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●      No sentido moderno, também podemos incluir o termo arte como a atividadeartística ou o produto da atividade artísti...
●     Na Antiguidade: harmonia e proporção entre as formas (modelo de      perfeição);      ●       No século XIX: O Roman...
●      A arte que utiliza a palavra como matéria-prima de suas criações échamada de literatura. Ela existe há milênios. En...
imaginação. Há, sobretudo, o trabalho criativo com a palavra, que pode ser em versos ou emprosa3.      PARA QUE SERVE A AR...
las. A esse tipo de linguagem chamamos de literária. O enunciador retrata a realidade deforma subjetiva, o que importa é o...
FUNÇÕES DA LINGUAGEM      Toda linguagem tem um objetivo. A linguagem verbal, por sua vez, tem alguns objetivosmuito claro...
•      Os textos que mais comumente se utilizam desse tipo de linguagem são ascartas, as poesias líricas, as memórias, as ...
•      Caracteriza-se basicamente pelo uso de linguagem figurada, metáforas e demaisfiguras de linguagem, rima, métrica, e...
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•      •      Já outros textos que têm como objetivo falar da própria linguagem, como em oque você está querendo dizer?......
•      FIGURAS DE LINGUAGEM       •       •    As figuras de linguagem ou de estilo são empregadas para valorizar o texto,...
ligados por conectivos comparativos explícitos: como, tal qual, tal como, que, que nem.Também alguns verbos estabelecem a ...
•    Antonomásia – Consiste em substituir um nome próprio por uma qualidade, atributo oucircunstância que individualiza o ...
quando há repetição de sons ou, ainda, quando se procura imitar sons produzidos por coisasou seres. As figuras de harmonia...
emprego de termos com significados antagônicos.         •   Exemplo:     •       Quando um muro separa     •       Uma pon...
•   •   Paradoxo - Consiste na aproximação não apenas de palavras de sentidooposto, mas de ideias que se contradizem. É o ...
•   Hipérbole – Consiste no exagero de uma ideia, a fim de proporcionar umaimagem emocionante ou chocante. Quando dizemos:...
••       Prosopopeia/Personificação/Animismo – Prosopopeia é a figura que consisteem pensar seres inanimados ou irracionai...
•       •       Ex.: Última flor do Lácio, inculta e bela, és a um tempo esplendor esepultura. (Olavo Bilac)       •      ...
•   Exemplo           •   Dentro do tempo o universo na imensidão.           •   Dentro do sol o calor peculiar do verão ....
•          •   Exemplo:          •   Ouvir com os ouvidos                          Rolar escadas abaixo          •   Colab...
•   Exemplos: Passeiam, à tarde, as belas na avenida. (Carlos Drummond de  Andrade)             •   Paciência tenho eu tid...
pronome com a pessoa a que se refere          •   Exemplos: Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho... (Rachel de...
•                •        QUADRO COMPARATIVO DOS GÊNEROS LITERÁRIOS                                                       ...
•   O gênero lírico é formado por poemas de pouca extensão em que uma vozcentral (um Eu lírico ou Eu poético) se exprime (...
•                  • CUSTÓDIO :(Cumprimentando.) – Como          tem passado? Que há de novo?                  • ERNESTO :...
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Arte literária 2012 nota de aula 1 mast

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Arte literária 2012 nota de aula 1 mast

  1. 1. ARTE LITERÁRIA ● Arte (Latim Ars, significa técnica e/ou habilidade) geralmente é entendidacomo a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas a partirde percepção, emoções e ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias de consciênciaem um ou mais espectadores, dando um significado único e diferente para cada obra de arte.Toda arte é uma representação/ imitação da realidade (Mimese da realidade).1 Arte é umfenômeno cultural. Regras absolutas sobre arte não sobrevivem ao tempo, mas em cadaépoca, diferentes grupos (ou cada indivíduo) escolhem como devem compreender essefenômeno.● REALIDADE X FICÇÃO (construção de uma realidade/ p. 04).● DEFINIÇÕES DE ARTE (P. 05).● A definição de arte varia de acordo com a época e a cultura. Pode ser separada ou não em arte rupestre, como é entendida hoje na civilização ocidental, do artesanato, da ciência, da religião e da técnica no sentido tecnológico.● Assim, entre os povos ditos primitivos, a arte, a religião e a ciência estavam juntas na figura do xamã, que era artista (músico, ator, poeta, etc.), sacerdote e médico. Originalmente, a arte poderia ser entendida como o produto ou processo em que o conhecimento é usado para realizar determinadas habilidades, em determinada cultura. A produção literária de um povo, seja em uma ou em várias de suas manifestações como a dança, a pintura, a escultura, a música, o desenho, a arquitetura, a fotografia, o cinema, a literatura oral e escrita, faz parte do conjunto de atividades a que damos o nome de cultura. (p. 05)● Os gregos, na época clássica (século V a.C.) , entendiam que não existia a palavra arte no sentido que empregamos hoje, e sim "tekné", da qual originou-se a palavra "técnica" nas línguas neolatinas. Para eles, havia a arte, ou técnica, de se fazer esculturas, pinturas, sapatos ou navios. Neste sentido, é a acepção ainda hoje usada no termo artes marciais. 1 Mimesis ou mimese, simplificando, significa imitação ou representação em grego. Tanto Platão quantoAristóteles viam, na mimesis, a representação da natureza. Contudo, para Platão toda a criação era uma imitação,até mesmo a criação do mundo era uma imitação da natureza verdadeira (o mundo das ideias). Sendo assim, arepresentação artística do mundo físico seria uma imitação de segunda mão. Já Aristóteles via o drama como sendo a“imitação de uma ação”, que na tragédia teria o efeito catártico. Como rejeita o mundo das ideias, ele valoriza a artecomo representação do mundo. Esses conceitos estão no seu mais conhecido trabalho, a Poética. Catarse significa"purificação", "evacuação" ou "purgação". Segundo Aristóteles, a catarse refere-se à purificação das almas por meiode uma descarga emocional provocada por um drama.
  2. 2. ● No sentido moderno, também podemos incluir o termo arte como a atividadeartística ou o produto da atividade artística. Tradicionalmente, o termo arte foi utilizado para sereferir a qualquer perícia ou maestria, um conceito que terminou durante o período romântico,quando arte passou a ser visto como "uma faculdade especial da mente humana para serclassificada no meio da religião e da ciência". ● A arte existe desde que há indícios do ser humano na Terra. Ao longo do tempo, afunção da arte tem sido vista como um meio de espelhar nosso mundo (naturalismo), paradecorar o dia a dia e para explicar e descrever a história e os diversos eus que existem dentrode um só ser (como pode ser visto na literatura) e para ajudar a explorar o mundo e o própriohomem. Estilo é a forma como a obra artística se mostra, enquanto que Estética é o ramo daFilosofia que explora a arte como fundamento. ● Uma obra artística só se torna conhecida quando algo a faz ficar diante de um dossentidos do ser humano. Os avanços tecnológicos contribuem de uma forma colossal para criaracessibilidade entre a pessoa que deseja desfrutar da arte e a própria arte. A pessoa e a obrase unem então, por diversos meios, como os rádios (para a música), os museus (para pinturas,esculturas e manuscritos), e a televisão, que talvez seja, entre esses itens citados, o que maiscapacidade tem para levar a obra artística a um número grande de interessados, por utilizardiversos sentidos (visão, audição) e por utilizar também satélite. A própria Internet é fonte detransmissão entre a obra e o interessado, com sites que distribuem E-books e por softwaresespecializados em conectar o computador do usuário a uma rede com diversos outroscomputadores. ● Entretanto, exploradores, comerciantes, vendedores e artistas de público(palhaços, malabaristas, ator, etc.) também costumam apresentar ao público as obras, nosmais diversos lugares, de acordo com suas funções. A arqueologia transmite ideias de outrasculturas; a fotografia é uma forma de arte e está acessível por todos os cantos do mundo; etambém por almanaques, enciclopédias e volumes em geral é possível conhecer a arte e suahistória. A arte não se restringe apenas a uma escultura ou pintura, mas também à música, aocinema, à dança, etc. ● O ser que faz arte é definido como o artista. O artista faz arte segundo seussentimentos, suas vontades, seu conhecimento, suas ideias, sua criatividade e suaimaginação, o que deixa claro que cada obra de arte é uma forma de interpretação da vida,um conhecimento de mundo. ● A inspiração seria o estado de consciência que o artista atinge. A percepção, arazão e a emoção encontram-se combinados de forma a realizar as melhores obras. Seria oinsight de algumas teorias da psicologia. Alguns sentidos da Arte. ● Arte: representação do Belo (p. 05)
  3. 3. ● Na Antiguidade: harmonia e proporção entre as formas (modelo de perfeição); ● No século XIX: O Romantismo adota o sentimento, a imaginação e a emoçãocomo fórmula da criação artística; ● No século XX em diante: deixa de ser apenas representação do Belo e passa aexpressar também o movimento, a luz, o cromatismo ou a interpretação geométrica dasformas existentes. Na Psicologia, pôde até representar o inconsciente humano. Assim, a artepode ser entendida como permanente recriação de uma linguagem. Pode ser umaprovocação, espaço de reflexão e de interrogação (relação entre o observador e o objetoobservado). ● Arte: reflexo do artista (ideologia/ idiossincrasia – ideais, modo de ver ecompreender o mundo); (p. 06) ● Obra: expressão da época, da cultura (processo histórico/diacrônico) OS AGENTES DA PRODUÇÃO ARTÍSTICA (P. 07) ● Contexto de produção (Condições de Produção)– pistas sobre seu significado eintenções de seu produtor/enunciador, intencionalidade literária/artística/discursiva; ● Escolhas que realiza: indícios reveladores do contexto de uma dada “realidade”; ● O artista promove um diálogo com seus contemporâneos e lhes propõe umareflexão sobre o contexto em que estão inseridos; ● Toda obra de arte interage com um público, o interlocutor. Este “participa” daconstrução dos sentidos expressos na obra. ● Toda obra se manifesta em determinada linguagem com estrutura própria. ● Agentes de criação: o artista (tem função social/representa o social), o contextosocial, o público-alvo, a linguagem, a estrutura e o contexto de circulação revelam muito deuma obra de arte. O QUE É LITERATURA? ● A palavra Literatura vem do latim "litteris" que significa "Letras", epossivelmente uma tradução do grego "grammatikee". Em latim, literatura significa umainstrução ou um conjunto de saberes ou habilidades de escrever e ler bem, e serelaciona com as artes da gramática, da retórica e da poética. Por extensão, se refereespecificamente à arte ou ofício de escrever de forma artística. O termo Literatura também éusado como referência a um corpo ou um conjunto escolhido de textos como, por exemplo, aliteratura médica, a literatura inglesa, literatura portuguesa, literatura japonesa etc.
  4. 4. ● A arte que utiliza a palavra como matéria-prima de suas criações échamada de literatura. Ela existe há milênios. Entretanto, sua natureza e suas funções (papelque a literatura desempenha nas sociedades) continuam objeto de discussão principalmentepara os artistas, seus criadores. (p. 09) ● O homem, como ser histórico, tem anseios, necessidades e valores que semodificam constantemente. Suas criações ‒ entre elas a literatura ‒ refletem seu modo de vere de estar no mundo. Assim, ao longo da história, a literatura foi concebida dediferentes maneiras. Mesmo os limites entre o que é e o que não é literatura variaram como tempo. Vejamos algumas funções do texto literário: (p. 9-10) ● A literatura nos faz sonhar (descanso para os problemas cotidianos, espaço desonho e fantasia); ● A literatura provoca reflexões (responde a perguntas que inquietam o Homem); ● A literatura diverte (crônicas, por exemplo); ● A literatura e a construção de nossa identidade (história coletiva/social/nacional); ● A literatura nos “ensina a viver” (humanização do homem); ● A literatura denuncia a realidade (valorização dos direitos humanos). ● Literatura e engajamento político (consciência política). LITERATURA E REALIDADE As obras literárias ao utilizar a palavra, recria a realidade, a vida. Essa definição focalizadois aspectos opostos, mas complementares, da arte literária: criação e representação. Por um lado ela é invenção. O autor/artista/enunciador cria uma realidade imaginária,fictícia, verossímil2. Mas o universo da ficção mantém relações vivas com o mundo real. Nessesentido, a literatura é imitação da realidade. (p. 11) Frequentemente os autores utilizam fatos de suas vidas como matéria de literatura. Sãoas chamadas confessionais. Mesmo nesses casos, não devemos entender os texto comosimples biografias. Os fatos pessoais são apenas parte da matéria literária, o ponto de partida.Entre o que o autor viveu ou sentiu e a obra existem todas as mediações da invenção, da 2 Atributo daquilo que parece intuitivamente verdadeiro, isto é, o que é atribuído a uma realidadeportadora de uma aparência ou de uma probabilidade de verdade, na relação ambígua que se estabeleceentre imagem e ideia.
  5. 5. imaginação. Há, sobretudo, o trabalho criativo com a palavra, que pode ser em versos ou emprosa3. PARA QUE SERVE A ARTE? PARA QUE SERVE A LITERATURA? Variam com o tempo e com as pessoas para se responder a essas perguntas.Evidentemente, a função de uma obra literária depende dos objetivos e das intenções doautor. Mas os leitores também têm maneiras diferentes de ler e são levados a abrir um livropor motivos diferentes. Alguns buscam na literatura apenas um divertimento sem grandesconsequências para a vida; outros, um instrumento de transformação e de aperfeiçoamento. Jáoutros esperam que seja um veículo de análise e de crítica em relação à sociedade e à vida. A literatura é uma arte verbal, isto é, seu meio de expressão é a palavra, mas estanão é privilégio do escritor, pois ela serve como forma de expressão para todas aspessoas. No entanto, há uma diferença entre a linguagem literária e a linguagem usada nacomunicação diária. Essa diferença reside no trabalho criativo do escritor durante aelaboração de seus textos, na sua capacidade de criar mensagens que podem ser lidas ouinterpretadas de diferentes modos, conforme o nível de leitura do leitor, não podendoesquecer que a leitura é um processo ativo de atribuição de sentido a um texto. Conotação (sentido conotativo ou figurado): É quando as palavras não são empregadasno sentido costumeiro, mas, ao contrário, fazem o leitor parar e refletir, despertando neleoutras ideias. O uso literário das palavras promove a multiplicação dos sentidos e, assim,permite que o texto sofra diferentes leituras e interpretações. O uso conotativo da linguagemfaz com que as palavras ganhem novos/diferentes significados (Plurissignificação) eproduzam interessantes efeitos de sentido. Denotação (sentido denotativo ou literal): É quando queremos deixar bem claro amensagem, tal como vem registrado nos dicionários. ● Texto literário: predomina a função poética, pois apresenta a linguagemcentrada nas emoções do observador e a preocupação intencional com o modo de expressá- 3 As características mais evidentes de um texto escrito em prosa são a organização linear ea sua divisão em parágrafos ‒ enunciados de sentido completo ‒ compostos de frases, orações eperíodos. Já o poema é a forma de linguagem organizada em versos ‒ cada uma das linhas do poema ‒ eem estrofes ‒ um conjunto de versos. Poesia, além de se referir à arte poética, é o nome que se dá aoconjunto da produção em versos de um poeta. Mais do que forma, poesia significa um contexto rico deencanto, de emotividade.
  6. 6. las. A esse tipo de linguagem chamamos de literária. O enunciador retrata a realidade deforma subjetiva, o que importa é o modo como o autor explora a sonoridade e aexpressividade das palavras. Não há preocupação de caracterizar cientificamente, nem deoferecer dados objetivos sobre a realidade. ● Texto não literário: Há o predomínio da função informativa e/ou científica e,como tal, pretende apenas informar, explicar, documentar. A linguagem empregada épredominantemente objetiva, o mais importante é a transmissão precisa de informações;fundamenta-se em fatos históricos, concretos, dados estatísticos, científico. Trata-se de umalinguagem não literária. O TEXTO LITERÁRIO APRESENTA: -Ficcionalidade: os textos não fazem, necessariamente, parte da realidade. - Função estética: o artista procura representar a realidade a partir da sua visão(subjetiva). - Plurissignificação: nos textos literários as palavras assumem diferentes significados. - Intertextualidade: um autor faz referência a outro (a outros) texto (s), com oobjetivo de apoiar o que já foi dito ou de dizer algo totalmente diferente, de criticar um pontode vista, uma visão de mundo. Inclui os textos verbais e não verbais e pode ser explícita ouimplícita. - Polifonia: os textos são essencialmente polifônicos, isto é, são atravessados por umamultiplicidade de vozes: uma voz privilegiada, a do locutor principal, que vai incorporandooutras, quando temos citações diretas e indiretas, individuais e coletivas. - Subjetividade: expressão pessoal de experiências, emoções e sentimentos. As obras literárias são divididas em escolas literárias, pois cada obra apresenta umestilo de época (p.60), ou seja, um conjunto de características formais e de seleção deconteúdo evidente na obra de escritores e poetas que viveram em um mesmo momento. Já ouso particular que um escritor ou poeta faz dos elementos que distinguem uma estética defineo estilo individual de um autor, sempre marcado pelo olhar específico que dirige aos temascaracterísticos de um período e pelo uso singular que faz dos recursos de linguagemassociados a uma determinada estética literária. As escolas literárias são: Trovadorismo;Classicismo; Barroco; Arcadismo; Romantismo; Realismo/Naturalismo; Simbolismo;Modernismo. Há um momento de transição entre o Trovadorismo e o Classicismo conhecido comoHumanismo, e muitos críticos literários afirmam que ainda exista um estilo de épocadenominado Pós-Modernismo.
  7. 7. FUNÇÕES DA LINGUAGEM Toda linguagem tem um objetivo. A linguagem verbal, por sua vez, tem alguns objetivosmuito claros e por isso devem ser estudados para que possamos melhor entendê-la e utilizá-la. Vejamos primeiramente como funciona o sistema de comunicação, utilizando alinguagem verbal. - Aquele que emite a mensagem, codificando-a em palavras chama-seEMISSOR. - Quem recebe a mensagem e a decodifica, ou seja, apreende a ideia, é chamadode RECEPTOR. - Aquilo que é comunicado, o conteúdo da comunicação é chamado deMENSAGEM. - CÓDIGO é o sistema linguístico escolhido para a transmissão e recepção damensagem. - REFERENTE, por sua vez, é o contexto em que se encontram o emissor e oreceptor. - O meio pelo qual esta mensagem é transmitida é nomeado CANAL. SÃO SEIS AS FUNÇÕES BÁSICAS DA LINGUAGEM VERBAL: • Referencial = (ênfase no referente / contexto) • Emotiva ou expressiva (ênfase no emissor) • Apelativa ou Conativa = (ênfase no receptor) • Fática = (ênfase no canal) • Metalinguística = (ênfase no código) • Poética = (ênfase na mensagem) • 1) Função Emotiva/Expressiva • É centralizada no emissor. Como o próprio nome já diz, tem o papel de exprimiremoções, impressões pessoais a respeito de determinado assunto . Por esse motivo elanormalmente vem escrita em primeira pessoa e de forma bem subjetiva/ pessoal. Em textosque utilizam a função emotiva há uma presença marcante de figuras de linguagem,mensagens subentendidas, elementos nas entrelinhas, etc.
  8. 8. • Os textos que mais comumente se utilizam desse tipo de linguagem são ascartas, as poesias líricas, as memórias, as biografias, entre outros. • 2) Função Referencial/Denotativa • Contrariamente à emotiva, esse tipo de linguagem é centralizado no receptor.Como seu foco seja transmitir a mensagem da melhor maneira possível, a linguagem utilizadaé objetiva, recorrendo a conceitos gerais, vocabulário simples e claro, ou, dependendo dopúblico alvo, vocabulário que melhor se ajuste a ele. É chamada de denotativa devido àobjetividade das informações, à clareza das ideias. Há uma prevalência do uso da terceirapessoa, o que torna o texto ainda mais impessoal. Centra-se na informação e transmite dadosda realidade ao interlocutor de forma direta, objetiva, sem ambiguidade. • Os textos que normalmente fazem uso dessa função são os textos jornalísticos,dissertativos, técnicos, instrucionais e os científicos. • 3) Função Apelativa/Conativa • • Como sugere a nomenclatura, essa função serve para fazer apelos, pedidos,súplicas para comover, persuadir ou convencer alguém a respeito do que se diz .Centralizada no receptor, procura influenciá-lo em seus pensamentos ou ações. É bastantefrequente o uso da segunda pessoa, dos vocativos e dos imperativos. • Para tentar persuadir o destinatário, é preciso, antes de mais nada, falar a línguadele, apelar para exemplos e argumentos significativos em relação a sua classe social, a suaformação cultural, a seus sonhos e desejos. • Essa função é aplicada particularmente nas propagandas ou outros textospublicitários, e também em campanhas sociais, com o objetivo de comover o leitor. • 4) Função fática • • Centraliza-se no canal. Tem o objetivo de estabelecer um contato oucomunicação com o destinatário, prolongando uma comunicação ou então testando o canalcom frases do tipo “Veja bem”ou “Olha...” ou “Compreende?”, não necessariamente com umacarga semântica aparente. O mesmo acontece com o famoso “Plim! Plim!” da Rede Globo. Naverdade, o “Plim! Plim!” tem a função específica de chamar a atenção do telespectador (quese distraiu durante o intervalo comercial) para o canal, no caso, a televisão. • É utilizada em saudações, cumprimentos do dia a dia, expressões idiomáticas,marcas orais, etc. • 5) Função poética •
  9. 9. • Caracteriza-se basicamente pelo uso de linguagem figurada, metáforas e demaisfiguras de linguagem, rima, métrica, etc. É semelhante à linguagem emotiva, sendo que nãonecessariamente revela sentimentos ou impressões a respeito do mundo. • A intenção do produtor do texto está voltada para a própria mensagem, para umaespecial arrumação das palavras, quer na escolha, quer na combinação delas, quer naorganização sintática da frase. Num texto poético, você pode encontrar também as demaisfunções da linguagem, mas o valor da poesia reside exatamente no trabalho realizado com aprópria mensagem. • Importante é perceber que a função poética não é exclusiva da poesia: vocêpoderá encontrá-la em textos escritos e em prosa, em anúncios publicitários e mesmo nalinguagem cotidiana. Nesses casos, ela não será a função dominante. • Como se pode constatar, essa função é aplicada em poesias, músicas e algumasobras literárias. 6) Função metalinguística • • Esta última função está presente principalmente em dicionários. Caracteriza-sepor trazer consigo uma explicação da própria língua. Nos textos verbais, o código é a língua.Quando usamos a língua para explicar a própria língua, ocorre metalinguagem. Pode ocorreresta função da linguagem também em poesias, obras literárias, etc. • A preocupação do emissor está voltada para o próprio código utilizado, ou seja, ocódigo é o tema da mensagem ou é utilizado para explicar o próprio código. Ocorre quando ocódigo é posto em destaque, ou seja, usa-se o código linguístico para transmitir aos receptoresreflexões sobre o próprio código linguístico. Bons exemplos da função metalinguística são asaulas de línguas, gramáticas, o dicionário, um livro convertido em filme, uma pintura quemostra o próprio artista executando a tela, um poema que fala do ato de escrever, ao longo deum texto, expressões como «isto é», «ou seja», «quer dizer» são exemplos desta função. • o Qual objetivo do seu texto? • Por meio da linguagem, também realizamos diferentes ações: transmitimosinformações, tentamos convencer o outro a fazer (ou dizer) algo, assumimos compromissos,ordenamos, pedimos, demonstramos sentimentos, construímos representações mentais sobrenosso mundo, enfim, pela linguagem organizamos nossa vida do dia a dia, em diferentesaspectos. • Diferenciar que objetivo predomina em cada situação de comunicação auxilia acompreender melhor o que foi dito.
  10. 10. • As funções da linguagem estão centradas nos elementos dacomunicação. Toda comunicação apresenta uma variedade de funções, mas elas seapresentam hierarquizadas, sendo uma dominante, de acordo com o enfoque que odestinador/emissor quer dar ou do efeito que quer causar no recebedor/receptor. • Exemplos/Explicações: • • Compare os dois textos a seguir: • “Não só baseado na avaliação do Guia da Folha, mas também poriniciativa própria, assisti cinco vezes a “Um filme falado”. Temia que a crítica brasileiracondenasse o filme por não se convencional, mas tive uma satisfação imensa quando licríticas unânimes na imprensa. Isso mostra que, apesar de tantos enlatados, a nossacrítica é antenada com o passado e o presente da humanidade e com as coisas queacontecem no mundo. Fantástico! Parabéns, Sérgio Rizzo, seus textos nunca medecepcionam.” • Luciano Duarte. Guia da Folha, 10 a 16 de junho 2005. • • ****UM FILME FALADO - Idem. França/Itália/Portugal, 2003. Direção:Manoel de Oliveira. Com: Leonor Silveira, John Malkovich, Catherine Deneuve, StefaniaSandrelli e Irene Papas. Jovem professora de história embarca com a filha em um cruzeiroque vai de Lisboa a Bombaim. 96 min. 12 anos. Cinearte 1, desde 14. Frei CanecaUnibanco Arteplex7, 13h, 15h10, 17h20, 19h30 e 21h50. •  Função emotiva  • No primeiro texto, o destinador usa alguns procedimentos que não aparecem notexto B, tais como, emprego de 1ª pessoa: assisti, temia, tive, li (eu), destaque paraqualidades subjetivas por meio de adjetivos (satisfação imensa, críticas unânimes, fantástico),advérbios (nunca me decepcionam), uso de recursos gráficos que indicam ênfase, como oponto de exclamação (fantástico!). • O efeito que resulta é o destaque para a subjetividade do emissor, sua adesãoao conteúdo que informa. Não é o fato, mas o ponto de vista do emissor que está emdestaque, sua percepção dos acontecimentos. Nesse exemplo, temos o enfoque no emissor ea função predominante nesse texto é a função emotiva ou expressiva. •  Função referencial 
  11. 11. • No segundo texto, outros procedimentos são colocados em destaque: uso da 3ªpessoa, explicitado no trecho: jovem professora de história (ela), ausência de adjetivos (aindicação de que o filme é bom aparece na quantidade de estrelinhas, quatro indica muitobom), ausência de expressões que indicam a opinião do emissor, como eu acho, eu desejo,emprego de um conjunto de informações que diz respeito a coisas do mundo real, tais como aexatidão dos horários, o endereço, os nomes próprios. • Esse conjunto de informações dá ao destinador a impressão deobjetividade, como se a informação traduzisse verdadeiramente o que acontece no mundoreal. Nesse caso, a função predominante é a função referencial ou informativa.   Função conativa  • RESERVA CULTURAL • ocê nunca viu cinema assim. Não perca a retrospectiva especial deinauguração, com 50% de desconto, apresentando cinco filmes que foram sucesso depúblico. E, claro, de crítica também. • • Nesse texto, o destaque está no destinatário. Para isso o emissor se valeu deprocedimentos como o uso da 2ª pessoa (tu, ou, no caso do português brasileiro, você), o usodo imperativo (Não perca). O resultado é a interação com o destinatário procurando convencê-lo a realizar uma ação: ir ao espaço cultural. Espera-se como resposta que o destinatáriorealiza a ação. • Os textos publicitários em geral procuram convencer ou persuadir o destinatário adar uma resposta, que pode ser a mudança de comportamento, de hábitos, como abrir contaem banco, frequentar determinados tipos de lugares ou consumir determinado produto. Nessetipo de texto, o foco está no destinatário e o predomínio é da função conativa ou apelativa.  Função fática • • Em um outro tipo de situação muito comum na conversação cotidiana, oemissor usa procedimentos para manter o contato físico ou psicológico com o interlocutor,como em alô!, ao iniciar uma conversa telefônica, ou fórmulas prontas para dar continuidade àconversa como em ahan, uh, bem, como?, pois é ou em está me ouvindo?, para retomar ocontato telefônico. Esse tipo de mensagem que serve para manter o contato, para sustentarou "encompridar" ou interromper a conversa põe em destaque o canal de comunicação temcomo função predominante a função fática. •  Função metalinguística
  12. 12. • • Já outros textos que têm como objetivo falar da própria linguagem, como em oque você está querendo dizer?... ou em que o emissor quer precisar, esclarecer, o que estádizendo, como em eu quis dizer... bem... quero dizer que essa palavra poderia ser substituídapor outra mais precisa, que desse a entender que...". • Nesse exemplo, o predomínio da mensagem é da função metalinguística. Fazemosuso de metalinguagem, ao preencher um exercício de palavras cruzadas ou consultar umdicionário. Nessas situações, estamos nos atendo ao próprio código, isto é, estamos usando alinguagem (o código) para falar, explicar, descrever o próprio código linguístico. •  Função poética • Tecendo a manhã João Cabral de Melo Neto • Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre se outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito que um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma tela tênue, se vá tecendo, entre todos os galos. • • • Aqui, temos um texto em que a função se centra na própria mensagem, comose o conteúdo fosse transparente, a mensagem chama a atenção para o lado material dosigno, como a sonoridade (veja a repetição da vogal a e dos sons nasais), a estrutura, oritmo. Observe que há rupturas no modo como a frase normal se organizaria (3º verso: essegrito que ele/ 4º verso: e o lance a outro). Experimente fazer a seguinte leitura: 2º versotermina com galos, 4º verso começa com e o lance a outro, 4º verso termina com galo, 6ºverso começa com e o lance a outro, 7º verso termina com cruzem, 9º verso começa com paraque a manhã. É possível perceber a teia se tecendo, nas próprias palavras? • O efeito é de estranhamento, de novidade, pela exploração dos vários elementosdo signo. É importante lembrar que, embora a função poética esteja mais presente na poesia,não é exclusividade da literatura. A linguagem da publicidade explora os recursos dos signos,construindo novos sentidos ao romper com o modo tradicional como vemos as palavras. •
  13. 13. • FIGURAS DE LINGUAGEM • • As figuras de linguagem ou de estilo são empregadas para valorizar o texto,tornando a linguagem mais expressiva. São um recurso linguístico para expressar de formasdiferentes experiências comuns, conferindo originalidade, emotividade ao discurso, outornando-o poético. • As figuras revelam muito da sensibilidade de quem as produz, traduzindoparticularidades estilísticas do autor. A palavra empregada em sentido figurado passa apertencer a outro campo de significação, mais amplo e criativo. • As figuras de linguagem classificam-se em: figuras de palavra; figuras depensamento; figuras de harmonia ou sonoras e figuras de construção ou sintaxe. • • FIGURAS DE PALAVRAS OU TROPOS • • Consistem no emprego de um termo com sentido diferente daqueleconvencionalmente empregado, a fim de se conseguir um efeito mais expressivo nacomunicação. • • Metáfora – É uma comparação abreviada, que dispensa o uso dos conectivos (=conjunções) comparativos. É uma comparação mental/subjetiva. Normalmente vem com overbo de ligação claro ou subentendido na frase. • Exemplos: • ...a vida é cigana • É caravana • É pedra de gelo ao sol (Geraldo Azevedo e Alceu Valença) • • Comparação/Símile – Consiste em aproximar dois elementos que se identificam,
  14. 14. ligados por conectivos comparativos explícitos: como, tal qual, tal como, que, que nem.Também alguns verbos estabelecem a comparação: parecer, assemelhar-se e outros. • Exemplos: • Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol, quando você entrou em mim como um sol no quintal (Belchior) • • Catacrese – É o emprego de um termo em lugar de outro para o qual não existe umadesignação apropriada. • Exemplos: • Folha de papel • Braço de poltrona • Céu da boca • Pé da montanha • Boca da noite • O barco descia tranquilamente o leito do rio ao pé da montanha. • • Sinestesia – Consiste na fusão harmônica de, no mínimo, dois dos cinco sentidosfísicos. • Exemplo: Vem da sala de linotipos a doce (paladar) música (audição) mecânica.(Carlos Drummond de Andrade) • A fusão de sensações físicas e psicológicas também é sinestesia: “ódio amargo”, “alegria ruidosa”, “paixão luminosa”, “indiferença gelada”. • • Exemplo: Tocava uma valsa que era boa, deixando aquele gosto de tristeza noar. (Mário de Andrade).
  15. 15. • Antonomásia – Consiste em substituir um nome próprio por uma qualidade, atributo oucircunstância que individualiza o ser e notabiliza-o. • Exemplos: O herói manchego (= Dom Quixote de La Mancha, da Espanha); Ofilósofo de Genebra (= Calvino); O águia de Haia (= Rui Barbosa) • Em pedra-sabão, o Aleijadinho esculpiu a história de uma época. (Aleijadinho= Antônio Francisco Lisboa) • • Metonímia – Consiste na troca de uma palavra por outra, de tal forma que a palavraempregada lembra, sugere e retoma a que foi omitida. • Exemplos: O fazendeiro se esquece dos suores (fadigas, cansaços) quando vê astulhas a transbordar e a fazenda prosperar. • Leio Graciliano Ramos (livros, obras). Bebi um Martini (vermute) • Comprei um panamá (chapéu do Panamá) • • Alguns autores, em vez de metonímia, classificam como sinédoque quando se têm aparte pelo todo e o singular pelo plural. • Exemplos: • A cidade inteira viu assombrada, de queixo caído, o pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos de seu cavalo. (singular pelo plural). (José Cândido de Oliveira). • Corra, não pare, não pense demais, repare essas velas no cais. (a parte pelo todo). (Geraldo Azevedo/ Alceu Valença). • • FIGURAS DE HARMONIA/SONORAS • • Chama-se figuras de som ou de harmonia os efeitos produzidos na linguagem
  16. 16. quando há repetição de sons ou, ainda, quando se procura imitar sons produzidos por coisasou seres. As figuras de harmonia ou de som são: aliteração, assonância, paranomásia,onomatopeia. • • Aliteração - Consiste na repetição do mesmo fonema consonantal, geralmente emposição inicial da palavra. Exemplo: Vozes veladas veludosas vozes volúpias dos violões, vozesveladas. (Cruz e Sousa) • • Assonância – Consiste na repetição do mesmo fonema vocálico ao longo de um versoou poesia. • Exemplo: • Sou Ana, da cama, • Da cana, fulana, bacana • Sou Ana de Amsterdam (Chico Buarque) •• Paronomásia – o emprego de palavras parônimas (sons parecidos). • Ex: "Com tais premissas ele sem dúvida leva-nos às primícias" (Padre AntônioVieira) •• Onomatopeia – Consiste na imitação aproximada de um ruído ou som produzido porseres animados e inanimados. Os verbos que exprimem os sons são consideradosonomatopaicos, como cacarejar, tiquetaquear, miar, etc. • • FIGURAS DE PENSAMENTO • • As figuras de pensamento são recursos de linguagem que se referem aosignificado das palavras, ao seu aspecto semântico. • Antítese – Consiste na aproximação de palavras de sentido oposto, isto é, no
  17. 17. emprego de termos com significados antagônicos. • Exemplo: • Quando um muro separa • Uma ponte une • Se a vingança encana • O remorso pune • Você vem me agarra, alguém • Vem me solta • Você vai na marra, ela • Um dia volta. (Paulo César Pinheiro)
  18. 18. • • Paradoxo - Consiste na aproximação não apenas de palavras de sentidooposto, mas de ideias que se contradizem. É o dizer e o desdizer. O paradoxo leva-nosa enunciar uma verdade com aparência de mentira. Exemplos • • Amor é fogo que arde sem se ver É um contentamento descontente • É ferida que dói e não se sente É dor que desatina sem doer. (Camões) • • Eufemismo – Consiste em um recurso de expressão pelo qual se atenua, suavizauma verdade tida como penosa ou desagradável. • Exemplo: • Ele enriqueceu por meios ilícitos. (roubou), Você não foi feliz nos exames. (foi reprovado) • • Gradação – Consiste na enumeração de ideias em ordem gradativa, visando aum efeito de intensificação. Exemplo:  ”Dissecou-a, a tal arte, que ela, rota, baça, nojenta, vil sucumbi...”(Raimundo Correia)  A sequência "rota, baça, nojenta, vil" é que vai expressar o nível dedegradação a que " ela" chegou. Não se trata simplesmente de qualificar o processo.  "O trigo... nasceu, cresceu, espinhou, amadureceu, colheu-se, mediu-se."(Vieira) • A expressão desdobra-se em vários termos, procurando intensificar a ideiade processo e criar uma sensação/emoção especial no leitor. O discurso dos políticos,tentando atingir (convencer) a totalidade dos ouvintes, frequentemente lança mão dorecurso da gradação. •
  19. 19. • Hipérbole – Consiste no exagero de uma ideia, a fim de proporcionar umaimagem emocionante ou chocante. Quando dizemos: • Fazia quase um século que a gente não se encontrava. • →"um século" não pode ser compreendido como "período de cem anos".Queremos, de fato, dizer que fazia muito tempo que não nos encontrávamos. • Se e pudesse contar as lágrimas que chorei na véspera e na manhãsomaria mais que todas as verdades desde Adão e Eva. (Machado de Assis) •• Ironia – Ironia é a figura de pensamento que consiste em sugerir, pelo contexto,pela entonação, pela contradição de termos, o contrário do que as palavras ou oraçõesparecem exprimir, com intenção depreciativa e sarcástica. Exemplo: • • Você foi sutil como a um elefante. • • Embora esta expressão contenha a ideia de que o sujeito foi sutil, a ideia desutileza é desmentida pela comparação que se estabelece entre a sutileza do sujeito e ado elefante: a intenção do falante é oposta àquilo que está expresso na frase. • Observe • • Ouça as buzinas, os xingos, os palavrões! Não é encantador o trânsito de São Paulo? • • Veja, agora, este caso • • Você realmente é muito esperto. • • Esta frase, aparentemente, não contém nenhuma ironia. Mas, dependendoda situação em que ela é utilizada, da entonação que se der às palavras, ela pode ser. • • Moça linda, bem tratada, três séculos de família, burra como uma porta: um amor (Mário de Andrade). •
  20. 20. •• Prosopopeia/Personificação/Animismo – Prosopopeia é a figura que consisteem pensar seres inanimados ou irracionais como se eles fossem humanos, atribuindo-lhes linguagem, senti mentos e ações típicos dos seres humanos. • • Exemplo • O vento beija meus cabelos • As ondas lambem minhas pernas • O sol abraça o meu corpo (Lulu Santos- Nélson Mota) • • Apóstrofe – É uma interpelação, um chamado direto a pessoas (presentes ouausentes, vivas ou mortas) e até mesmo a seres inanimados ou imaginários. • • Exemplos • • Ó mar, porque não apagas • Côa espuma de tuas vagas • De teu manto este borrão? (Castro Alves) • Tu não verás, Marília, cem cativos. ( Tomás Antônio Gonzaga) • "O mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal." (Fernando Pessoa) • • Nesse exemplo, o eu lírico, para dar mais emotividade à sua fala, dirige-seao mar que, obviamente, não vai compreender as palavras que lhe são dirigidas. • • Perífrase – Também chamada circunlóquio, a perífrase consiste nasubstituição de uma palavra por uma série de outras, de modo que estas se refiramàquela indiferentemente.
  21. 21. • • Ex.: Última flor do Lácio, inculta e bela, és a um tempo esplendor esepultura. (Olavo Bilac) • Em lugar de nos referirmos diretamente a Deus, criamos a perífrase"aquele que tudo pode". Em vez de aludirmos diretamente à morte, criamos aperífrase "a sombra negra que a todos envolve." • Outros exemplos: • flor do Lácio= Língua Portuguesa rei da selva= leão • astro-rei= Sol abóbada celeste= céu • Cidade luz= Paris Livro Sagrado= Bíblia • • FIGURAS DE SINTAXE/CONSTRUÇÃO • As figuras de sintaxe ou de construção dizem respeito a desvios emrelação à concordância entre os termos da oração, sua ordem, possíveis repetições ouomissões. Elas podem ser construídas por : • • omissão : assíndeto , elipse e zeugma; • • repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto ; • • inversão : anástrofe, hipérbato, sínquise e hipálage; • • ruptura: anacoluto; • • concordância ideológica: silepse. (gênero, número e pessoa) • Portanto, são figuras de construção ou sintaxe: assíndeto,elipse, zeugma,anáfora, pleonasmo, polissíndeto, anástrofe, hipérbato, sínquise, hipálage, anacoluto,silepse. • • Anáfora – Consiste na repetição da mesma palavra no início de umperíodo, frase ou verso.
  22. 22. • Exemplo • Dentro do tempo o universo na imensidão. • Dentro do sol o calor peculiar do verão . • Dentro da vida uma vida me conta uma estória que fala de mim • Dentro de nós os mistérios do espaço sem fim! (Toquinho- Mutinho) • • Assíndeto – Ocorre quando as orações ou palavras que deveriam serligadas por conjunções coordenativas aparecem separadas por vírgulas. • Exemplo: Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, pegando-se, apertando-se, fundindo-se. (Machado de Assis) • • Polissíndeto – Consiste na repetição intencional de uma conjunçãocoordenativa mais vezes do que exige a norma gramatical. • • Ex.: Há dois dias meu telefone não fala, nem ouve, nem toca, nem tuge, nemmuge. (Rubem Braga) • Pleonasmo – Consiste na repetição de uma ideia já sugerida ou de umtermo já expresso. • • Pleonasmo Literário – É um recurso estilístico que enriquece aexpressão, dando ênfase à mensagem. Exemplo: • Não os venci. Venceram-me eles a mim. (Rui Barbosa) • Morrerás morte vil na mão de um forte (Gonçalves Dias) • • Pleonasmo vicioso – Frequente na linguagem informal, cotidiana.Considerado vício de linguagem, deve ser evitado.
  23. 23. • • Exemplo: • Ouvir com os ouvidos Rolar escadas abaixo • Colaborar juntos Hemorragia de sangue • Repetir de novo • • Elipse - Consiste na supressão de uma ou mais palavras facilmentesubentendidas nas frases. Geralmente essas palavras são pronomes, conjunções,preposições e verbos. • Exemplos: • • Compareci ao Congresso. (eu) • Espero venhas logo. (eu, que, tu) • Ele dormiu duas horas. (durante) • No mar, tanta tormenta e tanto dano... (verbo Haver) (Camões) • • Zeugma – Consiste na omissão de um termo que já apareceu antes. • Ex.: Ele prefere cinema; eu, teatro. (omissão de prefiro) • Exemplos: Foi saqueada a vila, e assassinados os partidários dos Filipes. (Camilo Castelo Branco) • Rubião fez um gesto, Palha outro: mas quão diferentes. (Machado de Assis) • • Hipérbato ou Inversão – Consiste na mudança da ordem natural dostermos na frase. • Ex.: “De tudo ficou um pouco. Do meu medo. Do teu asco.”  Morreu o presidente, por: O presidente morreu.
  24. 24. • Exemplos: Passeiam, à tarde, as belas na avenida. (Carlos Drummond de Andrade) • Paciência tenho eu tido... ( Antônio Nobre) • • Anacoluto – termo solto na frase, quebrando a estruturação lógica.Normalmente, inicia-se uma determinada construção sintática e depois se opta poroutra.  Eu, parece-me que vou desmaiar. / Minha vida, tudo não passa de algunsanos sem importância (sujeito sem predicado)  Quem ama o feio, bonito lhe parece (alteraram-se as relações entre termos da oração). Exemplos:  E o desgraçado, tremiam-lhe as pernas. (Manuel Bandeira)  Aquela mina de ouro, ela não ia deixar que outras espertas botassem asmãos (José Lins Do Rego) • • Hipálage – Ocorre Hipálage quando há inversão da posição do adjetivo(uma qualidade que pertence a um objeto é atribuída a outro, na mesma frase). • • Exemplos • ... em cada olho um grito castanho de ódio. (Dalton Trevisan) • (.....em cada olho castanho um grito de ódio) • .......As lojas loquazes dos barbeiros ( Eça de Queirós) • (...... as lojas dos barbeiros loquazes) • • Silepse • • Silepse de Gênero – Não há concordância de gênero do adjetivo ou
  25. 25. pronome com a pessoa a que se refere • Exemplos: Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho... (Rachel de Queiroz) • V.Exa parece magoado... (Carlos Drummond de Andrade) • • Silepse de Pessoa - Não há concordância da pessoa verbal com o sujeitoda oração. • Exemplos Os dois ora estais reunidos... (Carlos Drummond de Andrade). • Na noite do dia seguinte, estávamos reunidos algumas pessoas. (Machado de Assis) • • Silepse de número – Não há concordância do número verbal com osujeito da oração. • Exemplo Corria gente de todos os lados, e gritavam. (Mário Barreto). • • • • • • • • • •
  26. 26. • • QUADRO COMPARATIVO DOS GÊNEROS LITERÁRIOS • • Narrativo/ • Dramático • LíricoÉpico • Tem narrador e • O emissor (ator) • Há um sujeito em geral refere-se à 3ª apresenta a poético, na 1ª • pessoa. • ação ao receptor • pessoa; com • ELE(A) (espectador). relevo do. • EU - TU • EU • • • Acentuada • Acentuada • Acentuadaobjetividade com predomínio da objetividade com predomínio da subjetividade com predomíniolinguagem denotativa. linguagem denotativa. da linguagem conotativa. • Prevalece a • Prevalecem as • Prevalecem asfunção informativa mas pode funções apelativas e funções poética e emotiva.aparecer a emotiva e a poética. informativa, pode aparecer a emotiva (tragédia, drama). • Há uma história • A história é • O mundo é o doque é narrada e refere-se em representada e Eu – interior - com osespecial ao mundo exterior, do • refere-se em sentimentos, pensamentos donão-eu. especial ao mundo sujeito poético. • exterior, do não- eu. • A descrição é • As marcações do • Muito brevesfrequente e minuciosa. cenário e os adereços têm valor momentos descritivos. descritivo. • Situa-se numa • Situa-se numa • Em geral semépoca histórica, o tempo não é época histórica, o tempo é o da ligação com uma época (anti-linear e é extenso. representação - breve e linear. histórico) • Destina-se à • Destina-se à • Destina-se àleitura. representação declamação e leitura. • Quase só com • Recurso ao som, • Só recorre àrecursos de língua. à luz… e não apenas à língua. língua. • • Predomínio da • Predomínio do • Em geral anti-narração. diálogo, com momentos de narrativa. apartes e monólogo. • • Conto, novela, • Tragédia, • Ode, elegia,romance. comédia, drama, farsa, auto… soneto canção. • • •  Gêneros literários • • Em linhas gerais, os gêneros literários são o gênero lírico, épico e dramático.
  27. 27. • O gênero lírico é formado por poemas de pouca extensão em que uma vozcentral (um Eu lírico ou Eu poético) se exprime (na lírica não há personagens nítidas).Nesse gênero, o autor cria um Eu lírico e escreve em versos. Verso é aquela coisa quemuda linha antes que a página tenha terminado, segundo o escritor Umberto Eco. • O poema "Autopsicografia", de Fernando Pessoa, pertence ao gênero lírico: • • O poeta é umfingidor.Finge tão completamenteQue chega a fingir que é dorA dor que deveras sente. (...) • • O gênero épico é formado por obras (em verso ou em prosa) de extensãomaior, em que um narrador apresenta personagens envolvidas em situações e eventos. • As obras que pertencem ao gênero épico são as narrativas. Nos textosnarrativos o narrador apresenta ao leitor um universo ficcional. Entre os textos ficcionais,os mais conhecidos são o conto, a novela e o romance. O conto seria o mais curto dostrês, o romance o mais longo e a novela teria uma extensão intermediária. • O conto "Um apólogo", de Machado de Assis, pertence ao gênero épico. Vejaum trecho: • • • Era uma vez uma agulha, que disse a um novelode linha:- Por que você está com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada,para fingir que vale alguma cousa neste mundo?- Deixe-me senhora.- Que a deixe? Que a deixe por quê? Por que lhe digo que estácom um ar insuportável? Repito que sim, e o falarei sempre queme der na cabeça.- Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha.Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? (...) • • O gênero dramático é formado por obras dialogadas em que as própriaspersonagens atuam, sem serem, em geral, apresentadas por um narrador. No teatro, oautor desaparece de cena, deixando as personagens viverem a ação e se comunicarematravés do diálogo. Observe este diálogo entre Custódio e Ernesto, personagens da peça"Verso e Reverso", de José de Alencar:
  28. 28. • • CUSTÓDIO :(Cumprimentando.) – Como tem passado? Que há de novo? • ERNESTO :(Ao ouvido.) – Que não estou disposto a aturá-lo. (Sai.) • ( Custódio fica pasmo no meio da cena; cai o pano.) • • • As falas que estão entre parênteses e entre colchetes pertencem ao autordo texto. Chamam-se rubricas. Rubricas são anotações que indicam como se desenvolvea cena, para o diretor e os atores saberem como representá-la. • Se deixarmos apenas as falas de Custódio e Ernesto, o diálogo ficaria assim: • CUSTÓDIO : Como tem passado? Que há de novo? • ERNESTO : Que não estou disposto a aturá-lo. • • O gênero dramático pertence à literatura e também ao teatro. •• XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

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