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Cc 02771402505[1]

  1. 1. O USO DOS MATERIAIS CURRICULARES EDUCATIVOS SOBRE MODELAGEM MATEMÁTICA NAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DOS PROFESSORES Wedeson Oliveira Costa1 Universidade Estadual de Feira de Santana wedesoncosta@hotmail.com Andréia Maria Pereira de Oliveira2 Universidade Estadual de Feira de Santana ampodeinha@uol.com.brResumoNeste artigo, nosso objetivo é compreender como os professores utilizam materiais curriculareseducativos sobre modelagem matemática em suas práticas pedagógicas. Esses materiaisencontram-se disponíveis em um ambiente virtual denominado Colaboração Online emModelagem Matemática (COMMa). Os dados referentes à pesquisa qualitativa foram coletadospor meio da observação e da entrevista. A partir das análises dos dados, identificamosparticularidades no uso dos materiais curriculares educativos sobre modelagem matemática naspráticas pedagógicas dos professores no que se refere à interligação ao programa curricular daescola e como um norteador para a prática pedagógica. Os resultados evidenciam que autilização dos materiais curriculares educativos sobre modelagem matemática decorrem dasfinalidades estabelecidas pelos professores, permitem dar uma noção de como conduziratividades de modelagem e auxilia na tomada de decisões para o desenvolvimento do ambientede modelagem.Palavras-chave: Materiais Curriculares Educativos; Modelagem Matemática eProfessores.Introdução A Internet possibilita novas formas de desenvolver atividades educacionais noambiente escolar, bem como espaços de comunicação e discussão acerca das práticaspedagógicas na educação básica. Além disso, esse recurso de informação e 1 Bolsista de Iniciação Científica CNPq do Programa de Pesquisa e Pós-Graduação (PPPG-UEFS) e aluno da Licenciatura em Matemática da Universidade Estadual de Feira de Santana E-mail:wedesoncosta@hotmail.com 2 Docente do Departamento de Ciências Exatas da Universidade Estadual de Feira de Santana edo Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências da Universidade Federal daBahia e da Universidade Estadual de Feira de Santana. E-mail: ampodeinha@gmail.com
  2. 2. 2comunicação pode configurar-se como espaços de ações e discussões acerca daEducação Matemática. Os ambientes virtuais1 da Internet além de subsidiar os professores sobre aprática em sala de aula, também despertam para que eles desenvolvam as propostascompartilhadas na virtualidade, tornando assim um espaço de desenvolvimentoprofissional (BAIRRAL, 2007). Pesquisas têm sido realizadas para investigar como aInternet modifica e/ou condiciona as práticas dos professores em atividadesmatemáticas voltadas a geometria plana e espacial (BAIRRAL; GIMÉNEZ; TOGASHI,2001), as práticas de modelagem matemática2 (BORBA et. al, 2007), dentre outras. As discussões sobre a modelagem têm ocorrido cada vez mais em contextosvirtuais, em decorrência das dificuldades no contexto escolar oriundos da própriaprática docente, a insegurança do professor em trabalhar com a modelagem, além dademanda de um ambiente virtual voltado para discutir e pesquisar colaborativamentequestões relacionadas à modelagem (BORBA et. al, 2007). Estudos têm evidenciadoessa insegurança dos professores em um ambiente de modelagem (OLIVEIRA;BARBOSA, 2007), que é constituída quando eles se deparam com situaçõesimprevisíveis na sala de aula, bem como, às características inovadoras do ambiente demodelagem, já que se diferencia da chamada “prática tradicional” do ensino dematemática (BARBOSA, 2001). Atualmente, encontram-se disponíveis três ambientes virtuais vinculados àmodelagem matemática, a saber: o Centro de Referência sobre Modelagem Matemáticano Ensino (CREMM3), o Centro Virtual de Modelagem (CVM4) e o ColaboraçãoOnline em Modelagem Matemática (COMMa5). O CREMM é um ambiente virtual quedisponibiliza livros, produções acadêmicas (monografias, dissertações e teses) e artigosem anais e revistas sobre pesquisas e práticas pedagógicas em modelagem matemática.O CVM é um ambiente que possibilita interações virtuais por meio de fóruns,hipertextos, chats, no qual ocorre troca de informações e experiências entre os usuários 1 De acordo com Bairral (2007), o ambiente virtual diz respeito a um sistema sócio-interativoque envolve múltiplos elementos, de diferentes tipos e domínios: a comunidade constituída, as tarefas ouproblemas, os discursos demandados, as colaborações estabelecidas, as ferramentas computacionais esituações concretas de aula que permitem aos usuários relacionarem em sua prática esses elementos. 2 Entendemos a modelagem matemática como “um ambiente de aprendizagem no qual os alunossão convidados a investigar por meio da matemática situações com referência na realidade ou em outrasáreas da ciência”. (BARBOSA, 2007, p. 161) 3 Site: http://www.furb.br/cremm 4 Site: http://tidia-ae.rc.unesp.br/portal 5 Site: http://www.uefs.br/comma
  3. 3. 3desse ambiente. O COMMa configura-se como um espaço de colaboração entreprofessores e pesquisadores, em que o Grupo Colaborativo em Modelagem Matemática(GCMM1) disponibiliza materiais curriculares educativos que são compostos poratividades de modelagem que foram elaboradas e implementadas pelos professoresmembros do grupo em suas práticas pedagógicas (PRADO et. al, 2009), de modo quepermite que outros professores suplementem esses materiais ao implementarem asatividades em suas salas de aulas. A seguir, na próxima seção descreveremos acercadesses materiais curriculares educativos produzidos pelo GCMM e a sua composição. Nos ambientes virtuais, é notória uma atenção considerável nas pesquisas acercados discursos e interações dos participantes (BORBA et. al, 2007; BAIRRAL, 2007).Contudo, esses estudos não sinalizam sobre como os professores atuam nas salas deaulas, em termos de mudanças nas práticas pedagógicas a partir do contato com essesambientes. Assim, utilizamos o COMMa, o qual é composto por materiais curriculareseducativos sobre modelagem matemática, que trazem as experiências e saberes deprofessores do grupo que participaram da elaboração, implementação e análises dessesmateriais, e por fim a socialização por meio da Internet. Desta forma, buscamos analisar de que maneira os materiais curriculareseducativos sobre modelagem matemática são utilizados pelos professores em suaspráticas pedagógicas.Materiais Curriculares Educativos Para uma compreensão acerca dos materiais curriculares educativos e o uso naprática pedagógica, Brown (2009) associa-os a uma música executada por inúmerosartistas de formas distintas, em virtude das influencias culturais, fatores contextuais epreferenciais. Apesar dos artistas, usarem partituras como base para apoiar as suaspráticas, durante a utilização da música é que ocorre parte do trabalho criativo. Estarelação é similar com os materiais curriculares educativos e as práticas dos professores. Os materiais curriculares educativos têm por finalidade a aprendizagem deestudantes e professores. Nessa perspectiva, Steim e Kim (2009) argumentam que osprofessores podem avaliar como ocorreu determinadas atividades num certo contexto e, 1 Projeto de extensão (Resolução UEFS/CONSEPE Nº. 120/2007) da Universidade Estadual deFeira de Santana (UEFS) composto por 19 membros, entre pesquisadores da instituição, estudantes daLicenciatura em Matemática e professores da rede pública e privada da região de Feira de Santana, Bahia.
  4. 4. 4daí, ter a possibilidade de levantar suposições sobre como poderia acontecer na sua salade aula, bem como inspirar a elaboração de novas atividades. Schneider e Krajcik(2002) argumentam que os materiais curriculares educativos podem trazer descrições daimplementação em sala de aula, narrativas, registros dos alunos, comentários, etc. Estudos mostram que a maneira como professores utiliza os materiaiscurriculares educativos podem variar muito (REMILLARD, 2005), devido aosdiferentes objetivos apresentados pelos professores em contextos distintos. Nessesentido, Brown (2009) introduz o conceito de “capacidade de projeto pedagógico”(PDC) para se referir “a capacidade de um professor em perceber e mobilizar recursosexistentes a fim de criar episódios pedagógicos. Desta forma, este conceito pode ajudara explicar porque dois professores altamente qualificados podem utilizar os mesmosmateriais curriculares de modos muito diferentes. Tal conceito permite flexibilizar o uso dos materiais curriculares enquantomantém as expectativas para a aprendizagem do professor, reduzindo assim a tensãoentre o os controles externos, como a escola e a comunidade sob a autonomia doprofessor em adaptar e improvisar os materiais. Por isso, a necessidade de compreender melhor sobre o papel dos materiaiscurriculares educativos, a fim de fornecer subsídios sobre sua utilização, já que aimplementação das atividades contidas nos materiais transcorrem por diferentesambientes, no que diz respeito à séries, instituições, classes sociais, comunidades, etc. Diante dessas implicações, com a finalidade de promover o aprendizado dosprofessores na incorporação da modelagem nas aulas, iremos em particular focar nautilização dos materiais curriculares educativos sobre modelagem matemática.Materiais Curriculares Educativos sobre Modelagem Matemática Os materiais curriculares educativos sobre modelagem matemática é produzidopelo Grupo Colaborativo em Modelagem Matemática (GCMM/UEFS), o qual elaboramos materiais colaborativamente com a finalidade de apoiar os professores adesenvolverem modelagem em suas aulas, por meio das experiências dos professoresmembros do GCMM ao implementarem atividades de modelagem em suas práticaspedagógicas e socializá-las por meio de um ambiente virtual denominado ColaboraçãoOnline em Modelagem Matemática (COMMa). Além disso, eles são compostos por
  5. 5. 5atividades de modelagem do caso 11, planejamentos da implementação feitos peloprofessor membro do GCMM, narrativas descrevendo como atividade foi implementadana sala de aula, trechos de vídeos das aulas, registros de algumas resoluções dos alunos,fórum e análises dos vídeos e registros feitas pelo GCMM. Atualmente no ambiente virtual encontram-se disponíveis cinco atividades:“Somos o que comemos?”, “Erradicação do Trabalho Infantil”, “Minha casa, minhavida”, “Poupar água é investir no que existe de mais precioso: a Vida” e “Os efeitos damaconha no organismo”. Neste artigo, focaremos nossas análises na utilização dosmateriais curriculares educativos sobre modelagem matemática da atividade “Somos oque comemos?”, em busca de tentar compreender como uma professora o utilizou emprática pedagógica.Contexto e Metodologia Neste artigo, os dados apresentados foram coletados na aula da professoraMara2, em uma escola da rede pública estadual, na cidade de Feira de Santana, naBahia. A coleta de dados ocorreu em duas aulas geminadas numa turma quecorrespondia ao 6º e 7º ano do Ensino Fundamental. Essa turma tinha uma característicapeculiar, pois os alunos cursavam dois anos simultaneamente em um ano letivo, deacordo com o Projeto de Regularização do Fluxo Escolar, cujo objetivo era a aceleraçãodos estudos para alunos com atraso escolar. A escolha deste contexto deveu-se a professora Mara ter tido um contato com osmateriais curriculares educativos sobre modelagem matemática presentes no COMMa, apartir da proposta da disciplina Instrumentalização para o Ensino de Matemática VIII(INEM VIII) do curso de Licenciatura em Matemática da UEFS. A disciplina INEMVIII traz no cronograma das atividades, uma experiência como professor naimplementação de uma atividade de modelagem. A professora da disciplina indicou oambiente virtual a fim de inspirá-la para a elaboração da atividade, daí a escolha daprofessora Mara pela atividade sobre o tema Alimentação, em virtude de a escola estarparticipando de um projeto sobre a alimentação dos alunos. 1 As atividades de modelagem, as quais o professor apresenta o problema, devidamente relatadocom dados quantitativos e qualitativos, cabendo aos alunos a investigação são nomeadas como Caso 1(BARBOSA, 2003). 2 Pseudônimo adotado para a professora com o intuito de preservar sua identidade.
  6. 6. 6 Como o propósito deste estudo é compreender como os professores utilizamos materiais curriculares educativos sobre modelagem matemática produzidosexternamente aos seus contextos pedagógicos, essa pesquisa se insere numa abordagemqualitativa, pois a intenção é analisar o uso dos materiais e não quantificá-los. Destemodo, esta abordagem possibilitará compreender ou interpretar as ações voltadas àprática docente, partindo do pressuposto de que “as pessoas agem em função de suascrenças, percepções, sentimentos e valores e que seu comportamento tem sempre umsentido, um significado que não se dá a conhecer de modo imediato” (ALVES-MAZZOTTI, 2002, p. 131), precisando ser investigado. Assim, a observação tornou-seum dos instrumentos de investigação mais apropriado, para que pudéssemos captar ossignificados dos comportamentos observados. Diante disso, utilizamos a filmagem da aula como procedimento de coleta afimde que a observação pudesse ocorrer de forma repetidamente durante o estudo, embusca de particularidades na prática pedagógica da professora Mara nos momentos daaula. Ainda como instrumento, utilizamos a entrevista semiestruturada, as quais forambaseadas nos estudos de Alves Mazzotti (2002), o qual se buscou entender os relatos daprofessora acerca das análises sobre sua prática pedagógica, com base nos vídeosapresentados durante a entrevista. A entrevista seguiu-se com a seguinte dinâmica: inicialmente, apresentou-se osvídeos presentes no ambiente virtual, e, posteriormente, os recortes dos vídeos daimplementação da atividade da professora entrevistada, com o intuito de relembraralguns momentos da atividade, que podia não ser lembrado durante a entrevista. Ao final da filmagem da aula e posteriormente da entrevista, seguimos com atranscrição desses dados a fim de trazer compreensões teóricas dos recortes escolhidoscom base no objetivo da pesquisa. Para analisar os dados foram realizadas leituras linhapor linha das transcrições da observação e da entrevista, seguido da elaboração dascategorias específicas relacionadas ao uso dos materiais curriculares educativos sobremodelagem matemática (CHARMAZ, 2009).
  7. 7. 7Materiais Curriculares Educativos sobre Modelagem Matemática nas práticaspedagógicas dos professores1 Nesta seção, apresentaremos os dados referentes à prática pedagógica daprofessora Mara, coletados a partir da implementação da atividade contida no materialcurricular educativo sobre modelagem matemática e da entrevista, seguido das análisesdos discursos desses momentos. A dinâmica para a resolução da atividade escolhidapela professora Mara foi de acordo como a apresentada nos materiais curriculareseducativos, o qual tratava acerca da alimentação dos alunos, com os dados quantitativose qualitativos sendo fornecidos na atividade, cabendo a eles a investigação e resoluçãodas questões. Assim, discutiremos duas categorias: o uso dos materiais curriculareseducativos interligado ao programa curricular da escola e o uso dos materiaiscurriculares educativos com um norteador para a prática pedagógica.O uso dos materiais curriculares educativos interligado ao programa curricular daescola Essa categoria representa a utilização dos materiais curriculares educativos sobremodelagem matemática interligado a um projeto sobre o tema “Alimentação” que fazparte do programa curricular da escola. A seguir, apresentaremos os dados referentes aomomento em que a professora comunicou aos alunos que eles iriam fazer uma atividadesobre alimentação, de acordo com o que já vinha sendo discutido durante a semana doprojeto. Mara: A gente necessita ter uma boa alimentação, não é? Para a gente poder o quê? Se manter, não é? Para o nosso organismo estar em funcionamento direitinho. E quais foram às instruções que aqueles nutricionistas passaram para vocês, quem aqui ainda lembra? Aluna 1: Comer muita verdura. Nesse trecho, a professora Mara iniciou uma conversa informal com os alunosacerca do tema, questionando-os sobre a necessidade de se ter uma boa alimentação,para que o organismo possa se manter de acordo com as necessidades normais do serhumano e estar em correto funcionamento. Durante esse anúncio, a professora retomouas discussões realizadas por nutricionistas que participaram do projeto. Diante disso, a 1 Este artigo tem como foco compreender a utilização dos materiais curriculares educativos sobremodelagem matemática em especial de uma professora da Educação Básica, neste caso, a professoraMara.
  8. 8. 8professora questionou quais foram as instruções que eles passaram para os alunos e aAluna 1 respondeu que se deveria consumir verduras. A partir do trecho apresentado, evidencia-se que a professora por meio docontato com os materiais curriculares educativos sobre modelagem matemática, pôdeinserir na disciplina de Matemática uma discussão sobre um tema não-matemático,neste caso, o tema do projeto que era de caráter interdisciplinar. Na entrevista, aprofessora Mara explicou como procederam as discussões com os alunos a partir dainserção da atividade nesse projeto escolar. Além disso, como ela poderia iniciar aconversa com os alunos nos momentos iniciais: “O único contato que eles tinham era com aquele grupo de nutricionistas da faculdade que já estavam aplicando o projeto. [...]1 O contato que eu tive com eles foi esse daí na sala, para estar relembrando o que foi que eles falaram, quais foram às instruções que eles deram... Para como é que os meninos poderiam manter uma dieta saudável, não é? [...] Como eu já tinha assistido alguns vídeos do COMMa, não é? Aí eu tive uma noção de como era que a gente poderia estar fazendo o convite para estar desenvolvendo a atividade de modelagem em sala de aula.” (ENTREVISTA). Nesse trecho da entrevista, a professora relatou que o contato dos alunos com otema foi por meio dos nutricionistas, que participaram do projeto interdisciplinar naescola. O momento que ela discutiu o tema com os alunos foi somente a aula daatividade. Assim, o seu papel era relembrar o que os nutricionistas haviam discutidocom eles nos momentos iniciais da atividade, sobre o que seria ter uma alimentaçãosaudável. Em outro trecho da entrevista, a professora mencionou que já tinha vistoalguns vídeos do COMMa, o que a possibilitou ter uma noção de como poderia realizaressa conversa inicial com os alunos na atividade de modelagem. Nesse sentido, esses trechos demonstram que os materiais curriculareseducativos sobre modelagem matemática favoreceram a inserção da disciplinaMatemática em projetos com temas relacionados a outras ciências, a partir do momentoque a professora Mara optou por inserir a atividade de modelagem no projeto escolar.Desta forma, observa-se a utilização dos materiais curriculares educativos vinculados aoprograma curricular da escola, bem como a possibilidade de conexão entre ambos. 1 As reticências sinalizam pausas curtas no meio das falas, as reticências entre colchetessinalizam que ocorreram mais falas entre as que foram apresentadas nos dados e entre parêntesesdestacam as ações do indivíduo.
  9. 9. 9O uso dos materiais curriculares educativos como um norteador para a práticapedagógica Essa categoria se refere aos momentos em que a professora Mara utilizou osmateriais curriculares educativos sobre modelagem matemática como norteador para aimplementação da atividade em sua prática pedagógica, no sentido de obter orientaçõesacerca do fazer modelagem. A seguir, apresentaremos trechos em que a professoradeparou-se com a resistência dos alunos e questionamentos inesperados, os quaisimpulsionaram uma mudança na sua postura durante a realização da atividade, nestecaso, no momento da leitura e interpretação das tabelas e na organização dos alimentospor grupos alimentares. Durante os dois momentos referidos, a professora Mara modificou a sua postura,realizando uma ação similar a apresentada pela professora que socializou a suaexperiência da implementação da atividade por meio dos materiais curriculareseducativos. O trecho abaixo se refere ao momento da leitura e interpretação das tabelaspresentes na atividade do MCE: Mara: ... Então, eu vou pedir aí para vocês... Para cada grupo ler aí a quantidade de... Os grupos, não é? As calorias que o nosso organismo precisa. Então lê aí Aluna 1 o Grupo 1. Quem aqui lê aí [...] Na tabela aqui, certo? Nessa tabela. O que é que o Grupo 1 diz? Aluno 13: Cereais, pães... Mara: Ah... Um grupo ali leu. Aluno 13: Cereais, pães, raízes e tubérculos. Mara: Qual a quantidade de calorias que a gente tem que estar ingerindo? Aluno 13: Cento e cinqüenta. Mara: E o número de porções diárias? Alunos: Oito. Nesse trecho, a professora Mara mencionou que solicitaria que cada equipe lesseos alimentos dos grupos alimentares e a quantidade de calorias que o organismo precisaingerir diariamente. Em seguida, a professora indicou qual equipe deveria ler,solicitando para a Aluna 1 a leitura da tabela. Nesse momento, a leitura determinada nãofoi realizada pela aluna. Diante disso, a professora Mara abriu a leitura para a turma,deixando-a mais livre para quem quisesse realizá-la. Passado alguns instantes, o Aluno13 realizou a leitura da tabela especificando quais os alimentos deste grupo. Depoisdisso, a professora questionou qual a quantidade de calorias que precisa ser ingeridodiariamente nesse grupo e o aluno respondeu o que foi solicitado. Por fim, a professora
  10. 10. 10apresentou outro questionamento, dessa vez acerca da quantidade de porções para omesmo grupo alimentar, sendo respondido nesse momento por parte dos alunos. Após a solicitação da leitura que não foi realizada pela aluna, a dinâmicaescolhida pela professora Mara de realizar uma leitura compartilhada, ocorre de maneirasimilar à apresentada nos materiais curriculares educativos, na qual a professoraconvidou os alunos para realizarem a leitura da tabela, e, em seguida, questionava-osacerca de cada item, de maneira mais aberta. Nesse sentido, esse trecho traz indícios deque a professora Mara ao lidar com a resistência dos alunos na leitura da atividade, elaretomou a dinâmica utilizada pela professora que socializou as suas experiências nosmateriais curriculares educativos. Nesse sentido, durante a entrevista questionou-seacerca dessa dinâmica e a professora Mara relatou: “O que eu pude notar na prática [da professora] é que ela foi fazendo a leitura junto com os meninos e os meninos foram ajudando ela é... Fazendo a leitura do texto. E já na minha [...] Só depois de tanto eu insistir, de tanto pedir para eles lerem que eles foram lendo junto comigo e a leitura que eu fui fazendo foi junto, não é? Eu fazendo a leitura e ao mesmo tempo tentando indagar aos meninos o que é que eles tinham uma noção de porções, de calorias” (ENTREVISTA). Nesse trecho, Mara, inicialmente, relatou o que pôde observar na prática daprofessora por meio dos Vídeos e Narrativa contidos nos materiais curriculareseducativos, o qual demonstra a professora realizando a leitura das tabelas passo a passoem paralelo com os alunos. Contudo, durante a aula, os alunos apresentaram certaresistência, possivelmente em virtude da postura imperativa no momento da solicitaçãoda leitura. Após a mudança da ação na prática pedagógica da professora, a atividadeseguiu adiante com a participação de um número maior de alunos, devido à socializaçãoda leitura, bem como por meio das indagações realizadas por ela. No decorrer da aula, a professora Mara lidou com uma pergunta de uma aluna,na questão que solicitava para os alunos organizarem os alimentos consumidos emgrupos alimentares: Aluna 2: Professora e o café? Mara: Onde é que a gente tem café aqui? (Olhando para a tabela dos Grupos Alimentares) Então, olha gente... Vamos observar aqui uma coisa. Ela me perguntou o café e o café à gente não tem nos grupos, então a gente vai colocar em outro grupo. Certo? A gente vai colocar no grupo “Outros”. Quando a professora Mara observou que o café não se encontrava especificadonos grupos alimentares da tabela, ela utilizou uma estratégia que a professora
  11. 11. 11apresentou na aba Narrativa nos materiais curriculares educativos, o qual foi negociadocom os alunos que os alimentos que não foram encontrados na tabela da ANVISA,deveriam ser colocados em um grupo denominado de “Outros”: “Durante a resolução das questões, principalmente a 2ª e a 3ª, surgiram questionamentos a respeito de alguns itens consumidos pelos alunos que não estavam na tabela de calorias da ANVISA (tabela 1) ou não constava na tabela de calorias elaborada por nutricionistas, por exemplo, café com leite, coca-cola, Nescau, cuscuz, balas. Diante disso, combinamos que esses itens receberiam a denominação de “Outros” e seriam colocados a parte” (NARRATIVA DOS MCE). Além disso, na aba dos Registros dos alunos, encontram-se documentos queexpressam a soluções dos alunos utilizando esse artifício de separação dos gruposalimentares. Assim como a professora dos materiais curriculares educativos sobrealimentação, a professora Mara designou ao grupo alimentar a mesma denominação,utilizando o termo “Outros”. Desta forma, esses extratos indicam que a professora Mara seguiu a estratégiasimilar criada pela professora que socializou suas experiências no COMMa, ao lidarcom a situação inesperada acerca da organização dos alimentos nos grupos alimentares.Diante disso, observa-se que o contato com os materiais curriculares educativos sobremodelagem matemática auxiliou a professora Mara na tomada de decisões no decorrerda atividade, a fim de dar continuidade na resolução das questões pelos alunos.Discussões Nesta sessão, apresentaremos os resultados das análises dos dados em termosdas particularidades no uso dos materiais curriculares educativos sobre modelagemmatemática na prática pedagógica da professora Mara. Neste caso, a professora utilizouos materiais curriculares educativos de duas maneiras: interligado ao programacurricular da escola e como um norteador para a prática pedagógica. Bel utilizou os materiais curriculares educativos sobre modelagem matemáticaconciliando-os ao programa curricular da escola, neste caso, a um projeto implementadona unidade escolar cujo tema era Alimentação. O objetivo da professora era inserir adisciplina de Matemática nesse projeto de caráter interdisciplinar, o qual os materiaiscurriculares educativos puderam concretizar esse objetivo, já que a professora a partirdesse contato encontrou uma atividade, cujo tema era abordado na escola no momento.
  12. 12. 12 Além disso, a professora afirmou que os vídeos contidos nos materiaiscurriculares educativos permitiram que ela pudesse ter uma noção de como conduzir aatividade de modelagem. Nesse sentido, a maneira como a professora utilizou osmateriais curriculares educativos sobre modelagem matemática demonstra umapossibilidade desse uso na prática pedagógica dos professores. Nesse caso, a conciliaçãodos materiais curriculares educativos ao programa curricular da escola, deveu-se afinalidade estabelecida pela professora de inserir Matemática no projeto escolar. Assim,a utilização dos materiais curriculares educativos sobre modelagem matemática decorredas finalidades estabelecidas pelos professores. Sob essa questão, Edelson (2002)afirma que “os professores definem como usar os materiais curriculares para atingirseus objetivos” (p. 25). Outras compreensões puderam ser extraídas, acerca do uso dos materiaiscurriculares educativos, a partir de dois momentos no decorrer da aula: na resistênciados alunos e nos questionamentos inesperados. No momento em que a professoradeparou-se com a resistência dos alunos na leitura das tabelas, ela utilizou a dinâmica daleitura compartilhada, ao invés de solicitar que o aluno a realizasse. Dessa maneira, aprofessora oportunizou uma dinâmica de leitura mais aberta à participação dos alunos,como a apresentada pela professora que socializou as suas experiências nos materiaiscurriculares educativos no ambiente virtual COMMa. Nesse sentido, as mudanças nasações da professora, bem como, as alterações na maneira de apresentar a atividadeforam preponderantes para diminuir a resistência dos alunos (SILVA et. al, 2007). No momento em que a professora lidou com a pergunta de uma aluna sobre qualgrupo alimentar deveria ser colocado o café, ela utilizou uma estratégia que a professorados materiais curriculares educativos negociou em sua sala de aula. Nesse caso, aprofessora ao lidar com os questionamentos não previstos, desenvolveu em sua aula amesma estratégia apresentada nos materiais curriculares educativos. Nesse sentido, ocontato com os materiais foi decisivo para orientá-la no desenvolvimento da atividade. Tendo em vista que a professora retomou as práticas contidas nos materiaiscurriculares educativos, podemos considerar que essas decisões durante a dinâmica doambiente de modelagem foram decorrentes das experiências apresentadas nos materiaiscurriculares educativos sobre modelagem matemática que a auxiliaram em sua práticapedagógica. Nesse sentido, este resultado é convergente ao apresentado por Schneider
  13. 13. 13& Krajcik (2002), quando afirmam que os professores aprendem em situações deexperiências. Assim, percebemos que a utilização dos materiais curriculares educativos sobremodelagem matemática nas práticas pedagógicas dos professores pode ocorrer demaneiras distintas, e a apresentada neste estudo, contempla uma maneira, neste caso,associando-o aos programas curriculares das escolas e como um norteador para aprática pedagógica. Além disso, oportunizaram mudanças nas práticas pedagógicas daprofessora, no que se refere à condução da atividade de modelagem e na tomada dedecisões.Considerações Finais Este estudo teve como objetivo compreender como os professores utilizam osmateriais curriculares educativos sobre modelagem matemática em suas práticaspedagógicas. Para tanto, consideramos os discursos da professora no momento em queela utilizou os materiais curriculares em sua sala de aula e na entrevista. As conclusões encontradas a partir dos estudos sobre a implementação daatividade de modelagem contida nos materiais curriculares educativos pela professoraMara, podem auxiliar os outros professores a utilizarem os materiais em suas práticaspedagógicas no que se refere ao currículo escolar, bem como no desenvolvimento doambiente de modelagem, já que eles podem encontrar as mesmas situações em suaspráticas pedagógicas. A análise do presente artigo apresenta somente a utilização dos materiaiscurriculares educativos sobre modelagem matemática de uma professora da EducaçãoBásica, devido à demanda de professores utilizando os materiais curriculareseducativos, visto que o objetivo da pesquisa fora alcançado, ainda que em pequenaescala. Neste sentido, apontamos ainda a necessidade de melhor compreender como osprofessores utilizam os materiais, a fim de ganhar evidências sobre suas possibilidades erestrições no contexto escolar.ReferênciasALVES-MAZZOTTI, A. J. O método nas ciências sociais. In: ALVES-MAZZOTTI, A.J.; GEWAMDSZNADJDER, F. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisaquantitativa e qualitativa. 2. ed. São Paulo: Pioneira, 1998.
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