Your SlideShare is downloading. ×
Só Tu Podes Alcançar
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Thanks for flagging this SlideShare!

Oops! An error has occurred.

×

Saving this for later?

Get the SlideShare app to save on your phone or tablet. Read anywhere, anytime - even offline.

Text the download link to your phone

Standard text messaging rates apply

Só Tu Podes Alcançar

1,636
views

Published on

O livro "Só tu podes alcançar" que contém poemas e frases não publicadas no blog. …

O livro "Só tu podes alcançar" que contém poemas e frases não publicadas no blog.

http://noites-de-utopia.blogspot.com/

Published in: Education

0 Comments
1 Like
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total Views
1,636
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
2
Actions
Shares
0
Downloads
35
Comments
0
Likes
1
Embeds 0
No embeds

Report content
Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
No notes for slide

Transcript

  • 1. 1
  • 2. 2
  • 3. 3
  • 4. SÓ TU PODES ALCANÇAR DANIEL PAIVA 4
  • 5. 5
  • 6. Dedico este livro a todos aqueles que fazem de uma lágrima um sorriso, ultrapassando todos os obstáculos com que se deparam, aprendendo com o passado e lutando dia-a-dia por um futuro… 6
  • 7. 7
  • 8. Índice Nota introdutória .....................................................................................................................9 I – Início ................................................................................................................................. 16 II – Rádio ................................................................................................................................ 18 III – Chuva .............................................................................................................................. 20 IV – O maior erro ................................................................................................................... 22 V – Aquele lugar ..................................................................................................................... 24 Amor ..................................................................................................................................... 26 VI – Fui feliz ........................................................................................................................... 28 VII – Hoje ............................................................................................................................... 30 VIII – Esperança ..................................................................................................................... 32 IX – Saudade .......................................................................................................................... 34 X – Conheci-as ........................................................................................................................ 36 Segredo ................................................................................................................................. 38 XI – Dor .................................................................................................................................. 40 XII – Morte ............................................................................................................................. 42 XIII – Agradeço-te .................................................................................................................. 44 XIV – Sonho ........................................................................................................................... 46 XV – Amizade ......................................................................................................................... 48 Aquele dia … .......................................................................................................................... 50 XVI – Acreditar ....................................................................................................................... 52 XVII – Fim .............................................................................................................................. 54 XVIII – Recordação ................................................................................................................. 56 XIX – Inocência ....................................................................................................................... 58 XX – Poesia e amor ................................................................................................................ 60 Noite I .................................................................................................................................... 62 XXI – Silêncio ......................................................................................................................... 64 XXII – Primeiro amor .............................................................................................................. 66 XXIII – Longe .......................................................................................................................... 68 8
  • 9. Noite II ................................................................................................................................... 69 CONFIDÊNCIAS ...................................................................................................................... 71 Só tu podes alcançar .............................................................................................................. 75 Conclusão ............................................................................................................................ 727 9
  • 10. Nota introdutória Luís de Camões, na sua obra “Os Lusíadas” conta a história de um povo, conta episódios que revelam a coragem lusa em enfrentar qualquer vicissitude, conta a dura caminhada que todos nós temos que fazer para atingir um objectivo. Eu não me proponho a tal. Este livro baseia-se na realidade, nua e crua realidade, sem recorrer a mitos e deuses, sem camuflar a história com palavreado cujo significado nos ultrapassa. Mas atenção que isto não quer dizer que esta obra se possa sequer comparar aos Lusíadas, muito menos superiorizar-se a tal património incontestável. Pretendo apenas e só contar uma história que está longe de ser um conto de fadas, uma história de contradições, de lágrimas e olhares, uma história com finais e recomeços, uma história com histórias. Ao mesmo tempo revelarei raivas e sentimentos que de mim fluíram em momentos de descontrolo. Misturando poesia com prosa espero transmitir da melhor maneira possível o que senti e o que sinto, espero conseguir deixar o leitor com lágrimas nos olhos no final de cada texto/poema, espero honrar uma paixão inesquecível, honrar cada sorriso e cada lágrima que de mim e dela saiu, honrar cada momento, cada dor, cada alegria…honrar-te! Cada verso terá mais que um significado, cada estrofe terá dezenas de lembranças, cada poema guardará um sorriso, mas também uma lágrima; ao fim do livro haverá apenas um sentimento, indecifrável sentimento. Por entre tudo isto estarão noites passadas em claro, noites em que a fraqueza corrompeu corações, noites em que escorreram dos olhos fios de esperanças perdidas, noites em que as recordações levaram à crença, noites em que tudo foi imperceptível. 10
  • 11. Ambiciono apenas que no final do livro todos possam dizer que valeu a pena ler as páginas que o constituem, ambiciono apenas que um sorriso seja a reacção de cada leitor, mesmo sendo um sorriso acompanhado por lágrimas. Se isto se verificar poderei dizer sem duvidar que valeu a pena sofrer por cada palavra que escrevi…porque saberei que imortalizei uma história, não só no meu coração, mas em muitos mais. 11
  • 12. “Se não queres ser esquecido quando morreres, escreve coisas que valha a pena ler ou faz coisas que valham a pena ser escritas.” Benjamin Franklin 12
  • 13. 13
  • 14. Sobre cada poema pairará sempre um sol brilhante, tapado por nuvens escuras que não deixam vislumbrar a felicidade; sobre cada história surgirá sempre um sorriso, acompanhado por lágrimas de tristeza; sobre cada sentimento estará sempre o reflexo da sua imensidão, um reflexo desfocado pela fraqueza. 14
  • 15. 15
  • 16. I Olhares ocasionais entre nós ocorriam, Simples “olás” nos limitávamos a trocar, No início nem nossos corações previam Que um dia tudo iria mudar. Foste tu quem deu o primeiro passo, Um mero toque, nada de mais, Foi aí o princípio de tudo, é o que penso, Teríamos depois as conversas iniciais, Disse sempre a verdade; assim o fiz, assim o faço. Entraste na minha vida antes de na tua eu entrar, Fizeste tremer o meu mundo, tal não posso negar, Deixaste-me confuso, ainda hoje assim me consegues deixar, Houve tantos momentos perfeitos, insisto em os recordar. Horas e horas passámos juntos, repetidamente, Todos os dias conversávamos, nos tocávamos, Uma e outra vez, não nos cansávamos, Devagar, muito devagar, conhecemo-nos apaixonadamente. 16
  • 17. Este poema marca o início. Recordo-me, muito vagamente, de pequenas histórias cujo significado ainda hoje me passa ao lado. Lembro-me das inúmeras vezes em que Ela (assim a chamarei ao longo do livro) me pediu o telemóvel, supostamente para mandar mensagens, só supostamente. A verdadeira intenção era ler as minhas mensagens cujo conteúdo era, obviamente, pessoal. Mas não entendo ainda a razão de tanta curiosidade. Apesar de me mostrar (quase) sempre alheio aos risos que fluíam quando o meu telemóvel estava a ser “remexido” começava então a formar uma opinião sobre Ela, e admito que estava longe de ser a melhor. Ela mostrava ser uma pessoa fútil, era esta a melhor palavra para a descrever. Simultaneamente a tudo isto havia-me envolvido com outra rapariga. Eram os primeiros tempos da relação mas tudo estava bem, posso dizer sem hesitações que foram ALGUNS dos melhores dias da minha vida. Estávamos viciados um no outro, mandando mensagens e mais mensagens, nas aulas, em todo o lado. A cada mensagem conhecíamo-nos melhor e obviamente que não faltavam mensagens em que a sexualidade vinha ao de cima (julgo serem estas mensagens as que geravam mais risos). Ela começou então a aproximar-se de mim, apesar de ter namorado e de saber que eu tinha namorada. Ao início julguei que era apenas para “picar” a outra rapariga (penso que era apenas esse o seu objectivo) mas há coisas que não têm explicação, e quanto melhor nos conhecíamos mais amigos ficávamos. Isto levou-me a afastar dos meus amigos pois Ela não era, posso dizê-lo, muito querida na turma. Passados quatro meses de namoro com a outra rapariga decidi que não dava mais. Considero esta decisão uma das mais estúpidas e mais necessárias que tomei em toda a vida. Magoei a rapariga mas tinha que o fazer…sobre mim pairava o meu primeiro grande amor, primeiro e inesquecível. “É tão fácil o impossível tornar-se possível, como o possível tornar-se improvável.” 17
  • 18. II Não mais esquecerei aquele dia, Quero acreditar que tu também não, Quando tudo recordo julgo que apenas sonhei, Foi nessa tarde que te conheci, assim pensei, Antes de tanto contares tua inocência não via. Por entre inacreditáveis histórias da tua vida, Por entre sorrisos e mais que um olhar triste, Lamentei não te ter ajudado, mas não podia, Apeteceu-me abraçar-te, tu não pediste, Senti que te escondias dos outros, estavas perdida. Foi naquele momento que achei que te podia ajudar, Foi naquele instante que percebi que precisava de ti, No entanto a perfeição acabou, a realidade voltou, A tua vida, nosso eterno pesadelo, o sonho parou, Foi então que todos os nossos futuros problemas entendi, Podíamos ter lutado, não lutámos, poderemos ainda lutar? 18
  • 19. Esta é sem dúvida uma das tardes mais importantes da história. Todos os erros, todas as dores, todas as lágrimas que Ela já me tinha provocado foram como que justificadas. Senti até que havia errado ao “julgá-la”, ao ter somente pensado que Ela era fútil. Cada uma das histórias que ela contou chocou-me mais que a anterior, cada olhar que Ela fixou no chão apertou-me mais o coração. É a partir desta tarde que percebo quase tudo o que se tinha passado, é a partir desta tarde que passo a olhar para Ela com orgulho! Orgulho por ser amigo de alguém assim, alguém que toda a vida sofreu e mesmo assim provocava sorrisos, alguém que sabia que a dor a iria perseguir mas lutava por cada momento de quase felicidade. Neste aspecto considero que fui importante para Ela, partilhámos um mundo à parte, sem problemas à vista, sem perseguições, apenas nós. Aquela tarde poderia ter sido marcada pela nossa cada vez maior união, mas connosco nunca nada foi previsível. No final de tudo o mundo dela iria invadir o nosso. Foi como se o relógio tivesse parado por instantes, instantes perfeitos, até que recomeçou a contar e nos trouxe novamente à dura realidade. Era, como sempre foi e será, a vida pela qual Ela optou e da qual não se conseguiu ou nunca quis libertar-se. Um mundo de mero materialismo, um mundo de perseguições, um mundo em que liberdade é palavra proibida. Pode parecer e até ser uma forma abusiva de retratar a vida dela, mas é assim que a vejo, foi assim que sempre a vi. Foi também nesta tarde que senti que estava envolvido numa teia da qual não podia nem queria libertar-me. O mundo dela passava a ser um pouco meu, e com isto não quero dizer nada de positivo, apenas passava a ser, literalmente, um alvo a abater pelos “seus”. Senti isso mais que uma vez. Foram momentos difíceis. Mas repetiria tudo, pois todo aquela amostra de pesadelo, bem inferior ao que Ela enfrentava diariamente, valia a pena por cada segundo em que as nossas mãos se tocavam, por cada olhar cúmplice que trocávamos, por cada instante que partilhávamos… “O sofrimento tem sempre uma razão de ser.” 19
  • 20. III A chuva caía a nosso lado, nunca entre nós, O negro do céu não propagava a sua escuridão, A simplicidade de um abraço tomava outra dimensão, Sentimentos indescritíveis formavam a perfeição, Entre tantos, embrulhado em sons, escutava apenas a tua voz. Concentrado em ti um sonho vivia, A perfeição estava num abraço à chuva, ali, Estava também em cada toque, em cada olhar, A perfeição estava entregue, estava apenas em ti, Eram aqueles momentos que mostravam o que sentia. Daria tudo por aquele abraço repetir, Daria tudo para novamente te poder sentir, Todos os sonhos vividos, todas as emoções, Ficarão sempre em mim, em nossos corações, Levarão sempre os nossos lábios a sorrir, Fazendo nossas lágrimas ruir… 20
  • 21. quot;A noite é metade da vida… e a metade melhor.quot; Esta frase de Goethe expressa na perfeição aquilo que penso. A noite transfere a cada momento uma dimensão superior, a noite chama inquietações, chama lágrimas, chama sinceridade às nossas palavras, a noite chama-nos… Prova disto é cada poema e cada texto que se encontra neste livro. A noite é o momento de reflexão e abertura com o mundo dos sonhos. Simplesmente, “a noite é metade da vida…e a metade melhor.” O poema III descreve mais um dos momentos que eu considero mais importantes nesta história. Apesar de o facto de duas pessoas estarem abraçadas à chuva esperando o autocarro parecer uma banalidade, para mim são estes os momentos que marcam, momentos de simplicidade e sinceridade. São sensações como as que eu senti quando nos separámos naquela tarde, sensações que hoje recordo de forma imensamente real, que me permitem escrever um poema em cada noite, me permitem sonhar com o impossível, me permitem ter a força de construir um livro contando uma história que me fez e continua a fazer sofrer a cada dia que passa. Naquela tarde o sorriso que me possuía os lábios era o de quem se sente bem com a vida, por ter partilhado um abraço, por ter trocado um olhar, por ter sentido o que não dá para descrever. Lembro-me como se fosse hoje que aquele sorriso se prolongou durante horas. Neste momento ao escrever sobre aquela tarde o sorriso regressa a mim…acompanhado pelas lágrimas por saber que não o repetirei. A felicidade que senti transformou-se agora em agonia, mas nunca em arrependimento. Esta dor que hoje sinto é suportada por tudo o que senti, é suportada por cada poema que a Ela dirijo, é suportada pelo desejo de ter em mim para sempre cada minuto por mim e por Ela partilhados. “Todos os acontecimentos, por mais dolorosos que sejam, se fazem acompanhar de um lado bom, que mais tarde ou mais cedo nos faz sorrir.” 21
  • 22. IV De tantos erros e enganos, a conta lhes perdi, Recordarei sempre um que o foi porque assim quiseste, Mesmo querendo não mais esquecerei aquele dia, O dia em que a mim importância não deste, Nesse dia fui traído pela confiança que tinha em ti. Uma simples promessa não foste capaz de cumprir, Aquela tua atitude jamais posso perdoar, Senti-me um brinquedo, usado e depois ignorado, Um aglomerado de raiva não consegui evitar, Foi o teu maior erro, de tantos que estavam para vir. A tua ausência naquele momento, A vontade que tinha em te ver, A necessidade que tinha do teu apoio, Tudo isto me fez pensar, me fez sofrer, Lamentei-me por ter por ti tão forte sentimento. 22
  • 23. A história que está por trás deste poema, ou melhor, o erro que está por trás de todos estes desabafos, pode parecer uma mera casualidade para alguém que não me conheça, para mim é, como disse, o maior erro que Ela cometeu. Ao dizer isto estou a deixar em segundo plano mentiras e situações quase imperdoáveis. Surpreendo-me a mim mesmo quando penso naquele dia e volto a viver tudo. Recordo, como sempre recordarei, aquele beijo que me deixa ainda hoje pensativo, que me deixa a julgar que se aquele momento se tivesse repetido (nunca se repetiu daquela forma) tudo poderia ter sido diferente…e assim este livro teria outra história! Recordo as palavras dela, que hoje sinto como facadas dadas nas minhas costas, em que prometia estar comigo naquela tarde…não esteve e nem sequer se importou com isso. Recordo-me perdido no campo, procurando com o olhar a sua presença, procurando ouvir a sua voz, procurando em vão…naquela tarde fiz o meu pior jogo de sempre (eu sei, parece uma banalidade, mas a verdade é que a confiança constrói-se a partir de banalidades…nunca se construiu). Mesmo tendo noção de que nada a obrigava a estar ali não conseguirei nunca perdoar a sua promessa e o não cumprimento da mesma. Admito que nesse dia senti arrependimento em me ter apaixonado por Ela, senti que me tinha apaixonado erradamente, senti, com razão, que tudo aquilo me traria sofrimento. Felizmente, e como já disse anteriormente, todo o sofrimento foi compensado por momentos de sinceridade, momentos como aquele beijo de que Ela muito provavelmente não se recorda, mas que para mim representa ainda hoje um dos momentos mais perfeitos, embora dos mais simples, que já vivi. “Porque os momentos não são inesquecíveis pela sua complexidade, são inesquecíveis pelas pessoas que neles participam.” 23
  • 24. V Um toque, um carinho, um olhar, Tudo naquele lugar ocorria, Marcando-me para sempre, Hoje sinto o que naquele tempo não sentia, Não acredito em tudo aquilo, julgo sonhar. Tanto ali vivemos, tanto sofro ao nisso pensar, Gostaria que o mundo se resumi-se àquele lugar, Infelizmente tudo morreu, a felicidade decidimos abandonar, Mas um dia, tristes e sós, lá iremos voltar. Nesse dia um mundo isolado vamos perceber, Choraremos por àquele pequeno espaço não pertencer, Sorriremos pelos doces momentos lá passados, Sentiremos a dor de aquele sonho perder, Mas acima de tudo recordaremos…pois recordar é viver! 24
  • 25. Aquilo que eu considero ter sido a “imagem” da minha história com Ela está exposto neste poema. Arrisco-me a dizer que metade das situações que hoje recordo com nostalgia se passaram ali, num sítio mais que normal, um sítio que maior parte das pessoas irá achar ser insignificante. Esse sítio, ao qual não mais voltei depois de tudo ter acabado, é um mero e simples aquecedor, ou melhor, são três meros e simples aquecedores. Como pode um local assim ser marcante? Tal como escrevi no final do texto que procedeu o poema IV: “Porque os momentos não são inesquecíveis pela sua complexidade, são inesquecíveis pelas pessoas que neles participam”. Naqueles momentos em que estávamos juntos o lugar pouco importava, tanto podia ser um canto de uma sala, um banco de jardim, ou ser, como foi, um aquecedor, porque é assim quando duas pessoas gostam uma da outra, é assim quando o único desejo é ter ao lado aquela pessoa que nos faz sentir especiais, é assim quando um simples abraço vale mais que um serão passado no paraíso. Mais uma vez realço a simplicidade que envolve estes momentos, porque ao contrário do que muita gente pensa um gesto de amor não é comprar uma prenda cara à outra pessoa, não é ir jantar a um restaurante “fino”, não é fazer uma declaração de amor em frente a centenas de pessoas…um gesto de amor pode ser um olhar, pode ser um carinho, pode ser um beijo, pode até ser um silêncio partilhado por duas pessoas em que estas expressam uma à outra a força do que sentem. É esta a essência do amor, é esta a essência que poucos ou nenhum compreende, mas que em todos se faz sentir. Para muitos amor é uma relação de um mês ou então um casamento de anos, enganam-se aqueles que assim pensam. Amor é um sentimento ao qual nos mantemos fiéis durante toda a vida, ou assim deveria ser. Amor não é quantificável, não existe “muito amor” nem “pouco amor”, existe simplesmente “amor”, o que por si só revela já uma dimensão indescritível. Eu tenho a minha definição de amor, que pode em nada ter a ver com a de outros, mas é isso que torna um sentimento universal diferente para cada um de nós. “Amor é aquilo que nós quisermos que ele seja.” 25
  • 26. Amor é o sorriso triste que lábios secos transparecem, É o sofrimento cego e invisível de quem não é amado, É a lágrima no canto do olho, que desejosa de escorrer aguenta... Amor é a alegria de querer, é a mágoa de não ter, é o achado, É o gritar desesperado por aqueles que o merecem. Amor é não duvidar do que se sente, É acreditar naquilo que jamais irá acontecer, É sentir a dor, enorme dor, mas não desistir... Amor é não ter nada e ser rico, isso saber, É pensar com o coração, esquecer a mente. Amor é o calvário eterno, infindável, É desejar todo o sentimento mostrar e não o fazer, É conter em si algo que não dá para controlar... Amor é dar tudo sem reflectir, é nada perder, É ter a sorte de possuir algo inimaginável. Quem ama sabe o que é o amor, Tem a sua definição do indefinível, Sente aquilo que é impossível descrever, Amar é tudo, é algo de incrível, Felizmente nem sempre amor é dor... 26
  • 27. 27
  • 28. VI Fui feliz…. Quando ao teu lado estava, Quando a minha mão à tua pertencia, Naqueles momentos que partilhámos, Durante todos os segundos em que sorria, Quando ao pensar em ti te encontrava, Fui feliz… Fui feliz… Quando de uma lágrima te tirava um sorriso, Sempre que de um olhar resultava um carinho, Quando me abraçavas sem que pedir fosse preciso, Fui feliz… Fui feliz… Em todos os momentos que contigo vivi, Em todos os instantes em que nos tocámos, Quando em mim vias um amigo, Quando éramos um só, nos completámos, Em todas as noites em que para ti escrevi, Pois é aí, a escrever, que sou feliz! 28
  • 29. Será que existe alguém que seja completamente feliz? Acredito que não. Para mim felicidade é uma sensação momentânea, algo que sentimos e no instante seguinte já não temos. Não vale a pena lutar por uma vida marcada pela felicidade, mas por uma vida marcada por momentos de felicidade, que podem ser poucos, podem até ser simples, mas são os únicos momentos em que temos a certeza de que existimos para algo bom, e que não fomos trazidos ao mundo apenas para sofrer. Na escrita encontrei a minha felicidade, uma felicidade marcada pela dor que as palavras transmitem ao sair de mim, mas também por momentos únicos e que não mais irei viver. Foi também na escrita que encontrei uma forma de “despejar” as minhas mágoas e os meus sonhos, sem recear risos de troça e olhares de compaixão. É então que me apercebo que não escrevo apenas para Ela, escrevo para mim, escrevo por mim, por saber que a cada palavra menos uma lágrima escorrerá pela minha face, por saber que presto assim homenagem à dor que felizmente me consumiu e consome…felizmente porque sem essa dor jamais seria capaz de exprimir tantas emoções da forma como o faço, ou tento fazer. A todos aqueles que se acham infelizes falta a força de acreditar nos seus sonhos mesmo que estes sejam inacreditavelmente utópicos, falta a coragem de lutar por cada sorriso que podem saborear, falta a capacidade de enfrentar cada lágrima com a esperança de um dia melhor. É assim que eu encaro cada desgosto, com a certeza de que mesmo provocando-me a mais insuportável dor resultará sempre numa página de esperanças, de sentimentos, de imperceptíveis sensações. Ninguém é impedido de ser feliz, desde que o queira ser. Por mais obstáculos que surjam a felicidade dependerá sempre de uma pessoa só. As pessoas tendem a colocar a sua felicidade nas mãos das pessoas que amam, esquecem-se que essas pessoas cometem erros, esquecem-se que se querem ser felizes têm que lutar e não esperarem que outros lhes vençam a batalha. É esta capacidade de lutar, e consequentemente de sofrer, que distingue uma pessoa quase feliz de uma pessoa triste consigo mesma. “Quem perder a capacidade de sonhar, perderá a capacidade de sorrir.” 29
  • 30. VII Hoje tudo seria diferente, Nada do que vivemos se iria repetir, Todos os erros seriam esquecidos, Com eles todos os sorrisos, A história, imperfeita, não seria história, Nós andaríamos ainda perdidos, Sem perceber o imperceptível, sem sorrir, Nada disto passaria por nossa mente. No passado um espaço não existiria, Nas memórias recordações faltariam, No futuro teríamos, como temos, uma incógnita, Aos nossos corações dores não pertenceriam, Se tudo isto fosse possível, todo o resto não seria. Nostalgia em mim se cerra incessantemente, Revivendo momentos sinto a dor em mim, Dor que não me provoca embaraço, Com ela sempre vivi, viverei até ao fim, Mas se fosse hoje…tudo seria diferente! 30
  • 31. Tenho noção de que se tivesse mudado uma atitude, um gesto, uma palavra, tudo poderia estar bem neste momento, mas também tenho noção que não valeria de nada eu ser o único a mudar…aprendi isso com as experiências que (in)felizmente já tive. Um casal são duas pessoas, e assim sendo não basta uma ter a coragem de lutar por uma relação se a outra se mantém de braços cruzados esperando o fim de algo que nunca chega a começar. O começo é também algo a que poucos dão o devido significado. Não é um beijo que marca o início como tantos pensam e eu próprio julguei noutros tempos. O início é quando duas pessoas se olham verdadeiramente, quando não é preciso pensar para perceber que os nossos lábios sorriem ao depararem com aquela pessoa, o início é quando a linguagem deixa de ser necessária para existir comunicação. Senti isto com Ela, e ainda hoje são estes “pormenores” que me dão a certeza de que um dia signifiquei algo e que Ela sentiu o que eu senti e sinto: a força incontrolável que me faz desejar a sua presença. Aqueles que acham que o primeiro beijo nunca se esquece têm em mim (e acredito que nela também) a prova de que isso não corresponde à verdade. Por mais que me esforce e me tente lembrar da primeira vez em que os nossos lábios se tocaram não consigo recordar um momento, pois para mim o início foi quando os nossos olhos se encontraram e, finalmente, conseguiram ver a mesma coisa, olhando em direcções opostas. O poema VII aborda o “se” que não pode existir quando duas pessoas gostam uma da outra, o “se” tantas vezes pronunciado para desculpar mentiras e traições, o “se” que não passa de uma forma de mascarar sentimentos de culpa própria e arrependimento. Não digo que o amor se compõe apenas por certezas…todos nós duvidamos de tudo e de todos, e faz completo sentido duvidar de um sentimento que assume a sua força perante nós e tem a capacidade de nos levar a agir. Mas sou da opinião que duvidar é o que faz a paixão renascer e voltar a renascer, conservando uma relação durante anos. “Duvidar é o primeiro passo para ter certezas.” 31
  • 32. VIII Expectativas em mim surgiram naquele dia, Pensei que seria finalmente o início, Acreditei que tivesse chegado a coragem, Esperei pelo final do meu suplício, Tudo ficou igual…esperanças perdia. Esperando um gesto, esperando um sinal, Obtive o nada que tudo dizia, Deparei-me com o resultado de sonhar, Questionei-me porque tanto queria, Nada tinha, nada tenho, nada terei afinal. Sonhos foram então derrubados, Ânsias de futuros momentos esquecidas, Todas as noites em que um nós idealizara, Todas as respostas que procurara Passaram a ser realidades perdidas Entre lágrimas e sorrisos nunca acabados. Senti então a raiva que ao sorrir escondia, Senti então a paixão que em mim crescia, Senti-te afastar de mim…a última coisa que queria. 32
  • 33. Esta é mais uma das tardes em que num momento sorri sentindo-me feliz e no momento seguinte a confusão e tristeza se apoderou de mim. Posso dizer que sofri com o lado mais negativo de sonhar, criando expectativas altas demais, e acabando por ser confrontado com a realidade que em nada tinha a ver com os meus sonhos. No entanto não posso negar que ao mesmo tempo que fiquei triste com aquela tarde fiquei surpreendido com a atitude dela, positivamente surpreendido. Conheci um lado responsável, um lado quase antagónico àqueles que Ela mostrava diariamente aos que a rodeavam, um lado bom de conhecer. Percebi então que ao deixar “intimidades” de lado naquela tarde Ela me estava a abrir as portas da sua vida, da vida que poucos tinham o prazer de conhecer. Apesar de tudo isto o sentimento que me invadiu no final daquela tarde foi o de que Ela estava mais longe de mim, embora a amizade que nutríamos estivesse mais forte, aquilo que conscientemente eu desejava, termos algo mais, parecia-me mais difícil. Hoje penso se teria eu direito a desejar algo mais do que aquilo que tinha, penso que provavelmente deveria ter dado mais importância àquela amizade em vez de encher a mente com sonhos de um futuro a dois. Percebo agora o erro que tantos cometem sem se darem conta, o erro que vai adiando constantemente a nossa felicidade: só damos valor às coisas quando as perdemos, e como nada do que temos é definitivo acabamos por nunca dar o devido valor ao que vivemos... Como não posso nem quero voltar atrás no tempo para dar àquela amizade o valor que ela tinha resta-me dar valor ao passado e lutar por dar valor àquilo que tenho antes que a inevitável perda aconteça. Assim, este livro pode ser visto como a forma que eu encontrei de dar valor a tantas vivências, alegrias e tristezas que partilhei com Ela e às quais não consegui entregar a importância que mereciam. Mesmo sem ser intencionalmente esta é a maneira de me redimir por aquilo que não fiz. “Aqueles que não percebem a importância de uma grande amizade, nunca perceberão a verdadeira importância de um grande amor.” 33
  • 34. IX Passava os dias esperando por aquela hora, Sabia que aquele era o nosso momento, Quando finalmente o esperado acontecia, O sorriso possuía-me, com meu consentimento, Naqueles momentos pensava que nunca irias embora. Desses instantes recordo a minha felicidade, Recordo a tua doce voz, verdadeira, Recordo para sempre toda a sinceridade, Guardo para mim a nostalgia, nunca passageira, Jamais esquecerei tudo aquilo, jamais perderei a saudade. Saudade de te poder ter a meu lado, Saudade por não mais te poder acariciar, Saudade de tudo aquilo que me ensinaste, Porque felizmente na minha vida entraste, Porque felizmente contigo aprendi a amar, Porque sem ti chorarei, meu eterno fado. 34
  • 35. Saudade…uma palavra tão pequena e que reflecte tão bem o que tantas vezes senti e ainda hoje sinto. Fico surpreendido quando me apercebo que tenho saudade de todos os momentos que vivi com Ela, até dos momentos menos bons. Tenho saudade das discussões, tenho saudade de quando nos chateávamos, tenho saudade de quando nos olhávamos e percebíamos que não valia a pena discutir, quando as discussões acabavam em riso, quando um de nós dava finalmente o “braço a torcer” embora achasse que estava certo no que dizia, só para deixarmos de estar chateados. É com nostalgia que recordo as noites em que passávamos minutos e minutos a falar pelo telemóvel, em que escutava a sua voz sem nunca a conseguir definir, em que as despedidas duravam tanto como o resto da conversa. Aqueles momentos que tantas vezes se repetiram eram o que me fazia adormecer com um sorriso e acordar com a certeza de que Ela permaneceria lá para me continuar a fazer feliz. Infelizmente um dia deixei de adormecer com um sorriso… Se tivesse que eleger o momento de que tenho mais saudade não hesitaria muito. Tenho saudade de a ver sorrir, mesmo que não seja para mim, mesmo que não possa contemplar o sorriso a seu lado, mesmo que aquele sorriso que tanto gostava de ver me faça sofrer por não poder mais ser a sua razão. Sei que posso ainda provocar-lhe um sorriso, mas também sei que não é o mesmo sorriso que foi noutros tempos. No entanto tenho esperança, mesmo que não a queira ter, de que um dia serei novamente motivo para os seus lábios sorrirem daquela forma sincera, inexplicável, da sua forma. Sei também que a Ela devo o que actualmente sou. Devo-lhe o que cresci como pessoa por partilhar os meus dias com alguém como Ela, devo-lhe tudo o que Ela me ensinou e que hoje faz com que possa dizer que gosto daquilo em que me tornei, devo-lhe a força para enfrentar todos os obstáculos. Embora nem sempre tenha tido as melhores atitudes Ela é para mim um exemplo de coragem e força de vontade, porque tive o prazer de conhecer a verdadeira Ela, aquela que vale a pena conhecer. “Quem não tem saudade de nada do que viveu, não viveu o suficiente.” 35
  • 36. X Um dia conheci uma rapariga, Era linda, simplesmente perfeita, Sonhei com ela ser feliz, Quis com ela partilhar-me, sem maleita, Rapidamente lhe chamaria amiga. Essa rapariga foi a melhor pessoa que conheci, Sentia as minhas dores, respondia com um sorriso, Fazia-me ser alguém…tanto com ela senti… Fez-me ser perfeito, fez-me pensar assim. Mas nesse dia conheci outra rapariga, Que me provocava dor sem se importar, Alguém que mentia constantemente, Uma pessoa de quem não me gosto de lembrar, Essa nunca poderia tratar por amiga. Pois de um sorriso ela uma lágrima me arrancava, Fazendo-me chorar, fazendo-me a alegria esquecer, Infelizmente também essa rapariga amava, Tanto me lamentei por não a conseguir ter. Estas duas raparigas, tão diferentes, São aquelas a quem o meu coração se rendeu, Aquelas que nunca dos meus sonhos saíram, São a mesma pessoa, exceptuando as mentes, Aquelas que nunca se separaram…a perfeição se perdeu. 36
  • 37. Este poema mostra o quão contraditório pode ser um sentimento, o quão contraditória pode ser uma relação, e acima de tudo, o quão contraditória pode ser a personalidade de uma pessoa. Descrevo duas “pessoas” com características quase opostas, mas no fim de contas todas as características são partilhadas por apenas uma pessoa. Refiro-me obviamente a Ela… Aqui apresento um dos aspectos que mais contribuiu para que a minha história com Ela fosse única, diferente de todas as que já havia vivido. As suas atitudes, as suas palavras e acções, tudo me levou a crer que existiam duas Elas, uma de quem eu tinha orgulho em gostar e outra de quem erradamente gostava. Cheguei até a partilhar esta opinião com Ela, e acredito que Ela concordava comigo. Existia a Ela que se mostrava apenas a alguns (felizmente sinto que fui incluído neste grupo restrito) e a Ela comum…uma pessoa que me é difícil descrever. Hoje, depois de tudo o que se passou, tenho a sensação de que a Ela que vale a pena conhecer se mostra finalmente a todos, sendo a “Ela comum” alguém que pertence ao passado. Quero crer que eu fui importante para esta sua mudança. Tudo isto prova àqueles que não acreditam que uma pessoa pode mudar que com força de vontade tudo se consegue, e que aquilo que somos depende de nós e não daquilo e daqueles que nos rodeiam. Embora saiba que tudo o que ocorre na nossa vida, incluindo actos de outros, directa ou indirectamente nos afecta, e perceba que não podemos ignorar tais acontecimentos, a forma como estas situações nos atingem é da nossa responsabilidade. Àquelas pessoas que se acham perseguidas pelo azar, que insistem em repetir que não têm sorte em nada, a essas deixo um pensamento que deviam ter em consideração antes de se julgarem “desgraçadas”: todos têm na vida a oportunidade de serem felizes, no entanto há aqueles a que são colocadas, muitas vezes pela própria pessoa, mais dificuldades. No entanto isto não deve ser percebido como um aumento da dificuldade em ser feliz, mas num aumento da felicidade quando finalmente a alcançamos. “Quanto mais sofreres maior será a alegria por alcançar a felicidade.” 37
  • 38. Pensava sozinho no meio do oceano, Procurando algo, procurando alguém, Sonhava em ter-te a ti, sim, a ti, Queria a minha vida poder partilhar, Gostaria de me mostrar, sem dano, Tentava ser mais que ninguém, O que eu ambicionava…eu perdi… Perdido naquelas águas desconhecidas, Vagueando por mares a abarrotar, Cheios de sonhos, de receios, de desejos, Contra a maré havia deixado de nadar, Tantas ambições…todas esquecidas… Motivo para tal facilmente encontrei, Percebi então que assim deveria ser, Não poderia expulsar de mim a solidão, Teria que continuar como até então, a viver, Assim foi, assim estava escrito, eu sei… Serei lembrado como aquele que nunca se perdeu, Que não lutou por não ter forças para o fazer, Que chorou só, não desesperou, teve de sobreviver, E que um dia morreu, levando consigo segredo seu. 38
  • 39. 39
  • 40. XI Na nossa história ficará sempre aquele dia, Em que o imaginado não se concretizou, O dia em que a desejada união não se proclamou, Todos os acontecimentos, todas as raivas, o que se passou, Foi então que vi finalmente o que não via. Daquele momento recordo a dor em mim, Recordo a contradição de pensamentos, Recordo a confusão de sentimentos, Tudo o que me paralisou, quiçá o fim. Hoje digo, como tu disseste depois, Ainda bem que nada aconteceu, Apesar de a confusão se manter, Nunca meu coração se arrependeu, Porque nada daquilo seria bom para os dois. Guardo em mim pequenos instantes, Luto para o máximo esquecer, Sei que em mim serão fantasmas constantes, Que sempre me farão chorar…e sofrer. 40
  • 41. Considero este poema um dos que mais me custou escrever. Por tal facto optei por manter a razão destas palavras implícita, de forma que tudo o que acrescentar será de modo generalizado, não me dirigindo directamente ao poema. Conheço muitas pessoas que são da opinião de que fazer planos é meio caminho andado para nada correr como previsto, concordo, em parte, com esta teoria. A verdade é que por mais do que uma vez isto me aconteceu: planear ao máximo uma acção e depois perceber que aquilo que havia planeado não se concretizou. Tantas vezes eu programei uma manhã ou uma tarde, tanta vez quis que tudo o que havia planeado, um plano perfeito, se tornasse realidade. No entanto nada do que tantas vezes quis que acontecesse aconteceu, e isto não tem que ser obrigatoriamente algo mau. É o deixar acontecer que tantas vezes conduz a momentos inesperados e inesquecíveis, conduz àqueles momentos que por não serem planeados se tornam mágicos. É aqui que insiro outra ideia: às vezes pensar é o que nos leva a errar. A capacidade de perceber quando devemos pensar e quando devemos agir ou deixar as coisas acontecer é algo que poucos têm e que a todos faz falta. Há situações que exigem uma decisão impulsiva, em que se nos pomos a pensar acabamos por perder um momento que poderia ter sido perfeito, sem que tivéssemos pensado nisso sequer. Ao invés, há outros em que se actuamos impulsivamente acabamos por errar, em que se tivéssemos ponderado as consequências dos nossos actos teríamos percebido que não valia a pena. Ao escrever sobre isto lembro-me de todos os momentos em que podia ter agido e fiquei quieto, todos os momentos em que podia e devia ter feito o que me vinha à cabeça e não tive coragem de fazer, apesar de sentir que Ela pensava no mesmo. Esta foi mais uma coisa que aprendi com tudo o que partilhei com Ela, perdi o medo de agir sem pensar, e consequentemente, ganhei a capacidade de viver cada momento da melhor maneira possível. Porque todos os momentos por nós partilhados foram assim…o melhor possível! “Nunca cometas o erro de acreditar que o pensamento é capaz de controlar o coração.” 41
  • 42. XII A escuridão abate-se sobre nós, Confusos, sem saber o que fazer, Tentamos fingir, tentamos fazer-lhe frente, Acabamos por a nossa impotência perceber, Vivemos e revivemos, sofrimento atroz. Procuramos a esperança em nossos corações, Encontramos alguma força, insuficiente, Momentaneamente baixamos os braços, Desistimos, chorando incansavelmente, Ao cimo de nós vêm todas as emoções. Aqueles que coragem conseguem arranjar, Que sofrem mas lutam para o sofrimento honrar, Seguem com suas vidas, deixam de chorar, É desses que todos se devem orgulhar. Porque apesar de ser uma alegria perdida, Apesar da dor de deixar de ter alguém, A morte pode significar uma nova vida, Pode significar a mudança para o bem. 42
  • 43. Este poema refere-se a uma realidade que todos nós receamos…a inevitável morte. A razão da presença de um poema acerca deste tema no livro deve-se a acontecimentos que, infelizmente, ocorreram. No entanto não aprofundarei o caso em particular. Acho que não minto ao dizer que a maior parte da humanidade considera a morte o seu principal medo. É compreensível. A morte marca o fim, e simultaneamente, traduz-se em sofrimento, sobretudo físico. Mas não é a própria morte que mais se teme, é a morte daqueles que nos rodeiam, daqueles que estamos habituados a ter ao nosso lado, daqueles que amamos. Nunca estaremos preparados para a morte de alguém, por mais previsível que essa morte seja, porque o ser humano tem a característica de manter em si sempre um fio de esperança, mesmo que pense o contrário. Por mais fortes que julguemos ser escorrerão sempre de nós lágrimas por perder alguém, faz parte da nossa natureza, e é nestes momentos que precisamos ainda mais de palavras de incentivo, de força, resumidamente, de amigos. Eu ainda não enfrentei nenhuma situação destas, ainda não senti a morte de alguém que me é próximo, no entanto por mais que uma vez vivi, indirectamente, a dor daqueles que perderam. Foi nestas situações que exigiam as tais palavras de incentivo que percebi que estas não servem de muito, é difícil encontrar as palavras certas, ou melhor, não existem palavras certas. O que importa realmente é mostrar à pessoa que está a sofrer que tem ali alguém para ajudar, que a vida continua e que nada se pode fazer para recuperar quem se perde. Sei que um dia a dor deles será a minha, mas também sei que quando isso acontecer a força deles me será entregue. Sei que me dirão para seguir em frente, como em tempos eu disse, e eu responderei perguntando como tal é possível. Pois falar é fácil, fazer o que se diz é que é a verdadeira batalha. “A morte marca um fim, mas marca também um início.” 43
  • 44. XIII Ensinaste-me a acreditar na perfeição, A sorrir com os percalços da vida, A chorar sem medo do que os outros pensem, Ensinamentos agora guardados no coração, Serão sempre uma herança jamais perdida, Só espero que a dor e mágoa cessem. Aprendi contigo a apreciar cada momento, Mostraste-me a importância de abraçar, Percebi o tão significativo pode ser um gesto, Com tudo isto infelizmente não me contento, Queria ter-te ainda, poder-te tocar, A minha solidão e sofrimento contesto. Foste, és e serás sempre especial, Como eu espero ter sido para ti um dia, Recordações tuas sempre guardarei, Aquele teu olhar inocente, fatal, Esse que infelizmente só antes via, Com ele eternamente ficarei. 44
  • 45. O título deste poema tinha de ser, sem qualquer dúvida: “Agradeço-te”. Porque é isto que me limito a fazer com as palavras que escrevi, foi aqui que consegui incluir tudo o mais importante me foi ensinado, mesmo que involuntariamente, por Ela. O facto de a certa altura dizer no poema que Ela me mostrou a importância de abraçar pode parecer algo descabido mas a verdade é que até a ter conhecido eu não sabia o verdadeiro significado de um abraço, a sua verdadeira dimensão. Hoje posso dizer que um abraço significa para mim muito mais do que significa para qualquer outra pessoa, porque senti no nosso abraço (meu com Ela) algo que nunca tinha sentido anteriormente. Abraço não é simplesmente um encostar de corpos, é algo que vai muito para além disso, sendo quase como um encostar de almas, algo em que duas pessoas deixam de sentir o mundo para sentir um mundo apenas partilhado pelos dois. Até hoje não repeti todas estas sensações com mais ninguém e mesmo que tal aconteça em mim estarão sempre aqueles abraços tantas vezes repetidos e que infelizmente não passam agora de uma recordação. É neste abraço e naquele olhar que penso quando a esperança se desvanece, é aí que vou buscar forças para continuar a acreditar e não parar de escrever sonhos e esperanças, pois foi aí que a perfeição se tornou imortal. No seu olhar estará sempre a ternura inigualável que me atrai, enquanto que no seu abraço estará sempre um mundo à parte, utopia tornada realidade. Um dia talvez possa reviver todas estas memórias, e finalmente agradecer-lhe directamente todos os seus ensinamentos, que serão “sempre uma herança jamais perdida”. “Foste, és e serás sempre especial”…acho que este verso resume toda a história. É isto que penso hoje e tenho a certeza de que será isto que vou pensar até ao fim dos meus dias, porque Ela é especial, não por eu assim a ver, mas por Ela assim se mostrar. “A paixão tapa-nos os olhos com visões perfeitas do imperfeito, levando-nos a acreditar no inacreditável e a viver o impossível.” 45
  • 46. XIV Vivi um sonho… Tudo era perfeito quando a sós estávamos… Tinha tudo aquilo que alguém pode desejar…. Se aqueles dias não acabassem diria que nos amávamos… Vivi um sonho… Vivi um sonho… Quando os teus lábios os meus tocavam… Sentia que a perfeição era aquilo, éramos nós… Contigo todos os problemas acabavam… Vivi um sonho… Vivi um sonho… Quando com uma mensagem tua acordava… Retribuía e dizíamos que nos adorávamos… Que felicidade me consumia…bem estávamos… Afinal a felicidade era ilusão…nada estava… Vivi um pesadelo… Vivi um pesadelo… Quando me magoaste como ninguém… Quando fizeste pouco de mim… Quando me deixaste a chorar e te rias… Fiquei triste…fiquei assim… Mas quando escrevi fui alguém… Vivo um sonho… 46
  • 47. Sonhos…algo tão simples que para muitos é complexo. Todos sonhamos, acordados e a dormir. É a nossa forma de escapar da realidade, ou melhor, é a nossa forma de criar a nossa própria realidade. Nos sonhos temos o controlo que na vida não temos, temos a perfeição que na realidade nos foge, temos o que nos falta no dia-a-dia, para deixarmos de ter o que não queremos. No entanto os sonhos têm um lado obscuro, um lado que por mais que tentemos acabamos por não entender. Ela é o lado obscuro dos meus sonhos, e com isto não quero dizer que é o lado mau (a ideia de ligar obscuro com algo negativo é um mero estereótipo). Ela é a presença constante nos meus sonhos que não percebo, é a felicidade que me passa entre os dedos, é a luta que enfrento para a alcançar. Um dia Ela foi um sonho tornado realidade, hoje é um sonho cada vez mais impossível. No entanto será sempre um sonho, será sempre o sonho! Nas noites em que com Ela me deparar os meus lábios sorrirão, pois sei que é apenas ali, nos sonhos, que podemos existir sem que nada nem ninguém entre nós se interponha. Mas o sonho não existe sem o pesadelo…e eu fui confrontado com ele quando deixei de sentir a meu lado a presença dela, quando senti a dor de me sentir enganado, quando vi a felicidade passar-me diante dos olhos. Com este pesadelo vinha a mágoa de não mais a ter, mas também vinha a força que me permitia escrever. Quando digo que “vivo um sonho” digo a verdade…vivo o sonho de ter vivido o que vivi, o sonho de poder transformar em palavras emoções e sentimentos. No entanto o sonho que vivo actualmente não se compara ao sonho que com Ela tornei real, pois esse foi muito mais que um sonho. Acredito que mais sonhos viverei, tenho de acreditar, mas creio que o sonho que com Ela vivi era o sonho primordial, que infelizmente acabou. Tive a sorte de poder viver o meu sonho, ao contrário de tantos que ambicionam vivê-lo e não o conseguem fazer, tenho a sorte de poder dizer que o meu sonho está vivo, que felizmente não o perdi, e que nunca o perderei. “Sem os pesadelos os sonhos não existiriam.” 47
  • 48. XV A nossa obscura amizade, Intensa, incompreensível até, Diferente de todas as outras, Chega a parecer impossível, não o é, Mas é difícil, essa é a verdade. Mesmo não querendo mais queria, Sempre quis, nunca o escondi, Tal desejo ainda hoje em mim permanece, Queria ser mais que um amigo para ti, Não sou… Tenho pena… Talvez um dia… Sei que erro ao assim pensar, A nossa amizade é importante, Infelizmente suficiente não é para mim, Acreditarei sempre, crença constante, Que um dia me voltarás a amar. 48
  • 49. Retracto aqui algo que é partilhado por quase todos, ou mesmo todos. Quanto mais temos, mais queremos. Nunca estamos totalmente satisfeitos com a nossa vida, e mesmo que realizemos todos os nossos sonhos acabamos por chegar à conclusão que queremos mais. Esta é também uma realidade nos nossos relacionamentos. Mesmo que não queira, o facto de um dia ter tido algo com Ela faz com que agora, em que o nosso relacionamento se resume a uma amizade, deseje mais, deseje que tudo volte a ser como antes, deseje ter tudo o que felizmente já tive. Custa-me dizer isto mas não acredito que a nossa amizade volte a ser uma amizade “normal”, não acredito que voltarei a olhar para Ela como simples amiga, porque o meu inconsciente sempre me dirá que posso ter mais, mesmo que não possa. Apesar disto prefiro partilhar com Ela uma amizade, só uma amizade, do que deixar de ter qualquer espécie de ligação com Ela, sabendo que a amizade me fará sofrer mas a sua ausência acarreta ainda mais dor. No entanto esta amizade alimentará o sonho de termos algo mais, mesmo que eu faça tudo para isto evitar. É algo com que terei de viver. Senti isto mais que uma vez, nas constantes intermitências por que passámos, em que no início nos aproximávamos como amigos, acabando sempre por transformar a amizade em algo mais. Julguei sempre que era mais forte que nós. Hoje desconfio que aquilo que foi inevitável em tempos o deixaria de ser, pela parte dela. Eu serei sempre controlado pelo meu coração que me puxa para Ela, ansiando a derradeira aproximação. Não considero a minha amizade com Ela impossível (“Chega a parecer impossível, não o é”) porque essa amizade existiu sempre, sob um sentimento ainda mais forte é verdade, mas se esse sentimento desapareceu a amizade continua lá, com as mesmas dificuldades de antes, com os mesmos problemas, com a mesma sinceridade. Espero nunca perder essa amizade, já que perdi tudo o que antes se elevava a ela. “Uma amizade é um processo contínuo, sempre dependente dos nossos actos.” 49
  • 50. Aquele dia…aquele sentimento… Aquela ignorância do sentir… Aquele olhar que tão fortemente Me abalou e me fez sorrir… Todo aquele simples momento… Sem muito para contar… Assumiu em mim facilmente O sentir o que é amar. Triste destino se me marcou… O de amar e não ser amado… É verdade, muito me magoou Desejar e não ser desejado. Mas, fatal ou felizmente, O sentimento não mais murchou, Aquele sonho não mais parou, O sonho de te abraçar continuou. Gostava de sentir, não, minto, eu sinto… A esperança de ter a companhia De quem sempre quis e não me queria… 50
  • 51. 51
  • 52. XVI O sol nasce no meio de nós os dois, Começo a acreditar no impossível, Acho agora que depende da nossa vontade, Penso que o nosso amor não é mais invisível, Mas as dificuldades aparecem, depois… Sinto de novo a força que de ti me aproxima, Não luto com ela, sei que acabarei por me aproximar, Desta vez talvez não acabe tudo com lágrimas, Desta vez, quem sabe, poderemos juntos caminhar, Se não for desta tenho pena…mas o que sinto está muito acima De tudo o que possas pensar, nem imaginas… Não sei como connosco tanto muda em pouco tempo, Passamos do nada para o tudo quase sem me aperceber, Um dia choro a tua ausência, mas tenho-te no dia a seguir, Mas depois chega aquele dia em que feliz estou por te ter, Para no dia a seguir, tudo acabar num momento… 52
  • 53. Escrevi este poema há algum tempo atrás, numa das diversas situações em que eu e Ela nos afastámos e nos reaproximámos. Acho que transparece bem a esperança que eu depositava (e deposito) em cada reaproximação, crendo sempre que iria ser daquela vez que tudo ia correr bem e ficaríamos finalmente juntos. Infelizmente todas as esperanças que depositei em cada reaproximação acabaram por me desiludir. Dou também conta de outro aspecto: “Não sei como connosco tanto muda em pouco tempo”. Ainda hoje mantenho esta afirmação. Connosco sempre tudo foi inesperado, repentino. As coisas estavam bem e no momento seguinte deixavam de estar, ou as coisas não estavam e num instante voltávamos a ter toda a intimidade entre nós. Este foi e é um dos aspectos que nunca compreendi completamente. A verdade é que sempre a culpei por estes afastamentos e aproximações, sempre achei que a sua insegurança em relação a um “nós” era a razão de não conseguirmos ter uma relação minimamente normal. Hoje penso de maneira diferente. Talvez tenha sido a pressão que involuntariamente eu coloquei sobre Ela, talvez tenha sido pelo facto de eu dar ao que tínhamos mais importância do que ela lhe entregava, talvez… Agora sei que não posso encontrar culpados para nada do que se passou, ou melhor, para aquilo que não se passou. Tudo aconteceu da maneira como deveria acontecer e eu estou conformado com essa realidade. De certa forma responsabilizo o destino pelo meu passado com Ela (apesar de não acreditar em destinos pré-definidos acho que tudo tem uma finalidade). Espero sinceramente que a finalidade das minhas dores, das minhas lágrimas e do meu sofrimento não seja apenas e só este projecto. De qualquer forma assumo que valeu a pena viver tudo aquilo, quanto mais não seja para conseguir contar esta história. Acredito no entanto que este livro não marca o fim de nada, assim como não marca o início. É apenas um elemento que ficará inserido na nossa história porque tem como objectivo imortalizar cada sorriso e cada lágrima que de nós partiram. “A brevidade de cada momento é o que faz dele inesquecível e desejado.” 53
  • 54. XVII Outro dia, outro momento, Mas sempre o mesmo sentimento… Saber que um dia sorri a teu lado, E hoje choro só, contigo em mim, Tentando evitar o arrependimento Fujo de tudo...mas mesmo assim… Carrego meu infindável fardo! Acordo sabendo da verdade, Adormeço a tentar contorná-la, Vivo na incerteza do sentir… Reflectindo…poderei desejá-la? Meus olhos choram…mera falsidade! Meu coração mantém em si a paixão, A vontade irreflectida de te ter, A ansiedade de encontrar teus lábios, Aquele teu sorriso que gostava de ver, Tudo isto são sonhos…morrerão! 54
  • 55. Acho que é visível neste poema a raiva com que o escrevi. Foi num daqueles momentos em que o controlo não esteve presente e, de certo modo, a consciência também não. Contradigo aquilo que mostrei pensar e penso: a certeza de que nada do que vivi deixará de ser parte de mim. No entanto incluí este poema neste livro para não transparecer apenas uma imagem de esperança, uma imagem de crença no destino. Não iria ignorar todos os momentos, e foram muitos, em que considerei impossível ser feliz com Ela, em que a esperança se escondeu e em que as lágrimas pela minha face escorreram por não conseguir acreditar na perfeição de cada momento partilhado e por não acreditar que um dia poderia viver tudo outra vez. Todos passamos por isto. Por mais que nos controlemos um dia acabamos por não segurar a raiva que possuímos, a raiva por sofrer, a raiva por sonhar, a raiva por viver... Isto leva-me para outro assunto. No dia-a-dia somos obrigados a mascarar a nossa personalidade, a não mostrar o que realmente somos, porque receamos o que as outras pessoas pensarão. A meu ver é este um dos aspectos que nos leva a aproximar mais de uma pessoa em particular, e consequente e possivelmente, nos leva a apaixonar por alguém. O facto de podermos mostrar ser o que somos, o facto de não termos medo de mostrar o que sentimos e o que pensamos, o facto de não temermos reacções de troça. Pode parecer uma ideia algo descabida mas com tudo isto percebi uma coisa: cada elemento de um casal (seja de namorados ou marido e mulher) deve ver no seu parceiro o melhor amigo e vice-versa. Só assim é possível manter um relacionamento sério. Apesar de tudo não consigo perceber se isto aconteceu comigo e com Ela…mas sei que em todos os momentos que partilhámos fui eu próprio, sei que nunca receei mostrar-me como sou e sei (julgo) que Ela também não escondeu o seu verdadeiro “eu” a partir do momento em que percebeu que não precisava de o esconder de mim como o escondeu de tanta gente. Sinceridade e cumplicidade…sentimentos que felizmente penso terem sido presenças constantes. “Escondemo-nos por baixo de máscaras de estereótipos, sufocando o que mais nos diferencia dos outros.” 55
  • 56. XVIII Tento construir o que vejo todos os dias em ruínas, Sonho com a perfeição cuja existência me é negada, Procuro errar o menos possível, procuro-te… Acabo por encontrar a dor, esperança acabada, Percebo que a dor e as lágrimas são as nossas sinas. A cada dia, a cada noite, suplico alguma felicidade, Sou merecedor de pouca, disso tenho noção, Sei que um sorriso não poderá atingir meu coração, Ele quer mais, sempre quis, e é essa a minha vontade. O acreditar que um dia tudo será perfeito, A força que tanto me fez lutar, que tanto me ajudou, Tudo isso não passa agora de uma recordação, Desejo ter-te, desejava, pois esse desejo acabou, Por ti…porque para te fazer feliz não fui feito. Chorarei pela mágoa e dor de não te ter tido, É essa a realidade, nunca te tive verdadeiramente, Não derramarei nenhuma lágrima por ter errado, Recordar-te-ei, pois por ti me apaixonei perdidamente, Mas era assim que tinha de ser, assim deveria ter sido. 56
  • 57. Quando o que sentimos por alguém é muito forte acabamos por colocar essa pessoa antes de nós mesmos, deixando as nossas ambições para segundo plano. Quando escrevi este poema estava decidido a fazer algo que seria mau para mim, porque pensava, e ainda hoje hesito ao reflectir sobre isto, que o melhor para Ela seria eu desistir e finalmente afastar-me por definitivo. Nunca tal consegui fazer, apesar de ter tentado por mais que uma vez. E de certo modo hoje agradeço àquilo que sempre me impediu de me afastar, porque sei que não perdi nada por me ter mantido perto dela, muito pelo contrário. Neste poema mostro também um sentimento que não conseguimos evitar quando algo termina: o sentimento de culpa. Sentirmos que a razão do fim são as nossas atitudes, os nossos gestos, o que não fizemos e devíamos ter feito. Um sentimento que defino como um erro crasso. A culpa não pode ser suportada por apenas um, visto que os dois têm a mesma responsabilidade. Outro facto que considero relevante é aquilo que expresso no final do poema. É inevitável tentarmos enganar-nos, lutando para acreditarmos que tudo passará e que deixaremos de pensar em tudo o que aconteceu. Outro erro crasso. No entanto não é um erro inútil. Ao acreditarmos que tudo passará aliviamos a dor que sentimos, embora tenhamos que perceber que está longe de ser um afastamento definitivo. Foram tantas as noites em que me tentei convencer de que o que sentia passaria, foram tantas as noites em que forcei um sorriso ao pensar no final de todo o sofrimento, foram tantas as noites em que adormeci tendo noção de que todas as mentiras com que tentava atenuar a dor não passavam disso mesmo…mentiras! Como sempre uma réstia de esperança está presente no poema, aquela réstia que guardarei sempre, que jamais perderei. Deixo assim em branco o espaço que ao futuro pertence, visto que o passado está já fechado e o presente constrói-se a cada dia. Porque sofri e sorri: “Mas era assim que tinha de ser, assim deveria ter sido.” “Por mais que nos culpabilizemos por um erro numa relação, esse erro será sempre partilhado, em partes iguais, pelos dois elementos.” 57
  • 58. XIX A inocência do teu olhar fez-me sorrir, fez-me pensar… Enquanto tu, alheia a tudo, te aproximavas de mim… Senti contigo o que não mais senti: a perfeição… Tentei manter-me a teu lado, acabei assim… Só e magoado, culpado de sem ti estar… Sei que não fiz tudo o que podia e devia… Sei que agora é tarde de mais para o fazer… Mas quando tento imaginar a minha vida sem ti… Percebo que não há vida, ela passa por te ter… Queria-te aqui…tanto eu te queria… Mas se não tiver a sorte de contigo voltar a estar… Se não mais puder dizer-te o que sinto… Espero que fique em ti apenas uma memória… Aquela em que abraçados tudo pára a nosso redor… Aquela que ficará para sempre na nossa história… Algo que nunca esquecerei…não minto… Sempre em mim estarás, apenas por de ti gostar… 58
  • 59. Inocência…acho que esta é a característica que mais me chama a atenção numa pessoa, e que mais me cativa numa rapariga. Ao pensar nos primeiros tempos do meu relacionamento com Ela recordo o seu olhar inocente, a forma como pronunciava cada frase, cada gesto… É então que me apercebo de que a sua inocência, de tal forma pura, foi um dos principais motivos que me levou a apaixonar por Ela. Muitas pessoas podem relacionar inocência com infantilidade, e de certa forma é uma relação justa. No entanto nem sempre “infantilidade” (estou obviamente a excluir as crianças) é algo mau nas pessoas. Como sempre ouvi dizer existe uma criança dentro de cada um de nós, temos é que saber quais os momentos em que devemos deixar essa criança expressar-se e quais os momentos em que não o devemos fazer. Ela tem o dom de saber usar o seu lado mais inocente, mais puro, nos momentos em que o deve fazer. Tem o dom de com um simples olhar me subjugar à sua inocência. Tem o dom de dar a cada palavra e a cada gesto o toque que só alguém especial pode dar. Neste poema faço também algo que ainda não tinha feito: prever o cenário caso não possamos mais estar juntos. Como sei que nada lhe posso exigir, limito-me a fazer um pedido, um pedido simples, mas é a única coisa que realmente desejo que Ela guarde de tudo o que vivemos. Pode esquecer os momentos que partilhámos, incluindo os sorrisos, as confidências e os carinhos, só espero que nunca perca a sensação que me possuiu em cada abraço que demos e que sei que Ela também sentiu. Pois ao recordar apenas aquele abraço está a recordar um sentimento, está a recordar uma imensidão de sensações, está, simplesmente, a recordar a nossa história. Quanto ao final do poema não me parece que possa haver grandes questões. Como transpareci em cada poema e em cada texto anteriores e como continuarei a demonstrar até ao fim do livro, Ela fará sempre parte da minha vida, mesmo que deixe de ser um elemento presente enquanto pessoa, será sempre alguém que estará em mim pelo nosso passado e pelo futuro que poderíamos ter, será sempre alguém que recordarei com nostalgia e com sofrimento, mas acima de tudo que me trará aos lábios o sorriso de saber que um dia fui feliz a seu lado. “Devemos o que somos a todos os que da nossa vida fizeram e fazem parte.” 59
  • 60. XX Quando penso em tudo o que já vivemos, Quando tento descrever tudo aquilo que sinto, Em mim se eleva a confusão do que me compõe, Em mim se realça a dor que infelizmente não finto, No final de contas depois de tudo nada temos. A cada dolorosa e longa noite luto por me expressar, Tentando exteriorizar sentimentos incompreendidos, Permaneço sereno, evito que a raiva me controle, Assumo tantos erros, todos em mim contidos, Acabo por me fechar em mim, assim hei-de ficar. Tua imagem surge em mim sem eu isso pedir, Pela sinceridade destas palavras és responsável, Minha inspiração de todas estas noites a ti devo, Meus sonhos possuem-me, é inacreditável, Meu destino é escrever, isso tenho que cumprir. Mas para escrever a tua ausência tenho que sentir, Para conseguir sentimentos exprimir tenho que sofrer, Sofro, muito sofro, mas se é este o objectivo de meu sofrimento, Se sofro para escrever, por favor não me peçam para escolher, Entre amor e poesia não sei qual mais quero… afinal só quero sorrir…. 60
  • 61. Antes de mais devo dizer que não me considero poeta, e muito menos escritor. Sou apenas alguém que conseguiu descobrir na escrita uma forma de desanuviar, uma forma de aliviar preocupações e mágoas. No entanto sinto o que penso que um poeta sente ao exprimir-se, sinto o alívio por tudo dizer sem temer, sinto a necessidade de em cada noite divagar pelo mundo das palavras, incrível mundo este. Admito que sinto também orgulho quando depois de escrever um poema o leio e testemunho que consegui construir algo, que podendo ser imperfeito revela as minhas sensações de forma incrível. Tudo isto leva-me a questionar se não será para isto, para escrever, que tanto sofrimento me confrontou e confronta. Chego até ao ponto de colocar em causa a minha própria felicidade, por recear que, tendo aquilo que lamento não ter em cada poema, que sendo finalmente alguém que ama e é amado, deixe de conseguir dar a cada página a força que actualmente julgo dar. Talvez um dia, se voltar a fazer parte do mundo dela como já fiz, perceba que mesmo feliz consigo escrever, quiçá melhor do que hoje faço. Chego a pensar que a poesia foi aquilo que encontrei para me fazer sentir mais próximo dela, foi a forma que encontrei para não sofrer tanto devido à sua ausência, afinal Ela está presente em cada palavra que escrevo. Apesar de tudo deparo-me com um problema que julgo que todos os que escrevem sentem: o facto de ao ler algo que redijo lhe entregar uma dimensão demasiado pessoal, não conseguindo nunca prever qual o impacto que tais palavras provocarão em cada leitor. Quero acreditar que Ela sentiria como eu sinto cada poema, sentiria a dimensão que eu lhes transfiro, sentiria cada palavra, cada verso, cada descrição do nosso passado. Quero também acreditar na força das minhas palavras e na sua capacidade de elevar em cada leitor a comoção e acima de tudo a emotividade…não sei sequer se tenho razões para ambicionar tal coisa. Sei que um dia poderei perceber a reacção dela ao ler tudo o que por Ela e por mim escrevi, espero que essa reacção seja, acima de tudo, sincera. “As palavras têm a força de transmitir sentimentos.” 61
  • 62. O céu, escuro com a dor que o consumia, Derramava sobre ele o gosto de sofrer, A vontade, incompreendida, que ele sabia Ser mais que a dor, ser mas não ser. Ele, pensando e sentindo aquela dor, Aquilo que não descrevia, mas que mostrava Confuso com a ideia perdida, maior, De a vida o desiludir, ele acabava. O céu, esse, possuído por aquela agonia, Transportava para o ele acabado Aquilo que ele, sincero, assumia Ser desta insuportável noite o pior lado. 62
  • 63. 63
  • 64. XXI Escuto o silêncio que sobre mim se cria, Tentando encontrar entre ele apenas um som, Com a tua voz infelizmente não me deparo, As palavras que de ti saíram, aquele tom, Nada eu ouço, ouço o que não queria. Não aguento ruidoso silêncio este, Enlouqueço tentando dizer que te quero, Minha voz nada consegue transmitir, Só queria ao mundo mostrar amor sincero, Amor que por ti tenho, nunca o perdeste. Mas este silêncio que tanta dor me provoca, Teima em não desaparecer, destrói-me, Não me consigo dele libertar, nunca consegui, Ele, sempre impiedoso, corrói-me, O meu coração inutilmente o teu evoca. Eu sei, um dia o silêncio cessará, Poderei então os gritos dos que sofrem ouvir, Poderei escutar os meus, nunca os ouvi, Estarei assim longe da felicidade, longe de ti, Deixarei de perceber o significado de sorrir, Tudo isto diz aquele que sempre te aclamará. 64
  • 65. Este é, para mim, um dos poemas mais pessimistas e ao mesmo tempo melhores que já escrevi. A harmonia com que cada verso se liga ao seguinte, os sentimentos expressos em cada palavra, o simples facto de todo estar ligado ao silêncio…tudo isto diferencia este poema de todos os outros. Apesar de parecer algo descabido considero-o um dos poemas mais “poéticos” por mim escritos. Este silêncio é aquele que todas as noites se abate sobre mim. É o silêncio que apenas se quebra quando sonho. É o silêncio de quem sofre mas não deixa de acreditar. É o silêncio com que apenas Ela pode acabar. No entanto uma palavra é insuficiente, apenas um sentimento tem a força para o derrotar. Aqui silêncio não significa ausência de som, significa ausência de sinceridade no que se diz. É quando duas pessoas se limitam a encenar uma conversa, em vez de realmente conversarem. É quando dizemos “olá” a um amigo, pensando que apenas uma palavra é cumprimento. É quando as palavras que proferimos em nada têm a ver com aquelas em que pensamos. Naquele tempo em que fazia parte da vida dela o silêncio era algo que eu tentava evitar mas que infelizmente existia. Prova disso foram as vezes, tantas, em que Ela evitou ter conversas comigo, em que Ela não foi capaz de me dizer a verdade, em que Ela se fechou sobre si própria impedindo-me de a compreender. No entanto também eu, que era suposto evitar o silêncio, não fui capaz de dizer tudo o que queria e devia, não fui sequer capaz de mostrar o que sentia. Este foi um dos aspectos em que ambos falhámos, um dos muitos aspectos. Mas isto não quer dizer que nunca entre mim e Ela o silêncio tenha sido quebrado. Houve momentos em que segredos foram partilhados, em que confidências foram feitas, em que o pensado foi dito sem rodeios nem meias palavras. A verdade é que o silêncio é inevitável. Haverão sempre coisas que não queremos partilhar, mesmo que seja com aquela pessoa especial. Teremos sempre razões para o fazer, embora por vezes possamos reflectir sobre elas. “O silêncio de um olhar pode ser mais forte que palavras, desde que o ruído dessas palavras não passe disso mesmo, ruído.” 65
  • 66. XXII Apareceste na minha vida fazendo-me chorar, Mas todas as lágrimas eram acompanhadas por um sorriso, Podes não me ter ligado nenhuma, nem me falar, Mas mostraste-me o que é o amor, agradeço-te isso, Toda a dor que ainda suporto valeu a pena, para sonhar. Cada decisão que tomei, cada boa acção que fiz, Tudo foi a pensar em ti, querendo ou não, Tornei-te no meu Deus, deixavas-me feliz, Percebi o porquê da dor, percebi então, Tu conduziste-me àquilo que queria, àquilo que quis... Não me arrependo por te amar, nunca me arrependerei, Porque a dor que me consome faz-me viver, Essa dor, não mais a deixarei, isso eu sei, Sentirei sempre a mágoa de não te ter, Mas a alegria de ter podido conhecer-te…conhecerei? 66
  • 67. Este é o único poema que eu decidi inserir na história e que não foi escrito a pensar na Ela. No início deste livro referi-me, muito brevemente, ao meu primeiro amor. Tenho agora a oportunidade de aprofundar este tema. Sempre ouvi dizer que o primeiro amor é inesquecível, concordo mas acrescento que não é apenas o primeiro, todos os amores o são. No entanto o primeiro amor marca mais fortemente uma pessoa, é o deparar com uma realidade desconhecida, é o confrontar com dúvidas, situações e sentimentos que até então não sabíamos que existiam. Realço que amor e “paixoneta” não se devem sequer relacionar. Recordo que demorei muito tempo a aperceber-me do que sentia. Era uma criança. Recordo também, com um sorriso, as minhas atitudes irreflectidas para investir numa tentativa de tentar (sim foi propositado, acabei por nunca tentar realmente) aproximar-me dela da forma como desejava. Felizmente consegui aproximar-me dela, como simples amigo é verdade, mas também aí revelei a minha imaturidade de então e nem uma amizade mantive. Hoje não evito um sorriso ao relembrar tamanhos disparates de que fui protagonista, ao relembrar cada atitude em que “me estendi ao comprido”, ao imaginar a reacção dela a cada incompreensibilidade que de mim partiu, e a verdade é que nem imaginando consigo sentir metade do que ela deve ter sentido. Mas tudo isto faz parte, tudo contribuiu para crescer e tirar lições do que fiz mal no passado para no futuro não cometer os mesmos erros. Mesmo o facto de ter sido simplesmente ignorado, de forma definitiva, me fez gostar ainda mais dela, por julgar que ela fazia aquilo para evitar que eu criasse expectativas às quais ela não tinha qualquer intenção de corresponder. É incrível como a divinizei, no entanto naquele tempo nem sequer pensava nisto. Divinizava-a inconscientemente, vendo-a como queria ver, não a vendo como ela era. Talvez fosse amor, talvez uma paixão…seja como for foi importante e ainda hoje a recordo. “A crueldade de alguém pode ter justificação, se conseguirmos colocar-nos no lugar de quem parece ser cruel.” 67
  • 68. XXIII O afastamento acabou por se ditar, Um afastamento físico, apenas isso, Tudo o resto se manteve inalterado, No entanto falta de tanto senti, Deixei de poder ver o teu sorriso, Infelizmente, deixámos de nos olhar. Chegava então a altura de lutar, Lutar pela continuação do que tínhamos… No início julguei que tudo estava acabado, Tu mostraste-me que estava enganado, Apesar de tudo o mesmo sentíamos, A força da paixão, a força de amar. Hoje mantém-se esse afastamento, Longe um do outro permanecemos, Cabe-nos tentar alterar essa realidade, Se for mesmo essa a nossa vontade Nada nos impedirá, juntos ficaremos, Depende de nós, de nosso sentimento! 68
  • 69. Aqui expresso mais uma das dificuldades sentidas por tantos e uma das que dita mais finais de histórias. O afastamento é sempre algo difícil numa relação (entenda-se por relação uma amizade, um namoro…todos os relacionamentos), no entanto como aqui mostro não é algo inultrapassável. Posso até dizer que afastamento é uma constante em toda a minha história com Ela, uma constante que mesmo inconscientemente sempre conseguimos vencer…até hoje. Não consigo deixar de temer que um dia possamos não mais ser “imunes” à problemática do afastamento e aí se ditará o final que esta história ainda não tem. Foi por esta razão que escrevi: “cabe-nos tentar alterar essa realidade”, porque esta é uma das coisas pela qual nunca lutámos. Não sei se assim foi por sentirmos que a distância não acabaria com o que sentimos (quero crer que Ela o sente também) mas nunca fizemos nada para acabar com a distância entre nós. Isto leva-me para outra realidade. Leva-me a concluir que o facto de o afastamento terminar com tantas relações resulta muitas vezes da apatia e inércia das pessoas, que nada fazem para manter os relacionamentos. A verdade é que se a vontade de dar continuidade a uma relação for real não será o afastamento a impedir isso. Outrora talvez fosse, mas actualmente a distância é um obstáculo facilmente atenuado com todas as formas de comunicação que temos. Na minha história com Ela mais que uma vez estivemos completamente afastados, até durante meses, e quando digo afastados quero dizer mesmo isso, sem falar nem ver. No entanto sempre aconteceram reaproximações (sobre as quais escrevi anteriormente) que acabavam por nos devolver a cumplicidade e intimidade que tínhamos. Por tudo isto hoje não receio tanto que nos afastemos (como vezes sem conta já aconteceu) porque agora considero essas reaproximações inevitáveis. No dia em que perceber que o afastamento é definitivo (se esse dia chegar) estarei conformado, sabendo que nada se prolonga eternamente, sabendo que já havia pensado naquele dia, sabendo que em mim estará sempre a esperança de voltar a vê-la… “Se hoje estás longe é porque um dia estive perto de mais.” 1 69 1 Esta frase não é, como todas as outras apresentadas, da minha autoria.
  • 70. A noite aproximou-se sem avisar, O rapaz, perdido no mundo seu Tentou, a todo o custo, a evitar Mas ela era forte, e venceu. Não era a primeira vez Ele acabava sempre por errar. A noite, essa ria da estupidez Que o rapaz mostrava em a aceitar. As estrelas diziam ao rapaz: “Abre os olhos, tens que pensar… Não podes magoar-te uma vez E voltares-te a magoar.” Mas o rapaz não ouvia… Ou melhor, não queria ouvir A noite, esperta, o envolvia E ele não se conseguia soltar. Ele pensava que o dia havia de chegar O dia em que o destino lhe havia mostrar, Se era o seu coração ou a sua mente a acertar, As estrelas ou a noite, alguém o ia fazer chorar. 70
  • 71. 71
  • 72. CONFIDÊNCIAS Sempre sonhei em beijar-te, em sermos felizes…finalmente, Tapei os meus olhos com o amor que sinto, não vi a realidade, Por entre aproximações e afastamentos, tantos afastamentos, Senti de tudo, amor, rancor…mas acima de tudo senti-me impotente… Por não ter forças para sozinho lutar por nós, apaixonadamente, Por não entender nada do que dizes, essa é a verdade, Tanto sinto que me queres como que me odeias por momentos, Nunca consegui, por isso me culpo tão fortemente… Acreditei sempre, e mesmo não querendo continuo a acreditar, Desde o início foste diferente em tudo, ensinaste-me muito…agradeço, De ti recordarei sempre aquele abraço capaz de parar o mundo, Recordarei sempre o sorriso cheio de sinceridade, os olhos a reluzir, Sei que nunca perderei nada do que contigo vivi, amor profundo, Sei que um dia nos reencontraremos, por esse dia padeço, Passaremos e dar-me-ás um sorriso…nada mais posso de ti desejar… Espero e quero crer que de ti escorrerão lágrimas com o fim, Tal como de mim escorrem neste momento…não as posso evitar, Espero que perdoes todo o sofrimento que te provoquei, Espero que me desculpes os erros, como eu te os desculpei, Mais que tudo quero que sorrias…por tudo o que iremos recordar, Espero que me tenhas amado…que tenhas sorrido e chorado...por mim! Admito…não consigo dizer que tudo acabou…a minha vontade é te abraçar, Não consigo imaginar que não mais sonharei contigo, com um nós, Desejo que depois de tudo leres queiras lutar, por tudo o que podemos ter, Ao mesmo tempo receio que te volte a magoar, receio que me magoes, Tantas emoções em mim se elevam…não entendo o significado disto sequer, Queria que tudo fosse como eu quero, pudéssemos avançar a uma só voz, Queria-te...pois serei sempre aquele que SÓ TU PODES ALCANÇAR! 72
  • 73. Este é o último poema deste livro. Resume tudo o que disse nas páginas anteriores, mostra ainda mais fortemente o que sinto, expressa melhor os meus medos e receios. Com a mesma postura que mantive em todo o livro, uma postura de sinceridade e humildade, considero este poema o melhor que já escrevi. Ao lê-lo não evito a tristeza, não evito a comoção. Sinto que todas as palavras estão no sítio certo, sinto que não poderia ter traduzido de melhor forma toda a história que com Ela vivi, sinto que se algum dia escrevi um poema realmente bom, esse poema é este. Quero crer que qualquer pessoa que ler este poema sentirá o que sinto, sentirá a minha dor e a minha esperança, sentirá em si todas as emoções que me atormentam. Caso isto não aconteça espero pelo menos ser compreendido como alguém que decidiu dizer o que sente com o desejo de mostrar a outros a grandeza do que viveu e do que espera viver. Tenho também a dizer que foi este poema e as suas últimas palavras que deram origem ao livro e ao seu nome. Foi este poema que me deu a motivação e força que precisava para finalmente conseguir escrever um livro e principalmente para tentar contar a história de sofrimento e esperança que vivi com Ela, uma história complicada mas que contei da melhor forma que me foi possível. Sinto também que é aqui que devo explicar a razão pela qual decidi não nomear a rapariga que de certo modo protagoniza todo o livro, ou melhor, explicar o porquê de a designar por “Ela”. Este facto deve-se a uma expressão que ouvi inúmeras vezes na minha vida acerca do amor e da existência ou não de almas gémeas. Quando achamos encontrar aquela pessoa para a qual fomos feitos a tendência é nos questionarmos: “Será que é ela/ele?”. Foi ao colocar a mim próprio esta pergunta em relação à rapariga que cheguei à conclusão que pode ser Ela, e como tal optei por a tratar assim, sabendo que essa rapariga sabe o que significa para mim, e se não tiver real noção disso perceberá ao ler este livro, se algum dia o ler. “Guardo em mim cada noite em que por palavras expressei dores, pensando sempre na noite em que o deixaria de fazer…essa noite chegou!” 73
  • 74. “O que é mais difícil não é escrever muito; é dizer tudo, escrevendo pouco.” Júlio Dantas 74
  • 75. 75
  • 76. Trocámos muito mais que um olhar Tanto, que achei que podia dar Aos segredos que dizias, guardar E por momentos acreditei Que isto não era um sonho que pintei Mais um dos tantos que criei… Sei que pode dar, só tens de tentar Dá-me a mão e... Deixa-te levar por mim Deixa-me dar-te um mundo, assim Sei que pode resultar Deixa-me mostrar quem sou Deixa-te ir com o que dou Só tu podes alcançar... Vivemos um dia de cada vez Sei que podemos viver sem porquês Afinal, só depende de nós dois Sabemos que tudo pode mudar Não sabemos o que pode dar Este olhar que agora é amor… Sei que pode dar, só tens de tentar Dá-me a mão e... Deixa-te levar por mim Deixa-me dar-te um mundo, assim Sei que pode resultar Deixa-me mostrar quem sou Deixa-te ir com o que dou Só tu podes alcançar... Só tu podes alcançar Só tu podes... Talvez, nunca consiga mostrar Porquês, são barreiras para avançar Desta vez, faz um esforço para alcançar… Deixa-te levar por mim Deixa-me dar-te um mundo, assim Sei que pode resultar Deixa-te levar por mim Deixa-me dar-te o mundo, assim Só tu podes alcançar... Só tu podes alcançar Trocámos muito mais que um olhar Tanto, que achei que podia dar Aos segredos que dizias, guardar… letra da música “Só tu podes alcançar”, 4taste 76
  • 77. 77
  • 78. Conclusão Passadas quase oitenta páginas chegou o momento de fazer o balanço daquilo que fiz, do que escrevi, senti e pensei. Mantive sempre na minha cabeça o desejo de relatar cada acontecimento com o máximo de precisão possível, no entanto sei que não o fiz. Tentei concentrar as minhas palavras apenas na minha história com Ela, mas a verdade é que me perdi em reflexões e em desabafos. Lutei por expressar todos os meus sentimentos com sinceridade, fi-lo, apesar de saber que evitei demasiadas vezes utilizar palavras mais fortes, palavras como aquela que estranhamente não surge neste livro…a palavra “amo-te”. Justificação para tal facilmente encontro. Pareceu-me desnecessário escrever uma palavra cujo significado está espalhado por cada página, por cada verso, por frase, por cada palavra deste livro. Acho que todos percebem isso. Tenho que realçar que tudo isto não tem como objectivo ser compreendido como uma prova de amor, embora possa ser visto como tal. Em todas as ocasiões em que me referi a este projecto disse que pretendia “apenas e só contar uma história que está longe de ser um conto de fadas, uma história de contradições, de lágrimas e olhares, uma história com finais e recomeços, uma história com histórias.” Sinto que cumpri a minha missão. Apesar de saber que nada do que escrevi neste livro está perfeito, apesar de ter noção que não sou um escritor (já o disse anteriormente). No entanto orgulho-me do que fiz, não por tê-lo feito bem, isso só quem ler poderá dizer, mas por o ter feito com emoção, com sentimento, com amor. Não coloco sequer em causa que muitos poderiam fazer melhor do que eu fiz, mas quero acreditar que expressei bem, à minha maneira, tudo o que sentia e sinto. Apesar de todas as falhas, das repetições, das contradições, não mudaria nada do que escrevi, fiz o melhor que sabia… 78
  • 79. Acho que ao mesmo tempo que tentei contar esta história revelei aquilo que sou, mostrei os meus medos, os meus receios, mas acima de tudo transpareci a esperança que de todos deve fazer parte. É também esse um dos objectivos deste livro, provar que o impossível não existe se lutarmos para realizar os nossos sonhos, provar que a esperança é aquilo que nos mantém vivos nos momentos mais difíceis. Este é o meu tributo à história que partilhei com Ela, é a forma de lhe mostrar que apesar de tudo continuo a acreditar que um dia o destino nos fará de novo encontrar. Se isso não acontecer sei que sofrerei, mas também sei que a dor que sentirei não será superior à que sinto, à que sempre senti. Aproveito também para afirmar que sou feliz, embora não o pareça ser em muitas passagens desta história. Sou feliz por aquilo que já vivi, sou feliz por sofrer, sou feliz porque sei que o futuro me reserva muitas mais alegrias, assim como muitas mais dores. Não sou imune a isso. A dor provocar-me-á sempre lágrimas, mas o sentir que estou vivo, o sentir que não estou sozinho porque à minha volta tenho aquelas pessoas com quem sei que posso contar sempre e para tudo, o sentir que sou capaz de alegrar aqueles que me rodeiam, tudo isso me faz acordar com um sorriso nos lábios. Espero sinceramente que todos os que tiverem oportunidade de ler tudo isto sintam a minha dor e a minha esperança, sintam que as suas vidas valem a pena ser vividas, sintam que no final de tudo lerem algo mudou dentro delas. Pois é isso que pretendo, que depois de perceberam tudo isto sejam capazes de enfrentar o dia-a-dia de maneira diferente, de uma maneira melhor. Se uma pessoa, apenas uma, ler este livro e não sentir nada do que nele está é porque falhei. Quero acreditar que tal não irá acontecer. É aqui que incluo também os agradecimentos. Devo um obrigado a todos os que fizeram ou fazem parte da minha vida, por mais insignificantes que possam ter parecido ser, pois cada pequena vivência desempenhou o seu papel para hoje ser o que sou e para hoje ter contado esta história da forma como o fiz. No entanto um agradecimento especial tenho que dirigir a Ela, por me ter ensinado tanto, por me ter feito sofrer, por me fazer sentir aquilo que nunca senti…por ser simplesmente Ela. 79
  • 80. Realizo assim um dos meus sonhos, um sonho que ironicamente é baseado em todos os meus outros sonhos, o sonho de escrever um livro. “Só tu podes alcançar” é assim uma batalha que felizmente venci, uma batalha que muito dificilmente irei repetir pois este projecto será sempre único, será sempre algo que recordarei, algo que a partir de agora é parte integrante de uma história, da minha história e consequentemente da minha história com Ela. Custa-me dar a história por contada, porque sei que esta não tem final, nem sei se algum dia terá. Concluo com o sentimento de que não disse tudo o que poderia e deveria, um sentimento demonstrador de toda a crença que sempre depositei e deposito num “nós” que nunca foi oficialmente considerado cenário por Ela. No entanto a história continuará, longe do papel e longe das palavras que neste livro se encontram, e como sempre foi, imprevisível será. Talvez um dia perceba que toda a dor, todas as lágrimas, todos os poemas e textos, tudo teve a sua razão de ser, tudo fez parte da minha caminhada para atingir a perfeição que todos desejam. Quem sabe se não atinjo com tudo isto essa perfeição… “Que nunca se perca o sorriso sincero de uma criança, o sorriso que tudo transmite em silêncio, o sorriso que todos nós possuímos, porque um dia fomos crianças, e nesse tempo não pensávamos antes de agir, não tapávamos as lágrimas por vergonha, não éramos meras montagens da sociedade em que vivemos.” O autor: Daniel Paiva 80
  • 81. 81