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Revista Fonte da Prodemge com todas as ações do Governo de Minas através das Redes Sociais. Matéria Polos de Inovação e Teia MG pág 50.

Revista Fonte da Prodemge com todas as ações do Governo de Minas através das Redes Sociais. Matéria Polos de Inovação e Teia MG pág 50.

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  • 1. Editorial editorial As redes sociais sempre estiveram no cerne dos processos ligados à constituição e organização das comunidades humanas, desde os primórdios da civilização. Hoje, redes sociais estão na internet, influem nas mudanças que redesenham a face da comunicação contemporânea, e são cada vez mais relevantes em termos políticos, midiáticos e de mercado. Frente ao impacto das novas mídias, tecnologias informacionais e demais fenômenos associados à chamada web 2.0, as redes sociais crescem, expandindo sua presença e domínio, em escala global. Por meio da convergência digital, indivíduos, grupos, coletividades, empresas e instituições públicas e privadas estabelecem laços, promovem trocas e fazem negócios no ambiente virtual. Tais experiências desempenham um papel-chave na sociabilidade cotidiana, colocando em xeque as práticas, valores e formas tradicionais da comunicação de massa. Com todas as suas ferramentas de relacionamento, interação e colaboração em tempo real, as redes sociais revelam ainda uma feição peculiar e algo paradoxal: valem-se das redes existentes, propiciam a criação de novas redes, e, de modo concomitante, apresentam-se aos usuários como sendo a própria rede. Para responder de forma consistente ao desafio de abordar um tema em plena ebulição, sem resvalar na superficialidade ou incorrer em reducionismos, nossa abordagem editorial aliou a discussão conceitual à exposição de casos emblemáticos e experiências inspiradoras, nas áreas pública, privada e no terceiro setor. A ideia era tratar as redes sociais de forma reflexiva, plural e multidisciplinar, indo além dos modismos e apologias costumeiros quando o assunto em pauta refere- se às novas mídias e tecnologias informacionais. Nesse esforço, contamos com a ajuda inestimável de pesquisadores e profissionais dos mais diversos segmentos de atuação, aos quais renovamos os nossos agradecimentos. Boa leitura a todos! Diretoria da ProdemgeDezembro de 2011 Fonte Fonte 3
  • 2. sumário Sumário Ano 8 - Dezembro de 2011 Tecnologia de Minas Gerais 5 Interação Comentários e sugestões dos leitores. 6 Diálogo Entrevista com a especialista em Marketing Digital, professora, pesquisadora e escritora Martha Gabriel, que descreve a evolução das redes sociais, comenta sua utilização pelas organizações e aponta tendências.20 Dossiê Um panorama de utilização das mídias sociais pelas organizações públicas e privadas, o crescimento do e-commerce e a estrutura que sustenta novas aplicações baseadas na chamada web 2.0.42 Redes sociais: o centro das atenções Sandra Paula Tomazi Weber, especialista em Direito Digital e sócia do escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados.44 Governo 2.0: mudando paradigmas por meio das redes sociais para melhor servir à população José Cláudio C. Terra, presidente da TerraForum; Gabriela Abreu Couto, administradora pública pela Fundação Getúlio Vargas; e Felipe Fe- liciano, gestor de políticas públicas.46 Benchmarking Experiências de sucesso com uso das mídias sociais na administração pública: dados abertos do governo de São Paulo e a inovação em rede em Minas Gerais.52 Redes sociais e a organização da aprendizagem Guttenberg Ferreira Passos, analista da Prodemge, atuando na Gerência de Desenvolvimento Organizacional.54 O corpo como tecnologia Maria Christina Almeida Barra, fisioterapeuta, especialista em Filosofia e Existência e mestra em Antropologia Social.56 Versão 4: um paradigma Paulo César Lopes, pós-graduado em Ciência da Computação e em Direito Público. Especialista em sistemas operacionais e redes na Prodemge.58 Universidade Corporativa Prodemge Artigos acadêmicos inéditos descrevem experiências, pesquisas e reflexões sobre as redes sociais. 59 O uso de ferramentas de mineração de texto para modelar significados em redes sociais inclusivas Júlio César dos Reis, doutorando em Ciência da Computação na Faculdade de Ciências da Universidade de Paris XI (França) e pes- quisador no CRP Henri Tudor (Luxembourg); Rodrigo Bonacin, doutor em Ciência da Computação pela Unicamp e pós-doutorado no CRP Henri Tudor; e Maria Cecilia C. Baranauskas, professora titular no Instituto de Computação da Unicamp, doutora em Engenharia Elétrica pela Unicamp. 70 Considerações sobre a circulação de informações em sites de redes sociais Gabriela da Silva Zago, jornalista e bacharel em Direito, doutoranda e mestre em Comunicação e Informação pela Universidade Fede- ral do Rio Grande do Sul, pesquisadora de jornalismo e redes sociais na internet. 78 Redes sociais e a análise de grandes bases de dados na web 2.0: oportunidades e desafios Jussara M. Almeida, professora do Departamento de Ciência da Computação da UFMG, PhD em Ciência da Computação pela Univer- sity of Wisconsin-Madison (EUA); e Marcos A. Gonçalves, professor do Departamento de Ciência da Computação da UFMG, PhD em Ciência da Computação pela Virginia Polytechnic and State University, EUA. 85 A política de inclusão digital e o fortalecimento da sociedade em rede no Brasil Lygia Pupatto, secretária de Inclusão Digital do Ministério das Comunicações. 89 Governo de Minas Gerais 2.0 Fernando Vieira Braga, mestre em Administração Pública/Gestão da Informação pela Fundação João Pinheiro. Trabalha com arquite- tura de soluções, desenvolvendo projetos e produtos de TIC com utilização de biometria e certificação digital na Prodemge. 105 Web 2.0 e mídias sociais: realidade e tendências da comunicação on-line moderna. Tecnologia, comporta- mento e mudanças culturais Bruno Borges, pós-graduado em Marketing Digital e graduado em Design Gráfico. Supervisor da equipe da Fábrica Web na Prodemge. 115 Open innovation, Scrum e web 2.0: redes ágeis de inovação Rodrigo Baroni de Carvalho, doutor em Ciência da Informação, professor do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA) da PUCMinas e professor associado ao Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral (FDC).125 Fim de Papo - Luís Carlos Eiras Drone
  • 3. Uma publicação da: Ano 8 - nº 11 - Dezembro de 2011Governador do Estado de Minas GeraisAntonio Augusto Junho AnastasiaSecretária de Estado de Planejamento e GestãoRenata Maria Paes de Vilhena Inter@çãoDiretora-PresidenteIsabel Pereira de Souza A revista Fonte agradece asVice-PresidenteAntônio Alberto Moreira de Castro mensagens enviadas à redação,Diretora de Desenvolvimento de Sistemas dentre as quais algumas foramMaria Luiza Jakitsch selecionadas para publicaçãoDiretor de Gestão EmpresarialNathan Lerman neste espaço destinado aDiretor de Negócios acolher as opiniões e sugestõesSérgio Augusto Gazzola dos leitores. Continue participando:Diretor de ProduçãoRaul Monteiro de Barros Fulgêncio esse retorno é fundamental paraSuperintendente de Marketing e Escritório Digital que a revista evolua a cada edição.Leonardo Brandão de Oliveira Britto e-mail: revistafonte@prodemge.gov.brCONSELHO EDITORIAL Revista Fonte - Companhia de Tecnologia da Informação do Estado de Minas GeraisAmílcar Vianna Martins Filho Rodovia Prefeito Américo Gianetti, nº 4143 - Serra Verde - CEP 31630-901Gustavo da Gama TorresIsabel Pereira de SouzaMarcio Luiz Bunte de CarvalhoMarcos BrafmanMaurício Azeredo Dias Costa AGRADECIMENTOPaulo Kléber Duarte Pereira Recebemos e agradecemos o nº 10, publicados e, se possível, gostaríamosEDIÇÃO EXECUTIVA 2010, da publicação Fonte. O fascículo de receber também o número 9/2009.Gerência de MarketingGustavo Grossi de Lacerda foi imediatamente incorporado ao acer-Edição, Reportagem e RedaçãoIsabela Moreira de Abreu – MG 02378 JP vo e encontra-se disponível para todos Elaine MaximianoColaboração os usuários de nossa biblioteca. Reafir- Fundação Instituto de Ensino paraJúlia MagalhãesValéria Abreu mamos o nosso interesse em continuar Osasco – FieoArtigos Universidade CorporativaRenata Moutinho Vilella recebendo os próximos fascículos Osasco - SPCapaGuydo RossiCoordenação da Produção GráficaGuydo RossiConsultoria Técnica SOLICITAÇÕES DE ASSINATURABruno Marcos Borges de OliveiraRafael Fonseca de Freitas Devido à grande importância da re- Sou professora universitária,RevisãoFátima Campos vista Fonte para o desenvolvimento de lecionando nas instituições: UNI-BH,DiagramaçãoZói Estúdio Comunicação pesquisas nas diferentes áreas ligadas UNA, Fead e Senac. Leciono, entreImpressão à tecnologia da informação, principal- outras disciplinas, uma de gestão doImprensa Oficial do Estado de Minas GeraisTiragem mente na gestão pública nessa institui- conhecimento. Tomei conhecimento3.000 exemplaresPeriodicidade ção de ensino superior, vimos através do periódico de vocês: Fonte, ano 7,Anual deste solicitar a inclusão do nosso nome número 10, de dezembro 2010. ElePatrocínio/Apoio InstitucionalLívia Mafra na lista de doação dessa publicação. tem artigos de meu interesse para uti-(31) 3915-4114 / revistafonte@prodemge.gov.br Com o objetivo de completar a coleção lizar em minhas aulas. Gostaria de sa- dessa publicação em nossa biblioteca, ber como faço para adquirir o referidoA revista Fonte visa à abertura de espaço para agradecemos o envio, se possível, dos número da revista.a divulgação técnica, a reflexão e a promo-ção do debate plural no âmbito da tecnologia da números anteriores: 7, 8 e 9.informação e comunicação, sendo que oconteúdo dos artigos publicados nesta edição é Profa. Marta Alves de Souzade responsabilidade exclusiva de seus autores. Wanderlice da Silva Assis Belo Horizonte – MG Prodemge - Rodovia Prefeito Américo Gianetti, / bibliotecária nº 4143 - Serra Verde - CEP 31630-901 Belo Horizonte - MG - Brasil Fundação Universidade Federal www.prodemge.gov.br de Mato Grosso do Sul prodemge@prodemge.gov.brDezembro de 2011 Fonte Fonte 5
  • 4. Diálogo Diálogo Redes sociais: novos cenários e os impactos da conexão global e do poder distribuído A professora, pesquisadora, escritora, artis-Divulgação ta e consultora Martha Gabriel é referência, não só no Brasil, quando o assunto é redes sociais digitais. A repercussão de seu trabalho, sempre na linha da inovação, destaca-se igualmente nos ambientes on e off-line. Engenheira pela Unicamp, pós-graduada em Marketing (ESPM) e em Design Gráfico (Belas Artes SP), mestra e doutoranda em Artes (ECA/SP), foi elei- ta entre os top 10 profissionais mais inovadores pela revista ProXXIma (set/2011) e apontada como o pro- fessor de Marketing brasileiro mais influente no Twitter pela SM Magazine (2011). CIO da NMD – New Media Developers –, ga- nhou onze prêmios iBest entre 1998 e 2005 em de- senvolvimento web. É coordenadora e professora do MBA em Marketing da HSM Educação e do MBA em Marketing Digital na Trevisan Escola de Negó- cios, e coordenadora de cursos de Marketing Digital na ESPM. Palestrante internacional e autora de artigos em diversos congressos nas áreas de tecnologia, marke- ting e arte, nos EUA, Europa e Ásia, apresentou mais de 45 palestras no exterior e recebeu três prêmios de 6 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 5. o melhor palestra em congressos nos EUA (2003, 2004 e 2008). Artista com trabalhos expostos no Brasil e exterior, como: File (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica), Videobrasil, Fiat Mostra Brasil, Nokia Trends, Siggraph (o maior evento de arte digital do mundo), CHI (ACM Conference on Human Factors in Computing Systems), UPA (Usa- bility Professionals’ Association), Chain Reaction, Isea (Inter-Society for the Eletronic Arts), Bienal de Florença (premiada), Technarte, entre outros. Martha Gabriel é autora de três livros sobre marketing digital, sendo o mais recente, Marketing na Era Digital (Editora Novatec, 2010) e um livro sobre interfaces Conversando com Computadores: Interfaces de Voz na Web (Editora Melo, 2011). É colunista dos portais IDGNow! e Cidade Marketing. Foi agraciada com o patrocínio “Intelecto Digital” em 2010 e 2011 pela Locaweb. Site pessoal: www.martha.com.br / E-mail: martha@martha.com.br / Twitter: @marthagabriel S e por um lado as redes sociais digitais se instalaram de forma definitiva em todo o mundo, por outro, a velocidade com que o fenômeno ocorre gera um gap de desconhecimento, dúvidas e até mesmo de conflitos, especialmente para aqueles que se apegam à convicção de se tratar apenas de um modismo. Os impactos dessa nova forma de relacionamento mobilizam estudiosos e suscitam discussões, pesquisas e estudos em busca de certezas e de direcionamentos. Nesta entrevista com a professora Martha Gabriel, muitas dessas incertezas são esclarecidas. Ela descreve de forma didática a evolução das redes sociais, de seu ambiente original – presencial – para as plataformas digitais, que amplificam o poder de comunicação além do tempo e do espaço, e explica como esse fenômeno tem mudado a vida em sociedade. Fala sobre as tendências e perspectivas para a internet frente às novas tecnologias, especialmente diante da disseminação dos dispositivos móveis, que em sua opinião colocam a internet na palma da mão dos usuários. Ela aborda o comportamento das empresas nesse novo cenário e as mudanças efetivas e recomendadas no relacionamento com seus stakeholders, destacando os benefícios e estratégias para a administração pública. Neste Diálogo, Mar- tha Gabriel aprofunda a discussão sobre o marketing e contextualiza a matéria no ambiente digital, explica o reflexo das redes no comércio eletrônico e o fenômeno do social commerce, que se firma como poderoso canal de divulgação de produtos e instrumento de vendas. ......................................... Fonte: Como tem sido a atuação das organizações ma que cause sofrimento. Mudanças de paradigmas nas mídias sociais com relação a seus públicos de rela- estão sempre associadas a perdas (do modelo antigo) cionamento? No Brasil é diferente de outros países? e à decorrente necessidade de aceitação e adoção da Costumo fazer uma analogia da adoção/aceitação nova situação. Os estágios do sofrimento são cinco, e de um novo paradigma com o “ciclo do sofrimento”, acontecem na seguinte ordem: Negação, Raiva, Nego- um modelo criado pela Dra. Elisabeth Kübler-Ross ciação, Depressão e Aceitação. As mídias sociais são nos anos 1960, para explicar os estágios emocionais um novo paradigma e acredito que temos empresas, que um ser humano passa diante de uma perda ou trau- tanto no Brasil quanto no mundo, que se encontram em Dezembro de 2011 Fonte Fonte 7
  • 6. todos os estágios. No entanto, acredito que a maioria nário atual de hiperconexão e hiperinformação das redesjá esteja indo da fase de depressão para aceitação. En- sociais, a principal tecnologia que acelerou e concretizouquanto no ano passado ainda prevaleciam os estágios a era das mídias sociais é a banda larga, que começa ade negação e raiva, nos quais o pensamento dominante se espalhar no mundo por volta do ano 2000. Antes daera de que as mídias sociais eram moda (negação), banda larga, com o computador, a web e o telefone, exis-passando para a percepção de que algo estava mu- tia o potencial de se estar conectado, mas ninguém con-dando, mas sem se querer aceitar (raiva), em 2011 seguia realmente ficar on-line por muito tempo. Após avimos predominar o estágio da negociação, em que disponibilização da banda larga, esse paradigma muda eas empresas ainda relutavam para abraçar o novo pa- as pessoas passam a estar on-line o tempo todo. Isso via-radigma, mas começaram a considerá-lo como opção. biliza não apenas as plataformas de redes sociais digitaisNo momento atual, podemos perceber um interesse como também a possibilidade da existência da platafor-enorme das empresas pelas mídias sociais que se re- ma colaborativa da web 2.0 e a computação na nuvem,flete nos planejamentos de budget de mídia para 2012 que nos permite usar software como serviço hoje. Não ée na procura de palestras, cursos e treinamentos nessa à toa que a primeira rede social on-line que fez sucesso,área. No entanto, acredito que a predominância ain- o Friendster, surgiu no rastro da banda larga em 2002, se-da seja o estado de depressão, que se caracteriza por guida posteriormente pelo LinkedIn e Myspace em 2003,existir a consciência de que as mídias sociais não são Orkut e Facebook em 2004, e o Ning em 2005, uma pla-moda, precisam ser entendidas e incorporadas nas es- taforma para se criar redes sociais customizadas. Hoje,tratégias, mas ainda não se sabe ao certo como fazer temos incontáveis sites de redes sociais e um decorrenteisso (por isso, causa o sentimento de depressão). Em volume gigantesco de mídias sociais geradas nesses sites.2012, provavelmente, a fase predominante será a da Em função disso, transformações sociais profundas têmaceitação, em que as empresas devem abraçar ple- acontecido como a aceleração da inovação, distribuiçãonamente o novo paradigma social e incorporá-lo em do poder e da comunicação, novas formas de relaciona-suas estratégias. mento e criação de sentido, entre outras. Fonte: Fale sobre a evolução histórica das redes so- Fonte: Contextualize no ambiente digital as ca-ciais (pré-digitais) e como elas se comportam na web 2.0. racterísticas originais das primeiras redes sociais. Que Redes sociais são pessoas que se relacionam em ganhos as tecnologias agregaram?função de interesses comuns e existem desde as primei- As primeiras redes sociais on-line começaram aras comunidades. No entanto, com os avanços tecnológi- surgir em meados dos anos 1990, quando a web começacos ao longo da história da humanidade, as redes sociais a se esparramar. No entanto, como mencionado ante-passam a se expandir e os re- riormente, antes da bandalacionamentos se modificam, larga, a tecnologia não fa-transformando a sociedade e vorecia o “estar conectado”as estruturas de poder. En- “Estamos testemunhando a e a experiência era limitada,quanto na era da fala a comu- transição para um cenário ubíquo tanto que nenhum site de re-nicação era limitada à sincro- des sociais dessa fase conse-nicidade e às distâncias, hoje e da internet das coisas.” guiu sobreviver. Hoje, alémexperimentamos um colapso da banda larga fixa, estamosdo tempo e do espaço – vir- vivenciando a disseminaçãotualmente qualquer pessoa pode conversar com alguém da banda larga móvel, tanto no Brasil quanto no mundo,em qualquer lugar do planeta, em tempo real. Apesar de o que potencializa ainda mais a possibilidade de as pes-diversas tecnologias juntas serem responsáveis pelo ce- soas estarem on-line o tempo todo. Se até recentemente8 Fonte Fonte
  • 7. só era possível estar on-line por meio do computador, Fonte: Comente a nova dinâmica nas relações en-hoje os smartphones nos permitem essa conexão de tre as empresas e seus públicos de relacionamento.qualquer lugar, em qualquer tempo. Isso acarreta outras Pensando de maneira um pouco mais ampla, ob-transformações que impactam fortemente as pessoas, serva-se que o contexto 2.0 coroa o poder das pessoas –as empresas, a sociedade, como a predominância da in- tanto do consumidor quanto do colaborador da empresaformação em tempo real, que traz inúmeras mudanças – e as transforma em peças-chave do sistema da organi-no modo como nos relacionamos com a informação e a zação. Se antes o consumidor era só público-alvo, hojeconsumimos, com o tempo presente, passado e futuro, ele é um “prossumidor” (consumidor/produtor/proativo),no relacionamento com as pessoas e objetos. Estamos que deixa de ser apenas alvo e se torna também mídia etestemunhando a transição para um cenário ubíquo e da gerador de conteúdo, cocriando, quer queiramos ou não,internet das coisas. os nossos produtos e significado da marca. Por outro lado, se antes os colaboradores eram pequenas peças que Fonte: Como acertar (ou não errar) num contexto compunham o sistema e cujo trabalho era fazer mais comtão novo e dinâmico? O que é obrigatório para as orga- menos, com foco na produtividade, agora a organizaçãonizações no mundo digital? E o que é contraindicado? é uma rede de colaboradores que precisa dos consumido- É importante notar que, apesar de estarmos viven- res nos processos de criação e divulgação tanto quantodo uma revolução digital, o para comprar o produto. Issodigital é apenas mais uma muda profundamente o papelplataforma para as organiza- das organizações e seus co-ções atuarem. O digital em si “Na realidade, marketing laboradores e dos públicos.não é estratégia. O que faze- Estamos migrando, portan-mos nas plataformas digitais digital não existe. Existe to, de um cenário em queé que é estratégia. Assim, a marketing e ponto.” os trabalhadores obedeciamprimeira coisa que uma em- e eram como peças em umapresa precisa fazer para ter máquina, e que precisavamsucesso no mundo digital é a ser rápidos e baratos, paramesma coisa que ela precisa fazer para ter sucesso em um contexto em que as pessoas se tornam indispensáveisqualquer ambiente: ter estratégia. No caso do mundo di- para manter o sistema funcionando. Isso tudo requer quegital, a estratégia deve considerar as transformações que o objetivo principal das organizações não seja mais foca-esse ambiente tem causado nas pessoas em geral – consu- do em vender produto ou satisfazer os consumidores ape-midores e sociedade – e seus comportamentos e abranger nas, mas em fazer do mundo um lugar melhor, engajandoas novas plataformas que o digital oferece – buscadores, com valores. As organizações que não entenderem essaredes sociais, mobile, etc. Dessa forma, conhecer o públi- nova dinâmica social e mercadológica tendem a desapa-co-alvo e ter objetivos definidos com esse público é o que recer para dar lugar às que abraçarem esse novo modelo.vai determinar as estratégias a serem desenvolvidas no Outra dimensão importante na transformação doambiente digital e seu sucesso. Outro requisito essencial consumidor é o impacto do tempo real trazido pela ace-para atuar em qualquer ambiente é conhecê-lo, pois não leração das tecnologias de informação e comunicação ese pode jogar um jogo sem estar familiarizado com suas mobilidade. A densidade informacional à qual as pesso-regras e especificidades. Dessa forma, é imprescindível as estão submetidas hoje é extremamente alta e quantoque a organização se eduque para se transformar em uma maior a quantidade de informações no ambiente, maiorempresa 2.0. Para se conseguir uma empresa 2.0 é preci- a dificuldade de prestar atenção em tudo. Nesse sentido,so dar uma educação 2.0 às pessoas para que se tornem a coisa mais difícil de se conseguir hoje é a atenção dascolaboradores 2.0. pessoas, e isso também afeta as estratégias das empresas.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 9
  • 8. Se antigamente as fórmulas de interrupção da propagan- fogo na sua alma. Isso varia de pessoa para pessoa – exis- da convencional eram eficientes, hoje elas funcionam tem indivíduos cujo dom natural é contabilidade, isso é cada vez menos. A única maneira de conseguir a aten- interessante para eles. Para outros é se relacionar com ção do seu público é ser relevante para ele, estar alinhado pessoas, atender. Assim, o caminho dos departamentos com seu contexto e valores, é fazer com que ele se in- de recursos humanos e dos gestores das empresas será o teresse por você. Desse modo, as estratégias que embu- de descobrir e valorizar esses diversos talentos para que tam as marcas e produtos em eles trabalhem a pleno va- conteúdos e valores dos con- por. Por isso também tanto sumidores são as que prova- se fala em retenção de talen- velmente terão sucesso nesse “... as mídias sociais e as novas tos e na necessidade de uma novo cenário em que, talvez, plataformas digitais afetam a gestão baseada em servir e o maior concorrente do seu não mais em poder. gestão pública e o relacionamento produto não seja o produto concorrente, mas a atenção com o cidadão tanto quanto Fonte: Fale sobre os do consumidor. E quanto afetam qualquer empresa e sua impactos das mídias sociais mais natural, ética e sincera no marketing digital. for essa transformação da relação com seus públicos.” Na realidade, marketing marca em conteúdo para o digital não existe. Existe seu consumidor, maior a sua marketing e ponto. Marketing eficiência. Por isso vemos tantos especialistas abordando é a ciência de compreender as necessidades e desejos o tema transmídia storytelling e tanto se tem falado sobre das pessoas para satisfazê-los por meio da troca. Assim, a importância dos influenciadores. o foco do marketing não é a tecnologia e sim as pes- soas, e sempre foi. O que muda agora é que o digital Fonte: Especificamente com relação aos colabo- transforma algumas dimensões do marketing, como radores, qual a atitude recomendada no uso de mídias o público-alvo (que passa a ser não apenas alvo, mas sociais: estimular o uso ou restringir? Qual tem sido a também mídia e gerador de conteúdo, tornando-se realidade no mercado brasileiro? prossumidor) e as plataformas para atuação (que, além Em minha opinião, o único caminho em relação aos das tradicionais, como TV, rádio, jornal, etc., passam colaboradores é o mesmo caminho que usamos na rela- a incluir também as digitais, como as de busca, redes ção que temos com nossos filhos quando queremos que sociais, mobile, etc.). eles se desenvolvam – educar para que extraiam o me- Nesse contexto de penetração das plataformas di- lhor do seu potencial para serem felizes e que ao mesmo gitais, os sites de redes sociais são o principal transfor- tempo façam do mundo ao seu redor um lugar melhor. mador do cenário que impacta o marketing, pois eles Como comentei na resposta anterior, existe uma grande são o principal protagonista que dá poder ao indivíduo, transformação no papel do colaborador – precisamos de invertendo o vetor de marketing. Antes das redes so- pessoas que deixem de apenas fazer o que lhes é manda- ciais on-line, o poder de comunicação estava centrado do e façam a diferença. O único modo de conseguir isso nos canais de comunicação, na mídia oficial. As pesso- é educar e caminhar junto com as pessoas que trabalham as tinham muito poucos recursos para se expressarem com a gente, de forma que cada pessoa desenvolva o seu e colocarem suas opiniões sobre qualquer produto ou potencial ao máximo para fazer coisas interessantes e marca. A partir das plataformas de redes sociais on- faça diferença na organização. Observe que quando eu line, que começaram a se disseminar em 2003 e ex- falo “fazer coisas interessantes” não estou falando em plodiram em popularidade nos últimos anos, qualquer diversão, mas em o que faz o seu coração bater e coloca indivíduo pode virtualmente conversar com qualquer10 Fonte Fonte
  • 9. outra pessoa do planeta, com qualquer marca, articular feitas por meio das redes sociais das revendedoras, quemovimentos a favor ou contra algo. O poder das pesso- são os agentes de disseminação dessas marcas e vendaas conectadas é enorme e tem causado transformações dos seus produtos. Com as redes sociais on-line, qualquerprofundas no planeta, e não apenas no marketing (vide pessoa pode virtualmente divulgar um produto ou mar-as revoluções árabes). ca e até mesmo vender. O Magazine Luiza está fazendo Além da transformação que as plataformas de redes uma ação interessantíssima nesse sentido – eles criaramsociais causaram no público, no consumidor, elas também o “Magazine Você”, que consiste basicamente em umse tornaram a principal forma de mídia. Mídias sociais aplicativo no Facebook em que as pessoas divulgam emsão os conteúdos que as pessoas trocam dentro das redes seus perfis os produtos que gostam, criando uma vitrinesociais. Se há dez anos esse conteúdo era pequeno, pois pessoal, e todas as vendas feitas por meio do perfil denão havia tecnologia para sua produção e disseminação uma pessoa resultam em comissões que variam de 2,5% ade forma intensa, hoje esse volume é gigantesco e impac- 4% para essa pessoa. Esse é apenas um exemplo de comota profundamente as empresas. Por exemplo, em 1995, se alavancar o comércio social com as redes sociais on-line.você viajasse de férias, voltaria com um ou dois filmes Existem diversas outras maneiras de se aliar o comérciode 36 poses para revelar, tinha que esperar uma semana eletrônico com as redes sociais, que vão desde recomen-para ver as fotos (mídias sociais) e convidar meia dúzia dações de sistemas on-line (como da Amazon), sistemasde amigos para ver. Hoje, você viaja e no segundo dia de reviews abertos de consumidores, até sugestões ejá postou on-line mais de 100 ideias de consumidores oufotos (mídias sociais) e todos público em geral (inovaçãoos seus amigos (e não apenas aberta, cocriação).meia dúzia) têm acesso a es- “... as mídias sociais distribuíram Por outro lado, comosas fotos e podem comentar o poder na rede e isso vale para mencionado antes, as pesso-e compartilhar também. Se- as conectadas têm um grandegundo o livro Socialnomics, qualquer indivíduo, tanto o público poder de articulação e mobi-hoje, 25% dos resultados externo quanto os colaboradores lização. Isso pode afetar con-na primeira página de bus- sideravelmente o comércio internos de uma empresa.”ca para as top 20 marcas do eletrônico, gerando, inclu-mundo são links para sites de sive, crises. Qualquer falhamídias sociais. Ou seja, para de uma marca pode ser facil-as grandes marcas, torna-se impossível não considerar mente exposta pelas pessoas. Isso requer que as empresaso fator mídias sociais em suas estratégias de marketing. tomem cuidado constantemente não apenas para estarem com tudo em ordem, mas também para se relacionarem Fonte: Qual o poder das redes no comércio eletrônico? com as pessoas que comentam sobre seus produtos e ser- As redes sociais podem afetar o comércio eletrôni- viços nas redes sociais on-line. Isso requer a habilidadeco tanto positiva quanto negativamente. de analisar o tipo de reclamação, se é válida ou não, ve- O lado positivo é que o comércio eletrônico pode rificar a influência de quem está reclamando ou comen-abraçar as redes sociais para alavancar o comércio social, tando e, em qualquer caso, saber tratar. Poucas pessoasque é vender por meio das redes sociais das pessoas. De podem expor uma marca hoje devido às redes sociais on-forma geral, se comércio eletrônico é vender on-line, co- line e isso pode potencializar um boca a boca ruim.mércio social é vender on-line com as pessoas te ajudan-do. Esse conceito já é antigo, mas antes das redes sociais Fonte: Quais os ganhos e desafios com relaçãoon-line apenas empresas grandes como Avon e Natura às alternativas de promoção e relacionamento nasconseguiam praticar o comércio social – as vendas são mídias sociais?Dezembro de 2011 Fonte Fonte 11
  • 10. As redes sociais on-line trazem diversas vanta- Fonte: Quais as perspectivas e possíveis novos pa- gens para as marcas, como o aumento da visibilida- radigmas para as mídias sociais a partir da populariza- de, velocidade de disseminação, novas plataformas ção do acesso por dispositivos móveis. de conteúdo (por exemplo, vídeo, como no caso do Se a banda larga fixa é a responsável pela trans- Youtube), interatividade com o público e possibili- formação social que testemunhamos hoje, a banda larga dade de fazer pesquisa de móvel alavancará uma nova mercado por meio de mo- revolução. Se a primeira co- nitoramento do ambiente. “Nesse cenário, por incrível que nectou as pessoas, a segunda Todas essas características coloca a internet na palma da trazem um potencial bas- pareça, são ainda mais necessários mão como extensão do corpo tante grande a ser explora- processos intensamente humanos, biológico, desencadeando to- do nas mídias sociais para das as principais tendências como a prática da interpretação, a promoção e relaciona- do momento – o tempo real, mento com o mercado. reflexão e formação de redes a geolocalização, a internet No entanto, novos de- humanas.” das coisas, a busca, o ví- safios também surgem. Os deo, a realidade aumentada, principais desafios são: pro- os links transmídia, o social ximidade do consumidor requer disponibilidade cons- everything. Além dessas tendências desencadeadas pela tante e habilidade para dialogar; descentralização da mobilidade, o mobile payment também começa a deslan- construção de imagem – a marca não consegue mais char – se o nosso celular já convergia quase tudo (relógio, controlar como as pessoas terão acesso a ela, podendo despertador, filmadora, máquina fotográfica, rádio, mp3 ser por meio do seu site ou por meio de uma mensa- player, gravador, computador, etc.), agora também fun- gem, com informação boa ou ruim a respeito da marca, cionará como carteira. nas mídias sociais; hiperexposição e/ou desalinhamen- Pensando especificamente na influência do mobile to por parte dos colaboradores – se os funcionários e nas redes sociais e vice-versa, podemos destacar alguns parceiros estratégicos não estiverem completamente aspectos principais: a) Presencialidade – não é possível em sintonia com a marca e seu posicionamento, eles ter tempo real, como no Twitter, por exemplo, sem o ce- podem gerar, consciente ou inconscientemente, men- lular. É ele que traz os dados para a palma da mão ins- sagens contrárias à marca, gerando crises. tantaneamente e também é ele que coloca a informação No livro The Cluetrain Manifesto são aborda- no ar no exato momento em que ela acontece; b) Locali- das as principais transformações que a internet traz ao zação – o celular transformou todo mundo em GPS. Re- mercado e ao ambiente de negócios. Considero parti- des sociais como o Foursquare, por exemplo, baseiam-se cularmente interessante a seção que declara que “as em localização e trazem inúmeras possibilidades a serem marcas precisam adquirir senso de humor”. É essen- exploradas pelas marcas no relacionamento com o con- cial nesse novo cenário que as empresas compreendam sumidor em função da sua localização. Isso é impossível as transformações decorrentes da disseminação digital sem um dispositivo móvel; c) Busca – como as pessoas e mudança do relacionamento empresa/consumidor. possuem um celular na mão, elas buscam em tempo real Por exemplo, ter “senso de humor” significa que as tudo o que precisam e querem, inclusive nas redes so- empresas precisam ter honestidade, humildade, valo- ciais. Essas características mudam o paradigma de uso res e ponto de vista. Ou seja, cada vez mais as empre- das mídias sociais em vários aspectos. Por exemplo, o sas precisam ser transparentes e compreenderem sua fato de as pessoas poderem dar dicas e sugestões sobre missão, visão e valores para poderem ter sucesso no locais, comidas, produtos por meio do Foursquare (geo- cenário que emerge. localização) pode transformar comidas e locais em so-12 Fonte Fonte
  • 11. ciais. A possibilidade de se “curtir” um produto físico por mais transparentes e éticas. Portanto, as mídias sociaismeio de um QRcode também pode tornar produtos e lo- e as novas plataformas digitais afetam a gestão públicacais populares. Assim, a mobilidade não apenas coloca as e o relacionamento com o cidadão tanto quanto afetammídias sociais em tempo real e na geolocalização como qualquer empresa e sua relação com seus públicos.também, e principalmente, faz com que as mídias sociaisinterajam com o off-line de maneira inédita. Ou seja, o Fonte: As ferramentas para monitoramento e men-novo paradigma trazido pela mobilidade é a total integra- suração acompanham a velocidade de evolução das re-ção on e off-line, que é o caminho natural da evolução do des? O mercado atende às necessidades das empresas?digital em nossas vidas. Existem hoje ferramentas sofisticadíssimas para monitoramento de mídias sociais que fazem análise de Fonte: Como empresas públicas podem se be- diversas plataformas simultaneamente, analisam influ-neficiar das mídias sociais em iniciativas que lhes ência, sentimentos, alcance, ecossistemas, etc. As ferra-são próprias? Os governos reconhecem a eficiência mentas têm acompanhado rapidamente a evolução dosdesse recurso? sites de redes sociais. No entanto, nem tudo pode ser As mídias sociais são ao mesmo tempo um espelho feito automaticamente com ferramentas e, para que elasda sociedade e uma plataforma poderosa de comunicação funcionem adequadamente, precisam ser configuradascom ela. O monitoramento das mídias sociais de forma e acompanhadas pela inteligência humana. É mais im-adequada pode trazer informações valiosas para a gestão portante o piloto do que o equipamento. Todo dia surgepública, como previsão de doenças e epidemias, deman- uma nova ferramenta, mas o grande desafio no mercado édas públicas, tendências, etc. Por outro lado, as mídias formar e contratar profissionais habilitados e capacitadossociais podem ser usadas como instrumento de educa- para utilizá-la e extrair inteligência dos dados coletados.ção e disseminação de infor- O processo de monitoramen-mações importantes para o to em mídias sociais passabem-estar social. Programas basicamente por três etapaspúblicos podem e devem ser “Nos ambientes analógicos, os principais: 1) monitoramen-comunicados por meio des- contextos são mais facilmente to; 2) análise; 3) ação. Osas plataformas. No entanto, reconhecíveis e delimitados e, monitoramento só tem utili-o uso adequado das mídias dade se o processo de análisesociais requer treinamento e portanto, controláveis.” consegue entender o que osequipes multidisciplinares. dados mensurados represen-Acredito que os governos já tam e que oportunidades oureconheçam o poder e eficiência desse recurso, no entan- ameaças eles trazem, extraindo inteligência do proces-to, por ainda ser um fenômeno muito recente, as equipes so. Mas a análise sozinha, por sua vez, sem uma açãoainda estão se habilitando para usar as mídias sociais. adequada que a acompanhe, também não tem utilidade. Outra dimensão importante que deve ser considera- Saber como agir após analisar os dados obtidos é o queda é que, por proporcionar poder ao cidadão, indivíduo, determina o sucesso das estratégias em mídias sociais.as mídias sociais tornaram-se um importante instrumento Portanto, é mais importante quem usa os dados do que ade controle dos governos. Devido à mobilidade associa- ferramenta utilizada para mensurá-los.da à conexão nas redes sociais, qualquer pessoa tem opoder de publicar e disseminar qualquer irregularidade Fonte: Qual a formação profissional desejávelou insatisfação em relação à administração pública. Isso para atuação no marketing em mídias sociais? Comotorna o ambiente público mais vulnerável e sujeito a cri- formar esses profissionais?ses e tende a obrigar os governos a adotarem posturas Da mesma forma que no começo da web se falavaDezembro de 2011 Fonte Fonte 13
  • 12. em um profissional único para desenvolvimento de si- rio, a única forma de engajar o público, o consumidor, tes, o “webmaster”, hoje existe a mesma ilusão de que é por meio de ações que interessem a esse público e um único profissional possa atuar no marketing em mí- que sejam alinhadas com seus valores. Isso aumenta dias sociais. Sabemos hoje que um website é construído o grau de complexidade do mercado, pois as empre- por uma equipe multidisciplinar que envolve designers, sas não conseguem mais apenas vender para o público arquitetos da informação, programadores, especialistas externo, elas precisam dele também para cocriar e pro- em usabilidade, otimizadores de busca (SEO), profis- mover seus produtos. Nesse contexto, as empresas que sionais de marketing, entre não conseguirem entender outros. Com marketing em o consumidor e articular o mídias sociais, o processo é que é relevante para ele não similar. Para se atuar de for- “Na essência, as redes sociais sobreviverão. Assim, os tra- ma profissional em mídias são um espelho da sociedade de balhadores precisam deixar sociais é necessário reunir de ser peças de produtivi- profissionais multidiscipli- maneira geral e as pessoas se dade, que fazem mais em nares, como especialistas em comportam da mesma maneira menos tempo, e passarem monitoramento e métricas, a funcionar como partes de dentro e fora das redes.” estrategistas de marketing, um sistema integrado em relações públicas, designers, rede em que façam a dife- programadores, especialis- rença para engajar o público tas técnicos em cada plataforma (Facebook, Twitter, externo. Isso tem causado uma revolução na estrutura LinkedIn, Slideshare, Foursquare, etc.), matemáticos, das empresas e nas relações de trabalho, pois inaugura estatísticos, entre outros. Logicamente, um mesmo pro- um novo paradigma completamente diferente da eco- fissional consegue eventualmente reunir algumas das nomia industrial que reinou por 150 anos. habilidades multidisciplinares, mas não todas. Assim, se o desenvolvimento de um site de forma profissional Fonte: Como as redes têm redefinido modelos de requer uma equipe, o desenvolvimento de estratégias e comportamentos e relações sociais? atuação em mídias sociais é ainda mais complexo e re- Os termos “Sociedade do Espetáculo” (DE- quer habilidades adicionais. A formação desses profis- BORD, 1967) e “Sociedade de Controle” (FOU- sionais vai desde cursos tradicionais como matemática, CAULT, 1975 & DELEUZE, 1990) têm origem no estatística, design, programação e marketing até cursos século XX, mas as transformações sociais que eles dis- novos como desenvolvimento de aplicativos nas plata- cutem vêm sendo observadas de forma cada vez mais formas específicas (Facebook, Twitter, etc.), integração significativa nos dias atuais, conforme o tecido social de plataformas, transmídia storytelling, etc. Cada vez se torna mais conectado. A gradativa evolução e disse- mais se encontram esses novos cursos em instituições minação das tecnologias de informação e comunicação tradicionais de ensino, que vêm incorporando as novas nos conduziu para um cenário de conexão global. No necessidades do mercado. entanto, até a década final do século XX, essa conexão privilegiava principalmente as instituições – governos, Fonte: O que tem mudado nas relações de trabalho empresas de mídia, multinacionais, etc. Mas, a partir com o crescimento das mídias digitais? dos últimos anos do século XX e principalmente no Como mencionado anteriormente, as mídias início do século XXI, a penetração da internet e das sociais distribuíram o poder na rede e isso vale para tecnologias digitais no cotidiano do cidadão comum qualquer indivíduo, tanto o público externo quanto os alavancou uma incrível mobilidade e ubiquidade co- colaboradores internos de uma empresa. Nesse cená- municacional e informacional no nível do indivíduo –14 Fonte Fonte
  • 13. e não mais apenas no nível das organizações –, catali- fonte centralizadora filtrante, como a televisão tradi-sando, assim, tanto o controle e a transparência quanto cional), relatando os mais diversos aspectos da reali-as possibilidades de autoexposição em níveis inéditos dade, sob os mais diversos ângulos, além de colocaremna nossa história. Esse processo redefine a distribuição à disposição de qualquer um todo tipo de informaçãodo poder e transforma a sociedade, o modo como vive- imaginável, como bibliotecas, videotecas, filmes, do-mos e nos relacionamos. cumentários, etc., permitindo que se amplie o cenário Antes das redes sociais on-line, as pessoas ti- informacional, iluminando e aumentando a capacidadenham acesso a informações limitadas e apenas das de discernimento para controlar. Dessa forma, no am-pessoas mais próximas. Com a disseminação das redes biente digital, o controle e o espetáculo encontram osociais on-line, pela primeira vez na história da huma- meio propício para seu desenvolvimento na sociedade,nidade, o homem pode observar livremente o homem, e nesse cenário a privacidade é elemento regulador, e ainclusive seres mais distantes. Pela primeira vez na transparência, efeito resultante.história, também, qualquer pessoa pode se expressare se expor livremente e, virtualmente, todos estão em Fonte: Com relação ao grande volume de infor-contato com todos. No entanto, apesar de o relaciona- mações geradas e disponibilizadas de forma permanentemento ter se ampliado no tempo e no espaço e ter se nas mais variadas mídias, muitas delas com veracidadeaprofundado em alguns sentidos, por outro lado, esses questionável: como filtrar o que de fato interessa, sem serelacionamentos são mediados por programas de com- perder nesse turbilhão de informações?putador. Isso muda a natureza dos relacionamentos. As Antes de mais nada, o importante é ter consci-novas mídias digitais atuam ência total de que é impos-em duas direções opostas sível para qualquer indiví-nesse fenômeno – ao mes- “Quanto mais acelerado o duo acompanhar toda novamo tempo em que elas têm informação, fato novo eo poder de acentuar o espe- processo de transformações mudanças de cenário polí-táculo e a alienação, por ou- tecnológicas, mais acelerada tende tico, social, econômico outro lado, elas também têm o tecnológico. Sem dúvida,poder de iluminar e permitir a ser a nossa transformação como é preciso dominar as ferra-o “viver diretamente”, am- sociedade.” mentas de busca, alertas epliando o contato direto do indexação e organização deindivíduo com a realidade. informações digitais. MasNo primeiro caso, as novas tecnologias de comunica- isso, por si só, não é suficiente. Nesse cenário, por in-ção e informação possibilitam uma superexposição do crível que pareça, são ainda mais necessários processosindivíduo numa imensa acumulação de espetáculos, intensamente humanos, como a prática da interpretação,transformando tudo o que era vivido diretamente em reflexão e formação de redes humanas.uma representação, e os fluxos contínuos de informa- A interpretação e reflexão nasceram junto com ação agem na capacidade de percepção dos indivíduos filosofia e a lógica. Essas competências profundas nãoe dificultam a representação do mundo – a contínua são adquiridas de uma hora para outra. Na era digital, porreprodução da cultura é feita pela proliferação de ima- paradoxal que pareça, indivíduos com ampla capacidadegens e mensagens dos mais variados tipos, o que torna de análise, reflexão e crítica tornam-se ainda mais dife-cada vez mais difícil separar ficção de realidade. Ao renciados. A informação é disponível para todos, já o co-mesmo tempo, no segundo caso, as novas tecnologias nhecimento diferenciado ainda é um campo para poucos.digitais permitem a proliferação de informações gera- As redes humanas, por sua vez, do ponto de vistadas por indivíduos comuns (e não mais apenas por uma do conhecimento, são particularmente úteis tanto paraDezembro de 2011 Fonte Fonte 15
  • 14. o filtro quanto para a validação da informação. Indiví- reconhecíveis e delimitados e, portanto, controláveis. As duos inseridos em vários tipos de redes vibrantes, pro- pessoas sabem quando estão no trabalho, na rua, na es- dutivas e genuinamente colaborativas têm vantagens cola, em uma festa e quem está simultaneamente nesse gigantescas em termos de sua capacidade para filtrar, mesmo ambiente, podendo ouvi-las e gravá-las. No en- validar e produzir conhecimento relevante e de alto tanto, nos ambientes digitais, é muito mais difícil reco- valor agregado. nhecer o contexto em que se está inserido ou quem está simultaneamente nele – por exemplo, quando as pesso- Fonte: Comente especificamente a questão da as conversam em redes sociais como no Twitter, cada privacidade. uma está em um contexto analógico diferente, mas, ao Em minha opinião, a questão da privacidade é um mesmo tempo, estão todos no mesmo ambiente digital dos assuntos principais que deve ser discutido pela so- que envolve diversos contextos simultaneamente, tantos ciedade conforme as tecnologias digitais se disseminam. quanto for a quantidade de pessoas conectadas naque- Assim, vamos lá. le ambiente. Nesse cenário, o controle da privacidade A palavra “privacidade” deriva do latim (privatus) torna-se muito mais complexo e difícil, pois exige co- e significa “separado do resto” e, de modo mais amplo, nhecimento dos contextos e pessoas no ambiente digital é a habilidade dos indivíduos ou grupos de afastar a si e requer ferramentas que possibilitem o controle seletivo próprios, ou as informações sobre si próprios, e conse- de revelação da informação. quentemente revelar-se seletivamente. No Manifesto Além da questão dos contextos, as tecnologias Cypherpunk (HUGHES, 1993), Eric Hughes declara que digitais permitem tanto a disseminação mais rápida “Privacidade é o poder de uma pessoa seletivamente re- das informações, como, principalmente, o seu registro velar suas informações ao mundo”. Apesar de o uso da imediato e cumulativo. Assim, enquanto nos ambientes privacidade variar de cultura para cultura, entre indiví- analógicos, muito do que se revela é compartilhado com duos dentro da mesma cultura e ao longo do tempo, a poucos ao redor e normalmente está sujeito apenas ao privacidade é, e continuará sendo, um princípio seletivo registro humano naquele ambiente, nos ambientes di- de revelação de informações pessoais em função do con- gitais, o que se revela pode estar sendo compartilhado texto (ambiente, situação, pessoas ao redor, etc.). com milhares ou milhões de pessoas e está à mercê do Privacidade é um conceito diferente de segredo, registro computacional – por meio das tecnologias digi- que está relacionado a uma informação que não deve tais, no momento em que a informação é revelada, ela ser compartilhada com ninguém, em nenhum contexto. está disponível para a disseminação instantânea, sem A privacidade regula mais o “para quem” se revela uma necessidade de esforço humano de memorização, não informação do que com “o que” se revela em si, ou seja, se tornando mais passível de deleção. Dessa forma, os está intimamente ligada ao contexto. O que se fala em um ambientes digitais, por sua própria natureza, são desfa- bar, talvez, não se fale em uma igreja. O que se revela a voráveis à manutenção da privacidade. um amigo íntimo, talvez, não se revele a um desconheci- Portanto, o ambiente digital é o paraíso para a pro- do. Fornecemos o número do nosso cartão de crédito em liferação de dados, causando uma verdadeira avalanche um site de comércio eletrônico, mas não o fornecemos de informações pessoais que os indivíduos fornecem em para outras pessoas que conhecemos. suas atividades diárias – surfar na internet, usar cartão de Um aspecto muito importante para ser possível o crédito, fazer uma assinatura de revista ou newsletter, etc. exercício da privacidade é que as pessoas detenham al- As pessoas fornecem toda sorte de informações pessoais gum tipo de controle sobre o contexto em que estão in- de inúmeras maneiras, tanto conscientemente (como no seridas em cada momento para poderem, assim, escolher caso em que compartilham seus dados, fotos, preferên- que informações pessoais desejam revelar ou não. Nos cias, aversões, localização, etc. voluntariamente nas re- ambientes analógicos, os contextos são mais facilmente des sociais digitais), quanto de forma inconsciente (como16 Fonte Fonte
  • 15. no caso de quando fazem compras com cartão de crédito, de Napoleão Bonaparte, general estrategista francês donavegam, buscam e clicam na web). Apenas uma peque- século XIX, expressa a essência desse poder: “Duas ala-na parcela das pessoas lê os contratos de uso de sites e as vancas movem o homem: o interesse e o medo”. Os inte-suas políticas de privacidade. Apesar de declararem que resses e medos das pessoas são as forças motrizes de suasse importam com a privacidade, elas não estão realmente existências. Todos os dias, levantamos da cama apenasinteressadas a ponto de gastar tempo para ler os contra- se tivermos interesse em algo (como fazer uma atividadetos, deixando seus dados pessoais à mercê dos outros. que nos deixa feliz) ou medo de algo (como perder o em- prego e a fonte de subsistência, ou morrer). Se na época Fonte: Ainda sobre a questão da privacidade: e de Napoleão era difícil obter informações sobre outrasquando os dados pessoais fogem ao controle do indivíduo? pessoas, hoje isso é possível de maneira simples e gra- Além da questão da tuita. Faça um teste – acesseautoexposição e do con- os sites spokeo.com, 123peo-trole que o próprio usuário “... a democratização do acesso ple.com.br e geni.com e vejaexerce sobre seus dados, o que eles mostram sobreexistem diversos questio- à internet é uma das ondas de você. No Spokeo, basta for-namentos éticos em relação transformação do mercado on- necer um endereço de emaila plataformas que coletam line que deve começar a impactar que ele gera um dossiê sobredados das pessoas sem sua o seu dono; entre com umautorização. Esse é o caso fortemente todas as dimensões do nome no 123people e vejadas plataformas de behavior marketing.” os dados que ele reúne sobretarget, que passam dados de essa pessoa; e use o geni.comcomportamento do usuário para traçar árvores genealó-de um sistema/site para outro, e também do Facebook, gicas obtidas por meio de conexões digitais. Tudo issoque está sempre no centro das polêmicas da privacidade é possível simplesmente porque as pessoas expõem seuson-line por usar dados dos seus usuários (ler o artigo dados, muitas vezes ingenuamente.Facebook is Using Your Data Whether You Like It OrNot em http://goo.gl/vQqOx). Fonte: A que você atribui a grande aceitação das Independentemente de as pessoas estarem abrindo mídias sociais no Brasil?mão da sua privacidade consciente ou inconscientemen- O brasileiro é social por natureza. A nossa cultu-te, intencional ou ingenuamente, por interesse ou por ra é aberta e extremamente propícia para plataformaspreguiça, o fato é que o grau de privacidade tem dimi- que socializem. Acredito que essa seja a principal ra-nuído conforme as tecnologias digitais passam a mediar zão para sermos campeões mundiais de acesso a sitesos relacionamentos. Em consequência, a redução dos de redes sociais.níveis de privacidade tende a favorecer o aumento dosníveis de controle. Fonte: Quais as peculiaridades de comportamento Conforme o grau de privacidade usado por um in- das pessoas dentro e fora das redes? Há mudanças? Emdivíduo diminui, mais exposto ele se torna. A obtenção que aspectos?e análise de dados sobre indivíduos permitem conhecer Na essência, as redes sociais são um espelho daseus comportamentos, preferências, aversões, e inúmeros sociedade e, de maneira geral, as pessoas se comportamoutros aspectos da sua personalidade, e essas informações da mesma maneira dentro e fora das redes. Por exem-dão poder a quem as detém, tanto para auxiliar como plo, existem estatísticas que comprovam que apenas 10%para manipular esses indivíduos. Isso não é novidade e das pessoas on-line geram 90% do conteúdo digital. Issotem sido usado estrategicamente há séculos. Uma frase também acontece no off-line, onde poucas pessoas geramDezembro de 2011 Fonte Fonte 17
  • 16. grandes volumes de conteúdo, ou fenômenos como a Lei cam fotos bonitas e informações maravilhosas sobre suas de Pareto (20% dos seus clientes são responsáveis por vidas. Quando as mulheres comparam sua vida comum 80% do seu faturamento), ou a curva ABC na engenharia. com o perfil “Caras” de suas amigas e conhecidas ten- É comprovado também que no ambiente on-line, mulhe- dem a se sentirem piores. res falam mais do que homens e jovens são mais ativos nas conversações do que idosos. Isso também acontece Fonte: De forma geral, como as tecnologias impac- no off-line. Outro número interessante é que a taxa de tam a dinâmica da sociedade? retenção de perfis em redes sociais é de 40% (a cada dez Acho importante sempre refletir sobre as transfor- perfis criados, apenas quatro permanecem). Isso também mações que qualquer tecnologia cause na sociedade, mas acontece em tudo que é gratuito, em que a taxa de reten- acredito que não devemos colocar peso de valor, julgando ção é na casa de 50%. Mesmo algumas coisas que não são o que é bom ou ruim de antemão. Algumas coisas pode- gratuitas possuem taxas de retenção baixas, como acade- rão se revelar como piores e outras como melhores, mas mias de ginástica e cursos de línguas. É provado também muitas poderão simplesmente ser diferentes – nem me- que mais de 40% do que é falado on-line é bobagem, e lhores e nem piores. A história da humanidade nos ensina isso também acontece da mesma forma nos ambientes que a tendência natural do ser humano é defender o status off-line. Assim, costumo dizer que o que fazemos aqui no quo e rejeitar as novidades que modificam as estruturas off-line, fazemos também lá no on-line. Se não sabemos de comportamento e poder. No entanto, a mesma história o que é ética, moral e privacidade aqui, não saberemos nos mostra que, apesar de impactos negativos (como a como usar esses valores lá, e isso é um problema. questão da destruição do meio ambiente), diversos efei- No entanto, apesar de fazemos as mesmas coisas, tos positivos são alcançados também em decorrência da fazemos de modo diferente – com mais gente, mais rá- evolução tecnológica. Nunca dantes se presenciou uma pido, em tempo real, em maior quantidade – e isso afeta velocidade de mudanças como hoje, em que os ciclos de profundamente a sociedade. No livro Alone Together, vida das tecnologias são muito menores do que o ciclo de Sherry Turkle, pesquisadora do MIT, aborda várias des- vida humano. Temos pouco tempo para entender e refletir sas transformações causadas pela robotização dos rela- sobre o que acontece no dia a dia e muitas vezes ficamos cionamentos e a substituição de experiências reais por com tanto foco nas pequenas mudanças que perdemos a alternativas virtuais. Discutimos anteriormente que a visão do grande quadro, onde a verdadeira revolução está espetacularização da sociedade tem esse efeito colate- acontecendo. Assim, acho muito interessante que reflita- ral e estamos vivenciando o ambiente propício para que mos e discutamos, mas que mantenhamos a mente aberta aconteça. Por outro lado, a outra consequência das novas para abraçar o novo sem preconceitos, de forma a fazer- mídias digitais é a possibilidade de se acessar as infor- mos análises menos emocionais sobre as transformações mações sem intermediação, de forma mais verdadeira. diárias que vivenciamos. Lembremos que a tecnologia Essas duas vertentes estão indubitavelmente transfor- nunca é neutra, ela sempre afeta a sociedade. No entan- mando a natureza dos comportamentos e dos relaciona- to, é o modo como a usamos, e não ela em si, que nos mentos. Por exemplo, o fato de as mulheres serem mais transforma. Como dizia sabiamente Marshall McLuhan, sociais que os homens e poderem exercer mais esse lado “Os homens criam as ferramentas, e as ferramentas re- social no ambiente on-line traz duas consequências prin- criam os homens”. Quanto mais acelerado o processo de cipais. A primeira é que existem mais mulheres influen- transformações tecnológicas, mais acelerada tende a ser tes no ambiente digital do que no off-line. Por outro lado, a nossa transformação como sociedade. exatamente por serem mais sociais que os homens, as mulheres se comparam mais umas com as outras, isso Fonte: Quais as perspectivas com relação às questões tem causado depressão nas mulheres. No ambiente on- de infraestrutura da internet: os custos e dificuldades ainda line, especialmente nas redes sociais, as pessoas publi- excluem? Como reverter e democratizar de fato o acesso?18 Fonte Fonte
  • 17. Até recentemente, a infraestrutura da internet e seus – um “cíbrido” (junção dos termos “ciber” e “híbrido”).custos realmente excluíam. Ainda temos muitos desafios Esse processo, chamado de cibridismo, já está pre-em termos de qualidade de banda de acesso no Brasil sente em nossas vidas e tem se acentuado, mesmo que detodo e mais particularmente em algumas regiões do país. forma imperceptível para muitos. Hoje, a nossa memóriaNo entanto, temos visto uma grande transformação no e capacidade de pensamento, bem como nossas informa-cenário a partir do início de 2011, que acredito esteja ções, que constroem o nosso “ser”, estão esparramadasrevertendo esse paradigma – a inclusão via dispositivos pelas tecnologias digitais em redes. Por exemplo, suamóveis. Se a preconizada inclusão dependia de compu- agenda está no seu celular, seus vídeos no Youtube, suastadores, hoje creio que ela aconteça via celulares, e isso reflexões e comentários estão em posts em walls no Fa-muda tudo. No Brasil temos mais de 230 milhões de con- cebook ou na timeline do Twitter. O meu perfil no Twittertas móveis. Isso representa uma densidade móvel maior hoje é uma parte importante de mim, e compõe o meu ser.do que a populacional. No entanto, a grande transforma- Assim, não somos mais apenas um corpo biológico, masção que inclui a população não é apenas a quantidade estamos cada vez mais nos transformando em um corpode dispositivos, mas a qualidade – o barateamento dos expandido fragmentado biodigital, que está permanente-preços dos aparelhos e da banda larga móvel está trazen- mente ON e OFF ao mesmo tempo, formado por todos osdo a internet para a palma da mão de qualquer pessoa, de nossos “seres digitais”, que multiplicam a nossa presençavirtualmente qualquer classe social. Hoje, as operadoras e capacidade de pensamento.de telefonia móvel oferecem planos de R$ 0,50 por dia O pensador Kay Kurzweil diz que estamos na quar-para acesso de dados ilimitado. Isso significa que cada ta etapa da evolução humana, em que as máquinas come-vez mais o acesso está sendo democratizado independen- çam a surgir e passamos a experimentar um processo detemente de ações governamentais. convergência de códigos. Segundo ele, a próxima etapa No entanto, acredito que o governo poderia atuar de é fusão entre homem e máquina, que permitirá que a in-forma a melhorar o acesso móvel para a população, tanto teligência e a criatividade humana ultrapassem os limitesem termos de banda quanto de qualidade. Locais públi- do cérebro. Teorias como a noosfera, que já existem hácos, por exemplo, poderiam ter acesso wireless gratuito. um século, prevendo que teríamos uma camada de pensa-Isso democratizaria de vez a internet. mento conectado no planeta, sobre a atmosfera, biosfera e É interessante observar que a democratização do geosfera, começam a se concretizar. Acredito que estamos,acesso à internet é uma das ondas de transformação do sim, passando por uma revolução profunda em todos osmercado on-line que deve começar a impactar fortemente aspectos da nossa existência e, no cenário que desponta, otodas as dimensões do marketing. Da mesma forma que digital não será mais moda, e sim base estrutural para essasa ascensão das classes C, D e E tem causado uma grande transformações, tanto quanto a revolução da eletricidadetransformação na sociedade brasileira, essa penetração no foi para as mudanças que vivemos até aqui. Kevin Kellyambiente on-line tende a modificar esse mercado também. costuma dizer que, devido a essa revolução tecnológica, temos visto o impossível acontecer todos os dias (http:// Fonte: O que está por vir? goo.gl/1tVDC), pois as transformações aceleradas que es- Acredito que a grande tendência decorrente de to- tamos vivenciando alavancam possibilidades inéditas.das as transformações e tendências tecnológicas que te- Estamos apenas no início dessa transformação di-mos hoje é termos cada vez mais a integração do ON e do gital e, por isso, acredito que tenhamos que ter a menteOFF em nossas vidas, no cotidiano. Além da computação aberta para abraçar o novo e refletir sobre o grande cená-ubíqua que passa cada vez mais a permear todos os am- rio, de forma a usarmos tudo isso para termos uma vidabientes – carros, casas, lojas, eletrodomésticos, etc. – ala- melhor, tornarmo-nos seres melhores e formarmos umavancando a internet das coisas, vemos também a transfor- humanidade melhor. Para mim, não importa se a vida émação do nosso ser biológico em um ser híbrido digital ON ou OFF-line. O que importa é que ela seja boa.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 19
  • 18. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Conexão em tempo real: impactos, inovações e tendências Nascidas na plataforma da internet e viabi- dade. O estudo comprovou, utilizando cartas envia- lizadas pela disseminação da banda larga, as redes das para várias pessoas nos Estados Unidos, que o sociais digitais se tornam o fenômeno da atualidade, número médio de conexões para ligar duas pessoas ao se impor de forma definitiva e ultrapassar radi- escolhidas ao acaso era de seis. Em seu livro Linkek, calmente sua proposta original de entreter e divertir. a nova ciência dos networks, Albert-Lászlo Barabá- Organizações públicas e privadas, em todo o si constata que a teoria intriga por sugerir que “ape- mundo, rendem-se aos seus atrativos como instru- sar das enormes dimensões de nossa sociedade, esta mento abrangente e revolucionário para se comuni- pode ser facilmente navegada pelos links de uma car, em grande escala, com todos os seus públicos pessoa a outra – uma rede de seis bilhões de nós em reais e potenciais, numa conexão global, em tempo que qualquer par de nós encontra-se, em média, a real, que, como afirma a professora Martha Gabriel, seis links um do outro”. torna tênue a linha que divide o on e o off-line. Barabási cita ainda o apóstolo Paulo como Potencializadas pelas tecnologias da infor- “mestre das conexões sociais e religiosas do século mação e comunicação, as redes sociais não são, no I, a única rede dos primórdios da era moderna capaz entanto, novas; na verdade, estivemos sempre co- de transmitir e difundir a fé”. O autor atribui a ele nectados. A versão analógica das redes e a dinâmica o crédito pelo sucesso do cristianismo, ao utilizar que as alimenta vêm despertando há muito o inte- “o conhecimento em primeira mão de que dispunha resse e atenção de pesquisadores. das redes sociais do mundo civilizado do século I, A teoria dos seis graus de separação, desen- de Roma a Jerusalém, para abordar e converter o volvida em 1967 pelo professor Stanley Milgran, da máximo de pessoas que conseguisse”. Universidade de Harvard, de certa forma revolucio- A evolução das redes sociais analógicas para nou a produção acadêmica relativa à interconectivi- as digitais e seu incremento, sustentado pela demo-20 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 19. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê cratização do acesso à internet, especialmente por visora entre produtores e consumidores de conteúdo dispositivos móveis, configuram um novo cenário se tornou muito tênue. Na verdade, o usuário, que an- que traz reflexos importantes nas relações sociais – tes era exclusivamente consumidor, agora é também representam novas formas de relacionamento entre produtor de conteúdo. as pessoas e entre as organizações. Criam novos A chamada web 2.0 revolucionou e tornou maisGuydo Rossi modelos para o comércio eletrônico, transformam complexas as formas como as organizações públicas, usuários em produtores de conteúdo. privadas e do terceiro setor se comunicam com seus Ainda segundo Albert-Lászlo Barabási, “so- públicos. Segundo Bruno Oliveira, antes dessa nova mos todos parte de um grande aglomerado, a rede realidade, a comunicação “tradicional” teve seus pila- social mundial, da qual ninguém é excluído. Não res no broadcast, cuja crença era a de que a empresa conhecemos todas as pessoas deste planeta, mas “falava”, o consumidor “ouvia” e o ciclo se encerrava. existe um caminho entre qualquer um de nós dois “Agora, a comunicação é cada vez mais on demand, nessa rede de indivíduos. Da mesma forma, exis- customizada; o público não pode mais ser considera- te um caminho entre dois neurônios quaisquer em do um mero receptor de mensagens”, alerta. nosso cérebro, entre duas companhias quaisquer no E a variedade de aplicações possíveis nas di- mundo, entre duas substâncias químicas quaisquer versas plataformas proporciona um cardápio varia- em nosso corpo. Nada se exclui dessa rede altamen- do para empresas e usuários de forma geral, como te interconectada da vida”. publicações em blog e wikis; compartilhamento e conversação em Instant Messengers e fóruns; redes sociais (sites de relacionamento, nos quais o usu- Mundo conectado ário se conecta a amigos reais ou virtuais em torno Segundo o especialista em marketing digital de temas comuns); microblogs, como o Twitter; e os da Prodemge, Bruno Oliveira, as mídias digitais são social games, jogos que funcionam dentro das redes estruturas sociais compostas por pessoas ou organi- sociais, aliando diversão e compartilhamento. As or- zações que partilham valores e/ou objetivos comuns, ganizações já perceberam o quanto as mídias sociais conectadas por um ou vários tipos de relações, per- podem ser úteis, seja no monitoramento de sua ima- mitindo a troca e a criação de conteúdo gerado pelo gem, marcas, produtos e serviços, seja na promoção usuário (CGU). Os números são impressionantes: da abertura ao diálogo e à colaboração com cidadãos, centenas de milhões de pessoas estão, hoje, conec- consumidores e usuários. tadas através dessas ferramentas, relacionando-se e Na verdade, a cada dia, as ferramentas da web se expressando entre amigos e, potencialmente, com 2.0 possibilitam novas aplicações, na troca de infor- qualquer outra pessoa do mundo que compartilhe mações, relacionamento, negócios, diversão, pesqui- desses espaços virtuais. sas científicas e desenvolvimento de serviços e solu- “Podemos dizer que as mídias sociais con- ções de forma compartilhada. formam uma realidade cada vez mais presente e im- Além de utilizá-las em seus relacionamentos pactante, mudando sobremaneira o modo como os e na oferta de serviços e informações, reduzindo o públicos se relacionam com instituições, empresas atendimento presencial, as administrações públicas e serviços”, afirma. “Os papéis dos agentes da rede em todo o mundo começam a perceber os benefícios foram subvertidos; a comunicação deixou de ser de do estabelecimento de parcerias com os cidadãos na ‘poucos para muitos’ e passou a ser feita de ‘muitos construção e oferta de serviços a partir da disponibili- para muitos’”. A internet tornou-se uma plataforma zação de seus dados de forma aberta, para que sejam de comunicação multidirecional, na qual a linha di- utilizados, reutilizados e redistribuídos. Dezembro de 2011 Fonte Fonte 21
  • 20. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Minas: Estado em Rede Divulgação Rodrigo Diniz Em Minas Gerais, a tecnologia e as redes sociais digitais apoiam o programa de governo Estado em Rede, que preconiza a instituição do conceito de redes trans- versais e intersetoriais para implementação de políticas de gestão. Segundo o supe- rintendente da Central de O endereço de acesso é: http://www.mg.gov.br Governança Eletrônica da Secretaria de Planejamento e Gestão, Rodrigo Diniz, trata-se da terceira etapa tes. Ou, segundo expresso pelo governo, enquanto do Choque de Gestão do governo, nesse momento as duas etapas anteriores – o Choque de Gestão e o dirigida à gestão para a cidadania e, por essa razão, Estado para Resultados – trouxeram o governo para fortemente vinculada ao uso das redes sociais, espe- perto do cidadão, o Estado em Rede trará o cidadão cialmente as digitais. para dentro do governo. O objetivo é a participação efetiva da so- A administração pública mineira atualmen- ciedade na gestão e regionalização das estratégias te adota várias iniciativas de participação popular e metas governamentais, para que as políticas pú- em ambientes digitais. Segundo Rodrigo Diniz, o blicas possam chegar a todas as regiões mineiras e grande divisor de águas para a expansão do uso das contribuam para diminuir as desigualdades existen- redes sociais foi o Decreto 45.241, de 10 de dezem-22 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 21. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiêbro de 2009, que dispõe sobre o acesso às novas Entre as ações mais recentes estão ainda oferramentas interativas da web 2.0 nos órgãos e en- Minas em Movimento, gerenciado pelo Escritó-tidades da administração pública estadual. rio de Prioridades Estratégicas, canal para toda “Na época – lembra – houve resistência rela- a sociedade mineira pensar no futuro do Estado,tivamente grande, porque os gestores de TI tinham sugerindo medidas em nove áreas de atuação; e oduas restrições principais: a questão de infraestru- projeto Estado em Rede, também piloto em duastura para suportar os conteúdos da web 2.0 e ques- regiões: Rio Doce e Norte de Minas. Essa inicia-tionamentos relacionados à produtividade dos fun- tiva apoia-se em redes presenciais e, posterior-cionários, ambas relativamente equacionadas com mente, nas digitais, promovendo reuniões comduas iniciativas: a primeira, com a mudança para a as comunidades para definição de prioridades.Cidade Administrativa, onde há estrutura adequada O projeto será estendido futuramente para todopara o ambiente da web 2.0; e a segunda, com argu- o Estado. Rodrigo Diniz lembra que esse proje-mentos que se mostraram efetivos de que a restrição to contempla não só questões específicas comoa uma ferramenta não interferiria na produtividade, saúde e educação, por exemplo, mas se propõe aespecialmente quando se trabalha com Acordo de discutir, de forma transversal, todas as demandasResultados, o que exige maior comprometimento das regiões.dos servidores e chefias. Além de tudo isso, é mais O governo mineiro já tem estudos paraum instrumento para auxiliar o servidor no contato implantação do sistema de relacionamento comcom o cidadão e com outros servidores.” o cidadão – o Citizen Relationship Management Na opinião do superintendente, o Decreto (CZRM). “Hoje há vários canais de relacionamen-contribuiu muito para a formação de uma cultura to com o cidadão e as demandas e sugestões entramde uso das redes sociais no Estado; ele lembra que por várias portas e diferentes mídias; a ferramentaas resistências iniciais foram ao longo do tempo possibilitará a análise integrada dessas informa-minimizadas e os próprios gestores de TI passaram ções, além de permitir ao cidadão acompanhar oa reconhecer as potencialidades da ferramenta. O andamento de suas solicitações. É mais uma formagoverno passou a trabalhar, então, com as potencia- de cruzar dados e obter informações importanteslidades da web 2.0. para definição de estratégias.” O portal mg.gov.br, o sítio oficial do gover- Está em andamento também projeto de uti-no de Minas Gerais, é o mais antigo veículo, que lização de dispositivos móveis para prestação dese consolidou como referência para os cidadãos e serviços públicos. O m-gov já tem algumas apli-registra uma média de 120 mil acessos por mês e cações, mas deve crescer, segundo Rodrigo Diniz:oferece cerca de 1.100 serviços, sete mil unidades “é uma tendência mundial, temos mais celularesde atendimento e conta com 160 usuários para ge- e outros dispositivos móveis do que fixos; deve-renciamento descentralizado das informações. O rá ser utilizado, numa primeira etapa, em serviçosportal já conta com versão mobile. oferecidos pelo Departamento de Trânsito”. Nesse O governo criou ainda espaços virtuais que sentido, a Seplag está firmando parceria com a Se-permitem a interação com o público para formação cretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensi-de redes e participação na construção de conhe- no Superior na área de inovação para dispositivoscimento. Além de perfis e conteúdos no Twitter, móveis. “A intenção é que a sociedade participe noFlickr e Youtube, estão em andamento projetos pi- desenvolvimento desses aplicativos.” A disponibi-loto com redes sociais digitais: a Rede Mineira de lização de dados abertos é outra iniciativa em faseGestão das Águas e a Poupança Jovem têm apre- de estudo, gerenciada pela Subcontroladoria da In-sentado resultados positivos. formação Institucional e da Transparência.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 23
  • 22. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Combate à dengue Segundo o coordena- dor do Núcleo de Publicida- de e Comunicação Digital da Secretaria de Estado de Saú- de de Minas Gerais, Thia- go Peixoto, a opção por um jogo baseou-se inicialmente na proposta de trabalhar com a visão de inovação. “Como a dengue é um problema re- corrente, com o qual lidamos todos os anos, buscamos maneiras alternativas de fa- lar com a população, crian- do uma forma atraente para discuti-lo e agregar novas Crianças se divertem e aprendem informações.” Thiago res- O combate à dengue em Minas Gerais encon- salta que os jovens, principalmente, identificaram- trou no ambiente digital um grande aliado, com refle- se com a temática proposta e com a forma escolhida xos expressivos na redução de casos da doença em para transformar informação em ação. “Não tínha- 2010. A constatação de que 80% dos focos encontra- mos dúvidas de que a população conhecia as formas vam-se nas residências apontou para a necessidade de combater o mosquito transmissor da doença; o de instrumentos que promovessem grande mobiliza- que faltava era a mobilização das pessoas, o que foi ção social. Entre as várias medidas adotadas, a Secre- estimulado a partir do momento em que se identifi- taria de Estado de Saúde investiu fortemente no uso caram como responsáveis pelo resultado”, explica. da internet, utilizando, para mobilizar a população, “Investimos em ações de mobilização social, que as redes sociais, o Twitter, blog, hotsite com informa- trazem a coparticipação. O cidadão se sente parte, ções e orientações e comunidades no Orkut. responsável pelo problema.” A grande inovação, no entanto, foi o social A campanha contemplou outros canais para game Dengue Ville, aplicativo instalado no ambiente comunicação com a comunidade como o blog Mi- do Orkut, que em apenas quatro meses registrou o nú- nas contra a Dengue, instrumento de divulgação mero de um milhão de acessos de usuários de diversos e de visibilidade das ações empreendidas pelos di- estados brasileiros. Criado pela agência de publicida- versos municípios no combate à doença, no qual o de mineira Lápis Raro e pela produtora Dito, o apli- usuário se destaca como agente ativo no combate ao cativo tornou-se um dos mais populares instrumentos mosquito. “Pelo blog, todos têm a oportunidade de na campanha no ano de seu lançamento – 2010. Além informar focos, relatar experiências em suas cida- da grande adesão por parte dos usuários do Orkut, o des, compartilhar bons resultados”, explica Thiago. Dengue Ville ganhou grande repercussão em outras O site da Secretaria informa também as ini- mídias, o que fortaleceu sua divulgação e agregou ciativas e estatísticas de ocorrência e combate ao mais esforços para atingir os objetivos da campanha. mosquito registradas em outros estados, a fim de24 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 23. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiêprover os interessados de informações atualiza- A campanha de 2011, lançada no final dedas sobre o assunto. 2010, contemplou uma nova versão do Dengue Ville Para Thiago Peixoto, os recursos da web 2.0 instalada também no ambiente do Facebook. Essasão fundamentais, especialmente em ações dessa segunda versão trouxe atualizações sobre a anterior,natureza: “não podemos deixar de ter uma atenção incluindo outras funcionalidades, como a oferta deespecial com a internet, porque é uma realidade. novos cenários para atuação do jogador, uma lojaObservando o crescimento de redes sociais, é fácil para aquisição de objetos úteis no combate à dengueconstatar que a quantidade de usuários é muito gran- e uma moeda específica, o Prevencoins. Em ambasde para ser desprezada”. Segundo o publicitário, a in- as versões, mensagens educativas são publicadas noteração em tempo real com seus públicos de interesse perfil do jogador, e divulgadas, dessa forma, para– para esclarecer dúvidas, tecer comentários – repre- toda a sua rede de relacionamentos.senta não só a possibilidade de uma comunicação Outra novidade da campanha de 2011 foi o usoinstantânea, mas trata-se também de um importante de aplicativo com base no Google Maps que permi-estímulo à criatividade dos profissionais envolvidos, te localizar as pessoas mobilizadas no combate aoque são desafiados a responder com soluções mais mosquito. A Secretaria utiliza ainda, entre as diversasefetivas e inovadoras. “Nessas mídias, a postura dos ferramentas de monitoramento, um aplicativo quecomunicadores para criar tem que ser diferente, mais identifica ocorrências do tema ou da palavra dengueatraente e instigante. Nas redes, você pode ir mais nas redes sociais. “O recurso ajuda muito no planeja-fundo. A interatividade implica ainda a simplificação mento de ações e priorização de locais onde a palavradas coisas. Não se devem criar dificuldades.” aparece com mais frequência. Conseguimos nos an- Com relação às mídias tradicionais, acres- tecipar, prevenir, ser mais rápidos na resposta.”centa: “a TV, o rádio, os veículos de massa têm A campanha como um todo trouxe excelen-importância inquestionável, mas as novas mídias tes reflexos na redução de casos de dengue naqueletrazem possibilidades que devem ser consideradas, ano. As expectativas eram negativas, considerandoespecialmente pelos aspectos de instantaneidade e o crescimento de 300% nas ocorrências de 2010força de mobilização”. com relação a 2009. O jogador escolhe seu avatar e atua em oito cenários disponíveis, ganhando pontos sempre que executa uma ação positiva no combate ao mosquito, ou quando ajuda alguém nessa tarefa. São dez as etapas possíveis, conquistadas por meio de pontuação.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 25
  • 24. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Comércio eletrônico: inovações e tendências ca em que os consumidores acessam as ofertas do e- Divulgação commerce, só que com a curadoria dos amigos nas redes sociais, um ambiente que tem total aderência no mercado brasileiro”. Segundo Gabriel Borges, as estatísticas comprovam que 85% das pessoas que uti- lizam a internet no Brasil utilizam também as mídias sociais. “Somos a sétima maior audiência do Face- book e a maior audiência do Orkut no mundo. Há uma série de indicadores que mostram que somos fortes nas mídias sociais”, conclui. A força da opinião de amigos nos hábitos de consumo é confirmada, segundo Gabriel Borges, por pesquisa da Nielsen, que revela que 92% dos entre- vistados apontam esse fator como principal canal de comunicação que influencia sua decisão de compra. “Outro ponto interessante é que, se você tem um re- Gabriel Borges lacionamento com uma pessoa, você muito provavel- Com uma expectativa de crescimento em tor- mente compartilha com ela um grupo de afinidades, no de 30% em 2012, em relação a 2011, o comércio e essas afinidades acabam determinando o que você eletrônico reconhece o grande potencial de vendas consome também; há uma propensão muito maior de nos ambientes digitais e se rende aos atrativos das que amigos achem interessantes as mesmas coisas do redes sociais, onde inova e evolui para o chamado que pessoas que não se conhecem.” social commerce. O ambiente das redes sociais, portanto, poten- O especialista em Marketing Avançado e cializa a força do comércio eletrônico tradicional: as em Estratégia de Negócios Gabriel Borges, criador ofertas e promoções das lojas on-line, escolhidas pe- do Likestore – ferramenta que permite transformar los lojistas, são substituídas ou complementadas por qualquer página do Facebook em uma loja virtual –, produtos que têm o aval de pessoas conhecidas, “que considera o ano de 1994 um marco para o comércio seus amigos consultaram e curtiram”. eletrônico no Brasil, quando a rede ficou de fato aces- Gabriel Borges explica que o que acontece sível à população e tiveram início as primeiras opera- no ambiente de uma rede social é nada mais nada ções de e-commerce. “A Submarino já operava como menos do que já ocorre no mundo real. “Os rela- joint venture; temos, portanto, pelo menos 15 anos de cionamentos que acontecem no Facebook nunca são e-commerce no país. Em 2010, já contávamos com relacionamentos virtuais; o que a plataforma faz, na o expressivo número de 23 milhões de compradores interação entre as pessoas, é gerar mais aproxima- recorrentes de e-commerce no Brasil”, acrescenta. ção e contato mais frequente. Mas ele, por si só, não Ele explica que o social commerce cresce a faz contatos. Se você for pensar na sua experiência partir desse cenário, integrando o e-commerce com pessoal, dificilmente vai encontrar pessoas que têm, o universo das mídias sociais digitais: “é a dinâmi- em suas redes sociais, contatos com pessoas que26 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 25. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiêelas nunca conheceram no mundo real; o gatilho conhecimento técnico e nenhum investimento. O ser-para você estabelecer essa conexão não aconteceu viço é gratuito, tanto para a configuração da loja quantodentro da rede social. Aconteceu no mundo real.” para sua manutenção. “No nosso modelo de negócio, a A dinâmica do social commerce não se limi- remuneração acontece quando o lojista faz uma vendata, no entanto, aos sites de relacionamento, segun- e a Likestore retém a comissão de 2% desse valor.”do o especialista. Ele pode acontecer em qualquer O serviço contempla todos os itens necessá-ambiente social, não necessariamente no Facebook. rios à manutenção de uma loja on-line: colocação dos“Se eu vou ao Twitter e publico que gostei de um produtos e ofertas no ar, divulgação desses produtosdeterminado produto e influencio a compra, é social – todos eles têm um botão de “like” para os consumi-commerce também.” dores curtirem o produto –, gestão de estoque, acom- panhamento de pedidos realizados, notificação para os compradores sobre o acompanhamento da com-O brasileiro nas redes sociais pra, “enfim, toda a dinâmica de gestão do dia a dia da Gabriel Borges mostra indicadores que com- loja”. O botão “like” faz com que o produto selecio-provam a grande aderência dos internautas brasileiros nado apareça no mural do comprador, com link diretoàs redes sociais: em média, o usuário global tem 126 para o item em questão.amigos em redes sociais. “A mesma pesquisa revela O serviço da Likestore inclui ainda diferen-que a média de usuários da América Latina sobe para tes meios de pagamento das compras, como cartão176 amigos; no Brasil, o número é de 231 pessoas.” de crédito, cartão de débito, boleto bancário, débito Para explicar a intensidade de uso das redes automático em conta, etc. “Para o consumidor final, épelos brasileiros, Borges aposta no traço cultural: uma facilidade muito grande.”“é o espírito de nossa cultura mais gregária, mais Para Gabriel Borges, a boa aceitação do Likes-expansiva, em que a gente não tem tanto receio de tore justifica-se, em primeiro lugar, pelas tendênciasse exibir. As nossas relações são mais amistosas, são das redes sociais, “um terreno fértil no mercado bra-mais leves; fazemos novas amizades com mais fa- sileiro pela força do e-commerce e da social mídia”.cilidade, conversamos com estranhos. Há uma série Ele atribui a adesão dos lojistas também à facilidadede coisas que fazemos normalmente e que podem de operação do serviço: “na confecção da plataforma,representar barreiras de entrada para o universo da houve uma grande preocupação em derrubar todas associal mídia em outras culturas, diferente do que barreiras de entrada, como dificuldade de uso, inves-ocorre no Brasil”. timento inicial, dificuldade de pagamento; com tudo isso, o usuário não precisa se preocupar”. Nessa primeira versão, o Likestore está dis-Likestore ponível no ambiente do Facebook, mas configurado Nesse contexto, foi lançado, em maio de 2010, para se adaptar a outras plataformas. “Entendemoso primeiro piloto da Likestore, uma ferramenta que que o Facebook é uma rede social que tem um terre-permite transformar qualquer página do Facebook em no fértil, que está entrando numa trilha de crescimen-uma loja virtual. Com o início de sua operação defi- to muito forte no mercado brasileiro. Porém, já temosnitiva em agosto, em apenas dois meses os resultados todos os alicerces necessários para levá-la para outrassurpreenderam até mesmo o seu criador. “Em muito redes sociais.”pouco tempo chegamos a mais de 2.300 lojas operan- O Likestore foi desenvolvido em Java, consi-do, não esperávamos essa resposta tão rapidamente.” derando a robustez da plataforma, e possibilidade de A dinâmica do Likestore é simples para quem rodar em outras redes sociais. O serviço está dispo-quer montar sua loja no ambiente do Facebook. Ga- nível em cloud computing, num hosting nos EUA,briel Borges explica que a iniciativa não exige nenhum “que nos dá uma certa acessibilidade de escala”.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 27
  • 26. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Desafios da publicidade on-line Fernando Martins contempla não só a divulgação unilateral de men- sagens de um para um, mas também o estabeleci- mento de diálogos e troca de informações de todos para todos. “É um diálogo que envolve mais que a empresa com seus clientes, mas também outros públicos que podem conversar entre si”, explica. Esse novo olhar pressupõe, portanto, novas posturas. Uma das motivações é a perda de con- trole que as empresas anteriormente tinham sobre o que seria dito a seu respeito. “Esse controle não existe mais”, explica Juliana. “Independentemente de você querer ou não, informações sobre sua em- presa podem estar na rede; o que você deve decidir é se vai participar e atuar ou não.” Juliana Duarte Para a publicitária, “estamos vivendo uma importante mudança na forma como nos comuni- A rápida evolução e crescimento das mídias camos. O que ocorre é que as vozes foram amplifi- digitais e seus desdobramentos, com um leque ili- cadas; se antes falávamos com cinco vizinhos, po- mitado de novas aplicações, fizeram desses canais demos agora falar simultaneamente a um número de comunicação um novo universo que desafia muito maior de pessoas. As novas mídias facilita- seus usuários e todo um contingente de profissio- ram demais a comunicação”. nais das mais diversas áreas, que atuam nos basti- Para fazer frente a essas novas necessida- dores de redes sociais, blogs, microblogs. Configu- des e oferecer aos seus clientes serviço compatí- rando-se como as grandes vedetes da comunicação vel com o contexto do mercado, a agência desen- e do marketing, esses veículos e seus conteúdos volveu uma metodologia própria para trabalhar têm afetado de forma incisiva e muito peculiar a com as redes sociais, que é aperfeiçoada de forma vida dos publicitários, jornalistas e de uma nova permanente, acompanhando o dinamismo que as geração híbrida de profissionais que está se crian- caracteriza. “Aprendemos juntos; há esforço na do a partir do movimento dinâmico das redes, suas Lápis Raro de desenvolver uma metodologia para novas funcionalidades e novos públicos. trabalhar com as redes sociais. Mas não há receita Segundo a diretora do Núcleo de Comuni- pronta, estamos criando nossa própria receita. Os cação Digital da agência de comunicação Lápis ingredientes são: conteúdos relevantes, definição Raro, Juliana Duarte, mais do que uma mídia, as clara de como nos relacionamos e monitoramen- redes sociais pressupõem interação, e representam, to. Esses eixos, se bem cuidados, resultam em um por isso, outro paradigma sob a ótica de mídia, que bom produto.”28 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 27. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Juliana Duarte explica que, numa ação de frente aos vídeos informais postados, como decomunicação, a opção por utilizar uma mídia di- festas de empregados”.gital parte de um planejamento, que tem início no A segunda presença, chamada de ativa, édiagnóstico da presença da empresa na internet. ir aos locais onde estão falando da empresa eEsse diagnóstico inclui verificar se a empresa tem monitorar o que está sendo dito: comunidades,presença na mídia eletrônica tradicional – um site por exemplo, comentários em blogs, sites de– ou em veículos de redes sociais, como blogs, per- reclamação. “É muito importante estar presen-fil em sites de relacionamento,Twitter. te para ver o que ocorre e ter a oportunidade É feita a análise de reputação da marca, de se colocar, de dar uma resposta com a velo-usando ferramentas específicas, como o BuzzMe- cidade necessária.”trics, software de pesquisa do Ibope, ou ferramen- A terceira fase da metodologia é a de moni-tas de análise do Google que varrem esses sites. toramento, que resulta no acompanhamento e naHá algumas restrições por questões de segurança atualização de conteúdos relevantes para essas re-dos próprios sites de relacionamento, mas é pos- des ou na veiculação de respostas, por meio da par-sível verificar muita coisa e uma parte do trabalho ticipação nas discussões ou retorno direto a umatem que ser feita manualmente. O trabalho inicial pessoa ou a um grupo.é um diagnóstico da reputação da marca na inter- Alguns detalhes importantes são apontadosnet, que inclui análise competitiva, análise de rele- pela publicitária: “na mídia tradicional é possível avância e uma “análise de sentimento” em relação compra de espaços para veiculação de mensagens;à instituição. já na rede social, você tem que conquistar o seu A partir dessas informações, considerando- público. Por isso, temos que desenvolver o projetose as necessidades de comunicação do cliente, é considerando a necessidade de conquistar o inte-definida a estratégia de presença digital da empre- resse e audiência do público”.sa, que inclui sua presença receptiva e ativa na mí- Nesse caso, são utilizados recursos dedia. No primeiro caso, os canais – site ou portal acordo com o problema em questão, que podem– são preparados para receber os consumidores, estar no eixo promocional ou de informação.“com a preocupação de oferecer sempre informa- Um exemplo é o trabalho realizado pela agênciações confiáveis, claras. Nosso foco é nas pessoas com um dos seus clientes, a Drogaria Araujo,que procuram as informações ali”. Segundo Julia- dirigido a blogueiras especializadas em assun-na Duarte, essas ações contemplam os sites e os tos de beleza. “No viés promocional, são ofere-espaços próprios das redes sociais como perfil e cidos produtos para promoções em seus blogs;páginas (Orkut e Facebook), comunidade (Orkut) no eixo da informação, dicas e conteúdo confi-ou canal oficial (Youtube). ável sobre o tema.” Já foi realizado, inclusive, Juliana aposta numa forte tendência de encontro presencial reunindo essas blogueiras,expansão do Youtube: “estatísticas demons- que foram identificadas pela qualidade de seustram expressivo crescimento do número de blogs e público leitor.acessos e de consultas. E é um ambiente que A segmentação de públicos, natural nasdeve ser muito bem cuidado, com a inclusão redes sociais, é outro atributo valorizado pelade conteúdo adequado, até mesmo para fazer publicidade, pois permite a realização de açõesDezembro de 2011 Fonte Fonte 29
  • 28. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê dirigidas. Nesse contexto, Juliana Duarte cita a te exige um perfil mais interdisciplinar sob o teoria da Cauda Longa: um trabalho segmenta- aspecto de formação profissional e atributos do, contando com a força de pequenos espaços como estratégia e visão de relações públicas, que, somados, resultam em números interessan- para construir relacionamentos; e jornalistas tes. “Às vezes é mais indicado estar em blogs de para produção de conteúdo. “Isso é um grande audiência menor do que na capa de um portal de desafio, não é algo fácil. Ao contrário, trata-se grande acesso”, constata. de uma tarefa bastante complexa.” Uma das Mas alerta: a construção de um relaciona- peculiaridades do trabalho em redes sociais é mento com os blogueiros exige tempo. “É uma a necessidade de respostas rápidas; por isso, o das bases da gestão da reputação e exige cuidado fornecedor tem que estar muito próximo dos constante.” Ela aconselha também que as empre- seus clientes para entender e imprimir agili- sas tenham sempre um plano para gestão de crises, dade nesse retorno. “Isso tudo pressupõe uma um mapeamento de fragilidades da sua empresa, e relação próxima e de muita confiança, que tem estejam dessa forma preparadas para eventualida- que ser construída.” des. “Definitivamente a política de apagar incên- Já com relação à posição das administra- dios não funciona.” ções públicas nas mídias sociais, Juliana lembra Com relação à escolha das mídias mais que nesse caso a publicidade esbarra em ques- adequadas a cada situação, Juliana Duarte ex- tões delicadas da legislação, como a comprova- plica que as mídias não se excluem, mas se ção de veiculação de publicidade on-line. “Mas complementam. “A regra é somar, e não subs- o que se constata é um grande esforço, muito tituir”, assinala. Além de cuidar devidamente positivo por parte dos governos, de tornar seus do conteúdo em cada uma delas, a publicitária portais mais interativos e melhores do ponto de recomenda cuidado na elaboração das informa- vista estratégico. Vê-se que a relação dos gover- ções: “não se trata só da adaptação de conteú- nos com os cidadãos é um desafio que já passa a dos de uma para outra mídia, mas trabalhar ser enfrentado.” cuidadosamente o que se vai criar para cada Ela observa que, por enquanto, o esforço uma delas. A TV, por exemplo, de forma geral de compreensão ainda é maior do que o de es- baseia-se na interrupção – é no intervalo que a tar presente. “Na verdade, estamos todos apren- mensagem é veiculada; já na internet, a pessoa dendo; da mesma forma que as pessoas estão escolhe o que quer ver; é possível, dessa forma, aprendendo a ser cidadãos on-line. Temos que aprofundar, interagir, ter e dar retorno”. O am- aprender a fazer críticas construtivas, ajudar a biente pode funcionar, muitas vezes, até mesmo melhorar. Reclamar é um direito, mas devemos como um SAC, para esclarecimento de dúvidas fazer isso de forma propositiva. Para os cida- e sugestões. dãos, é mais fácil ter voz. Os governos não es- tão ignorando o que acontece nas redes sociais. Profissionais Estão monitorando para estabelecer um diálogo. “Não dá para se colocar de forma amado- Quando conseguirem isso, será muito interes- ra no trabalho com redes sociais”, alerta. Se- sante, especialmente do ponto de vista da gestão gundo a diretora da Lápis Raro, esse ambien- e da cidadania.”30 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 29. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê ENTREVISTA DavidUgarte David de de Ugarte Divulgação O economista espanhol David de Ugarte iniciou sua trajetória pelas tecnologias da informação e comunicação programando um cartucho de Atari, o que o faz se considerar “um dos primeiros nativos digitais”. Toda sua atuação se estabeleceu em uma relação simbiótica com a tecnologia, que ele usa, explora e, principalmente, estuda. Desde 1994, todos os seus trabalhos, projetos e empresas têm contado com a internet. Em seu blog (http://deugarte.com/), Ugarte se define como uma pessoa comprometida com os novos modelos de democracia econômica, tema que sustenta de forma inovadora sua produção literária. Sua obra de maior repercussão é o livro O Poder das Redes, lançado em 2007, que, junto com Filés: das nações às redes e Os Futuros que vêm, forma a Trilogia das Redes. A obra foi traduzida para vários idiomas, com dezenas de milhares de cópias vendidas em papel e centenas de milhares de downloads, e está disponível em edição impressa e para download em seu site pessoal. Esse trabalho dá continuidade ao esforço do que foi a primeira coleção de ensaio contemporâneo em domínio público, a Coleção Planta 29, que dirigiu desde sua criação, em 2007, até seu fechamento, em 2010, provando que a edição em domínio público podia representar incentivos suficientes tanto às editoras como aos autores. Autor de ficção em diferentes formatos, escreveu dois romances por meio de entregas em celulares: Lía: MAD phreaker (e-motión 2003-2004) e Dias de fronteira (e-motión 2002-2006). Fundador e teórico do grupo Ciberpunk espanhol (1989-2007), fundador de Pense em rede SA (1999-2002) e da Sociedade Cooperativa das Índias Eletrônicas (2002), primeira consultoria em análise de redes sociais na Europa; fundou ainda o Grupo Cooperativo das Índias, do qual é o responsável pelo desenvolvimento de negócios na América do Sul. Em entrevista à revista Fonte, Ugarte polemiza a propriedade das redes sociais em seu formato atual, apontando as tendências que fazem delas ferramentas distorcidas de mobilização social e prática da cidadania, ao promoverem uma cultura de adesão, e não de integração e participação. O especialista fala sobre a história da internet, a evolução das redes e as perspectivas para o ambiente social da internet.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 31
  • 30. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê ENTREVISTA Qual a importância das redes sociais na tra- com os cidadãos, muito além de uma mera adesão jetória da internet? ou de transmitir uma imagem de modernidade. Os Representam a porta de entrada de milhões governos logo seguiram a mesma lógica: passar da de pessoas para a rede, mas também uma verdadeira participação de todos à mensagem unidirecional, fa- recentralização. Lideraram a evolução de modelos zer da internet uma nova rádio. distribuídos (como a blogosfera) e descentralizados (como as wikis) a modelos centralizados, nos quais Em seu livro El poder de las redes, você faz o controle social é mais forte e a participação e a uma analogia da topologia das redes com a evolu- interação são substituídas de maneira esmagadora ção da sociedade e sua estrutura de poder. Quais por uma cultura de adesão empobrecedora. as principais características do poder no mundo das redes descentralizadas e das redes distribuí- O que representam em termos culturais das? O que é a “era das redes distribuídas”? e comportamentais? Por trás de toda arquitetura de informação Ao substituir interação e participação pela se esconde uma estrutura de poder. A sociedade cultura da adesão (o “retuitar” e o “curtir”), a dinâ- colonial, com o correio de mensageiros, na qual, mica social que impulsiona o Facebook, Twitter e para mandar uma carta da Bahia para o Rio de Ja- Google+ não constrói cidadania nem produzirá as neiro, era necessário enviá-la primeiro a Lisboa, maravilhas que a etapa anterior nos deixou como le- é um exemplo radical: monarquia absoluta, uma gado: gigantescos processos de deliberação social, única identidade. Esse determinismo é tão forte como os que derrubaram as ditaduras árabes, e re- que a revolução francesa tampouco mudará isso: des de conhecimento e bricolagem digital, como o tanto seu modelo de partido como de estado serão software livre ou a ecologia opensource. centralistas. Terá que aparecer uma nova tecnolo- gia, o telégrafo, para que – imposto por motivos O que mudou nas redes sociais com as tec- puramente tecnológicos – a estrutura se torne des- nologias da informação e comunicação? centralizada. A partir daí, haverá não só um único Como dizia, a chave é a recentralização. nó centralizador, mas muitos, em distintos níveis. Essa exigia tecnologias que converteram as gran- Aparecem então o pluralismo, o estado federal, os des infraestruturas em uma vantagem competitiva. partidos participativos... A era das redes distribuí- Dito de outra maneira, que permitiram que ter um das é a possibilidade que a internet abre de um grande capital para comprar máquinas se conver- mundo não com um maior número de filtros à in- tesse em um fator decisivo de competitividade. formação, mas também sem filtros, sem ninguém Essa volta às barreiras de entrada baseadas no com poder de filtro. A sua manifestação mais cla- capital é uma regressão terrível. A tecnologia que ra é a blogosfera com sua capacidade para estabe- nasceu daí foi o clouding, a nuvem, e é o legado lecer processos deliberativos que mudam consen- tecnológico desses serviços. sos sociais... que logo tem consequências: desde o controle das grandes marcas à queda das dita- Como você analisa o uso que os governos duras que pareciam as mais arraigadas do mundo. fazem hoje das redes sociais? Como podem se be- neficiar do poder das redes? Em sua opinião, qual a principal razão para a Creio que Sarkozy, em sua campanha presi- enorme adesão das pessoas a sites de relacionamento? dencial, e depois Obama entenderam muito bem as Três fatores: sua facilidade de uso, acompa- vantagens que pode significar para o poder a relação nhada da possibilidade de encontrar velhos conheci-32 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 31. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê ENTREVISTAdos e ver um reflexo do mundo conhecido no mundo de nosso ambiente pessoal e cheguem mais alémdigital; o pouco compromisso que exigem (menor depende de uma série de técnicas de comunicaçãoem todo caso que a participação e a interação em que são o que chamamos ciberativismo. Por isso,redes distribuídas); e a pressão midiática sobre as qualquer um que tenha uma ideia para difundir, umpessoas recém-incorporadas à internet. produto para vender, um fato cultural para promo- ver está destinado ao ciberativismo, para contá-lo Fale sobre os reflexos das redes nos fenôme- e difundi-lo de maneira que outros o façam seu e onos sociais, políticos e econômicos. transmitam, por sua vez. Temos um exemplo recente comparando o15-M espanhol ou o Occupy Wall Street nos EUA e Quais as tendências para as redes sociaisas revoluções democráticas na Tunísia e no Egito. No na internet?norte africano, desde 2003, havíamos detectado um Nos últimos dois anos, estão aparecendopapel crescente da blogosfera, que estava alterando novas ofertas, novas ferramentas que colocamos consensos básicos sobre os quais se sustentavam um curso alternativo ao marcado pelo Facebook,os regimes autoritários e corruptos daqueles países. O Google e Twitter. É o que Jesús Pérez chamou aprocesso foi longo, mas profundo e muito amplo, não “contraofensiva”: ferramentas livres como Bazar,só dentro de cada país, como também introduzindo Diaspora, Identi.ca ou agora Lupus, que se de-no debate a chamada “segunda geração”, os filhos e senvolvem à vista de todos e que propõem rom-netos de imigrantes na Europa. Finalmente uma série per com a recentralização da rede. Bazar é umde fenômenos externos (a crise alimentar) empurrou mercado on-line sem intermediários e descentra-os novos consensos sociais à revolta. E essa partiu de lizado; Lupus é um novo conceito de rede socialum modelo propositivo claro: eleições democráticas, baseada em blogs, lugares e conteúdos; Diasporamudança nas formas institucionais, etc. é um facebook descentralizado; e Identi.ca, um Na Espanha e Estados Unidos, os movimen- twitter federativo. Essas duas últimas reprodu-tos de “indignados” levam meses (na Espanha, zem igualmente a cultura da adesão, mas o im-desde maio de 2011) fazendo assembleias, mas portante, agora, é que todas elas representam umatêm sido incapazes de se equiparem de um pro- contratendência: devolver a soberania da rede àsgrama de mudanças. Somente expressam o mal- pessoas e às comunidades. Se a evolução paraestar. E aí se vê muito bem o efeito do Facebook, serviços centralizados massivos foi paralela aoTwitter e a cultura da adesão, da qual surgem es- desenvolvimento de grandes infraestruturas deses movimentos e que está custando tanto a supe- servidores e suas tecnologias (a nuvem), a redes-rá-los. São expressivos! São um gigantesco “não centralização e, até mesmo, a redistribuição quecurti”... Mas são incapazes de gerar um consenso essas alternativas sugerem para o futuro apontamsocial sobre como transformar as instituições e para a revalorização de pequenos servidores co-em quê. munitários e inclusive netbooks e telefones celu- lares dos usuários. Redistribuir supõe desenvol- O que nos torna “todos potencialmente ver autonomia e, em primeiro lugar, autonomiaciberativistas”? das infraestruturas alheias. O que está em jogo A blogosfera e as redes distribuídas são em si é a forma do verdadeiro “sistema operativo” dasmesmas um meio de comunicação. O meio de co- formas de socialização de nossa época e quemmunicação preexiste e está à nossa disposição. Mas terá poder nele. As palavras-chave do futuro sãoconseguir que as mensagens ultrapassem o limiar autonomia e soberania.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 33
  • 32. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê DossiêA infraestrutura que sustenta as redes Divulgação classes sociais, com preços acessíveis: a proposta é a oferta de conexão de 1 Mbps com o valor de R$35,00. O projeto está a cargo da Telebras. Outra providência, essa de abrangência mun- dial, é a implantação da versão 6 do protocolo que rege a internet – o TCP-IP – diante do esgotamento dos endereços IP da atual versão 4. O IPv6, repre- sentado por números de 128 bits, dotará a internet de 340.282.366.920.938.463.463.374.607.431.768. 211.456 endereços, o que representa cerca de 79 trilhões de vezes o espaço total do IPv4, segundo informação do Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologias de Redes e Operações (Ceptro.br), do Núcleo de Informações e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Para se ter uma ideia, os endereços Rafael Freitas do IPv4 são representados por números de 32 bits, O crescimento vertiginoso de usuários, apli- totalizando 4.294.967.296 endereços possíveis. É cações e conteúdos na rede mundial de computa- justamente esse grupo de endereços – o IPv4 – que dores tem exigido uma resposta rápida e compe- deverá se esgotar num prazo máximo de dois anos. tente dos diversos segmentos responsáveis pela Antecipando-se ao esgotamento dos endere- infraestrutura que sustenta essa nova realidade, ços IPv4 e à evolução iminente da internet, a Pro- com todos os atributos de velocidade, segurança, demge adquiriu, em setembro, um bloco IPv6 /48 disponibilidade e preço que usuários e prestadores (2801:80:310:/48) para seu Autonomous System de serviço exigem. (AS). Como todos os equipamentos de redes (ro- Segundo o gerente de redes da Prodemge, teadores e switches) e servidores de infraestrutu- Rafael Freitas, é fácil constatar um movimento ra de redes (DNS, DHCP, Firewall) da Prodemge concreto e significativo que envolve governo, em- possuem suporte ao novo protocolo, já está sendo presas de telecomunicações e fornecedores de pro- elaborado projeto para implantação do IPv6 no nú- dutos, o chamado “telecossistema”. “O que se per- cleo (core) da rede, o que viabilizará a utilização cebe é que o governo está muito preocupado com da nova versão do protocolo IP para qualquer ser- a massificação da banda larga no Brasil e várias viço de TIC hospedado no seu datacenter. frentes se configuram no mercado”, explica. Entre Rafael Freitas destaca que um dos grandes as iniciativas de maior impacto, ele cita o Plano desafios que se apresenta diante do crescimento Nacional de Banda Larga (PNBL), criado com o dos conteúdos, negócios e novas aplicações na objetivo de massificar o uso da internet em todas as internet é como chegar às regiões desprovidas34 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 33. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiêde infraestrutura de comunicação. Nos grandes O regulamento estabelece metas de qualidadecentros, onde o mercado consumidor se mostra para os Indicadores de Reação do Assinante, Indicado-mais atraente e competitivo, há investimentos por res de Rede e Indicadores de Atendimento. Ainda se-parte das operadoras de telecomunicações que su- gundo a Anatel, o próprio usuário terá possibilidade deprem as necessidades dos usuários. Ao contrário, efetuar a medição, por meio de software a ser gratuita-em regiões desprovidas desses atrativos, a reali- mente fornecido pela prestadora do serviço em até 120dade é de grande segregação social e consequente dias, contados da data de publicação do regulamento.exclusão digital. Por enquanto, o CGI.br, a Anatel e o Inme- “Hoje o governo tem adotado algumas ini- tro oferecem aos interessados uma ferramenta paraciativas, incentivando as empresas de telecom, que o usuário possa verificar e acompanhar se osdesonerando-as com a retirada de alguns tributos, requisitos contratados de sua operadora estão sen-como Cofins e PIS. A medida de desoneração vale do cumpridos: o Simet está disponível no endere-ainda para as obras de infraestrutura, como instala- ço: http://simet.nic.br/ e mostra instantaneamenteção de fibra óptica, roteadores, torres de comunica- a qualidade e velocidade de conexão.ção. O objetivo é facilitar às operadoras a sua ins- Para Rafael Freitas, o Brasil vive um mo-talação em regiões menos privilegiadas, baixando mento de mudanças no setor, o que vai beneficiaro custo do serviço e permitindo repassar as vanta- muito os usuários. “Depende, é claro, do empenhogens aos usuários, com a massificação de serviços do governo, das operadoras e dos fornecedores.em todo o país”, comemora Rafael. Mas os resultados serão positivos, estão todos em Outro tema em pauta, que trará reflexos po- busca de um mesmo objetivo”, conclui.sitivos na infraestrutura de comunicação no país,é a aprovação, pela Anatel, em outubro de 2011,do regulamento com padrões mínimos de quali- 4G Rafael Freitas cita ainda o grande investimentodade da internet fixa. Segundo Rafael Freitas, até que tem sido feito pelas operadoras de telefonia móvelentão os usuários não contavam com requisitos e no LTE (Long Term Evolution), a quarta geração demétricas de qualidade do serviço contratado: “nãohavia SLA ou qualquer controle sobre a efetivida- telefonia celular. “Estão vendo isso como um grandede no cumprimento do serviço contratado; com a incentivador da massificação da banda larga móvel”,Resolução nº 574, de 28 de outubro de 2011, que acrescenta. “O mercado está investindo, trabalhandoaprova o Regulamento de Gestão da Qualidade em conjunto, com envolvimento dos fabricantes dedo Serviço de Comunicação Multimídia (RGQ- dispositivos móveis e de equipamentos de telecom,SCM), passa a haver padrões para aferir a qualida- além das operadoras, que entram com o serviço.”de dos serviços prestados”. Segundo informações O governo disponibilizou recursos a fimda Anatel, as metas de qualidade serão exigidas de fomentar a oferta do LTE nas capitais sede dadas prestadoras com mais de 50 mil acessos em Copa do Mundo até 2013. A tecnologia disponibi-serviço, sendo que todas as prestadoras de SCM liza taxa de transmissão de 150 Mbps de downloaddevem enviar informações à Agência. O não cum- e 50 Mbps de upload, enquanto a terceira geraçãoprimento das metas de qualidade sujeita as presta- (WCDMA/HSPA) opera com taxas de 14 Mbps dedoras de serviços a sanções. download e 7 de upload.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 35
  • 34. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Os desafios do IPv6 mais necessário utilizar a tecnologia NAT, e esse Mario Miranda / Direitos Reservados NIC.br tipo de aplicação fica mais simples e de certa ma- neira mais segura”, explica Moreiras. Na opinião do especialista, se por um lado o recurso resolveu por muitos anos a questão da escassez, por outro, torna mais difícil a eliminação completa de pro- blemas de segurança, uma vez que computadores infectados podem ficar “escondidos” em IPs com- partilhados. Ao contrário, no caso do IPv6, cada computador pode ter um IP próprio, o que facili- ta de forma efetiva a identificação da origem de eventuais ataques. Com o IPv6, a tendência é que cada usuário receba uma grande faixa de endereços para conectar todos os seus equipamentos, o que permite pensar na internet das coisas – eletrodomésticos e o que Antônio Moreiras mais se quiser cogitar – com um número maior de Embora em um ritmo menor que o desejável, tipos de dispositivos conectados à rede. o processo de implantação do IPv6 no Brasil segue No Brasil, a distribuição da versão 6 teve iní- emparelhado com o restante do mundo, o que, na cio em 2003. Mas somente a partir de 2008 pode- opinião do engenheiro de projetos do NIC.br (Nú- se falar em um crescimento de fato. Já foram dis- cleo de Informação e Coordenação do Ponto BR) tribuídos 568 blocos para os chamados “sistemas Antônio Moreiras, resultará num processo sem autônomos”, redes mais básicas que compõem a traumas. Segundo o especialista, o esgotamento da internet e usam o protocolo BGP (Border Gateway versão 4 é o grande motivador da adoção da nova Protocol). São os provedores de internet, que so- versão, e os ganhos que a medida traz são secun- mam cerca de 1.200 no país. “Não quer dizer, no dários: “não podemos falar em grandes vantagens entanto, que já estão de fato usando”, adverte Mo- de uma versão sobre a outra”, explica. reiras. “Mas já solicitaram e receberam os blocos, Um desses benefícios é a possibilidade de estão se organizando para utilizá-los.” abandonar a utilização da tecnologia NAT (Network O esgotamento de endereços na América La- Address Translation), um recurso amplamente tina está previsto para meados de 2014, fazendo- adotado desde a década de 90 para fazer frente à se uma projeção com base em dados históricos, escassez, que permite o compartilhamento de en- “sem considerar, no entanto, alterações e tendên- dereços. “Embora muito útil, eventualmente apre- cias no perfil de crescimento da internet”. Antônio senta problemas em algumas aplicações fim a fim, Moreiras considera inclusive a possibilidade de como no caso do VoIP; com a versão 6, não será adiantamento de projetos diante da escassez dos36 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 35. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiêendereços, o que pode acelerar o seu esgotamento. O NIC.br tem adotado uma série de iniciati-Portanto, isso pode ocorrer até mesmo em 2012. vas a fim de divulgar as ações necessárias para que Moreiras aponta o desconhecimento técni- a implantação do IPv6 se dê da forma mais tranquilaco do assunto como um dos grandes dificultado- possível: o hotsite http://ipv6.br traz todas as infor-res no andamento do projeto de implantação do mações sobre o assunto, além de oferecer um cursoIPv6. “Trata-se de algo novo, e de forma geral na modalidade a distância, gratuito, com duração deos profissionais não estão preparados para essa três horas. Ainda na linha da formação, há a opçãomudança específica, não tiveram essas informa- “Curso Básico”, ministrado de forma presencialções em sua formação, uma vez que o assunto não nas dependências do NIC.br, em São Paulo, e des-tem sido tratado nas faculdades.” Ele explica que tinado aos administradores de redes, engenheiros enão se trata de algo complexo; é facilmente assi- técnicos dos provedores de internet e operadoras demilado em cerca de uma semana de treinamento. telecom. Moreiras explica que o material didáticoEm alguns casos, podem ser necessários também disponível no site está sob a licença Creative Com-investimentos em equipamentos, embora desde mons, podendo ser baixado pelos interessados, a1998 os fabricantes já foram incluindo essa fun- fim de apoiar a disseminação da tecnologia.cionalidade; pode ser necessário que se faça ape- O Ceptro faz também uma recomendação denas atualizações em hardware e software. Isso por datas para implantação, cujo cumprimento garantiráparte dos provedores. um processo sem traumas. Provedores de rede de- Para os usuários finais, em suas residências vem ter os produtos para usuários corporativos peloou trabalho, não haverá impacto, e de forma geral menos até o meio de 2012 – incluídas aí as empresasa mudança poderá ocorrer sem que seja percebi- de telecom e grandes provedores. Para as empresasda. Em alguns casos, pode ser necessária a troca provedoras de conteúdo, o uso deverá estar adequa-de roteadores. do até o início de 2013. Moreiras acredita que, se Para o mercado de provedores de acesso, as essas datas forem cumpridas, o processo se dará demotivações para instalação da nova versão estão forma bem tranquila. O adiamento da solução podena ameaça de restrição de seu crescimento e am- implicar gastos e outros prejuízos.pliação do número de clientes. Moreiras lembra No dia 8 de junho de 2011, foi feito umque no Brasil há um grande potencial de usuários. grande teste do novo protocolo em todo o mundo –Já os provedores de conteúdo, ou qualquer empresa o Dia Mundial do IPv6 –, quando vários websitesque mantém um site institucional ou de serviços na ativaram a nova versão. Participaram mais de 400internet, têm que se preocupar para não deixar de empresas, com mais de mil websites, entre elesatender seus clientes. grandes provedores como Google, Yahoo, Terra e No entanto, o Brasil está acompanhando o UOL. Segundo Antônio Moreiras, tudo funcionouritmo que se registra em todo o mundo. “Não es- muito bem. Um novo teste está agendado, dessatamos atrasados em relação aos demais países”, vez para durar uma semana: de 6 a 12 de fevereiroexplica o especialista. “Provedores e empresas de 2012, em conjunto com o Campus Party, emde telecom estão fazendo investimentos, estão se São Paulo, considerado um dos maiores eventosmexendo, estamos todos no mesmo passo.” de inovação tecnológica e internet do mundo.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 37
  • 36. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê PNBL Herivelto Batista Caio Bonilha acrescenta que o projeto piloto será realizado em dois estados: “no Tocantins, o objetivo é integrar os campi da Universidade Fe- deral do Tocantins, localizado em Palmas, e do Instituto Federal do Estado, que fica em Gurupi. Em Goiás, o campus do Instituto Federal de Goiás (IFG), em Anápolis, será conectado à Universida- de Federal de Goiás, em Goiânia”. Segundo avaliação da Telebras, o Plano Na- cional de Banda Larga, com a definição da tarifa de R$35,00 para conexão de 1 Mbps, já trouxe reflexos significativos na dinâmica do mercado, com ganhos para os usuários nos preços praticados. “A entrada da Telebras no mercado teve o impacto de baixar os preços, aumentar a competição e ampliar a qua- lidade. Dispondo de uma rede neutra que oferece Caio Bonilha condições iguais para todos os clientes e em todas A Telebras é a empresa responsável por im- as regiões do país – aspecto fundamental para di- plementar o Programa Nacional de Banda Larga minuir as desigualdades regionais –, a empresa está (PNBL), instituído pelo Decreto N° 7.175/2010, e promovendo a diminuição dos preços, especialmen- trabalha com a meta de chegar a 2014 com mais de te naquelas regiões onde os custos para se ter acesso 30 mil km de extensão da rede nacional de teleco- à internet estavam muito acima do mercado.” municações em todas as regiões do país, segundo Ele argumenta que essa influência é benéfica o presidente da entidade, Caio Bonilha. “Isso sig- para o mercado, para a população e para o país, e nifica mais de quatro mil municípios cobertos pela afeta também a própria Telebras, na medida em que nossa rede e uma população potencial atendida de a média dos preços, hoje, é inferior àquela praticada mais de 162 milhões de pessoas”, afirma. Bonilha à época do lançamento do PNBL. “Isso afeta o nos- considera que 2011 foi basicamente um ano de im- so plano de negócios e faz com que tenhamos que plantação e início da operação comercial: “Diria permanentemente trabalhar a nossa área de estraté- que estamos terminando a travessia do deserto, e gia comercial. Mas esse é o nosso objetivo, tirar o que em 2012 os resultados vão começar a aparecer mercado da zona de conforto. Estudo realizado pelo com mais intensidade”. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) A Telebras finalizou 2011 com cerca de 19 mostrou uma redução de 50% nos preços da internet mil km de rede ativados e mais de 120 cidades em nos últimos dois anos no Brasil.” operação, diretamente ou através de acordos com Embora com resultados positivos contabiliza- outras redes, como o Cinturão Digital do Ceará. A dos, o presidente da Telebras destaca os desafios e di- empresa fechou também um acordo com a Rede ficuldades do projeto: “um dos principais é estruturar Nacional de Pesquisa (RNP) que, além de ampliar a empresa juntamente com a sua operação, ao mesmo a capilaridade junto às redes metropolitanas, per- tempo em que precisamos responder com resultados mite fornecer banda larga de 100 Mbps para os concretos na implementação de um programa de go- campi localizados no interior do país. verno com grande expectativa junto à sociedade”,38 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 37. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiêconstata. Segundo ele, a Telebras é uma empresa pe- disponibilizada a cobertura de 51 municípios daquena, com cerca de 200 funcionários, e precisa lidar região também em 2012.com questões complexas, que vão desde a definição Segundo Caio Bonilha, no primeiro trimestre deda área a ser atendida até a entrega do sinal nas cida- 2012 será concluído o trecho da rede que liga Fortale-des contempladas pelo PNBL. za a Porto Alegre, pelo interior. No segundo trimestre, Uma das principais dificuldades do projeto essas duas capitais já estarão conectadas pelo litoral.tem sido a obtenção e regularização de terrenos, in-clusive do ponto de vista ambiental, para instalação Orçamentodas estações de telecomunicação e pontos de presen- O orçamento entre 2011 e 2012 para o PNBLça (POPs) da Telebras. “Esses ambientes são cons- é de aproximadamente R$610 milhões, consideradostituídos de uma solução de abrigos padronizados de suficientes para o planejamento do projeto, de acordotelecomunicações em contêineres ou gabinetes, onde com Bonilha. Além desses recursos, há ainda um or-são instalados os equipamentos de energia, climatiza- çamento complementar para os projetos estratégicosção, segurança, entre outros. Isso é condição essen- como a Copa do Mundo de 2014 e o lançamento decial para suportar a rede óptica com os equipamentos um satélite e de um cabo submarino internacional.DWDM, Rede IP e equipamentos de rádios.” Para Para a Copa do Mundo, e também para asBonilha, nesse caso, as prefeituras podem ser grandes Olimpíadas de 2016, está previsto o uso da tecnolo-parceiras do PNBL, cedendo terrenos para viabilizar gia 4G. Segundo Caio Bonilha, a grande revoluçãoo atendimento às cidades. da LTE é a velocidade da transmissão de dados atra- Com relação ao aspecto da desoneração da car- vés da rede sem fio, que será altamente utilizada du-ga tributária, ele aponta os benefícios da diminuição rante a Copa 2014 e as Olimpíadas; “são eventos quedos preços e, com orçamento menor, a canalização receberão milhares de expectadores de outros paí-de recursos para a instalação de mais equipamentos, ses, onde essas tecnologias já estão disseminadas, eviabilizando o remanejamento para outros projetos a Telebras participa da operação pioneira do 4G emsob responsabilidade da Telebras. Brasília, fornecendo a conectividade nacional e inter- nacional”. Lançada em dezembro de 2011 pela ope-Perspectivas para 2012 radora de TV por assinatura SKY, a tecnologia utiliza Em 2012, o foco do projeto é a construção dos a rede de fibras ópticas da Telebras.acessos às cidades, nas regiões metropolitanas, já volta- Outro projeto que também trará reflexos posi-dos para o atendimento das demandas da Copa do Mun- tivos no serviço de banda larga é a joint venture entredo, e dos anéis metropolitanos e atendimento às cidades a Telebras e a Embraer, que gerenciará a aquisição,do interior. A ideia é construir 250 estações de teleco- implantação terrestre, lançamento e a entrada emmunicações no interior do país com recursos próprios, o operação de um satélite brasileiro. Caio Bonilha ex-que permitiria chegar a aproximadamente 400 cidades. plica que esse satélite atenderá à demanda das Forças “Vamos interligar todas as doze cidades- Armadas, mas também tem um foco primordial nosede da Copa, e chegaremos à Região Norte do complemento ao atendimento de banda larga no país,país, antecipando uma demanda que inicialmente através da Banda Ka. A operação do satélite será feitasó seria atendida a partir de 2014. Ainda em 2012, pela Telebras e Ministério da Defesa.o Programa Nacional de Banda Larga já estará dis- O satélite vai viabilizar a oferta do PNBL emponível para provedores de Belém, Cuiabá, Porto cerca de 1,3 mil cidades no Brasil que não serão aten-Velho, Rio Branco, Manaus e Macapá.” Com os didas pela rede de fibra óptica da Telebras, por fica-recursos da ordem de R$62,5 milhões que serão rem em regiões remotas, de difícil acesso por fibra.repassados pelo Ministério das Comunicações e “O satélite traz um enorme benefício de capilaridadeuma parceria com a rede da Eletronorte, está sendo nacional, além da resistência a catástrofes”, conclui.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 39
  • 38. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Alexandre Atheniense Prevenção é palavra de ordem em ambientes digitais Alexandre Atheniense é advogado formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Internet Law pela Berkman Center – Harvard Law School. É sócio da Aristoteles Atheniense Advogados. Política de segurança da informação Na medida em que os serviços passam a ser Toninho Almada prestados por meio eletrônico, surgem novas preocu- pações e riscos. Antes, o alcance das redes era interno às corporações, agora esse controle não existe, uma vez que as empresas estão abertas por meio de portais e outras ferramentas interativas da web 2.0. reza, se há um plano de contingenciamento. Faço um Daí a necessidade de se estabelecer critérios alerta para o fato de que nem sempre as políticas criadas para saber lidar com esse novo ambiente, estabelecer pelas empresas têm efetividade com relação aos aspec- um regramento mínimo com relação aos termos de tos jurídicos. É necessário, ao estabelecer uma regra uso dos serviços, como também uma política de segu- de violação de conduta, que exista uma advertência ou rança da informação. A política se impõe porque hoje punição correspondente. Por exemplo, nem sempre, estamos trabalhando em rede, existem colaboradores na empresa, há ferramentas capazes de monitorar inci- internos e externos que acessam as bases de dados de dentes, ou preservar provas necessárias à identificação diferentes locais e em diferentes níveis e, consequen- de autoria ou alcance das violações, questões previstas temente, é necessário dar ciência a todo esse grupo nas políticas. Se há regras, são necessários meios de de pessoas sobre como se dá o acesso e o comparti- produzir provas, formas de monitorar e, eventualmen- lhamento dessas informações. Isso porque lidamos te, punir. O ambiente, a arquitetura, a maneira como as diariamente com situações envolvendo incidentes de informações são acessadas e tratadas em cada institui- segurança da informação, como os ocorridos em 2011 ção merecem tratamento individualizado. com invasões de sites do governo federal. As normas e as rotinas sistêmicas têm que viver As políticas de segurança da informação devem em perfeita simbiose. Acima de tudo, têm que estar em ser construídas com a participação de especialistas de conformidade com a lei brasileira. várias áreas, contemplando pontos de vista diferentes – tecnologia, segurança da informação, recursos hu- Atualizações manos, jurídico. De forma geral, a dinâmica é fator de geração de resultados. No caso de sistemas e aplicativos, por Organizações devem estar exemplo, estão sendo sempre atualizados e receben- preparadas do novas funcionalidades. Isso mostra que as políti- O que diferencia uma organização da outra não cas de segurança precisam ser atualizadas de forma é somente saber se ela vai sobreviver a um ataque, mas sistemática, a fim de acompanhar essa evolução – como ela vai reagir diante de um problema dessa natu- pelo menos uma revisão anual.40 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 39. Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê Dossiê DossiêCapacitação calúnia, por exemplo. As pessoas não se dão conta da importância de fazer o gerenciamento da reputação Especialmente no caso do ambiente de governo, de pessoas, de marcas e de empresas.é extremamente importante desenvolver uma política O projeto de blindagem digital é esse monito-adequada de capacitação dos servidores. Temos que ramento contínuo das mídias sociais. Muitas vezespartir do princípio de que as pessoas, de forma geral, significa monitoramento constante e reação imediata.não tiveram – na faculdade, na família ou em outro Se não há essa resposta imediata, a versão acaba seambiente – qualquer tipo de capacitação sobre como transformando em fato, perde-se o controle.lidar com a informação digital. A responsabilidade édo governo e das empresas de chamar para si esse pa-pel de ensinar, de forma construtiva, e não punitiva. Legislação Aí está a oportunidade de atrair e não segregar as A lei acompanha essa evolução mais do quepessoas envolvidas, para passar a elas uma série de infor- se imagina. Há alguns aspectos que ainda precisa-mações, capacitação, orientações, aculturamento, para riam ser aprimorados, como o projeto de lei que trataque elas entendam que o que está sendo empreendido não da questão da privacidade dos dados. A nossa lei queé unicamente para vigiar, é mais ainda para deixá-las aptas fala sobre privacidade está circunscrita à Constituiçãoa conviver de forma correta no ambiente digital. de 1988; muita coisa mudou desde então. Há países, O empregado tem que saber, por exemplo, que a como Espanha e Argentina, que já fizeram leis espe-lei confere à empresa o poder de fiscalização sobre tudo cíficas para tratamento de privacidade de dados. Te-o que acontece no ambiente de trabalho, e ser orientado mos basicamente dois dispositivos na lei que tratam dopara fazer o melhor uso possível dentro de suas atribui- tema, mas que são insuficientes para as diversas situ-ções. E quem provê uma infraestrutura de acesso tem o de- ações que encontramos. A informação é o petróleo dover de controlar tudo o que ocorre dentro desse ambiente. século XXI e precisamos saber lidar com isso. A nossa legislação não foi criada para tratar com dados, masConsumidor e produtor de conteúdos com coisas. Em alguns casos, é possível usar analogia, Com o avanço da web 2.0, o cidadão hoje é a mas no direito penal isso não é possível.própria mídia. A partir desse momento, quando ele criaum blog ou um perfil no Facebook, no Twitter, passa Boas práticas para manter sua reputa-de consumidor a produtor de informações. E o brasi- ção na mídia digitalleiro, de forma geral, muitas vezes não enxerga limites • Pesquise a si próprio diariamente.para fazer seus comentários. Culturalmente somos um • Saiba discernir as críticas e não revide provoca-povo expansivo, comunicativo; embora, em termos de ções, pois você acaba dando mais visibilidadeprivacidade, um pouco ingênuos. Uma informação im- para o comentário negativo.portante: o segundo lugar em processos na internet é a • Evite criticar pessoas e empresas sem bons argu-difamação, especialmente em redes sociais. mentos. • Entre na conversa.Blindagem digital da reputação • Crie o hábito de preservar as provas dos incidentes de TI. É recomendado que organizações públicas e pri- • Seja transparente.vadas estejam nas redes, para conhecer os conteúdos nos • Crie conteúdos de boa reputação, gere referênciasquais estão envolvidas no meio digital, realizando o mo- positivas.nitoramento contínuo de assuntos e temas relevantes. • Proteja sua marca, registrando nomes de domínio, IDs. A ideia não é simplesmente reagir a qualquer • Tome medidas extrajudiciais ou judiciais ou, se forjulgamento negativo, mas, sobretudo, saber exata- o caso, imediatas, após a ciência de um incidente.mente o que está acontecendo – quais os julgamentos A rapidez e continuidade no enfrentamento sãopositivos e negativos que estão ocorrendo nas redes essenciais para o resultado.sociais. As empresas estão criando equipes especia- • Planeje o contingenciamento para enfrentar o ata-listas para cuidar desse assunto. Inclusive para identi- que, envolvendo a equipe com vários representan-ficar quando um fato tem relevância jurídica, quando tes de diferentes setores, para que o trabalho emultrapassa o limite da liberdade de expressão – uma equipe seja eficiente.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 41
  • 40. Redes sociais: o centro das atenções Divulgação Sandra Paula Tomazi Weber* N ão é de hoje que todos, empresas e co- ce de 87% sobre esses. O Facebook atingiu 68,2% e laboradores, enxergam as redes sociais o Twitter 31,3%. Os internautas gastaram, em média, como excelente meio de socialização e 7h14min do seu tempo navegando nesses sites, o que para fortalecer o relacionamento com consumi- demonstra a sua aceitação e assiduidade no uso. dores, por exemplo. A oportunidade para gera- Diante desse cenário, o que importa para mui- ção de negócios e mobilização social é ótima. tos é estar nas redes sociais! Mas, para isso, é neces- No Brasil, a rede social ganhou força com o sário ter responsabilidade e também planejamento, Orkut. Muitos passaram a utilizar esse canal de rela- principalmente quando estamos tratando do uso do cionamentos como recurso para restabelecer contatos canal como ferramenta estratégica para atingir con- com antigos amigos e ampliar sua rede de amizades, sumidores, ampliar o contato e captar clientes, bem já que sua abrangência é mundial, por estar na inter- como vender produtos e serviços. net. Até pouco tempo, essa era a febre nacional. Como usuários finais, temos que ter ciência de Contudo, o Orkut é apenas um dos canais exis- que toda ação gera uma reação e que tudo que posta- tentes nas redes sociais. Há outros, como o Facebook, mos está sendo registrado por escrito. Não é pelo fato o Twitter, o Flickr, Foursquare, LinkedIn, etc. Além de estarmos em uma rede social ou na internet que desses, há também aqueles criados para uso interno, nossos atos não vão gerar responsabilidade ou danos por uma organização ou comunidade específica. To- à nossa vida pessoal e profissional ou à de terceiros. dos com os mais diversos focos, de modelo aberto ou Por isso, sempre se pergunte: “qual será a repercus- por convite. são desse post?”. As pessoas e empresas perceberam que, por Embora essa seja uma conduta simples, talvez meio desses canais, é possível atrair um novo públi- possa evitar a repetição de diversas situações que já co, que vive em uma sociedade cada vez mais conec- presenciamos através da mídia, como foi o caso de um tada, em alta velocidade, sem fronteiras físicas e em famoso que teve que se retratar para a comunidade ju- tempo real. Que almeja respostas imediatas! daica em decorrência de um comentário inapropriado Isso faz sentido se pensarmos que o acesso à que fez no Twitter sobre o cancelamento da Estação internet no segundo semestre de 2011 atingiu 77,8 mi- Angélica, do Metrô de São Paulo, ou o caso da cantora lhões de brasileiros, um aumento de 5,5% em relação ao baiana que foi acusada de racismo por seus seguidores mesmo período em 2010 e 20% com relação a 2009, se- ao chamar os baianos de preguiçosos. gundo a pesquisa divulgada pelo Ibope Nielsen Online. Contudo, esses incidentes não ocorrem apenas Em agosto de 2011, 45,4 milhões de brasileiros entre famosos, mas também geram repercussão em acessaram a internet do trabalho ou de sua residência, outros ambientes, como o escolar e o empresarial. Já sendo que os sites de redes sociais tiveram um alcan- encontramos, no Judiciário Brasileiro, casos de conde-42 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 41. nação de ex-funcionário que cria comunidade no Orkut por parte da empresa, porém, sem uma interação compara falar mal do ex-chefe, pais que são responsabi- quem está do outro lado, diferente do que ocorre quan-lizados pela conduta dos filhos menores de idade nas do se escolhe um perfil de relacionamento, onde seredes sociais, como a prática de cyberbullying contra procura envolver quem está do outro lado, como porcolegas de escola ou até professores. É meio de promoções comerciais, e o ter-importante frisar que, em decorrência “Orientação AOS ceiro está associado a um canal diretodo pátrio poder que os pais têm sobre colaboradores e aten- de atendimento ao consumidor.os filhos, cabe a eles zelar por estes, sob ção ao que é postado Com relação ao canal de aten-pena de responderem civilmente pelos dimento, destaco a importância de dei-ilícitos praticados, conforme o disposto nas redes sociais são xar claro para o cliente qual o prazono artigo 932 do Código Civil. primordiais para evi- para retorno, como o atendimento será Além de indenização no âmbi- tar incidentes.” feito, ou seja, se será direcionado parato civil, não podemos esquecer que as um outro canal, como o 0800. É im-condutas praticadas nas redes sociais portante que a empresa defina comotambém podem ser julgadas na esfera criminal. Vale as reclamações serão tratadas, qual será a mensagemlembrar o caso ocorrido em 2010 do venezuelano que enviada no primeiro atendimento, entre outros pon-foi acusado em seu país pelo crime de “instigação ao tos, para deixar mais clara possível a mecânica deódio público”, ao publicar mensagens no Twitter de- funcionamento do canal, pois, caso contrário, ao in-fendendo o assassinato do Presidente Hugo Chávez. vés de estreitar a relação com o cliente, pode piorá-la. No âmbito empresarial, há pelo menos duas si- Ter uma equipe treinada para gerenciar e atuartuações que devem chamar a atenção do empresário. A na manutenção do canal é importante, pois tudo o queprimeira, tem relação com os cuidados que devem ser ela vier a postar no canal ou qualquer decisão que ve-tomados na hora de estar oficialmente na rede, e a outra, nha a tomar sobre o mesmo terá repercussão imedia-é preparar seus colaboradores para o uso das redes so- ta. Logo, essa equipe deve trazer consigo os princí-ciais, ainda que não seja dentro do ambiente de trabalho. pios da ética e da legalidade, agindo sempre de forma Para alguns empresários, talvez seja mais fácil diligente para o cumprimento da missão de atender opensar em se isolar das redes sociais, não permitindo consumidor. Deve estar claro o compromisso de for-que sua empresa esteja oficialmente nesses canais. Con- necer informações suficientes, claras, precisas, alémtudo, temos percebido que essa não é a melhor estraté- da necessidade de minimizar qualquer risco à marcagia, pois há situações de canais não oficiais que confun- ou imagem da empresa.dem o cliente e o consumidor. Além disso, o fato de não Como tudo na rede é instantâneo, é importan-estar na rede, em muitos casos, limita a possibilidade de te que a estratégia de resposta a incidentes já estejaresposta por parte do fornecedor diante de uma recla- definida. Isso evita inclusive a tomada de decisõesmação, que se tivesse sido constatada logo poderia ser precipitadas que possam gerar um dano ainda maiorsanada rapidamente e gerar repercussão positiva. à imagem da empresa. As empresas precisam se preocupar com sua A gestão da marca envolve estar atento e mo-reputação digital. Uma reclamação ou comentário de nitorando tudo o que ocorre na rede a respeito dacunho negativo em rede social tem um grande po- empresa e também sobre seus colaboradores. Esses,der de alcance, mobilizando muitas vezes um grande ainda que não façam parte da equipe de gestão e ma-volume de pessoas. Um exemplo disso ocorreu com nutenção da rede, devem ser preparados para não res-uma marca famosa de bolsas e calçados, que teve sua ponder em nome da corporação, pois ela possui pro-coleção boicotada nas redes sociais por internautas fissionais preparados para tanto. Nessas situações, oque discordavam do uso de peles exóticas na confec- colaborador deve contar com um canal para reportarção de produtos de vestuário e acessórios. a existência de um fato na rede que exige atendimen- Percebe-se, então, que estar nas redes sociais exi- to especializado e não tentar agir por conta própria.ge: planejamento estratégico adequado; orientação ao co- Fique atento! As redes sociais estão em alta,laborador; resposta rápida a incidentes e gestão da marca. seja no ambiente profissional ou para uso pessoal! Na parte de planejamento estratégico, é im-portante definir o tipo de perfil a ser adotado, se será * Sandra Paula Tomazi Weberinformacional, de relacionamento ou de atendimento. Especialista em Direito Digital e sócia do escritórioO primeiro destina-se à divulgação de informações Patricia Peck Pinheiro Advogados.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 43
  • 42. Governo 2.0:mudando paradigmas pormeio das redes sociais paramelhor servir à população Divulgação Gabriela Abreu Couto*, José Cláudio C. Terra** e Felipe Feliciano*** I inspirados pelo aumento das comunidades va. Com o apoio da internet, os princípios da trans- on-line e das mídias sociais, os cidadãos parência, abertura e participação estão cada vez mais têm novas expectativas sobre como inte- próximos da realidade social e política, permitindo ragir com as organizações públicas e privadas. novos modelos de organização e comportamento. Mobilidade, capacidade de opinar e atuar em O movimento crescente das iniciativas de rede são paradigmas cada vez mais presentes open-data evidenciam benefícios potenciais aos no cotidiano das pessoas. Governos, de todas as cidadãos quando combinados a ações inovadoras e esferas, não podem ficar alheios a criativas. Mais transparência aumen- esse novo contexto. “FUNCIONÁRIOS ta a confiança, estimula a inovação, Na medida em que mais pes- públicos capacita- aprimora o trabalho dos ocupantes de soas estão diariamente envolvidas cargos políticos e os tornam pessoas no ambiente digital, seja através de dos para usar tec- mais elegíveis. recursos mobile ou redes sociais, nologia colaborativa O sucesso no estabelecimen- há a perspectiva de que os gover- em seu trabalho to de uma nova abordagem na pres- nos utilizem esses ambientes como serão mais produti- tação de serviços governamentais plataforma de integração e apoio requer também posturas mais ino- aos cidadãos. Com a demanda por vos e eficientes.” vadoras e eficientes na forma como acessibilidade, o desafio é mudar a os governos operam internamente. maneira como os usuários acessam Funcionários públicos capacitados os serviços públicos, prover mecanismos de par- para usar tecnologia colaborativa em seu trabalho ticipação e devolver a eles um de seus recursos serão mais produtivos e eficientes. mais valiosos: seu tempo. Redes sociais internas Como modificar o governo para atuar nas O crescimento da colaboração em rede está redes sociais? mudando a forma como as pessoas interagem O modelo hierarquizado dos atuais governos, umas com as outras, instituições e informações. atrelados à forte burocracia, vem sendo criticado por Introduzir tecnologias colaborativas dentro das criar estruturas de concentração de informação e po- estruturas governamentais pode ajudar a fortale- der. Tais estruturas dificultam que cidadãos tomem cer uma cultura de trabalho mais inovadora, que iniciativas e busquem soluções de forma colaborati- pretende transpor as barreiras tradicionais para 44 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 43. permitir o compartilhamento de informações e uma votação que decidirá se entra ou não no texto fi-conhecimentos. nal da Constituição. Outro exemplo interessante vem A iniciativa britânica “Comunidades de Prá- do governo de Cingapura, que criou um portal paraticas para Governos Locais” é um exemplo de go- mostrar as reduções de gastos auferidas pelo governoverno em rede e dos benefícios auferidos a partir e permite aos cidadãos mandarem sugestões com oda superação de fronteiras organizacionais. A rede é objetivo de redução de gastos públicos.estruturada em um portal que permite aos membrosde órgãos municipais interagirem, trocarem boas Considerações finaispráticas e experiências, através de ferramentas da Os desafios públicos demandam soluções ino-web 2.0, como wikis, blogs, fóruns e biblioteca, que vadoras para lidar com questões cada vez mais com-incentivam o desenvolvimento e compartilhamento plexas e sistêmicas. É notória a crescente necessidadede novas ideias e estratégias, obtendo-se maior agi- de uma nova forma de atuação do Estado, que deve serlidade na resolução de problemas. mais plural e capaz de promover ações conjuntas com Outra iniciativa que merece destaque é a “Vozes a sociedade na construção de uma agenda sustentávelFederais”, promovida pela gestão Obama nos EUA, de desenvolvimento.onde os servidores públicos foram convidados a com- O Estado deve implantar ações de moderni-partilhar suas ideias e opiniões sobre projetos em temas zação que não se restrinjam à revisão de estrutura eespecíficos, como aumento do comércio, exportação governança, mas que utilizem métodos e ferramentase competitividade global. A ação durou dois meses e mais contemporâneos e alinhados com as mudançascontou com mais de cinco mil ideias postadas, cerca em curso na sociedade. Há muito conhecimento dis-de oito mil comentários e mais de 6,5 mil participantes. perso, que poderia ser melhor utilizado para a criação de um Estado mais eficiente e democrático. Para queRedes sociais externas isso aconteça, é preciso conectar o conjunto de insti- Casos reais da cultura da participação com- tuições e órgãos de governo, além do próprio conhe-provam que há um novo modelo de comporta- cimento, experiência e iniciativa dos cidadãos.mento emergindo, no qual as pessoas esperam Novos tempos, novos modelos: aplicar ainteragir e colaborar com as várias esferas de go- tecnologia e as redes sociais para oferecer ser-verno, no diálogo sobre suas comunidades, suas viços aos cidadãos, apoiando-os e ajudando-os anecessidades presentes e futuras e como as políti- satisfazer as suas necessidades, deveria ser umacas de governo as afeta. prioridade de qualquer governo nos dias de hoje. Os governos devem utilizar os instrumen-tos da tecnologia citados em favor da democracia *Gabriela Abreu Coutoe da participação cidadã para a criação de novos Administradora pública pela Fundação Getúlio Vargas.canais de comunicação, trazendo mais abertura Atua na TerraForum em projetos nas áreas de gestãoe transparência. Tais iniciativas potencializam o do conhecimento e inovação junto a grandes empresasengajamento cívico, aproximam os cidadãos en- nacionais, multinacionais e setor público.tre si, entre seus governos e iniciativa privada,contribuindo para a formulação de políticas pú- **José Cláudio C. Terrablicas mais realistas e implantáveis. Doutor em Engenharia de Produção, mestre Experiências internacionais mostram como as em Administração.culturas digital e política têm caminhado juntas. Esse Presidente da TerraForum, uma empresa dedicada aé o caso da nova Constituição da Islândia, que está desenvolver soluções estratégicas de gestão do conhecimento.sendo elaborada com auxílio da população. Atravésdo Facebook, pode-se enviar sugestões, criticar e elo- ***Felipe Felicianogiar a Carta Magna – base para o novo documento. Gestor de políticas públicas. Atua na TerraForum emSe a proposta de um cidadão tiver grande apoio po- projetos de gestão do conhecimento junto a empresaspular (ou melhor, muitos “likes”), será submetida a nacionais, multinacionais e setor público.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 45
  • 44. Benchmarking As inúmeras opções oferecidas pelos ambientes possíveis na web 2.0 não escapam à atenção das administrações públicas, que aos poucos identificam for- mas diversas de atuação e se incorporam ao inevitável movimento das redes. Como poderosos canais de comunicação com os cidadãos, sempre em mão dupla e muitas vezes interativos, as plataformas digitais configuram um novo espaço de cidadania, transparência e colaboração que traz ganhos para a sociedade e para os governos, que se beneficiam da participação popular na construção de suas estratégias. Em São Paulo, dados dos diversos órgãos do governo estadual foram colo- cados à disposição de quaisquer interessados em manipulá-los para a construção de aplicativos e soluções, que são posteriormente devolvidos à população na for- ma de novos serviços e informações. A iniciativa completa um ano de existência. Em Minas, o projeto Teia – Tecnologia, Empreendedorismo e Inovação Aplicados – configura uma rede social digital voltada para a capacitação e apoio a empreendedores em projetos de toda natureza, estimulando a inovação, o aper- feiçoamento de habilidades, com reflexos no crescimento econômico do Estado.46 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 45. Arquivo Secretaria de Gestão Pública/SP Governo Aberto SP Roberto Agune O projeto Governo Aberto SP foi lançado O critério para seleção das bases que com-Guydo Rossi em janeiro de 2011, durante o Campus poriam o portal era simples: “partimos do princípio Party Brasil. Mas, segundo o coordena- de que, exceto bases que possuem dados sigilosos, dor do Grupo de Apoio Técnico à Inovação da Se- como informações pessoais do cidadão, por exem- cretaria de Gestão Pública de São Paulo, Roberto plo, todos os demais dados coletados, organizados e Agune, em fevereiro de 2010 já estava pronto o produzidos pelo Estado devem ser disponibilizados, protótipo com 17 bases de dados da Fundação podendo interessar a pesquisadores e desenvolvedo- Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). res de serviços públicos”. A forma de adesão adotada Um mês depois, em 12 de março, foi assinado o também é simples, uma vez que a cada órgão que Decreto 55.559, instituindo o portal. Agune ex- dispõe suas bases basta o cadastramento, descrição e plica que “apesar do foco na transparência, os link da base. “Fizemos fortes parcerias com a Funda- motivos que nos levaram a criar o portal incluem ção Seade, no sentido de orientar e auxiliar os órgãos o acesso às informações para a geração de novos na descrição das bases e metadados, e com o Consór- serviços, o crowdsourcing, o estímulo à economia cio World Wide Web (W3C) – Escritório Brasil, que criativa e o compartilhamento de dados entre os nos apoia na padronização dos formatos abertos.” órgãos públicos”. A Fundação Seade responde pela parte sistê- A partir da publi- mica de registro e bases cação do Decreto, foi do portal e pelo apoio a dado início ao trabalho outros órgãos estaduais. O de divulgação do projeto Gati, além de desenvolver para os órgãos do Estado o front end e a interface e seu envolvimento na com o usuário, reúne-se estruturação do portal. com os órgãos para alcan- Roberto Agune lembra çar novas adesões. que fizeram uma “pe- Cada órgão iden- regrinação por todas as tificou, então, as bases secretarias e órgãos do que poderiam compor o Estado, apresentando o portal. Segundo defini- decreto e o portal, com ção do próprio Decreto, vistas ao convencimento cabe aos órgãos do Esta- e adesão desses órgãos”. http://www.governoaberto.sp.gov.br do identificar, organizar, Dezembro de 2011 Fonte Fonte 47
  • 46. estruturar e dispor o link das bases através do portal governoaberto.sp.gov.br, respondendo também pela Estrutura autenticidade e atualidade das informações. Há, na Roberto Agune esclarece que não foram verdade, total autonomia dos órgãos em determinar necessários investimentos para a estruturação quais bases devem ser disponibilizadas. do Governo Aberto SP: “aproveitamos toda a Com relação aos desafios encontrados na infraestrutura existente, de modo a não concentrar as estruturação do portal, Roberto Agune argumenta bases em um único servidor. Logicamente, usamos que “é comum haver resistência em novos mode- software livre para o desenvolvimento do aplicativo”. los de comunicação. Aconteceu assim também no A equipe contou com a colaboração do W3C e da início da internet, do e-mail aos sites, muitas orga- Fundação Seade e não foi necessária nenhuma nizações encontraram resistência, até pela falta de capacitação extra. Com relação às ferramentas, compreensão. Esse é o desafio inicial do projeto utilizam um banco de dados em MySQL e interface Governo Aberto SP, que estamos trabalhando para em HTML, tudo com software livre. A manutenção superar”. Ele aponta ainda um segundo desafio, é feita pela Fundação Seade, em se tratando do que é o do aproveitamento e produção de novos BackOffice, e pelo Gati na interface. serviços e informações, com a utilização dessas bases. “Por isso criamos uma categoria específica no Prêmio Mario Covas, para estimular o desen- Crescimento volvimento, pela sociedade, premiando as melho- Nos nove primeiros meses de projeto, houve res iniciativas dos desenvolvedores.” um aumento de 100% na quantidade de bases de A equipe do portal registra dois projetos que dados disponíveis no portal, “sem considerarmos são produto dos dados disponibilizados pelo Governo: as infinitas possibilidades de aplicação das APIs o Para Onde Foi o Meu Dinheiro, que interpreta ofertadas pela Secretaria de Fazenda. Contudo, es- graficamente os gastos do Estado (http://www. tamos muito distantes da capacidade deste governo paraondefoiomeudinheiro.com.br/node/1), e o portal em disponibilizar bases perante o que é produzi- Governo Eletrônico, que utiliza, entre suas bases, a do de dados e o que a sociedade poderá acessar”, do Cidadão.SP (http://www.governoeletronico.net). constata Agune. Para acessar as bases de dados do portal, basta Os ganhos com o portal vão além da trans- ir ao endereço www.governoaberto.sp.gov.br e fa- parência, segundo o coordenador. “Também todos zer download da que julgar interessante. “O uso de ganham quando são criados novos serviços e quan- dados pelo cidadão que baixou a base é de respon- do são compartilhados dados de diversas origens. sabilidade dele, só pedimos que a fonte seja citada. Veja que, mesmo internamente, as áreas do gover- Caso seja do interesse do cidadão/desenvolvedor/ no têm dificuldades em acessar bases e estudos de pesquisador publicar o produto que fez com a base, outras áreas para poderem correlacionar com seus ele deve divulgá-lo também pelo portal, onde há dados. Isso é um ganho enorme para todos.” uma entrada específica para esse fim.” A principal ameaça apontada por ele é o des- O relacionamento com os usuários dos dados conhecimento: “em qualquer projeto, em qualquer abertos é valorizado pela coordenação do projeto. organização, a falta de entendimento do propósi- Desde o início, houve reuniões com representantes to constitui a principal ameaça quando se trata de do grupo Transparência HackDay e do Campus Par- projetos inovadores”. ty. “Estamos sempre presentes nas reuniões sobre Outras iniciativas utilizando as ferramen- dados abertos organizadas pelo W3C, junto a essas tas sociais da web pelo governo de São Paulo comunidades, de onde surgem demandas e suges- estão nos endereços www.igovsp.net e www. tões tanto da sociedade quanto do governo. Além igovbrasil.com. “Inclui, além de blogs, canais disso, temos um canal de comunicação no portal e de vídeo, Facebook, Twitter e demais ferramen- destinamos uma área aos desenvolvedores para pu- tas que ajudam na gestão do conhecimento e no blicação de seus aplicativos.” estímulo à inovação”, conclui.48 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 47. Rede de inovação POLOS DE INOVAÇÃO em Minas Januária Janaúba Salinas Montes Almenara Claros Pirapora Araçuaí TeófiloO Diamantina Otoni Teia MG – Tecnologia, Empreendedorismo e Inovação Aplicados – é uma plataforma criada pela Secretaria de Estado de Ciência,Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais (Sec-tes), com o objetivo de facilitar o acesso da populaçãode Minas Gerais às novas tecnologias disponíveis nainternet, as ferramentas da web 2.0. A partir de uma Divulgaçãorede social na internet, conceitos, metodologias, pro-cessos e conhecimentos sobre as melhores práticas eferramentas disponíveis na infraestrutura da nuvemcomputacional da internet são compartilhados entreas pessoas que participam da rede. O projeto é um dos principais pilares de sus- As cidades que formam a Plataforma Polostentação da plataforma Polos de Inovação do Norte de Inovação são Teófilo Otoni, Januária, Janaúba,e Nordeste de Minas Gerais, criada pelo governo Pirapora, Salinas, Araçuaí, Montes Claros, Alme-mineiro com o objetivo de identificar e fortalecer a nara e Diamantina.infraestrutura de inovação e capacitação de recur- A plataforma busca concentrar nas princi-sos humanos concentrados territorialmente, como pais cidades-polo da região massa crítica voltadacondição essencial para o desenvolvimento susten- à inovação e empreendedorismo, como pesquisa-tável. O projeto do governo mineiro é coordenado dores, professores, tecnólogos, técnicos de nívelpela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e médio e operários especializados e estruturas deEnsino Superior (Sectes). ensino e pesquisa. Segundo a agente do projeto Teia Oade An- Segundo a agente Teia Oade Andrade, quedrade, a plataforma Polos de Inovação busca pro- coordena as ações Teia nos Polos de Inovação, “omover o salto necessário para a alteração das dinâ- projeto procura trabalhar em sintonia com as comu-micas de desenvolvimento no Norte e Nordeste de nidades onde atua e por isso busca fomentar inicia-Minas, visando à aceleração do fluxo de informa- tivas que atendam às demandas priorizadas com ação, conhecimento, tecnologia e inovação. “A ini- participação das lideranças locais”. Para isso, capa-ciativa traz reflexos positivos à economia regional, cita mediadores de rede em todos os municípios nacom a geração de vagas de emprego e de renda e utilização da infraestrutura de internet, redes sociaisapoia a adequação das políticas públicas através de e ferramentas da web 2.0. Nessa perspectiva, entraum grande esforço de inovação, sempre ancorado o projeto Teia – Tecnologia, Empreendedorismo eem sólidas estruturas de capacitação de recursos hu- Inovação Aplicados –, o braço tecnológico da plata-manos, pesquisa e desenvolvimento.” forma Polos de Inovação.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 49
  • 48. ao final do curso, os novos agentes Teia forma- ACS/Sectes dos consigam identificar possibilidades de novos negócios utilizando as redes sociais.” Participam da rede prestadores de serviços e de informações, que, usando ferramentas da web 2.0, auxiliam em- presas, escolas, associações, sindicatos, departa- mentos governamentais e todos os participantes das comunidades locais em seus projetos na inter- net, com o objetivo de promover a inovação nos processos econômicos, políticos e sociais. Durante o curso, o agente Teia aprende sobre a construção de sites e redes sociais com hospedagem gratuita na internet, a transmissão ao vivo de eventos, comercialização e divulgação Curso Teia no CVT em Diamantina de produtos e serviços na internet, ferramentas de gestão interna: portfólio, estatísticas, dentre vários outros recursos que possibilitam aos pe- O Projeto Teia quenos negócios a busca e alcance de mercados O projeto é destinado a pessoas de todas as inexistentes anteriormente. idades e diferentes segmentos que queiram apren- der a usar as novas tecnologias, prestando serviços Dia Teia como um empreendedor digital, ou simplesmente Para angariar cada vez mais pessoas em sua utilizando as tecnologias para melhorar o seu em- rede, a equipe do projeto criou o Dia Teia, uma preendimento atual, independentemente de sua na- mobilização com palestras e cursos práticos, reali- tureza. Embora com sua atuação focada em Minas zado nas comunidades na área de atuação do proje- Gerais, a rede está aberta a qualquer interessado. to. No Dia Teia, são capacitados grupos de jovens Esse conhecimento é disseminado de forma em conteúdos voltados para o empreendedorismo, colaborativa através de redes sociais e microblogs, com o uso de ferramentas digitais. e por meio das parcerias e compartilhamento de “O grande diferencial do Dia Teia é reunir os experiências em videoconferências pelos Centros agentes disseminadores dos oito Polos de Inovação Vocacionais e Tecnológicos (CVTs); o projeto e fazer um mutirão para capacitar os jovens”, ex- promove ainda treinamentos presenciais nos Po- plica Oade Andrade. Em apenas um dia é possível los de Inovação, que ampliam esse conhecimento capacitar cerca de 450 a 500 jovens. para todo o Norte de Minas por meio dos agentes Teia. O agente Filipe Soares acrescenta que o ob- O curso tem a duração de quatro horas e o jetivo é melhorar as condições de conteúdo é dividido em 1h30 de pa- lestra, que aborda o uso da internet ACS - SECTES/MG ACS-SECTES/MG vida e o quadro social das diversas regiões do Estado através da tecno- nos meios de comunicação e produ- logia. Criado há dois anos, o pro- Curso Teia: ção da sociedade, o empreendedo- grama já capacitou mais de dez mil Tecnologia,Teia: Curso rismo através da internet e os pri- Empreendendorismo e pessoas no Estado. Tecnologia, Inovação Empreendedorismo meiros passos para participação no Aplicados Na capacitação promovida e Inovação Aplicados universo da web 2.0. Segundo Oade pelo projeto, os interessados apren- Andrade, os jovens são convidados dem como utilizar as ferramentas e d o pe la a refletir sobre esses temas por meio ifica aplicativos tecnológicos da internet, SEC Acesse: TES Cert da demonstração de casos de suces- com enfoque na necessidade de ino- www.teia.mg.gov.br www.tecnologia.mg.gov.br so em slides e vídeos. “Nas outras var e de despertar o lado empreende- 2h30, são efetuados os cadastros dor das pessoas. “O objetivo é que, Local: Data: Horário: Contato: dos novos agentes na rede Teia e Acesse: www.teia.mg.gov.br www.tecnologia.mg.gov.br50 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 49. ensinadas ferramentas gratuitas da web 2.0, como O objetivo da rede é atuar fortemente naredes sociais, Twitter, blogspot, u-stream, recursos promoção da inclusão social, oferecendo cursos dedo Google, entre outras. Ao concluir o curso, o capacitação, respeitando a vocação econômica deagente Teia é certificado pela Sectes.” cada região. São verdadeiros centros de formação De acordo com o público de cada curso, o profissional que oferecem cursos a distância e pre-agente Teia do Polo faz as necessárias adequações senciais. Eles são procurados, principalmente, porno conteúdo. “São várias as perspectivas que po- jovens em busca do primeiro emprego.dem ser exploradas com a adaptação do curso para A rede conta com 571 unidades interligadasque o mesmo seja interessante e principalmente em banda larga, representadas por 84 CVTs e 487útil e aplicável: transmissões ao vivo, mídia, pro- telecentros, e 4.500 microcomputadores conecta-paganda, marketing, e-commerce, pesquisas de dos. O projeto alcança mais de 360 municípios emercado, formação e construção coletivas, dentre soma mais de 500 mil cidadãos certificados emoutras inovações.” Oade explica ainda que através cursos presenciais e a distância, além de 1 milhãoda web os pequenos negócios ampliam suas pers- de pessoas beneficiadas com o acesso à internet.pectivas de propaganda, vendas, parcerias, mídia, Já foram investidos, em sua estrutura, mais demarketing, aprendizagem e inovação. “Esse curso está ligado a um projeto muito R$ 130 milhões, recursos provenientes do governogrande e ousado do governo de Minas, e quer dar de Minas e do Ministério da Ciência e Tecnologiaa oportunidade para que todos os mineiros possam – MCT –, por meio de emendas parlamentares. Osnavegar mundo afora”, completa a superintendente CVTs são utilizados também para videoconferên-de Ciência, Tecnologia, Ensino Superior e Inova- cias, expandindo conteúdos para outras comunida-ção Ambiental da Sectes, Dea Fonseca. des além das cidades Polos de Inovação. A visita de todos os agentes Teia traz grande ACS-SECTES/MGimpacto à comunidade e desperta o interesse pela : Aprender Fazend o Iluminação Digitalrede Teia. Ao final do dia, é feito o cadastro decentenas de novos agentes, que continuarão suaformação na rede e a fortalecerão localmente. Os a TEIA: Tecnologia, através do program tas da web 2.0,cursos são realizados simultaneamente em todos foi capacitado a utilizar as ferramen o e Inovação Apli cados. O curso tem carga horá ria de 4 horas e foi ministrado Empreendedorismos laboratórios disponibilizados no município, pelo agente TEIA da Plataforma Polo s de Inovação.com alunos das escolas públicas ou particulares,universitários e profissionais liberais de várias Narcio Rodrigues ior logia e Ensino Super de Ciência, Tecno Agente TEIA - Instru tor Secretário de Estadoáreas. São realizados nos laboratórios de infor- ACS/Sectesmática ou telecentros disponíveis nas cidades enos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs),da Sectes, além de escolas da rede pública ouparticular de cada município. Os novos agentesrecebem certificados do curso.CVTs A Rede de Centros Vocacionais Tecnológi-cos (CVTs) é um projeto criado em 2004 pelo go-verno de Minas e administrado pela Secretaria deEstado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior(Sectes), para ampliar as políticas de inovação so-cial como instrumentos de formação da cidadania. Jovens na cerimônia de entrega de certificados TeiaDezembro de 2011 Fonte Fonte 51
  • 50. Redes sociais e a organização da aprendizagem Divulgação Guttenberg Ferreira Passos* N o início da década de 20 do século passado, um A primeira diferença importante entre a concep- grupo de pesquisadores iniciou um estudo sobre ção inicial de auto-organização em cibernética e os mo- os padrões e as maneiras pelas quais as diferen- delos posteriores, mais elaborados, está no fato de que tes partes de um sistema estavam organizadas. E fizeram estes últimos incluem a criação de novas estruturas e uma descoberta excepcional: não importa o quão diferen- de novos modos de comportamento no processo auto- te pareçam ser os componentes de um sistema, eles se organizador. Para Ashby, todas as mudanças estruturais organizam sempre de acordo com as mesmas regras. possíveis ocorrem no âmbito de um dado “pool de va- Para Capra, em sua obra A Teia da Vida, existe riedades” de estruturas, e as chances de sobrevivência um padrão de organização, comum a todos os sistemas do sistema dependem da riqueza ou da “variedade ne- vivos, cuja propriedade mais importante é a de que é um cessária” desse pool. Os modelos posteriores incluem padrão de rede. Onde quer que encontremos sistemas vi- a criação de novas estruturas e de novos modos de vos, organismos ou comunidades, podemos observar que comportamento nos processos de desenvolvimento, de seus componentes estão arranjados à maneira de rede. aprendizagem e de evolução. Sempre que olhamos para a vida, olhamos para redes. A aprendizagem tornou-se uma das habilida- Na década de 50, os cientistas começaram a des-chave para sobrevivência e desenvolvimento das construir modelos de redes binárias e descobriram que, organizações modernas. Alguns modelos gerenciais depois de um breve tempo de movimento aleatório, al- apresentam-se visando melhorar as capacidades de guns padrões ordenados passavam a emergir na maioria aprendizagem das organizações. Alguns tratam da das redes. Eles viram ondas de cintilações percorrerem questão estrutural; outros, da questão comportamental. a rede, ou observaram ciclos repetidos. Mesmo que o Um desses vem recebendo interesse especial, estado inicial da rede fosse escolhido ao acaso, depois pela sua ênfase no elemento humano nas organizações: de certo tempo esses padrões ordenados emergiam es- o modelo da Quinta Disciplina, de Peter M. Senge, por pontaneamente, e foi essa emergência espontânea de or- ter como pressuposto que as organizações são em es- dem que se tornou conhecida como “auto-organização”. sência produto do pensar e interagir dos seus membros, Os resultantes modelos de sistemas auto-orga- sugerindo que a sua transformação passa por mudanças nizadores compartilham certas características-chave, fundamentais nas formas como as pessoas pensam e que são os principais ingredientes da emergente teoria interagem. A inovação no campo do comportamento unificada dos sistemas vivos. humano tem seus componentes chamados de “discipli-52 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 51. nas”. Disciplina, nesse contexto, significa “um conjun- ou seja, estão sujeitas a mudanças no tempo. As-to de técnicas que devem ser estudadas e dominadas sim, o reconhecimento da historicidade própria depara serem postas em prática”. uma rede social é fundamental para a análise de sua O raciocínio sistêmico é a quinta disciplina, emergência e manutenção.pois é a disciplina que integra as outras quatro: A terceira característica da auto-organização,objetivo comum para conseguir um engajamento comum a todos os modelos, é a interconexidade nãoem longo prazo; modelos mentais para detectar linear dos componentes do sistema. Fisicamente,as falhas na nossa maneira atual de ver o mundo; esse padrão não linear resulta em laços de realimen-aprendizado em grupo para que as pessoas pos- tação; matematicamente, é descrito por equaçõessam enxergar além dos limites das suas perspecti- não lineares.vas pessoais; e domínio pessoal para nos motivar Resumindo essas três características dosa pesquisar continuamente como as nossas ações sistemas auto-organizadores, podemos dizer que aafetam o mundo em que vivemos. auto-organização é a emergência espontânea de no- Uma segunda característica comum desses vas estruturas e de novas formas de comportamentomodelos de auto-organização está no fato de que em sistemas abertos, afastados do equilíbrio. A con-todos eles lidam com sistemas abertos que ope- cepção emergente sobre a vida e a auto-organizaçãoram afastados do equilíbrio. É necessário um fluxo pode nos levar a aplicar esses padrões a novas teoriasconstante de energia e de matéria através do sistema como a de sistemas dedicados à criação, desenvolvi-para que ocorra a auto-organização. A surpreenden- mento e manutenção de redes sociais, cujo objetivote emergência de novas estruturas e de novas formas central da montagem e sustentação dessas redes éde comportamento, que é a “marca registrada” da precisamente a construção colaborativa e o compar-auto-organização, ocorre apenas quando o sistema tilhamento de conhecimentos.está afastado do equilíbrio. Esse fluxo pode ser observado no estudo daformação de redes sociais, de Sílvio Meira, em quese trata de forma central o problema da interaçãohumana. Perspectivas tais como a Análise Intera-cional e a teoria dos Sistemas Dinâmicos oferecemum conjunto de conceitos potencialmente muitorelevantes para a compreensão de redes sociais.Três desses conceitos, brevemente descritos a se-guir, são especialmente importantes para a reflexão Referênciasacerca da emergência e manutenção de redes so- ASHBY, ROSS. lntroduction to Cybernetics. John Wiley,ciais. São eles: Nova York, 1956. • Colaboração: tendência dos indivíduos, CAPRA, Fritjof. A Teia da Vida: Uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. São Paulo: Editora Cultrix, 1996.quando organizados em grupos, de desempenhar MEIRA, Silvio. Redes Sociais Colaborativas. Disponível em:ações de forma coordenada (orquestração), com- http://www.lead.org.br/filemanager/download/321/redes-partilhando estratégias de produção de significados sociais.pdf. Acesso em: 1º março 2011.e negociação de objetivos; SENGE, P. M. A Quinta Disciplina: Arte e Prática da Organi- • Auto-organização: ideia segundo a qual, zação de Aprendizagem (2nd ed.), São Paulo: Editora Best Seller Círculo do Livro (trabalho original publicado em 1990).uma vez estabelecido um nível mínimo de colabo-ração entre os participantes de um grupo social, oconjunto de interações possíveis e seus efeitos no *Guttenberg Ferreira Passossistema não obedecem a causas centrais, sendo, ao Graduado em Administração pela Associação Internacio-invés disso, distribuídos ao longo da rede; nal de Educação Continuada (AIEC); pós-graduado em • Mudança: redes sociais colaborativas e Administração Pública (Posead). Analista da Prodemge,auto-organizadas possuem um caráter evolutivo, atuando na Gerência de Desenvolvimento Organizacional .Dezembro de 2011 Fonte Fonte 53
  • 52. O corpo como tecnologia Divulgação Maria Christina Almeida Barra* “Toda a biologia seria diferente se tivessem escolhido a imagem do mycelium como o protótipo do exemplar do organismo vivo. A biologia se basearia na fluidez do processo da vida.” Alan Rayner apud Tim Ingold, 2011 Q uando se pensa em redes sociais, o que Dádiva, o antropólogo Marcel Mauss (2003) suge- vem à cabeça são tecnologias. Tecnolo- re, aqui e acolá e “de uma ponta a outra da evolução gias diversas, um tanto de “coisas” que humana”, um princípio de vida, “que sempre foi um se conectam simultaneamente. A palavra “coisas” princípio e sempre o será: sair de si, dar, de maneira vem aqui trazer a ideia das pessoas e das coisas livre e obrigatória”. Estudos mais recentes sobre po- não como seres previamente diferenciados, mas pulações tradicionais de nossas terras e de além-ma- como seres que se produzem e assim se diferen- res apontam para a ideia da pessoa na relação. Para ciam a partir do potencial dinâmico e transfor- as sociedades da Melanésia, propõe-se que só se mativo das relações. Dentre essas “coisas”, o que conhece uma entidade viva pelas relações que man- este texto se propõe a destacar é o corpo. O corpo tém com outra e consideram-se as relações como das pessoas que, assim como todas as outras “coi- metamorfoses de outras, o que destitui a pessoa de sas”, anima o que, hoje, chama-se rede social. sua posição central, ou seja, não há um sujeito-ator Mesmo que esse corpo por vezes não apareça e que cria e age em conformidade ao determinado permaneça na ideia do “sujeito abstrato”, ou mes- pelas relações (STRATHERN, 2006). Essa ideia da mo que se mostre na ideia de “perfil” em corpos construção das pessoas nas relações é também en- diversos, variáveis e mutáveis – próprios avata- contrada por aqui. Para as sociedades ameríndias, res –, ele sempre está ali, por detrás, entre, ao propõe-se algo parecido. A teia parece ser destituída lado, com e à frente das tecnologias. Dessa for- de um centro, “há algo como a produção recíproca ma, participante de um mundo constantemente do corpo e do mundo” (LIMA, 2002). É interessan- em formação, o corpo não deixa de ser também te notar que, na literatura antropológica ameríndia, uma tecnologia, uma tecnologia das relações. os termos nativos frequentemente utilizados na Não é de agora, pois já data de muito tempo tentativa de apreensão da noção de “corpo” quase (haja vista que são chamadas, ainda hoje, de popu- nunca especificam a ideia de um corpo físico, na- lações tradicionais), que se considera o aspecto re- tural e dado, e na maioria das vezes não se referem lacional das pessoas. Em seu texto Ensaio sobre a apenas ao homem. São termos que estão mais para54 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 53. princípios que se referem à construção de pessoas e uma cor que se vê ou uma superfície que se apalpa,fabricação de corpos (SEEGER; DA MATTA; VI- são conjuntos de cores ou superfícies habitadas porVEIROS DE CASTRO, 1979) – lembrando aqui um tato, por uma visão. Diante da experiência sen-que pessoas são também animais, plantas, objetos e sível, a percepção não se apresenta como um acon-os diversos seres que compõem o universo de cada tecimento pronto e definido, mas, sim, “a cada mo-população indígena –, do que para a especificação mento como uma re-criação ou uma re-constituiçãodo que é um corpo humano. São conceitos que pro- do mundo”. Na atualização do campo perceptivo,duzem uma ação no mundo. as sensações se apresentam como a possibilidade Até aqui, já é tempo de se perguntar o que de uma relação viva daquele que percebe com seutodo esse universo indígena ou das populações tra- corpo e com seu mundo. Esse campo perceptivodicionais tem a ver com as redes sociais e com a abrange todos os sistemas de relações no processoideia do corpo como tecnologia. Até aqui também sensorial, na elaboração das ideias e na emergênciajá foi possível perceber um movimento de ação, ou de sentidos e significações, o que constitui o saber:melhor dizendo, de produção de um mundo. É esse “todo saber se instala nos horizontes abertos pelao link. É pensar não em um mundo passível de ser percepção”. Essa abertura, na consideração do quepercebido, congelado em formas e ideias, mas se permeia, do tecido conjuntivo, do interstício quejuntar aos fluxos e aos movimentos que contribuem sustenta e que possibilita a visibilidade, apresentapara sua, e dessa forma também para a nossa, con- um campo de possibilidades ainda não conhecidas.tínua formação. A começar por “desmanchar” nossa Nas palavras de Merleau-Ponty: “se nós nos pusés-ideia de corpo. Hoje, são várias as teorias que pro- semos a ver como coisas os intervalos entre as coi-põem a noção de multiplicidade e, especificamente sas, o aspecto do mundo seria mudado de maneiraao se falar sobre corpo, ou organismo, não trazem tão sensível... Não seriam mais os mesmos elemen-mais a imagem de um objeto fechado, que contém tos ligados de outra maneira, as mesmas sensaçõesa si mesmo e que se desloca por ele mesmo de um diferentemente associadas, o mesmo texto investidolugar para o outro. O antropólogo Tim Ingold em de um outro sentido, a mesma matéria em uma outraseu livro Being Alive (2011) propõe, para o orga- forma, mas verdadeiramente um outro mundo”.nismo, a imagem de uma rede de linhas de fluxo A experiência sensível faz, então, do corpo,que se ramificam continuamente num movimento uma tecnologia.perpétuo de crescimento. É a imagem de um inters-tício de possibilidades com um livre trânsito entreelas e que nas relações, nos encontros e nas misturas Referênciasproduzem as “coisas”, formam os corpos. O limite INGOLD, Tim. Being Alive: essays on movement, knowledgecorporal dado pela pele não é mais um contorno que and description. London: Routledge, 2011.fecha e contém. Ao contrário, esse limite se dá pelo LIMA, Tânia Stolze. O que é um corpo? Religião e Sociedade, Riofluxo contínuo de “coisas” através dele. Em outras de Janeiro, v. 22, n. 1; 9-20, 2002.palavras, pode-se dizer que a pele “vaza”, é translú- MAUSS, Marcel. Sociologia e Antropologia. São Paulo: Cosac & Naify, 2003 [1929].cida, é aberta. É por essa abertura que se vê, que se MERLEAU PONTY, Maurice. Fenomenologia da Percepção. Sãoouve, que se sente e que se percebe. Paulo: Martins Fontes, 1999. Foi o filósofo Maurice Merleau-Ponty que SEEGER, Anthony; DA MATTA, Roberto; VIVEIROS DE CAS-deu especial atenção ao processo perceptivo. Em TRO, Eduardo. A construção da pessoa nas sociedades indíge-seu livro Fenomenologia da Percepção, destaca a nas brasileiras. Boletim do Museu Nacional (Antropologia),importância da relação entre as coisas e o corpo na Rio Janeiro, 1979. p. 32:2-19forma de ser no mundo. Nessa relação do corpo com STRATHERN, Marilyn. O Gênero de Dádiva: problema com as mulheres e problemas com a sociedade na Melanésia – Cam-as coisas, encontra-se a percepção e esta, “a percep- pinas, SP: Editora da Unicamp, 2006.ção que talvez não seja ‘em minha cabeça’, não estáem parte alguma a não ser em meu corpo como coi- *Maria Christina Almeida Barrasa no mundo”. Ao perceber a mão que toca e a mão Fisioterapeuta, com especialização em Filosofia esendo tocada, o sujeito passa ao nível do tocado, Existência e mestra em Antropologia Social.desce às coisas, faz-se mundo. Muito mais do que Especialista e formadora do método Resseguier.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 55
  • 54. Versão 4: um paradigma Divulgação Paulo César Lopes* “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.” Darwin T odos que viviam no século passado de- ocorreu com a definição do protocolo adotado na vem se lembrar das previsões do fim do internet – o TCPIP – e seu endereçamento. mundo. Assim também aconteceu no Um dos grandes problemas para a total im- mundo das tecnologias da informação e comu- plantação da versão 6 do TCPIP, o IPv6, é, justa- nicação (TICs). Um ano antes da passagem de mente, a superação dos paradigmas atuais. De forma século, o Bug do Milênio assustava um grande geral, os técnicos são apegados aos padrões e visões grupo de profissionais de tecnologia. Muitos que são construídos e internalizados por meio da te- apontaram a possibilidade de paralisação de to- oria, experiência e vivência de cada um dos grupos das as atividades produtivas que dependessem de indivíduos que estão envolvidos direta ou indire- de TIC no primeiro minuto de 2000; outros de- tamente com a rede. Tais estruturas e conceitos de- sacreditavam na capacidade técnica para elimi- terminam a segurança e o conforto dos responsáveis nar ou contornar os possíveis problemas. pelas diferentes redes que formam a internet. A tecnologia sempre surpreende e quase A verdade é que o ser humano é apegado ao sempre demonstra o quão limitados somos ao vi- princípio da continuidade e da estabilidade das so- sualizar o futuro. Alguns previam que não passaria luções. Assim ocorreu com a própria definição do de dezenas o número de computadores no mundo. TCPIP e seu esquema de endereçamento. Pensou- E, muito antes, o telefone fora relegado por gran- se muito, quando da sua idealização, na disponibi- de parte da população. Brincam os americanos lidade da rede e nos seus processos de roteamento que os ingleses diziam que era um utensílio dis- perante problemas em nós do backbone. O principal pensável, já que possuíam um número suficiente objetivo era disponibilizar sempre caminhos alter- de mensageiros. nativos. Mas nunca se imaginou que vários equi- Mas a grande verdade é que somos pessoas pamentos ganhariam “inteligência”; que, além dos apegadas ao conforto e à segurança, somos natural- computadores, fornos domésticos, telefones, siste- mente atrelados aos paradigmas de nossas épocas, mas de iluminação e muitos outros fariam parte da e muitos de nós não pensamos além deles. Assim grande rede e em tão pouco tempo. Poucos previ-56 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 55. ram que rapidamente a rede não mais seria capaz de trutura e principalmente os DNS (Domain Nameabsorver novos nós e pontos de acesso. Server). Mas em grandes revoluções tecnológicas A tecnologia está diretamente atrelada à ino- sempre existirá o legado, e este deverá ser con-vação e, como tal, é revolucionária. A cada minuto vertido ou migrado para o novo paradigma. Logo,uma novidade surge para sucatear uma versão e visão existirá um período de convivência. Ambos, IPv4tecnológica antiga. Aprende-se, porém, com o tem- e IPv6, terão que conviver por um tempo ainda in-po, que se deve aproveitar ao máximo uma boa ideia, determinado, e é impossível assinalarmos a datamesmo sendo ela superada por uma de banimento da versão 4 das redesmais moderna e eficiente. As ideias “UM DOS GRANDES mundiais. Assim acontece nas mu-geralmente não são revolucionárias; problemas para a danças de paradigmas na ciência, quesão normais, como diria Thomas se consolidam apenas quando o últi-Khun. Na ciência, tal particularidade total implantação da mo cientista defensor se converte oufoi muito bem explicada por ele no versão 6 do TCPIP, deixa de atuar como cientista.seu A Estrutura das Revoluções Cien- o IPv6, é, justamen- Hoje o IPv4 ainda está muitotíficas. Ele defende, nessa obra, que as vivo e pode acontecer uma sobrevida,rupturas são fundamentais para a evo- te, a superação dos como já aconteceu antes (Proxy, NAT,lução da humanidade, mas que sem- paradigmas atuais.” endereços inválidos), devido ao inte-pre existiram e existirão paradigmas resse de alguns técnicos em se manterconservadores. Para ele, todo cientis- no paradigma atual e explorar as opor-ta tende a ser conservador, pois é humano e deseja tunidades que possam ainda aparecer: por exem-de maneira inconsciente a manutenção do status quo. plo, negociando equipamentos e endereços V4 paraE os paradigmas propiciam tais necessidades, já que manter aplicações e soluções que funcionam muitoconsolidam certa resistência às mudanças, principal- bem hoje.mente no modo e na vida profissional. Assim ele de- E, possivelmente, o IPv4 será definitiva-finiu o “princípio da tenacidade”. mente enterrado quando o último equipamento Khun também desenvolveu em sua obra a que apenas o suporta for substituído. Data aindaideia do “princípio da incomensurabilidade”. Tal impossível de ser vislumbrada. Mas já podemosprincípio define que paradigmas diferentes estabe- pensar que nossos filhos logo estarão criticando oslecem uma visão muito distinta de mundo, de modo 128 bits e o IPv6, e quem sabe possamos assistir aque não podem ser comparados. A mudança do ta- seu funeral.manho do endereçamento, a princípio singelo paraos leigos, demonstra uma nova visão do mundo TC-PIP em TIC, um novo paradigma que retrata a pos-sibilidade de qualquer equipamento elétrico e ele-trônico fazer parte de uma única e gigantesca rede.Tais visões não podem ser comparadas. Algunssimplistas já afirmaram que “mudar de paradigmaé como escolher uma nova ferramenta para realizarum velho trabalho”, mas, além da mudança de ende-reçamento de 31 bits (231=4294967296 endereços)para 128 bits (2128=340282366920938463463374607431768211456 endereços), existem outras facetase dificuldades que demonstram que o problema não *Paulo César Lopesé trivial, e não se trata apenas do aumento da capa- Bacharel em Computação, Administração e Direito.cidade de endereçamento. Pós-graduado em Ciência da Computação Tal estruturação já afeta e afetará não só as e em Direito Público.aplicações como também as soluções de infraes- Especialista em sistemas operacionais e redes na Prodemge.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 57
  • 56. O uso de ferramentas de mineração de texto para modelar significados Divulgação em Redes Sociais Inclusivas Júlio César dos Reis Doutorando em Ciência da Computação na Faculdade de Ciências da Universidade de Paris XI (França) e pesquisador no CRP Henri Tudor (Luxembourg). Mestre em Ciência da Computação e graduação pela Unicamp. Tem interesse de pesquisa nas áreas de Web Semântica, Engenharia de Conhecimento e Interação Humano-Computador. Divulgação Rodrigo BonacinPossui graduação e mestrado em Informática pela UFPR, doutorado emCiência da Computação pela Unicamp e pós-doutorado no CRP Henri Tudor.Atualmente é pesquisador do CTI Renato Archer e professor da FaculdadeCampo Limpo Paulista. Atua em projetos de pesquisa em Interação Humano-Computador, Web Semântica e Informática Médica. Divulgação Maria Cecilia C. Baranauskas Professora titular no Instituto de Computação, Unicamp. Bacharel e mestre em Ciência da Computação e doutora em Engenharia Elétrica pela Unicamp. Honorary Research Fellow na Staffordshire University e Visiting Fellow na University of Reading, UK. Seus interesses de pesquisa têm foco na Interação Humano-Computador, análise, design e avaliação de sistemas societários. RESUMO Representações dos significados que as pessoas usam em Redes Sociais On-line (RSO) podem ser um fator determinante no desenvolvimento de mecanismos de busca semânticos adequados. A identificação de conceitos que advêm dos dados das RSO é ainda mais relevante para Redes Sociais Inclusivas On-line (RSI), que pressu- põem o respeito à diversidade de usuários, incluindo aqueles em processo de alfabetização digital. Este trabalho estuda ferramentas para extrair conceitos em RSI visando à concepção de uma estratégia para auxiliar na cons- trução de ontologias que modelem a semântica compartilhada na rede social. O processo de extração aponta resultados que demonstram a importância da aplicação de métodos apropriados ao contexto considerado.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 59
  • 57. Introdução No contexto deste trabalho, tegração semântica entre wikis e genheiros de ontologias. A análise Redes Sociais Inclusivas On-line busca em sistemas de redes sociais, e escolha das ferramentas para o (RSI) são entendidas como redes tendem, cada vez mais, a utilizar experimento são baseadas nas ca- sociais mediadas por sistemas com- dos artefatos da web semântica [3] racterísticas dos dados presentes putacionais, nas quais cada pessoa para oferecer serviços melhores. na rede, considerando que o idioma pode integrar grupos e interagir A modelagem do conhecimento é o português e há uma grande di- para produzir elementos que po- para essas aplicações semânticas versidade de assuntos no conteúdo dem ser compartilhados [1]. Essas pode ser feita por meio das onto- da rede. Devido à dificuldade de diferem de outras Redes Sociais logias computacionais. Gruber [5] encontrar ferramentas de análise On-line (RSO) pela atenção espe- define ontologia, no contexto da linguística nesse idioma, a maioria cial aos aspectos ligados ao aces- Ciência da Computação, como das ferramentas e técnicas utiliza- so universal (no sentido de serem uma especificação formal de um das neste trabalho é de base estatís- para todos em sua maior extensão conjunto de conceitos e suas rela- tica, que não necessita de anotações possível), onde cada funcionalida- ções, que fornece descrições so- complexas no texto. Ferramentas de do sistema é desenhada conside- bre conhecimento. especialmente projetadas ao idio- rando a diversidade e as diferenças A construção de ontologias ma português com abordagens hí- de competência das pessoas, por usualmente é uma tarefa difícil e bridas também são analisadas. exemplo, no seu letramento. demorada que necessita combinar O objetivo deste artigo é ana- Mecanismos de busca em RSI o conhecimento de especialistas lisar o potencial de ferramentas devem considerar esse contexto na área com a habilidade e experi- existentes para auxiliar na constru- em que não se pode pressupor um ência de engenheiros de ontologia ção de ontologias que representem usuário familiarizado com os algo- em um esforço único. A identifi- significados compartilhados pelos ritmos de busca na web. Esses me- cação de conceitos e a descoberta usuários da rede social, i.e., para canismos deveriam considerar os de relações semânticas entre con- criar a ontologia a partir dos dados significados compartilhados pelos ceitos é um problema abordado na reais da rede social. Não se pre- indivíduos na rede social, podendo área de aprendizagem de ontolo- tende verificar qual a melhor fer- assim propiciar resultados de busca gias (Ontology Learning). A litera- ramenta isoladamente, nem propor mais relevantes. O conhecimento tura relata tentativas de desenvol- um método para geração automáti- do domínio, no qual mecanismos ver aprendizagem de ontologias a ca de ontologias, contudo, explorar semânticos usualmente estão fun- partir de textos e.g. [6] e também como essas ferramentas podem ser damentados, deveria ser baseado a partir de marcações semânticas utilizadas de maneira conjunta em em atividades da rede social; isso (tags) e.g. [7]. Todavia, as solu- um processo. Este trabalho apre- inclui dar ênfase à linguagem lo- ções ainda são intrinsecamente re- senta uma extensão e evolução da cal e cotidiana das pessoas que lacionadas e dependentes de con- investigação inicialmente apre- utilizam a rede e se organizam em textos e domínios bem definidos, sentada em [15]. Este artigo está comunidades. Para isso, são ne- em idiomas específicos. organizado da seguinte forma: a cessárias ferramentas e técnicas Este trabalho analisa a aplica- segunda seção apresenta o contexto que permitam efetuar extração e ção de possíveis ferramentas para e motivação para esse estudo, bem mineração dos dados do sistema, a identificação de termos relevan- como as ferramentas analisadas; a de modo a descobrir e modelar a tes e relações semânticas em dados terceira seção apresenta uma ava- semântica compartilhada pelas pes- de uma RSI. O artigo apresenta um liação prática de seu uso, enquanto soas na rede social [2]. experimento elaborado com dados que a quarta seção apresenta uma Funcionalidades em aplica- reais da RSI VilanaRede1 e a sua discussão e a quinta seção conclui ções da web social [4], como in- avaliação junto a prospectivos en- o artigo. 1 www.vilanarede.org.br60 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 58. Modelando os significados compartilhados em RSI O acesso à informação pode ser custosa e demorada, o que inviabiliza sente nesses sistemas (i.e. os anúncios)facilitado se buscarmos soluções que a sua execução manual. tende a ser heterogêneo com relaçãoacatem a linguagem coloquial, os Neste artigo, os textos considera- a: assunto dos conteúdos, formas deregionalismos e outras riquezas da dos são conteúdo da RSI VilanaRede. expressão, linguagem dos usuários,linguagem humana, uma vez que os Os usuários dessa RSI são majorita- idade, limitações físicas e sensoriais,usuários, principalmente aqueles com riamente pessoas brasileiras, falantes identidade, entre outros fatores. Essesbaixo letramento, utilizam termos de da língua portuguesa e em fase de le- anúncios são diversificados quanto aosua vida cotidiana que fazem sentido tramento digital. O conteúdo criado a conteúdo, como: a venda de produtosa eles, mas nem sempre são parte da partir desse sistema forma um corpus artesanais variados, comida, produtoslíngua culta ou formal [2]. A extração de referência que é constituído por de informática, serviço de advocacia,de termos e possíveis conceitos, junto conteúdos de diversas áreas e assun- eventos incluindo debate sobre educa-à descoberta de relações semânticas, é tos (anúncios de produtos, serviços, ção e festas juninas; assim como ideiaspasso fundamental e necessário para a ideias), tornando-se independente de que incluem receitas, conscientizaçãorepresentação semântica, construindo um domínio específico. Assim, o de- ambiental, dicas de saúde, entre ou-ontologias com os significados com- safio está em efetuar o processamento tros. Tal fato tende a dificultar o êxi-partilhados em RSI. Segundo Šimko de texto em um domínio não fechado e to dos métodos clássicos de extração& Bieliková [8], a identificação de diverso. O aprendizado de ontologias de ontologias dependentes de línguasconceitos e seus relacionamentos é a partir de redes sociais tem sido ex- específicas e contextos bem definidos.crucial para a criação de ontologias, plorado em alguns trabalhos na litera- O estudo sobre ferramentas e técnicasmas infelizmente a identificação ma- tura (e.g. 7, 9). Contudo, um estudo no para a extração de semântica (termosnual é uma tarefa tediosa mesmo para contexto de RSI ainda não foi encon- e relações) a partir desses dados dapequenos domínios. Para domínios trado na literatura. RSI poderá gerar ontologias mais re-dispersos e com grande volume de Uma vez que o objetivo de uma presentativas, que serão utilizadas pordados, essa tarefa se torna ainda mais RSI é ser para todos, o conteúdo pre- uma busca semântica na rede.Ferramentas e extração de conceitos Kea. O Kea [10] é um software tificação de candidatos e a seleção dos também opcionalmente algumas me-utilizado para efetuar extração auto- termos-chave. Após a identificação dos didas numéricas. O processo de extra-mática de termos-chave (keyphrases). candidatos, o algoritmo aplica o modelo ção começa com a anotação linguísticaEste recebe “texto bruto” de documen- para computar a probabilidade de cada do corpus, que é realizada pelo parsertos e extrai um conjunto de possíveis candidato ser um termo-chave. Então, PALAVRAS [13]. Cada palavra de cadatermos relevantes. Utilizando o Kea é este seleciona os “n” melhores termos frase é anotada de acordo com sua fun-possível extrair palavras isoladas ou conforme parâmetros de entrada. ção sintática, as suas características mor-múltiplas palavras que descrevem o as- ExATOlp. O ExATOlp (Extrator fológicas e uma marcação semântica.sunto de um determinado documento. Automático de Termos para Ontolo- Cluto. O Cluto (A ClusteringO algoritmo possui dois estágios: (1) gias em Língua Portuguesa) [11] é um Toolkit) [12] é um pacote de softwareTreinamento: nesta fase é criado um software utilizado para extrair e sele- para agrupamento de conjuntos de da-modelo para ajudar na identificação cionar termos significativos e frequen- dos de alta e baixa dimensão, e parados termos-chave usando um conjunto tes de um corpus em português anota- análise das características dos váriosde documentos de treinamento, onde do linguisticamente. Essa ferramenta é agrupamentos. Esse pacote oferece trêsos termos-chave são conhecidos e atri- baseada em uma abordagem linguísti- diferentes classes de algoritmos de agru-buídos manualmente; (2) Extração: ca e estatística e, ao receber um corpus pamento, que operam diretamente tantonesta fase escolhem-se termos a partir anotado sobre um domínio específico no espaço da característica dos objetosde um novo documento, usando o mo- de interesse, extrai automaticamente como no espaço de similaridade dos ob-delo criado na fase de treinamento. A todos os sintagmas nominais, gerando jetos. Esses algoritmos são baseados emfase de extração tem duas etapas: iden- uma lista de termos significativos, e paradigmas de partição e aglomeração.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 61
  • 59. Configuração do experimento Os textos utilizados no experi- o parser PALAVRAS. Os arquivos de um formato de espaço vetorial utiliza- mento são ao todo 232 anúncios reais saída deste são do formato TigerXML do pelo Cluto. Cada linha dessa matriz da RSI VilanaRede distribuídos entre [14], que são utilizados como entrada representa um único objeto, nesse caso anúncios de produtos, serviços e ideias. para o ExATOlp. Essa ferramenta re- os anúncios com seus comentários, Nesses estão os principais dados que torna três listas como resultado, uma enquanto as suas diferentes colunas contêm o vocabulário compartilhado de cada tipo: unigramas, bigramas e correspondem às dimensões dos ob- pelas pessoas participantes dessa rede trigramas, que estão ordenadas pela re- jetos. Um dos parâmetros do Cluto é social. Para a ferramenta Kea, foi esco- levância do termo. Com base nesse re- a quantidade de grupos e o resultado lhido um terço de todos esses anúncios sultado, foi desenvolvido um procedi- são os grupos formados pelos possí- de forma aleatória, e os termos-chave mento que faz um pós-processamento, veis termos com medidas estatísticas foram indicados de forma manual para agrupando os termos pela sua corres- para cada termo. Foram analisados os o treinamento da ferramenta e a criação pondente marcação semântica. resultados da saída de cada ferramenta do modelo. Foi também utilizada uma Já a ferramenta Cluto utiliza como isoladamente; na sequência, cada resul- lista de stopwords em português, que entrada uma matriz que armazena os tado de uma ferramenta foi contraposto são termos sem sentido que devem ser objetos a serem agrupados. Para con- ao da outra, utilizando um procedi- desconsiderados pela ferramenta du- verter os documentos de texto para mento desenvolvido com o intuito de rante sua análise. Ao se aplicar o Kea, essa matriz de formato aceito pelo encontrar e analisar termos que possi- os resultados de saída são arquivos Cluto, utilizamos um script em Perl velmente se repetiriam nas três. Esse com os termos-chave processados para chamado doc2mat2, que também utili- procedimento também possibilita con- cada arquivo de entrada. Os mesmos zou a mesma lista de stopwords usada trapor os grupos semânticos processa- arquivos de texto que foram entrada pelo Kea. O script doc2mat converte dos a partir dos resultados da ExATOlp para o Kea foram anotados utilizando um conjunto de documentos-texto em com os grupos gerados pelo Cluto. Resultados Kea. Com essa ferramenta foram juntos em um mesmo documento. So- termos são descritos conforme encon- utilizadas duas abordagens para a ex- bre a primeira abordagem, mostramos trados, sem correções ortográficas. tração de termos: a primeira envol- alguns casos de sucesso da extração Os casos descritos na Tabela 1 veu, a partir de cada documento, ex- e também alguns casos que se mos- (lado esquerdo) foram considerados de trair no máximo sete termos-chave de traram deficitários. A Tabela 1 (lado sucesso, uma vez que os termos retor- cada anúncio; a segunda abordagem esquerdo) ilustra casos positivos; nados são expressivos para os anúncios envolveu extrair no máximo cinquen- cada linha descreve termos-chave ex- considerados. Apenas observando esses ta termos-chave de todos os anúncios traídos de um anúncio específico. Os termos podemos ter uma ideia do as- Tabela 1 - Alguns casos da extração utilizando o Kea 2 http://glaros.dtc.umn.edu/gkhome/files/fs/sw/cluto/doc2mat.html62 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 60. sunto tratado pelo anúncio, e isso pode utilizados na rede como: “internet”, apresenta alguns dos diversos gruposser confirmado ao se ler o anúncio. É “saúde”, “blog”, “projeto”, “rede”, semânticos identificados no pós-pro-importante ressaltar que 90% dos ca- “anúncio” e “Chácara de Orgânicos”. cessamento a partir dos dados identi-sos foram considerados de sucesso. ExATOlp. A Tabela 2 mostra uma ficados pelo ExATOlp. Observam-seNo entanto, em alguns casos, con- lista com os quinze termos mais rele- alguns resultados como “páprica” eforme ilustra a Tabela 1 (lado direito), vantes de unigramas e bigramas extraí- “macaxeira“ que são termos culturaisos termos são repetidos ou sem senti- dos pelo ExATOlp. Essa tabela apre- de regiões geográficas específicas.do, não sendo boas representações do senta os termos na forma de sintagma Aparecem também diversos nomes deanúncio, do qual os termos foram ex- no formato original em que aparece profissões encontrados nos anúnciostraídos. Observe que há termos como: no corpus, assim como sua frequência que podem indicar possíveis perfis dos“pensei”, “tinha”, “sabe” que não têm absoluta (FA) e sua frequência relativa usuários da rede social, assim como oo poder de expressar o assunto tratado (FR), que é a frequência absoluta divi- grupo semântico chamado “humano”no anúncio e também não são termos dida pelo total de termos identificados também indica termos nesse sentido.adequados à lista de stopwords. É tam- no corpus. Observe que os unigramas Há alguns resultados para os quaisbém importante salientar que essa fer- com maior frequência são relativos devemos chamar a atenção como:ramenta não retorna apenas substan- aos termos: “pessoa”, “internet” e “leque” (animal), “cachorro quente”tivos. Verbos também são retornados “rede”. É importante ressaltar que a (animal) e “macaxeira” (fruta). Ocomo termos-chave, o que pode pos- ferramenta extraiu mais de mil termos mesmo termo “leque” representandosibilitar construir ontologias mais ela- e há possibilidade de parametrizar um animal é utilizado no sentido deboradas, dependendo da metodologia essa informação. Outros termos que diversas opções na rede, assim comoadotada para sua construção. Conside- não constam nessa tabela, mas que o termo “trouxinha” não tem o sen-rando a segunda abordagem feita com vale ressaltar devido a aspectos cultu- tido de quantidade, e macaxeira nãoo Kea, podem-se identificar diversas rais, são: “crochê”, “lantejoula” (FA: é fruta. Dentre esses, foram observa-características nos termos extraídos, 7;FR:0.00100172), “quadradinho” dos termos informais utilizados nocomo termos informais: “oi”, “olá”, (FA: 6;FR:0.000858615) e “dízimo” VilanaRede, por exemplo, entre os“vc”; e também conceitos importantes (FA: 2;FR:0.000286205). A Tabela 3 sem categoria na Tabela 3. Tabela 2 - Lista com os quinze termos mais relevantes extraídos pelo ExATOlpDezembro de 2011 Fonte Fonte 63
  • 61. GRUPO UNIGRAMA BIGRAMA páprica_doce, alimentos_funcionais, alimento_ideal, arroz_integral, óleo_quente, Arroz, alimentícios, açúcar, frutas, pimentão, Comida alimento_estéril, açúcar_café, alimentos_ alimento, óleo, páprica convencionais, alimentos_orgânicos, alimentos_industrializados ervilhas_lentilhas, uva_integral, cebolas_ Uva, bananas, cebolas, abóbora, frutos, Frutas pequenas caju_nozes, frutos_oleaginosos, macaxeira amêndoa_gordura Suficiente, quantidade, sobrecarga, direito_ambiental, sobrecarga_articular, Quantidade porcentagem, trouxinha, dose dose_certa Animal Cachorro, leque, bichinhos bichos_peçonhentos, cachorro_quente Novelinho, rasteirinhas, florzinha, nozinhos, cooperativa_cidarte, quadradinhos_prontos, Sem categoria minino, lembrancinhas, Olhadinha, noivinha, novo_quadradinho, excelente_crocheteira, bracinho, folhinhas, toquinhas, mural Posto_marajoara Tabela 3 - Lista com alguns termos extraídos pelo ExATOlp separados por grupos semânticos Cluto. Em razão da quantidade sete termos para cada configuração, melhantes. A seguir, filtramos os e diversidade de algoritmos e pa- que geraram um total de 64 grupos grupos com os termos que acháva- râmetros disponibilizados por essa distintos. A partir desses resulta- mos mais relevantes. Isso resultou ferramenta, escolhemos oito confi- dos, foi aplicado um filtro manual em 24 grupos mais representativos, gurações distintas entre algoritmos nos grupos apresentados, identi- que foram utilizados para a interse- e parâmetros, com oito grupos de ficando os grupos com termos se- ção de termos entre as ferramentas. GRUPOS DO CLUTO (POSITIVOS) GRUPOS DO CLUTO (NEGATIVOS) Orgânicos alimentos chácara produtos Brazil Metavendas Cida Brazil metavendasbrazil contato Natura entrega pronta consultora Avon Toma frequência bebida maior currículo alinesantos Meditação paz cidade prática meditar comprovam Sociais informa jornal editar rede perfil redes Curso Unicamp fuxico instituto teste marruda libras Gostaria Vânia fotos anúncio Neusa casa Ateliê estilos cores solidária economia seminário femininos feira Cristian exercício físico alongamento agita caminhada gordura projeto Tabela 4 - Alguns casos do agrupamento utilizando o Cluto A Tabela 4 (lado esquerdo) apre- do mesmo anúncio. É importante res- Tabela 4 (lado direito), não encontra- senta alguns grupos com os termos saltar que, em alguns casos, confor- mos relação entre os termos da mes- que foram observados como casos me ilustra a Tabela 4 (lado direito), ma linha nos anúncios da rede social. positivos a se considerar. Diferen- os grupos formados são compostos Dos 24 grupos filtrados, obteve-se temente da primeira abordagem do de termos que muitas vezes não pos- aproximadamente quinze grupos de Kea, os termos dos grupos criados suem algum tipo de relação como de maior qualidade, o que corresponde pelo Cluto não necessariamente são concorrência. Observando casos da a aproximadamente 62%.64 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 62. Avaliação dos resultados em contexto prático A avaliação em um cenário real modelagem. No final da atividade, ladamente, não carregam semânticafoi realizada por dezesseis poten- os participantes foram convidados a suficiente. Os participantes tambémciais analistas, pós-graduandos em responder a quatro perguntas e dar afirmaram que a análise do textoCiência da Computação na Univer- sua opinião sobre a atividade apoiada completo foi importante para obtersidade Estadual de Campinas. Cada pelas ferramentas. Foi utilizada uma familiaridade com o assunto. Algunsgrupo de participantes recebeu um escala Likert para coletar as respos- participantes preferiram criar umaconjunto de vinte a trinta anúncios tas. Os participantes também tiveram síntese usando os textos do anúnciorelacionados ao mesmo assunto do um espaço para comentar cada ques- e, a partir dela, extrair suas própriasVilanaRede. Além do texto dos anún- tão. As questões e resultados são sin- palavras-chave para construir a onto-cios, os grupos receberam o conjunto tetizados a seguir. logia. Outra abordagem utilizada porde termos extraído das ferramentas. alguns grupos foi criar subconjuntos,Além disso, cada grupo recebeu duas As palavras-chave de cada agrupando os anúncios por afinidadelistas de termos: uma foi organizada anúncio auxiliaram na modela- pragmática dentro de um conjunto dede acordo com sua frequência abso- gem da ontologia? Como? Por quê? anúncios. Seis participantes afirma-luta e relativa, e outra foi organizada A principal consideração nes- ram que a maioria dos anúncios nãopor suas categorias semânticas. Cada sa questão é que os resultados das apresentam palavras-chave relevan-grupo deveria modelar uma ontolo- ferramentas podem ajudar a definir tes, e que pareciam extraídas de formagia que correspondesse ao assunto possíveis palavras que compõem a aleatória. Alguns grupos concluíramtratado. O objetivo dessa avaliação ontologia, mas não cobrem todas as que as palavras-chave exigiriam maisfoi observar se os resultados das fer- informações necessárias para a mo- trabalho para filtrar as que não eramramentas auxiliariam na atividade de delagem. No entanto, os resultados importantes e adicionar possíveis re-modelagem das ontologias. Visou-se foram usados pela maioria dos gru- levantes que não estavam presentes,também observar como os analistas pos junto com a versão completa dos do que extrair manualmente do texto.lidam com situações de informa- anúncios. Isso aconteceu, pois as A Figura 1 apresenta graficamente oslidade e variedade de conteúdo na palavras, quando consideradas iso- resultados para essa pergunta. 10 8 7 6 4 4 3 2 2 0 0 não pouco indiferente sim muito Figura 1 - Resultados da primeira questão 10 9 A lista de termos com as fre- a maioria das pessoas respondeu que essa lista é importante, pois mostraquências ajudou na modelagem? a lista de palavras-chave não ajudou as palavras-chave mais frequentes. 8Como? Por quê? na modelagem. Algumas declara- Esses participantes também disse- Como apresentado na Figura 2, ções (três) positivas disseram que ram que uma vez que o objetivo era 6 4 4Dezembro de 2011 2 Fonte Fonte 65 2 1
  • 63. 10 8 7 6 4 modelar “uma espécie de alto nível”, 4 esquecer conceitos que podem ser trabalhando. Além disso, eles argu- 3 então, conhecer a ocorrência das pa- importantes. Três pessoas disseram mentaram que, ao consultar a lista, lavras era importante para encontrar 2 que a lista foi consultada, mas não 2 algumas palavras-chave de seu con- 10 conceitos que deveriam obrigatoria- foi considerada. A maioria dos par- texto em estudo estavam em posições mente aparecer na ontologia. A lista 0 ticipantes disse que o grande proble- 0 de pouca relevância na lista. Segundo 8 também ajuda quando anão leitura de ma era que a lista abrangia todos os sim eles, a listamuito ser mais útil se poderia 7 pouco indiferente todos os anúncios não pode ser feita, anúncios do , e não apenas o domí- aplicada apenas ao conjunto de anún- 6 portanto, a lista é relevante para não nio específico em que eles estavam cios específicos a cada grupo. 4 4 10 3 9 2 2 8 0 0 6 não pouco indiferente sim muito 4 4 2 2 10 9 1 0 0 8 não pouco indiferente sim muito 6 Figura 2 - Resultados da segunda questão 4 4 Os termos divididos por catego- fusa. No entanto, dois argumentaram ao descrito na última pergunta, já que 10 rias semânticas ajudaram 9 mode- na que a divisão dos termos por catego- essa lista também misturava palavras- lagem? Como? 2 Por quê? rias semânticas permite uma melhor 2 chave de todos os anúncios. No entan- 8 A respeito dessa lista, cinco par- 1 visualização do tema e é muito impor- to, essa lista poderia ser excelente se ticipantes afirmaram que ela foi con- 0 tante durante a modelagem, quando o 0 essas informações fossem relativas a 6 não sultada, mas não foi considerada. Um grupo tem dificuldades para catego- sim cada anúncio ou a um conjunto espe- pouco indiferente muito participante disse que a maneira como rizar algum termo. Três participantes cífico de anúncios. A Figura 3 mostra os termos foram apresentados era con- 4 relataram um problema semelhante as respostas para essa pergunta. 3 2 2 10 9 1 1 0 8 não pouco indiferente sim muito 6 4 3 10 2 2 1 1 8 8 0 não pouco indiferente sim muito 6 Figura 3 - Resultados da terceira questão 4 366 Fonte Fonte 2 10 2 2 Dezembro de 2011 1
  • 64. 2 2 1 0 0 não pouco indiferente sim muito Você acha que a informalida- análise. Doze participantes afirmaram o assunto de um anúncio específico era 10 9de e variedade do conteúdo que foi que essa situação torna o processo difí- um pouco “distante” de outros do mes-modelado dificultaram o processo cil, conforme apresentado na Figura 4. mo conjunto, tornando difícil associá- 8de modelagem? Um participante disse que a variedade lo com os outros. A linguagem informal Quatro participantes afirmaram é um problema difícil, uma vez que au- utilizada nos comentários também foi 6que não tiveram dificuldades para lidar menta a complexidade e amplitude das apontada como um problema durantecom a informalidade ou variedade do ideias a serem modeladas, dificultando a modelagem. Além disso, a informa- 4conteúdo. No entanto, um deles relatou a definição do núcleo do problema. lidade e a variedade de conteúdo impli- 3que, se os anúncios não fossem dividi- Isso acontece principalmente no iní- cam diretamente na granularidade dados por grupos de temas específicos, cio 2do processo, quando cada anúncio ontologia. Às vezes, a inclusão de um 2esses fatores poderiam ter introduzido deve ser lido e sintetizado sem a ideia 1 novo conceito pode causar uma grande 1dificuldades. 0Um participante argu- do todo. De acordo com a maioria dos modificação na ontologia. A maioriamentou que esse tipo de informalida- não participantes, a informalidade e a varie- sim dos participantes concordou que é mui- pouco indiferente muitode e variedade é encontrado em maior dade dificultam a extração de informa- to mais fácil modelar um contexto comproporção no ambiente web, portanto, ções representativas e a identificação regras bem definidas e formalizadas emisso deve estar presente em qualquer de relação entre elas. Frequentemente, domínios mais semelhantes. 10 8 8 6 4 3 2 2 2 1 0 não pouco indiferente sim muito Figura 4 - Resultados da quarta questãoDiscussão Neste artigo partimos do pres- significativos, com intuito de verifi- munidades on-line pode influenciarsuposto de que o resultado de busca car a viabilidade da abordagem em não apenas informando buscas maisem RSI pode ser melhorado quando RSI. Capturar termos e possíveis adequadas ao usuário, mas tambémo processo de construção de onto- relações não parece suficiente para diversos outros elementos que le-logias é baseado nos dados da rede, expressar fielmente a semântica vem em consideração os significa-uma vez que essa é uma maneira de compartilhada na rede social. Uma dos utilizados pelas pessoas. Iden-representar os significados compar- ontologia está em um nível mais tificar os possíveis conceitos e suastilhados pelas pessoas na rede. Essa alto de abstração, e certamente não relações representa um primeiroinvestigação teve foco em uma fase representará completamente a lin- passo nesse objetivo maior. O cená-importante no processo de constru- guagem natural. Entretanto, o esfor- rio de RSI é um contexto ainda nãoção de ontologias, que é a captura ço para melhor capturar e represen- explorado, o que o torna ainda maisdos conceitos. Objetivou-se, portan- tar os significados compartilhados relevante neste estudo.to, alcançar uma seleção de termos pelas pessoas organizadas em co- No contexto do experimentoDezembro de 2011 Fonte Fonte 67
  • 65. desenvolvido, foi observado que a pós-processamento efetuado, os Não apenas as ferramentas e técni- abordagem mais apropriada para termos organizados pela categoria cas isoladamente são importantes, melhor analisar os dados é verificar semântica mostram uma perspecti- mas também a forma como essas tanto os dados capturados por anún- va interessante dos dados, uma vez são utilizadas e organizadas para o cio individualmente quanto todos que possibilitam ao engenheiro de engenheiro de ontologias tomar de- os dados juntos, desconsiderando a ontologia conhecer os termos se- cisões referentes à modelagem das individualidade do conteúdo. Com manticamente relacionados. Dentre ontologias, com base em diversos os termos extraídos do Kea sobre as vantagens do ExATOlp, tem-se: resultados e perspectivas. cada anúncio, pode-se ter uma ideia possuir as medidas dos termos, o Também observamos que a va- dos assuntos tratados na rede. Já a que não é gerado pelo Kea; incluir riedade de assuntos tratados nos abordagem utilizada pelo ExATOlp a marcação semântica para cada textos, junto a sua informalidade, fornece uma visão geral de todos os termo; não necessitar de uma lista são agravantes ao problema. Isso dados da rede. Outro fator a consi- de stopwords e nem de treinamen- tende a diminuir a eficiência das fer- derar é que o ExATOlp extrai apenas to a priori, diferentemente do Kea. ramentas e dificulta a convergência substantivos, enquanto o Kea pode Analisando os resultados do Cluto, dos algoritmos. O experimento com considerar também verbos, que em pode-se observar uma menor preci- os estudantes permitiu observar a algumas situações, na nossa percep- são dos resultados extraídos com- potencialidade e suporte das ferra- ção, podem ajudar na construção de parado ao Kea e ExATOlp. Consi- mentas. Adicionalmente, pode-se ontologias. O Kea utiliza uma abor- deramos que melhores resultados notar que os resultados das ferra- dagem estatística que tem a vanta- com o Cluto poderiam ser obtidos mentas podem ser mais úteis se as gem de se adaptar mais facilmente caso uma massa maior de dados listas de termos forem criadas por e independente do domínio e língua fosse considerada. anúncios. Considera-se positivo e do corpus. O ExATOlp utiliza uma Observar e analisar os termos válido o uso das ferramentas como abordagem linguística na qual é ne- que se repetem nas três ferramen- um suporte na modelagem das on- cessário anotar o corpus. Isso gera tas com mais atenção é essencial, tologias no contexto de RSI. A im- dificuldades e pode ser um entrave pois esses podem ser uma boa in- portância delas pode ser ainda mais crítico ao se utilizar essa ferramenta dicação de possíveis conceitos que ressaltada em situações em que a para muitos conteúdos. não devem ser desconsiderados na modelagem deve considerar uma Em contrapartida, o ExATOlp modelagem da ontologia. Analisar grande quantidade de informação, oferece melhores resultados para os grupos identificados pelo Cluto, que seria impossível para uma pes- observar os dados, com medidas assim como os termos extraídos soa sem o suporte de um software. estatísticas: frequência absoluta de cada anúncio pelo Kea, pode No entanto, reconhece-se a necessi- e relativa, é mais organizado e de contribuir para modelar partes de dade de investigações futuras mais melhor entendimento. Com isso, é ontologias, uma vez que esses in- específicas em algoritmos mais refi- possível observar melhor os termos dicam termos que possivelmente nados para melhorar a qualidade dos mais utilizados na rede. A partir do têm alguma relação semântica. termos retornados. Conclusão Mecanismos de busca em RSI envolve obrigatoriamente a desco- promissores no sentido de auxiliar poderiam ser mais adequados à berta de conceitos utilizados e suas na construção de ontologias que linguagem cotidiana das pessoas e relações semânticas. Este trabalho representem os significados uti- aos significados que elas compar- apresentou possíveis ferramentas lizados na rede social. Trabalhos tilham em comunidade. Isso pode que podem auxiliar nessa tarefa em futuros envolvem principalmente o ser fator determinante para o usu- um contexto de RSI e uma avalia- desenvolvimento de novas técnicas ário obter êxito ao tentar acessar ção prática de seus resultados. Os de processamento de linguagem informação. Representar a semân- resultados aplicando as ferramen- natural para lidar com as limita- tica compartilhada na rede social tas em dados reais se mostraram ções encontradas.68 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 66. Referências1. NERIS, V. P. A.; ALMEIDA, L. D.; MIRANDA, L. C.; 12. KARYPIS, G. 2002. Cluto: a clustering toolkit. Technical HAYASHI, E.; BARANAUSKAS, M. C. C. 2009. Report 02-017, Dept. of Computer Science, University of Towards a Socially-constructed Meaning for Inclusive Minnesota, 2002. Available at: http://glaros.dtc.umn.edu/ Social Network Systems. In Proc. of Int. Conf on Infor- gkhome/views/cluto/ matics and Semiotics in Organizations. p. 247-254. 13. BICK, E. 2000. The parsing System “Palavras”: Auto-2. REIS, J. C., BONACIN; R., BARANAUSKAS; M. C. C. matic Grammatical Analysis of Portuguese in a Cons- 2010. New Perspectives for Search in Social Networks: traint Grammar Framework. PhD thesis, Arhus Uni- A Challenge for Inclusion. In 12th International Confe- versity. rence on Enterprise Information Systems (ICEIS), Fun- 14. KONIG, E.; LEZIUS, W. 2003. The TIGER language - A chal, p. 53-62. Description Language for Syntax Graphs. Formal Defi-3. BERNERS-LEE, T.; HENDLER, J.; LASSILA, O. 2001. nition. Technical report, University of Stuttgar. The Semantic Web, Scientific American. 15. REIS, J. C.; BONACIN, R.; BARANAUSKAS, M.; Cecí-4. SILVA S. R. P. AND R. PEREIRA. 2008. Aspectos da In- lia C. 2010. Ferramentas e Técnicas de Mineração de teração Humano-Computador na Web Social, in VIII Texto em Redes Sociais Inclusivas: Promovendo Meios Simpósio Brasileiro de Fatores Humanos Sistemas Com- para o Acesso Universal ao Conhecimento. Proceedings putacionais. ACM v. 378. p. 350-351. of IADIS Ibero-Americana WWW/Internet 2010.5. GRUBER, T. R. 1993. A translation approach to portable ontologies. Knowledge Acquisition, v. 5, n. 2.6. BUITELAAR, P.; CIMIANO, P.; MAGNINI, B. 2005. Onto- logy learning from text: An overview. In Ontology Lear- ning from Text: Methods, Evaluation and Applications, v. 123 of Frontiers in Artificial Intelligence and Apllications. IOS Press.7. MIKA, P. 2005. Ontologies are us: A unified model of social networks and semantics. In Proc. of the 4th Inter. Seman- tic Web Conf. LNCS 3729, Springer-Verlag.8. ŠIMKO, M AND BIELIKOVÁ, M. 2009. Automatic Concept Relationships Discovery for an Adaptive E-course. In Proc of the 2nd International Conference on Educatio- nal Data Mining. Cordoba, Spain. p. 171-179.9. MORI, J.; ISHIZUKA, M.; MATSUO, Y. 2007. Extracting Keyphrases to Represent Relations in Social Networks from Web. In Proc. of the 20th Inter. joint Conf. on Arti- ficial Intelligence table of contents. Hyderabad, India. p. 2820-2825.10. MEDELYAN, O. AND I. WITTEN, H. 2008. Domain- independent automatic keyphrase indexing with small training sets. Journal of the American Society for Infor- mation Science and Technology. v. 59, I. 7, p. 1026-1040.11. LOPES, L.; FERNANDES, P.; VIEIRA, R.; FEDRIZZI, G. 2009. ExATOlp: An Automatic Tool for Term Extraction from Portuguese Language Corpora. In Proc. of the 4th Language and Technology Conference. p. 427-431.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 69
  • 67. Considerações sobre a circulação de informações Divulgação em sites de redes sociais Gabriela da Silva Zago Jornalista e bacharel em Direito, doutoranda e mestre em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desenvolve pesquisas nas áreas de jornalismo e redes sociais na internet. RESUMO A estrutura descentralizada das redes associada à sociabilidade on-line traz especificidades para a comunicação no ciberespaço. Este artigo traça considerações sobre a circulação de informações em sites de redes sociais, em especial no Twitter. Para tanto, parte-se de uma discussão associada aos elementos das redes sociais na internet, seguida de considerações sobre a circulação de informações no ciberespaço. O Twitter é apresentado como caso ilustrativo das particularidades da circulação de informações nos sites de redes sociais. Palavras-chave: redes sociais; sites de redes sociais; circulação de informações. Redes sociais e sites de redes sociais Em uma rede social há a conci- sociais constituem um desses ambien- que as informações deixem rastros liação de dois elementos: os nós (ato- tes em que as redes sociais podem ser visíveis, sejam buscadas, possam ser res sociais) e as suas conexões (inte- constituídas. Sites de redes sociais acessadas potencialmente por qual- rações e laços sociais) (RECUERO, são espaços da web que permitem quer pessoa e, ainda, possam facil- 2009a). O conteúdo das conexões es- aos interagentes criar um perfil públi- mente ser reproduzidas e propagadas. tabelecidas entre atores de uma rede co, articular uma lista de contatos e Sites de redes sociais se tornam, as- social é constituído pelas interações visualizar a lista de contatos de seus sim, espaços propícios para se ob- travadas entre os atores, o que torna amigos (BOYD & ELLISON, 2007). servar a circulação de informações a rede essencialmente dinâmica e su- Interações diversas podem ser estabe- (RECUERO & ZAGO, 2010). Essas cessível a diversas transformações lecidas entre os indivíduos que se uti- características vão fazer com que as ao longo do tempo (RECUERO, lizam desses espaços, em sites como redes sociais que emergem nesses 2009a). Diferentes redes sociais po- Orkut, Facebook e Twitter. espaços sejam tão importantes, em dem ser constituídas de diversas for- Esses espaços se caracterizam especial pela possibilidade de que in- mas em ambientes diversos nos quais ainda pela persistência, buscabilida- formações diversas circulem pelas re- haja relações sociais. de, audiências invisíveis e replicabili- des: “A essas características soma-se No ciberespaço, os sites de redes dade (BOYD, 2007), que possibilitam o fato de que a circulação de informa-70 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 68. ções é também uma circulação de va- de amigos define o contexto e isso, de-se ter como contatos, simultanea-lor social, que gera impactos na rede” por sua vez, define a audiência a que mente, amigos, parentes, colegas de(RECUERO, 2009b, p. 43). se acredita estar endereçando toda trabalho e, até mesmo, celebridades Nos sites de redes sociais, em- vez que modifica seu perfil ou pos- ou profissionais renomados de umabora as conexões sejam estabelecidas ta uma atualização” (BOYD, 2006, determinada área.voluntariamente em comum acordo tradução nossa). Ao invés de ser im- Sites de redes sociais podem serpelos atores, elas são mantidas pelo posto pelo sistema, o contexto é cons- apropriados para diversas finalidades,sistema, ainda que não haja interação, truído a partir da escolha de amigos. desde para a conversação entre inte-o que possibilita a constituição de re- “Em sites como Twitter e Facebook, ragentes até para ações políticas oudes extremamente grandes. os contextos sociais que costumamos promocionais. Por conta desses ele- Nesses espaços, o contexto não é imaginar como separados coexistem mentos, a circulação de informaçõesdado a priori: ele é constituído atra- como partes da rede” (MARWICK & em redes sociais na internet apresentavés das interações em rede. Os indiví- BOYD, 2010, tradução nossa). As- particularidades, razão pela qual seduos escolhem quem seguir com base sim, diferentes contextos se misturam faz importante discutir sua evolução eem motivações diversas. “Essa lista em um mesmo site de rede social. Po- seus principais elementos.Circulação de informações A preocupação com a existência so de decisão durante uma campanha veis, estágios ou degraus, na medidade intermediários na comunicação eleitoral presidencial. O objetivo era em que primeiro passaria da mídianão é novidade. Estudos realizados identificar uma influência direta da aos líderes de opinião e, após, dessesa partir da década de 40 no contexto mídia nas intenções de voto. Porém, para os indivíduos.da corrente funcionalista norte-ame- ao contrário disso, os pesquisadores Entretanto, conforme ponderaricana de estudos em Comunicação identificaram que contatos pessoais Wolf (1999), tal hipótese emergeesboçam as primeiras considerações eram bem mais citados do que a mí- em “uma situação comunicativa ca-empíricas a respeito dos líderes de dia como influenciadores da decisão racterizada por uma baixa difusãoopinião, indivíduos que, por seus quanto a em quem votar. Com base de comunicações de massa, bastantepapéis centrais na rede, bem como nesses dados, Katz & Lazarsfeld diferente da de hoje” (WOLF, 1999,por seus conhecimentos específicos (1955) posteriormente desenvolve- p. 57). Nos anos 1940, a presençaem determinadas áreas, acabam por ram e sistematizaram a hipótese do dos meios de comunicação de massaexercer uma espécie de ponte entre fluxo da comunicação em dois níveis era mais limitada, o que reforçava oos meios de comunicação de mas- e o processo de influência pessoal. papel da comunicação interpessoalsa e os demais indivíduos, vindo a A figura que emerge nesses estu- como disseminadora de informa-influenciar suas opiniões. Essa é a dos como intermediária do processo ções. “A situação atual, pelo con-premissa da hipótese do fluxo de co- comunicacional é a do líder de opi- trário, apresenta níveis de quase-sa-municação em dois níveis, cuja for- nião, um indivíduo engajado com turação na difusão dos mass media”mulação básica estatui que as “ideias um determinado assunto que faz a (WOLF, 1999, p. 57). Ainda assim,geralmente fluem do rádio e da im- ligação entre os meios de comunica- cabe ressaltar que o modelo se apre-prensa para os líderes de opinião e ção de massa e os demais indivíduos. senta como uma hipótese, na medidadestes para as camadas menos ativas Sendo assim, “O fluxo da comuni- em que não se tinha uma comprova-da população” (LAZARSFELD, BE- cação em dois níveis (two-step flow ção precisa de que as coisas funcio-RELSON & GAUDET, 1944 apud of communication) é determinado nassem do jeito proposto. De fato,KATZ, 1957, tradução nossa). precisamente pela mediação que os mesmo naquela época, o papel dos A hipótese foi introduzida em um líderes exercem entre os meios de meios de comunicação de massa e oestudo de 1944 elaborado por Paul comunicação e os outros indivíduos dos líderes de opinião pode ser rela-Lazarsfeld, Bernard Berelson e Ha- do grupo” (WOLF, 1999, p.53). A tivizado. De qualquer modo, não sezel Gaudet, o qual tratava do proces- comunicação dar-se-ia em dois ní- pode desprezar o modelo do fluxo deDezembro de 2011 Fonte Fonte 71
  • 69. comunicação em dois níveis enquan- de comunicação. Ao invés de haver interpessoal e da comunicação mas- to precedente histórico de estudos apenas a relação meios de comuni- siva: a comunicação pessoal-massi- posteriores no campo da circulação cação de massa – líderes de opinião va. Para o autor, essa nova forma de de informações. – indivíduos, haveria múltiplas re- comunicação caracterizar-se-ia “pela Assim, estudos posteriores pro- lações, em diferentes ordens, entre capacidade de enviar mensagens de curaram atualizar e recontextualizar esses personagens. muitos para muitos, em tempo real o modelo do fluxo de comunicação Para Jensen (2010), o fluxo de ou no momento escolhido, e com a em dois níveis. Essa hipótese do flu- comunicação em um contexto digi- possibilidade de usar comunicação xo de comunicação em dois níveis tal e convergente dar-se-ia entre três ponto a ponto, narrowcasting ou abriu caminho para a teoria do fluxo níveis: comunicação interpessoal, broadcasting, dependendo do propósito de comunicação em múltiplos níveis, mídia de massa e redes sociais digi- e das características da prática comu- também conhecida como teoria da tais. A comunicação interpessoal en- nicacional pretendida” (CASTELLS, difusão de inovações. Os líderes de globaria as formas de comunicação 2009, p. 55, tradução nossa). opinião também aparecem no mode- do modelo um-um, em interações Esse novo tipo de comunicação lo do processo de difusão de inova- face-a-face, compreendendo o corpo seria ao mesmo tempo massivo e ções. Já outros estudos procuraram humano e suas extensões através de pessoal: massivo na medida em que demonstrar que não se tratariam de ferramentas. A mídia de massa cor- pode potencialmente atingir uma au- apenas dois, mas sim de múltiplos responderia à utilização de disposi- diência global, pessoal pelo fato de níveis no fluxo de comunicação. tivos tecnológicos para a comunica- ser gerada por indivíduos. Ainda, a hipótese do fluxo de comu- ção no modelo um-muitos, a partir Para Castells (2009, p. 55) essas nicação em dois níveis costuma ser da difusão de uma mensagem de um três formas de comunicação (inter- citada como um dos precedentes his- centro emissor para vários recepto- pessoal, massiva e digital) “coexis- tóricos das estratégias de marketing res. Já a comunicação possibilitada tem, interagem e se complementam, viral, que se baseiam em indivíduos pelas redes sociais digitais, o terceiro ao invés de se substituírem” (tradu- centrais em determinadas redes para nível do modelo proposto por Jensen ção nossa). Em sentido semelhante, potencializar o alcance de uma in- (2010), traria a particularidade de para Jensen (2010), a novidade não formação repassada de boca a boca possibilitar tanto comunicação nos estaria na existência de uma nova (GLADWELL, 2009). modelos um-um e um-muitos quan- forma de comunicação, mas sim Mais recentemente, em um con- to, e especialmente, a comunicação no fato de que essas três formas de texto em que mídias de massa con- no modelo muitos-muitos: “O com- comunicação (um-um, um-muitos vivem com formas colaborativas de putador digital reproduz e recombina e muitos-muitos) podem ocorrer ao produção de conteúdo em espaços todos os meios anteriores de repre- mesmo tempo no ambiente digital. interativos da internet – como é o sentação e interação em uma plata- Assim, ter-se-ia a possibilidade de caso dos sites de redes sociais –, forma material única de hardware e múltiplos fluxos entre esses níveis a situação se complexifica ainda software” (JENSEN, 2010, cap. 4, de comunicação. mais. Ao tratar de difusão de in- tradução nossa). Essas considerações sobre os formações culturais na internet, Em sentido semelhante, para fluxos de comunicação têm sido por exemplo, Kayahara & Wellman Castells (2009), a internet teria in- adaptadas para o estudo da circula- (2007) também irão identificar não troduzido uma terceira forma de co- ção de informações nas redes sociais dois, mas múltiplos níveis no fluxo municação, ao lado da comunicação na internet. Circulação de informações em sites de redes sociais Como nos sites de redes sociais, pícios para a propagação de infor- tre diferentes atores sociais, ou seja, os indivíduos estão permanentemen- mações. Ao estudar-se a difusão de como a informação passa de um in- te conectados entre si através de seus informações, busca-se compreender divíduo para outro (GRUHL et al., perfis, esses espaços se tornam pro- como a informação é difundida en- 2004; RECUERO, 2009a).72 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 70. Na internet, podem ser observa- mesmo sentido, Weimann (1982) vai taria conectado a vários nós e, pordos novos padrões de acesso à infor- dizer que os indivíduos em posições isso, desempenharia uma funçãomação, bastante diferentes dos ob- marginais na rede, menos conectados central para a rede. O hub nada maisserváveis na mídia de massa, o que aos demais (e não necessariamente seria que o influenciador, o “líder depode vir a trazer implicações para os os mais populares que ocupam po- opinião”, aquele indivíduo que, porfluxos de comunicação. sições centrais), desempenham um conta de seu papel central na rede, Cada vez mais, os indivíduos importante papel na difusão de infor- teria em tese mais possibilidades depassam a obter informações mais a mações, na medida em que podem vir a influenciar outros atores. Assim,partir de suas trocas interpessoais, servir de “pontes” entre os diferentes os hubs seriam nós ricos e, portan-tanto off-line quanto on-line, do grupos. Ao repassarem informações to, teriam conexão preferencial, ouque propriamente direto da mídia de a seus contatos, os indivíduos em seja, tenderiam a atrair ainda maismassa. O fenômeno, já observado na uma rede social podem atuar como nós (BARABÁSI, 2003). Em sentidodécada de 40, de certa forma é poten- influenciadores, contribuindo para semelhante, Gladwell (2009) destacacializado pelas mídias digitais, em espalhar a informação em sua rede o papel do que chama de “comunica-geral (CASTELLS, 2009; JENSEN, social. Pessoas com elevado número dores”, indivíduos altamente conec-2010), e pelas redes sociais na inter- de contatos podem espalhar a infor- tados que exercem o papel de pontenet, em específico. mação para pontos mais distantes entre diversos atores. Os comunica- Desse modo, a difusão de infor- da rede. Nesse contexto, destaca-se dores, junto com os experts (indiví-mações na internet pode ser observa- o papel dos laços fracos (GRANO- duos especialistas em determinadosda através das conexões e das trocas VETTER, 1973; WEIMANN, 1982) assuntos) e os vendedores (pessoasestabelecidas entre os indivíduos. As na difusão da informação, na medida que estão sempre tentando conven-ferramentas de publicação disponibi- em que possibilitam que, ao ser re- cer e persuadir os demais), seriamlizadas na internet (e a consequente passada, a informação atinja pontos responsáveis por dar início ao que opossibilidade de qualquer um poder mais distantes na rede, e até mesmo autor chama de “epidemias sociais”publicar informações) ampliaram o chegue a outras redes. Como os in- (GLADWELL, 2009). Diante dealcance desses fluxos de informa- divíduos possuem redes de contatos diferentes indivíduos e diferentesção (GRUHL et al., 2004). São as diferentes, faz sentido enviar e reen- papéis, ter-se-ia, assim, uma redediferentes relações sociais entre os viar mensagens através dos sites de multicentrada e dinâmica, em queindivíduos em redes sociais na in- redes sociais. alguns exercem influência em deter-ternet que estabelecem os fluxos de Na internet, em especial nos si- minadas circunstâncias sobre deter-informação que circulam na rede. tes de redes sociais, torna-se menos minados grupos.As relações podem se dar entre la- dispendioso mapear as conexões O que se observa é que, tal comoços mais fracos, ou seja, em que há estabelecidas entre os indivíduos estudos posteriores ao de 1944 já ob-pouca intimidade e proximidade, e através das informações que com- servavam, o fluxo de comunicaçãoentre laços mais fortes, ou seja, em partilham entre si. Como foi visto, dar-se-ia não apenas em um únicoque há um maior grau de intimidade os sites de redes sociais se carac- nível (da mídia de massa para o pú-e proximidade entre os interagentes terizam pela buscabilidade e pela blico) ou em dois níveis (da mídia(GRANOVETTER, 1973). Nesse persistência (BOYD, 2007), na me- de massa para os líderes de opiniãocontexto, é notável o papel desempe- dida em que as informações ficam e destes para os demais indivíduos),nhado pelos laços fracos para o espa- armazenadas por pelo menos algum mas sim de múltiplas e diferenteslhamento de uma informação (GRA- tempo e podem ser buscadas, o que formas, em variados números e com-NOVETTER, 1973), na medida em facilita o mapeamento das conexões binações de atores e níveis, na medi-que eles permitem que uma determi- entre os indivíduos e do caminho da em que os meios de comunicaçãonada informação atinja mais pessoas. percorrido pelas informações por e as relações interpessoais se com-São esses laços os responsáveis por eles compartilhadas. plexificam. Mesmo em interaçõesmanter a rede interconectada e fazer Nos estudos de redes sociais, em sites de redes sociais, a mídiacom que a informação atinja pontos Barabási (2003) destaca o papel do de massa permanece como um doscada vez mais distantes na rede. No hub, ou conector, aquele nó que es- integrantes da relação, porém, suaDezembro de 2011 Fonte Fonte 73
  • 71. função é complementada pelas tro- entende-se que se trataria, de fato, de interações entre inúmeros parti- cas interpessoais e por outros tipos de uma circulação de informações, cipantes” (YANG & LESKOVEC, de mídias. As trocas interpessoais na medida em que, ao invés de a in- 2010, p. 1, tradução nossa). Assim, podem ainda potencializar o alcan- formação ser difundida de um único ainda que possa haver influenciado- ce de uma informação. “Não só os polo irradiador para outros indivídu- res no processo, trata-se de um mo- usuários podem conectar qualquer os (como ocorreria, por exemplo, na vimento multidirecional. informação antiga que esteja na rede mídia de massa), a informação per- A circulação de informações pode com uma atual; como eles podem de- corre caminhos variados, circulando se dar em diferentes sites de redes so- terminar o alcance de uma informa- entre indivíduos e por diferentes ciais. Em cada um desses espaços, há ção atual, replicando-a por diferentes níveis midiáticos. “Mesmo que tais especificidades decorrentes da efetiva interfaces” (ANTOUN & MALINI, fluxos de informação tenham sido apropriação que os atores conferem à 2010, p. 7). tradicionalmente pensados como ferramenta. Dentre esses espaços, des- Ainda que se empregue comu- processos de difusão em redes so- taca-se o Twitter, cujas características mente o termo “difusão de informa- ciais, os fenômenos adjacentes são específicas trazem implicações para a ções” para o estudo das redes sociais, o resultado de uma complexa teia circulação de informações. Circulação de informações no Twitter O Twitter é uma ferramenta de al., 2007; MISCHAUD, 2007) – in- você está fazendo?” para “O que está microblog, com caráter híbrido entre clusive para práticas ligadas à comu- acontecendo?”. Desde seu surgimen- blog e rede social (BOYD, GOLDER nicação social, como para o jornalis- to, a ferramenta foi marcada pela ideia & LOTAN, 2010). Microblogs, en- mo ou a publicidade. de apropriação pelos usuários. quanto formatos típicos da web, po- Criado em 2006 como um ser- Atualmente, o Twitter possui mi- dem ser considerados como uma es- viço interno para os funcionários da lhões de usuários no mundo todo (em pécie de “blog simplificado”, e como Odeo, uma empresa de podcast, o setembro de 2010, havia 175 milhões tal podem ser adaptados para utiliza- Twitter era inicialmente uma ferra- de usuários registrados no microblog, ção a partir de dispositivos móveis – menta voltada para se compartilhar conforme informado pelo próprio por isso, geralmente, as ferramentas com amigos, a partir de mensagens Twitter à época, em seu site). De de microblog trazem uma limitação SMS, o que se estava fazendo em acordo com um relatório divulgado de tamanho para as atualizações. No um determinado momento (ISRA- no final de 2010 pela Sysomos, 95% Twitter, por exemplo, não se pode EL, 2009). Em julho de 2006, o ser- dos usuários seguem até 500 pessoas ultrapassar 140 caracteres a cada atu- viço foi disponibilizado ao público. e possuem até 500 seguidores (SY- alização. Dada a versatilidade do for- Em outubro de 2006, tornou-se uma SOMOS, 2010). De acordo com da- mato, é possível atualizar e receber companhia autônoma, a Twitter, Inc. dos do comScore, no Brasil, o site do atualizações a partir de dispositivos Em março de 2007, recebeu um im- Twitter teve 8,6 milhões de visitantes diversos, como celular (SMS, web pulso de divulgação em um evento únicos em agosto de 2010, o que em móvel, aplicativos derivados criados de tecnologia, o South by Southwest termos práticos significa que 23% com a API), mensageiros instantâneos (SXSW). Desde então, o Twitter pas- dos internautas do país acessaram o (IM) ou web convencional. sou a ser constantemente apropriado e Twitter nesse mês, a maior pene- A proposta do Twitter é que se adaptado por seus usuários, os quais tração se comparada a outros países use os 140 caracteres de limite a levaram ao surgimento de convenções (COMSCORE, 2010). Além do Twit- cada atualização para responder à e recursos hoje próprios do sistema, ter, existem outras ferramentas de mi- pergunta “O que está acontecen- como replies, hashtags, retweets, en- croblog, como o Jaiku (http://jaiku. do?”. Ao longo do tempo, muitos tre outros. A própria pergunta-título da com), o Plurk (http://plurk.com) e usos foram surgindo para o Twitter, ferramenta foi alterada em 2009 para o Identi.ca (http://identi.ca), porém e a ferramenta foi apropriada para as refletir a utilização mais frequente do com menor número de usuários. mais diversas finalidades (JAVA et Twitter à época – passou de “O que O Twitter também traz em si ele-74 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 72. mentos de site de rede social. Os in- vamente com grande parte desses (CHA et al., 2010). A influênciadivíduos são representados por seus “amigos”, como no caso do Orkut, também pode ser inferida a partir daperfis. A interação se dá a partir de em que um indivíduo pode ter até quantidade de retweets e mençõesconteúdos postados nesses perfis. É mil contatos em seu perfil. que um indivíduo recebe no Twitterpossível adicionar outros usuários No Twitter, as relações entre as (CHA et al., 2010).como contatos na ferramenta, e essa conexões dos usuários, de caráter Dentre as inúmeras apropria-lista de conexões é tornada pública. não necessariamente recíproco (ou ções possíveis, está a possibilidadeAinda que muitos dos usuários uti- seja, pode-se acompanhar as atuali- de se utilizar o microblog para olizem a ferramenta fora de seu am- zações de alguém sem ser seguido compartilhamento e distribuição debiente web, isso não bastaria para de volta), são conhecidas como informações (RECUERO & ZAGO,deixar de caracterizá-la como “site “seguidos” e “seguidores”, o que 2010; YANG & LESKOVEC,de rede social”, ao menos enquanto traz implicações para as redes so- 2010). Quando um usuário compar-um software ou uma plataforma de- ciais que podem ser observadas na tilha uma informação no Twitter,senvolvida para que redes sociais ferramenta (RECUERO & ZAGO, essa mensagem é distribuída parapossam ser construídas, a partir da 2009; HUBERMAN, ROMERO & todos os seus contatos e tem o po-efetiva apropriação e do uso. WU, 2009). Usuários com maior tencial de atingir indivíduos fora Rede social é apenas uma das número de seguidores tendem a de sua rede a partir de retweets.facetas do Twitter. Ele também pode exercer maior influência na rede, na Ao tuitar e retuitar informações,ser visto como uma ferramenta para medida em que as mensagens que os usuários estabelecem diferenteso compartilhamento e troca de in- enviam têm o potencial de atingir fluxos de informação na ferramenta.formações. De fato, um estudo de- mais usuários e mais redes, mas A recuperação dessas infor-senvolvido por Kwak et al. (2010) não necessariamente. Outros fatores mações pode se dar pela timelinedefende que o Twitter poderia ser também podem contribuir para a in- do usuário, pelo acesso a um perfilconsiderado mais um espaço para fluência de um ator social no Twitter. específico, a partir da busca por umo compartilhamento de informa- Também é frequente na ferramenta determinado termo, ou ainda a par-ções do que propriamente uma rede a presença de celebridades e outros tir de links internos, presentes emsocial. Entretanto, por mais que a indivíduos centrais, que acabam tweets (como em uma hashtag) ouferramenta pareça ser mais apro- atuando como influenciadores nos Trending Topics (os assuntos empriada para o compartilhamento de por seu alto número de conexões destaque na ferramenta em um de-informações, não dá para desprezar na rede. Há blogueiros e tuiteiros terminado momento). A informaçãotambém seu caráter de site de rede que podem exercer influência no pode ainda ser reproduzida atravéssocial. Há perfis, possibilidade de Twitter. O fato de que é comum de retweets. Com diferentes formasinteração entre os perfis, e conexões seguir blogueiros e celebridades no de apropriação, a circulação na fer-podem ser estabelecidas entre os Twitter demonstra que a influência ramenta se complexifica. Diferentesatores. Ainda que possa predominar exercida originalmente em outros contextos são formados a partir dasum ou outro uso, o Twitter pode ser espaços pode ser transportada para escolhas quanto a quem seguir, e issovisto como um híbrido entre uma o Twitter. Nesse contexto, destaca- pode resultar em diferentes timelinesferramenta de informação e uma se o papel dos que possuem vários e diferentes percepções do Twitterferramenta de interação. Mesmo seguidores ao atuarem como filtro enquanto um espaço em que circu-que se interaja efetivamente com de informações para suas redes. lam informações. A influência é exer-poucos dos seguidores do Twitter, Essas informações são ainda repas- cida em diferentes frentes e direções.isso talvez não baste para carac- sadas para outros contatos, através Uma informação originalmente pos-terizar o Twitter como outra coisa de estratégias próprias do sistema, tada por um veículo jornalístico, porque não um site de rede social. Em como retweets e comentários via re- exemplo, pode posteriormente seroutros sites de rede social também é plies. Nesse contexto, o número de retuitada ou reapropriada por umpossível observar fenômenos seme- conexões de um ator no Twitter é in- interagente, que a repassa para seuslhantes de se ter uma grande rede de suficiente para determinar sua maior contatos de forma ressignificada.contatos, sem que se interaja efeti- ou menor influência na rede Um anúncio publicitário que se ini-Dezembro de 2011 Fonte Fonte 75
  • 73. cia de forma equivocada pode ter comunicação, na medida em que os desconfiaram do uso de script quan- sua repercussão amplificada a partir usuários podem circunstancialmente do um perfil conseguiu atingir essa de uma piada postada por algum hu- exercer papéis de líderes de opinião. meta em poucas horas. Em geral, morista famoso no Twitter. Para exercer essa influência, entram práticas como essas costumam ser O próprio retweet por vezes em cena estratégias diversas para identificadas e malvistas pelos de- assume o caráter de uma verdadei- a difusão de informações, como mais usuários da rede. ra moeda de troca entre os atores retweets e compartilhamento de De qualquer modo, esses dife- (RECUERO & ZAGO, 2011), na links para sua rede. rentes níveis e fluxos de informa- medida em que prover acesso aos Na prática, a situação tende a ser ções e de influência irão constituir demais às informações traz vanta- um pouco mais complexa. Pode-se a complexa teia de informações gens tanto para quem repassa a in- inflar o número de seguidores a par- que circulam pelo Twitter. Se an- formação quanto para quem obtém tir de estratégias diversas, constru- tes se lançava a hipótese de que os acesso a essa informação a partir indo uma “audiência” que de fato fluxos de comunicação dar-se-iam desse repasse. O ganho em termos não existe. Há inúmeros sites que em dois níveis, o cenário comu- de visibilidade se dá tanto para o au- prometem milhares de seguidores da nicacional complexo do Twitter tor da informação quanto para quem noite para o dia, como Boost Twitter mostra-nos que, atualmente, esses repassa o conteúdo. O retweet é fun- Followers (http://www.boosttwit- fluxos são múltiplos e ocorrem en- damental para que a informação se terfollowers.com/) ou TweetAdder tre variados níveis, mesmo dentro espalhe pela rede, sendo, portanto, (http://tweetadder.com/). Em 2009, de um mesmo site de redes soci- um elemento essencial para a cir- a brasileira Tessalia Serighelli (@ ais. A situação se torna ainda mais culação de informações no Twitter. twittess) admitiu ter usado script complexa se considerarmos as rela- E só faz sentido retuitar uma deter- para atingir 45 mil seguidores. Ain- ções entre diferentes meios: pode- minada informação pelo fato de as da, é possível criar um script para se ficar sabendo de um fato pela pessoas seguirem pessoas diferentes gerar retweets falsos, construindo televisão, comentá-lo no Twitter na ferramenta. Se todos tivessem as uma impressão de popularidade. e, posteriormente, comentá-lo com mesmas redes de contatos, o retweet Pode-se citar como exemplo o que amigos numa mesa de bar. Em cada não faria sentido. ocorreu numa promoção realizada um desses ambientes, a influência Como decorrência desse tipo de pela Nissan, em dezembro de 2010. será exercida por diferentes atores, apropriação da ferramenta, o Twitter A promoção prometia um carro para por conta de diversas variáveis poderia levar a uma espécie de po- quem conseguisse 44.500 retweets circunstanciais (conhecimento do tencialização (no sentido atribuído no Twitter, um número considera- tema, função exercida no telejor- por Palacios, 2003) dos fluxos de velmente alto. Os participantes nal, posição na mesa de bar, etc.). Considerações finais O artigo procurou discutir a cir- As características do Twitter – no- indivíduo constrói seu próprio contexto, culação de informações em um site de tadamente, o caráter não recíproco de sua própria timeline. Como resultado, redes sociais específico, o microblog suas conexões, a velocidade com que as tem-se diferentes “Twitters”, com infor- Twitter. Para tanto, procedeu-se, em informações circulam, a limitação de 140 mações variadas circulando na rede so- um primeiro momento, a uma intro- caracteres e seu caráter híbrido entre rede cial de cada indivíduo. dução aos conceitos de redes sociais e social e ferramenta de publicação – fazem Por propiciar a circulação de in- sites de redes sociais. A seguir, discu- com que a circulação de informações ob- formações de forma ágil e dinâmica, tiu-se a circulação de informações em servada nesse espaço apresente peculia- o Twitter operaria uma espécie de termos gerais, a circulação de informa- ridades. As informações costumam ser potencialização da circulação de in- ções na internet, e, após, foram traça- difundidas de forma rápida e instantânea. formações na internet, a partir de di- das considerações acerca do Twitter e Diferentes maneiras de se recuperar es- ferentes fluxos e combinações de ní- de suas especificidades para a circula- sas informações são oferecidas. Através veis comunicacionais em um mesmo ção de informações. das escolhas quanto a quem seguir, cada espaço, na mesma ferramenta.76 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 74. ReferênciasANTOUN, H.; MALINI, F. Ontologia da liberdade na rede: as KATZ, E. The Two-Step Flow of Communication: An Up-To-Date multimídias e os dilemas da narrativa coletiva dos aconte- Report on an Hypothesis. The Public Opinion Quarterly, cimentos. In: XIX Encontro da Compós, Rio de Janeiro. v. 21, n. 1, 1957, p. 61-78. Disponível em: <http://www.jstor. Anais... Rio de Janeiro, RJ, 2010. org/stable/2746790>. Acesso em: 23 julho 2009.BARABÁSI, A. Linked. Cambridge: Plume, 2003. KAYAHARA, J.; WELLMAN, B. Searching for culture – highBOYD, d. Friends, Friendsters, and MySpace Top 8: Writing Com- and low. Journal of Computer Mediated Communication, munity Into Being on Social Network Sites. First Monday, 12(3), 2007. Disponível em: <http://jcmc.indiana.edu/vol12/ v. 11, n. 12, 2006. issue3/kayahara.html>. Acesso em: 23 julho 2009.BOYD, d. Social Network Sites: Public, Private, or What? KWAK, H.; LEE, C.; PARK, H.; MOON, S. What is Twitter, a Knowledge Tree, n. 13, maio 2007. 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  • 75. Redes sociais e a análise de grandes bases de dados na web 2.0: Divulgação oportunidades e desafios Jussara M. Almeida Professora do Departamento de Ciência da Computação da UFMG. PhD em Ciência da Computação pela University of Wisconsin-Madison, EUA. Membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências, pesquisadora do CNPq e coordenadora da linha de pesquisa em Modelagem da Interação e Comportamento dos Usuários do INWeb. Divulgação Marcos A. Gonçalves Professor do Departamento de Ciência da Computação da UFMG. PhD em Ciência da Computação pela Virginia Polytechnic and State University, EUA. Membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências, pesquisador do CNPq, bolsista do Programa Pesquisador Mineiro da Fapemig e membro do INWeb. RESUMO Neste artigo, discutimos algumas oportunidades para avanços e desenvolvimentos científicos e tecnológicos rele- vantes propiciados pela análise de dados coletados de aplicações de redes sociais na web 2.0, bem como vários desa- fios que devem ser enfrentados para que essas oportunidades possam ser aproveitadas em sua plenitude. Ilustramos alguns esforços recentes de exploração dessas oportunidades no contexto do projeto GreenWeb, um dos subprojetos do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para a Web (INWeb). Redes sociais on-line e oportunidades de análises A crescente popularidade da in- dor ávido de informação, mas prin- a grande maioria dessas aplicações ternet e, principalmente, da web tem cipalmente como produtor ativo de tem foco em conteúdo multimídia – fomentado o surgimento de diversos conteúdo. As aplicações na web 2.0 vídeo, áudio, imagens, texto – e com novos tipos de aplicações – chamadas fazem uso de um modelo social e co- cunho social, no sentido de que elas coletivamente de web 2.0 – focadas laborativo onde qualquer pessoa pode fomentam o estabelecimento de dife- em um maior envolvimento do usuá- publicar, classificar e alterar o con- rentes tipos de relacionamentos entre rio final, não apenas como consumi- teúdo disponibilizado. Mais ainda, os usuários, relacionamentos estes78 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 76. que vão desde redes sociais explíci- de TV aberta nos Estados Unidos – Enquanto ambiente facilitadortas, tais como a redes de amizades do NBC, CBS e ABC – conjuntamente das mais variadas interações entreFacebook1, até redes implícitas que [13]. Como consequência dessa po- usuários, as redes sociais on-line for-emergem da similaridade de interes- pularidade crescente, vários serviços mam um “mundo paralelo” que refleteses e comportamentos e/ou do uso de de informação, tais como busca, re- padrões de comportamento observa-funcionalidades específicas do siste- comendação e publicidade, residentes dos no mundo real e que, como tal,ma. Como exemplo de redes implí- nessas aplicações têm também cresci- está intimamente ligado a ele: padrõescitas, podemos citar as comunidades do em popularidade, atendendo a uma de comportamento on-line podem tan-virtuais de usuários do Last.FM2, que fração cada vez maior dos usuários. to ser influenciados quanto podem in-compartilham interesses musicais em Como exemplo, o sistema de busca do fluenciar eventos do mundo real. Hajacomum, e as redes que emergem do YouTube foi considerado o segundo vista o amplamente divulgado papeluso de comentários e videorrespostas mais utilizado da web, estando apenas das redes sociais on-line na eleição dono YouTube3, que permitem intera- atrás do Google [14]. presidente dos EUA Barack Obama, eções entre usuários por texto e conte- Recentemente, a web 2.0 e as o impacto da morte do cantor Michaelúdo multimídia, respectivamente. redes sociais on-line vêm experimen- Jackson no uso de várias dessas apli- Algumas das aplicações da web tando uma nova evolução com o sur- cações como o Twitter5.2.0, tais como o YouTube e o Face- gimento e a crescente popularidade Logo, a enorme quantidade debook, estão entre as mais populares das chamadas Location-Based Social informação socialmente interconecta-da internet, tanto no Brasil quanto no Networks (LBSNs). Esse tipo de rede da disponível na web 2.0 abre espaçomundo, frequentemente figurando social on-line incorpora o comparti- e oportunidade para a realização deentre as cinco aplicações mais visita- lhamento e a divulgação da localiza- inúmeras análises em escalas nuncadas da internet [1]. De fato, algumas ção geográfica de lugares e usuários. antes imaginadas. Quem poderia ima-estatísticas são impressionantes. Por Locais do mundo real como universi- ginar, até alguns anos atrás, um estudoexemplo, o Facebook atualmente con- dades, empresas, cafeterias e shoppings envolvendo milhares ou milhões deta com mais de 800 milhões de usuá- podem ser cadastrados no sistema, pessoas? A partir da análise de dadosrios com seus perfis cadastrados no sis- enquanto usuários podem fazer check-in armazenados e disponibilizados paratema; isso equivale a mais de 10% da em locais previamente cadastrados, coleta em aplicações da web 2.0, issopopulação mundial! Além disso, cada divulgando sua localização geográfica já é possível.usuário mantém em média 130 amigos para seus amigos por meio da rede de Tais análises podem levar a desco-no sistema, e mais de 50% de todos os amizades. Em algumas LBSNs, como bertas e desenvolvimentos de grandeusuários acessam o sistema todo dia. o Foursquare4, usuários podem ainda relevância dos pontos de vista tecno-Já o YouTube também conta com uma deixar dicas sobre o que mais gostaram lógico, econômico e até sociológico.das maiores bases de usuários registra- ou desgostaram em um determinado Do ponto de vista tecnológico,dos que fazem upload e compartilham local previamente visitado, ou ainda a web 2.0 é ambiente perfeito para oseus vídeos a taxas espantosas [2]. marcar dicas deixadas pelos seus ami- estudo de vários temas relevantes daComo exemplo, foi reportado que a gos para serem executadas no futuro. A computação e relacionados à tecnolo-quantidade total de conteúdo em víde- popularidade das LBSNs vem crescen- gia da informação, tais como sistemasos gerados e submetidos ao YouTube do a uma taxa bastante significativa. O distribuídos, padrões de tráfego na in-pelos seus usuários durante 60 dias é Foursquare, por exemplo, dobrou a sua ternet, mineração de dados, recupera-equivalente a todo o conteúdo que te- população de usuários em apenas seis ção de informação, sistemas multimí-ria sido transmitido, sem interrupções, meses, já tendo superado a marca de dia e interação humano-computador.por 60 anos, pelos três maiores canais dez milhões de usuários. Tais estudos podem levar ao projeto e1 http://www.facebook.com2 http://www.last.fm3 http://www.youtube.com4 http://www.foursquare.com5 http://www.twitter.comDezembro de 2011 Fonte Fonte 79
  • 77. otimização de novas aplicações e ser- mando clientes de empresas, eleitores de real tanto devido a limitações físicas viços que melhor atendem às necessi- candidatos, e provendo um feedback quanto a barreiras sociais e legais que dades dos usuários. Mais ainda, con- valioso para o direcionamento futu- permitem o bom funcionamento da siderando que as redes sociais on-line ro de negócios, empresas e políticos. sociedade. Tal compreensão pode le- são atualmente responsáveis por uma A análise das redes sociais on-line e var ao desenvolvimento de novas te- fatia significativa do tráfego de dados da popularidade de conteúdo on-line orias sociológicas, que poderiam ser na internet, estudar características da também é essencial para suportar es- testadas, com mais facilidade, em am- arquitetura de sistema e do tráfego tratégias de marketing viral6, além de bientes virtuais. De forma mais geral, gerado por essas aplicações pode ser revelar novas oportunidades de negó- a análise de padrões de comportamen- importante para direcionar a próxima cios. Mais amplamente, a web 2.0 é to em redes sociais on-line pode reve- geração da infraestrutura da internet e um excelente ambiente para troca de lar propriedades e regras que gover- o projeto de sistemas de distribuição experiências, o que facilita e fomenta nam o comportamento coletivo [10], de conteúdo mais eficientes, eficazes e o estabelecimento de novas relações uma análise bem mais difícil de ser robustos [15, 18]. econômicas, além de permitir o forta- executada com pessoas selecionadas Há também inúmeras oportunida- lecimento de relações já existentes. no mundo real, devido à dificuldade des do ponto de vista econômico. Por Do ponto de vista sociológico, o de se obter amostras representativas. exemplo, a análise em tempo real de estudo de redes sociais on-line pode Elas podem ainda motivar o desen- fluxos de dados em blogs e microblogs permitir compreender melhor as inte- volvimento de novas aplicações em como o Twitter, principalmente dos rações entre pessoas em um ambiente áreas como segurança pública e saúde. usuários mais influentes em determi- social onde as regras são menos estri- Como exemplo, podemos citar pro- nados tópicos [7, 8], permite entender tas e pouco claras, onde os comporta- postas recentes de monitorar fluxos de o que pessoas estão pensando ou dis- mentos individuais e coletivos podem dados no Twitter para detectar desas- cutindo sobre determinado produto, assumir padrões difíceis de serem en- tres naturais (p. ex.: terremotos) [19] e marca, empresa ou candidato, aproxi contrados e identificados no mundo epidemias de doenças [11]. Desafios Contudo, todas essas oportunida- dados, tais como o próprio conteúdo também tendem a variar com o tem- des de análises e estudos trazem con- multimídia gerado (vídeos, áudios, fo- po, podendo mudar rapidamente em sigo grandes desafios. O mais óbvio tos), metadados textuais associados a resposta a eventos externos ou a situ- talvez seja a sobrecarga de informa- ele (p. ex.: títulos, tags), informações ações criadas dentro da própria rede ção que precisa ser tratada automati- dos perfis dos usuários, redes de re- social, como comentários impróprios camente, o que implica a necessidade lacionamentos explícitas e implícitas, ou racistas. Isso gera a necessidade de coleta, armazenamento e processa- informação geográfica de usuários e de estudar padrões de evolução e de mento de grandes volumes de dados. lugares, etc. Todos esses dados devem desenvolver técnicas de coleta, pro- Isso gera fortes demandas por proces- ser integrados e tratados de maneira cessamento e análise em tempo real, samento de alto desempenho, paralelo uniforme para permitir uma análise o que novamente tem um alto custo e distribuído, e por novos algoritmos mais completa e precisa dos dados. computacional. As variações tempo- que melhor se adequam à quantidade Mais ainda, a forma como as pes- rais implicam também a necessidade de dados e às tecnologias de processa- soas utilizam as aplicações e os con- de realizar novas coletas de dados fre- mento e armazenamento envolvidas. teúdos criados e acessados por elas quentemente, de forma a manter uma O desafio é ainda maior consideran- variam conforme suas preferências visão atualizada, o que contribui ainda do a grande diversidade de fontes de pessoais e foco de uso. Tais padrões mais para a sobrecarga de informação. 6 Marketing viral engloba técnicas de marketing que tentam explorar redes sociais preexistentes para produzir aumentos exponenciais em conhecimento de marca com processos similares à extensão de uma epidemia.80 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 78. De fato, a crescente escala das te desafiador, principalmente porque ção de conteúdo, afetando a eficáciaaplicações, tanto em termos de usuá- podem existir diferentes perspectivas dos mesmos. Em última instância, elarios cadastrados quanto em termos de de qualidade. Por exemplo, a quali- afeta a satisfação dos usuários, queconteúdo compartilhado, impossibili- dade da informação associada a um estarão sujeitos a serviços de baixata, em muitos casos, a coleta e poste- conteúdo pode variar dependendo do qualidade, além de correrem o riscorior análise de uma visão completa dos usuário (ou grupo de usuários), da apli- de acesso a conteúdos não desejadosdados. Por exemplo, a coleta comple- cação, ou ainda do uso que será feito (p. ex.: spam, pornografia).ta da rede de amizades do Facebook da informação. Fundamentalmente, ela Outro grande desafio vem doé uma tarefa que demandaria uma depende da necessidade informacional fato de que a análise de dados co-infraestrutura computacional à qual do usuário, que, por sua vez, pode va- letados de redes sociais online e apoucos grupos de pesquisa no mundo riar dependendo do tipo de aplicação. extração de informação e conheci-têm acesso. Mais ainda, a dinamici- Além disso, características da aplica- mento deles são tarefas que exigemdade dessa rede implica que, ao final ção tais como o tipo de mídia usado diferentes habilidades e, portanto,da coleta, os dados provavelmente já para disseminar informação e o seu requerem expertises distintas e com-estariam defasados. Logo, o uso de público-alvo podem também afetar a plementares tanto de computaçãotécnicas de amostragem é inevitável, percepção de qualidade. quanto de outras áreas. Mineração deo que implica análises a partir de uma Mais ainda, por se espelharem dados, recuperação de informação,visão parcial do sistema. Sendo assim, nos conceitos de colaboração e de análise e modelagem de sistemas deé de suma importância o uso de técni- relacionamentos sociais entre os usu- computação, incluindo aspectos decas de amostragem que não sejam en- ários, as redes sociais on-line estão desempenho e da carga gerada pe-viesadas, de forma a garantir amostras sujeitas a ações maliciosas e oportu- los padrões de uso, gerenciamentoque reflitam da maneira mais realista nistas, muitas delas semelhantes às de dados, interação humano-compu-possível os padrões da população de observadas na sociedade moderna. tador, redes complexas, estatística,usuários como um todo e de técnicas Exemplos de tais ações incluem vá- assim como teorias de áreas comode análises robustas frente à falta de rias formas de spamming [6] e van- ciências sociais e economia ofere-informação completa. dalismo [16], assim como o uso de cem pilares importantes que podem Outra característica de aplicações funcionalidades do sistema (p. ex.: re- subsidiar análises e estudos maisda web 2.0 que impacta de forma cru- comendações, comentários, etc.) para concludentes. Logo, uma abordagemcial tanto a análise quanto a eficiência difamar outro usuário ou o conteúdo multidisciplinar é prática importante,e a eficácia dessas aplicações é que, por ele disponibilizado, ou para se mas que agrega uma série de outrostipicamente, não há nenhum tipo de promover ou promover o seu próprio desafios tais como o gerenciamentocontrole editorial sobre o conteúdo ge- conteúdo. Tais ações contribuem para de práticas, métodos e até mesmo derado pelos usuários. De fato, a maior aumentar ainda mais a poluição de culturas diferentes.liberdade e facilidade de criação de conteúdo na web 2.0. Todos esses desafios, aliados àsconteúdo pelas novas plataformas e Os impactos dessa falta de contro- oportunidades de avanços científicosaplicações levaram à geração massiva le de qualidade na web 2.0 podem ser e tecnológicos significativos, têmde conteúdos, muitos dos quais sem sentidos em quase todos os aspectos atraído a atenção de interessados tan-nenhum compromisso com qualidade do sistema. Por um lado, ela leva ao to da academia quanto da indústria.(seja sintática ou semântica). Como desperdício de recursos de processa- Em particular, os principais fórunsconsequência, informações errôneas mento, armazenamento e transmissão de discussão científica têm recebidoe o uso de linguagem extremamente com conteúdo sem qualidade ou irre- uma gama variada de estudos sobreinformal e pouco precisa levam a uma levante, o que indiretamente impacta, diferentes aspectos de redes sociaisgrande quantidade de lixo e ruído in- de forma negativa, o desempenho on-line e aplicações da web 2.0, in-formacional, ou simplesmente polui- das várias aplicações. Por outro lado, cluindo análises de padrões de com-ção de conteúdo [3, 4]. Essa poluição a grande quantidade de conteúdo de portamento e interações entre usu-torna o problema de “separar o joio do baixa qualidade polui os resultados ários, modelos de disseminação detrigo” bem mais complexo do que na de serviços de busca e recomendação, informação e conhecimento e novosweb tradicional, onde ele já era bastan- bem como mecanismos de distribui- mecanismos e técnicas para otimiza-Dezembro de 2011 Fonte Fonte 81
  • 79. ção de serviços especializados como Tecnologia para Web (INWeb), que valor a várias aplicações e serviços. busca, recomendação e propagan- visa fundamentar o desenvolvimento A seguir, apresentamos exemplos de da. Citamos, por exemplo, o proje- de técnicas e ferramentas para me- avanços científicos desenvolvidos no to GreenWeb, desenvolvido dentro lhorar a qualidade da informação na contexto desse projeto que abordam do Instituto Nacional de Ciência e web 2.0, contribuindo para agregar alguns dos desafios já citados. GreenWeb: em direção a uma web mais limpa O projeto GreenWeb [3, 4] está adequado (isto é, com maior qualida- para estudantes e interessados das focado em três pilares principais: de) ao seu perfil; mais diversas áreas e graus de instru- aumentar a qualidade da informação (3) estratégias para promoção de ção. Entretanto, enquanto ambiente disponibilizada aos usuários, reduzir conteúdo de mais alta qualidade, as- de criação de conteúdo colaborativo, a poluição de conteúdo (ou conteú- sim como para a detecção e redução a Wikipedia está sujeita a diversas do de baixa qualidade) e manter uma da poluição no sistema; e ações de vandalismo tais como a in- relação entre custos e benefícios fa- (4) modelos e técnicas que per- serção, a remoção ou a mudança de vorável tanto para usuários quanto mitam a comunicação, através da in- conteúdo, visando deliberadamente a para administradores de sistemas. terface, da qualidade da informação, comprometer a integridade e a con- Embora o conceito de “qualidade sendo apresentada visando a apoiar o fiabilidade do artigo. A estimativa da da informação” seja intuitivo, uma usuário na identificação de conteúdo qualidade de artigos nesse ambiente definição explícita do mesmo é um de alta qualidade. é portanto essencial para garantir a desafio. Para o GreenWeb, um con- O desenvolvimento desses com- confiança do leitor no conteúdo ao teúdo tem qualidade se a informação ponentes é embasado na análise de qual ele está sendo exposto. Alguns associada a ele é relevante, atende dados reais coletados de diferentes esforços no sentido de definir crité- às necessidades e/ou agrega valor a aplicações e redes sociais da web 2.0. rios para estimar essa qualidade são serviços e aplicações para um con- Logo, a coleta, o processamento, o ar- baseados em análise manual e, por- junto de usuários. Logo, o conceito mazenamento em repositório (p. ex.: tanto, não escalam frente ao volume de qualidade vai além de aspectos banco de dados) e a análise frequentes e à velocidade com que o conteúdo sintáticos e semânticos do conteúdo de dados reais são etapas primordiais é atualizado [12, 20]. Logo, soluções e incorpora aspectos relacionados que subsidiam o desenvolvimento automáticas para produzir estimati- às necessidades informacionais dos desses componentes. vas de qualidade são necessárias. usuários e características específicas Dados o alto grau de subjetivida- Uma solução, desenvolvida den- dos serviços e aplicações. de e as diferentes perspectivas pos- tro do projeto GreenWeb, explora Para atingir seus objetivos, o síveis para a análise de qualidade de apenas características extraídas do projeto GreenWeb prevê o desenvol- informação na web 2.0, soluções efi- próprio artigo, tais como característi- vimento coordenado de quatro gran- cazes e eficientes para os componen- cas da sua estrutura (número e tama- des componentes: tes acima descritos exigem instancia- nho das seções, número de citações), (1) técnicas e métricas para es- ções para contextos específicos. Três características de estilo (tamanhos do timar qualidade da informação asso- instâncias particulares em desenvolvi- maior e do menor parágrafo, uso de ciada a um dado conteúdo extraído mento no GreenWeb são: a estimativa advérbios e pronomes) e caracterís- da web; de qualidade de artigos na Wikipedia7, ticas relativas ao tamanho do artigo. (2) modelos e métodos para in- a recomendação de tags e a detecção A solução desenvolvida, baseada em ferir perfis de uso e de interesses dos de usuários poluidores de conteúdo técnicas de aprendizado de máquina, usuários, visando assim facilitar a no YouTube. produziu estimativas melhores que as identificação de suas necessidades A Wikipedia é atualmente mui- abordagens alternativas. Tais estima- informacionais e do conteúdo mais to usada como fonte de informação tivas podem ser usadas como indica- 7 http://www.wikipedia.org82 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 80. dores de documentos que necessitam candidatos como tags para um dado assim poluição de conteúdo. As análi-revisão, para identificar vandalismo conteúdo-alvo da recomendação, e (3) ses realizadas levaram à identificaçãoou para recomendar artigos baseados métricas que tentam capturar os perfis de dois tipos de usuários poluidores.em sua qualidade estimada. de interesse dos usuários a partir de Spammers são usuários que introdu- Diversas aplicações populares seu histórico de uso de tags, possibili- zem vídeos não relacionados em res-da web 2.0 permitem aos usuários a tando assim a recomendação persona- posta a vídeos populares, visando atraircriação e livre atribuição de tags, ou lizada de tags. A exploração conjunta a audiência destes e aumentar a visibi-palavras-chave, aos conteúdos a fim de diferentes dimensões do problema lidade de seus próprios vídeos. Obser-de prover uma melhor organização e levou a ganhos significativos sobre vou-se que spammers frequentementedescrição dos mesmos. De fato, tags as soluções alternativas disponíveis, introduziam videorrespostas contendoconstituem atualmente uma das prin- motivando o desenvolvimento de propaganda ou conteúdo pornográfico.cipais fontes de dados para suportar uma ferramenta protótipo – Green- Promotores são usuários que postama execução de diferentes serviços de Meter [17]. O GreenMeter engloba um grande número de vídeos, na suarecuperação de informação como bus- um estimador de qualidade de tags maioria não relacionados e, por vezes,ca, recomendação de conteúdo e clas- e de nuvens de tags, bem como um sem nenhum conteúdo válido, em res-sificação automática [9]. Entretanto, recomendador de tags de qualidade. posta ao seu próprio vídeo, visandovários estudos indicam que as tags, Desenvolvido como um plug-in para o inflar, artificialmente, os contadoressendo frequentemente criadas pelos browser, ele atualmente está disponí- internos mantidos pelo YouTube (p.próprios usuários finais, sofrem com vel para a aplicação Last.FM. ex.: número de videorrespostas) a fimproblemas de qualidade tais como o Uma terceira instância de pro- de que seu vídeo venha a ser inseridouso de termos vagos ou poucos descri- blema de qualidade em aplicações na lista de mais respondidos, divulgadativos, termos sintaticamente incorretos de redes sociais on-line abordada no na página principal da aplicação.e mesmo termos não relacionados ao GreenWeb é a detecção de usuários A identificação desses dois ti-conteúdo ao qual eles estão associa- poluidores de conteúdo, isto é, usuá- pos de usuários poluidores motivoudos [5]. É importante deixar claro que rios que introduzem conteúdo poluí- o desenvolvimento de um mecanis-esses problemas de qualidade afetam do no YouTube. O foco particular do mo de detecção automático. O me-diretamente a eficácia dos vários ser- estudo foi o uso de videorrespostas. canismo desenvolvido utiliza técni-viços que exploram tags como fontes Diferentemente de várias outras apli- cas de aprendizado de máquina parade dados. Por exemplo, um conteú- cações, o YouTube permite a interação inferir padrões de comportamentodo ao qual foram associadas apenas entre usuários por meio de vídeos: um dos usuários a partir de evidênciastags de baixa qualidade pode não ser usuário pode introduzir um vídeo no coletadas do sistema. As evidênciasfacilmente recuperado em buscas fu- sistema e associá-lo como uma res- consideradas incluem característi-turas dos usuários. Logo, o projeto de posta a outro vídeo criado por outro cas do perfil do usuário, tais comomecanismos de recomendação de tags usuário. Assim, uma premissa básica número de amigos e frequência dede qualidade, visando indiretamente para o uso dessa funcionalidade é que upload de vídeos, características dosmelhorar a eficácia de serviços de re- o videorresposta está relacionado, de vídeos respondidos e criados pelocuperação de informação, é um tópi- alguma forma, com o vídeo respondi- usuário, tais como a popularidadeco muito explorado atualmente, tanto do. Entretanto, algumas análises ini- desses vídeos, e características dospela academia quanto pela indústria. ciais dos padrões de uso dessa funcio- relacionamentos estabelecidos peloEm particular, dentro do GreenWeb, nalidade revelaram a sua exploração usuário com outros usuários do sis-foram desenvolvidas várias estraté- para ações maliciosas e oportunistas tema por meio da funcionalidade degias que exploram conjuntamente: (1) que resultavam na introdução no sis- videorrespostas. A solução desen-padrões de coocorrência de tags infe- tema de videorrespostas sem nenhum volvida levou à criação de modelosridos a partir da análise de dados (isto relacionamento semântico com o ví- de comportamento que permitiramé, conteúdos e seus metadados asso- deo respondido. Esses videorrespos- distinguir, com boa eficácia, usuáriosciados) coletados de várias aplicações tas afetam a eficiência e a eficácia da spammers e promotores dos demais.populares, (2) várias métricas que aplicação, bem como a satisfação dos Em suma, a web 2.0 e as redesvisam estimar a qualidade de termos usuários com a mesma, constituindo sociais on-line refletem padrõesDezembro de 2011 Fonte Fonte 83
  • 81. do mundo real e da sociedade em bem como avanços tecnológicos em constante evolução e mudança. que vivemos e, portanto, trazem significativos para vários setores Novas aplicações – com suas novas consigo inúmeras oportunidades da sociedade. Entretanto, os desa- funcionalidades e interfaces – sur- de análises em larga escala que, fios não são poucos. Esforços co- gem rapidamente, atraindo a aten- até recentemente, não eram possí- ordenados e direcionados, como ção dos usuários. Logo, ainda há, e veis. Tais análises podem subsidiar o do projeto GreenWeb, ilustram provavelmente haverá por um bom avanços científicos relevantes em alguns dos resultados já obtidos. tempo, espaço e necessidade para diferentes áreas do conhecimento, Porém, a web 2.0 é um ambiente muitas investigações. Referências [1] Alexa – The Web Information Company, http://www.alexa.com. [11] CULOTTA, A. Towards Detecting Influenza Epidemics [2] comScore – comScore Releases July 2011 U.S. Online Video by Analyzing Twitter Messages, Workshop on Social Me- Rankings, http://www.comscore.com/Press_Events/Press_ dia Analytics (SOMA), in conjunction with the Internatio- Releases/2011/8/comScore_Releases_July_2011_U.S._On- nal Conference on Knowledge Discovery and Data Mining line_Video_Rankings. Acessado em: novembro 2011. (KDD), 2010. [3] ALMEIDA, J. M.; GONÇALVES, M. A.; PRATES, R. [12] DONDIO, P.; BARRETT, S.; WEBER, S.; SEIGNEUR, J. Ex- Towards the “GrenWeb”: Fighting Pollution and tracting Trust from Domain Analysis: A Case Study on the Promoting High Quality Content on the Web, Proc. 3rd Wikipedia Project, Autonomic and Trusted Computing, 2006. International ACM Conference on Web Science, 2011. [13] HEFFERNAN, V. Uploading the Avant-Garde, The New [4] ALMEIDA, J. M.; GONÇALVES, M. A.; PRATES, R.; HA- York Times, Setembro 3, 2009. Disponível em: http://www. SAN, D.; GUIMARÃES, D.; OLIVEIRA, D.; BELÉM, F.; F. nytimes.com/2009/09/06/magazine/06FOB-medium-t.html. FIGUEIREDO, F.; LANGBEHN, H.; H. PINTO, H.; LARA, Acessado em: novembro 2011. R.; RICCI, S.; BENEVENUTO, F. GreenWeb: Melhorando [14] HELFT, M. Search Ads Come to YouTube, The New York a Qualidade da Informação na Web 2.0, Anais do XXXVIII Times, Outubro 13, 2008. Disponível em: http://bits.blogs. Seminário Integrado de Software e Hardware (SEMISH), 2011. nytimes.com/2008/10/13/search-ads-come-to-youtube/. [5] J. M. ALMEIDA, J. M.; GONÇALVES, M. A.; FIGUEIREDO, Acessado em: novembro 2011. F.; BELÉM, F.; PINTO, H. On the Quality of Information [15] KRISHNAMURTHY, B. A Measure of Online Social for Web 2.0 Services, IEEE Internet Computing, 14(6), 2010. Networks, Proc. of the 1st International Conference on [6] BENEVENUTO, F.; RODRIGUES, T.; ALMEIDA, V.; AL- Communication Systems and Networks (COMSNETS), 2009. MEIDA, J.; GONÇALVES, M. A. Detecting Spammers and [16] POTTHAST, M.; HOLFELD, T. Overview of the 2nd Interna- Content Promoters in Online Video Social Networks, Proc. tional Competition on Wikipedia Vandalism Detection. CLEF ACM SIGIR Conference, 2009. (Notebook Papers/Labs/Workshop), 2011. [7] BIGONHA, C. A. S.; CARDOSO, T. N. C.; MORO, M. M.; [17] RICCI, S.; GUIMARÃES, D. A.; BELÉM, F. M.; ALMEIDA, ALMEIDA, V. A. F.; M. A. GONÇALVES, M. A. De- J. M.; GONÇALVES, M. A.; PRATES, R. O. GreenMeter: tecting Evangelists and Detractors on Twitter, Anais A Tool for Assessing the Quality and Recommending Tags do Simpósio Brasileiro de Sistemas Multimídia e Web for Web 2.0 Applications, Proc. ACM SIGIR Conference - (WebMedia), 2010. Demo Session, 2011. [8] CHA, M.; HADDADI, H.; BENEVENUTO, F. and GUMMA- [18] RODRIGUEZ, P. Web Infrastructure for the 21st Cen- DI, K. P. Measuring User Influence in Twitter: The Million tury, Keynote Talk at the World Wide Web (WWW) Con- Follower Fallacy, Proc. of the 4th International AAAI Con- ference, 2009. Disponível em: http://www2009.org/pdf/ frence on Weblogs and Social Media (ICWSM), 2010. www2009PabloRodriguezKeynote.pdf. Acessado em: [9] CLEMENTS, M.; VRIES, M. A. de; and REINDERS, M. The Task novembro 2011. Dependent Effect of Tags and Ratings on Social Media Access, [19] SAKAKI, T.; OKAZAKI, M.; MATSUO, Y. Earthquake ACM Transactions on Information Systems (TOIS), 28(4), 2010. Shakes Twitter Users: Real-Time Event Detection by So- [10] CRANE, R. and SORNETTE, D. Robust Dynamic Clas- cial Sensors, Proc. World Wide Web Conference, 2010. ses Revealed by Measuring the Response Function of a [20] SANTOS, R. L.; PRATES, R. O. Estratégias para Comuni- Social System, Proc. of the National Academy of Sciences car Qualidade na Wikipédia, Anais do Simpósio de Fatores (PNAS), 105(41):15649-15653, 2008. Humanos em Sistemas Computacionais (IHC), 2010.84 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 82. A política de inclusão digital e o fortalecimento da sociedade em rede no Brasil Divulgação Lygia Pupatto Secretária de Inclusão Digital do Ministério das Comunicações. Foi secretária de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, presidente do Conselho Superior da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do PR (Fundação Araucária), presidente do Conselho de Administração do Instituto de Tecnologia do PR (Tecpar), membro do Conselho de Ciência e Tecnologia do Estado do PR e reitora da Universidade Estadual de Londrina. RESUMO Em países em transição para uma sociedade em rede, como é o caso do Brasil, não basta o reconhecimento formal do direito à comunicação e à informação. Para que esse direito se efetive, é necessário enfrentar as diferenças regionais, sociais e de renda, e consolidar as políticas de inclusão digital em compasso direto com as políticas sociais. Esse é o caminho para que a diferença de acesso às TICs não se torne um fator de estran- gulamento da redução das desigualdades no país. O mundo em que vivemos passa A partir dessas novas tecnolo- se constituem como os mais impor-por mudanças profundas, especial- gias, fenômenos característicos da tantes canais de mediação da vidamente na forma de organização da modernidade, como a diluição do moderna, tornando-se cada vez maissociedade. Ao contrário do que se espaço no tempo (compressão espa- os meios preferenciais de ampliaçãoobservava até pelo menos o início ço-tempo) responsável por ampliar das relações sociais; de intercâmbiodos anos 1970, a sociedade atual não a escala das relações sociais, inten- financeiro, comercial e cultural entreé mais mediada exclusivamente pela sificaram-se ainda mais, abrindo ca- povos e nações; e de fronteira paracomunidade local ou pela comu- nais para atravessamentos culturais, inovações tecnológicas. Da educa-nidade ampliada representada pelo aproximando pessoas e lugares e fa- ção à cultura, passando pelo entre-Estado-nação. Nessa sociedade em cilitando a formação de comunidades tenimento, pelos setores dinâmicostransformação, muito em decorrên- em diferentes níveis, as quais se ar- da economia e da sociedade, pelocia do advento e uso em larga escala ticulam em um emaranhado de redes. cotidiano dos indivíduos, nas suasda internet, do microprocessador, da Estamos vivendo, sem sombra relações profissionais, sociais, defibra ótica e dos computadores pes- de dúvida, um processo de ruptura aprendizagem e até mesmo afetivas,soais – tecnologias que contribuíram caracterizado pela constituição de um ou seja, em praticamente todos ospara inaugurar a chamada era digi- tipo de sociedade que, concordando campos da vida humana, é possíveltal – novas redes de relações são com Castells, pode ser definida como identificar a mediação das TICs .possíveis, transcendendo a linea- uma sociedade em rede. Nesse novo Fica cada vez mais evidente queridade das formas de organização do contexto de sociedade, as tecnologias na sociedade em rede todos os pro-passado recente. da informação e comunicação (TICs) cessos de escolha e de autonomia dosDezembro de 2011 Fonte Fonte 85
  • 83. indivíduos, toda a sua capacidade de para o exercício da cidadania tem dadãos, respectivamente, usando a exercer plenamente a sua cidadania, sido quase automático. Entretanto, internet, conforme dados do relatório passam pela sua interação com as em países em transição para uma – 2011, publicado pela União In- novas mídias; mais especificamente sociedade em rede, como é o caso ternacional de Telecomunicações pelos equipamentos, ferramentas, do Brasil, em que a separação entre (UIT). Além disso, as diferenças conteúdos e aplicativos conectados aqueles que usam e aqueles que não internas são ainda mais acentuadas, em rede que permitem o acesso à co- usam a internet apresenta relação revelando uma forte correlação en- municação e à informação. Tendo em direta com as diferenças regionais, tre as condições socioeconômicas de vista a sua importância para o exer- sociais e de renda, o processo de re- cada estado ou região e a proporção cício da cidadania, faz-se necessário conhecimento desses direitos não é de domicílios com acesso a computa- que o direito à comunicação e à infor- tão óbvio e depende sobremaneira de dores e à internet. mação seja reconhecido como parte uma ação efetiva do Estado. No Brasil, como mostra a ta- dos chamados direitos de terceira Os resultados recém-publicados bela que segue, verifica-se desde o geração, ou seja, os direitos coletivos do Censo 2010 são bastante revela- caso do Maranhão, com 13,5% dos e difusos cuja titularidade é atribuída dores dessa realidade. Apesar de o domicílios com microcomputador e a grupos humanos organizados em número de domicílios com computa- 9,7% com acesso à internet (indica- comunidade, como família, povo, dor e acesso à internet ter aumentado dores próximos aos de um país como nação, coletividade regional ou ética. em relação aos dados do Censo de Zimbabue, que conta com 11,5% da Nos países em franco processo 2000 (passando de 10,8% para 38,3% sua população utilizando a internet), de adaptação ao contexto da so- dos domicílios com computadores e até o caso do Distrito Federal, com ciedade em rede, os quais coinci- de 0,5% para 30,7% dos domicílios 62,6% dos seus domicílios com mi- dem com o mesmo grupo de países com acesso à internet), os resultados crocomputador e 55,0% com acesso avançados em termos de instituições alcançados ainda estão muito aquém à internet, indicadores estes que são democráticas e de baixa desigual- de países como Alemanha, França, comparáveis aos de um país como dade social e econômica, o reconhe- Grã-Bretanha, EUA e mesmo Coreia a Espanha, que conta com 66% dos cimento do direito à comunicação e à do Sul, os quais já contam com 82%, seus cidadãos utilizando a internet. informação como fator determinante 80%, 85%, 79% e 84% dos seus ci- GRANDES DOMICÍLIOS PARTICULARES PERMANENTES REGIÕES E TOTAL DE COM MICROCOMPUTADOR COM ACESSO À INTERNET UNIDADES DA FEDERAÇÃO DOMICÍLIOS TOTAL % TOTAL % BRASIL 57.315.199 21.937.198 38,3 17.596.804 30,7 NORTE 3.977.329 900.656 22,6 612.426 15,4 Rondônia 458.547 132.545 28,9 103.120 22,5 Acre 190.636 46.590 24,4 36.496 19,1 Amazonas 799.314 211.872 26,5 132.536 16,6 Roraima 115.742 30.877 26,7 20.205 17,5 Pará 1.858.681 349.645 18,8 231.089 12,4 Amapá 156.144 41.625 26,7 25.970 16,6 Tocantins 398.265 87.502 22,0 63.010 15,886 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 84. NORDESTE 14.921 297 3.161.316 21,2 2.498.835 16,7 Maranhão 1.653.783 222.739 13,5 159.724 9,7 Piauí 848.341 129.896 15,3 94.544 11,1 Ceará 2.364.993 454.252 19,2 348.128 14,7 Rio Grande 899.498 228.069 25,4 178.508 19,8 do Norte Paraíba 1.080.640 233.145 21,6 186.556 17,3 Pernambuco 2.546.534 610.203 24,0 487.583 19,1 Alagoas 842.636 169.995 20,2 132.740 15,8 Sergipe 591.305 144.505 24,4 111.432 18,8 Bahia 4.093.567 968.512 23,7 799.620 19,5 SUDESTE 25.193 971 12.082 444 48,0 9.968.475 39,6 Minas Gerais 6.026.685 2.288.966 38,0 1.775.428 29,5 Espírito Santo 1.101.139 450.546 40,9 370.328 33,6 Rio de Janeiro 5.242.841 2.549.465 48,6 2.109.463 40,2 São Paulo 12.823.306 6.793.467 53,0 5.713.256 44,6 SUL 8.890.169 4.096.741 46,1 3.156.351 35,5 Paraná 3.298.060 1.491.684 45,2 1.169.100 35,4 Santa Catarina 1.992.891 1.003.245 50,3 768.646 38,6 Rio Grande 3.599.218 1.601.812 44,5 1.218.605 33,9 do Sul CENTRO-OESTE 4.332.433 1.696.041 39,1 1.360.717 31,4 Mato Grosso 758.625 267.219 35,2 210.890 27,8 do Sul Mato Grosso 914.569 310.610 34,0 240.124 26,3 Goiás 1.885.291 633.628 33,6 484.382 25,7 Distrito Federal 773.948 484.584 62,6 425.321 55,0 Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2010 Ou seja, no caso do Brasil não ras da sociedade acabará por se tornar ra de conexão e de promoção de açõesbasta o reconhecimento formal do di- mais um fator de estrangulamento da para desenvolvimento de conteúdos ereito à comunicação e à informação. redução das desigualdades no país. aplicações, pretende alcançar a metaPara que esses direitos se efetivem, Com o intuito de corrigir es- de 35 milhões de domicílios com aces-faz-se necessário ampliar e consoli- sas distorções e aumentar o número so à internet até 2014, o que representadar as políticas de inclusão digital em de pessoas com acesso à internet, o cerca de 75% da população brasileira.compasso direto com as políticas so- governo federal lançou o Programa Por si só, ações desse tipo, queciais e de distribuição de renda, caso Nacional de Banda Larga (PNBL), o atuam mais fortemente no lado dacontrário, a acentuação dessa dife- qual, por meio de diversas ações regu- oferta de infraestrutura e de serviços,rença de acesso às TICs nas estrutu- latórias, da ampliação da infraestrutu- não serão suficientes para garantirDezembro de 2011 Fonte Fonte 87
  • 85. o cumprimento dessa meta e a pro- mo utilizado pelos conglomerados de Por fim, a política de inclusão moção da inclusão digital de uma mídia para fechar e cobrar pelo acesso digital também precisa considerar as parcela significativa da população. a determinadas grades de programa- possibilidades abertas pelo conjunto Para promover a inclusão digital, ção, contribuindo para segmentar dessas tecnologias, as quais permitem além da disponibilização do acesso excessivamente o público e restringir que qualquer pessoa, de posse de um por meio da oferta de infraestrutura o acesso à informação. Isso ocorre computador pessoal ligado à internet de equipamentos e sinal de internet, porque, ao longo da cadeia produtiva e de equipamentos de áudio e vídeo, também se faz necessário garantir a do audiovisual, a convergência de mí- esteja apta a produzir e transmitir disponibilização de conteúdos ade- dia se dá na etapa de empacotamento conteúdos até mesmo pelas redes so- quados e a capacitação dos usuários. e distribuição de conteúdos. Ou seja, ciais. Nesse sentido, essas políticas No caso da disponibilização de justamente na etapa em que as empre- precisam investir nos instrumentos de conteúdos adequados, as ações a serem sas de TV por assinatura definem a promoção da “Comunicação Comu- implementadas devem envolver as programação a ser exibida e distribuí- nitária” com o objetivo de reforçar os dimensões da acessibilidade (adap- da entre seus assinantes. canais de reconhecimento da cidada- tação às necessidades especiais dos Nessa perspectiva, também se faz nia e de fomento ao desenvolvimento usuários), da usabilidade (adequação necessário investir em mecanismos local. A experiência tem mostrado, à plataforma de acesso) e inteligibili- para popularização da TV digital e em que comunicação comunitária, quando dade (que significa tornar a linguagem canais públicos de radiodifusão e lan- fomentada em áreas excluídas e de acessível e apropriada aos usuários). çar mão de mecanismos regulatórios periferia, além de se constituir um Já com relação à capacitação dos para garantir espaço para a produção poderoso instrumento de educação e usuários, esta deve ser focada no le- nacional de conteúdos, especialmente cidadania, tende a gerar um capital so- tramento digital daqueles que sequer a produção independente. A aprovação cial que contribui para a potencializa- conseguem ligar os equipamentos, na da Lei nº 12.485, que abre o mercado ção dos canais de efetivação do exer- capacitação dos profissionais de apoio de cabo para empresas de capital es- cício pleno da cidadania e a promoção e na capacitação na dimensão compor- trangeiro e às empresas de telecomu- do desenvolvimento local. tamental, de modo a gerar interesse e nicações e, ao mesmo tempo, estabele- Viabilizando a formação de uma despertar confiança nos usuários. rede digital voltada para a troca de ex- ce cotas para conteúdos nacionais e Considerando as deficiências periências e de conteúdos, a política de independentes nos pacotes de canais a educacionais existentes no Brasil, em inclusão digital pode contribuir para serem ofertados, foi um grande passo que uma parcela significativa da popu- ampliar os canais de mediação e para nessa direção. lação (superior a 10%) ainda é anal- viabilizar uma inclusão que se pode- O desafio passa a ser agora garan- fabeta, os desafios de adequação de ria denominar de “transformadora”. tir a regulamentação e implementação conteúdos e capacitação dos usuários Ou seja, uma inclusão que, ao con- dessa lei, uma vez que a oferta de TV para inclusão digital são, sem dúvida, trário das perspectivas reducionistas por assinatura ainda é bastante restrita os mais difíceis a serem enfrentados, mais comumente aplicadas no âmbito pois precisam estar integrados com as no Brasil, ficando reduzida a pouco das políticas públicas, não pretende políticas educacionais do país. mais de 250 municípios, não tendo considerar separadamente os campos Além desses aspectos que en- alcançado sequer dez milhões de as- social, econômico, cultural, digital volvem os campos específicos das sinantes em todo o país. Entretanto, e político, mas sim conjuntamente, telecomunicações, da inclusão digital o esforço de pôr em prática a Lei nº procurando oferecer às diversas co- e das políticas industriais para redução 12.485 é necessário não somente para munidades que integram a sociedade de preços e aumento da oferta de equi- garantir o acesso à programação das brasileira conteúdos que permitam aos pamentos para acesso à internet, ain- TVs por assinatura, mas também para seus cidadãos atuarem de forma ativa da há o desafio de implementação ampliar as possibilidades de acesso à para modificar a realidade que os cer- de políticas e ações regulatórias para internet, considerando que, de acordo ca. Isso significa garantir a essas co- popularizar os meios de transmissão com informações da própria Anatel, a munidades autonomia, capacidade de digital de rádio e TV, bem como para penetração da banda larga nos domicí- ser protagonista nas decisões que di- evitar a constituição dos chamados lios é maior nos municípios que pos- zem respeito a sua comunidade e, por- “jardins murados”, ou seja, o mecanis- suem outorga de TV a cabo. tanto, ao seu próprio tempo histórico.88 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 86. Governo de Minas Gerais 2.0 Fernando Vieira Braga Divulgação Mestre em Administração Pública/Gestão da Informação pela Fundação João Pinheiro, graduado em Ciências da Computação e em Tecnologia de Processamento de Dados pela UFMG, com especialização em Administração de Marketing (Fundação João Pinheiro) e Gestão Empresarial (Fundação Getúlio Vargas). Trabalha com tecnologia da informação e comunicação desde 1975. Atuou nas áreas de desenvolvimento de aplicações, suporte, planejamento de capacidade e desempenho, metodologia, segurança da informação e tecnologia. Atualmente trabalha com arquitetura de soluções, desenvolvendo projetos e produtos de TIC com utilização de biometria e certificação digital na Prodemge. RESUMO O artigo apresenta alguns conceitos das ferramentas da web 2.0, faz uma análise do potencial do uso desses recursos para ações de governo e relaciona as iniciativas do governo de Minas Gerais de interação com a so- ciedade. Cita alguns exemplos do uso desses recursos pelos órgãos de governo em sites, redes sociais e outras ferramentas disponíveis na internet. Apesar de não se constituir em ferramenta da web 2.0, o m-gov também é tratado neste artigo, pois se trata de uma forma eficiente de relacionamento do governo com a sociedade. Ao final, o artigo aborda os elementos fundamentais para o sucesso da implementação de ações de relaciona- mento social pelos órgãos de governo. Palavras-chave: governo 2.0; ferramentas da web 2.0; mídia social.Introdução A primeira razão para a existência gindo com a sociedade em diferentes da web, dotada de ferramentas de in-do governo é a proteção aos seus gover- frequências de tempo e em contextos teração social, com a participação donados. É para o cidadão que se governa, variados. Um canal de comunicação indivíduo na geração de conteúdos ee todos os serviços públicos devem ser interativo é um instrumento funda- trabalhos colaborativos.disponibilizados para atender a seus an- mental para se conhecer as necessida- O uso de ferramentas da web 2.0seios, sejam eles de melhor educação, des dos cidadãos e disponibilizar in- passou a ser o foco dos governos atu-saúde e segurança, sejam eles de neces- formações de forma transparente. Web ais para se relacionar com os cidadãos.sidades para o desenvolvimento social 2.0 foi o termo cunhado pelas empre- Dessa relação surgiu a expressão go-das pessoas, através de programas de sas O’Reilly Media e pela MediaLive verno 2.0, como uma maneira de os ci-infraestrutura, proteção do meio am- International como denominação para dadãos, por meio de ferramentas aber-biente e incentivo à produção. uma série de conferências, que tive- tas e livres, relacionarem-se com seus Os governos podem ser vistos ram início em outubro de 2004, fazen- governos, passando a ser atores ativoscomo qualquer grupo social, intera- do uma analogia a uma nova versão nesse relacionamento. Dessa forma,Dezembro de 2011 Fonte Fonte 89
  • 87. os cidadãos participam dos governos, das iniciativas do governo no sentido de Através da customização dos portais opinando nas políticas públicas e re- interagir e prestar um melhor serviço ao dos órgãos governamentais, para serem cebendo mais informações e serviços. cidadão, mesmo que não possa ser con- acessados pelos celulares e smartphones, O m-gov, ou seja, governo móvel, é siderado como ferramenta da web 2.0. tablets, etc., e do uso do SMS (Short também um instrumento muito impor- O m-gov pode ser entendido como uma Message Service), o governo tem dis- tante no relacionamento com o cidadão extensão do governo eletrônico para ponibilizado novos e velhos serviços à e será tratado neste artigo como uma plataformas de comunicação móvel. sociedade e interagido com os cidadãos. 2 Aplicações da web 2.0 Várias iniciativas no mundo e no é um elemento importante para prover zados para dinamizar a prestação dos Brasil ilustram a utilização da web a interatividade entre os atores interes- serviços públicos. Com a dissemina- 2.0 como plataforma tecnológica para sados em melhorar a prestação de ser- ção do conhecimento, o trabalho co- construir uma via de duas mãos, que, viços públicos. Segundo Primo (2005), laborativo e o envolvimento de diver- por um lado, facilita a disponibilização as relações na rede podem ser tanto sos atores, o serviço público pode ser de informações e serviços por parte do entre indivíduos como entre pessoas e prestado, não só pelo governo, mas governo e, por outro, viabiliza a cons- mecanismos digitais. Os relacionamen- também através de qualquer combina- trução de novos serviços de interesse tos podem acontecer de várias formas: ção de organizações governamentais, da sociedade, pela comunidade de ci- entre amigos (próximos), entre pessoas ONGs, setor privado, comunidade ou dadãos em trabalho colaborativo. Além ainda desconhecidas (distantes), com pelo próprio cidadão. disso, a web 2.0 permite a criação de programas (interações reativas a spam Algumas formas de utilização um canal de comunicação para a inte- ou vírus) ou entre pessoas interagindo da web 2.0 para atender aos anseios ração entre o governo e o cidadão. com a coletividade (macrointeragentes). de governo e cidadãos de um me- A utilização de ferramentas que É importante salientar que os lhor relacionamento podem ser ci- possibilitam a criação de redes sociais recursos da web 2.0 podem ser utili- tadas como: 2.1 Participação social A participação da sociedade jun- dida em que permitem a participação do iniciativas dos órgãos governamentais to aos portais de e-gov é um condu- cidadão na construção de novos conte- de construir um canal de comunicação tor para o desenvolvimento de por- údos e na discussão de ideias. O cida- com os cidadãos. Surgem as possibili- tais com o objetivo de disponibilizar dão deixa de ser usuário de um portal, dades de colaboração social dos cida- conteúdos e serviços de real utilidade aquele que usa a informação, passando dãos e usuários consumidores dos ser- para a sociedade. àquele que participa de sua construção, viços públicos e a colaboração social As ferramentas da web 2.0 poten- avaliação e contextualização. de potenciais provedores não governa- cializam uma mudança cultural, na me- A colaboração social extrapola as mentais de serviços públicos. 2.2 Abertura de dados A abertura de dados é totalmente serão prestadas no prazo da lei, administração pública direta e in- fundamentada na Constituição Fede- sob pena de responsabilidade, direta, regulando especialmente: ral (BRASIL, 1988), que em seu Art. ressalvadas aquelas cujo sigilo I - as reclamações relativas 5º, Inciso XXXIII estabelece: seja imprescindível à segurança à prestação dos serviços públi- “todos têm direito a receber da sociedade e do Estado”. cos em geral, asseguradas a ma- dos órgãos públicos informações No Art. 37 estabelece: nutenção de serviços de atendi- de seu interesse particular, ou de “§ 3º A lei disciplinará as for- mento ao usuário e a avaliação interesse coletivo ou geral, que mas de participação do usuário na periódica, externa e interna, da90 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 88. qualidade dos serviços; muito mais. Entre essas áreas estão: Decreto Nº 55.559 (SÃO PAULO, II - o acesso dos usuários a • transparência e controle demo- 2010), de 12 de março de 2010, ins- registros administrativos e a in- crático; tituindo o Portal do Governo Aber- formações sobre atos de governo, • participação popular; to SP, estabelecendo o livre acesso observado o disposto no art. 5º, X • empoderamento dos cidadãos; a dados e informações não sigilosos e XXXIII;”. • melhores ou novos produtos e da Administração Pública Estadual. De acordo com o Laboratório serviços privados; As bases de dados disponibilizadasBrasileiro de Cultura Digital (2011), • inovação; versam sobre os temas: eleições,dados abertos governamentais podem • melhora na eficiência e efe- finanças públicas, informações dosser definidos como dados produzidos tividade de serviços gover- distritos da capital, informaçõespelo governo e colocados à disposição namentais; municipais, investimentos anuncia-das pessoas de forma a tornar pos- • medição do impacto das dos, mercado de trabalho, óbitos esível a sua leitura, acompanhamento, políticas; nascidos vivos, população, produtoa reutilização em novos projetos, sí- • conhecimento novo a partir interno bruto e serviços ao cidadão.tios e aplicativos; o cruzamento com da combinação de fontes de da- Mesmo com a escassez de dadosoutros dados de diferentes fontes; e a dos e padrões. governamentais à disposição, ini-disposição em visualizações interes- No Brasil, os programas de ciativas de tratar esses dados desen-santes e esclarecedoras. transparência pública vêm dis- volvendo serviços vêm ocorrendo A partir de 2009, o tema começou ponibilizando dados orçamentários no Brasil por iniciativa de hackers1,a aparecer com mais evidência. Gover- como forma de fomentar a sua voluntários ou programadoresnos de vários países (como Estados utilização pelas pessoas, porém, independentes interessados emUnidos, Reino Unido, Canadá e Nova ainda são raros os órgãos ou secre- questões públicas. A comu-Zelândia) começaram a anunciar ini- tarias que disponibilizam dados nidade Transparência HackDayciativas voltadas a abrir sua informa- abertos. É importante destacar que desenvolve aplicativos baseadosção pública. disponibilizar dados para somente nos dados disponibilizados pelo A conferência Gov 2.0 Expo, rea- serem visualizados não atende aos governo, transformam essas infor-lizada em 2010, nos Estados Unidos, requisitos do que, de acordo com a mações, agregando valor e facili-discutiu como a abertura de dados definição da Open Definition, con- tando o acesso de qualquer cidadãopode fazer com que os cidadãos se ceitua-se como dados abertos, ou seja às informações de forma transpa-aproximem e participem efetivamente “dado aberto é um dado que pode rente. Outro exemplo a ser citadodo governo de um país. Quando os ser livremente utilizado, reutilizado é o projeto Alagamentos (http://governos disponibilizam dados de e redistribuído por qualquer um” alagamentos.tropical.com.br) doforma aberta e legível, cidadãos co- (http://opendefinition.org). Existem desenvolvedor Maurício Maia,muns podem criar aplicativos que muitas barreiras técnicas e políticas que reorganiza dados públicosauxiliam outros cidadãos a participa- para que os dados disponibilizados sobre incidências de alagamentosrem das decisões e terem acesso às pelo governo possam ser reutiliza- na cidade de São Paulo. O sistemainformações de forma mais fácil. dos pela sociedade na criação de informa também, por redes sociais Ainda segundo o Laboratório novos projetos e serviços. como o Twitter, onde podem apa-Brasileiro de Cultura Digital (2011), Uma grande iniciativa no sen- recer novos pontos de alagamento,um grande número de áreas e ativi- tido de disponibilizar dados gover- ajudando o usuário a evitar viasdades vem utilizando os dados abertos namentais partiu do governo do Es- congestionadas ou perigosas empara gerar valor, e há potencial para tado de São Paulo, que publicou o dias de chuva.1 O conceito correto de hacker, diferentemente de cracker, é: “Hacker é a pessoa que conhece profundamente qualquer um dos vários níveis de abstraçãorelativos à tecnologia e que tenta ampliar e aprofundar ao máximo o conhecimento das pessoas leigas” (Leandro Salvador).Dezembro de 2011 Fonte Fonte 91
  • 89. 2.3 Blogs e wikis A filosofia da web 2.0 destaca a principal de um blog e sua grande Wikipédia, que cresce a cada dia facilidade da publicação e rapidez no vantagem é que ele pode ser constru- que passa, com as contribuições de armazenamento de textos e arquivos, ído por pessoas sem conhecimento de voluntários especialistas das diver- o que torna a web um ambiente social técnicas utilizadas na criação de sites. sas áreas do conhecimento. e acessível a todos os utilizadores, um O processo de se comentar em blogs Um wiki é um sítio (site) na web espaço onde cada um seleciona e con- significou uma democratização da pu- para o trabalho coletivo de um grupo trola a informação de acordo com as blicação, consequentemente reduzindo de autores. A sua estrutura lógica é suas necessidades e interesses. as barreiras para que leitores se tornas- muito semelhante à de um blog, mas O blog é provavelmente a ferra- sem autores. Essa característica tem com a funcionalidade acrescida de que menta da web 2.0 mais conhecida e direcionado os órgãos governamentais qualquer um pode juntar, editar e apa- utilizada. O termo blog, weblog ou a introduzir, em seus portais, espaço gar conteúdos ainda que esses tenham blogue pode ser definido como uma para divulgação e discussão de assun- sido criados por outros autores. página na web cujas atualizações, cha- tos de relevância através de blogs. Na prática, um wiki é um sítio madas de posts, são feitas com frequên- Outra ferramenta da web 2.0 web que pode ser editado diretamen- cia, organizadas cronologicamente, que está despertando o interesse te de um navegador como Internet sendo que normalmente as informa- dos órgãos governamentais são os Explorer ou qualquer outro. Os wikis ções mais recentes são apresentadas wikis. O termo wiki tornou-se bas- permitem publicar e compartilhar con- em primeiro lugar. A característica tante popular após o surgimento da teúdos na web de forma muito fácil. 2.4 Twitter Twitter é uma rede social e servi- e também enviadas a outros usuários Os órgãos governamentais, através dor para microblogging que permite aos que estejam seguindo a pessoa de seu das áreas de comunicação social, têm usuários enviar e receber atualizações interesse para recebê-las. As atualiza- utilizado esse recurso para se relacionar pessoais de outros contatos, em textos ções de um perfil ocorrem por meio com a sociedade. Os interessados nesse de até 140 caracteres. Os textos são co- do site do Twitter, por RSS, por SMS relacionamento, normalmente, cadas- nhecidos como tweets e podem ser en- ou programa especializado para ge- tram-se para receber avisos sobre aber- viados por meio do website do serviço, renciamento. O serviço é gratuito pela tura de concursos públicos, eventos gra- por SMS, por celulares, etc. internet, entretanto, usando o recurso tuitos, agenda cultural – além de receber As atualizações são exibidas no de SMS pode ocorrer a cobrança pela propaganda do governo, como avisos so- perfil de um usuário em tempo real operadora telefônica. bre investimentos em saúde e educação. 2.5 Monitoramento de redes sociais As redes sociais se tornaram um identificarem as possibilidades de usuários, facilitando o processo de mar de informações sobre os seus ações dentro dos ambientes virtuais tomada de decisão. usuários. Ali são postados suas opi- e preverem crises e danos às suas Ainda de forma muito incipiente, niões, seus interesses e seus senti- marcas. Através de softwares e me- os governos estão olhando para essas mentos. O monitoramento das redes canismos de monitoração é possível ferramentas como forma de avaliar sociais surgiu, inicialmente, como mensurar, qualificar, quantificar, tendências e tomar medidas para mi- uma necessidade de as empresas fazer correlações, traçar perfis de nimizar crises e ações de prevenção. 2.6 Governo móvel De acordo com a Anatel2, o Brasil 202 milhões de telefones celulares; des- nes, com uma tendência de grande cres- terminou o ano de 2010 com mais de tes, mais de 19 milhões são smartpho- cimento na utilização desses aparelhos, 2 Agência Nacional de Telecomunicações, dados disponíveis em: http://www.anatel.gov.br/Portal/exibirPortalInternet.do#92 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 90. que permitem o fácil acesso à internet. A e serviços públicos o tempo todo (anyti- prestador de serviços e é um importantepopulação utiliza o celular com grande me) e em qualquer lugar (anywhere), componente no aumento da eficiência,facilidade, mesmo sem acesso à inter- na hora e local em que os cidadãos de- na geração de conveniência e flexibili-net; o SMS (Short Message Service) é sejarem e necessitarem. É importante dade do serviço público.um recurso utilizado de forma intensiva. destacar que grande parte das ações go- Na prestação de serviços públi- O governo deve utilizar-se desses vernamentais é móvel, acontece na rua cos, a mudança de paradigma é fun-canais eletrônicos para se comunicar com das cidades ou no campo. O desenvol- damental: o governo deve ir aonde oo cidadão na linguagem que ele entende. vimento de aplicativos que rodem em cidadão está e o cidadão deixa de irA proposta é disponibilizar informações smartphones facilita o deslocamento do aos órgãos governamentais.2.6.1 SMS (Short Message Service) O SMS tem a grande vantagem de de propriedade de veículos, processos (ex.: processo deser de baixo custo e estar disponível dados de empresas, etc.; con- licenciamento, processo depara ser acessado de qualquer aparelho firmação de pagamento de concessão de benefício, etc.);celular. Essa característica possibilita a impostos e multas, etc.); • enviar comunicação deutilização do SMS para cumprir diver- • requerer comparecimento utilidade pública (ex.: co-sas funções, desde as de caráter infor- ou comunicados de con- municações de enchentes damativo até um processo de interação. clusão de serviços (ex.: re- Defesa Civil, campanhas de O envio de SMS pelos órgãos médios, próteses e aparelhos vacinação, etc.); egovernamentais pode ser para: ortopédicos disponíveis para • fazer comunicação institu- • lembrar compromissos (ex.: retirada, deferimento e/ou cional. consultas ou exames agenda- indeferimento de solicita- O uso do SMS para interagir dos, atendimento presencial ções, etc.); com o usuário dos serviços públicos agendado, etc.); • permitir consulta a infor- pode ser para: • dar alertas (ex.: renovar ca- mações (ex.: débitos relativos • receber do cidadão infor- dastro, pagar taxa, pontos em a licenciamento, etc.); mações curtas (ex.: preços CNH excedidos do máximo • avisar alterações e opera- agrícolas praticados); permitido ou no limiar de ex- ções originadas no poder • realizar avaliação de servi- ceder, etc.); público (ex.: lançamento de ços públicos; e • confirmar e/ou avisar ope- multas, lançamento de pontos • fazer consultas a informa- rações originadas no cida- em CNH, etc.); ções (ex.: situação do veículo, dão (ex.: alteração de dados • informar andamento de pontuação de CNH, etc.).3 Ações do governo de Minas Gerais 2.0 O Plano de Governo para Mi- entidades e secretarias, destaca- to Nº 45.241 (MINAS GERAIS,nas Gerais 2011/2014, denominado se no capítulo dedicado à Rede de 2009), de 10 de dezembro de 2009,“Minas de Todos os Mineiros – As Gestão Eficiente, o Governo Digital que dispõe sobre o acesso às novasredes sociais de desenvolvimento como instrumento de integração de ferramentas interativas da web 2.0integrado”, foi elaborado com o ob- toda a cadeia de prestação dos ser- em uso nos órgãos e entidades dajetivo de contar com a participação viços públicos, a fim de racionalizar Administração Pública Estadual,popular, sociedade civil organizada o atendimento e a resolução das de- determinando que os cadastros dee setor produtivo, na elaboração mandas dos cidadãos. relacionamento com os cidadãos te-dos programas e ações do Estado. As iniciativas do governo de nham no mínimo o número de tele-Estruturado em sete redes, que são Minas Gerais, com o objetivo de fone celular e o endereço de correiotransversais por requererem a cola- fomentar o relacionamento com o eletrônico. O Decreto Nº 45.743boração de diversas organizações, cidadão, vieram através do Decre- (MINAS GERAIS, 2011), de 26Dezembro de 2011 Fonte Fonte 93
  • 91. de setembro de 2011, que institui a nando que todos os órgãos e entidades no relacionamento com o cidadão Política de Atendimento ao Cidadão devem manter um atendimento eletrô- com a disponibilização de serviços no âmbito da Administração Pública nico e presencial, com vistas ao apri- públicos (administração, saúde, Estadual, complementa o disposto moramento institucional e à melhor educação, segurança, etc.) integra- no decreto anterior ao estabelecer as prestação de serviços ao cidadão. dos às funcionalidades dos últimos formas de atendimento ao cidadão, O objetivo perseguido pelo go- avanços tecnológicos em matéria de dentro dos princípios de igualdade e verno de Minas Gerais é buscar a interação cliente (cidadão) e prove- ausência de preconceitos, determi- profissionalização da gestão pública dor de serviços (governo). 3.1 Empreendedorismo e inovação A competitividade é o motor do utilizando os recursos da melhor for- a contínua ampliação do bem-estar, desenvolvimento socioeconômico de ma para enfrentarem um mundo cada das capacidades e oportunidades dos uma nação e também elemento trans- vez mais dinâmico e globalizado. cidadãos mineiros. formador do cidadão em suas rela- O novo modelo de gestão, es- No contexto de incentivo ao ções sociais. A inovação está intima- truturado em redes, do governo de empreendedorismo e à inovação, o mente ligada à competitividade, pois Minas Gerais, organizou-se para al- governo de Minas Gerais teve as se- ela permite que pessoas utilizem seus cançar, com a ativa participação da guintes iniciativas, que utilizam re- conhecimentos para empreenderem, sociedade, os desafios que focalizam cursos da web 2.0: 3.1.1 Rede Social Cultura Empreendedora Essa rede foi estruturada como de morar dignamente e viver bem; de segurança; promover e garantir a um espaço virtual de participação de desenvolver e diversificar a economia utilização sustentável dos recursos diversos atores com o objetivo de am- mineira e estimular a inovação; viver ambientais; ampliar e modernizar a pliar a transparência da gestão pública mais e com mais saúde; transformar infraestrutura e os serviços públicos estadual, através da divulgação de in- a sociedade pela educação e cultura; e assegurar os direitos fundamentais e formações e indicadores de resultados aumentar a segurança e a sensação fomentar a participação dos cidadãos. da gestão para a cidadania. As informações disponibilizadas visam facilitar o relacionamento entre empreendedores (alunos), consultores (instrutores dos cursos), gerentes, equipe do Núcleo de Apoio ao Empreendedor do Sebrae3, os empreendedores locais e a sociedade para melhorar os resultados da atuação da rede de informação profis- sional orientada para o mercado. Os indicadores foram estrutura- dos para apresentar os resultados dos programas criados para enfrentar os desafios de: reduzir a pobreza e as desigualdades; aumentar a emprega- bilidade e as possibilidades de reali- zação profissional; garantir o direito O endereço de acesso é: www.culturaempreendedora.mg.gov.br 3 Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas94 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 92. 3.1.2 Movimento Minas O Movimento Minas é uma ini- A participação do cidadão se dá site, integrando-o às principais redesciativa do governo de Minas, consti- através da criação de um perfil em pá- existentes, como Facebook e Twitter,tuindo um espaço virtual para parti- gina pessoal e toda a interação não é de modo que as pessoas possam con-cipação das pessoas interessadas em mediada, de forma que as ideias pos- tribuir para o enriquecimento dascontribuir com o desenvolvimento tadas são discutidas, amadurecidas e ideias, por meio de diálogo, permitin-do Estado. transformadas em ações pelo gover- do a organização de grupos com inte- É um sítio com o papel de uma no. Existe uma proposta de evoluir o resses comuns.verdadeira rede social que tem comoobjetivo ser uma plataforma para es-timular iniciativas inovadoras e o di-álogo sobre cidadania, democracia,governo 2.0 e webcidadania em todo omundo. As ideias que contribuam coma superação dos desafios para o desen-volvimento do Estado podem ser pos-tadas e discutidas nesse espaço virtual.O governo tem o papel fundamentalde gerir a plataforma, aumentando aparticipação da sociedade e propor-cionando condições para transformaralgumas dessas ideias em projetos ouações, que poderão ser executados,tanto pelo governo quanto por outrosatores da sociedade, empresas, ONGs,ou até mesmo cada um dos cidadãos. O endereço de acesso é: www.movimentominas.com.br3.1.3 Projeto Teia Teia significa Tecnologia, Em-preendedorismo e Inovação Apli-cados. Com esse sugestivo nome, oprojeto Teia MG tem o objetivo demultiplicar os conhecimentos so-bre tecnologia, empreendedorismoe inovação na sociedade, atravésda capacitação contínua e gratuitaàs equipes de operadores da infra-estrutura web 2.0, para utilizar asferramentas de interação em redessociais, baseadas na internet, pro-movendo a inovação e facilitandoos negócios em todo o Estado. O Teia é um projeto concebidodentro de três conceitos fundamen-tais: a web 2.0, com as trocas e cola-boração que essa plataforma permite; O endereço de acesso é: http://teiamg.com.br/Dezembro de 2011 Fonte Fonte 95
  • 93. a “Economia do Grátis”, termo cria- A rede social do Teia possibili- O sucesso desse projeto pode ser do pelo editor da revista Wired, Chris ta a construção coletiva do conheci- avaliado pelo próprio conceito da teia Anderson, para designar os serviços mento, através da disseminação de de uma rede; atualmente são milhares e produtos disponibilizados gratuita- métodos, técnicas e ferramentas dis- de agentes Teia, atuando de forma mente; e a “Economia da Colabora- poníveis na internet para a utilização distribuída na internet, através de cen- ção”, termo para designar o alcance em projetos empresariais, artísticos, tenas de ambientes virtuais e se cons- de resultados providos por meio de educacionais, políticos ou de outra tituindo em autênticos multiplicado- redes sociais. natureza qualquer. res do conhecimento na sociedade. 3.1.4 Portal Simi – Sistema Mineiro de Inovação O Simi foi criado pelo Decre- ção de propostas para a formulação são, envio, compartilhamento e to Nº 44.418 (MINAS GERAIS, da política estadual de inovação comentários em artigos, estudos e 2006), de 12 de dezembro de 2006, tecnológica e promover a coope- conteúdos, postagem e respostas às com o objetivo de promover a con- ração entre o Estado, organismos oportunidades diversas. Esses ato- vergência de ações governamentais, nacionais e internacionais, agên- res podem ter acesso a um banco empresariais, acadêmicas de pes- cias multilaterais, organizações de dados, organizado com as princi- quisa e tecnologia para, de forma não governamentais nacionais e pais pessoas, instituições e ações de cooperada, desenvolver a inovação estrangeiras, que atuam na área da apoio à inovação no Estado. Além no Estado de Minas Gerais. Um dos inovação tecnológica. disso, existem editais de fomento, pilares do Simi é o portal Simi, cria- De acordo com Vilela, Neves bolsas, cursos, serviços de capaci- do com o objetivo de ser uma rede e Pereira (2009), o portal permite tação, dentre diversas outras ações social para disponibilizar conteúdo a aproximação de pesquisadores, que poderão ser postadas e consul- sobre inovação e servir como um profissionais de empresas, mem- tadas no portal. Também é possível canal de interação entre os agentes bros do governo, representantes das criar comunidades relacionadas aos da inovação, de forma rápida e efi- principais instituições de fomento interesses dos usuários e, assim, ciente. Os demais pilares de ações e de apoio à inovação, através da interagir com um grupo de pessoas de inovação do Simi são: o Fórum participação em fóruns de discus- com interesses comuns. Mineiro de Inovação e os Encontros de Inovação. Ao reunir todos os agentes da inovação do Estado de Minas Ge- rais em um ambiente virtual, rico em discussão e colaboração, o portal cumpre o seu papel de ser o canal de comunicação e interação entre esses agentes, sejam eles empresários, ór- gãos, entidades, empresas de direito público e privado, organizações da sociedade civil de interesse público (Oscip), universidades e centros uni- versitários, visando acolher ideias, subsídios e indicadores para a formu- lação e implementação do desenvol- vimento tecnológico no Estado. A contribuição desses agentes deve servir também para a indica- O endereço de acesso é: http://www.simi.org.br/96 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 94. 3.2 Abertura de dados O tema transparência vem rece- ria da Informação Institucional e da to dos servidores públicosbendo grande destaque e importância Transparência, o portal está dividido estaduais;no governo de Minas Gerais. Com em cinco áreas: • Repasse a Municípios – es-foco na disponibilização de informa- • Arrecadação Estadual – tão disponíveis dados referen-ções para atender ao princípio consti- estão disponíveis dados re- tes aos repasses constitucio-tucional da publicidade, foi criado o ferentes à arrecadação do nais aos municípios relativosPortal da Transparência (www.trans- Estado da administração di- a ICMS, IPVA e IPI.parencia.mg.gov.br), que aproxima reta e indireta; Ainda com uma linguagemo cidadão das atividades realizadas • Despesas do Estado – es- contábil, o portal deve evoluir compela administração pública. tão disponíveis dados refe- ênfase na implementação de novas Trata-se de uma ferramen- rentes às despesas do Es- ferramentas, favorecendo o acesso,ta eficiente para prestar contas de tado no atendimento dos a compreensão das informações e amaneira atualizada e acessível das serviços de interesse da popu- sua utilização pela sociedade.despesas, assim como as receitas lação, de acordo com o plane- O modelo de disponibilizaçãodo município. Com essas informa- jamento governamental; de dados abertos para o desenvolvi-ções, o cidadão tem conhecimento • Dívida Pública – estão dis- mento de aplicativos que possam serde como o dinheiro público, que em poníveis dados referentes aos úteis ao exercício da cidadania aindagrande parte vem de impostos arre- contratos de dívida pública está em fase de estudos e deve sercadados, está sendo utilizado. interna e externa, bem como utilizado pelos órgãos responsáveis Atualmente, sob responsabilida- os seus pagamentos; pela transparência pública no gover-de da Controladoria Geral do Estado • Pessoal – estão disponíveis no de Minas Gerais, porém, não tem(CGE), através da Subcontrolado- as despesas com o pagamen- data definida para sua utilização.3.3 Participação social A plataforma tecnológica da web com a sociedade, possibilitando a in- gestão que foram criados diversos espa-2.0 vem complementar os canais tra- teração com o cidadão. Foi com esse ços virtuais de participação popular, quedicionais de comunicação do governo objetivo e alinhados com o modelo de citamos a seguir:3.3.1 Juventude Cidadã Essa rede social foicriada para ser um es-paço de suporte para apublicação interativa deinformações e experiên-cias relacionadas ao Pro-jeto Projovem no Estadode Minas Gerais. Esseprojeto, concebido pelogoverno federal, atendejovens de 18 a 29 anose tem como objetivoampliar o atendimentoaos jovens excluídos da O endereço de acesso é: www.juventudecidada.mg.gov.brDezembro de 2011 Fonte Fonte 97
  • 95. escola e da formação profissional. de vagas, possui um mural de inserção ocupacional dos jovens. Esse espaço virtual estimula o re- anúncios e permite a criação de Além disso, existe um espaço lacionamento das empresas e pes- grupos de membros organizados para criação de blogs, fóruns e soas físicas com ofertas de vagas em arcos ocupacionais, metodo- publicação de eventos relaciona- de trabalho e o jovem trabalhador, logia que abrange as esferas da dos ao programa. que responde de forma automática produção e da circulação (in- Infelizmente, é um espaço aos anúncios, o que facilita o seu dústria, comércio e prestação de virtual pouco utilizado, talvez até ingresso no mercado de trabalho. serviço), garantindo assim um consequência da falta de acesso Estruturado com informações maior campo de atuação, visan- desses jovens às tecnologias ba- sobre o programa e um cadastro do aumentar as possibilidades de seadas na internet. 3.3.2 Rede Mineira de Gestão das Águas Essa rede social é um espaço à gestão integrada de recursos hí- fóruns e grupos de discussão. Tem virtual de participação das pessoas dricos. Nesse mesmo espaço são a participação ativa de estudantes interessadas em divulgação de in- discutidos projetos como o Águas (graduação e pós) de cursos rela- formações, publicações e criação de Minas, que trata da avaliação da cionados com a área ambiental e coletiva de documentos relaciona- qualidade das águas das bacias hi- dos membros dos comitês de ba- dos com as bacias hidrográficas do drográficas de Minas Gerais. cias hidrográficas. Estado. É um ambiente de apoio Estruturada com informações É uma rede ativa e de gran- ao trabalho dos comitês de bacias sobre a rede social e sua organi- de participação, demonstrando o hidrográficas e para debater assun- zação, eventos e publicações, pos- interesse que o assunto desperta tos relacionados à hidrogeologia e sui espaço para a criação de blogs, na comunidade. O endereço de acesso é: redemineira.igam.mg.gov.br98 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 96. 3.3.3 Poupança Jovem Essa rede social é um espaço contato entre os membros da rede, mento Social (Sedese), que tambémpara a participação dos jovens que a secretaria, os coordenadores e os é responsável por sua metodologiaintegram o Programa Poupança Jo- profissionais envolvidos no progra- e pelo acompanhamento e monitora-vem, criado em 2007 para atender ma. O programa é coordenado pela mento das ações desenvolvidas emalunos do ensino médio, matricu- Secretaria de Estado de Desenvolvi- todos os seus níveis.lados nas escolas estaduais, que re-cebem uma poupança de R$ 3 mil,após o término dos três anos esco-lares. Em contrapartida, o jovemtem que frequentar as aulas regular-mente, ter bom desempenho escolar,participar de atividades de interesseda comunidade e não se envolverem crimes. O objetivo do programa é capa-citar esses jovens para que planejemo seu próprio futuro e realizem suasaspirações pessoais e profissionais,ao mesmo tempo em que contri-buem para melhorar a qualidade devida nas comunidades onde vivem. O espaço virtual é um ambien-te no qual é possível informar, de-bater, opinar, questionar e manter o O endereço de acesso é: www.poupancajovem.mg.gov.br3.3.4 Viajei por Minas Essa rede social é um espaço por turistas e visitantes que bus- gens a partir de experiências vivi-com o objetivo de propiciar a parti- cam roteiros e sugestões de via- das por outros turistas.cipação da sociedade na construçãode conteúdos sobre o turismo noEstado de Minas Gerais. Os turistase visitantes publicam seus relatos edivulgam suas impressões, utilizan-do-se de facilidades da internet, dis-ponibilizadas em forma de blog. Aspublicações são categorizadas, deacordo com o estilo de viagem: rotei-ro cultural, ecoturismo, família, etc.,para facilitar o acesso e a pesquisa deoutros cidadãos interessados em co-nhecer ou comentar os relatos. Esse espaço é uma importantefonte de informações para a de-finição de ações governamentaisrelacionadas ao turismo em MinasGerais. É muito utilizado também O endereço de acesso é: www.viajeiporminas.mg.gov.brDezembro de 2011 Fonte Fonte 99
  • 97. 3.4 Iniciativas da área de saúde A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, através do seu Núcleo de Comunicação Digital, promove di- versas ações utilizando a plataforma da web 2.0. De acordo com Cruz e Pereira (2011), a SES desenvolveu uma nova intranet com recursos de interativida- de entre os funcionários, criou o blog Minas contra a Dengue (http://dengue. saude.mg.gov.br), um perfil no Twitter (@saudemg), perfil no Orkut e lançou o jogo virtual Dengue Ville, hospedado na plataforma do Orkut. O blog Minas contra a Dengue é utilizado para publicar as notícias de di- versas instituições que tratam a doença como tema central e para divulgar as peças publicitárias criadas pelo governo de Minas na campanha contra a dengue. missão da doença e solicitando informa- um multiplicador na guerra contra a doen- Os cidadãos interagem com o blog, ções adicionais sobre o combate à doença. ça, além de servir como instrumento para deixando comentários, denunciando lo- O objetivo do blog é disponibilizar infor- fomentar o engajamento da população no cais que estão servindo de foco de trans- mações para que cada cidadão possa ser combate aos vetores da dengue. O Twitter , através do perfil @ relacionadas ao tema “Saúde”, desta- bons hábitos possam ser passados para saudemg, é utilizado como ferramenta cando-se a participação na comunidade os pais, tios, avós. de comunicação das ações promovidas “MG contra a Dengue”. A iniciativa De acordo com Cruz e Pereira pela Secretaria e onde são postadas su- mais interessante da Secretaria na pla- (2011), o jogo é fácil de ser usado e faz gestões de pauta de matérias para a im- taforma Orkut é a criação do jogo vir- uma analogia com a vida real, onde a prensa. Essa ferramenta tem o impor- tual Dengue Ville. Por meio de uma pessoa elimina a água parada em dife- tante papel de proporcionar a ampliação atividade lúdica, o objetivo é incenti- rentes cenários (quintal, praça, jardins, do público seguidor das informações, var a mudança de hábitos das pessoas lotes vagos, etc.) e, à medida que o joga- atingindo leitores jovens e crianças. mais jovens, como forma de prevenir dor elimina a água parada, ganha pontos A SES-MG utiliza também o a proliferação das larvas do mosquito. e avança de nível no jogo. Mensagens Orkut, participando de comunidades Espera-se que, através das crianças, os didáticas sobre a importância da ação100 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 98. são exibidas e podem ser compartilha- na correlação espaço-temporal da à dengue. Essa colaboração envolvedas na rede de amigos do jogador. incidência de dengue entre os dados disponibilizar alertas e dashboards Uma iniciativa que ainda não obtidos da internet e os dados gera- que possam orientar ações de com-está em pleno uso pelo governo de dos pelo sistema de notificação do bate e prevenção à doença. Todo oMinas Gerais, porém se apresen- Ministério da Saúde. processo de coleta dos dados e gera-ta como potencial para vigilância Ainda em fase preliminar, o Ob- ção das informações será aprimoradoepidemiológica, é o Observatório servatório da Web – Monitoração da para servir como instrumento práticoda Web. Utilizando ferramentas de Dengue – está acertando uma parce- de monitoração da dengue e poderámonitoramento de redes sociais, ria com o Ministério da Saúde com ser utilizado pela Secretaria de Esta-pesquisadores da UFMG desenvol- o objetivo de colaborar no combate do de Saúde de Minas Gerais.veram esse mecanismo para enten-der o que está sendo veiculado nasvárias mídias sociais e pelos váriosusuários de redes sociais. O Obser-vatório da Dengue é um sistemade monitoração das mídias sociais,caracterizando-se como um sistemade vigilância epidemiológica ativa apartir de dados da internet. Essa fer-ramenta é capaz de coletar, analisare apresentar em tempo real infor-mações acerca da dengue, a partirde mais de uma centena de fontesde dados da internet, incluindo re-des sociais e blogs, além de canaisda mídia tradicional. O sistema per-mite visualizar as informações co-letadas de diversas formas e provêestimativas acerca da incidência dadengue. As estimativas se baseiam O endereço de acesso é: http://www.observatorio.inweb.org.br/dengue/destaques/3.5 Outras iniciativas do governo de Minas Gerais Vários órgãos do governo de to e provimento de uma plataforma nefícios para todos que participamMinas estão planejando e desenvol- de serviços, utilizando os recursos dessa atividade econômica. Por meiovendo ações em plataformas de web da web 2.0. da disponibilização de ferramentas2.0. Alguns, com iniciativas inter- Dentre essas iniciativas, pode- e aplicativos para iPad, iPhone, enas, como a intranet do Escritório de mos citar o lançamento recente do smartphones, com sistema opera-Prioridades Estratégicas, desenvol- Portal do Turismo (www.minasge- cional Android e integrado às redesvido pela Prodemge, que disponi- rais.com.br) feito pela Secretaria de sociais (Twitter e Facebook), o tu-bilizou recursos de relacionamento Estado de Turismo. O portal será rista pode planejar suas viagens, uti-entre seus colaboradores com o ob- atualizado e comercializado por uma lizando as informações úteis (comojetivo de facilitar a comunicação e o empresa pública (Prominas - Com- chegar, onde ficar, onde comer, o quecompartilhamento das ações e pro- panhia Mineira de Promoções) e visitar), com integração com mapas,jetos. Outros órgãos estão iniciando visa incentivar o turismo no estado, sistema de previsão do tempo, con-suas ações, através da contratação integrando toda a rede de prestação versor de moedas, e outros recursos,de empresas para o desenvolvimen- de serviço turístico mineiro, com be- criando seus roteiros personalizados.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 101
  • 99. 3.6 Governo móvel com SMS (Short Message Service) As iniciativas de m-gov pelo cal e horário em que será aten- uma interação entre o cidadão e o governo de Minas Gerais tam- dido. Essa simples iniciativa sistema do Detran-MG, através de bém devem ser destacadas como trouxe uma redução da taxa de uma consulta informando a placa uma das formas de interação com não comparecimento de 50% do veículo e recebendo do sistema a sociedade que apresenta resul- para 23%; informações sobre a situação desse tados satisfatórios. • licitações – o fornecedor ca- veículo, no que se refere ao licen- O governo do Estado de Minas dastra-se no Portal de Com- ciamento, existência de multas e Gerais, através da Seplag, realizou um pras do governo e, a cada lici- outras informações. processo licitatório para escolha de tação publicada em sua linha Como forma de elaborar uma um “integrador” (empresa intermedi- de fornecimento, o fornece- solução corporativa do Estado para ária entre os órgãos e as operadoras dor recebe um SMS. o emprego de SMS em serviços de telecomunicação) e registrou em Além dessas iniciativas, que públicos, a Prodemge elaborou um Ata de Registro de Preços o valor de estão em pleno uso, foram realiza- modelo que envolve um sistema R$ 0,00899 por mensagem enviada. dos dois testes piloto envolvendo concentrador, com o objetivo de Esse valor, considerado baixo, signi- serviços do Detran-MG. O primei- gerenciar todo o tráfego de SMS fica um estímulo à utilização dessa ro piloto envolveu o envio de co- entre os órgãos e o “integrador”. tecnologia pelos órgãos do governo. municação da data de vencimento Esse modelo tem a vantagem de Algumas iniciativas foram imple- da CNH do cidadão, com antece- garantir a padronização da comu- mentadas, das quais podemos citar: dência suficiente para a realização nicação com qualquer tipo de “in- • aviso de agendamento dos ser- dos procedimentos de renovação. tegrador” contratado pelo governo, viços de carteira de trabalho e Esse serviço, ao ser implantado, minimizando os impactos da troca seguro desemprego – onde o pode gerar uma economia para o de fornecedores do processo de in- cidadão agenda o atendimen- Detran-MG, que hoje tem o custo tegração, e de permitir ao Estado to na web e, 24 horas antes do de enviar essa comunicação atra- avaliar a possibilidade de assumir, atendimento, ele recebe um vés dos Correios (carta registra- no futuro, o papel de integrador SMS comunicando a data, lo- da). O segundo piloto envolveu com as operadoras. 4 Considerações finais Apesar das disposições for- ramentas da web 2.0 e do m-gov, resultados, pouco expressivos. As mais do governo de Minas Gerais as iniciativas dos órgãos gover- iniciativas mais promissoras estão incentivando a utilização de fer- namentais ainda são poucas e os na área de ciência, tecnologia e102 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 100. inovação, onde a essência do ne- No aspecto organizacional, da ferramenta ser de utilização in-gócio é o compartilhamento de co- o governo, através de seus ór- terna ou externa, é importante dei-nhecimento, porém, os resultados gãos, deve se estruturar de forma xar claro para os usuários que:são de difícil mensuração. a ser orientado a serviços, uti- • existem normas e regras O potencial e a tendência da lizando o potencial dos recur- com as quais o usuário deveutilização dos recursos da web 2.0 sos das ferramentas da web 2.0 concordar e respeitar;são ilimitados nessa sociedade di- e do Governo Eletrônico Móvel • existem moderadores con-gital. A criatividade é o limite para (m-gov), para entregar os servi- trolando o conteúdo e o usoa criação de serviços, a produção ços à sociedade das mais diversas da ferramenta; ede conteúdos compartilhados e a formas. O governo tem um gran- • por outro lado, existem po-interação do governo com a socie- de desafio, que é o de adequar-se líticas de privacidade paradade. A tecnologia é uma grande ao ritmo do cidadão, acelerar o proteger o usuário.aliada, mas não faz acontecer por ritmo de resposta do Estado. Isso Um aspecto importante, quesi só. O sucesso das iniciativas implica uma equipe de servidores deve ser objeto de grande reflexãodepende de três elementos funda- designada para acompanhar os de- na organização, é a necessidade dementais: planejamento, organiza- bates, as colaborações e responder construir um ambiente de liberdadeção e perseverança. rapidamente às demandas, inclu- para o surgimento de ideias criati- O planejamento envolve aspec- sive quando elas forem inviáveis. vas de relacionamento do órgãotos tecnológicos (quais ferramentas Aliás, responder e justificar. Além com a sociedade. Existem diversase qual plataforma) e organizacio- de obter feedbacks rápidos, o pro- ferramentas, sem custo, disponí-nais (estruturar a utilização alinhada cesso precisa ser transparente: o veis na internet, que facilitam acom os objetivos da organização e usuário tem que saber o ritmo das criação de um relacionamento, semrespeitando os aspectos culturais). decisões acerca de suas sugestões, a necessidade de grandes aparatos Um aspecto importante a ser bem como os critérios para clas- tecnológicos de infraestrutura econsiderado no planejamento da sificá-las. Isso exige uma postura manutenção. Também, deve serutilização da web 2.0 é a segu- diferenciada do servidor público: o pensada com critério a estrutura-rança da informação e a gestão Estado passa a precisar de um fun- ção da função de fomento à criaçãodos riscos, pois, ao promover a cionário não com tarefas burocráti- de serviços no órgão, evitando-secolaboração, estamos incentivan- cas, mas com a função de dialogar, que seja papel da área de comuni-do a conexão entre pessoas para analisar sugestões e dar respostas, cação, normalmente com vocaçãocompartilhar o conhecimento. Isso orientações. O funcionário, então, para a comunicação em um únicosignifica que algumas informações assume responsabilidades: a sua sentido – da organização para ados órgãos governamentais podem função vai fazer diferença, e as sociedade – utilizando uma lingua-ser consideradas confidenciais, es- suas ações começam a impactar as gem oficial.tarão trafegando na rede e, mesmo políticas públicas. Quando se abre um canal paraque essa rede seja restrita, essas Terra (2010) destaca que uma a participação, deve-se estar pre-informações poderão ser alvo de boa forma de organizar o relaciona- parado para participar e ouvir, poisataques de crackers4. Apesar de ser mento com a sociedade é construir muitas das informações que rece-necessário assumir alguns riscos um ambiente de confiança baseado beremos serão de críticas à organi-para evitar a inércia organizacional na ética, através da criação de nor- zação e deverão ser interpretadasem utilizar a web 2.0, é fundamen- mas e com a atuação de moderado- como uma forma de prestar umtal ter implementada uma gover- res para evitar desvios dos objeti- melhor serviço à sociedade, quenança de segurança da informação vos iniciais estabelecidos. Dessa somos nós cidadãos, razão da exis-e gestão de risco. forma, sugere-se que, independente tência dos governos.4 “Cracker é o termo usado para designar quem pratica a quebra (ou cracking) de um sistema de segurança, de forma ilegal ou sem ética.” WikipediaDezembro de 2011 Fonte Fonte 103
  • 101. Referências ANASTASIA, Antonio. Minas de todos os Mineiros: As re- nistração pública estadual. Disponível em: http://www. des sociais de desenvolvimento integrado – Plano de almg.gov.br/consulte/legislacao/completa/completa.htm governo 2011 – 2014. Belo Horizonte, 2010. l?tipo=DEC&num=45241&comp=&ano=2009. Acesso ARAUJO, Edilene Cássia de Souza. Ferramentas web 2.0 em: 20 outubro 2011. para sala de aula: Blog e Wiki. PUC Rio, 2010. MINAS GERAIS. Decreto nº. 45.743, 26 de setembro de BARABÁSI, Albert-László. Linked: how everything is 2011. Institui a Política de Atendimento ao Cidadão no connected to everything else and what it means for âmbito da administração pública estadual. Disponível business, science, and everyday life. Nova Iorque: em: http://www.almg.gov.br/consulte/legislacao/com- Plume, 2003. pleta/completa.html?tipo=DEC&num=45743&comp=& BOTERO, Ivan. Redes Sociais um negócio feito por pessoas ano=2011. Acesso em: 20 outubro 2011. in DOURADO, Danila; AYRES, Marcel; CERQUEIRA, NOVAIS, Antônio. Construindo uma rede social espe- Renata e SILVA, Tarcízio (org.) Mídias Sociais: perspecti- cializada in DOURADO, Danila; AYRES, Marcel; vas, tendências e reflexões. Ebook Coletivo, 2010. CERQUEIRA, Renata e SILVA, Tarcízio (org.) Mídias BRASIL. Constituição (1988). Constituição da Repúbli- Sociais: perspectivas, tendências e reflexões. Ebook Co- ca Federativa do Brasil. Brasília, 2011. Disponível letivo, 2010. em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/. PRIMO, Alex. O aspecto relacional das interações na web Acesso em: 10 novembro 2011. 2.0. E- Compós (Brasília), v. 9, p. 1-21, 2007. CRUZ, Silvâne Vieira e PEREIRA, Débora de Carvalho. O SALUSTIANO, Sergio. Monitoramento de Redes Sociais: Uso das Mídias Sociais pela Secretaria de Estado de Muito mais que uma análise de sentimentos. Disponí- Saúde de Minas Gerais (SES-MG). Disponível em: vel em: http://www.slideshare.net/skrol/monitoramento- http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2011/re- de-redes-sociais. Acesso em: 16 novembro 2011. sumos/R6-1801-1.pdf. Acesso em: 16 novembro 2011. SÃO PAULO. Decreto nº. 55.559, 12 de março de 2010. FURTADO, Cássia. Bibliotecas escolares e web 2.0: revi- Institui o Portal do Governo Aberto SP, dispõe sobre o são da literatura sobre Brasil e Portugal. Em Questão, livre acesso a dados e informações não sigilosos da ad- Porto Alegre, v. 15, n. 2, p. 135-150, jul./dez. 2009. ministração pública estadual e dá providências correla- LABORATÓRIO BRASILEIRO DE CULTURA DIGITAL; tas. Disponível em: http://www.almg.gov.br/consulte/le- WORLD WIDE WEB Consortium-Escritório Brasil gislacao/completa/completa.html?tipo=DEC&num=457 (W3C); COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL 43&comp=&ano=2011. Acesso em: 20 novembro 2011. (CGI. br). Manual dos dados abertos: governo. Versão TERRA, José Cláudio. Governo 2.0: Inclusão, participação 1.0port. Traduzido e adaptado de Opendatamanual.org por e inovação como estratégia. Terra Forum Consultores, Comunidade Transparência Hacker com a colaboração de 2010. Disponível em: http://governo.terraforum.com.br/ Esfera.mobi e ALVARENGA, Everton Zanella. [S.l.]: La- Documents/RelatorioGoverno20.pdf. Acesso em: 10 no- boratório Brasileiro de Cultura Digital e o Núcleo de In- vembro 2011. formação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), abril de 2011. p. 54. VILELA, Evaldo; NEVES, Heber; PEREIRA, Renato. Ges- tão Participativa e Web 2.0 no Sistema Mineiro de MINAS GERAIS. Decreto nº. 44.418, de 12 de dezembro de Inovação (SIMI). Secretaria de Estado de Ciência, Tec- 2006. Institui o Sistema Mineiro de Inovação - SIMI. Dis- nologia e Ensino Superior, 2009. ponível em: http://www.almg.gov.br/consulte/legislacao/ completa/completa.html?tipo=DEC&num=44418&comp= &ano=2006. Acesso em: 20 outubro 2011. MINAS GERAIS. Decreto nº. 45.241, de 10 de dezembro de 2009. Dispõe sobre o acesso às novas ferramentas intera- tivas da web 2.0 em uso nos órgãos e entidades da admi-104 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 102. Web 2.0 e mídias sociais: realidade e tendências da comunicação on-line moderna Tecnologia, comportamento e mudanças culturais Divulgação Bruno Borges Pós-graduado em Marketing Digital pelo UNI-BH e graduado em Design Gráfico pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Trabalha com internet desde 2001, e atualmente supervisiona a equipe da Fábrica Web na Prodemge. RESUMO Este artigo aborda diversos conceitos da web 2.0, além de conceitos complementares. Apresenta a evolução da internet até o que hoje conhecemos como web 2.0, mídias sociais e sua importância para as corporações modernas, os agentes dessa “nova” internet (gerações BB, X, Y e Z, além de novas classes sociais emergentes no cenário), mobile, mercado, marketing digital e o governo eletrônico. Palavras-chave: internet; web 2.0; mídias sociais; marketing digital; móbile; e-gov.Introdução Internet: a rede mundial de com- plataforma ao novo comportamen- conceitos e comportamentos pra-putadores. Certo? Não mais. A web to do usuário. ticamente nativos da geração Y, eno formato como era entendida há até Hoje em dia, o “mundo virtu- totalmente naturais para a geraçãoalguns anos já não existe mais. Hoje al” está cada vez mais próximo do Z, cuja maioria dos representantesem dia, vivemos sua segunda gera- mundo real, chegando a se integrar já nasceu conectada e navegandoção, uma rede mundial de pessoas, diretamente com este em muitas si- com naturalidade em dispositivosconhecida pelo termo “web 2.0”. tuações. As relações interpessoais, móveis com telas touchscreen. Muitas mudanças ocorreram, de consumo, o marketing, a gestão Tratamos aqui de uma verdadei-mas, paradoxalmente, essas mu- do conhecimento e diversas outras ra revolução, de evoluções drásti-danças não passaram por grandes áreas foram diretamente impac- cas e muito rápidas, que, apesar deinovações tecnológicas. Na verda- tadas (e em alguns casos até sub- possuírem uma origem virtual (oude, o que configurou a nova reali- vertidas) por essa nova realidade. digital), mudaram e continuam mu-dade da internet foi a mudança no Mídias sociais, sites colaborativos, dando a cultura e o modo de vida dacomportamento do usuário em rela- crowd sourcing, compartilhamen- sociedade como um todo. Vejamosção à plataforma, e a adequação da to e recomendações são termos, como se deu essa evolução.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 105
  • 103. Evolução da internet O surgimento da internet remon- 1974, são considerados marcos impor- na Universidade de Stanford. ta à primeira metade da década de 70, tantes do surgimento da tecnologia. Durante o período de coexistên- como uma ferramenta de comunicação O termo “Internet” começou a cia pacífica entre EUA e URSS e, que proporcionasse aos Estados Unidos ser usado a partir de dezembro de posteriormente, com o fim da Guer- vantagens na disputa contra a União So- 1974 para descrever uma única rede ra Fria, a internet se converteu numa viética durante a guerra fria. A descrição TCP/IP global, com a publicação do ferramenta de comunicação entre dos protocolos TCP em 1973 e a publi- RFC 685, a primeira especificação pesquisadores de universidades norte- cação de um artigo sobre o assunto por completa do TCP, escrita por Vinton americanas, mas ficou restrita apenas Vinton Cerf e Robert Kahn, em maio de Cerf, Yogen Dalal e Carl Sunshine, ao ambiente acadêmico. O surgimento da World Wide Web Sob o comando de Tim Berners- um projeto de hipertexto que permi- disponibilizado mundialmente no iní- Lee, a Organização Europeia para a tia às pessoas trabalhar em conjunto cio de 1991. Desse ponto em diante, a Investigação Nuclear (Cern) foi a res- de forma remota, gerando uma rede internet experimentou um crescimento ponsável pela invenção da World Wide de documentos. Esse projeto ficou co- acentuado, com uma explosão entre os Web. Em 1989, Berners-Lee propôs nhecido como a World Wide Web e foi anos de 1996 e 1997. A primeira geração da internet A internet se estabeleceu como cadores instantâneos) como ICQ ções “de mão única”. A comunicação uma ferramenta de grande utilidade e MSN Messenger. Foi nessa fase, era feita de poucos para muitos, num para a sociedade a partir da segunda também, que começaram a surgir modelo similar ao da comunicação de metade da década de 90. Podemos os primeiros serviços prestados via massa: grandes grupos de mídia se citar alguns itens como marcos des- web, como internet banking e al- constituíam nos únicos produtores de se período: ampla adoção do e-mail guns serviços públicos. conteúdo. A informação era propaga- para fins comerciais e particulares, Muitas foram as novidades do pe- da por uma fonte, recebida pelos usu- chats, surgimento das primeiras ríodo, e suas aplicações foram as mais ários e aí se encerrava o ciclo. lojas virtuais e dos primeiros IMs diversas. Porém, todas elas se carac- Porém, no início dos anos 2000, (instant messengers, ou comuni- terizavam por serviços ou informa- esse cenário começa a ser subvertido. A web 2.0 A web 2.0 é considerada a se- a dinâmica da internet, baseada numa O conceito de web como platafor- gunda geração da internet. O termo nova abordagem e novos paradigmas ma também é bastante importante, e é foi utilizado pela primeira vez no ano para usuários e desenvolvedores. definido desta forma: “Na web 2.0, os de 2004, para designar uma segunda “Web 2.0 é a mudança para softwares funcionam pela internet, não geração de comunidades e serviços, uma internet como plataforma, e somente instalados no computador lo- tendo como conceito a web como pla- um entendimento das regras para cal, de forma que vários programas po- taforma. Foi uma verdadeira revolu- obter sucesso nessa nova platafor- dem se integrar formando uma grande ção na rede, marcada muito mais por ma. Entre outras, a regra mais im- plataforma. Por exemplo, os seus con- uma nova abordagem e uma evolução portante é desenvolver aplicativos tatos do programa de e-mail podem ser na conceituação e forma de uso da que aproveitem os efeitos de rede usados no programa de agenda, ou po- rede do que por novas tecnologias ou para se tornarem melhores quan- de-se criar um novo evento numa agen- especificações técnicas. Hoje em dia, to mais são usados pelas pessoas, da através do programa de e-mail. Os a expressão é aceita como a melhor aproveitando a inteligência coleti- programas funcionam como serviços forma de definir o funcionamento e va” (O’REILLY, 2004). em vez de serem vendidos em pacotes.”106 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 104. Democratização da comunicação Podemos dizer que na web 2.0 lidade se aproveitam dessa inteli- utilizados pelos softwares da web 2.0.os papéis dos agentes da rede foram gência coletiva e conteúdo gerado É basicamente dessa forma que funcio-subvertidos. A comunicação deixou pelo usuário (UGC - User Genera- nam a busca do Google, os links pa-de ser de “poucos para muitos” e ted Content), oferecendo-lhe fer- trocinados e afins. A informação certa,passou a ser feita de “muitos para ramentas e espaços gratuitos para para as pessoas certas, no momentomuitos”, e a internet se tornou uma seus conteúdos ou mesmo cole- certo e no lugar certo (através de dis-plataforma de comunicação multi- tando dados de utilização de seus positivos móveis) tem gerado lucrosdirecional, na qual a linha divisora serviços. Este último modelo tem astronômicos para essas empresas.entre produtores e consumidores de o Google como principal expoente. Podemos apontar alguns con-conteúdo se tornou muito tênue. Numa análise de mais alto nível, ceitos-chave da web 2.0: comparti- Em outras palavras: o usuário as maiores corporações da web 2.0 lhamento, customização, recomen-que antes era exclusivamente consu- acumulam enormes volumes de infor- dações, classificação, folksonomiamidor, agora se tornou também pro- mações, e delas extraem a inteligência (taxonomia gerada pelo próprio usu-dutor de conteúdo. Ele posta sobre coletiva de milhões de usuários. Cer- ário), mobilidade, participação e usa-temas de seu interesse em seu blog tamente nenhum grupo de mídia, por bilidade. Sobre esses pilares estãono Wordpress, suas fotos no Flickr, maior que fosse, seria capaz de gerar construídas as principais aplicaçõesvídeos no Youtube, compartilha tanta informação quanto a coletividade da internet atualmente. E, dentre elas,status no Twitter, relaciona-se com dos usuários da rede. E a qualidade do podemos destacar, sem sombra deseus amigos e integra todas essas conteúdo gerado pelo usuário tende a dúvidas, as mídias sociais, que recen-mídias no Facebook ou no Orkut. ser garantida pelos sistemas de clas- temente se tornaram a categoria de Todos os maiores sites da atua- sificação e recomendação, muito bem websites mais utilizada da internet.Mídias sociais As mídias sociais são espaços as mídias sociais são definitivamen- nas mídias sociais, independente devirtuais de relacionamento, caracteri- te importantes e impactantes para as optarem por isso: nesses ambientes,zados pela produção de conteúdo de organizações modernas. Tanto para elas são objeto de discussão entre seusforma descentralizada, pelos próprios aquelas que se utilizam dessas mídias clientes, fornecedores e concorrentes.usuários, sem interferência de grandes em benefício de seus negócios, tanto Existem diversas categorias degrupos ou controle de seu teor. Tam- para as que se mantêm alheias a essa mídias sociais. A seguir, estão algu-bém são definidas como “um grupo nova realidade. As marcas já estão mas delas:de aplicações para internet construídascom base nos fundamentos ideológi-cos e tecnológicos da web 2.0, e quepermitem a criação e troca de conteúdogerado pelo utilizador (UCG)” (KA-PLAN & HAENLEIN, 2010, p. 61). Os números das mídias sociaissão impressionantes. Centenas demilhões de pessoas estão, hoje, co-nectadas através dessas ferramentas,relacionando-se e se expressandoentre amigos e, potencialmente, comqualquer outra pessoa do mundo quecompartilhe desses espaços virtuais. Os profissionais de administraçãoe marketing há muito perceberam queDezembro de 2011 Fonte Fonte 107
  • 105. Dentre as inúmeras categorias Esse “universo social” repre- dade de comunicação e comparti- demonstradas, é importante destacar sentou uma nova realidade não lhamento, aliadas ao alto número a presença das redes sociais, que em apenas no ambiente on-line, mas na de conexões que normalmente os muitos casos são confundidas com as sociedade como um todo. As pesso- usuários possuem, fazem com que próprias mídias sociais. São coisas as estão cada vez mais conectadas, uma simples menção a uma marca, diferentes e, como se pode ver nas e a mobilidade não é mais tendên- seja em um blog, em alguma rede categorias citadas, a primeira é uma cia, e sim uma realidade em franca social, possa ter um alcance antes categoria da segunda. expansão. Impressões, avaliações, inimaginável. E isso vale especial- Vejamos algumas características críticas, recomendações, tudo isso mente para consumidores insatis- das principais categorias: pode ser compartilhado em tem- feitos, pois estes normalmente são • publicação - composta basi- po real e, consequentemente, com muito mais “barulhentos”. camente por ferramentas e mais frequência. Antes dessa conectividade tão frameworks para blog e wikis. Essa nova realidade representa presente na vida das pessoas, as ex- São ambientes onde o usuário novos paradigmas para empresas e periências eram compartilhadas em aborda conteúdos de seu in- instituições em geral, incluindo o casa, com a família ou, no máxi- teresse e conhecimento com governo. As redes sociais são palco mo, com um grupo de amigos. Hoje certo aprofundamento. Temos de uma constante conversa dos usu- em dia, o usuário de mídias sociais visto, nos últimos anos, blo- ários por todo o mundo, impactando atinge, quase que instantaneamente, gueiros se tornando referên- diretamente as decisões e estraté- centenas de pessoas com apenas um cias na web sobre os temas gias corporativas. Nesse contexto, post. E, em algumas circunstâncias, que abordam, chegando, em o marketing digital ocupa posição quando um post “viraliza” (propa- alguns casos, a atingir um sta- cada vez mais destacada no planeja- ga-se de usuário a usuário em larga tus de celebridade; mento das empresas. escala), isso pode atingir centenas • compartilhamento - ambientes As mídias sociais impactaram de milhares ou até alguns milhões onde o usuário pode hospedar as relações da sociedade em diver- de pessoas. A figura a seguir ilustra e/ou compartilhar seus conte- sos aspectos. A rapidez e a facili- essa dinâmica: údos digitais de forma organi- zada e em rede; • conversação - Instant Messen- gers e fóruns; • redes sociais - sites de relacio- namento, nos quais o usuário se conecta a amigos reais ou virtuais em torno de temas co- muns (comunidades); • microblogs - ferramentas de comunicação rápida, que for- necem uma visão geral bastan- te interessante sobre os temas populares no momento; • social games - são jogos que funcionam dentro das redes so- ciais, aliando diversão e com- partilhamento. Têm grande al- cance e podem ser excelentes ferramentas para engajamento da sociedade (exemplo: jogos sociais educativos).108 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 106. Mobilidade e a conectividade sem limites O acesso à internet através quer dispositivo eletrônico. Ocorre São cada vez mais difundidos os apa-de dispositivos móveis é a aposta que a limitação na quantidade de en- relhos dotados de GPS integrado, o quepara um futuro não muito distante. dereços IP disponíveis inviabilizava abre uma série de possibilidades para oSmartphones e tablets são os objetos essa possibilidade, mas esse proble- desenvolvimento de aplicativos que sede desejo da vez, e estudos indicam ma foi solucionado com a transição utilizam da localização do usuário.que em pouco tempo a internet será do protocolo IP da versão IPv4 para Um exemplo de sucesso demais acessada através desses dispositi- a IPv6. aplicativos mobile com geolocali-vos do que por notebooks ou desktops. O endereço IP é um número atri- zação é a rede social Foursquare, O volume de vendas desse tipo buído a qualquer dispositivo conecta- que disponibiliza um aplicativode aparelho vem aumentando gra- do à internet. Com a massificação da mobile com esse recurso. O sis-dativamente, com queda no preço plataforma, a versão anterior (IPv4) tema exibe uma série de lugaresao consumidor, subsídios de opera- se aproximou de um esgotamento de (“venues”) ao redor do ponto de lo-doras e planos mais acessíveis. Eles endereços disponíveis. Diante des- calização do usuário no momento,possuem um perfil diferente de utili- se iminente problema, foi criada a entre os quais ele escolhe em qualzação, sendo, na maioria dos casos, versão IPv6, com um número muito se encontra no momento para fazervendidos juntamente com planos maior de endereços disponíveis. En- um “check-in”. Os usuários, porilimitados ou com grandes volumes quanto a primeira possui 4x109 (apro- sua vez, deixam dicas, comentá-de acesso à internet móvel pelas ope- ximadamente 4 bilhões) de endereços rios e avaliações dos mais diversosradoras. Tudo isso colabora para uma IP, a segunda chega a 3,4x1038 de en- tipos de estabelecimentos (comoconexão “full time” dos usuários. dereços disponíveis. Com essa nova visto nos conceitos de recomenda- Além dos dispositivos hoje versão do protocolo, não existe previ- ções e crowdsourcing), buscam porexistentes, há a tendência nos próxi- são de um novo esgotamento. dicas de lugares próximos e com-mos anos da efetivação da chamada É também importante considerar partilham todas essas informações“internet das coisas”: uma rede que outra tecnologia no contexto dos dis- em outras redes sociais, como o Fa-possa ser acessada a partir de qual- positivos móveis: a geolocalização. cebook e o Twitter.Uma nova realidade Conexão em tempo integral dem ser diretamente afetadas por tram esse comportamento, notada-através de dispositivos eletrôni- essa potencial “conversa” constan- mente os mais jovens, chamadoscos em geral (incluindo dispositi- te sobre produtos, serviços e temas “nativos digitais”. Ou seja, pessoasvos móveis) e o compartilhamento em geral de interesse da sociedade. que já nasceram na era da internetcomo atividade corriqueira entre Experiências de consumidores serão e outras tecnologias digitais moder-os usuários da internet. Esses dois cada vez mais compartilhadas em nas. Para esses, o mundo é “digital”,conceitos podem, num curto espa- tempo real, no calor do momento, e o compartilhamento e as tecno-ço de tempo, levar a internet a mais para o bem ou para o mal. As pesso- logias são totalmente familiares. Éuma mudança drástica no que tange as estarão cada vez mais conectadas preciso entender as mudanças nasaos seus impactos na sociedade. e serão cada vez mais “sociais”. últimas gerações para compreender As relações de consumo po- Na verdade, muitos já demons- melhor esses fenômenos.Diferentes gerações, diferentes comportamentos O mercado trabalha com quatro dias digitais. São eles: baby boomers, cer as diferenças entre os conceitosgrupos de idade, cada um deles com geração X, geração Y e geração Z. de “nativos digitais” e de “imigrantescomportamentos muito característicos Para entender o comportamento digitais”. Segundo Prensky, “os alu-em relação às novas tecnologias e mí- de cada um deles, é preciso conhe- nos de hoje não mudaram apenas emDezembro de 2011 Fonte Fonte 109
  • 107. termos de avanço em relação aos do nova tecnologia. Eles passaram a Por fim, Prensky define: “Alguns passado, nem simplesmente mudaram vida inteira cercados e usando com- se referem a eles como N-gen [Net] suas gírias, roupas, enfeites corporais, putadores, videogames, tocadores de ou D-gen [Digital]. Porém, a denomi- ou estilos, como aconteceu entre as música digitais, câmeras de vídeo, nação mais utilizada que eu encontrei gerações anteriores. Aconteceu uma telefones celulares e todos os outros para eles é Nativos Digitais. Nossos grande descontinuidade. Alguém brinquedos e ferramentas da era digi- estudantes de hoje são todos ‘falan- pode até chamá-la de apenas uma tal. (...) Os jogos de computadores, e- tes nativos’ da linguagem digital dos ‘singularidade’ – um evento no qual mail, a internet, os telefones celula- computadores, videogames e internet. as coisas são tão mudadas que não há res e as mensagens instantâneas são Então, o que faz o resto de nós? Aque- volta. Esta então chamada de ‘singu- partes integrais de suas vidas. Agora les que não nasceram no mundo digi- laridade’ é a chegada e a rápida difu- fica claro que, como resultado desse tal, mas, em alguma época de nossas são da tecnologia digital nas últimas ambiente onipresente e o grande vo- vidas, ficaram fascinados e adotaram décadas do século XX”. lume de interação com a tecnologia, muitos ou a maioria dos aspectos da Prensky ainda afirma que esses os alunos de hoje pensam e proces- nova tecnologia são, e sempre serão, indivíduos “representam as primei- sam as informações bem diferente comparados a eles, sendo chamados ras gerações que cresceram com essa das gerações anteriores”. de Imigrantes Digitais”. Baby boomers Os baby boomers são a geração lho, retorno financeiro compensador dutos de alta qualidade; nascida nos anos 1940 e 1950, depois e amigos bem próximos. Algumas • preferem qualidade à quantidade; da II Guerra Mundial. São um grupo características desse grupo de idade: • experiências passadas são exem- de imigrantes digitais. Apresentam • sofrem pouca influência da plo para consumo futuro; forte ligação com o trabalho, que marca no momento da compra; • não se influenciam facilmente para eles representa uma forma de • prezam longas carreiras por outras pessoas; realização. Acreditam que o sucesso numa mesma empresa; • preço não é obstáculo para é ter uma família com saúde, traba- • maior preferência por pro- perseguir um desejo. Geração X Nascidos nos anos 1960 e uma família estruturada e feliz, • ruptura com as gerações an- 1970, também são imigrantes digi- saúde, trabalhar com o que gosta teriores; tais. Extremamente competitivos, e ainda ganhar dinheiro com isso. • maior valor a indivíduos do o trabalho é seu ambiente produ- São caracterizados por: sexo oposto; tivo e de se relacionar com outras • busca da individualidade sem a • busca por seus direitos; pessoas. Para os representantes perda da convivência em grupo; • respeito à família menor que desse grupo, o sucesso é definido • maturidade e escolha de pro- outras gerações; pela felicidade na vida, no amor, dutos de qualidade; • procura de liberdade. Geração Y Nascidos na década de 1980 midade com a linguagem da inter- cimento cultural, intelectual, social e e início dos anos 1990, estão num net. Essa velocidade e o excesso de poder contribuir para o crescimento ponto de transição entre os imigran- informação aos quais estão acostu- da sociedade. O sucesso para eles é tes e os nativos digitais. São avessos mados estão gerando neles uma an- ter prestígio profissional, estabilida- a hierarquias e ligados à alta tecno- siedade crônica. de financeira, relacionamento está- logia; daí apresentam pensamento Buscam unir trabalho com pra- vel e equilíbrio familiar. São cheios não linear, também devido à proxi- zer e, nesse ambiente, buscam o cres- de energia e capacidade de inovar.110 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 108. desse grupo com a internet e outras • enquanto assistem à TV, 53%Algumas características: mídias digitais é estreita e natural. dos entrevistados no Brasil • sempre conectados; O compartilhamento e a utilização admitiram usar o celular e • impulsivos e imediatistas; de tecnologias de ponta é natural 61%, a internet; • procuram informação fácil e imediata; para esses indivíduos. • jogar é uma atividade cada • prezam a informalidade e a Para demonstrar melhor o compor- vez mais popular e a tendên- flexibilidade no trabalho; tamento da geração Y, apresentaremos cia é que se estabeleça na for- • têm resistência a chefes que se alguns dados do estudo desenvolvido ma de uma atividade comuni- limitam a dar ordens: querem par- em 2008 pela divisão OnePointNine tária (social games); ticipar das decisões; do instituto de pesquisas da Synovate • redes sociais e serviços de ins- • mudam de emprego com facili- em associação com a Microsoft, com tant messaging (IM) já fazem dade quando estão insatisfeitos; mais de 12 mil jovens entre 18 e 24 parte da rotina dessa geração. • preferem computadores a li- anos, de 26 países: Eles preferem escrever mensa- vros, e-mails a cartas; • um em cada sete jovens desse gens de texto do que conversar; • digitam ao invés de escrever; segmento não assiste mais à • os IMs e as redes sociais têm • vivem em redes de relaciona- TV ao vivo. Para essa gera- enorme importância na vida mento e compartilham tudo: ção, TV significa vídeo dis- dos jovens da geração Y. Esses dados, fotos, hábitos; tribuído sob demanda. E esse são extensões e intensificadores • sempre em busca de novas conteúdo está sendo consumi- dos relacionamentos da vida tecnologias; do cada vez mais on-line, seja real, e não substitutos; • são multitarefa (fazem diversas em forma de clipes de curta- • quase a metade do tempo em coisas ao mesmo tempo); metragem, downloads ou que os jovens permanecem na • não são fiéis a marcas. conteúdo de longa-metragem internet é passado em sites ou Note-se o quanto a relação via streaming; ferramentas de interação social.Geração Z Tipicamente nativos digitais, ain- dessa geração, destacam-se: • são “multitarefa”;da não chegaram ao mercado de tra- • vivem em função de inova- • não são fiéis a marcas nem abalho. Nascidos em meados dos anos ções tecnológicas; empregos que não estejam de1990, são jovens críticos, dinâmicos, • já nasceram conectados. A in- acordo com suas crenças;tecnológicos e preocupam-se efeti- ternet está presente em todos • o imediatismo e a impaciên-vamente com o meio ambiente. Para os seus equipamentos: telefo- cia característicos da geraçãoos integrantes desse grupo, o sucesso ne, notebooks, televisores e Y é muito mais exacerbadoé estar satisfeito com o seu estudo (e demais dispositivos portáteis; entre os Z;futuramente seu trabalho), com a sua • ao invés de usar o celular no • individualistas, podem terfamília e consigo mesmos. Dentre as ouvido, utilizam-no à frente dificuldade para trabalharcaracterísticas marcantes dos jovens dos olhos; em equipe.Mercados, corporações e governo diante de uma nova realidade Não é difícil perceber que as mu- Mas é preciso observar, além relações de consumo e do governodanças tecnológicas estão operando da tecnologia: nas últimas décadas, com o cidadão.(e isso será cada vez mais forte) di- houve um grande avanço no Brasil De acordo com dados divulgadosversas mudanças na sociedade. E as em termos de educação e renda, o pelo programa Todos pela Educação enovas gerações, já descritas, são ve- que também contribui diretamente pela Fundação Instituto de Pesquisastores dessa mudança. para essa nova forma de encarar as Econômicas (Fipe), mais da metadeDezembro de 2011 Fonte Fonte 111
  • 109. (51,45%) dos jovens de 14 anos já lação de aprendizado mútuo. Mas do exemplos de como se busca atingir superou a escolaridade de suas mães. contrário, podem ocasionar rejeição tais objetivos. “Nós temos muitos pais e mães entre as pessoas. Cabe às empresas Y trabalha ouvindo música e que são muito jovens e eles já são fru- agir com inteligência, mesclando navegando em redes sociais. Um X to dessa inclusão recente que o país pessoas de diferentes perfis em equi- pode não entender esse comporta- promoveu. A melhoria ainda é lenta, pes e projetos, buscando soluções mento, sentir-se injustiçado, e daí mas o fato é que quanto mais avan- mais completas e condizentes com podem surgir conflitos. Y não tem çado é o ano em que a criança nas- os diferentes perfis. paciência para reuniões longas, e ceu, maior é a chance que ela tem de Podemos dizer que o modelo com seu comportamento multitare- completar o ensino médio”, explica mental dos representantes de cada fa, não tarda a sacar seu smartphone a diretora-executiva do Todos pela uma dessas gerações é diferente. Isso para acessar a internet. Os mais ve- Educação, Priscila Cruz. pode gerar conflitos, especialmente lhos podem interpretar e reagir mal a O jovem retratado nesses últi- quando um Y chefia um X ou um essas situações. mos parágrafos certamente apresenta baby boomer. Os representantes da Com sua característica de in- um perfil totalmente diferente dos geração Y são caracterizados pela formalidade, o Y muitas vezes não jovens das últimas gerações, em di- informalidade, e as empresas mais é muito atento à hierarquia, e as- versos aspectos. Na família, ele mui- vanguardistas, geralmente fundadas sim, eventualmente, deixa de pro- tas vezes se torna, de forma precoce, por pessoas da geração Y, levam essa curar o seu superior imediato para uma referência em inúmeros aspec- informalidade a níveis inimagináveis tratar de assuntos inerentes ao seu tos. Mais instruído, mais conectado para corporações mais tradicionalis- trabalho, indo direto a níveis mais e muito mais antenado que os pais, tas. No Google e no Facebook, por altos. O gestor “by-passado” pode ele muitas vezes apresenta uma difi- exemplo, a política é ter um ambien- se sentir ofendido. culdade em ouvi-los, e até deixa de te tão agradável que as pessoas pre- Esses conflitos podem gerar tê-los como referência. firam trabalhar a estar em casa. Salas custos com a alta rotatividade de No ambiente profissional, as di- de jogos, máquinas de refrigerante e funcionários, e ainda pior: a dificul- ferenças entre as gerações, se bem chocolates e ambientes customiza- dade de manter na empresa os seus trabalhadas, podem resultar numa re- dos para cada funcionário são alguns maiores talentos. A nova classe C Além das mudanças em relação correspondem a mais de 50% do to- de consumir e decidir onde investir aos níveis de instrução e das ca- tal da população do país. Suficiente o seu dinheiro e inserida no merca- racterísticas da geração Y, há outro para se tornar dominante dos pontos do de trabalho formal. Hoje, o so- ponto muito importante a ser des- de vista eleitoral e econômico. De- nho de muitos desses jovens não é tacado com relação à audiência da têm quase 50% do poder de compra apenas o carro zero e o celular de internet: a economia. A principal e superam as classes A e B (44,12%) última geração: o diploma de ensino novidade foi o fortalecimento da e D e E (9,65%). superior e o MBA tornaram-se mais classe C, composta por famílias que Entre 2002 e 2010 os eleitores importantes do que qualquer outro têm uma renda mensal domiciliar de nível universitário na classe C produto disponível no mercado.” entre R$ 1.064,00 e R$ 4.561,00. saltaram de 6 milhões para 9 mi- “De acordo com dados do ins- Nos últimos anos, ocorreu no lhões. Serão 11 milhões em 2014. tituto de pesquisa Data Popular, a Brasil “uma considerável mobili- Incluindo aqueles com ensino mé- classe C é responsável por 78% do dade social: entre 2004 e 2010, 32 dio, eram 48 milhões e serão 52 que é comprado em supermerca- milhões de pessoas ascenderam à milhões em 2014. “A nova classe dos, 60% das mulheres que vão a categoria de classes médias e 19,3 média brasileira é formada por pes- salões de beleza, 70% dos cartões milhões saíram da pobreza”. Os soas mais jovens, com um nível de de crédito no Brasil e 80% das cerca de 95 milhões de brasileiros escolaridade maior (e dispostas a pessoas que acessam a internet. que compõem a nova classe média aumentá-lo), mais exigente na hora ‘A nova classe média movimenta112 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 110. R$ 273 bilhões na internet por ano Esse é um cenário que faz do temos, conectados, os nativos digi-somente com seu salário; se consi- digital um campo fértil para o de- tais e a nova classe C brasileira: pes-derarmos o crédito disponível a ela, senvolvimento de novos modelos de soas totalmente familiarizadas comesse montante dobra’.” negócios e serviços. Cada vez mais o meio e aptas a consumir on-line.Marketing digital Hoje em dia, as empresas, pú- São inúmeras as formas de atu- tritamente digitais, como músicas, ablicas ou privadas, não podem ig- ação no marketing digital, adequa- linha pode ser literalmente infinita,norar o poder do marketing digital. das a cada tipo de negócio. Uma visto que não há custos com estoca-Na internet, a principal ferramenta das teorias mais celebradas é a da gem nem com envio dos produtos.utilizada para esse fim são as mí- “Cauda Longa”, descrita por Chris Isso quer dizer que o mercadodias sociais, locais onde estão os Anderson em seu livro A Cauda deixa de ser restrito aos produtosclientes, fornecedores, concorren- Longa: do mercado de massa para “mainstream”, que são os únicostes e todos os demais stakeholders o mercado de nicho, de 2006. que valem os custos de estocagem,das companhias. Mesmo que não se Basicamente, Anderson defen- uma vez que vendem mais, e passaposicionem nessas mídias, as em- de que, quanto mais os estoques de a ser muito mais amplo. Não há pro-presas já se encontram nelas, pois produtos puderem ser virtuais, mais blema algum em manter em um es-ali são objetos de discussões, crí- a diversidade de produtos ofereci- toque virtual, por exemplo, 500 milticas e inúmeros tipos de comentá- dos tende ao infinito. Dessa forma, produtos que vendam duas unidadesrios. Não se pode, portanto, ignorar num gráfico de produtos x vendas, a cada um por ano, ou dois produtosessa nova realidade e as oportuni- linha dos produtos se estende enor- que vendam 500 mil unidades. Am-dades que dela podem advir. memente. No caso de produtos es- bos irão gerar lucros.Mobile marketing No atual contexto de mercado, acessos à internet por esses dis- As gerações Y e Z já são, em grandeos planejadores de marketing digi- positivos superem os notebooks e parte, habituadas a compartilhar seustal devem sempre levar em conta as desktops dentro de dois anos. É um conteúdos utilizando recursos de geo-ações e soluções voltadas para os mercado com enorme potencial e localização, além de aplicativos quedispositivos móveis. Smartphones em pleno crescimento. se utilizam desse recurso para prestare tablets são atualmente as vedetes A utilização de geolocalização inúmeras formas de serviços. Não édo consumo de produtos tecnológi- em dispositivos móveis é um gran- nenhum exagero dizer que a mobili-cos, e as projeções são de que os de diferencial para esses aparelhos. dade é o futuro da web 2.0.E-gov, ou governo eletrônico Falando especificamente do setor nização do Estado e está fortemente sim, na transformação da maneirapúblico, devemos abordar o e-gov, apoiado no uso das novas tecnolo- com que o governo, através da TIC,que trata da utilização da tecnologia gias para a prestação de serviços pú- atinge os seus objetivos para o cum-da informação para prestação de ser- blicos, mudando a maneira com que primento do papel do Estado.”viços ou entrega de produtos do Es- o governo interage com os cidadãos, O governo eletrônico é enten-tado tanto aos cidadãos, empresas, empresas e outros governos. O con- dido como a prestação de serviçoscomo ao próprio governo. O portal ceito não se restringe à simples au- públicos utilizando-se de recursos deGoverno Eletrônico define desta forma: tomação dos processos e disponibi- tecnologia da informação, em caráter“O e-gov pode ser entendido como lização de serviços públicos através remoto e disponível no sistema 24/7.uma das principais formas de moder- de serviços on-line na internet, mas, Ainda citando o portal GovernoDezembro de 2011 Fonte Fonte 113
  • 111. Eletrônico: “O governo eletrônico [FERNANDES, 2000]; rência, responsividade e a própria engloba, principalmente, três tipos - G2C (forma reduzida da ex- prestação de contas. de transações, a saber: pressão em inglês ‘Government to Diante do cenário exposto an- - G2G (forma reduzida da ex- Citizen’) envolvendo relações entre teriormente, com os cidadãos cada pressão em inglês ‘Government to governos e cidadãos (interação com vez mais conectados e familiarizados Government’) trata-se de uma rela- cidadão: Portal de atendimento - In- com as tecnologias digitais, o e-gov ção intra ou intergovernos (Gestão ternet) [FERNANDES, 2000]”. pode tornar a prestação de serviços interna: Sistemas Internos - Intranet) Entre as aplicações práticas do públicos muito mais ágil, além de [FERNANDES, 2000]; e-gov, podemos apontar: prestação diminuir custos inerentes ao aten- - G2B (forma reduzida da ex- de contas, requisições, espaço para dimento presencial. Além disso, a pressão em inglês ‘Government to discussão (envolvimento da popu- prestação de serviços através de dis- Business’) caracteriza-se por transa- lação), ouvidoria, cadastro e servi- positivos móveis pode ser um gran- ções entre governos e fornecedores ços on-line. Além disso, o governo de marco para o e-gov nos próximos (integração com a cadeia de valor: eletrônico atende a três preceitos anos, representando consideráveis Sistemas Estruturadores - Extranet) básicos da democracia: transpa- ganhos para o governo e a população. Referências KAPLAN, A. M.; & HAENLEIN, M. (2010). Users of the world, to_1_Nativos_Digitais_Imigrantes_Digitais.pdf. Acesso unite! The challenges and opportunities of Social Media. em: dezembro 2011. PRENSKY, Marc. (2001). Digital Natives, Digital Immigrants. http://www.jb.com.br/pais/noticias/2011/11/28/metade-dos-jo- vens-de-14-anos-ja-superou-escolaridade-de-suas-maes/ http://pt.wikipedia.org/wiki/Internet. Acesso em: novembro 2011. Acesso em: dezembro 2011. http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_Internet. http://www.sae.gov.br/novaclassemedia/?page_id=58. Acesso Acesso em: novembro 2011. em: dezembro 2011. http://pt.wikipedia.org/wiki/web_2.0. Acesso em: novembro 2011. http://www.governoeletronico.com.br/index.php?option=com_content http://depiraju.edunet.sp.gov.br/nucleotec/documentos/Tex- &task=view&id=19&Itemid=29. Acesso em: dezembro 2011.114 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 112. Open innovation, Scrum e web 2.0: Divulgação redes ágeis de inovação Rodrigo Baroni de Carvalho Doutor em Ciência da Informação (UFMG, Universidade de Toronto ­­ Canadá). – Professor do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA) da PUCMinas e professor associado ao Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral (FDC). E-mail: baroni@pucminas.br. RESUMO O artigo busca analisar, em âmbito corporativo, as possibilidades de sinergia entre os movimentos da web 2.0, inovação aberta e metodologia ágil Scrum. A partir dos desafios competitivos da sociedade pós-industrial, o artigo evidencia a demanda por agilidade, discutindo a abordagem da open innovation com foco na tripla hélice composta por governo, universidade e empresa. São apresentadas recomendações para que os gestores possam conhecer os riscos e usufruir os benefícios das redes ágeis de inovação. Palavras-chave: inovação aberta; Scrum; metodologia ágil; gestão da inovação; web 2.0, gerência de projetos.Introdução Como equilibrar formalidade comunicação mais direta com fun- de fácil acesso ou ainda a atividadee agilidade? Por um lado, a ado- cionários, clientes e parceiros. de leitura da documentação existenteção crescente pelas organizações Esse antagonismo pode fazer não é priorizada nem valorizada.de modelos e frameworks baseados com que as organizações confun- Adicionalmente, esses fra-na SOX (lei Sarbanes-Oxley), no dam agilidade com pressa, impro- meworks de natureza predominan-CoBit (Control Objectives for In- viso e desorganização ou, então, no temente norte-americana trazemformation and related Technology) outro extremo, enrijeçam seus pro- consigo valores e estilos de comuni-e no PMBoK (Project Management cessos, bloqueando oportunidades cação bastante diferentes das culturasBody of Knowledge) tem contribuí- de inovação e transformando-se em de influência latina. Em particular,do para maior controle e formalidade “castelos de papel”. brasileiros têm grande facilidade denos projetos e processos corporati- Como balancear escrita e leitura socialização que pode ser comprova-vos, gerando consequentemente um no contexto organizacional? O PM- da, entre outras maneiras, pela nossamaior volume de documentação. Por Bok recomenda explicitamente que presença expressiva nas redes so-outro lado, a demanda do mercado um gerente de projeto deve ler as ciais. Em contrapartida, ao contráriopor ciclos mais curtos de desenvol- lições aprendidas de projetos simila- de povos germânicos e anglo-saxões,vimento de produtos e serviços tem res anteriores antes de embarcar na escrever, registrar e documentar nãopressionado as mesmas organizações jornada de um novo projeto. Parece são atividades tão naturais em nossapor maior agilidade, aumento da ca- simples, mas muitas vezes essa me- cultura. Empiricamente, isso pode serpacidade inovadora e mecanismos de mória de projetos não existe, não é constatado pelo reduzido número deDezembro de 2011 Fonte Fonte 115
  • 113. pessoas que anotam algo em reuniões ra. Não constitui objetivo do artigo vação e agilidade. Na sequên-cia, são em empresas brasileiras. Menor ain- estudar um caso particular, mas sim discutidas as abordagens da inovação da é o número de participantes que se lançar reflexões sobre o potencial de aberta e da tripla hélice. Posterior- voluntaria ao ouvir a temida pergunta: sinergia entre a inovação aberta, web mente, é apresentada a metodologia “Quem fará a ata da reunião?” 2.0 e Scrum, trazendo algumas inter- ágil Scrum. Finalmente, são analisa- O presente artigo busca analisar a pretações específicas para a cultura das as possibilidades de sinergia entre possibilidade de contribuição da web das organizações brasileiras. No pró- open innovation, Scrum e web 2.0, 2.0 para lidar com esses paradoxos: ximo item, é caracterizada a demanda trazendo algumas recomendações formalidade agilidade, escrita leitu- da sociedade pós-industrial por ino- para os gestores. Sociedade pós-industrial: demanda por agilidade e inovação De acordo com Medeiros (1997), de permear todo o conjunto crescente nível de informa- os seguintes aspectos caracterizam o das atividades econômicas tização, aumentando a pro- novo paradigma tecnológico predo- (setor industrial, serviços, co- dutividade organizacional e minante na sociedade pós-industrial: mércio, etc.); exigindo maior conhecimento - intensificação da complexida- - aumento na velocidade, ca- técnico dos funcionários; de das novas tecnologias: as pacidade e confiabilidade da - mudança no perfil dos pro- inovações vêm dependendo de difusão e disseminação de fissionais e gerentes: as or- níveis crescentes de gastos em informações com significa- ganizações buscam colabo- P&D (Pesquisa e Desenvolvi- tiva diminuição dos custos radores com alta capacidade mento) e as novas tecnologias associados; de adaptação e rapidez de são fortemente baseadas no - ferramentas eletrônicas como aprendizado; conhecimento científico; facilitadoras para a geração do - valorização do conhecimen- - aceleração dos novos desen- conhecimento; to tácito, não codificável e volvimentos: implica uma - mudanças fundamentais na específico de cada setor da taxa de mudança mais rápida estrutura organizacional: ge- economia. nos processos e produtos. Por ração de maior flexibilidade De fato, a aceleração do ritmo consequência, as empresas e integração das diferentes de mudanças em nossa sociedade e mais competitivas em nível funções da empresa (pesqui- o aumento da competição nos merca- mundial vêm buscando não sa, produção, administração, dos globais têm contribuído para um mais simplesmente a espe- marketing), assim como maior processo de questionamento de quais cialização em produtos e pro- integração de empresas, usuá- seriam os fatores fundamentais para cessos específicos, mas sim rios, produtores, fornecedores o sucesso das organizações. O ciclo adquirir “competências nucle- e prestadores de serviços; de desenvolvimento de produtos tem ares” (core competencies) nas - mudança nos processos de sido drasticamente reduzido e as or- chamadas tecnologias gené- produção: automação, flexibi- ganizações buscam cada vez mais ricas como forma de se man- lização, integração e otimiza- qualidade, inovação e velocidade para terem permanentemente aptas ção dos processos produtivos permanecerem no mercado. a acompanhar o intenso dina- com o monitoramento e o Drucker (1998) denomina a nova mismo dessas novas áreas; controle on-line de quantida- sociedade que se forma como “socie- - fusão de tecnologias: papel de e qualidade de produção. dade pós-capitalista”. Segundo o au- central no crescimento de no- Por outro lado, o avanço da tor, o recurso econômico básico não vas indústrias e no rejuvenes- automação industrial contri- é mais o capital, nem os recursos na- cimento de outras. Ressalta-se buiu para a redução da oferta turais, nem a mão de obra, mas sim em particular a característica de emprego para mão de obra o conhecimento. O autor afirma que que as tecnologias de informa- de baixa qualificação. Os pro- o valor é criado pela produtividade e ção e comunicação possuem cessos repetitivos apresentam pela inovação, que são aplicações do116 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 114. conhecimento ao trabalho. Drucker - alta pressão por resultados; manda um repensar do estilo geren-(1998) também destaca que não é - superadministração: excesso cial “manda quem pode, obedecemais possível obter grandes lucros fa- de normas, controles e trâmi- quem têm juízo” , pois a abordagemzendo ou movimentando coisas, nem tes internos; comando-controle já não surte osmesmo controlando dinheiro e que os - estrutura verticalizada ou pou- mesmos resultados com trabalha-recursos tradicionais – mão de obra, co interdependente; dores mais qualificados em setoresterra e capital (dinheiro) – produzem - pouca delegação de poder; baseados em ativos intangíveis eretornos cada vez menores. Os maio- - geração de estresse nos fun- intensivos em conhecimento. A atu-res produtores de riqueza passaram a cionários; alização dos modelos de gestão comser a informação e o conhecimento. - tolerância mínima com rela- base na web 2.0 demandará talvez Segundo Teixeira (2000), a so- ção aos erros; um pouco menos de controle paraciedade pós-industrial se caracteriza - ausência de políticas que re- que se obtenham os benefícios dapelo predomínio dos trabalhadores conheçam as conquistas dos colaboração intensiva.do setor terciário, provocando as se- funcionários; Segundo Terra (2009), a webguintes mudanças na estrutura social: - concentração da informação; 2.0 diz respeito à adoção de ferra-a passagem da primazia da produção - escasso compromisso com as mentas digitais mais colaborativas,de bens para uma economia predomi- mudanças por parte dos diri- nas quais os usuários deixam de sernantemente de serviços, o avanço das gentes; meros consumidores de informaçãoclasses de trabalhadores técnicos, a - objetivos pouco definidos e para se tornarem produtores e vali-centralidade da inovação e da gestão não compartilhados com os dadores de conteúdos. Um exemplodo desenvolvimento tecnológico e funcionários; prático dessa possibilidade pode seruma nova organização do saber. - falta de canais regulares para constatada nos jornais e portais de Por outro lado, as organizações obtenção de feedback por parte notícias web que abriram um pou-apresentam enormes dificuldades do cliente com relação ao pro- co mão do controle excessivo deem instilar processos de inovação duto ou serviço; conteúdo para permitir que leitoresfundamentais para a manutenção - não escutar ou valorizar as comentem notícias e postem mensa-da capacidade competitiva. Daza ideias dos funcionários; gens em blogs de jornalistas. Com(2003) sintetizou as seguintes ati- - o fato de muitos funcionários isso, o canal unidirecional jornalis-tudes organizacionais que demons- considerarem suas funções ro- ta-leitores é ampliado com múlti-tram escassa vocação para a criati- tineiras e pouco estimulantes. plas possibilidades de interação devidade e a inovação: Esse contexto de negócios de- muitos para muitos.Inovação aberta Organizações têm verificado que De acordo com Benedetti e tivo e uma cultura empresarial dea inovação depende cada vez mais de Torkomian (2009), dentre as fontes punição aos erros têm criado bar-aspectos que nem sempre podem ser externas de inovação, encontram- reiras para a configuração de umencontrados em suas fontes internas, se as universidades que são tra- contexto favorável à inovação nobuscando assim ideias e tecnolo- dicionalmente voltadas a avançar ambiente corporativo. Se inovargias além de suas fronteiras. Segun- na fronteira do conhecimento por implica correr riscos e errar dentrodo Terra (2009), há uma tendência meio das pesquisas acadêmicas, da empresa pode custar muito caro,muito forte entre as empresas que mas que nem sempre são aplicadas faz-se necessário o estabelecimen-mais investem em P&D (Pesquisa no setor produtivo ou trazem bene- to de conexões com outros atorese Desenvolvimento) no mundo em fícios mais tangíveis para a socie- da rede de estímulo à inovação.colaborar de maneira intensa com dade. Adicionalmente, o elevado Segundo Pellegrin et al.universidades, institutos de pesquisa, custo na instalação de laboratórios, (2007), essa constatação é válidaclientes, fornecedores, entre outros. o pragmatismo do mundo corpora- mesmo em um país como o Brasil,Dezembro de 2011 Fonte Fonte 117
  • 115. em que grande parte do tecido em- empresa está inserida foi denomi- ção aberta baseia-se na inteligência presarial registra baixas taxas de nada por Chesbrough (2003) como coletiva e engloba diferentes mo- inovação e ainda não vê o processo open innovation (inovação aber- delos de colaboração para a inova- de inovação como algo endógeno à ta). Apesar das parcerias universi- ção em redes de firmas e entidades firma. Para os autores, existe uma dade-empresa serem realizadas há externas, tais como clientes, vare- crescente percepção de que a ino- décadas, a redução dos custos de jistas, fornecedores, concorrentes, vação está fortemente associada telecomunicações e a ampla dispo- universidades e outros laboratórios ao aumento da competitividade, nibilidade das TICs fizeram com de pesquisa. O modelo pode variar promovendo, assim, modelos mais que colaborar se tornasse cada vez da simples prestação de serviços cooperativos de inovação. mais barato e viável, permitindo a (testes de rotina), passando pela A proposta de um modelo de construção de alianças entre atores aquisição ou transferência de tec- inovação que explore simulta- geograficamente dispersos. nologia, até o estabelecimento de neamente os recursos internos, Considerando as limitações do alianças estratégicas e consórcios adotando mecanismos de busca, modelo de inovação fechada em de pesquisa. O Quadro 1 apresen- seleção e captura de oportunida- atender às demandas da sociedade ta, na perspectiva da empresa, uma des e ativos externos à organiza- pós-industrial, surgem propostas de síntese dos princípios da inovação ção e presentes no mercado ou modelo como open innovation. Se- aberta em oposição ao modelo de no ambiente institucional onde a gundo Chesbrough (2003), a inova- inovação fechada. INOVAÇÃO FECHADA INOVAÇÃO ABERTA Devemos contratar os melhores talentos. Nem todos os talentos do setor trabalham para nós. O P&D externo pode criar valor significativo e o P&D Nós mesmos devemos descobrir, desenvolver e vender. interno é necessário para criar parte desse valor. Se descobrirmos antes, conseguiremos colocar no Não precisamos originar a pesquisa para lucrar mercado primeiro. a partir dela. Se criarmos as maiores e melhores ideias em nosso Se fizermos o melhor uso de ideias internas e setor, venceremos. externas, venceremos. Devemos controlar nossa propriedade intelectual, a fim de Podemos lucrar com o uso de nossa propriedade que nossos concorrentes não lucrem com nossas ideias. intelectual por parte de terceiros. Quadro 1 - Comparação entre os modelos de inovação fechada e aberta. Fonte: CHESBROUGH, 2003 Um aspecto interessante entre os tros conjuntos de conhecimentos. No Apesar de os retornos e resulta- modelos de inovação aberta e fecha- entanto, os autores advertem que o dos da estratégia baseada na preser- da é a tensão existente entre a pre- foco exclusivo na preservação e uso vação serem mais certos e imedia- servação do conhecimento existente dos estoques de conhecimentos e ca- tos, Choo e Bontis (2002) sugerem (exploitation) e a busca pela inova- pacidades pode levar a empresa à ob- um equilíbrio entre as duas estra- ção e geração de novos conhecimen- solescência. Por outro lado, a estra- tégias, pois a preservação (fluxo tos (exploration). Segundo Choo e tégia baseada na exploração enfatiza para o passado – feedback) garan- Bontis (2002), uma estratégia base- a criação de conhecimento novo que te maior eficiência e reduz o custo ada na preservação enfatiza a codifi- será aplicado ao desenvolvimento de de adaptação e desenvolvimento cação do conhecimento, explicitando novos produtos e serviços. O excesso dos produtos existentes, enquanto o conhecimento para promover o seu dessa abordagem também tem seus que a estratégia baseada na explo- reúso em múltiplos contextos e para problemas, pois a empresa não tira ração (fluxo para o futuro – feed- facilitar a sua combinação com ou- partido do conhecimento existente. forward) estimula a inovação mais118 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 116. radical. Para os autores, a empresaflexível consegue rapidamente al-ternar o foco entre a preservação ea exploração, adaptando-se assimàs mudanças no ambiente De acordo com Piatto, Bernar-des e Moraes (2010), o modelo deinovação aberta considera a inova-ção como um processo orientadoà formação de redes colaborativase de relacionamento em que pro-jetos, tecnologias, patentes ou li-cenças de pesquisas em qualquerestágio de desenvolvimento podemser adquiridas, vendidas ou desen-volvidas em conjunto com outrasinstituições, conforme ilustrado naFigura 1. Figura 1 – Modelo da inovação aberta. Fonte: CHESBROUGH, 2003 Segundo Terra (2009), os cus-tos de desenvolvimento e P&D in-terno aumentaram em relação aopotencial de receita a ser geradapara a empresa, pois a inovaçãorequer altos investimentos em la-boratórios e mão de obra para ob-tenção de pequenas melhorias noprocesso, produto ou serviço. Ainovação aberta busca solucionara equação por meio do comparti-lhamento de riscos e custos comparceiros, fazendo-os ganhar expe-riência e capacitação técnica. Umdos arranjos do modelos de inova-ção aberta é denominado de triplahélice, composta por universidade,governo e empresa, conforme pro-posta de Etzowithz e Viale (2010) Figura 2 – Modelo da tripla hélice. Fonte: INOVABRASIL, 2010e de Albuquerque (2011), ilustradana Figura 2. No âmbito do Estado de Minas org.br, é um ambiente virtual formado mil usuários entre professores, pes-Gerais, uma experiência da tripla héli- por empresários de diferentes setores quisadores, servidores públicos, es-ce vem sendo coordenada pela Sectes da economia, estudantes, professores, tudantes e empresários. Terra (2009)(Secretaria de Ciência e Tecnologia) pesquisadores, agentes de fomento à também discute casos práticos de ino-que estruturou o Simi (Sistema Mi- inovação e representantes de fontes vação aberta com destaque para Natu-neiro de Inovação) com o intuito de de financiamento. Ao longo de 2011, ra, Fiat, Bradesco, Serasa, Embraco,promover a inovação aberta. Segundo a rede teve sua plataforma revista para Tecnisa, Embraer, Petrobras, entreo Simi (2011), a rede social do Simi, se adequar aos padrões da web 2.0 e outros, demonstrando a aplicação prá-criada em 2006 e disponível em simi. possui atualmente em torno de seis tica do conceito em nosso país.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 119
  • 117. Metodologia ágil Scrum O Scrum é um framework para peito a uma jogada de rúgbi em que reiro de 2001, em Utah, EUA, para a gerência ágil de projetos. Apesar há um movimento bem coordenado questionar uma série de mitos e de ter suas origens mais associadas entre oito jogadores. práticas utilizadas na Engenharia de ao processo de desenvolvimento de Os princípios do Scrum estão Software e na Gerência de Projeto. software, seus princípios são plena- associados às diretrizes do Mani- Segundo o Agile Manifesto (2001), mente aplicáveis a qualquer tipo de festo Ágil (Agile Manifesto) redigi- os itens da esquerda são mais valo- projeto. O nome Scrum não repre- do por 17 grandes especialistas de rizados do que os da direita, confor- senta nenhuma sigla, mas diz res- software que se reuniram em feve- me representado no Quadro 2. MAIOR VALOR TAMBÉM É IMPORTANTE Indivíduos e interações entre eles Processos e ferramentas Software em funcionamento Documentação abrangente Colaboração com o cliente Negociação de contratos Responder a mudanças Seguir um plano Quadro 2 – Itens do Manifesto Ágil. Fonte: AGILE MANIFESTO, 2001 O sprint é o coração do Scrum, a reuniões devem ser respondidas estão no caminho?”. O time de de- sendo eventos com duração máxi- as seguintes perguntas: “O que foi senvolvimento usa o Daily Scrum ma de um mês. A cada sprint, são cumprido desde a última reunião?”, para acessar o progresso do projeto criados produtos potencialmente “O que deve ser feito antes da pró- e atendimento aos requisitos neces- utilizáveis. Durante essa etapa, ne- xima reunião?”, “Quais obstáculos sários do sprint. nhuma mudança pode ser feita, caso essa afete a meta do sprint. Para o planejamento de cada sprint, devem ser realizadas reuniões, em que as horas são proporcionais ao tama- nho do sprint, que definem o que foi feito e o que será entregue como incremento para o próxima sprint e qual trabalho necessário para en- tregá-lo. Para manutenção diária do método são realizadas as chamadas Daily Scrum, que são reuniões de no máximo 15 minutos, quando o time de desenvolvimento sincroniza as atividades e cria um plano con- sistente para as próximas 24 horas. Para o Scrum Guide (2011), durante120 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 118. O Manifesto Ágil também com- ambiente e suporte que preci- rimentos e projetos emergempreende 12 princípios descritos a se- sam e confie neles para ter o de equipes auto-organizadas.guir, conforme Agile Manifesto (2001): trabalho realizado. XII. Em intervalos regulares, as I. A mais alta prioridade é a sa- VI. O método mais eficiente e equipes devem refletir sobre tisfação do cliente através da efetivo de repassar informa- como se tornarem mais efeti- liberação mais rápida e contí- ção entre uma equipe de de- vas, e então refinarem e ajus- nua de produto de valor. senvolvimento é através de tarem seu comportamento. II. Receba bem as mudanças de conversação face a face. Esses princípios norteiam uma requerimentos, mesmo em VII. Produto funcionando é a prin- prática gerencial bastante aderente estágios tardios do projeto. cipal medida de progresso. ao estilo cultural da comunicação Processos ágeis devem ad- VIII. Processos ágeis promovem em países latinos. É importante des- mitir mudanças que trazem desenvolvimento sustenta- tacar que a documentação não deixa vantagens competitivas para do. Os patrocinadores, de- de existir, mas deve ser calibrada o cliente. senvolvedores e clientes de- com a capacidade organizacional de III. Libere produto com a frequên- vem ser capazes de manter lê-la e aplicá-la. No entanto, para cia de um par de semanas até conversação pacífica indefi- que essa comunicação mais direta um par de meses (duas se- nidamente. funcione, é fundamental que a equi- manas até dois meses), com IX. A atenção contínua para a ex- pe possua ou desenvolva capacidade preferência para a escala de celência técnica e um bom de auto-organização e habilidade de tempo mais curta. projeto aprimoram a agilidade. resolver problemas em um ambien- IV. Mantenha os clientes e os X. Simplicidade – a arte de maxi- te de respeito e confiança mútua. É projetistas trabalhando jun- mizar a quantidade de traba- justamente nesse ponto que há uma tos a maior parte do tempo lho não feito – é essencial, de- boa possibilidade de aderência dos do projeto. vendo ser assumida em todos princípios cooperativos do Scrum V. Construa projetos com indi- os aspectos do projeto. e das metodologias ágeis à aborda- víduos motivados, dê a eles o XI. As melhores arquiteturas, reque- gem da web 2.0.Recomendações para os gestores e conclusões Em tempos de equipes de pro- gerar mais desapontamento e desper- volvimento de produtos, criandojeto cada vez mais geograficamente dício é grande. Portanto, o potencial uma inteligência de negócios comdispersas, as ferramentas da web 2.0 da web 2.0 não está nas suas ferra- a agilidade necessária e requeridacomo wikis, blogs e redes sociais po- mentas em si, mas na aderência das pelas novas gerações. Terra (2009)dem contribuir para a aproximação mesmas ao estilo gerencial e mode- nos lembra que uma nova geraçãoda equipe e a construção coletiva do lo de negócios da organização. De de profissionais foi educada comconhecimento ao longo de um pro- nada adianta o presidente da empresa acesso à web e espera trabalharjeto. Naturalmente, isso exigirá dos querer manter um blog se não estiver e colaborar virtualmente. Portan-líderes de projeto novas habilidades aberto às opiniões favoráveis ou não to, as organizações devem ava-em gerenciar arranjos sociotécnicos de seus funcionários. liar se os seus processos, rotinascomo comunidades virtuais de práti- De acordo com Cremades de trabalho e práticas de gerênciaca que permitam o compartilhamento (2007), a web 2.0 favorece a frag- de projetos estão adequados parade experiências. Terra (2009) é enfá- mentação de problemas e a agili- extrair a melhor produtividade dotico ao afirmar que, se as empresas dade das soluções, viabilizando novo perfil de trabalhadores quemantiverem as práticas gerenciais ações descentralizadas e colabora- utiliza intensivamente os recursosdo século XX (autoritarismo, falta tivas. Já Barcelos (2011) propõe o da web 2.0.de transparência, hierarquia rígida, uso das mídias digitais como for- Em um modelo de inovaçãofoco apenas no lucro econômico), a ma de reduzir custos e melhorar a aberta, as organizações devem serprobabilidade da adoção da web 2.0 tomada de decisão para o desen- menos fechadas e mais porosasDezembro de 2011 Fonte Fonte 121
  • 119. para interagirem melhor com suas forma que práticas colabo- Um bom exercício é tentar redes internas e externas, instilan- rativas e de documentação escrever manuais de sistemas do novas fronteiras de colaboração. de projetos sejam incluídas ou atas de reunião de manei- Para orientar os gestores nessa jor- como itens avaliativos, de ra colaborativa. nada, a lista a seguir compila reco- preferência no formato da - Escolha bem seus parcei- mendações que permitem explorar avaliação por pares, supe- ros. Como nos relaciona- a sinergia entre o Scrum, inovação riores e subordinados (feed- mentos pessoais, a defini- aberta e web 2.0: back 360 graus). ção do que compartilhar - Invista em sua intranet. - Teste a colaboração inter- com quem é fundamental. Com a difusão das práticas de na antes de partir para a A organização deve avaliar home-office (teletrabalho), externa. Dificilmente a or- quais universidades, quais é fundamental que as pesso- ganização será efetiva na co- órgãos do governo e forne- as tenham disponibilidade laboração para além de seus cedores estão mais maduros de acesso às ferramentas de muros, se não conseguir e aptos a colaborar, respei- trabalho independente da sua internalizar essas práticas. tando a propriedade intelec- localização. Naturalmente, Antes de envolver universi- tual das soluções e produtos os aspectos de segurança da dades, fornecedores e par- construídos coletivamente. informação devem ser leva- ceiros em redes de inovação, Naturalmente, a construção de dos em consideração para teste e amadureça arranjos alianças estratégicas de suporte ao definir a política de acesso internos como mapas de co- modelo de inovação aberta baseada aos aplicativos empresariais. nhecimento e comunidades nas práticas do Scrum e nos recur- - Adequar interfaces para ta- de práticas. sos da web 2.0 requer a definição blets e smartphones. A mobi- - Faça um projeto piloto de acordos de cooperação entre as lidade é o paradigma vigente usando Scrum. Aqueles partes. De acordo com Terra (2009), da computação e as redes de que julgam que o Scrum o modelo de inovação aberta requer inovação devem ser ubíquas. é apenas uma metodolo- uma série de cuidados relacionados - Capacite os gestores para li- gia para fracionar projetos à governança, propriedade intelec- dar com redes sociais. Se os em sprints estão bastante tual, eficácia e indicadores. Con- recursos da web 2.0 são nati- enganados. O Scrum pres- tudo, as empresas mais inovadoras vos para as novas gerações, o supõe mudanças no estilo já perceberam que o maior risco mesmo não se aplica ampla- de comunicação e na trans- é se isolar e contar apenas com as mente a uma parcela dos pro- parência das relações en- próprias ideias, conhecimentos, re- fissionais mais seniores para tre os membros da equipe cursos humanos e financeiros, reco- os quais controlar é o único com reuniões diárias e ins- nhecendo que a inovação em isola- sinônimo de gestão. O conte- trumentos de gestão à vis- mento não é mais uma opção viável. údo da capacitação deve des- ta. Por isso, é conveniente Conforme destacado ao longo mistificar as redes sociais, en- avaliar, em menor escala, a do texto, uma das principais barrei- fatizando o potencial da web aderência do Scrum à cultu- ras à adoção de frameworks base- 2.0 para desenvolvimento de ra organizacional para pos- ados no CoBIT, ITIL (Information projetos e geração de oportu- teriormente promover uma Technology Infrastructure Library) nidades de negócios. adoção mais abrangente. e PMBok é a resistência da nossa - Crie instrumentos de RH - Utilize plataformas wikis cultura brasileira às atividades de (Recursos Humanos) que para documentar projetos. documentação. Por conta da falta incentivem a colaboração. Um dos grandes benefícios de externalização do conhecimento, O discurso deve ser coerente da web 2.0 é a difusão da prá- reinventa-se a roda ou cometem-se com a prática. A organização tica da escrita colaborativa os mesmos erros, pois a aprendiza- deve evoluir os instrumentos bastante comum no Google gem em projetos ocorre apenas em de avaliação de pessoal de Docs e nos ambientes wikis. nível individual e não em âmbito122 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 120. corporativo. Se quase ninguém lê sos entre outros são preenchidos pacidade organizacional de assimi-o que é documentado, isso provoca com um misto de raiva e desleixo. lá-lo, balanceadas a externalizaçãoum desestímulo em quem escreve, Raras são as oportunidades em que (escrita) e a internalizarão (leiturapois a atividade não é reconhecida. líderes de projeto elogiam mem- aplicada) do conhecimento.Por conseguinte, a documentação bros de sua equipe pela qualidade Com o advento da web 2.0, co-exigida pelos frameworks e pelas da documentação produzida. laborar se tornou muito barato. Noauditorias interna e externa é pre- Se a documentação é um remé- entanto, para que as organizaçõesenchida de maneira mecanicista dio tão amargo assim, nada melhor usufruam do ganho de escala do co-e rasa, sendo de pouca valia para do que administrá-lo em doses ho- nhecimento coletivo, faz-se neces-a transferência do conhecimento. meopáticas ao longo do projeto e sária uma adequação gradual dosLembra-se assim do dito popular: utilizar os recursos da web 2.0 para estilos de relacionamentos e de co-“o que é escrito sem esforço é lido estimular uma documentação cola- municação com funcionários, par-sem prazer”. Com isso, os templa- borativa entre os membros da equi- ceiros (fornecedores, universidadestes de atas de reuniões, termos de pe. Adicionalmente, a metodologia e institutos de pesquisa) e clientes.abertura de projeto, levantamento ágil Scrum propõe que o volume de Caso contrário, teremos uma webde requisitos, descrição de proces- documentação seja adequado à ca- 2.0 utilizada por “pessoas 1.0”.ReferênciasAGILE MANIFESTO. Manifesto for Agile Software Deve- INOVABRASIL. Hélice tripla: ações articuladas dão mais lopment. Disponível em: http://www.agilemanifesto.org utilidade ao conhecimento. Disponível em: http://inova- . Acesso em 10 dezembro 2011. brasil.blogspot.com/2010/09/helice-tripla-acoes-articu-ALBUQUERQUE, E.; SUZIGAN, W.; CARIO, S. Em busca ladas-dao.html. Acesso em: 8 dezembro 2011. da inovação: interação Universidade – Empresa no MEDEIROS, J. A. Estruturas e espaços voltados à inovação e par- Brasil. Belo Horizonte: editora Autêntica, 2011. ceria: papel dos polos e parques tecnológicos. In: PALADI-BARCELOS, Renata. Riscos e impactos das mídias sociais NO, G., MEDEIROS, L. A. (Orgs.) Parques tecnológicos e nos resultados empresariais. Dom – Fundação Dom meio urbano: artigos e debates. Curitiba: Anprotec, 1997, Cabral, n. 16, novembro 2011. p. 55-76.BENEDETTI, M. H.; TORKOMIAN, A. L. Cooperação Universi- PIATTO, E. B.; BERNARDES, R.; MORAES, E. Open Ca- dade-Empresa: uma relação direcionada à Inovação Aberta. pabilities: Estudo de Caso sobre a Gestão de Competên- Anais do XXXIII Enanpad, São Paulo, setembro 2009. cias para Inovação Aberta na Natura. Anais do XXXIV Enanpad, Rio de Janeiro, setembro 2010.CHESBROUGH, H. Open Innovation: the new imperative for creating and profiting from technology. Harvard: PELLEGRIN, I.; BALESTRO, P.; ANTUNES JR., J. A. Re- Harvard Business Press, 2003. des de inovação: construção e gestão da cooperação pró- inovação. Rausp – Revista de Administração da USP,CHOO, C. W.; BONTIS, N. Strategic management of in- v. 42, n. 3, p. 313-325, julho 2007. tellectual capital and organizational knowledge. New York: Oxford University Press, 2002. SCRUM GUIDE. The Scrum Guide Official Rulebook. Dis- ponível em: http://www.scrum.org/scrumguide. AcessoCREMADES, Javier. Micropoder: a força do cidadão da era di- em: 11 dezembro 2011. gital. São Paulo: Senac, 2009. SIMI – Sistema Mineiro de Inovação. Disponível em: <http://DAZA, R. P. Gestão do conhecimento gestão das habilidades criati- www.simi.org.br.> Acesso em: 26 novembro 2011. vas nas organizações. Revista de Administração, v. 38, n. 1, p. 84-92, janeiro/março 2003. TEIXEIRA, J. Gerenciando conhecimento. Rio de Janeiro: Editora Senac, 2000.DRUCKER, P. Sociedade pós-capitalista. 7. ed. São Paulo: Editora Pioneira, 1998. TERRA, J. C. Gestão 2.0: como integrar a colaboração e a participação em massa para o sucesso nos negócios.ETZKOWITZ, H.; VIALE, R. The Capitalization of Know- São Paulo: Elsevier, 2009. ledge: A Triple Helix of University-Industry-Govern- ment. Londres: Edward Elgar, 2010.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 123
  • 121. 124 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 122. FIM de PAPO Drone “As mães olham o céu Com desespero Abraçam os filhos Antes que surjam nele As descobertas dos sábios.” (Brecht, 1940) Divulgação Luís Carlos Silva Eiras luiscarloseiras@gmail.comU m drone1 – um avião sem piloto, um ae- ção. Ele está no lugar certo para aquele momento, romodelo grande2 – voa sobre um país, agora é identificar as pessoas reunidas num agru- que antes se chamava “do terceiro mun- pamento de casas.do”, hoje se chama “emergente” ou “em desen- As imagens capturadas são enviadas paravolvimento”. Ele voa há várias horas totalmente banco de imagens na base, mas como o drone seautomático, já que seu destino foi baixado de sa- encontra a três mil metros de altura, as pessoastélites, um programa simples com as coordenadas abaixo jamais saberão de sua existência. Passadasdo GPS. O drone está armado com foguetes e sua algumas formalidades, os programas de identifi-velocidade é de 250 quilômetros por hora. cação sinalizam que algumas das pessoas são as Ao se aproximar do alvo, um piloto humano procuradas. O piloto humano aciona, então, algunsassume o comando. O piloto está a 11 mil quilôme- comandos no joystick3, destravando os foguetes.tros de distância numa base em Nevada, e, apesar Uma pausa para desnecessárias perguntasde estar numa missão de guerra, o maior perigo éticas antes que os foguetes sejam acionados.que ele corre é o trânsito ao voltar para casa. O Se o drone funcionar mal, de quem é a res-drone filma o chão e sua baixa velocidade é sufi- ponsabilidade? Por exemplo, se ele cair sobre pes-ciente para que as imagens sejam processadas nos soas antes de identificá-las, explodindo os fogue-computadores da base a tempo de qualquer corre- tes? Se os foguetes forem disparados sobre alvos1 Drone ou UAV (Unmanned Aerial Vehicle) ou VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado).2 A primeira geração desses aviões, a bomba voadora V-1 alemã, pode ser vista no filme Operação Crossbow (Michael Anderson, 1965). Em Amanhã NuncaMorre (Roger Spottiswoode, 1997), James Bond tem que se apressar para não ser explodido pela segunda geração, um míssil do tipo tomahawk. A terceirageração pode ser vista no final do filme Syriana (Stephen Gaghan, 2005), que antecipa o final de Muamar Gadafi: um príncipe do petróleo cai em desgraça,atravessa o deserto num comboio e é abatido por um drone. E, no videogame Call Duty, Modern Warfare 2, um drone aparece no episódio Alpha/Sniper Fi.3 Numa versão infanto-juvenil, o drone pode ser dirigido por iPod ou iPad: http://ardrone.parrot.com/parrot-ar-drone/en/.Dezembro de 2011 Fonte Fonte 125
  • 123. FIM de PAPO errados? E se o drone for totalmente autônomo, caso, um drone poderia agir contra a programação com o piloto humano servindo apenas de observa- recebida devido a um bug aleatório ou infiltrado dor passivo para um possível relatório? por um hacker? E se os bancos de imagens identi- Ou, guiado de tão longa distância, a culpa ficarem como correto um alvo errado? Basta uma seria somente do controlador do voo? Ou parte ca- sujeira nas lentes? beria aos engenheiros e ao pessoal da manutenção? E, uma vez cometido algum erro, existe al- Ou, ainda, a responsabilidade seria dos analistas e gum método de investigação eficaz para se apu- programadores, pelos programas falhos? Ou seria rar responsabilidades? Ou tudo não passará de do sistema operacional utilizado: Windows, Linux “dano colateral”? ou Mac OS X? Ou seria dos fabricantes e forne- Os alvos são identificados como corretos. Os cedores dos muitos equipamentos envolvidos? foguetes Hellfire são disparados e a imprensa irá di- Do pessoal das redes de satélites? Ou toda a cul- vulgar que importantes chefes de uma rede terroris- pa caberia unicamente ao próprio drone? E, nesse ta morreram e o mundo se tornou mais seguro. O drone da Embraer se chama Harpia e irá concorrer com os drones da General Atomics Aeronautical Systems Predator e da Israel Aerospace Industries Heron. O mercado principal são as forças armadas e a forças policiais brasileiras, sobretudo, como apoio ao sistema Sisfrom de vigilância da Amazônia. O Harpia pretende superar o desempenho do israelense Elbit Hermes 450. Fonte: http://www.flightglobal.com/news 126 Fonte Fonte Dezembro de 2011
  • 124. Dezembro de 2011 Fonte Fonte 127
  • 125. 128 Fonte Fonte Dezembro de 2011

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