Atualidades 2008 completo para vestibular

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Atualidades 2008 completo para vestibular

  1. 1. CONCEITOS DE ENVOLVE TEMA ESTE Foto: KLEIDE TEIXEIRA/ EDITORA GLOBO
  2. 2. Guia ÉPOCA Em cima da base deixada por Getúlio Vargas, a política para o setor começa com Juscelino e tem continuidade sob os militares POR OSCAR PILAGALLO O crescimento do Brasil se dá em espasmos. Após alguns anos de estagnação, segue-se um surto de expansão com intensidade e TRANSPORTE RODOVIÁRIO duração variáveis. Até certo ponto, trata-se de um padrão típico do capitalismo, em que o mercado, e não o planejamento das antigas socieda- > Estima-se que três quartos des comunistas, é responsável pela dinâmica da economia. No caso brasi- das rodovias do país estejam leiro, porém, essa natureza incerta é potencializada pela dependência de em estado regular, ruim ou pés- fatores que escapam ao controle do governo, como a disponibilidade simo. As estradas brasileiras de recursos externos. são responsáveis por 60% do Hoje, com a abundância de dólares no mundo, sobretudo antes da tur- transporte de cargas no país. bulência dos mercados, o país está em meio a um desses soluços. Depois de um período de alta medíocre do Produto Interno Bruto (PIB), é provável que até dezembro a média de crescimento dos últimos quatro anos fique acima dos 4%. É um resultado que está aquém da necessidade e do poten- cial do Brasil, mas que não é desprezível, chegando até a causar efeitos negativos, como a formação de gargalos de infra-estrutura. REPÚBLICA VELHA A crise aeroportuária é um trágico lembrete de que as condições para o país continuar crescendo estão muito próximas do limite. Congonhas, > Período que vai da Proclama- o aeroporto da cidade de São Paulo, é apenas a ponta do iceberg. ção da República, em 1889, à Abaixo do nível da água estão a oferta inadequada de energia, o precário Revolução de 1930. Foi caracte- transporte rodoviário, a malha ferroviária insuficiente, a já saturada rizado pelo domínio da oligar- capacidade dos portos, enfim, para onde quer que se olhe há uma carência quia agrícola. Revezavam-se no a ser resolvida. poder central representantes O anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em janeiro dos Estados onde essa burgue- deste ano, é um reconhecimento por parte do governo sia tinha mais expressão, São da necessidade de desobstrução desses e de outros gar- Paulo e Minas Gerais. galos. O PAC prevê investimentos de mais de meio tri- O PAC é um lhão de reais ao longo do segundo mandato do presiden- reconhecimento te Lula, embora, a julgar pela morosidade dos primeiros da necessidade passos, dificilmente chegue lá. de desobstruir O programa divide as opiniões. Os críticos falam em gargalos volta da interferência do Estado, os simpatizantes vêem da infra- aí um desenvolvimentismo “light”. O fato é que um país estrutura periférico como o Brasil, que vive a reboque dos grandes centros de poder e riqueza do mundo, dificilmente teria condição de dispensar a presença do Estado em sua expansão, seja como investidor, seja como regulador da atividade econômica. DIVULGAÇÃO Essa é, em resumo, a história da industrialização brasileira, uma história que começa meio por acaso com a Revolução de 30. Por acaso, sim, pois Deodoro, o primeiro presidente o movimento que pôs fim à República Velha não tinha um plano para 2 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007 R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O I 2 |
  3. 3. industrializar o Getúlio Brasil. Apenas rea- (ao centro), giu à Depressão de responsável 1929, que atingiu pela primeira siderúrgica em cheio o consu- mo de café, motor da economia bra- sileira. O primeiro O PAPEL DAS apoio consistente PRIVATIZAÇÕES à indústria viria só com o Estado Após os ciclos de expansão Novo, entre 1937 e da indústria por indução estatal, o 1945, período mar- Brasil, em sintonia com a onda cado pela aliança liberal liderada pela Grã-Bretanha de entre a burocracia civil e militar e a nascente burguesia industrial. Margaret Thatcher (1979-1990) e os Até o início da Segunda Guerra Mundial, a indústria Estados Unidos de Ronald Reagan nacional só engatinhava. O conflito militar proporcionou (1981-1989), deu início em 1990 a um Até o início a primeira oportunidade para o setor ficar em pé. Ela programa de desestatização. Entre da Segunda foi decorrente da atitude do ditador Getúlio Vargas, que as primeiras privatizações, ainda no Guerra Mundial, condicionou o apoio do Brasil aos Aliados ao financia- governo de Fernando Collor (1990- a indústria mento pelos Estados Unidos da Companhia Siderúrgica 1992), estavam siderúrgicas, o que, até nacional Nacional, em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. A cria- no nível simbólico, fechou um ciclo. apenas ção do BNDES, banco de fomento à indústria, e a da O programa ganharia impulso engatinhava Petrobras, no segundo governo Vargas, seriam passos na nos dois mandatos de Fernando mesma direção. Henrique Cardoso (1995-2002), Embora Vargas tenha lançado as bases, o grande salto quando as vendas geraram da indústria só seria dado por seu herdeiro político, Juscelino Kubitschek. US$ 93 bilhões, dos quais 5% em Ao tomar posse, JK anunciou o Plano de Metas, cujo objetivo era crescer “moedas podres” (títulos de dívida “50 anos em 5”. Por trás do slogan havia uma iniciativa consistente de do governo aceitos como parte do planejamento – a primeira do gênero no Brasil. O plano consistia em apro- pagamento). No período anterior fundar o processo de substituição de importações. Os setores de energia e (Collor e Itamar Franco), a receita transporte, que consumiram quase três quartos dos investimentos previs- fora de quase US$ 12 bilhões tos, foram privilegiados. (80% em “moeda podre”). A meta mais visível foi a criação da indústria automobilística. Até então, Em A Arte da Política, seu livro de circulavam no país apenas carros importados, o que acentuava o desequi- memórias, FHC defende o progra- líbrio das contas externas. JK trouxe empresas estrangeiras, inaugurando ma como uma “inovação na busca o modelo nacional-desenvolvimentista (em oposição ao nacio- do interesse público”. O ex-presi- nalista, avesso ao capital de fora). Ao fim de seu mandato, o dente cita a criação das agências presidente chegou próximo da marca dos 100 mil veículos reguladoras, que têm o objetivo fabricados que anunciara no início. de imunizar áreas importantes de O Plano de Metas exigiu um grande esforço de coordena- ingerências políticas, como um AGÊNCIA O GLOBO ção entre áreas distintas. Para evitar gargalos, era preciso complemento das privatizações. que não faltassem aço e borracha nas montadoras, nem Para tanto, seus integrantes não material de construção civil para as estradas – e podem ser demitidos, como na para Brasília, a cereja do bolo de JK, que custou tradição anglo-saxã que serviu de o equivalente a pouco mais de 2% do PIB. Uma molde para as agências. expansão de tal magnitude teve um preço ele- O papel lamentável que a Agência vado: a conta foi apresentada na forma de Nacional de Aviação Civil (Anac) desempenhou no caos aeroportuário, porém, mostra que esses órgãos Geisel, que investiu ainda precisam ser aperfeiçoados. na indústria de base
  4. 4. Guia ÉPOCA inflação, que dobrou CEDOC Guerra do Yom Kippur, para 40% ao ano que elevaria os preços durante o mandato. do petróleo em 1973 Depois de patinar com os dois suces- sores civis de JK (Jânio Quadros e João Goulart), a indústria teria um novo espas- mo de crescimento CHOQUE DO PETRÓLEO sob a ditadura militar. > Nos anos 70, a Opep impôs No primeiro momen- dois choques do petróleo. O to, houve o que ficou segundo foi em 1979, quando conhecido como o preço do barril dobrou. A alta “milagre brasileiro”. provocou a mais grave recessão Entre 1968 e 1973, o mundial desde 1929. No Brasil, Brasil teve um cresci- a inflação disparou e houve de- mento “chinês”: a expansão anual foi superior a 10%. A receita mostrou-se terioração das contas externas. eficiente, mas nada tinha de original: tratava-se apenas de captar os dóla- res que estavam sobrando no mercado internacional. O milagre acabou com o choque do petróleo. Em 1973, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) triplicou o preço do barril em represália aos governos ocidentais que haviam apoiado Israel contra os ára- bes na guerra do Yom Kippur. Seria o momento de o Brasil desacelerar, como fez a maioria. Mas os militares decidiram continuar apostando no crescimento. Assim, em 1974, Ernesto Geisel lançou o Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento. Se o plano de JK visava à indústria de consumo, o de Geisel visava à indústria de base (fertilizantes, produtos petroquímicos) e à geração de energia. Mais uma vez, o país passaria por um ciclo de subs- tituição de importações, desta vez de maior enverga- dura. Entre 1974 e 1978, o Brasil cresceria a um ritmo médio anual de 7%. Até os críticos de Geisel não Os militares deixam de reconhecer a importância do investimento lançaram um em infra-estrutura. O problema foi o elevadíssimo plano de custo da tentativa de tornar o país auto-suficiente desenvolvimento em áreas estratégicas. O descontrole da inflação e o num momento crescimento exponencial da dívida externa – heran- em que o ças do regime militar – só seriam equacionados duas MARCO SERRA LIMA mundo, décadas mais tarde. depois do Diante dos planos de JK e dos militares, o PAC primeiro é um programa modesto, mesmo que venha a ser Plataforma choque do cumprido à risca, o que é improvável. Uma diferença de petróleo petróleo, objetiva é a limitação de seu financiamento. Hoje em no Brasil caminhava dia, o consenso em torno dos valores da estabiliza- para a recessão ção da moeda não mais permite pagar o crescimento econômica presente com a inflação futura. OSCAR PILAGALLO, jornalista, é autor de A História do Brasil no Século 20 (em cinco volumes, pela Publifolha) 4 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007
  5. 5. Leia o texto: Sobre as PPPs é correto afirmar: são de responsabilidade exclusiva Depois da necessária e proveitosa discus- A) são uma alternativa que o governo do governo. são no Congresso Nacional, foi sancionada encontrou para atrair investimentos D) o atual governo nega-se a imple- a Lei no 11.079, que institui normas para a privados para as obras de infra-estrutura mentar as PPPs, pois faltam meios contratação das Parcerias Público-Privadas necessárias ao país. para fiscalizar a correta aplicação dos no Brasil. Os obstáculos a vencer com as B) são um meio de atrair investimentos recursos, o que implicaria muita cor- PPPs são muitos e complexos. Para que para obras públicas; elas gozam do mais rupção nas obras públicas. se obtenha aceitação e confiança públicas, absoluto apoio de todas as forças E) são um contrato entre o setor público é preciso, antes de mais nada, grande políticas do país. e o privado, no qual as empresas tornam- determinação e apoio governamental, C) os empresários não aceitam se donas de um serviço público, como além de plena transparência nas ações. as PPPs, pois entendem que os uma estrada, em troca da tarifa cobrada Fonte: CNI in:www.cni.org.br/empauta/src/INFRA-ESTRUTURA.pdf investimentos em infra-estrutura dos usuários. QUESTÕES RESPONDIDAS Concreto e bossa nova 1ª questão ponsável pelo fornecimento de gás natural a importantes atividades industriais. 2.593 km em território brasileiro. Parte de Santa Cruz de La Sierra, na A ampliação e diversificação da matriz ener- D) a construção do gasoduto pode Bolívia, e termina em Porto Alegre, gética brasileira é uma necessidade frente representar o esgotamento rápido do gás passando por Mato Grosso do Sul, às possibilidades de retomada do cres- natural boliviano, pois, além do Brasil, a São Paulo, Paraná, Santa Catarina e cimento econômico e industrial do país. O Bolívia abastece ainda a Argentina, que Rio Grande do Sul. Seu traçado corta mapa ilustra o gasoduto Bolívia–Brasil. não possui reservas deste recurso. uma área responsável por boa parte Sobre o gás natural e seu uso como E) após a construção do gasoduto, o gás do PIB brasileiro. fonte energética no Brasil, é correto natural passou a ser a fonte de afirmar que: energia mais consumida no país, A) o gás natural é um recurso mineral pelo baixo custo de sua obten- Ilustração: AKE ASTBURY renovável, encontrado em bacias sedi- ção e facilidade de distribuição. mentares e formado pela decomposi- UFSCar, 2005 (questão 25 da prova de Geografia) ção de matéria orgânica em ambientes COMENTÁRIO periglaciais. A presença do mapa constitui B) a substituição do petróleo e do carvão boa dica para o acerto da mineral e vegetal por gás natural, apesar alternativa, mas só ajudará os de reduzir custos, não é recomendável, que conhecem o valor do gás pois o gás é mais poluente que os demais. natural como fonte energéti- C) o gasoduto, que no Brasil passa ca. O gasoduto Brasil–Bolívia somente por Estados do Centro-Sul, é res- possui 3.150 km, dos quais GABARITO 1 (C)
  6. 6. Guia ÉPOCA que as rodovias federais devem receber A) diferenças de bitolas entre as linhas 2ª questão neste ano R$ 1,2 bilhão. No ano que vem não devem receber muito mais que isso. férreas e traçados desiguais nas diferen- tes regiões do país. O setor ferroviário ultrapassou o rodo- (O Estado de S. Paulo, 12/10/2003) B) reduzida demanda para o transporte viário na corrida por investimentos. Um Apesar das perspectivas promissoras de cargas no setor e fracasso do modelo levantamento concluído nesta semana apontadas na reportagem, o setor ferro- de gestão privada. pela Agência Nacional de Transportes viário brasileiro, privatizado nos anos 90, C) inexistência de fábricas de material Terrestres (ANTT) mostra que as conces- tem apresentado modestos indicadores ferroviário e preferência das transporta- sionárias privadas de estradas de ferro de crescimento do transporte de cargas. doras pela navegação de cabotagem. já garantiram R$ 2,5 bilhões de recursos Entre os fatores que têm contri- D) custos mais baixos do transporte rodo- para 2003 e 2004. Do outro lado, dados buído para esse baixo desempenho, viário para grandes distâncias e reduzida do Ministério dos Transportes mostram podemos citar: conexão ferroviária entre interior e litoral. Uerj, 2004 (questão 14 da prova de Geografia) COMENTÁRIO Quanto ao enunciado, observe que começa com a locução prepositiva “ape- sar de”, que indica concessão em relação ao afirmado anteriormente. Sendo assim, o texto, em destaque, não altera o que o enunciado solicita. Quanto ao conteúdo, no Brasil, é comum o uso de duas bitolas diferentes, a métrica e a larga. Alguns traçados têm bitolas mistas, adaptadas para o uso das duas. Apesar dessa dificuldade, o transporte de carga por via férrea, princi- Estrada de Ferro Vitória palmente de produtos como o minério de a Minas, responsável por ferro, vem avançando no país. Quanto ao um terço do transporte da transporte de passageiros, restringe-se carga ferroviária no Brasil às regiões metropolitanas. 3ª questão bilaterais que, assinados pelo país, res- tringem o número de parceiros e itens que não destacam a palavra “incorreta”, uma armadilha aos desatentos. O desempenho atual da indústria comercializados. Nesta questão, veja que os acordos brasileira sofre interferência negativa de D) internamente, pelo baixo poder bilaterais ampliam – e não restrin- fatores de ordem interna ou externa. aquisitivo de grande parte do mercado gem – parceiros e itens comercializa- Considerando-se essa informação, consumidor, conseqüência da má dis- dos pelo país. Tais acordos obedecem é INCORRETO afirmar que, no Brasil, tribuição de renda no país. às normas da Organização Mundial do a indústria é afetada UFMG, 2006 (questão 40 da prova de Geografia) Comércio. Observe que a questão é A) internamente, pelo custo das tarifas datada. No início deste ano, com a modi- públicas e pela carga tributária, que COMENTÁRIO ficação na fórmula de calcular o PIB, o penalizam o setor produtivo brasileiro. Enunciados que pedem a indicação montante da carga tributária recuou. Da B) externamente, pelas oscilações no da informação incorreta exigem cuidado mesma forma, o consumo das classes valor da moeda do país, que interferem extra, uma vez que devem ser interpre- menos favorecidas vem crescendo nos na competitividade do produto nacional. tados no sentido inverso ao normalmen- últimos dois anos, o que poderia levar a C) externamente, pelos acordos te solicitado. E atenção: há instituições um questionamento da alternativa D. GABARITO 2 (A) 3 (C) 6 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007
  7. 7. 4ª questão A CIDADE EM PROGRESSO O poema ao lado faz referência ao “A cidade mudou. Partiu para o futuro desenvolvimento urbano, muito pre- Entre semoventes abstratos sente na década de 1950 no Brasil. Transpondo da manhã o imarcescível muro Sobre esse período, é CORRETO Da manhã na asa dos DC-4s afirmar que: Comeu colinas, comeu templos, comeu mar 01. no final da década de 1950, o Fez-se empreiteira de pombais Brasil teve como presidente Juscelino De onde se vêem partir e para onde se vêem voltar Kubitschek (JK), conhecido por Pombas paraestatais. [...] seu slogan de governo “50 anos em 5”. E com uma indagação quem sabe prematura Fez erigir do chão 02. durante o governo de JK, o país Os ritmos da superestrutura De Lúcio, Niemeyer e Leão. [...] teve grande crescimento da indústria MORAES, Vinicius de. Nova Antologia Poética. São Paulo: Cia. de Bolso, 2005, p. 237. de bens de consumo duráveis, a maioria pertencente a empresas multinacionais. As propagandas Indique a soma das de automóveis e aparelhos respostas corretas: ______ eletrodomésticos da época revelam UFSC, 2007 (questão 17 da prova de História) essa tendência. COMENTÁRIO 04. esse período é conhecido pelo Sobre o enunciado, repare que o decréscimo da dívida externa poema, embora guarde relação com brasileira, que pôde ser paga o contexto solicitado, só ilustra a gradativamente graças ao aumento questão. Ou seja, o entendimento das exportações. do poema é irrelevante para você dar a resposta certa. Fique esperto: 08. a construção de Brasília foi nem sempre a presença de poemas, idealizada por Getúlio Vargas e trechos de reportagens e gráficos concluída por JK. O objetivo era guardam relação determinante com desenvolver o litoral brasileiro, o que será solicitado. E atenção construindo a capital do país na região. redobrada para não errar a soma e morrer na praia. 16. o desenvolvimento industrial Sobre o conteúdo: o governo JK atingiu, principalmente, o Nordeste (1956-1961) possibilitou a entra- Vinicius, brasileiro. Isso provocou grande afluxo da das multinacionais de bens poeta que migratório do Sul e Sudeste para de consumo duráveis, tendo à aderiu à a região, provocando o inchaço de frente a indústria automobilís- bossa nova cidades como Salvador e João Pessoa. tica. No período, o Brasil viveu grande efervescência cultural, 32. também como reflexo da com o surgimento da bossa industrialização, pôde-se observar nova – representada por um grande crescimento na população João Gilberto, Tom rural brasileira. Jobim e Vinicius de Moraes, entre 64. no plano cultural, o período do outros – e grande governo JK presenciou a difusão do atividade no cinema, cinema brasileiro e da bossa nova, no teatro, na AGÊNCIA O GLOBO na qual Vinicius de Moraes teve literatura e na presença marcante. arquitetura. GABARITO 4 (67=1+2+64) 11 de junho de 2007 I r e v i s ta é p o c a I 7
  8. 8. Guia ÉPOCA Como aproveitar este guia O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 – Atualidades circulará encartado em sua revista em dez fascículos. Além dos temas abordados (veja o calendário abaixo), haverá outro assunto a ser escolhido pelos leitores e que será tratado num 11o fascículo disponível apenas no site da Antes de revista. Para votar num dos assuntos propostos, basta acessar www.epoca.com.br começar e clicar na seção “especiais”. a responder às perguntas, leia E fique O guia ajudará o candidato a melhorar seu desempenho na prova de todas as questões atento: atualidades. O tema de cada fascículo será exposto num texto didático. Para para sentir a é comum dimensão da aparecer algum avaliar o grau de conhecimento dos estudantes, os professores vão propor prova e o grau dado que pode de dificuldade ser utilizado em uma questão inédita e comentarão outras quatro formuladas para exames em dos enunciados. outras questões. universidades espalhadas pelo Brasil. O comentário será dividido em duas partes. Na primeira, foca-se o enun- ciado, com destaque para as diversas maneiras de formular uma questão. Na Ilustração: AKE ASTBURY segunda, analisa-se o conteúdo. O ideal é o candidato responder à questão antes de ler o comentário. O gabarito encontra-se no pé da página em que está a questão. As quatro questões são transcritas sem modificações, para que você possa treinar em casa a partir de uma situação real. Calendário DIRETOR EXECUTIVO Juan Ocerin DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto FASCÍCULO TEMA 1 Infra-Estrutura no Brasil DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br REDATOR-CHEFE David Cohen 2 Democracia Brasileira DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander DIRETOR DE ARTE Marcos Marques 3 A Explosão Urbana no Mundo 4 Os Desafios da Geração de Energia 5 O Meio Ambiente no Século XXI O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 – Atualidades é um projeto 6 A Ameaça do Aquecimento Global editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007 Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reservados. 7 O Terrorismo e o Ataque aos Direitos do Cidadão Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo. COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz 8 China – Crescimento e Repressão COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO) COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva e Venerando Santiago de Oliveira COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS Jô Fortarel 9 Conflitos no Oriente Médio EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti ILUSTRAÇÕES AKE Astbury 10 América do Sul – Geopolítica e Energia REVISÃO Bel Ribeiro SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO) > E NÃO SE ESQUEÇA: vote no site o tema do 11o fascículo 8 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007
  9. 9. A Populares ou América do Sul, que era conhecida por ter governos de direita, assistiu nos últi- populistas, eis mos anos à ascensão da esquer- da. Partidos identificados com o socialismo de diferentes matizes a questão estão no poder. Para alguns, são governos populares; para outros, neopopulistas. A guinada nem sempre significou rompimento com o liberalismo, como no Brasil e no Chile. Os EUA se mostram A esquerda chegou ao poder na América mais preocupados com Hugo do Sul, mas essa uniformidade ainda Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equa- não se traduziu na conclusão de projetos dor), que lideram governos hostis energéticos comuns © DIDA SAMPAIO/AE à superpotência. Um fato comum a esses países é ter gás natural ou petróleo. São as grandes reservas da Venezuela que permitem a Chávez uma política externa mais ousada. A ação conjunta de paí- ses da região, no entanto, ainda esbarra em obstáculos, como se verá neste fascículo. NESTA EDIÇÃO Chávez, trajetória entre golpes PÁG. 3 Conheça a gênese do Mercosul PÁG. 4 Veja o tema vencedor do 11o fascículo PÁG. 8 Lula, ladeado por Hugo Chávez, da Venezuela (à esq.), > História e Evo Morales, da Bolívia > Geografia
  10. 10. ENTENDA O ASSUNTO Conservadora e oligárquica, a América do Sul Com petróleo e gás, a região volve à esquerda poderia ter pesomas projetos maior nas negociações com as potências consumidoras, regionais enfrentam obstáculos POR EDILSON ADÃO A ONDA VERMELHA SUL-AMERICANA Eleições em abril de 2008 Governos de esquerda Governo de direita T radicionalmente governada por regimes associados à ide- ologia de direita, a América do Sul assistiu nos últimos anos à ascensão da esquerda. Após a onda neoliberal dos anos 1990, partidos identificados com o socialismo de diferentes matizes alcançaram o poder. Para alguns, são governos popula- res; para outros, neopopulistas. Em muitos casos, a referida ascensão não significou rompimento absoluto com práticas liberais, como demonstram os casos chileno e brasileiro. Assim, tanto ao estudante como ao professor, faz-se necessário um filtro ideológico para uma avaliação ponderada do quadro político sul-americano e de sua conjuntura geopolítica. Excetuando-se o claro exemplo da Colômbia, de Álvaro Uribe, a grande maioria dos países sul-americanos encontra-se, hoje, governada por partidos e/ou políticos com origem na esquerda. Aguardemos a definição no Paraguai (por enquanto, o líder das pesquisas para as eleições de 2008 é o ex-bispo Fernando Lugo, Ilustração: Takashi/Adaptação: AKE Astbury candidato de esquerda). O atraso social e econômico da América Latina (onde se insere a América do Sul) é um produto histórico e, independentemente do viés ideológico dos atuais e próximos governantes, é difícil que o quadro se reverta no curto prazo. A reparação da desigualdade construída em bases tão sólidas e incrustada há séculos na região não será tarefa fácil para liberais ou socialistas. Já a geopolítica regional é redesenhada, circunstancialmente, de acordo com 2 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e2 2 0 0 7 E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O X | R
  11. 11. Michelle Bachelet, presidente do Chile UMA LIDERANÇA, DOIS GOLPES > Duas frustradas tentativas © AP de golpe de Estado mar- o tom partidário daqueles que chegam ao poder. Como líder das Américas, cam a trajetória política de os Estados Unidos vêem com muita reticência os passos de Hugo Chávez Hugo Chávez, presidente da (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador), que lideram Venezuela. A primeira, que regimes hostis à superpotência. Um fato comum a esses países é terem gás ele protagonizou, data de natural ou petróleo. Outros líderes preocupam menos. É o caso de Lula, de fevereiro de 1992. Na épo- Michelle Bachelet (Chile) e de Tabaré Vásquez (Uruguai), assim como Néstor ca, o então tenente-coronel Kirchner (Argentina), no início do mandato. Chávez tentou derrubar o A América do Sul tem papel importante na estratégica questão da presidente Carlos Andrés energia no século XXI, particularmente a Venezuela. O país possui reservas Pérez, identificado com um petrolíferas no Orenoco, uma das maiores do mundo. Essas reservas programa econômico liberal. poderão colocar o país no primeiro lugar mundial, se confirmada a Preso, foi anistiado dois anos certificação internacional em 316 bilhões de barris (atualmente, as reservas mais tarde. Com projeção são de 77 bilhões de barris, a sexta maior concentração do mundo). As nacional, venceu a eleição de reservas da Arábia Saudita, hoje as maiores do mundo, são de 218 bilhões 1998 e, em abril de 2002, seria de barris. Quanto ao petróleo extrapesado, de menor vítima de um golpe de direita, qualidade, a Venezuela detém a maior reserva mundial. que o afastou do cargo por A Venezuela A política externa de Chávez põe seu prumo nessa apenas algumas horas. possui enormes realidade. Estreitando os laços com Irã, Rússia e China, reservas de suas ações são mais que uma simples provocação petróleo, o que aos Estados Unidos. Há interesses econômicos e determina geopolíticos. Por sua vez, a China já está em busca das sua política principais zonas petrolíferas do mundo; o Sudão é um externa exemplo. A Venezuela seria muito bem-vinda ao papel de fornecedor ao dragão asiático. No âmbito regional, Hugo Chávez lançou, em 2004, uma ousada proposta: a criação da Petrosur, uma empresa multinacional sul-americana do setor petrolífero, idéia que foi aceita de pronto pelo Brasil. A intenção é aproveitar as estruturas da Petrobras e da PDVSA. Com a Bolívia, Chávez fundou a Petroandina, empresa binacional, 60% boliviana e 40% venezuelana. Outro grande projeto energético de porte é o Grande Gasoduto do Sul (GGS), iniciativa venezuelana, brasileira e argentina, cujo projeto original prevê um gasoduto de 8.000 quilômetros. O primeiro trecho ligaria Güiria, na Venezuela, ao Recife. Nas fases seguintes, incorporaria Argentina, Bolívia, 3 | R EV ISTA É PO C A | FA SCÍC U L O X
  12. 12. Uruguai, Paraguai, além de outros O MERCOSUL E A países que desejassem. INTEGRAÇÃO REGIONAL Para alguns, tais empreendimentos Por André Guibur energéticos fazem parte de um plano expansionista de Chávez. Para outros, As bases políticas para a criação do Mercado Comum do Sul surgiram em representam uma possibilidade de 1985, com os acordos de cooperação independência plena da porção austral técnica e econômica firmados entre da América. Esses projetos, no entanto, a Argentina e o Brasil. Em 1991, com sofrem críticas sobre a viabilidade a inclusão do Paraguai e do Uruguai, econômica, técnica e ambiental (o foi assinado o Tratado de Assunção, ramal do gás atravessará a Floresta que criou o Mercosul. Porém, foi o Amazônica). Protocolo de Ouro Preto, de 1995, que definiu sua estrutura institucional A consolidação da Petrosur e do GGS © ANDREW ALVAREZ/AFP e permitiu a celebração de acordos seria interessante ao menos em duas reconhecidos internacionalmente. Fidel vertentes. Megaempresas regionais Entre 1996 e 2004, outros países Castro, a quem teriam robustez para negociar em sul-americanos ingressaram no bloco Chávez se aliou melhores condições com as potências como países associados, inicialmen- consumidoras de gás e petróleo e, de te Bolívia e Chile, e, mais recente- certa forma, garantiriam o abastecimento sul-americano mente, Peru, Colômbia e Equador. A Venezuela assinou um protocolo de (ainda mais se considerarmos o esgotamento das A eleição de reservas mundiais e a decorrente escassez a que, adesão plena com o Mercosul, que um político de ainda não foi ratificado. com certeza, assistiremos nos anos vindouros; Desde sua criação, o Mercosul pro- esquerda no problemas de abastecimento energético na região porcionou a ampliação das relações Paraguai pode estão previstos para 2010). comerciais entre os países da região, causar um Após a empolgação nos últimos três anos, no entanto, apesar da instabilidade nas relações problema para neste ano a alternativa do gasoduto ficou mais distante entre seus membros, sobretudo Brasil o Brasil e Argentina, e das condições nem sem- e o ânimo brasileiro com os projetos de integração pre favoráveis da economia mundial. energética diminuiu sensivelmente. Hugo Chávez No âmbito institucional e econô- acusou o golpe e passou a fazer cobranças. O arrefecimento brasileiro mico, as maiores dificuldades estão está diretamente ligado à nova preferência energética do presidente Lula: na adoção de medidas protecionistas o biocombustível. Chávez juntou-se a Fidel Castro e ambos criticaram a entre os membros, como sobretaxas alternativa brasileira, vinculando a questão do biocombustível a uma imediata e cotas, a fim de atender a interesses falta de alimentos, alegando que a cana-de-açúcar substituiria os cultivos de de determinados setores das econo- mias nacionais, criando obstáculos alimentos básicos. para a livre circulação de mercadorias. Outra possível celeuma energética (dessa feita, na fonte hidráulica) está Além disso, a Tarifa Externa Comum prevista em caso de vitória de Fernando Lugo no Paraguai, em abril de 2008. (TEC), que deveria padronizar as tari- Sua chegada ao poder, por si só, já seria algo extraordinário, pois poria fim fas de importações de fora do bloco, à hegemonia de seis décadas do Partido Colorado, o mais antigo partido no ainda não foi efetivada. Tais desa- poder do mundo. Igualmente, seria justes comprometem a integração © NORBERTO DUARTE/AFP motivo de preocupação ao governo proposta em Assunção. André Guibur é professor de Geografia da brasileiro, pois uma das plataformas rede privada e em cursos pré-vestibulares eleitorais do candidato é a revisão dos acordos da usina hidrelétrica binacional de Itaipu, que ele considera Fernando Lugo, candidato à danosos aos paraguaios. ◆ Presidência do Paraguai EDILSON ADÃO, mestre em Geografia Humana pela USP e especialista em geopolítica, é autor de Oriente Médio: a Gênese das Fronteiras (Editora Zouk) 4 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e4 2 0 0 R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O X | 7
  13. 13. Qual o sentido da ascensão da esquerda na América do Sul? Avalie o que de fato mudou após partidos de esquerda terem sido eleitos; a resposta e o comentário estarão no fascículo eletrônico da próxima semana Sobre o cenário geopolítico sul- entre Lula e Chávez promoveram esquerda terem chegado ao poder americano, podemos afirmar que: uma retomada da corrida armamen- na América do Sul, o sistema de A) a ascensão de regimes de esquerda tista sul-americana. economia de mercado foi mantido levou vários países da região a adotar C) o ingresso da Venezuela no em todos eles. o sistema de economia planificada, Mercosul foi vetado por conta da ins- E) o Paraguai saiu do Mercosul devi- como o Brasil e o Chile. piração marxista de Hugo Chávez. do a uma aproximação estratégica B) os recentes desentendimentos D) apesar de muitos partidos de com os Estados Unidos. RESPOSTA DA QUESTÃO INÉDITA DO FASCÍCULO IX Razão geopolítica explica a ocupação das colinas de Golã A Um dos motivos para a ocupação Líbano das colinas de Golã (letra A no mapa) Síria foi o fato de essa região ser a mais importante área de nascentes da A Bacia do Jordão, o que a valoriza geopoliticamente, pois a região é Rio Jordão muito pobre em recursos hídricos. Mar Mediterrâneo Mar Medit B A Cisjordânia (letra B no mapa) é a mais importante área agrícola; a Faixa C de Gaza (letra C no mapa) pertencia Mar Morto originalmente ao Egito; a Península do Israel Sinai (letra D no mapa) foi devolvida em 1979 ao Egito; as colinas de Golã e Cisjordânia permanecem sob domínio israelense. Gabarito: alternativa A. (Um dos D Jordânia Egito Egito motivos que levaram à ocupação da região A, no território sírio, é o fato Golfo de Ácaba de tratar-se de importante área de Golfo de Suez Golfo de S manancial em uma região marcada Ilustração: AKE ASTBURy Arábia pela aridez.) Saudita Mar Vermelho Colinas de Golã. Perten 5 | R EV ISTA É PO C A | FA SCÍC U L O X importante área de ma Cisjordânia. Pertencia à zonafértil, gurda grand
  14. 14. QUESTÕES RESPONDIDAS Petróleo e geopolítica Nas questões a seguir, veja o que já foi perguntado em vestibulares a respeito de temas energéticos e ideológicos sobre a América do Sul de fluxos e meios de transporte e energia. 1ª questão E) podem reforçar os conflitos existentes com os países da Comunidade Andina Observe o mapa ao lado. Note a linha (CAN), em face da perspectiva de cheia e a linha pontilhada, quase sempre expansão dos interesses brasileiros na paralelas. região. FGV, 2001 Em relação às obras de infra-estru- tura destacadas, assinale a alternativa COMENTÁRIO INCORRETA: Tanto a presença do mapa como a A) podem permitir a abertura de canal solicitação da alternativa incorreta (menos de escoamento de produtos da Zona comum nos exames) podem confundir o Franca de Manaus para outros mercados candidato. Mas a alternativa incorreta é tão e a consolidação da ligação Brasil– óbvia que deve compensar o susto. As obras Venezuela, via Manaus e Boa Vista. de infra-estrutura apontadas no mapa atuam B) podem contribuir para agilizar e muito mais num sentido de integração que intensificar fluxos econômicos, baratear circulação terrestre do subcontinente, de confrontação, como aponta a alternativa a exportação de produtos brasileiros e conforme proposta firmada recentemente incorreta. Os países da Comunidade Andina articular zonas da Amazônia setentrional, pelos chefes de Estado da América do Sul. até são vistos como potenciais candidatos a numa região fronteiriça. D) podem contribuir para consolidar a ingressarem no Mercosul, como já anunciou C) inscrevem-se no contexto de melhoria posição estratégica de Manaus, como o governo brasileiro. Portanto, o espírito de da infra-estrutura de integração física e sede da Zona Franca e nó de confluência conflitos é totalmente improcedente. 2ª questão oposição venezuelanos. B) pelo fato da Venezuela ser membro COMENTÁRIO A leitura atenta do enunciado auxilia da Opep e o terceiro maior exportador na escolha da alternativa correta, uma O presidente da Venezuela, Hugo mundial de petróleo e temer um vez que, ao final, refere-se à Opep e Chávez, voltou ontem a concentrar aumento da produção e conseqüente lembra ao candidato a relação entre os a atenção internacional ao tornar-se queda de preços do produto. países citados. Apesar de a alternativa o primeiro chefe de Estado a fazer C) pela necessidade de conseguir impor- correta apontar o fato de a Venezuela uma visita oficial ao Iraque desde o tar petróleo a preços subsidiados, alivian- fazer parte da Opep como o principal fim da Guerra do Golfo, em 1991. A do a pressão inflacionária na Venezuela. motivo da visita de Chávez ao Iraque, a viagem faz parte de seu tour pelos D) para tentar reduzir os preços inter- questão vai além. A visita a Saddam tam- países-membros da Opep (...) nacionais do petróleo, favorecendo as bém demonstrou um tom desafiador de “O Estado de São Paulo” – 11/8/2000 exportações venezuelanas do produto, Chávez à comunidade internacional, uma principalmente para os EUA. vez que o Iraque estava sob embargo da A visita do presidente venezuelano E) para se antepor ao isolamento da ONU desde 1991 e, até então, nenhum justifica-se: Venezuela junto à comunidade inter- chefe de Estado havia adotado tal pos- A) pela necessidade de obter apoio nacional, que questiona a lisura da tura. Na mesma viagem, Hugo Chávez interno, uma vez que sua eleição eleição de Chávez. visitou o dirigente líbio, Muammar é contestada por vários grupos de Mackenzie, 2001 Kadafi, e o cubano Fidel Castro. 6 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e6 2 0 0 7 E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O X | R
  15. 15. 3ª questão Golfo Pérsico, foi o principal motivo da invasão do Iraque pelo Kwait. didato. Argentina e Chile travaram intensa disputa pelo controle da rota Em relação às vias marinhas de D) Canal de Suez, no Egito, está com do Canal de Beagle, no extremo sul da circulação destacadas abaixo, assinale sua navegação impedida por determi- América, e essa é uma questão ainda a alternativa correta: nações israelenses. mal resolvida. Ligação entre os ocea- A) Ilhas Lennox, Picton e Nueva, situa- E) Estreito de Gibraltar é reivindica- nos Atlântico e Pacífico, o canal tem das no Canal de Beagle, extremo sul da do por Portugal junto à Inglaterra, importância estratégica. Também é América, foram objeto de disputa entre tendo em vista o controle da navega- importante saber: o Canal do Panamá Argentina e Chile. ção comercial entre o Atlântico e o foi devolvido em 1999 ao Panamá, e B) Canal do Panamá, na América Mediterrâneo. não aos Estados Unidos; o Estreito de Central, que une os oceanos Atlântico UFRS, 2000 Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico, e Pacífico, passará ao controle dos COMENTÁRIO é disputado pelo Irã e pela Arábia Estados Unidos em 2000. Enunciado curto, objetivo e direto, Saudita; e a intervenção israelense em C) Estreito de Ormuz, localizado no mas que não fornece dica para o can- Suez se deu nos anos 1950. 4ª questão nomes dos países envolvidos na questão Guiana Suriname O cenário geopolítico sul-ameri- representa mais um A Guiana Francesa cano anda turbulento. Assinale a complicador. Em 2006, B alternativa que indica corretamente uma proposta norte- Arquipélago alguma característica geopolítica americana de conceder D Fernando de Noronha sul-americana recente, o país e a vantagens comerciais respectiva indicação: e alfandegárias ao A) as Farc continuam realizando Paraguai em troca da Peru BRASIL seqüestros em nome de uma ban- utilização de seu território deira política = Venezuela. para uma suposta C B) o presidente Lúcio Gutierrez não instalação de base norte- E resistiu à crise política e renunciou americana causou mal- Chile = Colômbia. estar entre os Oceano C) a revolução bolivariana levada vizinhos, inclusive Oceano Atlântico adiante por Hugo Chávez tem con- com a possibilidade Pacífico Uruguai quistado simpatia junto à popula- de expulsão do país Argentina ção de mais baixa renda = Bolívia. do Mercosul. As mais D) o líder da oposição Evo Morales calorosas reações foram desponta como principal nome nas do representante das relações eleições de dezembro = Equador. exteriores do governo argentino, E) a concessão de seu território mas também se manifestou para uma suposta base militar o Ministério das Relações Ilhas Falkland (Malvinas) norte-americana foi malvista pelos Exteriores do Brasil. As regras vizinhos = Paraguai. do Mercosul proíbem que um ESPM, 2006 membro do bloco faça acordos alfandegários em separado com COMENTÁRIO outros países, daí a ameaça de Enunciado vago (“alguma expulsão. Igualmente, preocupou característica geopolítica”) sempre os governos argentino e brasileiro Ilustrações: AKE ASTBURy gera insegurança no candidato. a possibilidade dessa suposta base Para aqueles mal informados norte-americana, próxima às suas sobre cartografia, a ausência dos fronteiras. GABARITO: 1 (E), 2 (B), 3 (A), 4 (E) 11 de junho de 2007 I r e v i s ta é p o c a I
  16. 16. Biotecnologia encerra série O próximo fascículo, que terá apenas versão eletrônica, focará a questão das células-tronco N o próximo fascículo do Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades, o tema abordado será biotecnologia e células-tronco. Esse foi o assunto mais votado na enquete realizada no site de ÉPOCA (www. epoca.com.br). Mais de 40% dos internautas escolheram esse tema, entre os quatro disponíveis. Os outros três foram: Globalização e Organizações Multilaterais, União Européia e Crime Organizado. Biotecnologia é um conceito associado à modernidade. Mas é tão antigo quanto a própria civilização. Existe há milênios, desde os primeiros tempos da fabricação de pão e vinho. A biotecnologia moderna começa com a descoberta e manipulação do TOME CUIDADO DNA. Seqüenciamento de DNA, manipulação de genes, transgenia, clona- com o uso indiscriminado das generalizações: “maioria” é gem, pesquisas com células-tronco e terapias decorrentes são assuntos a diferente de “todos”, do mesmo modo que “muitas vezes” é serem tratados no fascículo. As questões éticas envolvidas também serão diferente de “sempre”. O uso abordadas. O 11o fascículo, que terá a mesma estrutura dos outros dez, inadequado ou a interpretação Ilustração: AKE ASTBURy imprecisa desses termos podem com questões comentadas pelos professores, estará disponível apenas significar a resposta errada a uma questão. em versão eletrônica. DIRETOR GERAL Juan Ocerin DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto DIRETORA DE MARKETING yara Grottera DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br REDATOR-CHEFE David Cohen DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander DIRETOR DE ARTE Marcos Marques O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007 Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reserva- dos. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo. COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO) COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva (Prof. Toni) e Venerando Santiago de Oliveira (Prof. Venê) COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti ILUSTRAÇÕES AKE Astbury REVISÃO Bel Ribeiro SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO) 8 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e82 0 0 7 E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O X | R
  17. 17. B Biotecnologia, iotecnologia é um termo que nos remete ao estado da arte da ciência da vida. Está promessas associado ao genoma, ao DNA, a clones, enfim, a um extenso leque de descobertas dos tempos modernos. e polêmicas Mas a biotecnolgia é tão antiga quan- to a própria civilização. O primeiro homem que, 12 mil anos atrás, numa remota Mesopotâmia, usou fermento para fazer o pão estava pondo em curso um processo biotecnológico. Culturas transgênicas e uso Hoje a biotecnologia continua a fazer de células-tronco estão no o pão, com a diferença de que o ingrediente pode ser transgênico. centro de um debate que Biotecnologia é um termo que tam- envolve questões éticas, bém nos remete à polêmica. Am- legais e religiosas bientalistas e agricultores debatem o plantio de alimentos transgênicos, entre eles a soja. Correntes religio- sas, em nome do direito da vida do embrião, se opõem a pesquisadores que defendem o uso de células-tron- co em tratamentos de doenças. O de- bate envolve questões éticas e legais. Há mais perguntas que respostas. O importante é ter os argumentos afiados, tarefa que este fascículo o ajudará a levar a cabo. NESTA EDIÇÃO Representação Em que pé está a Lei do DNA da Biossegurança PÁG. 3 Cinco dicas para você estudar melhor PÁG. 8 Física Biologia Química
  18. 18. ENTENDA O ASSUNTO Biotecnologia, entre o milagre e o pecado A ciência abre novas perspectivas para o tratamento de doenças, mas seu avanço provoca polêmicas e debates sobre a própria noção de vida POR FÁBIO L. OLIVEIRA CÉLULAS PLURIPOTENTES (Células de blastocisto de 5-14 dias) UM BIÓLOGO, DUAS SURPRESAS O biólogo James Watson surpreendeu o mundo duas ÓVULO FERTILIZADO EMBRIÃO DE 8 DIAS vezes. A primeira foi em BLASTOCISTO 1953, quando, com Fran- cis Crick, físico britânico, anunciou o modelo de dupla hélice para o DNA, propondo como se daria sua replica- PLURIPOTENTES ção. A segunda foi em outu- ilustração: AKE ASTBURY bro passado, ao declarar seu NEURÔNIO “pessimismo em relação ao CÉLULAS DO SANGUE futuro da África pelo fato de os negros terem menos inte- ligência que os ocidentais”. MÚSCULO Watson se desculpou publi- H camente, mas foi suspenso oje em dia podemos tomar vinhos de ótima qualidade, de várias partes do Laboratório Cold Spring do mundo e a preços acessíveis. Foi longo o caminho para chegar a esse Harbor, onde trabalhou por estágio. Começou a ser percorrido há 5 mil anos no Egito, onde encontra- 40 anos. Acabou por se apo- mos os registros mais antigos do processo de vinificação. Naquela época, o uso sentar. A declaração mancha de fermentos já não era novidade – afinal, a produção do pão na Mesopotâmia a biografia do cientista, remonta há 12 mil anos. mas não tira o valor de sua Os antigos não tinham um nome para o processo, mas, ao produzir o pão e o descoberta, que lhe valeu o vinho, estavam usando a biotecnologia. O termo se refere à utilização de seres Prêmio Nobel de Medicina vivos para a obtenção de serviços ou produtos. É o que a biotecnologia moderna ainda faz, agora com a ajuda da informação genética, que multiplicou sua utili- em 1962. dade. Atualmente, por exemplo, a biotecnologia está na base da realização de testes de paternidade ou do desenvolvimento de medicamentos. O passo mais importante, que abriu as portas para a biotecnologia moderna, foi dado em 7 de março de 1953 por Francis Crick e James Watson. Trabalhando no laboratório Cavendish, na Inglaterra, eles foram os primeiros a apresentar um modelo da molécula de DNA, com o formato de dupla hélice (parecida com uma escada em espiral). Essa descoberta causou uma revolução na biotecnolo- James gia, possibilitando pesquisas com transgênicos, clonagem, genomas e células- Watson tronco. Tais avanços defrontaram o homem e a sociedade com dilemas e confli- tos éticos, religiosos e legais, ainda passíveis de discussão e solução. Em 1970, a descoberta das enzimas de restrição (que cortam o DNA em pontos específicos) tornou possível transferir trechos de DNA de uma espécie © (AP) para outra e, portanto, o desenvolvimento de organismos transgênicos. O pri- 2 I r e v i s ta é p o c a I 1 1 d e j u n h o d e 2 0 |0 7R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O X I 2

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