RELAÇÃO DA MISSÃO DA SERRA DA IBIAPABA:                         ESTUDO DE ASPECTOS ORTOGRÁFICOS                           ...
Ibiapaba, decorridos alguns anos, quando também foi assassinado pelos indígenas, na barra doGrão-Pará, no ano de 1643, ten...
Além das precárias condições materiais, os dois padres estavam submetidos a todo tipode invenções e intrigas que circundav...
Embora o sistema fonético refletisse maior coerência e fidelidade ao representar osfonemas conforme sua entidade sonora, n...
Em geral, cada escritor tinha o seu modo de ortografar, cingindo-se quase sempre                           ao latim, por v...
Letras                                              Ocorrências e por i      naturaes(5), quaes(18), signaes, capitães, pr...
Letras                                           Ocorrências   bb        Sabbado.   cc        Acceito, occupado(4), occupa...
s por z     aprasivel, visinhas, coser       (cozinhar), cosidas, voses, visinhança,              escamdalisados. uso do h...
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Relação da missão da serra da ibiapaba

596
-1

Published on

0 Comments
1 Like
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total Views
596
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
8
Comments
0
Likes
1
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Relação da missão da serra da ibiapaba

  1. 1. RELAÇÃO DA MISSÃO DA SERRA DA IBIAPABA: ESTUDO DE ASPECTOS ORTOGRÁFICOS Expedito Eloísio Ximenes* 1. INTRODUÇÃO Neste artigo tratamos dos aspectos ortográficos registrados em um texto escrito noséculo XVII, intitulado Relação da Missão da Serra da Ibiapaba, que aborda a missãodesenvolvida pelos padres jesuítas no Ceará. Por meio de várias leituras coletamos os dados e os categorizamos em dois grupos: dasvogais e das consoantes. Contabilizamos todas as ocorrências, desta forma quando há mais deuma para um mesmo fenômeno, aparece entre parênteses o número equivalente à freqüência. Podemos perceber que a ortografia adotada, apesar de algumas manifestações da escritafonética, o uso predominante é da escrita pseudo-etimológica refletido nos gruposconsonantais impróprios ou grupos gregos e latinos, no emprego de consoantes geminadas, napermuta de grafemas e na instabilidade gráfica de algumas palavras que sofrem variações. 2. DE QUE TRATA A RELAÇÃO DA SERRA DA IBIAPABA? O documento de que tratamos foi publicado em 1904, no tomo XVIII da Revista doInstituto Histórico Geográfico e Antropológico do Ceará, cujo título é Relação da Missão daSerra da Ibiapaba pelo Padre Antonio Vieira da Companhia de Jesus. Porém, não hánenhuma explicitação sobre a verdadeira autoria, já que não há assinatura. Quanto à data desua redação também não há fonte segura, tudo leva a crer que foi na primeira metade o séculoXVII, quando da visita daquele religioso à missão jesuítica desenvolvida na Serra da Ibiapaba,no norte do Ceará. A edição que conhecemos é impressa e compõe-se de 53 páginas, dispostas apenas norosto das folhas 86 a 138 do tomo XVIII da Revista. O corpo do texto divide-se em 17 partesnumeradas em algarismos romanos com 17 subtítulos em que se apresenta uma síntese doassunto abordado em cada parte. Inicia-se o texto com informações sobre a primeira missão realizada no Ceará pelosjesuítas Francisco Pinto e Luiz Figueira. Relata a morte violenta daquele e o retorno deste à* Universidade Estadual do Ceará (UECE) contato: eloisio22@hotmail.com
  2. 2. Ibiapaba, decorridos alguns anos, quando também foi assassinado pelos indígenas, na barra doGrão-Pará, no ano de 1643, tendo sido assado e comido pelos Aroans. Destaca a importância dos primeiros missionários e a mudança do comportamentodos índios tabajaras com a influência dos holandeses quando esses ocuparam o Nordeste.Há muitas reclamações sobre a presença holandesa e das demais raças que vieram para oBrasil que, por conseguinte, atrapalharam o objetivo da missão dos inacianos. [...] eram verdadeiramente aquellas aldêas uma composição infernal ou mistura abominável de todas as seitas e de todos os vícios, formada de rebeldes, traidores, ladrões, homicidas, adulteros, Judêos, hereges, gentios, atheus, e tudo isto debaixo de nome de Christãos, e das obrigações de Catholicos. (PADRE ANTONIO VIEIRA, p. 94). Exalta a volta do domínio português com D. João IV, em 1640. A vinda de outrosmissionários que, não obstante todas as péssimas condições de viagem, chegaram à Ibiapabapara cumprir a missão de restituir a fé aos tabajaras já contaminados com as práticasanticristãs divulgadas pelos inimigos dos portugueses. Dois padres foram designados paraessa nova missão: Pe. Antonio Ribeiro e Pe. Pedro Pedrosa. A viagem do Maranhão para o Ceará foi uma verdadeira via crucis. Os religiosostranspassaram a pé as areias dos Lençóis maranhenses, enfrentaram a fome, a sede, o ataquedos mosquitos, os rios caudalosos, enfim, todo tipo de inconveniente até a chagada à Ibiapaba,no dia 4 de julho de 1656. Mas vencidos todos com o favor de Deus, que da fraqueza tirava forças, aos 4 de Julho de 1656, em que se contarão trinta e cinco de viagem, chegarão os Padres à sua desejada serra de Ibiapaba sem alento, nem cor, nem semelhança de vivos, que taes os tinha parado o caminho e a fome. (PADRE ANTONIO VIEIRA, p. 104). Na narrativa ainda se ressalta a geografia da serra, a vegetação, o relevo, o clima,aspectos relativos à fauna e ao modo de vida dos indígenas. Há passagens do texto que expressam a verdadeira abnegação dos missionários,expostos ao perigo de vida e à inanição por falta de alimentos naquele real estado de pobrezaem que se encontravam os índios da tribo dos tabajaras. Alguns mezes não teve o padre quem lhe fosse acender uma candeia, deitando-se todo este tempo sobre ter comido duas espigas de milho secco, que assava por sua propria mão; mas nisto erão menos culpados os que tinhão obrigação de o sustentar palas esterilidades do sitio. Muitas vezes a hora de jantar mandou com um prato pedir uma pequena de farinha pelas portas, sendo elle o que fazia o fogo para coser umas hervas agrestes, e o que varria a pobre cazinha com as mesmas mãos sagradas com que a tinha feito. ( PADRE ANTONIO VIEIRA, p. 115).
  3. 3. Além das precárias condições materiais, os dois padres estavam submetidos a todo tipode invenções e intrigas que circundavam as cabeças dos nativos, pois não faltava quem osquisesse seduzir a desacreditar nos propósitos dos religiosos. Os índios desconfiavam da boavontade dos sacerdotes quando preferiam crer em traição por partes dos portugueses. O climade desconfiança gerava o medo de um ataque mortal tal qual tinha ocorrido anteriormentecom o Pe. Francisco Pinto. Tal era a vida que aqui vivião estes dous religiosos, morrendo e resuscitando cada dia; antes morrendo sem resuscitar, porque o perigo fundava-se na ingratidão e crueldade dessa gente, que he a maior do mundo, e a segurança fundava-se na sua fé, que nunca guardarão. (PADRE ANTONIO VIEIRA, p. 184). O final do documento aborda a vinda do Pe. Antonio Vieira àquela missão, que chegouacompanhado do Pe. Gonçalo de Veras, após vinte e um dias de viagem por terra, vindos doMaranhão. Os padres chegaram ao Ceará, no dia quarta-feira de trevas, por volta de uma horada tarde e já iniciaram os rituais de celebrações de missas, procissões e vigílias que seestenderam por todos os dias santos e páscoa. Os trabalhos apostólicos tiveram grandes frutoscom a administração dos sacramentos e a pregação da palavra. Termina a narrativa falando dos frutos dessa missão do Pe. Antonio Vieira, mas não háassinatura nem data no fim do documento, o que dificulta sabermos quem é o seu verdadeiroautor. 3. A ORTOGRAFIA DA LÍNGUA PORTUGUESA A ortografia da língua portuguesa só veio a se estabelecer por meio de acordoconvencional, no princípio do século XX, quando em 1904, Gonçalves Viana apresentou seuprojeto de Ortografia Nacional, que visava a simplificação da escrita. Em 1911 é adotado emPortugal e passa a vigorar em todos os seus domínios. Até então havia predominado doissistemas ortográficos mais ou menos confusos e arbitrários. O período fonético que começa nos primórdios da formação da língua e se estende até oséculo XVI, coincidindo com o seu período arcaico. Nesta etapa da ortografia, sobressaem-seos sons representados por meios de letras que elas realmente representam, conforme, Nunes(1989). Caracteriza este período a representação, pelas letras, dos sons que elas realmente representam, consoante a evolução por eles sofrida, e a ausência, em geral, de caracteres não proferidos. Verdade seja que essa representação nem sempre acompanhou pari passu as alterações que se foram dando e por vezes conservou-se antiquada em relação ao desenvolvimento da língua. (NUNES, 1989, p. 193).
  4. 4. Embora o sistema fonético refletisse maior coerência e fidelidade ao representar osfonemas conforme sua entidade sonora, não podemos deixar de perceber que há muito dearbitrário nele, pois há várias formas de grafemas para um mesmo fonema, o que expressa avontade de cada escrevente. O período pseudo-etimológico, conforme Nunes (1989) estende-se do século XVII emdiante. Esse segundo período vem a lume com o Renascimento e a volta da cultura clássicagreco-latina que influenciou os espíritos a adotarem a grafia supostamente etimológica. Com o Renascimento, a admiração que já existia pelo latim, redobrou, subjugando os espíritos por forma tal, que a sua ortografia tornou-se o modelo da nossa, que foi em grande parte posta de lado, em prejuízo da língua, da qual muitos sons deixaram de ser representados consoantes a sua pronúncia secular. (NUNES, 1989, p.195- 196). Conforme Pereira (1932) já nos primeiros textos da língua portuguesa se manifesta atendência por parte dos escribas que tinham algum conhecimento do latim, em aproximarvagamente à escrita etimológica, que é a semelhança quanto possível da forma gráficaoriginal. Essa tendência se manifesta na conservação de consoantes do sistema primitivocomo: attenção, acto, afflicto, e na conservação de vogais que achavam alteradas napronúncia fonética; suberbo<soberbo, similhante<semelhantes. Há três elementos que caracterizam o sistema etimológico, conforme o autor. 1) conservação da prepositiva insonora dos grupos consoantes: affirmar, adduzir, acto,escripto, e do h etimológico: homem, honra, attrahir; 2) conservação dos digramas gregos ch, th, ph, rh: character, charidade, theatro,philosophia, rhetorica; 3) preferência às vogais originais em certas palavras: aetatem>edade, aequalem>egual,ecclesiam>egreja, textimonium>testemunho, similare>assimilhar, superbia>suberba,locare>logar. Com a adoção da ortografia de base grega e latina houve bastantes variações na escrita,surgindo formas estranhas de registrar as palavras como as ocorrências de ch, ph, th e rh,ampliando–se também o uso de consoantes dobradas. Se na gênese da história da língua osistema era arbitrário chegando a ser caótico com base no som que levaria à abundância deformas gráficas de uma só palavra, agora a uniformidade se distancia cada vez mais, pois cadausuário que utiliza a escrita o faz a seu modo próprio para demonstrar conhecimento da línguaclássica.
  5. 5. Em geral, cada escritor tinha o seu modo de ortografar, cingindo-se quase sempre ao latim, por vezes com um fanatismo tal, que até se atrevia a alterar grafias que ainda haviam resistido à corrente dominante [...] e o público imitava-o inconscientemente (NUNES, 1989, p. 196). A necessidade de se estabelecer normas de padronização da escrita naquele princípio doséculo XX era urgente, dado ao estado em que se encontrava o alto grau de livre arbítrio emmatéria de grafar as palavras. Segundo Melo (1975) nossa grafia no início era razoavelmentesimples e próxima da prosódia, tendo-se complicado com a influência do classicismo fazendocom que cada autor tivesse sua própria grafia. Depois, com a influência erudita, principalmente no Renascimento, entrou a se complicar e a se multiplicar em variantes, e assim chegamos ao fim do século XIX num estado de balbúrdia tamanha, que bem se podia dizer que cada alfabetizado tinha o seu sistema de escrita. (MELO, 1975, p. 231). Por conta dessa multiplicidade de representação das palavras, beirando ao absurdo,como se expressa o autor de forma taxativa “chegando a ter curso todas as tolices, comolytographia, septe, docto, dapno, infermo, intrar, egreja, lyrio, cyrio, comptar, sancto,eschola” (MELO, p.234); que Gonçalves Viana elaborou e apresentou em 1904, os seguintesprincípios que serviram como base da reforma: proscrição absoluta e incondicional de todosos símbolos de etimologia grega: th, ph, ch(=k), rh, e y; redução das consoantes dobradas asingelas, com exceção de rr e ss mediais, que têm valores peculiares; eliminação deconsoantes nulas, quando não influem na pronúncia da vogal que as preceder; regularizaçãoda acentuação gráfica. (GONÇALVES VIANA, 1904, p.17 apud MELO, 1975, p.235)1. A proposta de Viana foi debatida por uma comissão constituída por ilustres filólogos e,enfim, foi aprovada em 1911, em Portugal, tornando-se lei do Governo português e tornadaobrigatória para todos os domínios daquele país. 4. A Ortografia no Documento Relação da Serra da Ibiapaba Não temos certeza da data precisa em que o texto foi escrito, mas cogitamos tenha sidona primeira metade do século XVII, quando já era usada a grafia pseudo-etimológica. É essagrafia predominante, sobretudo no uso de grupos consonantais e de consoantes geminadas. Apresentamos os quadros demonstrativos em dois blocos: das vogais e dasconsoantes.1 GONÇALVES VIANA. . R. Ortografia Nacional. Lisboa: 1904.
  6. 6. Letras Ocorrências e por i naturaes(5), quaes(18), signaes, capitães, principaes(15), materiaes, mortaes, créavão(2), créara(2), creou, creados(3), sahe, paes(3), peor, areaes, taes(6), quaes(2), officiaes, cae, peor, sahe. i por e Quasi(8). o por u céo(16), Deos(35)~Deus, cumprio, cúbica(4), Judêos(2), páo(3), partio(4), descobrio(2), vio(8), chapéos, Orphêo, subio, ouvio, náo(nau), persuadio. u por i biscouto, cousa(10), dous(9), açoute.u por o cuberto(2), cubertas, encubertos, descubrirão, cúbica.uso de y El Rey(4), Reys, mysterios(2), martyrio, estylo(2), Parahyba, moysés, tyrano, elysios. e por ei Aldeãs(17)~aldeias(2), Arêas(5). Quadro 1: das vogais Percebemos que não há muita variação das vogais. O uso do y por i ocorre quando vogalou semivogal, mas não é tão recorrente. Não há registro da vogal nasal marcada pelodiacrítico til superposto como é comum ocorrer na escrita fonética. O sistema vocálico define,portanto, o uso da grafia pseudo-etimológica. Dividimos o quadro das consoantes em três subgrupos: das consoantes impróprias ougrupos gregos e latinos, das consoantes geminadas e das permutas de grafemas. Letras Ocorrências bd Súbditas. cç contradicção, instrucção, acção(2), afflicção, protecção, ecclesistico. ch Christo(3), christão, christaos(13), christandade(3), christãs, christã, Baccho, Paschoas(2), machine, paracho. ct fructo(4),victoriosas, victoria(2),caracter, delictos(3), affecto(2), districto(2), dictava, effectivas, victimas, auctores, auctoridade, defuncto, protecto, affectuosamente. gm/gn Augmento, signal(3), Ignácio. mn solemnemente, solemnidade, damnos, comdemnação. pt baptizados(2), baptismo(5), baptizar(2), bapthizaraõ-se, baptizando(2), baptizaria, baptizasse, escriptura, promptidão, escriptas, captiveiro(4), captivos, captivarem, thesouros(2). ph Orphêo, prophefias(2), propheta, phantasias, phantasticas, blasphemarão, Blasphema. pç Descripção.. th catholicos(3),cathecumenos, Lutheranos(2), atheismo, atheus, theor,Thomé, cathecismo, throno. Quadro 2: das consoantes impróprias ou grupos gregos e latinos A recorrência dos grupos gregos e latinos ou de grupos consonantais impróprios ésignificativa, o que demonstra a regularidade de uso, no século XVII, da escrita pseudo-etimológica neste corpus.
  7. 7. Letras Ocorrências bb Sabbado. cc Acceito, occupado(4), occuparão, occasião(5), soccoro(4), successo(4), succdia-lhes, succede(2), succedeu(4), succedendo, peccado(4), occeano, accordo, seccos(2), accommodados(2), occaso, inaccessíveis, accender, succinta, occorreu-lhe, accordou, accometeu, ecclesiastico, occulta. ff difficuldades(11), difficultava, difficultosissima, differente(3), difficultosa(2), differenças, offerecer(3), oferecendo(2), offereceu(2), offerecido, offerecia, affecto(2), affectuosamente, aflicção, officiaes, officios(5), soffreu, soffrêrão, soffrendo, soffrido, efficacia, offendeu, affirmavão, affecto, effeito(3), affirmar, soffre, offendida. gg aggravos, aggravados. aquelle(21), elle(s)(56), aaquelles(s)(2), nelle(s)(8), delle(s)(24), ll daquelle(s)(6), aquella(s)(17), ella(s)(56), naquella(s)(3), daquella(s)(10), della(s)(23), nella(s) (14), dalli(10), alli(4), vassallagem(2), vassallos(3), avassallados, acastellados, hollandezes(2), hollandezes(13), hollanda(3), cavalleiro, sentinella, rochella, rebellarão-se, Allemanha(2), cotovello, alliviarem, cella, valles, encapellando, excellentes, aplausos(2), castello, fallava, alliados(2), capellão, allegão, illusão, donzella(2), fallar(3), allado, fallamos, callando(2), calla, Vasconcellos, infallivelmente, collegio(2), brazillianos. mm communicação(3), communicados, commetião, immunidade, immundices, encommenadava, encommenda, commercio(3), immenso, incommodidades(3), commum, descommodos, commodidades, commetêra, commungar. nn Dannos, innavegavel, innocentes(5), pannos, pennas(2). pp applicarião, appetite, supprir, applicavão, apparato, oppressão, aparelhavão, apparecem-lhe, applicou, apparedcer, supposto, applicar, applicarão, applicavão. tt Promettião, metterão, metter(3), promettia, prometterlhes, mettidas, permittem, permittindo-o, promettendo, attribuem, mettendo, mettêra, attendia, admettida, mettia, permetti, promettido(2), mettem. Quadro 3: das consoantes geminadas No período fonético já se usava as consoantes geminadas. Na escrita pseudo-etimológica ampliou-se essa prática estendendo-se para quase todas as consoantes. A partir de1904, sobreviveram apenas rr e ss mediais. Letras Ocorrências z por s Portuguez(es)(23), Brazil(14), brazillianos, empreza(5), puzesse, puzerão(2), francezes(2), trez(19), hollandezes(15), azas, mezes(13), pezo(2), pôz(4), vizitar, quizessem, quizera, couza(2)~cousas, quis(2), quizerão, doze(2), despeza. c por s Certão. m por n comsigo(8), emfim(5), emquanto(4), comtudo(3),, promptidão. r por l Frechas(6). g por j Magestade (7), sugeitos.
  8. 8. s por z aprasivel, visinhas, coser (cozinhar), cosidas, voses, visinhança, escamdalisados. uso do h cahir(2), sahindo(2), sahião(2), sahido(2), sahir(2), sahe, sahissem, sahia, cahiarão, aahia, he(48), exhortação, Parahyba, dahy, repreheendendo, exhortava. Quadro 4: das permutas de grafemas 5. CONCLUSÃO A leitura dos textos antigos revela-nos as vivências de fatos históricos, sociais eculturais de um povo, em épocas pretéritas. Permite-nos o conhecimento dos aspectoslingüísticos que se revelam no momento de elaboração dos textos, tais manifestaçõespossibilitam traçarmos o caminho histórico de uma língua e as mudanças ocorridas em seusistema. O documento Relação da Serra da Ibiapaba é uma fonte histórica muito importantepara se demarcar a história dos primitivos habitantes do Ceará e as tentativas pioneiras daIgreja para desenvolver sua catequese. Os conflitos, os medos, as dificuldades enfrentadaspelos religiosos, a descrição física do espaço e as manifestações antropológicas são reveladospor quem vivenciou os fatos. O objeto lingüístico estudado revelou-nos a maneira de registrar as palavras com uso deuma ortografia diferenciada da atual, predominando a escrita pseudo-etimológica representadapor meio de grupos consonantais de origem grega ou latina, do emprego de muitas consoantesgeminadas, da troca de grafemas e de variações no registro de uma mesma palavra. Contudo,podemos perceber que há coerência com o sistema ortográfico adotado, não obstante apequenas alterações.REFERÊNCIASMELO, Gladstone Chaves de. (1975). Iniciação à Filologia e à Lingüística Portuguesa. 5ª ed.Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica.NUNES, Joaquim José. (1989).Compêndio de Gramática Histórica Portuguesa. 9ª. Lisboa:Clássica Editora.PADRE Antonio Vieira. Relação da Missão da Serra da Ibiapaba pelo Padre Antonio Vieirada Companhia de Jesus. In. Revista do Instituto do Ceará. 1904, Tomo XVIII, p. 86-138, site:http://www.institutodoceara.org.br/ Acesso em 20 de mar. de 2008.PEREIRA, Eduardo Carlos. (1932). Gramática Histórica. 7ª ed. São Paulo: Editora Nacional.

×