Procedimentos na construcao civil
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  • 1. 2, 3 e 4 de Julho de 2009 ISSN 1984-9354 IMPLANTAÇÃO DE UM SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO (SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHO, QUALIDADE E MEIO AMBIENTE) EM UMA CONSTRUTORA DE OBRAS PESADAS Rodrigo Zicarelli da Silva UTFPR Livia Yu Iwamura UTFPR Rodrigo Eduardo Catai UTFPR Cezar Augusto Romano UTFPR Arildo Dirceu Cordeiro UTFPRResumoAtualmente é comum encontrar empresas certificadas na área daqualidade, inclusive no ramo da construção civil, um setordeficiente em vários fatores como o desperdício de material, mãode obra desqualificada, geração de enormes quantidades deresíduos sólidos e sobretudo altos índices de acidente do trabalho.Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), aconstrução civil é o setor que apresenta os maiores números deacidentes de trabalho. Paralelamente, a busca da certificação nasnormas ISO 14001 e na OHSAS 18001, (referentes a sistemas degestão em meio ambiente e saúde e segurança ocupacionalrespectivamente) cresce a cada dia, seja por exigências domercado de maneira geral, por consciência social e moral ou peloconhecimento dos benefícios gerados com a implantação destessistemas. Para estas empresas torna-se muito mais vantajoso aimplantação desses três sistemas de gestão de maneira integrada.Em diversas empresas, já é comum a exigência do Engenheiro deSegurança do Trabalho, que além de atuar na área de saúde esegurança, também responde por questões relativas ao meioambiente, qualidade e produtividade das empresas. Neste trabalhoprocurou-se identificar os benefícios gerados para a saúde esegurança dos trabalhadores de uma empresa no ramo daconstrução pesada com a implantação de um sistema integrado degestão. Para isto houve a aplicação de uma lista de verificação
  • 2. V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Niterói, RJ, Brasil, 2, 3 e 4 de julho de 2009 com vários requisitos de saúde e segurança em duas obras desta empresa, uma antes da implantação do sistema e outra depois. Ao final deste trabalho foi possível concluir que o nível de risco a que os trabalhadores desta empresa estavam expostos reduziu-se consideravelmente após a implantação do sistema integrado de gestão, diminuindo a probabilidade de acidentes do trabalho e proporcionando um ambiente de trabalho mais seguro.Palavras-chaves: Construção Civil; Saúde; Segurança; SistemasIntegrados de Gestão. 2
  • 3. V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Niterói, RJ, Brasil, 2, 3 e 4 de julho de 20091. INTRODUÇÃO A busca por certificações na área de Sistemas de Gestão em Meio Ambiente, Saúde eSegurança Ocupacional (SSO) vem crescendo no ramo da construção civil, devido àcompetitividade do mercado, à exigência do consumidor e à conscientização quanto aosbenefícios advindos da implantação destes sistemas. Segundo o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial –INMETRO, o setor brasileiro da construção é o terceiro em número de empresas comcertificados ISO 9001 credenciados (2007). A normatização da ISO 14001 e da OHSAS18001, aliada a uma equipe de Serviços Especializados em Engenharia da Segurança eMedicina do Trabalho (SESMT) assegura a saúde, a segurança e o bem-estar no meioambiente, garantindo padrões de qualidade e produtividade nas empresas. Uma vez que estes parâmetros trabalham em conjunto, justifica-se a implantaçãodesses sistemas de gestão de maneira integrada. Além disso, o planejamento dos processosprodutivos, a padronização das tarefas, a atribuição de responsabilidades e o controle deinconformidades evita re-trabalhos. O resultado disto é a redução de custos de operação, oaumento da produtividade e qualidade dos produtos e assim, a satisfação dos clientes. No caso da construção civil, os elevados índices de acidentes registrados pelaOrganização Internacional do Trabalho (OIT) comprovam a necessidade de melhorias nagestão como um todo. Pesquisas do Health and Safety Executive constatam que o ônusdecorrente de acidentes de trabalho equivale a 5% a 10% do lucro bruto de todas as empresasdo Reino Unido (BRITISH STANDARD 8800, 1996). Além disso, a construção civil noBrasil apresenta outros fatores desfavoráveis: mão de obra muitas vezes desqualificada; altosíndices de desperdício de material e horas trabalhadas; grande geração de resíduos sólidos. Os benefícios financeiros de uma gestão em segurança e saúde ocupacional não seresumem à redução dos custos diretos dos acidentes, englobando a diminuição do índice deabsenteísmo, o aumento da produtividade propiciado por um ambiente de trabalho maisseguro e a crescente credibilidade da empresa perante o mercado, favorecida pelapreocupação ambiental. O objetivo deste trabalho é identificar os benefícios gerados à saúde e segurançaocupacional dos funcionários de uma empresa de construção pesada com a implantação de um 3
  • 4. V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Niterói, RJ, Brasil, 2, 3 e 4 de julho de 2009Sistema Integrado de Gestão (SIG), que concilie os setores de saúde e segurança, qualidade emeio ambiente.2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA A indústria da construção é um setor muito relevante no crescimento da economia deum país. De acordo com a Pesquisa Anual da Indústria da Construção de 2004, 109.003empresas de construção eram responsáveis pela ocupação formal de 1.579.021 funcionários,produzindo um valor bruto acima dos R$ 95 bilhões. Deste valor, 35,2% corresponde àparticipação do segmento da construção pesada (PAIC, 2004). A Tabela 1 compara a quantidade de acidentes liquidados ocorridos no geral e no setorespecífico da construção no Brasil em 2005. Dos 528.134 acidentes, 28.532 eram relativos àindústria da construção (MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, 2005). Tabela 1 – Acidentes de trabalho liquidados no Brasil Afastamento Afastamento Assistência Incapacidade SETOR com menos com mais de Óbito TOTAL Médica Permanente de 15 dias 15 dias GERAL 82.191 274.410 155.211 13.614 2.708 528.134CONSTRUÇÃO 4.788 11.624 10.544 1.273 303 28.532 PERCENTUAL 5,83% 4,24% 6,79% 9,35% 11,19% 5,40% Fonte: Adaptado do Ministério da Previdência Social (2005) Para Zocchio (2002), no Brasil as Normas Regulamentadoras (NR) reúnem requisitosmínimos necessários à prevenção de acidentes e doenças do trabalho. O Ministério doTrabalho e Emprego (MTE) determina o cumprimento obrigatório das NR por toda empresapública ou privada que seja regida pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O berço das normas de sistemas de gestão foi a Grã-Bretanha, através da fundação daBritish Standard (BS) em 1901. Em 1996, o órgão publicou a norma BS-8800, que trata desistemas de gestão em SSO. Em 1999 surgiu a Occupational Health and Safety ManagementSystems - OHSAS 18001, esclarecida na sequencia pela OHSAS 18002 (BENITE, 2004). Esteconjunto de normas é o mais atual e completo no âmbito dos sistemas de gestão da segurançae saúde no trabalho (ANUÁRIO PROTEÇÃO, 2006). 4
  • 5. V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Niterói, RJ, Brasil, 2, 3 e 4 de julho de 2009 Um dos instrumentos que pode reduzir o número de acidentes de trabalho é umsistema de gestão. Segundo a norma britânica BS 8000, sistema de gestão é um conjunto depessoas, recursos e procedimentos que interagem de forma organizada, visando realizar umatarefa ou atingir um resultado. Um sistema integrado de gestão em SSO, qualidade e meioambiente é um conjunto de ferramentas interrelacionadas, que busca:  melhorias no ambiente de trabalho e na SSO do trabalhador;  melhorias na qualidade dos serviços e produtos oferecidos ao cliente;  diminuição da poluição e a preservação do meio ambiente em geral. Na Tabela 2, Benite (2004) resume os principais objetivos dos sistemas de gestão: Tabela 2 – Objetivos dos sistemas de gestão NORMA SISTEMA PROPÓSITO ISO 9001 Sistema de Gestão da Qualidade Satisfação do cliente ISO 14001 Sistema de Gestão Ambiental Prevenção da poluição OHSAS 18001 Sistema de Gestão em SSO Ambiente de trabalho seguro e saudável Fonte: BENITE, 2004 Na norma OHSAS 18001 consta o princípio da melhoria contínua do PDCA (Planejar,Desenvolver, Controlar e Agir). Desenvolvido na década de 50 por Edward Deming, o PDCAprecedeu o sistema de gestão, pois defende que a associação entre correção, prevenção eprognóstico são meios de aprendizado e melhorias para as organizações (CERQUEIRA,2006). Para Benite (2004), o ciclo de melhoria contínua pode ser descrito conforme a Figura1. Segundo Cerqueira (2006), normas como a International Organization forStandartization (ISO) e a Occupational Health and Safety Management Systems (OHSAS)auxiliam na gestão de empresas, ao conciliar os interesses econômico-financeiros ao impactodecorrente das atividades, no âmbito da SSO e do ambiente. Meseguer (1991) destaca aspectos que dificultam a aplicação de ferramentas dequalidade na construção: caráter nômade; ineditismo de cada obra; impossibilidade daprodução em cadeia; mão de obra geralmente pouca qualificada e de caráter eventual;intempéries; tradicionalismo; ineficaz definição de responsabilidades, orçamentos, prazos, etc. 5
  • 6. V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Niterói, RJ, Brasil, 2, 3 e 4 de julho de 2009 Figura 1 – Ciclos de melhoria contínua: OHSAS 18001 e PDCA Fonte: Adaptado de BENITE (2004) Apesar das condições desfavoráveis, a aplicação de sistemas de gestão e normasinternacionais nos processos industriais aumentou, devido à busca de um diferencial queassegure qualidade de produtos e serviços (BSI, 2007). Com a interação entre economiasmundiais foi criada a International Organization for Standardization (ISO, 1947), umorganismo responsável pela criação de normas internacionais que facilitassem o comércio debens e serviços entre os países (BARBOSA, 2002). A efetividade do sistema de gestão de saúde e segurança ocupacional já foicomprovada: em Pernambuco, uma empresa da construção civil de grande porte reduziu em97% os riscos de acidentes do trabalho, e os gastos com o passivo de segurança do trabalhopassaram de R$ 305 mil (2003) para R$ 18 mil (2005) (BARKOKÉBAS et al., 2007). Para oautor, a promoção da segurança do trabalho é uma obrigação moral, pois evita riscos à própriaempresa, aos trabalhadores e familiares, resultando em um menor custo econômico e social. Segundo Viterbo Junior (1998), o respeito ao ser humano e ao meio ambientepromovido por empresas é bem-visto perante a sociedade. Para tal, algumas medidas sãofundamentais: o combate à geração de resíduos, assim como o controle de qualidade dosprodutos deve ocorrer no momento da geração e não ao final do processo. A articulação dos sistemas de gestão da qualidade, meio ambiente e SSO aumenta aprodutividade, melhora o gerenciamento e potencializa resultados, ao atingir objetivos deforma global e evitar gastos em duplicidade (CRUZ, 1998). Segundo pesquisa do Centro da 6
  • 7. V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Niterói, RJ, Brasil, 2, 3 e 4 de julho de 2009Qualidade, Segurança e Produtividade para o Brasil e América Latina - QSP (2000), 65% dasempresas com certificado ISO 14001 aplicam o SIG, e os principais benefícios citados são:redução com custos de implantação, manutenção, recursos e infraestrutura, diminuição daburocracia, melhoria do desempenho e da imagem da empresa e aumento da satisfação dosclientes (DE CICCO, 2000). A implantação de um SIG em SSO requer mudanças nos conceitos gerais da empresa;deve haver disposição e participação de todos especialmente da alta administração, além deuma grande organização das tarefas (PACHECO JÚNIOR, 1995). Como o sistema de gestãoda qualidade pela ISO 9001 é o mais difundido na construção civil, este poderia servir de basepara a integração com os outros sistemas, como a ISO 14001 e a OHSAS 18001. Tal propostaincentiva a criação de sistemas mais simples, sem redundância de procedimentos, programas eoutras atividades (BENITE, 2004). Cerqueira (2006) define as etapas de implantação e do SIG conforme a Figura 2: Figura 2 – Etapas da implantação do SIG Fonte: Adaptado de CERQUEIRA (2006) 7
  • 8. V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Niterói, RJ, Brasil, 2, 3 e 4 de julho de 2009 Segundo o autor, a OHSAS 18001 define requisitos para a implantação de um sistemade gestão de SSO, permitindo que as empresas controlem os riscos de acidentes e doenças dotrabalho. Conforme a OHSAS 18001 (1999), são deveres da política da empresa:  apropriação segundo a natureza e a escala dos próprios riscos;  comprometimento com a melhoria contínua;  atendimento de, no mínimo, a legislação vigente de SSO;  documentação, implementação e manutenção;  divulgação a todos os funcionários;  disposição para as partes interessadas;  análise crítica periódica. A organização deve estabelecer e manter objetivos de SSO, para que se avaliaranalisar criticamente os resultados obtidos (BENITE, 2004). Paralelamente, deverá haver umasistemática para a identificação contínua dos perigos e avaliação dos riscos (CERQUEIRA,2006). O planejamento em SSO deve ser pró-ativo e não reativo, conforme Cruz (1998)demonstra na Figura 3. Figura 3 – Planejamento em Segurança e Saúde Ocupacional Fonte: Adaptado de CRUZ (1998) 8
  • 9. V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Niterói, RJ, Brasil, 2, 3 e 4 de julho de 2009 Deve-se assegurar que as pessoas possuam a competência e a conscientizaçãonecessária para a realização de suas tarefas sem que haja impactos SSO. A competência dostrabalhadores deve estar estabelecida segundo três itens fundamentais: o grau de instrução,treinamentos e experiência (BENITE, 2004). A sistematização proposta pela OHSAS 18001 (1999) prevê a identificação de perigose riscos bem como a definição de processos de redução ou eliminação. Além disso, o registrode cada ação possibilitará futuras consultas a tais documentos. Para monitorar o desempenho em SSO de uma empresa, Benite (2004) propõe:  contabilização, taxa de gravidade e custos dos acidentes;  inspeção e avaliação ergonômica nos locais de trabalho, máquinas e equipamentos;  auditorias internas e externas;  avaliação de eficácia dos treinamentos realizados;  monitoramento de saúde ocupacional através de exames médicos periódicos. Finalmente, a OHSAS 18001 (1999) define a análise crítica como última etapa a serimplantada no sistema de gestão. A alta administração das organizações deve analisarcriticamente o sistema de gestão em SSO, visando garantir sua conveniência, adequação emelhoria contínua. A possibilidade de revisão da política, objetivos ou outros elementoscompromete a empresa com o processo de melhoria contínua.3. METODOLOGIA Na primeira etapa da metodologia definiram-se diretrizes, requisitos obrigatórios eelementos necessários para a implantação de um SIG baseado nas normas ISO 9001, ISO14001 e OHSAS 18001, bem como quais procedimentos exigidos pelas normas poderiam serintegrados no sistema de gestão. Em seguida, conduziu-se a implantação do sistema integrado de gestão em umaconstrutora de obras pesadas. Este acompanhamento aconteceu desde a criação dadocumentação até a implantação propriamente dita do sistema. Para a identificação dos resultados empregou-se uma análise qualitativa, além dautilização de uma lista de verificação que contemplava diversos itens referentes à SSO,subordinados à conformidade com a legislação vigente. A empresa estudada possuía esta lista 9
  • 10. V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Niterói, RJ, Brasil, 2, 3 e 4 de julho de 2009preenchida em contratos prévios, devido a ser uma exigência do contratante. Para viabilizaruma análise comparativa, aplicou-se a mesma lista em uma obra de característicassemelhantes às obras anteriores. A desclassificação de itens foi considerada um aspecto derisco à saúde e à segurança dos trabalhadores.4. RESULTADOS E DISCUSSÕES Antes de se implantar um sistema integrado de gestão, é necessário realizar umaanálise crítica inicial. Observou-se que na empresa não havia gerenciamento ou planos detreinamento relativos à saúde e segurança ocupacional, além de ocorrerem negligências comoa inexistência Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). A gestão em SSOcontava apenas com programas obrigatórios, como o de Controle Auditivo (PCA), Condiçõese Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT), Controle de Medicina eSaúde Ocupacional (PCMSO) e Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). Tais programasnão eram colocados em prática; apenas cumpriam exigências contratuais e legais. Para a implantação do SIG, a empresa designou um comitê composto por um técnicode segurança, um engenheiro de segurança e o engenheiro responsável pela empresa, além dosuporte do diretor administrativo. Cabia-lhe também a definição e divulgação da política desaúde e segurança, qualidade e meio ambiente. O prazo estipulado para a implantação doselementos fundamentais do SIG foi de um ano. As falhas identificadas geraram planos de ações com prazos e responsáveis para suarealização. Determinaram-se responsabilidades e autoridades, a nível gerencial, relativas àsrotinas do sistema de gestão de saúde e segurança, qualidade e meio ambiente através de umorganograma e uma matriz. A gestão em SSO adotada pela empresa foi organizada em cincopontos principais, descritos na sequência. A primeira etapa foi a identificação e cumprimento da legislação aplicável àsatividades da empresa e à interação com o meio ambiente. Para tal, levantou-se toda alegislação pertinente, que foi organizada em uma planilha para fins de registro e consulta.Como este procedimento requer um conhecimento específico, muitas vezes há a contrataçãode assessorias especializadas. Na etapa seguinte, foram identificados os perigos e riscos à SSO decorrentes dasatividades da empresa. Criou-se um procedimento para levantar, avaliar e controlar perigos e 10
  • 11. V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Niterói, RJ, Brasil, 2, 3 e 4 de julho de 2009riscos, determinando os mais significativos. A avaliação dos perigos e riscos levou em conta aprobabilidade, severidade e o grau de risco. A Tabela 3 foi utilizada no levantamento eidentificação dos perigos e riscos para determinadas atividades da empresa. Tabela 3 – Levantamento dos perigos e riscos para atividades específicas A probabilidade foi classificada em três níveis: improvável (inexistência de registrosanteriores), provável (raras ocorrências passadas) e altamente provável (possível recorrência, 11
  • 12. V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Niterói, RJ, Brasil, 2, 3 e 4 de julho de 2009mesmo com medidas preventivas). Quanto à severidade, a classificação aplicada foi:levemente prejudicial (lesões superficiais, danos materiais leves), prejudicial (doençasdecorrentes de trabalho repetitivo ou exposição contínua à agente externo, problemasauditivos, dermatites, danos materiais) e extremamente prejudicial (amputações, fraturasmaiores, envenenamentos, câncer ocupacional, doenças agudas fatais, morte e danos materiaisconsideráveis). A combinação entre probabilidade e severidade determina a classificação dorisco em trivial, tolerável, moderado, substancial e intolerável. Este levantamento serviu como base para definir os objetivos e metas do SistemaIntegrado de Gestão. Embora pudesse ser integrado à identificação dos aspectos e impactosambientais, a empresa optou por utilizar planilhas distintas. O terceiro estágio foi o registro, análise e investigação dos incidentes ambientais e deSSO, seguido de elaboração de plano de ação para eliminar as causas do acidente e evitareventos semelhantes (prazos, local de implantação, definição de responsáveis pela execuçãode medidas). Este plano foi divulgado em reuniões de segurança e da CIPA, quadros de avisosou Diálogo Diário de Segurança (DDS), visando o envolvimento dos trabalhadores e afiscalização do cumprimento das medidas dentro dos prazos. Além deste procedimento, aempresa preencheu mensalmente os quadros da NR4, registrando as taxas de freqüência egravidade de acidentes, mesmo quando não houve ocorrências. Um fato interessante observado na empresa estudada foi um aumento no número deacidentes registrados após a implantação do sistema de gestão. Na realidade, antes do SIGmuitos acidentes não eram registrados; não era aberta a Comunicação de Acidente deTrabalho (CAT) e não havia nenhuma investigação das causas. A quarta fase do SIG corresponde às auditorias, que possibilitam verificar se osprocedimentos estão em conformidade com o planejamento, normas aplicáveis e documentosinternos. As auditorias foram realizadas por equipe treinada, proveniente de setor distinto aoavaliado. A empresa optou por realizar auditorias independentes para saúde e segurança, meioambiente e qualidade. As avaliações ocorrem segundo plano anual, podendo haver auditoriasextraordinárias no caso de não conformidades ou reclamações. O quinto estágio corresponde aos registros das auditorias. Para cada falha detectadaabre-se um relatório individual contendo descrição, avaliação e procedimentos de açõescorretivas. Os resultados das auditorias são submetidos semestralmente à analise crítica da 12
  • 13. V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Niterói, RJ, Brasil, 2, 3 e 4 de julho de 2009alta direção, que define ações e medidas para manutenção e ajustes do SIG, realimentando ociclo e comprometendo-se com a melhoria contínua. Constatou-se que vários fatores estão envolvidos na melhoria do Sistema Integrado deGestão: resultados de auditorias, avaliações do atendimento aos requisitos legais, indicadoresde desempenho e cumprimento dos objetivos, situação das ações corretivas, adoção de açõespreventivas para eliminar as causas de não conformidades, dentre outros. Como a implantação do SIG na empresa em questão é recente, ainda não foi realizadanenhuma reunião de análise crítica; o comitê de implantação optou por aguardar mais algumtempo para que se possa obter uma quantidade maior de indicadores. No entanto, a lista deverificação foi aplicada em duas obras semelhantes realizadas pela empresa, antes e depois daimplantação do SIG. A figura 4 contabiliza os requisitos de saúde na Obra 1 em 2005, isto é,antes da implantação do Sistema Integrado de Gestão. Figura 4 – Resultado da verificação de requisitos de Saúde na Obra 1 em 2005 Pode-se notar que o maior percentual de negligência refere-se às áreas de vivência eedificações, correspondente à NR 18 (Condições e Ambiente de Trabalho na Indústria daConstrução). Como as frentes de serviço mudavam constantemente de local, era constante aconstrução de novos canteiros de obra. Além disso, os alojamentos eram bastante utilizados. Apesar da existência de PPRA e PCMSO, estes programas não eram cumpridos, assimcomo muitos itens da NR 7 e NR 9. Por isso o PPRA chegou a apresentar 67% de nãoconformidades. Na Figura 5 constam os resultados dos requisitos de segurança da Obra 1. 13
  • 14. V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Niterói, RJ, Brasil, 2, 3 e 4 de julho de 2009 Figura 5 – Resultado da verificação de requisitos de Segurança na Obra 1 em 2005 Um dos parâmetros negligenciados é o não cumprimento do requisito “CIPA”,justamente porque em 2005 a empresa não possuía Comissão Interna de Prevenção deAcidentes. O requisito “Ordem e Limpeza” também deixou a desejar. O mau desempenho noitem “Treinamento e Avaliação” deve-se à inexistência de um plano ou gestão; no caso doitem “Documentos de Referência”, não há a NBR-7678 (Segurança na execução de obras eserviços de construção) e as Normas Regulamentadoras no canteiro de obras. Os parâmetros “EPI”, “Máquinas e Equipamentos”, “Ferramentas Diversas” e“Demolições” foram bem avaliados graças à presença do técnico de segurança nas frentes deserviço, uma vez que estes serviços exigiam uma fiscalização mais rigorosa. A segunda obra em que foi aplicada a lista possui as mesmas características da Obra 1e será chamada de Obra 2. Esta obra teve início em 2007 e está em andamento. A Figura 6apresenta os requisitos de saúde na Obra 2, após a implantação do SIG. 14
  • 15. V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Niterói, RJ, Brasil, 2, 3 e 4 de julho de 2009Figura 6 – Resultado da verificação de requisitos de Saúde na Obra 2 com a implantação do SIG A Figura 7 registra melhoria em comparação à Obra 1, principalmente para osrequisitos “PPRA” (aumento de 33% para 67%) e “Áreas de Vivência e Edificações”(aumento de 18% para 91%). Uma das razões pode ser a implantação das inspeções desegurança e o registro das não conformidades e suas respectivas ações corretivas, embora esteprocesso ter sofrido com a resistência da alta direção no início de sua implantação. A Figura 7mostra os requisitos de segurança da Obra 2 verificados com a implantação do SIG.Figura 7 – Resultado da verificação de requisitos de Saúde na Obra 2 com a implantação do SIG 15
  • 16. V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Niterói, RJ, Brasil, 2, 3 e 4 de julho de 2009 Da mesma forma que os requisitos de saúde, os requisitos de segurança da Obra 2também melhoraram em comparação a Obra 1. Os itens “Máquinas e Equipamentos”,“Escavações” “Ferramentas Diversas” e Demolições” apresentaram 100% de conformidade,sendo que quase todos os outros itens apresentaram melhorias. Os requisitos “Documentos de Referência”, “Ordem e Limpeza” e “Treinamento eAvaliação” ainda apresentam um grande número de não conformidades. A conformidade noitem “Documentos de Referência” é obtida com a disponibilização da NBR-7678 e dasNormas Regulamentadoras no canteiro de obras. Quanto à “Ordem e Limpeza”, novamente ajustificativa é a itinerância das frentes de serviço; ainda assim o índice de conformidadeevoluiu de 25% para 50%. A questão “Treinamento e Avaliação” exige a implantação de umagestão de treinamentos de colaboradores; entretanto este é item presume maior investimentofinanceiro, pois requer a contratação de pessoal especializado com salários mais elevados. A análise da implantação do SIG nesta empresa considerou que as maioresdificuldades surgiram com a geração de custos diretos para as medidas. A cultura dasegurança ainda não foi totalmente assimilada pelos sócios-diretores da empresa, os quaisainda não reconhecem o retorno financeiro que a segurança do trabalho pode proporcionar. A maior dificuldade encontrada pelo comitê de implantação do SIG foi a falta departicipação direta dos sócios-diretores no processo de implantação, uma vez que a iniciativanão partiu da alta direção da empresa. Se a empresa possuísse um sistema de gestão daqualidade já implantado a integração entre os procedimentos seria mais simples, mas estecondicionante comprovou a efetividade da proposta de um sistema integrado partindo do zero. Pode-se observar que antes da implantação do sistema integrado de gestão muitositens não estavam em conformidade. Assim sendo, o grau de risco e a probabilidade deocorrência de acidentes eram elevados. Com a implantação do SIG, a quantidade de itens nãoconformes baixou de 44% para 22%, reduzindo também o nível de risco ao qual ostrabalhadores estavam expostos e consequentemente a probabilidade de acidentes do trabalho.5. CONCLUSÕES Com base nos resultados obtidos, pode-se concluir que o Sistema Integrado de Gestãoefetivamente reduziu o nível de risco ao qual os trabalhadores da empresa estudada estavamexpostos, mesmo que a implantação do sistema ainda esteja em andamento. Vários setores 16
  • 17. V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Niterói, RJ, Brasil, 2, 3 e 4 de julho de 2009relativos à SSO apresentaram melhorias significativas, destacando-se a constituição daComissão Interna de Prevenção de Acidentes, do Programa de Prevenção de RiscosAmbientais e das Áreas de Vivência e Edificações. A implantação de um sistema integrado de gestão é mais rápida e menos burocráticaquando as empresas já possuem, pelo menos, um sistema de gestão da qualidade implantado.Sem um sistema de gestão, o setor de Saúde e Segurança Ocupacional provavelmente nãocumprirá a legislação, como no prévio diagnóstico da empresa. É de fundamental importância que a alta direção das empresas participe do processode implantação do SIG, compreendendo-o como um benefício mútuo para os colaboradores ea própria organização e não apenas como a geração de custos extras. Para a efetivaimplantação do SIG, deve se levar em conta os benefícios gerados, e não os custos deimplantação. O objetivo não é simplesmente atender à legislação, mas sim buscar melhoriasaos trabalhadores, ao gerenciamento da produção e ao meio ambiente, reduzindo assim apossibilidade de qualquer tipo de perdas e trazendo melhores resultados para as empresas. Conclui-se ainda que a articulação de sistemas de gestão garante melhorias no que dizrespeito a investimentos, manutenção, produtividade, gerenciamento e resultados, pois visaobjetivos globais e evita gastos em duplicidade. Comprovou-se a maior eficiência do SIG em implantação e manutenção do sistema,treinamentos, auditorias e certificações e burocracia do que em sistemas separados. Da mesmaforma, identificaram-se benefícios para saúde e segurança dos trabalhadores, através dasignificativa diminuição do nível de risco ao qual estavam expostos e de melhorias noambiente de trabalho.REFERÊNCIASANUÁRIO BRASILEIRO DE PROTEÇÃO 2006. Revista Proteção. Disponível em:<http://www.protecao.com.br>. Acesso em 16 de junho de 2007.BARKOKÉBAS, Béda et al. Menos riscos nos canteiros. Revista Proteção, n° 183, março2007.BENITE, Anderson Glauco. Sistema de gestão da segurança e saúde no trabalho paraempresas construtoras. São Paulo: 2004. Dissertação (Mestrado em Engenharia) – EscolaPolitécnica da Universidade de São Paulo. 17
  • 18. V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Niterói, RJ, Brasil, 2, 3 e 4 de julho de 2009BRITISH STANDARD. BS 8800 – Guide to occupational health and safety managementsystems. British Standard. 1996.BRITISH STANDARDS INSTITUITION. Occupational health and safety managementsystems – specification BSI-OHSAS 18001. London: 1999.BSI. Disponível em: <http://www.bsibrasil.com.br>. Acesso em 22 de setembro de 2007.CERQUEIRA, Jorge Pedreira de. Sistemas de gestão integrados: ISO 9001, NBR 16001,OHSAS 18001, SA 8000: Conceitos e aplicações. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2006.CRUZ, Sybele M.S. da. Gestão de segurança e saúde ocupacional nas empresas deconstrução civil. Florianópolis: 1998. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) -Universidade Federal de Santa Catarina.DE CICCO, Francesco. Sistemas integrados de gestão – Agregando valor aos sistemasISO 9000. Nov. 2000. Disponível em: <http://www.qsp.com.br/artigo.html>. Acesso em 22de setembro de 2007.BRASIL. Manual de Legislação Atlas: Segurança e medicina do trabalho. 59ª ed. SãoPaulo: Atlas S.A., 2006.MESEGUER, Álvaro Garcia. Controle e Garantia da Qualidade na Construção. SãoPaulo: SindusCon/SP, 1991.MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Acidentes do Trabalho. Disponível em:<http://www.mpas.gov.br>. Acesso em 04 de maio de 2007.MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Comunicação de acidente de trabalho -Manual. Disponível em: <http://www.mpas.gov.br>. Acesso em 01 de fevereiro de 2008.ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO - OIT. Disponível em:<http://www.oitbrasil.org.br>. Acesso em 04 de maio de 2007.PACHECO JÚNIOR, Waldemar. Qualidade na segurança e higiene do trabalho: sérieSHT 9000, normas para gestão e garantia da segurança e higiene do trabalho. São Paulo:Atlas, 1995.ZOCCHIO, Álvaro. Prática da prevenção de acidentes: ABC da segurança do trabalho.7ª ed. São Paulo: Atlas, 2002. 18
  • 19. V CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Gestão do Conhecimento para a Sustentabilidade Niterói, RJ, Brasil, 2, 3 e 4 de julho de 2009VITERBO JUNIOR, Enio. Sistema integrado de gestão ambiental. 2ª ed. São Paulo:Aquariana, 1998. 19