Barroco (paulo monteiro)

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  • 1. 1BARROCOSíntese GráficaSITUAÇÃO HISTÓRICANa tentativa de recuperar o seu prestígio bastante abalado socialmente, a Igreja organiza aContra-Reforma e funda a Companhia de Jesus, objetivando a aproximação do homem ao seu criador.Desta forma, desencadeia-se um novo processo religioso com apelo aos valores espirituais em que afinalidade era a salvação da alma.Por outro lado, nasce a filosofia racionalista de Descartes e Newton em contraste com o espíritoda Contra-Reforma e espalhando-se por toda a Europa.Assim, na tentativa de conciliar o celestial e o terreno, o material e o espiritual surge o Barroco,movimento alicerçado na dualidade existencial do momento.O porquê do nomeO termo barroco origina-se na pintura e na arquitetura e aparece por assemelhar-se a uma pérolade superfície irregular disforme, com várias faces. Justificam-se, a partir daí, o contraste, o conflito, airregularidade da arte barroca.
  • 2. 2CARACTERÍSTICAS DO BARROCO1. FUSIONISMOTentativa de reconciliação de coisas opostas, conflitantes (matéria X espírito; paganismo Xcristianismo; pureza X pecado; pecado X perdão). Daí a preferência pelas antíteses.“A vós correndo vou, Braços SagradosNessa Cruz Sacrossanta descobertos,Que para receber-me estais abertos,E, por não castigar-me, estais cravados”.(Versos de Gregório de Matos, nos quais se procura conciliar o pecado com o perdão, o amor com o castigo).2. VALORIZAÇÃO DO MISTICISMOApesar da dúvida e do pessimismo, o homem barroco teme a Deus e, mesmo gozando os prazeresmundanos, está com o espírito voltado para Ele.“Se uma ovelha perdida, já cobrada,Glória tal e prazer tão repentinoVos deu, como afirmais na Sacra História:Eu sou, Senhor, ovelha desgarrada;Cobrai-a; e não queirais, Pastor Divino,Perder na vossa ovelha a vossa Glória”.(Reconhecendo-se pecador, o poeta apela para Deus, numa atitude de humildade e respeito. Observe que as letrasmaiúsculas salientam ainda mais o espírito místico).3. A TRANSITORIEDADE DA VIDAA vida é passageira, portanto é preciso gozá-la. (Epicurismo)“Goza, goza a flor da mocidade,Que o tempo trota a toda ligeireza,E imprime em toda flor sua pisada.Oh! não aguardes que a madura idadeTe converta essa flor, essa beleza,Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada”.(O poeta adverte uma bela mulher, a fim de que ela goze a juventude).4. TRANSITORIEDADE DO SENTIMENTONinguém ama, nem odeia, nem se ilude, nem é bom por toda a vida. O sentimento passa como passaa própria vida.“Nenhum amor dura tanto que chegue a ser velho. Mas esta interpretação tem contra o exem-plo de Jacó com Raquel, e outros grandes, ainda que poucos. Pois se há também amor que duremuitos anos, por que no-lo pintam os sábios sempre menino? Pinta-se o amor sempre menino,porque ainda que passe dos sete anos, como o de Jacó, nunca chega à Idade do uso da razão”.(Vieira)CARACTERÍSTICAS DE FORMAA literatura barroca distingue-se pela abundância de ornatos, pela elaboração formal, pelo estilotrabalhado e decorativo. Entre os recursos, destacam-se:a) antítese d) hipérbatob) paradoxo e) comparaçãoc) metáfora f) hipérbole
  • 3. 3AS CORRENTES DO BARROCOCULTISMO: (poesia)Formalismo que se distingue pelo jogo de palavras, de construções e de imagens. Uma tentativa dearistocratização da linguagem.“O alegre dia entristecidoO silêncio da noite perturbado,O resplendor do sol todo eclipsadoE o luzente da lua desmentido”.CONCEPTISMO: (prosa)A imagem se torna sutil pelo jogo das ideias e dos conceitos.“Quem ama porque conhece, é amante; quem ama porque ignora, é néscio. Assim como aignorância na ofensa diminui o delito, assim no amor diminui o merecimento”.LINHA DE TEMPO DO BARROCO LITERÁRIO BRASILEIRO: SÉCULO XVII1601 publicação da PROSOPOPÉIA de Bento Teixeirapoesia de Gregório de Matosprosa de Padre VieiraMÚSICA DO PARNASO (1705) de Manoel Botelho de Oliveirafundação da Academia Brasileira dos Esquecidos (1724)1768 publicação de OBRAS POÉTICAS de Cláudio Manuel da CostaAUTORES DO BARROCO1) GREGÓRIO DE MATOS E GUERRA(Salvador, 1633 — Recife, 1696)TRAÇOS ESTÉTICOS• A obra poética de Gregório de Matos pode ser dividida em três partes:1a) poesia de circunstância: aquela que se volta para a realidade circundante, o meio social, acidade, o Recôncavo baiano. Nesta parte podemos incluir a sátira social (a crise econômica da sociedadedo açúcar, a debilitação das Câmaras, a ascensão do negociante português, a opressão colonialportuguesa), a graciosa (referência a acontecimentos pitorescos, folguedos, festas, divertimentos daBahia), e a poesia encomiástica (caráter elogioso e de experimentação formal).2a) poesia amorosa: a poesia lírico-amorosa e a que se pode chamar de erótico-irônica (tambémcom aspectos satíricos, sempre ligados a motivos de sexualidade).3a) poesia religiosa: onde Gregório tematiza a culpa e o perdão, a ideia da vida como trânsito (Temado "carpe diem") diluindo todas as noções de estabilidade e equilíbrio.2) Pe. ANTONIO VIEIRA(Lisboa, 1608 — Salvador, 1697)OBRASermões; CartasArte de Furtar; Quinto Império; História do Futuro; Clavis Prophetarum.TRAÇOS ESTÉTICOS• Sua obra revela uma perfeita conciliação entre os fundamentos de sua formação jesuítica e oestilo de época barroco tanto nos Sermões, como nas Cartas.
  • 4. 4• Virtuosidade na expressão sutil, no fraseado de intrincada estrutura lógica, carregada dealegorias e antíteses.• O melhor exemplo de conceptismo na literatura da língua portuguesa: imagens muito rica,representando perfeitamente a substância das coisas, dos sentimentos e da condição humana nas suasrelações com Deus.• Sermões que mais interessam ao leitor brasileiro: Sermão da Sexagésima (proferido na CapelaReal de Lisboa (1655), onde Vieira expõe sua arte de pregar, teorizando sobre o oratório e o oradorSacros); Sermão do Primeiro Domingo da Quaresma (pregado no Maranhão, em 1653. O orador tentapersuadir os colonos a libertarem os indígenas); Sermão XIV do Rosário (pregado em 1633 na Irmandadedos Pretos de um engenho baiano, onde equipara os sofrimentos de Cristo aos dos escravos negros);Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda e Sermão de Santo Antonio aospeixes.• Extraordinária capacidade didática, recursando-se da criação de um diálogo fictício com osouvintes, referindo-se constantemente a fatos concretos, envolvendo emocionalmente os ouvintes comdescrições realistas e tocantes.• Atenção para a cuidadosa organização de raciocínio que caracteriza os sermões de Vieira:inicialmente propõe um problema, depois desdobra esta proposição, mostrando a interdependência desuas partes. Em seguida, levanta uma hipótese, demonstrando-a ou justificando-a; confirmada a hipóteseesta é transformada em tese. Normalmente, Vieira ainda dá um reforço, rejustificando a tese. Assim, oraciocínio de Vieira pode ser representado por um círculo, porque volta sempre ao ponto de partida.• Vieira, muitas vezes, desenvolve seu raciocínio em vários círculos através de vários argumentos,que se encadeiam, aprisionando cada vez mais o tema dentro dos limites ou perspectivas que ele pretende.• No Sermão da Sexagésima, Vieira dá a fórmula de seus sermões:"Há que tomar o pregador uma só matéria, há de defini-la para que se conheça, há de dividi-la paraque se distinga, há de prová-la com a Escritura, há de declará-la com a razão, há de confirmá-la com oexemplo, há de amplificá-la com as causas, com os efeitos, com as circunstâncias que se hão de seguir,com os inconvenientes que se devem evitar; há de responder às dúvidas, há de satisfazer às dificuldades,há de impugnar e refutar com toda a força da eloquência os argumentos contrários, e depois disso há decolher, há de apertar, há de concluir, há de persuadir, há de acabar".• Apesar de se proclamar conceptista, atacando o cultismo, por exemplo, nestas palavras: "Estedesventurado estilo que se usa hoje, os que querem honrar chamam-lhe culto, os que o condenamchamam-lhe escuro, mas ainda lhe fazem muita honra. O estilo culto não é escuro, é negro e negro braçale muito cerrado. (...)... (...) os pregadores cultistas ficam a motivar desvelos, a acreditar empenhos, a requintar finezas, alisonjear precipícios, a brilhar auroras, a derreter cristais, a desmaiar jasmins, a toucar primaveras e outrasmil indignidades destas(...)", Vieira, entretanto, muitas vezes incorreu em tais vícios em seus sermões,usando antíteses, promovendo a escavação semântica das palavras, trocadilhos ("Ah Pregadores! os de cá,achar-vos-eis com mais Paço; os de lá, com mais passos...").• utilização do método parenético: pensava todas as possibilidades que surgiam na cabeça dosoutros e as derrubava; pensava todas as soluções possíveis, recolhia-as e concluía, desarmando o ouvinte(ou o leitor).• Sermão da Sexagésima: desagravo contra os dominicanos, criticando-os através da arma daironia, à maneira de pregar e tornando-os suspeitos de falso zelo apostólico.
  • 5. 5EXERCÍCIOS01. “Primeiramente só Cristo amou, porque amou sabendo. Para inteligência desta amorosa verdade,havemos de supor outra não menos certa, e é que, no mundo e entre os homens, isto que vulgarmentese chama amor, é ignorância. Pintaram os Antigos, ao amor menino. E a razão, dizia em o anopassado, que era porque nenhum amor dura tanto que chegue a ser velho”.O texto exemplifica:01) a prosa conceptista do Padre Antônio Vieira.02) a forma cultista do Barroco.03) o exagero do estilo barroco, conhecido por Barroquismo.04) a obra religiosa de Gregório de Matos.05) o cultismo de Bento Teixeira.02.I“Lembra-te Deus que és pó para humilhar-te,E como o teu baixel sempre fraquejaNos mares da vaidade, onde peleja,Te põe à vista a terra, onde salvar-te”.II“A cada canto um grande conselheiro,Que nos quer governar cabanas e vinha;Não sabem governar sua cozinha,E podem governar o mundo inteiro”.E considerando esses dois excertos de Gregório de Matos, pode-se afirmar:01) No trecho I há sentimento de culpa por parte do homem.02) No trecho I o homem busca o perdão de Deus.03) No trecho II há predominância lírica.04) Gregório de Matos é lírico em ambos os poemas.03. No texto, o uso da antítese representa, perante a estética barroca:01) o desequilíbrio formal02) o rebuscamento formal03) os exageros formais04) o dualismo conflitante05) o desleixo formal04. Qual a característica barroca não determinada no poema?01) transitoriedade da vida02) dualismo03) contradições04) conflitos05) gozos mundanos05. No plano existencial, o poema questiona a vida nos seus aspectos:01) exteriores e lógicos02) interiores e perenes03) efêmeros e absurdos04) místicos e conflitantes
  • 6. 605) materialistas e temporaisTEXTO(Gregório de Matos)Anjo no nome, Angélica na cara!Isso é ser flor, e Anjo juntamente:Ser Angélica flor e Anjo florente,Em quem, senão, em vós, se uniformara:Quem vira uma tal flor, que a não cortara,De verde pé, da rama florescente;E quem um Anjo vira tão luzente;Que por seu Deus o não idolatrara?Se pois como anjo sois dos meus altares,Fôreis o meu Custódio, e a minha guarda,Livrara eu de diabólicos azares.Mas vejo, que por bela, e por galharda,Posto que os Anjos nunca dão pesares,Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.06. Em que verso se dá, através de um verbo, a síntese dos dois atributos: anjo e flor - o espiritual e omaterial?01) "anjo no nome, Angélica na cara"02) "isso é ser flor, e Anjo juntamente"03) "ser Angélica flor e Anjo florente"04) "em quem, senão em vós, se uniformara"05) "sois anjo, que me tenta, e não me guarda"07. O poema define a mulher como síntese:01) de prazeres mundanos02) de beleza material03) de beleza espiritual04) de beleza inacessível05) de beleza espiritual e material08. Os ouvintes de entendimentos agudos são maus ouvintes, porque vêm só a ouvir sutilezas, a esperargalanterias, a avaliar pensamentos, e às vezes também a picar a quem os não pica. Aliud cecidit interspinas: O trigo não picou os espinhos, antes os espinhos o picaram a ele; e o mesmo sucede cá.Cuidais que o sermão vos picou a vós, e não é assim; vós sois os que picais o sermão. Por isto sãomaus ouvintes os de entendimentos agudos. Mas os de vontades endurecidas ainda são piores, porqueum entendimento agudo pode-se ferir pelos mesmos fios, e vencer-se uma agudeza com outra maior;mas contra vontades endurecidas nenhuma coisa aproveita a agudeza, antes dana mais, porque quantoas setas são mais agudas, tanto mais facilmente se despontam na pedra.VIEIRA, Antônio. In: Vieira – Trechos escolhidos por Eugênio Gomes. Rio de Janeiro: Agir, 1971. P. 78-9.Para Vieira, o bom ouvinte é aquele que:01) se vê nos bons exemplos evidenciados no sermão.02) busca compreender o que está nas entrelinhas do sermão a fim de condenar os que erram.03) não se sente atingido pelas palavras ouvidas, fortalecendo, assim, ainda mais a sua vontade.04) se mostra flexível em face do sermão ouvido, o que torna possível a frutificação das palavras.05) se destaca pelo espírito investigador, pois, dessa forma, tira maior proveito das palavras ouvidas.TEXTOSonetoNeste mundo é mais rico o que mais rapa:Quem mais limpo se faz tem mais carepa;Com sua língua, ao nobre o vil decepa:
  • 7. 7O velhaco maior sempre tem capa.Mostra o patife da nobreza o mapa:Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;Quem menos falar pode, mais increpa:Quem dinheiro tiver, pode ser papa.A flor baixa se inculca por tulipa;Bengala hoje na mão, ontem garlopa:Mais isento se mostra o que mais chupa.Para a tropa do trapo vazo a tripa,E mais não digo, porque a musa topaEm apa, epa, ipa, opa, upa.MATOS, Gregório de. In: Poemas escolhidos. São Paulo:Círculo do Livro, s/d. p. 32.09. É um traço barroco presente no texto:01) Culto do contraste.02) Valorização do misticismo.03) Sensação de instabilidade.04) Presença do dualismo: pureza x pecado.05) Preocupação com a miséria da condição humana.10. No soneto,01) os termos "rapa" (v. 1) e "carepa" (v. 2) pertencem à mesma classe gramatical.02) a palavra "se" (v. 2) tem função apassivadora.03) as palavras "maior" (v. 4) e "menos" (v. 7) são formas comparativas irregulares.04) a expressão "da nobreza" (v. 5) exerce função adverbial.05) o vocábulo "o" (v. 11) possui valor demonstrativo.11. (Folha de São Paulo/ADAPTADA)Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,Da vossa alta clemência me despido;Porque, quanto mais tenho delinquido,Vos tenho a perdoar mais empenhado.Se basta a vos irar tanto pecado,A abrandar-vos sobeja um só gemidoQue a mesma culpa, que vos há ofendido,Vos tem para o perdão lisonjeado.Se uma ovelha perdida e já cobradaGlória tal e prazer tão repentinoVos deu, como afirmais na sacra história,Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,Perder na vossa ovelha a vossa glória.(Gregório de Mattos)Assinale a alternativa INCORRETA:01) Esse soneto de contrição faz parte da lírica religiosa de Gregório e segue o modelo conceptista.02) Nesse soneto, percebemos os meandros do raciocínio engenhoso de um pecador que advoga suacausa, procurando convencer a Deus que merece o seu perdão.03) O poema começa com uma sincera confissão de culpa: "Pequei, Senhor". Mas esse tom dehumildade, próprio de quem se arrepende, é logo substituído pela frieza do raciocínio, pelaesperteza de uma argumentação que tenta provar o direito ao perdão.
  • 8. 804) O soneto é um excelente exemplo das contradições do espírito barroco em que convivem ahumildade e a pequenez do homem diante de Deus, num ato de contrição (o teocentrismo contra-reformista), unidas, paradoxalmente, ao orgulho e à altivez da inteligência (antropocentrismo).05) A autoconfiança do eu-lírico chega ao ponto do desafio do pecador a Deus na última estrofe, oque mostra que, embora soneto pareça pertencer ao gênero lírico religioso, na verdade ele ésatírico, pois ironiza a fraqueza de Deus.12. (UFV-MG/ ADAPTADA)Goza, goza da flor da mocidadeQue o tempo trota a toda ligeireza,E imprime em toada a flor a sua pisada.Oh não aguardes, que a madura idadeTe converta essa flor, essa belezaEm terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.Os tercetos ilustram:01) uma poesia que fala de uma existência mais materialista que espiritualista, própria da visão demundo nostálgica cultista.02) a presença do tom subjetivo e ameno, pois o poeta utiliza símbolos da natureza para exaltar aexistência humana.03) o estilo pedagógico da poesia barroca, ratificando as reflexões do poeta sobre as mulheresmaduras.04) o caráter de jogo verbal próprio da poesia lírica do século XVI, sustentando uma crítica àpreocupação feminina com a beleza.05) o jogo metafórico próprio do Barroco, a respeito da fugacidade da vida exaltando o gozo domomento presente.Gabarito0 1 2 3 4 5 6 7 8 90 – 01 05 04 05 03 04 05 04 011 05 05 05 – – – – – – –
  • 9. 9