Artigo carolinakopschina

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  • 1. ATENDIMENTO PSICOPEDAGÓGICO UM OLHAR PARA O ADOLESCENTE Carolina da Silva Kopschina  E-mail: carolinasilva@feevale.brRESUMOO presente artigo busca trazer mais subsídios sobre o fazer psicopedagógico e aatuação do psicopedagogo clínico, em especial com adolescentes. Ter clareza sobreas formas de atuação deste profissional é de fundamental importância para asociedade. No decorrer do texto será abordado sobre o atendimento comadolescentes, focando sobre a importância de conhecer esta fase dodesenvolvimento que comumente traz conflitos para a escola e para a família. Nocotidiano habitual o adolescente tende a confrontar com a figura de autoridade.Talvez o grande desafio da escola seja entender o que está acontecendo no mundoatual e, o que está sendo esperado da geração que ela prepara. A escola e apsicopedagogia tem se proposto a auxiliar famílias no processo de desenvolvimentoda autonomia e da construção da cidadania, bem como, ao desafio de acompanharas mudanças sociais e os inúmeros avanços na área do conhecimento em benefíciodo público adolescente. O adolescente provoca os adultos para obter respostas,para construir sínteses, para ganhar limites e para continuar se estruturando,necessita firmar seus referenciais para adotá-los, ou não, em sua vida adulta e éjunto à sua família e aos outros adultos que ele elege que essa avaliação se fará.Portanto, entender os comportamentos presentes nesta fase, bem como, sabercomo pensam e como se estruturam neste momento da vida, será fatordeterminante para o sucesso de quem com eles convivem.Palavras-chave: Psicopedagogia. Atendimento-Clínico. Adolescente. Escola.ABSTRACTThis article seeks to bring about more subsidies to educational psychology andclinical performance of psychopedagogists, especially with teenagers. Being clearabout the ways of performance of this work is of fundamental importance to society.Throughout the text, we will be tackled on the care of adolescents, focusing on theimportance of knowing this stage of development that often brings conflict to schooland family. Int he usual daily, teenager tends to confront the authority figure. Perhaps Supervisora Escolar na Escola de Educação Básica Feevale - Escola de Aplicação Especialista em Pedagogia Empresarial Especialista em Psicopedagogia - Abordagem Clínica e Institucional (em fase de conclusão)
  • 2. 2the greatest challenge of the school is to understand what is happening in the worldtoday, and what is expected of the generation that it prepares. The school andeducational psychology has offered to assist families in the development ofautonomy and the construction of citizenship, as well as the challenge to keep pacewith social changes and the numerous advances in knowledge for the benefit of theteenage audience. The teenage causes adults to get answers to build up synthesis,to win limits and continue structuring himself, he needs to sign his references toadopt them or not, in his adult life and close to his family and other adults that heelects, that this assessment will be done. Therefore, understanding the behaviorspresent in this phase, as well as how to think and how they are structured at thispoint in life, will be determinant for the success of those with whom they live.Keywords: Psychopedagogy. Clinical Performance. Teenager. School. Toda a prática psicopedagógica está vinculada a uma concepção teórica doque é Psicopedagogia, que, por sua vez, está subordinada à concepção deconstrução do conhecimento, de aprendizagem, que define, em si mesma, umavisão de homem e sociedade. A atual concepção de Psicopedagogia é fruto,portanto, de uma história construída por estudiosos e profissionais da área. Bossa (1994, p.28), em seus estudos, aponta que “[...] a preocupação comos problemas de aprendizagem teve origem na Europa, ainda no século XIX.Inicialmente pensaram sobre o problema os filósofos, os médicos e os educadores”.Para esta autora, estudos apontam que educadores passaram a preocupar-se ededicar-se aos estudos dos distúrbios de aprendizagem. Em nosso país, a evolução da Psicopedagogia mostra uma nova postura emque os psicopedagogos brasileiros passam a transitar e a integrar outras áreas doconhecimento, para compreender e intervir nos processos de aprendizagem e nãoaprendizagem. É importante comentar que o movimento da psicopedagogia noBrasil remete ao seu histórico na Argentina. Devido à proximidade geográfica e aoacesso fácil à literatura, as ideias dos argentinos muito tem influenciado a nossaprática. A Psicopedagogia, portanto, deve pensar a aprendizagem ou a nãoaprendizagem a partir de um sujeito que tem a possibilidade de aprender, quepertence a um grupo social particular pensado e definido através do materialismodialético, que dispõe de um equipamento geneticamente herdado, cumprindo umacontinuidade biológica e que realiza o desejo do outro na sua individualidade.
  • 3. 3 Apoiado neste referencial teórico, o psicopedagogo investiga o sujeito daaprendizagem, incluído no contexto biopsicosocial. Entende, assim, que “a causa dadificuldade de aprendizagem não está necessariamente no sujeito, mas na dinâmicade relações entre esse, que dispõe de corpo, organismo, inteligência e desejo(PAIN, 1989) e o meio em que está inserido, ou seja, a família, a escola e o contextosocial como um todo”. Sendo assim, os profissionais da psicopedagogia trabalham no sentido deidentificar os motivos que levam o sujeito a não aprender ou a não se permitir aaprender, para então, poder contribuir com a escola, ou melhor, com o sucesso dosujeito na sua vida escolar. O Psicopedagogo não deve trabalhar com o diagnóstico,que será apenas para pensar um ponto de partida, mas jamais ser determinante aopensar no sujeito. A psicopedagogia deve buscar a qualidade nas relações de aprendizagemde qualquer sujeito, levando em conta as variações no seu desenvolvimento, ascaracterísticas culturais, sociais, orgânicas, afetivas e psíquicas, enfim os fatoresque podem interferir no processo. Identificar e prevenir tais fatores, é o foco centralda psicopedagogia. O psicopedagogo poderá atuar na instituição escolar ou na clínica. Nainstituição escolar, enquanto prática preventiva das dificuldades de aprendizagem, apartir do contexto escolar, mas junto com a família. Junto a outros profissionais,poderá identificar os problemas que interferem na aprendizagem. Na clínica, focodeste artigo, pensará o sujeito que aprende através de sua história pessoal, aquelesujeito que está apresentando sintomas, que naquele momento o impedem deaprender. A psicopedagogia deve ser mais preventiva do que curativa. Opsicopedagogo deve ter como objetivo o resgate pelo desejo do aprender, apontarao sujeito suas potencialidades e possibilidades na construção do seuconhecimento. A psicopedagogia acredita que é necessário conhecer a história dosujeito para daí intervir com ele, com a família, com a escola. As interaçõesfamiliares e as diferentes fases da vida serão essenciais para a constituição dosujeito, as influências poderão ser negativas ou positivas. O profissional em discussão deverá estar atento às situações cotidianas,trocando informações e experiências com a comunidade para ter mais sucesso no
  • 4. 4seu fazer. Cada cultura, cada grupo, cada sujeito tem a possibilidade de organizaras situações de diferentes formas no contexto ao qual está inserido. A Psicopedagogia Clínica tem como objetivo principal a investigação e aintervenção nas dificuldades de aprendizagem, buscando a compreensão doprocesso de aprendizagem e suas fraturas. O atendimento clínico deve preocupar-se tanto com a identidade do sujeito com o conhecimento como também com odesenvolvimento das suas estruturas cognitivas. Para tanto, parte da históriapessoal do sujeito, procurando identificar sua modalidade de aprendizagem ecompreender a mensagem de outros sujeitos envolvidos nesse processo, seja afamília ou a escola, buscando, implicitamente ou não, as causas do não aprender. Autores como: Pain, Visca, Weis, Bossa contribuem orientando o fazerpsicopedagógico. Para o diagnóstico psicopedagógico, o primeiro contato da famíliacom o psicopedagogo representa o pedido de ajuda não só para o sujeito que nãoaprende, mas traz implicitamente a necessidade de ajuda para o grupo familiar,como também, para a instituição escolar que é o lugar onde o sintoma da não-aprendizagem vem se manifestando. Nos primeiros contatos, é fundamental que seestabeleça o enquadre da terapia psicopedagógica. É de extrema importância àatenção a fala dos pais, bem como do paciente, buscando nas entrelinhas do seudiscurso, dados significativos que o inconsciente deixa escapar. Para Paín (1989,p.36) o psicopedagogo deve: [...] animar o diálogo, favorecer a expressão e criar um clima afetuoso e compreensivo; sua missão é de que o casal saia conformado, menos ansioso do que entrou e com uma imagem suficientemente clara da próxima tarefa. Bossa (2007, p.94), diz que: O diagnóstico psicopedagógico é um processo, um contínuo sempre revisável, onde a intervenção do psicopedagogo inicia em uma atitude investigadora, até a intervenção. É preciso observar que esta atitude investigadora, de fato, prossegue durante todo o trabalho, na própria intervenção, com o objetivo da observação ou acompanhamento da evolução do sujeito. Neste artigo estarei abordando o atendimento com adolescente, baseando-me na experiência clínica. O atendimento psicopedagógico a adolescentes nosdesafia inicialmente a entender o que perpassa este sujeito. Esta é uma fase onde muitos sentimentos se conflitam, amam, estudam,brigam, trabalham. Batalham com seus corpos, que se transformam. Lidam com asdificuldades de crescer no quadro da família moderna, isto tudo, se refletirá na
  • 5. 5linguagem, expressão oral e escrita do sujeito, pois, é o momento de compreenderas situações que observa e vive no seu dia-a-dia. Não podemos esquecer asmudanças hormonais, que terão forte atuação neste período. Observa-se a luta constante entre o desejo e a necessidade de “cair nomundo” e o desejo e a necessidade de se manterem protegidos desse mundomisterioso, mas que sonham em conhecer. Oliveira e Bossa (2001, p.108) afirmam que, E enquanto o adolescente muda, o meio e as exigências também mudam. Quanto à escola, tais mudanças favorecem, realmente, a presença de um marco. Fica claramente delimitada a mudança de fase de vida: até dez anos, frequentando a quarta série, o menino e a menina ainda eram crianças, cuidados e protegidos por um ou dois professores, que se responsabilizavam pela maioria dos acontecimentos em sala de aula. No ano seguinte eles mudam, muitas vezes, de prédio dentro da escola, de período ou mesmo de escola. Enfrentam vários professores que são responsáveis pelas matérias que ministram e não pela classe toda, que mudam a cada cinquenta minutos. Têm um período menor de lanche, onde já não se joga mais bola ou se brinca de correr. Precisam se acostumar com exigências diferentes, simpatias e antipatias diferentes, volume maior de tarefas e avaliações. E precisam continuar a aprender... Segundo Outeiral (2008, p.04): A palavra “adolescência” tem dupla origem etimológica e caracteriza muito bem as peculiaridades desta etapa da vida. Ela vem do latim ad (a, para) e olescer (crescer), significando a condição ou processo de crescimento, em resumo, indivíduo apto a crescer. Adolescência também deriva de adolescer, origem da palavra adoecer. Temos sim, nesta dupla origem etimológica, um elemento para pensar estaetapa da vida: aptidão para crescer (não apenas no sentido físico, mas tambémpsíquico) e para adoecer (em termos de sofrimento emocional, com astransformações biológicas e mentais que operam nesta faixa da vida). Para muitos adolescentes é neste momento que o psicopedagogo tem papelfundamental. O psicopedagogo, então, precisa entender como o adolescente pensa,como ele constrói o seu saber, para que seja melhor compreendido em suacomunicação, seja através da expressão oral ou da escrita, entender como aconteceo seu desenvolvimento cognitivo. Em muitos casos, para após traduzir à família e aescola. Considerando que a psicopedagogia se ocupa do sujeito na situação deaprendizagem é fundamental, tanto no diagnóstico como no tratamento, conhecer osdiferentes momentos do processo da etapa adolescente. Para além do rendimento
  • 6. 6escolar, o psicopedagogo deve levar em conta outros aspectos que, de algumaforma, também fazem parte do processo de aprendizagem, atribui-se muitas vezesuma dificuldade intelectual ao adolescente que é identificado como portador de umadificuldade escolar. As transformações corporais, evidentemente, constituem uma das questõesprimordiais da adolescência em geral e, particularmente da sua fase inicial. Oindivíduo se vê obrigado a assistir e a sofrer passivamente uma serie detransformações que se operam em seu corpo, e, por conseguinte, em suapersonalidade. O adolescente, neste momento evolutivo, vive a perda de seu corpo infantil,com uma mente ainda infantil e com um corpo que vai se fazendo inexoravelmenteadulto, que ele teme, desconhece e deseja e, provavelmente, que ele percebe aospoucos diferente do que idealizava ter quando adulto. Na família, também ocorrem modificações, de acordo com Outeiral (2008,p.15): [...] quando um grupo familiar tem um filho que se torna adolescente, este grupo, como um todo. “adolesce”: Os pais, reativando seus elementos adolescentes, poderão portar-se, muitas vezes, como tal; e os irmãos mais novos também irão querer “adolescer”. Adolescência, na nossa cultura, é assim: desperta variados sentimentos, entre eles a inveja. Por exemplo, o adolescente fala do futuro, e os pais têm um discurso cada vez mais centrado no passado. O adolescente “fica” envolvendo-se amorosamente ora com um, ora com outro parceiro, como é natural nessa etapa, e o adulto não pode “ficar” de uma forma tão simples como seu filho [...] estes ao apenas alguns exemplos da “inveja” que o adolescente poderá despertar no adulto. Maurício Knobel (apud Outeiral, 2008) descreve as características daadolescência normal por meio de uma serie de manifestações de conduta. Que são:busca de si mesmo e da identidade, tendência grupal (às vezes funciona como umainstituição, sendo fundamental na estrutura da identidade, necessidade deintelectualizar e fantasiar (o imaginário é mais significativo do que o real),deslocalização temporal (as noções conceituais de presente, passado e futuro seestruturam no final deste período), evolução sexual manifesta (desde o auto-erotismo até a heterosexualidade adulta), atitude social reivindicatória (os intensosconflitos emocionais, as perdas de aspectos infantis de dependência parental),contradições sucessivas em todas as manifestações da conduta (o que é bom hoje,pode ser horrível amanhã e vice-versa), separação progressiva dos pais (luto pelospais da infância, que por sua vez resistem a se desprender de seu filhinho) e
  • 7. 7constantes flutuações de humor e do seu estado de ânimo (não pode haver umadepressão permanente, nem uma reação maníaca). Essas são contribuições de Maurício Knobel que constituem uma das maisimportantes abordagens ao conhecimento da adolescência. É de extrema importância o psicopedagogo estar apropriado destessignificados, mesmo que, tais características podem não estar presentes noadolescente. A partir do ponto de vista psicopedagógico, é importante realizar umaavaliação mais profunda de alguns outros aspectos descritos a seguir. A análise sedá a partir da leitura de Bossa (2001): Desenvolvimento cognitivo: No adolescente surge o pensamento formalou hipotético dedutivo, que vem sendo trabalhado desde o nascimento. Nestemomento o adolescente deve ser capaz de elaborar conceitos abstratos com umamaior reflexão, possibilitando acessar o conhecimento de uma maneira diferente.Para o psicopedagogo durante o diagnóstico, é importante conhecer não somenteque estrutura de pensamento tem o sujeito, mas também, saber como a utiliza. Sistema familiar-social: É importante conhecer o contexto no qual oadolescente está inserido. Desligar-se da família e da infância e ingressar na vidaadulta pode expressar-se através de uma dificuldade de aprendizagem, comotambém de uma inadaptação escolar. É um momento em que a família também sedefronta com uma nova situação de aprendizagem, e juntos, devem estar dispostosa realizar uma nova e árdua aprendizagem. Portanto, conhecer a modalidade deaprendizagem familiar permitirá ao psicopedagogo compreender as particularidadesda aprendizagem do adolescente e dos seus transtornos. Sistema educacional: A instituição deve ser o espaço para o adolescentereceber uma variedade de estímulos, estabelecer a interação entre os pares econstruir uma identidade grupal que permita, ao mesmo tempo, elaborar suaindividualidade. O trabalho com adolescente exige técnicas e recursos adequados para afaixa etária, bem como, o conhecimento do psicopedagogo na interpretação dasatividades. É necessário utilizar outros meios, ou fazer adaptações das atividadesrealizadas com crianças, o que facilitará a expressão nos diferentes aspectos quepretendemos avaliar e intervir.
  • 8. 8 Bossa (2001) nos traz algumas técnicas e recursos úteis que considerointeressante na avaliação com adolescentes. São elas: entrevista livre, teste dodesenho livre, teste da figura humana, teste do par educativo, teste da famíliaprospectiva, teste visão do futuro, teste gestáltico visomotor de Bender, técnica dasfrases incompletas, colagens, testes intelectuais, provas de diagnóstico operatório,avaliação do desempenho escolar. É importante destacar, com base nas leiturasdesta autora, que as conclusões diagnósticas são sempre hipotéticas e estãosujeitas a uma permanente revisão. Pain nos indica outros caminhos. Cabe ao profissional, entender e utilizar oque será adequado para o momento, para aquele paciente, para aquela situação. Escreverei então, de forma sucinta sobre as técnicas utilizadas duranteminha experiência na clínica com um paciente adolescente. Contato telefônico: o primeiro contato que a família faz, já pode serentendido como um movimento interno nela, o que pode significar o início de umamudança. -Motivo da Consulta: é o início de todo o trabalho psicopedagógico. -Enquadre com o paciente: após um primeiro momento com a família, tem-se então uma primeira sessão com o paciente, aonde basicamente vai se delimitar aação e combinar o que acontecerá nos encontros futuros. É o momento do contratocom o paciente, esclarecendo para ele a dinâmica das sessões. Historia Vital: um segundo momento com a família está dedicada àreconstrução da história do sujeito. Hora do Jogo: ao falar dessa fase do diagnóstico, cabe destacar aimportância, e assim justificar o uso do jogo no atendimento psicopedagógico, comooportunidade e necessidade de espaço e tempo para a criança ou adolescente,através dele, comunicar-se e revelar-se. Técnicas Projetivas: as provas projetivas auxiliam o psicopedagogo aentender as partes do sujeito depositadas nos objetos que aparecem como suportes da identificação e quais os mecanismos que atuam diante de umainstrução que obrigam o sujeito a representarem-se situações estereotipadas ecarregadas emotivamente. Diagnóstico Operatório: essas provas têm por objetivo a identificação doestágio ou nível operatório do pensamento. Elas devem ser aplicadas quando já se
  • 9. 9tiver um vinculo entre o psicopedagogo e o sujeito, de forma que seja uma situaçãoagradável, sem interferências de aspectos emocionais. Avaliação da Lecto-Escrita: considero importante ter clareza de que esta éuma atividade permeada de vários sentidos, tais como: audição, percepção, visão,tato, etc. É essencial pensar que no processo de aprendizagem da lecto escrita émuito importante contextualizar a realidade, partindo de elementos que podem serlidos, mas não estão escritos da forma convencional, mostrando que a leituratambém se faz sem letra. Avaliação do Pensamento Lógico-Matemático: é fundamental que aobservação dos processos do sujeito se dê através do jogo, das brincadeiras e desituações prazerosas e desafiadoras, onde o sujeito poderá expressar livremente oseu pensamento. Na realização destas atividades é necessário que o foco doterapeuta esteja localizado no pensamento e raciocínio desenvolvido pelo sujeito. Avaliação Corpo, Expressão e Movimento: O esquema corporal é umelemento básico indispensável para a formação da personalidade do sujeito. É arepresentação relativamente global, cientifica e diferenciada que o sujeito tem deseu próprio corpo. O próprio sujeito percebe-se e percebe os seres e as coisas quea cercam, em função de sua pessoa. Prova Estereognóstica: é o reconhecimento tátil-cinestésico de formas efiguras. Piaget observou que a passagem da percepção para a representaçãoelevava o grau de diferenciação que o sujeito fazia em termos de espaço, criandosignificantes, ligações e a utilização de signos. Hipótese Diagnóstica: diagnosticar o não aprender como sintoma consisteem encontrar sua funcionalidade, isto é, sua articulação integrada pelo paciente eseus pais. Plano de Intervenção: ao concluir o diagnóstico e entender a capacidadede mobilização do paciente e da família, é necessário determinar que tratamento é omais conveniente para o problema colocado. Devolução: é uma comunicação verbal feita ao final de toda a avaliação, emque o psicopedagogo relata aos pais e ao paciente os resultados obtidos ao longodo diagnóstico. Evolução do caso: nesta etapa é importante ter clareza de como estava opaciente quando chegou à prática clínica e como ele se encontra no final dos
  • 10. 10atendimentos. Deixar claro se o paciente está em alta, se foi encaminhado paraoutros atendimentos, se deve seguir com o tratamento. Durante as sessões, é importante compreender como o adolescente exercitanovas possibilidades de pensamento em seu dia-a-dia, o que lhe propiciará um novotipo de relação com o mundo adulto. Entretanto, nem sempre as premissas de quese utiliza levam em conta a dimensão do possível e do real. Para o adolescente éfácil encontrar soluções para os problemas da humanidade, muito embora a maioriadelas não seja exequível na prática, enquanto tem muita dificuldade de resolvercomplicações simples de seu cotidiano. O psicopedagogo, ou o adulto que com oadolescente se encontra, terá papel importante neste momento. Também a escolatem um significado primordial para o adolescente. Conforme o ambiente que elevivencia, teremos um aprendizado prazeroso e propício, ou distúrbios de condutae/ou aprendizagem. Novamente a participação do psicopedagogo será essencial, noauxílio das dificuldades de aprendizagem. Certamente muitas outras reflexões seriam pertinentes ao pensarmos oadolescente, tais como: drogas, sexualidade, entre outras, mas neste momentotermino minha escrita, que certamente instigará na busca de outros saberes ereflexões a respeito da temática abordada. É importante que possamos compreender e aceitar esta fase de oposição daadolescência e, tolerar, impondo limites, mas entendendo este processo deestabelecimento de novos vínculos com a família e com a sociedade, não mais emtermos infantis e sim dentro de um modelo mais adulto, naturalmente será umatarefa básica desta etapa.CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao finalizar a escrita deste artigo, considero importante ressaltar que opsicopedagogo clínico deve inicialmente identificar o motivo do encaminhamento dosujeito para atendimento. O vínculo com este sujeito é muito importante, arrisco-mea dizer que é o que vai fazer progredir ou não o atendimento. Atualmente muitos adolescentes são encaminhados para atendimentoporque estão com dificuldades de aprendizagem, ou porque demonstramdesinteresse nos estudos e desrespeito aos pais e professores. Isto pode ser um
  • 11. 11sintoma a respeito da forma como estão trabalhando com eles. Faz-se necessária areflexão sobre este aspecto. Outras causas do encaminhando para atendimento psicopedagógico, sãooriginadas muitas vezes pela falta de conhecimento sobre a fase dodesenvolvimento adolescente, bem como da interpretação equivocada que se faz dosujeito. É fundamental o papel do psicopedagogo nestes casos, pois ele poderáauxiliar o adolescente na interação dos diferentes espaços onde vive, assim comoaqueles que também fazem parte deste espaço. Sendo assim, a psicopedagogia contribui para a consolidação do campo deconhecimento, assumindo um lugar fundamental na escola e na família,democratizando seu fazer e contribuindo para a construção de uma escola e de umafamília mais atenta às necessidades do sujeito. É de extrema importância um profissional bem preparado para auxiliar nasquestões que envolvem a aprendizagem e a não aprendizagem, as relações,possibilitando o resgate, no sujeito, do desejo de aprender e de ser autor. Aimportância de levarmos em conta aspectos como: o afetivo, o social, o cognitivo,pensando ações em torno dos envolvidos com o sujeito, não pode jamais seresquecida. Num atendimento clínico a sensação de desafio ao término de cada sessãoé o que deverá nos incentivar na busca constante por entendimento dodesenvolvimento cognitivo do sujeito, que necessariamente se transforma e, que,certamente nos inquietará na busca por encontrar a forma adequada de auxiliá-lo. Termino então a escrita deste artigo e, propondo a reflexão dos versosabaixo: A adolescência é um tribunal inesperado: O julgamento do pai pelo filho, O julgamento do filho pelo pai. (Paulo Mendes Campos. O tempo da palavra. 1992) Está naquela idade incerta e duvidosa, Que não é dia claro e já é alvorecer; Entreaberto botão, entrefechada rosa, Um pouco menina e um pouco mulher. (Machado de Assis. Falenas. 1839-1908)
  • 12. 12REFERÊNCIASABERASTURY, Arminda. Adolescência. 2.ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1983.BOSSA, Nadia Aparecida. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir daprática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.ESCOTT, Clarice Monteiro. Interfaces entre a Psicopedagogia Clínica eInstitucional. Um olhar e uma escuta na ação preventiva das dificuldades deaprendizagem. Novo Hamburgo: Feevale, 2004.OLIVEIRA, Vera Barro de. BOSSA, Nadia Aparecida. Avaliação psicopedagógicado adolescente. Petrópolis: Vozes, 2001.OUTEIRAL, José. Adolescer. Rio de Janeiro: Revinter, 2008.PAÍN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. PortoAlegre: Artmed, 1989.