Copyright© 1997, by:                                 Eneida Duarte Gaspar                                     Editor: Cris...
ÍNDICECapa – Orelha - ContracapaApresentação / 7Parte I - Idéias Gerais / 91- Origens da Cromoterapia / 112 - A Luz e a Co...
3 - Limpeza e Preparação / 192        a) Limpeza Geral / 192        b) Limpeza e Projeção de Energia / 192        c) Avali...
APRESENTAÇÃOA    s cores sempre foram particularmente importantes paramim. Talvez por ter nascido num país tropical, com u...
8 ▼ Eneida Duarte Gasparme prejudicando. Minha casa estava decorada em tonssóbrios de marrom e bege que, junto com o branc...
PARTE IIDÉIAS GERAIS
1 - ORIGENS DA CROMOTERAPIAT    odos os seres que vivem na superfície da Terra, emambientes iluminados pelo Sol, vivem em ...
12 ▼ Eneida Duarte Gasparaté imitando a forma e a cor da fêmea de uma espécie deinseto, para melhor atrair os que pensam q...
Parte I - Idéias Gerais ▼ 13poder de derramar o sangue e levar o incêndio), enquanto osorientais o usaram como a cor do ve...
14 ▼ Eneida Duarte Gaspardourado, um palanque onde a classe governante exibia seustrajes cor de púrpura, um desfile de tro...
Parte I - Idéias Gerais▼ 15cinco direções, que correspondem aos quatro pontos cardeais(Norte, Sul, Leste e Oeste) e ao cen...
16 ▼ Eneida Duarte Gasparsete principais (situados ao longo da espinha dorsal) é amorada de uma divindade junto com sua co...
Parte I - Idéias Gerais ▼ 17e baseava seus rituais no som e na cor. A partir de sua visãodo mundo, baseada na idéia de que...
18 ▼ Eneida Duarte Gaspar          Mas esta não foi a única contribuição de Platão paraa moderna Cromoterapia. O conceito ...
Parte I - Idéias Gerais ▼ 19orgânicas e os traços psicológicos que eles representam) edas cores a eles associadas. Este si...
20 ▼ Eneida Duarte Gasparreflexão dessa luz; emocionais, porque as diferentes coresimpressionam de modos diversos nosso si...
Parte I - Idéias Gerais ▼ 21procurar um profissional de saúde para receber os cuidadosde que necessita. A isto se chama au...
2 - A LUZ E A CORA     compreensão do fenômeno da luz e de sua relação coma cor é fundamental para o correto entendimento ...
Parte I - Idéias Gerais ▼ 23cheiro ou o sabor e, portanto, independente da luz. A culturaeuropéia medieval herdou essa teo...
24 ▼ Eneida Duarte Gasparum cristal cm forma de prisma e, assim, reproduzindo oarco-íris, Newton provou a teoria de da Vin...
Parte I - Idéias Gerais ▼ 25         Por essa época, havia uma polêmica entre os físicosa respeito da natureza da luz. Alg...
26 ▼ Eneida Duarte Gasparmetros, seguidas pelas chamadas ondas curtas, detransmissão de rádio a distância. As ondas, cujos...
Parte I - Idéias Gerais ▼ 27elétrons vão vibrar mais ou menos. Quando a energia queatinge o corpo é pequena, os átomos fic...
28 ▼ Eneida Duarte Gasparazul-violeta contêm mais energia do que as da faixa dovermelho-amarelo, justamente porque não dis...
Parte I - Idéias Gerais ▼ 29da Cromoterapia, este efeito pode ser bastante indesejável,especialmente no caso de queimadura...
30 ▼ Eneida Duarte Gasparforma (com uma pintura em seu bulbo de vidro ou um ante-paro externo), de modo que passe para o a...
3 - AS CORESO    bserve o desenho que se encontra na primeira orelha dacapa. Ele mostra vários modos de representar o espe...
Parte I - Idéias Gerais ▼ 33luzes de todas as cores produz a luz branca, que as contém atodas dentro de si. Como todas as ...
34 ▼ Eneida Duarte Gaspardeseje obter. Conhecer os pares de cores complementares éfundamental porque, quando se investigam...
Parte I - Idéias Gerais ▼ 35luz, estamos nos referindo à chamada cor-pigmento opaca,que resulta das propriedades químicas ...
36 ▼ Eneida Duarte Gasparpuras só existem em produtos artificiais. O anil é a corterciária mais conhecida, pois é percebid...
Parte I - Idéias Gerais ▼ 37(e ultravioleta); ao meio-dia, quando o Sol está vertical sobreo lugar, predomina o feixe amar...
38 ▼ Eneida Duarte Gaspar         Existe, ainda, uma terceira possibilidade em termosde classificação das cores que é part...
4 - AS CORES E O ORGANISMOÉ    fundamental para a Cromoterapia que se compreenda adiferença entre cor-luz e cor-pigmento. ...
40 ▼ Eneida Duarte Gasparoutras radiações; neste caso, nosso campo ficará impregnadode todas as outras radiações, exceto o...
Parte I - Idéias Gerais ▼ 41anoitecer, os elementos de uma paisagem vão escurecendoaté se tornarem negros. Sem a luz do So...
42 ▼ Eneida Duarte Gasparsérios do assunto, é a pequena diferença entre os comprimentosde onda das várias cores. Segundo o...
Parte I - Idéias Gerais ▼ 43A pineal, situada na base do cérebro, produz um hormôniochamado melatonina, que age sobre os c...
44 ▼ Eneida Duarte Gaspar         Este raciocínio parece não ser apenas uma teoria.Pesquisas sobre os efeitos biológicos d...
Parte I - Idéias Gerais ▼ 45         Além do mais, as radiações luminosas produzidasnormalmente são misturadas, ou seja, a...
46 ▼ Eneida Duarte Gasparcor, embora em menor grau, do efeito germicida da outraradiação. Da mesma forma, o vermelho parti...
5 - A VISÃO DA CORU     m elemento fundamental da Cromoterapia é o efeitopsicológico resultante, não apenas da interação f...
48 ▼ Eneida Duarte Gaspar         As fábricas também já descobriram a importância douso cuidadoso das cores no ambiente. O...
Parte I - Idéias Gerais ▼ 49significados a elas associados na experiência de vida dapessoa. É comum que as pessoas "gostem...
50 ▼ Eneida Duarte Gasparpreferirá o azul, porque essas cores refletem suaspersonalidades. A cor de suas roupas é como um ...
Parte I - Idéias Gerais ▼ 51absorve a radiação vermelha, será que ela não vai fazer malao hipertenso? Se você pensou isso,...
52 ▼ Eneida Duarte Gaspartem pouca luminosidade, mas sua radiação se mistura aoultravioleta, que é uma radiação fria. Quan...
PARTE IIESTUDO DAS CORES
O      aspecto mais importante do estudo das cores, para asfinalidades da Cromoterapia, é sua associação aos grandesChakra...
1 - VERMELHOO     vermelho é a cor mais quente de todas e, também, amais estimulante. Na natureza, esta cor ocorre no sang...
56 ▼ Eneida Duarte Gaspardeixando de existir como ela mesma; nos seres vivossuperiores, o tempo de vida está relacionado c...
Parte II - Estudo das Cores ▼ 57dentro da natureza, a fase de destruição é um componentenecessário do ciclo da vida; sem e...
58 ▼ Eneida Duarte Gasparessas pessoas se vinculam a certas escolas de pensamentoespiritualista que desprezam e rejeitam a...
Parte II - Estudo das Cores ▼ 59longa entre todas as faixas de luz visível, é o que menospenetra nos tecidos, tendo um efe...
60 ▼ Eneida Duarte Gasparpsicológica, o vermelho estimula e irrita, podendo agravar atensão nervosa típica das pessoas com...
Parte II - Estudo das Cores ▼ 61         O vermelho também deve ser evitado sobreferimentos em que grandes vasos foram les...
62 ▼ Eneida Duarte Gasparalimentos e micronutrientes associados a essa cor.Habitualmente, os alimentos são classificados, ...
Parte II - Estudo das Cores ▼ 63cravo-da-índia e o gálbano, além de todos os cheiros fortes,excitantes e quentes, como o a...
64 ▼ Eneida Duarte Gasparfunções orgânicas deste chakra. Suas funções psíquicasincluem a consciência da própria individual...
2 - VERDEO      verde, tanto nas tintas como na natureza, é ocomplemento do vermelho. Enquanto os animais, osconsumidores ...
66 ▼ Eneida Duarte Gasparum projeto "ainda está verde" quando não está plenamenteamadurecido. Talvez seja por isso que o v...
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  1. 1. Copyright© 1997, by: Eneida Duarte Gaspar Editor: Cristina Fernandes Warth Coordenação Editorial: Heloísa Brown Capa: Leonardo Carvalho Revisão: Gisele Barreto Sampaio leda Raro Schmidt Editoração Eletrônica: Laser Birô Fotolitos de capa: Text Master Todos os direitos reservados à Pallas Editora e Distribuidora Ltda.É vetada a reprodução por qualquer meio mecânico, eletrônico, xerográfico, etc. sem a permissão prévia por escrito da editora, de parte ou da totalidade do conteúdo e das imagens contidas neste impresso. CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE. SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ Gaspar, Eneida Duarte, 1950- G232c Cromoterapia: cores para vida e para a saúde / 2. ed - Eneida Duarte Gaspar: - 2.ed. - Rio de Janeiro: Pallas, 2002. - (Coleção Círculo das fadas; 3) ISBN 85-347-0335-3 1. Cor - Uso terapêutico. I. Título. II. Série 96-2015 CDD-615.831 CDU - 615.831 Pallas Editora e Distribuidora Ltda. Rua Frederico de Albuquerque, 56 - Higienópolis 21050-840 - Rio de Janeiro - RJ Tel.: (0XX21) 2270-0186 E-mail: pallas@alternex.com.br Home Page: www.pallaseditora.com.br
  2. 2. ÍNDICECapa – Orelha - ContracapaApresentação / 7Parte I - Idéias Gerais / 91- Origens da Cromoterapia / 112 - A Luz e a Cor / 223 - As Cores / 324 - As Cores e o Organismo / 395 - A Visão da Cor / 47Parte II - Estudo das Cores / 531 - Vermelho / 552 - Verde / 653 - Violeta / 754 - Amarelo / 855 - Azul / 946 - Laranja e Cores Próximas (do Bege ao Marrom) / 1047 - Anil e Cores Aparentadas (Hortência, Púrpura, Jacinto) / 1128 - As Não-Cores: Branco, Preto e Cinza / 120Parte III - A Técnica Cromoterápica / 129A - Treinamento / 1311 - Mentalizando as cores / 131a) Relaxamento / 132b) Atenção / 134c) Visualização / 1352 - Trabalhando com a Energia / 1373 - Colorindo a Energia / 1424 - Diagnóstico em Cromoterapia / 143a) Métodos diretos de Diagnóstico - Percepção dos chakras / 144b) Métodos indiretos de diagnóstico / 157B - Preparação Pessoal / 159C - Modos de Usar as Cores / 1651 - As Cores no Ambiente / 1652 - As Cores no vestuário / 1753 - Energização de Substâncias / 1774 - Dietas das Cores / 1795 - Mentalização das cores / 1806 - Aplicações Clínicas da Cromoterapia / 181b) Mentalização com Projeção de Energia / 182c) Mentalização com Banho de Luz / 186d) Mentalização com Projeção de Energia e a Aplicação de Luz / 188D - Resumo do Esquema do Tratamento Completo / 1911 - Preparação do Terapeuta / 1912 - Diagnóstico / 191a) Observação Geral /191b) Percepção dos Chakras (Acima dos Cinco Anos) / 192
  3. 3. 3 - Limpeza e Preparação / 192 a) Limpeza Geral / 192 b) Limpeza e Projeção de Energia / 192 c) Avaliação / 192 d) Preparação Geral / 192 e) preparação Específica / 192 4 - Tratamento Específico / 193 a) Material /193 b) Escolha das Técnicas / 193 c) Distância de Aplicação / 193 d) Tempo de Aplicação / 194 e) Freqüência de Aplicação / 194 f) Cuidados Gerais / 195 g) Modo de Aplicação da Luz / 196 5 - Encerramento / 204 6 - Equilíbrio do Terapeuta / 204 a) Desligamento / 204 b) Limpeza / 204 c) Autodiagnóstico / 204 d) Reequilíbrio / 204 e) Energização / 204E - Material de Cromoterapia / 205 1 - Pêndulo / 205 a) Pêndulo / 205 b) Aurâmetro / 209 2 - Material Terapêutico / 211 a) Anteparos Coloridos / 211 b) Projetores de Luz Colorida / 214 c) Produção da Luz Colorida / 217F - Resumo das Indicações Terapêuticas / 223 1 - Esquemas de Diagnóstico / 223 2 - Planejamento Geral do Uso das Cores / 225 a) Uma Cor Só / 225 b) Combinação de Cores / 225 3 - Esquema Sugeridos para Alguns Problemas Específicos / 228 a) Problemas Gerais / 228 b) Problemas de Pele / 229 c) Problemas Neurológicos / 229 d) Problemas Psicológicos / 230 c) Problemas de Digestão e Nutrição / 231 f) Problemas de Respiração, Nariz, Ouvido e Garganta / 232 g) Problemas dos Olhos / 233 h) Problemas dos Ossos e Músculos / 233 i) Problemas de Circulação e Sangue / 233 j) Problemas do Aparelho Reprodutor / 234 l) Problemas Urinários / 235
  4. 4. APRESENTAÇÃOA s cores sempre foram particularmente importantes paramim. Talvez por ter nascido num país tropical, com um solmuito forte e claro, com muitas flores e passarinhos, semprereparei muito nas cores que me cercavam. Sempre senti quesou meio "macaco": coisas coloridas e brilhantes me atraeme me dão prazer. Talvez por isso, mesmo antes de fazercontato com a técnica da Cromoterapia, eu já percebia ainfluência das cores no ambiente e no vestuário. Umaimagem que marcou toda a minha vida, desde a infância, foia da tia Palma, com seu eterno vestido azul-marinho; elaadotou este "uniforme" por necessidade, por ser uma roupaprática e econômica, mas, com isso, criou uma imagem desobriedade e austeridade que a marcou até mesmo junto aosparentes próximos, que passaram a vê-la por meio dessamáscara. Meu marido, assim como minha mãe, prefere ostons de marrom e bege; assim como ela era uma pessoamuito discreta, ele tem a sobriedade como sua marca pessoal.Minha cor sempre foi o azul; houve tempos em que eu nãotinha roupas de outra cor dentro do armário, e semprepassava a imagem de eficiência intelectual e de tranqüilidade(nem sempre próxima da realidade). Chegou um momento, entretanto, em que repareique a limitação de meu ambiente a poucas cores estava
  5. 5. 8 ▼ Eneida Duarte Gasparme prejudicando. Minha casa estava decorada em tonssóbrios de marrom e bege que, junto com o branco, davamuma impressão de ausência de cor. Já por essa época, euestudava terapias alternativas; percebi que muitas coisas queaconteciam comigo e com meu marido — cansaço, falta deânimo, insônia - poderiam estar relacionadas com esta faltade estímulos coloridos no nosso ambiente. Percebendo a importância de saber usar as cores nocotidiano, eu escolhi, em vez da Cromoterapia clínica, ocaminho da pesquisa e do ensino; nesta, como em outrastécnicas alternativas, meu interesse está naquilo que pode serensinado às pessoas para que elas usem em seu dia-a-diacomo técnicas preventivas pessoais. Este livro deve ser encarado desta forma: tentei fazerdele um pequeno manual prático sobre a importância dascores na vida diária, com informações que podem orientar aescolha de cores para a decoração e o vestuário; comexercícios de fantasia e auto-sugestão e, também, comnoções sobre o aproveitamento dos efeitos físicos dasradiações luminosas para preservar e melhorar sua saúdefísica e mental. Se, a partir daí, você quiser se aperfeiçoar etrabalhar com Cromoterapia, sugiro que faça um bom cursode formação técnica, acompanhado de treinamento clínicosupervisionado e que procure obter um grau deconhecimento razoável sobre o funcionamento do organismoe do psiquismo humanos.
  6. 6. PARTE IIDÉIAS GERAIS
  7. 7. 1 - ORIGENS DA CROMOTERAPIAT odos os seres que vivem na superfície da Terra, emambientes iluminados pelo Sol, vivem em um ambientecolorido. Os animais e vegetais usam as cores comoimportantes veículos de informação: pássaros e insetoscostumam selecionar flores e frutos de acordo com sua cor,que geralmente é um bom indicador de diferenças entrevegetais alimentícios e venenosos; os insetos costumamproteger-se de predadores adotando cores que os confundamcom as plantas ou que sugiram que são um alimentovenenoso. Mesmo os grandes animais, como os ursos, asraposas e as focas, utilizam as cores para proteger-se: osanimais que vivem em regiões frias, periodicamenterecobertas por neve ou gelo, geralmente trocam seu pêloescuro por um pêlo claro quando chega o inverno, ou sãosempre brancos, como o urso polar; o filhote de foca, que vaiviver por algum tempo em terra firme (ou melhor, em gelofirme), e coberto por pêlos brancos, que só escurecem aoatingir a idade adulta, quando terá facilidade de mergulhar naágua para fugir dos predadores. As cores também são usadas, dentro de uma mesmaespécie, para facilitar a procriação. Por exemplo, as floresque dependem de insetos para que o pólen seja transportadoaté os óvulos são geralmente bem coloridas, algumas
  8. 8. 12 ▼ Eneida Duarte Gasparaté imitando a forma e a cor da fêmea de uma espécie deinseto, para melhor atrair os que pensam que este é umpossível parceiro sexual. No mundo dos invertebrados, éfreqüente encontrar fêmeas grandes e vistosas (como as dasaranhas), que atraem machos pequenos e incolores. Entre osvertebrados, a norma é que o macho, que precisa atrair afêmea para a reprodução, seja muito mais colorido e vistoso:basta comparar o galo e a galinha, o leão e a leoa e váriospássaros para perceber isso. Mesmo com os peixes essadiferença ocorre: entre certos peixinhos de rio, as fêmeas sãopretinhas ou cinzentas, enquanto os machos são grandes emulticores. Mergulhada nesse mesmo ambiente, a espéciehumana também utilizou, desde o início de sua evolução, ascores como meio de comunicação. O barro vermelho ebranco; o suco de frutos pretos, roxos, rosados e amarelados;as cinzas, as secreções de insetos, ervas diversas, que tingema pele, e outros materiais corantes fazem parte do maisantigo acervo técnico da humanidade. No início, foramutilizados para tingir o corpo e os cabelos, geralmente comoparte de rituais religiosos ou guerreiros que exigiam aexecução de desenhos no corpo; ou para colorir pinturasfeitas em paredes ou cm objetos de barro, madeira etc. Maistarde, as tinturas passaram a ser aplicadas aos tecidosdestinados à confecção de roupas e aos utensíliosdomésticos. Entre todos os povos, as diferentes cores assumiramsignificados diversos, a partir das substâncias e dosfenômenos naturais, familiares a cada população, que elasevocam. Por exemplo, o vermelho, que lembra o fogo e osangue, foi usado pelos antigos povos do Ocidente como acor dos guerreiros e dos governantes (os que têm o
  9. 9. Parte I - Idéias Gerais ▼ 13poder de derramar o sangue e levar o incêndio), enquanto osorientais o usaram como a cor do vestuário e dos ornamentospara a cerimônia de casamento (o fogo da paixão e o fogoprotetor que purifica o novo lar). O amarelo, a cor do ouro edo Sol, era privativo, no Oriente, da Família Imperial. Ovioleta, cm vários lugares, foi usado pelos sacerdotes, poiscombina o impulso do vermelho com a sabedoria do azul; acor púrpura, que combina a força do vermelho com osagrado do violeta, era a cor do poder, dos mais altos juizes egovernantes. O verde, que lembra a vida que fervilha no mare na mata, e a cor do renascimento (como ocorre naPrimavera com a natureza) e, por extensão, da regeneraçãoespiritual; entre os povos europeus pré-cristãos, era a cor dafertilidade da Grande Mãe-Terra, sendo usadaexclusivamente nas festas orgiásticas a ela dedicadas, naépoca de seu casamento com o Rei Sol; por associação deidéias, nas sociedades cristãs originárias desses povos,tornou-se a cor distintiva das prostitutas, que usavam umafita verde na manga do vestido. O azul, a cor do céu claro,mas, também, a mais próxima da frieza do negro, simboliza amente pura e fria, a razão, a sabedoria. O marrom, o cinza eo preto lembram as folhas secas, a vegetação apodrecida, alama, o carvão; por isso, simbolizam a deterioração, osofrimento, a morte. O branco, síntese de todas as cores, éassociado, no Ocidente, à pureza, mas, no Oriente e entreoutros antigos povos (por exemplo, entre os Yorubás), é umacor de luto ou de inércia, pois simboliza a inexistência davida (os mortos ou os embriões que ainda não nasceram). Esta percepção do efeito psicológico exercido pelascores constitui a origem da Cromoterapia. Os povos antigosjá sabiam usar muito bem esse recurso: o templo
  10. 10. 14 ▼ Eneida Duarte Gaspardourado, um palanque onde a classe governante exibia seustrajes cor de púrpura, um desfile de tropas com mantosvermelhos, um cortejo fúnebre coberto de cinza e negro erammeios extremamente eficazes de despertar na massa dapopulação as emoções desejadas: o indivíduo comum eradeslumbrado pela visão das riquezas divinas, sentia-seesmagado pelo peso da púrpura nobre, vibrava com acoragem dos soldados, compartilhava a dor pelos mortos. Se,como diziam os antigos chineses, uma imagem vale mais doque mil palavras para transmitir uma idéia, talvez se possadizer que, quando se trata de transmitir uma emoção, umacor vale mais do que mil imagens. Também a medicina tradicional, mesmo semdesenvolver uma teoria específica a respeito, usou, em todosos tempos e lugares, as cores como instrumento de cura.Uma das mais importantes práticas xamanísticas, em váriasregiões do mundo, é a execução de pinturas mágicasutilizadas em rituais de cura física e espiritual. Os índiosnorte-americanos, por exemplo, realizam suas "pinturas deareia" e os monges tibetanos possuem uma técnica muitoparecida, embora utilizem materiais e símbolos diferentes.Em linhas muito gerais, essas pinturas representam a ordemdo mundo e sua realização é uma longa prática de meditação.Por ser uma arte ritual, as formas e cores utilizadas sãominuciosamente determinadas de acordo com os significadosde cada elemento da pintura. Nesse contexto, tanto as formascomo as cores têm função terapêutica na medida em querestabelecem a ligação profunda entre o indivíduo e osfenômenos vitais — físicos e psíquicos — simbolizadospelos mitos que a pintura retrata. Tanto na antiga China como na América pré-colombiana, o mundo foi descrito como sendo dividido em
  11. 11. Parte I - Idéias Gerais▼ 15cinco direções, que correspondem aos quatro pontos cardeais(Norte, Sul, Leste e Oeste) e ao centro. A cada direçãocorresponde um dos elementos da natureza, uma cor, umanimal mágico, uma característica psicológica, um órgão ouuma função do organismo. Esse conjunto de símbolos foiusado nas duas culturas (chinesa e meso-americana) para finsterapêuticos, seja como material para rituais mágicos, sejacomo elemento para mentalizações curativas. Culturas neolíticas em todo o mundo utilizaram eainda utilizam as tatuagens e pinturas corporais para diversosfins, sendo, talvez, o mais importante deles a execução derituais xamanísticos destinados a realizar a cura deproblemas físicos ou psíquicos. O desenho transforma apessoa, é como uma roupagem ou máscara mágica, por meioda qual a pessoa participa do divino e assim se regenerafísica e espiritualmente. Várias dessas culturas tem a corcomo um recurso essencial para esta prática, usando-a pararepresentar divindades associadas aos vários fenômenosinteriores e exteriores ligados ao indivíduo. Um sistema muito antigo e sofisticado que inclui ascores em seu trabalho de regeneração pessoal é a técnicaYogue de ativação dos chakras. Os Chakras são centros deabsorção e emissão de energia espalhados por todo o corpo,onde quer que haja um aumento de atividade local (porexemplo, um órgão ativo como o coração, uma glândulacomo a tireóide, um grande plexo nervoso como o solar, umaarticulação, uma concentração de terminais sensoriais, comoexiste nas palmas das mãos). Embora com nomes e símbolosdiferentes, podem-se encontrar descrições e utilizaçõesdesses centros talvez em todas as culturas antigas. Para oshindus, cada chakra do grupo dos
  12. 12. 16 ▼ Eneida Duarte Gasparsete principais (situados ao longo da espinha dorsal) é amorada de uma divindade junto com sua consorte; o trabalhode regeneração (o despertar do chakra) baseia-se emmeditações voltadas para a visualização do chakra em suacor própria e para a contemplação das divindades, seusanimais, objetos, roupas, atividades etc, sempre mergulhadosem um ambiente da cor do chakra. A antiga medicina grega, assim como certas técnicasegípcias de "cura no templo" utilizavam formas e cores paraevocar determinados estados de espírito que favorecessem arecuperação do doente; uma prova desta prática está nosdesenhos que constituem a decoração dos aposentos dotemplo de Asclépio (o patrono da Medicina), em Epidauro,que foi um dos maiores centros de Medicina Naturista daGrécia antiga. Da Grécia vieram as teorias e técnicas que,transformadas ao longo de vários séculos, constituíram abase do que hoje é chamado de Cromoterapia. Pitágoras(filósofo que viveu no século VI antes da Era Comum) criouuma teoria sobre a harmonia da natureza que influencioutodo o pensamento europeu; baseou-se, cm parte, na religiãoórfica que, embora pouco popular por ser rígida e autoritária,influenciou os ideólogos ligados às elites, que direcionaram odesenvolvimento do saber oficial na Europa. Orfeu foi um personagem mítico, filho de uma dasMusas e dotado de habilidades sobre-humanas como músicoe cantor; Orfeu encantava as feras e chegou a cativar osdeuses com suas canções. Por isso, foi adotado como patronodo movimento religioso chamado de Orfismo, (pie cultuavaum puríssimo e autoritário Deus do Amor e da Luz (chamadoEros e considerado o criador primordial).
  13. 13. Parte I - Idéias Gerais ▼ 17e baseava seus rituais no som e na cor. A partir de sua visãodo mundo, baseada na idéia de que a escala musical seriacapaz de descrever todos os fenômenos, Pitágoras elaborou ateoria dos números, que procura explicar toda a harmonia douniverso por meio de relações matemáticas. Para seguir essaidéia, procurou organizar todos os fenômenos da natureza emescalas (semelhantes às escalas musicais), o mais possívelassociadas entre si: as sete notas musicais; os sete planetas dacosmologia da época (Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte,Júpiter e Saturno);.as sete cores descritas na época(vermelho, violeta, azul, verde, amarelo, branco e preto); oscinco sólidos regulares (o cubo ou hexaedro, de seis ladosquadrados; o tetraedro, de quatro lados triangulares; ooctaedro, de oito lados triangulares; o dodecaedro, de 12faces pentagonais; e o icosaedro, de 20 faces triangulares) eoutras. Platão, discípulo de Pitágoras, retomou as teoriasmatemáticas do mestre, desenvolvendo, principalmente, ateoria a respeito da estrutura dos corpúsculos que formam oselementos; segundo ele, cada elemento da natureza teria seuscorpúsculos construídos na forma de um dos cinco sólidosregulares (por isso, chamados de Sólidos Platônicos): o cuboformaria a terra; o tetraedro, o fogo; o octaedro, o ar, e oicosaedro, a água. O dodecaedro seria o modelo do universointeiro. A cada um desses sólidos corresponderia uma cor. Opensamento de Platão, assimilado por Aristóteles e poroutros pensadores, foi a base do pensamento europeumedieval e moderno; por isso, até hoje se encontra, em livrossobre cores e energia, essa teoria dos sólidos, ou bemdesenvolvida, por meio da proposta do uso das formasassociadas às cores nos exercícios de meditação, ou apenascomo fundamento místico do trabalho com cores.
  14. 14. 18 ▼ Eneida Duarte Gaspar Mas esta não foi a única contribuição de Platão paraa moderna Cromoterapia. O conceito central do Platonismo ea ocorrência natural de múltiplas esferas de existênciadispostas cm uma ordem hierárquica em que cada esferaderiva da superior (o arquétipo) e é sua expressão no planoinferior (a imagem). Esta idéia inspirou os autoresaristotélicos judeus que viveram na Ibéria, nos séculos XII eXIII, a desenvolverem o modelo da Árvore das Emanaçõesda Cabala, sistematizada por Moisés de León no Seferha-Zohar (Livro dos Esplendores). Neste modelo, 10princípios emanam da Divindade, tendo cada um seussímbolos e suas cores, que são usadas em meditações pelosmísticos que estudam o sistema. A partir dessas bases, durante a Idade Média,evoluíram na Europa três sistemas importantes para amoderna Cromoterapia: a Magia buscou na Cabala osimbolismo das cores associadas às emanações divinas(interpretadas, ao nível microcósmico, como parte dapersonalidade do indivíduo: o amor, a sabedoria, a vontadeetc.); a Alquimia desenvolveu o uso, com fins de cura eregeneração espiritual, do sistema de correspondências entreos sete planetas e partes do corpo, funções psíquicas, cores,metais, sons, formas, medicamentos etc; e os ritos popularescentro-europeus, derivados dos cultos órficos e dionisíacosque sobreviveram, principalmente, na região da Bulgária,evoluíram para uma forma de Musicoterapia que unia sons,cores e perfumes para modificar estados emocionais. Essesrituais foram aproveitados por movimentos Gnósticos (umtipo de misticismo cristão) que associaram o uso domagnetismo (a projeção de energia orgânica mentalmentedirigida sobre os centros de energia do corpo) com osimbolismo dos planetas (as funções
  15. 15. Parte I - Idéias Gerais ▼ 19orgânicas e os traços psicológicos que eles representam) edas cores a eles associadas. Este sistema constitui a base daCromoterapia como e compreendida e praticada hoje. O grande impulso para o crescimento daCromoterapia foi dado pelos movimentos Teosófico eAntroposófico, que floresceram na Europa durante o séculoXIX. Enquanto tentavam fundir ao misticismo judaico-cristão os recém-descobertos (pelos místicos europeus)conceitos das religiões orientais, essas escolas focalizaramsua atenção na utilização de técnicas de regeneração quefavorecessem a realização de seus objetivos deaperfeiçoamento integral do indivíduo. Neste sentido,assumiram grande importância as técnicas que atingissem adinâmica da energia corporal e as vias de acesso à mente,que são os órgãos dos sentidos: a teoria hindu dos Chakrasfoi valorizada a ponto de fazer esquecer os dois sistemasocidentais equivalentes — o da Cabala e o da Alquimia — ascores foram sistematicamente utilizadas para criar ambientesfavoráveis a certos estados emocionais e, na pintura realizadacom fins terapêuticos, para harmonizar os níveis corporal eespiritual. Durante o século XX, pesquisadores das áreas deBiologia e Física se interessaram pela natureza e pelosefeitos da luz; muitas de suas descobertas foram aproveitadaspara melhorar a compreensão da Cromoterapia. Hoje se sabeque esta técnica não funciona simplesmente pela sugestãoque possa resultar do gostar ou não de uma cor, mas que éum processo complexo que envolve efeitos físicos,emocionais e subconscientes das cores. Físicos, porque aexistência de uma cor implica a existência de luz comdeterminadas características de onda e de substâncias cujacomposição química favoreça a absorção ou
  16. 16. 20 ▼ Eneida Duarte Gasparreflexão dessa luz; emocionais, porque as diferentes coresimpressionam de modos diversos nosso sistema nervoso,criando estados emocionais diferentes; subconscientesporque, ao fixar a atenção em uma determinada cor,desencadeamos processos inconscientes de controle dasfunções orgânicas que essas cores evocam. Embora muitas vezes ainda seja usada de modosuperficial e mecânico, a Cromoterapia é muito mais do quea aplicação de uma luz de uma determinada cor sobre umponto do corpo. Embora em muitos casos o efeito físico daluz sobre as estruturas orgânicas seja o mais importante,freqüentemente e indispensável a associação dos efeitosemocionais (criação de um estado de ânimo que favoreça acura) e subconscientes (mobilização das reações orgânicassimbolizadas pela cor). Cada um desses efeitos é obtido pormeio do uso de técnicas diferentes; por isso, é essencial umtreinamento básico dessas técnicas para a plena utilização daCromoterapia em si mesmo ou em outras pessoas. Qualquer pessoa pode aprender a praticar aCromoterapia; não é preciso ter poderes especiais para isso.Entretanto, é fundamental que você mantenha bem claros emsua mente os limites de sua atuação. Um médico, dentista,psicoterapeuta, fisioterapeuta ou outro profissional de saúdepode permitir-se uma liberdade maior porque, por suaformação profissional, ele está capacitado para fazerdiagnósticos dentro de sua especialidade e compreender oque está se passando no organismo do cliente; já as pessoassem qualquer tipo de formação clínica deverão saber atéonde os pequenos problemas de saúde podem ser resolvidosapenas por métodos simples e suaves, e a partir de que pontovocê ou seu amigo deve
  17. 17. Parte I - Idéias Gerais ▼ 21procurar um profissional de saúde para receber os cuidadosde que necessita. A isto se chama autocuidado responsável,que é muito diferente da automedicação desinformada. A Cromoterapia é uma técnica muito suave, que visaa reequilibrar a dinâmica da energia do organismo; quandoexiste algum tipo de agressão ou lesão grave, é necessárioatuar diretamente na correção desse problema. ACromoterapia, nesses casos, funciona como uma técnica deapoio: serve para tornar o organismo mais receptivo eaumentar sua resposta às outras medidas terapêuticasnecessárias ao caso. O uso isolado da Cromoterapia só éaceitável e eficiente quando os objetivos são a prevenção dedoenças (pela adoção de uma rotina de equilíbrio do campoenergético do organismo), uma mudança no estado deespírito individual ou coletivo (pelo uso das cores noambiente) ou a correção de desequilíbrios leves,principalmente quando sugerirem a predisposição para umcerto tipo de problema, o que indica a necessidade de umaterapia de reequilíbrio geral.
  18. 18. 2 - A LUZ E A CORA compreensão do fenômeno da luz e de sua relação coma cor é fundamental para o correto entendimento do modo deação da Cromoterapia. Na Antigüidade, sabia-se que existiamdiversas formas de energia, mas nem sempre as explicaçõessobre sua natureza correspondiam ao fenômeno real. ParaPitágoras, a luz seria um tipo de raio emitido pelo olho, queiria até o objeto; a visão seria a sensação (semelhante ao tato)obtida quando esses raios tocassem o objeto. Outro filósofogrego, Epicuro, que viveu no terceiro século antes da EraComum (E.C.), desenvolveu uma teoria oposta: disse ele quea luz seria emitida por uma fonte e refletida pelo objeto, e,então, penetraria no olho. Essa teoria só suplantou a hipótesede Pitágoras por volta do ano 1000 E.C.(da Era Comum),graças ao físico árabe Alhazen; mas já Ptolomeu, da Escolade Alexandria, no século II E.C., fazia medições detrajetórias de raios luminosos e criava as bases para oconhecimento dás leis da Óptica estudadas nos séculos XVI eXVII por matemáticos, físicos e astrônomos europeus.Embora a cor sempre tenha despertado a atenção das pessoas,sua natureza foi, durante muito tempo, um grande mistério.Na Antigüidade, a cor era considerada uma propriedadeinerente aos corpos, como o peso, o
  19. 19. Parte I - Idéias Gerais ▼ 23cheiro ou o sabor e, portanto, independente da luz. A culturaeuropéia medieval herdou essa teoria dos gregos por meio dopensamento de Aristóteles que, após ser adaptado à visãocristã de mundo, foi adotado como verdade inquestionável.Entretanto, o despertar do espírito de investigação quecaracterizou o Renascimento trouxe a renovação dessasidéias. Leonardo da Vinci, o grande pintor e pesquisadoritaliano que viveu no final do século XV e início do séculoXVI, sendo um grande observador dos fenômenos naturais,intuiu três questões fundamentais em relação à natureza dacor, embora ainda não dispusesse de recursos técnicos (piepermitissem a descoberta dos fenômenos físicos envolvidosno assunto. A primeira questão foi a idéia de que a cor éresultante da luz que incide sobre o corpo, e não umacaracterística do corpo; cm vários pontos do capítulo sobreas cores do seu Tratado da Pintura, ele observa que as coresdos corpos se modificam de acordo com as mudanças da luzque os atinge. A segunda questão é a teoria, nova para aépoca, de que o branco e o preto não são cores, mas,respectivamente, a mistura (ou a origem) de todas as cores ea ausência delas. A terceira questão, fundamental para aCromoterapia, é a observação de que a cor é um fenômenosubjetivo, pois depende do olho que observa o objeto.Leonardo distingue o fenômeno objetivo, que é a reflexão daluz, do fenômeno subjetivo, que é a percepção da cor. Depois de da Vinci, muita coisa foi descoberta arespeito das características físicas das cores. Talvez asobservações mais importantes tenham sido as de IsaacNewton que, em meados do século XVII, fundou a Ópticacomo ramo da Física. Fazendo a luz comum passar por
  20. 20. 24 ▼ Eneida Duarte Gasparum cristal cm forma de prisma e, assim, reproduzindo oarco-íris, Newton provou a teoria de da Vinci, de que a luzbranca contém dentro de si todas as cores. Descobriutambém uma técnica para determinar o comprimento de ondade cada cor e verificou que a luz branca é formada porpercentagens diferentes de cada uma das sete coresidentificadas no arco-íris: o vermelho, o verde e o violetaconstituem, cada uma, perto de 16% do espectro luminoso; oazul e o amarelo constituem cerca de 15% cada; o alaranjadoe o anil, 9% cada. Newton descobriu todos esses fenômenos porque, aover a luz decomposta pelo cristal com as cores aparecendosempre na mesma posição relativa, deduziu que, ao penetrarno corpo sólido que é o cristal, os raios de luz sofreriamdesvios, e que cada cor, por vibrar em um comprimento deonda diferente, se deslocaria cm um ângulo diferente. Hoje,sabemos que a mesma coisa ocorre quando se forma o arco-íris: quando o Sol aparece em meio à chuva, os raios de luzatravessam as gotas de água; estas se comportam comopequenos prismas que decompõem a luz; assim, ao serrefletida, a luz aparece dividida nas sete cores do arco-íris. Este fenômeno é que faz com que percebamos a corde um corpo: dependendo da composição do material queconstitui sua superfície, os raios de luz que o atingem irãodesviar-se de modos diferentes; alguns se perderão nointerior do corpo, sendo absorvidos pelo material; outrosvoltarão para a superfície e serão refletidos de volta para oexterior, dando então a impressão de que o corpo emite essadeterminada cor. Com estas observações, Newtonestabeleceu as bases para uma definição objetiva da luz e dacor, permitindo o abandono das definições baseadas nasensação subjetiva.
  21. 21. Parte I - Idéias Gerais ▼ 25 Por essa época, havia uma polêmica entre os físicosa respeito da natureza da luz. Alguns, como Newton,consideravam que ela é formada por partículas que semovimentam no espaço; outros, como Huygens, sustentavamque ela consiste em ondas (como as que uma pedrinha formaao ser jogada na água) transmitidas cm grande velocidade.No decorrer do século XX, as pesquisas de cientistas comoEinstein (criador da Teoria da Relatividade) e Max Planck(criador da Mecânica Quântica) esclareceram a polêmicaentre as teorias corpuscular e ondulatória, além deaprofundar o conhecimento a respeito do mecanismo deprodução da luz. Sabe-se, hoje, que as duas teorias sãoverdadeiras: sendo uma forma de energia emitida pelosátomos de uma substância que recebe uma sobrecargaenergética, a luz pode, em certas situações, se comportarcomo onda e, cm outras, como partícula, pois a energialuminosa é emitida em "pacotes" (fótons) de quantidadessempre iguais para um determinado tipo de luz. O quediferencia as luzes das várias cores é exatamente aquantidade de energia de seu fóton, ou seja, cada cor emiteuma quantidade diferente de energia. Como você pode ver no Esquema 1 (pág. 31), a luzfaz parte de um grande conjunto de radiações de naturezasemelhante, chamadas de radiações eletromagnéticas. O quediferencia umas das outras é o comprimento da onda comque elas se propagam, o qual pode variar desde mais de milmetros até frações de Ängström (um milímetro dividido por10 milhões). As maiores dessas ondas ocorrem nosfenômenos de transmissão de sons: são as que vão de algunscentímetros até muitos metros — as ondas de rádio, telefonee radar. Destas, as ondas de rádio de alcance local são asmais longas, com mais de mil
  22. 22. 26 ▼ Eneida Duarte Gasparmetros, seguidas pelas chamadas ondas curtas, detransmissão de rádio a distância. As ondas, cujoscomprimentos variam entre centímetros e milímetros, sãopercebidas como radiações de calor: seus usos práticosincluem o forno de microondas e as lâmpadas deinfravermelho. Abaixo do infravermelho, com ondas de pequenasfrações de milímetros, aparece a luz visível. Aqui podemosperceber que a ordem em que as cores aparecem no espectrodo arco-íris corresponde ao seu comprimento de onda,estando as maiores na faixa do vermelho e as menores nafaixa do violeta. Na verdade, quando falamos de luz, estamosnos referindo, geralmente, apenas à que é visível para o olhohumano. Existem radiações invisíveis para nós, mas visíveispara outras espécies; por exemplo, as abelhas não distinguemo vermelho, mas conseguem ver o ultravioleta; já os beija-flores enxergam o infravermelho. Abaixo da faixa de luz visível, com comprimentosde onda cada vez menores, ocorrem sucessivamente os raiosultravioleta (emitidos pelo Sol), os raios X e os raios gama(emitidos pelas substâncias radioativas), e os raios cósmicos(que atingem a Terra vindos das estrelas). Dessas radiaçõesde comprimento de onda muito curto, as que podem serproduzidas artificialmente e de modo controlado são usadaspela medicina cm diversas técnicas diagnosticas eterapêuticas, pois produzem alterações químicas nas células,podendo, assim, destruir organismos (micróbios, vírus,células cancerosas) ou ativar substâncias (como faz aradiação ultravioleta com a vitamina D). O que diferencia todas essas radiações entre si é omovimento dos elétrons que giram nas coroas dos átomosque compõem o corpo, o qual depende da quantidade deenergia existente no corpo, que determina se os
  23. 23. Parte I - Idéias Gerais ▼ 27elétrons vão vibrar mais ou menos. Quando a energia queatinge o corpo é pequena, os átomos ficam apenas vibrando,sem sofrer alterações; neste caso, a radiação emitida é ocalor. Quando a energia é suficiente para que os elétrons dosátomos pulem de uma órbita para outra dentro do átomo, eemitida luz. Quando a energia é tanta que faz com que oselétrons pulem para longe do átomo, são emitidas radiaçõesionizantes (que transformam os átomos em íons, com cargaspositivas ou negativas) como o ultravioleta. É importantecompreender a relação entre a cor, o comprimento de onda, ocalor e a ionização porque, dependendo dessas variáveis,uma cor irá exercer efeitos físicos diferentes: as ondaslongas, com menos energia, penetram muito menos noscorpos do que as ondas mais curtas, o que explica, porexemplo, o nível de profundidade diferente em que umorganismo pode ser lesado pela exposição excessiva ao calorou aos raios X; uma cor da faixa do vermelho vai seracompanhada por uma produção de calor bem maior do queas cores da faixa do violeta; mas as cores da faixa do violetajá terão a mistura de alguma radiação ionizante, capaz dealterar os tecidos do organismo. Este, então, é o conceito fundamental que deveorientar seu estudo de Cromoterapia: o que determina omodo de atuação física da luz no organismo é a quantidadede energia gerada por sua fonte, a qual determinará a corproduzida, que nada mais é do que um indicador externo,fácil de ver, do tipo e da quantidade de energia com que vocêestá lidando. Uma conclusão inicial deste fato é que, apesardas aparências contrárias (por causa das sensações de calor efrio), as luzes na faixa do
  24. 24. 28 ▼ Eneida Duarte Gasparazul-violeta contêm mais energia do que as da faixa dovermelho-amarelo, justamente porque não dispersam quasenada como calor. Outra conclusão decorre do fato de que as ondasmais longas são menos penetrantes do que as mais curtas. Demodo geral, as luzes da faixa do vermelho são menospenetrantes do que as da faixa do violeta. Dentro da faixa dovermelho-amarelo, o vermelho (cujas ondas são as maislongas) é menos penetrante do que o amarelo; na faixa doazul-violeta, o violeta (que tem as ondas mais curtas) é maispenetrante do que o azul. O verde, que se equilibra entre osdois extremos do espectro, tem efeitos físicos muitoparecidos com os da luz branca, que equilibra os extremos dovermelho e do violeta. Em princípio, qualquer fonte de luz poderia produzira luz inteira, branca. Entretanto, dependendo do tipo desubstância que compõe a fonte e do processo que elaemprega, podem predominar, na luz por ela produzida,determinadas faixas do espectro visível. Assim é que aslâmpadas incandescentes comuns, de filamento detungstênio, produzem uma luz bem mais amarela do que a doSol, mas menos vermelha do que a luz das velas e doslampiões de óleo. Quanto mais avermelhada for a luz, maiorserá a proporção de energia perdida como calor — aslâmpadas incandescentes domésticas produzem 60% de calore 40% de luz. Estas lâmpadas são satisfatórias para ailuminação comum, mas não são adequadas para situaçõesque exijam luz mais próxima do espectro total do Sol, comoa iluminação de aquários e plantas. Além disso, o gasto deeletricidade é relativamente grande e, dependendo danecessidade de iluminação, o ambiente pode ficar muitoquente. Na prática
  25. 25. Parte I - Idéias Gerais ▼ 29da Cromoterapia, este efeito pode ser bastante indesejável,especialmente no caso de queimaduras e febres. Existem outros tipos de lâmpadas que produzemluzes de cores puras. A lâmpada fluorescente explora aluminosidade emitida pelo vapor formado por algumassubstâncias quando são atingidas por uma descarga elétrica.O gás neon, por exemplo, produz luz vermelha; o vapor demercúrio emite luz azul, e a lâmpada de sódio produz luzamarela. Essas lâmpadas perdem muito menos energia comocalor do que as incandescentes e, por isso, são usadas emlocais que exigem iluminação intensa e fria. Existem,também, lâmpadas especiais que produzem, principalmente,radiação ultravioleta (as lâmpadas actínicas que produzem achamada "luz negra") e infravermelha, ambas usadas emmedicina; e projetores de laser de luzes vermelha (de muitaenergia, com utilidade em medicina), amarela e verde (debaixa energia, usados em diversões). As modernas lâmpadashalógenas produzem uma luz intensa e azulada; entretanto, ovidro facetado por onde a luz passa é produzido de modo acriar reflexos verdes e vermelhos, cuja soma à luz originalresulta cm uma luz final branca bem satisfatória. De modo geral, quanto mais branca for a luzproduzida por uma fonte, ou seja, quanto menos ela penderpara um dos extremos do espectro, melhor ela poderá serusada na Cromoterapia. Não seria econômico trabalhar cominúmeras lâmpadas especiais (e caras) para produzir luzmonocromática de cada cor; tampouco é sabido se o usodessas luzes teria efeitos tão bons como os da luz misturadadas lâmpadas comuns. E por isso que, na Cromoterapia,normalmente são usadas lâmpadas comuns cuja luz, a maisbranca possível, é filtrada de alguma
  26. 26. 30 ▼ Eneida Duarte Gasparforma (com uma pintura em seu bulbo de vidro ou um ante-paro externo), de modo que passe para o ambienteprincipalmente a luz da cor desejada. Sc usássemos umalâmpada que produzisse mais luz na faixa do vermelho,quando desejássemos obter o anil ou o violeta, quasenenhuma luz passaria pelo filtro; o mesmo ocorreria seusássemos uma lâmpada de luz muito azul para obter overmelho ou o laranja.
  27. 27. 3 - AS CORESO bserve o desenho que se encontra na primeira orelha dacapa. Ele mostra vários modos de representar o espectro dascores e permite observarmos as relações entre elas. Vejamos, primeiro, os conceitos que são comuns aosvários modelos. Para começar, tanto entre as luzes comoentre os pigmentos, existem três cores que são chamadasprimárias. Elas receberam este nome porque não podem serdecompostas, ou seja, não são produzidas pela combinaçãode outras cores. Outras três cores são chamadas secundárias:elas resultam da combinação das primárias duas a duas, emquantidades iguais. Estes dois grupos — as cores primárias eas secundárias — são seis das distinguíveis no arco-íris e asmais usadas na Cromoterapia. A sétima cor é o anil; esta éuma das chamadas cores terciárias, que resultam dacombinação entre uma cor primária e uma das secundáriasdela derivadas. Por que será que uma cor primária não pode secombinar com a secundária formada pelas outras duas, paraproduzir uma terciária? Aqui entra mais um conceitofundamental na teoria das cores: o de cor complementar. Acor complementar de uma cor primária é a cor secundáriaformada pelas outras duas primárias. Por que ela se chamacomplementar? Lembre-se de que a combinação de
  28. 28. Parte I - Idéias Gerais ▼ 33luzes de todas as cores produz a luz branca, que as contém atodas dentro de si. Como todas as cores são produzidas apartir da combinação das três cores primárias, semisturarmos as três primárias, obteremos o branco. Ora, acor complementar de uma primária é a soma das outras duasprimárias; se juntarmos as duas, teremos as três primáriasjuntas, e o resultado será o branco. Isto quando trabalhamoscom luzes; quando trabalhamos com tintas, obtemos o cinzaou o marrom, por causa das impurezas dos materiais. Mas as cores têm variações internas, e não apenas asprovocadas por misturas com outras cores. Aqui chegamos aoutro conceito importante, que é o de luminosidade. Quantomais luz branca uma cor contiver, mais clara ou luminosa elaserá; sua tonalidade irá clareando até se transformar nobranco. Ao contrário, quanto menos luz branca a cor tiver,mais escura e menos luminosa ela será; sua tonalidade iráescurecendo até transformar-se em preto. Algumas cores sãonaturalmente mais luminosas do que as outras: as maisluminosas são o amarelo e o verde-claro. Já o vermelho é amenos luminosa de todas; numa fotografia empreto-e-branco, os objetos vermelhos tendem a parecerpretos. Outro conceito importante é o da temperaturaaparente da cor. As cores do extremo vermelho-amarelo doespectro, que realmente têm grande parte de sua energia soba forma de calor, são chamadas cores quentes; as do extremoazul-violeta, que quase não contêm calor, são as cores frias. Todos esses conceitos são importantes para aCromoterapia. Conhecer as diversas cores e suascaracterísticas físicas vai habilitá-lo a compreender seusefeitos e a escolher as cores mais adequadas para os efeitosque
  29. 29. 34 ▼ Eneida Duarte Gaspardeseje obter. Conhecer os pares de cores complementares éfundamental porque, quando se investigam as condições deum paciente, seja em relação a necessidades físicas, sejaquanto a necessidades psicológicas, raciocinamos em termosde "excesso" ou "falta" de uma cor; quando há falta da cor, éela mesma que deve ser usada; mas, quando há excesso, deveser usada sua complementar. A luminosidade é importanteporque, geralmente, as cores têm efeitos diferentes de acordocom sua tonalidade. Por exemplo, o azul-claro é calmante,mas o escuro é deprimente. Além disso, os tons escuros —com aspecto "sujo" — sugerem desequilíbrio energético eproduzem efeitos prejudiciais. Finalmente, a temperatura da cor se relaciona tantocom estados emocionais quanto com efeitos físicos das cores. Observemos agora, em detalhes, os vários esquemasde cores. O primeiro se refere às cores-pigmento opacas, quedependem das características químicas da superfície doobjeto, as quais determinam o modo como ele vai refletir osraios luminosos que o atingem. Observe o ambiente em que você está. Aí existemelementos de cores diversas e, a qualquer hora do dia, desdeque haja luz, cada um deles se apresentará sempre da mesmacor. A situação só será diferente se o lugar for iluminadocom uma lâmpada que emita luz monocromática de umadeterminada cor. Neste caso, os objetos apresentarão uma cordiferente da sua original ou até parecerão ser negros. Quandoa luz ambiente é reduzida, ao anoitecer, as cores vãoescurecendo aos poucos, transformando-se todas num pardo-esverdeado. Quando falamos das cores dos objetos, que nãovariam com a hora do dia nem com a posição da fonte de
  30. 30. Parte I - Idéias Gerais ▼ 35luz, estamos nos referindo à chamada cor-pigmento opaca,que resulta das propriedades químicas da superfície doobjeto. Essa cor pode ser intrínseca, como é o caso do verdedas folhas e do vermelho do rubi, que depende de mineraisque compõem esses corpos; ou pode ser produzida por umatinta, que é um composto químico planejado para refletiruma determinada cor quando aplicado a uma superfície,independentemente do que exista por baixo dela. As cores-pigmento primárias são o vermelho, oamarelo e o azul. O vermelho, ao clarear, torna-se cor-de-rosa e, ao escurecer, torna-se cor de tijolo e marrom. Oamarelo não muda de caráter ao clarear ou escurecer —desmaiado ou cor de ouro, será sempre amarelo. O azul podeser bem claro (azul-celeste) ou então azul-marinho. Vejamos, agora, as cores-pigmento secundárias esuas relações com as primárias. O verde é a mistura de azulcom amarelo; é complementar do vermelho. O laranja éformado pelo vermelho e o amarelo; é complementar doazul. O violeta é a mistura de azul com vermelho; écomplementar do amarelo. Existe um jogo que se pode fazerusando essa noção de cor complementar. Olhe em volta eescolha um objeto qualquer com uma cor definida. Olhefixamente para ele por alguns momentos. Em seguida, fecheos olhos. Você verá o mesmo objeto, mas na corcomplementar da sua cor natural. Isto acontece porque, ao tera retina saturada com uma cor, seu olho cria a imagem da corcomplementar como forma de repousar e retornar aoequilíbrio. As cores terciárias são mais difíceis de diferençar,mas são as mais encontradas na natureza, pois as cores
  31. 31. 36 ▼ Eneida Duarte Gasparpuras só existem em produtos artificiais. O anil é a corterciária mais conhecida, pois é percebida no arco-íris;resulta da mistura de azul com violeta. As cores de hortênsia,granada, vinho, púrpura e jacinto são de diversas tonalidadese diferentes combinações do violeta com o vermelho; podemser mais claras ou escuras, mais azuladas ou rosadas. Entre overde e o azul existem os inúmeros tons de água e turquesa;entre o verde e o amarelo, os tons de limão; entre o amarelo eo laranja, os tons de bege; e entre o laranja e o vermelho, ostons de coral. Vamos, agora, examinar a chamada cor-luz, queconsiste em uma radiação luminosa visível, de umdeterminado comprimento de onda. Imagine um amanhecerclaro e limpo. O céu é azul e o próprio ambiente parece meiolilás. Quando chega o meio-dia, entretanto, e no início datarde, tudo se torna amarelado ou alaranjado. Ao entardecer,tanto o céu como o ambiente ficam cor de púrpura e, quandoanoitece, tudo se tinge de violeta. Quando chove e o Solbrilha no meio das nuvens, o arco-íris mostra no céu todasessas cores ao mesmo tempo, numa grande curva multicor. Acor aparente dada ao ambiente a cada hora do dia resulta dasdiferenças de posição do Sol. Quando a luz solar passa dovácuo do espaço para a atmosfera, cada cor, por ter umcomprimento de onda diferente, se desloca numa direção umpouco diferente (como ocorre quando a luz atravessa ocristal). E claro que, como vêm raios luminosos de váriospontos do espaço, no final o lugar vai ser iluminado poralguma coisa próxima da luz branca; mas, dependendo dofeixe de luz que seja mais forte, uma cor irá predominar. Pelamanhã, quando os raios solares atingem o local meio de ladoe vindos do Leste, o feixe de luz predominante é o do azul-violeta
  32. 32. Parte I - Idéias Gerais ▼ 37(e ultravioleta); ao meio-dia, quando o Sol está vertical sobreo lugar, predomina o feixe amarelo-vermelho (einfravermelho); e, ao entardecer, quando a luz vemnovamente de lado, mas, agora, do Oeste, predominanovamente o feixe do azul-violeta. Esta informação pode serextremamente útil para um cromoterapeuta. Ao adotar orecurso do banho de sol, para si mesmo ou para outra pessoa,você pode planejar o horário desse banho de acordo com acor predominante que deseja receber, em vez de apelar paraanteparos coloridos que sempre são mais complicados defazer e usar - além de exigir que a pessoa fique imóvel sob aluz, quando ela poderia estar simplesmente dando umpasseio ao ar livre. Observando o desenho das cores-luz (vide orelha),você verá que existe uma pequena diferença entre as luzes eos pigmentos. Se você observar um documento técnico sobretelevisão em cores, verá que sua imagem é produzida pelacombinação de três luzes primárias: vermelho, verde e azul-violeta. E interessante observar que, quando se trata dasluzes, ao contrário do que ocorre com os pigmentos, as trêscores primárias assumem uma posição quase simétrica aolongo do espectro: o vermelho e o azul-violeta nos extremos,o verde no centro. Vejamos, agora, as cores-luz secundárias. A misturade vermelho com verde produz o amarelo, que écomplementar do azul-violeta; o verde combinado com oazul-violeta produz o azul-turquesa, que é complementar dovermelho; e a mistura de azul-violeta com vermelho produzmagenta, que é complementar do verde. Quanto às coresterciárias, seguem as mesmas várias possibilidades decombinação já descritas para os pigmentos.
  33. 33. 38 ▼ Eneida Duarte Gaspar Existe, ainda, uma terceira possibilidade em termosde classificação das cores que é particularmente importantepara a Cromoterapia. As cores-pigmento descritas acimareferem-se às cores opacas, como uma tinta de parede ou acor de uma roupa. Quando se trata de um pigmentotransparente, como o dos vitrais coloridos, as coisas são umpouco diversas. Neste caso, as cores primárias são o amarelo,o azul e o magenta (um rosa forte arroxeado). A combinaçãode magenta com amarelo produz vermelho; amarelo comazul produz verde; e azul com magenta produz violeta. Sevocê for usar anteparos coloridos de plástico fino, papelcelofane ou acetato, experimente seguir este esquema paraobter cores diferentes, pois estes materiais são encontradosem pequena variedade de cores.
  34. 34. 4 - AS CORES E O ORGANISMOÉ fundamental para a Cromoterapia que se compreenda adiferença entre cor-luz e cor-pigmento. A maioria dosautores do material publicado sobre o assunto constrói seuraciocínio sobre o conceito de cor-pigmento, embora utilizena terapia a cor-luz; a grande exceção é Ghadiali, umcientista indiano do início do século XX que baseou seumodelo de terapia nas três cores-luz primárias e não nas trêscores-pigmento. Outros autores, ou não estudaram o assuntoa este nível de detalhe, ou não deram importância à diferençaentre os dois tipos de cor. A confusão entre esses dois conceitos, entretanto,tem grandes conseqüências na prática da Cromoterapia. Porexemplo, ao estudar as qualidades da cor azul e definir suasindicações clínicas, os autores a recomendam para osmesmos problemas, tanto sob a forma de luz diretamenteaplicada, como sob a forma de roupas a serem usadas. Ora,quando projetamos uma luz azul ou ficamos num ambientepintado de azul, as radiações de todas as outras cores sãoeliminadas, absorvidas pelas paredes ou pelo material dalâmpada; nosso corpo (ou nosso campo energético) éatingido apenas pela radiação azul. Já quando usamos umaroupa azul, essa roupa devolve ao ambiente (reflete) aradiação azul e absorve (ou seja, incorpora ao campoenergético que fica junto ao nosso corpo) todas as
  35. 35. 40 ▼ Eneida Duarte Gasparoutras radiações; neste caso, nosso campo ficará impregnadode todas as outras radiações, exceto o azul. É preciso, portanto, definir o tipo de efeito desejadocom o emprego da cor: se visarmos ao efeito físico sobre ocampo eletromagnético, será necessário levar em conta adistinção entre cor e pigmento. Quando houver falta de umacor, projete luz dessa cor que está faltando ou use roupas desua cor complementar; se houver excesso de uma cor, useroupas dessa cor ou projete luz da cor complementar.Somente será válido usar roupas e luzes da mesma cor paraum mesmo problema quando visarmos ao efeito psicológicoda cor; neste caso, o fato de a pessoa se ver vestida com a corterá o mesmo efeito de ver a cor no ambiente. A esse respeito, ainda existe outra confusão a seresclarecida. Freqüentemente, nos cursos, os alunos meperguntam se "faz mal" dormir com roupas de umadeterminada cor. Muitos cromoterapeutas e orientadoresespirituais são dessa opinião; vamos, entretanto, fazer umraciocínio rápido sobre o assunto. Já sabemos que a cor de um objeto é o resultado daluz que o atinge e que ele reflete, ou seja, devolve aoambiente; a cor que percebemos no objeto é uma sensaçãosubjetiva, é o modo como nosso cérebro interpreta aquelasradiações que o objeto espalhou pelo espaço. Portanto, oambiente vai ficar impregnado dessas radiações luminosassomente se houver uma fonte que forneça a luz para que oobjeto a reflita. Ou seja: existe cor -quantidade de energiaimpregnando o ambiente ou impressionando nossos olhos —se houver luz para reagir com o objeto, fornecendo-lheenergia. Sem luz, não há energia e, portanto, não há cor. Nãoé por acaso que, ao
  36. 36. Parte I - Idéias Gerais ▼ 41anoitecer, os elementos de uma paisagem vão escurecendoaté se tornarem negros. Sem a luz do Sol ou de uma fonteartificial, não há energia para reagir com a superfície dosobjetos e provocar a emissão da radiação luminosa. Omesmo ocorre com suas roupas durante a noite. A não serque você durma num local iluminado (o que, a propósito, nãoé bom para a sua saúde), suas roupas serão perfeitamenteiguais e inertes quanto à absorção e emissão de energialuminosa durante a noite, não importa qual seja a sua cor àluz do dia. Mais uma vez, o que poderá provocar diferençasserá o efeito psicológico da cor. Como você sabe que estáusando uma roupa azul ou vermelha, branca ou preta, issopode influenciar seu estado emocional, mesmo quando a cornão estiver presente. Roupas de diferentes cores podem, sim, exercerinfluências levemente diferentes sobre o corpo, mas isso nãose deve diretamente ao fato de você usá-la durante o sono.As cores mais escuras e quentes, que refletem menos luz, sãoas que absorvem mais energia enquanto há claridade; usandoessas cores enquanto ainda há luz no ambiente, a pessoa ficacom o campo energético mais carregado, mais quente e ativo.Roupas dessas cores podem perturbar pessoas que sintammedo das próprias sensações corporais e emoções, pois oacréscimo de energia proporcionado pela roupa usada aindacom as luzes acesas pode ativar seu organismo e dificultar arepressão dos impulsos que a pessoa tenta ignorar. É por issoque "mestres espirituais", cuja meta é a fuga da realidadematerial e corporal, costumam recomendar que se evitemessas cores. Uma questão muito levantada pelos críticos daCromoterapia, e que geralmente embaraça os estudiosos
  37. 37. 42 ▼ Eneida Duarte Gasparsérios do assunto, é a pequena diferença entre os comprimentosde onda das várias cores. Segundo os críticos, este fato físicotorna insustentável a teoria de que diferentes cores exercemefeitos diversos sobre o organismo, restando, apenas, apossibilidade de um efeito psicológico da cor. Com efeito, se você retornar à figura que mostra oespectro das radiações eletromagnéticas, verá que, enquantoexiste uma enorme diferença de comprimento de onda entre,por exemplo, as ondas de rádio e os raios infravermelhos,dentro do espectro da luz visível as diferenças são mínimas. Aluz vermelha tem um comprimento de onda em torno de 700milimícrons(mm); o alaranjado, perto de 650 mm; o amarelo,perto de 590 mm; o verde, em torno de 520 mm; o azul, nafaixa de 490 mm; o anil, em torno de 480 mm; e o violeta, emtorno de 400 mm. Entre os dois extremos do espectro da luzvisível há uma diferença de apenas 300 milionésimos demilímetro em comprimento de onda. Isso significa que asdiferenças entre as quantidades de energia que caracterizamcada uma dessas faixas de radiação são muito pequenas. Entretanto, os fenômenos físicos e químicos queocorrem no interior das células também envolvem variações deenergia muito pequenas e, portanto, variações mínimas deenergia vindas do exterior podem ser suficientes paradeterminar que as estruturas orgânicas reajam de maneirasdiversas à radiação. Hoje em dia, sabe-se, com segurança, que a presençaou ausência de luz afeta de modo marcante os organismosvivos. Em meados da década de 60, foram feitas descobertasdecisivas a respeito da estrutura e da função da glândula pinealque esclarecem esta questão.
  38. 38. Parte I - Idéias Gerais ▼ 43A pineal, situada na base do cérebro, produz um hormôniochamado melatonina, que age sobre os ciclos de sono e dereprodução dos vertebrados. Entre os anfíbios, a pineal éfotorreceptora (o que justifica a idéia antiga de que ela seriao "terceiro olho"); entre os mamíferos, embora tendo perdidoa capacidade de captar diretamente a luz, a pineal recebe umramo do nervo óptico, captando, assim, informações arespeito da iluminação ambiente. Quando diminui o nível deluz, a pineal produz mais melatonina. O hormônio pareceagir ativando as funções cerebrais de vigília e interferindo nofuncionamento das glândulas supra-renais e reprodutoras.Durante o inverno, quando as noites são mais longas, a maioratividade da pineal evita que a tendência para dormir cresçana mesma medida em que cresceu o período de escuridão, eparece bloquear a atividade reprodutora. Mas existem evidências de que a luz afeta oorganismo de modos mais sutis. A idéia básica dafotoquímica é a de que uma reação química ou uma açãofísica ocorre quando há absorção de uma unidade de energia(um fóton) pela substância original. Existem muitas reaçõesquímicas que podem resultar em produtos diferentes, deacordo com a quantidade de energia absorvida; e essaquantidade, que sempre é a energia de um fóton para cadaunidade de matéria-prima, pode ser calculada por umafórmula simples que multiplica o comprimento de onda daradiação (o que expressa sua energia) por uma constante. Asquantidades de energia envolvidas nessas reações sãosuficientemente pequenas para que a diferença entre asquantidades de energia por fóton entre duas radiações doespectro da luz visível provoque diferentes resultados finaispara a reação.
  39. 39. 44 ▼ Eneida Duarte Gaspar Este raciocínio parece não ser apenas uma teoria.Pesquisas sobre os efeitos biológicos das radiaçõesmostraram que, tanto entre certos vegetais como entre certosanimais, a luz vermelha favorece a criação de flores ouembriões predominantemente masculinos, enquanto a luzazul tem o efeito inverso, favorecendo a produção de célulasfemininas. A luz vermelha também se mostra capaz deacelerar o crescimento de alguns tipos de tumores, enquantoa luz solar que atinge a Terra, que tende para o azul, mostra-se capaz de estimular a regeneração de células lesadas pelaradiação ultravioleta, por meio da ação de enzimas querecuperam os genes alterados. Se esses efeitos tivessem sido observados somenteentre animais, poderiam ser atribuídos a uma ação indireta,mediada pela visão e pelos efeitos psicológicos da cor, massua ocorrência entre vegetais, que não possuem olhos, sequersistema nervoso central, indica que a ação se dá diretamentesobre os tecidos do organismo. Como a luz visível tem umapequena penetração nos tecidos do corpo, atuandodiretamente apenas na superfície, podemos aceitar a idéia deque ela agirá por meio de dois mecanismos: a ação primária édecorrente diretamente da absorção da luz, e consiste emreações químicas e físicas que acontecem nas camadassuperficiais do corpo (pele, circulação e inervaçãoperiféricas); a ação secundária consiste no conjunto demudanças que ocorre no organismo em decorrência da açãoprimária, e que pode ser de vários tipos: aceleração de umareação que normalmente é muito lenta, produção de umareação que serve como gatilho para outras, armazenamentode energia nas moléculas que assim se tornam ativas etc.
  40. 40. Parte I - Idéias Gerais ▼ 45 Além do mais, as radiações luminosas produzidasnormalmente são misturadas, ou seja, a luz vermelha não ésó aquele comprimento de onda do vermelho, mas umamistura de radiações - com infravermelho incluído - em quepredomina a luz vermelha. O mesmo ocorre com todas ascores, havendo, apenas, uma redução progressiva deinfravermelho e um aumento progressivo do ultravioletaconforme chegamos no extremo violeta do espectro. Comoessas radiações invisíveis produzem efeitos orgânicos que afaixa visível não produz, as diferentes quantidades delas nasdiversas cores vão determinar diferentes efeitos orgânicos daaplicação de luzes de cor diferente. Todos esses dados indicam que variações muitopequenas no comprimento de onda das radiações queatingem um órgão ou tecido podem ter efeitos diferentessobre esse tecido, principalmente se levarmos em conta asdiferenças qualitativas entre as radiações do pólo violeta(que têm menor porcentagem de calor e muita radiaçãoultravioleta) e as do pólo vermelho (que têm maiorpercentagem de calor). Sabe-se, por exemplo, que umaquário não fica bem equilibrado se for iluminado apenascom lâmpadas incandescentes, que produzem pouca radiaçãona faixa do azul; a mesma coisa ocorre, mais ou menos, comas plantas, que, para realizarem a fotossíntese, precisamabsorver quantidades praticamente iguais de luz vermelha eazul, ao mesmo tempo em que refletem a luz verde. E sabidoque a luz ultravioleta, por sua capacidade de provocaralterações nas células, é um poderoso bactericida. Já foicomprovado que não existe um limite definido entre oultravioleta e o violeta, participando esta
  41. 41. 46 ▼ Eneida Duarte Gasparcor, embora em menor grau, do efeito germicida da outraradiação. Da mesma forma, o vermelho participa dacapacidade de produzir calor do infravermelho. Entretanto, overmelho não é germicida, o violeta não é aquecedor, overde não ativa a clorofila. Cada faixa de luz correspondentea uma das cores-luz primárias produz seu efeito específicosobre os organismos, sem se confundir com as outras. As cores secundárias e terciárias, resultantes damistura em proporções diversas das cores primárias, e quenão têm um efeito tão distinto. O amarelo e o alaranjado,situados entre o vermelho e o verde, são cores quentes, comefeitos semelhantes aos do vermelho, mas cada vez maisatenuados conforme dele se afastam; o azul e o anil, situadosentre o verde e o violeta, são cores frias com efeitoscalmantes, regeneradores e anti-sépticos cada vez maisintensos conforme se aproximam do extremo frio doespectro. Logo, as diferenças fundamentais aparecem entreas cores-luz primárias, enquanto as secundárias seapresentam como gradações sutis das primeiras. Entretanto,os dados das pesquisas fotoquímicas, embora ainda empequena quantidade, sugerem que diferenças ainda mais sutispodem ser encontradas entre todas as luzes monocromáticas.
  42. 42. 5 - A VISÃO DA CORU m elemento fundamental da Cromoterapia é o efeitopsicológico resultante, não apenas da interação física com aradiação luminosa, mas da percepção da cor. Esse efeito émuito utilizado em Psicologia Ocupacional, Marketing eSaúde. Observe, por exemplo, a decoração de umalanchonete moderna, dessas que pertencem a grandes redes,cuja decoração é padronizada. Repare que todas essas redesutilizam mais ou menos as mesmas cores em sua decoração:todas adotam tons alaranjados e ocres, com algum vermelhoe amarelo. Perceba como você se sente em relação à comidadentro desse lugar. Se tiver oportunidade, experimente comer(ou se imaginar comendo) num lugar decorado em azul,branco, verde, grená ou cinza. Compare as sensações em seuestômago, a impressão visual que a comida lhe causa, opaladar, o apetite que sente aqui com as sensações que tevena outra lanchonete. Não foi por acaso que todas as grandesredes multinacionais de alimentação passaram a usar asmesmas cores; não foi porque, por coincidência, seus donosachavam essas cores bonitas. Ao contrário, essa decoração écuidadosamente planejada com o objetivo de criar umambiente que estimule o apetite e facilite a digestão, o que éum efeito conhecido das cores da faixa do alaranjado.
  43. 43. 48 ▼ Eneida Duarte Gaspar As fábricas também já descobriram a importância douso cuidadoso das cores no ambiente. O vermelho, a maisirritante de todas as cores, é evitado em locais em que sãonecessárias calma e concentração, mas é empregado comoindicador de alerta e perigo. Aliás, este é um dos usospúblicos mais tradicionais das cores: os sinais de trânsitoapelam para seu efeito psicológico ao usar o tranqüilo verdepara liberar a passagem e o explosivo vermelho para mandarparar. Os hospitais, antigamente, em nome da higiene,eram revestidos de azulejos brancos ou cinzentos e povoadospor guarda-pós brancos; mas foi descoberto o efeito nocivoque esse ambiente exerce sobre o estado emocional dospacientes, que podem facilmente ficar deprimidos, tendomaior dificuldade para se recuperar das doenças. Hoje, emmuitos lugares, já existe o cuidado de usar, nas roupas eparedes, cores que acalmem, sem deprimir, e que estimulemsem irritar, como o verde e o amarelo claros. Pesquisas fisiológicas e psicológicas comprovaramque existe uma diferença entre a sensação e a percepção dacor. A sensação consiste no mecanismo fisiológico queenvolve as características físicas da luz e as estruturas doolho e dos nervos. Essas estruturas, sob a ação da luz, sofremtransformações químicas que produzem impulsos elétricostraduzidos, no cérebro, como informações visuais. Apercepção consiste no processo de tomada de consciência einterpretação dessas informações, o que é sempreinfluenciado por condições psicológicas e experiênciasprévias da pessoa. Uma das situações em que é mais marcante essadiferença é a apreciação das cores conforme os
  44. 44. Parte I - Idéias Gerais ▼ 49significados a elas associados na experiência de vida dapessoa. É comum que as pessoas "gostem" das cores de seusclubes e escolas de samba prediletos; geralmente, as cores dabandeira de um país têm um forte apelo emocional para seushabitantes; fiéis de religiões que dão significados especiais acertas cores tenderão a preferir e usar essas mesmas cores.No Candomblé, por exemplo, as cores representam um papelfundamental, por serem um dos principais e mais evidentessímbolos dos orixás: usar a cor do seu "Santo" significa seunir a ele, vivenciá-lo, colocar-se sob sua proteção, e,também, homenageá-lo publicamente, reconhecer suaimportância e fazer-lhe um agrado. Existe um mecanismo psicológico ainda mais sutilrelacionado à apreciação das cores. Na verdade, penso queesse mecanismo deve ser chamado de psicossomático, poisexpressa necessidades energéticas inconscientes da pessoa.Muitos cromoterapeutas, sabendo ou não os motivos disso,trabalham com esse mecanismo ao tentar identificar ascaracterísticas e necessidades de uma pessoa por meio dascores de que ela gosta ou não. Entretanto, convém entender afundo esse processo, para compreender aparentescontradições que ocorrem". Tomando como exemplo a corvermelha, às vezes encontramos pessoas que adoram sevestir com essa cor e que são vibrantes, exuberantes eenérgicas como o fogo e o sangue; mas, também, podemosencontrar pessoas tímidas ou fracas que sentem necessidadede usar vermelho. Eu entendo essa aparente contradição daseguinte maneira: as pessoas podem sintonizar com umadeterminada cor por semelhança ou por complementaridade.No primeiro caso, a pessoa exuberante usará o vermelho e apessoa reservada
  45. 45. 50 ▼ Eneida Duarte Gasparpreferirá o azul, porque essas cores refletem suaspersonalidades. A cor de suas roupas é como um sinal, ummeio direto, rápido e sintético de avisar, à primeira vista,sobre como ela é. Também pode ser uma forma da pessoa se"realimentar", de cultivar a imagem que ela deseja mostrarao mundo. Já no segundo caso, da escolha da cor porcomplementaridade, me parece ocorrer o inverso. Às vezes, apessoa sente necessidade de usar uma cor que lhe dáexatamente aquilo que ela sente que está lhe faltando. Otímido busca a agitação do vermelho, o tenso busca a calmado azul. Resumindo, não se pode usar a informação sobre apreferência pessoal de modo mecânico para rotular o tipo depersonalidade do indivíduo. E necessário conhecer a pessoa,conversar com ela para compreender o que está acontecendocom suas emoções e perceber suas necessidades. Avaliando as necessidades da pessoa e conhecendosuas preferências quanto às cores no vestuário e nadecoração, podemos propor mudanças que lhe sejam úteis.Por exemplo, atualmente, muitas pessoas usamconstantemente roupas de brim azul-escuro; já encontreipessoas que somavam esse hábito a uma tendência nítidapara a depressão. Neste caso, pode ser conveniente sugerirque a pessoa use mais as cores amarela e alaranjada, bemluminosas, para compensar a depressão induzida pelo anil.Da mesma forma, pode-se sugerir a uma pessoa hipertensaou portadora de glaucoma (que é um aumento de pressãodentro dos olhos, muitas vezes associada à tensão geral) queevite o vermelho forte e prefira o verde, o azul e o violeta. Talvez você esteja pensando que me pegou em erro.Se o vermelho é uma cor irritante e a roupa azul
  46. 46. Parte I - Idéias Gerais ▼ 51absorve a radiação vermelha, será que ela não vai fazer malao hipertenso? Se você pensou isso, volte por um momentolá ao início, à descrição da natureza física da luz. Lembre-sede que o que diferencia as cores entre si é a quantidade deenergia, e que as cores da extremidade azul-violeta têm maisenergia do que as da extremidade vermelho-laranja. Assim, aroupa que reflete o vermelho absorve a grande quantidade deenergia do azul-violeta; por isso, vai carregar mais nossocampo energético. Já a roupa que reflete toda a energia doazul-violeta absorve a quantidade bem menor de energia dovermelho e, por isso, carrega menos nosso campo energético. A impressão de irritação e calor causada pelovermelho nas paredes ou móveis, assim como a impressão defrio e de calma provocada pelo azul são mais efeitospsicológicos decorrentes da percepção da cor do que efeitosfísicos causados pela absorção da radiação luminosa peloorganismo. Este é um recurso muito usado em decoração.Quando queremos tornar mais aconchegante um cômodomuito grande e frio, usamos nas paredes e móveis as coresquentes (vermelho, laranja, amarelo); para fazer "crescer"um cômodo pequeno, apelamos para as cores frias (verde,azul, violeta). Entretanto, é bom lembrar que as cores quentestambém são fisicamente quentes e as frias são fisicamentefrias. Embora tenha uma quantidade menor de energia, aradiação vermelha (que se mistura ao infravermelho), ao serrefletida para o ambiente, dispersa mais da metade de suaenergia total sob a forma de calor, e muito pouca sob a formade luz; o vermelho é a cor de menor luminosidade. As coresde maior luminosidade são o amarelo e o verde; o azul, senão for muito claro, também
  47. 47. 52 ▼ Eneida Duarte Gaspartem pouca luminosidade, mas sua radiação se mistura aoultravioleta, que é uma radiação fria. Quanto mais próximado violeta, maior será a proporção de raios ultravioleta naluz. A conclusão de tudo isso é que um ambientevermelho, rosa forte ou coral será realmente quente eirritante, e um ambiente verde, azul ou violeta será realmentecalmante e frio.
  48. 48. PARTE IIESTUDO DAS CORES
  49. 49. O aspecto mais importante do estudo das cores, para asfinalidades da Cromoterapia, é sua associação aos grandesChakras. Existem várias formas de fazer essacorrespondência: os hindus associam a cada chakra a corsimbólica da divindade que nele vive; a Alquimia usa ascores simbólicas dos sete astros tradicionais, dispostos numaordem determinada; o misticismo europeu do início doséculo XX adotou o modelo apresentado por um autor quedeclarou tê-lo observado por clarividência; a Magia tende ausar as cores do arco-íris em sua seqüência natural. Eu prefiro usar este último sistema porque encontrocoerência em relacionar os significados simbólicos,fisiológicos e psicológicos de cada cor com os significadosequivalentes do chakra a ela associado.
  50. 50. 1 - VERMELHOO vermelho é a cor mais quente de todas e, também, amais estimulante. Na natureza, esta cor ocorre no sangue dosanimais, no fogo, nas flores, na plumagem das aves e emmuitos frutos. É também a cor da ferrugem e, por isso, oferro - e tudo a ele relacionado - é o metal associado à corvermelha. Tanto nos vegetais como nos animais, o vermelhoaparece quando o organismo está maduro para algumafunção: as flores, enquanto são apenas botões imaturos,mostram somente seu envoltório verde ou seu avessodesbotado; os frutos só enrubescem quando ficam maduros;somente os animais adultos exibem suas caudas, cristas epapos flamejantes, próprios para cativar as fêmeas; apenas oorganismo cheio de força apresenta um sangue bem rubro.Em resumo, o vermelho indica que o indivíduo está prontopara a reprodução, que é a função primordial de todoorganismo vivo. Ele capta energia pela respiração,transportando-a por meio dos glóbulos vermelhos do sangue;com isto, seu organismo pode produzir células reprodutoras equeimar energia na atividade sexual e na gestação doembrião. Mas um grande paradoxo do mundo vivo é o de quea reprodução - a imortalidade da espécie - seja acompanhadapela degeneração - a morte individual: a bactéria, paraproduzir descendentes, deve dividir-se em duas,
  51. 51. 56 ▼ Eneida Duarte Gaspardeixando de existir como ela mesma; nos seres vivossuperiores, o tempo de vida está relacionado com o tempoque o indivíduo leva para começar a se reproduzir. Assim, overmelho, ao mesmo tempo em que indica a prontidão para osexo, alerta para a chegada da morte. A flor e a folha que setornam avermelhadas e depois pardas estão morrendo; ofruto fica vermelho e depois cai e apodrece, enquanto servede alimento para a semente. O sangue vermelho indica queesse organismo está usando o oxigênio do ar para queimar(destruir) substâncias, a fim de continuar vivendo; e, quandoo sangue se torna visível no exterior do corpo, avisa que estecorpo está ferido, em perigo, talvez morrendo. Mesmo amenstruação, que é uma perda de sangue natural para asmulheres, indica a morte de um embrião que não chegou a seformar. O vermelho é a cor do Sol do meio-dia e doentardecer de verão; é também a cor do incêndio provocadopelo raio que cai na mata. E, portanto, uma cor de destruição,do calor excessivo que resseca e mata. E a cor da ferrugem,que é o ferro oxidado, queimado pelo oxigênio do ar. Não épor acaso que a hemoglobina - a substância que existe dentrodos glóbulos vermelhos e que absorve oxigênio nos pulmões- se caracteriza pela presença de um átomo de ferro no centroda molécula. Mais uma vez, o vermelho aparece onde existedestruição, corrosão. Mas a força vermelha do Sol nem sempre edestrutiva. E graças a ela que os grãos e frutos amadurecemno verão; é ela que aquece a atmosfera, o mar e a superfíciedo solo, favorecendo a preservação da vida no planeta. Ocalor é a forma palpável como sentimos o modo como o Solnos dá a vida. Além disso, o vermelho não é uma cor "má",porque a destruição em si não é má:
  52. 52. Parte II - Estudo das Cores ▼ 57dentro da natureza, a fase de destruição é um componentenecessário do ciclo da vida; sem ela, não haveria materialdisponível para que outros seres nascessem. Em um organismo vivo, as células estãoconstantemente queimando combustível. Gomo ocorre com afornalha de um velho trem a vapor, a queima de combustívelproduz calor. Existe uma quantidade mínima de combustívelque precisa ser queimada para que o organismo fique vivo,mesmo se mantendo imóvel e até adormecido. Esse nível defuncionamento se chama metabolismo basal, e pode seravaliado pela temperatura do corpo em repouso. O maisquente tem o metabolismo mais ativo, o mais frio estálidando com menos energia. Quando precisamos realizarqualquer atividade, queimamos mais combustível; quantomaior a atividade, maior a queima e maior o calor produzido.Essa atividade pode incluir o trabalho físico ou a excitaçãoemocional; esta última está ligada à preparação do organismopara a função vital de preservação da vida (quando estamosexcitados por medo ou raiva, desejo de agredir ou fugir) e dareprodução (quando estamos excitados pelo contato com umpossível parceiro sexual). Se a excitação, por qualquermotivo, se tornar muito grande, o calor gerado pelometabolismo intensificado é tal, que a pessoa fica realmente"quente". Pode ficar vermelha de raiva, quente de paixão,morta de calor após carregar as compras do mercado escadaacima. Nesta situação, nosso organismo realmente emiteradiação vermelha e infravermelha, e uma pessoa sensível etreinada poderá ver isso em nosso campo eletromagnético (achamada aura). E exatamente por isso que muitos cromoterapeutastêm medo do vermelho e preferem não usá-lo. Em geral,
  53. 53. 58 ▼ Eneida Duarte Gasparessas pessoas se vinculam a certas escolas de pensamentoespiritualista que desprezam e rejeitam a realidade corporal,da qual tentam fugir em direção a uma pretensaespiritualidade pura. Por isso, evitam qualquer tipo deestímulo que possa aumentar a energia do corpo, permitindo-lhe enfrentar e até superar o controle exercido sobre suasfunções naturais por repressões puritanas. Tanto a sensualidade como a agressividade sãoconsideradas, por essa linha de pensamento, como emoçõesnegativas que devemos eliminar. Esta, entretanto, é umaatitude errada e prejudicial, em primeiro lugar porquepretende eliminar impulsos naturais e necessários de buscade prazer e de sobrevivência; em segundo lugar, porqueconfunde agressividade (impulso de obter o que se quer enecessita) com destrutividade e sensualidade (expressãonatural do prazer corporal) com perversão. É claro que, parapessoas que se submetem a este tipo de repressão, overmelho é perigoso. Ao energizar seu organismo, podepermitir-lhe fugir ao controle; e tudo o que é reprimido, pormuito tempo, ao se libertar, pode explodir de formadestrutiva. Entretanto, esta não é uma justificativa para amanutenção das repressões: ao contrário, é um alerta acercada necessidade de eliminá-las de modo cuidadoso e seguro,trabalho esse que pode ser auxiliado pelas cores quentes, emparticular pelo vermelho. A chave para a compreensão dos efeitos fisiológicosdo vermelho é sua ligação com o sangue e com o calorgerado pelas reações químicas. O calor fornecido aoorganismo por uma fonte de luz vermelha e infravermelhavai ser absorvido pelas células, desencadeando todas asreações produzidas pelo aumento da temperatura interna.Entretanto, como o vermelho tem a onda mais
  54. 54. Parte II - Estudo das Cores ▼ 59longa entre todas as faixas de luz visível, é o que menospenetra nos tecidos, tendo um efeito direto maior nasuperfície do corpo. E por meio de sua ação no aparelhocirculatório e nos nervos periféricos que ele vai atingir,indiretamente, os órgãos e as estruturas internas. O efeito primordial do vermelho é o estímulo dacirculação. Com o calor, os vasos sangüíneos se dilatam e osbatimentos cardíacos se aceleram. O resultado é a chegadade mais sangue no ponto do corpo que está recebendo a luz.O sangue traz mais nutrientes e mais células do sistema dedefesa, o que acelera o combate a infecções e a recuperaçãode tecidos lesados; e retira mais rapidamente os detritos, astoxinas e as células mortas, o que ajuda a desobstruir, limpare revitalizar o local. Entretanto, se o local estiver muitoinflamado, congestionado e quente, a aplicação de uma luzvermelha intensa pode provocar uma piora temporária, poisaumentará a quantidade de líquidos e, portanto, a congestãolocal. O vermelho também pode provocar desconfortoquando há dor, pois ele estimula as terminações nervosas eaumenta sua sensibilidade, o que pode intensificar a sensaçãodolorosa. Pessoas com tendência para pressão alta e problemascardíacos devem tomar cuidado com a cor vermelha e, depreferência, evitar exposição prolongada aos tons maiscarregados. O vermelho provoca hipertensão por doismecanismos: pela via fisiológica, ao acelerar a circulação eprovocar vasodilatação local, desencadeia uma série dereações destinadas a fazer o organismo voltar ao estado derepouso, as quais resultam em vasoconstrição geral econseqüente aumento da pressão arterial; pela via
  55. 55. 60 ▼ Eneida Duarte Gasparpsicológica, o vermelho estimula e irrita, podendo agravar atensão nervosa típica das pessoas com tendência àhipertensão e cardiopatia. Ao acelerar a circulação sangüínea, o vermelhoaumenta a velocidade com que os glóbulos vermelhosabsorvem o oxigênio nos pulmões e o levam a todas as partesdo corpo; acelera, também, a absorção e a distribuição dosnutrientes produzidos pela digestão. Isso aumenta o nível devitalidade do organismo como um todo, sendo útil,particularmente, em casos de fraqueza, depressão econvalescença de doenças debilitantes. Outro efeitoresultante do estímulo circulatório e nervoso é o aumento davelocidade de eliminação de todos os produtos indesejáveisdo organismo. De modo direto ou indireto, esse efeito semanifesta na pele (pelo suor), nos aparelhos urinário edigestivo (pela aceleração da produção de urina e fezes). O aumento do calor (que é energia), do oxigênio edos nutrientes disponíveis nos tecidos tende a aumentar onível de atividade dos órgãos e a acelerar a velocidade derenovação dos tecidos. Esse mecanismo de ação pode serútil, por exemplo, em casos de anemia, pelo estímulo damedula óssea para que ela produza mais glóbulos vermelhos.A cicatrização de feridas pode ser acelerada e depósitos degordura (resultantes da inatividade dos tecidos) podem sereliminados. O efeito estimulante sobre os nervos pode seraproveitado para o tratamento de paralisias e outrosdistúrbios resultantes de fraqueza do sistema nervoso.Entretanto, nunca se deve aplicar o vermelho diretamente nadireção do crânio, pois um aumento da pressão sangüíneaintra-cerebral pode desencadear problemas graves erepentinos, que vão desde a dor de cabeça até o derrame.
  56. 56. Parte II - Estudo das Cores ▼ 61 O vermelho também deve ser evitado sobreferimentos em que grandes vasos foram lesados, emhemofílicos e em outras pessoas com dificuldadespermanentes ou momentâneas de coagulação sangüínea, poisa vaso-dilatação que essa cor provoca pode causar umagrande hemorragia. Por motivos semelhantes, o vermelhotambém deve ser evitado no ventre de mulheres grávidas. Do ponto de vista psicológico, o vermelho estáligado ao mundo dos instintos e das emoções maisprimitivas. O vermelho é a cor das necessidades básicascorporais: a fome, o medo, o conforto, o amor. Do ponto devista bi o energético, o vermelho está relacionado com acapacidade de armazenar e descarregar energia: seusimbolismo começa na própria vontade de viver, naautoconfiança, na firmeza sobre os próprios pés; passa pelacoragem e assertividade, que é a capacidade de agir de modoa satisfazer de maneira saudável as próprias necessidades, eculmina com a capacidade de descarga energética eemocional por meio da sexualidade. O vermelho é a cor das emoções calorosas: a raiva ea paixão, a sensualidade e a irritabilidade pertencem ao seudomínio. Entretanto, quando é diluído até se transformar emrosa claro, passa a se relacionar com o lado mais terno ereceptivo das emoções, perdendo a assustadora violênciaoriginal. E por isso, também, que muitos cromoterapeutaspreferem utilizar o rosa claro em vez do vermelho,principalmente os que não se sentem preparados para lidarcom o afloramento das emoções mais fortes de seuspacientes - o que, certamente, é uma atitude prudente esensata. A relação entre a cor vermelha, o sangue e osprocessos de oxidação e de queima permite identificar os
  57. 57. 62 ▼ Eneida Duarte Gasparalimentos e micronutrientes associados a essa cor.Habitualmente, os alimentos são classificados, para aCromoterapia, de acordo com sua cor aparente. Segundo essecritério, estariam associados ao vermelho a maçã, omorango, a cereja, a beterraba, o rabanete, o tomate, aameixa, a melancia. Embora este raciocínio possa ser umpouco mecânico, talvez valha a pena investigar se osminerais ou vitaminas predominantes nesses alimentos têmalguma relação com os efeitos da cor. No caso de algunsprodutos, essa relação é evidente, mesmo sem a coincidênciada cor. O feijão-preto, o espinafre e a banana, por exemplo,são ricos em ferro, o mineral essencial para a produção dosangue. A vitamina B12 e o fator antianêmico do fígado e dacarne têm correspondência com a ação do vermelho. Omesmo ocorre com substâncias que favorecem os processosde oxidação e combustão, como o próprio oxigênio, queaparece nos alimentos sob a forma de sais de potássio ecálcio combinados a manganês, cobre, zinco etc. Porcoincidência, alguns daqueles alimentos associados à corvermelha são ricos em vários desses minerais. Do ponto de vista simbólico, o vermelho estáassociado a tudo o que significa coragem, atividadeguerreira, irritação, ferro, sangue correndo. Seus deuses sãoAres e Atená, Vulcano, Xangô e Iansã, Shiva, Thor e Brigit,Tezcatlipoca. Os objetos ligados à cor são as tochas, asespadas, as facas, os bisturis e as grandes máquinas. Todas aspedras vermelhas podem ser usadas para representar a cor,como o rubi, a granada, a ágata-vermelha. As pedras pretas,como o ônix e o minério de ferro, além do negro do carvão eda fuligem, representam o lado sombrio do vermelho.Alguns de seus perfumes são o
  58. 58. Parte II - Estudo das Cores ▼ 63cravo-da-índia e o gálbano, além de todos os cheiros fortes,excitantes e quentes, como o almíscar. Seu número é o três,seu dia é a terça-feira (dia de Marte); suas formasgeométricas são o triângulo e a pirâmide. As imagens queevocam o vermelho são as fogueiras, os raios, os incêndios, oSol forte, o interior dos vulcões, o fogão doméstico, asmaçãs, as rosas, o coração. Atividades vermelhas são osesportes intensos, a guerra, a metalurgia, a cirurgia. NoCristianismo, é a cor do Espírito Santo e de João Batista,precursor do Cristo. Sua festa é o Natal, originado dasantigas festas agrícolas do início do inverno, quecomemoram o nascimento do Sol envolto pela morteaparente da estação mais fria. Do ponto de vista energético, o vermelho estárelacionado com o chakra Básico e com a camada maisinterna da aura, formada pela atividade bioquímica dascélulas, músculos e vísceras. O chakra Básico é o ponto deconcentração de energia da base da coluna e se origina daatividade dos plexos nervosos que governam os membrosinferiores e os órgãos do períneo (órgãos sexuais, uretra eânus). Está ligado, principalmente, ao aparelho desustentação e locomoção (ossos e músculos), porque suaenergia é gerada basicamente pelas funções das pernas; mas,também, dirige as outras funções de descarga energética pormeio do funcionamento da bexiga, do reto e dos órgãossexuais. Mais indiretamente, por influenciar os ossos, dirigea função da medula óssea de produção de sangue. Por reger o fluxo de energia nas pernas, o chakraBásico está ligado à experiência psicológica de firmeza,equilíbrio, percepção da própria realidade corporal,autoconfiança e força de vontade. A vitalidade, a tonicidadegeral do organismo, a resistência, a potência funcional são
  59. 59. 64 ▼ Eneida Duarte Gasparfunções orgânicas deste chakra. Suas funções psíquicasincluem a consciência da própria individualidade, a auto-estima, a capacidade de se expressar, de se realizar e de serindependente. Faz parte do psiquismo vermelho acompetitividade, a capacidade de lutar para conquistar umespaço, os recursos de que precisa, uma imagem, umaposição. Geralmente, quando uma pessoa tem uma alteraçãoqualquer que pode ser descrita como um problemarelacionado à cor vermelha, na verdade ela tem um distúrbiono funcionamento do chakra Básico. A pessoa com excesso de vermelho (com excesso deenergia bloqueada e excesso de atividade no chakra Básico)tende a ter todos os sinais de excesso de tensão: excitaçãopsíquica, hipertensão, irritabilidade, congestão; tendência aprocessos inflamatórios, hemorrágicos e febris;hiperatividade, metabolismo acelerado, queima rápida dosnutrientes (magreza); tendência a oprimir a si mesmo e aoutros, intolerância, espírito competitivo excessivo;sexualidade hiperativa, mas sem capacidade de satisfaçãopor não realizar descarga energética adequada. A pessoa com falta de vermelho (com pouca energiae pouca atividade no chakra Básico) tende a ter ascaracterísticas inversas: fraqueza, anemia, tendência aacumular líquidos e gordura, deficiência circulatória; baixaresistência imunológica, tendência a processosdegenerativos; apatia, insegurança, dificuldade emestabelecer a auto-imagem, dependência; sentimento deculpa, dificuldade para se afirmar e se expressar, sexualidadeimatura, falta de energia geral.
  60. 60. 2 - VERDEO verde, tanto nas tintas como na natureza, é ocomplemento do vermelho. Enquanto os animais, osconsumidores da cadeia ecológica, se caracterizam pelovermelho do sangue, as plantas, construtoras das substânciasorgânicas, se caracterizam pelo verde da clorofíla. Nanatureza, o verde é a cor típica das folhas em plena atividadee dos frutos ainda em desenvolvimento. O desaparecimentodessa cor indica que a estrutura entrou em processo dedegeneração. A função básica ligada ao verde é a fotossíntese. Pormeio desse processo, a planta absorve o gás carbônico do are, usando a energia da luz solar, transforma-o em açúcares.Este é o primeiro passo, em toda a natureza, para atransformação do carbono em matéria orgânica. E a partir daíque se formam todas as substâncias que compõem os seresvivos. O verde é a cor da construção, da absorção, docrescimento. Enquanto é verde, a frutinha está se formando econtinua a crescer, a acumular nutrientes. A plantinha jovemé verde e seus galhos continuam verdes e macios enquantocrescem. A perda da cor verde anuncia a perda da capacidadede crescer, o fim da juventude. Esta é exatamente aassociação de idéias que todas as culturas fazem a partir doverde. O vento Zéfiro e sua esposa Clóris (Flora), vestidos defolhas e flores, são adolescentes e primaveris. Diz-se queuma pessoa ou
  61. 61. 66 ▼ Eneida Duarte Gasparum projeto "ainda está verde" quando não está plenamenteamadurecido. Talvez seja por isso que o verde é a cor daesperança. Enquanto reinar o verde, ainda há espaço paraqualquer nova alternativa germinar e se concretizar. Outro elemento da natureza ligado ao verde e aágua. Embora a cor da água seja uma ilusão, causada pelogrande volume de líquido e pelos microorganismos que nelecirculam, não é menos real, para nossa percepção, do quequalquer outra cor. Vênus (Afrodite), a deusa greco-romanado amor, nasceu da espuma do mar. Yemanjá, a grande mãeafro-brasileira, é rainha do mar e mãe dos peixes. A água, emtodas as culturas, é associada aos sentimentos e à vida quebrota, que germina e fervilha como os peixinhos do mar. Estas associações indicam que o verde c, realmente,o complemento do vermelho. Enquanto esta última corindica um organismo adulto que se reproduz e envelhece, overde anuncia o produto dessa reprodução, um organismojovem e em processo de crescimento. A Óptica Física constata um fato muito interessanteem relação ao verde. Ao mesmo tempo em que esta corocupa exatamente o centro do espectro das cores,eqüidistante dos pólos do vermelho e do violeta, todas ascaracterísticas físicas do verde o colocam como a cor maissemelhante ao branco. E como se o branco (a soma de todasas cores) e o verde (a média entre as cores extremas)tivessem o mesmo efeito físico sobre os corpos. Mesmo sem contar com essa informação, muitoscromoterapeutas já haviam intuído isso, ao constatar que overde é uma cor muito equilibrada, que corrige os excessosdas outras cores e não apresenta os efeitos

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