fundo do recipiente. Se o taila ouo óleo medicinal não estiver adequadamente cozido, haverá umagrande quantidade de espuma na superfície do recipiente. Poroutro lado, quando a ghrta ou ghee medicinal estiveradequadamente cozido, a grande quantidade de espuma quehavia aparecido na superfície deposita-se. Depois disso, o prepa-rado deve ser coado. Se for necessária a adição de qualquer salou preparação alcalina à fórmula, deve ser feito no óleo já coado emuito bem misturado. A cocção do ghrta ou taila medicinais deveser feita sobre um fogo moderado pois é muito provável que ocalor excessivo danifique a fórmula. Estas preparações devem serestocadas em recipientes de vidro ou polietileno. O ghrta ou o tailamedicinais conservam sua utilidade terapêutica duranteaproximadamente um ano e meio. Preparações alcoólicas (Asava e arista) São variedades de vinhos de ervas preparados porfermentação natural com levedura. A porcentagem máxima deálcool nestas preparações é quinze. No caso de arista, a droga éutilizada após fervura e decoção, enquanto que para a preparaçãode asava a substância não é fervida mas simplesmenteadicionada. Todas as drogas, decocções, sucos etc. sãofermentados em um recipiente adequado. Em épocas remotas erautilizado um frasco de barro. O interior do recipiente é untado com210
  • 210. um pouco de açafrão em pó e ghee para evitar que a fórmula setorne azeda. O frasco é lacrado e conservado durante cerca deum mês em uma adega subterrânea, sob pilhas de cevada etc. pílulas (Gutika, vati e modaka) Este tipo de medicamento é preparado em forma decomprimidos ou pílulas. Os ingredientes individuais destaspreparações, ou seja, produtos vegetais e animais, minerais,metais e pedras preciosas são primeiramente limpos de suasimpurezas externas e efeitos tóxicos internos. As drogas vegetaisdevem ser secas e transformadas em pó fino, separadamente.Depois o ingrediente líquido da fórmula é adicionado e tritura-sebem até que uma fina pasta seja produzida. Caso a fórmulamencione mais que um líquido, devem ser adicionados um após ooutro. Caso nenhum líquido esteja mencionado, deve seradicionada água. Após, são preparadas as pílulas no tamanhoespecificado. Elas são postas a secar na sombra ou no solconforme mencionado no texto. Sugandha dravya (drogas comfragrância) como a karpura (cânfora), o kasturi (almíscar) etc. sãoadicionadas no final e trituradas. Se o açúcar mascavado indiano, o açúcar etc. foremmencionados na fórmula, então deve ser preparado um paka(xarope) destas drogas em fogo moderado e depois misturadocom o pó das drogas. Se forem mencionados o mercúrio (parada)e o enxofre, deve ser preparado primeiramente um kajjali(semelhante a um fino pó preto) e depois outras drogas devem seradicionadas. Atualmente, ao invés de pílulas, estas fórmulas estãosendo preparadas em forma de comprimidos, em máquinaspróprias. Para este propósito, são adicionados ingredientes quedão liga, como a goma arábica. Se guggulu for mencionado comoum dos ingredientes, não é necessária qualquer outra substância.Estas pílulas devem ser estocadas em frascos de vidro secos,limpos e herméticos. Com isso, conservam sua utilidade 211
  • 211. terapêutica por dois anos. Pílulas contendo minerais podem serutilizadas por um tempo indeterminado. Preparações em crosta (Parpati) Geralmente preparadas com uma substância derretida queé derramada sobre uma folha. Primeiro adiciona-se o kajjali(semelhante a um pó fino preto), de parada, gandhaka ou outrasdrogas em pó, em um recipiente de ferro e leva-se ao fogo. Estasubstância derretida deve ser despejada sobre uma folha debanana ou de eranda (Ricinus communis) estendida sobre estercode vaca fresco. Depois outra folha é colocada sobre o preparado elevemente pressionado espalhando-se um pouco o esterco fresco.Quando estiver frio, a preparação semelhante a uma crosta deveser transformada em pó. Medicamentos preparados por sublimação (Kupipakvarasayana) Significa, literalmente, um agente rejuvenescedorpreparado em uma garrafa de vidro. Para sua preparação, drogasde origem mineral ou metálica, muito bem misturadas em formade um pó fino são colocadas juntas em uma garrafa de vidro (kacakupi), um terço de sua capacidade. A garrafa é esfregada com umpano cheio de barro em sete camadas consecutivas. Esta garrafaé aquecida em valukayantra. Seu bocal é mantido aberto no inícioe depois fechado. Desta forma, o enxofre é sublimado. Um bastãode ferro quente, incandescente, é inserido na garrafa através desua abertura, de modo que esta não seja obstruída por umagrossa camada de enxofre sublimado. Quando a garrafa estiverfria, é removida cuidadosamente e partida ao meio. O sinduradepositado no gargalo é raspado com cuidado e coletado. Estaspreparações são geralmente vermelhas, amarelas ou escuras.Elas conservam suas propriedades terapêuticas por períodoindeterminado.212
  • 212.  Pisti Preparado pela trituração da droga com os líquidosespecificados. Após a purificação, a droga é geralmente trituradaatravés da adição de água de rosas, a não ser que haja outraespecificação. É levada a secar à luz do sol ou da lua. Eles sãotão finos quanto bhasmas e devem ser estocados em garrafas devidro secas e herméticas. Mantém seus efeitos terapêuticosdurante período indeterminado. Colírio (Anjana) São preparações especiais para os olhos. Estas drogas emforma de pó fino devem ser bem trituradas através da adição dolíquido específico para produzir uma pasta macia. A partir disso,fazem-se palitos finos. Metais, minerais, pedras preciosas e outros calcinados empó (Bhasma) Metais e minerais são invariavelmente utilizados na formabhasma (calcinada). A maioria deles é tóxica quandoadministrados em suas formas originais. Para propósitosmedicinais eles precisam ser transformados em substâncias não-tóxicas e trazidas para um estado no qual sejam facilmenteabsorvidos. Para a preparação de bhasma estes metais, mineraisetc. são primeiramente purificados de acordo com osprocedimentos prescritos nos clássicos. Este processo éconhecido como sodhana no Ayurveda. Após o sodhana, segue-se o processo de marana (eliminação). Este consiste em triturar adroga purificada em um khalva (pilão ou almofariz de pedra) coma adição de decocções e sucos de drogas específicas. A partirdesta pasta são preparados pequenos cakrikas (bolos), levados asecar sob os raios de sol e colocados dentro de um saravasamputa (dois pratos rasos de louça). A borda é lacrada com um 213
  • 213. pano cheio de lama em sete camadas consecutivas. Este saravasamputa é cozido em um buraco repleto de bolas de esterco devaca. Este cozimento é conhecido como putas denominados gajaputa, maha puta, vara puta etc. O processo de trituração, feituradas bolas e das putas é repetido tantas vezes quantas foremmencionadas no texto. Depois o sarava samputa é removido e omedicamento é reduzido a um pó fino através de trituração. Estesbhasmas são geralmente amarelados, pretos, escuros, brancos,preto-avermelhados, cinzas ou vermelhos. São conservados emrecipientes de barro ou de vidro. Não possuem sabor ca-racterístico e mantém sua potência terapêutica indefinidamente. Para ilustrar os fatos mencionados nos capítulos 7 e 8, trêsimportantes drogas serão descritas nos próximos capítulos.214
  • 214. CAPÍTULO 9 A CANNABIS E OS ANTIGOS TEXTOS MÉDICOS Os psicotrópicos estiveram em uso através de toda ahistória1 em quase todas as culturas. A Cannabis é um dospsicotrópicos mais largamente conhecidos e o súbito aumento emsua utilização tornou-se causa de grave preocupação dasociedade. O uso desta planta foi bem tolerada na cultura puritanada Índia e, portanto, é necessário examinar a formação cultural ehistórica da utilização desta droga no país. A idéia de eliminar as misérias terrestres tem mantidoocupados filósofos e cientistas de todas as eras. Os meios1‖Os produtos químicos que podem alterar o estado da mente ou do humortêm sido administrados por médicos, feiticeiros, sacerdotes, curandeiros oucomo auto-medicação em toda a história e em quase todas as culturas.Desde os tempos dos Vedas da Índia antiga encontramos referências àdroga soma como possuidora de propriedades místicas e aliviadoras. Oálcool foi descrito pelos egípcios como uma substância dada aos homens porOuris para aliviar os problemas de suas vidas. Kava kava tem sidoempregado pelos nativos da Ilha Soman por seus efeitos mentais e os índiosda América do Sul têm sido relativamente privilegiados na grande variedadede plantas com substâncias alcalóides ingeridas para induzir alterações emseu funcionamento mental‖. Em ―Psychotropic Drugs In the Year 2000‖, 1971,pág. xix. 215
  • 215. aprovados nas antigas escrituras indianas para subjugar estasmisérias são geralmente espirituais. Entretanto, no Yoga Sutra2menciona-se que certos medicamentos podem ajudar no combatea estes sofrimentos e na obtenção das perfeições espirituais(siddhis). Embora a Cannabis não seja mencionada diretamentenas escrituras originais como uma destas drogas, seusseguidores3 a descreveram posteriormente como uma das plantasque controlam as diferentes alterações da mente, dando assimalívio às misérias. O Tantra sastra4, cujo objetivo primário é aregulação das funções da mente, tem prescrito certas drogas comesta finalidade e a Cannabis é uma delas. De acordo com o Ayurveda, a Ciência da Medicina Indiana,a saúde (arogya)5 é a base para a obtenção dos objetivosinstintivos quádruplos do homem. No Ayurveda, a saúde é umconceito positivo que, entre outros, implica na excelência da alma,dos sentidos e da mente6. Para a manutenção da saúde positiva,assim como a prevenção e a cura das doenças psíquicas,somáticas e psicossomáticas, muitas drogas têm sido prescritasentre elas a Cannabis. Revisão da Literatura No Atharva Veda (xi.8(6).15) uma planta denominadabhanga é mencionada como uma das cinco plantas sagradas2Janmausadhi mantra tapah samadhijah siddhayah, Yoga Sutra IV:I3Forças psíquicas de baixa qualidade podem, com freqüência, ser desen-volvidas pelo uso de certas drogas. Muitos Fakiras na Índia utilizam certaservas como Gunja para o desenvolvimento da clarividência de uma categoriainferior. Outros podem realizar muitas alterações químicas extraordináriasatravés do uso de certas drogas ou ervas, mas aqueles que conhecem estessegredos não os concedem aos outros. ―The Science of Yoga‖, 1972,pág.381.4Srikali Nityarcana, 19555Caraka Samhita: Sutra 1:156Susruta Samhita: Sutra 15:41216
  • 216. denominadas soma. Sayana interpretou este termo como sanaque é um tipo de mato verde, enquanto Whitney refere-se a elecomo haxixe ou Cannabis. Estudiosos, cujas opiniões podem serlevadas em consideração, concordam com o ponto de vista deWhitney, pois bhanga é classificada como soma, posteriormenteconhecida por suas propriedades rejuvenescedoras. No Atharva Veda (viii.8.3) este termo bhanga surgenovamente sem qualquer menção à sua propriedaderejuvenescedora. Há uma referência em uma analogiaconsiderando que esta planta brota facilmente. No Rk veda (ix.61.13) este termo bhanga ocorre como umepíteto de soma (Indu) mencionado neste mantra sendo que estetermo é eventualmente mal interpretado como Cannabis. Bhanga era conhecido por Katyayana (século 4 A.C.), oautor das regras suplementares (vartika) sobre Panini (v.2.29),como uma substância utilizada em forma de pó. Susruta7 (século 7 A.C.), o autor dos mais importantesclássicos Ayurvédicos sobre cirurgia, descreveu a raiz destaplanta (vijaya) como venenosa e nenhuma propriedade medicinalfoi atribuída a ela. Apenas no Anandakanda8, um texto do século10 basicamente sobre Iatroquímica, há uma descrição exaustivadesta planta além da análise de suas propriedades medicinais.Além disso, suas propriedades são descritas nos seguintestrabalhos sobre matéria médica Ayurvédica:1. Dhanvantari nighantu (século 10 D.C.)2. Sodhala nighantu (século 12 D.C.)7Susruta Samhita: Kalpa 15:58Ananda kanda, cujo autor permanece desconhecido, foi composto no século10 D.C. Está escrito na forma de um diálogo entre Bhairava e Bhairavi. É aprincípio um livro sobre iatroquímica que lida extensivamente com o proces-samento do mercúrio, entre outros. Além disso, são descritas em detalhes aspropriedades rejuvenescedoras de algumas plantas medicinais escolhidas ea Cannabis é uma delas. 217
  • 217. 3. Madanapala nighantu (1347)4. Kaiyadeva nighantu (1450)5. Bhavaprakasa nighantu (século 16)6. Raja nighantu (século 17)7. Rajavallabha nighantu (1450)8. Brhat Yogatarangini (século 17)9. Nighantu ratnakara (1867)10. Saligrama nighantu (1896)11. Rasatarangini (século 19)12. Rasajalanidhi (1938) Sinônimos Cerca de 43 sinônimos 9 foram atribuídos a esta planta esão fornecidos nestes textos justificativas etimológicas10 paramuitos deles. Nos textos Ayurvédicos esta droga é comumente9Sinônimos: 1. Adhakipatra chadana, 2. Ajeya, 3. Anañdasajna, 4. Katuvadini,5. Bhangi (ni), 6. Bhangika, 7. Capala, 8. Cidalhada, 9. Devarajapriya, 10.Divya (divyaka), 11. Gañja, 12. Gañjakini, 13. Indrasana, 14. Jaya, 15.Kalaghni, 16. Madayitri, 17. Madhudrava, 18. Madika, 19. Madini, 20. Madu,21. Manonmani, 22. Matulani, 23. Matuli, 24. Mohini, 25. Nativistara, 26.Pasupasavinasini, 27. Pika, 28. Ranjika, 29. Sakrasana, 30. Samvidamanjari,31. Sarvarogaghni, 32. Siddha, 33. Siddhamuli, 34. Siddhi, 35. Siddhida, 36.Sitaksira, 37. Sivamuli, 38. Tandrakarini, 39. Tandrakrt, 40. Trailokya vijaya,41. Vijaya, 42. Vimardini, 43. Virapatra.10Justificativas etimológicas de alguns sinônimos fornecidos noAnandankanda: A)Bhangini: que elimina (bhanga) três tipos de sofrimento, ouseja, adhyatmika, adhibhautica e adhidaivika. B)Cidalhada: que proporcionafelicidade à mente. C)Divyaka: que proporciona prazer, brilho, intoxicação ebeleza; D)Ganja: que intoxica como o álcool; E)Kalaghni: que (auxilia)sobrepuja a morte; F)Madhudrava: que auxilia na extração do néctarlocalizado no Brahmarandha; G)Manonmana: que realiza os objetos damente; H)Pasupasavinasini: que liberta as criaturas vivas das prisões domundo; I)Sarvarogaghini: que cura todas as doenças; J)Siddhamuli: cuja raizé siddha; K)Siddha: que realizou o siddhi (perfeições espirituais), M)Siddhida: que doa o sidhi aos outros.218
  • 218. mencionada com os nomes bhanga e vijaya, enquanto nos textostântricos o nome mais comum para a Cannabis é samvid. Mitologia sobre a Origem da Cannabis Assim como muitas outras importantes plantas medicinaisutilizadas no Ayurveda, afirma-se que a Cannabis tem origem donéctar (amrta)11 após a agitação do oceano. De acordo com amitologia, esta droga possuiu cores diferentes 12 dependendo daera. No Satya yuga ela foi branca; no Treta yuga, foi vermelha; noDvapara yuga, foi amarela e no Kali yuga, é verde. Os textosTantrika dividem esta planta em quatro tipos 13 dependendo dosistema de castas dos hindus – o tipo brahmana é de coloraçãobranca; o tipo ksatriya é vermelho; o tipo vaisya é verde e o sudraé preto. Foram descritos diferentes tipos de mantras para osdiferentes tipos de Cannabis. Descrição Morfológica em Textos Antigos Como foi mencionado antes, alguns dos sinônimosatribuídos a esta planta são indicativos de suas características11Anandakanda, 1952, pág. 23512Anandakanda, 1952, pág. 23613Para a purificação das diferentes variedades de Cannabis estão prescritosdiferentes tipos de mantras no Sri Kali Nityarcana. São os seguintes:A)Para o tipo Brahmana de Cannabis: Om samvide brahmasambhutebrahmaputri sadanaghe. Bhairavanam ca trptyartham pavitra bhava sarvada.Om brahmanyai namah svaha.B)Para o tipo Ksatriya de Cannabis: Om siddhimule priye devi hinabodhaprabodhini. Rajapraja vasankari satrukanthantra sulini. Aim Ksatriyayainamah svaha.C)Para o tipo Vaisya de Cannabis: Om ajñanendhana diptagne jvalagnejnanarupini. Anandasyahutim pritim samyag jñamam prayaccha me. Hrimvaisyayai namah svaha.D)Para o tipo Sudra de Cannabis: Om namasyami yogamarga prabodhini.Trailokyavijaye matah samadhi phalada bhava. Om hrim sudrayai namahsvaha. 219
  • 219. morfológicas. À parte, nas estórias mitológicas, afirma-se que afolha desta planta é como um trisula do deus Shiva, ou seja, háfolíolos nas folhas e estes folíolos possuem extremidadespontiagudas e afiladas, serrilhadas nas margens. Nos textostântricos a planta é dividida em oito variedades 14, baseando-se nonúmero de folíolos nas folhas da planta. De acordo com estetexto, a planta possui um, três, cinco, seis, nove, dez, onze outreze folíolos em uma folha. Sexo da Planta Para médicos e estudiosos da Índia antiga, a planta éunissexuada. A planta fêmea15 produz frutos e é macia. A plantamacho, por outro lado é uma árvore robusta. Menciona-se16especificamente que a planta fêmea produz efeitos narcóticos,gera prazer para a mente e causa desmaios quando utilizada emexcesso. Afirma-se que quando adicionada a qualquermedicamento resulta em uma ação sinérgica, isto é, o efeito domedicamento é potencializado. Esta planta fêmea é descrita comoamarga e pungente no sabor e de odor penetrante. Usuários Autorizados Aqueles que utilizam a Cannabis podem ser divididos emquatro categorias:I- Sacerdotes, ascetas, faquires, iogues e sanyasis: A Cannabisauxilia-os na meditação e na realização de rituais religiosos.14Anandakanda, 1953, pág. 23615Anandakanda, 1952, pág, 23616A Cannabis obtida da planta macho e da planta fêmea polinizada écomumente conhecida como bhang e aquela obtida da planta fêmea virgem échamada Ganja. Como ganja possui um efeito narcótico mais forte do quebhang, com a finalidade de evitar a polinização, geralmente as plantas dosexo masculino são destruídos nos campos de Cannabis.220
  • 220. II- Seguidores do deus Shiva, da deusa Durga, Hanuman etc.:Eles compartilham da planta após a cerimônia ou puja, com oobjetivo de adquirir benefícios materiais e espirituais. Após o puja,ela é distribuída entre os membros familiares e outros parentesem ocasiões festivas como Holi, Durgapuja e Sivaratri.III- Pessoas expostas a trabalho físico pesado: A droga alivia suador e fadiga.IV- Pacientes: Alivia-os de seus distúrbios psíquicos, somáticos epsicossomáticos. De acordo com um texto médico tântrico, a Cannabis é útilpara sidhas (aqueles que buscam a perfeição espiritual), paramunis (sábios ou pensadores), mulheres, pessoas de todas ascastas (brahmanas, ksatriyas, vaisyas e sudras), iogues (aquelesque se dedicam à meditação), crianças, idosos, pacientes,pessoas impotentes e para aqueles que possuem muitasesposas17. Processos Farmacêuticos Seu uso está estabelecido, tanto para pacientes quantopara indivíduos saudáveis, nas seis formas seguintes:1.Curna ou em pó2.Modaka ou em forma de uma massa redonda3.Vatika ou comprimidos4.Leha e paka ou ungüento5.Dugdhapaka ou fervido com leite6.Kvatha ou decocção Além disso, é prescrita e tradicionalmente utilizada emvários tipos de alimentos: sarabat (bebidas doces), barfee, ladoo emajun. A Cannabis em sua forma bruta é utilizada para mascar oupara ser adicionada à folha de bétele e mascada. Alguns17Anandakanda, 1952, pág.236 221
  • 221. indivíduos também a utilizam como fumaça, através do auxílio deum cachimbo conhecido como chilam. Formulação Para o tratamento de pacientes, esta droga raramente éempregada isoladamente. Muitas outras drogas são adicionadas aela com o objetivo de torná-la isenta de seus efeitos narcóticosnaturais, potencializá-la e ampliar a variedade de efeitosterapêuticos. Nos trabalhos Ayurvédicos, cerca de 51 formulações 18contendo Cannabis foram descritas. São as seguintes categorias:1. Pós (curna)2. Comprimidos (rasa e vati)3. Formulações em forma de bolas (modaka)4. Ungüentos (avaleka ou paka)18Formulações:I-Curna (pós): Brhat gangadhara curna, Brhannayika curna, Grahani sardulacurna, Jatiphaladi curna, Laghu lai curna, Lai curna, Madhyama nayika curna,Nagakesaradi curna, Narayana curna, Sauvarcaladi curna, Scalpa nayikacurna, Talisadya curna.II-Vati e Ras (comprimidos): Agni kumara rasa, Ajirna rasa, Ajirnari rasa,Grahani gajendra vatika, Grahani kapata rasa, Jvalanala rasa, Kaphacintamani rasa, Laghu puspadhanva rasa, Laksmivilasa rasa, Madanakamadeva rasa, Mahalaksmivilasa rasa, Manmatha rasa, Manmathabhrarasa, Nagasundara rasa, Naradiya laksmivilasa rasa, Rasa candrika vati,Sparsavataghna rasa, Sukra vallabha rasa, Trailokya sammohana rasa,Trailokya vijaya vati, Talakesvara rasa, Vajra kapata rasa, Vilajaya rasa.III-Modaka: Agni kumara modaka, Brhat satavari modaka, Jirakadi modaka,Kamagni sandipana modaka, Kamesvara modaka, Madana modaka,Madanodaya modaka, Maha kamesvara modaka, Rati vallaba modaka ,Srikamesvara modaka, Sri madanananda modaka.IV-Ungüento: Dadimavaleha, Kesara paka, Vijaya avaleha.222
  • 222. Em algumas destas formulações, a parte da planta a serutilizada é claramente especificada. Às vezes, a semente émencionada, a qual não apresenta qualquer efeito narcóticosignificativo. Nestas formulações são adicionadas substânciasvegetais, ingredientes de origem metálica e mineral (na forma debhasma) e produtos animais. Nestas formulações há mençãoespecífica para o uso da Cannabis após o processamento (fervuracom leite, etc.), apesar das regras gerais para este propósito. Em certa preparação, declara-se que após o completoprocessamento farmacêutico, o medicamento deve ser oferecidoprimeiro ao deus Shiva, a Indra, Kamadeva e Gananatha e,portanto, deve ser oferecida ao fogo, enquanto se recita ummantra. A natureza do recipiente no qual ela deve ser conservadatambém foi descrita. A droga deve ser prescrita durante diferenteshoras do dia e da noite, para diferentes tipos de pacientes. Indicações Terapêuticas Está indicada tanto para indivíduos saudáveis como parapacientes. Para os primeiros, é utilizada como um agenterejuvenescedor. É benéfica nos seguintes distúrbios dos pacientesem ordem de prioridade:1.Síndrome do espru (grahani)2.Esterilidade masculina e feminina (bandhyatva)3.Impotência (napunsakatva)4.Diarréia (atisara)5.Indigestão (ajirna)6.Epilepsia (apasmara)7.Insanidade (unmada)8.Cólicas (sula) 223
  • 223. Quando a Cannabis é combinada com outras drogas,torna-se indicada para o tratamento de outras 32 doenças 19. Toxicidade Os efeitos prejudiciais produzidos por esta droga quandoutilizada em excesso eram bem conhecidos pelos estudiosos daÍndia antiga. Sua raiz é descrita como um veneno no Susrutasamhita (700 A.C.) e em muitos trabalhos Ayurvédicos sobrematéria médica é descrita como um upavisa20 (veneno poucoimportante). Para torná-la livre da toxicidade e aumentar suaeficácia terapêutica deve ser fervida com leite de vaca ou deve serfrita com ghee de vaca antes de seu uso. Anandakanda forneceu uma detalhada descrição dosefeitos tóxicos que surgem nos seres humanos em nove estágiossucessivos. Os aspectos característicos do corpo e da mente do19Além da síndrome do espru, da esterilidade, impotência, diarréia,indigestão, epilepsia, insanidade e cólicas, a Cannabis está indicada tambémno tratamento das seguintes condições patológicas:1.Amavata (reumatismo), 2.Amlapitta (gastrite), 3.Aruci (anorexia),4.Bhagandara (fístula anal), 5.Galagraha (obstrução da garganta), 6.Hrllasa(náusea), 7.Jvara (febre), 8.Kamala (icterícia), 9.Kasa (bronquite), 10.Ksaya(consumpção), 11.Kustha (doenças de pele crônicas, incluindo ahanseníase), 12.Manyastambha (torcicolo), 13.Pliha (distúrbio esplênico),14.Pralapa (delírio), 15.Prameha (distúrbios urinários crônicos, incluindo odiabetis), 16.Pratisyaya (frio), 17.Nadivrana (sinusite), 18.Pandu (anemia),19.Pinasa (rinite crônica), 20.Rajah krcchra (dismenorréia), 21.Rajayaksma(tuberculose), 22.Slipada (elefantíase), 23.Sotha (edema), 24.Sutika(infecção puerperal), 25.Svasa (asma), 26.Trsna (sede mórbida), 27.Vamana(vômitos), 28.Vatarakta (gota), 29.Vatavyadhi (doenças do sistema nervoso),30.Vibandha (constipação), 31.Visama jvara (malária), 32.Yakrt roga(doenças hepáticas).20Nos seguintes livros, a raiz é descrita como um upavisa: a)Dhanvantarinighantu, b)Rasa ratna samuccaya, c)Rasa tarangini e d)Rasa jalanidhi.224
  • 224. indivíduo durante estes nove estágios estão descritos emdetalhes21. Controle dos Efeitos Tóxicos As seguintes terapias e condutas são sugeridas para otratamento de seus efeitos narcóticos:1.Purgação, ingestão de substâncias azedas e banhar a cabeçacom água fria.2.Unção com pasta de sândalo, cânfora e água fria.3.Uso de perfumes, flores resfriantes e adornos4.Dormir em cama refrescante5.Ingestão de folhas de bétele juntamente com cânfora, cravos-da-Índia etc.6.Vestir-se com roupas de seda finas e perfumadas.7.Ingestão de bebidas preparadas com açúcar, leite, ghee etc.8.Repouso absoluto no leito. Vijaya Kalpa ou Preparação Especial para o Rejuvenescimento21A seguir estão descritos os sinais e sintomas dos nove estágios demanifestações tóxicas:-Primeiro estágio: hiperemia dos olhos, ressecamento da língua, lábios epalato duro, ressecamento da extremidade do nariz e exalação de ar quente.-Segundo estágio: fechamento dos olhos e rigidez do corpo.-Terceiro estágio: sensação de queimação nos pés, mãos e olhos; sufocaçãoda voz.-Quarto estágio: fome e sede, olhos sonolentos com movimentos dos globosoculares.-Quinto estágio: sufocação da voz e esquecimento dos fatos recentes.-Sexto estágio: esquecimento completo.-Sétimo estágio: fraqueza dos membros superiores e do corpo, prostração.-Oitavo estágio: erros de direção, queda dos cílios, choro em excesso.-Nono estágio: gritos, desmaios, coma, produção de sons murmurantes, oindivíduo rola no chão, a fala é desconexa e produzida com dificuldade,revelação de sentimentos secretos, sofrimento, prostração extrema. 225
  • 225. No Anandakanda22 há um capítulo completo dedicado àdescrição da Cannabis e seu processamento para o propósito dorejuvenescimento. Métodos especiais são prescritos para ocultivo, a coleta, o processamento e a preservação desta droga ea manufatura de medicamentos assim como sua administração. Cultivo Para o cultivo da Cannabis, o solo deve estar livre depedras, cascalhos e areia. Ele deve ser preto, macio e misturadocom cinzas e esterco de vaca. A carne fresca de cobra deve serutilizada como adubo antes de semear. As sementes sãoconservadas dentro da boca de uma cobra e aquelas que foremgordurosas e pesadas são selecionadas para a semeadura em umdia auspicioso de uma quinzena luminosa (suklapaksa), no mêsde Sravana (primeiro mês da estação chuvosa). A pessoa querealizou rituais religiosos como nyasa e acamana deve semeá-lasvoltado para a direção norte ou leste e meditar sobre os pés deseu preceptor. Depois, água com leite deve ser borrifada sobre assementes. Após a germinação, deve-se aspergir água misturadacom ghee. Quando as folhas tenras aparecem, devem serborrifadas com água do mar. Quando os ramos surgem, aextremidade da planta deve ser cortada e um buraco deve serfeito. Neste orifício deve ser despejada uma grama de mercúrio ea abertura deve ser fechada com enxofre. Quando surgem asflores e frutos, a planta deve ser respingada com água misturadacom álcool e carne. Borrifa-se a planta com leite durante umaquinzena. Depois disso, outra planta chamada Jatamansi(Nardostachys jatamansi, DC.) deve ser atada a um ramo daCannabis e deve ser respingada com água e mel. Nos diasrestantes, esta planta deve ser respingada com água misturada ao22Anandakanda, 1952, págs. 234-251.226
  • 226. álcool. Depois disso, quatro rituais diferentes devem serrealizados:1.Sthapana2.Sevana3.Tantubandhana (―amarrando a árvore com fibras‖)4. Lavana (―corte‖) A amarração deve ser feita por uma pessoa que tenha sebanhado, vestido roupas limpas, com perfumes e flores e quetenha realizado oferendas de álcool e carne a Bhairava. Fios decoloração vermelha, amarela, preta e branca devem ser utilizadospara amarrar. O Aghora mantra deve ser recitado por sete dias. No quintodia da quinzena luminosa, deve-se meditar sobre a Cannabis e eladeve ser visualizada como uma divindade. Quando as sementestornam-se gordurosas, a planta deve ser cortada juntamente comas folhas, enquanto se recita o mantra acima. Processamento A planta é deixada a secar sob sol moderado em umrecipiente recentemente adquirido sobre um local limpo. As folhasdevem ser transformadas em um pó fino e conservada entre doispratos quentes sucessivamente, sete vezes. Um litro de leite de vaca deve ser misturado a umquilograma de açúcar e fervido. A este xarope devem seradicionados 400 mg. de Cannabis em pó e 50 mg. de cada umadas oito plantas medicinais e misturados cuidadosamente. Depoisde frio, devem ser adicionados 500 mg. de mel e a mesmaquantidade de ghee e misturados. Esta preparação deve serconservada dentro de uma pilha de grãos durante um mês. Todosos dias devem ser recitados mantras. Administração da Terapia 227
  • 227. Depois de um mês o medicamento deve ser removido dapilha de grãos e deve ser ingerido pelo indivíduo na dosagem de 5mg. Enquanto este procedimento é feito, a pessoa deve residir emuma casa hermética, observar o celibato e ingerir apenas leite earroz. Continua-se por 3 anos e com isso afirma-se que o homemvive 300 anos livre de quaisquer doenças e sinais deenvelhecimento. No Anandakanda estão descritas também outras 50preparações diferentes de Cannabis para o propósito dorejuvenescimento, efeito afrodisíaco e para a cura de diversasdoenças. Discussão Como demonstrado, o uso de tais drogas era predominanteatravés da história e em quase todas as culturas. Estas drogaseram utilizadas tendo em vista aliviar os sofrimentos e promoverfelicidade. A causa de todo sofrimento, de acordo com o sistemaSankhya de filosofia indiana, é a identificação do Purusa(Elemento da Consciência) com o Prakrti, i.e., o fenômeno nomundo manifestado que está presente antes dele através dosórgãos psíquicos: o Buddhi ou o Intelecto, Ahankara ou o Ego eManas ou a Mente. Estes sofrimentos são classificados em trêscategorias:1.Adhyatmika ou os sofrimentos de origem interna que incluem asdoenças psicossomáticas,2.Adhibhautica ou sofrimentos de origem externa,3.Adhidaivika ou sofrimentos de origem divina. A mente possui três aspectos, ou seja, o sattva outranquilidade, o rajas ou momento e o tamas ou inércia. O queestá disponível no indivíduo está também presente no universo etodos estes fenômenos são representados na forma de deuses.Os deuses dos Hindus, portanto, representam um ou outro228
  • 228. aspecto destes trigunas: sattva, rajas e tamas. Divindades como odeus Shiva e a deusa Kali representam os aspectos rajasika etamasika. Quando o homem precisa desenvolver seus atributosrajasika e tamasika, deve oferecer orações às divindades quepossuem atributos semelhantes. Todas as coisas oferecidas aestas divindades possuem atributos rajasika e tamasika23. Acompreensão adequada deste simbolismo do conceito henoteístaé essencial para a compreensão adequada das várias práticas,incluindo preconceitos, sentimentos, dogmas e superstiçõespredominantes na sociedade indiana. A Cannabis é um dentre osmuitos itens oferecidos de diferentes formas para o deus Shiva etambém para a deusa Kali, e seus seguidores e sacerdotes arepartem após a cerimônia. Os Vedas estão repletos com referências para o uso daplanta soma. O hábito de ingerir psicotrópicos não foi socialmentedesprezado mesmo na época do ―Mahabharata‖24. Na história deKaca e Devayani deste grande épico, menciona-se queSukracarya foi levado a cometer um sério erro devido a bebidasalcoólicas e quando isso ocorreu, ele proibiu o uso de álcool nãosó para si como para todos os Brahmins. A Cannabis, que está em uso desde a época dos Vedas,encontrou refúgio seguro entre os tantrikas, especialmenteaqueles pertencentes à ala esquerda e devotos do deus Shiva eda deusa Kali. Durante o período medieval, seu uso comomedicamento para a cura das doenças surgiu como umaglomerado de religião, filosofia e ciência. Esta prática ainda éexistente apesar dos abusos com a droga. Desde os tempos dos Vedas, a Cannabis está em uso naÍndia tanto por seus efeitos rejuvenescedores como pelas23Além da Cannabis são oferecidos ao deus Shiva psicotrópicos comoDhustura, Arka, Puja e Jatiphala.24Mahabharata, I. 76.43-68. 229
  • 229. características. Nos tantrikas e nos textos médicos tantrikas, o usodesta planta ganhou força durante o período medieval. Era tratadacomo um produto do néctar possuindo propriedadesrejuvenescedoras e dando vida. Nos antigos textos indianos eram utilizadas as plantasmacho e fêmea da Cannabis. O efeito narcótico da planta fêmea,a partir da qual é preparada a ganja, está muito bem descrito.Seus efeitos tóxicos e narcóticos foram estudados em detalhes.Muitos sinônimos foram-lhe atribuídos e muitos compostosmedicinais foram preparados a partir desta planta. Eram utilizadasno tratamento de doenças graves, incuráveis e resistentes à curae foram descritos os modos de administração assim como otratamento das manifestações tóxicas. O uso de Caras ou a resina extraída da planta Cannabisera talvez desconhecida na Índia antiga e medieval. Não háreferência direta recomendando a Cannabis pela fumaça. Apenasbhanga e ganja eram utilizados. Sabe-se que o primeiro possuimenor efeito narcótico que o último. Na maioria das cerimôniasreligiosas e médicas, é utilizada bhanga, enquanto ganja, quepossui mais efeito narcótico, é utilizado exclusivamente poralgumas seitas de mendicantes. Nos medicamentos são raramente empregadosisoladamente. A Cannabis é normalmente combinada com outrosprodutos vegetais, minerais e animais, tendo em vista neutralizarseus efeitos narcóticos e potencializar sua eficácia terapêutica. Oprocesso de purificação, obrigatório antes da manufatura dadroga, torna-a absolutamente livre dos efeitos narcóticos. Apesar das sanções religiosas e aprovações sociais, seuuso era permitdo apenas em quantidade reduzida, não sendoprejudicial para a mente e o corpo. A imposição daobrigatoriedade em se fazerem oferendas para uma divindade230
  • 230. antes do uso pelo indivíduo possui um efeito benéfico sobre aproibição do abuso para propósitos narcóticos e luxuriosos. A Cannabis é desprezada atualmente por seus efeitosprejudiciais, mas se as prescrições Ayurvédicas forem seguidas,talvez possam provar que a planta atue para ―doar vida‖ e nãopara ―tirar vida‖. Assim como Sarpagandha (Rauwolfia serpentina,Benth. e Kurz.), descoberta pela medicina indiana, esta drogapode trazer bênçãos para a humanidade se utilizada de acordocom as diretrizes fornecidas nos textos Ayurvédicos. 231
  • 231. CAPÍTULO 10 A DROGA TERMINALIA CHEBULA NA LITERATURA MÉDICA AYURVÉDICA E TIBETANA A planta medicinal Terminalia chebula mantém-se emelevada consideração tanto na medicina Ayurvédica como natibetana por suas propriedades na prevenção e cura das doenças.No Ayurveda ela é conhecida como haritaki e na medicina tibetanaé denominada arura. Enquanto na última a droga é conhecida como ―Sman-mchod rgyal-po‖1 , o rei dos medicamentos, noAyurveda é descrita como benéfica para os seres humanos comoa mãe, ―às vezes mesmo a mãe torna-se zangada, mas haritakinunca causa qualquer dano à pessoa que a ingere‖2 . Em todos os clássicos3 assim como nos Nighantus4, outrabalhos sobre matéria médica do Ayurveda, estão disponíveisdados sobre esta planta medicinal. A literatura tibetana dispõe deuma exaustiva coleção de dados nos livros ―An Illustrated Tibeto-Mongolia Materia Medica of Ayurveda‖5 e ―Principles of LamaistPharmacognosy‖6. Ver nota no fim do capítulo, pág.222.232
  • 232. O ―Madanapala nighantu‖7 fornece a derivação do termoharitaki como segue:1.Porque cresce no local onde reside Hara, que é o Himalaia, édenominada haritaki.2.Por causa de sua natureza harita (amarelo-esverdeado), échamada haritaki.3.Porque ela retira (―hr‖= levar embora) as doenças, é chamadaharitaki. Na linguagem tibetana, haritaki é conhecida como a ru ra.Um dos comentários do ―Shel Phreng‖ destina-se a explicar osignificado destas sílabas. De acordo com ele, ―a‖ indica que esteé o melhor dos medicamentos e cura todas as doenças causadapor vayu, pitta e kapha; ‖ru‖ indica que possui carne, osso e pele,os quais removem as doenças de todos os três doshas e ―ra‖indica que seu corpo é como o do rinoceronte e elimina asdoenças de todos os sete dhatus. Estórias Mitológicas Muitas estórias mitológicas sobre a origem desta droga sãoencontradas tanto na literatura médica tibetana como naAyurvédica. São as seguintes:1.Sete gotas de néctar caíram da boca de Vishnu sobre a Terra(de acordo com alguns, da boca de Brahma), dando origem aossete tipos de haritaki.82.Gotas de néctar caíram da boca de Indra sobre a Terraoriginando haritaki.93.Na literatura tibetana as estórias mencionadas acima sãodescritas em detalhes. Além disso, foi estabelecido que ―para obenefício dos seres sencientes, a monja divina Matisankari colheuum feixe de Vijaya azulada, semelhante à cabeça de um cavalo.Ela o ofereceu a Manohari Devi, que era Siddha Devi eNirmanakaya de Amrta, a deusa da medicina. Ao fazer a oferenda 233
  • 233. disse: ‗Manohari Devi, ouça-me. Este é o feixe de Vijaya, o melhordos medicamentos, completo, belo, com todos os gunas e naforma adequada. Ofereço-o a você, Manohari Devi, emconsideração ao seu amor por mim. Por favor, aceite-o para obenefício das gerações de seres sencientes que virão. Peço-lhe,plante esta semente de orações. Seu fruto será indubitavelmentebenéfico‘. De acordo com o que lhe foi dito, Manohari Devi pegouaquele haritaki, dirigiu-se a Vajrasana, em Bharata, e ofereceuavahana, stuti e puja para Jina Parasara, das dez direções. Pediutambém ao guru e aos tri ratnas para que tivessem compaixão edisse: ‗Estou motivado pela força da pureza, a qual é livre dadecepção de hetu e phala. Permita que seja Siddhi, de acordocom a oração, pela força da verdade‘. E assim, haritaki veio aexistir.‖104.De acordo com Zur-mkhar dharma-svami, citado no ―Shelphreng‖11, no movimento de Gadhamardana, situado ao leste deVaranasi, o deus da terra Lag-pa chen-po e a deusa da águaGtsang-chen (Brahmaputra) obtiveram prazer sexual abraçando-se um ao outro e como conseqüência deste ato, virya e artavamisturaram-se na terra. Assim surgiu a floresta de haritaki . Sinônimos Os sinônimos descritos na literatura sânscrita são:1)abhaya, 2)amogha, 3)amrta, 4)avyatha, 5)kayastha, 6)girija,7)cetaki, 8)cetanika, 9)jaya, 10)jivanti, 11)jivantika, 12)jivapriya,13)jivya, 14)divya, 15)devi, 16)nandani, 17)pathya, 18)pacani,19)putana, 20)pramathya, 21)prapathya, 22)pranada, 23)balya,24)bhisag priya, 25)bhisag vara, 26)rasayana phala, 27)rudrapriya, 28)rohini, 29)vayastha, 30)vanatikta, 31)vijaya, 32)vrtatha,33)saka, 34)siva, 35)sukra srsta, 36)sreyasi, 37)sudha,38)sudhodbhava, 39)haritaki, 40)himaja, 41)haimaja, 42)hemavati. No ―Shel phreng‖12 estão os seguintes sinônimos:234
  • 234. 1)abhaya (jigs med), 2)amogha (don yod), 3)amrta (‗chi med oubhud rtsi), 4)aroha dirgha (mchu snyung),5)avyatha (nad sel),6)cetaki (sems byed), 7)dhanya (dpal yon can),8)dirghamarghata (mchu rings), 9)divya (lha rdzas), 10)haritaki(tshad pa’i mdangs phrod), 11)hva va (bde byed), 12)jivanti(‘tsho byed), 13)kasayaka (bska shas ldan), 14)kayastha (lusgnas byed), 15)kumbha kantha (buim mgrin), 16)krsa (skempo), 17)krzsalaka (skem po), 18)maha balama (sa chen),19)mahavita (gser ldan), 20)mula dirgha (rtsa rings), 21)mularara(rtsa snyung), 22)pavani (dag byed), 23)prmatha (nad rab‘homs), 24)phala (‗abras bu can), 25)prni (nad ‘dor), 26)rajahutira (rgyal bo skem po zer la), 27)rasa kalkala (ro bska),28)rasavati (roldan), 29)rasayana (bcud len), 30)samarphka (nusldan), 31) sakravrsta (brgya bying spros), 32)sona barna (gsermdog), 33)siva (ziba), 34)sreyasi (dge legs can), 35)sudana (tshican), 36)vardhakara (‘phel byed), 37)vayastha (na rshod gnas),38)vijaya (rnam par rgyal ba). Observa-se a partir da listagem acima que dezessete dossinônimos descritos na literatura médica tibetana são idênticosàqueles descritos no Ayurveda e os vinte e um restantes possuemalguma diferença. Variedades Na literatura Ayurvédica, a classificação quanto àsvariedades de haritaki difere consideravelmente. A seguir, umdemonstrativo fornecendo dados relacionados ao haritaki nosdiferentes textos Ayurvédicos e Nighantus: 235
  • 235. Nome da H.S., R.N., Variedade S.G.N., B.P. R.B.N. A.S. D.N. N.R. vijaya x x - - x rohini x x - - x putana x x x x x amrta x x - x x cetaki x - x x - abhaya x x x x x jivanti x x x - x kalika - x - - - pathya - - - x - jaya - - - x - haimavati - - - x -Legenda:H.S.= Harita Samhita, R.N.= Raja Nighantu,S.G.N.= Saligrama Nighantu, B.P.= Bhava Prakasa, R.B.N.=Rajavallaba Nighantu, A.S.= Atreya Samhita, D.N.= DhanvantariNighantu, N.R.= Nighantu Ratnakara.(X)= descrição disponível( - )= descrição não disponível No livro ―Lamaist Phamacognosy‖, estão citadas asopiniões de vários autores, tanto indianos como tibetanos, comrelação à classificação da droga. De acordo com o ―Bdud-rtsi-snying-po‖ há sete tipos13: 1)rnam par rgyal ba (vijaya), 2)bumgyi mgrin (kalasa kantha), 3)gso byed (ayuh vardhaka), 4)bdudrtsi (amrta), 5)’jigs med (abhaya), 6)’phel byed (vrddhikari),7)skam po (suska). De acordo com a literatura médica tibetana, Vijaya é o tipomais importante e é extremamente útil no tratamento dasdoenças. Outras variedades são consideradas apenas236
  • 236. secundárias ou subsidiárias do Vijaya em característicasterapêuticas. Na literatura Ayurvédica, apenas o ―Raja Nighantu‖14enfatiza a superioridade do Vijaya sobre as outras. Identificação dos Vários Tipos As características físicas assim como as propriedadesterapêuticas do haritaki são descritas na literatura médica tibetanae Ayurvédica com o objetivo de auxiliar em sua identificação. De acordo com o ―Bhava Prakasa Nighantu‖15 o vijayapossui a forma de uma cabaça, rohini tem formato redondo,putana contém um caroço proporcionalmente maior, amrta écarnosa, abhaya apresenta cinco sulcos, jivanti é de coloraçãodourada e cetaki possui três sulcos. Neste sentido, há diferentestipos de descrição em outros trabalhos Ayurvédicos. Como citado no ―Shel Phreng‖16, de acordo com Brang-ti-pa, a variedade rnam par rgyal ba (vijaya) é caracterizada porfruto de lábios fechados e pescoço fino, gser mdog (kanakavarna) é de coloração dourada e semelhante a um bulbo redondo,com seis ou oito sulcos (rugas), sa chen (mamsala) é carnosa,bigs byed (vindhya) é negra e não tem caroço, snung (suksma)possui muitas rugas. Habitat De acordo com o ―Shel phreng‖17, vijaya, a melhor de todasas variedades, crescia no palácio celestial de Yaksa Vaisravana edaí era levada para a montanha Gandhamardana18 (Spos-ngad-ldan). Vários autores tibetanos enfatizam que o tipo vijaya deharitaki, a melhor de todas, está disponível apenas nesta monta-nha. Está estabelecido no ―Gso-dpya phrang bu‖19 que, para osnão-arianos, a procura por esta droga na montanha mágica deGandhamardana era difícil. Por essa razão, suas sementes foram 237
  • 237. semeadas em outros locais da terra. De acordo com Zur-mkharDharma Swami20, todas as variedades de haritaki que crescem emBharata são coletivamente chamadas Tra-la-ha e no Tibete, kru-sin-’bu. De acordo com Zur-rdol21, todos os cinco tipos de haritakicrescem na mesma árvore: no centro está vijaya, no leste estáabhaya, no sul está mamsala, no oeste, rohini e ao norte, suska.No ―Brang-ti-pa‖ há uma descrição semelhante, diferindo apenasno nome das variedades. Nesta correlação, a descrição disponível na literaturaAyurvédica é diferente. Mesmo que todos os trabalhosAyurvédicos não sejam unânimes em seus pontos de vista, amaioria deles afirma que o vijaya cresce na montanha Vindhya(Gandhamardana, de acordo com a literatura tibetana), cetaki eputana crescem no Himalaia, rohini cresce em Sindh, amrta eabhaya em Camba(?) e jivanti cresce em Saurastra. Portanto, exceto na literatura tibetana, segundo oAyurveda, a montanha não é muito significativa com relação aohabitat desta droga. Características Botânicas De acordo com Khrungs-dpe22 ,esta árvore possui umgrande tronco, suas folhas são grossas, a flor é amarela e o frutoé amarelo enegrecido. Em vários outros textos, estão descritos osaspectos característicos deste fruto. Tais tipos de descrições nãoestão disponíveis nos textos Ayurvédicos existentes. Análogos Na literatura sobre medicina tibetana, existem análogospara diferentes partes desta droga. De acordo com o ―Gso-dpyadphrang-bu‖23, as folhas desta droga são como panca-li-ka(?) e asflores, como as da u-dam-bar (figueira). De acordo com ‗Dra-yig24238
  • 238. (Upamana tantra), o haritaki é semelhante a um pedaço seco deaçafrão-da-Índia. De acordo com ‗Dra-dpe25, outro trabalho sobre similares, ovijaya é semelhante à extremidade de uma cabaça (alabu). Suasflores são amarelo-ouro, como um ovo dourado. Elas são comouma rã inchada. Abhya é semelhante a um ovo de girino. É comoum pote redondo. Este tipo de upama é raro nos trabalhosAyurvédicos existentes. Rasa, Virya, Vipaka e Guna De acordo com a literatura Ayurvédica, o haritaki possuidiferentes sabores, ou seja, madhura (doce), amla (azedo), katu(pungente), tikta (amargo) e kasaya (adstringente). Tem sidorepetidamente enfatizado que esta droga não possui o saborlavana (salgado). Na literatura médica tibetana, este aspecto foi discutido emdetalhes e vários autores indianos são citados nesta correlação.Mas alguns eruditos tibetanos não concordam com a observaçãodos autores indianos. O autor do ―Shel phreng‖26 parece terentrado em contato com vários iogues da Índia, mas não se con-venceu com os argumentos expostos por eles. Portanto, o autorassegura que haritaki possui todos os seis tipos de sabores, ouseja, mnar-ba (doce), skyur-ba (azedo), lan tshva ba (salgado),tsha ba (pungente), kha ba (amargo) e bska ba (adstringente). De acordo com a literatura Ayurvédica, esta droga é usnaou quente em seu virya (potência). Na literatura médica tibetana27,considera-se que possua oito nus pas (virya ou potências), quesão: lci va (guru ou pesada), snum pa (snigdha ou gordurosa),bsil ba (atisita ou excessivamente fria), rtul ba (manda ouembotada), yang ba (laghu ou leve), rusub pa (ruksa ou seca),tsha ba (usna ou quente) e rno ba (tiksna ou penetrante).28 239
  • 239. O vipaka29 desta droga, de acordo com o Ayurveda, émadhura (doce). Mas de acordo com a literatura médica tibetana,o zhu rjes (vipaka) desta droga é mnar ba (doce), skyur ba(azedo) e kha ba (pungente).30 Laghu (leve) e ruska (seco) são ambos considerados osgunas (atributos) de haritaki na literatura médica Ayurvédica. Deacordo com a medicina tibetana, entretanto, esta droga possuidezessete yon tan (gunas ou atributos)31. São eles: ajam pa(mrdu ou macio), lci ba (guru ou pesado), dro ba (usna ouquente), snum pa (snigdha ou gorduroso), brtan pa (sthira ouestável), grang ba (sita ou frio), rtul ba (manda ou embotado),bshil ba (atisita ou excessivamente frio), mnyen ba (slaksna ousuave), sla ba (drava ou líquido), skam pa (suska ou seco), skyaba (sandra ou denso), tsha ba (usna ou quente), yang ba (laghuou leve), rno ba (tiksna ou penetrante), rtsub pa (kathina ou duro)e gyo ba (sara ou fluido)32. A maneira como estes atributos auxiliam na correção dosdesequilíbrios dos doshas e dhatus está descrita em detalhes naliteratura médica tibetana. A literatura Ayurvédica é muitoespecífica quanto aos cinco rasas (sabores) desta droga. Propriedades Terapêuticas De acordo com alguns autores da medicina tibetana, asoutras variedades de haritaki possuem propriedades terapêuticasquase semelhantes ao vijaya. Esta opinião tem sido fortementerepudiada por outros eruditos da medicina tibetana, para os quais―o sábio ri ante a estupidez de tal descrição‖33. Na literaturaAyurvédica, como descrito anteriormente, a variedade vijaya nãoadquire muita importância mesmo que alguns a consideremcurativa para todos os tipos de doenças. Outras variedades deharitaki possuem propriedades terapêuticas específicas. Deacordo com o Raja vallabha nighantu, a variedade jivanti é240
  • 240. benéfica como medicamento para terapia de unção, rohini é útil notratamento de ksayaroga (doenças consumptivas), vijaya é útil emtodos os tipos de terapias, putana é benéfica nos medicamentosde uso externo, amrta é útil como purgativo, abhaya é benéficapara os olhos e kalila é útil na remoção do odor fétido das úlceras. Na literatura médica tibetana, as diferentes partes daplanta possuem propriedades terapêuticas diversas. De acordocom Zur-mkhar-dharma Svami 34, sua raiz elimina as doençasósseas, a haste elimina doenças musculares, a casca aliviadoenças de pele, os ramos eliminam as doenças dos vasos, asfolhas removem as doenças das asayas (vísceras) e os frutosremovem as doenças dos órgãos vitais e do coração. Na literaturaAyurvédica, tal tipo de descrição não está disponível. Notas1. ‖Principles of Lamaist Pharmacology‖: Fólio 172.2. Haritaki manusyanam mateva hitakarini Kadacit kupyate mata nodarastha haritaki3. Os mais importantes clássicos Ayurvédicos são os seguintes:I-Caraka samhita originalmente composto por Agnivesa e subsequentemente redigido por Caraka. Foi composto antes de 700 A.C.II-Susruta samhita originalmente composto por Susruta e subseqüentemente redigido por Nagarjuna. Composto antes de 700 A.C.III-Astanga hrdayan por Vagbhata (300 D.C.)4. Nighantus são compilações sobre sinônimos, descrições gerais e terapêuticas de drogas, incluindo produtos vegetais, minerais e animais. São importantes os seguintes nighantus: Dhanvantari nighantu (1000 D.C.), Raja nighantu (1200 D.C.), 241
  • 241. Madanapala nighantu (1347 D.C.), Sodhala nighantu (1400 D.C.), Kiyadeva nighantu (1450 D.C.) e Bhavaprakasa nighantu (1600 D.C.) Estas obras foram compiladas durante o período medieval a partir de trabalhos clássicos muitos dos quais não mais existem.5. Composto por ‗Jam-dpal-rdo-rje, da Mongólia, e publicado pelo Dr. Lokesh Chandra, International Academy of Indian Culture, Nova Delhi, 1971. As ilustrações e esboços das drogas de origem vegetal, mineral e animal são raros na literatura Ayurvédica, enquanto que tais trabalhos são disponíveis em número considerável na literatura médica tibetana.6. Este trabalho contém três textos, i.e., Dri med shel gong, Dri med shel phreng e Lag len gces bsdus de Dil-dmar dge-bshes Bstan-dzin-phun-tshogs. No Shel gong estão disponíveis as descrições de muitas drogas e o Shel phreng é um auto- comentário em prosa sobre o primeiro. Foi composto no século 18, no Tibete Oriental (Khams) pelo excepcionalmente versado, o erudito Kar-gyu-pa (Dkar-brgyud-pa), contemporâneo do grande Si-tu Pan-chen Chos-kyi-‘byung-gnas (1699 ou 1700- 1774). Shel gong e Shel phreng são amplamente fundamentados nas fontes Ayurvédicas (tanto indianas como tibetanas), mas o autor parece ter estudado também a medicina chinesa. Há extensas obras isoladas escritas por ele sobre acupuntura e moxa. Ele organiza todas as substâncias medicinais e tratamentos em treze categorias: 1)Rin po che‟i sman (metais e pedras preciosas), 2)Rdo sman (substâncias minerais derivadas de rochas e minerais), 3)Sa sman (terras medicinais), 4)Rtsi sman (exsudatos e secreções), 5)Shing sman (substâncias medicinais obtidas das árvores), 6)Thang sman (medicamentos preparados a partir dos extratos fervidos de várias partes das plantas), 7)Sngo sman (plantas, ervas e gramíneas medicinais), 8)Lan tshwa‟i sde tshan (sais242
  • 242. medicinais), 9)Srog chags las byung bai sman (medicamentos obtidos de seres sencientes), 10)Zhing gi lo tog (plantas cultivadas), 11)Chu‟i sman (águas medicinais), 12)Me‟i sman (fogos medicinais), 13)Gdugs pa‟i sman (uso de fogo e água em preparações medicinais). No ―Shel phreng‖, ao descrever vários aspectos da droga Terminalia chebula, as importantes fontes ou autores citados, entre outros, são os seguintes: 1)Gso-dpyad phran-bu (um pequeno fascículo de trabalhos médicos), 2)Gyu-thog rnying-ma (o mais velho de uma família de médicos famosos), 3)Tsho-mdzad Gzhon-nu (Kumara Jivaka), 4)Zur rdol (um livro da famosa escola de medicina Zur), 5)Zur-mkhar Dharma-swami, 6)Brang-ti-pa (uma família de médicos famosos),7)Rtsa rgyud (Mula tantra), 8)Bshad rgyud (Akhyata tantra), 9)Yan lag nag po‟i rgyud (Krsnanga tan- tra),10)Bdud rtsi bum pa (Amrta kalasa), 11)Gser-‟od (Suvarna prabhasa), 12)Drang-srong Tsa-ra-ka (Caraka muni), 13)A tsa ra‟i rda skor (nome de um trabalho sobre magia), 14)Yan lag brgyad pa (Astanga), 15)‘Dra dpe (um trabalho sobre similares), 16)‘Dra yig (um trabalho sobre similares), 17)Klu-sgrub (Nagarjuna), 18)Bdud-rtsi snying-po (Amrta hrdayan), 19)Tsa- ra-ka‟ai Bdud rtsi (Amrta de Caraka), 20)Rin-po-che Tsa-pa shilaha (Lama Campasilaha), 21) Rgyu mtsham rgyud (Pramana tantra), 22)Klu rgyud (Naga tantra), 23)Phyi ma rgyud (Uttara tantra), 24)Tsa ra ka‟i „grel pa (comentário sobre/de Caraka), 25)‘Khrungs dpe (nome de um trabalho de compilação).7. Harasya bhavane jata haritasca svabhavatah, Harayet sarvarogansca tena prokta haritaki, Madanapala Nighantu, 1:8.8. Bhavaprakasa.9. Bhavaprakasa nighantu. 1:5.10. Lamaist Pharmacognosy. Fólio 173. 243
  • 243. 11. Ibid. Fólio 175.12. Lamaist Pharmacognosy. Fólios186-187.13. Lamaist Pharmacognosy. Fólio 181.14. Rajanighantu. 11:13.15. Bhava prakasa nighantu. 1:8-9.16. Lamaist Pharmacognosy. Fólio 176.17. Lamaist Phamacognosy. Fólio 173.18. Há duas montanhas em Orissa atualmente – uma no distrito de Bolangir e a outra no distrito de Mayurbhanj – conhecidas como Gandhamardana. Elas pertencem à cadeia de montanhas dos desfiladeiros orientais e estas duas montanhas estão repletas de árvores de haritaki. De fato, esta planta é utilizada também no curtimento, além de suas propriedades medicinais, e é um dos produtos florestais de menor importância do Estado.19. Lamaist Pharmacognosy. Fólio 174.20. Ibid. Fólio 175.21. Ibid. Fólio 176.22. Ibid. Fölio 187.23. Ibid. Fólio 173.24. Ibid. Fólio 188.25. Ibid. Fólio 188.26. Ibid. Fólio 180.27. Ibid. Fólio 178.28. Ibid. Fólio 178.29. O sabor produzido após a digestão de uma droga ou alimento ingerido é conhecido como vipaka.30. Lamaist Pharmacognosy. Fólio 178.31. Lamaist Pharmacognosy. Fólio 178.32. Estes gunas ou atributos são designados com um si- gnificado simbólico, ou seja, não significa que esta droga possua ambos os atributos leve e pesado, ou quente e frio etc.244
  • 244. Estes gunas ou atributos indicam na realidade o efeito que esta droga produz no organismo. Dependendo das várias condições predominantes no mesmo, esta droga produz diferentes efeitos - mesmo opostos - sobre o corpo. Para maiores detalhes sobre estes atributos deve-se fazer uma referência ao livro ―Concept of Agni in Ayurveda‖, publicado pelo Chawkhamba Sanskrit Series Office, Varanasi, Índia.33. Lamaist Pharmacognosy. Fólio 175.34. Lamaist Pharmacognosy. Fólio 175. 245
  • 245. CAPÍTULO 11 O ALHO NOS ANTIGOS TEXTOS MÉDICOS INDIANOS O alho, em sânscrito é comumente conhecido como lasunaou rasona. A espécie geralmente disponível na Índia é conhecidabotanicamente como Allium sativum, Linn. Além do uso medicinal, o Allium sativum é geralmenteutilizado como condimento nas cozinhas dos lares indianos. Comomedicamento, possui uma posição significativa. Os textosAyurvédicos estão repletos de referências sobre sua excelênciaterapêutica. Esta planta é extensivamente utilizada comomedicamento em todo o mundo. Há mais de 45 espécies, usadascomo medicamentos em diferentes regiões do planeta, da Sibériaaos países tropicais como a Índia. Dependendo da condiçãogeográfica, sua coloração e sabor variam. Mas todas as espéciesterapeuticamente úteis desta planta possuem o característico odordo alho. Apesar de sua superioridade terapêutica, sendo atémesmo comparável ao néctar, não alcança uma alta estima nossmrti sastras (textos sobre rituais religiosos) como ingredientenormal do alimento, talvez por causa de seu sabor desagradável epropriedades como estimulante sexual. O Manu samhita, um dosprincipais smrti sastras da Índia, trata-o como abhaksya (algo que246
  • 246. não se deve ingerir). Ainda que seu uso seja permitido comreserva para os homens comuns, é estritamente proibido para osBrahmins e para aqueles envolvidos em práticas espirituais. Osclássicos iogues apresentam instruções estritas para a nãoutilização do alho na alimentação, pois estimula a paixão e aemoção, ambos atributos dos rajas e contrários ao satva guna. Apromoção do satva guna é essencial para todas as realizaçõesdescritas no Yoga e no Dharma sastras (textos que tratam dosrituais religiosos). Baseado neste ponto de vista, Yavanesta(aquilo que é apreciado por heréticos) mantém-se como um dossinônimos desta droga. Sua descrição está disponível nos clássicos Ayurvédicosescritos antes do século 7 A.C. e também nos nighantus (textosque lidam com matéria médica) do período medieval. O Kashyapasamhita que é talvez o mais antigo dentre os clássicosAyurvédicos ainda existentes, dedica um espaço considerávelpara a descrição desta planta. Além dos sinônimos e propriedadesterapêuticas este texto dá acesso a detalhadas descrições destaplanta para sua utilização como um agente rejuvenescedorespecial. Mitologia Sobre a Origem de Lasuna Estórias mitológicas sobre a origem desta droga sãodescritas de diferentes formas nos textos Ayurvédicos. De acordocom o Kashyapa samhita, ―a esposa de Indra não concebia hácentenas de anos. Portanto, seu marido deu-lhe amrta (ambrosia)para beber. Quando estava administrando esta poção à suaesposa, por causa de sua ternura, ela vomitou uma pequenaporção que caiu no chão. Então, disse Indra: Você terá muitascrianças por causa desta poção, a porção que vomitou e que caiusobre a terra possuirá um cheiro desagradável, em conseqüênciade seu contato com o odor desagradável da terra. Exercerá omesmo efeito sobre os seres humanos, mas não será apreciado 247
  • 247. pelos Brahmins e pelas pessoas envolvidas na elevaçãoespiritual‖ 1. Tanto Gada nigraha2 como Astanga hrdaya3 trazem umaestória mitológica diferente. Quando os deuses e demôniosagitaram o oceano, saiu dele a amrta (ambrosia). Rahu, quepertencia ao grupo de demônios, pegou dissimuladamente umaporção dela. Quando o deus Vishnu tomou conhecimento,decapitou o demônio e a porção de amrta caiu sobre o solo, origi-nando o alho. Como é uma porção de amrta, possui excelentespropriedades terapêuticas. Simultaneamente, ele tornou-secontaminado, pois foi comido pelo demônio e por esta razão osBrahmins estão proibidos de utilizá-lo. O Harita samhita contém uma estória mitológicacompletamente diferente. Quando o oceano foi agitado pelosdeuses e demônios, o amrta (néctar) emergiu. Garuda (nome deum pássaro celestial) levou o recipiente contendo o amrta para oparaíso. No caminho, precisou lutar contra os demônios e assim,algumas gotas caíram sobre a terra originando o alho. Certa vez,uma escassez generalizada assolava a terra havia anos e todasas florestas estavam secas. Os santos habitantes destas florestasnão conseguiam alimentos e deixaram o local. Um dentre eles eramuito velho e incapaz de movimentar-se. Como não poderiaacompanhar os demais foi deixado na floresta. À procura dealimentos, moveu-se de um local para outro. Em conseqüência desuas virtudes, avistou algumas plantas que possuíam coloraçãoverde, comendo-as completamente, inclusive as folhas, duranteseis meses. Após este período, as plantas não estavam maisacessíveis para serem comidas. Portanto, durante um mês, eleviveu dos bulbos (raízes) desta planta. Passada a escassez, ossantos que haviam abandonado aquela floresta regressaram eencontraram aquele velho rejuvenescido. Ficaram surpresos eperguntaram-lhe a razão de sua juventude. Ele não revelou a248
  • 248. razão, sendo amaldiçoado pelos sábios, que lhes disseram: ―o quequer que tenha ingerido, não será conveniente para que osBrahmins o comam e possuirá odor desagradável‖. O responsávelpela seu rejuvenescimento havia sido o alho. O Bhava prakasa4descreve uma estória semelhante. O Kashyapa samhita5 descreve outra estória mitológicasobre a origem desta planta. Uma vez, Rudra estava caminhandosobre a terra disfarçado quando avistou algumas mulheres,esposas dos santos que habitavam a floresta. Elas não possuíamfilhos e pediram a Rudra que as abençoasse. Ele pediu quepegassem uma planta e que esta as tornaria livre de doenças elhes daria muitas crianças vigorosas e de boa compleição. Asesposas tomaram daquela planta e tiveram filhos. Era o alho. Variedades Nos textos Ayurvédicos são descritas as sete variedadesde alho:1.Sveta: variedade branca2.Rakta: variedade vermelha3.Mahakanda: variedade com bulbo grande4.Ksudrakanda: alho com bulbo pequeno5.Gramya: variedade cultivada6.Vanya: variedade selvagem7.Alho com um único dente A classificação com base na coloração, ou seja, branca evermelha, está disponível no Raja nighantu, Nighantu siromani eKaiyadeva nighantu. O Dhanvantari nighantu e o Raja nighantuclassificam a planta em dois grupos dependendo do tamanho dobulbo, pequeno ou grande. Kashyapa samhita classificou-a emduas variedades dependendo de sua origem, cultivada ou 249
  • 249. selvagem. A descrição do alho com um único dente estádisponível nos últimos textos Ayurvédicos como o Vanausadhicandrodaya. Sinônimos Os antigos textos médicos indianos fornecem muitossinônimos para esta droga. Alguns deles indicam ascaracterísticas botânicas e outros, as propriedades terapêuticasdesta planta. São os seguintes: Sinônimos Deduções destes termos1. Rasona2. Rasuna São desprovidos de um sabor (azedo)3. Rasonaka4. Lasuna5. Ugragandha Apresenta odor forte6. Mahausadha Apresenta grande valor medicinal7. Mlecchakanda Possui um bulbo apreciado pelos8. Yavanesta Yavanas9. Suklakanda Possui bulbo branco10.Vilohita Possui bulbo vermelho11.Sthulakanda Apresentam bulbo grande12.Mahakanda13.Vatari Que equilibra vayu14.Dirghapatraka Possui folhas compridas15.Prthucchada Possui folhas grossas16.Katukanda Possui bulbo pungente17.Sikhimula Possuem bulbo ramificado18.Sikhakanda19.Vartula Possui bulbo redondo20.Granthimula Possui bulbo nodoso250
  • 250. 21.Rahucchista Que derivam de Rahu22.Rahutsrsta23.Bhutaghna Que equilibra as aflições dos espíritos prejudiciais24.Sitamardaka Que elimina os efeitos do frio25.Jugupsita Que é abominado pelos santos26.Rasayanavara Que é um excelente elixir27.Amlakanta Que neutraliza os efeitos do sabor azedo Além dos citados acima, há outros sinônimos desta drogacujas implicações (deduções) são difíceis de serem feitas comoarista, granjana, garvari e dindira modaka. Rasa ou Sabor da Droga O universo é composto de cinco mahabhutas. Portanto,tudo no universo possui todos os seis rasas ou sabores, em formamanifestada ou não-manifestada. A característica peculiar do alhoé que apenas cinco sabores estão manifestados nele. Diferentesautoridades sustentam opiniões diversas sobre a manifestaçãodestes sabores nas diversas partes desta planta, conformerelação abaixo:1. Na raiz da planta:-Sabor pungente, de acordo com Bhava prakasa-Sabores doce e pungente, de acordo com Raja nighantu2. Na folha da planta:-Sabor amargo, de acordo com Bhava prakasa e Raja nighantu-Sabor adstringente de acordo com Kashyapa samhita3. No caule da planta:-Sabor adstringente, de acordo com o Bhava prakasa e Rajanighantu-Sabores salgado e amargo, de acordo com Kashyapa samhita4. Na extremidade do caule: 251
  • 251. -Sabor salgado, de acordo com o Bhava prakasa5. Na semente:-Sabor doce, de acordo com Bhava prakasa-Sabor pungente, de acordo com Kashyapa samhita6. No bulbo da planta:-Sabor salgado de acordo com Raja nighantu Pode ser observado a partir desta relação que apesar dediferentes partes da planta apresentarem diferenças nos saboresque as compõem, todos os textos são unânimes em que nenhumaparte desta planta apresenta o sabor azedo. As variações na des-crição dos diversos textos médicos deve-se, talvez, às condiçõesgeográficas ou ao habitat onde a amostra foi colhida eexperimentada. Propriedades e Ações Farmacológicas Muitas propriedades e ações farmacológicas estãodescritas nos diferentes textos Ayurvédicos e foram relacionadasna tabela abaixo em ordem de importância e significado: Propriedades 6 Textos de ReferênciaGuru (pesada) MV, KS, HS, RN, KN, DN, CS, SS, NS, BP, RVNVrsya (afrodisíaca) MV, NA, KN, DN, CS, SS, RN, RVN, NS, BPUsna (quente) MV, NA, KN, DN, CS, SS, RN, NS, BPBala prasadana (promove o vigor) KS, SS, GN, HS, RVN, DN, RN, NS, BPSasneha (gordurosa) KS, RN, MV, CS, KN, DN, SS, BPVarna prasadana (gera compleição) KS, GN, HS, DN, SS, RN, NS, BP252
  • 252. Kantha madhuryakaraka (promove a HS, MV, RVN, DN, SS, RN, NS,voz) BPMedhavi praja karaka (que auxilia na KS, HS, SS, DN, RN, BPobtenção de uma criança inteligente)Caksuprasadana (promove a visão) DN, KS, HS, SS, RN, BPTiksna (penetrante) KN, DN, MV, SS, RN, BPSara (laxante) RVN, KN, MV, SS, BPBrmhana (proporciona nutrição) KS, KN, MV, BPPicchila (viscosidade) DN, SS, RN, NSPacana (antiflatulento) KN, MV, BPRasayana (rejuvenescedor) KS, VC, GNSukra-janana (espermatogênese) KS, SS, BPSmrti prasadana (promove a KS, SS, BPmemória)Dipana (estimula a digestão) KS, GNRujapaha (elimina a dor) KSAyusya (promove a longevidade) KSVayah prasadana (preserva a KSjuventude)Sukra janana (produtora de feli- KScidade)Saugandhya janana (gera felicidade) KSSrotovisodhana (desobstrução dos KScanais de circulação)Sonitajanana (promove a hema- KStopoiese)Saukumaryakara (gera compaixão) KSKesya (promove a saúde dos KScabelos)Dantamamsa-nakhasmasru vardhaka KS(promove a saúde dos músculos,dentes, unhas e cabelos.Garbha janana (promove a con- KScepção) 253
  • 253. Saundarya vardhaka (promove a KSbeleza)Prajabalayuraksaka (auxilia na KSformação de uma criança vigorosa ecom vida longa)Gramyadharmobhavaroga pra- KStisedhaka (previne doenças causadaspelo excesso sexual)Vandhyatva nasaka (cura este- KSrilidade)Priyadarsana karaca (gera uma KSaparência agradáve)Gatra mardava karaka (promove KSmaciez à pele)Laghu (leve) KSVakprasadaka (promove a fala) GNHrdya (cardiotônico) KN Usos Terapêuticos Além de suas propriedades quanto à prevenção dedoenças e promoção da saúde, esta droga é utilizada notratamento de muitas doenças e os textos Ayurvédicos variamconsideravelmente na descrição de sua utilidade terapêutica.Seus usos estão relacionados aqui em ordem de prioridade: Indicações Textos de ReferênciaKustha (doenças de pele re- KS, GN, HS, KN, DN, NS, MU,sistentes, incluindo hanseníase) BP, CS, SS, RNGulma (tumores fantasmas) idemVataroga (doenças do sistema NS, KS, HS, KN, DN, MV, BP,nervoso) CS, SS, RNKrimi (infecções por bactérias, vírus, KS, GN, KN, DN, MV, BP, CS,parasitas intestinais etc.) SS, RN254
  • 254. Bhagnasthi (fraturas ósseas) KS, NS, HS, RVN, KN, DN, MV, BPArsas (hemorróidas) GN, HS, KN, DN, MV, BP, SS, RN, NSSula (cólicas) HS, KN, DN, MV, BP, SS, RN, NSJirnajvara (febre crônica) KS, HS, DN, MV, BP, SS, RN, NSAruci (anorexia) HS, KN, DN, MV, BP, SS, RN, NSKasa (bronquite) KS, BP, SS, NS, KN, MV, RN, HSSotha (edema) HS, KN, DN, MV, BP, SS, RN, NSHrdroga (cardiopatias) RN, NS, HS, KN, DN, BP, SSSvasa (bronquite asmática) KS, GN, HS, KN, MV, BP, SSKaphamaya (doenças causadas por DN, MV, BP, SS, RN, NSkapha)Meha (doenças urinárias re- GN, HS, KN, MVsistentes, incluindo diabetes)Mutrakrcchra (disúria) KS, DN, RN, NSSosa (doenças consumptivas) KS, GN, HS, SSAgnimandya (supressão do poder KS, BP, SSdigestivo)Kilasa (leucoderma) KS, CS, KNBhrama (vertigens) KS, HSVisamajvara (malária) KS, KNYaksma (tuberculose) GN, HSHikka (soluços) HS, KNGrahani (espru) KSKandu (prurido) KSVisphota (erupção vesicular) KSVaivarnya (descoloração da pele) KSTimira (catarata) KSNaktandhya (cegueira) KSDaha (sensação de queimação) KSJadya (afasia) KSAsmari (cálculo renal) KS 255
  • 255. Srotorodha (obstrução dos canais KSde circulação)Bhagandara (fístula anal) KSPradara (menorragia) KSPliha (esplenomegalia) KSVatarakta (gota) KSAnaha (timpanite) HSPitta roga (doenças causadas por HSpitta)Ksaya (emagrecimento) HSPandu (anemia) HSKamala (icterícia) HSRaktapitta (sangramento por HSdiferentes partes do corpo)Murccha (desmaios) HSApasmara (epilepsia) HSAmavata (reumatismo) HSPinasa (rinite crônica) KN Adjuvantes para Diferentes Doenças O alho deve ser fornecido em combinação com osseguintes adjuvantes nas diferentes doenças: Adjuvante IndicaçõesAsvagandha em pó (Withania Emagrecimento extremosomnifera, Dunal)Yastimadhu (Glycyrrhiza glabra, Bloqueio da vozLinn.)Óleo Gulma (tumor fantasma)Khadira (Acacia catechu, Willd.) Kustha (doenças de pele crônicas, incluindo hanseníase)Vidanga (Embelia ribes, Burm. F.) Krimi (infecções por bactérias, parasitas etc.)Ghee e leite Tuberculose256
  • 256. Casca de kutaja (Holarrhena Hemorróidasantidysenterica, Wall.)Triphala (Terminalia chebula, Asma, bronquite e meha (doençasRetz.; Terminalia belerica, Roxb.; urinárias resistentes, incluindoEmblica officinalis, Gaertn.) diabetis)Hingu (Ferula narthex, Boiss.) Doenças causadas por vataMatulunga (Citrus medica, Linn.) Cólicas e timpaniteIogurte Doenças causadas por vataLeite e açúcar Doenças causadas por pitta Rasona Kalpa Nos textos Ayurvédicos estão prescritos diferentesmétodos para a administração de uma droga. Para efeitosduradouros e especialmente para o propósito de rejuvenescimentoas drogas devem ser administradas em altas doses e geralmenteesta elevada quantidade não é tolerada pelas pessoas comuns.Portanto, a dose administrada precisa ser gradualmenteaumentada. Há indicações e contra-indicações para tais terapias.Mesmo para algumas pessoas (inclusive pacientes), para as quaistais drogas estão normalmente indicadas para seremadministradas em pequenas doses, em uma terapia kalpa estãocontra-indicadas. Para obter o máximo de benefício é necessáriocoletá-las de uma maneira específica e combiná-las com outrassubstâncias antes da administração. O médico deve estar atentoàs complicações que podem surgir e ao controle bem sucedido.Isto se deve, em resumo, à natureza da kalpa terapia. Normalmente, são escolhidas para esta terapia drogasaltamente potentes, como o alho. Ela é utilizada para proporcionaruma saúde verdadeira e para prevenir doenças inclusive oprocesso de envelhecimento em indivíduos saudáveis. É 257
  • 257. administrada também para curar algumas doenças resistentes eincuráveis. Pessoas Adequadas para a Administração de RasonaKalpa Esta terapia deve ser administrada apenas em pessoasfisicamente vigorosas, cujo poder de digestão e metabolismosejam adequados. Pessoas Inadequadas para Rasona Kalpa Rasona Kalpa não deve ser administrada em criançaspequenas, gestantes e pessoas portadoras de doenças causadaspor pitta e kapha. Está contra-indicada no primeiro estágio dafebre, nas diarréias, na icterícia, sutika (período imediatamenteapós o parto, ou seja, o puerpério), hemorróidas, constipação edores na garganta e na boca. Aqueles que estão sendosubmetidos a emese, purgação, inalação e enema também sãoinadequados para a terapia. Não deve ser administrada empacientes que estejam sofrendo de sede extrema, vômitos,soluços e asma. Pessoas desprovidas de paciência, que estejamsem assistentes, e aquelas que possuem natureza perversa nãodevem receber esta terapia. De acordo com o Gada nigraha, pacientes portadores deanemia, udara (doenças abdominais resistentes, incluindo asascites), doenças consumptivas, edema, sede, alcoolismo,envenenamento, pessoas com úlceras, acometidas por vômitos,por doenças causadas por pitta, patologias dos olhos e fraquezapodem gerar prováveis complicações se receberem esta terapia.O mesmo deve ser observado para aqueles que apresentamaversão ao álcool, ao açúcar mascavado indiano, ao leite, massase substâncias azedas. Portanto, a administração de Rasona Kalpanestes pacientes deve ser proibida.258
  • 258. Além do mencionado acima, o Harita samhita sugere queesta terapia não seja administrada em pessoas portadoras derakta pitta (doença caracterizada por sangramentos em diferentespartes do corpo), gota e erisipela. Estação Adequada Kasyapa samhita, Gada nigraha e Harita samhita sãounânimes com relação à administração desta terapia durante oinverno. O Harita samhita sugere também como apropriada paraesta terapia a estação chuvosa. Gada nigraha acrescenta aprimavera como adequada para pessoas com predominância devata. Está também estabelecido no Gada nigraha que as pessoasde vata prakrti podem fazê-la em todas as estações, mesmo noverão, sem qualquer dificuldade. Coleta do Allium sativum O alho destinado à kalpa terapia deve ser colhido em umdia chuvoso. Uma pessoa virtuosa, que possua paciência assimcomo felicidade deve empreender este trabalho. Para tal, deve serutilizada uma bolsa feita de seda, algodão, couro ou lã, defumadacom aguru (Aquilaria agalocha, Roxb.) As folhas e as hastes de-vem ser removidas, apenas os bulbos devem ser coletados para opropósito referido. De acordo com o Harita samhita, durante o verão as folhasdestas plantas murcham e os bulbos tornam-se brancos como umovo. Estes bulbos devem ser amarrados dentro de um saco econservados com segurança para uso no futuro. Processamento De acordo com o Kashyapa samhita, a casca do alho deveser removida e os dentes devem ser cortados em pequenospedaços. Estes devem ser conservados dentro de um recipientede ghee, manteiga ou óleo durante dois, três, cinco, oito ou dez 259
  • 259. dias, até que estejam completamente impregnados pela gordura.Isto deve ser administrado a uma pessoa livre de preocupações.Antes do uso, deve-se evitar escovar os dentes e sua refeiçãoanterior deve estar bem digerida. Durante a administração, osBrahmins devem recitar encantamentos auspiciosos. O pacientedeve beber apenas água morna. Se estiver acometido por upa-damsa (um tipo de doença venérea), deve ser fornecido gengibreverde, gengibre seco, açafrão, matuhunga (Citrus medica, Linn.),Punica granatum ou qualquer harita (vegetais ingeridos crus) comexcessão do rabanete. O Gada nigraha prescreve muitos métodos para oprocessamento desta droga. Uma pasta de alho pode serpreparada com a adição de igual quantidade de ghee. O pilão e oalmofariz utilizados para a homogeneização também devem seruntados com ghee. Esta pasta deve ser estocada por doze dias edepois ingerida com leite. Uma pasta de alho preparada recente-mente também pode ser utilizada. Neste caso, deve ser preparadaadicionando-se ghee, impregnado com suco de alho em igualproporção. Sua potência é consideravelmente aumentada seadministrada com água morna. A pasta de alho preparada através da adição de ghee deleite de cabra, conservada durante seis meses, cura doençastorácicas e a febre decorrente da malária. Pode ser empregadanas massagens, bebidas, no colírio e na terapia inalatória. Uma pasta de alho deve ser misturada com óleo ou vinagreem quantidades iguais e conservada dentro de uma montanha degrãos de cevada. Sua administração cura todas as doençascausadas por vayu. Tais pacientes devem ingerir ghee e óleojuntamente com a pasta. Para intensificar a eficácia terapêutica posterior, deve-seadministrar 80 gramas de alho a 120 gramas de gengibre seco,pippali (Piper longum, Linn.) e marica (Piper nigrum, Linn.) e 40260
  • 260. gramas de tvak (Cinnamomum zeylanicum, Linn.) Todas estasdrogas devem ser transformadas em uma pasta fina, e con-servadas em um recipiente untado com ghee durante dois anos,dentro de uma montanha de grãos de cevada. Depois disso, serãoadministradas ao paciente. De acordo com o Astanga hrdaya, os bulbos de alho quecrescem no Himalaia devem ser coletados e conservados dentrode um vinho do tipo madira por uma noite. No próximo dia deveser preparada a pasta destes bulbos, extraindo seu suco. Este émisturado a três partes de vinho. Aqueles que apresentamaversão ao vinho devem utilizar a manteiga de leite ou vinagrepara depois utilizar a terapia. Dosagem Dependendo do poder digestivo e da estação na qualesteja sendo administrada, há variações quanto à melhordosagem. A menor possível é 40 g., a dose média é 60 g. e amelhor dosagem é de 100 g. por dia. Pode ser administrada comuma dose de 100 dentes de alho também. De acordo com oAstanga hrdaya, a posologia deve ser aproximadamente 200 g.Para aqueles que não podem ingerir esta quantidade a dose é de100 g. Deve ser administrada para o indivíduo que já ingeriu arefeição ou antes da mesma. Preparação do Paciente Antes da administração da droga, o paciente deve receberóleo, ghee, gordura, medula óssea, leite, caldo de carne ou adecocção da droga indicada para a doença. Esta preparaçãoauxilia na desobstrução e limpeza da faringe, facilitando aadministração do alho. 261
  • 261.  Método de Administração Deve ser administrada seguida de álcool, o qual deve sernovamente seguido por alho e álcool consecutivamente até quetoda a dose seja ingerida. De acordo com o Gada nigraha, deve ser fornecida aopaciente uma sopa de alho juntamente com uma sopa preparadacom leite ou carne fervidos em sali (um tipo de arroz). Após aingestão do alho deve ser oferecido ghee para beber. Navanitaka prescreve um método diferente deadministração. O corpo do paciente deve estar limpo e ele deveoferecer orações aos deuses, aos Brahmins e ao fogo sagrado. Osuco de alho coado deve ser oferecido para o paciente beber emum dia auspicioso. Complicações e seu Controle Se o paciente sente dor após a administração de RasonaKalpa, deve ser administrada uma terapia de fomentação. No casode vômitos súbitos ou desmaios, deve ser borrifada água friasobre seu corpo. Para aqueles que apresentam uma sensação dequeimação está indicado um banho de água fria. Estes pacientesdevem usar um ornamento de pérolas, cânfora ou flores dejasmim. Anupana Após a administração da terapia, deve ser oferecido álcoolpara o paciente beber, se ele estiver com muita sede. O álcooldeve ser diluído com água. Para aqueles não habituados àingestão de álcool, pode ser oferecida manteiga, sopa de carne,vinagre ou suco de lima. Pode ser oferecida ao paciente água friade poço, de preferência fervida e resfriada antes da administra-ção.262
  • 262.  Cuidados Pós-Terapia Após a administração da terapia deve ser oferecido aopaciente feijão ou ervilha em pó para a limpeza das mãos e daboca, juntamente com água morna. As roupas devem ser pesadase ele deve ingerir noz de areca juntamente com ingredientesperfumados como cravo-da-Índia e cânfora. Não deve serpermitido dormir durante o dia. O odor desagradável que exala docorpo, por causa da ingestão do suco de alho é removido pelaingestão de cravos-da-Índia, cânfora etc. Após a digestão deveser oferecida água fervida. À noite o paciente deve beber águafervida com gengibre antes de deitar-se. Duração da Terapia Deve continuar por quinze dias, um mês ou três meses,podendo chegar até aos quatro meses. O paciente deve evitarrelações sexuais durante este período. É provável que ocorra umdesequilíbrio de pitta em seu organismo. A quantidade total dealimento a ser oferecida ao paciente deve ser muito pequena. OGada nigraha prescreve seis meses como limite máximo e quinzedias como limite inferior para a duração da terapia. Pathya ou Dieta Adequada O paciente que recebeu a terapia rasona kalpa devealimentar-se com cevada ou trigo, que deve ser frito em panela debarro e transformado em pó. Adiciona-se água, substânciasperfumadas e sal. Deve ser oferecido ao paciente arroz tipo salicom mudga (Phaseoles mungo, Linn.) Pode ingerir carne decoelho, veado e outros animais que habitem terras secas, seguidapor substâncias azedas e sal. Pode alimentar-se com frutas comoamalaka (Emblica officinalis, Gaertn.) e Punica granatum (romã).Rabanete fresco pode ser benéfico para ele. Para aqueles queestão habituados a muita gordura será necessário acrescentar 263
  • 263. uma certa quantidade de ghee ao alimento. Pessoas que sofremde kustha (doenças de pele crônicas, incluindo a hanseníase),bronquite, prameha (doenças urinárias crônicas, incluindo odiabetes), esplenomegalia, hemorróidas e gulma (tumoresfantasmas) a dieta deve ser isenta de água. Iogurte ou manteigapodem ser ingeridos por três dias junto com sopa de vegetais. Nospróximos três dias, a sopa de mudga (Phaseoles mungo, Linn.)pode ser ingerida com vinagre. O paciente não deve ingerir carnedeteriorada. A sopa e os alimentos devem ser preparados todosos dias e ingeridos frescos. Álcool, carne e substâncias azedassão invariavelmente úteis para as pessoas que estão recebendo aterapia rasona kalpa. Alimentos e Condutas Insalubres O suco de cana-de-açúcar e seus produtos, viagens emveículos, exposição ao sol e ao vento, longos diálogos,preocupações, dormir durante o dia, passar a noite caminhando, aingestão de massas, relações sexuais e exercícios físicos estãoproibidos para as pessoas que estejam se submetendo à rasonakalpa. Esta pessoa deve dormir em um quarto não exposto aovento. Complicações Decorrentes de Condutas Inadequadas É provável que o indivíduo adquira ascite por causa daingestão de substâncias frias. A ingestão de gordura excessivaresulta em anemia, edema, etc. Dietas com alimentos pesadospodem causar espru e icterícia. Aqueles que ingerem peixepodem ser acometidos por febre, patologias da pele crônicas edoenças consumptivas. Se for administrada no verão, é provávelque o indivíduo adquira distúrbios causados por pitta, cólicas,diarréia, timpanite, náuseas, vômitos, anorexia, soluços, diarréiacrônica e bronquite asmática.264
  • 264.  Tratamento das Complicações Quando surgem tais complicações, elas devem sertratadas de acordo com a terapia indicada para o distúrbio emquestão. Se forem conseqüências do desequilíbrio de kapha, opaciente deve recorrer ao jejum. Pode-se proceder à purgação, àemese e à terapia inalatória. Os medicamentos fortes devem serevitados tanto quanto possível. Cuidados Pós-Terapia Após a administração da terapia, o paciente deve manteruma dieta leve durante sete dias. Pode alimentar-se de gheefervido com triphala e sal durante dois dias. Estes procedimentosauxiliam na eliminação dos doshas residuais do corpo. Depoisdisso, aplica-se um purgativo. Por outro lado, o indivíduo podedesenvolver uma doença de pele crônica. Formulações Combinadas Além da kalpa terapia para o rejuvenescimento e cura dedoenças crônicas e incuráveis, os trabalhos Ayurvédicos estãorepletos de referências a vários tipos de fórmulas a seremutilizadas em pequenas doses e sem quaisquer precauçõeslaboriosas para a cura de doenças comuns. Em algumas destasformulações utiliza-se o alho como simples componente e em ou-tras, as demais drogas devem ser adicionadas ao mesmo.Algumas fórmulas possuem nomes e outras não recebem umadenominação específica nos textos Ayurvédicos. De acordo com uma determinada fórmula, devem sercombinados 40 g. de alho, 80 g. de ghee e um pouco de mel.Devem ser transformados em um emplastro e empregado. Depoiso paciente deve ingerir leite. Após ter sido digerida a poção dealho, deve ser ingerido leite e arroz. Isto deve ser feito durante umano para que a pessoa viva de maneira saudável, livre dedoenças por uma centena de anos. 265
  • 265. Outra fórmula descrita no Kashyapa samhita refere-se aopaciente acometido por doenças causadas por vata que não deveutilizar o alho apenas internamente, mas também externamente.Seu turbante deve ser guarnecido com alho e ele deve utilizarcoroas com a planta. Seus ornamentos para a cabeça e orelhasdevem ser feitos de alho. Suas vestimentas, inclusive mantas,devem ser impregnadas com o suco do alho. Dentes de alhodevem ser amarrados às suas mãos, pernas e pescoço. Asroupas íntimas e a cama devem estar impregnadas com o suco doalho. Sua esposa e serventes devem utilizar o alho de maneirasemelhante. Com este procedimento, todas as doenças causadaspor vata conseguem ser eliminadas imediatamente. A seguir estão outras importantes preparações com alho:1. Suco (svarsa)Lasunadya svarsa (VS)Rasona yoga (BBR)2.Pó (curna)Lasuna yoga curna (GN)Lasunadya curna (BBR)Rasona saptaka (VS)Rasona pañcaka (BBR)3.Pasta (kalka)Lasuna yoga (YR)Lasuna kalka (VS)Rasona kalka (SA)Rasonadi kalka (VM)Rasonadi kalka (GN)4. Decocção (kvatha)Lasunadya kvatha (YR)Lasuna kvatha (BBR)5. Ungüento (lepa)Lasunadya lepa (BBR)266
  • 266. Rasonadi lepa (BBR)6. Preparação láctea (dugdhapaka)Lasunaksira (CS)7.Colírio (añjana)Lasunadyañjana (YR)Lasunañjana (GN)8. Preparação oleosa (taila)Lasuna taila (VS)Lasunadya taila (BR)Rasona taila (VS)9. Preparação com ghee (ghrta)Lasuna ghrta (GN)Lasunadya ghrta (CS)Rasona sarpi (GN)Rasonadya ghrta (CD)10. Preparações alcoólicas (madya)Rasona yoga (BBR)Rasona sura (CD)11. Emplastro (leha)Rasona pinda (CD)Rasona paka (BNR)Rasona paka (BYR)Maha rasona pinda (BR e YR)12. Comprimidos (vataka)Rasona vataka (BNR) Notas e Referências1.Kashyapa samhita, Kalphastana: Lasuna Kalpa: 7-12.2.Gadanigraha; Ausadhi kalpa adhikara: 212-213.3.Astanga hrdaya: Uttarasthana: 39, 112-113.4.Bhavaprakasa: Haritakyadi varga:218. 267
  • 267. 5.Kashyapa samhita, Kalpasthana: Lasuna kalpa: 107-111.6.MV= Madanavinoda; KS= Kashyapa samhita; HS= Haritasamhita; RN= Raja nighantu; KN= Kayadeva nighantu; DN=Dhanvantari nighantu; CS= Caraka samhita; SS= Susruta samhita;NS= Nighantu siromani; BP= Bhava prakasa; RVN= Rajavallabhanighantu; NA= Navanitaka; BBR= Bhavata bhaishajya ratnakara;YR= Yoga ratnakara; VS= Vanga sena; VM= Vrnda madhava;GN= Gada nigraha; CD= Cakradatta; BR= Baishajya ratnavali;BNR= Brhannighantu ratna kara; BYR= Brhat yoga ratnakara.268
  • 268. CAPÍTULO 12 ESTUDO E PRÁTICA No Ayurveda, enfatiza-se a seleção do texto médicoapropriado ao estudo. Os estudantes e professores de medicinadevem possuir uma natureza especial, de forma a seremadequados ao estudo e à prática da medicina. Invariavelmente,são realizadas cerimônias para iniciação dos estudantes àprofissão médica. Seleção de Textos Médicos A pessoa que deseja adotar a profissão médica deve,primeiramente, selecionar um texto adequado sobre medicina,dependendo da competência em empreender um tipo de trabalhosério ou leviano, sua disposição para resultados a longo ou acurto prazo, seu habitat e sua idade. Há muitos destes textos,disponíveis para os médicos, mas devem ser adotados apenasaqueles que possuem os seguintes aspectos característicos:1.Aqueles que são defendidos por eminentes, ilustres e sábios médicos (que são famosos, populares e seguidos por pessoas sábias);2.Repletos de idéias e respeitados por especialistas de reputação;3.Adequados ao desenvolvimento intelectual dos discípulos de todas as três categorias: altamente inteligentes, moderadamente inteligentes e pouco inteligentes; 269
  • 269. 4.Isentos de defeitos de repetição, transmitidos por videntes e que possuam aforismos bem colocados juntamente com comentários em ordem apropriada;5.Que possuam idéias distintas para transmitir;6.Que estejam livres de expressões irregulares e difíceis e que contenham expressões claras e não-ambíguas;7.Que transmitam idéias de maneira ordenada;8.Que se dediquem primariamente à determinação dos objetos reais;9.Que estejam livres de contradições;10.Nos quais não haja qualquer confusão com relação ao contexto;11.Que transmitam rapidamente as idéias;12.Que estejam equipados com definições etiológicas, sintomatológicas, terapêuticas e ilustrações. Seleção de um Professor de Medicina O preceptor ideal é aquele bem versado nas escrituras,equipado com conhecimento prático, sábio, habilidoso, cujasprescrições sejam infalíveis, que seja excelente, que possua todosos equipamentos necessários para o tratamento, que não sejadeficiente com relação a quaisquer órgãos dos sentidos, queesteja familiarizado com a natureza humana e com o tratamentoracional, cujo conhecimento não seja obscurecido pelo conteúdode outras escrituras, que esteja livre da vaidade, da inveja e daraiva, que trabalhe duramente, que tenha uma disposição afetivacom seus discípulos e que seja capaz de expressar suas opiniõescom clareza. Um preceptor com tais qualidades infundeconhecimento médico ao bom discípulo como a nuvem periódicaajuda a trazer uma boa colheita em uma terra fértil. Você deve aproximar-se de tal preceptor e respeitá-locomo fogo, deus, rei, pai e mestre, com todos os cuidados. Apósobter o conhecimento completo da escritura, o discípulo deve270
  • 270. trabalhar novamente e novamente para adquirir profundidade nasmesmas, esclarecimento das expressões, compreensão dosvários conceitos e poder de oração. Seleção do Estudante de Medicina Uma pessoa que possua as seguintes qualidades deve serescolhida como um estudante de medicina:1.Tranquilidade;2.Generosidade;3.Aversão às atitudes desprezíveis;4.Condições normais dos olhos, da face e da saliência do nariz;5.Língua fina, vermelha e clara;6.Ausência de qualquer desequilíbrio nos dentes, lábios e voz;7.Perseverança;8.Livre de vaidade;9.Possuidor de inteligência, poder de raciocínio e memória;10.Mentalidade liberal;11.Nascido na família de um médico ou que tenha otemperamento de um médico;12.Desejoso de saber a verdade;13.Fisicamente perfeito;14.Sentidos não enfraquecidos;15.Modéstia e ausência de ego;16.Habilidade para compreender o real significado das coisas;17.Ausência de irritabilidade;18.Ausência de vícios;19.Bom caráter, puro, boa conduta, amor aos estudos, entusiasmoe temperamento simpático;20.Devoção ao estudo;21.Predileção ininterrupta pela teoria e prática da ciência;22.Ausência de ganância e preguiça;23.Boa vontade para com os seres vivos;24.Obediência a todas as instruções do preceptor; 271
  • 271. 25.Devoção ao preceptor. Iniciação ao Estudo Deve ocorrer durante um favorável muhurta (uma unidadede tempo que consiste de 48 minutos, também denominado Siva,Bhujanga etc.) e um auspicioso ksana (divisão do dia utilizada naciência astrológica), quando a lua estiver favorável em virtude desua conjunção com as constelações de Pusya, Hasta Sravana ouAsvayuk, em um dia auspicioso de uma quinzena luminosa deuttarayana (solstício do verão) no qual o discípulo deve estarcumprindo o jejum, com o corpo limpo, vestindo uma roupa cor deaçafrão e com material perfumado nas mãos. Deve trazer consigosamidha (ramos secos empregados em oferendas), fogo, ghee,pasta de sândalo, um recipiente de barro cheio de água,grinaldas, lâmpadas, ouro, ornamentos de ouro, prata, pedraspreciosas, pérolas, coral, vestimentas de seda, paridhi ou varetasde palasa (Butea monosperma, Kuntze.) de 50 cm. que serãocolocadas nos quatro lados do homakunda (uma lareira escavadaretangularmente para oferendas), kusa (Desmostachya bipinnata,Stapf.), arroz frito, sarsapa (Brassica nigra, Koch.), aksata (arrozdescascado e em grão), flores brancas soltas e grinaldas feitascom as mesmas, gêneros alimentícios que promovam o intelecto epastas perfumadas doces. Quando o discípulo chega com os preparativosmencionados acima, o médico já deve ter construído um sthandila(um quadrado de dois metros em um local elevado) com um ladopara a direção norte ou leste, em local plano e puro, untado comesterco de vaca, espalhado kusa (uma erva) sobre a área edeixado uma boa margem em todos os lados. Este local deveestar decorado com pasta de sândalo, vaso de barro, água,tecidos de seda, ouro, ornamentos de prata, ouro, pedraspreciosas, corais e gêneros alimentícios. Após realizar o homa, oestudante deve ser iniciado no estudo.272
  • 272. Os Médicos e suas Características No Ayurveda, os médicos são classificados em trêscategorias:1.Pseudomédicos;2.Aqueles que fingem ser médicos e3.Médicos genuínos Aqueles que parecem médicos simplesmente por exibiremuma maleta de médico contendo drogas, livros de medicina,blefando e se apresentando como médicos pertencem à primeiracategoria. São ignorantes da ciência da medicina e simplesmenteimpostores. Aqueles que se caracterizam por sua ligação com pessoasrealizadas na riqueza, na fama e no conhecimento tambémpassam a ser conhecidos como médicos, apesar de não o serem.Pessoas desta categoria estão relacionadas como aqueles que sepassam por médicos. Aqueles que são educados na administração de terapias epossuem discernimento assim como conhecimento da terapêutica,que são dotados de sucesso infalível e podem levar felicidade aopaciente são salvadores de vidas. Tais médicos estãoclassificados sob a categoria de médicos genuínos. Características de um Bom Médico Médicos nascidos em famílias nobres, bem letrados, comexperiência prática, habilidosos, puros, cujas prescriçõesterapêuticas e procedimentos cirúrgicos sejam infalíveis e quepossuam todos os equipamentos, que sejam dotados de órgãossensoriais saudáveis e autocontrole, familiarizados com asmanifestações naturais e que possuam presença de espírito sãosalvadores de vidas e destruidores de doenças. Tais médicos sãobons conhecedores da anatomia e fisiologia humana, da formaçãoe do desenvolvimento do corpo e da origem e evolução do 273
  • 273. universo. São livres de dúvidas relacionadas com a etiologia, comos primeiros sintomas e sinais, com a sintomatologia e sinais reaisassim como o controle das doenças facilmente curáveis, daquelasdifíceis de curar, daquelas que podem ser aliviadas e dasincuráveis. São versados nos seguintes temas:1.Nos três princípios da ciência da vida (ou sejam, a etiologia, asintomatologia e o controle do bom e do mal estado de saúde);2.Nos princípios fundamentais e sua elaboração;3.Nas três fontes de drogas;4.Nas trinta e cinco raízes e frutas, quatro tipos de gorduras, cincotipos de sais, oito tipos de vinhos, oito tipos de leites e seisplantas cujo látex e cascas são úteis;5.Nos vários tipos de drogas utilizadas nas cinco terapiaseliminativas;6.Nos vinte tipos de sopas;7.Nos trinta e dois tipos de pós e pomadas;8.Nos seiscentos tipos de purgativos;9.Nos quinhentos tipos de decocções;10.Nos fatores responsáveis pela manutenção da saúdeverdadeira, incluindo dieta, drogas, conduta, residência,movimento, sono, repouso, doses, colírio, fumo, inalação, unção,lavagem, não-supressão das necessidades básicas, supressãodas necessidades psíquicas, exercícios físicos e saúde paraexaminar os órgãos sensoriais;11.Conhecimento dos quatro aspectos terapêuticos e seusdezesseis fatores;12.Na determinação da natureza das doenças;13.Nos três objetivos da vida;14.Nas várias ações de vayu;15.Nos quatro tipos de substâncias gordurosas preparadas deacordo com vinte e quatro métodos, com drogas de vários274
  • 274. sabores, cujas combinações e permutações perfazem sessenta equatro tipos;16.Nos vários métodos de preparação das drogas e terapias paraoleação, fomentação, emese e purgação;17.Nas doenças da cabeça etc;18.No resumo das doenças causadas pela combinação epermutação dos vários doshas;19.Nas doenças como carbúnculos e abscessos;20.Nos três tipos de edemas e outras doenças que apresentemdistensão em qualquer parte do corpo;21.Nos quarenta e oito tipos de doenças;22.Nos cento e quarenta tipos de doenças da variedadenanatmaja (doenças causadas especificamente por um dosha);23.Na etiologia, nos sinais, sintomas e controle de pessoasmesquinhas que sejam muito corpulentas ou magras;24.Na natureza prejudicial e benéfica do sono, do repouso e dosono excessivo, juntamente com sua etiologia e controle;25.Nas seis medidas terapêuticas como a terapia de alívio etc;26.Nos sinais, sintomas e tratamento das doenças decorrentes dasuperalimentação e da subnutrição;27.Nas doenças causadas pelo desequilíbrio do sangue, ou seja,intoxicação, desmaios e síncopes juntamente com suas etiologias,sinais, sintomas e tratamento por medicamentos ecomportamento;28.Nas regras dietéticas, na preparação de alimentos de naturezasaudável ou insalubre;29.Na natureza das dietas e condutas mais importantes dentro deseu grupo;30.Nos quarenta tipos de preparações alcoólicas;31.Na determinação do dravya (matéria), guna (qualidade),karman (ação) primários e secundários dos sabores;32.Nos vários tipos de ingredientes alimentares incompatíveis; 275
  • 275. 33.Nos ingredientes dos alimentos e bebidas classificados emdoze grupos, juntamente com suas propriedades;34.Nas propriedades dos líquidos pós-prandiais;35.Nos nove fatores que necessitam de observação paradeterminar as propriedades do alimento;36.Nos processos digestivos e metabólicos;37.Nos bons e maus efeitos dos alimentos saudáveis e insalubres;38.Nas doenças causadas pelo desequilíbrio dos vários elementosteciduais assim como, em resumo, seus tratamentos e39.Nos dez refúgios da vida. Estes médicos compreendem as oito seções do Ayurveda(Ciência da Vida) em sua totalidade assim como seu campo deação. Possuem o poder da compreensão, da memorização e dodomínio do texto. Aplicam seu conhecimento assim adquirido parao tratamento das doenças com o objetivo de trazer os dhatus aoseu estado de equilíbrio, após dominar o estágio da doença, comsua própria habilidade e com as propriedades das drogasempregadas. São dotados de boa memória, inteligência,conhecimento teórico e prático. Nutrem sentimentos cordiais portodas as criaturas exatamente como pai, mãe, irmãos e familiares.Os médicos que possuem tais qualidades dão vida ao paciente ecuram suas doenças. Características dos Médicos Fingidos e Pseudomédicos De acordo com o Caraka, tais médicos são aqueles que semovem de uma rua para outra à procura de sustento, vestidos demédico. Quando ficam sabendo que alguém está doente,aproximam-se do mesmo e começam a enumerar suas própriasqualidades em voz alta de modo que o paciente possa escutá-lo.Se o paciente já está sob tratamento, tentam descobrir falhas emais falhas com relação ao médico que o está assistindo. Cativaos amigos do paciente com maneiras agradáveis, calúnias e276
  • 276. adulações. Propaga também que está interessado apenas emuma remuneração sem importância. Depois de bem sucedido emconquistar o paciente, examina-o muitas vezes, cuidadosamente,tentando ocultar sua ignorância. Se não for capaz de aliviar adoença, alega que faltou ao paciente autocontrole, assistência eequipamentos. Assim que o paciente falece, parte para outroslocais com outra aparência. No encontro entre leigos, proclamasua habilidade, em caráter contraditório. Como uma pessoaimpaciente, fala mal da paciência dos indivíduos corajosos. Nocaso de encontrar uma reunião de sábios, imediatamente afasta-se para longe do local. Caso tenha o conhecimento superficial dealguma fórmula terapêutica, nunca hesita em citá-lo, sem qualquercuidado com a importância do assunto. Não aprecia qualquerpergunta feita por outros nem gosta de colocar qualquer questãopara outro. Torna-se perturbado pelo questionamento como seatacado pela morte. Ninguém sabe nada sobre seu preceptor,discípulos, colegas de classe ou mesmo seus concorrentes. Os pseudomédicos, com sua aparência, tentam capturar opaciente como um caçador de pássaros pega sua vítima naarmadilha. Estão distantes da teoria, da experiência prática, doconhecimento sobre os períodos de administração das terapias esuas doses. São como mensageiros da morte sobre a terra;portanto, não podem ser acolhidos. 277
  • 277. CAPÍTULO 13 OUTROS SISTEMAS TRADICIONAIS DE MEDICINA Juntamente com o Ayurveda são praticados na Índia,tradicionalmente, os sistemas Unani, Siddha, Emchi e aNaturopatia. A Yoga e o Tantra, basicamente significativos para aobtenção de um estado espiritual elevado são eventualmenteutilizados para tratar doenças. Todos estes sistemas tradicionaispossuem muitos princípios fundamentais em comum com oAyurveda. Mesmo na prática existe entre eles uma livre troca deconhecimentos. Unani Tibb O sistema Unani Tibb de medicina, como já indica o nome,foi proposto originalmente por estudiosos e filósofos gregos edesenvolvido posteriormente nos países árabes. Este antigosistema está fundamentado nos conceitos médicos da Gréciaantiga de Hipócrates e Galeno. Originou-se e desenvolveu-se como auxílio das contribuições dadas por eminentes médicos dasdiferentes regiões, independente de suas afinidades religiosas.Em 750 D.C., quando Abbasids subiu ao poder na Arábia, haviaum empreendimento organizado para o aprendizado científico. Poresta razão, textos médicos da Grécia e da Índia foram traduzidos278
  • 278. por estudiosos convidados de diferentes países. Este trabalho foiefetuado sob o patrocínio dos califas Harun-al-Rashid e seu filho,al-Mamum, nos séculos 8 e 9. A tradução dos textos médicos daGrécia e da Índia e seu estudo originou o estabelecimento demuitos centros médicos beneficentes, hospitais, bibliotecasmédicas e faculdades no império árabe. Nos séculos 10 e 11, ostrabalhos sobre este sistema de medicina foram traduzidos para opersa por estudiosos famosos como al-Razi (Rhazes). Outroeminente médico deste período foi Ibn Sinha (980-1037 D.C.),popularmente conhecido como Avicena. Seu conhecimento eramultifacetado e multidimensional. Sua obra ―Al Quanun‖ (Cânone)lida com os princípios fundamentais do sistema de medicina.Rhazes e Avicena eram de origem persa. Suas obras sobremedicina foram, no entanto, escritas em árabe. Quando a ÁsiaCentral foi atacada por mongóis, como Gêngis Khan e Timur, osmédicos e estudiosos desta região foram forçados a deixar seuspaíses nativos e dispersaram-se para os diferentes Estadosvizinhos como a Índia, ou seja, para Delhi, naquela época sob ogoverno de sultões como Allauddin Khilji (1296-1321 D.C.), quemantinham boas relações com Bagdá. Portanto, os estudiosos emédicos da Ásia Ocidental e Central conseguiram um refúgioseguro sob sua proteção e Unani Tibb tornou-se popular na Índia.As condições da Índia na época eram ligeiramente diferentesdaquelas que prevaleciam nos países árabes e o sistema Unanide medicina foi submetido a certas mudanças significativas paraacomodar os costumes, as tradições e as condições geográficasdeste país. Durante o período Moghul, entre os séculos 15 e 17 D.C.,hospitais e clínicas Unani foram abertos em diferentes regiões dopaís e os governantes patrocinaram muitos estudiososAyurvédicos e Unanis, famosos na época por seu conhecimentomédico. Apesar da queda do império Moghul, o povo da Índia 279
  • 279. patrocinou o sistema Unani de medicina, seus médicos, assimcomo seus estudiosos. Muitos estudiosos Ayurvédicos enri-queceram seu sistema de medicina com o auxílio doconhecimento das drogas utilizadas no sistema médico Unani. Princípios Fundamentais do Sistema Unani de Medicina O sistema Unani baseia-se na antiga teoria grega dosquatro humores e dos quatro elementos básicos. A composição docorpo humano, assim como a dos medicamentos, são explicadascom base em certos princípios fundamentais: 1)Arkan(elementos), 2)Mizaj (temperamento), 3)Akhlat (humores), 4)Aza(órgãos), 5)Arwah (espíritos vitais ou sopros vitais), 6)Quva(energia) e 7)Afa‟al (ação).Arkan (Elementos) De acordo com o sistema Unani de medicina, existemquatro elementos básicos denominados mitti (terra), aag (fogo),pani (água) e hawa (ar). Estes quatro elementos básicos sãoreminiscências do pañcabhautica, conceito de matéria doAyurveda. Estes elementos básicos combinam-se para produzir osórgãos (aza) e o espírito vital (arwah). Estes órgãos e o espíritovital combinam-se para juntos produzirem energia (quva) que éresponsável pela manifestação dos diferentes tipos de ações(afa‟al) fisiológicas no corpo.Mizaj (Temperamento) Este é um importante conceito da medicina Unani e formaa base do diagnóstico assim como do tratamento e seleção deuma droga para preveni-la e curá-la.Akhlat (Humores) Assim como o conceito de tridosha do Ayurveda, o sistemaUnani de medicina acredita nos quatro humores básicos queregulam as funções fisiológicas do corpo–são eles balgam(fleuma), khoon (sangue), safra (bile amarela) e sauda (bilenegra). Estes quatro humores representam as quatro modalidades280
  • 280. primárias dos elementos básicos; permanecem no corpo em umaproporção definida para conservá-lo saudável e qualquer distúrbioem sua predominância relativa resulta em morte e decadência.Estes humores são produzidos durante o processo de digestão emetabolismo. Juntos, todos estes sete conceitos básicos do sistemaUnani são chamados Umur-e-Tabia. Sistema Siddha de Medicina Siddha é um termo sânscrito que significa ―perfeição‖. Aspessoas que realizaram a perfeição espiritual são tambémdenominadas siddhas. A região sul da Índia deu origem a grandessantos no passado e eles conseguiram grandes realizações nosdiferentes campos da arte e da ciência. Como parte da culturaindiana, com freqüência o conhecimento entre os santos do nortee do sul passavam por um intercâmbio sendo, portanto, muitodifícil definir uma linha demarcatória entre o Ayurveda e o sistemade medicina concebida, patrocinada e propagada pelos santos(siddhas) do sul da Índia. Alguns dos princípios básicos doAyurveda e do sistema Siddha de medicina são comuns.Entretanto, este sistema tem oferecido uma contribuição única esignificante para a terapêutica e farmácia. Mitologia sobre a Origem do Sistema Siddha De acordo com a tradição, foi o deus Shiva quem revelou oconhecimento do sistema médico Siddha à sua consorte, Parvati,que o transmitiu ao seu descendente Nandi. Todos os Siddhas ousantos aprenderam este sistema de medicina através de Nandi.Por esta razão, este sistema é conhecido como escola Saiva demedicina. 281
  • 281. Os Tamils possuem uma civilização única e distinta. Ahistória documentada remonta a milhões de anos. A origem dalíngua Tâmil * é atribuída ao sábio Agastya e o sistema Siddha demedicina também é atribuído à ele. Seu nome é encontrado emdiferentes puranas, tanto em tâmil como em sânscrito. Propositores do Sistema Siddha de Medicina A seguir está a relação dos dezoito Siddhas quepropuseram este sistema de medicina:Nandi, Agasthyar, Thirumular, Punnakkesar, Pulasthiyar,Poonaikannar, Idaikkadar, Bogar, Pulikai Isar, Karuvurar,Konkanavar, Kalangi, Sattainathar, Azhuganni, Agappai, Pambatti,Thevaiyar, Kudhamlai. Nomes como Bogar, Idaikkadar e Thevaiyar são de origemrecente enquanto que os Siddhas viveram provavelmente naIdade Média. Há autores de tratados de medicina Siddha comoSattaimuni, Yogimuni, Machamuni, Kakabusundar etc., cujasobras atualmente estão disponíveis em partes e continuam sendoutilizadas. Alguns destes santos são mantidos em alta estimacomo proponentes do sistema Ayurvédico também. Princípios Fundamentais Este sistema de medicina compartilha com o Ayurvedaalguns dos princípios fundamentais como a teoriaPañcamahabhuta, a teoria dos Tridoshas e do Sapta dhatu. Há,entretanto, variação considerável na classificação e no uso dasdrogas entre estes sistemas. Os Siddhas pertencem ao Saiva sampradaya e, de acordocom este sistema, todo o universo é composto de duas entidadesessenciais – a matéria e a energia que os Siddhas chamam Siva e*N. do T.: A mais culta das línguas dravídicas, falada no sul da Índia e aonorte e oeste de Sri lanka.282
  • 282. Sakati respectivamente. A matéria não pode existir sem a energiae vice-versa. O componente material do universo é posteriormentesubdividido em cinco: 1) munn; 2) neer; 3) thee; 4) vayu e 5)akasan. Eles são idênticos aos Pañcamahabhutas do Ayurveda. Em consideração à significativa contribuição que osSiddhas têm dado à matéria médica e à farmácia, umacaracterística única do sistema precisa ser mantida em mente. Aprevenção e a cura da doença são os objetivos básicos de todosos sistemas de medicina. O sistema Siddha possui, além disso,uma preocupação com a imortalidade do corpo. Classificação das Drogas Além da divisão nas categorias vegetal, animal, metálica emineral, os Siddhas também classificam as drogas sob asseguintes seis categorias:1. Uppu (Lavanam): Drogas solúveis em água e que calcinamquando colocadas no fogo dando origem a vapor. São,evidentemente, compostos inorgânicos hidrossolúveis quedesprendem água da cristalização ou decompõem-se e emitemgases quando inflamados.2.Pashanam: Drogas que não são solúveis em água masdesprendem vapores quando submetidos ao fogo, compostosinorgânicos que não se dissolvem na água e não se decompõemsob o fogo.3. Uparasam: Drogas que não se dissolvem na água, mas quedesprendem vapores quando colocados no fogo, quimicamentesemelhantes ao Pashana, diferindo nos modos de ação.4. Loham: Ligas metálicas e metais que não são solúveis em águamas derretem quando colocados no fogo e solidificam quandoresfriados.5. Rasam: Drogas que são moles, sublimam quando colocadas nofogo, transformam-se em pequenos cristais ou pós amorfos – 283
  • 283. mercúrio, combinações e compostos de mercúrio, arsênico etc. Osquais sublimam sob o calor.6. Gandhakam: Enxofre insolúvel em água, cauteriza-se quandosubmetido ao fogo. A partir das duas últimas categorias, os médicos Siddhapreparam compostos com propriedades inteiramente diferentes,que diferem dos Rasam e Gandhakam pois não queimam, nãodesprendem vapor e não sublimam quando aquecidos no fogo. No sistema Siddha de medicina, os metais e aspreparações metálicas são também classificadas de acordo comos cinco mahabhutas, como relacionados abaixo:Bhuta Metal PashananPrithvi Ouro Trisulfeto de ArsênicoAppu Chumbo Veeram (Cloreto de mercúrio)Theyu Cobre Lingam (Sulfeto de mercúrio vermelho)Vayu Ferro Vellai pashanam (Arsênico branco)Akasam Zinco Cendi (Enxofre) Diagnóstico das Doenças Os Siddhas dedicam grande importância ao exame dopulso, da urina e dos olhos, língua, voz, tato e coloração das fezespara o diagnóstico de um paciente. Kalpa Cikitsa O sistema Siddha desenvolveu uma disciplina denominadaKaya kalpa destinada a uma longevidade completamente livre dedoenças.284
  • 284. Emchi ou Sistema Tibetano de Medicina Este sistema de medicina tradicional é prevalente entre apopulação budista do Laddakh, Lahul, Spiti, Darjeeling, Sikkim ealgumas outras regiões do Himalaia. O povo destas regiõespossui cultura e costumes predominantemente tibetanos e para otratamento de suas doenças habituais recorrem ao auxílio dosistema tibetano de medicina. Antes da difusão do Budismo no Tibete, os habitanteslocais, seguidores da religião Bon, possuíam um tipo de medicinatradicional que foi consideravelmente influenciada pelos princípiosfundamentais do Ayurveda. Esta influência cresceu com o adventodo Budismo. Eles seguiram as mesmas teorias de pañca-mahabhuta, tridosha e saptadhatu do Ayurveda. Também utilizamdrogas Ayurvédicas, mas empregam simultaneamente, emconsiderável proporção, suas próprias plantas medicinais quecrescem em elevadas altitudes. Em uma de suas escriturasreligiosas, ou seja, no Tanjur, estão incluídas 22 obrasAyurvédicas traduzidas. Na literatura antiga, possuem tambémmuitos trabalhos, sendo que o mais popular é conhecido como―rGyu-bzhi‖ (pronunciado como Gyu-si). Esta obra possui quatropartes: Título em tibetano Sânscrito Equivalente em portuguêsI- Rtsa rgyud Mula tantra O Texto IntrodutórioII- Rsad rgyud Akhyata tantra O Texto ExplicativoIII- Man nag rgyud Upadesa tantra O Texto das InstruçõesIV- Phyi ma rgyud Uttara tantra O Texto Conclusivo 285
  • 285.  Classificação do Conhecimento De acordo com a mais popular das tradições tibetanas,todas as escrituras leigas e religiosas, conhecidas como Rig gnas(literalmente, vidya sthana ou conhecimento), estão divididas emdez categorias. Cinco delas formam um grupo de matériasmaiores que incluem as seguintes: Título em tibetano Sânscrito Equivalente em português1.Bzo-rig-pa Silpa sastra Tecnologia, etc.2.Gso-ba-rig-pa Cikitsa sastra Medicina3.Sgra‟i-rig-pa Shabda sastra Gramática4.Tshad-ma-rig-pa Pramana sastra Lógica5.Nan-don-rig-pa Dharma sastra Religião As cinco categorias restantes são conhecidas como ogrupo das matérias menores e são elas: Título em tibetano Sânscrito Equivalente em português1. Snan dnags Kavya sastra Poesia2. Sbed sbyor Chanda sastra Geometria3. Mnon brjod Abhidhana sastra Lexicologia4. Zlos gar Natya sastra Dramatização5. Rcis Jyotisa sastra Astrologia Relações Indo-Tibetanas A amizade entre Índia e Tibete é muito antiga. Mesmoalguns historiadores tibetanos atribuem o primeiro reinado doTibete a um indiano, gNa-khri-btsan-po, descendente do reiBimbisara. O contato indo-tibetano assumiu seu aspecto formal286
  • 286. durante o reinado de Sron-bstsans-gan-po. Este rei casou-se comuma princesa nepalesa e uma princesa chinesa e, durante seureinado, o Budismo foi introduzido no Tibete, sendo reconhecidocomo religião oficial daquele país. Ele governou o país até 650D.C. e convidou muitos estudiosos indianos, inclusive médicos,para que visitassem seu país. A Índia e o Tibete tornaram-se maispróximos durante a metade do século XI, quando o rei Ye-ses-‘odenviou um grupo de estudiosos tibetanos para a Índia para oestudo das escrituras. Convidou também um grupo de estudiososindianos sob a liderança de Atisa Dipankara. Muitos textosAyurvédicos foram traduzidos do sânscrito para o tibetano entreos séculos 12 e 14 D.C. Vairocana, discípulo de Padmasambhava, veio para a Índiae aprendeu medicina com vinte e cinco professores e estudiosos.De Candranandana, aprendeu o ―rGyud-bzhi‖. No século 10 D.C.,Rin-chen bzan-po veio à Índia e durante dez anos aprendeumedicina, pagou uma centena de moedas de ouro a um Pânditade Kashmir chamado Jnardana, e aprendeu com ele 120 capítulosdo ―Yan-lag brgyad-pa‟i snin-po bsduds-pa‖, ou seja, o―Astangahrdaya Samhita‖ juntamente com seu comentário―Candrika‖, escrito por Candranandana. Durante a última metadedo século 10 D.C., o Pândita indiano Dharma Srivarman,juntamente com Sne-bo lo-tsa-ba, Dbyig-gi‘ Rin-chen e outrostraduziram o famoso auto-comentário ―Vaiduryakabhasya‖, porVagbhata, sobre seu próprio trabalho ―Astanga hrdaya‖. Mesmo que o sistema de medicina tradicional tibetanotenha sido grandemente influenciado pelo Ayurveda, foramrealizados grandes avanços em diferentes áreas. Seu sistema dedissecar cadáveres, dando-os aos urubus, deu-lhes oportunidadespara desenvolver um extenso conhecimento anatômico, o qual éescasso no Ayurveda. O desenvolvimento dos exames do pulso eda urina na medicina tibetana é único e estudiosos competentes 287
  • 287. da área sugerem que os exames empregados pelos eruditos emAyurveda na Índia sejam emprestados dos estudiosos tibetanos. Aflora e a fauna do Tibete são diferentes daquelas encontradas naÍndia. Baseada nos princípios fundamentais enunciados noAyurveda, a matéria médica da medicina tibetana foiconsideravelmente enriquecida pelo acréscimo de plantasmedicinais e produtos animais ao seu sistema médico. Osmédicos receberam o patrocínio dos monastérios e dosgovernantes do Tibete e escolas médicas de reputação foramestabelecidas durante o período medieval. Chakpori e Men-tsi-khang são alguns dos mais importantes centros médicos do Tibeteonde lamas não só deste país mas também de outras regiõesdistantes como Mongólia, da República Buryat da RússiaSoviética, do Japão e da China recebiam o treinamento médico.Nagarjuna, o famoso filósofo, reformador religioso, alquimista eestudioso do tantrika da Índia era altamente estimado peloseruditos tibetanos e suas obras sobre medicina foramabundantemente traduzidas e adaptadas para a prática diária.Entre os estudiosos tibetanos estão Bu-ston e Dre-si sangs-gyegyam-tso escritores de muitas obras originais sobre medicinatibetana que enriqueceram sua literatura. Prakrtika Cikitisa (Naturopatia) História Os princípios fundamentais da Naturopatia derivam dossistemas filosóficos da Índia antiga. Eles podem ser encontradostambém nos Vedas, nos clássicos Ayurvédicos e na Yoga. Há,portanto, muitas semelhanças nas práticas destes sistemas.Mesmo que a Naturopatia em geral não acredite em medica-mentos destinados a terapêutica, alguns deles empregam288
  • 288. vegetais não-tóxicos do Ayurveda em seus pacientes. Algunsempregam mesmo algumas posturas da Yoga e do Pranayamapara o tratamento das doenças. Mahatma Gandhi, pioneiro do movimento deindependência na Índia, chamado ―Pai da Nação Indiana‖mostrava grande interesse pela Naturopatia por causa de suaabordagem simplificada, fácil de manobrar e sua utilidadeterapêutica. Princípios Fundamentais Quando o homem se expõe às excentricidades da naturezae favorece a satisfação indiscriminada de seus desejos, eleadoece. É necessário que disponha de métodos para eliminarestas dificuldades. Uma vez que as doenças são causadas peloscaprichos da natureza, seria natural que o indivíduo observasse oambiente que o circunda para coletar informações para a cura desuas doenças. O corpo humano, de acordo com a filosofia indiana, écomposto de cinco mahabhutas denominados prtvi, jala, agni,vayu e akasa. Eles estão em uma proporção particular nos váriostipos de tecidos do corpo humano. Se o equilíbrio de seu corpo émantido, o homem permanece saudável. O equilíbrio destesmahabhutas sempre experimentam mudanças por causa dosprocessos fisiológicos que ocorrem no interior do organismo etambém como conseqüência das atividades físicas e mentais doindivíduo. Para preencher a perda, o indivíduo deve levar estesmahabhutas para o interior do corpo, principalmente através dosalimentos, das bebidas e do ar. Ele deve estar seguro de que oalimento ou a bebida ingeridos possuem exatamente a mesmacomposição daquela que seu corpo está necessitando. Para umhomem comum, é muito difícil compreender este problema. Àsvezes ele favorece os excessos, conscientemente, para satisfazerseus desejos, e então é acometido pelas doenças. Para corrigi-las 289
  • 289. são necessários alimentos, bebidas e outros métodos naturais emquantidades adequadas. Este é essencialmente o fundamento daNaturopatia. O princípio básico da cura natural é de que toda curavem de dentro do próprio corpo. Existem forças autocurativasinerentes ao corpo humano trabalhando para manter o estado desaúde. São estas forças que tratam e eliminam a doença, sendoque o médico, através de suas ténicas de cura natural, deveauxiliar. Prática da Naturopatia Para a eliminação destes produtos residuais do corpo, umnaturopata utiliza diferentes tipos de exercícios físicos, dietas ejejum. Utiliza diferentes tipos de água e são prescritas compressasde barro e banhos de sol para o tratamento das doenças. Nos países ocidentais, a naturopatia existente é diferentedaquela praticada pelos naturopatas indianos. A Naturopatia éessencialmente um tratamento sem drogas. Diferentesequipamentos sofisticados são utilizados no Ocidente paramassagem etc., semelhantes àqueles empregados pelafisioterapia da medicina moderna. Na Índia, os naturopatas, emsua maioria, dependem de alguns métodos simples e naturais nouso da lama, da água, dos raios de sol, do ar etc. Dá-se grandeênfase ao uso das frutas e para que sejam evitados os temperos eos alimentos excessivamente frios. Yoga A filosofia da Yoga é um presente incalculável do grandesábio Patanjali para todos aqueles que buscam a realizaçãoespiritual. É de grande auxílio para aqueles que desejam realizar aexperiência do espírito como um princípio independente, livre detodas as limitações do corpo, dos sentidos e da mente. O valor da290
  • 290. Yoga, como um importante método para a realização dasverdades espirituais da filosofia indiana, tem sido reconhecido porquase todos os sistemas indianos. Há uma clara evidência dereconhecimento das práticas da Yoga já nos Upanisads, nosSastras e nos épicos que determinam as práticas religiosas daÍndia. Através dos anos, a sociedade indiana fundamentoufirmemente sua religião e é por esta razão que o sistema de filoso-fia iogue e suas várias práticas ganharam popularidade nestepaís. Princípios Fundamentais O objetivo básico das várias prescrições da Yoga é impediras alterações da mente ou citta. A mente passa por cinco tipos demodificações. São elas:1. Pramana ou reconhecimento da verdade;2. Viparyaya ou falso conhecimento;3. Vipalka ou o conhecimento verbal;4. Nidra ou sono e5. Smrti ou memória. O domínio dos tamas no citta (mente) impede o despertarda consciência. Quando citta está modificado, o próprio ser estárefletido nele e tende a atribuir esta modificação como um estadode si mesmo. Isto resulta em uma falsa realização do eu que estásujeito ao nascimento e ao desenvolvimento, à decadência e àmorte nos diferentes estágios da vida. Portanto, a dependência doeu deve-se à identificação com as modificações mentais e quandoestas modificações deixam de existir o resultado é a liberação. Há cinco diferentes condições ou níveis de vida mental, oucittabhumi. O primeiro estágio é denominado ksipta, no qual amente está sob a influência de rajas e tamas e é atraído pelosobjetos dos sentidos e pelos meios de obter poder. O segundoestágio é mudha, marcado pelo excesso de tamas na mente, aqual apresenta uma tendência ao vício, à ignorância, ao sono e 291
  • 291. outros. O terceiro estágio é viksipta ou abstração, no qual a menteestá livre da influência de tamas e apresenta apenas um toque derajas. Possui a capacidade de manifestar todos os objetos e trans-formá-los em virtude, conhecimento etc. O quarto estágio éekagrata ou concentração no qual a mente está limpa dasimpurezas dos rajas e há perfeita manifestação do sattva. Istoauxilia na concentração prolongada da mente em um objeto fixocom a finalidade de realizar sua verdadeira natureza. Nesteestágio a mente está preparada para se desfazer de todas assuas manifestações. As práticas iogues sempre objetivam a obtenção dosúltimos dois estágios da mente citados acima. Através desteprocesso o indivíduo pode obter a consciência distinta do objetode contemplação, conhecida como samprajnata samadhi ou suamente deve estar completamente afastada de qualquerpensamento e isto é conhecido como asamprajnata samadhi. Amente neste estágio consegue concentrar-se em um objeto físicogrosseiro, como a imagem de um deus ou deusa (savitarka), oupode concentrar-se em um determinado objeto como tanmatra*(savicara). No último estágio, o iogue deve concentrar-se em umobjeto mais sutil como os sentidos ou a substância do ego com oqual o eu está geralmente identificado e a pessoa obtém osestágios de sananda e sasmita samadhi. Para alcançar este estágio da mente, certas práticas sãonecessárias, conhecidas como Yogangas. São elas:1. Yama ou auto-restrição;2. Niyama ou observação das prescrições escriturais;3. Asana ou postura física;4. Pranayama ou controle da respiração;5. Pratyahara ou remoção dos sentidos;6. Dharana ou atenção ou concentração da mente;* N. do T.: Ver página 18292
  • 292. 7. Dhyana ou meditação e8. Samadhi ou meditação profunda. Os primeiros cinco estágios são conhecidos comobahiranga ou forma externa da Yoga. Os outros três estágios sãoconhecidos como antaranga ou forma interna da Yoga. Osprimeiros cinco estágios exercem um considerável controle sobreo corpo e a mente para torná-los livres das doenças, de modo queos três estágios subseqüentes possam ser convenientementeadotados pelo indivíduo. Yama ou auto-restrição compreende abstenção daviolência, roubo e ganância, adesão à verdade e celibato. Apureza, a satisfação, a penitência, o estudo das escriturasreligiosas e a entrega a Deus, isto constitui Niyama. Estesprimeiros dois estágios da Yoga fornecem a base moralnecessária para a prática dos estágios subseqüentes destesistema. Tais observações são essenciais para a prática tanto dostipos mais elevados como dos mais inferiores da Yoga. Para aprática da Yoga mais elevada é necessário estar rigorosamenteatento e qualquer redução da concentração ou frouxidão irá gerarum impedimento no caminho. Entretanto, para o tipo mais inferiorde Yoga, uma certa frouxidão nestas observações não importamuito. Como o iogue continua em sua prática nos estágiossubseqüentes, sua mente torna-se automaticamente condicionadaa estes yamas e nyamas. Portanto, a observação dos yamas eniyamas auxilia na prática dos estágios subseqüentes da Yogacomo asana, pranayama, pratyahara, dharana, dhyana e samadhi.Um iogue que os exercita torna-se automaticamente harmonizadocom estes yamas e niyamas. Além de seus efeitos espirituais,estas observações exercem considerável controle sobre a mentee o corpo. Mesmo a observação parcial destes yamas e niyamasauxiliam na manutenção da saúde física e mental. 293
  • 293. Não é apenas a violência física que deve ser evitada.Mesmo a fala e os pensamentos doentios com relação aos outrossão impedimentos ao caminho de um iogue. Ahimsa ou não-violência denota uma atitude ou um tipo de comportamento de umindivíduo para com as outras criaturas do universo. A Yoga afirmaa crença na unidade de vida entre todas as criaturas e qualquerdano a outrem, mesmo através de palavras, pensamentos ouações prejudicará a própria pessoa. Isto afeta sua saúde física emental e gera impedimentos no caminho das realizaçõesespirituais. Da mesma forma, a observação da verdade e decaracterísticas como não furtar e não ser ganancioso auxiliam umindivíduo a livrar-se da tensão e do stress mental. Além disso,auxiliam na criação de uma sociedade harmoniosa, a qual éessencial para uma boa saúde. Brahmacarya é importante na saúde perfeita. Tanto noAyurveda como na Yoga a preservação do sêmen no corpo doindivíduo é considerado essencial para a manutenção da saúde.O sêmen é considerado o melhor de todos os elementos teciduaisdo corpo. A preservação deste fluido vital é essencial para aevolução ininterrupta no caminho da Yoga. Para aqueles quedesejam praticar a forma mais elevada da Yoga, o celibatoabsoluto é essencial. Para os praticantes da forma mais inferior epara pessoas comuns, os excessos sexuais devem ser limitados eracionais. Isto os conserva feliz e saudáveis. Tanto yama quantoniyama possuem um propósito em comum, ou seja, a transmu-tação dos instintos mais elevados de modo que o corpo e a mentedo indivíduo possam se tornar adequados para o progressoposterior no caminho da Yoga. Entretanto, as práticas incluídas noyama são principalmente de natureza proibitiva, enquanto que noniyama referem-se à auto-disciplina e são de natureza criativa. Aprática destes itens incluídos no yama e niyama concedem294
  • 294. realizações espirituais ao indivíduo. Ninguém ousa ser hostilcontra alguém que pratica ahimsa ou não-violência. Mesmo osanimais selvagens bloqueiam sua natureza violenta na presençade tais pessoas. As previsões sempre são verdadeiras quandofornecidas por aquele que pratica satya ou a verdade. Aquelesque praticam o não-roubar estão dotados com a riqueza universal.A prática do celibato dota o indivíduo com vigor físico e mentalsuper-humano. A prática do aparigraha (não-ganância) direciona oindivíduo para o conhecimento sobre o nascimento e a morte. Aqueles que praticam a pureza espiritual, desenvolvem umsenso de separação do corpo. A prática de santosa ou dasatisfação torna a pessoa extremamente feliz. A prática de tapas(penitência) proporciona perfeição nos órgãos dos sentidos doindivíduo através da destruição das impurezas. O estudo dasescrituras religiosas auxilia na união do indivíduo com a divindadetutelar. A Isvara pranidhana ou rendição a Deus auxilia naobtenção do estado de samadhi ou meditação profunda. O terceiro estágio da Yoga é asana ou postura física. Apostura na qual o indivíduo pode permanecer sentadoconstantemente durante um longo tempo com conforto eestabilidade é chamada asana. Estas posturas físicas auxiliam napromoção de uma saúde verdadeira e na cura de certas doenças.Estes asanas, quando praticados regularmente, produzem certosefeitos em diferentes órgãos do corpo para regular suas funções.Também exercem considerável impacto no funcionamento dasglândulas endócrinas. Suas secreções regulam as funções dealguns órgãos vitais como o coração, os rins, a bexiga, o fígado, opâncreas, estômago e os intestinos. As funções destas glândulasendócrinas estão perturbadas devido a fatores físicos e mentais.Certas posturas físicas ou asanas auxiliam no funcionamentoequilibrado destas glândulas e, portanto, os distúrbios causadospela perturbação em seu funcionamento são eliminados. 295
  • 295. O número de espécies de seres neste universo é de 84lakhs, de acordo com as escrituras indianas. Na Yoga, as posturasfísicas mantidas por eles são consideradas asanas. Uma vez quesão inúmeras para a prática dos iogues, apenas 84 asanas sãorecomendados. Antes da prática do asana, são realizados algunstratamentos preparatórios como neti e dhauti. Perfazem um totalde seis preparações e o conjunto é denominado satkarma.Enquanto auxiliam na preparação do corpo para a prática dosasanas e do pranayama, eliminam certas impurezas do corpo e,durante este processo, curam certas doenças. Por exemplo, jalaneti e sutra neti curam pacientes acometidos por resfriado crônico,tonsilite, faringite, laringite etc. Estes dois kriyas também corrigemdistúrbios refratários nos seres humanos. Dhauti kriya ou kuñjalalimpa o estômago de suas impurezas. Durante este processoauxilia também na cura de pacientes que sofrem de gastritecrônica, colite e constipação. O muco do estômago e dos pulmõesé eliminado durante este processo e isto auxilia no tratamento dabronquite asmática. Proporcionam muita tranquilidade mental.Distúrbios psicossomáticos como diabetis, asma e eczemas sãoaliviados pela prática de kuñjala kriya. De maneira semelhante, os asanas também curamdoenças incuráveis e resistentes ao tratamento. Mayurasana curaa colite crônica e a síndrome do espru. Ardha-matsyendra-asana éespecífico para a cura do diabetis mellitus. Bhujanga asanarevigora a coluna vertebral e a visão, além de curar a bronquiteasmática, a lombalgia e distúrbios refratários. De acordo com a Yoga, há seis centros de energia nocorpo humano. São eles: Muladhara, na região coccígea;Svadhisthana, na região do órgão genital; Manipura, na regiãoumbilical; Anahata, na região cardíaca; Visuddhi, na base dopescoço e Ajña, entre as duas sobrancelhas. O Kundalini sakti,que permanece adormecido na região do cóccix em todos os296
  • 296. indivíduos, desperta através de diferentes asanas e pranayamabandha ou mudra. Este poder passa através dos seis chakras oucentros de energia para alcançar o Sahasrara ou o centro deenergia de 1000 pétalas no cérebro. O despertar deste poderlatente em quaisquer dos seis chakras ajuda na manutenção dasaúde verdadeira do indivíduo e cura muitas doenças resistentesao tratamento. A quarta fase na Yoga é denominada pranayama oucontrole respiratório. A prática lenta e uniforme desta fase daYoga ajuda a aumentar a capacidade vital dos pulmões e muitasdoenças como bronquite, asma e distúrbios cardíacos sãocurados. O controle da respiração proporciona tranquilidade paraa mente e, portanto, a prática do pranayama ajuda a curar doen-ças psicossomáticas como diabetis, bronquite asmática, eczema epsoríase. Regula o funcionamento do coração e dos vasossangüíneos. Deste modo, a prática do pranayama cura indivíduoshipertensos, hipotensos e cardiopatas. A quinta fase, que é a última dentre as formas externas deYoga é pratyahara ou a remoção dos sentidos dos seus objetos. Aprática desta fase auxilia consideravelmente no controle dasatividades mentais e, portanto, funciona como um curativo paradoenças psíquicas como insanidade e insônia. As três fases restantes, que constituem a forma interna daYoga, apresentam indubitavelmente efeito considerável sobre amente, auxiliando na regulação de suas funções. São, dessemodo, fundamentalmente significativos para a elevação espiritual. Além destas oito fases, a Yoga enfatiza a utilização corretada dieta e da conduta para a manutenção da saúde. Osingredientes da dieta estão divididos em três categoriasdependendo de seu efeito sobre a mente por estimular ascaracterísticas sattvika, rajasika ou tamasika. Substâncias desabor doce e gorduroso estimulam a faculdade sattvika da mente. 297
  • 297. Aquelas que são azedas, salgadas ou pungentes no saborestimulam rajasika. Os gêneros alimentícios que estãodeteriorados, com sabor adstringente e amargo levam aodesenvolvimento da faculdade tamasika da mente. Carne, peixe egêneros alimentícios não vegetarianos são estimulantes dafaculdade rajasika. Muitos vegetais também estimulam rajasika.Bebidas fermentadas como o álcool são consideradas de naturezarajasika e tamasika. Certos ingredientes não-vegetarianos comoleite, queijo, manteiga e ghee são considerados sattvika. Para aevolução no caminho da Yoga é necessário que a pessoa adotealimentos sattvika e evite alimentos rajasika e tamasika. De acordo com a Yoga, um indivíduo possui cincocamadas concêntricas conhecidas como kosas. São elas:annamaya kosa, pranamaya kosa, manomaya kosa, vijñanamayakosa e anandamaya kosa. A dieta e a conduta adequadasexercem um efeito saudável sobre as três primeiras camadasconcêntricas denominadas annamaya kosa, o corpo físico comcarne e ossos; pranamaya kosa, a parte do corpo ocupada pelo arvital e manomaya kosa ou a parte do corpo na qual reside amente. A regulação do funcionamento destas três camadas auxiliana conservação de condições adequadas para as outras duascamadas do indivíduo. O termo Yoga é derivado da palavra raiz Yuj que significaordinariamente ―unir‖ ou ―combinar‖. Portanto, o significado geralde Yoga seria ―meios que auxiliam na união da alma do indivíduocom a alma universal, retirando a máscara da ilusão‖. Vyasa, emseu comentário sobre o ―Patanjala Yoga Sutra‖, deu um signifi-cado diferente à raiz Yuj. De acordo com ele, a raiz Yuj significa ―irao samadhi‖ ou ―meditação profunda‖. Portanto, o objetivoprimário da Yoga, de acordo com Vyasa, é alcançar o estado desamadhi no qual o indivíduo poderia realizar a verdade sobre a298
  • 298. alma individual, a alma universal e a ilusão na forma do corpofísico superimposta pelo ego, intelecto e faculdades mentais. ―Srimad Bhagavada Gita‖ possui uma interpretaçãodiferente para o termo Yoga. Segundo esta escritura popular, otermo Yoga significa ―equilíbrio‖. Portanto, o objetivo primário daYoga não é ir para qualquer extremo, mas manter um equilíbrio,aplicável tanto ao indivíduo como para a sociedade. Outra inter-pretação fornecida aqui é ―cumprir seu dever com perfeição esinceridade‖ que também significa Yoga. Dependendo destasdiferentes interpretações, a Yoga é classificada em karmayoga,jnanayoga, rajayoga, hathayoga, bhaktiyoga, layayoga,mantrayoga e tantrayoga. Todas estas diferentes interpretaçõesdenotam apenas aspectos diferentes da Yoga e, portanto,representam aspectos diferentes da verdade. Qualquer que seja aescola de Yoga que o indivíduo possa seguir, deve conservar seucorpo e sua mente preparados para sua prática e,automaticamente, a prática de qualquer forma de Yoga contribuipara a manutenção da saúde física e mental. Desse modo, saúdee Yoga estão estreitamente inter-relacionados. Tantra Tantra é essencialmente o processo de elevação espiritual.Considera-se o ser humano como um microcosmo e de acordocom a doutrina do Tantra sastra, o macrocosmo inteiro ou ouniverso está presente no ser humano em formas diferentes. Sãodescritas diferentes práticas para este propósito na forma deacara (conduta), mantra (encantamento), yantra (representaçãosimbólica dos vários aspectos do macrocosmo), mudra (ritualdiferente com gestos, com o auxílio das mãos), puja (orações),yajna (veneração), vrata (ritual), tapas (penitência), japa (recitaçãode mantra), samskara (cerimônias de purificação), purascarana 299
  • 299. (repetição de um mantra um grande número de vezes) e bhutasuddhi (purificação do corpo astral). A maioria é comum à Yoga.Os objetivos do Tantra e da Yoga são os mesmos. Elesdesenvolvem certos poderes no corpo humano através de suaspráticas e estes poderes, físicos, psíquicos e espirituais, exercemcontrole sobre o corpo, a mente e a alma de outro indivíduoquando praticadas. As diferentes formas de executar os tantrasaliviam uma pessoa de suas doenças psíquicas, somáticas epsicossomáticas e os praticantes desenvolvem simultaneamentepoder para exercer controle sobre o corpo, a mente e a alma dosoutros indivíduos. Estes poderes são freqüentemente utilizadospara curar certas doenças dos pacientes. Este não é, entretanto, oobjetivo principal do Tantra sastra, mas apenas suplementar. Noentanto, está sendo mencionado aqui porque seus métodos sãoempregados em diferentes partes da Índia para a cura dedoenças.300