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Revisão enem

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  • 1. Revisão Paulo Monteiro e Júlio Alves
  • 2. Questão 01: (...)” O termo “realismo” não será usado como uma tentativa de estabelecer um estilo formal ou algo semelhante a um movimento ou vertente artística, fenômenos pouco prováveis numa era de arte globalizada, mas como um termo conciliador para demonstrar a grande relação da produção contemporânea de pintura com a figuração, e com as questões geradas por um mundo cada vez mais fundamentado na presença da imagem. Pretendo construir uma definição ou delimitação do termo “realismo” que utilizarei nas fases seguintes deste texto para tratar da pintura contemporânea.” FONTES, Alan. Rumos da pintura na era da imagem técnica. Disponível em:http.www.bibliotecadigital.ufmg.br. Acesso em:28 jul.2013 No século XIX, para o pintor Gustave Courbet (1819-1877), em seu manifesto realista, a pintura era uma manifestação essencialmente física e deveria se ocupar unicamente com a representação das coisas que podem ser vistas e tocadas, como na seguinte imagem:
  • 3. (A) (B)
  • 4. (C) (D)
  • 5. (E)
  • 6. Resposta: letra A. Constituindo uma oposição ao idealismo romântico, o Realismo propõe uma visão mais objetiva e fiel da vida humana. O autor procura conferir ao trabalho artístico o registro mais próximo da realidade através da riqueza de detalhes como se pode observar na pintura “As banhistas”, de Gustave Courbet, que deu início ao Realismo.
  • 7. Questão 02: Um dos recursos utilizados pelo Padre Antônio Vieira em seus sermões consiste na “agudeza” – maneira de conduzir o pensamento que aproxima objetos e/ou ideias distantes, diferentes, por meio de um discurso artificioso, que se costuma chamar de “discurso engenhoso”. Assinale a alternativa em que o trecho transcrito do Sermão da Sexagésima, o autor utiliza esse recurso. (A) “Lede as histórias eclesiásticas, e achá-las-ei todas cheias de admiráveis efeitos da pregação da palavra de Deus. Tantos pecadores convertidos, tanta mudança de vida, tanta reformação de costumes; os grandes desprezando a riqueza e vaidades do Mundo; os reis renunciando o cetros e as coroas; as mocidades e as
  • 8. (B) “Miseráveis de nós, e miseráveis de nossos tempos, pois neles se veio a cumprir a profecia de São Paulo(...) “Virá tempo, diz São Paulo, em que os homens não sofrerão a doutrina sã.”(...) “Mas para seu apetite terão grande número de pregadores feitos a montão e sem escolha, os quais não façam mais que adular-lhes as orelhas.” (C) “Para um homem se ver a si mesmo são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz.(...) Que coisa é a conversão de uma alma, senão entrar um homem dentro de si e ver-se a si mesmo? Para esta vista são necessários olhos, é necessária luz e é necessário espelho. O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é o conhecimento.”
  • 9. (D) “Quando Davi saiu a campo com o gigante, ofereceulhe Saul as suas armas, mas ele não a quis aceitar. Com as armas alheias ninguém pode vencer, ainda que seja Davi. As armas de Saul só servem a Saul, e as de Davi a Davi, e mais aproveita um cajado e uma funda própria, que a espada e a lança alheia.” (E) “Nós adoraríamos dizer que somos perfeitos. Que somos infalíveis. Que não cometemos nem mesmo o menor deslize. E só não falamos isso por um pequeno detalhe: seria uma mentira. Aliás, em vez de usar a palavra “mentira”, como acabamos de fazer, poderíamos optar por um eufemismo. “Meia-verdade”, por exemplo, seria um termo muito menos agressivo.”
  • 10. Resposta: letra C. O conceptismo é um recurso muito utilizado pelo Padre Antônio Vieira. A corrente corresponde à utilização de um “discurso engenhoso”, no qual estão presentes o jogo de ideias, as alegorias e metáforas. Esses elementos se situam unicamente na alternativa C, em que o autor articula a ideia de autoimagem às metáforas do espelho como sendo a doutrina, de luz como Deus e dos olhos como homem. Essa articulação busca exaltar a moral cristã e legitimála como maneira autêntica de um ser humano construir sua identidade.
  • 11. Questão 03: “A escravidão foi abordada literariamente pela poesia brasileira da terceira geração romântica. A realidade dos escravos africanos, também, foi tema de pinturas, como Le Diner, do artista francês Debret (1768-1848), ( ver quadro abaixo):
  • 12. O poeta baiano Castro Alves construiu uma poesia caracterizada pelo engajamento em relação a questões sociais. O inconformismo do autor com o problema da escravidão fez com que ele se filiasse ao movimento abolicionista. Com o objetivo de chamar a atenção para os problemas e injustiças da pátria, o poeta denuncia o sofrimento dos escravos como se nota no seguinte fragmento: (A) “Se a margarida flor É branca de fato Qual a cor da Margarida Que varre o asfalto?” (B) “O racismo que existe, O racismo que não existe. O sim que é não, O não que é sim. É assim o Brasil Ou não?¨
  • 13. (C) “Na propaganda enganosa (D) “Se a estrela d’alva os paraíso racial derradeiros raios hipocrisia faz mal Derrama nos jardins do nosso futuro num saco Capuleto sem fundo Eu direi, me esquecendo d’alvorada: a gente vê “É noite ainda em teu cabelo e finge que não vê preto...” a ditadura da brancura.” (E) “E ri-se a orquestra irônica, estridente... E da ronda fantástica a serpente Faz doudas espirais... Qual num sonho dantesco as sombras voam! Grito, ais, maldições, preces ressoam! E ri-se Satanás!...”
  • 14. Resposta: letra E. A dança dos escravos é o conjunto de movimentos – acompanhados pelos gritos de dor (a orquestra) que os negros fazem ao serem chicoteados. O texto põe em evidência a realidade degradante dos escravos, retratando uma sociedade problemática e cruel.
  • 15. Questão 04: Canção do Exílio (fragmentos) Gonçalves Dias “Minha terra tem palmeiras Onde canta o sabiá As aves que aqui gorjeiam Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas Nossas várzeas têm mais flores Nossos bosques têm mais vida Nossa vida mais amores.”
  • 16. Hino Nacional Brasileiro (fragmentos) Joaquim Osório Duque Estrada (...) “Do que a terra mais garrida, Teus risonhos, lindos campos têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida, em teu seio, mais amores...”
  • 17. Ao estabelecer um estudo comparativo entre os textos, conclui-se que (A) ambos foram produzidos durante o século passado e com objetivos distintos. (B) os textos de Gonçalves Dias e Duque Estrada representam, cada um em seu tempo, a identidade nacional. (C) o segundo texto constitui uma paródia em relação aos versos de Gonçalves Dias. (D) há, na relação entre os textos de Gonçalves Dias e Duque Estrada, uma intertextualidade implícita. (E) o Hino Nacional Brasileiro faz uma reinterpretação crítica da postura romântica assumida por Gonçalves Dias.
  • 18. Resposta: letra B. O texto de Gonçalves Dias, surgido no período pósindependência, caracteriza o sentimento de brasilidade literária na época do Romantismo; o texto de Osório Duque Estrada foi composto em 1909, nos primeiros vinte anos da implantação da República no país, o que confirma o sentimento identitário no período citado.
  • 19. Questão 05:
  • 20. O Guarani (José de Alencar) (...) “A moça soltou um grito e achou que o amigo deveria estar morto àquela hora, confessando ter sido o motivo da tamanha loucura porque dissera a Peri que queria ver uma onça viva. (...) Mal as janelas da casa tinham sido abertas para receber a luz do sol, ouvem-se os gritos de D. Lauriana que aparece à janela toda despenteada, chamando por Aires Gomes, o escudeiro de D. Antônio. De espada em riste, o homem procura o animal, mas não o encontra e só então fica sabendo tratar-se de medo de D. Lauriana porque Peri tinha trazido, dia antes, a onça com a qual teria imaginado agradar sua senhora. (...)
  • 21. Com efeito, por entre a ramagem das árvores via-se a pele negra e marchetada do tigre e os olhos felinos que brilhavam com seu reflexo pálido. Os aventureiros levaram o mosquete à face, mas no momento de puxarem o gatilho, largaram todos uma risada homérica, e abaixaram as armas. - Que é lá isso? Tem medo? E o destemido escudeiro sem se importar com os outros, mergulhou por sob as árvores e apresentou-se arrogante em face do tigre. Aí, porém, caiu-lhe o queixo de pasmo e de surpresa. A onça embalava-se a um galho suspensa pelo pescoço e enforcada pelo laço que apertando-se com o seu próprio peso, a estrangulara.
  • 22. Enquanto viva, um só homem bastara para trazê-la desde o Paraíba até a floresta, onde tinha sido caçada, e da floresta até àquele lugar onde havia expirado." Peri havia matado o animal... Os homens levaram a onça até a casa e mostraram-na a D. Lauriana. Ela pediu que eles a deixassem ali, na porta, a fim de que D. Antônio visse o perigo que Peri representava; no entanto, o fidalgo era de todo grato ao índio que um dia salvara sua filha.” www.mundovestibular.com.br A partir da leitura da tirinha e do fragmento, é correto afirmar que (A) quanto ao amor, o segundo fragmento expõe uma visão dualista das personagens românticas, que envolve atração e medo, desejo e culpa.
  • 23. (B) a postura adolescente, ingênua observada na tirinha contrasta com a apresentação de personagens verossímeis, isento das distorções românticas do texto de Alencar. (C) a valorização do herói forte, idealizado, acima das limitações humanas é o motivo temático comum aos dois textos. (D) o texto de José de Alencar e a tirinha se assemelham no interesse pela exploração das zonas desconhecidas da mente humana e pela loucura. (E) a superação de barreiras consideradas intransponíveis é uma marca característica compatível com os trechos destacados.
  • 24. Resposta: letra A. “O Guarani” se articula, entre outros pontos, a partir de um fato essencial: a devoção e fidelidade de um índio goitacá, Peri, por Cecília. O herói romântico, no caso, é um ser dotado de idealismos, de honra e de coragem. Às vezes, põe a própria vida em risco para atender aos apelos do coração ou da justiça.
  • 25. Questão 06: Nel mezzo del camin... “Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada E triste, e triste e fatigado eu vinha. Tinhas a alma de sonhos povoada, E alma de sonhos povoada eu tinha... E paramos de súbito na estrada Da vida: longos anos, presa à minha A tua mão, a vista deslumbrada Tive da luz que teu olhar continha.
  • 26. Hoje, segues de novo... Na partida Nem o pranto os teus olhos emudece, Nem te comove a dor da despedida. E eu, solitário, volto a face, e tremo, Vendo o teu vulto que desaparece Na extrema curva do caminho extremo.” (BILAC, Olavo. Poesia. 2ª. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1959, p. 56)
  • 27. No meio do caminho No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra. Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha pedra tinha uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra. (ANDRADE. Carlos Drummond de. Antologia Poética. 27ª. ed. Rio de Janeiro: Record, 1991. p. 196)
  • 28. O diálogo entre o poema de Drummond e o de Bilac caracteriza uma intertextualidade. Os indícios da intertextualidade podem ser comprovados na (A) apresentação de formas fixas, métricas regulares e no preciosismo técnico. (B) total ruptura com as normas oficiais da gramática tradicional e na incorporação da linguagem mais espontânea. (C) presença do título, no exagero das repetições e na constante utilização da ordem inversa. (D) sugestão temática já que ambos franqueiam múltiplas possibilidades de interpretação. (E) incapacidade de resistir às dificuldades cotidianas, o que faz do homem um ser impotente e desiludido.
  • 29. Resposta: letra C. O título do texto de Drummond, que lembra o poema bilaquiano, é uma citação da parte do primeiro verso da obra A Divina Comédia, de Dante Alighieri. As repetições e inversões podem ser localizadas nos trechos: “No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho”; “Vinhas fatigada / E triste, e triste, e fatigado eu vinha,”; “Tinhas a alma de sonhos povoada, / E a alma de sonhos povoada eu tinha...”.
  • 30. Questão 07: Leia com atenção o seguinte trecho de um sambaenredo composto por Paulinho da Viola e responda à questão abaixo: “Era o tempo do rei Quando aqui chegou Um modesto casal feliz pelo recente amor Leonardo, tornando-se meirinho Deu a Maria Hortaliça um novo lar Um pouco de conforto e de carinho Dessa união, nasceu Um lindo varão Que recebeu o mesmo nome do pai Personagem central da história que contamos Neste carnaval
  • 31. Mas um dia Maria Fez a Leonardo uma ingratidão Mostrando que não era uma boa companheira Provocou a separação Foi assim que o padrinho passou A ser do menino tutor A quem lhe deu toda dedicação Sofrendo uma grande desilusão Outra figura importante em sua vida Foi a comadre parteira popular] Diziam que benzia de quebranto A beata mais famosa do lugar
  • 32. Havia nesse tempo aqui no Rio Tipos que devemos mencionar Chico Juca era mestre em valentia E por todos se fazia respeitar O reverendo amante da cigana Preso pelo Vidigal (...) (http://letras.com.br/portela-rj/480497/) O recurso da intertextualidade está presente nesse samba-enredo, apresentado no carnaval carioca de 1966. Qual é a obra com que essa composição musical de Paulinho da Viola dialoga?
  • 33. (A) o romance Cinco Minutos, de José de Alencar. (B) A peça A queda que as mulheres têm pelos tolos, de Machado de Assis. (C) A peça Judas em Sábado de Aleluia, de Martins Pena. (D) O folhetim Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida. (E) O romance A escrava Isaura, de Bernardo Guimarães.
  • 34. Resposta: letra D. Todas as personagens citadas compõem a trama do livro de Manuel Antônio de Almeida, “Memórias de um Sargento de Milícias”.
  • 35. Questão 08: Geni e o Zepelim “De tudo que é nego torto Do mangue e do cais do porto Ela já foi namorada O seu corpo é dos errantes Dos cegos, dos retirantes É de quem não tem mais nada Dá-se assim desde menina Na garagem, na cantina Atrás do tanque, no mato É a rainha dos detentos Das loucas, dos lazarentos Dos moleques do internato E também vai amiúde Com os velhinhos sem saúde E as viúvas sem porvir Ela é um poço de bondade E é por isso que a cidade Vive sempre a repetir Joga pedra na Geni Joga pedra na Geni Ela é feita pra apanhar Ela é boa de cuspir Ela dá pra qualquer um Maldita Geni
  • 36. Um dia surgiu, brilhante Entre as nuvens, flutuante Um enorme zepelim Pairou sobre os edifícios Abriu dois mil orifícios Com dois mil canhões assim A cidade apavorada Se quedou paralisada Pronta pra virar geleia Mas do zepelim gigante Desceu o seu comandante Dizendo – Mudei de ideia – Quando vi nesta cidade – Tanto horror e iniquidade – Resolvi tudo explodir – Mas posso evitar o drama – Se aquela formosa dama – Esta noite me servir Essa dama era Geni Mas não pode ser Geni Ela é feita pra apanhar Ela é boa de cuspir Ela dá pra qualquer um Maldita Geni Mas de fato, logo ela Tão coitada e tão singela Cativara o forasteiro O guerreiro tão vistoso Tão temido e poderoso Era dela, prisioneiro Acontece que a donzela – e isso era segredo dela Também tinha seus caprichos E a deitar com homem tão nobre Tão cheirando a brilho e a cobre Preferia amar com os bichos
  • 37. Ao ouvir tal heresia A cidade em romaria Foi beijar a sua mão O prefeito de joelhos O bispo de olhos vermelhos E o banqueiro com um milhão Vai com ele, vai Geni Vai com ele, vai Geni Você pode nos salvar Você vai nos redimir Você dá pra qualquer um Bendita Geni Foram tantos os pedidos Tão sinceros, tão sentidos Que ela dominou seu asco Nessa noite lancinante Entregou-se a tal amante Como quem dá-se ao carrasco Ele fez tanta sujeira Lambuzou-se a noite inteira Até ficar saciado E nem bem amanhecia Partiu numa nuvem fria Com seu zepelim prateado Num suspiro aliviado Ela se virou de lado E tentou até sorrir Mas logo raiou o dia E a cidade em cantoria Não deixou ela dormir Joga pedra na Geni Joga bosta na Geni Ela é feita pra apanhar Ela é boa de cuspir Ela dá pra qualquer um Maldita Geni.”
  • 38. ( BUARQUE, Chico. CD Ópera do Malandro. São Paulo: Polygram do Brasil , 1993 ) "Geni e o Zepelim" é uma canção brasileira, composta e cantada por Chico Buarque. Essa canção fez parte do musical Ópera do Malandro, do mesmo autor, lançado em 1978, do álbum, de 1079, e do filme, de 1986, todos com o mesmo nome. Analisando-se a postura do autor-criador, percebe-se: (A) um discurso reducionista, que se faz presente na proposta de construção de uma ordem social de maneira invertida. (B) a adoção de uma posição conservadora por conta da necessidade de preservação dos padrões comportamentais vigentes. (C) uma voz em busca da desconstrução do utilitarismo que vê nas relações subjetivas uma forma de lucratividade. (D) a procura de um equilíbrio entre as normas da sociedade convencional e a conduta vanguardista assumido pela protagonista. (E) o escarnecimento da figura da mulher na exposição contundente de toda a sua trajetória sexual.
  • 39. Resposta: letra C. A letra faz um retrato da hipocrisia humana tanto no aspecto religioso quanto no aspecto social além de revelar a manifestação de censura a alguns setores da sociedade que buscam “silenciar” a voz da heroína.
  • 40. Questão 09: REFAZENDA “Abacateiro, acataremos teu ato Nós também somos do mato como o pato e o leão Aguardaremos brincaremos no regato Até que nos tragam frutos teu amor, teu coração Abacateiro, teu recolhimento é justamente O significado da palavra temporão Enquanto o tempo não trouxer teu abacate Amanhecerá tomate e anoitecerá mamão
  • 41. Abacateiro, sabes ao que estou me referindo Porque todo tamarindo tem o seu agosto azedo Cedo, antes que o janeiro doce manga venha ser também Abacateiro, serás meu parceiro solitário Nesse itinerário da leveza pelo ar Abacateiro saiba que na refazenda Tu me ensina a fazer renda que eu te ensino a namorar Refazendo tudo Refazenda Refazenda toda Guariroba” (GIL, Gilberto. Refazenda. Rio de Janeiro: Warner Music, 1976)
  • 42. O texto de Gil faz algumas insinuações políticas que podem ser identificadas com um momento turbulento da história do país. O momento em evidência é (A) a Guerra do Paraguai. (B) a proclamação da República. (C) o impeachment de Fernando Collor. (D) o Ato Institucional no. 5. (E) o Ato Institucional no. 4.
  • 43. Resposta: letra D. O Ato Institucional nº 5 - AI-5 baixado em 13 de dezembro de 1968, durante o governo do general Costa e Silva, foi a expressão mais acabada da ditadura militar brasileira (19641985). Vigorou até dezembro de 1978 e produziu um elenco de ações arbitrárias de efeitos duradouros. Definiu o momento mais duro do regime, dando poder de exceção aos governantes para punir arbitrariamente os que fossem inimigos do regime ou como tal considerados. Vêm daí as expressões a “ato” (AI-5) e “abacateiro” (cor da farda dos militares que estavam no poder).
  • 44. Questão 10: Folia de multas, apreensões e acidentes Acompanhamos o trabalho da equipe da Polícia Rodoviária das 7 da manhã às 7 da noite em pleno sábado de Carnaval. (...) Em frente ao posto policial, os soldados posicionam cones de modo que só passe por aí um veículo de cada vez. (...) Um dos motoristas (cujo carro foi apreendido), que não quis dar entrevista, anda de um lado para outro, impaciente. (...) Ele entra na cabine e fala mais de uma vez: “Não tem como conversar? Estou com duas crianças no carro”. Irredutível, o oficial o orienta a procurar alguém que possa levá-los para casa. Policiais contam que essa abordagem é comum.
  • 45. “Hoje não tem jeitinho brasileiro”, afirmava o gerente administrativo João Carlos Rodrigues, que teve o seu Renault Mégane preso por atraso no licenciamento. “Eu acho bom eles serem rígidos. Só espero que isso não esteja sendo feito apenas porque a equipe de reportagem está aqui”. (...) VEJA, 16 de março de 2011
  • 46. RAPAZ FOLGADO Noel Rosa “Deixa de arrastar o teu tamanco Pois tamanco nunca foi sandália E tira do pescoço o lenço branco Compra sapato e gravata Joga fora esta navalha que te atrapalha Com chapéu do lado deste rata Da polícia quero que escapes Fazendo um samba-canção Já te dei papel e lápis Arranjo um amor e um violão Malandro é palavra Derrotista Que só serve pra tirar Todo o valor do sambista Proponho ao povo civilizado Não te chamar de malandro E sim de rapaz folgado.”
  • 47. Fazendo uma leitura comparativa entre o texto da Veja e a canção de Noel Rosa, nota-se: (A) a malandragem, presente nos dois textos, constitui uma tentativa de burlar regras e arrumar concessões e auxílios. (B) a malandragem, presente no estereótipo do povo brasileiro, é uma marca característica da sociedade contemporânea. (C) “o jeitinho brasileiro” é um mecanismo de arranjos realçado na canção de Noel Rosa e abrandado no texto da Veja. (D) ao propor um novo rótulo social para a figura do malandro, o sujeito poético da canção de Noel desrespeita um componente histórico de nossa identidade cultural. (E) há um descompasso entre a seriedade do assunto e o tom coloquial abordado nos dois textos.
  • 48. Resposta: letra A. A figura do malandro foi bastante trabalhada na música popular brasileira (MPB), principalmente nas décadas de 1920 e 1930. No romance, o tema foi bastante explorado por Manuel Antônio de Almeida e Jorge Amado. Na canção de Noel e na reportagem da revista Veja, a malandragem e o jeitinho são utilizados como recursos de esperteza e podem ser definidos como um conjunto de artimanhas para se obter vantagem em determinada situação.
  • 49. Questão 11: Observe o quadro Caça ao javali, de Frans Snyders (1579-1657)
  • 50. O movimento do qual é representativo o quadro cultua o contraste claro-escuro, a dramatização, a expressividade. Qual é o nome pelo qual ficou conhecido esse movimento? (A) Renascimento. (B) Neoclassicismo. (C) Expressionismo. (D) Barroco. (E) Naturalismo.
  • 51. Resposta: letra D. No Barroco, percebe-se uma atração por cenas trágicas, por aspectos cruéis, dolorosos e grotescos. È a caracterização do feísmo. As imagens frequentemente são deformadas pelo exagero de detalhes. Há nesse momento uma ruptura com a harmonia, com o equilíbrio e a sobriedade clássica.
  • 52. Questão 12: Tarsila do Amaral, Operários
  • 53. “Desiguais na fisionomia, na cor e na raça, o que lhes assegura identidade peculiar, são iguais enquanto frente de trabalho. Num dos cantos, as chaminés das indústrias se alçam verticalmente. No mais, em todo o quadro, rostos colados, um ao lado do outro, em pirâmide que tende a se prolongar infinitamente, como mercadoria que se acumula, pelo quadro afora.” (Nádia Gotlib. Tarsila do Amaral, a modernista) O texto aponta no quadro de Tarsila do Amaral um tema que também se encontra nos versos transcritos em:
  • 54. (A) “Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas.” (Vinícius de Moraes) (C) “O funcionário público não cabe no poema com seu salário de fome sua vida fechada em arquivos.” (Ferreira Gullar) (B) “Somos muitos severinos iguais em tudo e na sina: a de abrandar estas pedras suando-se muito em cima.” (João Cabral de Melo Neto) (D) “Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” (Fernando Pessoa) (E) “Os inocentes do Leblon Não viram o navio entrar (...) Os inocentes, definitivamente inocentes tudo ignoravam, mas a areia é quente, e há um óleo suave que eles passam pelas costas, e aquecem.” (Carlos Drummond de Andrade)
  • 55. Resposta: letra B. A ideia de que a consideração das pessoas enquanto mera força de trabalho é desumanizadora, pois ignora características e valores individuais, encontra-se tanto no quadro de Tarsila, segundo a crítica Nádia Gotlib, quanto nos versos de João Cabral de Melo Neto, que correspondem à fala de um flagelado migrante nordestino que foge da seca e da miséria.
  • 56. Questão 13: O uso do pronome átono no início das frases é destacado por um poeta e por um gramático nos textos abaixo PRONOMINAIS Oswald de Andrade ”Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro.”
  • 57. “Iniciar frase com pronome átono só é lícito na conversação familiar, despreocupada, ou na língua escrita quando se deseja reproduzir a fala das personagens (...)” (CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da língua portuguesa. São Paulo: Nacional, 1980) Comparando a explicação dada pelos autores sobre essa regra, pode-se afirmar que ambos: (A) condenam essa regra gramatical. (B) acreditam que apenas os esclarecidos sabem essa regra. (C) criticam a presença de regras na gramática. (D) afirmam que não há regras para o uso de pronomes. (E) relativizam essa regra gramatical.
  • 58. Resposta: letra E. Em ambos os textos, a regra gramatical em questão é referida a situações específicas: prática escolar (“professor” e “aluno”), no caso do poema de Oswald de Andrade; linguagem escrita, não voltada para a reprodução coloquial, no texto do gramático Cegalla.
  • 59. Questão 14: Poética Manuel Bandeira “Estou farto do lirismo comedido. Do lirismo bem comportado. Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente [ protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor. Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário [o cunho vernáculo de um vocábulo.
  • 60. Abaixo os puristas .............................................................................................................. Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbedos O lirismo difícil e pungente dos bêbedos O lirismo dos clowns de Shakespeare - Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.” Com base na leitura do poema, podemos afirmar que o poeta: (A) critica o lirismo louco do movimento modernista. (B) repudia todo e qualquer lirismo na literatura. (C) deseja o retorno do lirismo clássico. (D) sugere o retorno ao lirismo do movimento romântico. (E) propõe a criação de um lirismo inovador.
  • 61. Resposta: letra E. Manuel Bandeira ao condenar o “lirismo bem comportado” e ao defender o “lirismo dos loucos” está combatendo o formalismo tradicionalista dos parnasianos (ainda predominante na eclosão do Modernismo) e propondo uma poesia livre das convenções estéticas e linguísticas até então vigentes no Brasil.
  • 62. Questão 15: As dimensões continentais do Brasil são objeto de reflexões expressas em diferentes linguagens. Esse tema aparece no seguinte poema: “(....) Que importa que uns falem mole descansado Que os cariocas arranhem os erres na garganta Que os capixabas e paroaras escancarem as vogais? Que tem se o quinhentos réis meridional Vira cinco tostões do Rio pro Norte? Junto formamos este assombro de misérias e grandezas, Brasil, nome de vegetal! (....)” (Mário de Andrade. Poesias completas. 6. ed. São Paulo: Martins Editora, 1980.)
  • 63. O texto poético ora reproduzido trata das diferenças brasileiras no âmbito (A) étnico e religioso. (B) linguístico e econômico. (C) racial e folclórico. (D) histórico e geográfico. (E) literário e popular.
  • 64. Resposta: letra B. O texto destaca os aspectos linguísticos – pronúncia e vocabulário – em (“falem mole descansado” e ‘erres na garganta”) e econômicos em (“quinhentos réis” e “cinco tostões”).
  • 65. Questão 16: “Precisa-se nacionais sem nacionalismo, (...) movidos pelo presente, mas estalando naquele cio racial que só as tradições maduram! (...). Precisa-se gentes com bastante meiguice no sentimento, bastante força na peitaria, bastante paciência no entusiasmo e sobretudo, oh! sobretudo bastante vergonha na cara!” (...) Enfim: precisa-se brasileiros! Assim está escrito no anúncio vistoso de cores desesperadas pintado sobre o corpo do nosso Brasil, camaradas.” (Jornal A Noite, São Paulo, 18/12/1925 apud LOPES, Telê Porto Ancona. Mário de Andrade: ramais e caminhos. São Paulo: Duas Cidades, 1972)
  • 66. No trecho acima, Mário de Andrade dá forma a um dos itens do ideário modernista, que é o de firmar a feição de uma língua mais autêntica, “brasileira”, ao expressar-se numa variante de linguagem popular identificada pela (o): (A) escolha de palavras como “cio;” “ peitaria”;” vergonha”. (B) emprego excessivo dos sinais de pontuação. (C) repetição intencional do adjetivo “bastante”. (D) concordância empregada em “Assim está escrito”. (E) escolha de construção do tipo “Precisa-se gentes”..
  • 67. Resposta: letra E. O sentido de brasilidade está expresso na valorização de uma linguagem próxima do falar cotidiano.
  • 68. Questão 17: Ferreira Gullar, um dos grandes poetas brasileiros da atualidade, é autor de “Bicho urbano”, poema sobre a sua relação com as pequenas e grandes cidades. “Se disser que prefiro morar A natureza me assusta. Com seus matos sombrios em Pirapemas suas águas ou em outra qualquer suas aves que são como pequena cidade do país aparições estou mentindo me assusta quase tanto ainda que lá se possa de quanto manhã esse abismo lavar o rosto no orvalho de gases e de estrelas e o pão preserve aquele aberto sob minha cabeça.” branco sabor de alvorada. (GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro:José Olympio
  • 69. Embora não opte por viver numa pequena cidade, o poeta reconhece elementos de valor no cotidiano das pequenas comunidades. Para expressar a relação do homem com alguns desses elementos, ele recorre à sinestesia, construção de linguagem em que se mesclam impressões sensoriais diversas. Assinale a opção em que se observa esse recurso. (A) “e o pão preserve aquele branco / sabor de alvorada.” (B) “ainda que lá se possa de manhã / lavar o rosto no orvalho” (C) “A natureza me assusta. / Com seus matos sombrios suas águas” (D) “suas aves que são como aparições / me assusta quase tanto quanto” (E) “me assusta quase tanto quanto / esse abismo / de gases e de estrelas”
  • 70. Resposta: letra A. Em "pão, branco, sabor, alvorada" confundem-se os sentidos paladar e visão.
  • 71. Questão 18: O canto do guerreiro Gonçalves Dias “Aqui na floresta Dos ventos batida, Façanhas de bravos Não geram escravos, Que estimem a vida Sem guerra e lidar. — Ouvi-me, Guerreiros, — Ouvi meu cantar. Valente na guerra, Quem há, como eu sou? Quem vibra o tacape Com mais valentia? Quem golpes daria Fatais, como eu dou? — Guerreiros, ouvi-me; — Quem há, como eu sou?”
  • 72. Macunaíma (Epílogo) “Acabou-se a história e morreu a vitória. Não havia mais ninguém lá. Dera tangolomângolo na tribo Tapanhumas e os filhos dela se acabaram de um em um. Não havia mais ninguém lá. Aqueles lugares, aqueles campos, furos puxadouros arrastadouros meios-barrancos, aqueles matos misteriosos, tudo era solidão do deserto... Um silêncio imenso dormia à beira do rio Uraricoera. Nenhum conhecido sobre a terra não sabia nem falar da tribo nem contar aqueles casos tão pançudos. Quem podia saber do Herói?” (Mário de Andrade)
  • 73. A leitura comparativa dos dois textos acima indica que (A) ambos têm como tema a figura do indígena brasileiro apresentada de forma realista e heróica, como símbolo máximo do nacionalismo romântico. (B) a abordagem da temática adotada no texto em versos é discriminatória em relação aos povos indígenas do Brasil. (C) as perguntas “— Quem há, como eu sou?” (1º. texto) e “Quem podia saber do Herói?” (2o. texto) expressam diferentes visões da realidade indígena brasileira. (D) o texto romântico, assim como o modernista, aborda o extermínio dos povos indígenas como resultado do processo de colonização no Brasil. (E) os versos em 1ª pessoa revelam que os indígenas podiam expressar-se poeticamente, mas foram silenciados pela colonização, como demonstra a presença do narrador, no segundo texto.
  • 74. Resposta: letra C. A visão heróica do índio expressa em sua bravura, destemor e resistência (texto de Gonçalves Dias) está contraposta em “Macunaíma” (texto de Mário de Andrade), que sugere a extinção da sociedade e da cultura indígena, assim como dos próprios índios.
  • 75. Questão 19: Ouvir estrelas “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto, que, para ouvi-las, muitas vezes desperto e abro as janelas, pálido de espanto... E conversamos toda noite, enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto, cintila. E, ao vir o Sol, saudoso e em pranto, inda as procuro pelo céu deserto. Direis agora: “Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido tem o que dizem, quando estão contigo?” E eu vos direi: “Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender estrelas.” (BILAC, Olavo. “Ouvir estrelas”. In: Tarde, 1919.)
  • 76. Ouvir estrelas “Ora, direis, ouvir estrelas! Vejo que estás beirando a maluquice extrema. No entanto, o certo é que não perco o ensejo De ouvi-las nos programas de cinema. Não perco fita; e dir-vos-ei sem pejo que mais eu gozo se escabroso é o tema. Uma boca de estrela dando beijo é, meu amigo, assunto p’ra um poema. Direis agora: Mas, enfim, meu caro, As estrelas que dizem? Que sentido têm suas frases de sabor tão raro? Amigo, aprende inglês para entendê-las, pois só sabendo inglês se tem ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas.” (TIGRE, Bastos.“Ouvir estrelas”. In: Becker, I. Humor e humorismo: Antologia. São Paulo: Brasiliense, 1961.)
  • 77. Comparando-se os poemas, é possível verificar que (A) no texto de Bilac, a construção do eixo temático se deu em linguagem denotativa, enquanto no de Tigre, em linguagem conotativa. (B) no texto de Bilac, as estrelas são inacessíveis, distantes, e, no texto de Tigre, são próximas, acessíveis aos que ouvem e as entendem. (C) no texto de Tigre, a linguagem é mais formal, mais trabalhada, como se observa no uso de estruturas como “dirvos-ei” e “entendê-las”. (D) no texto de Tigre, percebe-se o uso da metalinguagem no trecho “Uma boca de estrela dando beijo / é, meu amigo, assunto p’ra um poema.” (E) no texto de Tigre, a visão romântica apresentada para alcançar as estrelas é enfatizada nos últimos versos com a recomendação de compreensão de outras línguas.
  • 78. Resposta: letra D. Na construção citada, o autor faz uma referência a um tema poético no contexto da própria poesia. A linguagem, no caso específico, foi utilizada como uma maneira de autoexplicar-se, o que caracteriza o recurso da metalinguagem.
  • 79. Questão 20: “Abatidos pelo fadinho harmonioso e nostálgico dos desterrados, iam todos, até mesmo os brasileiros, se concentrando e caindo em tristeza; mas, de repente, o cavaquinho de Porfiro, acompanhado pelo violão de Firmo, romperam vibrantemente com um chorado baiano. Nada mais que os primeiros acordes da música crioula para que o sangue de toda aquela gente despertasse logo, como se alguém lhe fustigasse o corpo com urtigas bravas. E seguiram-se outras notas, e outras, cada vez mais ardentes e mais delirantes. Já não eram dois instrumentos que soavam, eram lúbricos gemidos e suspiros soltos em torrente, a correrem serpenteando, como cobras, numa floresta incendiada; eram ais convulsos, chorados em frenesi de amor: música feita de beijos e soluços gostosos; carícia de fera, carícia de doer, fazendo estalar de gozo.”
  • 80. (AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. São Paulo: Ática, 1983 (fragmento) No romance O Cortiço (1980), de Aluísio Azevedo, as personagens são observadas como elementos coletivos caracterizados por condicionantes de origem social, sexo e etnia. Na passagem transcrita, o confronto entre brasileiros e portugueses revela prevalência do elemento brasileiro, pois (A) destaca o nome de personagens brasileiras e omite o de personagens portuguesas. (B) exalta a força do cenário natural brasileiro e considera o do português inexpressivo. (C) mostra o poder envolvente da música brasileira, que cala o fado português. (D) destaca o sentimentalismo brasileiro, contrário à tristeza dos portugueses. (E) atribui aos brasileiros uma habilidade maior com instrumentos musicais.
  • 81. Resposta: letra C. No trecho transcrito os moradores do cortiço, antes desanimados ao ouvirem o fado português, adquirem nova disposição com a música crioula. O estímulo é, portanto, muito mais sensorial do que
  • 82. Questão 21: “Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava o açúcar, ia disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavada. Prata, ouro, eram os metais que amava de coração; não gostava de bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e assim se explica este par de figuras que aqui está na sala: um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, escolheria a bandeja, - primor de argentaria, execução fina e acabada. O criado esperava teso e sério. Era espanhol; e não foi sem resistência que Rubião o aceitou das mãos de Cristiano; por mais que lhe dissesse que estava acostumado aos seus crioulos de Minas, e não queria línguas estrangeiras em casa, o amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a necessidade de ter criados brancos.
  • 83. Rubião cedeu com pena. O seu bom pajem, que ele queria pôr na sala, como um pedaço da província, nem o pôde deixar na cozinha, onde reinava um francês, Jean; foi degradado a outros serviços.” (Assis, Machado de. In: Obra completa. V.1. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993. (fragmento) Quincas Borba situa-se entre as obras-primas do autor e da literatura brasileira. No fragmento apresentado, a peculiaridade do texto que garante a universalização de sua abordagem reside
  • 84. (A) no conflito entre o passado pobre e o presente rico, que simboliza o triunfo da aparência sobre a essência. (B) no sentimento de nostalgia do passado devido à substituição de mão de obra escrava pela dos imigrantes. (C) na referência a Fausto e Mefistófeles, que representam o desejo de eternização de Rubião. (D) na admiração dos metais por parte de Rubião, que metaforicamente representam a durabilidade dos bens produzidos pelo trabalho. (E) na resistência de Rubião aos criados estrangeiros, que reproduz o sentimento de xenofobia.
  • 85. Resposta: letra A. No trecho extraído de Quincas Borba, nota-se um jogo de contrastes sobre as qualidades dos objetos domésticos (ouro e prata vs. bronze, estatuetas artísticas vs. utensílios) e dos criados (livre vs. escravo, negro vs. branco, estrangeiro vs. nacional). Tais antíteses expressam as tensões entre aparência e essência que levam Rubião, cioso de seu estado de novo rico, a preferi a prata em vez do bronze.
  • 86. Questão 22: Machado de Assis “Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis, aquele que viria tornar-se o maior escritor do país e um mestre da língua, perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta, Maria Inês, também mulata, que se dedica ao menino e o matricula na escola pública, única que freqüentou o autodidata Machado de Assis.” Disponível em: http;//www.passeiweb.com. Acesso em: 1 de maio 2009
  • 87. O texto citado constitui-se de (A) fatos ficcionais, relacionados a outros de caráter realista, relativos à vida de um renomado escritor. (B) representações generalizadas acerca da vida de membros da sociedade por seus trabalhos e vida cotidiana. (C) explicações da vida de um famoso ficcionista, baseadas na argumentação e dando ênfase às suas importantes realizações. (D) questões controversas e fatos diversos da vida de uma personalidade literária em prejuízo de seus feitos públicos. (E) apresentação da vida de uma personalidade, organizada sobretudo pela estrutura narrativa e por uma linguagem objetiva.
  • 88. Resposta: letra E. A biografia de Machado de Assis segue uma ordem cronológica: seu nascimento, a perda da mãe, a criação pela madrasta e a matrícula na escola pública. Apesar de um trecho de maior subjetividade (“ o maior escritor do país e um mestre da língua”), a linguagem da biografia é marcada pela objetividade, ou seja, os enunciados foram elaborados para enfatizar o assunto, as informações sobre a vida do autor, não as impressões pessoais do enunciador sobre elas.
  • 89. Questão 23: “Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os bêbedos, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...” (ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. 18ª. ed. São Paulo; Ática, 1992. p. 103. )
  • 90. Publicado em folhetim em 1880, na revista Brasileira, e editado em livro no ano seguinte, Memórias Póstumas de Brás Cubas é a autobiografia de Brás Cubas, que, depois de morto, resolve escrever suas memórias. No fragmento em destaque, o narrador (A) encara o escrever como um trabalho árduo, que requer talento. (B) caracteriza a sua narrativa como linear, seqüenciada no tempo. (C) ressalta o descompasso entre o ritmo do leitor e o da narrativa. (D) sente-se desanimado diante da dificuldade do leitor em entender a sua obra. (E) considera a morte como uma ameaça que inibe a espontaneidade de seu discurso.
  • 91. Resposta: letra C. O narrador de Memórias póstumas tem na obra uma participação peculiar: interrompe a narrativa, conversa e brinca com o leitor, discorre sobre assuntos aparentemente distantes do assunto central. Nesse vaivém, ironicamente responsabiliza o leitor pelos defeitos do livro, no contraste entre a pressa de “um” e a lentidão do “outro”.
  • 92. Texto ( Questões 24 e 25 ) “O ardiloso sorriso/ alonga-se em silêncio/ para contemporâneos e pósteros/ ansiosos em vão por decifrálo./ Não há decifração. / Há o sorriso.”. ( ANDRADE, Carlos Drummond de. Farewell. Rio de Janeiro: Record, 2002 )
  • 93. Questão 24: Os versos acima fazem referências ao quadro “Mona Lisa”, também conhecida como “ La Gioconda”, do pintor Leonardo da Vinci. A análise da pintura feita pelo poeta mineiro demonstra o seu voo (A) localista. (B) cosmopolita. (C) regionalista (D) nacionalista. (E) ufanista.
  • 94. Resposta: letra B. Ao descrever poeticamente a famosa pintura do artista italiano da época do Renascimento, o eu lírico despreza as fronteiras geográficas impostas pela sociedade, transcende o nacionalismo metodológico, tornando-se, assim, universal.
  • 95. Questão 25: Ainda sobre o texto de Drummond, pode-se inferir que o autor (A) aprecia o todo do quadro por meio de uma análise minuciosa e precisa. (B) demonstra o olhar abrangente de um observador preocupado com os pormenores descritivos. (C) transita pela arte verbal ao ilustrar o quadro nos diversos movimentos de sua composição. (D) revela um olho crítico seletivo, valendo-se do detalhe que dá forma ao quadro. (E) propõe ao leitor traduzir o quadro com base na interpretação dos críticos e historiadores da arte.
  • 96. Resposta: letra D. Percebe-se, no texto, a ênfase dada ao sorriso enigmático da “Mona Lisa”.
  • 97. Questão 26: “Não pode um povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito de um povo que sorve o figo, a pêra, o damasco e a nêspera” O trecho foi extraído do prefácio a Sonhos d’Ouro, livro de José de Alencar. Nele, o romancista propõe (A) uma leitura do Brasil a partir do amálgama entre a cultura nativa e a do colonizador. (B) a nacionalização do pensamento associada à preservação de elementos comuns às incompatíveis realidades culturais. (C) a construção da nacionalidade através do ressarcimento do localismo do estado de alienação imposto por um sistema dominante. (D) a formação de uma nova língua que esteja de acordo com o projeto de efetivação do idioma brasileiro. (E) a adoção de um estilo próprio, com tendência classicizante que reportasse às nossas raízes culturais.
  • 98. Resposta: letra C. Alencar entendia que não deviam os escritores brasileiros se submeter às regras e normas de estilo adotadas pelos portugueses – fato comum na época -, mas sim escreverem de maneira que melhor lhe aprouvessem e melhor favorecesse a qualidade literária de seus escritos, defendendo, deste modo, a liberdade de expressão brasileira.
  • 99. Questão 27: O MEU AMOR ( fragmentos ) Chico Buarque “O meu amor tem um jeito manso que é só seu Que me deixa maluca, quando me roça a nuca E quase me machuca com a barba mal feita E de pousar as coxas entre as minhas coxas Quando ele se deita O meu amor tem um jeito manso que é só seu De me fazer rodeios, de me beijar os seios Me beijar o ventre e me deixar em brasa Desfruta do meu corpo como se o meu corpo Fosse a sua casa”
  • 100. A canção aborda a temática amorosa de maneira que se assemelha à geração romântica de (A) Casimiro de Abreu. (B) Gonçalves Dias. (C) Álvares de Azevedo. (D) José de Alencar. (E) Castro Alves.
  • 101. Resposta: letra E. Na poesia de Castro Alves, em boa parte, a mulher é um ser corporificado que participa ativamente do envolvimento amoroso.
  • 102. Questão 28: Bom Conselho Chico Buarque “Ouça um bom conselho Corro atrás do tempo Que eu lhe dou de graça Vim de não sei onde Inútil dormir que a dor não passa Devagar é que não se vai Espere sentado longe Ou você se cansa Eu semeio o vento Está provado: Na minha cidade quem espera nunca alcança Vou pra rua e bebo a Venha, meu amigo tempestade.” Deixe esse regaço Brinque com meu fogo Venha se queimar Faça como eu digo Faça como eu faço Aja duas vezes antes de pensar
  • 103. Segundo a análise do texto, percebe-se que se trata de um(a) (A) canção provocadora, instigante, em que o sujeito poético se afasta da tradição popular para fazer uma recriação da realidade. (B) pregação da obediência na utilização das formas verbais no modo imperativo para traduzir a ideia de passividade e conformismo. (C) estabelecimento de um diálogo com ditos populares, alterando-os de maneira a instigar o ouvinte à resignação e à indiferença. (D) tentativa do eu lírico de priorizar o discernimento na obcecada busca do equilíbrio entre a razão e a emoção. (E) aceitação mecânica de valores supostamente inquestionáveis, que se impõem diante de todo grupo social.
  • 104. Resposta: letra A. A atribuição de novos sentidos por meio da inversão dos provérbios é um ato de resistência aos conselhos préfabricados e se constitui no processo de construção de uma nova realidade.
  • 105. Questão 29: “Brilhantes flores, coloridos prados, sombras frescas, bosquezinhos, verdura, vinde purificar minha imaginação (...) Galgo os rochedos, as montanhas, mergulho nos vales, nos bosques, para me furtar, tanto possível, à lembrança dos homens e aos ataques dos maus. Parece-me que sob as sombras de uma floresta sou esquecido, livre e calmo como se não mais tivesse inimigos, ou como se a folhagem dos bosques me defendesse.” ( Devaneios de um caminhante solitário – Rousseau )
  • 106. Um dos elementos mais importantes da estética romântica, a natureza exerce profundo fascínio sobre os escritores do período, que a veem e a retratam sob diversos pontos de vista. O trecho acima, por exemplo, aproxima-se da estética romântica porque (A) a natureza é confidente e reflete o estado de espírito do escritor. (B) o escritor despreza a natureza pelo seu alto grau de pessimismo. (C) a natureza é retratada de forma maniqueísta pelo escritor. (D) o negativismo faz com que o escritor exalte a natureza de forma mórbida. (E) o poeta opõe os mistérios da noite à claridade medíocre do dia .
  • 107. Resposta: letra A. Por vezes, a natureza funciona no Romantismo como uma mãe confidente que protege o filho dos desconcertos do universo, refletindo o estado de espírito do poeta.
  • 108. Questão 30: “Trata-se do período mais importante de tomada de consciência da nossa particularidade, ou seja, de que não podíamos mais continuar considerando-nos” europeus” ou portugueses. (...) .Em consonância com o clima geral da cultura européia da época cuja preocupação voltava-se para as particularidades, fortalecia-se a consciência nacional, e os intelectuais brasileiros envolviam-se com a idéia de organizar uma nação independente.” (RONCARI, Luiz. Literatura brasileira dos primeiros cronistas aos últimos românticos. São Paulo: EDUSP/FTD, 1995)
  • 109. Infere-se do texto (A) a supremacia dos valores europeus sobre o desejo de expressão do sentimento de brasilidade literária. (B) a procura de uma nacionalidade própria, o que significa a afirmação do localismo sobre o cosmopolitismo. (C) a adoção de uma atitude provinciana e xenófoba de preservação da cultura nacional em detrimento das influências externas. (D) a destruição do colonialismo mental com a intenção de apoiar a criação de uma cultura que pudesse ressarcir a perda da identidade nacional. (E) a busca de criação de um mito fundacional coerente com o projeto ufanista de europeização da cultura brasileira.
  • 110. Resposta: letra B. A predominância da ideia de nacionalização diante da europeização é a principal meta do Romantismo como proposta identitária.
  • 111. Questão 31: A bandeira nacional serviu como símbolo do patriotismo e de exaltação da nacionalidade na literatura brasileira. Identifique os versos que correspondem à afirmativa acima
  • 112. (A)“O vale de Santarém é um destes lugares privilegiados pela Natureza, sítios amenos e deleitosos, em que as plantas, o ar, a situação, tudo está numa harmonia suavíssima e perfeita. (...) (B)“É um país majestoso/Essa terra de Tupã,/Desde o Amazonas ao Prata,/Do Rio Grande ao Pará,/- Tem serranias gigantes/E tem bosques verdejantes,/Que repetem incessantes / Os cantos do sabiá”. (C)“Este sonhar acordado, este cismar poético diante dos sublimes espetáculos da natureza, é um dos prazeres grandes que Deus concedeu às almas de certa têmpera.” (D)“Oh! Que saudades que tenho/Da aurora da minha vida, /Da minha infância querida/Que os anos não trazem mais.” (E) “Amo-te, oh cruz, no vértice firmada de esplêndidas igrejas; /Amo-te quando à noite, sobre a campa, junto a cipreste alvejas; /Amo-te sobre o altar,...”
  • 113. Resposta: letra B. O texto alarga o país, exaltando as belezas naturais que nele podem ser encontradas.
  • 114. Texto (Questões 32 a 34): Texto 1: Um índio “ Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante De uma estrela que virá numa velocidade estonteante E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante Depois de exterminada a última nação indígena E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias Virá impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi Tranquilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi O axé do afoxé, filhos de Gandhi, virá
  • 115. Um índio preservado em pleno corpo físico Em todo sólido, todo gás e todo líquido Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro Em sombra, em luz, em som magnífico Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico Do objeto, sim, resplandescente descerá o índio E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer Assim, de um modo explícito E aquilo que nesse momento se revelará aos povos Surpreenderá a todos, não por ser exótico Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto Quando terá sido óbvio” ( VELOSO, Caetano. CD Circuladô Vivo. São Paulo: Polygram do Brasil, 1992.)
  • 116. Texto 2: I-Juca Pirama ( fragmentos ) Ser das gentes o espectro "Tu choraste em presença da execrado; morte? Não encontres amor nas mulheres, Na presença de estranhos Teus amigos, se amigos tiveres, choraste? Não descende o cobarde do forte; Tenham alma inconstante e falaz! Pois choraste, meu filho não és! Não encontres doçura no dia, Possas tu, descendente maldito Nem as cores da aurora te ameiguem, De uma tribo de nobres E entre as larvas da noite sombria guerreiros, Nunca possas descanso gozar: Implorando cruéis forasteiros, Não encontres um tronco, uma Seres presa de vis Aimorés. pedra, Possas tu, isolado na terra, Posta ao sol, posta às chuvas e aos Sem arrimo e sem pátria ventos, vagando, Padecendo os maiores tormentos, Rejeitado da morte na guerra, Onde possas a fronte pousar. “ Rejeitado dos homens na paz, ( DIAS, Gonçalves. Poemas. Rio de Janeiro. Ediouro, s/d.)
  • 117. Questão 32: No texto 1, o sujeito poético (A) expõe o nativo de forma puramente messiânica, buscando, assim, reabilitar os valores escapistas do período romântico. (B) faz do índio uma síntese poderosa das misturas raciais transnacionais como resultado da mais perfeita miscigenação humana. (C) apresenta um selvagem laboratorial, científico pela criteriosa seleção dos perfis da personagem indianista. (D) anuncia o sentido concreto da redenção do índio ao pormenorizar objetivamente o instante de sua aparição. (E) alimenta a hipótese da construção de um elemento indígena com base na impessoalidade ao analisar de seus caracteres.
  • 118. Resposta: letra B. O índio seria “um negro americano forte” convertido ao islã (Muhammed Ali); um índio “puro”, habitante das florestas brasileiras e do imaginário europeu (Peri); um mestre da arte marcial japonesa, ostentando um nome americano (Bruce Lee) e um bloco de carnaval que homenageia um líder pacifista indiano (Gandhi).
  • 119. Questão 33: No texto 2, o pai renega a atitude do filho (A) já que a aceitação da antropofagia é repudiada e interpretada como um ato de pura barbárie. (B) uma vez que é prática entre os índios tupis a firme resistência a quaisquer formas de sacrifício. (C) porque as lágrimas são entendidas como sinal de revolta, o que torna o tupi digno de ser servido aos bravos. (D) pelo caráter transgressor do herói ao desacatar o rígido código de ética de seu povo. (E) que não se redime perante sua nação e mantémse submisso à violência antropofágica.
  • 120. Resposta: letra D. Conforme as tradições indígenas, o prisioneiro é preparado para um cerimonial antropofágico em que deve morrer lutando. O índio, ao contrário, fez um acordo com o inimigo para ser libertado naquele momento.
  • 121. Questão 34: Confrontando-se os textos 1 e 2, pode-se afirmar: (A) Embora estejam situados em contextos históricos distintos, os dois textos enfatizam a presença de um índio representativo e com significação simbólica. (B) Há, na comparação entre os dois textos, uma relação de intertextualidade temática, estilística e formal. (C) Os dois textos podem ser vistos como românticos pela objetividade e fidelidade ao apresentarem os fatos históricos. (D) O texto 1 retoma a tradição romântica ao descrever o índio com todos os traços de beleza e força físicas; o texto 2 aborta o projeto de idealização ao expor a insensibilidade do selvagem diante das adversidades. (E) Nos dois textos, a nacionalidade pode ser constatada na discussão dos valores e sentimentos humanos e na superação dos limites da abordagem puramente indianista.
  • 122. Resposta: letra A. A teoria do “bom selvagem”, de Rousseau, foi bastante cultuada pelos árcades e românticos. Um dos postulados mais importantes dessa teoria é a de que “todos os homens nascem livres e iguais” e são, por natureza, bons e bem formados. O texto realça a preservação das qualidades superiores que exibem os indivíduos em contato com a natureza.
  • 123. Questão 35: Cárcere das Almas “Ah! Toda a alma num cárcere anda presa, Soluçando nas trevas, entre as grades Do calabouço olhando imensidades, Mares, estrelas, tardes, natureza. Tudo se veste de uma igual grandeza Quando a alma entre grilhões as liberdades Sonha e, sonhando, as imortalidades Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.
  • 124. Ó almas presas, mudas e fechadas Nas prisões colossais e abandonadas, Da Dor no calabouço, atroz, funéreo! Nesses silêncios solitários, graves, Que chaveiro do Céu possui as chaves Para abri-vos as portas do Mistério?! CRUZ E SOUSA, J. Poesia completa. Florianópolis. Fundação Catarinense de Cultura / Fundação Banco do Brasil, 1993.
  • 125. Os elementos formais e temáticos relacionados ao contexto cultural do Simbolismo encontrados no texto acima são (A) a opção pela abordagem, em linguagem simples e direta, de temas filosóficos. (B) o refinamento estético de forma poética e o tratamento metafísico de temas universais. (C) a prevalência do lirismo amoroso e intimista em relação à temática nacionalista. (D) a evidente preocupação do eu lírico com a realidade social expressa em imagens poéticas inovadoras. (E) a liberdade formal da estrutura poética que dispensa a rima e a métrica tradicionais em favor de temas do cotidiano.
  • 126. Resposta: letra B. A utilização de uma forma fixa como o soneto e a valorização de aspectos transcendentais ligados aos estados de alma são características simbolistas encontradas no texto.
  • 127. Questão 36: “Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades. Que lhe importavam os rios? Eram grandes? Pois que fossem... Em que lhe contribuiria para a felicidade saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada... O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não. Lembrou-se das coisas do tupi, do folclore, das suas tentativas agrícolas... Restava disso tudo em sua alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma!
  • 128. O tupi encontrou a incredulidade geral, o riso, a mofa, o escárnio; e levou-o à loucura. Uma decepção. E a agricultura? Nada. As terras não eram ferazes e ela não era fácil como diziam os livros. Outra decepção. E, quando o seu patriotismo se fizera combatente, o que achara? Decepções. Onde estava a doçura de nossa gente? Pois ele não a viu combater como feras? Pois não a via matar prisioneiros, inúmeros? Outra decepção. A sua vida era uma decepção, uma série, ou melhor, um encadeamento de decepções. A pátria que fizera ter um mito; um fantasma criado por ele no silêncio de seu gabinete.” BARRETO, L. Triste Fim de Policarpo Quaresma. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 8 nov. 2011.
  • 129. O romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, foi publicado em 1911. No fragmento destacado, a reação da personagem aos desdobramentos de suas iniciativas patrióticas evidencia que (A) a dedicação de Policarpo Quaresma ao conhecimento da natureza brasileira levou-o a estudar inutilidades, mas possibilitou-lhe uma visão mais ampla do país. (B) a curiosidade em relação aos heróis da pátria levou-o ao ideal de prosperidade e democracia que a personagem encontra no contexto republicano.
  • 130. (C) a construção de uma pátria a partir de elementos míticos, como a cordialidade de um povo, a riqueza do solo e a pureza linguística, conduz à frustração ideológica. (D) a propensão do brasileiro ao riso, ao escárnio, justifica a reação de decepção e desistência de Policarpo Quaresma, que prefere resguardar-se em seu gabinete. (E) a certeza da fertilidade da terra e da produção agrícola incondicional faz parte de um projeto ideológico salvacionista, tal como foi difundido na época do autor.
  • 131. Resposta: letra C. Num momento de rara reflexão, Policarpo Quaresma questiona as suas próprias atitudes diante de uma postura visionária e ingênua que marcaram os seus ideais nacionalistas.
  • 132. Questão 37: Texto 1: O Morcego “Meia noite. Ao meu quarto me recolho Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede: Na bruta ardência orgânica da sede, Morde-me a goela ígneo e escaldante molho. “Vou mandar levantar outra parede...” Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho, Circularmente sobre a minha rede!
  • 133. Pego de um pau. Esforços faço. Chego A tocá-lo. Minh’alma se concentra. Que ventre produziu tão feio parto?! A Consciência Humana é um morcego! Por mais que a gente faça, à noite, ele entra Imperceptivelmente em nosso quarto!” ANJOS, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1994.
  • 134. Texto 2: “O lugar-comum em que se converteu a imagem de um poeta doentio, com o gosto do macabro e do horroroso, dificulta que se veja, na obra de Augusto dos Anjos, o olhar clínico, o comportamento analítico, até mesmo certa frieza, certa impessoalidade científica.” CUNHA, F. Romantismo e modernidade na poesia. Rio de Janeiro: Cátedra, 1988. texto adaptado Em consonância com os comentários do texto 2 a respeito da poética de Augusto dos Anjos, o poema O morcego apresenta-se, enquanto percepção do mundo, como forma estética capaz de
  • 135. (A) abordar dilemas humanos universais a partir do ponto de vista distanciado e analítico acerca do cotidiano. (B) expressar o caráter doentio da sociedade moderna por meio do gosto do macabro. (C) representar realisticamente as dificuldades do cotidiano sem associá-lo a reflexões de cunho existencial. (D) reencantar a vida pelo mistério com que os fatos banais são revestidos na poesia. (E) conseguir a atenção do leitor pela inclusão de elementos das histórias de horror e suspense na estrutura lírica da poesia.
  • 136. Resposta: letra A. O autor refere-se ao morcego de maneira metaforizada como uma forma de realçar os dramas da consciência humana.
  • 137. Questão 38: Eu sou trezentos “Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta As sensações renascem de si mesmas sem repouso. Ôh espelhos, ôh! Pirineus! ôh caiçaras! Si um dia deus morrer, irei no Piauí buscar outro! Abraço no meu leito as milhores palavras E os suspiros que dou são violinos alheios; Eu piso a terra como quem descobre o furto Nas esquinas, nos táxis, nas camarinhas seus próprios beijos! Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta, Mas um dia afinal eu toparei comigo... Tenhamos paciência, andorinhas curtas, Só o esquecimento é que condensa, E então minha alma servirá de abrigo.” Mario de Andrade. Poesias completas. São Paulo: Edusp; Belo Horizonte: Itatiaia, 1987, p. 211.
  • 138. Nesse poema, vemos como o eu lírico perde a individualidade e se mistura com o mundo. Nos versos transcritos abaixo, o que melhor demonstra esse momento em que o eu lírico se confunde com o meio é: (A) “Si um dia deus morrer, irei no Piauí buscar outro!” (B) “Tenhamos paciência, andorinhas curtas,” (C) “E então minha alma servirá de abrigo.” (D) “Nas esquinas, nos táxis, nas camarinhas seus próprios beijos.” (E) “E os suspiros que dou são violinos alheios,”
  • 139. Resposta: letra E. A associação entre a forma verbal em 1a. pessoa (“dou”) e a palavra “alheios” confirma a identidade entre o meio e o sujeito poético.
  • 140. Questão 39: Texto I: O CAPOEIRA “ - Qué apanhá sordado? - O quê? - Qué apanhá? Pernas e cabeças na calçada.” (ANDRADE, Oswald de . Pau-Brasil. 6ª. edição. Globo. 1998. p. 87)
  • 141. Texto II: “O Arnesto nos convidou pra um samba, ele mora no Brás Nós fumos não encontremos ninguém Nós voltermos com uma baita de uma reiva Da outra vez nós num vai mais Nós não semos tatu! No outro dia encontremo com o Arnesto Que pediu desculpas mais nós não aceitemos Isso não se faz, Arnesto, nós não se importa Mas você devia ter ponhado um recado na porta” Link: http://www.vagalume.com.br/adoniranbarbosa/samba-do-arnesto.html#ixzz2OK98Cdsd
  • 142. Texto III: “Quando oiei a terra ardendo Co’a fogueira de São João Eu perguntei a Deus do céu, ai Por que tamanha judiação Eu perguntei a Deus do céu, ai Por que tamanha judiação Que braseiro, que fornaia Nem um pé de prantação Por farta d'água perdi meu gado Morreu de sede meu alazão” (Asa Branca - Luiz Gonzaga)
  • 143. Os textos acima manifestam aspectos culturais de um povo, dentre os quais se inclui sua forma de falar, além de registrar um momento histórico. Depreende-se disso que a importância em preservar a produção cultural de uma nação consiste no fato de que essas produções evidenciam a (A) renovação da realidade brasileira através de textos ficcionais. (B) a incorporação de neologismos no âmbito da língua portuguesa. (C) construção da identidade nacional por meio da tradição oral. (D) o descuido no uso da língua portuguesa falada no Nordeste brasileiro. (E) normatização de palavras com variações regionais, mas de idênticos significados.
  • 144. Resposta: letra C. A transcrição da linguagem coloquial e a desobediência às normas gramaticais confirmam a oralidade característica da cultura popular.
  • 145. Questão 40: COMO UMA ONDA “Nada do que foi será De novo do jeito que já foi um dia Tudo passa, tudo sempre passará, A vida vem em ondas como um mar Num indo e vindo infinito.” Link: http://www.vagalume.com.br/lulu-santos/como-umaonda-no-mar.html#ixzz2ONmhbeZc
  • 146. A canção retoma um dos temas mais caros à estética barroca: a plena convicção da instabilidade das coisas do mundo. Essa consciência decorre de uma visão de mundo chamada (A) epicurismo. (B) hedonismo. (C) intimismo. (D) sentimentalismo. (E) confessionalismo.
  • 147. Resposta: letra A. O termo traduz a certeza da fugacidade da vida terrena e a necessidade de aproveitar todos os momentos por ela oferecido.
  • 148. Questão 41: A pintura Davi com a cabeça de Golias é uma das mais famosas obras do artista barroco Caravaggio. Considerando o estudo sobre o assunto e levando em consideração a obra em evidência, podemos dizer que o jogo dos contrastes, uma das principais marcas desse estilo de época, pode ser identificado na relação: (A) dor e prazer. (B) água e fogo. (C) alegria e tristeza (D) sucesso e fracasso. (E) claro e escuro.
  • 149. Resposta: letra E. A obra é composta por duas pessoas - se for possível considerar a cabeça de Golias como uma - e alguns objetos, a espada e as roupas de Davi. Observa-se que as cores da pintura se contrastam fortemente: Davi tem cor clara em certas partes do corpo e escura em outras e a espada brilha na parte inferior; Golias partilha do mesmo contraste de cores e, além deles, só há escuridão, como se a luz viesse dos próprios corpos.