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Brasil colonial 1 tmp

  1. 1. COLÉGIO MILITAR DE CAMPO GRANDE DISCIPLINA DE HISTÓRIA 1º ANO DO ENSINO MÉDIO ASSUNTO: BRASIL COLONIAL (1530/1822) A partir de 1530 o interesse dos portugueses em relação ao Brasil mudou em função: − da constante e crescente presença francesa no litoral do Brasil, ameaçando a posse da terra. − da decadência do comércio com as Índias: problemas financeiros. − da descoberta de metais preciosos na América Espanhola, havendo a possibilidade do mesmo acontecer com o Brasil. O início da colonização brasileira foi marcada pela expedição de Martim Afonso de Souza, que possuía três finalidades: iniciar o povoamento da área colonial, realizar a exploração econômica e proteger o litoral contra a presença de estrangeiros. Para efetivar o povoamento, Martim Afonso de Souza fundou a vila de São Vicente, em 1532 e o primeiro engenho: Engenho do Governador. Também iniciou a distribuição de sesmarias, isto é, grandes lotes de terra para pessoas que se dispusessem a explorá-los. ADMINISTRAÇÃO COLONIAL A administração colonial portuguesa no Brasil girou entre dois eixos: o centralismo político - caracterizado por uma grande intervenção da Metrópole, para um melhor controle da área colonial e o localismo político -marcado pela descentralização, atendia os interesses dos colonos, em virtude da autonomia dos poderes locais para com a Metrópole. 1. AS CAPITANIAS HEREDITÁRIAS: (1534- 1759) implantadas em 1534, por D. João III, objetivavam garantir a posse colonial e compensar as sucessivas perdas mercantis do comércio com as Índias. Pelo sistema, o custo da ocupação, exploração e proteção da colônia era transferido para a iniciativa privada. Semelhante processo de colonização já fora adotado pelos portugueses nas ilhas do Atlântico. O Brasil foi dividido em 15 capitanias que foram entregues as 12 donatários. O sistema de donatárias possuía sua base jurídica em dois documentos: -Carta de Doação: documento que estabelecia os direitos e deveres do donatário e outorgava a posse das terras ao capitão donatário. É importante notar que o donatário não possuía a propriedade da terra, mas sim a posse, o usufruto; cabendo ao rei o poder ou não de tomar a capitania de volta. -Foral: documento que estabelecia os direitos e obrigações dos colonos. Pelo regime das donatárias, os capitães donatários possuíam amplos poderes administrativos, jurídicos e militares, sendo por isto caracterizado como um sistema de administração descentralizado. Resumidamente,pela Carta de Doação tais direitos e deveres eram: • o direito de administrar a capitania e as pessoas que lá viessem a residir. • o direito de fundar vilas, nomear funcionários, cobrar impostos e distribuir as sesmarias (lotes concedidos para o cultivo). • Como deveres tinham que entregar à vigésima parte das rendas da pesca e do pau-brasil (monopólio da coroa) e dez por cento da produção para a Igreja ( dízimo). Fracasso do sistema: de um modo geral esse sistema fracassou em virtude de: • Falta de recursos financeiros de alguns donatários; • Constante ataque dos indígenas; • Distância da metrópole; • Falta de comunicação entre as capitanias; • Desinteresse de alguns donatários. • O tamanho das capitanias; • Ausência de um órgão político metropolitano para um maior controle sobre os donatários.No entanto duas capitanias prosperaram: São Vicente e Pernambuco. • São Vicente: recebeu ajuda da Coroa, guerra com os índios, solo fértil para a cana-de-açúcar e, além disso mantinha contatos com a região do Prata e iniciaram uma nova atividade comercial: a escravidão do índio.
  2. 2. • Pernambuco: capital do donatário, acordo com os indígenas, proximidade com Portugal e soloadequado para o cultivo da cana.2. O GOVERNO-GERAL (1548 - 1815)• Motivo da criação: o fracasso do sistema de Capitanias.• Objetivos: centralizar a administração e dar apoio e ajudas as capitanias.Como vimos as capitanias não foram extintas: com o tempo as capitanias foram passando para o domínioreal, porque Portugal ou as confiscava por abandono, ou as comprava dos herdeiros. Contudo, a últimacapitania só desapareceu em 1759, por determinação do ministro do rei D. José I, o marquês de Pombal.Nesse sistema os donatários passaram a prestar obediência ao governador-geral sendo que o governador era orepresentante do rei na colônia. O Governador-geral era nomeado pelo rei por um período de quatro anos.• Documento: o documento que criou o sistema foi o Regimento de 1548: conjunto de leis quedeterminava as funções administrativa, judicial, militar e tributária do governador-geral.• Assessores:− Ouvidor-mor: Justiça.− provedor-mor: Finanças (negócios da Fazenda).− capitão-mor: defesa da costa.− alcaide-mor: chefe da milícia.A seguir, os governadores-gerais e suas principais realizações:Tomé de Souza (1549/1553)-fundação de Salvador, em 1549, primeira cidade e capital do Brasil;-criação do primeiro bispado do Brasil (1551);-vinda dos primeiros jesuítas, chefiados por Manuel da Nóbrega, e início da catequese dos índios;-ampliação da distribuição de sesmarias;-política de incentivos aos engenhos de açúcar;-introdução das primeiras cabeças de gado;-proibição da escravidão indígena e início da adoção da mão de obra escrava africana.Duarte da Costa (1553/1558)-conflitos entre colonos e jesuítas envolvendo a escravidão indígena( escravização e perseguição dosindígenas, contrariando ordens de Portugal)-invasão francesa no Rio de Janeiro, em 1555 pelo huguenotes (protestantes), e fundação da França Antártica;-fundação do Colégio de São Paulo, no planalto de Piratininga pelos jesuítas José de Anchieta e Manuel dePaiva;-conflito do governador com o bispo Pero Fernandes Sardinha, em virtude da vida desregrada de D. Álvaroda Costa, filho do governador.Mem de Sá (1558/1572)-aceleração da política de catequese, como forma de efetivar o domínio sobre os indígenas;-início dos aldeamentos indígenas de jesuítas, as chamadas missões;-restabelecimento das boas relações com o bispado;-expulsão dos franceses e fundação da Segunda cidade do Brasil, São Sebastião do Rio de Janeiro, em 1565.- confederação dos Tamoios.3. DIVISÃO DO BRASIL EM DOIS GOVERNOS: com a morte de Mem de Sá, a Metrópole dividiua administração da colônia entre dois governos, regulamentado pela Carta Régia de 1572.• Do norte: entregue a D. Luís de Brito, que se instalou em Salvador.• Do sul: entregue a D. Antônio Salema, instalado no Rio de Janeiro.4. CÂMARAS MUNICIPAIS: com o surgimento das cidades, tornou-se necessário a criação de órgãoslocais, como as Câmaras municipais compostas por grandes proprietários de terras e mineradores ricos.Foram inspiradas na legislação romana.
  3. 3. Os administradores das vilas, povoados e cidades reuniam-se na Câmaras Municipais, que garantiam a participação política dos senhores de terra. As Câmaras Municipais eram compostas por um juiz nomeado pela Coroa, por 3 vereadores eleitos pelos homens bons( grades proprietários) e por um procurador. Funções: • Integrar a administração municipal com a Capitania e a Coroa; • manifestar as aspirações das vilas; • recolher recursos destinados ao município e a capitania.Como as vilas eram isoladas e, embora o sistema fosse centralizado no governo da Capitania e da Colônia, as Câmaras municipais adquiriram grande autonomia e representavam o localismo político na luta contra o centralismo administrativo português. 5. UNIÃO IBÉRICA ( 1580/1640): D. Sebastião, rei de Portugal, morreu em 1578 durante a batalha de Alcácer-Quibir contra os mouros sem deixar herdeiros diretos. Entre 1578 e 1580 o reino de Portugal foi governado por D. Henrique, tio-avô de D. Sebastião - que também morreu sem deixar herdeiros. Foi neste contexto que o rei da Espanha, Filipe II, neto de D. Manuel invadiu Portugal com suas tropas e assumiu o trono, iniciando o período da União Ibérica, onde Portugal ficou sob domínio da Espanha até 1640. Com o domínio espanhol sobre Portugal, automaticamente as colônias portuguesas ficaram sob a autoridade da Espanha. Este domínio implicou mudanças na administração colonial como: • aumento da autoridade do provedor-mor para reprimir as corrupções administrativas; • houve uma divisão da colônia em dois Estados: o Estado do Maranhão ( norte ) e o Estado do Brasil ( sul ), com o objetivo de exercer um maior controle sobre a região. O estado do Maranhão foi extinto pelo Marques de Pombal. • suspensão temporária dos limites impostos pelo Tratado de Tordesilhas, contribuindo para a chamada expansão territorial; • invasão holandesa no Brasil. 6. RESTAURAÇÃO PORTUGUESA( 1640): foi um movimento lusitano pela restauração da autonomia do reino de Portugal, liderado pelo duque de Bragança. Após a luta contra o domínio espanhol, inicia-se uma nova dinastia em Portugal -a dinastia de Bragança. O domínio espanhol arruinou os cofres portugueses e levou Portugal a perder importantes áreas coloniais, colocando Portugal em séria crise econômico-financeira. D. João IV intensifica a exploração colonial criando um órgão chamado Conselho Ultramarino. Através do Conselho Ultramarino, o controle sobre a colônia não era apenas econômico, mas também político: as Câmaras Municipais tiveram seus poderes diminuídos e passaram a obedecer ordens do rei e dos governadores. D. João IV também oficializou a formação da Companhia Geral do Brasil, que teria o monopólio de todo o comércio do litoral brasileiro e o direito de cobrar impostos de todas as transações comerciais. Após pressões coloniais, a Companhia foi extinta em 1720. 6. A IGREJA E A COLONIZAÇÃO: a administração eclesiástica acompanhou no Brasil Colonial a própria evolução administrativa da Colônia, ou seja, a criação de capitanias, comarcas e freguesias eram acompanhadas também pela criação de prelazias, dioceses e paróquias. A igreja Católica teve um papel de destaque na colonização americana. Várias ordens religiosas atuaram no Brasil: carmelitas, dominicanos, beneditinos entre outras, mas o maior destaque foi a Companhia de Jesus, os jesuítas. A ação catequista dos jesuítas na colônia gerou um intenso conflito com os colonos, que queriam escravizar os índios. A existência de um grande número de índios nos aldeamentos de índios - as Missões, atraía a cobiça dos colonos, que destruíam as Missões e vendiam os índios como escravos. A Companhia de Jesus, criada em 1534, por Inácio de Loyola, surgiu no contexto da Contrarreforma e com o objetivo de consolidar e ampliar a fé católica pela catequese e pela educação. A Companhia de Jesus, pela catequese, não tinha exatamente intensões humanitárias, pois dominavam culturalmente os índios, facilitando sua submissão à colonização e impondo um novo modo de vida. O excedente de produção - realizado pelo trabalho indígena - era comercializado pelos jesuítas. A catequização do índio fortaleceu e incentivou a escravidão negra, pelo tráfico negreiro. A Companhia de Jesus pela Educação: a igreja Católica monopolizou as instituições de ensino até o século XVIII, sendo que a Companhia de Jesus foi instrumento fundamental. Com isso o ensino desenvolveu-se influenciado pela cultura religiosa do colonizador. Os jesuítas divulgaram a fé, formando novos súditos tementes a Deus e obedientes ao rei, pois catequizavam os índios e educavam os filhos dos colonos exercendo um papel de grande importância até sua expulsão pelo Marques de Pombal. Sua presença
  4. 4. foi tão significativa que seus colégios constituíram-se enquanto marcos da ação colonizadora portuguesa naAmérica. Quanto à escravidão do negro, tanto os jesuítas quanto a Igreja Católica, no período colonial, selimitavam ao repúdio às torturas e aos maus tratos, não havendo, porém, questionamento da escravidãoenquanto instituição: as desigualdades terrenas são reconhecidas pelos jesuítas, que elegem como espaço dejulgamento o fórum divino. O negro foi excluído da catequese e do processo de educação porque existia acrença de que o negro não tinha alma ECONOMIA COLONIAL Em meados do século XVI, Portugal começou a sentir dificuldades em sustentar seu império colonialno Oriente e na África e em manter a luxuosa Corte Metropolitana. Os problemas econômicos obrigaram-noa buscar novas alternativas, entre elas a efetiva ocupação do Brasil. A primeira atividade econômica na colônia foi a extração do pau-brasil ( período pré-colonial ),como já estudamos na aula anterior. A extração era efetuada pelos indígenas e em troca do trabalho, oseuropeus davam produtos manufaturados de baixa qualidade. Esse comércio é chamado de escambo e nãoefetivou a colonização brasileira. Isso só foi possível com o cultivo da cana-de-açúcar.1. PRODUÇÃO AÇUCAREIRAPortugal não encontrou, imediatamente, os metais preciosos na área colonial. Para efetivar a posse colonial eexploração da área, a Metrópole instala no Brasil a colonização baseada na lavoura da cana-de-açúcar comtrabalho escravo.1.1. Razões da escolha:• O açúcar era um produto muito procurado na Europa;• Portugal já tinha uma experiência anterior nas ilhas do Atlântico.• Solo (massapê)e clima favoráveis.1.2. Histórico: a cana foi introduzida pela primeira vez no Brasil, na Capitania de São Vicente, por MartimAfonso de Sousa, em 1532. Na vila de São Vicente, no litoral paulista, ele construiu o primeiro engenho deaçúcar - o engenho dos Erasmos.(Engenho do governador) Em 1540 havia engenhos nas capitaniashereditárias de São Vicente e de Pernambuco. Em 1560, já havia 62 engenhos na colônia. O nordeste(principalmente em Pernambuco e na Bahia) tornou-se a principal região produtora de cana-de-açúcar.1.3. Características da produção açucareira no Brasil: Para atender as necessidades do mercadoconsumidor europeu a produção teria de ser em larga escala, daí a existência do latifúndio (grandepropriedade) e do trabalho escravo. Latifúndio monocultor, escravista e exportador formavam a base daeconomia colonial, também denominado PLANTATION.1.4. Capital holandês: a instalação de um engenho produtor de açúcar era muito cara, necessitava de muitodinheiro. Para montar a moenda, comprar escravos, transportar colonos de Portugal para o Brasil, comprar oualugar navios para transportar o equipamento e sustentar o engenho até o açúcar dar lucro. Por isso Portugal recorreu ao capital dos holandeses, mas estes fizeram algumas exigências como odireito de refinar e negociar o açúcar, isto é comercializar o açúcar nos mercados europeus. O açúcar eratransportado do Brasil para Portugal pelos comerciantes portugueses. Os holandeses iam buscá-lo emPortugal e o levaram para Amsterdã, na Holanda. Lá o açúcar era refinado e vendido pelos holandeses emvários países da Europa como França, Inglaterra e outros. Como nessa época fazer comércio era muito maislucrativo do que produzir, os holandeses ficaram com a maior parte dos lucros do açúcar brasileiro.1.5. O engenho: as unidades açucareiras agroexportadoras eram conhecidas por engenhos e estavam assimconstituídas:-terras para o plantio da cana;-a casa-grande, que era a moradia do proprietário;-a senzala, que abrigava os escravos;-uma capela;-a casa de engenho, onde se concentrava a principal tarefa produtiva de transformação da cana-de-açúcar.
  5. 5. A casa de engenho, por sua vez, era formada pela moenda, onde a cana era esmagada, extraindo-se ocaldo; a casa das caldeiras, onde o caldo era engrossado ao fogo e, finalmente, a casa de purgar em que omelaço era colado em formas para secar. O açúcar, em forma de "pães de açúcar" era colocado em caixas deaté 750 Kg e enviado para Portugal.Havia dois tipos de engenhos. Engenhos reais eram aqueles movimentados por força hidráullica; e EngenhosTrapiches -mais comuns -movidos por tração animal. A produção de aguardente, utilizada no escambo deescravos, era realizada pelos "molinetes" ou "engenhocas". Muitos fazendeiros não possuíam engenhos,sendo obrigados a moer a cana em outro engenho e pagando por isto, eram os chamados senhores obrigados.1.6. Maiores centros produtores de açúcar: o Nordeste era o principal centro produtor (PE e BA).1.7. Motivos da utilização da mão de obra escrava do negro:− a plantation exigia uma grande quantidade de trabalhadores.− crise demográfica portuguesa.− a inviabilidade da utilização da mão de obra branca, devido à sua escassez e ao seu custo.− os trabalhadores europeus não se sentiam atraídos em trabalhar na colônia: difíceis condições de trabalho.− os lucros proporcionados pelo tráfico de escravos.− os índios foram utilizados como escravos no início da economia canavieira, contudo, demonstrou-seincompatível com a produção açucareira e foram substituídos pelos negros africanos.− a alta lucratividade operada pelo tráfico negreiro, que, para ser mantida, necessitava manter a Escravidãonegra.A mão de obra africana contribui para a acumulação de capitais no tráfico -como mercadoria e tambémcomo força de trabalho na produção do açúcar.1.8. Tráfico negreiro: a implantação da escravidão na área colonial serviu de elemento essencial no processode acumulação de capitais. Os negros eram capturados na África e conduzidos para o Brasil em navios( navios negreiros ), chamados de tumbeiros. Quando chegavam ao Brasil era exibidos como mercadoriasnos principais portos. Quando se rebelavam eram punidos com muito rigor. Muitos desenvolviam o banzo.Eram embarcados geralmente em Angola, Moçambique e Guiné e desembarcados em Recife,Salvador e Rio de Janeiro. Os principais grupos que vieram para o Brasil foram :• Os sudaneses: oriundos da Nigéria, Daomé, Costa do Ouro (Ioruba, Jejes, Fanti-ashantis).• Os bantos: divididos em dois grupos (angola-congoleses e moçambiques).1.9. Quilombos: comunidades negras formadas por escravos que fugiam dos seus senhores e passavam aviver em liberdade. O mais importante foi o Quilombo dos Palmares, que localizava-se no atual estado deAlagoas (Serra da Barriga).O quilombo de Palmares simbolizava a liberdade e, por isso, era uma atração constante para novas fugas deescravos, representava uma ameaça a ordem escravocrata. Os quilombolas produziam e faziam um pequenocomércio com as aldeias próximas e tiveram como grande líder Zumbi. Em 1694, foi destruído pelo paulistaDomingos Jorge Velho, contratado pelos senhores nordestinos.1.10. Razões da decadência da produção açucareira: com a expulsão dos holandeses de Pernambuco,estes foram para as Antilhas e iniciaram a produção de cana trazendo graves prejuízos para o Brasil:• Deixaram de comprar o açúcar brasileiro pois produziam eles mesmos.• Vendiam açúcar por um preço mais baixo do que os portugueses, levando a uma queda dos preçosinternacionais.1.11. Sociedade colonial açucareira: era uma sociedade caracterizada pelo caráter predominante dotrabalhador escravo, base da economia colonial e do prestígio do grande proprietário. O engenho era ocentro dinâmico de toda a vida colonial e onde a pouca vida urbana era mero prolongamento da vida rural,ou seja, uma organização social intimamente articulada à propriedade e à riqueza. São características dessa sociedade:
  6. 6. • O patriarcalismo: maior parte dos poderes se concentrava nas mãos do senhor de engenho. Com autoridade absoluta, submetia todos ao seu poder: mulher, filhos, agregados e qualquer um que habitasse seus domínios. Cabia-lhe dar proteção à família, recebendo, em troca, lealdade e deferência. Essa família podia incluir parentes distantes, de status social inferior, filhos adotivos e filhos ilegítimos reconhecidos. Seu poder extrapolava os limites de suas terras, expandindo-se pelas vilas, dominando as Câmaras Municipais.• O ruralismo: o campo era o centro dinâmico dessa sociedade.• A falta de mobilidade social: era uma sociedade dividida em camadas bem definidas, sendo muitoraro alguém conseguir ascender na posição social. Não havia a possibilidade do escravo chegar à condição desenhor ou do senhor descer à posição de escravos. 2. MINERAÇÃO2.1. CONTEXTO EUROPEU: INGLATERRA/PORTUGAL : Portugal enfrentava enormes dificuldadeseconômicas e financeiras com a perda de seus domínios no Oriente e na África e após 60 anos de domínioespanhol durante a União Ibérica (1580-1640).2.2. BRASIL E A CRISE ECONÔMICAAté o século XVII, a economia açucareira era a atividade predominante da colônia e o interessemetropolitano estava inteiramente voltado para o seu desenvolvimento. Porém, a partir de meados do séculoXVII, o açúcar brasileiro sofreu a forte concorrência antilhana, claro, os holandeses, uma vez “expulsos”passaram a produzir em suas colônias no Caribe, fazendo com que a Coroa portuguesa voltasse a estimular adescoberta de metais.2.3. A DESCOBERTA DO OURO: as bandeiras paulistas foram para o interior em busca de ouro eutilizaram como rota grandes rios como o Tietê, o Paraná e o Rio Grande. Em 1674, destacou-se a bandeirade Fernão Dias Pais, que, apesar de não ter descoberto metais preciosos, serviu para indicar o caminho parao interior de Minas. Poucos anos depois, a bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva – o Anhangüera –abriria caminho para o Brasil central (Goiás e Mato Grosso).Na medida em que a mineração foi se desenvolvendo, Portugal passou a impor a colônia uma administraçãomais rígida, mais opressora. A rigidez e a opressão administrativas tinham por objetivo assegurar osprivilégios da metrópole sobre a colônia e impor o absoluto controle metropolitano sobre tudo o queestivesse relacionado à economia colonial. 2.4. REGIMENTO DE 1702: Para garantir o domínio sobre a mineração, Portugal decretou o Regimentode 1702, que era um conjunto de novas leis regulamentando a extração mineral na colônia e criou osseguintes órgãos:Intendência das Minas:eram órgãos administrativos responsáveis pelo policiamento da mineração, pelafiscalização e direção da 0065ploração das minas. Funcionavam como um tribunal que julgava todos oscasos relacionados à mineração e era responsável pela cobrança de impostos.Em cada capitania onde se extraía ouro havia uma intendência que funcionava como governo autônomo,independente das demais autoridades. Cada intendência era composta por um superintendente e por umguarda-mor.Casas de fundição: local onde o ouro era transformado em barra e marcado com o selo real e já cobravam aparte da coroa.Datas: nome dado às propriedades concedidas aos mineradores.2.5. DESCOBERTA DO OURO: todo ouro pertencia a coroa, portanto assim que descobrisse uma jazida, ominerador tinha que comunicar o fato imediatamente as autoridades da Intendência. Se não comunicasseseria preso e julgado por crime de lesa-majestade.Ao ser informado da descoberta , o guarda-mor, dividia a área em datas que eram depois sorteados entre oscandidatos. O descobridor tinha o direito de escolher os 2 primeiros lotes e o 3º ficava para a coroa. Otamanho do lote sorteado dependia do número de escravos que o minerador possuía.
  7. 7. 2.6. FORMAS DE EXPLORAÇÃO DAS MINAS. Havia dois tipos de exploração do ouro: -as lavras: a grande empresa mineradora, com utilização de trabalho escravo, ferramentas e aparelhos; -a faiscação: a pequena empresa, que explorava o trabalho livre ou escravos Alforriados. 2.7. COBRANÇA DE IMPOSTOS ◦ quinto: era a quinta parte do minério extraído, ou 20% sobre o ouro extraído. • Capitação: imposto cobrado sobre o número de escravos que o minerador possuía. • Finta: quantia de 100 arrobas (1500 quilos) pagas por ano a coroa. • Derrama: cobrança violenta dos impostos atrasados, caracterizado pelas agressões e até pelo assassinato cometido pelas autoridades portuguesas.8. EXPLORAÇÃO DE DIAMANTES: por volta de 1729, Bernardo da Fonseca Lobo descobriu as primeiras jazidas diamantíferas noarraial do Tijuco ou Serro Frio, hoje Diamantina. Teve início, assim, a exploração dos diamantes, que, como a do ouro, também era considerada um monopólio régio. Em 1733, foi criado o Distrito Diamantino, única área demarcada em que se podia explorar legalmente as jazidas. A exploração era livre, mediante o pagamento do quinto e da capitação sobre o trabalhador escravo. Em 1739, a livre extração cedeu lugar ao sistema de contrato, que deu origem aos ricos contratadores, como João Fernandes, estreitamente ligado à figura de Xica da Silva. Diante das irregularidades e do desvio dos impostos, além do alto valor que alcançavam as pedras na Europa, em 1771, foi decretada arégia extração, que contava com o trabalho de escravos alugados pela coroa. Posteriormente, com nova liberação da exploração, foi criado o Livro de Capa Verde, contendo o registro dos exploradores, e o Regimento dos Diamantes, procurando disciplinar a extração. Contudo, o monopólio estatal sobre os diamantes vigorou até 1832. 2.9. CONSEQUENCIAS DA MINERAÇÃO: Vila Rica tornou-se importante cidade e centro de atenção da Coroa Portuguesa. Econômicas.  Crescimento do comércio e a integração a região sul, fornecedora de carne e animais de tração.  O gado passou a ter grande importância econômica, servia como alimento e como meio de transporte. A mula teve um papel fundamental, pois era a única capaz de percorrer grandes distancias.  Os tropeiros eram responsáveis pelo transporte de mercadorias de uma região para outra.  Intensificação do comércio no Nordeste visando comprar escravos.  Intensificação do comércio com o exterior visando comprar produtos de luxo.  Deslocamento do eixo econômico do Nordeste (Salvador) para o Nordeste (RJ)  O ouro em pó era moeda e serviu para gerar inflação na região. Medida usada, a oitava. Sociais.  Aumento da população com a vinda de 800 mil portugueses.  O deslocamento de 600 mil escravos do Nordeste para a área das minas.  O expressivo aumento da população.  A criação de cidades e vilas.  Surgimento de uma classe média urbana.  Liberdade para alguns escravos.  O crescimento de atividade intelectuais na colônia. Politicas.  Criação da capitania de São Paulo e das Minas do Ouro com sede em São Paulo.  Transferência da sede do governo colonial para o RJ.  criação das capitanias de Goiás e Mato Grosso.  Ocorrência de movimentos nativistas e emancipacionistas: Revolte de Filipe dos Santos, Inconfidência Mineira. 2.11. DECADENCIA DA MINERAÇÃO: as jazidas encontradas no Brasil eram de aluvião, isto quer disser que elas ficavam na superfície e esgotaram rapidamente. O ouro brasileiro poderia ter enriquecido Portugal, mas isso não aconteceu porque o país tinha muitas dividas e sua economia dependia da Inglaterra. 2.12. AS CONTRADIÇÕES DA ECONOMIA MINERADORA: a descoberta do ouro, como dissemos,
  8. 8. auxilia Portugal a solucionar alguns de seus problemas financeiros, principalmente seu saldo devedor paracom a Inglaterra, mas em 1703 Portugal assinou com a Inglaterra um acordo denominado Tratado deMethuen. Através dele, Portugal conseguia benefícios alfandegários para a venda de vinhos na Inglaterra eficavam obrigados a comprar manufaturados ingleses sem qualquer taxa aduaneira. Assim, o Tratado deMethuen vai inibir o desenvolvimento da manufaturas em Portugal e torná-los dependentes da Inglaterra. Sendo assim, para pagar os produtos manufaturados que vinham da Inglaterra, Portugal vai utilizar oouro encontrado no Brasil. O afluxo de ouro brasileiro para a Inglaterra contribui para o processo daRevolução Industrial, daí o ditado de que "a mineração serviu para fazer buracos no Brasil, construir igrejasem Portugal e enriquecer a Inglaterra".2.13. SOCIEDADE MINERADORA: surgiu uma sociedade diferente da açucareira, pois havia entre osescravos e os senhores donos de terras e lavras, uma camada de homens livres, que trabalhavam por contaprópria: a classe média urbana. Dela faziam parte carpinteiros, alfaiates, pintores, médicos, advogados,ourives, tropeiros, além de trabalhadores que trabalhavam o couro e entalhadores. Essa camada, que vivianas vilas supria os mineradores do que fosse preciso. Além disso alguns escravos, com o que juntaram com amineração conseguiram comprar a liberdade, impossível na sociedade açucareira.Houve também, um enorme aumento populacional nas regiões das minas. Tal crescimento demográficoaltera a composição e estrutura da sociedade. A sociedade passa a ter um caráter urbano e passa aapresentar uma certa flexibilidade e mobilidade social, algo que não existia na sociedade açucareira. Inicia-se o processo de uma relativa distribuição de riquezas.A sociedade também, torna-se mais politizada, graças a vinda de imigrantes e, com eles, a entrada das ideiasiluministas- liberdade, igualdade e fraternidade.Obs.: A mineração interiorizou a sociedade enquanto que a açucareira fixou-a no litoral. 3. ATIVIDADES COMPLEMENTARES O mundo do açúcar só era possível graças a existência de outras atividades econômicas quecontribuem para a viabilidade da produção açucareira: a pecuária, a coleta das drogas do sertão, o tabaco e aagricultura de subsistência (mandioca, produção de aguardente, da rapadura e do algodão). A pecuária era uma atividade econômica essencial para a vida colonial. O gado era utilizado comoforça motriz, transporte e alimentação, ou seja, a pecuária era uma atividade econômica voltada para atenderas necessidades do mercado interno e contribuiu para a interiorização do Brasil. O tabaco era uma atividade econômica destinada ao escambo com as regiões africanas, onde eratrocado por escravos. A principal área de cultivo era a Bahia. A produção do tabaco era realizada com mãode obra escrava. A lavoura de subsistência era responsável pela produção da alimentação colonial: mandioca e hortaliças.A força de trabalho era livre ( mestiços ). 4. PECUÁRIA Atividade complementar voltada para o abastecimento do mercado interno e responsável pelaocupação do sertão do Nordeste e do Sul.a. Pecuária no Nordeste: era uma atividade econômica complementar: lavoura canavieira e mineração.Como funções para o engenho: alimento, força de tração animal e meio de transporte. Inicialmente o gadoera criado nos engenhos do litoral baiano e pernambucano,mas a partir do sec. XVI penetrou para os sertões.A ocupação do interior nordestino pela pecuária partiu de dois núcleos principais: Bahia e Pernambuco. DaBahia, as fazendas de gado chegaram ao Rio São Francisco já em meados do século XVII, seguindo duasrotas:• Uma para o sul, rio acima, onde as fazendas tiveram maior desenvolvimento a partir do século XVIII,quando povoamento das minas aumentou a procura de carne.• A outra atravessou o rio em direção ao norte, dando início a ocupação do atual estado do Piauí nofinal do século XVII, encontrando condições mais favoráveis como chuvas, rios, permanentes e melhorespastos.
  9. 9. Do Piauí as fazendas avançaram para o Maranhão e o Ceará onde alcançaram as que tinham ultrapassado aParaíba e o Rio Grande do Norte vindas de Pernambuco. A ocupação de fazendas de gado apresentavampouca população já que as fazendas exigiam poucos trabalhadores.4.1.Motivos do deslocamento do gado do litoral para o interior: crescente expansão da grande lavouraaçucareira: o gado estragava as plantações de cana-de-açúcar, necessidade de maior espaço para o plantio dacana: as terras deveriam ser usadas para o plantio de cana e não para pastagens, importância econômicainferior da pecuária.4.2.Ocupação do sertão nordestino: processo pecuarista de colonização e expansão do interior do Brasil. ORio São Francisco: “Rio dos Currais” .4.3. Características da criação de gado do sertão nordestino:-a fazenda de gado exigia pouco capital e pouca mão de obra,-o trabalhador era geralmente livre: vaqueiro - recebiam um quarto das crias.-O fazendeiro e vaqueiro mantinham um relacionamento amistoso e o vaqueiro, com o tempo, podia setornar um fazendeiro ( devido as cabeças de gado que recebia e a abundancia de terras).-Muitas feiras e fazendas de gado deram origem a vários núcleos de povoamento: centros urbanos.-O gado realizou a integração de diferentes regiões econômicas.-Era uma atividade econômica voltada para o mercado interno.-O couro: matéria-prima fundamental.-diversificação econômica: couro, leite, carne.B. Pecuária no Sul: No século XVIII o território do RS ficou incorporado ao Brasil e os campos do Sulofereciam condições muito favoráveis para a criação de gado bovina. Inicialmente, o principal objetivo foi ocouro fornecido pelo gado bovino que viviam em estado selvagem desde a destruição de missões jesuíticaspelas bandeiras no século XVII.Com a decadência da pecuária do nordeste desenvolveram a indústria da carne-seca ou charque enviadaprincipalmente para a região das minas. Era uma atividade complementar da mineração, sendo que asfazendas foram fundadas por paulistas que abasteciam a região das minas com tropas de mulas.Os peões boiadeiros viviam submetidos à rigidez da fiscalização dos capatazes e jamais teriam condições demontar sua própria fazenda. 5. DROGAS DO SERTÃO As condições naturais da Amazônia não favorecia a agricultura nem a criação de gado, portanto suaocupação deveria levar em conta a imensa floresta e os inúmeros rios. A atividade econômica encontrada foia extração das drogas do sertão como o cravo, a canela, a castanha,o cacau e a madeira. Os pioneiros da ocupação foram os missionários de ordens religiosas como carmelitas e jesuítas quecatequizaram os índios e desenvolveram atividades econômicas usando-os como mão de obra. Os indígenasconstruíram as instalações das missões, cultivavam os produtos necessários à alimentação, caçavam,pescavam e colhiam os frutos da floresta. As drogas do sertão eram exportadas diretamente para a Europa.Juntamente com os religiosos, outro fator que contribuiu para a ocupação da Amazônia foi a instalação defortificações militares que visavam defender a área contra invasões estrangeiras.

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