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Sociologia unidade 3
 

Sociologia unidade 3

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    Sociologia unidade 3 Sociologia unidade 3 Document Transcript

    • Sociologia- Unidade III (Prof. João Paulo Silva)Gilberto de Mello Freyre (1900 - 1987)Sua principal obra foi publicada em 1933: "Casa-grande & Senzala", livro que revolucionou aintelectualidade da época ao apresentar novos conceitos sobre a formação da sociedade brasileira, considerando amistura de "três raças": índios, africanos e portugueses.Durante o período de estudos na universidade americana, Freyre teve contato com o antropólogo FranzBoas, que viria a ser a principal referência na elaboração de uma linha de pensamento que diferenciava raça ecultura, separava herança cultural de herança étnica e considerava o conceito antropológico de cultura como oconjunto dos costumes, hábitos e crenças do povo brasileiro.Certamente são muitas as suas contribuições, mas destaca-se a maneira inovadora de considerar ahistória, não por meio de grandes feitos, mas sim pela análise da vida cotidiana, incluindo-se aí relatos orais edocumentos manuscritos.Teria sido ele, então, um dos primeiros a pensar em "patrimônio imaterial"? Muitos acreditam que sim."Ele foi o precursor do conceito de patrimônio imaterial, conceito este que se concretizou com enorme sucesso",afirmou Antonio Carlos Sartini, superintendente-executivo do Museu da Língua Portuguesa, no site da FundaçãoGilberto Freyre.Outra contribuição da obra de Freyre foi à tentativa de desmistificar a noção de determinação racial naformação de um povo, apontando a miscigenação conferida no país como elemento positivo. Em "Casa-Grande", opapel de índios e negros na formação do povo brasileiro é valorizado de forma praticamente inédita.Mesmo tendo alcançado sucesso dentro e fora do país, as ideias defendidas por Gilberto Freyre não sãounanimidade.Membro da classe dominante pernambucana (o pai era juiz de Direito e catedrático de Economia políticada Faculdade de Direito do Recife, e o avô senhor de engenho), é por vezes acusado de manter postura elitista,mostrando-se benevolente com a escravidão, na qual via consequências positivas do ponto de vista cultural, nocontato de brancos e negros.Apesar do termo nunca ter aparecido em sua obra, seus estudos foram interpretados como defensoresda miscigenação como mecanismo desencadeador da "democracia racial".Outros estudiosos da época, porém, refutavam esta ideia, ressaltando a injustiça e violência do regimeescravista, no qual não vinham qualquer ponto positivo. Era o caso do sociólogo paulista Florestan Fernandes. Noponto de vista defendido por Florestan, não há igualdade racial no Brasil e a miscigenação é um mecanismo, não deascensão social para negros e mulatos, mas, ao contrário, que promove a hegemonia da raça dominante. O embatede ideias dava-se porque, enquanto Freyre baseava-se na escola culturalista da antropologia de Franz Boas,Florestan utilizava o método histórico dialético de Karl Marx. A discussão continua, mas não diminui a importância dolegado de Gilberto Freyre, ainda considerado um dos melhores "intérpretes do Brasil".Florestan FernandesFlorestan Fernandes e sua obra sociológicaFlorestan Fernandes foi um sociólogo que em toda a sua obra sempre se colocou sob o ponto devista dos excluídos. De origem bastante humilde, descendente de imigrantes portugueses que não tiveram sucessoem São Paulo, Florestan Fernandes começou a trabalhar desde criança, vivendo em condições adversas na regiãocentral da São Paulo da década de 1930. Com muito esforço e dividindo seu tempo entre trabalho e estudo, Florestanconseguiu se formar e tornar-se professor.As primeiras produções intelectuais de Florestan datam da década de 1940 – época em que tambémobteve sua graduação e pós-graduação em sociologia –, já demonstrando um forte interesse pelo folclore e pelacultura negra. No final dos anos 1940 produz suas primeiras obras de envergadura, analisando a sociedade e aguerra dos índios tupinambá. A partir dos anos 1950 seus textos aprofundam-se cada vez mais em temasrelacionados com sua área de estudos, como as relações raciais entre negros e brancos, o ensino e desenvolvimentoda sociologia, a questão do folclore, o subdesenvolvimento e as questões políticas. Suas últimas obras, em 1994 e1995, tratam da democracia e do socialismo.Apesar de ser um grande intelectual – um dos maiores do século XX no Brasil – Florestan nunca deixoupara trás suas ideias políticas, marcadas pela influência da filosofia marxista e do socialismo. Sintomaticamente, umdos primeiros textos escritos pelo grande sociólogo foi “Marx e o pensamento sociológico moderno” (in Marx, Karl,Contribuição à crítica da economia política, traduzido pelo próprio Florestan). Mesmo conhecido no Brasil e noexterior e tendo ocupado um cargo de deputado federal no Congresso, Florestan sempre continuou fiel e solidário aosexplorados e oprimidos pelo sistema social.Um dos primeiros textos representativos do autor, retratando um personagem marginalizado – porquepertencente a um grupo indígena – é o texto “Tiago Marques Aipobureu: um Bororo marginal”, publicada na Revistado Arquivo Municipal de São Paulo em 1946. Neste texto Florestan procura retratar um caso concreto: a crise depersonalidade revelada em sua conduta pelo índio bororo Tiago Marques Aipobureu, utilizando-se de materialpesquisado por terceiros. Aipobureu foi um índio inteligente, tendo estudado com os salesianos e completando sua
    • educação na Europa. Com saudades volta para o Brasil e se casa. Mas, por não se adaptar completamente à vida dobranco ou à do índio, tem uma série de problemas com a esposa, a comunidade indígena e a branca. A situaçãoacaba trazendo-lhe vários problemas. Como escreve Florestan: “No fundo, pois, por ser um Bororo civilizado, não“serve” para ambos os grupos”.O tema escolhido reflete a preocupação de Florestan com as camadas mais baixas da sociedade, o queo levará em uma fase posterior a estudar a situação do negro e do racismo. Em sua obra em dois volumes “Aintegração do negro na sociedade de classes”, Florestan trata das relações raciais no Brasil, contrapondo-se àposição de miscigenação defendida por Gilberto Freyre na década de 1930. No estudo, Florestan também discordade seu mestre Roger Bastide, professor na USP, que defendia a idéia de uma democracia racial no Brasil. Na obra,Florestan Fernandes utiliza-se de dados empíricos e relatos diversos, para descrever as difíceis condições deadaptabilidade das populações negras a uma sociedade de trabalho livre. Os negros, recém libertos, não estavamadaptados a uma sociedade mercantil. Por não terem tido uma educação, condicionamento e não saberem dispor decerta liberdade que caracteriza o sistema de produção capitalista, os negros sentiram-se em grande partedespreparados para enfrentar este novo ambiente que se lhes abria com a abolição da escravatura.O negro, sempre tutelado pelo senhor, era agora simplesmente “jogado” no mundo e obrigado a tomarsuas próprias decisões, sem ter sido preparado para isso. Além disso, as populações negras ainda sofriam aconcorrência dos imigrantes brancos – estes já preparados para uma economia capitalista; muitas vezes comexperiência de atuação em fábricas e sabendo exercer uma profissão. Os negros, por outro lado, por não terem comose adaptar a sua nova situação social, eram classificados como indolentes, irresponsáveis, incapazes de cumpriracordos – quando na verdade para tal nunca haviam tido oportunidade de se preparar.Em outras palavras, o negro, abolida a escravidão, foi abandonado a sua própria sorte e não recebeunenhum tipo de assistência para poder participar da nova sociedade que se formava. O que acontece então é que onegro tende a ocupar postos subalternos na sociedade, por não ter sido preparado a utilizar sua liberdade. Apesar dea Constituição de 1891 garantir a igualdade jurídica de todos os brasileiros, o Estado não dá condições para quetodos os cidadãos tenham condições de alcançar esta paridade. Os negros, de modo geral, continuaram sendoinjustiçados de várias maneiras.Mesmo entre os negros, segundo Florestan Fernandes, havia distinção. Existiam os “negros da casagrande” e os “negros do eito”. Estes últimos tinham exercido funções mais rústicas e por isso não sabiam ler ouescrever; não tinham pessoas que lhes indicassem um cargo ou que lhes dessem alguma roupa para provocar umaboa impressão. As mulheres deste grupo ainda tiveram um pouco mais de sorte, podendo atuar como empregadas,lavadeiras ou cozinheiras. Aos homens estava reservado um destino mais cruel: sem ocupação regular, sobreviviamde serviços temporários e passavam as horas vagas em bares, terrenos baldios tornando-se muitas vezes viciadosno em álcool. Esta mesma situação social fazia com que famílias se desestruturassem, gerando promiscuidade eencaminhando as novas gerações muitas vezes para o roubo ou a prostituição.Os “negros de casa grande” tinham um pouco mais de chance. Alguns sabiam ler ou escrever e porvezes eram bem relacionados, chegando a receber apoio do antigo senhor. Os trabalhos que exerciam não eram osmesmos exercidos pelos brancos, mas pelo menos ofereciam certas garantia e estabilidade, proporcionando umamelhor integração na sociedade.Conclui Florestan Fernandes que dado este quadro histórico, é impensável a idéia de um povo brasileiroúnico, na forma de uma democracia social, como escreveram alguns autores do século XX. Fato é que os negrosnunca foram totalmente excluídos da sociedade de classes, nunca houve um conflito aberto interracial. Mas por outrolado também é verdade que os negros nunca foram tratados como iguais; a promessa da abolição continuou sendouma promessa não realizada.Sérgio Buarque de HolandaNa tentativa de compreender a realidade brasileira, o pensador brasileiro Sérgio Buarque de Holanda buscadelinear numa perspectiva weberiana o tipo ideal do homem brasileiro. Nesse sentido, recorre ao estudo dasociedade brasileira, a partir do qual compreende que o atraso histórico de desenvolvimento do Brasil temrelação com a forma de o brasileiro lidar com a coisa pública, forma esta relacionada ao chamado “jeitinhobrasileiro”, que para Buarque recebe o nome de cordialidade. O autor aponta que sob ação de forçastransformadoras somente com a superação da cordialidade e o desenvolvimento da impessoalidade, serápossível constituir, num processo lento e gradual, um Estado Moderno forte, capaz de garantir odesenvolvimento do país.Holanda (1995) aponta em seu livro “Raízes do Brasil” uma caracterização de como o brasileiro lida com assuas relações pessoais e institucionais. Para ele a cordialidade do brasileiro é revestida de uma postura depessoalidade expressa num comportamento pouco ético e em que se verifica a dificuldade de se cumprirnormas sociais estabelecidas. Sob um comportamento característico de generosidade, de hospitalidadeesconde-se um caráter que se aproveita da proximidade para se estabelecer o domínio do privado sobpúblico. Seria então esse comportamento típico do povo brasileiro de lidar com a coisa pública quecontribuía para o atraso do país.
    • A contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade- daremos ao mundo o “homem cordial‟. Alhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam,representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro (...)” (HOLANDA, 1995, pág. 146);O autor faz a defesa de um projeto republicano que preza pela manutenção da coisa pública e apresentaentão a concepção de revolução como a superação lenta e gradual da cordialidade, que conduziria à lentamodernização do país. Essa modernização se dará, segundo o autor, pelo avanço de forças que superem acordialidade típica brasileira e desenvolvam a impessoalidade nas relações no estado. Essas forças são aimigração e o fim da escravidão que resultam no trabalho livre e no desenvolvimento da vida urbana.Esse projeto requer também um tipo ideal de estado Moderno a ser desenvolvido em que se verificam odomínio sobre o território, o monopólio da violência, uma burocracia que lide com a administração domesmo e uma moeda própria. Em conjunto com esses elementos, o autor valoriza a superação dacordialidade e o desenvolvimento de uma impessoalidade que conflua para o cumprimento de normassociais a saber por exemplo de uma Constituição Federal.Fazendo uma análise das relações entre indivíduos, família e Estado, Holanda (1995) afirma que “o Estadonão é uma ampliação do círculo familiar e, ainda menos, uma integração de certos agrupamentos, de certasvontades particularistas, de que a família é o melhor exemplo.” Para ele o estado precisa ser livre dapessoalidade de modo a garantir o fortalecimento da modernização do país através de um projetorepublicano.A elite brasileira, expressão da cordialidade, de acordo com o autor seria implacável em suas posições umobstáculo para a modernização do país. A cordialidade brasileira estaria expressa na postura, por exemplo,do funcionalismo público, uma vez que este se aproveita das ferramentas e funções do Estado parabenefício próprio como apresenta no trecho abaixo ao autor.“para o funcionário „patrimonial‟, a própria gestão política apresenta-se como assunto de seu interesseparticular; as funções, os empregos e os benefícios que deles aufere, relacionam-se a direitos pessoais dofuncionário e não a interesses objetivos, como sucede o verdadeiro Estado Burocrático, em que prevalecema especialização de funções e o esforço para se assegurarem garantias jurídicas aos cidadãos” (Holanda ,1995, pág. 145-146)Embora não apresente uma análise marxista da realidade brasileira, Sérgio Buarque de Holanda traz acontribuição para a compreensão da formação cultural do povo brasileiro, observando que a elite brasileiraé empecilho para o desenvolvimento do país, uma vez que apresenta uma cultura personalista, egocêntricae privatista que teria dificultado e fortalece o caráter contratualista da sociedade brasileira.Darcy RibeiroPor que o Brasil ainda não deu certo?” Esta é a questão que motiva a obra de Darcy Ribeiro(2002), dedicada a compreender o Brasil e os brasileiros – sua gestação como povo e seu lugarespecífico na história humana.Ribeiro, no quadro de sua teoria da história, cunha dois conceitos com os quais trabalhará aolongo de toda sua obra:“povo novo” e “transfiguração étnica”.O primeiro diz respeito ao resultado da confluência das três matrizes raciais – portuguesa, negra eindígena – que deram origem ao brasileiro e à sua especificidade. O caráter de novidade, contudo,do povo brasileiro, carregaria consigo a outra face da mesma moeda – um povo que ésimultaneamente “novo” e “velho”.Novo porque surge como uma etnia nacional, diferenciada culturalmente de suas matrizesformadoras, fortemente mestiçada. “Velho, porém, porque se viabiliza como um proletariadoexterno. Quer dizer, como um implante ultramarino da expansão europeia que não existe para simesmo, mas para gerar lucros exportáveis pelo exercício da função de provedor colonial de benspara o mercado mundial, através do desgaste da população que recruta no país ou importa.” (p.20).Já o conceito de “transfiguração étnica” diria respeito ao processo através do qual os povossurgem, se transformam ou morrem.Ribeiro aplica tais termos à análise da realidade histórica brasileira, estruturando seu estudo emtorno de cinco eixos:I) “O Novo Mundo”, que situa a formação do Brasil dentro do processo de expansão dos “impériosmercantis salvacionistas” europeus;II) “Gestação Étnica”, que mapeia os processos responsáveis pelo surgimento da etnia brasileira apartir de suas três matrizes formadoras;III) “Processo Sociocultural”, que identifica as forças responsáveis pela diversificação de nossamatriz étnica originária em diversos “modos rústicos de ser” dos brasileiros;IV) “Os Brasis na história”, dedicado à identificação e descrição destes modos de ser;
    • V) “O Destino Nacional”, que analisa o tipo de estratificação social que advém de nosso processode formação, assim como suas consequências em termos de tensões dissociativas de carátertraumático.“Tanto o „brasilíndio‟ como o afro-brasileiro existiam numa terra de ninguém, etnicamente falando,e é a partir dessa carência essencial, para livrar-se da ninguendade de não-índios, não-europeuse não negros, que eles se vêem forçados a criar sua própria identidade étnica: a brasileira.”(ibidem, p. 130)“É o resultado fundamental do processo de deculturação das matrizes formadoras do povobrasileiro. Empobrecido, embora, no plano cultural com relação a seus ancestrais europeus,africanos e indígenas, o brasileiro comum se construiu como homem tábua rasa, mais receptivoàs inovações do progresso do que o camponês europeu tradicionalista, o índio comunitário ou onegro tribal.” (ibidem, p. 249)Se nossa origem e especificidade, portanto, nos colocaram na antessala da modernidade, quaisas razões para o nosso atraso frente aos países centrais? Ou, retomando a pergunta inicial de seulivro: “por que o Brasil ainda não deu certo?”“Nós, brasileiros, nesse quadro, somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço nacarne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela fomos feitos eainda continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos oriundos da mestiçagem viveu porséculos sem consciência de si, afundada na „ninguendade‟. Assim foi até se definir como umanova identidade étnico-nacional, a de brasileiros. Um povo, até hoje, em ser, na dura busca deseu destino.” (Ribeiro, DARCY)