Luiz Alberto Py          Haroldo Jacques A LINGUAGEM DA SAUDE        ’Entenda os aspectos físicos, emocionais  e espiritua...
© 1998, Editora Campus Ltda.Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 5988 de 14/12/73.Nenhuma parte deste livro,...
Àqueles que nós amamos;                       Àqueles que nos amam;Àqueles que se amam, amam a vida e a natureza.
AgradecimentosAo editor Ricardo Redisch, pelo incentivo, apoio e orientação;À jornalista Ana Lucia Proa, pelo dedicado tra...
Os AutoresLUIZ ALBERTO PYl   Médico formado pela Faculdade de Medicina da UFRJ, em 1963.l   Psicanalista graduado pelo Ins...
10l    Apresentador de 21 conferências sobre psicoterapia, psicanálise e relações     humanas.l    Ministrador de 25 curso...
PREFÁCIOSaber Viver: Viver É SaberCARLOS HEITOR CONYA    O TORNAR-SE ANIMAL RACIONAL,     o homem deslocou o apelo vital, ...
12benéficos para melhor aproveitarem a vida em suas dimensões básicas: amaterial e a espiritual.      É complicada a traje...
13     Não se trata de um compêndio técnico mas de uma aliança entre avida e a saúde em sua expressão mais simples e objet...
SumárioINTRODUÇÃO      17CAPÍTULO I       Expectativa de vida e qualidade de vida     19CAPÍTULO II      Autoconhecimento ...
16CAPÍTULO XIII     Câncer — a prevenção cura        132CAPÍTULO XIV      Relação médico-paciente e efeito placebo    149C...
Introdução“O organismo comporta inúmeras possibilidades dedoença para uma única de saúde.”Carlos Drummond de AndradeE   ST...
18argumento que habitualmente se usa para evitar a ida ao médico e osexames preventivos. Nossa resposta é: “Quem procura a...
CAPÍTULO IExpectativa de Vida e Qualidade de Vida“A vida é uma dádiva da natureza, mas uma vida belaé uma dádiva da sabedo...
20     Embora tenhamos a expectativa de um aumento na extensão da vida,a sua qualidade não tem apresentado uma melhora pro...
21mento de novos valores no mercado de trabalho atingindo todos os níveisprofissionais e provocando constantes necessidade...
22NÍVEL DE FELICIDADEOs fatores externos também têm grande influência na qualidade de vidae são potencializados positiva o...
23      Na verdade, apresentando o mesmo código genético, os jovens dehoje estão mais altos e mais robustos. Porém, quanto...
24       A fonte de energia do ser humano é uma só. Portanto, a energia quese poupa ao evitar emoções negativas pode ser c...
25      Uma ferramenta importante em medicina preventiva é o check-upperiódico, como será descrito no próximo capítulo. É ...
CAPÍTULO IIAutoconhecimento e Check-up“A natureza está pronta a nos ajudar, desde que façamos a nossa parte.”LangN      O ...
27padrão, e cada indivíduo tem o seu padrão, respeitando-se as variáveisaceitas dentro de uma faixa de normalidade. Em mui...
28periódico permite detectar alterações orgânicas numa fase inicial, o que,na maioria das vezes, propicia a adoção de medi...
29inflamatórios e doenças reumáticas. Podem ser feitos ainda diagnósticos,como os de diabetes, pela simples dosagem da gli...
30gerais são identificados e a pessoa recebe orientação quanto às doenças naocasião diagnosticadas e sobre a evolução das ...
31     Um importante dado é fornecido quando se computam os resultadosencontrados no check-up: o risco coronariano. Os núm...
32     Algumas razões para se fazer um check-up:     l A saúde é o maior patrimônio do ser humano.     l Prevenir é melhor...
CAPÍTULO IIIA Arte de Prevenir e os Fatores de Risco“Na natureza não há castigos nem prêmios, só conseqüências.”Pensamento...
34neste final de século, é sem dúvida a conscientização do valor da preven-ção. Tem-se verificado que o grande obstáculo p...
35transformem em pacientes de risco. Para isso lança mão de ações efetivasde prevenção que impedem ou dificultam o apareci...
36que é fundamental — qual o seu conteúdo em nutrientes. O ser humano,salvo em raras ocasiões, não tem o instinto de comer...
37por ele “codificada”. É um importante passo para a identificação da funçãoe da estrutura de cada gene que possa ser resp...
CAPÍTULO IVO Colesterol, as Gorduras e a AlimentaçãoCorreta“O perigo cresce quando o desprezamos.”Burke (1729-1797)UM POUC...
39Resultado: ao invés de encontrarem a parede dessas artérias íntegras elimpas, em 35% dos casos se depararam com depósito...
40acarretar sérios problemas de saúde. O colesterol em excesso ocasionaentupimento das artérias e bloqueio do fluxo de san...
41em condições normais, que tem um nível de colesterol 10% menor do queoutro homem da mesma idade, corre um risco 54% meno...
42     O estudo mostrou ainda que o Lp(a) tem seu efeito potencializadopelos níveis elevados dos outros “tipos”de colester...
43                 GORDURAS POLI E MONOINSATURADASA gordura poliinsaturada é formada pelos ácidos graxos (gordurosos) dosg...
44ALIMENTAÇÃO CORRETAExiste íntima relação entre os alimentos que se ingere e o corpo humano,desde o nascimento até a mort...
45neurose. Já foi cunhado pelo Dr. Steven Bratman, no seu livro Guia práticoda medicina alternativa, o termo “ortorexia ne...
46hábitos alimentares do fim de semana, alegou que precisava se “soltar” nosábado e no domingo, quando comia em restaurant...
CAPÍTULO VExercício e Sedentarismo“Os que não encontram tempo para o exercício,terão de encontrar tempo para as doenças.”E...
48e o fumo. O exercício físico, quando realizado de forma regular, obede-cendo a um programa progressivo de condicionament...
49      O sedentarismo é conseqüência quase inevitável da evolução tecno-lógica e da mecanização deste final de século e e...
50     l   Aumenta o gasto calórico e ajuda a eliminar o excesso de peso.     l   Melhora o desempenho sexual.     l   Aum...
51     l   No dia seguinte a um maior esforço físico você acorda todo dolorido?     l   Você acha difícil curvar-se, virar...
52de exercícios que possivelmente foram inadequados para aquele momentode preparação física. Se nunca se foi adepto de gin...
53     Por exemplo, uma pessoa de 60 anos:     220 – 60 = 160; 160 x 0,7 = 112 batimentos por minuto.EstatísticasDados da ...
54     l   Preguiça: 10%     l   Falta de dinheiro: 10%     l   Problemas de saúde: 7%     l   Gastam toda a energia no tr...
55l   Ajuda coração e pulmões a trabalharem de forma mais eficazl   Fortalece os músculosl   Traz maior flexibilidadel   P...
56     l   Trabalho leve, de pé (arquivar, xerocar): 150     l   Fazer amor com intensidade: 90     l   Beijar e fazer car...
57      O processo de envelhecimento é acompanhado de uma série dealterações nos diferentes sistemas do organismo, que pro...
58evitar esportes de alto impacto (para não agravar os problemas dasarticulações) e a atividade física deve ser praticada ...
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
A Linguagem da Saúde
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

A Linguagem da Saúde

2,653

Published on

Published in: Health & Medicine, Technology
0 Comments
4 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total Views
2,653
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
0
Comments
0
Likes
4
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Transcript of "A Linguagem da Saúde"

  1. 1. Luiz Alberto Py Haroldo Jacques A LINGUAGEM DA SAUDE ’Entenda os aspectos físicos, emocionais e espirituais que afetam a sua vida Prefácio de Carlos Heitor Cony
  2. 2. © 1998, Editora Campus Ltda.Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 5988 de 14/12/73.Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderáser reproduzida ou transmitida sejam quais forem os meios empregados:eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros meios.CapaVisiva Comunicação e DesignEditoração EletrônicaRioTextoCopidesqueMaria Helena Rangel GeordaneRevisão GráficaSandra PássaroKátia FerreiraProjeto GráficoEditora Campus Ltda.A Qualidade da Informação.Rua Sete de Setembro, 111 – 16º andar20050-002 Rio de Janeiro RJ BrasilTelefone: (021)509-5340 FAX (021)507-1991E-Mail: info@campus.com.brISBN 85-352-0375-3 Ficha Catalográfica CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte. Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ Py, Luiz AlbertoP19l A linguagem da saúde : entenda os aspectos físicos, emocionais e espirituais que afetam a sua vida / Luiz Alberto Py, Haroldo Jacques. – Rio de Janeiro: Campus, 1998. Inclui: apêndice e bibliografia ISBN 85-352-0375-3 1. Saúde. 2. Hábitos de saúde. 3. Qualidade de vida. I Jacques, Haroldo. II. Título.98-1670 CDD — 613 CDU — 61399 00 01 02 5 4 3 2 1 0AdvertênciaA Editora não assume responsabilidade pelos resultados e uso da informação destelivro. O uso das informações aqui fornecidas é de responsabilidade exclusiva dequem o fizer. Antes de seguir as indicações deste livro, a Editora sugere a procurade uma orientação médica.
  3. 3. Àqueles que nós amamos; Àqueles que nos amam;Àqueles que se amam, amam a vida e a natureza.
  4. 4. AgradecimentosAo editor Ricardo Redisch, pelo incentivo, apoio e orientação;À jornalista Ana Lucia Proa, pelo dedicado trabalho de pesquisae entrevistas.
  5. 5. Os AutoresLUIZ ALBERTO PYl Médico formado pela Faculdade de Medicina da UFRJ, em 1963.l Psicanalista graduado pelo Instituto da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, em 1974.l Membro da Group-Analytic Society.l Membro da International Association of Group Psychotherapy.l MFCC (Marriage, Family and Child Councellor) credenciado pelo Board of Behavioral Science Examiners do Estado da Califórnia, EUA.l Professor Assistente da Faculdade de Medicina da Santa Casa, São Paulo (1969-1970).l Professor Assistente da Faculdade de Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1972-1974).l Membro da Diretoria da International Association of Group Psychotherapy.l Co-fundador e diretor da Associação Latino-Americana de Análise Transcul- tural.l Presidente (reeleito por dois anos em 1986) da Associação Brasileira de Psicoterapia Analítica de Grupo (ABPAG).l Diretor responsável de “Gradiva” (Jornal de Estudos Psicodinâmicos).l Presidente da SPAG — RJ.l Membro do Conselho Editorial da revista Gradiva.l Coordenador do livro Grupo sobre Grupo, Rio de Janeiro: Rocco, 1987.l Autor de 34 artigos científicos publicados em diferentes revistas.l Autor de 45 artigos científicos apresentados em Congressos, sendo 15 internacionais.
  6. 6. 10l Apresentador de 21 conferências sobre psicoterapia, psicanálise e relações humanas.l Ministrador de 25 cursos sobre sua área de atuação profissional.HAROLDO JACQUESl Formado pela Faculdade Nacional de Medicina da UFRJ em 1963.l Professor por notório saber conferido pelo Conselho Federal de Educação do Ministério de Educação e Cultura.l Professor titular de angiologia e cirurgia do Instituto de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas.l Membro da Academia de Medicina do Rio de Janeiro.l Membro titular da Academia Brasileira de Medicina Militar.l Membro titular da Academia Brasileira de Médicos Escritores.l Membro correspondente da Academia de Medicina de São Paulo.l Membro do Colégio Internacional de Cirurgiões.l Membro do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.l Member of International Cardio Vascular Society.l Member of International Board of Modern Medicine of England.l Estágio no Baylor College of Medicine — Houston, Texas.l Diretor Médico da EMCE Check-up.l Participação com cargos de direção e atividades científicas em 26 socieda- des médicas.l Vinte e três cursos de aperfeiçoamento e especialização no Brasil e no exterior.l Participação em 70 congressos nacionais e internacionais com apresentação de 111 trabalhos.l Organizou, coordenou e dirigiu 25 cursos da especialidade.l Vinte e nove trabalhos publicados em revistas científicas nacionais e es- trangeiras.l Editor e coordenador do livro Guia de Medicina e Saúde da Família.l Autor de capítulos e supervisão da tradução de cinco livros médicos.l Consultor Científico de Bloch Editores e TV Manchete.l Diploma e medalha de honra ao mérito conferido pela Sociedade Brasileira de Médicos Escritores pela contribuição ao desenvolvimento da medicina e cultura no Brasil.l Diploma e medalha da Ordem do Mérito Angiológico René Fountaine.l Diploma e medalha do mérito Gama Lobo (Instituto de Nutrição).l Diploma e medalha Dr. Bustamante de Sá (distinção em angiologia e cirurgia vascular).l Medalha do pacificador por relevantes serviços prestados ao Exército Brasileiro.l Diploma de menção honrosa pela Sociedade Antônio Gonzaga — SANG (Hematologia e Hemoterapia).
  7. 7. PREFÁCIOSaber Viver: Viver É SaberCARLOS HEITOR CONYA O TORNAR-SE ANIMAL RACIONAL, o homem deslocou o apelo vital, que antes era apenas instintivo, para a camada mais nobre de sua estruturamental: descobriu o conjunto de fatores que possibilitam a melhor capta-ção da própria vida; descobriu a saúde. Em sua fase primitiva, esseconhecimento era encantatório, uma infusão sobrenatural, um conjuntode estruturas e circunstâncias mágicas, daí que a medicina praticamentecomeçou como uma manifestação de magia. À medida que ampliou seusconhecimentos sobre o mundo físico, e mais tarde sobre o universopsíquico, a saúde deixou de ser um mistério, uma espécie de virtude.Passou a ser conquista e, acima de tudo, um direito do homem. A importância de conhecer, que é fundamental para a evolução dohomem, é também a primeira etapa — e a mais importante — para que eledisponha de todo o conjunto corporal e psicológico para viver a vida deforma plena e prazerosa. De uma forma geral, todos os homens, mesmo os mais primitivos,tendem a saber o que é bom e o que é mau para si mesmos. Buscam o pajé,o feiticeiro, o sacerdote, o médico. Criam, de maneira quase inconsciente,um conjunto de conceitos e procedimentos que acreditam ser os mais
  8. 8. 12benéficos para melhor aproveitarem a vida em suas dimensões básicas: amaterial e a espiritual. É complicada a trajetória da adaptação humana ao mundo físico epsicológico no qual é obrigada a viver. À falta da ciência, inventou a crença.Felizmente, olhada em conjunto, essa trajetória que sofreu tantos desca-minhos e foi obstaculizada por tantos fatores e preconceitos, teve um perfilascensional, uma curva para cima que nos trouxe ao atual estágio deconhecimento. E a saúde, sendo como é o fator primordial de uma vida a ser vividaem plenitude, foi e continua sendo o referencial mais importante doconhecimento humano. De nada adiantaria ao homem ir ao cosmos ounavegar no espaço cibernético se continuasse a morrer sem saber diferen-ciar a vida da morte, a saúde da doença. Daí a necessidade que todos sentimos, em diferentes graus, deconhecer o que é bom e o que é mau para nós mesmos, para o nosso corpo,para nossa alma. Evidente que somente uma parcela muito pequena podeadquirir conhecimentos cada vez mais complexos e abrangentes, criandoa necessidade de especialistas gradualmente mais setorizados. Mas o grosso da humanidade, todos nós enfim, não podemos dis-pensar o conhecimento mínimo do que acontece e do que pode acontecercom a única dádiva que a natureza deixou por nossa conta: a vida. Como avanço da ciência e da técnica, esse conjunto de noções fundamentaistorna-se acessível a um número maior de pessoas. Motivá-las a conhecermais e melhor, dentro das limitações de cada um, é uma das razões de ALinguagem da Saúde. Planejado, organizado e escrito pelos médicos Haroldo Jacques eLuiz Alberto Py, profissionais dos mais conhecidos e acatados do universoclínico do Rio de Janeiro, o livro é uma condensação de conhecimentosfacilmente assimiláveis pelo leigo, obedecendo a um diferencial que odestaca de outras publicações aparentemente similares. É, acima de tudo,um apelo à melhor qualidade de vida. Não é um manual de como aprender a tratar doenças, mas um roteiropara se manter a saúde, aqui entendida em suas manifestações primordiais:a física e a psíquica. A epígrafe de um dos capítulos cita um provérbiochinês: “Na vida não há prêmios nem castigos, mas conseqüências.”Dentro dessa filosofia, os autores de A Linguagem da Saúde relacionam,pesquisam, analisam e opinam sobre as “conseqüências” mais comuns àsociedade humana neste final de século.
  9. 9. 13 Não se trata de um compêndio técnico mas de uma aliança entre avida e a saúde em sua expressão mais simples e objetiva. É um livro quepraticamente nada ensina mas obriga cada um a lembrar o bem que nospodemos fazer e que, de alguma forma, só depende de nós. Na introdução, há uma citação do poeta Carlos Drummond deAndrade que define a própria concepção do livro: “O organismo comportainúmeras possibilidades de doença para uma única de saúde.” O presentetrabalho de Haroldo Jacques e Luiz Alberto Py insiste nessa única possi-bilidade, cujo resultado não é apenas a saúde como abstração mas comoa realidade do nosso dia-a-dia. Como a “conseqüência” de um conheci-mento atualizado e indispensável à felicidade de cada um. Agosto de 1998
  10. 10. SumárioINTRODUÇÃO 17CAPÍTULO I Expectativa de vida e qualidade de vida 19CAPÍTULO II Autoconhecimento e check-up 26CAPÍTULO III A arte de prevenir e os fatores de risco 33CAPÍTULO IV O colesterol, as gorduras e a alimentação correta 38CAPÍTULO V Exercício e sedentarismo 47CAPÍTULO VI Obesidade 59CAPÍTULO VII Estresse, tensão e relaxamento 74CAPÍTULO VIII O sono, a insônia e os sonhos 83CAPÍTULO IX Tabagismo 92CAPÍTULO X Envelhecimento e medicina ortomolecular 106CAPÍTULO XI Hipertensão arterial 116CAPÍTULO XII Arteriosclerose e diabetes 123
  11. 11. 16CAPÍTULO XIII Câncer — a prevenção cura 132CAPÍTULO XIV Relação médico-paciente e efeito placebo 149CAPÍTULO XV O aprimoramento emocional 156CAPÍTULO XVI Auto-estima e disciplina 162CAPÍTULO XVII Fobias 167CAPÍTULO XVIII Compulsões 174CAPÍTULO XIX Depressão 185CAPÍTULO XX Sexo e inadequações sexuais 195CAPÍTULO XXI Saúde e religião 206CAPÍTULO XXII A busca da transcendência: oração, meditação e relaxamento 221CAPÍTULO XVIII Religião pessoal e crescimento espiritual 235CAPÍTULO XXIV Um programa de saúde 244APÊNDICE Dicas para cozinhar criativamente 247 Receita de sopa 251 Receitas de saladas 252 Receitas de legumes 255 Receitas de acompanhamentos 264 Receitas de peixes 271 Receitas de aves 276 Receitas de carnes 281 Sobremesas 284BIBLIOGRAFIA 289
  12. 12. Introdução“O organismo comporta inúmeras possibilidades dedoença para uma única de saúde.”Carlos Drummond de AndradeE STE LIVRO PRETENDE oferecer informações essenciais para que as pessoas possam se conhecer melhor e cuidar de sua saúde estabelecendo umaparceria eficaz com seus médicos. Consideramos que o cuidado com asaúde é responsabilidade de cada cidadão. Nossa experiência tem-nosmostrado que conhecimentos equivocados e incompletos criam dificulda-des e impedem que cada um cuide devidamente de sua saúde e da de seusfamiliares. Acreditamos que o estabelecimento de uma verdadeira parceriaentre o paciente e seu médico contribui bastante para melhores resultadosnos tratamentos e procedimentos médicos, e no fortalecimento da relaçãomédico-paciente, o que gera uma confiança recíproca que pode (e deve)ser cultivada. Procuramos sensibilizar o leitor a evitar a atitude de tentar ignorarseus problemas de saúde e ao mesmo tempo se permitir ficar vulnerávelaos fatores de risco. Adotar o comportamento de avestruz que enterra acabeça no chão diante das ameaças não é recomendável, apesar de tãofreqüentemente observado não só entre os leigos como também em algunsmédicos ao lidarem com a sua própria saúde. “Quem procura acha” é o
  13. 13. 18argumento que habitualmente se usa para evitar a ida ao médico e osexames preventivos. Nossa resposta é: “Quem procura acha, sim!” Achaa possibilidade de detectar alterações em uma fase inicial, quando asmedidas a serem adotadas para a preservação da saúde são mais simples,menos dispendiosas e apresentam melhores resultados. O livro está dividido em capítulos que abordam a saúde do ponto devista físico, emocional e espiritual, divisão meramente didática uma vezque o ser humano é uma unidade biopsicossocial e a saúde é o vérticedestes três segmentos básicos interdependentes que se auto-regulam. Nãosão analisadas neste livro todas as enfermidades e seus respectivos trata-mentos porque nosso objetivo maior é chamar a atenção do leitor princi-palmente para o processo preventivo de manutenção da saúde, para abusca constante da elevação da auto-estima e para melhora da qualidadede vida. A maneira abrangente de se enfocar a saúde é, a nosso ver, a formaideal de se cultivar o bem-estar e de se prevenir as doenças. Queremosoferecer ao leitor informações que o ajudem a se concientizar da impor-tância de envidar todos os esforços no sentido de conquistar uma vidamais sadia, tornando-a mais gratificante, e de buscar, a cada momento,um mundo melhor para todos. Os Autores
  14. 14. CAPÍTULO IExpectativa de Vida e Qualidade de Vida“A vida é uma dádiva da natureza, mas uma vida belaé uma dádiva da sabedoria.”Provérbio gregoN OS PRIMEIROS ANOS do novo século o Brasil terá a sexta maior população de idosos do mundo; serão mais de 32 milhões de sexagenários. Umbrasileiro nascido no ano 2000 contará com uma expectativa de vida demais de 68,5 anos. Isso se deve à melhor aplicação da medicina preventiva, à evoluçãodos métodos diagnósticos, à utilização do computador na criação de novosinstrumentos cirúrgicos, às novas técnicas cirúrgicas com recursos digitais,ao desenvolvimento das técnicas de transplantes e à descoberta de novosmedicamentos, que, somados às melhorias sociais e à maior difusão deinformações, fazem com que as estatísticas mostrem um crescimento naexpectativa de vida do mundo, que segundo estudos da UNESCO será: 1990 — 65 anos 2000 — 70 anos 2020 — 90 anos 2040 — 100 anos
  15. 15. 20 Embora tenhamos a expectativa de um aumento na extensão da vida,a sua qualidade não tem apresentado uma melhora proporcional a essecrescimento. Pode-se até mesmo dizer que há um decréscimo da qualidadede vida atingindo todos os níveis sociais. Referindo-se ao dramáticocrescimento da expectativa de vida nas últimas décadas (dramático porquejunto a esse crescimento está havendo maior incidência de doenças), odiretor da ONU, Dr. Hiroshi Nakajima, enfatiza: “Para comemorar nossosanos extras, nós devemos reconhecer que o aumento de longevidade semqualidade de vida é um prêmio vazio, ou seja, expectativa de saúde é muitomais importante do que expectativa de vida.” Quando se estuda qualidade de vida, as estatísticas de comportamen-to apontam um maior número de pessoas estressadas e um aumentosignificativo na incidência de doenças psicossomáticas. Outro aspectoresponsável por uma preocupação constante, e conseqüente redução daqualidade de vida, é a constatação da existência de numerosos agentes(físicos, químicos, bacterianos e viróticos) que alteram o equilíbrio orgâ-nico do ser humano e ocasionam várias enfermidades, cujas conseqüênciase tratamento a ciência ainda desconhece. Tudo isso gera ansiedade e setraduz em uma queixa de desconforto existencial freqüentemente relatadaaos médicos e presente em todas as pesquisas comportamentais, queconsiste em um sentimento de insatisfação indefinida e continuada que namaioria das vezes leva à desmotivação e à depressão. A mente é fundamental para a conservação da saúde, e o comporta-mento emocional da pessoa tem capacidade de aumentar ou diminuir avulnerabilidade biológica do organismo, predispondo o corpo às manifes-tações orgânicas das doenças. É, pois, de vital importância que se mante-nha o otimismo, a alegria de viver e o “alto astral”, para não permitir quea doença e o pessimismo se tornem uma opção de vida.O DESCOMPASSO DE VIVER MAIS SEM VIVER MELHORAlgumas causas para a dificuldade em se viver melhor podem ser levanta-das. Uma seria a transição da Era Industrial para a Era da Informação (erado conhecimento), muito mais complexa e mais difícil de ser assimilada.Outras seriam: a globalização e seus enormes desafios, a insegurançaeconômica, as dificuldades financeiras, os novos padrões de comporta-mento gerados pela competição acirrada, a forte concorrência e o surgi-
  16. 16. 21mento de novos valores no mercado de trabalho atingindo todos os níveisprofissionais e provocando constantes necessidades de superação. Somam-se os grandes problemas das megalópoles como a violência, o trânsito, apoluição do ambiente, a solidão e o anonimato. O problema do anonimato tem marcada influência na sensação deinsegurança e de desconforto ambiental, decorrentes do enorme cresci-mento da densidade populacional das grandes cidades. A maioria doshabitantes não é conhecida praticamente por ninguém. Chega-se aocúmulo do isolamento quando as pessoas não conseguem se relacionarcom os vizinhos mais próximos ou mesmo conhecê-los — não podemosesquecer que no processo penal o pior castigo imposto a um indivíduo éa solitária —, o que leva cada vez mais a pessoa a se sentir perdida einsignificante em relação ao ambiente que a cerca, originando fortesentimento de desvalorização pessoal e de baixa estima. Um exemplo significativo é a estória de um morador de Nova Yorkque em pleno processo de mudança foi abordado por uma senhora idosade cabelos brancos, com um cachorrinho no colo. “Eu queria lhe dar asboas-vindas, meu nome é Mrs. Brown”, disse ela amavelmente. “Emboradigam que aqui nessa cidade as pessoas não ligam umas para as outras, nonosso prédio é diferente. Todos nós nos interessamos pelo bem-estar dosvizinhos. Qualquer coisa que o senhor precisar pode me procurar noapartamento 4C.” O vizinho um pouco constrangido respondeu: “Obri-gado, mas devo lhe dizer que morei aqui durante dois anos e hoje estou memudando.” As pessoas que vivem nas grandes cidades pagam tributos muito altosem relação a sua qualidade de vida. Não se trata apenas do isolamento edo anonimato, mas do medo gerado pela violência, cada vez mais próximae ameaçadora. A agressividade do trânsito e o tempo desperdiçado nosengarrafamentos e roubado do lazer e do convívio com as pessoas queridasproduzem um excesso de estímulos negativos que chegam a inviabilizar orepouso necessário e revigorante. Acrescente-se a isso um volume deinformações de tal ordem que torna inviável sua assimilação, provocandoenorme sobrecarga emocional. Na realidade tudo que afeta ou modificanosso bem-estar vivencial se torna fator determinante da nossa qualidadede vida.
  17. 17. 22NÍVEL DE FELICIDADEOs fatores externos também têm grande influência na qualidade de vidae são potencializados positiva ou negativamente pelo “nível de felicidade”de cada um. Esse “nível de felicidade” é determinado pelos genes e fazparte do código genético individual — já nasce com a pessoa —, consti-tuindo elemento importante na determinação da qualidade de vida.Portanto, cada ser humano tem maior ou menor predisposição a se sentirmais ou menos feliz. Edward e Carol Diener, médicos do Departamento de Psicologia daUniversidade de Illinois, relatam em estudo publicado na revista Psycolo-gical Science que há para cada pessoa um limite biológico para a felicidade.Esse estudo mostrou ainda que os fatores ambientais, a escolaridade e aeducação familiar têm influência mas não interferem na totalidade dafelicidade individual. David Lykken, geneticista comportamental da Uni-versidade de Minnesota, afirma que a felicidade não é só determinadapelos fatores externos, e exemplifica: pessoas que trabalham em tarefaspouco relevantes e ainda precisam tomar um trem todo dia para sedirigirem ao trabalho podem ser tão felizes quanto executivos ou empre-sários que dirigem um Mercedes. O Dr. Lykken, em pesquisa que durou 17 anos, quando estudoucentenas de pares de gêmeos, alguns que moravam juntos e outros queforam separados após o nascimento, confirma a teoria de Edward e CarolDiener, concluindo que cada par de gêmeos univitelinos apresenta osmesmos níveis de felicidade, independentemente da trajetória de vida oudo sucesso e fracasso de cada um. Ele acredita que cerca da metade donível de felicidade é determinada pelos genes. Na realidade já nascemoscom a capacidade predeterminada de sentirmos alegria ou de valorizarmosa tristeza. As pessoas têm maior ou menor aptidão para a felicidade. Não se pode mudar o limite individual de felicidade, mas pode-semudar o estilo de viver para não se ficar abaixo do limite desejável,procurando sempre melhorar a qualidade de vida apesar das dificuldadese tensões da “vida moderna”. Mesmo os biótipos determinados por umacaracterística genética podem sofrer alterações, dependendo dos estímulosexternos. É o caso da compleição física e da altura, que podem sermodificadas pelo tipo de alimentação e pela prática de esportes. Dentrode um mesmo biótipo geneticamente estabelecido, a pessoa pode variarseu peso corporal dependendo da quantidade e qualidade da alimentação.
  18. 18. 23 Na verdade, apresentando o mesmo código genético, os jovens dehoje estão mais altos e mais robustos. Porém, quanto aos níveis defelicidade, esses jovens não estão conseguindo ser mais felizes do que osjovens de antigamente, mas, se buscarem um aprimoramento emocional etiverem uma vida saudável, poderão alcançar o limite máximo da suafelicidade. A busca da felicidade é um direito do ser humano, mas não se devetransformar essa aspiração em dever, para não se tornar uma fonte desofrimento. A felicidade não se deve constituir somente num desejo esim num propósito consciente que depende diretamente do empenhopessoal.MEDICINA COMPORTAMENTALEntende-se por medicina comportamental o conceito médico que visaestimular as pessoas a cuidar de seu próprio comportamento e a seconduzir de maneira mais saudável. Ninguém pode fazer o essencial paraa pessoa, a não ser ela própria. Portanto, as técnicas empregadas procuramfortalecer o indivíduo, aprofundar e ampliar a possibilidade de ter umcorpo e uma mente saudáveis. Para tanto devemos evitar os vícios, cuidardevidamente do corpo e alimentá-lo de maneira correta. Se foi prescritauma dieta, cabe à própria pessoa segui-la; no caso do vício de fumar, é aforça de vontade do indivíduo que o fará abandoná-lo; se o médico receitarum remédio, cabe à própria pessoa ter disciplina e tomá-lo de formacorreta. O lazer tem fundamental importância na qualidade de vida. É comumverificar que as pessoas mais ocupadas ou atarefadas não se permitemdesfrutar de um tempo para o lazer e são, em geral, as que mais necessitam.Muitas vezes há confusão entre tempo disponível para as atividades sociais,às vezes impostas, e tempo para o lazer. São situações em que a participaçãoem festas de família, ou o fim de semana na casa de campo do chefe oudo patrão, por exemplo, geram mais estímulos emocionais negativos doque positivos. Ao se analisar casos de insucesso de tratamentos e apareci-mento de doenças e suas complicações — o que acarreta uma significativapiora na qualidade de vida —, verifica-se que na maioria das vezes há umagrande culpada: a própria pessoa. Portanto, cada vez mais se difunde oconceito de que cada um deve ser o maior responsável pela própria saúde.
  19. 19. 24 A fonte de energia do ser humano é uma só. Portanto, a energia quese poupa ao evitar emoções negativas pode ser canalizada, por exemplo,para o exercício, para o amor e para o lazer. A qualidade de vida dependedas emoções e do comportamento, e deve-se alterar os fatores internospara poder influir na mudança dos fatores externos. É comum a pessoadescarregar sua bateria com emoções negativas e não ter energia para serfeliz. Para se melhorar a qualidade de vida é preciso melhorar a qualidadedo pensamento, o que pode se conseguir ao mudar o modo de ver assituações desfavoráveis e aprender a ter outras opções existenciais.OUTRAS ATITUDESTodos os responsáveis pela saúde e pela qualidade de vida de seus se-melhantes, principalmente as autoridades de saúde, têm um grande desa-fio: assimilar os problemas citados e implementar condutas que propor-cionem o aumento da expectativa de vida “útil” da população. Uma dasatitudes que deve ser adotada é a utilização racional dos avanços tecnoló-gicos. Isto vai depender diretamente da formação do médico, da atualiza-ção de seus conhecimentos e do grau de informação da população. Outrasmedidas que devem ser tomadas pelas autoridades governamentais dizemrespeito à qualidade e preservação do ambiente, com o objetivo de revertera curva de queda da qualidade de vida e de criar padrões de comporta-mento mais gratificantes. O objetivo social de tornar a medicina mais barata é outro desafio,pois a tendência é ela ficar cada vez mais cara, devido à utilização de novastecnologias, com freqüência indevidamente solicitadas pelo médico etambém pelo paciente, e à prescrição de novos medicamentos — receita-dos pelo médico, por vezes sob os efeitos do marketing da indústriafarmacêutica, ou mesmo para se mostrar atualizado —, na sua maioriamais dispendiosos e, em alguns casos, sem grandes vantagens sobre osmedicamentos já existentes, quando se avalia a relação custo/benefício. Uma solução válida, defendida por todas as autoridades do setor desaúde é o emprego efetivo da medicina preventiva. Soma-se a essa atitudea maior informação e a melhor orientação das pessoas sobre questões desaúde, para que cada um possa administrar em parceria com o médico aprópria saúde. Devemos nos lembrar que ao entrar para um dos chamados“planos de saúde” estamos executando um planejamento financeiro e nãoum planejamento de saúde.
  20. 20. 25 Uma ferramenta importante em medicina preventiva é o check-upperiódico, como será descrito no próximo capítulo. É uma maneira fácile racional de se saber como está o funcionamento do organismo e melhorconhecer o corpo. O autoconhecimento e a auto-estima constituem achave de um “viver melhor”. A interação entre saúde, comportamento e ambiente ainda é umaárea pouco pesquisada no Brasil mas, lentamente, as pessoas começam ase conscientizar de que há sempre a possibilidade de melhorar a qualidadede vida, e que manter a saúde e o bem-estar é mais lógico e também maiseconômico do que tratar as doenças. Proteger o meio em que se vive ecuidar adequadamente do corpo e da mente evitam o envelhecimentoprecoce e ajudam a conservação da saúde. Assim, consegue-se preservar a saúde para se morrer “jovem” o maistarde possível. Uma atitude inteligente é a pessoa estabelecer um programa de saúde(Capítulo XXVII) para ter melhores condições de enfrentar o próximomilênio.
  21. 21. CAPÍTULO IIAutoconhecimento e Check-up“A natureza está pronta a nos ajudar, desde que façamos a nossa parte.”LangN O LIMIAR DE UM novo século, o homem constata que está vivendo mais, porém, como já foi dito, surpreendentemente não está vivendomelhor. A evolução da tecnologia e os avanços da medicina não têmproporcionado a melhora da qualidade de vida como seria o esperado.Quando se busca viver melhor, é imprescindível se aprimorar as condiçõesde saúde, por serem estas um fator determinante da qualidade de vida.Para se conseguir esse objetivo, antes de tudo é preciso que a pessoa seconheça melhor. Todo o caminho do autoconhecimento conduz à saúde.Autoconhecer-se não diz respeito apenas aos aspectos psicológicos eemocionais, mas aos físicos também. O corpo tem suas necessidades e caracte-rísticas específicas, e cada pessoa tem um metabolismo próprio e umdeterminado perfil laboratorial. Portanto, a pessoa tem de tomar conhe-cimento das exigências e características do seu organismo. Todos devem submeter-se a um exame clínico periódico, inclusiveanálises do sangue e outros exames complementares — que dependem dogrupo etário e das condições pregressas de saúde —, que permitam avaliare demonstrar o funcionamento dos órgãos e demais setores do organismo.Há, em todas as funções orgânicas, um ritmo que pode ser considerado
  22. 22. 27padrão, e cada indivíduo tem o seu padrão, respeitando-se as variáveisaceitas dentro de uma faixa de normalidade. Em muitos casos podem serevidenciadas alterações que vão determinar as mudanças e condutas aserem adotadas. Isto tem um grande significado em medicina preventiva,uma vez que agir antes do aparecimento de sintomas e complicações éfator primordial para se alcançar melhor qualidade de vida. Antigamente, as doenças eram diagnosticadas tardiamente: sofria-semais e vivia-se menos. Hoje estamos na era digital. O progresso da tecnologiae os avanços da indústria farmacêutica têm de ser aproveitados. Os examesestão cada vez menos invasivos, mais simples e acurados, o que permitemaiores possibilidades diagnósticas e terapêuticas, um aumento da sobre-vida e um progressivo viver melhor. Hoje prega-se a necessidade de cadapessoa possuir e arquivar documentos sobre seu estado de saúde, inclusiveum eletrocardiograma para que no futuro sirva de parâmetro comparativo.Muitas vezes, na vigência de algum sintoma ou enfermidade, o médicopode encontrar alterações que seriam valorizadas incorretamente se nãoexistisse um documento anterior para uma simples comparação. Todos nós, por razões genéticas, nascemos com órgãos e setores doorganismo conhecidos como locus minoris resistentiae que são maisvulneráveis às doenças. É de suma importância conhecê-los e protegê-los.Mesmo que exista uma predisposição genética ou familiar para determi-nada patologia, a doença só ocorrerá se outros fatores de risco estiverempresentes e a própria pessoa não os evitar. Conhecer-se melhor é o primeiro passo para a prevenção, queproporciona uma vida mais saudável e alegre com elevada auto-estima eautoconfiança. Quando a pessoa tem conhecimento do seu organismo ela se tornaparceira do médico na administração da própria saúde. Esse é o novoconceito de medicina moderna.CHECK-UPA prevenção é a única proteção de que o ser humano pode dispor paraconservar a saúde. O check-up é uma ferramenta importante que a pessoapode utilizar para identificar os fatores de risco e assim ter os conheci-mentos necessários para melhorar as condições físicas e a qualidade devida, o que o transforma num sinal verde para a saúde. O check-up
  23. 23. 28periódico permite detectar alterações orgânicas numa fase inicial, o que,na maioria das vezes, propicia a adoção de medidas fáceis e tratamentossimples, que revertem ou controlam a situação, antes que alguma compli-cação mais séria venha a acontecer. O check-up é composto de um conjunto de exames: clínico, angio-lógico, cardiológico, urológico, ginecológico, proctológico, oftalmológi-co, laboratoriais, radiológico, ultra-sonográficos e de capacidade respira-tória. Dele devem participar apenas os especialistas das áreas que costu-mam apresentar maior incidência de problemas e nas quais, numa faseinicial, as alterações não causam nenhum sintoma. Tais alterações serãopassíveis de prevenção e com isto consegue-se evitar o desenvolvimentoda doença ou mesmo de uma complicação mais séria. Em certos casospode-se também, por meio destes exames, quantificar ou avaliar a extensãode algum problema já diagnosticado. A vantagem de um check-up, quando são realizados todos os examesnum mesmo local e numa única manhã, é ser mais produtivo e menosoneroso, porque o corpo é examinado como um todo por diversosespecialistas que cruzam seus diagnósticos e, sob uma coordenação clínica,os colocam no computador para que sejam extraídas conclusões maisfidedignas e recomendações mais precisas. Essas conclusões e recomenda-ções deverão ser analisadas pelo clínico ou médico de confiança da pessoa.Como veremos no próximo capítulo, os fatores de risco são os grandesinimigos da saúde cardiovascular e do envelhecimento precoce, e um dosobjetivos do check-up é desmascará-los e ajudar a combatê-los.OS EXAMESNos exames de sangue, além das diversas informações que são fornecidaspelo hemograma completo (anemia, doenças do sangue, inclusive a leuce-mia, existência de infecção crônica e focos de infecção, viroses etc.),também é possível verificar o número das plaquetas (componentes dacoagulação sangüínea), que, quando se encontram abaixo dos valoresnormais, podem ser responsáveis por equimoses, hematomas e hemorra-gias e, quando acima da normalidade, favorecerem as tromboses. Alémdisso, é estudada a função hepática através da gama GT e das transamina-ses, que indicam se há processo inflamatório do fígado e também eventu-almente de outros órgãos. A velocidade de hemossedimentação (VHS),velocidade de sedimentação das hemácias, orienta quanto aos processos
  24. 24. 29inflamatórios e doenças reumáticas. Podem ser feitos ainda diagnósticos,como os de diabetes, pela simples dosagem da glicose no sangue colhidocom a pessoa em jejum, e os da função renal, pela dosagem da uréia e dacreatinina. No check-up também são dosados no sangue os níveis de ácidoúrico, responsável pela gota e por alguns problemas articulares, e que,quando elevado, também se constitui em fator de risco cardiovascular; oPSA, hormônio específico da próstata e cujo aumento pode sinalizar aexistência de tumor maligno nessa glândula; as fosfatases, que expressamo metabolismo ósseo; e as proteínas do sangue e suas frações. O examechamado de sorologia para Lues é importante porque assinala a presençade sífilis, uma doença que pode ter sido contraída há tempos atrás e quena maioria das vezes passa desapercebida, porque na sua fase secundárianão causa nenhum sintoma. Mas se a mulher grávida estiver infectadapoderá transmitir a doença ao feto, e nos portadores pode também evoluirpara a fase terciária, trazendo sérias e irremediáveis conseqüências, comoparalisia geral progressiva. Portanto o exame de sangue fornece muitasinformações sobre diversos setores do corpo. A ultra-sonografia é um exame não invasivo de comprovada utilidadena detecção precoce de inúmeras patologias, inclusive tumores. No estudodo abdômen por este processo muitos diagnósticos podem ser feitosquando ainda as alterações não causaram sintomas. Não é raro seremvisualizados cálculos e outras formações dos quais nunca se suspeitaraantes. Como exemplo, podem ser citados os cistos dos rins, de ovários,cálculos dos rins e da vesícula, alterações dos gânglios que se localizam naparte posterior do abdômen, estado da aorta abdominal e dos vasos sangüí-neos da pelve, tamanho e posição do útero, presença de miomas ou tumores,tamanho da próstata e a presença de nódulos ou calcificações etc. O tradicional raio X de tórax continua tendo grande utilidade, umavez que alterações pulmonares podem ser facilmente diagnosticadas. Amaior incidência na época atual dos casos de tuberculose pulmonar e deoutras infecções pulmonares, devido à baixa da resistência imunológica eda AIDS, além do aumento da poluição ambiental, justificam a realizaçãoanual desse simples exame. O raio X de tórax para estudo dos campospulmonares deve ser obrigatório para os fumantes, que constituem grupode risco para câncer de pulmão e são candidatos ao enfisema pulmonar. Os vários especialistas que compõem a equipe que realiza o check-upestão voltados particularmente para a busca de alterações orgânicas queainda não causaram sintomatologia. No exame clínico todos os problemas
  25. 25. 30gerais são identificados e a pessoa recebe orientação quanto às doenças naocasião diagnosticadas e sobre a evolução das já conhecidas. O exame cardiológico se reveste de grande importância, uma vez queas afecções cardiovasculares têm alta morbidade e na maioria dos casospodem ser evitadas ou controladas quando é feito um diagnóstico precoce.Através de um questionário detalhado em que são abordadas as doençasfamiliares, a avaliação comportamental, os hábitos e costumes pessoais eas eventuais doenças pregressas, são coletados dados importantes que,somados aos resultados do exame clínico cardiológico, do eletrocardio-grama e do teste ergométrico realizado em esteira rolante e computadosjunto com os níveis do colesterol e da pressão arterial, fornecerão o riscocoronariano. O diagnóstico de uma isquemia silenciosa ou assintomática em geralé dado pelo teste ergométrico. A isquemia (deficiência da chegada deoxigênio que nutre o músculo cardíaco), que pode ocasionar o infarto domiocárdio e também o surgimento de distúrbios no ritmo dos batimentoscardíacos capazes de provocar parada cardíaca, pode ser diagnosticada etratada a tempo, evitando-se assim estas terríveis complicações. Sabe-se que é normal uma elevação da pressão arterial devido ao tipo,à intensidade e à duração de um exercício. Durante o teste ergométrico écriada uma situação que proporciona um aumento gradual do esforçofísico. A cada dois ou três minutos, dependendo do protocolo usado, hánecessidade de maior esforço e, conseqüentemente, ocorre a elevação dapressão arterial sistólica (máxima). A pressão diastólica (mínima), emgeral, mantém-se aproximadamente no mesmo nível ou sofre um pequenoaumento, havendo casos em que acontece até mesmo redução de seu nível.Durante o esforço máximo, o limite aceito na elevação da pressão arterialsistólica é de 220 mmHg para o homem e de 210 mmHg para a mulher.Uma pressão arterial que em repouso é normal, e que sobe acima doslimites previstos durante o exercício, caracteriza uma resposta hipertensivaaos esforços. Para as pessoas normotensas em repouso, mas que apresen-tam esse tipo de resposta durante o teste ergométrico, a possibilidade dese tornarem hipertensas nos dois ou quatro anos seguintes é cerca de trêsvezes maior do que para os normotensos que não apresentam reaçãohipertensiva aos esforços. Esse achado tem significativa importância por-que neste grupo de pessoas as medidas preventivas adequadas a seremadotadas devem ser seguidas com maior rigor.
  26. 26. 31 Um importante dado é fornecido quando se computam os resultadosencontrados no check-up: o risco coronariano. Os números que classificamo indivíduo em determinado grau de risco coronariano vão servir deparâmetros para que a pessoa possa corrigir os valores que se encontramfora da faixa de normalidade e controlar, seja com medicamentos ou commudança de hábitos, os fatores de risco. Os principais são: o sedentarismo,o tabagismo, o aumento da pressão arterial, a obesidade, o diabetes, oestresse e os maus hábitos alimentares que ocasionam o aumento dasgorduras no sangue. O olho é a janela do corpo e através do exame do fundo de olho(fundoscopia) consegue-se de maneira simples e completamente indolorvisualizar de forma direta as artérias e veias que o cruzam e que fornecemricas informações sobre a evolução da arteriosclerose, os efeitos dahipertensão arterial sobre a circulação, assim como algumas complicaçõesdo diabetes e doenças do próprio olho. Ainda durante o exame oftalmo-lógico é realizada a verificação da pressão dos olhos (tonometria), exameque deve ser feito anualmente para prevenção do glaucoma, doençadecorrente da elevação da pressão intra-ocular — que independe dapressão arterial — e que pode levar à cegueira total. A próstata é uma glândula que sempre preocupa o homem e o exameurológico tem como principal objetivo a prevenção de seu câncer, que éo mais comum no sexo masculino após os 50 anos e que, se detectadoprecocemente, tem 80% de chances de cura. Detectado tardiamente, aschances caem para 20%. Nunca é demais chamar a atenção para os examespreventivos na mulher. O exame ginecológico periódico é a melhor armano combate aos cânceres de mama e de colo de útero. O exame proctológico e a retossigmoidoscopia (procedimento queestuda o reto e a porção final dos intestinos) procuram detectar tumoresmalignos colorretais. A incidência desta patologia em pessoas com idadeacima de 50 anos é a segunda mais freqüente nesse grupo etário. O mineralograma (exame do fio de cabelo) abre nova perspectiva emmedicina preventiva e na luta contra o envelhecimento precoce. Osestudos sobre mineralograma mostram que pode haver problemas noorganismo humano não só com as carências mas também com os excessosde minerais.
  27. 27. 32 Algumas razões para se fazer um check-up: l A saúde é o maior patrimônio do ser humano. l Prevenir é melhor e mais lógico do que remediar. l Só o check-up permite interferir de maneira eficiente e oportuna nos fatores de risco. l O check-up é um investimento em saúde que evita gasto com doenças. l Os exames básicos que compõem o check-up são indolores e não-in- vasivos. Vale lembrar que a saúde depende muito de cada um de nós e quepreservá-la é um dever.
  28. 28. CAPÍTULO IIIA Arte de Prevenir e os Fatores de Risco“Na natureza não há castigos nem prêmios, só conseqüências.”Pensamento chinêsA SAÚDE É UMA TAREFA, não um dom natural, e deve ser conquistada a cada minuto durante toda a nossa existência. Embora outras pessoase inúmeros fatores possam ter grande influência na saúde, ela dependeessencialmente de nós. Há de se ter determinação, método e perseverançana adoção de hábitos saudáveis de viver e de pensar. É necessário sabedo-ria, e além disso bom senso, para se dar prioridade, dentro das diversasalternativas, àquelas atitudes benéficas e indicadas para manter o bem-es-tar e a saúde. O segredo de viver bem é saber equilibrar e dosar nossasações. O ponto de equilíbrio perfeito é difícil de ser alcançado e exigeplanejamento e ação contínua. Não é uma tarefa fácil. O ambiente e aspessoas que nos cercam muitas vezes não nos propiciam situações compa-tíveis com nossos desejos e sentimentos, o que gera situações poucofavoráveis na busca do equilíbrio tão desejado. A modernidade tem afastado demais o ser humano da natureza e dascoisas naturais, mas em compensação trouxe uma série enorme de bene-fícios para a humanidade nos mais diferentes aspectos, em especial nocampo da medicina. Apesar das grandes descobertas e do fantástico boomtecnológico, verifica-se que o mais importante “avanço” da medicina,
  29. 29. 34neste final de século, é sem dúvida a conscientização do valor da preven-ção. Tem-se verificado que o grande obstáculo para se conseguir umamelhor qualidade de vida no mundo está nas próprias pessoas que vivemtensas, excessivamente preocupadas e não se sentem motivadas a cuidardevidamente da própria saúde. Ao tormento dos problemas circunstanciaisque se avolumam cada vez mais e impedem o bem-estar das pessoas,somam-se os existenciais.OS MALES DA ATUALIDADEO homem moderno na sociedade contemporânea, em geral, tem hábitosque causam mais danos que benefícios à saúde. Usualmente leva uma vidasedentária e tensa. Quando se locomove no trânsito se expõe a frustrações,irritações, perigos e inalação de ar poluído com grande concentração demonóxido de carbono. Paralelamente, se superalimenta com excesso decarboidratos e gorduras saturadas, além de estar condicionado a se auto-administrar doses potentes de cafeína e nicotina. Durante seus momentosde lazer permanece relativamente imóvel, por cerca de três horas, diantede um aparelho de televisão, que lhe apresenta repetidas sugestões paraadquirir produtos anti-higiênicos e nocivos à saúde e lhe provoca ansie-dade ao despejar uma avalanche de notícias desagradáveis. Várias razões e fatores são invocados como explicação para o homemnão se cuidar. Uma das mais comuns hoje em dia é a alegação de falta detempo. Mesmo assim, o ser humano sempre encontra tempo para comer,porque sente fome, e para dormir, porque sente sono. Porém, como estarcom saúde não dói nem causa mal-estar, as pessoas não se dão conta deque a saúde existe, é um bem valioso, e só será “sentida” quando vier afaltar. Devemos nos lembrar que ao perder a saúde o viver se torna muitomais difícil.MEDIDAS PREVENTIVASAs doenças cardiovasculares são as que mais matam em todo o mundo.Com razão, os médicos alegam que se sentem mais realizados e tranqüilosquando são procurados por pessoas saudáveis, nas quais ainda não semanifestaram as doenças típicas da meia-idade, como hipertensão arterial,isquemias e tromboses. Um dos objetivos da medicina preventiva é pro-porcionar uma vida saudável duradoura, evitando que as pessoas se
  30. 30. 35transformem em pacientes de risco. Para isso lança mão de ações efetivasde prevenção que impedem ou dificultam o aparecimento das doenças. Aatitude mais importante cabe à própria pessoa ao modificar seus hábitose tomar medidas efetivas, práticas e exeqüíveis, na administração daprópria saúde, para não descobrir tarde demais que manter a saúde e obem-estar é mais lógico e mais econômico do que tratar a doença. Se cuidar é questão de querer, é questão de auto-estima. A adoçãoconsciente de medidas preventivas em relação à própria saúde é sinal deelevada auto-estima. Como diz José Ortega y Gasset, “o ser humano não tem prazer emsimplesmente estar no mundo. Ele tem prazer em estar bem”. Com boa saúde evitamos dores, sofrimentos e dificuldades econômi-cas, e não podemos esquecer que a natureza está pronta a nos ajudar, desdeque façamos a nossa parte. De um modo geral, todos nós vivemos de maneira inadequada. Oserros alimentares, decorrentes dos vícios adquiridos na infância e cultiva-dos ao longo dos anos, ocasionam graves conseqüências. É preciso lembrarque o corpo humano é um complexo e sofisticado laboratório e que o seumetabolismo depende dos insumos que ele utiliza e que estão contidos nosalimentos. Daí a grande importância da qualidade da alimentação napreservação da saúde. Hoje o ato de se alimentar deixou de ser umanecessidade fisiológica para se tornar uma necessidade psicológica, maispropriamente emocional. Por motivos culturais, a satisfação em se comeralimentos frescos e saudáveis cedeu lugar ao prazer despertado pelospratos mais sofisticados e a produtos industrializados, onde a presença deconservantes, corantes, maior quantidade de condimentos, açúcares, mo-lhos e gorduras em excesso tanto mal fazem à saúde. Assim como a gasolinaimpura suja o carburador de um automóvel, os alimentos imprópriosdanificam o nosso organismo. Um carro de fórmula 1 precisa de combus-tível especial e constantes revisões em seu motor para ter um bomdesempenho. Da mesma forma, o corpo humano necessita de alimentaçãosaudável e equilibrada — fonte de toda a sua energia — para um perfeitofuncionamento. Sabendo-se da importância da alimentação para a saúde,não faz sentido que se comam, sistematicamente, alimentos que façam malao organismo. Poucas pessoas se preocupam em saber a origem dosalimentos que consomem no dia-a-dia, os métodos empregados na suaindustrialização e as substâncias adicionadas para sua conservação e — o
  31. 31. 36que é fundamental — qual o seu conteúdo em nutrientes. O ser humano,salvo em raras ocasiões, não tem o instinto de comer determinado alimentoque seu corpo está necessitando. De maneira geral não sente esse impulsoque é comumente observado em diversos animais, portanto sua alimenta-ção deve conter todos os nutrientes necessários ao bom funcionamentodo organismo. A boa nutrição através de refeições balanceadas, do sono reparador,do caminhar diário, das férias e do lazer constituem alguns dos recursosutilizados pela medicina preventiva e os alicerces de uma vida saudável.Paralelamente devem ser combatidos os fatores contraproducentes queminam o organismo, como a vida sedentária, as tensões exageradas, ospensamentos negativos, a falta de motivação e a depressão. A arte de prevenir também deve ser direcionada para os chamadosfatores de risco.OS FATORES DE RISCOFatores de risco são parâmetros ambientais, circunstanciais, constitucio-nais e genéticos que quando identificados indicam maior suscetibilidadedo indivíduo a desenvolver doença cardiovascular. Dados epidemiológi-cos apresentados em trabalhos científicos e de pesquisa em todo o mundorevelam maior incidência das doenças do sistema cardiovascular quandoum ou mais fatores de risco estão presentes. São considerados fatores de risco: hereditariedade, aumento dasgorduras no sangue, particularmente o colesterol, hipertensão arterial,tabagismo, diabetes, sedentarismo, obesidade, aumento do ácido úrico nosangue e estresse. Existem fatores de risco controláveis e não-controláveis. Infelizmen-te, ainda não se pode neutralizar os fatores de origem genética conside-rados não-controláveis. Todos nascemos com maior ou menor predispo-sição a determinada doença, dependendo do código genético pessoal.Estima-se que existam 100 mil genes em cada célula do corpo humano eainda só conhecemos um quarto deles. O projeto Genoma, que deveráestar completo até o ano 2005, nos trará conhecimentos através domapeamento dos genes humanos que permitiram aos médicos interferirnos fatores de risco hoje considerados imutáveis. Nos Estados Unidos, está sendo testado um chip de silício que poderáidentificar 30 mil marcadores genéticos, a partir de uma amostra de DNA
  32. 32. 37por ele “codificada”. É um importante passo para a identificação da funçãoe da estrutura de cada gene que possa ser responsável por diversas doenças.Em futuro próximo, a engenharia genética proporcionará aos médicos ecientistas a possibilidade de intervir com segurança e eficácia nos fatoresgenéticos, e todos os fatores de risco serão controláveis. Por ora, o que sepode fazer é investigar a genealogia patológica familiar para identificar oterreno minado das fragilidades orgânicas herdadas e, desta forma, tomarmedidas preventivas para impedir que os problemas se manifestem ou seagravem. Quanto aos fatores de risco controláveis, alguns conseguem-se evitare outros administrar, adotando-se medidas e atitudes que dependemdiretamente da nossa vontade. Durante os exames periódicos e o check-up,que devem ser rotineiros, são avaliados todos esses fatores e desta formaquantifica-se o risco cardiovascular. A medicina moderna dispõe de aparelhos que em poucas horasavaliam com precisão o estado de saúde da pessoa, e que fornecem dadosfidedignos para que seja traçada uma política eficiente de prevenção. Asdoenças cardiovasculares têm nos fatores de risco seus grandes potencia-lizadores: identificá-los e fornecer a orientação correta para combatê-lossão os objetivos da medicina preventiva. Pouco cuidado com a saúde propicia o aparecimento de doençasdegenerativas precoces e mais complicadas, que causam sintomas incômo-dos e altamente limitantes, o que irá tornar a velhice mais penosa e difícil.A definição da medicina como a “arte de curar” hoje vai mais além. Elase tornou também a “arte de prevenir”.
  33. 33. CAPÍTULO IVO Colesterol, as Gorduras e a AlimentaçãoCorreta“O perigo cresce quando o desprezamos.”Burke (1729-1797)UM POUCO DE HISTÓRIAA HISTÓRIA MODERNA do colesterol começou em 1951, quando o Pentá- gono enviou um grupo de patologistas — comandados pelo majorWilliam F. Enos e pelo tenente-coronel Robert H. Holmes — para a zonade combate da guerra da Coréia, para estudar os corpos dos soldadosmortos. Durante três anos, o grupo realizou duas mil necrópsias. Esses especialistas se encontraram diante de uma situação diferente:ao invés de estudar cadáveres de pessoas que morriam velhas e doentes,receberam corpos de homens jovens e de grande vigor físico. Assim,quando começaram a achar sinais de doença coronariana naqueles corpos,tiveram uma grande surpresa. Na verdade, não era comum alguém commenos de 35 anos morrer de doença cardíaca, e aqueles soldados tinham,em média, 22 anos. Deu-se início, então, a um estudo sistemático docoração dos soldados mortos em batalha. Em trezentos casos eles dissecaram a parte mais vulnerável docoração: as artérias coronárias que nutrem de sangue o músculo cardíaco.
  34. 34. 39Resultado: ao invés de encontrarem a parede dessas artérias íntegras elimpas, em 35% dos casos se depararam com depósitos amarelados degordura e fibrina. Esses depósitos, a princípio, não estavam causandosintomas, nem interrompendo a circulação, mas mostravam que a dege-neração das artérias começava a ocorrer mais de 20 anos antes que a pessoapossa vir a ter um ataque cardíaco. Em 42% dos cadáveres, as artérias coronárias se encontravam empior estado, apresentando grandes depósitos de gordura que formavamuma placa dura que continha colesterol, tecidos degenerados e cálcio.Outro achado importante: um em cada dez soldados apresentava lesõesque reduziam ou bloqueavam o fluxo de sangue de pelo menos uma artériacoronariana. Em trabalhos anteriores, Vogel foi um dos primeiros pesquisadoresa demonstrar a presença de colesterol nas placas de ateroma. Outropesquisador, Stamler, constatou a relação direta entre o aumento do riscode doença coronariana e a elevação dos níveis de colesterol no sangue. A arteriosclerose é causa direta ou indireta em 75% das mortes empessoas acima de cinqüenta anos.O QUE É COLESTEROL?O colesterol é uma substância parecida com a gordura, não existe nosvegetais, está presente no organismo dos animais e é essencial ao corpo.É componente presente na membrana de todas as células do organismo edesempenha importante papel na produção de hormônios, ácidos biliarese vitamina K. No ser humano é produzido no fígado e também absorvidopelo organismo a partir dos alimentos ingeridos, como ovos (gema),carnes, crustáceos, laticínios e outros de origem animal. Cerca de 80% docolesterol total do corpo é produzido no fígado, ao passo que 20% provémdos alimentos. Daí muitas vezes a dificuldade em se reduzir os níveis decolesterol à faixa de normalidade somente com dieta alimentar. Apesar de ser fundamental em vários processos vitais, quando ultra-passa o limite desejável, se transforma num sério fator de risco paradoenças cardiovasculares, e por isso, segundo Jeannete Ewin o colesterolelevado e as gorduras saturadas são a antítese do conceito moderno desaúde e nutrição. Mais de cem milhões de pessoas no mundo estão com ocolesterol em níveis acima do que o organismo necessita, o que pode
  35. 35. 40acarretar sérios problemas de saúde. O colesterol em excesso ocasionaentupimento das artérias e bloqueio do fluxo de sangue e conseqüente-mente da oxigenação do cérebro, do coração e de vários outros setores doorganismo. O colesterol foi definido como fator de risco de primeira grandezano congresso do American College of Cardiology em 1985. O “BOM” E O “MAU” COLESTEROLDa mesma forma que a gordura, o colesterol não é solúvel no sangue eportanto não pode circular na corrente sangüínea. Para contornar esseproblema o organismo lança mão de um artifício para poder transportá-lono sangue, que é um meio aquoso. Conjuga o componente lipídico comuma proteína, formando uma lipoproteína que é transportável pelosangue. Não apenas circula pela corrente sangüínea, como também atra-vessa as delicadas membranas celulares e penetra em todas as células docorpo. Quando o colesterol se une a uma proteína de alta densidadeconstitui a fração HDL (high density lipoproteins), chamada de “bomcolesterol” porque transporta o excesso para o fígado, onde é metabo-lizado e eliminado. Ao se unir a uma proteína de baixa densidade formaa fração LDL (low density lipoproteins), considerada o “mau colesterol”porque se deposita na parede das artérias. Nesse local, o colesterolcombina-se com outras substâncias formando uma placa espessa e endu-recida que aos poucos vai obliterando a artéria. A essa condição dá-se onome de aterosclerose (atheros = placa), que é o tipo mais freqüente dearteriosclerose. É importante dosar o colesterol total e suas frações através de umsimples exame de sangue. Cabe ao médico analisar esses valores e verificara proporcionalidade entre as frações, e delas com o colesterol total, paraavaliar corretamente os índices de risco de cada indivíduo em desenvolveraterosclerose e doença coronariana. Considera-se que o risco de doençacoronariana cai dois a três pontos percentuais a cada ponto percentual deredução do colesterol total. Uma análise de um pool de dez estudos (EstudoBritânico do Coração, Estudo Britânico da Associação United Provident,Gotemburgo, Estudo MRFIT, Pesquisa Renfrew e Paisley, Estudo Whi-tehall, Program Honolulu do Coração, Estudo Sueco Central, EstudoIsraelense sobre Doença Isquêmica, Projeto de Agregação de Dados),mostrou a correlação doença coronariana e nível de colesterol total emquase quinhentos mil homens. Constatou-se que um homem de 40 anos,
  36. 36. 41em condições normais, que tem um nível de colesterol 10% menor do queoutro homem da mesma idade, corre um risco 54% menor de ter umadoença coronariana. Aos 50, 60, 70 e 80 anos de idade o risco é menorem 30%, 27%, 20% e 19%, respectivamente. Portanto, deve-se rever oconceito popular de só se ter preocupação no controle do colesterol emhomens com mais de 45 anos e em mulheres após os 55 anos. Todas aspessoas, independentemente da idade, deveriam saber os níveis do seucolesterol total e frações, para poderem instituir com segurança a utiliza-ção de medicamentos, se necessário, e um tipo de alimentação maisadequada. Essa conduta deve ser adotada desde a infância, pois é neces-sário incutir hábitos alimentares saudáveis nas crianças precocemente,porque muito mais cedo do que se pensa já é iniciado o processo dealteração das artérias. O COLESTEROL “MUITO RUIM”Já está sendo chamado assim um novo tipo de colesterol conhecido porlipoproteína A ou, simplesmente, Lp(a). Um estudo publicado no Journalof the American Medical Association, em agosto de 1997, relata que estepode ser o grande responsável pelos infartos sofridos por pessoas jovens eque apresentavam valores normais dos outros tipos de colesterol. Os pesquisadores americanos analisaram durante quinze anos 2.191homens que não apresentavam nenhum sinal de doença cardíaca e tinhamo colesterol total normal. Destes, 129 acabaram desenvolvendo doençacoronariana (angina ou infarto) precocemente. Os exames mostraram queeles tinham níveis elevados do colesterol Lp(a). O Lp(a), que tem umacomposição muito parecida com a fração LDL, também se deposita nasparedes das artérias e tem papel importante na formação de trombos(coágulos de sangue formados dentro dos vasos pela agregação de váriassubstâncias), responsáveis pela obstrução total de uma coronária, impe-dindo a passagem de sangue para o músculo cardíaco, o que ocasiona oinfarto do miocárdio. Aparentemente o Lp(a) não está relacionado a umadieta gordurosa. Trabalhos recentes publicados no Journal of the AmericanCollege of Cardiology concluíram que ele tem a ver com a vasomotricidadedas artérias coronarianas, isto é, uma maior predisposição ao espasmo —uma redução do calibe da artéria —, quando seus níveis são maiores ouiguais a 30 mg/dl. Ele parece ter causa genética. Uma em cada cinco pessoasteria níveis elevados dessa substância.
  37. 37. 42 O estudo mostrou ainda que o Lp(a) tem seu efeito potencializadopelos níveis elevados dos outros “tipos”de colesterol. Dessa forma, reduziro LDL também protege as pessoas que têm o Lp(a) elevado. Apesar de, nomomento, já se ter condições de fazer esse diagnóstico, ainda não existemedicamento efetivo para reduzir seus níveis no sangue. Estudos prelimi-nares indicam que a niacina (ácido nicotínico) (vitamina B3) pode reduziros níveis de Lp(a) em alguns pacientes. A reposição hormonal instituídaem mulheres na fase pós-menopausa parece ter o mesmo efeito redutor. GORDURAS SATURADASA gordura saturada é um tipo de gordura que, quando ingerida, aumentaa quantidade de colesterol produzido pelo organismo. Está presente emprodutos de origem animal e de laticínios que contenham gordura (60%da gordura da manteiga é saturada). Também é encontrada em gordurashidrogenadas, que constituem o principal ingrediente da maioria dasmargarinas. Deve-se dar preferência ao consumo moderado de margarinasde consistência mais macia, à base de óleos líquidos, que apresentammenor quantidade de gordura saturada, e evitar a manteiga e as margarinashidrogenadas de consistência mais firme. As margarinas light ou diet, quepossuem baixa concentração de gordura total e menor quantidade deácidos graxos “trans”, devem ser as escolhidas em substituição à manteiga. ÁCIDOS GRAXOS “CIS” E “TRANS”Um processo chamado de “hidrogenação” adiciona moléculas de hidro-gênio aos óleos líquidos, como os de milho e soja, para fazer com que elesse tornem mais sólidos e estáveis à temperatura ambiente. Durante oprocesso de hidrogenação, algumas moléculas são rearranjadas de umaposição “cis” para uma posição “trans”. O que isso traz de mal para oorganismo? Uma alimentação rica em ácidos graxos “trans” pode aumen-tar a fração LDL do colesterol, considerada “mau colesterol”. O conteúdode ácidos graxos “trans” varia de 7 a 24% nas margarinas. Quanto maiscremosa a margarina menor o seu grau de hidrogenação e, portanto,menor quantidade de gorduras saturadas e menor conteúdo de ácidosgraxos “trans”. Os fabricantes usam óleos hidrogenados porque conferemà margarina uma textura e um sabor mais próximos dos da manteiga eprolonga o prazo de validade de produtos como biscoitos, torradas ebatatas-fritas.
  38. 38. 43 GORDURAS POLI E MONOINSATURADASA gordura poliinsaturada é formada pelos ácidos graxos (gordurosos) dosgrupos ômega-6 e ômega-3. O grupo ômega-6 tem como fontes principaissementes, grãos e óleos vegetais ricos no ácido linoléico e o grupoômega-3, os peixes de água fria. A gordura poliinsaturada é essencial ao organismo, mas o corpohumano não tem condição de produzi-la, daí a necessidade de ser utilizadoo processo alimentar. O ácido graxo essencial mais importante é o ácido linoléico, encon-trado nos óleos de canola, milho, soja, girassol, algodão, arroz e amen-doim, que segundo pesquisas, reduzem o colesterol e os triglicerídeos nosangue, melhoram a contratilidade do músculo cardíaco e reduzem aagregação das plaquetas, o que diminui a possibilidade de formação decoágulos e tromboses. O óleo de girassol é o que apresenta maiorconcentração de ácido linoléico e o óleo de canola (planta da família damostarda) é o que tem a mais baixa concentração de gorduras saturadas.O problema da contaminação dos óleos e azeites nacionais pelo benzopi-reno, substância cancerígena, é relatado em trabalhos de pesquisa. Obenzopireno é uma substância formada a partir da queima de combustíveisdos carros, ônibus e caminhões, cujas partículas se depositam nas plantaspróximas às estradas e que aos poucos vão sendo absorvidas pelos vegetais.No processo de extração do óleo, o benzopireno é encontrado misturadoao produto industrializado. O óleo de milho é o que apresenta maioríndice de contaminação. As gorduras monoinsaturadas também podem baixar o colesterol. Omais utilizado ácido graxo monoinsaturado é o oléico, predominante noazeite de oliva. O consumo de azeite de oliva (frio) em substituição àsgorduras saturadas faz baixar a fração LDL do colesterol e dificulta a suaoxidação, o que é benéfico quando se analisa o mecanismo de formaçãoda arteriosclerose. Os estudos nesse sentido comparam a incidência deinfarto do miocárdio, menor entre os habitantes do Mediterrâneo, queconsomem grande quantidade de azeite de oliva, e maior nas populaçõesdos Estados Unidos e da Finlândia, que não possuem os mesmos hábitosalimentares.
  39. 39. 44ALIMENTAÇÃO CORRETAExiste íntima relação entre os alimentos que se ingere e o corpo humano,desde o nascimento até a morte. A ciência tem estudado exaustivamente omecanismo molecular de cada célula do corpo e comprovado a impor-tância decisiva dos nutrientes e das substâncias que compõem os alimentos,na prevenção e evolução das doenças. A hipercolesterolemia não é considerada uma doença, e sim umacaracterística constitucional metabólica, na maioria das vezes associada aerros na alimentação. Tanto é que a American Heart Association publicoudiretrizes de alimentação para reduzir os níveis de colesterol da população.Simples mudanças nos hábitos alimentares podem resolver o problema.Devem-se restringir as gorduras saturadas, como a manteiga, e trocá-laspelas monoinsaturadas e poliinsaturadas como os óleos de canola, milho,girassol, soja ou oliva. Não se deve jamais reutilizar o óleo empregado emoutra fritura. Numa alimentação saudável, as gorduras devem constituirmenos de 30% do valor total calórico. É aconselhável consumir alimentoscozidos e grelhados ou feitos no vapor. Peixe, carnes brancas e magras. Acarne branca de frango e de peru, sem pele, possuem baixos teores degordura total e saturada. Entretanto, a carne escura dessas aves contémteores de gordura às vezes mais elevados do que algumas partes da carnebovina. A melhor escolha é a carne de peixe. O colesterol só é encontradoem alimentos de origem animal. Particularmente ricos em colesterol sãoa gema de ovo, as vísceras (fígado, coração, língua etc.), o camarão, alagosta, a ostra e os laticínios, principalmente a manteiga. As fibras baixamo colesterol, daí ser importante o seu consumo elevado, devendo-se incluirno dia-a-dia alimentos como farelo de arroz, de aveia e de trigo, feijão,ervilha, guando, lentilha e soja, germe de trigo, grão-de-bico cozido,farinha de trigo integral, pão de centeio, aveia em flocos, ameixa seca,damasco seco, couve-de-bruxelas cozida e uva passa. O leite deve serdesnatado ou de soja, queijos, só os brancos tipo ricota, minas ou tofu,iogurtes (que devem ser utilizados em substituição ao creme de leite nosmolhos das refeições mais sofisticadas), cereais, legumes, verduras, bas-tante cebola e alho (trabalhos científicos assinalam que esses produtosdissolvem coágulos e evitam as tromboses), frutas e muita água (no mínimodois litros por dia). Deve-se ter equilíbrio, no entanto, na adoção dessas medidas saluta-res. A radicalização não é aconselhável e pode se tornar verdadeira
  40. 40. 45neurose. Já foi cunhado pelo Dr. Steven Bratman, no seu livro Guia práticoda medicina alternativa, o termo “ortorexia nervosa”, para designar aobsessão doentia em que se pode transformar o hábito de ingerir alimentossaudáveis. É importante que se conheçam as concentrações de colesterol,gorduras saturadas e insaturadas nos alimentos que constituem a nossadieta. Dessa maneira, e obedecendo às preferências individuais de paladar,pode-se organizar um cardápio saboroso e saudável.CASOS ILUSTRATIVOSUm caso ilustrativo diz respeito a uma senhora, S.W.O., de 45 anos, quese queixava de, apesar de estar fazendo dieta, seu colesterol continuarsubindo. Ao responder às indagações do médico quanto aos detalhes dadieta, ela disse que nem almoçava para não engordar, que era outra dassuas preocupações. Alegava que na hora do almoço se limitava a comeruma salada e no jantar fazia um lanche reforçado. Teoricamente estariatudo de acordo com seus desejos, não fosse o detalhe (importante) de quaisalimentos compunham a salada e constituíam o “lanche”. A salada não erauma simples salada verde ou, para variar, com algumas outras verduras elegumes, mas continha embutidos (frios sortidos, salame, salchicha, pre-sunto etc.), queijos amarelos e gordurosos, e às vezes maionese light. Olanche em substituição ao jantar era composto de uma xícara de café comleite (não desnatado), ou chocolate, e/ou similares, um misto quente, àsvezes hambúrguer ou cheeseburger para, segundo ela, suprir as necessida-des de proteína, e eventualmente um waffle, porque adora e “ninguém éde ferro para agüentar tanta dieta”. Fazia questão de ressaltar que tinhaabolido a manteiga dos sanduíches e do waffle, além dos biscoitos aman-teigados que adorava. Na realidade a paciente desconhecia não só osvalores calóricos dos alimentos como também seu conteúdo de colesterol. Outro caso de dificuldade em regularizar a taxa de colesterol é o deM.S., executivo, 38 anos, que ao se submeter a um check-up constatouanormalidade nos índices dessa substância. Ponderou que sempre fez dietaalimentar, não comia gorduras, manteiga ou ovos durante toda a semana,exceto nos almoços de negócios, mas que, apesar de algum constrangi-mento em certas situações, procurava conciliar o cardápio com a sua dieta.Não podia compreender que com toda essa preocupação alimentar duran-te a semana pudesse estar com o colesterol elevado. Questionado sobre os
  41. 41. 46hábitos alimentares do fim de semana, alegou que precisava se “soltar” nosábado e no domingo, quando comia em restaurantes sofisticados ou noclube, mas não exagerava. O certo é que o organismo não reconheceferiados, fins de semanas ou comemorações e, conseqüentemente, oprocesso metabólico é o mesmo durante os 365 dias do ano. Portantodeve-se procurar manter uma regularidade no regime alimentar e seadaptar ao consumo de alimentos saudáveis sem esforço ou punição. Aspessoas, pelo fato de não comerem a quantidade desejada dos alimentosde que gostam ou mesmo evitá-los esporadicamente, se consideram fazen-do dieta e na maioria das vezes acreditam que essa dieta é correta. Averdade é que a alimentação deixou de ser uma necessidade fisiológicapara se tornar nos dias de hoje uma necessidade emocional. A dieta ideal para não engordar e manter o colesterol dentro da faixade normalidade é muito simples: comer muito pouco do que se achagostoso e comer à vontade do que não se gosta.
  42. 42. CAPÍTULO VExercício e Sedentarismo“Os que não encontram tempo para o exercício,terão de encontrar tempo para as doenças.”Edward DerbyO EXERCÍCIO AUMENTA a aptidão física e previne diversas doenças. Melhora as condições cardiovasculares, respiratórias, a circulaçãodo sangue, o desempenho sexual, o aparelho locomotor, as funçõescerebrais e evita o envelhecimento precoce. Força, agilidade, coordenaçãomotora, flexibilidade, postura e resistência física adquiridas com a práticade exercícios são fatores importantes para o desempenho produtivo doser humano e que o capacitam a realizar eficientemente as tarefas impostaspela vida. Além destes fatores positivos, os exercícios aeróbicos protegemo sistema cardiovascular. A conscientização da importância do binômioatividade física e saúde é fator primordial de promoção da vida sadia e daprevenção de doenças. Há uma íntima relação entre doença e estilo devida, onde a atividade física constitui fator fundamental. Sem dúvida, aatividade física interfere de forma decisiva, ao se contrapor a todos osfatores de risco das doenças cardiovasculares. As pessoas que se exercitamregularmente conseguem atenuar ou neutralizar fatores de risco como ahipertensão arterial, o diabetes, o aumento do colesterol e de outrasgorduras no sangue, a obesidade, o estresse, até mesmo os fatores genéticos
  43. 43. 48e o fumo. O exercício físico, quando realizado de forma regular, obede-cendo a um programa progressivo de condicionamento, tem efeito anti-hipertensivo permanente, ajuda no controle do diabetes — diabéticos quetêm atividade física regular e programada necessitam de menor dose deantidiabéticos orais ou de insulina — e constitui potente tranqüilizantenatural, reduzindo desta forma o estresse. Além de reduzir o nível degorduras no sangue, aumenta o catabolismo e a queima de calorias docorpo, o que combate de forma saudável a obesidade. O efeito benéficodos exercícios físicos é confirmado em todos os trabalhos científicos queavaliam a ação da atividade física sobre o organismo. Como, por exemplo,nos indivíduos que fumam mais de 20 cigarros por dia e correm 40minutos, cinco a seis vezes por semana, que passam a apresentar o mesmorisco para doenças cardiovasculares dos sedentários não-fumantes. Os exercícios aeróbicos protegem o sistema cardiovascular ao me-lhorar a circulação do sangue em todas as áreas do organismo, principal-mente no músculo cardíaco, dissolvendo pequenos coágulos que dificul-tam a circulação em artérias de pequeno calibre (ação trombolítica), e étambém um forte aliado no combate ao envelhecimento físico e mental,ao oxigenar melhor todas as células do organismo, além de contribuir paraque a pessoa mantenha uma boa silhueta, uma postura correta e um bomfuncionamento das articulações.ATIVIDADE FÍSICA E DOENÇA DAS CORONÁRIASNos Estados Unidos, dados fornecidos pelo Framingham Report mostramum número bem menor de ataques cardíacos fatais entre as pessoas maisativas do que entre as sedentárias. Estudos realizados em habitantes dekibutzen israelenses, onde os hábitos de vida e a alimentação são muitoparecidos entre todos os habitantes, verificaram que a incidência dedoença coronariana era 2,5 a 3 vezes maior entre os indivíduos comatividades mais sedentárias, em relação aos que exerciam funções queexigiam atividade física mais intensa. Outro estudo interessante foi reali-zado pelo Departamento de Transporte de Londres e constatou umaincidência significativamente maior de infarto nos motoristas dos ônibusem comparação com os cobradores que exercem sua atividade em cons-tante movimentação. Tal diferença foi atribuída a dois fatores: o exercíciofísico praticado pelo cobrador e o maior estresse sofrido pelo motorista.
  44. 44. 49 O sedentarismo é conseqüência quase inevitável da evolução tecno-lógica e da mecanização deste final de século e está diretamente relacio-nado ao aumento da mortalidade e da morbidade nos países mais indus-trializados e socioeconomicamente mais evoluídos. Mas deve-se ter sem-pre em mente que o corpo humano foi projetado e criado para a ação enão para a inatividade.APTIDÃO FÍSICAA resistência cardiorrespiratória, a força, a flexibilidade, a resistênciamuscular e a composição corporal são os parâmetros a serem mensuradosna avaliação da aptidão física de uma pessoa. A resistência cardiorrespira-tória é a capacidade do sistema cardiovascular e o do aparelho respiratórioque permite a realização de esforços físicos de intensidade moderada porperíodos de longa duração. Portanto, quanto maior for a resistênciacardiorrespiratória de uma pessoa, mais apta ela estará para realizar suastarefas. É exatamente a resistência cardiorrespiratória que determina onosso fôlego. Para que se consiga obter maior resistência cardiorrespira-tória, os exercícios aeróbicos (caminhar, jogging, natação, ciclismo) devemser executados com uma intensidade determinada pela freqüência cardíaca(número de batimentos por minuto), de forma regular e de maneiracontínua durante no mínimo 30 minutos, com uma freqüência de três acinco vezes por semana.EFEITOS DO EXERCÍCIO SOBRE O ORGANISMO l Tonifica o corpo. l Relaxa o corpo e a mente. l Fortalece o coração. l Desenvolve a circulação. l Regula a pressão arterial. l Libera substâncias que dissolvem pequenos coágulos. l Eleva a capacidade respiratória. l Aumenta a oxigenação de todos os órgãos e células do corpo. l Auxilia no equilíbrio do metabolismo do organismo. l Melhora a aparência física e a postura. l Produz um sono mais relaxante.
  45. 45. 50 l Aumenta o gasto calórico e ajuda a eliminar o excesso de peso. l Melhora o desempenho sexual. l Aumenta a força muscular e a flexibilidade. l Traz uma agradável sensação de bem-estar pela liberação de endorfi- nas. Praticamente nenhum desses benefícios citados constitui novidadepara pessoas bem informadas, mas é preciso que toda a população reflitasobre a relação entre os custos — baixos — e os benefícios — altos —quando se pretende vencer o sedentarismo. A saúde é uma conquista, e não um dom natural, e deve ser perma-nentemente conseguida. Manter a saúde é uma tarefa que precisa serrealizada diariamente. TIPOS DE EXERCÍCIOSBasicamente existem dois tipos de metabolismo empregados pelo organis-mo na produção de energia para a execução do trabalho muscular: oaeróbico e o anaeróbico. A intensidade do estímulo físico é que irádeterminar o tipo de atividade metabólica de que o organismo lançarámão. Estímulos de baixa e moderada intensidade permitem trabalhosmusculares de longa duração com pouco dispêndio de energia e sãoconsiderados atividades físicas aeróbicas. Estímulos de forte intensidadedesencadeiam um metabolismo que proporciona uma produção de energiarápida, que permite um trabalho muscular de curta duração com grandedispêndio de energia, e caracterizam as atividades físicas anaeróbicas. Osexercícios em que predominam as atividades físicas aeróbicas são deintensidade fraca a moderada e podem ser praticados por até várias horas,o que tem ação altamente benéfica sobre o sistema cardiovascular. Estetipo de exercício permite a manutenção de um estado de equilíbrio entreo consumo de energia e o suporte enérgico proporcionado pelo organis-mo, o que faz com que os exercícios aeróbicos sejam os recomendados emqualquer programa de exercícios quando se visa à aptidão física relacio-nada à saúde. VEJA SE VOCÊ PRECISA DE EXERCÍCIOSA finalidade do exercício não é somente a proteção do aparelho cardio-vascular, mas também a manutenção do bom funcionamento da estruturacorporal.
  46. 46. 51 l No dia seguinte a um maior esforço físico você acorda todo dolorido? l Você acha difícil curvar-se, virar-se ou fazer uma rotação do tronco? l Você se sente freqüentemente cansado mesmo sem ter feito nenhum exercício especial? l Tem dificuldade em conciliar o sono mesmo quando está muito cansado? l Quando você corre pequenas distâncias ou sobe escada fica sem fôlego? l Você está com seu peso acima do ideal? l Você se sente deprimido às vezes, sem motivo? As pessoas que sofrem de cansaço generalizado, sem causas médicas,se beneficiam com “mais” exercício ao invés de “mais” descanso. O QUE SE DEVE FAZER l Dar preferência à prática de exercícios sob orientação e a realizá-los com regularidade. l Transformar o exercício em fonte de lazer. l Fazer alongamento e aquecimento antes de praticar qualquer tipo de exercício. l Exercitar-se até se sentir “agradavelmente” cansado. l Não querer fazer tudo de uma vez e só uma vez. l Procurar o exercício mais adequado para as características do próprio corpo. (Por exemplo, quem tem uma lesão no pé deve praticar natação e não longas caminhadas.) l Praticar exercícios que requeiram movimentos fáceis e envolvam todos os grupos musculares. l Evitar competir com os outros e principalmente consigo mesmo. l Nunca praticar um esporte só num fim de semana, principalmente se não estiver com algum preparo físico. l Antes de se engajar num programa de exercícios, submeter-se a um check-up. l Não se descuidar da hidratação. Quanto mais intensa a prática do exercício maior a transpiração e a conseqüente perda de água e sais minerais. A reidratação com bebidas que contêm sais minerais e às vezes vitaminas pode constituir uma boa opção. Muitas pessoas desistem de fazer exercícios porque ficam com ocorpo muito dolorido no dia seguinte à realização de uma sessão ou série
  47. 47. 52de exercícios que possivelmente foram inadequados para aquele momentode preparação física. Se nunca se foi adepto de ginástica ou de algumesporte, o preferível é caminhar. Como dizia Hipócrates: “Caminhar é omelhor remédio para o homem.”A caminhada é o primeiro passo para apessoa deixar de ser sedentária. É uma atividade física aeróbica de baixoimpacto, barata e fácil de ser executada, porque não exige nenhumahabilidade especial, além de não ocasionar nenhum dano físico importan-te. É uma atividade simples que, feita de forma programada, proporcionaexcelente condicionamento físico. Caminhar alivia as tensões, traz prazere bem-estar, ajuda a controlar o peso e fortalece os músculos e o coração. O ideal é que a pessoa não se limite apenas a caminhar, mas tambémprocure mexer com todos os grupos musculares através do alongamento.Na preparação para a caminhada, deve estar incluída uma série de alon-gamentos. É o caso de D.J., 60 anos, que caminhava diariamente, em testesergométricos atingia categoria aeróbica excelente, e que durante a mudan-ça de residência, ao arrumar a biblioteca, sofreu distensões musculares emregiões onde a musculatura não se encontrava devidamente exercitada.Esse caso mostra que o caminhar regular, embora altamente benéfico parao aparelho circulatório, não atende a todas necessidades do corpo, sendoimportante que a pessoa pratique outros exercícios, como alongamento,musculação leve e equivalentes. ALGUMAS DICAS PARA A CAMINHADAUsar roupas leves, claras (se caminhar durante o período de sol), confor-táveis e de tecido que absorva a transpiração. O calçado deve estar bemajustado para não ocasionar fricção inadequada em áreas de maior atrito.No início, a velocidade e a duração do exercício devem obedecer a umprograma predeterminado, personalizado e orientado por um professorde educação física. A freqüência do pulso, que é a mesma freqüência dosbatimentos cardíacos, é que determinará a velocidade ideal da caminhadaou da corrida. A freqüência cardíaca na atividade aeróbica deve ficar entre65 e 80% da freqüência cardíaca máxima, e o exercício deve ser feito porcerca de 30 minutos. Deve ser calculada da seguinte maneira: 220 – idade da pessoa = freqüência cardíaca máxima (FCM) FCM x 0,7 = freqüência cardíaca ideal durante a atividade aeróbica.
  48. 48. 53 Por exemplo, uma pessoa de 60 anos: 220 – 60 = 160; 160 x 0,7 = 112 batimentos por minuto.EstatísticasDados da pesquisa nacional do Datafolha, feita com 2.054 pessoas, entre18 e 60 anos, em 98 municípios do país, apontam que 60% dos entrevis-tados não praticam qualquer tipo de exercício físico. Quem não se exercita: l 70% das mulheres l 69% dos que têm até o primeiro grau l 66% dos que têm entre 45 e 60 anos l 65% dos que moram no Nordeste l 64% dos que têm renda de até 10 salários mínimos Quem se exercita: l 62% dos que têm curso superior l 57% dos que têm renda superior a 20 salários mínimos l 50% dos homens l 47% dos que moram na região Sul l 46% dos que têm entre 18 e 24 anos Motivos pelos quais se exercitam (respostas múltiplas): l Emagrecer e manter a forma: 53% l Saúde: 36% l Hábito: 20% l Ordem médica: 16% l Lazer: 13% l Ter mais disposição: 11% l Combater o estresse: 10% l Meio de transporte: 5% l Relaxar: 3% l Faz exercício no trabalho: 2% l Outras respostas: 4% Motivos pelos quais não se exercitam: l Falta de tempo: 65% l Não gostam de esporte: 18%
  49. 49. 54 l Preguiça: 10% l Falta de dinheiro: 10% l Problemas de saúde: 7% l Gastam toda a energia no trabalho: 6% l Idade avançada: 2% l Religião não permite: 1% l Falta de hábito: 1% l Não têm lugar para praticar: 1% l Outras respostas: 7% O índice dos que não praticam qualquer atividade física aumenta deacordo com a faixa etária. O mais alto (66%) registra-se entre os que têmde 45 a 60 anos. O QUE UMA VIDA SEDENTÁRIA PODE PROVOCAR l Obesidade l Enfraquecimento dos ossos l Aumento da pressão sangüínea l Síndrome da fadiga crônica l Dores crônicas l Doenças cardíacas (duas vezes mais comuns do que em pessoas que fazem algum tipo de atividade física) l Diabetes tipo 2 l Problemas nas articulações l Gripes l Perda da massa muscular l Ganho de gordura na massa corporal l Capacidade respiratória precária (a pessoa se cansa com facilidade) l Postura inadequada l Cansaço l Dores musculares após mínimos esforços BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA REGULAR l Ajuda a pessoa a ser mais produtiva no trabalho l Aumenta a capacidade para trabalhos físicos l Dá mais pique para outras atividades l Aumenta a força muscular
  50. 50. 55l Ajuda coração e pulmões a trabalharem de forma mais eficazl Fortalece os músculosl Traz maior flexibilidadel Proporciona mais energial Ajuda na administração do estressel Melhora a auto-imageml Aumenta a resistência à fadigal Ajuda a controlar sintomas depressivos e ansiososl Ajuda a relaxar e a sentir menos tensãol Melhora a capacidade de conciliar o sono rapidamente e de dormir bem QUEIMA DE CALORIASCalorias queimadas por hora:l Bicicleta (mais lento): 240l Bicicleta (mais rápido): 410l Correr lentamente: 740l Correr mais rapidamente: 920l Pular corda: 750l Nadar lentamente: 275l Nadar rapidamente: 500l Jogar tênis: 400l Andar lentamente: 240l Andar moderadamente: 320l Andar rapidamente: 440Fonte: Medicine and Science in Sports and Exercisel Correr 17,5 km em uma hora: 1.080l Rachar lenha: 1.020l Carregar compras escada acima: 480l Jogar tênis: 480l Cortar grama: 330l Praticar canoagem: 300l Caminhar no escritório: 210l Dançar música lenta: 180l Consertar o carro: 180l Brincar com crianças: 150
  51. 51. 56 l Trabalho leve, de pé (arquivar, xerocar): 150 l Fazer amor com intensidade: 90 l Beijar e fazer carícias: 60 l Dormir ou assistir à tevê na cama: 54 As nutricionistas americanas Marie Krause e Kathleen Mahan pes-quisaram o consumo de calorias de um adulto de peso normal quandorealiza pequenas atividades do dia-a-dia (publicado no livro Alimentos,Nutrição e Dietoterapia). Entre as queimas calóricas mais curiosas, temos: l Oito horas de sono: 576 l Dez minutos escovando os dentes, lavando o rosto e fazendo a barba: 20 l Ir e voltar de uma padaria localizada a cinco minutos de casa andando no plano: 71 l Lavar chão, varrer, lavar roupa, arrumar cama e outras atividades, durante meia hora: 125 l Tomar um banho de 15 minutos e levar mais cinco se vestindo: 52 l 15 minutos dirigindo: 42 l Ler, escrever, participar de reuniões e outras atividades de um traba- lho de oito horas: 900 l Subir cinco andares de escada em cinco minutos: 70 l Assistir à televisão ou ler sentado durante uma hora e meia: 117 Mas atenção: estas atividades acabam não exercitando os músculosnecessários. Pode-se até perder peso, mas não obter os efeitos da ginásticaou da musculação. Além disso, normalmente são feitas sem ritmo certo.É diferente de um exercício aeróbico.PesquisasPesquisadores da Universidade de Minnesota afirmam que mulheres querealizam exercícios físicos com regularidade depois da menopausa podemreduzir em até 30% o risco de sofrer morte prematura, causada por infartoou derrame. SEGREDOS DA ATIVIDADE FÍSICA NA TERCEIRA IDADEUm dos melhores remédios para enfrentar a chegada da terceira idade é aprática regular de uma atividade física. Mesmo quem nunca se exercitouna vida pode ter uma série de benefícios com o início dessa prática.
  52. 52. 57 O processo de envelhecimento é acompanhado de uma série dealterações nos diferentes sistemas do organismo, que progressivamentediminuem a aptidão e desempenho físico. Entretanto muitas dessas modi-ficações podem ser retardadas ou minoradas pela prática de exercícios.Trabalhos sobre envelhecimento indicam que cerca de 50% das perdasfuncionais do idoso podem ser atribuídas ao sedentarismo. Vale lembrar que todos os trabalhos que correlacionam atividadefísica e radicais livres mostram um aumento da produção de radicais livresdiretamente proporcional à intensidade da atividade física, e acentuam opapel protetor das vitaminas E e C e do betacaroteno, sendo que a vitaminaE tem ação preponderante.Como começar a se exercitar e caminhar 1o passo — Avaliação médica: devem ser checadas a capacidadecardiorrespiratória, as condições cardiovasculares, o estado clínico gerale a situação ortopédica (músculos, tendões e ossos). 2o passo — Avaliação da aptidão física. Só pode ser feita por umprofissional especializado (professor de educação física ou fisioterapeuta). 3o passo — Elaboração de um programa individualizado, confeccio-nado de acordo com as condições físicas e de saúde, e as habilidades epreferências da pessoa. 4o passo — Adaptação progressiva com supervisão continuada.Nunca devem ser praticados o esporte ou os exercícios sem a orientaçãodo especialista. 5o passo — Manter a regularidade. Desta maneira, consegue-se reverter a perda da massa muscular,aumentar a resistência óssea (maior fixação de cálcio no osso), combatera osteoporose, aumentar a resistência de ligamentos e tendões, aumentara força e a resistência necessárias às atividades diárias, diminuir a tendênciaà obesidade, melhorar os problemas posturais, facilitar o controle dodiabetes e da hipertensão, melhorar a função cardiorrespiratória, retardara progressão da arteriosclerose, reduzir o risco de doenças cardíacas,diminuir a flacidez dos tecidos, melhorar a flexibilidade dos movimentos,facilitar o funcionamento dos intestinos e aliviar as tensões. Para o idoso, o esporte ou a atividade física ideal deve ser escolhidade acordo com as condições físicas e as preferências pessoais. Devem se
  53. 53. 58evitar esportes de alto impacto (para não agravar os problemas dasarticulações) e a atividade física deve ser praticada com bastante regulari-dade (de três a cinco vezes por semana), jamais deixando de realizar umaquecimento muscular adequado. As atividades aeróbicas indicadas são: caminhadas, bicicleta ergomé-trica, esteira, natação e dança de salão. As atividades não-aeróbicasindicadas são: hidroginástica, alongamento e quando necessária a muscu-lação, que deve ser realizada com baixas cargas e sob rigorosa supervisão. SOBRE ALONGAMENTOÀ medida que envelhecemos, nossa musculatura vai se tornando maisrígida. Para que os músculos mantenham o grau de elasticidade satisfató-rio, é preciso fazer exercícios de alongamento regularmente. Para pessoasde qualquer idade, demandam poucos minutos e não causam fadiga. Osexercícios de alongamento são imprescindíveis antes da realização dequalquer atividade física. Diminuem o risco de distensões, reduzem astensões musculares, desenvolvem a percepção corporal, aumentam aamplitude dos movimentos e a flexibilidade. Os exercícios devem ser executados de maneira lenta e contínua e,ao se atingir o ponto máximo suportável de alongamento da musculatura,pára-se o movimento e mantém-se a posição por 10 a 15 segundos. Asensação de tensão deverá ceder enquanto se mantém a posição. Se, poracaso, surgir dor intensa, a posição deve ser relaxada para evitar microle-sões na musculatura. Toda pessoa deve respeitar os seus limites e aumentarlenta e gradualmente a intensidade dos exercícios.

×