Teste modelo iv

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Teste modelo iv

  1. 1. Agrupamento de escolas de Grândola 2013/2014 Português – 8º Ano - Texto não literário e literário Prof. Paulo Mota Teste modelo II 1º Período A) Texto narrativo Lê com atenção o texto transcrito. Responde, depois, de forma clara, objectiva e documentada às questões apresentadas. A noite em que prenderam o Pai Natal O velho Pascoal tinha uma barba comprida, branca, muito branca, que lhe caía em tumulto pelo peito. Estilo? Não: era desleixo, desleixo mesmo, puríssima, genuína miséria. Mas foi por causa daquela barba que ele conseguiu trabalho. Por isso e por ter nascido albino, pele de osga e piscos olhinhos cor de rosa, sempre escondidos por detrás de uns enormes óculos escuros. Naquela época já nem pensava mais em procurar emprego, certo de que morreria em breve numa rua qualquer da cidade, mais de tristeza que de fome, pois para se alimentar bastavalhe a sopa que todas as noites dava o General, e uma ou outra côdea de pão descoberta nos contentores. Há muitos anos, um dia, era Dezembro e fazia muito calor, o indiano do novo supermercado, na mutamba, veio falar com ele: - Precisamos de um Pai Natal – disse-lhe – contigo poupávamos na barba e, além disso, como tens um tipo nórdico, ficava a coisa mais autêntica. Estamos a dar três milhões por dia. Serve? A função dele era ficar em frente ao supermercado, vestido com um pijama vermelho, e de barrete na cabeça. Como estava magrinho, foi necessário amarrarem-lhe duas almofadas na barriga. Pascoal sofria com o calor, suava o dia inteiro debaixo do sol, mas pela primeira vez ao fim de muitos anos sentia-se feliz. Assim vestido, com um saco na mão, ele oferecia prendas às criancinhas (preservativos doados por uma organização não governamental sueca ao Ministério da Saúde) e convidava os pais a entrar na loja. «Sou o Pai Natal cambulador», explicou ao General. Cambulador foi ofício em Angola até à primeira metade deste século: gente contratada para aliciar clientes à porta dos estabelecimentos comerciais. Cada dia Pascoal gostava mais daquele trabalho. As crianças corriam para ele de braços abertos. As mulheres riam-se, cúmplices, piscavam-lhe o olho (nunca nenhuma mulher lhe tinha sorrido); os homens cumprimentavam-no com deferência: - Boa tarde, Pai Natal! Este ano como é que estamos de prendas? O velho apreciava sobretudo o espanto dos meninos da rua. Faziam roda. Pediam muita licença para tocar o saco. Um, pequenino, fraquinho, segurou-lhe as calças: - Paizinho Natal – implorou -, me dá um balão. 1
  2. 2. Pascoal tinha instruções severas para só oferecer preservativos às crianças acompanhadas, e mesmo assim dependia do aspecto da companhia. O contrato era claro: meninos da rua deviam ser enxotados. Ao fim da segunda semana, quando a loja fechou, Pascoal decidiu não tirar o disfarce e foi naquele escândalo para a cervejaria. O general viu-o e não disse nada. Serviu-lhe a sopa em silêncio. - Faz muita miséria neste país – queixou-se o velho enquanto sorvia a sopa - o crime recompensa. Nessa noite não sonhou com a piscina. Viu uma senhora muito bonita a descer do céu e pousar na beira da mesa de bilhar. A senhora usava um vestido comprido com pedrinhas brilhantes e uma coroa dourada na cabeça. A luz saltava-lhe da pele como se fosse um candeeiro. - Tu és o Pai Natal – disse-lhe a senhora,.- Mandei-te aqui para ajudar os meninos despardalados. Vai à loja, guarda os brinquedos no saco e distribui-os pelas crianças. O velho acordou estremunhado. Na noite densa, em redor da mesa de bilhar, flutuava uma poeira incandescente. Voltou a enrolar-se no cobertor mas não conseguiu adormecer. Levantou-se, vestiu-se de Pai Natal, pegou no saco e saiu para a rua. Em pouco tempo chegou à Mutamba. A loja brilhava, enorme na praça deserta, como um disco voador. As barbies ocupavam a montra principal, cada uma no seu vestido, mas todas com o mesmo sorriso entediado. Na outra montra estavam os monstros mecânicos, as pistolas de plástico, os carrinhos eléctricos. Pascoal sabia que se partisse o vidro dessa montra, conseguiria passar a mão através das grades e abrir a porta. Pegou numa pedra e partiu o vidro. Já estava a sair, com o saco completamente cheio, quando apareceu a polícia. No mesmo instante, atrás dele, acendeu-se uma acácia, na esquina, e Pascoal viu a senhora a sorrir para ele, flutuando sobre o lume das flores. O polícia não pareceu dar por nada. - Velho sem vergonha – gritou ele. - Vais dizer-me o que levas no saco? Pascoal sentiu que a sua boca se abria, sem que fosse essa a sua vontade, e ouviu-se dizer: - São rosas, senhor. O polícia , olhou-o, confuso: Rosas? O velho está cacimbado ... Deu-lhe uma chapada com as costas da mão. Tirou a pistola do coldre, apontou-o à cabeça dele e gritou: - São rosas? Então mostra-me lá essas rosas! O velho hesitou um momento. Depois voltou a olhar para a acácia em flor e viu outra vez a senhora sorrindo para ele, belíssima, toda ela uma festa de luz. Pegou no saco e despejou-o aos pés do guarda. Eram rosas, realmente de plástico. Mas eram rosas. Adaptação A noite em que prenderam o Pai Natal - José Eduardo Agualusa. 2
  3. 3. Grupo I - Leitura 1. “A função dele era ficar em frente ao supermercado” 1.1. Indica o trabalho de Pascoal, tendo em conta as informações que lhe são transmitidas no texto. 1.2. Enuncia algumas vantagens e desvantagens deste emprego, na perspectiva do protagonista. 1.3. Qual a tua opinião sobre a actividade de cambulador? 1.4. Identifica a personagem principal e procede à sua caracterização física, justificando a tua resposta com elementos do texto. 1.5. A caracterização psicológica da personagem principal é feita, sobretudo, de forma direta ou indireta? Justifica a tua resposta. 1.6. Identifica um recurso estilístico utilizado para descrever o Pascoal, justificando o seu valor expressivo. 1.7. “Viu uma senhora muito bonita a descer do céu e pousar na beira da mesa de bilhar.” 1.7.1. Explicita o sentido desta afirmação no seu contexto, procurando identificar a importância deste acontecimento no desenrolar da intriga. 2. Toda a acção se desenvolve num determinado espaço e tempo. 2.1.1. Identifica dois espaços físicos onde a ação decorre. 2.2. O texto permite-nos integrar a personagem num determinado espaço social. 2.2.1. Indica-o, referindo as informações do texto que nos possibilitam fazer essa inserção. 2.3. Enuncia algumas referências temporais presentes no texto, respeitantes ao tempo da história (cronológico). 2.4. Em que época histórica (tempo histórico) enquadraria a ação deste conto de Natal? Justifica a tua resposta. 3. Classifica o narrador, quanto à sua presença, justificando a tua resposta. 3
  4. 4. B) Banda Desenhada 1. Identifica o número de tiras e de vinhetas presentes na prancha de banda desenhada que acabaste de ler. 2. Seleciona, em cada item, a alternativa que permite obter a afirmação adequada ao sentido da banda desenhada. 2.1. Na primeira vinheta da segunda tira, o pai de Calvin a) pede ao filho que lhe traga uma cerveja preta. b) brinca com o filho por este ir levar uma sanduíche ao Pai Natal. c) diz ao filho para levar um copo de leite ao Pai Natal. 4
  5. 5. 2.2. Quando Hobbes afirma «Ainda bem que os tigres são naturalmente prendados», quer dizer a) que os tigres recebem prendas todos os dias. b) que os tigres oferecem muitas prendas. c) que os tigres têm muitas qualidades. 2.3. Na primeira vinheta da última tira, Calvin está a gritar porque a) quer que os pais se levantem para abrir os presentes. b) o Pai Natal não trouxe presentes para o Hobbes. c) o Pai Natal lhe trouxe os presentes que ele queria. 3. Caracteriza a relação de Calvin e Hobbes, através de dois adjetivos. Grupo II - Funcionamento da Língua 1. “As crianças corriam para ele de braços abertos. As mulheres riam-se, cúmplices, piscavam-lhe o olho (nunca nenhuma mulher lhe tinha sorrido); os homens cumprimentavam-no com deferência.” 1.1. Classifica todos vocábulos sublinhados. 1.2. Coloca as frases no pretérito perfeito do indicativo. 2. Substitui, nas frases seguintes, os grupos nominais destacados por pronomes. a) “…ele oferecia prendas às criancinhas….” b) Convidavam os pais a entrar na loja. c) Pascoal partiria o vidro daquela montra. 3. Atente nas seguintes frases: a) Senhor, são rosas, naturalmente. b) Os monstros mecânicos, as pistolas de plástico, os carrinhos elétricos estavam na outra montra, com certeza. c) Dizia-se muita coisa sobre o Pascoal. 3.1. Analisa cada uma das frases, indicando as funções sintáticas ao nível da frase. 4. Se o Pascoal vive-se bem nunca teria tido aquela profissão e passado por aquelas expriências. 4.1.Reescreva o texto, corrigindo os erros ortográficos e sintáticos e colocando a pontuação correcta. Grupo III 10. Produz um texto de opinião correto e bem estruturado, com um mínimo de 150 e um máximo de 200 palavras, sobre a internet, apresentando as vantagens e as desvantagens da mesma. 5
  6. 6. 2.2. Quando Hobbes afirma «Ainda bem que os tigres são naturalmente prendados», quer dizer a) que os tigres recebem prendas todos os dias. b) que os tigres oferecem muitas prendas. c) que os tigres têm muitas qualidades. 2.3. Na primeira vinheta da última tira, Calvin está a gritar porque a) quer que os pais se levantem para abrir os presentes. b) o Pai Natal não trouxe presentes para o Hobbes. c) o Pai Natal lhe trouxe os presentes que ele queria. 3. Caracteriza a relação de Calvin e Hobbes, através de dois adjetivos. Grupo II - Funcionamento da Língua 1. “As crianças corriam para ele de braços abertos. As mulheres riam-se, cúmplices, piscavam-lhe o olho (nunca nenhuma mulher lhe tinha sorrido); os homens cumprimentavam-no com deferência.” 1.1. Classifica todos vocábulos sublinhados. 1.2. Coloca as frases no pretérito perfeito do indicativo. 2. Substitui, nas frases seguintes, os grupos nominais destacados por pronomes. a) “…ele oferecia prendas às criancinhas….” b) Convidavam os pais a entrar na loja. c) Pascoal partiria o vidro daquela montra. 3. Atente nas seguintes frases: a) Senhor, são rosas, naturalmente. b) Os monstros mecânicos, as pistolas de plástico, os carrinhos elétricos estavam na outra montra, com certeza. c) Dizia-se muita coisa sobre o Pascoal. 3.1. Analisa cada uma das frases, indicando as funções sintáticas ao nível da frase. 4. Se o Pascoal vive-se bem nunca teria tido aquela profissão e passado por aquelas expriências. 4.1.Reescreva o texto, corrigindo os erros ortográficos e sintáticos e colocando a pontuação correcta. Grupo III 10. Produz um texto de opinião correto e bem estruturado, com um mínimo de 150 e um máximo de 200 palavras, sobre a internet, apresentando as vantagens e as desvantagens da mesma. 5

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