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  • 1. LITERATURA REVISÃO Prof. Paulo Monteiro
  • 2. QUESTÃO 01 TEXTO I Como as aves de arribação, que tornando ao ninho abandonado, trazem ainda nas asas o aroma das árvores exóticas em que pousaram nas remotas regiões, Lúcia conservava do mundo a elegância e a distinção, que se tinham por assim dizer impresso e gravado na sua pessoa. Fora disto, ninguém diria que essa moça vivera algum tempo numa sociedade livre: as suas ideias tinham a ingenuidade dos quinze anos; e às vezes ela me parecia mais infantil, mais inocente do que Ana com toda a sua pureza e ignorância. ( ALENCAR, José de. Lucíola. In: Ficção completa.Vol. I. Rio de Janeiro: Companhia Aguiar Editora, 1965, p. 321.) TEXTO II Os lábios vermelhos e úmidos pareciam uma flor da gardênia dos nossos campos, orvalhada pelo sereno da noite. Sua tez, alva e pura como um froco de algodão, tingia-se nas faces de uns longes cor-de-rosa, que iam, desmaiando, morrer no colo de linhas suaves e delicadas. O seu trajo era de gosto mais mimoso e mais original que é possível conceber; mistura de luxo e de simplicidade. (ALENCAR, José de. O Guarani. In: Ficção completa. Vol. II. Rio de Janeiro: Companhia Aguiar Editora, 1965, p. 41-2)
  • 3. A leitura desses dois textos nos permite inferir que, na construção de suas personagens, os prosadores românticos brasileiros: A) Evitam inserir quaisquer comentários de natureza moral, deixando que cada uma delas se revele, pouco a pouco, ao leitor. B) Mostram espanto com o fato de que, mesmo sob a influência de ambientes degradantes, a alma delas não se contamina. C) Prendem-se, sobremaneira, a detalhes, uma vez que estes se sobrepõem ao conjunto, mostrando que elas são seres universais. D) Visam-se ao retrato psicológico, de tal sorte que os traços físicos só ganham revelo quando associados a traços da intimidade. E) Apresentavam seres idealizados, ligados a elementos da natureza, tendo o caráter marcado pelas forças do sublime e da candura.
  • 4. A leitura desses dois textos nos permite inferir que, na construção de suas personagens, os prosadores românticos brasileiros: A) Evitam inserir quaisquer comentários de natureza moral, deixando que cada uma delas se revele, pouco a pouco, ao leitor. B) Mostram espanto com o fato de que, mesmo sob a influência de ambientes degradantes, a alma delas não se contamina. C) Prendem-se, sobremaneira, a detalhes, uma vez que estes se sobrepõem ao conjunto, mostrando que elas são seres universais. D) Visam-se ao retrato psicológico, de tal sorte que os traços físicos só ganham revelo quando associados a traços da intimidade. E) Apresentavam seres idealizados, ligados a elementos da natureza, tendo o caráter marcado pelas forças do sublime e da candura.
  • 5. Tanto Lúcia (nesse momento da trama, ex-prostituta) quanto Cecília constituem personagens marcadas pela pureza e pela harmonia com o natural.
  • 6. QUESTÃO 02 TEXTO I
  • 7. TEXTO II NOTAS ACERCA DO INDIANISMO José de Alencar defendia um Indianismo, para muitos tardio e aparentemente anacrônico, com tal generosidade, amor à terra, com o colorido e a musicalidade do estilo, a capacidade de tornar verssosímil o inverossímil, sob uma prosa poética, em que desaparecem os excessos, o mau gosto, o desmedido diante da energia prodigiosa, a atilada psicologia, o discernimento das ambições civis... (NEJAR, Carlos. História da literatura brasileira – da carta de Caminha aos contemporâneos. São Paulo: Leya, 2011, p. 104)
  • 8. Considerando-se a mensagem da pintura (Texto I) e as reflexões do ensaísta (Texto II), é correto inferir que, no tratamento da temática indianista, o prosador romântico: A) A partir de narrativas épicas, denuncia o massacre que os nativos sofriam por parte dos conquistadores. B) Prefere retratar os indígenas em seu ambiente natural, ainda sem quaisquer contatos com o elemento europeu. C) Visa à integração social entre europeus e indígenas, através da confluência de espaços a ambos comuns. D) Em tom lírico, prega a integação entre indígenas e europeus, numa alegoria de uma nova civilização. E) Aponta a supremacia do indígena sobre os conquistadores europeus, que a estes domina por meios mágicos.
  • 9. Considerando-se a mensagem da pintura (Texto I) e as reflexões do ensaísta (Texto II), é correto inferir que, no tratamento da temática indianista, o prosador romântico: A) A partir de narrativas épicas, denuncia o massacre que os nativos sofriam por parte dos conquistadores. B) Prefere retratar os indígenas em seu ambiente natural, ainda sem quaisquer contatos com o elemento europeu. C) Visa à integração social entre europeus e indígenas, através da confluência de espaços a ambos comuns. D) Em tom lírico, prega a integação entre indígenas e europeus, numa alegoria de uma nova civilização. E) Aponta a supremacia do indígena sobre os conquistadores europeus, que a estes domina por meios mágicos.
  • 10. A pintura denuncia claramente o massacre que o povo indígena sofreu quando da invasão dos europeus ao território brasileiro; os romances, por sua vez, fecharam os olhos a tal genocídio, conforme a passagem do texto: “sob uma prosa poética, que desaparecem os excessos, o mau gosto, o desmedido diante da energia prodigiosa, a atilada psicologia, o discernimento das ambições civis...”.
  • 11. QUESTÃO 03 PERI De joelhos à beira do sofá, Peri não tirava os olhos de sua senhora; dir-se-ia que aquela respiração branda que fazia ondular os seios da menina, e que se exalava de sua boca entreaberta, era o sopro que alimentava a vida do índio. Desde o momento da revolta não deixou mais Cecília; seguia-a como uma sombra; sua dedicação, já tão admirável, tinha tocado o sublime com a iminência do perigo. Durante estes dois dias ele havia feito coisas incríveis, verdadeiras loucuras do heroísmo e abnegação. Sucedia que um selvagem aproximando-se da casa soltava um grito que vinha causar um ligeiro susto à menina? Peri lançava-se como um raio, e antes que tivesse tempo de contê-lo, passava entre uma nuvem de flechas, chegava à beira da esplanada, e com um tiro de sua clavina abatia o Aimoré que assustara sua senhora, antes que ele tivesse tempo de soltar um segundo grito. Cecília, aflita e doente, recusava tomar o alimento que sua mãe ou sua prima lhe traziam? Peri correndo mil perigos, arriscando-se a despedaçar-se nas pontas dos rochedos e a ser crivado pelas flechas dos selvagens, ganhava a floresta, e daí a uma hora voltava trazendo um fruto delicado, um favo de mel envolto de flores, uma caça esquisita, que sua senhora tocava com os lábios para assim pagar ao menos tanto amor e tanta dedicação. (ALENCAR, José de. O Guarani. In: Ficção completa. Vol. II.Rio de Janeiro: Companhia Aguilar Editora, 1965, p. 190.).
  • 12. Levando-se em conta o contexto histórico, social e político, quando da concepção do romance O Guarani, é correto afirmar que a personagem indígena: A) Ultrapassa as fronteiras de seu tempo, universalizando-se, uma vez que absorve, sem resistências, os elementos da cultura europeia. B) À semelhança de um cavaleiro medieval, entrega-se a uma servidão voluntária, cuja nobreza da causa eleva-lhe ainda mais o espírito. C) Ao insurgir-se contra os de seu próprio sangue, espelha como o contato com o europeu veio a corromper antigos valores. D) Sendo idealizada, conserva intactos os elementos configuradores de sua cultura, ficando incólume ao contato com o colonizador. E) Comprova o fato de que, no processo da colonização, portugueses e indígenas lutaram, quando preciso, por causas comuns.
  • 13. Levando-se em conta o contexto histórico, social e político, quando da concepção do romance O Guarani, é correto afirmar que a personagem indígena: A) Ultrapassa as fronteiras de seu tempo, universalizando-se, uma vez que absorve, sem resistências, os elementos da cultura europeia. B) À semelhança de um cavaleiro medieval, entrega-se a uma servidão voluntária, cuja nobreza da causa eleva-lhe ainda mais o espírito. C) Ao insurgir-se contra os de seu próprio sangue, espelha como o contato com o europeu veio a corromper antigos valores. D) Sendo idealizada, conserva intactos os elementos configuradores de sua cultura, ficando incólume ao contato com o colonizador. E) Comprova o fato de que, no processo da colonização, portugueses e indígenas lutaram, quando preciso, por causas comuns.
  • 14. Assim como um cavaleiro medieval, Peri, voluntariamente, torna-se escravo de Cecília; servi-la é, pois, o fio condutor de sua existência; o caráter dele é marcado pela lealdade, pureza e coragem.
  • 15. QUESTÃO 04 A metonímia constitui a substituição entre termos que estabelecem entre si uma relação constante: parte pelo todo; causa pelo efeito; continente pelo conteúdo; o singular pelo plural; o material pela coisa; o instrumento por quem o utiliza; o abstrato pelo concreto etc; como, por exemplo, na seguinte passagem do texto: “Sucedia que um selvagem aproximando-se da casa soltava um grito...”. Há, nesse texto, outra metonímia, em: A) “Peri correndo mil perigos, arriscando-se a despedaçar-se nas pontas dos rochedos...”. B) “Peri lançava-se como um raio, e antes que tivesse tempo de contêlo...”. C) “... seguia-a como uma sombra; sua dedicação, já tão admirável, tinha tocado o sublime...”. D) “... ele havia feito coisas incríveis, verdadeiras loucuras do heroísmo e abnegação...”. E) “De joelhos à beira do sofá, Peri não tirava os olhos de sua senhora...”.
  • 16. A metonímia constitui a substituição entre termos que estabelecem entre si uma relação constante: parte pelo todo; causa pelo efeito; continente pelo conteúdo; o singular pelo plural; o material pela coisa; o instrumento por quem o utiliza; o abstrato pelo concreto etc; como, por exemplo, na seguinte passagem do texto: “Sucedia que um selvagem aproximando-se da casa soltava um grito...”. Há, nesse texto, outra metonímia, em: A) “Peri correndo mil perigos, arriscando-se a despedaçar-se nas pontas dos rochedos...”. B) “Peri lançava-se como um raio, e antes que tivesse tempo de contêlo...”. C) “... seguia-a como uma sombra; sua dedicação, já tão admirável, tinha tocado o sublime...”. D) “... ele havia feito coisas incríveis, verdadeiras loucuras do heroísmo e abnegação...”. E) “De joelhos à beira do sofá, Peri não tirava os olhos de sua senhora...”.
  • 17. O termo “olhos” está empregado em lugar de “o olhar”; e “senhora”, no de “Cecília”.
  • 18. QUESTÃO 05 Os elementos formais e temáticos, em harmonia com o contexto histórico e cultural da prosa romântica brasileira, em destaque nesse texto são: A) Prevalência da denotação sobre a conotação, visando a um retrato nítido da configuração social desse período. B) Escolha meditada do vocabulário, procurando, assim, uma adequação entre elementos da linguagem e do tema. C) Gosto por comparações e expressão lírica em busca de um discurso empolgante e de furor nacionalista. D) Valorização da linguagem nativa, plena de neologismos, a fim de ridicularizar a figura do colonizador. E) Nítida preocupação em aproximar a escolha vocabular da realidade social e cultural à época da Colônia.
  • 19. Os elementos formais e temáticos, em harmonia com o contexto histórico e cultural da prosa romântica brasileira, em destaque nesse texto são: A) Prevalência da denotação sobre a conotação, visando a um retrato nítido da configuração social desse período. B) Escolha meditada do vocabulário, procurando, assim, uma adequação entre elementos da linguagem e do tema. C) Gosto por comparações e expressão lírica em busca de um discurso empolgante e de furor nacionalista. D) Valorização da linguagem nativa, plena de neologismos, a fim de ridicularizar a figura do colonizador. E) Nítida preocupação em aproximar a escolha vocabular da realidade social e cultural à época da Colônia.
  • 20. O tom eloquente, as comparações, o ritmo poético, tudo contribui para a construção do ideário nacionalista.
  • 21. QUESTÃO 06 O compromisso do Romantismo com a construção da brasilidade, delineando a nossa identidade enquanto povo e nação,é evidente quando deparamos, por exemplo, em seus diversos romances, a presença da cor da local. Dentre as atitudes da prosa romântica, valores sociais e humanos, atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional podem ser encontrados no (a): A) Gosto pelas narrativas de tempo cronológico, em linguagem simples e coloquial, espelhando, desse modo, a imagem do povo brasileiro como humilde e cordato. B) Insistência dos romancistas brasileiros em inserir, em meio à dramaticidade do enredo, a exuberância de nossa natureza, quer em terras sertanejas ou marítimas. C) Predominância, em nossas narrativas, de mulheres possuidoras de extremo poder de sedução, pois, assim, realça-se a existência aqui de uma beleza singular. D) Diversificação dos espaços, com a singularidade de seus usos, costumes e linguagens, configurando o Brasil como uma diversidade de culturas, mas com unidade. E) Apego às manifestações folclóricas, procurando sempre inseri-las em narrativas as mais diversas, pouco importando os elementos estéticos a que se prendam.
  • 22. O compromisso do Romantismo com a construção da brasilidade, delineando a nossa identidade enquanto povo e nação,é evidente quando deparamos, por exemplo, em seus diversos romances, a presença da cor da local. Dentre as atitudes da prosa romântica, valores sociais e humanos, atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional podem ser encontrados no (a): A) Gosto pelas narrativas de tempo cronológico, em linguagem simples e coloquial, espelhando, desse modo, a imagem do povo brasileiro como humilde e cordato. B) Insistência dos romancistas brasileiros em inserir, em meio à dramaticidade do enredo, a exuberância de nossa natureza, quer em terras sertanejas ou marítimas. C) Predominância, em nossas narrativas, de mulheres possuidoras de extremo poder de sedução, pois, assim, realça-se a existência aqui de uma beleza singular. D) Diversificação dos espaços, com a singularidade de seus usos, costumes e linguagens, configurando o Brasil como uma diversidade de culturas, mas com unidade. E) Apego às manifestações folclóricas, procurando sempre inseri-las em narrativas as mais diversas, pouco importando os elementos estéticos a que se prendam.
  • 23. O Romantismo retratou as diversas regiões do País, bem como deu destaque a tipos como o sertanejo, o índio, o homem urbano, os espaços rurais e urbanos; o mesmo se encontra nas ficções do Realismo, do Pré-Modernismo, do Modernismo e da contemporaneidade.
  • 24. QUESTÃO 07 TEXTO IDENTIDADE E DEMOCRATIZAÇÃO CULTURAL O romance urbano, por meio da divulgação de perfis, espaços e comportamentos reconhecidos, também investe na construção de uma identidade nacional. A consolidação dessa nacionalidade é componente fundamental de seu projeto literário e ocorre todas as vezes que um leitor se reconhece nas cenas que lê, porque os comportamentos das personagens mostram-se familiares”. (ABURRE, Maria Luiza M. & PONTARA, Marcela. Literatura brasileira: tempos, leitores e leituras. São Paulo: Moderna, 2005, p. 306.).
  • 25. Comprova as considerações desse texto: A) ALMEIDA JÚNIOR: “Leitura” (1892) Óleo sobre tela – 95 x 141 cm. Pinacoteca do Estado, São Paulo.
  • 26. B) SILVA PORTO: “A volta do mercado”. Óleo sobre tela
  • 27. C)
  • 28. D) CÂNDIDO PORTINARI. “Café”. Óleo sobre tela.
  • 29. E) VANDO FIGUEIREDO. “Sem título”. Óleo sobre tela.
  • 30. A) D) B) E) C)
  • 31. A) D) B) E) C)
  • 32. O cotidiano da Corte, num país em construção, implicava o gosto pelo refinamento; é comum, nos romance, a imagem de mulheres lendo, como no romance Lucíola, em que Lúcia, a protagonista, discute com Paulo a obra A dama das camélias.
  • 33. QUESTÃO 08 Se sou pobre pastor, se não governo Reinos, nações, províncias, mundo, e gentes; Se em frio, calma, e chuvas inclementes Passo o verão, outono, estio, inverno; Nem por isso trocara o abrigo terno Desta choça, em que vivo, coas enchentes Dessa grande fortuna: assaz presentes Tenho as paixões desse tormento eterno. Adorar as traições, amar o engano, Ouvir dos lastimosos o gemido, Passar aflito o dia, o mês, e o ano; Seja embora prazer; que a meu ouvido Soa melhor a voz do desengano, Que da torpe lisonja o infame ruído. (COSTA, Cláudio Manoel da. In: http://www.sonetos.com.br/sonetos / consulta em 27/11/2011)
  • 34. O eu lírico, nesse poema ilustra a tendência árcade do: A) Carpe diem B) Locus amoenos C) Aurea mediocritas D) Ars longa E) Vita breve
  • 35. O eu lírico, nesse poema ilustra a tendência árcade do: A) Carpe diem B) Locus amoenos C) Aurea mediocritas D) Ars longa E) Vita breve
  • 36. Nada o afastará do campo, o lugar aprazível para se viver.
  • 37. QUESTÃO 09 Quando cheios de gosto, e de alegria Estes campos diviso florescentes, Então me vêm as lágrimas ardentes Com mais ânsia, mais dor, mais agonia. Aquele mesmo objeto, que desvia Do humano peito as mágoas inclementes, Esse mesmo em imagens diferentes Toda a minha tristeza desafia. Se das flores a bela contextura Esmalta o campo na melhor fragrância, Para dar uma idéia da ventura; VOCABULÁRIO Constância: firmeza. Contextura: ligação. Divisar: avistar. Esmaltar: enfeitar (fig.) Inclementes: severas. Ventura: sorte. Como, ó Céus, para os ver terei constância, Se cada flor me lembra a formosura Da bela causadora de minha ânsia? (COSTA, Cláudio Manuel da. In: PÉRICLES, Eugênio (Org.) Poemas de Cláudio Manuel da Costa. São Paulo: Cultrix, 1976, p. 72)
  • 38. Nesse poema, a natureza se revela exuberante e majestosa; o eu lírico, melancólico, mesmo ante esse quadro natural. Apontar a figura de linguagem que lhe traduz o espírito: A) Antítese B) Metonímia C) Metáfora D) Prosopeia E) Sinestesia
  • 39. Nesse poema, a natureza se revela exuberante e majestosa; o eu lírico, melancólico, mesmo ante esse quadro natural. Apontar a figura de linguagem que lhe traduz o espírito: A) Antítese B) Metonímia C) Metáfora D) Prosopeia E) Sinestesia
  • 40. Ver os campos florescentes, mas a alma está em lágrimas; oposição de ideias.
  • 41. QUESTÃO 10 O contraste entre o campo e a cidade, uma das marcas do Arcadismo, está presente em: A) Quem deixa o trato pastoril amado Pela ingrata, civil correspondência, Ou desconhece o rosto da violência, Ou do retiro a paz não tem provado. Que bem é ver nos campos transladado No gênio do pastor, o da inocência! E que mal é no trato, e na aparência Ver sempre o cortesão dissimulado
  • 42. B) As ondas são anjos que dormem no mar, Que tremem, palpitam, banhados de luz... São anjos que dormem, a rir e sonhar E em leito d'escuma revolvem-se nus! E quando de noite vem pálida a lua Seus raios incertos tremer, pratear, E a trança luzente da nuvem flutua, As ondas são anjos que dormem no mar!
  • 43. C) Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro! Não levo da existência uma saudade! E tanta vida que meu peito enchia Morreu na minha triste mocidade! Misérrimo! Votei meus pobres dias À sina doida de um amor sem fruto, E minh'alma na treva agora dorme Como um olhar que a morte envolve em luto
  • 44. D) Há dores fundas, agonias lentas, Dramas pungentes que ninguém consola, Ou suspeita sequer! Mágoas maiores do que a dor dum dia, Do que a morte bebida em taça morna De lábios de mulher!
  • 45. E) Foste o beijo melhor da minha vida, ou talvez o pior...Glória e tormento, contigo à luz subi do firmamento, contigo fui pela infernal descida! Morreste, e o meu desejo não te olvida: queimas-me o sangue, enches-me o pensamento, e do teu gosto amargo me alimento, e rolo-te na boca malferida.
  • 46. A) Quem deixa o trato pastoril amado Pela ingrata, civil correspondência, Ou desconhece o rosto da violência, Ou do retiro a paz não tem provado. (...) D) Há dores fundas, agonias lentas, Dramas pungentes que ninguém consola, Ou suspeita sequer! (...) B) As ondas são anjos que dormem no mar, Que tremem, palpitam, banhados de luz... São anjos que dormem, a rir e sonhar E em leito d'escuma revolvem-se nus! (...) C) Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro! Não levo da existência uma saudade! E tanta vida que meu peito enchia Morreu na minha triste mocidade! (...) E) Foste o beijo melhor da minha vida, ou talvez o pior...Glória e tormento, contigo à luz subi do firmamento, contigo fui pela infernal descida! (...)
  • 47. A) Quem deixa o trato pastoril amado Pela ingrata, civil correspondência, Ou desconhece o rosto da violência, Ou do retiro a paz não tem provado. (...) D) Há dores fundas, agonias lentas, Dramas pungentes que ninguém consola, Ou suspeita sequer! (...) B) As ondas são anjos que dormem no mar, Que tremem, palpitam, banhados de luz... São anjos que dormem, a rir e sonhar E em leito d'escuma revolvem-se nus! (...) C) Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro! Não levo da existência uma saudade! E tanta vida que meu peito enchia Morreu na minha triste mocidade! (...) E) Foste o beijo melhor da minha vida, ou talvez o pior...Glória e tormento, contigo à luz subi do firmamento, contigo fui pela infernal descida! (...)
  • 48. Os textos em B e C são de Álvares de Azevedo; em D, de Casimiro de Abreu – românticos; e em E, de Olavo Bilac, parnasiano.
  • 49. QUESTÃO 11 Quando cheios de gosto, e de alegria Estes campos diviso florescentes, Então me vêm as lágrimas ardentes Com mais ânsia, mais dor, mais agonia. Aquele mesmo objeto, que desvia Do humano peito as mágoas inclementes, Esse mesmo em imagens diferentes Toda a minha tristeza desafia. Se das flores a bela contextura Esmalta o campo na melhor fragrância, Para dar uma idéia da ventura; VOCABULÁRIO Constância: firmeza. Contextura: ligação. Divisar: avistar. Esmaltar: enfeitar (fig.) Inclementes: severas. Ventura: sorte. Como, ó Céus, para os ver terei constância, Se cada flor me lembra a formosura Da bela causadora de minha ânsia? (COSTA, Cláudio Manuel da. In: PÉRICLES, Eugênio (Org.) Poemas de Cláudio Manuel da Costa. São Paulo: Cultrix, 1976, p. 72)
  • 50. Nesse poema, a natureza se revela exuberante e majestosa; o eu lírico, melancólico, mesmo ante esse quadro natural. Apontar a figura de linguagem que lhe traduz o espírito: A) Antítese B) Metonímia C) Metáfora D) Prosopeia E) Sinestesia
  • 51. Nesse poema, a natureza se revela exuberante e majestosa; o eu lírico, melancólico, mesmo ante esse quadro natural. Apontar a figura de linguagem que lhe traduz o espírito: A) Antítese B) Metonímia C) Metáfora D) Prosopeia E) Sinestesia
  • 52. Ver os campos florescentes, mas a alma está em lágrimas; oposição de ideias.
  • 53. QUESTÃO 12 A opressão da Coroa, a decadência do ciclo do ouro, as ideias liberais advindas da Europa, tudo isso influenciou o movimento da Inconfidência Mineira. Marcar a opção em que versos de Tomás Antonio Gonzaga reflitam um dado dessa realidade: A) “Na sua face mimosa, / Marília, estão misturadas, / purpúreas folhas de rosa, / brancas folhas de jasmim.” B) “Quando passarmos juntos pela rua / nos mostrarão com o dedo os mais pastores / dizendo uns para os outros: - Olhai os nossos / exemplos de desgraça e sãos amores.” C) “Se o rio levantado me causava, / levando a sementeira, prejuízo, / eu alegre ficava, a penas via, / na tua breve boca i, ar de riso.” D) “Se não tivermos lãs e peles finas, / podem mui bem cobrir as carnes nossas / as peles dos cordeiros mal curtidas, / e os panos feitos com as lãs mais grossas” . E) “Que diversas que são, Marília, as horas, / Que passo na masmorra imunda, e feia, / Dessas horas felizes, já passadas / Na tua pátria aldeia!”
  • 54. A opressão da Coroa, a decadência do ciclo do ouro, as ideias liberais advindas da Europa, tudo isso influenciou o movimento da Inconfidência Mineira. Marcar a opção em que versos de Tomás Antonio Gonzaga reflitam um dado dessa realidade: A) “Na sua face mimosa, / Marília, estão misturadas, / purpúreas folhas de rosa, / brancas folhas de jasmim.” B) “Quando passarmos juntos pela rua / nos mostrarão com o dedo os mais pastores / dizendo uns para os outros: - Olhai os nossos / exemplos de desgraça e sãos amores.” C) “Se o rio levantado me causava, / levando a sementeira, prejuízo, / eu alegre ficava, a penas via, / na tua breve boca i, ar de riso.” D) “Se não tivermos lãs e peles finas, / podem mui bem cobrir as carnes nossas / as peles dos cordeiros mal curtidas, / e os panos feitos com as lãs mais grossas” . E) “Que diversas que são, Marília, as horas, / Que passo na masmorra imunda, e feia, / Dessas horas felizes, já passadas / Na tua pátria aldeia!”
  • 55. Os versos aludem à prisão de um inconfidente.
  • 56. QUESTÃO 13 Pode-se reconhecer, no texto a seguir, um exemplo do Estilo de Época em Literatura, denominado: “Do tamarindo a flor jaz entreaberta, Já solta o bagari mais doce aroma; Também meu coração, como estas flores, Melhor perfume ao pé da noite exala!” A) Barroco, pela imagem que evoca a natureza como um símbolo de transitoriedade da vida. B) Arcádico, pois o poeta revela o seu amor a uma natureza idealizada, que, para ele, representa o mundo ordenado. C) Parnasiano, pela visão da natureza como imagem escultural da perfeição . D) Simbolista, pois a natureza é aí apenas um recurso que o poeta transcende, atingindo espritualidade plena. E) Romântico, pela identificação de sentimentos humanos com aspectos ligados à natureza.
  • 57. Pode-se reconhecer, no texto a seguir, um exemplo do Estilo de Época em Literatura, denominado: “Do tamarindo a flor jaz entreaberta, Já solta o bagari mais doce aroma; Também meu coração, como estas flores, Melhor perfume ao pé da noite exala!” A) Barroco, pela imagem que evoca a natureza como um símbolo de transitoriedade da vida. B) Arcádico, pois o poeta revela o seu amor a uma natureza idealizada, que, para ele, representa o mundo ordenado. C) Parnasiano, pela visão da natureza como imagem escultural da perfeição . D) Simbolista, pois a natureza é aí apenas um recurso que o poeta transcende, atingindo espritualidade plena. E) Romântico, pela identificação de sentimentos humanos com aspectos ligados à natureza.
  • 58. No romantismo, há uma perfeita harmonia entre as manifestações da natureza e os estados d’alma do eu lírico.
  • 59. QUESTÃO 14 TEXTO I Se eu tenho de morrer na flor dos anos, Meu Deus! não seja já; Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde, Cantar o sabiá! Meu Deus, eu sinto e tu bem vês que eu morro Respirando este ar; Faz que eu viva, Senhor! dá-me de novo Os gozos do meu lar! O país estrangeiro mais belezas Do que a pátria, não tem; E este mundo não vale um só dos beijos Tão doces duma mãe! Dá-me os sítios gentis onde eu brincava Lá na quadra infantil; Dá que eu veja uma vez o céu da pátria, O céu do meu Brasil! Se eu tenho de morrer na flor dos anos, Meu Deus! não seja já! Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde, Cantar o sabiá! (ABREU, Casimiro de. Poetas românticos brasileiros. São Paulo: Scipione, 1993)
  • 60. TEXTO II A ideologia romântica [...] introduziu-se em 1836. Durante quatro decênios, imperaram o “eu”, a anarquia, o liberalismo, o sentimentalismo, o nacionalismo, através da poesia, do romance, do teatro e do jornalismo (que fazia sua aparição na época). (MOISÉS, Massaud. A literatura brasileira através dos textos. São Paulo: Cultrix, 1971)
  • 61. De acordo com o texto II, o texto I centra-se: A) No imperativo do “eu”, reforçando a ideia de que estar longe do Brasil é uma forma de estar bem, já que o país sufoca o eu-lírico. B) No nacionalismo, reforçado pela distância da pátria e pelo saudosismo em relação à paisagem agradável onde o eu-lírico viversa a infância. C) Na liberdade formal, que se manifesta nos versos sem métrica e temática nacionalista. D) No fazer anárquico, entendida a poesia como negação do passado e da vida, seja pelas opções formais, seja pelos temas. E) No sementalismo, por meio do qual se reforça a alegria presente em oposição à infância, marcada pela tristeza.
  • 62. De acordo com o texto II, o texto I centra-se: A) No imperativo do “eu”, reforçando a ideia de que estar longe do Brasil é uma forma de estar bem, já que o país sufoca o eu-lírico. B) No nacionalismo, reforçado pela distância da pátria e pelo saudosismo em relação à paisagem agradável onde o eu-lírico viversa a infância. C) Na liberdade formal, que se manifesta nos versos sem métrica e temática nacionalista. D) No fazer anárquico, entendida a poesia como negação do passado e da vida, seja pelas opções formais, seja pelos temas. E) No sementalismo, por meio do qual se reforça a alegria presente em oposição à infância, marcada pela tristeza.
  • 63. Saudoso da pátria, a voz poemática é tomada pelo medo de morrer sem rever a paisagem onde, antes, fora verdadeiramente feliz.
  • 64. QUESTÃO 15 Apesar de haver cultivado temas os mais diversos, Gonçalves Dias atinge o ápico de sua expressão literária na poesia indianista, em que tece uma imagem heróica do indígena brasileiro, estando assim o poeta comprometido com a construção de nossa própria identidade. Nesses poemas, destaca-se o ritmo bélico, fruto de efeitos da métrica e da rima. Marcar a opção que espelhe tais considerações: A) “Amor é vida; é ter constantemente / alma, sentidos, coração – abertos / ao grande, ao belo; é ser capaz d’extremos, / d’altas virtudes, até capaz de crimes!” B) “Sejam vales ou montes, lago ou terra, / onde quer que tu vás, ou dia ou noite, / vai seguindo após ti meu pensamento; / outro amor nunca tive; és meu, sou tua!” C) “É alvo meu rosto da alvura dos lírios, / da cor das areias batidas do mar; / aves mais brancas, as conchas mais puras / não têm mais alvura, não têm mais brilhar”. D) “São uns olhos verdes, verdes / uns olhos de verde-mar / quando o tempo vai na bonança; / uns olhos cor de esperança, / uns olhos por que morri; que, ai de mim! / nem já sei qual fiquei sendo / depois que os vi!” E) “São rudos, severos, sedentos de glória, / já prélios incitam, já cantam vitória, / já meigos atendem à voz do cantor; / são todos timbiras, guerreiros valentes! / seu nome lá voa na boca das gentes / condão de prodigios, de glória e terror!
  • 65. Apesar de haver cultivado temas os mais diversos, Gonçalves Dias atinge o ápico de sua expressão literária na poesia indianista, em que tece uma imagem heróica do indígena brasileiro, estando assim o poeta comprometido com a construção de nossa própria identidade. Nesses poemas, destaca-se o ritmo bélico, fruto de efeitos da métrica e da rima. Marcar a opção que espelhe tais considerações: A) “Amor é vida; é ter constantemente / alma, sentidos, coração – abertos / ao grande, ao belo; é ser capaz d’extremos, / d’altas virtudes, até capaz de crimes!” B) “Sejam vales ou montes, lago ou terra, / onde quer que tu vás, ou dia ou noite, / vai seguindo após ti meu pensamento; / outro amor nunca tive; és meu, sou tua!” C) “É alvo meu rosto da alvura dos lírios, / da cor das areias batidas do mar; / aves mais brancas, as conchas mais puras / não têm mais alvura, não têm mais brilhar”. D) “São uns olhos verdes, verdes / uns olhos de verde-mar / quando o tempo vai na bonança; / uns olhos cor de esperança, / uns olhos por que morri; que, ai de mim! / nem já sei qual fiquei sendo / depois que os vi!” E) “São rudos, severos, sedentos de glória, / já prélios incitam, já cantam vitória, / já meigos atendem à voz do cantor; / são todos timbiras, guerreiros valentes! / seu nome lá voa na boca das gentes / condão de prodigios, de glória e terror!
  • 66. As pausas na quinta e décima sílaba de cada versos dão o tom de marcha, de luta, de espírito lutador.
  • 67. QUESTÃO 16 Tédio, pessimismo, desilusão e morte caracterizam a geração ultrarromântica. Nesses poemas, o eu lírico é tomado por inércia espiritual, conforme a opção: A) “Ó mãe do cativo! que alegre balanças / a rede que ataste nos galhos da selva! / Melhor tu farias se à pobre criança / cavasses a cova por baixo da relva. /// Ó mãe do cativo! que fias à noite / as roupas do filho na choça de palha! / Melhor tu farias se ao pobre pequeno / tecesses o pano branco da mortalha.” B) “Fatalidade atroz que a mente esmaga! / extingue nesta hora o brigue imundo / o trilho que Colombo abriu na vaga... / como um íris no pélago profundo!... / Mas é infâmia demais... Da etérea plaga / levantai-vos heróis do Novo Mundo... / Andrada! arranca este pendão dos ares! / Colombo! fecha a porta de teus mares!” C) “Na praia deserta que a lua branqueia, / que mimo!, que rosa!, que filha de Deus! / tão pálida – ao vê-la meu ser devaneia, / sufoco nos lábios os hálitos meus! / Não corras na areia, / não corras assim! / Donzela, aonde vais? / Tem pena de mim!” D) “Que sonhas, virgem, nos sonhos / que à mente te vêm risonhos / na primavera inda em flor? / No celeste davaneio / no docer bater do seio / que sonhas, virgem, amor?” E) “Sombras do vale, noites da montanha, / que minha alma cantou e amava tanto, / protegei o meu corpo abandonado /e no silêncio derramai-lhe canto! /// Mas quando preludia ave d’aurora / e, quando à meia-noite, o céu repousa, / arvoredos do bosque, abri os ramos... / deixai a lua prantear-me a lousa!”
  • 68. Tédio, pessimismo, desilusão e morte caracterizam a geração ultrarromântica. Nesses poemas, o eu lírico é tomado por inércia espiritual, conforme a opção: A) “Ó mãe do cativo! que alegre balanças / a rede que ataste nos galhos da selva! / Melhor tu farias se à pobre criança / cavasses a cova por baixo da relva. /// Ó mãe do cativo! que fias à noite / as roupas do filho na choça de palha! / Melhor tu farias se ao pobre pequeno / tecesses o pano branco da mortalha.” B) “Fatalidade atroz que a mente esmaga! / extingue nesta hora o brigue imundo / o trilho que Colombo abriu na vaga... / como um íris no pélago profundo!... / Mas é infâmia demais... Da etérea plaga / levantai-vos heróis do Novo Mundo... / Andrada! arranca este pendão dos ares! / Colombo! fecha a porta de teus mares!” C) “Na praia deserta que a lua branqueia, / que mimo!, que rosa!, que filha de Deus! / tão pálida – ao vê-la meu ser devaneia, / sufoco nos lábios os hálitos meus! / Não corras na areia, / não corras assim! / Donzela, aonde vais? / Tem pena de mim!” D) “Que sonhas, virgem, nos sonhos / que à mente te vêm risonhos / na primavera inda em flor? / No celeste davaneio / no docer bater do seio / que sonhas, virgem, amor?” E) “Sombras do vale, noites da montanha, / que minha alma cantou e amava tanto, / protegei o meu corpo abandonado /e no silêncio derramai-lhe canto! /// Mas quando preludia ave d’aurora / e, quando à meia-noite, o céu repousa, / arvoredos do bosque, abri os ramos... / deixai a lua prantear-me a lousa!”
  • 69. Nessa passagem, o eu lírico, de modo passivo, depara a aproximação da morte e, como último gesto, supica à natureza que o acolha nesse infortúnio.
  • 70. QUESTÃO 17 Castro Alves, contrariando a tendência natural a seus contemporâneos, cantou a mulher palpável, sensual, e o amor enquanto experiência da carne: "Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos,/ treme tua alma, como a lira ao vento,/ das teclas de teu seio que harmonias/ que escala de suspiros, bebo atento!”. Com isso ia de encontro aos valores morais de seu tempo, conforme a opção: A) Amei outrora com amor bem santo Os negros olhos de gentil donzela, Mas dessa fronte de sublime encanto Outro tirou a virginal capela.
  • 71. B) Uma noite, eu me lembro.... Ela dormia Numa rede encostada molemente... Quase aberto o roupão... solto o cabelo E o pé descalço no tapete rente. 'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste Exalavam as silvas da campina... E ao longe, num pedaço do horizonte, Via-se a noite plácida e divina.
  • 72. C) Ó anjo do meu Deus, se nos meus sonhos A promessa do amor me não mentia, Concede um pouco ao infeliz poeta Uma hora de ilusão que o embebia!
  • 73. D) A flor dos meus sonhos é moça bonita Qual flor entreaberta do dia ao raiar; Mas onde ela mora, que casa ela habita, Não quero, não posso, não devo contar.
  • 74. E) É ela! É ela! – murmurou tremendo E o eco ao longe murmurou – é ela! Eu a vi minha fada aérea e pura – A minha lavadeira na janela.
  • 75. A) Amei outrora com amor bem santo Os negros olhos de gentil donzela, Mas dessa fronte de sublime encanto Outro tirou a virginal capela. D) A flor dos meus sonhos é moça bonita Qual flor entreaberta do dia ao raiar; Mas onde ela mora, que casa ela habita, Não quero, não posso, não devo contar. B) Uma noite, eu me lembro.... Ela dormia Numa rede encostada molemente... Quase aberto o roupão... solto o cabelo E o pé descalço no tapete rente. (...) C) Ó anjo do meu Deus, se nos meus sonhos A promessa do amor me não mentia, Concede um pouco ao infeliz poeta Uma hora de ilusão que o embebia! E) É ela! É ela! – murmurou tremendo E o eco ao longe murmurou – é ela! Eu a vi minha fada aérea e pura – A minha lavadeira na janela.
  • 76. A) Amei outrora com amor bem santo Os negros olhos de gentil donzela, Mas dessa fronte de sublime encanto Outro tirou a virginal capela. D) A flor dos meus sonhos é moça bonita Qual flor entreaberta do dia ao raiar; Mas onde ela mora, que casa ela habita, Não quero, não posso, não devo contar. B) Uma noite, eu me lembro.... Ela dormia Numa rede encostada molemente... Quase aberto o roupão... solto o cabelo E o pé descalço no tapete rente. (...) C) Ó anjo do meu Deus, se nos meus sonhos A promessa do amor me não mentia, Concede um pouco ao infeliz poeta Uma hora de ilusão que o embebia! E) É ela! É ela! – murmurou tremendo E o eco ao longe murmurou – é ela! Eu a vi minha fada aérea e pura – A minha lavadeira na janela.
  • 77. Castro Alves, com tal procedimento, afasta-se da tendência geral de seus contemporâneos, uma vez que estes cantavam a mulher impossível.
  • 78. QUESTÃO 18 A partir de temas sociais e libertários, o Condoreirismo de Castro Alves reflete as lutas internas do Brasil Imperial, principalmente a partir da Segunda metade do reinado de D. Pedro II. A poesia tem uma linguagem eloqüente, grandiosa, com metáforas arrebatadas e comparações arrojadas. Marcar a opção em que isso se expressa, considerando que todos os versos são de Castro Alves: (ALVES, Castro. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1976) A) “Não sabes, criança? ‘Stou louco de amores.../ prendi meus afetos, formosa Pepita. / Mas onde? No templo, no espaços, nas névoas?! / Não rias, prendi-me / num laço de fita” (p.84) B) “Ai, pobre coração! Assim vazio, / é frio, / sem guardar a lembrança de um amor! / Nada em teus seios os dias hão deixado!... / É fado? / Nem relíquias de um sonho encantador?” (p. 500) C) “Era a hora em que a tarde se debruça / lá da crista das serras mais remotas... / E d’araponga o canto, que soluça, / acorda os ecos nas sombrias grotas...” (p. 313) D) “ Minha mãe, a noite é fria, / desce a neblina sombria, / geme o riacho no val / e a bananeira farfalha, / como o som de uma mortalha / que rasga o gênio do mal.” (p.250) E) “Qual Prometeu, Tu me amarraste, um dia, / do deserto na rubra penedia / infinito galé!... / Por abutre, me deste o sol ardente, / e a terra de Suez foi a corrente / que me ligaste ao pé!...” (p. 290 )
  • 79. QUESTÃO 18 A partir de temas sociais e libertários, o Condoreirismo de Castro Alves reflete as lutas internas do Brasil Imperial, principalmente a partir da Segunda metade do reinado de D. Pedro II. A poesia tem uma linguagem eloqüente, grandiosa, com metáforas arrebatadas e comparações arrojadas. Marcar a opção em que isso se expressa, considerando que todos os versos são de Castro Alves: (ALVES, Castro. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1976) A) “Não sabes, criança? ‘Stou louco de amores.../ prendi meus afetos, formosa Pepita. / Mas onde? No templo, no espaços, nas névoas?! / Não rias, prendi-me / num laço de fita” (p.84) B) “Ai, pobre coração! Assim vazio, / é frio, / sem guardar a lembrança de um amor! / Nada em teus seios os dias hão deixado!... / É fado? / Nem relíquias de um sonho encantador?” (p. 500) C) “Era a hora em que a tarde se debruça / lá da crista das serras mais remotas... / E d’araponga o canto, que soluça, / acorda os ecos nas sombrias grotas...” (p. 313) D) “ Minha mãe, a noite é fria, / desce a neblina sombria, / geme o riacho no val / e a bananeira farfalha, / como o som de uma mortalha / que rasga o gênio do mal.” (p.250) E) “Qual Prometeu, Tu me amarraste, um dia, / do deserto na rubra penedia / infinito galé!... / Por abutre, me deste o sol ardente, / e a terra de Suez foi a corrente / que me ligaste ao pé!...” (p. 290 )
  • 80. Vejam-se as comparações arrojadas e o tom declamatório.
  • 81. QUESTÃO 19 Uma das principais características do Romantismo é a idealização – quer do herói, quer da mulher. Tal procedimento permanece, em nossa contemporaneidade, em textos como: A) “Quero uma mulher que saiba lavar e cozinhar / Que de manhã cedo me acorde na hora de trabalhar / Só existe uma / E sem ela eu não vivo em paz / Emília, Emília, Emília / Não posso mais” (Wilson Batista & Haroldo Lobo) B) “Eu quero essa mulher assim mesmo: / eu quero, eu quero, essa mulher assim mesmo: / baratinada, embriagada, alucinada, intoxicada, descabelada, desafinada, despenteada, desentoada / eu quero essa mulher assi mesmo”. (Caetano Veloso) C) “Boneca de trapo, pedaço da vida / que vive perdida no mundo a rolar / Farrapo de gente, que inconsciente / peca só por prazer, vive para pecar / Boneca eu te quero, com todo pecado / Com todos os vícios, com tudo afinal / Eu quero esse corpo/ que a plebe deseja, / embora ele seja / prenúncio do mal” (Adelino Moreira). D) “Fonte de mel / Nos olhos de gueixa/ Kabuki, máscara / Choque entre o azul / E o cacho de acácias / Luz das acácias / Você é mãe do sol / A sua coisa é toda tão certa / Beleza esperta / Você me deixa a rua deserta / Quando atravessa/ E não olha pra trás” (Caetano Veloso). E) “Maria, Maria / É um dom, uma certa magia / Uma força que nos alerta / Uma mulher que merece / Viver e amar / Como outra qualquer / Do planeta / Maria, Maria / É o som, é a cor, é o suor / É a dose mais forte e lenta / De uma gente que rí / Quando deve chorar/ E não vive, apenas aguenta” (Milton Nascimento & Fernando Brant).
  • 82. QUESTÃO 19 Uma das principais características do Romantismo é a idealização – quer do herói, quer da mulher. Tal procedimento permanece, em nossa contemporaneidade, em textos como: A) “Quero uma mulher que saiba lavar e cozinhar / Que de manhã cedo me acorde na hora de trabalhar / Só existe uma / E sem ela eu não vivo em paz / Emília, Emília, Emília / Não posso mais” (Wilson Batista & Haroldo Lobo) B) “Eu quero essa mulher assim mesmo: / eu quero, eu quero, essa mulher assim mesmo: / baratinada, embriagada, alucinada, intoxicada, descabelada, desafinada, despenteada, desentoada / eu quero essa mulher assi mesmo”. (Caetano Veloso) C) “Boneca de trapo, pedaço da vida / que vive perdida no mundo a rolar / Farrapo de gente, que inconsciente / peca só por prazer, vive para pecar / Boneca eu te quero, com todo pecado / Com todos os vícios, com tudo afinal / Eu quero esse corpo/ que a plebe deseja, / embora ele seja / prenúncio do mal” (Adelino Moreira). D) “Fonte de mel / Nos olhos de gueixa/ Kabuki, máscara / Choque entre o azul / E o cacho de acácias / Luz das acácias / Você é mãe do sol / A sua coisa é toda tão certa / Beleza esperta / Você me deixa a rua deserta / Quando atravessa/ E não olha pra trás” (Caetano Veloso). E) “Maria, Maria / É um dom, uma certa magia / Uma força que nos alerta / Uma mulher que merece / Viver e amar / Como outra qualquer / Do planeta / Maria, Maria / É o som, é a cor, é o suor / É a dose mais forte e lenta / De uma gente que rí / Quando deve chorar/ E não vive, apenas aguenta” (Milton Nascimento & Fernando Brant).
  • 83. Vejam os atributos com que o eu lírico descreve a mulher numa sequência de metáforas que tornam idealizada, possuída de notas singulares.
  • 84. QUESTÃO 20 Ler, atentamente os textos que se seguem: I – JUCA-PIRAMA No meio das tabas de amenos verdores, Cercadas de troncos - cobertos de flores, Alteiam-se os tetos de altiva nação. (...) São todos Timbiras, guerreiros valentes! Seu nome lá voa na boca das gentes, Condão de prodígios, de glória e terror! (DIAS, Gonçalves. Poemas de Gonçalves Dias. Rio de Janeiro: Ediouro, s/d, p.110).
  • 85. II - ALDEIA GLOBAL No meio das tabas há menos verdores, Não há gentes brabas nem campos de flores. No meio das tabas cercadas de insetos, Pensando nas babas dos analfabetos, Vou chamando as tribos dos sertões gerais, Passando recibos nos vãos de Goiás. Venham os xerente, craôs e crixás, Bororos doentes e xicriabás, E os apinajés, os Carajás roídos, E os tapirapés e os inás perdidos. (TELES, Gilberto Mendonça. A hora aberta. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986, p.193)
  • 86. III - DIAS E DIAS Só descobri que eram belos os índios, seus adornos, seus costumes, quando li as composições de Antonio, “1-Juca-Pirama”, “Leito de folhas verdes”, “Marabá”, tão encantadoramente líricas, que falam no índio gentil, nos moços inquietos enamorados da festa, índios que às vezes são rudos e severos mas atendem meigos à voz do cantor, aprendi que mesmo o sacrifício da morte e do canibalismo é, Deus me perdoe, uma insígnia d’honra, percebi que eles sofrem, se enternecem, sentem fome, choram, receiam morrer, perdem-se nas matas, tateiam as trevas da noite lúgubre e medonha, são como nós, só que mais bravos, entendi a nobreza que existe na guerra das tribos, nas suas façanhas de bravos, no canto da flecha, e nas raivas sagradas, e descobri que eu e eles até somos parecidos ao menos numa coisa: os índios acordam com o estado de espírito do sonho que tiveram na noite (MIRANDA, ANA. Dias e dias. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 30).
  • 87. A leitura comparativa desses três textos nos indica que: A) Apontam como nota comum à temática indianista: o índio retratado em sua grandeza moral e física, como símbolo maior da nacionalidade brasileira. B) O texto romântico difere dos textos pós-modernos, uma vez que estes mostram os malefícios que lhes causaram os contatos com a civilização. C) Estão enquadrados no gênero épico, pois constituem narrativas de feitos heroicos, vivenciados por homens e situações idealizados. D) São porta-vozes dos indígenas que foram massacrados pelo processo de civilização, denunciando, assim, a dissolução de suas culturas. E) A abordagem da temática faz com que, na construção dos indígenas, os autores ponham a imaginação acima da razão, num ponto de vista subjetivo.
  • 88. A leitura comparativa desses três textos nos indica que: A) Apontam como nota comum à temática indianista: o índio retratado em sua grandeza moral e física, como símbolo maior da nacionalidade brasileira. B) O texto romântico difere dos textos pós-modernos, uma vez que estes mostram os malefícios que lhes causaram os contatos com a civilização. C) Estão enquadrados no gênero épico, pois constituem narrativas de feitos heroicos, vivenciados por homens e situações idealizados. D) São porta-vozes dos indígenas que foram massacrados pelo processo de civilização, denunciando, assim, a dissolução de suas culturas. E) A abordagem da temática faz com que, na construção dos indígenas, os autores ponham a imaginação acima da razão, num ponto de vista subjetivo.
  • 89. Gonçalves Dias é romântico e idealiza o índio, vestindo-se de atos heroicos; Gilberto Mendonça Teles e Ana Miranda, pósmodernos, apontam a desestruturação da cultura indígena, sua desfiguração.
  • 90. QUESTÃO 21 QUINCAS BORBA Rubião fitava a enseada, — eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade. -Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça... (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Scipione, 1994.).
  • 91. Essa passagem do romance Quincas Borba indica uma marca da escritura realista: A) Interpretação fria e objetiva dos valores que regem a vida social. B) Contraponto entre a vida e a morte – esta,símbolo de corrosão. C) Relação entre a natureza e os estados d’alma da personagem. D) Império da emoção sobre os elementos que ditam a razão. E) Supremacia do indivíduo sobre o interesse da coletividade.
  • 92. Essa passagem do romance Quincas Borba indica uma marca da escritura realista: A) Interpretação fria e objetiva dos valores que regem a vida social. B) Contraponto entre a vida e a morte – esta,símbolo de corrosão. C) Relação entre a natureza e os estados d’alma da personagem. D) Império da emoção sobre os elementos que ditam a razão. E) Supremacia do indivíduo sobre o interesse da coletividade.
  • 93. A personagem interpreta a morte da irmã como uma fonte de lucro: herdou tudo o que era de seu futuro cunhado.
  • 94. QUESTÃO 22 DOM CASMURRO José Dias amava os superlativos. Era um modo de dar feição monumental às ideias; não as havendo, servia a prolongar as frases. Levantou-se para ir buscar o gamão, que estava no interior da casa. Cosi-me muito à parede, e vio passar com as suas calças brancas engomadas, presilhas, rodaque e gravata de mola. Foi dos últimos que usaram presilhas no Rio de Janeiro, e talvez neste mundo. Trazia as calças curtas para que lhe ficassem bem esticadas. A gravata de cetim preto, com um aro de aço por dentro, imobilizava-lhe o pescoço; era então moda. O rodaque de chita, veste caseira e leve, parecia nele uma casaca de cerimônia. Era magro, chupado, com um princípio de calva; teria os seus cinquenta e cinco anos. Levantou-se com o passo vagaroso do costume, não aquele vagar arrastado dos preguiçosos, mas um vagar calculado e deduzido, um silogismo completo, a premissa antes da consequência, a consequência antes da conclusão. Um dever amaríssimo! (ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. São Paulo: Scipione, 1996.)
  • 95. DOM CASMURRO José Dias amava os superlativos. Era um modo de dar feição monumental às ideias; não as havendo, servia a prolongar as frases. Levantou-se para ir buscar o gamão, que estava no interior da casa. Cosi-me muito à parede, e vio passar com as suas calças brancas engomadas, presilhas, rodaque e gravata de mola. Foi dos últimos que usaram presilhas no Rio de Janeiro, e talvez neste mundo. Trazia as calças curtas para que lhe ficassem bem esticadas. A gravata de cetim preto, com um aro de aço por dentro, imobilizava-lhe o pescoço; era então moda. O rodaque de chita, veste caseira e leve, parecia nele uma casaca de cerimônia. Era magro, chupado, com um princípio de calva; teria os seus cinquenta e cinco anos. Levantou-se com o passo vagaroso do costume, não aquele vagar arrastado dos preguiçosos, mas um vagar calculado e deduzido, um silogismo completo, a premissa antes da consequência, a consequência antes da conclusão. Um dever amaríssimo! (ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. São Paulo: Scipione, 1996.)
  • 96. Aos realistas interessa, antes de tudo, o retrato fiel da vida cotidiana. Nesse fragmento do romance Dom Casmurro, tal intento foi obtido através da seguinte característica: A) Investigação psicológica, demarcando, desse modo,as fronteiras entre o ter e o haver. B) Máscara social: o indivíduo, para sobrevivência, esconde a verdadeira identidade. C) Cronologia: a demarcação do tempo permite uma construção singular da personagem. D) Narrativa lenta: a reunião de datalhes constrói a imagem física e psíquica da personagem. E) Obetividade: a presença da adjetivação intensifica o estado emocional da personagem.
  • 97. Aos realistas interessa, antes de tudo, o retrato fiel da vida cotidiana. Nesse fragmento do romance Dom Casmurro, tal intento foi obtido através da seguinte característica: A) Investigação psicológica, demarcando, desse modo,as fronteiras entre o ter e o haver. B) Máscara social: o indivíduo, para sobrevivência, esconde a verdadeira identidade. C) Cronologia: a demarcação do tempo permite uma construção singular da personagem. D) Narrativa lenta: a reunião de datalhes constrói a imagem física e psíquica da personagem. E) Obetividade: a presença da adjetivação intensifica o estado emocional da personagem.
  • 98. Há o retrato minucioso da personagem: a roupa, os gestos, o caráter.
  • 99. QUESTÃO 23 MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem... (ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Scipione, 1994.)
  • 100. Ao dialogar com o leitor, o narrador pretende convencê-lo de que o estilo realista: A) Primando pela eloquência, visa apreender a essência das coisas, numa análise profunda do mundo e dos seres. B) Foge às narrativas que primam pela ordenação dos episódios, pelo registro de aventuras, de muitas ações. C) Sendo uma maneira nova de construir ficções, procura mostrar-se hermética, de difícil compreensão. D) Tendo um espírito anarquista, comporta-se de maneira anárquica, destruindo antigos valores. E) Deseja, ao imitar o comportamento dos ébrios, ridicularizar crenças e atitudes individuais ou sociais.
  • 101. Ao dialogar com o leitor, o narrador pretende convencê-lo de que o estilo realista: A) Primando pela eloquência, visa apreender a essência das coisas, numa análise profunda do mundo e dos seres. B) Foge às narrativas que primam pela ordenação dos episódios, pelo registro de aventuras, de muitas ações. C) Sendo uma maneira nova de construir ficções, procura mostrar-se hermética, de difícil compreensão. D) Tendo um espírito anarquista, comporta-se de maneira anárquica, destruindo antigos valores. E) Deseja, ao imitar o comportamento dos ébrios, ridicularizar crenças e atitudes individuais ou sociais.
  • 102. O Realismo cultiva o tempo psicólogico, o enredo fragmentado, centra-se mais em manifestações do caráter; narra, de modo lento, o banal da realidade.
  • 103. QUESTÃO 24 Texto I O avanço das ciências e o desenvolvimento da tecnologia imprimiram substanciais mudanças no cotidiano do século XIX: crescimento desordenado dos centros urbanos, miséria, riqueza, conflitos de classes. Os artistas, por conta disso, na interpretação da realidade, substituem a subjetividade pela objetividade, e a razão se sobrepõe à imaginação desmedida.
  • 104. Texto II ANTON RUDOLF MAUVE (1838-1888). Óleo sobre tela.
  • 105. Considerando-se os argumentos no texto I e as expressões no texto II, é correto afirmar que: A) Há uma discrepância entre as duas composições, uma vez que defendem estéticas com visões de mundo diferentes. B) Entram em consonância, pois, em cada uma delas, expõem-se os procedimentos das criações do Realismo. C) Ainda que digam respeito a técnicas de construção artística de uma mesmaépoca, não há em II a expressão da contemporaneidade. D) Mostram que cabe aos artistas da época o retrato da realidade, ainda que esta se apresente sob a égide da fantasia. E) Traduzem a essência das composições do Realismo, em especial o retrato do cotidiano marcado por ilogismo.
  • 106. Considerando-se os argumentos no texto I e as expressões no texto II, é correto afirmar que: A) Há uma discrepância entre as duas composições, uma vez que defendem estéticas com visões de mundo diferentes. B) Entram em consonância, pois, em cada uma delas, expõem-se os procedimentos das criações do Realismo. C) Ainda que digam respeito a técnicas de construção artística de uma mesmaépoca, não há em II a expressão da contemporaneidade. D) Mostram que cabe aos artistas da época o retrato da realidade, ainda que esta se apresente sob a égide da fantasia. E) Traduzem a essência das composições do Realismo, em especial o retrato do cotidiano marcado por ilogismo.
  • 107. Em vez da idealização da realidade, existe a captação de seus momentos mais deprimentes: o progesso nos transportes implicou, também, uma separação de classes.
  • 108. QUESTÃO 25 TEXTO I Acha-se ali sozinha e sentada ao piano uma bela e nobre figura de moça. As linhas do perfil desenham-se distintamente entre o ébano da caixa do piano, e as bastas madeixas ainda mais negras do que ele. São tão puras e suaves essas linhas, que fascinam os olhos, enlevam a mente, e paralisam toda análise. A tez é como o marfim do teclado, alva que não deslumbra, embaçada por uma nuança delicada, que não sabereis dizer se é leve palidez ou cor-de-rosa desmaiada. O colo donoso e do mais puro lavor sustenta com graça inefável o busto maravilhoso. Os cabelos soltos e fortemente ondulados se despenham caracolando pelos ombros em espessos e luzidios rolos, e como franjas negras escondiam quase completamente o dorso da cadeira, a que se achava recostada. Na fronte calma e lisa como mármore polido, a luz do ocaso esbatia um róseo e suave reflexo; di-la-íeis misteriosa lâmpada de alabastro guardando no seio diáfano o fogo celeste da inspiração. (GUIMARÃES, Bernardo. A Escrava Isaura. Fortaleza: Verdes Mares, 1998, p. 11.).
  • 109. TEXTO II Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Erabonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação. Era isto Virgília, e era clara, muito clara, faceira, ignorante, pueril, cheia de uns ímpetos misteriosos; muita preguiça e alguma devoção, - devoção, ou talvez medo; creio que medo. (ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. In:Obra completa. Vol. I. Rio deJaneiro: Nova Aguilar, 1997, p. 549) VOCABULÁRIO – Faceira: vaidosa, elegante; Pueril: infantil, imatura; Voluntariosa: capichosa.
  • 110. Os autores na construção de seus perfis femininos: A) Comungam da mesma visão de mundo, cultivando idênticos valores. B) Tecemum contraponto entre idealização e captação do real. C) Deformam a imagem da mulher como estratégia estética. D) Apontam uma associação entre traços físicos e psicológicos. E) Mostram a mulher como fonte de sedução e de perdição.
  • 111. Os autores na construção de seus perfis femininos: A) Comungam da mesma visão de mundo, cultivando idênticos valores. B) Tecemum contraponto entre idealização e captação do real. C) Deformam a imagem da mulher como estratégia estética. D) Apontam uma associação entre traços físicos e psicológicos. E) Mostram a mulher como fonte de sedução e de perdição.
  • 112. O primeiro texto é romântico; o segundo, realista.
  • 113. QUESTÃO 26 O CORTIÇO Passaram-se semanas. Jerônimo tomava agora, todas as manhãs, uma xícara de café bem grosso, à moda de Ritinha, e tragava dois dedos de parati ‘pra cortar a friagem’. Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava lentamente: fazia-se contemplativo e amoroso. [...] esquecia- se dos seus primitivos sonhos de ambição para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; tornava-se liberal, imprevidente e franco, mais amigo de gastar que de guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos prazeres, e volvia-se preguiçoso resignando-se, vencido, às imposições do sol e do calor, muralha de fogo com que o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores aventureiros... (AZEVEDO, ALUÍSIO. O cortiço. São Paulo: Ática, 1994).
  • 114. Assinale a alternativa incorreta: A) Tal passagem ilustra o processo de abrasileiramento de Jerônimo, uma das personagens centrais do romance. B) O fato de Jerônimo tornar-se contemplativo e amoroso é visto como sinal de sua progressiva perda de ambição, algo que o caracterizava quando de sua chegada ao Brasil. C) A expressão “pra cortar a friagem” destaca-se como dito popular, referindo-se ao hábito de ingerir doses de aguardente para vencer o frio matinal. D) Há uma idealização do caráter brasileiro por meio da assimilação, por parte deJerônimo, de virtudes como a franqueza e a liberalidade. E) A oração “muralha de fogo com que o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores aventureiros” é uma forma jocosa de sugerir como as condições climáticas do sudeste brasileiro conduzemfacilmente à indolência.
  • 115. Assinale a alternativa incorreta: A) Tal passagem ilustra o processo de abrasileiramento de Jerônimo, uma das personagens centrais do romance. B) O fato de Jerônimo tornar-se contemplativo e amoroso é visto como sinal de sua progressiva perda de ambição, algo que o caracterizava quando de sua chegada ao Brasil. C) A expressão “pra cortar a friagem” destaca-se como dito popular, referindo-se ao hábito de ingerir doses de aguardente para vencer o frio matinal. D) Há uma idealização do caráter brasileiro por meio da assimilação, por parte deJerônimo, de virtudes como a franqueza e a liberalidade. E) A oração “muralha de fogo com que o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores aventureiros” é uma forma jocosa de sugerir como as condições climáticas do sudeste brasileiro conduzemfacilmente à indolência.
  • 116. Na visão naturalista, o homem é produto do meio; assim, Jerônimo, pouco a pouco, foi assimilando os vícios da nova terra: a indolência, o álcool, a luxúria etc.
  • 117. QUESTÃO 27 O ATENEU Os companheiros de classe eram cerca de vinte; uma variedade de tipos que me divertia. O Gualtério, miúdo, redondo de costas, cabelos revoltos, motilidade brusca e caretas de símio — palhaço dos outros, como dizia o professor; o Nascimento, o Bicanca, alongado por um modelo geral de pelicano, nariz esbelto, curvo e largo como uma foice; o Álvares, moreno, cenho carregado, cabeleira espessa e intonsa de vate de taverna, violento e estúpido, que Mânlio atormentava, designando-o para o mister das plataformas de bonde, com a chapa numerada dos recebedores, mais leve de carregar que a responsabilidade dos estudos; o Almeidinha, claro, translúcido, rosto de menina, faces de um rosa doentio, que se levantava para ir à pedra com um vagar lânguido de convalescente; o Maurílio, nervoso, insofrido, fortíssimo em tabuada: cinco vezes três, vezes dois, noves fora, vezes sete?... Lá estava Maurílio, trêmulo, sacudindo no ar o dedinho esperto... Olhos fúlgidos,rosto moreno, marcado por uma pinta na testa. (POMPEIA, Raul. O Ateneu. São Paulo: Ática, 1990.).
  • 118. O romance O Ateneu é uma crítica amarga à estrutura social, atravésda decomposição do sistema educacional, sendo o ambiente escolar um espaço em que se desenvolvem vícios e valores deploráveis. Nesse fragmento de capítulo, ao apresentar os companheiros de classe, o autor se serve do seguinte recurso: A) Caricatura: os traços físicos associam-se aos do caráter. B) Impassibilidade: ausência de juízos de valor. C) Imaginação: retrato construído de modo fantasioso. D) Observação direta: colheita de seres virtuosos. E) Reiteração de imagens: os alunos não têm singularidades.
  • 119. O romance O Ateneu é uma crítica amarga à estrutura social, atravésda decomposição do sistema educacional, sendo o ambiente escolar um espaço em que se desenvolvem vícios e valores deploráveis. Nesse fragmento de capítulo, ao apresentar os companheiros de classe, o autor se serve do seguinte recurso: A) Caricatura: os traços físicos associam-se aos do caráter. B) Impassibilidade: ausência de juízos de valor. C) Imaginação: retrato construído de modo fantasioso. D) Observação direta: colheita de seres virtuosos. E) Reiteração de imagens: os alunos não têm singularidades.
  • 120. Ao ampliar formas, ao realizar associações, o narrador expõeos tipos retratados ao ridículo – meio pelo qual decompõe a própria sociedade.
  • 121. QUESTÃO 28 A estética realista, em consonância com as transformações de ordem social, política, econômica e científica, delineadoras da visão de mundo que se inscreve a partir da segunda metade do século XIX, com a implantação definitiva da ordem burguesa, apresenta: A) Individualismo exacerbado: as temáticas giram em torno dos problemas do eu, da interioridade. B) Refinamento formal: a escolha vocabular visa atender aos apelos de uma sociedade refinada. C) Impessoalidade: o artista, à semelhança de um cientista, deve, racionalmente, encarar o tema. D) Vaguidade: é preciso, na captação dos movimentos cotidianos, considerar fatores abstratos e subjetivos. E) Sincretismo: a análise da realidade exige do artista uma abertura em relação às experiêmncias anteriores.
  • 122. A estética realista, em consonância com as transformações de ordem social, política, econômica e científica, delineadoras da visão de mundo que se inscreve a partir da segunda metade do século XIX, com a implantação definitiva da ordem burguesa, apresenta: A) Individualismo exacerbado: as temáticas giram em torno dos problemas do eu, da interioridade. B) Refinamento formal: a escolha vocabular visa atender aos apelos de uma sociedade refinada. C) Impessoalidade: o artista, à semelhança de um cientista, deve, racionalmente, encarar o tema. D) Vaguidade: é preciso, na captação dos movimentos cotidianos, considerar fatores abstratos e subjetivos. E) Sincretismo: a análise da realidade exige do artista uma abertura em relação às experiêmncias anteriores.
  • 123. No Realismo, a razão supera qualquer intervenção de sentimentos ou de emoções.
  • 124. QUESTÃO 29 TEXTO I (GUSTAVE COUBET Os quebradores de pedras, óleo sobre tela, 1849.).
  • 125. TEXTO II A labutação continuava. As lavadeiras tinham já ido almoçar e tinham voltado de novo para o trabalho. Agora estavam todas de chapéu de palha, apesar das toldas que se armaram. Um calor de cáustico mordia-lhes os toutiços em brasa e cintilantes de suor. Um estado febril apoderava-se delas naquele rescaldo; aquela digestão feita ao sol fermentava-lhes o sangue. A Machona altercava com uma preta que fora reclamar um par de meias e destrocar uma camisa; a Augusta, muito mole sobre a sua tábua de lavar, parecia derreter-se como sebo; a Leocádia largava de vez em quando a roupa e o sabão para coçar as comichões do quadril e das virilhas, assanhadas pelo mormaço;a Bruxa monologava, resmungando numa insistência de idiota, ao lado da Marciana que, com o seu tipo de mulata velha, um cachimbo ao canto da boca, cantava toadas monótonas do sertão. (AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. São Paulo: Ática, 1994, p. 42).
  • 126. A leitura desses dois textos nos permite inferir, corretamente, que: A) O texto de Aluísio Azevedo, ao contrário de pintura de Coubet, valoriza o exotismo do trabalho manual, através do qual o homem ambiciona riquezas. B) Ambas as composições espelham uma realidade social, na qual o trabalho é fonte de exploração, e, assim, o homem se transforma em instrumento de alienação. C) Nas duas composições, destaca-se a figura do trabalhador rural, e este vive em perfeita harmonia com os elementos da paisagem circundante. D) A partir de recursos verbais e não verbais, os autores idealizam a realidade em que o trabalho implica um caminho para a felicidade e realização. E) A expressão artística se faz anunciar tão-somente na pintura de Coubet, uma vez que Aluísio Azevedo, na denúncia social, serve-se de linguagem jornalística.
  • 127. A leitura desses dois textos nos permite inferir, corretamente, que: A) O texto de Aluísio Azevedo, ao contrário de pintura de Coubet, valoriza o exotismo do trabalho manual, através do qual o homem ambiciona riquezas. B) Ambas as composições espelham uma realidade social, na qual o trabalho é fonte de exploração, e, assim, o homem se transforma em instrumento de alienação. C) Nas duas composições, destaca-se a figura do trabalhador rural, e este vive em perfeita harmonia com os elementos da paisagem circundante. D) A partir de recursos verbais e não verbais, os autores idealizam a realidade em que o trabalho implica um caminho para a felicidade e realização. E) A expressão artística se faz anunciar tão-somente na pintura de Coubet, uma vez que Aluísio Azevedo, na denúncia social, serve-se de linguagem jornalística.
  • 128. Os realistas apresentam uma atitude contrária aos ideais capitalistas e burgueses; comumente, denunciam o trabalho como fonte de alienação e de exploração dos miseráveis pelos que detêm os modos de produção.
  • 129. QUESTÃO 30 ASPECTO DE UMA LEITURA DE COM CASMURRO A tortura ciumenta de Bentinho em Dom Casmurro lembra a de Prometeu, supliciado por uma águia, como amante infeliz, que a partir do século XVI incorporou-se à simbologia amorosa. Mais que causa, em Machado, importa o efeito. O rompimento dessa lei de causalidade engendra outro real no real. [...] Há um riso oculto, condoído na ironia. (NEJAR, Carlos. História da literatura brasileira – da carta de Caminha aos contemporâneos. São Paulo: Leya, 2011).
  • 130. Com relação ao interesse do narrador, no romance realista, em construir um retrato profundo da personagem, é correto afirmar que: A) As narrativas realistas só encontram motivos nos espaços urbanos, uma vez que a complexidade das personagens decorre da vida caótica nas metrópoles do século XIX. B) Machado de Assis, investigador da alma humana, valoriza, na construção das personagens, as ondulações psicológicas, as razões internas do comportamento. C) Machado de Assis coloca em destaque a formação do homem moderno, preso a motivos fúteis, dominado por sentimentos absurdos, sem rosto definido na vida social. D) No romance realista, o ponto de vista que ganha realce é o dos oprimidos, quer por motivos econômicos, quer por razões sentimentais – o amor é o fio condutor da existência. E) Machado de Assis procura mostrar, em seus romances urbanos, a degradação dos altos sentimentos – motivo pelo qual as personagens são entregues à infelicidade.
  • 131. Com relação ao interesse do narrador, no romance realista, em construir um retrato profundo da personagem, é correto afirmar que: A) As narrativas realistas só encontram motivos nos espaços urbanos, uma vez que a complexidade das personagens decorre da vida caótica nas metrópoles do século XIX. B) Machado de Assis, investigador da alma humana, valoriza, na construção das personagens, as ondulações psicológicas, as razões internas do comportamento. C) Machado de Assis coloca em destaque a formação do homem moderno, preso a motivos fúteis, dominado por sentimentos absurdos, sem rosto definido na vida social. D) No romance realista, o ponto de vista que ganha realce é o dos oprimidos, quer por motivos econômicos, quer por razões sentimentais – o amor é o fio condutor da existência. E) Machado de Assis procura mostrar, em seus romances urbanos, a degradação dos altos sentimentos – motivo pelo qual as personagens são entregues à infelicidade.
  • 132. A ação pouco importa, mas o que decorre dos atos humanos: Bentinho é, antes de tudo, vítima de si mesmo, da fraqueza em encarar pequenos problemas cotidianos.
  • 133. QUESTÃO 31 TEXTO I HONORÉ DAUMIER.
  • 134. TEXTO II LUZIA-HOMEM Os míseros pequenos, estatelados ao tantálico suplício da contemplação dessas gulodices, atiravam-se às cascas de frutas lançadas ao chão, e se enovelavam, na disputa desses resíduos misturados com terra, em ferozes pugilatos. Era indispensável ativa vigilância para não serem assaltadas e devoradas as provisões à venda, pela horda de meninos, que não falavam; não sabiam mais chorar, nem sorrir, e cujos rostos, polvilhados de descamações cinzentas, sem músculos, tinham a imobilidade de couro curtido. Quando contrariados ou afastados pelos mercadores aos empuxões e pontapés, rugiam e mostravam os dentes roídos de escorbuto. (OLÍMPIO, Domingos. Luzia-Homem. Fortaleza: ABC, 1999.). Pugilatos: lutas. Suplício tantálico: refere-se a Tântalo, condenado a nunca mais saciar a fome ou a sede, ainda que estivesse diante de um vale abundante em vegetação e água; ao sofrimento daquele que deseja algo aparentemente próximo, porém, inalcançável.
  • 135. Essas duas composições têm em comum o fato de que: A) Refletem sobre a tendência natural do homem à violência. B) Consideram a pobreza uma condição social imutável. C) Aproximam os seres humanos do comportamento animal. D) Desenvolvem o tema da doença como degração do ser. E) Indicam o contraste, no capitalismo, entre as classes sociais.
  • 136. Essas duas composições têm em comum o fato de que: A) Refletem sobre a tendência natural do homem à violência. B) Consideram a pobreza uma condição social imutável. C) Aproximam os seres humanos do comportamento animal. D) Desenvolvem o tema da doença como degração do ser. E) Indicam o contraste, no capitalismo, entre as classes sociais.
  • 137. O comportamento das personagens – no quadro e no texto – imprime-se pela prática da violência, da perda da humanidade.
  • 138. QUESTÃO 32 MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS Quem quer que fosse, porém, o pai, letrado ou hortelão, a verdade é que Marcela não possuía a inocência rústica, e mal chegava a entender a moral do código. Era boa moça, lépida, sem escrúpulos, um pouco tolhida pela austeridade do tempo, que lhe não permitia arrastar pelas ruas os seus estouvamentos e berlindas; luxuosa, impaciente, amiga de dinheiro e de rapazes. Naquele ano morria de amores por um certo Xavier, sujeito abastado e tísico, – uma pérola. (ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática,1999. p. 40.)
  • 139. A partir desta passagem, é correto afirmar que: A) Marcela, diferentemente das figuras femininas típicas do Romantismo, tinha uma visão idealizada do amor. B) o narrador do romance faz elogios a Marcela ao afirmar que ela não possui a inocência rústica e que é uma mulher luxuosa. C) a relação entre Marcela e Xavier é um exemplo da visão de amor que predomina no romance. D) Brás Cubas teve grandes dificuldades para conquistar Marcela, uma vez que ela estava apaixonada por Xavier.
  • 140. A partir desta passagem, é correto afirmar que: A) Marcela, diferentemente das figuras femininas típicas do Romantismo, tinha uma visão idealizada do amor. B) o narrador do romance faz elogios a Marcela ao afirmar que ela não possui a inocência rústica e que é uma mulher luxuosa. C) a relação entre Marcela e Xavier é um exemplo da visão de amor que predomina no romance. D) Brás Cubas teve grandes dificuldades para conquistar Marcela, uma vez que ela estava apaixonada por Xavier.
  • 141. Observar o modo irônico como trata a relação amorosa.
  • 142. QUESTÃO 33 Releia o fragmento de O cortiço, com especial atenção aos dois trechos a seguir: “Ninguém se conhecia naquela zumba de gritos sem nexo, e choro de crianças esmagadas, e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero.” (...) “E começou a aparecer água. Quem a trouxe? Ninguém sabia dizê-lo; mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas.”
  • 143. Nesse fragmento, rico em efeitos descritivos e soluções literárias que configuram imagens plásticas no espírito do leitor, Aluísio Azevedo apresenta características psicológicas de comportamento comunitário. Aponte a alternativa que explicita o que os dois trechos têm em comum: A) Preocupação de um em relação à tragédia do outro, no primeiro trecho, e preocupação de poucos em relação à tragédia comum, no segundo trecho. B) Desprezo de uns pelos outros, no primeiro trecho, e desprezo de todos por si próprios, no segundo trecho. C) Angústia de um não poder ajudar o outro, no primeiro trecho, e angústia de não se conhecer o outro, por quem se é ajudado, no segundo trecho. D) Desespero que se expressa por murmúrios, no primeiro trecho, e desespero que se expressa por apatia, no segundo trecho. E) Anonimato da confusão e do “salve-se quem puder”, no primeiro trecho, e anonimato da cooperação e do “todos por todos”, no segundo trecho.
  • 144. Nesse fragmento, rico em efeitos descritivos e soluções literárias que configuram imagens plásticas no espírito do leitor, Aluísio Azevedo apresenta características psicológicas de comportamento comunitário. Aponte a alternativa que explicita o que os dois trechos têm em comum: A) Preocupação de um em relação à tragédia do outro, no primeiro trecho, e preocupação de poucos em relação à tragédia comum, no segundo trecho. B) Desprezo de uns pelos outros, no primeiro trecho, e desprezo de todos por si próprios, no segundo trecho. C) Angústia de um não poder ajudar o outro, no primeiro trecho, e angústia de não se conhecer o outro, por quem se é ajudado, no segundo trecho. D) Desespero que se expressa por murmúrios, no primeiro trecho, e desespero que se expressa por apatia, no segundo trecho. E) Anonimato da confusão e do “salve-se quem puder”, no primeiro trecho, e anonimato da cooperação e do “todos por todos”, no segundo trecho.
  • 145. O fato de ninguém se reconher aponta a confusão e o desespero pela sobrevivência;quem os ajudou ficou no anonimato: ninguém sabia dizê-lo.
  • 146. QUESTÃO 34 De acordo com as teses que sustentavam a visão de mundo dos escritores naturalistas, o ser humano carrega, dentro de si mesmo, instintos hereditários, que, a qualquer momento, hão de ser vivenciados,através de atos de luxúria, tara e demais manifestações dos desejos da carne. O indivíduo não passa de um joguete nas mãos das forças fatais do universo. O que se dá na seguinte passagem: A) “... mas eu observei que a adulação nas mulheres não é a mesma coisa que a dos homens. Esta orça pela servilidade; a outra confunde-se com afeição. As formas graciosamente curvas, a palavra doce, a mesma fraqueza física dão à ação lisonjeira da mulher uma cor local, um aspecto legítimo. Não importa a idade do adulado, a mulher há de ter sempre para ele uns ares de mãe ou de irmã, ou ainda de enfermeira." (Machado de Assis). B) "Há dessas lutas terríveis na alma de um homem. Não, ninguém sabe o que se passa no interior de um sobrinho, tendo de chorar a morte de um tio e receber-lhe a herança. Oh, contraste maldito! Aparentemente, tudo se recomporia, desistindo o sobrinho do dinheiro herdado; ah, mas então seria chorar duas coisas: o tio e o dinheiro." (Machado de Assis). C) “A moça fechou as pálpebras, vencida pelo seu delicioso entorpecimento, e estendeu-se de todo no chão, de barriga para o ar, braços e pernas abertas. Adormeceu, começou logo a sonhar... E viu-se nua, toda nua, exposta ao céu, sob a tépida luz de um sol embriagador, que lhe batia de chapa sobre os seios". (Aluísio Azevedo) D) “Estêvão, assentado, com os olhos no teto, parecia entregue às suas memórias, fazia surgir diante dos seus olhos à figura gentil de Guiomar, sentia-lhe o império dos belos olhos castanhos, ouvia-lhe a palavra doce e aveludada entornar-lhe o coração” (Machado de Assis). E) “Ateneu era o grande colégio da época. Afamado por um sistema de nutrida reclame, mantido por um diretor que de tempos a tempos reformava o estabelecimento, pintando-ojeitosamente de novidade, como os negociantes que liquidam pararecomeçar com artigos de última remessa...” (Raul Pompeia).
  • 147. De acordo com as teses que sustentavam a visão de mundo dos escritores naturalistas, o ser humano carrega, dentro de si mesmo, instintos hereditários, que, a qualquer momento, hão de ser vivenciados,através de atos de luxúria, tara e demais manifestações dos desejos da carne. O indivíduo não passa de um joguete nas mãos das forças fatais do universo. O que se dá na seguinte passagem: A) “... mas eu observei que a adulação nas mulheres não é a mesma coisa que a dos homens. Esta orça pela servilidade; a outra confunde-se com afeição. As formas graciosamente curvas, a palavra doce, a mesma fraqueza física dão à ação lisonjeira da mulher uma cor local, um aspecto legítimo. Não importa a idade do adulado, a mulher há de ter sempre para ele uns ares de mãe ou de irmã, ou ainda de enfermeira." (Machado de Assis). B) "Há dessas lutas terríveis na alma de um homem. Não, ninguém sabe o que se passa no interior de um sobrinho, tendo de chorar a morte de um tio e receber-lhe a herança. Oh, contraste maldito! Aparentemente, tudo se recomporia, desistindo o sobrinho do dinheiro herdado; ah, mas então seria chorar duas coisas: o tio e o dinheiro." (Machado de Assis). C) “A moça fechou as pálpebras, vencida pelo seu delicioso entorpecimento, e estendeu-se de todo no chão, de barriga para o ar, braços e pernas abertas. Adormeceu, começou logo a sonhar... E viu-se nua, toda nua, exposta ao céu, sob a tépida luz de um sol embriagador, que lhe batia de chapa sobre os seios". (Aluísio Azevedo) D) “Estêvão, assentado, com os olhos no teto, parecia entregue às suas memórias, fazia surgir diante dos seus olhos à figura gentil de Guiomar, sentia-lhe o império dos belos olhos castanhos, ouvia-lhe a palavra doce e aveludada entornar-lhe o coração” (Machado de Assis). E) “Ateneu era o grande colégio da época. Afamado por um sistema de nutrida reclame, mantido por um diretor que de tempos a tempos reformava o estabelecimento, pintando-ojeitosamente de novidade, como os negociantes que liquidam pararecomeçar com artigos de última remessa...” (Raul Pompeia).
  • 148. Há, também, por parte dos autores naturalistas, o compromisso em registrar o real em sua totalidade: o sexo, como expressão da realidade, deve, sem rodeios, ser explicitado pelo narrador.
  • 149. QUESTÃO 35 O expressionismo se faz presente em: A) DAVID SIQUEIROS
  • 150. b) MAGRITTE
  • 151. c) GEORGES BRAQUE
  • 152. d) RENOIR
  • 153. e) PICASSO
  • 154. a) d) b) e) c)
  • 155. a) d) b) e) c)
  • 156. Em B, temos surralismo; em C, cubismo; em D, impressionismo; e em E, cubismo.
  • 157. QUESTÃO 36 O recurso do emprego de linguagem coloquial ocorre em: A) Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer Porque eu sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura... (PESSOA, Fernado. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983, p. 142)
  • 158. B) O preço do feijão Não cabe no poema. O preço Do arroz Não cabe no poema. Não cabem no o poema o gás A luz,o telefone. (GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2000, p. 162)
  • 159. C) Uma coisa é um país, Outra uma cicatriz. Uma coisa é um país, Outra a abatida cerviz. Uma coisa é um país, Outra esses duros perfis. Deveria eu catar os que sobraram, Os que se arrependeram, Os que sobreviveram em suas tocas E num seminário de erradios ratos Suplicar: - Expliquem-me a mim E ao meu país? (SANT’ANNA, Affonso Romano de. Poesia reunida. Porto Alegre: L& PM, 2004, p. 238)
  • 160. D) Na geometria De Deus Os ângulos Dos ninhos Não têm A simetria Das serpentes O passo da formiga Nunca alcança O horizonte (PINHO, Barros. Poemas para orvalhar o outono. Fortaleza: Premius, 2010, p. 81)
  • 161. E) Eu te gosto, você me gosta desde tempos imemoriais. Eu era grego, você troiana, troiana mas não Helena, Saí do cavalo de pau para matar seu irmão. Matei, brigamos, morremos. Virei soldado romano, perseguidor de cristãos. Na porta da catacumba encontrei-te novamente. Mas quando vi você nua caída na areia do circo e o leão que vinha vindo, dei um pulo desesperado e o leão comeu nós dois. (ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992, p.27).
  • 162. A) Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer Porque eu sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura... D) Na geometria De Deus Os ângulos Dos ninhos Não têm A simetria Das serpentes (...) B) O preço do feijão Não cabe no poema. O preço Do arroz Não cabe no poema. Não cabem no o poema o gás A luz,o telefone. C) Uma coisa é um país, Outra uma cicatriz. E) Eu te gosto, você me gosta desde tempos imemoriais. Eu era grego, você troiana, troiana mas não Helena, Saí do cavalo de pau para matar seu irmão. Matei, brigamos, morremos. (...)
  • 163. A) Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer Porque eu sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura... D) Na geometria De Deus Os ângulos Dos ninhos Não têm A simetria Das serpentes (...) B) O preço do feijão Não cabe no poema. O preço Do arroz Não cabe no poema. Não cabem no o poema o gás A luz,o telefone. C) Uma coisa é um país, Outra uma cicatriz. E) Eu te gosto, você me gosta desde tempos imemoriais. Eu era grego, você troiana, troiana mas não Helena, Saí do cavalo de pau para matar seu irmão. Matei, brigamos, morremos. (...)
  • 164. Vê-se a informalidade na mistura dos pronomes: tu e você; o verbo gostar se torna “transitivo direto”; e “comeu nós dois”
  • 165. QUESTÃO 37 Tendo como referência as características gerais da estética modernista – liberdade de criação, direito permanente à pesquisa estética, presença do cotidiano, ambiguidade, dentre outras – identica-se tal tendência de estilo em: A) Cajueiro pequenino, Carregadinho de flor, À sombra de tuas folhas Venho cantar meu amor. Acompanhado somente Da brisa pelo rumor, Cajueiro pequenino Carregadinho de flor. (GALENO, Juvenal. Lendas e canções populares. In: SECHIN, Antõnio Carlos. Roteiro da poesia brasileira. São Paulo: Global, 2007, p. 144)
  • 166. B) É ela! É ela! – murmurei tremendo, E o eco ao longe murmurou:- é ela! Eu a vi... minha fada aérea e pura – A minha lavadeira na janela! Dessas águas-furtadas onde eu moro Eu a vejo estendendo no telhado Os vestidos de chita, as saias brancas: Eu a vejo e suspiro enamorado! (AZEVEDO, Álvares. Poesias completas. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995, p. 60)
  • 167. C) Esbraseia o Ocidente na agonia O sol... Aves em bando destacados, Por céus de oiro e de púrpura raiados Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia. (CORREIA, Raimundo. Melhores poemas de Raimundo Correia. São Paulo: Global, 2001,p. 39)
  • 168. D) Não sei se é certo ou não o que eu li outro dia, Onde, já não me lembra, ó minha noiva amada: - “A posse faz perder a metade da valia À coisa desejada”. (OLIVEIRA, Alberto de. Poesias. Rio de Janeiro: Garnier, 1906, p. 20)
  • 169. E) Abancado à escrivaninha em São Paulo Na minha casa da rua Lopes Chaves De supetão senti um friúme por dentro. Fiquei trêmulo, muito comovido Com o livro palerma olhando pra mim. Não vê que me lembrei que lá no Norte, Meu Deus! muito longe de mim Na escuridão ativa da noite que caiu Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos, Depois de fazer uma pele com a borracha do dia, Faz pouco se deitou, está dormindo. Esse homem é brasileiro que nem eu. (ANDRADE, Mário de. Poesias completas. São Paulo: Edusp, 1987, p. 183)
  • 170. A) Cajueiro pequenino, Carregadinho de flor, À sombra de tuas folhas Venho cantar meu amor. Acompanhado somente Da brisa pelo rumor, Cajueiro pequenino Carregadinho de flor. B) É ela! É ela! – murmurei tremendo, E o eco ao longe murmurou:- é ela! Eu a vi... minha fada aérea e pura – A minha lavadeira na janela! (...) C) Esbraseia o Ocidente na agonia O sol... Aves em bando destacados, Por céus de oiro e de púrpura raiados Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia. D) Não sei se é certo ou não o que eu li outro dia, Onde, já não me lembra, ó minha noiva amada: - “A posse faz perder a metade da valia À coisa desejada”. (...) E) Abancado à escrivaninha em São Paulo Na minha casa da rua Lopes Chaves De supetão senti um friúme por dentro. Fiquei trêmulo, muito comovido Com o livro palerma olhando pra mim. (...)
  • 171. A) Cajueiro pequenino, Carregadinho de flor, À sombra de tuas folhas Venho cantar meu amor. Acompanhado somente Da brisa pelo rumor, Cajueiro pequenino Carregadinho de flor. B) É ela! É ela! – murmurei tremendo, E o eco ao longe murmurou:- é ela! Eu a vi... minha fada aérea e pura – A minha lavadeira na janela! (...) C) Esbraseia o Ocidente na agonia O sol... Aves em bando destacados, Por céus de oiro e de púrpura raiados Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia. D) Não sei se é certo ou não o que eu li outro dia, Onde, já não me lembra, ó minha noiva amada: - “A posse faz perder a metade da valia À coisa desejada”. (...) E) Abancado à escrivaninha em São Paulo Na minha casa da rua Lopes Chaves De supetão senti um friúme por dentro. Fiquei trêmulo, muito comovido Com o livro palerma olhando pra mim. (...)
  • 172. Em A e B, temos romantismo; em C e D, parnasianismo; em E, modernismo: versos livres, rima branca, imagens cotidianas, linguagem coloquial.
  • 173. QUESTÃO 38 Ler, atentamente, o poema a seguir, de Manuel Bandeira: O BICHO Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão. Não era um gato. Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem. BANDEIRA, Manuel. Poesia completa & prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997, p. 283.
  • 174. Quanto à leitura geral do poema, observar o que se segue, levando em consideração as ideias defendidas pelos modernistas e marca o correto: A) O eu lírico, a partir de uma observação direta da realidade, cultiva a arte pela arte. B) O eu poemático dessacraliza o conteúdo poético, no registo do grotesco no cotidiano. C) O sujeito da escrita, ao realizar uma arte engajada, indo de encontro aos postulados da estética. D) O eu lírico, a partir de imagens vagas, procura denunciar as mazelas sociais de seu tempo. E) O eu poemático pinta as cores da realidade com laivos de imaginação e sentimentalismo.
  • 175. Quanto à leitura geral do poema, observar o que se segue, levando em consideração as ideias defendidas pelos modernistas e marca o correto: A) O eu lírico, a partir de uma observação direta da realidade, cultiva a arte pela arte. B) O eu poemático dessacraliza o conteúdo poético, no registo do grotesco no cotidiano. C) O sujeito da escrita, ao realizar uma arte engajada, indo de encontro aos postulados da estética. D) O eu lírico, a partir de imagens vagas, procura denunciar as mazelas sociais de seu tempo. E) O eu poemático pinta as cores da realidade com laivos de imaginação e sentimentalismo.
  • 176. O cotidiano é apresentado em sua crueza, a poesia cuida do grotesco
  • 177. QUESTÃO 39 DESENVOLVENDO COMPETÊNCIAS LEITURA I Os modernistas defendiam alguns pressupostos para a arte e a vida. Na literatura, adotaram uma linguagem muito mais coloquial; praticaram o verso livre; elegeram novos temas poéticos, bem prosaicos, do dia a dia; valorizaram e trouxeram a cultura popular para dentro da arte tradicional, refundindo tudo; inauguraram, assim, um novo lirismo. Linguagens e Códigos – Literatura / Abril Coleções (Curso Preparatório Enem 2010 Abril; v.11). São Paulo: Abril, 2010, p. 93 MACUMBA DE PAI ZUSÉ Na macumba do Encantado Nêgo véio pai de santo fez mandiga No palacete de Botafogo Sangue de branca virou água Foram vê estava morta! BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997, p.219.
  • 178. Dentre os postulados defendidos pelos modernistas, destaca-se nesse poema: A) Acúmulo de palavras sem ligação evidente entre elas. B) Emprego de maiúsculas para a indicação de símbolos. C) Desdém em relação às expressões de cunho popular. D) Uso de verso metrificado, ainda que sem rimas. E) Incorporação do cotidiano,do prosaico, do grotesco.
  • 179. Dentre os postulados defendidos pelos modernistas, destaca-se nesse poema: A) Acúmulo de palavras sem ligação evidente entre elas. B) Emprego de maiúsculas para a indicação de símbolos. C) Desdém em relação às expressões de cunho popular. D) Uso de verso metrificado, ainda que sem rimas. E) Incorporação do cotidiano,do prosaico, do grotesco.
  • 180. Não há preconceitos quanto aos chamados temas apoéticos; a expressão é coloquial, espontânea.
  • 181. QUESTÃO 40 SONETO Era um cavalo todo feito em lavas recoberto de brasas e de espinhos. Pelas tardes amenas ele vinha e lia o mesmo livro que eu folheava. Depois lambia a página, e apagava a memória dos versos mais doridos; então a escuridão cobria o livro, e o cavalo de fogo se encantava. Bem se sabia que ele ainda ardia na salsugem do livro subsistido e transformado em vagas sublevadas. Bem se sabia: o livro que ele lia era a loucura do homem agoniado em que o íncubo cavalo se nutria. (LIMA, Jorge de. Antologia poética. Rio de Janeiro: José Olympio: 1969, p.173)
  • 182. Apontar a opção cujo texto aponte as mesmas concepções de arte desse soneto de Jorge de Lima, conforme as orientações estéticas do momento histórico de sua composição: A) Saltos records Cavalos da Penha Correm jóqueis de Higienópolis Os magnatas As meninas E a orquestra toca Chá Na salade cocktails (ANDRADE, Oswald.Obras completas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974, v.VII, p.129)
  • 183. B) Engenhos, brocas, máquinas rotativas! Eia! Eia! Eia! Eia eletricidade, nervos doentes da Matéria! Eia telegrafia-sem-fios,simpatia metálica do Inconsciente! Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel,Suez! (CAMPOS, Álvaro de. Ode triunfal. In: PESSOA, Fernando. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001, p. 311)
  • 184. C) Um dia bateu à porta do casebre o Peregrino. Grande chapéu de palha, o camisolão com o cordão de São Francisco, as alpercatas e o cajado. Nos tornozelos, grudado, o pó das longas estradas. Pregava a Bíblia, os ensinamentos de Deus, em febre de vozeirão e chamas do inferno. As loucuras. A grande barba negra, partida ao meio, tremia. (CAMPOS, Moreira. Obra completa: contos II. São Paulo: Maltese, 1996, p. 133)
  • 185. D) Peque um jornal. Pegue uma tesoura. Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema. Recorte o artigo. Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco. Agite suavmente. Tire em seguida cada pedaço um após outro. Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco. O poema se parecerá com você. E ei-lo um escritor infinitamente origninal de uma sensibilidade graciosa, Ainda que incompreendidopelo público. (TZARA, Tristan. In: TELES, G. M. Vanguarda europeia e modernismo brasileiro. Petrópolis: Vozes, 1986, p.132).
  • 186. E) Dos braços do poeta Pende a ópera do mundo (Tempo, cirurgião do mundo): O abismo bate palmas, A noite aponta o revólver. Ouço a multidão, o coro do universo, O trote das estrelas. Já nos subúrbios da caneta: As rosas perderam a fala. Entrega-se a morte a domicílio. MENDES, Murilo. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p.431)
  • 187. A) Saltos records Cavalos da Penha Correm jóqueis de Higienópolis Os magnatas As meninas E a orquestra toca Chá Na salade cocktails D) Peque um jornal. Pegue uma tesoura. Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema. Recorte o artigo. Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco. Agite suavmente. (...) B) Engenhos, brocas, máquinas rotativas! Eia! Eia! Eia! Eia eletricidade, nervos doentes da Matéria! Eia telegrafia-sem-fios,simpatia metálica Inconsciente! Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel,Suez! E) Dos braços do poeta do Pende a ópera do mundo (Tempo, cirurgião do mundo): O abismo bate palmas, A noite aponta o revólver. Ouço a multidão, o coro do universo, O trote das estrelas. (...) Um dia bateu à porta do casebre o Peregrino. Grande chapéu de palha, o camisolão com o cordão de São Francisco, as alpercatas e o cajado. Nos tornozelos, grudado, o pó das longas estradas. Pregava a Bíblia, os ensinamentos de Deus, em febre de vozeirão e chamas do inferno. As loucuras. A grande barba negra, partida ao meio, tremia. C)
  • 188. A) Saltos records Cavalos da Penha Correm jóqueis de Higienópolis Os magnatas As meninas E a orquestra toca Chá Na salade cocktails D) Peque um jornal. Pegue uma tesoura. Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema. Recorte o artigo. Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco. Agite suavmente. (...) B) Engenhos, brocas, máquinas rotativas! Eia! Eia! Eia! Eia eletricidade, nervos doentes da Matéria! Eia telegrafia-sem-fios,simpatia metálica Inconsciente! Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel,Suez! E) Dos braços do poeta do Pende a ópera do mundo (Tempo, cirurgião do mundo): O abismo bate palmas, A noite aponta o revólver. Ouço a multidão, o coro do universo, O trote das estrelas. (...) Um dia bateu à porta do casebre o Peregrino. Grande chapéu de palha, o camisolão com o cordão de São Francisco, as alpercatas e o cajado. Nos tornozelos, grudado, o pó das longas estradas. Pregava a Bíblia, os ensinamentos de Deus, em febre de vozeirão e chamas do inferno. As loucuras. A grande barba negra, partida ao meio, tremia. C)
  • 189. Em A, temos Cubismo; em B, Futurismo; em C, Expressionismo; em D, Dadaísmo.
  • 190. QUESTÃO 41 NAMORADOS O rapaz chegou-se para junto da moça e disse: — Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a sua cara. A moça olhou de lado e esperou. — Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listada? A moça se lembrava: — A gente fica olhando... A meninice brincou de novo nos olhos dela. O rapaz prosseguiu com muita doçura: — Antônia, você parece uma lagarta listada. A moça arregalou os olhos, fez exclamações. O rapaz concluiu: — Antônia, você é engraçada! Você parece louca. BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997, p.221.
  • 191. No poema de Bandeira, importante representante da poesia modernista, destaca-se como característica da escola literária dessa época: A) A reiteração de palavras como recurso de construção de rimas ricas. B) A utilização expressiva da linguagem falada em situações do cotidiano. C) A criativa simetria de versos para reproduzir o ritmo do tema abordado. D) A escolha do tema do amor romântico, caracterizador do estilo literário da época. E) O recurso ao diálogo, gênero discursivo típico da estética realista.
  • 192. No poema de Bandeira, importante representante da poesia modernista, destaca-se como característica da escola literária dessa época: A) A reiteração de palavras como recurso de construção de rimas ricas. B) A utilização expressiva da linguagem falada em situações do cotidiano. C) A criativa simetria de versos para reproduzir o ritmo do tema abordado. D) A escolha do tema do amor romântico, caracterizador do estilo literário da época. E) O recurso ao diálogo, gênero discursivo típico da estética realista.
  • 193. Cenas cotidianas e linguagem coloquial são marcas do Modernismo.
  • 194. QUESTÃO 42 Constitui uma obra surrealista: a) GIORGIO DE CHIRICO
  • 195. b) GEORGES BRAQUE
  • 196. c) SÓNIA DELAUNAY
  • 197. d) ALEXANDRA NECHITA
  • 198. e) NADEZHDA UDALTSOVA
  • 199. a) d) b) e) c)
  • 200. a) d) b) e) c)
  • 201. Nas demais opções, as pinturas enquadram-se no Cubismo.
  • 202. QUESTÃO 43 OCASO No anfiteatro de montanhas Os profetas do Aleijadinho Monumentalizam a paisagem As cúpulas brancas dos Passos E os cocares revirados das palmeiras São degraus da arte do meu país Onde ninguém mais subiu Bíblia de pedra-sabão Banhanda no ouro das minas. (ANDRADE, Oswald. Obras completas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971, p. 140-1)
  • 203. A partir de superposição de planos e de fragmentação de imagens, o eu lírico homenageia a arte sacra brasileira; tais procedimentos estão de acordo com os princípios vanguardistas do: a) Dadaísmo b) Surrealismo c) Cubismo d) Expressionismo e) Futurismo
  • 204. A partir de superposição de planos e de fragmentação de imagens, o eu lírico homenageia a arte sacra brasileira; tais procedimentos estão de acordo com os princípios vanguardistas do: a) Dadaísmo b) Surrealismo c) Cubismo d) Expressionismo e) Futurismo
  • 205. Sucedem-se imagens das montanhas, das esculturas de Aleijadinho, da natureza brasileira: as palmeiras são como os cocares dos índígenas; as capelas que revivem o calvário de Cristo carregando a Cruz; os profetas de Aleijadinho.
  • 206. QUESTÃO 44 POEMA TIRADO DE UMA NOTÍCIA DE JORNAL João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no [ Morro da Babilônia num barracão sem número Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado. (BANDEIRA, Manuel. Poesia e prosa completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997, p. 214).
  • 207. De acordo com a leitura do poema, observar o que se segue: I – A ênfase do ritmo ocorre em versos isolados, sob a forma de pretéritos, com pausas deliberadas para o efeito cômico a envolver a atmosfera do poema. II – A ausência de sobrenome na personagem e de dados pessoais, bem como do momento em que se deu o gesto, tudo reforça a temporalidade jornalística. III – Partindo de um lugar-comum – o modo com que se tecem as notícias de jornal - , um fato é, poeticamente, recriado pelo autor. Marcar a opção correta: A) I apenas B) II apenas C) III apenas D) I e II apenas E) I e III apenas
  • 208. De acordo com a leitura do poema, observar o que se segue: I – A ênfase do ritmo ocorre em versos isolados, sob a forma de pretéritos, com pausas deliberadas para o efeito cômico a envolver a atmosfera do poema. II – A ausência de sobrenome na personagem e de dados pessoais, bem como do momento em que se deu o gesto, tudo reforça a temporalidade jornalística. III – Partindo de um lugar-comum – o modo com que se tecem as notícias de jornal - , um fato é, poeticamente, recriado pelo autor. Marcar a opção correta: A) I apenas B) II apenas C) III apenas D) I e II apenas E) I e III apenas
  • 209. Trata-se de "Poema tirado de uma notícia de jornal", de Manuel Bandeira, publicado no livro "Libertinagem" - obra renovadora das tendências modernistas no Brasil. A composição aponta a habilidade do autor em trabalhar o verso livre: a enfâse do ritmo se dá nos versos isolados sob a forma de pretérito (bebeu/ cantou/dançou), com pausas deliberadas para o efeito cômico, criando, assim, uma atmosfera rígida e incisiva entre a desconfiança e a agressão; ressalte-se, também, o modo como a ironia serpenteia em tais versos, bem como, partindo de um lugar-comum ( a estrutura das notícias de jornal) é possível recriá-lo em poesia. A ausência de sobrenome no protagonista, a indefinição de seus dados pessoais (morador de um barracão sem número) e, também, do momento de seu gesto final, o suicídio, apenas indicado por um "Depois", tudo isso liberta o texto da temporalidade jornalística, dandolhe o tom da universalidade atemporal.
  • 210. QUESTÃO 45 O MUNDO INIMIGO O cavalo mecânico arrebata o manequim pensativo Que invade a sombra das casas no espaço elástico. Ao sinal do sonho a vida move direitinho as estátuas Que retomam seu lugar na série do planeta. Os homens largam a ação da paisagem elementar E invocam os pesadelos de mármore na beira do infinito. Os fantasmas vibram mensagens de outra luz nos olhos, Expulsam o sol do espaço e se instalam no mundo. (MENDES, Murilo.O menino experimental – antologia. São Psaulo: Summus, 1979, p. 41)
  • 211. Ao valorizar instâncias do inconsciente, rompendo as barreiras objetivas da realidade, o eu lírico segue a orientação da vanguarda modernista: a) Expressionismo b) Surrealismo c) Futurismo d) Cubismo e) Dadaísmo
  • 212. Ao valorizar instâncias do inconsciente, rompendo as barreiras objetivas da realidade, o eu lírico segue a orientação da vanguarda modernista: a) Expressionismo b) Surrealismo c) Futurismo d) Cubismo e) Dadaísmo
  • 213. O poema comporta elementos que ultrapassam as fronteiras do real palpável, indo ao encontro do inconsciente, do sonho.
  • 214. QUESTÃO 46 LEITURA Era um quintal ensombrado, murado alto de pedras. As macieiras tinham maçãs temporãs, a casca vermelha De escuríssimo vinho, o gosto caprichado das coisas Ora do seu tempo desejadas. Ao longo do muro eram talhas de barro. Eu comia maçãs, bebia a melhor água, sabendo Que lá fora o mundo havia parado de calor. Depois encontrei meu pai, que me fez festa E não estava doente e nem tinha morrido, por isso ria, Os lábios de novo e a cara circulados de sangue, Caçava o que fazer pra gastar sua alegria: Onde está meu formão, minha vara de pescar, Cadê minha binga, meu vidro de café? Eu sempre sonho que uma coisa gera, Nunca nada está morto. O que não parece vivo, aduba. O que parece estático, espera. (PRADO, Adélia. Poesia reunida. São Paulo: Siciliano, 1991, p. 19).
  • 215. Nesse poema, “Leitura”, o traço modernista que ganha relevo é: A) A oscilação de atitudes por conta do sentimentalismo. B) O uso de rimas e de métrica na recuperação do passado. C) A nota de regionalismo pela escolha vocabular. D) A presença do cotidiano e da linguagem simples. E) O predomínio da emoção sobre a racionalidade das coisas.
  • 216. Nesse poema, “Leitura”, o traço modernista que ganha relevo é: A) A oscilação de atitudes por conta do sentimentalismo. B) O uso de rimas e de métrica na recuperação do passado. C) A nota de regionalismo pela escolha vocabular. D) A presença do cotidiano e da linguagem simples. E) O predomínio da emoção sobre a racionalidade das coisas.
  • 217. O da simplicidade do cotidiano é retratado em linguagem simples.
  • 218. QUESTÃO 47 No expressionismo, a representação dos seres e dos objetos de dá por meio de traços retorcidos e de cores fortes, isto é, há uma ampliação das formas ou uma redução destas, consoante a seguinte obra de arte: a) CÂNDIDO PORTINARI
  • 219. b) SALVADOR DALÍ
  • 220. c) SAMUEL BAK
  • 221. d) WILLEM DEN BROEDER
  • 222. e) DOMINIQUE APPIA
  • 223. a) d) b) e) c)
  • 224. a) d) b) e) c)
  • 225. As demais opções comportam obras surrealistas.
  • 226. QUESTÃO 48 Observar o que se segue: APERITIVO A felicidade anda a pé Na Praça Antônio Prado São 10 horas azuis O café vai alto como a manhã de arranha-céus Cigarros Tietê Automóveis A cidade sem mitos (ANDRADE, Oswald. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978, p. 86).
  • 227. Nesse poema, há, na composição da cidade, uma multiplicação de planos: imagens superpostas, implicando dinamismo; e a cidade é vista sob diversos aspectos. Trata-se, portanto, de um texto que se orienta conforme os traços do Cubismo. Esses mesmos recursos ocorrem em: a) RENÉ MAGRITTE
  • 228. b) HENRI ROSSEAU
  • 229. c) MAX ERNST
  • 230. d) VICTOR BREGEDA
  • 231. e) JEAN METZINGER
  • 232. a) d) b) e) c)
  • 233. a) d) b) e) c)
  • 234. Nas demais opções, o estilo é o surrealismo.
  • 235. QUESTÃO 49 A estética modernista rompe, a princípio, radicamalmente, com os padrões artísticos até então em vigor, pregando a liberdade de criação e o direito permanente à pesquisa estética, conforme a opção: A) Maior amor nem mais estranho existe Que o meu, que não sossega a coisa amada, E quando a sente alegre, fica triste, E se a vê descontente, dá risada. (MORAES, Vinícius de. Livro de sonetos. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.)
  • 236. B) Que pode uma criatura senão, Entre criaturas, amar? Amar e esquecer, Amar e malamar, Amar, desamar, amar Sempre, e até de olhos vidrados, amar? (ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992).
  • 237. C) Eu canto porque o instante existe E a minha vida está completa. Não sou alegre nem triste: Sou poeta. (MEIRELES, Cecília. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1991.)
  • 238. D) Tenho duas rosas na face, Nenhuma no coração. No lado esquerdo da face Costuma também dar alface No lado direito não. (MENDES, Murilo. O menino experimental – antologia. São Paulo: Summus, 1979)
  • 239. E) Uma parte de mim É todo mundo: Outra parte é ninguém: Fundo sem fundo. Uma parte de mim É multidão: Outra parte estranheza E solidão. (GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983.)
  • 240. A) D) Maior amor nem mais estranho existe Tenho duas rosas na face, Que o meu, que não sossega a coisa Nenhuma no coração. amada, No lado esquerdo da face Costuma também dar alface E quando a sente alegre, fica triste, No lado direito não. E se a vê descontente, dá risada. B) Que pode uma criatura senão, Entre criaturas, amar? Amar e esquecer, Amar e malamar, Amar, desamar, amar Sempre, e até de olhos vidrados, amar? C) Eu canto porque o instante existe E a minha vida está completa. Não sou alegre nem triste: Sou poeta. E) Uma parte de mim É todo mundo: Outra parte é ninguém: Fundo sem fundo. Uma parte de mim É multidão: Outra parte estranheza E solidão.
  • 241. A) D) Maior amor nem mais estranho existe Tenho duas rosas na face, Que o meu, que não sossega a coisa Nenhuma no coração. amada, No lado esquerdo da face Costuma também dar alface E quando a sente alegre, fica triste, No lado direito não. E se a vê descontente, dá risada. B) Que pode uma criatura senão, Entre criaturas, amar? Amar e esquecer, Amar e malamar, Amar, desamar, amar Sempre, e até de olhos vidrados, amar? C) Eu canto porque o instante existe E a minha vida está completa. Não sou alegre nem triste: Sou poeta. E) Uma parte de mim É todo mundo: Outra parte é ninguém: Fundo sem fundo. Uma parte de mim É multidão: Outra parte estranheza E solidão.
  • 242. Note-se o tom de ironia e de deboche do poema, uma vez que dessacraliza sentimentos e linguagem.
  • 243. QUESTÃO 50 MAL SECRETO Se a cólera que espuma, a dor que mora VOCABULÁRIO N’alma, e destrói cada ilusão que nasce, Tudo o que punge, tudo o que devora Atroz: impiedoso. O coração, no rosto se estampasse; Chaga: ferida. Se se pudesse o espírito que chora Cólera: ira, sanha. Ver através da máscara da face, Punge: atormenta. Quanta gente, talvez, que inveja agora Recôndito: oculto, encoberto. Nos causa, então piedade nos causasse! Venturosa: feliz, afortunada. Quanta gente que ri, talvez,consigo Guarda um atroz, recôndito inimigo, Como invisível chaga cancerosa! Quanta gente que ri, talvezexiste, Cujaventura única consiste Em parecer aos outros,venturosa! (CORREIA, Raimundo. Melhores poemas. Rio de Janeiro: Global, 2001, p.49.).
  • 244. Mesmo preocupados com a técnica da composição, com o descritivismo, com a defesa da arte pela arte, os parnasianismos não deixaram de cantar – ainda de que modo controlado - as dores de seu tempo, principalmente quando estas atingiam o universal humano. Nesse soneto, é correto afirmar que o autor aponta, no comportamento social, o contraste entre: A) A essência e a aparência. B) O ter e o ser. C) O grave e o frívolo. D) A ira e o perdão. E) O dizer e o fazer.
  • 245. Mesmo preocupados com a técnica da composição, com o descritivismo, com a defesa da arte pela arte, os parnasianismos não deixaram de cantar – ainda de que modo controlado - as dores de seu tempo, principalmente quando estas atingiam o universal humano. Nesse soneto, é correto afirmar que o autor aponta, no comportamento social, o contraste entre: A) A essência e a aparência. B) O ter e o ser. C) O grave e o frívolo. D) A ira e o perdão. E) O dizer e o fazer.
  • 246. O homem esconde do semelhante os sofrimentos que o aniquila.
  • 247. QUESTÃO 51 SONETO PARNASIANO E ACRÓSTICO EM LOUVOR DE HELENA OLIVEIRA Houve na Grécia antiga uma beleza rara (Em versos de ouro o grande Homero celebrou-a), VOCABULÁRIO Linda mais do que a mente humana imaginara, E cuja fama sem rival inda ressoa. Não a compararei, porém, (quem a compara?). Aclarar: purificar (fig.). À que celebro aqui: a outra não era boa. Esplendor: brilho. O esplendor da beleza é sol que só me aclara Homero: poeta grego. Luzindo sob o véu do pudor que afeiçoa. Lume: fogo. Inspiremo-nos, pois, não na Helena de Troia, Ronsard: poeta renascentista Versátil coração, frio como uma joia, francês, lírico e filosófico. Em cujo lume ardeu uma cidade inteira. Inspiremo-nos, sim, de uma Helena mais pura. Ronsard mostrou na sua uma flor de ternura: A mesma flor que orna esta Helena brasileira. (BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997, p.379).
  • 248. Manuel Bandeira, um dos mais importantes poetas do Modernismo brasileiro, escreveu esse soneto no fim da década de 40 do século XX, e, mesmo assim, classifcou-o de “parnasiano”, uma vez que nesse texto reaparecem aspectos formais e conteudísticos muito caros aos parnasianos. Assinale-os: A) Métrica e rima – alusão a uma personagem da Antiguidade clássica. B) Versos alexandrinos – contraponto entre um mito e uma pessoa comum. C) Versos decassílabos – oposição entre ternura e beleza. D) Ritmo épico -supremacia do mito sobre seres anônimos. E) Metro livre – a sensualidade devastadora de Helena.
  • 249. Manuel Bandeira, um dos mais importantes poetas do Modernismo brasileiro, escreveu esse soneto no fim da década de 40 do século XX, e, mesmo assim, classifcou-o de “parnasiano”, uma vez que nesse texto reaparecem aspectos formais e conteudísticos muito caros aos parnasianos. Assinale-os: A) Métrica e rima – alusão a uma personagem da Antiguidade clássica. B) Versos alexandrinos – contraponto entre um mito e uma pessoa comum. C) Versos decassílabos – oposição entre ternura e beleza. D) Ritmo épico -supremacia do mito sobre seres anônimos. E) Metro livre – a sensualidade devastadora de Helena.
  • 250. Os versos são alexandrinos (doze sílabas poéticas); à Helena de Tróia, por quem toda uma cidade ardeu em chamas, contrapõe-se a ternura de Helena Oliveira; portanto, uma personagem clássica foi retomada.
  • 251. QUESTÃO 52 Suspensa ao braço a grávida corbelha, Segue a passo, tranqüila... O sol faísca... Os seus carmíneos lábios de mourisca Se abrem, sorrindo, numa flor vermelha. Deita à sombra de uma árvore. Uma abelha Zumbe em torno ao cabaz... Uma ave, arisca, O pó do chão, pertinho dela, cisca, Olhando-a, às vezes, trêmula, de esguelha... Aos ouvidos lhe soa um rumor brando De folhas... Pouco a pouco, um leve sono Lhe vai as grandes pálpebras cerrando... Cai-lhe de um pé o rústico tamanco... E assim descalça, mostra, em abandono, O vultinho de um pé macio e branco. (JÚLIA, Francisca. Poesias. São Paulo: CEC, 1961.).
  • 252. Na poesia parnasiana,encontra-se o seguinte traço, conforme a leitura desse poema: A) Metrificação rígida em versos brancos. B) Presença da crítica social no descritivismo. C) O conceito de arte gratuita: arte pela arte. D) Temas em torno do vago e do transcendental. E) Subjetividade na descrição da natureza.
  • 253. Na poesia parnasiana,encontra-se o seguinte traço, conforme a leitura desse poema: A) Metrificação rígida em versos brancos. B) Presença da crítica social no descritivismo. C) O conceito de arte gratuita: arte pela arte. D) Temas em torno do vago e do transcendental. E) Subjetividade na descrição da natureza.
  • 254. Por conta disso, afastam-se dos problemas sociais e humanos.
  • 255. QUESTÃO 53 PROFISSÃO DE FÉ Quero que a estrofe cristalina, Dobrada ao jeito Do ourives, saia da oficina Sem um defeito: E que o lavor do verso, acaso, Por tão subtil, Possa o lavor lembrar de um vaso De Becerril. E horas sem conto passo, mudo, O olhar atento, A trabalhar, longe de tudo O pensamento. Porque o escrever - tanta perícia, Tanta requer, Que oficio tal... nem há notícia De outro qualquer. Assim procedo. Minha pena Segue esta norma, Por te servir, Deusa serena, Serena Forma! (BILAC, Olavo. Poesias. São Paulo: Martins Fontes, 1996, p.13).
  • 256. O autor, para que o tema estivesse em harmonia com a forma, utilizou-se do recurso a seguir: A) Emprego de oposições semânticas. B) Simetria e equilíbrio entre as estrofes. C) Inversão da ordem sintática das palavras. D) Valorização de rimas toantes. E) Uso de comparações e sinestesia.
  • 257. O autor, para que o tema estivesse em harmonia com a forma, utilizou-se do recurso a seguir: A) Emprego de oposições semânticas. B) Simetria e equilíbrio entre as estrofes. C) Inversão da ordem sintática das palavras. D) Valorização de rimas toantes. E) Uso de comparações e sinestesia.
  • 258. As estrofes apresentam o mesmo número de versos e a mesma distribuição de métricas e de rimas.
  • 259. QUESTÃO 54 SINFONIAS DO OCASO Musselinosas como brumas diurnas Descem do ocaso as sombras harmoniosas, Sombras veladas e musselinosas Para as profundas solidões noturnas. Sacrários virgens, sacrossantas urnas, Os céus resplendem de sidéreas rosas, Da Lua e das Estrelas majestosas Iluminando a escuridão das furnas. Ah! por estes sinfônicos ocasos A terra exala aromas de áureos vasos, Incensos de turíbulos divinos. Os plenilúnios mórbidos vaporam... E como que no Azul plangem e choram Cítaras, harpas, bandolins, violinos... (CRUZ E SOUSA, João da. Poesia Completa. Florianópolies: FCC, 1993).
  • 260. A partir da leitura do texto, depreende-se que os elementos formais e temáticos associados ao contexto cultural em que ocorreu a estética simbolista são: A) O direito permanente à experimentação estética e à busca de novas formas de expressão discursiva. B) O desenvolvimento de temas filosóficos a partir de uma linguagem que prima pelo coloquialismo. C) A preocupação com a construção de um discurso engajado, conforme os preceitos dessa estética. D) O cultivo de temas transcendentais, de tom universal, em linguagem refinada e hermética. E) A presença de uma lírica subjetiva, alicerçada nos constrastes que caractrerizam o discurso amoroso.
  • 261. A partir da leitura do texto, depreende-se que os elementos formais e temáticos associados ao contexto cultural em que ocorreu a estética simbolista são: A) O direito permanente à experimentação estética e à busca de novas formas de expressão discursiva. B) O desenvolvimento de temas filosóficos a partir de uma linguagem que prima pelo coloquialismo. C) A preocupação com a construção de um discurso engajado, conforme os preceitos dessa estética. D) O cultivo de temas transcendentais, de tom universal, em linguagem refinada e hermética. E) A presença de uma lírica subjetiva, alicerçada nos constrastes que caractrerizam o discurso amoroso.
  • 262. A linguagem é refinada, há o transcendentalismo e os temas dizem respeito ao que é perene na condição humana.
  • 263. QUESTÃO 55 ISMÁLIA Quando Ismália enloqueceu Pôs-se na vida a sonhar... Viu uma lua no céu, Viu outra lua no mar. No sonho em que se perdeu, Banhou-se toda em luar... Queria subir ao céu, Queria descer ao mar... E, no desvario seu, Na torre pôs-se a cantar... Estava perto do céu, Estava longe do mar... E como um anjo pendeu As asas para voar... Queria a lua do céu, Queria a lua do mar... As asas que Deus lhe deu Ruflaram de par em par... Sua alma subiu ao céu, Seu corpo desceu ao mar... (GUIMARAENS, Alphonsus de. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001, p. 313-4.)
  • 264. Na estruturação desse poema, destaca-se: A) Uso de antíteses e de paralelismos. B) Culto à linguagem mesclada. C) Inversões e malabarismos verbais. D) Linguagem objetiva e simples. E) Versos livres e rima branca.
  • 265. Na estruturação desse poema, destaca-se: A) Uso de antíteses e de paralelismos. B) Culto à linguagem mesclada. C) Inversões e malabarismos verbais. D) Linguagem objetiva e simples. E) Versos livres e rima branca.
  • 266. Os termos céu x mar estão em permanente oposição; as repetições apontam o uso de construções sintáticas semelhantes.
  • 267. FIM