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Linguagens Completo
 

Linguagens Completo

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  • A intertextualidade é uma técnica muito utilizada na propaganda, como se vê em http://discutindoaredacao.wordpress.com/2010/10/16/nada-se-cria-tudo-se-parafraseia/
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    Linguagens Completo Linguagens Completo Presentation Transcript

    • 11/7/2003, 09:16 ENCCEJA Livro do Professor / Ensino Fundamental e Médio Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Educação Artística e Educação Física / Linguagens, Códigos e suas Tecnologias 1 Linguagens.pmd
    • República Federativa do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva Ministério da Educação – MEC Cristovam Buarque Secretaria Executiva do MEC Rubem Fonseca Filho Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP Otaviano Augusto Marcondes Helene Diretoria de Avaliação para Certificação de Competências Dirce Gomes Linguagens.pmd 2 11/7/2003, 09:16
    • Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Educação Artística e Educação Física Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Livro do Professor Ensino Fundamental e Médio LÌngua Portuguesa 1-8.pmd 1 11/7/2003, 09:40
    • LÌngua Portuguesa 1-8.pmd 2 11/7/2003, 09:40
    • Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Educação Artística e Educação Física Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Livro do Professor Ensino Fundamental e Médio Brasília MEC/INEP 2003 LÌngua Portuguesa 1-8.pmd 3 11/7/2003, 09:40
    • © O MEC/INEP cede os direitos de reprodução deste material às Secretarias de Educação, que poderão reproduzi-lo respeitando a integridade da obra. Coordenação Geral do Projeto Diretoria de Avaliação para Certificação de Competências (DACC) Maria Inês Fini Equipe Técnica Maria Inês Fini – Diretora Coordenação de Articulação de Textos do Ensino Fundamental Alessandra Regina Ferreira Abadio Maria Cecília Guedes Condeixa Andréia Correcher Pitta André Ricardo de Almeida da Silva Coordenação de Articulação de Textos do Ensino Médio Augustus Rodrigues Gomes Zuleika de Felice Murrie Célia Maria Rey de Carvalho David de Lima Simões Coordenação de Texto de Área Denise Pereira Fraguas Ensino Fundamental Dorivan Ferreira Gomes Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Educação Artística e Érika Márcia Baptista Caramori Educação Física Fernanda Guirra do Amaral Alfredina Nery Frank Ney Souza Lima Ensino Médio Ildete Furukawa Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Irene Terezinha Nunes de Souza Inacio Alice Vieira Jane Hudson Abranches Kelly Cristina Naves Paixão Leitores Críticos Marcio Andrade Monteiro Área de Psicologia do Desenvolvimento Marco Antonio Raichtaler do Valle Márcia Zampieri Torres Maria Cândida Muniz Trigo Maria da Graça Bompastor Borges Dias Maria Vilma Valente de Aguiar Leny Rodrigues Martins Teixeira Mariana Ribeiro Bastos Migliari Lino de Macedo Nelson Figueiredo Filho Área de Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Educação Suely Alves Wanderley Artística e Educação Física Teresa Maria Abath Pereira Área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Valéria de Sperandyo Rangel Lygia Correa Dias de Moraes Reginaldo Pinto de Carvalho Capa Zilda Gaspar de Oliveira Aquino Milton José de Almeida (a partir de desenhos de Leonardo da Vinci) Coordenação Editorial Zuleika de Felice Murrie L755 Língua Portuguesa, língua estrangeira, educação artística e educação física, Linguagens, códigos e suas tecnologias : livro do professor : ensino fundamental e médio / Coordenação Zuleika de Felice Murrie . - Brasília : MEC : INEP, 2002. 130p. ; 28cm. ISBN 85-296-0025-8. 1. Língua portuguesa (Ensino médio). 2. Artes (Ensino médio). 3. Educação física. I. Murrie, Zuleika de Felice. CDD 469.5 LÌngua Portuguesa 1-8.pmd 4 11/7/2003, 09:40
    • SUMÁRIO I. AS BASES EDUCACIONAIS DO ENCCEJA .................................................................... 9 A. A PROPOSTA DO ENCCEJA PARA CERTIFICAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL ....................................................................................... 14 B. A PROPOSTA DO ENCCEJA PARA CERTIFICAÇÃO DO ENSINO MÉDIO ....................................................................................................... 18 II. EIXOS CONCEITUAIS QUE ESTRUTURAM O ENCCEJA ................................... 23 A. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS ..................................................................................... 24 B. AS ORIGENS DO TERMO COMPETÊNCIA .................................................................. 27 C. AS COMPETÊNCIAS DO ENEM NA PERSPECTIVA DAS AÇÕES OU OPERAÇÕES DO SUJEITO ......................................................................... 31 III. AS ÁREAS DO CONHECIMENTO CONTEMPLADAS NO ENCCEJA .............. 39 LÍNGUA PORTUGUESA, LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA, EDUCAÇÃO FÍSICA E EDUCAÇÃO ARTÍSTICA - Ensino Fundamental .............. 39 LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS - Ensino Médio ........................ 49 IV. AS MATRIZES QUE ESTRUTURAM AS AVALIAÇÕES ................................... 59 LÍNGUA PORTUGUESA, LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA, EDUCAÇÃO FÍSICA E EDUCAÇÃO ARTÍSTICA - Ensino Fundamental .............. 60 LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS - Ensino Médio ........................ 66 V. ORIENTAÇÃO PARA O TRABALHO DO PROFESSOR LÍNGUA PORTUGUESA, LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA, EDUCAÇÃO FÍSICA E EDUCAÇÃO ARTÍSTICA - Ensino Fundamental .............. 73 LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS - Ensino Médio ................... 111 LÌngua Portuguesa 1-8.pmd 5 11/7/2003, 09:40
    • LÌngua Portuguesa 1-8.pmd 6 11/7/2003, 09:40
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    • LÌngua Portuguesa 1-8.pmd 8 11/7/2003, 09:40
    • I. As bases educacionais do ENCCEJA Os brasileiros têm ampliado sua envolveram-se, de alguma forma, em escolaridade. É o que demonstra o Censo práticas sociais da língua. É desse modo 2000, em recente divulgação feita pelo que se pode entender que o analfabeto Instituto Brasileiro de Geografia e possui um certo conhecimento das Estatística (IBGE). O principal fato a linguagens, ao assistir a um telejornal comemorar é a ampla freqüência às (que usa, em geral, a linguagem escrita, escolas do nível fundamental que, no oralizada pelos locutores), ao ditar uma ano 2000, acolhiam 94,9% das crianças carta, ao apoiar-se numa lista mental de entre 7 e 14 anos. Pode-se afirmar, produtos a serem comprados ou ao portanto, que o Ensino Fundamental, no reconhecer placas e outros sinais urbanos. Brasil, é quase universal para a faixa Evidencia-se, assim, a importância de etária prevista e correspondente. Além reconhecer, como ponto de partida, que o disso, comparando-se dados de 1991 e estilo de vida nas sociedades urbanas 2000, há crescimento na freqüência modernas não permite grau zero de escolar em todos os grupos de idade. letramento. Persiste, entretanto, um contingente Há uma possibilidade de “leitura do populacional jovem e adulto que carece da mundo” em todas as pessoas, até para formação fundamental. Segundo o referido aquelas sem nenhuma escolarização. Censo, 31,2% da população brasileira com O Censo Escolar realizado pelo Inep mais de 10 anos de idade tem apenas até 3 indica um total de 3.410.830 matrículas anos de estudo; logo, cerca de um terço em cursos de Educação de Jovens e dos brasileiros (mais de 50 milhões de Adultos (EJA) em 1999. Desse total, mais pessoas) não concluíram nem a primeira ou menos 1.430.000 freqüentam cursos parte do Ensino Fundamental. Esses correspondentes ao segundo segmento do cidadãos que não tiveram possibilidades ensino fundamental, de 5ª a 8ª série. de completar seu processo regular de Nesses cursos, encontra-se um público escolarização, em sua maioria, já são variado e heterogêneo, uma importante adultos, inseridos ou não no mundo do característica da EJA. Entre eles, há uma trabalho, e têm constituído diferentes parcela dos jovens de 15 a 17 anos de saberes, por esforço próprio, em resposta idade freqüentando a escola e que, às necessidades da vida. Nesse sentido, segundo o IBGE, representa quase 79% assinala-se, nos termos da Lei, o direito a da população dessa faixa. Os demais cursos com identidade pedagógica própria 21%, por diversos motivos, mas àqueles que não puderam completar a principalmente por pressões ou alfabetização, mas, que, ao pertencerem a contingências socioeconômicas, um mundo impregnado de escrita, deixaram precocemente o ambiente escolar. 9 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 9 11/7/2003, 09:44
    • Livro do Professor Sendo dever dos poderes públicos e da físicas interessadas em colaborar. sociedade em geral oferecer condições Os objetivos desses programas ou para a retomada dos estudos em salas projetos são oferecer vagas e subsidiar de aula, destinadas especificamente a professores que trabalham com os jovens e adultos, diversos projetos têm cidadãos que não puderam iniciar ou sido desenvolvidos no âmbito do concluir seus estudos em idade própria governo federal. Para atender os ou não tiveram acesso à escola. Em municípios do Norte e Nordeste com conjunto com diversas outras iniciativas 1 baixo IDH, o Ministério da Educação de organizações não-governamentais 2 (MEC) é parceiro no Projeto Alvorada, (ONGs), universidades ou outras formas organizando o repasse de verbas a de associação civil, respondem ao Estados e Municípios. Em apoio ao enorme desafio de minimizar os efeitos projeto, a Coordenadoria de Educação da exclusão do Ensino Fundamental, de Jovens e Adultos (COEJA), da fenômeno histórico em nosso país que Secretaria do Ensino Fundamental (SEF– hoje está sendo superado na faixa etária MEC), tendo como parceira a Ação correspondente. Contudo, mais do que Educativa, organização não em razão do número de alunos em salas governamental de reconhecida de aula (ainda pequeno, considerando-se experiência no campo de formação de o enorme contingente de jovens e jovens e adultos, apresentou Proposta adultos não-escolarizados), tais ações do Curricular para Educação de Jovens e governo e da sociedade civil têm Adultos, 1º Segmento, que visa ao oferecido educação aos cidadãos mais programa Recomeço – Supletivo de afastados da cultura letrada, por viverem Qualidade. Além disso, em resposta às em lugares quase isolados do nosso país- demandas dos sistemas públicos continente ou por estarem desenraizados (estaduais e municipais) que aderiram de sua cultura de origem, habitando as aos Parâmetros Curriculares Nacionais periferias das grandes cidades. (PCN) em ação, a mesma COEJA Já nos primeiros artigos da Lei de promoveu a formulação e vem Diretrizes e Bases da Educação Nacional divulgando uma Proposta Curricular (LDB) de 1996, valorizam-se a para a EJA de 5ª a 8ª série, experiência extra-escolar e o vínculo fundamentada nos Parâmetros entre a educação escolar, o mundo do Curriculares Nacionais desse segmento. trabalho e a prática social. O Programa Alfabetização Solidária, por Esse fato sinaliza o rumo que a sua vez, foi lançado em 1997 e relata a alfabetização de 2,4 milhões de jovens educação brasileira já vem tomando e em 2001. Em 2002, encontra-se em marca posição quanto ao valor do conhecimento escolar, voltado para o 2.010 municípios. Caracteriza-se por ser um trabalho de ação conjunta entre pleno desenvolvimento do educando, seu diferentes parceiros, coordenados por preparo para o exercício da cidadania, e organização não-governamental, e que sua qualificação para o trabalho (Artigo inclui universidades, estados, 2). Essas orientações são reiteradas em municípios, empresas e até pessoas muitas outras partes da mesma Lei, como nas diretrizes para os conteúdos 1 Índice de Desenvolvimento Humano, indicador estabelecido pelo Programa de Desenvolvimento Humano da UNESCO, que considera a esperança de vida ao nascer, o nível educacional e o PIB per capita. 2 Programa do governo federal de gerenciamento intensivo de ações e programas federais de infra-estrutura 10 social, de combate à exclusão social e à pobreza e de redução das desigualdades regionais pela melhoria das condições de vida nas áreas mais carentes do Brasil. LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 10 11/7/2003, 09:44
    • I. As bases educacionais do ENCCEJA curriculares da educação básica, propósitos e conceitos centrais: a anunciadas no seu Artigo 27, difusão dos valores de justiça social e destacando-se a primeira delas, que dos pressupostos da democracia, o preconiza a difusão de valores respeito à pluralidade, o crédito à fundamentais ao interesse social, aos capacidade de cada cidadão ler e direitos e deveres dos cidadãos, de interpretar a realidade, conforme sua respeito ao bem comum e à ordem própria experiência. democrática. Respondem por um paradigma com Ainda outros documentos do Ministério lastro nos legados de Jean Piaget e da Educação, como os Parâmetros Paulo Freire, verificando-se, com eles, Curriculares Nacionais, para os níveis que é necessário disseminar as Fundamental e Médio, a Proposta pedagogias que buscam promover o Curricular da EJA (5ª a 8ª série) e a desenvolvimento da inteligência e a Matriz de Competências e Habilidades do consciência crítica de todos os Exame Nacional do Ensino Médio envolvidos no processo educativo, (Enem), abordam o currículo escolar, tendo, na interação social e no diálogo integrado por competências e autêntico, o mais importante habilidades dos estudantes, ou norteado instrumento de construção do por objetivos de ensino/aprendizagem, conhecimento. Um paradigma com em que os conteúdos escolares são denominações variadas, pois usufrui de plurais e só têm sentido e significado se diferentes vertentes teóricas, mas com mobilizados pelo sujeito do algo em comum: a crítica à tradição do conhecimento: o estudante. Pode-se currículo enciclopédico, centrado em reconhecer, no conjunto desses conhecimentos sem vínculo com a documentos e em cada um deles, experiência de vida da comunidade esforços coletivos por um melhor e escolar e na crença de que a aquisição maior comprometimento da comunidade do conhecimento dispensa o exercício da escolar brasileira com um novo crítica e da criação por parte de quem paradigma pedagógico. Um paradigma aprende. Mas é essa tendência que ainda multifacetado, como costuma acontecer orienta a maioria dos currículos com as tendências sociais em praticados e, conseqüentemente, os construção, diverso em suas exames de acesso a um nível escolar ou nomenclaturas e que se vale de para certificação. numerosas pesquisas, em diferentes Os exames de certificação para os campos científicos, muitas ainda em fase jovens e adultos não constituem de produção e consolidação. exceção, uma vez que, na sua maioria, Esse rico cenário acadêmico precisa submetem os alunos a provas massivas, ainda ser mais eficazmente disseminado sem o correspondente cuidado com a no ambiente complexo e plural da qualidade do ensino e o respeito com o educação brasileira. Mesmo assim, o educando, como se encontra assinalado conjunto dos documentos que nas Diretrizes Curriculares Nacionais da estruturam e orientam a Educação Educação de Jovens e Adultos Básica no Brasil é coeso em seus (DCNEJA). Por outro lado, recomenda- 11 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 11 11/7/2003, 09:44
    • Livro do Professor se que o estudante da EJA, com a Embora não seja possível, em âmbito maturidade correspondente, deva nacional, prever a enorme gama de encontrar, nos cursos e nos exames conhecimentos específicos estruturados dessa modalidade, oportunidades para em meio à vivência de situações reconhecer e validar conhecimentos e cotidianas, procurou levar em competências que já possui. A mesma consideração que o processo de Diretriz prevê a importância da estruturação das vivências possibilita avaliação na universalização da aquisições lógicas de pensamento que são qualidade de ensino e certificação de universais para os jovens e adultos e que aprendizagem, ao apontar que os se, de um lado, devem ser tomadas como exames da EJA devem primar pela ponto de partida nas diversas qualidade, pelo rigor e pela adequação. modalidades de ofertas de ensino para A proposta do Exame Nacional de essa população, de outro, devem Certificação de Competências de Jovens participar do processo de avaliação para e Adultos (Encceja) busca satisfazer esses certificação. fundamentos político-pedagógicos, Desse modo, objetivou-se superar a expressos de forma mais abrangente na concepção de estruturação de provas Lei maior da educação brasileira, e, de fundamentadas no ensino enciclopedista, modo mais detalhado ou com ênfases centradas em conteúdos fragmentados e especiais, nas Diretrizes, Parâmetros e descontextualizados, quase sempre outros referenciais que a contemplam, associados ao privilégio da memória sobre inclusive, o Documento Base do Exame o estabelecimento de relações entre Nacional do Ensino Médio (Enem). idéias. Ainda que se reconheça o Baseados na experiência dos inequívoco papel da memória para o especialistas e nesses documentos, conhecimento de fenômenos, das etapas buscou-se identificar conteúdos e dos processos, ou mesmo, de teorias, é métodos para a construção de um preciso considerar, nas referências de quadro de referências atualizado e provas, bem como na oferta de ensino, as adequado ao Encceja. Um dos múltiplas capacidades de operar com resultados do processo são as Matrizes informações dadas. Ou seja, está-se de Competências e Habilidades, em valorizando a autonomia do estudante em nível de Ensino Fundamental e em nível ler informações e estabelecer relações a de Ensino Médio. partir de certos contextos e situações. E, assim, o exame sinaliza e valoriza um As Matrizes de Competências e cidadão mais apto a viver num mundo em Habilidades constituem referencial de constantes transformações, onde é exames mais significativos para o importante possuir estratégias pessoais e participante jovem ou adulto, mais coletivas para a solução de problemas, adequados às suas possibilidades de ler e fundamentadas em conhecimentos de interagir com os problemas básicos de todas as disciplinas ou áreas da cotidianos, com o apoio do educação básica. conhecimento escolar. 12 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 12 11/7/2003, 09:44
    • I. As bases educacionais do ENCCEJA O processo de elaboração das Matrizes área, foram submetidas ao tratamento de Competências e Habilidades do cognitivo das competências do sujeito do Encceja, Fundamental e Médio teve conhecimento e permitiram a definição de como meta principal garantir uma habilidades específicas que estabelecem proposta de continuidade e coerência as ações ou operações que descrevem entre o que se estabeleceria para os desempenhos a serem avaliados nas exames em nível de Ensino Médio ou provas. Nessa concepção, as referências Fundamental. Dessas etapas resultaram de cada área descrevem as interações a definição das quatro áreas dos exames mais abrangentes ou complexas (nas e um conjunto de proposições para cada competências) e as mais específicas (nas uma delas, que foram também habilidades) entre as ações dos reconsideradas à luz das Diretrizes participantes, que são os sujeitos do Curriculares Nacionais da EJA conhecimento, com os conteúdos (DCNEJA), das políticas educacionais disciplinares, selecionados e organizados vigentes em âmbito federal e nas a partir dos referenciais adotados. propostas estaduais, a fim de organizar Para a elaboração das competências do os quadros de referência dos exames. Ensino Médio, foram consideradas as As Matrizes de referência para a prova de competências por área, definida pelas cada área ou disciplina foram organizadas Diretrizes do Ensino Médio. Constituiu- em torno de nove competências amplas, se um importante desafio a elaboração por sua vez, desdobradas em habilidades das matrizes do Encceja para o Ensino mais específicas, resultantes da Fundamental, especificamente no que associação desses conteúdos gerais às diz respeito à definição das competências cinco competências do Enem. As gerais das áreas. Isso porque, para o competências já definidas para o Enem Ensino Fundamental, os Parâmetros correspondem aos eixos cognitivos Curriculares Nacionais (PCN) e as básicos, a ações e operações mentais que Diretrizes Curriculares Nacionais trazem todos os jovens e adultos devem outra abordagem, não tendo incorporado desenvolver como recursos mínimos que a discussão mais recente, que visa à os habilitam a enfrentar melhor o mundo determinação de competências e que os cerca, com todas as suas habilidades de aprendizagem como responsabilidades e desafios. produto da escolarização, ainda que Nas Matrizes do Encceja, os conteúdos preservem e ampliem consideravelmente tradicionais das ciências, da arte e da outros elementos didático-pedagógicos filosofia são denominados competências do mesmo paradigma. de área, à semelhança dos conceitos já Os documentos legais permitiram consagrados na reforma do ensino médio, construir matrizes semelhantes para o porque já demonstram aglutinar Encceja - Ensino Fundamental, apesar articulações de sentido e significação, de oferecerem contribuições distintas superando o mero elenco de conceitos e para a configuração das competências e teorias. Essas competências, em cada habilidades a serem avaliadas. 13 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 13 11/7/2003, 09:44
    • Livro do Professor A. A PROPOSTA DO ENCCEJA pertence um número maior de PARA A CERTIFICAÇÃO DO brasileiros. Esses jovens e adultos, já ENSINO FUNDAMENTAL trabalhadores com experiência profissional, leitores, participantes de Considerando-se a população que não vias informais da educação, com completou seus estudos do nível expectativa de melhor posicionamento fundamental, é possível aventar a no mercado de trabalho e/ou da existência de significativo número de retomada dos estudos em nível médio, pessoas desejosas de recuperar o precisam ter reconhecidos e validados reconhecimento social da condição os seus conhecimentos. Para eles, foi letrada, obtendo certificação de elaborado o Encceja, correspondente ao conhecimentos por meio de Exame nível fundamental. Supletivo do Ensino Fundamental. Tendo a LDB diminuído a idade mínima Essas pessoas, tendo-se afastado da para a certificação por meio de exames escola há bastante tempo ou mesmo supletivos, instalou-se uma questão tendo retomado estudos parciais de contraditória na educação nacional, pois forma esporádica, continuaram é supostamente desejável a aprendendo pela prática de leitura e permanência dos jovens de 15 anos na análise de textos escritos, de cálculos e escola, a fim de desenvolver suas outros estudos em situações específicas capacidades e compartilhar de seu interesse. Participam de meios conhecimentos, com o apoio e a informais, eventuais, ou mesmo, mediação da comunidade escolar. incidentais de educação com diferentes Entretanto, alguns precisaram propósitos. Por exemplo, em cursos interromper os estudos por motivos oferecidos por empresas para capacitação contingenciais e financeiros, por de pessoal, em grupos de estudo mudança de domicílio ou para ajudar a comunitários, ou mesmo, através de família, entre outros motivos. Além programas educativos na TV, no rádio disso, como já apontado nas Diretrizes ou outras mídias. Assim, são capazes de Curriculares Nacionais para Educação de leitura autônoma para efeito de lazer, Jovens e Adultos (DCNEJA), há aqueles demandas do exercício da cidadania ou que, mesmo tendo condições do trabalho. Desse modo, lêem revistas financeiras, não lograram êxito nos esportivas e folhetos de instrução estudos, por razões de caráter técnica, programas de candidatos a sociocultural. Para esses jovens, a cargos eletivos e publicações vendidas certificação do Ensino Fundamental por em banca de jornal que dão instruções meio do Encceja significa a para a realização de muitas atividades. possibilidade de retomar os estudos no Além disso, calculam para fins de mesmo nível que seus coetâneos, não compra e venda, analisam situações de sofrendo outras penalidades além qualidade de vida (ou sua carência). daquelas já impostas por suas condições de vida até então. Logo, já são leitores do mundo, superaram um estágio de decifração de As Diretrizes do Ensino Fundamental códigos da língua materna, ao qual contribuem diretamente para a seleção de 14 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 14 11/7/2003, 09:44
    • I. As bases educacionais do ENCCEJA conteúdos a serem avaliados pelo Encceja linguagens. Ressalte-se que esses de, pelo menos, duas maneiras. aspectos guardam evidente proximidade Primeiramente, ao esclarecer a natureza com os Temas Transversais, dos conteúdos mínimos referentes às desenvolvidos no PCN do Ensino noções e conceitos essenciais sobre Fundamental: Ética, Meio Ambiente, fenômenos, processos, sistemas e Saúde, Orientação Sexual, Trabalho e operações que contribuem para a Consumo, e Pluralidade Cultural. constituição de saberes, conhecimentos, Com os mesmos propósitos, estudaram-se valores e práticas sociais indispensáveis também os textos da V Conferência ao exercício de uma vida de cidadania Internacional sobre Educação de plena, e, depois, ao recomendar: ao Adultos, com uma orientação temática utilizar os conteúdos mínimos, já de mesma natureza que os PCN e DCN divulgados inicialmente pelos Parâmetros do Ensino Fundamental. Isso pode ser Curriculares Nacionais, a serem ensinados exemplificado pela menção especial dos em cada área de conhecimento, é temas I, IV e VI. indispensável considerar, para cada I- Educação de adultos e democracia: o segmento (Educação Infantil, 1ª a 4ª e 5ª a desafio do século XXI. Alguns 8ª séries), ou ciclo, que aspectos serão compromissos desse tema: desenvolver contemplados na interseção entre as áreas participação comunitária, favorecendo e aspectos relevantes da cidadania, cidadania ativa; sensibilizar com relação tomando-se em conta a identidade da aos preconceitos e à discriminação no escola e de seus alunos, professores e seio da sociedade; promover uma cultura outros profissionais que aí trabalham. da paz, o diálogo intercultural e os Decorre que também a EJA do direitos humanos; Fundamental deve considerar os aspectos IV- A educação de adultos, igualdade e próprios da identidade do jovem e adulto eqüidade nas relações entre homem e que retoma a escolarização, tanto para mulher e a maior autonomia da efeito de cursos, como para exames. Por mulher. Esse tema tem como um dos outro lado, corrobora a referência aos compromissos: promover a capacitação e conteúdos (conceitos, procedimentos, autonomia das mulheres e a igualdade valores e atitudes) debatidos nos PCN de dos gêneros pela educação de adultos, 5ª a 8ª série (subsidiários à Proposta entre outros. Curricular da EJA), na escolha dos VI- A educação de adultos em conteúdos do Encceja do Ensino Fundamental. relação ao meio ambiente, à saúde e à população. Esse tema tem como A segunda linha de contribuições reside compromissos: promover a capacidade e a no levantamento do rol de aspectos da participação da sociedade civil em vida cidadã que devem estar articulados responder e buscar soluções para os à base nacional comum, quais sejam: a problemas de meio ambiente e de saúde, a sexualidade, a vida familiar e desenvolvimento, estimular o aprendizado social, o meio ambiente, o trabalho, a dos adultos em matéria de população e de ciência e a tecnologia, a cultura e as vida familiar, reconhecer o papel decisivo 15 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 15 11/7/2003, 09:44
    • Livro do Professor da educação sanitária na preservação e escrito, considerando valores e direitos melhoria da saúde pública e individual, humanos. Tais ações ou operações do assegurar a oferta de programas de participante estão representadas na matriz educação adaptados à cultura local e às do Encceja, nas diferentes habilidades. necessidades específicas, no que se refere Não se deve supor, contudo, que uma à atividade sexual. prova organizada a partir de habilidades Todas essas recomendações foram (articulações entre operações lógicas com consideradas para a seleção de valores e conteúdos relevantes) negligencie as conceitos integrados às competências e exigências básicas de conteúdos mínimos habilidades organizadoras do Encceja do e a capacidade de ler e escrever. Ensino Fundamental. Já para a definição Para o participante da prova, é do escopo e redação das competências imprescindível a prática autônoma da das áreas e disciplinas, consideraram-se leitura, que possibilita a percepção de especialmente os objetivos gerais para possíveis significados e a construção de ensino e aprendizagem delineados na opiniões e conhecimentos ao ler um texto, Proposta Curricular da EJA (5ª a 8ª série) um esquema ou outro tipo de figura. de Matemática, Língua Portuguesa, Espera-se, de fato, que o jovem e o Ciências Naturais, História e Geografia, adulto, ao certificarem-se com a e os objetivos gerais de todo o Ensino escolaridade fundamental pelo Encceja, Fundamental dos PCN e dos Temas já estejam lendo autonomamente, com Transversais. certa fluência, a partir de sua experiência Assim, foram constituídas as referências com textos diversos, em situações em para as provas de: que faça sentido ler e escrever. Cabe a 1- Língua Portuguesa, Artes, Língua eles construir os sentidos de um texto, Estrangeira e Educação Física, sendo as ao colocar em diálogo seus próprios três últimas áreas de conhecimento conhecimentos de mundo e de língua, consideradas sob a ótica da constituição como usuários dela, e as pistas do texto, das linguagens e códigos, não como oferecidas pelo gênero, pela situação de conteúdos conceituais isolados para comunicação e pelas escolhas do autor: avaliação; Nessa perspectiva, entende-se que ler não é 2- Matemática; extrair informação, decodificando letra por 3- História e Geografia; letra, palavra por palavra. Trata-se de uma 4- Ciências Naturais. atividade que implica estratégias de seleção, A Matriz para o Encceja concorre para a antecipação, inferência e verificação, sem as promoção de provas que dêem quais não é possível proficiência. É o uso desses oportunidade para jovens e adultos procedimentos que possibilita controlar o que aproveitarem o que aprenderam na vida vai sendo lido, permitindo tomar decisões prática, trabalhando com aspectos básicos diante de dificuldades de compreensão, da vida cidadã, como a tomada de avançar na busca de esclarecimentos, validar decisões e a identificação e resolução de no texto suposições feitas. problemas, a descrição de propostas e a (Brasil, c2000, v.2, p.69, 7º parágrafo) comparação entre idéias expressas por 16 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 16 11/7/2003, 09:44
    • I. As bases educacionais do ENCCEJA Devem-se considerar, entretanto, problematizando-os para que, por meio diferentes níveis de proficiência na da reflexão própria, ele reconheça o que leitura dos códigos e linguagens que já sabe e estabeleça conexões com o constituem as informações da realidade. conhecimento novo apresentado. Assim, A meio termo da formação básica, na para enfrentar situações-problema, são conclusão do Ensino Fundamental, os mobilizados elementos lógicos textos lidos ou formulados pelo pertinentes ao raciocínio científico e estudante da EJA já evidenciam uma também ao cotidiano, podendo explorar visão de mundo um tanto complexa, interações entre fatos e/ou idéias, para ainda que expressa em discurso mais entre eles estabelecer relações causais, sintético, mais direto, com muitos espaço-temporais, de forma e função, ou nomes do cotidiano preservados e seqüenciando grandezas. elementos do senso comum, se Não se pode perder de vista, tampouco, o comparados com produções do estudante exercício simplificado da metacognição em nível de Ensino Médio. por parte daqueles que pouco É a partir dessas concepções de leitura freqüentaram a escola. Não é de se esperar que as provas são elaboradas, como que possam raciocinar com desenvoltura possibilidades de abordagem pedagógica sobre a estrutura do conhecimento em si, das competências e habilidades do uma qualidade intelectual daqueles que Encceja na avaliação para certificação. freqüentaram a escola (Oliveira, 1999). Para tanto, os textos oferecidos em Respeitar essa característica representa questões de prova são rigorosos do ponto uma exigência para a formulação de uma de vista conceitual, ao observarem os prova em que se reconhecem as marcos teóricos de referência em cada possibilidades intelectuais dos cidadãos área de conhecimento. Contudo, procura- que não tiveram oportunidade de exercitar se delimitar cuidadosamente a diversidade a compreensão dos objetos de do vocabulário utilizado, além da conhecimento descontextualizada de suas magnitude da rede conceitual empregada ligações com a vida imediata. e das operações lógicas exigidas. Isso Portanto, sem perder de vista a porque o participante precisa de situações pluralidade das realidades brasileiras e a adequadas para estabelecer relações mais diversidade daqueles que buscam a abrangentes e mais próximas das teorias certificação nesse nível de ensino, científicas. Não se pode perder de vista propõe-se uma prova que apresenta uma que, em nível fundamental, ele necessita temática atualizada, em nível pertinente de orientação clara e concisa, além de um aos jovens e adultos que, para realizá-la, tempo maior para a observação das se inscrevem. Deve representar um representações de fenômenos, para as desafio consistente mas possível, comparações, as análises, a produção de exeqüível e motivador, para que os sínteses ou outros procedimentos. participantes exercitem suas potencialidades lógicas e sua capacidade Com esses cuidados, é desejável propor crítica em questões de cidadania, aos jovens e adultos uma variedade de reconhecendo e formulando valores questões, envolvendo temas das áreas de essenciais à cultura brasileira, ao convívio conhecimento, sempre explicitando democrático e ao desenvolvimento conceitos mais complexos e pessoal. 17 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 17 11/7/2003, 09:44
    • Livro do Professor B. A PROPOSTA DO ENCCEJA Desse modo, a função reparadora da EJA, PARA CERTIFICAÇÃO no limite, significa não só a entrada no circuito dos direitos civis pela restauração DO ENSINO MÉDIO de um direito negado: o direito a uma Pode-se afirmar que são múltiplos e escola de qualidade, mas também o diversos os fatores que estimulam a reconhecimento daquela igualdade busca de certificação do ensino médio na ontológica de todo e qualquer ser humano. Educação de Jovens e Adultos. Desta negação, evidente na história brasileira, resulta uma perda: o acesso a Dentre eles, destaca-se a exigência do um bem real, social e simbolicamente mundo do trabalho, pois, atualmente, a importante. Logo, não se deve confundir a necessidade da certificação no ensino noção de reparação com a de suprimento. médio se faz presente em diferentes atividades e setores profissionais. Ressaltam-se, também, os fatores É muito provável que, com as elevadas pessoais da busca do cidadão pela taxas de repetência e evasão nas últimas certificação: a vontade de continuar os décadas do século XX, muitos alunos estudos e a vontade política de obter o que não tiveram sucesso no sistema direito da cidadania plena. Esses educacional regular optem por essa aspectos são mais significativos do modalidade de ensino. Soma-se a esse ponto de vista daqueles que discutem a fato o difícil acesso à escola básica por Educação de Jovens e Adultos para motivos socioeconômicos diversos. certificação no ensino médio. Ela é Segundo o IBGE, em 1999 (Inep, 2000), direcionada para jovens e adultos com havia cerca de 13,3% de analfabetos mais de dezenove anos que, por motivos acima de 15 anos. Em 2000, a distorção diversos, não puderam freqüentar a idade/série, no ensino médio, de acordo escola no seu tempo regular. com dados do MEC/Inep, é da ordem de Tal fato é previsto na LDB 9.394/96 50,4%. No mesmo ano, os dados quando considera o ensino médio como registram, aproximadamente, 3 milhões etapa final da educação básica e a EJA de alunos matriculados em cursos da como uma das modalidades de EJA. A oferta da Educação de Jovens e escolarização. O direito político Adultos para o ensino médio (EM) está subjetivo do cidadão de completar essa principalmente a cargo dos sistemas etapa e, por sua vez, o dever de oferta estaduais, em parceria, muitas vezes, educacional pública que permita superar com redes privadas. as diferenças e aponte para uma Nesse sentido, as Secretarias de eqüidade possível são princípios que Educação têm-se mobilizado para criar não podem ser relegados, como afirma uma rede de atendimento e uma o Parecer da Câmara de Educação proposta de escola média coerente com Básica do Conselho Nacional de as necessidades previstas para essa Educação - Parecer CNE/CEB 11/2000, população, diversificando o Diretrizes Curriculares Nacionais para a atendimento no País. Educação de Jovens e Adultos: 18 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 18 11/7/2003, 09:44
    • I. As bases educacionais do ENCCEJA Deve ser também ressaltada a Por sua vez, o Art. 4º da Resolução importância da avaliação e certificação CNE/CEB 1/2000 diz que as Diretrizes nessa modalidade de ensino. De acordo Curriculares Nacionais (DCN), com o Art. 10 da Resolução CNE/CEB 1/ estabelecidas na Resolução CNE/CEB 3/98 2000, que estabelece as diretrizes e vigentes a partir da sua publicação, se curriculares nacionais para a Educação estendem para a modalidade da de Jovens e Adultos: no caso de cursos Educação de Jovens e Adultos no semi-presenciais e a distância, os alunos ensino médio, sua organização e só poderão ser avaliados, para fins de processos de avaliação. certificados de conclusão, em exames A direção curricular proposta pelas supletivos presenciais oferecidos por DCN-EM destaca o desenvolvimento de instituições especificamente autorizadas, competências e habilidades distribuídas credenciadas e avaliadas pelo poder em áreas de conhecimento: Linguagens, público, dentro das competências dos Códigos e suas Tecnologias, Ciências respectivos sistemas... Humanas e suas Tecnologias, Ciências da O Exame Nacional de Certificação de Natureza e suas Tecnologias e Competências de Jovens e Adultos do Matemática e suas Tecnologias. O Ensino Médio (Encceja/EM) está caráter interdisciplinar das áreas está articulado tanto para atender a essa relacionado ao contexto de vida social e prerrogativa quanto para responder à de ação solidária, visando à cidadania e demanda, em sintonia com a lógica da ao trabalho. avaliação nacional. Nesse sentido, o Vale a pena lembrar que a LDB é a base Encceja/EM constitui uma possibilidade das DCNEM. No Art. 36, a LDB destaca de avaliação que, ao mesmo tempo, que o currículo do ensino médio deve respeita a diversidade e estabelece uma observar as seguintes diretrizes: a unidade nacional, ao apontar o que é educação tecnológica básica; a basicamente requerido para a compreensão do significado da ciência, certificação no ensino médio que faz das letras e das artes; o processo parte atualmente da educação básica. histórico de transformação da sociedade A Constituição de 1988, no Inciso II do e da cultura; a língua portuguesa como Art. 208, já apontava para a garantia da instrumento de comunicação, acesso ao institucionalização dessa etapa de conhecimento e exercício da cidadania. escolarização como direito de todo Além disso, dois aspectos merecem cidadão. A LDB estabeleceu, por sua vez, menção especial, pois marcam a a condição em norma legal, quando diferença em relação à organização atribuiu ao EM o estatuto de educação curricular do ensino médio: o eixo da básica (Art. 21), definindo suas tecnologia e dos processos cognitivos finalidades, ou seja, desenvolver o de compreensão do conhecimento. educando, assegurar-lhe a formação Assim, a caracterização das áreas procura comum para o exercício da cidadania e ser uma forma de estabelecer relações fornecer-lhe meios para progredir no internas e externas entre os trabalho e em estudos posteriores. (Art. conhecimentos, de abordá-los sob o 22) ângulo das correspondências próprias à sua divulgação para o público que 19 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 19 11/7/2003, 09:44
    • Livro do Professor necessita dos saberes escolares para a como ator no contexto de preservação e vida social, o trabalho, a continuidade transformação social. dos estudos e o desenvolvimento pessoal. A noção de desenvolvimento e A definição na LDB do que é próprio aos avaliação de competências pode ensinos fundamental e médio não é permitir alguma compreensão desse colocada como forma de ruptura, mas sim processo de diversidade e unidade. de aprofundamento (compreensão) e O foco sobre a noção de competência, contexto (produção e tecnologia). Se, no nos documentos oficiais referentes à ensino fundamental, o caráter básico dos educação básica e no discurso acadêmico saberes sociais públicos foi desenvolvido, educacional, principalmente a partir de cabe, no ensino médio, aprofundá-los ou, 1990, instaura um eixo para então, desenvolvê-los. Essa consideração, reestruturação dos conteúdos escolares e para EJA/EM, se deve ao fato de que a de suas formas de transmissão e certificação no ensino médio não está, por avaliação, ou seja, é uma proposta de lei, atrelada à certificação no ensino mudança que procura aproximar a fundamental, havendo, no entanto , uma educação escolar da vida social continuidade entre as duas etapas da contemporânea. Nessa proposta, educação básica. De qualquer forma, ao destaca-se a perspectiva da término do EM, espera-se que o cidadão flexibilização da organização da tenha desenvolvido competências educação escolar, em respeito à cognitivas e sociais inseridas em um diversidade e identidade dos sujeitos da determinado sistema de valores e juízos, aprendizagem. Quais são as ou seja, aquele referente à ética e ao competências comuns que devem ser mundo do trabalho. socializadas para todos? A resposta a No caso do público participante da EJA/ essa pergunta fundamenta a educação EM, isso se torna mais evidente. A básica. Em seqüência, há outra questão idade, a participação no mundo do não menos relevante: como avaliá-las? trabalho, as responsabilidades sociais e O respeito à diversidade não deve ser civis são outras, diferentes daquelas dos identificado com o caos. Daí, a alunos da escola regular que se necessidade da responsabilização política preparam para a vida. O público da EJA/ e institucional em traçar um fio EM está na vida atuando como condutor que delimite os saberes e as trabalhador, pai de família, provedor. competências gerais com os quais todo Entretanto, se o ponto de partida é e qualquer processo deve comprometer- diferente, o ponto de chegada não o é. se, principalmente o de avaliação. Ao final do EM, espera-se que esse As diretrizes legais para a organização público possa dar continuidade aos da educação básica estão expressas em estudos com qualificação, disputar uma um conjunto de princípios que indica a posição no mercado de trabalho e transição de um ensino centrado em participar plenamente da cidadania, conteúdos disciplinares (didáticos) compartilhando os princípios éticos, seriados e sem contexto para um ensino políticos e estéticos da unidade e da voltado ao desenvolvimento de diversidade nacionais, colocando-se competências verificáveis em situações 20 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 20 11/7/2003, 09:44
    • I. As bases educacionais do ENCCEJA específicas. A avaliação assume um têm por objetivo promover a eqüidade na papel fundamental nessa perspectiva, participação social. definindo o sentido da escolarização. A proposta do Encceja para certificação A ação prevista pelos sujeitos envolvidos do Ensino Médio assume parte desse na educação básica extrapola papel institucional, procurando, por determinados padrões de pensamento até meio de uma prova escrita, aferir, em então valorizados pela escolarização condições observáveis e com exigências acrítica (identificar, reproduzir, definidas, as competências previstas para memorizar, repetir) e aponta para a a educação básica. necessidade de a escola sistematicamente O foco do Encceja é a situação-problema realizar, em situações de aprendizagem, o para cuja resolução o participante deve desenvolvimento de movimentos de mobilizar saberes cognitivos e conceituais pensamento mais complexos (analisar, (competências). comparar, confrontar, sintetizar). Tal A aprendizagem é destacada como proposição, amparada pelos estudos da referência à autonomia intelectual do Psicologia Cognitiva, Sociologia, sujeito ao final da educação básica, Lingüística, Antropologia, exerce um mediada pelos princípios da cidadania e efeito de reestruturação na Didática. O do trabalho, na atualidade. As saber, que por si só já é ação do sujeito, competências para a participação social ganha o status de uma intenção racional e incluem a criatividade, a capacidade de intelectual situada socialmente. O sujeito solucionar problemas, o senso crítico, a desse saber é compreendido como um ser informação, ou seja, o aprender a único no contexto social. O saber fazer conhecer, a fazer, a conviver e a ser. envolve o conhecimento do contexto, das A Matriz de Competências indicada para ideologias e de sua superação, em prol de uma democracia desejada, para que o a avaliação do Encceja/EM é um produto homem possa conquistar de fato seus de discussão coletiva de inúmeros profissionais da educação, buscando direitos. contemplar os princípios legais que O poder público e a administração regem a educação básica (Brasil,1999a; central assumem a responsabilidade de Brasil,1996; CNE, 1998; CNE, 2000). indicar a formação requerida para os sujeitos na educação básica, na O Encceja/EM está estruturado com base em Matrizes de referência que modalidade de EJA/EM, e mais, propõem consideram a associação de cinco formas de avaliação das aprendizagens. competências do sujeito com nove A avaliação é assumida como diálogo competências previstas na Base com a sociedade, garantindo o direito Nacional Comum para as áreas de democrático da população interessada em conhecimento (Linguagens, Códigos e saber o que de fato deve ser aprendido (e suas Tecnologias; Ciências Humanas e aquilo que deveria ter sido aprendido), suas Tecnologias; Ciências da Natureza para que possa compreender a função do e suas Tecnologias e Matemática e suas processo educativo e exigir os direitos de Tecnologias), cujos cruzamentos uma educação de qualidade para todos. definem as habilidades a serem Educação básica e avaliação, portanto, avaliadas. As competências cognitivas 21 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 21 11/7/2003, 09:44
    • Livro do Professor básicas a serem avaliadas são: o conhecimentos e os transpõem para a domínio das linguagens, a compreensão vida pessoal e social. No elenco das dos fenômenos, a seleção e organização habilidades de cada área, estão de fatos, dados e conceitos para valorizadas as experiências extra- resolver problemas, a argumentação e a escolares e os vínculos entre a educação, proposição. o mundo do trabalho e outras práticas Essas competências cognitivas são sociais, de tal maneira que o exame, articuladas com os conhecimentos e estruturado a partir das matrizes, não competências sociais construídos e perca de vista a pluralidade de realidades requeridos nas diferentes áreas, tendo brasileiras e não deixe de considerar a por referência os sujeitos/interlocutores diversidade de experiências dos jovens e da aprendizagem que se apropriam dos adultos que a ele se submetem. BIBLIOGRAFIA BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988: atualizada até a Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/1988. 21. ed. São Paulo: Saraiva, 1999a. ______. Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Poder . Executivo, Brasília, DF, v. 134, n. 248, p. 27.833-27.841, 23 dez. 1996. Seção 1. Lei Darcy Ribeiro. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. 2. ed. Brasília, DF, c2000. 10 v. ______. Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa. 2.ed. Brasília, DF, : 2000. v. 2. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação a Distância. Educação de Jovens e Adultos: salto para o futuro. Brasília, DF, 1999c. (Estudos. Educação a distância; v. 10) BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio. Brasília, DF, 1999d. 4v. CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (Brasil). Câmara de Educação Básica. Parecer nº 11, de 10 de maio de 2000. Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação de Jovens e Adultos. Documenta Brasília, DF, n. 464, p. 3-83, maio 2000. Documenta, ______. Parecer n° 15, de junho de 1998. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Documenta Brasília, DF, n. 441, p. 3-71, jun. 1998. Documenta, OLIVEIRA, M. K. de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento, um processo sócio- histórico. 4. ed. São Paulo: Scipione, 1999. 111p. (Pensamento e ação no magistério). 22 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 22 11/7/2003, 09:44
    • II. Eixos conceituais que estruturam o ENCCEJA O Encceja se vincula a um conceito mais constata é que alguns pressupostos estrutural e abrangente do aceitos no passado tornaram-se desenvolvimento da inteligência e gradativamente questionáveis e, até construção do conhecimento. Essa mesmo, abandonados diante de concepção, de inspiração fortemente investigações mais cuidadosas. construtivista, acha-se já amplamente Em que pese os processos avaliativos contemplada nos textos legais que escolares no Brasil caracterizarem-se, estruturam a educação básica no Brasil. ainda, por uma excessiva valorização da Tal concepção privilegia a noção de que memória e dos conteúdos em si, aos há um processo dinâmico de poucos essas práticas sustentadas pela desenvolvimento cognitivo mediado pela psicometria clássica vêm sendo interação do sujeito com o mundo que o substituídas por concepções mais cerca. A inteligência é encarada não como dinâmicas que, de um modo geral, levam uma faculdade mental ou como expressão em consideração os processos de de capacidades inatas, mas como uma construção do conhecimento, o estrutura de possibilidades crescentes de processamento de informações, as construção de estratégias básicas de ações experiências e os contextos socioculturais e operações mentais com as quais se nos quais o indivíduo se encontra. constroem os conhecimentos. A teoria de desenvolvimento cognitivo, Nesse contexto, o foco da avaliação proposta e desenvolvida por Jean Piaget recai sobre a aferição de competências e com cuidadosa fundamentação em dados habilidades com as quais transformamos empíricos, empresta contribuições das informações, produzimos novos mais relevantes para a compreensão da conhecimentos, reorganizando-os em avaliação que se estrutura com o Encceja. arranjos cognitivamente inéditos que Para Piaget (1936), a inteligência é um permitem enfrentar e resolver novos “termo genérico designando as formas problemas. superiores de organização ou de Estudos mais avançados sobre a avaliação equilíbrio das estruturas cognitivas (…) a da inteligência, no sentido da estrutura inteligência é essencialmente um que permite aprender, ainda são pouco sistema de operações vivas e atuantes”. praticados na educação brasileira. Envolve uma construção permanente do Ressalte-se, também, que a própria sujeito em sua interação com o meio definição de inteligência e a maneira físico e social. Sua avaliação consiste na como tem sido investigada constituem investigação das estruturas do pontos dos mais controvertidos nas áreas conhecimento, que são as competências da Psicologia e da Educação. O que se cognitivas. 23 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 23 11/7/2003, 09:44
    • Livro do Professor Para Piaget, as operações cognitivas mental e sistematicamente testem cada possuem continuidade do ponto de uma delas para determinar qual é a vista biológico e podem ser divididas combinação que os levará a um em estágios ou períodos que possuem resultado desejado. características estruturais próprias, as Em muitos dos seus trabalhos, Piaget quais condicionam e qualificam as enfatizou o caráter de generalidade das interações com o meio físico e social. operações formais. Enquanto as Deve-se ressaltar que o estágio de operações concretas se aplicavam a desenvolvimento cognitivo que contextos específicos, as operações corresponde ao término da escolaridade formais, uma vez atingidas, seriam gerais básica no Brasil denomina-se período das e utilizadas na compreensão de qualquer operações formais, marcado pelo fenômeno, em qualquer contexto. advento do raciocínio hipotético- As competências gerais que são dedutivo. avaliadas no Encceja estão estruturadas É nesse período que o pensamento com base nas competências descritas nas científico torna-se possível, operações formais da Teoria de Piaget, manifestando-se pelo controle de tais como a capacidade de considerar variáveis, teste de hipóteses, verificação todas as possibilidades para resolver um sistemática e consideração de todas as problema; a capacidade de formular possibilidades na análise de um hipóteses; de combinar todas as fenômeno. possibilidades e separar variáveis para Para Piaget, ao atingir esse período, os testar a influência de diferentes fatores; jovens passam a considerar o real como o uso do raciocínio hipotético-dedutivo, uma ocorrência entre múltiplas e da interpretação, análise, comparação e exaustivas possibilidades. O raciocínio argumentação, e a generalização dessas pode agora ser exercido sobre enunciados operações a diversos conteúdos. puramente verbais ou sobre proposições. O Encceja foi desenvolvido com base Outra característica desse período de nessas concepções, e procura avaliar para desenvolvimento, segundo Piaget, certificar competências que expressam um consiste no fato de as operações formais saber constituinte, ou seja, as serem operações à segunda potência, ou possibilidades e habilidades cognitivas por seja, enquanto a criança precisa operar meio das quais as pessoas conseguem se diretamente sobre os objetos, expressar simbolicamente, compreender estabelecendo relações entre elementos fenômenos, enfrentar e resolver visíveis, no período das operações problemas, argumentar e elaborar formais, o jovem torna-se capaz de propostas em favor de sua luta por uma estabelecer relações entre relações. sobrevivência mais justa e digna. As operações formais constituem, também, uma combinatória que permite A. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS que os jovens considerem todas as Desde o princípio de sua existência o possibilidades de combinação de homem enfrentou situações-problema elementos de uma dada operação para poder sobreviver e, ainda, em seu 24 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 24 11/7/2003, 09:44
    • II. Eixos conceituais que estruturam ENCCEJA estado mais primitivo, desprovido de conhecimentos que haviam sido qualquer recurso tecnológico, já buscava construídos e adquiridos no passado, à conhecer a natureza e compreender seus medida que ele podia contar com a fenômenos para dominá-la e assim tradição ditada pelos hábitos e garantir sua sobrevivência como espécie. costumes da sociedade de sua época, No entanto, à medida que, em seu com aquilo que sua cultura já processo histórico, foi alcançando formas determinava como certo. As mais evoluídas de organização social, características culturais, sociais, morais seus problemas de sobrevivência imediata e religiosas, entre outras, serviam-lhe foram sendo substituídos por outros. A como referências, indicando-lhe cada novo passo de evolução, o homem caminhos ou respostas. superou certos problemas abrindo novas Dessa maneira, ele orientava seu possibilidades de melhor qualidade de presente pelo passado, tendo no vida, mas, ao mesmo tempo, abriu as passado o organizador de suas novas portas para novos desafios, importantes ações. Como resultado, ele podia para sua continuidade e sobrevivência. planejar seu futuro como se este já A história do homem registra o estivesse escrito e determinado em enfrentamento de contínuos desafios e função de suas ações presentes. situações-problema, sempre superados O avanço tecnológico dos dias atuais em nome de novas formas de desencadeou uma nova ordem de organização social, política, econômica transformações sociais, culturais, políticas e científica, cada vez mais evoluídas e e econômicas, imprimindo ao mundo complexas. Pode-se dizer que o novas relações numa velocidade tal, que enfrentamento de situações-problema traz para o homem, neste século, uma constitui uma condição que acompanha outra necessidade: a de se pautar não só a vida humana desde sempre. nas referências que o passado oferece Cada vez mais tecnológica e globalizada, como garantias ou tradições, mas, a sociedade que atravessou os portais do também, naquilo que diz respeito ao século XXI convida o homem à resolução futuro. de grandes problemas em virtude das Quanto mais as sociedades contínuas transformações em todas as contemporâneas avançam em seus áreas do conhecimento. Exige, ainda, conhecimentos tecnológicos e constantes atualizações, seja no mundo científicos, mais distanciado parece estar do trabalho ou da escola, seja no ritmo e o homem de sua humanidade. Quanto nas atribuições de enfrentamento do mais conforto e comodidade a vida cotidiano da vida, como, também, uma moderna pode oferecer, mais se outra qualidade de respostas, à proporção acentuam as diferenças sociais, culturais que assume características bem e econômicas, criando verdadeiros diferenciadas daquelas que anteriormente abismos entre os povos e entre as percorreram a história. populações de um mesmo país. Quanto Durante muitos séculos, o homem, para mais se conhece e se aprende, mais fica resolver problemas, contou com a distanciada uma boa parte da população possibilidade de se orientar a partir dos mundial do acesso à escolaridade, de 25 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 25 11/7/2003, 09:44
    • Livro do Professor modo que, muito antes de se erradicar o da sociedade contemporânea, uma analfabetismo da face da Terra, já há a sociedade que, em termos de preocupação com a exclusão digital. conhecimento, está aberta para todos os Quanto mais se vivencia a globalização, possíveis, para todas as possibilidades. mais complicadas ficam as possibilidades O homem do século XXI, portanto, está de entendimento e comunicação, pois os diante de quatro grandes situações- ideais e valores – que preconizam a problema que implicam necessidades de liberdade do homem, a solidariedade resolução: aprender a conhecer, entre os povos, a convivência entre as aprender a ser, aprender a fazer e pessoas e o exercício de uma verdadeira aprender a conviver. Como conhecer ou cidadania – não correspondem a ações adquirir novos conhecimentos? Como concretas e efetivas. Dessa forma, o aprender a interpretar a realidade em mundo se debate entre guerras, um contexto de contínuas terrorismo, drogas, doenças, ignorância e transformações científicas, culturais, miséria. Essa é a natureza das situações- políticas, sociais e econômicas? Como problema que o homem contemporâneo aprender a ser, resgatando a sua enfrenta. Então, como preparar as humanidade e construindo-se como crianças e jovens com condições para pessoa? Como realizar ações em uma que possam aprender a enfrentar e prática que seja orientada solucionar tais problemas, superando-os simultaneamente pelas tradições do em nome de um futuro melhor? passado e pelo futuro que ainda não é? Pensando na educação dessas crianças e Como conviver em um contexto de jovens, tal realidade traz sérias tantas diversidades, singularidades e implicações e a necessidade de diferenças e em que o respeito e o amor profundas modificações no âmbito estejam presentes? escolar. Cada vez mais é preciso que os Em uma perspectiva psicológica, e, alunos saibam como aprender, como portanto, do desenvolvimento, conhecer compreender fatos e fenômenos, como e ser são duas formas de compreensão, à estabelecer suas relações interpessoais, medida que se expressam como maneiras como analisar, refletir e agir sobre essa de interpretar ou atribuir significados a nova ordem de coisas. Hoje, por algo, de saber as razões de algo, do exemplo, um conhecimento científico, ponto de vista do raciocínio e do uma tecnologia ensinada na escola é pensamento, exigindo do ser humano a rapidamente substituída por outra mais construção de ferramentas adequadas a moderna, mais sofisticada e atualizada, uma leitura compreensiva da realidade. às vezes, antes mesmo que os alunos Fazer e conviver são formas de tenham percorrido um único ciclo de realização, pois se expressam como escolaridade. Dessa maneira, vivem-se procedimentos, como ações que visam a tempos nos quais os mais diferentes um certo objetivo. Por sua vez, realizar países revisam seus modelos e conviver implicam que o ser humano educacionais, discutem e implementam saiba escrever o mundo, construindo reformas curriculares que sejam mais modos adequados de proceder em suas apropriadas para atender às demandas ações. Por isso, é preciso que preparemos 26 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 26 11/7/2003, 09:44
    • II. Eixos conceituais que estruturam ENCCEJA as crianças e jovens para um mundo aptidão, idoneidade. profissional e social que os coloque Recentemente, competência tornou-se continuamente em situações de desafio, uma palavra difundida, com freqüência, as quais requerem cada vez mais nos discursos sociais e científicos. saberes de valor universal que os Entretanto, Isambert-Jamati (1997) preparem para serem leitores de um afirma que não se trata simplesmente de mundo em permanente transformação. modismo porque o caráter É preciso, ainda, que os preparemos relativamente duradouro do uso dessa como escritores de um mundo que pede noção e a existência de uma certa a participação efetiva de todos os seus congruência em relação ao seu cidadãos na construção de novos significado, em esferas como as da projetos sociais, políticos e econômicos. educação e do trabalho, podem ser Portanto, do ponto de vista reveladores de mudanças na sociedade e educacional, tais necessidades implicam na forma como um grupo social partilha o compromisso com uma revisão certos significados. Nesse sentido, o curricular e pedagógica que supere o termo competência não é só revelador modelo da simples memorização de de certas mudanças como também pode conteúdos escolares que hoje se mostra contribuir para modelá-las, ou seja, insuficiente para o enfrentamento da comparece no lugar de certas noções, realidade contemporânea. Os novos ao mesmo tempo em que modifica seus tempos exigem um outro modelo significados. Pode-se dizer que, no educacional, voltado para o geral, o termo competência vem desenvolvimento de um conjunto de substituindo a idéia de qualificação no competências e de habilidades essenciais, domínio do trabalho, e as idéias de a fim de que crianças e jovens possam saberes e conhecimento no campo da efetivamente compreender e refletir educação. sobre a realidade, participando e agindo As razões da invasão do termo no contexto de uma sociedade competência, segundo Tanguy (1997), comprometida com o futuro. nas diferentes esferas da atividade social, são difíceis de precisar, embora, no caso B. AS ORIGENS DO TERMO da educação e do trabalho, possam estar COMPETÊNCIA associadas a uma série de movimentos geradores de concepções nesses dois O sentido original da palavra campos, bem como das inter-relações competência é de natureza jurídica, ou entre eles. Dentre tais concepções ou seja, diz respeito ao poder que tem uma crenças, podemos destacar: necessidade certa jurisdição de conhecer e decidir de superar o aspecto da instrução pelo sobre uma causa. Gradativamente, o da educação; reconhecimento da significado estendeu-se, passando o importância do poder do conhecimento termo a designar a capacidade de por todos os meios sociais e de que a alguém para se pronunciar sobre transmissão do conhecimento não é determinado assunto, fazer determinada tarefa exclusiva da escola; coisa ou ter capacidade, habilidade, institucionalização e sistematização de 27 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 27 11/7/2003, 09:44
    • Livro do Professor princípios sobre formação contínua fora de leitura, ou a condução de um do âmbito escolar; exigência de superar automóvel. Mesmo tendo consciência a qualificação profissional precária e dessa série, não conseguiremos encontrar mecânica; necessidade de rever o ensino algo que possa traduzir a totalidade disciplinar e o saber academicista ou desses atos. descontextualizado; preocupação de Por outro lado, do ponto de vista colocar o aluno no centro do processo externo, quando observamos os outros, educativo, como sujeito ativo. conseguimos, com relativa facilidade, A intervenção desses elementos sobre a concluir sobre a existência desta ou problemática da formação e daquela competência. Ao fazê-lo, no aprendizagens profissionais, além da entanto, ultrapassamos a mera descrição necessidade de novas adaptações ao dos atos, significando que aquela série mundo do trabalho e da escola, de ações é interpretada na sua totalidade acabaram por proporcionar uma ou no conjunto que a traduz. Supõe-se, apropriação geral da noção de portanto, que há algo interno que competência em vários países, articula e rege as ações, possibilitando provavelmente na expectativa de que sejam eficazes e adequadas à atribuir novos significados às noções situação, conforme descreve Rey (1998). que ela pretende substituir nas Ao observarmos um bom patinador no atividades pedagógicas. Mais gelo, diz o autor, bastam alguns minutos especificamente, no entanto, esse para concluirmos se ele sabe patinar, ou referencial sobre a noção de seja, se ele é competente. Em outras competência tem-se imposto nas palavras, interpretamos que a sucessão escolas, inicialmente, por meio da de seus movimentos não é meramente avaliação. Essas inter-relações uma série qualquer, mas que ela é produziram uma contaminação de coordenada por um princípio dominado significados, e o termo competência pelo sujeito, residindo aí sua passou a ser usado com freqüência no competência. Ao atribuirmos esse poder sistema educativo, no qual ganhou ao patinador, assumimos a idéia de que outras conotações. seus futuros movimentos serão Dado esse caráter polissêmico da noção previsíveis, no sentido de que serão de competência, trata-se de precisar em adequados e eficazes. que sentido pretendemos utilizá-la. O que o autor quer mostrar é que a A NOÇÃO DE COMPETÊNCIA: A QUE SE APLICA? competência revela um poder interno e se define pela anterioridade, ou seja, a Embora o uso do termo competência seja possibilidade de enfrentar uma situação comum, é difícil precisar o seu problema está, de certa forma, dada pelas significado. Se tentarmos descrever uma condições anteriores do sujeito. Ao das nossas competências, mesmo tempo, essa previsibilidade dá-nos conseguiremos, no máximo, elencar uma a impressão de continuidade. A série de ações que realizamos para competência não é algo passageiro, é algo enfrentar uma situação-problema, tais que parece decorrer natural e como uma análise de fenômeno, um ato espontaneamente. 28 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 28 11/7/2003, 09:44
    • II. Eixos conceituais que estruturam ENCCEJA Em síntese, a idéia de competência mais restrito, competência é tida como retrata dois aspectos antagônicos mas comportamento objetivo e observável e solidários, que podem ser traduzidos de que se realiza como resposta a uma várias maneiras: interno e externo, situação. Essa forma de entender implícito e explícito, o da visibilidade competência se manifesta no campo da social e o da organização interna, o que formação profissional quando pressupõe na ação é observável e mais que a cada posto de trabalho estandardizado e o que é mais ligado ao corresponda uma lista de tarefas sujeito, portanto, singular e obscuro. específicas. No campo da educação, essa Esses aspectos podem ser encontrados noção de competência comparece nas teorias que fundamentam a noção associada à pedagogia por objetivos de competência, as quais abordam essa (Bloom,1972 e Mager, 1975), cuja idéia questão em dois pólos opostos. No central é a de que, para ensinar, é preciso primeiro pólo, estão as teorias que usam traçar objetivos claros e específicos, sem o termo competência como referência a ambigüidades, de tal forma que o atos observáveis ou comportamentos professor possa prever que seus alunos específicos, empregados, sobretudo, na serão capazes de alcançá-los. Para tanto, formação profissional e na concepção da as competências devem-se confundir aprendizagem por objetivos. No com o comportamento observável. Tal segundo pólo, encontram-se autores concepção está, portanto, diretamente que analisam as capacidades do sujeito associada às idéias de performance e resultantes de organização interna e eficácia (Ropé e Tanguy, 1997), bem não-observáveis diretamente: como acaba por fomentar a elaboração de listagens de comportamentos exigíveis em diferentes níveis dos Assim, tanto a competência é concebida programas de ensino. Na medida em que como uma potencialidade invisível, a competência se reduz ao interna, pessoal, susceptível de engendrar comportamento observável, elimina-se uma infinidade de “performances”, tanto do mesmo o seu caráter implícito. ela se define por componentes observáveis, exteriores, impessoais. Esse mesmo modelo, no sentido mais (Rey, 1998, p.26) amplo, toma uma outra forma: a da ação funcional, ou seja, ser competente não é apenas responder a um estímulo e realizar Esses dois sentidos do termo uma série de comportamentos, mas, competência são usados e convivem sobretudo, ser capaz de, voluntariamente, alternadamente, tanto no mundo do selecionar as informações necessárias para trabalho como no mundo da escola. regular sua ação ou mesmo inibir as A concepção de competência como reações inadequadas. Na realidade, essa comportamento é a manifestação de um concepção pretende superar a falta de modelo teórico que guarda parentesco sentido produzida na consecução de com o behaviorismo, o qual tem objetivos. Ao introduzir a idéia de embasado o uso da noção de finalidade ao comportamento, fato que a competência de duas formas. No sentido pedagogia por objetivos desconsiderou, 29 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 29 11/7/2003, 09:44
    • Livro do Professor acentua-se que, subjacente a um conhecimento é possível sem haver uma comportamento observável, consciente ou organização interna. automaticamente, existe uma organização Para Chomsky (1983), a competência realizada pelo sujeito, da qual se depreende lingüística não se confunde com a existência de um equipamento cognitivo comportamento. Ela deriva de um poder que organiza, seleciona e hierarquiza seus interno (núcleo fixo inato), expresso por movimentos em função dos objetivos a um conjunto de regras do qual o sujeito alcançar. Em outras palavras, a não tem consciência, que possibilita a competência não é redutível aos produção de comportamentos lingüísticos. comportamentos estritamente objetivos, Na abordagem piagetiana, a idéia de mas está vinculada sempre a uma atividade competência está atrelada à organização humana que, ligada à escola ou ao interna e complexa das ações humanas, trabalho, caracteriza-se por sua relação mas, diferentemente de Chomsky, funcional a tais atividades definidas Piaget (1983) discorda do caráter inato socialmente. dessa organização e enfatiza a sua Em síntese, embora existam essas dimensão adaptativa. Sustenta que a variações no sentido de competência progressividade do desenvolvimento como comportamento, em ambos ela é mental se apóia em um processo de vista no seu caráter específico e construção, no qual interferem o determinado: no primeiro caso, é limitada mínimo de “pré-formações” e o máximo pelos estímulos que a provocam; no de auto-organização. A competência, segundo, pela função que apresenta na nesse sentido, diz respeito à construção situação ou contexto que a exige. endógena das estruturas lógicas do Como já dissemos, um outro pólo da pensamento que, à medida que se análise teórica sobre competência não a estabelecem, modificam o padrão da identifica com comportamento; ela é ação ou adaptação ao meio e que considerada como uma capacidade geral Malglaive (1995) denomina de estrutura que torna o indivíduo apto a das capacidades. desenvolver uma variedade de ações A abordagem piagetiana, como que respondem a diferentes situações. sabemos, teve como preocupação Competência, nesse caso, refere-se ao mostrar as estruturas lógicas como funcionamento cognitivo interno do universais. Mesmo afirmando que todo sujeito. Essa concepção de competência conhecimento se dá em um contexto foi formulada em contraposição à idéia social e descrevendo o papel da de competências como comportamentos interação entre os pares como específicos, a partir das teorias de fundamental para o desenvolvimento do competência lingüística, proposta por raciocínio lógico, essa investigação não Chomsky (1983) e da auto-regulação do privilegiou a forma de atuação do desenvolvimento cognitivo, proposta contexto social ou das situações no por Piaget (1976). Embora divergindo a desenvolvimento das competências respeito da origem das competências cognitivas. A partir de contribuições da cognitivas, esses autores têm em sociologia e da antropologia, vários comum a crença de que nenhum estudos têm sido realizados no sentido 30 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 30 11/7/2003, 09:44
    • II. Eixos conceituais que estruturam ENCCEJA de mostrar as relações entre contextos mentais permite colocar a aprendizagem culturais e cognição, conforme descrito no contexto das operações e não apenas por Dias (2002). Nesse sentido, vale no do conhecimento ou do ressaltar as reflexões de Bordieu (1994), comportamento. quando afirma que a compreensão não é só o reconhecimento de um sentido C. AS COMPETÊNCIAS DO ENEM invariante, mas a apreensão da NA PERSPECTIVA DAS AÇÕES OU singularidade de uma forma que só OPERAÇÕES DO SUJEITO existe em um contexto particular. COMPETÊNCIAS COMO MODALIDADES Considerando-se as características do ESTRUTURAIS DA INTELIGÊNCIA mundo de hoje, quais os recursos cognitivos que um jovem, concluinte da A ressignificação da noção de educação básica, deve ter construído ao competência – nos meios educacionais e longo desse período? A matriz de acadêmicos – está muito provavelmente competências do ENEM expressa uma atrelada à necessidade de se encontrar hipótese sobre isso, ou seja, assume o um termo que substituísse os conceitos pressuposto de que os conhecimentos usados para descrever a inteligência, os adquiridos ao longo da escolarização quais se mostraram inadequados, quer deveriam possibilitar ao jovem domínio pela abrangência, quer pela limitação. de linguagens, compreensão de No primeiro caso, sabemos das fenômenos, enfrentamento de dificuldades de se trabalhar com termos situações-problema, construção de como capacidade para expressar aquilo argumentações e elaboração de que deve ser objeto de propostas. De fato, tais competências desenvolvimento, até mesmo porque parecem sintetizar os principais essa idéia carrega conotações de aspectos que habilitariam um jovem a aptidão, difíceis de precisar. No enfrentar melhor o mundo, com todas segundo caso, a vinculação da as suas responsabilidades e desafios. inteligência à aquisição de Quais são as ações e operações comportamentos produziu uma visão valorizadas na proposição das pontual e molecular que reduz o competências da matriz? Como analisar desenvolvimento a uma listagem de esses instrumentos cognitivos em sua saberes a serem adquiridos. Como função estruturante, ou seja, contraponto, a noção de competência organizadora e sistematizadora de um surgiu no discurso dos profissionais da pensar ou um agir com sentido educação como uma forma de individual e coletivo? Em outras circunscrever o termo capacidade e palavras, o que significam dominar e fazer uso (competência I); construir, alargar a idéia de saber específico. aplicar e compreender (competência II); Nesse sentido, o construtivismo selecionar, organizar, relacionar, contribuiu, de forma significativa, para interpretar, tomar decisões, enfrentar pensar a inteligência humana como (competência III); relacionar, construir resultado de um processo de adaptações argumentações (competência IV); progressivas, portanto não polarizado recorrer, elaborar, respeitar e considerar no meio ou nas estruturas genéticas. Por (competência V)? outro lado, o conceito de operações 31 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 31 11/7/2003, 09:44
    • Livro do Professor DOMINAR E FAZER USO domínio lingüístico para outro. Assim, A competência I tem como propósito tal competência requer do sujeito, por avaliar se o estudante demonstra exemplo, a capacidade de transitar da “dominar a norma culta da Língua dominar linguagem matemática para a linguagem Portuguesa e fazer uso da linguagem da história ou da geografia, e dessas, matemática, artística e científica”. para a linguagem artística ou para a linguagem científica. Significa ainda ser Dominar, segundo o dicionário, significa competente para reconhecer diferentes “exercer domínio sobre; ter autoridade tipos de discurso, sabendo usá-los de ou poder em ou sobre; ter autoridade, acordo com cada contexto. ascendência ou influência total sobre; prevalecer; ocupar inteiramente”. Fazer O domínio de linguagens implica um uso, pois, é sinônimo de dominar, já que sujeito competente como leitor do expressa ou confirma seu exercício na mundo, ou seja, capaz de realizar prática. leituras compreensivas de textos que se expressam por diferentes estilos de Dominar a norma culta tem significados comunicação, ou que combinem diferentes nas tarefas de escrita ou conteúdos escritos com imagens, leitura avaliadas. No primeiro caso, o charges, figuras, desenhos, gráficos, etc. domínio da norma culta pode ser Da mesma forma, essa leitura inferido, por exemplo, pela correção da compreensiva implica atribuir escrita, coerência e consistência textual, significados às formas de linguagem que manejo dos argumentos em favor das são apropriadas a cada domínio de idéias que o aluno quer defender ou conhecimento, interpretando seus criticar. Quanto às tarefas de leitura, tal conteúdos. Ler e interpretar significa domínio pode ser inferido pela atribuir significado a algo, apropriar-se compreensão do problema e de um texto, estabelecendo relações aproveitamento das informações entre suas partes e tratando-as como presentes nos enunciados das questões. elementos de um mesmo sistema. Além disso, sabemos hoje que o mundo Dominar linguagens implica ainda um contemporâneo se caracteriza por uma sujeito competente como escritor da pluralidade de linguagens que se realidade que o cerca, um sujeito que entrelaçam cada vez mais. Vivemos na saiba fazer uso dessa multiplicidade de era da informação, da comunicação, da linguagens para produzir diferentes informática. Basicamente, todas as textos que comuniquem uma proposta, nossas interações com o mundo social, uma reflexão, uma linha de com o mundo do trabalho, com as argumentação clara e coerente. outras pessoas, enfim, dependem dessa multiplicidade de linguagens para que Por isso, dominar linguagens implica possamos nos beneficiar das tecnologias trabalhar com seus conteúdos na modernas e dos progressos científicos, dimensão de conjecturas, proposições e realizar coisas, aprender a conviver, etc. símbolos. Nesse sentido, a linguagem constitui o instrumento mais poderoso Dominar linguagens significa, portanto, de nosso pensamento, à medida que ela saber atravessar as fronteiras de um lhe serve de suporte. 32 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 32 11/7/2003, 09:44
    • II. Eixos conceituais que estruturam ENCCEJA Por exemplo, pensar a realidade como Hoje, a compreensão de fenômenos, um possível, como é próprio do naturais ou não, tornou-se raciocínio formal (Inhelder e Piaget, imprescindível ao ser humano que se 1955), seria impraticável sem a quer participante ativo de um mundo linguagem, pois é ela que nos permite complexo, onde coabitam diferentes transitar do presente para o futuro, povos e nações, marcados por uma antecipando situações, formulando enorme diversidade cultural, científica, proposições. Não seria possível também política e econômica e, ao mesmo tempo, fazer o contrário, transitar do presente desafiados para uma vida em comum, para o passado, que só existe como uma interdependente ou globalizada. lembrança ou como uma imagem. Da Compreender fenômenos significa ser mesma maneira, raciocinar de uma competente para formular hipóteses ou forma hipotético-dedutiva também idéias sobre as relações causais que os depende da linguagem, pois sem ela não determinam. Ou seja, é preciso saber que teríamos como elaborar hipóteses, idéias um dado procedimento ou ação provoca e suposições que existem apenas em um uma certa conseqüência. Assim, se o plano puramente representacional e desmatamento desenfreado ocorre em virtual. todo o planeta, é possível supor que esse CONSTRUIR, APLICAR E COMPREENDER evento, em pouco tempo, causará desastres climáticos e ecológicos, por O objetivo da competência II é avaliar se o exemplo. estudante sabe “construir e aplicar construir conceitos das várias áreas do Além disso, a compreensão de conhecimento para a compreensão de fenômenos requer competência para fenômenos naturais, de processos formular idéias sobre a explicação causal histórico-geográficos, da produção de um certo fenômeno, atribuindo tecnológica e das manifestações sentido às suas conseqüências. Voltando artísticas”. ao exemplo anterior, não basta ao sujeito construir e aplicar seus conhecimentos Construir é uma forma de domínio que, para saber que as conseqüências do no caso das questões das provas, pode desmatamento serão os desastres implicar o exercício ou uso de muitas climáticos ou ecológicos, mas é preciso habilidades: estimar, calcular, também que ele compreenda as razões relacionar, interpretar, comparar, medir, que esse fato implica, ou seja, que observar etc. Em quaisquer delas, o estabeleça significados para ele. desafio é realizar operações que possibilitem ultrapassar uma dada Para isso, é necessário determinar situação ou problema, alcançando relações entre as coisas, inferir sobre aquilo que significa ou indica sua elementos que não estão presentes em conclusão. Construir, portanto, é uma situação, mas que podem ser articular um tema com o que qualifica deduzidos por aqueles que ali estão, sua melhor resposta ou solução, tendo trabalhar com fórmulas e conceitos. que, para isso, realizar procedimentos Nesse sentido, também fazemos uso da ou dominar os meios requeridos, linguagem, à medida que formulamos considerando as informações hipóteses para compreender um disponíveis na questão. fenômeno ou fato, ou elaboramos 33 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 33 11/7/2003, 09:44
    • Livro do Professor conjecturas, idéias e suposições em um problema ou questão, seja encontrar relação a ele. Nesse jogo de elaborações ou produzir sua solução, a ação ou e suposições, trabalhamos, do ponto de operação que se quer destacar é a de vista operatório, com a lógica da saber enfrentar, sendo o resolver, por combinatória (Inhelder e Piaget, 1955), a certo, seu melhor desfecho, mas não o partir da qual é preciso considerar, ao único. Ou seja, o enfrentamento de mesmo tempo, todos os elementos situações-problema relaciona-se à presentes em uma dada situação. capacidade de o sujeito aceitar desafios que lhe são colocados, percorrendo um SELECIONAR, ORGANIZAR, RELACIONAR, processo no qual ele terá que vencer INTERPRETAR, TOMAR DECISÕES E ENFRENTAR obstáculos, tendo em vista um certo SITUAÇÕES-PROBLEMA objetivo. Quando bem sucedido nesse O objetivo da Competência III é avaliar enfrentamento, pode-se afirmar que o se o aluno sabe “selecionar organizar selecionar organizar, selecionar, sujeito chegou à resolução de uma relacionar interpretar dados e relacionar, situação-problema. Produzir resultados informações representados de diferentes com êxito no contexto de uma situação- formas, para tomar decisões e enfrentar problema pressupõe o enfrentamento da situações-problema”. situações-problema mesma. Pressupõe encarar dificuldades e Talvez a melhor forma de analisarmos as obstáculos, operando nosso raciocínio ações ou operações avaliadas nessa dentro dos limites que a situação nos competência seja fazermos a leitura em coloca. Tal como em um jogo de sua ordem oposta: enfrentar uma tabuleiro, enfrentar uma partida situação-problema implica selecionar, pressupõe o jogar dentro das regras – o organizar, relacionar e interpretar dados jogar certo –, sendo as regras aquilo que para tomar uma decisão. De fato, assim nos fornecem as coordenadas e os é. Tomar uma decisão implica fazer um limites para nossas ações, a fim de recorte significativo de uma realidade, percorrermos um certo caminho durante às veze complexa, ou seja, que pode ser a realização da partida. No entanto, nem analisada de muitos modos e que pode sempre o jogar certo é o suficiente para conter fatores concorrentes, no sentido que joguemos bem, isto é, para que de que nem sempre é possível dar vençamos a partida, seja porque nosso prioridade a todos eles ao mesmo adversário é mais forte, seja porque não tempo. Selecionar é, pois, recortar algo soubemos, ao longo do caminho, destacando o que se considera colocar em prática as melhores significativo, tendo em vista um certo estratégias para vencer. (Macedo, Petty critério, objetivo ou valor. Além disso, e Passos, 2000) tomar decisão significa organizar ou Da mesma maneira, uma situação– reorganizar os aspectos destacados, problema traz um conjunto de relacionando-os e interpretando-os em informações que, por analogia, funcionam favor do problema enfrentado. como as regras de um jogo, as quais, de Reparem que enfrentar uma situação- maneira explícita, impõem certos limites problema não é o mesmo que resolvê- ao jogador. É a partir desse dado real – as la. Ainda que nossa intenção, diante de regras – que o jogador enfrentará o jogo, 34 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 34 11/7/2003, 09:44
    • II. Eixos conceituais que estruturam ENCCEJA mobilizando seus recursos, selecionando Consideremos que convencer significa certos procedimentos, organizando suas vencer junto, ou seja, implica aceitar ações e interpretando informações para que o melhor argumento pode vir de tomar decisões que considere as melhores muitas fontes e que nossas idéias de naquele momento. partida podem ser confirmadas ou Tendo em vista esses aspectos, o que a reformuladas total ou parcialmente no competência III busca valorizar é a jogo das argumentações. Assim, saber possibilidade de o sujeito, ao enfrentar argumentar é convencer o outro ou a si situações-problema, considerar o real mesmo sobre uma determinada idéia. como parte do possível (Inhelder e Convencer o outro porque, quando Piaget, 1955). Se, para ele, as adotamos diferentes pontos de vista informações contidas no problema forem sobre algo, é preciso elaborar a melhor consideradas como um real dado que justificativa para que o outro apóie delimita a situação, pode transformá-lo nossa proposição. Convencer a si em uma abertura para todos os possíveis. mesmo porque, ao tentarmos resolver um determinado problema, RELACIONAR E ARGUMENTAR necessitamos relacionar informações, O objetivo da competência IV é verificar conjugar diversos elementos presentes relacionar se o aluno sabe “relacionar informações, em uma determinada situação, representadas em diferentes formas, e estabelecendo uma linha de conhecimentos disponíveis em situações argumentação mental sem a qual se concretas, para construir torna impossível uma solução argumentação consistente”. satisfatória. Nesse sentido, construir Relacionar refere-se às ações ou argumentação significa utilizar a melhor operações por intermédio das quais estratégia para apresentar e defender pensamos ou realizamos uma coisa em uma idéia; significa coordenar meios e função de outra. Ou seja, trata-se de fins, ou seja, utilizar procedimentos que coordenar pontos de vista em favor de apresentem os aspectos positivos da uma meta, por exemplo, defender ou idéia defendida. criticar uma hipótese ou afirmação. Para Por isso, a competência IV é muito isso, é importante sabermos descentrar, valorizada no mundo atual, tendo em ou seja, considerar uma mesma coisa vista que vivemos tempos nos quais as segundo suas diferentes perspectivas ou sociedades humanas, cada vez mais focos. Dessa forma, a conclusão ou abertas, perseguem ideais de democracia solução resultante da prática relacional e de igualdade. Em certo sentido, a vida expressa a qualidade do que foi analisado. pede o exercício dessa competência, pois Saber construir uma argumentação hoje a maioria das situações que consistente significa, pois, saber mobilizar enfrentamos requerem que saibamos conhecimentos, informações, experiências considerar diversos ângulos de uma de vida, cálculos, etc. que possibilitem mesma questão, compartilhando defender uma idéia que convence alguém diferentes pontos de vista, respeitando as (a própria pessoa ou outra com quem se diferenças presentes no raciocínio de discute) sobre alguma coisa. cada pessoa. De certa forma, essa 35 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 35 11/7/2003, 09:44
    • Livro do Professor competência implica o exercício da articular meios e fins, pensar e atuar cidadania, pois argumentar hoje se refere coletivamente. a uma prática social cada vez mais A sociedade contemporânea diferencia- necessária, à medida que temos que se de outras épocas por suas estabelecer diálogos constantes, transformações contínuas em todos os defender idéias, respeitar e compartilhar setores. Dessa maneira, as mudanças diferenças. sociais, políticas, econômicas, científicas RECORRER, ELABORAR, RESPEITAR E CONSIDERAR e tecnológicas de hoje se fazem com uma rapidez enorme, exigindo do O objetivo da competência V é valorizar a homem atualizações constantes. Não possibilidade de o aluno “recorrer aos recorrer mais é possível que solucionemos os conhecimentos desenvolvidos na escola problemas apenas recorrendo aos para elaboração de propostas de conhecimentos e à sabedoria que a intervenção solidária na realidade, humanidade acumulou ao longo dos respeitando os valores humanos e tempos, pois estes muitas vezes se considerando a diversidade mostram obsoletos. A realidade nos sociocultural”. impõe hoje a necessidade de criar novas Recorrer significa levar em conta as soluções a cada situação que situações anteriores para definir ou enfrentamos, sem que nos pautemos calcular as seguintes até chegar a algo apenas por esses saberes tradicionais. que tem valor de ordem geral. Uma das Por essas razões, elaborar propostas é conseqüências, portanto, da recorrência é uma competência essencial, à medida sua extrapolação, ou seja, podermos que ela implica criar o novo, o atual. aplicá-la a outras situações ou encontrar Mas, para criar o novo, é preciso que o uma fórmula ou procedimento que sujeito saiba criticar a realidade, sintetiza todo o processo. Elaborar compreender seus fenômenos, propostas, nesse sentido, é uma forma de comprometer e envolver-se ativamente extrapolação de uma recorrência. Propor com projetos de natureza coletiva. Vale supõe tomar uma posição, traduzir uma dizer que tal competência exige a crítica em uma sugestão, arriscar-se a capacidade do sujeito exercer sair de um papel passivo. Por extensão, verdadeiramente sua cidadania, agindo acarreta a mobilização de novas sobre a realidade de maneira solidária, recorrências, tornando-se solidário, isto envolvendo-se criticamente com os é, agindo em comum com outras pessoas problemas da sua comunidade, propondo ou instituições. Este agir em comum novos projetos e participando das implica aprender a respeitar, ou seja, decisões comuns. considerar o ponto de vista do outro, BIBLIOGRAFIA BLOOM, B. S.; KRATHWHL, D. R.; MASIA, B. Taxionomia de objetos educacionais. Porto Alegre: Globo, 1972. v. 1. Domínio Cognitivo. 36 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 36 11/7/2003, 09:44
    • II. Eixos conceituais que estruturam ENCCEJA BORDIEU, P. A economia das trocas simbólicas. In: ORTIZ, Pierre (Org.). Sociologia. 2. ed. São Paulo: Ática, 1994. p.156-183. (Grandes cientistas sociais; v. 39). Tradução de Paula Monteiro, Alícia Auzemendi. BRASIL. Leis etc. Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, v. 134, n. 248, p. 27.833-27.841, 23 dez. 1996. Seção 1. CHOMSKY, N. A propósito das estruturas cognitivas e de seu desenvolvimento: uma resposta a Jean Piaget. In: PIATTELLI-PALMARINI, Massimo (Org.). Teorias da linguagem, teorias da aprendizagem: o debate entre Jean Piaget & Noan Chomsky. Tradução de Álvaro Alencar. São Paulo: Cultrix: Ed. Universidade São Paulo, 1983. FERREIRA, A. B. de H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. 1.838 p. INHELDER, B.; PIAGET, J. De la logica del niño a la logica del adolescente. Buenos Aires: Piados, 1972. INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS. ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio: documento básico, 2000. Brasília, DF, 1999. ISAMBERT-JAMATI, V. O apelo à noção de competência na revista L’Orientation Scolaire et Professionnelle: da sua criação aos dias de hoje. In: ROPÉ, F.; TANGUY, Lucie (Org.). Saberes e competências: o uso de tais noções na escola e na empresa. Campinas: Papirus, 1997. p. 103-133. Tradução de Patrícia Chittonni Ramos e equipe do ILA da PUC/RS. MACEDO, L; TORRES, M. Z. Lógica operatória e competências do sujeito. In: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS. Certificação de competências na educação de jovens e adultos: fundamentos. Brasília, DF, 2002. Capítulo 3. MAGER, R. F. A formação de objetivos de ensino. Porto Alegre: Globo, 1975. 138 p. Tradução de Casete Ramos com a colaboração de Débora Karam Galarza. MALGLAIVE, G. Ensinar adultos: trabalho e pedagogia. Porto, Port.: Ed. Porto, 1995. 271p. (Coleção Ciências da Educação; v. 16). Tradução de Maria Luiza Alvares Pereira et al. PIAGET, J. A equilibração das estruturas cognitivas problema central do cognitivas: desenvolvimento. Rio de Janeiro: Zahar, 1976. 175 p. (Ciências da Educação). Tradução de Marion Merlone dos Santos Penna. ______. Fazer e compreender São Paulo: Melhoramentos, 1978. 186 p. (Biblioteca compreender. de Educação Melhoramentos). Tradução de Christina Larroude de Paula Leite. ______. Psicogênese dos conhecimentos e seu significado epistemológico. In: PIATTELLI-PALMARIM, Massimo (Org.). Teorias da linguagem, teorias da aprendizagem: o debate entre Jean Piaget & Noan Chomsky. São Paulo: Cultrix, 1983. Tradução de Álvaro Alencar. 37 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 37 11/7/2003, 09:44
    • Livro do Professor PIAGET, Jean; GARCIA, R. Psicogénesis e história de la ciência. México, DF: Siglo XXI, 1984. RAMOZZI-CHIAROTTINO, Z. Psicologia e epistemologia genética de Jean Piaget. São Paulo: EPU, 1988. REY, B. Les compétences transversales en question Paris: ESF, 1998. question. ROPÉ, F. Dos saberes às competências? o caso do francês. In: ROPÉ, Françoise; TANGUY, Lucie (Org.). Saberes e competências: o uso de tais noções na escola e na empresa. Campinas: Papirus, 1997. p. 69-100. Tradução de Patrícia Chittoni Ramos e equipe ILA da PUC/RS. ______. Racionalização pedagógica e legitimidade política. In: ROPÉ, Françoise; TANGUY, Lucie (Org.). Saberes e competências: o uso de tais noções na escola e na empresa. Campinas: Papirus, 1997. p. 25-67. Tradução de Patrícia Chittoni Ramos e equipe ILA da PUC/RS. 38 LÌngua Portuguesa 9-38.pmd 38 11/7/2003, 09:44
    • III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Educação Física e Educação Artística — Ensino Fundamental Alfredina Nery A CONCEPÇÃO DA ÁREA E SUA A partir do desenvolvimento FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA tecnológico, evidencia-se um fato novo, no que se refere à linguagem: ao mesmo Segundo as concepções atuais de tempo em que se aprofunda, atualmente, aprendizagem e de ensino, o estudante a característica grafocêntrica da é um sujeito social que aprende atuando sociedade, tem sido necessário aumentar com e sobre a cultura de seu grupo a participação das várias classes e grupos social e da sociedade em geral. Hoje não sociais no mundo digital, sob pena de se concebe um aluno que simplesmente reforçarmos uma outra exclusão social, imita, repete mecanicamente, copia e tratada por alguns estudiosos como reproduz informações estanques e sem “analfabetismo digital”. relação com as questões cotidianas do Nesse quadro, o letramento representa viver – incluindo sua compreensão do práticas sociais de linguagem mais amplas processo histórico da humanidade. que podem reforçar ou questionar as O estudante, em movimento permanente formas por meio das quais o poder é de constituição de si mesmo como distribuído na sociedade. Distribuição, sujeito e como cidadão, aprende a diga-se de passagem, desigual, tanto no aprender, buscando compreender as campo dos valores simbólicos, como em interações sociais das quais participa, relação aos bens materiais. tomando decisões, identificando Os usos das linguagens explicitam problemas, comparando idéias, continuamente as relações entre construindo conceitos e propostas de linguagem e exercício da cidadania, entre intervenção na realidade. Esta linguagem e poder, entre linguagem e perspectiva está exposta na LDB 9.394/ identidade. No trabalho, na vida 96 e compreende as exigências de uma doméstica, na política e nas relações sociais, sociedade em contínua transformação. podemos afirmar que cada um de nós é 39 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 39 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física um “ser de linguagem”, na medida em áreas do currículo. Os conceitos das que a linguagem nos constitui como seres várias áreas do conhecimento são humanos. diferentes, mas, no Ensino Fundamental, Quem produz linguagem, o faz em todas contribuem para ampliar as determinadas condições de produção. relações dos alunos com os discursos – Todo indivíduo, ao elaborar um texto, materializados em textos – presentes no precisa considerar a quem ele se destina mundo. (interlocutor real ou provável) e em que Assim, a proposta do Encceja – Ensino situação de comunicação ele se dará. Por Fundamental defende o acesso do exemplo, um psicólogo num congresso estudante às várias linguagens, para que de especialistas elabora seu texto ele possa utilizá-las em diferentes levando em conta o público, ou seja, situações, trabalhando os diversos seus colegas de profissão. Mas, se este fatores e aspectos que caracterizam: mesmo profissional for falar com a • a linguagem verbal (oral e escrita): população em um programa de TV a uma conversa entre amigos; uma respeito de certos comportamentos história contada por um colega; uma humanos, sua linguagem será outra, pois narrativa ficcional; uma notícia escrita seus interlocutores passam a ser pessoas no jornal; uma carta escrita a um amigo/ que não têm a mente humana como ao prefeito; uma pesquisa para conhecer objeto de estudo. Esse fato faz toda a algum tema, objetivando saber mais a diferença. respeito de algo; um registro escrito Se o nosso objetivo é formar indivíduos para poder lembrar mais tarde; que sejam capazes de compreender mais e • as linguagens visual, auditiva, gestual/ melhor o mundo, o estudo das corporal: um quadro numa exposição de linguagens tem um papel fundamental, arte; uma notícia ouvida no rádio/ uma vez que elas são espaços múltiplos assistida na televisão; uma música de produção de significados sobre a vida. ouvida para entretenimento, para dançar, A reflexão e o uso das práticas sociais a para analisar; um espetáculo de dança partir da escrita tornam-se primordiais. para assistir, para participar. No Ensino Fundamental, entendido como De acordo com a Proposta Curricular um momento da escolarização em que os para Educação de Jovens e Adultos, a saberes socialmente constituídos devem especificidade do estudante da EJA/ contribuir para a compreensão e Ensino Fundamental exige desenvolver nomeação da própria experiência as competências para a aprendizagem pessoal, entende-se a escola como uma dos conteúdos escolares, bem como a comunidade de leitores e produtores de possibilidade de aumentar a consciência textos, na qual todo professor é em relação ao estar-no-mundo, professor de leitura e de escrita. Disso ampliando a capacidade de participação decorre a necessidade de ações por parte social, no exercício da cidadania. Para dos educadores na direção de um realizar esses objetivos, o estudo da trabalho pedagógico que explicite a linguagem é um valioso instrumento. natureza multidisciplinar da linguagem e Qualquer aprendizagem só é possível por o seu caráter instrumental nas várias meio dela, já que é com a linguagem que 40 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 40 11/7/2003, 09:45
    • III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA se formaliza todo o conhecimento nota de aspectos relevantes em uma produzido nas diferentes disciplinas e exposição ou palestra para compreender que se explica a maneira como o o conteúdo tratado etc. (...) Quanto mais universo se organiza (Brasil, 2002). diversificadas forem as experiências No que se refere à linguagem verbal, o sociais e culturais vivenciadas, mais à trabalho deve ampliar as competências e vontade os alunos de EJA se sentirão habilidades envolvidas nos textos orais e para atuar em contextos diferentes, escritos, em situações de falar, escutar, ajustando seu modo de falar à maior ou ler ou escrever, para que possamos menor formalidade exigida pelo reduzir a distância entre estudante e contexto (ibid). palavra, procurando anular experiências É inevitável o confronto entre a língua traumáticas com os processos de que se fala na escola e a língua que cada aprendizagem da leitura e produção de aluno pratica. Muitas vezes, o aluno, ao textos. Deve ajudar os estudantes a longo de sua vida escolar, sente-se incorporar uma visão diferente da incomodado por não conseguir escrever palavra para continuarem motivados a o que foi capaz de pensar e dizer. Cabe compreender o discurso do outro, ao professor explicitar as causas dessa interpretar pontos de vista, assimilar e dificuldade, administrando o choque criticar as coisas do mundo. Deve, entre as modalidades falada e escrita de também, fortalecer a voz dos muitos modo favorável ao aluno, criando novos jovens e adultos que retornam à escola critérios de correção, valorizando e para que possam romper os reconhecendo a identidade lingüística silenciamentos impostos pelos de cada um, discutindo a relação de perversos processos de exclusão do poder que implica o uso da norma de próprio sistema escolar (ibid). prestígio, repudiando qualquer Quanto à linguagem verbal oral, não se manifestação de preconceito lingüístico. pode, em hipótese alguma, estigmatizar O professor exerce um papel o jovem ou o adulto em função dos fundamental porque precisa assumir a traços que marcam sua fala. Deve-se posição de mediador do confronto e, ao promover o debate e a interlocução, mesmo tempo, viabilizar a convivência considerando que a necessidade de com a escrita, que, devido à sua fixidez, expor pontos de vista, defender direitos, é mais estável e suscetível de e argumentar são capacidades cada vez monitoração objetiva (ibid). mais exigidas nos espaços profissionais Pelo exposto, o estudo das linguagens é e na vida pública (...) Não se trata de uma ferramenta fundamental do estar no aprender a falar “certo”, como prescreve mundo, pois, ao conhecer suas a gramática normativa, mas de aprender características e diferentes códigos, em a falar em público, monitorar sua fala diversas situações, o estudante pode em função da reação da platéia, tomar ampliar sua participação cidadã e compreender-se mais nesse contexto. 41 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 41 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física AS COMPETÊNCIAS DE LÍNGUA ambiente, consigo mesmo etc., a fim de PORTUGUESA, LÍNGUA formalizar, negociar e criar sentidos que ESTRANGEIRA, EDUCAÇÃO o instaurem como um ser de linguagem. ARTÍSTICA E EDUCAÇÃO FÍSICA Em plena “era da informação” – como é chamada – podemos afirmar que há na NA MATRIZ DO ENCCEJA sociedade mais troca de informação, As linguagens respondem a ainda que seja possível questionar se há necessidades, interesses e finalidades realmente mais comunicação e mais diversas do viver em sociedade, pois a conhecimento. No que se refere à escola, prática social é constitutiva da esta análise se agrava, pois as novas linguagem e essa é, por natureza, linguagens estão ainda na periferia do polifônica, isto é, incorpora o diálogo espaço escolar. Estas linguagens fazem com outras vozes que a precederam – parte das falas dos professores em suas compreender e fazer-se compreender respectivas salas, dos alunos no pelo outro é uma forma de diálogo. corredor, no pátio, enfim, estão no cotidiano das pessoas, porém, na escola, A área de Língua Portuguesa, Língua pertencem a um espaço marginal. Estrangeira, Artes e Educação Física do Ensino Fundamental objetiva ampliar as Os avanços da informática num mundo possibilidades do estudante compreender- globalizado não estão ainda se um “ser de sentidos”, ao poder fazer uso completamente dimensionados, mas e refletir sobre as diferentes linguagens, uma questão está cada vez mais clara: a inter-relacionando-as. De fato, o domínio alteração da relação homem e das linguagens permeia todas as demais linguagem. É só pensar, por exemplo, competências fundamentais para o na capacidade de armazenar dados que exercício da cidadania, tais como a a informática tem: essa expansão da construção de conceitos, de memória humana mudará muito o nosso argumentações e da elaboração de próprio pensamento. Apesar dessa propostas, como forma de responder às mudança nos instrumentos de adversidades sociais. Levando-se em conta comunicação e informação, a linguagem as competências cognitivas básicas e as continua sendo uma forma de ação, de que abrangem diferentes linguagens e interação entre indivíduos. códigos, chegou-se às nove competências Assim, a tecnologia da informação não é da área com as quais os estudantes devem uma estratégia diferente das outras estar familiarizados na conclusão do existentes: a escrita modificou a oralidade, Ensino Fundamental. mas ambas permanecem na relação 1. Reconhecer as linguagens como homem e linguagem, ainda que de formas elementos integradores dos sistemas de distintas. As técnicas não determinam o comunicação e construir uma pensamento, mas, ao contribuírem para consciência crítica sobre os usos que se estruturar as atividades cognitivas de quem fazem delas. as utiliza, condicionam o “vir-a-ser” do pensamento. A linguagem é elemento através do qual o homem interage com seu semelhante, Nessa perspectiva, o estudante precisa com a “máquina”, com o meio aprender a acessar informações, 42 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 42 11/7/2003, 09:45
    • III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA selecionando-as, procurando nexos e nomeiam e que nenhuma língua deixa transformando-as em conhecimentos. de sofrer influências externas, em Em outros termos, deve desenvolver uma especial em um mundo globalizado prática autônoma de leitura. como aquele em que vivemos hoje. 2. Construir um conhecimento sobre a 3. Compreender a arte e a cultura organização do texto em Língua corporal como fato histórico Estrangeira Moderna (LEM) e aplicá-lo contextualizado nas diversas culturas, em diferentes situações de conhecendo e respeitando o patrimônio comunicação, tendo por base os cultural, com base na identificação de conhecimentos de língua materna. padrões estéticos e cinestésicos de A Língua Estrangeira Moderna (LEM) na diferentes grupos socioculturais. proposta do Encceja está relacionada ao No sentido antropológico de cultura, desenvolvimento de uma competência afirma-se que todo indivíduo nasce no leitora do estudante em diferentes contexto de uma cultura. É assim que as situações de comunicação, tendo a práticas corporais relacionam-se à língua materna como base. Assim, um expressividade e à comunicação foco do trabalho não é a especificidade humanas, bem como integram funções de uma língua estrangeira, mas as do próprio corpo. Um exemplo da estratégias de leitura, entendendo-as expressividade são as manifestações como um trabalho ativo do leitor na culturais que têm no corpo a sua construção dos sentidos do texto, a possibilidade de realização, como partir dos seus objetivos, do seu movimentos corporais do cotidiano, as conhecimento sobre o assunto, sobre o danças, os jogos, as lutas etc. autor e sobre a língua – características Nas diferentes culturas, ao longo da do gênero, do portador, do sistema de história humana, o homem criou escrita etc. movimentos mais eficientes e A leitura em LEM envolve uma série de satisfatórios, procurando desenvolver estratégias do leitor, como a maiores possibilidades de uso do corpo. antecipação, supondo o que está por Refletir sobre essas questões pode vir; a inferência, captando o implícito; a contribuir para que o estudante se verificação, controlando a eficácia das compreenda melhor e amplie suas demais estratégias; enfim, selecionando possibilidades de atuação no mundo. os elementos constituintes da Atualmente, com o poder dos meios de configuração textual que auxiliam no comunicação de massa, com o avanço seu objetivo de leitura. tecnológico e com a expansão da O outro foco do trabalho é explicitar os indústria cultural, tem sido necessário valores culturais representados em outras posicionar-se criticamente sobre os línguas e suas relações com a língua valores e os padrões de comportamento, materna, compreendendo que a em especial o que se entende por beleza e incorporação de termos estrangeiros saúde do corpo humano. A acompanha a assimilação dos hábitos, supervalorização do corpo vem impondo tecnologias e artefatos que eles próprios às pessoas a construção de novos 43 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 43 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física significados, novos valores, novas suas estruturas expressivas atinjam a modalidades de entretenimento e de emoção e a imaginação humanas. consumo que necessitam de instrumentos No mundo contemporâneo, pleno de de análise mais apurados e críticos. imagens, símbolos, ícones, enfim, um 4. Compreender as relações entre arte e número enorme de informações visuais, a leitura da realidade, por meio da é preciso discutir com o estudante a reflexão e investigação do processo necessidade de uma leitura crítica das artístico e do reconhecimento dos mesmas, para que não se banalize a materiais e procedimentos usados no compreensão de mundo, por meio de contexto cultural de produção da arte. estereótipos. O ser humano, como ser simbólico que é, 5. Compreender as relações entre o criou/cria as linguagens e, entre elas, as texto literário e o contexto histórico, linguagens artísticas – artes visuais, social, político e cultural, valorizando a dança, música, teatro, cinema etc. literatura como patrimônio nacional. Linguagens que procuram representar o Entendendo que as linguagens mundo, inventar outros, dar significado à contribuem para a constituição do próprio própria existência, explicar o sujeito, por isso são instrumentos de imponderável, sempre na eterna busca conhecimento do mundo e das relações humana de respostas para os grandes sociais, é preciso fazer um destaque no enigmas da existência. O homem faz arte que se refere ao papel da literatura na ao manipular cores, formas, luzes e formação do jovem e do adulto. sombras, sons, silêncios, ritmos e Com o esforço – importante, necessário melodias, gestos e movimentos e, com e meritório – de propor na escola um alguma intenção, a eles atribui trabalho com a multiplicidade de significados. Os conhecimentos linguagens e textos como forma de específicos de cada linguagem artística, ampliar as referências culturais dos articulados ao conhecimento de si estudantes, há o perigo de diminuir, nas mesmo, do outro, da humanidade, da salas de aula, excessivamente a pluralidade cultural são os objetivos do presença do texto literário, em especial, ensino e aprendizagem da Arte na escola. do texto poético. É possível A presente publicação – visando a relacionarmos esta tendência a um contribuir para que o estudante faça projeto mais amplo de sociedade e de uma prova objetiva e entendendo que a ciência que acabou por sustentar esse leitura de imagens pode ampliar os movimento de diversificação textual na meios de apreensão, compreensão e escola, a partir de textos mais objetivos representação do mundo – privilegiou a e pragmáticos. reflexão sobre as artes visuais. Sempre tomando cuidado para não No estudo das imagens, realizam-se dicotomizar a questão, simplificando-a ou várias operações: percebem-se reduzindo-a, a proposta do ENCCEJA contornos, distinguem-se relações de objetiva rediscutir as relações entre o texto figura-fundo, explicitam-se planos, literário/formação do aluno e as práticas na linhas, texturas e cores, de maneira que escola com a multiplicidade textual. 44 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 44 11/7/2003, 09:45
    • III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA O texto literário não desaparece com o exigem diferentes tipos de textos, com tempo, pois presentifica questões diferentes formas de textualização. filosóficas, históricas, ideológicas e A complexa questão do gênero textual estéticas que nos ajudam a compreender vem de muito tempo, desde a a vida e o mundo que nos cerca. Para antigüidade clássica, com a distinção familiarizar-se com ele, lê-lo e entre poesia e prosa; lírico, épico e interpretá-lo, é necessário aprender a dramático; tragédia e comédia. Assim, abordá-lo, estabelecendo algumas vários campos teóricos preocupam-se categorias de análise. É preciso, por com essa problemática: a história da exemplo, perceber o sentido literal e o retórica, as pesquisas em poética e figurado; é preciso aprender a recolher o semiótica literária, as teorias lingüísticas que nele vem escrito, é preciso aprender atuais. Tudo isso resulta numa a escolher os elementos que podem multiplicidade de abordagens e de proporcionar outras descobertas e metalinguagens, constatando-se, então, sentidos. Os sentidos são, portanto, o uso de “gêneros”, “tipos”, encontro entre autor e leitor, “modalidades”, “modos”, quase que intermediados pelo texto. indistintamente. Enfim, o texto literário, encarado como Polêmicas à parte, e com o objetivo de obra de arte, carrega implicações disponibilizar ao estudante uma estéticas e sociais que nos fazem multiplicidade de textos como forma de aproximar dos contextos históricos nos ampliar seu repertório textual, decidiu- quais foram produzidos; por exemplo, se trabalhar nesta publicação com a se abordamos um texto antigo, idéia de gênero já expressa nos aproximamo-nos de perspectivas Parâmetros Curriculares Nacionais, ou diferentes que enriquecem nossa visão seja, gêneros como modelos para de mundo; se lemos um texto moderno, organizar o que temos a dizer, dentro de podemos, igualmente, ampliar nossa um certo formato que se foi mostrando perspectiva do próprio mundo em que eficiente nas situações comunicativas. vivemos. Entendendo que, quanto mais complexa é 6. Utilizar a língua materna para uma sociedade, mais complexos e variados estruturar a experiência e explicar a são os gêneros textuais, optou-se pelo realidade. uso de textos verbais, visuais, referências A concepção de que as condições de a textos audiovisuais, considerando produção da linguagem são necessariamente as relações entre seus constitutivas de seus próprios sentidos vários elementos constituintes, em aponta para a necessidade de um re- determinadas situações: os interlocutores direcionamento na forma de trabalhar a da fala (quem/com quem/para quem); seus linguagem na escola. Hoje, há o objetivos; justificativas; onde/quando consenso de que o trabalho deve estar falam (o contexto) e como falam (recursos centrado no texto, na perspectiva da próprios de cada modalidade de interação verbal; por isso, considera-se linguagem). que diferentes situações de interlocução 45 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 45 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física Enfim, procurou-se demonstrar que as sujeito seja capaz de reconhecer os diferentes linguagens demandam procedimentos de persuasão utilizados, articular a finalidade com que cada uma de identificar nos discursos ecos de é produzida (explicar, convencer, outras vozes, de inferir informar, recrear etc) a suas intencionalidades a partir de marcas características específicas. A função: presentes nos textos e de compreender estética, utilitária, científica; o gênero e que tais marcas expressam intenções sua configuração textual; o assunto/ pessoais e interesses políticos, tema e sua abordagem; os recursos econômicos e ideológicos. Enfim, gráfico-visuais, sonoros, gestuais, como espera-se que o estudante desenvolva a diagramação, imagens, relação texto capacidade de refletir criticamente tanto escrito e imagem; pauta sonora; sobre um tema quanto sobre os vários expressão corporal; o suporte: livro, discursos utilizados e suas finalidades. revista, jornal, outdoor, placas, rádio, 8. Reconhecer e valorizar a linguagem TV, CD, o computador etc. de seu grupo social e as diferentes 7. Analisar criticamente os diferentes variedades do português, procurando discursos, inclusive o próprio, combater o preconceito lingüístico. desenvolvendo a capacidade de Compreender que as línguas variam e avaliação de textos. que a variação é inerente às práticas de A análise crítica dos diferentes discursos linguagem amplia as referências em circulação no tempo e no espaço em culturais e lingüísticas do estudante. A que vivemos é uma das condições para a partir das reflexões sobre as relações constituição do cidadão contemporâneo, entre linguagem e sociedade, entre capaz de escolher quando e quanto ser língua e poder, é possível questionar seduzido, cooptado por discursos preconceitos, como o de que há apenas alheios, quando e quanto resistir ou uma única língua no Brasil e o brasileiro contrapor-se, que recursos utilizar para não sabe falar sua própria língua. seduzir e convencer. Refletir sobre estas questões é essencial Para participar de processos para romper o silenciamento que o interlocutivos de forma crítica é preconceito lingüístico acaba impondo fundamental que o sujeito seja capaz de aos brasileiros. perceber, nos discursos próprios e Nesse quadro, a concepção da linguagem alheios, a influência dos contextos como interação contribui para o políticos, econômicos e ideológicos, o estudante entender que variamos o modo jogo de sedução e convencimento de expressão, dependendo das situações travado entre interlocutores mais comunicativas das quais participamos: próximos e os diálogos estabelecidos quem fala, com quem fala, com quais com outros textos e interlocutores intencionalidades, de que lugar se fala distantes no tempo e no espaço. constituem o como falar. Nesse sentido, para que se possam Outro aspecto é saber que muitas das analisar criticamente discursos, marcas que singularizam os processos de inclusive os próprios, é necessário que o variação podem ser tematizadas, a partir da 46 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 46 11/7/2003, 09:45
    • III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA interferência que a variedade lingüística A atividade com a linguagem produz falada pelo sujeito produz em sua escrita. textos diferentes em função dos Muitos erros ortográficos permitem refletir contextos de produção; por isso, refletir sobre as unidades lingüísticas com as quais sobre as linguagens é trabalhar com elas o sujeito está lidando. e a partir delas. Ao colocar o texto Uma outra importante questão diz como unidade de ensino, entende-se respeito às regularidades que permeiam que análise lingüística é mais do que certos usos da língua. Ao trabalhar com estudar gramática. Não se trata também as regularidades, descobrem-se as regras de colocar ao lado dos estudos que orientam a produção de textos, em gramaticais novos conteúdos uma variedade ou em outra, em um relacionados ao texto. As mudanças são registro ou em outro, porque não se fala mais profundas quando se muda a uma língua ou uma variedade sem unidade de análise da frase para o texto. regras, ainda que algumas variedades Nesse quadro, conhecer as categorias tenham mais prestígio social que outras. explicativas básicas dos processos O fato de o modo urbano ser mais lingüísticos é importante para valorizado que o rural e o da classe aproximar o plano da expressão do média ser mais valorizado que o da plano do conteúdo de um texto, camada popular são manifestações de explicitando os usos efetivos da língua preconceito que precisam ser em sua modalidade oral ou escrita. combatidas. É no cruzamento do eixo paradigmático Sem dúvida, o contato do estudante (o das escolhas, do léxico) com o eixo com a modalidade escrita da linguagem sintagmático (o das conexões, das – quer lendo ou escrevendo textos de relações das frases) e nas relações destes diferentes gêneros, quer escutando ou com a dêixis, que estão os elementos produzindo textos orais, marcados por lingüísticos que produzem alterações no uma forte relação com a escrita – interior dos textos e em seus contextos amplia, progressivamente, seu domínio extralingüísticos. dos recursos lingüísticos, permitindo Fundamentalmente, a análise lingüística ajustar o texto que produz às exigências otimiza o domínio dos recursos da situação comunicativa e às restrições lingüísticos, evidenciando uma das impostas pelos diferentes gêneros e características da linguagem, a de situações comunicativas. convencer o outro, levando-o a aderir ao 9. Usar os conhecimentos adquiridos ponto de vista de quem fala. Ao saber por meio da análise lingüística para utilizar os operadores argumentativos que expandir a capacidade de uso da enfatizam uma determinada perspectiva, linguagem, ampliando a capacidade de o autor busca o efeito desejado, por análise crítica. exemplo, tomando o fato pelo ângulo da Expandir a capacidade de uso das sua causa ou/e da sua conseqüência. linguagens e ampliar a capacidade de Destacar estes mecanismos em uma análise crítica passam, necessariamente, publicação didática é fundamental para por maiores conhecimentos adquiridos o estudante, pois, como leitor, pode através da análise lingüística. 47 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 47 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física compreender que um fato oferece Física visa a desenvolver e ampliar as sempre mais de uma possibilidade de competências do estudante da Educação interpretação e, como produtor de de Jovens e Adultos, na direção da textos orais ou escritos, amplia sua sistematização de um conjunto de capacidade de escolher, dentre os vários conhecimentos das várias linguagens textos e gêneros, em uma dada – seus conceitos, procedimentos e situação, o mais adequado, tendo em atitudes – fazendo dele um cidadão vista os efeitos desejados. mais crítico e participativo. Assim, não Trata-se, portanto, de desvelar para o se pretende uma preparação exaustiva estudante que os usos da língua como para o exame, mas, sim, colocar o neutros e transparentes levam a uma estudante em contato com uma interpretação ingênua, sustentada nas abordagem dos conteúdos de linguagem crenças que conformam e mantêm a que ele já vivencia ou vivenciou nos realidade sempre igual. momentos em que participa ou participou da escola ou mesmo em sua Enfim, a área de Língua Portuguesa, vida, de um modo geral. Língua Estrangeira, Artes e Educação BIBLIOGRAFIA BRASIL. Leis etc. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. . Poder Executivo, Brasília, DF, v. 134, n. 248, p. 27.833-27.841, 23 dez. 1996. Seção 1. Lei Darcy Ribeiro. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria do Ensino Fundamental. Proposta Curricular para Educação de Jovens e Adultos: 2º segmento do ensino fundamental: 5ª a 8ª série: Brasília, DF, 2002. v. 2. 48 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 48 11/7/2003, 09:45
    • III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA Linguagens, Códigos e suas Tecnologias no Ensino Médio Alice Vieira A partir dos princípios definidos pela industrialização na América Latina, a nova Lei de Diretrizes e Bases da política educacional brasileira Educação Nacional (Brasil, 1996), o estabeleceu como prioridade para o Ministério da Educação (MEC) elaborou, Ensino Médio a formação de junto com educadores de todo o país, especialistas que fossem capazes de um novo perfil para o currículo escolar. controlar a utilização de maquinarias ou De maneira geral, o ensino no Brasil de dirigir os processos de produção. Na baseia-se ainda na transmissão de um década de 90, um novo desafio foi acúmulo de informações que são imposto: em uma sociedade na qual o apresentadas aos alunos de forma volume de informações é cada vez descontextualizada e fragmentada. maior, sendo o conhecimento Nesse sentido, os conteúdos escolares, rapidamente superado pelas inovações além de serem trabalhados isoladamente científicas e tecnológicas, a simples em cada disciplina escolar, sem permitir aquisição de conhecimentos se torna o estabelecimento de relações entre insuficiente para a formação de eles, não ganham significados para o cidadãos e profissionais. Portanto, a aluno. Para superar tais condições, a formação do aluno passa a ter como reforma educacional proposta na Lei objetivo, também, a preparação buscou dar significado ao conhecimento científica e a capacidade de utilizar as escolar e evitar a compartimentalização, diferentes tecnologias relativas às áreas por meio de sua contextualização e da de atuação no mercado de trabalho. interdisciplinaridade, de maneira a Dessa forma, para o Ensino Médio, a incentivar o raciocínio e a capacidade nova LDB propõe a formação geral em de aprender dos alunos. oposição à formação específica; o Nas décadas de 60 e 70, com a desenvolvimento da capacidade de aceleração do processo de pesquisar, de buscar informações, 49 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 49 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio analisá-las e selecioná-las; o APRENDER A CONHECER desenvolvimento da capacidade de Esse primeiro princípio ressalta a aprender, de criar e formular, superando- importância de uma educação geral que se o simples exercício de memorização. possibilite o aprofundamento de algumas Essa nova proposta leva em conta as áreas de conhecimento e o domínio dos transformações tecnológicas hoje próprios instrumentos do conhecimento. presentes na sociedade, as quais afetam a Dessa forma, o conhecimento é forma de organização dos diferentes considerado como um meio ou seja, meio, setores de produção, buscando melhor como caminho para o sujeito preparar o futuro profissional para o compreender a complexidade do mundo, mercado de trabalho. Ou seja, este outro desenvolvendo suas possibilidades paradigma da educação brasileira busca pessoais e profissionais; e como um fim fim, enfatizar o desenvolvimento de novas uma vez que o seu fundamento é o prazer formas de competências que são exigidas de compreender, de conhecer, de pela atual organização social. Entre elas descobrir. Aprender a conhecer garante o encontram-se a capacidade de abstração aprender a aprender e constitui o e de pensar múltiplas alternativas para a passaporte para a educação permanente. solução de um problema; o APRENDER A FAZER desenvolvimento da capacidade de expressão e comunicação por meio de Partindo desse princípio, a educação diferentes linguagens; a capacidade de deve estimular o desenvolvimento exercer o trabalho em equipe; a busca constante de novas habilidades no autônoma de novos conhecimentos; a indivíduo, na medida em que as disposição para aceitar críticas, aceitar situações estão em constante riscos; o desenvolvimento de um transformação. A teoria deve ser posta pensamento sistêmico e crítico, da sempre em relação à prática, e a ciência criatividade e da curiosidade. Em síntese, deve ser vivenciada na tecnologia, para os objetivos da educação no Ensino que o aluno possa entender a Médio para jovens e adultos, a partir de significação de ambas no uma perspectiva construtivista, têm desenvolvimento da sociedade como meta a formação ética do aluno e o contemporânea. desenvolvimento da autonomia APRENDER A CONVIVER intelectual e do pensamento crítico. A partir deste princípio, a educação deve Nesse sentido, ainda, a reforma promover no indivíduo a competência educacional brasileira considera para que ele aprenda a viver junto, ou essenciais os princípios apontados pela seja, aprenda a estabelecer práticas de UNESCO (1994) como eixos estruturais interações sociais, dedicando-se à da educação contemporânea, a partir realização de projetos comuns ou à gestão dos quais foram concebidas as diretrizes inteligente dos conflitos inevitáveis. gerais e orientadoras da proposta curricular do Ensino Médio. APRENDER A SER Neste caso, a educação deve estar comprometida com o desenvolvimento 50 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 50 11/7/2003, 09:45
    • III. As áreas do conhecimento contemplados no ENCCEJA total da pessoa, com a preparação do aumento real das possibilidades de indivíduo para elaborar pensamentos interação do aluno com sua sociedade e autônomos e críticos e formular os seus meio-ambiente, ou seja, um aumento do próprios juízos de valor, com a seu poder como cidadão, implicando construção da sua identidade. Dessa maior acesso às informações e uma forma, é preciso criar condições para melhor possibilidade de interpretação que o aluno possa exercitar a liberdade dessas informações nos contextos de pensamento, o discernimento, o sociais em que elas lhe são sentimento e a imaginação, apresentadas. desenvolvendo seus talentos, sendo Dessa maneira, na Educação de Jovens e capaz de tomar decisões por si mesmo e Adultos os conteúdos das disciplinas de permanecendo, tanto quanto possível, Linguagens, Códigos e suas Tecnologias dono do seu próprio destino. não devem ser apresentados de maneira OBJETIVOS DA ÁREA DE LINGUAGENS, CÓDIGOS E estanque, isolada. SUAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E A construção do conhecimento ADULTOS DO ENSINO MÉDIO humano, o desenvolvimento das artes, De acordo com os Parâmetros da ciência, da filosofia e da religião Curriculares Nacionais (PCN) do Ensino foram possíveis graças à linguagem que Médio para a área Linguagens, Códigos permeia a elaboração e a construção de e sua Tecnologias, a linguagem é todas as atividades do homem. Não considerada como a capacidade humana apenas a representação do mundo, da de articular significados coletivos em realidade física e social, mas também a sistemas arbitrários de representação, formação da consciência individual, a que são compartilhados e que variam de regulação dos pensamentos e da ação, acordo com as necessidades e próprios ou alheios, ocorrem na e pela experiências da vida em sociedade. A linguagem. Nesse sentido, o estudo da principal razão de qualquer ato de gramática normativa deve contribuir linguagem é a produção de sentido. para o desempenho lingüístico do aluno, tanto na recepção quanto na Nessa direção, portanto, a nova reforma produção de textos escritos e orais. É o educacional propõe uma mudança exercício contínuo das diferentes profunda na maneira como as práticas, aliado à reflexão constante disciplinas de Português, Língua sobre os usos da linguagem, que Estrangeira Moderna (LEM), Artes e permite a ampliação dos recursos Educação Física devem ser examinadas expressivos. A leitura de textos e ensinadas no Ensino Fundamental e pertencentes a diferentes gêneros, de Médio. Recusa-se o conhecimento de textos próprios ou alheios, e a natureza enciclopédica ou de conteúdos observação e análise de marcas sem significação prática. lingüísticas recorrentes possibilitam ao Tal princípio aplica-se também à aluno ampliar seu repertório para Educação de Jovens e Adultos (EJA) de responder às exigências impostas pelas Ensino Médio, o que representa, na diversas situações comunicativas. perspectiva da nova LDB e dos PCN, um 51 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 51 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio A língua é uma força ativa na possibilitar o acesso a bens culturais da sociedade, um meio pelo qual humanidade. indivíduos e grupos controlam outros Nessa nova perspectiva, trabalha-se, em grupos ou resistem a esse controle, um primeiro lugar, com a construção do meio para mudar a sociedade ou para conhecimento: conhecimento lingüístico, impedir a mudança, para afirmar ou musical, corporal; conhecimento gestual; suprimir as identidades culturais. Ter conhecimento das imagens, do espaço e domínio da língua é, pois, participar das formas. Linguagens e Códigos, mais ativamente da sociedade. do que objetos de conhecimento, são A História da Literatura e a História da meios para o conhecimento. O ser Arte não devem ser meras listagens de humano conhece o mundo por meio de escolas, autores e suas características. suas linguagens, de seus símbolos. No ensino das diversas linguagens Assim, à medida que ele se torna mais artísticas, não se pode mais abandonar o competente nas diferentes linguagens, eixo da produção (eixo poético) e o da torna-se mais capaz de conhecer o recepção (eixo estético) e o da crítica. O mundo. ensino das artes não pode mais reduzir- O ensino na área de Linguagens, se nem à História da Arte, nem à mera Códigos e suas Tecnologias deve levar aquisição de repertório, e muito menos em conta, em primeiro lugar, a a um fazer por fazer, espontaneísta, contextualização do conhecimento. desvinculado da reflexão e do Dados, informações, idéias e teorias não tratamento da informação. devem ser apresentados de maneira Da mesma maneira, a Educação Física estanque, separados de suas condições não pode mais reduzir-se ao de produção, do tipo de sociedade em condicionamento físico e ao esporte, que são gerados e recebidos, de sua quando praticados de maneira relação com outros conhecimentos. inconsciente ou mecânica. O aluno do Do nosso ponto de vista, a ensino médio, regular ou não, deve não contextualização pode se dar em três só valorizar, apreciar e desfrutar dos níveis. A contextualização sincrônica benefícios advindos da cultura corporal analisa o objeto em relação à época e à de movimento mas também perceber e sociedade que o gerou. Quais foram as compreender o papel do esporte na razões da sua produção? De que sociedade contemporânea. maneira ele foi recebido em sua época? Em relação à Língua Estrangeira Como se deu o acesso a esse objeto? Moderna (LEM), importa construir um Quais as condições sociais, econômicas conhecimento sistêmico sobre a e culturais da sua produção e recepção? organização textual e sobre como e Como um mesmo objeto foi apropriado quando utilizar a linguagem nas por grupos sociais diferentes? situações de comunicação, tendo como A contextualização diacrônica considera base os conhecimentos da língua o objeto cultural no eixo do tempo. De materna. A consciência lingüística e a que maneira aquela obra, aquela idéia, consciência crítica dos usos que se aquela teoria se inscreve na História da fazem da língua estrangeira devem 52 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 52 11/7/2003, 09:45
    • III. As áreas do conhecimento contemplados no ENCCEJA Cultura, da Arte e das Idéias? Como ela a sociedade em que vive? O que são foi apropriada por outros autores em liberdade e responsabilidade? Que lugar períodos posteriores? De que maneira ocupa na sociedade? Como pode atuar e ela se apropriou de objetos culturais de intervir na sociedade? Mas a identidade épocas anteriores a ela própria? depende também de compreender, Por fim, não se pode ignorar a aceitar e respeitar a diversidade social, contextualização de um objeto qualquer cultural, política e das linguagens. Quem no quadro da sua recepção atual: Como é o outro? Em que contexto se insere? esse texto é visto hoje? Que tipo de Qual a sua linguagem? Quais os interesse ele ainda desperta? Quais as diferentes suportes dos textos? Que características desse objeto que fazem teorias explicam a realidade? Como as com que ele ainda seja estudado, linguagens criam diferentes realidades? apreciado ou valorizado? AVALIAÇÃO DE COMPETÊNCIAS NA EDUCAÇÃO DE A questão da contextualização nos leva JOVENS E ADULTOS NA ÁREA DE LINGUAGENS, ao problema da intertextualidade e da CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS interdisciplinaridade. De que maneira A partir dos PCN do Ensino Médio e das cada objeto cultural se relaciona com competências cognitivas básicas do outros objetos culturais? Como uma sujeito, foi formulada a Matriz de mesma idéia, um mesmo sentimento, Competências que orienta a avaliação uma mesma informação são tratados proposta pelo Exame Nacional de pelas diferentes linguagens? Aqui nos Certificação de Competências de Jovens interessam, por exemplo, as novas e Adultos (Encceja). tecnologias de informação, o hipertexto, Como competências entendem-se as os CD-ROMS e as páginas da Web. modalidades estruturais da inteligência, Como um objeto é estudado nas operações que o sujeito utiliza para diversas áreas do conhecimento? Qual a estabelecer relações com e entre objetos, articulação que as disciplinas situações, fenômenos e pessoas. Delas estabelecem entre si? De que maneira decorrem habilidades que se referem ao essa articulação se liga a um sistema? plano imediato do ‘saber fazer’; por meio Na proposta de reforma curricular da das ações e operações, as habilidades Educação de Jovens e Adultos do Ensino aperfeiçoam-se e articulam-se, Médio, a interdisciplinaridade deve ser possibilitando nova reorganização das compreendida como uma abordagem competências. (Enem, 1998) relacional, em que se propõe uma prática Das relações entre as competências escolar que estabeleça interconexões cognitivas básicas e aquelas previstas entre as áreas e possibilite as passagens para a área de Linguagens, Códigos e entre os conhecimentos através de suas Tecnologias do Ensino Médio relações de complementaridade, (CNE, 1998), foram elencadas nove convergência ou divergência. competências as quais oferecem uma A identidade se constrói no visão abrangente sobre o repertório autoconhecimento da pessoa como ser cultural necessário ao jovem ou adulto individual e social. Quem ela é? Como é interessado em realizar esse exame para 53 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 53 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio sua certificação. Tais competências são sociais de diversos tipos de textos importantes para a formação do (manuais, outdoors, embalagens e indivíduo no que toca à sua identidade outros) e de reconhecimento de valores como cidadão e para sua compreensão culturais e ideológicos em textos que se da construção histórica do apropriem de termos e conceitos conhecimento. São elas: expressos em LEM. 1. Aplicar as tecnologias da 3. Compreender e utilizar a linguagem comunicação e da informação na escola, corporal como relevante para a própria no trabalho e em outros contextos vida, integradora social e formadora de relevantes para sua vida. identidade. Esta competência pretende avaliar se o A Educação Física deve ser abordada estudante tem a percepção de que, à sua como ciência que estuda as volta, existem diferentes objetos manifestações da linguagem corporal e, organizados a partir de sistemas para tanto, é preciso que haja a integradores de linguagens, exercendo apropriação por parte do estudante de diferentes funções sociais que os aspectos relativos à produção histórica integram em um só corpo. Esses e social da humanidade referente à sistemas são de comunicação porque a cultura corporal de movimento, à base primeira de todos eles é a prática esportiva, ao jogo e suas integração de linguagens, produzindo possibilidades lúdicas, às atividades objetos com uma certa (mas nunca rítmicas e expressivas, à ginástica e aos absoluta) previsibilidade de conhecimentos sobre o corpo. significação. Nesse sentido, é 4. Compreender a Arte como saber importante que o estudante conheça e cultural e estético gerador de domine os sistemas de comunicação: significação e integrador da organização informativo, publicitário, de do mundo e da própria identidade. entretenimento e artístico. Com esta competência pretende-se que 2. Conhecer e usar língua(s) a arte seja abordada de maneira objetiva estrangeira(s) moderna(s) como e abrangente, com o intuito de levar o instrumento de acesso a informações e a aluno a compreendê-la de forma crítica, outras culturas e grupos sociais. relacionando as diversas informações Com esta competência pretende-se que com os contextos estéticos, históricos e o estudante reflita sobre as implicações sociais. lingüísticas, econômicas, históricas e As diferentes linguagens – artes ideológicas da presença das LEM plásticas, dança, música, teatro – devem (línguas estrangeiras modernas) em ser entendidas levando-se em conta as nossa sociedade. Para isso, espera-se características de cada modalidade, que o jovem ou adulto utilize destacando-se diversidades e estratégias de inferência de significados semelhanças de acordo com os a partir de contextos, de busca de elementos estéticos, históricos e sociais informações específicas, de em foco. Simultaneamente, evidencia- identificação da função e dos usos se a importância da preservação do 54 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 54 11/7/2003, 09:45
    • III. As áreas do conhecimento contemplados no ENCCEJA patrimônio histórico e cultural, levando O desenvolvimento desta competência o estudante a interessar-se pela cultura deve possibilitar ao aluno a popular e erudita. identificação, o reconhecimento e a 5. Analisar, interpretar e aplicar os reflexão crítica sobre as estratégias e recursos expressivos das linguagens, procedimentos argumentativos, relacionando textos com seus verificáveis em diferentes linguagens, contextos, mediante a natureza, função, para realizar o convencimento do organização, estrutura das interlocutor: os recursos verbais e não- manifestações, de acordo com as verbais, os modos de revelar opiniões condições de produção e recepção. divergentes em textos diversificados, os embates de idéias e interesses que Almeja-se, com esta competência, que o permeiam os discursos sociais. aluno da EJA compreenda o fato de a literatura ser uma manifestação da Assim, é fundamental que os estudantes cultura, proceder da própria vida e ser tenham noções de argumentos e contra- resultado da elaboração humana e argumentos, de argumentos baseados produto do seu fazer. Espera-se, também, em raciocínios lógicos, em que o estudante perceba que a literatura pressuposições, em máximas, em depende do leitor para sua existência e crenças e valores compartilhados entre pressuponha que só o momento de os interlocutores, em fatos, em leitura concretiza a obra literária. exemplos, em relações intertextuais. E, ainda, conheçam outros procedimentos 6. Compreender e usar os sistemas argumentativos importantes para simbólicos das diferentes linguagens realizar o convencimento do como meios de organização cognitiva interlocutor: as figuras de pensamento e da realidade pela construção de de sintaxe, a escolha lexical, as significados, expressão, comunicação e expressões de valor fixo, a ironia, a informação. paródia, as citações, a alusão, os O propósito desta competência é fazer argumentos de autoridade. com que o leitor reflita sobre os 8. Compreender e usar a língua diferentes gêneros textuais, portuguesa como língua materna, caracterizando os tipos de texto a eles geradora de significação e integradora vinculados. A partir de aspectos da organização do mundo e da própria estruturais e estilísticos próprios dos identidade. diferentes tipos de texto, pretende-se levar o estudante a perceber como se No desenvolvimento desta competência, constrói a relação texto/contexto deseja-se que o estudante reconheça as (histórico, social, político, cultural e semelhanças, as variedades lingüísticas estético) e a identificar marcas textuais devidas a fatores geográficos e sociais, associadas a funções específicas bem como a importância do domínio da (persuasão, informação etc.). variedade padrão. 7. Confrontar opiniões e pontos de vista Tal domínio possibilita ao leitor sobre as diferentes linguagens e suas desenvolver a capacidade de reconhecer manifestações específicas. as diferenças e pressuposições existentes 55 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 55 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio nos textos, identificando mecanismos cidadania é o objetivo desta competência. lingüísticos e sua adequação às mais Para tanto, é necessário que o estudante variadas situações de interlocução, compreenda a função e o impacto das construindo, assim, uma visão crítica do tecnologias de comunicação e da texto e do contexto no qual está inserido. informação na vida pessoal e social, e 9. Entender os princípios, a natureza, a no desenvolvimento do conhecimento. função e o impacto das tecnologias da Nesse sentido, destacam-se os meios comunicação e da informação, na sua eletrônicos, os meios de comunicação vida pessoal e social, no digitais, os meios impressos e os meios desenvolvimento do conhecimento, de comunicação não tradicionais. associando-as aos conhecimentos Com a elaboração da Matriz de científicos, às linguagens que lhes dão Competências para o Encceja, espera-se suporte, às demais tecnologias, aos não apenas oferecer subsídios para que processos de produção e aos problemas o estudante possa realizar o exame, mas que se propõem solucionar. também propiciar novos caminhos para Conscientizar o leitor da presença e professores e estudantes da EJA no influência no seu cotidiano e meio social desenvolvimento de competências e das tecnologias de comunicação e habilidades, colaborando para que informação, levando-o a uma reflexão jovens e adultos possam participar sobre o papel destas tecnologias e à ativamente da sociedade atual, como compreensão da necessidade de seu sujeitos conscientes de seus direitos. domínio para o exercício integral da BIBLIOGRAFIA BRASIL. Leis etc. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Poder . Executivo, Brasília, DF, v. 134, n. 248, p. 27.833-27.841, 23 dez. 1996. Seção 1. Lei Darcy Ribeiro. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio. Brasília, DF: MEC: SEMTEC, 1999. 4 v. ______. Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio: Linguagem códigos e suas tecnologias. Brasília, DF, 1999. v. 2. ______. Desenvolvimento da Educação no Brasil. Brasília, DF, 1996. ______. Códigos e linguagens: diretrizes para o ensino médio. Brasília, DF: MEC, 1996. CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (Brasil). Câmara de Educação Básica. Parecer n° 15, de junho de 1998. Diretrizes curriculares nacionais para o ensino médio. Documenta, Brasília, DF, n. 441, p. 3-71, jun. 1998. 56 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 56 11/7/2003, 09:45
    • III. As áreas do conhecimento contemplados no ENCCEJA INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS. ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio: documento básico. Brasília, DF, 1998. UNESCO. Educação: um tesouro a descobrir: relatório para Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. Rio Tinto (Port.): Ed. ASA, 1994. Tradução portuguesa. 57 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 57 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Ensino Fundamental Língua Estrangeira Moderna, Educação Artística e Educação Física 58 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 58 11/7/2003, 09:45
    • IV. As matrizes que estruturam as avaliações IV. As matrizes que estruturam as avaliações 59 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 59 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Ensino Fundamental Língua Estrangeira Moderna, Educação Artística e Educação Física CI - Dominar a norma culta CII - Construir e aplicar da Língua Portuguesa e fazer conceitos das várias áreas do uso das linguagens conhecimento para a matemática, artística e compreensão de fenômenos científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. F1 - Reconhecer as H2 - Distinguir os diferentes linguagens como elementos H1 - Reconhecer as linguagens recursos das linguagens, integradores dos sistemas de como elementos integradores utilizados em diferentes comunicação e construir uma dos sistemas de comunicação. sistemas de comunicação e consciência crítica sobre os informação. usos que se fazem delas. F2 - Construir um conhecimento sobre a organização do texto em LEM H6 - Inferir a função de um H7 - Identificar recursos e aplicá-lo em diferentes texto em LEM pela verbais e não-verbais na situações de comunicação, interpretação de elementos da organização de um texto em tendo por base os sua organização. LEM. conhecimentos de língua materna. F3 - Compreender a arte e a cultura corporal como fato histórico contextualizado nas H12 - Identificar as mudanças/ diversas culturas, conhecendo H11 - Identificar em permanências de padrões e respeitando o patrimônio manifestações culturais estéticos e/ou cinestésicos em cultural, com base na elementos históricos e sociais. diferentes contextos históricos identificação de padrões e sociais. estéticos e cinestésicos de diferentes grupos socioculturais. 60 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 60 11/7/2003, 09:45
    • IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, organizar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos relacionar, interpretar dados e informações representadas conhecimentos desenvolvidos informações representados de em diferentes formas e para elaboração de propostas diferentes formas, para tomar conhecimentos disponíveis de intervenção solidária na decisões e enfrentar em situações concretas, realidade, respeitando os situações-problema. para construir valores humanos e argumentação consistente. considerando a diversidade sociocultural. H3 - Recorrer aos H4 - Relacionar informações H5 - Posicionar-se criticamente conhecimentos sobre as sobre os sistemas de sobre os usos sociais que se linguagens dos sistemas de comunicação e informação, fazem das linguagens e dos comunicação e informação considerando sua função sistemas de comunicação e para resolver problemas sociais social. informação. e do mundo do trabalho. H9 - Identificar a função H8 - Atribuir um sentido H10 - Reconhecer os valores argumentativa do uso de previsível a um texto em LEM culturais representados em determinados termos e presente em situação da vida outras línguas e suas relações expressões de outras línguas social e do mundo do trabalho. com a língua materna. no Brasil. H15 - Posicionar-se H14 - Analisar, nas diferentes criticamente sobre os valores manifestações culturais, os H13 - Comparar manifestações sociais expressos nas fatores de construção de estéticas e/ou cinestésicas em manifestações culturais: identidade e de estabelecimento diferentes contextos. padrões de beleza, de diferenças sociais e caracterizações estereotipadas e históricas. preconceitos. 61 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 61 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Ensino Fundamental Língua Estrangeira Moderna, Educação Artística e Educação Física CI - Dominar a norma culta CII - Construir e aplicar da Língua Portuguesa e fazer conceitos das várias áreas do uso das linguagens conhecimento para a matemática, artística e compreensão de fenômenos científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. F4 - Compreender as relações entre arte e a leitura da realidade, por meio da reflexão H16 - Identificar produtos e H17 - Reconhecer diferentes e investigação do processo procedimentos artísticos padrões artísticos, associando- artístico e do reconhecimento expressos em várias os ao seu contexto de dos materiais e procedimentos linguagens. produção. usados no contexto cultural de produção da arte. F5 - Compreender as relações entre o texto literário e o H21 - Identificar categorias H22 - Reconhecer os contexto histórico, social, pertinentes para a análise e procedimentos de construção político e cultural, interpretação do texto literário. do texto literário. valorizando a literatura como patrimônio nacional. F6 - Utilizar a língua H26 - Reconhecer temas, H27 - Identificar os elementos materna para estruturar a gêneros, suportes textuais, organizacionais e estruturais de experiência e explicar a formas e recursos expressivos. textos de diferentes gêneros. realidade. 62 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 62 11/7/2003, 09:45
    • IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, organizar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos relacionar, interpretar dados e informações representadas conhecimentos desenvolvidos informações representados de em diferentes formas e para elaboração de propostas diferentes formas, para tomar conhecimentos disponíveis de intervenção solidária na decisões e enfrentar em situações concretas, realidade, respeitando os situações-problema. para construir valores humanos e argumentação consistente. considerando a diversidade sociocultural. H18 - Utilizar os H19 - Relacionar os sentidos conhecimentos sobre a relação H20 - Reconhecer a obra de de uma obra artística a entre arte e realidade, para arte como fator de promoção possíveis leituras dessa obra, atribuir um sentido para uma dos direitos e valores humanos. em diferentes épocas. obra artística. H23 - Utilizar os H24 - Identificar em um texto H25 - Reconhecer a importância conhecimentos sobre a literário as relações entre tema, do patrimônio literário para a construção do texto literário estilo e contexto histórico de preservação da memória e da para atribuir-lhe um sentido. produção. identidade nacionais. H28 - Identificar a função H30 - Reconhecer a predominante (informativa, H29 - Relacionar textos a um importância do patrimônio persuasiva etc.) dos textos, em dado contexto (histórico, lingüístico para a preservação situações específicas de social, político, cultural etc.). da memória e da identidade interlocução. nacionais. 63 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 63 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Ensino Fundamental Língua Estrangeira Moderna, Educação Artística e Educação Física CI - Dominar a norma culta CII - Construir e aplicar da Língua Portuguesa e fazer conceitos das várias áreas do uso das linguagens conhecimento para a matemática, artística e compreensão de fenômenos científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. F7 - Analisar criticamente os diferentes discursos, inclusive H31 - Reconhecer, em textos, H32 - Identificar referências o próprio, desenvolvendo a os procedimentos de persuasão intertextuais. capacidade de avaliação de utilizados pelo autor. textos. H37 - Identificar, em textos de F8 - Reconhecer e valorizar a H36 - Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguagem de seu grupo diferentes gêneros, as lingüísticas (fonéticas, social e as diferentes variedades lingüísticas sociais, morfológicas, sintáticas e variedades do português, regionais e de registro – semânticas) que singularizam procurando combater o (situações de formalidade e as diferentes variedades sociais, preconceito lingüístico. coloquialidade). regionais e de registro. F9 - Usar os conhecimentos adquiridos por meio da H41 - Reconhecer as categorias H42 - Identificar os efeitos de análise lingüística para explicativas básicas dos sentido que resultam da expandir sua capacidade de processos lingüísticos, utilização de determinados uso da linguagem, ampliando demonstrando domínio do recursos lingüísticos. a capacidade de análise léxico da língua. crítica. 64 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 64 11/7/2003, 09:45
    • IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, organizar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos relacionar, interpretar dados e informações conhecimentos desenvolvidos informações representados de representadas em para elaboração de propostas diferentes formas, para tomar diferentes formas e de intervenção solidária na decisões e enfrentar conhecimentos disponíveis realidade, respeitando os situações-problema. em situações concretas, valores humanos e para construir considerando a diversidade argumentação consistente. sociocultural. H35 - Identificar em textos as H33 - Inferir as possíveis H34 - Contrapor interpretações marcas de valores e intenções intenções do autor marcadas de um mesmo fato em que expressam interesses no texto. diferentes textos. políticos, ideológicos e econômicos. H39 - Comparar diferentes H38 - Reconhecer no texto a variedades lingüísticas, H40 - Identificar a relação variedade lingüística adequada verificando sua adequação em entre preconceitos sociais e ao contexto de interlocução. diferentes situações de usos lingüísticos. interlocução. H45 - Reconhecer a H43 - Reconhecer H44 - Identificar em um texto importância da análise pressuposições e subentendidos os mecanismos lingüísticos na lingüística na construção de em um texto. construção da argumentação. uma visão crítica do texto. 65 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 65 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio CI - Dominar a norma culta CII - Construir e aplicar da Língua Portuguesa e fazer conceitos das várias áreas do uso das linguagens conhecimento para a matemática, artística e compreensão de fenômenos científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. M1 - Aplicar as tecnologias da comunicação e da H2 - Identificar os diferentes informação na escola, no H1 - Reconhecer as linguagens recursos das linguagens, trabalho e em outros como elementos integradores utilizados em diferentes contextos relevantes para dos sistemas de comunicação. sistemas de comunicação e sua vida. informação. M2 - Conhecer e usar H7 - Identificar as marcas em língua(s) estrangeira(s) H6 - Reconhecer temas de um texto em LEM que moderna(s) , como moderna(s), textos em LEM e inferir caracterizam sua função e seu instrumento de acesso a sentidos de vocábulos e uso social, bem como seus informações e a outras expressões neles presentes. autores/interlocutores e suas culturas e grupos sociais. intenções. M3 - Compreender e usar a H12 - Reconhecer as linguagem corporal como H11 - Identificar aspectos manifestações corporais de relevante para a própria positivos da utilização de uma movimento como originárias vida, como integradora determinada cultura de de necessidades cotidianas de social e formadora da movimento. um grupo social. identidade. 66 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 66 11/7/2003, 09:45
    • IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, organizar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos relacionar, interpretar dados e informações representadas conhecimentos desenvolvidos informações representados de em diferentes formas e para elaboração de propostas diferentes formas, para tomar conhecimentos disponíveis de intervenção solidária na decisões e enfrentar em situações concretas, realidade, respeitando os situações-problema. para construir valores humanos e argumentação consistente. considerando a diversidade sociocultural. H3 - Recorrer aos H4 - Relacionar informações H5 - Posicionar-se criticamente conhecimentos sobre as sobre os sistemas de sobre os usos sociais que se linguagens dos sistemas de comunicação e informação, fazem das linguagens e dos comunicação e informação considerando sua função sistemas de comunicação e para explicar problemas sociais social. informação. e do mundo do trabalho. H8 - Utilizar os conhecimentos H9 - Identificar e relacionar H10 - Reconhecer criticamente básicos da LEM e de seus informações em um texto em a importância da produção mecanismos como meio de LEM para justificar a posição cultural em LEM como ampliar as possibilidades de de seus autores e representação da diversidade acesso a informações, interlocutores. cultural. tecnologias e culturas. H13 - Analisar criticamente H15 - Reconhecer criticamente H14 - Relacionar informações hábitos corporais do cotidiano a linguagem corporal como veiculadas no cotidiano aos e da vida profissional e meio de integração social, conhecimentos relativos à mobilizar conhecimentos para, considerando os limites de linguagem corporal, se necessário, transformá-los, desempenho e as alternativas atribuindo-lhes um novo em função das necessidades de adaptação para diferentes significado. cinestésicas. indivíduos. 67 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 67 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio CI - Dominar a norma culta CII - Construir e aplicar da Língua Portuguesa e fazer conceitos das várias áreas do uso das linguagens conhecimento para a matemática, artística e compreensão de fenômenos científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. M4 - Compreender a Arte H16 - Identificar, em como saber cultural e H17 - Reconhecer diferentes manifestações culturais estético, gerador de funções da Arte, do trabalho e individuais e/ou coletivas, significação e integrador da produção dos artistas em elementos estéticos, históricos e da organização do mundo seus meios culturais. sociais. e da própria identidade. M5 - Analisar, interpretar e aplicar os recursos expressivos H22 - Distinguir as marcas das linguagens, relacionando H21 - Identificar categorias próprias do texto literário e textos com seus contextos, pertinentes para a análise e estabelecer relações entre o mediante a natureza, função, interpretação do texto literário texto literário e o momento de organização, estrutura das e reconhecer os procedimentos sua produção, situando manifestações, de acordo com de sua construção. aspectos do contexto histórico, as condições de produção e social e político. recepção. M6 - Compreender e usar os sistemas simbólicos das H27 - Identificar os elementos H26 - Reconhecer, em textos linguagens, diferentes linguagens, como que concorrem para a de diferentes gêneros, temas, meios de organização progressão temática e para a macroestruturas, tipos, suportes cognitiva da realidade pela organização e estruturação de textuais, formas e recursos constituição de significados, textos de diferentes gêneros e expressivos. expressão, comunicação e tipos. informação. 68 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 68 11/7/2003, 09:45
    • IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, organizar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos relacionar, interpretar dados e informações conhecimentos desenvolvidos informações representados de representadas em para elaboração de propostas diferentes formas, para tomar diferentes formas e de intervenção solidária na decisões e enfrentar conhecimentos disponíveis realidade, respeitando os situações-problema. em situações concretas, valores humanos e para construir considerando a diversidade argumentação consistente. sociocultural. H20 - Reconhecer o valor da H18 - Utilizar os H19 - Analisar criticamente as diversidade artística e das conhecimentos sobre a relação diversas produções artísticas inter-relações de elementos arte e realidade, para analisar como meio de explicar que se apresentam nas formas de organização de diferentes culturas, padrões de manifestações de vários grupos mundo e de identidades. beleza e preconceitos artísticos. sociais e étnicos. H23 - Relacionar informações H24 - Analisar as intenções sobre concepções artísticas e dos autores na escolha dos H25 - Reconhecer a presença de procedimentos de construção temas, das estruturas, dos valores sociais e humanos do texto literário com os estilos, gêneros discursivos e atualizáveis e permanentes no contextos de produção, para recursos expressivos como patrimônio literário nacional. atribuir significados de leituras procedimentos argumentativos. críticas em diferentes situações. H28 - Analisar a função predominante (informativa, H30 - Reconhecer a persuasiva etc.) dos textos, em H29 - Relacionar textos ao seu importância do patrimônio situações específicas de contexto de produção/recepção lingüístico para a preservação interlocução, e as funções histórico, social, político, da memória e da identidade secundárias, por meio da cultural, estético. nacional. identificação de suas marcas textuais. 69 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 69 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio CI - Dominar a norma culta CII - Construir e aplicar da Língua Portuguesa e fazer conceitos das várias áreas do uso das linguagens conhecimento para a matemática, artística e compreensão de fenômenos científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. H32 – Relacionar, em H31 - Reconhecer, em textos diferentes textos, opiniões, M7 - Confrontar opiniões de diferentes gêneros, recursos temas, assuntos, recursos e pontos de vista sobre as verbais e não-verbais utilizados lingüísticos etc., identificando diferentes linguagens e com a finalidade de criar e o diálogo entre as idéias e o suas manifestações mudar comportamentos e embate dos interesses específicas. hábitos. existentes na sociedade. H36 - Identificar, em textos de H37 - Reconhecer, em textos M8 - Compreender e usar diferentes gêneros, as de diferentes gêneros, as a língua portuguesa como variedades lingüísticas sociais, marcas lingüísticas que língua materna, geradora regionais e de registro, e singularizam as diferentes de significação e reconhecer as categorias variedades e identificar os integradora da explicativas básicas da área, efeitos de sentido resultantes organização do mundo e demonstrando domínio do do uso de determinados da própria identidade. léxico da língua. recursos expressivos. M9 - Entender os princípios/ a natureza/ a função/e o impacto das tecnologias da comunicação e da informação na sua vida pessoal e social, no desenvolvimento do H41 - Reconhecer a função e o H42 - Identificar, pela análise conhecimento, associando-os impacto social das diferentes de suas linguagens, as aos conhecimentos tecnologias de comunicação e tecnologias de comunicação e científicos, às linguagens que informação. informação. lhes dão suporte, às demais tecnologias, aos processos de produção e aos problemas que se propõem solucionar. 70 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 70 11/7/2003, 09:45
    • IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, organizar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos relacionar, interpretar dados e informações representadas conhecimentos desenvolvidos informações representados de em diferentes formas e para elaboração de propostas diferentes formas, para tomar conhecimentos disponíveis de intervenção solidária na decisões e enfrentar em situações concretas, realidade, respeitando os situações-problema. para construir valores humanos e argumentação consistente. considerando a diversidade sociocultural. H34 - Reconhecer no texto H33 - Inferir em um texto, os H35 - Reconhecer que uma estratégias argumentativas objetivos de seu produtor e intervenção social consistente empregadas para o seu público-alvo, pela exige uma análise crítica das convencimento do público, tais identificação e análise dos diferentes posições expressas como a intimidação, sedução, procedimentos argumentativos pelos diversos agentes sociais comoção, chantagem, entre utilizados. sobre um mesmo fato. outras. H38 - Identificar pressupostos, H40 - Identificar a relação subentendidos e implícitos H39 - Analisar, em um texto, entre preconceitos sociais e presentes em um texto ou os mecanismos lingüísticos usos da língua, construindo, a associados ao uso de uma utilizados na construção da partir da análise lingüística, variedade lingüística em um argumentação. uma visão crítica sobre a contexto específico. variação social e regional. H43 - Associar as tecnologias H44 - Relacionar as H45 - Reconhecer o poder das de comunicação e de tecnologias de comunicação e tecnologias de comunicação informação aos conhecimentos informação ao como formas de aproximação científicos, aos processos de desenvolvimento das entre pessoas/povos, de produção e aos problemas sociedades e ao conhecimento organização e diferenciação sociais. que elas produzem. social. 71 LÌngua Portuguesa 39-71.pmd 71 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física 72 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 72 11/7/2003, 09:45
    • V. Orientação para o trabalho do professor Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Educação Física e Educação Artística Ensino Fundamental Capítulos I ao IX Neste capítulo, são apresentadas sugestões de trabalho para que o professor possa orientar-se no sentido de favorecer aos seus alunos o desenvolvimento das competências e habilidades que estruturam a avaliação do ENCCEJA – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Educação Artística Fundamental. e Educação Física – Ensino Fundamental Este texto complementa o material de orientação de estudos dos alunos e ambos podem ganhar seu real significado se incorporados à experiência do professor e à bibliografia didática já consagrada nessa área. 73 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 73 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física 74 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 74 11/7/2003, 09:45
    • RECONHECER AS LINGUAGENS COMO ELEMENTOS Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, INTEGRADORES DOS SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO E Educação Artística e Educação Física Ensino Fundamental - Capítulo I CONSTRUIR UMA CONSCIÊNCIA CRÍTICA SOBRE OS USOS QUE SE FAZEM DELAS. Interligando as linguagens Cleuza Pelá O homem, em sociedade, foi se produção e análise de textos, uma desenvolvendo naturalmente como um reflexão por parte do estudante acerca ser falante e ouvinte que interage com o das diferentes linguagens e suas outro, utilizando-se de linguagem verbal combinações, para que ele seja capaz de e não verbal, por meios sonoros, visuais, verificar como elas se integram em gráficos e eletrônicos. situações de comunicação interativa, É fato que o homem já “lia” o mundo e possibilitando uma leitura crítica de interpretava sua realidade desde os seus usos. princípios dos tempos. E que, para se comunicar, expressar-se e interagir com DESENVOLVENDO A seu semelhante, não usava apenas a fala, COMPETÊNCIA mas várias formas de expressão: a Nesses termos, na primeira parte do gestual e até as pinturas nas cavernas. capítulo, introduzimos a linguagem No entanto, após a invenção da escrita, verbal e suas modalidades, oral/falada e essas ações e, principalmente, a ação de escrita, considerando as antigas e as ler, assumiram uma outra configuração. novas tecnologias (oral/impressa/ Essa nova prática gerou registros de microeletrônica). Nessa parte, discutir conhecimentos e saberes distintos das com o estudante o aparecimento e o uso formas de comunicação e de interação já restrito da escrita, de um lado, e o uso existentes e, aos poucos, transformou o predominante da fala, de outro, pode ser mundo, o próprio homem e suas formas uma opção de trabalho. Além disso, de pensar e de representar a realidade, de comentar que a fala e a escrita estão se comunicar e de interagir. interligadas – porém, que cada uma Considerando isso, o capítulo possui suas características específicas – é Interligando as linguagens tem por fim outro aspecto importante. Peça que dois provocar, por meio de “conversa”, leitura, estudantes conversem sobre os fatos do 75 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 75 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física final de semana e que um terceiro anote empreendimento. Chamamos a atenção exatamente o que é ouvido. Depois, para os recursos metalingüísticos, os solicite que compare as anotações com expressivos e os poéticos. um diálogo literário. Isso ajuda a Na quarta parte, Realidade, Palavras, observar as especificidades das duas Imagem e Ação, introduzimos uma deixa modalidades. para refletir sobre a influência da TV na Nesse ínterim, outra atividade produtiva é vida das pessoas, especificando alguns falar também da linguagem falada-escrita suportes materiais e gêneros de texto. (virtual) da tela do computador e das Selecionamos o suporte televisão e, nele, diferenças entre ela e a escrita impressa os gêneros telenovelas, reality shows e no papel. Discuta a relação entre propaganda. interlocutores e as condições de produção A programação da TV oferece vários do texto real versus o virtual; a mistura gêneros de textos, possibilitando, dessa de aspectos da escrita e da fala e outros forma, muitas atividades. Assim, discuta as caracteres como, por exemplo, aqueles condições de produção do texto televisivo e usados nas salas de bate-papo da Internet mostre que este não se dá na linearidade (emoticons = emotion+ícones). Isso vai seqüencial, mas se concretiza por imagens possibilitar leituras compartilhadas e de dadas simultaneamente e que, portanto, reconhecimento, comparação, discussão, exige um outro tipo de operação mental, além de muitos debates. diferente da necessária para os textos Na segunda parte do capítulo, escrito e falado. Essa atividade permite Linguagens e Formas de Expressão, debater os modos de ver e de sentir o apresentamos ilustrações com a mundo e o quanto esses modos estão finalidade de mostrar que existem outros mudando, em função das novas tecnologias tipos de linguagem, além da verbal, e que aparecem a cada segundo. Converse que há outras formas de expressão, fora também sobre os textos veiculados pelos a falada e a escrita. Que tal conversar telejornais , os programas de auditório... com os professores das disciplinas de Sobre os modismos televisivos, promova Artes e Educação Física, por exemplo, e atividades de leitura televisual e organizar um projeto sobre as discussões acerca do voyeurismo - o “Linguagens e Formas de Expressão da quanto o flagrante de conversas Comunidade”? Verifique se há feiras de comprometedoras (lembrar os “grampos” artesanato local e se há danças e no Congresso, nos bancos e escritórios literatura (Cordel) típicas da região. públicos e privados) pode ajudar a Na terceira parte, Distinguindo os entender a realidade brasileira, seus Recursos das Linguagens, procuramos costumes, comportamentos e os limites observar a finalidade de alguns textos e de liberdade dados ao povo. os recursos lingüísticos usados para tal Televisão Propaganda Telejornais Assista ao filme Zoando na Veja os filmes Sábado, de Ugo O filme Bem-vindo a Sarajevo, TV, de José Alvarenga Jr., Giorgetti, 85min. e de Michael W. Bottom, 102min., 83min. Dá para discutir a Do que as mulheres gostam, de é baseado em fatos reais. Nele, programação da TV (comerciais, Nancy Meyes, 126min. Ambos temos o jornalismo programas de auditório, tratam de propagandas. internacional, o correspondente dramalhões etc.). de guerra e a produção da 76 notícia. LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 76 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor Na parte A Rádio EJA está no fundamental nos dias de hoje. Por aaarrrrrr, tomamos a programação de exemplo, se houver possibilidade, rádio . Que tal você apresentar alguns propicie ao estudante uma visita a um flashes da história do rádio no Brasil e site na Internet. Permita-lhe verificar no mundo com a finalidade de como a tela está dividida e a infinidade sensibilizar os alunos a quererem saber de informações apresentadas e os mais sobre esse meio de comunicação recursos que o site oferece para que haja ainda tão usado! uma interação satisfatória com o Afora esse tema, a linguagem de rádio e visitante. Tudo isso já é uma forma de seu público ouvinte é um outro ponto fazê-lo entender como pode ter sido que pode ser desenvolvido. Se for imaginada a “navegação”, a fim de tê-lo possível, visite uma emissora de rádio e sempre como visitante. verifique os recursos necessários para a Além disso, ver como as informações montagem de uma rádio na escola. são divulgadas, se elas estão de acordo Dessa maneira, o estudante terá um com as necessidades do visitante e da suporte real para o qual poderá produzir empresa “hospedeira”, se há links para textos escritos ou falados. outras páginas que ajudem a analisar os Na parte final, falamos de situações de tipos de oportunidades que estão sendo comunicação específicas, envolvendo um usados para “vender” serviços e novo suporte tecnológico produtos, além das informações que o (microcomputador). Usar as novas estudante está procurando. Por fim, tecnologias e as novas formas de verifique com ele quais as estratégias organização da informação a favor do que garantem ao visitante o retorno a tal ensino da leitura e da escrita é página (dinamismo e atualização de informações...). BIBLIOGRAFIA ASSUMPÇÃO, Z. A. de. Radioescola: uma proposta para o ensino de primeiro grau. São Paulo: Annablume, 1999. (Selo universidade. Comunicação, v. 108). BARZOTTO, V. H. (Org.). Estado de leitura. Campinas: Mercado de Letras, 1999. CITELLI, A. (Coord.). Outras linguagens na escola: publicidade, cinema e TV, rádio, jogos, informática. São Paulo: Cortez, 2000. 253 p. (Coleção aprender e ensinar com texto, v 6). KOCH, I. V. A inter-ação pela linguagem. 2 ed. São Paulo: Contexto, 1995. (Repensando a língua portuguesa). Programação de rádio Organização da informação O filme Sintonia de amor, de Nora Ephron, 101min, O filme Matrix, de The Wachowski Brothers, 136min, aborda a influência do rádio na vida das pessoas. pode ser usado para debater a tecnologia e as imagens que o ser humano constrói da realidade. 77 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 77 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física LÉVY, P. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na área da informática. Rio Janeiro: Ed. 34, 1993. 203 p. (Coleção Trans). Tradução de Carlos Irineu da Costa. MARCONDES, B. MENEZES, G.; TOSHIMITSU, T. Como usar outras linguagens na sala de aula. São Paulo: Contexto, c2000. 151p. (Como usar na sala de aula). MARCONDES FILHO, C. Televisão: a vida pelo vídeo. 15.ed. São Paulo: Moderna. 119p. (Polêmica). NAPOLITANO, M. Como usar a televisão na sala de aula. 2.ed. São Paulo: Contexto, 2001. 137p. (Como usar na sala de aula). SEVERINO, A. J. A Internet como fonte de pesquisa. In.:______. Metodologia do trabalho científico. 21. ed. rev. ampl. São Paulo: Cortez, 2000. 78 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 78 11/7/2003, 09:45
    • CONSTRUIR UM CONHECIMENTO SOBRE A ORGANIZAÇÃO Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Educação Artística e Educação Física DO TEXTO EM LEM E APLICÁ-LO EM DIFERENTES Ensino Fundamental - Capítulo II SITUAÇÕES DE COMUNICAÇÃO, TENDO POR BASE OS CONHECIMENTOS DE LÍNGUA MATERNA. Compreendendo as línguas estrangeiras Márcia Lygia Ribeiro de Souza Casarin Muito se tem discutido a respeito da A base de todas as línguas é a validade e abrangência da presença de linguagem humana, os assuntos são línguas estrangeiras modernas no universais e as convenções estabelecidas contexto brasileiro. Posto que são para os diferentes tipos de texto são incontestáveis os efeitos da globalização, semelhantes. Um aluno que está consideramos de extrema pertinência aprendendo a trabalhar com textos em instrumentar a faixa populacional em português deverá ser capaz de transferir defasagem em seu processo educacional, as habilidades adquiridas para textos em para que se melhore a sua condição de outras línguas. cidadão atuante. Com o intuito de Os objetivos gerais de língua estrangeira ampliar as formas de inserção, procede- para o Ensino Fundamental, de acordo se à busca de elementos que possam com os Parâmetros Curriculares de contribuir significativamente para isso. Língua Estrangeira, priorizam a Instigar um processo de reconhecimento sensibilização do aluno para o contexto da presença de outras línguas no contexto multilíngüe e multicultural no qual está nacional, além da materna, é condição inserido. O professor deve participar essencial para conduzir um indivíduo à ativamente desse processo, criando percepção e ao reconhecimento da oportunidades para que o aluno possa existência de valores humanos e construir seu conhecimento a respeito socioculturais diferentes dos seus. das diferentes culturas e línguas. O capítulo para o estudante visa à O objetivo deste capítulo é o de lhe construção de um conhecimento sobre a oferecer subsídios práticos que possam organização de textos em língua garantir uma atuação significativa no estrangeira e à sua aplicação em processo de aprendizado de seus alunos, diferentes situações de comunicação, levando-os a realizar as atividades com tendo como ponto de partida a língua responsabilidade e otimismo. portuguesa. 79 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 79 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física Recomendamos que o primeiro passo Fundamental. Cada atividade é seja abordar a diversidade cultural e precedida por uma curta introdução, lingüística presente na formação da cujo objetivo é explicitar ao estudante o nação brasileira, propiciando o aspecto a ser trabalhado. Em seguida, reconhecimento da contribuição dos por meio de um roteiro de leitura diferentes povos, fazendo a reflexão sobre orientada, o estudante é levado a ativar as imigrações no Brasil e seu papel na seus recursos de leitura, na tentativa de nossa história de país colonizado. ler os textos trabalhados. Algumas Sugerimos como introdução ao assunto informações e questões de múltipla um poema de autoria de Alberto Martins, escolha são apresentadas ao final de intitulado A floresta e o estrangeiro, do cada atividade. qual transcrevemos dois trechos: As atividades propostas têm como meta Estrangeiro é quem / mudou de país / ensinar o estudante a: mudou de paisagem / e fez da viagem • Identificar recursos verbais e não- / um modo de estar. verbais na organização de um texto Quem deixou para trás / o que em LEM (Gusella). tinha pela frente. • Inferir a função de um texto em LEM Quem era igual / e se tornou diferente. pela interpretação de elementos da sua ................................................................................................................................. organização (Turk’s Pizza). Como dizer / bom-dia, boa noite, / • Atribuir um sentido previsível a um até-logo, obrigado, texto em LEM presente em situação da vida social e do mundo do trabalho Se em cada lugar / as palavras (Formulários). mudam / de som e de significado? • Identificar a função argumentativa do Dia é day, / mas também é jour e uso de determinados termos e giorno, / também é dienh e dag, expressões de outras línguas no Brasil gün, lá, yom, päivä, / e pode até ser (Lance). ... • Reconhecer os valores culturais representados em outras línguas e suas DESENVOLVENDO A relações com a língua materna COMPETÊNCIA (Convite de casamento). As atividades propostas estão diretamente relacionadas às competências e habilidades especificadas na matriz – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Educação Artística e Educação Física – Ensino 80 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 80 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor BIBLIOGRAFIA CATANZARO, Wladimir. Projeto caixa populi: japoneses, judeus, chineses, coreanos, latino-americanos e europeus ocidentais. São Paulo: Caixa Econômica Federal, 2000. 76 p. ILARI, Rodolfo. Introdução ao estudo do léxico: brincando com as palavras. São Paulo: Contexto, 2002. MARTINS, Alberto. A floresta e o estrangeiro: poema de Alberto Martins a partir de aquarelas e guaches de Lasar Segall. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2000. NARLOCH, Leandro. As línguas do Brasil. Superinteressante, São Paulo, n. 175, p. 24, abr. 2002. FONTES VARIADAS - Jornais e revistas estrangeiras como Science & Vie, Cosmopolitan, Elle, Nuevo Estilo. - Anúncios de jornal, folhetos de propaganda. - Manuais de instrução, manuais de informática. - Anúncios e folhetos de imóveis. - Bulas de remédio, indicações de uso de produtos químicos. - Receitas culinárias, jardinagem. - Roteiros turísticos e culturais (exposições, museus), mapas, guias. - Histórias em quadrinhos, artigos de jornais ou revistas. - Músicas e poemas, cartões postais. - Formulários diversos, cartas comerciais. SITES NA INTERNET Disponível em: <http://www.cuisineetvinsdefrance.com>. Disponível em: <http://www.ffcook.com/pages/dmenus-p.htm>. Disponível em: <http://mexico.udg.mx/cocina>. Disponível em: <http://www.mangiarebene.com>. Disponível em: <http://www.themenumaker.com/MenuSamples.html>. Disponível em: <http://www.ucomics.com/comics/>. Disponível em: <http://www.tourism.ede.org/>. Disponível em: <http://www.pbs.org/wnet/goingplaces3/>. Disponível em: <http://www.chinese.usagreetings.com/>. Disponível em: <http://www.beatlelyrics.com/>. Disponível em: <http://school.discovery.com/schrockguide/holidays.html>. 81 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 81 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física Disponível em: <http://www.ebookers.com/holidays/ Disponível em: <http://www.rockinwoman.com/group.html Disponível em: <http://www.efriends.pnet.pl/ Disponível em: <http://www.intramall.co.za/international/pages/ 82 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 82 11/7/2003, 09:45
    • COMPREENDER A ARTE E A CULTURA CORPORAL COMO FATO Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Educação Artística e Educação Física HISTÓRICO CONTEXTUALIZADO NAS DIVERSAS CULTURAS, Ensino Fundamental - Capítulo III CONHECENDO E RESPEITANDO O PATRIMÔNIO CULTURAL, COM BASE NA IDENTIFICAÇÃO DE PADRÕES ESTÉTICOS E CINESTÉSICOS DE DIFERENTES GRUPOS SOCIOCULTURAIS. Corpo e sociedade Isabel A. Marques Compreender a arte e a cultura corporal manifestações artísticas, no esporte, nos como fato histórico contextualizado nas jogos, nas brincadeiras, no trabalho e diferentes culturas, conhecendo e nas cerimônias e cultos religiosos é respeitando o patrimônio cultural, com histórico, coletivo e estabelece base na identificação de padrões estéticos comunicação. É por isso que, através de de diferentes grupos socioculturais. suas diversas identidades e A linguagem corporal – expressão e manifestações, o corpo em movimento construção humana – relaciona-se, tem sido alvo de controle, de consumo e diretamente, com as questões do homem de uso, mas também de consciência e contemporâneo, sendo exemplo libertação. paradigmático da diferença, da O conhecimento do corpo e da arte em multiplicidade, do movimento e da sociedade requer não somente um olhar historicidade. É primeiramente pelo para si, mas, principalmente, um olhar corpo que descobrimos e aprendemos para o outro, para o coletivo, para as que somos diferentes, únicos, e, ainda, esferas sociais, políticas e culturais que pertencentes a um ou mais grupos constroem o corpo individual. sociais e culturais. Portanto, a tarefa de Estudar as relações entre corpo e conhecer as relações entre corpo, arte e sociedade nos dias de hoje é sociedade inscreve-se no processo de compreender com mais amplitude e educação permanente voltada à profundidade as diversas relações que se educação de jovens e adultos. estabelecem entre os indivíduos de O corpo, primeira forma de visibilidade diferentes idades, crenças, religiões, humana, é também meio para que o espaços geográficos e etnias. Estudos indivíduo coloque em evidência sua recentes sobre o corpo apontam para a força, suas vontades, suas crenças. O necessidade de compreendê-lo como corpo, presente nas ações cotidianas, nas vida, identidade, expressão e 83 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 83 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física comunicação individual e coletiva do 8. Corpo e movimento na expressão ser humano e, portanto, como elemento artística: dança, música, teatro, fundamental para uma participação público. crítica e consciente em sociedade. 9. Corpo na TV, nas revistas e nos O uso cotidiano do corpo e a falta de jornais. consciência sobre si mesmo fazem com DESENVOLVENDO A que somente os aspectos funcionais do COMPETÊNCIA corpo sejam conhecidos, mas nem sempre apreciados em sua identidade, Destacamos as seguintes habilidades: história e manifestação cultural e social. • Identificar, em manifestações culturais, Para o senso comum, o corpo é um elementos históricos instrumento, algo que “temos” e que e sociais. “executa” as tarefas cotidianas. O corpo • Identificar as mudanças ou em movimento raramente é permanências de padrões estéticos compreendido como aquilo que “somos”, e/ou cinestésicos em diferentes aquilo que pode escolher, optar e contextos históricos e sociais. transformar situações e relações. • Comparar manifestações estéticas Portanto, conhecer, refletir e discutir as e/ou cinestésicas em diferentes relações entre corpo, suas manifestações contextos. culturais e sociais, sua participação no • Analisar, nas diferentes manifestações trabalho faz com que possamos sair culturais, os fatores de construção de desse senso comum em relação ao corpo, identidade e de estabelecimento de visitando-o como construção social, diferenças sociais e históricas. expressão e comunicação humanas. • Posicionar-se, criticamente, sobre os O que o aluno vai encontrar neste capítulo? valores sociais expressos nas 1. As emoções, gostos e idéias que se manifestações culturais: padrões de manifestam pelo corpo. beleza, caracterizações estereotipadas e 2. Nossa história, nosso corpo. preconceitos. 3. Nosso tempo, nosso corpo. As habilidades estão relacionadas à: 4. Elementos do movimento humano: • Identificação e observação dos o que, onde, como, quem, com quem elementos do movimento humano nas ou com que se move. diversas atividades corporais 5. Corpo, movimento e contexto. (cotidianas, de lazer, arte e trabalho). 6. Convenções e códigos de comunicação • Percepção do movimento próprio, do pelo movimento. movimento do outro ou do movimento 7. Movimento e atividades de lazer: de um grupo e suas relações culturais, jogos e brincadeiras, dança. sociais e políticas. 84 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 84 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor • Observação, análise e experimentação • Entrevistar pessoas mais velhas e mais do corpo em movimento presente nas novas sobre suas atividades de lazer manifestações artísticas e nas que envolvem o corpo, compará-las e diferentes linguagens da arte, em seus discuti-las. aspectos de fruição, participação, • Assistir a espetáculos, festas, eventos, construção, contextualização participando do movimento sugerido e reflexão. pelos artistas. Ensinar aos colegas, • Identificação de diversas formas de refazendo a dança. comunicação não verbal presentes nos • Recortar em jornais e revistas fotos de diversos corpos que vivem pessoas e discutir os diferentes padrões em sociedade. de corpo, modelos e padrões de beleza. Sugerimos algumas atividades: • Criar danças diferentes para músicas já • Observar, sistematicamente, o conhecidas, assistir e discutir. movimento humano em casa, na rua, na escola e no trabalho. • Conhecer as atividades corporais cotidianas e as de lazer dos alunos, compará-las e discuti-las. BIBLIOGRAFIA BRUHNS, H.; GUTIEREZ, L. O corpo e o lúdico: ciclo de debates: lazer e motricidade. Campinas: Autores Associados, 2000. 112 p. (Educação Física e Esportes). COLL, C.; TEBEROSKY, Ana. Aprendendo arte: conteúdos essencias para o ensino fundamental. São Paulo: Ática, 2000. 256 p. (Coleção Aprendendo). FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979. xxvi, 296 p. (Biblioteca de Filosofia e História das Ciências). Tradução de Roberto Machado. JOHNSON, D. Corpo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990. 263 p. (Corpo e análise). Tradução de Adauri Bastos. LABAN, R. Domínio do movimento. São Paulo: Summus, 1978. 268 p. Tradução de Ana Maria Bastos de Vecchio, Maria Silvia Mourão Netto. LABAN, R. Dança educativa moderna. São Paulo: Ícone, 1990. 128 p. Ed. corr. ampl. por Lisa Ullmann. Tradução de Maria da Conceição Parahyba Campos. MARQUES, I. Ensino de dança hoje: textos e contextos. São Paulo: Cortez, 1999. 126 p. 85 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 85 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física SANT´ANNA, D. (Org.). Políticas do corpo: elementos para uma história das práticas corporais. São Paulo: Estação Liberdade, 1995. 190 p. Tradução de Mariluce Moura. SPOLIN, V. O jogo teatral no livro do professor. São Paulo: Perspectiva, 1999. 154 p. Tradução de Ingrid Dormien, Koudela e Eduardo Amos. 86 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 86 11/7/2003, 09:45
    • COMPREENDER AS RELAÇÕES ENTRE ARTE E A LEITURA Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Educação Artística e Educação Física DA REALIDADE, POR MEIO DA REFLEXÃO E INVESTIGAÇÃO Ensino Fundamental - Capítulo IV DO PROCESSO ARTÍSTICO E DO RECONHECIMENTO DOS MATERIAIS E PROCEDIMENTOS USADOS NO CONTEXTO CULTURAL DE PRODUÇÃO DA ARTE. Arte: olhos para a vida Marta Arantes A área de arte, no Ensino Fundamental, Compreendendo a arte como processo de é de grande importância para o aluno revelação e decifração, as atividades compreender as diferentes funções da educativas aqui propostas procuram arte e refletir sobre elas. As explicitar as relações entre a arte e a leitura possibilidades de trabalho apresentadas da realidade. Os textos e os conceitos no material contribuem para que a arte buscam articular algumas linguagens não figure apenas como lazer, mas como artísticas, de forma a enriquecer o repertório área do conhecimento. O estudante, artístico do estudante. vivenciando processos artísticos, DESENVOLVENDO A conhecendo e afinando o olhar para a COMPETÊNCIA arte e suas linguagens (artes visuais, dança, música e teatro) irá valorizá-la • Identificar produtos e procedimentos como forma de compreender o mundo e artísticos expressos nas várias inserir-se nele. linguagens. • Reconhecer diferentes padrões O conhecimento das concepções estéticas artísticos, associando-os ao seu presentes na história de diferentes contexto de produção. culturas e etnias abre caminhos para um “pensar em arte”, apresentando opções • Utilizar os conhecimentos sobre a para que o aluno possa refletir e relação entre arte e realidade, para atribuir um sentido para uma construir seu conhecimento com um obra artística. olhar sensível, atento, aberto à variedade cultural, de forma a quebrar preconceitos • Relacionar os sentidos de uma obra e transpor as barreiras do senso comum, artística a possíveis leituras dessa ampliando a visão estética e crítica do obra, em diferentes épocas. seu país e do mundo. • Reconhecer a obra de arte como fator de promoção dos direitos e valores humanos. 87 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 87 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física As habilidades estão relacionadas ao tradições, criação de movimentos seguintes conteúdos: corporais, improvisação e composição • Identificação de diferentes linguagens com movimentos de dança, interpretação artísticas (artes visuais, dança, música, pessoal e coletiva das danças. teatro). Música – Trabalho com diferentes músicas • Leitura e produção de obras e seus e sons, canto, execução e construção de autores nas várias linguagens da arte, instrumentos; pesquisa sonora do estabelecendo padrões estéticos e ambiente, improviso, composição, artísticos e suas possíveis associações interpretação e realização de registros com o cotidiano e a realidade. gráficos das criações musicais. Apreciação de obras musicais de diferentes estilos, • Utilização dos conhecimentos da contextualizando-as no tempo e no história da arte para contextualização espaço. das produções artísticas nacionais e internacionais, situando-as no tempo e Teatro – Trabalho com jogos teatrais, no espaço. mímica, improvisações com cenas cotidianas, imitações, construção de • Reconhecimento das relações entre a personagens, leitura de textos teatrais e arte e as diversas culturas e suas produção de textos do próprio grupo, a formas de produção: como reconhecê- partir de improvisações. Interpretação las, relacionando-as aos valores pessoal e coletiva das atividades humanos. propostas. As atividades devem estar norteadas Lembrar nas atividades artísticas a serem pelos três eixos de aprendizagem na área desenvolvidas, que elas necessitam de de Arte: apreciar produzir e apreciar, um eixo articulador que integre contextualizar não necessariamente contextualizar, experiências individuais, coletivas e nessa ordem. sociais. Artes visuais – Leitura e apreciação da Estabelecer parcerias com museus e casas reprodução de diversas obras de artes de cultura desencadeiam processos visuais. Produção de pintura, colagem, educativos diferenciados, criando impressão, escultura e desenho, situações de ensino-aprendizagem que utilizando diversos suportes e materiais. contribuem e ampliam as possibilidades Se possível, uso de fotografia ou vídeo de conhecimento do professor e do aluno. para realizar produções. O contato direto com a arte em ruas, Dança – Realização de oficinas com praças, galerias, teatros e apresentações atividades corporais cotidianas, danças artísticas diversas desenvolvem a populares conhecidas por meio de autoconfiança e estimulam os alunos a freqüentar, espontaneamente, esses locais, além de envolverem valores culturais, sociais e de lazer. 88 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 88 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor BIBLIOGRAFIA ALMANAQUE ABRIL 2001. Brasil. 27. ed. São Paulo: Abril, 2002. 385 p. BARBOSA, A. M. T. B. Recorte e colagem: influências do John Dewey no ensino da arte no Brasil. São Paulo: Cortez, 2002. 136 p. (Educação contemporânea). BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Ensino Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino fundamental: 5ª a 8ª série. Brasília, DF: MEC, 1997. ______. Proposta curricular para educação de jovens e adultos: 2º segmento do ensino fundamental: 5ª a 8ª série. Brasília, MEC, 2002. COLL, C.; TEBEROSKY, A. Aprendendo arte. São Paulo: Ática, 2000. 256 p. (Coleção Aprendendo). FERNANDES, I. M. B. Á. Artes do festejar e brincar. São Paulo: Cenpec, 2001. (A arte é de todos). FERRAZ, M. H. C. T.; FUSARI, M. F. R. Metodologia do ensino da arte. São Paulo: Cortez, 1993. 135 p. (Coleção magistério 2º grau. Série formação do professor). HERNÁNDEZ, F. Cultura visual: mudança educativa e projeto de trabalho. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000. 261 p. Tradução de Jussara Haubert Rodrigues. MARTINS, M. C.; PICOSQUE, G.; GUERRA, M. T. Telles. Didática do ensino da arte a língua do mundo. São Paulo: FDT, 1998. 197 p. (Conteúdo & Metodologia Ensino de Arte). SITES NA INTERNET Disponível em: <http://www.minc.gov.br MINC/>. Disponível em: <http://www.mec.gov.br/sef/jovem MEC/>. Disponível em: <http://www.mec.br/seed/tvescola/publicacoes MEC/>. Disponível em: <http://www.uol.com.br/bienal.>. Disponível em: <http://www.mec.gov.br/seed/tvescola MEC/Secretaria de Educação a Distância/TV escola/publicações>. Disponível em: <http://www.itaucultural.org.br>. 89 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 89 11/7/2003, 09:45
    • 90 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 90 11/7/2003, 09:45
    • COMPREENDER AS RELAÇÕES ENTRE O TEXTO LITERÁRIO E O Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Educação Artística e Educação Física CONTEXTO HISTÓRICO, SOCIAL, POLÍTICO E CULTURAL, Ensino Fundamental - Capítulo V VALORIZANDO A LITERATURA COMO PATRIMÔNIO NACIONAL. Ler e viver o texto literário Cláudio Bazzoni A linguagem literária é eminentemente verso e em prosa, de autores conotativa e, por isso, está contemporâneos e de autores antigos. Há intrinsecamente associada ao universo também atividades com textos da cultural dos falantes, prendendo-se às tradição popular. Acreditamos que essa diferenças socioculturais e ao processo diversidade permite que o aluno vivencie de desenvolvimento da cultura. e compare distintas manifestações Literatura é vida e, por força de sua literárias de diferentes épocas e perceba, natureza criadora e fundadora, pode assim, o valor da literatura como configurar-se como espelho ou como patrimônio da humanidade. denúncia, como conservadora ou como O trabalho com o texto literário é transformadora. Textos foram criados fundamental em um curso de Língua em todas as épocas e lugares e quanto Portuguesa. O texto literário, por ser mais conhecemos esses textos, mais pensado artisticamente, instaura o Belo, ampliamos a nossa experiência e visão fazendo com que os alunos se aproximem do mundo. da emoção estética, valorizem e Para que o estudante do Ensino aprendam a amar o ato de ler. Fundamental perceba a dimensão do O que seu aluno vai encontrar no texto literário e suas implicações capítulo? históricas, é decisivo que tenha claro, 1. Diferença entre textos literários e não antes de tudo, o que é um texto literário. literários. Por isso, optamos por propor atividades 2. Definição de texto literário. que levem o aluno a conhecer, construir sentidos e vivenciar a literatura. 3. Abordagem do texto literário Partindo da idéia de que é a ficção que a. em versos; distingue o texto literário dos outros b. em prosa. textos, procuramos escolher textos em 4. Comparação entre textos. 91 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 91 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física 5. Níveis de significação da palavra: verso) e inferir seus sentidos. Nas denotação e conotação. manifestações em prosa, o estudante 6. Identificação do tema do texto. deve perceber o sentido “por trás” da história. Depois que o aluno já sabe o 7. Compreensão da literatura como que é texto literário e já o vivenciou, memória da humanidade. podemos aprofundar conteúdos mais específicos da linguagem literária e DESENVOLVENDO A verificar a aplicação deles. COMPETÊNCIA 3. Estabelecer a distinção (essencial) As habilidades destacadas foram: entre denotação e conotação. • Identificar categorias pertinentes para 4. Evidenciar o tema do texto. Graças ao . análise e interpretação do tema podemos organizar, categorizar tema, texto literário. e ordenar a realidade. Todo texto tem • Reconhecer os procedimentos de um nível temático subjacente. O leitor construção do texto literário. ingênuo não é capaz de perceber as • Utilizar os conhecimentos sobre a abstrações que estão sob os termos construção do texto literário para concretos. atribuir-lhe um sentido. 5. Reconhecer que a literatura amplia • Identificar, em um texto literário, as nossa experiência e visão do relações entre tema, estilo e contexto mundo. O aluno deve perceber a histórico de produção. intertextualidade e vivenciar a idéia • Reconhecer a importância do de que a literatura é “voz” de patrimônio literário para a uma época. preservação da memória e da Além dos conteúdos e atividades identidade nacionais. apresentados no capítulo, relacionam-se As habilidades estão relacionadas aos abaixo alguns conteúdos e propostas de seguintes conteúdos: atividades que permitem explorar mais intensamente o texto literário: 1. Identificar algumas categorias de análise do texto literário. Para 1. Conteúdos “identificar categorias”, o estudante a) Estudo das figuras de linguagem: tem de reconhecer e distinguir o toque figuras de palavra (comparação poético e ficcional dos textos simples, comparação metafórica, literários. metáfora, metonímia); figuras de 2. Reconhecer os procedimentos de construção (elipse, anáfora, construção do texto literário. Nos pleonasmo), figuras de pensamento textos em verso, o estudante deve (antítese, ironia, eufemismo, observar a posição da palavra (no prosopopéia). 92 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 92 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor b) Estudo dos gêneros literários: o lírico, Sugerimos as seguintes atividades: o épico e o dramático, que se a) Propor que os estudantes criem configuram em manifestações como o comparações simples e metafóricas poema, o romance, o conto, a novela, com palavras, para que percebam que a crônica, a tragédia, a comédia etc. é a subjetividade que torna a c) Estudo aprofundado de comparação metafórica diferente da intertextualidade: o texto literário simples. envolve um diálogo de vários textos, b) Assistir a filmes como O carteiro e o que se dá em dois níveis: o da palavra poeta, que relata a história de um (que pertence ao mesmo tempo a carteiro que muda a maneira de olhar quem escreve e ao destinatário) e o do as coisas depois que a poesia invade corpus literário (anterior ou sua vida. contemporâneo). c) Promover leituras coletivas de textos literários: recitação de poemas, roda de histórias etc. d) Estimular a criação de textos literários: organizar concursos de poesia, de contos, de crônicas etc. BIBLIOGRAFIA CANDIDO, A. Vários escritos. São Paulo: Duas Cidades, 1995. BANDEIRA, M. Seleta em prosa e verso. 3. ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1975. 385 p. CHIAPPINI, L. (Coord.). Gêneros do discurso na escola: mito, conto, cordel, discurso político, divulgação científica. São Paulo: Cortez, 2000. 269 p. (Coleção Aprender e Ensinar com textos, v. 5). MICHELETTI, G. (Coord.). Leitura e construção do real: o lugar da poesia e da ficção. São Paulo: Cortez, 2000. 128 p. (Coleção Aprender e Ensinar com texto, v. 4). KOCH, I. V. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 2001. LYRA, P. Conceito de poesia. São Paulo: Ática, 1986. 96 p. (Série Princípios, 57). FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 1996. 416 p. PROENÇA FILHO, D. A linguagem literária. 3. ed. São Paulo: Ática, 1990. 88 p. (Princípios, 49). 93 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 93 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física 94 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 94 11/7/2003, 09:45
    • UTILIZAR A LÍNGUA MATERNA PARA ESTRUTURAR A Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Educação Artística e Educação Física EXPERIÊNCIA E EXPLICAR A REALIDADE. Ensino Fundamental - Capítulo VI Gêneros de texto: temas, formas, recursos e suportes Alfredina Nery e Maria José Nóbrega Na vida em sociedade, participamos de reflexões que se produzem sobre o estar várias situações de comunicação - no mundo não só a partir das falando, ouvindo, lendo, escrevendo - e, experiências vividas mas também para isso, usamos diferentes gêneros de daquelas “vividas de segunda mão”, por textos. Lemos uma notícia de jornal, meio de documentos e produtos culturais. esperando saber determinados O aluno vai encontrar no capítulo: acontecimentos do cotidiano. O que é gênero de texto? Escrevemos uma carta pessoal para, por exemplo, falar de nós para um amigo, • Provérbios. parente ou namorado que está distante. • Fábula. Cada gênero de texto possui seus • Tira de jornal. elementos de composição, forma, Que texto escolher? Gêneros e suportes recursos expressivos, temas e suportes. • Bilhete. É por intermédio da língua que se toma • Carta. contato com as representações construídas pelas várias áreas do • Diário. conhecimento. Pensamentos próprios e Como identificamos os gêneros de texto? alheios são formulados e estruturados em • Notícia. linguagem. Entretanto, ao agirmos em Gêneros: modos de ler diferentes práticas de linguagem, nossas • Como lemos textos de divulgação ações são orientadas por determinados científica. modelos construídos sócio- historicamente: os gêneros de texto. • Como lemos experimentos. É nesse trabalho, efetivamente, que ocorre • Como lemos contos. o crescimento pessoal, pois a ampliação • Como lemos poemas. do léxico e do repertório decorrem das • Como lemos propagandas. 95 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 95 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física DESENVOLVENDO A referências e estilos) presentes nos COMPETÊNCIA textos, com a finalidade de ampliar o repertório no exercício da Foram destacadas as seguintes interpretação; habilidades: 1.3 – exame das facilidades e • Reconhecer temas, gêneros, suportes restrições, das características e textuais, formas e recursos adaptações que diferentes suportes e expressivos. espaços de circulação impõem à • Identificar os elementos organizadores estruturação de textos. e estruturais de textos de diferentes 2. Explicitação de expectativas quanto à gêneros. forma e ao conteúdo do texto, em • Identificar a função predominante função das características do gênero, (informativa, persuasiva etc.) dos do suporte, do autor etc. textos em situações específicas de 3. Seleção de procedimentos de leitura, interlocução. em função dos diferentes objetivos e • Relacionar textos a um dado contexto interesses do sujeito (estudo, formação (histórico, social, político, cultural etc.). pessoal, entretenimento, realização de • Reconhecer a importância do tarefa) e das características do gênero patrimônio lingüístico para a e suporte. preservação da memória e da 4. Articulação entre conhecimentos identidade nacional. prévios e informações textuais, para Essas habilidades estão relacionadas à/ao: perceber ambigüidades, ironias e 1. Reconhecimento das características expressões figuradas, opiniões e principais dos diferentes gêneros de valores implícitos, bem como as texto, quanto ao conteúdo temático, intenções do autor. estrutura e estilo: 5. Estabelecimento de relações entre os 1.1 – reconhecimento do universo diversos segmentos do próprio texto, discursivo sociocultural, dentro do entre o texto e outros textos, a partir qual cada gênero de texto se insere, de informações adicionais oferecidas considerando as intenções do pelo professor ou conseqüentes da enunciador, a relação entre os história de leitura do sujeito. interlocutores, os procedimentos 6. Estabelecimento da progressão narrativos, descritivos, expositivos, temática, em função das marcas de argumentativos e conversacionais segmentação textual, tais como, que privilegiam. mudança de capítulo ou de parágrafo, 1.2 – reconhecimento da títulos e subtítulos, para textos em intertextualidade, do diálogo entre prosa; colocação em estrofes e versos, textos, das várias “vozes” (citações, para textos em versos. 96 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 96 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor 7. Estabelecimento das relações didáticos, que veiculam os conteúdos necessárias entre o texto e outros das diferentes áreas. textos e recursos de natureza É importante explicitar os critérios que suplementar que o acompanham orientam a seleção de gêneros e de (gráficos, tabelas, desenhos, fotos, textos e os conteúdos da área boxes) no processo de compreensão e privilegiados, para que não se ofereça interpretação do texto. um ensino redundante, que acabe não 8. Reconhecimento dos diferentes proporcionando as oportunidades recursos expressivos utilizados na necessárias para que os alunos ampliem produção de um texto, e seus papéis sua competência comunicativa. no estabelecimento do estilo do Ao desenvolver um trabalho de próprio texto ou de seu autor. produção de textos, convém considerar 9. Produção de textos de diferentes que, como muitos dos alunos já estão gêneros, considerando a intenção do engajados no mundo do trabalho, eles enunciador, das características do têm, em relação à produção de textos, interlocutor, das exigências da expectativas bem determinadas, isto é, situação e dos objetivos estabelecidos. encontrar, na escola, respostas a O fundamental é que os alunos de EJA problemas práticos que encontram ao desenvolvam instrumentos para redigir diferentes gêneros de textos compreender e interpretar os textos que profissionais. Mas, também, no interior escutam e lêem, de modo a poder da própria escola, precisam elaborar uma posicionar-se, criticamente, ante os série de outros gêneros: resumos, conteúdos veiculados. relatórios, comentários a respeito de assuntos referentes aos conteúdos das Alguns gêneros, dada sua relevância diferentes áreas. Por isso, as propostas social, cultural e escolar, devem estar de produção de textos devem explicitar presentes no trabalho com esses alunos: sempre o gênero, em situações é o caso das notícias, dos gêneros comunicativas claramente definidas. literários e dos textos de divulgação científica, principalmente, e dos textos BIBLIOGRAFIA BRANDÃO, H. N. (Org.). Os gêneros do discurso na escola. São Paulo: Cortez, 2000. (Aprender e Ensinar com Textos, v. 5). BRONCKART, J.-P. Atividades de linguagem, textos e discursos: por um interacionismo sócio construtivista. São Paulo: Educ, 1999. 353 p. DIONÍSIO, Â. P.; MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A. Gêneros textuais & ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002. 229 p. 97 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 97 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física KAUFFMAN, A. M.; RODRIGUEZ, M. E. Escola, leitura e produção de textos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. 179 p. Tradução de Inajara Rodrigues. KOCH, I. G. V. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez, 2002. 168 p. PAULINO, G. et al. Tipos de texto, modos de leitura. Belo Horizonte, MG: Formato, 2001. 98 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 98 11/7/2003, 09:45
    • ANALISAR CRITICAMENTE OS DIFERENTES DISCURSOS, Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, INCLUSIVE O PRÓPRIO, DESENVOLVENDO A CAPACIDADE DE Educação Artística e Educação Física Ensino Fundamental - Capítulo VII AVALIAÇÃO DE TEXTOS. Você sabe com quem está falando? Yêda Maria da Costa Lima Varlotta Neste capítulo, dada a impossibilidade de considerarmos a produção de textos como um diálogo presencial com os ponto de partida e de chegada do processo estudantes, foram utilizados textos de ensino e aprendizagem da língua. escritos, com o objetivo de estudar processos de interlocução estabelecidos DESENVOLVENDO A entre autores e leitores. Procurou-se COMPETÊNCIA organizar o texto de forma a possibilitar Foram destacadas as seguintes habilidades: o diálogo com os leitores e destes com os diversos textos propostos para leitura. • Reconhecer, em textos, os procedimentos de persuasão Para facilitar o encontro entre os utilizados pelo autor. diferentes interlocutores, propusemos um tema a respeito do qual selecionamos • Identificar referências intertextuais. alguns textos que permitissem diferentes • Inferir possíveis intenções do autor abordagens e formas de aproximação marcadas no texto entre autores e leitores. A escolha do • Contrapor interpretações de um mesmo tema “Trabalho” justifica-se pela fato em diferentes textos. possível experiência dos estudantes • Identificar em textos marcas de valores como trabalhadores, bem como pela e intenções que expressam interesses possibilidade que abre para o políticos, ideológicos e econômicos. desenvolvimento de sua consciência As habilidades estão relacionadas: reflexiva a respeito do assunto e de sua solidariedade para com outros • Ao discurso: atividade comunicativa discurso: trabalhadores. de um locutor, numa situação de comunicação determinada. Trata-se de Basicamente, o capítulo propõe um uma ação verbal dotada de movimento que vai da produção para a intencionalidade. Ao produzir o discurso, leitura e desta retorna à produção, por o homem se apropria da língua, não só com o fim de veicular mensagens, mas, 99 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 99 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física principalmente, com o objetivo de atuar, será capaz de perceber as relações do agir, interagir socialmente. Assim, o texto lido com outros textos e com homem usa a língua porque vive em outros objetos culturais, portanto, mais comunidade, porque tem necessidade de fácil será sua compreensão. interagir com outros homens, de obter Procure chamar a atenção do estudante deles reações e comportamentos, de atuar para o trabalho de construção do texto, sobre eles das mais variadas maneiras. o qual exige que o autor se comprometa • Ao texto: qualquer passagem falada texto: com sua palavra e se articule com a ou escrita, capaz de formar um todo formação discursiva de que faz parte, significativo, independente de sua mesmo quando dela não está consciente. extensão, caracterizado, entre outros Se o estudante reconhecer os textos fatores, pela coerência e coesão. No texto, produzidos por diferentes autores como estão marcadas as intenções, valores e resultado de trabalhos penosos de interesses do autor e de sua cultura e construção, esses podem vir a funcionar essas marcas orientam a interpretação como horizontes para suas próprias para uma certa leitura. escritas de textos. • À intertextualidade os textos intertextualidade ntertextualidade: produzidos incorporam modelos, vestígios 2. Escrita de diferentes tipos de texto e estilos de outros textos e gêneros. Diz- Ao propor que seu aluno produza textos, se que todo texto remete a outros textos ajude-o a planejar sua ação sobre o no passado e aponta para outros, no mundo e sobre o outro, a refletir sobre a futuro. Um texto traz referências língua e sobre o próprio processo de implícitas e explícitas a outros textos. As produção escrita. relações existentes entre os diferentes Lembre-se de que, para produzir um texto, textos permitem que um texto derive seus significados de outros. em qualquer modalidade, é necessário: a) ter o que dizer; As habilidades estão relacionadas aos seguintes conteúdos. b) ter uma razão para dizer; 1. Leitura de diferentes textos buscando: c) ter para quem dizer; • compreender as intenções d) ser um jogador no jogo de dizer; do falante; e) escolher as estratégias para se colocar • identificar valores e interesses no jogo, para dizer a seu interlocutor políticos, ideológicos e econômicos; o que tem a dizer pelos motivos que o • perceber a relação com outros textos. levam a falar. A ênfase na produção não é feita apenas Procure selecionar textos para leitura que provoquem a necessidade de para dar ao estudante o direito à produzir textos e de realizar mais palavra, mas também porque é no texto que a língua se revela em sua totalidade leituras. Quanto mais seu aluno ler, mais enquanto discurso que remete a uma 100 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 100 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor relação intersubjetiva. • seus alunos avaliem, criticamente, os Proponha sempre atividades de leitura e próprios discursos e o de seus de produção de textos que permitam que: interlocutores, seguindo pistas presentes nos textos, as quais • o texto seja um local de encontro entre permitam acionar outros textos interlocutores e de produção de produzidos e lidos anteriormente. sentidos; BIBLIOGRAFIA BRANDÃO, H. H. N. Subjetividade, argumentação, polifonia: a propaganda da Petrobras. São Paulo: Ed. Unesp, 1998. 191 p. (Prisma). GERALDI, J.W. (Org.). O texto na sala de aula: leitura & produção. 7. ed. Cascável, PR: Assoeste, 1985. 125 p. ______. Portos de passagem. São Paulo: Martins Fontes, 1991. 252 p. (Texto e linguagem). KLEIMAN, A. B.; MORAES, S. E. Leitura e interdisciplinaridade: tecendo redes nos projetos da escola. Campinas, SP: Mercado das Letras, 1999. 191 p. (Idéias sobre linguagem). KOCK, I. G. V. Argumentação e linguagem. São Paulo: Cortez, 2000. 240 p. ______. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez, 2002. ORLANDI, E. P. (Org.). Discurso e leitura. 3. ed. São Paulo: Cortez; Campinas: Ed. da Unicamp, 1998. 118 p. (Passando a limpo). ______. A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. Campinas, SP: Pontes, 1987. 101 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 101 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física 102 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 102 11/7/2003, 09:45
    • RECONHECER E VALORIZAR A LINGUAGEM DE SEU GRUPO Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, SOCIAL E AS DIFERENTES VARIEDADES DO PORTUGUÊS, Educação Artística e Educação Física Ensino Fundamental - Capítulo VIII PROCURANDO COMBATER O PRECONCEITO LINGÜÍSTICO. Os tons e mil tons do português do Brasil Maria José Nóbrega Independentemente de sua escolaridade, tradicional e das formas diferentes qualquer brasileiro, se for um falante de daquelas que se fixaram na escrita como português, sabe português. Por estar se fossem desvios ou incorreções. Além inserido em uma comunidade de disso, os padrões próprios da tradição falantes, já sabe pelo menos uma de suas escrita não são os mesmos que os variedades. Certamente, ele é capaz de padrões de uso oral, ainda que haja perceber que as formas da língua situações de fala orientadas pela escrita. apresentam variações e que determinadas Por isso mesmo, o preconceito expressões ou modos de dizer podem lingüístico, como qualquer outro ser apropriados para certas preconceito, deve ser combatido com circunstâncias, mas não para outras. vigor e energia. É importante que o Sabe, por exemplo, que existem formas estudante, ao aprender novas formas mais ou menos delicadas de se dirigir a lingüísticas, particularmente a escrita e o alguém, falas mais cuidadas e refletidas, padrão de oralidade mais formal falas cerimoniosas. Pode ser que saiba, orientado pela tradição gramatical, inclusive, que certos falares são entenda que todas as variedades discriminados e, eventualmente, até ter lingüísticas são legítimas e próprias da vivido esta experiência. história e da cultura humana. Frente aos fenômenos da variação, não O que seu aluno vai encontrar no basta somente uma mudança de atitudes; capítulo? a escola precisa cuidar para que não se 1. As muitas línguas do Brasil. reproduza em seu espaço a discriminação lingüística. Desse modo, 2. Como as línguas variam? não pode tratar as variedades • As línguas mudam de um tempo lingüísticas que mais se afastam dos para outro. padrões estabelecidos pela gramática • As línguas variam de um lugar para outro. 103 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 103 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física • As pessoas que vivem em um • Comparar diferentes variedades mesmo lugar não falam a língua do lingüísticas, verificando sua mesmo jeito. adequação em diferentes situações de • Dependendo da situação, uma interlocução. pessoa varia seu modo de falar. • Identificar a relação entre preconceitos sociais e usos • Cada ciência e cada profissão têm o lingüísticos. seu jeito próprio de falar. Os seguintes conteúdos estão • As pessoas não escrevem do jeito relacionados às habilidades: que falam: a ortografia. 1. Identificação das diferentes línguas • As pessoas não escrevem do jeito faladas no Brasil. que falam: a organização do texto. 2. Observação da língua em uso de 3. De olho nas pistas da variação: maneira a dar conta da variação • As diferentes pronúncias. intrínseca ao processo lingüístico, no • Os diferentes empregos de palavras. que diz respeito: • As diferentes maneiras de organizar as • aos fatores geográficos (variedades palavras na frase. regionais, variedades urbanas e • As diferentes lógicas da concordância. rurais), históricos (linguagem do 4. É preciso aprender a variedade de passado e do presente), sociológicos prestígio? (gerações, classe social), técnicos (diferentes domínios da ciência e da DESENVOLVENDO A tecnologia); COMPETÊNCIA • às diferenças entre os padrões da linguagem oral e os padrões da Foram destacadas as seguintes linguagem escrita; habilidades: • à seleção de registros em função da • Identificar, em textos de diferentes situação comunicativa (formal, gêneros, as variedades lingüísticas informal). sociais, regionais e de registro (situações de formalidade e 3. Análise de diferentes componentes do coloquialidade). sistema lingüístico em que a variação • Identificar, em textos de diferentes se manifesta: gêneros, as marcas lingüísticas • diferentes pronúncias; (fonéticas, morfológicas, sintáticas e • diferentes empregos de palavras; semânticas) que singularizam as • diferentes modos de estruturação diferentes variedades sociais, das sentenças; regionais e de registro. • diferentes regras de concordância. • Reconhecer, no texto, a variedade lingüística adequada ao contexto de 4. Comparação dos fenômenos interlocução. lingüísticos observados, na fala e na escrita, nas diferentes variedades. 104 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 104 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor O estudo da variação cumpre papel d) Levantamento das marcas de fundamental na formação da variação lingüística ligadas a consciência lingüística e no gerações, grupos profissionais, desenvolvimento da competência classes sociais e áreas de discursiva do aluno, devendo estar conhecimento, através da sistematicamente presente nas comparação de textos que tratem de atividades de Língua Portuguesa. um mesmo assunto para públicos com A seguir, relacionam-se algumas características diferentes. propostas de atividades que permitem e) Estudo de textos em função da área explorar mais intensamente questões de de conhecimento, identificando variação lingüística: jargões próprios da atividade em a) Transcrição de textos orais, gravados análise. em vídeo ou cassete, para permitir f) Comparação entre textos sobre o identificação dos recursos lingüísticos mesmo tema, produzidos em épocas próprios da fala. diferentes. b) Edição de textos orais para g) Análise de fatos de variação apresentação, em gênero da presentes nos textos dos alunos. modalidade escrita, a fim de permitir h) Análise e discussão de textos de que o aluno perceba algumas das publicidade ou de imprensa que diferenças entre a fala e a escrita. veiculem qualquer tipo de preconceito c) Análise da força expressiva da lingüístico. linguagem popular na comunicação i) Análise comparativa entre registro da cotidiana, na mídia e nas artes, fala ou de escrita e os preceitos analisando depoimentos, filmes, normativos estabelecidos pela peças de teatro, novelas televisivas, gramática tradicional. música popular, romances e poemas. BIBLIOGRAFIA BAGNO, M. A língua de Eulália: novela sociolingüística. São Paulo: Contexto, 1997. 171 p. ______. Preconceito lingüístico: o que é, como se faz. 2. ed. rev. ampl. São Paulo: Loyola, 1999. 148 p. BRITTO, L. P. L. A sombra do caos: ensino de língua x tradição gramatical. Campinas, SP, 1997. 262 p. Tese (Doutorado) – Instituto de Estudos de Linguagem, Universidade Estadual de Campinas. CASTILHO, A. T. A língua falada no ensino de Português. São Paulo: Contexto, 1998. 158 p. (Caminhos da Lingüística). 105 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 105 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física FIORIN, J. L. (Org.). Introdução à lingüística I: objetos teóricos. São Paulo: Contexto, 2002. GNERRE, M. Linguagem, escrita e poder. São Paulo: Martins Fontes, 1985. 91 p. (Texto e linguagem). MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São Paulo: Cortez, 2001. 133 p. POSSENTI, S. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: ALB, 1996. 95 p. (Leitura no Brasil). 106 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 106 11/7/2003, 09:45
    • USAR OS CONHECIMENTOS ADQUIRIDOS POR MEIO Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Educação Artística e Educação Física DA ANÁLISE LINGÜÍSTICA PARA EXPANDIR SUA Ensino Fundamental - Capítulo IX CAPACIDADE DE USO DA LINGUAGEM, AMPLIANDO A CAPACIDADE DE ANÁLISE CRÍTICA. Na boca do povo Suely Aparecida Amaral Como se sabe, o ensino de língua na lingüístico do aluno, refletindo sobre os escola tem se resumido a um conjunto vários sentidos que emergem em cada de regras que devem ser aprendidas e situação comunicativa concreta, sobre as seguidas, que determinam quem sabe e intenções dos interlocutores, tendo em quem pode e quem não sabe e não deve vista as escolhas feitas e as reações falar. Também se sabe que, possíveis, dadas diferentes seqüências particularmente, para o aluno do lingüísticas. É interessante que o trabalho supletivo, essa crença tem sido uma das pedagógico tenha como objetivo desvelar causas de exclusão desse aluno da alguns sentidos que estão em expressões escola. Discutir uma metodologia de do cotidiano, em piadas, em frases feitas, ensino que tenha como objetivo o em brincadeiras e discutir algumas desenvolvimento da competência situações sociais em que se faz necessário comunicativa implica evidenciar outras o uso de linguagem formal e outras, em possibilidades de trabalho pedagógico, que o adequado é a escolha do coloquial, que propiciem a formação de novas a fim de chamar a atenção do professor habilidades lingüísticas. Entender a para a riqueza de possibilidades que ele linguagem como interação, como ação tem à disposição, levando em conta a que causa reação no outro, como própria linguagem do aluno. possibilidade de escolhas conscientes O aluno vai encontrar: que provoquem efeitos de sentido, é 1. Descobrindo as palavras tarefa com a qual o professor deve • Importância da análise das unidades familiarizar-se para conduzir os alunos no desenvolvimento de novas que compõem a palavra. habilidades lingüísticas. • Palavras que apresentam uma relação de sentido: de semelhança É necessário, nessa perspectiva, apontar a possibilidade de ampliar o conhecimento ou oposição. 107 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 107 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Ensino Fundamental Educação Artística e Educação Física • Importância da análise do contexto • Reconhecer a importância da análise lingüístico. lingüística na construção de uma visão 2. Descobrindo novos sentidos crítica do texto. • Observando o contexto: os Os conteúdos relacionados são: interlocutores, a posição social de 1. Ampliação do vocabulário pelo ensino cada interlocutor; quem diz o quê e aprendizagem de novas palavras, de para quem. modo a permitir: • A finalidade da comunicação: os • escolha, entre diferentes palavras, interesses em jogo, as reações que daquelas que sejam mais apropriadas queremos produzir. ao que se quer dizer no contexto em • As escolhas lingüísticas e os efeitos que se inserem, para obter a coesão de sentido. textual; 3. Lendo nas entrelinhas. • escolha adequada do vocabulário, em relação à modalidade falada ou • Informações explícitas e escrita ou em nível de formalidade e informações implícitas. finalidade social do texto; • Informações pressupostas. • organização das palavras em 4. Modificando pontos de vista. conjuntos estruturados, em relação a • Estratégias usadas para convencer o determinado tema, acontecimento, interlocutor. processo, fenômeno ou mesmo • Argumentos que buscam dar um objeto, enquanto possíveis elementos valor de verdade às afirmações. de um texto; • Argumentos que procuram • capacidade de inferir, a partir do desqualificar as informações alheias. elemento lexical (o verbo, por exemplo), Foram identificadas as seguintes os traços de sentido de outros elementos habilidades: (sujeito, complementos) que se relacionem com ele, para resolver um • Reconhecer as categorias explicativas problema de compreensão de texto; básicas dos processos lingüísticos, demonstrando domínio do léxico da • elaboração de glossários, língua. identificação de palavras-chave, consulta ao dicionário. • Identificar os efeitos de sentido que resultam da utilização de determinados 2. Reconhecimento das marcas lingüísticas recursos lingüísticos. específicas (uso expressivo de repetições, marcadores temporais, operadores • Reconhecer pressuposições e lógicos e argumentativos, esquema dos subentendidos em um texto. tempos verbais, o sentido dos conectivos • Identificar, em um texto, os na articulação das idéias, a presença de mecanismos lingüísticos na construção algumas figuras de linguagem etc.). da argumentação. 108 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 108 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor Sugerimos a realização de um trabalho • utilizando recursos sintáticos e pedagógico com o texto de modo a morfológicos, que permitam alterar a permitir a análise das implicações estrutura da frase para expressar discursivas decorrentes de possíveis diferentes pontos de vista discursivos; relações estabelecidas entre forma e • reduzindo o texto, para eliminar sentido, de modo a ampliar os recursos repetições e redundâncias, evitando as expressivos: recorrências que não tenham caráter • condensando idéias, articulando-as por funcional ou não produzam os efeitos meio de pronomes relativos, das de sentido desejados. conjunções, das justaposições etc.; Deve-se trabalhar, também, a descrição • relacionando frases, explicitando a de fenômenos lingüísticos com os quais os relação semântica entre elas com os alunos tenham operado, por meio de conectivos adequados; agrupamento, aplicação de modelos, • reordenando os constituintes da comparações e análise das formas sentença e do texto para expressar lingüísticas, de modo a inventariar diferentes pontos de vista discursivos; elementos de uma mesma classe de fenômenos e construir exemplos em • expandindo a frase para reconstruir, diferentes modalidades de fala e escrita. na escrita, elementos do contexto situacional; BIBLIOGRAFIA CARRAHER, D.W. Senso crítico: do dia-a-dia às ciências humanas. 7. ed. São Paulo: Pioneira, 2002. 163 p. (Pioneira. Manuais de Estudo). ILARI, R. A lingüística e o ensino da língua portuguesa. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997. 120 p. (Texto e linguagem). KOCH, I. G. V. Argumentação e linguagem. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2002. 240 p. ______. A inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 1992. 115 p. (Repensando a língua portuguesa). TRAVAGLIA, L. C. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1º e 2º graus. São Paulo: Cortez, 1996. 245 p. 109 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 109 11/7/2003, 09:45
    • LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 110 11/7/2003, 09:45
    • V. Orientação para o trabalho do professor Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio Capítulos I ao IX Neste bloco, são apresentadas sugestões de trabalho para que o professor possa orientar-se no sentido de favorecer aos seus alunos o desenvolvimento das competências e habilidades que estruturam a avaliação do ENCCEJA – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias – Ensino Médio. Estes textos complementam o material de orientação de estudos dos estudantes e ambos podem ganhar seu real significado se incorporados à experiência do professor e à bibliografia didática já consagrada nesta área. LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 111 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio 112 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 112 11/7/2003, 09:45
    • A – Orientação para o trabalho COMUNICAÇÃO V PLICAR AS TECNOLOGIAS DA do professor E DA Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio – Capítulo I INFORMAÇÃO NA ESCOLA, NO TRABALHO E EM OUTROS CONTEXTOS RELEVANTES PARA SUA VIDA. Publicidade, entretenimento e outros sistemas Débora de Angelo Duas questões principais nortearam este sempre envolvido em algum sistema de capítulo: uma noção de linguagens e o comunicação. estudo de quatro sistemas de comunicação Tudo que envolve linguagem em – o informativo, o publicitário, o artístico sociedade envolve sistema. Isso implica e o de entretenimento. questões históricas e sociais mais Linguagens são possibilidades criadas amplas. Essa forma de organizar o pelo homem para interagir com o mundo não começou há pouco tempo e mundo, que podem ser compartilhadas não foi escolha de indivíduos isolados. É com outros homens. Essa interação pode claro que o sujeito deve estar apto a se ocorrer por meio de elementos verbais, posicionar criticamente frente ao que lhe visuais, sonoros etc. é apresentado. Mas isso implica o A noção de linguagem é importante, conhecimento de princípios porque os sistemas em questão serão organizadores que o cercam. observados como processos organizados, entre outros fatores, pela integração das DESENVOLVENDO A diferentes linguagens para a produção COMPETÊNCIA do sentido. A habilidade Reconhecer as linguagens Compreendemos que a competência como elementos integradores dos geral que orienta o capítulo seja a sistemas de comunicação possibilita ao aplicação de conhecimentos sobre os estudante reconhecer as linguagens sistemas (que, no caso, restringimos a como elementos básicos da quatro) na vida prática (pessoal, escolar especificidade de cada sistema. Todo e profissional). Esse conhecimento faz-se objeto produzido por um sistema será o necessário, pois a existência dos sistemas resultado de uma combinação de não depende de escolhas individuais. linguagens. Uma notícia de jornal – um Quer o indivíduo queira, quer não, estará objeto produzido dentro do sistema 113 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 113 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio informativo – combina as linguagens de sua inserção nos sistemas. Ao falarmos maneira a tornar a informação a mais de anúncios publicitários e notícias de clara e objetiva possível para seus jornal, pode parecer que estamos falando leitores/ouvintes. de algo distante do cotidiano. Mas os sistemas estão por toda a parte. Como Identificar os diferentes recursos das dissemos anteriormente, linguagem linguagens, utilizados em diferentes usada em sociedade envolve sistema. sistemas de comunicação e informação Ao procurar um emprego, muitas vezes É importante perceber que um sistema é necessário apresentar-se o currículo. de comunicação combina as linguagens Uma pessoa pode decorar como fazer de forma diferente das de outros um. Mas, se ela entender que um sistemas, seguindo seu princípio currículo é um objeto do sistema organizador. Se o objetivo básico do informativo, ficará mais fácil sistema publicitário é despertar a compreender o que é pertinente ou não vontade para que o sujeito compre, não informar. faz sentido escrever um longo ensaio sobre as boas qualidades do produto. Essa é uma habilidade que visa, Essa estratégia seria um apelo à razão, primordialmente, à autonomia do não à vontade. Daí a publicidade usar sujeito. Assim, espera-se que o estudante com muito mais ênfase imagens e sons se perceba inserido em uma vida em que despertem algum efeito emocional sociedade e que saiba como se no indivíduo. Esse efeito pode ser o movimentar nela. riso, o erotismo, a ternura etc. Relacionar informações sobre os Claro está que cada objeto produzido sistemas de comunicação e informação, dentro de um sistema tem algumas considerando sua função social. características próprias. Mas deve-se A partir do reconhecimento dos quatro ressaltar que, apesar das singularidades, sistemas e da combinação de linguagens todos os objetos de um mesmo sistema em cada um deles, é importante que o se estruturam de forma semelhante. Daí estudante seja estimulado a observar os todos os anúncios publicitários seguirem objetos ao seu redor. Com esse olhar, ele o princípio acima exposto. Fugir a esse começa a estabelecer relações e encontra princípio básico implicaria “estar fora do diversos objetos, nos mais diferentes sistema” e, portanto, não exercer sua contextos, exercendo um mesmo papel função de forma adequada. social. Como a anterior, esta habilidade Recorrer aos conhecimentos sobre as privilegia o sujeito, inserido no mundo linguagens dos sistemas de comunicação ao redor, como um de seus elementos e informação para explicar momentos integrantes. sociais e do mundo do trabalho. Posicionar-se criticamente sobre os usos Esta habilidade é fundamental, pois é sociais das linguagens e dos sistemas de por meio dela que o estudante percebe a comunicação e informação. 114 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 114 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor Quanto mais inserido no mundo ao seu possuir um objetivo básico que orienta redor, mais o estudante estará capacitado todo o processo de materialização do ao exercício do posicionamento crítico. objeto. Assim, a carta e o telefonema são Por mais que os sistemas sejam próximos porque seguem o mesmo convenções do grupo social, essas princípio organizador: servem para que convenções não devem estar fadadas à as pessoas entrem em contato umas com eternidade. Além disso, há objetos que, no as outras, de forma pessoal. Já as placas afã de atingir seu propósito, acabam de trânsito servem para informar as incorrendo em preconceitos, desrespeitos e pessoas, ou seja, elas têm um outro inadequações, de maneira geral. O objetivo básico. estudante, como cidadão, deve ter Neste capítulo, foram selecionadas consciência de que sua opinião é quatro funções sociais: importante e que pode ser transformadora. a) informar sobre algum fato; Para tanto, ela deverá materializar-se em b) despertar a necessidade de compra; objetos que, inseridos nos contextos c) manter vivo o espírito criativo; adequados, poderão gerar mudanças e d) entreter o indivíduo em seu horário de ajustes que se fizerem necessários. lazer. Levando-se em conta que a interação do As atividades deste capítulo podem ser homem com o meio e dos homens entre divididas em dois grupos: si se faz por meio de linguagens, Um primeiro grupo procurou centrar-se consideramos relevante observar essa nas habilidades, mas sem caracterizar em interação materializada em diferentes especial nenhum dos quatro sistemas aqui objetos. Nesse sentido, são objetos os contemplados. Com essas atividades, gestos, os textos escritos, os diálogos, as procurou-se despertar no estudante a canções, os objetos do cotidiano, entre percepção do papel das linguagens na inúmeras outras possibilidades. interação humana, atentando para as Mas, se compararmos objetos, especificidades desse processo. perceberemos que alguns parecem Um segundo grupo de habilidades organizar-se de maneira semelhante e aparece já inserido dentro dos sistemas outros de forma muito diferente. Por selecionados (informação, publicidade, exemplo, uma placa de trânsito e uma arte e entretenimento). A partir da carta organizam-se de forma inserção, procurou-se desenvolver as diferenciada; já uma carta e um habilidades pedidas. É preciso ressaltar telefonema parecem estar mais próximos. que, ao centrarmos o capítulo em quatro Isso acontece porque, com a vida em sistemas, possibilitamos o sociedade, o homem organiza os objetos desenvolvimento de cada habilidade em construídos pelas linguagens segundo a cada um deles. Muitas vezes, apenas com função que têm para um dado grupo. a troca do objeto em questão ou do Ter função social significa, entre outras contexto, é possível desenvolver uma coisas, seguir um princípio organizador, nova atividade, em um outro sistema. 115 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 115 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio BIBLIOGRAFIA BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem. 9. ed. São Paulo: Hucitec, 1995. 196 p. (Linguagem e cultura; 3). BOSI, A. Reflexões sobre a arte. São Paulo: Ática, 2001. 80 p. (Fundamentos, n. 8). CARVALHO, N. de. Publicidade: a linguagem da sedução. 3. ed. São Paulo: Ática, 2002. 175 p. (Fundamentos, 114). HAUSER, A. História social da arte e da literatura. São Paulo: Martins Fontes, 2000. 1032 p. Tradução de Álvaro Cabral. DUMAZEDIER, J. Lazer e cultura popular. São Paulo: Perspectiva, 2000. 333 p. (Debates, 82). Tradução de Maria de Lourdes Santos Machado. LIMA, E. P. O jornalismo impresso e a teoria geral dos sistemas: um modelo didático de abordagem. São Paulo, 1981. Dissertação (Mestrado) – Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo. 116 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 116 11/7/2003, 09:45
    • V ONHECER E USAR LÍNGUA(S) ESTRANGEIRA(S) C – Orientação para o trabalho do professor Linguagens, Códigos e suas Tecnologias MODERNA(S) COMO INSTRUMENTO DE ACESSO A Ensino Médio – Capítulo II INFORMAÇÕES E A OUTRAS CULTURAS E GRUPOS SOCIAIS. As línguas estrangeiras modernas em nossa sociedade Gláucia d’Olim Marote Ferro Lívia de Araújo Donnini Rodrigues Inicialmente, é importante entender por b) Identificar as marcas em um texto em que, neste capítulo, falamos em Línguas língua estrangeira moderna que Estrangeiras Modernas, no plural. O caracterizam sua função e seu uso objetivo, aqui, não é o de ensinar uma social, bem como seus autores/ língua em especial, mas sim desenvolver interlocutores e suas intenções. estratégias de leitura que permitam ao c) Utilizar os conhecimentos básicos da estudante mobilizar os conhecimentos língua estrangeira moderna e de seus que tem, especialmente os da própria mecanismos como meio de ampliar as língua materna, no processo de possibilidades de acesso a atribuição de sentidos a textos em informações, tecnologias e culturas. línguas estrangeiras modernas. d) identificar e relacionar informações Para que isso seja possível, foram em um texto em língua estrangeira escolhidos textos com os quais há moderna para justificar a posição de grande possibilidade de o estudante já se seus autores e interlocutores; ter deparado em sua vida: o manual de e) reconhecer criticamente a importância instruções de um equipamento da produção cultural em línguas eletroeletrônico, a embalagem de um estrangeiras como representação da produto importado, um anúncio em diversidade cultural. língua portuguesa com palavras em língua estrangeira, entre outros. DESENVOLVENDO A Espera-se que os alunos sejam capazes de: COMPETÊNCIA a) reconhecer temas de textos em línguas Vamos, então, examinar mais estrangeiras e inferir sentidos de detalhadamente o que você deve saber vocábulos e expressões neles presentes; para implementar esta proposta de estudo junto a seus alunos. 117 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 117 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio Estrangeiro = Estranho? nós, brasileiros, falantes da língua Os verbetes de dicionário, abaixo, portuguesa, estrangeiras são as línguas podem servir de subsídio para que você faladas por comunidades de outros discuta com os alunos o que são línguas países como, por exemplo, o italiano, o estrangeiras modernas. inglês, o francês, o espanhol, o alemão… Já que estrangeiro pode, também, ser Língua S.f. 1. Anat. Músculo entendido como estranho, muitas móvel situado na cavidade bucal e pessoas acham impossível ler textos que é o órgão principal da nessas ou em outras línguas estrangeiras gustação, da deglutição e da fala. modernas. Portanto, é bem provável que 2. Nome de vários objetos se tenha de lidar com a resistência, por semelhantes a uma língua. 3. O parte de alguns estudantes, em relação conjunto de palavras e expressões ao estudo aqui proposto. usadas por um povo em sua comunicação; idioma. 4. Será necessário mostrar que línguas Linguagem. S. 2g. 5. Intérprete. “estranhas” podem não ser tão “estranhas” assim e que é possível Estrangeiro Adj. 1. Que é natural superar a barreira representada por de outro país. 2. Relativo a, ou textos nelas veiculados. próprio de estrangeiro; estranho, Além disso, alguns estudantes podem forasteiro. S.m. 3. Qualquer país, dizer: “Mas eu falo português e moro exceto aquele em que se vive; o no Brasil. Não pretendo viajar para exterior. 4. Indivíduo estrangeiro; estranho, forasteiro. outros países e não tenho contato com nenhum estrangeiro. Esse conhecimento Moderno Adj. 1. Dos dias de hoje; é, para mim, inútil.” recente. 2. Usado desde pouco Na verdade, tal afirmação, hoje em dia, tempo. 3. Presente, atual. 4. Que não é mais possível. Todos nós fazemos está na moda. 5. Contemporâneo. parte de uma sociedade na qual culturas S.m. 6. Aquilo que é moderno. diferentes – e, portanto, línguas *Antôn.: antigo. diferentes – convivem e representam, RIOS, Dermival Ribeiro. Dicionário global da língua para uma boa parcela da população, um portuguesa: ilustrado. São Paulo: DCL, 2001. p. 294, fator que acarreta dificuldades para 433 e 482-483 obter informações, aprimorar Pelas definições apresentadas, pode-se conhecimentos e ampliar a percepção de perceber que língua está relacionada à mundo. É preciso perceber que o comunicação e que línguas modernas contato com línguas estrangeiras são aquelas existentes nas sociedades cumpre um papel relevante na contemporâneas, dos dias de hoje. Para apropriação e percepção das diversas 118 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 118 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor linguagens que circulam em nosso “É um erro supor que as meio cultural, incluindo, aí, a nossa pessoas só se beneficiam da própria língua materna. Em resumo, tecnologia diretamente. Existem trata-se de valorizar esse conhecimento também grandes benefícios e reconhecer sua importância para não indiretos. Uma tecnologia bem utilizada é como uma pedra jogada ficar à margem do que acontece em dentro d’água, que produz círculos nossa sociedade contemporânea. concêntricos. Mesmo os que não Vem bem a propósito a citação a seguir, são atingidos por essa pedra na em que o termo tecnologia também cabeça recebem o seu galo virtual. pode ser entendido como o Repetindo: ninguém está fora.” conhecimento de línguas estrangeiras RONÁI, Cora. Notícias tecnológicas. In: AGUIAR, modernas. Luiz Antonio (Org.) Para entender o Brasil. São Paulo: Alegro, 2001. p.44. ORIENTAÇÕES PARA AS ATIVIDADES Atividade 1 Convide o estudante a pensar sobre como e o que ele lê – Estratégias de leitura: não somente literatura, mas também leitura em geral: leitura global; previsão do livros didáticos, revistas, jornais, embalagens, receitas, tipo de texto e do assunto; folhetos, cartas, bilhetes, anúncios, enfim, todo tipo de dedução do significado de texto à sua volta. Discuta como eles lidam com as palavras a partir de pistas palavras que não conhecem quando lêem um texto em contextuais verbais. língua portuguesa – se usam um dicionário, se perguntam para alguém, se simplesmente ignoram o que não sabem ou se tentam adivinhar o significado a partir de dicas do próprio texto. Atividade 2 Acompanhe as tarefas a fim de garantir a compreensão Estratégias de leitura: do que são cognatos e falsos cognatos. leitura detalhada; Incentive os estudantes a darem outros exemplos de localização de palavras cognatos e falsos cognatos, a partir do que encontraram específicas; cognatos e na pesquisa feita no item CONVITE do capítulo do falsos cognatos. estudante. Atividade 3 Discuta a importância de outras linguagens (ilustrações, Estratégia de leitura: fotos, tabelas, gráficos) no processo de construção de dedução do significado significados. Você pode dar exemplos de como crianças das palavras a partir de que ainda não aprenderam a ler e escrever, formalmente, pistas contextuais não lêem marcas de produtos, neles reconhecendo os termos a verbais. partir de imagens a eles associados. 119 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 119 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio Atividade 4 Discuta com os estudantes as estratégias por eles Estratégias de leitura: utilizadas para estabelecer a diferença entre perfume for men e perfume for women. Se possível, leve dicionários leitura detalhada; tomada bilíngües de diferentes línguas para a sala de aula e de decisões sobre como oriente os alunos quanto à sua utilização. Não se esqueça lidar com a incerteza. de chamar a atenção dos estudantes para o fato de que o dicionário é um recurso de apoio que não deve substituir os processos de leitura e atribuição de sentidos discutidos nas atividades anteriores. Atividade 5 Discuta com os alunos o uso de termos e expressões em Estratégia de leitura: línguas estrangeiras, mesmo quando nossa língua possui um termo equivalente, o que pode ser considerado, em leitura de implícitos; muitos casos, abusivo. Reflita com eles sobre o quanto, dedução de informações em nossa sociedade, muitas pessoas fazem isso com o a partir de pistas objetivo de se destacarem em relação às demais. presentes no texto. Atividade 6 Faça um levantamento, junto aos estudantes, dos Estratégia de leitura: programas de televisão, músicas, filmes e hábitos alimentares em voga em nossa sociedade, oriundos de leitura crítica – tomada outros países. Discuta o papel que eles têm na formação de posição em relação às de nossa identidade cultural. Não deixe de inserir nessa opiniões e fatos presentes discussão o impacto das novas tecnologias na formação no texto. de uma sociedade cada vez mais plurilíngüe e pluricultural. BIBLIOGRAFIA AGUIAR, Luiz Antonio (Org.). Para entender o Brasil. São Paulo: Alegro, 2001. 367 p. BLANTON, Linda Lonon.; LEE, Linda. The multicultural workshop: a reading & writting program. Boston, Mass: Heinle & Heinle Publishers, 1995. Book 1. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Ensino Médio e Tecnológico. Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio. Brasília, DF, 1999. COSTA, Daniel. N. Martins. da. Por que ensinar língua estrangeira na escola de primeiro grau. São Paulo: EPU, 1987. 78 p. CORACINI, Maria. José. R. Faria (Org.). O jogo discursivo na aula de leitura: língua materna e língua estrangeira. Campinas: Pontes, 1995. 141 p. 120 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 120 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor KLEIMAN, Angela. Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura. 4. ed. Campinas: Pontes, 1995. 82 p. LAJOLO, Marisa. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1993. 112 p. (Educação em ação). OTONI, Paulo. Texto, discurso e leitura em língua estrangeira: aprender e ler em francês no 1º grau. Campinas: Ed. da Unicamp, 1985. 153 p. ORLANDI, Eni. Pulanelli. Discurso e leitura. Campinas, SP: Cortez, 1988. 118 p. RIOS, D. R. Dicionário global da língua portuguesa. v. ilustrado. São Paulo: DCL, 2001. SILVA, Deonísio da. De onde vêm as palavras: frases e curiosidades da língua portuguesa. São Paulo: Mandarim, 1997. 253 p. SMITH, Frank. Compreendendo a leitura: uma análise psicolingüística da leitura e do aprender a ler. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989. 423 p. (Biblioteca Ártes Médicas). Tradução de Deise Batista. TÓTIS, Veronica. Pakrauskas. Língua inglesa: leitura. Campinas: Cortez, 1991. 142 p. (Magistério. Formação geral). 121 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 121 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio 122 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 122 11/7/2003, 09:45
    • C – Orientação E USAR A LINGUAGEM CORPORAL COMO V OMPREENDER para o trabalho do professor Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio – Capítulo III RELEVANTE PARA A PRÓPRIA VIDA, INTEGRADORA SOCIAL E FORMADORA DA IDENTIDADE. Quero meu corpo de volta! Mauro Gomes de Mattos e Marcos Garcia Neira Pensando a Educação Física como ciência Pretendemos inter-relacionar o texto que estuda as manifestações da linguagem com situações-problema vivenciadas corporal, foram abordados os aspectos pela maioria dos cidadãos, relativos à produção histórica e social da proporcionando, por meio da sua humanidade referente à cultura corporal superação, um entendimento sobre os de movimento. Assim, pretendeu-se aspectos relevantes da cultura corporal contribuir para a formação do cidadão, como resposta às necessidades fornecendo-lhe subsídios para, em um cotidianas. primeiro momento, ler e interpretar os Dado que, nos Parâmetros Curriculares principais aspectos relativos à prática Nacionais do Ensino Médio, o esportiva (no que se relaciona à atividade componente curricular foi bem enfático adequada a um determinado contingente ao eleger como competência principal a populacional), ao jogo e suas autonomia do cidadão na monitoração possibilidades lúdicas, às atividades da própria atividade motora para obter rítmicas e expressivas (presentes em melhoria da qualidade de vida, diversas situações do cotidiano), à propomo-nos a adoção da mesma ginástica (como um possível veículo para tendência para o ENCCEJA. melhoria da qualidade de vida) e aos conhecimentos sobre o corpo (como DESENVOLVENDO A construção de conceitos que proporcionam COMPETÊNCIA a adoção de hábitos mais saudáveis). O cidadão deve, no nosso entender, Foram abordadas, também, as superar, em um primeiro momento, a dimensões maiores da motricidade situação de elemento passivo diante da humana: os movimentos utilitários e os linguagem corporal, para entendê-la necessários à atuação profissional. como algo de cujo domínio, uso e modificação todos os homens e mulheres fazem parte. 123 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 123 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio Posteriormente, o cidadão deverá elementos para uma consideração posicionar-se criticamente diante das crítica diante das suas condições reais manifestações culturais, interpretando-as de vida e de movimento. e transformando-as em elementos Neste aspecto, o leitor é convidado a complementares à própria vida e repensar seus hábitos motores considerando-as como meios de (profissionais e cotidianos), com a integração social. finalidade de modificá-los na direção de Identificar aspectos positivos da melhoria da própria vida. utilização de uma determinada cultura Relacionar informações veiculadas no de movimento. cotidiano aos conhecimentos relativos à Pretende-se despertar o olhar crítico do linguagem corporal, atribuindo-lhes um cidadão perante a enxurrada de elementos novo significado. que prometem transformações miraculosas Proporcionar ao educando condições sobre o corpo, fornecendo ao leitor para uma revisão das atividades condições para uma análise mais apurada culturais que estão disponíveis, para de determinada atividade e identificando que ele possa modificá-las e adaptá-las seus elementos contribuintes à melhoria da em seu benefício ou em benefício do qualidade de vida. seu grupo social. Reconhecer as manifestações corporais Serão fornecidos elementos para de movimento como originárias de interpretar a cultura corporal veiculada necessidades cotidianas de um grupo pelos meios de comunicação como social. ferramenta a serviço de uma Pretende-se despertar no cidadão o determinada visão de vida. Assim, interesse pela observação e análise da poderá o leitor optar pela adoção de um cultura corporal de movimento, levando- padrão externo ou pela construção dos o a compreender que ela se dá como seus próprios referenciais, tomando, resposta aos interesses e à realidade de como base, sua realidade local e social. um determinado grupo social. O que faz Reconhecer criticamente a linguagem surgir uma determinada cultura corporal corporal como meio de integração social, e de que modo ela se modifica histórica considerando os limites de desempenho e socialmente também serão tratados. e as alternativas de adaptação para Analisar criticamente hábitos corporais diferentes indivíduos. do cotidiano e da vida profissional e Possibilitar a compreensão de que a mobilizar conhecimentos para, se cultura corporal de movimento adquire necessário, transformá-los, em função sentido, aproxima as pessoas e torna seus das necessidades cinestésicas. praticantes beneficiários da atividade (de Despertar no educando o olhar para a diversas maneiras). Para tanto, são cultura corporal de movimento que lhe necessárias modificações nas formas está disponível, fornecendo-lhe como as práticas são veiculadas. Assim, o leitor será convidado a uma retomada dos 124 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 124 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor valores de lazer, de desprendimento, para Tomando como base a proposta de sentir-se bem no grupo. ensino por meio da solução de O texto foi estruturado de forma a problemas, o texto, constantemente, proporcionar uma integração entre os chama a atenção do leitor para uma conteúdos específicos da Educação Física diversidade de fatos presentes no (jogo, esporte, dança e ginástica), cotidiano do cidadão comum. São fatos entendendo-os como manifestações da da vida que ele deve encarar e linguagem corporal, meios de solucionar, tomando, como base, ora os comunicar-se na sociedade, práticas elementos trabalhados no texto, ora a repletas de significados específicos e própria experiência pessoal. frutos de um dado contexto social. BIBLIOGRAFIA ANDERSON, R. J. Alongue-se no trabalho: exercícios de alongamento para escritório e computador. São Paulo: Summus, 1998. 108 p. Tradução de Denise Maria Bolanho. BARBANTI, V. J. Aptidão física: um convite à saúde. São Paulo: Manole Dois, 1990. 146 p. BENTO, J. O. As funções da educação física. Revista Horizonte, n. 45, 1991. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Ensino Médio e Tecnológico. Parâmetros Curriculares Nacionais: do ensino médio: linguagens, códigos e suas tecnologias. Brasília, DF: MEC, 1999. v. 2. DIECKERT, J. (Org.). Esporte de lazer: tarefa e chance para todos. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1984. viii, 184 p. (Educação Física: fundamentação; v.3). Tradução de Maria Lenk. GUEDES, D. P. GUEDES, J. E. R. P. Controle do peso corporal: composição corporal, atividades físicas e nutrição. Londrina: Midiograf, 1998. 311 p. MACEDO, L. Para uma psicopedagogia construtivista. In: ALENCAR, Eunice (Org.). Novas contribuições da Psicologia aos processos de ensino e aprendizagem. São Paulo: Cortez, 1992. 217 p. ______. Os processos de equilibração majorante. Ciência e Cultura, São Paulo, v. 31, n. 10, p. 1125-1128, 1997. MATTOS, M. G.; NEIRA, M. G. Educação Física na adolescência: construindo o conhecimento na escola. São Paulo: Phore, 2000. 139 p. ______. A visão dos parâmetros curriculares nacionais e a Educação Física. v. 2, n. 5, abr./jun. 2000. 125 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 125 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio 126 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 126 11/7/2003, 09:45
    • V OMPREENDER A ARTE COMO SABER CULTURAL E C – Orientação para o trabalho do professor Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio – Capítulo IV ESTÉTICO GERADOR DE SIGNIFICAÇÃO E INTEGRADOR DA ORGANIZAÇÃO DO MUNDO E DA PRÓPRIA IDENTIDADE. A arte no cotidiano do homem Beatriz Dutra de Medeiros e Lídia Mesquita A arte sempre esteve presente no cotidiano com que o aluno compreenda o do homem. A escola atual, a partir dos passado, insira-se no presente e Parâmetros Curriculares Nacionais, está construa o seu próprio futuro. Afinal, é levando professores e alunos a repensarem basicamente no cotidiano que buscamos o papel da arte, firmando-a como mais a compreensão do mundo que nos uma área valiosa do conhecimento cerca. Essa interação com a arte ajuda a humano. Embora muitas escolas formar um cidadão contemporâneo, abordassem a arte nos seus currículos, ela, culto e autoconfiante, que sabe muitas vezes, era usada apenas para respeitar as diferenças humanas e é decorar os espaços escolares no seu dia-a- capaz de colaborar na preservação do dia ou em datas festivas. patrimônio cultural que a humanidade Contudo, nunca se falou tanto em arte no deixará como legado às futuras ambiente escolar como agora. A escola, no gerações. nível do Ensino Básico, deve ter a preocupação de transmitir cultura geral, DESENVOLVENDO A ajudando o estudante a apreciar a arte e a COMPETÊNCIA sentir prazer em conviver com ela, A competência geral aborda a função inserindo suas manifestações no contexto cultural e estética da arte com a histórico e decodificando imagens, sons e finalidade de o estudante desenvolver o movimentos num mundo cada vez mais seu pensamento crítico no entendimento repleto de sistemas simbólicos. do valor das diversas linguagens O objetivo principal deste capítulo é artísticas, tais como artes visuais, música, mostrar ao estudante que as diversas teatro, dança e literatura. Busca-se, com linguagens da arte estão sempre isso, que ele reflita, troque idéias e presentes em sua vida como forma de pesquise sobre a organização do mundo expressão e comunicação, a fim de fazer em que vive, localizando-se nele e 127 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 127 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio contribuindo, assim, para a compreensão que, muitas vezes, são de crítica ou de da sua própria identidade. valorização da própria sociedade. Identificar em manifestações culturais Utilizar os conhecimentos sobre a individuais e/ou coletivas elementos relação arte e realidade, para analisar estéticos, históricos e sociais. formas de organização de mundo e de Quanto à habilidade, é importante que o identidades. estudante exercite e eduque o seu olhar, No caso desta habilidade, o estudante identificando, nas diversas manifestações deve utilizar os conhecimentos entre o de um indivíduo ou de um povo, concreto e o virtual, o sonho e a elementos estéticos (cor, forma, som, realidade, para entender que o artista ritmo, movimento...), históricos (registros seleciona, escolhe, reordena, recria, de fatos do passado ou do presente) e reedita o que vê e o que sente do mundo sociais (organização de grupos). Como que o cerca. As representações artísticas sabemos que toda representação artística podem surgir, então, apenas de um é um “texto”, o aluno, ao perceber essas sonho ideal ou até de uma chocante diversidades, estará fazendo uma leitura realidade. reflexiva da obra e do processo de É interessante notar que toda obra produção da humanidade. Portanto, a apreciada ganha outros significados na compreensão da linguagem artística é observação e na leitura feita por cada um instrumento valioso na formação do espectador. saber estético e cultural do homem. Analisar criticamente as diversas Reconhecer diferentes funções da arte, produções artísticas como meio de do trabalho e da produção dos artistas explicar diferentes culturas, padrões de em seus meios culturais. beleza e preconceitos artísticos. Quando se está diante de uma obra de arte, Através da história da arte e dos seus é preciso saber que ela é mais que um contextos, o estudante deve visualizar o conjunto de elementos estéticos. É passado e o presente, para que possa necessário pensar, também, que ela tem um analisar criticamente produções artísticas autor, o artista que a produziu, pensando que o levem a explicar mais facilmente em comunicar algo específico a um ou mais diferentes culturas do mundo, padrões de observadores. Uma representação artística beleza temporais ou raciais e até pode transmitir, no seu contexto, alegria, desmistificações de preconceitos. Isso angústia ou tristeza, reproduzindo um fato nos leva a entender e a valorizar as histórico, político ou social. diversidades das produções artísticas da Nesta habilidade, o estudante deverá ser humanidade, através das artes visuais e capaz de reconhecer as funções das cênicas, da música, da dança e da obras de arte, analisando-as mais literatura. detalhadamente e atingindo, assim, os Para essa habilidade, podem-se buscar objetivos dos artistas que a produziram e em produções artísticas brasileiras, como 128 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 128 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor as de Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, As imagens do capítulo devem ser Djanira ou Mestre Vitalino, exemplos de utilizadas como fonte de observação e valorização da nossa cultura e do nosso complemento do estudo. Outras imagens padrão de beleza, sem os preconceitos e outros exemplos podem ser utilizados do Academicismo. para enriquecimento e internalização dos Reconhecer o valor da diversidade conhecimentos apresentados. artística e das inter-relações de Dentre outras orientações, o professor elementos que se apresentam nas deverá mostrar diferentes funções da arte manifestações de vários grupos sociais na sua própria sociedade, tornando e étnicos. possível ao estudante o reconhecimento Essa habilidade é muito importante para da integração do saber cultural e estético que o estudante seja capaz de reconhecer na organização do mundo e da que toda obra artística, em qualquer identidade de homens e mulheres. tempo, é a expressão de uma cultura, daí Deve-se enfatizar como, no tempo atual, a diversidade de elementos encontrada as mudanças influenciam diretamente as em cada grupo social e étnico. relações sociais, pessoais e a própria Na sociedade contemporânea noção de indivíduo no mundo, presenciamos constantes mudanças. Elas procurando, através desses exemplos, o são responsáveis pelo fato de certos entendimento da arte como parte conceitos artísticos serem aceitos ou não, integrante do processo de transformação o que permite à arte ganhar novas na sociedade. formas e significados. É preciso preparar Os objetos de estudo do capítulo não o estudante para as diversidades seguirão necessariamente uma ordem artísticas que o mundo apresenta, cronológica para que se possa fazer uma levando-o a participar do meio social em contextualização com o presente. que vive. Pretende-se dar ao estudante da EJA OBSERVAR, DISCUTIR E ANALISAR uma visão interdisciplinar das linguagens artísticas, facilitando, assim, A metodologia adotada para o capítulo o processo de apropriação dos códigos e deve ser essencialmente a da observação, tecnologias da arte. discussão e análise dos fenômenos artísticos para que o próprio estudante As atividades propostas neste capítulo chegue a uma conclusão pessoal sobre a têm como objetivo despertar a arte e suas diferentes manifestações. percepção, a reflexão, o desejo de investigação, bem como compreender, O professor pode partir de situações utilizar e apreciar a arte como uma vivenciadas no dia-a-dia da sua cidade linguagem que sofre transformações em ou região, oferecendo subsídios para que seus conceitos e preconceitos durante a o estudante se inicie na apreciação de história da humanidade. uma obra de arte. 129 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 129 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio No item Desenvolvendo escultura barroca brasileira, que se Competências 1 busca-se mostrar a 1, caracterizou por uma forma de relação entre os conceitos de beleza expressão teatral. Pode-se comparar a expressos na pintura de Di Cavalcanti, na atitude individual de cada profeta, música de Ary Barroso e na poesia de representado com suas características Luiz Peixoto, quando descrevem a mulata bíblicas próprias, e relacioná-lo com o brasileira: “É luxo só”. Chamar a atenção conjunto coreográfico da obra. Essa do aluno para a influência dos meios de obra pode ser analisada por meio da comunicação na formação do gosto da comparação com cenas de grupos de sociedade e nos preconceitos dos padrões dança e teatro do contexto atual do artísticos e para a importância de se estudante, mostrando como cada parte manter uma atitude crítica. é importante na unidade do conjunto. Na arte sacra brasileira, destaca-se o No item Desenvolvendo Barroco Mineiro com a obra do Competências 3 propomos não só a 3, Aleijadinho, que pode ser comparada observação, mas também a realização de com a de outros artistas. No item trabalhos de colagens em papel, colagens Desenvolvendo Competências 2 2, de sons através de gravações musicais ou deve-se comentar a questão da função mesmo de letras de músicas. Essa social da arte na representação da atividade visa à experimentação do simbologia religiosa. Quanto ao aspecto processo artístico para estimular a técnico da arte, deve-se enfatizar a sensibilidade criativa e de transformação representação do movimento na arte da de materiais e meios já existentes. BIBLIOGRAFIA ABRAHÃO, L. M. Música comunicação. 3. ed. São Paulo: Ed. Nacional, 1977. 2 v. COSTA, C. Questões de arte: a beleza do belo, da percepção e do prazer estético. São Paulo: Moderna, 2002. 101 p. (Coleção Polêmica). FEIST, H. (Org.). Arte no Brasil. São Paulo: Nova Cultural, 1986. JANSON, H.W.; JANSON, A. F. Iniciação à história da arte. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996. 475 p. Tradução de Jefferson Luiz Camargo. MANGUEL. A. Lendo imagens: uma história de amor e ódio. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. 358 p. Tradução de Rubens Figueiredo, Rosana Eichemberg, Cláudia Strauch. OLIVEIRA, J.; GARCEZ, L. Explicando a arte. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999. SANTOS, Maria da Graça V. Proença. História da arte. 6. ed. São Paulo: Ática, 1995. 279 p. 130 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 130 11/7/2003, 09:45
    • ANALISAR, INTERPRETAR E APLICAR OS RECURSOS EXPRESSIVOS Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio – Capítulo V DAS LINGUAGENS, RELACIONANDO TEXTOS COM SEUS CONTEXTOS, MEDIANTE A NATUREZA, FUNÇÃO, ORGANIZAÇÃO, ESTRUTURA DAS MANIFESTAÇÕES, DE ACORDO COM AS CONDIÇÕES DE PRODUÇÃO E RECEPÇÃO. Quando as palavras resolvem fazer arte... José Luís M.L. Landeira O objetivo deste capítulo é auxiliar o dimensões expressivas, objetivando um estudante a compreender o fenômeno da efeito estético, mas também social, político comunicação literária. Considerar a e ideológico, conforme os contextos de literatura um fenômeno de comunicação produção e recepção. Tal perspectiva, significa considerá-la uma manifestação naturalmente, polemiza as bases em que se da realidade social e histórica em que a assentam os valores estéticos, linguagem surge como uso expressivo contextualizando-os, mas sem perder de artístico e ideológico, mas também como foco o plano lingüístico do texto. possibilidade ao alcance desse mesmo aluno. DESENVOLVENDO A Houve o esforço por incluir a literatura COMPETÊNCIA na visão de mundo do aluno, sendo isso Identificar categorias pertinentes para a mais importante do que o conhecimento análise e interpretação do texto literário de regras estilísticas que caracterizam e reconhecer os procedimentos de sua um determinado período literário, construção. mesmo o contemporâneo, uma escola A classificação, nos estudos literários, é literária ou um gênero. Tais vasta. Por isso, a opção reside na conhecimentos, entretanto, não são valorização da pertinência das categorias dissociados desse objetivo, como se pode estudadas para a construção do sentido verificar no corpo deste trabalho. do texto literário. Assim, é a partir dos A competência geral que se procura textos literários que se resgatam as desenvolver neste capítulo visa a levar o categorias pertinentes para que o aluno aluno a compreender a literatura como estabeleça uma relação pessoal com o uma manifestação comunicativa artística, texto literário, para apropriar-se do texto situada social e historicamente, em que a como leitor. Acreditamos que isso abre linguagem é aproveitada em suas caminho para a fruição estética. O aluno 131 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 131 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio deverá perceber que o cânon literário Analisar as intenções dos autores na não é fixo, mas sofre as pressões da escolha dos temas, das estruturas, dos comunidade leitora, a que ele, aluno, estilos, gêneros discursivos e recursos pode aceder. expressivos como procedimentos Distinguir as marcas próprias do texto argumentativos. literário e estabelecer relações entre o Ao escolher um gênero de comunicação texto literário e o momento de sua literária e não outro, o autor já faz uma produção, situando aspectos do contexto escolha significativa para a construção histórico, social e político. do sentido desse texto. Aceita as A expressividade do texto literário restrições que o gênero escolhido oferece requer, do leitor, um olhar duplo: por e também passa a participar de um um lado, volta-se para o texto e para a diálogo maior entre esse texto e o riqueza expressiva da linguagem; por conjunto de textos que pertencem ao outro, aproxima esse texto do mundo em mesmo gênero ou que apresentam o que é produzido e lido, procurando mesmo tema. Compreender esse diálogo construir relações pertinentes na facilita o processamento do sentido no elaboração de um sentido de leitura para texto e corrobora para a compreensão da o texto. Para isso, é necessário dar arte literária. conta, no ato de leitura, das distâncias Reconhecer a presença de valores sociais que se estabelecem entre a produção do e humanos atualizáveis e permanentes texto literário e o momento de sua no patrimônio literário nacional. leitura. Para além dos estudos Valores sociais e éticos e conhecimentos lingüísticos, outros ramos do saber de outras realidades estão presentes no colaboram para mostrar a vivacidade do texto literário e são, muitas vezes, ali dinamismo literário. questionados, permitindo a expansão dos Relacionar informações sobre horizontes do leitor. O homem aparece concepções artísticas e procedimentos de como um constante centro do texto construção do texto literário com os literário e da própria linguagem. A crítica contextos de produção para atribuir social, assim como a procura da identidade significados de leituras críticas em particular são, por um lado, reflexos de diferentes situações. um determinado momento histórico e, por A apreciação do texto literário é facilitada outro, constantes universais que se pela compreensão do texto, pela repetem em todas as épocas. Isso porque superação de barreiras psicológicas diante os valores e conceitos que definem o de expressões e vocábulos desconhecidos, indivíduo variam com o tempo, mas não a pela compreensão do papel social da procura constante por essa definição, por literatura e das principais estratégias de valores e conceitos mais próximos do leitura que os textos solicitam na momento e do espaço vividos. construção do sentido. 132 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 132 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor A interação entre texto literário e leitor que permitam autonomia ao leitor, é o aspecto privilegiado neste capítulo. parece importante privilegiar não tanto a Dessa forma, espera-se que as perguntas nomenclatura das categorias do texto abertas possam permitir o literário, mas principalmente a sua amadurecimento de conceitos como pertinência dentro da obra. estética, literatura, poesia etc. Para isso, parece fundamental que o professor Desenvolveram-se, aqui, exercícios de secunde tais atividades com a discussão compreensão do texto, que levaram em em grupo. Por outro lado, considera-se, conta não somente a superfície lingüística também, que a compreensão do texto ,mas também o jogo de implícitos, de facilita a apreciação estética do texto ambigüidades, de metáforas, entre outras literário, tornando-se, em alguns casos, estratégias, de modo a permitir, pela um requisito essencial. Dessa forma, leitura, a apreensão do texto. Além disso, perceber que o texto literário permite encontram-se atividades em que o aluno diversas interpretações, mas não toda e se posiciona diante da obra de arte, qualquer interpretação, é uma classificando-a como literária ou não e preocupação dominante no capítulo e justificando suas respostas. O professor deve estar também no bojo das deve estar atento em perceber, nas preocupações do professor. respostas, a propriedade dos conceitos A interação entre atividades e teoria é que o aluno vai desenvolvendo e a uma estratégia metodológica para capacidade de associar tais conceitos com permitir o amadurecimento dos a situação prática da leitura do texto conceitos por parte do aluno. literário. Embora todos os textos aqui Um aspecto importante, presente no selecionados tenham o estatuto social de capítulo e que deve estar no horizonte de literários, visando a otimizar o contato do trabalho do professor, é o de retomar aluno com a literatura, o professor poderá conceitos já abordados sob uma nova ampliar o leque de atividades, conforme o luz, procurando conduzir a uma reflexão tempo permitir, trazendo outros textos, mais aprofundada. Também, tendo como literários ou não, para submetê-los ao objetivo a formação de competências mesmo tipo de avaliação. BIBLIOGRAFIA BOSI, A. O ser e o tempo da poesia. 32. ed. São Paulo: Cultrix, 1977. 220 p. ______. História concisa da literatura brasileira. 3. ed. São Paulo: Cultrix, 1994. 528 p. CÂNDIDO, A. Estudo analítico do poema. 3. ed. São Paulo: Humanitas, 1996. 103 p. 133 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 133 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio ECO, U. Interpretação e superinterpretação. São Paulo: Martins Fontes, 1997. 184 p. (Coleção Tópicos). Tradução de M.F. EAGLETON, T. Teoria da literatura: uma introdução. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001. 348 p. (Ensino Superior). Tradução de Waltensir Dutra. ISER, W. O ato da leitura: uma teoria do efeito estético. São Paulo: Ed. 34, 1999. 2 v. (Teoria). Tradução de Johannes Kretschmer. MAINGUENEAU, D. Elementos de lingüística para o texto literário. São Paulo: Martins Fontes, 1996. 212 p. (Leitura e critíca). Tradução de Maria Augusta de Matos e Marina Appenzeller. SILVA, V. M. de A. Teoria e metodologia literárias. Lisboa: Universidade Aberta, 1990. VIEIRA, A. O prazer do texto: perspectivas para o ensino de literatura. São Paulo: EPU, 1989. 68 p. (Temas básicos de educação e ensino). 134 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 134 11/7/2003, 09:45
    • COMPREENDER E USAR OS SISTEMAS SIMBÓLICOS DAS Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio – Capítulo VI DIFERENTES LINGUAGENS COMO MEIOS DE ORGANIZAÇÃO COGNITIVA DA REALIDADE PELA CONSTITUIÇÃO DE SIGNIFICADOS, EXPRESSÃO, COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO. A vida em uma sociedade letrada Maria Luiza Marques Abaurre A inserção em uma sociedade letrada procedimentos lingüísticos relativos ao expõe o indivíduo a uma série de textos. trabalho com diferentes gêneros textuais, Reconhecer diferentes gêneros textuais, como veremos a seguir. conhecer os tipos de texto em que se manifestam e atribuir-lhes significado DESENVOLVENDO A por meio da análise de sua estrutura COMPETÊNCIA característica são condições de Reconhecer, em textos de diferentes cidadania. gêneros, temas, macroestruturas, tipos, O propósito deste capítulo é apresentar suportes textuais, formas e recursos ao estudante os diferentes gêneros expressivos. textuais, caracterizando os tipos de texto A primeira habilidade a ser desenvolvida a eles vinculados. pelo estudante diz respeito ao A competência geral a que este capítulo reconhecimento de elementos de está vinculado trata do reconhecimento construção e organização dos diferentes das várias linguagens e do seu uso gêneros textuais. É importante que, no significativo pelos membros de uma momento da leitura e da produção de mesma comunidade. textos, ele saiba, por exemplo, que a Por meio da linguagem, construímos apresentação de um acontecimento deve conhecimento, refletimos sobre o mundo ser associada a um texto do gênero que nos cerca, interpretamos a realidade, narrativo (narrativa, crônica, relato) e expressamos emoções e sentimentos. Nesse que a elaboração de um texto sentido, é imprescindível para o cidadão instrucional exige o domínio do gênero fazer uso das várias linguagens de modo a expositivo. garantir sua inserção social plena. Além de ser capaz de selecionar As várias habilidades relacionadas a esta corretamente o gênero a ser utilizado competência procuram evidenciar os 135 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 135 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio para cumprir uma determinada função exemplo muito evidente desse tipo de textual, o estudante também precisa procedimento é a apresentação de Capitu reconhecer suas estruturas feita pelo narrador-personagem, Bento características. Isso implica, no caso do Santiago, no romance Dom Casmurro, de texto narrativo, ter conhecimento dos Machado de Assis). Ao trabalhar com conceitos de foco narrativo, personagem, um texto dissertativo, por outro lado, enredo, cenário e tempo. No caso da será importante que o estudante consiga dissertação, ser capaz de identificar perceber a organização dos argumentos argumentos, perceber quando o que se e analisar de que maneira essa apresenta é um fato ou a análise de um organização contribui para a construção fato e quando o autor do texto constrói de uma conclusão convincente: uma conclusão com base nos • O autor do texto iniciou pela argumentos apresentados. O trabalho apresentação de um fato que, mais com o texto persuasivo exigirá do adiante, é tomado como símbolo de estudante a capacidade de reconhecer as um comportamento a ser evitado? estratégias de convencimento • O autor do texto opta por apresentar, normalmente utilizadas nesse tipo de logo ao início, a conclusão a que texto (o uso de formas verbais pretende chegar para, por meio da flexionadas no imperativo, o uso argumentação, deixar evidente que tal recorrente de pronomes pessoais, a conclusão é necessária quando se apresentação de qualidades sedutoras de consideram determinados fatos e um produto/serviço que se deseja argumentos? “vender” etc.) Analisar a função predominante Identificar os elementos que concorrem (informativa, persuasiva etc.) dos textos, para a progressão temática e para a em situações específicas de interlocução, organização e estruturação de textos de e as funções secundárias, por meio da diferentes gêneros e tipos. identificação de suas marcas textuais. No caso dessa habilidade, espera-se que o Esta habilidade é muito importante no estudante seja capaz de perceber aspectos momento da leitura e da compreensão de estruturais dos textos que trabalham para textos. Quando se está diante de um garantir o desenvolvimento da questão texto, é preciso lembrar que ele é mais neles tematizada, organizando-os de do que um conjunto de palavras: ele tem modo a se enquadrarem em um gênero um autor, que o escreveu pensando em específico. um tipo específico de leitor (seu Pode-se pensar, por exemplo, de que interlocutor preferencial); esse autor maneira a caracterização de uma também pretende alcançar algum efeito personagem, em um texto narrativo, específico com seu texto (convencer, contribui para que o leitor aceite o juízo comover, expor, instruir...). que dela se faz naquele texto (um 136 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 136 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor Se formos capazes de identificar qual a que compartilhamos, como povo, nos função associada a um determinado confere identidade (individual e social); texto, teremos como analisá-lo de modo e de que maneira, também por meio da mais eficiente, porque estaremos atentos linguagem, construímos, preservamos e para os recursos utilizados pelo autor transmitimos a memória do povo do para atingir seu objetivo. Os textos qual fazemos parte. publicitários, por exemplo, fazem uso da interlocução direta para que o leitor se Conhecer o significado de texto texto, sinta “valorizado”, para que tenha a contexto e interlocução é o passo sensação de que aquele texto (e, por inicial para que possam ser feitas conseqüência, o produto/serviço que algumas perguntas essenciais ao pretende vender) foi escrito por alguém trabalho com diferentes tipos de texto: que pensou nele. • Em que contexto um determinado tipo Relacionar textos ao seu contexto de de texto é utilizado?; produção/recepção histórico, social, • A quem se destina (isto é, quem é o político, cultural, estético. seu interlocutor preferencial)?; Todo texto está inserido em um contexto • Que propósito se pretende alcançar de produção e de recepção. Para com ele? compreendê-lo, somos obrigados a identificar tais contextos no momento de Para melhor organizar a apresentação leitura. Perceber, por exemplo, que um dos diferentes tipos de texto, achamos determinado cartum faz referência a um interessante utilizar, como parâmetro, a acontecimento do mundo político, função a eles associada. Assim, o caráter significa compreender que seu autor narrativo expositivo ou persuasivo de narrativo, pretendeu criticar tal acontecimento, o um texto será utilizado como parâmetro que permite que se identifique a própria para associá-lo a um determinado crítica feita. gênero discursivo (definido por uma temática específica e caracterizado por Reconhecer a importância do patrimônio marcas estilístico-gramaticais lingüístico para a preservação da identificáveis), realizado memória e da identidade nacional. predominantemente em um tipo de texto Toda língua é criação e expressão de específico. uma cultura. Dominá-la, valer-se dela Associados à função narrativa, foram como instrumento de leitura e caracterizados o relato, a narrativa e a interpretação do mundo significa crônica. Associados à função expositiva, participar de modo ativo dessa cultura e foram caracterizados a dissertação, o é condição necessária para o exercício texto jornalístico e o texto instrucional. pleno da cidadania. Nesse sentido, é À função persuasiva, foram associados importante que o estudante reconheça de os textos publicitários e as cartas que maneira o patrimônio lingüístico argumentativas. 137 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 137 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio Ao longo do capítulo, foram propostas um grupo de jovens de tendência atividades de natureza diferente, para neonazista, conhecidos como “Carecas permitir que o estudante exercite as do ABC”. Essa atividade também permite habilidades necessárias para o trabalho que o professor oriente os estudantes com diferentes gêneros textuais. sobre como proceder para resolver O primeiro grupo de exercícios foi questões objetivas (de múltipla escolha). pensado para que ele pudesse avaliar O terceiro exercício proposto pretende dois exemplos a partir da definição de que o aluno reconheça, no texto de uma texto. Uma interessante estratégia de notícia extraída de um jornal de grande utilização dessas atividades seria orientar circulação, os elementos básicos desse o estudante para identificar os elementos tipo de texto. Por meio da leitura atenta textuais constitutivos de cada um dos da notícia, o estudante deve ser capaz de exemplos, à semelhança do que foi feito identificar sobre o que ela fala, quem no capítulo. Pode-se, além disso, protagonizou o fato, onde, quando e por começar a trabalhar com a noção de que tal fato ocorreu. O objetivo dessa contexto, que deverá ser trabalhada na atividade é permitir que ele reconheça seqüência, porque o primeiro texto uma característica estrutural do texto apresentado é uma oferta de emprego jornalístico. para supervisores (texto que costuma O último exercício foi elaborado para aparecer em cadernos classificados de permitir que o estudante desenvolva jornais) e o segundo texto é um cartum, um texto com características texto de caráter crítico e que, nesse caso persuasivas. Criada uma situação específico, alude às conseqüências específica (a insatisfação com os destrutivas do desmatamento serviços prestados por um fornecedor descontrolado. leva ao envio de uma reclamação para O segundo grupo de exercícios envolve o um jornal), o estudante deverá reconhecimento do contexto específico identificar os argumentos a serem de uma tira de quadrinhos. É provável apresentados para demonstrar que o que o professor precise auxiliar o prestador de serviços não cumpriu a estudante na identificação do contexto sua parte em uma transação comercial da tira, porque os quadrinhos aludem a e que, portanto, esse consumidor deve um comportamento preconceituoso de ser indenizado. BIBLIOGRAFIA BRONCKART, J.-P. Atividades de linguagem, texto e discurso: por um interacionismo sócio-discursivo. São Paulo: Educ, 1999. 353 p. Tradução de Anna Rachel Machado e Péricles Cunha. 138 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 138 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor DIONISIO, A. P.; MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A. (Org.). Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002. 229 p. FIORIN, J. L.; SAVIOLI, Francisco Platão. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 1996. 416 p. GARCIA, O. M. Comunicação em prosa moderna. 17. ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 1996. xxxi, 522 p. GNERRE, M. Linguagem, escrita e poder. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1994. 115 p. (Texto e linguagem). KOCH, I. G. V. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez, 2002. 168 p. ______. A inter-ação pela linguagem. 2. ed. São Paulo: Contexto, 1995. 115 p. (Repensando a língua portuguesa). ______. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 1997. 124 p. (Caminhos da linguística). LUFT, C. P. Língua & liberdade: o gigolô de palavras: por uma nova concepção de língua materna. 3. ed. Porto Alegre: L&PM, 1985. 111 p. (Coleção universidade livre). 139 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 139 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio 140 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 140 11/7/2003, 09:45
    • C – Orientação para o trabalho do DE VISTA V ONFRONTAR OPINIÕES E PONTOS professor SOBRE Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio – Capítulo VII AS DIFERENTES LINGUAGENS E SUAS MANIFESTAÇÕES ESPECÍFICAS. Defendendo idéias e pontos de vista Maria Sílvia Olivi Louzada Este capítulo pretende desenvolver no comprová-la de modo que, ao se chegar a estudante competências e habilidades que uma conclusão que reforce essa tese, lhe possibilitem confrontar opiniões e leve-se o interlocutor a também crer nela. pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas. Tese Argumentos Conclusão Desta forma, o foco principal recai sobre Para o estudante é, ainda, importante o estudo da argumentação, compreender que aquele que fala ou compreendida, em sentido amplo, como escreve deseja realizar uma ação sobre a atividade de linguagem destinada a quem ouve ou lê, pois quer que seu fazer o interlocutor aceitar o que lhe foi interlocutor, muito além de receber e dito, a levá-lo a acreditar e a fazer o que compreender a mensagem, fique lhe foi proposto. convencido daquilo que se diz, que Quando se argumenta, defende-se uma aceite ou faça o que se propõe. Pode-se tese ou um ponto de vista. Quando a dizer que um ato de comunicação entre tese não é aceita pelo interlocutor, ocorre as pessoas exige que quem fala ou o processo de contra-argumentação, em escreve procure, através de estratégias que este, para refutar a tese ou ponto de diversas, fazer o outro crer naquilo que vista proposto, elabora contra- está sendo dito ou escrito. argumentos que, por sua vez, serão É fundamental, ainda, compreender que a propostos para o convencimento do imagem que os interlocutores fazem uns locutor. É desta forma que se instala o dos outros é importante para a produção diálogo, o debate de idéias entre as e leitura dos textos argumentativos, isto pessoas na sociedade. é, a pressuposição de um certo tipo de O esquema a seguir procura representar “auditório” é orientadora do ato esse processo em que se defende uma tese comunicativo, das estratégias e das e, para isso, buscam-se argumentos para opções discursivas e textuais. 141 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 141 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio Nessa busca de convencimento do É importante que o estudante perceba interlocutor, quem produz o texto oral que a argumentação pode realizar-se por ou escrito utiliza-se de diferentes muitos “caminhos” textuais: através da estratégias (a sedução, a chantagem, a charge, do comentário, da reportagem, intimidação, a comoção etc) e também da dissertação, dos quadrinhos etc. Se de muitos procedimentos discursivos, ele conhece e aprende os modos de tais como: organização desses diferentes textos, • as citações de nomes e textos de poderá desenvolver critérios para optar autores, políticos, pensadores por um texto ou outro quando tiver que (argumentos de autoridade argumentos autoridade); expor um ponto de vista. • as crenças e valores compartilhados Neste capítulo, também se procura entre os interlocutores, os ditados construir e reforçar para o estudante a populares, as máximas e axiomas, organização da dissertação, partindo-se demonstráveis por si mesmos da observação do texto lido: a tese (argumentos baseados no consenso argumentos consenso); proposta, suas partes perfeitamente articuladas, os argumentos apresentados, • os fatos, cifras e estatísticas, os dados a confirmação da tese em forma de históricos confiáveis e fidedignos conclusão. (argumentos baseados em provas argumentos concretas); concretas O capítulo foi organizado de tal modo que ao estudante se apresenta, • as relações de causa/conseqüência inicialmente, um texto ou situação e, a entre as proposições (argumentos com argumentos partir de sua problematização, vão-se lógico); base no raciocínio lógico construindo com ele os conceitos e as • o modo de dizer que dá confiabilidade reflexões para desenvolver-lhe as ao que se diz (argumento da argumento seguintes habilidades: lingüística). competência lingüística • Reconhecer, em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não-verbais DESENVOLVENDO A utilizados com a finalidade de criar e COMPETÊNCIA mudar comportamentos e hábitos. Assim, no capítulo, os estudantes • Relacionar, em diferentes textos, deverão ter noção de argumento e opiniões, temas, assuntos, recursos contra-argumento e de alguns desses lingüísticos etc, identificando o tipos de argumentos. No entanto, cabe diálogo entre as idéias e o embate dos ao professor levá-los, se desejar, a interesses existentes na sociedade. conhecer, também, outros procedimentos • Inferir em um texto os objetivos do argumentativos importantes para realizar produtor e o seu público alvo pela o convencimento do interlocutor: as identificação e análise dos figuras de pensamento e de sintaxe, a procedimentos argumentativos escolha lexical, as expressões de valor utilizados. fixo, a ironia, a paródia, a alusão. 142 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 142 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor • Reconhecer, no texto, estratégias para pesquisar e conferir dados e argumentativas empregadas para o informações, ou a proposta de convencimento do público, tais como a intervenção social a partir do tema intimidação, sedução, comoção, estudado. chantagem, entre outras. As atividades de produção de textos • Reconhecer que uma intervenção propostas aos estudantes têm por social consistente exige uma análise fundamento o pressuposto de que a crítica das diferentes posições escrita precisa ser planejada para ser expressas pelos diversos agentes eficaz e que faz parte deste sociais sobre um mesmo fato. planejamento: o levantamento prévio de As atividades propostas para o dados sobre o assunto sugerido pelo estudante buscam refletir com ele sobre quadro, a seleção e decisão sobre quais os textos apresentados, observando os dados/argumentos serão utilizados, a procedimentos e estratégias decisão sobre o modo de apresentação argumentativas, os recursos verbais e dos dados e argumentos no texto não-verbais utilizados. Outras exigem a (ordem, citações, dados estatísticos etc). interlocução com diferentes pessoas BIBLIOGRAFIA CASTRO, M. F. P. Aprendendo a argumentar: um momento na construção da linguagem. Campinas, SP: Ed. Unicamp, 1992. 292 p. (Momento). CITELLI, A. Linguagem e persuasão. 2. ed. São Paulo: Ática, 1986. 77 p. (Princípios, 17). ______. O texto argumentativo. São Paulo: Scipione, 1994. 76 p. (Ponto de Apoio). GERALDI, J. W. Tópico-argumentativo e orientação argumentativa. In:______. Sobre a estruturação do discurso. Campinas, SP: IEL, 1981. ______. O texto na sala de aula: leitura e produção. 6. ed. Cascavel, PR: ASSOESTE, 1984. 125 p. KOCH, I. G. V. Argumentação e linguagem. São Paulo: Cortez, 1984. 240 p. OSAKABE, H. Argumentação e discurso político. São Paulo: Kairós, 1979. 200 p. (Traços). PERELMAN, C.; OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Tratado da argumentação: a nova retórica. São Paulo: Martins Fontes, 1996. xxi, 653 p. Tradução de Maria Ermantina Galvão. 143 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 143 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio 144 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 144 11/7/2003, 09:45
    • C – Orientação E USAR A LÍNGUA PORTUGUESA V OMPREENDER para o trabalho do professor Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio – Capítulo VIII COMO LÍNGUA MATERNA, GERADORA DE SIGNIFICAÇÃO E INTEGRADORA DA ORGANIZAÇÃO DO MUNDO E DA PRÓPRIA IDENTIDADE. Das palavras ao contexto Eliane Aparecida de Aguiar O ensino de língua materna é, sobretudo, consciência o indivíduo terá das um ensino que leva o estudante a ferramentas adequadas e eficazes ao ato descobrir-se como sujeito de um comunicativo, desenvolvendo sua determinado espaço, tempo, cultura. Sua capacidade de fala e escrita e se função é permitir que esse estudante constituindo como sujeito apto a pense, reflita e confronte sua fala e escrita transitar pelos diversos contextos às mais variadas situações e contextos. representados por essa língua. Por isso, o propósito deste capítulo é levá-lo ao reconhecimento de variedades DESENVOLVENDO A lingüísticas articuladas ao grupo social e COMPETÊNCIA ao espaço dos falantes dessa língua, a Identificar, em textos de diferentes fim de que possa, além de dominar as gêneros, as variedades lingüísticas normas ensinadas na escola, ter sociais, regionais e de registro e conhecimento e domínio da língua nas reconhecer as categorias explicativas diversas situações que a vida lhe impõe. básicas da área, demonstrando domínio Essa competência diz respeito ao do léxico da língua. reconhecimento de que a língua materna Esta habilidade diz respeito ao é o meio pelo qual o indivíduo nomeia reconhecimento das variedades sociais, as coisas do mundo e integra-se a elas: regionais e de registro da língua pensa suas idéias, cria valores e portuguesa. É importante que o singularidades, gera igualdades e estudante perceba, através de textos de diferenças, constrói relações. diferentes gêneros, que uma mesma Assim, quanto mais souber de sua língua língua pode ser usada de modo diferente, (estruturas, variedades regionais, estruturas, dependendo do contexto (de formalidade sociais, individuais, culturais mais culturais), e coloquialidade) no qual está inserida. 145 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 145 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio Quanto maior for o contato com essas Analisar, em um texto, os mecanismos variedades, maior será o conhecimento lingüísticos utilizados na construção da que o falante terá de sua língua, mais argumentação. recursos expressivos poderá aprender. O estudante deve estar habilitado a Reconhecer, em textos de diferentes reconhecer o conteúdo e a estrutura de gêneros, as marcas lingüísticas que um texto, estabelecendo relações, singularizam as diferentes variedades e identificando informações, refletindo identificar os efeitos de sentido sobre a construção da argumentação, ou resultantes do uso de determinados seja, ele deve perceber os recursos recursos expressivos. utilizados pelo autor para defender uma Com esta habilidade, espera-se que o idéia (como apresenta o tema, que estudante possa identificar as marcas argumentos escolhe, como conclui, como fonéticas, morfológicas, sintáticas e se posiciona), compreendendo que as semânticas que tornam singulares as escolhas feitas sempre têm uma diferentes variedades da língua. Sendo intencionalidade: podem servir para textos de diferentes gêneros, o estudante convencer o leitor, para causar dúvida, deve ser capaz de compreender, por meio para vender, para explicar etc. dessas marcas, que efeitos de sentido o Identificar a relação entre preconceitos autor cria, a fim de mostrar um sociais e usos da língua, construindo, a conhecimento, uma visão de mundo, um partir da análise lingüística, uma visão conteúdo intelectual, emoções, desejos etc. crítica sobre variação social e regional. Identificar pressupostos, subentendidos e Espera-se que o estudante tenha implícitos presentes em um texto ou consciência, a partir da análise associados ao uso de uma variedade lingüística (ou seja, das características lingüística em um contexto específico. semânticas), sintáticas, morfológicas, semânticas Com esta habilidade, espera-se que o de que cada variedade tem suas regras, estudante seja capaz de inferir, em um sua estrutura e seus efeitos. Conhecer texto (falado/escrito), as possíveis essas variedades, refletindo sobre essas intenções do autor e perceber os regras, é o meio mais adequado para se processos de convencimento utilizados perceber que nenhuma variedade é para atuar sobre o leitor/ interlocutor. superior ou inferior, é certa ou errada, e Em outras palavras, ele precisa estar que todas cumprem adequadamente seu habilitado a identificar as posições do papel: permitem que os falantes opinem, autor, seus valores (sociais, culturais, sociais, defendam idéias, relatem histórias, se históricos com base nas idéias que históricos) integrem ao mundo. derivam da escolha de determinadas O que se pretende com essa habilidade é palavras, da inserção de outros textos, que o estudante possa ampliar o domínio da variedade lingüística empregada, do de recursos expressivos da linguagem, gênero de texto escolhido etc. colocando-se adequadamente frente às 146 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 146 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor mais diversas situações de comunicação, Na terceira parte apresentamos a parte, sem, no entanto, desvalorizar a variedade noção de subentendido e implícito no lingüística que domina. texto. Para isso, criamos algumas Para organizar a apresentação da língua situações de leitura em que o estudante materna, suas variedades e diferentes precisa perceber que, para além do que contextos, optamos por dividir este está explícito no texto apresentado, capítulo em três partes. existem informações que precisam ser deduzidas, inferidas pelo leitor. Na primeira parte, apresentamos o conceito de gramática internalizada, de Apresentamos, ao longo do capítulo, variedades lingüísticas e uso intencional várias propostas de atividades diferentes a dessas variedades para a produção de fim de que o estudante possa desenvolver efeitos de sentidos. Introduzimos, as habilidades necessárias para a também, a idéia de que a escola compreensão e uso da língua materna. apresenta mais uma variedade É importante que o professor leve o lingüística – a culta padrão – aluno a perceber que o capítulo todo privilegiada e escolhida como modelo apresenta, direta ou indiretamente, para várias situações de fala e escrita. O várias situações que precisam ser estudante precisa reconhecer que o pensadas e resolvidas por ele. As ensino da língua padrão é um recurso situações indiretas são aquelas mediante o qual o sujeito constrói suas apresentadas mediante perguntas feitas relações e desenvolve uma consciência ao leitor (Você fala assim? O que você de sua fala e escrita. No entanto, é pensa disso? O que faria em tal situação? necessário que ele tenha consciência de Como escreveria tal texto?). Como que essa variedade não é superior às sugestão de trabalho, o professor pode outras, pois isso pode gerar preconceito criar debates entre os alunos, lingüístico. incentivando que pensem sobre as Na segunda parte, falamos sobre a parte situações. Também pode pedir que eles língua escrita e o mundo. Introduzimos tragam para os debates, a partir de o conceito de língua ágrafa e gráfica, a experiências pessoais, soluções para os fim de que o estudante localize o lugar problemas apresentados. da Língua Portuguesa. Ele precisa As situações diretas são aquelas que compreender que o conhecimento da apresentam atividades como Receita de língua escrita é uma forma de expressão bolo e Poeta da roça que direcionam o roça, que pode garantir-lhe direitos e definir estudante para a compreensão das papéis. Para isso, é preciso adequar a variedades lingüísticas regionais e sociais, linguagem ao tipo de texto exigido pelo levando-o a perceber que, dentro de um contexto. Nesta parte, também mesmo país, há vários jeitos de se usar a introduzimos a noção de ortografia no língua e várias formas de nomear as ensino de língua materna. coisas. Como sugestão de trabalho, o 147 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 147 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio professor pode pedir que os estudantes apresentar modelos de textos adequados realizem pequenas pesquisas sobre falares a esses contextos, a fim de que seus regionais, comparando o modo como as alunos possam produzir textos pessoas de sua própria região ou de seu semelhantes. grupo social falam com os falares de Apresentamos, por fim, duas situações outras regiões ou grupos sociais. em que a grafia de uma palavra pode Apresentamos, também, atividades como criar transtornos, maiores ou menores, Fazendo contrato e Entrevista de para quem lê, dependendo do contexto. emprego em que a escrita deve ser emprego, O professor pode pedir que seus alunos contextualizada para que possa ser tragam outras situações parecidas para eficiente. A sugestão, nestes casos, é de serem discutidas, analisadas e trabalho com a escrita. O professor pode solucionadas em grupo. BIBLIOGRAFIA BAGNO, M. Preconceito lingüístico: o que é, como se faz. 9.ed. São Paulo: Edições Loyola, 2001. 186 p. ______. A língua de Eulália: novela sociolingüística. São Paulo: Contexto, 2001. 215 p. FÁVERO, L. L.; ANDRADE, M. L. C. V. D.; AQUINO, Z.G.O. Oralidade e escrita: perspectiva para o ensino de língua materna. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2000. 126 p. GARCIA, O. M. Comunicação em prosa moderna: aprenda a escrever, aprendendo a pensar. 14.ed. Rio de Janeiro: FGV, 1988. 522 p. KLEIMAN, Â. Oficina de leitura: teoria & prática. 8. ed. Campinas: Pontes, 2001. 102 p. KURY, Adriano da Gama. Para falar e escrever melhor o Português. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989. 275 p. KUPSTAS, M. (Org.). Educação em debate. São Paulo: Moderna, 1998. MARTINS, W. A palavra escrita: história do livro, da imprensa e da biblioteca. 3. ed. rev. atual. São Paulo: Ática, 1998. 519 p. (Temas, v. 49). MURRIE, Z. de F. (Org.). O ensino de Português do primeiro grau à universidade. São Paulo: Contexto, 1992. 98 p. (Repensando o ensino). MURRIE, Z.; VIEIRA, A.; LOPES, H. Universos da palavra: da alfabetização à literatura. São Paulo: Iglu, 1995. 167 p. (Reflexão e ação no magistério). PRETI (Org.). Análise de textos orais. 2. ed. São Paulo: Felch, 1993. 236 p. (Projetos paralelos; v. 1) VANOYE, F. Usos da linguagem: problemas e técnicas na produção oral e escrita. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1987. 243 p. (Ensino superior). Tradução de Clarisse M. Saboia et al. 148 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 148 11/7/2003, 09:45
    • Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio – Capítulo IX ENTENDER OS PRINCÍPIOS/ A NATUREZA/ A FUNÇÃO/E O IMPACTO DAS TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO E DA INFORMAÇÃO, NA SUA VIDA PESSOAL E SOCIAL, NO DESENVOLVIMENTO DO CONHECIMENTO, ASSOCIANDO- OS AOS CONHECIMENTOS CIENTÍFICOS, ÀS LINGUAGENS QUE LHES DÃO SUPORTE, ÀS DEMAIS TECNOLOGIAS, AOS PROCESSOS DE PRODUÇÃO E AOS PROBLEMAS QUE SE PROPÕEM SOLUCIONAR. Tecnologias de comunicação e informação: presença constante em nossas vidas Paulo Marcelo Vieira Pais As novas tecnologias de comunicação e DESENVOLVENDO A de informação estão presentes e exercem COMPETÊNCIA sua influência em praticamente todos os • Reconhecer a função e o impacto lugares do nosso planeta. Seja nos grandes social da diferentes tecnologias de centros comerciais das metrópoles, seja no comunicação e informação. meio da floresta amazônica, é possível sentir seu impacto na vida pessoal e social • Identificar, pela análise de suas de qualquer cidadão. Pela magnitude de linguagens, as tecnologias de sua importância na vida humana comunicação e informação. contemporânea, o acesso à informação por • Associar as tecnologias de comunicação meio de tecnologias como o computador e de informação aos conhecimentos pode ser considerado fator determinante científicos, aos processos de produção e da inclusão ou exclusão social. aos problemas sociais. • Relacionar as tecnologias de comunicação e informação ao desenvolvimento das sociedades e ao conhecimento que elas produzem. • Reconhecer o poder das tecnologias de comunicação como formas de aproximação entre pessoas e povos, organização e diferenciação social. 149 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 149 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio Esse capítulo busca, em primeiro lugar, A primeira atividade proposta objetiva fazer o aluno refletir sobre a necessidade levar o aluno a perceber a presença das e a capacidade do ser humano de se tecnologias de comunicação e comunicar, acumular e transmitir informação em sua vida. A resposta é informações, relacionando essa pessoal, importando mais que o aluno capacidade à produção de cultura e identifique e reconheça essa presença em associando-a aos processos de seu cotidiano. comunicação e informação relativos aos A segunda atividade, semelhante à meios e suas tecnologias. As tecnologias primeira também, é de resposta pessoal. são analisadas em função das O objetivo é fazer com que o aluno características de linguagem que utilizam. perceba a importância das tecnologias de As principais tecnologias de informação e comunicação em sua vida. comunicação e informação são Nessa atividade, é bastante provável que abordadas a partir de três recortes o aluno não encontre uma resposta temáticos: adequada, proporcionando ao professor • tecnologias gráficas e de impressão, a oportunidade de criar um espaço de como em livros, revistas, mensagens reflexão sobre a função e o impacto das publicitárias em placas, cartazes e tecnologias na vida de cada um. outdoors, embalagens de produtos, A terceira e a quarta atividades buscam comunicação visual em meios de desenvolver no aluno a habilidade de transporte, fachadas de edifícios etc; identificar, pela análise de suas • tecnologias eletrônicas audiovisuais, linguagens, as tecnologias de como telefone, rádio, televisão, comunicação e informação. A terceira indústria fonográfica etc; tem como objetivo fixar os conceitos de linguagem verbal e não-verbal, e a • tecnologias de informática multimeios, quarta atividade, identificar as como redes de comunicação digitais características de linguagem dos (intranets, Internet, Web e correio diferentes meios de comunicação. eletrônico), banco de dados digitais, cartões eletrônicos, comércio eletrônico, bibliotecas virtuais etc. BIBLIOGRAFIA ARGAN, G. C. História da arte como história da cidade. São Paulo: Martins Fortes, 1992. 280 p. (Coleção A). Tradução de Pier Luigi Cabra. BENJAMIN, W. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre a literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1985. 253 p. (Olhos escolhidos, v. 1) Tradução de Sérgio Paulo Rouanet. 150 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 150 11/7/2003, 09:45
    • V – Orientação para o trabalho do professor BÓTTERO, J. et al. Cultura, pensamento e escrita. São Paulo: Ática, 1995. 200 p. Tradução de Rosa Maria Boaventura (francês), Walter Lellis Siqueira (inglês). BRETON, P. História da informática. São Paulo: Edusp, 1991. 260 p. Tradução de Elcio Fernandes. BURKE. P. (Org.). A escrita da história. 2. ed. São Paulo: Edusp, 1992. 354 p. (Biblioteca básica). Tradução de Magda Lopes. DERTOUZOS, M. O que será: como o novo mundo da informação transformará nossas . vidas. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. 413 p. Tradução de Celso Nogueira. DOMINGUES, D. (Org.). A Arte no século XXI: a humanização das tecnologias. São Paulo: Edusp, 1997. 374 p. (Primas). ECO, U. Apocalípticos e integrados. São Paulo: Perspectiva, 1979. 386 p. (Coleção Debates, v. 19). Tradução de Pérola de Carvalho. FEBVRE, L.P.V.; MARTIN, H-J. O aparecimento do livro. São Paulo: Ed. UNESP, 1992. 572 p. Tradução de Fulvia M.L. Moretto, Guacira Marcondes Machado. GIL, Vicente. A revolução dos tipos. São Paulo, 1999. 278 p. Tese (Doutorado) - Área de Concentração, Projeto de Produto e Comunicação Visual, Universidade de Sâo Paulo. LA TAILLE, Y. J. J-M. R. Ensaio sobre o lugar do computador na Educação. São Paulo: Iglu, 1990. 219 p. LÉVY, P. A inteligência coletiva: uma antropologia do ciberespaço. São Paulo: Loyola, 1998. 212 p. Tradução de Luiz Paulo Rouanet. MACHADO, A. Máquina e imaginário: o desafio das poéticas tecnológicas. 2. ed. São Paulo: Edusp, 1996. 313 p. MARTINS, W. A palavra escrita: história do livro, da imprensa e da biblioteca. 2. ed. São Paulo: Ática, 1996. 519 p. (Temas, v. 49). MCLUHAN, M. A galáxia de Gutemberg: a formação do homem tipográfico. São Paulo: Nacional/Edusp, 1972. MEGROPONTE, N. A vida digital. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. 210 p. Tradução de Sergio Tellardi. MOLES, A. Arte e computador. Porto: Afrontamento, 1990. 271 p. (Grande angular; v. 3) Tradução de Pedro Barbosa. MORIN, E. Cultura de massas no século XX: o espírito do tempo. 4. ed. São Paulo: Forense, 1977. v. 2. Tradução de Maura Ribeiro Sardinha. 151 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 151 11/7/2003, 09:45
    • Livro do Professor – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Ensino Médio OLIVEIRA, R. de. Informática educativa: dos planos e discursos à sala de aula. Campinas: Papirus, 1997. OLSON, D.; TORRANCE, N. Cultura escrita e oralidade. São Paulo: Ática, 1996. 286 p. (Múltiplas escritas). Tradução de Valter Lellis Siqueira. PARENTE, A. (Org.). Imagem e máquina: a era das tecnologias do virtual. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993. 300 p. (Tans). SALOMON, S. W. Informática: um mundo acessível. São Paulo: Maltese, 1991. 219 p. (Desenvolvimento gerencial). SANDHOLTZ, J. H. et al. Ensinando com tecnologia: criando salas de aula centradas nos alunos. Porto Alegre: Artmed, 1997. 196 p. (Biblioteca Artes Médicas: Psicopedagogia). Tradução de Marcos Antonio Guirado Domingues. 152 LÌngua Portuguesa 72-150.pmd 152 11/7/2003, 09:45