E-book aqui há planta 18 Maio 2012 Dia International do Fascino das Plantas

  • 756 views
Uploaded on

E-book …

E-book
aqui há planta
18 Maio 2012
Dia International do Fascino das Plantas
ITQB
Instituto de Tecnologia Quimica e Biologica
Language: Portuguese

More in: Education
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Be the first to comment
    Be the first to like this
No Downloads

Views

Total Views
756
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
2

Actions

Shares
Downloads
11
Comments
0
Likes
0

Embeds 0

No embeds

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
    No notes for slide

Transcript

  • 1. No dia 18 de Maio de 2012 celebrou-se emtodo o mundo o primeiro Dia Internacionaldo Fascínio das Plantas. Este evento,promovido pela European Plant ScienceOrganisation (EPSO) e, em Portugal,pela Sociedade Portuguesa de FisiologiaVegetal, contou com a participação demais de 30 instituições portuguesas queasseguraram uma centena de actividadesde norte a sul do país. No ITQB, celebrámos este dia com actividades para todas as idades. Em conjunto com outras instituições do O dia 18 de Maio foi também o culminar Campus de Oeiras (IBET, IGC, INRB dos concursos Aqui há Planta, promovidos e IICT), convidámos os visitantes a pelo ITQB e pela Câmara Municipal descobrirem com os investigadores de Oeiras. Desafiados a mostrar o seu a importância do estudo das fascínio pelas plantas, os participantes plantas. fotografaram, escreveram contos e produziram objectos artísticos diversos. Os melhores trabalhos encontram-se reunidos neste livro.
  • 2. O Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Uni- versidade Nova de Lisboa é um instituto multidisciplinar dedi- cado à investigação e ao ensino pós-graduado. Localizado na Quinta do Marquês, em Oeiras, o ITQB é um dos maiores institutos de investigação do país. Aqui trabalham quase quatrocentos investigadores especializados em diver-Juntámos também neste livro, sas áreas que procuram compreender otestemunhos de investigadores de mundo que nos rodeia e contribuir paradiversas instituições e que foram o desenvolvimento de tecnologias que desafiados a transmitir o seu fascínio melhorem a nossa vida pelo estudo das plantas e a importância do seu trabalho para as nossas vidas. A iniciativa “i-plant and you?” foi promovida através da página de facebook “Aqui há planta” criada a propósito do Dia Internacional do Fascínio das Plantas.
  • 3. A exposiçãoOs melhores trabalhos dos concursos “Aqui háPlanta” estiveram expostos no Oeiras Parque, um movimentado Shopping Center em Oeiras, de 15 a 30 de Julho. Aqui, no corredor principal de exposições, nasceu um jardim enfeitado com fotografias, maquetes, esculturas de papel e desenhos. Puffs coloridos convidavam os visitantes a disfrutar de um momento de calma, lendo os melhores contos do concurso.
  • 4. Este espaço foi aindapalco de ateliers de pintura, em que ascrianças aprendiam técnicas de extracçãode pigmentos de plantas e eramdepois convidadas a dar largas àsua imaginação com uma paletadiferente do habitual.E para ficarmos a conhecer o quepensavam os visitantes das plantas,desafiámos todos a encher os ramos de uma árvore despida com post-its que completassem a frase “Se eu fosse uma planta…” As ideias não pararam de chegar e em breve enchemos a nossa árvore de ideias fantásticas e coloridas. Sem dúvida que em Julho as plantas reinaram no Oeiras Parque.
  • 5. Concurso de Contos
  • 6. O Sobreiro Solitário Hoje a brisa é suave, os meus ramos e folhas sentem a doce aragem. A solidão é imensa nesta planície no Alentejo, cujo solo me agarra. As minhas raízes sentem a terra húmida e a seiva corre por todo o meu tronco e pelos meus ramos. Ontem fui uma semente, Maria Beatriz hoje sou uma grande árvore. Gomes 10 anos Ainda me lembro de quando eu era uma 1º prémio sementinha. Numa bela manhã, eu estava Categoriaum pouco atormentada com a brisa que me Menores de 16transportava. Eu só pensava onde iria parar.De repente fui aterrar na terra húmida destaplanície, e assim fui-me desenvolvendo com osol e com a chuva: primeiro um pequeno caule,depois umas folhinhas e lá fui eu assim crescendoaos poucos. Descobri que os homens me chamamSobreiro e há quem se refira a mim como Quercussuber, o que eu acho um pouco estranho, pornão ser nada comum. A minha casca rugosa édelicadamente retirada para fazer cortiça, que éuma matéria-prima. Pode ser usada no fabrico de rolhas para tapar as garrafas com vinho, cujas uvas são produzidas pelas minhas amigas Videiras, que vejo lá ao fundo, verdejantes e entrelaçadas, nos terrenos à volta da Vila. Nestes tempos tenho-me sentido preocupado, pois muitos Sobreiros têm sido deitados abaixo para se construírem estradas. Espero que isso não me aconteça. E assim termina a minha história. Agora vou ficar aqui a ver passar o tempo e a observar o que se passa do lado da vila.
  • 7. Uma viagem longa e atribulada Eu nasci em Sumatra, uma gigantesca Cristina ilha da Indonésia fustigada pela força do Maria Soares oceano Índico e pelas constantes erupções vulcânicas. A riqueza do solo e as chuvas 1º prémio tropicais fazem com que uma enorme variedade Categoriade vegetação cresça e pinte a ilha de verde. No Maiores de 16meio desta vegetação cresce o cafeeiro que fazcom que esta ilha seja a principal produtora desteproduto na Indonesia.E é exatamente sobre o café que lhes vou falar.Eu cresci orgulhoso numa bela árvore de café.Nos meus 3 metros de altura eu via toda a ilha acaba? Mas passadas horas, muitas horasnos dias de céu limpo. Comecei como uma vi a luz ao fundo do túnel. Luz, o sol, o vento,pequena flor de cor branca e perfume intenso e as nuvens! Ah, a liberdade! O meu belo fatocresci como uma bela cereja que ao fim de vários vermelho desapareceu, já só resta a minhameses ficou vermelha e doce. Eu imaginava o semente e além disso estou preso em algumafuturo grandioso que me esperava. O que iria ser coisa mas… estou vivo!quando fosse maduro? Uma nova árvore de café? Horas depois ouço passos de novo e vejo umAlimento para algum ser vivo? Ou quem sabe homem a olhar para mim. Ele tira-me do chãotalvez viaje pelo mundo e viva muitas aventuras? libertando-me da minha prisão e dá-me umNuma manhã fresca ouvi um ruído de passos e, banho. Ai que delícia. Mas não pensem que a de repente, vi um focinho pontiagudo entre as minha viagem terminou aqui. Reparei que não folhas que me começou a cheirar. Após alguns era o único nesta situação tão bizarra. Eramos momentos de hesitação o animal comeu-me. centenas de sementes de café que passamos pela Que sensação dolorosa… E que escuro! Sinto- mesma estranha viagem. Após sermos colocados me às voltas num líquido estranho e viscoso em sacos fomos colocados num enorme forno enquanto sou atirado para todos os lados. Que e torrados. Hum que cheirinho delicioso… Agora enjoo! mais moreninho e perfumado fui enviado para a De repente sou empurrado por um tubo e aí Europa com um novo nome: Kopi Luwak e com o começou a parte mais estranha da minha título de “O café mais caro do Mundo”. Mas digam viagem. Comecei a atravessar um túnel lá se depois de uma viagem destas não mereço longo e malcheiroso! Mas que cheiro!!! este título? E já agora vai um cafezinho? Horrível! Será que é aqui que vou acabar os meus dias? É assim que a minha curta vida
  • 8. A sementinha que não queria nascer Lá bem no escurinho tinha uma sementinha. Ela havia caído ali num dia quente de verão. Não sabia como tinha chegado lá. Tudo o que sabia que era bem Patrícia quentinho o cantinho dela. Tão quentinho que Laura Kenney ela nem queria acordar. Mas mesmo que ela quisesse ficar dormindo para sempre, algo em 2º prémio seu interior não ia deixar. Categoria Uma vez, ela estava dormindo tranqüila quando Maiores de 16 uma minhoca deu uma trombada nela. As duasconversaram muito. Das coisas que a minhocafalou, o que mais despertou a curiosidade dasementinha foram as nuvens que passeiam pelo brilhava lá no alto e esquentava seu corpinho,céu. Bem que ela gostaria de ver isso! ainda bem pequeno. O dia era quente e a brisaNão demorou muito, depois de uma grande trouxe algumas nuvens. - Ah!, disse a sementinha.tempestade , sentiu algo estranho acontecer. – Deve ser isso o que a minhoca falou que ficavaEla não se sentia mais a mesma. A terra em passeando pelo céu.volta estava quente e úmida. Estava tão macia Com o tempo a plantinha foi ficando maior eque dava vontade de esticar uma perninha. Uma maior. Em dois anos, já tinha crescido bastanteperninha? Sementes não têm pernas! Mas, para e podia ver muito além do que via quandoa surpresa da sementinha, seu corpo atendeu nascera. Ela se sentia orgulhosa de estar ali noà essa estranha vontade e começou a esticar alto daquele morro. Não havia muitas árvores uma pontinha que bem parecia uma perna. próximas para bater um papo, mas ela nunca se Essa perninha colocou a sementinha de pé e sentiu sozinha. Sempre apareciam as nuvens ajudou a sementinha a subir em busca da luz. para conversar e o vento para lhe fazer cócegas A sementinha estava com medo, mas criou e pentear suas folhas. Passarinhos vinham fazer coragem e rompeu o último pedacinho de seus ninhos e cantar lindas melodias entre seus terra que a separava do grande céu azul. galhos fortes. Às vezes, pessoas sentavam em Fez um pouco mais de força e ficou de pé. baixo da sua sombra e faziam piquenique. Era Parte da casca que lhe protegia enquanto gostoso ouvir suas histórias. Levou muitos anos semente ainda estava sobre ela, mas para aquela sementinha virar uma grande e já dava para ver algumas coisas, e um majestosa árvore. Hoje ela tem muitas histórias mundo todo novo se iluminou para ela... para contar, mas o que ela mais gosta mesmo de E, como era lindo! Pela primeira vez fazer é esperar pelo pôr-do-sol, e ver o céu todo sentiu um sopro de brisa nas costas. pintado de cor-de-rosa. Aquilo fazia cócegas! HiHiHi...O sol
  • 9. Vida! Vida! Acerola por acerola, abocanhava instantaneamente um garoto à frente da TV, no interior nordestino em um dia chuvoso. Passado um bom tempo, os suculentos frutos definharam, e o bobo Júlio César de menino brinca com as sementes durante o Moura Luz intervalo dos desenhos. Em um determinado 3º prémio momento, quase que compulsoriamente, joga Categoria Maiores de 16 uma pela janela da varanda, que cai levementesobre terra molhada e sob pingos e mais pingosd’-água.A chuva tem o poder de trazer vida ao sertão.Neste caso não foi diferente! Cada gota que caía grande e fez um alvoroço danadona semente exercia pressão na terra, que já se porque não sabia como aquilo teriademonstrava acolhedora. Com o continuar do parado ali, mas achava sua belezainverno, o solo foi cedendo cada vez mais, e, há alucinante. Em resposta à curiosidade dapouco, a semente já se encontrava totalmente criança, seu tio, biólogo, começara a esboçarsubmersa. teorias de como o pequeno pé-de-acerola teriaAli, no aconchego escuro do subsolo, já vibrava nascido ‘sozinho’. E não é que ele foi no rumo?enquanto vida cada átomo do fruto semeado Porém, naquele momento, o importante parainertemente. Tal escuro, que estontearia todos era zelar para que a planta pudesse sequalquer ser humano, figurava como um paraíso desenvolver. O próprio garoto adubou, aguou e,fértil àquela pequena semente, que, dali a pouco, com frequência, observava o crescer das folhas, aa estrutura começava a dissipar-se: passava a espessura do tronco evoluindo. Não demorou e atomar forma. planta já era atração! Copa grande, bem aparada, Raízes foram surgindo. O contato com a luz era envolvendo de doçura o ar à sua volta. Há pouco cada vez mais almejado pelo “nascituro”. Dia apareceriam flores, pequenas e belas flores, de após dia, chuva e sol revezavam. Estava tudo onde surgiriam novas acerolas e sementes e, pronto! E, como num passe de mágica, “que assim, esse ciclo pudesse se repetir. Ali, muito haja luz!”. Foi assim que o pequeno brotinho mais que algo estático, exibia-se a grandiosidade saltou à terra em uma manhã de abril do acaso, já a fazer parte do cotidiano da família: gostosa. desabrochando e (re) produzindo vida. A plantinha, em um verde-claro lindo de se olhar, passou algum tempo anônima aos olhos da família. Porém, não demorou muito para ser identificada pelo próprio garoto que a fez germinar, ainda que inconscientemente. Viu o brotinho já meio
  • 10. Concurso de fotografia
  • 11. Ana Freire1º prémio Ana Freire 1º prémio
  • 12. Suziane Fonseca2º prémio
  • 13. Raquel Pipa3º prémio
  • 14. Concursode Artes Plásticas
  • 15. Laura Zhang1º prémio
  • 16. Carlos Cruz2º prémio
  • 17. Raquel Nery3º prémio
  • 18. Madalena Martinse Marta Silvamenção honrosa
  • 19. Inês Fernandese Bruno Estevesmenção honrosa
  • 20. A ÁrvoreJardim de Infância Grãos de Gente Prémio Escola
  • 21. CianotipiaEscola 2, 3 General Humberto Delgado Prémio Escola
  • 22. Mosaicos de FloresEB 2, 3/Secundária Aquilino Ribeiro Prémio Escola
  • 23. i-PlantCentro de Biologia Ambiental da FCULCentro de Ciências do Mar da Universidade do AlgarveCentro de Ecologia Funcional da Universidade de CoimbraCentro de Estudos Florestais do ISADepartamento de Botânica da FCTUCEscola Superior Agrária de Coimbra sFaculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra te anInstituto de Biologia Experimental e Tecnológica ipInstituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas da UEv ti cInstituto Nacional de Recursos Biológicos arInstituto de Tecnologia Química e Biológica e sPLaboratório de Sistemas Biológicos de Plantas da FCUL i çõMuseu Nacional de História Natural e da Ciência tit uUniversidade do Algarve Ins
  • 24. i-Plant. And you?O Dia Internacional do Fascínio das Plantas foia desculpa perfeita para conhecer mais sobreaqueles que se dedicam ao estudo das plantas.Com a iniciativa “i-Plant. And you?” quisemosdivulgar as pessoas por trás da investigação emplantas, nas suas múltiplas vertentes e pensandonas várias fases de uma carreira científica.O convite partiu por mail e via facebook e, aolongo das semanas que antecederam o dia 18 deMaio, as respostas foram publicadas na páginaAqui há Planta. i-Plant. And you? Conheça os investigadores que estudam as plantas Se é investigador na área das plantas, então esta é a ocasião perfeita para dar a conhecer o seu trabalho e cativar outros públicos, sensibilizando para a importância das plantas. Em i-Plant queremos divulgar as pessoas por trás da investigação em plantas, nas suas múltiplas vertentes e pensando nas várias fases de uma carreira científica.
  • 25. Este ano, mais de 200 instituições de 36 paísesirão participar no 1º Dia Internacional do Fascíniodas Plantas “Fascination of Plants Day” (www.plantday12.eu). Respondendo ao desafio daEuropean Plant Science Organisation (EPSO) e, emPortugal, da Sociedade Portuguesa de FisiologiaVegetal, no dia 18 de maio iremos celebrar asplantas, o papel que desempenham na nossavida e a importância desta área de investigação.Instituições científicas, universidades, jardinsbotânicos, museus, agricultores e empresas detodo o mundo estarão juntas a comemorar estedia com atividades para o público. Junte-se a esta iniciativa e partilhe com o público o Seu Fascínio pelas Plantas. Assim pedimos-lhe apenas que responda a estas seis questões: 1. Para si, o que torna as plantas fascinantes? 2. Porque escolheu a área das plantas para a sua investigação? 3. O que está investigar neste momento? 4. O que gosta mais no seu trabalho? E menos? 5. O que faz para se distrair do trabalho? 6. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas?
  • 26. Manuela David Sem querer deixar conselhos, a investiga- dora Manuela David deixa-nos antes o seu testemunho: “querer ser investigador não é tomar uma decisão completamente racional, é ser-se curioso e persistente a juntar a uma boa dose de emoção e de enamoramento.” as plantas? Talvez porque foram Descubra hoje o que torna as plantas tão fasci- as plantas que ganharam maisnantes para esta investigadora da Universidade importância na minha vida profissio-do Algarve. nal? Não tenho uma resposta única! Foi com certeza a paisagem rural da aldeia onde passava a maior parte das minhas férias,Para si, o que torna as plantas fascinantes? foram também professores entusiastas, foramÉ-me difícil separar o fascínio das plantas do desenhos, gravuras e ilustrações em livros, masfascínio que tenho pelas plantas! São tantas as penso que foram sobretudo oportunidades, foi arazões, umas mais racionais, científicas, outras sorte de ter aprendido e trabalhado com genteemocionais. Não são as plantas um dos pulmões também ela fascinante a trabalhar em plantas,do planeta? Sim, e aí poderíamos falar da fo- com plantas. Recordo dois marcos importantes.tossíntese, das cadeias alimentares, em suma, Enquanto estudante de Biologia, na faculdade dede um pilar da vida na Terra tal como a vamos Ciências de Lisboa, o trabalho de campo de Ecolo-conhecendo. Porque as plantas estão por aí, sem gia Vegetal realizado na Arrábida em alfarrobeirapressas, presentes na sua aparente imobilidade? constituiu a minha primeira coautoria numa pu- Também sim, mas… afinal movem-se! Porque as blicação científica, abriu caminho ao meu estágio plantas mostram uma disponibilidade generosa? com o Prof. Fernando Catarino e vim a ser por ele Sim, também por isso, são os alimentos e as fi- contagiada pelo fascínio das plantas. Mais tarde, bras que usamos, são a diversidade dos aromas, recém-licenciada, foi determinante a colabora- das formas, das cores e das dimensões que as ção nos trabalhos de campo com a Universidade tornam uma fonte de prazer e de deslumbra- de Würzburg, em estudos que desenvolveram em mento para os nossos sentidos. Portugal na fisiologia das plantas lenhosas em ambiente mediterrâneo, mais uma vez na Arrábi- da, e então conhecer o Prof. João Santos-Pereira, Porque escolheu a área das plantas do Instituto Superior de Agronomia. Com ele viria para a sua investigação? a fazer o doutoramento e foram marcantes as Sei que em certa altura da minha vida, conversas informais entre momentos de medi- ainda no Liceu, decidi que queria ções sobre tantos aspetos de como funcionam as trabalhar em Biologia. Porquê então plantas.
  • 27. O que está investigar neste momento? O que faz para se distrair do Neste momento estou a colaborar com um trabalho?grupo de Virologia, no estudo dos padrões de Oiço música, muita música, etransporte a longa distância e de distribuição após grande interrupção recomeceido sinal silenciamento génico contra patologias a cantar num grupo coral. Leio agoravirais em plantas. Com o grupo de Ecofisiolo- menos do que lia e vejo mais cinema.gia estudo diversos aspetos da adaptação das Mas também há muitos passeios a pé, asplantas aos fatores de stress característicos dos viagens e muita fotografia - antigamen-ambientes mediterrâneos e, em particular, tento te com muitos slides, agora com muitascontribuir para o conhecimento da ecologia e fotografias digitais - e sempre em boa com-biologia de uma Cistácea endémica do Algarve. panhia!Mas para além da investigação há ainda maisplantas! Como curadora estou a iniciar o processode informatização do Herbário da Universidade Que conselho daria a jovens interessados nado Algarve e, em colaboração com o naturalista investigação em plantas?e amigo José Rosa Pinto, estamos a montar um Não sei dar conselhos, nem sequer sou o melhorguia de campo de plantas espontâneas da área exemplo de investigadora, e não tenho nenhumenvolvente onde foi instalado o campus universi- conselho em particular para os interessados na tário que, espero, virá a ter uma edição “portátil” investigação em plantas. Deixo antes mais um no telemóvel de qualquer visitante. testemunho, que querer ser investigador não é tomar uma decisão completamente racional, é ser-se curioso e persistente a juntar a uma boa O que gosta mais no seu trabalho? E me- dose de emoção e de enamoramento. nos? Gosto em especial do trabalho de campo, gosto de ensinar, e de todos os momentos que me levam a pensar que escolhi a melhor profissão do mundo. O que gosto menos são aqueles momentos que, por razões variadas, me levam a pensar que devia ter escolhido outra profissão
  • 28. Célia Miguel “Muitas das descobertas científicas que foram feitas a partir da investigação em plantas foram determinantes noutras áreas da ciência, incluindo a medicina” lembra-nos hoje Célia Miguel, investigadora no ITQB/IBET. “O contributo que os investigadores em plantas podem dar à sociedade vai ter uma importância crucial no futuro próximo”, por isso desafia todosos jovens a interessar-se pela investigação emplantas. essencial para o progresso do conhecimento e que esse progresso é essencial para garantir a sustentabilidade da nossa sociedade. Muitas das Para si, o que torna as plantas fascinantes? descobertas científicas que foram feitas a partirÉ extraordinária a capacidade que as plantas da investigação em plantas foram determinantestêm de utilizar energia solar na fotossíntese para noutras áreas da ciência, incluindo a medicina.sintetizar todos os compostos orgânicos de que Para além disso, os desafios que enfrentamosnecessitam e de que dependem as outras formas actualmente, como o aumento da população numde vida no planeta. As plantas são fascinantes cenário de alterações climáticas que poderãosob muitos aspectos incluindo por exemplo a levar a uma escassez de recursos (alimentares egrande diversidade de formas e tamanhos, estan- outros) tornam ainda mais necessário o investi-do algumas espécies de plantas entre os organis- mento na investigação das plantas. A investigação mos que atingem maior longevidade. As plantas nesta área é essencial para encontrarmos formas estão presentes em praticamente todos os de rentabilizar a produção de alimentos e outros ecossistemas apesar de não se movimentarem recursos renováveis que são utilizados, por exem- e moldam praticamente todas as paisagens plo, na produção de papel e de energia. que conhecemos, são muitas vezes os seres vivos que primeiro associamos a uma pai- sagem. São as plantas que mantêm quase O que está investigar neste momento? todos os ecossistemas terrestres tal como No nosso laboratório investigamos alguns aspec- os conhecemos. tos da biologia das árvores que são importantes para a valorização de espécies florestais repre- sentativas em Portugal como o pinheiro bravo e o Porque escolheu a área das plantas sobreiro. Desenvolvemos um método de propaga- para a sua investigação? ção vegetativa (clonagem) do pinheiro designado Acredito que a investigação em plantas pode dar um contributo
  • 29. por embriogénese somática e que permite obter O que faz para se distrair do um grande número de embriões geneticamente trabalho?idênticos a partir de células somáticas cultivadas As actividades de investigação sãoin vitro. A utilização deste sistema experimental muito exigente em termos de tempo.juntamente com outras ferramentas como a ma- O pouco tempo disponível é dedicadonipulação genética permite-nos também estudar especialmente à família.a função de genes que controlam mecanismostão diversos como por exemplo o desenvolvi-mento dos embriões ou a resistência a doenças. Que conselho daria a jovens interessadosEstamos ainda interessados em perceber quais os na investigação em plantas?genes e de que modo controlam a actividade de O contributo que os investigadores em plantasdeterminadas células não diferenciadas (meris- podem dar à sociedade vai ter uma importânciatemas) que são responsáveis pela formação de crucial no futuro próximo. Há ainda muito pormadeira e cortiça. explorar sobre a biologia das plantas, como por exemplo como adaptam o seu desenvolvimento e crescimento em função das condições do am-O que gosta mais no seu trabalho? E menos? biente onde estão inseridas, ou que estratégias O que mais me motiva é o facto de todos os dias desenvolveram para enfrentar pragas e doenças se nos colocarem novos desafios. O progresso específicas, etc. Estes conhecimentos serão do conhecimento está a ser tão rápido que há estratégicos no desenvolvimento de aplicações poucos anos atrás não era possível imaginar de grande impacto na nossa sociedade. o tipo de projectos em que estamos actual- mente envolvidos e isso é muito motivante. O que menos gosto é do tempo excessivo que é dedicado a tentar obter financiamento para o nosso trabalho, e da incerteza desse finan- ciamento.
  • 30. Paula Farinha “As plantas trocam-nos as voltas constan- temente, pois a resposta nunca é tão simples como imaginávamos… é sempre muito mais complexa” confessa-nos hoje a investigadora Paula Farinha, do Instituto de Tecnologia Química e Biológica. Para si, o que torna as plantas fascinantes?Eu diria, essa magia silenciosa que ocorre dentro tam no deserto, podendo viver anos a fio sobdas plantas com o processo da fotossíntese… é uma forma de “hibernação” (dormência) quaseabsolutamente fascinante como as plantas con- totalmente desidratada e reatar a vida com umaseguem converter a energia do sol numa outra simples gota de água! Escolhi as plantas porqueforma de energia acessível para elas e para todos queria saber exactamente o que ocorre “lá den-os outros seres vivos! Essa força motriz que nos tro” da célula, como podem responder a tantosmove, que nos dá energia, provém das plantas! estímulos diferentes e integrar toda essa infor-Sem elas, não teríamos vida. E pensar que ainda mação de forma a poder sobreviver e a passarpor cima nos dão o oxigénio que precisamos para essa informação à geração seguinte.viver, captando ao mesmo tempo o dióxido de car-bono. É absolutamente fascinante por si só! Jápara não falar da beleza das cores, formas, chei- O que está investigar neste momento? ros e sabores com que nos presenteiam todos os Estou a estudar uma dessas formas de adapta- dias ! São fascinantemente “generosas”!. ção, ou seja, como as plantas respondem a nível molecular para adaptar-se à escassez de água e/ ou ao excesso de salinidade que ocorre no solo, Porque escolheu a área das plantas para a dois factores altamente limitantes à produtivida- sua investigação? de hoje em dia, e infelizmente muitas vezes as- Precisamente porque sempre vi as plantas sociados… A ideia é, depois de compreendermos como seres vivos fascinantes! Enigmáti- esses mecanismos base, podermos passar à fase cas, desde as plantas carnívoras (perfei- seguinte, que seria obter plantas com maiores tamente pacíficas deva-se dizer…), às níveis de tolerância a esses factores ambientais plantas da “ressurreição” que habi- adversos.
  • 31. O que gosta mais no seu trabalho? E me- nos? Gosto da ideia de que podemos formular todoo tipo de perguntas, e que se pensarmos numaboa estratégia, e tivermos os meios necessários Que conselho daria a jovenspara a desenvolver, podemos chegar a respostas interessados na investigação emrealmente fascinantes… As melhores são sempre plantas?aquelas que não estamos à espera… As plantas Talvez esta seja a pergunta mais difícil…trocam-nos as voltas constantemente, pois a res- Se os jovens sentem essa curiosidade queposta nunca é tão simples como imaginávamos… leva ao exercício da investigação, então éé sempre muito mais complexa… “só” uma questão de procurar/encontrar oO que gosto menos é falta de reconhecimento de tema certo, no lugar certo, e com as pesso-que o trabalho de um investigador, é trabalho! A as certas! Hoje em dia há muita informação,grande maioria das pessoas que faz investigação diversidade de temas e abordagens, e dado que oé detentora de bolsas de investigação, sendo país é pequeno, os investigadores até são fáceisconsiderado que estamos em formação… De facto de encontrar! Está tudo aí ao alcance de um click!é “trabalho”, muito trabalho aliás, ao qual se de- Basta procurar.dicam muitas horas, muita paixão, mas tambémmuito esforço… O que faz para se distrair do trabalho? Gosto de umas belas caminhadas, um bom livro para ler, viajar, mas para mim a melhor distracção é poder estar com todos aqueles a quem mais queremos. Simplesmente estar e aproveitar que o outro existe, fazendo-me sentir que eu também existo.
  • 32. Tiago Santos Para o investigador Tiago Santos, do Instituto de Tecnologia Química e Biológica, o interes- se por esta área começou na faculdade, onde “o Prof. Fernando Catarino falava das plantas com uma paixão que acabou por despertar o meu interesse para conjugar a biologia molecu-lar com plantas!” A procura de explicações para aresposta das plantas a fatores ambientais, comotentar perceber o que faz uma planta ser mais O que está investigar neste momento?tolerante ou sensível ao frio, à salinidade ou à Neste momento, a minha pesquisa está relacio-secura “é um desafio permanente”. nada com os mecanismos de resposta a nível molecular do arroz a factores ambientais, como o frio, a salinidade ou a secura. Para si, o que torna as plantas fascinantes?As plantas são verdadeiras sobreviventes! Con-seguem viver em ambientes muito adversos com O que gosta mais no seu trabalho? E menos?adaptações espantosas. Para além disso, são a Gosto imenso dos intrincados puzzles molecula-fonte da nossa sobrevivência, fornecendo oxigé- res das respostas a factores ambientais. Estamos nio e serem a base da nossa alimentação. constantemente a tentar perceber o que faz uma planta ser mais tolerante ou sensível ao frio, sali- nidade ou secura, e isso é um desafio permanen- Porque escolheu a área das plantas para a te. O mais chato é ter de lidar com a frustração sua investigação? de experiências que correm mal. À parte disso, O bichinho foi crescendo durante a Facul- a permanente instabilidade profissional causa dade…o Prof. Fernando Catarino falava das igualmente muito stress. plantas com uma paixão que acabou por despertar o meu interesse para conjugar a biologia molecular com plantas!
  • 33. O que faz para se distrair do trabalho?Aproveito o meu tempo livre para estar com aminha mulher e filhas.Como a investigação toma grande parte do meutempo, o restante tempo tento utilizá-lo aomáximo para poder compensá-las das minhasausências.Também gosto de jogar ténis e de vez em quandoconsigo arranjar tempo para fazer umas partidas.Que conselho daria a jovens interessados nainvestigação em plantas?Gostar de plantas é fundamental! Depois é como em tudo: empenho, dedicação, espírito crítico, mas também saber ouvir os mais experientes…
  • 34. Célia Cabral “Desde miúda que o meu gosto pelas plantas despoletou penso que graças a uma grande influência da minha mãe que adora plantas” revela-nos Célia Cabral, investigadora da Facul- dade de Farmácia da Universidade de Coim-bra. “Conseguir dar explicação científica para os ou seja o fascínio pela Taxonomia Vegetalusos [das plantas] na medicina tradicional” é uma começou no meu segundo ano da licenciaturadas suas motivações para investigar na área das em biologia. Desde essa altura que a paixão foiplantas. crescendo e fui tendo cada vez mais a certeza que fazer investigação com plantas, especialmente de ambientes tropicais era o que eu queria fazer.Para si, o que torna as plantas fascinantes?Tudo nas plantas me fascina, desde as cores, asformas, as estratégias de atração de insectos O que está investigar neste momento?para polinização, etc. As plantas não se conse- Neste momento estou a trabalhar na avaliaçãoguem mover como os animais, e portanto quando da bioatividade de metabolitos secundários de vá-as condições ambientais não são as mais propí- rias plantas medicinais. Interessam-me sobretu-cias elas não podem fugir, têm de rapidamente se do as plantas aromáticas e logo a caracterização adaptar ou morrem. Essas capacidades e estra- química e a avaliação do potencial medicinal dos tégias extraordinárias que as plantas desen- óleos essenciais que são extraídos delas. volvem para se defenderem das adversidades encantam-me… O que gosta mais no seu trabalho? E menos? Gosto de tudo :) Desde ir para o campo colher, à Porque escolheu a área das plantas para a recolha de informação etnobotânica, ir para o sua investigação? laboratório obter extratos, fazer a caracterização Desde miúda que o meu gosto pelas plan- química, avaliar as bioatividades… adoro con- tas despoletou penso que graças a uma seguir dar explicação científica para os usos na grande influência da minha mãe que medicina tradicional. adora plantas. Mas o gosto científico,
  • 35. O que faz para se distrair do trabalho? Não se pode dizer que seja para me distrair dotrabalho, até porque não tenho vontade de medistrair do trabalho porque adoro o que faço. Masadoro ir para o campo com o meu filho e admirarcom ele a beleza da natureza e gosto muito tam-bém de pintar aguarelas.Que conselho daria a jovens interessados nainvestigação em plantas?O meu conselho é que sejam persistentes. Eu fizparte do meu doutoramento fora de Portugal (noRoyal Botanic Garden Edinburgh, U.K.) onde háum fascínio e um respeito pelas plantas muitomaior que no nosso país. Nem sempre é fácilfazer investigação com plantas em Portugal, háque sensibilizar as pessoas. Acho que devemos sempre perseguir os nossos sonhos e portanto o meu conselho é que não desistam quando sur- girem as primeiras adversidades, toneladas de burocracias e dificuldades de financiamento. Força, e não desistam das plantas :)
  • 36. Catarina Moura “Há um mundo fascinante por descobrir e que a investigação em plantas é extre- mamente relevante” é o que nos diz hoje a investigadora Catarina Moura, do Centro de Estudos Florestais do ISA/UTL e do Centro de Ecologia Funcional da UC. Aos jovens inves- tigadores lembra que, se por um lado considera que esta área é “sempre menos financiada, me- diversidade de formas, cores e texturasnos apreciada que outras áreas (...) mas que vale no reino das plantas; depois durante aa pena se acreditarmos?... ai isso vale! Portanto, faculdade senti uma maior afinidade pelasforça!” cadeiras e pelo ambiente no Departamento de Botânica, e finalmente fui cativada pela cadeira de Ecologia Vegetal, e especificamente por umaPara si, o que torna as plantas fascinantes? aula em que o palestrante convidado, o ProfessorAs plantas são organismos sésseis que, pare- Jorge Paiva, nos falou da Laurissilva e da diversi-cendo-nos frágeis, controlam imensos aconteci- dade vegetal... nesse dia decidi.mentos do planeta e estão na base da vida deste.Para além do seu papel fundamental na base dacadeia alimentar da biosfera, podem também O que está investigar neste momento?ser importantíssimas na estabilização do solo, No panorama geral, dedico-me ao estudo dana regulação do ciclo hidrológico, na captura de interacção entre plantas (em particular árvores carbono e na mitigação de alterações climáticas e sua fisiologia) e o ambiente, nomeadamente e até na origem de muitos medicamentos... Nós, factores relacionados com alteração globais (seja humanos, com esta aparente força, mobilidade o aumento do CO2 na atmosfera, a incidência de e “inteligência” não poderíamos viver sem as secas ou as alterações do uso do solo) e alguns ci- plantas! clos biogeoquímicos (água, carbono, azoto). Neste momento em particular, estou a investigar efei- tos de determinadas alterações do uso do solo Porque escolheu a área das plantas ou da paisagem (como a introdução de pastagens para a sua investigação? melhoradas biodiversas ou a “invasão” por arbus- Penso que resultou de uma combinação tos) na fisiologia do sobreiro e no funcionamento de factores, alguns mais circunstan- do ecossistema Montado. ciais que outros. Por um lado, desde muito cedo que me fascinava a
  • 37. O que gosta mais no seu trabalho? E me- Que conselho daria a nos? jovens interessados na Gosto principalmente de questionar, de discu- investigação em plantas? tir vários assuntos de ciência e de fazer ligações Diria que há um mundo fas-entre ramos diversos do conhecimento (penso cinante por descobrir e que aque é um característica e vantagem da ecologia!). investigação em plantas é extrema-Adoro quando ouço cientistas doutras áreas e mente relevante, mas que o caminhose faz um “click” na minha cabeça de como essa e as escolhas podem ser duros. Diriaabordagem, essa técnica, essa questão poderia que é necessário algum espírito deser utilizada na nossa área, ou de como se pode- dedicação, perseverança e luta (emborariam construir sinergias entre todos. Também dependa muito do tipo e área de investi-gosto do forte sentimento de calma e paz que gação dentro de “as plantas” e do local doo trabalho de campo me proporciona (apesar mundo onde se está). Embora reconheça quede muitas vezes ser duro fisicamente). E gostei estes não deixem de ser valores transversais aimenso de dar aulas durante o meu doutoramen- todos os cientistas, terão que ser mais aguçadosto. numa área em que há pouco apoio e que é menosO que gosto menos?... Hmm.... talvez de sentir acarinhada pela própria sociedade. Será sempreque há muitas limitações (internas e externas) menos financiada, menos apreciada que outraspara aquilo que gostaríamos de fazer, questionar, áreas, isso sem dúvida, mas que vale a pena seinvestigar. E de perdermos muito tempo e energia acreditarmos?... ai isso vale! Portanto, força! com assuntos que são muitas vezes secundários mas que afectam negativamente a disponibili- dade mental e criatividade tão necessárias na ciência. O que faz para se distrair do trabalho? Faço muitas coisas diversas dependendo do local e situação onde me encontro, mas tem- po com família ou amigos, música, cinema e livros (muitos!) estão constantemente pre- sentes... E sempre que posso, algo relaciona- do com a dança (a minha outra paixão).
  • 38. Eugénia de Andrade Hoje o i-Plant veio falar com a investigadora Eugénia de Andrade, do Instituto Nacional de Recursos Biológicos. As plantas “são a fonte do oxigénio atmosférico e a base da cadeia alimentar (vida em geral), a habitação de tantos seres, a química da beleza, do crescimen- to e da cura de doenças físicas e psicológicas (so-brevivência), a revelação de sentimentos (amor,tristeza,...), a beleza das paisagens e o prazer dos Porque escolheu a área das plantas para anossos olhos (lazer)” diz-nos esta investigadora. sua investigação?“E tanto fica ainda por dizer.” Numa primeira fase, vários factores, talvez com pesos semelhantes, contribuíram para o meu interesse pelas plantas: uma ascendência ligadaPara si, o que torna as plantas fascinantes? à agricultura, um pai que me motivava para aAs plantas são a nossa existência e indispensá- observação da natureza através de passeios aveis à vida do Planeta Terra. Elas são a fonte do pé pelo campo, da observação de sementinhas aoxigénio atmosférico e a base da cadeia alimen- germinar e do encorajamento na participação emtar (vida em geral), a habitação de tantos seres, actividades agrícolas e o meu próprio gosto pelasa química da beleza, do crescimento e da cura de as ciências da vida. Só mais tarde, durante a vidadoenças físicas e psicológicas (sobrevivência), a académica, surgiu o interesse pela investigação. revelação de sentimentos (amor, tristeza, .), a be- leza das paisagens e o prazer dos nossos olhos (lazer). E tanto fica ainda por dizer. O que está investigar neste momento? O efeito da inserção casual de transgenes, em mi- lho, nos genes codificadores e não-codificadores de proteínas. O efeito da amostragem na quantifi- cação precisa de sementes geneticamente modi- ficadas em lotes de sementes não geneticamente modificadas- amostragem 1-D. Desenvolvimento de plasmídeos calibrantes/con- trolos positivos para as reacções de detecção de agentes fitopatogénicos, por PCR em tempo real.
  • 39. O que gosta mais no seu trabalho? E menos? na área da saúde sejam dos maisGosto de ler, gosto do “pensar” gerador de criati- elevados, sugiro aos jovens quevidade e gosto do trabalho na bancada do labora- visem uma investigação atractiva etório. Não gosto tanto de escrever. entusiasmante, direcionada para o uso das plantas na saúde e na melhoria da qualidade alimentar e do meio-ambiente eO que faz para se distrair do trabalho? sempre em prol do bem estar da humanida-Tento ter, ao mesmo tempo, diferentes activi- de e da natureza.dades em curso, para não entrar em rotina emqualquer uma delas. Acima de tudo, faço jardi-nagem, crochet e ponto de cruz. Também faço,mas menos, restauro de mobílias velhas. Actual-mente, encontrei no estudo da macrobiótica, umanova distracção e um novo interesse nas plantas. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas? Atendendo à conjuntura actual, onde a falta de recursos faz com que a investigação, especial- mente em plantas (agricultura, alimentação e biotecnologia), seja uma das menos finan- ciada e que os investimentos em projectos
  • 40. Sónia Negrão “Adoro investigar para tentar responder a perguntas e surgirem sempre outras novas...o desafio constante da ciência” é o que motiva a investigadora Sónia Negrão. Conheça aqui mais sobre o trabalho que desenvolve no Instituto deTecnologia Química e Biológica da Universi-dade Nova de Lisboa.Para si, o que torna as plantas fascinantes? Porque escolheu a área das plantas para a suaPor um lado as plantas são o suporte de vida investigação?de todo o planeta, não só como fonte básica de A genética sempre me fascinou desde muitoalimentação para todos os seres vivos, como cedo...como o modelo de Mendel foi o primeirotambém o pulmão da Terra. Por outro lado, como modelo genético com o qual tive contacto, estu-as plantas são organismos sésseis (ou seja não dar plantas do ponto de vista genético foi algopossuem capacidade de locomoção e vivem que aconteceu naturalmente.fixos num local) desenvolveram mecanismos deadaptação únicos (genéticos e moleculares) para responder às condições adversas . O que está investigar neste momento? Estou a estudar a diversidade genética do arroz, de forma a encontrar genes mais eficazes na tolerância ao stress salino, de forma a que o arroz consiga crescer melhor em ambientes com mais sal.
  • 41. O que gosta mais no seu trabalho? E menos? Adoro investigar para tentar responder a pergun-tas e surgirem sempre outras novas...o desafioconstante da ciência. O que menos gosto é faltade uma carreira científica efectiva ou seja semser apoiada maioritariamente por bolsas deinvestigação.O que faz para se distrair do trabalho?Gosto de fazer desporto (Taekwondo, Krav Magae natação), cinema, ler e ir para a praia quando otempo o permite.Que conselho daria a jovens interessados nainvestigação em plantas? Devem ter em conta que a carreira de investiga- ção exige absoluta dedicação, muita persever- ança e uma grande paixão pela ciência. Acon- selharia a começar com estágios de verão ou mestrados num grupo forte de investigação para perceberem como o trabalho de investi- gação pode ser exigente mas recompensador.
  • 42. Hélia Marchante “Na verdade gosto muito do meu trabalho (as várias vertentes incluídas tanto na parte de investigação como na parte de docência) mas detesto as plantas invasoras que investigo - procuro alternativas para as eliminar!” é o que nos diz hoje a investigadora Hélia Marchante.Saiba mais sobre o seu trabalho com plantasinvasoras no Centro de Ecologia Funcional daUniversidade de Coimbra e sobre as suas aulasde Botânica na Escola Superior Agrária deCoimbra. Porque escolheu a área das plantas para a sua investigação? Aconteceu mais ou menos por acaso (no inícioPara si, o que torna as plantas fascinantes? do curso até queria era trabalhar com animais),Além de haver muitas plantas que são lindíssi- mas depois de começar a trabalhar com plantasmas, sem elas não haveria animais:) Nem muitas nunca mais quis trocar - são fantásticas!das paisagens fantásticas que conhecemos! O que está investigar neste momento? Investigo na área das plantas invasoras, in- cluindo, e.g.: impactes de plantas invasoras nas comunidades de plantas nativas; metodologias de controlo de plantas invasoras e recuperação de ecossistemas invadidos. A nível de docência ensino Botânica (disciplina de base) - e adoro!
  • 43. O que gosta mais no seu trabalho? E menos? Gosto muito das várias vertentes do meu traba-lho, incluindo tanto as componentes de investiga-ção como as de docência. De certa forma, o quegosto menos são as plantas invasoras propria-mente ditas, já que procuro alternativas para aseliminar!O que faz para se distrair do trabalho?Brinco com os meus filhotes:) Ou, por vezes, pas-seamos no campo e vêmos plantas juntos:)Que conselho daria a jovens interessados nainvestigação em plantas?Força! não desistam - as plantas são muito mais fantásticas do que os animais. Mas é preciso “perseguir o sonho” - nem sempre é fácil conse- guir-se financiamentos para investigar na área das plantas (ou noutra áreas);)
  • 44. João Silva Hoje falámos com o investigador João Silva, do Centro de Ciências do Mar da Universi- dade do Algarve, sobre o seu fascínio pelas plantas, “ainda com tantos mistérios por des- vendar”. “Que não pensem que a investigação em plantas é tão aborrecida como o quadro que lhes é pintado no ensino básico e secundário” éo conselho dado por este investigador aos maisjovens. Porque escolheu a área das plantas para a suaPara si, o que torna as plantas fascinantes? investigação?Vários aspectos, a começar pela sua função A primeiro contacto acabou por ser quase casual,essencial de suporte a toda a vida neste planeta, um pouco por curiosidade, ao procurar um temafunção que ainda assim desempenham com uma para tese de mestrado, que acabei por fazer comsubtileza notável. Depois a sua beleza, manifes- macroalgas marinhas. O encantamento veiotada desde os pequenos detalhes morfológicos depois e foi definitivo.até à escala de uma floresta ou de uma pradariasubmarina. E por fim, não menos fascinante, é o seu próprio “funcionamento”, a fisiologia, ainda O que está investigar neste momento? com tantos mistérios por desvendar. Neste momento trabalho sobretudo com os efeitos do aumento do CO2 e da acidificação do oceano no processo fotossintético destas plantas e também na calcificação de macroalgas calcá- rias.
  • 45. O que gosta mais no seu trabalho? E menos?O que gosto mais é sem dúvida o trabalho de cam-po, estar na água. Privilegio sempre que possívela recolha de dados in situ. O que gosto menos é aburocracia exagerada imposta à ciência.O que faz para se distrair do trabalho?Faço desporto e desfruto a minha família.Que conselho daria a jovens interessados nainvestigação em plantas?Que procurem o contacto directo com quemtrabalha na área, informalmente ou através deprogramas de estágios e sobretudo que não pen- sem que a investigação em plantas é tão aborre- cida como o quadro que lhes é pintado no ensino básico e secundário.
  • 46. César Garcia César Garcia do Museu Nacional de Histó- ria Natural e da Ciência e investigador do CBA da FCUL, diz-nos hoje que “as surpresas que existem quando estudamos um local novo e aparecem espécies raras, novas para o país ounovas para a ciência” são o que mais o motiva. Porque escolheu a área das plantas para aPara si, o que torna as plantas fascinantes? sua investigação?As plantas são organismos especiais. São espe- Porque desde o ensino secundário que me inte-ciais porque têm uma relação muito específica resso por plantas, especialmente por ecologiacom o meio que as rodeiam e respondem de e taxonomia. Chegamos a um ponto em que dediferentes formas, quando o meio é alterado por olhos fechados se formos colocados num deter-alguma razão, seja poluição ou outras situações minado local de Portugal podemos dizer comcomo são as alterações climáticas. Depois estão uma baixa margem de erro a região onde esta-também adaptadas morfologicamente e quimica- mos.mente de uma forma muito interessante, a formadas folhas, o tamanho das suas células, papilas,compostos químicos. etc. toda esta variabilidade O que está investigar neste momento? foi programada à medida das suas necessidades. A brioflora de São Tomé e Príncipe e a Portugue- sa. Trabalhos de ecologia e taxonomia. Relações das espécies com a altitude e com outras variá- veis ambientais. O que gosta mais no seu trabalho? E menos? As surpresas que existem quando estudamos um local novo e aparecem espécies raras, novas para o país ou novas para a ciência. Depois observar investigadores aposentados com a mesma moti- vação e interesse parecendo crianças a desem-
  • 47. brulhar presentes. Recentemente tive com umdos maiores especialistas em plantas de África, vão ter de passar por muitasum investigador com perto de oitenta anos com dificuldades para obter financia-limitações na locomoção. Disse-me, tu que podes mento e até para garantir o próprioainda subir às montanhas faz-me o favor de me ordenado. Vão estar constantementeenviar plantas para eu as determinar. Conclusão, em concursos públicos onde as taxasnão há reformados em determinadas áreas por- de sucesso são ínfimas. O sistema cien-que há uma grande paixão. tífico actual não garante estabilidade fi-O que gosto menos é a falta de sensibilidade de nanceira aos jovens investigadores mesmoquem não a devia ter. Ou seja os decisores, os que os que têm mérito, não garante o seu futurodizem que não podem garantir carreiras científi- e até se torna caricato. Neste momento hácas, mas são os primeiros a solicitar informação muitas pessoas qualificadas mal aproveitadasquando necessitam ou a colocar dados em esta- em que houve um esforço na sua formação es-tísticas internacionais. tando as entidades públicas sem quadros para trabalhar. Há um abuso nas bolsas que só deviam existir para a atribuição de graus académicos.O que faz para se distrair do trabalho?Quando estou mesmo a fazer o trabalho que é o meu, não é necessário distracção. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas? Depende. Não só para as plantas, se o interes- se for muito forte e tiverem dispostos a tudo que avancem. Se for um interesse ligeiro que pensem duas vezes antes de se meterem em investigação num país europeu. Sabem que
  • 48. Amely Zavattieri Hoje contamos com a participação da investigadora Amely Zavattieri, do Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediter- rânicas da Universidade de Évora. “Que só se dedique quem tiver realmente vocação e paixão pelas plantas, sem isto, qualquer profissão é um tédio” é o conselho dado por esta investigadora se dedicou ao estudo das plantas que depois deter morado durante anos com os seus pais numa Porque escolheu a área das plantas para afazenda e aprendido as coisas básicas de agricul- sua investigação?tura com o seu pai. Morei durante anos com os meus pais numa fazenda e aprendi as coisas básicas de agricul- tura com o meu pai, isto sem dúvida foi o que mePara si, o que torna as plantas fascinantes? fez optar pela engenharia agronómica. Gosto deA sua capacidade de adaptação face a falta de contribuir para o conhecimento da botânica e damovimentação, a sua extraordinária diversidade produção vegetal em todas as suas vertentes.em formas e cores, a sua capacidade de trans-formação da energia solar com uma eficiênciainimitável. O que está investigar neste momento? Sou doutorada em biotecnologia vegetal e estou a investigar a micorrização in vitro de espécies florestais e os sinais bioquímicos que se estabe- lecem entre as plantas e as micorrizas para que o estabelecimento das relações simbióticas venha a acontecer. Estudo além disso a propagação e conservação de germoplasmas de espécies endé- micas portuguesas e a produção de metabolitos secundários.
  • 49. O que gosta mais no seu trabalho? E menos? Gosto especialmente de trabalhar com a exce-lente equipa que temos formado na Universidadede Évora nesta área.O que menos gosto é a baixa estima que existena área vegetal comparativamente com outras(como exemplo, a relevância que se dá a conser-vação animal em detrimento da componentevegetal), a falta de conhecimento de quem falasobre biotecnologia vegetal e plantas genetica-mente modificadas.O que faz para se distrair do trabalho?Tento fazer fotografia..... (pois sou amadora e compouca formação), viajar, e recentemente comeceia escrever o meu primeiro livro não científico queestará dedicado a minha forma de ver a Patagó- nia. O livro vai se chamar “Desolação e Beleza” e terei o apoio da Universidade de Évora e da Fundação Luís de Molina. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas? Que só se dedique quem tiver realmente vocação e paixão pelas plantas, sem isto, qualquer profissão é um tédio.
  • 50. Ricardo Mateus “A Investigação em Plantas é uma área com futuro”, diz-nos hoje o investigador Ricardo Mateus, do Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia. “A sua bio- diversidade e o seu valor na produção de tantosprodutos e serviços, tais como a purificação doar, a transformação da energia solar em alimen-tos, o armazenamento de carbono, a regulação daqualidade da água, etc.” são algumas das coisas Porque escolheu a área das plantas para a suaque tornam as plantas tão fascinantes. investigação? São um activo fundamental para a vida do plane- ta que deve ser melhor gerido.Para si, o que torna as plantas fascinantes?O facto de sem elas não existir vida na Terra. Asua biodiversidade e o seu valor na produção de O que está investigar neste momento?tantos produtos e serviços, tais como a purifi- A gestão da floresta, considerando os seus múlti-cação do ar, a transformação da energia solar plos benefícios e oportunidades por oposição aosem alimentos, o armazenamento de carbono, a custos e riscos que a sua gestão implica.regulação da qualidade da água, etc.
  • 51. O que gosta mais no seu trabalho? E menos? O que gosto mais: o contacto com a Natureza, oimpacto que a minha investigação poderá ter nagestão efectiva das florestas.O que gosto menos: a fraca ligação e colaboraçãodas empresas e sociedade em geral em relaçãoao trabalho que é produzido em I&D.O que faz para se distrair do trabalho?Leio, viajo e vivo a vida com a minha família eamigos.Que conselho daria a jovens interessados nainvestigação em plantas?A Investigação em Plantas é uma área com futu- ro, face às necessidades e desafios que vamos atravessar neste século. Apostem sobretudo na multidisciplinaridade e em criar pontes com outras áreas do saber.
  • 52. Alexandra Cunha Hoje contamos com a contribuição da inves- tigadora Alexandra Cunha, Coordenadora do projeto LIFE-BIOMARE da Universidade do Algarve. A conservação e a gestão de prada- rias marinhas, de modo a assegurar que “esteshabitats não desapareçam da costa portuguesa”é o desafio que esta investigadora tem nas suasmãos.Para si, o que torna as plantas fascinantes?Pela grande diversidade de forma, por serem a Porque escolheu a área das plantas para a suabase de todos os ecossistemas e pelo facto de investigação?serem seres vivos capazes de utilizar directamen- Porque ao contrário dos animais não têm olhos ete a energia solar. não demonstram sofrimento quando manipula- das. O que está investigar neste momento? Conservação e gestão de pradarias marinhas, o que fazer para que estes habitats não desapare- çam da costa portuguesa.
  • 53. O que gosta mais no seu trabalho? E menos?Gosto de contribuir para a preservação de umconjunto de plantas em declínio. A parte que me-nos gosto é a dificuldade em obter financiamentopara fazer o meu trabalho.O que faz para se distrair do trabalho?Passeios pedestres na natureza, convívio comamigos e família, leitura, viagens.Que conselho daria a jovens interessados nainvestigação em plantas?Que comecem desde cedo a criar laços com in-vestigadores nas áreas de trabalho com plantas, como voluntários ou outros.
  • 54. João Palma João Palma, investigador do Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia, fala-nos hoje sobre a possibilida- de que a ciência nos dá para conhecer novas pessoas e novos mundo. Sem nunca esquecer, é claro que “é importante que a competência,excelência e dedicação estejam sempre presen-tes na actividade profissional”. O que está investigar neste momento? Modelação de base fisiológica do crescimento da floresta, e optimização do planeamento ePara si, o que torna as plantas fascinantes? gestão tendo em conta riscos e alterações climá-A morfologia variada, estratégias de reprodução e ticas.a falsa impressão de que é um ser estático. O que gosta mais no seu trabalho? E menos?Porque escolheu a área das plantas para a sua Mais: Desafio de raciocínio das dinâmicas in-investigação? terligadas da hidrologia, fisiologia, silvicultura,Vendo bem as coisas, acho que foram elas é que otimização de processos e a programação destame escolheram... dinâmica. Conhecer pessoas pelo mundo que afinal também têm interesses semelhantes. Menos: Burocracia (quase metade do tempo) e contratos de trabalho a termo certo. O que faz para se distrair do trabalho? Depende das fases. Todos os dias ir e voltar de mota ajuda a refrescar as ideias. Depois, dar banho à criançada em casa que, por estranho que possa parecer, aprendi que é um alívio para os
  • 55. meus neurónios. O trabalho em si, tem promovi-do viagens de longa duração em mundos/culturasnovas que permitem misturar lazer no trabalho(China, Nova Zelândia, Austrália, Brasil, ...). Umbom copo rodeado de amigos é certamente umaboa distração do trabalho em qualquer parte domundo.Que conselho daria a jovens interessados nainvestigação em plantas?Não sejam demasiado específicos à partida. Segostarem de um determinado tema, não desa-nimem por não o conseguirem logo de início.Certamente haverá oportunidade de exploraresse tema no futuro, ou, frequentemente surge ointeresse por outro tema por causa do “contágio” da inspiração de um tutor dedicado e apaixonado pelo seu tema de investigação. É importante que a competência, excelência e dedicação es- tejam sempre presentes na actividade profis- sional. Sem estas, a investigação será apenas poesia que, apesar de desejada, dificilmente progredirá em resultados para a sociedade em que vivemos, necessitamos e identifica- mos.
  • 56. Ana Cristina Tavares Sustentáveis, fiéis, humildes, lindos e ins- piradores são algumas “das muitas virtudes das plantas fascinantes”, diz-nos hoje Cristina Tavares, investigadora do Departamento de Botânica da FCTUC. “Visitar, conhecer e usu- fruir dos espaços, recursos e dos programas dos jardins botânicos” é o desafio lançado aos mais modelos - químicos, físicos, morfológicosjovens. – fantásticos, muitas vezes inigualáveis; - são seres de uma fidelidade impressionante: fieis – aos sinais do meio ambiente- respondendoPara si, o que torna as plantas fascinantes? com a mesma reação à mesma ação; p. ex.. – “sejaPasso a enumerar apenas 7 (o meu dígito prefe- fiel ao seu amor como a magnólia do jardim botâ-rido) das muitas virtudes das plantas fascinan- nico (de Coimbra) ao dar flor” uma atividade que ates - deslumbrantes, encantadoras e sedutoras este propósito desenvolvemos no 14 de fevereiro-(sinónimos no dicionário): dia dos namorados- porque as magnólias, aqui ,- são os seres vivos mais sustentáveis que conhe- estão sempre em flor nesse dia.ço: são auto-suficientes e não desperdiçam - só - são seres exemplares: todos os dias nos dãoconsomem e gastam o que precisam; lições de vida, quer pelo conhecimento das plan-- são seres humildes – nada reclamam e são fun- tas, quer pelas novas descobertas a partir delas.damentais para a vida na terra; - são princípio e fim: toda a vida e morte na terra - são seres sempre ativos, esforçados e empre- se “mistura” nas plantas. endedores: procuram sempre a melhor adapta- - são seres lindos, inspiradores e únicos no mun- ção às circunstâncias (meio ambiente) até ao do. limite das possibilidades (vida), muitas vezes em situações extremas, que solucionam com Porque escolheu a área das plantas para a sua investigação? Pelo desafio da diferença, já que as plantas são tão importantes quanto o pouco interesse que no geral lhes é votado. (sobre isso escrevi a convite: http://www.uc.pt/noticias/newsletter/022012/ tem_a_palavra).
  • 57. O que está investigar neste momento?Apiáceas endémicas da Península Ibérica em Por-tugal: conservação in vitro e ex situ e valorizaçãopelos óleos essenciais.O que gosta mais no seu trabalho? E menos?O desafio aliciante e a interdisciplinaridade naprocura de conhecimentos (botânica, fisiologiae ciências farmacêuticas) e o modo de o conse-guir, pois proporciona uma aventura fantástica,por entre os infindáveis Segredos da Natureza.Congregar e organizar todos os resultados parapublicar.O que faz para se distrair do trabalho? Convívio com família e amigos, danças e nata- ção, espetáculos. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas? Visitar, conhecer e usufruir dos espaços, re- cursos e dos programas dos jardins botânicos será um bom princípio.
  • 58. Maria Amélia Martins- Loução Contamos agora com a participação de Ma- ria Amélia Martins-Loução, investigadora no Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade Lisboa. “Não é fantástico ter sementes guardadas por mais de milhares de anos capazes de germinar e dar O que está investigar neste momen- uma nova planta?” é uma das curiosidades que to?nos coloca esta investigadora. Pouco estou a “fazer”, antes a estudar e a orientar experimentação. A perceber como se pode entusiasmar as crianças para a ciên-Para si, o que torna as plantas fascinantes? cia, para a curiosidade e experimentação cienti-As suas formas, a arquitectura das árvores, o fica. Apaixona-me compreender como é que asdomínio das alturas, destemido, despojado. plantas podem usar microrganismos ou fungos para se adaptarem a diferentes habitats. Quais as condições que levam as plantas a perder a suaPorque escolheu a área das plantas para a sua capacidade de adaptação e a ficar ameaçada ainvestigação? sua sobrevivência ? Será o azoto atmosférico umPara compreender as suas adaptações e evolu- “driver” de perturbação importante para todas asção, como gerem os nutrientes e a água, particu- espécies ? Como optimizar a conservação, in sitularmente em climas desérticos e solos pobres. e ex situ ? O que gosta mais no seu trabalho? E menos? O tentar aprender o que não sei, de uma forma contínua e apaixonada. Gosto especialmente de pensar que estou a juntar pequenas peças de um grande puzzle. Obviamente que não gosto de perder peças.
  • 59. O que faz para se distrair do trabalho? Estar com a família, olhar e rever espaços e locais por que tenho passado e para os quaistenho nova forma de apreciar. Conhecer novoslugares. Para além disso leio, e procuro aprendernovas funcionalidades que a Apple oferece.Que conselho daria a jovens interessados nainvestigação em plantas?Que é um mundo fascinante e a base da nossaexistência. Que há uma diversidade de formas ede funções à nossa espera para descobrir. Que acompreensão de muitos mecanismos presentesnas plantas pode permitir o avanço da biologiamédica. Basta pensar que as plantas podem vivermuito mais que os animais e o homem. Porquê?Como conseguem? O que as leva a ser tão resis-tentes? Quais os mecanismos? Não é fantástico ter sementes guardadas por mais de milhares de anos capazes de germinar e dar uma nova planta?
  • 60. Susana Serrazina Hoje contamos com a participação de Susa- na Serrazina, investigadora no Laboratório de Sistemas Biológicos de Plantas, da Facul- dade de Ciências de Lisboa. “A investigação em plantas é feita de pequenos passos que quando são atingidos correspondem a satisfa-ção garantida!” diz-nos esta investigadora.Para si, o que torna as plantas fascinantes? O que está investigar neste momento?As plantas são fascinantes. Não tendo capaci- Investigo por um lado, os genes envolvidos nadade de se mover, são capazes de sobreviver a defesa do castanheiro europeu à doença da tinta,agressões como pragas, calor e frio, ferida…todos provocada por Phytophthora cinnamomi, umestes tipos de stress levam as plantas a adaptar- organismo do tipo fungo. Por outro lado, investigose, correspondendo a importantes motores factores de sinalização na reprodução sexual dasevolutivos. plantas, tendo como modelo o grão de pólen de Arabidopsis thaliana.Porque escolheu a área das plantas para a sua O que gosta mais no seu trabalho? E menos?investigação? A investigação que exerço é muito demorada na As plantas são essenciais ao ecossistema Terra, aquisição de resultados, a minha maior satisfa- estão na base do fornecimento de oxigénio e ali- ção é quando finalmente consigo discuti-los e mento. O conhecimento do reino das plantas e o divulgá-los. Nada avança sem dinheiro ou finan- melhoramento de plantas é e será sempre uma ciamento, a parte mais chata é o atraso na trans- área emergente de importância primordial. ferência de verbas para os projectos, de forma a ter mais resultados para a divulgação e avanço no conhecimento. Outro ponto negativo é a carreira de investigador. Tem muitos altos e baixos a nível de financiamento, os contratos são escassos e as bolsas, como alternativa, não têm as mesmas regalias dos contratos.
  • 61. O que faz para se distrair do trabalho?O meu filho ainda é jovem (1 ano). Ele é distracçãogarantida e o meu escape. Quando tenho disponi-bilidade não dispenso sair da cidade, passeios debicicleta, snorkeling.Que conselho daria a jovens interessados nainvestigação em plantas?”A investigação em plantas exige curiosidade,empenho e perseverança. Um investigador deplantas chega facilmente à conclusão que nuncachegaremos a conhecê-las na sua essência, e odogma de que as podemos dominar é falso. Tema ver com o facto de Homem e Plantas sereminequivocamente diferentes, une-nos uma an- cestralidade comum, mas distante e divergente. A investigação em plantas é feita de pequenos passos que quando são atingidos correspon- dem a satisfação garantida!
  • 62. Este livro só foi possível graças aos participantes nas diversas actividades do “Aqui há Planta 2012”.Queremos agradecer-vos pela elevada qualidade dos trabalhos a concurso, pelo entusiasmo nos vários roteiros, pelas visitas à exposição, pelas ideias na nossa árvore, pelos testemunhos I-plant e por todas as outras formas com que apoiaram esta iniciativa. Muito obrigada a todos os que nos ajudaram a celebrar em grande, o fascinante mundo das plantas. Contamos convosco para a próxima edição A equipa “Aqui há Planta” www.itqb.unl.pt | sci@itqb.unl.pt | 214469350