Introdutorio Completo
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  • 1. 10/7/2003, 15:16 ENCCEJA Livro Introdutório / Documento Básico 1 Introdutorio.PMD
  • 2. República Federativa do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva Ministério da Educação – MEC Cristovam Buarque Secretaria Executiva do MEC Rubem Fonseca Filho Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP Otaviano Augusto Marcondes Helene Diretoria de Avaliação para Certificação de Competências Dirce Gomes Introdutorio.PMD 2 10/7/2003, 15:16
  • 3. Documento Básico Livro Introdutório Ensino Fundamental e Médio IntrodutÛrio - 1.pmd 1 10/7/2003, 15:13
  • 4. IntrodutÛrio - 1.pmd 2 10/7/2003, 15:13
  • 5. Documento Básico Livro Introdutório Ensino Fundamental e Médio Brasília MEC/INEP 2003 IntrodutÛrio - 1.pmd 3 10/7/2003, 15:13
  • 6. © O MEC/INEP cede os direitos de reprodução deste material às Secretarias de Educação, que poderão reproduzi-lo respeitando a integridade da obra. Coordenação Geral do Projeto Diretoria de Avaliação para Certificação de Competências (DACC) Maria Inês Fini Equipe Técnica Maria Inês Fini – Diretora Coordenação de Articulação de Textos do Ensino Fundamental Alessandra Regina Ferreira Abadio Maria Cecília Guedes Condeixa Andréia Correcher Pitta André Ricardo de Almeida da Silva Coordenação de Articulação de Textos do Ensino Médio Augustus Rodrigues Gomes Zuleika de Felice Murrie Célia Maria Rey de Carvalho Coordenação de Texto de Área David de Lima Simões Ensino Fundamental Denise Pereira Fraguas Ciências Dorivan Ferreira Gomes Maria Terezinha Figueiredo Érika Márcia Baptista Caramori História e Geografia Fernanda Guirra do Amaral Antonia Terra de Calazans Fernandes Frank Ney Souza Lima Matemática Ildete Furukawa Célia Maria Carolino Pires Irene Terezinha Nunes de Souza Inacio Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Educação Artística e Jane Hudson Abranches Educação Física Kelly Cristina Naves Paixão Alfredina Nery Marcio Andrade Monteiro Ensino Médio Marco Antonio Raichtaler do Valle Ciências da Natureza e suas Tecnologias Maria Cândida Muniz Trigo Ghisleine Trigo Silveira Maria Vilma Valente de Aguiar Ciências Humanas e suas Tecnologias Mariana Ribeiro Bastos Migliari Circe Maria Fernandes Bittencourt Nelson Figueiredo Filho Matemática e suas Tecnologias Suely Alves Wanderley Maria Silvia Brumatti Sentelhas Teresa Maria Abath Pereira Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Valéria de Sperandyo Rangel Alice Vieira Capa Leitores Críticos Milton José de Almeida (a partir de desenhos de Área de Psicologia do Desenvolvimento Leonardo da Vinci) Márcia Zampieri Torres Coordenação Editorial Maria da Graça Bompastor Borges Dias Zuleika de Felice Murrie Leny Rodrigues Martins Teixeira Lino de Macedo L788 Livro introdutório: Documento básico: ensino fundamental e médio / Coordenação Zuleika de Felice Murrie. – Brasília: MEC: INEP, 2002. 200p.: 28cm. ISBN 85-296-0022-3. 1. Educação – Brasil. I. Murrie, Zuleika de Felice. CDD370.981 IntrodutÛrio - 1.pmd 4 10/7/2003, 15:13
  • 7. SUMÁRIO I. AS BASES EDUCACIONAIS DO ENCCEJA 9 A. A PROPOSTA DO ENCCEJA PARA CERTIFICAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL 16 B. A PROPOSTA DO ENCCEJA PARA CERTIFICAÇÃO DO ENSINO MÉDIO 20 II. EIXOS CONCEITUAIS QUE ESTRUTURAM O ENCCEJA 25 A. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS 28 B. AS ORIGENS DO TERMO COMPETÊNCIA 31 C. AS COMPETÊNCIAS DO ENEM NA PERSPECTIVA DAS AÇÕES OU OPERAÇÕES DO SUJEITO 35 III. AS ÁREAS DO CONHECIMENTO CONTEMPLADAS NO ENCCEJA 43 ÁREA 1 LÍNGUA PORTUGUESA, LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA, EDUCAÇÃO FÍSICA E EDUCAÇÃO ARTÍSTICA - Ensino Fundamental 45 LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS - Ensino Médio 55 ÁREA 2 MATEMÁTICA - Ensino Fundamental 65 MATEMÁTICA E SUAS TECNOLOGIAS - Ensino Médio 77 ÁREA 3 HISTÓRIA E GEOGRAFIA - Ensino Fundamental 89 CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS - Ensino Médio 99 ÁREA 4 CIÊNCIAS DA NATUREZA - Ensino Fundamental 109 CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS - Ensino Médio 121 IV. AS MATRIZES QUE ESTRUTURAM AS AVALIAÇÕES 133 ÁREA 1 LÍNGUA PORTUGUESA, LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA, EDUCAÇÃO FÍSICA E EDUCAÇÃO ARTÍSTICA - Ensino Fundamental 134 LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS - Ensino Médio 140 ÁREA 2 MATEMÁTICA - Ensino Fundamental 146 MATEMÁTICA E SUAS TECNOLOGIAS - Ensino Médio 152 ÁREA 3 HISTÓRIA E GEOGRAFIA - Ensino Fundamental 158 CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS - Ensino Médio 164 ÁREA 4 CIÊNCIAS - Ensino Fundamental 170 CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS - Ensino Médio 176 V. CARACTERÍSTICAS OPERACIONAIS 183 VI. PORTARIA Nº 2.270, DE 14 DE AGOSTO DE 2002 191 VII. PORTARIA Nº 77, DE 16 DE AGOSTO DE 2002 195 IntrodutÛrio - 1.pmd 5 10/7/2003, 15:13
  • 8. IntrodutÛrio - 1.pmd 6 10/7/2003, 15:13
  • 9. IntrodutÛrio - 1.pmd 7 10/7/2003, 15:13
  • 10. 8 IntrodutÛrio - 1.pmd 8 10/7/2003, 15:13
  • 11. I. As bases educacionais do ENCCEJA 9 IntrodutÛrio - 1.pmd 9 10/7/2003, 15:13
  • 12. 10 IntrodutÛrio - 1.pmd 10 10/7/2003, 15:13
  • 13. I. As bases educacionais do ENCCEJA Os brasileiros têm ampliado sua envolveram-se, de alguma forma, em escolaridade. É o que demonstra o Censo práticas sociais da língua. É desse modo 2000, em recente divulgação feita pelo que se pode entender que o analfabeto Instituto Brasileiro de Geografia e possui um certo conhecimento das Estatística (IBGE). O principal fato a linguagens, ao assistir a um telejornal (que comemorar é a ampla freqüência às usa, em geral, a linguagem escrita, escolas do nível fundamental que, no oralizada pelos locutores), ao ditar uma ano 2000, acolhiam 94,9% das crianças carta, ao apoiar-se numa lista mental de entre 7 e 14 anos. Pode-se afirmar, produtos a serem comprados ou ao portanto, que o Ensino Fundamental, no reconhecer placas e outros sinais urbanos. Brasil, é quase universal para a faixa Evidencia-se, assim, a importância de etária prevista e correspondente. Além reconhecer, como ponto de partida, que o disso, comparando-se dados de 1991 e estilo de vida nas sociedades urbanas 2000, há crescimento na freqüência modernas não permite grau zero de escolar em todos os grupos de idade. letramento. Persiste, entretanto, um contingente Há uma possibilidade de “leitura do populacional jovem e adulto que carece da mundo” em todas as pessoas, até para formação fundamental. Segundo o referido aquelas sem nenhuma escolarização. Censo, 31,2% da população brasileira com O Censo Escolar realizado pelo Inep indica mais de 10 anos de idade tem apenas até 3 um total de 3.410.830 matrículas em anos de estudo; logo, cerca de um terço cursos de Educação de Jovens e Adultos dos brasileiros (mais de 50 milhões de (EJA) em 1999. Desse total, mais ou pessoas) não concluíram nem a primeira menos 1.430.000 freqüentam cursos parte do Ensino Fundamental. Esses correspondentes ao segundo segmento do cidadãos que não tiveram possibilidades de ensino fundamental, de 5ª a 8ª série. completar seu processo regular de Nesses cursos, encontra-se um público escolarização, em sua maioria, já são variado e heterogêneo, uma importante adultos, inseridos ou não no mundo do característica da EJA. Entre eles, há uma trabalho, e têm constituído diferentes parcela dos jovens de 15 a 17 anos de saberes, por esforço próprio, em resposta idade freqüentando a escola e que, às necessidades da vida. Nesse sentido, segundo o IBGE, representa quase 79% da assinala-se, nos termos da Lei, o direito a população dessa faixa. Os demais 21%, cursos com identidade pedagógica própria por diversos motivos, mas principalmente àqueles que não puderam completar a por pressões ou contingências alfabetização, mas, que, ao pertencerem a socioeconômicas, deixaram precocemente um mundo impregnado de escrita, o ambiente escolar. 11 IntrodutÛrio - 1.pmd 11 10/7/2003, 15:13
  • 14. Documento Básico - Livro Introdutório Sendo dever dos poderes públicos e da físicas interessadas em colaborar. sociedade em geral oferecer condições Os objetivos desses programas ou para a retomada dos estudos em salas projetos são oferecer vagas e subsidiar de aula, destinadas especificamente a professores que trabalham com os jovens e adultos, diversos projetos têm cidadãos que não puderam iniciar ou sido desenvolvidos no âmbito do concluir seus estudos em idade própria governo federal. Para atender os ou não tiveram acesso à escola. Em municípios do Norte e Nordeste com conjunto com diversas outras iniciativas 1 baixo IDH, o Ministério da Educação de organizações não-governamentais 2 (MEC) é parceiro no Projeto Alvorada, (ONGs), universidades ou outras formas organizando o repasse de verbas a de associação civil, respondem ao Estados e Municípios. Em apoio ao enorme desafio de minimizar os efeitos projeto, a Coordenadoria de Educação da exclusão do Ensino Fundamental, de Jovens e Adultos (COEJA), da fenômeno histórico em nosso país que Secretaria do Ensino Fundamental (SEF– hoje está sendo superado na faixa etária MEC), tendo como parceira a Ação correspondente. Contudo, mais do que Educativa, organização não em razão do número de alunos em salas governamental de reconhecida de aula (ainda pequeno, considerando-se experiência no campo de formação de o enorme contingente de jovens e jovens e adultos, apresentou Proposta adultos não-escolarizados), tais ações do Curricular para Educação de Jovens e governo e da sociedade civil têm Adultos, 1º Segmento, que visa ao oferecido educação aos cidadãos mais programa Recomeço – Supletivo de afastados da cultura letrada, por viverem Qualidade. Além disso, em resposta às em lugares quase isolados do nosso país- demandas dos sistemas públicos continente ou por estarem desenraizados (estaduais e municipais) que aderiram de sua cultura de origem, habitando as aos Parâmetros Curriculares Nacionais periferias das grandes cidades. (PCN) em ação, a mesma COEJA Já nos primeiros artigos da Lei de promoveu a formulação e vem Diretrizes e Bases da Educação Nacional divulgando uma Proposta Curricular (LDB) de 1996, valorizam-se a para a EJA de 5ª a 8ª série, experiência extra-escolar e o vínculo fundamentada nos Parâmetros entre a educação escolar, o mundo do Curriculares Nacionais desse segmento. trabalho e a prática social. O Programa Alfabetização Solidária, por Esse fato sinaliza o rumo que a educação sua vez, foi lançado em 1997 e relata a alfabetização de 2,4 milhões de jovens brasileira já vem tomando e marca em 2001. Em 2002, encontra-se em posição quanto ao valor do conhecimento escolar, voltado para o pleno 2.010 municípios. Caracteriza-se por ser um trabalho de ação conjunta entre desenvolvimento do educando, seu diferentes parceiros, coordenados por preparo para o exercício da cidadania, e organização não-governamental, e que sua qualificação para o trabalho (Artigo inclui universidades, estados, 2). Essas orientações são reiteradas em municípios, empresas e até pessoas muitas outras partes da mesma Lei, como nas diretrizes para os conteúdos 1 Índice de Desenvolvimento Humano, indicador estabelecido pelo Programa de Desenvolvimento Humano da UNESCO, que considera a esperança de vida ao nascer, o nível educacional e o PIB per capita. 2 Programa do governo federal de gerenciamento intensivo de ações e programas federais de infra-estrutura 12 social, de combate à exclusão social e à pobreza e de redução das desigualdades regionais pela melhoria das condições de vida nas áreas mais carentes do Brasil. IntrodutÛrio - 1.pmd 12 10/7/2003, 15:13
  • 15. I. As bases educacionais do ENCCEJA curriculares da educação básica, propósitos e conceitos centrais: a anunciadas no seu Artigo 27, difusão dos valores de justiça social e destacando-se a primeira delas, que dos pressupostos da democracia, o preconiza a difusão de valores respeito à pluralidade, o crédito à fundamentais ao interesse social, aos capacidade de cada cidadão ler e direitos e deveres dos cidadãos, de interpretar a realidade, conforme sua respeito ao bem comum e à ordem própria experiência. democrática. Respondem por um paradigma com Ainda outros documentos do Ministério lastro nos legados de Jean Piaget e da Educação, como os Parâmetros Paulo Freire, verificando-se, com eles, Curriculares Nacionais, para os níveis que é necessário disseminar as Fundamental e Médio, a Proposta pedagogias que buscam promover o Curricular da EJA (5ª a 8ª série) e a Matriz desenvolvimento da inteligência e a de Competências e Habilidades do consciência crítica de todos os Exame Nacional do Ensino Médio envolvidos no processo educativo, (ENEM), abordam o currículo escolar, tendo, na interação social e no diálogo integrado por competências e autêntico, o mais importante habilidades dos estudantes, ou norteado instrumento de construção do por objetivos de ensino/aprendizagem, conhecimento. Um paradigma com em que os conteúdos escolares são denominações variadas, pois usufrui de plurais e só têm sentido e significado se diferentes vertentes teóricas, mas com mobilizados pelo sujeito do algo em comum: a crítica à tradição do conhecimento: o estudante. Pode-se currículo enciclopédico, centrado em reconhecer, no conjunto desses conhecimentos sem vínculo com a documentos e em cada um deles, experiência de vida da comunidade esforços coletivos por um melhor e escolar e na crença de que a aquisição maior comprometimento da comunidade do conhecimento dispensa o exercício da escolar brasileira com um novo crítica e da criação por parte de quem paradigma pedagógico. Um paradigma aprende. Mas é essa tendência que ainda multifacetado, como costuma acontecer orienta a maioria dos currículos com as tendências sociais em praticados e, conseqüentemente, os construção, diverso em suas exames de acesso a um nível escolar ou nomenclaturas e que se vale de para certificação. numerosas pesquisas, em diferentes Os exames de certificação para os campos científicos, muitas ainda em fase jovens e adultos não constituem de produção e consolidação. exceção, uma vez que, na sua maioria, Esse rico cenário acadêmico precisa submetem os alunos a provas massivas, ainda ser mais eficazmente disseminado sem o correspondente cuidado com a no ambiente complexo e plural da qualidade do ensino e o respeito com o educação brasileira. Mesmo assim, o educando, como se encontra assinalado conjunto dos documentos que nas Diretrizes Curriculares Nacionais da estruturam e orientam a Educação Educação de Jovens e Adultos Básica no Brasil é coeso em seus (DCNEJA). Por outro lado, recomenda- 13 IntrodutÛrio - 1.pmd 13 10/7/2003, 15:13
  • 16. Documento Básico - Livro Introdutório se que o estudante da EJA, com a Embora não seja possível, em âmbito maturidade correspondente, deva nacional, prever a enorme gama de encontrar, nos cursos e nos exames conhecimentos específicos estruturados dessa modalidade, oportunidades para em meio à vivência de situações reconhecer e validar conhecimentos e cotidianas, procurou levar em competências que já possui. A mesma consideração que o processo de Diretriz prevê a importância da estruturação das vivências possibilita avaliação na universalização da aquisições lógicas de pensamento que são qualidade de ensino e certificação de universais para os jovens e adultos e que aprendizagem, ao apontar que os se, de um lado, devem ser tomadas como exames da EJA devem primar pela ponto de partida nas diversas qualidade, pelo rigor e pela adequação. modalidades de ofertas de ensino para A proposta do Exame Nacional de essa população, de outro, devem Certificação de Competências de Jovens participar do processo de avaliação para e Adultos (Encceja) busca satisfazer esses certificação. fundamentos político-pedagógicos, Desse modo, objetivou-se superar a expressos de forma mais abrangente na concepção de estruturação de provas Lei maior da educação brasileira, e, de fundamentadas no ensino enciclopedista, modo mais detalhado ou com ênfases centradas em conteúdos fragmentados e especiais, nas Diretrizes, Parâmetros e descontextualizados, quase sempre outros referenciais que a contemplam, associados ao privilégio da memória sobre inclusive, o Documento Base do Exame o estabelecimento de relações entre Nacional do Ensino Médio (Enem). idéias. Ainda que se reconheça o Baseados na experiência dos inequívoco papel da memória para o especialistas e nesses documentos, conhecimento de fenômenos, das etapas buscou-se identificar conteúdos e dos processos, ou mesmo, de teorias, é métodos para a construção de um preciso considerar, nas referências de quadro de referências atualizado e provas, bem como na oferta de ensino, as adequado ao Encceja. Um dos múltiplas capacidades de operar com resultados do processo são as Matrizes informações dadas. Ou seja, está-se de Competências e Habilidades, em valorizando a autonomia do estudante em nível de Ensino Fundamental e em nível ler informações e estabelecer relações a de Ensino Médio. partir de certos contextos e situações. E, assim, o exame sinaliza e valoriza um As Matrizes de Competências e cidadão mais apto a viver num mundo em Habilidades constituem referencial de constantes transformações, onde é exames mais significativos para o importante possuir estratégias pessoais e participante jovem ou adulto, mais coletivas para a solução de problemas, adequados às suas possibilidades de ler fundamentadas em conhecimentos e de interagir com os problemas básicos de todas as disciplinas ou áreas da cotidianos, com o apoio do educação básica. conhecimento escolar. 14 IntrodutÛrio - 1.pmd 14 10/7/2003, 15:13
  • 17. I. As bases educacionais do ENCCEJA O processo de elaboração das Matrizes área, foram submetidas ao tratamento de Competências e Habilidades do cognitivo das competências do sujeito do Encceja, Fundamental e Médio teve conhecimento e permitiram a definição de como meta principal garantir uma habilidades específicas que estabelecem proposta de continuidade e coerência as ações ou operações que descrevem entre o que se estabeleceria para os desempenhos a serem avaliados nas exames em nível de Ensino Médio ou provas. Nessa concepção, as referências Fundamental. Dessas etapas resultaram de cada área descrevem as interações a definição das quatro áreas dos exames mais abrangentes ou complexas (nas e um conjunto de proposições para cada competências) e as mais específicas (nas uma delas, que foram também habilidades) entre as ações dos reconsideradas à luz das Diretrizes participantes, que são os sujeitos do Curriculares Nacionais da EJA conhecimento, com os conteúdos (DCNEJA), das políticas educacionais disciplinares, selecionados e organizados vigentes em âmbito federal e nas a partir dos referenciais adotados. propostas estaduais, a fim de organizar Para a elaboração das competências do os quadros de referência dos exames. Ensino Médio, foram consideradas as As Matrizes de referência para a prova de competências por área, definida pelas cada área ou disciplina foram organizadas Diretrizes do Ensino Médio. Constituiu- em torno de nove competências amplas, se um importante desafio a elaboração por sua vez, desdobradas em habilidades das matrizes do Encceja para o Ensino mais específicas, resultantes da Fundamental, especificamente no que associação desses conteúdos gerais às diz respeito à definição das competências cinco competências do Enem. As gerais das áreas. Isso porque, para o competências já definidas para o Enem Ensino Fundamental, os Parâmetros correspondem aos eixos cognitivos Curriculares Nacionais (PCN) e as básicos, a ações e operações mentais que Diretrizes Curriculares Nacionais trazem todos os jovens e adultos devem outra abordagem, não tendo incorporado desenvolver como recursos mínimos que a discussão mais recente, que visa à os habilitam a enfrentar melhor o mundo determinação de competências e que os cerca, com todas as suas habilidades de aprendizagem como responsabilidades e desafios. produto da escolarização, ainda que Nas Matrizes do Encceja, os conteúdos preservem e ampliem consideravelmente tradicionais das ciências, da arte e da outros elementos didático-pedagógicos filosofia são denominados competências do mesmo paradigma. de área, à semelhança dos conceitos já Os documentos legais permitiram consagrados na reforma do ensino construir matrizes semelhantes para o médio, porque já demonstram aglutinar Encceja - Ensino Fundamental, apesar articulações de sentido e significação, de oferecerem contribuições distintas superando o mero elenco de conceitos e para a configuração das competências e teorias. Essas competências, em cada habilidades a serem avaliadas. 15 IntrodutÛrio - 1.pmd 15 10/7/2003, 15:13
  • 18. Documento Básico - Livro Introdutório A. A PROPOSTA DO ENCCEJA pertence um número maior de PARA A CERTIFICAÇÃO DO brasileiros. Esses jovens e adultos, já ENSINO FUNDAMENTAL trabalhadores com experiência profissional, leitores, participantes de Considerando-se a população que não vias informais da educação, com completou seus estudos do nível expectativa de melhor posicionamento fundamental, é possível aventar a no mercado de trabalho e/ou da existência de significativo número de retomada dos estudos em nível médio, pessoas desejosas de recuperar o precisam ter reconhecidos e validados reconhecimento social da condição os seus conhecimentos. Para eles, foi letrada, obtendo certificação de elaborado o Encceja, correspondente ao conhecimentos por meio de Exame nível fundamental. Supletivo do Ensino Fundamental. Tendo a LDB diminuído a idade mínima Essas pessoas, tendo-se afastado da para a certificação por meio de exames escola há bastante tempo ou mesmo supletivos, instalou-se uma questão tendo retomado estudos parciais de contraditória na educação nacional, pois forma esporádica, continuaram é supostamente desejável a aprendendo pela prática de leitura e permanência dos jovens de 15 anos na análise de textos escritos, de cálculos e escola, a fim de desenvolver suas outros estudos em situações específicas capacidades e compartilhar de seu interesse. Participam de meios conhecimentos, com o apoio e a informais, eventuais, ou mesmo, mediação da comunidade escolar. incidentais de educação com diferentes Entretanto, alguns precisaram propósitos. Por exemplo, em cursos interromper os estudos por motivos oferecidos por empresas para capacitação contingenciais e financeiros, por de pessoal, em grupos de estudo mudança de domicílio ou para ajudar a comunitários, ou mesmo, através de família, entre outros motivos. Além programas educativos na TV, no rádio disso, como já apontado nas Diretrizes ou outras mídias. Assim, são capazes de Curriculares Nacionais para Educação de leitura autônoma para efeito de lazer, Jovens e Adultos (DCNEJA), há aqueles demandas do exercício da cidadania ou que, mesmo tendo condições do trabalho. Desse modo, lêem revistas financeiras, não lograram êxito nos esportivas e folhetos de instrução estudos, por razões de caráter técnica, programas de candidatos a sociocultural. Para esses jovens, a cargos eletivos e publicações vendidas certificação do Ensino Fundamental por em banca de jornal que dão instruções meio do Encceja significa a para a realização de muitas atividades. possibilidade de retomar os estudos no Além disso, calculam para fins de mesmo nível que seus coetâneos, não compra e venda, analisam situações de sofrendo outras penalidades além qualidade de vida (ou sua carência). daquelas já impostas por suas condições de vida até então. Logo, já são leitores do mundo, superaram um estágio de decifração de As Diretrizes do Ensino Fundamental códigos da língua materna, ao qual contribuem diretamente para a seleção de 16 IntrodutÛrio - 1.pmd 16 10/7/2003, 15:13
  • 19. I. As bases educacionais do ENCCEJA conteúdos a serem avaliados pelo linguagens. Ressalte-se que esses ENCCEJA de, pelo menos, duas maneiras. aspectos guardam evidente proximidade Primeiramente, ao esclarecer a natureza com os Temas Transversais, dos conteúdos mínimos referentes às desenvolvidos no PCN do Ensino noções e conceitos essenciais sobre Fundamental: Ética, Meio Ambiente, fenômenos, processos, sistemas e Saúde, Orientação Sexual, Trabalho e operações que contribuem para a Consumo, e Pluralidade Cultural. constituição de saberes, conhecimentos, Com os mesmos propósitos, estudaram-se valores e práticas sociais indispensáveis também os textos da V Conferência ao exercício de uma vida de cidadania Internacional sobre Educação de plena, e, depois, ao recomendar: ao Adultos, com uma orientação temática utilizar os conteúdos mínimos, já de mesma natureza que os PCN e DCN divulgados inicialmente pelos Parâmetros do Ensino Fundamental. Isso pode ser Curriculares Nacionais, a serem ensinados exemplificado pela menção especial dos em cada área de conhecimento, é temas I, IV e VI. indispensável considerar, para cada I- Educação de adultos e segmento (Educação Infantil, 1ª a 4ª e 5ª a democracia: o desafio do século 8ª séries), ou ciclo, que aspectos serão XXI. Alguns compromissos desse tema: contemplados na interseção entre as áreas desenvolver participação comunitária, e aspectos relevantes da cidadania, favorecendo cidadania ativa; sensibilizar tomando-se em conta a identidade da com relação aos preconceitos e à escola e de seus alunos, professores e discriminação no seio da sociedade; outros profissionais que aí trabalham. promover uma cultura da paz, o diálogo Decorre que também a EJA do intercultural e os direitos humanos; Fundamental deve considerar os aspectos IV- A educação de adultos, próprios da identidade do jovem e adulto igualdade e eqüidade nas relações que retoma a escolarização, tanto para entre homem e mulher e a maior efeito de cursos, como para exames. Por autonomia da mulher. Esse tema tem outro lado, corrobora a referência aos como um dos compromissos: promover a conteúdos (conceitos, procedimentos, capacitação e autonomia das mulheres e valores e atitudes) debatidos nos PCN de a igualdade dos gêneros pela educação 5ª a 8ª série (subsidiários à Proposta de adultos, entre outros. Curricular da EJA), na escolha dos VI- A educação de adultos em conteúdos do Encceja do Ensino Fundamental. relação ao meio ambiente, à saúde e à população. Esse tema tem como A segunda linha de contribuições reside compromissos: promover a capacidade e a no levantamento do rol de aspectos da participação da sociedade civil em vida cidadã que devem estar articulados responder e buscar soluções para os à base nacional comum, quais sejam: a problemas de meio ambiente e de saúde, a sexualidade, a vida familiar e desenvolvimento, estimular o aprendizado social, o meio ambiente, o trabalho, a dos adultos em matéria de população e de ciência e a tecnologia, a cultura e as vida familiar, reconhecer o papel decisivo 17 IntrodutÛrio - 1.pmd 17 10/7/2003, 15:13
  • 20. Documento Básico - Livro Introdutório da educação sanitária na preservação e a comparação entre idéias expressas por melhoria da saúde pública e individual, escrito, considerando valores e direitos assegurar a oferta de programas de humanos. Tais ações ou operações do educação adaptados à cultura local e às participante estão representadas na matriz necessidades específicas, no que se refere do Encceja, nas diferentes habilidades. à atividade sexual. Não se deve supor, contudo, que uma Todas essas recomendações foram prova organizada a partir de habilidades consideradas para a seleção de valores e (articulações entre operações lógicas conceitos integrados às competências e com conteúdos relevantes) negligencie habilidades organizadoras do Encceja as exigências básicas de conteúdos do Ensino Fundamental. Já para a mínimos e a capacidade de ler e escrever. definição do escopo e redação das Para o participante da prova, é competências das áreas e disciplinas, imprescindível a prática autônoma da consideraram-se especialmente os leitura, que possibilita a percepção de objetivos gerais para ensino e possíveis significados e a construção de aprendizagem delineados na Proposta opiniões e conhecimentos ao ler um texto, Curricular da EJA (5ª a 8ª série) de um esquema ou outro tipo de figura. Matemática, Língua Portuguesa, Espera-se, de fato, que o jovem e o Ciências Naturais, História e Geografia, adulto, ao certificarem-se com a e os objetivos gerais de todo o Ensino escolaridade fundamental pelo ENCCEJA, Fundamental dos PCN e dos Temas já estejam lendo autonomamente, com Transversais. certa fluência, a partir de sua experiência Assim, foram constituídas as referências com textos diversos, em situações em para as provas de: que faça sentido ler e escrever. Cabe a 1- Língua Portuguesa, Artes, Língua eles construir os sentidos de um texto, Estrangeira e Educação Física, sendo as ao colocar em diálogo seus próprios três últimas áreas de conhecimento conhecimentos de mundo e de língua, consideradas sob a ótica da constituição como usuários dela, e as pistas do texto, das linguagens e códigos, não como oferecidas pelo gênero, pela situação de conteúdos conceituais isolados para comunicação e pelas escolhas do autor: avaliação; Nessa perspectiva, entende-se que ler não é 2- Matemática; extrair informação, decodificando letra por 3- História e Geografia; letra, palavra por palavra. Trata-se de uma 4- Ciências Naturais. atividade que implica estratégias de seleção, A Matriz para o Encceja concorre para a antecipação, inferência e verificação, sem as promoção de provas que dêem quais não é possível proficiência. É o uso desses oportunidade para jovens e adultos procedimentos que possibilita controlar o que aproveitarem o que aprenderam na vida vai sendo lido, permitindo tomar decisões prática, trabalhando com aspectos diante de dificuldades de compreensão, básicos da vida cidadã, como a tomada avançar na busca de esclarecimentos, validar de decisões e a identificação e resolução no texto suposições feitas. de problemas, a descrição de propostas e (Brasil, c2000, v.2, p.69, 7º parágrafo) 18 IntrodutÛrio - 1.pmd 18 10/7/2003, 15:13
  • 21. I. As bases educacionais do ENCCEJA Devem-se considerar, entretanto, problematizando-os para que, por meio diferentes níveis de proficiência na da reflexão própria, ele reconheça o que leitura dos códigos e linguagens que já sabe e estabeleça conexões com o constituem as informações da realidade. conhecimento novo apresentado. Assim, A meio termo da formação básica, na para enfrentar situações-problema, são conclusão do Ensino Fundamental, os mobilizados elementos lógicos textos lidos ou formulados pelo pertinentes ao raciocínio científico e estudante da EJA já evidenciam uma também ao cotidiano, podendo explorar visão de mundo um tanto complexa, interações entre fatos e/ou idéias, para ainda que expressa em discurso mais entre eles estabelecer relações causais, sintético, mais direto, com muitos espaço-temporais, de forma e função, ou nomes do cotidiano preservados e seqüenciando grandezas. elementos do senso comum, se Não se pode perder de vista, tampouco, o comparados com produções do exercício simplificado da metacognição estudante em nível de Ensino Médio. por parte daqueles que pouco É a partir dessas concepções de leitura freqüentaram a escola. Não é de se esperar que as provas são elaboradas, como que possam raciocinar com desenvoltura possibilidades de abordagem pedagógica sobre a estrutura do conhecimento em si, das competências e habilidades do uma qualidade intelectual daqueles que Encceja na avaliação para certificação. freqüentaram a escola (Oliveira, 1999). Para tanto, os textos oferecidos em Respeitar essa característica representa questões de prova são rigorosos do ponto uma exigência para a formulação de uma de vista conceitual, ao observarem os prova em que se reconhecem as marcos teóricos de referência em cada possibilidades intelectuais dos cidadãos área de conhecimento. Contudo, procura- que não tiveram oportunidade de exercitar se delimitar cuidadosamente a diversidade a compreensão dos objetos de do vocabulário utilizado, além da conhecimento descontextualizada de suas magnitude da rede conceitual empregada ligações com a vida imediata. e das operações lógicas exigidas. Isso Portanto, sem perder de vista a porque o participante precisa de situações pluralidade das realidades brasileiras e a adequadas para estabelecer relações mais diversidade daqueles que buscam a abrangentes e mais próximas das teorias certificação nesse nível de ensino, científicas. Não se pode perder de vista propõe-se uma prova que apresenta uma que, em nível fundamental, ele necessita temática atualizada, em nível pertinente de orientação clara e concisa, além de um aos jovens e adultos que, para realizá-la, tempo maior para a observação das se inscrevem. Deve representar um representações de fenômenos, para as desafio consistente mas possível, comparações, as análises, a produção de exeqüível e motivador, para que os sínteses ou outros procedimentos. participantes exercitem suas potencialidades lógicas e sua capacidade Com esses cuidados, é desejável propor crítica em questões de cidadania, aos jovens e adultos uma variedade de reconhecendo e formulando valores questões, envolvendo temas das áreas de essenciais à cultura brasileira, ao convívio conhecimento, sempre explicitando democrático e ao desenvolvimento conceitos mais complexos e pessoal. 19 IntrodutÛrio - 1.pmd 19 10/7/2003, 15:13
  • 22. Documento Básico - Livro Introdutório B. A PROPOSTA DO ENCCEJA Desse modo, a função reparadora da EJA, PARA CERTIFICAÇÃO no limite, significa não só a entrada no circuito dos direitos civis pela restauração DO ENSINO MÉDIO de um direito negado: o direito a uma Pode-se afirmar que são múltiplos e escola de qualidade, mas também o diversos os fatores que estimulam a reconhecimento daquela igualdade busca de certificação do ensino médio ontológica de todo e qualquer ser humano. na Educação de Jovens e Adultos. Desta negação, evidente na história brasileira, resulta uma perda: o acesso a Dentre eles, destaca-se a exigência do um bem real, social e simbolicamente mundo do trabalho, pois, atualmente, a importante. Logo, não se deve confundir a necessidade da certificação no ensino noção de reparação com a de suprimento. médio se faz presente em diferentes atividades e setores profissionais. Ressaltam-se, também, os fatores É muito provável que, com as elevadas pessoais da busca do cidadão pela taxas de repetência e evasão nas últimas certificação: a vontade de continuar os décadas do século XX, muitos alunos estudos e a vontade política de obter o que não tiveram sucesso no sistema direito da cidadania plena. Esses educacional regular optem por essa aspectos são mais significativos do modalidade de ensino. Soma-se a esse ponto de vista daqueles que discutem a fato o difícil acesso à escola básica por Educação de Jovens e Adultos para motivos socioeconômicos diversos. certificação no ensino médio. Ela é Segundo o IBGE, em 1999, havia cerca direcionada para jovens e adultos com de 13,3% de analfabetos acima de 15 mais de dezenove anos que, por motivos anos. Em 2000, a distorção idade/série, diversos, não puderam freqüentar a no ensino médio, de acordo com dados escola no seu tempo regular. do MEC/INEP, é da ordem de 50,4%. No Tal fato é previsto na LDB 9.394/96 mesmo ano, os dados registram, quando considera o ensino médio como aproximadamente, 3 milhões de alunos etapa final da educação básica e a EJA matriculados em cursos da EJA. A oferta como uma das modalidades de da Educação de Jovens e Adultos para o escolarização. O direito político Ensino Médio (EM) está principalmente subjetivo do cidadão de completar essa a cargo dos sistemas estaduais, em etapa e, por sua vez, o dever de oferta parceria, muitas vezes, com redes educacional pública que permita superar privadas. as diferenças e aponte para uma Nesse sentido, as Secretarias de eqüidade possível são princípios que Educação têm-se mobilizado para criar não podem ser relegados, como afirma uma rede de atendimento e uma o Parecer da Câmara de Educação proposta de escola média coerente com Básica do Conselho Nacional de as necessidades previstas para essa Educação - Parecer CNE/CEB 11/2000, população, diversificando o Diretrizes Curriculares Nacionais para a atendimento no País. Educação de Jovens e Adultos: 20 IntrodutÛrio - 1.pmd 20 10/7/2003, 15:13
  • 23. I. As bases educacionais do ENCCEJA Deve ser também ressaltada a Por sua vez, o Art. 4º da Resolução importância da avaliação e certificação CNE/CEB 1/2000 diz que as Diretrizes nessa modalidade de ensino. De acordo Curriculares Nacionais (DCN), com o Art. 10 da Resolução CNE/CEB 1/ estabelecidas na Resolução CNE/CEB 3/98 2000, que estabelece as diretrizes e vigentes a partir da sua publicação, se curriculares nacionais para a Educação estendem para a modalidade da de Jovens e Adultos: no caso de cursos Educação de Jovens e Adultos no semi-presenciais e à distância, os alunos Ensino Médio, sua organização e só poderão ser avaliados, para fins de processos de avaliação. certificados de conclusão, em exames A direção curricular proposta pelas supletivos presenciais oferecidos por DCN-EM destaca o desenvolvimento de instituições especificamente autorizadas, competências e habilidades distribuídas credenciadas e avaliadas pelo poder em áreas de conhecimento: Linguagens, público, dentro das competências dos Códigos e suas Tecnologias, Ciências respectivos sistemas... Humanas e suas Tecnologias, Ciências O Exame Nacional de Certificação de da Natureza e suas Tecnologias e Competências de Jovens e Adultos do Matemática e suas Tecnologias. O Ensino Médio (Encceja/EM) está caráter interdisciplinar das áreas está articulado tanto para atender a essa relacionado ao contexto de vida social e prerrogativa quanto para responder à de ação solidária, visando à cidadania e demanda, em sintonia com a lógica da ao trabalho. avaliação nacional. Nesse sentido, o Vale a pena lembrar que a LDB é a base Encceja/EM constitui uma possibilidade das DCNEM. No Art. 36, a LDB destaca de avaliação que, ao mesmo tempo, que o currículo do ensino médio deve respeita a diversidade e estabelece uma observar as seguintes diretrizes: a unidade nacional, ao apontar o que é educação tecnológica básica; a basicamente requerido para a compreensão do significado da ciência, certificação no ensino médio que faz das letras e das artes; o processo parte atualmente da educação básica. histórico de transformação da sociedade A Constituição de 1988, no Inciso II do e da cultura; a língua portuguesa como Art. 208, já apontava para a garantia da instrumento de comunicação, acesso ao institucionalização dessa etapa de conhecimento e exercício da cidadania. escolarização como direito de todo Além disso, dois aspectos merecem cidadão. A LDB estabeleceu, por sua menção especial, pois marcam a vez, a condição em norma legal, quando diferença em relação à organização atribuiu ao EM o estatuto de educação curricular do ensino médio: o eixo da básica (Art. 21), definindo suas tecnologia e dos processos cognitivos finalidades, ou seja, desenvolver o de compreensão do conhecimento. educando, assegurar-lhe a formação Assim, a caracterização das áreas procura comum para o exercício da cidadania e ser uma forma de estabelecer relações fornecer-lhe meios para progredir no internas e externas entre os trabalho e em estudos posteriores. (Art. conhecimentos, de abordá-los sob o 22) ângulo das correspondências próprias à sua divulgação para o público que 21 IntrodutÛrio - 1.pmd 21 10/7/2003, 15:13
  • 24. Documento Básico - Livro Introdutório necessita dos saberes escolares para a vida como ator no contexto de preservação e social, o trabalho, a continuidade dos transformação social. estudos e o desenvolvimento pessoal. A noção de desenvolvimento e A definição na LDB do que é próprio aos avaliação de competências pode ensinos fundamental e médio não é permitir alguma compreensão desse colocada como forma de ruptura, mas sim processo de diversidade e unidade. de aprofundamento (compreensão) e O foco sobre a noção de competência, contexto (produção e tecnologia). Se, no nos documentos oficiais referentes à ensino fundamental, o caráter básico dos educação básica e no discurso saberes sociais públicos foi desenvolvido, acadêmico educacional, principalmente cabe, no ensino médio, aprofundá-los ou, a partir de 1990, instaura um eixo para então, desenvolvê-los. Essa consideração, reestruturação dos conteúdos escolares para EJA/EM, se deve ao fato de que a e de suas formas de transmissão e certificação no ensino médio não está, por avaliação, ou seja, é uma proposta de lei, atrelada à certificação no ensino mudança que procura aproximar a fundamental, havendo, no entanto, uma educação escolar da vida social continuidade entre as duas etapas da contemporânea. Nessa proposta, educação básica. De qualquer forma, ao destaca-se a perspectiva da término do EM, espera-se que o cidadão flexibilização da organização da tenha desenvolvido competências educação escolar, em respeito à cognitivas e sociais inseridas em um diversidade e identidade dos sujeitos da determinado sistema de valores e juízos, aprendizagem. Quais são as ou seja, aquele referente à ética e ao competências comuns que devem ser mundo do trabalho. socializadas para todos? A resposta a No caso do público participante da EJA/ essa pergunta fundamenta a educação EM, isso se torna mais evidente. A básica. Em seqüência, há outra questão idade, a participação no mundo do não menos relevante: como avaliá-las? trabalho, as responsabilidades sociais e O respeito à diversidade não deve ser civis são outras, diferentes daquelas dos identificado com o caos. Daí, a alunos da escola regular que se necessidade da responsabilização preparam para a vida. O público da EJA/ política e institucional em traçar um fio EM está na vida atuando como condutor que delimite os saberes e as trabalhador, pai de família, provedor. competências gerais com os quais todo Entretanto, se o ponto de partida é e qualquer processo deve comprometer- diferente, o ponto de chegada não o é. se, principalmente o de avaliação. Ao final do EM, espera-se que esse As diretrizes legais para a organização público possa dar continuidade aos da educação básica estão expressas em estudos com qualificação, disputar uma um conjunto de princípios que indica a posição no mercado de trabalho e transição de um ensino centrado em participar plenamente da cidadania, conteúdos disciplinares (didáticos) compartilhando os princípios éticos, seriados e sem contexto para um ensino políticos e estéticos da unidade e da voltado ao desenvolvimento de diversidade nacionais, colocando-se competências verificáveis em situações 22 IntrodutÛrio - 1.pmd 22 10/7/2003, 15:13
  • 25. I. As bases educacionais do ENCCEJA específicas. A avaliação assume um têm por objetivo promover a eqüidade na papel fundamental nessa perspectiva, participação social. definindo o sentido da escolarização. A proposta do Encceja para certificação A ação prevista pelos sujeitos envolvidos do Ensino Médio assume parte desse na educação básica extrapola papel institucional, procurando, por determinados padrões de pensamento até meio de uma prova escrita, aferir, em então valorizados pela escolarização condições observáveis e com exigências acrítica (identificar, reproduzir, definidas, as competências previstas memorizar, repetir) e aponta para a para a educação básica. necessidade de a escola sistematicamente O foco do Encceja é a situação-problema realizar, em situações de aprendizagem, o para cuja resolução o participante deve desenvolvimento de movimentos de mobilizar saberes cognitivos e conceituais pensamento mais complexos (analisar, (competências). comparar, confrontar, sintetizar). Tal A aprendizagem é destacada como proposição, amparada pelos estudos da referência à autonomia intelectual do Psicologia Cognitiva, Sociologia, sujeito ao final da educação básica, Lingüística, Antropologia, exerce um mediada pelos princípios da cidadania e efeito de reestruturação na Didática. O do trabalho, na atualidade. As saber, que por si só já é ação do sujeito, competências para a participação social ganha o status de uma intenção racional e incluem a criatividade, a capacidade de intelectual situada socialmente. O sujeito solucionar problemas, o senso crítico, a desse saber é compreendido como um ser informação, ou seja, o aprender a único no contexto social. O saber fazer conhecer, a fazer, a conviver e a ser. envolve o conhecimento do contexto, das A Matriz de Competências indicada para a ideologias e de sua superação, em prol de uma democracia desejada, para que o avaliação do Encceja/EM é um produto de homem possa conquistar de fato seus discussão coletiva de inúmeros profissionais da educação, buscando direitos. contemplar os princípios legais que regem O poder público e a administração a educação básica (Brasil,1999a; central assumem a responsabilidade de Brasil,1996; CNE, 1998; CNE, 2000). indicar a formação requerida para os sujeitos na educação básica, na O Encceja/EM está estruturado com base em Matrizes de referência que modalidade de EJA/EM, e mais, propõem consideram a associação de cinco formas de avaliação das aprendizagens. competências do sujeito com nove A avaliação é assumida como diálogo competências previstas na Base com a sociedade, garantindo o direito Nacional Comum para as áreas de democrático da população interessada em conhecimento (Linguagens, Códigos e saber o que de fato deve ser aprendido (e suas Tecnologias; Ciências Humanas e aquilo que deveria ter sido aprendido), suas Tecnologias; Ciências da Natureza para que possa compreender a função do e suas Tecnologias e Matemática e suas processo educativo e exigir os direitos de Tecnologias), cujos cruzamentos uma educação de qualidade para todos. definem as habilidades a serem Educação básica e avaliação, portanto, avaliadas. As competências cognitivas 23 IntrodutÛrio - 1.pmd 23 10/7/2003, 15:13
  • 26. Documento Básico - Livro Introdutório básicas a serem avaliadas são: o conhecimentos e os transpõem para a domínio das linguagens, a compreensão vida pessoal e social. No elenco das dos fenômenos, a seleção e organização habilidades de cada área, estão de fatos, dados e conceitos para valorizadas as experiências extra- resolver problemas, a argumentação e a escolares e os vínculos entre a educação, proposição. o mundo do trabalho e outras práticas Essas competências cognitivas são sociais, de tal maneira que o exame, articuladas com os conhecimentos e estruturado a partir das matrizes, não competências sociais construídos e perca de vista a pluralidade de realidades requeridos nas diferentes áreas, tendo brasileiras e não deixe de considerar a por referência os sujeitos/interlocutores diversidade de experiências dos jovens e da aprendizagem que se apropriam dos adultos que a ele se submetem. BIBLIOGRAFIA BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988: atualizada até a Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/1988. 21. ed. São Paulo: Saraiva, 1999a. ______. Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Poder . Executivo, Brasília, DF, v. 134, n. 248, p. 27.833-27.841, 23 dez. 1996. Seção 1. Lei Darcy Ribeiro. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. 2. ed. Brasília, DF, c2000. 10 v. ______. Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa. 2. ed. Brasília, DF, : 2000. v. 2. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação a Distância. Educação de Jovens e Adultos: salto para o futuro. Brasília, DF, 1999c. (Estudos. Educação a distância; v. 10) BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio. Brasília, DF, 1999d. 4v. CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (Brasil). Câmara de Educação Básica. Parecer nº 11, de 10 de maio de 2000. Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação de Jovens e Adultos. Documenta Brasília, DF, n. 464, p. 3-83, maio 2000. Documenta, ______. Parecer n° 15, de junho de 1998. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Documenta Brasília, DF, n. 441, p. 3-71, jun. 1998. Documenta, OLIVEIRA, M. K. de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento, um processo sócio- histórico. 4. ed. São Paulo: Scipione, 1999. 111p. (Pensamento e ação no magistério). 24 IntrodutÛrio - 1.pmd 24 10/7/2003, 15:13
  • 27. II. Eixos conceituais que estruturam o ENCCEJA 25 IntrodutÛrio - 1.pmd 25 10/7/2003, 15:13
  • 28. Documento Básico - Livro Introdutório 26 IntrodutÛrio - 1.pmd 26 10/7/2003, 15:13
  • 29. II. Eixos conceituais que estruturam ENCCEJA O Encceja se vincula a um conceito mais constata é que alguns pressupostos estrutural e abrangente do aceitos no passado tornaram-se desenvolvimento da inteligência e gradativamente questionáveis e, até construção do conhecimento. Essa mesmo, abandonados diante de concepção, de inspiração fortemente investigações mais cuidadosas. construtivista, acha-se já amplamente Em que pese os processos avaliativos contemplada nos textos legais que escolares no Brasil caracterizarem-se, estruturam a educação básica no Brasil. ainda, por uma excessiva valorização da Tal concepção privilegia a noção de que memória e dos conteúdos em si, aos há um processo dinâmico de poucos essas práticas sustentadas pela desenvolvimento cognitivo mediado pela psicometria clássica vêm sendo interação do sujeito com o mundo que o substituídas por concepções mais cerca. A inteligência é encarada não como dinâmicas que, de um modo geral, levam uma faculdade mental ou como expressão em consideração os processos de de capacidades inatas, mas como uma construção do conhecimento, o estrutura de possibilidades crescentes de processamento de informações, as construção de estratégias básicas de ações experiências e os contextos socioculturais e operações mentais com as quais se nos quais o indivíduo se encontra. constroem os conhecimentos. A teoria de desenvolvimento cognitivo, Nesse contexto, o foco da avaliação proposta e desenvolvida por Jean Piaget recai sobre a aferição de competências e com cuidadosa fundamentação em dados habilidades com as quais transformamos empíricos, empresta contribuições das informações, produzimos novos mais relevantes para a compreensão da conhecimentos, reorganizando-os em avaliação que se estrutura com o Encceja. arranjos cognitivamente inéditos que Para Piaget (1936), a inteligência é um permitem enfrentar e resolver novos “termo genérico designando as formas problemas. superiores de organização ou de Estudos mais avançados sobre a avaliação equilíbrio das estruturas cognitivas (…) a da inteligência, no sentido da estrutura que inteligência é essencialmente um permite aprender, ainda são pouco sistema de operações vivas e atuantes”. praticados na educação brasileira. Envolve uma construção permanente do Ressalte-se, também, que a própria sujeito em sua interação com o meio definição de inteligência e a maneira como físico e social. Sua avaliação consiste na tem sido investigada constituem pontos investigação das estruturas do dos mais controvertidos nas áreas da conhecimento, que são as competências Psicologia e da Educação. O que se cognitivas. 27 IntrodutÛrio - 1.pmd 27 10/7/2003, 15:13
  • 30. Documento Básico - Livro Introdutório Para Piaget, as operações cognitivas mental e sistematicamente testem cada possuem continuidade do ponto de uma delas para determinar qual é a vista biológico e podem ser divididas combinação que os levará a um em estágios ou períodos que possuem resultado desejado. características estruturais próprias, as Em muitos dos seus trabalhos, Piaget quais condicionam e qualificam as enfatizou o caráter de generalidade das interações com o meio físico e social. operações formais. Enquanto as Deve-se ressaltar que o estágio de operações concretas se aplicavam a desenvolvimento cognitivo que contextos específicos, as operações corresponde ao término da escolaridade formais, uma vez atingidas, seriam gerais básica no Brasil denomina-se período das e utilizadas na compreensão de qualquer operações formais, marcado pelo fenômeno, em qualquer contexto. advento do raciocínio hipotético- As competências gerais que são dedutivo. avaliadas no Encceja estão estruturadas É nesse período que o pensamento com base nas competências descritas nas científico torna-se possível, operações formais da Teoria de Piaget, manifestando-se pelo controle de tais como a capacidade de considerar variáveis, teste de hipóteses, verificação todas as possibilidades para resolver um sistemática e consideração de todas as problema; a capacidade de formular possibilidades na análise de um hipóteses; de combinar todas as fenômeno. possibilidades e separar variáveis para Para Piaget, ao atingir esse período, os testar a influência de diferentes fatores; o jovens passam a considerar o real como uso do raciocínio hipotético-dedutivo, uma ocorrência entre múltiplas e da interpretação, análise, comparação e exaustivas possibilidades. O raciocínio argumentação, e a generalização dessas pode agora ser exercido sobre enunciados operações a diversos conteúdos. puramente verbais ou sobre proposições. O Encceja foi desenvolvido com base Outra característica desse período de nessas concepções, e procura avaliar para desenvolvimento, segundo Piaget, certificar competências que expressam consiste no fato de as operações formais um saber constituinte, ou seja, as serem operações à segunda potência, ou possibilidades e habilidades cognitivas seja, enquanto a criança precisa operar por meio das quais as pessoas conseguem diretamente sobre os objetos, se expressar simbolicamente, estabelecendo relações entre elementos compreender fenômenos, enfrentar e visíveis, no período das operações resolver problemas, argumentar e elaborar formais, o jovem torna-se capaz de propostas em favor de sua luta por uma estabelecer relações entre relações. sobrevivência mais justa e digna. As operações formais constituem, também, uma combinatória que permite A. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS que os jovens considerem todas as Desde o princípio de sua existência o possibilidades de combinação de homem enfrentou situações-problema elementos de uma dada operação para poder sobreviver e, ainda, em seu 28 IntrodutÛrio - 1.pmd 28 10/7/2003, 15:13
  • 31. II. Eixos conceituais que estruturam ENCCEJA estado mais primitivo, desprovido de conhecimentos que haviam sido qualquer recurso tecnológico, já buscava construídos e adquiridos no passado, à conhecer a natureza e compreender seus medida que ele podia contar com a fenômenos para dominá-la e assim tradição ditada pelos hábitos e garantir sua sobrevivência como espécie. costumes da sociedade de sua época, No entanto, à medida que, em seu com aquilo que sua cultura já processo histórico, foi alcançando formas determinava como certo. As mais evoluídas de organização social, características culturais, sociais, morais seus problemas de sobrevivência imediata e religiosas, entre outras, serviam-lhe foram sendo substituídos por outros. A como referências, indicando-lhe cada novo passo de evolução, o homem caminhos ou respostas. superou certos problemas abrindo novas Dessa maneira, ele orientava seu possibilidades de melhor qualidade de presente pelo passado, tendo no vida, mas, ao mesmo tempo, abriu as passado o organizador de suas novas portas para novos desafios, importantes ações. Como resultado, ele podia para sua continuidade e sobrevivência. planejar seu futuro como se este já A história do homem registra o estivesse escrito e determinado em enfrentamento de contínuos desafios e função de suas ações presentes. situações-problema, sempre superados O avanço tecnológico dos dias atuais em nome de novas formas de desencadeou uma nova ordem de organização social, política, econômica transformações sociais, culturais, políticas e científica, cada vez mais evoluídas e e econômicas, imprimindo ao mundo complexas. Pode-se dizer que o novas relações numa velocidade tal, que enfrentamento de situações-problema traz para o homem, neste século, uma constitui uma condição que acompanha outra necessidade: a de se pautar não só a vida humana desde sempre. nas referências que o passado oferece Cada vez mais tecnológica e globalizada, como garantias ou tradições, mas, a sociedade que atravessou os portais do também, naquilo que diz respeito ao século XXI convida o homem à resolução futuro. de grandes problemas em virtude das Quanto mais as sociedades contínuas transformações em todas as contemporâneas avançam em seus áreas do conhecimento. Exige, ainda, conhecimentos tecnológicos e constantes atualizações, seja no mundo científicos, mais distanciado parece estar do trabalho ou da escola, seja no ritmo e o homem de sua humanidade. Quanto nas atribuições de enfrentamento do mais conforto e comodidade a vida cotidiano da vida, como, também, uma moderna pode oferecer, mais se outra qualidade de respostas, à proporção acentuam as diferenças sociais, culturais que assume características bem e econômicas, criando verdadeiros diferenciadas daquelas que anteriormente abismos entre os povos e entre as percorreram a história. populações de um mesmo país. Quanto Durante muitos séculos, o homem, para mais se conhece e se aprende, mais fica resolver problemas, contou com a distanciada uma boa parte da população possibilidade de se orientar a partir dos mundial do acesso à escolaridade, de 29 IntrodutÛrio - 1.pmd 29 10/7/2003, 15:13
  • 32. Documento Básico - Livro Introdutório modo que, muito antes de se erradicar o da sociedade contemporânea, uma analfabetismo da face da Terra, já há a sociedade que, em termos de preocupação com a exclusão digital. conhecimento, está aberta para todos os Quanto mais se vivencia a globalização, possíveis, para todas as possibilidades. mais complicadas ficam as possibilidades O homem do século XXI, portanto, está de entendimento e comunicação, pois os diante de quatro grandes situações- ideais e valores – que preconizam a problema que implicam necessidades de liberdade do homem, a solidariedade resolução: aprender a conhecer, entre os povos, a convivência entre as aprender a ser, aprender a fazer e pessoas e o exercício de uma verdadeira aprender a conviver. Como conhecer ou cidadania – não correspondem a ações adquirir novos conhecimentos? Como concretas e efetivas. Dessa forma, o aprender a interpretar a realidade em mundo se debate entre guerras, um contexto de contínuas terrorismo, drogas, doenças, ignorância e transformações científicas, culturais, miséria. Essa é a natureza das situações- políticas, sociais e econômicas? Como problema que o homem contemporâneo aprender a ser, resgatando a sua enfrenta. Então, como preparar as humanidade e construindo-se como crianças e jovens com condições para pessoa? Como realizar ações em uma que possam aprender a enfrentar e prática que seja orientada solucionar tais problemas, superando-os simultaneamente pelas tradições do em nome de um futuro melhor? passado e pelo futuro que ainda não é? Pensando na educação dessas crianças e Como conviver em um contexto de jovens, tal realidade traz sérias tantas diversidades, singularidades e implicações e a necessidade de diferenças e em que o respeito e o amor profundas modificações no âmbito estejam presentes? escolar. Cada vez mais é preciso que os Em uma perspectiva psicológica, e, alunos saibam como aprender, como portanto, do desenvolvimento, conhecer compreender fatos e fenômenos, como e ser são duas formas de compreensão, à estabelecer suas relações interpessoais, medida que se expressam como maneiras como analisar, refletir e agir sobre essa de interpretar ou atribuir significados a nova ordem de coisas. Hoje, por algo, de saber as razões de algo, do exemplo, um conhecimento científico, ponto de vista do raciocínio e do uma tecnologia ensinada na escola é pensamento, exigindo do ser humano a rapidamente substituída por outra mais construção de ferramentas adequadas a moderna, mais sofisticada e atualizada, uma leitura compreensiva da realidade. às vezes, antes mesmo que os alunos Fazer e conviver são formas de tenham percorrido um único ciclo de realização, pois se expressam como escolaridade. Dessa maneira, vivem-se procedimentos, como ações que visam a tempos nos quais os mais diferentes um certo objetivo. Por sua vez, realizar e países revisam seus modelos conviver implicam que o ser humano educacionais, discutem e implementam saiba escrever o mundo, construindo reformas curriculares que sejam mais modos adequados de proceder em suas apropriadas para atender às demandas ações. Por isso, é preciso que preparemos 30 IntrodutÛrio - 1.pmd 30 10/7/2003, 15:13
  • 33. II. Eixos conceituais que estruturam ENCCEJA as crianças e jovens para um mundo Recentemente, competência tornou-se profissional e social que os coloque uma palavra difundida, com freqüência, continuamente em situações de desafio, as nos discursos sociais e científicos. quais requerem cada vez mais saberes de Entretanto, Isambert-Jamati (1997) valor universal que os preparem para serem afirma que não se trata simplesmente de leitores de um mundo em permanente modismo porque o caráter transformação. É preciso, ainda, que os relativamente duradouro do uso dessa preparemos como escritores de um mundo noção e a existência de uma certa que pede a participação efetiva de todos os congruência em relação ao seu seus cidadãos na construção de novos significado, em esferas como as da projetos sociais, políticos e econômicos. educação e do trabalho, podem ser Portanto, do ponto de vista educacional, reveladores de mudanças na sociedade e tais necessidades implicam o na forma como um grupo social partilha compromisso com uma revisão curricular certos significados. Nesse sentido, o e pedagógica que supere o modelo da termo competência não é só revelador simples memorização de conteúdos de certas mudanças como também pode escolares que hoje se mostra insuficiente contribuir para modelá-las, ou seja, para o enfrentamento da realidade comparece no lugar de certas noções, contemporânea. Os novos tempos exigem ao mesmo tempo em que modifica seus um outro modelo educacional, voltado significados. Pode-se dizer que, no para o desenvolvimento de um conjunto geral, o termo competência vem de competências e de habilidades substituindo a idéia de qualificação no essenciais, a fim de que crianças e jovens domínio do trabalho, e as idéias de possam efetivamente compreender e saberes e conhecimento no campo da refletir sobre a realidade, participando e educação. agindo no contexto de uma sociedade As razões da invasão do termo comprometida com o futuro. competência, segundo Tanguy (1997), nas diferentes esferas da atividade social, B. AS ORIGENS DO TERMO são difíceis de precisar, embora, no caso COMPETÊNCIA da educação e do trabalho, possam estar associadas a uma série de movimentos O sentido original da palavra geradores de concepções nesses dois competência é de natureza jurídica, ou campos, bem como das inter-relações seja, diz respeito ao poder que tem uma entre eles. Dentre tais concepções ou certa jurisdição de conhecer e decidir crenças, podemos destacar: necessidade sobre uma causa. Gradativamente, o de superar o aspecto da instrução pelo da significado estendeu-se, passando o educação; reconhecimento da termo a designar a capacidade de importância do poder do conhecimento alguém para se pronunciar sobre por todos os meios sociais e de que a determinado assunto, fazer determinada transmissão do conhecimento não é coisa ou ter capacidade, habilidade, tarefa exclusiva da escola; aptidão, idoneidade. institucionalização e sistematização de 31 IntrodutÛrio - 1.pmd 31 10/7/2003, 15:13
  • 34. Documento Básico - Livro Introdutório princípios sobre formação contínua fora de leitura, ou a condução de um do âmbito escolar; exigência de superar a automóvel. Mesmo tendo consciência qualificação profissional precária e dessa série, não conseguiremos encontrar mecânica; necessidade de rever o ensino algo que possa traduzir a totalidade disciplinar e o saber academicista ou desses atos. descontextualizado; preocupação de Por outro lado, do ponto de vista colocar o aluno no centro do processo externo, quando observamos os outros, educativo, como sujeito ativo. conseguimos, com relativa facilidade, A intervenção desses elementos sobre a concluir sobre a existência desta ou problemática da formação e daquela competência. Ao fazê-lo, no aprendizagens profissionais, além da entanto, ultrapassamos a mera descrição necessidade de novas adaptações ao dos atos, significando que aquela série mundo do trabalho e da escola, de ações é interpretada na sua totalidade acabaram por proporcionar uma ou no conjunto que a traduz. Supõe-se, apropriação geral da noção de portanto, que há algo interno que competência em vários países, articula e rege as ações, possibilitando provavelmente na expectativa de que sejam eficazes e adequadas à atribuir novos significados às noções situação, conforme descreve Rey (1998). que ela pretende substituir nas Ao observarmos um bom patinador no atividades pedagógicas. Mais gelo, diz o autor, bastam alguns especificamente, no entanto, esse minutos para concluirmos se ele sabe referencial sobre a noção de patinar, ou seja, se ele é competente. competência tem-se imposto nas Em outras palavras, interpretamos que a escolas, inicialmente, por meio da sucessão de seus movimentos não é avaliação. Essas inter-relações meramente uma série qualquer, mas que produziram uma contaminação de ela é coordenada por um princípio significados, e o termo competência dominado pelo sujeito, residindo aí sua passou a ser usado com freqüência no competência. Ao atribuirmos esse poder sistema educativo, no qual ganhou ao patinador, assumimos a idéia de que outras conotações. seus futuros movimentos serão Dado esse caráter polissêmico da noção previsíveis, no sentido de que serão de competência, trata-se de precisar em adequados e eficazes. que sentido pretendemos utilizá-la. O que o autor quer mostrar é que a A NOÇÃO DE COMPETÊNCIA: A QUE SE APLICA? competência revela um poder interno e se define pela anterioridade, ou seja, a Embora o uso do termo competência seja possibilidade de enfrentar uma situação comum, é difícil precisar o seu problema está, de certa forma, dada pelas significado. Se tentarmos descrever uma condições anteriores do sujeito. Ao das nossas competências, mesmo tempo, essa previsibilidade dá-nos conseguiremos, no máximo, elencar uma a impressão de continuidade. A série de ações que realizamos para competência não é algo passageiro, é algo enfrentar uma situação-problema, tais que parece decorrer natural e como uma análise de fenômeno, um ato espontaneamente. 32 IntrodutÛrio - 1.pmd 32 10/7/2003, 15:13
  • 35. II. Eixos conceituais que estruturam ENCCEJA Em síntese, a idéia de competência mais restrito, competência é tida como retrata dois aspectos antagônicos mas comportamento objetivo e observável e solidários, que podem ser traduzidos de que se realiza como resposta a uma várias maneiras: interno e externo, situação. Essa forma de entender implícito e explícito, o da visibilidade competência se manifesta no campo da social e o da organização interna, o que formação profissional quando pressupõe na ação é observável e mais que a cada posto de trabalho estandardizado e o que é mais ligado ao corresponda uma lista de tarefas sujeito, portanto, singular e obscuro. específicas. No campo da educação, essa Esses aspectos podem ser encontrados noção de competência comparece nas teorias que fundamentam a noção associada à pedagogia por objetivos de competência, as quais abordam essa (Bloom,1972 e Mager, 1975), cuja idéia questão em dois pólos opostos. No central é a de que, para ensinar, é preciso primeiro pólo, estão as teorias que usam traçar objetivos claros e específicos, sem o termo competência como referência a ambigüidades, de tal forma que o atos observáveis ou comportamentos professor possa prever que seus alunos específicos, empregados, sobretudo, na serão capazes de alcançá-los. Para tanto, formação profissional e na concepção as competências devem-se confundir da aprendizagem por objetivos. No com o comportamento observável. Tal segundo pólo, encontram-se autores concepção está, portanto, diretamente que analisam as capacidades do sujeito associada às idéias de performance e resultantes de organização interna e eficácia (Ropé e Tanguy, 1997), bem não-observáveis diretamente: como acaba por fomentar a elaboração de listagens de comportamentos exigíveis em diferentes níveis dos Assim, tanto a competência é concebida programas de ensino. Na medida em que como uma potencialidade invisível, a competência se reduz ao interna, pessoal, susceptível de engendrar comportamento observável, elimina-se uma infinidade de “performances”, tanto do mesmo o seu caráter implícito. ela se define por componentes observáveis, exteriores, impessoais. Esse mesmo modelo, no sentido mais (Rey, 1998, p.26) amplo, toma uma outra forma: a da ação funcional, ou seja, ser competente não é apenas responder a um estímulo e realizar Esses dois sentidos do termo uma série de comportamentos, mas, competência são usados e convivem sobretudo, ser capaz de, voluntariamente, alternadamente, tanto no mundo do selecionar as informações necessárias para trabalho como no mundo da escola. regular sua ação ou mesmo inibir as A concepção de competência como reações inadequadas. Na realidade, essa comportamento é a manifestação de um concepção pretende superar a falta de modelo teórico que guarda parentesco sentido produzida na consecução de com o behaviorismo, o qual tem objetivos. Ao introduzir a idéia de embasado o uso da noção de finalidade ao comportamento, fato que a competência de duas formas. No sentido pedagogia por objetivos desconsiderou, 33 IntrodutÛrio - 1.pmd 33 10/7/2003, 15:13
  • 36. Documento Básico - Livro Introdutório acentua-se que, subjacente a um conhecimento é possível sem haver uma comportamento observável, consciente ou organização interna. automaticamente, existe uma organização Para Chomsky (1983), a competência realizada pelo sujeito, da qual se depreende lingüística não se confunde com a existência de um equipamento cognitivo comportamento. Ela deriva de um poder que organiza, seleciona e hierarquiza seus interno (núcleo fixo inato), expresso por movimentos em função dos objetivos a um conjunto de regras do qual o sujeito alcançar. Em outras palavras, a não tem consciência, que possibilita a competência não é redutível aos produção de comportamentos lingüísticos. comportamentos estritamente objetivos, Na abordagem piagetiana, a idéia de mas está vinculada sempre a uma atividade competência está atrelada à organização humana que, ligada à escola ou ao interna e complexa das ações humanas, trabalho, caracteriza-se por sua relação mas, diferentemente de Chomsky, funcional a tais atividades definidas Piaget (1983) discorda do caráter inato socialmente. dessa organização e enfatiza a sua Em síntese, embora existam essas dimensão adaptativa. Sustenta que a variações no sentido de competência progressividade do desenvolvimento como comportamento, em ambos ela é mental se apóia em um processo de vista no seu caráter específico e construção, no qual interferem o determinado: no primeiro caso, é limitada mínimo de “pré-formações” e o máximo pelos estímulos que a provocam; no de auto-organização. A competência, segundo, pela função que apresenta na nesse sentido, diz respeito à construção situação ou contexto que a exige. endógena das estruturas lógicas do Como já dissemos, um outro pólo da pensamento que, à medida que se análise teórica sobre competência não a estabelecem, modificam o padrão da identifica com comportamento; ela é ação ou adaptação ao meio e que considerada como uma capacidade geral Malglaive (1995) denomina de estrutura que torna o indivíduo apto a das capacidades. desenvolver uma variedade de ações A abordagem piagetiana, como que respondem a diferentes situações. sabemos, teve como preocupação Competência, nesse caso, refere-se ao mostrar as estruturas lógicas como funcionamento cognitivo interno do universais. Mesmo afirmando que todo sujeito. Essa concepção de competência conhecimento se dá em um contexto foi formulada em contraposição à idéia social e descrevendo o papel da de competências como comportamentos interação entre os pares como específicos, a partir das teorias de fundamental para o desenvolvimento do competência lingüística, proposta por raciocínio lógico, essa investigação não Chomsky (1983) e da auto-regulação do privilegiou a forma de atuação do desenvolvimento cognitivo, proposta contexto social ou das situações no por Piaget (1976). Embora divergindo a desenvolvimento das competências respeito da origem das competências cognitivas. A partir de contribuições da cognitivas, esses autores têm em sociologia e da antropologia, vários comum a crença de que nenhum estudos têm sido realizados no sentido 34 IntrodutÛrio - 1.pmd 34 10/7/2003, 15:13
  • 37. II. Eixos conceituais que estruturam ENCCEJA de mostrar as relações entre contextos outro lado, o conceito de operações culturais e cognição, conforme descrito mentais permite colocar a aprendizagem por Dias (2002). Nesse sentido, vale no contexto das operações e não apenas ressaltar as reflexões de Bordieu (1994), no do conhecimento ou do quando afirma que a compreensão não é comportamento. só o reconhecimento de um sentido invariante, mas a apreensão da C. AS COMPETÊNCIAS DO ENEM singularidade de uma forma que só NA PERSPECTIVA DAS AÇÕES OU existe em um contexto particular. OPERAÇÕES DO SUJEITO COMPETÊNCIAS COMO MODALIDADES ESTRUTURAIS DA INTELIGÊNCIA Considerando-se as características do mundo de hoje, quais os recursos A ressignificação da noção de cognitivos que um jovem, concluinte da competência – nos meios educacionais e educação básica, deve ter construído ao acadêmicos – está muito provavelmente longo desse período? A matriz de atrelada à necessidade de se encontrar competências do ENEM expressa uma um termo que substituísse os conceitos hipótese sobre isso, ou seja, assume o usados para descrever a inteligência, os pressuposto de que os conhecimentos quais se mostraram inadequados, quer adquiridos ao longo da escolarização pela abrangência, quer pela limitação. deveriam possibilitar ao jovem domínio No primeiro caso, sabemos das de linguagens, compreensão de dificuldades de se trabalhar com termos fenômenos, enfrentamento de como capacidade para expressar aquilo situações-problema, construção de que deve ser objeto de argumentações e elaboração de desenvolvimento, até mesmo porque propostas. De fato, tais competências essa idéia carrega conotações de parecem sintetizar os principais aptidão, difíceis de precisar. No aspectos que habilitariam um jovem a segundo caso, a vinculação da enfrentar melhor o mundo, com todas inteligência à aquisição de as suas responsabilidades e desafios. comportamentos produziu uma visão Quais são as ações e operações pontual e molecular que reduz o valorizadas na proposição das desenvolvimento a uma listagem de competências da matriz? Como analisar saberes a serem adquiridos. Como esses instrumentos cognitivos em sua contraponto, a noção de competência função estruturante, ou seja, surgiu no discurso dos profissionais da organizadora e sistematizadora de um educação como uma forma de pensar ou um agir com sentido circunscrever o termo capacidade e individual e coletivo? Em outras alargar a idéia de saber específico. palavras, o que significam dominar e fazer uso (competência I); construir, Nesse sentido, o construtivismo aplicar e compreender (competência II); contribuiu, de forma significativa, para selecionar, organizar, relacionar, pensar a inteligência humana como interpretar, tomar decisões, enfrentar resultado de um processo de adaptações (competência III); relacionar, construir progressivas, portanto não polarizado argumentações (competência IV); no meio ou nas estruturas genéticas. Por recorrer, elaborar, respeitar e considerar (competência V)? 35 IntrodutÛrio - 1.pmd 35 10/7/2003, 15:13
  • 38. Documento Básico - Livro Introdutório DOMINAR E FAZER USO domínio lingüístico para outro. Assim, A competência I tem como propósito tal competência requer do sujeito, por avaliar se o estudante demonstra exemplo, a capacidade de transitar da “dominar a norma culta da Língua dominar linguagem matemática para a Portuguesa e fazer uso da linguagem linguagem da história ou da geografia, e matemática, artística e científica”. dessas, para a linguagem artística ou para a linguagem científica. Significa Dominar, segundo o dicionário, ainda ser competente para reconhecer significa “exercer domínio sobre; ter diferentes tipos de discurso, sabendo autoridade ou poder em ou sobre; ter usá-los de acordo com cada contexto. autoridade, ascendência ou influência total sobre; prevalecer; ocupar O domínio de linguagens implica um inteiramente”. Fazer uso, pois, é sujeito competente como leitor do sinônimo de dominar, já que expressa mundo, ou seja, capaz de realizar ou confirma seu exercício na prática. leituras compreensivas de textos que se expressam por diferentes estilos de Dominar a norma culta tem significados comunicação, ou que combinem diferentes nas tarefas de escrita ou conteúdos escritos com imagens, leitura avaliadas. No primeiro caso, o charges, figuras, desenhos, gráficos, etc. domínio da norma culta pode ser Da mesma forma, essa leitura inferido, por exemplo, pela correção da compreensiva implica atribuir escrita, coerência e consistência textual, significados às formas de linguagem manejo dos argumentos em favor das que são apropriadas a cada domínio de idéias que o aluno quer defender ou conhecimento, interpretando seus criticar. Quanto às tarefas de leitura, tal conteúdos. Ler e interpretar significa domínio pode ser inferido pela atribuir significado a algo, apropriar-se compreensão do problema e de um texto, estabelecendo relações aproveitamento das informações entre suas partes e tratando-as como presentes nos enunciados das questões. elementos de um mesmo sistema. Além disso, sabemos hoje que o mundo Dominar linguagens implica ainda um contemporâneo se caracteriza por uma sujeito competente como escritor da pluralidade de linguagens que se realidade que o cerca, um sujeito que entrelaçam cada vez mais. Vivemos na saiba fazer uso dessa multiplicidade de era da informação, da comunicação, da linguagens para produzir diferentes informática. Basicamente, todas as textos que comuniquem uma proposta, nossas interações com o mundo social, uma reflexão, uma linha de com o mundo do trabalho, com as argumentação clara e coerente. outras pessoas, enfim, dependem dessa multiplicidade de linguagens para que Por isso, dominar linguagens implica possamos nos beneficiar das tecnologias trabalhar com seus conteúdos na modernas e dos progressos científicos, dimensão de conjecturas, proposições e realizar coisas, aprender a conviver, etc. símbolos. Nesse sentido, a linguagem constitui o instrumento mais poderoso Dominar linguagens significa, portanto, de nosso pensamento, à medida que ela saber atravessar as fronteiras de um lhe serve de suporte. 36 IntrodutÛrio - 1.pmd 36 10/7/2003, 15:13
  • 39. II. Eixos conceituais que estruturam ENCCEJA Por exemplo, pensar a realidade como Hoje, a compreensão de fenômenos, um possível, como é próprio do naturais ou não, tornou-se raciocínio formal (Inhelder e Piaget, imprescindível ao ser humano que se 1955), seria impraticável sem a quer participante ativo de um mundo linguagem, pois é ela que nos permite complexo, onde coabitam diferentes transitar do presente para o futuro, povos e nações, marcados por uma antecipando situações, formulando enorme diversidade cultural, científica, proposições. Não seria possível também política e econômica e, ao mesmo fazer o contrário, transitar do presente tempo, desafiados para uma vida em para o passado, que só existe como uma comum, interdependente ou globalizada. lembrança ou como uma imagem. Da Compreender fenômenos significa ser mesma maneira, raciocinar de uma forma competente para formular hipóteses ou hipotético-dedutiva também depende da idéias sobre as relações causais que os linguagem, pois sem ela não teríamos determinam. Ou seja, é preciso saber que como elaborar hipóteses, idéias e um dado procedimento ou ação provoca suposições que existem apenas em um uma certa conseqüência. Assim, se o plano puramente representacional e desmatamento desenfreado ocorre em virtual. todo o planeta, é possível supor que esse CONSTRUIR, APLICAR E COMPREENDER evento, em pouco tempo, causará desastres climáticos e ecológicos, por O objetivo da Competência II é avaliar se o exemplo. estudante sabe “construir e aplicar construir conceitos das várias áreas do Além disso, a compreensão de fenômenos conhecimento para a compreensão de requer competência para formular idéias fenômenos naturais, de processos sobre a explicação causal de um certo histórico-geográficos, da produção fenômeno, atribuindo sentido às suas tecnológica e das manifestações artísticas”. conseqüências. Voltando ao exemplo anterior, não basta ao sujeito construir e Construir é uma forma de domínio que, aplicar seus conhecimentos para saber que no caso das questões das provas, pode as conseqüências do desmatamento serão implicar o exercício ou uso de muitas os desastres climáticos ou ecológicos, mas habilidades: estimar, calcular, é preciso também que ele compreenda as relacionar, interpretar, comparar, medir, razões que esse fato implica, ou seja, que observar etc. Em quaisquer delas, o estabeleça significados para ele. desafio é realizar operações que possibilitem ultrapassar uma dada Para isso, é necessário determinar situação ou problema, alcançando relações entre as coisas, inferir sobre aquilo que significa ou indica sua elementos que não estão presentes em conclusão. Construir, portanto, é uma situação, mas que podem ser articular um tema com o que qualifica deduzidos por aqueles que ali estão, sua melhor resposta ou solução, tendo trabalhar com fórmulas e conceitos. que, para isso, realizar procedimentos Nesse sentido, também fazemos uso da ou dominar os meios requeridos, linguagem, à medida que formulamos considerando as informações hipóteses para compreender um disponíveis na questão. fenômeno ou fato, ou elaboramos 37 IntrodutÛrio - 1.pmd 37 10/7/2003, 15:13
  • 40. Documento Básico - Livro Introdutório conjecturas, idéias e suposições em um problema ou questão, seja encontrar relação a ele. Nesse jogo de elaborações ou produzir sua solução, a ação ou e suposições, trabalhamos, do ponto de operação que se quer destacar é a de vista operatório, com a lógica da saber enfrentar, sendo o resolver, por combinatória (Inhelder e Piaget, 1955), certo, seu melhor desfecho, mas não o a partir da qual é preciso considerar, ao único. Ou seja, o enfrentamento de mesmo tempo, todos os elementos situações-problema relaciona-se à presentes em uma dada situação. capacidade de o sujeito aceitar desafios que lhe são colocados, percorrendo um SELECIONAR, ORGANIZAR, RELACIONAR, processo no qual ele terá que vencer INTERPRETAR, TOMAR DECISÕES E ENFRENTAR obstáculos, tendo em vista um certo SITUAÇÕES-PROBLEMA objetivo. Quando bem sucedido nesse O objetivo da Competência III é avaliar se enfrentamento, pode-se afirmar que o o aluno sabe “selecionar organizar selecionar organizar, selecionar, sujeito chegou à resolução de uma relacionar interpretar dados e relacionar, situação-problema. Produzir resultados informações representados de diferentes com êxito no contexto de uma formas, para tomar decisões e situação-problema pressupõe o situações-problema”. enfrentar situações-problema enfrentamento da mesma. Pressupõe Talvez a melhor forma de analisarmos encarar dificuldades e obstáculos, as ações ou operações avaliadas nessa operando nosso raciocínio dentro dos competência seja fazermos a leitura em limites que a situação nos coloca. Tal sua ordem oposta: enfrentar uma como em um jogo de tabuleiro, enfrentar situação-problema implica selecionar, uma partida pressupõe o jogar dentro das organizar, relacionar e interpretar dados regras – o jogar certo –, sendo as regras para tomar uma decisão. De fato, assim aquilo que nos fornecem as coordenadas é. Tomar uma decisão implica fazer um e os limites para nossas ações, a fim de recorte significativo de uma realidade, percorrermos um certo caminho durante às vezes complexa, ou seja, que pode a realização da partida. No entanto, nem ser analisada de muitos modos e que sempre o jogar certo é o suficiente para pode conter fatores concorrentes, no que joguemos bem, isto é, para que sentido de que nem sempre é possível vençamos a partida, seja porque nosso dar prioridade a todos eles ao mesmo adversário é mais forte, seja porque não tempo. Selecionar é, pois, recortar algo soubemos, ao longo do caminho, colocar destacando o que se considera em prática as melhores estratégias para significativo, tendo em vista um certo vencer. (Macedo, Petty e Passos, 2000) critério, objetivo ou valor. Além disso, Da mesma maneira, uma situação- tomar decisão significa organizar ou problema traz um conjunto de reorganizar os aspectos destacados, informações que, por analogia, relacionando-os e interpretando-os em funcionam como as regras de um jogo, favor do problema enfrentado. as quais, de maneira explícita, Reparem que enfrentar uma situação- impõem certos limites ao jogador. É a problema não é o mesmo que resolvê- partir desse dado real – as regras – la. Ainda que nossa intenção, diante de que o jogador enfrentará o jogo, 38 IntrodutÛrio - 1.pmd 38 10/7/2003, 15:13
  • 41. II. Eixos conceituais que estruturam ENCCEJA mobilizando seus recursos, selecionando Consideremos que convencer significa certos procedimentos, organizando suas vencer junto, ou seja, implica aceitar ações e interpretando informações para que o melhor argumento pode vir de tomar decisões que considere as muitas fontes e que nossas idéias de melhores naquele momento. partida podem ser confirmadas ou Tendo em vista esses aspectos, o que a reformuladas total ou parcialmente no Competência III busca valorizar é a jogo das argumentações. Assim, saber possibilidade de o sujeito, ao enfrentar argumentar é convencer o outro ou a si situações-problema, considerar o real mesmo sobre uma determinada idéia. como parte do possível (Inhelder e Convencer o outro porque, quando Piaget, 1955). Se, para ele, as adotamos diferentes pontos de vista informações contidas no problema forem sobre algo, é preciso elaborar a melhor consideradas como um real dado que justificativa para que o outro apóie delimita a situação, pode transformá-lo nossa proposição. Convencer a si em uma abertura para todos os possíveis. mesmo porque, ao tentarmos resolver um determinado problema, RELACIONAR E ARGUMENTAR necessitamos relacionar informações, O objetivo da Competência IV é verificar conjugar diversos elementos presentes relacionar se o aluno sabe “relacionar em uma determinada situação, informações, representadas em diferentes estabelecendo uma linha de formas, e conhecimentos disponíveis em argumentação mental sem a qual se situações concretas, para construir torna impossível uma solução argumentação consistente”. satisfatória. Nesse sentido, construir Relacionar refere-se às ações ou argumentação significa utilizar a melhor operações por intermédio das quais estratégia para apresentar e defender pensamos ou realizamos uma coisa em uma idéia; significa coordenar meios e função de outra. Ou seja, trata-se de fins, ou seja, utilizar procedimentos que coordenar pontos de vista em favor de apresentem os aspectos positivos da uma meta, por exemplo, defender ou idéia defendida. criticar uma hipótese ou afirmação. Para Por isso, a Competência IV é muito isso, é importante sabermos descentrar, valorizada no mundo atual, tendo em ou seja, considerar uma mesma coisa vista que vivemos tempos nos quais as segundo suas diferentes perspectivas ou sociedades humanas, cada vez mais focos. Dessa forma, a conclusão ou abertas, perseguem ideais de democracia solução resultante da prática relacional e de igualdade. Em certo sentido, a vida expressa a qualidade do que foi analisado. pede o exercício dessa competência, pois Saber construir uma argumentação hoje a maioria das situações que consistente significa, pois, saber mobilizar enfrentamos requerem que saibamos conhecimentos, informações, experiências considerar diversos ângulos de uma de vida, cálculos, etc. que possibilitem mesma questão, compartilhando defender uma idéia que convence alguém diferentes pontos de vista, respeitando as (a própria pessoa ou outra com quem se diferenças presentes no raciocínio de discute) sobre alguma coisa. cada pessoa. De certa forma, essa 39 IntrodutÛrio - 1.pmd 39 10/7/2003, 15:13
  • 42. Documento Básico - Livro Introdutório competência implica o exercício da articular meios e fins, pensar e atuar cidadania, pois argumentar hoje se refere coletivamente. a uma prática social cada vez mais A sociedade contemporânea diferencia- necessária, à medida que temos que se de outras épocas por suas estabelecer diálogos constantes, transformações contínuas em todos os defender idéias, respeitar e compartilhar setores. Dessa maneira, as mudanças diferenças. sociais, políticas, econômicas, RECORRER, ELABORAR, RESPEITAR E CONSIDERAR científicas e tecnológicas de hoje se fazem com uma rapidez enorme, O objetivo da Competência V é valorizar a exigindo do homem atualizações possibilidade de o aluno “recorrer aos recorrer constantes. Não mais é possível que conhecimentos desenvolvidos na escola solucionemos os problemas apenas para elaboração de propostas de recorrendo aos conhecimentos e à intervenção solidária na realidade, sabedoria que a humanidade acumulou respeitando os valores humanos e ao longo dos tempos, pois estes muitas considerando a diversidade vezes se mostram obsoletos. A realidade sociocultural”. nos impõe hoje a necessidade de criar Recorrer significa levar em conta as novas soluções a cada situação que situações anteriores para definir ou enfrentamos, sem que nos pautemos calcular as seguintes até chegar a algo apenas por esses saberes tradicionais. que tem valor de ordem geral. Uma das Por essas razões, elaborar propostas é conseqüências, portanto, da recorrência uma competência essencial, à medida é sua extrapolação, ou seja, podermos que ela implica criar o novo, o atual. aplicá-la a outras situações ou encontrar Mas, para criar o novo, é preciso que o uma fórmula ou procedimento que sujeito saiba criticar a realidade, sintetiza todo o processo. Elaborar compreender seus fenômenos, propostas, nesse sentido, é uma forma de comprometer e envolver-se ativamente extrapolação de uma recorrência. Propor com projetos de natureza coletiva. Vale supõe tomar uma posição, traduzir uma dizer que tal competência exige a crítica em uma sugestão, arriscar-se a capacidade do sujeito exercer sair de um papel passivo. Por extensão, verdadeiramente sua cidadania, agindo acarreta a mobilização de novas sobre a realidade de maneira solidária, recorrências, tornando-se solidário, isto envolvendo-se criticamente com os é, agindo em comum com outras pessoas problemas da sua comunidade, propondo ou instituições. Este agir em comum novos projetos e participando das implica aprender a respeitar, ou seja, decisões comuns. considerar o ponto de vista do outro, 40 IntrodutÛrio - 1.pmd 40 10/7/2003, 15:13
  • 43. II. Eixos conceituais que estruturam ENCCEJA BIBLIOGRAFIA BLOOM, B. S.; KRATHWHL, D. R.; MASIA, B. Taxionomia de objetos educacionais. Porto Alegre: Globo, 1972. v. 1. Domínio Cognitivo. BORDIEU, P. A economia das trocas simbólicas. In: ORTIZ, Pierre (Org.). Sociologia. 2. ed. São Paulo: Ática, 1994. p. 156-183. (Grandes cientistas sociais; v. 39). Tradução de Paula Monteiro, Alícia Auzemendi. BRASIL. Leis etc. Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, v. 134, n. 248, p. 27.833-27.841, 23 dez. 1996. Seção 1. CHOMSKY, N. A propósito das estruturas cognitivas e de seu desenvolvimento: uma resposta a Jean Piaget. In: PIATTELLI-PALMARINI, Massimo (Org.). Teorias da linguagem, teorias da aprendizagem: o debate entre Jean Piaget & Noan Chomsky. Tradução de Álvaro Alencar. São Paulo: Cultrix: Ed. Universidade São Paulo, 1983. FERREIRA, A. B. de H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. 1.838 p. INHELDER, B.; PIAGET, J. De la logica del niño a la logica del adolescente. Buenos Aires: Piados, 1972. INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS. ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio: documento básico, 2000. Brasília, DF, 1999. ISAMBERT-JAMATI, V. O apelo à noção de competência na revista L’Orientation Scolaire et Professionnelle: da sua criação aos dias de hoje. In: ROPÉ, F.; TANGUY, Lucie (Org.). Saberes e competências: o uso de tais noções na escola e na empresa. Campinas: Papirus, 1997. p. 103-133. Tradução de Patrícia Chittonni Ramos e equipe do ILA da PUC/RS. MACEDO, L; TORRES, M. Z. Lógica operatória e competências do sujeito. In: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS. Certificação de competências na educação de jovens e adultos: fundamentos. Brasília, DF, 2002. Capítulo 3. MAGER, R. F. A formação de objetivos de ensino. Porto Alegre: Globo, 1975. 138 p. Tradução de Casete Ramos com a colaboração de Débora Karam Galarza. MALGLAIVE, G. Ensinar adultos: trabalho e pedagogia. Porto, Port.: Ed. Porto, 1995. 271 p. (Coleção Ciências da Educação; v. 16). Tradução de Maria Luiza Alvares Pereira et al. PIAGET, J. A equilibração das estruturas cognitivas problema central do cognitivas: desenvolvimento. Rio de Janeiro: Zahar, 1976. 175 p. (Ciências da Educação). Tradução de Marion Merlone dos Santos Penna. ______. Fazer e compreender São Paulo: Melhoramentos, 1978. 186 p. (Biblioteca compreender. de Educação Melhoramentos). Tradução de Christina Larroude de Paula Leite. ______. Psicogênese dos conhecimentos e seu significado epistemológico. In: 41 IntrodutÛrio - 1.pmd 41 10/7/2003, 15:13
  • 44. Documento Básico - Livro Introdutório PIATTELLI-PALMARIM, Massimo (Org.). Teorias da linguagem, teorias da aprendizagem: o debate entre Jean Piaget & Noan Chomsky. São Paulo: Cultrix, 1983. Tradução de Álvaro Alencar. PIAGET, Jean; GARCIA, R. Psicogénesis e história de la ciência. México, DF: Siglo XXI, 1984. RAMOZZI-CHIAROTTINO, Z. Psicologia e epistemologia genética de Jean Piaget. São Paulo: EPU, 1988. REY, B. Les compétences transversales en question Paris: ESF, 1998. question. ROPÉ, F. Dos saberes às competências? o caso do francês. In: ROPÉ, Françoise; TANGUY, Lucie (Org.). Saberes e competências: o uso de tais noções na escola e na empresa. Campinas: Papirus, 1997. p. 69-100. Tradução de Patrícia Chittoni Ramos e equipe ILA da PUC/RS. ______. Racionalização pedagógica e legitimidade política. In: ROPÉ, Françoise; TANGUY, Lucie (Org.). Saberes e competências: o uso de tais noções na escola e na empresa. Campinas: Papirus, 1997. p. 25-67. Tradução de Patrícia Chittoni Ramos e equipe ILA da PUC/RS. 42 IntrodutÛrio - 1.pmd 42 10/7/2003, 15:13
  • 45. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA 43 IntrodutÛrio - 1.pmd 43 10/7/2003, 15:13
  • 46. Documento Básico - Livro Introdutório Ensino Fundamental Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Educação Física e Educação Artística 44 IntrodutÛrio - 1.pmd 44 10/7/2003, 15:13
  • 47. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA ÁREA 1 - Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Educação Física e Educação Artística - Ensino Fundamental Alfredina Nery A CONCEPÇÃO DA ÁREA E SUA A partir do desenvolvimento FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA tecnológico, evidencia-se um fato novo, no que se refere à linguagem: ao mesmo Segundo as concepções atuais de tempo em que se aprofunda, atualmente, aprendizagem e de ensino, o estudante a característica grafocêntrica da é um sujeito social que aprende atuando sociedade, tem sido necessário aumentar com e sobre a cultura de seu grupo a participação das várias classes e grupos social e da sociedade em geral. Hoje não sociais no mundo digital, sob pena de se concebe um aluno que simplesmente reforçarmos uma outra exclusão social, imita, repete mecanicamente, copia e tratada por alguns estudiosos como reproduz informações estanques e sem “analfabetismo digital”. relação com as questões cotidianas do Nesse quadro, o letramento representa viver – incluindo sua compreensão do práticas sociais de linguagem mais amplas processo histórico da humanidade. que podem reforçar ou questionar as O estudante, em movimento permanente formas por meio das quais o poder é de constituição de si mesmo como distribuído na sociedade. Distribuição, sujeito e como cidadão, aprende a diga-se de passagem, desigual, tanto no aprender, buscando compreender as campo dos valores simbólicos, como em interações sociais das quais participa, relação aos bens materiais. tomando decisões, identificando Os usos das linguagens explicitam problemas, comparando idéias, continuamente as relações entre construindo conceitos e propostas de linguagem e exercício da cidadania, intervenção na realidade. Esta entre linguagem e poder, entre perspectiva está exposta na LDB 9.394/ linguagem e identidade. No trabalho, na 96 e compreende as exigências de uma vida doméstica, na política, nas relações sociedade em contínua transformação. sociais podemos afirmar que cada um 45 IntrodutÛrio - 1.pmd 45 10/7/2003, 15:13
  • 48. Documento Básico - Livro Introdutório Ensino Fundamental Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Educação Física e Educação Artística de nós é um “ser de linguagem”, uma áreas do currículo. Os conceitos das vez que esta nos constitui como seres várias áreas do conhecimento são humanos. diferentes, mas, no Ensino Fundamental, Quem produz linguagem o faz em todas contribuem para ampliar as determinadas condições de produção. relações dos alunos com os discursos – Todo indivíduo, ao elaborar um texto, materializados em textos – presentes no precisa considerar a quem se destina mundo. (interlocutor real ou provável) e em que Assim, a proposta do Encceja – Ensino situação de comunicação ele se dará. Fundamental defende o acesso do Por exemplo, um psicólogo num estudante às várias linguagens, para que congresso de especialistas elabora seu ele possa utilizá-las em diferentes texto levando em conta o público, ou situações, trabalhando os diversos seja, seus colegas de profissão. Mas, se fatores e aspectos que caracterizam: este mesmo profissional for falar com a • a linguagem verbal (oral e escrita): população em um programa de TV a uma conversa entre amigos; uma respeito de certos comportamentos história contada por um colega; uma humanos, sua linguagem será outra, narrativa ficcional; uma notícia escrita pois seus interlocutores passam a ser no jornal; uma carta escrita a um amigo/ pessoas que não têm a mente humana ao prefeito; uma pesquisa para conhecer como objeto de estudo. Esse fato faz algum tema, objetivando saber mais a toda a diferença. respeito de algo; um registro escrito Se o nosso objetivo é formar indivíduos para poder lembrar mais tarde; que sejam capazes de compreender mais • as linguagens visual, auditiva, gestual/ e melhor o mundo, o estudo das corporal: um quadro numa exposição de linguagens tem um papel fundamental, arte; uma notícia ouvida no rádio/ uma vez que elas são espaços múltiplos assistida na televisão; uma música de produção de significados sobre a vida. ouvida para entretenimento, para dançar, A reflexão e o uso das práticas sociais a para analisar; um espetáculo de dança partir da escrita tornam-se primordiais. para assistir, para participar. No Ensino Fundamental, entendido como De acordo com a Proposta curricular para um momento da escolarização em que os Educação de Jovens e Adultos, a saberes socialmente constituídos devem especificidade do estudante da EJA/ contribuir para a compreensão e Ensino Fundamental exige desenvolver nomeação da própria experiência as competências para a aprendizagem pessoal, entende-se a escola como uma dos conteúdos escolares, bem como a comunidade de leitores e produtores de possibilidade de aumentar a consciência textos, na qual todo professor é em relação ao estar-no-mundo, professor de leitura e de escrita. Disso ampliando a capacidade de participação decorre a necessidade de ações por parte social, no exercício da cidadania. Para dos educadores na direção de um realizar esses objetivos, o estudo da trabalho pedagógico que explicite a linguagem é um valioso instrumento. natureza multidisciplinar da linguagem e Qualquer aprendizagem só é possível por o seu caráter instrumental nas várias meio dela, já que é com a linguagem que 46 IntrodutÛrio - 1.pmd 46 10/7/2003, 15:13
  • 49. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA se formaliza todo conhecimento nota de aspectos relevantes em uma produzido nas diferentes disciplinas e exposição ou palestra para compreender que se explica a maneira como o o conteúdo tratado etc. (...) Quanto mais universo se organiza. (Brasil, 2002). diversificadas forem as experiências No que se refere à linguagem verbal, o sociais e culturais vivenciadas, mais à trabalho deve ampliar as competências vontade os alunos de EJA se sentirão e habilidades envolvidas nos textos para atuar em contextos diferentes, orais e escritos, em situações de falar, ajustando seu modo de falar à maior ou escutar, ler ou escrever, para que menor formalidade exigida pelo possamos reduzir a distância entre contexto. (ibid). estudante e palavra, procurando anular É inevitável o confronto entre a língua experiências traumáticas com os que se fala na escola e a língua que cada processos de aprendizagem da leitura e aluno pratica. Muitas vezes, o aluno, ao produção de textos. Deve ajudar os longo de sua vida escolar, sente-se estudantes a incorporar uma visão incomodado por não conseguir escrever diferente da palavra para continuarem o que foi capaz de pensar e dizer. Cabe motivados a compreender o discurso do ao professor explicitar as causas dessa outro, interpretar pontos de vista, dificuldade, administrando o choque assimilar e criticar as coisas do mundo. entre as modalidades falada e escrita de Deve, também, fortalecer a voz dos modo favorável ao aluno, criando novos muitos jovens e adultos que retornam à critérios de correção, valorizando e escola para que possam romper os reconhecendo a identidade lingüística silenciamentos impostos pelos de cada um, discutindo a relação de perversos processos de exclusão do poder que implica o uso da norma de próprio sistema escolar. (ibid). prestígio, repudiando qualquer Quanto à linguagem verbal oral, não se manifestação de preconceito lingüístico. pode, em hipótese alguma, estigmatizar O professor exerce um papel o jovem ou o adulto em função dos fundamental porque precisa assumir a traços que marcam sua fala. Deve-se posição de mediador do confronto e, ao promover o debate e a interlocução, mesmo tempo, viabilizar a convivência considerando que a necessidade de com a escrita, que, devido à sua fixidez, expor pontos de vista, defender direitos, é mais estável e suscetível de argumentar são capacidades cada vez monitoração objetiva. (ibid). mais exigidas nos espaços profissionais Pelo exposto, o estudo das linguagens é e na vida pública (...) Não se trata de uma ferramenta fundamental do estar aprender a falar “certo”, como prescreve no mundo, pois, ao conhecer suas a gramática normativa, mas de aprender características e diferentes códigos, em a falar em público, monitorar sua fala diversas situações, o estudante pode em função da reação da platéia, tomar ampliar sua participação cidadã e compreender-se mais nesse contexto. 47 IntrodutÛrio - 1.pmd 47 10/7/2003, 15:13
  • 50. Documento Básico - Livro Introdutório Ensino Fundamental Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Educação Física e Educação Artística AS COMPETÊNCIAS DE LÍNGUA ambiente, consigo mesmo etc., a fim de PORTUGUESA, LÍNGUA formalizar, negociar e criar sentidos que ESTRANGEIRA, EDUCAÇÃO o instaurem como um ser de linguagem. ARTÍSTICA E EDUCAÇÃO FÍSICA Em plena “era da informação” – como é chamada – podemos afirmar que há na NA MATRIZ DO ENCCEJA sociedade mais troca de informação, As linguagens respondem a ainda que seja possível questionar se há necessidades, interesses e finalidades realmente mais comunicação e mais diversas do viver em sociedade, pois a conhecimento. No que se refere à escola, prática social é constitutiva da esta análise se agrava, pois as novas linguagem e essa é, por natureza, linguagens estão ainda na periferia do polifônica, isto é, incorpora o diálogo espaço escolar. Estas linguagens fazem com outras vozes que a precederam – parte das falas dos professores em suas compreender e fazer-se compreender respectivas salas, dos alunos no pelo outro é uma forma de diálogo. corredor, no pátio, enfim, estão no cotidiano das pessoas, porém, na escola, A área de Língua Portuguesa, Língua pertencem a um espaço marginal. Estrangeira, Artes e Educação Física do Ensino Fundamental objetiva ampliar as Os avanços da informática num mundo possibilidades do estudante compreender- globalizado não estão ainda se um “ser de sentidos”, ao poder fazer uso completamente dimensionados, mas e refletir sobre as diferentes linguagens, uma questão está cada vez mais clara: a inter-relacionando-as. De fato, o domínio alteração da relação homem e das linguagens permeia todas as demais linguagem. É só pensar, por exemplo, competências fundamentais para o na capacidade de armazenar dados que exercício da cidadania, tais como a a informática tem: essa expansão da construção de conceitos, de memória humana mudará muito o nosso argumentações e da elaboração de próprio pensamento. Apesar dessa propostas, como forma de responder às mudança nos instrumentos de adversidades sociais. Levando-se em conta comunicação e informação, a linguagem as competências cognitivas básicas e as continua sendo uma forma de ação, de que abrangem diferentes linguagens e interação entre indivíduos. códigos, chegou-se às nove competências Assim, a tecnologia da informação não é da área com as quais os estudantes devem uma estratégia diferente das outras estar familiarizados na conclusão do existentes: a escrita modificou a oralidade, Ensino Fundamental. mas ambas permanecem na relação 1. Reconhecer as linguagens como homem e linguagem, ainda que de formas elementos integradores dos sistemas de distintas. As técnicas não determinam o comunicação e construir uma pensamento, mas, ao contribuírem para consciência crítica sobre os usos que se estruturar as atividades cognitivas de quem fazem delas. as utiliza, condicionam o “vir-a-ser” do pensamento. A linguagem é elemento através do qual o homem interage com seu semelhante, Nessa perspectiva, o estudante precisa com a “máquina”, com o meio aprender a acessar informações, 48 IntrodutÛrio - 1.pmd 48 10/7/2003, 15:13
  • 51. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA selecionando-as, procurando nexos e nomeiam e que nenhuma língua deixa transformando-as em conhecimentos. de sofrer influências externas, em Em outros termos, deve desenvolver especial em um mundo globalizado uma prática autônoma de leitura. como aquele em que vivemos hoje. 2. Construir um conhecimento sobre a 3. Compreender a arte e a cultura organização do texto em Língua corporal como fato histórico Estrangeira Moderna (LEM) e aplicá-lo contextualizado nas diversas culturas, em diferentes situações de conhecendo e respeitando o patrimônio comunicação, tendo por base os cultural, com base na identificação de conhecimentos de língua materna. padrões estéticos e cinestésicos de A Língua Estrangeira Moderna (LEM) diferentes grupos socioculturais. na proposta do Encceja está No sentido antropológico de cultura, relacionada ao desenvolvimento de afirma-se que todo indivíduo nasce no uma competência leitora do estudante contexto de uma cultura. É assim que as em diferentes situações de práticas corporais relacionam-se à comunicação, tendo a língua materna expressividade e à comunicação como base. Assim, um foco do trabalho humanas, bem como integram funções não é a especificidade de uma língua do próprio corpo. Um exemplo da estrangeira, mas as estratégias de expressividade são as manifestações leitura, entendendo-as como um culturais que têm no corpo a sua trabalho ativo do leitor na construção possibilidade de realização, como dos sentidos do texto, a partir dos seus movimentos corporais do cotidiano, as objetivos, do seu conhecimento sobre danças, os jogos, as lutas etc. o assunto, o autor e a língua – Nas diferentes culturas, ao longo da características do gênero, do portador, história humana, o homem criou do sistema de escrita etc. movimentos mais eficientes e A leitura em LEM envolve uma série de satisfatórios, procurando desenvolver estratégias do leitor, como a maiores possibilidades de uso do corpo. antecipação, supondo o que está por Refletir sobre essas questões pode vir; a inferência, captando o implícito; a contribuir para que o estudante se verificação, controlando a eficácia das compreenda melhor e amplie suas demais estratégias; enfim, selecionando possibilidades de atuação no mundo. os elementos constituintes da Atualmente, com o poder dos meios de configuração textual que auxiliam no comunicação de massa, com o avanço seu objetivo de leitura. tecnológico e com a expansão da O outro foco do trabalho é explicitar os indústria cultural, tem sido necessário valores culturais representados em posicionar-se criticamente sobre os outras línguas e suas relações com a valores e os padrões de comportamento, língua materna, compreendendo que a em especial o que se entende por beleza e incorporação de termos estrangeiros saúde do corpo humano. A acompanha a assimilação dos hábitos, supervalorização do corpo vem impondo tecnologias e artefatos que eles próprios às pessoas a construção de novos 49 IntrodutÛrio - 1.pmd 49 10/7/2003, 15:13
  • 52. Documento Básico - Livro Introdutório Ensino Fundamental Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Educação Física e Educação Artística significados, novos valores, novas suas estruturas expressivas atinjam a modalidades de entretenimento e de emoção e imaginação humanas. consumo que necessitam de instrumentos No mundo contemporâneo, pleno de de análise mais apurados e críticos. imagens, símbolos, ícones, enfim, um 4. Compreender as relações entre arte e número enorme de informações visuais, a leitura da realidade, por meio da é preciso discutir com o estudante a reflexão e investigação do processo necessidade de uma leitura crítica das artístico e do reconhecimento dos mesmas, para que não se banalize a materiais e procedimentos usados no compreensão de mundo, por meio de contexto cultural de produção da arte. estereótipos. O ser humano, como ser simbólico que é, 5. Compreender as relações entre o criou/cria as linguagens, e, entre elas, as texto literário e o contexto histórico, linguagens artísticas – artes visuais, social, político e cultural, valorizando a dança, música, teatro, cinema etc. literatura como patrimônio nacional. Linguagens que procuram representar o Entendendo que as linguagens mundo, inventar outros, dar significado à contribuem para a constituição do próprio própria existência, explicar o sujeito, por isso são instrumentos de imponderável, sempre na eterna busca conhecimento do mundo e das relações humana de respostas para os grandes sociais, é preciso fazer um destaque no enigmas da existência. O homem faz arte que se refere ao papel da literatura na ao manipular cores, formas, luzes e formação do jovem e do adulto. sombras, sons, silêncios, ritmos e Ao esforço– importante, necessário e melodias, gestos e movimentos e, com meritório– de propor na escola um alguma intenção, a eles atribui trabalho com a multiplicidade de significados. Os conhecimentos linguagens e textos como forma de específicos de cada linguagem artística, ampliar as referências culturais dos articulados ao conhecimento de si estudantes, há o perigo de diminuir nas mesmo, do outro, da humanidade, da salas de aula excessivamente a presença pluralidade cultural são os objetivos do do texto literário, em especial do texto ensino e aprendizagem da Arte na escola. poético. É possível relacionarmos esta A presente publicação – visando a tendência a um projeto mais amplo de contribuir para que o estudante faça sociedade e de ciência que acabou por uma prova objetiva e entendendo que a sustentar esse movimento de leitura de imagens pode ampliar os diversificação textual na escola, a partir meios de apreensão, compreensão e de textos mais objetivos e pragmáticos. representação do mundo – privilegiou a Sempre tomando cuidado para não reflexão sobre as artes visuais. dicotomizar a questão, simplificando-a ou No estudo das imagens, realizam-se reduzindo-a, a proposta do ENCCEJA várias operações: percebem-se objetiva rediscutir as relações entre o texto contornos, distinguem-se relações de literário/formação do aluno e as práticas na figura-fundo, explicitam-se planos, escola com a multiplicidade textual. linhas, texturas e cores, de maneira que 50 IntrodutÛrio - 1.pmd 50 10/7/2003, 15:13
  • 53. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA O texto literário não desaparece com o exigem diferentes tipos de textos, com tempo, pois presentifica questões diferentes formas de textualização. filosóficas, históricas, ideológicas e A complexa questão do gênero textual estéticas que nos ajudam a compreender vem de muito tempo, desde a a vida e o mundo que nos cerca. Para Antiguidade Clássica, com a distinção familiarizar-se com ele, lê-lo e entre poesia e prosa; lírico, épico e interpretá-lo, é necessário aprender a dramático; tragédia e comédia. Assim, abordá-lo, estabelecendo algumas vários campos teóricos têm-se categorias de análise. É preciso, por preocupado com essa problemática: a exemplo, perceber o sentido literal e o história da retórica, as pesquisas em figurado; é preciso aprender a recolher o poética e semiótica literária, as teorias que nele vem escrito, é preciso aprender lingüísticas atuais. Tudo isso resulta a escolher os elementos que podem numa multiplicidade de abordagens e de proporcionar outras descobertas e metalinguagens, constatando-se, então, sentidos. Os sentidos são, portanto, o uso de “gêneros”, “tipos”, encontro entre autor e leitor, “modalidades”, “modos”, quase que intermediados pelo texto. indistintamente. Enfim, o texto literário, encarado como Polêmicas à parte, e com o objetivo de obra de arte, carrega implicações disponibilizar ao estudante uma estéticas e sociais que nos fazem multiplicidade de textos como forma de aproximar dos contextos históricos nos ampliar seu repertório textual, decidiu- quais foram produzidos; por exemplo, se trabalhar nesta publicação com a se abordamos um texto antigo, idéia de gênero já expressa nos aproximamo-nos de perspectivas Parâmetros Curriculares Nacionais, ou diferentes e isto enriquece nossa visão seja, gêneros como modelos para de mundo; se lemos um texto moderno, organizar o que temos a dizer, dentro de podemos, igualmente, ampliar nossa um certo formato que se foi mostrando perspectiva do próprio mundo em que eficiente nas situações comunicativas. vivemos. Entendendo que quanto mais complexa 6. Utilizar a língua materna para é uma sociedade, mais complexos e estruturar a experiência e explicar a variados são os gêneros textuais, optou- realidade. se pelo uso de textos verbais, visuais, A concepção de que as condições de referências a textos audiovisuais, produção da linguagem são considerando necessariamente as constitutivas de seus próprios sentidos relações entre seus vários elementos aponta para a necessidade de um constituintes, em determinadas redirecionamento na forma de trabalhar situações: os interlocutores da fala a linguagem na escola. Hoje, há o (quem/com quem/para quem); seus consenso de que o trabalho deve estar objetivos; justificativas; onde/quando centrado no texto, na perspectiva da falam (o contexto) e como falam interação verbal; por isso, considera-se (recursos próprios de cada modalidade que diferentes situações de interlocução de linguagem). 51 IntrodutÛrio - 1.pmd 51 10/7/2003, 15:13
  • 54. Documento Básico - Livro Introdutório Ensino Fundamental Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Educação Física e Educação Artística Enfim, procurou-se demonstrar que as sujeito seja capaz de reconhecer os diferentes linguagens demandam procedimentos de persuasão utilizados, articular a finalidade com que cada uma de identificar nos discursos ecos de é produzida (explicar, convencer, outras vozes, de inferir informar, recrear etc.) a suas intencionalidades a partir de marcas características específicas. A função: presentes nos textos e de compreender estética, utilitária, científica; o gênero e que tais marcas expressam intenções sua configuração textual; o assunto/ pessoais e interesses políticos, tema e sua abordagem; os recursos econômicos e ideológicos. Enfim, gráfico-visuais, sonoros, gestuais, como espera-se que o estudante desenvolva a diagramação, imagens, relação texto capacidade de refletir criticamente, escrito e imagem; pauta sonora; tanto sobre um tema quanto sobre os expressão corporal; o suporte: livro, vários discursos utilizados e suas revista, jornal, outdoor, placas, rádio, finalidades. TV, CD, o computador etc. 8. Reconhecer e valorizar a linguagem 7. Analisar criticamente os diferentes de seu grupo social e as diferentes discursos, inclusive o próprio, variedades do Português, procurando desenvolvendo a capacidade de combater o preconceito lingüístico. avaliação de textos. Compreender que as línguas variam e A análise crítica dos diferentes discursos que a variação é inerente às práticas de em circulação no tempo e no espaço em linguagem amplia as referências que vivemos é uma das condições para culturais e lingüísticas do estudante. A a constituição do cidadão partir das reflexões sobre as relações contemporâneo, capaz de escolher entre linguagem e sociedade, entre quando e quanto ser seduzido, língua e poder, é possível questionar cooptado por discursos alheios, quando preconceitos, como: há apenas uma e quanto resistir ou contrapor-se, que única língua no Brasil e o brasileiro não recursos utilizar para seduzir e sabe falar sua própria língua. Refletir convencer. sobre estas questões é essencial para Para participar de processos romper o silenciamento que o interlocutivos de forma crítica, é preconceito lingüístico acaba impondo fundamental que o sujeito seja capaz de aos brasileiros. perceber, nos discursos próprios e Nesse quadro, a concepção da linguagem alheios, a influência dos contextos como interação contribui para o políticos, econômicos e ideológicos, o estudante entender que variamos o modo jogo de sedução e convencimento de expressão, dependendo das situações travado entre interlocutores mais comunicativas das quais participamos. próximos e os diálogos estabelecidos Quem fala, com quem fala, com que com outros textos e interlocutores intencionalidades, de que lugar fala distantes no tempo e no espaço. constituem o como falar. Nesse sentido, para que se possam Outro aspecto é saber que muitas das analisar criticamente discursos, marcas que singularizam os processos de inclusive os próprios, é necessário que o variação podem ser tematizadas, a partir da 52 IntrodutÛrio - 1.pmd 52 10/7/2003, 15:13
  • 55. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA interferência que a variedade lingüística falada A atividade com a linguagem produz pelo sujeito produz em sua escrita. Muitos textos diferentes em função dos erros ortográficos permitem refletir sobre contextos de produção; por isso, refletir as unidades lingüísticas com as quais o sobre as linguagens é trabalhar com elas sujeito está lidando. e a partir delas. Ao colocar o texto Uma outra importante questão diz como unidade de ensino, entende-se respeito às regularidades que permeiam que análise lingüística é mais do que certos usos da língua. Ao trabalhar com estudar gramática. Não se trata também as regularidades, descobrem-se as de colocar ao lado dos estudos regras que orientam a produção de gramaticais novos conteúdos textos, em uma variedade ou em outra, relacionados ao texto. As mudanças são em um registro ou em outro, porque mais profundas, quando se muda a não se fala uma língua ou uma unidade de análise da frase para o texto. variedade sem regras, ainda que Nesse quadro, conhecer as categorias algumas variedades tenham mais explicativas básicas dos processos prestígio social que outras. O fato de o lingüísticos é importante para modo urbano ser mais valorizado que o aproximar o plano da expressão do da camada popular são manifestações plano do conteúdo de um texto, de preconceito que precisam ser explicitando os usos efetivos da língua combatidas. em sua modalidade oral ou escrita. Sem dúvida, o contato do estudante É no cruzamento do eixo paradigmático com a modalidade escrita da linguagem (o das escolhas, do léxico) com o eixo – quer lendo ou escrevendo textos de sintagmático (o das conexões, das diferentes gêneros, quer escutando ou relações das frases) e nas relações destes produzindo textos orais, marcados por com a dêixis que estão os elementos uma forte relação com a escrita – lingüísticos que produzem alterações no amplia, progressivamente, seu domínio interior dos textos e em seus contextos dos recursos lingüísticos, permitindo extralingüísticos. ajustar o texto que produz às exigências Fundamentalmente, a análise lingüística da situação comunicativa e às restrições otimiza o domínio dos recursos impostas pelos diferentes gêneros e lingüísticos, evidenciando uma das situações comunicativas. características da linguagem, a de convencer o outro, levando-o a aderir ao 9. Usar os conhecimentos adquiridos ponto de vista de quem fala. Ao saber por meio da análise lingüística para utilizar os operadores argumentativos que expandir a capacidade de uso da enfatizam uma determinada perspectiva, o linguagem, ampliando a capacidade de autor busca o efeito desejado, por análise crítica. exemplo, tomando o fato pelo ângulo da Expandir a capacidade de uso das sua causa ou/e da sua conseqüência. linguagens e ampliar a capacidade de Destacar estes mecanismos em uma análise crítica passam necessariamente publicação didática é fundamental para por maiores conhecimentos adquiridos o estudante, pois, como leitor, pode através da análise lingüística. 53 IntrodutÛrio - 1.pmd 53 10/7/2003, 15:13
  • 56. Documento Básico - Livro Introdutório Ensino Fundamental Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Educação Física e Educação Artística compreender que um fato oferece Física visa a desenvolver e ampliar as sempre mais de uma possibilidade de competências do estudante da Educação interpretação e, como produtor de de Jovens e Adultos, na direção da textos orais ou escritos, amplia sua sistematização de um conjunto de capacidade de escolher, dentre os vários conhecimentos das várias linguagens textos e gêneros, em uma dada – seus conceitos, procedimentos e situação, o mais adequado, tendo em atitudes – fazendo dele um cidadão vista os efeitos desejados. mais crítico e participativo. Assim, não Trata-se, portanto, de desvelar para o se pretende uma preparação exaustiva estudante que os usos da língua como para o exame, mas, sim, colocar o neutros e transparentes levam a uma estudante em contato com uma interpretação ingênua, sustentada nas abordagem dos conteúdos de linguagem crenças que conformam e mantêm a que ele já vivencia ou vivenciou nos realidade sempre igual. momentos em que participa ou participou da escola ou mesmo em sua Enfim, a área de Língua Portuguesa, vida, de um modo geral. Língua Estrangeira, Artes e Educação BIBLIOGRAFIA BRASIL. Lei n.9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Poder . Executivo, Brasília, DF, v. 134, n. 248, p. 27.833-27.841, 23 dez. 1996. Seção 1. Lei Darcy Ribeiro. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria do Ensino Fundamental. Proposta curricular para Educação de jovens e adultos: 2º segmento do ensino fundamental: 5ª a 8ª série: Brasília, DF, 2002. v. 2. 54 IntrodutÛrio - 1.pmd 54 10/7/2003, 15:13
  • 57. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA ÁREA 1 - Linguagens, Códigos e suas Tecnologias - Ensino Médio Alice Vieira A partir dos princípios definidos pela industrialização na América Latina, a nova Lei de Diretrizes e Bases da política educacional brasileira Educação Nacional (Brasil, 1996), o estabeleceu como prioridade para o Ministério da Educação (MEC) elaborou, Ensino Médio a formação de junto com educadores de todo o país, especialistas que fossem capazes de um novo perfil para o currículo escolar. controlar a utilização de maquinarias ou De maneira geral, o ensino no Brasil de dirigir os processos de produção. Na baseia-se ainda na transmissão de um década de 90, um novo desafio foi acúmulo de informações que são imposto: em uma sociedade na qual o apresentadas aos alunos de forma volume de informações é cada vez descontextualizada e fragmentada. maior, sendo o conhecimento Nesse sentido, os conteúdos escolares, rapidamente superado pelas inovações além de serem trabalhados isoladamente científicas e tecnológicas, a simples em cada disciplina escolar, sem permitir aquisição de conhecimentos se torna o estabelecimento de relações entre insuficiente para a formação de eles, não ganham significados para o cidadãos e profissionais. Portanto, a aluno. Para superar tais condições, a formação do aluno passa a ter como reforma educacional proposta na Lei objetivo, também, a preparação buscou dar significado ao conhecimento científica e a capacidade de utilizar as escolar e evitar a compartimentalização, diferentes tecnologias relativas às áreas por meio de sua contextualização e da de atuação no mercado de trabalho. interdisciplinaridade, de maneira a Dessa forma, para o Ensino Médio, a incentivar o raciocínio e a capacidade nova LDB propõe a formação geral, em de aprender dos alunos. oposição à formação específica; o Nas décadas de 60 e 70, com a desenvolvimento da capacidade de aceleração do processo de pesquisar, de buscar informações, 55 IntrodutÛrio - 1.pmd 55 10/7/2003, 15:13
  • 58. Documento Básico - Livro Introdutório - Linguagens, Códigos Ensino Médio e suas Tecnologias analisá-las e selecioná-las; o APRENDER A CONHECER desenvolvimento da capacidade de Esse primeiro princípio ressalta a aprender, de criar e formular, superando- importância de uma educação geral que se o simples exercício de memorização. possibilite o aprofundamento de algumas Essa nova proposta leva em conta as áreas de conhecimento e o domínio dos transformações tecnológicas hoje próprios instrumentos do conhecimento. presentes na sociedade, as quais afetam a Dessa forma, o conhecimento é forma de organização dos diferentes considerado como um meio ou seja, meio, setores de produção, buscando melhor como caminho para o sujeito preparar o futuro profissional para o compreender a complexidade do mundo, mercado de trabalho. Ou seja, este outro desenvolvendo suas possibilidades paradigma da educação brasileira busca pessoais e profissionais; e como um fim fim, enfatizar o desenvolvimento de novas uma vez que o seu fundamento é o formas de competências que são exigidas prazer de compreender, de conhecer, de pela atual organização social. Entre elas descobrir. Aprender a conhecer garante o encontram-se a capacidade de abstração aprender a aprender e constitui o e de pensar múltiplas alternativas para a passaporte para a educação permanente. solução de um problema; o APRENDER A FAZER desenvolvimento da capacidade de expressão e comunicação por meio de Partindo desse princípio, a educação diferentes linguagens; a capacidade de deve estimular o desenvolvimento exercer o trabalho em equipe; a busca constante de novas habilidades no autônoma de novos conhecimentos; a indivíduo, na medida em que as disposição para aceitar críticas, aceitar situações estão em constante riscos; o desenvolvimento de um transformação. A teoria deve ser posta pensamento sistêmico e crítico, da sempre em relação à prática, e a ciência criatividade e da curiosidade. Em síntese, deve ser vivenciada na tecnologia, para os objetivos da educação no Ensino que o aluno possa entender a Médio para jovens e adultos, a partir de significação de ambas no uma perspectiva construtivista, têm desenvolvimento da sociedade como meta a formação ética do aluno e o contemporânea. desenvolvimento da autonomia APRENDER A CONVIVER intelectual e do pensamento crítico. A partir deste princípio, a educação deve Nesse sentido, ainda, a reforma promover no indivíduo a competência educacional brasileira considera para que ele aprenda a viver junto, ou essenciais os princípios apontados pela seja, aprenda a estabelecer práticas de UNESCO (1994) como eixos estruturais interações sociais, dedicando-se à da educação contemporânea, a partir realização de projetos comuns ou à gestão dos quais foram concebidas as diretrizes inteligente dos conflitos inevitáveis. gerais e orientadoras da proposta curricular do Ensino Médio. APRENDER A SER Neste caso, a educação deve estar comprometida com o desenvolvimento 56 IntrodutÛrio - 1.pmd 56 10/7/2003, 15:13
  • 59. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA total da pessoa, com a preparação do aumento real das possibilidades de indivíduo para elaborar pensamentos interação do aluno com sua sociedade e autônomos e críticos e formular os seus meio ambiente, ou seja, um aumento do próprios juízos de valor, com a seu poder como cidadão, implicando construção da sua identidade. Dessa maior acesso às informações e uma forma, é preciso criar condições para melhor possibilidade de interpretação que o aluno possa exercitar a liberdade dessas informações nos contextos de pensamento, o discernimento, o sociais em que elas lhe são sentimento e a imaginação, apresentadas. desenvolvendo seus talentos, sendo Dessa maneira, na Educação de Jovens e capaz de tomar decisões por si mesmo e Adultos os conteúdos das disciplinas de permanecendo, tanto quanto possível, Linguagens, Códigos e suas Tecnologias dono do seu próprio destino. não devem ser apresentados de maneira OBJETIVOS DA ÁREA DE LINGUAGENS, CÓDIGOS E estanque, isolada. SUAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E A construção do conhecimento ADULTOS DO ENSINO MÉDIO humano, o desenvolvimento das artes, De acordo com os Parâmetros da ciência, da filosofia e da religião Curriculares Nacionais (PCN) do Ensino foram possíveis graças à linguagem que Médio para a área Linguagens, Códigos permeia a elaboração e a construção de e sua Tecnologias, a linguagem é todas as atividades do homem. Não considerada como a capacidade humana apenas a representação do mundo, da de articular significados coletivos em realidade física e social, mas também a sistemas arbitrários de representação, formação da consciência individual, a que são compartilhados e que variam de regulação dos pensamentos e da ação, acordo com as necessidades e próprios ou alheios, ocorrem na e pela experiências da vida em sociedade. A linguagem. Nesse sentido, o estudo da principal razão de qualquer ato de gramática normativa deve contribuir linguagem é a produção de sentido. para o desempenho lingüístico do aluno, tanto na recepção quanto na Nessa direção, portanto, a nova reforma produção de textos escritos e orais. É o educacional propõe uma mudança exercício contínuo das diferentes profunda na maneira como as práticas, aliado à reflexão constante disciplinas de Português, Língua sobre os usos da linguagem, que Estrangeira Moderna (LEM), Artes e permite a ampliação dos recursos Educação Física devem ser examinadas expressivos. A leitura de textos e ensinadas, no Ensino Fundamental e pertencentes a diferentes gêneros, de Médio. Recusa-se o conhecimento de textos próprios ou alheios, e a natureza enciclopédica ou de conteúdos observação e análise de marcas sem significação prática. lingüísticas recorrentes possibilitam ao Tal princípio aplica-se também à aluno ampliar seu repertório para Educação de Jovens e Adultos (EJA) de responder às exigências impostas pelas Ensino Médio, o que representa, na diversas situações comunicativas. perspectiva da nova LDB e dos PCN, um 57 IntrodutÛrio - 1.pmd 57 10/7/2003, 15:13
  • 60. Documento Básico - Livro Introdutório - Linguagens, Códigos Ensino Médio e suas Tecnologias A língua é uma força ativa na possibilitar o acesso a bens culturais da sociedade, um meio pelo qual humanidade. indivíduos e grupos controlam outros Nessa nova perspectiva, trabalha-se, em grupos ou resistem a esse controle, um primeiro lugar, com a construção do meio para mudar a sociedade ou para conhecimento: conhecimento impedir a mudança, para afirmar ou lingüístico, musical, corporal; gestual; suprimir as identidades culturais. Ter conhecimento das imagens, do espaço e domínio da língua é, pois, participar das formas. Linguagens e Códigos, mais ativamente da sociedade. do que objetos de conhecimento, são A História da Literatura e a História da meios para o conhecimento. O ser Arte não devem ser meras listagens de humano conhece o mundo por meio de escolas, autores e suas características. suas linguagens, de seus símbolos. No ensino das diversas linguagens Assim, à medida que ele se torna mais artísticas, não se pode mais abandonar, competente nas diferentes linguagens, quer o eixo da produção (eixo poético), torna-se mais capaz de conhecer o quer o da recepção (eixo estético), quer mundo. o da crítica. O ensino das artes não pode O ensino na área de Linguagens, mais reduzir-se nem à História da Arte, Códigos e suas Tecnologias deve levar nem à mera aquisição de repertório, e em conta, em primeiro lugar, a muito menos a um fazer por fazer, contextualização do conhecimento. espontaneísta, desvinculado da reflexão Dados, informações, idéias e teorias não e do tratamento da informação. devem ser apresentados de maneira Da mesma maneira, a Educação Física estanque, separados de suas condições não pode mais reduzir-se ao de produção, do tipo de sociedade em condicionamento físico e ao esporte, que são gerados e recebidos, de sua quando praticados de maneira relação com outros conhecimentos. inconsciente ou mecânica. O aluno do Do nosso ponto de vista, a ensino médio, regular ou não, deve não contextualização pode se dar em três só valorizar, apreciar e desfrutar dos níveis. A contextualização sincrônica benefícios advindos da cultura corporal analisa o objeto em relação à época e à de movimento, mas também perceber e sociedade que o gerou. Quais foram as compreender o papel do esporte na razões da sua produção? De que sociedade contemporânea. maneira ele foi recebido em sua época? Em relação à Língua Estrangeira Como se deu o acesso a esse objeto? Moderna (LEM), importa construir um Quais as condições sociais, econômicas conhecimento sistêmico sobre a e culturais da sua produção e recepção? organização textual e sobre como e Como um mesmo objeto foi apropriado quando utilizar a linguagem nas por grupos sociais diferentes? situações de comunicação, tendo como A contextualização diacrônica considera base os conhecimentos da língua o objeto cultural no eixo do tempo. De materna. A consciência lingüística e a que maneira aquela obra, aquela idéia, consciência crítica dos usos que se aquela teoria se inscreve na História da fazem da língua estrangeira devem 58 IntrodutÛrio - 1.pmd 58 10/7/2003, 15:13
  • 61. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA Cultura, da Arte e das Idéias? Como ela a sociedade em que vive? O que são foi apropriada por outros autores em liberdade e responsabilidade? Que lugar períodos posteriores? De que maneira ocupa na sociedade? Como pode atuar e ela se apropriou de objetos culturais de intervir na sociedade? Mas a identidade épocas anteriores a ela própria? depende também de compreender, Por fim, não se pode ignorar a aceitar e respeitar a diversidade social, contextualização de um objeto qualquer cultural, política e das linguagens. no quadro da sua recepção atual: Como Quem é o outro? Em que contexto se esse texto é visto hoje? Que tipo de insere? Qual a sua linguagem? Quais os interesse ele ainda desperta? Quais as diferentes suportes dos textos? Que características desse objeto que fazem teorias explicam a realidade? Como as com que ele ainda seja estudado, linguagens criam diferentes realidades? apreciado ou valorizado? AVALIAÇÃO DE COMPETÊNCIAS NA EDUCAÇÃO DE A questão da contextualização nos leva JOVENS E ADULTOS NA ÁREA DE LINGUAGENS, ao problema da intertextualidade e da CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS interdisciplinaridade. De que maneira A partir dos PCN do Ensino Médio e das cada objeto cultural se relaciona com competências cognitivas básicas do outros objetos culturais? Como uma sujeito, foi formulada a Matriz de mesma idéia, um mesmo sentimento, Competências que orienta a avaliação uma mesma informação são tratados proposta pelo Exame Nacional de pelas diferentes linguagens? Aqui nos Certificação de Competências de Jovens interessam, por exemplo, as novas e Adultos (Encceja). tecnologias de informação, o hipertexto, Como competências, entendem-se as os CD-ROM, e as páginas da Web. modalidades estruturais da inteligência, Como um objeto é estudado nas operações que o sujeito utiliza para diversas áreas do conhecimento? Qual a estabelecer relações com e entre objetos, articulação que as disciplinas situações, fenômenos e pessoas. Delas estabelecem entre si? De que maneira decorrem habilidades que se referem ao essa articulação se liga a um sistema? plano imediato do ‘saber fazer’; por meio Na proposta de reforma curricular da das ações e operações, as habilidades Educação de Jovens e Adultos do Ensino aperfeiçoam-se e articulam-se, Médio, a interdisciplinaridade deve ser possibilitando nova reorganização das compreendida como uma abordagem competências. (Enem, 1998) relacional, em que se propõe uma prática Das relações entre as competências escolar que estabeleça interconexões cognitivas básicas e aquelas previstas entre as áreas e possibilite as passagens para a área de Linguagens, Códigos e entre os conhecimentos através de suas Tecnologias do Ensino Médio relações de complementaridade, (CNE, 1998), foram elencadas nove convergência ou divergência. competências as quais oferecem uma A identidade se constrói no visão abrangente sobre o repertório autoconhecimento da pessoa como ser cultural necessário ao jovem ou adulto individual e social. Quem ela é? Como é interessado em realizar esse exame para 59 IntrodutÛrio - 1.pmd 59 10/7/2003, 15:13
  • 62. Documento Básico - Livro Introdutório - Linguagens, Códigos Ensino Médio e suas Tecnologias sua certificação. Tais competências são sociais de diversos tipos de textos importantes para a formação do (manuais, outdoors, embalagens e indivíduo no que toca à sua identidade outros) e de reconhecimento de valores como cidadão e para sua compreensão culturais e ideológicos em textos que se da construção histórica do apropriem de termos e conceitos conhecimento. São elas: expressos em LEM. 1. Aplicar as tecnologias da 3. Compreender e utilizar a linguagem comunicação e da informação na escola, corporal como relevante para a própria no trabalho e em outros contextos vida, integradora social e formadora de relevantes para sua vida. identidade. Esta competência pretende avaliar se o A Educação Física deve ser abordada estudante tem a percepção de que, à sua como ciência que estuda as volta, existem diferentes objetos manifestações da linguagem corporal, e, organizados a partir de sistemas para tanto, é preciso que haja a integradores de linguagens, exercendo apropriação por parte do estudante de diferentes funções sociais que os aspectos relativos à produção histórica integram em um só corpo. Esses e social da humanidade referente à sistemas são de comunicação porque a cultura corporal de movimento, à base primeira de todos eles é a prática esportiva, ao jogo e suas integração de linguagens, produzindo possibilidades lúdicas, às atividades objetos com uma certa (mas nunca rítmicas e expressivas, à ginástica e aos absoluta) previsibilidade de conhecimentos sobre o corpo. significação. Nesse sentido, é 4. Compreender a Arte como saber importante que o estudante conheça e cultural e estético gerador de domine os sistemas de comunicação: significação e integrador da organização informativa, publicitária, de do mundo e da própria identidade. entretenimento e artística. Com esta competência pretende-se que 2. Conhecer e usar língua(s) a arte seja abordada de maneira objetiva estrangeira(s) moderna(s) como e abrangente, com o intuito de levar o instrumento de acesso a informações e a aluno a compreendê-la de forma crítica, outras culturas e grupos sociais. relacionando as diversas informações Com esta competência, pretende-se que com os contextos estéticos, históricos e o estudante reflita sobre as implicações sociais. lingüísticas, econômicas, históricas e As diferentes linguagens – artes ideológicas da presença das LEM plásticas, dança, música, teatro – devem (línguas estrangeiras modernas) em ser entendidas levando-se em conta as nossa sociedade. Para isso, espera-se características de cada modalidade, que o jovem ou adulto utilize destacando-se diversidades e estratégias de inferência de significados semelhanças de acordo com os a partir de contextos, de busca de elementos estéticos, históricos e sociais informações específicas, de em foco. Simultaneamente, evidencia- identificação da função e dos usos se a importância da preservação do 60 IntrodutÛrio - 1.pmd 60 10/7/2003, 15:13
  • 63. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA patrimônio histórico e cultural, levando O desenvolvimento desta competência o estudante a interessar-se pela cultura deve possibilitar ao aluno a popular e erudita. identificação, o reconhecimento e a 5. Analisar, interpretar e aplicar os reflexão crítica sobre as estratégias e recursos expressivos das linguagens, procedimentos argumentativos, relacionando textos com seus verificáveis em diferentes linguagens, contextos, mediante a natureza, função, para realizar o convencimento do organização, estrutura das interlocutor: os recursos verbais e não manifestações, de acordo com as verbais, os modos de revelar opiniões condições de produção e recepção. divergentes em textos diversificados, os embates de idéias e interesses que Almeja-se, com esta competência, que o permeiam os discursos sociais. aluno da EJA compreenda o fato de a literatura ser uma manifestação da Assim, é fundamental que os estudantes cultura, proceder da própria vida e ser tenham noções de argumentos e contra- resultado da elaboração humana e argumentos, de argumentos baseados produto do seu fazer. Espera-se também em raciocínios lógicos, em que o estudante perceba que a literatura pressuposições, em máximas, em depende do leitor para sua existência e crenças e valores compartilhados entre pressuponha que só o momento de os interlocutores, em fatos, em leitura concretiza a obra literária. exemplos, em relações intertextuais. E, ainda, conheçam outros procedimentos 6. Compreender e usar os sistemas argumentativos importantes para simbólicos das diferentes linguagens realizar o convencimento do como meios de organização cognitiva interlocutor: as figuras de pensamento e da realidade pela construção de de sintaxe, a escolha lexical, as significados, expressão, comunicação e expressões de valor fixo, a ironia, a informação. paródia, as citações, a alusão, os O propósito desta competência é fazer argumentos de autoridade. com que o leitor reflita sobre os 8. Compreender e usar a língua diferentes gêneros textuais, portuguesa como língua materna, caracterizando os tipos de texto a eles geradora de significação e integradora vinculados. A partir de aspectos da organização do mundo e da própria estruturais e estilísticos próprios dos identidade. diferentes tipos de texto, pretende-se levar o estudante a perceber como se No desenvolvimento desta competência, constrói a relação texto/contexto deseja-se que o estudante reconheça as (histórico, social, político, cultural e semelhanças, as variedades lingüísticas estético) e a identificar marcas textuais devidas a fatores geográficos e sociais, associadas a funções específicas bem como a importância do domínio da (persuasão, informação etc.). variedade padrão. 7. Confrontar opiniões e pontos de vista Tal domínio possibilita ao leitor sobre as diferentes linguagens e suas desenvolver a capacidade de reconhecer manifestações específicas. as diferenças e pressuposições existentes 61 IntrodutÛrio - 1.pmd 61 10/7/2003, 15:13
  • 64. Documento Básico - Livro Introdutório - Linguagens, Códigos Ensino Médio e suas Tecnologias nos textos, identificando mecanismos cidadania é o objetivo desta competência. lingüísticos e sua adequação às mais Para tanto, é necessário que o estudante variadas situações de interlocução, compreenda a função e o impacto das construindo, assim, uma visão crítica do tecnologias de comunicação e da texto e do contexto no qual está inserido. informação na vida pessoal e social e no 9. Entender os princípios, a natureza, a desenvolvimento do conhecimento. função e o impacto das tecnologias da Nesse sentido, destacam-se os meios comunicação e da informação, na sua eletrônicos, os meios de comunicação vida pessoal e social, no digitais, os meios impressos e os meios desenvolvimento do conhecimento, de comunicação não tradicionais. associando-as aos conhecimentos Com a elaboração da Matriz de científicos, às linguagens que lhes dão Competências para o ENCCEJA, espera- suporte, às demais tecnologias, aos se não apenas oferecer subsídios para processos de produção e aos problemas que o estudante possa realizar o exame, que se propõem solucionar. mas também propiciar novos caminhos Conscientizar o leitor da presença e para professores e estudantes da EJA no influência no seu cotidiano e meio social desenvolvimento de competências e das tecnologias de comunicação e habilidades, colaborando para que informação, levando-o a uma reflexão jovens e adultos possam participar sobre o papel destas tecnologias e à ativamente da sociedade atual, como compreensão da necessidade de seu sujeitos conscientes de seus direitos. domínio para o exercício integral da BIBLIOGRAFIA BRASIL. Leis etc. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Poder . Executivo, Brasília, DF, v. 134, n. 248, p. 27.833-27.841, 23 dez. 1996. Seção 1. Lei Darcy Ribeiro. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros curriculares nacionais: ensino médio. Brasília, DF: mec: semtec, 1999. 4 v. ______. Parâmetros curriculares nacionais: ensino médio: Linguagem códigos e suas tecnologias. Brasília, DF, 1999. v. 2. ______. Desenvolvimento da Educação no Brasil. Brasília, DF, 1996. ______. Códigos e linguagens: diretrizes para o ensino médio. Brasília, DF, 1996. CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (Brasil). Câmara de Educação Básica. Parecer nº 15, de junho de 1998. Diretrizes Curriculares nacionais para o ensino médio Documenta, Brasília, DF, n. 441, p. 3-71, jun. 1998. 62 IntrodutÛrio - 1.pmd 62 10/7/2003, 15:13
  • 65. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS. ENEM – Exame Nacional de Ensino Médio: documento básico. Brasília, DF, 1998. UNESCO. Educação: um tesouro a descobrir: relatório para UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. Rio Tinto (Port.): Ed. ASA, 1994. Tradução portuguesa. 63 IntrodutÛrio - 1.pmd 63 10/7/2003, 15:13
  • 66. 64 IntrodutÛrio - 1.pmd 64 10/7/2003, 15:13
  • 67. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA ÁREA 2 - A Matemática - Ensino Fundamental Célia Maria Carolino Pires Este texto tem a finalidade de cada vez mais do conhecimento contribuir para o trabalho de tecnológico. Explicitar essa necessidade professores e especialistas em é uma das contribuições deste material. Educação de Jovens e Adultos. Ele A proposta de construção autônoma de está organizado em duas partes. conhecimentos por estudantes, com ou Inicialmente, apresentamos alguns sem a interferência da escola, nos remete elementos sobre o conhecimento ao que Dowbor (1994) aponta como matemático e seu papel na formação do transformações significativas em termos do cidadão do novo milênio, para, em chamado “espaço do conhecimento” que seguida, relacionar essa reflexão à caracteriza sociedades contemporâneas: formulação das diferentes competências • é necessário repensar de forma mais que devem ser constituídas por um dinâmica a questão do universo de jovem ou adulto ao final do Ensino conhecimentos a trabalhar; Fundamental. • neste universo de conhecimentos Como aprender Matemática é um direito assumem maior importância relativa, as básico desses jovens e adultos, a linha metodologias, reduzindo-se ainda mais orientadora deste trabalho evidencia o a dimensão “estoque” de conhecimentos papel dessa área de conhecimento na a transmitir; formação de todas as pessoas, atendendo • aprofunda-se a transformação da a suas necessidades individuais e sociais. cronologia do conhecimento: a visão de Sabemos que a falta de recursos para homem que primeiro estuda, depois obter e interpretar informações impede a trabalha e depois se aposenta, torna-se participação efetiva e a tomada de cada vez mais anacrônica, e a decisões em relação aos problemas complexidade das diversas cronologias sociais e dificulta o acesso às posições de aumenta; trabalho numa sociedade que depende 65 IntrodutÛrio - 1.pmd 65 10/7/2003, 15:13
  • 68. Documento Básico - Livro Introdutório - Matemática Ensino Fundamental • modifica-se profundamente a função do compatível com os saberes que educando, em particular do adulto, como construíram ao longo de sua vivência. sujeito da própria formação diante da Assim, a Matemática a ser ensinada e diferenciação da riqueza dos espaços de avaliada deve ter, por um lado, um conhecimento nos quais deverá participar; caráter prático, na medida em que ajuda • a luta pelo acesso aos espaços de a resolver problemas do cotidiano das conhecimento vincula-se ainda mais pessoas, permite que não sejam profundamente ao resgate da cidadania enganadas, possibilita o exercício de , em particular para a maioria pobre da sua cidadania. Por outro lado, também população, como parte integrante das deve contribuir para o desenvolvimento condições de vida e de trabalho; do raciocínio, da lógica, da coerência, o • finalmente, longe de tentar ignorar as que transcende os aspectos práticos. transformações, ou de atuar de forma Quanto maiores forem a gama e a defensiva, precisamos penetrar nas diversidade de conhecimentos trabalhados novas dinâmicas para entender sob que por jovens e adultos, maior poderá ser a forma os seus efeitos podem ser sua compreensão da Matemática. Desse invertidos, levando a um processo modo, diferentes campos da Matemática reequilibrador da sociedade, quando devem integrar, de forma articulada, as hoje apenas reforçam as polarizações e atividades e experiências matemáticas em desigualdades. (Dowbor, p.119) qualquer projeto educativo. Não apenas as questões aritméticas e algébricas devem MATEMÁTICA, OS JOVENS E OS ADULTOS merecer atenção, mas também são fundamentais os trabalhos geométricos e As pessoas e os grupos sociais têm o métricos e os trabalhos que envolvem o direito de serem iguais quando a diferença raciocínio combinatório, o probabilístico e os inferioriza e o direito de serem as análises estatísticas. diferentes quando a igualdade os Essa população deve compreender a descaracteriza. (Santos, 1988) atividade matemática como inserida no mundo contemporâneo, ao trabalhar com estimativa tanto quanto com cálculos Quando se discute a educação exatos, fazer bom uso dos equipamentos matemática e sua apropriação por tecnológicos (como, por exemplo, a jovens e adultos com pouca calculadora), explorar o cálculo mental e escolarização, a afirmação acima é dominar procedimentos para a validação bastante esclarecedora, pois: de resultados etc. Isso pressupõe superar • jovens e adultos têm direito de se formas de trabalho empobrecedoras, em apropriar de conhecimentos que se manipulam resultados, fórmulas, matemáticos para não serem regras, na resolução mecânica de discriminados, inferiorizados; exercícios padronizados. • jovens e adultos têm o direito de se Aspectos importantes, especialmente apropriar de conhecimentos para jovens e adultos que não matemáticos, de forma coerente e concluíram o ensino fundamental, são a 66 IntrodutÛrio - 1.pmd 66 10/7/2003, 15:13
  • 69. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA seleção e a organização de informações problemas e para a aprendizagem/ relevantes. Num mundo em que há uma construção de novos conceitos. grande massa de informações, algumas Perrenoud explicita essa idéia. contraditórias, outras pouco relevantes, é A supremacia do conhecimento necessário que o cidadão consiga fazer fragmentado de acordo com as uma triagem e uma avaliação constantes. disciplinas impede freqüentemente que Outro aspecto fundamental é o uso da se opere o vínculo entre as partes e a língua materna e de suas relações com a totalidade, e deve ser substituída por linguagem e as representações um modo de conhecer capaz de matemáticas. Os textos matemáticos apreender os objetos em seu contexto, são, geralmente, os grandes ausentes sua complexidade, seu conjunto. nos estudos dessa disciplina. Assim, é Para dimensionar o papel da importante que esses jovens e adultos Matemática na formação de um jovem possam ler e escrever pequenos textos ou de um adulto, é importante que se relatando suas conclusões, justificando discuta, de um lado, a natureza desse as hipóteses que levantam - não conhecimento, suas características importa se de forma correta ou não. principais e seus métodos particulares; Também o auto-conceito que cada de outro, é fundamental discutir suas pessoa faz de sua “capacidade articulações com outras áreas de matemática” é um dos fatores conhecimento e suas efetivas relevantes do sucesso ou do fracasso de contribuições para a formação da sua aprendizagem. Por esse motivo, é cidadania e para a constituição de necessário que os estudantes percebam sujeitos da aprendizagem. que são capazes de resolver problemas, MATEMÁTICA: A NATUREZA DE de raciocinar, como fazem, UM CONHECIMENTO MILENAR cotidianamente, na sua luta pela A Matemática compõe-se de um sobrevivência e que relacionem suas conjunto de conceitos e procedimentos estratégias de solução com as propostas que englobam métodos de investigação pelas formas canônicas da matemática. e raciocínio, formas de representação e Finalmente, o significado da comunicação. Compõem-na tanto os Matemática para um jovem ou um seus modos próprios de compreender, adulto deve ser ampliado para que ele atuar, organizar e indagar o mundo, compreenda que o mesmo resulta de construídos historicamente, como o conexões entre os diferentes temas conhecimento gerado nesses processos matemáticos e as demais áreas do de interação do homem com os conhecimento e as situações do contextos naturais, sociais e culturais. cotidiano. A Matemática tem sido considerada Assim, o estabelecimento de relações é muitas vezes como um corpo de fundamental para que o estudante conhecimento imutável e verdadeiro, compreenda efetivamente os conteúdos que deve ser assimilado pelo sujeito. No matemáticos, pois, abordados de forma entanto, ela é uma ciência viva, tanto isolada, eles não se tornam uma no cotidiano dos cidadãos, como nos ferramenta eficaz para resolver 67 IntrodutÛrio - 1.pmd 67 10/7/2003, 15:13
  • 70. Documento Básico - Livro Introdutório - Matemática Ensino Fundamental centros de pesquisa ou de produção de independente da mente que as novos conhecimentos, os quais têm-se contempla. No entanto, a qualquer constituído instrumentos úteis na solução tempo, os matemáticos têm somente de problemas científicos e tecnológicos, uma visão incompleta e fragmentária em diferentes áreas do conhecimento. deste mundo das idéias (ibid, p. 360). Jovens e adultos precisam de informações Já para o Formalismo, não há objetos adequadas que lhes permitam conceber a matemáticos. A Matemática consiste Matemática dessa forma, para encará-la somente de axiomas, definições e sem medo e sem os preconceitos tão teoremas, em outras palavras, fórmulas. comuns. Eles podem construir uma Em uma visão extrema, existem regras relação mais rica com o conhecimento por meio das quais se deduz uma matemático, na medida em que fórmula da outra, mas as fórmulas não descobrirem que a Matemática se aplica se referem a coisa alguma: são somente às mais variadas atividades humanas – cadeias de símbolos. das mais simples utilizações na vida Se, por um lado, formalistas e platonistas cotidiana às mais complexas elaborações estão em extremos opostos do problema de outras ciências. da existência e da realidade, por outro, É interessante observar que, mesmo entre ambos não discutem a propósito de que matemáticos, nem sempre há consenso princípios de raciocínio deveriam ser quanto à natureza do conhecimento da admissíveis na prática matemática. área. A esse respeito, podemos destacar o Opostos a ambos, estão os construtivistas que Davis & Hersh (1986) apresentam que consideram matemática genuína sobre os dogmas-padrão presentes em somente o que pode ser obtido por uma qualquer discussão sobre os fundamentos construção finita. da matemática, ou seja, o Platonismo, o Há, portanto, maneiras diferentes e Formalismo e o Construtivismo. controversas no que diz respeito ao que Segundo o Platonismo, os objetos vêm a ser a matemática e o pensamento matemáticos são reais. Sua existência é matemático. Evidentemente, também fato objetivo, totalmente independente não há concordância absoluta quando de nosso conhecimento sobre eles. Estes se discutem propostas para o ensino e a objetos não são, naturalmente, físicos aprendizagem dessa disciplina. ou materiais. Existem fora do espaço e A ATIVIDADE MATEMÁTICA COMO CRIAÇÃO, do tempo da experiência física. São PRODUÇÃO, FABRICAÇÃO imutáveis - não foram criados e não mudarão ou desaparecerão. Citando Em parte significativa da produção Thom (1971), adepto entusiasta do didática para o ensino de Matemática, platonismo, aqueles autores destacam a podem-se perceber alguns consensos. seguinte afirmação: Em primeiro lugar, a atividade Levando tudo em conta, os matemáticos matemática da sala de aula passa a ser deveriam ter a coragem de suas vista não mais como o olhar e o convicções mais profundas ao afirmar desvelar, mas como a criação, a assim que as formas matemáticas têm, produção, a fabricação. com efeito, uma existência que é 68 IntrodutÛrio - 1.pmd 68 10/7/2003, 15:13
  • 71. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA Em segundo lugar, os conceitos processos pelos quais os conceitos matemáticos não são mais entendidos matemáticos se formam e se como sendo transmitidos hereditariamente, desenvolvem, fornecendo o quadro das como dom, ou socialmente, como capital características próprias da atividade cultural, mas, sim, como o resultado de um matemática na história. De outro lado, trabalho do pensamento – o dos buscam a compreensão dos processos matemáticos, no curso da história, e o do gerais do pensamento, presentes na aluno, no curso de sua aprendizagem. construção do conhecimento Um outro aspecto que agrega um grande matemático de cada indivíduo. número de adeptos refere-se ao Desse modo, quer na explicitação da compromisso com a democratização do formação histórica dos conceitos e ensino dessa disciplina, o que supõe o processos matemáticos, de suas rompimento com uma concepção elitista contradições, rupturas, reestruturações, de um universo matemático que existiria do desenvolvimento e interrelações dos em si, mas que só seria acessível a vários campos da matemática, quer na algumas pessoas. Hoje se pensa a explicação da formação dos conceitos atividade matemática como um trabalho pelos indivíduos, a presença da acessível a todos, desde que se atendam Epistemologia no campo da Didática da certas orientações pedagógicas. Matemática fica patente e mostra que Há, atualmente, uma grande são dois campos inseparáveis em preocupação no sentido de desfazer qualquer reflexão sobre o ensino. dois mitos: o primeiro, do tipo Ainda sobre essa questão, Charlot biológico/genético, segundo o qual (1987) considera que as concepções “Matemática é algo para quem tem tradicionais de aprendizagem da dom”, para quem é geneticamente Matemática baseavam-se em um dotado de certas qualidades; outro, do conjunto de crenças que resume da tipo sociológico, segundo o qual é seguinte forma: preciso ter um capital cultural para O matemático revela as verdades e o atingir o universo matemático. professor deve dirigir o ‘olhar da alma’ Contrapor o “trabalho” à dupla “dom/ do estudante para essas verdades. Em capital” é um desafio a que se responde conseqüência, o que o professor retira pela idéia de que fazer matemática é da atividade do matemático não é mais fundamental. Isso significa não mais a atividade, ela mesma, que muito mais receber coisas prontas para memorizar, e freqüentemente ele próprio ignora, ou sim, desenvolver um trabalho em que o quando não, silencia, mas são os pensamento constrói conceitos. Ao resultados dessa atividade, os teoremas, resolver problemas, partindo de conceitos as demonstrações, as definições, os já construídos, levantando hipóteses, axiomas. O professor é também levado a testando-as, fazendo transferências, é que supervalorizar a forma na qual esses os conceitos matemáticos se constroem. resultados são apresentados. Nesse contexto, as investigações De acordo com as tendências mais predominantes hoje são as que buscam, recentes, o rigor de pensamento e a de um lado, explicações sobre os 69 IntrodutÛrio - 1.pmd 69 10/7/2003, 15:13
  • 72. Documento Básico - Livro Introdutório - Matemática Ensino Fundamental correção do vocabulário não se colocam desenvolver nos alunos a capacidade de se como exigências impostas ao estudante. posicionar diante das estatísticas, das Eles continuam sendo um dos objetivos pesquisas, dos índices, das tabelas, dos essenciais da aprendizagem matemática, gráficos, da utilização da argumentação mas adquirem novos contornos: o rigor, matemática nos discursos sociais e em si mesmo, não faz sentido, ou seja, políticos, fazendo com que não sejam espera-se que o estudante possa usar a levados a conceber a Matemática como linguagem matemática não de forma um universo muito particular e inacessível. arbitrária, mas como uma necessidade É, enfim, a aprendizagem matemática de quem deseja comunicar os resultados repousando sobre uma concepção de de sua atividade, bem como defendê-los homem e de suas relações diante do saber, diante das contestações. da cultura, da história e dos outros Outro aspecto relevante e homens. Como afirma Santos (1988): constantemente reforçado é o de que o Todo conhecimento é autoconhecimento: ponto de partida da atividade A ciência moderna consagrou o homem matemática não é a definição, mas o enquanto sujeito epistêmico mas problema. Esse problema não é expulsou-o, tal como a Deus, enquanto certamente um exercício em que o aluno sujeito empírico. Um conhecimento deve aplicar, de forma quase mecânica, objetivo, factual e rigoroso não tolerava a uma fórmula ou um procedimento. interferência dos valores humanos ou Espera-se que o aluno possa enfrentar o religiosos. Foi nessa base que se construiu problema interpretando-o e estruturando a distinção dicotômica sujeito/objeto. a situação em que é apresentado. Além Hoje o objeto é a continuação do sujeito, disso, é preciso que ele não só encontre por outros meios (...). No futuro não se respostas para uma questão mas também tratará tanto de sobreviver como de saber e, principalmente, saiba formular a viver. Para isso, é necessária uma outra questão pertinente quando se encontra forma de conhecimento, um diante de uma situação problemática. conhecimento compreensivo e íntimo que A recompensa de um problema não nos separe e antes nos una resolvido não é apenas a sua solução, pessoalmente ao que estudamos. mas a satisfação do indivíduo em resolvê-lo por seus próprios meios; é a COMPETÊNCIAS E HABILIDADES imagem que ele pode ter de si mesmo, MATEMÁTICAS EM DISCUSSÃO como alguém capaz de resolver problemas, de fazer matemática, de As reflexões sobre o conhecimento aprender. Portanto, importa, também, matemático, sua natureza, seu papel na que o aluno forme uma imagem positiva sociedade hoje, sua construção de si diante da Matemática, do saber individual e coletiva trazem para a escolar, do mundo adulto, do futuro. educação de jovens e adultos o desafio Desse modo, destacam-se, além dos de refletir a respeito da colaboração que aspectos psicológicos e culturais, o a Matemática tem a oferecer com vistas enfoque social e político, na medida em à formação da cidadania. Ou seja, sua que se ressalta a importância de contribuição para a constituição de 70 IntrodutÛrio - 1.pmd 70 10/7/2003, 15:13
  • 73. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA condições humanas de sobrevivência, constituídos, como também relacioná- inserção das pessoas no mundo do los à utilização em outros contextos trabalho, das relações sociais e da internos da própria matemática e em cultura, com o desenvolvimento de problemas históricos. posicionamento crítico e propositivo O reconhecimento desses saberes é diante das questões sociais. fundamental para compor a malha de Nesse sentido, é fundamental que significados de muitos conteúdos a jovens e adultos sejam estimulados a serem estudados, embora seja importante construir competências como as que considerar que esses significados serão destacadas e comentadas a seguir. também devem ser explorados em outros 1. Compreender a matemática como contextos, como por exemplo, nas construção humana, relacionando o seu questões internas da própria Matemática desenvolvimento com a transformação e em problemas históricos. da sociedade. 2. Ampliar formas de raciocínio e A importância da constituição desta processos mentais por meio de indução, competência tem como justificativa a dedução, analogia e estimativa, utilizando necessidade de que o conhecimento conceitos e procedimentos matemáticos. matemático seja percebido pelo estudante No geral, acredita-se que a Matemática é como historicamente construído. No a ciência do certo ou errado, em que entanto, não basta o estudante aquilo que conta é saber antecipadamente compreender os fatos históricos. É como resolver um dado problema. Ao também necessário que ele faça ligações e valorizar a prática dos processos tome como referência os conceitos heurísticos de pensamento, pretende-se decorrentes das vivências pessoais e que o estudante desenvolva a autonomia interações sociais. Jovens e adultos têm para pensar e resolver problemas. conhecimentos bastante diversificados e Nas situações gerais de aprendizagem, podem enriquecer a abordagem escolar, mas principalmente na EJA, o formulando questionamentos, desenvolvimento dessa competência confrontando possibilidades, propondo depende do envolvimento do estudante alternativas a serem consideradas. em processos de raciocínio e No que se refere à Matemática, muitos argumentação lógica, que permitem criar jovens e adultos, mesmo com pouca uma cultura positiva em relação à escolarização, dominam noções matemática, muito diferente daquela em matemáticas que foram aprendidas de que se valorizam apenas procedimentos maneira informal ou intuitiva nas suas algorítmicos e respostas rápidas e certas. vivências práticas. Espera-se que 3. Construir significados e ampliar os já possam ressignificar essas noções, existentes para os números naturais, utilizando representações simbólicas inteiros e racionais. convencionais, e construindo relações O pensamento numérico é, sem dúvida, mais amplas. uma das importantes balizas do Os estudantes devem reconhecer a conhecimento matemático. Desse relevância dos saberes assim modo, é necessário que o sujeito não 71 IntrodutÛrio - 1.pmd 71 10/7/2003, 15:13
  • 74. Documento Básico - Livro Introdutório - Matemática Ensino Fundamental apenas amplie mas também construa A percepção dos aspectos estéticos da novos significados para os números geometria e a sua relação com contextos naturais, inteiros e racionais. ricos e estimulantes, como os da natureza, Essa ampliação se verifica tanto quando da arte e da arquitetura, devem o estudante realiza a exploração de possibilitar o estabelecimento de vínculos situações presentes no contexto social, positivos entre o aluno e matemática. como pela análise de alguns problemas 5. Construir e ampliar noções de grandezas históricos que motivaram sua e medidas para a compreensão da realidade construção. Espera-se que o aluno e a solução de problemas do cotidiano. construa significados numéricos Talvez um dos mais férteis assuntos mediante resolução de situações- para o estabelecimento de conexões problema (articuladas ao cotidiano) que seja o estudo de grandezas e medidas. envolvem números naturais, inteiros, Por um lado, os estudantes devem, com racionais, ampliando suas formas de base em contextos práticos que raciocínio. Essa competência refere-se envolvam a atividade matemática, usar também à possibilidade que tem o aluno estratégias de estimativa, de julgamento de identificar, interpretar e utilizar as sobre o grau de exatidão, utilização diferentes representações dos números adequada de instrumentos específicos naturais, racionais e inteiros indicados (como balanças, relógios, escalímetro, por diferentes noções. transferidor, esquadro, trenas, 4. Utilizar o conhecimento geométrico cronômetros) e seleção de instrumentos para realizar a leitura e a representação e de unidades de medida adequadas à da realidade e agir sobre ela. exatidão desejada. Por outro lado, A constituição de um pensamento devem estabelecer articulações com geométrico a partir de contextos que outros temas matemáticos, sejam eles envolvam a leitura de guias, plantas e geométricos, algébricos, numéricos, mapas e a exploração de conceitos e estatísticos etc. procedimentos (tais como direção e 6. Construir e ampliar noções de sentido, ângulo, paralelismo e variação de grandezas para a perpendicularismo, figuras geométricas, compreensão da realidade e a solução relações entre figuras espaciais e suas de problemas do cotidiano. representações planas, decomposição e A idéia de proporcionalidade, ao lado de composição de figuras, transformação outras idéias, como, por exemplo, a de de figuras, ampliação e redução de equivalência e a de igualdade, figuras) é de enorme importância para o constituem verdadeiros eixos exercício da cidadania. vertebradores do conhecimento O estudo do espaço e das formas deve matemático. A proporcionalidade levar o estudante à observação, à aparece na resolução de problemas compreensão de relações e à utilização multiplicativos, nos estudos de das noções geométricas para resolver porcentagem, de semelhança de figuras, problemas e não à simples memorização na matemática financeira, na análise de de fatos e de um vocabulário específico. tabelas, gráficos e funções. 72 IntrodutÛrio - 1.pmd 72 10/7/2003, 15:13
  • 75. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA Desenvolver a capacidade de analisar a pensamento algébrico pelo estudante é natureza da interdependência de duas primordial. grandezas em situações-problema em que 8. Interpretar informações de natureza elas sejam diretamente proporcionais, científica e social, obtidas da leitura de inversamente proporcionais, ou não gráficos e tabelas, realizando previsão proporcionais é uma competência de tendência, extrapolação, fundamental para resolver problemas interpolação e interpretação. diversos. Além disso, é também importante No mundo atual, é fundamental que os saber explorar esses problemas e expressar estudantes compreendam as sua variação por meio de uma sentença informações estatísticas, representadas algébrica, evidenciando uma das de diferentes formas, e possam importantes funções da álgebra. interpretar adequadamente seus 7. Construir e utilizar conceitos algébricos significados, permitindo tomar decisões para modelar e resolver problemas. diante de questões políticas e sociais A abordagem de determinados conceitos que dependem da leitura crítica e fundamentais na construção/aquisição de interpretação de índices divulgados conhecimentos matemáticos é muitas pelos meios de comunicação. vezes suprimida ou excessivamente 9. Compreender conceitos, estratégias e abreviada sob a alegação de que “não situações matemáticas numéricas, para fazem parte da realidade dos alunos ou aplicá-los a situações diversas no não têm uma aplicação prática imediata”. contexto das ciências, da tecnologia e Tal alegação muitas vezes se baseia da atividade cotidiana. numa visão estereotipada da “realidade”, Saber Matemática hoje, é cada vez mais do potencial de jovens e adultos, e numa necessário, pois ela se faz presente tanto concepção reducionista da própria na quantificação do real – contagem, Matemática, cuja importância parece medição de grandezas – como criando ficar restrita à sua “utilidade prática”. sistemas abstratos que organizam, inter- É importante que o conhecimento relacionam e revelam fenômenos do matemático, construído ao longo da espaço, do movimento, das formas e dos vida de cada pessoa, não fique números, associados quase sempre a vinculado apenas a um contexto fenômenos do mundo físico. concreto e único, mas que possa ser Com o advento das calculadoras e generalizado e transferido a outros computadores que permitem maior contextos. Um conhecimento só é pleno rapidez na realização dos cálculos se for mobilizado em situações numéricos ou algébricos, torna-se cada diferentes daquelas que serviram para vez mais ampla a gama de problemas lhe dar origem, sendo transferível para que podem ser resolvidos por meio do novas situações, em outras palavras, os conhecimento matemático. estudantes devem perceber que os conhecimentos podem ser A educação matemática para a cidadania descontextualizados, e novamente supõe tornar os indivíduos capazes de usar metodologias que enfatizem a contextualizados em outras situações. Para tanto, o desenvolvimento de um construção de estratégias, a comprovação e justificativa de resultados, a 73 IntrodutÛrio - 1.pmd 73 10/7/2003, 15:13
  • 76. Documento Básico - Livro Introdutório - Matemática Ensino Fundamental criatividade, a iniciativa pessoal, o Da mesma forma, educadores matemáticos trabalho coletivo e a autonomia advinda devem estar atentos ao fato de que, no da confiança na própria capacidade para ensino dessa disciplina, as prioridades enfrentar desafios. também mudam. Inovar os currículos, as práticas, as formas de abordar os ALGUMAS CONCLUSÕES conteúdos pode evitar o risco de que Matemáticos em todo o mundo têm jovens e adultos vejam a Matemática chamado atenção para o fato de que há como conhecimento alienado e uma mudança de suas prioridades na desinteressante. medida em que o mundo passa por transformações e as sociedades tomam outros rumos, passando a requerer do sujeito novas competências. BIBLIOGRAFIA BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Proposta curricular para educação de jovens adultos: 5ª a 8ª série. Brasília, DF, MEC: 2002. CHARLOT, B. Qu’est-ce que faire des maths?: l’épistémologie implicite des pratiques d’enseignement des mathématiques. Bulletin APMEP, n. 359, 1987. D’AMBROSIO, Ubiratan. Globalização, educação multicultural e etnomatemática. Texto apresentado na: JORNADA DE REFLEXÃO E CAPACITAÇÃO SOBRE MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO BÁSICA DE JOVENS E ADULTOS. Brasília, DF: MEC, 1997. ______. Da realidade à ação: reflexões sobre educação e matemática. Campinas, Ed. da Unicamp, 1986. DAVIS, Philip J.; HERSH, Reuben. A experiência Matemática. Tradução de João Bosco Pitombeira. 3. ed. Rio de Janeiro: F. Alves, c1986. ______. O sonho de Descartes: o mundo de acordo com a Matemática. Rio de : Janeiro: F. Alves, 1988. Tradução de Mário C. Moura. DOWBOR, L. O espaço do conhecimento: a revolução tecnológica e os novos paradigmas da sociedade. Belo Horizonte, Ipso: Oficina de Livros, 1994. FREUDENTHAL, H. Matemática nova ou educação nova? Revista Perspectivas, v. 9, , n. 3, 1979. ______. Problemas mayores de la educacion matematica. Dordrecht. D. Reidel, 1981. Versão do espanhol de Alejandro López Yánez. GARDNER, H. Estruturas da mente: a teoria das inteligências múltiplas. Porto Alegre: Artes Médicas, c1994. Tradução de Sandra Costa. GINZBURG, C. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. Traduçaõ de Federico Carotti. 74 IntrodutÛrio - 1.pmd 74 10/7/2003, 15:13
  • 77. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA IFRAH, G. História universal dos algarismos: a inteligência dos homens contada pelos números e pelo cálculo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997. Tradução de Alberto Munoz e Ana Maria Beatriz Katinsky. JAPIASSÚ, H. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de Janeiro: Imago, 1976. (Logoteca). LÉVY, P. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro, Ed. 34, c1993. Tradução de Carlos Irineu da Costa. MACHADO, N. J. Epistemologia e didática: a alegoria como norma e o conhecimento como rede. 1994. Tese (Livre Docência) – Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1994. PIRES, C. M. C. Currículos de Matemática: da organização linear à idéia de rede. São Paulo: FTD, 2000. SANTOS, B. S. Um discurso sobre as Ciências na transição para uma ciência pós- moderna. Revista do I.E.A., São Paulo, 1988. 75 IntrodutÛrio - 1.pmd 75 10/7/2003, 15:13
  • 78. 76 IntrodutÛrio - 1.pmd 76 10/7/2003, 15:13
  • 79. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA ÁREA 2 - A Matemática e suas Tecnologias - Ensino Médio Maria Silvia B. Sentelhas A Matemática é uma criação cultural da documentos oficiais como entre humanidade ligada à necessidade de o educadores matemáticos brasileiros. homem resolver problemas cotidianos, Passou-se do que ensinar ao como problemas advindos do ensinar, bem como ao porquê ensinar, desenvolvimento cultural e tecnológico em uma perspectiva sociocultural e problemas internos à própria visando à formação da cidadania: Matemática. É uma ciência que possui um vasto corpo de práticas e conceitos Defende-se a necessidade de que se mantêm em construção. contextualizar o conhecimento Como criação cultural, a Matemática é, matemático a ser transmitido, buscar suas em essência, resultado da reflexão do origens, acompanhar sua evolução, homem sobre a realidade, que permite explicitar sua finalidade ou seu papel na melhor compreender essa realidade. Daí, realidade do aluno. É claro que não se considerar-se como elementos quer negar a compreensão, nem tampouco predominantes no conhecimento desprezar a aquisição de técnicas, mas matemático a ser desenvolvido no ampliar a repercussão que o aprendizado Ensino Médio, maior reflexão sobre daquele conhecimento possa ter na vida fatos reais e a realização de abstrações social daquele que o aprende. decorrentes dessas reflexões, de modo a (Fonseca,1995, p.53) garantir a funcionalidade desse conhecimento. A contextualização evoca os elementos A posição de que o ensino de presentes na vida pessoal, social e Matemática tem como função preparar cultural, mobilizando conhecimentos cidadãos para agir de maneira crítica e disponíveis, possibilitando o consciente em uma sociedade altamente desenvolvimento de competências. A complexa é a que prevalece tanto nos necessidade da contextualização do 77 IntrodutÛrio - 1.pmd 77 10/7/2003, 15:13
  • 80. Documento Básico - Livro Introdutório - Matemática Ensino Médio e suas Tecnologias conhecimento matemático coloca em OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS PARA O evidência o fato de que muitas das ENSINO MÉDIO EXPLICITAM A NECESSIDADE DO questões originárias da Matemática TRATAMENTO INTEGRADO DAS DISCIPLINAS DA ÁREA: surgiram de questões não matemáticas e que parte importante de sua produção Os objetivos do Ensino Médio em cada tem utilização em todos os ramos do área do conhecimento devem envolver, de conhecimento. forma combinada, o desenvolvimento de Destaca-se a importância de, no ensino conhecimentos práticos, contextualizados, e na avaliação, não tratar a Matemática que respondam às necessidades da vida de modo isolado e desvinculado das contemporânea, e o desenvolvimento de exigências de ação do sujeito fora da conhecimentos mais amplos e abstratos, escola. Tanto assim que a Lei 9394/96, que correspondam a uma cultura geral e a que estabelece as diretrizes e bases da uma visão de mundo. Para a área das Educação Nacional (LDB), ao apresentar Ciências da Natureza, Matemática e as diretrizes específicas para os Tecnologias, isto é particularmente currículos do ensino médio (Art.36, verdadeiro, pois a crescente valorização do incisos e parágrafos), estabelece a conhecimento e da capacidade de inovar inserção da Matemática na área de demanda cidadãos capazes de aprender Ciências da Natureza. continuamente, para o que é essencial uma formação geral e não apenas um O PARECER CEB 15/98 QUE ESTABELECE AS treinamento específico. (MEC, 1998, p. 6) DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA O ENSINO MÉDIO EXPLICA ESSA INSERÇÃO: A contextualização do conhecimento matemático e o tratamento interdisciplinar proposto para seu ensino e O agrupamento das ciências da natureza aprendizagem são imprescindíveis quando tem ainda o objetivo de contribuir para a se tem por objetivo o desenvolvimento de compreensão do significado da ciência e competências humanas relacionadas a da tecnologia na vida humana e social de esse conhecimento, tal como proposto modo a gerar protagonismo diante das pela LDB/96. inúmeras questões políticas e sociais para cujo entendimento e solução as ciências A ÁREA DE MATEMÁTICA NO ENCCEJA da natureza são uma referência relevante. As discussões realizadas pelos A presença da Matemática nessa área se proponentes do Encceja quanto à justifica pelo que de ciência tem a realização de uma prova, com questões de matemática, pela sua afinidade com as múltipla escolha, visando a avaliar as ciências da natureza, conhecimentos competências relativas às áreas de destas últimas, e finalmente pela conhecimento ou disciplinas que importância de integrar a matemática compõem a educação básica, sempre com os conhecimentos que lhe são mais esbarravam na dificuldade – pelo número afins. (p. 59) excessivo de questões – de se considerar nessa avaliação a área de Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. 78 IntrodutÛrio - 1.pmd 78 10/7/2003, 15:13
  • 81. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA A especificidade própria da Educação de assegurem aos seus estudantes Jovens e Adultos (EJA) e os princípios identidade formativa comum aos demais que norteiam o Exame Nacional de participantes da escolarização básica. Certificação de Competências de Jovens Esta separação se dá apenas do ponto e Adultos – (ENCCEJA) levaram à de vista prático, para viabilizar a constituição da área Matemática, Encceja realização das provas pelos alunos. O – Ensino Médio separada da área das tratamento dado à área Matemática Ciências da Natureza. O parágrafo único nesse projeto respeita e mantém as do artigo 5º da Resolução CNE/CBE 1/ características propostas nos 2000, que estabelece as Diretrizes documentos oficiais referentes ao Curriculares Nacionais da EJA, Ensino Médio. fundamenta essa alteração: O tratamento de caráter interdisciplinar Parágrafo único: como modalidade dado neste trabalho procura estimular a destas etapas da Educação Básica, a percepção da contribuição da identidade própria da Educação de Matemática para a compreensão da Jovens e Adultos considerará as problemática ambiental e para o situações, os perfis dos estudantes, as desenvolvimento de uma visão faixas etárias e se pautará pelos articulada do ser humano em seu meio princípios de eqüidade, diferença e natural, como construtor e proporcionalidade na apropriação e transformador deste meio. Desse modo, contextualização das diretrizes há uma estreita relação entre as áreas de curriculares nacionais e na proposição Ciências da Natureza, Ciências Humanas de um modelo pedagógico próprio, de e Linguagens e Códigos e a visão de modo a assegurar: formação integral do sujeito. O I - quanto à eqüidade, a distribuição desenvolvimento de competências e específica dos componentes curriculares habilidades é um meio de proporcionar a fim de propiciar um patamar igualitário essa formação integral. de formação e restabelecer a igualdade Ao defender a aprendizagem de de direitos e de oportunidades face ao conteúdos de Matemática articulada direito à educação; com o desenvolvimento de II - quanto à diferença, a identificação e o competências, assumimos que trabalhar reconhecimento da alteridade própria e para o desenvolvimento de inseparável dos jovens e dos adultos em competências não se limita a torná-las seu processo formativo, da valorização do desejáveis, propondo uma imagem mérito de cada qual e do desenvolvimento convincente de seu possível uso, nem de seus conhecimentos e valores; ensinando a teoria, deixando entrever III - quanto à proporcionalidade, a sua colocação em prática. Trata-se de disposição e alocação adequadas dos “aprender, fazendo, o que não se sabe componentes curriculares face às fazer”. (Perrenoud, 1999, p. 55) necessidades próprias da Educação de Consideramos que a resolução de Jovens e Adultos com espaços e tempos problemas é a abordagem metodológica nos quais as práticas pedagógicas que pode potencializar o desenvolvimento de competências: 79 IntrodutÛrio - 1.pmd 79 10/7/2003, 15:13
  • 82. Documento Básico - Livro Introdutório - Matemática Ensino Médio e suas Tecnologias No campo da educação escolar, praticar Os jovens e adultos envolvidos nesse mais e mais não é o suficiente. Até no processo trazem uma carga de campo das artes, dos esportes ou dos experiências e de expectativas de ofícios, em que o exercício constante é inserção ou de ascensão no mercado de indispensável, é preciso confrontar-se com trabalho que devem ser consideradas, dificuldades específicas, bem dosadas, ao se pensar a contextualização dos para aprender a superá-las. No campo dos problemas. Predomina neste trabalho o aprendizados gerais, um estudante será contexto de vivência cotidiana da levado a construir competências de alto maioria das pessoas. Aproveitamos o nível somente confrontando-se, regular e que aprenderam no convívio da família, intensamente, com problemas numerosos nos agrupamentos sociais, com a que mobilizem diversos recursos televisão e com outros meios de cognitivos. comunicação para colocar em relevo as (Perrenoud, 1999, p. 57) ações de cunho matemático que ocorrem no cotidiano das pessoas. Da É preciso, no entanto, evitar confusões valorização desses saberes partimos sobre a noção de problema. Nessa para uma proposta em que são proposta é considerado problema uma possibilitadas ao sujeito melhores situação que coloca o aprendiz diante condições de decodificar, analisar o que de uma série de decisões a serem os meios de comunicação e as demais tomadas para alcançar um objetivo instâncias ensinam. proposto, devendo oferecer uma Colocamos em relevo a relação resistência suficiente de modo que o pragmática com o saber; seu uso sujeito invista seus conhecimentos imediato prevalece sobre a organização disponíveis, bem como suas metódica dos conhecimentos. representações. Entendemos que esse é um modo da Os problemas também podem ser Matemática contribuir para a inserção situações de aprendizagem organizadas do jovem ou adulto na sociedade que o de modo a possibilitar a aquisição de marginalizou porque, para essa novos conhecimentos. Deve ser um sociedade, não dispunha de problema imerso em uma situação que competências para participar de seu lhe dê sentido, não um problema processo produtivo. artificial e descontextualizado: Nessa ótica, procuramos evidenciar a importância de se desenvolver o Os problemas escolares tendem a ser conhecimento matemático, ligando-o a apresentados, efetivamente, como uma verdadeira necessidade de sua enunciados perfeitamente elaborados, cujos utilização para responder a questões ou textos costumam esconder a problemática para realizar tarefas exigidas pela que lhes deu origem. Isso acontece a tal sociedade complexa na qual estamos ponto que poderíamos falar de um autêntico inseridos. “desaparecimento” das questões ou das É preciso mudar radicalmente o ponto tarefas reais que originaram as obras de vista: sair da 3ª série do 2º grau matemáticas estudadas na escola. (especialmente do interesse real ou (Chevallard, Bosch e Gascon, 2001, p. 130) presumido dos alunos que vão fazer um 80 IntrodutÛrio - 1.pmd 80 10/7/2003, 15:13
  • 83. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA curso técnico ou, então cursos recurso matemático utilizado pelo superiores de “exatas”) para se pôr no homem, ao longo da história, para lugar dos alunos que deixam a escola, enfrentar e resolver problemas. por uma razão ou por outra, antes de A contribuição da Matemática no chegar até lá, coisa que ocorre com 88% desenvolvimento de outras áreas do dos que ingressam juntos na escola a conhecimento, sempre que a cada ano. Para essa imensa maioria, é humanidade tem seu interesse voltado necessário que a Matemática tenha para o estudo dos fenômenos que aplicação prática e que esta seja tão observa ocorrerem ao seu redor, imediata e diretamente percebida também deve ser avaliada, bem como quanto possível, como, aliás, o questões que surgiram dentro da própria aprendizado da leitura e da escrita. Matemática que impulsionaram seu (Cunha, 1993, p.181) desenvolvimento e de outras áreas, No entanto, ressaltamos que o ensino e permitindo ao estudante reconhecer a a aprendizagem de Matemática, na contribuição da Matemática na Educação de Jovens e Adultos do compreensão e análise de fenômenos Ensino Médio, mesmo que envolvidos naturais, e da produção tecnológica ao com a realidade, não devem prescindir longo da história. de reflexões, abstrações e definições. Situações-problema em que se valoriza a utilização de conteúdos matemáticos, COMPETÊNCIAS DA ÁREA como recurso para a argumentação, e viabilização de intervenção na As nove competências de área indicam comunidade, permitem que se identifique os conhecimentos matemáticos a serem a Matemática como importante recurso avaliados nas provas do ENCCEJA. para a construção de argumentação e 1. Compreender a Matemática como que se reconheça, a partir da leitura de construção humana, relacionando seu textos apropriados, a importância da desenvolvimento com a transformação Matemática na elaboração de proposta da sociedade. de intervenção solidária na realidade. O reconhecimento da evolução dos 2. Ampliar formas de raciocínio e registros e conhecimentos matemáticos processos mentais por meio de indução, usados nas soluções de problemas que o dedução, analogia e estimativa, utilizando homem enfrentou em seu cotidiano desde conceitos e procedimentos matemáticos. o início de sua história, a identificação do A importância dessa competência na conteúdo matemático que permitiu sua atividade matemática reside na habilidade solução e como esse conteúdo é aplicado de formular hipóteses e conjecturas para nas situações cotidianas de nosso tempo, depois examinar sua validade e, se é um modo de avaliar essa competência. necessário, reformulá-las. Trata-se de Em situações propostas o estudante deve raciocinar com o provável para saber identificar e interpretar, a partir da desenvolver o pensamento matemático leitura de textos apropriados, diferentes plausível. Este complementa o raciocínio registros do conhecimento matemático ao dedutivo que utiliza leis lógicas para longo do tempo, e, também, identificar o demonstrar resultados matemáticos. 81 IntrodutÛrio - 1.pmd 81 10/7/2003, 15:13
  • 84. Documento Básico - Livro Introdutório - Matemática Ensino Médio e suas Tecnologias Para avaliar essa competência, algumas naturais, inteiros, racionais e reais. situações são apresentadas com o O conhecimento que as pessoas objetivo de verificar se o estudante adquirem ao resolverem os problemas utiliza procedimentos matemáticos em que se apresentam em diferentes diferentes circunstâncias, de modo a situações da atividade humana devem identificar e interpretar conceitos e ser ampliados. Situações nas quais a procedimentos matemáticos expressos compreensão dos conceitos e das em diferentes formas. relações envolvidas e a identificação de Outras situações são propostas para regularidades possibilitam construir e permitir ao estudante utilizar conceitos e aplicar conceitos de números naturais, procedimentos matemáticos para inteiros, racionais e reais, para explicar explicar fenômenos ou fatos do fenômenos de qualquer natureza, são cotidiano. adequadas para verificar essa ampliação. O emprego de procedimentos Da análise de experiências práticas matemáticos na construção de emergem noções intuitivas dos números raciocínios pode ser avaliado pela e suas operações. A familiaridade do habilidade do estudante em utilizar estudante com diferentes representações conceitos e procedimentos matemáticos dos números pode levá-lo a perceber para construir formas de raciocínio que qual é mais adequada para expressar um permitam aplicar estratégias para a resultado, evitando-se desenvolver um resolução de problemas. tratamento exclusivamente formal. No Destacando-se a diferença entre as entanto, a verificação da irracionalidade conclusões obtidas de modo formal em de um dado número só é possível no Matemática e as conclusões e decisões âmbito da própria Matemática. Nenhuma do cotidiano que são aceitáveis, verificação empírica, nenhuma medição possibilita-se a avaliação da habilidade de grandezas, por mais precisa que seja, de identificar e utilizar conceitos e provará que uma medida tem valor procedimentos matemáticos na irracional. Porém, para o número p, uma construção de argumentação consistente. discussão sobre a razão entre o comprimento de uma circunferência e Situações-problema de realidade seu diâmetro é uma possibilidade de cotidiana permitem aferir a habilidade do conduzir o leitor na interpretação desse estudante em reconhecer a adequação da resultado. Com essa abordagem o que se proposta de ação solidária, utilizando busca verificar é se o aluno sabe conceitos e procedimentos matemáticos. interpretar informações e operar com 3. Construir significados e ampliar os já números naturais, inteiros, racionais e existentes para os números naturais, reais, para tomar decisões e enfrentar inteiros, racionais e reais. situações-problema. O uso cotidiano dos números deve ser Situações de estimativa ou de avaliado na forma como são expressos enquadramento de resultados são uma nas situações socioculturais. O objetivo forma de desenvolver e avaliar a é verificar se o aluno sabe identificar, habilidade de utilizar os números interpretar e representar os números 82 IntrodutÛrio - 1.pmd 82 10/7/2003, 15:13
  • 85. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA naturais, inteiros, racionais e reais, na O reconhecimento de semelhanças entre construção de argumentos sobre objetos do mundo real com os entes afirmações quantitativas de qualquer geométricos, a percepção das relações natureza. Discussões nas quais as entre representações planas e os objetos comparações numéricas são destacadas que lhes deram origem e suas possibilitam a compreensão de expressões propriedades a partir dessas como “os números falam por si”. representações são essenciais para a Diversos problemas que a humanidade leitura do mundo. Ações envolvendo enfrenta hoje são quantificados e essas relações permitem ao estudante apresentados numericamente. A análise interpretar informações e aplicar de problemas dessa natureza a partir da estratégias geométricas na solução de avaliação dos números envolvidos é uma problemas do cotidiano. Além disso, o forma de se indicar ao estudante qual conhecimento de propriedades dos pode ser sua ação no sentido de contribuir entes geométricos fornece segurança para a alteração da situação estudada. nas justificativas das soluções. As Desse modo, propõe-se a verificação do justificativas são o ponto chave das desenvolvimento da habilidade: recorrer à discussões realizadas sobre as soluções compreensão numérica para avaliar dos problemas propostos. Essa é uma propostas de intervenção frente a forma de se aquilatar se o estudante problemas da realidade. utiliza conceitos geométricos na seleção de argumentos propostos como solução 4. Utilizar o conhecimento geométrico de problemas do cotidiano. para realizar a leitura e a representação da realidade, e agir sobre ela. Outro objetivo dessa competência é o de indicar como a geometria pode ser A quarta competência da área refere-se útil na solução de problemas do ao uso de formas e propriedades cotidiano das pessoas, não importando geométricas na representação e a comunidade a que pertençam. Seu visualização de partes do mundo em que estudo pode fornecer os elementos estamos inseridos. Também se refere à necessários para uma intervenção na compreensão e ampliação da percepção realidade de modo a melhorar as das relações existentes entre situações condições de vida das pessoas e, assim, que rotineiramente vivemos e a poder recorrer a conceitos geométricos geometria, cujos argumentos justificam para avaliar propostas de intervenção alguns usos e costumes adquiridos. A sobre problemas do cotidiano. construção de modelos é um dos recursos que se tem para interpretar 5. Construir e ampliar noções de questões e visualizar soluções. O grandezas e medidas para a objetivo é avaliar se o estudante sabe compreensão da realidade e a solução identificar e interpretar fenômenos de de problemas do cotidiano. qualquer natureza expressos em Nesta competência valoriza-se o fato de linguagem geométrica e construir e que as medidas quantificam grandezas identificar conceitos geométricos no do mundo físico, e que conhecê-las e contexto da atividade cotidiana. saber tratar por meio delas as situações 83 IntrodutÛrio - 1.pmd 83 10/7/2003, 15:13
  • 86. Documento Básico - Livro Introdutório - Matemática Ensino Médio e suas Tecnologias abundantes em nossa sociedade é de referentes a estimativas ou outras fundamental importância. formas de mensuração de fenômenos de Para utilizar bem as medidas, é qualquer natureza com a construção de necessário que a pessoa saiba recorrer a argumentação que possibilitem sua registros das diversas unidades que compreensão. podem ser úteis no cotidiano, de modo Outro aspecto fundamental, no trabalho a identificar e interpretar registros, tal com medidas, é o de colocar o estudante que a notação convencional de medidas em situação na qual, com o emprego de possa ser desenvolvida. medidas e estimativas delas decorrentes, As possibilidades de integração da ele possa vislumbrar possibilidades de Matemática com outras áreas do ensino interferir na realidade para modificá-la, são muitas quando se trata do assunto ou seja, reconhecer propostas grandezas e medidas. As grandezas de adequadas de ação sobre a realidade, fenômenos físicos ou sociais como utilizando medidas e estimativas. densidade, velocidade, energia elétrica, 6. Construir e ampliar noções de densidade demográfica, escalas de variação de grandeza para a mapas e guias são exemplos dessas compreensão da realidade e a solução possibilidades. Resolver situações- de problemas do cotidiano. problema dessa natureza permite Comparações de grandezas como os estabelecer relações adequadas entre os preços no supermercado, os ingredientes diversos sistemas de medida e a de uma receita, a velocidade média e o representação de fenômenos naturais e tempo são muito comuns em nosso dia- do cotidiano são fundamentais para a a-dia. Situações-problema desse tipo são sua interpretação. apresentadas de modo a permitir ao Situações em que o sujeito escolhe a estudante estabelecer comparações e unidade de medida mais adequada para perceber que existem formas de se cada grandeza considerada, em que prever a variação de uma das grandezas tenha de estabelecer relações entre as se conhecermos o comportamento de medidas fornecidas e operar com essas outra. Outras situações são propostas medidas são as que possibilitam avaliar para uso de porcentagens. Essas se ele sabe selecionar, compatibilizar e situações permitem verificar se o operar com informações métricas de estudante identifica grandezas direta e diferentes sistemas ou unidades de inversamente proporcionais, interpreta a medida na resolução de problemas do notação usual de porcentagem, identifica cotidiano. e avalia variações de grandezas para A exploração dos significados e usos explicar fenômenos naturais, processos adequados de diferentes formas de socioeconômicos e da produção mensuração, inclusive as não tecnológica. padronizadas, em situações de tomada Problemas de contexto variado de decisão e justificativas de escolha, envolvendo grandezas de diversas permitem verificar a habilidade de naturezas, direta ou inversamente selecionar e relacionar informações proporcionais têm o objetivo de 84 IntrodutÛrio - 1.pmd 84 10/7/2003, 15:13
  • 87. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA ampliar a percepção do estudante sobre estudante reconhece diferentes funções as diferentes situações nas quais esses da álgebra e sabe, assim, modelar e conceitos são aplicados e, com isso, resolver problemas utilizando equações e avaliar o desenvolvimento da habilidade inequações com uma ou mais variáveis. de resolver problemas envolvendo A percepção da possibilidade de grandezas direta e inversamente representar fenômenos na forma algébrica proporcionais e porcentagem. e na forma gráfica é colocada em Para compreender, avaliar e decidir sobre destaque. O uso de representações algumas situações da vida cotidiana, tais gráficas em problemas de localização é como qual a melhor forma de pagar uma explorado como um conhecimento já compra ou de escolher um adquirido para se partir para as financiamento, é necessário representações analíticas em Matemática. conhecimento de juros simples e A partir de discussões sobre a leitura compostos. Problemas com esses dessas representações, é possível avaliar contextos devem ser apresentados com o se o estudante é capaz de identificar e objetivo de verificar se o aluno sabe interpretar representações analíticas de utilizar esses conhecimentos para agir processos naturais ou da produção com segurança em situações semelhantes tecnológica e de figuras geométricas que venha a viver. Esses problemas como pontos, retas e circunferências, o possibilitam ainda avaliar se ele sabe que constitui uma habilidade fundamental identificar e interpretar variações não só para a Matemática como também percentuais de variável socioeconômica para as áreas de Ciências Humanas e de ou técnico-científica como importante Ciências da Natureza. recurso para a construção de Com situações-problema bastante argumentação consistente. diversificadas, o estudante pode O conhecimento de cálculos com desenvolver a capacidade de integrar os porcentagem e de relações entre grandezas conhecimentos relativos às tabelas, é um recurso bastante poderoso em nossa expressões algébricas e representações sociedade. Para avaliar isso pode ser analíticas e, por esse meio, indicar se interessante apresentar ao aluno situações compreende o significado e sabe realizar em que deve analisar dados e informações operações com o uso dessas ferramentas. reais, verificando se percebe sua Problemas nos quais o estudante possa importância como elemento participativo expressar-se de forma gráfica ou escrita, da comunidade. nos quais valoriza a precisão da 7. Aplicar expressões analíticas para linguagem matemática e o modelar e resolver problemas, reconhecimento de representações envolvendo variáveis socioeconômicas equivalentes de um mesmo conceito, ou técnico-científicas. relacionando procedimentos associados Partindo de situações vividas pela às diferentes representações, são um maioria das pessoas, busca-se dar modo de avaliar a utilização da significado à linguagem e às idéias modelagem analítica como recurso matemáticas. Situações-problema importante na elaboração de variadas vão permitir observar se o argumentação consistente. 85 IntrodutÛrio - 1.pmd 85 10/7/2003, 15:13
  • 88. Documento Básico - Livro Introdutório - Matemática Ensino Médio e suas Tecnologias Situações nas quais o estudante A análise de dados de situações reais, necessita interpretar informações apresentados em gráficos e tabelas, com utilizando-se de ferramentas analíticas o intuito de interpretar, criticar e prever para formar uma opinião própria que lhe resultados, além de ser um modo de permita expressar-se criticamente sobre aplicar conhecimentos e métodos problemas da atualidade permitem aferir matemáticos em situações reais, o desenvolvimento da habilidade de possibilita o desenvolvimento da avaliar, com auxílio de ferramentas habilidade de analisar o comportamento analíticas, a adequação de propostas de de variável, expresso em gráficos ou intervenção na realidade. tabelas, como importante recurso para a 8. Interpretar informações de natureza construção de argumentação científica e social obtidas da leitura de consistente. Essa análise crítica e a gráficos e tabelas, realizando previsão capacidade de inferir e prever resultados de tendência, extrapolação, também possibilitam ao estudante interpolação e interpretação. avaliar, com auxílio de dados apresentados em gráficos ou tabelas, a Situações-problema cujo contexto está adequação de propostas de intervenção em estreita relação com o todo social e na realidade. cultural da maioria das pessoas são usadas para situar a linguagem das 9. Compreender o caráter aleatório e não tabelas e gráficos apresentados como determinista dos fenômenos naturais e instrumentos de expressão e raciocínio, sociais e utilizar instrumentos adequados favorecendo a verificação do para medidas e cálculos de desenvolvimento das habilidades de probabilidade, para interpretar reconhecer e interpretar as informações, informações de variáveis apresentadas de natureza científica ou social, em uma distribuição estatística. expressas em gráficos ou tabelas. O cidadão comum se vê hoje imerso em A leitura e interpretação das informações uma enorme quantidade de informações contidas nas tabelas e gráficos servem de natureza estatística ou probabilística, como instrumentos de elaboração e difundidas em grande escala pelos meios compreensão de estimativas e de previsão. de comunicação. Desenvolver habilidades Isso possibilita que a habilidade de que permitam ao estudante ler, interpretar identificar ou inferir aspectos relacionados e saber utilizar-se desses recursos torna-se a fenômenos de natureza científica ou imprescindível a uma educação que social, a partir de informações expressas pretende inseri-lo na sociedade como em gráficos ou tabelas, seja avaliada. membro atuante. Nessa competência as Também permite observar se o aluno sabe situações-problema propostas valorizam retirar dos gráficos ou tabelas as discussões sobre o caráter aleatório dos informações pertinentes ao problema fenômenos para possibilitar ao aluno proposto, indicando, assim, que sabe identificar, interpretar e produzir registros selecionar e interpretar informações de informações sobre fatos ou fenômenos expressas em gráficos ou tabelas para a de caráter aleatório. Diferentes fenômenos resolução de problemas. devem ser analisados quanto a sua chance 86 IntrodutÛrio - 1.pmd 86 10/7/2003, 15:13
  • 89. III. As áreas do conhecimento contempladas no ENCCEJA de ocorrência, nas condições propostas, variável, expresso por meio de uma de modo que o aluno aplique as idéias de distribuição estatística, como probabilidade e análise combinatória a importante recurso para a construção de fenômenos naturais e do cotidiano e argumentação consistente. Por outro possa resolver problemas envolvendo lado, essas técnicas e raciocínios processos de contagem, medida e cálculo estatísticos são, sem dúvida, de probabilidades. instrumentos tanto das Ciências da Situações que envolvam grande Natureza quanto das Ciências Humanas quantidade de dados exigem do que, cada vez mais, se utilizam, em estudante inferências e predições. Daí, é questões do mundo real, de dados importante avaliar se ele sabe apresentados na forma de distribuição caracterizar ou fazer inferências sobre estatística. O domínio desse aspectos relacionados a fenômenos de conhecimento é fator imprescindível natureza científica ou social, a partir de para que um cidadão possa desenvolver informações expressas por meio de uma a habilidade de avaliar, com auxílio de distribuição estatística. dados apresentados em distribuições estatísticas, a adequação de propostas Técnicas e raciocínios estatísticos são de intervenção na realidade. empregados como instrumentos de análise de distribuição estatística para As competências propostas para essa realizar inferências e previsões fazendo certificação possibilitam ao jovem ou ao uma avaliação crítica dos resultados. adulto atuar na sociedade tendo a Desse modo, pode-se observar se o Matemática como instrumento de aluno sabe analisar o comportamento de mediação. BIBLIOGRAFIA BRASIL. Leis etc. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. . Poder Executivo, Brasília, DF, v. 134, n. 248, p. 27.833-27.841, 23 dez. 1996. Seção 1. Lei Darcy Ribeiro. ______. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Média e Tecnológica. Parâmetros curriculares nacionais: ensino médio. Brasília, DF, 1999. 4 v. CHEVALLARD, Y.; BOSCH, M.; GASCON, J. Estudar matemáticas: o elo perdido entre o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 2001. Tradução de Daisy Vaz de Moraes. CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (Brasil). Câmara de Educação Básica. Parecer nº 15, de junho de 1998. Diretrizes Curriculares manuais para o ensino médio. Ducumenta, DF, n. 441, p. 3-71, jun 1998. ______. CBE. Resolução nº1 de 2000. 87 IntrodutÛrio - 1.pmd 87 10/7/2003, 15:13
  • 90. Documento Básico - Livro Introdutório - Matemática Ensino Médio e suas Tecnologias CUNHA, L. A. Ensino da matemática: na escola pública de 1º e 2º graus: pela mudança de ponto de vista. In: ENCONTRO NACIONAL DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA. Natal: Universidade Federal do Rio Grande Do Norte, 1993. FONSECA, Maria C. F. R. Por que ensinar matemática. PRESENÇA PEDAGÓGICA, Belo Horizonte, v. 11, n. 46-54, 1995. PERRENOUD, Philippe. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. Tradução de Bruno Charles Magne; consultoria, superv. e rev. técnica de Maria Carmen Silveira Barbosa. 88 IntrodutÛrio - 1.pmd 88 10/7/2003, 15:13
  • 91. III. A área de ciências humanas no ENCCEJA ÁREA 3 - História e Geografia - Ensino Fundamental Antonia Terra de Calazans Fernandes Este texto tem a finalidade de contribuir exemplos de seus desdobramentos no para reflexões de professores e domínio e análise de conteúdos de especialistas da área de Ciências Humanas abrangências diversas, que incluem, por do Ensino Fundamental, envolvidos com o exemplo, informações, conceitos, trabalho de avaliação de jovens e adultos. valores, atitudes e procedimentos. Inicialmente, o texto apresenta História As Ciências Humanas - que abrangem a e Geografia como disciplinas escolares Filosofia, a História, a Geografia, a do Ensino Fundamental que aglutinam Política, a Economia, a Sociologia e a conhecimentos das diferentes Ciências Antropologia - estão presentes no Humanas, pontuando suas Ensino Fundamental por meio de duas especificidades na formação escolar disciplinas escolares específicas: humanística, voltada para a cidadania. História e Geografia. Assim, além de Na seqüência, trata das características contemplarem conteúdos e métodos dos alunos da EJA e o que se espera que específicos de suas ciências de origem e dominem e articulem enquanto de manterem seus compromissos conhecimento da área, especificando educacionais com a formação para a tanto competências e domínios cidadania, a História e a Geografia conceituais, como também também incluem a responsabilidade do metodologias de análise das produções desenvolvimento de estudos humanas, presentes na realidade e interdisciplinares que favoreçam a expressas na diversidade de linguagens. análise e compreensão da complexidade Por fim, reflete sobre as competências da vida em sociedade. que são apresentadas como referência No campo do conhecimento científico, para avaliação do aluno da EJA no a tarefa de captar a totalidade da vida Ensino Fundamental, em Ciências social ou dar conta da realidade Humanas, apresentando alguns 89 IntrodutÛrio - 1.pmd 89 10/7/2003, 15:13
  • 92. Documento Básico - Livro Introdutório - História e Geografia Ensino Fundamental complexa tem sido realizada pelas A presença da História e da Geografia pesquisas das Ciências Humanas, seja no espaço escolar sempre agregou por meio de uma única área de estudo reflexões e debates nas Ciências que procura abarcá-la em perspectiva Humanas; tais debates seguem, ampla, seja por meio de propostas tradicionalmente, a tendência de interdisciplinares envolvendo duas ou abarcar conteúdos - temas e domínios - mais áreas de conhecimento. Por interdisciplinares. Os Parâmetros exemplo, durante décadas, a História e a Curriculares Nacionais para a História Geografia mantiveram proximidades (Brasil, 1998) refletem atualmente essas com a Economia e, nos últimos vinte reflexões, pontuando a necessidade anos, fortaleceram, por sua vez, seus desse campo estabelecer diálogos com diálogos com a Antropologia. outras áreas de conhecimento para dar Mais recentemente, tem prevalecido nas conta de diferentes problemáticas Ciências Humanas um esforço contemporâneas em suas dimensões interdisciplinar, fundamentado por temporais. Segundo esses parâmetros, variados debates e intercâmbios entre novos conteúdos podem ser diferentes áreas. O historiador considerados em uma perspectiva Hobsbawm (1998) pontua que os estudos histórica por meio de trabalhos ligados à história social implicam interdisciplinares. necessariamente análises A História e a Geografia, dentre as interdisciplinares, porque compreender Ciências Humanas, contemplam hoje as sociedades requer perspectivas perspectivas mais totalizantes de análise abrangentes da vivência social, incluindo das sociedades, tendo como objeto de as diferentes relações que os grupos estudo tanto questões intrínsecas às estabelecem entre si e com a natureza. A relações e organizações humanas, forma como as sociedades garantem seu quanto sua relação com a natureza. sustento, por exemplo, estabelece Além disso, possibilitam o estudo do vínculos com as relações construídas mundo contemporâneo de modo entre as pessoas e os grupos, com a abrangente e, também, fornecem os organização do espaço de convívio e fundamentos para que as questões trabalho, com as manifestações culturais sejam analisadas na perspectiva do vivenciadas e expressas etc: passado e das transformações realizadas pelas sociedades no espaço. A história social nunca pode ser mais Por outro lado, o compromisso do uma especialização, como a história Ensino Fundamental com a cidadania econômica ou outras hifenizadas, porque também tem instigado essas áreas a seu tema não pode ser isolado. (...) O reverem conteúdos estritamente historiador das idéias pode (por sua conta escolares ou puramente disciplinares, e risco) não dar a mínima para a para favorecerem uma formação mais economia, e o historiador econômico não humanista ao estudante, permitindo-lhe dar a mínima para Shakespeare, mas o compreender, analisar criticamente e historiador social que negligencia um dos atuar socialmente. Nos Parâmetros dois não irá muito longe. (Hobsbawm, 1998, p. 87) 90 IntrodutÛrio - 1.pmd 90 10/7/2003, 15:13
  • 93. III. A área de ciências humanas no ENCCEJA Curriculares Nacionais para a Geografia determinadas competências, (Brasil, 1998), isto fica explícito na envolvendo estudos de uma diversidade proposta de que cada cidadão, ao de conteúdos - informações, conceitos, conhecer as características sociais, procedimentos, valores e atitudes. culturais e naturais do lugar onde vive, Nessa linha, as disciplinas de História e bem como as de outros lugares, pode Geografia no Ensino Fundamental comparar, explicar, compreender e pretendem imprimir à formação do espacializar as múltiplas relações que aluno uma tendência que priorize o diferentes sociedades (...) estabelecem desenvolvimento de competências, tais com a natureza na construção de seu como: espaço geográfico, adquirindo assim • compreender processos sociais, conhecimentos que lhe permitem maior utilizando conhecimentos históricos e consciência dos limites e geográficos; responsabilidades da ação individual e coletiva com relação ao seu lugar e a • compreender o papel das sociedades contextos mais amplos, da escala no processo de produção do espaço, do território, da paisagem e do lugar; nacional à mundial. (ibid., 1998, p. 33) • compreender a importância do AS CIÊNCIAS HUMANAS E patrimônio cultural e respeitar a A FORMAÇÃO PARA A CIDADANIA diversidade étnica; Da perspectiva da formação para a • compreender e valorizar os fundamentos cidadania, a Proposta Curricular de da cidadania e da democracia, de forma a Jovens e Adultos (Brasil, 2002) também favorecer uma atuação consciente do contempla a preocupação de formar para indivíduo na sociedade; a participação política, entendendo-a não unicamente como escolha de • compreender o processo histórico de representantes políticos mas também na ocupação do território e a formação da participação em movimentos sociais e no sociedade brasileira; envolvimento com os temas e questões • interpretar a formação e organização da nação e em todos os níveis da vida do espaço geográfico brasileiro, cotidiana. Defende a idéia de que as considerando diferentes escalas; mudanças no mundo atual exigem • perceber-se integrante, dependente e compreender melhor do mundo em que agente transformador do ambiente; vivemos para nele atuar de maneira • compreender a organização política e crítica, responsável e transformadora. econômica das sociedades contemporâneas; (ibid., 2002, p. 114 - 115) • compreender os processos de Perseguindo essa meta, a área de formação das instituições sociais e Ciências Humanas no Ensino políticas, a partir de diferentes formas Fundamental favorece ao aluno a de regulamentação das sociedades e do análise de sua inserção no mundo espaço geográfico. humano, dimensionando suas Essas competências estão fundadas em temporalidades e suas relações com o princípios que inter-relacionam o espaço a partir do desenvolvimento de domínio de linguagens, conceitos das 91 IntrodutÛrio - 1.pmd 91 10/7/2003, 15:13
  • 94. Documento Básico - Livro Introdutório - História e Geografia Ensino Fundamental 3 Ciências Humanas e a formação para a braçais, entre outros . Impedidos da cidadania. Ou seja, revelam a intenção e plena cidadania, os descendentes destes o propósito de que os estudantes devam grupos ainda hoje sofrem as ter a capacidade de articular conseqüências desta realidade histórica. determinados saberes, de ordem Disto nos dão prova as inúmeras intelectual, que favoreçam a reflexão estatísticas oficiais. A rigor, estes sobre diferentes dimensões da realidade segmentos sociais, com especial razão social e a construção de julgamentos e negros e índios, não eram considerados atuações em prol de atitudes sociais de como titulares do registro maior da respeito e solidariedade. modernidade: uma igualdade que não O desdobramento dessas competências reconhece qualquer forma de nos conteúdos intrínsecos às Ciências discriminação e de preconceito com base Humanas solicita que os estudantes em origem, raça, sexo, cor, idade, religião tenham acesso a saberes diversos, que e sangue, entre outros. Fazer a reparação incluam informações e conceitos sociais, desta realidade, dívida inscrita em nossa políticos, culturais, históricos e história social e na vida de tantos geográficos; conhecimentos de como indivíduos, é um imperativo e um dos fins proceder para colher informações e da EJA, porque reconhece o advento para realizar análises a partir de variadas todos deste princípio de igualdade. linguagens (mapas, imagens, diferentes (Diretrizes curriculares nacionais para a tipos de texto...). Também envolve educação de jovens e adultos, 2000). conhecimentos de como julgar e atuar Como fruto dessa história, por em favor da preservação de patrimônios, ingressarem ou regressarem à escola do respeito à diversidade cultural, da como jovens e adultos, os alunos de realização plena da democracia e do EJA possuem uma história pessoal reconhecimento da participação efetiva marcada pelo trabalho e por vivências dos indivíduos, grupos, classes, povos e sociais que os diferenciam dos Estados na construção e transformação estudantes de idade regular. Ao mesmo da realidade vivida. tempo, ao longo da história da educação brasileira, essa modalidade de OS ALUNOS DE EJA E AS CIÊNCIAS HUMANAS ensino tem considerado essa formação As Diretrizes Curriculares Nacionais específica (desenhada pela variação de para a Educação de Jovens e Adultos idade e de cultura) nos seus identificam os alunos de EJA como instrumentos didáticos e de avaliação. sendo herdeiros de um processo As experiências com EJA têm sido ainda histórico cruel e moldado pela um aprendizado quanto à intervenção segregação. pedagógica e às relações do saber formal Suas raízes são de ordem histórico- com o conhecimento prévio no processo social. No Brasil, esta realidade resulta de aprendizagem do aluno, de modo a do caráter subalterno atribuído pelas valorizar seu saber e, simultaneamente, elites dirigentes à educação escolar de favorecer-lhe a apropriação também de negros escravizados, índios reduzidos, uma cultura exigida por determinados caboclos migrantes e trabalhadores setores sociais. Essa conciliação é 3 Também opor obstáculos ao acesso de mulheres à cultura letrada faz parte da tradição patriarcal e machista que, por longo tempo, preponderou entre muitas famílias no Brasil. 92 IntrodutÛrio - 1.pmd 92 10/7/2003, 15:13
  • 95. III. A área de ciências humanas no ENCCEJA fundamental no sentido de permitir o estudante para os limites do que acesso do indivíduo a melhores aprendeu unicamente na esfera da vida oportunidades de trabalho, melhoria na social, por estarem inclusas nestas sua qualidade de vida e domínio político vivências dimensões de subjetividade, para intervir em prol de sociedades mais determinados valores culturais, ou justas e igualitárias. Como afirma a mesmo ideologias difundidas no senso Proposta Curricular para Jovens e comum. Adultos, um dos maiores desafios dos A interação dos alunos da EJA com cursos de educação de jovens e adultos novos conhecimentos tem solicitado consiste em articular o conhecimento cuidados didáticos específicos e vivido por esses alunos aos instrumentos de avaliação diferenciados, conhecimentos da ciência formal, da principalmente nas circunstâncias em cultura letrada, das artes clássicas, isto é, que se realiza por meio de estudos à produção cultural, intelectual e política individuais - leitura de textos e das sociedades. (op.cit., 2002) programas de televisão e rádio - e Nesse complexo processo de diálogos aquisição de certificados por processos culturais, intencionalidades educativas e de avaliação em grande escala, como é o indicadores de aprendizagem, a área de caso dos exames estaduais. De qualquer Ciências Humanas assume um papel modo, seja em situações de sala de aula importante por favorecer o debate sobre a com a presença do professor, seja na identidade social, cultural, geográfica e situação de estudos solitários, o ritmo de histórica e por conter as categorias aprendizagem, a maneira como as teóricas e os métodos para “evidenciar” a informações e conceitos são pluralidade das culturas, internas às apresentados e os mecanismos de avaliar sociedades, sua segmentação, seus os domínios adquiridos têm sido objeto conflitos e seus acordos. Um outro papel de atenção por parte de educadores. é o de refletir sobre a diversidade de Existem outras recomendações para o modos de vida, crenças e concepções uso de estratégias didáticas e questões políticas construída historicamente nas de avaliação nas quais o aluno possa se variedades de convivências e nas relações questionar primeiro sobre o que sabe e plurais com o espaço geográfico. levantar hipóteses, confrontar suas A área de Ciências Humanas enfrenta opiniões com outras, extrair informações ainda o desafio de criar situações de textos, gráficos, imagens, e organizar didáticas e instrumentos de avaliação as informações coletadas antes de para que o estudante se confronte com o concluir idéias. seu próprio universo cultural e social, Dessa perspectiva didática e de sua própria formação, sua história, avaliação, as Ciências Humanas assumem avaliando e ponderando seus a responsabilidade de valorizar a conhecimentos e reconhecendo o valor pluralidade de idéias, pontos de vista e intrínseco desse saber para condução e valores diferentes e concepções de compreensão da realidade. mundo variadas. Pautam-se por Simultaneamente, tem a premissas postas pelo mundo responsabilidade de sensibilizar o contemporâneo, que solicitam de todos 93 IntrodutÛrio - 1.pmd 93 10/7/2003, 15:13
  • 96. Documento Básico - Livro Introdutório - História e Geografia Ensino Fundamental atitudes de alteridade, ou seja, a desvalorização da moeda afeta o custo construção de uma sensibilidade ou a das mercadorias que consome, ele consolidação de uma vontade de precisa saber identificar diferentes acolher a produção interna das estilos de textos, colher informações de diferenças e de moldar valores de tabelas, interpretar fotos, questionar, respeito por elas. (Brasil, 1998, p. 35) organizar dados, estabelecer relações entre informações da atualidade e de LINGUAGENS, METODOLOGIAS outras épocas e entre acontecimentos E CONCEITOS NO DOMÍNIO DE de locais diferentes, bem como saber CONTEÚDOS DAS CIÊNCIAS HUMANAS lidar com conceitos que interpretam e Por ter como objeto de estudo a vida em dão significado a esses acontecimentos. sociedade e suas relações com a Os alunos da EJA necessitam, então, de natureza, as Ciências Humanas são as saberes específicos para analisarem e ciências que favorecem ao estudante os compreenderem diferentes linguagens conhecimentos necessários para nas suas potencialidades comunicativas. interpretar as relações humanas e como, Precisam saber usar, colher dados e a partir delas, se constituem as realidades interpretar mapas, linhas de tempo, sociais, históricas e geográficas. Por isso, cronologias, tabelas, gráficos, fotos de são próprios de sua esfera de satélite, fotografias, gravuras e obras de conhecimento os instrumentos e as arte, caricaturas, charges e diferentes metodologias para identificar, estilos de textos, como jornalísticos, caracterizar e analisar as convivências literários, científicos, legislativos. entre indivíduos, grupos, classes sociais, povos, nações e Estados, moldadas nas Ainda, para organizar e relacionar as relações com o mundo natural e com o informações que colhem nas suas espaço geográfico, entrelaçadas ao longo vivências sociais, nos meios de de processos históricos e representadas comunicação e em estudos escolares, os em variadas linguagens. estudantes da EJA precisam dominar alguns conceitos construídos e O estudo das Ciências Humanas inclui, debatidos pelas Ciências Humanas, assim, domínios de metodologias para o principalmente aqueles que estruturam indivíduo saber interpretar diferentes noções de tempo, espaço e sociedade e linguagens presentes no seu cotidiano, aqueles que contribuem para a que expressam modelos, valores e compreensão e análise do mundo significados construídos para as contemporâneo. relações históricas e geograficamente constituídas. Este é o caso, por Os alunos da EJA devem, então, saber exemplo, da leitura e análise de observar e colher informações de variadas informações de um jornal de circulação linguagens e utilizá-las, organizar diária. Para um cidadão brasileiro saber acontecimentos no tempo em linhas depreender opiniões dos autores dos cronológicas, analisar textos textos e do próprio jornal, conflitos constitucionais, identificar técnicas entre grupos sociais presentes nos construtivas, comparar padrões culturais acontecimentos relatados, ou como a de sociedades. Devem ainda dominar diferentes conceitos para dimensionar 94 IntrodutÛrio - 1.pmd 94 10/7/2003, 15:13
  • 97. III. A área de ciências humanas no ENCCEJA perspectivas mais globais e analíticas das no processo de constituição do território sociedades contemporâneas e suas brasileiro. relações com sociedades de outros 2. Compreender o papel das sociedades tempos, refletindo e escolhendo atitudes no processo de produção do espaço, do que contribuam para atuações conscientes território, da paisagem e do lugar. em prol de sociedades melhores. Nesse caso, espera-se que o estudante REFERÊNCIAS PARA AVALIAÇÃO compreenda o papel das sociedades no Como foi visto, são inúmeras e processo de constituição do espaço ao fundamentais as considerações para a longo de sua história, transformando definição do que e como avaliar os territórios e paisagens e organizando os conhecimentos do estudante da EJA em modos de vida dos lugares. Um exemplo um processo de certificação nacional. A disso é o estudante analisar as mudanças diversidade cultural das pessoas e as ocorridas na organização de espaços e modalidades formais e informais de nos costumes das populações em função acesso ao saber permitem estabelecer dos deslocamentos populacionais. algumas referências abrangentes quanto 3. Compreender a importância do às expectativas de seus domínios e seus patrimônio cultural e respeitar a saberes, pautados em competências diversidade étnica. específicas das Ciências Humanas no Trata-se nesse caso de o estudante Ensino Fundamental. dominar saberes diversos, relativos a As competências abaixo procuram dar diferentes campos das Ciências conta de domínios amplos e específicos Humanas, que ressaltem a questão do pertinentes aos conhecimentos respeito à diversidade de manifestações esperados de estudantes da EJA do culturais pertencentes aos mais variados Ensino Fundamental. grupos étnicos, e que, simultaneamente, 1. Compreender processos sociais o despertem para a valorização e o utilizando conhecimentos históricos e respeito por seus patrimônios. Por geográficos. exemplo, espera-se que o estudante seja capaz de reconhecer a presença de Trabalhar com essa competência implica comunidades quilombolas no Brasil e a a apreensão da noção de processo social, necessidade premente de respeitar o a partir do domínio de diferentes território e a cultura das mesmas como conceitos históricos e geográficos e de premissas intrínsecas à sobrevivência relações entre acontecimentos sociais no dessas comunidades. tempo. Tal apreensão requer do estudante a percepção de encadeamentos 4. Compreender e valorizar os e relações históricas entre fundamentos da cidadania e da acontecimentos, intrínsecos a democracia, de forma a favorecer uma determinados espaços, que se constituem atuação consciente do indivíduo na e modelam pela ação humana. Por sociedade. exemplo, pretende-se que o estudante Essa competência implica em o saiba relacionar os diferentes conflitos e estudante saber discernir os conceitos lutas entre povos indígenas e europeus de cidadania e de democracia, 95 IntrodutÛrio - 1.pmd 95 10/7/2003, 15:13
  • 98. Documento Básico - Livro Introdutório - História e Geografia Ensino Fundamental reconhecendo-os como conceitos percebendo que o espaço possui históricos e, portanto, mutáveis e intervenções históricas humanas, idades e dependentes dos contextos políticos e tempos diferenciados. Um exemplo dessa sociais das sociedades. Ao mesmo competência é o estudante compreender tempo, solicita que reconheça a que os espaços são constituídos de importância das lutas empreendidas por maneiras diferentes por conta de variados diferentes grupos sociais, e seus fatores naturais e intervenções humanas. embates, na constituição e implantação 7. Perceber-se integrante, dependente e efetiva de sociedades democráticas. Um agente transformador do ambiente. exemplo dessa competência é o É necessário que o estudante seja capaz estudante compreender a história dos de relacionar e integrar diferentes direitos trabalhistas no Brasil e a informações oriundas desse ambiente, participação ativa das organizações de para, a partir dessas relações, elaborar trabalhadores neste processo. propostas que possam contribuir para a 5. Compreender o processo histórico de sua transformação social, política e ocupação do território e a formação da econômica. Espera-se, por exemplo, que sociedade brasileira. ele saiba analisar e se posicionar diante Nesse caso, a competência explicitada das mudanças ocorridas nos ambientes requer que o estudante domine e em função da expansão da indústria e do compreenda os acontecimentos e modo de vida urbano, podendo ainda conceitos históricos referentes ao processo contribuir para novas transformações. de ocupação do território e da formação da 8. Compreender a organização política e sociedade brasileira. Compreender a econômica das sociedades história das populações indígenas no contemporâneas. Brasil, em diferentes épocas, sua inserção Trata-se aqui de esperar que o estudante na sociedade nacional, e suas lutas em prol seja capaz de identificar nas organizações da integridade de seu território, de sua políticas e econômicas das sociedades sobrevivência e do reconhecimento de contemporâneas, as múltiplas relações suas particularidades culturais, constitui construídas historicamente por diferentes um exemplo dessa competência. instâncias da sociedade - indivíduos, 6. Interpretar a formação e organização grupos sociais, instituições e o próprio do espaço geográfico brasileiro, Estado - que modelam e remodelam considerando diferentes escalas. modos de vida e espaços geográficos. Um Do estudante da EJA é esperado que exemplo dessa competência é o estudante tenha a capacidade de interpretar a identificar e analisar as transformações formação e a organização do espaço nos costumes dos brasileiros, a partir da geográfico brasileiro, considerando expansão da indústria no país e da diferentes escalas geográficas (local, integração das diferentes localidades por regional, nacional e mundial) e meio da implantação da infra-estrutura de transporte. 96 IntrodutÛrio - 1.pmd 96 10/7/2003, 15:13
  • 99. III. A área de ciências humanas no ENCCEJA 9. Compreender os processos de recuperando o que sabe e pensa; que formação das instituições sociais e formule hipóteses e conjecturas, políticas, a partir de diferentes formas confrontando e coordenando diferentes de regulamentação das sociedades e do perspectivas, a partir da análise de espaço geográfico. grupos sociais ou sociedades; que Nesse caso, pretende-se que o estudante considere fatores históricos e geográficos identifique as instituições sociais e e reveja valores e idéias, priorizando políticas brasileiras, compreendendo seu princípios éticos, julgando conflitos e processo de constituição e analisando as pensando em soluções. diferentes formas de regulamentação das As situações-problema possibilitam sociedades e do espaço geográfico. avaliar a capacidade de análise e Espera-se, por exemplo, que o estudante entendimento de linguagens, criando conheça e se posicione diante da condições para se verificar, por legislação que regulamenta a exemplo, se o estudante da EJA sabe representatividade política do povo identificar opiniões de diferentes brasileiro, inserindo-a em perspectivas autores nos textos que lê e organizar históricas. acontecimentos históricos em uma linha Considerando a especificidade da área do tempo. de Ciências Humanas, que engloba Nesse sentido, portanto, essa proposta múltiplos conhecimentos, e de avaliação parte da idéia de que o considerando as diversas competências estudante é um sujeito ativo, pensante, que são requeridas do estudante da EJA que sempre está colocando em jogo para ser capaz de analisar as aquilo que sabe, estabelecendo relações, organizações sociais e as relações dos chegando a conclusões ou tomando seres humanos com a natureza, elegeu- decisões. se como estratégia pedagógica de A concepção de aprendizagem proposta avaliação o uso de situações-problema como referência para essa forma de (Macedo, 2002). Desse modo, por meio avaliação inclui, assim, procedimentos de situações-problema, os saberes do importantes ligados às Ciências estudante são avaliados tendo-se em Humanas, verificando se os alunos vista sua capacidade para analisar dominam conteúdos vinculados à problemáticas contemporâneas, as dimensão do saber fazer (saber pesquisar, quais, para serem compreendidas, questionar, analisar, confrontar...), requerem domínios históricos e relacionados à sua competência para geográficos que envolvem a realidade saber aprender com autonomia. brasileira e a conjuntura mundial. Construir questões de avaliação na forma de situações-problema implica que o estudante se defronte com a realidade social, histórica e geográfica na sua complexidade e que mobilize recursos, 97 IntrodutÛrio - 1.pmd 97 10/7/2003, 15:13
  • 100. Documento Básico - Livro Introdutório - História e Geografia Ensino Fundamental BIBLIOGRAFIA BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria do Ensino Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental. Brasília, DF: MEC, 1998. 9 v. ______. Proposta Curricular para a Educação de Jovens e Adultos: 5ª a 8ª série. : Brasília, DF: MEC, 2002. 3 v. CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. (Brasil). Câmara de Ensino Básico. Parecer n.º 11, de 10 de maio de 2000. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos. Documenta, Brasília, DF. HOBSBAWM, E. J. Sobre a História: ensaios. 2. ed. reimpr. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. 336p. Tradução de Cid Kripel Moreira. MACEDO, L. de. Situação-problema: forma e recurso de avaliação, desenvolvimento de competências e aprendizagem escolar. In: PERRENOUD, P.; et al. As competências para ensinar no século XXI. Porto Alegre: ArtMed, 2002. 98 IntrodutÛrio - 1.pmd 98 10/7/2003, 15:13
  • 101. III. A área de ciências humanas no ENCCEJA ÁREA 3 - Ciências Humanas e suas Tecnologias - Ensino Médio Circe Maria Fernandes Bittencourt A área de Ciências Humanas para o a área tem como pressuposto superar a Ensino Médio do Encceja abrange os concepção tradicional das disciplinas conhecimentos de Geografia, História, denominadas “humanidades” e do papel Antropologia, Política, Economia, que desempenharam no passado Filosofia, Direito e Sociologia que se educacional, com o objetivo de fornecer articulam, visando fornecer aos jovens e a base de uma cultura geral, adultos uma compreensão maior da enciclopédica e destinada a sociedade contemporânea e o “lugar” determinados setores “iluministas” da que ocupam no processo de sua sociedade brasileira, criadora de valores constituição e nos projetos de “elitistas”, justificadores das transformações. desigualdades sociais e de direitos. A área, constituída pelo conjunto de Uma concepção atual de formação conhecimentos oriundos das diferentes humanística fundamenta-se em ciências humanas, pressupõe a princípios articulados em torno de três constituição de saberes dos diferentes eixos básicos. campos e das pesquisas sociais que, O primeiro deles é o de considerar a articulados, possibilitam uma visão formação humanística como significativa humanística no processo de apreensão para a compreensão dos problemas sociais dos problemas vividos e enfrentados pela e para seu enfrentamento por parte de sociedade. A concepção humanística todos os setores sociais. Nessa perspectiva, permeia a integração dos diferentes visa a identificar os problemas mais campos disciplinares das ciências sociais contundentes das sociedades e ainda busca estabelecer a relação entre contemporâneas, notadamente aqueles o conhecimento da sociedade e o das relacionados à permanência de conflitos ciências da natureza. geradores de violências de diferentes O princípio humanista que fundamenta níveis e em diferentes locais, dentro das 99 IntrodutÛrio - 1.pmd 99 10/7/2003, 15:13
  • 102. Documento Básico - Livro Introdutório - Ciências Humanas Ensino Médio e suas Tecnologias casas, nas favelas, nos grandes centros para a constituição de uma formação urbanos, nas áreas rurais ou em campos de humanística. É, portanto, uma área que batalha. Permeia, assim, a concepção de pensa o conhecimento acumulado das humanismo da área, a necessidade de ciências sociais articulado ao apreender o papel do indivíduo em uma conhecimento pragmático adquirido sociedade de consumo assentada em pelos diferentes indivíduos, a partir de valores de competitividade que práticas cotidianas, dos conflitos exacerbam o individualismo e pessoais e coletivos, das relações de desenvolvem desejos incontroláveis em poder em seus diferentes níveis, desde a torno de objetos-mercadoria. Procura-se família, passando pelo poder identificar ações possíveis e formas de institucional do Estado, ao poder convivência que possam alterar a econômico local e internacional. submissão a valores que desumanizam as Pretende uma formação humanística pessoas. Considerando que a maior parte moderna, que abrange reflexões e das pessoas vive em função de aquisição estudos sobre as atuais condições de bens, de satisfações pessoais imediatas, humanas, mas que se fundamenta nas imersas em um presenteísmo, torna-se singularidades e no respeito pelas fundamental a reflexão sobre o diferenças étnicas, religiosas, sexuais significado do consumismo na vida das diversas sociedades. pessoal, nas relações afetivas, assim como Esta reflexão sobre o presente das nas lutas diárias pela sobrevivência. condições de vida das diversas O sociólogo Boaventura dos Santos sociedades contemporâneas não exclui a apontou algumas das características da compreensão histórica desse processo. A sociedade gestada por tais valores e perspectiva histórica permite uma visão acentuou a necessidade de não apenas abrangente ao estabelecer as identificarmos as características do modo relações entre passado-presente na busca de vida de uma cultura consumista: de explicações do atual estágio da humanidade, como significa, também, A cultura consumista (articulada ao identificar as semelhanças e diferenças individualismo possessivo) induz o desvio que têm marcado a trajetória dos homens das energias sociais da interação com no planeta Terra. pessoas humanas para a interação com Nesta perspectiva, um segundo eixo objetos porque são mais facilmente norteia a concepção de humanismo da apropriáveis que as pessoas humanas. área: a necessidade de se rever as (Santos, 1995, p.321). relações entre homem e natureza. Isto significa aproximar as ciências humanas A identificação e uma reflexão sobre as das ciências da natureza. atuais formas de convívio humano A ciência moderna fundamentada no tornam-se, assim, o ponto inicial e conhecimento dos fenômenos da natureza fundamental para a organização da área e no princípio de subordinação dessa de ciências humanas ao pretender que natureza pelo homem torna um outro ela sirva como um dos instrumentos aspecto importante e significativo para o 100 IntrodutÛrio - 1.pmd 100 10/7/2003, 15:13
  • 103. III. A área de ciências humanas no ENCCEJA repensar sobre uma nova concepção homem do restante dos seres vivos e dos humanística. As relações dos homens com demais elementos naturais e que o a natureza, ao longo da história, são transforma em centro de um processo de incorporadas como objeto de análise em dominação. A natureza torna-se objeto e uma perspectiva que pretende incorporar existe separada da humanidade com a uma educação ambiental comprometida função apenas de servir aos interesses dos com o futuro das gerações e que supere homens. A concepção proposta de uma visão apenas utilitária e baseada em humanismo conduz à compreensão de interesses econômicos. que o homem é parte da natureza e esta A natureza, concebida como fonte de dimensão possibilita e torna necessário o recursos que necessita ser explorada comprometimento mais abrangente de cada vez mais para fomentar um vários setores sociais e órgãos crescimento econômico, a qualquer institucionais, desde as políticas custo, é revista no contexto dos estudos governamentais, passando pelos setores das diferentes sociedades. Também se educacionais e culturais, ao setor privado. repensa o entendimento de que As ciências humanas, nesse sentido, se poluição e degradação ambientais são integram às ciências da natureza para inevitáveis por serem subprodutos de que o homem se torne o objeto do um significativo e vertiginoso conhecimento integrado à natureza. progresso. A constatação da degradação O terceiro eixo, que norteia a reflexão ambiental tem gerado preocupações sobre o papel formativo das ciências para setores econômicos e tem sido humanas, refere-se ao significado da responsável por estudos tecnologia na vida social. É preservacionistas que incluem novos fundamental, para uma apreensão de projetos em relação à exploração dos humanismo em seu sentido recursos naturais. Mas a relação contemporâneo, compreender o mundo homem/natureza, apreendida em uma tecnológico vivido pelas diversas abordagem humanística, pretende sociedades. O significado do papel da ampliar esta perspectiva limitada ao tecnologia no comportamento e no econômico e situar com maior precisão estabelecimento das atuais relações as decisões políticas, assim como as sociais é, sem dúvida, um dos aspectos ações individuais e da sociedade civil. centrais porque tem afetado a todos os O compromisso do presente relaciona-se grupos sociais, mesmo que em ao futuro das novas gerações e da diferentes graus e níveis. própria sobrevivência do homem no O desenvolvimento tecnológico, planeta, situação que requer a promovido pelas ciências modernas, constituição de um conhecimento trouxe mudanças consideráveis nas mais profundo sobre tais relações e envolve a diversas áreas de convívio social, reformulação de concepções sobre a notadamente por intermédio de formas natureza. A concepção de natureza tem revolucionárias nos meios de sido, sobretudo a partir do século XVI, comunicação. O aparato tecnológico tem mediada por valores que separam o sido incorporado de maneira intensa, tem 101 IntrodutÛrio - 1.pmd 101 10/7/2003, 15:13
  • 104. Documento Básico - Livro Introdutório - Ciências Humanas Ensino Médio e suas Tecnologias alterado hábitos e costumes e tem atingido pelos mecanismos de modificado as relações sociais, sobretudo desigualdades de oportunidade de as relações de trabalho. A sociedade de qualificação para o trabalho. A redefinição consumo intensifica-se pelas necessidades do trabalhador emerge da vinculação entre que se tornam imprescindíveis, criando-se tecnologia e produção, podendo explicar a uma rede de produtos introduzidos no crise provocada pelo desemprego. O cotidiano das pessoas, desde a casa aos trabalhador e sua produção podem, ainda, lugares públicos e privados, no trabalho, ser percebidos pela intrínseca relação entre nas escolas, nos espaços de lazer. A o homem e a máquina, temática que tecnologia pode, assim, criar condições de muitos filmes têm ultimamente abordado, dependência e, facilmente, ser e que conduz a novas formas de pensar a transformada, ao invés de instrumento para existência humana em toda a sua melhoria de qualidade de vida, em mito da complexidade. Retoma-se, dessa forma, vida moderna e, portanto, portadora de um em esferas diversas, tanto no campo poder que ultrapassa a dimensão de científico, como no artístico, o debate mercadoria e de recurso econômico. significativo sobre a “condição humana”. Esta dimensão da tecnologia necessita de O aparato tecnológico em suas diversas reflexões visando a estabelecer seu “lugar” formas tem sido analisado com intensidade, na sociedade. Um número significativo de sobretudo, entre pensadores que estudos sobre os problemas fundamentais combatem a violência do século XX. das sociedades tem identificado as Arendt (2001), em seus vários estudos dificuldades em se perceber as diferenças sobre as experiências políticas entre meio e fim criadas pelos contemporâneas, alerta com veemência fundamentos do conhecimento técnico- para os vínculos entre a violência e a científico que localizaram a tecnologia revolução tecnológica do século XX, como base exclusiva para o manifestados nas guerras, na “bomba desenvolvimento. Os problemas atômica”, nas armas químicas, enfim, na emergentes de uma sociedade tecnológica moderna técnica armamentista e suas tornam-se evidentes e carecem de soluções trágicas conseqüências. ao ampliar o fosso entre países pobres É exemplar como a autora identifica as (subdesenvolvidos ou emergentes ou ainda contradições entre tecnologia e poder: em vias de desenvolvimento), compradores das tecnologias, e os países ricos, “donos Há muitos outros exemplos para das tecnologias”. demonstrar a curiosa contradição inerente As desigualdades entre os países e, à impotência do poder. Por causa da internamente, entre a população e os enorme eficácia do trabalho de equipe nas diferentes grupos sociais, especialmente ciências, o que talvez seja a mais evidente em países como o nosso, merecem ser contribuição norte-americana para a enfrentadas e o papel da tecnologia é um ciência moderna, podemos controlar os processos mais complicados com uma ponto crucial que precisa ser debatido e precisão que faz com que viagens à Lua estar inserido no processo educativo, sejam menos perigosas que simples considerando, ainda, que o público da excursões de fim de semana. área do Encceja é, sem dúvida, o mais (Arendt, 2001, p. 62) 102 IntrodutÛrio - 1.pmd 102 10/7/2003, 15:13
  • 105. III. A área de ciências humanas no ENCCEJA Assim, a área de ciências humanas, ao O novo herói da vida é o homem centrar-se em um objetivo aparentemente comum imerso no cotidiano. É que, no genérico sobre a formação humanística, pequeno mundo de todos os dias, estão considera que a abrangência nela contida também o tempo e o lugar da eficácia pode-se traduzir em compreensões que das vontades individuais, daquilo que possibilitem as constituições de faz a força da sociedade civil, dos identidades maiores - de todo ser humano movimentos sociais. que carrega um legado do passado e seus compromissos com o futuro. Possibilita, Nesse âmbito é que se propõe a questão ainda, o entendimento para a constituição do conhecimento do senso comum na de identidade individual, no vivido das vida cotidiana. pessoas em espaços públicos e privados, (Martins, 2000, p. 57) com seus grupos de convivência, em sua vida cotidiana. A citação do sociólogo José de Souza FUNDAMENTOS TEÓRICOS Martins serve como base para a Considerando os desafios da fundamentação teórico-metodológica sistematização de conhecimentos para da área do ensino e da aprendizagem jovens e adultos baseados nos das ciências humanas. O conhecimento pressupostos anteriormente elencados, desse “herói”, expresso como senso torna-se necessária uma fundamentação comum, se integra ao conhecimento teórica que possibilite a articulação em acumulado das diferentes disciplinas dois níveis de diferentes saberes. que compõem a área, articulando-se por É necessário partir do conhecimento do intermédio de um diálogo capaz de vivido por este público específico tanto reconhecer não só as diferenças para situar as problemáticas enfrentadas epistemológicas entre tais formas de na vida em sociedade, no mundo do conhecimento mas também da trabalho e das relações de convívio, impossibilidade de serem entendidas como para efetivar aprendizagens como excludentes. possíveis ao se articular com o O senso comum tem sido considerado conhecimento acumulado e como uma forma de conhecimento sistematizado por métodos científicos. impregnado de preconceitos, Um outro nível de articulação de conservador e, para muitos especialistas, saberes ocorre pela é um conhecimento falso que precisa ser interdisciplinaridade, integrando os vencido pelo conhecimento científico vários campos das ciências humanas. racional e objetivo. Recentes debates Temos, portanto, como pressuposto epistemológicos, no entanto, têm inicial, a necessidade de identificar do demonstrado que a oposição entre ponto de vista epistemológico, o ciência/senso comum deve ser abolida conhecimento desse segmento social ao porque mesmo a ciência não está isenta qual se destina o sistema avaliativo de preconceitos. As teorias racistas, de proposto. ‘raça superior’, embasadas em princípios de racionalidade científica, são 103 IntrodutÛrio - 1.pmd 103 10/7/2003, 15:13
  • 106. Documento Básico - Livro Introdutório - Ciências Humanas Ensino Médio e suas Tecnologias exemplares da forma como o com o processo de aprendizagem. A conhecimento científico não apenas está constituição de “conceitos científicos” impregnado de preconceitos como pode articula-se aos “conceitos espontâneos” e servir igualmente para reforçá-los, o domínio de leituras registradas em transformando-os em ideologias de diferentes suportes não pode ter um controle social e de poder político. tratamento mecânico, mas requer formas Concebe-se como necessário o de diálogos para que informações e reencontro da ciência com o senso técnicas possam ser sistematizadas e comum para que se possa compreender sirvam para o desenvolvimento de novas mais sobre o mundo e seus problemas capacidades de compreender e de se étnicos, sexuais, religiosos e das demais situar no mundo. diferentes formas de relações desiguais. Os novos estudos das Ciências Sociais Dessa forma, um dos princípios teóricos têm, por sua vez, se referenciado em da área é o reconhecimento da muitas dessas concepções importância dos saberes que os setores epistemológicas, visando a cumprir um sociais, aos quais se destina o projeto papel que solidifique, de forma mais Encceja, têm adquirido pela experiência abrangente, compreensões da vida em de vida, pelas suas formas de “leitura do sociedade. Tal perspectiva tem mundo”. Esse princípio tem, conduzido a um movimento que busca implicitamente, uma concepção sobre o articular os diferentes campos de ato de ensinar e o ato de aprender, como conhecimento da área. tão bem analisa Paulo Freire: Além das formulações epistemológicas da área das ciências humanas, tem Na verdade, para que a afirmação “quem havido um intenso movimento nas sabe, ensina a quem não sabe” se recupere pesquisas sociais visando a articular os de seu caráter autoritário, é preciso que diferentes campos de conhecimento. quem sabe saiba sobretudo que ninguém Nos PCN do Ensino Médio, o percurso sabe tudo e que ninguém tudo ignora. O das pesquisas das Ciências Humanas é educador, como quem sabe, precisa apresentado tendo em vista situar as reconhecer, primeiro, nos educandos em atuais tendências da área: processo de saber mais, os sujeitos, com ele, deste processo e não pacientes A crise de confiança gerada pelo desastre da acomodados; segundo, reconhecer que o Primeira Guerra Mundial e pelas crises conhecimento não é um dado aí, algo econômicas que a ela se seguiram deu imobilizado, concluído, terminado, a ser origem, nos anos 30, a um esforço de transferido por quem o adquiriu a quem revisão dos pressupostos positivistas, como ainda não o possui. o da fragmentação dos estudos. Deu-se, (Freire, 1985, p. 32) então, importante experiência interdisciplinar, unindo-se historiadores, O reconhecimento da necessidade da economistas, geógrafos e sociólogos, no aproximação do conhecimento do senso esforço de tentar entender as razões da crise comum com o conhecimento científico (Brasil, 1999, p. 17) conduz, assim, a uma relação diferenciada 104 IntrodutÛrio - 1.pmd 104 10/7/2003, 15:13
  • 107. III. A área de ciências humanas no ENCCEJA A alternativa interdisciplinar no campo 5. Compreender e valorizar os científico embasa o atual projeto da fundamentos da cidadania e da área de ensino, tendo como pressuposto democracia, favorecendo uma atuação que, ao se manter o rigor metodológico consciente do indivíduo na sociedade. das disciplinas dentro das concepções 6. Perceber-se integrante e agente epistemológicas assinaladas transformador do espaço geográfico, anteriormente, pode-se enriquecer, de identificando seus elementos e maneira mais eficaz, o conhecimento interações. sobre a sociedade. Abordagens diversas 7. Entender o impacto das técnicas e sobre temáticas comuns favorecem, ao tecnologias associadas aos processos de se utilizarem de ferramentas próprias do produção, ao desenvolvimento do seu campo específico, o domínio mais conhecimento e à vida social. aprofundado sobre a sociedade em seus múltiplos aspectos, do cotidiano às 8. Entender a importância das sociedades nacionais, dos problemas tecnologias contemporâneas de mais próximos aos mais distantes, da comunicação e informação e seu vida pública e privada, das diferentes impacto na organização do trabalho e temporalidades, das continuidades e das da vida pessoal e social. rupturas, das revoluções e dos ritmos 9. Confrontar proposições a partir de lentos das “longas durações”. situações históricas diferenciadas no tempo e no espaço e indagar sobre SOBRE AS COMPETÊNCIAS DE ÁREA processos de transformações políticas, Considerando os aspectos já econômicas e sociais. mencionados, propomos que o Encceja- As propostas de competências têm, como Ensino Médio tenha como referência de princípio, evidentemente, atender aos avaliação o domínio dos jovens e adultos objetivos e aos pressupostos teórico- nas seguintes competências de área: metodológicos assinalados para a área. As 1. Compreender os elementos culturais propostas consideram, ainda, o nível de que constituem as identidades. domínio do grupo ao qual se destina o 2. Compreender a gênese e a processo avaliativo, no caso Ensino transformação das diferentes Médio, e fazem parte de um projeto mais organizações territoriais e os múltiplos amplo sobre a educação de jovens e fatores que neles intervêm, como adultos. Nesta perspectiva, não existe produto das relações de poder. uma preocupação de esgotar conteúdos 3. Compreender o desenvolvimento da organizados pelo conhecimento escolar sociedade como processo de ocupação tradicional, mas entende-se que de espaços físicos e as relações da vida conteúdos podem ser selecionados e humana com a paisagem. articulados por intermédio de temas. Os temas não visam a explorar de maneira 4. Compreender a produção e o papel exaustiva uma série de informações a eles histórico das instituições sociais, relacionadas, mas a conduzir a formas de políticas e econômicas, associando-as reflexões desde o momento inicial, por às práticas dos diferentes grupos e intermédio de situações-problema atores sociais. 105 IntrodutÛrio - 1.pmd 105 10/7/2003, 15:13
  • 108. Documento Básico - Livro Introdutório - Ciências Humanas Ensino Médio e suas Tecnologias que mobilizem a atenção e o As relações entre o desenvolvimento envolvimento com as formas de solução das tecnologias e o impacto na das problemáticas colocadas. O propósito sociedade contemporânea são outras é que se possa estabelecer um diálogo temáticas que exemplificam a com o leitor, por intermédio de situações– preocupação com a relação do mais problema vividas no cotidiano e na próximo ao mais distante no tempo e no ampliação do vivido individual para o da espaço. O problema da tecnologia e o sociedade do presente e de outros impacto na vida das pessoas, por momentos e lugares. exemplo, podem ser situados Os temas constituem uma nova forma de historicamente, fornecendo condições se entender o significado de conteúdo de se refletir sobre o significado das escolar. Assim, os conteúdos escolares revoluções das técnicas e das ciências devem ser compreendidos não como um na vida contemporânea. Pode-se, ainda, produto a ser transmitido ou incorporado privilegiar o papel da tecnologia não mecanicamente, mas como um processo, apenas nos meios de comunicação mas por intermédio do qual se articulam também nas artes e, sobretudo, deve-se conceitos e informações provenientes de destacar o impacto nas transformações várias áreas das ciências humanas. do trabalho e na vida do trabalhador. Considerando o nível do Ensino Médio, Tendo em vista ainda as experiências de os critérios de seleção dos temas têm, vida e os problemas enfrentados, a área como princípio, abordagens diversas de Ciências Humanas deve favorecer o sobre problemas que afetam a vida desenvolvimento da formação política cotidiana, situando-as em dimensões do cidadão. Uma formação política mais amplas. Em outras palavras, entendida não no sentido partidário, mas oferecem análises em escalas que sim de favorecimento na luta pela ultrapassam o local e o nacional ao cidadania, no favorecimento de uma mesmo tempo em que se articulam a participação efetiva no processo de problemáticas internacionais e em transformação da sociedade. Assim, o escala mundial. Assim, por exemplo, as tema referente às lutas pela cidadania e temáticas sobre o ambiente e problemas como este conceito foi se transformando ecológicos articulam-se em relação às ao longo da história do mundo ocidental diferentes escalas as quais esta questão é significativo para a ampliação de uma abrange, procurando identificar as visão sobre o papel da política na interferências na vida cotidiana e local e história da humanidade. Pode-se, nesta na do planeta. Políticas, legislação, perspectiva, incluir o significado das preservação, desenvolvimento relações entre Direito e Estado, do papel econômico e outros aspectos de caráter das leis e das instituições modernas e mais geral, dentre outros tópicos, suas formas de representatividade. Nesse buscam estabelecer as relações com o sentido, os temas apresentados devem vivido das pessoas, como o problema contribuir para a compreensão do papel do lixo, das águas e dos mananciais, da político do cidadão, enquanto indivíduo poluição das áreas rurais e urbanas. e como pertencente a uma coletividade, 106 IntrodutÛrio - 1.pmd 106 10/7/2003, 15:13
  • 109. III. A área de ciências humanas no ENCCEJA e, ainda, como se sedimentaram, na outros tempos e outros espaços. O sociedade contemporânea, as lutas por tempo presente, ao se tornar objeto de direitos sociais. reflexão, contribui para que se possa A reflexão sobre a história de vida e a ultrapassar uma visão imediatista dos história das sociedades, entre a diversos acontecimentos e que jovens e produção do espaço do “lugar” e a adultos possam mergulhar na busca de formação de fronteiras, constituem explicações que ultrapassem os outras temáticas significativas, sentimentos de ceticismo, de considerando as experiências de vida intolerância, de impotência ou de desse público de estudantes. Migrações, fatalismo e possam vislumbrar memória, tempos e espaços do “aqui” e possibilidades de mudanças. do “agora” podem ser confrontados com BIBLIOGRAFIA ARENDT, H. Sobre a violência. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2001. 114p. Tradução de André Duarte. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria da Educação Média e Tecnológica. Parâmetros curriculares nacionais para o ensino médio. Brasília, DF: MEC: 1999. 4 v. FREIRE, P. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: : Autores Associados: Cortez, 1985. 96 p. (Polêmicas do nosso tempo, v. 4) MARTINS, J. de S. A sociabilidade do homem simples: cotidiano e História na : modernidade anômala. São Paulo: Hucitec, 2000. 210 p. (Ciências socias, v. 43) : SANTOS, B. de S. Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade. São Paulo: Cortez, 1995. 348 p. 107 IntrodutÛrio - 1.pmd 107 10/7/2003, 15:13
  • 110. 108 IntrodutÛrio - 1.pmd 108 10/7/2003, 15:13
  • 111. III. A área de ciências da natureza no ENCCEJA ÁREA 4 - Ciências - Ensino Fundamental Maria Teresinha Figueiredo O papel de Ciências Naturais no Encceja enfrentamento de problemas está diretamente relacionado à relacionados à sua vida ou quando relevância social do conhecimento imaginam e elaboram propostas científico e à importância da articulação possíveis para superação de dificuldades desses conhecimentos, colaborando do mundo. Portanto, o conhecimento para que os cidadãos estejam mais bem científico é um elemento chave na preparados para enfrentar os desafios de cultura geral dos cidadãos. uma sociedade em mudança contínua. A sociedade tem tomado consciência de As produções da Ciência e da Tecnologia como é importante o conhecimento estão intimamente relacionadas às científico na vida diária. Considera-se que modificações no mundo em que esse conhecimento é fundamental para a vivemos. São determinantes da tomada de decisões em relação à qualidade de vida dos povos, estando prevenção e manutenção da saúde inteiramente relacionadas aos seus individual, familiar e coletiva, bem como processos políticos, históricos e culturais. para a incorporação de atitudes É necessário que amplos setores da responsáveis quanto à sexualidade e população tenham acesso ao paternidade, quanto ao consumo de conhecimento científico, tanto para materiais, alimentos e objetos adequados participarem mais ativamente dessas às necessidades e quanto às interações modificações, como para compreenderem com o ambiente em direção à preservação os fenômenos observáveis no mundo e e manutenção para o bem comum. no universo. Devem ainda ter a Os conceitos envolvidos no oportunidade para se desenvolver como conhecimento científico são produtos de cidadãos capazes de enfrentar desafios uma elaboração contínua apropriados de intelectuais, obtendo satisfação quando forma individualizada, considerando o estabelecem relações para o repertório de vivências e de estruturas 109 IntrodutÛrio - 1.pmd 109 10/7/2003, 15:13
  • 112. Documento Básico - Livro Introdutório - Ciências Ensino Fundamental cognitivas de cada cidadão. Adquirir “cientista” e daquilo que é conceitos ajuda a compreender o mundo, “cientificamente comprovado”, desde que eles sirvam para explicar apresentando-os como signos de uma variados contextos vivenciados pelos inquestionável verdade. Ao contrário, o cidadãos, sejam particulares, como conhecimento científico é membros de uma comunidade definida constantemente modificado, ampliado no tempo e no espaço, sejam gerais, ou mesmo superado. Propagar a ciência, como habitantes de um planeta que se como atividade humana passível de erros situa no Universo. e subjetividades, favorece a A aquisição de conceitos científicos é, compreensão do seu caráter histórico, sem dúvida, importante, mas não é a dinâmico e motivador, um esforço única finalidade da aprendizagem coletivo e social para acumular científica que deve proporcionar aos conhecimento sobre a natureza. cidadãos conhecimentos e instrumentos Como a produção do conhecimento consistentes, para que adquiram científico e tecnológico é constante, segurança na hora de debater certos suas implicações no cotidiano também temas da atualidade. Saber interpretar o o são, e os cidadãos necessitam mundo de forma científica é lançar mão desenvolver habilidades que lhes de instrumentos de análise objetiva, proporcionem o aprendizado reconhecendo-se os vários fatores e permanente, com as quais possam relações que explicam fenômenos elaborar suas visões sobre o mundo, naturais e cotidianos, é aproveitar refletindo sobre o significado das informações diversas para explicar as transformações e permitindo o diferentes manifestações de um mesmo aprimoramento dos valores fundados na fenômeno. Mas é também saber dignidade e solidariedade humanas. transferir informações adquiridas e É necessário integrar jovens e adultos conceitos construídos para novas nesse processo para que participem com situações, de forma criteriosa. condições eqüitativas às dos cidadãos Do mesmo modo, como lembram Nieda e que freqüentaram escola em idade Macedo (1997), não se pode dissimular o adequada. Para isso, é importante que papel de instrumento de opressão que a se considerem os estudantes jovens e ciência pode adquirir em determinadas adultos do Ensino Fundamental como situações, o que coloca a necessidade da capazes, respeitando suas diferenças, educação crítica para seu enfrentamento. especificidades e necessidades. Muitos (p. 22) Propagar o conhecimento deles são trabalhadores, com larga científico objetivo como o único possível experiência profissional; outros, alijados para explicar os fenômenos naturais e o da escola com pouca idade, mantêm a cientista como cidadão neutro, acima de expectativa de (re)inserção no mercado qualquer interesse individual ou político, de trabalho qualificado. pode reforçar tanto o sentimento de Conforme afirmam os Parâmetros em impotência dos cidadãos para a Ação (Brasil, 1999), do ponto de vista participação na resolução de problemas socioeconômico, o público dos sociais, como o caráter místico do programas da EJA constitui, no geral, 110 IntrodutÛrio - 1.pmd 110 10/7/2003, 15:13
  • 113. III. A área de ciências da natureza no ENCCEJA um grupo bastante homogêneo: são Na educação formal, para aprender trabalhadores com ocupação pouco Ciências Naturais é oferecido para jovens qualificada, recebem baixos salários ou e adultos um ensino que, habitualmente, estão desempregados, moram em segue o mesmo caminho daquele condições precárias etc. Já do ponto de destinado aos outros estudantes, ou seja, vista sociocultural, apresentam os mesmos conteúdos estudados nos características bastante heterogêneas, cursos superiores são simplificados e pois trazem consigo uma bagagem de abordados linearmente. A concepção que conhecimentos adquiridos ao longo de tem prevalecido na prática das escolas é histórias de vida bastante diversas. Um a passagem de um conjunto definido e homem agricultor, nos seus quarenta imutável de informações encadeadas do anos, por exemplo, apresenta ponto de vista da lógica do acúmulo de componentes culturais bem diversos de conhecimentos. Baseia-se na passividade um jovem trabalhador da construção dos estudantes que recebem informações civil. (Brasil, 1999, p. 22) codificadas como necessárias para o Embora de forma diversificada, jovens e sucesso nos exames e que permitem o adultos, a partir de sua própria vivência, prosseguimento dos estudos. São sabem relacionar causas e efeitos de conteúdos desprovidos de significado fenômenos naturais corriqueiros, sua para as experiências de vida e abordados regularidade em função do tempo ou de de forma fragmentada. Permanecem outras condições, sabem fazer funcionar desvinculados dos jovens e adultos, vários aparelhos e objetos que são portanto, não constituindo instrumentos produtos da tecnologia, reconhecem as para sua inserção participativa nas condições de funcionamento do seu mudanças do mundo contemporâneo. próprio corpo, identificam uma O ENCCEJA baseia-se em concepções de variedade de seres vivos em seus aprendizagem que se opõem a essas ambientes, selecionam materiais em desenvolvidas nas últimas décadas no função da sua utilidade, interpretam Brasil e no mundo. informações básicas sobre a preservação Desde os anos 1960, é forte a crítica à da saúde e da vida. Ainda que esparsos e, aprendizagem mecânica e repetitiva de muitas vezes, desarticulados, são saberes Ciências, dada a ineficácia de seus que devem ser levados em conta para resultados. As propostas educacionais e sua aprendizagem de ciências. curriculares dos últimos vinte anos, O PAPEL DA APRENDIZAGEM elaboradas por educadores que refletem NA AVALIAÇÃO sobre a prática pedagógica, consideram que aprender significa compreender e, para O Encceja é um instrumento de isso, é condição indispensável estabelecer avaliação, um momento especial no relações significativas com novos processo de formação de jovens e conteúdos a partir do que já se sabe. Além adultos que realizam experiências de disso, essas propostas apontam para o aprendizagem de forma independente cuidado com a aprendizagem superficial daquela oferecida pela educação regular, dos conceitos, se não se levarem em conta embora nela se apóiem em termos outras variáveis, como as afetivas e sociais. curriculares e de materiais didáticos. 111 IntrodutÛrio - 1.pmd 111 10/7/2003, 15:13
  • 114. Documento Básico - Livro Introdutório - Ciências Ensino Fundamental De acordo com os PCN para Ciências científicos, desenvolvidos Naturais (Brasil, 1998), para pensar sobre concomitantemente a valores, atitudes e o currículo e sobre o ensino de Ciências procedimentos (ou habilidades), sendo Naturais o conhecimento científico é uma alternativa à visão acumulativa de fundamental, mas não suficiente. É conteúdos estratificados. essencial considerar o desenvolvimento CONTEÚDOS DO ENCCEJA cognitivo dos estudantes, relacionado às Em conformidade com a concepção de suas experiências, sua idade, sua identidade cultural e social, e os aprendizagem ativa do estudante que deve ser sujeito de seu próprio processo de diferentes significados e valores que as conhecimento, exames de avaliação não Ciências Naturais podem ter para eles, para que a aprendizagem seja devem ter como meta a aferição da capacidade de memorização de conteúdos significativa. (ibid., p.27) ou de operação de meros raciocínios O que se coloca, atualmente, como lógicos sobre conteúdos sem significado. O preocupação central para a aprendizagem, ENCCEJA estabelece, assim, como objetos é que os conteúdos de Ciências Naturais de avaliação as competências e habilidades necessitam ser organizados em torno de desenvolvidas pelos estudantes, a partir de problemas concretos, próximos dos conteúdos científicos contextualizados em estudantes, e que sejam relevantes para suas vivências, permitindo compreensão sua vida pessoal e comunitária. Além ampla dos fenômenos naturais e das disso, é necessário selecionar um número produções tecnológicas. limitado de conceitos, levar em conta a Contextualizar os conteúdos de Ciências aquisição de procedimentos e atitudes não significa usar os exemplos do para interpretar os fenômenos de forma cotidiano, da vida e do mundo para mais criteriosa do que o pensamento cotidiano, provocar contínuas reflexões ilustrar o conhecimento científico, mas, ao contrário, significa lançar mão do sobre as concepções envolvidas na conhecimento científico acumulado para interpretação dos fenômenos e criar um ambiente de respeito e de valorização das compreender os fenômenos naturais, conhecer o mundo, o ambiente, para experiências de jovens e adultos para sua compreender o próprio corpo, a dinâmica aprendizagem, o que facilita a motivação, o aprofundamento, a autonomia e a auto- da natureza, do céu, da Terra... estima. Assim, tem-se fortalecido muito a São valorizados os conteúdos necessários importância do contexto para a para que os cidadãos interpretem as aprendizagem, de modo que o conteúdo transformações do ambiente e ampliem faça sentido para o estudante. Para sua compreensão sobre as condições oferecer contexto ao estudo de necessárias para a saúde e a sexualidade, determinado assunto, conjuntos de no âmbito individual e coletivo. São conteúdos são organizados em temas de questões do ambiente e da saúde trabalho que, conforme a Proposta fortemente vinculadas ao Curricular para a Educação de Jovens e desenvolvimento econômico-social e que Adultos (2002, p. 93), são contextos consideram a não-degradação do planeta, aglutinadores de fatos e conceitos nas quais são valorizadas mudanças nos 112 IntrodutÛrio - 1.pmd 112 10/7/2003, 15:13
  • 115. III. A área de ciências da natureza no ENCCEJA modos de produção e de consumo no sumários de livros de Ensino sentido ético para as interações entre o ser Fundamental, de Ensino Médio, de humano e a natureza. graduação de áreas biológicas ou pós- É necessário estabelecer relações entre graduação. Mas o que se pretende em os recursos minerais e energéticos, os cada segmento? O que é levado em combustíveis, as matas, os ciclos de conta sobre as necessidades dos materiais e os seres vivos, para que as estudantes para aprendizagem sobre intervenções humanas, no ambiente, células no ensino fundamental? Em vez ocorram de forma a não o depredar, de se considerar as células como o como base do desenvolvimento objeto de estudo, é mais significativo sustentável. Devem ser desenvolvidos abordar a existência e a variedade de argumentos para mudanças nos modos células no contexto do funcionamento de consumo, valorizando-se as atitudes dos organismos, na importância da sua individuais e coletivas adequadas em descoberta somente após a invenção do relação aos materiais consumidos nos microscópio ou na fecundação das alimentos, no vestuário, na construção células reprodutoras. de casas, nos transportes e aqueles Considera-se, também, que, no decorrer descartados no lixo. da história da humanidade, teorias e Em relação à saúde, são privilegiadas as conceitos científicos aceitos por muitos atitudes responsáveis e solidárias no anos são revistos ou superados a partir de sentido da expansão das condições de novos conhecimentos; outros são saúde física, mental e ambiental, ampliados ou até mesmo retomados. através: da compreensão das bases de Atualmente, a Ciência é concebida como uma alimentação adequada; da co- um corpo de conhecimentos que se responsabilidade na procriação e nos desenvolve e dirige a investigação métodos anticoncepcionais para científica, estando em perpétua revisão e homens e mulheres; da prevenção de reconstrução. Isso confere à Ciência um AIDS e outras doenças e das condições caráter dinâmico, ainda na atualidade, humanas de trabalho e moradia. quando grande parte do conhecimento produzido é divulgada com uma Esses conteúdos estão selecionados em velocidade impressionante, quase função dos interesses e necessidades dos instantânea. A Ciência é, também, uma jovens e adultos, lembrando, ainda, que forma de resolver problemas, um eles estão inseridos em uma sociedade empreendimento coletivo que segue que faz exigências que precisam ser metodologias variadas, uma atividade que compreendidas de forma consciente. se desenvolve a cada momento histórico, Além disso, os conteúdos consideram os envolvida e contaminada por seus estudantes e os diferentes segmentos de valores, sujeita a interesses sociais e ensino, preocupação que não está particulares, dificilmente mantendo-se presente em muitos materiais didáticos neutra. Disto decorre o reconhecimento de Ciências. Por exemplo, se de que é necessário, permanentemente, considerarmos apenas um tópico – as buscar-se o conhecimento e, sobretudo, células – podemos encontrá-lo em de que aprender a buscar o conhecimento 113 IntrodutÛrio - 1.pmd 113 10/7/2003, 15:13
  • 116. Documento Básico - Livro Introdutório - Ciências Ensino Fundamental científico (nos livros, nos jornais, em tema abordado, perpetuando, ainda que biblioteca ou na Internet) é uma inadvertidamente e com intenções competência importante a ser totalmente contrárias, a condição de desenvolvida por quem aprende Ciências. ignorância e impedindo uma Esses são alguns dos pressupostos que participação efetiva do cidadão na estão expressos nas competências e resolução de algum problema. habilidades do Encceja. São escolhas Por exemplo, para se avaliar a que mudam o foco da abordagem dos necessidade da construção de uma conceitos científicos relativizados em usina com energia nuclear, pode-se função das prioridades a serem supor que seja necessário abordar o avaliadas, embora sejam fundamentais fenômeno das reações de fissão no para a compreensão de temas relevantes núcleo atômico com conseqüente do ponto de vista social e para o liberação de energia e as conseqüentes desenvolvimento do estudante. degenerações ao nível dos genes, o que A questão do rigor nos conceitos da é totalmente inadequado para o Ensino Ciência é muito complexa e, ainda Fundamental. Pode-se supor, por outro pouco amadurecida, principalmente lado, que basta comparar a usina para o Ensino Fundamental. Muitas nuclear a uma termelétrica a carvão, vezes coloca-se o dilema: como em termos da quantidade de energia abordar, nas avaliações, temas gerada, para a compreensão do relevantes do ponto de vista social e de problema. Seria mais adequado e compreensão do mundo, se são possível ao estudante do Ensino necessárias compreensões de conceitos Fundamental avaliar as várias fontes de complexos? Para responder a esse energia da região da usina, a dilema, as contradições são muitas, de necessidade de energia adicional, as várias ordens, e demonstram quantidades de energia geradas por perspectivas diferentes de educadores diversos meios e as conseqüências de em relação ao estudante. De um lado, os reações nucleares no organismo educadores que privilegiam o rigor, a humano e dos demais seres vivos da qualquer custo, colocam os estudantes região, identificando diferenças entre em plano subalterno aos conceitos. Isso acidentes que geram queimaduras e determina seleção a priori daqueles aqueles que geram doenças ou poucos estudantes que, por diversas mutações degenerativas que serão razões, conseguem compreendê-los da passadas aos descendentes. Tudo isso forma mais correta, segundo o ampliaria seus conceitos de fontes de conhecimento mais atualizado. Por energia, de reações nucleares e de outro lado, os educadores que se processos genéticos, não sendo animam com os progressos dos necessário compreender a teoria estudantes nas relações que atômico-molecular e a estrutura dos estabelecem, mesmo que seja genes, o que é adequado somente a consolidando conceitos errôneos, partir do Ensino Médio. podem comprometer a compreensão do Nesse sentido, a alternativa mais adequada para o Ensino Fundamental é 114 IntrodutÛrio - 1.pmd 114 10/7/2003, 15:13
  • 117. III. A área de ciências da natureza no ENCCEJA aquela que considera o estudante em químicas na medida da necessidade aproximação ao rigor, abordando para a compreensão de fenômenos do conceitos em vários contextos e de cotidiano, e não para descrever os variadas formas, apontando caminhos elementos da tabela periódica. em direção ao rigor, mas sem chegar até A MATRIZ DE CIÊNCIAS ele. Isso não significa baratear, NATURAIS DO ENCCEJA caricaturar ou vulgarizar os conceitos, A matriz de Ciências Naturais do mas sim saber que o caminho até se chegar ao rigor é longo e árduo. Essa Encceja traduz seus objetivos da aprendizagem em competências questão ilustra e corrobora a opção do cognitivas gerais e aplicadas a Encceja pela matriz de competências e habilidades. Assim, são privilegiados diferentes conteúdos científicos. Em cada competência, as habilidades como aspectos importantes: explicitam aspectos particulares. • a abordagem dos seres vivos O desdobramento das várias relacionados aos ambientes em que competências em habilidades significa a vivem, utilizando a classificação articulação entre os saberes científicos biológica como referência para a diversos, que incluem: informações e compreensão da diversidade e das conceitos envolvidos em fenômenos características adaptativas e não como naturais e tecnológicos; procedimentos objeto em si mesmo; para relacionar informações e construir • o corpo humano em suas relações conceitos a partir de variadas com outros seres vivos e com as linguagens (imagens, esquemas, tabelas, questões de alimentação, saúde e gráficos, diferentes tipos de texto...); sexualidade, abordando os sistemas de análises de problemas e propostas para funcionamento necessários para a cotejar custos e benefícios em favor da compreensão dos temas, e não um promoção da saúde coletiva e do conjunto de aparelhos que funcionam desenvolvimento sustentável; de forma autônoma; valorização de propostas solidárias. • a abordagem das transformações e Claro que é difícil corresponder à grande dos fenômenos físicos, seus elementos diversidade de interesses, percursos e suas manifestações em produtos da escolares, pontos de partida e contextos tecnologia e em outras situações do de alunos de um universo tão abrangente cotidiano (incluindo o conhecimento e diferenciado como é o público da EJA. do Universo), utilizando fórmulas O exame organiza os conteúdos em torno matemáticas quando forem de situações concretas, próximas e necessárias para a compreensão do relevantes para a vida pessoal e fenômeno e do mundo, e não ao comunitária do cidadão; propõe a contrário; investigação de problemas através de • transformações químicas e o procedimentos e atitudes científicas, e, comportamento de substâncias, ainda, de formas criteriosas para se utilizando nomes populares, traduzidos interpretar os fenômenos naturais e os em nomes científicos e fórmulas produtos tecnológicos do cotidiano. 115 IntrodutÛrio - 1.pmd 115 10/7/2003, 15:13
  • 118. Documento Básico - Livro Introdutório - Ciências Ensino Fundamental As competências e habilidades de jovens e adultos, por outro lado, pode expressam, na matriz, um caráter geral, ser compreendida com alguma compatível com princípios de facilidade, pois eles já têm maior interdisciplinaridade em relação às vivência da passagem do tempo. Não se ciências naturais, como a física, a espera que os estudantes resolvam química, a biologia, a geologia, e de controvérsias históricas, mas que contextualização em relação à realidade comecem a pensar na evolução social de histórica, social e econômica, alguns problemas científicos, analisando considerando-se a efetiva relação dos diferentes explicações que tiveram em cidadãos da EJA com o mundo do diferentes épocas, dependendo do tipo trabalho. Nesse sentido, o tema de sociedade, das condições econômicas, específico do trabalho, em suas relações do regime político, das crenças com as tecnologias e a vida, é religiosas. Espera-se que comecem a especificamente tratado. As valorizar mais as perguntas e que competências são aprendizados relativizem melhor as verdades construídos, que só assim se revelam científicas. É necessário que os (isto é, como aprendizagem) quando estudantes aproximem-se da idéia de que aquele que aprendeu é capaz de a Ciência é um processo em contínua mobilizar os conhecimentos em uma evolução e construção, gerado a partir de situação real. É por essa razão (porque problemas que mostram uma busca só se aprende e só se percebe o constante para a interpretação do aprendido na situação) que o contexto e mundo, o que evidencia a grandeza a interdisciplinaridade são essenciais. desse empreendimento humano. As competências em Ciências Naturais 2. Compreender conhecimentos são as que se seguem. científicos e tecnológicos como meios 1. Compreender a ciência como para suprir necessidades humanas, atividade humana, histórica, associada a identificando riscos e benefícios de suas aspectos de ordem social, econômica, aplicações. política e cultural. É muito importante perceber os riscos e A história da Ciência contribui para os benefícios das práticas científico- explicitar sua dimensão humana e tecnológicas, desenvolvendo uma entender seu envolvimento com opinião cada vez mais fundamentada a interesses pessoais, políticos, éticos e respeito da utilização de determinadas culturais; amplia a compreensão dos tecnologias, inclusive podendo optar conteúdos científicos e lhes dá conscientemente por elas. significado. Não se trata de apresentar Sem dúvida, os avanços da ciência e da uma caricatura da história da Ciência, tecnologia, especialmente nos dois mas uma proposição transversal que séculos passados, foram extraordinários, contextualiza vários conhecimentos trazendo inúmeros benefícios para a científicos. Se, por um lado, a história da humanidade. Mas, ao mesmo tempo em Ciência não é um conteúdo que que ocorrem tantas transformações e o normalmente faz parte da cultura geral mundo avança, essas mesmas conquistas trazem novos problemas. 116 IntrodutÛrio - 1.pmd 116 10/7/2003, 15:13
  • 119. III. A área de ciências da natureza no ENCCEJA Nesse sentido, espera-se que o 4. Compreender a saúde como bem estudante seja capaz de perceber as pessoal e ambiental que deve ser vantagens e desvantagens dos promovido por meio de diferentes conhecimentos científicos e suas agentes, de forma individual e coletiva. aplicações, seus benefícios e riscos, Saúde é um bem pessoal e ambiental que analisando e considerando o deve ser promovido por meio de diferentes envolvimento de inúmeras variáveis e agentes, de forma individual e coletiva. Há pontos de vista. Ou seja, pretende-se diferentes dimensões da saúde, além da que ele seja capaz de identificar pontos prevenção e tratamento de doenças, como positivos e negativos em diferentes uma alimentação adequada, educação, contextos nos quais os conhecimentos habitação, condições de saneamento e científicos são aplicados. instalações domésticas, um bom ambiente 3. Compreender a natureza como um de trabalho seguro e saudável, lazer e sistema dinâmico e o ser humano, em divertimento. sociedade, como um de seus agentes de Questões relacionadas com a segurança transformações. do trabalhador e com possíveis ações A visão imutável do ambiente é contrária solidárias para melhoria das condições à natureza dinâmica dos ecossistemas, de vida são temas que permitem ao que pode ser compreendida pela cidadão rever o seu papel na conquista existência de relações entre todos os seres e manutenção de sua saúde e daqueles vivos (inclusive o ser humano) e os que o cercam. demais componentes da natureza, tendo 5. Compreender o próprio corpo e a em vista o equilíbrio dos sistemas naturais sexualidade como elementos de e a continuidade da vida na Terra. realização humana, valorizando e Espera-se, portanto, que o estudante seja desenvolvendo a formação de hábitos capaz de compreender que os seres vivos de autocuidado, de auto-estima e de constituem-se como populações diversas respeito ao outro. em diferentes ambientes, interagindo Essa competência privilegia o entre si e com os outros elementos, estabelecimento das relações entre as como ar, solo, água, e se relacionam com funções e os processos do corpo, nos fatores variados, como: umidade, quais as estruturas e seus nomes não insolação, calor, luz, som, vários tipos de são um objeto de estudo em si mesmas, poluição e contaminação, tendo mas localizam onde tudo isso acontece. características próprias que lhes A concepção é do corpo humano como conferem vantagem adaptativa. um sistema integrado que interage com Além disso, pretende-se que o estudante o ambiente refletindo a história de vida compreenda que as intervenções do ser do sujeito. A alimentação criteriosa, os humano implicam alterações nos cuidados médicos e a adição de ambientes, tomando consciência da medicamentos são atitudes de cuidado importância de atitudes que visem à com o próprio corpo que podem ser conservação dos ecossistemas no determinantes na manutenção da aproveitamento sustentável dos seus saúde. recursos materiais e energéticos. 117 IntrodutÛrio - 1.pmd 117 10/7/2003, 15:13
  • 120. Documento Básico - Livro Introdutório - Ciências Ensino Fundamental • Esta concepção redimensiona a vezes, confundem-se com as próprias discussão da sexualidade humana e pesquisas. Apesar disso, são constantes das questões de gênero. Assim, deve- na prática científica procedimentos de se levar em conta que tão importante observação, de experimentação, de quanto a explicação biológica dos elaboração de hipóteses, de comparação sistemas reprodutores e dos métodos e busca de critérios nos resultados. anticoncepcionais é o exame da Deve-se considerar que diagnosticar diversidade de valores, crenças e problemas, elaborar perguntas e pensar comportamentos relativos à em hipóteses, buscando-se solução para sexualidade. problemas identificados, são tarefas 6. Aplicar conhecimentos e tecnologias cotidianas para cidadãos adultos, ainda associadas às ciências naturais em que, muitas vezes, não se saiba nomear diferentes contextos relevantes para esses procedimentos. a vida. 8. Compreender o Sistema Solar em sua É importante reconhecer a Ciência, como configuração cósmica e a Terra em sua atividade humana e empreendimento constituição geológica e planetária. social, e o cientista, como trabalhador, Compreender o Universo, projetando-se situados em um mundo real, concreto e para além do horizonte terrestre, para historicamente determinado. dimensões maiores de espaço e de São muitas as interações diárias que se tempo, pode nos dar novo significado têm na vida e no trabalho com produtos aos limites do planeta Terra, de nossa utilizados para a alimentação, higiene, existência no cosmos, ao passo que, limpeza, cura de doenças. Exercitando paradoxalmente, as várias esta competência, os estudantes transformações que ocorrem em nosso trabalhadores podem identificar e planeta e as relações entre os vários comparar diferentes materiais e componentes do ambiente terrestre produtos, analisar seu impacto no podem dar a dimensão da nossa enorme trabalho e no consumo e sua relação responsabilidade pela biosfera, nosso com a qualidade de vida, o meio domínio de vida, fenômeno ambiente e a saúde, identificando aparentemente único no Sistema Solar, problemas e possíveis soluções. ainda que se possa imaginar outras 7. Diagnosticar problemas, formular formas de vida fora dele. questões e propor soluções a partir de A estrutura interna da Terra é dinâmica, conhecimentos das ciências naturais em originando vulcões, terremotos e diferentes contextos. distanciamento entre os continentes, o As diferentes Ciências utilizam-se de que altera constantemente o relevo e a diferentes métodos de investigação, composição das rochas e da atmosfera. sendo impreciso definir as etapas de um Portanto, as paisagens, tais como as método científico único e igualmente percebemos, representam apenas um significativo para todas as Ciências e momento dentro do longo e contínuo suas diferentes abordagens. Muitas processo de transformação pelo qual metodologias vão sendo criadas, às passa a Terra, em uma escala de tempo 118 IntrodutÛrio - 1.pmd 118 10/7/2003, 15:13
  • 121. III. A área de ciências da natureza no ENCCEJA de muitos milhares, milhões e bilhões mudanças nas relações entre os seres de anos: é a escala de tempo geológico, vivos e à alteração dos recursos e ciclos como é hoje conhecida. É necessário naturais. Ao abordar os limites desses compreender a possibilidade de recursos e as alterações nos intervenção humana nas catástrofes e ecossistemas, deve-se analisar o futuro nas modificações das paisagens, no do planeta, da vida, e a necessidade de sentido solidário e de preservação/ planejamento a longo prazo. recuperação de ambientes. Para um cidadão atuante em seu meio, é 9. Reconhecer na natureza e avaliar a necessário reconhecer que os desgastes disponibilidade de recursos materiais e ambientais estão ligados ao energéticos e os processos para sua desenvolvimento econômico que se obtenção e utilização. relacionam a fatores políticos e sociais. São muitas as conexões entre Ciências É necessário, também, discutir as bases Naturais, Tecnologia e Meio Ambiente, para um desenvolvimento sustentável, compreendidas não apenas em seus analisando as soluções tecnológicas componentes físicos e biológicos mas possíveis na agricultura, no manejo também na dinâmica social, cultural e florestal, na diminuição do lixo, na histórica. É importante reconhecer o ser . reciclagem de materiais, na ampliação humano como parte integrante da do saneamento básico ou no controle de natureza e relacionar sua ação às poluição. BIBLIOGRAFIA BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Programa de desenvolvimento profissional continuado: parâmetros em ação: educação de jovens e adultos. Brasília, DF: MEC, 1999. ______. Proposta Curricular para a Educação de Jovens e Adultos: 5ª a 8ª série. : Brasília, DF: MEC, 2002. 3 v. ______. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental. Brasília, DF: MEC, 1998. 9 v. NIEDA, J.; MACEDO, B. Un currículo científico para estudiantes de 11 a 14 años. Madri, Esp: Unesco, 1997. 119 IntrodutÛrio - 1.pmd 119 10/7/2003, 15:13
  • 122. 120 IntrodutÛrio - 1.pmd 120 10/7/2003, 15:13
  • 123. III. A área de ciências da natureza no ENCCEJA ÁREA 4 - Ciências da Natureza e suas Tecnologias - Ensino Médio Ghisleine Trigo Silveira Nas últimas décadas, as Ciências da particularmente na área da saúde – cujos Natureza impregnaram a vida social e a conhecimentos, ou ausência deles, têm vida dos cidadãos de tal forma que não impactos consideráveis na sua vida há possibilidade de decodificar a cultura pessoal – e também na área das questões contemporânea sem o aporte de seus energéticas, indiscutivelmente relevantes 4 conhecimentos. Esse fato tem na esfera de sua vida socioeconômica . funcionado como o argumento diante Embora tradicionalmente a escola média do qual todos se curvam: a reserve espaço considerável aos universalização da cultura científica e conteúdos de anatomia e fisiologia tecnológica é uma questão de humanas, quantos alunos conseguem cidadania. interferir adequadamente em acidentes Paralelamente, estudos têm mostrado, cada vez mais comuns, como asfixia, com uma certa regularidade, que o alergia, desmaio, fraturas? Quantos saber científico “passa mal” (Giordan, decifram um rótulo de alimento, 2000), isso porque ou ele permanece selecionando o mais conveniente a uma como algo externo às pessoas, tendendo determinada circunstância? Quantos a ser facilmente esquecido, ou, conseguem decifrar uma conta de luz e principalmente, porque raramente é útil, optar por soluções domésticas que ou seja, não chega a ser mobilizado na reduzam o consumo de eletricidade? prática da vida cotidiana. Quantos conseguem decifrar as informações de um manual de aparelho Tais pesquisas sugerem ainda que, na área eletrodoméstico? Quantos têm clareza do ensino de Ciências da Natureza, vive- sobre as vantagens e os impactos se uma estranha contradição: embora a ambientais associados à tecnologia? sociedade se “cientificize” cada vez mais, Quantos conseguem colocar em prática as a população escolarizada carece ainda de estratégias mais adequadas à preservação uma autêntica cultura científica, 4 A este respeito, Giordan (2000) relata inúmeros casos nos quais as explicações de alunos para o funcionamento do seu corpo são basicamente as mesmas, independentemente de sua escolaridade (primária ou superior). O mesmo acontece quando se trata de explicar fenômenos físicos bastante comuns no cotidiano das pessoas, tais como, a geração e transmissão de energia, o aproveitamento doméstico da eletricidade, o funcionamento de aparelhos, entre outros fenômenos. 121 IntrodutÛrio - 1.pmd 121 10/7/2003, 15:13
  • 124. Documento Básico - Livro Introdutório - Ensino Médio Ciências da Natureza e suas Tecnologias ambiental? Em outras palavras, vivemos para que as pessoas possam se em uma sociedade eficiente e relacionar mais adequadamente com a extremamente rápida para produzir natureza, com o seu corpo, com o conhecimentos e tecnologia, mas que planeta e com a cultura contemporânea; ainda enfrenta dificuldades para espera-se, ainda, que elas se assegurar que a ciência que se aprende familiarizem com a metodologia na escola contribua para situar os científica, fortalecendo uma atitude indivíduos no mundo científico e crítica e racional frente às situações, o tecnológico. que é fundamental para cidadãos Pode-se dizer que tal situação é bastante capazes de tomar suas próprias complexa e polêmica, embora haja uma decisões. certa unanimidade de que o ponto Segundo Nieda (1997), entre outros central desse dilema reside na maneira aspectos, o ensino de Ciências da como o aluno tende a ser envolvido no Natureza deve ter como preocupação processo de alfabetização científica. De um aluno que apresente: um lado, e em muitos casos, ele é o • a curiosidade frente a um fenômeno típico “presente-ausente”: ele está lá, novo ou a um problema inesperado; mas raramente pode contar o que sabe • o interesse pelas questões relativas ao ou acredita saber e o que realmente é ambiente e sua conservação; necessário que ele saiba. Decodificar e articular essas duas realidades – eis aí o • o espírito de iniciativa e de tenacidade; desafio que a educação científica tem a • a confiança em si mesmo; resolver. Por outro lado, parece existir • o espírito crítico, que supõe não se um razoável consenso sobre o que se contentar com uma atitude passiva quer que o aluno saiba, ou seja, frente a uma “verdade revelada e privilegia-se a aquisição do saber inquestionável”; científico, o que corresponde a uma • a flexibilidade intelectual; aprendizagem de atitudes, de posturas e • o rigor metódico; de alguns grandes conceitos. Da mesma forma, não há muita controvérsia quanto • a habilidade para enfrentar as ao resultado concreto dessas situações de mudança; aprendizagens: o desenvolvimento da • o respeito pelas opiniões alheias, a criatividade, prontidão e flexibilidade argumentação na discussão das idéias e para o enfrentamento dos desafios de a adoção de posturas próprias em um uma sociedade em contínuo ambiente tolerante e democrático. desenvolvimento. No entanto, apesar da existência desse ENSINO DE CIÊNCIAS DA NATUREZA: EXPLICITANDO relativo consenso de que essas são as ATITUDES E POSTURAS competências que devem ser asseguradas aos alunos, a prática de sala de aula A despeito do fosso que se costuma tende a se orientar muito mais pelos abrir entre o discurso pedagógico e a conteúdos a serem abordados do que prática escolar, espera-se que os propriamente pelas competências que conhecimentos científicos contribuam tais conteúdos permitem desenvolver. 122 IntrodutÛrio - 1.pmd 122 10/7/2003, 15:13
  • 125. III. A área de ciências da natureza no ENCCEJA Esse desafio é antigo e conhecido: como Ou seja, atividades que envolvam os abandonar a lógica ditatorial das listas alunos em discussões coletivas. Isso intermináveis de conteúdos em favor do porque, segundo essas diretrizes que faz sentido para o aluno? Ao que curriculares, os alunos alcançam o parece, os Parâmetros Curriculares aprendizado em um processo complexo, Nacionais (PCN) optaram pela única saída de elaboração pessoal, para o qual o possível: tratar apenas do que se quer professor e a escola contribuem desenvolver, em termos de competências permitindo ao aluno comunicar-se, e habilidades – e não da explicitação de situar-se em seu grupo, debater sua “conteúdos” cognitivos. compreensão, aprender a respeitar e a fazer-se respeitar; dando-lhe UMA RELEITURA DOS PCN oportunidade de construir modelos DA ÁREA DECIÊNCIAS DA NATUREZA – explicativos, linhas de argumentação e PARÂMETROS PARA O ENSINO instrumentos de verificação de E PARA A AVALIAÇÃO contradições; criando situações em que Embora os PCN tratem especificamente o aluno é instigado ou desafiado a do ensino – e não propriamente de participar e questionar; valorizando as avaliação – o fato de terem optado pela atividades coletivas que propiciem a explicitação de competências e discussão e a elaboração conjunta de habilidades concorre para que sejam idéias e de práticas; desenvolvendo também um referencial básico quando se atividades lúdicas, nas quais o aluno trata de definir critérios de avaliação da deve-se sentir desafiado pelo jogo do aprendizagem. conhecimento e não somente pelos Com efeito, os PCN apresentam uma outros participantes. proposta capaz de responder às definições Portanto, a experimentação é legais da LDB/96 e às diretrizes valorizada, desde que permita ao aluno curriculares para o Ensino Médio a tomada de dados significativos, com detalhadas na Resolução CNE/98, que as quais possa verificar ou propor recomendam uma nova postura didática: hipóteses explicativas e, a necessidade de orientar o aprendizado preferencialmente, fazer previsões sobre para uma maior contextualização, uma outras experiências não realizadas. efetiva interdisciplinaridade e uma (Brasil, 1998 b) formação humana mais ampla, bem como A resolução de problemas é apontada uma maior relação entre teoria e prática como uma importante estratégia de no próprio processo de aprendizado. ensino, no entendimento de que o (CNE,1998a) confronto dos alunos com situações- Nesse sentido, postulam um problema compatíveis com os recursos “aprendizado ativo”, por meio do de que dispõem ou que são oferecidos a desenvolvimento de atividades eles permitem que eles: aprendam a significativas que avancem para além da desenvolver estratégias de observação, das medidas e da mera enfrentamento, planejando etapas, observância de “receitas” para estabelecendo relações, verificando “descobrir” princípios científicos. 123 IntrodutÛrio - 1.pmd 123 10/7/2003, 15:13
  • 126. Documento Básico - Livro Introdutório - Ensino Médio Ciências da Natureza e suas Tecnologias regularidades, fazendo uso dos próprios Em síntese, as Diretrizes Curriculares erros cometidos para buscar novas Nacionais para o Ensino Médio propõem alternativas; adquiram espírito de uma releitura do sentido tradicionalmente pesquisa, aprendendo a consultar, a atribuído aos conteúdos do ensino: são experimentar, a organizar dados, a informações, procedimentos e atitudes sistematizar resultados, a validar mas são também habilidades, soluções; desenvolvam sua capacidade competências e valores. Aliás, esta é uma de raciocínio, adquirindo autoconfiança clara opção por um aprendizado com e sentido de responsabilidade; e, caráter prático e crítico, que concorra para finalmente, ampliem sua autonomia e a construção de uma cultura mais ampla, capacidade de comunicação e de desenvolvendo nos educandos as argumentação. (Brasil, 1998 b) competências e habilidades necessárias Finalmente, deve-se reconhecer a para: impossibilidade de assegurar uma • a interpretação de fatos naturais; efetiva aprendizagem científica sem • a compreensão de procedimentos e que se leve em conta o conhecimento equipamentos do cotidiano social e prévio do aluno, considerando que o profissional; aprendizado da ciência é um processo • a articulação de uma visão do mundo de transição da visão intuitiva, de natural e social; senso comum ou de auto-elaboração, para a visão de caráter científico • o convívio harmônico com o mundo da informação; construída pelo aluno, como produto do embate de visões. (ibid., 1998 b). • o entendimento histórico da vida social e produtiva; Além de promover uma nova postura didática que recomenda a utilização de • a percepção evolutiva da vida, do uma grande variedade de linguagens e planeta e do cosmos. recursos, de meios e de formas de Neste cenário, o aprendizado disciplinar expressão, as diretrizes curriculares são em Biologia deve assegurar a enfáticas quanto à necessidade de compreensão da unidade da vida, o que introduzir novos e mais significativos implica a compreensão do surgimento e conteúdos, sendo que a tecnologia é, longe da evolução da vida nas suas diversas de qualquer outro, um conteúdo a ser formas, o entendimento dos necessariamente incorporado no Ensino ecossistemas atuais como resultado da Médio, numa perspectiva que ultrapasse o intervenção humana, de caráter social e 5 estágio de falar sobre ela. Assim, ao invés econômico, assim como dos ciclos de de recorrerem às tradicionais listas de materiais e fluxos de energia, bem como conteúdos, indicam critérios para a sua o entendimento do funcionamento do seleção. Conteúdos que tenham seu ponto organismo humano e de suas interações de partida no universo vivencial comum de com o meio físico, econômico e social. alunos e professores, da comunidade em No caso da Física, deve contribuir para geral; que permitam uma investigação do que os estudantes compreendam tanto a meio natural ou social real. 5 Além de assegurar que os alunos se familiarizem com determinados aparatos tecnológicos e reconheçam as inegáveis contribuições da tecnologia para a melhoria da qualidade de vida contemporânea, trata-se de que possam avaliar também os inúmeros problemas que ela acarreta. Desde a introdução de uma infinidade de produtos tecnológicos absolutamente dispensáveis no cotidiano das pessoas, ao impacto ambiental produzido 124 pelo descarte dos resíduos dessa “tecnologização”, até o fosso criando entre os que têm e os que não têm acesso às tecnologias – sejam pessoas ou países -, são questões que devem ser discutidas com os alunos de Ensino Médio. IntrodutÛrio - 1.pmd 124 10/7/2003, 15:13
  • 127. III. A área de ciências da natureza no ENCCEJA geração de energia nas estrelas ou o demais competências e habilidades da princípio de conservação que explica a área são classificadas em categorias que permanente inclinação do eixo de expressam competências e habilidades rotação da Terra relativamente ao seu específicas de Linguagens e Códigos e plano de translação, quanto a operação Ciências Humanas. de um motor elétrico ou de combustão Dessa maneira, a categoria interna, ou os princípios que presidem as representação e comunicação reúne modernas telecomunicações, os competências e habilidades em Ciência transportes, a iluminação e o uso clínico, e Tecnologia associadas à área de diagnóstico ou terapêutico das radiações. Linguagens e Códigos; por sua vez, a O estudo da Química, por sua vez, deve categoria contextualização sociocultural permitir que ela seja reconhecida nos e histórica reúne competências e alimentos e medicamentos, nas fibras habilidades em Ciência e Tecnologia têxteis e nos corantes, nos materiais de associadas a Ciências Humanas. construção e nos papéis, nos Não é demais conferir como os combustíveis e nos lubrificantes, nas Parâmetros Curriculares Nacionais embalagens e nos recipientes, classificam as competências e contribuindo para a utilização competente habilidades da área de Ciências da e responsável desses materiais e Natureza segundo essa tipologia. reconhecendo as implicações REPRESENTAÇÃO E COMUNICAÇÃO sociopolíticas, econômicas e ambientais 6 do seu uso. Desenvolver a capacidade de O fato é que o aprendizado das Ciências comunicação. da Natureza, mais do que pressupor a • Ler e interpretar textos de interesse interação entre os saberes disciplinares da científico e tecnológico. área, deve-se dar em estreita proximidade • Interpretar e utilizar diferentes formas com as demais áreas. Tarefa difícil, de representação (tabelas, gráficos, quando o desafio é ultrapassar o nível do expressões, ícones...). discurso e assegurar que esta proximidade • Exprimir-se, oralmente, com correção ocorra em situação de sala de aula, e clareza, usando a terminologia correta. especialmente se o viés da formação • Produzir textos adequados para relatar universitária fortalece a visão disciplinar – experiências, formular dúvidas ou como seria o esperado – pouco apresentar conclusões. enfatizando a necessária transposição didática dos saberes disciplinares que são • Utilizar as tecnologias básicas de trabalhados no Ensino Médio. redação e informação, como computadores. Neste particular, os Parâmetros Curriculares Nacionais lançam mão de • Identificar variáveis relevantes e uma estratégia bastante adequada: as selecionar os procedimentos necessários competências e habilidades específicas para a produção, análise e interpretação da área de Ciências da Natureza de resultados de processos e compõem a categoria investigação e experimentos científicos e tecnológicos. compreensão científica e tecnológica; as 6 Embora haja um documento específico para ensino de Matemática, deve-se registrar que é fundamental a contribuição dos conhecimentos matemáticos para a área de Ciências da Natureza, tanto sob o ponto de vista instrumental quanto sob o ponto de vista formativo. 125 IntrodutÛrio - 1.pmd 125 10/7/2003, 15:13
  • 128. Documento Básico - Livro Introdutório - Ensino Médio Ciências da Natureza e suas Tecnologias • Identificar, representar e utilizar o • Entender e aplicar métodos e conhecimento geométrico para procedimentos próprios das Ciências aperfeiçoamento da leitura, da Naturais. compreensão e da ação sobre a realidade. • Compreender o caráter aleatório e não • Identificar, analisar e aplicar determinístico dos fenômenos naturais conhecimentos sobre valores de variáveis, e sociais e utilizar instrumentos representados em gráficos, diagramas ou adequados para medidas, expressões algébricas, realizando previsão determinação de amostras e cálculo de de tendências, extrapolações e probabilidades. interpolações e interpretações. • Fazer uso dos conhecimentos da • Analisar qualitativamente dados Física, da Química e da Biologia para quantitativos representados gráfica ou explicar o mundo natural e para algebricamente relacionados a planejar, executar e avaliar contextos socioeconômicos, intervenções práticas. científicos ou cotidianos. • Aplicar as tecnologias associadas às INVESTIGAÇÃO E COMPREENSÃO Ciências Naturais na escola, no trabalho e em outros contextos Desenvolver a capacidade de questionar relevantes para sua vida. processos naturais e tecnológicos, identificando regularidades, apresentando CONTEXTUALIZAÇÃO SOCIOCULTURAL interpretações e prevendo evoluções. Compreender e utilizar a ciência, como Desenvolver o raciocínio e a capacidade elemento de interpretação e intervenção, de aprender. e a tecnologia como conhecimento • Formular questões a partir de sistemático de sentido prático. situações reais e compreender aquelas • Utilizar elementos e conhecimentos já enunciadas. científicos e tecnológicos para • Desenvolver modelos explicativos diagnosticar e equacionar questões para sistemas tecnológicos e naturais. sociais e ambientais. • Utilizar instrumentos de medição e de • Associar conhecimentos e métodos cálculo. científicos com a tecnologia do sistema produtivo e dos serviços. • Procurar e sistematizar informações relevantes para a compreensão da • Reconhecer o sentido histórico da situação-problema. ciência e da tecnologia, percebendo seu papel na vida humana em • Formular hipóteses e prever resultados. diferentes épocas e na capacidade • Elaborar estratégias de enfrentamento humana de transformar o meio. das questões. • Compreender as ciências como • Interpretar e criticar resultados a partir construções humanas, entendendo de experimentos e demonstrações. como elas se desenvolveram por • Articular o conhecimento científico e acumulação, continuidade ou ruptura tecnológico numa perspectiva de paradigmas, relacionando o interdisciplinar. desenvolvimento científico com a transformação da sociedade. 126 IntrodutÛrio - 1.pmd 126 10/7/2003, 15:13
  • 129. III. A área de ciências da natureza no ENCCEJA • Entender a relação entre o cotidiana. Nesse sentido, a avaliação desenvolvimento de Ciências Naturais e elaborada para a EJA tem como o desenvolvimento tecnológico e fundamento as competências cognitivas associar as diferentes tecnologias aos básicas relacionadas àquelas indicadas problemas que se propuser solucionar. pelos PCN, resultando nove competências • Entender o impacto das tecnologias para a área de Ciências da Natureza e suas associadas às Ciências Naturais, na sua Tecnologias no Ensino Médio. vida pessoal, nos processos de Embora as competências do ENCCEJA produção, no desenvolvimento do (INEP, 1998c) para o Ensino Fundamental conhecimento e na vida social. sejam bastante próximas às competências do ENCCEJA para o Ensino COMPETÊNCIAS DA ÁREA Médio, há diferenças que precisam ser DE CIÊNCIAS DA NATUREZA apontadas. Em primeiro lugar, embora o E SUAS TECNOLOGIAS PARA ENCCEJA do Ensino Médio privilegie A EDUCAÇÃO DE JOVENS uma concepção de área das Ciências da E ADULTOS DO ENSINO MÉDIO Natureza, há competências específicas O Parecer CEB nº 15/98 e a Resolução CEB para as disciplinas de Química, Física e nº 03/98 indicam que, no Ensino Médio, a Biologia, o que não acontece no Ensino Educação de Jovens e Adultos deverá Fundamental. Um outro ponto refere-se atender aos saberes das áreas curriculares ao destaque especial à compreensão do de Linguagens e Códigos, de Ciências da Sistema Solar que, no Ensino Natureza e Matemática, de Ciências Fundamental, é objeto de uma das nove Humanas e suas respectivas tecnologias. competências, o que não acontece no Isso posto, trata-se de ter clareza de que Ensino Médio. Finalmente, vale lembrar os alunos da EJA são diferentes dos que, enquanto no Ensino Fundamental a alunos do Ensino Médio regular. Aliás, compreensão do corpo e da sexualidade segundo o Parecer CEB nº 11/2000, eles integram uma competência específica, são jovens e adultos, muitos deles no Ensino Médio, esses mesmos aspectos trabalhadores, maduros, com larga foram incorporados à competência mais experiência profissional ou com ampla que se refere à saúde. Além dessas expectativa de (re)inserção no mercado diferenças, é óbvio que as situações de trabalho e com um olhar diferenciado apresentadas aos participantes do sobre as coisas da existência. ENCCEJA - Ensino Médio poderão ter um Ao que tudo indica, contemplar essa grau de complexidade maior que as diferença implica desenvolver a apresentadas aos participantes do necessária clareza quanto ao universo de ENCCEJA - Ensino Fundamental. vida dessa clientela. Quando a tarefa é 1. Compreender as ciências como avaliar alunos da EJA, mais do que essa construções humanas, relacionando o clareza, exige-se sensibilidade para desenvolvimento científico ao longo da privilegiar recortes temáticos, história com a transformação da procedimentos, problemas, competências sociedade. e habilidades que lhes sejam familiares e que agreguem qualidade à sua vida 127 IntrodutÛrio - 1.pmd 127 10/7/2003, 15:13
  • 130. Documento Básico - Livro Introdutório - Ensino Médio Ciências da Natureza e suas Tecnologias Embora a ciência seja apresentada ao 2. Compreender o papel das tecnologias estudante, em muitas circunstâncias, associadas às ciências naturais, nos como um conjunto de verdades processos de produção e no inquestionáveis, expressas em desenvolvimento econômico e social conhecimentos acabados e definitivos, contemporâneo. há um número considerável de Da mesma maneira que se espera que os publicações destinadas ao Ensino Médio educandos encarem a ciência como uma que a apresentam como uma atividade humana, é imperativo que “construção humana”. tenham compreensão semelhante a Para avaliar se o participante do respeito da tecnologia. ENCCEJA desenvolveu esta competência, Espera-se, portanto, que os estudantes ele será convidado a decodificar fases da possam esclarecer princípios gerais de evolução, ao longo do tempo, a dar tecnologias razoavelmente difundidas, diferentes explicações e/ou soluções para ressaltando seus benefícios e impactos, determinados problemas enfrentados também numa perspectiva histórica. pelo ser humano, sempre tendo como Assim, por exemplo, que mudanças contexto a história do desenvolvimento econômicas e sociais se associam ao das sociedades, ou seja, da política, da advento das máquinas a vapor? O que economia e da cultura. dizer do impacto do rádio ou da televisão Tomando-se como exemplo a evolução na vida moderna? Como os diferentes dos conhecimentos sobre a saúde e a conhecimentos sobre processos doença, algumas questões básicas biológicos foram (e ainda são) aplicados podem ser levantadas: como o homem na produção e conservação de alimentos? encarou a doença ao longo do tempo? 3. Identificar a presença e aplicar as Como se protegeu dela, antes da tecnologias associadas às ciências naturais “descoberta” dos micróbios? Qual o em diferentes contextos relevantes para “caminho” percorrido pela ciência desde sua vida pessoal, como casa, escola e a descoberta dos micróbios até a trabalho. produção das vacinas? E da produção Assegurada a compreensão do papel das das vacinas à prevenção das doenças? tecnologias na vida produtiva e Qual o impacto das vacinas na melhoria 7 econômica, o desafio é que os educandos da qualidade de vida? possam conhecer como algumas É claro que não se pretende que os tecnologias funcionam, por que foram estudantes demonstrem conhecimentos inventadas, quais suas contribuições, de História ou Filosofia da Ciência, mas limites e impactos ao meio ambiente. que possam demonstrar que têm uma Para avaliar esta competência, os visão “humanizada” das ciências, estudantes serão confrontados com conseguindo identificar interesses situações do cotidiano nas quais devem particulares, éticos, culturais e políticos reconhecer os conhecimentos científicos que estão (ou estiveram) envolvidos no “embutidos” em aparelhos, como o rádio, processo do desenvolvimento científico, o forno de microondas e em ao longo do tempo. medicamentos de uso corriqueiro, na 7 É necessário ter clareza de que estes e os demais exemplos foram incluídos apenas a título de ilustração de como as competências podem ser solicitadas aos participantes do ENCCEJA. Ainda que os temas tenham sido selecionados com base no critério da relevância e da sua presença no cotidiano das pessoas, há muitos outros assuntos que atendem também a esses mesmos critérios, razão pela qual insistimos que não podem ser 128 encarados como conteúdos que serão obrigatoriamente incluídos na referida avaliação. IntrodutÛrio - 1.pmd 128 10/7/2003, 15:13
  • 131. III. A área de ciências da natureza no ENCCEJA produção e conservação de alimentos, 5. Compreender organismo humano e entre tantos outros assuntos. Além desse saúde, relacionando conhecimento “reconhecimento”, devem demonstrar que científico, cultura, ambiente e hábitos são capazes de utilizar os conhecimentos ou outras características individuais. científicos para resolver questões do seu O cidadão brasileiro goza de saúde? cotidiano: Como usar determinado Como responder a esta pergunta a partir aparelho para assegurar melhor da “leitura” de alguns indicadores de performance e menor custo? Como saúde, comumente divulgados em jornais reconhecer agravos causados pela de ampla circulação? Quais complicações tecnologia? Como se proteger de riscos à pode enfrentar um trabalhador saúde gerados pelas diferentes submetido a substâncias tóxicas, tecnologias? radiações, excesso de ruído? Como atuar 4. Associar alterações ambientais a nos locais de trabalho para assegurar processos produtivos e sociais, e melhores condições de segurança? E o instrumentos ou ações científico- que fazer para proteger o organismo de tecnológicas à degradação e doenças sexualmente transmissíveis? preservação do ambiente. Fumar prejudica a saúde? Embora tecnologia seja, para muitos, Espera-se que o estudantes possa sinônimo de progresso e de bem-estar, é demonstrar essas competências, sempre fundamental que os participantes do em confronto com situações concretas, ENCCEJA possam problematizar mobilizando conhecimentos variados para processos produtivos mais amplos, resolvê-las – sobre o corpo, sobre o meio reconhecendo o seu impacto ambiental. ambiente, sobre matemática, entre outros. Para tanto, serão confrontados com 6. Entender métodos e procedimentos situações (textos, ilustrações, tabelas e/ próprios das ciências naturais e aplicá- ou gráficos) que relatem alterações los a diferentes contextos. ambientais, para que “reconheçam” os Quando se pretende que os estudantes conhecimentos de física, química e encarem as ciências como uma biologia nelas embutidos, bem como produção humana, pretende-se, sua interação com os processos igualmente, que compreendam que a produtivos e sociais mais amplos utilização de técnicas e processos para presentes na dinâmica ambiental. estabelecer e resolver problemas não é Assim, por exemplo, espera-se que os prerrogativa dos cientistas. Com estudantes decodifiquem situações efeito, toda vez que temos um como a extração de recursos minerais, a problema para resolver – um aparelho produção e o tratamento de lixo que deixou de funcionar, uma dor doméstico e industrial, a reciclagem de súbita em alguma parte do corpo, sem materiais, o desmatamento, entre tantas nenhuma razão aparente, chegar a um outras; além disso, que identifique os lugar da cidade pelo caminho mais impactos ambientais dessas práticas, curto – estamos usando bem como reconheçam propostas mais procedimentos científicos. viáveis para minimizá-los. 129 IntrodutÛrio - 1.pmd 129 10/7/2003, 15:13
  • 132. Documento Básico - Livro Introdutório - Ensino Médio Ciências da Natureza e suas Tecnologias Espera-se, portanto, que os estudantes físicos, entre outros, para explicá-las, estejam familiarizados com entender possíveis impactos, propor procedimentos próprios das ciências, o soluções, se for o caso. que não significa que se esteja fazendo 8. Apropriar-se dos conhecimentos da alusão a um único método científico. química para compreender o mundo Para tanto, serão desafiados a natural e para interpretar, avaliar e interpretar e sistematizar informações, planejar intervenções científico- ler gráficos, comparar hipóteses, tecnológicas no mundo contemporâneo. estabelecer relações entre dados, Trata-se de uma réplica da competência generalizar, entre outros procedimentos. anterior, porém o que se quer é avaliar Serão selecionadas, mais uma vez, se o estudante consegue mobilizar os situações do cotidiano nas quais tais conhecimentos químicos para procedimentos são efetivamente interpretar situações do cotidiano. O demandados: a “leitura” de resultado de que acontece, por exemplo, em um exame simples de sangue, a indústrias de transformação de decodificação de tabelas que aparecem minerais? Qual o possível impacto em jornais de grande circulação, as ambiental dessas indústrias e as formas informações de rótulos de alimentos, a de minimizar os danos ambientais que interpretação de um manual de aparelho elas causam? Como se dá a extração de eletrodoméstico, entre tantas outras petróleo? Como se obtêm os seus vários situações possíveis. subprodutos? Estes são apenas alguns 7. Apropriar-se dos conhecimentos da dos exemplos de problemas que os física para compreender o mundo natural alunos serão convidados a resolver, e para interpretar, avaliar e planejar mobilizando conhecimentos de química. intervenções científico-tecnológicas no Mais uma vez, deve ficar claro que não mundo contemporâneo. se trata de usar exemplos do cotidiano Espera-se que os estudantes, além de para ilustrar o conhecimento químico, dominar conteúdos de Física, possam mas de lançar mão dos conhecimentos “reconhecê-los” nas mais diversas químicos para compreender fenômenos situações. Como funciona um aparelho naturais, conhecer o ambiente, doméstico? Que procedimentos adotar reconhecer propostas mais adequadas quando se quer reduzir a contribuição de preservação ambiental. da geladeira ou do chuveiro na elevação 9. Apropriar-se dos conhecimentos da da conta de eletricidade? Como reduzir biologia para compreender o mundo o nível de ruído de uma residência ou natural e para interpretar, avaliar e de uma fábrica? Como avaliar o impacto planejar intervenções científico- de uma batida de automóvel a uma tecnológicas no mundo contemporâneo. certa velocidade? A exemplo das competências anteriores, Também, neste caso, os estudantes serão o estudante deverá mobilizar confrontados com situações do cotidiano e conhecimentos de disciplinas da área convidados a mobilizar conhecimentos Ciências da Natureza – neste caso, os de 130 IntrodutÛrio - 1.pmd 130 10/7/2003, 15:13
  • 133. III. A área de ciências da natureza no ENCCEJA Biologia – para decodificar o mundo Finalmente, é necessário enfatizar que natural e as tecnologias que têm por essas competências serão avaliadas base tais conhecimentos. através de situações que privilegiem Como interpretar a extrema diversidade conteúdos relevantes sob o ponto de de manifestações da vida no planeta? vista da vivência dos alunos, conteúdos Como reconhecer prováveis fatores de que digam respeito ao saber-fazer (ler desequilíbrio ambiental e propor textos diversos, gráficos, tabelas, intervenções para minimizá-lo? Estas, imagens, ilustrações, bulas, rótulos, entre inúmeras outras situações, serão propor intervenções, avaliar impactos), apresentadas aos participantes, sempre enfim, conteúdos que façam diferença – no sentido de convidá-los a resolver e para melhor – na vida concreta desses problemas que demandem a mobilização alunos. de conhecimentos biológicos. BIBLIOGRAFIA BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Ensino Médio e Tecnológico. Parâmetros Curriculares para o Ensino Médio. Brasília, DF: MEC, 1998. CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (Brasil). Câmara de Educação Básica. Parecer nº 15, de junho de 1998. Diretrizes Curriculares manuais para o ensino médio. Documenta, Brasília, DF, n. 441, p. 3-71. jun 1998. GIORDAN, A.; VECCHI, G. L’enseignement scientifique: comment faire pour que ça marche? Paris: Z’editions et Delagrave, 2000. INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS. ENEM – Exame nacional de ensino médio: documento básico. Brasília, DF, 1998. NIEDA, J.; MACEDO, B. Un currículo científico para estudantes de 11 a 14 años. Santiago, Chile: Unesco, 1997. 131 IntrodutÛrio - 1.pmd 131 10/7/2003, 15:13
  • 134. 132 IntrodutÛrio - 1.pmd 132 10/7/2003, 15:13
  • 135. IV. As matrizes que estruturam as avaliações 133 IntrodutÛrio - 1.pmd 133 10/7/2003, 15:13
  • 136. Documento Básico - Livro Introdutório Ensino Fundamental LÍNGUA PORTUGUESA, LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA, EDUCAÇÃO ARTÍSTICA E EDUCAÇÃO FÍSICA CI - Dominar a norma culta CII - Construir e aplicar da Língua Portuguesa e conceitos das várias áreas fazer uso das linguagens do conhecimento para a matemática, artística e compreensão de fenômenos científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. F1 - Reconhecer as H2 - Distinguir os diferentes linguagens como elementos H1 - Reconhecer as linguagens recursos das linguagens, integradores dos sistemas de como elementos integradores utilizados em diferentes comunicação e construir uma dos sistemas de comunicação. sistemas de comunicação e consciência crítica sobre os informação. usos que se fazem delas. F2 - Construir um conhecimento sobre a organização do texto em H6 - Inferir a função de um H7 - Identificar recursos LEM e aplicá-lo em texto em LEM pela verbais e não-verbais na diferentes situações de interpretação de elementos da organização de um texto em comunicação, tendo por sua organização. LEM. base os conhecimentos de língua materna. F3 - Compreender a arte e a cultura corporal como fato histórico contextualizado H12 - Identificar as mudanças/ nas diversas culturas, H11 - Identificar em permanências de padrões conhecendo e respeitando o manifestações culturais estéticos e/ou cinestésicos em patrimônio cultural, com elementos históricos e sociais. diferentes contextos históricos base na identificação de e sociais. padrões estéticos e cinestésicos de diferentes grupos socioculturais. 134 IntrodutÛrio - 1.pmd 134 10/7/2003, 15:13
  • 137. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, organizar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos relacionar, interpretar dados informações, representadas conhecimentos desenvolvidos e informações representados em diferentes formas, e para elaboração de propostas de diferentes formas para conhecimentos disponíveis de intervenção solidária na tomar decisões e enfrentar em situações concretas realidade, respeitando os situações-problema. para construir valores humanos e argumentação consistente. considerando a diversidade sociocultural. H3 - Recorrer aos H4 - Relacionar informações H5 - Posicionar-se conhecimentos sobre as sobre os sistemas de criticamente sobre os usos linguagens dos sistemas de comunicação e informação, sociais que se fazem das comunicação e informação considerando sua função linguagens e dos sistemas de para resolver problemas sociais social. comunicação e informação. e do mundo do trabalho. H9 - Identificar a função H8 - Atribuir um sentido H10 - Reconhecer os valores argumentativa do uso de previsível a um texto em LEM culturais representados em determinados termos e presente em situação da vida outras línguas e suas relações expressões de outras línguas social e do mundo do trabalho. com a língua materna. no Brasil. H15 - Posicionar-se H14 - Analisar, nas diferentes criticamente sobre os valores manifestações culturais, os H13 - Comparar manifestações sociais expressos nas fatores de construção de estéticas e/ou cinestésicas em manifestações culturais: identidade e de diferentes contextos. padrões de beleza, estabelecimento de diferenças caracterizações estereotipadas sociais e históricas. e preconceitos. 135 IntrodutÛrio - 1.pmd 135 10/7/2003, 15:13
  • 138. Documento Básico - Livro Introdutório Ensino Fundamental Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Educação Física e Educação Artística CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. F4 - Compreender as relações entre arte e a leitura da realidade, por meio da reflexão H16 - Identificar produtos e H17 - Reconhecer diferentes e investigação do processo procedimentos artísticos padrões artísticos, associando- artístico e do reconhecimento expressos em várias os ao seu contexto de dos materiais e procedimentos linguagens. produção. usados no contexto cultural de produção da arte. F5 - Compreender as relações entre o texto literário e o H21 - Identificar categorias H22 - Reconhecer os contexto histórico, social, pertinentes para a análise e procedimentos de construção político e cultural, interpretação do texto do texto literário. valorizando a literatura como literário. patrimônio nacional. F6 - Utilizar a língua H26 - Reconhecer temas, H27 - Identificar os elementos materna para estruturar a gêneros, suportes textuais, organizacionais e estruturais experiência e explicar a formas e recursos expressivos. de textos de diferentes realidade. gêneros. 136 IntrodutÛrio - 1.pmd 136 10/7/2003, 15:13
  • 139. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, organizar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos relacionar, interpretar dados informações, representadas conhecimentos desenvolvidos e informações representados em diferentes formas, e para elaboração de propostas de diferentes formas para conhecimentos disponíveis de intervenção solidária na tomar decisões e enfrentar em situações concretas realidade, respeitando os situações-problema. para construir valores humanos e argumentação consistente. considerando a diversidade sociocultural. H18 - Utilizar os H19 - Relacionar os sentidos conhecimentos sobre a relação H20 - Reconhecer a obra de de uma obra artística a entre arte e realidade para arte como fator de promoção possíveis leituras dessa obra, atribuir um sentido para uma dos direitos e valores em diferentes épocas. obra artística. humanos. H23 - Utilizar os H24 - Identificar em um texto H25 - Reconhecer a importância conhecimentos sobre a literário as relações entre do patrimônio literário para a construção do texto literário tema, estilo e contexto preservação da memória e da para atribuir-lhe um sentido. histórico de produção. identidade nacionais. H28 - Identificar a função H30 - Reconhecer a predominante (informativa, H29 - Relacionar textos a um importância do patrimônio persuasiva etc.) dos textos em dado contexto (histórico, lingüístico para a preservação situações específicas de social, político, cultural etc.). da memória e da identidade interlocução. nacionais. 137 IntrodutÛrio - 1.pmd 137 10/7/2003, 15:13
  • 140. Documento Básico - Livro Introdutório Ensino Fundamental Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Educação Física e Educação Artística CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. F7 - Analisar criticamente os diferentes discursos, H31 - Reconhecer em textos H32 - Identificar referências inclusive o próprio, os procedimentos de persuasão intertextuais. desenvolvendo a capacidade utilizados pelo autor. de avaliação de textos. F8 - Reconhecer e H37 - Identificar, em textos de H36 - Identificar, em textos de valorizar a linguagem de diferentes gêneros, as marcas diferentes gêneros, as seu grupo social e as lingüísticas (fonéticas, variedades lingüísticas sociais, diferentes variedades da morfológicas, sintáticas e regionais e de registro língua portuguesa, – semânticas) que singularizam (situações de formalidade e procurando combater o as diferentes variedades coloquialidade). preconceito lingüístico. sociais, regionais e de registro. F9 - Usar os conhecimentos adquiridos por meio da H41 - Reconhecer as H42 - Identificar os efeitos de análise lingüística para categorias explicativas básicas sentido que resultam da expandir sua capacidade de dos processos lingüísticos, utilização de determinados uso da linguagem, demonstrando domínio do recursos lingüísticos. ampliando a capacidade de léxico da língua. análise crítica. 138 IntrodutÛrio - 1.pmd 138 10/7/2003, 15:13
  • 141. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, organizar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos relacionar, interpretar dados informações, representadas conhecimentos desenvolvidos e informações representados em diferentes formas, e para elaboração de propostas de diferentes formas para conhecimentos disponíveis de intervenção solidária na tomar decisões e enfrentar em situações concretas realidade, respeitando os situações-problema. para construir valores humanos e argumentação consistente. considerando a diversidade sociocultural. H35 - Identificar em textos as H33 - Inferir as possíveis H34 - Contrapor marcas de valores e intenções intenções do autor marcadas interpretações de um mesmo que expressam interesses no texto. fato em diferentes textos. políticos, ideológicos e econômicos. H39 - Comparar diferentes H38 - Reconhecer no texto a variedades lingüísticas, H40 - Identificar a relação variedade lingüística adequada verificando sua adequação a entre preconceitos sociais e ao contexto de interlocução. diferentes situações de usos lingüísticos. interlocução. H45 - Reconhecer a H43 - Reconhecer H44 - Identificar em um texto importância da análise pressuposições e os mecanismos lingüísticos na lingüística na construção de subentendidos em um texto. construção da argumentação. uma visão crítica do texto. 139 IntrodutÛrio - 1.pmd 139 10/7/2003, 15:13
  • 142. Documento Básico - Livro Introdutório Ensino Médio LÍNGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. M1 - Aplicar as tecnologias da comunicação e da H2 - Identificar os diferentes informação na escola, no H1 - Reconhecer as linguagens recursos das linguagens, trabalho e em outros como elementos integradores utilizados em diferentes contextos relevantes para dos sistemas de comunicação. sistemas de comunicação e sua vida. informação. M2 - Conhecer e usar H7 - Identificar as marcas em língua(s) estrangeira(s) H6 - Reconhecer temas de um texto em LEM que moderna(s) como textos em LEM e inferir caracterizam sua função e seu instrumento de acesso a sentidos de vocábulos e uso social, bem como seus informações e a outras expressões neles presentes. autores/interlocutores e suas culturas e grupos sociais. intenções. M3 - Compreender e usar a H12 - Reconhecer as linguagem corporal como H11 - Identificar aspectos manifestações corporais de relevante para a própria positivos da utilização de uma movimento como originárias vida, integradora social e determinada cultura de de necessidades cotidianas de formadora da identidade. movimento. um grupo social. 140 IntrodutÛrio - 1.pmd 140 10/7/2003, 15:13
  • 143. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, organizar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos relacionar, interpretar dados informações, representadas conhecimentos desenvolvidos e informações representados em diferentes formas, e para elaboração de propostas de diferentes formas para conhecimentos disponíveis de intervenção solidária na tomar decisões e enfrentar em situações concretas realidade, respeitando os situações-problema. para construir valores humanos e argumentação consistente. considerando a diversidade sociocultural. H3 - Recorrer aos H4 - Relacionar informações H5 - Posicionar-se conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de sobre os sistemas de criticamente sobre os usos comunicação e informação para comunicação e informação, sociais que se fazem das considerando sua função linguagens e dos sistemas de explicar problemas sociais e do mundo do trabalho. social. comunicação e informação. H8 - Utilizar os conhecimentos H9 - Identificar e relacionar H10 - Reconhecer criticamente básicos da LEM e de seus informações em um texto em a importância da produção mecanismos como meio de LEM para justificar a posição cultural em LEM como ampliar as possibilidades de de seus autores e representação da diversidade acesso a informações, interlocutores. cultural. tecnologias e culturas. H13 - Analisar criticamente H15 - Reconhecer criticamente H14 - Relacionar informações hábitos corporais do cotidiano a linguagem corporal como veiculadas no cotidiano aos e da vida profissional e meio de integração social, conhecimentos relativos à mobilizar conhecimentos para, considerando os limites de linguagem corporal, se necessário, transformá-los, desempenho e as alternativas atribuindo-lhes um novo em função das necessidades de adaptação para diferentes significado. cinestésicas. indivíduos. 141 IntrodutÛrio - 1.pmd 141 10/7/2003, 15:13
  • 144. Documento Básico - Livro Introdutório - Linguagens, Códigos Ensino Médio e suas Tecnologias CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. M4 - Compreender a Arte H16 - Identificar, em como saber cultural e H17 - Reconhecer diferentes manifestações culturais estético gerador de funções da Arte, do trabalho e individuais e/ou coletivas, significação e integrador da produção dos artistas em elementos estéticos, históricos da organização do mundo seus meios culturais. e sociais. e da própria identidade. M5 - Analisar, interpretar e aplicar os recursos expressivos H22 - Distinguir as marcas das linguagens, relacionando H21 - Identificar categorias próprias do texto literário e textos com seus contextos, pertinentes para a análise e estabelecer relações entre o mediante a natureza, função, interpretação do texto literário texto literário e o momento de organização, estrutura das e reconhecer os procedimentos sua produção, situando manifestações, de acordo com de sua construção. aspectos do contexto as condições de produção e histórico, social e político. recepção. M6 - Compreender e usar os sistemas simbólicos das H27 - Identificar os elementos H26 - Reconhecer, em textos diferentes linguagens como que concorrem para a progressão de diferentes gêneros, temas, meios de organização temática e para a organização e macroestruturas, tipos, cognitiva da realidade pela estruturação de textos de suportes textuais, formas e constituição de significados, diferentes gêneros e tipos. recursos expressivos. expressão, comunicação e informação. 142 IntrodutÛrio - 1.pmd 142 10/7/2003, 15:13
  • 145. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, organizar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos relacionar, interpretar dados informações, representadas conhecimentos desenvolvidos e informações representados em diferentes formas, e para elaboração de propostas de diferentes formas para conhecimentos disponíveis de intervenção solidária na tomar decisões e enfrentar em situações concretas realidade, respeitando os situações-problema. para construir valores humanos e argumentação consistente. considerando a diversidade sociocultural. H20 - Reconhecer o valor da H18 - Utilizar os H19 - Analisar criticamente as diversidade artística e das conhecimentos sobre a relação diversas produções artísticas inter-relações de elementos arte e realidade, para analisar como meio de explicar que se apresentam nas formas de organização de diferentes culturas, padrões de manifestações de vários mundo e de identidades. beleza e preconceitos artísticos. grupos sociais e étnicos. H23 - Relacionar informações H24 - Analisar as intenções dos sobre concepções artísticas e autores na escolha dos temas, H25 - Reconhecer a presença de procedimentos de construção das estruturas, dos estilos, valores sociais e humanos do texto literário com os gêneros discursivos e recursos atualizáveis e permanentes no contextos de produção, para expressivos como patrimônio literário nacional. atribuir significados de leituras procedimentos argumentativos. críticas em diferentes situações. H28 - Analisar a função predominante (informativa, H30 - Reconhecer a persuasiva etc.) dos textos, em H29 - Relacionar textos ao seu importância do patrimônio situações específicas de contexto de produção/ lingüístico para a preservação interlocução, e as funções recepção histórico, social, da memória e da identidade secundárias, por meio da político, cultural, estético. nacional. identificação de suas marcas textuais. 143 IntrodutÛrio - 1.pmd 143 10/7/2003, 15:13
  • 146. Documento Básico - Livro Introdutório - Linguagens, Códigos Ensino Médio e suas Tecnologias CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. H32 – Relacionar, em H31 - Reconhecer, em textos diferentes textos, opiniões, M7 - Confrontar opiniões e de diferentes gêneros, recursos temas, assuntos, recursos pontos de vista sobre as verbais e não-verbais lingüísticos etc, identificando diferentes linguagens e suas utilizados com a finalidade de o diálogo entre as idéias e o manifestações específicas. criar e mudar comportamentos embate dos interesses e hábitos. existentes na sociedade. H36 - Identificar, em textos de H37 - Reconhecer, em textos M8 - Compreender e usar a diferentes gêneros, as de diferentes gêneros, as língua portuguesa como variedades lingüísticas sociais, marcas lingüísticas que língua materna, geradora de regionais e de registro, e singularizam as diferentes significação e integradora reconhecer as categorias variedades e identificar os da organização do mundo e explicativas básicas da área, efeitos de sentido resultantes da própria identidade. demonstrando domínio do do uso de determinados léxico da língua. recursos expressivos. princípios, M9 - Entender os princípios, natureza, a natureza, a função e o impacto das tecnologias da comunicação e da informação, na sua vida pessoal e social, no H41 - Reconhecer a função e o H42 - Identificar, pela análise desenvolvimento do impacto social das diferentes de suas linguagens, as conhecimento, associando-os tecnologias de comunicação e tecnologias de comunicação e aos conhecimentos informação. informação. científicos, às linguagens que lhes dão suporte, às demais tecnologias, aos processos de produção e aos problemas que se propõem solucionar. 144 IntrodutÛrio - 1.pmd 144 10/7/2003, 15:13
  • 147. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, organizar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos relacionar, interpretar informações, representadas conhecimentos desenvolvidos dados e informações em diferentes formas, e para elaboração de propostas representados de diferentes conhecimentos disponíveis de intervenção solidária na formas para tomar decisões em situações concretas realidade, respeitando os e enfrentar situações- para construir valores humanos e problema. argumentação consistente. considerando a diversidade sociocultural. H34 - Reconhecer no texto H33 - Inferir em um texto H35 - Reconhecer que uma estratégias argumentativas quais são os objetivos de seu intervenção social consistente empregadas para o produtor e quem é seu exige uma análise crítica das convencimento do público, público-alvo,pela identificação diferentes posições expressas tais como a intimidação, e análise dos procedimentos pelos diversos agentes sociais sedução, comoção, argumentativos utilizados. sobre um mesmo fato. chantagem, entre outras. H38 - Identificar pressupostos, H40 - Identificar a relação subentendidos e implícitos H39 - Analisar, em um texto, entre preconceitos sociais e presentes em um texto ou os mecanismos lingüísticos usos da língua, construindo, a associados ao uso de uma utilizados na construção da partir da análise lingüística, variedade lingüística em um argumentação. uma visão crítica sobre a contexto específico. variação social e regional. H43 - Associar as tecnologias H44 - Relacionar as H45 - Reconhecer o poder das de comunicação e de tecnologias de comunicação e tecnologias de comunicação informação aos conhecimentos informação ao como formas de aproximação científicos, aos processos de desenvolvimento das entre pessoas/povos, produção e aos problemas sociedades e ao conhecimento organização e diferenciação sociais. que elas produzem. social. 145 IntrodutÛrio - 1.pmd 145 10/7/2003, 15:13
  • 148. Documento Básico - Livro Introdutório Ensino Fundamental MATEMÁTICA CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. H1 - Identificar e interpretar, a H2 - Reconhecer a M1 - Compreender a partir da leitura de textos contribuição da Matemática na Matemática como construção apropriados, diferentes compreensão e análise de humana, relacionando o seu registros do conhecimento fenômenos naturais e da desenvolvimento com a matemático ao longo do produção tecnológica, ao transformação da sociedade. tempo. longo da história. M2 - Ampliar formas de raciocínio e processos H6 - Identificar e interpretar H7 - Utilizar conceitos e mentais por meio de conceitos e procedimentos procedimentos matemáticos indução, dedução, analogia matemáticos expressos em para explicar fenômenos ou e estimativa, utilizando diferentes formas. fatos do cotidiano. conceitos e procedimentos matemáticos. H12 - Construir e aplicar M3 - Construir significados H11 - Identificar, interpretar e conceitos de números e ampliar os já existentes representar os números naturais, inteiros e racionais, para os números naturais, naturais, inteiros e racionais. para explicar fenômenos de inteiros e racionais. qualquer natureza. 146 IntrodutÛrio - 1.pmd 146 10/7/2003, 15:13
  • 149. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, organizar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos relacionar, interpretar dados informações, representadas conhecimentos desenvolvidos e informações representados em diferentes formas, e para elaboração de propostas de diferentes formas para conhecimentos disponíveis de intervenção solidária na tomar decisões e enfrentar em situações concretas realidade, respeitando os situações-problema. para construir valores humanos e argumentação consistente. considerando a diversidade sociocultural. H5 - Reconhecer, pela leitura H3 - Identificar o recurso de textos apropriados, a matemático utilizado pelo H4 - Identificar a Matemática importância da Matemática na homem, ao longo da história, como importante recurso para elaboração de proposta de para enfrentar e resolver a construção de argumentação. intervenção solidária na problemas. realidade. H8 - Utilizar conceitos e procedimentos matemáticos H9 – Identificar e utilizar H10 - Reconhecer a para construir formas de conceitos e procedimentos adequação da proposta de raciocínio que permitam matemáticos na construção de ação solidária, utilizando aplicar estratégias para a argumentação consistente. conceitos e procedimentos resolução de problemas. matemáticos. H13 - Interpretar informações H14 - Utilizar os números H15 - Recorrer à compreensão e operar com números naturais, inteiros e racionais, numérica para avaliar naturais, inteiros e racionais, na construção de argumentos propostas de intervenção frente para tomar decisões e sobre afirmações quantitativas a problemas da realidade. enfrentar situações-problema. de qualquer natureza. 147 IntrodutÛrio - 1.pmd 147 10/7/2003, 15:13
  • 150. Documento Básico - Livro Introdutório - Matemática Ensino Fundamental CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. M4 - Utilizar o H16 - Identificar e interpretar H17 - Construir e identificar conhecimento geométrico fenômenos de qualquer conceitos geométricos no para realizar a leitura e a natureza expressos em contexto da atividade representação da realidade linguagem geométrica. cotidiana. e agir sobre ela. M5 - Construir e ampliar H22 - Estabelecer relações noções de grandezas e H21 - Identificar e interpretar adequadas entre os diversos medidas para a registros, utilizando a notação sistemas de medida e a compreensão da realidade convencional de medidas. representação de fenômenos e a solução de problemas naturais e do cotidiano. do cotidiano. M6 - Construir e ampliar H27 - Identificar e avaliar a H26 - Identificar grandezas noções de variação de variação de grandezas para direta e, inversamente grandeza para a compreensão explicar fenômenos naturais, proporcionais, e interpretar a da realidade e a solução de processos socioeconômicos e notação usual de problemas do cotidiano. da produção tecnológica. porcentagem. 148 IntrodutÛrio - 1.pmd 148 10/7/2003, 15:13
  • 151. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, organizar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos relacionar, interpretar dados informações, representadas conhecimentos desenvolvidos e informações representados em diferentes formas, e para elaboração de propostas de diferentes formas para conhecimentos disponíveis de intervenção solidária na tomar decisões e enfrentar em situações concretas realidade, respeitando os situações-problema. para construir valores humanos e argumentação consistente. considerando a diversidade sociocultural. H19 - Utilizar conceitos H18 - Interpretar informações H20 - Recorrer a conceitos geométricos na seleção de e aplicar estratégias geométricos para avaliar argumentos propostos como geométricas na solução de propostas de intervenção solução de problemas do problemas do cotidiano. sobre problemas do cotidiano. cotidiano. H24 - Selecionar e relacionar H23 - Selecionar, informações referentes a compatibilizar e operar estimativas ou outras formas H25 - Reconhecer propostas informações métricas de de mensuração de fenômenos adequadas de ação sobre a diferentes sistemas ou de natureza qualquer, com a realidade, utilizando medidas e unidades de medida na construção de argumentação estimativas. resolução de problemas do que possibilitem sua cotidiano. compreensão. H29 - Identificar e interpretar H30 - Recorrer a cálculos com variações percentuais de H28 - Resolver problemas porcentagem e relações entre variável socioeconômica ou envolvendo grandezas direta e grandezas proporcionais para técnico-científica como inversamente proporcionais e avaliar a adequação de importante recurso para a porcentagem. propostas de intervenção na construção de argumentação realidade. consistente. 149 IntrodutÛrio - 1.pmd 149 10/7/2003, 15:13
  • 152. Documento Básico - Livro Introdutório - Matemática Ensino Fundamental CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. H32 - Caracterizar fenômenos H31 - Identificar, interpretar e naturais e processos da M7 - Construir e utilizar utilizar a linguagem algébrica produção tecnológica, conceitos algébricos para como uma generalização de utilizando expressões modelar e resolver conceitos aritméticos. algébricas e equações de 1° e problemas. 2° graus. M8 - Interpretar informações H37 - Identificar ou inferir de natureza científica e social, H36 - Reconhecer e interpretar aspectos relacionados a obtidas da leitura de gráficos as informações de natureza fenômenos de natureza e tabelas, realizando previsão científica ou social expressas científica ou social, a partir de de tendência, extrapolação, em gráficos ou tabelas. informações expressas em interpolação e interpretação. gráficos ou tabelas. M9 - Compreender conceitos, H41 - Identificar e interpretar H42 - Construir e identificar estratégias e situações estratégias e situações conceitos matemáticos matemáticas numéricas para matemáticas numéricas numéricos na interpretação de aplicá-los a situações diversas, aplicadas em contextos fenômenos, em contextos no contexto das ciências, da diversos da ciência e da diversos da ciência e da tecnologia e da atividade tecnologia. tecnologia. cotidiana. 150 IntrodutÛrio - 1.pmd 150 10/7/2003, 15:13
  • 153. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos organizar, relacionar, informações, conhecimentos desenvolvidos interpretar dados e representadas em para elaboração de propostas informações representados diferentes formas, e de intervenção solidária na de diferentes formas para conhecimentos disponíveis realidade, respeitando os tomar decisões e enfrentar em situações concretas valores humanos e situações-problema. para construir considerando a diversidade argumentação consistente. sociocultural. H34 - Analisar o H33 - Utilizar expressões comportamento de variável, H35 - Avaliar, com auxílio de algébricas e equações de 1° e utilizando ferramentas ferramentas algébricas, a 2° graus para modelar e algébricas como importante adequação de propostas de resolver problemas. recurso para a construção de intervenção na realidade. argumentação consistente. H39 - Analisar o H40 - Avaliar, com auxílio de H38 - Selecionar e interpretar comportamento de variável dados apresentados em informações expressas em expresso em gráficos ou gráficos ou tabelas, a gráficos ou tabelas para a tabelas, como importante adequação de propostas de resolução de problemas. recurso para a construção de intervenção na realidade. argumentação consistente. H44 - Utilizar conceitos e H43 - Interpretar informações H45 - Recorrer a conceitos estratégias matemáticas e aplicar estratégias matemáticos numéricos para numéricas na seleção de matemáticas numéricas na avaliar propostas de argumentos propostos, como solução de problemas em intervenção sobre problemas solução de problemas, em contextos diversos da ciência de natureza científica e contextos diversos da ciência e da tecnologia. tecnológica. e da tecnologia. 151 IntrodutÛrio - 1.pmd 151 10/7/2003, 15:13
  • 154. Documento Básico - Livro Introdutório Ensino Médio MATEMÁTICA E SUAS TECNOLOGIAS CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. M1 - Compreender a H1 - Identificar e interpretar, a H2 - Reconhecer a Matemática como partir da leitura de textos contribuição da Matemática na construção humana, apropriados, diferentes compreensão e análise de relacionando o seu registros do conhecimento fenômenos naturais e da desenvolvimento com a matemático ao longo do produção tecnológica, ao transformação da sociedade. tempo. longo da história. M2 - Ampliar formas de raciocínio e processos H6 - Identificar e interpretar H7 - Utilizar conceitos e mentais por meio de conceitos e procedimentos procedimentos matemáticos indução, dedução, analogia matemáticos expressos em para explicar fenômenos ou e estimativa, utilizando diferentes formas. fatos do cotidiano. conceitos e procedimentos matemáticos. H12 - Construir e aplicar M3 - Construir H11 - Identificar, interpretar e conceitos de números naturais, significados e ampliar os representar os números inteiros, racionais e reais, para já existentes para os naturais, inteiros, racionais e explicar fenômenos de números naturais, inteiros, reais. qualquer natureza. racionais e reais. 152 IntrodutÛrio - 1.pmd 152 10/7/2003, 15:13
  • 155. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, organizar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos relacionar, interpretar dados informações, representadas conhecimentos desenvolvidos e informações representados em diferentes formas, e para elaboração de propostas de diferentes formas para conhecimentos disponíveis de intervenção solidária na tomar decisões e enfrentar em situações concretas realidade, respeitando os situações-problema. para construir valores humanos e argumentação consistente. considerando a diversidade sociocultural. H5 - Reconhecer, pela leitura H3 - Identificar o recurso de textos apropriados, a matemático utilizado pelo H4 - Identificar a Matemática importância da Matemática na homem, ao longo da história, como importante recurso para elaboração de proposta de para enfrentar e resolver a construção de intervenção solidária na problemas. argumentação. realidade. H8 - Utilizar conceitos e procedimentos matemáticos H9 – Identificar e utilizar H10 - Reconhecer a adequação para construir formas de conceitos e procedimentos da proposta de ação solidária, raciocínio que permitam matemáticos na construção de utilizando conceitos e aplicar estratégias para a argumentação consistente. procedimentos matemáticos. resolução de problemas. H14 - Utilizar os números H13 - Interpretar informações naturais, inteiros, racionais e H15 - Recorrer à compreensão e operar com números reais, na construção de numérica para avaliar naturais, inteiros, racionais e argumentos sobre afirmações propostas de intervenção reais, para tomar decisões e quantitativas de qualquer frente a problemas da enfrentar situações-problema. natureza. realidade. 153 IntrodutÛrio - 1.pmd 153 10/7/2003, 15:13
  • 156. Documento Básico - Livro Introdutório - Matemática Ensino Médio e suas Tecnologias CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. M4 - Utilizar o H16 - Identificar e interpretar H17 - Construir e identificar conhecimento geométrico fenômenos de qualquer conceitos geométricos no para realizar a leitura e a natureza expressos em contexto da atividade representação da realidade e linguagem geométrica. cotidiana. agir sobre ela. M5 - Construir e ampliar H22 - Estabelecer relações noções de grandezas e H21 - Identificar e interpretar adequadas entre os diversos medidas para a registros, utilizando a notação sistemas de medida e a compreensão da realidade convencional de medidas. representação de fenômenos e a solução de problemas naturais e do cotidiano. do cotidiano. M6 - Construir e ampliar noções de variação de H27 - Identificar e avaliar a H26 - Identificar grandezas grandeza para a variação de grandezas para direta e, inversamente compreensão da realidade proporcionais, e interpretar a explicar fenômenos naturais, e a solução de problemas notação usual de porcentagem. processos socioeconômicos e do cotidiano. da produção tecnológica. 154 IntrodutÛrio - 1.pmd 154 10/7/2003, 15:13
  • 157. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos organizar, relacionar, informações, conhecimentos desenvolvidos interpretar dados e representadas em para elaboração de propostas informações representados diferentes formas, e de intervenção solidária na de diferentes formas para conhecimentos disponíveis realidade, respeitando os tomar decisões e enfrentar em situações concretas valores humanos e situações-problema. para construir considerando a diversidade argumentação consistente. sociocultural. H19 - Utilizar conceitos H18 - Interpretar informações H20 - Recorrer a conceitos geométricos na seleção de e aplicar estratégias geométricos para avaliar argumentos propostos como geométricas na solução de propostas de intervenção solução de problemas do problemas do cotidiano. sobre problemas do cotidiano. cotidiano. H24 - Selecionar e relacionar H23 - Selecionar, informações referentes a compatibilizar e operar estimativas ou outras formas H25 - Reconhecer propostas informações métricas de de mensuração de fenômenos adequadas de ação sobre a diferentes sistemas ou de natureza qualquer, com a realidade, utilizando medidas e unidades de medida na construção de argumentação estimativas. resolução de problemas do que possibilitem sua cotidiano. compreensão. H29 - Identificar e interpretar H30 - Recorrer a cálculos com H28 - Resolver problemas variações percentuais de variável porcentagem e relações entre envolvendo grandezas direta e socioeconômica ou técnico- grandezas proporcionais para inversamente proporcionais e científica como importante avaliar a adequação de porcentagem. recurso para a construção de propostas de intervenção na argumentação consistente. realidade. 155 IntrodutÛrio - 1.pmd 155 10/7/2003, 15:13
  • 158. Documento Básico - Livro Introdutório - Matemática Ensino Médio e suas Tecnologias CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. H32 - Interpretar ou aplicar M7 - Aplicar expressões H31 - Identificar e interpretar modelos analíticos, analíticas para modelar e representações analíticas de envolvendo equações resolver problemas, processos naturais ou da algébricas, inequações ou envolvendo variáveis produção tecnológica e de sistemas lineares, objetivando socioeconômicas ou figuras geométricas como a compreensão de fenômenos técnico-científicas. pontos, retas e naturais ou processos de circunferências. produção tecnológica. M8 - Interpretar informações H37 - Identificar ou inferir de natureza científica e social H36 - Reconhecer e interpretar aspectos relacionados a obtidas da leitura de gráficos as informações de natureza fenômenos de natureza e tabelas, realizando previsão científica ou social expressas científica ou social, a partir de de tendência, extrapolação, em gráficos ou tabelas. informações expressas em interpolação e interpretação. gráficos ou tabelas. M9 - Compreender o caráter aleatório e não H42 - Caracterizar ou inferir determinístico dos aspectos relacionados a fenômenos naturais e sociais H41 - Identificar, interpretar e fenômenos de natureza e utilizar instrumentos produzir registros de científica ou social, a partir de adequados para medidas e informações sobre fatos ou informações expressas por cálculos de probabilidade, fenômenos de caráter meio de uma distribuição para interpretar informações aleatório. estatística. de variáveis apresentadas em uma distribuição estatística. 156 IntrodutÛrio - 1.pmd 156 10/7/2003, 15:13
  • 159. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos organizar, relacionar, informações, conhecimentos desenvolvidos interpretar dados e representadas em para elaboração de propostas informações representados diferentes formas, e de intervenção solidária na de diferentes formas para conhecimentos disponíveis realidade, respeitando os tomar decisões e enfrentar em situações concretas valores humanos e situações-problema. para construir considerando a diversidade argumentação consistente. sociocultural. H33 - Modelar e resolver H34 - Utilizar modelagem H35 - Avaliar, com auxílio de problemas utilizando equações analítica como recurso ferramentas analíticas, a e inequações com uma ou importante na elaboração de adequação de propostas de mais variáveis. argumentação consistente. intervenção na realidade. H39 - Analisar o H40 - Avaliar, com auxílio de H38 - Selecionar e interpretar comportamento de variável dados apresentados em informações expressas em expresso em gráficos ou gráficos ou tabelas, a gráficos ou tabelas para a tabelas, como importante adequação de propostas de resolução de problemas. recurso para a construção de intervenção na realidade. argumentação consistente. H44 - Analisar o comportamento de variável H45 - Avaliar, com auxílio de H43 - Resolver problemas expresso por meio de uma dados apresentados em envolvendo processos de distribuição estatística como distribuições estatísticas, a contagem, medida e cálculo de importante recurso para a adequação de propostas de probabilidades. construção de argumentação intervenção na realidade. consistente. 157 IntrodutÛrio - 1.pmd 157 10/7/2003, 15:13
  • 160. Documento Básico - Livro Introdutório Ensino Fundamental HISTÓRIA E GEOGRAFIA CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. H1 - Identificar diferentes F1 - Compreender formas de representação de H2 – Reconhecer processos sociais fatos e fenômenos histórico- transformações temporais e utilizando conhecimentos geográficos expressos em espaciais na realidade. históricos e geográficos. diferentes linguagens. F2 - Compreender o papel H6 – Identificar fenômenos e H7 – Analisar geograficamente das sociedades no fatos histórico-geográficos e características e dinâmicas dos processo de produção do suas dimensões espaciais e fluxos populacionais, espaço, do território, da temporais, utilizando mapas e relacionando-os com a paisagem e do lugar. gráficos. constituição do espaço. F3 - Compreender a H12 – Reconhecer a H11 – Identificar características importância do patrimônio diversidade dos patrimônios de diferentes patrimônios cultural e respeitar a étnico-culturais e artísticos étnico-culturais e artísticos. diversidade étnica. em diferentes sociedades. 158 IntrodutÛrio - 1.pmd 158 10/7/2003, 15:13
  • 161. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos organizar, relacionar, informações, conhecimentos desenvolvidos interpretar dados e representadas em para elaboração de propostas informações representados diferentes formas, e de intervenção solidária na de diferentes formas para conhecimentos disponíveis realidade, respeitando os tomar decisões e enfrentar em situações concretas valores humanos e situações-problema. para construir considerando a diversidade argumentação consistente. sociocultural. H3 - Interpretar realidades H5 – Considerar o respeito aos H4 - Comparar diferentes históricas e geográficas valores humanos e à explicações para fatos e estabelecendo relações entre diversidade sociocultural, nas processos históricos e/ou diferentes fatos e processos análises de fatos e processos geográficos. sociais. históricos e geográficos. H8 – Interpretar situações H10 – Comparar propostas de histórico-geográficas da H9 – Comparar os processos soluções para problemas de sociedade brasileira referentes de formação socioeconômicos natureza socioambiental, à constituição do espaço, do e geográficos da sociedade respeitando valores humanos e território, da paisagem e/ou do brasileira. a diversidade sociocultural. lugar. H15 – Identificar propostas H13 - Interpretar os que reconheçam a importância significados de diferentes H14 - Comparar as diferentes do patrimônio étnico-cultural manifestações populares como representações étnico- e artístico para a preservação representação do patrimônio culturais e artísticas. das memórias e das regional e cultural. identidades nacionais. 159 IntrodutÛrio - 1.pmd 159 10/7/2003, 15:13
  • 162. Documento Básico - Livro Introdutório - História e Geografia Ensino Fundamental CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. F4 - Compreender e H16 – Identificar em diferentes valorizar os fundamentos da H17 – Caracterizar as lutas documentos históricos os cidadania e da democracia, sociais, em prol da cidadania e fundamentos da cidadania e da de forma a favorecer uma da democracia, em diversos democracia presentes na vida atuação consciente do momentos históricos. social. indivíduo na sociedade. F5 - Compreender o H21 – Identificar em diferentes H22 – Investigar, criticamente, processo histórico de documentos históricos e o significado da construção e ocupação do território e a geográficos vários divulgação dos marcos formação da sociedade movimentos sociais brasileiros históricos relacionados à brasileira. e seu papel na transformação história da formação da da realidade. sociedade brasileira. H27 – Caracterizar formas F6 – Interpretar a H26 – Identificar espaciais criadas pelas formação e organização representações do espaço sociedades, no processo de do espaço geográfico geográfico em textos formação e organização do brasileiro, considerando científicos, imagens, fotos, espaço geográfico, que diferentes escalas. gráficos etc. contemplem a dinâmica entre a cidade e o campo. 160 IntrodutÛrio - 1.pmd 160 10/7/2003, 15:13
  • 163. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos organizar, relacionar, informações, conhecimentos desenvolvidos interpretar dados e representadas em para elaboração de propostas informações representados diferentes formas, e de intervenção solidária na de diferentes formas para conhecimentos disponíveis realidade, respeitando os tomar decisões e enfrentar em situações concretas valores humanos e situações-problema. para construir considerando a diversidade argumentação consistente. sociocultural. H18 – Relacionar os H19 – Discutir situações da H20 – Selecionar, criticamente, fundamentos da cidadania e da vida cotidiana relacionadas a propostas de inclusão social, democracia, do presente e do preconceitos étnicos, culturais, demonstrando respeito aos passado, aos valores éticos e religiosos e de qualquer outra direitos humanos e à morais na vida cotidiana. natureza. diversidade sociocultural. H25 – Avaliar propostas para H23 – Interpretar o processo H24 – Analisar relações entre superação dos desafios sociais, de ocupação e formação da as sociedades e a natureza na políticos e econômicos sociedade brasileira, a partir da construção do espaço histórico enfrentados pela sociedade análise de fatos e processos e geográfico. brasileira na construção de sua históricos. identidade nacional. H30 – A partir de interpretações cartográficas do H28 – Analisar interações entre H29 – Discutir diferentes espaço geográfico brasileiro, sociedade e natureza na formas de uso e apropriação estabelecer propostas de organização do espaço dos espaços, envolvendo a intervenção solidária para histórico e geográfico, cidade e o campo, e suas consolidação dos valores envolvendo a cidade e o transformações no tempo. humanos e de equilíbrio campo. ambiental. 161 IntrodutÛrio - 1.pmd 161 10/7/2003, 15:13
  • 164. Documento Básico - Livro Introdutório - História e Geografia Ensino Fundamental CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. H32 – Identificar a presença H31 – Associar as dos recursos naturais na F7 - Perceber-se características do ambiente organização do espaço integrante, dependente e (local ou regional) à vida geográfico, relacionando agente transformador do pessoal e social. transformações naturais e ambiente. intervenção humana. H36 - Identificar aspectos da F8 - Compreender a H37 – Caracterizar formas de realidade econômico-social de organização política e circulação de informação, um país ou região, a partir de econômica das sociedades capitais, mercadorias e indicadores socioeconômicos contemporâneas. serviços no tempo e no graficamente representados. espaço. F9 - Compreender os processos de formação das H41 - Identificar os processos H42 - Estabelecer relações instituições sociais e políticas, de formação das instituições entre os processos de a partir de diferentes formas sociais e políticas que formação das instituições de regulamentação das regulamentam a sociedade e o sociais e políticas. sociedades e do espaço espaço geográfico brasileiro. geográfico. 162 IntrodutÛrio - 1.pmd 162 10/7/2003, 15:13
  • 165. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos organizar, relacionar, informações, conhecimentos desenvolvidos interpretar dados e representadas em para elaboração de propostas informações representados diferentes formas, e de intervenção solidária na de diferentes formas para conhecimentos disponíveis realidade, respeitando os tomar decisões e enfrentar em situações concretas valores humanos e situações-problema. para construir considerando a diversidade argumentação consistente. sociocultural. H35 – Selecionar H34 - Analisar, criticamente, procedimentos e uso de H33 - Relacionar a diversidade as implicações sociais e diferentes tecnologias em morfoclimática do território ambientais do uso das contextos histórico- brasileiro com a distribuição tecnologias em diferentes geográficos específicos, tendo dos recursos naturais. contextos histórico- em vista a conservação do geográficos. ambiente. H40 – Comparar organizações H38 - Comparar os diferentes H39 – Discutir formas de políticas, econômicas e sociais modos de vida das propagação de hábitos de no mundo contemporâneo, na populações, utilizando dados consumo que induzam a identificação de propostas que sobre produção, circulação e sistemas produtivos predatórios propiciem eqüidade na consumo. do ambiente e da sociedade. qualidade de vida de sua população. H43 - Compreender o H44 – Discutir situações em H45 – Comparar propostas e significado histórico das que os direitos dos cidadãos ações das instituições sociais e instituições sociais, foram conquistados, mas não políticas, no enfrentamento de considerando as relações de usufruídos por todos os problemas de ordem poder, a partir de situação dada. segmentos sociais. econômico-social. 163 IntrodutÛrio - 1.pmd 163 10/7/2003, 15:13
  • 166. Documento Básico - Livro Introdutório Ensino Médio CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. H2 - Analisar a produção da M1 – Compreender os H1 - Interpretar historicamente memória e do espaço elementos culturais que fontes documentais de geográfico pelas sociedades constituem as identidades. naturezas diversas. humanas. M2 - Compreender a gênese e a transformação das H6 - Interpretar diferentes diferentes organizações H7 - Identificar os significados representações do espaço territoriais e os múltiplos históricos das relações de geográfico e dos diferentes fatores que neles intervêm, poder entre as nações. aspectos da sociedade. como produto das relações de poder. M3 - Compreender o H12 - Analisar o papel dos desenvolvimento da H11 - Identificar diferentes recursos naturais na produção sociedade como processo de representações cartográficas do espaço geográfico, ocupação de espaços físicos de um mesmo espaço relacionando transformações e as relações da vida geográfico. naturais e intervenção humana com a paisagem. humana. 164 IntrodutÛrio - 1.pmd 164 10/7/2003, 15:13
  • 167. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos organizar, relacionar, informações, conhecimentos desenvolvidos interpretar dados e representadas em para elaboração de propostas informações representados diferentes formas, e de intervenção solidária na de diferentes formas para conhecimentos disponíveis realidade, respeitando os tomar decisões e enfrentar em situações concretas valores humanos e situações-problema. para construir considerando a diversidade argumentação consistente. sociocultural. H5 - Valorizar a diversidade do H4 - Comparar pontos de vista H3 - Associar as manifestações patrimônio cultural e artístico, expressos em diferentes fontes culturais do presente aos seus identificando suas sobre um determinado aspecto processos históricos. manifestações e representações da cultura. em diferentes sociedades. H10 - Reconhecer a dinâmica da organização dos H8 - Analisar os processos de H9 - Comparar o significado movimentos sociais e a transformação histórica e seus histórico da constituição dos importância da participação da determinantes principais. diferentes espaços. coletividade na transformação da realidade histórico- geográfica. H13 - Correlacionar a H15 – Confrontar formas de H14 - Correlacionar textos dinâmica dos fluxos interações culturais, sociais, analíticos e interpretativos populacionais e a organização econômicas, ambientais, em sobre diferentes processos do espaço geográfico. diferentes circunstâncias histórico-geográficos. históricas. 165 IntrodutÛrio - 1.pmd 165 10/7/2003, 15:13
  • 168. Documento Básico - Livro Introdutório - Ciências Humanas Ensino Médio e suas Tecnologias CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. M4 - Compreender a produção e o papel H16 - Identificar registros em H17 - Analisar o papel do histórico das instituições diferentes práticas dos direito (civil e internacional) sociais, políticas e diferentes grupos sociais no na estruturação e organização econômicas, associando-as tempo e no espaço. das sociedades. às práticas dos diferentes grupos e atores sociais. M5 - Compreender e valorizar H21 – Identificar o papel dos H22 - Analisar as conquistas os fundamentos da cidadania e diferentes meios de sociais e as transformações da democracia, favorecendo comunicação na construção da ocorridas nas legislações em uma atuação consciente do cidadania e da democracia. diferentes períodos históricos. indivíduo na sociedade. M6 - Perceber-se integrante H27 - Relacionar sociedade e e agente transformador do H26 - Identificar em diferentes natureza, reconhecendo suas espaço geográfico, fontes os elementos que interações na organização do identificando seus compõem o espaço geográfico. espaço, em diferentes contextos elementos e interações. histórico-geográficos. 166 IntrodutÛrio - 1.pmd 166 10/7/2003, 15:13
  • 169. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos organizar, relacionar, informações, conhecimentos desenvolvidos interpretar dados e representadas em para elaboração de propostas informações representados diferentes formas, e de intervenção solidária na de diferentes formas para conhecimentos disponíveis realidade, respeitando os tomar decisões e enfrentar em situações concretas valores humanos e situações-problema. para construir considerando a diversidade argumentação consistente. sociocultural. H19 - Comparar diferentes pontos de vista sobre H20 - Reconhecer alternativas H18 - Analisar a ação das situações ou fatos de natureza de intervenção em conflitos instituições no enfrentamento histórico-geográfica, sociais e crises institucionais de problemas de ordem identificando os pressupostos que respeitem os valores econômico- social. de cada interpretação e humanos e a diversidade analisando a validade dos sociocultural. argumentos utilizados. H23 - Analisar o papel dos H24 - Relacionar criticamente H25 – Identificar referenciais valores éticos e morais na formas de preservação da que possibilitem erradicar estruturação política das memória social. formas de exclusão social. sociedades. H28 - Relacionar as H30 - Propor formas de implicações socioambientais H29 - Discutir ações sobre as atuação para conservação do do uso das tecnologias em relações da sociedade com o meio ambiente e diferentes contextos histórico- ambiente. desenvolvimento sustentável. geográficos. 167 IntrodutÛrio - 1.pmd 167 10/7/2003, 15:13
  • 170. Documento Básico - Livro Introdutório - Ciências Humanas Ensino Médio e suas Tecnologias CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. M7 - Entender o impacto das H31 - Identificar e interpretar H32 - Analisar as formas de técnicas e tecnologias registros sobre as formas de circulação da informação, da associadas aos processos de trabalho em diferentes riqueza e dos produtos em produção, o contextos histórico- diferentes momentos da desenvolvimento do geográficos, relacionando-os à história. conhecimento e a vida social. produção humana. M8 - Entender a H37 - Interpretar fatores que importância das tecnologias H36 - Identificar e interpretar permitam explicar o impacto das contemporâneas de formas de registro das novas novas tecnologias no processo comunicação e informação tecnologias na organização do de desterritorialização da e seu impacto na trabalho e da vida social e produção industrial e agrícola. organização do trabalho e pessoal. da vida pessoal e social. M9 - Confrontar proposições H41 – Identificar os a partir de situações instrumentos para ordenar os H42 - Analisar as históricas diferenciadas no eventos históricos, interferências ocorridas em tempo e no espaço e indagar relacionando-os a fatores diferentes grupos sociais, sobre processos de geográficos, sociais, considerando as permanências transformações políticas, econômicos, políticos e ou transformações ocorridas. econômicas e sociais. culturais. 168 IntrodutÛrio - 1.pmd 168 10/7/2003, 15:13
  • 171. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos organizar, relacionar, informações, conhecimentos desenvolvidos interpretar dados e representadas em para elaboração de propostas informações representados diferentes formas, e de intervenção solidária na de diferentes formas para conhecimentos disponíveis realidade, respeitando os tomar decisões e enfrentar em situações concretas valores humanos e situações-problema. para construir considerando a diversidade argumentação consistente. sociocultural. H34 - Identificar vantagens e H35 - Reconhecer as desvantagens do conhecimento H33 - Comparar diferentes diferenças e as transformações técnico e tecnológico processos de produção e suas que determinaram as várias produzido pelas diversas implicações sociais e espaciais. formas de uso e apropriação sociedades em diferentes dos espaços agrário e urbano. circunstâncias históricas. H40 - Relacionar alternativas H38 - Analisar a para enfrentar situações mundialização da economia e H39 - Comparar as novas decorrentes da introdução de os processos de tecnologias e as modificações novas tecnologias no setor interdependência acentuados nas relações da vida social e produtivo e na vida cotidiana, pelo desenvolvimento de no mundo do trabalho. respeitando os valores novas tecnologias. humanos e a diversidade sociocultural. H43 – Interpretar realidades H44 - Confrontar as diferentes H45 - Posicionar-se histórico-geográficas, a partir escalas espaço/temporais a criticamente sobre os de conhecimentos sobre partir de realidades históricas e processos de transformações economia, as práticas sociais e geográficas. políticas, econômicas, culturais. culturais e sociais. 169 IntrodutÛrio - 1.pmd 169 10/7/2003, 15:13
  • 172. Documento Básico - Livro Introdutório Ensino Fundamental CIÊNCIAS CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. F1 - Compreender a H2 - Relacionar diferentes ciência como atividade H1 - Identificar e descrever explicações propostas para um humana, histórica, diferentes representações dos mesmo fenômeno natural, na associada a aspectos de fenômenos naturais a partir da perspectiva histórica do ordem social, econômica, leitura de imagens ou textos. conhecimento científico. política e cultural. F2 - Compreender H7 - Identificar processos e H6 - Observar e identificar, em substâncias utilizados na conhecimentos científicos e tecnológicos como meios representações variadas, produção e conservação dos fontes e transformações de alimentos, e em outros produtos para suprir necessidades energia que ocorrem em de uso comum, avaliando riscos humanas, identificando processos naturais e e benefícios dessa utilização riscos e benefícios de suas tecnológicos. para a saúde pessoal. aplicações. F3 - Compreender a natureza H11 – Descrever e comparar como um sistema dinâmico e diferentes seres vivos que H12 – Identificar, em situações o ser humano, em sociedade, habitam diferentes ambientes, reais, perturbações ambientais como um de seus agentes de segundo suas características ou medidas de recuperação. transformações. ecológicas. 170 IntrodutÛrio - 1.pmd 170 10/7/2003, 15:13
  • 173. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos organizar, relacionar, informações, conhecimentos desenvolvidos interpretar dados e representadas em para elaboração de propostas informações representados diferentes formas, e de intervenção solidária na de diferentes formas para conhecimentos disponíveis realidade, respeitando os tomar decisões e enfrentar em situações concretas valores humanos e situações-problema. para construir considerando a diversidade argumentação consistente. sociocultural. H4 - Selecionar argumentos H5 - Identificar propostas H3 - Associar determinadas científico-tecnológicos que solidárias de intervenção transformações culturais em pretendam explicar fenômenos voltadas à superação de função do desenvolvimento sociais, econômicos e problemas sociais, econômicos científico e tecnológico. ambientais do passado e do ou ambientais. presente. H8 - Associar a solução de H9 - Reconhecer argumentos H10 – Selecionar, dentre as problemas da comunicação, pró ou contra o uso de diferentes formas de se obter transporte, saúde (como determinadas tecnologias para um mesmo recurso material ou epidemias) ou outro, com o solução de necessidades energético, as mais adequadas correspondente humanas, relacionadas à ou viáveis para suprir as desenvolvimento científico e saúde, moradia, transporte, necessidades de determinada tecnológico. agricultura etc. região. H13 - Relacionar transferência H14 - Relacionar, no espaço H15 – Propor alternativas de de energia e ciclo de matéria a ou no tempo, mudanças na produção que minimizem os diferentes processos qualidade do solo, da água ou danos ao ambiente provocados (alimentação, fotossíntese, do ar às intervenções por atividades industriais ou respiração e decomposição). humanas. agrícolas. 171 IntrodutÛrio - 1.pmd 171 10/7/2003, 15:13
  • 174. Documento Básico - Livro Introdutório - Ciências Ensino Fundamental CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. F4 - Compreender a saúde H16 - Identificar e interpretar a H17 - Associar a como bem pessoal e variação dos indicadores de qualidade de vida, em ambiental que deve ser saúde e de desenvolvimento diferentes faixas etárias e em promovido por meio de humano, a partir de dados diferentes regiões, a fatores diferentes agentes, de apresentados em gráficos, sociais e ambientais que forma individual e tabelas ou textos discursivos. contribuam para isso. coletiva. F5 - Compreender o próprio H21 - Representar (localizar, H22 - Associar sintomas de corpo e a sexualidade como nomear, descrever) órgãos ou doenças a suas possíveis elementos de realização sistemas do corpo humano, causas ou a resultados de humana, valorizando e identificando hábitos de testes diagnósticos simples, desenvolvendo a formação manutenção da saúde, prevenindo-se contra a de hábitos de auto-cuidado, funções, disfunções ou automedicação e valorizando de auto-estima e de doenças a eles relacionadas. o tratamento médico respeito ao outro. adequado. F6 - Aplicar H26 - Associar procedimentos, H27 - Examinar a possível conhecimentos e precauções ou outras equivalência da composição tecnologias associadas às informações expressas em de produtos de uso cotidiano ciências naturais em rótulos, bulas ou manuais de (limpeza doméstica, higiene diferentes contextos produtos de uso cotidiano a pessoal, alimentos, relevantes para a vida. características de substâncias medicamentos ou outros). que os constituem. 172 IntrodutÛrio - 1.pmd 172 10/7/2003, 15:13
  • 175. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos organizar, relacionar, informações, conhecimentos desenvolvidos interpretar dados e representadas em para elaboração de propostas informações representados diferentes formas, e de intervenção solidária na de diferentes formas para conhecimentos disponíveis realidade, respeitando os tomar decisões e enfrentar em situações concretas valores humanos e situações-problema. para construir considerando a diversidade argumentação consistente. sociocultural. H20 - Comparar e selecionar alternativas de condições de H18 - Relacionar a incidência trabalho e/ou normas de H19 - Comparar argumentos de doenças ocupacionais, segurança em diferentes sobre problemas de saúde do degenerativas e infecto- contextos, valorizando o trabalhador decorrentes de contagiosas a condições que conhecimento científico e o suas condições de trabalho. favorecem a sua ocorrência. bem estar físico e mental de si próprio e daqueles com quem convive. H24 - Analisar o funcionamento de métodos anticoncepcionais e H23 - Relacionar saúde com H25 - Selecionar e justificar reconhecer a importância de hábitos alimentares, atividade propostas em prol da saúde alguns deles na prevenção de física e uso de medicamentos e física ou mental dos doenças sexualmente outras drogas, considerando indivíduos ou da coletividade, transmissíveis, considerando diferentes momentos do ciclo em diferentes condições diferentes momentos do de vida humano. etárias, culturais ou desenvolvimento sexual e socioambientais. psíquico do ser humano. H28 – Comparar, entre H29 - Selecionar testes de diversos bens de consumo, o controle ou outros parâmetros H30 - Diagnosticar situações mais adequado a determinada de qualidade de produtos, do cotidiano em que ocorrem finalidade, baseando-se em conforme determinados desperdícios de energia ou propriedades das substâncias argumentos ou explicações, matéria, e propor formas de (e/ou misturas) que os tendo em vista a defesa do minimizá-las. constituem, ou outras consumidor. características relevantes. 173 IntrodutÛrio - 1.pmd 173 10/7/2003, 15:13
  • 176. Documento Básico - Livro Introdutório - Ciências Ensino Fundamental CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. H31 – Reconhecer na linguagem corrente H32 - Relacionar F7 - Diagnosticar informações científicas comportamento de variáveis à problemas, formular apresentadas em diferentes explicação de determinado questões e propor linguagens (matemática, fenômeno natural, a partir de soluções a partir de artística ou científica) a uma situação concreta conhecimentos das respeito de processos naturais expressa em linguagem ciências naturais em ou induzidos pela atividade matemática ou outra. diferentes contextos. humana. F8 -Compreender o H36 - Reconhecer e/ou H37 - Relacionar diferentes Sistema Solar em sua empregar linguagem científica fenômenos cíclicos como: dia- configuração cósmica e a (nomes, gráficos, símbolos e noite, estações do ano, climas Terra em sua constituição representações) relativa à e eclipses aos movimentos da geológica e planetária. Terra e ao sistema solar. Terra e da Lua. H41 - Identificar finalidades, F9 - Reconhecer na riscos e benefícios dos H42 - Relacionar diferentes natureza e avaliar a processos de obtenção de recursos naturais – seres disponibilidade de recursos materiais e vivos, materiais ou energia - a recursos materiais e energéticos, apresentados em bens de consumo utilizados energéticos e os processos gráficos, figuras, tabelas ou no cotidiano. para sua obtenção e textos. utilização. 174 IntrodutÛrio - 1.pmd 174 10/7/2003, 15:13
  • 177. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos organizar, relacionar, informações, conhecimentos desenvolvidos interpretar dados e representadas em para elaboração de propostas informações representados diferentes formas, e de intervenção solidária na de diferentes formas para conhecimentos disponíveis realidade, respeitando os tomar decisões e enfrentar em situações concretas valores humanos e situações-problema. para construir considerando a diversidade argumentação consistente. sociocultural. H34 – Analisar o uso de H35 – Comparar H33 – Combinar leituras, procedimentos, de procedimentos propostos para observações, experimentações equipamentos ou dos o enfrentamento de um e outros procedimentos para resultados por eles obtidos, problema real, decidindo os diagnosticar e enfrentar um para uma dada finalidade que melhor atendem ao dado problema. prática ou a investigação de interesse coletivo, utilizando fenômenos. informações científicas. H40 - Estabelecer relações H38 - Fazer previsões sobre entre informações para marés, eclipses ou fases da Lua H39 - Analisar argumentos explicar transformações a partir de uma dada que refutam ou aceitam naturais ou induzidas pelas configuração das posições conclusões apresentadas sobre atividades humanas como relativas da Terra, Sol e Lua ou características do planeta maremotos, vulcões, outras informações dadas. Terra. enchentes, desertificação etc. H45 – Analisar propostas para o uso de materiais e recursos H44 – Comparar, entre os energéticos, tendo em vista o H43 – Investigar o significado vários processos de desenvolvimento sustentável, e a importância da água e de fracionamento de misturas considerando-se as seu ciclo em relação a existentes na natureza, os características e condições socioambientais. mais adequados para se obter disponibilidades regionais (de os produtos desejados. subsolo, vegetação, rios, ventos, oceanos etc.) 175 IntrodutÛrio - 1.pmd 175 10/7/2003, 15:13
  • 178. Documento Básico - Livro Introdutório Ensino Médio CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. M1 - Compreender as H1 - Identificar transformações H2 – Utilizar modelo ciências como construções de idéias e termos científico- explicativo de determinada humanas, relacionando o tecnológicos ao longo de ciência natural para desenvolvimento científico diferentes épocas e entre compreender determinados ao longo da história com a diferentes culturas. fenômenos. transformação da sociedade. M2 - Compreender o papel H7 – Relacionar as das ciências naturais e das H6 – Identificar diferentes características do som a sua tecnologias a elas ondas e radiações, produção e recepção, e as associadas, nos processos relacionado-as aos seus usos características da luz aos de produção e no cotidianos, hospitalares ou processos de formação de desenvolvimento industriais. imagens. econômico e social contemporâneo. H12 - Interpretar e M3 - Identificar a presença H11 - Utilizar terminologia dimensionar circuitos elétricos e aplicar as tecnologias científica adequada para domésticos ou em outros associadas às ciências descrever situações cotidianas ambientes, considerando naturais em diferentes apresentadas de diferentes informações dadas sobre contextos relevantes para formas. corrente, tensão, resistência e sua vida pessoal. potência. 176 IntrodutÛrio - 1.pmd 176 10/7/2003, 15:13
  • 179. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos organizar, relacionar, informações, conhecimentos desenvolvidos interpretar dados e representadas em para elaboração de propostas informações representados diferentes formas, e de intervenção solidária na de diferentes formas para conhecimentos disponíveis realidade, respeitando os tomar decisões e enfrentar em situações concretas valores humanos e situações-problema. para construir considerando a diversidade argumentação consistente. sociocultural. H5 - Avaliar propostas ou H3 - Associar a solução de H4 - Confrontar diferentes políticas públicas em que problemas de comunicação, interpretações de senso comum conhecimentos científicos ou transporte, saúde, ou outro, e científicas sobre práticas tecnológicos estejam a serviço com o correspondente sociais, como formas de da melhoria das condições de desenvolvimento científico e produção, e hábitos pessoais, vida e da superação de tecnológico. como higiene e alimentação. desigualdades sociais. H10 - Analisar propostas de H8 – Analisar variáveis como H9 - Comparar exemplos de intervenção nos ambientes pressão, densidade e vazão de utilização de tecnologia em considerando as dinâmicas das fluidos para enfrentar diferentes situações culturais, populações, associando garantia situações que envolvam avaliando o papel da de estabilidade dos ambientes e problemas relacionados à tecnologia no processo social da qualidade de vida humana a água, ou ao ar, em processos e explicando transformações medidas de conservação, naturais e tecnológicos. de matéria, energia e vida. recuperação e utilização auto- sustentável da biodiversidade. H15 – Selecionar H14 - Comparar diferentes procedimentos, testes de H13 - Relacionar informações instrumentos e processos controle ou outros parâmetros para compreender manuais de tecnológicos para identificar e de qualidade de produtos, instalação e utilização de analisar seu impacto no trabalho conforme determinados aparelhos ou sistemas e no consumo e sua relação com argumentos ou explicações, tecnológicos de uso comum. a qualidade de vida. tendo em vista a defesa do consumidor. 177 IntrodutÛrio - 1.pmd 177 10/7/2003, 15:13
  • 180. Documento Básico - Livro Introdutório - Ensino Médio Ciências da Natureza e suas Tecnologias CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. H17 - Compreender a M4 - Associar alterações importância da água para a ambientais a processos H16 - Identificar e descrever vida em diferentes ambientes produtivos e sociais, e processos de obtenção, em termos de suas instrumentos ou ações utilização e reciclagem de propriedades químicas, físicas científico-tecnológicos à recursos naturais e matérias- e biológicas, identificando degradação e preservação primas. fatos que causam do ambiente. perturbações em seu ciclo. H21 - Interpretar e relacionar M5 - Compreender indicadores de saúde e H22 - Reconhecer os organismo humano e desenvolvimento humano, mecanismos da transmissão da saúde, relacionando como mortalidade, natalidade, vida e prever a manifestação conhecimento científico, longevidade, nutrição, de características dos seres cultura, ambiente e saneamento, renda e vivos, em especial, do ser hábitos ou outras escolaridade, apresentados em humano. características individuais. gráficos, tabelas e/ou textos. H26 - Relacionar informações apresentadas em diferentes H27 - Analisar e prever M6 - Entender métodos e formas de linguagem e fenômenos ou resultados de procedimentos próprios das representação usadas nas experimentos científicos ciências naturais e aplicá- Ciências, como texto organizando e sistematizando los a diferentes contextos. discursivo, gráficos, tabelas, informações dadas. relações matemáticas ou linguagem simbólica. 178 IntrodutÛrio - 1.pmd 178 10/7/2003, 15:13
  • 181. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos organizar, relacionar, informações, conhecimentos desenvolvidos interpretar dados e representadas em para elaboração de propostas informações representados diferentes formas, e de intervenção solidária na de diferentes formas para conhecimentos disponíveis realidade, respeitando os tomar decisões e enfrentar em situações concretas valores humanos e situações-problema. para construir considerando a diversidade argumentação consistente. sociocultural. H20 - Relacionar atividades H19 - Analisar aspectos éticos, sociais e econômicas – H18 - Analisar perturbações vantagens e desvantagens da comércio, industrialização, ambientais, identificando biotecnologia (transgênicos, urbanização, mineração e fontes, transporte e destinos clones, melhoramento agropecuária – com as dos poluentes e prevendo genético, cultura de células), principais alterações nos efeitos nos sistemas naturais, considerando as estruturas e ambientes brasileiros, produtivos e sociais. processos biológicos neles considerando os interesses envolvidos. contraditórios envolvidos. H23 - Associar os processos H25 - Analisar propostas de vitais do organismo humano H24 - Avaliar a veracidade e intervenção social (defesa, manutenção do posicionar-se criticamente considerando fatores equilíbrio interno, relações com diante de informações sobre biológicos, sociais e o ambiente, sexualidade, etc.) a saúde individual e coletiva econômicos que afetam a fatores de ordem ambiental, relacionados a condições de qualidade de vida dos social ou cultural dos trabalho e normas de indivíduos, das famílias e das indivíduos, seus hábitos ou segurança. comunidades. outras características pessoais. H29 - Avaliar a adequação a H30 - Selecionar métodos ou H28 - Selecionar, em determinadas finalidades de procedimentos próprios das contextos de risco à saúde sistemas ou produtos como Ciências Naturais que individual e coletiva, normas águas, medicamentos e contribuam para diagnosticar de segurança, procedimentos alimentos a partir de suas ou solucionar problemas de e condições ambientais a características físicas, ordem social, econômica ou partir de critérios científicos. químicas ou biológicas. ambiental. 179 IntrodutÛrio - 1.pmd 179 10/7/2003, 15:14
  • 182. Documento Básico - Livro Introdutório - Ensino Médio Ciências da Natureza e suas Tecnologias CI - Dominar a norma CII - Construir e aplicar culta da Língua conceitos das várias áreas Portuguesa e fazer uso das do conhecimento para a linguagens matemática, compreensão de fenômenos artística e científica. naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. M7 - Apropriar-se de H32 - Reconhecer grandezas H31 - Descrever e comparar conhecimentos da física significativas, etapas e características físicas e para compreender o propriedades térmicas dos parâmetros de movimentos de mundo natural e para materiais relevantes para veículos, corpos celestes e interpretar, avaliar e analisar e compreender os outros objetos em diferentes planejar intervenções processos de trocas de calor linguagens e formas de científico-tecnológicas no presentes nos sistemas representação. mundo contemporâneo. naturais e tecnológicos. M8 - Apropriar-se de H37 - Caracterizar materiais, conhecimentos da química H36 - Reconhecer e utilizar substâncias e transformações para compreender o códigos e nomenclatura da químicas, identificando mundo natural e para química para caracterizar propriedades, etapas, interpretar, avaliar e materiais, substâncias e rendimentos e taxas de sua planejar intervenções transformações químicas e obtenção e produção; científico-tecnológicas no para identificar suas implicações sociais, mundo contemporâneo. propriedades. econômicas e ambientais. M9 - Apropriar-se de H42 - Associar características conhecimentos da biologia gerais e adaptações dos para compreender o H41 – Identificar e descrever grandes grupos de animais e mundo natural e para diferentes representações de plantas com o seu modo de interpretar, avaliar e fenômenos biológicos a partir vida e seus limites de planejar intervenções de textos e imagens. distribuição nos diferentes científico-tecnológicas no ambientes, em especial nos mundo contemporâneo. ambientes brasileiros. 180 IntrodutÛrio - 1.pmd 180 10/7/2003, 15:14
  • 183. IV. As matrizes que estruturam as avaliações CIII - Selecionar, CIV - Relacionar CV - Recorrer aos organizar, relacionar, informações, conhecimentos desenvolvidos interpretar dados e representadas em para elaboração de propostas informações representados diferentes formas, e de intervenção solidária na de diferentes formas para conhecimentos disponíveis realidade, respeitando os tomar decisões e enfrentar em situações concretas valores humanos e situações-problema. para construir considerando a diversidade argumentação consistente. sociocultural. H34 - Comparar e avaliar H33 - Utilizar leis físicas para sistemas naturais e