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Aterro e usina bandeirantes perus

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  • 1. 1 PERUS: OLHARES E PROCESSOS HISTÓRICO-GEOGRÁFICOS; UMA PROPOSTA AOS FILHOS DA FÁBRICA DE CIMENTO. LUÍS FERNANDO DE ABREU SÃO PAULO - 2008
  • 2. 2 O ATERRO SANITÁRIO BANDEIRANTES Introdução Rua Mogeiro Sempre ouvimos discussões sobre a questão do lixo, da reciclagem, da poluição ambiental e tantas Aterro outras relativas a esses Bandeirantes Recanto dos temas, sem Humildes questionarmos qual é o nosso papel nestas Aterro Bandeirantes questões? Ou ainda: onde Perus entra nesta discussão. Rodovia dos Bandeirantes Em alguns casos ouvimos cada Imagem Google Earth (adaptada) palavrão... Mecanismo de Desenvolvimento Rodoanel Limpo (MDL); Créditos Rodoanel de Carbono; Protocolo de Quioto (ou Kioto), compostagem; reciclagem, preciclagem e tantos outros e o queMapa 1. Nosso vizinho: o Aterro Bandeirantes é pior em muitos casosficamos sem entender o que eu, você, nossos vizinhos ou parentes, enfim, o quenossa comunidade tem a ver com essas questões... Será que temos que nosimportar com esse que seria um indesejável e permanente vizinho?
  • 3. 3 Afinal quem nunca ouviu falar do “Lixão de Perus”? Mas há um lixão emnossa região? Trataremos desses e outros temas neste capítulo ao discutirmos oAterro Sanitário Bandeirantes, esse nosso vizinho por vezes tão contestado eindesejado, que fica logo ali, na rua Mogeiro (mapa 1), e que há quase trêsdécadas faz parte da paisagem e vida da população perusiana. Lixão... Aterro... Afinal o que será o nosso vizinho? Para iniciar nossos trabalhos, propomos que todos se perguntem; afinal, háum aterro sanitário ou um lixão em Perus? O que é um aterro? E um lixão, o quevem a ser? Melhor ainda; vamos sair à rua e perguntar aos nossos vizinhos a suaopinião a respeito! O que será que sabemos sobre isto? Bem, acreditamos que boa parte de nossa comunidade vai tratar essenosso famoso e indesejado vizinho como sendo o “Lixão de Perus”, o que consisteem um equivoco, pois realmente temos um tipo de depósito de lixo aqui logo aolado, mas não é um lixão. O lixão consiste em um depósito a céu aberto onde se acumula umaenorme quantidade de lixo sem qualquer outro tipo de cuidado; só descarregam oscaminhões de resíduos (esse é outro nome do lixo) e pronto; dia-a-dia há o acúmulo de montanhas e mais montanhas de lixo. Nestas montanhas não há um trabalho de compactação do lixo, e nem há uma cobertura (com terra), para que se diminua o forte odor ou se tenha um Foto CR Moreira mínimo de controle sobre a proliferação de ratos e baratas (entre outros bichos do tipo), que acabam por contribuirLixão: depósito de resíduos a céu aberto imensamente para o
  • 4. 4comprometimento de nossa saúde, afinal sempre perto de nossas casaspercebemos a presença destes vetores de doenças, isto quando não recebemosuma “visita” deles... Bem, se em nossa região não existe realmente o tão famoso lixão, qualseria o nome do nosso vizinho? Ele é o Aterro Sanitário Bandeirantes. Isto mesmo é um aterro! Agora quesabemos o que realmente é o nosso vizinho, vamos procurar entender as suascaracterísticas e porque vem a ser tão questionado e é taxado como um grandeproblema para a nossa região. O Aterro Bandeirantes Antes de falar propriamente sobre o Mantas de PEAD; “Bandeirantes”, vamos entender o que vem a ser um aterro sanitário. Temos que considerar que esta é uma obra de engenharia, que tem por objetivo a deposição de lixo, mas diferente do lixão, temos a presença de certa Foto CR Moreira infraestrutura e toda uma tecnologia. Primeiro, estudam a região para Impermeabilização do solo mapear a existência de nascentes, caso haja alguma onde será construído o aterro, fazema captação desta água, e acanalizam para fora da áreade ação do aterro. O segundopasso é impermeabilizaçãodo solo, que há alguns anosera feita com argila, um tipode solo que é pouco Foto Intranscolpermeável e colabora comesse processo, atualmente Colocação de manta de PEAD
  • 5. 5são usadas mantas impermeabilizantes, e já que ouvimos tantos termosincomuns, lá vem mais um: Polietileno de Alta Densidade, este é o “famoso”PEAD, manta responsável pela impermeabilização nos aterros e que também éusada em vários setores industriais, por ser um dos melhores isoladores daatualidade. Mas afinal para que é necessária essa impermeabilização? O lixo depositado em grandes quantidades acaba sofrendo um processo dedecomposição (apodrecimento) por vários microorganismos e libera um líquido escuro e com forte odor extremamente poluente, que é chamado chorume; quem já não viu um caminhão de lixo passando em nossa rua e escorrendo um líquido Foto CR Moreira malcheiroso, então, o chorume é algo similar... Compactador de lixo em operação Só que nos aterros temos que colocar umacamada imperbealizante para evitar que esse líquido contamine o lençol freático.Taí mais um palavrão: “lençol freático”, mas esse é fácil, na verdade ele consisteem um depósito de água subterrânea proveniente da infiltração das chuvas, sendode extrema importância para o abastecimento de água, seja por sua exploraçãoem poços, seja por prover os rios deste nosso precioso recurso que é a água. Podemos imaginar... Se fizermos um poço em nossa casa, sobretudo naregião do aterro e formos consumir essa água, esta poderá estar contaminada etrazer sérios problemas de saúde aos nossos familiares, logo devemos tercuidados com o destino deste líquido mal cheiroso e poluidor... O famosochorume.Mas somente a impermeabilização do solo, não resolve os nossos problemas.Pensemos. Este líquido não infiltra logo ele tem que escoar para algum lugar... Eque lugar é esse? Se não tivermos cuidado esse chorume vai acabar
  • 6. 6contaminando rios e lagos, e aí teremos um novo problema! Afinal de que valepreservarmos o lençol freático, com a impermeabilização (citada acima) epoluirmos ainda mais os nossos rios... Aí entra a outra ação estrutural do aterro,constrói-se uma rede de capitação para todo esse chorume, que é enviado paraum reservatório, chamado de lagoa de acumulação e diariamente carretas tiramesse líquido mal cheiroso desta “lagoa” e levam para ser tratado em uma Estaçãode Tratamento de Esgoto. Bem,pensadas essasetapas, temosainda uma Foto: Luís Fernando de Abreuquestão... O lixo édepositado a céuaberto? Éinteressantesabermos, pois Lagoa de acumulação de chorume no Aterro Bandeirantesafeta diretamenteas nossas vidas, então vejamos... Os caminhões despejam diariamente toneladas de lixo nos aterros, que sãoprensados contra o solo por grandes tratores, essas máquinas são chamadascompactadores, que passam diversas vezes sobre o lixo. Agora, será que se faz necessária esta compactação? Diante da grandequantidade de lixo e da escassez de áreas destinadas à construção de aterros, sefaz necessária esta compactação, desta forma prolongamos em muitos anos avida útil destes aterros. Agora já sabemos que o nosso vizinho não é um lixão, e que há toda umapreparação antes da deposição final do lixo; que este é compactado... Mas edepois qual é a o próximo passo na construção de um aterro? O que vem por cimadesta camada de lixo prensada? E novamente: este lixo fica a céu aberto?
  • 7. 7 Comecemospela última questão,que nos ajudará a Foto CR Moreiraentender as Célulasdemais. O lixo não de lixofica exposto, depois FAU-USPde compactado éjogado sobreele Células de lixo e drenos de chorume no aterro sanitáriouma camada desolo argiloso (mais impermeável) e de brita, para evitar mau cheiro e a proliferaçãode vetores e, e logo em seguida há a deposição de mais uma camada de lixo queé novamente compactada, e assim se segue por diversas vezes esse mesmotrabalho. Essas camadas são denominadas células de lixo e no “Bandeirantes”tem cinco metros de altura, cada uma. Também sempre ouvimos falar sobre um tal gás que o lixo libera. Nesteprocesso de construção de um aterro, há espaço, para a implantação de mecanismo para esse tal gás? E mais... Existe realmente esse gás noDreno vertical de gás lixo? É verdade, existe um gás poderosíssimo liberado na FAU-USP decomposição do lixo orgânico, e se chama Gás Metano, só para termosuma idéia ele é vinte vezes mais poluente que o já terrível CO2 (mais conhecidocomo dióxido de carbono). Mas tratando do “nosso” gás (o Metano) tomamosalguns cuidados.
  • 8. 8 Quando sãoconstruídos os aterros, éimplantado uma série de Dutosdutos, como se fossem verticais de gás Lixograndes canos na compactadoposição vertical, comuma série de furos, quevão desde as célulasmais profundas do lixo FAU-USPaté a superfície. Esses“tipos” de canos servem Sistema de dutos: trás o gás para a superfíciepara que o gás escapepara a atmosfera, ou ainda que seja transferido a reservatórios paraposteriormente serem reaproveitados, gerando energia (veremos mais adiante). A partir desta definição, podemos começar a discutir e entender, o porquêde se considerar o nosso vizinho tão indesejado; esse gás se por algum motivo ficar muito concentrado entre as células de lixo, e devido a alguma falha no sistema de dutos, não conseguir escapar à Danilo Verpa / Folha Imagem superfície, pode transformar o aterro em uma grande bomba. Mas pensando que tudo que está ruim pode piorar ainda mais, paraA nossa terrível “atração”: a queima do gás metano evitar tal explosão, acabam por mandar todo esse gás paraa superfície, aí respiramos esse “ar puro” carregado de gás metano em Perus, eacabamos nem percebendo...
  • 9. 9 Para diminuir (isso mesmo, diminuir) esse impacto na atmosfera, por anosqueimaram esse gás, como vimos acima. Os dutos traziam o gás à superfície e aise dava a sua queima, no entanto, continuava-se a poluir e o que ocorreu foi umarelativa diminuição das emissões, mas não houve a resolução do problema.Inclusive quem passava pela rodovia dos Bandeirantes, e possivelmente até parteda comunidade, sem saber o que significava aquela queima, achava muito bonitaaquela imagem do fogo, no meio daquele imenso vazio que era o aterro. Podemos perceber a complexidade na construção de um aterro, mastemos que lembrar ainda de outro fator: a chuva. Isto porque já pensamos nadrenagem do chorume e do gás, mas as águas superficiais também devem serdrenadas de forma que não haja o acúmulo ou infiltração nas células de lixo, paraevitar isto, constroem-se dutos para o escoamento desta água, evitando que aágua da chuva infiltrada possa aumentar e muito o volume do chorume,dificultando o seu processo de drenagem, armazenamento e transporte. Agora que estamos conhecendo um pouco mais o aterro, e ganhamos certaintimidade com nosso vizinho, podemos passar a questioná-lo sobre estaconvivência inconveniente, afinal um vizinho que se preze, não contamina oquintal alheio, ainda mais se tratando de toda uma imensa comunidade como aperusiana. Desta forma vamos dar a palavra ao nosso vizinho para que possa sedefender destas acusações, e quem sabe nos convencer que não é tão erradoassim, e que tem consciência; por outro lado podemos juntos pensar em soluçõesque agradem a ambos, ou pelo menos podemos propor alternativas para umconvívio mais agradável e harmonioso. Com a palavra o nosso vizinho o “AterroSanitário Bandeirantes”. O nosso vizinho por ele mesmo... Ótimo que foi dada à oportunidade de me defender, assim poderei dizer umpouco sobre mim, sobre a minha história, e quem sabe todos entendam que nãotenho culpa de ser assim, e mais; que entendam que não gosto de ter sidoconcebido para esse fim. Talvez possam perceber quem são os verdadeiros
  • 10. 10responsáveis pela minha concepção e manutenção; e o mais importante quejuntos podemos encontrar sim alternativas para um melhor convívio. Entrei em funcionamento em 1979 e recebi lixo até o dia vinte de março de2006. Sempre fui um aterro e nunca um lixão como alguns pensam. Fui crescendoano a ano e hoje tenho aproximadamente 140 hectares (1.400.000m²), queequivale mais ou menos a 180 campos de futebol do tamanho do Morumbiocupando hoje o que já foi uma antiga área florestada Durante toda a minha vidarecebi 38 milhões de toneladas de resíduos; célula a célula de lixo atingi aimpressionante altura de 110 metros, isso mesmo mais de 100 metros de lixocompactados sendo que em meus últimos dias de vida recebia diariamente 6.500toneladas de lixo. Ah! Ia me esquecendo... Lembra do chorume aquele líquido escuro e malcheiroso? Então, vocês não imaginam a quantidade desta porcaria que meu lixogerava, imaginam? Pois eu falo para vocês; 19 litros por segundo... Isso mesmo, otempo que vocês demoram para piscar... A cada piscada de vocês, eu gerava 19litros de chorume, era uma loucura... Por falar em loucura, lembram do gás que eujogava atmosfera, para respirarmos? Lembraram? Aliás, nem temos como seesquecer de tal veneno... Então, a cada hora ganhávamos 12 mil m³ de gásmetano, sabem quanto é isso? Pensem naquela caixa de água que vocês têm emcasa, isso mesmo aquela de mil litros, pensaram? Pois é, a cada hora jogava noar o equivalente a 12 mil caixas d‟água cheias de veneno, o gás metano... Também queria falar para vocês, que sempre recebi resíduos domésticos,que possuem grande volume de carga orgânica, e entulhos de construções, oschamados resíduos inertes, por outro lado nunca conheci lixos hospitalares ouindustriais, que eram encaminhados para outras localidades e incinerados outratados. Toda essa quantidade de lixo, como vocês viram acima, gerava umaenorme quantidade de chorume e gás metano, que apenas bem mais tardequando eu já estava bem grandinho, perceberam que poderiam utilizar todoaquele gás para gerar energia, logo pensei: “nossa que interessante”, pode-se
  • 11. 11gerar energia e ainda não se joga toda aquela porcaria na atmosfera para os meusqueridos vizinhos de Perus respirarem. Embora vocês não acreditem, eu tentavaser um aterro consciente, mas sem o apoio de nossa comunidade, do poderpúblico e das empresas envolvidas em meu funcionamento nada podia fazer. Neste momento já diziam que minha vida útil (alguém já viu vida inútil? Poisé, diziam que a minha era.), estava perto do fim, que não poderia mais receberlixo, foi uma alegria só pra mim, afinal o que mais eu poderia querer, além de nãoreceber mais tanta porcaria, ainda iria gerar energia e diminuir a emissão de gáspara que meus vizinhos pudessem respirar um ar mais puro... E o melhor. Aindaouvi dizer que no futuro, me transformariam em um parque; que beleza... Jápensou, eu que por anos fui tão odiado, logo estarei recebendo crianças e adultospara brincar... A descoberta desse meu potencial energético foi um grande acontecimento para mim e para a nossa vizinhança, mas também apareceram algumas questões Radiação que me deixaram solar retida confuso, primeiro pelos gases pelos palavrões que estufa Danilo Verpa / Folha Imagem começaram a dizer. Coisas do tipo; créditos de carbono, Protocolo de Kioto, um tal de MDL queO efeito estufa em ação: o aquecimento natural da Terra diziam ser um Mecanismode Desenvolvimento Limpo... Mas tenho certeza que até o fim deste trabalhoestarei entendendo todos eles.
  • 12. 12 De tantos nomes esquisitos um dos poucos que eu estava acostumado, erao tal do efeito estufa, mas isso muitos já conhecem, só o que demorei a entenderé porque diziam que ele é importante para a vida, e ao mesmo tempo diziam quepoderia decretar o fim da humanidade. Ainda bem que certo dia alguns estudantesda região foram me conhecer e fiquei ouvindo a conversa, como sou um aterroque não guarda segredo vou contar essa história para vocês... Uma jovem garota disse que o nosso planeta recebe uma grandequantidade de raios solares, e que eles chegavam até o nosso solo, parte eraretido por aqui e o restante tentava voltar para o espaço, foi quando percebi aimportância dos gases do efeito estufa, eles acabam não permitindo que todo ocalor saia de nosso planeta, ele “segura”, um pouco para a gente... O mais legal éque entendi, também, que tudo isso é um processo natural, e que em outrosmomentos da nossa história quando esses gases se concentravam em nossaatmosfera em pouca quantidade, vivíamos uma era glacial, quer dizer, se nãotivéssemos os gases estufa, não haveria a nossa comunidade pelo intenso frio... Bem, entendi porque os gases são importantes, mas afinal, porque tanto sefala mal deles, se permitem que vivamos? Foi essa a pergunta que um coleguinhadesta menina a fez e ela prontamente respondeu... “Foi como eu te disse, o efeitoestufa é um processo natural, mas o homem vem interferindo nessa dinâmica,aumentando significadamente as emissões de gases estufa logo se têmaumentado consideravelmente o „armazenamento‟ dos raios solares em nossomundo trazendo um aumento da temperatura que pode por em risco a nossavida”. Este dia foi muito importante em minha vida, primeiro por ter descobertoque meus gases não iriam para a atmosfera, e sim utilizados para a geração deenergia, mas sem duvida o que fez deste dia o mais valioso, foi quando percebique eu, um aterro tão recriminado e odiado, estava dando a minha contribuiçãopara a melhora na qualidade de vida da minha comunidade. Sugiro que façamos, todos nós, eu e vocês queridos vizinhos, uma reflexão.Diminuímos a emissão de gases em nossa região, certo? Entendemos que já não
  • 13. 13funciono mais. Tudo bem até aqui? Mas, afinal e todos aqueles palavrões, o quesão aquilo? E mais. A nossa comunidade realmente foi beneficiada com o meufechamento e com essa geração de energia? Todos estão contentes com a atualsituação? E o poder público quais são as suas ações e responsabilidades com anossa comunidade? Qual é o seu comprometimento com a melhora da qualidadede vida da nossa querida Perus? Espero que tenhamos respostas para essas e tantas outras questões quedizem respeito ao nosso cotidiano, para que assim possamos, eu o famoso AterroSanitário Bandeirantes e a comunidade de Perus ter uma convivência tranqüila. Muitas questões... Algumas respostas...Certas dúvidas... Podemos iniciar esta discussão, a partir de uma fala de nosso vizinho, oaterro, quando diz que o gás metano seria “reaproveitado” e transformado emenergia, mas isso é realmente possível? Vamos conhecer a pouco divulgada usinaque faz esse trabalho limpo e que pode nos trazer essas e outras respostas... A Usina Termoelétrica Bandeirantes (UTEB) Realmente, desde o final de 2003 com a inauguração da Usina Termoelétrica Bandeirantes (UTEB), este gás, aliás, passaremos a chamá-lo de Biogás Energia Ambiental biogás, gerado pelo aterro é “transformado” em energia elétrica, o que contribui, como já falamos, para a redução da emissão de poluentes para a atmosfera. Usina Termoelétrica Bandeirantes Ah! Íamos esquecendo... Essa usina foi desenvolvida emconjunto entre a Biogás Energia Ambiental, que faz a captação do gás e dá
  • 14. 14encaminhamento as demais etapas para geração de energia e o Unibanco que foio financiador do projeto e ocupa uma área gentilmente cedida pela prefeitura emforma de concessão. Antes de continuarmos essa conversa, queríamos dizer que procuramosalguns textos que falam sobre a geração de energia a partir do biogás, e aindavisitamos a UTEB, para comprovar se realmente o processo de geração deenergia se dá como nos mostra os livros, aliás, sugerimos que quem tivercuriosidade, faça o mesmo... Vá fazer uma visitinha à usina e aproveite tambémpara conhecer o aterro, mas lembrem; as visitas são sempre agendadas. Engraçado, o nosso vizinho aterro é tão conhecido e mal amado, e junto aele tem essa tal usina que gera energia “limpa”... A UTEB ajuda a preservar omeio ambiente, e como veremos adiante, trás lucros à nossa região e quaseninguém conhece... Porque será? O poder público poderia trazer à população ummelhor esclarecimento sobre esta usina, não? Mas tudo bem, sigamos... Lembram-se que em nosso vizinho foi depositado, incríveis 35 milhões detoneladas de lixo? Pois é, os especialistas em geração de energia a partir do gás metano dos aterros, nos informa que cada tonelada de resíduo gera por volta de 200 m³ de biogás, e que se pode iniciar a Foto: Luis Fernando de Abreu captação desde alguns meses da compactação do lixo (em células), prosseguindo até 15Dutos para captação do gás metano anos após o fechamento do aterro, o“nosso” Bandeirantes, iniciou há apenas alguns anos a captação de biogás, como
  • 15. 15já dissemos, com a constituição da Usina Termoelétrica Bandeirantes em 2003, epodemos imaginar que teremos muito gás para os próximos anos... Como já vimos, por anos o gás metano gerado em nosso vizinho era jogadona atmosfera e respirávamos aquele terrível veneno, mas com o a nossa queridaUsina (UTEB), agora não tínhamos mais motivos para nos preocupar, pois ela pôsem funcionamento (será que podemos ficar tranquilos?) uma ampla rede decaptação do gás metano, a partir da construção de uma rede coletora (tubos) com43 km conectados aos 250 drenos verticais que trazem à superfície o gás geradopelo nosso não tão amado, mas agora não tão odiado, Aterro Bandeirantes. Bem, agora que já entendemos a captação do biogás, vamos ver como sedá a sua transformação em energia elétrica. Na verdade, a melhor forma deconhecer e entender esse processo com maior facilidade seria visitar a UTEB,mas até que todos tenham condições de conhecê-lo pessoalmente, daremos umasimplificada no processo, contando com a compreensão de vocês, queridosleitores, e mais, contando que venham a conhecer esse nosso querido vizinho.Vamos lá... Recolhido todo o gás, o encaminhamos para limpeza e secagem, comonem tudo é pureza e perfeição, parte do gás extraído do aterro não é aproveitado,para gerar energia, por não ter qualidade suficiente, durante essa fase separa-selíquidos que são escoados para um reservatório. Esse líquido é chamado dechorume branco, por apresentar coloração clara e ser o oposto do chorumeproduzido no aterro de coloração escura, mas podemos afirmar: ambos possuemum odor insuportável. O biogás neste momento se encontra com uma alta temperatura e depoisde separado líquidos e gases não aproveitáveis, passa por resfriadores, parapoder ser encaminhado ao moto-geradores, esses são grandes motores, queserão os responsáveis por funcionar turbinas que irão gerar energia elétrica... Mas gostaríamos de falar um pouco mais sobre esse processo, que podeparecer complicado mais não é, vamos pensar em um motor de carro, porexemplo, ele é movido à gasolina (pode ser a álcool, diesel ou GNV), ou seja,
  • 16. 16temos que colocar gasolina para ele funcionar, não é isso? Então no processo degeração de energia elétrica temos algo similar, há grandes motores, chamados demoto-geradores, que são abastecidos, não com gasolina, mas com o biogás...Mas gostaria de perguntar uma coisa a todos: vocês já ouviram dizer que um carronão anda com gasolina de má qualidade? Pois é, com os moto-geradores ocorre amesma coisa, se não houver um biogás rico em gás metano ele não conseguefuncionar e aí é impossível gerar energia. Por isso que se faz a separação do gásmetano e de líquidos que vem junto ao biogás. Vale lembrar que todo gásexcedente é queimado em um flair, que é uma espécie de chaminé, e como elesdizem lá na usina “destroem” o gás, não mandando para a atmosfera os terríveisgases não aproveitados. Durante a nossa visita os flaires não estavam sendo utilizados, pois todo ogás estava sendo encaminhado, para os moto-geradores, e pudemos ver que todoesse processo é controlado por um grande Painel de Controle que obedece aosmais rígidos sistemas de segurança, há assim uma grande preocupação para quenão ocorram acidentes e essa monitoração é fundamental para que se evitemexplosões, por exemplo. Se aumentar muito a concentração de Gás Metano(muito acima de 50%) e oxigênio acima de 3% se alarma a usina, se aconcentração de oxigênio chegar a 6% a usina é desligada automaticamente, massegundo o operador que nos acompanhou durante a nossa visita isso nuncaocorreu. Agora que esclarecemos muitas questões... Temos algumas respostas, nosfalta acabar com certas dúvidas. Tudo bem, já entendemos como se dá ofuncionamento de nossos vizinhos: o aterro e a usina, mas ainda persistem asdúvidas levantadas anteriormente, lembram? Os palavrões, o poder público, osinteresses da comunidade... Vamos tentar entender todos, e o mais importante:aonde a nossa comunidade se insere nesta discussão? Quais vantagensobtivemos com os nossos vizinhos, temos algo de positivo construído? Sim, poisaté agora, só foi prejuízo, ou quando muito alguns curativos para minimizar asporcarias feitas em nossa querida Perus.
  • 17. 17 Mas para nos ajudar nesta conversa recorreremos às lembranças da nossaquerida usina. Isso mesmo, ela tem lá suas histórias pra contar, ainda que sejajovem, ela já recebeu várias visitas e assim como o nosso outro vizinho, o aterro,também gostava de ficar bisbilhotando a conversa dos outros... Em uma bela manhã de quarta-feira um jovem mestre, de nome Ronaldinhodas Figueiras, que vivia discutindo as problemáticas ambientais e de gestãopública, foi fazer uma visita à usina, ele já era defensor de uma maior participaçãoda comunidade nas decisões locais, sempre dizia que somente uma sociedadeorganizada, teria condições de conquistar melhorias na qualidade de vida, pois sea tomada de decisões ficasse nas mãos do poder público ou do interesse privado,os chamados primeiro e segundo setores, haveria uma defesa pelos interessesdestes, em detrimento da vontade do chamado terceiro setor, ou seja, dasociedade. Ronaldinho destacava, ainda, o papel da Escola nesta conscientização, esempre falava da responsabilidade do professor de Geografia neste processo,sobretudo por tem uma visão mais ampla destas questões, logo teria muito acontribuir... Mas deixemos de blá blá blá e vamos ao que interessa; à conversa doprofessor neste dia de visita com sua jovem aluna, e intelectual Silvinha. Primeiro eles conversavam sobre a geração de energia, créditos decarbono, Protocolo de Kioto e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo,compostagem, reciclagem, para a seguir contextualizar o papel da comunidade edo poder público nestas discussões, e é claro, a nossa vizinha usina, ficou deouvidos bem abertos para entender toda essa história agora vai nos ajudar comseu relato... Os Palavrões... Bem, agora eu, a querida usina termoelétrica vai contar um pouco do queouvi nesta conversa; os famosos palavrões, ou seja, aquelas palavras, que paramim uma simples usina, em um primeiro momento, parece de difícil entendimento,mas que depois desta discussão, perceberemos que são conceitos
  • 18. 18descomplicados, mas de fundamental importância, para o desenvolvimento denossa comunidade, mas vamos lá... Como falamos acima, o professor e sua aluna começaram a falar sobre ageração de energia em minha usina. Mais que uma alegria para o nosso vizinhoaterro, que era da onde vinha biogás que seria transformado em energia elétrica,seria de grande alegria para toda a comunidade, uma vez que tal processo degeração de energia traria dinheiro para a nossa Perus, mas como isso seriapossível? Vejamos e aproveitaremos para conhecer outros palavrões... Já ouviram falar dos tais créditos de carbono? Pois é, daí que viria odinheiro para a nossa comunidade, mas afinal o que são esses tais créditos? Bem,antes temos que entender outro palavrão, que é o Protocolo de Quioto e conheceralguns outros lugares, para podemos entender esse conceito. Vamos viajar umpouco? Há muitos anos a problemática ambiental vem se tornando não só umaquestão de nossa comunidade, mas do mundo inteiro. Tal problema ganhoudimensão planetária, sobretudo após as décadas de 1940/50, com a explosão docapitalismo e seu consumo desenfreado, que contribuiu muito para a degradaçãodo meio ambiente. A partir deste momento, houve alguns encontros e conferências paradiscutir a criação de mecanismos que garantissem o desenvolvimentosocioeconômico, mas de forma que não se comprometesse a qualidade de vida edesenvolvimento, das gerações futuras. Entre esses encontros podemos destacara “Conferência de Estocolmo” na Suécia e a “Rio 92” (Eco 92), aqui no Brasil. Aparir deste momento intensificaram-se essas discussões e durante a 3ªConferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre MudançasClimáticas, realizada no Japão em 1997, firmou-se o “Protocolo de Kioto”. Este documento estabelecia o comprometimento, dos paísesindustrializados em reduzir as emissões de gás estufa, isto chamou a minhaatenção, pois ainda que seja uma usina e não entenda muito desses assuntos,pensei: e os chamados “países em desenvolvimento”? Mas não fiquei sem
  • 19. 19resposta, pois o professor Ronaldinho logo respondeu, que esses países, comoBrasil, China e Índia, por exemplo, não teriam metas de redução destes gases...Nossa, mas logo eles que são grandes poluidores? Mas sei lá, vai ver eu, umamísera usina esteja errada e os mentores deste protocolo, que são tão estudadosdevem saber o que fazem... Será que sabem mesmo? Quem sabe um dia nãoterei a reposta... B PROTOCOLO DE QUIOTO FAU-USP Legenda : : Países que ratificaram o protocolo. : Países que ratificaram, mas ainda não cumpriram o protocolo. : Países que não ratificaram o protocolo. : Países que não assumiram nenhuma posição no protocolo.
  • 20. 20agora que entendi esse tal de protocolo, fiquei interessado em saber o papel doBrasil, e afinal onde entra a minha Perus nessa discussão? E os tais créditos decarbono? Continuei atento na conversa entre o professor e sua aluna, e logodisseram que temos um papel importante nesta história toda, que seria aimplantação de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL)... Nossa lá vemesse palavrão, prestei atenção ainda mais na conversa e entendi que esse era ummecanismo onde se desenvolvia a chamada energia limpa, e como nós os“subdesenvolvidos” diminuíamos a emissão de gases poluentes, poderíamosvender aos países desenvolvidos o direito de poluir... Nossa! Outra loucura, e o pior é que nós estávamos no meio, eu (a usina) oaterro e toda a comunidade perusiana. Agora entendi quase tudo; quer dizer que omeu projeto de gerar energia elétrica a partir do gás metano, extraído do AterroBandeirantes era esse tal de MDL, e que a tal venda do direito a poluir, seria avenda dos créditos de carbono. Em palavras bonitas eles disseram que esses créditos são certificadosemitidos quando se dá a redução da emissão de gases do efeito estufa, sendoque esses créditos podem ser comercializados no mercado internacional, porémapenas os países chamados em desenvolvimento podem vendê-los, aos paísesindustrializados. Entendi o processo, mas fiquei extremamente decepcionado, pelo menospor um lado. Claro que o meu papel na redução de poluentes em nossa atmosferame gratifica, mas só em pensar que estou dando o direito a outros países decontinuarem poluindo, me entristeço, pois todos deveriam ter essaresponsabilidade, e não se aproveitarem da energia limpa gerada aqui em Perus. Mas essa relação de decepção e gratificação não se resume a essesfatores, fiquei sabendo que o dinheiro do leilão desse crédito de carbono, trouxerecursos parta a nossa comunidade, foi mais de R$ 30 milhões, momento degrande alegria, mas por outro lado, esse dinheiro todo, só pode ser revertido paraa área ambiental. Até aí tudo bem, mas o problema é que o poder público nãoconsidera o Homem, como parte integrante desse meio, pelo menos em minha
  • 21. 21opinião, digo isso porque não se pode construir um hospital para nossacomunidade, aliás, não temos nenhum; mas pode-se construir o Hospital dosmacaquinhos, a um custo de R$ 5 milhões... Na verdade o que se discutia era a construção de um hospital veterinário, eos opositores desta idéia, de forma pejorativa, e como forma de protesto passarama chamar esse empreendimento de ”hospital dos macaquinhos”. Enfim,continuaremos sem o nosso hospital, mesmo tendo verba disponível, mas acheiinteressante a fala do professor Ronaldinho sobre isto... ”Não se pode utilizá-lapara o „bicho Homem‟, só para os demais, temos a impressão que realmente nãofazemos parte do meio ambiente, e enquanto não tivermos uma visão sistêmica,ou seja, enxergar „o todo‟ e o homem como agente do meio ambiente, nãoconseguiremos encontrar alternativas para as problemáticas sócioambienteais...” Mas voltando a falar sobre a relação “custo-benefício”, realmente parecemuito dinheiro, afinal, mais de Rl$ 30 milhões, para quem nunca viu dinheiro navida é uma quantia realmente significativa, e até para a nossa subprefeitura essevalor é exorbitante e muito superior a todo o seu orçamento; mas será que o custoambiental de um aterro é só esse? Vale a pena recebermos essa quantia porrespirar por anos aquela porcaria de ar? O poder público vai dizer que sim, atéporque já iniciou a reforma das praças do bairro, as primeiras são: Vale do Saber(Jardim Monte Belo), Mogeiro (Vila Nova Perus) e Cuitegi (Vila Caiuba) eprincipalmente, porque agora em outubro (2008) acabou de acontecer o segundoleilão dos créditos de carbono, e a prefeitura vai receber por cada um dos seus713 mil créditos a quantia de € 19, 20, somando um total de R$ 37 milhões.Desculpe a sinceridade de uma usina sem estudos e ignorante, mas acho quenão, a nossa qualidade de vida vale muito mais... Muito mais mesmo! Diante da conversa que presenciei, me tornei uma usina questionadora, epenso que a comunidade de Perus, bem que poderia ter acesso a essasdiscussões, afinal, será que realmente temos a necessidades desses tais aterrossanitários, ou poderíamos dar outro destino aos resíduos, ou quem sabe,poderíamos pensar em reduzir essa emissão... A cada momento ficava mais
  • 22. 22interessado na conversa dos meus visitantes, e ainda bem que não me deixaramsem resposta; logo passaram a discutir, essas questões e outras relativas aosfamosos, poder público e interesse privado. E o mais interessante é quefinalmente poderemos conhecer os últimos palavrões: compostagem, reciclagem epreciclagem... Uma alternativa aos aterros Os meus queridos e estudiosos visitantes fizeram uma reflexãointeressante, e provocaram duas estudantes que passavam ali e se interessarampela conversa. Essas duas meninas eram as irmãs Ana Lúcia e Ana Maria, efaziam parte de um grupo que estava fazendo uma visita ao meu vizinho, o Aterro,mas desgarraram-se de seu grupo e foram ver o que tanto Ronaldinho e Silviadiscutiam. Ao se aproximarem Ronaldinho percebeu a curiosidade das meninas eperguntou em tom de provocação, se elas sabiam que estavam passando emcima de mais de 35 milhões de lixo compactados, elas já conheciam toda ahistória do aterro, até porque moravam logo ali ao lado, e eram extremamentecomprometidas com o meio ambiente, e responderam a provocação de nossoquerido professor de forma surpreendente... Logo falaram que elas eram comprometidas com as questões ambientais, enão concordavam com os “ecobobos” e seus discursos ecologicamente corretos,lembrando, que do discurso a pratica, existia um grande caminho e que elasfuturas professoras de Geografia realmente tinham que se preocupar com aeducação e conscientização da comunidade, pois só assim, realmenteconseguiriam alcançar melhorias na qualidade de nossa comunidade, e nãoficariam presas à “boa” vontade do poder público. Vocês não imaginam como o nosso professor ficou surpreso com a fala dasmeninas, uma vez que realmente a falta educação constitui um grande obstáculo aimplementação de qualquer projeto dito ambiental. Mas uma vez provocadas, asmeninas não pararam... Perguntaram ao professor se ele sabia que em nossa cidade atualmente 74bairros são atendidos pela coleta seletiva, e que Perus não era “contemplada” com
  • 23. 23essa coleta. Que em nosso bairro existe um Ecoponto, que é o lugar de entregavoluntária de pequenos volumes de entulho (até 1 m³), grandes objetos (móveis,poda de árvores etc.) e resíduos recicláveis, mas que por conta da falta deeducação (desconhecimento) já haviam presenciado um morador vizinho a esseponto de coleta de entulho, despejando vários carrinhos de “restos de construção”na via pública... Mas uma vez provocadas, as meninas não pararam... Falaram ao professor que curiosas, foram visitar um bairro da zona norteatendido por essa coleta seletiva do lixo, o Parque Peruche, e constataram, semse surpreender (afinal sem educação nada funciona) que em um quarteirão, commais de 80 casas apenas 7 descartavam o chamado “reciclado”. Mas uma vezprovocadas, as meninas não pararam... Devolveram a provocação, perguntando ao professor se ele fazia apreciclagem, e o que ele pensava da compostagem, e diante da resposta (positivae explicativa) do professor, continuaram a discussão, a essa altura, eu já meconsiderava uma usina pós-graduada em temáticas ambientais, diante de tãoprodutiva conversa, mas queria mais, e tive muito mais... Ana & Ana consideraram a importância da preciclagem, pois já no ato dacompra de certo produto pode-se escolher os que possuem menos embalagens,ou os que são mais fáceis de reciclar, enfim, seguem o slogan simples e sensato:"Reduza o lixo antes de comprá-lo" ou "Não compre lixo"! Mas uma vezprovocadas, as meninas não pararam... Sobre a compostagem, citaram a grande quantidade de matéria orgânicapresente em nosso lixo; mais da metade do que descartamos é matéria orgânica,que poderia ser reaproveitada e transformada em abudo natural, o que contribuiriaduplamente para a preservação do meio ambiente: primeiro por se reduzir osresíduos encaminhados aos aterros, e segundo ao diminuir a produção defertilizantes (químicos) que comprometem seriamente a natureza. Entãopensemos: só com a compostagem poderíamos reduzir a quantidade de lixo donosso vizinho em mais de 18 milhões de toneladas, e isso ninguém fala, e muito
  • 24. 24menos as escolas trabalham essas informações. Mas uma vez provocadas, asmeninas não pararam... Agora que as meninas apresentaram as primeiras alternativas ao aterro,elas seguem falando sobre a reciclagem. Hoje menos de 4% do lixo produzido noBrasil é reciclado, se pensarmos que poderíamos aumentar essa quantidade empelo menos 30%, chegaríamos a conclusão que o nosso aterro teria menos 8milhões de toneladas de lixo. E o mais importante, menos lixo significaria menosgás em nossa atmosfera, e melhor qualidade de vida a nossa comunidade. Sobrea reciclagem elas também acham importante considerar esse projeto como defundamental importância enquanto política de inclusão social, geração de renda ediminuição da desigualdade socioeconômica. Mas uma vez provocadas, asmeninas não pararam... Ana Lúcia chamou a atenção para um ponto que é pouco discutido, e quena cabeça dos “ecobobos” nem deve existir, e que vai além da discussão de sepreciclar, reduzir, reaproveitar, reciclar... Propôs que pensássemos na quantidadede matéria prima e energia (por exemplo) que deixaríamos de consumir comessas ações, logo, estaríamos colaborando com o tão divulgado, e poucorealizado desenvolvimento sustentável, uma vez que estaríamos preservando eoferecendo condições para as gerações futuras tivessem “seu desenvolvimento”socioeconômico. Mas uma vez provocadas, as meninas não pararam... Nossa, a cada novo argumento das meninas o professor Ronaldinho, ficavamais espantado com o interesse e comprometimento das futuras professoras, quea todo momento falavam que mais importante que ter todo esse conhecimento,seria trabalhar junto à comunidade de Perus essas informações, para que acomunidade organizada, pudesse, questionar o poder público. Uma coisa posso dizer, eu, uma usina já não tão ignorante, considerava adestinação de lixo ao aterro, nessas proporções, algo inconcebível. Tudo bem,podemos ter aterros. Pensemos em nosso vizinho o Aterro Sanitário Bandeirantes,ele é importante e necessário, mas com as medidas citadas pela irmãs Ana &Ana,
  • 25. 25hoje ele teria uma quantidade infinitamente menor de lixo e poderia ficar emfuncionamento por mais de 50 anos, pelo menos... Já se findava o dia e a conversa tinha sido altamente produtiva, as meninasvoltaram para o seu grupo, depois de devolver todas as provocações ao professor,que A PARTIR daquele momento, passou a questionar ainda mais o poderpúblico, pois afinal, diante de tudo o quer foi dito, qual a posição do nosso primeirosetor? Será que eles consideram importante manter o sistema de coleta de lixonos moldes atuais? E mais... E a Educação? Bem eu me despeço, e passo a palavra a outros que possam trazer novosesclarecimentos à nossa comunidade, mas com certeza hoje estou feliz porentender que existem pessoas realmente preocupadas com a nossa realidade... O poder público, e o interesse das empresas... E a comunidade? Podemos perceber que realmente temos grandes problemas em nossacomunidade, sendo analisada aqui a questão do lixo, mas não podemos deixar deconsiderar a falta de interesse político como um dos maiores problemas de nossaregião. Aliás, nem deveríamos chamar isto de falta de interesse, pois na verdade oque mais se tem neste momento são interesses, mas esses não são os dacomunidade, e sim do poder público e das empresas envolvidas nestas questões.Se não vejamos. Como já foi citado a reciclagem e a compostagem são fundamentais para aredução do lixo, um grande problema hoje, não só em nossa cidade, mas em todoo planeta, mas para o poder público a implementação destas práticas, têm umcusto altíssimo, sem contar que da maneira como é feita atualmente nãoconsegue produzir resultados satisfatórios, pois falta educação à comunidade e asações não se dão em parceria com a escola, que poderia (e deveria) ser parteintegrante neste processo, desta forma falta interesse ao poder público ematender a nossa comunidade. Bem, se falta interesse por um lado, o de atender a comunidade, sobra“interesses” do outro, sobretudo os das empresas envolvidas nesse processo.Primeiro porque é mais fácil gastar milhões com transporte de lixo, com os aterros,
  • 26. 26por exemplo, do que investir em educação, que dá muito mais trabalho, aindamais em nosso falido sistema educacional. Segundo, e aí fica mais evidente ointeresse das empresas particulares envolvidas na questão do lixo, qual ointeresse em se diminuir a quantidade de lixo destinada aos aterros, uma vez quecom esse sistema de créditos de carbono, obtém-se lucro à custa da nossaqualidade de vida? Assim, fica muito claro quanto sobra interesse de um lado, e quanto falta dooutro, e o poder público que em tese, deveria atender aos anseios da nossacomunidade, está a serviço, primeiramente, das empresas particulares... Enfim, isso é um pouco de nossa realidade, triste e dura realidade, quecontrapõem interesses e que mostra a importância da Educação para a resoluçãodos problemas, pois somente com grande comprometimento e envolvimento denossa comunidade, apoiada na Educação, é que poderemos questionar o poderpúblico, de forma a atender os nossos interesses, e principalmente, que possamosmostrar que somos parte de um sistema, e que não devemos ser relegados a umsegundo ou terceiro plano nestas discussões. Afinal, ainda que nos encontremosneste longínquo bairro do extremo norte da capital, temos uma comunidade,temos uma população, temos sentimentos, temos famílias, temos filhos e quefazemos parte do meio ambiente, ainda que nem todos pensem assim...