Caderno Educação de Trânsito
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Caderno Educação de Trânsito

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9ª edição do Fórum Desafios para o Trânsito do Amanhã

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Caderno Educação de Trânsito Document Transcript

  • 1. 6 especial DIARIOd e P E R N A M B U C O - Recife, domingo, 27 de novembro de 2011 d CORREDORES NORTE-SUL E LESTE-OESTE. COM AS OBRAS DE MOBILIDADE, PERNAMBUCO AVANÇA RÁPIDO EM TODOS OS SENTIDOS. O Programa Estadual de Mobilidade Urbana Igarassu até a Estação Central do Metrô, passando (PROMOB) dá mais um passo a fim de melhorar o pela PE-15, pelo Complexo de Salgadinho e pela transporte público de passageiros no Estado com a Avenida Cruz Cabugá. ordem de serviço para iniciar as obras dos dois O percurso de 33,2km vai ter 31 estações maiores corredores exclusivos de ônibus da interligadas a quatro terminais integrados: Igarassu, Região Metropolitana do Recife: o Norte-Sul Abreu e Lima, Pelópidas Silveira e PE-15. Um viaduto e o Leste-Oeste. e um elevado serão construídos nos Bultrins e outro Com o conjunto das obras de mobilidade já em elevado em Ouro Preto. andamento, como o Ramal de Acesso à Cidade da Já o Corredor Leste-Oeste vai da Praça do Derby até Copa, que vai do Terminal Integrado de Camaragibe o Terminal Integrado de Camaragibe, atravessando a até a BR-408, e o Terminal Integrado Cosme e Avenida Caxangá, onde todas as paradas serão Damião, na divisa entre o Recife e São Lourenço substituídas. Com 12,5km de extensão, terá 22 da Mata, o Governo de Pernambuco consolida o estações e vai atender aos terminais integrados de compromisso assumido com a Matriz da Copa, Camaragibe, da III Perimetral e da IV Perimetral, que fechando mais um ciclo rumo à Copa do serão construídos no cruzamento da Av. Caxangá Mundo da FIFA 2014™. com a Av. General San Martin e na BR-101, Juntos, os corredores Norte-Sul, Leste-Oeste e respectivamente. Também estão previstos um túnel Ramal da Copa somam 51,8km e vão beneficiar em frente ao Museu da Abolição, um viaduto 355 mil passageiros/dia com o sistema de próximo à UPA da Caxangá e mais três elevados: um Transporte Rápido de Ônibus (TRO). Modernos e na Benfica, outro na III Perimetral e mais um no menos poluentes, os veículos serão equipados com Engenho do Meio. ar-condicionado, câmeras de segurança, contagem As obras vão trazer mais conforto, agilidade e eletrônica de passageiros e GPS. segurança para milhares de pernambucanos. Com o O Corredor Norte-Sul vai do Terminal Integrado de PROMOB, Pernambuco vai avançar ainda mais rápido.
  • 2. 2 especial DIARIOd e P E R N A M B U C O - Recife, domingo, 27 de novembro de 2011 d desafios para o trânsito do amanhãPonto de virada paraum trânsito-cidadão Com passos firmes e decididos, FOTOS: TERESA MAIA/DP/D.A PRESSCultura de respeitoàs normas pode ser as crianças caminham sobre a fai- xa de pedestre, seguras de quecriada a partir das aquele espaço será respeitado pe-comunidades para, los motoristas. A cena real ocor-então, ganhar a cidade re na frente de uma escola parti- cular, no bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife. Mas bem que poderia se expandir para as ruas do entorno, o bairro, a cida- de, o estado, o país. A ideia de se trabalhar a educação do trânsito a partir das comunidades é ba- seada na teoria do filósofo Mal- colm Gladwell. Ele parte do prin- cípio de que, se 30% de um seg- mento significativo da sociedade se convencer de que a prática de um determinado comportamen- to é válida, toda a sociedade pas- sará a exerce-la. É o chamado pon- to de virada, a exemplo do que ocorreu em Nova York, quando a população comprou a ideia de ser contra a violência. Ou em Brasília, quando os motoristas se conven- ceram de que respeitar a faixa era o certo a ser feito. Também pode- mos ser convencidos. A iniciativa da escola é um pas- so que pode e deve ser multipli- cado pelas escolas do bairro. E Convença 30% de uma comunidade e transformará os outros 70% quem sabe assim elas alcancem os 30% dos 25 mil habitantes do bair- ro de Casa Amarela. Nada que não“ possa ser feito. “A gente vem tra- balhando a conscientização dos alunos e pais de alunos. Mas a lia Roffé sonham em transformar 138 habitantes por hectare, Casa são estreitas e as casas, em sua nossa meta é também trabalhar o mundo que cabe nas suas casas Amarela é um dos bairros mais po- maioria, não dispõem de gara- Alunos do Colégio o entorno. Uma ideia é promover e nas ruas onde moram e estu- pulosos do Recife. O bairro faz li- gem. O resultado é que os carros Apoio aprendem a fazer um encontro de todas as escolas dam. “Em algum momento, o mo- mite com Casa Forte, uma das ocupam os trechos estreitos de a travessia na faixa deEm São Paulo, do bairro para trabalharmos a te- torista também é pedestre e ele áreas mais nobres da cidade. Na calçadas. “Carro é uma necessi- pedestre mática do respeito às normas do não vai querer ser atropelado, en- área limítrofe, a ocupação imobi- dade, mas não há espaço paramorrem duas trânsito com a participação dos ór- tão, é preciso saber respeitar”, de- liária segue os mesmos padrões do guardá-lo”, justifica o morador gãos de trânsito”, afirma a dire- fende Luíza. João Muniz traz a es- bairro nobre. É o lado “rico” do João Menezes, 38 anos.pessoas por dia tora pedagógica do Colégio Apoio, tatística na ponta da língua. “Em bairro, que trouxe junto um nú- Esse talvez seja um outro desa-atropeladas na Rejane Maia. São Paulo, duas pessoas morrem mero maior de carros para trafe- fio: como trabalhar a mobilida- No que depender da disposição por dia atropeladas na faixa de gar nas vias. Mesmo sendo um de e o respeito às normas de trân-faixa de pedestre dos alunos, a meta tem tudo pa- pedestre. Só porque o motorista bairro tradicionalmente popular, sito em espaços não planejados ra ser alcançada. Os estudantes ainda não entendeu que o pedes- a presença de carros é cada vez para esse tipo de ocupação? Há Luíza Braga, João Carlos Muniz, Ri- tre tem prioridade”, ressalta. maior até mesmo no morro, on- muito o que ser feito, mas o res-João Muniz, 10 anos, estudante da 4ª cardo Dias,Mateus Zarzar, Fernan- Com uma área de 185 hectares de se concentra uma população peito à faixa de pedestre já é umsérie do Colégio Apoio da Guedes, Carolina Smith e Jú- e uma densidade populacional de de baixa renda. No morro, as ruas grande passo. Convencer os motoristas a respeitar a faixa é um dos desafios dos alunos Respeito ao próximo “Dê educação para o homem pensam ter a prioridade sobre mo- não adquiriram, na mesma pro- do registrado em 2009. “Recife é que ele transforma o país”. A fra- tociclistas e ciclistas, pedestres porção, o respeito ao próximo e a a 5ª cidade mais violenta no trân- se, do educador Paulo Freire, não acreditam estar com a razão... noção de segurança. “Essa gera- sito. As escolas não formam as é a primeira lição poderia se aplicar melhor ao con- texto do trânsito. Motoristas, mo- tociclistas, ciclistas e pedestres Para o coordenador da pós-gra- duação em gestão de trânsito da Faculdade Maurício de Nassau, ção que está sendo amputada no Hospital da Restauração é vítima da má formação como cidadã pa- crianças para serem cidadãs res- ponsáveis. Não basta ensinar uma placa, mas mostrar os danos cau- compartilham as mesmas ruas e major Israel Moura, a educação ra o trânsito”, pontua. sados pela infração”, afirma. Mas avenidas todos os dias, mas o res- para o trânsito permaneceu em se- se- Segundo dados do Ministério algo começa a mudar e as crian- peito ao espaço do outro parece gundo plano até entrar em vigor da Saúde, 40.610 pessoas morre- ças e jovens podem ser protagonis- não existir. Motoqueiros levam os o Código de Trânsito Brasileiro ram em acidentes de trânsito no tas em potencial dessa transforma- retrovisores dos carros, motoristas (CTB), em 1997. Mas as pessoas Brasil em 2010, quase 7,5% acima ção, por ora, silenciosa.
  • 3. DIARIOd e P E R N A M B U C O - Recife, domingo, 27 de novembro de 2011 d especial 3 desafios para o trânsito do amanhã ALCIONE FERREIRA/DP/D.A PRESSentrevista >> Guido Soares Azevedo“O condutor não se senteculpado de não cumprir a lei”O engenheiro civil Carlos Guido Soares Azevedo, formado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é consultor em organizações públicas na área de trânsito e transporte em todo o país há mais de 30 anos. Ele participa de projeto do Iaupe– Instituto de Apoio à UPE - no Ministério da Integração Nacional para implantação deum sistema de Modelo de Gestão para a pasta. Mas tem como maior desafio a criação de“agentes sociais de trânsito”. Ele está convencido de que a melhoria na qualidade e segu-rança do trânsito depende não apenas dos órgãos de trânsito na sua função de fiscalizare operar, mas, principalmente, de um “convencimento” da população sobre o modo certode agir. Nesta entrevista, ele fala sobre a revolução que pode começar em uma rua e ba-seia a sua teoria em duas hipóteses.Como o senhor baseou a sua de” das infrações, ele pode repe- po assimila.teoria da criação dos agen- tir o mesmo comportamento. As-tes sociais de trânsito? sim como nós, brasileiros, temos Não é verdade quando di-A primeira é que a sociedade lo- mais cuidado no comportamen- zem que quando pesa nocal autoriza (consciente ou in- to fora do país. bolso, o motorista cumpreconcientemente) o comporta- as normas, como foi o caso multar o motorista que não É verdade. Não se deve a ter pre- do Curado e junto com a comu-mento irresponsável no trânsi- Na questão da educação, o da obrigatoriedade do cin- respeitar a faixa de pedes- tensão de trabalhar uma cam- nidade, os empresários, os órgãosto, independente da lei. A segun- senhor segue a mesma linha to de segurança? tre. Não é esse o caminho? panha na cidade como um todo de trânsito desenvolverem açõesda é que os autores de trânsito de pensamento do filósofo É verdade, sim, mas se o agente Eu acho um grande equívoco es- e esperar um resultado imedia- com as pessoas para o respeito abuscam se ajustar aos compor- Malcolm Gladwell de se tra- de punição não estiver presen- se tipo de punição que irá fun- to. O trabalho deve ser feito nas sinalização no bairro, que terátamentos socialmente aceitos balhar a conscientização te, seja um guarda de trânsito cionar por determinado perío- comunidades. Por isso, eu de- seus próprios agentes sociais deem cada localidade, independen- dentro das comunidades? ou uma lombada eletrônica, o do e em determinados lugares. fendo a criação de centros de trânsito. Não tenho dúvidas dete de sua formação. Exatamente. Eu acredito que a condutor não se sente culpado O motorista precisa ser conven- educação social de trânsito. É que a comunidade é capaz de fa- sociedade precisa ser convenci- de não cumprir a lei. Pelo contrá- cido de que é errado não respei- preciso deixar a educação nor- zer essa revolução. E essa teoriaOturista,porexemplo,se“abra- turista,po o,s s ra da de que obedecer às normas rio é um comportamento social- tar a faixa e não pelo medo da mativa para a educação social que eu defendo será trabalhadasileira” quando vem para cá? de trânsito, por exemplo, é o mente aceito. multa. de trânsito. numa linha de pesquisa da Uni-Isso mesmo. Ele pode cumprir certo a fazer e não porque há versidade de Brasília. Espero quetodas as regras no seu país, mas risco de alguma punição. Se Em São Paulo, a Companhia O senhor falou que esse tipo De que forma funcionaria o trabalho possa ajudar na mu-se ficar por aqui de três a quatro houver uma mudança de com- de Engenharia de Tráfego de revolução pode começar esses centros? dança de concepção do que ho-meses e presenciar a “normalida- portamento, o restante do gru- lançou uma campanha de na própria rua. Como seria? Imagine, por exemplo o bairro je é a educação de trânsito.
  • 4. 4 especial DIARIOd e P E R N A M B U C O - Recife, domingo, 27 de novembro de 2011 d desafios para o trânsito do amanhãSalve-se quem puder TERESA MAIA/DP/D.A PRESSIndividualismo traz do “gelo baiano” em todo o piso da praça que, para piorar, está em Estacionamentoconsequências para irregular péssimo estado. Os carros de fatoa mobilidade de forma não sobem mais, ficam no entor-geral e vira padrão no da praça, que continua não Na subida do Morro dade comportamento sendo dos moradores. “Os moto- Conceição, em uma rua estreita ristas são muito mal educados”, que cabe um único carro, oO comportamento de um resume o engenheiro José Carlos motorista decide ocupar o motorista no trânsito dos Santos Silva, 70 anos, depois espaço da calçada, sem opção não necessariamente re- de estacionar em local proibido. de acessibilidade para of lete o seu modo de ser enquantoflet Outra situação inusitada é a bar- pedestrecidadão, mas deveria. O que nos raquinha de frutas instalada emfaz esquecer as “boas maneiras” é, cima de uma faixa de pedestre,em parte, a guerra que tem se no cruzamento da Conselheirotransformado o trânsito. É o tal Portela com a Rosa e Silva, no bair-do salve-se quem puder. E os mais ro das Graças. É impossível nãodiversos absurdos resultam da prá- enxergar, mas a cena vem se repe-tica individualista, que traz conse- tindo há anos e os pedestres quequências para todo o resto, que, na usam a faixa são obrigados a con- TERESA MAIA/DP/D.A PRESS tornar a barraca no meio dos car-primeira oportunidade, dá o “tro-co” na mesma moeda. Nesse pata- ros. “Recife deve ser o único lugar Travessia de altomar, entramos no mesmo nível do mundo onde o comércio am- riscoemviapúblicade consciência coletiva. Mesmo bulante usa a faixa de pedestrequando, em determinado momen- para negociar”, reclama a profes- Na Avenida Conde da Boa Vista,to, somos nós os prejudicados, al- sora Marta Oliveira Costa, 53 anos. mesmo com o sinal de pedestre,guns metros à frente lá estamos Que os motoristas são abusa- os riscos de atropelamento sãonós repetindo o comportamento dos e não respeitam os ciclistas e constantes. Os pedestres“padrão” do individualismo. pedestres, isso a gente já sabe, ignoram quando o sinal fecha e Retratar os descaminhos do mas o pedestre também tem sua continuam passando pela faixatrânsito é, sobretudo, descrever parcela de culpa pela total ausên-as cenas diárias com as quais nos cia de zelo com a própria vida.deparamos ou protagonizamos Um exemplo diário pode ser vis-no trânsito. Desde um avanço de to na Avenida Conde da Boa Vis-sinal, estacionar em local impró- ta, no cruzamento com a Rua doprio, dirigir falando ao celular, Hospício. O sinal de pedestre éfazer uma conversão indevida pa- quase de “enfeite”, praticamentera encurtar o caminho, mudar de ninguém respeita. Foi o que acon- MARCELO SOARES/ESP.DP/D.A PRESS teceu com a dona de casa Adria-faixa sem ligar a seta, ocupar atéa terceira faixa para passar na na Silva, 28 anos, que atravessou Descumprimentofrente em uma conversão e, ain- a avenida com o sinal fechado pa- da leida, estacionar sem culpa na faixa ra ela e segurando a mão da filhade pedestre e, mesmo assim, acor- de seis anos. “Eu não percebi que A operação de carga e descargadar todos os dias como se normal estava fechado. Passei com pressa nas ruas do Recife ainda é umfosse não fazer o que é certo. porque ela estava me aperrean- problema. Os motoristas não Mas há outras situações tam- do”, contou a mãe. respeitam os locais proibidos. Abém gritantes. Um caso emble- Para o consultor de trânsito partir de janeiro de 2012, a CTTUmático é o da Praça dos Mangui- Cláudio Guido, prevalece a au- promete apertar o cerco e limitarnhos, no bairro do Parnamirim, sência de culpa por infringir a lei. a operação das 22h às 6hque era literalmente usada como “O motorista que reduz a veloci-estacionamento. Os motoristas dade na lombada eletrônica e au-chegavam a subir o canteiro. De- menta logo que passa do equipa-pois de muita reclamação dos mo- mento é o mesmo que só obede-radores, a Companhia de Trânsi- ce à regra se tiver um guarda deto e Transporte Urbano (CTTU) trânsito por perto. Não houve mu-“resolveu” o problema instalan- dança de comportamento”. PAULO PAIVA/DP/D.A PRESS. PAULO PAIVA/DP/D.A PRESS. Sem regras Uma barraca de frutas em plena faixa de pedestre no cruzamento da Conselheiro Portela com a Rosa e Silva é um exemplo de imobilidade Obstáculo Uma cena comum é o uso inadequado das ciclovias. O flagrante do fotógrafo Paulo Paiva mostra uma moto estacionada na ciclovia da Avenida Norte. A pista exclusiva é constantemente invadida
  • 5. DIARIOd e P E R N A M B U C O - Recife, domingo, 27 de novembro de 2011 d especial 5 desafios para o trânsito do amanhã JARBA S/DP ARBATrânsito, ainda + saibamais mais O que diz a legislação sobre educação de trânsito:órfão da educação 1997 - Código de Trânsito 997 Código Brasileiro (C Brasileiro (CTB): art. art. 76 - educação: Adoção de conteúdos de conteúdos educação (magistério educação (magistério e treinamento pro treinamento de professores) ore 1996 - Lei de Diretrizes e Bases Lei Diretrize BaseResponsável pelo da Educação Nacional (LDBEN) Educaçãoensino da disciplina Não prevê a educação na grade pre educação gradeno país, Denatran curricular e tema transversal tema transversnão possui estrutura 2004 - Conselho Nacional de Conselhopara atender demanda Trânsito (Contran) (Contran) Instituiu tema trânsito para Instituiu o tema trânsito para projeto pedagógico projetos pedagógicosA educação de trânsito Estabelece que o Denatran tabelece Denatran não é e não será discipli- forneça material de apoio às material na curricular nas esco- escolaslas. A decisão é do Ministério daEducação, mas o tema pode e de- 2009 - Portaria 147 do Portaria 14ve ser inserido nas diversas disci- Denatran: enatran: Diretrize Diretrizes nacionais de educação educaçãoplinas de forma transversal, pre- para o trânsito: pré-escolar e ara trânsito: pré-esvista no Código de Trânsito Brasi- ensino fundamental e médio:leiro (CTB) desde 1997. Na teoriaparece funcionar, mas na prática Infanto-juvenil: noções Infanto-juvenil: noções deisso pouco acontece. A orientação tra travessia de faixa, sinais, andar de faixa, sinais,do MEC é que o Departamento bicicleta, cidadaniaNacional de Trânsito (Denatran) Fundamental: 3 livros com seis livro com seisforneça material aos estados e es- histórias para serem distribuídas histórias para serem distribuídastes aos municípios para que o as- nas escolas e dois softwares es softwaresunto seja debatido nas escolas. A educacionais educacionaisfalta de estrutura é um dos empe-cilhos. A consultora técnica do Médio - produção de vídeos sobre produção vídeos sobreDenatran, Rita Cunha, que parti- um trânsito consciente trânsito conscientecipou da 9ª edição do Fórum De-safios para o Trânsito do Amanhã 2009 - Resolução 265 do Re 26 Denatran enatrancom o tema educação de trânsito, Formação teórico-técnica dos teórico-técnica dosrevelou que o departamento res- pro professores oreponsável pelos projetos de educa- para 1ª habilitação ara 1ªção conta apenas com 13 funcio-nários e, desses, apenas cinco são Atividade extracurricular e extracurricularda casa, o restante é terceirizado. opcional“É um volume de trabalho muito para alunos e professores ara alunos pro oregrande para o tamanho do país. Detran responsável pela etran responsávelMesmo assim, estamos trabalhan- autorização, autorização,do para a melhoria da educação”, controle e fiscalização ontrole fiscalizaçãoafirma Rita Cunha. Com a definição do MEC de não definição Fonte: Denatran onte: Denatranassumir a responsabilidade de en-sinar a disciplina trânsito, restouaos órgãos de trânsito a realizaçãode campanhas períodicas, que nãotêm conseguido alcançar os obje-tivos. Apesar do sucesso dos pa-lhacinhos da Turma do Fom Fom, cação para o Trânsito. “Inicial- acaba sendo influenciado pelo inf luenciado do nas autoescolas. As escolas queo número de acidentes e mortes mente estamos capacitando 100 grupo e deixando de lado o que adotam o modelo são inseridas INES CAMPELO/DP/D.A PRESSainda é grande. No Brasil, mor- coordenadorese e profissionais aprendeu aos cinco anos”. no sistema do Detran”, explica Fá-rem por ano mais de 40 mil no de informática com aulas semi- O Detran/PE foi pioneiro na for- tima Bezerra.trânsito. “Nós somos 10 vezes pior presenciais. A nossa estimativa é mação extracurricular de profes- A ideia era capacitar dois mildo que qualquer país “, diz o con- que até 2015, todos os professo- sores com o Programa Detran na alunos nas escolas. Mas a inicia-sultor em trânsito Carlos Guido. res da rede sejam treinados”, Escola. A Secretaria Estadual de tiva esbarrou em um detalhe. De acordo com o sociólogo e afirma o gerente de educação de Educação no Curso de Formação “Uma lei federal determinou queconsultor em trânsito Eduardo trânsito, Francisco Irineu. de Instrutor de Trânsito Teórico- para ser instrutor era necessárioBiavati, a única forma de atin- Em 2012, o município promete Técnico foi parceira na iniciativa. ter habilitação na categoria D e is-gir as diversas camadas da socie- implantar uma escola municipal A ação está prevista na resolução so acabou desestimulando os pro-dade é pela escola. “Nenhum ór- de trânsito, que ficará sob a coor- nº 265 do Denatran. Até agora fessores a continuar com a for-gão de trânsito é capaz de ter a denação da Secretaria de Educa- apenas os municípios do Cabo de mação”, comenta a presidente dopenetração que a escola tem em ção. O espaço será de pesquisa em Santo Agostinho, Jaboatão dos Cetran, Simíramis Queiroz.todos os municípios”, destacou. educação de trânsito, com labora- Guararapes, Petrolina e CaruaruQue o caminho é a escola pare- tório para as crianças aprenderem foram beneficiados.ce haver consenso nesse senti- na prática as regras básicas do Uma das vantagens do modelo SERVIÇOdo. No Recife, a Companhia de trânsito. Para Biavati, a educação é que, após o curso, o professor- Cursos para educação no trânsito:Trânsito e Transporte Urbano infantil é importante, mas deve se instrutor tem autoridade para re- Detran/PE - 81- 3184-8004(CTTU) iniciou junto as escolas estender para os jovens. “Há uma passar o conteúdo aos alunos na CTTU - 81- 3355-5316do município um processo de preocupação grande com a crian- mesma lógica dos clubes de for- Sest/Senat - 81 2119-0220 Sec - 81- 3212-1616capacitação dos professores por ça, mas o jovem que está prestes mação de condutores. “O aluno re-- e Centro Educacional de Trânsito dameio do Plano Municipal de Edu- a dirigir fica sem a formação e cebe o mesmo conteúdo ensina- Honda (CETH) - 81 - 3252-6764 Turma do Fom Fom seduz a criançada com apelo lúdico
  • 6. PEDRO/DPCADERNOESPECIALDOMINGORecife, 27 de novembro de 2011 DIARIOdeP E R N A M B U C OSem educaçãonão há solução O padrão de comportamento de uma sociedade é determi- ma de educação, o próprio vizinho passa a ser o instrumen- pouco em todos os lugares ao mesmo tempo. Imagine então a Imagine entãonado pela forma como a maioria encara os valores sociais. No to de uma virada comportamental. multiplicação de agentes sociais de trânsito no âmbito de umatrânsito não é diferente. As infrações, por exemplo, são vistas Pelomenosnafilosofia,oprincípioéconquistaraté30%deum rua, do seu entorno e do bairro. O 9º caderno do Fórum Desa-como socialmente aceitas. Não existe indignação diante do mo- determinadosegmentodasociedadeparaqueorestantedaso- fios para o Trânsito do Amanhã traz como tema a educação etorista que estaciona na faixa ou ultrapassa o sinal vermelho. ciedade assimile. Da mesma forma que se aprende o errado, é mostra os desafios de uma escola para multiplicar as açõesTalvez isso explique a dificuldade das campanhas educativas possível aprender o certo. Nessa lógica, os especialistas acredi- educativas no universo do bairro de Casa Amarela com seus 25surtirem o efeito esperado. Mudar o padrão é mudar a lógi- tam que atitude é repetida quando é socialmente aceita. mil moradores. Revela ainda a razão da educação de trânsitoca do convencimento. Ao contrário de usar a multa como for- É claro que não se faz revolução de um dia para a noite e tam- não fazer parte do cotidiano das unidades de ensino. EXPEDIENTE: Diretora de redação: Vera Ogando Textos: Tânia Passos Edição: Lydia Barros Edição de fotografia: Heitor Cunha Edição de arte: Christiano Mascaro