Atualidades 2008 completo para vestibular

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Atualidades 2008 completo para vestibular - Presentation Transcript

  1. CONCEITOS DE ENVOLVE TEMA ESTE Foto: KLEIDE TEIXEIRA/ EDITORA GLOBO
  2. Guia ÉPOCA Em cima da base deixada por Getúlio Vargas, a política para o setor começa com Juscelino e tem continuidade sob os militares POR OSCAR PILAGALLO O crescimento do Brasil se dá em espasmos. Após alguns anos de estagnação, segue-se um surto de expansão com intensidade e TRANSPORTE RODOVIÁRIO duração variáveis. Até certo ponto, trata-se de um padrão típico do capitalismo, em que o mercado, e não o planejamento das antigas socieda- > Estima-se que três quartos des comunistas, é responsável pela dinâmica da economia. No caso brasi- das rodovias do país estejam leiro, porém, essa natureza incerta é potencializada pela dependência de em estado regular, ruim ou pés- fatores que escapam ao controle do governo, como a disponibilidade simo. As estradas brasileiras de recursos externos. são responsáveis por 60% do Hoje, com a abundância de dólares no mundo, sobretudo antes da tur- transporte de cargas no país. bulência dos mercados, o país está em meio a um desses soluços. Depois de um período de alta medíocre do Produto Interno Bruto (PIB), é provável que até dezembro a média de crescimento dos últimos quatro anos fique acima dos 4%. É um resultado que está aquém da necessidade e do poten- cial do Brasil, mas que não é desprezível, chegando até a causar efeitos negativos, como a formação de gargalos de infra-estrutura. REPÚBLICA VELHA A crise aeroportuária é um trágico lembrete de que as condições para o país continuar crescendo estão muito próximas do limite. Congonhas, > Período que vai da Proclama- o aeroporto da cidade de São Paulo, é apenas a ponta do iceberg. ção da República, em 1889, à Abaixo do nível da água estão a oferta inadequada de energia, o precário Revolução de 1930. Foi caracte- transporte rodoviário, a malha ferroviária insuficiente, a já saturada rizado pelo domínio da oligar- capacidade dos portos, enfim, para onde quer que se olhe há uma carência quia agrícola. Revezavam-se no a ser resolvida. poder central representantes O anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em janeiro dos Estados onde essa burgue- deste ano, é um reconhecimento por parte do governo sia tinha mais expressão, São da necessidade de desobstrução desses e de outros gar- Paulo e Minas Gerais. galos. O PAC prevê investimentos de mais de meio tri- O PAC é um lhão de reais ao longo do segundo mandato do presiden- reconhecimento te Lula, embora, a julgar pela morosidade dos primeiros da necessidade passos, dificilmente chegue lá. de desobstruir O programa divide as opiniões. Os críticos falam em gargalos volta da interferência do Estado, os simpatizantes vêem da infra- aí um desenvolvimentismo “light”. O fato é que um país estrutura periférico como o Brasil, que vive a reboque dos grandes centros de poder e riqueza do mundo, dificilmente teria condição de dispensar a presença do Estado em sua expansão, seja como investidor, seja como regulador da atividade econômica. DIVULGAÇÃO Essa é, em resumo, a história da industrialização brasileira, uma história que começa meio por acaso com a Revolução de 30. Por acaso, sim, pois Deodoro, o primeiro presidente o movimento que pôs fim à República Velha não tinha um plano para 2 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007 R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O I 2 |
  3. industrializar o Getúlio Brasil. Apenas rea- (ao centro), giu à Depressão de responsável 1929, que atingiu pela primeira siderúrgica em cheio o consu- mo de café, motor da economia bra- sileira. O primeiro O PAPEL DAS apoio consistente PRIVATIZAÇÕES à indústria viria só com o Estado Após os ciclos de expansão Novo, entre 1937 e da indústria por indução estatal, o 1945, período mar- Brasil, em sintonia com a onda cado pela aliança liberal liderada pela Grã-Bretanha de entre a burocracia civil e militar e a nascente burguesia industrial. Margaret Thatcher (1979-1990) e os Até o início da Segunda Guerra Mundial, a indústria Estados Unidos de Ronald Reagan nacional só engatinhava. O conflito militar proporcionou (1981-1989), deu início em 1990 a um Até o início a primeira oportunidade para o setor ficar em pé. Ela programa de desestatização. Entre da Segunda foi decorrente da atitude do ditador Getúlio Vargas, que as primeiras privatizações, ainda no Guerra Mundial, condicionou o apoio do Brasil aos Aliados ao financia- governo de Fernando Collor (1990- a indústria mento pelos Estados Unidos da Companhia Siderúrgica 1992), estavam siderúrgicas, o que, até nacional Nacional, em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. A cria- no nível simbólico, fechou um ciclo. apenas ção do BNDES, banco de fomento à indústria, e a da O programa ganharia impulso engatinhava Petrobras, no segundo governo Vargas, seriam passos na nos dois mandatos de Fernando mesma direção. Henrique Cardoso (1995-2002), Embora Vargas tenha lançado as bases, o grande salto quando as vendas geraram da indústria só seria dado por seu herdeiro político, Juscelino Kubitschek. US$ 93 bilhões, dos quais 5% em Ao tomar posse, JK anunciou o Plano de Metas, cujo objetivo era crescer “moedas podres” (títulos de dívida “50 anos em 5”. Por trás do slogan havia uma iniciativa consistente de do governo aceitos como parte do planejamento – a primeira do gênero no Brasil. O plano consistia em apro- pagamento). No período anterior fundar o processo de substituição de importações. Os setores de energia e (Collor e Itamar Franco), a receita transporte, que consumiram quase três quartos dos investimentos previs- fora de quase US$ 12 bilhões tos, foram privilegiados. (80% em “moeda podre”). A meta mais visível foi a criação da indústria automobilística. Até então, Em A Arte da Política, seu livro de circulavam no país apenas carros importados, o que acentuava o desequi- memórias, FHC defende o progra- líbrio das contas externas. JK trouxe empresas estrangeiras, inaugurando ma como uma “inovação na busca o modelo nacional-desenvolvimentista (em oposição ao nacio- do interesse público”. O ex-presi- nalista, avesso ao capital de fora). Ao fim de seu mandato, o dente cita a criação das agências presidente chegou próximo da marca dos 100 mil veículos reguladoras, que têm o objetivo fabricados que anunciara no início. de imunizar áreas importantes de O Plano de Metas exigiu um grande esforço de coordena- ingerências políticas, como um AGÊNCIA O GLOBO ção entre áreas distintas. Para evitar gargalos, era preciso complemento das privatizações. que não faltassem aço e borracha nas montadoras, nem Para tanto, seus integrantes não material de construção civil para as estradas – e podem ser demitidos, como na para Brasília, a cereja do bolo de JK, que custou tradição anglo-saxã que serviu de o equivalente a pouco mais de 2% do PIB. Uma molde para as agências. expansão de tal magnitude teve um preço ele- O papel lamentável que a Agência vado: a conta foi apresentada na forma de Nacional de Aviação Civil (Anac) desempenhou no caos aeroportuário, porém, mostra que esses órgãos Geisel, que investiu ainda precisam ser aperfeiçoados. na indústria de base
  4. Guia ÉPOCA inflação, que dobrou CEDOC Guerra do Yom Kippur, para 40% ao ano que elevaria os preços durante o mandato. do petróleo em 1973 Depois de patinar com os dois suces- sores civis de JK (Jânio Quadros e João Goulart), a indústria teria um novo espas- mo de crescimento CHOQUE DO PETRÓLEO sob a ditadura militar. > Nos anos 70, a Opep impôs No primeiro momen- dois choques do petróleo. O to, houve o que ficou segundo foi em 1979, quando conhecido como o preço do barril dobrou. A alta “milagre brasileiro”. provocou a mais grave recessão Entre 1968 e 1973, o mundial desde 1929. No Brasil, Brasil teve um cresci- a inflação disparou e houve de- mento “chinês”: a expansão anual foi superior a 10%. A receita mostrou-se terioração das contas externas. eficiente, mas nada tinha de original: tratava-se apenas de captar os dóla- res que estavam sobrando no mercado internacional. O milagre acabou com o choque do petróleo. Em 1973, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) triplicou o preço do barril em represália aos governos ocidentais que haviam apoiado Israel contra os ára- bes na guerra do Yom Kippur. Seria o momento de o Brasil desacelerar, como fez a maioria. Mas os militares decidiram continuar apostando no crescimento. Assim, em 1974, Ernesto Geisel lançou o Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento. Se o plano de JK visava à indústria de consumo, o de Geisel visava à indústria de base (fertilizantes, produtos petroquímicos) e à geração de energia. Mais uma vez, o país passaria por um ciclo de subs- tituição de importações, desta vez de maior enverga- dura. Entre 1974 e 1978, o Brasil cresceria a um ritmo médio anual de 7%. Até os críticos de Geisel não Os militares deixam de reconhecer a importância do investimento lançaram um em infra-estrutura. O problema foi o elevadíssimo plano de custo da tentativa de tornar o país auto-suficiente desenvolvimento em áreas estratégicas. O descontrole da inflação e o num momento crescimento exponencial da dívida externa – heran- em que o ças do regime militar – só seriam equacionados duas MARCO SERRA LIMA mundo, décadas mais tarde. depois do Diante dos planos de JK e dos militares, o PAC primeiro é um programa modesto, mesmo que venha a ser Plataforma choque do cumprido à risca, o que é improvável. Uma diferença de petróleo petróleo, objetiva é a limitação de seu financiamento. Hoje em no Brasil caminhava dia, o consenso em torno dos valores da estabiliza- para a recessão ção da moeda não mais permite pagar o crescimento econômica presente com a inflação futura. OSCAR PILAGALLO, jornalista, é autor de A História do Brasil no Século 20 (em cinco volumes, pela Publifolha) 4 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007
  5. Leia o texto: Sobre as PPPs é correto afirmar: são de responsabilidade exclusiva Depois da necessária e proveitosa discus- A) são uma alternativa que o governo do governo. são no Congresso Nacional, foi sancionada encontrou para atrair investimentos D) o atual governo nega-se a imple- a Lei no 11.079, que institui normas para a privados para as obras de infra-estrutura mentar as PPPs, pois faltam meios contratação das Parcerias Público-Privadas necessárias ao país. para fiscalizar a correta aplicação dos no Brasil. Os obstáculos a vencer com as B) são um meio de atrair investimentos recursos, o que implicaria muita cor- PPPs são muitos e complexos. Para que para obras públicas; elas gozam do mais rupção nas obras públicas. se obtenha aceitação e confiança públicas, absoluto apoio de todas as forças E) são um contrato entre o setor público é preciso, antes de mais nada, grande políticas do país. e o privado, no qual as empresas tornam- determinação e apoio governamental, C) os empresários não aceitam se donas de um serviço público, como além de plena transparência nas ações. as PPPs, pois entendem que os uma estrada, em troca da tarifa cobrada Fonte: CNI in:www.cni.org.br/empauta/src/INFRA-ESTRUTURA.pdf investimentos em infra-estrutura dos usuários. QUESTÕES RESPONDIDAS Concreto e bossa nova 1ª questão ponsável pelo fornecimento de gás natural a importantes atividades industriais. 2.593 km em território brasileiro. Parte de Santa Cruz de La Sierra, na A ampliação e diversificação da matriz ener- D) a construção do gasoduto pode Bolívia, e termina em Porto Alegre, gética brasileira é uma necessidade frente representar o esgotamento rápido do gás passando por Mato Grosso do Sul, às possibilidades de retomada do cres- natural boliviano, pois, além do Brasil, a São Paulo, Paraná, Santa Catarina e cimento econômico e industrial do país. O Bolívia abastece ainda a Argentina, que Rio Grande do Sul. Seu traçado corta mapa ilustra o gasoduto Bolívia–Brasil. não possui reservas deste recurso. uma área responsável por boa parte Sobre o gás natural e seu uso como E) após a construção do gasoduto, o gás do PIB brasileiro. fonte energética no Brasil, é correto natural passou a ser a fonte de afirmar que: energia mais consumida no país, A) o gás natural é um recurso mineral pelo baixo custo de sua obten- Ilustração: AKE ASTBURY renovável, encontrado em bacias sedi- ção e facilidade de distribuição. mentares e formado pela decomposi- UFSCar, 2005 (questão 25 da prova de Geografia) ção de matéria orgânica em ambientes COMENTÁRIO periglaciais. A presença do mapa constitui B) a substituição do petróleo e do carvão boa dica para o acerto da mineral e vegetal por gás natural, apesar alternativa, mas só ajudará os de reduzir custos, não é recomendável, que conhecem o valor do gás pois o gás é mais poluente que os demais. natural como fonte energéti- C) o gasoduto, que no Brasil passa ca. O gasoduto Brasil–Bolívia somente por Estados do Centro-Sul, é res- possui 3.150 km, dos quais GABARITO 1 (C)
  6. Guia ÉPOCA que as rodovias federais devem receber A) diferenças de bitolas entre as linhas 2ª questão neste ano R$ 1,2 bilhão. No ano que vem não devem receber muito mais que isso. férreas e traçados desiguais nas diferen- tes regiões do país. O setor ferroviário ultrapassou o rodo- (O Estado de S. Paulo, 12/10/2003) B) reduzida demanda para o transporte viário na corrida por investimentos. Um Apesar das perspectivas promissoras de cargas no setor e fracasso do modelo levantamento concluído nesta semana apontadas na reportagem, o setor ferro- de gestão privada. pela Agência Nacional de Transportes viário brasileiro, privatizado nos anos 90, C) inexistência de fábricas de material Terrestres (ANTT) mostra que as conces- tem apresentado modestos indicadores ferroviário e preferência das transporta- sionárias privadas de estradas de ferro de crescimento do transporte de cargas. doras pela navegação de cabotagem. já garantiram R$ 2,5 bilhões de recursos Entre os fatores que têm contri- D) custos mais baixos do transporte rodo- para 2003 e 2004. Do outro lado, dados buído para esse baixo desempenho, viário para grandes distâncias e reduzida do Ministério dos Transportes mostram podemos citar: conexão ferroviária entre interior e litoral. Uerj, 2004 (questão 14 da prova de Geografia) COMENTÁRIO Quanto ao enunciado, observe que começa com a locução prepositiva “ape- sar de”, que indica concessão em relação ao afirmado anteriormente. Sendo assim, o texto, em destaque, não altera o que o enunciado solicita. Quanto ao conteúdo, no Brasil, é comum o uso de duas bitolas diferentes, a métrica e a larga. Alguns traçados têm bitolas mistas, adaptadas para o uso das duas. Apesar dessa dificuldade, o transporte de carga por via férrea, princi- Estrada de Ferro Vitória palmente de produtos como o minério de a Minas, responsável por ferro, vem avançando no país. Quanto ao um terço do transporte da transporte de passageiros, restringe-se carga ferroviária no Brasil às regiões metropolitanas. 3ª questão bilaterais que, assinados pelo país, res- tringem o número de parceiros e itens que não destacam a palavra “incorreta”, uma armadilha aos desatentos. O desempenho atual da indústria comercializados. Nesta questão, veja que os acordos brasileira sofre interferência negativa de D) internamente, pelo baixo poder bilaterais ampliam – e não restrin- fatores de ordem interna ou externa. aquisitivo de grande parte do mercado gem – parceiros e itens comercializa- Considerando-se essa informação, consumidor, conseqüência da má dis- dos pelo país. Tais acordos obedecem é INCORRETO afirmar que, no Brasil, tribuição de renda no país. às normas da Organização Mundial do a indústria é afetada UFMG, 2006 (questão 40 da prova de Geografia) Comércio. Observe que a questão é A) internamente, pelo custo das tarifas datada. No início deste ano, com a modi- públicas e pela carga tributária, que COMENTÁRIO ficação na fórmula de calcular o PIB, o penalizam o setor produtivo brasileiro. Enunciados que pedem a indicação montante da carga tributária recuou. Da B) externamente, pelas oscilações no da informação incorreta exigem cuidado mesma forma, o consumo das classes valor da moeda do país, que interferem extra, uma vez que devem ser interpre- menos favorecidas vem crescendo nos na competitividade do produto nacional. tados no sentido inverso ao normalmen- últimos dois anos, o que poderia levar a C) externamente, pelos acordos te solicitado. E atenção: há instituições um questionamento da alternativa D. GABARITO 2 (A) 3 (C) 6 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007
  7. 4ª questão A CIDADE EM PROGRESSO O poema ao lado faz referência ao “A cidade mudou. Partiu para o futuro desenvolvimento urbano, muito pre- Entre semoventes abstratos sente na década de 1950 no Brasil. Transpondo da manhã o imarcescível muro Sobre esse período, é CORRETO Da manhã na asa dos DC-4s afirmar que: Comeu colinas, comeu templos, comeu mar 01. no final da década de 1950, o Fez-se empreiteira de pombais Brasil teve como presidente Juscelino De onde se vêem partir e para onde se vêem voltar Kubitschek (JK), conhecido por Pombas paraestatais. [...] seu slogan de governo “50 anos em 5”. E com uma indagação quem sabe prematura Fez erigir do chão 02. durante o governo de JK, o país Os ritmos da superestrutura De Lúcio, Niemeyer e Leão. [...] teve grande crescimento da indústria MORAES, Vinicius de. Nova Antologia Poética. São Paulo: Cia. de Bolso, 2005, p. 237. de bens de consumo duráveis, a maioria pertencente a empresas multinacionais. As propagandas Indique a soma das de automóveis e aparelhos respostas corretas: ______ eletrodomésticos da época revelam UFSC, 2007 (questão 17 da prova de História) essa tendência. COMENTÁRIO 04. esse período é conhecido pelo Sobre o enunciado, repare que o decréscimo da dívida externa poema, embora guarde relação com brasileira, que pôde ser paga o contexto solicitado, só ilustra a gradativamente graças ao aumento questão. Ou seja, o entendimento das exportações. do poema é irrelevante para você dar a resposta certa. Fique esperto: 08. a construção de Brasília foi nem sempre a presença de poemas, idealizada por Getúlio Vargas e trechos de reportagens e gráficos concluída por JK. O objetivo era guardam relação determinante com desenvolver o litoral brasileiro, o que será solicitado. E atenção construindo a capital do país na região. redobrada para não errar a soma e morrer na praia. 16. o desenvolvimento industrial Sobre o conteúdo: o governo JK atingiu, principalmente, o Nordeste (1956-1961) possibilitou a entra- Vinicius, brasileiro. Isso provocou grande afluxo da das multinacionais de bens poeta que migratório do Sul e Sudeste para de consumo duráveis, tendo à aderiu à a região, provocando o inchaço de frente a indústria automobilís- bossa nova cidades como Salvador e João Pessoa. tica. No período, o Brasil viveu grande efervescência cultural, 32. também como reflexo da com o surgimento da bossa industrialização, pôde-se observar nova – representada por um grande crescimento na população João Gilberto, Tom rural brasileira. Jobim e Vinicius de Moraes, entre 64. no plano cultural, o período do outros – e grande governo JK presenciou a difusão do atividade no cinema, cinema brasileiro e da bossa nova, no teatro, na AGÊNCIA O GLOBO na qual Vinicius de Moraes teve literatura e na presença marcante. arquitetura. GABARITO 4 (67=1+2+64) 11 de junho de 2007 I r e v i s ta é p o c a I 7
  8. Guia ÉPOCA Como aproveitar este guia O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 – Atualidades circulará encartado em sua revista em dez fascículos. Além dos temas abordados (veja o calendário abaixo), haverá outro assunto a ser escolhido pelos leitores e que será tratado num 11o fascículo disponível apenas no site da Antes de revista. Para votar num dos assuntos propostos, basta acessar www.epoca.com.br começar e clicar na seção “especiais”. a responder às perguntas, leia E fique O guia ajudará o candidato a melhorar seu desempenho na prova de todas as questões atento: atualidades. O tema de cada fascículo será exposto num texto didático. Para para sentir a é comum dimensão da aparecer algum avaliar o grau de conhecimento dos estudantes, os professores vão propor prova e o grau dado que pode de dificuldade ser utilizado em uma questão inédita e comentarão outras quatro formuladas para exames em dos enunciados. outras questões. universidades espalhadas pelo Brasil. O comentário será dividido em duas partes. Na primeira, foca-se o enun- ciado, com destaque para as diversas maneiras de formular uma questão. Na Ilustração: AKE ASTBURY segunda, analisa-se o conteúdo. O ideal é o candidato responder à questão antes de ler o comentário. O gabarito encontra-se no pé da página em que está a questão. As quatro questões são transcritas sem modificações, para que você possa treinar em casa a partir de uma situação real. Calendário DIRETOR EXECUTIVO Juan Ocerin DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto FASCÍCULO TEMA 1 Infra-Estrutura no Brasil DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br REDATOR-CHEFE David Cohen 2 Democracia Brasileira DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander DIRETOR DE ARTE Marcos Marques 3 A Explosão Urbana no Mundo 4 Os Desafios da Geração de Energia 5 O Meio Ambiente no Século XXI O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 – Atualidades é um projeto 6 A Ameaça do Aquecimento Global editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007 Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reservados. 7 O Terrorismo e o Ataque aos Direitos do Cidadão Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo. COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz 8 China – Crescimento e Repressão COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO) COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva e Venerando Santiago de Oliveira COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS Jô Fortarel 9 Conflitos no Oriente Médio EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti ILUSTRAÇÕES AKE Astbury 10 América do Sul – Geopolítica e Energia REVISÃO Bel Ribeiro SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO) > E NÃO SE ESQUEÇA: vote no site o tema do 11o fascículo 8 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007
  9. A Populares ou América do Sul, que era conhecida por ter governos de direita, assistiu nos últi- populistas, eis mos anos à ascensão da esquer- da. Partidos identificados com o socialismo de diferentes matizes a questão estão no poder. Para alguns, são governos populares; para outros, neopopulistas. A guinada nem sempre significou rompimento com o liberalismo, como no Brasil e no Chile. Os EUA se mostram A esquerda chegou ao poder na América mais preocupados com Hugo do Sul, mas essa uniformidade ainda Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equa- não se traduziu na conclusão de projetos dor), que lideram governos hostis energéticos comuns © DIDA SAMPAIO/AE à superpotência. Um fato comum a esses países é ter gás natural ou petróleo. São as grandes reservas da Venezuela que permitem a Chávez uma política externa mais ousada. A ação conjunta de paí- ses da região, no entanto, ainda esbarra em obstáculos, como se verá neste fascículo. NESTA EDIÇÃO Chávez, trajetória entre golpes PÁG. 3 Conheça a gênese do Mercosul PÁG. 4 Veja o tema vencedor do 11o fascículo PÁG. 8 Lula, ladeado por Hugo Chávez, da Venezuela (à esq.), > História e Evo Morales, da Bolívia > Geografia
  10. ENTENDA O ASSUNTO Conservadora e oligárquica, a América do Sul Com petróleo e gás, a região volve à esquerda poderia ter pesomas projetos maior nas negociações com as potências consumidoras, regionais enfrentam obstáculos POR EDILSON ADÃO A ONDA VERMELHA SUL-AMERICANA Eleições em abril de 2008 Governos de esquerda Governo de direita T radicionalmente governada por regimes associados à ide- ologia de direita, a América do Sul assistiu nos últimos anos à ascensão da esquerda. Após a onda neoliberal dos anos 1990, partidos identificados com o socialismo de diferentes matizes alcançaram o poder. Para alguns, são governos popula- res; para outros, neopopulistas. Em muitos casos, a referida ascensão não significou rompimento absoluto com práticas liberais, como demonstram os casos chileno e brasileiro. Assim, tanto ao estudante como ao professor, faz-se necessário um filtro ideológico para uma avaliação ponderada do quadro político sul-americano e de sua conjuntura geopolítica. Excetuando-se o claro exemplo da Colômbia, de Álvaro Uribe, a grande maioria dos países sul-americanos encontra-se, hoje, governada por partidos e/ou políticos com origem na esquerda. Aguardemos a definição no Paraguai (por enquanto, o líder das pesquisas para as eleições de 2008 é o ex-bispo Fernando Lugo, Ilustração: Takashi/Adaptação: AKE Astbury candidato de esquerda). O atraso social e econômico da América Latina (onde se insere a América do Sul) é um produto histórico e, independentemente do viés ideológico dos atuais e próximos governantes, é difícil que o quadro se reverta no curto prazo. A reparação da desigualdade construída em bases tão sólidas e incrustada há séculos na região não será tarefa fácil para liberais ou socialistas. Já a geopolítica regional é redesenhada, circunstancialmente, de acordo com 2 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e2 2 0 0 7 E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O X | R
  11. Michelle Bachelet, presidente do Chile UMA LIDERANÇA, DOIS GOLPES > Duas frustradas tentativas © AP de golpe de Estado mar- o tom partidário daqueles que chegam ao poder. Como líder das Américas, cam a trajetória política de os Estados Unidos vêem com muita reticência os passos de Hugo Chávez Hugo Chávez, presidente da (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador), que lideram Venezuela. A primeira, que regimes hostis à superpotência. Um fato comum a esses países é terem gás ele protagonizou, data de natural ou petróleo. Outros líderes preocupam menos. É o caso de Lula, de fevereiro de 1992. Na épo- Michelle Bachelet (Chile) e de Tabaré Vásquez (Uruguai), assim como Néstor ca, o então tenente-coronel Kirchner (Argentina), no início do mandato. Chávez tentou derrubar o A América do Sul tem papel importante na estratégica questão da presidente Carlos Andrés energia no século XXI, particularmente a Venezuela. O país possui reservas Pérez, identificado com um petrolíferas no Orenoco, uma das maiores do mundo. Essas reservas programa econômico liberal. poderão colocar o país no primeiro lugar mundial, se confirmada a Preso, foi anistiado dois anos certificação internacional em 316 bilhões de barris (atualmente, as reservas mais tarde. Com projeção são de 77 bilhões de barris, a sexta maior concentração do mundo). As nacional, venceu a eleição de reservas da Arábia Saudita, hoje as maiores do mundo, são de 218 bilhões 1998 e, em abril de 2002, seria de barris. Quanto ao petróleo extrapesado, de menor vítima de um golpe de direita, qualidade, a Venezuela detém a maior reserva mundial. que o afastou do cargo por A Venezuela A política externa de Chávez põe seu prumo nessa apenas algumas horas. possui enormes realidade. Estreitando os laços com Irã, Rússia e China, reservas de suas ações são mais que uma simples provocação petróleo, o que aos Estados Unidos. Há interesses econômicos e determina geopolíticos. Por sua vez, a China já está em busca das sua política principais zonas petrolíferas do mundo; o Sudão é um externa exemplo. A Venezuela seria muito bem-vinda ao papel de fornecedor ao dragão asiático. No âmbito regional, Hugo Chávez lançou, em 2004, uma ousada proposta: a criação da Petrosur, uma empresa multinacional sul-americana do setor petrolífero, idéia que foi aceita de pronto pelo Brasil. A intenção é aproveitar as estruturas da Petrobras e da PDVSA. Com a Bolívia, Chávez fundou a Petroandina, empresa binacional, 60% boliviana e 40% venezuelana. Outro grande projeto energético de porte é o Grande Gasoduto do Sul (GGS), iniciativa venezuelana, brasileira e argentina, cujo projeto original prevê um gasoduto de 8.000 quilômetros. O primeiro trecho ligaria Güiria, na Venezuela, ao Recife. Nas fases seguintes, incorporaria Argentina, Bolívia, 3 | R EV ISTA É PO C A | FA SCÍC U L O X
  12. Uruguai, Paraguai, além de outros O MERCOSUL E A países que desejassem. INTEGRAÇÃO REGIONAL Para alguns, tais empreendimentos Por André Guibur energéticos fazem parte de um plano expansionista de Chávez. Para outros, As bases políticas para a criação do Mercado Comum do Sul surgiram em representam uma possibilidade de 1985, com os acordos de cooperação independência plena da porção austral técnica e econômica firmados entre da América. Esses projetos, no entanto, a Argentina e o Brasil. Em 1991, com sofrem críticas sobre a viabilidade a inclusão do Paraguai e do Uruguai, econômica, técnica e ambiental (o foi assinado o Tratado de Assunção, ramal do gás atravessará a Floresta que criou o Mercosul. Porém, foi o Amazônica). Protocolo de Ouro Preto, de 1995, que definiu sua estrutura institucional A consolidação da Petrosur e do GGS © ANDREW ALVAREZ/AFP e permitiu a celebração de acordos seria interessante ao menos em duas reconhecidos internacionalmente. Fidel vertentes. Megaempresas regionais Entre 1996 e 2004, outros países Castro, a quem teriam robustez para negociar em sul-americanos ingressaram no bloco Chávez se aliou melhores condições com as potências como países associados, inicialmen- consumidoras de gás e petróleo e, de te Bolívia e Chile, e, mais recente- certa forma, garantiriam o abastecimento sul-americano mente, Peru, Colômbia e Equador. A Venezuela assinou um protocolo de (ainda mais se considerarmos o esgotamento das A eleição de reservas mundiais e a decorrente escassez a que, adesão plena com o Mercosul, que um político de ainda não foi ratificado. com certeza, assistiremos nos anos vindouros; Desde sua criação, o Mercosul pro- esquerda no problemas de abastecimento energético na região porcionou a ampliação das relações Paraguai pode estão previstos para 2010). comerciais entre os países da região, causar um Após a empolgação nos últimos três anos, no entanto, apesar da instabilidade nas relações problema para neste ano a alternativa do gasoduto ficou mais distante entre seus membros, sobretudo Brasil o Brasil e Argentina, e das condições nem sem- e o ânimo brasileiro com os projetos de integração pre favoráveis da economia mundial. energética diminuiu sensivelmente. Hugo Chávez No âmbito institucional e econô- acusou o golpe e passou a fazer cobranças. O arrefecimento brasileiro mico, as maiores dificuldades estão está diretamente ligado à nova preferência energética do presidente Lula: na adoção de medidas protecionistas o biocombustível. Chávez juntou-se a Fidel Castro e ambos criticaram a entre os membros, como sobretaxas alternativa brasileira, vinculando a questão do biocombustível a uma imediata e cotas, a fim de atender a interesses falta de alimentos, alegando que a cana-de-açúcar substituiria os cultivos de de determinados setores das econo- mias nacionais, criando obstáculos alimentos básicos. para a livre circulação de mercadorias. Outra possível celeuma energética (dessa feita, na fonte hidráulica) está Além disso, a Tarifa Externa Comum prevista em caso de vitória de Fernando Lugo no Paraguai, em abril de 2008. (TEC), que deveria padronizar as tari- Sua chegada ao poder, por si só, já seria algo extraordinário, pois poria fim fas de importações de fora do bloco, à hegemonia de seis décadas do Partido Colorado, o mais antigo partido no ainda não foi efetivada. Tais desa- poder do mundo. Igualmente, seria justes comprometem a integração © NORBERTO DUARTE/AFP motivo de preocupação ao governo proposta em Assunção. André Guibur é professor de Geografia da brasileiro, pois uma das plataformas rede privada e em cursos pré-vestibulares eleitorais do candidato é a revisão dos acordos da usina hidrelétrica binacional de Itaipu, que ele considera Fernando Lugo, candidato à danosos aos paraguaios. ◆ Presidência do Paraguai EDILSON ADÃO, mestre em Geografia Humana pela USP e especialista em geopolítica, é autor de Oriente Médio: a Gênese das Fronteiras (Editora Zouk) 4 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e4 2 0 0 R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O X | 7
  13. Qual o sentido da ascensão da esquerda na América do Sul? Avalie o que de fato mudou após partidos de esquerda terem sido eleitos; a resposta e o comentário estarão no fascículo eletrônico da próxima semana Sobre o cenário geopolítico sul- entre Lula e Chávez promoveram esquerda terem chegado ao poder americano, podemos afirmar que: uma retomada da corrida armamen- na América do Sul, o sistema de A) a ascensão de regimes de esquerda tista sul-americana. economia de mercado foi mantido levou vários países da região a adotar C) o ingresso da Venezuela no em todos eles. o sistema de economia planificada, Mercosul foi vetado por conta da ins- E) o Paraguai saiu do Mercosul devi- como o Brasil e o Chile. piração marxista de Hugo Chávez. do a uma aproximação estratégica B) os recentes desentendimentos D) apesar de muitos partidos de com os Estados Unidos. RESPOSTA DA QUESTÃO INÉDITA DO FASCÍCULO IX Razão geopolítica explica a ocupação das colinas de Golã A Um dos motivos para a ocupação Líbano das colinas de Golã (letra A no mapa) Síria foi o fato de essa região ser a mais importante área de nascentes da A Bacia do Jordão, o que a valoriza geopoliticamente, pois a região é Rio Jordão muito pobre em recursos hídricos. Mar Mediterrâneo Mar Medit B A Cisjordânia (letra B no mapa) é a mais importante área agrícola; a Faixa C de Gaza (letra C no mapa) pertencia Mar Morto originalmente ao Egito; a Península do Israel Sinai (letra D no mapa) foi devolvida em 1979 ao Egito; as colinas de Golã e Cisjordânia permanecem sob domínio israelense. Gabarito: alternativa A. (Um dos D Jordânia Egito Egito motivos que levaram à ocupação da região A, no território sírio, é o fato Golfo de Ácaba de tratar-se de importante área de Golfo de Suez Golfo de S manancial em uma região marcada Ilustração: AKE ASTBURy Arábia pela aridez.) Saudita Mar Vermelho Colinas de Golã. Perten 5 | R EV ISTA É PO C A | FA SCÍC U L O X importante área de ma Cisjordânia. Pertencia à zonafértil, gurda grand
  14. QUESTÕES RESPONDIDAS Petróleo e geopolítica Nas questões a seguir, veja o que já foi perguntado em vestibulares a respeito de temas energéticos e ideológicos sobre a América do Sul de fluxos e meios de transporte e energia. 1ª questão E) podem reforçar os conflitos existentes com os países da Comunidade Andina Observe o mapa ao lado. Note a linha (CAN), em face da perspectiva de cheia e a linha pontilhada, quase sempre expansão dos interesses brasileiros na paralelas. região. FGV, 2001 Em relação às obras de infra-estru- tura destacadas, assinale a alternativa COMENTÁRIO INCORRETA: Tanto a presença do mapa como a A) podem permitir a abertura de canal solicitação da alternativa incorreta (menos de escoamento de produtos da Zona comum nos exames) podem confundir o Franca de Manaus para outros mercados candidato. Mas a alternativa incorreta é tão e a consolidação da ligação Brasil– óbvia que deve compensar o susto. As obras Venezuela, via Manaus e Boa Vista. de infra-estrutura apontadas no mapa atuam B) podem contribuir para agilizar e muito mais num sentido de integração que intensificar fluxos econômicos, baratear circulação terrestre do subcontinente, de confrontação, como aponta a alternativa a exportação de produtos brasileiros e conforme proposta firmada recentemente incorreta. Os países da Comunidade Andina articular zonas da Amazônia setentrional, pelos chefes de Estado da América do Sul. até são vistos como potenciais candidatos a numa região fronteiriça. D) podem contribuir para consolidar a ingressarem no Mercosul, como já anunciou C) inscrevem-se no contexto de melhoria posição estratégica de Manaus, como o governo brasileiro. Portanto, o espírito de da infra-estrutura de integração física e sede da Zona Franca e nó de confluência conflitos é totalmente improcedente. 2ª questão oposição venezuelanos. B) pelo fato da Venezuela ser membro COMENTÁRIO A leitura atenta do enunciado auxilia da Opep e o terceiro maior exportador na escolha da alternativa correta, uma O presidente da Venezuela, Hugo mundial de petróleo e temer um vez que, ao final, refere-se à Opep e Chávez, voltou ontem a concentrar aumento da produção e conseqüente lembra ao candidato a relação entre os a atenção internacional ao tornar-se queda de preços do produto. países citados. Apesar de a alternativa o primeiro chefe de Estado a fazer C) pela necessidade de conseguir impor- correta apontar o fato de a Venezuela uma visita oficial ao Iraque desde o tar petróleo a preços subsidiados, alivian- fazer parte da Opep como o principal fim da Guerra do Golfo, em 1991. A do a pressão inflacionária na Venezuela. motivo da visita de Chávez ao Iraque, a viagem faz parte de seu tour pelos D) para tentar reduzir os preços inter- questão vai além. A visita a Saddam tam- países-membros da Opep (...) nacionais do petróleo, favorecendo as bém demonstrou um tom desafiador de “O Estado de São Paulo” – 11/8/2000 exportações venezuelanas do produto, Chávez à comunidade internacional, uma principalmente para os EUA. vez que o Iraque estava sob embargo da A visita do presidente venezuelano E) para se antepor ao isolamento da ONU desde 1991 e, até então, nenhum justifica-se: Venezuela junto à comunidade inter- chefe de Estado havia adotado tal pos- A) pela necessidade de obter apoio nacional, que questiona a lisura da tura. Na mesma viagem, Hugo Chávez interno, uma vez que sua eleição eleição de Chávez. visitou o dirigente líbio, Muammar é contestada por vários grupos de Mackenzie, 2001 Kadafi, e o cubano Fidel Castro. 6 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e6 2 0 0 7 E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O X | R
  15. 3ª questão Golfo Pérsico, foi o principal motivo da invasão do Iraque pelo Kwait. didato. Argentina e Chile travaram intensa disputa pelo controle da rota Em relação às vias marinhas de D) Canal de Suez, no Egito, está com do Canal de Beagle, no extremo sul da circulação destacadas abaixo, assinale sua navegação impedida por determi- América, e essa é uma questão ainda a alternativa correta: nações israelenses. mal resolvida. Ligação entre os ocea- A) Ilhas Lennox, Picton e Nueva, situa- E) Estreito de Gibraltar é reivindica- nos Atlântico e Pacífico, o canal tem das no Canal de Beagle, extremo sul da do por Portugal junto à Inglaterra, importância estratégica. Também é América, foram objeto de disputa entre tendo em vista o controle da navega- importante saber: o Canal do Panamá Argentina e Chile. ção comercial entre o Atlântico e o foi devolvido em 1999 ao Panamá, e B) Canal do Panamá, na América Mediterrâneo. não aos Estados Unidos; o Estreito de Central, que une os oceanos Atlântico UFRS, 2000 Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico, e Pacífico, passará ao controle dos COMENTÁRIO é disputado pelo Irã e pela Arábia Estados Unidos em 2000. Enunciado curto, objetivo e direto, Saudita; e a intervenção israelense em C) Estreito de Ormuz, localizado no mas que não fornece dica para o can- Suez se deu nos anos 1950. 4ª questão nomes dos países envolvidos na questão Guiana Suriname O cenário geopolítico sul-ameri- representa mais um A Guiana Francesa cano anda turbulento. Assinale a complicador. Em 2006, B alternativa que indica corretamente uma proposta norte- Arquipélago alguma característica geopolítica americana de conceder D Fernando de Noronha sul-americana recente, o país e a vantagens comerciais respectiva indicação: e alfandegárias ao A) as Farc continuam realizando Paraguai em troca da Peru BRASIL seqüestros em nome de uma ban- utilização de seu território deira política = Venezuela. para uma suposta C B) o presidente Lúcio Gutierrez não instalação de base norte- E resistiu à crise política e renunciou americana causou mal- Chile = Colômbia. estar entre os Oceano C) a revolução bolivariana levada vizinhos, inclusive Oceano Atlântico adiante por Hugo Chávez tem con- com a possibilidade Pacífico Uruguai quistado simpatia junto à popula- de expulsão do país Argentina ção de mais baixa renda = Bolívia. do Mercosul. As mais D) o líder da oposição Evo Morales calorosas reações foram desponta como principal nome nas do representante das relações eleições de dezembro = Equador. exteriores do governo argentino, E) a concessão de seu território mas também se manifestou para uma suposta base militar o Ministério das Relações Ilhas Falkland (Malvinas) norte-americana foi malvista pelos Exteriores do Brasil. As regras vizinhos = Paraguai. do Mercosul proíbem que um ESPM, 2006 membro do bloco faça acordos alfandegários em separado com COMENTÁRIO outros países, daí a ameaça de Enunciado vago (“alguma expulsão. Igualmente, preocupou característica geopolítica”) sempre os governos argentino e brasileiro Ilustrações: AKE ASTBURy gera insegurança no candidato. a possibilidade dessa suposta base Para aqueles mal informados norte-americana, próxima às suas sobre cartografia, a ausência dos fronteiras. GABARITO: 1 (E), 2 (B), 3 (A), 4 (E) 11 de junho de 2007 I r e v i s ta é p o c a I 
  16. Biotecnologia encerra série O próximo fascículo, que terá apenas versão eletrônica, focará a questão das células-tronco N o próximo fascículo do Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades, o tema abordado será biotecnologia e células-tronco. Esse foi o assunto mais votado na enquete realizada no site de ÉPOCA (www. epoca.com.br). Mais de 40% dos internautas escolheram esse tema, entre os quatro disponíveis. Os outros três foram: Globalização e Organizações Multilaterais, União Européia e Crime Organizado. Biotecnologia é um conceito associado à modernidade. Mas é tão antigo quanto a própria civilização. Existe há milênios, desde os primeiros tempos da fabricação de pão e vinho. A biotecnologia moderna começa com a descoberta e manipulação do TOME CUIDADO DNA. Seqüenciamento de DNA, manipulação de genes, transgenia, clona- com o uso indiscriminado das generalizações: “maioria” é gem, pesquisas com células-tronco e terapias decorrentes são assuntos a diferente de “todos”, do mesmo modo que “muitas vezes” é serem tratados no fascículo. As questões éticas envolvidas também serão diferente de “sempre”. O uso abordadas. O 11o fascículo, que terá a mesma estrutura dos outros dez, inadequado ou a interpretação Ilustração: AKE ASTBURy imprecisa desses termos podem com questões comentadas pelos professores, estará disponível apenas significar a resposta errada a uma questão. em versão eletrônica. DIRETOR GERAL Juan Ocerin DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto DIRETORA DE MARKETING yara Grottera DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br REDATOR-CHEFE David Cohen DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander DIRETOR DE ARTE Marcos Marques O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007 Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reserva- dos. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo. COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO) COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva (Prof. Toni) e Venerando Santiago de Oliveira (Prof. Venê) COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti ILUSTRAÇÕES AKE Astbury REVISÃO Bel Ribeiro SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO) 8 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e82 0 0 7 E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O X | R
  17. B Biotecnologia, iotecnologia é um termo que nos remete ao estado da arte da ciência da vida. Está promessas associado ao genoma, ao DNA, a clones, enfim, a um extenso leque de descobertas dos tempos modernos. e polêmicas Mas a biotecnolgia é tão antiga quan- to a própria civilização. O primeiro homem que, 12 mil anos atrás, numa remota Mesopotâmia, usou fermento para fazer o pão estava pondo em curso um processo biotecnológico. Culturas transgênicas e uso Hoje a biotecnologia continua a fazer de células-tronco estão no o pão, com a diferença de que o ingrediente pode ser transgênico. centro de um debate que Biotecnologia é um termo que tam- envolve questões éticas, bém nos remete à polêmica. Am- legais e religiosas bientalistas e agricultores debatem o plantio de alimentos transgênicos, entre eles a soja. Correntes religio- sas, em nome do direito da vida do embrião, se opõem a pesquisadores que defendem o uso de células-tron- co em tratamentos de doenças. O de- bate envolve questões éticas e legais. Há mais perguntas que respostas. O importante é ter os argumentos afiados, tarefa que este fascículo o ajudará a levar a cabo. NESTA EDIÇÃO Representação Em que pé está a Lei do DNA da Biossegurança PÁG. 3 Cinco dicas para você estudar melhor PÁG. 8 > Física > Biologia > Química
  18. ENTENDA O ASSUNTO Biotecnologia, entre o milagre e o pecado A ciência abre novas perspectivas para o tratamento de doenças, mas seu avanço provoca polêmicas e debates sobre a própria noção de vida POR FÁBIO L. OLIVEIRA CÉLULAS PLURIPOTENTES (Células de blastocisto de 5-14 dias) UM BIÓLOGO, DUAS SURPRESAS > O biólogo James Watson surpreendeu o mundo duas ÓVULO FERTILIZADO EMBRIÃO DE 8 DIAS vezes. A primeira foi em BLASTOCISTO 1953, quando, com Fran- cis Crick, físico britânico, anunciou o modelo de dupla hélice para o DNA, propondo como se daria sua replica- PLURIPOTENTES ção. A segunda foi em outu- ilustração: AKE ASTBURY bro passado, ao declarar seu NEURÔNIO “pessimismo em relação ao CÉLULAS DO SANGUE futuro da África pelo fato de os negros terem menos inte- ligência que os ocidentais”. MÚSCULO Watson se desculpou publi- H camente, mas foi suspenso oje em dia podemos tomar vinhos de ótima qualidade, de várias partes do Laboratório Cold Spring do mundo e a preços acessíveis. Foi longo o caminho para chegar a esse Harbor, onde trabalhou por estágio. Começou a ser percorrido há 5 mil anos no Egito, onde encontra- 40 anos. Acabou por se apo- mos os registros mais antigos do processo de vinificação. Naquela época, o uso sentar. A declaração mancha de fermentos já não era novidade – afinal, a produção do pão na Mesopotâmia a biografia do cientista, remonta há 12 mil anos. mas não tira o valor de sua Os antigos não tinham um nome para o processo, mas, ao produzir o pão e o descoberta, que lhe valeu o vinho, estavam usando a biotecnologia. O termo se refere à utilização de seres Prêmio Nobel de Medicina vivos para a obtenção de serviços ou produtos. É o que a biotecnologia moderna ainda faz, agora com a ajuda da informação genética, que multiplicou sua utili- em 1962. dade. Atualmente, por exemplo, a biotecnologia está na base da realização de testes de paternidade ou do desenvolvimento de medicamentos. O passo mais importante, que abriu as portas para a biotecnologia moderna, foi dado em 7 de março de 1953 por Francis Crick e James Watson. Trabalhando no laboratório Cavendish, na Inglaterra, eles foram os primeiros a apresentar um modelo da molécula de DNA, com o formato de dupla hélice (parecida com uma escada em espiral). Essa descoberta causou uma revolução na biotecnolo- James gia, possibilitando pesquisas com transgênicos, clonagem, genomas e células- Watson tronco. Tais avanços defrontaram o homem e a sociedade com dilemas e confli- tos éticos, religiosos e legais, ainda passíveis de discussão e solução. Em 1970, a descoberta das enzimas de restrição (que cortam o DNA em pontos específicos) tornou possível transferir trechos de DNA de uma espécie © (AP) para outra e, portanto, o desenvolvimento de organismos transgênicos. O pri- 2 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e 2 0 |0 7R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O X I 2
  19. meiro deles, uma bactéria produtora de insulina humana, foi apresentado em 1982, pela pioneira Genentech, da BIOSSEGURANÇA, Em 1953, foi Califórnia, Estados Unidos. Atualmente existe uma série LEI AINDA NO PAPEL apresentado de organismos geneticamente modificados, desde animais Por Venerando S. Oliveira o modelo da de laboratório (com genes implantados ou suprimidos), usados em pesquisas, até vegetais resistentes a pragas, Sancionada em 24 de março molécula de de 2005, a Lei de Biossegurança inseticidas, secas ou enriquecidos nutricionalmente. DNA com Culturas transgênicas podem trazer inúmeros bene- cria o Conselho Nacional de formato de fícios, como é o caso do arroz “dourado”, desenvolvido Biossegurança (CNBS) e reestru- dupla hélice para combater, em populações subnutridas de países tura a Comissão Técnica Nacional pobres, a deficiência de vitamina A, responsável por 500 de Biossegurança (CTNBio), mil casos anuais de cegueira infantil. Culturas resisten- ligada ao Ministério de Ciência e tes a secas ou altas salinidades estão sendo desenvolvidas em países como Tecnologia. a África do Sul, podendo aumentar a produção de alimentos nos países A aprovação da lei foi acelerada africanos. O plantio de culturas resistentes a inseticidas ou pragas permite pela necessidade de regulamentar menor uso de inseticidas, o que reduz o impacto ambiental e o preço dos dois assuntos polêmicos e em alimentos e pode contribuir para a diminuição da fome no mundo. Pequenos estágios já bastante adiantados: agricultores, contudo, devem ter acesso a essas sementes, caso se queira as células-tronco e os organis- que o panorama da fome seja realmente modificado. mos geneticamente modificados Não há só aspectos positivos. Algumas dessas culturas contêm genes que as (OGMs). fazem gerar sementes infecundas, o que obriga os agricultores a comprar as Pesquisas com células-tronco sementes a cada safra. Uma vez plantados, os vegetais transgênicos podem sele- mostram resultados promissores cionar pragas mais resistentes ou os transgenes podem se dispersar por meio do no tratamento de câncer e doen- pólen e ser incorporados por outras plantas, com conseqüências imprevisíveis. ças degenerativas, como o mal de Atualmente vários países estão desenvolvendo e cultivando safras transgêni- Alzheimer. Por utilizar embriões cas, inclusive o Brasil. Até agora não foi detectado nenhum problema ambiental, de onde são retiradas as células, mas isso não é conclusivo. A segurança ambiental e alimentar de cada transgê- essas pesquisas sofrem a opo- nico precisa de confirmação anterior a sua liberação para o mercado. sição de setores religiosos e de O desenvolvimento de técnicas que possibilitaram a identificação da se- grupos antiaborto. qüência de nucleotídeos dos DNAs e a revelação dos genomas das espécies Quanto aos alimentos transgêni- também têm importantes aplicações. Conhecer o conjunto de genes de espécies cos, a soja, plantada principalmen- patogênicas de plantas ou animais torna possível identificar os genes responsá- te no sul do país, está no centro da veis pela doença e direcionar as pesquisas na busca de cura ou tratamento. Um polêmica dos OGMs. Introduzida exemplo bem-sucedido foi o projeto do genoma da bactéria Xilella fastidiosa, cau- no Brasil nos anos 90, ela é resis- sadora do amarelinho, praga que gera enormes prejuízos à citricultura. Financiado tente a pragas e pesticidas, o que pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o projeto aumenta a produtividade e reduz foi concluído em 1999. Na área de saúde, o Instituto Ludwig de Pesquisas sobre os custos. Os ambientalistas são o Câncer em São Paulo coordena o projeto Genoma Humano do Câncer, que visa seus mais ferrenhos críticos. identificar genes ativos nessa doença, ampliando a possibilidade de tratamento. A polêmica está longe de aca- bar, e a desinformação da socie- dade alimenta e prolonga esse processo. Embora sancionada há mais de dois anos, a Lei de Biossegurança continua no papel. Venerando S. Oliveira, físico formado pela Unicamp, é educador, autor de material didático, professor e coordenador do ensino médio e de cursos pré-vestibulares DIVULGAÇÃO © (AP) Xilella fastidiosa 3 | R EV ISTA É PO C A | FA SCÍC U L O X I
  20. Outra faceta da biotecnologia é a geração >> O QUE VER E O QUE LER de indivíduos geneticamente iguais – os Três filmes, embora de ficção, clones. O principal marco nesse campo abordam questões genéticas foi o nascimento da ovelha Dolly, anun- de forma que podem ajudar no ciado por Ian Wilmut em 1997. Como aprendizado. São eles: isso foi possível? Uma célula mamária de uma ovelha foi fundida com um O SEXTO DIA O tema desse filme óvulo de outra ovelha (cujo núcleo foi é a clonagem de seres humanos. previamente removido) e o embrião Espécie de ficção científica em que resultante implantado no útero de uma o protagonista é substituído por seu terceira, gerando uma ovelha genetica- clone e foge para não ser assassina- Ian Wilmut, mente idêntica à doadora do óvulo. O do enquanto tenta decobrir a trama que anunciou sucesso dessa técnica permite imaginar DIVULGAÇÃO por detrás desse mistério. o primeiro a clonagem reprodutiva de animais de clone animal estimação mortos, espécies em extinção GATTACA, A EXPERIÊNCIA ou extintas e até do homem. A clonagem GENÉTICA Enfoca a eugenia. de seres humanos, além das questões éticas, é bastante combatida pela Numa época futura, seres humanos ciência devido ao risco de haver problemas no clone, como aconteceu são criados em laboratório e melho- com a própria Dolly, vítima de envelhecimento precoce. rados geneticamente. Aqueles con- A clonagem terapêutica pode dar origem às chamadas células-tronco cebidos biologicamente são coloca- embrionárias. Tais células, por meio de divisões sucessivas, podem gerar dos à margem dessa nova sociedade qualquer um dos mais de 200 tipos celulares de nosso corpo, represen- geneticamente selecionada. Um ser tando esperança para o tratamento ou cura para muitas enfermidades. humano concebido biologicamente Células-tronco adultas, como as da medula óssea, podem gerar muitos vai reverter o status. tecidos, mas não todos. Isso justifica tamanho interesse pelas células- tronco embrionárias. Para obter tais células, é preciso retirá-las de um PARQUE DOS DINOSSAUROS embrião com cerca de 5 dias de idade, interrompendo O homem domina as técnicas de seu desenvolvimento. Isso gera muita resistência, engenharia genética em estado de O principal sobretudo de correntes religiosas, que alegam que arte a ponto de recriar os dinos- marco da essa interrupção provoca a morte do embrião. Para a sauros, confinando-os em um par- clonagem foi ciência, no entanto, ainda não existe vida no embrião. que temático. As coisas escapam Biologicamente, considera-se o início da vida quando o nascimento surge o sistema nervoso, o que acontece somente no do controle quando os animais revividos não se comportam den- da ovelha final do primeiro mês de gestação. tro dos padrões esperados. Dolly, anunciado Há então um grande impasse, pois clínicas de repro- em 1997 dução humana eliminam os embriões não-utilizados. Os seguintes sites também A mesma sociedade que aceita tal eliminação não são recomendados: permite que esses embriões sejam utilizados para for- http://www.ctnbio.gov.br necer as células-tronco para as pesquisas. – Comissão Técnica Nacional de Em tais pesquisas, a clonagem terapêutica gera células-tronco do Biossegurança paciente que são injetadas no órgão doente, esperando-se que se trans- http://www.comciencia. formem nesse tecido. Tal técnica não apresenta rejeição, além de ser br/reportagens/clonagem/ menos traumática que transplantar um órgão inteiro. A partir disso, abre- clone02.htm – Clonagem ainda se caminho para o tratamento de doenças cardíacas, degenerativas, para- é técnica em desenvolvimento lisia de membros por danos na medula espinhal, entre outros casos. Todo esse repertório de novos conhecimentos traz promessas de melhoria da qualidade de vida, mas levanta também conflitos éticos e religiosos. A legislação está sendo criada, e tanto legisladores quanto sociedade devem conhecer tais assuntos, pois serão chamados a decidir sobre o futuro da biotecnologia e suas implicações para todos nós. Dinossauro FÁBIO L. OLIVEIRA, biólogo formado pela DIVULGAÇÃO recriado pela Unicamp, é autor de materiais didáticos, ficção professor do ensino médio e de cursos pré-vestibulares 4 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e 2|0 0 7 E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O X I 4 R
  21. Seqüenciamento do DNA Com esta questão, que aborda projetos genomas, você pode avaliar seus conhecimentos sobre síntese protéica Projetos genomas visam identi- RNA mensageiro Proteína ficar os genes de um organismo. UACAAGGUGCCAU Y Para isso, é necessário descobrir a ATGTTCGAGCCTA W seqüência de nucleotídeos do DNA UGUUCCACGGUA Beta desse organismo para identificar os AUGUUCCACGGUA Z genes e as proteínas codificados por AUCUUGGAGCCUA Alfa eles. Geram-se, a partir de uma única molécula de DNA, vários segmentos senta um gel no qual foram colocados teína codificada por ele é a: com tamanhos diferentes. Estes vários RNA mensageiro segmentos com tamanhos Proteína Alfa B) Z C) Y D) Beta E) W. A) são colocados em cima de um bloco diferentes de uma mesma molécula de de gel e o atravessam. Os menores DNA. A técnica usada permite saber COMENTÁRIO pedaços o fazem mais rapidamente e que o último nucleotídeo de cada Essa questão aborda de maneira sucin- os maiores, mais lentamente. segmento da coluna A é a Adenina, da ta como se realiza um projeto genoma. A figura aqui reproduzida repre- coluna T, é a Timina, e assim por diante. A leitura do enunciado é essencial para Após a migração e separação desses quem não sabe como se faz a leitura segmentos, é estabelecida a seqüência dos trechos de DNA no gel para se achar da molécula original, colocando-se os a ordem dos nucleotídeos do trecho nucleotídeos conhecidos de cada colu- de DNA seqüenciado. Após o estabe- na, separados no gel, na ordem, do mais lecimento da ordem dos nucleotídeos leve para o mais pesado. A partir disso, do DNA, é necessário que se lembre a é possível estabelecer a seqüência de ordem de pareamento do DNA com o Ilustração: AKE ASTBURY aminoácidos da proteína codificada por RNA mensageiro em formação (A com U, esse segmento. Seqüenciando tal T com A, C com G e G com C) para anali- segmento e analisando a tabela sar a tabela e verificar a proteína codifica- acima, é possível dizer que a pro- da pelo trecho de DNA seqüenciado. GABARITO: (B) RESPOSTA DA QUESTÃO INÉDITA DO FASCÍCULO X UACAAGGUGCCAU ATGTTCGAGCCTA Na América do Sul, a esquerda W Y UGUUCCACGGUA AUGUUCCACGGUA convive com a economia de mercado Beta Z A questão da semana passada era sobre rompimento com a economia de mercado ideológica com o capitalismo. AUCUUGGAGCCUA América do Sul. A Alfa o cenário geopolítico da e dogmas liberais. Ao que tudo indica, essa Gabarito: alternativa D (Apesar de chegada de muitos partidos de esquerda nova tendência está mais vinculada a uma muitos partidos de esquerda terem ao poder na região mudou o panorama, refreada ao neoliberalismo, interpretado chegado ao poder na América do Sul, mas não implicou a adoção do socialismo como uma espécie de radicalismo de RNA mensageiroeconômico, nemProteína do que a uma confrontação o sistema de economia de mercado foi como modelo político e o mercado, mantido em todos eles). 5 | R EV ISTA É PO C A | FA SCÍC U L O X I
  22. QUESTÕES RESPONDIDAS Projeto Genoma, transgênicos, DNA Teste seus conhecimentos com questões que já caíram em vestibulares recentes e confira os comentários dos professores C) errada, porque o código genético diz distraído”, pois reafirma uma 1ª questão respeito à correspondência entre os códons do DNA e os aminoácidos nas confusão já comum nos meios de comunicação, que não diferencia Em abril de 2003, a finalização do proteínas. corretamente os conceitos de geno- Projeto Genoma Humano foi noticia- D) errada, porque o projeto decifrou ma e código genético. Portanto, da por vários meios de comunicação os genes dos cromossomos humanos, cuidado. O vestibulando que não faz como sendo a “decifração do código não as proteínas que eles codificam. uma análise crítica das informações genético humano”. A informação, da E) errada, porque não é possível veiculadas na mídia pode apreender maneira como foi veiculada, está: decifrar todo o código genético, conceitos errados. Vale lembrar que A) correta, porque agora se sabe existem regiões cromossômicas o genoma é o conjunto de genes de toda a seqüência de nucleotídeos com alta taxa de mutação. uma espécie e o código genético é a dos cromossomos humanos. Unifesp, 2004 relação entre a trinca de bases B) correta, porque agora se sabe do DNA (ou RNA mensageiro) e o toda a seqüência de genes dos cro- COMENTÁRIO aminoácido colocado pelo ribosso- mossomos humanos. Esse é o típico enunciado “pega- mo na proteína. 2ª questão Organismos são ditos trans- gênicos quando, por técnica de D) a técnica permite trocar o código genético do organismo doador do gene. engenharia genética, recebem e E) a técnica permite trocar o incorporam genes de outra espécie, código genético do organismo os quais podem ser transmitidos receptor do gene. aos seus descendentes. Exemplos PUC-SP, 2004 desses organismos são as plantas transgênicas, receptoras de um COMENTÁRIO gene de outro organismo O enunciado facilita a compreensão (doador) que lhes confere resistên- ao fornecer informações introdutó- cia a certos herbicidas. Para que rias sobre o assunto que ajudam o ocorra a síntese da proteína candidato a se lembrar dos princi- codificada pelo gene pais conceitos. Mas também exige inserido no genoma da espécie atenção redobrada devido à relação receptora, diversas condições entre genoma e código genético. Com devem ser observadas. Entretanto, relação ao código genético, é bom fundamentalmente, essa técnica lembrar que, salvo algumas diferenças é possível porque: em algumas trincas de bases do DNA A) cada organismo apresenta seu em algumas poucas espécies, o códi- próprio código genético. go genético é universal, ou seja, é o B) o código genético é comum mesmo em todas as espécies, sendo, ERNESTO DE SOUZA a todos os seres vivos. portanto, usado como uma das evi- C) o código genético é degenerado. dências do processo evolutivo. 6 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e 2|0 0 7 E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O X I 6 R
  23. 3ª questão A tira de quadrinhos ao lado faz O ESTADO DE S. PAULO, 27 DE MAIO DE 2004 referência à manipulação de genes em laboratório. Se esse tipo de expe- rimento realmente fosse concreti- zado, seria possível afirmar que: A) o elefante e o vaga-lume são orga- nismos transgênicos. B) apenas o vaga-lume é um organis- mo transgênico. C) uma seqüência de RNA do vaga- daquele mamífero. desenho remete à luz excessiva e lume foi transferida para células do PUC-SP, julho 2005 instantânea. De qualquer maneira, a elefante. análise do quadrinho é essencial na D) o gene do vaga-lume controlou a COMENTÁRIO resolução. A partir dela verifica-se que produção de RNA e de proteína no É uma daquelas questões conside- o elefante brilhou como vaga-lume, o interior das células do elefante. radas fáceis. Uma rápida análise da que permite responder que um gene E) uma seqüência de DNA do elefante tirinha já encaminha para a resposta do vaga-lume foi transferido ao ele- sofreu mutação devido à introdução correta. Mesmo que o candidato não fante, que pode produzir biolumines- do gene do vaga-lume em células perceba a palavra “flash”, o próprio cência como o vaga-lume. 4ª questão 32) nos organismos procariontes, ela fica estocada dentro do núcleo Neste ano de 2003, são das células. comemorados os 50 anos da 64) em alguns organismos “descoberta” da estrutura primitivos, ela apresenta apenas tridimensional do DNA. uma fileira de nucleotídeos. Com relação às características UFSC, 2003 (questão 1 da prova branca) dessa molécula, ao papel que ela desempenha nos seres vivos e aos COMENTÁRIO processos em que se encontra Neste caso, a tirinha não agrega envolvida, é CORRETO afirmar que: informação que facilite a escolha 01) é formada por duas fileiras de das alternativas corretas. Outra nucleotídeos torcidas juntas em dificuldade é o excesso de asserti- forma de hélice. vas a serem avaliadas e a solicita- 02) em sua composição é possível ção final do somatório dos valores. encontrar quatro bases nitrogenadas Com relação à afirmativa 64, vale diferentes: a adenina, a citosina, lembrar que existem alguns vírus o aminoácido e a proteína. cujo material genético é DNA de 04) ela tem a capacidade de se fita simples e outros com RNA de autoduplicar. fita dupla. Então, o conceito de que 08) nela está contida a informação moléculas de DNA têm fita dupla genética necessária para a e de RNA têm fita simples não se formação de um organismo. aplica a todos os organismos. 16) a mensagem nela contida pode ser transcrita para uma outra molécula denominada RNA. GABARITO: 1 (C), 2 (B), 3 (D), 4 (soma das alternativas corretas: 93) 7 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O 1 1Xd e j u n h o d e 2 0 0 7 I r e v i s ta é p o c a I 7 I
  24. Dicas para o candidato Cinco sugestões para você se preparar melhor Seguindo essas orientações, o vestibulando terá maiores chances de se sair bem nos exames N 3 os dez primeiros fascículos, demos dicas SEU RITMO sobre como fazer melhor a prova. Agora, Nunca se apresse em seus estudos. Cada assunto neste último fascículo, ficam sugestões de não deve ser apenas lido, mas sim compreendido e como estudar melhor, algo fundamental nesta reta enfocado em seus pontos principais. Para render mais, final até a realização dos exames. faça sempre anotações. 1 SEU CANTO Tenha sempre um local para seus estudos. Seja em casa, no cursinho, ou em sua escola, esse seu “canto” 4 SUA ATITUDE Não permaneça com dúvidas, tente solucioná-las com amigos e/ou professores. Buscando ajuda, além deve ser bem iluminado e sem ruídos que possam de solucionar a dúvida, sempre se pode acrescentar atrapalhar sua concentração. algo ao que já se sabe. 2 SEU LIMITE Jamais estude por horas a fio. Especialistas recomen- dam que a moderação (cerca de três a quatro horas por 5 SEU BOM SENSO Não realize seus estudos se suas condições físicas e/ou emocionais não estiverem normais. Esse tipo de situação é dia) é mais salutar, além de preservar na memória os negativa para o rendimento estudantil. Nesses casos, procu- conteúdos já apreendidos. re alguém de sua confiança e peça orientação. DIRETOR GERAL Juan Ocerin DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto DIRETORA DE MARKETING Yara Grottera DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br REDATOR-CHEFE David Cohen DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander DIRETOR DE ARTE Marcos Marques O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007 Edi- tora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo. COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO) COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva (Prof. Toni) e Venerando Santiago de Oliveira (Prof. Venê) COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti Ilustração: AKE ASTBURY ILUSTRAÇÕES AKE Astbury REVISÃO Bel Ribeiro SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO) 8 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007
  25. N Abaixo, a democracia os tempos do regime militar se pichava nos muros: “Abaixo a ditadura”. Por que não há con- tradição entre a frase dos anos Apesar de consolidada, a democracia no Brasil ainda 60 e 70 e o título desta página? Alternativa A: porque nos dois é tão jovem quanto os caras-pintadas em 1992 casos se exalta a democracia. Estudantes B: por causa da vírgula. C: am- testam a bas as anteriores estão certas. democracia Quem marcou C está afiado em ao pedir o História e Português. O Brasil é impeachment uma democracia plena desde de Collor 1990, com a posse do primeiro presidente eleito diretamente após a ditadura militar. E, quan- to à vírgula do título, inverte o sentido da frase, que passa a significar: abaixo do título, na foto, um flagrante de democra- cia. Este é o objetivo desta série de fascículos: inter-relacionar disciplinas para que você se prepare bem para o vestibular. NESTA EDIÇÃO AGÊNCIA O GLOBO A política, da República Velha a Lula PÁGs. 2 a 4 Os filmes que reconstruíram a ditadura PÁG. 5 5 questões para você treinar PÁGs. 5 a 7 1 | R EV ISTA É PO C A | FA SCÍC U L O I I
  26. ENTENDA O ASSUNTO Os percalços da jovem democracia brasileira A história da república do país mostra que o regime representativo vigorou plenamente em poucos anos, e quase sempre acompanhado de sobressaltos POR OSCAR PILAGALLO U ma tradição só está perfeitamente enraizada na sociedade quando sua própria existência deixa de ser assunto. Ninguém discute, por exemplo, a divisão do poder entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Não há hipótese de ser de outro modo. O peso da tradição mata o assunto. Não é o que acontece, no entanto, com a democracia no Brasil – apesar de devidamente consolidada, ela ainda dá o que falar. A questão da democracia voltou à baila recentemente por conta da reação do presidente Lula às vaias que tem levado, a maior delas em julho, durante a abertura dos Jogos Pan-Americanos, no Maracanã. Ele também é vaiado, simbolicamente, pelo Cansei, movimento que reúne empresários, a seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, parentes de vítimas de acidentes aéreos, socialites, artistas e DIVULGAÇÃO críticos do governo em geral. Lula comentou, a propósito das vaias: “Se alguns quiseram brincar com a demo- cracia, eles sabem que neste país ninguém sabe colocar mais gente na rua do que eu”. Na imprensa e em círculos próximos do governo, ouviram-se vozes que identifi- A luta armada e a repressão do caram uma intenção golpista na iniciativa da elite “cansada”. final dos anos 60 e início dos 70 ge- Há um inegável exagero nessa percepção. É claro que não há perigo à vista. Não raram farta literatura baseada em é menos evidente que a democracia não está ameaçada. A menção a golpe parece depoimentos dos protagonistas. produto de uma interpretação paranóica do processo histórico. E, no entanto, o Um dos melhores ainda é O Que É assunto insinua uma volta à agenda política, com o próprio presidente vindo a Isso, Companheiro? (Companhia público para defender a democracia. das Letras), de Fernando Gabeira, Países com forte tradição democrática não precisam vir em um dos seqüestradores do embai- socorro da democracia a qualquer tropeço dos protagonistas xador americano em 1969. O livro, Vaiado, Lula do espetáculo da política. O que aconteceu nos Estados Unidos que também traça um panorama recoloca na eleição de George W. Bush, em 2000, é exemplar. A eleição dos grupos de esquerda da época, do republicano esteve cercada de controvérsia. Para começar, a defesa da deu origem ao filme homônimo que o candidato democrata, Al Gore, teve mais votos populares democracia se encontra em locadoras de DVD. que Bush, ou seja, o resultado da eleição (votação indireta) em pauta, mas não há não refletiu a vontade da maioria (votação direta). Esse é ameaça à vista um desdobramento previsto na legislação, mas que ocorre raramente (apenas dois casos iguais haviam sido registrados 1889-1930 1930-1937 1937-1945 República Velha Governo Ditadura do Getúlio Vargas Estado Novo Washington Luís JK ao centro Floriano 2 | R EV ISTA É PO C A | FA SCÍC U L O I Peixoto 2 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007 Getúlio Getúlio
  27. Jango discursa dias antes de ser deposto A RENÚNCIA DE JÂNIO ARQUIVO AGÊNCIA O GLOBO antes). Naquela eleição, no > Uma das hipóteses para a entanto, houve um agravante. nunca explicada renúncia de Com a disputa muito apertada, Jânio Quadros, em agosto de houve necessidade de recon- 1961, é que ele preparava um tagem de votos na Flórida, que golpe de Estado. Para tanto, afinal acabou sendo suspensa por decisão da Suprema Corte, o que definiu o pleito. teria mandado seu vice, João Derrotado duas vezes (pela minoria republicana e pela Justiça), Al Gore nunca aven- Goulart, à China comunista. tou a possibilidade de risco para a democracia americana. No máximo, ao entregar A ausência do sucessor legal, os pontos, disse que aceitava a decisão em nome do fortalecimento do regime. que era combatido pelos con- No Brasil, em comparação, a história da democracia teve bem mais sobressaltos, servadores, criaria um vácuo o que talvez explique a tentação de incluir as vaias entre eles. que ele tinha esperança de Em primeiro lugar, é importante lembrar que se trata de uma história relativa- ocupar. Renunciou para voltar mente curta. Considerando-se o período republicano, o Brasil teve poucos anos nos braços do povo, com apoio consecutivos de uma democracia livre da sombra da ruptura política. É só fazer as dos generais e sem o Congres- contas. De saída, eliminem-se as quatro décadas da República Velha. Entre 1889 so. Em outras palavras, com e 1930, quem detinha o poder eram as oligarquias agrícolas, mais poder. Mas a reação po- que se revezavam por meio de eleições nas quais votava uma pular não veio e o veto militar à Entre 1946 e pequena fração da sociedade. A legalidade não vinha acompa- posse de Jango ficou concen- 1964, a nhada da legitimidade. trado nos ministros militares. democracia foi Entre 1930 e 1937, o Brasil viveu numa zona cinzenta. Não fragilizada pelo era uma democracia, pois o principal mandatário, Getúlio movimento Vargas, não fora eleito. Mas também não era uma ditadura golpista que – pelo menos não havia, formalmente, um ditador. A ditadura teria êxito com nasceria só em 1937, com o Estado Novo, que duraria até 1945. os militares Os quase 20 anos seguintes foram de democracia. Ou talvez seja melhor dizer: de ameaça à democracia. O primeiro presi- dente, o general Eurico Dutra, foi ungido pelo ex-ditador. Ficou no poder até 1950. Na seqüência, seria a vez de o próprio ex-ditador voltar como presidente eleito. Getúlio, conhecido como “o pai dos pobres”, enfrentou cerrada oposição conserva- CEDOC dora que, com Carlos Lacerda à frente, era conspiradora em tempo integral. Vargas se matou em 1954, e seu mandato foi completado por Café Filho – um hiato de Jânio, quando ainda desfrutava pouca expressão entre Vargas e seu herdeiro político, Juscelino Kubitschek. de grande popularidade JK é hoje um paradigma de presidente. Mas na época era execrado pelos conser- vadores golpistas. Tanto que por pouco ele não foi impedido de tomar posse. Foi preciso um contragolpe preventivo para garantir o respeito à Constituição. Com seu sucessor, Jânio Quadros, os conservadores acharam que tinham final- mente chegado ao poder. Estavam enganados. Jânio renunciaria em menos de oito 1946-1964 1964-1985 1985-1989 1990-2007 Hiato democrático Ditadura militar Transição Democracia democrática Figueiredo FHC e Lula Sarney 3 | R EV ISTA É PO C A | FA SCÍC U L O I
  28. Passeata nos O TESTE DO anos 70, quando COLLORGATE segmentos da sociedade Depois da redemocratização, começaram a partir de 1985, o regime sofreu a se manifestar uma grande ameaça em 1992, contra a ditadura com o Collorgate – o processo que culminou com o afastamento do presidente, assim chamado em referência ao Watergate, que ARQUIVO AGÊNCIA O GLOBO levou à renúncia do presidente Richard Nixon, dos EUA, em 1974. O Collorgate não teve a drama- ticidade do suicídio de Getúlio, em 1954. Nem a ação cinema- tográfica do golpe preventivo de 1955, que incluiu a fuga dos protagonistas num navio que meses, em agosto de 1961, acreditando, provavelmente, que seria chamado de volta, zarpou do Rio. Tampouco o des- com mais poderes. Também estava enganado. dobramento da crise da posse de O episódio da posse de João Goulart, vice de Jânio, representou séria ameaça à Jango, em 1961. Mas, no Brasil continuidade democrática. Os ministros militares não o aceitavam, e a crise só foi contemporâneo, foi o grande contornada com um remendo parlamentarista que tolhia os movimentos de Jango. teste da democracia. Um plebiscito em 1963 restabeleceu o presidencialismo, mas àquela altura o golpe de Itamar Franco, vice de Collor, enfrentava alguma resistência de 1964 já estava praticamente em curso. setores identificados com o então Os militares ficaram pouco mais de 20 anos no poder, até 1985, quando, após a PFL do senador Antônio Carlos derrota do movimento Diretas Já, o Colégio Eleitoral elegeu Tancredo Neves, civil Magalhães. Dizia-se que ele não e de oposição. Tecnicamente, a ditadura militar ficara para trás. Tancredo morreu tinha representatividade, uma antes da posse e quem acabou assumindo foi seu vice, José Sarney, um político vez que não fora eleito. Tratava- que fizera carreira no partido governista durante a ditadura. De qualquer maneira, se de um raciocínio golpista, que Sarney levou a transição política até o fim. não levava em conta a própria Constituição. Desde meados de A primeira eleição direta depois dos militares se deu em 1989, com a vitória de 1992, à medida que o afastamen- Fernando Collor. É a partir daí que a democracia medra de verdade. O primeiro gran- to de Collor se tornava uma pro- de teste veio com o processo de impeachment em 1992. Estudantes caras-pintadas babilidade cada vez maior, Itamar saíram às ruas para protestar. O presidente foi afastado, e a democracia saiu ilesa, trabalhou para neutralizar tal com a posse do vice, Itamar Franco, como manda a Constituição. resistência. Chegou a defender Tudo somado, noves fora os intervalos em que esteve sob perigo iminente, a uma “união nacional em torno da democracia brasileira tem a idade de muitos candidatos ao vestibular deste ano. legalidade” e senadores armaram um “cinturão do Itamar” para Não é pouco. Mas não é muito também. É por ser tão jovem que ela ainda não tem garantir a transição. Com sua regras estáveis. Veja-se, a propósito, a duração do mandato presidencial. Sarney posse, venceu a democracia. assumiu com quatro anos e acabou ficando cinco. Fernando Henrique Cardoso conseguiu mudar a regra no meio do jogo e arrancou do Congresso a possibilida- de de reeleição. Agora, fala-se novamente em cinco anos, sem reeleição. Fala-se também em terceiro mandato, mas sobre isso Lula disse que é “uma provocação à democracia”. Convém anotar a frase – just in case, como dizem os ingleses, um povo acostumado às práticas democráticas. O “fora, Lula” não é antidemocrático. Da mesma maneira que não o era o “fora, FHC”. É SÉRGIO DUTTI / EDITORA GLOBO FHC, apenas o exercício do direito de espernear. Como diria o poeta concretista: “Viva a vaia”. em cujo mandato se permitiu a reeleição OSCAR PILAGALLO, jornalista, é autor PILAGALLO de A História do Brasil no Século 20 (em cinco volumes, pela Publifolha) 4 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007
  29. Política na tela A história do Brasil não se encontra apenas nos livros; a resposta e o comentário da questão inédita estão no próximo fascículo Cena de O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, ambientado durante a repressão Batismo de Sangue e O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, filmes recentes, retratam um tema que a his- tória oficial parece querer esquecer. Enquanto na Argentina o Estado se encarrega de fazer o país reencon- DIVULGAÇÃO trar-se, por meio de investigações e punições àqueles que cometeram atrocidades, aqui o cinema é que cumpre esse papel. B) do Estado Novo (1937 a 1945) e abor- D) da grande crise econômica vivida Os filmes citados tratam: dam a violenta perseguição ao Partido pelos países latino-americanos na A) das ditaduras sul-americanas, Comunista Brasileiro e a seus membros. década de 80 do século passado, como as da Argentina, do Brasil e do C) da ditadura militar no Brasil (1964 conhecida como a “década perdida”. Uruguai, e da violenta repressão polí- a 1985 ou, para alguns autores, 1989) E) dos problemas da juventude brasi- tica praticada por elas, inclusive com e enfocam questões como repressão, leira no século XXI, sem perspectivas, ações conjuntas. tortura e resistência armada. sem sonhos ou utopias para buscar. RESPOSTA DA QUESTÃO INÉDITA DO FASCÍCULO I PPPs, investimentos sem gasto orçamentário A pergunta inédita do primeiro fas- a melhor proposta ganha o direito de próprio. Outros defendem a construção de cículo foi sobre as Parcerias Público- construí-la, investindo seu próprio capi- um sistema de fiscalização para evitar que Privadas. As PPPs são uma alternativa tal, e, depois de pronta, passará a rece- tentativas de redução de custos coloquem para o governo aumentar os investimen- ber as tarifas dos usuários ou um valor em risco a obra. Esse modelo já foi usado tos em infra-estrutura sem aumentar os estabelecido pelo governo. em países como Inglaterra, Espanha, gastos orçamentários. Elas podem ocor- Alguns partidos políticos questionam Portugal, Irlanda e África do Sul. rer nas várias esferas de governo. essas parcerias, mostrando algumas Gabarito: alternativa A. (Sobre as O governo oferece uma concessão distorções, tais como o financiamento PPPs é correto afirmar que são uma alter- ou solicita a execução de uma obra público, via BNDES, para a execução da nativa que o governo encontrou para atrair ao setor privado. Uma estrada, por obra. Assim, o espírito da idéia seria viola- investimentos privados para as obras de exemplo. A empresa que apresentar do, pois o capitalista não injetaria capital infra-estrutura necessárias ao país.)
  30. QUESTÕES RESPONDIDAS Ditadura, cidadania e tropicalismo Perguntas feitas em quatro vestibulares cobrem vários aspectos da história contemporânea do Brasil a partir do governo civil derrubado pelo golpe militar de 1964 1ª questão do Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna. lhe é perguntado na oração principal. Quanto ao conteúdo da questão, ajuda Embora a tendência a um contínuo D) o discurso a favor das ligas campo- muito localizar no tempo os eventos fechamento político já estivesse pre- nesas e da reforma agrária feito por mencionados nas alternativas. A mar- sente nas ações governamentais desde Francisco Julião na Central do Brasil, cha e o discurso de Julião ocorreram o golpe militar de 1964, que aconte- no Rio de Janeiro. em 1964. O seqüestro data de 1969. cimento foi usado como argumento E) o seqüestro do embaixador norte- Sabendo isso, você já elimina três alter- legitimador para a adoção do Ato americano por grupos de militantes que nativas. Para descobrir qual das duas Institucional Nº 5, em 1968: participavam da esquerda armada. restantes é a correta seria necessário A) o discurso do deputado Márcio Ufam – 2006 (questão 45 da prova de História) ter conhecimento de que o AI-5, símbolo Moreira Alves no Congresso Nacional, dos “anos de chumbo” da ditadura, teve criticando o Regime Militar. COMENTÁRIO um pretexto: a negativa da Câmara dos B) a marcha da “Família com Deus Observe que o enunciado inicia-se com Deputados em conceder autorização Pela Liberdade”, que reuniu milhares a conjunção subordinativa “embora”. para que o governo processasse um de pessoas em São Paulo. Atenção: isso é apenas um comentário, deputado oposicionista por um discurso C) a realização, na clandestinidade, que não interferirá decisivamente no que considerado ofensivo pelos militares. 2ª questão os direitos sociais e políticos não foram garantidos na Constituição promulgada cientes para eliminar as desigualdades. Nesses países, portanto, é importante a A palavra cidadania assumiu vários em 1988. A lei apresenta-se ainda omis- atuação das ONGs (Organizações Não- significados através da História. Na Grécia sa em relação aos direitos humanos, Governamentais). Antiga, a palavra designava o direito de os das crianças e das mulheres. 4 4 – o movimento pela cidadania no homens livres decidirem os destinos da 1 1 – cidadão é aquele que tem consciên- Brasil desenvolveu-se durante os anos de cidade. Atualmente, esse direito foi esten- cia de seus direitos e deveres e participa 1980, com os processos de abertura polí- dido a todos os homens e mulheres e, de todas as questões colocadas pela tica e reivindicações de direitos humanos. ainda mais, tornou-se uma condição para sociedade. É um indivíduo que se orienta Um dos principais articuladores dessa luta a democracia. Analise as afirmações segundo valores universais e, conseqüen- foi o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. abaixo sobre o conceito de cidadania: temente, defende os direitos humanos, Ufal – 2002 (questão 27 da prova de Estudos Sociais) 0 0 – no Brasil, a cidadania é, ainda, um sociais e políticos para todos. projeto jurídico e uma luta política, porque 2 2 – nos países democráticos, pelo seu COMENTÁRIO CEDOC caráter liberal, o Estado não é respon- Esse tipo de enunciado apresenta uma sável por realizar políticas públicas de visão histórica sobre determinado assunto. direitos humanos e sociais. Essas ações Na maioria desses casos, as alternativas ficam a cargo da iniciativa privada e dos podem reafirmar, ampliar ou mesmo negar movimentos sociais. o enunciado. É a partir dessas relações 3 3 – em países pobres e emergentes, a que você saberá se a assertiva é falsa ou política de promoção da igualdade tem verdadeira. Uma leitura atenta acaba por se mostrado muito frágil. Os recursos indicar a resposta correta. Repare, por para saúde, educação, moradia, emprego, exemplo, que as alternativas 0 0 e 2 2 meio ambiente saudável não são sufi- negam o que é dito no enunciado. 6 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007
  31. 3ª questão Jango sorve o chimarrão; A) programa de reformas de João Goulart. B) reforma constitucionalista. As reformas de base eram um con- ele tentou C) milagre brasileiro. junto de medidas que previam grandes implementar D) Plano Salte. mudanças nas áreas administrativa, fiscal, as reformas E) Plano de Metas. eleitoral, tributária, educacional e agrária. de base Cesama (AL) – 2007/2 (questão 47 da prova de Conhecimentos Gerais) Entre as medidas defendidas pelo presi- dente estavam a reforma agrária, o direito COMENTÁRIO de voto aos analfabetos e aos militares Enunciados como esse fornecem muitas de baixa patente, a nacionalização das informações, o que facilita a recuperação empresas concessionárias de serviços do que você sabe sobre o assunto. Quanto públicos e o imposto progressivo. Tratava- ao conteúdo, as reformas de base come- se de um instrumento com o qual o gover- çaram a ser discutidas ainda no governo no buscava unir todas as forças paulistas JK, mas viraram plataforma política mobilizadas e fazer crer à opinião pública apenas no governo de Jango. As reformas CPDOC/Fundação Getúlio Vargas a necessidade de mudanças institucionais agrária e urbana eram as principais metas, na ordem política, social e econômica, mas encontravam resistências dos con- como condição ao desenvolvimento nacio- servadores. O impasse em torno das refor- nal. Este texto está relacionado com o mas levou a uma radicalização política, período conhecido como: que desembocou no golpe militar de 1964. 4ª questão plano secundário a qualidade estética de suas canções. o moralismo vigente, à esquerda e à direi- ta, com os experimentalismos radicais em D) para o tropicalismo as transforma- relação a drogas, sexualidade e estética. A “Caminhando contra o vento / Sem ções sociais precedem as mudanças música, com Caetano, Gilberto Gil e Tom lenço sem documento / No sol de ocorridas no plano subjetivo. Zé, foi a maior vitrine, mas não podemos quase dezembro / Eu vou / [...] Por E) a letra da canção enfatiza temas esquecer do teatro, com o Grupo Oficina, entre fotos e nomes / Sem livro e sem fuzil / Sem fome sem telefone sociais e revela o engajamento do autor o cinema, com Gláuber Rocha, e as artes / No coração do Brasil / Ela nem na resistência política armada. plásticas, com Hélio Oiticica. sabe até pensei / Em cantar na UEL – 2004 (questão 38 da prova de televisão / O sol é tão bonito / Eu História) vou / Sem lenço sem documento ILUSTRAÇÃO: AKE ASTBURY / Nada no bolso ou nas mãos / Eu COMENTÁRIO quero seguir vivendo amor.” Diferentemente das (Caetano Veloso, música “Alegria Alegria”) questões que apresentam letras de músicas ou poe- Com base na letra da canção mas que pouco interferem e nos conhecimentos sobre o na resposta, esse trecho dá tropicalismo, é correto afirmar: várias dicas sobre a alter- A) ao criticar a sociedade por meio da nativa correta. Repare nas construção poética, a canção questiona metáforas “contra o vento”, determinada concepção de esquerda dos “sem lenço sem documen- anos 1960. to”, “sem livro e sem fuzil”. B) a letra da canção mostra que os tropi- A tropicália significou uma calistas usavam a arte como instrumento ruptura estética e também para a tomada do poder. político-ideológica com o C) ao valorizar a aproximação com a nacionalismo da esquerda mídia os tropicalistas colocaram num ortodoxa de então. Desafiou GABARITO 1 (A); 2(Falso, Verdadeiro, Falso, Verdadeiro, Verdadeiro); 3(A); 4(A) 11 de junho de 2007 I r e v i s ta é p o c a I 7
  32. Vote no tema do 11º fascículo deste guia Basta entrar no site da revista e escolher um dos quatro temas propostos pelos professores O 11º fascículo do Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é uma espécie de faixa-bônus. Mas, ao contrário do que ocorre com os CDs, no fascículo a escolha do conteúdo ficará a critério dos estudantes que vota- rem no site www.epoca.com.br. Esse fascículo extra terá a estrutura dos dez primeiros que estão sendo encartados gratuitamente na revista semanal. Ou seja, haverá questões comentadas, pinçadas de vestibulares já realizados. Inicie a prova Haverá também uma questão inédita. O assunto prin- pelas questões que considerar mais cipal será escolhido pelos estudantes, que poderão vo- fáceis. Dessa forma, tar em um dos quatro temas propostos. você garante melhor aproveitamento São eles: 1) Globalização e Organizações do tempo e os Multilaterais, 2) União Européia, 3) Biotecnologia e primeiros acertos, Células-Tronco e 4) Crime Organizado. O fascículo o que reforçará sua terá a mesma apresentação da edição impressa. Ilustração: AKE ASTBURY disposição para o prosseguimento do exame. Assim, aqueles que o desejarem, poderão fazer cópias da versão eletrônica. DIRETOR EXECUTIVO Juan Ocerin DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto DIRETORA DE MARKETING Yara Grottera DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br REDATOR-CHEFE David Cohen DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander DIRETOR DE ARTE Marcos Marques O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007 Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reserva- dos. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo. COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO) COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva (Prof. Toni) e Venerando Santiago de Oliveira COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti ILUSTRAÇÕES AKE Astbury REVISÃO Bel Ribeiro SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO) 8 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007
  33. 3 DE 10 A Urbanização, sim; partir do ano que vem, mais da meta- de dos 6,7 bilhões de habitantes do planeta favelização, não viverá nas cidades. A urba- nização, porém, é fenôme- no recente: até meados do século XIX, menos de 2% viviam em cidades. Foi só Só políticas públicas evitarão que, com a expansão no século passado que surgiram as megacidades. das megacidades, mais pessoas vivam precariamente A urbanização desordena- da multiplica as favelas, onde vive 1 bilhão de pes- Vila Brasilândia, na zona soas. O desafio é fazer com norte de São Paulo; as favelas que a pujança econômica resultam do crescimento diminua, e não aumente, o desordenado das cidades problema. Como mostra- mos neste fascículo, isso só será possível com a ado- ção de políticas que dêem prioridade a serviços públicos nas áreas necessitadas. NESTA EDIÇÃO MAURILO CLARETO O crescimento demográfico vertical PÁG. 4 Teste: o que são redes da globalização PÁG. 5 4 questões sobre aspectos das metrópoles PÁGs. 6 e 7 > História > Geografia
  34. entenda o assunto a urbanização pode ser irreversível, não a favelização Megacidades continuarão crescendo Pedestres em São Paulo; no mundo todo; só a metrópole o planejamento do caminha para se tornar uma Estado evitará que hipercidade mais pessoas vivam em condições precárias POR SINVAL NEVES SANTOS IVAN CARNEIRO A o que tudo indica, a urbanização é um processo irreversível na trajetória da humanidade. Entenda-se por urbanização o crescimento da população REPRODUÇÃO urbana em ritmo mais acelerado que o da população rural. A partir de 2008, mais da metade dos atuais 6,7 bilhões de habitantes do planeta viverá nas cidades. Além disso, a expectativa é que, ao longo dos próximos 30 anos, a população urbana africana e asiática dobre, acrescentando 1,7 bilhão de pes- Alguns sites são recomendá- soas ao meio urbano — mais que as populações da China e dos Estados Unidos veis para aqueles que quiserem juntas. Essas são projeções do relatório Situação da População Mundial 2007: se aprofundar em temas ligados Desencadeando o Potencial do Crescimento Urbano, publicado pelo Fundo de à urbanização. A seguir, três População das Nações Unidas (UNFPA). deles que podem ser consulta- Cada vez mais os espaços urbanos vêm representando o lugar das principais dos: http://www.unfpa.org.br/ realizações e frustrações da humanidade. Porém, a urbanização é um fenômeno (Fundo de População das Nações relativamente recente – até meados do século XIX, menos de 2% da população Unidas); http://www.unhabitat. mundial vivia em cidades. Trata-se também de um processo que ocorre de org/ (Programa das Nações forma bastante desigual, tanto no tempo quanto no espaço terrestre. Unidas para os Estabelecimentos Na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, a última meta- Humanos); e http://www.ibge. de do século XIX representou o período de acelerada urbaniza- gov.br (Instituto brasileiro de A urbanização ção, enquanto nos países subdesenvolvidos o fenômeno só se Geografia e Estatística). é fenômeno intensificou após a Segunda Guerra Mundial. A principal causa recente: no desse processo foi a transferência para a cidade de populações século XIX, 2% rurais, induzidas pelas precárias condições no campo e pelas da população oportunidades oferecidas pelos empregos na indústria, no vivia em comércio e nos serviços. Contudo, o relatório do UNFPA ressalta cidades que, atualmente, a maior parte do crescimento da população urbana resulta do crescimento vegetativo, e não da migração. 2 i r e v i s ta é p o c a i 1 1 d e j u n h o d 2 2| 0 0 7e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o i i i e r
  35. Para as próximas décadas, a urbanização nos países desenvolvidos e na América Latina – regiões que possuem São Paulo atualmente taxas de população urbana superior a 75% deverá se – apresentará ritmos de crescimento bastante modestos, tornar uma enquanto o crescimento vertiginoso ocorrerá na Ásia e na hipercidade em África. Essas são as estimativas do Programa das Nações 2020, com mais Unidas para os Estabelecimentos Humanos (UN-Habitat), de 20 milhões divulgadas no Relatório sobre o Estado das Cidades do Gráfico 3 de habitantes Mundo 2006/2007. Ao longo do século XX, sobretudo em sua segunda metade, o processo de urbanização foi acom- população 7,58 Fonte: ONU, National Geographic, maio 2007 panhado do surgimento de imensas aglomerações urbanas, as megacidades, mundial População bilhões metrópoles densamente povoadas, com mais de 10 milhões de habitantes. Hoje, mundial 6,60 pelo menos 10% da população mundial vive nesses espaços. Atualmente, já se total total bilhões utiliza o conceito de metacidades ou hipercidades para centros urbanos com mais 2008 5,28 de 20 milhões de habitantes; em meados dos anos 1960, Tóquio se converteu na bilhões Previsão de que a população urbana primeira delas. Para 2020, prevê-se que Mumbai, Délhi, Daca e Jacarta (Ásia), superará a rural Cidade do México, Nova York e São Paulo (América) e Lagos (África) também atinjam o status de metacidade. Rural Assim, considerar os processos de urbanização e de multiplicação das cidades tornou-se imprescindível para a compreensão da humanidade e de seu espaço. Urbana Para analisarmos o funcionamento do meio geográfico atual, marcado pelo processo de globalização, precisamos atentar para o papel das cidades globais, aquelas que possuem instrumentos de comando da economia e da sociedade em Projeção escala global. Nova York, Los Angeles, Londres e Paris são bons exemplos de cida- Favelas 1990 1995 2000 2005 2010 2015 2020 des que exercem um papel de comando e regulação sobre as outras cidades e o Fontes: ONU, in National Geographic, maio 2007 resto do mundo; enquanto São Paulo, Cidade do México e Johannesburgo podem ilustrar um segundo nível de cidades globais, por influenciarem áreas menores e mais delimitadas do planeta. É nas cidades globais que encontramos as maiores concentrações de objetos e sistemas técnicos (edificações, redes de hotelaria, sistemas de transporte, redes de telecomunicações etc.). Isso permite que elas centralizem informações e serviços globais. A instalação de tais objetos nos territórios dessas cidades atrai sedes de grandes empresas, importantes centros financeiros, centrais de grupos de mídia e outros núcleos de decisão que possuem a capacidade de con- CresCimento da população urbana nas maiores Cidades do mundo – 1950-2020 40.000 35.000 30.000 25.000 1900 (População em milhares) 20.000 15.000 2005 10.000 lustrações: AKE ASTbURY / Fonte: ONU 2015 5.000 2020 0 rk io s ris i ico lo i ca s ba lh re go qu au Yo Da Dé Pa éx um nd La oP Tó va M Lo M No Sã 3 | r ev ista é po c a | fa scíc u l o i i i
  36. 180º 120º 60º 0º 60º 120º 180º 90º 60º taXa mÉdia anual de menos de 0 de 2 a 3 CresCimento de 0 a 1 mais de 3 30º da população de 1 a 2 sem dados (%) – 2002 Fontes: World Population 2002. World Population prospects: the 2002 revision (wall chart). New York: 0º United Nations. Population Division. Department of Economy and Social Affairs, 2003. Disponível em: <http://www.un.org/esa/population/publications/ wpp2002/POP-R2002-DATA_Web.xls>. Acesso em: fev. 2004. 30º Ilustração: AKE ASTbURY 60º o CresCimento Escala 1:200.000.000 1000 0 2000 km VeGetatiVo por andré Guibur 90º PROJEÇÃO DE ROBINSON trolar a dinâmica e a intensidade dos fluxos (financeiros, culturais, de informa- O crescimento vegetativo ou ção, de pessoas etc.); estes, por sua vez, promovem uma crescente integração entre natural da população, também cha- mado de movimento demográfico incontáveis lugares do globo. vertical, corresponde à diferença Por outro lado, a aceleração da urbanização, sobretudo nos países periféricos, veio entre a taxa de natalidade e a taxa acompanhada de crescimento urbano desordenado, ocasio- de mortalidade num certo período. nando inúmeros problemas socioambientais, como a multi- Pode ser positivo, quando o número Planejamento plicação de bairros com infra-estrutura deficiente, habitações de nascimentos é maior, ou negati- situadas em áreas de risco e alterações nos sistemas naturais. vo, se a mortalidade for maior. Esse é necessário para que o Claro que essas áreas menos valorizadas são ocupadas pelas número varia muito de um país para outro em função das desigualdades crescimento populações de baixa renda, por isso se afirma que esse tipo socioeconômicas e também oscilou das cidades de expansão urbana reflete uma organização do espaço que bastante ao longo da História. não leve à produz e acentua desigualdades econômicas e sociais. O fenô- Desde as últimas décadas do favelização meno da favelização é uma das principais evidências territoriais século XX, o ritmo de crescimento desse processo. da população mundial vem dimi- Favela, na definição usada pela ONU, são áreas urbanas em nuindo. Entre 1970 e 2000, a taxa que a maioria dos residentes vive aglomerada em habitações ilegais desprovidas de de crescimento populacional caiu de 2,1% para 1,6% ao ano. No entanto, água tratada e saneamento. Atualmente, a Terra conta com perto de 1 bilhão de seres há uma grande diferença entre as humanos amontoados em favelas, encontradas em todos os quadrantes do globo. E taxas dos países desenvolvidos, abai- o ritmo se acelera! A previsão é que esse tipo de submoradia terá 1,4 bilhão de habi- xo de 1%, e as taxas observadas em tantes em 2020, já que as populações das favelas vêm aumentando em 2,2% ao ano; algumas regiões subdesenvolvidas, a situação é pior na África negra, onde a taxa de crescimento anual supera os 4,5%, superiores a 2% ao ano. Enquanto segundo as projeções do Relatório sobre o Estado das Cidades do Mundo. alguns países europeus, como Itália Especialistas que elaboraram esse estudo ressaltam que “o crescimento econômico e Alemanha, implantam campa- nhas de estímulo à natalidade, a não leva automaticamente à assimilação das favelas”. Assim, podemos concluir que fim de evitar a redução populacio- um dos principais desafios de nosso tempo é criar formas para que a intensificação da nal, o governo indiano tenta dimi- globalização não acentue as diferenças socioterritoriais, que já são assustadoras. Ou, nuir o rápido crescimento de sua de forma mais otimista, o desafio está em fazer com que a pujança dos crescentes flu- população, acima dos 2,5% ao ano. xos econômicos se reverta na diminuição dessas diferenças. Tarefa que só se tornará Na maioria dos países africanos, possível a partir de uma efetiva participação do Estado no planejamento urbano. Para as taxas de crescimento vegetativo tal, o poder público deve adotar políticas territoriais adequadas, priorizando a instala- são elevadas, sobretudo na chama- da África negra, ou África subsaa- ção de equipamentos urbanos públicos (como redes de abastecimento e saneamen- riana, que inclui os países africanos to, redes de transporte, redes de eletrificação e telefonia, postos de saúde e situados ao sul do Deserto do Saara. hospitais, escolas e universidades) nas áreas mais necessitadas das cidades. Essa região, cada vez mais populo- sa, apresenta as piores condições SINVAL NEVES SANTOS, mestre de vida do planeta. em Geografia Humana pela USP, André Guibur é professor de Geografia na é professor da rede privada de ensino rede privada e em cursos pré-vestibulares e de cursos pré-vestibulares 4 i r e v i s ta é p o c a i 1 1 d e j u n h o d 4 2| 0 0 7e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o i i i e r
  37. redes da globalização O teste abaixo é baseado numa obra de Milton Santos; a resposta e os comentários podem ser checados no próximo capítulo do à sofisticação de seus sistemas globais representam os principais “As redes são a condição da glo- financeiros e dos serviços de centros de comando, devido ao balização (...). Sua qualidade e quantidade distinguem as regiões e telecomunicações. contingente populacional superar lugares, assegurando aos mais bem b) apesar de não se encontrarem os 10 milhões de habitantes. dotados uma posição relevante e perfeitamente distribuídas no espa- deixando aos demais uma condição ço geográfico, permitem a todas as subordinada. São os nós das redes pessoas residentes em uma megaci- que presidem e vigiam as atividades dade se beneficiar com o fenômeno mais características deste nosso da globalização. mundo globalizado.” Milton Santos, O País Distorcido: o Brasil, a Globalização C) possuem uma distribuição hete- e a Cidadania (Publifolha: São Paulo, 2002) rogênea, sendo que as megacidades representam os principais nós des- sas redes, devido à concentração O fragmento acima faz referências a de fluxos financeiros, culturais redes formadas por sistemas técnicos e de pessoas. que permitem a interligação entre D) possuem densidade desigual, inúmeros pontos do globo. A respeito sendo que as cidades globais repre- da distribuição geográfica de tais sentam os principais nós dessas redes, podemos afirmar que: redes, devido à concentração de A) encontram-se distribuídas de objetos e sistemas técnicos implan- MARCOS ISSA/AGÊNCIA O GLObO forma homogênea, sendo que as tados em seus territórios. Milton cidades globais representam seus E) Apresentam uma distribuição Santos, principais pólos de comando, devi- equilibrada, sendo que as cidades autor de O País Distorcido resposta da questÃo inédita do fascículo ii sangue e férias sob a ditadura militar O primeiro filme (batismo de de férias, na verdade um eufemismo Sangue) toma por base o belo livro para esconder a necessidade de de mesmo nome, de autoria de Frei fuga da repressão. O avô do garoto betto, que retrata o envolvimento de morre, e este passa a viver com um Caio frades dominicanos na luta contra vizinho, aguardando ansiosamente a Blat em a ditadura militar e a perseguição, volta dos pais. Batismo de com prisões, torturas e mortes, que Gabarito: alternativa C. [Da Sangue se abateu sobre o grupo. ditadura militar no brasil – 1964 a Já o segundo filme (O Ano em Que 1985 (para alguns autores, 1989) e DIVIULGAÇÃO Meus Pais Saíram de Férias) toma enfocam questões como repressão, por base a história de uma criança, tortura e resistência armada.] em belo Horizonte, no início dos anos 70, que é obrigada a viver com o avô para que os pais possam sair 5 | r ev ista é po c a | fa scíc u l o i i i
  38. questões respondidas aspectos das metrópoles Os grandes aglomerados humanos, independentemente de estarem em países ricos ou pobres, apresentam alguns problemas comuns 1ª questão cidos pela expansão do capital financeiro na economia. Essa questão exige do candidato a identificação dos motivos que levaram à A urbanização dos países subdesenvol- D) inovação tecnológica e do aumento da urbanização dos países latino-america- vidos constitui um fenômeno marcante da produtividade das indústrias de bens de nos. A urbanização teve como principal segunda metade do século XX. As carac- consumo, para suprirem as necessidades causa o êxodo rural, que, por sua vez, terísticas desse fenômeno, na América da vida urbana. está ligado ao excedente de mão-de-obra Latina, expressas na paisagem urbana E) implementação de parque industrial e do campo. Esses são reflexos da diminui- das metrópoles, são decorrentes da: da regulação, por meio do planejamento ção dos empregos devido à mecanização A) instalação de indústrias de bens de pro- governamental, de deslocamentos popu- agrícola, além de problemas estruturais dução nos arredores das pequenas cidades lacionais para as cidades. do espaço rural em países subdesenvol- e próximas às fontes de matéria-prima. UFG, 2006 (questão 56) vidos, como concentração e subapro- b) industrialização tardia e da modernização veitamento de terras. Por outro lado, o das atividades agrícolas, conjugadas à con- COMENTÁRIO desenvolvimento da indústria, sobretudo centração de pessoas nas grandes cidades. Enunciado clássico: objetivo, direto. nas cidades mais populosas, representou C) aglomeração humana e do aumento Nada para confundir, mas nada para ajudar um fator de atração urbana para os cam- do poder aquisitivo da população, favore- também: não há nenhuma espécie de dica. poneses emigrantes. 2ª questão I. embora, atualmente, com ritmos diferentes de crescimento, muitas COMENTÁRIO A questão apresenta a resposta Os cenários metropolitanos em das metrópoles dos países capitalis- na apreciação atenta das imagens. todo o Globo têm muitos aspectos tas ricos e pobres apresentam pro- Observe que o enunciado se inicia em comum: grande concentração blemas ligados à pobreza e margina- com uma afirmação positiva sobre de pessoas, um ou mais centros lização de parte de seus habitantes. o assunto, mas a expressão “no de negócios onde a vida econômi- II. as questões ligadas à violência entanto” indica que tais aspectos ca pulsa com intensidade, variada e ao desemprego fazem parte do positivos não eliminam os negativos, atividade cultural, etc. No entanto, cotidiano das megacidades subde- que estão denunciados nas imagens. observe as figuras e leia as afirma- senvolvidas, mas não existem nos Nas fotos, fica enfatizado que nos ções a seguir. países ricos. grandes centros urbanos encontra- REPRODUÇÃO (Demétrio Magnoli e Regina Araújo. Projeto de Ensino de III. as subabitações representam a mos graves problemas sociais – tais Geografia. São Paulo: Moderna, 2000, p. 154-5) mais antiga solução para o problema como submoradias e desemprego de moradia e, de modo geral, estão – coexistindo com o dinamismo eco- situadas em áreas decadentes, nas nômico citado no enunciado. proximidades do centro das cidades. A observação da foto número 2 Está correto SOMENTE o que – tirada em Nova York – evidencia se afirma em: que tais problemas não são uma A) I b) II C) III exclusividade dos países D) I e II E) I e III subdesenvolvidos. Puccamp, 2005 (questão 45) Marlman Point, em Mumbai (Índia) Sem-teto em Nova York (EUA)  i r e v i s ta é p o c a i 1 1 d e j u n h o d 6 2| 0 0 7e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o i i i e r
  39. 3ª questão enxuto com alternativas parcialmente incorretas. A prova limitou-se a cobrar países subdesenvolvidos. As favelas se caracterizam por áreas urbanas em que No Brasil, as favelas, embora loca- uma definição coerente para favela. Essa os residentes vivem apinhados em habi- lizadas em sítios diferenciados, apre- forma de submoradia é um dos reflexos tações ilegais – construídas em terrenos sentam como característica comum: mais visíveis do crescimento desorde- de outros – e desprovidas de condições A) o seu caráter periférico, ocupando nado das cidades, muito comum em mínimas de saneamento e qualidade sempre os limites da mancha urbana. b) o fato de serem uma ocorrência Favela de Vila essencialmente ligada às grandes Brasilândia, em áreas metropolitanas do Sudeste São Paulo e do Nordeste. C) as habitações de baixo custo, cons- truídas em terrenos de posse definitiva, localizados em loteamentos organi- zados e destinados às populações de baixa renda. D) a ausência de preocupação com o meio ambiente urbano em razão da natureza desordenada da ocupação, realizada em terrenos públicos ou de terceiros. E) o fato de estarem estruturalmen- te associadas a bairros tradicionais degradados, com reutilização intensi- va de velhos casarões mantidos pela especulação imobiliária. Fuvest, 1995 (questão 71) COMENTÁRIO MAURILO CLARETO Essa questão pode pegar muitos candidatos, pois associa um enunciado 4ª questão vesse um modo de vida urbano para além dos limites territoriais da dica no enunciado. Para resolvê-la, é necessário conhecer a dinâmica Considere as seguintes afirmações cidade. atual do processo de urbanização. sobre o processo de urbanização V. de modo geral, o processo em Sabemos que o fenômeno, inten- mundial no século XX: vigor nos países subdesenvolvidos sificado após a Segunda Guerra I. o fenômeno ainda se encontra possibilita à população pobre consu- Mundial, já se disseminou pelo pla- localizado nos países do Norte e na mir os benefícios da urbanização. neta, sendo que, atualmente, África América Latina. Dentre essas afirmações estão e Ásia são os continentes onde o II. o ritmo de crescimento é cada vez corretas apenas: processo ocorre de forma mais mais acelerado, sobretudo a partir A) III, IV e V. b) II, III e IV. acelerada. Além disso, as redes e os das décadas de 60/70. C) I, IV e V. D) I, II e V. sistemas técnicos atuais, junto com III. o processo foi responsável pelo E) I, II e III. a grande interdependência econô- desenvolvimento de várias metrópo- Fatec, 1999 mica campo-cidade, permitem que les modernas no mundo. influências do estilo de vida urbana IV. a expansão do processo criou COMENTÁRIO incidam cada vez mais no espaço condições para que se desenvol- Mais uma questão que não oferece rural. GAbARITO: 1 (b), 2 (E), 3 (D), 4 (b) 7 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o 1 1 i ie j u n h o d e 2 0 0 7 i r e v i s ta é p o c a i  i d
  40. o próximo fascículo tratará da geração de energia O assunto do 11º número será escolhido pelos leitores, que podem votar no site da revista O fascículo da semana que vem vai tratar da questão da geração de energia no mundo. Com o esgotamento dos combustíveis a partir de material fóssil, como o petróleo, o brasil credencia-se a assumir um papel de destaque com a produção de energia a partir de fontes renováveis, como o álcool da cana-de-açúcar. Não se assuste Quanto ao tema do 11º fascículo do Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades, com o tamanho dos continua aberta a votação. Você ainda pode votar acessando textos que precedem algumas questões. Leia o site da revista, www.epoca.com.br. primeiro o enunciado que vem depois deles Os assuntos em que os estudantes poderão votar são os seguintes: e procure identificar se há relação entre o que 1) Globalização e Organizações Multilaterais, 2) União Européia, é solicitado e os textos 3) Biotecnologia e Células-Tronco e 4) Crime Organizado. apresentados. O fascículo terá a mesma apresentação da edição impressa, inclusive com Ilustração: AKE ASTbURY questões comentadas de vestibulares já realizados e uma questão inédita. Quem quiser poderá fazer cópias da versão eletrônica. DIRETOR EXECUTIVO Juan Ocerin DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto DIRETORA DE MARKETING Yara Grottera DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br REDATOR-CHEFE David Cohen DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander DIRETOR DE ARTE Marcos Marques O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007 Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reserva- dos. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo. COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO) COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva (Prof. Toni) e Venerando Santiago de Oliveira COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti ILUSTRAÇÕES AKE Astbury REVISÃO bel Ribeiro SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO) 8 i r e v i s ta é p o c a i 11 de junho de 2007
  41. 4 DE 10 O Dendê contra o crescimento de um país está associado a uma maior deman- aquecimento global da por energia. Petróleo, gás natural e carvão ainda são as principais fontes de energia. Mas a ameaça de mudanças climáticas, como o aquecimento Clima e território dão vantagem comparativa ao Brasil global, força a busca por na corrida por fontes energéticas renováveis e menos alternativas com menor impacto ambiental. O xisto poluentes, como o fruto baiano da questão não é apenas um trocadilho – pode ser também uma solução. Como o dendê. Ou a ener- gia dos ventos e do sol. É fundamental o uso de fontes que emitam menos gases de efeito estufa. Nesta edição, abordamos a onda dos biocombustíveis e a retomada do projeto nuclear brasileiro. NESTA EDIÇÃO ERNESTO DE SOUZA O Brasil na liderança dos biocombustíveis PÁGs. 2 a 4 O hesitante projeto nuclear PÁG.3 Uma questão inédita sobre > Biologia o xisto PÁG. 5 Frutos do dendê, 1 | R EV ISTA cujo óleo é fonte É PO C A | FA SCÍC U L O I I > Química
  42. ENTENDA O ASSUNTO Os biocombustíveis e a liderança brasileira Maior produtor mundial de etanol e prestes a assumir a liderança no biodiesel, o Brasil pode se tornar protagonista entre os fornecedores de energia POR EMÍLIO GALHARDO FILHO DIESEL > Rudolf Diesel (1858-1913), engenheiro mecânico alemão, inventou um motor a partir da explosão de óleos, inclusive vegetal, quando misturados com o oxigênio purificado. Em 23 de fevereiro de 1897 registrou patente de seu invento, batizado posterior- Técnicos trabalham mente de motor diesel. em plataforma na MARCOS SERRA LIMA Bacia de Campos, no Rio; o petróleo ainda é uma das principais fontes de energia A demanda por energia teve expansão súbita a partir da Revolução Industrial iniciada no século XVIII. Primeiramente, utilizou-se o carvão mineral para aquecer a água que movimentava as máquinas a vapor. No fim do século XIX, teve início a produção de motores de combustão interna. Em vez de aquecer água numa caldeira e canalizar o vapor para dentro do motor, um combustível líquido é vaporizado e lançado dentro do motor, onde então explode, liberando energia. Esse combustível é um derivado do petróleo. Tanto o carvão quanto o petróleo originam-se da decomposição de material orgânico que se processa por milhões de anos, O biocombustível em ambientes aquáticos anaeróbicos. São os chamados tem origem combustíveis fósseis. em material Os dois principais tipos de motores, hoje, são os que uti- orgânico lizam a gasolina − semelhantes aos motores a álcool − e os recente; movidos a diesel. Tanto a gasolina quanto o diesel têm como é a chamada principais componentes compostos orgânicos que possuem REPRODUÇÃO biomassa apenas carbono e hidrogênio − os hidrocarbonetos. Ambos possuem compostos com nitrogênio e enxofre que, 2 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e 2|0 0R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O I V 2 7
  43. UM COMPONENTE DA GASOLINA As moléculas que formam a gasolina e o diesel possuem algo em comum: ambas são formadas por átomos de carbono e hidrogênio O PROJETO NUCLEAR. QUE UM COMPONENTE DO DIESEL PROJETO?! por Venerando S. de Oliveira A geração de energia elétrica mundial a partir de plantas nuclea- res cresceu muito, aproximando-se da obtida por hidrelétricas. Por terem tamanho reduzido e não emi- Ilustração: AKE ASTBURY tirem gases de efeito estufa, elas têm ganho destaque como alternativa energética aos combustíveis fósseis, apesar da questão do lixo radioativo. Três países sozinhos – França, Japão e Estados Unidos – respondem na combustão, produzem substâncias ácidas. Lançadas na por 60% da energia obtida dessa atmosfera, elas se precipitam como chuva ácida, uma forma forma. A França obtém quase 80% O Proálcool de poluição que causa grande preocupação. A combustão de sua energia elétrica de 56 plantas foi lançado em dentro dos motores nunca é completa, isto é, sempre falta nucleares espalhadas pelo país. 1975 visando um pouco de oxigênio, o que produz o monóxido de carbono No Brasil, país com alto potencial reduzir a (CO), substância tóxica que impede que nosso sangue hídrico, a implantação de usinas dependência nucleares constitui alternativa ener- transporte oxigênio. Finalmente, toda combustão de material gética questionável. Nosso programa do petróleo orgânico produz gás carbônico − o principal responsável pelo importado nuclear remonta à década de 50, aquecimento global. quando os primeiros maquinários Já os biocombustíveis têm origem em material orgâni- para enriquecer urânio começaram co produzido recentemente: a denominada biomassa. Para entender a dife- a ser importados da Alemanha. Sem rença entre um biocombustível e outro de origem fóssil, devemos lembrar projeto definido, não podíamos ficar do processo denominado fotossíntese. fora do seleto clube atômico que se formava. No início da década de 70, Todo alimento de nosso planeta é formado pelo processo (desencadeado em pleno governo militar, o progra- nas plantas, algas e certas bactérias) que transforma gás carbônico e água ma ganhou impulso. Um submarino em glicose e oxigênio. Como a fotossíntese retira gás carbônico do ar, cada nuclear, armas atômicas e usinas molécula de gás carbônico que introduzimos na atmosfera queimando bio- eram o sonho de consumo do topo diesel já foi retirada no processo fotossintético, o que o torna interessante da cadeia de comando, frustrado do ponto de vista ecológico. Além disso, as fontes dos biocombustíveis são posteriormente. As usinas de Angra os vegetais, que podem ser replantados indefinidamente, ao contrário dos começaram a sair do papel (e ainda não saíram totalmente). combustíveis fósseis. Como não se acumulam no ambiente, pois são degra- Com participação de 1,6% na dados por bactérias, dizemos que são biodegradáveis. matriz energética, custo astronômi- O desenvolvimento da indústria automobilística mundial − grande consu- co, tecnologia ultrapassada e sem midora de petróleo − tem início no século XX a partir dos Estados Unidos. Por plano de evacuação adequado para isso, são estadunidenses cinco das sete empresas que controlaram a produção, a usina e a população, usinas nuclea- o refino e a distribuição do petróleo mundial nesse século. Agindo juntas para res no Brasil para quê? Venerando S. de Oliveira é físico, educador defender seus interesses, foram apelidadas de “As Sete Irmãs”. Não causa e autor de material didático espanto, portanto, que combustíveis alternativos tenham sido esquecidos. O panorama muda drasticamente a partir de 1973, após o desfecho da guerra do Yom Kippur, quando a Opep decide aumentar o preço do barril de petróleo substancialmente. Inicia-se então um período de grandes elevações de preço, o que levou à busca de alternativas. Um dos desdobramentos disso é que, em 1975, lança-se no Brasil o Programa Nacional do Álcool 3 | R EV ISTA É PO C A | FA SCÍC U L O I V
  44. (Proálcool), visando diminuir a dependência de petróleo importado. O proces- ETANOL so para obter o etanol (ou álcool etílico) a partir da cana-de-açúcar tem início com a moagem, que produz caldo e bagaço. Após filtração, o caldo é evaporado para conseguir um material viscoso − o melaço. Nesse ponto temos a colabora- ção das leveduras, um fungo que transforma açúcar em álcool e gás carbônico. A mistura fermentada, chamada mosto, é então destilada, obtendo-se o álcool hidratado e um material pastoso denominado vinhoto. No início da produção de álcool ERNESTO DE SOUZA combustível, o vinhoto era lançado nos rios, com graves conseqüências ambientais. Hoje é utilizado como fertilizante e agregado à ração animal, já que é rico em minerais. O bagaço também tem utilidade, como combustível e em rações para o gado. Além de ser queimado puro, o etanol pode ser misturado à gasolina comum > O etanol brasileiro provém com dois efeitos muito benéficos. Como possui um átomo de oxigênio na da fermentação da cana-de- molécula, a combustão é mais completa, o que reduz a produção de monóxido açúcar, enquanto o estadu- de carbono. Como o etanol aumenta a eficiência da gasolina, substitui aditivos nidense provém do milho. O que são muito poluentes. rendimento do etanol, por hec- Quanto ao biodiesel, uma nova forma de produzi-lo foi patenteada no Brasil em tare, a partir do milho é cerca 1977, embora com pouca atenção governamental nas décadas seguintes. Com um de 20% daquele obtido da projeto lançado pelo governo em janeiro de 2005, porém, a produção de biodiesel cana. Usinas de açúcar e álcool passa a ser incentivada. Já neste ano teremos a adição de 2% de biodiesel ao diesel já utilizam o bagaço da cana, comum, e essa proporção deverá aumentar. Pode-se utilizar nessa produção óleo antes dispensado, para gerar de mamona, amendoim, buriti, pinhão-manso, coco, dendê ou gordura animal. calor e eletricidade suprindo Para produzir o biodiesel, reage-se óleo ou gordura com suas necessidades e gerando álcool etílico ou metílico. Ao final do processo, obtêm-se excedente, que é vendido. A produção biodiesel e glicerol. Esses componentes se separam em duas de biodiesel fases. Como o biodiesel é menos denso, flutua, e as fases passou a são facilmente separadas. ser incentivada Possuindo átomos de oxigênio em sua estrutura, o pelo governo biodiesel acrescenta o mesmo efeito benéfico do álcool brasileiro a quando adicionado à gasolina − torna a combustão mais partir de 2005 completa, diminuindo a emissão de monóxido de carbono. Em 2006, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou o início da produção do Hbio, o novo companheiro do álcool e do biodiesel no time dos combustíveis derivados de biomassa e, portanto, renovável. O processo de produção parte da adição de hidrogênio ao óleo vegetal dissolvido em diesel comum. O óleo transforma-se então em diesel, isto é, em moléculas com apenas átomos de carbono e hidro- REPRODUÇÃO gênio. Também se obtém o propano, utilizado como gás de cozinha. O enxofre que contamina normalmente o diesel é retirado e pode ser usado por diversas indústrias. Com isso, parte do diesel terá origem renovável, dimi- nui-se a concentração de poluentes que produzem chuva ácida e obtém-se Leia sobre a história do projeto enxofre como subproduto. A patente é “brasuca” e está nas mãos da Petrobras. nuclear brasileiro na revista ele- O Brasil detém hoje a dianteira na produção e utilização dos biocombustíveis. trônica ComCiência http://www. Mais uma janela de oportunidade que, aproveitada de forma competente, comciencia.br/reportagens/ colocará o país em posição de destaque no cenário mundial. Seremos nuclear/nuclear09.htm. competentes ou deixaremos escapá-la pelas mãos, como fizemos com a Sobre o mais grave acidente borracha no início do século XX? com uma usina nuclear, nos anos 80, o vídeo mostra a cidade fantasma de Chernobyl, Ucrânia EMÍLIO GALHARDO FILHO, formado http://www.youtube.com/ pela USP, é professor e autor nas watch?v=yisFP1z3tgA. áreas de química, ciência ambiental e experimental 4 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e 2|0 0 7 E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O I V 4 R
  45. Lixo e xisto, energia em dose dupla Vantagens e desvantagens de duas fontes alternativas; a resposta e o comentário estão no fascículo V Leia com atenção os textos a seguir: (carência de oxigênio) de fermentação renovável de energia. A) na década de 1950, a Petrobras que produz gás de lixo ou biogás. II. o biogás é um combustível desenvolveu o processo Petrosix, que Esse gás pode ser utilizado como renovável. permite obter óleos combustíveis a combustível e seu principal consti- III. os biodigestores podem auxiliar no partir do xisto betuminoso, um tipo tuinte é o metano (CH4). O resíduo problema de armazenamento do lixo. de rocha que guarda material orgâ- sólido da fossa é um excelente adubo IV. a combustão do biogás não nico formado há milhões de anos. e possui volume bem menor que o produz poluentes. Refinado, o xisto produz derivados dos resíduos originais. Estão corretas as afirmativas: semelhantes ao do petróleo, como Agora julgue cada afirmativa A) I e II B) I e III gasolina, diesel, óleo combustível quanto à correção: C) II e III D) II e IV e gás de botijão. O Brasil possui a I. o xisto betuminoso é uma fonte E) I e IV segunda maior reserva do mundo dessa rocha, porém o processo ainda é mais caro que as obtenções a partir do petróleo. B) dejetos orgânicos tão variados como restos de comida, partes de vegetais desprezados nas colheitas, resíduos de indústrias processadoras de alimentos ou mesmo excremen- to podem ser aproveitados quando Cilindro de gás acumulados em fossas fechadas − automotivo chamadas biodigestores. Esses deje- IVAN CARNEIRO tos sofrem um processo anaeróbico RESPOSTA DA QUESTÃO INÉDITA DO FASCÍCULO III As redes do mundo globalizado A questão, baseada num trecho sas redes) encontram-se nas cidades desenvolvidas, com poucos casos na do livro de Milton Santos sobre a globais, que concentram os objetos e América Latina e na África. globalização, referia-se às redes que sistemas técnicos necessários para a Gabarito: alternativa D. (Possuem viabilizam a interligação no mundo integração. Sabemos que as cidades densidade desigual, sendo que as cida- globalizado. Essas redes são, sobre- globais se localizam em maior quantida- des globais representam os principais tudo, sistemas de telecomunicações de nos países desenvolvidos (Estados nós dessas redes, devido à concen- e sistemas de transportes modernos. Unidos, Inglaterra, França, Japão) e em tração de objetos e sistemas técnicos Os principais terminais (ou nós des- menor densidade nas regiões menos implantados em seus territórios.) 5 | R EV ISTA É PO C A | FA SCÍC U L O I V
  46. QUESTÕES RESPONDIDAS O biodiesel pode promover inclusão social As questões nestas duas páginas, retiradas de vestibulares de quatro universidades, ajudam na avaliação sobre o conhecimento do uso de fontes de energia 1ª questão óleo diesel e também reduz a poluição ambiental, além de gerar alternativas apesar de longas, não interferem na resposta, esta, se lida com aten- O biodiesel é um combustível para outras atividades econômicas e, ção, indica a alternativa correta. derivado de fontes renováveis, assim, promover a inclusão social. O perigo de questões com esse que pode ser obtido por De acordo com o texto, pode-se formato é a demora da análise, mas diferentes processos, tais como o afirmar que o biodiesel é considera- é um perigo que pode compensar. craqueamento, a esterificação ou do um combustível: O biodiesel é um derivado orgâ- pela transesterificação. Ele sofre a A) inorgânico. nico obtido de matérias-primas ação de bactérias decompositoras. B) biodegradável. vegetais. Por isso, é considerado Há dezenas de espécies vegetais no C) formado por glicerina e éter. renovável (os vegetais podem ser Brasil das quais se pode produzir o D) formado por éter e aldeídos. indefinidamente replantados). Caso biodiesel, tais como mamona, dendê E) que utiliza matéria-prima mineral. haja vazamentos e o ambiente seja (palma), girassol, babaçu, amendoim, UFABC, 2006 (prova de Conhecimentos Gerais) contaminado, bactérias podem soja, dentre outras. Esse combustível decompô-lo. Isso significa que é renovável permite a economia de COMENTÁRIO biodegradável e não se acumula no divisas com importação de petróleo e Diferentemente de introduções que, ambiente. 2ª questão extensas áreas circunvizinhas. 02) o obscuro destino dado ao lixo COMENTÁRIO Este tipo de questão pode se mostrar Mais de duas décadas se passa- radioativo produzido por Angra. mais complicado por dois fatores: 1) ram após a construção da Usina 04) o elevado consumo de carvão não tem introdução, de onde poderiam Termonuclear de Angra dos Reis, mineral utilizado como co-processador ser inferidas algumas respostas; e 2) a porém ainda pairam no ar preocupa- na geração de energia elétrica. soma da pontuação, embora simples, ções, sobretudo para as principais 08) o risco de extravio de plutônio, que pode levar ao erro. Quanto ao conteúdo, capitais brasileiras, São Paulo e Rio de poderia ser usado para fins não-pacíficos. é importante ter em vista que uma usina ROGÉRIO REIS/OLHAR IMAGENS Janeiro. Dentre as razões listadas, 16) o uso de grande quantidade de termonuclear, como indica o nome, indique aquela(s) que corretamente lenha, para beneficiamento de plutô- produz energia térmica a partir de justifica(m) tais preocupações: nio, e a conseqüente devastação da reações nucleares, e não da queima de 01) o risco de acidente, que provo- mata atlântica. combustíveis como o carvão ou a lenha. caria a contaminação radioativa de UFMS, 2005 (prova de Geografia) Por localizar-se perto das duas maiores cidades do Brasil, as conseqüências de A Usina de Angra dos um vazamento de material radioativo Reis, que fica entre São seriam catastróficas. A Usina de Angra Paulo e Rio de Janeiro dos Reis utiliza urânio enriquecido, e não plutônio, como fonte de energia nuclear. Os produtos da reação do urânio (o lixo) são também radioativos e costumam ser armazenados em depósitos sub- terrâneos, onde levam até centenas de milhares de anos para desaparecer. 6 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007
  47. extensas massas de água, gerando um grande potencial para a hidroeletricidade. 08. o Brasil possui reservas de petróleo já descobertas que o colocam entre os principais exportadores da atualidade. 16. o Brasil é o maior país tropical do mundo, o que possibilita o aproveita- mento privilegiado da energia solar. 32. após a década de 50, intensificou- se em todo o mundo uma atitude de preocupação em relação à preservação dos recursos naturais. UFSC, 2007 (prova de Geografia) COMENTÁRIO Em questões como esta, em que cada alternativa apresenta períodos longos, parte das proposições pode estar correta e parte pode estar incorreta; cuidado, portanto, com a precipitação. Fabricação ANDERSON SCHNEIDER de carvão Em relação ao conteúdo: em Marabá, devido a sua dimensão territorial, no Pará o Brasil possui regiões com ventos constantes (onde se pode aproveitar a energia eólica), 3ª questão base nesta colocação, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S): extensa costa litorânea (onde se pode utilizar energia das marés) O documento “Planeta Vivo”, emitido 01. se pensarmos nas potenciais matrizes e grandes bacias hidrográficas pela World Wide Fund for Nature (WWF) energéticas substitutas do petróleo no (para o desenvolvimento da e pelo Programa das Nações Unidas para século XXI, podemos dizer que o Brasil energia hidrelétrica). A posição o Meio Ambiente (Pnuma), em fevereiro pode dispor de praticamente todas. geográfica privilegiada do Brasil de 2001, alerta que vivemos numa 02. as características físico-climáticas e oferece radiação solar abundante, situação insustentável, considerando socioeconômicas do Brasil assinalam um que, somada à extensão de terras que já foram consumidos 42,5% dos grande potencial para o desenvolvimento agricultáveis, dá ao país vantagem recursos naturais do planeta e que esse de fontes alternativas de energia, como a na área dos biocombustíveis. Quanto consumo aumenta, em média, 2,5% biomassa, o biodiesel e a energia eólica. ao petróleo, o que exploramos é ao ano nos países desenvolvidos. Com 04. o Brasil é um país agraciado com canalizado para o consumo interno. CRIS BIERRENBACH 4ª questão C) a cana-de-açúcar. D) o xisto betuminoso. elimine, pelo menos, as alternativas obviamente erradas (como a que O biodiesel é um combustível obtido E) a gordura animal. menciona petróleo, por exemplo). através da reação de triglicerídeos e UFRS, 2005 (prova de Química) O biodiesel pode ser obtido álcool na presença de um catalisador. a partir de qualquer fonte Uma fonte natural de glicerídeos COMENTÁRIO natural que possua grande a partir da qual se pode obter Questão curta, objetiva e direta. quantidade de óleo ou o biodiesel é: Excelente para quem sabe a resposta, gordura, o que inclui fontes A) o petróleo. pois não demanda tempo de leitura. Para animais, vegetais ou B) o alcatrão da hulha. quem não sabe, o jeito é chutar. Mas mesmo algas. GABARITO: 1 (B), 2 (soma das corretas: 01 + 02 = 03), 3 (soma das corretas: 01 + 02 + 04 + 16 + 32 = 55), 4 (E) 7 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O 1 1I d e j u n h o d e 2 0 0 7 I r e v i s ta é p o c a I 7 V
  48. Ao estudar, reproduza as condições da prova O ideal é tentar responder às questões propostas como se você estivesse na hora do exame A partir do próximo fascículo, esta série chega ao meio do caminho. A esta altura, com o material que tem em mãos, você provavelmente já criou o próprio método de estudo. Não custa, no entanto, enfatizar que a melhor maneira de responder às questões apresentadas a cada número é tentar repro- duzir as condições que terá de enfrentar na hora da prova. Por isso, é recomen- dável que você tente anotar a alternativa correta antes de ler o comentário do professor que vem a seguir. Na semana que vem, o assunto é o meio ambiente no século XXI. Quanto ao jornais e revistas, pois temas tema do 11º fascículo do Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades, continua da atualidade estão cada vez indefinido, à espera de seu voto, que pode ser dado no site www.epoca.com. mais presentes nos exames Ilustração: AKE ASTBURY vestibulares. Converse com br. É possível votar num dos seguintes temas: 1) Globalização e Organi- seus amigos sobre esses assuntos. Assim, você zações Multilaterais, 2) União Européia, 3) Biotecnologia e Células- exercita sua capacidade de argumentação e consolida Tronco e 4) Crime Organizado. Esse fascículo extra, em versão apenas seus conhecimentos. eletrônica, terá a mesma estrutura dos impressos. DIRETOR GERAL Juan Ocerin DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto DIRETORA DE MARKETING Yara Grottera DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br REDATOR-CHEFE David Cohen DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander DIRETOR DE ARTE Marcos Marques O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007 Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reserva- dos. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo. COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO) COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva (Prof. Toni) e Venerando Santiago de Oliveira COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti ILUSTRAÇÕES AKE Astbury REVISÃO Bel Ribeiro SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO) 8 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007
  49. 5 DE 10 A Cidade: preserve expressão “ecossis- tema” remete para ambientes naturais, em esta área geral carentes de preservação. A Amazônia é um ecossistema, assim como a Serra do Mar e o Pantanal. Essa associação coloca em segundo plano o ecossistema urbano. Pois, neste Neste início do século início do século XXI, o ecos- XXI, os ecossistemas sistema urbano pode ser tão urbanos exigem ou mais frágil que os naturais. Os problemas são muitos e cuidado, a fim de que demandam soluções urgentes, se evite a degradação como veremos neste fascículo. Tratamento inadequado do lixo, da qualidade de vida poluição sonora e visual, con- taminação da água, trânsito... A lista é grande e, infelizmente, os habitantes das metrópoles a sabem de cor. Reverter esse quadro não é impossível, mas TORQUAT CATHERINE DE/CORBIS SYGMA/LATINSTOCK exige a participação de toda a sociedade. NESTA EDIÇÃO São Paulo reduz a poluição visual PÁG. 4 Centro de O destino das São Paulo toneladas diárias de lixo PÁG. 5 4 questões sobre ambientes > Química urbanos PÁGs. 6 e 7 > Biologia
  50. entenda o assunto O ecossistema urbano está à beira de um ataque de nervos Multidão na Rua 25 de Março, em São Paulo diVULGaÇÃO A população brasileira cresceu, em menos de um século e meio, as megacidades quase 20 vezes, passando de 10 milhões em 1872, segundo o continuarão crescendo recenseamento da População do império do brasil, para 190 no mundo todo; milhões, segundo estimativa on-line do instituto brasileiro de Geografia e estatística (ibGe). cerca de 85% dessa população vive em cidades, os problemas de acordo com o censo de 2000. Hoje, são 15 as cidades com mais de decorrem do inchaço 1 milhão de habitantes, entre as quais se destacam grandes centros urbano dos últimos como São Paulo e rio de Janeiro. as metrópoles sofrem com os problemas típicos da expansão mal planejada: dois séculos produção acelerada de lixo, poluição sonoro-visual, contaminação dos POr daNiLO SerGiO POLicaSTrO mananciais, deterioração das redes de saneamento básico e energia elétrica, chuva ácida e agravamento da inversão térmica (um fenômeno natural) e do efeito estufa. a lista é grande, e inclui o estresse característico de quem enfrenta o caos urbano e a insegurança da vida em grandes cidades. esses problemas não estão restritos a grandes centros, e muito menos são “privilégio” brasileiro. eles decorrem do inchaço urbano observado nos 2 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e2 2 0 0 7 e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v | r
  51. últimos dois séculos em todo o mundo. Segundo o biólogo edward O. Wilson, da Universidade Harvard, a humanidade está prestes a passar por um “gargalo” – um período de pressão máxima sobre os recursos naturais e a engenhosidade do homem. São Paulo é um exemplo do “gargalo” a que se refere o biólogo de Harvard. com cerca de 11 milhões de habitantes, a cidade observou, sobretudo na SMOG segunda metade do século XX, o agravamento de problemas relacionados à > Smog é uma palavra de habitação, ao desemprego, à má distribuição de renda e ao ambiente. origem inglesa formada pela dados recentes da Prefeitura apontam para a assustadora média de mais junção de “smoke” (fumaça) de 1 quilo de lixo gerado por habitante a cada dia, ou seja, um total de 15.000 com “fog” (neblina). Original- toneladas diárias, das quais somente cerca de 1% é reciclado. as práticas mente, nos tempos em que o adotadas para a destinação do lixo vão do enterramento à queima, passando aquecimento das casas em pelo despejo a céu aberto ou em rios ou córregos. a destinação inadequada Londres ainda era feito com do lixo provoca contaminação de lençóis freáticos e mananciais, tornando a queima de carvão ou lenha freqüentes as epidemias. as doenças são transmitidas por pragas urbanas, nas lareiras, descrevia uma como ratos e insetos, e pela contaminação da água. O lixo que contamina realidade local. Hoje em dia, é mananciais é originado do descarte feito pela população que habita de forma um fenômeno típico de gran- irregular essas áreas, ou do lançamento de resíduos nos córregos. des metrópoles com sérios a qualidade do ar em São Paulo também preocupa. Segundo dados da problemas de poluição. companhia de engenharia de Tráfego (ceT), a frota paulistana é de cerca de 5 milhões de carros de passeio, além de ônibus e caminhões, que são os grandes emissores de gases poluentes. entre os maiores problemas estão a inversão térmica, sobretudo nos períodos de Chuva ácida, estiagem, a chuva ácida, causada pela liberação de contaminação óxidos de enxofre, e o agravamento do efeito estufa, de mananciais, devido à emissão do dióxido de carbono. além disso, lixo acumulado fenômenos como o “smog” e a própria poluição causada e inversão pelo material particulado – a fuligem – têm se tornado cada vez mais freqüentes. Historicamente, as administrações Detalhe de fotograma térmica afetam de Ilha das Flores metrópoles públicas optaram por privilegiar obras que incentivam o uso de veículos particulares em detrimento do transporte coletivo. basta observarmos a extensão do metrô da cidade, que, com seus 60 quilômetros de linhas, fica muito atrás de outros, como o de Londres, com 410 quilômetros, ou o de Paris, com 215 quilômetros. O processo de industrialização, intensificado na segunda metade do século XX, também é responsável por problemas ambientais em centros como São Paulo. as indústrias despejam todos os dias centenas de toneladas de resíduos no ar e na água. esses resíduos elevam o custo do tratamento hídrico, restringindo o abastecimento à parte da população que tem O curta-metragem ilha das Flo- condições de pagar pelo serviço. além disso, os resíduos comprometem res, de Jorge Furtado, é um ácido ainda mais a já inadequada qualidade do ar da cidade. e divertido retrato da mecânica da O crescimento acelerado e desordenado da cidade também gerou, sociedade de consumo. acompa- nas últimas décadas, formas de poluição menos convencionais, mas tão nhando a trajetória de um simples nocivas quanto a poluição do ar ou das águas: a poluição sonora e a visual. tomate, desde a plantação até decorrente principalmente do elevado número de veículos circulantes pela ser jogado fora, o filme de 1989 cidade, a poluição sonora causa efeitos que vão de problemas auditivos escancara o processo de geração e insônia a estresse e distúrbios físicos e mentais. Pesquisas recentes de riqueza e as desigualdades que divulgadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que a surgem no meio do caminho. exposição freqüente a ruídos acima da faixa de tolerância pode causar aumentos médios de 25% no colesterol e 68% numa das substâncias provocadoras de estresse: o cortisol. Outra questão parcialmente resolvida na capital paulista, mas não em outros centros, é a poluição visual. associada ao grande número de outdoors, 3 | r ev ista é po c a | fa scíc u l o v
  52. LEI “LIMPA” SÃO PAULO por Venerando S. de Oliveira Poluição silenciosa, mas que também causa seus males, a polui- ção visual ironicamente escapa à observação. a quantidade de placas, faixas, outdoors e painéis luminosos que tomam conta da paisagem urba- na é estarrecedora. além de escon- derem a arquitetura e a paisagem original da cidade, podem obstruir a visualização de placas indicativas e de sinalização, desorientando quem delas necessita. Podem também tirar a atenção dos motoristas, daNieL araTaNGy/ediTOra GLObO levando a acidentes de trânsito. em vigor desde janeiro deste ano, a Lei no 14.223, batizada de Lei cidade Limpa, já fez uma verda- deira transformação na paisagem Engarrafamento urbana de São Paulo. com multas em São Paulo rigorosas e fiscalização severa, a lei foi um duro golpe no setor de mídia exterior, que até pouco tempo atrás empregava 20 mil pessoas, com letreiros de lojas, propagandas em postes, muros e veículos um movimento de mais de r$ 200 de transporte coletivo, essa degradação do ambie nte provoca milhões por ano. A frota incômodo. a poluição visual é também responsável por acidentes Primeira iniciativa do gênero no paulistana é de de trânsito. Uma pesquisa realizada pelo departamento de brasil, essa lei já está sendo anali- 5 milhões de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de ciências Médicas sada por outras cidades da região carros, além da Unicamp revela que 22,4% dos acidentes de trânsito metropolitana. Outras ações dos caminhões, ocorrem devido à distração dos motoristas, ocupados com a do poder público poderiam trazer os grandes o mesmo benefício à questão do leitura das propagandas dos letreiros e outdoors, poluidores em particular os luminosos. lixo, da emissão de poluentes etc. Falta consciência, mas principal- durante as décadas de 60 e 70, surgiram os primeiros mente vontade política. movimentos ambientalistas como forma de protesto e de alerta a toda a sociedade Venerando S. de Oliveira, físico formado para os perigos do crescimento descontrolado. com o passar dos anos, esses pela Unicamp, é educador e autor de mate- movimentos foram ganhando adeptos e força, mas ainda estão aquém de rial didático, professor e coordenador do ensino médio e de cursos pré-vestibulares despertar a consciência e atenção da maioria das pessoas. Vivemos em tempos de observar as conseqüências da exploração não-racional dos recursos naturais, que geram cada vez mais resíduos não-degradáveis. cientistas e ambientalistas acreditam que progresso e conservação de recursos não precisam ser excludentes, ou seja, é possível atingirmos metas de crescimento capazes de suprir MaUriLO cLareTO/ediTOra GLObO as necessidades da geração atual sem comprometer a capacidade de atender às necessidades das futuras gerações. esse é o princípio do desenvolvimento sustentável defendido pela comissão Mundial sobre Meio ambiente e desenvolvimento, órgão da ONU. Portanto, o ser humano começa a entender as variáveis que afetam a vida no planeta. cabe agora à sociedade mudar sua relação com a natureza, conscientizando- se de que é parte de um ecossistema e, portanto, dependente dele. DANILO SERGIO POLICASTRO, graduado em Química pela USP, é professor do ensino médio e de cursos pré-vestibulares rePrOdUÇÃO 4 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e4 2 0 0 r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v | 7
  53. O destino do lixo Nos centros urbanos, há depósitos e aterros; veja o comentário e a resposta no fascículo da semana que vem Localizado na altura do km 26 da 2006, tenha armazenado um total de 30 i. há possibilidade de geração de rodovia dos bandeirantes, em Perus, milhões de toneladas de resíduos sólidos. energia devido à coleta de gases o aterro bandeirantes é considerado um Em grandes centros urbanos, os produzidos pela decomposição de dos maiores do mundo, recebendo cerca aterros sanitários são apenas uma matéria orgânica. de 7.000 toneladas diárias de lixo gerado das formas de destinação do lixo. ii. devem ser controlados devido em São Paulo. O aterro começou a operar Sobre os aterros são apresentadas à possibilidade de vazamento de cho- há quase 30 anos, e calcula-se que, até algumas afirmações: rume, que pode contaminar o solo e lençóis freáticos. iii. correspondem à principal forma de Lixão a céu destinação (aproximadamente 80%) aberto em do lixo em São Paulo. Itapeva, iV. apresentam uma forma de destina- São Paulo ção mais racional quando comparados aos lixões a céu aberto. V. podem apresentar impactos ambien- tais, principalmente quando o despejo de materiais perigosos como ácidos e metais pesados não é controlado. São corretas: a) i, ii e iii b) ii, iii e iV c) ii, iii, iV e V d) i, ii, iV e V LULUdi/ediTOra GLObO e) iii, iV e V resposta da questÃo inédita do fascículo iv A importância do biogás e dos biodigestores Xisto, que libera óleo semelhante O xisto betuminoso não é renová- o enorme volume de lixo acumulado ao petróleo, vel, pois as rochas são formadas ao no ambiente. como os biodigestores quando longo de milhões de anos. Já o biogás reduzem esse volume e os resíduos aquecido é um combustível renovável, pois têm utilidade, contribuem para o lixo é reacumulado rapidamente. diminuir esse acúmulo. como é formado por material orgâ- Gabarito: alternativas II e III. (Há nico recente, sua combustão libera duas alternativas corretas. ii. O bio- o gás carbônico já absorvido pela gás é um combustível renovável. fotossíntese em sua formação. Um iii. Os biodigestores podem auxiliar no diViULGaÇÃO dos grandes problemas ambientais é problema de armazenamento do lixo.) 5 | r ev ista é po c a | fa scíc u l o v
  54. questões respondidas Dinâmicas do clima a seguir, perguntas para você testar seu conhecimento sobre as mudanças atmosféricas decorrentes da atividade humana ( ) redoma climática sobre a cidade, fazen- automóveis e indústrias, de modo que as 1ª questão do com que as temperaturas nas áreas centrais e de maior circulação de veículos, isotermas apresentam valores maiores na medida em que se aproximam das áreas O espaço urbano é resultado de além das áreas industriais, sejam maiores mais centrais. A relação correta é: intensiva interferência social no meio. do que nas áreas mais arborizadas e de a) 3-2-4-1-2. Modificam-se o solo, as formas do relevo, menor concentração demográfica. b) 2-4-3-1-3. o padrão de drenagem e a qualidade ( ) paira como um nevoeiro constante c) 2-3-4-3-1. das águas fluviais e, ainda, há mudanças sobre as cidades, especialmente quan- d) 1-2-3-3-4. significativas no clima. Nas metrópoles do estas estão cercadas por áreas de e) 4-3-2-2-1. e nos pólos industriais essas mudanças relevo mais elevadas, como Los angeles, PUC-PR, 2007 (questão 3 da prova de Geografia) no clima são ainda mais perceptíveis. Santiago e São Paulo, causando irritação Relacione as colunas abaixo, associan- na vista e intensificando os problemas COMENTÁRIO do os fenômenos climáticos urbanos respiratórios de suas populações. O exercício cobra do aluno conceitos com as suas devidas explicações: ( ) ocorre com mais freqüência em áreas relativos aos principais problemas atmos- 1) chuva ácida. de extração e industrialização de carvão e féricos dos grandes centros urbanos. 2) ilha de calor. outros combustíveis fósseis, cujo processo Na formulação da questão não há dicas. 3) inversão térmica. libera enxofre para a atmosfera, concen- Num caso como esse, não se esqueça de 4) smog fotoquímico. trando-a com compostos sulfurosos, modi- que o bom senso pode ajudá-lo. Mesmo ficando a qualidade da precipitação pluvial. quem não tem grandes conhecimentos ( ) comum no inverno, quando uma camada ( ) esse fenômeno se dá de forma mais sobre clima sabe, até por ouvir no rádio, de ar frio se situa muito embaixo na atmosfera, intensa porque a cidade, sobretudo sua em qual estação do ano se dá a inversão bem próximo à superfície, retendo e concen- área central, é uma verdadeira fonte térmica, certo? assim, mapeando as trando os poluentes sobre a área urbana, de calor, devido ao grande consumo de alternativas, você pode encontrar o agravando a poluição atmosférica. combustíveis fósseis em aquecedores, caminho da resposta correta. 2ª questão cobram um novo padrão de desenvolvi- mento por parte dos países periféricos. COMENTÁRIO diferentemente de outros enunciados O desenvolvimento “limpo” e de baixos c) da auto-organização das populações desse tipo, que ao utilizarem a conjun- custos para o meio ambiente é o que se dos países periféricos, que lutam contra ção “porém” invalidam o que foi dito convencionou chamar, há alguns anos, a degradação do meio ambiente. anteriormente, a explicação sobre o de desenvolvimento sustentável. d) dos movimentos ambientalistas ou conceito a que se refere, no caso “desen- Porém, para os países periféricos, ecológicos, que vêm crescendo bastante, volvimento sustentável”, pode auxiliar as perspectivas não são muito exclusivamente nos países desenvolvidos. no acerto da questão. Sobre o conteúdo, favoráveis em virtude: e) da sustentabilidade ser apenas uma leve em conta que os países periféricos a) da dependência da exportação de política momentânea, criada pelos países possuem pouca tecnologia e dependem, matérias-primas, o que quase sempre leva centrais, que no fundo só serve para em grande parte, da exploração dos a um aumento da exploração ambiental. aumentar a dependência dos próprios recursos naturais, além de ser b) da pressão ambientalista exercida países periféricos. predominantemente exportadores de pelos países ricos, que transferiram e Mackenzie, 2005 (questão 40 da prova de Geografia) matérias-primas.  I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e6 2 0 0 r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v | 7
  55. 3ª questão As barras que indicam os valo- res que podem ser encontrados freqüência respiratória. É importante que o aluno observe que, durante O estresse é considerado um dos em pessoas submetidas a grande esse fenômeno, a concentração de maiores males do mundo moderno. estresse estão identificadas pelos oxigênio associado à hemoglobina dentre outras conseqüências, a ansie- números: deve ser maior que em um indivíduo dade provoca uma aceleração do ritmo a) 1 e 5. b) 1 e 6. em condições normais. como no respiratório, aumentando as trocas c) 2 e 4. d) 3 e 4. enunciado o texto não deixa claro gasosas no nível pulmonar. e) 3 e 6. quais são as conseqüências do estres- Os dois gráficos de barras represen- Universidade Federal Fluminense, 2005 (questão 41 da prova de Biologia) se, o aluno deve ter algum conheci- tam a percentagem de saturação de mento prévio da fisiologia cardior- hemoglobina pelo oxigênio (% de HbO2) COMENTÁRIO respiratória. Pessoas que vivem em e a concentração de ácido carbônico Um indivíduo submetido a estresse grandes centros são mais suscetíveis ([H2cO3]), ambas no sangue arterial apresenta um fenômeno denomina- a ter estresse devido à vida agitada e humano. as barras brancas mostram os do hiperventilação, que, segundo o à exposição a congestionamentos e valores normais desses parâmetros: enunciado, consiste no aumento da poluição sonora ou visual. ilustração: aKe aSTbUry 4ª questão dos nos vapores de água em e) aquecimento das águas: está cau- suspensão. sando a diminuição das superfícies b) efeito estufa: responsável pela ele- aquosas disponíveis para o abasteci- a longo prazo, a Terra deve irradiar vação da temperatura média do pla- mento e o saneamento da população energia para o espaço, na mesma neta, o que provocará mudanças no mundial. proporção em que absorve do Sol. (...) regime de chuvas e derretimento de Fatec, 2005 (questão 33 da prova de Geografia) Os cientistas ressaltam que estamos geleiras, ocasionando uma elevação alternando o “motor” energético que do nível do mar na Terra. mantém o sistema climático. c) buraco da camada de ozônio: além COMENTÁRIO (Fonte: Entendendo a Mudança do Clima. Cetesb) de ocasionar ilhas de calor nos gran- O processo a que se refere o texto des centros urbanos e industriais, está relacionado à emissão de gases Assinale a alternativa que identifi- gera problemas de saúde e desequilí- decorrentes da queima de combus- ca o fenômeno e apresenta correta- brio dos ecossistemas equatoriais. tíveis fósseis. Nos grandes centros mente uma de suas conseqüências: d) diminuição do nível médio dos urbanos, boa parte desses gases a) chuva ácida: ocorre somente nas oceanos: a longo prazo, causará o é emitida pelos veículos ou por regiões polares, devido à concentra- afastamento para o interior dos cen- indústrias. Tais emissões ção de gases clorofluorcarbonados tros industriais e econômicos localiza- acarretam o agravamento que aumentam a quantidade de áci- dos ao longo das linhas de costa. do efeito estufa. GabariTO: 1 (a), 2 (a), 3 (d), 4 (b) 7 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o 1 v e j u n h o d e 2 0 0 7 I r e v i s ta é p o c a I  1 d
  56. Aquecimento global é o tema do próximo fascículo No site da revista você pode votar no tema do 11o fascículo N o fascículo da semana que vem, o assunto do Guia ÉPOca Vestibular 2008 será a ameaça do aquecimento global. Os sinais do aquecimento já são perceptíveis: aumento médio ilustração: aKe aSTbUry da temperatura anual, degelo antecipado, mudança no padrão de hibernação de animais polares, floradas fora de hora. a questão é saber qual o peso da atividade humana nessa mudança e, sobretudo, o que pode e deve ser feito para reverter a situação. O fascículo trará também dicas de filmes, documentários, além de sites sobre o tema. NÃO DESISTA se, ao ler uma questão, aparecer e não se esqueça de que você ainda pode votar no assunto do 11 o fascículo, que terá apenas versão eletrônica. O voto pode ser dado o nome de alguma personalidade que você desconheça. Respire no site www.epoca.com.br. fundo e prossiga. Muitas vezes É possível escolher um dos seguintes temas: 1) Globalização e a pessoa citada aparecerá relacionada a algum contexto Organizações Multilaterais, 2) União Européia, 3) Biotecnologia ou a outras personagens que você deve ter estudado. e Células-Tronco e 4) Crime Organizado. esse fascículo extra terá a mesma estrutura dos impressos. DIRETOR GERAL Juan Ocerin DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto corazza DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto DIRETORA DE MARKETING yara Grottera DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br REDATOR-CHEFE david cohen DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo ribas EDITORES-EXECUTIVOS andré Fontenelle, david Friedlander DIRETOR DE ARTE Marcos Marques O Guia ÉPOca Vestibular 2008 - atualidades é um projeto editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema de ensino da editora Moderna para a editora Globo. © 2007 edi- tora Moderna e editora Globo. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem autorização prévia da editora Moderna e da editora Globo. COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO ana Luisa astiz COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA carlos Piatto (UNO) COORDENAÇÃO DE TEXTOS antonio carlos da Silva (Prof. Toni) e Venerando Santiago de Oliveira (Prof. Venê) COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti ILUSTRAÇÕES aKe astbury REVISÃO bel ribeiro SUPERVISORA DE INTERNET adriana isidio (UNO) 8 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e8 2 0 0 r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v | 7
  57. 6 DE 10 A A era do degelo? s temperaturas mé- dias do planeta estão subindo. As evidên- cias estão por toda parte: antecipação de floradas, alterações nos períodos de As conseqüências do aquecimento global não hibernação, aceleração do são as mesmas para todas as sociedades degelo nas regiões polares, tormentas mais fortes. Cada vez menos se discute se o aquecimento global está acontecendo. A pergunta é: qual é o grau de influência do homem nesse processo? A resposta está relacionada ao efeito estufa provocado pelo acúmulo de gases decor- rente da atividade humana. Todos os países os emitem, mas os ricos os emitem mais. Todas as sociedades sofrem, mas as sociedades pobres sofrem mais. É o que se verá neste fascículo. NESTA EDIÇÃO Saiba o que diz DIVULGAÇÃO o Protocolo de Kyoto PÁG. 3 Onde navegar e o que ler sobre Cena de o clima PÁG. 4 O Dia Depois de Amanhã, Questão inédita sobre ficção sobre desastre > Química o efeito estufa PÁG. 5 climático > Biologia > Geografia
  58. O melanismo industrial e a sauna planetária A industrialização e ono non ono o desenvolvimento, o ononoon necessários para non oon o a melhoria da qualidade de vida, estão colocando em Ilustração: AKE AStBUry risco a humanidade POr FÁBIO L. OLIVEIrA A revolução Industrial, a partir do século XVIII, causou enormes mudanças nos processos produtivos, com desdobramentos socioeconômicos e culturais, além de outros efeitos que alcançam MARIPOSA ESCURA nossos dias. Uma das conseqüências foi o aumento da emissão de subs- A presença de melanina é que tâncias poluentes no ambiente, causando alterações bastante significati- dá coloração às mariposas es- vas em vários processos naturais. curas. Com a paisagem escu- A partir de 1850, por exemplo, foi observada a substituição gradual das popu- recida pela fuligem, as maripo- lações de mariposas claras por linhagens mais escuras em regiões industrializa- sas escuras ficam camufladas. das dos Estados Unidos e da Europa. A emissão de poluentes e a deposição Melanismo industrial é o nome de fuligem levaram ao escurecimento da paisagem, facilitando a camuflagem que se dá a esse fenômeno das mariposas escuras. Elas passaram a se multiplicar, em detrimento das linhagens claras, que se tornaram presas mais fáceis de ser identificadas. A partir daí, as intervenções humanas na natureza e seus processos se intensi- ficaram cada vez mais. Mais de um século depois, discutimos outra possível conseqüência dessas intervenções humanas, com desdobramentos muito mais sérios – o aquecimento global. As temperaturas médias do planeta estão subindo e evidên- A concentração cias disso são observadas por toda parte. Plantas que flores- de gases que cem antes do tempo; alterações nos períodos de hibernação, provocam o migração e reprodução de animais; aceleração do degelo efeito estufa nas regiões polares e no cume de grandes montanhas. Sinais é maior no claros da diminuição do período de inverno e antecipação da Hemisfério primavera. redução das áreas cobertas por gelo; aumento norte do número de tormentas atmosféricas, que surgem cada vez mais fortes; ondas de calor ou frio intenso cada vez mais 2 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e 2|0 0r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v i 2 7
  59. freqüentes. Essas são apenas algumas alterações já observadas. Mesmo assim há A AGENDA 21 E O quem negue que o aquecimento global seja realidade. PROTOCOLO DE KYOTO Existem muitas variáveis na dinâmica dos processos climáticos. Algumas delas por Venerando S. de Oliveira são bem compreendidas, como a influência das correntes marinhas e atmosféricas. Mas há também incertezas que abrem espaço para os críticos. No entanto, cada vez Em 1992, aconteceu no rio de menos se discute se o aquecimento global está ou não acontecendo, e a discussão Janeiro a II Conferência das Nações apresenta um novo foco: qual o grau de influência humana nesse processo? Unidas sobre Meio Ambiente e A questão do aquecimento global está relacionada a um efeito natural denominado Desenvolvimento Humano, batiza- da de ECO-92. representantes de efeito estufa. A radiação vinda do Sol atravessa a atmosfera terrestre chegando à cerca de 170 países assinaram, entre superfície onde parte é absorvida e parte se reflete. Gases presentes na atmosfera, outros, um documento que propu- como o dióxido de carbono, metano e vapor d’água, absorvem parte dessa radiação, nha maneiras de atingir o chamado na forma de raios infravermelhos, refletida pela terra, mantendo sua temperatura desenvolvimento sustentável – for- média dentro de uma faixa favorável a todas as formas de vida. Com mais desses mas de manter o crescimento e o gases na atmosfera, a retenção de calor também aumenta, agravando o efeito estufa desenvolvimento em harmonia com e elevando ainda mais as temperaturas médias do planeta. Eis o aquecimento global! a natureza e seus valiosos recur- sos. tal documento foi batizado de O crescimento econômico mundial e a demanda cada vez maior por energia Agenda 21, em alusão ao século que têm levado a um consumo intenso de combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás se aproximava. A partir daí, “agendas natural), grandes emissores de gases de efeito estufa, entre eles o CO2. Indícios 21” nacionais, regionais e locais pas- sugerem aumento nos níveis desse gás, desde o início da agricultura, há cerca de saram a ser estruturadas. 11 mil anos. Contudo, um aumento significativo dessas emissões ocorre desde a A preocupação crescente com a revolução Industrial, agravan- influência humana sobre o aqueci- do-se nos últimos 50 anos. mento global fez com que em 1997, na cidade japonesa de Kyoto, um Isso coincide com a expansão documento mais contundente fosse industrial e a difusão da cul- elaborado e assinado – o Protocolo de tura de consumo, principal- Kyoto. O grande avanço desse docu- mente após a Segunda Guerra mento é apontar a responsabilidade Mundial. Na era pré-industrial de alguns países do Hemisfério Norte os níveis de CO2 eram de 270 como principais emissores de gases partes por milhão (ppm), atual- estufa. Os signatários assumiram o compromisso de reduzir suas emis- Agentes do mente estão em 400 ppm. sões a padrões considerados aceitáveis. Greenpeace Indícios apontam para a Os Estados Unidos, país que na época em ação influência humana como a era o maior emissor de gases de efeito grande responsável nesse estufa, assinam, mas não ratificam LULUDI processo. A concentração de o tratado, alegando prejuízos a sua CO2 e de outros gases relacio- economia. A atitude americana gerou nados ao efeito estufa é maior em áreas densamente povoadas, principalmente grande impasse, que ainda perdura. Venerando S. de oliveira, físico formado no Hemisfério Norte. Outros gases não têm fonte natural, como os CFCs. Além pela Unicamp, é educador e autor de mate- disso, análises comprovam que a maior parte do aumento do dióxido de carbo- rial didático, professor e coordenador do no observado está relacionada à queima de combustíveis fósseis. Essas ensino médio e de cursos pré-vestibulares análises e evidências levaram o iPCC a apontar, em seu mais atual relatório, a ação humana com um grau de 90% de certeza. As conseqüências reais do aquecimento global ainda são incertas e dividem os pes- quisadores, mas há projeções e previsões. Uma coisa é certa: elas se refletem de forma desigual pelo planeta. Alterações climáticas diferenciadas devem causar mudanças O QUE É O IPCC drásticas nas temperaturas e no regime de chuvas e secas em certas áreas e isso terá trata-se do Painel Intergo- desdobramentos, como o aumento da freqüência e da força de eventos atmosféricos vernamental para Mudanças como furacões. Essas e outras mudanças devem causar ampliação da ocorrência de Climáticas, órgão ligado ao doenças como malária e dengue, entre outras; aumento da incidência de doenças res- Programa das Nações Unidas piratórias; deslocamento de populações, principalmente litorâneas, devido ao aumen- para o Meio Ambiente (Pnuma) to no nível dos oceanos; morte de corais e outros organismos marinhos, devido ao aumento de acidez e temperatura das águas; alterações das atividades pesqueiras, de culturas agrícolas e das criações de animais; entre outras conseqüências. Países com dimensões continentais, como o Brasil, deverão sofrer uma gama varia- 3 | r ev ista é po c a | fa scíc u l o v i
  60. calor Oceano Ártico Ilustração: AKE AStBUry liberado calor para o ar liberado para o ar Oceano Pacífico Oceano Atlântico Oceano Índico Oceano Antártico calor liberado para o ar corrente profunda, fria e salina Al Gore da de efeitos. Savanização da Floresta Amazônica e desertificação na região de caatinga aparecem nessas projeções, além da redução da produção das hidrelétricas, maior fonte da matriz energética brasileira. Estudos mostram que os efeitos podem ser revertidos. Mas isso significa diminuir as emissões de gases de efeito estufa, além de criar mecanismos que possibilitem retirar parte deles da atmosfera. Um conjunto de ações, chamado de DIVULGAÇÃO “mitigação do aquecimento global”, já está sendo amplamente debatido e difundido: políticas de controle efetivo do desmatamento e de queimadas; incentivo ao reflores- tamento; substituição dos combustíveis fósseis por fontes menos poluentes, como os biocombustíveis; controle das emissões de poluentes dos veículos; ampliação e melho- Dois documentários são recomen- ria dos serviços de transporte público; desenvolvimento de aparelhos e equipamentos dados: Uma Verdade Inconveniente, do com maior eficiência energética; mudança nos hábitos, padrões de consumo e educa- ex-vice-presidente americano Al Gore, e ção das novas gerações. É preciso combater o individualismo excessivo, pois medidas o produzido pelo Greenpeace sobre as ecologicamente efetivas surtem mais efeito quando se considera o coletivo. conseqüências do aquecimento global Numa economia global, onde petróleo e carvão desempenham papel de destaque, a redu- (http://www.greenpeace. org. ção de emissões significa transformações profundas que alguns países relutam em aceitar, br/clima/filme/home/). Há ainda em particular os Estados Unidos e a China. Porém, se a economia continuar crescendo a ficção apocalíptica O Dia Depois de no ritmo atual, principalmente em países superpopulosos como China e Índia, e nenhuma Amanhã, sobre desastres climáticos. medida efetiva for tomada, podemos esperar um agravamento do quadro das mudanças Além dos filmes, há três bons sites climáticas, com conseqüências desastrosas, principalmente para os países pobres. sobre o assunto: http://www. comciencia. org.br; http://www. FáBio L. oLiVEirA, biólogo formado pela conpet.gov.br/; e http://www.mma. Unicamp, é autor de materiais didáticos, gov.br/estruturas/imprensa/_ professor do ensino médio e de arquivos/ livro%20completo.pdf cursos pré-vestibulares 4 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e 2|0 0 7 e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v i 4 r
  61. O vilão do efeito estufa Nomeie os gases mais perigosos para o aquecimento global; o comentário e a resposta desta questão estarão no fascículo VII Os gases de efeito estufa absorvem a radiação infravermelha, aumentando sua temperatura e, conseqüentemente, a do planeta. O petróleo e o gás natural são os maiores responsáveis pela emissão desses gases. Assumindo que a maior parte dos derivados de petró- leo utilizados no mundo seja gasolina e que a gasolina é composta de isoctano, observe a reação e a figura ao lado. Balanceando a reação e levan- radiação infravermelha e é retirada da do-se em conta os ciclos biogeo- atmosfera por um processo físico mais Ilustração: AKE AStBUry químicos da água e do carbono, rápido, a condensação. pode-se afirmar que, dos dois C) o CO2, que, embora seja produzido gases liberados na reação, o mais em menor quantidade na reação e perigoso no contexto do aqueci- absorva menos radiação infraverme- mento global é: lha, é retirado da atmosfera por um A) o CO2, que é liberado em maior quan- processo bioquímico mais lento, tidade na reação, absorve maior quan- a fotossíntese. E) o CO2, que, embora seja produzi- tidade de infravermelho e é retirado da D) a água, que, embora seja emitida em do em menor quantidade na reação atmosfera por um processo físico lento, menor quantidade na reação, absorve e absorva menos radiação infraver- a condensação. maior quantidade de ultravioleta, é melha, é retirado da atmosfera por B) a água, que é produzida em maior retirada da atmosfera por um processo um processo bioquímico mais lento, quantidade na reação, absorve mais físico mais rápido, a precipitação. a respiração. resposta da questÃo inédita do fascículo v Aterros e depósitos a céu aberto, o destino do lixo Os aterros sanitários são apenas uma e a contaminação de áreas circunvizinhas. matéria orgânica; II. Devem ser controlados das alternativas viáveis para a destinação Quanto aos gases resultantes da decom- devido à possibilidade de vazamento de do lixo produzido nas cidades. Sua implan- posição da matéria orgânica, entre eles o chorume, que pode contaminar o solo e tação deve ser feita com fiscalização quan- metano, podem ser canalizados e utilizados os lençóis freáticos; IV. Apresentam uma to ao tipo de resíduo descartado, pois os como fonte de energia, o que tem aconteci- forma de destinação mais racional quando impactos ambientais resultantes do mane- do no Aterro Bandeirantes. comparados aos lixões a céu aberto; V. jo inadequado podem ser desastrosos. Em Gabarito: alternativa D. (Estão corretas Podem apresentar impactos ambientais, São Paulo, a maior parte do lixo produzido é as seguintes assertivas: I. Há possibilidade principalmente quando o despejo de destinada aos famosos lixões a céu aberto, de geração de energia devido à coleta de materiais perigosos como ácidos e metais que favorecem o alastramento de doenças gases produzidos pela decomposição e pesados não é controlado.) 5 | r ev ista é po c a | fa scíc u l o v i
  62. questões respondidas Energia, gases, fotossíntese e clima Algumas perguntas a seguir indicam a resposta, outras a escondem; cabe a você decidir em que tipo cada uma delas se encaixa 1ª questão com capacidade para produzir sua própria energia. 16) o expressivo consumo de energia solar e eólica no mundo e no Brasil, demonstrado no gráfico, traduz a eficácia dos programas implemen- tados a partir da assinatura do Protocolo de Kyoto. UFBA, 2007 (questão 25 da prova de Matemática, Ciências Humanas e Língua Estrangeira) CoMEntário Em algumas questões, o gráfico é apenas ilustrativo. Não é esse o caso. A análise dos gráficos e os conheci- anos, induzindo que tecnologias mais Para indicar as alternativas corretas, o mentos sobre o consumo de energia no modernas precisarão atingir as áreas de candidato deverá analisá-lo cuidadosa- mundo e no Brasil permitem concluir: difícil acesso na Sibéria e nas profundi- mente. Uma dica que pode ser útil: após 01) a maior parte da energia utilizada no dades oceânicas. a leitura do enunciado e das alternativas, planeta origina-se de fontes não-renová- 04) os Estados Unidos são responsáveis volte ao gráfico. Você perceberá que fica- veis e poluentes, sendo que grande parte pela maior parte do consumo mundial de rá mais fácil retirar dele as informações das reservas conhecidas de petróleo petróleo, graças a suas imensas reser- necessárias para obter a resposta. Essas está concentrada em alguns países do vas, capazes de abastecer o país nas informações são necessárias, mas não Oriente Médio. próximas décadas. suficientes. A questão pressupõe que o 02) o petróleo responde por 43% da 08) o Brasil, ao atingir a auto-suficiên- estudante esteja atualizado. Daí a impor- matriz energética mundial, e a demanda cia em petróleo e em gás natural, não tância de estar atento às informações global tende a aumentar nos próximos importa mais combustíveis, estando dos jornais, revistas e televisão. 2ª questão tíveis libera gás carbônico, que, por sua vez, contribui para o efeito estufa. A) 10%. C) 100%. B) 40%. D) 140%. O gás natural e o óleo diesel são uti- Considere que uma mesma quantidade UFt, 2006 (questão 20 da prova de Química) lizados como combustíveis em trans- de energia é produzida na combustão portes urbanos. Nesta tabela abaixo, completa desses dois combustíveis. CoMEntário cada um desses combustíveis está nesse caso, é CorrEto afirmar Essa questão envolve o conceito relacionado a sua fórmula molecular que a contribuição do óleo diesel de proporcionalidade. Para resolvê- e ao calor liberado em sua combustão para o efeito estufa é maior que a la, basta aplicar a regra de três. O completa. A queima desses combus- do gás natural cerca de: aluno deveria saber que a combustão completa de hidrocarbonetos produz somente água e gás carbônico. Ilustrações: AKE AStBUry  I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e 6 0 | 7r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v i 2 0
  63. 3ª questão As informações deste gráfico, bem como outros conhecimentos tes para o acerto da questão. Observe que o que você Analise este gráfico, em que sobre o assunto, permitem con- deveria analisar no gráfico está representada a variação da cluir que o aumento de Co2 no já está indicado no enunciado: concentração de CO2 na atmosfera, inverno se explica, possivelmente, o aumento do CO2 no inverno. ao longo dos anos: porque, nesse período, ocorre: A propósito, no filme Uma Verdade A) maior abertura dos estômatos. Inconveniente, apresentado por B) maior desmatamento de áreas. Al Gore, há a explicação para C) menor queima de combustíveis esse comportamento. O fato é fósseis. que grande parte das florestas D) menor taxa de fotossíntese. perde folhas no inverno, reduzindo UFt, 2006 (questão 8 da prova de Biologia) a fotossíntese e a incorporação de CO2. E, como os processos CoMEntário de decomposição continuam Ao contrário do gráfico da 1a ocorrendo e os seres vivos não questão, este gráfico só serve como deixam de respirar, as concentra- ilustração. Ou seja, as informações ções de dióxido de carbono nele contidas não são determinan- aumentam nessa estação. 4ª questão APoCALiPSE Já... Já começou a catástrofe que se esperava para daqui a 30 ou 40 anos. Esse aquecimento global é A ciência não sabe como reverter seus efeitos. O derretimento do Ártico, conseqüência do desequilíbrio a elevação do nível do mar, o avanço das áreas desérticas, o aumento da em um processo natural. Com base intensidade dos furacões, entre outras, são algumas das mudanças de em seus conhecimentos e nas grandes proporções causadas pelos altos níveis do aquecimento global. informações ao lado, é correto Veja, 21/6/06 [adapt.] afirmar que o processo que sofre o desequilíbrio responsável pelo las de gases e água existentes na aumento da concentração desse aquecimento global se refere: atmosfera. gás leva ao processo de condensa- A) a ilhas de calor, resultantes da E) aos ciclones extratropicais que ção e precipitação, ou seja, à rápida elevação das temperaturas médias são provocados pela interação retirada da água da atmosfera. nas áreas urbanizadas das grandes entre ventos, pressão atmosférica Dessa forma, o CO2, que é retirado cidades, em comparação com as e altas temperaturas, comuns em mais lentamente, acaba surgindo zonas rurais. zonas tropicais. como o grande vilão. B) à inversão térmica, resultante da UFPel, 2007 (prova de Geografia) concentração do ar frio nas cama- das mais baixas, impedindo sua CoMEntário dispersão. Embora o enunciado estabeleça C) a chuvas ácidas, resultantes da relações com o texto apresentado, elevação exagerada dos níveis de nem um nem outro indicam acidez da atmosfera em conseqü- a alternativa correta. Assim, o ência do lançamento de poluentes acerto dependerá só de seus conhe- produzidos pela atividade humana. cimentos. É importante saber que D) ao efeito estufa, que consiste o gás que aprisiona a maior quan- na retenção do calor irradiado pela tidade de calor na atmosfera é superfície terrestre e pelas partícu- o vapor d’água. No entanto, um GABArItO: 1 (01 e 02), 2 (B) 3 (D), 4 (D) 7 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o 1 1vd e j u n h o d e 2 0 0 7 I r e v i s ta é p o c a I 7 i
  64. Na semana que vem, leia sobre o terrorismo Entre no site da revista e vote no assunto do fascículo virtual o século XXI começou com um trágico espetáculo: os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Com o nas alternativas ataque, o terrorismo – assunto do próximo fascículo Guia aparentemente iguais. Só uma delas ÉPOCA Vestibular 2008 – foi colocado no centro do debate atual. é a correta. Às vezes, O que se verificou após o episódio foi uma verdadeira reconfiguração a diferença entre o certo e o errado da ordem mundial. Ao contrário dos tempos da Guerra Fria, o pode estar escondida inimigo agora era invisível. Em nome da guerra contra o terror, numa expressão, geralmente um os EUA adotaram posições unilaterais, sem o endosso da advérbio de modo. comunidade internacional. Em alguns casos, os direitos dos cidadãos Ilustração: AKE AStBUry Fique esperto, portanto, em relação a palavras como “respectivamente”, estiveram ameaçados no decorrer da guerra aos terroristas. “cronologicamente”, O tema do 11º fascículo, que só terá versão eletrônica, quem “simultaneamente” e outras tantas terminadas escolhe é você. Seu voto pode ser dado no site www.epoca.com.br. em “mente”. É possível votar num dos seguintes assuntos: 1) Globalização e Organizações Multilaterais, 2) União Européia, 3) Biotecnologia e Células-tronco e 4) Crime Organizado. DirEtor GErAL Juan Ocerin DirEtor EDitoriAL Paulo Nogueira DirEtor DE MErCADo AnUnCiAntE Gilberto Corazza DirEtor DE FinAnÇAS Frederic Zoghaib Kachar DirEtor DE ASSinAtUrAS Stavros Frangoulidis Neto DirEtorA DE MArKEtinG yara Grottera DirEtor DE rEDAÇÃo Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br rEDAtor-CHEFE David Cohen DirEtor DE CriAÇÃo Saulo ribas EDitorES-EXECUtiVoS André Fontenelle, David Friedlander DirEtor DE ArtE Marcos Marques O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007 Edi- tora Moderna e Editora Globo. todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo. CoorDEnAÇÃo GErAL Do ProJEto Ana Luisa Astiz CoorDEnAÇÃo PEDAGÓGiCA Carlos Piatto (UNO) CoorDEnAÇÃo DE tEXtoS Antonio Carlos da Silva (Prof. toni) e Venerando Santiago de Oliveira (Prof. Venê) CoMEntárioS AoS EnUnCiADoS E DiCAS Jô Fortarel EDiÇÃo DE tEXto Oscar Pilagallo EDiÇÃo DE ArtE Leonardo Nery Protti iLUStrAÇÕES AKE Astbury rEViSÃo Bel ribeiro SUPErViSorA DE intErnEt Adriana Isidio (UNO) 8 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007
  65. 7 DE 10 O Depois daquele dia mundo mudou desde o 11 de setembro, quan- do o terrorismo atingiu os Estados Unidos. A reação foi imediata e fulminante: o Afeganistão, que abrigava Como a ameaça do terrorismo afeta as relações terroristas, foi invadido. Na internacionais e o cotidiano dos cidadãos seqüência, foi a vez do Iraque, embora as suspeitas iniciais, de que Saddam Hussein tivesse armas de destruição em mas- sa, não tenham sido compro- vadas. O resultado dessa inicia- tiva é motivo de debate. Afinal, além de o terrorismo não ter sido derrotado, o Iraque trans- formou-se num atoleiro para Ataque ao as forças americanas, os EUA se World Trade isolaram no cenário mundial e Center em 11 de setembro os direitos civis foram colocados de 2001 em segundo plano pela guerra ao terror. Sim, o mundo mudou desde 2001, mas sua cara nova, como se verá neste fas- cículo, ainda é irreconhecível. NESTA EDIÇÃO O terror, desde a Revolução Francesa (C) AP PÁG. 4 O mapa dos ataques recentes PÁG. 5 Confira mais uma dica para a prova PÁG. 8 > História > Geografia
  66. ENTENDA O ASSUNTO O terrorismo intervém, mais uma vez, na ordem mundial Depois dos atentados Nova York, do 11 de setembro, no instante em que desabava os Estados Unidos a primeira torre passaram a combater um inimigo invisível; para tanto, adotaram ações unilaterais POR EDILSON ADÃO QUEM SÃO OS FALCÕES > Falcões é o nome dado ao grupo da cúpula ameri- cana afeito à opção militar para resolver crises. Eles (C) AP se caracterizam por ter formação conservadora, A pela vinculação ao Partido configuração do sistema internacional no século XXI iniciou-se com um Republicano e por estar trágico espetáculo: os atentados de 11 de setembro de 2001. Quem quer associados aos Think Tanks, que tenha idealizado a ação foi o primeiro a atingir os Estados Unidos no os centros de pensamento continente (a base militar de Pearl Harbor, atacada durante a Segunda Guerra estratégico. Entre seus Mundial, fica fora do território contínuo americano). Os ataques ao World Trade membros destacam-se o Center e ao Pentágono, símbolos financeiro e militar, colocaram o terrorismo no vice-presidente, Dick Cheney, centro do debate global. O que se verificou após esse episódio foi uma reconfi- e Karl Rover, o principal guração da ordem internacional, iniciada em 1991, decorrente de uma série de conselheiro de Bush. Alguns transformações que puseram fim à ordem bipolar da Guerra Fria. falcões foram afastados Na ausência de um inimigo à altura, os Estados Unidos passaram a se ver após os reveses na Guerra diante de um inimigo invisível: o terrorismo. A superpotência ganhou assim um do Iraque. É o caso de adversário que substituiu o comunismo, regime que combatera por décadas. Donald Rumsfeld, ex- A partir de setembro de 2001, o terrorismo passaria a secretário da Defesa. justificar a política externa dos Estados Unidos. Após 2001, Em nome da guerra ao terror, os Estados Unidos o terrorismo adotaram uma posição unilateral, comportando-se como passou a se o mundo fosse um sistema unipolar. A cartilha geopolítica justificar de Bush e seus falcões explicita as ações. Em documento a política enviado ao Congresso americano em 17 de setembro de Dick Cheney, externa 2002, intitulado “A Estratégia de Segurança Nacional vice-presidente dos EUA dos EUA dos Estados Unidos da América”, George W. Bush avisou: “Os Estados Unidos estão lutando uma guerra contra 2 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d2 2 0 R 7E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O V I I e | 0
  67. terroristas de alcance global. O inimigo não é um regime político ou uma pessoa ou uma religião ou ideologia específicos. O inimigo é o terrorismo. (...) Os Estados Unidos vão se empenhar incessantemente para angariar o apoio da comunidade internacional; no entanto, não hesitaremos em agir sozinhos, se necessário, para exercer nosso direito de autodefesa, agindo de forma preventiva para evitar que eles causem danos a nosso povo e a nosso país.” Enganou-se, portanto, quem acreditou que os ataques terroristas enfraque- AL QAEDA ceriam ou intimidariam a superpotência. Suas ações mostraram exatamente o A Al Qaeda, que quer dizer “a contrário. As investidas americanas no Afeganistão, por exemplo, colocaram base”, foi criada no fim dos anos os Estados Unidos em privilegiada posição nas imediações do Mar Cáspio, o 80. O grupo é indissociável da segundo maior lençol de hidrocarbonetos do globo. Suas bases, agora fincadas Irmandade Muçulmana, que naquele país e no Usbequistão (que lhes permitira atacar o vizinho), compu- deu origem a quase todos os seram um arco geoestratégico no entorno das montanhas locais e defronte ao grupos terroristas da região. O oeste da China, esta, sim, uma ameaça em potencial. Portanto, temos de anali- primeiro parceiro de Bin Laden sar os passos dos EUA levando-se em conta a questão energética. foi Abdullah Azzam, fundador Não falta quem aposte na teoria da conspiração, aludindo à idéia de que o 11 da Irmandade Muçulmana da de setembro seria resultado de uma ação orquestrada nas Palestina. No início, ser filiado à ante-salas do poder americano para justificar as ações de Al Qaeda era também um bom Ataques em guerra. Trata-se, no entanto, de uma teoria pouco provável. emprego: os novos recrutas Londres e O terrorismo é antigo na história das relações interna- recebiam US$ 1 mil por mês, Madri cionais, mas o praticado hoje em dia tem características muito dinheiro, considerando-se demonstram peculiares por incorporar o ingrediente tecnológico e a a época e o lugar. que o capacidade logística. O terrorismo está globalizado, o terrorismo que ficou evidente nas ações em Madri, em 2004, e em está globalizado Londres, no ano seguinte, que fizeram grande número de vítimas em lugares públicos. A Al Qaeda tornou-se uma Madri, 2004. O terrorismo foi o preço cobrado pelo apoio da Espanha à invasão do Iraque (C) AP 3 | R EV ISTA É PO C A | FA SCÍC U L O V I I
  68. A HISTÓRIA DO TERROR Osama Bin Laden (à dir.), líder da Al Qaeda O terrorismo de Estado, na História mais recente, surge com Robespierre, durante a Revolução Francesa de 1789. Mas Maquiavel já anunciava a necessidade de, eventualmente, espa- lhar-se o pânico junto à população para conservar o poder. A Inquisição, na Idade Média, igualmente, utilizou-se de métodos de terror. Durante o impe- rialismo, grupos nacionalistas, no Egito, na Síria e no Líbano, valeram-se de atos terroristas para expulsar as for- ças britânicas e francesas. E não nos esqueçamos de que a Primeira Guerra (C) AP Mundial teve como estopim um aten- tado terrorista (um nacionalista sérvio da Bósnia assassinou o arquiduque espécie de rede de franquia terrorista. Milicianos extremistas, que agem em Francisco Ferdinando). nome de uma fé cega em diversos pontos do mundo islâmico, são recrutados Há várias motivações para a ação para compor a rede. Talvez apenas sigam fazendo o que sempre fizeram, terrorista. Ela pode ser nacional. É mas agora sob o rótulo de “membros da Al Qaeda”. o caso do separatismo basco, que Mas o que é, de fato, terrorismo? Apesar de o termo ser usado indiscrimina- luta pela independência no noroeste da Espanha e sudoeste francês. A damente, não há consenso sobre o que efetivamente seja terrorismo. Muitas motivação pode ainda ser nacio- vezes, o emprego da expressão esconde um viés ideoló- nal-religiosa. É o caso do Exército gico. A própria ONU reconhece a subjetividade do termo. Republicano Irlandês, que recente- Nos EUA, Veja o que diz Kofi Anan, ex-secretário-geral da institui- mente renunciou à luta armada. ção: “As Nações Unidas precisam chegar a uma definição E o que dizer da bomba de a política de segurança tem consensual do que é terrorismo para combatê-lo de forma Hiroshima, lançada contra a população orquestrada”. civil japonesa em 1945? Havia necessi- prevalecido dade de tamanha força contra um país sobre alguns Para o cientista político Norberto Bobbio, terrorismo é “a praticamente derrotado? Se conside- direitos prática política de quem recorre sistematicamente à violên- rarmos as definições que entendem os do cidadão cia contra as pessoas ou coisas provocando o terror”. Eis ataques contra alvos civis e sem aviso o segredo da bem-sucedida operação terrorista: provocar prévio como terrorismo, qual o nome medo e pânico. que se deve dar a essa ação dos EUA? O terrorista utiliza a estratégia da ameaça e, muitas vezes, passa da ameaça à ação: prédios públicos explodem, civis são mortos, aviões seqüestrados ou der- rubados, carros voam pelos ares. Nas duas últimas décadas, um novo expedien- te vem sendo intensamente empregado: o homem-bomba. Trata-se de um típi- co recurso do movimento islâmico. Simultaneamente, aumentam as denúncias sobre o terrorismo de Estado, caracterizado quando, em nome de uma política de segurança nacional, atrocidades são cometidas. Num mundo abruptamente transformado, resta estarmos alertas, para que direitos de cidadania há muito consagrados não sucumbam em nome de um suposto combate ao terrorismo. Nos Estados Unidos, a política de segurança (C) AP tem prevalecido com alguma freqüência sobre o direito à informação e à priva- Kofi Anan, cidade. No Grã-Bretanha, a vítima não foi apenas a cidadania. Foi também um para quem a cidadão: o brasileiro Jean Charles de Menezes, morto em julho de 2005 ao ser ONU precisa confundido com um terrorista. de consenso sobre o que EDILSON ADÃO, mestre em Geografia é terrorismo Humana pela USP e especialista em geopolítica, é autor de Oriente Médio: a Gênese das Fronteiras (Editora Zouk) REPRODUÇÃO 4 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d4 2 0 R 7 V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O V I I e | 0E
  69. O mapa dos ataques Confira no fascículo da próxima semana a interpretação correta da localização dos atos terroristas O mapa ao lado representa a incidência de ataques terroristas nos últimos anos. De sua leitura, podemos concluir que: A) os atentados estão associados às áreas de produção de drogas; B) os atentados ocorrem na peri- feria do sistema capitalista, área mais vulnerável às ações; C) as áreas representadas estão associadas à presença muçulmana; D) há uma nítida concentração de ações na porção setentrional do globo; E) os atentados estão ligados Ilustração: AKE ASTBURY a causas religiosas. INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS (IFCS), DA UFRJ RESPOSTA DA QUESTÃO INÉDITA DO FASCÍCULO VI Interdisciplinaridade identifica gases do aquecimento global A questão sobre o aquecimento A partir daí, basta relacionar o enun- Finalmente, é preciso relacionar essas global relaciona conhecimentos ciado com o gráfico, observando que observações aos fenômenos presentes de três áreas: química, física e este apresenta os porcentuais de absor- nas alternativas. Uma ótima oportunida- biologia. Portanto, é uma típica ção das diversas radiações na várias fai- de para rever uma série de importantes questão interdisciplinar. xas de comprimentos de onda. Note que, processos físicos, químicos e biológicos. É necessário o balanceamento no caso do vapor d’água, a absorção Gabarito: alternativa C. (O CO2, da reação (o número de átomos na faixa do infravermelho é bem mais que, embora seja produzido em menor dos dois lados da equação expressiva que para os outros gases. Tal quantidade na reação e absorva menos deverá ser o mesmo) para absorção causa o aquecimento do gás, o radiação infravermelha, é retirado da entender a questão das quantidades: que está relacionado a sua importância atmosfera por um processo bioquími- 2C8H18 + 25O 2  16CO 2 + 18H 2O(g) para o efeito estufa. co mais lento, a fotossíntese.) 5 | R EV ISTA É PO C A | FA SCÍC U L O V I I
  70. QUESTÕES RESPONDIDAS Terrorismo, antes e depois do 11/9 Tente responder às perguntas como se fosse a hora da prova; leia os comentários apenas depois de assinalar a alternativa que julga correta CESGRANRIO 1ª questão COMENTÁRIO “O terrorismo continua atuando, No caso dos EUA, o terrorismo está O texto introdutório só serve não devido a seu poder ideológico relacionado à ação de grupos radicais de como ilustração, pois não oferece ou físico, mas porque as nações origens externas e internas. Com relação a dica sobre o que será perguntado. que dele são vítimas não conse- estes últimos, é notório o fato de que se Quanto ao enunciado, porém, guem detê-lo.” trata de organizações de extrema direita, permite descartar várias alternativas, Fonte: A.M. Rosenthal. O Globo, 2/8/96, p. 7 que, como objetivo, procuram: aquelas estranhas ao ideário de Bin Laden cercado A) implantar uma república direita. Interessante notar, embora por milicianos sindicalista no país. isso não conduza à resposta, que o B) suprimir da Constituição as texto da questão é bem anterior ao emendas de inspiração nazifascista. 11 de setembro. A memória de fatos C) reafirmar o poder da maioria recentes ajuda o candidato: em 1995, anglo-saxônica frente às minorias houve um atentado em Oklahoma negra e hispânica. City, idealizado por Timothy McVeigh, (C) AP D) reagir contra o aumento da influência membro de um grupo que prega a das Forças Armadas na política nacional. supremacia branca. E) protestar contra o aumento da pobreza nas áreas rurais norte-americanas. 2ª questão seu território controlado por narcotrafi- cantes associados à guerrilha. alternativas, são bem escolhidas e podem Após os acontecimentos no World C) Índia, por não respeitar acordos inter- confundir o estudante, Trade Center, que fizeram do 11/9/01 nacionais como os da OMC e violar pois são países um marco na geopolítica contempo- as normas da ONU para os direitos com os quais os rânea, os Estados Unidos estão dando humanos. Estados Unidos sinais cada vez mais fortes de que o D) Arábia Saudita, por seu apoio financei- tiveram Iraque, após o Afeganistão, vai ser a ro a organizações terroristas internacio- ou têm próxima vítima do que Washington nais, como o Hamas e o Al Qaeda. arestas chama de “guerra contra o terrorismo”. E) Rússia, que tem graves conflitos sepa- não aparadas. Num famoso discurso, George W. Bush ratistas internos e é detentora do segun- incluiu, além do Iraque, outros países do maior arsenal bélico mundial. integrantes do “eixo do mal”. Um deles FGV, 2002 alinhava-se com a URSS, durante o Bush, que período da Guerra Fria. Trata-se da: COMENTÁRIO invadiu A) Coréia do Norte, país de regime Embora o enunciado seja enxuto e o Afeganistão e o Iraque fechado que possui capacidade de objetivo, ao citar o Iraque, como inte- após os ataques produzir e exportar armas nucleares. grante do “eixo do mal”, pode ativar sua aos EUA B) Colômbia, que possui grande parte de memória sobre o assunto. Quanto às (C) AP 6 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d6 2 0 R 7E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O V I I e | 0
  71. 3ª questão pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial. Acusado de abrigar grupos Quais estão corretas? terroristas em seu território, o A) apenas I e II; Afeganistão tornou-se alvo de reta- B) apenas I e III; liação dos Estados Unidos por causa C) apenas II e III; Ilustração: AKE ASTBURY dos atentados ocorridos em 11 de D) apenas II e IV; setembro de 2001 nas cidades de E) apenas III e IV. Nova York e Washington. UFRGS, 2002 Com relação aos países envol- vidos nesse conflito e às novas COMENTÁRIO derivações geopolíticas e econô- III. nos últimos anos, os norte-ameri- O enunciado contextualiza a micas daí resultantes, são feitas canos e os ingleses vinham tentando questão, porém não orienta uma as seguintes afirmações: uma aproximação comercial com o resposta. O Taleban é considerado I. a mistura étnica no Afeganistão é governo taleban. O interesse são as um grupo terrorista pelo Ocidente um importante componente da guerra jazidas petrolíferas do Mar Cáspio, e esteve no poder no Afeganistão civil que assola o país desde a partida cujas reservas são maiores que as até 2001, ano em que a ação das dos invasores soviéticos em 1989. Os dos países do Golfo Pérsico; tropas americanas puseram fim patanes compõem a maioria absoluta IV. os Estados Unidos obtive- ao regime. O Taleban, no entanto, do Taleban, enquanto que os tadjiques ram dois parceiros estratégicos é fruto da própria ação americana formam a maioria das forças que na sua ofensiva militar contra o naquele país. Em 1979, a então União lutam contra o Taleban; Afeganistão: o Japão e a Rússia. O Soviética invadiu o Afeganistão II. para qualquer tropa invasora, primeiro é um importante aliado e milícias islâmicas organizaram o território afegão é bastante devido às suas boas relações com as uma resistência ao invasor, o inóspito. Contribuem para isso ex-repúblicas soviéticas vizinhas ao que interessava aos EUA. Assim, as variações climáticas regionais, Afeganistão; já a Rússia, em apoio apoiaram aqueles que viriam a se com invernos extremamente frios à luta contra o terrorismo, aprovou converter no Taleban. Entre seus e verões muito quentes; uma lei que permite ações militares combatentes estava Osama Bin Laden. 4ª questão A luta antiterror poderá NÃO ter sucesso a longo prazo, se: COMENTÁRIO O comentário inicial situa bem a Leia o texto: I. os Estados Unidos e os países questão e serve de aquecimento para a aliados a eles continuarem a impor análise das assertivas. Esta questão faz Os ataques terroristas de ao sistema global um único modelo uma relação entre o espaço global e o 11/9/2001 aos Estados Unidos de civilização; espaço local, colocando a discussão do provocaram a abertura de uma II. não for considerada a interdepen- terrorismo globalizado sob esse ângu- discussão sobre os efeitos do dência do mundo contemporâneo lo. De certa forma, traz implícita uma terrorismo na globalização (...) O nem as profundas diferenças étnicas, crítica à globalização, uma vez que as professor John Gray culpou a glo- religiosas, sociais e políticas; três afirmativas enaltecem o respeito à balização pela ofensiva terrorista III. a globalização não contribuir para singularidade do lugar. e previu o seu definhamento (...) à semelhança do comunismo (...). uma melhor qualidade de vida dos Globalização solidária. O Estado de S.Paulo, 31/10/2001 participantes do sistema mundial. apud MOREIRA, l. O Espaço Geográfico: Geografia Geral e Está(ão) correta(s): Geografia do Brasil. São Paulo: Ática, 2002. p. 61. A) apenas I; B) apenas II; C) apenas I e II; D) apenas II e III; O texto relaciona o terrorismo à E) I, II e III. globalização, prevendo o enfraqueci- UFSM, 2004 mento desse processo. GABARITO: 1 (C), 2 (A), 3 (A), 4 (E) 7 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O 1 V d I j u n h o d e 2 0 0 7 I r e v i s ta é p o c a I 7 1 Ie
  72. Na próxima semana, as duas faces da China O país que mais cresce no mundo é também aquele em que o capitalismo não veio acompanhado de democracia N a próxima semana, o assunto do Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é a China. Trata-se do país para o qual todas as atenções estão voltadas atualmente. Não é à toa. A China, com uma população de quase 1,3 bilhão de pessoas, tem sido o país que mais cresce no mundo, o que ajuda a expandir a economia global. O fascículo, no entanto, enfatizará também o lado político. Apesar de ter adotado práticas capitalistas, o país ainda não abandonou o auto- dissertativas, ritarismo típico dos regimes comunistas. Quanto ao tema do 11 o fascí- não enrole. Terá melhor desempenho o culo, que terá versão apenas eletrônica, você tem ainda duas semanas candidato que melhor estruturar seu texto, para votar, o que pode ser feito no site www.epoca.com.br. coordenando bem as O prazo vai até o dia 19. É possível votar num dos seguintes temas: idéias, e não fugindo do assunto proposto. Prefira 1) Globalização e Organizações Multilaterais, 2) União Européia, Ilustração: AKE ASTBURY sempre respostas claras 3) Biotecnologia e Células-Tronco e 4) Crime Organizado. e objetivas. Evite períodos muito longos e divagações Esse fascículo extra, que terá a mesma estrutura dos impressos, desnecessárias. estará disponível para download a partir de 3 de novembro. DIRETOR GERAL Juan Ocerin DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto DIRETORA DE MARKETING Yara Grottera DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br REDATOR-CHEFE David Cohen DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander DIRETOR DE ARTE Marcos Marques O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007 Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo. COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO) COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva (Prof. Toni) e Venerando Santiago de Oliveira (Prof. Venê) COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti ILUSTRAÇÕES AKE Astbury REVISÃO Bel Ribeiro SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO) 8 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d8 2 0 R 7E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O V I I e | 0
  73. 8 DE 10 O Qual é o s olhos do mundo estão voltados para a China. O vigor de sua economia negócio da vem sustentando a expansão global. A voracidade com que o país consome matérias- primas mantém as cotações China? elevadas. Para o Brasil, esse quadro é vantajoso. A China, porém, também inspira alguma preocupação. Há uma questão comercial. As exportações chi- É a economia, claro. nesas ameaçam as indústrias de outros países. E há uma O país puxa a expansão questão política, enfatizada global. Tanto que no neste fascículo. A abertura Ocidente se faz econômica não foi acompanha- da de abertura política. Práticas vista grossa à falta capitalistas coexistem com um de democracia autoritarismo típico de países comunistas. Se esse aspecto não é muito levado em conta pelo Ocidente, é porque, por enquanto, não prejudicou os negócios. Antiga boneca NESTA EDIÇÃO de porcelana, dos tempos em O massacre da Praça que os brinquedos da Paz Celestial PÁG. 4 chineses ainda não © CID haviam invadido o mundo Questão inédita sobre o “made in China” PÁG. 5 E mais: política, demografia e militarismo PÁGs. 6 e 7 > História > Geografia
  74. entenda o assunto China: a abertura econômica em regime ainda fechado A imagem de Mao ainda é presente na China, mas não sua doutrina (c) AP T erceiro país mais extenso do mundo, com mais de 9,5 milhões de quilômetros O país que tem quadrados, atrás apenas da rússia e do Canadá, a China apresenta grande con- sustentado boa parte traste entre a porção ocidental, com terras mais altas e clima seco, e a oriental, do crescimento com terras mais baixas e clima mais úmido. Na parte ocidental, a população é escassa. Na oriental, há concentração demográfica. No total, o país tem quase 1,3 bilhão de pessoas. mundial adotou práticas Desde as Grandes Navegações, a China foi alvo do interesse de potências estran- capitalistas sem, no geiras. No século XIX, houve o período de maior submissão do país a estrangeiros. A entanto, abandonar o Inglaterra travou as Guerras do Ópio, em 1839 e 1856, assegurando privilégios comer- ciais. Na última delas, conquistou o importante território portuá- autoritarismo típico dos rio de Hong Kong, devolvido só em 1997. regimes comunistas Desde as Na primeira metade do século XX, duas lideranças políticas POr sÉrGIO DE MOrAEs PAULO Grandes dividiram o país: Chiang Kai shek, nacionalista, e Mao Tsé-tung, Navegações comunista. No entanto, eles foram obrigados a aceitar uma a China atrai trégua diante da ocupação japonesa da Manchúria, em 1931. o interesse das Terminada a segunda Guerra Mundial, em 1945, houve uma potências inevitável guerra civil entre nacionalistas e comunistas. Mao Tsé- estrangeiras tung teve o apoio dos camponeses, então a grande maioria da população. Em 1949, a China declarou-se socialista e passou a 2 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e | 2 0 0e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v i i i 2 r 7
  75. se chamar república Popular da China. Chiang Kai shek e seu grupo se estabeleceram em Formosa – hoje denominada Taiwan –, fundando a república da China, capitalista e apoiada pelos Estados Unidos. A China considera Taiwan um território rebelde e ainda hoje não descarta o uso da força para recuperá-la. As peculiaridades culturais, econômicas e sociais chinesas, combinadas com insu- cessos como o Grande Salto à Frente de 1958, fizeram com que o país gradativa- mente desenvolvesse uma forma própria de socialismo. O rompimento com a União soviética, em 1959, ressaltou sua independência diante dos interesses de Moscou. Mais tarde, no começo da década de 70, durante o governo Nixon, essa ruptura permitiria a aproximação com os EUA. Com a morte de Mao Tsé-tung, em 1976, Deng Xiaoping assumiu a liderança da China. É reconhecido pelas reformas que introduziu na econo- mia. Inicialmente, o governo fez mudanças na política, afastando lideranças que haviam se fortalecido entre 1966 e 1976, durante o período de forte repressão política conheci- do por revolução Cultural. Xiaoping promoveu também a formação de novos quadros O GRANDE SALTO À FRENTE burocráticos, enviando universitários para países ricos, como EUA e Inglaterra. A partir de 1978, foram adotadas mudanças na política agrícola. Os camponeses pas- > O Grande salto à Frente saram a ter metas de produção, comprada parcialmente pelo Estado. Os excedentes corresponde à tentativa poderiam ser vendidos segundo a lei da oferta e demanda. O de aceleração das mudan- governo passou a acumular estoques reguladores, atuando para ças econômicas durante a As Zonas equilibrar os preços. O sucesso dessa iniciativa possibilitou a implantação do socialismo na Econômicas elevação da renda dos camponeses e uma relativa estabilidade China entre 1958 e 1960. A Especiais no custo de vida. coletivização ocorrida nesse foram No início da década de 1980, o governo implantou as Zonas período é apontada como um implantadas Econômicas Especiais (ZEEs), onde empresas privadas estran- grande erro que resultou na no início da geiras poderiam se instalar. As ZEEs se localizam ao longo fome de milhões de chineses. década de 80 do litoral, e as empresas estrangeiras que nelas se instalam obedecem a determinadas regras, como a permanência por certo período, a inclusão de um sócio chinês e o compromisso de exportar 75% da produção. Também houve a implantação de uma infra-estrutura favorável aos investimentos, com prioridade para hidrovias e ferrovias. Outra vantagem são os custos com mão-de-obra barata e disciplinada. O socialismo priorizou saúde, educação e alimentação, tornando o custo de vida relativamente compatível com os baixos salários, circunstância que pouquíssimos países podem oferecer. Assim, as ZEEs acentuaram o crescimento econômico, com taxas em torno de 9% ao ano. Chineses no início dos anos 90, quando a prática capitalista ainda não era visível © CID na moda 3 | r e v ista é po c a | fa s cíc u l o v i i i
  76. Jovem enfrenta tanques; Os EUA lideram a compra de O MASSACRE DA PRAÇA DA a imagem sintetiza a produtos chineses, mas não PAZ CELESTIAL Por André Guibur repressão chinesa são os únicos. Na década de 1990, inspirados pelo discurso Os acontecimentos da noite de da globalização, muitos países 4 de junho de 1989 deixaram muito aumentaram suas importações. claros os limites da abertura chinesa. A entrada do capital transnacional Países emergentes como Brasil com a criação de zonas especiais para e Argentina apresentaram gran- produção nos moldes capitalistas e a des déficits comerciais nesse (c) AP crescente inserção da China na econo- período, enquanto a China acu- mia internacional não significavam que mulou grandes superavits. Atualmente, o país tem reservas superiores a Us$ 1 trilhão. seus líderes admitiriam também uma O desempenho econômico da China nos últimos anos favoreceu algumas glasnost – a abertura política imple- previsões sobre a formação de uma nova superpotência, dado seu poderio mili- mentada por Mikhail Gorbatchev na então cambaleante União soviética. tar, inclusive nuclear. Essas previsões geralmente projetam para as próximas Desde a morte do líder reformista Hu décadas as taxas de crescimento do período recente e nem sempre consideram yaobang, em 18 de abril, estudantes alguns problemas estruturais do país. ocupavam a Praça Tiananmen – ou da Muitas empresas se instalam na China para não investir em tecnologias menos Paz Celestial – no centro de Pequim. poluentes exigidas em seus países de origem. A poluição industrial tem causado pro- Exigiam a democratização do Partido blemas como a chuva ácida e o smog, associação entre neblina e poluição. Também há Comunista, o fim da corrupção e a preocupação quanto à contaminação dos solos e das águas, pois 75% da produção agro- liberdade de imprensa. Aos milhares de estudantes foram se juntando profes- pecuária é irrigada. Até o momento, os baixos salários estão associados a uma política sores, artistas, trabalhadores e donas agrícola de acesso à alimentação, também barata, vantagens que de casa. Até mesmo o chefe do partido, a poluição e o desequilíbrio ambiental poderiam comprometer. Zhao Ziyang, mostrava-se compreensi- A poluição Outro desafio é a manutenção de uma política fechada vo com as reivindicações populares. industrial numa sociedade com crescimento industrial e urbano. O O afastamento de Ziyang, pouco desenvolvimento das ZEEs atrai camponeses e acentua o mais de um mês depois, mais que um na China tem causado êxodo rural. Apesar de o desempenho global da economia racha na cúpula do partido, indicava que a linha dura, tendo à frente Deng problemas, ser positivo, não há garantia de empregos a todos nas cida- Xiaoping e o primeiro-ministro, Li como des, o que resulta em pobreza e mendicância em alguns Peng, estava disposta a restabelecer a chuva ácida centros. Os trabalhadores das cidades passam a ter maior a ordem social pondo um fim nas contato com uma diversidade de informações, inevitáveis manifestações por democracia. Na num país que exporta para todo o mundo, em especial para noite do sábado 4 de junho, soldados os países desenvolvidos. Como ensinou o geógrafo Milton santos, as cidades e tanques avançaram sobre os mani- são “lugares de aprendizado”, ou seja, as pessoas estão sujeitas a incorporar festantes desarmados. O Exército do Povo massacrou um número até hoje valores e comportamentos tipicamente urbanos. Assim, está surgindo uma nova controverso de pessoas. Estima-se que geração de chineses mais contestadores e menos identificados com os valores algo entre 2 mil e 5 mil chineses foram de disciplina, obediência e limites à liberdade de expressão. Um exemplo desse mortos a golpes de baioneta, metralha- fenômeno foi a brutal repressão na Praça da Paz Celestial em Pequim, em 1989. dos ou esmagados pelos tanques, além A combinação entre economia aberta e política fechada é arriscada, podendo dos cerca de 60 mil feridos. não se manter com o sucesso que teve até o presente. A face moderna e dinâmica que Por fim, a inserção da China no mercado mundial acirra a disposição de outros países a China exibe em seus indicadores econômicos das últimas décadas de adotar medidas protecionistas. recentemente, a Argentina impôs restrições às não esconde o autoritarismo e a importações de vários produtos da China, medida também reclamada por empresá- brutalidade com que o governo trata rios brasileiros. A Inglaterra proibiu a importação de tecidos, alegando a presença de das questões ligadas à liberdade de substância cancerígena utilizada na China. Uma grande empresa dos EUA fez um recall expressão e aos direitos individuais com brinquedos “made in China”, sob a pressão de consumidores que alegaram razões mais elementares. O desfecho da de segurança. Enfim, razões comerciais, de qualidade ou segurança, têm servido para Primavera de Pequim, como tam- alguma reação perante o avanço do Dragão. bém ficou conhecido o movimento dos estudantes, e o domínio militar SÉRGIO DE MORAES PAULO, graduado em Geografia e mestre em Geografia Humana sobre o Tibet atestam isso. pela USP, leciona em cursos pré-vestibulares André Guibur é professor de Geografia da e no ensino médio da rede privada rede privada e em cursos pré-vestibulares 4 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e | 2 0 0e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v i i i 4 r 7
  77. Os efeitos do “made in China” Produtos baratos são fonte de preocupação; confira na próxima semana o comentário e a resposta correta Analise as informações e o texto abaixo. Brinquedos chineses, como os que invadiram o mundo “A China é o terceiro maior parceiro comercial dos Estados fortes medidas protecionistas contra Unidos, o mercado de exportações a China nos últimos meses; que mais cresce, e também o maior III. apesar de ter uma grande produção déficit comercial do país. No ano petrolífera, o grande crescimento passado, o déficit foi de Us$ 202 econômico da China tornou o país © CID bilhões. O volume cresceu muito carente desse recurso energético, nos últimos anos e assustou os tornando-se um dos fatores para a americanos, que culpam o que vêem que contemplam exclusivamente elevação dos preços dos últimos anos; como uma ‘invasão’ de produtos afirmativas corretas: IV. apesar das preocupações nos EUA, chineses pela perda de empregos I. a China não produz petróleo e seu a economia do país continua aberta à industriais no país.” grande crescimento econômico compra de produtos chineses, assim como BBC, 18/4/06 justifica sua posição de quarto maior os déficits que mantém com a China. consumidor mundial do produto; A) I e II apenas; II. os déficits comerciais que os EUA B) II e III apenas; Com base nessas informações mantêm com a China têm sido motivo C) III e IV apenas; e em seus conhecimentos sobre para fortes retaliações, levando D) I e III apenas; o tema, assinale as alternativas inclusive o governo dos EUA a utilizar E) II e IV apenas. resposta da questÃo inédita do fascículo vii Pergunta sobre terrorismo exigiu apenas bom senso (c) AP A questão da semana passada produzidas (embora sejam consumidas), à resposta por exclusão. E para ter apresentava um mapa mostrando a e a alternativa A estaria eliminada. A a certeza da resposta correta era só incidência de ataques terroristas nos alternativa B podia ser cortada de cara saber que “setentrional” se refere ao últimos anos. Pedia-se ao aluno apenas – afinal, EUA e Europa estão longe de Hemisfério Norte. a conclusão da leitura dessa imagem. É ser periferia do mundo. Da mesma Gabarito: alternativa D. (Há uma uma daquelas questões que podem ser maneira, a alternativa C está obviamen- nítida concentração de ações na porção respondidas usando-se somente o bom te errada, pois não são lugares de con- setentrional do globo.) senso e um mínimo de informação. centração muçulmana. Quanto à última, O mapa mostrava vários pontos na é despropositada, pois o mapa não tem Europa e nos Estados Unidos. Bastaria informações sobre motivações. saber que nessas regiões drogas não são Vê-se, portanto, que se poderia chegar 5 | r e v ista é po c a | fa s cíc u l o v i i i
  78. questões respondidas Demografia e comércio superlativos Com forte expansão econômica e uma população de quase 1,3 bilhão de pessoas, a China atrai a atenção do mundo; teste a seguir seus conhecimentos sobre o país C) a parceria sino-brasileira ampliou-se quatro das afirmações apresentadas facil- 1ª questão quando foi acertado um dos mais importan- tes projetos na área técnico-científica entre mente podem ser detectadas como incor- retas. A despeito do grande crescimento A China vem expandindo sua economia os dois países: o desenvolvimento de satéli- econômico chinês das últimas décadas, a e ampliando suas relações para além tes de rastreamento de recursos naturais. população do país ainda possui baixa renda de suas fronteiras. Há poucos anos, D) o crescimento econômico chinês obti- per capita. Também são significativos os ela ingressou na Organização Mundial do nos últimos anos coincidiu com a aber- índices de população rural. O Brasil desta- do Comércio (OMC), submetendo-se tura política, já que aumentou o número ca-se muito mais pelas exportações de pro- às regras do comércio internacional. de partidos políticos e o país se tornou dutos primários ou semi-elaborados para Assinale a alternativa correta em rela- uma república democrática. a China, com destaque para o minério de ção a essa temática: E) apesar de a China ser uma das dez ferro e a soja. Por outro lado, o crescimento A) a partir do processo de abertura eco- maiores economias do planeta, seu Produto econômico baseado na abertura da econo- nômica, a maioria da população chinesa Interno Bruto (PIB) depende quase que mia a práticas de mercado ocorre sem um passou a viver em áreas urbanas e a exclusivamente do setor primário. processo de abertura política, mantendo-se possuir renda per capita semelhante à de UFRGS (questão 24) o regime de partido único e as restrições vários países desenvolvidos. às liberdades individuais. Outro aspecto B) entre os principais produtos bra- COMENTÁRIO importante do crescimento econômico chi- sileiros exportados para a China, Como o próprio enunciado afirma, o nês é o ganho de mercados para produtos destacam-se aparelhos de ótica de texto inicial só apresenta a temática, não dá manufaturados, destacando-se os EUA precisão e componentes eletrônicos. dicas para a resolução. Em contrapartida, como grandes compradores. 2ª questão Na porção leste, observa-se a ocor- rência de climas temperados. COMENTÁRIO A questão apresenta uma série A respeito dos aspectos 08) o processo de abertura eco- de dificuldades. Em primeiro lugar, geográficos da China, assinale nômica vem sendo acompanhado a ausência de informação no enun- o que for correto: de uma ampla abertura política. A ciado que poderia indicar alguma 01) o país é uma potência militar e participação popular nas decisões assertiva correta. Além disso, há detém, inclusive, um arsenal nuclear. de governo é cada vez mais fre- seis opções, todas relativamente O governo comunista tem uma clara qüente. longas e, o que é pior, algumas com política de fortalecimento militar e 16) a agricultura chinesa está volta- informações parcialmente corretas. um projeto de exercício de poder em da, predominantemente, para o culti- Uma das poucas que poderiam ser escala regional e mundial. vo de produtos de exportação, eliminadas como falsa é a alterna- 02) o país é um importante receptor com destaque para o arroz, o trigo tiva que fala em abertura política. de capitais produtivos. Esses inves- e o milho. Para completar a dificuldade dessa timentos concentraram-se sobretu- 32) o relevo é caracterizado pela ocor- questão, a resposta ainda depende do nas Zonas Econômicas Especiais rência de elevados planaltos e dobra- da soma dos números das asserti- (ZEEs). mentos modernos na porção oriental vas corretas, uma fonte adicional de 04) a diversidade climática do país do território. A oeste, encontram-se eventual erro. é considerável. Na porção oeste, baixos planaltos e extensas planícies. ocorrem climas frios e desérticos. UEM, 2005 (Questão 13)  I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e | 2 0 0e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v i i i 6 r 7
  79. 3ª questão COMENTÁRIO Questão que exige apenas calma. próxima a Moçambique, na África. As condições socioeconômicas O gráfico representa taxas cres- Como os três países envolvidos e ambientais nos permitem centes ou decrescentes da popula- apresentam desenvolvimento muito associar o país II à Venezuela, cuja ção e da produção agrícola de três diferente e os gráficos são de fácil produção agrícola se mostra com países. A partir dos dados, identifi- análise, a atenta observação deles melhor desempenho que o que os países I, II e III: Fuvest (Questão 47) indica diretamente a resposta. Os país I, mas menor que o país III, gráficos mostram que o país núme- China. A China se diferencia dos ro I teve decréscimo na produção demais países tanto por uma polí- agrícola e acréscimo da população tica agrícola que tem resultado em em torno de 3%. Tal fenômeno é ganhos de produção e produtividade típico de países muito pobres que quanto por uma política apresentam elevadas taxas de nata- demográfica que resultou num lidade e mortalidade, realidade mais menor crescimento populacional. 4ª questão de trigo nas terras altas da região II. C) passou por graves crises de cres- parcialmente correta, o que con- funde o candidato. A presença do Na década de 1990, a China, segun- cimento econômico que afetaram, mapa só auxiliará se você souber as do país em extensão territorial e com sobretudo, as áreas altas e secas, características climáticas das regiões cerca de 20% da população do mundo: assinaladas em III, onde se localizam assinaladas. Quanto ao conteúdo, é as minorias nacionais, como tibetanos importante saber que, na década de e chineses muçulmanos. 1990, a população da China ainda D) revelou expressivo crescimento era majoritariamente rural, apesar econômico e taxa baixa de crescimento do grande crescimento econômico e demográfico, apresentando clima sub- do êxodo rural. A área de número II tropical com grandes áreas de agricul- tem o predomínio de terras áridas ou tura irrigada, na região IV. semi-áridas, destacando-se o deserto E) coletivizou as atividades econô- de Gobi. Essa área é inviável para os micas, reafirmando os valores de sua cultivos de trigo, feitos principalmente A) representou uma parcela importante revolução, desenvolvendo a agricultura na área III. A área III possui clima tem- do mercado mundial, embora seu mer- irrigada na região III, de clima continen- perado e boa regularidade de chuvas, cado interno não tenha incorporado nem tal e de baixa densidade demográfica. o que dispensa a necessidade de 1/3 de sua população, majoritariamente Fuvest, 2003 (questão 49) irrigação sistemática, necessária em urbana, na região I, de clima tropical. outras partes do país, como I e II. B) incrementou o comércio inter- COMENTÁRIO Importante observar que a Ilustrações: AKE AsTBUry nacional, atraindo investimentos Questão que apresenta dificul- China é o terceiro país em extensão estrangeiros, extinguindo o controle dade, pois cada assertiva traz mais territorial, e não o segundo confor- migratório e desenvolvendo produção de uma informação, podendo estar me diz o enunciado. GABArITO: 1 (C), 2 (corretas: 1, 2 e 4), 3 (A), 4 (D) 7 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o 1 1 i d e j u n h o d e 2 0 0 7 I r e v i s ta é p o c a I  v i i
  80. Ainda há tempo de votar no tema do 11º fascículo A escolha poderá ser feita entre quatro assuntos propostos até a próxima sexta-feira E sta é a última semana para você escolher o tema do 11o fascículo do Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades, que terá versão apenas eletrônica. O prazo para votar, no site www.epoca.com.br, vai até a sexta-feira 19. se um texto apresentar É possível votar num dos seguintes temas: 1) Globalização e Organizações múltiplos tópicos ou Multilaterais, 2) União Européia, 3) Biotecnologia e Células-Tronco e diferentes pontos de vista sobre 4) Crime Organizado. Esse fascículo extra, que terá a mesma estrutura dos determinado assunto. Procure analisar cada impressos, estará disponível para download a partir de 3 de novembro. um a fim de detectar Quanto ao fascículo da semana que vem, o assunto são os conflitos no aqueles que realmente se relacionam com Oriente Médio. A esta altura, já na reta final, você provavelmente já criou a questão. seu método de estudo. Mas não custa enfatizar: a melhor maneira de res- ponder às questões apresentadas a cada número é tentar reproduzir as Ilustração: AKE AsTBUry condições que terá de enfrentar na hora da prova. Por isso, é recomendá- vel que você tente anotar a alternativa correta antes de ler o comentário do professor que vem a seguir. DIRETOR GERAL Juan Ocerin DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar DIRETOR DE ASSINATURAS stavros Frangoulidis Neto DIRETORA DE MARKETING yara Grottera DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br REDATOR-CHEFE David Cohen DIRETOR DE CRIAÇÃO saulo ribas EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander DIRETOR DE ARTE Marcos Marques O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO sistema de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007 Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reserva- dos. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo. COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO) COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da silva (Prof. Toni) e Venerando santiago de Oliveira (Prof. Venê) COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti ILUSTRAÇÕES AKE Astbury REVISÃO Bel ribeiro SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO) 8 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e | 2 0 0e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v i i i 8 r 7
  81. A O Oriente companhar no varejo do dia-a-dia os desdobra- mentos dos vários confli- Médio tos simultâneos do Oriente Médio pode ser uma tarefa infrutífera do ponto de vista do aprendizado. em pé de Grupos se ramificam, interesses se sobrepõem, fronteiras tornam- se difusas, mocinhos e bandidos guerra são papéis intercambiáveis. Quem está matando quem? E por que razão? Quem prestar atenção apenas aos últimos acontecimen- tos dificilmente terá a percepção do conjunto. Pelo simples motivo de que os problemas atuais se Situação no Iraque arrastam há décadas, mais preci- e a questão palestina samente desde o final da Primeira são os principais Guerra Mundial, em 1918. Foi nessa época que uma intervenção conflitos da região franco-britânica selou o destino da região. Neste fascículo, mostramos o que essa gênese remota tem a ver com a questão palestina e a guerra no Iraque. NESTA EDIÇÃO Conheça a origem © AP do sionismo PÁG. 2 Palestino agita a bandeira da Jihad, A atuação no Líbano em Gaza, no topo do Hezbollah PÁG. 3 de uma mesquita, durante o funeral de um correligionário Confira mais uma dica para a prova PÁG. 8 > História > Geografia
  82. ENTENDA O ASSUNTO A gênese e as razões dos conflitos no Oriente Médio A intervenção franco-britânica após a Primeira Guerra ajuda a explicar a situação atual; a guerra no Iraque e a questão palestina são os principais problemas POR EDILSON ADÃO Crianças na Cisjordânia observam manifestação de milicianos do movimento Fatah, em 2001 SIONISMO E BALFOUR > Sionismo é o movimento, fundado pelo jornalista aus- tríaco Theodore Herzel, que buscava fundar um Estado judeu em Sion, Palestina. Nesse momento, havia na © AP Europa forte discriminação e perseguição aos judeus. O Quanto à Declaração Balfour, Oriente Médio é uma das regiões mais conflituosas do globo, aquela que há mais do secretário de Relações tempo domina os noticiários internacionais. Qual o motivo de tanto conflito? Uma Exteriores britânico Arthur das razões da tensão é capital: a intervenção franco-britânica na região após a James Balfour, concedia a Primeira Guerra Mundial, que selou seu destino. É nesse momento da história que devemos Palestina para a criação de um buscar a gênese dos conflitos e, assim, compreender a situação atual. Tentar entender as “lar nacional judeu”. Balfour turbulências da região a partir exclusivamente dos fatos contemporâneos é tarefa inglória. não falou em “Estado” em seu Neste espaço, vamos nos ater a um panorama genérico dos dois principais conflitos documento. da região: a questão palestina e a guerra no Iraque. Como os demais conflitos que ocorrem no Oriente Médio, a origem do problema palestino está no início do século XX. Em 1917, enquanto eram escritos os últimos capí- tulos da Primeira Guerra Mundial, a Inglaterra, já sabedora da herança do espólio oto- Reprodução mano e de seu futuro domínio na região, concedeu a Palestina ao movimento sionista, da Declaração na famosa Declaração Balfour. Balfour O organizado sionismo, que contava com forte retaguarda financeira de banqueiros judeus de Londres, tratou de patrocinar a migração de milhares de judeus para a Terra Prometida, com o claro objetivo de construir ali o seu Estado. Acontece que a Palestina era habitada; árabes palestinos lá estavam havia séculos. Ou seja, a Inglaterra concedeu uma terra habitada, e que não era dela, a um povo que vivia na Europa, mas que, por razões religiosas e históricas, sonhava em construir um Estado nacional na Palestina. Eis as primeiras sementes da discórdia. Logo começaram as tensões entre aquele judeu que chegava e a população local. A situação não tardou a sair do controle dos britânicos, que se desvencilharam do imbró- glio nos anos 40, quando transferiram a questão para uma recém-criada ONU. Na ordem que se iniciou após a Segunda Guerra Mundial, com os Estados Unidos 2 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e 2 |0 0R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O I X 2 7
  83. fortalecidos e a Europa enfraquecida, a tentativa de solução ficou a cargo da ONU, que realizou, em 1947, a Partilha da NO LÍBANO, HEZBOLLAH Em 1947, a Palestina, criando dois Estados: um judeu, com 14 mil km2, ENFRENTA ISRAEL Por André Guibur ONU realizou e outro árabe, com 11 mil km2. a partilha da Em maio de 1948, com a retirada das últimas tropas britâni- Em julho de 2006, uma ação do Palestina, cas da Palestina, David Ben Gurion proclamou a independência grupo xiita Hezbollah contra solda- criando um de Israel. Os árabes não aceitaram aquilo que denunciavam dos israelenses desencadeou uma Estado judeu violenta reação de Israel com trági- como “um corpo estranho no mundo árabe”, e declararam cas conseqüências para o Líbano. e outro árabe guerra ao recém-criado país; seria a primeira de muitas derrotas Sob pretexto de resgatar dois solda- árabes para Israel. A verdade é que os judeus eram poucos, dos seqüestrados pelo Hezbollah e mas fortes, enquanto os árabes eram muitos, mas frágeis e desunidos. Outras guerras eliminar a sua capacidade de lançar viriam, e outras vitórias israelenses. A mais importante delas seria a de 1967, quando mísseis contra o norte do país, tropas Israel não apenas venceu simultaneamente três países árabes em menos de uma de Israel invadiram o Líbano. Durante semana (Egito, Síria e Jordânia), como lhes tomou territórios. Alguns deles se encon- pouco mais de um mês aviões e tanques realizaram incontáveis bom- tram sob seu domínio até hoje. E foi além. Conclamou judeus de todo o mundo a vir bardeios contra supostas posições ocupar terras “disponíveis.” Iniciava-se, então, a colonização da Palestina por Israel. militares do Hezbollah e também Os palestinos foram sendo expropriados de suas terras: primeiro, em 1948, depois, em contra alvos civis, como o aeroporto 1967. É da indignação palestina que nasceria a violenta revolta que se estende aos dias de Beirute, edifícios, estradas, pontes atuais. Catalisados pela OLP (Organização pela Libertação da Palestina), surgida em 1964, e até uma base da ONU, onde quatro nasceram movimentos que buscavam a pátria perdida, sonho ainda não realizado. de seus observadores morreram. Em 1994, os acordos de Oslo (Plano de Paz) viriam criar a Autoridade Palestina O Hezbollah atacava lançando mísseis sobre cidades do norte de (AP). O primeiro presidente da AP foi o lengendário líder Yasser Arafat. Como a OLP, Israel, como Haifa e Nazaré, fazendo a Autoridade Palestina luta pela criação do Estado Palestino. No entanto, o recente algumas vítimas civis. Nos comba- acirramento da disputa entre o Al Fatah e o Hamas ameaça jogar os palestinos numa tes no sul do Líbano o grupo conse- guerra civil que pode dificultar ainda mais a criação do seu Estado. guia impor também algumas baixas Na outra ponta do Oriente Médio, um cenário não menos desolador se desenvolve no militares aos israelenses. No total, cerca de 120 israelenses morreram no conflito. A PARTILHA Mas o saldo da guerra refletiu a superioridade militar e a força com DA PALESTINA que Israel atacou o Líbano: mais de mil libaneses mortos, a maioria (ONU) civis, muitas cidades e a infra- estrutura do país quase totalmente destruídas. Em 14 de agosto teve início o cessar-fogo e os preparativos para a retirada das tropas israelenses, que se completaria com a chegada da missão de paz da ONU (a Força Interina das Nações Unidas no Líbano). Enquanto ambos os lados declaravam-se vitoriosos, grupos de direitos humanos e observadores EDILSON ADÃO/TAKACHI (ADAPTAÇÃO: AKE ASTBURY) das Nações Unidas denunciavam possíveis excessos cometidos por Plano de Partilha de 1947 Israel contra a população do Líbano, certamente o grande perdedor. Estado árabe André Guibur é professor de Geografia da rede privada e em cursos pré-vestibulares Estado judeu Jerusalém Território anexado após 1948 © AP
  84. Saddam Hussein, Golfo Pérsico: a guerra no Iraque. Vejamos que invadiu o sua trajetória. Em 1979, no mesmo ano Kwait em 1990 em que ocorria a Revolução Islâmica no Irã, Saddam Hussein chegava ao poder no Iraque. Entendendo aquele movimento no país vizinho como ameaçador, pois poderia se alastrar para o Iraque, de maioria xiita, Saddam tratou logo de produzir uma guerra para, em sua perspectiva, cortar o mal pela raiz. Ele acreditava que seria uma guerra rápida. Ledo engano. Usando o velho litígio © AP no estuário de Chat el Arab (a foz dos rios Tigre e Eufrates) como pretexto para o ataque, em 1980 iniciava-se a longa guerra Irã- Iraque. Aquilo que parecia ser presa fácil na visão iraquiana tornou-se um verdadeiro tormento. Para equacionar sua inferioridade militar naquele momento, Khomeini, o líder REVOLUÇÃO ISLÂMICA E JIHAD iraniano, utilizou-se de um ingrediente que Saddam não esperava: a Jihad. A guerra A Revolução Islâmica é o movi- prolongou-se então por oito anos, arrasando a economia e as estruturas dos dois mento xiita que depôs o regime países. secular iraniano e levou ao poder Durante a guerra, os países do golfo torciam pelo Iraque, mas não tornavam o Aiatolá Khomeini. O Irã se tor- isso claro; todos temiam a ameaça xiita. Apenas um deles ousou apoiar explicita- naria uma República Islâmica. mente o Iraque: o Kuwait, país contra o qual, em retaliação, o Irã declarou guerra. Jihad é a resistência santa, O apoio do Kuwait ao Iraque tomou forma concreta com o recurso que os fiéis muçulmanos financiamento da compra de armas dos Estados Unidos. utilizam em tempos de guerra. Derrotado após Pois bem, após o término da guerra, com a economia des- Para convocar uma Jihad, é pre- a invasão do truída, endividado e não podendo saldar sua dívida, Saddam ciso ter legitimidade espiritual, Kwait, o Iraque Hussein invade justamente o pequeno vizinho, em agosto de coisa que o Aiatolá Khomeini, de sobreu embargo 1990. O argumento era o de que o Kuwait seria uma unidade fato, possuía. em 1991 que inventada pela Inglaterra para atender seus interesses e do estrangulou imperialismo. Na visão iraquiana, o Kuwait nada mais seria que sua economia um prolongamento do Iraque, ou seja, uma de suas províncias. A ONU deu um ultimato ao Iraque, mas Saddam Hussein se recusou a retirar suas forças do país invadido. E tentou uma jogada: comprometeu-se a sair do Kuwait tão logo Israel se retirasse dos territórios ocupados em 1967. E agora, ONU? O Conselho de Segurança ignorou a chantagem de Saddam e tratou logo de resolver a questão. Assim, lideradas pelos Estados Unidos, tropas da ONU atacaram as forças iraquianas, libertando o Kuwait. Derrotado, o Iraque foi colocado sob embargo em 1991. A partir de então, gradativamente sua economia Aiatolá foi sendo estrangulada. O país debilitou-se com a generalizada queda da qualidade Khomeini de vida. A maior vítima do intenso embargo foi a população civil. Já no século XXI, no mundo pós-11 de Setembro e no contexto da guerra ao terror levada a cabo pelos Estados Unidos, o regime de Saddam Hussein foi posto na mira. Acusado de apoiar o terrorismo internacional e de produzir armas de destruição em massa (nunca encontradas), o país foi atacado pela coalizão anglo-americana em 2003. Convém lembrar que os Estados Unidos decidiram atacar o Iraque sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU. O regime – e o próprio Estado – foram arrasados: destruiu-se um Estado, uma nação, fazendo do “novo” Iraque um dos mais instáveis lugares do mundo. As forças de ocupação permanecem no país até hoje. EDILSON ADÃO, mestre em geografia humana pela USP e especialista em geopolítica, é autor de Oriente Médio: A Gênese das Fronteiras (Editora Zouk) 4 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e 2|0 0 7 E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O I X 4 R
  85. A Guerra dos Seis Dias O conflito está em evidência neste ano, por conta de uma efeméride; confira a resposta na semana que vem A Em 2007, completam-se 40 anos Líbano cristianismo e islamismo. Líbano da Guerra dos Seis Dias. Essa guerra Síria C) a região C, originariamente Síria teve importância territorial capital A pertencente à Jordânia, era a para o destino do Oriente Médio. O Rio Jordão principal área de atuação da guerrilha Rio Jordão mapa ao lado mostra os territórios Mar Mediterrâneo palestina, daí a ocupação. Mar Mediterrâneo B que foram ocupados em 1967. D) a região D, devolvida à Síria nos Sobre ele, está correto afirmar: C Mar Morto Acordos de Camp David, era a maior Morto Mar A) um dos motivos que levaram à Israel fatia territorial da ocupação e o Israel ocupação da região A, junto à Síria, motivo da mesma foi a importância é o fato de tratar-se de importante estratégica junto ao Canal de Suez. área de manancial em uma região Jordânia E) das áreas ocupadas, permanecem Jordânia Egito D marcada pela aridez; ainda sob Egito domínio israelense apenas B) a área B é uma estéril região as identificadas com as letras C de Ácaba Ilustração: AKE ASTBURY Golfo de Ácaba Golfo e de baixo aproveitamento agrícola, Golfo de Suez e B, justamente aquelas em que Golfo de Suez Arábia Arábia mas importante por guardar Saudita os palestinos desejam fundar seu Saudita lugares sagrados ao judaísmo, Estado. Mar Vermelho Mar Vermelho Colinas de Golã. Pertencia à Síria, é a mais importante área de manancial da região. Cisjordânia. Pertencia à Jordânia, importante zonafértil, gurda grande valor religioso para o Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Faixa de Gaza. pertencia ao Egito, zona árida, área de intensa atuação da guerrilha palestina contra alvos israelenses. RESPOSTA DA QUESTÃO INÉDITA DO FASCÍCULO VIII Península do Sinai. ocupada junto ao Egito foi desenvolvida posteriormente China importa petróleo e aos Acordos de Camp David, em 1979. Elaboração: Edilson Adão exporta produtos baratos A China tem uma grande produção já ultrapassaram US$ 200 bilhões Gabarito: alternativa C (III petrolífera, tanto na Manchúria ao ano. Entretanto, o país continua e IV apenas). III – Apesar de ter quanto em Xi-Jiang, a oeste do país. a importar esses produtos, sem uma grande produção petrolífera, Desde o ano 2000, a China tornou- ter adotado uma prática efetiva de o grande crescimento econômico se dependente de importações protecionismo. A continuidade dessa da China tornou o país carente de petróleo, pois seu grande situação se justifica pelo baixo preço desse recurso energético, crescimento econômico exige dos produtos chineses. constituindo-se em um dos fatores muito mais do que pode produzir. Outro fator que dificulta uma ação para a elevação dos preços dos Atualmente, países como Irã e mais protecionista dos EUA é o fato de últimos anos. IV – Apesar das Venezuela têm sido alguns de seus que muitas das exportações chinesas preocupações nos EUA, a economia fornecedores. são feitas a partir de empresas do país continua aberta à compra Quanto às importações de americanas instaladas na China, de produtos chineses, assim como produtos chineses, têm sido fator aproveitando os baixos custos de os déficits que mantém com a de preocupação para os EUA, pois produção que o país oferece. China. 5 | R EV ISTA É PO C A | FA SCÍC U L O I X
  86. QUESTÕES RESPONDIDAS Uma região em conflito incessante Nestas duas páginas, o candidato pode testar seu conhecimento com base em questões recentes que integraram quatro exames de vestibular D) o imperialismo internacional, que 1ª questão criou Estados artificiais de acordo com os interesses dos países dominantes. O Oriente Médio constitui uma PUC-MG - 2004 das regiões mais conturbadas do planeta, o que se deve a uma conjun- COMENTÁRIO ção de fatores históricos, políticos, O único complicador do enunciado é econômicos e geográficos, dentre os o fato de solicitar, de forma indireta, por quais merecem destaque, EXCETO: meio da palavra EXCETO, a alternativa A) sua posição geográfica na junção incorreta, o que, às vezes, confunde o de três massas continentais, que o candidato. Como facilitador, temos a transformaram em rota de tráfego de alternativa incorreta bastante evidente, vários povos, desde a antiguidade. até para quem pouco conhece sobre B) sua riqueza em recursos energé- o assunto. Afinal, o Oriente Médio é ticos, dos quais dependem o abas- marcado pela heterogeneidade étnica tecimento do Ocidente e, em certa e cultural, apresentando várias etnias, medida, o modelo de desenvolvimento como árabes, turcos, persas, judeus, capitalista. curdos, etc. No plano religioso, destacam- C) a sua homogeneidade étnica, se as três principais religiões monoteístas: forjada a partir de uma base religiosa e judaísmo, cristianismo e islamismo. © AP cultural comuns. 2ª questão procurou salvaguardar seus interesses geopolíticos na região. e E, pois estas contrariam o que nele está afirmado. Dessa forma, você B) reação da população iraquiana, terá que optar entre apenas três que não aceita a presença de alternativas, sendo que a correta estrangeiros no país. é de amplo conhecimento público C) redução do efetivo militar norte- por meio de mídias diversas. As americano para cortar as despesas forças de ocupação têm enfrentado com a ocupação. a insurreição iraquiana e a fúria de D) ação da inteligência norte- grande parte da população, que não americana, que conseguiu isolar os aceita a presença anglo-britânica dirigentes procurados, sem destruir as no país. Tal cenário suscitou o cidades. surgimento de vários grupos e facções © AP E) maior vulnerabilidade da população que realizam atentados terroristas O aumento do número de mortes em função da ausência de governo local. contra alvos norte-americanos, de soldados das forças de ocupação Fuvest - 2004 britânicos e da própria população do Iraque, mesmo após o anúncio local. do final da guerra pelo governo dos COMENTÁRIO Estados Unidos, deve-se à: Uma boa interpretação do A) participação tardia da Rússia, que enunciado elimina as alternativas D 6 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e 2|0 0R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O I X 6 7
  87. 3ª questão palestinos refugiados nos países vizinhos (a AP considera um direito Leia as frases seguintes, sobre as o retorno palestino, mas Israel não dificuldades para a paz entre Israel aceita, pois isto reconfiguraria a e a Palestina. balança demográfica na região); b) I. Destino de 3 milhões de os palestinos pretendem Jerusalém refugiados palestinos dispersos oriental como capital de seu futuro pelos países vizinhos. país, enquanto os judeus consideram II. Controle do Rio Jordão a partir Jerusalém a capital indivisível das colinas de Golã, que estão sob israelense; c) as colônias judaicas, domínio da Síria. instituídas principalmente após 1967, © AP III. Fim da Intifada, movimento de judeus são outro fator problemático, pois pela aceitação do acordo de Oslo. muitos judeus que lá nasceram nesse IV. Definição da situação de COMENTÁRIO período não aceitam ser removidos Jerusalém, apontada como capital por Questão difícil. O enunciado nem viver sob a administração judeus e considerada sagrada pelos não oferece dicas e as assertivas palestina. palestinos. incorretas, além de estarem no V. Presença de colônias judaicas em contexto, só não estão corretas por áreas destinadas ao estado Palestino. trocas de representação (israelense Está correto o que se afirma em: X sírio / palestino X judeu), fato que A) I, II e IV, apenas. pode passar despercebido. B) I, III e V, apenas. Dentre as dificuldades para a paz C) I, IV e V, apenas. entre Israel e palestinos, assim como D) II, III e IV, apenas. a criação de um Estado Palestino, E) II, III e V, apenas. podemos citar: a) o retorno de Unifesp - 2003 aproximadamente 3 milhões de 4ª questão Líbano, ocupadas por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1973. inferir a resposta. Quanto à reda- ção de algumas alternativas, pode Observe o texto que aborda a B) a conexão religiosa mencionada no confundir o candidato. Preste bem recente crise no Líbano: texto envolve o Irã, Líbano e a Síria, atenção. Você deve se lembrar que o três países de maioria xiita. Hezbollah é um grupo fundamenta- C) o Hezbollah é produto da ocupação lista xiita que atua no sul do Líbano. Como ensina a Geografia Política, israelense no sul do Líbano em 1982 Surgido após a invasão israelense no entregar território significa derrota e atua na região com freqüentes Líbano em 1982, o grupo é uma resis- política; ao vencedor, as terras (e ataques à Israel. tência à ocupação. O enunciado da não as batatas). Acossado interna- D) ao lado do Hammas, o Hezbollah é questão aborda os ataques israelen- mente e assistindo a uma possível um grupo palestino que tem sua base ses realizados em 2006 e que trouxe- conexão xiita Irã-Hezbollah, via na Faixa de Gaza. ram prejuízos políticos ao governo de Síria, Israel tratou de agir. E) a partir da Cisjordânia, o Hezbollah faz Ehud Olmet, premiê de Israel. Esses incursões a Israel e reivindica a devolução ataques mataram centenas de civis dessa importante e fértil região. libaneses. Como afirma a alternativa Sobre o cenário geopolítico ESPM - 2007 correta, a justificativa israelense foi do Oriente Médio abordado pela combater as constantes investidas matéria, podemos inferir: COMENTÁRIO ao seu território feitas pela milícia, A) o grupo Hezbollah reivindica a O enunciado contextualiza bem a que na época seqüestrou soldados devolução das Colinas de Golan ao questão, porém não dá margem para israelenses. GABARITO: 1 (C), 2 (B), 3 (C), 4 (C) 7 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O 1 1I d e j u n h o d e 2 0 0 7 I r e v i s ta é p o c a I 7 X
  88. Na semana que vem, a guinada latina Numa região antes conservadora, partidos de esquerda estão no poder em muitos países O fascículo da próxima semana, que encerra esta série, o tema abordado será a América Latina. O subcontinente vem passando por uma grande transformação nos últimos anos. A região, com uma história marcadamente conservadora, experimentou uma guinada à esquerda. Em muitos países, há governos encabeçados por políticos com idéias socialistas de vários matizes. Em alguns, como o Brasil, não houve abandono de programas liberais. Em outros, como a Venezuela e a Bolívia, o socialismo tem também as cores do nacionalismo. Na sexta-feira passada, encerrou-se a votação do assunto do 11º fas- NÃO SE cículo do Guia ÉPOCA Vestibular 2008 – Atualidades, que terá versão DESESPERE apenas eletrônica. Foi possível votar em quatro temas: 1) Globalização e Organizações Multilaterais, 2) União Européia, 3) Biotecnologia e se a questão contiver gráficos, Ilustração: AKE ASTBURY tabelas etc. Verifique se esses recursos estão ali para agregar Células-Tronco, e 4) Crime Organizado. O resultado será anunciado no informação ou se apenas ilustram próximo fascículo e no site www.epocacom.br. o assunto, não influindo decisiva- mente no acerto da questão. DIRETOR GERAL Juan Ocerin DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto DIRETORA DE MARKETING Yara Grottera DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br REDATOR-CHEFE David Cohen DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander DIRETOR DE ARTE Marcos Marques O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007 Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo. COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO) COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva (Prof. Toni) e Venerando Santiago de Oliveira (Prof. Venê) COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti ILUSTRAÇÕES AKE Astbury REVISÃO Bel Ribeiro SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO) 8 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e 2|0 0R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O I X 8 7

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