Linguagem das Cores - Aula 3

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Linguagem das Cores - Aula 3

  1. 1. KITSCH: O ESTILO AUSENTE José Pirauá
  2. 2. REVISÃO • O amor platônico faz sentido dentro da estética de Aristóteles? Explique. • Qual a grande contribuição de Kant para a estética? • Por que o trabalho de Fechner é criticado e, às vezes, desprezado?
  3. 3. ESTILO KITSCH • Na falta de um estilo próprio, o kitsch apropria-se de uma dúzia de outros • Kitsch é mais uma maneira de ser, uma atitude do que um estilo • O estilo Kitsch é um suporte objetivável dessa atitude
  4. 4. ORIGEM DO TERMO • Munique, Alemanha, 1860 - kitschen: fazer móveis novos com velhos - verkitschen: vender uma coisa em lugar do que havia sido combinado • Negação do autêntico
  5. 5. CENÁRIO • O kitsch aparece numa sociedade em que há: - Interesse pela vida cotidiana (o outro) - Valorização das aparências - Universalidade do artificial - Valorização da atividade de consumo
  6. 6. CONSUMO • A sociedade de consumo favorece: - Crescimento das necessidades - Redistribuição das funções - Jogo como pretexto de funcionalidade - Extinção incorporada
  7. 7. ALIENAÇÃO • A alienação constitui um traço essencial do kitsch - O ser é determinado pelas coisas • Há uma perda da percepção global • A felicidade cotidiana torna-se um vício
  8. 8. PRAZER • A sociedade de consumo é movida pela busca de um prazer na escala do ser - A felicidade cotidiana e para todos dá prazer pois agrada o gosto médio • O prazer é fácil e espontâneo • A beleza transcendente é destruída
  9. 9. PRINCÍPIOS 1. Inadequação 2. Acumulação 3. Sinestesia 4. Meio-termo 5. Conforto
  10. 10. INADEQUAÇÃO • Desvio em relação ao objetivo nominal ou função proposta - Prato decorativo em parede • Desvio ou distorção da realidade - Torre Eiffel em chaveiro - Elefante miniatura de porcelana - Rato gigante em bronze
  11. 11. ACUMULAÇÃO • Preenchimento do vazio com o excesso - Página sem áreas em branco - Óculos de sol com rádio • Maneirismo, barroco, rococó
  12. 12. SINESTESIA • Assalto do máximo de canais sensoriais - Agenda feminina com cheiro de morango - Website informativo com fundo musical • Uso desproposital: a coisa como um fim em si mesmo
  13. 13. MEIO-TERMO • O kitsch fica a meio caminho do novo, opondo-se à vanguarda • Produz uma arte aceitável para a massa - Cinema da comédia romantica
  14. 14. CONFORTO • Produção da aceitação fácil • Exigência média como padrão - Adaptação à maioria • Atender às crescentes (recém criadas) necessidades do indivíduo
  15. 15. MANIFESTAÇÃO • Objetos ou mensagens unitárias • Sistemas ou conjuntos de objetos, mesmo que os elementos isolados não tenham nada de kitsch
  16. 16. OBJETOS KITSCH • Sedimentares: empilham-se através do tempo • Transitórios: destinados à extinção
  17. 17. OBJETOS KITSCH • Geralmente apresentam formas que contém: - Curvas muito complexas (macarrônicas) - Ornamentação rebuscada - Muitas cores em alto contraste - Materiais que imitam outros
  18. 18. SISTEMA KITSCH • Empilhamento/excesso • Heterogeneidade • Antifuncionalidade • Sedimentação/acúmulo aleatório
  19. 19. CARACTERÍSTICAS 1. Consumo rápido 2. Dinamismo 3. Pré-fabricação do efeito 4. Estereótipos 5. Desvio de funcionalidade 6. Horror ao vácuo
  20. 20. CARACTERÍSTICAS 7. Ornamentação 8. Inautenticidade 9. Mediocridade 10.Mentira artística 11.Repertório reduzido 12.Trapaça
  21. 21. CONSUMO RÁPIDO “O fenômeno Kitsch baseia-se em uma civilização que produz para consumir e cria para produzir, em um ciclo cultural onde a noção fundamental é de aceleração” Moles (2001)
  22. 22. DINAMISMO • O kitsch está sempre entrando e saindo de moda • Permeia tanto o mau gosto quanto o bom gosto - A arte banalizada ou o banal representado na arte
  23. 23. PRÉ-FABRICAÇÃO • Intenção inserida no objeto de provocar um efeito específico no indivíduo - Imagem da felicidade perfeita em anúncios - Risadas gravadas em seriados de humor - Trilhas sonoras tristes ou felizes nos filmes
  24. 24. ESTEREÓTIPOS • O kitsch se vale das figuras estereotipadas e do senso comum - Vovó cozinheira - Dona de casa com avental - Pai trabalhador de terno
  25. 25. DESVIO DE FUNCIONALIDADE • Certos objetos sugerem uma funcionalidade, mas são decorativos • A forma sobrepõe-se à função - Formas inúteis
  26. 26. HORROR AO VÁCUO • As superfícies dos objetos são repletas de símbolos ou adornos • O vazio é espaço desperdiçado
  27. 27. ORNAMENTAÇÃO • O ornamento resolve o problema do horror ao vácuo
  28. 28. INAUTENTICIDADE • Imitação como valor fundamental • Materiais que imitam outros - Pedra imitando concreto armado na Sagrada Família de Gaudi - A cópia substitui o original
  29. 29. MEDIOCRIDADE • O kitsch é a arte de massa, direcionado ao gosto médio • Inova com moderação (meio-termo)
  30. 30. MENTIRA ARTÍSTICA • Falsa representação do mundo - Cores alteradas para agradar mais - Grandeza desproporcional • Precisamos da ilusão para viver?
  31. 31. REPERTÓRIO REDUZIDO • Um código amplo é traduzido num código reduzido - O best seller substitui o texto inovador - O resumo substitui a obra integral
  32. 32. TRAPAÇA • É vender gato por lebre • Quando é intencional constitui um tipo de corrupção
  33. 33. “USE, NÃO ABUSE” TORNA-SE “USE E ABUSE”
  34. 34. DESDOBRAMENTOS • O funcionalismo emerge como reação • Após sua crise, desagua no neokitsch
  35. 35. FUNCIONALISMO • É uma reação sócio-cultural ao kitsch - A adaptação ao objetivo é bela - A forma deve seguir a função - A beleza é o brilho da verdade - É preciso aceitar o produto como é
  36. 36. CRISE DO FUNCIONALISMO • O funcionalismo é ascético - Luta contra a inutilidade e decoração - Produz objetos difíceis e duradouros • Cria um conflito com o consumismo - A ética do consumo é anti-ascética - Valoriza-se o supérfluo e o efêmero
  37. 37. NEOKITSCH • Para cada objeto inútil, várias funcionalidades • O kitsch é sacralizado - Novo período da arte • A publicidade cria necessidades - O cidadão médio resiste, mas entrega-se aos prazeres do cotidiano
  38. 38. PÓS-MODERNISMO • Simulacro, niilismo e ecletismo - O falso é mais desejado - Tudo é supérfluo - Todos os estilos são misturados • O kitsch é quase regra
  39. 39. INTENCIONALIDADE • O kitsch intencional: suvenirs - Uso dos princípios do kitsch para favorecer o gosto médio, o gosto da maioria • O kitsch não-intencional: gadgets - Desproporção inconsciente entre meios e fins
  40. 40. SUVENIRS • Cartões-postais • Camisas de viagem • Objetos de devoção - Satinhos - Talismãs • Artigos para presente
  41. 41. GADGETS • Chocolate-brinquedo • Rádio-despertador-abajur • Caneta-lanterna • Canivete de infinitas funcionalidades
  42. 42. O KITSCH É BOM OU MAU?
  43. 43. QUESTÕES • Deve-se oferecer ao público o que ele pede? Explique. • Um objeto que use a proporção áurea é kitsch? Explique. • Kitsch implica em mau gosto? Explique.
  44. 44. REFERÊNCIAS • MOLES, Abraham. O kitsch. 5ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2001. • KIELWAGEN, W. J. Kitsch & design gráfico ou: teoria e prática do mau gosto. Joinville: Ed. do Autor, 2005. pp. 14-24.

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