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Sociologia unidade VI
 

Sociologia unidade VI

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    Sociologia unidade VI Sociologia unidade VI Document Transcript

    • Unidade VI. Prof. João Paulo C6: Minorias Minorias. Com o crescimento cada vez maior da globalização, as culturas vêm sofrendo alterações comprometendo as identidades culturais. É uma espécie de “rotulação” mundial da cultura ou uma globalização cultural. Na sociedade consumista os meios de comunicação em massa determinam o que devemos comer vestir, assistir, ouvir, usar, comprar, entre outras imposições. Diante da “padronização” cultural, existem no mundo vários grupos com práticas culturais, religiosas peculiares, são grupos diferentes denominados de minorias, correspondem a grupos ou nações que lutam por seus ideais, o primeiro luta pelo respeito e cidadania, o segundo aspiram por sua independência territorial, cultural, religiosa e política, para defender os interesses de suas peculiaridades. Mas as minorias não são compostas apenas de nações reivindicando sua independência territorial, existem as minorias inseridas em praticamente todas as sociedades. A situação de exclusão e/ou discriminação provoca o surgimento de organizações que buscam dignidade e respeito através de ações políticas. Podemos exemplificar vários grupos de minorias, como os homossexuais, os sem terra, os sem teto, as feministas e os povos indígenas, todos eles tem seus motivos para lutar, todos eles são minorias dentro das sociedades, no fim todos querem o mesmo, ser respeitados. IDENTIDADE E DIVERSIDADE As populações indígenas são vistas pela sociedade brasileira ora de forma preconceituosa, ora de forma idealizada. O preconceito parte, muito mais, daqueles que convivem corretamente com os índios: as populações rurais. Dominadas, política, ideológica e economicamente, as populações rurais necessitam disputar as escassas oportunidades de sobrevivência em sua região com membros de sociedades indígenas que vivem. Por isso, utilizam estereótipos, chamando-os de “ladrões”, “traiçoeiros”, “preguiçosos” e “beberrões”, enfim de tudo que possa desqualificá-los. Procura justificar, desta forma, todo o tipo de ação contra os índios e a invasão de seus territórios. Já as populações urbanas, que vive distanciada das áreas indígenas, tende a ter deles uma imagem favorável, embora os veja como algo muito remoto. Os índios são considerados a partir de um conjunto de imagens e crenças amplamente disseminadas pelo senso comum: eles são donos da terra e seus primeiros habitantes, aqueles que sabem conviver com a natureza sem depredá-la. São também vistos como parte do passado e, portanto, como estando em processo de desaparecimento, muito embora, como provam os dados, nas três ultimas décadas tenha se constatado o crescimento da população indígena. Só recentemente os diferentes seguimentos da sociedade brasileira estão se conscientizando de que os índios são seus contemporâneos. Eles vivem no mesmo país, participam da elaboração das leis, elegem candidatos e compartilham problemas semelhantes, como as conseqüências da poluição ambiental e das diretrizes e ações do governo nas áreas política, econômica, saúde, educação e administração pública em geral. Hoje, há um movimento de busca de informações atualizadas e confiáveis sobre os índios, um interesse em saber, afinal, quem são eles. Qualquer grupo social humano elabora e constitui um universo completo de conhecimentos integrados, com fortes ligações com o meio em que vive e se desenvolve. Entendo cultura como o conjunto de respostas que uma determinada sociedade humana dá as experiências por ela vivida e aos desafios que encontra ao longo do tempo, percebe-se o quanto as diferentes culturas são dinâmicas e estão em continuo processo de transformação. O Brasil possui uma imensa diversidade étnica e linguística, estando entre as maiores do mundo. São 215 sociedades indígenas, mais cerca de 55 grupos de índios isolados, sob os quais ainda não há informações objetivas, 180 línguas pelo menos, são faladas pelos membros destas sociedades, as quais pertencem mais de 30 famílias linguísticas diferentes.
    • No entanto é importante frisar que as variadas culturas das sociedades indígenas modificam-se constantemente e reelaboram-se com o passar do tempo, com a cultura de qualquer outra sociedade humana. E é preciso considerar que isto acontecia mesmo que não houvesse ocorrido o contato com as sociedades de origem europeia e africana. No que diz respeito a identidade étnica, as mudanças ocorridas em varias sociedades indígenas, como o fato de falarem português, vestirem roupas iguais a dos outros membros da sociedade nacional com que estão em contato, utilizarem moderna tecnologia (como câmeras de vídeo, maquinas fotográficas e aparelhos de fax ), não fazem com que percam sua identidade éticas deixem de ser indígenas. A diversidade cultural pode ser enfocada tanto sob o ponto de vista das diferenças existentes entre as sociedades indígenas e não-indigenas, quanto sob o ponto de vista das diferenças entre as muitas sociedades indígenas que vivem no Brasil. Mas está sempre relacionada ao contato entre realidades socioculturais diferentes e a necessidade de convívio entre elas, especialmente num país pluriético, como é o caso do Brasil. É necessário reconhecer e valorizar a identidade étnica especifica de cada uma das sociedades indígenas em particular, compreender suas línguas e suas formas tradicionais de organização social, de ocupação da terra e de uso dos recursos naturais. Isto significa o respeito pelos direitos coletivos especiais de cada uma delas e a busca do convívio pacifico, por meio de um intercambio cultural, com as diferentes etnias. O MITO DA IGUALDADE RACIAL Gilberto Freyre, não obstante a genialidade de sua obra sobre a história do Brasil, adocicou com o açúcar colonial as relações raciais em nosso país, descrevendo um idílico cenário de democracia racial brasileira. Freyre argumentava que a distância social, no Brasil, fora resultado muito mais de diferenças de classe do que de preconceitos de cor ou raça. No entanto, cientistas sociais dos anos 60, a exemplo de Florestan Fernandes, o principal estudioso das relações raciais no Brasil, comprovaram exatamente o contrário, ou seja, que havia em nossa sociedade a exclusão social de pessoas em decorrência de sua cor. Não houvesse o preconceito das elites brancas no Brasil contra a raça negra, Machado de Assis não seria perseguido em toda a sua vida por três pesadelos: seus ataques epiléticos, sua origem modesta e sua cor mulata, três fontes de medo, ansiedade e vergonha. Mas, nos reportemos à Nova Friburgo. Na virada para o século XX, Nova Friburgo possuía 67% de sua população constituída por brancos e 32% entre negros, mestiços e caboclos. Como resultado da prevalência da raça branca sobre a negra e mestiça, percebe-se nas memórias de alguns friburguenses que nasceram nos primeiros decênios do século XX, um preconceito de raça, provocadas possivelmente pelas idéias eugenistas que tiveram boa recepção no município, a exemplo do que professava o Prof. Júlio Caboclo, que ironicamente tinha um sobrenome que não condizia com suas idéias de superioridade de uma raça sobre a outra. Mas passemos às memórias. Nondas da Cunha Ferreira, agricultor de Mury, nascido em 1929, nos traz um interessante relato: “Eu ouviu falar, mas não posso provar, que a escravidão em Friburgo acabou mais cedo. Os alemães e suíços eram muito racistas e então eles alforriaram os escravos mais cedo para sair da cidade e que fossem para os outros municípios. Eu me lembro de uma época que eu tinha lá os meus 10 anos, eu guardo muito coisa modéstia à parte, e então a fábrica[refere-se às indústrias que se instalaram em Friburgo a partir de 1910] tinha lá os seus mil e poucos operários e tinha uma colourede só. Querendo ou não querendo a maior parte do mundo é racista(...) e ninguém pode tirar essa idéia de ninguém.(...)Sem dúvida nenhuma, hoje as pessoas escondem as coisas, era[no passado] um racismo sem transparência”. Curiosamente, a Praça do Suspiro, que tinha recebido o nome de Praça 13 de Maio pela Câmara Municipal, em ata da sessão extraordinária de 21 de maio de 1888, em homenagem a extinção da escravidão no Brasil, perdeu esse nome no decorrer dos anos, um fato que merece ser investigado. Uma situação envolvendo a intolerância racial ocorreu com o Esperança Futebol Clube. Esse clube escolhera as cores pretas e brancas. Mas essas cores logo despertaram a ironia e o sarcasmo, pois havia muitos mulatos no time, associando a cor preta e branca à mulatice dos jogadores. A diretoria do clube, incomodada com a gaiatice da população, mudou as cores do time para verde e branca. Ainda com relação às memórias, segundo relatos, havia em Nova Friburgo, na Praça Getúlio Vargas, duas alamedas: em uma alameda passava os ricos e brancos e na outra passava a classe popular e as “pessoas de cor”. Por Outro lado, no “Grito da
    • Mocidade”, um bar próximo a “Casa de Moças Damas”, na subida do cemitério, homens brancos eram proibidos de frequentar, salvo raras exceções. No entanto, transcorridos três séculos e meio de escravidão de africanos na história do Brasil, cada um procurou fazer a sua parte e Nova Friburgo assim o fez. O Decreto municipal n°47 de novembro de 1983, institucionalizou o movimento negro e igualmente a sua bandeira. Nesse documento, se reconhece que na história do município, quando os colonos aqui chegaram, já encontraram negros a mourejar na construção dos alicerces sobre os quais se construiria Nova Friburgo. O decreto é afirmativo, declarando que o povo friburguense deseja redimir-se das injustiças praticadas contra os seus irmãos negros no decorrer de sua história. A bandeira do movimento negro é composta de três faixas horizontais, de igual largura, com as seguintes cores e respectivas representações: vermelho, representando o sangue e a vida dos povos negros; o negro, representando a raça negra e finalmente o verde, a esperança de dias melhores e igualmente a natureza, com quem a raça negra sempre soube conviver harmonicamente. Essa bandeira encontra-se no panteão juntamente com as outras bandeiras dos povos que colonizaram o município. Nova Friburgo redimiu-se, ao menos a nível institucional, de uma injustiça social. Apesar da crítica inicial que fiz a Gilberto Freyre, finalizemos com uma frase sua sobre a cultura nacional: “O Brasil parece que nunca será, como a Argentina, um país quase europeu; nem como o México, ou o Paraguai, quase ameríndio. A substância da cultura africana permanecerá em nós através de toda a nossa formação e consolidação em nação.” A categoria gênero A categoria gênero vai ser desenvolvida pelas teóricas do feminismo contemporâneo sob a perspectiva de compreender e responder, dentro de parâmetros científicos, a situação de desigualdade entre os sexos e como esta situação opera na realidade e interfere no conjunto das relações sociais. Varikas (1989) afirma que ao tomar emprestado o termo da gramática e da linguagem, as feministas postularam a necessidade de superar o sexo biológico, mais ou menos dado pela natureza, do sexo social, produto de uma construção social permanente, que forma em cada sociedade humana, a organização das relações entre os homens e as mulheres. A noção de gênero adquire um duplo caráter epistemológico, de um lado, funciona como categoria descritiva da realidade social, que concede uma nova visibilidade para as mulheres, referindo-se a diversas formas de discriminação e opressão, tão simbólicos quanto materiais, e de outro, como categoria analítica, como um novo esquema de leitura dos fenômenos sociais. A principal importância desta abordagem é que além de ser um conceito que tenta desconstruir a relação entre as mulheres e a natureza é como nos diz Suárez (2000) um conceito acionado para distinguir e descrever categorias sociais (uso empírico) e para explicar as relações que se estabelecem entre elas (uso analítico). Para Kergoat (1996), que fala em “relações sociais de sexo” o conceito leva a uma visão sexuada dos fundamentos e da organização da sociedade, ancorada materialmente na divisão sexual do trabalho, num esforço para pensar de forma particular, mas não fragmentada, o conjunto do social, já que as relações de gênero existem em todos os lugares, em todos os níveis do social. Esta abordagem deve estar integrada em uma análise global da sociedade e ser pensada em termos dinâmicos, pois repousa em antagonismos e contradições. Lauretis (1994), iniciando a reflexão sobre o termo gênero a partir da gramática e de como este aparece na forma gramatical de diferentes maneiras, ou mesmo ausentes, conforme a língua, verifica que: o termo gênero é uma representação não apenas no sentido de que cada palavra, cada signo, representa seu referente, seja ele um objeto, uma coisa, ou ser animado. O termo “gênero” é, na verdade, a representação de uma relação, a relação de pertencer a uma classe, um grupo, uma categoria. Gênero é a representação de uma relação(...) o gênero constrói uma relação entre uma entidade e outras entidades previamente constituídas como uma classe, uma relação de pertencer(...) Assim, gênero representa não um indivíduo e sim uma relação, uma relação social; em outras palavras, representa um indivíduo por meio de uma classe (Lauretis, 1994, p. 210). Seguindo o texto de Lauretis (1994), as concepções de masculino e feminino, nas quais todos os seres humanos são classificados, formam em cada cultura, um sistema de gênero, um sistema simbólico ou um sistema de significações que relaciona o sexo a conteúdos culturais
    • de acordo com valores e hierarquias sociais. Vale destacar, pela pertinência ao tema deste texto, que embora os significados possam variar de uma cultura para outra, qualquer sistema de sexo-gênero está sempre intimamente interligado a fatores políticos e econômicos em cada sociedade. Sob essa ótica, a construção cultural do sexo em gênero e a assimetria que caracteriza todos os sistemas de gênero através de diferentes culturas são entendidas como sendo sistematicamente ligadas à organização da desigualdade social (Lauretis, p. 212). Uma das principais proposições do texto de Lauretis (1994) é quanto à construção do gênero enquanto produto e processo: a construção do gênero é tanto produto quanto o processo de sua representação”. Para ela o “sistema sexo-gênero, enfim, é tanto uma construção sociocultural quanto um aparato semiótico, um sistema de representações que atribui significado (identidade, valor, prestígio, posição de parentesco, status dentro da hierarquia social etc.) a indivíduos dentro da sociedade. Se as representações de gênero são posições sociais que trazem consigo significados diferenciais, então o fato de alguém ser representado ou se representar como masculino ou feminino subentende a totalidade daqueles atributos social (Lauretis, 1994, p. 212). Lauretis (1994, p. 216), chama a atenção para a relação ideologia-gênero. Diz ela: pois, se o sistema sexo-gênero é um conjunto de relações sociais que se mantém por meio da existência social, então o gênero é efetivamente uma instância primordial da ideologia, e obviamente não só para as mulheres. Além disso, trata-se de uma instância fundamental de ideologia, independentemente do fato de que certos indivíduos se vejam fundamentalmente definidos (oprimidos) pelo gênero, como as feministas culturais brancas, ou por relações de classe e raça, como é o caso das mulheres de cor.