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NOTÍCIAS FABRICADASInstalação em 03 partes: Folhas de jornal (03 verdadeiras e 02 paródias), relógio preparado e travessei...
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O choque temporal e a redistribuição espacial   Manoel Silvestre Friques é Teórico do Teatro     observados na obra de Rub...
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http://www.brasildefato.com.br/node/6898
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http://extra.globo.com/noticias/rio/artista-paranaense-conta-historias-de-moradores-de-rua-em-album-de-figurinhas-2031645....
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SÓ SONHA QUEM DORME                                                          Vídeo Instalação                             ...
Trecho do texto de Luiz Cláudio da Costa para a exposição SÓ SONHA QUEM DORMES   ó sonha quem dorme, exposição de Rubens P...
Caro Rubens,                                          as fotos tiradas no evento. Quando a TV UNISUAM                     ...
Acho que tem tudo a ver com a linha editorial deles.      muro da cidade. Enquanto ela não aparecer, vcVocê topa?         ...
Eu já acompanhava o trabalho do Pileggi pela net.    e uma recordação de infância que acredito que aMas numa certa tarde, ...
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Corpo do catálogo CROMO SAPIENS, um projeto realizado entre 2009 e 2012, sobre mobilidade urbana e exclusão social no centro da cidade do Rio de Janeiro.
Tendo como ponto de partida a realização de 30 entrevistas feitas com moradores de rua sobre seus sonhos, o trabalho se desdobrou em álbum de figurinhas, ações e instalações artísticas.
O catálogo faz um balanço geral do desenvolvimento do projeto, com fotos, textos críticos e opiniões do público sobre os trabalhos.

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  1. 1. ÍNDICE01 Apresentação do projeto CROMO SAPIENS02 O X da questão na exposição ContraBando, por Rubens Pileggi Sá08 Vídeo instalação GALDINO10 NOTÍCIAS FABRICADAS, texto de Manoel Silvestre Friques15 NO ÁLBUM, FIGURA A RUA, texto de Rafaela Tasca18 Réplica do jornal EXTRA20 Ações CROMO SAPIENS22 Opiniões do público e outros textos
  2. 2. A Secretaria de Estado de Cultura (SEC) vem trabalhando desde 2008 para difundir, estimular e fortalecer a cultura do Rio de Janeiro, criando mecanismosde fomento e políticas estruturantes para o setor, em todas suas vertentes, buscandocontemplar  todos os setores e áreas, desde as manifestações mais tradicionais, eabrangendo agentes culturais de todo o estado.Como parte desse trabalho, a SEC criou o edital de Artes Visuais, com a finalidade deincentivar a criação artística, bem como a integração cultural, a pesquisa de novaslinguagens, a formação e o aprimoramento de pessoal de sua área de atuação.Balizado por esses parâmetros, o edital proporcionou apoio financeiro a projetos quepropunham a circulação, o intercâmbio e a implementação de ações de Artes Visuaisno Rio de Janeiro, visando estimular a multiplicidade e a diversidade de tendências elinguagens.Através do edital, a SEC contemplou projetos como este, de exposições de arte,intervenções urbanas e organização, conservação e catalogação de acervosreferentes à memória e ao patrimônio das artes visuais no estado. E, assim, reiterouo compromisso do Governo do Rio de Janeiro de oferecer uma programação plural, dequalidade, ampla e diferenciada. Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro
  3. 3. projeto CROMO SAPIENS “Esses olhos são roubados. É azul. É de uma mulher que trabalha ali. Por isso que eu não posso trabalhar.” Clara Nunes Pereira do Santos, abordada na Rua da Glória CROMO SAPIENS é um projeto de arte centrado na questão da exclusão e da mobilidade social das grandes cidades. Sua estratégia é a de dar voz aos mo- radores de rua, mendigos e andarilhos que perambulam pelo centro do Rio de Janeiro. Iniciou-se em 2009 com uma pesquisa sobre o sonho de pessoas que nada de material possuiam e se desdobrou em álbum de figurinhas, vídeo instalações, ações perfomáticas, in- tervenções urbanas e, também, afetos dos mais diversos níveis. Sua execução só foi possível graças ao patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, após ter sido selecionado pelo edital de apoio às artes, de 2010. O nome CROMO SAPIENS foi pensado a partir da ideia de que saímos da Era do homo sapiens e “evoluímos” para uma Era em que tudo se transforma em imagem para ser comercializada, em produto reprodutível, para ser colecionado e colado emum álbum, tornado arquivo, transformado em registro, dados numéricos, pixels eletrônicos. QuandoAndy Warhol disse que “no futuro todas as pessoas teriam direito a quinze minutos de fama”, elenão podia prever que esse tempo, hoje, se tornou quase uma eternidade. Pessoas sem nenhum dife-rencial se tornam estrelas de um minuto para outro e depois desaparecem no anonimato de ondevieram. Talvez, os últimos que ainda faltam ser incluídos nessa lista de ‘cromos’ sejam, justamente,os mendigos, os andarilhos, os moradores de rua. Assim a estratégia do trabalho é a de buscartransformar seres “invisíveis” em figurinhas colecionáveis e dar-lhes voz, através de seus sonhos,ou da impossibilidade deles. Afinal, como disse Paul Klee, “a arte torna o invisível, visível”.A presente publicação tem como objetivo reunir as diversas manifestações que se desdobra-ram do projeto, como textos críticos, opiniões do público e várias fotos, além de apresentar ostrabalhos realizados, levantar um pequeno histórico das fases do projeto e comentar sobre o álbumde figurinhas, descrevendo como se deu sua circulação e distribuição.Rio de Janeiro - maio de 2012 1
  4. 4. O X da questão na exposição ContrabandoLocalizando a ação Esse texto trata da situação vivenciada deira. Ações fora do circuito oficial da arte sempreentre os dias 10, 11 e 12 junho de 2011, durante o são bem vindas e, com essa atitude, ainda melhor.evento CONTRABANDO, realizado no formato de uma Assim, na reunião, após uma rápida olhada peloexposição de arte dentro de um apartamento de espaço da casa, tinha decidido o que gostaria declasse média alta, no Flamengo, que acabara de ser exibir. Estávamos em uma roda falando de nossareformado. Diante de uma das janelas da fachada do ideias e, quando chegou a minha vez, disse queprédio, com vistas para o Pão de Açúcar, na Cidade gostaria de levar um mendigo para pernoitar naMaravilhosa, foi realizada a proposta do trabalho X, residência durante o tempo que ali ocorresse ode minha autoria. Além de relatar a situação viven- evento artístico. Senti que peguei pesado, pois umciada, que, como veremos, é, em si, um trabalho de grave silêncio sucedeu à minha fala e as pessoasarte, busco, também, refletir sobre as consequên- pareceram se surpreender com o que eu havia dito.cias desta obra em meio a outras obras inseridas Em um misto de cumplicidade com terror sincerona referida mostra. de quem precisa que seu evento seja bem sucedido, Pedro, o curador, me pergunta: “mendigo?”. E eu: “é,O convite sim, meu amigo. Ele costuma perambular bem aqui Quem me indicou para participar do even- embaixo, no aterro”. “Mas ele fede?”, perguntou-meto foi meu professor e parceiro Roberto Corrêa dos novamente. Tive certeza, naquele momento, que oSantos, que vinha acompanhando de perto o que eu trabalhado tinha tudo para ser forte, mas dificil-andava fazendo, à época. Assim, fui apresentado ao mente seria levado a cabo. “Bem, tenho outra ideia,curador da mostra, Pedro Moreira Lima, em reunião mas acho que essa tem mais a ver com o trabalhocom os artistas, para conversar sobre a exposição que venho desenvolvendo atualmente...”e apresentar nossas ideias de trabalhos ligados aotema da mostra, além de informar os locais onde Procurando um cantoinstalar cada obra no apartamento, que estava ter- A reunião deu uma esfriada ali mesmo.minando de ser reformado. Um detalhe anterior a Mas como eu já tinha olhado a casa e escolhidoesse fato é que quando recebi o texto da curadoria um lugar perto da janela com vista para o Pão depelo e-mail, alguns dias antes, entendi que era pre- Açúcar, disse que aquele chão era um bom localciso pensar em uma ideia forte, compatível com o para colocar um papelão e um cobertor para o meu amigo dormir. Apenas gostaria de escrever um Xque tinha sido escrito. Ressalto um trecho do na parede, delimitando um espaço. Estava preocu-release da exposição: “(...)almeja corporeificar o trânsito daquilo que escapa pado em criar um local onde ele se sentisse menos da zona de conforto de um circuito oficial. Talvez esta deslocado no ambiente e resolvi delimitar um lugar seja a possibilidade semântica mais literal, já que tal dentro da casa para acomodá-lo, sem, óbvio, excluir exposição se realiza num “espaço-tempo do nosso co- outros espaços que ele quisesse permanecer. tidiano”, à margem do aparato museológico. No entanto, Lembro-me, ainda, que alguém objetou penso que nossa ação contrabandista vá além desse entendimento. Deseja inspirar, também, afetos que vão se era apenas um ou mais de um mendigo, porque a contrapelo dos hábitos já domesticados pela síndrome senão iria virar uma bagunça. E outra coisa que legalista que nossa cultura vive na contemporaneidade.” eu ainda disse foi que eu até preferiria que ele viesse depois do evento fechar e saísse antes da Pensei, os caras não estão para brinca- casa abrir para visitação. Como o evento iria durar 3
  5. 5. apenas três dias, não seria muito difícil adminis- Passaram-se dois anos e, um dia, o vi no meio da trar as entradas e saídas do nosso amigo, que iria calçada, no Catete, perto do lugar onde eu tinha viver uma situação inusitada: de morador de rua a acabado de me mudar. Emocionado, fui falar com frequentador de mansão no Flamengo. ele. “Você não é o Luiz Carlos Marques da Silva?”. Passaram-se alguns instantes e Pedro veio me diz- “Como você sabe?” Ele respondeu. Estava muito er que aprovava a ideia, mas que eu deveria mostrar mais magro, sujo, sem camisa. Muito diferente do o homem ao menos na noite da vernissage. Eu topei. personagem que eu tinha entrevistado, fotografado e filmado. E estava bêbado, louco, delirando. Corri Luiz Carlos Marques da Silva em casa, peguei um álbum para mostrar para ele o Fui falar com o Luiz Carlos, mas estava trabalho que tinha realizado – anda em fase de pro- muito sem jeito sobre como explicar para ele sobre o jeto - passei na lanchonete, comprei um lanche, um que se tratava o trabalho. Ele costumava ficar atrás suco para levar e mostrei a foto dele no álbum. Cheio das canchas de futebol do aterro. Junto com outros de ‘amor para dar’, ele ficava querendo me beijar, moradores de rua. Lá ele é conhecido como Bin, de me abraçar, ficava querendo agarrar minha mão, Bin Laden, por causa da barba que usa. beijar minha mão e eu não sabia o que fazer direito. Que karma! Mas podia contar com um Pediu dinheiro, disse que eu ia ficar rico com as fo- amigo fiel que o chamava carinhosamente de PQD, tos que tinha feito dele e, aos poucos, fui me safando “porque o Luiz foi paraquedista no exército”. E esse e fotografando nossa despedida. Agora ele era o Luiz amigo era chamado de Bárti. Um garoto de pouco Carlos dos cromos 26, 36, 39, 40, 41 e 42. mais de 20 anos, portador de HIV, que vivia cheio Além disso, quando o jornal EXTRA quis fazer uma en- de feridas pelo corpo. Um doce de pessoa. Educadís- trevista comigo, conseguimos localizar o Luiz Carlos simo. Um tempo depois, Bárti acabou indo procurar que, gentilmente, aceitou falar de sua vida à repórter internamento no sanatório, em Manguinhos e nós não do jornal e, com a matéria publicada, nos tornamos soubemos mais dele. Luiz Carlos sempre teve fé que personalidades do bairro por um dia. um dia ele iria voltar para uma visita, e que ele iria Voltando à conversa sobre a proposta conseguir sair dessa vida de rua. Foi por causa dele do apartamento no Flamengo, quem me salvou foi e do Luiz Carlos que cheguei à conclusão que essas o Bárti, indo direto ao ponto: “ele quer expôr você pessoas são delicadas demais para viver e se inserir como obra de arte”. Respirei aliviado. Era isso que eu no capitalismo selvagem que vivemos. Eles não pos- queria dizer, mas estava com vergonha de falar. “Eu suem defesas contra as estruturas de poder da nos- já ‘tava’ desconfiado”, mandou Luiz Carlos. E topou. sa sociedade e se tornam uma espécie de marginais que, ao se revelarem – como aconteceu neste caso Negociações – estão muito mais para flor do que para monstros, Acontece que, nesse ínterim, a dona da como são vistos. “Não é todo mundo igual eu, não. Eu casa desaprovou o trabalho e o curador mandou tenho Jesus no meu coração”. Uma das frases que um e-mail pedindo desculpas sobre o fato ocorrido, Luiz Carlos vive repetindo, assim como outra que diz: mas confirmando meu nome para apresentar um “Há três mil metros, no fundo do poço, a gente não trabalho lá. Não aquele, claro! Passei dias tentando ‘veve’, a gente vegeta”. ter uma boa ideia e cheguei a rabiscar um projeto Conheci Luiz Carlos durante o tempo em que não tinha nada a ver com morador de rua, que que estava buscando os sonhos dos moradores iria apresentar ao curador, em outra reunião. Uma de rua no centro da cidade para fazer o álbum de noite, pelo facebook, comecei a conversar com a figurinhas NOWHEREMAN. Depois não o vi mais. dona do apartamento – que é minha amiga - e, meio4
  6. 6. para reclamar, meio para fazer uma piada da situa- ele fosse ‘de casa’, tentando passar alguma naturali-ção, disse que ela tinha ‘censurado’ meu trabalho. dade e espontaneidade que tornava tudo mais incô-No que ela responde prontamente que o problema modo ainda, de ambas as partes. E o detalhe é que oera no prédio e não com ela, pois havia um coronel Luiz Carlos estava sem tomar banho há mais de umno edifício que poderia impedir até a realização do ano! Havia um constrangimento solene no ar. Umaevento, caso acontecesse de cruzar com um mendigo senhora me disse que apertar a mão dele foi umasubindo o elevador. experiência de textura como nunca ela tinha sentido Na noite da reunião, encontrei com ela e igual.o marido dela e perguntei a ele por que o trabalho Uma boa parte dos artistas e convida-não podia ser realizado, no que ele me disse que, dos acompanhavam e participavam de outras per-por ele, tudo bem, que o trabalho poderia ocorrer, formances e um artista, aproveitando o tema dosim. Opa, as coisas estavam começando a ficar mais evento, foi fantasiado de Bin Laden. Também issointeressantes! Chamei o curador, a dona da casa e era estranho. Porque enquanto um se positivava seo marido dela para conversarmos e estabeleceu-se representando como ‘terrorista’, o outro, em umaque o trabalho poderia acontecer, mas nas seguintes condição sem nenhuma escolha na vida, era conhe-condições: que o mendigo só poderia entrar, sair e cido como Bin Laden lá no meio dele, não porque elepermanecer no prédio comigo junto. E que nós dois fosse terrorista, mas porque era barbudo, marginaldeveríamos marcar presença no dia da vernissage. e sujo.“Fechado”, eu concordei. Sentia que já tinha cumprido meu dever e queria proteger o Luiz Carlos daquela situação queA obra já tinha virado festa, quando aparecem duas garotas No dia da vernissage, passamos pelo por- para conversar com o Luiz Carlos e eu aproveiteiteiro que apenas pediu para que eu assinasse uma para buscar um refrigerante no bar para tomar-lista e nos liberou a subida pelo elevador. Por sorte mos. Mas eis que, quando retorno do bar, estavanão cruzamos o coronel. Logo chegamos ao aparta- acontecendo uma performance com distribuição demento transformado em galeria, salão de festas e bebida alcoólica e uma das garotas pegou um copocentro cultural temporário onde iria ser apresen- e ofereceu ao seu mais novo e íntimo amigo e, depoistado, em meio a uma profusão de performances, que ele bebeu um copo, ela foi pegar outro copo paravídeos, instalações, desenhos, pinturas, discoteca- ele beber e eu corri para impedí-la de fazer isso. Ela,gem e bebidas, a obra X. Já tinha garantido a janta do então, me cobra o fato de estar achando o trabalhomeu amigo e, por enquanto, estava tudo bem. Fomos interessante justamente porque mistura uma pes-para o nosso canto e ficamos na nossa, respondendo soa de um mundo sem acesso à diversão e à arte,às perguntas das pessoas que queriam saber sobre com pessoas desse outro mundo, mas que estava meo nosso trabalho e, de fato, o Luiz Carlos foi bastante achando ‘careta’ porque queria censurar a diversãoprocurado para conversar. Era impossível não per- de alguém que, justo eu, tinha trazido para a festa.ceber ali a tensão entre dois mundos completamente “eu vou dar a bebida, sim. Ele não é sua obra!”, falou,separados um do outro e, ao mesmo tempo, entre impositivamente. “Ele é minha obra, sim!”, respondipessoas que se cruzam o tempo todo, andando pelas com o mesmo ímpeto e, antes que ele bebesse o ter-mesmas ruas. Foi uma espécie de choque para as ceiro copo, perguntei se ele queria ir, ele disse quepessoas do mundo da arte e isso era notado pela tudo bem, e fomos embora.falta de jeito com que elas se aproximavam do Luiz. Na saída, Luiz Carlos me pediu uma parteAlgumas moças beijavam ele, abraçavam, como se do dinheiro que a gente tinha combinado pelo 5
  7. 7. trabalho. “Claro, pois não, precisa de mais?”, respon- sua casa para beberem juntos, para provar que ele, di, mostrando gratidão. “Não, doutor (ele me chama mesmo sendo um mendigo, é irmão e amigo, e de- por doutor), isso aqui basta”. Ainda fiquei obser- vemos tratar a todos de igual para igual. Mas perdi vando ele se distanciando, com a bolsa murcha à a piada e só pensei na resposta depois que o fato tiracolo levando todas as coisas que possui na vida. ocorreu. Ou, então, que ele estava lá a trabalho e Um (mais um) corpo magro e franzino cortando a fim de papo. madrugada carioca. No outro dia, de tarde, passei lá no ‘es- Relações entre o mundo e as coisas do mundo conderijo do Bin’ para levá-lo ao “trabalho”, como O caso é que era eu a trabalhar com combinado. Ele estava imprestável, bêbado, louco, alguém considerado marginal e isso leva a mil in- delirando, pior do que a vez que nos reencontramos. terpretações, como a de estar usando uma pessoa Alucinado. Escorria de seu cabelo algo gosmento para humilhá-la ou, até, de estar sujando o aparta- como a textura de um ovo cru quebrado. Era um mento novo da moça de família. No entanto, há vári- sábado de tarde e ele estava no meio das pessoas os artistas trabalhando com essa mesma temática que tinham ido ao campo para jogar bola, beber e e os piores casos são aqueles que ou querem falar conversar. Fiquei com medo que o machucassem pelo Outro, ou querem denunciar uma situação, e me senti responsável por sua sorte, naquele transformando arte em mensagem ou estetizando momento. “Ei, cara, o que aconteceu com você?”, a miséria. Em todo caso, o que aconteceu naquele indaguei. Ele mal respondeu qualquer coisa. Tirei ele apartamento foi um afastamento tão determinado daquele lugar e ele não parava de xingar o mundo, a da representação que tornou-se, aos olhos de quem vida, de me xingar e nada mais. Comprei uma pinga viu de longe e não quis se aproximar, um desafio. do camelô e fiquei bebendo, deixando ele blasfemar E para os que chegaram perto, a única alternativa até eu perder a paciência e ir embora. Esse foi o X era, em algum momento, por melhor que fosse a da questão. intenção, buscar o desvio: “pensei que você tinha Mas qual era a questão que a obra colo- trazido ele aqui para se misturar no meio de nós”, cava? Confesso que a indignação da garota sobre teria sido uma das falas da garota indignada. Dentro o fato dele não ser minha obra, perturbou-me. En- dessa fala, teríamos apenas uma relação de mão quanto fazíamos nossa ação – Luiz Carlos e eu - uma única em um terreno onde só existe livre arbítrio e das minhas preocupações naquele ambiente de arte nós não estaríamos sujeitados a nada. “A economia do apartamento transformado em galeria para um não nos impede de dar as mãos”, poderia ter sido a evento era a de manter a distância entre público e fala da senhora que se perturbou com a textura das ação de arte. E criar uma situação de diferença en- mãos do Luiz Carlos. Mas essa é a capa da indife- tre o que era dado a ser visto e o ambiente de festa renciação que o capitalismo quer dar às relações e curtição que acabou se instalando no local, evitan- entre as pessoas e o mundo. Entre o mundo e os do, assim, a banalização. Era essa a resistência que objetos, para que tudo se transforme em matéria eu quis manter, até o final. Bastaria dizer à garota de consumo. O experimente de ontem é o compre de que ele, o Luiz Carlos, era um adicto, um viciado. Que amanhã. ele não pode tomar um trago porque enquanto tiver De fato, o Luiz não é meu objeto. Ou, ele bebida e droga ele vai querer mais e mais, até o fim. só se tornou meu objeto na medida em que eu sou o E depois seria encontrado na rua como um trapo objeto dele, também. E, na medida que haviam vários sujo jogado. Ou, então, usando da ironia, poderia ter níveis de relação, seja com o espaço, com o lugar e dito a ela que, para provar amizade, que o levasse à com o público. Estávamos lá trabalhando e aquele6
  8. 8. era um trabalho que deveria ser mantido. Caso meu REPERCUSSÃO“objeto de arte” começasse a beber, ou eu, comopropositor da obra começasse a beber, e nos sol- LUIZ CARLOS MARQUES DA SILVAtássemos no meio da festa, o trabalho teria ido parao espaço. E eu perderia a chance de mostrar o que “e, apontando com o dedo, ele me falava de umeu tinha ido lá para mostrar: uma relação de tensão. lugar chamado o fundo do poço. um lugar semTensão com os outros artistas e seus trabalhos, lugar, porque, aonde quer que fosse, o fundo dotensão com a dona da casa, tensão com o curador,tensão com o coronel do prédio. E, não uma relação poço o esperava à sua frente, e ainda o per-de integração. Pois essa integração iria sugerir uma seguia. no fundo do poço havia faca, bala, por-mentira. Seria de uma inocência hipócrita. Depois rada, e o mais que havia, como fome, doença,da festa voltaríamos a ser quem éramos e eu te- trapos, era feito nos moldes da falta. quando seria que me desculpar porque não tive a capacidade livrava aqui de uma delas, era para encontrá-lade levar meu trabalho às últimas consequências. de novo ali, sem demora, à espera, mas tão àsNão teria sido profissional. Assim, misturar teria claras que nem emboscada havia. e ele me fa-sido matar a tensão trazida pela presença do “de lava que, no fundo do poço, só havia amizade aofora”. Arte, se não há uma intenção, se não há um preço de uma guimba de cigarro, de um tragodesejo de comunicação, não pode existir como arte. de cachaça, de uma ponta de pão mesmo queMesmo um trabalho desses, onde a comunicação é dormida, fora disso, sem um preço a ser pago,a incapacidade de compreensão, de tradução de um nada de amizade havia, já que a própria amizademundo para outro. só havia na duração do preço que a pagava, não Bárti ainda não apareceu, mas o Luiz Car- mais do que isso. era do fundo do poço que elelos ainda tem fé que ele volte. Só que o Luiz Carlos me falava. e ele me falava que, no fundo dobrigou com o resto do bando e não se mistura mais poço, era preciso manter a dignidade, mantercom eles. Eu também me mudei da redondeza e não a mente em seu devido lugar, saber apanharvejo mais o Luiz Carlos, mas tenho saudades. E ainda sem querer revidar, saber dormir onde quernão fiquei rico, como ele me disse, quando mostrei a que fosse (chegando a tanto fazer se seria láfigurinha com a foto dele. ou aqui que iria sonhar), aprender a se camu- Foto: Liza Santos flar de fumaça, asfalto, lixo. e, com seu bafo de nicotina e tabaco, acrescentando que cada um tem sua cruz, ele, a dele, eu, a minha, ele me falava que, no fundo do poço, pouco importava a já mínima vontade, mas o único e exclusivo gesto, o de amar – ao ponto de não se sentir incomodado em ter seu fundo do poço contra- bandeado para este evento na cobertura em que estávamos, onde iria dormir no chão, ao lado do artista que o trouxe, de frente para o mar, na qual, trazendo-nos o fundo do poço, ele me falava.”X: Rubens Pileggi da Silva e Luiz Carlos Marques da Silva Alberto Pucheau 7
  9. 9. GALDINOInstalação: projeção de vídeo sobre cobertor,texto e ventilador, 2012
  10. 10. NOTÍCIAS FABRICADASInstalação em 03 partes: Folhas de jornal (03 verdadeiras e 02 paródias), relógio preparado e travesseiros sonorizados
  11. 11. Por uma arte política: os mundos visíveis de Rubens Pileggi Manoel Silvestre FriquesD entre o conjunto de procedimentos poéticos uti- lizado por Rubens Pileggi, aqueles que talvez se-jam mais pungentes dizem respeito ao modo como o monumento como memorial. Aqui, não resta dúvi- das quanto à proposta desmaterializante da obra: o trabalho de Pileggi resiste à institucionalizaçãoartista lida com a visibilidade. Suas obras propõem, artística ao se diluir nas ruas das metrópoles,com uma certa freqüência, deslocamentos do vi- afirmando-se como uma antiescultura, antiobjeto.sível, na medida em que trazem à baila elementos Se, em “Monumento Mínimo Precário” (1998), oignorados pela paisagem urbana – mas que perten- visível – a obra de arte, a escultura mini-monumentalcem, irrevogavelmente, a esta – ao mesmo tempo – é devolvida à sua condição de invisibilidade, emem que se dissolvem em meio ao caos das grandes “Notícias Fabricadas” (2011), observa-se movimentocidades. Questionando, por exemplo, a “lógica do inverso. Atuando criticamente a partir de reporta-monumento” – no interior da qual a escultura gens jornalísticas que lidam com o “problema” dosrepresenta, em caráter grandioso, permanente e moradores de rua, Pileggi exibe não apenas estecomemorativo, um feito histórico – Pileggi trata de grupo de indivíduos, mas também os recursos utiliza-criar estátuas efêmeras em miniatura, instalando- dos pela mídia para torná-los, por meio da visibilidadeos em lugares de grande circulação. Em poucas da notícia, mais invisíveis. A matéria-mote para ahoras, tais objetos somem sem deixar rastros, em obra expunha as medidas utilizadas pela prefeituracontraponto direto ao boom de memória vivenciado do Rio de Janeiro para impedir a ação dos mendigos,nos dias atuais, seja por meio do desenvolvimento colocando pedras embaixo dos viadutos, tornando in-tecnológico, seja por meio de um revival da idéia de viável a permanência deles nestes locais - lugares in-
  12. 12. abitáveis os quais a necessidade transforma em lar. neste, nem em outros casos onde a mídia, comRelatava também a preocupação dos moradores a sua capacidade (e o seu poder) de controlar e“legítimos” dos bairros, por meio da contratação manipular a informação, inventa verdades men-de detetives responsáveis por desvendar a origem tirosas – neste sentido, o tratamento dado aose o perfil dos “invasores”. Ora, como não saber a mendigos resulta de uma postura-padrão de umorigem dos moradores de rua? tipo de jornalista desvinculado já há algum tempo A leitura do artista para a notícia produziu então de qualquer pensamento ético, postura essa queo trabalho que agora lemos. Às matérias iniciais, pausteriza os insurgentes e os relega à invisibi-são acrescentadas duas páginas de jornal contendo lidade (mais recentemente, pode-se mencionar oreportagens produzidas pelo próprio Pileggi, três caso de Pinheirinho, em São Paulo, noticiado detravesseiros sonoros e um relógio “Romelex”. Por modo torpe pelos veículos de comunicação).meio das notícias que produz, o artista cria uma A verdade histórica é inserida então no espa-fenda naquilo que Barthes denomina de logosfera ço atemporal e asséptico da galeria de arte. Ora,– uma espécie de camada de forração formada nesta operação, onde o histórico se choca com opor tudo que lemos e/ou ouvimos. Neste caso, ela atemporal, põe-se em jogo não apenas os binômiosse refere ao discurso oficial, por meio do qual a verdade/mentira e história/natureza, mas tambémversão jornalística se converte em retrato legí- outro: fora/dentro. Ao dar destaque, por meio detimo da realidade. A criação de mais reportagens sua obra, a assuntos rotineiramente relegados aosobre o tema, acrescentando-lhe informações, não esquecimento – não apenas pelos jornais, mas poré realizada de forma incólume, pelo contrário. As todo e qualquer transeunte de uma grande cidadenotícias de Rubens levam ao extremo as posições – Pileggi impregna o interior da galeria de seu ex-jornalísticas – aparentemente imparciais – a ponto terior, acrescentando (uma vez mais) a um espaçode revelar-lhes seu absurdo latente. O acréscimo de subtraído (afinal, este lugar isola a obra de tudomatérias impõe-se como um artifício por meio do aquilo que pode interferir a sua apreensão) todo oqual a reportagem do artista revela o caráter fictí- seu entorno. O cubo branco é, com isso, contamina-cio – e, por que não dizer?, mentiroso – de algo que do – os mendigos não estão apenas soltos nas ruas,se pretende verdadeiro. A adição, portanto, abala o mas presentes também até nos espaços ideais dasdiscurso jornalístico, interrompendo o continuum galerias de arte. Os três travesseiros atuam, comde palavras que trata de esconder, ou ao menos ve- isso, de modo diametralmente inverso a propostaslar, suas verdadeiras intenções e posicionamentos. relacionais, como os “Objetos transitórios para usoA perspectiva crítica deste trabalho não surge por humano” (2008), de Marina Abramovic – cuja gene-meio da denúncia ou da supressão, mas da intensi- alogia, indubitavelmente, deve remontar à produçãoficação – através do acréscimo – de um discurso. de Ligia Clark – na qual o espectador é convidadoÉ neste sentido que o trabalho de Pileggi pode ser a vivenciar “momentos de paz” desencadeados porrelacionado à poética de Bertold Brecht. relações ritualísticas com materiais como cristais, Pois, assim como a do encenador alemão, a cobre e ferro. No caso de Pileggi, elimina-se a pos-obra aqui comentada trata de devolver a verdade sibilidade de uma vivência desta natureza, poishistórica ao escrito. Neste caso, ela está estampada encostar a cabeça no travesseiro traz consigo ano título: “Notícias Fabricadas”. Enquanto verdade densidade sonora do exterior. O espectador, então, éproduzida, o sentido deste discurso jornalístico é alçado à condição de mendigo, vivenciando, não umaúnico: ele atua de modo monopolizante, parcial e experiência íntima e atemporal, mas uma situaçãoredutor. Isto não deve ser desconsiderado, nem histórica e fabricada pela notícia do artista. 13
  13. 13. O choque temporal e a redistribuição espacial Manoel Silvestre Friques é Teórico do Teatro observados na obra de Rubens Pileggi condu- (UNIRIO) e Engenheiro de Produção (UFRJ). Douto- zem à crença de que suas produções artísti- rando no Programa de História Social da PUC-Rio, cas são políticas. Tal afirmação pressupõe uma é Mestre em Artes Cênicas pela UNIRIO. Professor noção de arte política que, antes de representar da Faculdade de Artes do SENAI-Cetiqt, foi assis- conflitos sociais ou denunciá-los, configura-se tente do artista plástico André Parente entre 2008 como um sensorium no qual a experiência pro- e 2010. É editor de conteúdo dos sites tempofestival. posta trata de produzir um dissenso, uma fissu- com.br e novasdramaturgias.com.br e co-fundador ra na logosfera instituída. Por meio de abalos, do grupo teatral Aquela Cia. Na abertura da ex- acréscimos e deslocamentos, Pileggi questiona posição In-Possíveis (Parque Lage, 2012), lançou justamente os regimes instituídos de visibili- seu primeiro livro, Seis Chaves, contendo ensaios dade e de legibilidade, travando um diálogo com sobre seus companheiros de Programa Aprofun- Jacques Rancière, quando este diz que a arte é damento, Luciana Paiva, Tiago Rivaldo, Louise D.D., política quando “os espaços e os tempos que ela João Penoni, Bruno Belo e Danilo Ribeiro. recorta e as formas de ocupação desses tempos e espaços que ela determina interferem com o recorte dos espaços e dos tempos, dos sujeitos e dos objetos, do privado e do público, das com- petências e das incompetências, que define (ou definem?) uma comunidade”. Sua obra é política na medida em que redistribui relações e embar- alha polaridades – ela não poderia ser outra, portanto, a não ser um Romelex .14
  14. 14. NO ÁLBUM, FIGURA A RUA: A EXPERIÊNCIA DE NOWHEREMAN, O LIVRO-OBJETO E A INSERÇÃODA OBRA NOS CIRCUITOS IDEOLÓGICOS Rafaela TascaT itubeei várias vezes em abrir o pacote de figurinhas que o artista me enviou. Haviaem mim ruídos de medo e desconcerto frente simbólica que contemple estes “homens e mul- heres sem onde, resumidos a um aqui e agora sem esperanças.”, como escreve na apresen-à proposição artística de Nowhereman, pois tação de sua proposta. Para tal, o artista sesabia exigir minha ativação para se completar. vale de um formato tradicional de colecionismoPreparei-me para iniciar a ação sobre o objeto que se dá através de figuras adesivas das maise, ao fim do primeiro movimento de abrir e co- variadas temáticas, em sua maioria ancoradaslar figurinhas nos espaços do álbum, fui tomada nos ideais de herói, dos objetos de consumopela sensação típica da imersão em um jogo. venerados ou do ilustre inalcançável. Pileggi Entretanto, Nowhereman vai além da também se apropria de um fenômeno editorialexperiência do colecionismo e do lúdico pos- brasileiro recente, ocorrido durante a Copa desibilitada por sua forma “álbum de figurinhas 2010, quando o conglomerado multinacional Pa-adesivas”. Nowhereman é livro-objeto. É expan- nini lançou um álbum de figurinhas com os joga-são do espaço de arte. É exposição fotográfica dores das seleções participantes da competiçãoitinerante. Um museu-miniatura. Um álbum- mundial. Posto que o futebol é febre nacional,tabuleiro. Uma maquete-livro. Um não-objeto1. as figurinhas igualmente assim foram. Assim,Uma intervenção urbana. pleno de uma intenção que absorve o formato Criado pelo artista Rubens Pileggi popular e interativo da natureza dos álbuns, ocomo parte da exposição Cromo Sapiens, artista atua às avessas, em outra esfera social,Nowhereman assume um formato clássico de em uma vertente de contra-informação.álbum. Com dimensões de 20x18 cm, contém 27 O gesto ousado de Pileggi sedimentapáginas, em papel couchè e sulfite de gramatura um trabalho de arte que opera na fusão de mer-média, a serem preenchidas com 42 fotografias cadoria e arte, com ênfase no consumo de umde moradores de rua do centro carioca. Cada objeto pelo público; parte essencial de seu pro-figurinha, ou cromo, tem 6,5 x 8,5 cm e é for- jeto artístico. Em Nowhereman, o artista desti-necida dentro de pacotes lacrados. Em alguns tui a metáfora2 e acopla à sua proposição acromos há trechos da fala do retratado. Na noção de circuito e circulação de informa-página, podem ser afixadas sobre o texto de ções, nos moldes adotados por Cildo Meire-anúncios imobiliários do centro do Rio. Ou ao les em Inserções em Circuitos Ideológicoslado da planta baixa de um apartamento. A cada (1970) e Elemento Desaparecendo/ Elementoretratado é dada a referência de nome, idade, Desaparecido (2002).procedência, tempo como morador dia e local A exemplo da fabricação e comercial-da “abordagem”. ização dos picolés proposta por Cildo em Kassel, Fruto de uma pesquisa do artista com Pileggi também cria um aparato de distribuiçãomendigos da região central do Rio de Janeiro, de seu produto, o álbum e as figurinhas, que po-Nowhereman se propõe a uma reforma urbana dem ser adquiridos – ou trocadas - em espaços 15
  15. 15. http://www.brasildefato.com.br/node/6898
  16. 16. da capital fluminense (uma banca, uma galeria nela o seu tempo. O não-objeto reclama o espectadore um museu), ou solicitados para postagem (trata-se ainda de espectador?), não como teste-através de email ou contato telefônico. Portanto, munha passiva de sua existência, mas como condiçãocria por meio de um impresso industrial, de re- mesma de fazer-se. Sem ele, a obra existe apenas emprodução e circulação massiva, uma “estratégia potência, à espera do gesto humano que a atualize.” (GULLAR, Ferreira. Teoria do Não Objeto.)de visibilidade” que usa da noção de circuito 2 “...fazer trabalhos que não existam simplesmentepara dar materialidade e sentido a seu trabalho. no espaço consentido, consagrado, sagrado. Que não Interessante pensar que Pileggi tam- aconteçam simplesmente ao nível de uma tela, de umabém é poeta, crítico de arte e escritor. Uma atu- superfície, de uma representação. Não mais trabalharação que remonta à familiaridade do artista com com a metáfora da pólvora — trabalhar com a pólvorao objeto livro, formato de expressiva aparição na mesmo.” (MEIRELES, Cildo.)arte brasileira, sobremaneira entre os concre- 3 “de fato, a origem da participação do espectadortos e neoconcretos que tensionaram, por vezes na obra não poderia ter sido mais natural e sim-dissolveram, as fronteiras entre artes visuais e ples: nasceu do livro que é por definição um objetoliteratura. Ferreira Gullar ao tecer sua análise manuseável. (GULLAR, Ferreira)sobre a obra Bichos de Ligia Clark aponta que 4 Célebre poema de João Cabral de Melo Neto sobre oo próprio início da participação do espectador Rio Capibaribe e a miséria que acometia os habitantes de suas margens. O “Cão Sem Plumas” foi publicadonas obras de arte teria origem no livro, “pordefinição um objeto manuseável3”. Assim, No- pela primeira vez em 1950.whereman atua no campo do objeto escultórico,embricado ao alargamento conceitual do forma- REFERÊNCIASto livro impulsionado por Haroldo e Augusto de ANJOS, Moacir dos. Cildo Meireles: A poesia e a in-Campos (Poemóbiles), Ferreira Gullar (Poemas dústria. In: Revista do Programa de Artes Visuais,Espaciais), Waltércio Caldas (O Colecionador, UERJ, 2004.Aparelhos, Livro Velásquez e Manual da Ciência GULLAR, Ferreira. Teoria do Não-Objeto. In: Experiên-Popular) e, também, de Artur Barrio (Cadernos- cia Neoconcreta: momento-limite. São Paulo. CosacLivros e Livro de Carne). Naify, 2007. Por fim, Nowhereman segue o curto- MEIRELLES, Cildo. Depoimento sobre Inserção noscircuito das fronteiras e tensionamentos da Circuitos Ideológicos. Revista Bravo. Julho/2006.arte, vida e ação política. Ao inverter o espelho Disponível em: www.canalcontemporaneo.art.dos ícones sociais e expor os cão sem plumas4 br/brasa/archives/000795.html (Acesso emda urbe, o projeto artístico de Pileggi trabalha é 4/06/2011)com a pólvora, mesmo. NETO, João Cabral de Melo. O cão sem plumas. Edi- tora Nova Fronteira, 1984.1 “Diante do espectador, o não-objeto apresenta-secomo inconcluso e lhe oferece os meios de ser con-cluído. O espectador age, mas o tempo de sua açãonão flui, não transcende a obra, não se perde alémdela: incorpora-se a ela, e dura. A ação não consome aobra, mas a enriquece: depois da ação, a obra é maisque antes – e essa segunda contemplação já contém, Rafaela Tasca é jornalista com especialização emalém da forma vista pela primeira vez, um passado História da Arte Moderna e Contemporânea pela EMBAPem que o espectador e a obra se fundiram: ele verteu e desenvolve pesquisa em curadoria e crítica de arte. 17
  17. 17. http://extra.globo.com/noticias/rio/artista-paranaense-conta-historias-de-moradores-de-rua-em-album-de-figurinhas-2031645.html
  18. 18. AÇÕES CROMO SAPIENS A s estatísticas apontam para mais de 2000 direção daquilo que todos preferíamos não mil moradores de rua no Rio de Janeiro. ver, mas que não podemos continuar fingindo A maioria jogada no centro da cidade, que que não vemos. se transforma em dormitório a céu aberto, Em pouco mais de dois anos de trabalho, voltei à noite. O que eu posso fazer para intervir a ver apenas um dos personagens. Ele, no en- nessa situação? O que você pode fazer diante tanto, simboliza e aponta para o sofrimento de desse trágico quadro exposto cotidianamente outros, que perambulam errantes, despossuí- diante de seus olhos? O que o poder público dos, inclusive, de sonhos. Além do aspecto for- pode fazer para melhorar a vida dessas pes- mal, as questões sociais e contextuais não são soas? O presente trabalho nada esclarece estranhas à história da arte. Foram elas que sobre essas perguntas, apenas aponta na levaram às ações do projeto CROMO SAPIENS. Troca-troca Lançamento no Estúdio Dezenove Aceitando trocar um álbum de figurinhas NOWHEREMAN foto: Livia Hung por uma refeição, colecionadora entrega uma ‘quentinha’ para moraddores de rua, na região do Catete.. Banca Cultural da Lapa Acima: com a presença de amigos, em 30/04/2011, no Estúdio Dezenove, em Santa Teresa À esquerda: no meio da rua, na Lapa, junto à Banca Cultural antes de ter sido colocada no chão pelo poder público. Uma perda para a região!20
  19. 19. Museu do MundoM useu do Mundo foi o nome dado para o es- paço que abriu com a proposta de « clínicade artista  », pelo artista e professor Roberto Constituída de duas instalações e lançamento do livro ilustrado – álbum de figurinhas – NOWHEREMAN, a exposição conseguiu atrairCorrêa dos Santos, em Ipanema. Foi lá, durante um público significativo, interessado em arte e,o mês de junho de 2011, que ocorreu a exposição também, nos conteúdos propostos dos trabalhosSÓ SONHA QUEM DORME. apresentados.OLHOS ROUBADOSVídeo InstalaçãoVídeo, espelho, painel fotográfico recortado, texto de parede e caixa de papelãoA vídeo instalação OLHOS ROUBADOS apresenta frontalmente a imagem de uma idosa sentada, com as mãosestendidas, pedindo esmolas. Seu rosto, mãos e pés são recortados. Colada à parede, uma frase dita porela. Quando o espectador se aproxima desse conjunto, percebe um som e uma luz atrás do painel. Para vero rosto da personagem no espelho e o que ela fala, precisa ‘invadir’ sua privacidade, onde descobre a caixade papelão que, supostamente, seria o lugar onde a mulher dorme.http://figur inhasnowhereman.blogspot. com 21
  20. 20. SÓ SONHA QUEM DORME Vídeo Instalação Aparelho de vídeo, TV, e esteira A vídeo instalação SÓ SONHA QUEM DORME assume a mesma estratégia das academias de ginástica da zona sul carioca, que exibem seus clientes malhando enquanto assistem TV, do outro lado da vitrine. Só que, ao invés de usar a pro- gramação “normal” dos canais, passa um vídeo em que moradores de rua relatam a necessidade de se manterem atentos, evitando, assim, serem surpreendidos pela polícia ou por marginais dispostos a chutá-los ou incendiá-los enquanto dormem. Em sua apresentação no Museu do Mundo, uma placa no chão pedia que as pessoas tirassem os sapatos. A ideia é que as pessoas, para se relacionarem com o trabalho, ficassem na mesma situação dos personagens retratados. Opiniões do público Oi, Olá Rubens, Me chamo Joice e vi a matéria que o Brasil de Fato Meu nome é João Pires, sou funcionário da Secre- fez sobre o álbum Nowhereman. Moro em Santa taria de Cultura de São Bernardo do Campo, SP, e Maria/RS e trabalho em uma escola da periferia gostaria, primeiro lugar, de parabenizar seu trabalho da cidade, àrea onde há uma ocupação urbana. "Nowhereman", que realiza algo que acredito como Várias crianças que moram na área da ocupação central para o artista e a arte, qual seja, de buscar estudam na escola, e por isso tenho a intenção refletir e intervir na realidade cotidiana, ou seja, uma propositura que busca a alteração do simbólico. de trabalhar a questão da terra e da moradia no Isso posto, gostaria de consultá-lo sobre a pos- contexto urbano com essas crianças, que, mesmo sibilidade de viabilizarmos a execução da proposta em uma situação diferente daqueles que estão em aqui em nossa cidade, pois a atual administração Nowhereman, acabam se tornando invisíveis pela do município de iniciou uma série de ações para condição em que vivem. Gostaria de mostrar o teu a Redução de Danos e para a População de Rua e trabalho para as crianças e montar alguma ativi- esta intervenção seria de grande importância para dade baseada nele. Como faço para consegui-lo? seu fortalecimento no sentido de efetivação de uma Obrigada, Política Pública para este setor. Joice Zorzi no aguardo de seu retorno João Pires 01/08/2011 12/07/201122
  21. 21. Trecho do texto de Luiz Cláudio da Costa para a exposição SÓ SONHA QUEM DORMES ó sonha quem dorme, exposição de Rubens Pileggi apresentada no Museu do Mundo, aponta para a afirmação da arte como espaço da vida. Com dois trabalhos instalativos e um impresso,a exposição coleciona histórias, registros e sonhos que desfazem mais que conservam a forma doinventário. O tom aparentemente objetivo dos três trabalhos que compõe a exposição – Só sonhaquem dorme, Esses olhos não são meus e Nowhereman – não materializa somente a informaçãosobre o mundo de “invisíveis funcionais”. Dão igualmente visibilidade à divergência no espaço pú-blico da arte. Pileggi apresenta a força da inscrição de imagens que realizadas com a perspectiva dador do outro são transformadas por uma imaginação reflexiva. Registradas, reiteradas, deslocadaspara modos de apresentação e dispositivos diferenciados, Só sonha quem dorme torna reversívelo documento em sua condição de prova, pois ele expressa a vida que insiste nos espaços da ci-dade desamparada. Qual a importância da atividade de colecionar se o que reunimos não afirma omovimento da vida? A indigência pertence à poesia quando ela arrisca a dar brilho ao não ilustre.Estranho brilho fosco de uma poesia que se instala entre as provas da infâmia.A miséria não é aqui digna de lástima ou pena. Não há nenhum tom de lamentação nesse trabalho engenhoso de Pileggi, ainda que o infortúnio social seja tema de sua angústia artística. Do jogoinocente, resta a potência da visibilidade que atordoa. Afinal, que lugar tem esses esmoleiros, es-ses sem teto, no ambiente fino da arte? Fantasmas ou pessoas? A imagem manuseada invalida ainocência da atividade. É a voz do mendigo que afirma: “só sonha quem dorme”. Podemos sonharporque diante da injúria dormimos. A vigília, entretanto, é o que nos resta depois de manusearmosas figurinhas de NOWHEREMAN. Suas imagens e frases, as indicações dos lugares, as estatísticassão provas da indigência, mas acima de tudo esses documentos exprimem a sobrevida que subsistenos destroços.Luiz Cláudio da Costa é professor adjunto da graduação e do Mestrado em Artes do Instituto de Artes daUniversidade do Estado do Rio de JaneiroOlá Rubens, tudo bem? Oi Rubens, como está por aí?O material chegou hoje pela manhã e só confir- ADOREI O ALBUM DE FIGURINHAS!!!!!!!!!!mou a minha expectativa, além de causar grande EM SETEMBRO TEMOS A SEMANA DE ARTE DA UEM,impressão ao restante da equipe da SC. Em breve NÃO SEI SE VC ACHA VIÁVEL, MAS SE QUISER DARIAvoltamos a conversar. PRA EXPOR O TRABALHO.abração Beijo grande!João Pires Sheilla21/07/2011 07/07/2011 23
  22. 22. Caro Rubens, as fotos tiradas no evento. Quando a TV UNISUAM faz cobertura, damos a reportagem em DVD. E toda Estamos desenvolvendo aqui em maceió o www. divulgação interna e externa é feita pelo Departa- jornaldarua.org.br , ele estará na rede a partir mento de Comunicação da UNISUAM. O que sair na do dia 01 de julho, achei seu projeto interessante imprensa, passo para os expositores. Assim, temos e gostaria de um exemplar para fazermos um conseguido trazer exposições organizadas pela trabalho com nossos moradores de rua. LAMSA, pela FIOCRUZ, dentre outros; temos rece- caso seja possível ficamos agradecidos, obrigado bido personalidades, como o príncipe Dom João de pela atenção. Orleans e Bragança, O imortal Evanildo Bechara, o escritor Joel Rufino dos Santos, a professora e Jose Bispo Filho escritora Tania Zagury e outros mais. Até peças de 26/06/2011 teatro estamos trazendo para a UNISUAM. Dê uma olhada no nosso site para conhecer um pouco de nossa história. Agora queremos você aqui conosco Parabéns pelo trabalho. fazendo parte dela. Então, venha nos conhecer, Pena que não pude ver tua exposição no Rio, conhecer o nosso espaço. Tenha certeza de que vai espero ter novas oportunidades. ser muito bem recebido. Um grande abraço e até Te escrevo pois quero um álbum e figurinhas. breve. Como fazemos? Cintia Neves e equipe. CCULT - Centro Cultural Unisuam Beijos, 22/06/2011 Fernanda Magalhães 25/07/2011 Splash deixou um novo comentário sobre a sua postagem "PEDIDOS": Olá!! comecei a colecionar hoje e adorei! preciso Tomamos conhecimento de sua exposição Só de novas figurinhas mas não sei onde achar e ainda sonha quem dorme e ficamos encantados com a tenho uma repetida! o que eu faço? Beijo! possibilidade de trazê-la para o CCULT em 2012. 20/06/2011 O CCULT é o Centro Cultural da UNISUAM – uma instituição de ensino superior com mais de 25 mil alunos, doze mil só na nossa unidade, que é a maior Olá Rubens, tudo bem? e fica em Bonsucesso. Temos cursos de Desen- Tive a oportunidade de conhecer o álbum NOWHER- volvimento Local, Assistência Social, Comunicação, EMAN, dei uma conferida no blog e fiquei muito Direito e vários outros que os alunos certamente interessada em fazer uma matéria sobre esse adorariam ter contato com seu projeto. Além de projeto. Sou repórter com passagem por alguns achar importante aproximar os alunos de um tema dos principais jornais impressos do Rio, mas há normalmente rejeitado pela sociedade, tenho um algum tempo optei pro trabalhar como freelancer. interesse pessoal sobre o assunto. Faço matérias para revistas e outros trabalhos Poderíamos fazer uma palestra com eles e com de comunicação. A minha ideia inicial é bater um você aqui no CCULT. O que acha? Bem, nosso es- papo informal com você para saber toda a ideia e paço é gratuito. Todos os que expõem aqui ganham montar uma pauta para oferecer à revista Piaui.24
  23. 23. Acho que tem tudo a ver com a linha editorial deles. muro da cidade. Enquanto ela não aparecer, vcVocê topa? pode substituí-la pelo joker do baralho, pelo loucoSe puder, me passe um telefone para contato. do tarot ou por uma cópia da pintura de Hieroni-Assim, podemos marcar um encontro. mus Bosh, chamada “o filho pródigo”, do séculoGrande abraço. XV. Peço, também, que de vez em quando vc dê uma olhada no blog http://figurinhasnowhereman.Anna Luiza Guimarães blogspot.com para saber o que anda acontecendoJornalista com a figurinha 13. Já tem bastante informação,03/06/2011 mas quem sabe ela não apareça por aí, na sua casa, também? Afinal, esses andarilhos erram pelas cidades e a gente sempre acaba reparandoOlá Rubens, em um deles, no meio de nosso caminho. Dê umNão nos conhecemos, mas estou encantada com prato de comida a ele, acaso acontecer de batero seu trabalho do album de figurinhas. É lindo. Dar em sua porta alguém faminto, pedindo comida. Maisvisibilidade as diferentes formas de vidas, a vida do que um cromo, a figurinha 13 representa umem invenção o tempo todo, com suas crenças, estado de loucura, de errância e de abandono e édesejos, sofrimentos e sonhos, se ocupar disso na só pelo nosso olhar e pela nossa compreensão quesua arte é muito legal! poderemos ajudá-lo a sair dessa vida.Quero alguns, para mim e para dar de presente. A outra figura, a que não tem número, veja só queAgradeço a sua atenção. ironia é a vida: ela é tão excluída que nem lugar noUm grande abraço, álbum de figurinhas tem. Dê um lugar a ela.Monica Rocha Um abraço,27/08/2011 qualquer coisa mande um email para saber mais. Um abraço 06/04/2011Rubens ... recebi ontem o album e as figurinhas ....porém hj estava abrindo os pacotes e separandoe notei que falta a figurinha numero 13 ...... vc teriacomo me enviar essa figurinha ???? acredito quefaltou pq veio uma que não é para colar ..... e comovem 3 em cada pacote ... ficou faltando essa .....grata SheilaOlá, SheilaA figurinha numero 13 é uma charada do álbum defigurinhas NOWHEREMAN, Sheila, pois ela confundiuas páginas do álbum onde ela deveria estar comos muros e paredes das cidades e, de vez emquando alguém diz que a viu em um ou outro
  24. 24. Eu já acompanhava o trabalho do Pileggi pela net. e uma recordação de infância que acredito que aMas numa certa tarde, quando eu saía de casa maioria tenha tido. Depois, quando você propõe apra minha corrida, uma surpresa: na caixinha do tarefa de colar as figurinhas, o espectador devecorreio o álbum, que o artista carinhosamente empregar um certo tempome enviou (trocamos livros). Qual não foi a minha para realizá-la e consequentemente ler as sucintassurpresa ao abrir o envelope e perceber que as informações das legendas. É aí, na legenda,figurinhas que completavam as páginas em branco que para mim, está o ponto fundamental do seueram de pedintes, de moradores de rua, dos trabalho. Enquanto muitos artistas intentaram darexcluídos, dos miseráveis, que pouco se diferem visibilidade à população de rua, você resgata osdo Fabiano-bicho criado pelo Graciliano há mais de nome desses desconhecidos. Penso que o recon-70 anos (e somos "a sexta economia mundial"! Rá! hecimento dessas pessoas como indivíduos, a suaRá! Rá!). singularidade, é mais eficaz que mantê-los apenas como uma massa indiferenciada.Marcele Aires Parabéns pelo projeto! Aguardo o cromo 13!Poeta e professora de literatura da Universidade Abraço,Estadual de Maringá Julianahttp://aveianopulsoainda.blogspot.com.br/ www.julianakase.comOlá Rubens,Aqui é a Juliana do Vitrine Efêmera. Gostei de teconhecer. Te escrevo para contar sobre da minhaexperiência com o seu projeto Nowheremen.Você deve conhecer melhor do que eu as propostasde outros artistas que trabalham com o assuntodos moradores de rua. Alguns por um viés maisestético, outros mais políticos e tantos outrosrealizando propostas momentâneas. Imediata-mente, ao ter contato com seu projeto, confessoque achei que se tratava de uma abordagem maisantropológica, mas ao ir colando as figurinhas noálbum, me dei conta da potência sensibilizadora dasua proposição.Admiro o tempo que você dispendeu conversandocom eles, assim como me comovo ao obrigatoria-mente me ver alisando as faces das imagens quevocê nos oferece em close.Seu trabalho é bem sucedido em vários momentos.Primeiro, quando você oferece a compra, a preçomódico, o seu álbum, você consegue ativar umprazer pelo colecionismo 26

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