Filosofia Unidade IVProf. João PauloC5: Linguagem, Conhecimento e PensamentoA linguagem como atividade humanaA despeito da...
CULTURA E LINGUAGEMO problema da linguagem, desde Saussure, adquiriu um papel singular na história dasciências até culmina...
Donde a importância de cada vez mais apurado estudo da linguagem, quer de maneirageral, quer atendendo especificamente às ...
O saber comporta, portanto, diversos níveis, variável de acordo com o grau de relaçãoque se faz entre o objeto do conhecim...
Qual é a relação entre a linguagem e o conhecimento?
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Filosofia unidade IV (Elvira)

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Filosofia unidade IV (Elvira)

  1. 1. Filosofia Unidade IVProf. João PauloC5: Linguagem, Conhecimento e PensamentoA linguagem como atividade humanaA despeito daqueles que dizem que não há propriamente uma filosofia da linguagemem Platão é preciso entender o que se chama Filosofia.Para Platão, Filosofia é e sempre será a busca de um saber e não meramente umcerto saber que se condensa numa doutrina fixa e imutável. Sendo assim, é possível falar de umaFilosofia da linguagem em Platão, ainda que se trate de saber, neste autor, como foram criados osnomes.O que significa falar? O que falar quer dizer? Que relação há entre os nomes queproferimos e os seres que entendemos por intermédio destes? No diálogo “Crátilo”, Platão levantaa questão sobre a constituição, função e uso dos nomes, verificando a possibilidade de certacorreção. Os nomes são puro efeito de acordo e convenção ou há uma forma natural, e por issocorreta, de denominar as coisas com acerto?Segundo a versão convencionalista, os nomes são criações do arbítrio humano.Assim, cada pessoa pode denominar as coisas como bem lhe convier, não havendo uma relaçãonecessária entre nome e ser (seja uma coisa, objeto ou ação). Esta posição nos leva a umextremo relativismo, pois se os nomes são usados para nos instruir, distinguindo as coisas einformando-nos uns aos outros, a comunicação e o entendimento tornam-se impossíveis. Noentanto, é possível se pensar que para cada ser ou ação há um instrumento adequado. Porexemplo, para se cortar algo, não fazemos com o que nos convém, mas com o modo natural defazê-lo e com o instrumento adequado para cortar. Assim também ocorre com o furar, com oqueimar, etc. Sempre se faz segundo imperativos naturais e não de acordo com a fantasia decada um. Desse modo, falar, que também é uma ação, deveria ser segundo a forma natural e oinstrumento adequado para tal.O instrumento do falar é o nome. Porém, nem todo mundo fala corretamente. Senão,não haveria o falar falso. O nome, pois, possui um modo de ser, de representar o objeto,caracterizando seu valor de verdade ou falsidade. Assim também o discurso, que é composto denome, depende da aplicação de nomes verdadeiros para ser um discurso verdadeiro, ou do usode nomes falsos, para ser falso. Mas é possível se fazer nomes falsos? O que seria isso? Comomostrar que é possível se falar falso?Para fugir dessa forma de relativismo, Platão entende que os nomes na verdadecorrespondem às coisas, pois são uma espécie de imitação dos seres. No entanto, como todaimitação, ou seja, não sendo uma cópia perfeita (o que implicaria em ser duas coisas e não ummodelo e uma cópia) deve basear-se nos caracteres ou qualidades essenciais a serem imitadas,sem as quais o nome tornar-se-ia imperfeito. O modo natural de fazer os nomes, portanto, develevar em conta o conhecimento do modelo, isto é, do ser, para se fazer a imitação. Essaconstituição é feita pela lei ou pelo legislador (nomoteta) que é acompanhado pelo dialético(aquele que sabe perguntar e também responder), assegurando, assim, não uma perfeitaconstituição do nome, mas uma imitação que aproxime ao máximo e melhor para a compreensãoda realidade.Dessa forma, nem convencionalismo, nem naturalismo. O homem deve conhecerprimeiro os seres (ontologia) para depois dar nomes a eles. Parece controverso, mas confiar nosnomes para conhecer os seres pode nos levar a enganos e ilusões, já que a imitação não ésempre perfeita. Nem também se deve deixar de fazer a imitação, já que parece ser o único modode construir dialeticamente a realidade. O dialético busca a convenção assenteATIVIDADE AVALIATIVAExplique, no seu caderno, a seguinte frase de Gusdorf, : "A linguagem fornece asenha de entrada no mundo humano".
  2. 2. CULTURA E LINGUAGEMO problema da linguagem, desde Saussure, adquiriu um papel singular na história dasciências até culminar na afirmação de que cada ciência tem a sua linguagem e, mais ainda, que,no fundo, ela se confunde com a sua própria linguagem.Conhecer dada ciência implica, efetivamente, em tornar-se dono das palavras quecompõem o seu objeto, coincidindo o seu vocabulário com o campo de sua específica atividade.Não há, em suma, senão ciência de um determinado ramo do conhecimento, não havendo quempossa abranger a totalidade dos sempre crescentes domínios do saber positivo. Donde aimpossibilidade de reduzir a ciência a uma “enciclopédia”, ou seja, a um conjunto únicoabrangente de todos os tipos de conhecimento e atividades existentes.Mas o fato da linguagem se distribuir entre múltiplas e distintas formas de saber nãosignifica que ela não tenha algo em comum, ou, por outras palavras, que ela não seja o elementofundamental distintivo do ser humano. A bem ver, o homo sapiens não surgiu, no mais remototempo, por ter assumido uma posição ereta, combinando o poder criador da mente com aliberdade de servir-se dos braços e da mão, mas também por ter-se tornado senhor da arte decomunicar-se com os demais indivíduos, substituindo o grito animalesco pela palavra aliciadora.Têm razão, por conseguinte, Heidegger e Gadamer quando proclamam que alinguagem é o solo da cultura, entendida esta, não apenas como a capacidade de participar de umnúmero cada vez maior de valores intelectuais ou artísticos, mas antropologicamente, comoacervo de tudo aquilo que a espécie humana veio acumulando ao longo de sua experiênciahistórica. Daí poder-se dizer que o ser do homem é o seu dever-ser consubstanciado nalinguagem que o tornou capaz de realizar-se como pode e deve fazê-lo. Parece-me essencialessa dupla compreensão do ser humano em seu dever ser através da linguagem.Ora, assim como a linguagem da ciência corresponde aos diversos campos do saber eda ação, por outro lado, esses campos não ficam isolados, mas se intercomunicam uns com osoutros, motivo pelo qual a cultura é sempre mais interdisciplinar, até o ponto de já se terconcebido a Filosofia como a teoria do discurso comunicativo, ou, como prefiro dizer, da “perenepermuta de significados”, pois é tão importante nos comunicarmos como termos ciência daquiloque se comunica.Por tais razões não concordo com aqueles que reduzem a Filosofia à teoria dalinguagem, concebida esta tão somente segundo seus valores morfológicos e lógicos, quando aSemiótica é cada vez mais entendida como teoria da significação e o significado das palavrasatravés do tempo se confunde com a própria existência humana. Isto posto, parece-me que nãopodemos nos limitar à análise da linguagem, sem indagar da fonte de que ela promana, que é oespírito, a consciência, a mente – ou que melhor nome tenha – dotado do poder de criação ouinstauração de coisas novas, que Kant qualificou como “poder nomotético” ou regulador. É oespírito que procura estabelecer as leis que presidem ao surgimento e ao desenvolvimento dosfenômenos, constituindo as ciências da natureza e humanas.Delas é inseparável a linguagem, sem a qual não seria possível determinar eexpressar os respectivos objetos de indagação, assim como comunicá-los, tornando-os um bemcomum da coletividade, para que esta deles faça uso e possa prosseguir, com a certeza e asegurança possíveis, no seu empenho de tudo explicar e compreender. A linguagem é, como sevê, um produto primordial do espírito. Como tal deve ser considerada, mas não como algo válidoem si e por si, abstração feita de seu criador, isto é, da pessoa humana que dá nome a tudo o queexiste, compondo o mundo da cultura. É o motivo pelo qual apresento a pessoa humana comovalor-fonte de todos os valores.A cultura, por conseguinte, é o complexo e sempre inconcluso mundo dos objetos doconhecimento, sendo a linguagem a sua expressão comunicativa, pois, dar nome às coisassignifica criá-las e dar-lhes significado, razão pela qual acertadamente afirma Gadamer que todacriação, tanto nas ciências como nas artes, no fundo, constitui um ato de interpretação ou dehermenêutica. Esta, com efeito, não fica adstrita ao valor das palavras isoladas, mas procuracaptar o sentido global que elas têm em dado campo da pesquisa ou da atividade.Para dar um exemplo do conhecimento como uma visão unitária e integral, pense-seem um contrato, cujo significado só se apreende com acerto mediante o estudo correlacionado detodas as suas cláusulas. O mesmo acontece em qualquer campo de cognição que pressupõesempre a integração progressiva de signos e significados, até se atingir a visão global do que setem em vista conhecer.
  3. 3. Donde a importância de cada vez mais apurado estudo da linguagem, quer de maneirageral, quer atendendo especificamente às peculiaridades de cada ramo da pesquisa. O progressoda cultura depende de sua correlação primordial com a linguagem, o que induz algunspensadores ao exagero de tudo reduzir a esta, vendo a ciência como um puro problemalinguístico.A visão necessária de integralidade tem como consequência a universalização dacultura, o que leva à previsão de uma língua universal, pelo menos de caráter subsidiário, como jáestá acontecendo com o inglês, considerado “a fala do computador”. Eis aí um dosproblemas mais difíceis e complexos de nosso tempo que é o da sobrevivência das culturasnacionais e dos respectivos idiomas.A meu ver, não há dúvida que as ciências naturais tendem à unificação, de tal modoque elas serão cada vez mais transnacionais, universalizando-se as formas de comunicação doscientistas que operam em todos os países. Há nestes, porém, situações ou formas de vida quelhes são peculiares, notadamente no plano das ciências humanas, das religiões e das artes, cujodesaparecimento, por força de uma total globalização, longe de representar progresso cultural,constituiria um regresso, com a perda de valores humanísticos essenciais. Nada me parecejustificar esse desmoronamento de distintas e diversificadas unidades culturais, inclusive do pontode vista da linguagem, uma vez que há uma pluralidade de idiomas representativos depatrimônios existenciais de substancial relevância para o destino da civilização contemporânea.A relação da linguagem com o conhecimentoAs realidades culturais são produtos da atividade espiritual segundo os valorescondicionantes da convivência humana. O ser humano, através da consciência, trava contato comsuas vivências. Apropria-se dos conhecimentos a que teve acesso, combinando-os naconformidade dos valores que lhe pareçam cabíveis segundo sua ideologia. Nas palavras dePAULO DE BARROS CARVALHO o ser humano "conhece, sabe que conhece e, sobretudo,avalia e reflete acerca dos elementos que conheceu, incorporando-os ao patrimônio de seuespírito". [01]Assim, teremos o ato de consciência (exercer o ato de pensar), o resultado do ato(gera a forma "pensamento"), e o conteúdo do ato, desse pensamento (que é seu objeto).Ressalte-se que a consciência, enquanto tal, dissolve-se caso não se apresente sob algumaforma, sob alguma linguagem.O termo "conhecimento" é utilizado para caracterizar a relação que se estabeleceentre um sujeito e um objeto. Pressupõe, portanto, a análise do sujeito, ou seja, de quem se dá oprocesso de absorção e retenção, e do objeto conquistado no curso desse procedimentocognoscente. O segundo termo consiste em algo que se projeta diante o primeiro.ALAOR CAFFÉ ALVES, em sua obra Lógica – Pensamento Formal e Argumentaçãodiz com objetividade que:Conhecer é representar-se um objeto. É a operação imanente pela qual um sujeito pensanterepresenta um objeto. É o ato de tornar um objeto presente à percepção, à imaginação ou à inteligência dealguém. É o ato de sentir, perceber, imaginar ou pensar um objeto. Esse processo cognitivo está fundado,portanto, em três elementos: a representação, o objeto representado e o sujeito que representa o referidoobjeto.A relação de conhecimento implica, portanto, uma transformação tanto do sujeitoquanto do objeto. O objeto do conhecimento só adquire significado quando posto diante do sujeitoque, para conhecê-lo, distingue e relaciona. Em conseqüência o sujeito se transforma mediante onovo saber, e o objeto também se transforma, pois o conhecimento lhe dá sentido.Por este motivo, podemos afirmar que todo e qualquer objeto do conhecimento temsempre um lado subjetivo, pois sempre se apresenta como conteúdo de um pensamento, de umalembrança, de uma imagem ou de um sentimento. É sempre um conteúdo de consciência. O queestá em nossa consciência é o conteúdo da forma, não o objeto mesmo.Para PONTES DE MIRANDA "o simples fato de tomar consciência de outro ser já éconhecer. Portanto, quem conhece, no sentido de poder afirmar que existe, que é, o conhecido,está apto a manifestar-se. A transmitir conhecimento. Em conseqüência, quanto maior o númerode coisas compreendidas, no processo de generalização, tanto maior é o conhecimento do sujeitocognoscente."
  4. 4. O saber comporta, portanto, diversos níveis, variável de acordo com o grau de relaçãoque se faz entre o objeto do conhecimento e outros fatos e fenômenos. O conhecimento científicoconsiste na mentalização das coisas por suas causas ou razões, através de métodos especiais deinvestigação, sistemática da realidade. Não se interessa de conhecimentos isolados, mas supõe avisão ampla de uma determinada área do saber. Ele transcende os fatos e os fenômenos em simesmos, analisa-os para descobrir as suas causas e concluir as leis gerais que os regem. Noentanto, por ser uma atividade especializada, o saber científico não tem como compreenderisoladamente a totalidade do objeto, daí a necessidade de estabelecer uma forma de surpreendê-lo a fim de reduzir complexidades e assim estabelecer uma metodologia para obtenção de umaproposição verdadeira dentro de determinado contexto.Para PAULO DE BARROS CARVALHO, "o conhecimento sem a utilização dametodologia científica gera notícias desordenadas, dados soltos, que reclamam organização.Assim, só através do conhecimento ordenador da ciência, com o apoio indispensável da Filosofia(e da Lógica), podemos ter um sistema unitário, isento de contradições".A ciência é um sistema de conhecimentos que abrange verdades gerais ou operaçãode leis gerais especialmente obtidas e testadas através do método científico. A ciência não produzuma verdade absoluta e inquestionável. Ao contrário, as ciências freqüentemente testamhipóteses sobre algum aspecto, e quando necessário a revisa ou substitui à luz de novasobservações ou dados.Para RICARDO GUIBOURG a finalidade do método científico é a verificação daverdade de suas proposições descritivas. Para que o conhecimento possa ser consideradocientífico, é fundamental que suas proposições sejam passíveis de refutação, seja medianteverificação empírica, seja pela reprovação da sociedade científica.PONTES DE MIRANDA, em seu livro O problema fundamental do conhecimento,consigna que:Na filosofia científica, nada temos de levar conosco que nos imponha essa ou aquelaconvicção; porque a convicção da Ciência (e, pois, da filosofia científica) é sempre suscetível derecomposição e de aperfeiçoamento. É um amor das proposições verdadeiras; não uma exposição deproposições como verdades. Desde que se substantiva o verdadeiro, aprioriza-se, impõe-se: o que foi, atépouco, exposição passa a ser imposição. Ora, Ciência é persuasão. Onde se impõe, não há mais Ciência.Na esfera jurídica, o conhecimento científico não se caracteriza pela simples noção doconteúdo e significado da lei. Pressupõe o conceito do objeto Direito e compreende a visãounitária do sistema jurídico.Já o conhecimento filosófico representa um grau a mais em abstração e generalidade.Propõe-se oferecer um tipo de conhecimento que busca, com todo o rigor, a origem dosproblemas, relacionando-os a outros aspectos da vida humana, analisando a universalidade dosfatos e dos fenômenos, mesmo que estranhos entre si, numa abordagem globalizada, visandoestabelecer princípios e conclusões. O conhecimento filosófico não se contrapõe, nem entra emconflito com os outros tipos de conhecimentos: abrange-os e supera-os, num envolvimentoprogressivo, de grau em grau, até culminar num princípio genérico de abrangência integral. [09]Enquanto a Ciência do Direito descreve e sistematiza a ordem jurídica, a Filosofia doDireito seria uma perquirição permanente e desinteressada das condições morais, lógicas ehistóricas do fenômeno jurídico e da Ciência do Direito.No entanto, para que o ser humano possa adquirir e transmitir esse conhecimentoserá inevitável utilizar-se da linguagem. Pois é ela que permeia toda a realidade sócio-cultural,que, por sua vez, condiciona a ação humana.Primeiramente a linguagem se conecta com o pensamento para depois alcançar acoisa em si. A relação entre palavra e coisa é artificial, fruto de decisões individuais ou sociais,alheias, em princípio, às características da própria coisa. Ao assinalar cada nome, identificamos opedaço que, segundo nossa decisão, corresponderá a esse nome. De acordo com RICARDOGUIBOURG [10]"as coisas não mudam de nome, nós é que mudamos o modo de nomear ascoisas". Por este motivo é que, no campo jurídico, nosso maior interesse é pela análise dosfenômenos que se referem e não a análise dos nomes propriamente ditos. Ou seja, pouco importase o legislativo nomeia um tributo de imposto, taxa ou contribuição, o que nos interessa é ofenômeno a que se refere.Atividade.
  5. 5. Qual é a relação entre a linguagem e o conhecimento?
  6. 6. Qual é a relação entre a linguagem e o conhecimento?

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