Aula 46   o que é neoliberalismo
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Aula 46 o que é neoliberalismo

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Aula 46 o que é neoliberalismo Presentation Transcript

  • 1. UNIVERSIDADE DE BRASÌLIA SUMÁRIOINSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANASDEPARTAMENTO DE ECONOMIAA Série Textos Didáticos tem como objetivo contribuir para a atualização daBibliografia de uso corrente nos cursos de graduação em Economia. Resumo ................................................................................................. 04Editor 1 . O liberalismo econômico e o neo-liberalismo .................................. 06Bernardo MuellerDiagramação e Editoração Eletrônica 2. Os críticos ......................................................................................... 09Ismar Marques Teixeira 2.1. Marx ........................................................ ........................... 09Apoio Projetos Gerais DEX - UnB e CORECON-DF 2.2. Keynes .................................................................................. 12 Ficho Catalográfica 3. O ressurgimento das cinzas: o novo debate liberal.......................„.. 13 Mollo/Maria de Lourdes Rollemberg O ~liberalismo: O que é? De onde veio? Para onde vai? Universidade de Brasília; Departamento de Economia 1996 20p, Série Textos Didáticos, 17 17. O Neoliberalismo: O que é? De onde veio? Para onde vai?Departamento de EconomiaUniversidade deBrasília Brasília-DFCep: 70910-900Fone: (061) 310-212-1, 310-2311Fax: (061) 274-3362Endereço para aquisiçãoConselho Regional de Economia da 11ªRegião -DF SCS Ed. Palácio do ComércioSala 503 70.318-900 - Brasília - DFFones. (061) 223-1-129. 225-9242Fax: (061) 322-1176
  • 2. O Neoliberalismo O que é ? De onde veio? Para onde vai? Maria de Lourdes Rollembera Mollo RESUMO: Os economistas não pensam da mesma forma sobre os diferentes assuntos.Nesta aula teremos oportunidade de ver um exemplo bem concreto e atual desse tipode divergência, por meio da discussão entre os economistas chamados liberais e dosseus críticos. A divergência aqui analisada, sobre a maior ou menor eficiência domercado e, conseqüentemente. a defesa de menor ou maior intervenção estatal é umponto de separação importante entre as escolas de pensamento econômico. Ela estána base das diferenças de diagnósticos para os diversos problemas econômicos aserem tratados ao longo do curso, e das prescrições diferentes para resolvê-los.Assim. o objetivo geral deste texto é discutir as razões dos principais pontos dedivergência, nos argumentos que sustentam sua defesa, tanto no que se refere àsdéias liberais quanto às de seus críticos, e em algumas das conseqüência destasidéias.
  • 3. O Neoliberalismo O que é? De onde veio? Para onde vai? as conseqüências do mesmo em termos de prescrições econômicas. Como nem todos os economistas têm idéias liberais, é preciso também conhecer os argumentos dos seus Maria de Lourdes Rollemberg Mollo* críticos, bem como o que propõem como alternativa em termos de prescrições econômicas. "Um dos maiores temores do presidente Fernando Henrique Cardoso é que lhedeixem marcado com o rótulo de neoliberal»(Cláudia Antunes em artigo no JB de 16 1. O liberalismo econômico e o neo-liberalismode setembro/95 Idéias/Livros). "Acabou a macroeconomia. O que se tem hoje é uma neo-microeconomia, que O liberalismo econômico encontra sua expressão mais ampla nos escritos dosdomina a economia mundial" (Celso Furtado, JB de l o de outubro/95). economistas chamados clássicos e dos seus sucessores, os neo-clássicos. A concepção liberal em economia prega a liberdade de mercado, por acreditar que ele é auto "Precisamos de uma política industrial, agrícola, fundiária , de distribuição de regulador e que é a melhor maneira de articulação entre os indivíduos de umariqueza e, aí sim, também uma reforma fiscal e tributária" (Reinaldo Gonçalves, JB de sociedade, a mais eficiente. Esta doutrina apoia-se em idéias de individualismo,1 de outubro de 1995). competição, eficiência, privatização, abertura de mercados, desregulamentação, e espírito empresarial, sobre as quais teceremos comentários ao longo do texto a seguir. "Não é porque a gente estabilizou que os investimentos diretos vão acontecer. O liberalismo econômico nasceu com Adam Smith, pensador do século XIX,A gente tem dado pouquíssima importância a uma política estratégica de investimento que acreditava que se os indivíduos fossem deixados livres haveria algo como uma(Edward Amadeo, JB de 1o de outubro/95). "mão invisível" que garantiria o bem-estar coletivo a partir destes interesses individuais. Daí o nome liberalismo, liberdade para ação dos indivíduos, operando "O Brasil precisa de uma política deliberada de criação de empregos como tem num sistema de mercado livre. A tônica era, nas palavras de outro liberal, J.B. Say, oo Japão"(Celso Furtado, O Estado de São Paulo, 2 de outubro de 1995). "laissez-faire, laissez-passer" (deixai fazer, deixai passar). Segundo Smith, o desejo do indivíduo de melhorar sua condição de vida, "O Estado não tem dinheiro para investir. A nova lógica exige uma associação realizando trocas para reduzir a dureza e a fadiga do trabalho, e acumulando paracom parceiros estratégicos que tragam tecnologia» (Paulo Guedes, JB de lo de aumentar o seu padrão de vida, acabaria por conduzir ao bem estar coletivo, mesmooutubro/95). quando não houvesse essa intenção ou planejamento deliberado nesse sentido. Para ele, cada indivíduo esforça-se ao máximo para empregar seu capital na sustentação da "O paradoxo do desemprego em meio a um capitalismo relativamente próspero indústria doméstica, de forma a que esta indústria seja conduzida a produzir o maiornão encontra fácil explicação" (Roberto Campos, em artigo A Grande Praga, Folha de valor; cada indivíduo necessariamente trabalha para tomar a renda anual da sociedadeSão Paulo de 10 de outubro de 1995). a maior possível. "Geralmente, na realidade, ele não tenciona promover o interesse público nem sabe até que ponto o está promovendo ... visa apenas seu próprio ganho e, As frases acima, publicadas em diferentes jornais do país, mostram, em neste, como em muitos casos, é levado como que por uma mão invisível a promoverprimeiro lugar, opiniões distintas sobre várias questões, todas ligadas à posição mais um objetivo que não fazia parte de suas intenções" (Smith, 1983, p. 379).ou menos liberal dos economistas. Entendê-las, perceber o que está por trás de cada Havia, nesta época, por parte dos economistas chamados clássicos (e tambémafirmação, requer que se tenha claro, em primeiro lugar, o que é o tão falado neo- dos seus críticos), uma preocupação em analisar a economia a partir do entendimentoliberalismo, conhecer a origem dos seus argumentos e como esses evoluíram, e saber do processo de produção como um todo e do processo de distribuição do que foi produzido (entre as classes que compunham a sociedade, ou seja, os trabalhadores assalariados, os capitalistas e os donos de terra) e, sobretudo, estavam esses* A autora, professora do Departamento de Economia da Universidade de Brasília - UnB, agradece os comentáriosde Adriana Amado e Vânia Bastos, que permitiram aperfeiçoar as primeiras versões deste trabalho, embora se economistas preocupados em entender como se dava a articulação entre estes doisresponsabilize integralmente pelas idéias aqui transcritas . processos de produção e distribuição.
  • 4. Assim é que a chamada lei de Say, outro marco da concepção liberal, dizia que "a grande mercado onde se oferecem fatores de produção (trabalho, capital e terra) de um lado, e oferta cria sua própria procura". Trata-se de entender o processo produtivo como criando os bens e serviços, do outro, tenda para o equilíbrio. Trata-se de novo de conceber a Lei de Say rendimentos em termos de salários, lucros e renda, necessários à aquisição dos frutos da como verdadeira. Os rendimentos dos vendedores de fatores de produção, ou seja, os salários, produção, constituindo, portanto, um processo auto-sustentado realizado por meio do os lucros e as rendas fundiárias, adquirem a produção de bens e serviços. Se não há consumo mercado, onde são pagos os rendimentos e adquiridos os produtos. imediato, ou seja, se as pessoas poupam, isto não é problema, porque como esta poupança A aceitação da lei de Say está ligada a uma visão de economia onde os indivíduos depende da taxa de juro (e cresce com a taxa de juro) e o investimento também depende da buscam satisfazer suas necessidades ou seu consumo em diferentes datas, e onde a lógica de taxa de juro (de forma decrescente), haverá sempre uma taxa de juro que iguala a poupança e funcionamento econômico é, então, derivada deste objetivo. É isto que conduz Ricardo, o investimento, ou seja, tudo o que for poupado será investido e não haverá nem sobra de outro expoente do liberalismo econômico, a dizer que "ninguém produz a não ser para rendimentos nem sobras de produtos, conforme indicado no Quadro 1 abaixo. Cabe, pois, consumir ou vender..." e "os produtos sempre são comprados com outros produtos ou com segundo estes autores, deixar o mercado livre e as ofertas e procuras se igualarão. serviços" (Ricardo, 1982, p. 197, 198) e, em conseqüência disso, a acreditar que a produção não podia sobrar ou não conseguir ser vendida de forma generalizada. A tendência seria, pois, que a oferta agregada de produtos e a procura agregada por eles tendessem a se igualar. Não haveria desemprego generalizado, mas apenas transitório e localizado. Uma vez que a tendência ao equilíbrio estava garantida neste gênero de raciocínio, cabia apenas preservar o livre jogo das forças de mercado. As teses liberais de eficiência reguladora do mercado quando deixado livre vão sercontinuadas por outros autores até os nossos dias, a partir da introdução de diferentesargumentos novos. Todos os argumentos, porém, têm em comum uma característica herdadadas idéias de Smith: a de que o que garante o caráter regulador do mercado é a liberdade deação individual, o respeito ao interesse de cada indivíduo¹. Assim, destaca-se em primeiro lugar Hayek, para quem a intervenção estatal no A poupança (S) é tudo o que, da renda disponível das pessoas, não é consumido. Para ossistema produtivo era danosa. Hayek era avesso aos sistemas de justiça social propostos pelos neoclássicos, ela pode ser vista como a oferta potencial de fundos ou recursos a seremsocialistas e social-democratas, por julgar que eles requerem a ação estatal extensiva. Além emprestados, e por isso quanto maior a taxa de jura (i), maior o interesse em poupar. Pordisso, achava que a possibilidade de crise no sistema econômico estava ligada ao desrespeito outro lado, esta taxa de juro maior recompensa a espera do consumidor que poupou e queà soberania do indivíduo enquanto consumidor. Este desrespeito surgia quando o crédito era só poderá consumir no futuro. O investimento (1) é o gasto no aumento da capacidade deconcedido. Isto ocorra, conforme Hayek, porque o crédito bancário não derivava de poupança produção. Segundo os neoclássicos , ele pode ser visto como a demanda de recursos paraprévia, e só esta poupança poderia sinalizar adequadamente as preferências dos agentes serem tomados emprestados. Esta demanda declina com a taxa de juro, porque quando aquanto ao consumo presente ou ao consumo futuro, de forma que os bens fossem produzidos taxa de juro cai, maior é o número de investidores para quem ela é compensada pelana medida ideal para atender aos consumos desejados em diferentes datas. rentabilidade do capital que foi investido. Como a poupança cresce com a taxa de juro e o A teoria neoclássica, por sua vez, acha-se construída sobre os alicerces das investimento decresce, haverá sempre um ponto de cruzamento das duas curvas, a umapreferências individuais maximizadoras da utilidade dos bens para os consumidores e determinada taxa de juro. Haverá, pois, sempre uma taxa de juro (de equilíbrio) quemaximizadoras dos lucros dos produtores e das preferências individuais intertemporais dos igualará a poupança com o investimento, garantindo a Lei de Say, que assume a igualdadepoupadores. Observa-se de novo o consumo (em diferentes datas) e a satisfação das entre ofertas e procuras nos diferentes mercados.necessidades e interesses individuais, em lugar de destaque no argumento econômico. São aspreferências individuais que permitem garantir que o mundo econômico, visto como ¹ Trata-se do chamado individualismo metodológico no jargão dos economistas.
  • 5. tende a se ampliar e se alastrar pelo sistema produtivo como um todo, com conseqüências 2. Os críticos sociais danosas como o desemprego. A existência de moeda intermediando as compras e vendas, e a possibilidade de 2.1 – Marx interrupção das mesmas interrompendo o processo de acumulação de capital, seja por dificuldade de achar compradores ou por retenção de moeda de forma generalizada, ou por Desde o século XIX, século em que viveu Ricardo, a idéia de tendência ao equilíbrio entre oferta e procura agregadas, que traduz a lei de Say, foi contestada, qualquer outra razão abria, segundo Marx, a possibilidade de crises. Além de analisar essas destacando-se a posição de Marx a este respeito. possibilidades, Marx chamava atenção para as causas ou as razões efetivas que tenderiam a Segundo Marx, o objetivo da produção capitalista não é o consumo, ou a levar às crises no capitalismo (ver o Quadro 2 abaixo). satisfação das necessidades individuais, como deixava entender Ricardo na citação O processo de produção capitalista, cujo objetivo não é o consumo, ou a satisfação mencionada anteriormente e como acreditam os outros liberais, seus sucessores, a ponto de das necessidades, como pensava Ricardo, mas a acumulação de capital, possui, segundo construírem seus argumentos a partir desta idéia. O objetivo da produção capitalista, para Marx, rena tendência intrínseca a excluir dos seus frutos grande parte da população. Isto Marx, responsável por sua lógica de funcionamento, é a acumulação de valor em termos ocorre seja via desemprego, seja via salários baixos, no primeiro caso como efeito da monetários. Na sociedade capitalista produz-se mercadorias e não meros produtos, ou seja, concorrência através do uso de técnicas cada vez mais intensivas em capital e, no segundo o objetivo é, desde que a produção se inicia, a venda do que foi produzido, para a obtenção caso, como imposição da lógica do sistema capitalista onde o objetivo é o lucro, e o lucro de um valor, e um valor maior, ao final do processo. As mercadorias se caracterizam por máximo possível². Assim, para Marx, "a razão última de todas as crises continua sendo serem frutos de trabalhos realizados de forma privada, aparentemente independerntes uns sempre a pobreza e a limitação do consumo das massas em face do impulso da produção dos outros, mas que são, ao mesmo tempo, parte de um sistema de divisão social do capitalista: o de desenvolver as forças produtivas como se tivessem apenas por limite o trabalho. Ou seja, a independência entre produtores é apenas aparente, porque as poder absoluto de consumo da sociedade" (Marx, 1974, p. 556). Haveriam, portanto, razões mercadorias precisam ser vendidas, e os trabalhos privados contidos nelas precisam ser que poderiam levar à superprodução, ou seja a uma produção maior do que a chamada transformados em dinheiro, para garantir a seus produtores sua permanência como tal, ou demanda solvável, ou demanda com disponibilidade dos recursos necessários para adquirir seja, para garantir sua inserção social no processo de produção. Este processo é então o as mercadorias. A lei de Say não era, portanto, válida, na concepção de Marx. Ao contrário processo pelo qual os trabalhos privados são socializados, e isto, como vimos, dá-se com a da visão harmônica contida nesta lei, de um sistema que tende a igualar oferta e demanda utilização de dinheiro. A conversão das mercadorias em dinheiro é, pois, conversão de agregadas, Marx chamava atenção para o caráter antagônico desse sistema, sua lógica trabalho privado em trabalho social, porque a moeda é o representante do trabalho social. excludente, decorrente do seu objetivo de maximizar lucros a partir da exploração do Percebe-se, aqui, que nesta visão a moeda aparece como algo muito importante que articula trabalho alheio. toda a sociedade através do seu funcionamento econômico. Por isso Marx dizia que a moeda é uma relação social. A importância social que a moeda tem nesse tipo de interpretação faz com que ela possa inclusive ser desejada por ela mesma, e então retida pelas pessoas em determinadas fases. Ora, a apreensão deste papel da moeda impede que se possa pensar a economiacapitalista como possuindo produtos que são trocados por produtos, como pensava Ricardo.O papel da moeda separando as compras das vendas abre a possibilidade formal deexistência de interrupções nas compras e vendas que permeiam o circuito econômico e entãoa possibilidade de crises. O crédito, por sua vez, permitindo que esta separação entrecompras e vendas se amplie, facilita, por um lado, as próprias compras e vendas mas, poroutro, amplia a possibilidade da própria crise e sua extensão, caso venha a acontecer. Ascrises estão sendo vistas aqui como ausência de equilíbrio entre oferta de mercadorias eprocura das mesmas, que ² Assim, para Marx, o desemprego não é um paradoxo na economia capitalista, como pensa Roberto Campos, conforme expresso na frase transcrita no inicio deste trabalho.
  • 6. QUADRO 2 2.2- Keynes Marx se referiu ao longo de sua obra a dois tipos de razões que levariam a crises no capitalismo:a tendência da taxa de lucro a decrescer e a tendência à superprodução ou ao subconsumo. Por urra lado, mencionava aqueda tendencial da taxa de lucro, que é a medida da rentabilidade dos capitalistas. Esta, ao desestimular o Keynes foi o segundo crítico de destaque do liberalismo. Formado na tradiçãoInvestimento, pode conduzir à queda no emprego e nos salários, levando a uma crise de subconsumo, ou seja deconsumo inferior à produção. Este subconsumo poderia também surgir diretamente da tendência inerente à lógica de neoclássica, é contra as conclusões liberais desta escola que ele se insurge, modificando, parafuncionamento do sistema capitalista de desempregar, como conseqüência da mecanização, e de reduzir salários para isso, alguns dos seus pressupostos e razões teóricas. Estruturou,aumentar os lucros dos capitalistas Individuais. A queda de consumo que daí tenderia a advir não seria compensada assim, sua crítica, negando a idéia neoclássica mencionada anteriormente de que toda a poupançanecessariamente peio aumento do consumo dos capitalistas porque estes, embora aumentando seu consumo absolutocom o aumento dos lucros, precisariam, destinar cada vez maior parcela de lucros - ao investimento, ou à acumulação fosse necessariamente destinada a investimento. Para Keynes, quem poupa não e quem investe,de capital, para não sucumbir à concorrência. Assim, ter-se-ia inicialmente uma produção de meios de consumo e pode não haver coincidência entre a renda que deixa de ser gasta no consumo (poupança) esuperior ao próprio consumo, o que por si só levaria à redução de produção e, conseqüentemente, ao desemprego e aquela que é gasta na compra de máquinas, equipamentos e instalações para ampliação dalevaria ao mesmo tempo à suspensão das encomendas de meios de proa", o que espalharia e agravaria o problema dodesemprego, reduzindo ainda mais o consumo, e assim sucessivamente. produção (investimento). Assim, pode vazar renda do circuito econômico, sem que ela volte sob a forma de compra de outros bens, o que provoca uma deficiência de renda monetária necessária à aquisição de mercadorias (ver esquema simplificado no Quadro 3 abaixo). A isto Keynes chamava deficiência de procura efetiva. Há, por isso, sobra de produto, que não consegue ser vendido e então demissão de operários, desemprego e, com ele, nova redução de demanda o que conduz a sobra ainda maior de bens, e assim sucessivamente, como ocorreu na crise de 1929, presenciada por Keynes. Para Keynes, como os determinantes da poupança são diferentes dos determinantes do investimento, ao contrário do que pensavam os neoclássicos, não há nada que garanta a coincidência deles em algum nível. Além disso, Keynes achava que o investimento poderia não se realizar porque as pessoas podiam em certas ocasiões achar-se inseguras sobre o que poderia ocorrer no futuro, que Keynes chamava atenção que é incerto. Assim, como os poupadores são diferentes dos consumidores, a poupança, ou o não consumo, pode ser decidida, e os rendimentos monetários que vazaram do circuito econômico ao invés de serem incutidos podem ser retidos sob a forma de moeda entesourada, ou preferência pela liquidez , como Keynes chamava. A moeda seria, neste caso, um seguro contra a incerteza, uma vez que ela pode se converter mais facilmente do que qualquer bem ou ativo em outros bens ou ativos, ou seja, ela é o ativo mais líquido e mais interessante de ser retido em situação da incerteza, quando não se sabe o que é melhor fazer. Ocorre que, se esta retenção de moeda ocorre de forma generalizada, falta demanda pelos bens, que passam então a sobrar, desmentindo a lei de Say e o caráter auto- regulador do mercado afirmado por ela. Isso é ainda mais importante se nos lembrarmos que a moeda não pode ser produzida sem limites, o que impede que sua retenção possa ser compensada com nova produção.
  • 7. Revolução Industrial, sustentado este último nos argumentos fornecidos pelos economistas clássicos. As teses liberais foram abaladas pela crise dos anos trinta, e Keynes teorizou então sobre a importância do Estado, dando o status de "política econômica" à intervenção estatal, e colocando-se o pensamento econômico intervencionista, herdeiro das concepções keynesianas, como pensamento dominante no imediato pós-guerra. Os problemas da política keynesiana vão fazer, finalmente, ressurgir das cinzas, com mais sofisticação, as teses liberais e o debate em tomo delas. Assim é que a preocupação com o comportamento individual, como base do jogo eficiente das forças de mercado, aparece de novo nas correntes econômicas neo- liberais mais modernas, que vêm dominando o pensamento econômico: os chamados novos clássicos, de um lado, e os novos keynesianos, de outro. Os novos clássicos, cujo representante mais importante é o ganhador do Prêmio Nobel de economia em 1995, Robert Lucas, constroem seus argumentos a partir da idéia que eles chamam de nacionalidade do agente econômico individual. Esta nacionalidade é definida como o conhecimento que o indivíduo racional tem do modelo econômico. Este conhecimento permite ao agente econômico antecipar-se à história, porque, segundo os novos O esquema abaixo representa urna economia com empresas que vendem bens clássicos, eles conhecem a priori o resultado das mudanças dentro do modeloe serviços que são comprados pelas famílias, que por sua vez vendem fatores de econômico e antecipam-se a elas. Este tipo de idéia nega a possibilidade do Estadoprodução (trabalho, capital e terra), e por isso recebem salários , lucros , juros e rendas intervir no mercado, porque a própria ação estatal seria antecipada pelos indivíduos efundiárias que lhes permitem comprar os bens e serviços. Trata-se, pois, de um contrabalançada. Assim, os novos clássicos reforçam a idéia liberal de deixar o mercadocircuito de renda que garante que as rendas geradas no processo de produção são as agir livremente, de respeito às vontades individuais.mesmas que compramos bens e serviços produzidos nele. A poupança, enquanto um Por outro lado, os novos clássicos afirmam não apenas a inviabilidade danão consumo, significa um vazamento desta renda. O investimento, por sua vez, intervenção estatal mas o seu desinteresse, uma vez que crêem que o mercado é maiscorresponde a uma re-injeção de renda no circuito. Assim, só se houver garantia de eficiente na alocação de recursos do que o Estado.que a poupança sempre se igualará o investimento, como pensavam os neoclássicos, é A crença na eficiência do comportamento individual operando no mercado é tãoque a lei de Say permanece válida. É disso que Keynes duvidava porque os importante no pensamento novo-clássico, que eles acham que mesmo as questõesdeterminantes da poupança e do investimento, para ele, eram diferentes, ao contrário maiores (macroeconômicas) de desemprego, crescimento, inflação, precisam serdo que pensavam os neoclássicos, para quem tanto a poupança quanto o investimento entendidas como somatório de ações individuais e que, por isso, é preciso entender qualdependiam da taxa de juro. Para Keynes a poupança dependia da renda das pessoas, e a ação individual que, uma vez agregada às outras, leva à conseqüênciao investimento dependia da relação entre a rentabilidade esperada do investimento e a macroeconômica que se quer analisar³ . Por outro lado, pregam a liberdade para estastaxa de ,juro. ações individuais, como forma de garantir o equilíbrio nos mercados e, conseqüentemente, o bom funcionamento do sistema econômico. O comportamento individual é também objeto de muita análise por parte de um outro grupo menos liberal que os novos clássicos. Tratam-se dos novos keynesianos.3. O ressurgimento das cinzas: o novo debate liberal São chamados assim porque, tal como Keynes, percebem dificuldades que impedem o mercado de funcionar como auto-regulador sempre. Segundo eles, os A longa duração do debate entre liberais e seus críticos não impediu que o 3tempo todo o Estado estivesse presente, embora de formas distintas, nem que as teorias Isto se chama. em linguagem econômica, buscar fundamentos microeconômicos da macroeconomia.econômicas se sucedessem, alternando-se como dominantes. Assim, ao Estado É este tipo de preocupação que conduz Furtado, nas frases arroladas no início deste texto a dizer que o que se faz hoje é una neo-microeconomia.protecionista do mercantilismo seguiu-se o Estado liberal dos primórdios da
  • 8. preços dos bens e serviços ou dos fatores de produção não são sempre flexíveis. A razão destas opções, como vocês já devem estar deduzindo, é que essesExistem razões (falhas de mercado) que embora não se devam ao próprio mercado, teóricos continuam achando que o mercado é mais eficiente para decidir sobre comofazem com que os preços não variem o suficiente para igualar ofertas e demandas e isto alocar recursos, e que o Estado, ao traçar políticas que afetem o comportamentoacaba por requerer alguma participação do Estado. individual dos agentes tende a produzir resultados menos eficientes. Daí serem também Para esta corrente, e esta parece dominar hoje na política econômica brasileira, liberais, embora menos que os outros (novos-clássicos), que não admitem nenhumaé preciso, contudo, respeitar ao máximo as ações e comportamentos individuais, tanto forma de política econômica como eficiente..do ponto de vista analítico, na busca das razões para ações individuais que conduzem à Embora a tese dos novos keynesianos seja a de não fazer política discricionáriaprópria rigidez de preços, quanto do ponto de vista concreto, nas prescrições de política ou discriminatória por acreditar que o respeito às vontades e aos comportamentoseconômica. Esse respeito às vontades individuais é buscado exatamente porque os individuais seja mais eficiente como forma de alocar recursos, seus críticos frisam quenovos-keynesianos embora creiam em problemas como os de rigidez de preços, ainda não há maior discriminação do que tratar como iguais agentes em desigualdade deassim não querem tirar todas as funções do mercado por acreditarem nelas. condições, e isto tanto mais quanto maiores forem as desigualdades. Esta crítica A intervenção do Estado, para os novos clássicos deve ser evitada tanto no que ressalta, portanto, que os efeitos das políticas liberais são mais danosos em situaçõesse refere à esfera macroeconômica quanto à esfera macroeconômica. Isto significa que como a brasileira, de enormes desigualdades económico-sociais.pregam o "laissez-faire" tanto quanto à condução de problemas maiores (macro) como Curioso é notar que Keynes, em primeiro lugar, apesar de entusiasta da políticaa condução dos processos de crescimento, inflação, ajustamento externo, etc., quarto econômica, era mais céptico com relação à política monetária do que com relação àno que se refere á condução de setores específicos (micro), agricultura , indústria, política fiscal, justamente porque, segundo ele, ela dependia demais da reação individualdesempenho regional, etc. Mesmo no que se refere à política monetária, canal de dos agentes. Se esta reação não fosse coerente com as necessidades agregadas daatuação passível de ser usado pelos liberais menos ortodoxos, como veremos adiante, economia, e poderiam não ser, os efeitos almejados não seriam alcançados. Paradeve ser evitada para o grupo dos novos-clássicos, que tem uma posição ultra liberal. garantir tais efeitos, Keynes pregava um papel do Estado muito mais ativo e direto, porDevem haver regras pré-determinadas de emissão de moeda, anunciadas com meio de políticas de investimento e/ou política fiscal em geral, que não dependiam daantecedência, a serem seguidas pelo Governo, o que significa tirar graus de liberdade da subjetividade dos agentes econômicos individuais.ação do Governo. Além disso, embora Keynes, no início de sua carreira, tenha usado alguns Os novos keynesianos, contudo, pregam o "laissez faire" do lado micro, pressupostos e desenvolvido algumas idéias hoje retomadas pelos novos-keynesianos,rejeitando como ineficientes as políticas setoriais e regionais, mas vêem como sua obra se modificou muito ao longo de sua vida, tendo chegado ao final dela comnecessária a intervenção macro da política econômica, uma vez que o mercado não se idéias que conflitam com algumas das teses defendidas pelos novos-keynesianosajusta sozinho no curto prazo. Neste caso, eles preferem atuar através de política atualmente. Daí porque, os autores chamados pós-keynesianos, mais heterodoxos emonetária, ou seja, mexendo na taxa de juro ou na quantidade de moeda do sistema, e mais à esquerda dos novos keynesianos, são contra várias das idéias destes.então forçando uma contração ou expansão da atividade econômica, porque crêem A primeira discordância a destacar aqui é com relação à pertinência de seque esta é a maneira que mais respeita as leis do mercado, a forma menos deduzir explicações macroeconômicas de razões relacionadas a comportamentosdiscricionária de atuar, uma vez que a definição sobre a moeda ou a taxa de juro é individuais. Esta discordância se devia, em parte, ao fato de que, para Keynes osuma só para a economia como um todo. Negam-se, pois, a propor e executar uma agentes tinham não apenas lógicas de comportamentos diferentes, como importânciaspolítica industrial ou uma política regional que priorize alguns setores ou algumas ou pesos diferenciados. Ou seja, na opinião de Keynes, a decisão do capitalista, porregiões com o intuito, por exemplo, de resolver problemas de desemprego, exemplo, tinha um impacto maior para o funcionamento da economia do que a decisãosubdesenvolvimento, ou atendimento a necessidades e objetivos específicos da dos trabalhadores. Ora, se os agentes têm reações diferenciadas e com pesos diferentes,sociedade4. ou seja, se são heterogêneos, suas ações individuais não podem ser agregadas, somadas, para explicar um fato macroeconômico. Só isso já é um desacordo com a posição novo- keynesiana. Mas a questão não termina aí. Mais importante do que isso, os comportamentos individuais, segundo Keynes, dependiam do próprio ambiente4 macroeconômico, como por exemplo do lugar ocupado e do papel desempenhado pelo Essa é a posição oposta à de alguns dos autores citados no início deste texto, que querem, ao agente econômico no processo de acumulação de capital, secontrário. a implementação de políticas industrial, agrícola, regional, de investimento, de aumento deemprego etc.15
  • 9. especulador ou se empresário, ou do grau de incerteza em meio à qual tomaria sua amplitude de possibilidades de articulação dos mercados, que fazem crer num único decisão. Tratava-se pois, para Keynes, mais de buscar as razões macro que afetavam o mercado gigantesco, global. Não apenas observa-se a generalização da abertura de comportamento individual (micro) e não o contrário, como querem os novos clássicos mercados externos, tanto no que se refere aos fluxos comerciais quanto aos e os novos keynesianos5 . investimentos e movimentos de capitais, como observam-se práticas produtivas no Essa questão também é compartilhada por autores marxistas que se negam a processo de acumulação de capital que parecem não levar em conta as fronteiras ver o comportamento individual como algo independente da lógica de funcionamento nacionais. É o caso das empresas onde a sede das decisões está em um país, a do sistema econômico. É a lógica capitalista que conduz à busca de lucro, e esta acaba concepção dos produtos e processos em outro, enquanto a mão de obra é recrutada e por exigir comportamentos do capitalista, diferentes e antagônicos aos do trabalhador, utilizada em um terceiro e a matéria prima fornecida por um quarto, e assim explorado pelos primeiros. Esta lógica afeta diferenciadamente os comportamentos e sucessivamente. conduz a tendências típicas desse modo de produção, como desempregar em busca do Este processo foi se desenvolvendo no mundo todo, paralelamente à aumento da produtividade para ganhar a concorrência; centralizar e concentrar capital chamada desregulamentação, ou seja, o processo de retirada dos controles do Estado e em monopólios e oligopólios como resultado desta mesma concorrência e isto, à privatização, ou entrega à iniciativa privada de empreendimentos anteriormente segundo Marx, levaria a crises recorrentes por dificuldades de venda da produção, levados a efeito pelo Estado. T rata-se, pois, de um processo amplo de liberalização e porque a renda tende a se concentrar nas mãos de poucos e/ou porque a taxa de lucro ampliação de mercados que segue de perto o receituário liberal por permitir o estímulo tende contraditoriamente a cair quanto mais os capitalistas se esforçam por aumentá-la. ao livre jogo das forças de mercado. Intenso é esse jogo num mundo em que se São a oposição de interesses e o caráter antagônico das relações entre ampliam os movimentos de mercadorias, serviços, investimentos e sobretudo decapitalistas, de um lado, e trabalhadores, do outro, segundo Marx, e a incerteza que capitais que são investidos e reinvestidos em várias praças de vários países, com abanha a economia e que afeta as decisões de investimento, segundo Keynes, que agilidade permitida pela retirada dos controles estatais (desregulamentação), masimpedem esses autores de ver o mercado como regulador, e tendendo ao equilíbrio. também pela existência de canais informatizados muito mais ágeis do que os do As convicções diferentes destes autores, os levam a posições distintas sobre passado.crescimento, estabilização, política econômica mais adequada, inflação, e demais temas Segundo os liberais, este processo traz inúmeras vantagens. Os investimentoseconômicos, como veremos ao longo deste curso. São estas convicções distintas que os podem ser feitos em lugares onde se encontrem as melhores (mais baratas) dotações delevam a divergir, em particular, quanto a questões como as da privatização e da recursos, e com a tecnologia mais eficiente. Os produtos daí decorrentes tendem a serglobalização. mais baratos porque a concorrência é acirrada. A padronização dos produtos (Mac Quanto à privatização, a conclusão é imediata. Quanto mais liberal é a Donald, Pizza Hut, Benetton) é garantia de nível mínimo de qualidade elevado. Aposição, maior é o interesse em privatizar, por acreditarem eles que a busca de ampliação de mercados amplia as possibilidades de crescimento dos países que seinteresses individuais é mais eficiente no processo de condução de empresas, o que inserirem na globalização. A concorrência reduz a inflação dos países participantes,leva à preferência pela iniciativa privada , ao invés da estatal, quando se quer garantir a porque força a queda dos preços dos produtos concorrentes e então os custos deboa performance do chamado espírito empresarial. produção em geral. Quanto ao processo de globalização, ele é a forma específica tomada na A estas vantagens os críticos, de concepção econômica dita heterodoxa, opõematualidade pelo processo de internacionalização da economia, que se desenvolve há alguns problemas sérios que vêm se mostrando com freqüência e generalidademuito tempo. No início este processo se restringia a movimentos de mercadorias; em alarmantes. O processo de globalização, ao invés de reduzir as desigualdades vemseguida desenvolveram-se os movimentos de capitais de empréstimos para financiar o ampliando-as. Esta ampliação se percebe, em termos gerais, em dois processos quecomércio de mercadorias e de serviços; mais adiante observou-se o transplante do acompanham de perto a globalização. Tratam-se dos processos chamados decapital produtivo, com indústrias se instalando em outros países, e o crescimento de polarização e marginalização. O processo de polarização é aquele que concentra asempresas multinacionais. O que caracteriza hoje o processo de globalização é a transações de bens, serviços, investimentos e capitais em geral em três pólos mais desenvolvidos do mundo capitalista: os EUA, a CEE e o Japão, sendo os ganhos ou a maior parte deles distribuídos entre os três pólos, o que aumenta a distância em termos5 de renda e desenvolvimento entre estes e os demais. O processo de globalização é Observe-se , além disso, que não se trata de uma concepção sem importância para as conclusõesque os diferentes autores tiram, porque elas são parte da construção teórica que os conduz a tais aquele que literalmente exclui alguns países e impede grande crescimento de outros e,conclusões. Eliminar tais pressupostos, portanto, significa alterar fundamentalmente os resultados.
  • 10. no interior dos próprios países mais globalizados, deixa à margem dos beneficias do N° 4 - Conceitos fundamentais para o exame da questão externacrescimento uma imensa parcela da população 6. brasileira Maria Luiza Silva Falcão, 42p Assim é que nos EUA crescem os problemas de desemprego, (5,6% dapopulação ativa em 95), dos negros e minorias, seqüelas do governo Reagan, o mesmo N° 5 - O berço da idéias econômicasocorrendo na Inglaterra de Mrs. Thachter (8,2% de desemprego) 7. Na Europa, generalizam-se as taxas de desemprego como percentagem da Maria de Lourdes Rollemberg Mollo, 42p.população ativa que, em 1995 foram estimadas variar de 9,2% na Alemanha até 24.1%na Espanha, passando por taxas também elevadas em países como França (12%) eItália (11,1 %), apesar do crescimento econômico ter ocorrido a taxas razoáveis8. N° 6 - Teorias de distribuição funcional - clássica, neoclássica e No Brasil a concorrência provocada pela abertura sem dúvida levou a ganhos keynesiana Steve De Castro, 12p.substanciais da chamada eficiência, esta definida como redução de preços e ganhos naqualidade dos produtos. Entretanto, o crescimento enorme recente do desemprego N° 7 - Lições de equilíbrio geral econômico: Um textoindustrial em São Paulo (o chamado desemprego estrutural) deixará muita gente fora da introdutório Rodrigo Andrés de Souza Penãloza,possibilidade de se beneficiar destes próprios ganhos, e até de garantir a sua 80p.sobrevivência imediata. Ficam as questões: Para quem são os ganhos da globalização? Precisamos nos N° 8 - Agricultura e desenvolvimento econômico - Uma abordageminserir da forma mais liberal na globalização ou podemos fazer políticas industrial e multisetorial Charles Curt Muller, 66p.regional que priorizem setores mais absorvedores de mão de obra, centrados no imensopotencial de mercado interno que temos? N° 9 - Previdência Social. perspectivas de manutenção do equilíbrio A tônica da política econômica até o momento vem privilegiando a política financeiro Dércio Garcia Munhoz, 43p.monetária, e o argumento é de que ela é o que importa no momento, por garantir aestabilidade de preços, requisito para qualquer processo de crescimento . Crescersomente, porém, não garantirá a incorporação dessa massa imensa de pessoas N° 10 - O processo Brasileiro de industrialização: Uma visãomarginalizadas e excluídas do processo produtivo. E preciso contemplá-las como o geral Flávio Versiani/Wilson Suzigan, 43p.objetivo da política econômica, ou aqueles a quem se destinam os furtos do processoprodutivo, e não encará-las como se fossem mero resultado residual do processo de N° 11 - Trabalho abstrato e valor na teoriaestabilização/globalização. marxista 1.1. Rubim, 45p.LISTA DOS TEXTOS DIDÁTICOS DISPONIVEIS N° 12 - Uma introdução aos salários indiretos no Brasil Jorge Saba Arbache, 30p.N° 1 - Inflação: notas introdutórias sobre diferentes interpretações Mana de Lourdes Rollemberg Mollo, 34p. N° 13 - Efficiency wages, insiders - outsiders e determinação de salários: teorias e evidênciaN° 2- Teorias do crescimento econômico Vânia Lomônaco Bastos, 41 p. Francisco G. Carneiro, 26p.N° 3- Déficit Público: diferentes conceitos e medidas Oliveira, M. T. R.. 19p. N° 14 - Antecedentes da grande transformação - evolução da economia brasileira da6 Ë esse processo que deixa surpreso Roberto Campos, na frase mencionada no inicio deste texto. proclamação da república ao fim da II° guerra7 Perspectives Economiques de OCDE 1995. Charles C. Mueller, 143p.8 Idem.